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Numero do processo: 10925.000047/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação da PIS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
"Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da PIS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação.
No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
Numero da decisão: 3401-005.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 PIS NÃOCUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da PIS nãocumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 47 /2 01 0- 85 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 2 No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento dos créditos de valores referentes a itens não considerados como insumos pela fiscalização, de despesas de arrendamento mercantil e de encargos de depreciação. Além das glosas de créditos citadas, a autoridade fiscal também procedeu ao recálculo do rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Sustenta que, na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos, motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexos. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 4 Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário à preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário à utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Nonnativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa juridica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 5 Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. Já em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo, o mesmo e' contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo”. Bens do ativo imobilizado A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Conforme consta no anexo IV do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtiva, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras ƒrigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é que são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito. Rateio Proporcional Por fim, em relação ao rateio proporcional dos custos comuns entre as receitas de mercado interno e externo a contribuinte assim se manifesta: Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 6 Tendo em vista que a contribuinte efetuou o cálculo de acordo com o preenchimento da Dacon, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, e tendo em vista essa manifestação, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com as orientações de preenchimento da DACON e de acordo com a legislação. Por unanimidade de votos, a DRJ/FNS, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Acórdão nº 0727.869. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, mas também que não transferiu para o julgador o ônus da prova. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.018, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.000006/201099, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.018): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/05/2012, interpondo seu voluntário em 11/06/2012, portanto, dele tomo conhecimento. O presente contencioso cingese no reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativas, no ramo da agroindústria (atividade principal de cultivo de maçã), decorrentes dos chamados insumos (embalagens; aquisições de serviços de transportes; aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes; material de construção; limpeza de desinfecção; partes e peças de automóvel; fretes); despesas com arrendamento mercantil; encargos com a depreciação com recursos florestais; encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado e rateio proporcional de despesas. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 7 Consta da Intimação SAORT, na qual se requereu a apresentação de arquivos digitais de notas fiscais dos Livros Registros de Entradas e Saídas; folhas do Livro de Apuração do IPI e/ou do ICMS; relação de notas fiscais; relação de despesas com armazenamento e frete; memória de cálculo dos dados informados no DACON; relatório das notas fiscais de aquisição de insumos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não alcançadas pela incidência do PIS/COFINS; fluxograma detalhado do processo produtivo da Recorrente; memória de cálculo dos rateios; relação dos maiores fornecedores limitados a 20 que correspondessem a 80% do crédito pleiteado; relação das unidades (matriz e filiais); relação das exportações diretas e vendas à comercial exportadora; memorandos de exportação e arquivos digitais. Após, sobreveio a Intimação SAORT, a fim de que a Recorrente apresentasse cópias das notas fiscais de aquisição de bens/serviços utilizados como insumos, referentes ao 2° trimestre de 2006. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal TVEF: a) apresentou a documentação requerida nas Intimações acima; b) tem direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, vez que é produtora de maçã, nos termos do inciso III, artigo 28 da Lei 10.865/2004, beneficiandose dos saldos credores apurados para fins de ressarcimento ou compensação; c) o aproveitamento de créditos de bens e serviços utilizados como insumos deve seguir os termos da IN 404/2004, sendo efetuadas conferências físicas por amostragem de notas fiscais de entrada, de acordo com critérios definidos pelo Auditor Fiscal da RFB, onde foram levados em conta o valor das notas fiscais, os fornecedores. a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Também foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados desta Secretaria, elaboradas planilhas para se verificar o correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP's) nas respectivas linhas do Dacon e realizadas conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, com o objetivo de detectar possíveis erros e/ou omissões; c.1) foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários: I) inclusão de bens e serviços que não encontram enquadramento no inciso II, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, tratandose, na verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 8 E listou os itens glosados que não se enquadram como insumos: a) Material para embalamento e etiquetas: tampa de exportação branca linda fruta 20 kg, tampa festiva mark colada, tampa papelão, fundo exportação 20 kg, fundo papelão, lâmina de plástico com bolha, traypack (bandeja azul para acondicionar as maçãs), cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra (para impressão nas etiquetas), entre outros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que os materiais como cola e fita adesiva são utilizados na montagem das caixas. As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 116, 118, 120, 127 a 130, e 133 do processo fiscal n° 10925.000021/2010 37ExportaçãoCOFINS). Nessa diligência do dia 22/07/2010, confirmouse que as tampas e os fundos das caixas são realmente feitos de papelão ondulado. E verificouse que essas caixas, o plástico bolha e o traypack têm o objetivo principal de proteger as maças durante seu transporte. b) Material para montagem de embalagem de transporte (bins): grampo, tábua pinus, ripa de madeira de pinus e prego. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificou se que bins são grandes caixas de madeira utilizados para transportar maçãs a granel, geralmente com pallet integrado, para facilitar o carregamento dessas caixas por empilhadeiras; c) Material de preparação para transporte da mercadoria: cantoneira eucatex e de eucalipto, cola branca, saco plástico para cantoneira, flta polyester e selo de aço para fita polyester; d) Produtos para movimentação de cargas pallet, carga de gás P5, gás a granel GLP. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e) Material de Construção: tinta Óleo, verniz, secante, diluente, thinner, telha, solvente, cimento etc; f) Limpeza e desinfecção: Formol. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o formol é utilizado para desinfecção dos locais de armazenagem; g) Partes e peças de automóveis: pneu e câmara de ar; h) Combustíveis: gasolina comum e Óleo díesel; i) Outros itens: saco plástico. Disse que somente são enquadrados como insumos, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, e/ou serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ressalvando ainda: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 9 Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os “bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que as embalagens apresentadas como tampa e fundo de caixas, lâmina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra, entre outras são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 quilos de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características supracitadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Ripas e tábuas de pinus, pregos, cantoneiras, fitas de polyester, entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referente aos fretes de materiais Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 10 diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 122, 123 e 124 do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS naocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II do processo fiscal n° 10925.000021/201037 Exportação~COFINS) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. II) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil os contratos juntados, na essência, são contratos de financiamento. Ao invés de arrendar (alugar), na verdade, a empresa está comprando os equipamentos, dizendo: Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados. Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. III) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a Recorrente creditouse de encargos de recursos florestais, porém os ativos como “implantação de maçã", “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 Ha etc.) e "pomar" (Gala e macieira) estão sujeitos aos encargos de exaustão. Além disso, os bens do ativo imobilizado não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs e mencionou: Seguem alguns bens glosados: colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, pinus reflorestamento, refeitório, retífica motor, revisão caixa/câmbio e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. IV) o contribuinte efetuou o rateio entre mercado interno não tributado e mercado externo (receitas de exportação) com base nos créditos do DACON. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 11 Como se vê, a questão de prova é bastante debatida, e aliás, não poderia ser diferente. Assim, impende destacar do corpo do voto da relatora da DRJ/FNS: 1. Considerações iniciais ônus da prova: (...), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 2. Hipóteses legais de direito a crédito no âmbito do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS Tece considerações sobre a previsão legal atinente ao direito ao crédito no regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), IN/SRF 247/2002 (artigo 66) e 404/2004 (artigo 8°), asseverando: Vêse, então, que só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviço ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Já em relação aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, a legislação igualmente condiciona o direito à utilização do bem na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Em se tratando de serviço de frete, que não consista de insumo, a previsão legal expressa de direito a crédito é em relação àquele serviço vinculado a uma operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Portanto, não é procedente a alegação da contribuinte de que a legislação utilizada pelo auditor fiscal, como fundamento das glosas procedidas, não traz as restrições ao direito ao crédito por ele apontadas. Vêse contradição entre o TVEF e o voto/acórdão da DRJ/FNS e este consigo mesmo, por quê? Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 12 Em primeiro, o TVEF diz que a Recorrente entregou/comprovou todos os documentos que o SAORT lhe requereu. O TVEF negou direito ao crédito, dizendo, em síntese, que o que a Recorrente pleiteava não era permitido pela legislação, mas não por falta de prova. Em segundo, de um lado, o voto/acórdão diz que a Recorrente se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos. Por outro, adentra no mérito dos aproveitamentos. Percebese que houve um intenso trabalho da Delegacia de origem, coleta de prova e sua análise, chegandose na vírgula sobre o direito ao crédito, aliás, também o fez a DRJ/FNS. Deste modo, entendese suficiente a dilação probatória, tendo a Recorrente atendido as intimações da unidade de origem na busca pela origem dos crédito. Vencida esta etapa, adentrase no mérito, principiandose pelas 3 (três) correntes formadas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos, para depois, quais seriam os insumos no caso concreto e seus demais creditamento objeto da glosa. Dos insumos para fins de aproveitamento de crédito do PIS/COFINS À mão de se dar mais objetividade ao julgamento partese diretamente às 3 (três) correntes surgidas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos para fins de tomada de crédito do PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 13 critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 14 destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303 003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 15 "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). E mais recentemente, o Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 (cinco) votos a 3 (três), prevalecendo assim, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência, o que se adota por este Relator, cuja ementa se transcreve: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 16 DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 17 contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. Da análise das glosas Insumos. Embalagens A análise fiscal entendeu como insumos somente as embalagens destinadas ao transporte dos produtos. Já a Recorrente defendeu que as embalagens utilizadas para proteger os produtos (maçãs), e além disso, para efeitos promocionais da marca, elevando suas despesas, não havendo restrições da legislação neste particular, tampouco, pela normatização, a qual entende que material de embalagem é insumo (artigo 66, I, b, § 5°, I, a, da IN 247/2002), além do processo de consulta 45/2003, da SRRF 2ª Região Fiscal. Acerca do assunto, já se pronunciou este CARF, por meio do acórdão 3402004.880, o qual, por unânime de votos, decidiu por meio da ementa abaixo transcrita: INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 18 final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste E. Tribunal também se manifestou sobre assunto correlato, por intermédio do acórdão 9303006.068, à maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, de acordo com a seguinte ementa: PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Deste modo, deve ser reconhecido o direito creditório referente aos materiais de embalamento (nos termos da alínea "a", do item 2.2.1 do TVEF); materiais para montagem de embalagem de transporte (bins), de acordo com a alínea "b", do item 2.2.1 do TVEF; materiais de preparação para transporte da mercadoria, conforme Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 19 alínea "c", do item 2.2.1 do TVEF; produtos para movimentação de cargas, referente alínea "d", do item 2.2.1 do TVEF, e por conseguinte, revertendose as glosas relativas a estes itens, únicos impugnados/recorridos pela Recorrente. Insumos. Serviços de transporte Entendeu o agente fiscal que apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, não aceitando os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Sobre o tema, decidiu o acórdão 3402004.931, por maioria de votos, reconhecer o direito creditório referente às despesas de frete. Vejase a ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 20 relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Neste sentido, seguindose a ordem da glosa e da defesa, ratificase o voto quanto ao tópico precedente, devendo ser integralmente revertidas a glosa referente aos itens 2.2.1., alíneas "b", "c" e "d" do TVEF. Registrese que os serviços descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito ficam mantidos na glosa feita pela autoridade fiscal. Insumos. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Temse que a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes, a teor do artigo 3°, II da Lei 10.833/2003, tornase possível a tomada de créditos, sendo o tema, objeto de manifestação deste E. Tribunal, por meio do acórdão 3201003.455, o qual, à maioria de votos, decidiu: (...) EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS (sic) E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. (...). Diante disso, deve ser revertida a glosa em relação a combustíveis e lubrificantes, reconhecendose o crédito (no caso Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 21 de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A previsão de aproveitamento de crédito referente a valores de contraprestações de arrendamento mercantil está no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03. A jurisprudência desta Corte (Ac. 3301002.411, voto de qualidade), entende cabível a tomada de crédito a este título: (...) CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. Admitese o creditamento das despesas comprovadas de arrendamento mercantil, por disposição expressa da lei. Por outro lado, resta saber se os contratos de arrendamento juntados pela Recorrente, realmente assim se revelam. Entendeu o voto vencedor da DRJ que se trata de uma operação de arrendamento mercantil em tudo e por tudo equiparada a uma operação de compra e venda, sendo mantida a glosa em questão. Neste sentido já decidiu este Tribunal: (...) DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. (Ac. 1302 001.587, v. u.). O voto do aludido precedente elucida a questão: Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 22 Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 23 objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 24 Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Por tais razões, mantémse a glosa integralmente. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado O agente fiscal subtraiu tais créditos por entender que não fazem parte do maquinário do processo produtivo da Recorrente (linha 7/9, da ficha 7 da DACON). De modo diverso, entende a Recorrente, vez que carretão com rolete, transporta maçãs; registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas) são indispensáveis à formação da venda, de acordo com o artigo 3°, VI e VII, §§ 1° e 14 (1/48), da Lei 10.833/03. Também foram glosadas as depreciações os pomares (macieiras), entendendose que não sofrem depreciação, mas sim exaustão (linha 10 da ficha 16A do DACON ativos como "implantação de maçã", "maçã Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 Ha e 7.04 Ha e "pomar" Gala e macieira. A DRJ reconheceu a depreciação dos pomares, não havendo interesse de agir por parte da Recorrente neste particular, razão bastante para manter a decisão da DRJ. A Recorrente defende que pomares não são florestas, e por tal razão não estão submetidas à exaustão, e ainda, que o Decreto 3.000/99, em seu artigo 334, remete à exaustão à hipótese de extração de árvore, o que não acontece na cultura da maçã, exceto ao término da vida útil de sua árvore, quando é erradicada. Diz que a depreciação se caracteriza pelo uso do bem, no caso, a macieira é usada para produção da maçã. Já a exaustão se caracteriza pela extração da árvore no caso de florestas , o que não ocorre com as macieiras. Sobre o aproveitamento de encargos de depreciação, citase o Ac. 3301002.411, o qual, por meio de voto de qualidade, assim decidiu: Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 25 (...) CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. Razão assiste à Recorrente, mas no tocante ao que esta trouxe no seu recurso, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura, vez que ligados diretamente ao processo produtivo. Receitas de vendas rateio proporcional A contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon. O inciso II do § 8° do artigo 3.”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, trata da apropriação proporcional dos custos, despesas e encargos no cálculo dos créditos associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, para fins de cálculo de créditos de COFINS, passíveis de desconto, compensação ou ressarcimento: Art. 3.". [...] § 8°. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos. despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. auferidos em cada mês.(g.n.) Com acerto, o voto da relatora da DRJ/FNS (efl. 188): Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 26 Como se percebe, o rateio proporcional previsto no dispositivo legal destinase ao cálculo dos percentuais de créditos vinculados a custos, despesas e encargos "comuns", a serem associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, classificadas de acordo com seu tratamento tributário. Deste modo, em se tratando de custos, despesas e encargos comuns ou seja, para os quais não existe, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita , há que se utilizar o rateio proporcional para fins de apurar quais os percentuais dos créditos devem ser associados às receitas submetidas ao regime não cumulativo, no caso, qual percentual deve estar associado: às receitas tributadas no mercado interno, às não tributadas no mercado interno e às receitas de exportação. Ou seja, a proporção adotada na apropriação dos custos, despesas e encargos comuns na apuração dos créditos vinculados a cada uma das operações da empresa (ficha 06A e 16A) deve seguir a mesma relação percentual existente entre a receita decorrente de cad uma dessas operações e a receita bruta total sujeita à incidência nãocumulativa, auferidas em cada mês (ficha 07A). Pelo exposto, mantémse integralmente a glosa neste particular. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 27 (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 289DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000981/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Caracteriza-se a presunção legal de omissão de receita, se constatado saldo credor na conta caixa, o contribuinte não apresenta a documentação que comprovaria sua alegação de que os registros que efetuou por valores globais, foram efetuados a destempo.
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO.
O passivo fictício é aquele valor que figura no passivo da empresa sem representar uma dívida efetiva; a constatação de passivo fictício não tendo sido ilidida pelo contribuinte, deve prevalecer a conclusão da autoridade fiscal, de omissão de receita.
CSLL. PIS. Cofins. Lançamentos reflexos
No que tange às omissões de receitas, aplica-se aos lançamentos decorrentes de CSLL. PIS e Cofins, o decidido no principal
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizando-se este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado.
BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO-CUMULATIVIDADE.
Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizando-se este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado.
BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO-CUMULATIVIDADE.
Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Cofins.
Numero da decisão: 1201-002.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracteriza-se a presunção legal de omissão de receita, se constatado saldo credor na conta caixa, o contribuinte não apresenta a documentação que comprovaria sua alegação de que os registros que efetuou por valores globais, foram efetuados a destempo. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. O passivo fictício é aquele valor que figura no passivo da empresa sem representar uma dívida efetiva; a constatação de passivo fictício não tendo sido ilidida pelo contribuinte, deve prevalecer a conclusão da autoridade fiscal, de omissão de receita. CSLL. PIS. Cofins. Lançamentos reflexos No que tange às omissões de receitas, aplica-se aos lançamentos decorrentes de CSLL. PIS e Cofins, o decidido no principal Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO. Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizando-se este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado. BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO-CUMULATIVIDADE. Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO. Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizando-se este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado. BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO-CUMULATIVIDADE. Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Cofins.
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SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracterizase a presunção legal de omissão de receita, se constatado saldo credor na conta caixa, o contribuinte não apresenta a documentação que comprovaria sua alegação de que os registros que efetuou por valores globais, foram efetuados a destempo. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. O passivo fictício é aquele valor que figura no passivo da empresa sem representar uma dívida efetiva; a constatação de passivo fictício não tendo sido ilidida pelo contribuinte, deve prevalecer a conclusão da autoridade fiscal, de omissão de receita. CSLL. PIS. Cofins. Lançamentos reflexos No que tange às omissões de receitas, aplicase aos lançamentos decorrentes de CSLL. PIS e Cofins, o decidido no principal ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO. Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizandose este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado. BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO CUMULATIVIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 09 81 /2 01 0- 51 Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 3 2 Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO. Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizandose este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado. BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO CUMULATIVIDADE. Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 4 3 Trata o processo de autos de infração de págs. 3/28, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no regime lucro real anual, com Saldo de Prejuízo do Próprio Período Compensado no valor de R$1.738.650,66, devido às infrações: 0001 Saldo Credor de Caixa, fato gerador 31/12/2005; 002 Omissão de Receitas por Presunção Legal, Passivo Fictício, fato gerador em 31/12/2005; 0002 Omissão de Receitas Financeiras, fato gerador em 31/12/2005. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, compensação da Base de Cálculo Negativa no valor de R$1.738.650,66, reflexo das infrações 001, 002 e 003 descritas. Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com Saldo de Créditos a Descontar Compensados de R$2.033.651,41, regime nãocumulativo, reflexo das infrações 001 e 002 e glosa de valores indevidamente utilizados na apuração da base de cálculo dos créditos a descontar: a) despesas de aluguéis de prédios locados de PJ; b) despesas de frete nas operações de venda; e Omissão de Receitas Bonificações recebidas de fornecedores em Disponibilidades. Contribuição para o PIS, com Saldo de Créditos a Descontar Compensados de R$441.516,45, regime nãocumulativo, reflexo das infrações 001 e 002, e glosa de valores indevidamente utilizados na apuração da base de cálculo dos créditos a descontar: a) despesas de aluguéis de prédios locados de PJ; b) despesas de frete nas operações de venda; e Omissão de Receitas Bonificações recebidas de fornecedores em Disponibilidades. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal TVF, págs. 29/49. 2. Cientificado em 28/12/2010, pág. 675, o contribuinte apresentou impugnações de págs. 678/689 (IRPJ), 765/776 (CSLL), 797/812 (PIS), 834/853 (Cofins), julgadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA, no Acórdão nº 0934.558, em 20 de abril de 2011, págs. 877/891, que a julgou a impugnação improcedente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. CARACTERIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO A constatação de saldo credor na conta caixa da pessoa jurídica, quando essa não lograr apresentar provas em contrário, enquadrase como presunção legal, autorizativa no sentido de que se presuma a existência de manipulação de recursos à margem dos registros contáveis, vez que, não havendo disponibilidade contábil no Caixa, quaisquer saídas ou pagamentos efetuados por essa conta evidenciam a utilização de valores oriundos de receitas omitidas, caracterizadores do elemento do tipo legal descrito como infração. OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO Provada nos autos a manutenção no passivo de obrigações j á pagas ou cuja Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 5 4 exigibilidade não restou comprovada, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte, há que se manter a exigência nesse particular. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Uma vez que os parcela dos lançamentos de Pis, de Cofins e de CSLL decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, evidenciase o caráter reflexivo, impondose a esses, mutatis mutandis, o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS BONIFICAÇÕES RECEBIDAS DE FORNECEDORES, EM DISPONIBILIDADES. PIS. COFINS O fato gerador daquelas contribuições corresponde ao faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela contribuinte, independente de sua denominação ou classificação fiscal, é dizer sua receita bruta de venda de bens e serviços, bem como todas as demais receitas auferidas. Portanto, uma vez recebidas bonificações, em espécie, sem seu reconhecimento, há que se considerálas como omissão de receitas. DESPESAS DE FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDAS. GLOSA Uma vez não comprovadas, há que se manter a glosa de valores declarados em Dacon a título de despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. O contribuinte cientificado em 20/06/2011, apresentou Recurso Voluntário, págs. 895/919, a seguir resumido. 4. Sobre o Saldo Credor de Caixa, explica que sua atividade é comércio atacadista de mercadorias em geral, na modalidade de atacadistadistribuidor, ou seja, adquire grandes quantidades de mercadorias diretamente dos fabricantes ou de importadores, armazena e revende tais mercadorias e as entrega por meio de veículos próprios e de terceiros, em estabelecimentos varejistas localizado nos mais diversos pontos do território nacional (em 2005 aproximadamente 240 caminhões, para a entrega em cerca de 15.000 estabelecimentos varejistas, em pelo menos quinze estados da federação); grande parte dos recebimentos de pagamentos (em dinheiro, cheques, ticketsalimentação) pelos eram feitos pelos próprios motoristas; que, no retorno à sede da empresa, eram entregues a tesouraria, com o documento "Fechamento Geral de Viagem"; devido ao grande número de recebimentos com centenas de documentos, os recursos financeiros eram recebidos na tesouraria, para, depois de alguns dias, fazeremse as conferências dos "acertos". Em razão dessa sistemática a contabilização dos recebimentos, na conta "CAIXA" eram feitos com defasagem de alguns dias, por valores globais de movimentos de vários dias, o que gerava lançamentos com valores altos, em alguns dias e valores pequenos em outros dias, conforme os exemplos que cita; assim, embora tenham sido identificados, saldos credores de caixa, pelo auditor fiscal tratase, apenas, de imperfeições Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 6 5 na forma de contabilização dos recebimentos feitos pela empresa, em razão de dificuldades provocadas pela existência de um grande número de documentos o que não caracteriza omissão de receitas. 5. Acerca do Passivo Fictício: apresenta argumentos e cita documentos que anexou na impugnação, relativamente a a) R$85.851,15 e R$ 145.036,34 do fornecedor Glaxosmithkline Brasil S/A; b) o título R$11.005,36 do fornecedor Singer Ingellheim Ind Com Ltda, lançouse o número 255288 que corresponde a outra nota fiscal, com valor de R$8.913,41, que foi paga e baixada em 10/01/2006, com seu número correto 255288; c) as notas fiscaisfatura n° 19603 e 20088, da Stratus Comércio e Indústria de Produtos Químicos Ltda. 6. Quanto aos demais títulos que compõem o suposto passivo fictício que, por se tratarem de documentos emitidos e arquivados há mais de cinco anos, não foram localizados a tempo de serem entregues ao autuante, para provar a inexistência do total do suposto passivo fictício no valor de R$925.586,35, mas que contesta na totalidade, e assevera que serão localizados e encaminhados a esse Conselho. 7. Sobre as glosas de créditos de despesas de frete, referentes à compra de combustíveis e lubrificantes para os veículos próprios, argumenta que a legislação autoriza o crédito dos valores gastos com o frete na entrega ao clientes, dos bens adquiridos para revenda, por ocasião das entregas aos respectivos compradores, (no caso comerciantes varejistas) quando o ônus for inteiramente suportado pelo vendedor, sem qualquer distinção de uso de frota própria ou de terceiros. 8. Sobre a omissão de receitas bonificações recebidas, explica que foram concedidas pelos fornecedores, incondicionalmente, independente de qualquer contrapartida por parte da compradora e são destinadas a reduzir os custos das diversas mercadorias compradas da empresa bonificadora; por não representarem receitas, os respectivos valores foram contabilizados a crédito de contas de descontos obtidos e de uma conta representativa de ações comerciais de incentivo a vendas; tais contas de descontos são creditadas pelas bonificações recebidas ao longo do ano e, como são contas de resultado, são encerradas no balanço como redutoras do custo das mercadorias vendidas e provocam o aumento do lucro liquido, da base de cálculo da CSLL e, depois dos ajustes que são feitos no LALUR, refletemse, também, no lucro real, base de cálculo do IRPJ pelo qual foram, normalmente, tributadas. Destaca que, se a forma e os lançamentos contábeis feitos pela empresa, em relação às bonificações incondicionais, como redutores dos custos das mercadorias vendidas e não como receitas, foram considerados corretos e aceitos pelo agente fiscalizador para fins do IRPJ, não pode ele querer transformar tais em receitas, para fins de tributação da Contribuição Para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. 9. Não constam documentos comprobatórios adicionais, no processo. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora Fl. 961DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 7 6 1 Infrações não impugnadas. 1.1 OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. 10. Citese a DRJ, com relação à infração de R$11.887,16 de receitas financeiras omitidas: 1.1.3) relativamente ao item 003 (DESCONTOS OBTIDOS) está bem caracterizada a omissão de receitas financeiras, dada a falta de contabilização dc desconto oblido no pagamento dc título emitido por fornecedor item 1.3 do TVF. Senão vejamos: a contribuinte foi instada no item 5 do Tl n° 005 (11. 346) reiteração feita no TI n° 008 (fl. 363) a apresentar documentação comprobatória da quitação do título cm aberto com o fornecedor ORVENT COSMÉTICOS LTDA., referente à nota fiscal de compra de mercadorias n° 193.313, contabilizada cm 18/07/2005 no valor dc R$ 73.483,20; em resposta, foram apresentados os documentos de fls. 459465 nos quais constam pagamentos e abatimentos obtidos na quitação do referido título; conforme consta no demonstrativo de fl. 68. confeccionado pelo fisco, a contribuinte obteve abatimentos no somatório de RS 15.586,44, dos quais apenas RS 3.669,28 foram contabilizados em seu Diário (VR REF CREDITO DESCONTO EM NF DUPL. 193313 FORNECEDOR); portanto, a diferença de RS 11.887,16 (15.586,44 3.669.28), que consta como pendente de pagamento cm 31/12/2005, corresponde, em verdade, ao abatimento obtido no pagamento ocorrido em 29/08/2005, não contabilizado. Digno de nota. não foi tecida uma linha sequer a título de impugnação, circunstância que revela mais uma vez matéria não litigiosa. 1.2 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS 11. Citese também a DRJ: Também nesse particular a contribuinte não atacou o lançamento, preferindo requerer, caso confirmada a tributação da Cofins, "sejam acrescidos ao valor do prejuízo operacional compensável que consta no demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais IRPJ e do Demonstrativo da Compensação de Bases Negativas da CSLL, anexos aos respectivos autos de infração ". Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 8 7 2 Saldo Credor de Caixa 12. Os mesmos argumentos foram já haviam sido apresentados na impugnação, tendo o Acórdão DRJ constatado, citando a base legal, art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999): Não há dúvidas de que é relativa a presunção legal encerrada naquele tipo, portanto, passível de ser afastada pela impugnante. Não obstante, há ínsito nela também o ônus, de responsabilidade da contribuinte, da prova da improcedência daquela presunção, mediante documentação hábil e idônea que lastreie sua escrituração na qual deve estar presente a observância às leis comerciais e fiscais, consoante o disposto no art. 251, § único, do Decreto n º 3.000/1999, que assim dispôs:(...) Assim, resta incólume o DEMONSTRATIVO DE RECEITAS OMITIDAS SALDO CREDOR DE CAIXA (lis. 4951) aludido no item 1.1 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 2848 integrante dos Ais cujos valores, frisese. foram encontrados na escrituração do Diário da contribuinte (fls. 503510). A seu turno, o discurso passivo de que a sistemática de contabilização de recebimentos na conta Caixa, feita em defasagem de alguns dias, por valores globais, de sorte a gerar saldos credores irreais, não encontra abrigo na legislação de regência. Ao contrário, a defendida rotina operacional desnuda menoscabo da necessária escorreição de escrituração em seu Diário, pelo qual atos ou operações de sua atividade, modificadores de sua situação patrimonial, deveriam ser ali escriturados dia a dia. A propósito, objetivando comprovar a defendida defasagem em face do enorme volume de recebimentos, a contribuinte deveria ter sido diligente, tanto no sentido de se valer de livros auxiliares para respectivo registro individuado, quanto da conservação dos documentos esses sim que permitissem a perfeita verificação. Nesse sentido, em seu socorro estaria o conjunto das disposições contidas em todo o art. 258 do Decreto n° 3.000/1999. ' 13. De fato, a argumentação do contribuinte poderia ser facilmente comprovada, mediante a apresentação de registros auxiliares dos lançamentos por valores globais, apoiados pelos respectivos documentos. 14. No entanto, nenhum documento foi apresentado adicionalmente, no recurso voluntário. 15. Por isso, permanece válida a presunção legal e a autuação é procedente. 3 Passivo Fictício. 16. As alegações e documentos já foram examinados pela DRJ, que considerou procedente a autuação, e se faz novo exame a seguir. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 9 8 3.1 R$85.851,15 E R$ 145.036,34 DO FORNECEDOR GLAXOSMITHKLINE BRASIL S/A 17. Alega que foram pagas em 09/01/2006, e foram baixadas no livro Razão na data do pagamento, conforme cópias juntadas com a impugnação. 18. Verificouse às págs. 690/764, 777/792, 815/833, e 854/872, na documentação acostada com as quatro impugnação e localizouse: pág. 713, lançamentos no Razão, datados de 09/01/2006, de ambos valores com o histórico "Vlr ref. Baixa NF 51841 (e 51839) Glaxosmithkline Brasil Ltda PASSADO P/COMPROR"; não consta qualquer documento confirmando a data da liquidação constante do Razão. 19. Por isso, procede o lançamento. 3.2 R$11.005,36 DO FORNECEDOR SINGER INGELLHEIM IND COM LTDA 20. Foi autuado Passivo Fictício referente à Singer, no valor de R$8.953,41, pág. 65, ref NF 255.288, registrada nos estoques em 18/11/2005, no Diário geral da empresa. 21. A Recorrente alega que foi pago em 28/11/2005, cheque n°. 273584 do Banco do Brasil S/A, no valor de R$12.664,47, que serviu, também, para pagamento de outras obrigações, conforme consta na autenticação de pagamento emitida naquela data. 22. Alega que houve equivoco no lançamento da baixa dessa obrigação contabilizada na mesma data, ou seja, 28/11/2005, pelo valor correto do título e do pagamento R$ 11.005,36, mas com lançamento errado do n°. da Nota Fiscal Fatura, ou seja, lançouse o número 255288 que corresponde a outra nota fiscal, com valor de R$8.913,41, que foi paga e baixada em 10/01/2006, com seu número correto 255288; portanto a permanência em aberto, no balanço de 31/12/2005, da obrigação representada pela NF n° 255.288, no valor de R$ 8.913,41 está absolutamente correta, por representar passivo real e não fictício; verificaramse os documentos, págs. 716/718, que confirmam que tal pagamento ocorreu em 2005: a. NF 252588 da Singer, de 29/09/2005, R$11.05,36; b. cópia de papeleta interna do cheque 275.586 Banco do Brasil datado 28/01//2005, R$12.664,47, detalhando os pagamentos, entre outros de "Singer R$11.005,36"; c. Comprovante de pagamento de título, do Banco do Brasil, em 28/11/2005, valor cobrado R$11.005,36; d. Boleto de cobrança Singer do Brasil, no Itaú, com vencimento 27/11/2005, R$11.005,36 e. extrato conta bancária Sudameris de 10/01/2006, pág. 724, onde não consta débito de R$8.913,41 f. Razão, onde consta a baixa do título da Singer em 10/01/2006, NF 255288, R$8.913,41, pág. 726. 23. Porém estes documentos se referem ao outro valor e NF; quanto à NF e valor autuados, não anexou comprovante de pagamento posterior a 31/12/2005. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 10 9 24. Lançamento procedente. 3.3 NFFATURA N° 19603 E 20088, STRATUS COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, PÁG. 67 25. Alega que a NF nº 19603, de 06/01/2005, R$8.565,40 e a NF nº 20088 de 20/03/2005, R$19.008,00 foram pagas, não com moeda e sim, por meio de devoluções de mercadorias representadas pelas notas de Devolução de Compra Comercial que emitiu para a Stratus, devolvendo mercadorias, cópias, págs. 730/735: N°. da NF Data Valor sub total 107538 07/04/2005 4.294,08 108130 08/04/2005 102,72 169541 18/07/2005 4.180,00 8.576,80 107539 07/04/2005 19.008,00 19.008,00 26. A DRJ concluiu: As razões passivas foram objeto de apreciação na fase procedimental (fls. 06 e 67), sem que restasse comprovado lá, como cá, mediante documentação hábil e idônea, a veracidade desse passivo em aberto, representado por aquelas notas. 27. Pela coincidência dos valores e compatibilidade das datas, a alegação é aceitável; no entanto, por que os valores ainda restavam registrados no Passivo em 31/12/2005? 28. Concluise ser procedente a conclusão do Autuante. 3.4 DEMAIS TÍTULOS QUE COMPÕEM O PASSIVO FICTÍCIO. 29. Alega que, por se tratarem de documentos emitidos e arquivados há mais de cinco anos, não foram localizados a tempo de serem entregues ao autuante, para provar a inexistência do total do suposto passivo fictício no valor de R$925.586,35, mas que contesta na totalidade, e assevera que serão localizados e encaminhados a esse Conselho, antes do julgamento do recurso,na forma do art.16, § 5º do Decreto 70.235/1972; tais obrigações em aberto no balanço de encerramento de 31/12/2005, decorrem de erros contábeis, sem reflexo nos resultados, na apuração e no pagamento de tributos, o que descaracteriza a presunção de omissão de receitas. 30. Como relatado, a Recorrente não anexou documentos adicionais ao apresentar o recurso voluntário; portanto, resta confirmada a procedência da autuação. 3.5 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS 31. No que tange às omissões de receitas, aplicase aos lançamentos decorrentes de CSLL. PIS e Cofins, o decidido no principal. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 11 10 4 Créditos de PIS e Cofins, glosados. Despesas de Fretes. 32. Sobre as glosas de créditos de despesas de frete, referentes à compra de combustíveis e lubrificantes para os veículos próprios, argumenta que a legislação invocada pela autoridade fiscal, arts. 1 a 3º e 5º da Lei n 10.833, de 2003, ao contrário do que sugeriu o auto de infração, autoriza o crédito dos valores gastos com o frete na entrega ao clientes, dos bens adquiridos para revenda, por ocasião das entregas aos respectivos compradores, (no caso comerciantes varejistas) quando o ônus for inteiramente suportado pelo vendedor, sem qualquer distinção de uso de frota própria ou de terceiros; portanto, a glosa é injustificada, pois a expressão "Despesas com Fretes" da lei, não tem um sentido único de "fretes contratados", mas, como "despesas com transportes", dentro da sistemática da "não cumulatividade", ou seja o aproveitamento dos valores recolhidos nas operações anteriores na compra de bens para revenda e no custo dos insumos utilizados na prestação de serviços, para reduzir a base de cálculo da contribuição para PIS e Cofins; e a comprovação da compra e da utilização dos combustíveis nas operações de venda está registrada nos livros próprios e o direito ao crédito de PIS e Cofins é assegurado pelo art. 15, II da Lei nº 10.833, de 2003. 33. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, se refere a despesas com fretes: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 34. Várias Soluções de Consulta Cosit, orinetam que as despesas com combustíveis de frota própria não podem ser computadas nos créditos de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade: Solução de Consulta Disit/SRRF04 nº 4005, de 23 de fevereiro de 2017; Solução de Consulta Cosit nº 99039, de 03 de março de 2017; Solução de Consulta nº 490, de 26 de setembro de 2017, transcrita a seguir: Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 12 11 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 490, DE 26 DE SETEMBRO DE 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DISPÊNDIOS COM COMBUSTÍVEIS E MANUTENÇÃO DE FROTA DE VEÍCULOS PRÓPRIA DO VENDEDOR. ÔNUS DO TRANSPORTE SUPORTADO PELO VENDEDOR. IMPOSSIBILIDADE. Não há permissão legal para apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação a dispêndios com combustíveis, lubrificantes e peças de reposição para manutenção de frota própria de veículos utilizada no transporte de mercadorias revendidas com ônus suportado pelo vendedor. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, arts. 2º, 3º e 10. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DISPÊNDIOS COM COMBUSTÍVEIS E MANUTENÇÃO DE FROTA DE VEÍCULOS PRÓPRIA DO VENDEDOR. ÔNUS DO TRANSPORTE SUPORTADO PELO VENDEDOR. IMPOSSIBILIDADE. Não há permissão legal para apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação a dispêndios com combustíveis, lubrificantes e peças de reposição para manutenção de frota própria de veículos utilizada no transporte de mercadorias revendidas com ônus suportado pelo vendedor. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 2º e 8º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º c/c o art. 15, II. 35. Contudo, em se tratando de empresa que comercializa produtos e possui frota própria que realiza as entregas, deve se reconhecer que os combustíveis são insumos operacionais e se subsomem à determinação do art. 3º, II da Lei nº 10.833, de 2003. 36. Cito jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 28/11/2017 Nº Acórdão 9303005.902 Tributo / Matéria Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCEITO DE INSUMOS. DISCUSSÃO ADSTRITA AOS BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO.A mais que polêmica discussão sobre os conceito de insumos para fins de Creditamento PIS/Cofins (se igual ao do IPI, do IRPJ ou "intermediário"), cingese estritamente à expressão “bens ... utilizados como insumo na ... produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, não atingindo qualquer outro comando da legislação que disciplina o direito ao creditamento PIS/Cofins, a exemplo das normas aplicáveis às empresas estritamente comerciais. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 13 12 DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDAS A MANUTENÇÃO E OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO. Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais (art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003), do frete, quando suportado pelo vendedor. Utilizandose este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCEITO DE INSUMOS. DISCUSSÃO ADSTRITA AOS BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO.A mais que polêmica discussão sobre os conceito de insumos para fins de Creditamento PIS/Cofins (se igual ao do IPI, do IRPJ ou "intermediário"), cingese estritamente à expressão “bens ... utilizados como insumo na ... produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, não atingindo qualquer outro comando da legislação que disciplina o direito ao creditamento PIS/Cofins, a exemplo das normas aplicáveis às empresas estritamente comerciais.DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDAS A MANUTENÇÃO E OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO.Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais (art. 15, II, c/c art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003), do frete, quando suportado pelo vendedor. Utilizandose este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado.Recurso Especial do Procurador Negado. 5 PIS. Cofins. Omissão de Receitas. Bonificações recebidas. 37. Esta infração está detalhadamente explicada no Termo de Verificação Fiscal, págs. 35/46, no item 3; em síntese, a Autuada recebeu dos fornecedores bonificações em dinheiro e contabilizou como redução do custo das mercadorias revendidas, razão porque não foi autuada por omissão de receitas nos autos de infração de IRPJ e CSLL, cuja apuração foi sobre o lucro real, que não foi afetado. 38. Em se tratando de PIS e Cofins, apurados sobre a receita bruta, foram autuados como omissão, em função da legislação que determina trataremse de receitas e não redução de custos: SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 542, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2017 (Publicado(a) no DOU de 22/12/2017, seção 1, página 95) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃOCUMULATIVIDADE. Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 14 13 nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Cofins. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, caput e § 3º, V, a; IN SRF nº 51, de 1978, Item 4.2. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃOCUMULATIVIDADE. Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Lei n° 10.637, de 2002, art. Io, caput e § 3o, V, "a"; IN SRF n° 51, de 1978, Item 4.2. 39. Bonificações recebidas em mercadorias, também devem ser tratadas como receitas: Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária),incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Cofins sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Cofins, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 15 14 Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 40. Mesmo em se tratando de tributação monofásica (mas este caso, não é) também se aplica o mesmo princípio: Solução de Consulta nº 204 SRRF09/Disit Data 11 de outubro de 2011 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSINTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÀO CUMULATTVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA, CRÉDITO. Os valores em dinheiro recebidos dos fabricantes pelas concessionárias de veículos, sem registro na nota fiscal de venda e em momento posterior à sua emissão, nào constituem bonificações ou descontos incondicionais concedidos, mas sim receita sujeita à tributação pela Cofins apurada na sistemática nãocumulativa. A tributação desses valores não autoriza a apropriação de créditos relativos à aquisição de produtos submetidos à tributação monofásica. Dispositivos Legais: Lei n° 10.485. de 2002: Lei n° 10.833. de 2003. art. Io, art. 2o. § Io. m. c/c art. 3o. I. 'b: Parecer CST/SIPR n° 1.386/1982: IN SRP n° 51. de 1978. item 4.2: PN CST n° 113, de 1979. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÀOCUMULATIViDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CRÉDITO. Os valores em dinheiro recebidos dos fabricantes pelas concessionárias de veículos, sem registro na nota fiscal de venda e em momento posterior à sua emissão, nào constituem bonificações ou descontos incondicionais concedidos, mas sim receita sujeita à tributação pelo PIS/Pasep apurado na sistemática nãocumulativa. A tributação desses valores nào autoriza a apropriação de créditos relativos à aquisição de produtos submetidos à tributação monofásica. Dispositivos Legais: Lei n° 10.485. de 2002: Lei n° 10.637. de 2002. ait. Io. ait. 2o. § Io. m. c/c art. 3°. I. 'b: Parecer CST/SIPR ii° 1.386/1982: IN SRF il0 51, de 1978. item 4.2: PN CST n° 113. de 1979 esta "bonificação" não pode transitar pelo estoque e consequentemente pelo custo como uma conta redutora porque não compõe o valor da NF.Portanto deverá considerar como outras receitas operacionais e submeter a tributação de PIS e COFINS. partir do anocalendário de 2015, as pessoas jurídicas passam a ser submetidas à tributação das receitas financeiras: descontos e juros, rendimentos nas aplicações financeiras, bonificações entre outras para o PIS/COFINS, no Lucro real e CSL e IRPJ no Lucro Presumido; Estas que antes tinham alíquota 0,00 de tributação sobre tais receitas; precisamente em julho de 2015 com alteração da legislação passaram a ser tributadas.BASE Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 16 15 LEGAL“DECRETO Nº 8.426, DE 1º DE ABRIL DE 2015”Portanto será necessário oferecêlas a tributação no Mês subseqüente as seguintes receitas; entre outras. 41. A legislação determina que descontos financeiros (que é o caso) não podem transitar pelo estoque e consequentemente pelo custo, como uma conta redutora, porque não compõem o valor da NF (que compõe a receita bruta); tratamse de receitas financeiras, portanto são consideradas como outras receitas operacionais e devem ser submetidas à tributação de PIS e Cofins. 6 Conclusão Voto pelo PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a glosa de créditos sobre combustíveis, na apuração de PIS e Cofins nãocumulativos. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 971DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720013/2006-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2004
Crédito Presumido de IPI. Insumos.
As aquisições de lubrificantes, água, produtos para tratamento de água e de efluentes e partes e peças de máquinas não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não se enquadram nos conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do artigo 1°, I, da Lei 10.276/2001 e artigo 3° da Lei 9.363/96.
Crédito Presumido de IPI. Aquisição de pessoas físicas. Regime alternativo. Lei 10.276/2001. Recurso Repetitivo do STJ. Súmula 494/STJ. Analogia. Possibilidade.
No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/1996.
Crédito Presumido de IPI. Incidência da Taxa Selic.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), nos termos do REsp 1.138.206/RS.
Pedido de Diligência.
O órgão julgador de primeira instância indeferirá o pedido de diligência ou perícia, quando as considerar prescindíveis para a solução da lide. Também deve ser desconsiderado o pedido, quando não formulado nos termos do Decreto n° 70.235/72 - PAF.
Arguição de Inconstitucionalidade.
O controle da constitucionalidade das leis no sistema jurídico brasileiro é exercido, com exclusividade, pelo Poder Judiciário. Assim, a autoridade julgadora carece de competência para a análise/apreciação de questões relacionados à constitucionalidade/legalidade das normas tributárias.
Numero da decisão: 3302-005.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito sobre aquisições de pessoas físicas e para reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre o crédito na aquisição de pessoas físicas a partir de 360 (trezentos e sessenta dias) dias contados do protocolo do pedido, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud (relator) que negava-lhe provimento.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Diego Weis Junior.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito sobre aquisições de pessoas físicas e para reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre o crédito na aquisição de pessoas físicas a partir de 360 (trezentos e sessenta dias) dias contados do protocolo do pedido, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud (relator) que negava-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Diego Weis Junior. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède
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INSUMOS Recorrente COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS COTEMINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. As aquisições de lubrificantes, água, produtos para tratamento de água e de efluentes e partes e peças de máquinas não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não se enquadram nos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do artigo 1°, I, da Lei 10.276/2001 e artigo 3° da Lei 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), nos termos do REsp 1.138.206/RS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O órgão julgador de primeira instância indeferirá o pedido de diligência ou perícia, quando as considerar prescindíveis para a solução da lide. Também deve ser desconsiderado o pedido, quando não formulado nos termos do Decreto n° 70.235/72 PAF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 13 /2 00 6- 63 Fl. 1771DF CARF MF 2 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O controle da constitucionalidade das leis no sistema jurídico brasileiro é exercido, com exclusividade, pelo Poder Judiciário. Assim, a autoridade julgadora carece de competência para a análise/apreciação de questões relacionados à constitucionalidade/legalidade das normas tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito sobre aquisições de pessoas físicas e para reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre o crédito na aquisição de pessoas físicas a partir de 360 (trezentos e sessenta dias) dias contados do protocolo do pedido, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud (relator) que negavalhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Diego Weis Junior. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède Relatório O presente processo teve sua origem em uma representação, mediante a qual é proposta a análise do crédito apontado pelo contribuinte no Pedido de Ressarcimento Eletrônico, o qual foi transmitido em três ocasiões distintas. Os três pedidos foram transmitidos por meio do programa PER/Dcomp, versão 1.3: Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.772 3 Ø O pedido original, transmitido em 8 de abril de 2004, recebeu o ns 20257.09901.080404.1.1.012781 (fl. 2); Ø o documento seguinte, transmitido em 15 de abril de 2004, retificou o pedido original e desta feita foi cadastrado sob o n° 15447.05193.150404.1.5.016430 (fl. 9); Ø por último, a contribuinte novamente retificou o pedido original, em 28 de abril de 2004, cujo registro foi efetivado sob o n° 39486.72688.280404.1.5.011908 (fl. 10). Foi proposta a abertura de um Processo Administrativo para que se examinasse o pedido de ressarcimento transmitido pela contribuinte e que, concomitantemente, controlasse no sistema da Receita Federal do Brasil Profisc os débitos compensados pela contribuinte os quais tivessem sido extintos pelos créditos objeto do pedido.2 Na apuração do crédito presumido do IPI, foram efetuadas as seguintes correções: Ø exclusão de crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre/2003; Ø insumos considerados indevidamente pelo contribuinte. O resumo do Pedido de Ressarcimento está retratado na Tabela 1, a seguir. A fiscalização tratou de verificar a existência do crédito presumido de IPI apontado pela requerente em seu pedido de ressarcimento. Através de diversas intimações, o contribuinte foi cobrado a apresentar documentos e esclarecimentos com a finalidade de identificar o quantum de crédito presumido de IPI a que fazia jus. Em vários momentos, a contribuinte solicitou dilação de prazo para cumprimento dos itens requisitados. Devese ressaltar que, dentre os documentos trazidos pela contribuinte, destacase um, mediante o qual o contribuinte declara NÃO ser parte em processo judicial ou em processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido/compensado de créditos presumidos de IPI relativos ao 1° (primeiro) trimestre de 2002 ao 1° (primeiro) trimestre de 2004. Fl. 1773DF CARF MF 4 Acrescentese, ainda, que o contribuinte protocolizou, em 10 de março de 2006, um requerimento pleiteando atualização do crédito presumido de IPI do mês de janeiro de 2004, pela variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic. Aquele requerimento provocou a abertura do Processo Administrativo n° 10670000378/200678. Em 30 de abril de 2007, Despacho Decisório INDEFIRIU o Pedido de Ressarcimento formulado pelo contribuinte , no valor total de R$ 6.631.470,91, referente a crédito presumido de IPI, como ressarcimento da Cofins, concernente ao mês de janeiro de 2004, em virtude da nãocomprovação do alegado direito creditório, consoante ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal. Os argumentos deduzidos pela Fiscalização para fundamentar o indeferimento podem ser sintetizados da seguinte forma: ü a Recorrente não teria deduzido, em janeiro de 2004, o crédito presumido negativo, constatado ao final do 4° trimestre de 2003, sendo que a Fiscalização apurou que esse crédito negativo seria de R$ 723.993,38 e efetuou a exclusão desse montante da base de cálculo do crédito presumido referente a janeiro de 2004; ü a Recorrente efetuou inclusões na base de cálculo do crédito que foram consideradas indevidas e que dizem respeito às aquisições de lubrificantes (em alguns casos contabilizados como combustíveis), água e algodão de fornecedores pessoas físicas ou importado; ü não seria possível a atualização do crédito pleiteado com base na SELIC, haja vista que, segundo afirma a Fiscalização, não haveria previsão legal para tanto. Cientificado da decisão em 27/07/2007 (folhas 1.419), via Aviso de Recebimento, o contribuinte ingressou com Manifestação de Inconformidade em 27/08/2007, de folhas 1.431 a 1.458. Em 25 de novembro de 2009, através do Acórdão n° 0927.270, a 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, decidiu por INDEFERIR a solicitação da contribuinte. Entendeu a Turma que: ü Quanto à Exclusão de crédito presumido negativo 4o trimestre/2003: há disposição expressa a sustentar as correções efetuadas pela autoridade administrativa na apuração do crédito presumido; ü Dentre as inconsistências constatadas pela fiscalização, há que se destacar a dedução efetuada pela contribuinte do crédito presumido acumulado até out/03 do calculado em dez/03, quando o correto seria deduzir deste o valor do crédito presumida acumulado até set/03, visto a apuração do crédito presumido ser trimestral; Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.773 5 ü E mais, o crédito presumido negativo apurado no 4° trimestre/2003 deveria ter sido excluído do crédito presumido apurado em jan/2004, conforme assim determina o artigo 11, parágrafo 3°, inciso II, das INs SRF n”s 69/2001 e 315/2003. Veja que, na memória de cálculo apresentada pela contribuinte, referente à jan/2004 (fls. 230/231), notase a não exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre/2003; ü Quanto à glosa de créditos da aquisição de insumos: Está em análise o consumo de determinados insumos na produção que foram objeto de glosa. Considerando que a COTEMINAS tem por atividade a fabricação de produtos têxteis (fiação/tecelagem), a fiscalização concluiu que esses insumos não se enquadram nos conceitos de MP, PI e ME adotados pela legislação do IPI, não atendendo assim as disposições do Parecer Normativo CST n° 65/79; ü Direito à Correção dos Crèditos pela SELIC: Nenhum dos dispositivos que autorizam a atualização monetária ou a incidência de juros Selic mencionam a possibilidade de fazêlos sobre os créditos escriturais de IPI, extemporâneos ou escriturados em sua época própria, ou sobre o ressarcimento decorrente de saldos credores trimestrais apurados pelos contribuintes. A COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS COTE tomou ciência da decisão da Delegacia Regional de Julgamento em 16/12/2009, via Aviso de Recebimento (folhas 1509). Em 15/01/2010, a COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS COTE ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO, de folhas 1517 a 1541. Foram feitas alegações referentes aos seguintes pontos: ü A desconsideração pelo acórdão recorrido de parte da argumentação deduzida pela Recorrente e da indevida exclusão do estoque referente a janeiro de 2004; ü A efetiva exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre de 2003 e da necessidade de realização de diligência; ü A indevida glosa de créditos referentes à aquisição de algodão de pessoas físicas e importadas; ü Do efetivo direito à correção do crédito pela SELIC. DO PEDIDO Diante de todo exposto, requerse seja reformado o Acórdão n.° 09 27.270/2009 2a Turma da DRJ/JFA, julgandose procedentes os pedidos iniciais apresentados pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e ora reiterados. Fl. 1775DF CARF MF 6 Por fim, é juntada aos autos cópia da Resolução n° 3302000.278, de 27 de fevereiro de 2013, exarada pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, referente ao Processo nº 10670.000378/200678 que determina à autoridade competente anexar aos presentes autos a cópia do Despacho Decisório, e eventuais decisões proferidas pela DRJ e por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em relação à DCOMP n°. 20257.09901.080404.1.1.012781 (objeto do presente Processo Administrativo n° 10670.720.013/200663). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lima Abud Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16 de dezembro de 2009, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 15 de janeiro de 2010. Da controvérsia. Tratase de discussão de matéria de fato e de direito referente aos seguintes pontos: ü A exclusão do estoque referente a janeiro de 2004; ü A exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre de 2003; ü A glosa de créditos que dizem respeito às aquisições de lubrificantes (em alguns casos contabilizados como combustíveis), água e algodão de fornecedores pessoas físicas ou importado; ü Do efetivo direito à correção do crédito pela SELIC. Do Mérito. Da desconsideração pelo acórdão recorrido de parte da argumentação deduzida pela Recorrente e da indevida exclusão do estoque referente a janeiro de 2004 Da Base de cálculo. É alegado às folhas 03/04 do Recurso Voluntário: Ao se analisar a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente e o acórdão recorrido, tomase claro que essa decisão deixou de enfrentar relevante aspecto suscitado na defesa inicial. Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.774 7 Com efeito, como se confirma do extenso tópico “11.1 ^EXCLUSÃO DO ESTOQUE REFERENTE A 31/01/04 (...)”, a Recorrente questionou procedimento fiscal cuja adoção se mostrou clara após a análise dos cálculos apresentados pela Fiscalização ao indeferir o pedido de ressarcimento, consubstanciado na indevida exclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente aos insumos utilizados na produção de produtos em estoque em 31.01.2004. Adiante serão reiterados os argumentos desenvolvidos naquela oportunidade, sendo que se busca demonstrar nesse momento que o acórdão recorrido não os analisou, talvez por confundir essa questão com aquela levantada pela Fiscalização e que diz respeito à exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre de 2003 (fls. 1.357/1.359). (Grifo e negrito próprios do original) Essa linha de argumentação não procede. Entendese que o Acórdão n° 09 27.270 explorou adequadamente a questão no seguinte fragmento, às folhas 1.501 e 1.502 do processo digital (sic): Outrossim, a recorrente alega que a autoridade administrativa não demonstrou nem fundamentou os valores apurados. Ora, da simples leitura do Termo de Verificação Fiscal, em parte sumariado no relatório supra, percebese que este foi minuciosamente elaborado, com estrita obediência à legislação de regência, inclusive, fazendo menção a todos os demonstrativos e planilhas que serviram de base à apuração do crédito presumido de IPI apurado. Ademais, foi a própria requerente que alegou que a contribuinte aplicou as disposições da IN SRF n° 441, de 13 de agosto de 2004, para excluir o valor das aquisições utilizadas na produção de produtos não acabados e acabados. Pareceme bem contraditórias as alegações apresentadas pela impetrante. É de bom alvitre ressaltar que, nos termos do inciso III do Decreto n° 70.235/72, acima transcrito, caberia à contribuinte mencionar, em sua impugnação, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possui. Ora, a impugnante se limita a tecer comentários sobre o trabalho da fiscalização, sem apontar ou trazer aos autos, fatos que efetivamente comprovem que os cálculos efetuados não refletem a realidade apurada. Dentre as inconsistências constatadas pela fiscalização, há que se destacar a dedução efetuada pela contribuinte do crédito presumido acumulado até out/03 do calculado em dez/03, quando o correto seria deduzir deste o valor do crédito presumido acumulado até set/03, visto a apuração do crédito presumido ser trimestral. E mais, o crédito presumido negativo apurado no 4° trimestre/2003 deveria ter sido excluído do crédito presumido apurado em jan/2004, conforme assim determina o artigo 11, Fl. 1777DF CARF MF 8 parágrafo 3°, inciso II, das INs SRF n°s 69/2001 e 315/2003. Veja que, na memória de cálculo apresentada pela contribuinte, referente a jan/2004 (fls. 230/231), notase a não exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre/2003. No trabalho desenvolvido pela fiscalização foram constatadas ainda outras irregularidades, abaixo transcritas, e todas discriminadas no Termo de Verificação Fiscal, de forma minuciosa, ou seja, no curso da feitura de seus trabalhos, a autoridade administrativa diligenciou no sentido de proceder à elaboração de uma série de demonstrativos a sustentar a apuração do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre/2003 (fls. 1358/1359), os quais não cabe aqui reproduzir, na medida em que constam dos autos do presente processo, com referência expressa no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.351/1.365). Diante de todas os fatos e evidências narradas, como pode a recorrente dizer que a fiscalização não comprovou nem fundamentou a origem dos valores calculados para glosar o crédito presumido. (Grifo e negrito nossos) Portanto, pelo exposto, temse aqui uma mescla de argumentação contraditória com uma tentativa de inversão do ônus da prova, onde resta claro que a fiscalização fundamentou a origem dos valores calculados para glosar o crédito presumido. Da dedução do crédito presumido relativo ao mês de janeiro do ano de 2004. É alegado às folhas 05 do Recurso Voluntário: Ora, a Fiscalização efetivamente não fez menção à aplicação da IN SRF n.° 441/04. Foi a Recorrente que demonstrou que a Fiscalização, sem qualquer alarde em seu Termo de Verificação Fiscal, adotou de forma retroativa o procedimento previsto naquele diploma (o que fica claro pela análise dos cálculos por ela apresentados), excluindo da base de cálculo do crédito presumido de IPI referente a janeiro de 2004 os valores dos insumos referentes aos produtos em estoque ao final daquele mês. E essa discussão em nada se aproxima da que se refere à exclusão do crédito presumido negativo referente a 2003, que foi o único procedimento “relatado pela fiscalização, item 1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.357/1.359)”. Já que em nenhum outro trecho da decisão é feita menção ou análise aos argumentos desenvolvidos pela Recorrente no tópico “11.1” de sua manifestação de inconformidade, não há resta dúvidas de que ele não foi enfrentado pelo acórdão recorrido, razão pela qual aqueles argumentos passam a ser reiterados nesse momento, sendo que se espera que esse Eg. Conselho os analise de forma efetiva. Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.775 9 Essa linha de argumentação não procede. Entendese que o Acórdão n° 09 27.270 explorou adequadamente a questão, trazendo inclusive à lume o artigo 11 da Instrução Normativa SRF n° 315/03 (que revogou a IN SRF n° 69/2001, a qual dispunha no mesmo sentido), em plena vigência à época, para explicitar que há disposição expressa a sustentar as correções efetuadas pela autoridade administrativa na apuração do crédito presumido. Art. 11. No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, conforme o caso, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora deverá excluir da base cálculo do crédito presumido o valor dos insumos correspondentes a MP, PI, ME, bem assim da energia elétrica, dos combustíveis e da prestação de serviços na industrialização por encomenda, utilizados em produtos não acabados e acabados mas não vendidos. § 1o (...) § 3o Se, da apuração, resultar valor: positivo, este será considerado como crédito presumido do IPI, a ser aproveitado segundo o disposto no art. 22; negativo, este será deduzido do crédito presumido relativo ao mês de janeiro do ano subsequente. (Grifo e negrito nossos) Nessa toada, alega o Recorrente às folhas 08 do Recurso Voluntário: Ao contrário do que faz crer o acórdão recorrido, a Recorrente invocou esse dispositivo não para questionar a exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre de 2003, mas para demonstrar que o procedimento de dedução nele previsto não poderia ser considerado em relação ao estoque verificado ao final de janeiro de 2004. Isso porque o objetivo dessa sistemática é impedir que haja uma indevida diminuição da base de cálculo do crédito presumido de IPI no que se refere à MP, PI e ME utilizados para a produção de produtos não acabados ou não vendidos no mesmo período de apuração. Dessa forma, determinase a exclusão daqueles insumos no período anterior (uma vez que não foram computados nas receitas de vendas/exportação utilizadas no cálculo daquele período), para que sejam imediatamente incluídos na apuração do crédito presumido do período seguinte. Como se vê, a exclusão somente é devida ao final do período trimestral de apuração e pressupõe, obrigatoriamente, a apuração de crédito presumido de IPI no período seguinte. Caso contrário, estarseia cassando parte do benefício legalmente outorgado ao contribuinte. (Grifo e negrito próprios do original) Fl. 1779DF CARF MF 10 Essa linha de argumentação não procede em face da determinação do inciso II, do §3o, do artigo 11, que determina: Se, da apuração, resultar valor negativo (...) este será deduzido do crédito presumido relativo ao mês de janeiro do ano subsequente. Portanto, a fiscalização agiu adequadamente segundo o mandamento vigente à época dos fatos, não podendo assim se falar em retroatividade. Inclusive, o fragmento do Acórdão n° 0927.270 que invoca essa determinação é reproduzido às folhas 13 do RECURSO VOLUNTÁRIO: “O crédito presumido negativo apurado no 4° trimestre/2003 deveria ter sido excluído do crédito presumido apurado em jan/2004, conforme preceituado no artigo 11, § 3°, inciso II, das /N's SRF n°s 69/2001 e 315/2003. Na memória de cálculo do contribuinte referente a jan/2004 (fls. 230 a 231) notase que o contribuinte não excluiu o crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre/2003. ” (Grifo e negrito próprios do original) Da efetiva exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre de 2003 É alegado às folhas 13/14 do Recurso Voluntário: Partindo dessa premissa, a Fiscalização apontou o valor que considerou devido e efetuou a exclusão em questão considerando a totalidade daquele valor (R$723.993,38). O acórdão recorrido apenas validou esse procedimento, deixando de se manifestar sobre o principal argumento apresentado pela Recorrente, qual seja, a comprovação de que fora feita exclusão de crédito presumido negativo referente a 2003 no valor de R$ 535.807,19. De fato, a Recorrente indicou que referida exclusão pode ser constatada na linha 49 do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (retificador), referente ao mês de janeiro de 2004, assim descrita: "dedução de crédito negativo no mês". Esse documento fora protocolizado junto a Receita Federal em 27.04.2004, sendo que sua cópia foi apresentada com a manifestação de inconformidade e foi completamente ignorada pelo acórdão recorrido. Embora a Fiscalização tenha apresentado planilhas que indicariam o valor a que chegou com passível de exclusão da base de cálculo do crédito, não apresentou qualquer explicação acerca de seus cálculos, nem mesmo porque o valor comprovadamente excluído pela Recorrente foi desconsiderado. Tais fatos já se apresentam suficientes para que a Delegacia da Receita de Julgamento determinasse, de ofício (nos termos do art. 18 do Decreto n.° 70.235/72), a realização de diligência visando maior segurança acerca da informação fiscal, o que foi, inclusive, solicitado pela Recorrente. (Grifo e negrito próprios do original) Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.776 11 O fato é que essa questão foi devidamente abordada pelo Acórdão n° 09 27.270, como se depreende do seguinte fragmento extraído das folhas 1.502 do processo digital: Dentre as inconsistências constatadas pela fiscalização, há que se destacar a dedução efetuada pela contribuinte do crédito presumido acumulado até out/03 do calculado em dez/03, quando o correto seria deduzir deste o valor do crédito presumido acumulado até set/03, visto a apuração do crédito presumido ser trimestral. Portanto, essa argumentação também não procede. A glosa de créditos que dizem respeito às aquisições de lubrificantes (em alguns casos contabilizados como combustíveis), água e algodão de fornecedores pessoas físicas ou importado Algodão adquirido de pessoas físicas e importado: na apuração do crédito presumido a fiscalização desconsiderou as aquisições e o consumo de algodão adquirido de pessoas físicas, assim como o algodão importado, visto que sobre tais aquisições não há incidência de Cofíns, conforme assim estabelecem o artigo 1° e seu parágrafo 1°, da Lei n° 10.267/01, e o artigo 1° das INs SRF n°s 69/01 e 315/03. É alegado às folhas 15 e 16 do Recurso Voluntário: O acórdão recorrido também validou a glosa dos créditos relacionados à aquisição de algodão de pessoas físicas e importados, corroborando o entendimento fiscal de que sobre tais aquisições não ocorreu a incidência da COFINS, não havendo, por conseguinte, direito ao ressarcimento. Foram invocados o art. 5°, § 2° das Instruções Normativas SRF n.°'s 69/01 e 315/2003, e o Parecer PGFN/CAT n.° 3.092/02. Novamente se equivoca a r. decisão, por ser perfeitamente legítima e justificado o ressarcimento pleiteado, apresentando se também incorreto o disposto nas normas complementares invocadas. Isso porque o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, com a compensação do PIS e da COFINS, é referente ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação, independentemente de serem os fornecedores contribuintes dos tributos, conforme dispõe a Lei n.° 9.363/96, que não fez nenhuma distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas e fornecedores pessoas jurídicas. (Grifo e negrito nossos) As exclusões das aquisições efetuadas de pessoas físicas e de cooperativas é determinação expressa contida nos seguintes dispositivos, vigentes à época: artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 23/97: Fl. 1781DF CARF MF 12 DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. (Grifo e negrito nossos) artigos 5° e 16 da Instrução Normativa SRF 69/2001: DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I a produto industrializado sujeito a alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei Nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. (...) Art. 16. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Portanto, procedem as exclusões das aquisições efetuadas de pessoas físicas e de cooperativas. lubrificantes e água: na apuração do crédito presumido a fiscalização considerou o uso indevido como insumo o consumo de lubrificantes e água, tendo, ainda, Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.777 13 contabilizados os lubrificantes nas contas COMBUSTÍVEIS, código 4124.0100, e, LENHA, código 4124.0200. É alegado às folhas 20 do Recurso Voluntário: No entanto, não há como negar que os lubrificantes e a água adquiridos pela Recorrente integram o conceito de produtos intermediários, na medida em que representam insumos efetivamente consumidos no seu processo industrial, essenciais e indissociáveis da produção. Relembrase, nesse ponto, que a Lei n.° 9.363/96, em seu artigo 3°, determina que as normas a serem observadas como subsidiárias para fins de apuração do crédito presumido do IPI são as que regem a incidência das contribuições ao PIS e COFINS: Em ambos os casos, não é possível sustentar a tese da contribuinte, de que os produtos foram efetivamente utilizados na produção. Isso porque os produtos não se coadunam com o conceito de insumo, e por isso, também não geram o direito ao crédito. Essa é a interpretação decorrente do Parecer Normativo COSIT n° 65, de 1979, que identifica como característica essencial das matériasprimas e dos produtos intermediários e por consequencia o reconhecimento do direito de crédito, o contato físico desses com o produto quando de sua fabricação. Para tanto, invocase a Súmula n° 19 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF n° 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que NÃO são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. (Grifo, negrito e destaque nossos) Esse foi o motivo da permanência das glosas. Do efetivo direito à correção do crédito pela SELIC. Não existem dispositivos que autorizam a atualização monetária ou a incidência de juros Selic sobre os créditos escriturais de IPI, extemporâneos ou escriturados em sua época própria, ou sobre o ressarcimento decorrente de saldos credores trimestrais apurados pelos contribuintes. Assim, a admissão da incidência de consectários relativos à correção monetária ou juros sobre créditos escriturais ou sobre o saldo credor trimestral pela autoridade administrativa representaria uma indevida inovação da ordem jurídica, cuja competência cabe privativamente ao legislador. Não há, destarte, como aceitála. Fl. 1783DF CARF MF 14 Nesse sentido, citase a seguinte jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 890.899 (785) ORIGEM : AC 200772030019723 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4a REGIÃO PROCED. : SANTA CATARINA RELATORA :MIN. CÁRMEN LÚCIA RECTE.(S): UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S): INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS MEOTTI PARPINELLI LTDA ADV.(A/S): JABES ADIEL DANSIGER DE SOUZA E OUTRO (A/S) (...) Examinados os elementos havidos no processo, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. O Tribunal Regional decidiu: “Ao crédito presumido do IPI aplicase o regime de crédito escritural, que não admite correção monetária ou incidência de juros, ao menos não na sistemática ordinária de aproveitamento, pois em tais modalidades o contribuinte não depende do Fisco para tirar proveito do benefício. (…) No entanto, em outras hipóteses, o aproveitamento do crédito presumido depende da intervenção da Fazenda. Dessa forma, caso não apresentada solução ao pedido administrativo de aproveitamento do crédito, no prazo legal, deve ser reputado o Fisco em mora, legitimandose a imposição de correção dos valores requeridos, como meio de repartir o ônus do tempo no processo administrativo. Cabível, pois, a aplicação da SELIC, quer porque é utilizado para reparar o retardamento do contribuinte no atendimento da obrigação tributária, quer em face do disposto no art. 406 do CC/02.” (fls. 204205, doc. 1). Esse entendimento harmonizase com a jurisprudência deste Supremo Tribunal, que assentou ser devida a correção monetária dos créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, se houver resistência ilegítima da Fazenda à sua utilização pelo contribuinte: “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITOS ESCRITURAIS DE IPI MEDIANTE RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. O aproveitamento Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.778 15 extemporâneo de créditos escriturais em razão de resistência indevida pela Administração tributária dá ensejo à correção monetária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento” (RE 645.074AgR, Relator o Ministro Roberto Barroso, Primeira Turma, DJe 22.8.2014). “AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CUMULATIVIDADE. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. ESCRITURAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO. Segundo jurisprudência desta Corte, a aplicação de correção monetária aos créditos escriturais do IPI utilizados ou registrados tardiamente depende de lei autorizadora ou de prova quanto ao obstáculo injustamente posto pelas autoridades fiscais à pretensão do contribuinte. No caso em exame, o Tribunal de origem reconheceu expressamente a conduta injusta da administração, representada pelo atraso injustificado na apreciação de pedido de compensação. Agravo regimental ao qual se nega provimento” (AI 736.148AgR, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, Segunda Turma, DJe 20.3.2012). “DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. ÓBICE CRIADO PELO FISCO. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. É devida a correção monetária quando o aproveitamento dos créditos escriturais, em razão de óbice criado pelo Fisco, se dá tardiamente. Precedentes. Agravo regimental conhecido e não provido” (RE 556.651AgR, Relatora a Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, DJe 5.9.2012). “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. CRÉDITOS ESCRITURAIS. INJUSTIFICADA OPOSIÇÃO DO FISCO. CABIMENTO DA CORREÇÃO MONETÁRIA SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS DE IPI. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (AI 795.981AgR, de minha relatoria, Segunda Turma, DJe 4.10.2012, grifos nossos). 5. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 582.461RG, Relator o Ministro Gilmar Mendes, este Supremo Tribunal assentou a legitimidade da incidência da Taxa Selic para atualização de débitos tributários: “Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico” (Plenário, DJe 18.8.2011). O acórdão recorrido harmonizase com a jurisprudência deste Supremo Tribunal. Fl. 1785DF CARF MF 16 Como no caso em análise, não houve resistência ilegítima da Fazenda à sua utilização pelo contribuinte, uma vez que a decisão administrativa referente ao presente Processo Administrativo negou provimento ao Recurso do Contribuinte, não se admite correção monetária. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Voto Vencedor Conselheiro Diego Weis Junior Redator Designado. Peço vênia ao ilustre relator para divergir de suas bem fundamentadas razões e conclusões apenas em relação as matérias dos tópicos abaixo. 1 Algodão adquirido de pessoas físicas. Alega a recorrente que a aquisição de mercadorias que são integradas no processo produtivo dos produtos destinados à exportação, independentemente de serem os fornecedores contribuintes dos tributos, e que a lei instituidora do benefício do crédito presumido não fez distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas e fornecedores pessoas jurídicas, bem como que as vedações ao crédito introduzidas pelas instruções normativas da SRF afrontam os textos legais instituidores dos créditos pleiteados. O STJ decidiu, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que as Instruções Normativas que condicionam o crédito presumido previsto pela lei nº 9.363/1996 aos fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS o fazem em desacordo com o texto legal. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.779 17 inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade Fl. 1787DF CARF MF 18 rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.780 19 confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A mesma matéria foi objeto da súmula 494 do STJ. Súmula 494 O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. (Súmula 494, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/08/2012, DJe 13/08/2012) Embora o presente processo trate de crédito presumido apurado pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001, e não do previsto na Lei nº 9.363/1996, não se pode olvidar que o entendimento proferido pelo STJ se adapta perfeitamente ao caso concreto, vez que também não há na lei de 2001 qualquer restrição ao crédito presumido oriundo das aquisições de pessoas físicas. Fl. 1789DF CARF MF 20 Assim, a glosa dos créditos decorrentes da aquisição de algodão de pessoas físicas no mercado interno deve ser revertida, pois as restrições impostas a tal credito presumido não encontram guarida nos textos legais que o instituíram. No mesmo sentido já tem decidido este conselho em decisões da 2ª e 3ª Turmas Ordinárias da 4ª Câmara. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. No regime alternativo previsto na Lei no 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei no 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO DA LEGISLAÇÃO DO IPI. TELECOMUNICAÇOẼS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido somente as matérias primas e produtos intermediários que integrarem o produto fabricado ou que forem consumidos no processo de industrializacã̧o em face do contato físico direto com o produto em fabricacã̧o, desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. Os gastos com telecomunicacõ̧es não se enquadram no conceito de matériaprima ou produto intermediário. (Acórdão 3402002.738. Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do cred́ito pleiteado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CONCEITO DE INSUMO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. VINCULAÇÃO À LEGISLAÇÃO DO IPI. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.781 21 Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricacã̧o e que não sejam passíveis de ativacã̧o obrigatória. CULTIVO DE CANADEAÇÚCAR. ATIVIDADE AGRÍCOLA. INSUMOS EMPREGADOS. GLOSA. O valor das aquisicõ̧es de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) deve ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. TRANSFEREN̂CIA DE MATÉRIAPRIMA ENTRE FILIAIS. ESTOQUE. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Excluemse da base de cálculo do crédito presumido as transferências de mateŕiaprima de produção própria entre as filiais, ou dentro da própria empresa, por não terem sido gravadas com as contribuições que o benefício visa a ressarcir. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CABIMENTO. No regime alternativo, geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisicõ̧es de pessoas físicas. (Acórdão 3403003.173. Relator: Rosaldo Trevisan) 2 Da correção do crédito presumido pela taxa Selic. O STJ já se posicionou no sentido de ser devida a correção pela Selic quando há oposição ao creditamento decorrente de resistência ilegítima do fisco, nos termos da súmula 411 e do REsp. 1.138.206/RS. Em recente precedente, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acatou a jurisprudência do STJ para admitir o direito à correção pela SELIC, dos créditos presumidos de IPI, a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias contados da apresentação do pedido, o qual adotamos como razão de decidir para o presente caso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETE. POSSIBILIDADE. Incluemse no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestacã̧o do serviço de transporte. Fl. 1791DF CARF MF 22 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDEN̂CIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposicã̧o ao seu aproveitamento decorrente de resisten̂cia ilegítima do Fisco (Súmula no 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administracã̧o para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei no11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS. (Acórdão 9303006.466. Relator: Charles Mayer de Castro Souza) Nesse sentido, faz jus a recorrente à correção do crédito presumido de IPI nos termos do precedente entabulado pela CSRF no voto acima citado. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para: i) reverter as glosas de créditos decorrentes das aquisições de algodão de pessoas físicas no mercado interno; ii) reconhecer o direito de correção pela SELIC dos créditos presumidos a que fizer jus o contribuinte, a partir do fim do prazo de que dispõe a administração tributária para apreciar o pedido, que é de 360 dias a contar da formalização do mesmo. Diego Weis Junior Fl. 1792DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005188/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Relatório
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier e Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 05 18 8/ 20 09 -1 6 Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10120.005188/200916 Resolução nº 2401000.676 S2C4T1 Fl. 354 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 330/336) interposto em face do Acórdão nº. 0336.923 (fls. 310/320) da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília. Extraise do relatório da decisão de primeira instância, os seguintes pontos: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória AIOA: 37.219.6047, lavrado contra a empresa em epígrafe, consolidado em 15/04/2009, em razão de a empresa ter apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, referentes às competências junho/2004, janeiro/2005 a dezembro/2007. De acordo com o relatório fiscal de fls. 23/24, a empresa deixou de informar na GFIP fatos geradores e contribuições relativas à aquisição de algodão in natura de fornecedores pessoas físicas, como também remuneração e contribuição de segurado contribuinte individual, conforme Anexos I e II, e de informar integralmente as contribuições destinadas ao RAT, apuradas e discriminadas nos autos de infração de obrigação principal. DA PENALIDADE Em decorrência do fato acima descrito, foi aplicada a multa cabível, no valor de RS 42.524,84(quarenta e dois mil quinhentos e vinte e quatro reais e oitenta e quatro centavos), conforme demonstrado nas planilhas às fls. 97/98. O valor da multa foi calculado por competência em que houve omissão, correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite máximo em função do número de segurados do contribuinte, conforme disposto na Lei no 8.212, de 24.07.91, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inc. II e art. 373. Valores atualizados, a partir de 1 0 de fevereiro de 2009, pela Portaria Interministerial MPS/MF n°. 48, de 12/03/2009. Relata que a aplicação da multa acima descrita deveuse ao fato de que, em decorrência do artigo 106, II, "c", do CTN, para este procedimento fiscal, a comparação realizada por competência entre as infrações previstas na legislação anterior a 03/12/2008 com a posterior(art. 32A, II, introduzida pela MP 449/08), demonstrada na planilha de fls. 97/98, constatouse que a mais benéfica é a prevista no art. 32, inciso IV, §5° da Lei n° 8.212/91(CFL 68). DA IMPUGNAÇÃO A Autuada impetrou defesa tempestiva, fls. 141/144, tecendo, em preliminares, um breve histórico do fenômeno do cooperativismo e da natureza jurídica das cooperativas para demonstrar a distinção destas e da sociedade de capital, cujo objetivo é fortalecer os seus cooperados para a obtenção, por parte deles, de vantagens econômicas. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10120.005188/200916 Resolução nº 2401000.676 S2C4T1 Fl. 355 3 Pugna, no final, pela improcedência da autuação, visto que se exige multa pela não apresentação de informações relativas a aquisição de produtos, sem que tenha praticado qualquer operação de aquisição de produtos, excetuando apenas atos cooperados. O Acórdão nº 0336.923, de 18 de maio de 2010, do colegiado da 5ª Turma da DRJ/BSB restou assim ementado: Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 AIOP DEBCAD n° 37.219.6047 (CFL 68) OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Determina a lavratura de autodeinfração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n.° 8.212/91. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de autodeinfração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de piso em 24/06/2010, a Cooperativa apresentou recurso voluntário com os seguintes argumentos de defesa: 1) No tocante aos fatos, diz que recebeu autuação sob a acusação de que havia deixado de informar na guia de recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, fatos geradores e contribuições relativas ao valor de aquisição e algodão de fornecedores pessoas físicas (anexo I), assim como remunerações e contribuições de segurado contribuinte individual, demonstrado no anexo II da autuação; 2) Discorre sobre as Cooperativas, fazendo menção ao fenômeno do cooperativismo e ainda de posição doutrinária sobre a matéria. Cita também artigos da Lei nº 5.764, de 1971; 5) Ao final requer: "... que seja o auto de infração ora questionado julgado improcedente, por ser de inteira justiça, visto que a se exige dela multa pela não apresentação de informações relativas à aquisição de produtos, todavia, sem que esta tenha praticado qualquer operação de aquisição, executando apenas atos cooperados. É o relatório Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A matéria objeto do lançamento (AI DEBCAD Nº 37.219.6047 Multa ) em discussão encontrase regulamentada nos art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e alterações, c/c o art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, in verbis: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10120.005188/200916 Resolução nº 2401000.676 S2C4T1 Fl. 356 4 Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) [...] Art. 225. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. Em que pese o processo tratarse de obrigação acessória, a recorrente aborda questionamentos sobre a natureza jurídica das Cooperativas. Faz um histórico sobre o cooperativismo, cita dispositivos da Lei nº 5.764, de 1971, que rege a política brasileira de cooperativismo e define o ato cooperativo, para concluir que não há relação mercantil entre o cooperado e a cooperativa. Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Como regra, entre a cooperativa e cooperado não há, consoante legislação, ato de comércio quando, por exemplo, entrega sua produção a essa entidade. Entretanto, estamos diante de um fato gerador de uma obrigação acessória, no caso, deixar a empresa de apresentar documento (GFIP) com dados de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias a seu cargo. Ademais, salientase que esta turma, por maioria de votos, exonerou o sujeito passivo do crédito tributário apurado no processo nº 10120.005177/200936, relativo ao lançamento do levantamento PR2 (Produto Rural Algodão para Exportação: competências 09 a 12/2005, 08 a 12/2006 e 07 a 12/2007). Analisando o presente processo, entendo que não há informações precisas sobre quais débitos estão associados ao DEBCAD nº 37.219.6047 (Auto de Infração de Obrigação Acessória). Esta informação se faz necessária para o devido convencimento no julgamento da presente lide. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10120.005188/200916 Resolução nº 2401000.676 S2C4T1 Fl. 357 5 Neste sentido, entendo, com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e no art. 62 do Decreto nº 7.574, de 2011, necessária a conversão do julgamento em diligência para manifestação da Unidade da Secretaria da Receita Federal de jurisdição a fim de informar quais os créditos tributários (DEBCAD's) estão associados ao DEBCAD nº 37.219.6047 (Multa). Outrossim, informe, se for o caso, o resultado do julgamento de cada um dos DEBCAD associado. Diante de todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA nos moldes apresentados acima. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 357DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001054/2002-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
PRESCRICÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF.
Não se aplica o instituto da prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais, na forma da Súmula nº 11 do CARF.
DA AUSENCIA DE PROVA. NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DE SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF COM OS PA APONTADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO
Ainda que seja aplicada a legislação vigente à época quanto a possibilidade de Solicitação de Retificação de DCTF por meio de processo administrativo, não restou demonstrado que as PAs identificadas neste auto de infração, foram objeto dos dois processos identificados pela diligência.
Numero da decisão: 2401-005.548
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997 PRESCRICÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF. Não se aplica o instituto da prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais, na forma da Súmula nº 11 do CARF. DA AUSENCIA DE PROVA. NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DE SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF COM OS PA APONTADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO Ainda que seja aplicada a legislação vigente à época quanto a possibilidade de Solicitação de Retificação de DCTF por meio de processo administrativo, não restou demonstrado que as PAs identificadas neste auto de infração, foram objeto dos dois processos identificados pela diligência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997 PRESCRICÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF. Não se aplica o instituto da prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais, na forma da Súmula nº 11 do CARF. DA AUSENCIA DE PROVA. NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DE SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF COM OS PA APONTADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO Ainda que seja aplicada a legislação vigente à época quanto a possibilidade de Solicitação de Retificação de DCTF por meio de processo administrativo, não restou demonstrado que as PAs identificadas neste auto de infração, foram objeto dos dois processos identificados pela diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 10 54 /2 00 2- 92 Fl. 288DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração nº 10010283 de 22/02/2002 (fls. 09/15), realizado por meio de auditoria interna na DCTF, lavrado pela então existente DEFIC/RJO, sob a alegação de que não haviam sido localizados os pagamentos relativos à diversos Imposto de Renda Retidos na Fonte, cujo vencimento se deu entre 09/04/1997 a 09/07/1997. Para tanto, se apontou o valor de R$ 46.558,09 (quarenta e seis mil quinhentos e cinquenta e oito reais e nove centavos, com multa de 75% e juros de mora. Após devidamente cientificada, a Recorrente apresentou impugnação, acostada às fls. 04/06, alegando, em suma: a) A nulidade do auto de infração, na medida em que ausente de clareza na descrição dos fatos e na indicação dos dispositivos legais infringidos. Além da forma da intimação ter violado o art. 842 do RIR e IN SRF 45 e 77 de 1998, já que realizada por meio eletrónico; b) Asseverou, ainda, que a DCTF teria sido entregue com erros e que teria apresentado DCTF retificadora (fls. 16/29) para esclarecer as incoerências entre as informações e os recolhimentos. Da mesma forma, asseverou que os documentos apresentados comprovariam o acerto dos valores e declarações realizados, requerendo, ainda, a produção de prova pericial. Processada a impugnação, os autos foram encaminhados à DERAT/RJO, quando então foi promovida a Revisão de Lançamento nº 51/2011 (fls. 78/79), que reduziu o valor anteriormente apontado pelo fisco, passando de R$ 46.558,09 (quarenta e seis mil quinhentos e cinquenta e oito reais e nove centavos) para R$ 1.948,41 (mil novecentos e quarenta e oito mil e quarenta e um centavos), na forma do Demonstrativo de fls. 73 a 77, que integraram o despacho para todos os fins legais. Intimada dos termos do despacho em 23/02/2011 (fl. 81), a Recorrente aditou suas razões de defesa (fls. 82/87), alegando, desta vez que: a) A diferença de 1.948,41 (mil novecentos e quarenta e oito reais e quarenta e um centavos), subsistente após a revisão de ofício, teria sido Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Acórdão n.º 2401005.548 S2C4T1 Fl. 3 3 objeto de solicitação de ratificação de DCTF, nos termos da IN SRF nº 126/98, sendo improcedente a manutenção do lançamento; b) No mesmo sentido, aduziu que o lançamento do IRRF refente ao período de abril a julho de 1997 teria ocorrido em 22/02/2002, sendo que a revisão em 16/02/2011, ou seja, mais 14 anos após o fato gerador e 8 anos após a apresentação de impugnação, sendo forçoso o reconhecimento da prescrição intercorrente; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1238.388 da 5ª Turma da DRJ/RJI, às fls. 119/123, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 AUDITORIA INTERNA. DCTF. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO Deve ser mantido o auto de infração lavrado após auditoria interna de DCTF e em decorrência da não localização de pagamento vinculado a débito informado na referida declaração, se o contribuinte não comprova a existência do pagamento na fase impugnatória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 131/137, argumentando o que segue: a) O crédito tributário estaria fulminado pela prescrição intercorrente, na forma dos artigos 173, 174 e 156, todos do CTN; b) No mérito, afirma que não prospera o quanto asseverado no auto de infração, já que, “ao perceber o engano solicitou retificação de sua DCTF em 18/04/2002, nos termos da IN SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998 (vigente à época), [...]”, sendo que, apesar da Delegacia Regional, em seu acórdão, fundamentar a impossibilidade de retificação do art. 147 do CTN, o fez com base na IN SRF de 11/12/2002, sendo que o pedido foi feito em 18/04/2002, sendo aplicado ao caso os termos da IN SRF nº 126/98. Em seguida, o Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte foi apreciado pela 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a qual, após afastar hipótese de prescrição Fl. 290DF CARF MF 4 intercorrente com base na Súmula 11 deste Conselho, manifestouse através da Resolução nº 2102000.199 de 11 de março de 2015 (fls. 141/146), e converteu o julgamento em diligência com o objetivo de esclarecer alguns pontos, da seguinte forma: “Ao exame da preliminar arguida pela Recorrente, destacase que a alegação encontra óbice na Súmula CARF nº 11, segundo a qual ‘não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal’. (Portaria nº 52, de 21/12/2010, publicada no DOU, Seção I, em 23/12/2010). Vencido esse ponto, passase ao exame do mérito, que envolve a análise dos lançamentos das seguintes rubricas (fls. 71): 1 – Lançamento de valor residual de R$ 22,78, decorrente do crédito original de R$ 2.187,37, com data de vencimento em 07/05/1997 (PA 0504/1997); 2 – Lançamento de valor residual de R$ 340,50, decorrente do crédito original de R$ 1.084,50, com data de vencimento em 14/05/1997 (PA 0205/1997); 3 – Lançamento de valor residual de R$ 1.585,53, decorrente do crédito original de R$ 13.968,17, com data de vencimento em 04/06/1997 (PA 0505/1997); Todos esses créditos decorrem de informações de valores a maior na DCTF do 2º trimestre de 1997, após a revisão de ofício do lançamento feita com base nas informações apresentadas pela Recorrente, quais sejam, a Solicitação de Retificação de DCTF e as guias de recolhimento. Contudo, a Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, defende que o pedido de retificação não correste a uma ‘DCTF retificadora’, mas sim a um ‘processo administrativo’ com permissivo no inciso III do art. 8º da IN SRF nº 126, de 30/10/1998, transcrita abaixo: [...] Sobre esse processo administrativo, a Recorrente alega que ‘a competente solicitação de retificação de DCTF foi apresentada no dia 18 de abril de 2002, através de processo legal, que até hoje não se encontra julgado, como se verifica do andamento processual do sistema COMPROT’. Assim, considerando a Instrução Normativa vigente à época e o processo administrativo apresentado pela Recorrente propõese a CONVERSÃO deste julgamento em diligência, para que sejam juntados os autos cópia integral do respectivo processo administrativo. Tendo em vista a ausência de informação, nestes autos, do número desse processo, orientase a juntada do processo administrativo protocolado em 18 de abril de 2002, e, caso não seja identificado, orientase a juntada de todos os processos administrativos protocolados em abril de 2002, haja vista a relevância dessas informações para a análise do mérito.” Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Acórdão n.º 2401005.548 S2C4T1 Fl. 4 5 Na sequência, após o retorno da diligência, cumprida às fls. 150 a 266, os autos retornaram para esta Relatora, que determinou a intimação da Recorrente para que se manifestasse sobre os documentos juntados aos autos, conforme Resolução nº 2401000.614 de 03 de outubro de 2017 (fls. 268/273), a fim de se evitar posterior alegação de cerceamento de defesa. Dessa forma, a empresa foi intimada em 09/11/2017 (fl. 279), apresentando manifestação de fls. 283/284, asseverando que: “[...] No entanto, importante mencionar o despacho de fls 252 do Chefe de Equipe da DRF, informando (processo 10070002304/200210), que a numeração do processo não está identificada com carimbo da unidade fls. 51 e, o processo apresenta capa em mal estado, tudo isto perfeitamente compreensível após esses 15 anos de tramite e 20 anos dos fatos. Registrese também o despacho do Sr. Chefe da DIORT/FAZ, às fls. 265 que o processo (processo 10070 002304/200210) NÃO SE ENCONTRA CADASTRADO NOS SISTEMAS SINCORPROFISC (fls. 53) e SIEF (Fls. 54). No entanto informa que em consulta ao sistema SIEF FISCEL, TELAS DE FLS. 55/57, verificase que os valores retificados em DCTF encontramse validados e no sistema SINCORCONTACORPJ, fls. 58, não há débitos em cobrança. Por fim do exposto, opina pelo arquivamento do processo. A falta de registro nos sistemas expõe uma fragilidade imensa naquele período de transição entre os processos físicos e os eletrônicos, por outro lado, o exame dos sistemas SIEF FISCEL, e as telas mostram os valores retificados das DCTFs bem como validados no sistema SINCORCONTACORPJ, não aparecendo nenhum débito em nome da Contribuinte. Observase também que esses fatos se deram em 21/11/2002, posterior inclusive à solicitação de retificação da DCTF referente ao processo protocolado em 18/04/2002 cuja cópia foi solicitada pela D. Conselheira. Diante dos fatos, ratificase o pedido de procedência do Recurso, cancelando o lançamento tributário, pelas razões expostas”. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos já foram analisados anteriormente, tendo sido reconhecida a tempestividade e os demais requisitos para conhecimento do recurso em questão. 2. DO MÉRITO Como se pode observar do Recurso Voluntário apresentado, eis que foram abordados apenas dois temas, a prescrição intercorrente e a existência de suposto pedido de retificação da DCTF por meio de processo administrativo próprio. Nos termos do relatório, verificase que a alegada prescrição intercorrente já foi afastada nos termos da Súmula 11 deste Conselho, uma vez que o instituto invocado é reconhecidamente inaplicável na via administrativa fiscal (fl. 145). Recordese: “Ao exame da preliminar argüida pela Recorrente, destacase que a alegação encontra óbice na Súmula CARF nº 11, segundo a qual “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. (Portaria nº 52, de 21/12/2010, publicada no DOU, Seção I, em 23/12/2010). Vencido esse ponto, passase ao exame do mérito, que envolve a análise dos lançamentos das seguintes rubricas (fl. 71) [...]” Dessa forma, a questão encontrase superada. Em verdade, o único ponto pendente de julgamento é a tese apresentada pela Recorrente de que não seriam exigíveis os lançamentos mantidos após a retificação de ofício, uma vez que haveria pedido formulado pelo contribuinte, por meio de processo administrativo próprio, para retificação dos valores equivocadamente informados na DCTF, protocolado em 18/04/2002 e sem análise até aquela data. Vejase que, conforme se verifica da fl. 136 destes autos, a Recorrente afirmou, expressamente que: “Repitase que, ao perceber o engano no preenchimento da DCTF, e não existindo meio para retificação da DCTF nos termos dos itens I e II da mencionada norma legal, a Contribuinte apresentou sua competente SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF, de onde se verifica claramente a solicitação de mudança de valor de R$ 13.968,17 para R$ 12.382,64; de R$ 1.084,50 para R$ 744,00 e de R$ 2.187,37 para R$ 2.164,59. A competente solicitação de retificação foi apresentada no dia 18 de abril de 2002, através de processo legal, que até hoje não se encontra julgado, como se verifica do Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Acórdão n.º 2401005.548 S2C4T1 Fl. 5 7 andamento processual através do sistema COMPROT. [...]”. Vejase que, conforme aponta a Recorrente e, assim como se verifica do demonstrativo de débito de fls. 125, os valores devidos são, respectivamente: 1 – Lançamento de valor residual de R$ 22,78, decorrente do crédito original de R$ 2.187,37, com data de vencimento em 07/05/1997 (PA 05 04/1997); 2 – Lançamento de valor residual de R$ 340,50, decorrente do crédito original de R$ 1.084,50, com data de vencimento em 14/05/1997 (PA 02 05/1997); 3 – Lançamento de valor residual de R$ 1.585,53, decorrente do crédito original de R$ 13.968,17, com data de vencimento em 04/06/1997 (PA 05 05/1997); Nesse sentido, analisando os autos em questão, verificase que na impugnação aditada pela Recorrente, às fls. 106 a 108, em que pese no mérito a parte alegar que “para maior clareza junta cópia das DCTF’s retificadoras e das guias de recolhimento”, não se verifica a juntada destas, nem sequer na primeira impugnação apresentada pela Recorrente. Da mesma forma, não se verifica sequer o apontamento do número do processo administrativo em que teria sido requerida a retificação dos valores supostamente lançados equivocamente pela parte referente ao 2º trimestre de 1997, no que tange aos valores acima identificados. A única suposta prova de que os valores teriam sido objeto de Solicitação de Retificação de DCTF, é o documento de fls. 104, que sequer encontrase carimbado e com o respectivo número de protocolo. Não se pode confundir a impugnação do auto de infração de fls. 105, com a solicitação. Exatamente nesse sentido, acreditase, foi a diligência requerida pela 2ª Turma deste Conselho, já que, ao identificar as razões apresentadas pela Recorrente em seu recurso e a completa ausência de provas nesse sentido, requereu as informações a respeito de todos os pedidos de retificação feitos pela parte no mês de abril de 2002, nos seguintes termos: “Assim, considerando a Instrução Normativa vigente à época e o processo administrativo apresentado pela Recorrente propõese a CONVERSÃO deste julgamento em diligência, para que sejam juntados os autos cópia integral do respectivo processo administrativo. Tendo em vista a ausência de informação, nestes autos, do número desse processo, orientase a juntada do processo administrativo protocolado em 18 de abril de 2002, e, caso não seja identificado, orientase a juntada de todos os processos administrativos protocolados em abril de 2002, haja vista Fl. 294DF CARF MF 8 a relevância dessas informações para a análise do mérito.” Ou seja, nunca houve, de fato, qualquer apontamento acerca do processo específico onde se questionou o suposto erro no preenchimento da DCTF referente aos valores apontados no lançamento. Em resposta a esta diligência, foi encontrado o processo administrativo de número 10070.000049/0075, datado de 18 de janeiro de 2000 (fls. 150 a 197), onde se questionou o preenchimento de valores referentes ao 1º trimestre de 1999, não guardando, portanto, qualquer relação com os valores aqui discutidos (2º trimestre de 1997). Em seguida, verificouse o processo de nº 10070.002304/200210, datado de 12 de julho de 2002, conforme identificado na fl. 199. Neste processo, como se identifica da fl. 200, o pedido de alteração solicitada foi referente às PAs 0312/1997; 0507/1997; 0508/1997; 0509/1997; 0507/1997, cuja discussão é o 3º e 4º trimestre de 1997 (conforme documento de fls. 202 a 244). Todavia, as PAs identificadas neste processo são: 0504/1997; 0205/1997 e 0505/1997, que não guardam nenhuma relação com o processo acima identificado, como demonstram os documentos juntados com a diligência. Dessa forma, resta clara a ausência de veracidade das alegações da Recorrente ao aduzir a existência de suposto processo de retificação dos valores identificados nas PAs deste auto de infração, que não guarda relação com nenhum dos processos encontrados na diligência. Assim, não havendo qualquer justificativa apta a afastar os lançamentos aqui identificados, mantenho a conclusão da DRJRJ1, intimando a Recorrente para o pagamento do valor de R$ 1.948,41 (mil novecentos e quarenta e oito mil e quarenta e um centavos), na forma do Demonstrativo de fls. 71 a 75, que integraram o despacho para todos os fins legais atualizado e com a incidência da multa legal. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914267/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 67 /2 01 2- 95 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.914267/201295 Acórdão n.º 3201003.897 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.422, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.914267/201295 Acórdão n.º 3201003.897 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.914267/201295 Acórdão n.º 3201003.897 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.914267/201295 Acórdão n.º 3201003.897 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720062/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.978
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 62 /2 01 1- 24 Fl. 59243DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59244DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59245DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59246DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59247DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59248DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006963/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008 e 01/02/2009 a 28/02/2009
RECURSO "EXOFFICIO" – COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA.
Devidamente fundamentada na prova dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou o crédito tributário da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 1301-000.557
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008 e 01/02/2009 a 28/02/2009 RECURSO "EXOFFICIO" – COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. Devidamente fundamentada na prova dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou o crédito tributário da Fazenda Nacional.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.006963/200921 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1301000.557 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2011 Matéria Compensação/Multa Isolada Recorrente DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO DE CURITIBA (PR) Interessado ALL AMERICA LATINA LOGISTICA MALHA SUL S/A Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008 e 01/02/2009 a 28/02/2009 RECURSO "EXOFFICIO" – COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. Devidamente fundamentada na prova dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou o crédito tributário da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwar Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso exofficio interposto pela 3o. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Curitiba (PR), julgar improcedente o lançamento, cancelandose a exigência de multa de ofício isolada de R$ 63.910.556,62. Em razão de sua pertinência, transcrevo trecho do relatório da decisão recorrida: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 03/08, que exige o recolhimento de R$ 63.910.556,62 a título de multa isolada (de 150%), em decorrência de compensação indevida efetuada em declarações de compensação apresentadas pela contribuinte (o demonstrativo relativo às compensações tidas como indevidas está à fl. 11) entre 10/06/2008 e 13/02/2009. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 157/162, a autuação, cientificada em 21/07/2009 (fl. 163), ocorreu devido à compensação (considerada não declarada) de débitos de Cofins (07/2003, 08/2003, 01/2004 a 03/2004, 09/2004, 10/2004, 05/2008 a 12/2008 e 01/2009), no montante de R$ 42.607.037,73 (R$ 31.567.056,33 de Cofins mais acréscimos legais), com créditos oriundos de decisão judicial, objeto do processo 199961000245080 (SP), cuja habilitação administrativa se deu por meio do processo n° 10980.003291/200811. Consta do Relatório, ainda, que a aludida decisão judicial, transitada em julgado, foi objeto de ação rescisória no âmbito do processo 2009.03.00.0027547 e que houve antecipação de tutela para sustarlhe a eficácia no tocante ao afastamento do art. 8o. e §§ da Lei 9.718, de 1998 (majoração de alíquota da Cofins), obstandose a compensação antes deferida. Como conseqüência, o despacho que considerou habilitado o crédito no âmbito do processo administrativo 10980.003291/200811, foi administrativamente cancelado (10/06/2009 — fl. 116). Transcrevo, a seguir, a ementa prolatada no acórdão recorrido: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008, 01/02/2009 a 28/02/2009 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. HIPÓTESES DE APLICAÇÃO. Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada somente quando presentes as hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado” É o relatório. Passo ao voto. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006963/200921 Acórdão n.º 1301000.557 S1C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O valor do crédito tributário exonerado excede o limite que sujeita a decisão à revisão necessária, pelo que, tomo conhecimento do Recurso de Ofício. Cabe esclarecer, inicialmente, que o presente processo trata, unicamente da exigência de multa de ofício isolada. Pela análise dos autos, entendo que não cabe qualquer reparo à decisão recorrida, pelo que tomo de empréstimos, parcialmente, seus argumentos os quais transcrevo: “A impugnante salienta que as declarações de compensação foram apresentadas com base em créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado e que previamente à sua entrega, os mesmos foram objeto de habilitação perante a Receita Federal no âmbito do processo administrativo n° 10980.003291/200811. Afirma que a compensação de Cofins com Cofins foi expressamente autorizada pela decisão judicial que transitou em julgado, discorre sobre o processo judicial e sobre a ação rescisória, questiona os argumentos contidos no despacho decisório que considerou não declaradas as compensações, aduz ser ridícula a alegação de fraude, pede a observância do disposto no art. 112 do CTN e, ao final, requer o cancelamento do lançamento. É oportuno esclarecer, no entanto, que as declarações de compensação consideradas não declaradas foram apresentadas anteriormente ao cancelamento do despacho decisório que deferiu a habilitação do crédito (fl. 116) e anteriormente, também, ao deferimento do pedido de antecipação dos efeitos da tutela, no âmbito da ação rescisória n° 2009.03.000027547, para sustar a eficácia do acórdão que transitou em julgado favoravelmente à contribuinte no processo judicial n° 1999.61.000245080/SP. Analisandose os documentos constantes dos autos e, também, a legislação de regência constatase que, ao contrário do afirmado pela fiscalização, aludida multa não poderia ter sido aplicada no presente caso. Com efeito, independentemente do fato de as compensações terem sido consideradas não declaradas, fato que não será objeto de verificação no presente voto, é indiscutível que, à época em que as Dcomp que serviram de base para o lançamento foram apresentadas, entre 10/06/2008 e 13/02/2009, o crédito (de Cofins) que vinha sendo pleiteado decorria de uma decisão judicial transitada em julgado, tanto é assim que a própria contribuinte pleiteara em 12/03/2008, por meio do processo administrativo 10980.003291/200811, a habilitação correspondente e a mesma lhe foi deferida, por despacho decisório (esse despacho veio a ser cancelado em 10/06/2009, fl. 116, em face da tutela deferida no âmbito da ação rescisória alhures comentada). Quanto ao crédito pleiteado (e aos débitos compensados) vêse que se refere à Cofins, contribuição reconhecidamente administrada pela Receita Federal. Nesse contexto, por entender que a multa isolada aplicada à contribuinte se refere a uma compensação, tida como indevida, que, pelo que consta dos autos, não se enquadra nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n" 9.430, de 1996, Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 especialmente nas alíneas 'd' e 'e' do dito inciso, como aludido no Relatório Fiscal, entendese ser totalmente descabido o pertinente lançamento que, portanto, deve ser cancelado.” No caso em tela, o autuante fundamentou o lançamento, enquadrandoo nos dispositivos legais (fl.08), os quais transcrevo: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). § 1o. Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§, 6o. a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2° À multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). § 3o. Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o., quando for o caso. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007). § 5o. Aplicase o disposto no § 2o. do art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos , nos §§, 2o. e 4o. deste artigo.(Redação dada pela Lei 11.488, de 2007). (grifouse). No caso, não consigo encaixar a conduta da autuada no tipo legal acima disposto. Não resta dúvida que à época da apresentação das Dcomp (entre 10/06/2008 e 13/02/2009)o crédito (de Cofins) que vinha sendo pleiteado decorria de uma decisão judicial transitada em julgado, a qual foi devidamente reconhecida (processo administrativo 10980.003291/200811), em que pese o cancelamento de tal decisão em 10/06/2009, em face da tutela deferida no âmbito da ação rescisória. Da mesma o crédito pleiteado (e os débitos compensados) vêse que se refere à Cofins, contribuição reconhecidamente administrada pela Receita Federal. Nesse contexto, por entender que a multa isolada aplicada à contribuinte se refere a uma compensação, tida como indevida, que, pelo que consta dos autos, não se enquadra nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, especialmente nas alíneas 'd' e 'e', pelo que convém transcrevêlo: Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006963/200921 Acórdão n.º 1301000.557 S1C3T1 Fl. 3 5 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002). § 12 Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) II em que o crédito. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004). Desta forma, devidamente fundamentada na prova dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou o crédito tributário da Fazenda Nacional, em seus próprios fundamentos que ratifico como razão de decidir. Nego provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10880.680948/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros.
Numero da decisão: 1201-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 09 48 /2 01 1- 91 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido de multa moratória. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "A denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Conseqüentemente, a multa moratória não pode ser excluída.". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado, de forma resumida: "a) Originalmente os tributos foram informados em DCTF como compensados, e não como tributos em aberto; b) Realizada a compensação de um tributo e informado tal procedimento em DCTF, sua exigibilidade demandaria a realização de lançamento; c) Enquanto pendente de análise essa compensação não pode o Contribuinte ser considerado em mora, pois o procedimento compensatório extingue o crédito sob condição resolutória de sua ulterior homologação; d) O posterior pagamento do tributo, enquanto pendente a análise de compensação anteriormente declarada em DCTF, não implica a ocorrência de mora por parte do Contribuinte; e) O pagamento antes de qualquer ato formal de lançamento é caracterizado como denúncia espontânea, afastando não apenas a multa punitiva, mas também a multa moratória." É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.222, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.680945/2011 58, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.222): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere à multa moratória que ela entende indevida em função da denúncia espontânea. Efetivamente, este e.CARF já tem farta jurisprudência no sentido de que, em se tratando de denúncia espontânea, é suficiente o pagamento do principal e dos juros de mora, estando a Contribuinte dispensada do pagamento de multas, seja ela de ofício seja moratória. Senão: Acórdão CSRF nº 9101001.815, de 20/11/2013: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. Acontece que, como já ficou definido pelo STJ, a denúncia espontânea só se configura quando o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração constitutiva do crédito, tal como a DCTF no presente caso PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 5 4 POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN (...) 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 6 5 ... TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. COBRANÇA DE DIFERENÇAS DE ICMS DECLARADO EM GIA E RECOLHIDO FORA DE PRAZO. CTN, ART. 166. INCIDÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. AFASTAMENTO DA MULTA. SÚMULA 98/STJ. VERBA HONORÁRIA. ART. 21 DO CPC. SÚMULA 07/STJ. (...) 2. Apreciando a matéria em recurso sob o regime do art. 543C do CPC (REsp 886462/RS, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 28/10/2008), a 1ª Seção do STJ reafirmou o entendimento segundo o qual (a) a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS ? GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ? DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco, e (b) se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido, nos termos da Súmula 360/STJ. (...) (REsp 1110550/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 04/05/2009) ... TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ? DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS ? GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 7 6 (REsp 962.379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Nesse sentido, inclusive, o STJ já consolidou a Súmula nº 360: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Esse entendimento também deve ser repetido neste e.CARF, com base no mesmo art. 62, §2º, do Anexo II ao RICARF, como já se reconheceu nos seguintes precedentes: Acórdão CARF nº 3802001.587, de 27/02/2013: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf) ou declaração equivalente, e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. O ônus da prova de sua caraterização concreta cabe ao sujeito passivo. Portanto, se este não apresenta elementos suficientes para demonstrar a sua configuração, deve ser mantida a decisão recorrida. ... Acórdão CARF nº 2101001.957, de 20/11/2012: TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, circunstância não comprovada no presente feito. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Verificase, no caso concreto, que quando o recolhimento em atraso foi feito, o débito estava declarado na DCTF original. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 8 7 como está registrado no seguinte trecho do voto condutor da decisão de piso que trago a colação: Não tem proveito o argumento de que o pagamento do débito indevidamente compensado foi feito antes da retificação da DCTF. O débito pago já estava confessado na DCTF original. Lá já constava o mesmo valor de débito informado na retificadora. (...) O que mudou na DCTF retificadora foi o crédito vinculado ao débito confessado. A DCTF original continha informação inexata, pois aqui não se confirma a existência da compensação nela vinculada. Ainda que a versão da manifestação de inconformidade fosse verdadeira, os efeitos da compensação não homologada ou cancelada se desfazem desde sempre, como se viu anteriormente neste voto. Portanto, no caso, quando o recolhimento foi feito, o débito estava declarado e encontravase em aberto desde seu vencimento. A denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Conseqüentemente, a multa moratória não pode ser excluída. Nesse caminho, nos casos em que o pagamento foi efetuado após a transmissão da DCTF, em consonância com a jurisprudência do STJ e deste e.CARF, cabível a cobrança da multa moratória. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o indeferimento do pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12749.000451/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 28/08/2002 a 23/05/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREVICUR TÉCNICO.
O produto identificado em laudo técnico como sendo uma solução aquosa de Cloridrato de Propamocarb classifica-se no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul.
Ê indevida a classificação no código NCM 3808.20.29, como entendeu a fiscalização, por se tratar de composto orgânico de constituição química definida, não estar acondicionado para venda a retalho e nem ser uma preparação.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREMIER TÉCNICO.
O produto identificado em laudo técnico como sendo o Imidacloprid classifica-se no código NCM 2933.39.29.
Numero da decisão: 3201-003.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/08/2002 a 23/05/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREVICUR TÉCNICO. O produto identificado em laudo técnico como sendo uma solução aquosa de Cloridrato de Propamocarb classificase no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Ê indevida a classificação no código NCM 3808.20.29, como entendeu a fiscalização, por se tratar de composto orgânico de constituição química definida, não estar acondicionado para venda a retalho e nem ser uma preparação. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREMIER TÉCNICO. O produto identificado em laudo técnico como sendo o Imidacloprid classificase no código NCM 2933.39.29. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 74 9. 00 04 51 /2 00 7- 67 Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.494 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto de Importação II acrescido de multa de ofício e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado (fls. 36/50) para a exigência do crédito tributário relativo As diferenças do Imposto de Importação (R$ 429.980,70), acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora, além da multa do controle administrativo (R$ 7.369.728,40, regulamentar (R$ 1.078.348,24) e da multa proporcional ao valor aduaneiro (R$ 385.729,77), em virtude da reclassificação tarifária de mercadorias importadas, embasada em laudos técnicos e legislação de regência, conforme descrito no Termo de Verificação (fls. 109/129): Hostathion Técnico. Laudo Funcamp n° 0029.01 , classificada pelo contribuinte no código 2933.99.63 e reclassificado para o código 3808.10.29. Premier Técnico. Laudo Funcamp no 2834.01, classificada pelo contribuinte no código 2933.39.99 e reclassificado para o código 2933.39.29. Previcur Técnico. Laudo Funcamp no 0640.01, classificada pelo contribuinte no código 2924.19.29 e reclassificado para o código 3808.20.29. Larvin Técnico. Ficha Radar n° 04/00255324, classificada pelo contribuinte no código 2930.90.39 e reclassificado para o código 3808.10.29. Para todos os produtos houve o lançamento do Imposto de Importação, juros de mora, multa de oficio, multa de classificação fiscal incorreta e Multa do controle administrativo por ausência de licença de importação, à exceção do produto Premier Técnico, que foi objeto de tãosomente multa de 1% por classificação fiscal incorreta. A fiscalização relata que esta contribuinte foi incorporada, em 27/01/2005, pela ora denominada Bayer S/A, CNPJ 18.459.628/000115, que detém a responsabilidade tributária pelo pagamento deste lançamento. Regularmente cientificada (fl. 37), a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 1318/1338, na qual, em síntese: Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.495 3 Informa sobre os recolhimentos dos valores exigidos quanto aos produtos Hostathion Técnico e Larvin Técnico — DARF de R$ 472.382,42, R$ 2.615.783,24, R$ 24.163,07, R$ 126.225,49, R$ 176.103,65, R$ 727.859,19 e R$ 77.131,77 (documentos números 03 ao 09). Quanto ao produto Premier Técnico, alega primeiramente que, em outra ação fiscal, já houve o lançamento relativo às DI 04/12042554 e 04/12839614 – Autos de Infração n° 11128.0003951/200533 e 11128.002826/200514. Desta forma, este lançamento deve ser declarado nulo. A reclassificação fiscal para o código NCM n° 2933.39.29 afronta o estabelecido pelo Tratamento Administrativo Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), o qual determina a utilização da NCM n° 2933.39.99 (destaque 005 outros Imidacloprid), aplicação anuída pelo Ministério da Agricultura (doc. 12). Afirma que somente este código é permitido no Sistema Eletrônico do Ministério da Fazenda para este produto, sob pena de se caracterizar importação ao desamparo de licença. Aduz que a pretensão fiscal macula o principio da segurança jurídica e que deve ser afastada a multa aplicada. Em seguida, trata do produto Previcur Técnico, informando que deve ser apartado da subposição 2924.2 (Amidas cíclicas e seus derivados), porque se trata de uma cadeia de cloreto de propamocarbe acíclica, devendo estar na subposição 2924.1, o qual alberga amidas acíclicas e seus derivados. Observandose o Tratamento Administrativo do Siscomex, encontrase para a NCM n°2924.19.29, uma lista de produtos sujeitos a Licenciamento não automático e os respectivos órgãos anuentes. No destaque 003, temos a informação "outros propamocarbe hidrocloreto", sendo que a anuência é encargo do Ministério da Agricultura. Assim, não cabe ao importador a utilização de outra classificação. O laudo trazido à baila pela Administração expressamente destaca que o produto Previcur Técnico é um composto orgânico de constituição química definida em solução aquosa. Todavia, deveria estabelecer que se trata de uma preparação fungicida constituída de duas partes, vez que a água não o transforma em preparação. E, analisando as NESH do capitulo 29, alíneas "a" e "d", bem como a alínea "h" do bloco D das Considerações Gerais e o texto da posição 38.08, observa que o produto fora trazido acondicionado em tambor de 200kg cada, o que o descaracteriza como embalagem para venda. Conclui que o auto de infração é improcedente, vez que não se verifica erro de classificação e nem divergência na descrição do produto. Alega inexistência de máfé ou tentativa de sonegar tributos, ou qualquer prejuízo material ao fisco, pelo que é inaplicável a penalidade imposta, que é desproporcional à suposta infração cometida, conforme o art. 112 do CTN, além de afrontar ao principio do não confisco. Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.496 4 Solicita a acolhida dos recolhimentos dos valores relativos aos produto Hostathion e Larvin, bem como seja reconhecida a nulidade da autuação para os produtos remanescentes (Premier e Previcur). Requer, ainda, que as intimações e notificações sejam efetuados aos seus procuradores, no endereço do seu escritório. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou procedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0728.583, de 27/04/2012 (fls. 1422 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/08/2002 a 23/05/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto identificado pelo Laudo Técnico como sendo uma solução aquosa de Cloridrato de Propamocarb classificase no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Ê indevida a classificação no código NCM 3808.20.29, como entendeu a fiscalização, por se tratar de composto orgânico de constituição química definida, não estar acondicionado para venda a retalho e nem ser uma preparação. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. DESTAQUE NCM. O fato não encontra tipicidade no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001, se o importador foi obrigado a utilizar uma classificação fiscal incorreta por conta de exigência de "Destaque – NCM" no Tratamento Administrativo do Siscomex. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N° 12/1997. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. Caso a mercadoria esteja corretamente descrita na Declaração de Importação, aplicase o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/1997, afastandose a multa do controle administrativo por importação desamparada de licença de importação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão dos valores exonerados, houve a interposição de recurso de ofício. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.497 5 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Contra a Recorrente foi lavrado auto de infração para a cobrança do II, multa de ofício e juros de mora. Não impugnada a exigência quanto a dois dos produtos reclassificados pela fiscalização aduaneira (Hostathion Técnico e Larvin Técnico), os valores correspondentes foram transferidos para outro processo administrativo. De conseguinte, resta apreciar apenas a reclassificação proposta quanto aos produtos Premier Técnico e Previcur Técnico. Ao analisar a classificação fiscal de ambos os produtos, os fundamentos adotados pela DRJ para exonerar o crédito tributário correspondente são absolutamente cristalinos e incontestáveis, de modo que, não sendo necessária qualquer consideração adicional, passamos a adotálos, também aqui, como razão de decidir: PREMIER TÉCNICO: Passo doravante a discorrer acerca da multa de 1% por classificação fiscal incorreta do produto denominado comercialmente de Premier Técnico, classificada pelo contribuinte no código 2933.39.99 e reclassificado pela fiscalização para o código 2933.39.29. 2933 COMPOSTOS HETEROCÍCLICOS EXCLUSIVAMENTE DE HETEROÁTOMO(S) DE NITROGÊNIO (AZOTO) 2933.3 Compostos cuja estrutura contém um ciclo piridina (hidrogenado ou não) não condensado 2933.39 Outros 2933.39.2 Cuja estrutura contém cloro mas não contém flúor nem bromo, em ligação covalente 2933.39.29 Outros 2933.39.9 Outros 2933.39.99 Outros O Laudo Funcamp n° 2834.01, de 22/10/2004, conclui que se trata "de 1 [(6Cloro3Piridinil) Metil] 4,5DhidroNNitro Imidazol2Amina: (Imidacloprid)". Portanto, há uma concordância que o produto é "imidacloprid", sendo incontroverso que se enquadra na posição 2933, subposição 39. Entretanto, na resposta ao quesito I do Laudo Técnico consta expressamente que a estrutura contem cloro mas não contém Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.498 6 flúor nem bromo em ligação covalente, o que define a classificação fiscal em favor da fiscalização (2933.39.2): 1. Não se trata de qualquer outro composto cuja estrutura contém um ciclo piridina não condensado. Tratase de [(6cloro 3piridinil)meti]4,5dihidroN°NitroImidazol2Amina (Imidacloprid), Outro Composto cuja estrutura contém Cloro mas não contém Flúor nem Bromo em ligação covalente. (...) Dentro do Item, utilizase o Subitem 2933.39.29 (outros) pelo fato de nenhum dos subitens anteriores descrever a mercadoria em questão. Correta, portanto, a classificação fiscal procedida pelo fisco. Porém, o interessado afirma que foi obrigado a utilizar o código 2933.39.99, para expedição da licença de importação, em virtude do estabelecido pelo Tratamento Administrativo, emitido pelo MDIC/DECEX, o qual determina a utilização deste código pelo destaque NCM 005 "outros – Imidacloprid", com anuência do Ministério da Agricultura (fl. 1366). 1 O destaque NCM 005, citado pelo impugnante e utilizado nas declarações de importação, é um detalhamento da NCM, inferior ao nível de subitem, destinado a diferenciar o "Imidacloprid" dos demais produtos enquadrados no mesmo código NCM. Ante o exposto, concluise que a administração pública criou um destaque da NCM vinculado a um código incorreto. Mas, como se exige do importador a obtenção de licença no Siscomex, para esse produto, não há alternativa ao particular, que deve requerer a licença nos termos prescritos pela administração. Verificase nos autos que as importações estão amparadas por LI, de sorte que não poderia o importador, vinculando tais LI, formular as declarações com indicação de enquadramento tarifário diferente do 2933.39.99. Se a própria administração exige informação do referido "destaque" para fins de controle administrativo, não é possível exigir do interessado comportamento diverso do adotado. Nesse sentido, observase o que dispunha a Portaria Secex nº 17/2003, vigente à época das importações em apreço: Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação DI no Siscomex, com o objetivo de dar inicio aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto a unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF. 1 Tratamento : DESTAQUE DE NCM Mercadoria : 29.33.3999 [Descrição não consta da Tabela Destaque: 005 [OUTROS IMIDACLOPRID] (efl. 1380) Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.499 7 Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto. (grifei) O destaque em pauta está previsto no "Tratamento Administrativo do Siscomex", conforme fl. 1366, e se o interessado deixasse de requerer a licença de importação ficaria sujeito à multa prevista no artigo 169, I, "b", do DecretoLei nº 37/1966. Diz o dispositivo supostamente infringido, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. (grifei) Entendo que o fato não encontra tipicidade no dispositivo citado porque, embora a mercadoria tenha sido incorretamente classificada na NCM, foi corretamente enquadrada em "outro detalhamento instituído para sua identificação", qual seja, no "Destaque NCM 005", do subitem 2933.39.99. Além disso, dispõe o DecretoLei nº 37/1966 em seu artigo 94, "caput", que: Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Induzido o interessado à informação de classificação incorreta, não há inobservância de obrigação legal, mas colisão entre obrigações jurídicas, não se configurando, portanto, a infração prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158/200135. Observo, ainda, que tem razão a impugnante acerca da alegada duplicidade de lançamentos no tocante às DI 04/12042554 e 04/12839614, relativas ao produto Premier Técnico, as quais devem também por este motivo ser excluídas deste auto de infração. Ressalvo que a improcedência da exigência no tocante a alguns fatos geradores, que, por conseguinte, devem ser excluídos, não macula de nulidade o lançamento como um todo, como pretende a impugnante. (grifamos) Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.500 8 ......................................................................................................... PREVICUR TÉCNICO: Enquanto a empresa defende o código NCM 2924.19.29 para o produto denominado Previcur Técnico, a fiscalização defende a reclassificação para o código 3808.20.29. Transcrevese o texto da NCM 2924.19.29, adotada pelo contribuinte: 2924 COMPOSTOS DE FUNÇÃO CARBOXIAMIDA; COMPOSTOS DE FUNÇÃO AMIDA DO ÁCIDO CARBÔNICO 2924.1 Amidas (incluídos os carbanatos) acíclicas e seus derivados; sais destes produtos 2924.19 Outros 2924.19.2 Formamidas; acetamidas 2924.19.21 NMetilformamida 2924.19.22 N,NDimetilformamida 2924.19.23 Fluoroacetamida 2924.19.29 Outras Transcrevese o texto da NCM 3808.20.29, adotada pelo fisco: 3808 INSETICIDAS, RODENTICIDAS, FUNGICIDAS, HERBICIDAS, INIBIDORES DE GERMINAÇÃO E REGULADORES DE CRESCIMENTO PARA PLANTAS, DESINFETANTES E PRODUTOS SEMELHANTES, APRESENTADOS EM QUAISQUER FORMAS OU EMBALAGENS PARA VENDA A RETALHO OU COMO PREPARAÇÕES OU AINDA SOB A FORMA DE ARTIGOS, TAIS COMO FITAS, MECHAS E VELAS SULFURADAS E PAPEL MATAMOSCAS 3808.20 Fungicidas 3808.20.2 Apresentados de outro modo 3808.20.21 A base de hidróxido de cobre, de oxicloreto de cobre ou de óxido cuproso 3808.20.22 A base de ziram ou de enxofre 3808.20.23 À base de mancozeb ou de maneb 3808.20.24 A base de sulfiram Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.501 9 3808.20.25 A base de compostos de cromo, de arsênio ou de cobre, exceto os produtos do subitem 3808.20.21 3808.20.26 A base de thiram 3808.20.27 A base de propiconazol 3808.20.29 Outros O entendimento do auditorfiscal autuante (NCM 3808.20.29), discordante tanto da classificação adotada pelo contribuinte (NCM 2924.19.29) quanto da adotada pela fiscalização da Alfândega do Porto de Santos (NCM 2924.29.69), todavia, mostrase equivocado, pelas razões que explicito abaixo. O Laudo Técnico n° 0640.01 (fl. 1219) traz as seguintes informações sobre a mercadoria: CONCLUSÃO: Tratase de Solução Aquosa de Cloridrato de 3(Dimetilamino) Propilcarbamato de Propila; (Cloridrato de Propamocarb/Propamocarbe Hidrocloreto). RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata, quimicamente, de Derivado de Formamida ou Acetamida. Tratase de Solução Aquosa de Cloridrato de 3(Dimetilamino) Propilcarbamato de Propila; (Cloridrato de Propamocarb/Propamocarbe Hidrocloreto), Derivado de Propanamida, Sal de Qualquer Outro Carbamato, Composto de F unção Amida do Ácido Carbônico. 2. Tratase de composto orgânico de constituição química definida. 3. Segundo Referências Bibliográficas, PREVICUR referese a Cloridrato de Propamocarb, utilizado como ingrediente ativo em Preparações Fungicidas. 4. De acordo com Literatura Técnica, Cloridrato de Propamocarb é comercializado na forma de solução aquosa em função da dificuldade de manuseio devido ao ingrediente ativo ser higroscópico. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, ao tratarem da posição 3808, esclarecem que ali se incluem os produtos com características de fungicidas, dentre outros, somente nos seguintes casos: I) Quando são apresentados em embalagens (tais como recipientes metálicos, caixas de cartão) para venda a retalho como inseticidas, desinfetantes, etc., ou ainda quando apresentem uma forma tal (bolas, enfiadas de bolas, tabletes, plaquetas, Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.502 10 comprimidos e semelhantes) que não suscite quaisquer dúvidas quanto ao seu destino para venda a retalho. Estes produtos assim apresentados podem ser ou não constituídos por misturas. Os que não se apresentem misturados são, geralmente, produtos de constituição química definida do Capitulo 29, como, por exemplo, naftaleno ou 1,4 diclorobenzeno. A presente posição abrange igualmente os seguintes produtos, desde que acondicionados para venda a retalho como fungicidas, desinfetantes, etc.: 2) Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentem (compreendendo os líquidos, as soluções e o pó a granel). Estas preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro liquido (dispersões de D.D.T. (1,1,1tricloro2,2bis (p clorofenil) etano) em água, por exemplo), ou em misturas de outras espécies. As soluções de produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações, como, por exemplo, uma solução de extrato de piretro (com exclusão do extrato de piretro de concentraçãotipo), ou de naftenato de cobre em óleo mineral. Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam de ser misturados para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso. Esta posição não compreende: a) Os produtos usados como inseticidas, desinfetantes, etc., que não preencham as condições atrás referidas. Estes produtos classificamse, segundo a sua natureza, nas suas posições respectivas: 4°) O nafialeno, o DDT e outros produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente (ou em soluções aquosas) (Capítulos 28 ou 29). (grifei) Das Notas acima depreendese que um fungicida para se classificar na posição 3808 necessita ou estar acondicionado para venda a retalho ou se apresentar como preparação, qualquer que seja a forma desta, situação defendida pelo fisco. Quanto à primeira condição, não houve nenhum relato da auditoria e não existem nos autos elementos para se afirmar que o produto se acha acondicionado para venda a retalho. A alegação da impugnante é de que o produto fora trazido acondicionado em tambor de 200kg cada. No Bill of Lading (BL), de fls. 1251/1252, consta que o PREVICUR TÉCNICO se achava acondicionado em 160 tambores, num total de 34.464 quilos, ou seja, com peso médio bruto de 215,4 kg cada um. Nos BL, as fls. 1226, 1233 e 1241, constam 10, 20 e 20 pallets, Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.503 11 respectivamente, com 4 tambores cada um, sendo cada tambor com 200 quilos do produto. Assim, é de se convir que o acondicionamento do produto não pode destinarse à venda a retalho. Primeiro, por não estar acondicionado nas doses/embalagens recomendadas, condição para se configurar a venda a retalho. E, em segundo lugar, por não estar pronto para uso, pois, segundo os elementos constantes dos autos, tratase de principio ativo de fungicida, a ser utilizado na formulação de produto acabado. A venda a retalho pressupõe, como condição necessária, que o produto esteja pronto uso. Com relação à segunda condição, devese ressaltar que as Notas excluem do conceito de preparação, para efeito de enquadramento na posição 3808, as soluções aquosas do principio ativo, quando descreve que as "soluções de produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações". Se o ingrediente ativo se achar disperso ou dissolvido em qualquer outro solvente que não seja água, tal mistura, para efeito de classificação na referida posição, é definida como uma preparação, mas não se o solvente for água. Não há que se confundir os termos "solução" com "suspensão", pois como assevera a referida Nota, acima transcrita, as "preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro liquido". Solução é uma mistura homogênea, na qual uma substância é dissolvida em outra, como, por exemplo, água (solvente) com açúcar (soluto), sem que se possa identificar os dois ingredientes. Já a suspensão é uma mistura heterogênea, na qual as partículas são grandes o suficiente para serem vistas por um microscópio ou mesmo a olho nu, sendo que, geralmente, em repouso, elas se separam, como uma colher de areia adicionada a um copo de água. Ademais, o próprio Laudo Técnico, acima transcrito, ressalva que o Cloridrato de Propamocarb é comercializado na forma de solução aquosa em função da dificuldade de manuseio devido ao ingrediente ativo ser higroscópico. Portanto, claro está que o produto não é uma preparação e, portanto, também não satisfaz a segunda condição para o enquadramento na posição 3808. Reforça o entendimento acima, o fato de as mencionadas Notas excluírem da posição 3808 os produtos que não preencham as condições atrás referidas, os quais devem se classificar, segundo a sua natureza, nas suas posições respectivas. Também traz a ressalva de que esta posição não compreende "outros produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente (ou em soluções aquosas) (Capítulos 28 ou 29)". (grifei). Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.504 12 Ademais, a então Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, na análise do processo n° 11128.003647/9705, o qual culminou na Decisão n° 578, de 21 de fevereiro de 2000, solicitou ao Labana uma complementação ao seu Laudo Técnico n° 1316/97, acerca do mesmo produto e outros, do que resultou a Informação Técnica n° 0106/99, que concluiu que: 1. O Previcur Técnico é analisado não mais como uma preparação mas como uma Solução Aquosa de Cloridrato de Promocarb; 2. O Cloridrato de Propamocarb, ingrediente ativo, é um composto orgânico de constituição química definida e isolado;(grifei) Pelo exposto, concluo estar equivocada a reclassificação para o código NCM 3808.20.29, levada a efeito com base no entendimento dado pelo auditorfiscal autuante de que produto ora tratado se trata de uma preparação, pois não encontra respaldo nos fatos nem nas regras de interpretação do Sistema Harmonizado. A classificação pretendida pelo impugnante na NCM 2924.19.29, também não nos parece ser a correta, porque o Laudo Técnico é categórico ao afirmar que não se trata, quimicamente, de Derivado de Formamida ou Acetamida. Não obstante, não compete a este órgão colegiado oferecer uma terceira classificação que considera adequada, fora dos limites do litígio posto a julgamento. Simplesmente observo que as informação trazidas pelo Laudo Técnico n° 0640.01 (fl. 1219), feito pelo Labana, acima transcrito, esclarecem ser o produto um composto orgânico de constituição química definida, mais especificadamente, tratarse de um Composto de Função Amida do Acido Carbônico, o que remete certamente à posição 2924. Ainda, o Laudo descreve o produto como um sal de qualquer outro carbamato, derivado de Propanamida, o que poderia conduzir ao código 2924.29.69. Todavia, esta apressada classificação pode ferir as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, pois se contrapõe à alegação da impugnante de que se trata de uma amida acíclica, inclusive trazendo a sua fórmula estrutural à fl. 1330. Seria necessário ter a certeza quanto ao produto ser uma amida cíclica ou acíclica, para prosseguir na classificação após a posição 2924. Por todo o exposto, julgo improcedente o lançamento relativo as diferenças do Imposto de Importação e seus consectários legais. Fazemos, porém, por necessário, o seguinte registro adicional: a classificação fiscal do produto Previcur Técnico adotada no voto condutor do acórdão recorrido foi contestada na declaração de voto nele encartado. O argumento do il. julgador é que os produtos Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.505 13 que se qualifiquem como inseticidas, fungicidas, herbicidas etc. são expressamente citados e classificados na posição 3808. Entendemos, contudo, correta a posição adotada pelo relator. Afinal, consoante este logrou demonstrar, casos há em que produtos, mesmo sendo inseticidas, fungicidas, e herbicidas, não se classificam na posição 38.08, conforme, aliás, indica a Nota Explicativa ao Capitulo 38 citada na própria Declaração de Voto, segundo o qual, neste Capítulo, incluemse "Os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08". Assim, não se apresentando nas formas e embalagens lá previstas, não se classificam nesta última posição. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1505DF CARF MF
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