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Numero do processo: 15165.003462/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento novamente em diligência, reiterando-se o quesito c da diligência anterior, que restou sem resposta satisfatória, acrescido dos detalhamentos seguintes: (1) qual era o endereço cadastral fornecido à RFB pelo Sr. MARCO Antonio Mansur Filho, em 05/12/2008 (anexando-se a correspondente consulta histórica no sistema CPF), e (2) caso o endereço cadastral não seja, à época, a Rua Cruzeiro, no 695, Barra Funda, CEP 01000-000 São Paulo/SP, qual a razão de a unidade ter tentado cientificar o Sr. MARCO em tal endereço.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento novamente em diligência, reiterandose o quesito “c” da diligência anterior, que restou sem resposta satisfatória, acrescido dos detalhamentos seguintes: (1) qual era o endereço cadastral fornecido à RFB pelo Sr. “MARCO” Antonio Mansur Filho, em 05/12/2008 (anexandose a correspondente consulta histórica no sistema CPF), e (2) caso o endereço cadastral não seja, à época, a “Rua Cruzeiro, no 695, Barra Funda, CEP 01000000 – São Paulo/SP”, qual a razão de a unidade ter tentado cientificar o Sr. “MARCO” em tal endereço. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre os Autos de Infração de fls. 4 a 721, para exigência de imposto de importação (no valor original de R$ 161.188,72), acrescido de juros de multa de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 51 65 .0 03 46 2/ 20 08 -3 9 Fl. 11048DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.041 2 ofício majorada (150% da diferença de tributo), e de multa pela diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado (100% da diferença de valor, totalizando R$ 3.067.519,54), em função de detecção de subfaturamento, em sete declarações de importação registradas em 2005 (DI no 05/00555464 – adições 001 a 005; DI no 05/00646915 adições 001, 005, 009, 013, 014, 016 e 017; DI no 05/00897721 adições 005 a 010 e 013, 017 e 018; DI no 05/01134730 – adições 001, 002, 004 a 007, e 010 a 012; DI no 05/01459647 adições 001 e 003; DI no 05/01528819 – adições 001 a 004; e DI no 05/01758270 adições 002, 004 e 006); de imposto sobre produtos industrializados incidente nas mesmas importações (no valor original de R$ 480.534,29), acrescido de juros de multa de ofício majorada (150%), também em função de subfaturamento, de multa por entrega a consumo de produto de procedência estrangeira importado fraudulentamente (no valor de R$ 4.853.392,97); e de Contribuição para o PIS/PASEPimportação (no valor original de R$ 72.219,52) e de COFINSimportação (no valor original de R$ 332.441,24), ambas acrescidas de juros de mora e de multa de ofício majorada (150%), para as mesmas importações, e sob o mesmo fundamento de subfaturamento, detalhado no Relatório de Fiscalização anexo. No Relatório de Fiscalização (fls. 73 a 236, com anexos às fls. 237 a 3411), narrase que: (a) o documento decorre de ações fiscais desenvolvidas em face da “OPERAÇÃO DILÚVIO”, que teve por objeto identificar a atuação fraudulenta de um grupo de empresas, capitaneadas por Marco Antônio Mansur (MAM), na área de comércio exterior, mais especificamente, no caso do presente processo, o “GRUPO NETWORK 1”, gerido e financiado por MARCELO ADORNO e WILLIAM HADDAD UZUM (doravante WILLIAM) que construiu um esquema próprio de importação e distribuição subfaturada de bens, envolvendo diversas pessoas físicas e jurídicas; (b) o relatório em relação ao “GRUPO NETWORK 1” é parte dos autos de infração levados a cabo nos processos administrativos no 15165.003462/200839 (MERCOTEX DO BRASIL LTDA, o presente processo); no 15165.003460/200840 (OPUS TRADING AMERICA DO SUL LTDA); no 15165.003455/200837 (MUCHMORE COMERCIAL LTDA); no 15165.003458/200871 (IACEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA); no 15165.003461/200894 (COTIA TRADING S.A.); e no 15165.003459/200815 (PROXIM IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA); (c) o relatório em relação ao “GRUPO NETWORK 1” tem por substrato documentação extraída de originais apreendidos pela Polícia Federal quando da deflagração da “OPERAÇÃO DILÚVIO”, tendo o Poder Judiciário, no processo no 2006.70.00.0224356, autorizado a utilização das provas produzidas no âmbito criminal em processos administrativos, tendo a fiscalização acrescentado a tais documentos as cópias de todas as declarações de importação analisadas nos autos, os dossiês relativos a pessoas físicas e jurídicas constantes do banco de dados da RFB e cópias das declarações de ajuste anual do IRPF de MARCELO ADORNO e WILLIAM; (d) o “GRUPO NETWORK 1” tem operação vertical, que representada na figura à fl. 100 (com organograma real detalhado à fl. 119), efetua compras no mercado americano por meio da empresa NEILS, sendo os bens adquiridos, em seguida armazenados em Miami por NATIONS, que prevê a exportação utilizando CAPITOL FREIGHT como o transportador, sendo os produtos, posteriormente, importados no Brasil por EBIS EMPRESA BRASILEIRA DE COM., INTEG. E SERV. DE TECNOLOGIA LTDA (doravante Fl. 11049DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.042 3 EBIS), INTERSMART, NETM, NETWORK e QoS, e vendidos no mercado brasileiro sob as marcas: Network I, M13 e QoS (os produtos e serviços exportados para outros países da América latina são vendidos pela empresa panamenha M13 International); (e) todos os bens estrangeiros analisados, importados pela MERCOTEX DO BRASIL LTDA (doravante MERCOTEX), OPUS, PROXIM, TUM1ZA, IACEX, COTIA e MUCHMORE deram entrada em empresas do “GRUPO NETWORK 1”, reais adquirentes desses produtos; (f) em todos os processos foram arrolados como responsáveis solidários (artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN) MARCELO ADORNO e WILLIAM, gestores e financiadores do esquema, e, nas importações realizadas em nome da MERCOTEX e da OPUS, também MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO (doravante MARCO, como é designado no relatório fiscal), sendo as empresas do “GRUPO NETWORK 1” que se encontram baixadas ou como suspensas, responsabilizadas, por sucessão, nas pessoas dos sócios (artigo 129 do CTN); (g) a empresa EBIS foi relacionada como responsável solidária em todas as importações em que os bens tenham se destinado ou transitado (triangulado) pelas empresas NETM, M13 ou NETWORK, na qualidade de sucessora destas; (h) são pessoalmente responsáveis os diretores, gestores ou representantes das empresas, pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração da Lei (artigo 135, III do CTN), pelo que, em todos os processos MARCELO RALO, administrador do “GRUPO NETWORK 1”, foi arrolado como responsável, sendo que, nas importações via “Grupo MAM”, realizadas pelas empresas MERCOTEX e OPUS, adicionalmente, figuraram nessa condição MARCIO BUENO MARIKOSHI (doravante MÁRCIO) e FERNANDO MARQUES DA COSTA (doravante FERNANDO); (i) no curso das investigações que culminaram com a deflagração da “OPERAÇÃO DILÚVIO” foram identificadas onze declarações de importação subfaturadas, destinadas à M13 (EBIS), sendo seis registradas em nome da MERCOTEX e cinco pela OPUS, importadoras controladas pelo “Grupo MAM”; (j) no que diz respeito ao dolo, alega a fiscalização que ao longo de todo o relatório foram apresentadas provas incontestáveis da pratica de fraudes, simulações e conluios por parte dos agentes envolvidos no cometimento das irregularidades, o que autoriza a aplicação da multa de 150% sobre todos os impostos e contribuições não recolhidos; (k) o subfaturamento é documentado às fls. 139 a 152, nas quais se detalha o modus operandi empregado pelo “GRUPO NETWORK 1”, que reduziu, fraudulentamente, na quase totalidade das importações, a base de cálculo em percentuais que variaram entre 30% (via INTERSMART) 85% (agenciadas por FERNANDO, junto a importadoras de fachada do Grupo “MAM” ou inaptas, quando as exportações eram feitas via ALL NETWORK), sendo possível apurar o valor FOB real de compra (adotado como valor de transação, não havendo necessidade de arbitramento de preço, a não ser nas situações excepcionais relacionadas à fl. 152); (l) as declarações de importação e os correspondentes documentos instrutivos dos despachos, produzidos com o intuito de burlar os controles exercidos pelo Estado, são ideologicamente falsos, sendo as notas fiscais relativas às vendas no mercado interno inidôneas Fl. 11050DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.043 4 para fazer prova em favor dos importadores e adquirentes, considerando que foram fraudulentamente emitidas para "esquentar" o valor das mercadorias e ocultar os reais adquirentes, constituindo a entrega a consumo dos bens irregularmente importados em prática predatória que fere a livre concorrência e o mercado doméstico, apenada com multa equivalente ao valor comercial dos bens (em não sendo possível apurar tal valor foi adotado o valor aduaneiro dos bens, consignado nas ordens de compra, acrescido dos impostos e contribuições incidentes sobre as operações de importação); (m) no “GRUPO MAM”, MARCO coordena as operações de importação realizadas nos portos e aeroportos do estado do Paraná e Santa Catarina, sendo o elo entre clientes, MARCO ANTONIO MANSUR seu pai, as importadoras e o pessoal administrativo e operacional destas empresas importadoras (MERCOTEX, em Maringá/PR; OPUS, também em Maringá/PR, gerenciada por MÁRCIO, que conduzia ainda negócios da MERCOTEX; e MERCOTEC, em Itajaí/SC), e, cf. email de fls. 163/167, em conjunto com FERNANDO, efetivamente promoviam subfaturamento de mercadorias na importação; (n) a MERCOTEX registrou declarações de importação subfaturadas tendo como destino o “GRUPO NETWORK 1”, mais precisamente a EBIS, como reconheceu MARCELO RALO, tendo participação importante ainda SILVIO PARADISO (doravante SILVIO), sóciogerente da MERCOTEX e procurador da ARMORI S.A. (quotista uruguaia com 99% da MERCOTEX); e (o) as tabelas e planilhas com valores consolidados, obtido o efetivo valor de transação, nas operações da MERCOTEX subfaturadas, constam às fls. 168 a 173. A empresa MERCOTEX foi cientificada da autuação em 04/12/2008 (AR à fl. 3430), e apresentou impugnação em 05/01/2009 (fls. 4284 a 4314), argumentando, em síntese, que: (a) há nulidade da autuação, pois a empresa não foi previamente cientificada do procedimento fiscal por Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); (b) há nulidade da autuação, pois a empresa não foi intimada a se manifestar sobre o procedimento de valoração efetuado pelo fisco; (c) a empresa atuou como importador por conta e ordem, de boafé, meramente prestando serviços (não tendo domínio sobre o ajuste de preços, e, portanto, não podendo subfaturar); (d) a empresa não tem conhecimento das documentações carreadas pelo fisco, não tendo participado de nenhuma prática relativa a subfaturamento; (e) a empresa responde solidariamente, no máximo, pelo pagamento de imposto, devendo recair as multas somente sobre as pessoas a respeito das quais paire a efetiva prática do ilícito, sendo pessoal e intransferível, conforme artigo 137 do CTN, sendo as condutas apuradas pelo fisco expressa e notoriamente dolosas (subfaturamento, falsificação de documentos e ocultação do real adquirente), não restando, no entanto, comprovado dolo da empresa, nem que esta concorreu para a prática da infração (que permitiria a responsabilização com base no artigo 95 do DecretoLei no 37/1966); Fl. 11051DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.044 5 (f) não foram observados os procedimentos de valoração aduaneira estabelecidos no GATT, havendo generalização nas conclusões sobre subfaturamento às DI objeto da autuação, com erros materiais; (g) foi emitida licença de importação (LI) para o preço declarado, pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC); (h) não configurado o dolo, deve ser afastada a majoração da multa de ofício (150%); e (i) houve bis in idem, ao se punir a declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto) e a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado ou arbitrado, devendo, em caso de eventual subfaturamento, ser aplicada, pela tipicidade, apenas a multa prevista no artigo 88,parágrafo único, da Medida Provisória no 2.15835/2001. Os responsáveis solidários foram cientificados e apresentaram impugnações conforme tabela a seguir (os argumentos de defesa que se repetem serão substituídos pelas letras a eles correspondentes, neste relatório): Responsável solidário Ciência da autuação (data/fls.) Impugnação (fls. / razões de defesa) EBIS (EMPRESA BRASILEIRA DE COM., INTEG. E SERV. DE TECNOLOGIA LTDA) 04/12/2008 (AR à fl. 3434) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3797 a 3840), alegando, em síntese: argumentos “a”; “d”; “f”; “h”; (j) há ilegitimidade passiva, por não haver vínculo do sujeito com a prática das infrações imputadas, nem com o fato gerador dos tributos exigidos; (k) aplicase ao caso o artigo 112 do CTN; e (l) a Taxa SELIC é inaplicável a título de juros de mora. WILLIAM HADDAD UZUM 04/12/2008 (AR à fl. 3431) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3440 a 3487), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “h”; “j”; “k” e “l”. MARCELO ADORNO 04/12/2008 (AR à fl. 3435) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3676 a 3717), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “h”; “j”; “k” e “l”. MARCELO RALO 04/12/2008 (AR à fl. 3432) Impugnação apresentada em 23/12/2008 (fls. 3565 a 3602), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “h”; “j”; “k” e “l”. FERNANDO MARQUES DA COSTA 04/12/2008 (AR à fl. 3433) Impugnação apresentada em 30/12/2008 (fls. 4330 a 4344), alegando, em síntese: argumentos “f” e “j”, com destaque para a existência de erros de cálculo na autuação. MARCIO BUENO MARIKOSHI 05/12/2008 (AR à fl. 3436) Solicitou inicialmente prorrogação do prazo para apresentar impugnação, em 29/12/2008 (fl. 3438), mas não apresentou qualquer documento adicional (REVELIA). SILVIO PARADISO 04/12/2008 (AR à fl. 4544) Não apresentada (REVELIA). Fl. 11052DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.045 6 MARCO ANTONIO MANSUR FILHO 29/12/2008 (tentativa via AR à fl. 3421, e Edital às fls. 3420/4280/4542) Não apresentada (REVELIA). Em 30/10/2009, ocorreu o julgamento de primeira instância (fls. 4548 a 4604), no qual a DRJ decidiu, unanimemente, pela improcedência das impugnações apresentadas, sob os seguintes fundamentos: (a) os casos de nulidade processual são apenas os previstos no artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, e a não participação na fase inquisitorial não prejudica o contraditório e a ampla defesa; (b) o MPF é documento interno, não havendo nulidade por eventuais falhas na sua emissão ou tramitação, e a revisão aduaneira não demanda MPF; (c) os administradores que tenham pleno domínio dos atos imputados como fraudulentos e praticam atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatuto, são responsáveis pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias não adimplidas, ainda que não figurem nos documentos constitutivos das sociedades empresariais; (d) caracteriza evidente intuito de fraude o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas instruído com faturadas comerciais inidôneas; (e) a valoração aduaneira é regida pelas regras do GATT, mas em caso de fraude, os procedimentos de valoração são regulados por regras específicas; (f) evidenciado o subfaturamento, são exigíveis os tributos devidos, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, bem assim da multa decorrente da declaração inexata do valor das mercadorias, calculada pela diferença entre o valor real e o declarado destas; (g) as multas administrativas e fiscais não possuem natureza confiscatória; e (h) a exigência de juros à Taxa SELIC é prevista expressamente nas normas que regulam a matéria. Nas tentativas de cientificar a empresa MERCOTEX a respeito da decisão de piso, o AR voltou com a mensagem “mudouse” (fl. 4738) e a empresa não foi localizada por três vezes (fls. 4752/4894), de modo que a ciência se deu por edital (fl. 4753/4987), afixado em 04/01/2010, não havendo registro de interposição de recurso voluntário. Os responsáveis solidários (mesmo os revéis) foram cientificados da decisão da DRJ e apresentaram recursos voluntários conforme tabela a seguir (os argumentos de defesa que se repetem serão substituídos pelas letras a eles correspondentes, neste relatório): Responsável solidário Ciência da decisão da DRJ (data/fls.) Recurso Voluntário (fls. / razões de defesa) EBIS (EMPRESA BRASILEIRA DE COM., INTEG. E SERV. DE TECNOLOGIA LTDA) 03/12/2009 (AR à fl. 4622) Recurso Voluntário apresentado em 17/12/2009 (fls. 4755 a 4786), alegando, em síntese: argumentos “f”; “j”; (m) a decisão da DRJ é nula por omissão na apreciação de prova produzida; e (n) as multas são confiscatórias, desproporcionais e irrazoáveis, cabendo, no caso de diferença apurada no preço, somente a penalidade prevista no artigo 108, parágrafo único, do DecretoLei no 37/1966, havendo vedação de cumulatividade. WILLIAM HADDAD UZUM 03/12/2009 (AR à fl. 4628) Recurso Voluntário apresentado em 14/12/2009 (fls. 4638 a 4669), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “j”; “k”; e (o) pelos artigos 50 e 53 do DecretoLei no 37/1966, o fisco tem 5 dias para registrar as Fl. 11053DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.046 7 irregularidades, após o desembaraço; (p) a decisão da DRJ é nula porque deixou de observar o “princípio da fundamentação” previsto no artigo 31 do Decreto no 70.235/1972, além da “legalidade objetiva”, da “vinculação” e da “isonomia”; (q) a autuação é pautada em documento alheio ao processo fiscal (referentes a processo criminal em andamento); e (r) as multas aduaneiras não são cumuláveis com a prevista na legislação do IPI. MARCELO ADORNO 03/12/2009 (AR à fl. 4626) Recurso Voluntário apresentado em 14/12/2009 (fls. 4692 a 4730), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “j”; “k”; “o”; “p”; “q” e “r”. MARCELO RALO 03/12/2009 (AR à fl. 4630) Recurso Voluntário apresentado em 14/12/2009 (fls. 4674 a 4691, e 4921 a 4938), alegando, em síntese: argumentos “a”; “f”; “j” e “k”. FERNANDO MARQUES DA COSTA 03/12/2009 (AR à fl. 4632) Recurso Voluntário postado em 31/12/2009 (fls. 4862 a 4883, e 4892), alegando, em síntese: argumentos “f” e “j”, com destaque para a existência de erros de cálculo na autuação. MARCIO BUENO MARIKOSHI Ausente nas três tentativas de entrega (fl. 4742). Ciência por edital (fl. 4753) afixado em 04/01/2010. Não houve instauração de contencioso em relação a tal sujeito passivo, REVEL na fase de impugnação. SILVIO PARADISO 03/12/2009 (AR à fl. 4634) Não houve instauração de contencioso em relação a tal sujeito passivo, REVEL na fase de impugnação. No entanto, foi apresentada a peça de fls. 4898 a 4912, intitulada de “recurso voluntário”, em 04/01/2010. Em tal peça, a pessoa física alega, em síntese: argumentos “a”; “b”; “f”; “h”; “i” e “j”. MARCO ANTONIO MANSUR FILHO 04/01/2010 (AR à fl. 4624, Edital às fls. 4635/4918 4919, e termo de recebimento de cópia – fl. 4743) Não houve instauração de contencioso em relação a tal sujeito passivo, REVEL na fase de impugnação. No entanto, foi apresentada a peça de fls. 4945 a 4972, intitulada de “recurso voluntário”, em 04/01/2010. Em tal peça, a pessoa física alega, em síntese: Argumentos “j”; “o” (sem menção explícita ao DecretoLei no 37/1966); (s) nulidade das intimações por edital, devendo os autos serem devolvidos à DRJ para apreciação de suas razões de defesa; (t) impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica em sede administrativa. Em 10/12/2015 o processo foi sorteado ao Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, para relatoria (fl. 10324), tendo o conselheiro suscitado suspeição (fl. 10325). Fl. 11054DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.047 8 Em 18/05/2016, a empresa “MERCOTEX”, suscita “questão de ordem pública superveniente” para solicitar o adiamento do julgamento (fls. 10328 a 10337, com peças judiciais anexadas às fls. 10338 a 10369), fazendo menção ao uso ilegítimo nos autos de prova declarada ilícita pelo STJ, e pedindo a retirada de pauta do processo na sessão 19/05/2016, e o desentranhamento das provas declaradas ilícitas, bem como a supressão das menções correspondentes no relatório fiscal. Não encontrei registro de que o processo estivesse efetivamente pautado para a sessão de 18/05/2016. Aliás, a relatoria do processo foi novamente sorteada (a mim) apenas em 23/06/2016. Em 27/04/2017 o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução no 3401001.166, para que para que a unidade local da RFB adotasse as seguintes providências: (a) verificar e fundamentar a regularidade da ciência a respeito da decisão de piso dada a sujeitos passivos para os quais não se instaurou o contencioso, pela ausência de apresentação de impugnação; (b) verificar e fundamentar a afirmação de que foram tempestivos os recursos voluntários apresentados por pessoas que sequer apresentaram impugnação (fl. 4994); (c) atestar, ao tempo da ciência da autuação e da ciência da decisão de piso, com registro histórico e telas de amparo, qual(is) eram os CPF válidos de Marco Antonio Mansur Filho, e os endereços cadastrais vigentes informados à RFB, para cada CPF; (d) indicar, individualizadamente, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que efetivamente foram obtidos em ação fiscal autônoma, independente da realizada no bojo da “Operação Dilúvio”; e (e) indicar, individualizadamente, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que poderiam ser obtidos pela fiscalização diretamente, dentro de suas competências, sem necessidade de autorização judicial. Na Informação Fiscal de fls. 11030 a 11034, a unidade local revela, em relação ao quesito “c”, que houve a declaração, de ofício, da nulidade de um dos CPF de Marco Antonio Mansur Filho (no 342.685.71892) pelo Ato Declaratório Executivo no 40, de 25/11/2011. Em relação aos quesitos “d” e “e”, esclareceu que no caso dos autos, “a descoberta dos fatos narrados no relatório de fiscalização NETWORK 1 bem como o desvelamento do que se passou a chamar GRUPO MAM foram decorrentes da análise pela Receita Federal de documentos e arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da investigação criminal, mediante mandamus judicial, cujo compartilhamento fora autorizado judicialmente”, que “tratase de prova emprestada”, que “a descoberta dos fatos narrados na autuação somente fora possível com base na prova resultante das interceptações telefônicas e nas delas decorrentes”, e que “não há conhecimento de outras fontes independentes, ainda que apenas no âmbito fiscal”, sendo que o resultado para ambos os quesitos “é um conjunto vazio de elementos”. Em relação os quesitos “a” e “b”, a diligência passou ao SECAT da mesma Inspetoria da RFB, que alegou, à fl. 11036, que “os sujeitos passivos foram regularmente citados/intimados de todos os atos do processo” e que “em relação ao acórdão de impugnação, novamente todos os sujeitos passivos foram regularmente intimados”. O processo retornou ao CARF em 20/09/2017 e foi pautado desde novembro de 2017. No entanto, não houve sessões de julgamento em novembro e dezembro de 2017. É o relatório. Fl. 11055DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.048 9 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos apresentados pela empresa “EBIS” e pelas pessoas físicas “WILLIAM”, “MARCELO ADORNO”, “MARCELO RALO” e “FERNANDO” preenchem os requisitos de admissibilidade, deles se conhecendo. Não havendo interposição de recurso voluntário pela empresa “MERCOTEX” e por “MARCIO”, passarseia a analisar a possibilidade de conhecimento dos recursos voluntários apresentados por “SILVIO” e “MARCO”, para os quais o contencioso não foi instaurado, configurandose a revelia ainda antes do julgamento do processo pela DRJ, mas que, sendo cientificados da decisão de piso, interpuseram recurso voluntário. “SILVIO” sequer discute o fato de ser revel na instância de piso. Por isso solicitouse objetivamente à unidade local da RFB, na conversão em diligência, que: (a) verifique e fundamente a regularidade da ciência a respeito da decisão de piso dada a sujeitos passivos para os quais não se instaurou o contencioso, pela ausência de apresentação de impugnação; (b) verifique e fundamente a afirmação de que foram tempestivos os recursos voluntários apresentados por pessoas que sequer apresentaram impugnação (fl. 4994); e a resposta a tais quesitos, em dois parágrafos (fl. 11036), além de não atender ao solicitado pelo CARF, apenas reitera o que já constava nos autos (e motivou a demanda por diligência): Parece a unidade da RFB não ter entendido a indagação. Parece ainda não ter percebido que chamou ao contencioso após a decisão de piso pessoas que nele já não figuravam, pois afetadas anteriormente pela revelia, como “SILVIO”. A pergunta poderia ser mais simples: “Como pode ser tempestivo um recurso voluntário apresentado por pessoa que já não participava do contencioso, pois não apresentou impugnação”? Ou ainda: “Existe orientação da unidade local para que revéis sejam cientificados das decisões em processos para os quais não apresentaram impugnação”, e, caso exista tal orientação, “a ausência de apresentação de impugnação é entendida como suprida com eventual peça apresentada a título de recurso voluntário”, ou seja, “pode o sujeito passivo Fl. 11056DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.049 10 optar por juntarse ao contencioso apenas após a decisão de primeira instância?” Não alongaremos nas perguntas, nem demandaremos nova diligência exclusivamente para isso, pois parece que a omissão da unidade local vem somente a atestar a dificuldade para responder a pergunta objetiva do CARF, que poderia ser desmembrada nas aqui expostas. Qualquer que tenha sido o motivo (que continua incógnito) para a unidade local da RFB cientificar revéis sobre decisão que já não lhes dizia respeito (e pior, considerar tempestivas suas manifestações), tenho que tal questão não tem o condão de “desfazer a revelia”, chamando o sujeito passivo ao contencioso. Assim, não conheço do recurso voluntário apresentado por “SILVIO”, ainda que a unidade local da RFB o tenha interpretado e reinterpretado (a nosso ver, de forma duplamente equivocada) como “tempestivo”. Tal tratamento deveria, a priori, também ser aplicado a “MARCO”, revel na impugnação, mas que a unidade local da RFB afirma e reafirma ter apresentado Recurso Voluntário tempestivo. “MARCO”, por sua vez, defende, na peça apresentada após ciência da decisão da DRJ, que é nula a intimação realizada por edital, após uma única tentativa de intimação postal, seguida da mensagem “mudouse”, ainda mais porque no edital constou um CPF já cancelado do sujeito passivo (de no 256.747.26817), e porque jamais (antes da intimação do resultado do julgamento da DRJ) foi enviada correspondência ao seu endereço cadastrado na base de dados da RFB: Rua Barão do Triunfo, 142 ap. 152, Campo Belo – CEP 04602000, São Paulo/SP, e que, caso constasse seu CPF válido no auto de infração seria efetuada corretamente a intimação. Compulsando os autos, percebemos que, no AR, datado de 05/12/2008, com a mensagem “mudouse” (fl. 3421), constava o seguinte endereço: À fl. 3416, davase conta de que a intimação foi enviada para o endereço relativo ao CPF no 256.747.26817, que é exatamente o que consta da autuação. Fl. 11057DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.050 11 Ademais, na data de afixação dos editais – 05/12/2008 (fl. 3420/4280) e 12/12/2008 (fl. 4542), não se sabe, ao certo, se o CPF indicado se encontrava válido, nem se o endereço correspondia efetivamente ao fornecido à RFB pelo sujeito passivo “MARCO”. Na intimação sobre a decisão de piso, dirigida ao mesmo sujeito passivo, e ainda com o mesmo número de CPF (e que logrou êxito na ciência), o endereço de envio foi outro (fls. 4611 e 4624): Por isso foi agregada uma questão “c”, na conversão em diligência, buscando que a unidade local: (c) ateste, ao tempo da ciência da autuação e da ciência da decisão de piso, com registro histórico e telas de amparo, qual(is) eram os CPF válidos de “MARCO” Antonio Mansur Filho, e os endereços cadastrais vigentes informados à RFB, para cada CPF. Lamentavelmente, parece também esta questão ter sido mal compreendida pela unidade local da RFB. Bastaria à unidade da RFB atestar (com simples cópias de telas do sistema CPF) qual o CPF válido e o endereço cadastral de “MARCO” junto à RFB tanto ao Fl. 11058DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.051 12 tempo da ciência (frustrada) da autuação, quanto ao da ciência (“exitosa”) da decisão de piso, em endereço diverso. Novamente, desmembrando em outras perguntas: “Por que “MARCO” foi cientificado da autuação em um endereço e da ciência da decisão de piso em outro endereço”? , e “qual era, afinal de contas, o endereço informado à RFB para fins cadastrais no CPF válido de “MARCO” ao tempo de cada ciência? Bastava a justificativa e as cópias de tela de sistema. Mas assim veio a resposta da unidade da RFB (fls. 11030/11031): Vejase que o CPF cancelado (no 342.685.718.92), por mais que constitua irregularidade relevante, em nada afeta a discussão travada no presente processo. Como exposto na demanda por diligência, tanto na autuação como na ciência de piso o CPF usado foi o de no 256.747.26817, mas em uma das ciências o endereço utilizado foi diverso da outra. Daí a importância das tão solicitadas telas de sistema, para que fosse possível, em consulta histórica, saber se houve alteração de endereço. Aliás, na peça recursal apresentada já se sabia que, em relação aos dois CPF do Sr. “MARCO”, havia, de fato, diversas alterações de endereço (fls. 4981 e 4983): Fl. 11059DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.052 13 E se sabia, também, que o CPF de no 256.747.26817 estava suspenso, sob a seguinte a motivação (fl. 4979 e 4982): Fl. 11060DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.053 14 Nos documentos acrescentados pela diligência, o único vestígio sobre o endereço cadastral pode ser encontrado na peça juntada às fls. 10628 a 11029 (cópia de processo administrativo – de no 15165.003561/201035 – no qual se discute a irregularidade de duplicidade de CPF, por parte de “MARCO”), mais especificamente à fl. 1063: Eis a primeira informação relevante. Ao que parece, a segunda intimação (a respeito da ciência da decisão de piso, em novembro de 2009), que sequer deveria existir, se configurada a revelia na fase anterior do contencioso, foi destinada ao endereço indicado na base cadastral do CPF no 342.685.718.92 (cancelado em 25/11/2011, mas com efeitos retroativos a 16/05/2003), em que pese ter sido indicado no próprio expediente o CPF no 256.747.26817 (válido, mas “suspenso”). Há, aparentemente, aí, confusão da unidade da RFB encarregada da ciência, em que pese ter havido êxito na tentativa. Vejase que realmente há um endereço para cada CPF, mas que nenhum deles corresponde ao utilizado na ciência frustrada da autuação (“Rua Cruzeiro, no 695, Barra Funda, Fl. 11061DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.054 15 CEP 01000000 – São Paulo/SP). Teria a ciência sido efetuada em endereço equivocado? Ou teria o Sr. “MARCO” outro endereço cadastral, à época da ciência da autuação? A resposta não figura objetivamente na Informação Fiscal, havendo necessidade de leitura de todo o processo referente à irregularidade do CPF, em nome da verdade material, na busca pela elucidação do ocorrido. À fl. 1063, encontramos: Eis a segunda informação relevante (ainda que não haja tela de consulta histórica). O endereço utilizado na ciência frustrada da autuação, em 05/12/2008, já foi efetivamente o endereço cadastral de “MARCO” junto à RFB. E isso é confirmado pela tela de fl. 10681: Também se sabe que em 25/10/2010, o CPF válido de “MARCO”, no 256.747.26817, já tinha outro endereço cadastral (fl. 10713): A pergunta, no entanto, persiste: qual era o endereço cadastral de “MARCO” junto à RFB em 05/12/2008, data da tentativa frustrada de ciência da autuação? Caso o endereço cadastral fosse, efetivamente, a “Rua Cruzeiro, no 695, Barra Funda, CEP 01000000 – São Paulo/SP”, correto estaria o procedimento de ciência da autuação, e o destino da peça recursal de “MARCO” seria o mesmo dado à de “SILVIO”, o não conhecimento. No entanto, caso fosse outro o endereço cadastral informado à RFB, a intimação seria irregular, e teria que ser refeito o procedimento, implicando, por decorrência, nulidade dos atos posteriores, como a decisão da DRJ, por cerceamento do direito de defesa. Fl. 11062DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.055 16 Assim, cabe reiterar o questionamento à unidade da RFB, agora de forma mais simples e objetiva: (a) qual era o endereço cadastral fornecido à RFB pelo Sr. “MARCO” Antonio Mansur Filho, em 05/12/2008 (anexandose a correspondente consulta histórica no sistema CPF)? Em endosso, caso o endereço cadastral não seja, à época, a “Rua Cruzeiro, no 695, Barra Funda, CEP 01000000 – São Paulo/SP”, para nenhum dos CPF, indagase (b) qual a razão de a unidade ter tentado (frustradamente) cientificar o Sr. “MARCO” em tal endereço. Novamente se aproveita para avançar nas perguntas seguintes, motivadoras da diligência, apresentadas após exposição dos diferentes posicionamentos externados nesta turma de julgamento, um reconhecendo válidos apenas os documentos derivados de ação fiscal autônoma daquela realizada no âmbito da “Operação Dilúvio” e outro reconhecendo como válidos os documentos que, ainda que obtidos na referida operação, poderiam ser simplesmente solicitados em procedimento normal de fiscalização pela RFB, sem necessidade de autorização judicial. Para tanto, demandouse à unidade local da RFB que: (d) indique, individualizadamente, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que efetivamente foram obtidos em ação fiscal autônoma, independente da realizada no bojo da “Operação Dilúvio”; e (e) indique, individualizadamente, e exaustivamente, entre os elementos de prova utilizados na autuação, aqueles que poderiam ser obtidos pela fiscalização diretamente, dentro de suas competências, sem necessidade de autorização judicial. A pergunta “d” foi, a nosso ver, objetivamente respondida, informando a unidade preparadora da RFB (fls. 11033/11034) que: Podese ainda entender que a resposta se refere também ao quesito “e” (apesar de provável erro de digitação na resposta), porque a RFB, não tendo conhecimento das interceptações, não teria como solicitar, dentro de suas competências, os referidos documentos e informações a que alude a corrente que propugna pela chamada “teoria da descoberta inevitável”. Ademais, nada acrescenta a unidade preparadora após tal excerto da resposta, simplesmente concluindo (fl. 11034) que: Fl. 11063DF CARF MF Processo nº 15165.003462/200839 Resolução nº 3401001.341 S3C4T1 Fl. 11.056 17 Assim, temos que restaram sem resposta satisfatória os quesitos “a”, “b” e “c” da diligência, mas que os dois primeiros acabam por não influenciar o resultado do julgamento, no atual estágio. Quanto ao quesito “c”, temos que a resposta afeta inclusive a higidez da decisão de piso, visto que pode ter sido equivocada a ciência a respeito da autuação. Assim, reiterase, aqui, o quesito “c”, acrescido dos detalhamentos seguintes: (1) qual era o endereço cadastral fornecido à RFB pelo Sr. “MARCO” Antonio Mansur Filho, em 05/12/2008 (anexandose a correspondente consulta histórica no sistema CPF)? (2) Em endosso, caso o endereço cadastral não seja, à época, a “Rua Cruzeiro, no 695, Barra Funda, CEP 01000000 – São Paulo/SP”, indagase qual a razão de a unidade ter tentado (frustradamente) cientificar o Sr. “MARCO” em tal endereço. Após a realização da diligência deve ser elaborado relatório conclusivo, a ser notificado às recorrentes para as quais a unidade conclua que ainda exista litígio, para que estas, desejando, apresentem manifestação, na forma a que se refere o artigo 35 do Decreto no 7.574/2011, antes do reenvio do processo a este tribunal administrativo. Recordo que, em relação à diligência anterior, a unidade preparadora olvidouse de tal providência. Rosaldo Trevisan Fl. 11064DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.720061/2014-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990-PR, REsp 834.681-MG e AgRg no REsp 1.335.688-PR).
Numero da decisão: 9101-003.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990PR, REsp 834.681MG e AgRg no REsp 1.335.688PR). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 00 61 /2 01 4- 51 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 15983.720061/201451 Acórdão n.º 9101003.445 CSRFT1 Fl. 455 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial (efls. 356/374) interposto pela TERMAQ TERRAPLENAGEM CONSTRUCAO CIVIL E ESCAVACOES LTDA ("Contribuinte") em face do Acórdão nº 1302002.074, da sessão de 22 de março de 2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que negou provimento recurso voluntário 1. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. AUSÊNCIA DE DCTF. AUTUAÇÃO. Procede a lavratura de auto de infração para a exigência de tributos declarados em DIPJ e não recolhidos ou confessados em DCTF, dada a natureza meramente informativa da DIPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. AUSÊNCIA DE DCTF. AUTUAÇÃO. Procede a lavratura de auto de infração para a exigência de tributos declarados em DIPJ e não recolhidos ou confessados em DCTF, dada a natureza meramente informativa da DIPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. 1 A autuação fiscal tratou de exigência fiscal de IRPJ e CSLL (efls. 04/43). Fl. 455DF CARF MF Processo nº 15983.720061/201451 Acórdão n.º 9101003.445 CSRFT1 Fl. 456 3 MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) Foi interposto pela Contribuinte recurso especial, versando sobre as matérias (1) nulidade do processo fiscalizatório que não examina detidamente o suporte fático tributável; (2) inexistência de fundamento legal para incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O despacho de exame de admissibilidade de efls. 432/438 deu seguimento parcial ao recurso, apenas para a matéria "inexistência de fundamento legal para incidência de juros de mora sobre a multa de ofício". Cientificada (efl. 443), a Contribuinte não apresentou agravo. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 447/451), pugnando pela manutenção da cobrança de juros de mora sobre multa de ofício conforme decidido no acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em relação à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 432/438, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 2, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer parcialmente do recurso especial interposto pela Contribuinte em relação à matéria "inexistência de fundamento legal para incidência de juros de mora sobre a multa de ofício". 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 15983.720061/201451 Acórdão n.º 9101003.445 CSRFT1 Fl. 457 4 Passo ao exame do mérito. Sobre a matéria devolvida, juros de mora sobre multa de oficio, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) O entendimento apresentado é convergente com o voto do REsp nº 1.129.990PR, conforme excerto transcrito 3. Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. 3 Vide ementa: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (REsp 1129990/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2009, DJe 14/09/2009) Fl. 457DF CARF MF Processo nº 15983.720061/201451 Acórdão n.º 9101003.445 CSRFT1 Fl. 458 5 A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação". A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 15983.720061/201451 Acórdão n.º 9101003.445 CSRFT1 Fl. 459 6 Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(Grifos no original) No mesmo sentido, vale citar o REsp 834.681MG e o AgRg no REsp 1.335.688PR. Enfim, a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, portanto, que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Contribuinte em relação à matéria "inexistência de fundamento legal para incidência de juros de mora sobre a multa de ofício" nos termos de despacho de exame de admissibilidade, e, no mérito, na parte devolvida, negarlhe provimento. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 15983.720061/201451 Acórdão n.º 9101003.445 CSRFT1 Fl. 460 7 (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720040/2007-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
RESULTADOS DE ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA.
O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. Súmula CARF nº 83.
Numero da decisão: 9101-003.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 14751.000133/2007-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 RESULTADOS DE ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. Súmula CARF nº 83.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 14751.000133/2007-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
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score : 1.0
Numero do processo: 10735.904436/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO QUE SE RECONHECE.
Confirmado por documentação contemporânea aos fatos que houve pagamento indevido pelo contribuinte e, por consequência, a existência de crédito líquido e certo, a homologação da compensação de tal crédito com débitos da recorrente, deve ser atendida até o limite do direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 1402-002.907
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para homologar as compensações pleiteadas, tendo em vista o reconhecimento do indébito no valor de R$ 64.036,97, conforme decidido no bojo do processo 10735.904263/2009-03.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO QUE SE RECONHECE. Confirmado por documentação contemporânea aos fatos que houve pagamento indevido pelo contribuinte e, por consequência, a existência de crédito líquido e certo, a homologação da compensação de tal crédito com débitos da recorrente, deve ser atendida até o limite do direito creditório reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO QUE SE RECONHECE. Confirmado por documentação contemporânea aos fatos que houve pagamento indevido pelo contribuinte e, por consequência, a existência de crédito líquido e certo, a homologação da compensação de tal crédito com débitos da recorrente, deve ser atendida até o limite do direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para homologar as compensações pleiteadas, tendo em vista o reconhecimento do indébito no valor de R$ 64.036,97, conforme decidido no bojo do processo 10735.904263/200903. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 44 36 /2 00 9- 85 Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 869 2 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 870 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/RJ1 em sessão de 11 de agosto de 2011 (fls. 63/66)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta e manteve o Despacho Decisório que declarou não homologada a compensação declarada (nº de rastreamento 831661589 – 20/04/2009 fls. 6) e PER/DCOMP nº 04668.08047.260707.1.7.04 0488 (fls. 2/5), referente ao código de receita 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal período de apuração janeiro/2006. Irresignado, o sujeito passivo interpôs manifestação de inconformidade (fls. 7/17) onde alegou erro material no preenchimento da DCFT do mês de março/2006 (IRPJ) que 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 871 4 deveria apontar valor devido de R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15; que a DIPJ do período confirma o primeiro valor; que recolheu R$ 249.713,63 (DARF) e compensou R$ 141.163,52, de modo que recolheu a maior R$ 64.036,97, montante (parcial) do qual se utilizou para efetivar a compensação não homologada. Juntou cópia da DCTF retificadora do 1º trim/2006, cópia da DIPJ do ano calendário/2006 e cópia do DARF pago. Apreciando a MI, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 negou provimento ao pedido por entender (fls. 66): “A DIPJ, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto 6, as informações nela prestadas não configuram confissão de divida – a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6 0, inciso I, a DIRPJ — Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ — Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência confissão de tributos ou contribuições a pagar. Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O darf foi alocado conforme DCTF. A DCTF juntada pelo próprio interessado, às fls. 25/26, confirma a alocação apontada no Despacho Decisório. Eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa”. O Acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada em 27/09/2011 (“AR” – fls. 73)), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) no qual rebate a decisão recorrida e basicamente repisa a argumentação expendida na manifestação de inconformidade. Subindo os autos ao Colegiado de 2º Piso, a então 2ª Turma Especial da 1ª Sejul converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1802000.341, de 08/10/2013 – fls. 121/129). Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 872 5 Com a Informação Fiscal de 01/10/2015 (fls. 856/862 e documentos juntados), os autos retornaram para julgamento e foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção da Turma original (2ª Turma Especial da 1ª Sejul). É o relatório do essencial. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 873 6 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 27/09/2011 – “AR” – fls. 73 e protocolização da peça recursal em 27/10/2011 – fls. 74), a representação da contribuinte está corretamente formalizada (fls.102/109) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. O tema em discussão prendese em definir se as alegações da recorrente de que teria recolhido a maior o valor de estimativa mensal de IRPJ de março/2006 restaria confirmado em razão de equívoco no preenchimento da DCTF e se este montante poderia ser utilizado na compensação de débito de sua responsabilidade perante a Fazenda Nacional, ou se, como assentado pelo DD e decisão recorrida, inexistiu tal comprovação e o eventual pagamento a maior estaria alocado a débitos confessados. Mais ainda, que, “O darf foi alocado conforme DCTF”; que “A DCTF juntada pelo próprio interessado, às fls. 25/26, confirma a alocação apontada no Despacho Decisório”, e que, “Eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito” (decisão recorrida – fls. 66). Já a recorrente sustenta ter cometido equívoco ao preencher e transmitir a DCTF com o valor da estimativa de março/2006 apontando débito de R$ 390.877,15, devidamente recolhido ou compensado (R$ 249.713,63 e R$ 141.163,52, respectivamente), quando deveria declarar como valor devido o montante de R$ 326.840,18. Com isto, no dizer da recorrente, seria detentora de crédito, por pagamento a maior e indevido, de R$ 64.036,97, que utilizou (parcialmente) na compensação não homologada e objeto deste litígio. Pois bem, em casos de estimativas mensais, como se sabe, a) os recolhimentos estimados são obrigatórios para os contribuintes que optam pelo Lucro Real e devem ser feitos tendo como base de cálculo a receita bruta e acréscimos; b) tais recolhimentos podem ser reduzidos ou mesmo dispensados em casos de levantamento de balanços ou balancetes de suspensão; e, c) o demonstrativo da base de cálculo e dos valores apurados são informados pelos contribuintes na DIPJ do período (no caso de IRPJ, na Ficha 11). A compulsação dos autos mostra que a recorrente, nos doze meses, utilizou se da receita bruta e acréscimos para apuração das estimativas, ou seja, a pessoa jurídica, em tese e a princípio, não quis ou não conseguiu se utilizar da prerrogativa legal de, mediante “balancetes de redução ou suspensão”, adequar o recolhimento dos valores estimados ao “lucro real”, preferindo a via mais simples de calcular o montante a ser recolhido sobre sua receita. Nesse ponto, segundo a recorrente assevera e encontrase transcrito na DIPJ – Ficha 11 (fls. 31), a “estimativa” de março/2006 seria de R$ 326.840,18 (já com a dedução dos incentivos fiscais), conforme abaixo demonstrado: Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 874 7 Ocorre que, CONTRARIAMENTE ao acima estampado, a recorrente informou em DCTF o valor devido de R$ 390.877,15 (fls. 27), quitado da seguinte forma (DARF – R$ 249.713,63 – fls. 32) e “compensação” de R$ 141.163,52 (fls. 28), tudo como abaixo reproduzido: Ø DCTF (fls. 27): Ø DARF (fls. 32): Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 875 8 Ø COMPENSAÇÃO (fls. 28): Nestas condições, não haveria ressalva a fazer ao decidido no Despacho Decisório (fls. 6) isto porque, à época, o confronto das informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB revelava que o DARF discriminado para fins de compensação já se encontrava integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível. Em outras palavras, o recolhimento feito em DARF foi alocado à DCTF transmitida pelo sujeito passivo. Mesmo entendimento esposado na decisão recorrida, acrescido ao fato de que, segundo a Relatoria de 1º Grau, a interessada não se desincumbiu do dever de comprovar o equívoco que alegou no preenchimento da DCTF. Todavia, não se pode olvidar e este é o pensamento deste Relator e, na mesma linha, do voto condutor da Resolução da então 2ª Turma Especial da 1ª Seção que apreciou inicialmente estes autos e converteu o julgamento em diligência , o processo administrativofiscal é regido pelo “princípio da busca da verdade material”, de modo que, em face do quanto alegado no recurso voluntário e à vista dos documentos juntados com o procedimento diligenciador, os argumentos expendidos pela contribuinte devem ser analisados, ainda que a decisão de 1º pugne, de forma diversa e em sentido oposto, que “eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito” (Ac. DRJ – fls. 66). Nesse sentir, pareceme induvidoso que regramentos de cunho acessório que se fazem presente nas informações prestadas pelos contribuintes aos Órgãos Tributários não podem ser imutáveis, até por força da falibilidade humana. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 876 9 De outro lado, claro, ao Poder Tributante é lícito, mais ainda, é imperativo sejam dadas condições legais e normativas para que possa impor aos jurisdicionados a obrigatoriedade da prestação de informações de interesse do Órgão, até porque envolve o interesse público, em última análise, a própria sociedade organizada. Dito isto, é certo que as informações de natureza tributária que devem prestar ao Fisco as pessoas jurídicas que adotem o Lucro Real baseiamse, sempre e sempre, na sua escrituração, nos seus livros e nos documentos que os lastreiem, vale dizer, “DIPJ”, “DCTF”, “DACON” e outros e que, no fundo, nada mais são que verdadeiras “FERRAMENTAS”, melhor, são meios, jamais fim em si mesmo, não podendo ser INTOCÁVEIS. Em outras palavras, o que alimenta tais demonstrativos, declarações e informações é a escrituração (tida em seu aspecto amplo) e esta é a que deve prevalecer em última análise. Foi dentro dessa linha de pensamento que a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção, pelo voto do Relator original, Conselheiro Nelso Kichel, expresso na Resolução nº 1802000.341, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, na forma abaixo reproduzida (destaques do original): “No caso, a recorrente efetuou compensação tributária, sob condição resolutória, do débito informado na DCOMP, com utilização de pretenso crédito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, conforme DCOMP retificadora transmitida eletronicamente em 26/07/2007, mediante programa gerador PER/DCOMP (fls.01/05). Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ estimativa mensal do P.A. março/2006. Nesta instância recursal, a recorrente nas razões do recurso rebelase contra a decisão recorrida, argumentando que o crédito pleiteado existe, aduzindo: que o valor principal do débito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, confessado na respectiva DCTF, está equivocado; que houve erro material no preenchimento da DCTF; que o débito correto é o informado na DIPJ respectiva, e não o valor constante da DCTF; que não houve retificação da DCTF para ajustar o valor débito, para coincidir com o valor informado na DIPJ, pois o erro material foi constatado após ciência do despacho decisório, o qual impede transmissão eletrônica de DCTF retificadora, pela perda de espontaneidade. Compulsando os autos, constato que atinente ao P.A março/2006: a contribuinte confessou débito do IRPJ estimativa mensal no valor de R$ 390.877,15, conforme DCTF transmitida eletronicamente em 30/07/2008, cuja cópia consta das fls.27/28; que esse débito confessado na DCTF teria sido adimplido do seguinte modo: Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 877 10 a) pagamento por DARF no valor de R$ 249.713,63, data de recolhimento 28/04/2006, cópia do DARF (fl. 32); b) – outras compensações no valor de R$ 141.163,52, mediante utilização de crédito do IPI (DComp: 09231.74003.270406.1.3.018112 e DComp: 07398.18112.270406.1.3.015150) – informação constante da cópia da DCTF (fls. 28/29). que, entretanto, o débito apurado e informado na DIPJ, quanto ao PA março/2006, foi menor, em relação débito informado na respectiva DCTF. Vale dizer, a contribuinte informou débito do IRPJ estimativa mensal, P.A. março 2006, o valor de R$ 326.840,18, na DIPJ 2007, anocalendário 2006, Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, com base na receita bruta e acréscimos (fl. 31), transmitida eletronicamente em 29/06/2007, conforme recibo de entrega (fl. 29). Como visto, quanto ao PA março/2006 a contribuinte, em tese, teria adimplido IRPJ estimativa mensal a maior, ou indevidamente, no valor de R$ 64.036,97 e que, desse valor original, utilizou parcela de crédito original de R$ 2.039,42 para compensar débito informado na compensação objeto destes autos. Constato pela cópia da DIPJ que, em princípio, a contribuinte não alterou critério de apuração do IRPJ estimativa mensal de receita bruta e acréscimos para balancete de suspensão/redução. Então, em tese é plausível a alegação de erro material quanto ao débito informado na DCTF. Além do mais, a DCTF foi transmitida eletronicamente, praticamente, 01 (um) ano após a entrega da DIPJ, o que reforça a tese do erro material, quanto ao real valor do débito. No âmbito da DRF/Nova Iguaçu (unidade de origem), não houve intimação da contribuinte para comprovação, à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte idôneos dos registros contábeis, a apuração do IRPJ do PA março/2006 e dos demais meses desse anocalendário, para que houvesse esclarecimento cabal, se houve, ou não, erro material no preenchimento da DCTF. Simplesmente a unidade de origem da RFB emitiu despacho decisório do qual consta que o direito creditório demandado é inexistente, pois os valores adimplidos foram consumidos pelo respectivo débito confessado na DCTF, não restando crédito disponível. Na decisão ora atacada, consta que a DRJ/Rio de Janeiro I, embora a contribuinte tivesse pleiteada a realização de diligência, entendeu não ser cabível o pleito de produção de prova, conforme fundamentação constante do voto condutor (fls. fls. 51/52), in verbis: (...) Pelo entendimento exarado na decisão recorrida, existindo divergência entre DCTF e DIPJ quanto ao débito apurado e informado, prevalece aquela e não está, pois somente a DCTF tem caráter de confissão de dívida. Esse entendimento não merece prosperar. Embora a DCTF seja o instrumento por excelência para confissão de débito tributário (mas, não o único!), não tem caráter absoluto essa confissão em DCTF, se houver Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 878 11 erro material nos valores confessados e, ainda, não prescrito o direito de repetição do indébito tributário. A decisão recorrida refutou o protesto de produção de todas as provas admitidas em direito, fundamentada no entendimento de que as provas deveriam ter sido juntadas aos autos junto com a impugnação e não o foram; que a faculdade processual restou preclusa; que a contribuinte é autora do pedido de direito creditório contra o fisco; que, no processo de compensação tributária, o ônus probatório do fato constitutivo do direito de crédito contra o fisco é do autor do pedido. Mas, tanto o despacho decisório, quanto a decisão recorrida, pecam por não apontarem, de forma clara e objetiva, à contribuinte qual o elemento de prova necessário para a comprovação do direito creditório pleiteado, em face do alegado erro material de preenchimento da DCTF. Em momento algum nos autos o fisco solicitou à contribuinte a apresentação da escrituração contábil, para dirimir a dúvida sem houve, ou não, o alegado erro material no preenchimento da DCTF. Apenas o fisco aduziu que, no caso, preponderam os dados constantes da DCTF. As cópias da DCTF, da DIPJ e do DARF, sem a apresentação da respectiva escrituração contábil, não têm o condão de comprovação do direito creditório pleiteado, pois é necessário cotejar a escrituração contábil e a escrituração fiscal, para demonstração do alegado erro material. Embora no processo de compensação tributária o ônus probatório do fato constitutivo do direito (da liquidez e certeza do crédito demandado) seja da contribuinte, pois ela é a autora da demanda nos termos do art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro e do art. 170 do Código Tributário Nacional, entendo que esse rigor probatório deve ser mitigado, com base no princípio da verdade material, pois a unidade de origem da Receita Federal, bem como a DRF/Rio de Janeiro I, em relação ao alegado erro material deixaram de intimar a contribuinte para apresentação da escrituração contábil e respectivos documentos idôneos de suporte dos registros contábeis. Como visto, a instrução processual dos autos está incompleta, não permitindo a formação de convicção do julgador quanto ao direito creditório demandado. Além disso, se restar comprovado o alegado erro material de preenchimento da DCTF é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis. (...) Em face disso, justamente para afastar eventual prejuízo à defesa (aos princípios do contraditório e da ampla defesa), propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 879 12 a) se houve erro material no preenchimento da DCTF quanto ao valor do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006; b) se as DCOMP nºs 09231.74003.270406.1.3.018112 e 07398.18112.270406.1.3.015150) foram homologadas, ou não ( fls. 28/29); c) se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse ano calendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir); d) se o crédito pleiteado está disponível para efetuar a compensação objeto dos autos”. Para concluir: “No término da diligência fiscal, a unidade de origem da RFB (DRF/Nova Iguaçu) deverá elaborar relatório circunstanciado com resultado conclusivo, devidamente fundamentado e demonstrado, quanto ao crédito demandado”. Diligência cumprida, com ela vieram a Informação Fiscal (fls. 856/862) e documentos juntados no procedimento (fls. 133/855). Antes de tudo, ressalto a lamentável forma com que foram juntados aos autos os documentos relativos à escrituração contábil e fiscal da recorrente, sem um mínimo de ordenamento lógico que permitisse aferir e contrapor rapidamente as provas juntadas com o alegado nos autos e, mais ainda, sem que a interessada tivesse feito sequer um índice racional para manuseio de tal documentação; ao contrário, referidas provas – cujo maior interesse em vêlas aceitas, presumese, seja da recorrente – foram acostadas dispersa e aleatoriamente. Nesse sentido: IRPJ – PROVA – Cumpre à impugnante demonstrar o efeito modificativo ou extintivo do crédito constituído pelo lançamento. Não basta ao impugnante juntar documentos aos autos, sendo indispensável que ele demonstre o efeito probatório por eles produzido. (Acórdão nº 10707882) Este fato levou ao exaustivo trabalho elaborado pela autoridade fiscal diligenciadora em parcimoniosa e detalhada Informação e exigiu não menos esforço deste Relator para que pudesse se chegar o mais próximo possível da “verdade material” tão reclamada. Consignada a ressalva acima, passo às conclusões do voto. Segundo a Informação de Diligência (fls. 857), no que tange ao “quesito a” da Resolução nº 1802000.341 (“se houve erro material no preenchimento da DCTF quanto ao valor do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006”): “Quesito a) Considerando que não foram encontrados no processo, documentos juntados pelo contribuinte que comprovassem as suas argumentações relativamente ao erro material alegado, não obstante o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e tendo em vista, principalmente, as solicitações do CARF em diligência, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos que respaldassem suas alegações de erro Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 880 13 material no preenchimento da DCTF, conforme intimação juntada ao processo. Em análise aos documentos apresentados pela contribuinte, podese dizer que aparentemente não houve erro material no preenchimento da DCTF, na medida em que os documentos apresentados, notadamente o seu “Livro Diário Geral” e demais documentos, não nos permitem aferir que a contribuinte tenha, de fato, apurado e contabilizado suas estimativas mensais nos valores e períodos por ele sustentados, posto que, nos lançamentos contábeis apresentados, não consta os valores das estimativas “mês a mês”. Ressaltese ainda que, posteriormente à resposta da intimação, a contribuinte foi contatada, por telefone, sendo solicitado os documentos contábeis que embasassem tais lançamentos, sendo que, os documentos apresentados não identificam lançamentos de provisão de IRPJ e CSLL mês a mês, não contemplando, dessa forma, o que foi solicitado, referente à estimativa de IRPJ de março de 2006, o que não serviu para aferir o que por ela foi alegado. Vêse na manifestação da autoridade que presidiu a diligência a ratificação do que já dito neste voto acerca da dispersão das provas, juntadas aleatoriamente e sem nenhuma concatenação lógica, tanto que a Informação Fiscal é clara ao dizer que não permitiram “aferir que a contribuinte tenha, de fato, apurado e contabilizado suas estimativas mensais nos valores e períodos por ele sustentados”; que, “nos lançamentos contábeis apresentados, não consta os valores das estimativas “mês a mês”; e, que, “os documentos apresentados não identificam lançamentos de provisão de IRPJ e CSLL mês a mês, não contemplando, dessa forma, o que foi solicitado, referente à estimativa de IRPJ de março de 2006”. Mais ainda, “podese dizer que aparentemente não houve erro material no preenchimento da DCTF”. De fato, como este Relator teve oportunidade de confirmar ao analisar minudentemente os autos, visàvis, lançamento a lançamento, os Livros Diário e Razão, a recorrente não teve por hábito contabilizar a “provisão de IRPJ e CSLL mês a mês” (como ressaltado pela diligência), procedimento que contemplaria, sem dúvida, maior técnica contábil, quando os montantes provisionados são lançados no passivo e posteriormente baixados contra o circulante. Tivesse assim procedido a contribuinte, a visão dos fatos se faria sem maior esforço. Todavia, o fato de a recorrente ter adotado método mais simplificado de escrituração, debitando uma conta de ativo (tributos a recuperar) e creditando diretamente o circulante (Caixa/Bancos) pelo pagamento, SEM PROVISIONAMENTO anterior, não desnatura a contabilização nem traz reflexos tributários. Vejase a forma de contabilização assumida, naquilo que interessa (estimativa de IRPJ – março/2006): Ø Livro Diário (fls. 762/763): Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 881 14 Ø Livro Razão (fls. 433): Ø Conferindo: ESTIMATIVA IRPJ MARÇO/2006 1. Pagamento (DARF) 249.713,63 2. Compensação DCOMP nº 07398.18112.270406.1.3.015150 7.103,35 3. Compensação DCOMP nº 09231.74003.270406.1.3.018112 134.060,17 4. Estimativa IRPJmarço/2006paga/compensada (1+2+3) 390.877,15 Parece induvidoso que, na contemporaneidade dos fatos, a recorrente, de uma forma ou outra, preliminarmente, apurou como “estimativa de IRPJ de março/2006”, o valor de R$ 390.877,15 que buscou adimplir mediante o pagamento (DARF) de R$ 249.713,63 e compensações de R$ 7.103,35 e R$ 134.060,17 e só POSTERIORMENTE, quando da elaboração da DIPJ (em junho/2007) é que chegou definitivamente ao débito de R$ 326.840,18 (DIPJ – Ficha 11 – Linha 12 fls. 165). Então cabe a pergunta: por que a recorrente recolheu/compensou R$ 390.877,15 em 28/04/2006 (DARF – código de receita 2362 fls. 32), gerando um recolhimento em excesso de R$ 64.036,97? A resposta, até pelo longo lapso de tempo (cerca de dez anos...), óbvio, passa por um verdadeiro exercício de imaginação e muitas suposições. Porém, conhecendo o universo das empresas, é lícito presumir que, em 30 de abril de 2006, quando vencia o prazo para recolhimento da estimativa de março/2006, a escrituração da recorrente ainda não tinha sido “fechada”, ou seja, provavelmente faltavam alguns documentos para serem contabilizados e, neste contexto, até para evitar penalidades e acréscimos moratórios, a contribuinte apurou “estimadamente” o valor “devido” e o recolheu/compensou. Somente depois, passado mais de um ano, por ocasião da elaboração e transmissão da DIPJ do anocalendário de 2006 (ex/2007) em 29/06/2007 (fls. 29) é que a empresa teria chegado ao montante correto devido (R$ 326.840,18), de forma que, recolhido/compensado o valor de estimativa de R$ 390.877,15 nada restaria a pagar e, ao contrário, a contribuinte se tornaria credora da Fazenda Pública em R$ 64.036,97. Então, cabe a segunda pergunta: qual o motivo da não homologação da compensação? Por três pontos principais: a) porque, quando da emissão do Despacho Decisório, o valor pago de R$ 390.877,15 estava totalmente declarado em DCTF e integralmente alocado; b) porque a Turma a quo, que analisou a manifestação de inconformidade, concluiu que a contribuinte não teria conseguido comprovar o alegado Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 882 15 equívoco (erro material) no preenchimento da referida DCTF; e, c) a impossibilidade da retificação de DCTF após a emissão do Despacho Decisório. Entretanto, com a conversão em diligência, vieram aos autos, ainda que dispersa e aleatoriamente, documentos e escrituração que deram às alegações da recorrente, maior robustez, exigindo aprofundamento da análise. Nesse cenário, a conjunção de vários fatores leva a algumas conclusões relevantes e favoráveis à tese da recorrente, o primeiro deles o fato de, à época, a contribuinte já possuir direito contra a Fazenda Pública Federal em razão de “ressarcimento de IPI” no valor de R$ 141.163,52 e, ainda assim, recolher mais R$ 249.713,63 em moeda corrente, chegando ao total de R$ 390.877,15 (estimativa de março/2006). Tivesse condições de apurar naquele instante corretamente a estimativa do mencionado mês, R$ 326.840,18 (o que só veio a ocorrer depois), certamente iria recolher R$ 185.676,66 e não R$ 249.713,63. Em outras palavras, não desembolsaria, por mera liberalidade, R$ 64.036,97 (R$ 390.877,15 – R$ 326.840,18). Se assim fez, parece óbvio ter apurado (no instante em que teve de efetuar o recolhimento, em 28/04/2006), ainda que estimadamente, o valor de R$ 390.877,15, justificando o “erro material” alegado. Depois, o fato de a recorrente haver assumido como base de cálculo das estimativas mensais durante todo o anocalendário de 2006 a “receita bruta e acréscimos” e não “balanços ou balancetes de redução ou suspensão”, sendo de se presumir que os valores apurados e recolhidos ainda eram “estimados” e não definitivos (assim fosse, certamente recolheria/compensaria R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15. Em exprimir diverso, se os “balanços ou balancetes de redução ou suspensão” tivessem sido elaborados à época dos fatos, já com conotação de definitividade, obviamente a contribuinte apuraria R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15 e aquele seria o montante devido e não este. Se fez o inverso, a conclusão plausível é que este último montante, em 28/04/2006, data do recolhimento, ainda era meramente uma estimativa e não o valor final devido, o que dá sustentação a alegação de que teria cometido “erro material” quando do preenchimento da DCTF. Mais, a contabilização, em 31/07/20072, do valor definitivo da estimativa de março/2006 no importe de R$ 326.840,18 (Livro Razão – fls. 463), escrituração que se fez cronologicamente: i) depois que a estimativa de março/2006 já havia sido recolhida em 28/04/2006, reforçando o argumento de que, nesta data (abril/2006), não se conhecia o valor final a pagar, o que só veio a ocorrer em 2007, quando da preparação da DIPJ a ser entregue (em junho); ii) praticamente no mesmo momento da elaboração da DIPJ do exercício de 2007 (transmitida em 29/06/2007) corroborando o pensamento de que, neste estágio, já se havia chegado ao importe correto, tanto que incluído na Ficha 11 da citada DIPJ; 2 Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 883 16 iii) antes da entrega da DCTF (30/07/2008 – fls. 27); iv) quase no mesmo dia de transmissão do PER/DCOMP nº 04668.08047.260707.1.7.040488 (26/07/2007 fls. 2/5), de modo que, neste instante, presumivelmente, já se conhecia o montante efetivamente apurado; e, v) muito antes do Despacho Decisório que declarou não homologada a compensação (nº de rastreamento 831661589 – 20/04/2009 fls. 6) ter sido exarado. Esta cronologia demonstra que, como a recorrente não conhecia em 28/04/2006 (quando efetuou o recolhimento), o valor definitivo da estimativa de março/2006, optou por assumir a “receita bruta e acréscimos” para encontrar, naquele momento, o quantum a ser pago (R$ 390.877,15), só chegando ao montante depurado e conciliado (R$ 326.840,18) no ano seguinte. Fatores que reforçam seus argumentos e levam à comprovação do equívoco cometido e, em última análise, do alegado “erro material”. Fortalece ainda mais este raciocínio a manifestação da própria autoridade que presidiu a diligência quando, depois de ressalvar a dispersão das provas, acaba por concluir, em relação ao questionado valor de R$ 64.036,97 – quesito “d”3, que (Informação Fiscal – fls. 861): “Ante todo o exposto, em relação ao quesito (d), onde é questionado se o montante requerido pelo contribuinte, no valor de R$ 64.036,97, relativo suposto recolhimento a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (2362), alusivo ao período de apuração de março de 2006, recolhido em 28/04/2006, no valor de R$ 249.713,63, encontrase disponível para efetuar a compensação objeto dos autos, temos que, fazendo uma análise restrita ao período de apuração de março, se for considerado somente o IRPJ referente à estimativa de março/2006, aceitando o erro material alegado pelo contribuinte no preenchimento da DCTF, considerando o valor de R$ 326.840,18, e tendo sido esse valor parcialmente quitado através de duas DCOMP que remontam: 141.163,52, que foram homologadas, resta a pagar somente R$ 185.676,66. Uma vez que o valor recolhido foi de R$ 249.713,63, restaria o valor de R$ 64.036,97. Ressaltese no entanto que, conforme já dito em resposta ao quesito “a”, não foram apresentados documentos contábeis com lançamentos mensais das estimativas que nos permitam aferir se efetivamente houve o erro material alegado no preenchimento da DCTF”. (o negritado foi acrescido). Pois bem, informado na diligência que, “Uma vez que o valor recolhido foi de R$ 249.713,63, restaria o valor de R$ 64.036,97”, confirmase o crédito alegado pela recorrente que estaria, assim, “disponível para efetuar a compensação objeto destes autos”. Sobre a ressalva presente no final da manifestação (“Ressaltese no entanto que, conforme já dito em resposta ao quesito “a”, não foram apresentados documentos contábeis com lançamentos mensais das estimativas que nos permitam aferir se efetivamente houve o erro material alegado no preenchimento da DCTF”), disso já se tratou exaustivamente neste voto, pelo que superada. 3 “d) se o crédito pleiteado está disponível para efetuar a compensação objeto dos autos”. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 884 17 Porém, há mais informações vindas com a diligência (quesitos “b” e “c”) que merecem apreciação. A respeito ao primeiro deles4 (fls. 857): “Quesito b) A DCOMP nº 09231.74003.270406.1.3.018112 foi retificada pela DCOMP nº 07978.09220.220410.1.7.019848. Esta última foi analisada e parcialmente homologada, restando quitado mediante pagamento a diferença do débito compensado, conforme telas extraídas dos sistemas RFB, juntadas ao processo. A DCOMP nº 07398.18112.270406.1.3.015150 foi retificada pela DCOMP nº 19917.09797.200410.1.7.012030. Esta última foi analisada e parcialmente homologada, restando quitado mediante pagamento a diferença do débito compensado, conforme telas extraídas dos sistemas RFB, juntadas ao processo. Com a resposta positiva ao quesito, fica ratificado o procedimento da recorrente, destacandose, por relevante, que estas duas DCOMP (posteriormente retificadas, mas igualmente homologadas) referemse exatamente à compensação da estimativa de março/2006 com crédito de IPI (ressarcimento) que a recorrente possuía e utilizou para compensar parte do débito. As informações relativas quesito “c”5 vinculamse com a posição final do IRPJ devido em 31/12/2006 e sua contraposição com os recolhimentos/compensações de estimativas e outras deduções legais permitidas (PAT/PDTI, etc.) e se tal saldo remanescente restaria adimplido. Ou seja, cuidase do valor devido no “ajuste anual”. Segundo a DIPJ do período, Ficha 12A (fls. 823), os valores estão assim retratados: 4 “(...) propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: (...) b) se as DCOMP nºs 09231.74003.270406.1.3.018112 e 07398.18112.270406.1.3.015150) foram homologadas, ou não ( fls. 28/29)”; 5 “(...) propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: (...) c) se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse anocalendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir)”; Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 885 18 De acordo com resposta da contribuinte, a quitação deste valor deuse da seguinte forma (planilha elaborada por esta Relatoria, à vista da informação de fls. 802 e dos lançamentos presentes no Livro Diário juntado aos autos – cf. fls. indicadas): DATA LACTO. FLS. AUTOS DATA PAGTO. MEIO DE PAGTO. VALOR 30/03/2007 782 30/03/2007 DARF 175.470,03 29/07/2007 783 30/07/2007 PER/DCOMP 6.821,08 01/08/2007 790 30/07/2007 PER/DCOMP 9.408,04 01/08/2007 790 30/07/2007 PER/DCOMP 6.791,47 29/09/2007 784 29/03/2007 PER/DCOMP 1.167,26 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 2.578,70 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 1.041,74 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 1.318,80 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 1.350,68 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 5.104,17 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 5.246,28 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 5.425,24 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 6.079,81 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 6.215,95 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 8.431,00 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 22.819,98 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 45.552,51 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 55.504,83 30/03/2007 791/792 25/07/2007 PER/DCOMP 240.309,52 29/09/2007 783 29/03/2007 PER/DCOMP 12.055,34 TOTAL 618.692,43 Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 886 19 Significa dizer que, admitidas como corretas as informações acima, o valor devido (residual) no ajuste anual corresponderia a R$ 618.692,41, estando totalmente resgatado. Destaquese, por relevante que, neste caso, o valor considerado das estimativas mensais (DIPJ Ficha 12A – Linha 16 – R$ 3.078.609,35) foi o somatório do informado na Ficha 11 da Declaração, consignandose no mês de março/2006 o importe de R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15: jan/06 234.134,64 fev/06 223.355,19 mar/06 326.840,18 abr/06 191.972,70 mai/06 221.685,51 jun/06 275.355,38 jul/06 307.741,40 ago/06 347.928,52 set/06 291.113,20 out/06 206.212,15 nov/06 250.383,48 dez/06 201.887,00 TOTAL 3.078.609,35 Pois bem, se os valores “apurados e devidos” no final do exercício “fecham” quando contrapostos com as deduções legais e estimativas mensais e esta, no mês de março/2006, foi considerada como R$ 326.840,18 (ver acima), parece certo que a diferença entre este montante e o que foi pago/compensado pela recorrente no referido mês (R$ 390.877,15), ou seja, R$ 64.036,97 se constitui em legítimo indébito tributário, exteriorizado na forma de “direito creditório” e passível de restituição/compensação. É o que deflui dos autos e do resumo da posição final em 31/12/2006, conforme planilhas abaixo, da lavra deste Relator, à vista dos documentos acostados ao processo: 1. Com a estimativa informada na DIPJ: APURAÇÃO DO IRPJ EM 31/12/2006 CONSIDERANDO ESTIMATIVA DE MARÇO/2006 INFORMADA NA DIPJ 1. IRPJ DEVIDO À ALIQUOTA DE 15% 2.337.089,13 2. ADICIONAL DE IRPJ 1.534.059,42 3. TOTAL DO IRPJ APURADO (1 + 2) 3.871.148,55 () DEDUÇÕES 4. OPERAÇÕES DE CARÁTER ART./CULTURAL 84.552,00 5. PAT 57.989,00 Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 887 20 6. IRRFONTE 31.305,79 7. ESTIMATIVAS MENSAIS 6 3.078.609,35 8. TOTAL DAS DEDUÇÕES (4 +5 + 6 + 7) 3.252.456,14 9. IRPJ A PAGAR AJUSTE ANUAL (3 8) 618.692,41 10. PAGTOS/COMPENSAÇÕES AJUSTE ANUAL 618.692,41 11. VALOR RESIDUAL A PAGAR (9 10) 0,00 2. Com a estimativa efetivamente paga/compensada: APURAÇÃO DO IRPJ EM 31/12/2006 CONSIDERANDO ESTIMATIVA MARÇO/2006 RECOLHIDA EM ABRIL/2006 1. IRPJ DEVIDO À ALIQUOTA DE 15% 2.337.089,13 2. ADICIONAL DE IRPJ 1.534.059,42 3. TOTAL DO IRPJ APURADO (1 + 2) 3.871.148,55 () DEDUÇÕES 4. OPERAÇÕES DE CARÁTER ART./CULTURAL 84.552,00 5. PAT 57.989,00 6. IRRFONTE 31.305,79 7. ESTIMATIVAS MENSAIS7 3.142.646,32 8. TOTAL DAS DEDUÇÕES (4 +5 + 6 + 7) 3.316.493,11 9. IRPJ A PAGAR AJUSTE ANUAL (3 8) 554.655,44 10. PAGTOS/COMPENSAÇÕES AJUSTE ANUAL 618.692,41 11. VALOR RESIDUAL A PAGAR (9 10) (64.036,97) Em resumo, se o débito do IRPJ do período, aí incluído o “ajuste anual” foi totalmente adimplido (planilha 1) nada haveria a ser recolhido. Entretanto, como foi recolhida/compensada a estimativa de março/2006 em valor maior que o devido, a recorrente 6 Valor da estimativa considerado – R$ 326.840,18 7 Valor da estimativa considerado – R$ 64.036,97 Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 888 21 passou a dispor de direito creditório (indébito) em face do Poder Público Federal no valor de R$ 64.036,97 (planilha 2). Até aqui, não há controvérsia, restando apenas aferir se o saldo a pagar apurado no ajuste anual (R$ 618.692,41) teria sido efetivamente recolhido/compensado como assenta a recorrente. Acerca desse ponto, a Informação Fiscal da diligência, depois de longo e detalhado trabalho de composição de valores e de compensações manejadas pela recorrente, resume o tema (fls. 858/861) nos seguintes termos, respondendo ao quesito “c” da Resolução (“se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse anocalendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir”): Quesito c) O contribuinte anexou tabela em que lista a forma de quitação das estimativas de IRPJ. Para efeito de verificação e batimento dos valores informados em DIPJ com aqueles declarados em DCTF, foi procedida a análise a seguir: (...) Assim, o total quitado na apuração anual é de R$ 620.133,30 (R$ 444.663,27 + R$ 175.470,03), sendo suficiente à quitação do IRPJ a pagar informado em DIPJ. No entanto, não será suficiente à quitação do IRPJ a pagar encontrado, considerando as DCOMP que não foram homologadas ou que se encontram inscritas em Dívida Ativa da União, posto que, uma vez considerado que houve DCOMP não homologadas e inclusive DCOMP cujo débito foi inscrito em DAU, o saldo de IRPJ a pagar seria de R$ 783.728,00. E ainda, caso considere a diferença de recolhimento requerida em DCOMP, o saldo de IRPJ a pagar passaria a ser de R$ 847.765,97, como já descrito. (...)”. Portanto, em relação ao saldo remanescente a pagar (ajuste anual – 31/12/2006 – R$ 618.692,41), a diligência conclui que, a princípio, o valor pago seria “suficiente à quitação do IRPJ a pagar informado em DIPJ”, deixando de sêlo quando se leva em conta compensações não homologadas ou já inscritas em dívida ativa. Com a devida vênia, não vejo como estas pendências das compensações utilizadas no ajuste anual possam afetar o valor de R$ 64.036,97, direito creditório aqui discutido, isto porque, tais compensações, se não homologadas, como algumas parecem não ter sido, permanecem em discussão em outros processos e, caso confirmado suas não ratificações, o crédito tributária já estará constituído (pelas DCOMP) e poderá ser objeto de execução pela Procuradoria Fazendária, não tendo qualquer relação com o direito creditório aqui discutido. Em outro dizer, a única ressalva feita pela Autoridade Fiscal relacionouse ao saldo do ajuste anual, não havendo qualquer contraposição ao montante sob questionamento nestes autos, ou seja, o eventual direito creditório de R$ 64.036,97, nascido de recolhimento/compensação (devidamente homologada) de estimativa de março de 2006 e incluído no cálculo do ajuste anual (R$ 326.840,18 frente a recolhimento/compensação de R$ 390.877,15). Nesse eito, a Informação Fiscal é clara ao definir que “fazendo uma análise restrita ao período de apuração de março, se for considerado somente o IRPJ referente à estimativa de março/2006, aceitando o erro material alegado pelo contribuinte no preenchimento da DCTF, Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 889 22 considerando o valor de R$ 326.840,18, e tendo sido esse valor parcialmente quitado através de duas DCOMP que remontam: 141.163,52, que foram homologadas, resta a pagar somente R$ 185.676,66. Uma vez que o valor recolhido foi de R$ 249.713,63, restaria o valor de R$ 64.036,97”. (destacouse). A propósito e por relevante, impende registrar que situação fática do mesmo teor já foi enfrentada profundamente pela então Conselheira Edeli Pereira Bessa (Ac. 1101 000.330 – 09/07/2010) valendo a reprodução de excertos de seu esclarecedor voto naqueles autos, em tudo aqui aplicáveis (os destaques foram acrescidos por este Relator): “Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. (...) Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: (...) Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei n" 9,250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou. da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 890 23 suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução”. Ora, no caso aqui tratado, como no acórdão adotado, i) a contribuinte não modificou em nenhum momento a sua forma de apuração (mantevese estável nos doze meses com base na “receita bruta e acréscimos” e, ii) comprovouse o erro no cálculo e/ou no recolhimento do mês de março/2006. Mais a mais, a matéria, por força de reiteradas decisões das diversas Turmas do Colegiado (dentre elas, além da acima citada, os Acórdãos nº 120100.404, de 23/2/2011; nº 120200.458, de 24/1/2011; nº 910100.406, de 02/10/2009 e nº 10515.943, de 17/8/2006), acabou por ser sistematizada pela Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nestas condições, considerando i) que, caso as compensações utilizadas para quitação do valor devido de IRPJ no ajuste anual (R$ 618.692,41) venham a ser, total ou parcialmente, não homologadas, o crédito tributário de responsabilidade da recorrente já estará declarado e consequentemente constituído, não afetando o direito creditório aqui discutido; ii) que, restando comprovado o alegado erro material de preenchimento da DCTF é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração, nos termos da Súmula CARF nº 84; e, iii) o que mais consta nos autos e com suporte na conclusão da diligência, fonte de que deve se fiar o julgador (conforme pacificado no CARF)8 e nos documentos com ela juntados, entendo comprovado o equívoco no preenchimento da DCTF e confirmado o “erro material” alegado. Pelo exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário ofertado pela recorrente para RECONHECER o indébito de R$ 64.036,97 e 8 Processo nº 10580.011166/200200 Acórdão nº 110100008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindose em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10735.904436/200985 Acórdão n.º 1402002.907 S1C4T2 Fl. 891 24 HOMOLOGAR a compensação aqui discutida, até o limite do direito creditório aqui reconhecido. É como voto. Brasília (DF), em 21 de fevereiro de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 891DF CARF MF
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Numero do processo: 15224.720021/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 14/09/2007 a 21/12/2009
OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO.
A interposição fraudulenta pode ser presumida no caso de previsto no § 2o do artigo 23 do Decreto-Lei no 1.455/1976. Nos demais casos, deve a fiscalização demonstrar não só ter havido interposição (importação de produto que se sabe se posteriormente enviado a terceiro, não mencionado expressamente na declaração de importação) com ocultação, mas que esta foi perpetrada mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta, na forma descrita no inciso V do mesmo artigo 23.
Numero da decisão: 3401-004.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. A interposição fraudulenta pode ser presumida no caso de previsto no § 2o do artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976. Nos demais casos, deve a fiscalização demonstrar não só ter havido interposição (importação de produto que se sabe se posteriormente enviado a terceiro, não mencionado expressamente na declaração de importação) com ocultação, mas que esta foi perpetrada mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta, na forma descrita no inciso V do mesmo artigo 23. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 22 4. 72 00 21 /2 01 1- 59 Fl. 14563DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 14188 a 142401, exigindo multa proporcional ao valor aduaneiro, substitutiva do perdimento, por “ocultação do sujeito passivo, real comprador e responsável pela operação, mediante fraude ou simulação”, em declarações de importação registradas de 14/09/2007 a 21/12/2009, totalizando R$ 3.416.491,00. É arrolada como responsável solidária à empresa “HARLEYDAVIDSON do Brasil LTDA” (doravante “HARLEYDAVIDSON”) a empresa HDSP Comércio de Veículos (doravante “HDSP”). Na descrição dos fatos de fls. 14200 a 14239 narrou a fiscalização que: (a) a empresa “HARLEYDAVIDSON” registrou, em 06/03/2009, a Declaração de Importação (DI) no 09/02842670, por sua própria conta e ordem (indicando importação direta), para nacionalizar relógios de pulso, displays e estojos para relógio, figurando como exportador a “BULOVA Corporation”, dos Estados Unidos; (b) após suspeita de ocultação do real adquirente das mercadorias (fundada em endosso no AWB, histórico das empresas, e no fato de a “HARLEYDAVIDSON” ter por objeto, em Manaus, a montagem de motocicletas, e não a comercialização de relógios, enquanto a “HDSP” comercializa tanto motos quanto relógios) optou a fiscalização por, estrategicamente, liberar a carga, com o intuito de monitorar a destinação da mercadoria, verificandose que foram transferidas para a “HDSP”, evidenciando ocultação do real adquirente; (c) a operação da “HARLEYDAVIDSON” claramente se tratou de importação por encomenda a encomendante predeterminado (“HDSP”), conforme características relacionadas à fl. 14220, com ocultação mediante simulação; (d) analisandose diversas outras importações da “HARLEYDAVIDSON”, verificouse que as importações de acessórios como relógios, jaquetas e congêneres eram revendidos em sua totalidade, ou quase, à “HDSP”, logo após o desembaraço, elementos que, se unidos a informações sobre os pagamentos entre as empresas e ao exportador, contratos de câmbio e contrato de exclusividade entre as empresas, reforçam que tais importações também foram realizadas na modalidade por encomenda, com ocultação; (e) a “HDSP”, mesmo equiparada a estabelecimento industrial, não destacou IPI nas suas operações de revenda, havendo dano ao Erário, estimado às fls. 14225 a 14229 e em planilhas anexas à autuação; (f) a prática reiterada da conduta descarta a possibilidade de erro, demonstrando o dolo a que se refere a conduta prevista no artigo 71 da Lei no 4.502/1964 (sonegação); (g) tendo em vista que foi possível apreender apenas parte das mercadorias (no processo administrativo no 15224.720004/201111), para as restantes o perdimento foi substituído pela multa de que trata o presente processo; e (h) a solidariedade da empresa “HDSP” tem por fundamento o artigo 124 do Código Tributário Nacional e os artigos 32 e 95 do DecretoLei no 37/1966. Ciente da autuação em 22/09/2011 (fl. 14252), a empresa “HDSP”, apresentou, em 13/10/2011 (fl. 14289), a Impugnação de fls. 14254 a 14267, argumentando, em síntese, que: (a) não estão presentes os requisitos para substituição do perdimento por multa, previstos no artigo 65 da IN SRF no 206/2002, como a retenção da carga, e a inexistência de procedimento especial, sujeito a prazos; (b) não houve dolo ou máfé, tratando se o caso de simples erro, e, se houvesse máfé, o auditor declararia a inaptidão da empresa; e (c) a fiscalização endossa que a “HDSP” não praticou a ocultação, e sim foi ocultada pela “HARLEYDAVIDSON”, tratandose de empresa de pequeno porte, que se uniu a outras de pequeno porte para conseguir “fechar” um contêiner, “confiando a execução da operação de importação integralmente à importadora”. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 14564DF CARF MF Processo nº 15224.720021/201159 Acórdão n.º 3401004.384 S3C4T1 Fl. 14.564 3 A empresa “HARLEYDAVIDSON”, por seu turno, ciente da autuação em 26/09/2011 (fl. 14392), apresentou a Impugnação de fls. 14305 a 14325, sustentando, basicamente, que: (a) a empresa possui capacidade financeira e estrutura operacional para importar por conta própria as mercadorias, sejam elas partes e peças ou acessórios (jaquetas, relógios, camisetas etc.), atuando como importador por conta própria, não havendo que se falar em importação por encomenda, como entendeu a RFB em Solução de Consulta, sendo a “HDSP” mera distribuidora exclusiva; (b) a Lei no 6.729/1979 (conhecida como “Lei Ferrari”) impede que a empresa comercialize diretamente seus produtos com consumidores finais, obrigando a intermediação por concessionárias; (c) não foi a “HDSP” que contratou a “HARLEYDAVIDSON” para importar, mas a “HARLEYDAVIDSON” que com tratou a “HDSP” para distribuir seus produtos importados (com a marca “HarleyDavidson”, vendidas por empresas licenciadas); (d) houve confusão da fiscalização sobre o objeto social da empresa “HARLEYDAVIDSON”, que inclui roupas, acessórios e produtos relacionados; (e) a tipificação adotada não aponta o “encomendante predeterminado” entre as figuras ocultadas, justamente por anteceder a previsão legal para importação por encomenda no Brasil; (f) não houve fraude ou simulação, nem configurou o fisco a existência de dolo, sendo as operações efetuadas no contexto de relacionamento comercial legítimo; (g) há ausência de causalidade e proporcionalidade entre a multa imposta e os alegados prejuízos sofridos ao Erário, sendo parte das mercadorias sujeita a alíquota zero de IPI; e (h) a pena de perdimento e a multa que a substitui são confiscatórias. A DRJ converteu o julgamento em diligência em 15/05/2015 (fls. 14443 a 14446), para que fosse certificada a data de protocolo da impugnação da “HARLEY DAVIDSON”, tendo a unidade preparadora respondido sem conclusividade, mas insinuado que teria a referida peça impugnatória sido recebida em 26/10/2011 (fls. 14447/14448). Em 19/11/2015 ocorreu o julgamento de primeira instância (fls. 14464 a 14501), no qual se decidiu unanimemente pela improcedência das impugnações, essencialmente pelos seguintes fundamentos: (a) não cabe ao tribunal administrativo se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de norma vigente; (b) não houve qualquer violação à IN SRF no 206/2002; (c) com todos os elementos trazidos aos autos, restou plenamente caracterizado o dano ao Erário causado pela comprovada ocultação do sujeito passivo, qual seja, a “HDSP” (encomendante predeterminado de fato), por meio da interposição perante o Fisco da empresa “HARLEYDAVIDSON”, figurandose esta de forma indevida como empresa importadora e adquirente, fato que possibilitou a “HDSP” atuar livremente no âmbito do comércio internacional, de modo camuflado e/ou clandestino, passando despercebida pelo controle aduaneiro, bem como pela ocorrência de perda de arrecadação pela quebra da cadeia do IPI, ocorrida por ocasião das saídas das mercadorias da “HDSP”, sendo que a própria “HDSP”, por ocasião de sua defesa, admitiu, de maneira expressa, que confiou a execução da operação integralmente à “HARLEYDAVIDSON”; (d) o fato de se ter que efetuar as vendas por meio de concessionárias, por si só, em nada se contrapõe ao modelo de importação previsto pela legislação aduaneira (importação por encomenda); e (e) tanto por interesse comum quanto por designação legal, restou amplamente demonstrada a responsabilidade de ambas as empresas autuadas. A empresa “HDSP”, não localizada desde a conversão em diligência, foi intimada por edital (fls. 14514/14515), não apresentando recurso em relação à decisão da DRJ. Fl. 14565DF CARF MF 4 Ciente da decisão de piso em 21/12/2015 (Termo à fl. 14513), a empresa “HARLEYDAVIDSON” interpôs recurso voluntário em 20/01/2016 (fls. 14516 a 14543), basicamente reiterando os argumentos de sua impugnação. Em dezembro de 2016, o processo foi a mim distribuído, por sorteio. O processo foi indicado para a pauta desde junho de 2017, mas não havia pautado até outubro de 2017, em função do excesso de número de processos a julgar. Em novembro e dezembro de 2017 não houve sessões de julgamento. Em janeiro de 2018, o processo foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O único recurso voluntário apresentado (pela empresa “HARLEY DAVIDSON”) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. Remanescem contenciosos o tema central da autuação (haver ou não ocultação do real adquirente na importação, mediante fraude ou simulação) e questões atinentes ao dimensionamento da multa aplicada. A fiscalização trata detalhadamente, na descrição dos fatos, da DI no 09/02842670, registrada em 06/03/2009, pela empresa “HARLEYDAVIDSON”, indicando importação direta (por conta e ordem próprias), relativa a relógios de pulso, displays e estojos para relógio. E chama a fiscalização atenção para o fato de que o objeto principal da “HARLEYDAVIDSON”, localizada em Manaus, seria a fabricação, importação e montagem de motos, para as quais goza dos benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus, mas que as declarações em comento se referiam a acessórios, não sujeitos à referida industrialização (fl. 14216): E que a “HDSP”, por outro lado, seria dedicada a comercialização de motos, e acessórios tais como os importados nas declarações de importação em análise (relógios e itens de vestuário), e tal empresa detinha os direitos de representação exclusiva da marca Fl. 14566DF CARF MF Processo nº 15224.720021/201159 Acórdão n.º 3401004.384 S3C4T1 Fl. 14.565 5 “HarleyDavidson” no Brasil, sendo a única autorizada a comercializar os produtos da marca no território nacional. A fiscalização apurou ainda ter havido endosso de conhecimento de carga aéreo (AWB) da “HDSP” para a “HARLEYDAVIDSON” (fl. 14204). A “HARLEYDAVIDSON” não questiona o fato de as mercadorias constantes das declarações de importação analisadas terem sido destinadas à “HDSP”, nem a imputação fiscal de que as empresas já sabiam que assim o seria no momento das importações, mesmo tendo registrado as importações como se fossem na modalidade direta (por conta e ordem da própria “HARLEYDAVIDSON”). A discordância reside no fato de a “HARLEYDAVIDSON” considerar como direta a operação que efetua. Após conceituar importações diretas (por conta própria), como aquelas nas quais o importador, por sua própria conta e risco, negocia com o exportador a compra das mercadorias e promove seu despacho com recursos próprios, e indiretas, fazendo menção ao sítio eletrônico da RFB, do qual extrai como característica destas a terceirização da operação de importação, afirmando que, no caso em análise, tal terceirização não ocorre, mas sim uma terceirização da “distribuição”, no Brasil, via “HDSP”, alega a recorrente “HARLEYDAVIDSON” (fls. 14521/14522) que: Fl. 14567DF CARF MF 6 Resta analisar se as disposições da Solução de Consulta (destaquese, que não vincula este julgador administrativo) e a alegação referente à distribuição, fundamentada em lei, se amoldam ao caso em análise. Sobre o objeto da “HARLEYDAVIDSON”, a defesa afirma estar incorreto o entendimento fiscal de que seria restrito a motocicletas e suas partes e peças (fls. 14524/14525): Na impugnação referida na peça recursal, encontramos apenas a 11ª alteração contratual, de 25/05/2011 (data posterior aos fatos narrados e às importações descritas na autuação), e que contempla a seguinte mudança (fl. 14360): Tal disposição não se presta a refutar a alegação fiscal de que a atividade principal da “HARLEYDAVIDSON” era a industrialização de motocicletas, com os Fl. 14568DF CARF MF Processo nº 15224.720021/201159 Acórdão n.º 3401004.384 S3C4T1 Fl. 14.566 7 benefícios inerentes à Zona Franca de Manaus, e é temporalmente inapta a atestar que quem importava, de fato, era a “HARLEYDAVIDSON” (apesar de esta, indiscutivelmente, como reconhece a própria autuação, ter patrimônio suficiente para importar as mercadorias em análise). Assim como a autuação não pode considerar irregular a importação pelo simples fato de a atividade principal ser diversa (apesar de poder tomar tal fato como um indício, a demandar maiores verificações), não pode a defesa alegar o contrário com documentos posteriores aos fatos narrados, ou que refutariam afirmação sequer feita pelo fisco (de que a atividade de importação de veículos ou partes/peças seria a única permitida à empresa). Sobre a Lei no 6.729/1979, convém destacar que seu teor é referente ao direito comercial (concessões comerciais), sendo absolutamente irrelevante para caracterizar a modalidade de importação, visto que tais atributos são ditados por lei posterior e mais específica (no caso de “conta e ordem”, v.g., a Medida Provisória no 2.15835/2001, e, no caso de “encomenda”, a Lei no 11.281/2006). A fiscalização classifica as operações de que trata o presente contencioso como “importações por encomenda” (fl. 14220 – lembrando que “HDB” se refere à “HARLEYDAVIDSON”) por que: Fl. 14569DF CARF MF 8 Tais atributos servem para distinguir a operação de uma “importação por conta e ordem”, mas são todos comuns às importações “por encomenda” e “diretas” (à exceção do terceiro, que revela também apenas um indício de ser indireta a operação, pelo fato de haver notas fiscais de venda próximas às datas de desembaraço). A existência de capacidade financeira e operacional da “HARLEY DAVIDSON” não é questionada pela fiscalização, que, inclusive, a endossa, o que descarta a possibilidade de interposição fraudulenta presumida, prevista no § 2o do artigo 23 do Decreto Lei no 1.455/1976. A imputação fiscal é, então, a tratada no inciso V do mesmo artigo 23, que exige a comprovação de fraude ou simulação: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias:(...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...)” (grifo nosso) Desde o início da fiscalização, é incontroverso que a importação declarada como “por conta própria” (vejase a DI à fl. 7972) era efetuada para posterior venda a distribuidor exclusivo de produtos “HarleyDavidson” no Brasil, “HDSP”, como esclarecido pela “HARLEYDAVIDSON” à fl. 63: E o esclarecimento é ratificado às fls. 12078/12079 (onde “HARLEY DAVIDSON”, recordese, é abreviado como “HDB”): Fl. 14570DF CARF MF Processo nº 15224.720021/201159 Acórdão n.º 3401004.384 S3C4T1 Fl. 14.567 9 Fl. 14571DF CARF MF 10 Ademais, informa a empresa “HARLEYDAVIDSON”, às fls. 12078/12079, que: Descartada, assim, também a presunção de importação por conta e ordem, prevista no artigo 27 da Lei no 10.637/2002: “Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” (grifo nosso) Não há qualquer imputação fiscal sobre ocorrência de subfaturamento, de ausência de capacidade operacional de uma das empresas, ou de qualquer conduta irregular, afora o preenchimento da modalidade de importação da declaração de importação, e a chamada “quebra da cadeia do IPI”, desenvolvida no relatório fiscal, e discutida pela defesa em relação a alguns produtos que teriam alíquota zero do tributo. A interposição, a nosso ver, restou comprovada. De fato, não se tem dúvidas de que a “HARLEYDAVIDSON”, importador que consta nas DI, sabia que as mercadorias importadas seguiriam à “HDSP”, seja ela um encomendante predeterminado (como sustenta o fisco) ou um distribuidor exclusivo (como alega a recorrente). Mas a existência de interposição, por si, não implica imediatamente a penalidade em discussão nos autos (artigo 23, V, do DecretoLei no 1.455/1976). Recordese que a penalidade é pela “ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de Fl. 14572DF CARF MF Processo nº 15224.720021/201159 Acórdão n.º 3401004.384 S3C4T1 Fl. 14.568 11 responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros” (grifo nosso). Deve o fisco comprovar, então, ter havido ocultação do real comprador, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Para afirmar em que consistiria a fraude ou simulação, o fisco se apega a duas irregularidades. A primeira, de que a operação deveria ter sido declarada desde o início como “por encomenda”, havendo “descumprimento de obrigação acessória” (fl. 14221): E a segunda, de que com tal descumprimento houve “dano ao Erário”, estimandoo (fls. 14222 a 14229): Acrescenta ainda a fiscalização que a prática reiterada da conduta pelo importador demonstra o elemento “dolo” (fl. 14234): Fl. 14573DF CARF MF 12 A nosso ver, o fato de declarar na DI a importação como direta, por si, não configura fraude ou simulação. Caso contrário, a expressão “mediante fraude ou simulação”, ou o adjetivo “fraudulenta” após “interposição”, no texto do artigo 23, V, do DecretoLei no 1.455/1976, seriam desnecessários. Bastaria a não inclusão da empresa sabidamente destinatária para que restasse configurado que a interposição teria sido “fraudulenta”. Usualmente, o que se vê neste tribunal são casos em que empresas sem patrimônio ocultam os reais adquirentes das mercadorias, que efetivamente pagam (de forma camuflada) as importações. Em grau de sofisticação maior, é ainda comum que o fisco detecte que empresas habilitadas a operar no comércio exterior e que possuíam patrimônio, ainda assim estavam em realidade a importar para terceiros, que assumiam os efetivos riscos da operação. Não é o que ocorre no caso em análise, em que a principal figura da autuação (indicado como ocultante) é inequivocamente quem importou, realizou os contatos para a importação, pagou as importações, fechou os contratos de câmbio, e realizou os trâmites aduaneiros. A controvérsia reside na interpretação de que a empresa contratada para distribuir (leitura da recorrente) seria juridicamente, de acordo com a legislação que rege as modalidades de importação, o encomendante predeterminado (leitura da fiscalização). Ou seja, não se está aqui discutindo as diferenças entre “importação por conta e ordem” (que é uma prestação de serviços ao adquirente das mercadorias) e “importação por encomenda” (que consiste em uma revenda a encomendante predeterminado), como usualmente ocorre nos contenciosos do gênero, mas a distinção entre “importações diretas” e “importações por encomenda”. E a própria fiscalização fixa a premissa do que seriam importações diretas (fl. 14205): No caso em análise, é incontroverso que a “HARLEYDAVIDSON” negociou os termos de compra e providenciou os “trâmites aduaneiros, cambiais e de licenciamento etc.”, e que os recursos empregados foram próprios, não havendo maiores discussões sobre o risco, ou sobre margens de lucro, havendo apenas alegações de que as importações seguiam à “HDSP” em datas próximas ao desembaraço. Deixou, assim, a fiscalização, de aprofundar exatamente a distinção relevante ao caso em análise, por a ela bastar o denominado “descumprimento de obrigação acessória” e a chamada “quebra da cadeia do IPI”, ainda que houvesse, em tese, produtos tributados à alíquota zero, olvidandose que a conduta importada é “ocultar... mediante fraude ou simulação”, inclusive a “interposição fraudulenta”. Fl. 14574DF CARF MF Processo nº 15224.720021/201159 Acórdão n.º 3401004.384 S3C4T1 Fl. 14.569 13 Ademais, a fiscalização parece simplificar a construção legislativa da “interposição fraudulenta”, resumindoa à questão tributária (fls. 14222/14223) e de cumprimento de obrigações acessórias, e mesclar conceitos relativos a “conta e ordem”: O que se percebe, no caso, é baixo vínculo da autuação com a real motivação da construção da teoria da chamada “interposição fraudulenta”, e pouca preocupação da fiscalização em aprofundar a consistência probatória da autuação (principalmente no que se refere ao risco da operação e importação), contentandose com o que ela própria denomina de “descumprimento de obrigação acessória”, que consistiria em “simulação” pela possibilidade de “quebra da cadeia do IPI”, e seria dolosa porque reiterada. Insuficientes, a nosso ver, as razões de autuação, para que se possa identificar efetivamente, no caso, uma ocultação mediante fraude ou simulação, ou uma interposição fraudulenta de pessoas. Quando muito, haveria, no lançamento, elementos para a aplicação de penalidade por prestação de informação incorreta ou para o aprofundamento das investigações, à luz de análise pormenorizada dos contratos entre o exportador e as empresas “HARLEY DAVIDSON” e “HDSP” (todos disponíveis nos autos – fls. 13283 a 13516). Do conteúdo disponível dos referidos contratos poderia o fisco ter extraído elementos para verificar efetivamente carga de responsabilidades e riscos do negócio, e esclarecer dúvidas sobre o teor de disposições específicas. Há contratos da americana “Harley Davidson Motor Company” com a “HARLEYDAVIDSON” (fls. 13283 a 13311 – em português), e com a “HDSP” (fls. 13416 a 13470 – em português), entendidos como não aplicáveis ao caso, pela fiscalização (fl. 14231), e contrato entre a “HARLEYDAVIDSON” e a “HDSP” (fls. 13336 a 13371 – em português), do qual a fiscalização apenas extrai a cláusula 6.1, que afirma que a “HDSP” (concessionário) não poderia comprar produtos de outra fonte que não a “HARLEY DAVIDSON” (fabricante). Fl. 14575DF CARF MF 14 No único contrato que foi analisado pela fiscalização, “contrato de distribuição” entre “HARLEYDAVIDSON” (fabricante) e “HDSP” (concessionário), para revenda ao mercado consumidor de “Produtos Harley Davidson”, estes são conceituados, logo de início (fl. 13336), e na cláusula 20.2, como: Ao que soa da disposição contratual, o teor da avença não versa sobre roupas e relógios, por exemplo (embora seja possível a discussão avançar sobre o tema à luz das cláusulas 6.1 e 16.3 do mesmo contrato, e de eventuais contratos adicionais solicitados às empresas). Tal fato poderia ensejar demanda por esclarecimentos da empresa, e prosseguimento da fiscalização. A nosso ver, a fiscalização peca por ter sido encerrada precocemente, sem efetivamente verificar os riscos e responsabilidades (em que pese haver disposições sobre riscos e responsabilidades nos contratos, restaria saber se são aplicáveis a vestuário e relógios, por exemplo), de modo a poder concluir que, de fato, o que ocorreu, foi uma “importação por encomenda”, segundo os critérios que a própria fiscalização fixou, e aqui já reproduzidos. Assiste razão, assim, à defesa, quando argumenta que a fiscalização não se desincumbiu de seu ônus probatório de demonstrar ser a operação uma “importação por encomenda”, ou ter havido fraude ou simulação, condutas dolosas que não se confundem com a prestação incorreta de informações, ou a divergência de entendimento sobre um tema jurídico. Portanto, resta improcedente o lançamento, por carência de fundamentação, o que nos dispensaria de analisar os dois argumentos referentes ao dimensionamento das multas aplicadas. No entanto, cabe destacar, a título de esclarecimento, que a multa aplicada, se amoldada ao caso com concreto, encontraria expressa previsão legal, não podendo ser afastada por este colegiado administrativo em nome da proporcionalidade ou da vedação ao confisco (constitucionalmente estabelecida apenas para tributos), como plasmado na Súmula CARF no 2. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 14576DF CARF MF Processo nº 15224.720021/201159 Acórdão n.º 3401004.384 S3C4T1 Fl. 14.570 15 Fl. 14577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.721296/2016-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 07/03/2014, 10/04/2014, 11/04/2014
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. DANO AO ERÁRIO. ARBITRAMENTO. MULTA E TRIBUTOS.
Comprovado dano ao Erário decorrente de fraude, aplicável multa de 100% do valor aduaneiro caso tenham sido as mercadorias revendidas, cobrança da diferença dos tributos incidentes nas operações e multa de ofício qualificada. Tratando-se de fraude atinente ao valor aduaneiro, arbitra-se o preço da mercadoria para fins de determinação da base de cálculo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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SUBFATURAMENTO. DANO AO ERÁRIO. ARBITRAMENTO. MULTA E TRIBUTOS. Comprovado dano ao Erário decorrente de fraude, aplicável multa de 100% do valor aduaneiro caso tenham sido as mercadorias revendidas, cobrança da diferença dos tributos incidentes nas operações e multa de ofício qualificada. Tratandose de fraude atinente ao valor aduaneiro, arbitrase o preço da mercadoria para fins de determinação da base de cálculo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 12 96 /2 01 6- 00 Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.496 2 Relatório Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 31/104), a empresa First S/A promoveu o registro, por conta e ordem da empresa N3vo Comércio Internacional Ltda, das Declarações de Importação (DI) nº 14/04477138, 14/06961746, 14/07043678 e 14/07452519, as quais foram submetidas a procedimento especial de controle aduaneiro previsto na Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.169, de 29 de junho de 2011. Segundo o autuante, o valor declarado (preço médio FOB por quilograma líquido) foi inferior, inclusive, ao preço médio FOB das importações da principal matéria prima das bolsas importadas. Também apontou diferenças significativas unitárias e de peso no cotejo dos documentos instrutórios da importação com relatórios de verificação física. Ressalta que houve imediata alteração da classificação fiscal das mesmas mercadorias após a primeira DI em análise ter sido direcionada ao canal cinza de conferência (conforme quadro à fl. 37). No curso do procedimento fiscal instaurado, ambas as empresas foram intimadas a apresentar documentação relativa às operações de importação. Segundo a fiscalização, nem o importador, nem o adquirente comprovaram as transações comerciais e os valores acordados/negociados. Também foram apontados elementos que conduziram a autoridade fiscal a questionar a existência ou participação de fato do exportador/fabricante, o que a levou a considerar as faturas comerciais e packing lists materialmente falsos, situação caracterizadora de dano ao Erário passível de aplicação da pena de perdimento. Relativamente aos preços praticados, com base em pesquisas realizadas junto ao sistema Aliceweb1 e em perícias técnicas da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção ABIT (anexos 28 a 31), chegouse à conclusão de que os preços declarados são ideologicamente falsos, evidenciando manipulação e fraude. A partir dos procedimentos de verificação física das mercadorias objeto das referidas DI, foram apurados excedentes significativos de quantidade e peso nas operações (à exceção da DI nº 14/06961746), caracterizando falsa declaração de conteúdo. Entretanto, tendo a DI nº 14/04477138 sido direcionada para o canal cinza de conferência, nas operações seguintes, como dito, foi adotada classificação fiscal diversa, o que levou o sistema a direcionálas para o canal verde de conferência. Concluiu o fiscal autuante: "Da análise da documentação e das informações colhidas no precitado procedimento, restou constatada a ocorrência das infrações de USO DE DOCUMENTO FALSO NO DESPACHO ADUANEIRO das mercadorias relativas às Declarações de Importação n°s. 14/04477138, 14/06961746, 14/07043678 e 14/07452519, visto evidência de falsidade material, demonstrado no item 4 com a não existência de fato do Exportador declarado e a evidência de falsidade ideológica, conforme demonstrado no item 3 e 5, da não comprovação das negociações transacionadas e preços praticados, além da divergência de peso e quantitativo demonstrado no item 6" (fl. 87). Tal conclusão motivou a aplicação da multa qualificada. 1 ALICEWEB: Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior via Internet, da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do MCDI, o qual fornece dados estatísticos das exportações e importações brasileiras. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.497 3 As mercadorias de todas as quatro DI foram entregues ao importador mediante prestação de garantia por força de decisão judicial, que em momento posterior deferiu o pedido de levantamento de tais valores, sem prejuízo do prosseguimento das atividades fiscalizatórias (Processo nº 500682102.2014.4.04.7208/SC). Constatado que a First repassou as mercadorias para a N3vo e que esta vendeu a totalidade delas, impossibilitada a apreensão, o AuditorFiscal aplicou a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme cálculos de fls. 9092. Em virtude da verificação de fraude, inaplicáveis as disposições previstas no Acordo de Valoração Aduaneira. In casu, socorreuse o autuante do art. 88 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Diante da impossibilidade de apuração do preço efetivamente praticado, foi arbitrado o preço das mercadorias de acordo com o critério apontado pelo inciso I daquele artigo 88, com adoção do menor preço unitário praticado dentre as DI que se enquadraram em critérios de importação determinados conforme a legislação. Haja vista base de cálculo superior à declarada por força do arbitramento, foram apuradas diferenças nos tributos recolhidos conforme quadro a seguir, aplicandose multa de ofício qualificada conforme previsão do art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: E concluiu o agentefiscal: "Diante dos fatos narrados ao longo do presente relatório, ficou evidenciado que a atuada fez uso de FATURA COMERCIAL FALSA para instruir o despacho aduaneiro bem como restou caracterizada a NÃO EXISTÊNCIA DE FATO DO EXPORTADOR/FABRICANTE NA IMPORTAÇÃO e a NÃO COMPROVAÇÃO DOS NEGÓCIOS TRANSACIONADOS E PREÇOS PRATICADOS. Além de ser detectado grande divergência de quantitativos e referências de bolsas para as DI´s 14/04477138, 14/07043678 e 14/07452519, caracterizando a FALSA DECLARAÇÃO DE CONTEÚDO para estas declarações" Diante das falsidades apontadas, foi aplicada a multa substitutiva à penalidade de perdimento com fulcro nas seguintes normas (fls. 103104): Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.498 4 Impugnado o lançamento pelo sujeito passivo, First, e pela responsável que contratou a importação por conta e ordem, a N3VO, a DRJ/FNS julgou improcedente (fls. 1378/1396) as mesmas. A empresa responsável solidária (N3VO), apesar do julgado no MS acostado aos autos (fls. 14791493) assegurandolhe pleno acesso ao presente PAF para se pronunciar nos autos e reabertura de prazo para recorrer, não apresentou recurso voluntário, limitandose a peticionar (fls. 14711472) para que fosse intimada da pauta de julgamento, o que se deu por meio da publicação da pauta no Diário Oficial da União. Não resignada com a r. decisão, somente2 a empresa First recorreu (fls. 1415/1466) a este Colegiado, alegando, em suma: 1 Ao longo de 16 laudas, a incompetência funcional do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para proceder ao lançamento, haja vista ser decorrente de aplicação de pena de perdimento, cuja competência é exclusiva dos Delegados e/ou InspetoresChefes das Aduanas; 2 Que, em virtude das operações terem sido efetuadas na modalidade de importação "por conta e ordem de terceiros", a First teria atuado meramente como prestadora de serviços ou mandatária do real adquirente das mercadorias. Entende, em resumo no ponto, que ela não se reveste da condição de sujeito passivo, pois deveria ter sido considerado os termos do contrato de prestação de serviço entre ela e a encomendante, sendo esta, em seu entender, "a empresa real adquirente e efetiva proprietária das mercadorias", assim como a plena responsabilidade pelas informações constantes na carga e nos documentos que instruem o despacho aduaneiro, a classificação fiscal, a quantidade de produtos importados, o preço unitário praticado, o país de origem e a qualidade das mercadorias. E assim conclui no tópico: Pleiteia, em consequência, a nulidade e insubsistência da autuação pois não foi apontada de forma específica e objetiva a conduta ou postura que ensejou ou resultou na infração (item 22). 3 Outro argumento lançado pela defesa referese à suposta nulidade decorrente do excesso de prazo para o lançamento, haja vista a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.169, de 29 de junho de 2011 estabelecer um prazo de 90 (noventa) dias, prorrogável por outros 90, para conclusão do procedimento especial de fiscalização previsto na IN; 2 A solidária teve ciência da r. decisão conforme Termo de Abertura de Documento (fl. 1405). Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.499 5 4 Quanto à apontada utilização de documento falso no despacho aduaneiro, alega que nenhuma das situações mencionadas na motivação do lançamento, "revela categoricamente infração ou irregularidade à aplicação da pena de perdimento", entendendo que somente os casos expressamente fixados no art. 105 do Decretolei 37/66, autorizam a decretação da pena de perdimento, os quais, afirma, não foram apontados na exação; 5 Contesta a afirmação de não existência de fato do exportador estrangeiro, pois entende que as faturas comerciais revelam que o exportador é também o fabricante das mercadorias. O fato de não haver nenhuma referência nas farturas comerciais de que a fábrica funcionaria juntamente com a estrutura do exportador "parte de premissa equivocada do auto de infração, pois o exportador está constituído no endereço RM905 WORKINGBERG COMM BLDG 4147 MARBLE RD, em HONG KONG, ao passo que a Fábrica, no endereço ROOM 401, UNIT 1 BUILDING 23, NORTH DISTRICT, QUINGKOU YIWU CITY, ZHEIJANG, CHINA". Conclui, no ponto, que "não há em nosso ordenamento jurídico vigente, qualquer dispositivo apontando alguma irregularidade na informação que sustente a aplicação da pena de perdimento nos casos onde a fábrica e o exportador, sejam a mesma pessoa (jurídica) e não funcionem no mesmo endereço ou no mesmo estabelecimento comercial, posto que cada qual, exerce atividades distintas e voltadas para o mesmo fim, que é a produção e posterior comercialização". 6 Por fim, averba ser inaplicável a pena de perdimento por não visualizar situação elencada dentre as situações previstas pelo art. 105 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Alega que a afirmação do fiscal acerca da falsidade das faturas não procede, pois "(...) não há em nosso ordenamento jurídico vigente, qualquer dispositivo apontando alguma irregularidade na informação que sustente a aplicação da pena de perdimento nos casos onde a fábrica e o exportador, sejam a mesma pessoa (jurídica) e não funcionem no mesmo endereço ou no mesmo estabelecimento comercial, posto que cada qual, exerce atividades distintas e voltadas para o mesmo fim, que é a produção e posterior comercialização" (fl. 1182). É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. I PRELIMINAR 1 COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO Com a devida vênia, tal alegação não passa de mera tergiversação procrastinatória, pois notória a competência de AuditorFiscal do Tesouro Nacional (atualmente AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) para constitui crédito tributário. Tal competência decorre do artigo 142 do CTN, complementada pelo art. 6º da Lei 10.593/2002 (com redação dada pela Lei 11.457/07), o qual discorre sobre as atribuições daquele agente público. Ora, embora o recurso levante essa questão com arrimo do teor do Decreto Lei 1.455/76, a multa objeto do lançamento tem seu rito de cobrança pelo Decreto 70.235/72, Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.500 6 uma vez que não se trata o presente litígio de perda de mercadoria, mas sim de cobrança de multa equivalente a 100% do valor da mercadoria que foi dada a consumo após decisão judicial liberando a mercadoria, conforme relatei. E o fiscal na motivação do lançamento não deixou qualquer dúvida a respeito, até porque questão comezinha. Vejase o que consta do auto de infração: “ Mediante a impossibilidade de apreensão da mercadoria pelo fato da mesma ter sido revendida, tendo como base o parágrafo 1º do art. 689 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 6.759/2009, c/c incisos VI e XXII e §§ 3ºA, 3ºB e 6º. do mesmo artigo (Decreto nº 6.759/09 com as alterações do Decreto nº 8.010/13) a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro arbitrado da mercadoria.” O § 3º do artigo 23 (com redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) do DecretoLei a que alude a recorrente (1.455/76), por si só, mesmo para um iniciante no Direito, espanca qualquer dúvida. Eis a norma: § 3o As infrações previstas no caput (perdimento por dano ao Erário) serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, rechaçase a pugnada nulidade por incompetência do autor. 2 A IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. Alega a recorrente que pelo fato de as mercadorias importadas pelas DI em questão terem sido efetuadas na modalidade por conta e ordem, ela teria atuado meramente como prestadora de serviços ou mandatária do real adquirente das mercadorias, o que, em seu entender a afastaria da sujeição passiva, uma vez não ser ela a proprietária das mercadorias. Ora, mais uma alegação desprovida de qualquer razoabilidade jurídica. Da análise dos EXTRATOS das Declarações de Importação nº. 14/0447713 8, 14/06961746, 14/07043678 e 14/07452519, é possível confirmar, inequivocamente, que as mercadorias importadas pertencem e foram adquiridas no exterior pela empresa N3VO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº. 05.012.360/000470, bem como, devidamente credenciada e habilitada no Siscomex para operar no Comércio Exterior. Contudo, para realizar essas importações, a recorrente figurou como mera importadora, e, por sua vez, a empresa N3VO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, figurou como sendo a real adquirente e efetiva proprietária das mercadorias importadas através das Cláusulas, Condições e Compromissos assumidos em virtude do CONTRATO PARTICULAR DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS relacionados às operações de Comércio Exterior para importação na modalidade de “importação por conta e ordem de terceiro”, submetendoo assim, PREVIAMENTE à análise e aprovação da Receita Federal. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.501 7 Nos termos da competência delegada à RFB pelo art. 803, I, da MP 2.158 35/2001, foi editada a IN SRF 225/2002, que dispõe, dentre outras questões, que: “Art. 1º. O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. De seu turno, o artigo 12 da IN RFB 247/2002 estuiu: Art. 12. Na hipótese de importação efetuada por pessoa jurídica importadora, por conta e ordem de terceiros, a receita bruta para efeito de incidência destas contribuições corresponde ao valor da receita bruta auferida com: I – os serviços prestados ao adquirente, na hipótese da pessoa jurídica importadora; e II – da receita auferida com a comercialização da mercadoria importada, na hipótese do adquirente. § 1°. Para os efeitos deste artigo: I – entendese por importador por conta e ordem de terceiros a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial; Mas a meu juízo, embora essa normatização decorrente de delegação de competência à RFB, em virtude de comando legal específico, quanto às importações por conta e ordem sejam assaz definidoras, a questão poderia ser resolvida pela simples aplicação da norma geral veiculada pelo CTN em seu art. 121, pois o fato gerador do imposto de importação é o desembaraço aduaneiro (art. 46, I). Portanto, aquele que faz o desembaraço aduaneiro nas importações por conta e ordem é o sujeito passivo dos tributos incidentes na importação. Por tal, correto o lançamento ao colocar a recorrente no pólo passivo da relação jurídicotributária. Dessarte, rejeito essa preliminar de erro na indicação do sujeito passivo. 3 NULIDADE DECORRENTE DO EXCESSO DE PRAZO PARA O LANÇAMENTO Alega a defesa a suposta nulidade decorrente do excesso de prazo para o lançamento, haja vista a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.169, de 29 de junho de 2011 estabelecer um prazo de 90 (noventa) dias, prorrogável por outros 90, para conclusão do procedimento especial de fiscalização previsto. Mais um argumento de natureza meramente procrastinatória. 3 “Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.502 8 À Receita Federal é possível fazer a revisão aduaneira dentro do prazo de até cinco anos, nos termos do que dispõe o art. 54 do Decretolei 37/66 (art. 638 do RA 2009). Todas as DI objeto da revisão tratamse de importações desembaraçadas em 2014, portanto não há que se falar em excesso de prazo para o lançamento. Pelo que se repele tal argumento, igualmente. MÉRITO As defesas negam quaisquer falsidades e, portanto, alegam inexistir previsão legal para aplicação da pena de perdimento. Focam seus argumentos no seguinte raciocínio: "(...) não há em nosso ordenamento jurídico vigente, qualquer dispositivo apontando alguma irregularidade na informação que sustente a aplicação da pena de perdimento nos casos onde a fábrica e o exportador, sejam a mesma pessoa (jurídica) e não funcionem no mesmo endereço ou no mesmo estabelecimento comercial, posto que cada qual, exerce atividades distintas e voltadas para o mesmo fim, que é a produção e posterior comercialização" (fl. 1182). O quadro abaixo aponta as fundamentações legais que embasaram a aplicação da pena de perdimento por dano ao Erário, em relação a cada DI, em específico: Veja o teor das referidas normas legais: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.503 9 Atendendo intimação fiscal, a First apresentou documentos que foram analisados pelo Auditor Fiscal (fls. 4647): Em face de tal inconsistência, o agente fiscal coletou uma série de indícios, que tomados conjuntamente conduzem à conclusão de falsidade material das faturas comerciais e dos packing lists em virtude da inexistência e/ou não participação do exportador/fabricante declarados: é informado nas quatro operações que o exportador também é fabricante das mercadorias, com endereço em ROOM 401, UNIT 1 BUILDING 23, NORTH DISTRICT, QUINGKOU YIWU CITY, ZHEIJANG, CHINA (fls. 10091096); entretanto, quando da resposta à intimação fiscal, no item recém colacionado quanto à comprovação de existência do exportador, restou apresentada documentação relativa a empresa sediada em Hong Kong; Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.504 10 no endereço em Hong Kong encontrase um prédio comercial e não uma unidade fabril, informação coletada com imagens do aplicativo Google Earth (fl. 60); em pesquisas junto a Internet, não foi localizado o nome da empresa exportadora, mas o endereço fornecido nas faturas coincide com o de outra empresa (fls. 62 63). Instadas a comprovar as negociações comerciais, não foram apresentados (fls. 5759): documentação comprobatória das tratativas das operações; pedidos de compra; catálogo, revista, publicação ou sítio da internet demonstrando e confirmando os preços; documentação comprovando a existência do exportador; fatura proforma; lista oficial de preços emitida pelo exportador; vias das fatura comerciais consularizadas. Quanto aos preços praticados, melhor sorte não assiste às defesas. A partir de laudos merceológicos solicitados à Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção ABIT (fls. 783897) e de pesquisa junto ao sistema Aliceweb, ficou demonstrado que os preços praticados nas operações são inclusive extremamente inferiores aos próprios custos das matérias primas (análises no relatório fiscal fls. 6472). Concluiu o autuante: Concluindo, tais laudos não pretendem apurar o valor comercial das mercadorias, apenas identificar sua composição e estimar seu custo mínimo, inclusive porque consideram apenas o material têxtil empregado. Os resultados, em conjunto com a análise dos demais itens já relatados, demonstram que os preços declarados são ideologicamente falsos. Importa ainda destacar que as bolsas importadas são de alta qualidade, conforme verificado pela própria composição das mesmas e que pode ser constatado pelas imagens dos produtos (anexos 32 a 35). Verificase também, que em cada uma das faturas comerciais YSIE201416840 (DI 14/04477138), YSIE201416959 (DI 14/06961746), YSIE201416754 (DI 14/07043678) e YSIE 201417017 (DI 14/07452519), foram praticados preços unitários iguais para todas as referências. Tal prática, além das demais descritas neste procedimento, evidencia a manipulação e fraude nos preços, visto se tratarem de bolsas com composições e tamanhos diferentes uma das outras. Quanto à questão dos quantitativos apresentados incorretamente, as defesas alegam que as diferenças são decorrentes do fato de que existiam espécie de kits de bolsas, ou seja, que em alguns casos existiam uma ou duas bolsas no interior de outra e que seriam Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.505 11 comercializadas conjuntamente. Segue quadro demonstrativo de tais diferenças apuradas por relatórios de verificação física: Ou seja, não se trata pura e simplesmente de declaração incorreta de quantidades unitárias. O intuito fraudulento se confirma não só pela acondicionamento de bolsas dentro de bolsas (o que até poderia ser justificado como o foi), mas pela verificação das diferenças nos pesos. Portanto, a fraude não se cingia somente à declaração de preços unitários subfaturados, mas também pela declaração incorreta dos quantitativos importados, o que implica num valor final das operações muito inferior ao real, com claras implicações na base de cálculo a ser adotada na apuração dos tributos incidentes. Se de fato se tratavam de kits/conjuntos de bolsas, não haveria razão para diferenças de peso! Bem, a alegação defensiva referiuse à ausência de enquadramento legal dos fatos dos autos às hipóteses de dano ao Erário, especificamente com fulcro no art. 105 do DecretoLei nº 37/1966. Conforme quadro já exposto, o Auditor efetuou os lançamentos fulcrado no art. 689 do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro, o qual regulamenta disposições previstas tanto no DecretoLei nº 37/1966 como no DecretoLei nº 1.455/1976. Portanto, sobejam fatos que se subsumem à legislação em referência, havendo mais de um enquadramento possível para perfeita caracterização do dano ao Erário punível com a pena de perdimento. Verificado, pois, que a situação ensejava aplicação da pena de perdimento, cabia verificar a disponibilidade das mercadorias, as quais haviam sido liberadas por ordem judicial mediante garantia. Na ausência da mercadoria, a legislação prevê a aplicação de multa substitutiva no valor de 100% do valor aduaneiro, conforme art. 689, § 1º, do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro: § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) O autuante acostou (fl. 89) a seguinte tabela para comprovar a impossibilidade da aplicação da pena de perdimento em razão da revenda da mercadoria: Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.506 12 Relativo à questão da classificação fiscal das mercadorias importadas bolsas femininas em poliuretano, esclarecedor o quadro trazido na fl. 37, referente às diversas operações de importação do mesmo importador, adquirente e exportador: A classificação fiscal adotada até 7 de março de 2014 era 4202.22.10, com parametrização para o canal verde de conferência aduaneira. Com o registro da DI nº 14/04477138, nessa data, com seu direcionamento ao canal cinza, as próximas operações passaram a apresentar a NCM 4202.92.00, com reflexo claro: as próximas três operações voltaram a ser direcionadas para o canal verde. E mais, informa a fiscalização: "Constatase também que após o mês de abril/2014, coincidentemente após a seleção das Declarações de Importações objeto deste Procedimento Especial, não houve mais registro de DI na unidade de Itajaí, passando o adquirente a operar suas operações em Volta Redonda e Porto de Itaguai para este tipo de mercadoria" Ora, notória a manobra dolosa com o fito de evitar as verificações físicas e de valor das mercadorias importadas. Portanto, vazia a alegação de ausência de laudo técnico para aferição do código NCM correto à espécie. Os laudos, conforme art. 30, caput e § 1º, Decreto nº 70.235 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), de 6 de março de 1972, quando necessários, serão adotados em seus aspectos técnicos, não se considerando como tal a classificação fiscal de Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.507 13 produtos. Improcede, igualmente, o argumento de que é "(...) direito da empresa 'adquirente', promover o registro das suas mercadorias naquele que melhor considerar correta, bem como, está no direito de discordar da posição apontada pelo AuditorFiscal, sem que para isto, seja submetida a tratamento jurídico diferenciado e prejudicial aos seus interesses" (fl. 1288) e que "(...) a empresa 'adquirente' apenas buscou adequar melhor a identificação dos seus produtos aos seus interesses". Classificação é matéria técnica com regramento próprio e rigoroso, não sendo deferido aos interessados procederem à classificação de suas mercadorias conforme melhor lhes convier. As dúvidas podem ser objeto de soluções de consulta, mas, na ausência de uma, a decisão do Auditor Fiscal responsável prevalece administrativamente até manifestação das Delegacias de Julgamento e do Conselho de Contribuintes. Apurada, pois, a falsidade dos preços declarados, ou seja, comprovada a fraude, fazse necessário apurar o valor a ser empregado, tanto para efeitos de aplicação da multa substitutiva ao perdimento quanto para determinação da base de cálculo para cobrança das diferenças tributárias. Comprovada a fraude, inaplicável o Acordo de Valoração Aduaneira, devendose recorrer ao art. 88 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, como acertadamente procedeu o Fisco. Nas fls. 9698, resta demonstrado que o lançamento atendeu ao prescrito na legislação acima, ou seja, ante à fraude comprovada, e na impossibilidade de apuração do preço efetivamente praticado, foi levado a efeito o arbitramento com base no inciso I do art. 88 da MP 2.15835, conforme devidamente motivado na exação, conforme abaixo se transcreve: "(...) Não foram identificadas importações de mercadorias idênticas, dado o alcance muito restrito da expressão, a qual a simples descrição genérica das mercadorias constantes nas DIs não permite a adequação. Por outro lado, foi possível identificar a importação de mercadorias similares, originárias da China, embarcadas em período de tempo próximo, e valoradas pelo 1º método de apuração do valor aduaneiro (valor da transação) e produzidas no mesmo país que as mercadorias objeto de valoração. Foi desconsiderado as importações do Exportador/Fabricante YIWUSHI SHANGLUO IMPORT & EXPORT CO., LIMITED visto já demonstrado no tópico 4 da não existência de fato do mesmo. As características estão resumidas abaixo (fl. 98), preservandose, devido ao sigilo fiscal, o nome das partes, bem como as referências que possam identificar fisicamente as mercadorias ou detalhes da operação comercial. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.508 14 Nessas três operações, constatase que O MENOR PREÇO UNITÁRIO PRATICADO corresponde a US$ 4,33 por bolsa e referese à DI 14/04650204, cuja mercadoria embarcou em 14/02/2014, em data dentro do intervalo de embarque das mercadorias objeto do arbitramento. Diante do exposto e considerando também o princípio da razoabilidade que norteia o AVAGATT, optase por arbitrar o preço da mercadoria com base no valor unitário MAIS FAVORÁVEL AO AUTUADO, ou seja, o menor valor dentre os possíveis, o preço unitário de US$ 4,33 FOB" Deveras, sem reparos ao procedimento adotado para o arbitramento dos valores. CONCLUSÃO Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.689985/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa.
A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.
O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 85 /2 00 9- 41 Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10880.689985/200941 Acórdão n.º 1402002.864 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de IRPJ, declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que havia recolhido tais tributos indevidamente ou a maior sobre receitas derivadas da venda de alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases de cálculo dessas contribuições. Também afirma que teve reconhecido em Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito n° 94.00116799, créditos de FINSOCIAL compensados com débitos da mesma espécie. Tal suposto recolhimento indevido ou a maior teria gerado uma base de cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu o Contribuinte a dezenas de compensações de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, incluindo a presente. Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n° 19515.000772/200754), sendo na ocasião alertada pelo próprio Agente Fiscal que estava recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas contribuições. Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época. Afirma que o processo deve ser baixado em diligência para que seja confirmada a regularidade das compensações efetuadas e, ao final, requer a homologação integral da compensação em tela. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato destas decisões possuírem termos idênticos em suas razões. No mérito, em suma, limitase a repetir as razões da Manifestação de Inconformidade. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10880.689985/200941 Acórdão n.º 1402002.864 S1C4T2 Fl. 4 3 Ainda, acostou complementos ao Recurso Voluntário, referentes a estudo e Laudo emitido por Auditores Independentes, acostandoos aos autos, bem como noticiando o julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.855, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.689993/200997. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.855): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes autos) pelo fato destes repetirem ipsis litteris seus termos, denotando teor idêntico. O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa. Primeiramente, temos que atualmente, no processamento e julgamento de causas, administrativas e judiciais, a adoção de decisões repetitivas, ou mesmo de minutas padrão, é a inquestionável realidade, erigida sobre os corolários da praticidade, da racionalidade, da economia processual e da duração razoável do processo. Per si, o fato de decisões possuírem semelhante ou até igual teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional). Para tanto seria necessária a demonstração, concreta e específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito, explicando e apontando como tal repetição feriu a defesa empreendida na demanda. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10880.689985/200941 Acórdão n.º 1402002.864 S1C4T2 Fl. 5 4 Posto isso, ausente tal demonstração, deve ser rejeitada a preliminar alegada pela Recorrente. Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão sobre o conhecimento da nova documentação acostada pela Recorrente, inclusive após seu Recurso Voluntário, tratandose de Laudos emitidos por Auditores Independentes. Este Conselheiro entende que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição não pode prevalecer o prestígio da instrumentalidade do processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados no curso do processo. Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de seu art. 16, assim como autoriza o Julgador a solicitar diligências quando mostramse necessários outros elementos e providências para a formação da sua livre convicção. Assim, apresentase viável o conhecimento de documentação após a apresentação da Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de pertinência, necessidade e colaboração dos elementos novos acostados com o desfecho técnico da demanda. Tais Laudos acostados neste feito resumemse a planilhas elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos comentários, sem conter qualquer documentação contábil ou fiscal, bem como, expressamente, versam sobre cálculos referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre o IRPJ e eventuais reflexos. Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou mesmo por terceiros, têm valor probante extremamente relativo (ou nenhum, digase) se desacompanhados da documentação contábil e fiscal em que foram baseados. Não obstante e principalmente, o processo administrativo em tela tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora homologado por ausência de verificação e comprovação da existência de recolhimento a maior ou indevido em relação ao documento de arrecadação apontado. Dessa forma, o novo cálculo de apuração de PIS e COFINS devidos no período, seja por exclusão de operações sujeitas à alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo, não possui qualquer relevância ou conexão direta para a demonstração de que o recolhimento de IRPJ, que especificamente teria dado origem ao crédito pretendido, foi efetuado a maior ou indevidamente. Posto isso, não se conhece da documentação acostada após a interposição do Recurso Voluntário. No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo, todas as matérias alheias a esta demanda, referentes as informações e alegações trazidas pela Recorrente acerca de Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10880.689985/200941 Acórdão n.º 1402002.864 S1C4T2 Fl. 6 5 supostos créditos de FINSOCIAL, de PIS e de COFINS, Autuações e Ações Judiciais relacionadas a tais tributos, que não são objeto do DCOMP apreciado, serão devidamente desconsideradas e não conhecidas, inclusive colaborando para uma decisão mais hígida e clara. O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou indevidamente créditos de PIS e COFINS sobre produtos tributadas sob alíquota zero, efetuou o estorno desses créditos em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no mesmo período, dando margem, então, ao seu pretendido crédito. É certo que tal alegação é plausível. Todavia, o Recorrente não procedeu a qualquer demonstração de como, efetivamente, teria se operado tal redução em sua apuração do IRPJ e muito menos produzido qualquer prova sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários. Em suas razões consta apenas tal afirmação, abstrata e genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno de crédito de PIS e COFINS. Ora, a simples afirmação textual em peças de defesas da ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um determinado tributo, claramente, não basta para configurar e provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando confirmada pela Unidade de Fiscalização a precisão quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu. Nos processos administrativos referente a restituição e compensação é ônus do contribuinte a prova de seu crédito, devendo trazer aos autos demonstrações precisas e conjunto fáticoprobatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e liquidez, desconstruindo, assim, os fundamentos de sua não homologação. Em acréscimo, frisese que a própria Contribuinte afirma que não teria procedido à retificação da DCTF em que o débito de IRPJ, saldado com o DARF que teria dado origem ao crédito agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal débito, revelando pagamento a maior/indevido). Em momento algum foi acostada sua versão retificadora. Por sua vez, a entrega de DCTF constitui confissão de débito tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a maior/indevido que gerou o crédito ora pleiteado foi precisamente alocado para saldar tal obrigação constituída, perfeitamente no seu valor. Assim, juridicamente e para todos os fins fiscais, não foi apresentado nenhum elemento (DCTF retificadora ou provas contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e exigível monta pela qual declarado na DCTF do período. Desse modo, não foi devidamente comprovada a existência crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10880.689985/200941 Acórdão n.º 1402002.864 S1C4T2 Fl. 7 6 E digase que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos na apuração do IRPJ, não foi devidamente alegado, demonstrado ou mesmo provado pela Contribuinte como tal redução teria, também, culminado no recolhimento a maior/indevido que originou crédito especificamente pleiteado na DCOMP objeto do presente feito. Por fim, frisese que não há qualquer necessidade da realização de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos necessários ao convencimento motivado e à devida fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido, para não reconhecer o crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2449DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.721938/2016-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/07/2016, 12/08/2016, 15/08/2016
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - IMPROCEDÊNCIA
Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeita-se a alegação de nulidade.
RECURSO DE OFÍCIO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LAUDO TÉCNICO.
Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01.
Constatada a concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, aplica-se o teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e, quanto ao Recurso Voluntário apresentado, em rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração e não conhecê-lo na parte relacionada ao mérito da classificação fiscal das mercadorias objeto da DI n° 16/1206127-5.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICACAO ELETRONICA BRASILEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/07/2016, 12/08/2016, 15/08/2016 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE IMPROCEDÊNCIA Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeitase a alegação de nulidade. RECURSO DE OFÍCIO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LAUDO TÉCNICO. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. Constatada a concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, aplicase o teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 19 38 /2 01 6- 62 Fl. 631DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e, quanto ao Recurso Voluntário apresentado, em rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração e não conhecêlo na parte relacionada ao mérito da classificação fiscal das mercadorias objeto da DI n° 16/12061275. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a empresa INTELBRAS S.A. INDUSTRIA DE TELECOMUNICACAO ELETRONICA BRASILEIRA (doravante denominada de INTELBRAS Recorrente), para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 3.439.210,84, referentes Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Juros de Mora (calculados até 31/08/2016), Multa Regulamentar proporcional ao valor aduaneiro (classificação incorreta 1%) e multa proporcional (ofício 75%), em razão de reclassificação fiscal. A Recorrente por meio das Declarações de Importação n° 16/11587044, 16/12061275, 16/12473379 e 16/12567713, submeteu a despacho aduaneiro mercadorias indicadas como “gravadores reprodutores e editores de imagem e som”, de modelos diversos (HDCVI 1008Geração 2, HDCVI 1016Geração 2, HDCVI 3116, HDCVI 1032, HDCVI 1004Geração 2, NVD 1008, NVD 7032, NVD 1008P, NVD 3016, NVD 3016P, NVD 1108), classificando as mercadorias no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 8521.90.10: 8521 APARELHOS VIDEOFÔNICOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO, MESMO INCORPORANDO UM RECEPTOR DE SINAIS VIDEOFÔNICOS 8521.90 Outros 8521.90.10 Gravadorreprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio magnético, óptico ou optomagnético. Não concordando com a reclassificação fiscal adotada pelo Fisco, no curso dos despachos de importação, o importador protocolou Manifestações de Inconformidade (fls. 96 a 161). Também ingressou com ações junto ao Poder Judiciário (Mandado de Segurança n° 501215983.2016.4.04.7208/SC, para a Declaração de Importação (DI) n° 16/11587044 fls. 162/164 e Mandado de Segurança n° 501339048.2016.4.04.7208/SC, para a Declaração de Importação (DI) n° 16/12061275 fls. 166/168. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10909.721938/201662 Acórdão n.º 3402004.948 S3C4T2 Fl. 632 3 Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou Impugnação de fls. 204/256. Em síntese traz as seguintes alegações: que a fiscalização alterou as conclusões apresentadas nos Laudos Técnicos elaborados por Perito Técnico credenciado pela RFB para fundamentar a autuação. Não houve comprovação da improcedência dos Laudos como prevê o artigo 30 do Decreto n° 70.235/72, portanto, há a nulidade; que a classificação fiscal adotada é correta. O texto da NCM não faz qualquer exigência ou especificação quanto a como deve ser a edição, assim como a Nesh e as Notas de Seção e Capítulo também não fazem. Apresenta os fundamentos que comprovam a retidão da classificação adotada; não importa se a edição é durante a gravação ou depois, se faz a edição, não se pode dizer que o produto não tem a capacidade de edição; que, a reclassificação fiscal foi realizada com base em conceitos trazidos em Solução de Divergência da COANA, lastreada em produto antigo, de outro fabricante e com características e funções diversas; caso realmente se fosse utilizar as conclusões da COANA para classificação, o produto atende exatamente, eis que altera a composição original da imagem e do som, resultando em algo diferente do original, conforme será demonstrado e os Laudos Técnicos comprovam, gerando arquivos editados que podem ser arquivados no próprio equipamento ou externamente; que, não foram apresentados os motivos que levaram ao entendimento para a reclassificação que caracteriza a existência de vício material no lançamento. De forma alguma o Auditor Fiscal poderia fundamentar sua autuação com base em leitura e interpretação incorreta e sem sentido dos Laudos Técnicos apresentados, deveria sim, buscar fundamento técnico que alterasse as conclusões dos Laudos ou caracterizasse as suas improcedências, o que não o fez e sequer teria como fazer; que, a denominação comercial não pode ser utilizada como argumento/fundamento para a reclassificação fiscal; a imagem do produto colacionada no auto de infração não se refere a nenhum dos produtos objeto de autuação; a inclusão de um “bip” é sim edição de som; em algumas declarações de importação a exigência formulada no sistema “Siscomex” é diversa da apresentada na autuação; há insegurança jurídica para os importadores, os produtos são importados há aproximadamente dez anos com a mesma classificação fiscal; a multa por erro de classificação fiscal não pode ser aplicada, tanto por ausência de erro, quanto por se verificar a exatidão das especificações da mercadoria, Ato Declaratório Normativo n° 29/80; Requer seja tornado nulo ou insubsistente o auto de infração. Caso entenda por necessário, requer a realização de diligências, indica assistente técnico, bem como os quesitos pertinentes. Em razão das já citadas ações impetradas juntos ao Poder Judiciário (bem como do registro (Nota de Processo) no sistema “eprocesso” de um terceiro Mandado de Segurança n° 501365720.2016.4.04.7208/SC), os autos foram baixados em diligência, para Fl. 633DF CARF MF 4 que a unidade preparadora anexasse a este processo cópia das petições iniciais, cópias de eventuais decisões/sentenças/acórdãos relacionadas aqueles processos (fls. 264/537). A empresa apresentou aditamento de sua Impugnação inicial face à juntada dos documentos (folhas 543/545). Em síntese aduz que as abordagens realizadas nos mandados de segurança atacavam o ato da retenção indevida das mercadorias, o que não é objeto da impugnação apresentada. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ/FNS nº 0739.461, de 21/03/2017, abaixo transcrito (fl. 569): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/07/2016, 12/08/2016, 15/08/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LAUDO TÉCNICO. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/08/2016 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por meio do Acórdão nº 0739.461, de 21/03/2017, a 2ª Turma da DRJ Florianópolis deu provimento parcial à Impugnação, para manter a classificação fiscal adotada pelo contribuinte relacionada às Declarações de Importação (DI) n° 16/11587044, 16/12473379 e 16/12567713, cancelando parte do crédito tributário total no valor de R$ 3.342.742,16 (excluindo mais de 90% do crédito tributário lançado); não conheceu da impugnação quanto ao mérito da Classificação Fiscal das mercadorias objeto da Declaração de Importação (DI) n° 16/12061275 e julgar improcedente a impugnação nos demais aspectos. A DRJ/FNS interpôs Recurso de Ofício quanto a parte do crédito tributário exonerado. Regularmente notificado do julgado em 27/03/2017 (fl. 599) e não concordando, a Recorrente apresentou seu recurso voluntário em 29/03/2017 (fls. 602/622), Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10909.721938/201662 Acórdão n.º 3402004.948 S3C4T2 Fl. 633 5 reiterando os argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade, em resumo com as seguintes razões: em Preliminar, solicita a nulidade do Auto de Infração, de vez que permitir o lançamento de obrigação tributária em decorrência daquela verificação fiscal seria perpetrar verdadeiro desserviço ao contribuinte que, em nenhum momento agiu com dolo ou intenção de fraudar o erário público, mas sim usou de atos administrativos e pareceres técnicos para classificar seus produtos; da falta de motivação aduz que a Motivação é um princípio simples de direito administrativo, mas de aplicação importante, determinando que os atos de seus agentes, para terem eficácia, devem esclarecer os motivos, sendo inadmissível que, em quaisquer despachos ou decisões, as autoridades possam ficar alheias à referência ao fundamento de seus pronunciamentos; que, para autuação, a fiscalização deveria instruir o lançamento com todos os documentos necessários a sua correta e completa identificação, sendo que sequer juntou aos autos fotocópia dos documentos relacionados aos despachos de importação que deram origem ao lançamento lavrado, principalmente os Laudos Técnicos referentes às mercadorias supostamente classificadas erroneamente que dessem suporte as afirmações realizadas no Auto de Infração; em vários momentos o sr. Auditor Fiscal trouxe, fundamentandose nos Laudos Técnicos, informações incorretas, não presentes nos Laudos juntados. que, afastar da análise desse processo a Dl nº 16/12061275, pelo fato de ser objeto de Mandado de Segurança que visava garantir a classificação fiscal utilizada pela Recorrente, pelo fato de ter sido confirmada por Laudo Pericial, reconhecendose a classificação fiscal das demais DIs, é desconsiderar a verdade material em prol de um formalismo; destacase que referida ação, Mandado de Segurança, visava proteger direito líquido e certo, contra ato da autoridade aduaneira que, ilegalmente ou com abuso de poder, estava retendo/apreendendo mercadorias importadas como meio coercitivo à reclassificação fiscal e pagamento de tributos e multas decorrentes, desrespeitando inclusive Laudo Pericial solicitado/realizado pela RFB que confirmava as funções do equipamento que confirmavam a classificação fiscal utilizada pela Recorrente; em resumo, a Recorrente visava ordem Judicial que determinasse a fiscalização aceitar as conclusões do Laudo Pericial que ela mesmo solicitou, e, não se utilizasse apenas das partes e trechos que lhe eram convenientes; cumpre reforçar que o Mandado de Segurança, como era anterior a lavratura do Auto de Infração, atacava o ato da retenção indevida das mercadorias e desrespeito as conclusões do Laudo Pericial, enquanto a Impugnação apresentada neste processo administrativo, visa demonstrar e atacar várias irregularidades cometidas pelo Auditor Fiscal, tanto durante o despacho aduaneiro, quanto na lavratura do Auto de Infração, dentre as quais se destacam as seguintes, todas tratadas com mais detalhes na impugnação (a alteração das conclusões apresentadas nos Laudos Técnicos solicitados para tentar fundamentar a autuação, a determinação de reclassificação fiscal, contrariando os Laudos Técnicos elaborados por Perito Técnico credenciado pela RFB, etc); a decisão recorrida consignou que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de Fl. 635DF CARF MF 6 matéria distinta da constante do processo judicial; que os pontos acima, alguns sequer relacionados ao mérito da classificação fiscal, merecem e devem ser avaliados e julgados neste processo administrativo, eis que não são objeto de discussão no Mandado de Segurança; a caracterização da renúncia à instância administrativa, quando da ímpetração do Mandado de Segurança, decorre da previsão do artigo 38, da Lei n.° 6.830/80, que se refere à discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública, sendo importante destacar que não há dívida ativa antes da coisa julgada administrativa. que a verdade material é outro princípio que objetiva descobrir se realmente ocorreu (ou não) o fato gerador, e se a respectiva obrigação (principal ou acessória) teve nascimento. No processo administrativo a autoridade não deve se ater, exclusivamente, à alegações, devendo tomar providências necessárias para buscar a realidade fática, uma vez que a pretensão à obrigação tributária não nasce apenas dos argumentos e elementos fazendários contrapostos pelo autuado. Ao final, requer provimento do recurso, de forma a reformar a parte do acórdão proferido, relacionado ao não conhecimento da impugnação relacionada a Dl 16/12061275, quanto aos aspectos não enfrentados no Mandado de Segurança e pendem de julgamento neste processo, para que o Auto de Infração seja julgado na íntegra insubsistente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso Os recursos de Ofício e Voluntário preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. 2. Do Recurso de Ofício O objeto do Recurso de Ofício é a decretação da improcedência da reclassificação fiscal das mercadorias relacionadas às Declarações de Importação (DI) n° 16/11587044, 16/12473379 e 16/12567713, cancelando parte do crédito tributário total no valor de R$ 3.342.742,16. Por força de recurso necessário, a DRJ submeteu à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Entendo que não merece nenhum reparo a decisão da DRJ/FNS nesta parte em que julgou improcedente o código NCM adotado pela fiscalização. Isto porque restou claro na decisão de piso, que o entendimento é de que, no caso das Declaração de Importação n°s 16/11587044; 16/12473379 e 16/12567713, a fiscalização não logrou demonstrar que as mercadorias se classificam no código NCM indicado na autuação, posto que, contrariamente ao entendimento por ela exarado, os Laudos Técnicos indicam que as mercadorias em trato, realizam as funções de “edição de imagem e som”. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10909.721938/201662 Acórdão n.º 3402004.948 S3C4T2 Fl. 634 7 Da mesma forma não prospera a tese desenvolvida pela fiscalização de que as mercadorias não estariam aptas a desenvolver as funções controversas em razão do nome comercial dado às mesmas. Embora tal fato possa ser considerado um indício, o que restou demonstrado nos autos (por meio dos Laudos), é que as mercadorias relacionadas às DIs n°s 16/11587044; 16/12473379 e 16/12567713, realizam as funções questionadas com a autuação. É fato que a Recorrente ingressou com Mandados de Segurança por ocasião das Declarações de Importação acima citadas com vistas à conclusão do procedimento de fiscalização e liberação das respectivas mercadorias. Tal matéria não é discutida no presente processo administrativo fiscal, portanto, para o litígio relacionado ao crédito tributário decorrente de tais operações de importação devese proceder como disposto na alínea “b”, da Conclusão, do Parecer Normativo Cosit nº 07, de 22/8/2014. Assim, deve ser excluída da presente autuação o crédito tributário relacionado às Declaração de Importação (DI) n°s 16/11587044; 16/12473379 e 16/12567713. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício para manter a decisão recorrida por seus próprios e jurídicos fundamentos. 3. Do Recurso Voluntário É importante frisar que no que tange ao recurso voluntário, houve pedido de declaração de nulidade do Auto de Infração e de solicitação de análise de matérias não tratadas no Mandado de Segurança referente à Declaração de Importação n° 16/12061275. 3.1 Da preliminar de Nulidade do lançamento Alega a Recorrente que não foram apresentados os motivos que levaram ao entendimento para a reclassificação, e que tal fato caracteriza a existência de vício material no lançamento. "(...) o Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, encontra se, permissa vênia, eivado de propriedades técnicas, bem como se constitui de per si, em flagrante agressão ao contribuinte ora Recorrente, razões bastante para tornalo nulo de pleno direito aos fins a que se destina, de vez que permitir o lançamento de obrigação tributária em decorrência daquela 'Verificação fiscal' seria perpetrar verdadeiro desserviço ao contribuinte que, em nenhum momento agiu com dolo ou intenção de fraudar o erário público, mas sim usou de atos administrativos e pareceres técnicos para classificar seus produtos. Tal alegação não prospera, é que muito embora se possa discordar dos fundamentos apresentados pela fiscalização, o Auto de Infração contem detalhadamente (fls. 17/31), todos os fundamentos, motivos de fato e de direito que a fiscalização entende aplicáveis ao caso concreto. Inclusive por declaração de importação. A discordância destes fundamentos não se confunde com a sua ausência. Tanto que a interessada apresentou peças de defesa (Impugnação e Recurso Voluntário) contrapondo coerentemente os motivos que dariam lastro ao entendimento fiscal. Fl. 637DF CARF MF 8 Neste aspecto não se vislumbra qualquer nulidade, basta uma simples leitura da peça de defesa para que se confirme o respeito ao contraditório e ampla defesa. O ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Quanto à alegação da ausência de prova para a conduta descrita, observo vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos entre as fls. 3/1.048, cabendo a análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio, que se dará em ocasião oportuna, posterior ao exame das questões de ordem preliminar. Quanto ao Auto de Infração, devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. O mesmo teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada em Relatório Fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância. Todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. 3.2 Do não conhecimento do Recurso relacionado à DI nº 16/12061275 Quanto ao Mandado de Segurança n° 501339048.2016.4.04.7208/SC (fl. 306), que foi impetrado em 29/08/2016, por ocasião da Declaração de Importação n° 16/12061275 (registrada em 08/08/2016), diferentemente das ações judiciais atinentes às outras 03 DIs (analisadas no Recurso de Ofício), a Recorrente levou ao crivo do Poder Judiciário a questão relacionada à Classificação Fiscal das mercadorias. Reproduzse abaixo partes do pedido formulado (fls. 311, 328 e 331): "(...) No presente caso (DI 16/12061275, registrada em 08/08/2016), a Impetrante está em procedimento de desembaraço de algumas mercadorias, abaixo detalhadas: Qtde: 365,00000 PECA VUCV: 123,0000000 DOLAR DOS EUA GRAV DIG IMAG HDCVI 3116 GRAVADOR REPRODUTOR E EDITOR DE IMAGEM E SOM, EM DISCO, POR MEIO MAGNETICO (DVR) (PART NUMBER: 4580100 P.O:305.952). MARCA COMERCIAL: INTELBRAS. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10909.721938/201662 Acórdão n.º 3402004.948 S3C4T2 Fl. 635 9 Produtos semelhantes a estes já vêm sendo importados há bastante tempo nesta mesma NCM, contudo, por ocasião do presente desembaraço o Sr. Auditor Fiscal, entendeu por INTERROPER o despacho aduaneiro e solicitar laudo técnico, conforme abaixo: (...)". "(...) Desta maneira, havendo Laudo Técnico, elaborado por Perito indicado pela Receita Federal, concluindo que o produto realiza a edição de imagem e som, outra não deve ser a classificação fiscal do produto, senão a 9521.90.10, sempre utilizada pela Impetrante". (Grifei) (...). V DO PEDIDO ISTO POSTO, REQUER: A distribuição com URGÊNCIA do presente Mandado de Segurança. Seja concedida medida liminar: (...). 2) determinando que a Autoridade Coatora não crie óbices, reconhecendo o direito da parte Impetrante de classificar na posição na NCM 8521.90.10 os equipamentos especificados nesta demanda e dos que vierem a ser importados no futuro que tenham a funcionalidade de edição de imagem e som, sendo compreendida esta inclusive a opção de simples corte, mesmo corte seco, ou ainda colagem com inserção de mascaramento, data/hora e título, independentemente mesmo de forem o caso de serem inseridos anterior, concomitante ou posteriormente à gravação. (Grifei) Quando da decisão, em sua fundamentação, dessa forma se posicionou a Justiça Federal da Seção Judiciária da 3ª Vara Federal de Itajaí/SC (fls. 166/168): "(...) Desta forma, tenho por razoável a fixação de 5 (cinco) dias para que a autoridade impetrada prossiga o despacho aduaneiro, excetuandose o caso de haver exigências pendentes de cumprimento pela impetrante diversas da ora tratada (reclassificação)". "(...) Quanto ao pedido de que a impetrante tem direito de classificar na posição na NCM 8521.90.10 os equipamentos especificados nesta demanda, deve ser submetido ao crivo do contraditório, uma vez que esse juízo não pode concluir apenas com os elementos da inicial qual a melhor interpretação a ser dada ao caso e, ainda, se há, de fato, elementos suficientes para essa conclusão sem a realização de uma perícia judicial, de modo que restaria afastada a possibilidade de utilização do mandamus para o desiderato pretendido. Também deve ser ponderado que há discussão administrativa, sendo que o impetrante pretende suplantar essa fase com a medida judicial, o que não se reveleria de todo adequado à situação. Tal será decidido em sede de sentença, após a oitiva da autoridade coatora". Como se vê, na Peça inicial do pedido Judicial constante às fls. 310/332, a INTELBRAS levou para a análise do Poder Judiciário, todas as questões inerentes à classificação fiscal das mercadorias objeto da Declaração de importação n° 16/12061275, e fundamentou com os mesmos argumentos apresentados na peça de defesa administrativa. No mesmo sentido foi o que decidiu o Poder Judiciário. Assim relativamente à matéria “classificação fiscal” de tais mercadorias (objeto da DI n° 16/12061275), deverá Fl. 639DF CARF MF 10 prevalecer, ao final, o entendimento exarado no âmbito daquele processo judicial (Mandado de Segurança n° 501339048.2016.4.04.7208/SC). No presente caso, em razão dos argumentos ofertados no recurso voluntário, em relação à Declaração de Importação (DI) n° 16/12061275, temse caracterizada a situação de que trata a alínea “a” da conclusão do Parecer Normativo COSIT nº 07, de 22/8/2014. "(...) Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; (...)". E mais. Determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979, que a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz disposição semelhante em relação às ações judiciais de Mandado de Segurança, repetição do indébito ou anulatória do Ato Declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, regulamentou a matéria no mesmo sentido: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Assim, o objeto deste recurso no que concerne à Declaração de Importação (DI) n° 16/12061275, é matéria discutida no Mandado de Segurança n° 5013390 48.2016.4.04.7208/SC, protocolado na Justiça Federal da Seção Judiciária da 3ª Vara Federal de Itajaí/SC, que ainda se encontra em julgamento nas instâncias superiores. Pelo que voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário nesta parte. 4. Dispositivo Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10909.721938/201662 Acórdão n.º 3402004.948 S3C4T2 Fl. 636 11 Posto isto, considerando todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto da seguinte forma: (i) negar provimento ao Recurso de Ofício; (ii) rejeitar a preliminar de nulidade, e (iii) não conhecer do Recurso Voluntário na parte relacionada ao mérito da classificação fiscal das mercadorias objeto da Declaração de Importação (DI) n° 16/12061275. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 641DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679899/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 23/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 23/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 23/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 99 /2 00 9- 20 Fl. 123DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 20730.06815.180607.1.3.043970, fl. 02 a 04, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl. 07, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 03/12/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório. Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: O mero preenchimento incorreto da declaração não gera direito à crédito em favor da fazenda nacional da necessária observância aos princípios da busca pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que houve tão somente um erro de preenchimento de declaração. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679899/200920 Acórdão n.º 2201004.343 S2C2T1 Fl. 124 3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Informa já estar levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do crédito indicado na DCOMP. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Posteriormente, o contribuinte apresenta nova petição objetivando complementar sua manifestação de inconformidade, fl. 43 a 45, na qual afirma que detectou recolhimentos superiores aos valores efetivamente devidos a título de IRRF, CIDE e COFINS, nos exercícios de 2004 a 2007, no valor total de R$ 2.735.307,23. Reafirma que, a despeito da efetiva existência do crédito pleiteado, deixou de retificar as DCTF do período em que ocorreu o recolhimento a maior, do que teria surgido a suposta falta de créditos para homologação da compensação declarada e que tal equívoco teria sido sanado com a apresentação de DCTF retificadora (fl. 59/71). Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 73 a 79, cujas conclusões podem ser assim resumidas: (...) Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. (...) A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. (...) Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. (...) Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP , observase que a contribuinte limitase a declarar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. (...) Fl. 125DF CARF MF 4 Alias a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. (...) Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: Cientificado do Acórdão da DRJ em 26/11/2010, conforme AR de fl. 81, e ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 88 a 104, que, em sua essência, reafirma as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 05 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.679899/200920 Acórdão n.º 2201004.343 S2C2T1 Fl. 125 5 Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do Carf reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte. Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Destaca que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 127DF CARF MF 6 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. Como se vê, pelas palavras do próprio recorrente, o crédito utilizado na DCOMP apresentada em junho de 2007 ainda não havia sido levantado na época da manifestação de inconformidade, em 2009. A DCTF retificadora foi apresentada em 02/12/2009, evidentemente após ciência do inteiro teor do Despacho Decisório ora sob análise. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.679899/200920 Acórdão n.º 2201004.343 S2C2T1 Fl. 126 7 compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que teria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO Fl. 129DF CARF MF 8 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão do julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o julgamento sobre a procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, apresentada a DCTF retificadora, a qual corrigiria equívoco contido na DCTF ativa no momento da análise da compensação declarada, cai por terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.679899/200920 Acórdão n.º 2201004.343 S2C2T1 Fl. 127 9 Por fim, não tendo sido possível apresentar a manifestação de inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário, requer sua apreciação. Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, mesmo com o recurso voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720158/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição.
SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços.
2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE.
1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito.
2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação.
GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para creditamento sobre fretes aplicados no transporte de gesso, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus e Jorge Lima Abud que davam provimento também quanto ao crédito sobre remoção de resíduos sólidos; vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato e Diego Weis que davam provimento também quanto aos serviços de operação portuária e serviços logísticos (capatazia); vencidos os Conselheiros Jorge Lima e Paulo Guilherme que davam provimento também quanto aos serviços de apoio (mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes), por entender tratar de serviços de manutenção do parque industrial.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para creditamento sobre fretes aplicados no transporte de gesso, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus e Jorge Lima Abud que davam provimento também quanto ao crédito sobre remoção de resíduos sólidos; vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato e Diego Weis que davam provimento também quanto aos serviços de operação portuária e serviços logísticos (capatazia); vencidos os Conselheiros Jorge Lima e Paulo Guilherme que davam provimento também quanto aos serviços de apoio (mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes), por entender tratar de serviços de manutenção do parque industrial. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓSINDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 01 58 /2 01 2- 05 Fl. 1092DF CARF MF 2 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para creditamento sobre fretes aplicados no transporte de gesso, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus e Jorge Lima Abud que davam provimento também quanto ao crédito sobre remoção de resíduos sólidos; vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato e Diego Weis que davam provimento também quanto aos serviços de operação portuária e serviços logísticos (capatazia); vencidos os Conselheiros Jorge Lima e Paulo Guilherme que davam provimento também quanto aos serviços de apoio (mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes), por entender tratar de serviços de manutenção do parque industrial. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.092 3 Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento (fls. 5/8) de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep do período de abril a junho de 2007, no valor de R$687.074,41, e declarações de compensação de fls. 9/12. A Derat/SP, por meio do despacho decisório de fls. 440/441, reconheceu parcialmente o direito creditório (R$ 452.252,99), homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. Conforme Informação Fiscal de fls. 427/439, a interessada, que se dedica à fabricação de produtos químicos, foi intimada a apresentar a documentação comprobatória dos créditos informados em seu Dacon. Primeiramente, a fiscalização identificou valores declarados referentes a CFOPs incompatíveis com a linha 2 do demonstrativo (bens utilizados como insumos), por se tratarem de: CFOP 2551 – compra de bem para o ativo imobilizado, no valor de R$ 6.474,52 (abril de 2007) e CFOP 1556 – compra de material de uso e consumo, no valor de R$ 7.620,00 (maio de 2007). Assim, o crédito relativo a tais aquisições foram glosados. No que diz respeito aos serviços utilizados como insumos, a fiscalização identificou vários “que não se encaixam no conceito de insumo”, a saber: segurança e limpeza, detalhamento de engenharia, operação portuária (que não teriam sido detalhados), serviços logísticos (não detalhados e prestados no município de Santo André, onde a interessada não possui estabelecimento), serviços de apoio (mãodeobra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes). Quanto aos fretes em geral, a fiscalização considerou os créditos referentes ao transporte de produtos comprados de estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento da Copebrás (por integrarem o custo de aquisição), desconsiderandose os demais, por falta de comprovação de que se tratavam de frete da mesma espécie. Dos créditos calculado sobre as despesas de energia elétrica, a fiscalização glosou os que incidiram sobre “prestação de serviço de gerenciamento de energia”, por não serem gastos com energia elétrica, nem se enquadrarem no conceito de insumo. Com relação às despesa de armazenagem e frete na operação de venda, verificouse que “alguns dos serviços contratados não Fl. 1094DF CARF MF 4 geraram os créditos pretendidos, uma vez que os produtos transportados apresentaram CFOP incompatíveis com as operações de venda dos mesmos e em alguns casos as despesas de fretes não se referiam aos períodos declarados.” Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 450/487, na discorreu sobre suas atividades, a legislação a que está sujeita e os procedimentos adotados pela fiscalização. No mérito, discorreu longamente sobre a contribuição, que se sujeita a regras bastante específicas (tendo “pouco em comum com outros tributos federais, tais como o IRPJ e o IPI), e sobre o conceito de insumo. Defendeu que, não havendo definição de insumo na legislação de regência, não poderiam as normas da Receita Federal impor limites a ele, como fizeram. Citou julgados do STJ e do Carf, para defender “interpretação mais ampla ao conceito de insumo para fins de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins, em prejuízo do conceito trazido pelas Instruções Normativas que refletem a legislação do IPI.” Em síntese, advogou que: (...) a interpretação mais adequada da legislação em vigor é no sentido de que mesmo os insumos que não são diretamente consumidos na produção de bens ou prestação de serviços, mas são relevantes na produção do produto final (i.e.: que são utilizados pelo contribuinte no desenvolvimento de seu objeto social), dão direito ao aproveitamento de créditos de PIS e COFINS. Esta interpretação também parece ter sido adotada pela doutrina e jurisprudência (judicial e administrativa) mais recentes. 41. Concluise, portanto, que, no que diz respeito à legislação da COFINS, o conceito de insumo não pode ser limitado apenas aos bens e serviços consumidos no processo produtivo, devendo conceito também abranger todos os demais custos que tem participação relevante na consecução do objeto social do contribuinte. Feitas essas considerações, passou a tratar dos itens glosados pela fiscalização. No tocante aos bens adquiridos com CFOP que não dariam direito a crédito (2551 e 1256), argumentou trataremse de aquisições de insumos (Cal hidratada e Celufloc) que foram registradas com código incorreto (na realidade corresponderiam aos CFOPs 2101 e 1101 – compra para industrialização fora e dentro do Estado). Apresentou cópia da nota fiscal relativa à aquisição de cal hidratada, comprometendose a apresentar a nota fiscal de Celufloc tão logo fosse possível, colocandoa “à disposição do Fisco, para o caso de eventual diligência determinada por este Colegiado.” Insurgindose contra a glosa de créditos de serviços de limpeza, discorreu novamente sobre suas atividades, ressaltando a importância de tais serviços para cumprimento da legislação trabalhista e ambiental, defendendo serem essenciais para obtenção de licença de operação perante os órgãos fiscalizadores (Cetesb). Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.093 5 No quesito segurança, os gastos não se destinam apenas a prevenir danos ao patrimônio da requerente, mas também evitar o trânsito de pessoas não autorizadas em locais perigosos, prevenindo a exposição de funcionários ou visitantes a máquinas ou substâncias perigosas. Assim, tais despesas são absolutamente necessária, devendo ser considerados insumos geradores de crédito. Quanto aos serviços de detalhamento de engenharia, reclamou que a fiscalização não esclareceu os motivos da glosa, e que tais serviços não foram prestados à requerente no trimestre em questão, não cabendo qualquer glosa nesse sentido. No entanto, como foram mencionados no despacho decisório, optou por demonstrar a essencialidade de tais serviços, que se constituem em: (...) serviços de detalhamento de projetos de engenharia de natureza eletromecânica, instrumentação, construção civil e outros assemelhados de natureza industrial, e a locação de bens, na unidade fabril da CONTRATANTE, situada no município de Cubatão (...), de acordo com os desenhos, especificações e instruções fornecidas pela CONTRATANTE." Aduziu que, “sem estes serviços de engenharia, sequer teria sido possível implantar a linha de produção” da interessada. Além disso, a licença de operação concedida pela Cetesb deixa claro a necessidade de contratação de tais serviços, na medida em que o referido órgão pode exigir modificações e ajustes a seus equipamentos e estruturas, dependendo de complexos projetos de engenharia. Assim, também se enquadram no conceito de insumos e geram direito a crédito. Sobre os serviços de operação portuária, explicou serem operações “visando permitir a passagem da mercadoria desde o transporte marítimo até o transporte terrestre e viceversa”, incluindo movimentação de mercadoria, sua identificação, despacho aduaneiro, reconhecimento de avarias, etc. Esclareceu que os serviços prestados, em regra, pela Fertimport se referem à movimentação e eventual armazenagem de insumos importado para fabricação de produtos químicos (apresentou notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços). Acrescentou ainda que a esses serviços deve ser dado o mesmo tratamento dispensado, pela fiscalização, aos fretes contratados para transportar os produtos comprados até o estabelecimento da interessada, reconhecendo o direito a crédito por igualmente comporem o custo de aquisição de insumos. Quanto aos serviços logísticos, prestados pela empresa Solvay Química Ltda., esclareceu trataremse de operações de descarregamento e movimentação de insumos (carbonato dissódico) adquiridos no exterior, fazendo parte da incumbência da referida empresa quanto à venda desses insumos à requerente. Acrescentou que, de fato, esses serviços foram realizados no município em que está baseado a Solvay, Santo André, mas que isso não impede o crédito, pois as notas fiscais fazem referência ao navio que continha o carregamento, Fl. 1096DF CARF MF 6 permitindo concluir que são despesas relativas à aquisição de insumos de seu processo produtivo. Em relação aos serviços de apoio (mão de obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes) prestados pela empresa Pinturas Ypiranga Ltda., argumentou estarem relacionados à manutenção e preservação do parque industrial da requerente, sendo essenciais para suas atividades, as quais dependem de máquinas e estruturas de grande porte, que devem ser objeto de inspeções e manutenções regulares. Remeteuse novamente à licença de operação emitida pela Cetesb, que dispõe claramente sobre a necessidade de se manter seus sistemas de controle de resíduos em perfeito funcionamento. Acrescentou que apenas as despesas relativas à manutenção de equipamentos e estruturas utilizados diretamente no processo produtivo é que foram consideradas como passiveis de gerar créditos. Mencionou decisão do Carf e Solução de Consulta (nº 140) acerca de direito a créditos nessa situação. No tocante aos “fretes em geral”, realizados dentro dos estabelecimentos da requerente, alegou referiremse a movimentação de gesso e movimentação de produtos acabados. A primeira seria essencial e inevitável do processo produtivo, devendo ser considerado insumo, enquanto a segunda deve ser considerada parte da operação de venda, que gera crédito, como já reconheceu o Carf em julgado que menciona. Para o item “despesa de energia elétrica”, refutou a glosa das despesas com serviços de gerenciamento de energia, transcrevendo trecho do contrato com a empresa Comerc (prestadora do serviço), o qual detalha o que poderia ser resumido como representação da requerente perante o Mercado Atacadista de Energia Elétrica. Tal atividade, essencial, teriam gerado despesas diretamente relacionadas à aquisição de energia elétrica, comprovandose o direito aos respectivos créditos. Refutou ainda a glosa de determinadas despesas de frete, parte por incompatibilidade de CFOPs de produtos transportados e parte por não se referirem aos períodos declarados. Apresentou lista dos CFOPs utilizados no período fiscalizado e anexou planilha detalhando as remessas feitas no período fiscalizado, reclamando que a “planilha fiscal disponibilizada no eCAC parece glosar créditos derivados de despesas realizadas sob CFOP n. 6101 (Venda de produção do estabelecimento)”. Mencionou algumas notas fiscais, a título de exemplo, com tal CFOP (6101), cujas despesas de frete teriam sido glosadas sem explicação alguma. No tocante a créditos referentes a períodos passados, argumentou que a legislação prevê o aproveitamento de crédito não utilizado em determinado mês em períodos posteriores, sendo que os únicos requisitos para tanto são a não incidência de atualização monetária ou juros e o prazo de cinco anos previstos no Decreto nº 20.910/1932. Tal entendimento estaria Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.094 7 consubstanciado em Solução de Divergência (nº 21, de 2011) da Cosit e decisão do STJ. Portanto, não é legítimo exigirse qualquer outra condição para tal aproveitamento, por ausência de previsão legal. Por fim, requereu o reconhecimento integral do direito creditório ou, alternativamente, a realização de diligência “para que sejam verificados e analisados todos os documentos fiscais relativos ao período fiscalizado e reste demonstrado, de uma vez por todas, a legitimidade” dos créditos apropriados pela requerente. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 842/865), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada procedente em parte, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS. SERVIÇOS E DESPESAS. Apenas geram créditos, para fins de cálculo das contribuições não cumulativas, os serviços utilizados diretamente como insumos na produção de bens ou na prestação de serviços, bem como as despesas expressamente listadas na legislação de regência. FRETE. CRÉDITOS. Apenas os fretes na operação de venda dão direito a crédito, não se enquadrando em tal conceito a transferência de mercadorias dentro do estabelecimento ou entre estabelecimentos. INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição de insumos é o que consta da respectiva nota fiscal, sem acréscimo de quaisquer outras despesas. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. O aproveitamento de créditos extemporâneos pressupõe a retificação do Dacon e, se for o caso, da DCTF do período de sua apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 27/7/2015, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformada, em 25/8/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 859/900, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, apresentou longo Fl. 1098DF CARF MF 8 comentário discordante dos fundamentos apresentados na decisão recorrida, especialmente, em relação ao conceito de insumo adotado pelo órgão de julgamento de primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese a glosa de créditos apropriados (i) sobre os valores de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de produção e (ii) sobre os valores das despesas a título de energia elétrica e de armazenagem e frete na venda. I Das Glosas dos Créditos Apropriados Sobre Insumos De acordo com a Informação Fiscal de fls. 427/439, a fiscalização glosou parcela dos créditos apropriados sobre os valores de aquisição de bens de bens e serviços utilizados como insumo de produção. I.1 Da glosa dos bens utilizados como insumo Segundo a fiscalização, ao confrontar as informações do Dacon com as dos Memoriais apresentados pela recorrente, verificou a existência de CFOP incompatíveis com a créditos das contribuições informados na linha 02 do Dacon. Em consequência, procedeu a glosa dos aquisições de bens relativas aos seguintes CFOP 2551 (Compra de Bem para o Ativo Imobilizado, no valor de R$ 6.474,52) e 1556 (Compra de Material para uso e consumo, no valor de R$ 7.620,00). Na decisão de primeira instância, a primeira glosa foi afastada, em caráter de definitivo, sob o fundamento de que a recorrente comprovara que a aquisição era de insumo de produção e não de bens do ativo imobilizado. A segundo foi mantida, por ausência de comprovação. No presente recurso, a recorrente informou que lograra êxito em localizar a nota fiscal comprobatória da segunda operação, que trouxe à colacionada aos autos (fl. 1053), e o CFOP correto seria 1101. A preclusão decorrente da apresentação extemporânea do referido documento, no entendimento deste Relator, pode ser relevada, pois a situação excepcional enquadrase na exceção prevista no art. 16, § 4º, “a”, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pela Lei 9.532/1997, portanto, admitese o referido documento apresentado como meio de prova na atual fase recursal. A análise da referido documento, comprova a operação de venda/compra de produto industrializado ou produzido pelo estabelecimento vendedor, CFOP 5101. O produto adquirido/descrito foi “Celufloc Celfil Resíduo de Celulose” (pasta celulósica em pó), que, pelas características, fora utilizado como de insumo aplicado na produção dos produtos destinados à venda pela recorrente. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.095 9 Assim, a glosa da operação de aquisição da “Celufloc Celfil Resíduo de Celulose” (pasta celulósica em pó), no valor de R$ 7.620,00, deve ser cancelada. I.2 Da glosa dos serviços utilizados como insumo Sob o argumento de que não atendiam ao conceito insumo, a fiscalização procedeu a glosa de alguns serviços informados como insumos de produção pela recorrente. Diversamente, a recorrente alegou que os valores dos serviços glosados enquadravamse no conceito de insumo e asseguravam o direito de apropriação dos correspondentes créditos da contribuição glosados. Assim, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance do conceito de insumo para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. O assunto encontrase disciplinado no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, especialmente, nos preceitos que seguem transcritos, extraídos do último diploma legal que tem redação idêntica: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 1100DF CARF MF 10 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] (grifos não originais) Duas correntes divergem sobre a extensão do conceito de insumo previsto no referido preceito legal. Para a Administração tributária, insumo compreende apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens utilizados diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, que se assemelha, em termos gerais, a definição de insumo da legislação do IPI. Já para parte relevante da doutrina, insumo compreende os bens e serviços inerentes e essenciais ao regular funcionamento da pessoa jurídica, o que inclui os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação, assim como aqueles bens e serviços necessários à manutenção da atividade da pessoa jurídica, conforme definição veiculada na legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento intermediário, que considera insumo tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, quanto os bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação dos citados bens, que, em termos financeiros, equivalem, em parte, aos custos indiretos de produção ou fabricação. No entendimento deste Relator, além das matérias primas, dos produtos intermediários e do material de embalagem aplicados na produção (insumos diretos de produção), também estão alcançados pelo conceito de insumo os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação e os demais bens e serviços utilizados na produção ou fabricação de forma indireta (insumos indiretos de produção), a exemplo dos bens e serviços agregados aos bens ou serviços aplicados no processo produtivo. De outra parte, o conceito de insumo não compreende os demais bens e serviços não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação ou que a estes não se agregam, bem como todos os demais bens e serviços utilizados antes e após a conclusão do processo produtivo, que compreendem os bens e serviços utilizados na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, representam os gastos ou despesas préindustriais, e na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, constituem as despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica, tais como: as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc. Com base nesse entendimento, passase a analisar as glosas dos créditos apropriados sobre serviços utilizados como insumo pela recorrente e glosados pela fiscalização. I.2.1 Da glosa dos serviços de segurança e limpeza Para a fiscalização, tais serviços não atendiam ao conceito de insumo, porque foram aplicados nas atividades de apoio e não estavam relacionados diretamente com o processo produtivo da empresa. Em relação aos serviços de limpeza, a recorrente alegou que, a atividade por ela desenvolvida envolvia a manipulação de produtos químicos em volume elevadíssimo que, Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.096 11 sem os devidos cuidados, eram extremamente nocivos à saúde de seus colaboradores e de terceiros. Logo, a contratação de serviços de limpeza de alta qualidade era essencial às atividades da empresa, tanto por razões de imagem, quanto por determinação de órgãos ambientais e regulatórios. Para comprovar o que alegou, a recorrente trouxe à colação dos autos o contrato de limpeza celebrado com a empresa Porã Sistema de Remoções Ltda., por meio do qual contratara “os serviços de umectação e lavagem de ruas, bem como de coleta interna de lixo” (doc. 8 da manifestação de inconformidade). A teor do referido contrato revela que os serviços de limpeza contratados pela recorrente da pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda. consistiam na (i) umectação e lavagem de ruas, avenidas e logradouros e (ii) coleta nos recintos internos dos resíduos provenientes do processo industrial, conforme se lê no objeto do contrato, que segue transcrito: OBJETO 1.1 O presente contrato tem por objeto a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de umectação e lavagem de ruas, avenidas e logradouros e a coleta Interna de lixo, no estabelecimento industrial da CONTRATANTE, situado na Rodovia Cônego Domenico Rangoni, km 62, Cubatão SP. na forma a seguir estabelecida. Tais serviços, embora essenciais ao regular funcionamento e à manutenção adequada da área fabril, inequivocamente não foram aplicados/utilizados no processo de industrialização dos produtos comercializados pela recorrente. Assim, dada essa característica, tais serviços não se enquadram no conceito de insumo anteriormente definido. Além disso, cabe o registro que, segundo os dados apresentados na planilha de glosas de fls. 18/34, nem todos os serviços de limpeza excluídos da base de cálculo dos créditos foram prestados pela pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda. e, portanto, foram serviços de remoção de resíduos industriais. Assim, para os que, diferentemente deste Relator, entendem que os serviços de remoção de resíduos industriais são essenciais ou inerentes à atividade industrial da recorrente, na ausência de prova da natureza ou do tipo dos demais serviços de limpeza glosados, deve ser parcialmente cancelada a glosa dos referidos serviços, para excluir apenas os serviços de limpeza prestados pela pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda. No que tange aos serviços de segurança, a recorrente alegou que a contratação de tais serviços não visava apenas prevenir danos ao seu patrimônio, mas também evitar a entrada e trânsito de pessoas não autorizadas em locais perigosos. Para comprovar o que alegou, a recorrente trouxe à colação dos autos o contrato de vigilância e segurança celebrado com a pessoa jurídica Gocil Serviços de Vigilância e Segurança Ltda. (doc. 9 da manifestação de inconformidade), cujo objeto segue descrito no trecho segue transcrito: 1. OBJETO 1.1. A CONTRATADA prestará serviços de vigilância e de segurança para a CONTRATANTE, no estabelecimento industrial desta situado no endereço constante do preâmbulo deste instrumento, observadas as especificações de Posto de Trabalho, Atividades Principais, Regime de Trabalho (Hs.), Fl. 1102DF CARF MF 12 Custo (R$) Homem/Hora e Gestor do Posto, constantes do Anexo I. 1.1.1. Por serviços de vigilância e de segurança entendemse as atividades preventivas a serem realizadas pelos vigilantes visando ao controle de entrada, saída e movimentação em geral de pessoas e bens nos domínios do estabelecimento da CONTRATANTE, bem como as de evitar ações ofensivas ou desrespeitosas ao patrimônio desta ou às pessoas que ocupam o estabelecimento, observados a legislação vigente e os regulamentos internos da CONTRATANTE. 1.1.1.1. Eventuais atividades não constantes do Anexo I, relacionadas às atividades de vigilância, poderão ser desenvolvidas pela CONTRATADA, desde que sejam necessárias para atendimento ao disposto no item 1.1.1 acima. 1.1.2. A CONTRATADA prestará os serviços objeto deste contrato, sem utilizarse do emprego de armas de fogo. (grifos não originais) O trecho em destaque esclarece que se trata de prestação de serviços normais e gerais de vigilância e de segurança, ou seja, atividades preventivas de controle de entrada, saída e movimentação em geral de pessoas e bens nos domínios do estabelecimento da contratante, bem como evitar ações ofensivas ou desrespeitosas ao patrimônio desta ou às pessoas que ocupam o estabelecimento. Dadas essas características, tais serviços não constituem insumo de produção, mas serviços gerais de vigilância e de segurança e como tais não se enquadra no conceito de insumo de fabricação anteriormente apresentado. Portanto, correta a glosa integral dos créditos apropriados sobre o custo de aquisição de tais serviços. I.2.2 Da glosa dos serviços de detalhamento de engenharia De acordo com a referida planilha de glosas, os serviços foram prestados pela empresa NEWCAD Engenharia S/A. Para a fiscalização, tais serviços não se enquadram no conceito de insumo Por sua vez, a recorrente alegou que o detalhamento de engenharia consistia na etapa subsequente aos estudos de investimento realizados na conceituação do Projeto e Engenharia Básica. Este detalhamento continha todos os parâmetros de engenharia da planta, sendo, portanto, “essencial para que se possa efetivamente dar andamento às atividades operacionais industriais da recorrente.” Inequivocamente, tratase de serviços aplicados na fase préindustrial, portanto, não se enquadra no conceito de insumo, pelas razões anteriormente demonstradas. I.2.3 Da glosa dos serviços de operação portuária Segundo a fiscalização, os serviços de operação portuária prestados não foram detalhados e foram realizados, em regra, pela empresa Fertimport S/A., como não se enquadrava no conceito de insumo foram glosados. A recorrente alegou os serviços de operação portuária eram um conjunto de operações que incluíam a permissão de passagem da mercadoria desde o transporte marítimo até o transporte terrestre e viceversa. Para a recorrente, o serviço envolvia mais que a simples Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.097 13 movimentação da mercadoria (carga, descarga, armazenagem etc), englobando também serviços complementares, tais como a identificação da mercadoria, os despachos aduaneiros, o reconhecimento de avarias, e os sistemas de informação, entre outros. Esclareceu ainda a recorrente que tais serviços referiamse, “na sua totalidade, à movimentação e eventual armazenagem de insumos (mais especificamente, enxofre, o principal insumo utilizado na produção de ácido sulfúrico) importados pela Recorrente para a fabricação de produtos químicos.” Os serviços de operação de portuária em destaque foram prestados na operação de importação de insumos utilizados pela recorrente no seu processo produtivo. Acontece que, no âmbito da operação de importação, o direito ao crédito somente é assegurado em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços, conforme expressamente determina o § 1º do art. 15 da Lei 10.685/2004, a seguir reproduzido: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeitos) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (grifos não originais) As alegações da recorrente sobre o direito de apropriazção crédito sobre os gastos com fretes no transporte de insumos adquiridos no mercado nacional não se aplica ao caso em tela, uma vez que se trata de insumos importados, para os quais a legislação, expressamente, só admitiu o crédito relativos às contribuições efetivamente pagas pelo importador. Por essas razões, deve ser integralmente mantida a glosa em apreço. Fl. 1104DF CARF MF 14 I.2.4 Da glosa dos serviços logísticos Segundo a fiscalização, os serviços prestados não foram detalhados e foram realizados pela empresa Solvay Química Ltda. Constava na descrição das notas fiscais que os serviços foram prestados no município de Santo André, município em que a recorrente não possuía estabelecimentos. A recorrente esclareceu que serviços referiamse a operações de capatazia, envolvendo o descarregamento e movimentação de insumos (carbonato dissódico) adquiridos do exterior. Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, mantémse integralmente a glosa em apreço. I.2.5 Da glosa dos serviços de apoio A fiscalização informou que, em resposta à intimação, a recorrente informou que a Empresa Pinturas Ypiranga prestaralhe serviços de mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes. E tais serviços foram considerados serviços de apoio, não vinculados diretamente ao processo produtivo, por essa razão procedeu a glosa dos referidos serviços. A recorrente alegou que fazia jus ao crédito em questão por tratavase de serviços relacionados à manutenção e preservação do parque industrial da recorrente, portanto, serviços essenciais à atividade da recorrente. Com base no conceito de insumo adotado por este Relator, tais serviços não se enquadram no conceito de insumo de produção ou industrialização. Por essa razão, deve ser mantida a presente glosa. II Da Glosa das Despesas com Fretes em Geral Em relação a esse ponto, assim se manifestou a fiscalização: Intimamos o sujeito passivo a apresentar uma planilha em que púdessemos identificar a origem e a destinação dos produtos transportados. Não foram apresentadas as planilhas para estes serviços. Assim, não foi possível verificar o tipo de serviço prestado. Questionado o sujeito passivo nos informou que se tratava de transportes de insumos e produtos em elaboração. Por sua vez, a recorrente esclareceu no subitem 150 do presente recurso voluntário, que os gastos com “Fretes em geral” referiam a movimentações ocorridas dentro do estabelecimento da recorrente, relativas a duas situações distintas, a saber, in verbis: a) Movimentação de gesso: transporte de gesso no estabelecimento da Recorrente. Como se verá, esta movimentação é parte essencial e inevitável do processo produtivo da Recorrente, devendo ser, portanto, considerada um insumo; e b) Movimentações de Produtos acabados: transporte de produtos finais para armazenagem e subsequente venda. Estas movimentações devem ser consideradas parte da operação de venda, que, conforme expressamente reconhecido pela fiscalização, gera crédito. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.098 15 Em vários votos proferidos em julgados anteriores deste Colegiado, após exaustiva fundamentação legal, este Relator chegou a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). De outra parte, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Com base nesse entendimento, apenas os créditos relativos aos fretes aplicados no transporte de gesso devem ser integralmente restabelecidos, por se tratar de transporte de insumo entre estabelecimentos da recorrente. III Da Glosa das Despesas com Energia Elétrica De acordo com o subitem 1.4 da referida Informação Fiscal, a fiscalização assim esclareceu o motivo da glosa em apreço: Analisando os documentos físicos apresentados, encontramos faturas de serviços prestados classificadas pela tabela do ISS com o código N.º 03115 Assessoria ou Consultoria de qualquer natureza, não contida nos outros itens desta lista. As descrições dos serviços contidos nas NF, são: “Prestação de Serviço de Gerenciamento de Energia”. Fl. 1106DF CARF MF 16 Assim, a despesa apresentada é inadequada para a composição desta linha do DACON, e em última análise também não se encaixa no conceito de Insumo, motivo pelo qual glosamos os seus valores, conforme a Planilha de Glosa, que detalhamos a seguir: [...] No recurso em apreço, a recorrente esclareceu as referidas despesas eram relativas a serviços prestados pela empresa Comerc Comercializadora de Energia Elétrica Ltda. E como a energia elétrica era um produto importante para o seu processo produtivo, a fim de garantir que suas instalações estivessem sempre abastecidas por um fluxo constante de energia, celebrou contrato com a citada empresa, no qual esta se comprometia “a prestar uma série de serviços, todos eles relacionados à finalidade de obtenção de energia elétrica (doc. 21 da manifestação de inconformidade).” Como a própria recorrente confessou e confirmou o objeto do referido contrato colacionados aos autos, que os valores glosados não eram decorrentes de consumo de energia elétrica e os serviços de assessoria e consultoria prestados (glosados), no entendimento deste Relator, não se enquadra no conceito de insumo aplicado na produção, portanto, a glosa deve ser integralmente mantida. IV Da Glosa das Despesas com Armazenagem e Fretes na Operação de Venda No subitem 1.7 da referida Informação Fiscal, a fiscalização assim esclareceu o motivo da glosa em destaque: Analisamos os documentos apresentados, verificamos que alguns dos serviços contratados não geraram os créditos pretendidos, uma vez que os produtos transportados apresentaram CFOP incompatíveis com as operações de venda dos mesmos e em alguns casos as despesas de fretes não se referiam aos períodos declarados. Por sua vez, a recorrente alegou a planilha disponibilizada fiscalização só continha uma lista extensa com todas as notas fiscais que não foram consideradas para fins de crédito. Porém, a referida planilha não mencionava quais CFOPs foram considerados incompatíveis e, tampouco, quais despesas não se referiam aos períodos declarados, ou seja, não detalha em momento algum os motivos que levaram à glosa do crédito referente a cada nota fiscal. Dada essa circunstância, a recorrente alegou que tal fato configurava cerceamento de seu direito de defesa, visto que as informações disponibilizadas impossibilitava aferir quais foram as razões que levaram o fisco a efetuar a glosa ora combatida. Os motivos da glosa foram devidamente apresentados pela fiscalização, a saber: CFOP incompatíveis e despesas de fretes não pertencente aos períodos declarados. O fato de a recorrente não ter mencionado o motivo da glosa em cada nota fiscal, certamente, não representou cerceamento do direito de defesa da recorrente, especialmente, porque ela própria, com base nas referidas notas fiscais, fez a identificação/correlação com o respectivo CFOP, conforme se verifica na planilha apresentada na fase manifestação de inconformidade. Assim, na manifestação de inconformidade e no presente recurso, cabia a recorrente demonstrar que os valores dos fretes glosados não correspondiam aos motivos apresentados pela fiscalização. Nesse sentido, a recorrente limitouse em informar que foram glosados créditos oriundos de operações de fretes amparadas pelas notas fiscais nºs 287647, Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.099 17 287775 e 371977, todas emitidas pela empresa Transkompa Transportes de Cargas Ltda., sob o CFOP 5101. Acontece que, embora o CFOP fosse perfeitamente compatível com operações de venda, o motivo da mencionada glosa não foi a incompatibilidade do CFOP, mas impertinência do período de apuração do crédito, posto que se tratava de despesa com frete de meses anteriores ao período de apuração em que informados/registrados e a recorrente não logrou demonstrar que tais créditos não foram apropriados nos meses ou períodos de apuração pertinentes, o que era necessário, conforme a seguir demonstrado. Em relação aos créditos registrados em períodos posteriores, a recorrente ainda alegou que havia apenas dois requisitos para a apropriação de tais créditos, ou seja: a) que os créditos fossem apropriados dentro do prazo de cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram; e b) que os créditos fossem apropriados sem atualizaçãomonetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, consoante dispõe o art. 13 da Lei n° 10.833/2003. A recorrente confunde regime de apuração com regime de aproveitamento de créditos. Inequivocamente, tratamse de situações distintas que submetem a tratamento diferentes na legislação. Ambos os regimes encontramse disciplinados no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, porém, enquanto o regime de apuração é determinado no § 1º o regime aproveitamento é disciplinado no § 4º e no art. 13 da Lei 10.833/2003, que seguem transcritos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. [...] Fl. 1108DF CARF MF 18 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3o, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6o, bem como do § 2º e inciso II do § 4oe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (grifos não originais) O disposto no § 1º art. 3º, expressamente, determina que a apuração dos créditos será feita mensalmente, com base (i) nos custos dos bens e serviços adquiridos no mês, (ii) nas despesas/gastos com energia, aluguéis, arrendamento mercantil e armazenagem e frete incorridos no mês, (iii) encargos de depreciação e amortização incorridos no mês e (iv) os bens devolvidos no mês. E a fixação desse procedimento de apuração mensal tem por finalidade assegurar o controle e a verificação da correta apuração do crédito, especialmente, a natureza/tipo de crédito e valor apropriado. Em suma, esse procedimento visa a confirmação/comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito, condição indispensável para o aproveitamento sob as diversas modalidades prevista na legislação (dedução, ressarcimento ou compensação). E a segregação dos créditos por períodos de apuração também se justifica pelo fato de a forma passível/admitida de aproveitamento depender da composição do crédito no respectivo período de apuração, especialmente, nos casos de aproveitamento mediante ressarcimento e compensação, para os quais existem específicas restrições legais. Em outras palavras, é indispensável, sob pena de burla indireta às vedações legais, que, para cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de ressarcimento ou compensação. Dada essa exigência legal, o ressarcimento ou compensação de eventuais saldos de créditos não aproveitados (deduzidos) no período de apuração pertinente (créditos extemporâneos), necessariamente, deve ser precedida da revisão da apuração (confronto entre créditos e débitos) dos correspondentes períodos de apuração. Sem esse prévio e indispensável procedimento, não há como saber se o saldo de crédito era ou não passível de ressarcimento ou compensação. Portanto, a segregação da apuração dos créditos por período de apuração, inequivocamente, não se trata de mera exigência formal, sem efeito prático. Ao contrário, trata se de procedimento determinado por lei, que visa o controle e a verificação do estrito cumprimento dos requisitos legais. A relevação ou a desconsideração dessa formalidade, além da impossibilidade da verificação da legitimidade do crédito por parte da autoridade fiscal, inequivocamente, poderá resultar no descumprimento das condições legais estabelecidas para o ressarcimento ou a compensação dos saldos de créditos das referidas contribuições. Além da obrigatória apuração dos créditos nos respectivos meses do período de apuração, determinado no referido preceito legal, antes da utilização do Sistema Publico de Escrituração Digital (SPED) e da entrega do arquivo digital EFDContribuições, a apuração extemporânea de créditos deveria ser seguida da obrigatória retificação do Dacon e, se alterado o valor débito, da respectiva DCTF, conforme expressamente determinava o art. 11 da Instrução Normativa SRF 590/2005, a seguir reproduzido: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.100 19 qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. [...] § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. [...] (grifos não originais) Assim, na vigência do referida legislação que disciplinava o Dacon, apurada a existência de créditos não apropriados/registrados (créditos extemporâneos), além da obrigatória apuração nos pertinentes períodos de apuração, o contribuinte deveria informar a alteração dos valores dos créditos informados nos demonstrativos anteriores mediante apresentação do Dacon retificador e, se fosse o caso, acompanhada da DCTF retificadora. A propósito, cabe registrar que, não é verdade, como afirmado em alguns julgados deste Conselho1, que a “linha 06/31” do Dacon contemplavam o registro de operações de créditos extemporâneos. A simples leitura do texto explicativo do conteúdo da referida linha revela que ela destinavase ao registro de “ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30”, em que registradas às operações normais de créditos relativas às aquisições de embalagens. E a expressão “créditos não contemplados”, obviamente, não significa créditos extemporâneos. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, seguem transcritos os textos extraídos das orientações de preenchimento do Dacon: CRÉDITOS DECORRENTES DA APURAÇÃO DE EMBALAGENS PARA REVENDA (Lei nº 10.833/2003, art. 51, § 3º) Linha 06A/30 – Créditos Apurados A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, deve informar nesta linha o valor da Contribuição para o PIS/Pasep referente às embalagens que adquirir no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição (§ 3º do art. 51 da Lei nº 10. 833, de 2003, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 2004). Linha 06A/31 – Ajustes Positivos de Créditos Informar nesta Linha ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30. Linha 06A/32 – () Ajustes Negativos de Créditos Informar nesta Linha ajustes negativos de crédito não contemplados na Linha 06A/30, tais como: Com base nessas considerações, resta demonstrado que, somente quando definida a natureza, certeza e liquidez do saldo de crédito apurado em determinado período mensal cabe analisar as formas de aproveitamento previstas na legislação. Nesse sentido, 1 A título de exemplo, citase os acórdãos nºs 3202001.456 e 9303004.562. Fl. 1110DF CARF MF 20 dispõe o § 4º do art. 3º e o art. 13 que o saldo de crédito apurado em determinado mês pode ser aproveitado mediante dedução, ressarcimento ou compensação nos períodos mesais subsequentes, sem atualização monetária e incidência de juros. E desde que o aproveitamento ocorra dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contado do dia seguinte ao mês de apuração do crédito, sob pena da extinção do direito de aproveitamento pela prescrição determinada no Decreto 20.910/1932. No presente caso, além de não demonstrar/comprovar que os créditos extemporâneos não foram apropriados/utilizados nos meses ou períodos de apuração pertinentes, o que era necessário por expressa determinação legal, a recorrente também não procedeu a retificação do Dacon, a que estava obrigada por expressa determinação do art. 11 da Instrução Normativa SRF 590/2005, vigente no período de apuração dos créditos em apreço. Enfim, em relação a esse tópico, a recorrente informou que, para fim de comprovar seu direito, juntara a estes autos planilha completa detalhando cada uma das remessas feitas no período fiscalizado (doc. 21 da manifestação de inconformidade). Ainda segundo a recorrente, as notas fiscais relativas a este ponto foram integralmente disponibilizadas à fiscalização, estando à disposição desse colegiado, na eventualidade de se entender pela necessidade de realização de diligência. Pelas mesmas razões anteriormente aduzidas, o pedido de diligência formulado pela recorrente revelase totalmente descabido e prescindível, pois além de não atender os requisitos determinados no art. 16, IV, do Decreto 70.234/1972, a própria fiscalização já relacionou e analisou tais notas fiscais, conforme explicitado na citada informação fiscal. No caso, em vez de solicitar de diligência, a recorrente deveria ter demonstrado que os CFOP era compatíveis com as operações de venda e que os créditos registrados nos períodos de apuração posteriores não foram apropriados nos pertinentes períodos de apuração, o que não ocorreu. Por todas essas razões, deve ser integralmente mantida a glosa dos créditos em apreço. V Da Conclusão Por todo o exposto, votase pelo provimento parcial, para cancelar apenas a glosa dos créditos calculados sobre os valores dos fretes relativos ao transporte de gesso entre estabelecimentos e da operação de aquisição da “Celufloc Celfil Resíduo de Celulose” (pasta celulósica em pó), no valor de R$ 7.620,00. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.101 21 Fl. 1112DF CARF MF
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