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Numero do processo: 10805.001384/2003-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1988 a 31/03/1996
PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Numero da decisão: 9303-006.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para declarar que não estão prescritos os pedidos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1993 a 30/11/1995, com retorno dos autos ao colegiado de origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para declarar que não estão prescritos os pedidos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1993 a 30/11/1995, com retorno dos autos ao colegiado de origem. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 13 84 /2 00 3- 27 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10805.001384/200327 Acórdão n.º 9303006.975 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 330200.299, de 01 de fevereiro de 2010 (efolhas 114 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO eríodo de apuração: 01/10/1988 a 31/03/1996 PASEP. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA 0 PEDIDO. 0 prazo para pedido de restituição ou para realização de compensação é de cinco anos, contados a partir do recolhimento indevido ou a maior do que o devido. Recurso voluntário negado. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 124 e segs) diz respeito ao prazo para repetição do indébito. O Recurso especial foi parcialmente admitido conforme despacho de admissibilidade de efolhas 189 e segs, apenas em relação ao prazo para se pleitear a restituição de tributos/contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 196 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10805.001384/200327 Acórdão n.º 9303006.975 CSRFT3 Fl. 4 3 Preliminar de nulidade da decisão recorrida Não há a alegada nulidade da decisão recorrida. O Colegiado apenas aplicou o prazo decadencial tal como, à época, dispunha a Lei Complementar 118/2005. E nem poderia ser diferente. Na data da prolação do acórdão recorrido, 01 de fevereiro de 2010, vigia a interpretação contida no art. 3º da Lei Complementar 118/1995, sem os efeitos modulatórios que sobrevieram, fruto da decisão superveniente tomada pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral. Mérito O art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, ao interpretar o disposto no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, esclareceu que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 do Código. Em 04 de agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário 566.621, modulando os efeitos do que fora disposto no retrocitado art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A sentença determinou que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição, no caso de pagamento indevido, é de 10 anos contados do fato gerador nas ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos contados da data do pagamento indevido para as ações ajuizadas após essa data. Observese. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10805.001384/200327 Acórdão n.º 9303006.975 CSRFT3 Fl. 5 4 JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10805.001384/200327 Acórdão n.º 9303006.975 CSRFT3 Fl. 6 5 aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias decididas em regime de repercussão geral sejam reproduzidas pelos conselheiros no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte1. No presente caso, o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 30/06/2003. Portanto estão prescritos todos os fatos geradores ocorridos antes de 30/06/1993. Como o pedido abrange os períodos de outubro/88 a novembro/95, não estão prescritos os fatos geradores ocorridos entre 30/06/1993 a 30/11/1995. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte, para declarar que não estão prescritos os pedidos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1993 a 30/11/1995. Os autos deverão retonar à turma julgadora a quo, para apreciação das questões de mérito relativas ao pedido de restituição/compensação. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10805.001384/200327 Acórdão n.º 9303006.975 CSRFT3 Fl. 7 6 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17284.720413/2016-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora forneça detalhes sobre situação atual do parcelamento de fls. 81/85 e 237/242, informando inclusive se o IRRF objeto de glosa nos autos está incluso no referido parcelamento, se sim, se este já está quitado, se não, informar se o IRRF foi pago via Darf fora do parcelamento. Posteriormente intime-se o contribuinte do teor da diligência.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade preparadora forneça detalhes sobre situação atual do parcelamento de fls. 81/85 e 237/242, informando inclusive se o IRRF objeto de glosa nos autos está incluso no referido parcelamento, se sim, se este já está quitado, se não, informar se o IRRF foi pago via Darf fora do parcelamento. Posteriormente intimese o contribuinte do teor da diligência. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 72 84 .7 20 41 3/ 20 16 -4 3 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 17284.720413/201643 Resolução nº 2002000.021 S2C0T2 Fl. 263 2 RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 10), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, vez que o contribuinte, enquanto sócio da empresa fonte pagadora, não comprovou os pagamentos da DIRF. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 23.592,36, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 147 dos autos, no qual o contribuinte alega: · O valor contestado referese ao imposto de renda retido na fonte informado no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e os rendimentos correspondentes foram devidamente oferecidos a tributação na declaração de ajuste anual. · Os valores declarados de retenção fonte código 0588 estão devidamente comprovados pela fonte pagadora PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA MECÂNICA S.A C.N.P.J N° 42.409.201.0001/97: · DARFS pagos conforme comprovantes anexados a presente impugnação no valor de R$ 32.787,96 e · Parcelamento na modalidade da LEI 12.996/2014 conforme recibo 08940489879729450859. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/FOR que por unanimidade, em 16/01/2017, no acórdão 0837.222, às efls. 168 a 172, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 178 a 251, no qual alega, em resumo, que: · Preliminarmente informa que a pessoa jurídica PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA MECÂNICA S.A C.N.P.J N° 42.409.201.0001/97, em 2014, apresentou DIRF relativa ao ano de 2013, conforme planilha às efls. 179; · No mérito, o imposto não é devido já que os DARF colacionados aos autos comprovam o pagamento do IRRF. · Ainda, há parcelamento ativo, suspendendo a exigência do crédito tributário. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 17284.720413/201643 Resolução nº 2002000.021 S2C0T2 Fl. 264 3 É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 21/02/2017, efls. 257, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 13/03/2017, também às efls. 177, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, vez que, como sócio da empresa fonte pagadora, não comprovou os pagamentos em DIRF, implicando na autuação de imposto suplementar no valor de R$ 23.592,36. O contribuinte, tanto em sede de impugnação quanto em fase recursal, juntou diversos recibos de pagamento a autônomo, expedido pela empresa em seu nome, pelo serviço de frete. Ainda, junta vários comprovantes de arrecadação com o código 0588, que referese a retenção de imposto de renda retido na fonte de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício. Às efls. 79 consta a DIRF, que não é documento hábil para comprovar o pagamento do imposto. Às efls. 81 e seguintes há a consolidação de vários débitos da PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA MECÂNICA S.A C.N.P.J N° 42.409.201.0001/97 em programa de parcelamento, cujos valores estão sob código 0561. Às efls. 92 e seguintes há vários documentos que informam o suposto pagamento, cuja referência é o código 0588. Conforme artigo 717 do RIR/99, compete a fonte pagadora reter o imposto, cabendo a sociedade empresária assim proceder, de forma que a DIRF com nome do funcionário pessoa física é suficiente para que esta efetue a compensação do imposto retido quando da apresentação da DAA. Contudo, tal regra é excepcionada pelo artigo 723 do mesmo regulamento, dispõe que são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Logo, no presente caso, não é suficiente que o contribuinte apresente apenas a DIRF em seu nome, devendo apresentar também a comprovação de que o pagamento foi efetuado pela empresa do qual é sócio, vide sua responsabilidade solidária. Ainda, informou que a pessoa jurídica do qual é sócio entrou em programa de parcelamento de tributos federais, colacionando, em sede de recurso voluntário, o pagamento de diversos DARF e comprovantes de arrecadação Fl. 264DF CARF MF Processo nº 17284.720413/201643 Resolução nº 2002000.021 S2C0T2 Fl. 265 4 Ante o exposto, voto para que a unidade preparadora forneça detalhes sobre situação atual do parcelamento de fls. 81/85 e 237/242, informando inclusive se o IRRF objeto de glosa nos autos está incluso no referido parcelamento, se sim, se este já está quitado, se não, informar se o IRRF foi pago via Darf fora do parcelamento. Posteriormente intimese o contribuinte do teor da diligência. (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 265DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002031/2006-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, no Brasil e no Exterior, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR. DOCUMENTOS DE PROVAS LIBERADOS PELO PODER JUDICIÁRIO. COMPROVAÇÃO.
Os documentos liberados pela Justiça Federal no Paraná e encaminhados à Secretaria da Receita Federal constituem de provas lícitas que confirmam a movimentação financeira em conta no exterior tendo como beneficiário o sujeito passivo.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO.
O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando restar comprovado no procedimento administrativo, à vista das declarações de rendimentos e de bens, que o excesso não corresponde aos rendimentos tributáveis declarados, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou sujeitos à tributação definitiva.
RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A multa de ofício de 75% tem seu regramento estabelecido no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. No âmbito do processo administrativo fiscal, ao julgador não compete manifestação sobre os aspectos de constitucionalidade das leis, bem assim sobre a violação de princípios constitucionais.
SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2401-005.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, no Brasil e no Exterior, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR. DOCUMENTOS DE PROVAS LIBERADOS PELO PODER JUDICIÁRIO. COMPROVAÇÃO. Os documentos liberados pela Justiça Federal no Paraná e encaminhados à Secretaria da Receita Federal constituem de provas lícitas que confirmam a movimentação financeira em conta no exterior tendo como beneficiário o sujeito passivo. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando restar comprovado no procedimento administrativo, à vista das declarações de rendimentos e de bens, que o excesso não corresponde aos rendimentos tributáveis declarados, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou sujeitos à tributação definitiva. RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 31 /2 00 6- 27 Fl. 975DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 976 2 A multa de ofício de 75% tem seu regramento estabelecido no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. No âmbito do processo administrativo fiscal, ao julgador não compete manifestação sobre os aspectos de constitucionalidade das leis, bem assim sobre a violação de princípios constitucionais. SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 15 39.355(fls. 921/925) da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR). Anexos aos autos, constam documentos liberados pela Justiça Federal Seção Judiciária do Paraná, provenientes de apuração do Caso "Beacon Hill" (CPI do Banestado), sobre remessas de divisas para o exterior (fls. 6 e seguintes). Fl. 976DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 977 3 A ação fiscal teve início 07/12/2005, por meio do Termo Inicial de Fiscalização (fls. 333/334). Em decorrência do procedimento administrativo foi lavrado Auto de Infração (fls. 757/761), referentes às seguintes infrações: a) Depósitos bancários de origem não comprovada em contas, em relação as contas no Brasil como no exterior, de responsabilidade do contribuinte em 2001 (R$ 2.666.197,75) e 2002 (R$ 7.072.217,12); b) Rendimentos omitidos de arrendamento de pastagem no ano calendário 2001 (R$ 55.000,00), declarados como isentos ou nãotributáveis; c) Variação patrimonial a descoberto em 2003 (R$ 299.737,07) e 2004 (R$ 625.816,23); d) Omissão de resgate de contribuições de previdência privada em 2003 (R$ 12.314,34). Por bem detalhar os fatos, transcrevemse excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 734/756), que assim resumiu: [...] Em complemento aos documentos enviados para atender o que fora solicitado no Termo de Início de Fiscalização, datado de 07 de dezembro de 2005, o contribuinte, através de correspondência, datada de 23 de junho de 2006, apresentou cópias de escrituras de imóveis de sua propriedade, cópia de nota fiscal de aquisição de veiculo, cópia de contrato de arrendamento de pastagens, cópias de declarações de renda e mais outras informações. Além disso, foram entregues os extratos bancários e alguns esclarecimentos solicitados na intimação datada de 19 de abril de 2006. Mediante a documentação trazida pelo contribuinte e mais os documentos recebidos da Justiça Federal que identificam o contribuinte como responsável pela subconta n° 310258, denominada “Aquarius", administrada pela empresa “Beacon Hill Service Corporation", em agência do “JP Morgan Chase Bank", em Nova Iorque Estados Unidos da América, foram elaboradas planilhas, com dados das contas bancárias nacionais e do exterior, para que o contribuinte comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, as fontes de recursos que deram origem a esses depósitos/créditos. Cabe esclarecer que o afastamento do sigilo bancário relativo à conta no exterior, que deu origem à documentação ora analisada, foi autorizado pelo Juízo da 2” Vara Criminal Federal de Curitiba Paraná, decorrente de investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, onde a empresa “Beacon Hill Service Corporation BHSC" foi identificada como uma das maiores beneficiárias de recursos daquele banco brasileiro. [...] Após sucinto relato sobre o afastamento do sigilo bancário da subconta no exterior, e dando continuidade à descrição da ação fiscal em curso, para fins de apuração dos valores referentes à movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados para os anoscalendário de 2001 e 2002, a Fl. 977DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 978 4 partir dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte foram elaboradas planilhas com valores de créditos/depósitos identificados na conta do Bradesco, anocalendário de 2001, no total anual de R$ 113.517,68; Banco do Brasil, anocalendário de 2001, no total anual de R$173.211,75 e ano calendário de 2002, no total anual de R$ 137.628,50; Itaú, anocalendário de 2001, no total anual de R$ 117.995,70 e anocalendário de 2002, no total anual de R$ 3.500,00; e, ainda, créditos/depósitos identificados na subconta n° 310258"AQUARIUS", administrada pela BHSC, que totalizaram US$ 2.142.738,72 e US$2.462.053,60, nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. Cientificado do Auto de Infração, via Sedex em 23/10/2006 (fls. 763), o recorrente apresentou impugnação em 23/11/2006 (fls. 765/813). O Acórdão nº 1539.355 do colegiado de primeira instância restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presumemse rendimentos tributáveis os depósitos de origem não comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a decisão do colegiado de primeira instância, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 14/04/2016 (fls. 931/971). Da sua peça recursal, assim se consubstanciam os principais argumentos de defesa: a) Já havia decaído, em 2006, o direito de lançamento sobre fatos geradores ocorridos em 2001, uma vez que se trata de lançamento por homologação; b) Depósitos bancários não se constituem em fato gerador do imposto de renda. Como meros indícios, caberia ao Fisco investigar e demonstrar o nexo entre os depósitos e a disponibilidade econômica ou jurídica de renda, ou ainda a variação patrimonial a descoberto; c) Não houve omissão de rendimentos a título de resgate de contribuições previdenciárias, pois estes resgates já foram enumerados e comprovados pelo impugnante no decorrer do processo administrativo; d) O arrendamento de pastagem deve ser tratado como rendimento da atividade rural, que são isentos até o montante de R$ 400.000,00; e) Desconhece a existência de contas em seu nome no exterior, e jamais fora instado a se manifestar no processo em trâmite na 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, o que torna nulo o lançamento; Fl. 978DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 979 5 f) Quanto aos depósitos no Brasil, apresentara durante a fiscalização provas da sua origem, que, porém, foram injustificadamente desconsideradas pela autoridade lançadora; g) Não podem ser cobrados juros de mora concomitantemente com a multa de mora, por caracterizar duplicidade de penalização por um mesmo fato; h) A taxa SELIC não pode ser utilizada para cálculos de juros moratórios de débitos fiscais, porque não é fixada em lei, mas por norma do Banco Central, além de ter por objeto a remuneração de capital; i) Comprovara exaustivamente com documentos juntados no decorrer do processo administrativo que não existiu acréscimo patrimonial injustificado; j) A multa de 75% somente poderia ser aplicada se demonstrado o intuito de fraude. Ademais, é exagerada e tem natureza confiscatória, e por isso deve ser julgada inconstitucional. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminar Decadência de fatos geradores até outubro de 2001 Aduz o recorrente que os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até outubro de 2001, por decurso do lapso temporal de cinco anos, estão decaídos. Defluise do auto de infração (fls. 752/762) que os lançamentos em referência correspondem a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada (item 003 do AI) e rendimentos classificados indevidamente na DIRPF/2002 (item 004 do AI). Quanto ao item 003 do AI, necessário esclarecer que este colegiado por meio de súmula já pacificou o entendimento em relação à matéria, conforme a seguir: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. No tocante aos rendimentos classificados indevidamente na DIRPF, decorrentes de arrendamento de área de pastagens, fato gerador 31/10/2001, temse que Fl. 979DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 980 6 referidos rendimentos estão sujeitos ao ajuste anual, que se enquadram no conceito de lançamento por homologação, cujo termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador em 31 de dezembro do anocalendário correspondente ao exercício analisado, momento em que o lançamento poderia ser efetuado. Neste sentido, é o julgado do STJ, recurso repetitivo, no REsp nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 980DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 981 7 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Neste sentido, como o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração em 26/10/2006, contase, para os fatos geradores do ano calendário de 2001, 05 (cinco) a partir de 01/01/2002, sendo o termo final o dia 31/12/2006. Assim, concluise como regular o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Mérito a) Esclarecimentos sobre as provas judiciais Depósitos/créditos conta corrente no exterior Salienta o recorrente que desconhece possuir conta corrente no exterior, sendo portanto nulos todos os valores lançados com base neste fato. Cabe esclarecer que a utilização dos documentos recebidos da Justiça Federal, que identifica o sujeito passivo como responsável por subconta no exterior, foi autorizada pelo Juiz da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba Paraná que afastou o sigilo bancário nesta operação, por meio de investigação da CPI do Banestado. O Assunto foi tratado no âmbito da Secretaria da Receita Federal, conforme memorando expedido aos Superintendentes pela Coordenação de Fiscalização (fls. 46): Assunto: Caso “Beacon Hill” Em complemento ao MemorandoCircular Cofis/GAB nº 2004/000652, de 24 de junho de 2004, informo que, nos termos da decisão judicial da 2ª Vara Criminal de Curitiba desta data, conforme o Ofício nº 267/2004GJ (cópia anexa), não há mais a restrição mencionada no item 18 daquele memorando. 2. Desta forma, o material encaminhado para as Regiões Fiscais relativo ao caso em questão está liberado para todos os fins, inclusive para abertura dos procedimentos fiscais e cientificação aos contribuintes no curso do procedimento. Desta forma, entendo que o colegiado de primeira instância circunstanciou de forma precisa a análise dos documentos recebidos da Justiça Federal: O impugnante alega desconhecer a existência de contas em seu nome no exterior. Mas os elementos anexados aos autos comprovam para além de qualquer dúvida que o autuado era responsável e titular de fato e de direito da subconta “Aquarius” no JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque, onde foram efetuados os depósitos em questão, sob a égide da empresa Beacon Hill Service Corporation. Como prova, há documentos assinados pelo próprio autuado, a exemplo do Fl. 981DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 982 8 contrato de abertura de conta (fls 78/81) e do cartão de assinaturas autorizadas (fls. 75/77), além de muitos outros. Estas provas foram colhidas no contexto das investigações do “Caso Banestado”, que alcançou notoriedade nacional, ao identificar contas bancárias no exterior, utilizadas por brasileiros para recebimento de valores movimentados à margem do sistema financeiro nacional. É dentro deste quadro que o conjunto de evidências carreadas aos autos deve ser avaliado. Não se trata de meras cópias ou listagens de computador, mas sim de provas consistentes e robustas, a demonstrar que o autuado foi beneficiário de créditos em conta no exterior, devidamente identificados e quantificados. Para desconstituir tais provas não bastam meras alegações de desconhecimento. Ainda que não houvesse sido intimado a se manifestar no processo judicial em que foram investigadas as contas do esquema Banestado, como alega, não há qualquer impedimento para a utilização no presente processo das provas ali colhidas, pois o que importa é que não tenham sido obtidas ilegalmente e que tenham sido disponibilizadas à Receita Federal pelo próprio Poder Judiciário. Como evidências materiais dos fatos, a sua validade independe do contexto jurídico em que foram geradas, uma vez que foram legalmente obtidas. De igual forma, não há qualquer razão para colocar em dúvida a validade das informações colhidas nas investigações policiais e das transcrições das operações financeiras em questão. Não se podem requerer provas de outra espécie para operações que se desenvolveram exclusivamente por meio eletrônico, como é o caso deste tipo de movimentação financeira ilegal, quando a ocultação dos fatos é um dos objetivos primordiais dos que se utilizam destes meios. Portanto, entendo que, à vista dos documentos liberados pelo Poder Judiciário Justiça Federal no Paraná, está superada a alegação relativa à conta no exterior em nome do sujeito passivo. b) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Aduz o recorrente que os depósitos em conta corrente, por si só, não podem ser considerados como fato gerador do imposto de renda, pois não se encaixam em seu princípio legal, visto que não reflete em absoluto, base de cálculo própria de tributo que tenha como pressuposto o conceito que pode ser qualificado de renda acréscimo. Pois bem. A matéria em discussão encontrase disposta no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 982DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 983 9 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (grifouse) Veja. Com o advento da Lei nº 9.430, de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação às quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Constatada a ocorrência de depósitos bancários, cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação. A legislação não faz nenhuma outra exigência para que reste caracterizada a omissão de rendimentos. Não é necessário, portanto, que a autoridade fiscal demonstre a existência de acréscimo patrimonial ou de sinais exteriores de riqueza. Assim, a comprovação de origem deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. No caso, colhemse do Termo de Verificação Fiscal os valores referentes à movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados para os anos calendário 2001 e 2002, estando resumido pela auditoria fiscal desta forma (fls. 736): ..... na conta do Bradesco, anocalendário de 2001, no total anual de R$ 113.517,68; Banco do Brasil, anocalendário Fl. 983DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 984 10 de 2001, no total anual de R$ 173.211,75 e anocalendário de 2002, no total anual de R$ 137.628,50; Itaú, ano calendário de 2001, no total anual de R$ 117.995,70 e ano calendário de 2002, no total anual de R$ 3.500,00; e, ainda, créditos/depósitos identificados na subconta n° 310258 "AQUARIUS", administrada pela BHSC, que totalizaram US$ 2.142.738,72 e US$ 2.462.053,60, nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. (grifou se) Por meio do termo de intimação fiscal, acompanhado de planilhas de conferência dos depósitos bancários e relatórios de depósitos/créditos da subconta nº 310258 no exterior (fls. 686 e segs), o sujeito passivo foi instado a apresentar: 1. Comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, das fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos nas seguintes contas bancárias, conforme planilhas anexas: . Bradesco, anocalendário de 2001; . Banco do Brasil, anoscalendário de 2001 e 2002; . Itaú, anoscalendário de 2001 e 2002 . 2. Comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, das fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários na sub conta n° 310258, denominada "Aquarius", administrada pela empresa Beacon Hill Sen/ice Corporation , em agência do J P Morgan Chase Bank, em Nova Iorque Estados Unidos da América, que tem o contribuinte como responsável, relativos aos anoscalendário de 2001 e 2002, conforme planilhas anexas que totalizam, por ano, US$ 2.142.738, 72 e US$ 2.462.053,60, respectivamente. Cabe esclarecer que a quebra do sigilo bancário relativo à conta no exterior, que deu origem ã documentação por nós analisada, foi autorizada pelo Juízo da 2° Vara Criminal Federal de Curitiba Paraná. Conforme registrou a auditoria fiscal, o sujeito passivo deixou de atender ao termo de intimação para esclarecer a origem dos depósitos (fls. 740). Relata ainda a autoridade lançadora que o valor de R$ 55.000,00, depositado no Banco do Brasil, no mês de outubro, estava vinculado ao contrato de arrendamento de pastagens, sendo desta forma objeto de tributação específica. Repisese que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção legal, por esse modo, o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister, a simples apresentação de justificativas trazidas na peça de defesa, mas, também, que estas sejam amparadas por provas hábeis, idôneas e robustas. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 985 11 Portanto, sem razão o recorrente. c) Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI Afirma que não houve omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições previdenciárias. Para tanto, diz que esses rendimentos foram devidamente enumerados pela autuante e comprovado no processo administrativo. Em relação ao valor lançado a título de resgate de previdência de R$ 12.314,34 (item 001 do AI), referentes aos rendimentos recebidos do Banco Itaú, comprovante de rendimentos financeiros (fls. 308), constatase que o recorrente indevidamente informou como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva, conforme extrato da DIRPF/2004, às fls. 297. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Portanto, sem razão o recorrente. d) Acréscimo patrimonial a descoberto Dos Demonstrativos de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal (fls. 730/733), anexos ao Termo de Verificação Fiscal, anos calendário 2003 e 2004, extraise que a motivação do lançamento de ofício foi efetuado com base na variação patrimonial a descoberto (RECURSOS/ORIGENS DISPÊNDIOS/APLICAÇÕES). Percebese que a auditoria fiscal, conforme TVF (fls. 740/751), consubstanciado nos documentos e termos anexos aos autos, procurou demonstrar, de forma detalhada, por ano calendário, os valores lançados a título de origens e aplicações de recursos. A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto tem seu regramento basicamente estabelecido no Código Tributário Nacional e na Lei nº 7.713, de 1988, e deve ser apurada em bases mensais, como ocorre com vários tipos de rendimentos auferidos pelas pessoas físicas, in verbis: Código Tributário Nacional SEÇÃO IV Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 985DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 986 12 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § [...] Lei nº 7.713, de 1988 Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados.(grifouse) Ainda, em relação ao acréscimo patrimonial, dispõe o art. 807 do Regulamento do Imposto de Renda: Subseção III Origem dos Recursos Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Em sua defesa, o recorrente refuta, de forma genérica, a apuração do acréscimo patrimonial, visto que foi devidamente demonstrada mediante a apresentação de documentos. No entanto, não específica quais documentos demonstra que não houve acréscimo patrimonial. Sem razão o recorrente. e) Rendimentos classificados indevidamente na DIRPF Do Auto de Infração (fls. 761), extraise que a auditoria fiscal constatou que, no anocalendário de 2001, o sujeito passivo declarou, indevidamente, como Rendimentos Fl. 986DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 987 13 Isentos e Não Tributável, o valor de R$ 55.000,00 (fls. 270), referente ao arrendamento de área para pastagens no Mato Grosso. De fato, tratase de rendimentos tributáveis, Instrumento Particular de Contrato de Arrendamento de Pastagens (fls. 595/596), que, nos termos do que dispõem os arts. 39, 49 e 58 do Regulamento do Imposto de Renda, sujeitamse ao ajuste anual. Neste sentido, reafirmase a decisão do colegiado de primeira instância que assim concluiu: O arrendamento de pastagem não é rendimento da atividade rural, como argumenta o impugnante, pois a produção é desenvolvida pelo arrendador, que arca com os seus custos, enquanto os rendimentos do arrendatário decorrem meramente do contrato de locação de propriedade ou direito. f) Acréscimos legais exigência de juros moratório/taxa Selic Questiona a aplicação dos juros de mora, informando que a taxa Selic è inconstitucional, conforme a seguir: Não obstante a própria autuação e a fundamentação legal não permitam, como visto, confirmar os índices aplicados para fins de atualização da suposta dívida, pelo extrato supracitado acreditase tenha sido aplicada a taxaSELIC, já que houve o acréscimo de juros. Ocorre que a taxa de juros SELIC é inconstitucional pelo que segue, e, portanto, o título atualizado por tal índices carece de liquidez e certeza. Quanto à inconstitucionalidade, impende informa que este colegiado não é competente para se pronunciar: " Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Em relação os juros de mora, é pacífico o entendimento, no âmbito desse colegiado, de que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, tal qual consta do lançamento do crédito tributário, nos termos da Súmula CARF nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. g) Cobrança concomitante de multa e juros de mora Entende que, no caso, a cobrança da multa de mora e juros de mora possuem a mesma natureza jurídica de sanções ressarcitórias, e que não há como se negar que está ocorrendo o chamado BIS IN IDEM, da seguinte forma: Além da multa moratória, estão sendo cobrados juros dessa mesma natureza. Tanto uma quanto a outra POSSUEM A MESMA NATUREZA JURÍDICA DE SANÇÕES RESSARCITÓRIAS, não há como se negar que está ocorrendo o Fl. 987DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 988 14 chamado BIS IN IDEM em decorrência da aplicação da mesma PENALIDADE por duas vezes, ou seja, pela cobrança de multa pela mora e juros pela mora que como visto possuem a natureza e função equivalentes. A multa de mora tem seu regramento, basicamente, estabelecido no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Verificando o demonstrativo consolidado do Crédito Tributário (fls. 4), constatase que não há cobrança de multa de mora, até por que o valor foi lançado de ofício, senão vejamos: Imposto de Renda Pessoa Física R$ Imposto 2.940.948,88 Juros de Mora 1.762.583,25 Multa 2.205.711,65 Valor do Crédito Apurado 6.909.243,78 Como se observa, a multa que está sendo cobrada nos autos referese à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, sem razão o recorrente. h) Multa de Ofício 75% Caráter confiscatório No que toca à multa de ofício, transcreve Enunciado nº 15 do CARF (Súmula CARF nº 14), com o seguinte teor: Enunciado nº 15 Fl. 988DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 989 15 "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação de multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Decisão: Aprovada por maioria, com cinquenta e sete votos favoráveis e dois votos contrários proferidos pelos Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima e Nilton Pess, Súmula 1º CC nº 14. No caso, necessário esclarecer que o teor do enunciado diz respeito a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude do sujeito passivo, nos termos do disposto do art. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(Grifouse) Na situação em apreço, não foi aplicada a qualificadora da multa de ofício, conforme se observa da análise do item anterior. De acordo com o acima exposto, verificase que o lançamento da multa de 75% está devidamente amparado em lei. No âmbito do processo administrativo fiscal, ao julgador não compete manifestação sobre os aspectos de constitucionalidade das leis, bem assim sobre a violação de princípios constitucionais. Portanto, sem razão o recorrente. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 19515.002031/200627 Acórdão n.º 2401005.555 S2C4T1 Fl. 990 16 Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 990DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928626/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 26 /2 00 9- 01 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.928626/200901 Acórdão n.º 1401002.598 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.928626/200901 Acórdão n.º 1401002.598 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 31/05/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.928626/200901 Acórdão n.º 1401002.598 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.928626/200901 Acórdão n.º 1401002.598 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003543/2007-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS FORMAIS. ART. 67 DO RICARF. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO PARCIAL. SÚMULA CARF 99. DECADÊNCIA ART. 150, §4ª DO CTN.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à decadência e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento parcial, para acolher a decadência até a competência 11/2002, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que lhe deu provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS FORMAIS. ART. 67 DO RICARF. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO PARCIAL. SÚMULA CARF 99. DECADÊNCIA ART. 150, §4ª DO CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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REQUISITOS FORMAIS. ART. 67 DO RICARF. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO PARCIAL. SÚMULA CARF 99. DECADÊNCIA ART. 150, §4ª DO CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 35 43 /2 00 7- 39 Fl. 981DF CARF MF 2 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à decadência e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em darlhe provimento parcial, para acolher a decadência até a competência 11/2002, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que lhe deu provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Em sessão plenária de 18 de janeiro de 2012, foi julgado o Recurso Voluntário de folhas 497 a 516, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão n° 2301 002.518 (folhas 541 a 565), assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007 SALÁRIOUTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salárioutilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 9202006.978 CSRFT2 Fl. 982 3 previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Se a empresa já considera parte das despesas com veículos como base de cálculo do Imposto de Renda Retido na fonte dos beneficiários, temos a confissão de que parte das despesas são dispensáveis, o que autoriza a inclusão dessa parte na base de cálculo da contribuição previdenciária. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da incidência ao Salário de Contribuição dos valores pagos aos segurados e presentes no lançamento, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada. Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 983DF CARF MF 4 A Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial donde aponta divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e outros julgados em relação à matéria cesta de multas. A Contribuinte apresenta Contrarrazões onde pugna pela manutenção do a quo quanto à aplicação de multas. Já o Contribuinte, após a inadmissibilidade dos seus Embargos de Declaração apresenta Recurso Especial pugnando (a) Da divergência jurisprudencial quanto à contagem do prazo decadencial art. 150, § 4º versus art. 173, I, do CTN; e (b) Da divergência jurisprudencial quanto à não incidência de contribuição previdenciária sobre veículos fornecidos a funcionários utilizados no fim de semana A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões pugnando pela manutenção do a quo com relação às matérias recorridas pelo Contribuinte. Chegando os autos a este colegiado, foi proposta a Resolução n.º 9202 00138, com a finalidade de que FOSSEM prestadas informações dos débitos declarados como devidos e todos os recolhimentos correspondentes às contribuições destinada à Seguridade Social realizados pelo contribuinte no período cuja decadência está sendo discutida, ou seja, entre 01/01/2002 a 31/12/2002 e relatório quanto à existência de pagamentos realtivos a fatos geradores dos débitos, tendo sido informado o seguinte: Com relação a solicitação de fls. 842, (a), podemos verificar nos quadros que não constam: divergências entre os valores informados em GFIP e os valores recolhidos, e outros débitos para o período de 01/2002 a 12/2002. Com relação a solicitação de fls. 842, (b), não constam pagamentos para os fatos geradores dos débitos compreendidos entre 01/2002 a 12/2002. Entretanto esclarecemos que consta na mesma ação fiscal junto ao contribuinte a NFLD –DEBCAD 37.097.9532, com emissão em 19/12/2007, contida no processo nº 10882.003540/200703, para o período de 01/2002 a 08/2007, e conforme decisão do CARF, acórdão 2302003.467 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 05/11/2014, através do recurso voluntário para exclusão das competências 01/2002 a 11/2002, pela homologação tácita do crédito, com fulcro no disposto pelo artigo 150 § 4º do CTN, (fls. 1924/1936). O Contribuinte intimado da informação fiscal trouxe aos autos a informação de que este declarou e antecipou o pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a seus funcionários, trazendo aos autos cópias das GFIP do período e seus comprovantes de pagamento. É o relatório. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 9202006.978 CSRFT2 Fl. 983 5 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Ambos os Recurso Especial são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Do Recurso do Contribuinte Decadência Por esta razão, os créditos previdenciários relativos ao período de 01/2002 a 11/2002. Motivo pelo qual quanto a este aspecto dou provimento parcial ao Recurso do Contribuinte. Diante do exposto conheço parcialmente o Recurso interposto pelo Contribuinte para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL ATÉ A COMPETÊNCIA 11/2002, tendo como consequência a necessária apreciação do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Recurso Especial da Fazenda Nacional Quanto à retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 985DF CARF MF 6 A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 9202006.978 CSRFT2 Fl. 984 7 A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 987DF CARF MF 8 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 9202006.978 CSRFT2 Fl. 985 9 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 989DF CARF MF 10 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 9202006.978 CSRFT2 Fl. 986 11 I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 991DF CARF MF 12 Assim, quanto a este aspecto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Redatora Designada Peço vênia para divergir da Relatora no que tange ao conhecimento do Recurso interposto pelo Contribuinte, especificamente sobre o tema: "não incidência de contribuição previdenciária sobre veículos fornecidos a funcionários utilizados no fim de semana". No presente caso foi lavrado contra o contribuinte lançamento para cobrança de Contribuição Previdenciária sobre valores correspondentes ao salário utilidade pago aos funcionários de 'alta chefia' por meio do fornecimento de veículo. No relatório fiscal foi esclarecido que o montante da base de cálculo foi extraído da própria contabilidade da empresa que tributou, pelo imposto de renda, as despesas com os veículos na proporção dos dias não úteis. A 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, analisando este ponto e adotando o conceito da Súmula 367 do TST, assim se manifesta no acórdão 230102.518: O conteúdo da Súmula 367, portanto, o qual adotamos integralmente para o caso, exige que o fornecimento de veículos seja dispensável para a realização do trabalho. Tal circunstância, salvo a caracterização de fato notório, precisa ser provada pelo fisco, pois é este que alega a desnecessidade. A autoridade fiscal precisa carrear aos autos um conjunto probatório que demonstre a desnecessidade dos veículos para a realização do trabalho. Caracterizada a dispensabilidade, estará preenchido o requisito para a consideração do uso do veículo como salárioutilidade e , portanto, como elemento que compõe a remuneração. É de ser notado que, estando dentro do conceito de remuneração, o salárioutilidade está no campo de incidência tanto da contribuição da empresas sobre a remuneração dos empregados como da contribuição das empresas sobre a remuneração dos contribuintes individuais. No caso em análise, verificamos que a fiscalização carreou aos autos relatórios da própria recorrente por meio dos quais esta confessou que, em uma fração do mês, os veículos são dispensáveis para o trabalho, pois assim registrava em sua contabilidade fiscal, particularmente em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 9202006.978 CSRFT2 Fl. 987 13 E acrescenta: É certo que o imposto de renda da pessoa jurídica, o imposto de renda da pessoa física e a contribuição previdenciária são tributos submetidos a regimes jurídicos infraconstitucionais distintos, mas também é certo que há fatos jurídicos tributários que irradiam efeitos que interessam a mais de um tributo. O que estamos tomando aqui é a confissão de um fato. Estamos tomando a confissão da empresa, externada em relatórios e em seus livros fiscais, de que os veículos são dispensáveis em parte do período de modo tal que foram incluídos na remuneração dos beneficiários para efeito de base de cálculo do imposto de renda. A partir do fato confessado da dispensabilidade dos veículos, estabelecemos o efeito jurídico de acordo com a legislação do tributo que aqui cuidamos, a contribuição previdenciária. Se desde sempre assim devíamos agir, a partir da fusão da Secretaria da Receita Previdenciária com a Secretaria da Receita Federal, com mais razão devemos estar atentos para não darmos tratamento distinto a situações idênticas em termos fáticos. Assim, o lançamento deve prevalecer sobre o que a própria empresa considerou como uso do veículo fora do trabalho a ponto de ter sido tomada como base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física. Tendo sido esse o procedimento da fiscalização, conforme observamos em fls. 12/25 e 110/125, não há reparos a fazer no lançamento Percebemos, portanto, que a razão maior do Colegiado recorrido para manutenção do lançamento, se dá com base no entendimento de que os registros contábeis da empresa representam uma verdadeira confissão acerca da caracterização da vantagem como salário utilidade. Diante de toda fundamentação utilizada pelo Conselheiro Relator devemos considerar que tal fato assume uma relevância considerável para o fim de conhecimento do recurso na medida em que exige que aspecto semelhante tenha sido submetido a apreciação do Colegiado paradigmático. Para sustentar a divergência a Recorrente cita como paradigma o acórdão nº 2401003.809. Neste último julgado o Relator se manifesta no sentido de ser possível a caracterização do fornecimento de veículos como salário indireto, e naquele caso concreto, também com base na Súmula 367 do TST concluiu que não integra o conceito de salário de contribuição a vantagem caracterizada pelo uso de veículo pelo empregado nos finais de semana. No acórdão paradigma foi destacado: "entendo que razão assiste ao recorrente quanto ao levantamento fornecimento de veículos da empresa, mesmo que a utilização dêse basicamente para o trabalho, mas o empregado permanece com o veículo nos fins de semana." Ora, como destacado, o acórdão paradigma não enfrentou situação onde há uma confissão do Contribuinte acerca da natureza remuneratória da verba para fins de tributação do imposto de renda do empregado, fato que como dito assume uma diferença relevante para fins de juízo de admissibilidade. Fl. 993DF CARF MF 14 Havendo uma discrepância entre as situações fáticas dos acórdãos que impede o estabelecimento da divergência pretendida pelo contribuinte, deixo de conhecer do recurso no que tange ao tema: "não incidência de contribuição previdenciária sobre veículos fornecidos a funcionários utilizados no fim de semana". É como voto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 994DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660282/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.686
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 82 /2 01 2- 36 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660282/201236 Acórdão n.º 3401004.686 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660282/201236 Acórdão n.º 3401004.686 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660282/201236 Acórdão n.º 3401004.686 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660282/201236 Acórdão n.º 3401004.686 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660282/201236 Acórdão n.º 3401004.686 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660282/201236 Acórdão n.º 3401004.686 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.913968/2012-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso do prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Desatendido pressuposto de admissibilidade, não pode o recurso ser conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso do prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Desatendido pressuposto de admissibilidade, não pode o recurso ser conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso do prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Desatendido pressuposto de admissibilidade, não pode o recurso ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 3.959,59, relativo ao período de apuração junho/2011. Por meio de despacho decisório à fl. 2, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 39 68 /2 01 2- 10 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11065.913968/201210 Acórdão n.º 3002000.278 S3C0T2 Fl. 141 2 pagamento relativo ao Darf informado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 6 e 7), na qual informou ter havido equívoco no preenchimento da DCTF e do Dacon, o que teria levado ao entendimento de que não haveria crédito disponível para compensação. Efetuada a retificação das declarações após o Despacho Decisório, entende ter sanado a divergência. Juntou, a título de prova, ato de representação e constituição da empresa, Despacho Decisório e recibo da DCTF retificadora (fls. 8 a 36). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 55.546 (fls. 42 a 45), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a retificação da DCTF, por si só, não faz prova do direito e que o contribuinte não juntou aos autos documentação que demonstrasse a certeza e liquidez do crédito pleiteado. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 22/05/2014, conforme AR à fl. 49, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 26/06/2014, conforme Carimbo aposto à página inicial (fl. 52). Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte alega que tem direito ao crédito do pagamento a maior, o que pode ser constatado ao se confrontar a DIPJ com a DCTF retificadora. Entende que a DCTF foi atendeu ao previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010, segundo a qual a declaração retificadora tem a mesma natureza da originária (fls. 52 e 53). Junta, a título de prova, a DIPJ relativa ao anocalendário 2011, além dos atos de representação e de constituição da empresa (fls. 54 a 136). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11065.913968/201210 Acórdão n.º 3002000.278 S3C0T2 Fl. 142 3 O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância, conforme estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A recorrente tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 22/05/2014, conforme AR constante à fl. 49. Esta data foi inserida tanto manualmente, pela pessoa que recebeu o documento, quanto por meio de carimbo dos Correios. Logo, a data limite para recorrer foi em 23/06/2014, segundafeira, já que o prazo de 30 dias expirou no sábado. Entretanto, o Recurso Voluntário foi protocolizado em 26/06/2014, o que se constata do carimbo aposto ao documento original (fl. 52). A recorrente informa que teria recebido a cópia do Acórdão da DRJ em 27/05/2014, sem maiores explicações sobre a discrepância entre sua assertiva e a data que consta no processo e sem a juntada de qualquer documento que demonstre o que afirma, prevalecendo, desse modo, a data que consta no AR. Considerando que não houve feriado, nacional ou local, no início ou no fim da contagem do prazo, que justificasse o alargamento do período, concluise pela intempestividade do recurso, que é pressuposto para a sua admissibilidade. Pelo exposto, voto em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.720134/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Alegações de inocorrência das irregularidades são questões inerentes ao mérito da exigência e como tal devem ser apreciadas.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. INSUBSISTÊNCIA.
Quando o Fisco não comprova o interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação tributária constituída por meio do lançamento deve ser excluída a responsabilidade solidária atribuída aos sujeitos passivos arrolados, com base no art. 124, inc. I do CTN.
RESPONSABILIDADE DO SÓCIO OU ADMINISTRADOR. ART. 135, INC. III DO CTN.
Os diretores não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros solidária e ilimitadamente pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do estatuto ou lei.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 1302-002.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte principal Alfalix Ambiental; em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas nos recursos interpostos pelos responsáveis solidários; em dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Danilo Martins e em negar provimento ao recurso voluntário de Sebastião Carlos de Oliveira; e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso do responsável solidário Carlos Rafael de Oliveira, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Fonseca Guimarães, que votaram por dar provimento integral ao recurso neste ponto. Ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício interposto em face de Sandro Luiz Grisote, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Alegações de inocorrência das irregularidades são questões inerentes ao mérito da exigência e como tal devem ser apreciadas. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. INSUBSISTÊNCIA. Quando o Fisco não comprova o interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação tributária constituída por meio do lançamento deve ser excluída a responsabilidade solidária atribuída aos sujeitos passivos arrolados, com base no art. 124, inc. I do CTN. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO OU ADMINISTRADOR. ART. 135, INC. III DO CTN. Os diretores não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros solidária e ilimitadamente pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do estatuto ou lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 34 /2 01 5- 13 Fl. 12529DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.530 2 adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte principal Alfalix Ambiental; em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas nos recursos interpostos pelos responsáveis solidários; em dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Danilo Martins e em negar provimento ao recurso voluntário de Sebastião Carlos de Oliveira; e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso do responsável solidário Carlos Rafael de Oliveira, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Fonseca Guimarães, que votaram por dar provimento integral ao recurso neste ponto. Ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício interposto em face de Sandro Luiz Grisote, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 12530DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.531 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício interpostos em face do Acórdão nº 1153.085 da 3ª Turma da DRJRecife/PE, que julgou procedente em parte as impugnações apresentadas pelo contribuinte principal e demais responsáveis solidários arrolados, em face dos autos de infração (fls. 11.613/11.672), através dos quais foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e à Contribuição para o PIS/Pasep, conforme sintetizado na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2011 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ATIVIDADE VINCULADA. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE. O sujeito passivo contribuinte não tem legitimidade para apresentar impugnação em nome do responsável solidário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2011 Fl. 12531DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.532 4 CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Excluemse do polo passivo as pessoas cujo interesse comum não restar comprovado. SÓCIO GERENTE. EXCESSO DE PODERES, INFRAÇÃO DE LEI E CONTRATO SOCIAL. CRÉDITOS RESULTANTES. RESPONSABILIDADE. O sócio gerente é responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO. O sócio não se confunde com a pessoa jurídica de cujo capital participa, e o inciso III do art. 135 do CTN expressa e restritivamente só atribui a responsabilidade solidária ao sócio administrador em relação aos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL. MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS. ADMINISTRADOR DE FATO. Constatado que, além do sócio de direito, terceira pessoa não mandatária representa e administra de fato a sociedade, movimentando inclusive suas contas bancárias, cabível a sua responsabilização pelo crédito tributário, em razão de atos praticados com excesso de poderes, nos termos do art. 135, III, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA A multa de ofício integra o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora após o seu vencimento. O acórdão recorrido acolheu parcialmente as impugnações, nos seguintes termos: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação, para: Fl. 12532DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.533 5 I –Manter integralmente o crédito tributário conforme lançado, que deverá ser exigido da contribuinte pessoa jurídica e dos responsáveis solidários ora confirmados; II – Confirmar a imputação de responsabilidade solidária dos Srs. Carlos Rafael de Oliveira, CPF nº 348.947.08850, Danilo Martins, CPF 169.280.10827, e Sebastião Carlos de Oliveira, CPF nº 279.365.32846, este último apenas pelo crédito tributário correspondente à omissão de receitas, excluindoo da responsabilidade pelo crédito tributário correspondente às demais infrações e III – Excluir do polo passivo o Sr. Sandro Luiz Grisote, CPF nº 056.808.268 01. Tendo em vista a exclusão do polo passivo do responsável solidário indicado no item III acima, o colegiado recorrido submeteu tal decisão à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos previstos no art. 34 do Decreto nº 70.235/1972. Intimada por edital em 01/07/2016 (fls. 12.660), a contribuinte não apresentou recurso voluntário no prazo legal, tendo sido lavrado Termo de perempção (fls. 12.663) pela autoridade preparadora e encaminhado o processo para a Procuradoria Fazenda Nacional para a cobrança executiva. Posteriormente, verificouse que os responsáveis solidários arrolados não haviam sido intimados do resultado do julgamento, sendo devolvidos os autos à RFB para saneamento, conforme descrito no despacho de fls. 12.290, verbis: Foi solicitado o retorno do processo para fase administrativa, haja vista que não houve a intimação dos responsáveis solidários da decisão proferida em sede de Acórdão de Impugnação (fls. 12.220/12.250). O referido Acórdão manteve o crédito tributário e confirmou a imputação de responsabilidade solidária dos Srs. Carlos Rafael de Oliveira, CPF nº 348.947.08850, Danilo Martins, CPF nº 169.280.10827 e Sebastião Carlos de Oliveira, CPF nº 279.365.32846, este último apenas pelo crédito tributário correspondente à omissão de receitas, excluindoo da responsabilidade pelo crédito tributário correspondente às demais infrações e excluiu do polo passivo o Sr. Sandro Luiz Grisote, CPF nº 056.808.26801. Foi apresentado Recurso Voluntário por Danilo Martins no dossiê nº 10010.006050/111610, solicitando, entre outros pleitos, o reconhecimento da tempestividade, haja vista que o Edital nº 02/2016 alcançou somente a empresa Alfalix, o qual defiro, incidentalmente, para declarálo tempestivo e determino a juntada do referido recurso apresentado a este processo para prosseguimento, anexandose também cópia dessa decisão no referido dossiê. Feitas as providências determinadas, arquivese o dossiê nº 10010.006050/111610. Do mesmo modo, para garantir a ampla defesa e o contraditório, intimese os demais responsáveis solidários do Acórdão de Impugnação e em seguida remetase o processo para o CARF para julgamento, atualizandose as informações necessárias nos sistemas de controle. Fl. 12533DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.534 6 Em 27/12/2016 a contribuinte (ALFALIX), indicada como sujeito passivo principal, apresentou recurso voluntário (fls. 12456/12463), no qual se resume a questionar a aplicação da multa qualificada sobre as infrações apuradas pela fiscalização. Conforme descrito no despacho de saneamento, acima transcrito, o responsável solidário Danilo Martins, apresentou espontaneamente, independente de qualquer intimação, o recurso voluntário (fls. 12.291/12.358), no qual alega, em síntese: a) preliminarmente, a tempestividade do recurso e vício na intimação dirigida apenas à devedora principal; b) inovação dos fatos pela DRJ, ao imputar à recorrente a "participação na sociedade", enquanto que a acusação fiscal teria se limitado a apontar a "participação nos negócios da empresa Alfalix", o que violaria os arts. 145 e 149 do CTN; c) falta da correta descrição dos fatos e de prova quanto à responsabilidade tributária solidária, o que ofenderia o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972; d) ofensa à legalidade e à tipicidade, caracterizada pela falta de subsunção dos fatos às normas previstas nos arts. 135, inc. III e 124, inc. I do CTN; e) inexistência da responsabilidade tributária prevista nos arts. 135, inc. III e 124, inc. I do CTN; f) existência de contradição no acórdão da DRJ que ao mesmo tempo limitou a responsabilidade solidária do sóciogerente, Sr. Sebastião Carlos de Oliveira, à infração de omissão de receitas, com base no art. 135, inc. III CTN, excluindo a imputação feita com base no art. 124, inc. I do CTN, enquanto que manteve a responsabilidade integral do recorrente, reconhecido como não sendo sócio pela autoridade fiscal, apenas por ter assinado cheques com base em procuração ele outorgada; g) no mesmo sentido, aponta a contradição do acórdão recorrido quanto este atribuiu a responsabilidade ao exsócio da empresa, Sr. Carlos Rafael Oliveira, por considerá lo como sócio de fato, uma vez que se manteve assinando cheques da empresa autuada, sem ter poderes para tanto, enquanto que a responsabilidade do recorrente foi mantida sob argumento inverso, qual seja, o de assinar cheques, mediante os poderes outorgados por procuração, mesmo não sendo sócio; h) que ainda que não se acolham os argumentos acima, o que admite como mera argumentação, a imputação de responsabilidade solidária deve ser afastada, com base o princípio do "in dubio pro contribuinte", nos termos art. 112 do CTN, uma vez que, no presente caso, não existem elementos seguros para a formação do convencimento quanto ao cometimento de ilícito pelo recorrente e a imputação da responsabilidade; i) que, ainda em caráter argumentativo, se mantida a responsabilidade imputada pelos tributos devidos, a mesma deve ser afastada com relação as multas de ofício aplicadas, dado o seu caráter personalíssimo e punitivo, que não pode ser transferido à terceiros; Fl. 12534DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.535 7 j) que, sucessivamente, caso mantida a responsabilidade sobre as multas, a multa qualificada de 150% deve ser afastada, dado o seu caráter confiscatório, conforme já teria definido o STF; k) que, caso mantida a responsabilidade sobre os tributos e as multas, seja afastada a aplicação da taxa Selic sobre as multas aplicadas. O responsável solidário Carlos Rafael Oliveira foi intimado do acórdão de primeiro grau por meio de correspondência (fls. 12411/12412), assinada eletronicamente pela autoridade preparadora em 29/11/2016. Não consta dos autos o aviso de recebimento postal AR. Em 27/12/2016, o responsável solidário retro mencionado, apresentou recurso voluntário (fls. 12466/12490), no qual alega, sem síntese: a) que a decisão recorrida deve ser reformada, pois não acolheu a alegação de nulidade da autuação, fundamentandose tão somente no fato do auto de infração ter sido lavrado por autoridade competente e, ainda, por não ter apreciado as alegações de inconstitucionalidades cometidas pela autoridade autuante, ao argumento de que falece competência à autoridade administrativa para tanto; b) que a fiscalização não apresentou nenhuma prova de que o recorrente praticava atos de gestão da empresa, bem como que praticou ato ilícito que tenha encobertado a obrigação tributária, que justifique a imputação da responsabilidade solidária; c) que sua manutenção como responsável solidário é despida de amparo jurídico e fático pois o simples fato de ter assinado cheques da empresa a pedido de seu pai, proprietário da empresa, que se encontrava com problemas de saúde, não revela que tenha interesse comum na situação, que seja sócio de fato, ou que tenha agido em proveito próprio; d) que as assinaturas de cheques da empresa após sua saída como sócio e a movimentação bancária em sua conta foram realizadas para ajudar seu pai que se encontrava enfermo (no ano de 2011) e impossibilitado em alguns momentos de assinar cheques para pagas contas e despesas da empresa. Da mesma forma, tendo em vista a existência de restrições judiciais para a movimentação financeira da conta bancária em nome da empresa, teria ensejado a movimentação de recursos da empresa em sua conta, conforme atestam declaração prestada pela Alfalix, que confirma seu desligamento como sócio e que não praticava atos de gestão ou de gerência da empresa; e) que o fato de ter recebido alguns depósitos em suas contas provenientes da empresa Alfalix, após sua saída do quadro societário, outro fato apontado pela fiscalização para justificar sua responsabilização, também não se sustenta, pois a autoridade fiscal não apresentou provas de que teria recebido este dinheiro a título de pagamento ou remuneração, não passando de mera especulação ou suposição do Fisco. Não há provas de benefício pessoal, sendo certo que os valores foram movimentados em suas contas pessoais para pagamento de contas e despesas da Alfalix, em face das restrições judiciais por que passava a empresa, fato este de conhecimento da fiscalização; f) que o recorrente não participou da relação jurídica que deu ensejou ao fato gerador da obrigação, nos termos da jurisprudência do STJ; Fl. 12535DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.536 8 g) que a fiscalização não demonstrou/comprovou que, nos favores que prestou ao seu genitor, tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, a justificar a imputação contida no art. 135, III do CTN; h) que ainda que se admitisse que o recorrente tenha praticado atos de gestão em 2011, após a sua saída do quadro social da empresa, não poderia ser responsabilizado, pois o auto de infração foi lavrado apenas em 2015, quatro anos depois de sua saída do quadro societário, e de acordo com o art. 1003 do Código Civil a responsabilidade do sócio perante terceiros é de até dois anos depois de sua saída devidamente averbada; i) que a desconsideração da personalidade jurídica da empresa Alfalix para a pessoa dos sócio e exsócios, não obedeceu as previsões legais, pois não há provas de que o recorrente agiu com máfé, dolo, desídia ou desvio de finalidade; j) que a inclusão do recorrente no polo passivo como responsável solidário desrespeitou o princípio da autonomia patrimonial da empresa em relação aos seus sócios; k) que não se comprovou a ocorrência de abuso de personalidade jurídica, previsto no art. 50 do Código Civil, para justificar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa; l) que é inaplicável a multa qualificada de 150%, pois não restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte da empresa autuada e do recorrente, revelandose excessiva e confiscatória, o que contraria os princípios da razoabilidade/proporcionalidade. O responsável solidário Sebastião Carlos de Oliveira foi intimado do acórdão de primeiro grau por meio de correspondência (fls. 12422/12423), assinada eletronicamente pela autoridade preparadora em 29/11/2016. Não consta dos autos o aviso de recebimento postal AR. Em 27/12/2016, o responsável solidário retro mencionado, apresentou recurso voluntário (fls. 12501/12521), no qual alega, sem síntese: a) que a decisão recorrida deve ser reformada, pois não acolheu a alegação de nulidade da autuação, fundamentandose tão somente no fato do auto de infração ter sido lavrado por autoridade competente e, ainda, por não ter apreciado as alegações de inconstitucionalidades cometidas pela autoridade autuante, ao argumento de que falece competência à autoridade administrativa para tanto; b) que a fiscalização não apresentou nenhuma prova de que o recorrente praticava atos de gestão da empresa, de forma contrária à lei, contrato social e estatutos, e/ou que praticou ato ilícito que tenha encobertado a obrigação tributária, que justifique a imputação da responsabilidade solidária; c) que ainda que a empresa Alfalix seja devedora dos tributos objeto da autuação, não foram preenchidos os requisitos legais para a desconsideração da sua personalidade jurídica, que permita exigilos dos sócios; d) que a inclusão do recorrente na sujeição passiva solidária contraria o princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica em face de seus sócios; Fl. 12536DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.537 9 e) que não se comprovou a ocorrência de abuso de personalidade jurídica, previsto no art. 50 do Código Civil, para justificar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa; f) que é inaplicável a multa qualificada de 150%, pois não restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte da empresa autuada e do recorrente, revelandose excessiva e confiscatória, o que contraria os princípios da razoabilidade/proporcionalidade. É o relatório. Fl. 12537DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.538 10 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Tratase de apreciar recurso de ofício em face da decisão de primeiro grau que exonerou a responsabilidade do sujeito passivo solidário Sandro Luiz Grisote e os recursos voluntários interpostos pela contribuinte e demais responsáveis solidários arrolados pela fiscalização, cuja responsabilidade foi mantida no acórdão de primeiro grau. Recursos voluntários 1 Alfalix Ambiental Eireli Antes de adentrar ao exame dos demais recursos, impõese registrar desde logo a intempestividade do recurso interposto pelo sujeito passivo principal (Alfalix), uma vez que foi cientificada do acórdão de primeiro grau, por edital, em 01/07/2016, tendo apresentado recurso voluntário em 27/12/2016. Assim, voto, pelo não conhecimento do recurso interposto pelo sujeito passivo principal em face de ter se consumada a perempção. 2 Responsável Solidário Danilo Martins O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. O responsável solidário arrolado alega, preliminarmente, que houve inovação dos fatos pela DRJ, ao imputar à recorrente a "participação na sociedade", enquanto que a acusação fiscal teria se limitado a apontar a "participação nos negócios da empresa Alfalix", o que violaria os arts. 145 e 149 do CTN. Com efeito, a autoridade fiscal, ao concluir o tópico sobre a imputação de responsabilidade solidária do contribuinte, ora recorrente, afirma, verbis: [...] 14.3.5 Do acima exposto, concluise pela participação do Sr. Danilo Martins nos negócios da empresa fiscalizada ALFALIX, portanto, será incluído no rol de sujeito passivo solidário. O acórdão recorrido, por sua vez, após examinar os fatos e argumentos trazidos pela autoridade fiscal no TVF e as alegações do ora recorrente, entendeu que deve ser mantida a imputação de responsabilidade do recorrente, com base no art. 124, I do CTN, verbis: 60. Penso que a conclusão a que chegou o autuante coadunase com os fatos que a embasam. Recordemse os fatos: Fl. 12538DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.539 11 I – a empresa Multimil Construtora, da qual o Sr. Danilo é sócio, bem assim o Sr. Hissa Yuld, também sócio da empresa, foram beneficiários de transferências bancárias efetuadas pela Alfalix, para as quais não ofereceu o Sr. Danilo nenhuma explicação ou justificativa; II – o Sr. Danilo emitiu cheques em nome da Alfalix, os quais foram endossados por ele próprio, e cujo destino também restou ignorado; III – diversamente do sustentado pelo impugnante, seus contatos com a Alfalix não se limitavam ao Sr. Sebastião, vez que, conforme consta nos autos, foi mandatário de outras procurações subscritas pelo Sr. Carlos Rafael de Oliveira, filho do Sr. Sebastião e que neste voto terá ratificada a atribuição de responsabilidade atribuída pela fiscalização. 61. Tenho, assim, que o conjunto de fatos e circunstâncias descritas revela sua participação de fato na sociedade, à luz das premissas alhures estabelecidas neste voto, pelo que deve ser mantida a imputação de responsabilidade com fulcro no art. 124, I, do CTN. A fiscalização buscou demonstrar a existência de ligação entre o Sr. Danilo Martins, ora recorrente, e a empresa autuada por meio dos seguintes fatos: a) ter recebido procuração da empresa Alfalix para movimentar conta bancária junto ao Banco Santander, o que o fez com exclusividade, tendo emitido e assinado mais de 1.100 cheques em um ano; b) ter atuado como procurador para fins de movimentação de contas bancárias da empresa Filadélfia Locação e Construções Ltda, pertencente a Carlos Henrique de Oliveira, que também era sócio da Alfalix (e irmão de Sebastião Carlos de Oliveira, o outro sócio), nos anos de 2009 e 2010; c) ter sido beneficiário de transferências bancárias para a empresa Multimil, da qual é sócio, e para o seu sócio naquela empresa, Sr. Hissa Yuki Kaga; d) de ter faltado com a verdade ao declarar desconhecer os Srs. Carlos Rafael de Oliveira e Carlos Henrique de Oliveira, o que seria demonstrado pelas fichas de abertura de contas junto ao Banco Santander (a qual foi nomeado procurador para movimentála) assinada pelos dois sócios à época, e de ter sido também procurador da empresa Filadelfia Construções, na qual um dos sócios era o Sr. Carlos Henrique; e) que o Sr. Danilo Martins atuava junto à Prefeitura Municipal de Ortolândia, solicitando editais para a empresa Multimil, da qual é sócio, participar de concorrências públicas naquele município, tendo apurado a fiscalização que em ao menos três licitações no período a empresa Alfalix também participou, concluindo que: "[...]O que se nota é que aparentemente as duas empresas, ALFALIX e MULTIMIL, tem forte ligação, tendo em vista que o Sr. Danilo Martins, sócioadministrador da MULTIMIL foi procurador da ALFALIX e assinou mais de 1.000 cheques para pagamentos a fornecedores". Examinando os elementos apontados pela fiscalização para justificar a imputação da responsabilidade solidária, entendo que ficou bem demonstrada a ligação do Sr. Danilo Martins com negócios da empresa. Fl. 12539DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.540 12 Não obstante, a autoridade fiscal não conseguiu identificar qual o papel do Sr. Danilo Martins junto àquela empresa. A imputação fiscal de responsabilidade solidária foi feita com base no art. 135, inc. III e 124, inc. I do CTN. A recorrente alega falta da correta descrição dos fatos e de prova quanto à responsabilidade tributária solidária, o que ofenderia o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 Aponta ofensa à legalidade e à tipicidade, caracterizada pela falta de subsunção dos fatos às normas e inexistência da responsabilidade tributária previstas nos arts. 135, inc. III e 124, inc. I do CTN; Impõese analisar, diante dos fatos apontados, a imputação em face de cada um dos dispositivos citados. No que tange ao disposto no art. 135, III do CTN1, em que pese aponte a participação do Sr. Danilo Martins nos negócios da fiscalizada, em nenhum momento a autoridade fiscal identifica o referido sujeito passivo como sócio de fato e/ou gerente da empresa Alfalix, nem tampouco identifica quais atos teria praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos da autuada. Assim, entendo que tal enquadramento deve ser afastado. Com relação à imputação com base no art. 124, inc. I do CTN2, também não me parece ter ficado demonstrado o interesse comum do responsável solidário arrolado, na situação constitutiva do fato gerador. A autoridade fiscal até aponta alguns indícios de vinculação da empresa Multimil, da qual o Sr. Danilo Martins é sócio, com os negócios da fiscalizada (Alfalix), como p. ex. o recebimentos de valores por transferências bancárias e a participação em processos licitatórios junto ao município de Ortolândia. Mas não há qualquer demonstração de atuação conjunta das empresas em negócios, o que, ao menos em princípio, apontaria para a responsabilidade solidária daquela empresa e não necessariamente de seu sócio. Assim, entendo que não restaram efetivamente demonstradas as situações fáticas necessárias à imputação da responsabilidade do recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Danilo Martins. 1 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I[,,,] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 2 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...} Fl. 12540DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.541 13 3 Responsável Solidário Carlos Rafael Oliveira O responsável solidário acima indicado apresentou seu recurso voluntário em 27/12/2016, não tendo sido trazido aos autos o aviso de recebimento postal AR. No entanto, verificase que a intimação do resultado de julgamento foi assinada em 29/11/2016, ou seja, em prazo inferior a trinta dias da apresentação do recurso. Assim, tenho o recurso por tempestivo e dele conheço por atender aos pressupostos legais e regimentais. A acusação fiscal é de que o recorrente permaneceu como sócio de fato e à frente da gerência da empresa Alfalix, embora formalmente tenha se desligado da empresa em fevereiro de 2011, mediante a cessão de suas quotas ao seu pai, Sr. Sebastião Carlos de Oliveira. A situação reveladora seria a sua manutenção como responsável pela movimentação financeira da empresa junto ao Banco do Brasil até novembro de 2013, conforme informação prestada pelo gerente da agência daquela instituição financeira. A fiscalização aponta, também, que o recorrente foi beneficiário de diversos pagamentos efetuados pela empresa Alfalix no período após sua retirada formal do quadro societário. O recorrente, por sua vez, alega que a decisão recorrida deve ser reformada, pois não acolheu a alegação de nulidade da autuação, fundamentandose tão somente no fato do auto de infração ter sido lavrado por autoridade competente e, ainda, por não ter apreciado as alegações de inconstitucionalidades cometidas pela autoridade autuante, ao argumento de que falece competência à autoridade administrativa para tanto. O acórdão recorrido, assim se pronunciou sobre a alegação de nulidade, verbis: 11. Os impugnantes requereram a nulidade do procedimento fiscal, sob a alegação de erro na identificação do sujeito passivo e de inexistência das irregularidades tributárias. 12. Acerca das nulidades, cumpre transcrever o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) 13. O exame dos autos evidencia que não se caracterizou nenhuma das situações arroladas no supracitado dispositivo, inexistindo dúvidas quanto à competência da autoridade lançadora, nem havendo que se falar em preterição do direito de defesa em se tratando de atos administrativos de lançamento. Estes são impugnáveis na forma da legislação em vigor, garantindose, assim, a observância dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. 14. O que se constata é que o lançamento observou as prescrições contidas no Decreto n° 70.235, de 1972, bem assim no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estando demonstrados no Fl. 12541DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.542 14 processo a fundamentação legal, a matéria tributável e os fatos motivadores da autuação, permitindo aos impugnantes conhecerem todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhes todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. 15. No que concerne à alegação específica de que inexistiram as infrações, tratase de questão de mérito a ser oportunamente apreciada. De igual modo, a alegação de erro na identificação do sujeito passivo diz respeito à imputação de responsabilidade solidária, questão que será apreciada quando do exame de cada impugnação dos imputados. 16. De rejeitarse, portanto, a preliminar de nulidade. Das Arguições de Ilegalidade e Inconstitucionalidade 17. A exigência tributária, inclusive a aplicação da multa nos percentuais de 75% e de 150%, tem amparo legal nos dispositivos estampados nos autos de infração. 18. Acerca das alegações de inconstitucionalidade de normas, é cediço que não compete à autoridade administrativa o exame de tais matérias, cuja apreciação é atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. À autoridade administrativa tributária cumpre observar a norma nos termos em que editada, em conformidade com o que estatui o art. 142 do CTN. 19. A Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina o funcionamento das Delegacias de Julgamento, prevê, em seu art. 7º, que: Art. 7º São deveres do julgador: (...) V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Entendo que o acórdão recorrido enfrentou adequadamente as alegações da recorrente no que concerne às supostas nulidades. De igual modo, no que tange ao conhecimento das alegações de inconstitucionalidades, o que também se aplica a este colegiado, nos termos da Sumula CARF nº 2, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, rejeito as alegações de nulidade. No mérito, o recorrente alega que a fiscalização não apresentou nenhuma prova de que o recorrente praticava atos de gestão da empresa, bem como que praticou ato ilícito que tenha encobertado a obrigação tributária, que justifique a imputação da responsabilidade solidária. Sustenta que sua manutenção como responsável solidário é despida de amparo jurídico e fático pois o simples fato de ter assinado cheques da empresa a pedido de seu pai, proprietário da empresa, que se encontrava com problemas de saúde, não revela que tenha interesse comum na situação, que seja sócio de fato, ou que tenha agido em proveito próprio. Fl. 12542DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.543 15 Alega que as assinaturas de cheques da empresa após sua saída como sócio e a movimentação bancária em sua conta foram realizadas para ajudar seu pai que se encontrava enfermo (no ano de 2011) e impossibilitado em alguns momentos de assinar cheques para pagas contas e despesas da empresa. Da mesma forma, alega que, tendo em vista a existência de restrições judiciais para a movimentação financeira da conta bancária em nome da empresa, teria ensejado a movimentação de recursos da empresa em sua conta, conforme atestam declaração prestada pela Alfalix, que confirma seu desligamento como sócio e que não praticava atos de gestão ou de gerência da empresa. Ao contrário do que afirma o recorrente, me parece que a sua continuidade à frente dos negócios da empresa, mesmo após dela ter se retirado, é revelada pelo fato de se manter como o responsável pela movimentação financeira da conta bancária da Alfalix junto ao Banco do Brasil até o final de 2013, ou seja, mais de 2 anos após ter se retirado formalmente da empresa. A alegação de que teria apenas ajudado seu pai, temporariamente, ante aos problemas de saúde por ele enfrentados no período fiscalizado, além de carecer de comprovação efetiva, o que os laudos juntados aos autos não suprem, é contraditada ante a longa permanência como responsável pela movimentação financeira da empresa junto àquele banco. Ainda que seja verdadeira a alegação de que os recursos financeiros transferidos da empresa para suas contas pessoais para evitar bloqueios judiciais de recursos da Alfalix, e que tais recursos tenham sido aplicados no pagamento de despesas da empresa, o que não foi efetivamente comprovado, tal fato também demonstra o seu amplo envolvimento na gestão da empresa. Entendo que é irrelevante se o recorrente foi ou não beneficiado pessoalmente ou não dos referidos recursos, com vistas à identificação da responsabilidade atribuída em face da continuidade à frente da gestão da empresa, nos termos do art. 135, inc. III. A infração que possibilita, no caso concreto, a atribuição da responsabilidade decorre de sua continuidade de atuação como sóciogerente de fato, o que evidentemente excede os poderes fixados no contato social, e no que se refere à infração à lei, se consubstancia na prática dolosa de omissão de receitas da empresa, inclusive mediante a emissão de notas fiscais com número de ordem e série duplicados. A recorrente argumenta que, ainda se admitisse que o recorrente tenha praticado atos de gestão em 2011, após a sua saída do quadro social da empresa, não poderia ser responsabilizado, pois o auto de infração foi lavrado apenas em 2015, quatro anos depois de sua saída do quadro societário, e de acordo com o art. 1003 do Código Civil a responsabilidade do sócio perante terceiros é de até dois anos depois de sua saída devidamente averbada. O acórdão recorrido apreciou a questão, verbis: Fl. 12543DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.544 16 82. Reportase o impugnante ao art. 1.003 do Código Civil. Transcrevase o dispositivo: Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não terá eficácia quanto a estes e à sociedade. Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio. 83. A hipótese da norma é diversa da dos autos, haja vista que, nestes, houve a modificação do contrato social, além de que a sujeição passiva por responsabilidade está expressamente disposta no CTN, de sorte que não haveria por que aplicar legislação diversa (art. 108 do CTN3). Como bem aponta o acórdão recorrido, a atribuição de responsabilidade decorre de norma expressa do CTN. As disposições do Código Civil não se aplicam ao Fisco, pois tal relação é regida pela citada lei complementar. O recorrente alega também que a desconsideração da personalidade jurídica da empresa Alfalix para a pessoa dos sócio e exsócios, não obedeceu as previsões legais, pois não há provas de que o recorrente agiu com máfé, dolo, desídia ou desvio de finalidade e de que a inclusão do recorrente no polo passivo como responsável solidário desrespeitou o princípio da autonomia patrimonial da empresa em relação aos seus sócios. Afirma que não se comprovou a ocorrência de abuso de personalidade jurídica, previsto no art. 50 do Código Civil, para justificar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Equivocase o recorrente, pois não houve no presente caso a desconsideração da personalidade jurídica da empresa Alfalix, tanto que o lançamento foi realizado em seu nome como sujeito passivo principal. Como já dito, a atribuição de responsabilidade solidária na exigência do crédito tributário pelo Fisco decorre do CTN e, configurada a hipótese legal, prescinde de qualquer providência de desconsideração da responsabilidade do sujeito passivo principal. Assim, tampouco exige a comprovação da existência de abuso de personalidade jurídica. 3 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Fl. 12544DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.545 17 Por fim, o recorrente sustenta que é inaplicável ao presente caso a multa qualificada de 150%, pois não restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte da empresa autuada e do recorrente, revelandose excessiva e confiscatória, o que contraria os princípios da razoabilidade/proporcionalidade. A questão foi bem enfrentada no acórdão recorrido, verbis: Da Multa Qualificada 30. A multa no percentual de 150% foi aplicada na tributação decorrente de omissão de receita. A penalidade tem esteio no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (g.n.) 31. Para melhor clareza, transcrevo os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação Tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 32. Considerou a autoridade autuante que o sujeito passivo, ao omitir receitas e emitir notas fiscais com a mesma numeração e série para destinatários distintos, incorreu nas hipóteses previstas para a aplicação da multa qualificada. Fl. 12545DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.546 18 33. Arguem os impugnantes que a multa é ilegal, confiscatória e incabível, vez que não teria ocorrido a omissão de receita nem a emissão de notas de maneira fraudulenta. 34. Tenho que a omissão de receita não conduz, por si só, à conclusão de que houve evidente intuito de fraude ou de sonegação. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 14: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. 35. O caso concreto, no entanto, tem um componente a lhe conferir maior gravidade, qual seja, a emissão de notas fiscais com a mesma numeração e série, porém com destinatários, datas e valores distintos. Tais notas encontramse relacionadas no Termo de Verificação Fiscal e se acham copiadas às fls. 10.814/10.847. 36. Conforme comprovou a fiscalização, as notas em duplicidade de numeração foram confeccionadas pela mesma gráfica e mediante a mesma autorização, percebendose que os números das notas em duplicidade apresentam alinhamentos diferentes. Concluiuse, assim, que uma das notas foi impressa regularmente e a outra de forma irregular. 37. Entendo que a conduta acima descrita revestese de caráter doloso, tendose por presente, no caso concreto, a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, vez que patente a intenção de impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública. 38. Deve, por conseguinte, ser mantida a exasperação da multa. Não tenho reparos aos fundamentos acima transcritos, os quais adoto para rejeitar a alegação do recorrente. Entendo, porém que a responsabilidade solidária atribuída deve ser limitada à exigência decorrente da infração de omissão de receitas, à qual foi aplicada a multa qualificada em face da presença do intuito doloso, acima analisado, e que se caracteriza como infração à lei por parte do gestor da empresa. As demais infrações apuradas referemse tão somente à falta ou insuficiência no recolhimento de tributos que não podem ensejar a atribuição de responsabilidade solidária do sóciogerente. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário do responsável solidário Carlos Rafael de Oliveira, para manter a imputação da responsabilidade solidária tão somente com relação aos tributos devidos em face da apuração de omissão de receitas (item 12.4 do TVF). 3 Responsável Solidário Sebastião Carlos de Oliveira O responsável solidário acima indicado apresentou seu recurso voluntário em 27/12/2016, não tendo sido trazido aos autos o aviso de recebimento postal AR. No entanto, verificase que a intimação do resultado de julgamento foi assinada em 29/11/2016, ou seja, em prazo inferior a trinta dias da apresentação do recurso. Assim, tenho o recurso por tempestivo e dele conheço por atender aos pressupostos legais e regimentais. Fl. 12546DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.547 19 A fiscalização atribuiu, no Termo de Verificação Fiscal, a responsabilidade solidário ao sóciogerente Sebastião Carlos de Oliveira, tendo em vista que consta do contrato social da empresa que, a partir de 09/02/2011, o mesmo seria o único administrador da empresa, "muito embora seu filho Carlos Rafael de Oliveira continuasse assinando cheques em nome da empresa ALFALIX até 31/12/2011". A recorrente alega que a decisão recorrida deve ser reformada, pois não acolheu a alegação de nulidade da autuação, fundamentandose tão somente no fato do auto de infração ter sido lavrado por autoridade competente e, ainda, por não ter apreciado as alegações de inconstitucionalidades cometidas pela autoridade autuante, ao argumento de que falece competência à autoridade administrativa para tanto. Igual alegação foi feita pelo responsável solidário Carlos Rafael de Oliveira e devidamente afastada neste voto, de sorte que, pelas mesmas razões rejeito a alegação. No mérito a recorrente alega que a fiscalização não apresentou nenhuma prova de que o recorrente praticava atos de gestão da empresa, de forma contrária à lei, contrato social e estatutos, e/ou que praticou ato ilícito que tenha encobertado a obrigação tributária, que justifique a imputação da responsabilidade solidária. A imputação feita pela fiscalização decorre especialmente da disposição no contrato social que lhe dá poderes exclusivos de gestão da empresa a partir de fevereiro de 2011. Não obstante a manutenção do exsócio Carlos Rafael de Oliveira na gestão da empresa, o próprio recorrente em sua impugnação apresentada em conjunto com empresa Alfalix, buscou eximir a responsabilidade dos demais responsáveis solidários arrolados. No que concerne à caracterização da responsabilidade por infração à lei a mesma decorreu da apuração de omissão de receitas, inclusive mediante a utilização de artifícios doloso de emissão de notas fiscais com numeração duplicada, como bem apontou o acórdão recorrido, verbis: 50. No Termo de Verificação Fiscal, informa a autoridade lançadora que o Sr. Sebastião Carlos de Oliveira foi admitido na sociedade em 09/02/2011, data em que se retirou o Sr. Carlos Rafael de Oliveira (filho do Sr. Sebastião). Ao Sr. Sebastião Carlos coube a exclusiva administração da fiscalizada, tendo dela recebido pagamentos ao longo do ano de 2011. Concluiu a fiscalização que “fica evidente sua participação na empresa, como administrador e como beneficiário, sendo incluído como sujeito passivo solidário”. 51. Sendo o impugnante sócio gerente da autuada, não cabe, de acordo com as premissas ora estabelecidas, sua responsabilização com base no art. 124, I, do CTN. Dada a sua condição de administrador, somente se lhe pode imputar responsabilidade pelo crédito tributário decorrente de ato praticado com excesso de poderes, violação à lei, ao contrato ou ao estatuto, nos termos do art. 135, III, do CTN. 52. Recorrase uma vez mais à Nota GT Responsabilidade Tributária nº 1, de 2010: (...) Fl. 12547DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.548 20 115. É importante verificar, também, se todas as infrações se caracterizam na hipótese da responsabilidade tributária. Por exemplo: se a responsabilidade ocorre por infração à lei, porque o sócio calçou notas fiscais, e também foi detectada dedução de despesas indedutíveis, o lançamento das despesas não pode responsabilizar os sócios, (...). No entanto, se a caracterização do art. 135 do CTN decorre de dissolução irregular, todas as infrações estão abrangidas, vez que, neste caso, o lançamento abrangerá todo o período fiscalizado anterior a esta. (...) 53. No caso dos autos, a meu ver, apenas a infração caracterizada como omissão de receitas enquadrase nas hipóteses do art. 135, III, do CTN, não se lhes amoldando as duas outras infrações, quais sejam, a utilização incorreta do percentual de presunção do lucro e a inadimplência no recolhimento/declaração em DCTF dos tributos. Acerca do tema, a Súmula STJ nº 430, de 24 de março de 1010: Inadimplemento da Obrigação Tributária Responsabilidade Solidária do SócioGerente O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. 54. [...] 55. A alegação do impugnante de que se encontrava enfermo durante o ano de 2011 não o exime da responsabilidade, visto que os documentos que acostou aos autos não constituem prova de que haja se afastado da direção da empresa no período em questão. 56. Deve, assim, ser confirmado o vínculo de responsabilidade solidária do impugnante pelo crédito correspondente à omissão de receitas, excluindoo do polo passivo em relação às duas outras infrações. Entendo que, com efeito a infração à lei restou caracterizada com relação à infração de omissão de receitas, à qual foi completamente aplicada a multa qualificada, conforme anteriormente analisado. Assim, estabelecido o poder de gerência da empresa por parte do responsável solidário e a prática de infração dolosa à lei tributária de omissão de receitas, é de se mantida a responsabilidade, nos termos do art. 135, inc. III do CTN. Os demais argumentos do recorrente são idênticos aos apresentados pelo responsável solidário Carlos Rafael de Oliveira, que foram examinados e afastados acima. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do Responsável Solidário Sebastião Carlos de Oliveira. 4. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário do contribuinte principal Alfalix Ambiental, de dar provimento ao recurso voluntário do Fl. 12548DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.549 21 responsável solidário Danilo Martins, e de dar provimento parcial ao recurso do responsável solidários Carlos Rafael de Oliveira e de negar provimento ao recurso de Sebastião Carlos de Oliveira. Recurso de Ofício Tratase de apreciar recurso de ofício interposto pela DRJRecife, em face da decisão que excluiu do polo passivo o responsável solidário Sandro Grisote. O acórdão recorrido transcreveu no voto as razões da imputação feita pela autoridade fiscal no TVF, verbis: 71. Consta, nos autos de infração: (...) SANDRO LUIZ GRISOTE Responsabilidade Solidária de Fato (...) Os motivos desta sujeição passiva solidária encontramse descritos no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. (...) Art. 124, I, da Lei nº 5.172/66 (...) 72. Termo de Verificação Fiscal: (...) 14.4 SANDRO LUIZ GRISOTE – CPF 056.808.26801 Incluído como representado, em razão dos seguintes motivos: a) Consta na Declaração DIRPF (fls. 7263 e 7264), entregue à RFB, que a “Ocupação Principal” do Sr. Sandro, no anocalendário de 2011, era “gerente ou supervisor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços”. Conforme informações da GFIP (fls. 10851), o Sr. Sandro Luiz Grisote ocupa função na fiscalizada de “Gerentes administrativos, financeiros e de riscos”. Não obstante as informações acima, o Sr. Sandro declarou a esta Fiscalização, por meio do Termo de Declarações e Esclarecimentos (fls. 7267 a 7272), que seria Assistente Administrativo. b) Consta na mesma Declaração DIRPF (fls. 7263 e 7264), entregue à RFB, que auferiu salários no valor anual de R$ 49.800,00, pagos pela fiscalizada, no entanto, esta Fiscalização comprovou, por meio de informações obtidas pelas instituições financeiras, que o Sr. Sandro Luiz Grisote recebeu o valor total de R$ 759.948,38 no anocalendário de 2011, cujas transferências foram feitas por meio de Transferência Eletrônica Disponível TED, e cheques, conforme consta na pergunta Fl. 12549DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.550 22 nº 7 do Termo de Declarações e Esclarecimentos (fls. 7267 a 7272). Em resposta, foi alegado pelo Sr. Sandro que tais recebimentos de valores referiamse a pagamentos de salários e fornecedores, pois a fiscalizada estava com bloqueio devido à ações judiciais; c) Foram prestadas as informações, abaixo relacionadas, pelo Sr. Marco Antônio Hernandes, CPF 034.588.48843, gerente de relacionamentos da Agência do Banco do Brasil S/A, em Monte AltoSP, por meio do Termo de Declarações e Esclarecimentos (fls. 7276 a 7279): “... 4 Perguntado ao declarante se compareceu pessoalmente na sede da empresa ALFALIX e com quais pessoas manteve contato, foi respondido que compareceu duas vezes e que conversou com o Carlos Rafael de Oliveira e também com o funcionário Sandro, responsável pelo departamento financeiro; 5 Perguntado ao declarante quem comparecia nesta Agência para realizar as operações bancárias, foi respondido que compareciam nesta Agência eram o sócio Carlos Rafael de Oliveira e o funcionário Sandro, porém, compareciam diretamente no caixa; ... 7 – Constatado, por esta Fiscalização, que houve muitos saques, nesta Agência, de valores relevantes na “boca do caixa”, relativos à contacorrente pertencente à empresa ALFALIX. Perguntado ao declarante quem fazia referido saques, foi respondido que, de acordo com a supervisora dos caixas Sra. Lucimara, quem sacava era, na maioria das vezes, a esposa do Carlos Rafael de Oliveira e o funcionário da empresa Sandro; ... 9 – Constatado por esta Fiscalização que foi emitido, em 16/02/2011, pela empresa ALFALIX o cheque nº 066020, no valor de R$ 140.000,00, e referido documento foi assinado pelo Sr. Carlos Rafael de Oliveira, tendo como beneficiário o próprio emitente. Consta, no verso do citado cheque, que tal quantia foi sacada mediante confirmação da emissão do cheque pela pessoa de nome Sandro. Perguntado ao declarante qual o motivo da necessidade de confirmação, tendo em vista que o beneficiário era o próprio sócio da empresa, foi respondido que provavelmente foi outra pessoa que compareceu nesta Agência para efetuar o saque, daí a necessidade da confirmação; 10 – Perguntado ao declarante se haveria algum documento que autorizaria ao Sr. Sandro confirmar a emissão do cheque citado no item anterior, foi respondido que não havia documento informando que o Sr. Sandro poderia confirmar a emissão de cheques, porém, era notório o conhecimento, por parte dos funcionários desta Agência, que quem tinha o controle e as informações referentes à emissão de cheques, era o funcionário da empresa Sr. Sandro.” (destaque meu) d) Foi declarado pelo contador responsável da fiscalizada, Sr. Adilson Aparecido Mantovani, CPF 091.158.76837, conforme consta na resposta à pergunta nº 20 do Termo de Declarações e Esclarecimentos (fls. 1988 a 1991), que os responsáveis pela administração da empresa eram as pessoas Sebastião Carlos de Oliveira, a Sra. Flávia Marangoni, pela contabilidade, e o Sr. Sandro Luiz Grisote pelo departamento financeiro. Em declaração prestada a esta Fiscalização, por meio do Termo de Declarações e Esclarecimentos (fls. 7276 a 7279), o Sr. Marco Antônio Hernandes, CPF 034.588.48843, na função de Gerente de Relacionamentos do Banco do Brasil S/A, em Monte AltoSP, informou que “compareceu duas vezes na sede da empresa Fl. 12550DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.551 23 Alfalix e entrou em contato com o Sr. Carlos Rafael de Oliveira, e também com o funcionário Sandro, responsável pelo departamento financeiro.” Ficou constatado, por esta Fiscalização, que a fiscalizada manteve a conta corrente nº 130015966, Agência 0643, no Banco Santander Brasil S/A, no Município de BarueriSP, e que nesta conta houve créditos no valor total de R$ 7.640.061,88, e que a única pessoa que assinou cheques referentes a esta conta era o Sr. Danilo Martins, CPF 169.280.10827. Conforme Termo de Declarações e Esclarecimentos (fls. 7267 a 7272), o Sr. Sandro Luiz Grisote declara que a empresa não outorgou procurações a terceiros e, também, que não conhece o Sr. Danilo Martins. Aqui fica a pergunta: como é possível ser alguém responsável financeiro por uma empresa, e desconhecer a pessoa física que assina os cheques referentes a uma conta que movimentou R$ 7.640.061,88 em um ano? e) Também foi declarado, pelo Sr. Sandro Luiz Grisote, que a atividade da fiscalizada era somente de coleta de lixo. Verificando a relação das notas fiscais referentes às receitas de prestação de serviços, auferidas pela fiscalizada, constatase que R$ 16.645.258,63 referemse à construção e mão de obra para os seguintes órgãos públicos: Fundo Municipal de Saúde de São Carlos e as Prefeituras de Altinópolis, Barretos, Guaíra, Hortolândia, Paulínia, São José do Rio Preto, São José do Rio Pardo e São Carlos. Em relação à Prefeitura Municipal de Hortolândia, todos os serviços a ela prestados referemse à mão de obra e materiais aplicados na construção civil. Em diligência junto na empresa fornecedora de materiais de construção denominada Rodrigo Fragnan – EPP, CNPJ 10.847.414/000104, no município de Hortolândia (SP), o sócioproprietário Sr. Rodrigo Fragnan, CPF 327.435.28885, prestou as seguintes informações, conforme Termo de Declarações e Esclarecimentos (fls. 7303 a 7317): “... 2 ... 3 – Perguntado ao declarante quem eram as pessoas da ALFALIX que entravam em contato com sua empresa, foi respondido que eram o Sandro e Fidélis, ambos da cidade de Monte AltoSP; 4 – Perguntado ao declarante como eram efetuadas as vendas de materiais de construção e os respectivos recebimentos, foi respondido que as vendas eram por telefone ou pessoalmente pelo engenheiro Henrique. Os pagamentos eram efetuados sempre por meio de contato com o Sandro, que era uma das pessoas que faziam pedidos de materiais e liberava os pagamentos; 5 – Perguntado ao declarante se conheceu o Sr. Danilo Martins que foi a pessoa que assinava os cheques para pagamento dos materiais fornecidos, foi respondido que não conhecia esta pessoa, porém, estranhou que os cheques referentes aos recebimentos eram assinados pela referida pessoa. Em contato com o Sr. Sandro, responsável da empresa em Monte AltoSP, foi informado que o Sr. Danilo Martins era o dono da empresa ALFALIX, no entanto, nunca conseguiu falar com ele;” (destaque meu) Analisando as informações acima, fica difícil entender como é possível o responsável pelo departamento financeiro fazer compras de materiais de construção, autorizar a emissão de cheques que os respectivos pagamentos, ser responsável pelos recebimentos dos valores dos sérvios prestados, e declarar que a atividade da empresa era somente coletade lixo. Além disso, sendo o Sr. Sandro Luiz Grisote responsável pela departamento financeiro, como não saberia informar quem movimenta determinada conta corrente que movimentou, em um ano, R$ R$ 7.640.061,88? Fl. 12551DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.552 24 Portanto, concluise pela participação do Sr. Sandro Luis Grisote, nos negócios da empresa fiscalizada ALFALIX, portanto, será incluído no rol de sujeito passivo solidário. (...) O colegiado recorrido acatou a impugnação do responsável solidário, ora recorrido, verbis: 73. Os fatos narrados não conduzem à conclusão de que o impugnante era sócio de fato da empresa. Alinho as razões: I na DIRPF consta que o impugnante exercia o cargo de gerente ou supervisor da empresa, porém declarou à autoridade fiscal que sua função era de assistente administrativo. Também declarou, apesar de ser responsável financeiro da empresa, não conhecer o Sr. Sandro Martins, o qual assinou cheques em vultoso montante. De outra banda, declarou que a atividade da empresa era somente de coleta de lixo, tendo a fiscalização verificado a existência de notas fiscais referentes à construção civil. Não há liame entre essas supostas contradições e o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. O teor das declarações do Sr. Sandro, ainda que provadas inverídicas, não guarda relação com fatos geradores tributários, sendo descabido concluirse pela sua participação na sociedade a partir das afirmações supostamente incongruentes. II as declarações prestadas pelo gerente de relacionamento do Banco do Brasil em Monte Alto dão conta de que o Sr. Sandro era responsável pelo departamento financeiro da Alfalix e que era notório, por parte dos funcionários da agência, que “quem tinha o controle e as informações referentes à emissão de cheques era o funcionário da empresa Sr. Sandro”. Já o contador da Alfalix declarou que a administração da sociedade era exercida pelo Sr. Sebastião Carlos de Oliveira e que o Sr. Sandro era responsável pelo departamento financeiro, enquanto um funcionário de empresa fornecedora de materiais declarou que seus contatos na Alfalix eram realizados através das pessoas Sandro e Fidélis e que “os pagamentos eram efetuados sempre por meio de contato com o Sandro, que era uma das pessoas que faziam pedidos de materiais e liberava os pagamentos”. A meu ver, as informações veiculadas pelos declarantes são no sentido de que o Sr. Sandro era apenas responsável pelo departamento financeiro, ou seja, empregado da empresa, e não seu sócio de fato. III relato da fiscalização: i) o Sr. Sandro declarou rendimentos anuais no valor de R$ 49.800,00, entretanto recebeu transferências que importaram em R$ 759.948,38; ii) o Sr. Sandro efetuava saques de valores relevantes na “boca do caixa”; iii) cheque da Alfalix no valor de R$ 140.000,00 foi assinado pelo Sr. Carlos Rafael de Oliveira, tendo ele próprio como beneficiário, porém consta no verso do cheque que a quantia foi sacada mediante confirmação de pessoa de nome Sandro. Essa última ocorrência não me parece relevante, pois é compreensível que, para liberar saque em valor tão expressivo, a instituição financeira exija uma ratificação de pessoa responsável pela área financeira da empresa emitente do cheque. Também entendo plausível a alegação do impugnante de que os depósitos em sua conta deviamse aos bloqueios judiciais a que estava sujeita a Fl. 12552DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.553 25 Alfalix, parecendome coerente que, por essa razão, efetuava os saques destinados a pagamentos de obrigações da empresa. Socorrase, uma vez mais, do tributarista Marcos Vinicius Neder: (...) 7.3. Solidariedade entre a pessoa jurídica e terceiros (sócios ocultos) As hipóteses em que terceiros são chamados a responder solidariamente por débitos de uma pessoa jurídica nunca foi de fácil percepção. É indispensável, nesses casos, conhecer o contexto em que os vínculos entre as operações da pessoa jurídica e do terceiro interessado se concretizaram. (g.n.) A interposição de pessoas pode apresentarse sob a forma fictícia (por simulação ou fraude), na qual a pessoa jurídica interposta realiza negócios jurídicos em nome próprio, mas os respectivos efeitos econômicos são repassados exclusivamente à esfera do interponente (sócio oculto). Essa pessoa física ou jurídica, titular de capacidade contributiva e que normalmente ocuparia o polo passivo da obrigação tributária, utilizase de um terceiro (“laranja’) com a finalidade de omitir o verdadeiro negócio jurídico e, por conseguinte, furtarse a declarar os rendimentos auferidos. Nesse cenário, a pessoa interposta ocupa juridicamente a posição de sóciogerente da sociedade, mas sua atuação não vai além de mera aparência, sem evidenciar nenhum poder efetivo de decisão e sem compartilhar da vantagem proveniente da renda evadida. (in Responsabilidade Tributária / coordenadores Maria Rita Ferragut, Marcos Vinicius Neder – São Paulo: Dialética, 2007, pp. 44/45) 74. Penso que o simples fato de ter recebido depósitos em sua conta não é suficiente para caracterizar um vínculo com a situação que constituiu o fato gerador do imposto. Não o torna, enfim, sócio de fato da empresa, mormente em sendo ele empregado da pessoa jurídica. Sendo caso, cabível cogitarse de tributação dos valores recebidos, já que não declarados pela pessoa física, mas a questão refoge aos autos. Acresçase inexistir, nas peças processuais, qualquer documento que comprove que a ora impugnante detinha poderes de gerência ou representação da autuada. 75. Deve, assim, ser o impugnante Sandro Luiz Grisote ser excluído do polo passivo da obrigação tributária. Em consequência, conforme já explicitado anteriormente, deixo de apreciar suas arguições acerca da multa de ofício. 76. Ainda conforme relatado, o impugnante apresentou defesa contra o arrolamento de seus bens. A questão não será apreciada: i) por intempestiva a defesa, ii) por incompetência das delegacias de julgamento para apreciar a matéria e iii) por perda de objeto, dada a exclusão da pessoa do polo passivo. (destaquei) Entendo que está correta a decisão recorrida ao exonerar a responsabilidade solidária imputada ao Sr. Sandro Grisote, ora recorrido. O conjunto de indícios que justificariam a imputação, sob o ponto de vista da autoridade fiscal, na maior parte corroboram apenas que o referido sujeito passivo arrolado exercia cargo de gerência financeira e/ou comercial na empresa autuada e não há indício de que tenha participação como sócio oculto da empresa. Fl. 12553DF CARF MF Processo nº 15956.720134/201513 Acórdão n.º 1302002.817 S1C3T2 Fl. 12.554 26 As transferências financeiras recebidas da empresa, que causam alguma estranheza, foram justificadas como tendo sido feitas com vistas a evitar bloqueios judiciais em face das dificuldades financeiras porque teria passado a empresa. Embora o responsável arrolado tenha carreado aos autos apenas cópias de extratos de consultas de processos trabalhistas e de execução movidos contra a Alfalix e não tenha demonstrando que os valores a ele transferidos tiveram como destino o pagamento de contas e despesas da recorrente penso que, por outro lado, a fiscalização também não trouxe qualquer elemento de comprovação de que tais valores o beneficiaram diretamente. Entendo que para configurar a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inc. I do CTN seria necessário que o Fisco comprovasse o interesse comum nas situações constitutivas do fato gerador, ou seja que ficasse comprovado que as transferências teriam sido feitas para ocultar as receitas, como poderia sugerir, por exemplo, o recebimento direto por parte do sujeito passivo arrolado de recebimentos que seriam destinados à empresa, unicamente com o objetivo de escamotear o fato gerador perante o Fisco. No caso concreto, os recurso transitaram nas contas da empresa e dela foram transferidos ao responsável arrolado, inexistindo nexo causal entre tais transferências e a omissão de receita apurada pela fiscalização. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO GERAL Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário do contribuinte principal Alfalix Ambiental; de dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Danilo Martins; de dar provimento parcial ao recurso do responsável solidários Carlos Rafael de Oliveira e de negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Sebastião Carlos de Oliveira e, ainda, de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 12554DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000472/2009-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.120
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 72 /2 00 9- 31 Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10925.000472/200931 Acórdão n.º 9303007.120 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.216, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10925.000472/200931 Acórdão n.º 9303007.120 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10925.000472/200931 Acórdão n.º 9303007.120 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10925.000472/200931 Acórdão n.º 9303007.120 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10925.000472/200931 Acórdão n.º 9303007.120 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10925.000472/200931 Acórdão n.º 9303007.120 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10925.000472/200931 Acórdão n.º 9303007.120 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10925.000472/200931 Acórdão n.º 9303007.120 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10925.000472/200931 Acórdão n.º 9303007.120 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10925.000472/200931 Acórdão n.º 9303007.120 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 761DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.902789/2011-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL.
É válida e não caracteriza qualquer nulidade a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n.º 9).
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.278
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida e não caracteriza qualquer nulidade a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n.º 9). PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 27 89 /2 01 1- 61 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10875.902789/201161 Acórdão n.º 1002000.278 S1C0T2 Fl. 74 2 declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 51/66) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 41/45), proferida em sessão de 27 de agosto de 2013, consubstanciada no Acórdão n.º 0247.295, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/14) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 06/06/2011 (efl. 26), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 27357.58107.120707.1.3.042437, transmitido em 12/07/2007, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10875.902789/201161 Acórdão n.º 1002000.278 S1C0T2 Fl. 75 3 Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n.º rastreamento 932724597 emitido eletronicamente em 06/06/2011, referente ao PER/DCOMP n.º 27357.58107.120707.1.3.042437. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a SIMPLES – Código de Receita 6106, no valor original na data de transmissão de R$ 768,34, representado por Darf recolhido em 11/06/2004 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n.º 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa; que conforme disciplinado no art. 215 do Código de Processo Civil as pessoas jurídicas devem ser citadas nas pessoas de seus representantes legais, indicadas em seus estatutos sociais; que o Despacho Decisório não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei e dessa forma trás consigo a nulidade do ato praticado e a nulidade do processo, sendo assim requer seja declarada a nulidade da notificação do DD, entregue sem a observância da lei, contrariando os arts. 214, 215 e 247 do Código Processo Civil; que o fato gerador do PIS/COFINS é o faturamento; que o valor do ICMS destacado na nota fiscal da Manifestante é para simples registro contábil fiscal, sendo que em hipótese alguma deve ser incluído na base de cálculo do PIS. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10875.902789/201161 Acórdão n.º 1002000.278 S1C0T2 Fl. 76 4 Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/05/2004 6106 R$ 4.645,90 11/06/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado Efl. 26 R$ 4.645,90 DB: cód 6106 PA 31/05/2004 R$ 4.645,90 Valor Total R$ 4.645,90 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Com base nesse postulado (possibilidade de os indícios servirem de fundamento para uma sentença condenatória), seria razoável concluir que, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, em processos de restituição, ressarcimento ou compensação, em que cabe ao contribuinte a prova de seu direito, a DRF estaria autorizada a negar o pedido, com base em indício que aponte para a inexistência ou insuficiência de crédito. Frisase que, na fase que precede a decisão de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação, ainda não há contraditório, de modo que aquele indício será objeto de contestação pelo contribuinte e apreciação pela DRJ, juntamente com outras provas produzidas no processo. Nesse sentido, o contribuinte não apresenta nada que conteste o fundamento do despacho decisório. Nele, está consignado que o Darf foi integralmente utilizado para o pagamento do débito declarado pelo contribuinte, não restando saldo para operar a compensação. Limitase a questionar a legalidade da legislação que regula o instituto da compensação e defender o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. Não apresenta nenhuma documentação fiscal em favor de seu suposto crédito. EXCLUSÃO DE ICMS A base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. Somente a lei pode modificar a base de cálculo do tributo. A legislação do PIS/PASEP e da COFINS prevê exclusões da base de cálculo. Especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, excluemse da receita bruta o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos regimes. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10875.902789/201161 Acórdão n.º 1002000.278 S1C0T2 Fl. 77 5 Admitir qualquer outra exclusão, equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão não é sequer válida em sede de julgamento administrativo. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 30/09/2013, segundafeira, efls. 46/48, e protocolo em 17/10/2013, efl. 49), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Preliminar ao conhecimento do mérito Aduz o recorrente que a notificação acerca das conclusões do despacho decisório foi nula, uma vez que não foi pessoal ao representante legal, em que pese ter sido entregue na sede da pessoa jurídica, e, por conseguinte, tornaria todo o procedimento nulo, além disto alegou temática constitucional para objetivar seu argumento. Aprecio a questão a título de Preliminar e, desde logo, afastoa, haja vista se tratar de tema sumulado no contencioso administrativo. Deveras, a Súmula CARF n.º 9 enuncia que: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10875.902789/201161 Acórdão n.º 1002000.278 S1C0T2 Fl. 78 6 A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 10246574, de 01/12/2004, 10420408, de 26/01/2005, 10614266, de 21/10/2003, 10707076, de 20/03/2003, 10807562, de 16/10/2003, 20168026, de 20/05/1992, 202 08457, de 21/05/2003, 20209572, de 14/10/1997, 20171773, de 02/06/1998, 20306545, de 09/05/2000. Demais disto, tornouse vinculante conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Quanto ao tema constitucional, temse a Súmula CARF n.º 2 enunciando que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 10194876, de 25/02/2005, 10321568, de 18/03/2004, 10514586, de 11/08/2004, 10806035, de 14/03/2000, 10246146, de 15/10/2003, 20309298, de 05/11/2003, 201 77691, de 16/06/2004, 20215674, de 06/07/2004, 20178180, de 27/01/2005, 20400115, de 17/05/2005. Vejase, o processo de compensação é regido pelo rito processual do Decreto n.º 70.235, de 1972, conforme disciplina o art. 74, § 11, da Lei 9.430, de 1996, sendo certo que as intimações ou notificações poderão ser feitas por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo contribuinte (Decreto 70.235, art. 23, II), aliás, para fins de intimação, considerase domicílio tributário o endereço postal fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à Administração Tributária (Decreto 70.235, art. 23, § 4.º, I). De mais a mais, não há prova de qualquer prejuízo para a defesa, não houve preterição do direito de defesa, não se observa quaisquer das causas de nulidades listadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Sendo assim, afasto a preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10875.902789/201161 Acórdão n.º 1002000.278 S1C0T2 Fl. 79 7 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da utilização integral do valor recolhido, de modo a não restar saldo residual para restituição, demais disto não havendo causa de indébito, vale dizer, o DARF foi alocado em efetivo recolhimento de crédito tributário devido. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. No recurso voluntário o contribuinte defende o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, de modo que, por decorrência desta premissa, passaria a haver saldo relativo ao recolhimento (recolhimento a maior), porém não vejo como dar provimento ao pleito vindicado. Primeiro, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez em eventuais hipotéticos créditos que pudessem ser apurados a partir da eventual exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, visto que inexiste apuração ou elementos documentais que possibilitassem efetivar o respectivo levantamento. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. É ônus primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Segundo, a matéria concernente à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS vem sendo debatida judicialmente há muitos anos, defendendo os contribuintes que a receita decorrente do ICMS não configura faturamento e, portanto, sobre ela não poderia incidir o PIS/COFINS. O debate tem cunho constitucional, pois depende da declaração de inconstitucionalidade de lei e, neste caso, o Colegiado não pode adentrar na temática, sendo assunto sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2 que reza: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Aliás, recentemente, em sessão de 15/03/2017, sob a sistemática de julgamento de recursos extraordinários repetitivos, o Supremo Tribunal Federal (STF) Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10875.902789/201161 Acórdão n.º 1002000.278 S1C0T2 Fl. 80 8 julgou a problemática, mas ainda não definitivamente, face à Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no qual consta pedido de fixação de modulação de efeitos, conforme pode ser analisado nas pesquisas públicas acerca do Recurso Extraordinário RE n.º 540.706/PR, tendo sido fixada a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS”. Por conseguinte, como a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs recurso de Embargos de Declaração, requerendo, inclusive, modulação de efeitos da decisão proferida pelo Colegiado Constitucional, sobrestouse o curso do trânsito em julgado da decisão, não se podendo falar em decisão definitiva. Nesse contexto, a decisão proferida pelo STF, em que pese ter adotado tese favorável aos contribuintes, ainda não se reveste do atributo da definitividade, haja vista a pendência de julgamento do recurso supramencionado. Logo, ressalvando posicionamento pessoal deste relator acerca da desnecessidade de trânsito em julgado para percepção dos efeitos vinculante da decisão proferida em sede de julgamento de recurso extraordinário repetitivo pelo STF, nos termos do artigo 927, inciso III, do Novo Código de Processo Civil, entendo aplicável, no presente caso, a Súmula n.º 2 do CARF. Observo, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento da impossibilidade de conhecer questão constitucional ao dispor que: “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Por fim, cumpre destacar que a Receita Federal do Brasil expediu a Solução de Consulta DISIT/SRRF06 n.º 6.012, de 31 de março de 2017, na qual dispôs o seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para a COFINS devida nas operações realizadas no mercado interno. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 19, II, da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, sobre matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, vincula a Administração tributária, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a constituição dos respectivos créditos tributários. Entretanto, inexiste ato declaratório que trate sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para a COFINS incidente nas operações internas. A matéria, atualmente objeto de Ação Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10875.902789/201161 Acórdão n.º 1002000.278 S1C0T2 Fl. 81 9 Declaratória de Constitucionalidade, encontrase aguardando decisão definitiva de mérito, que seja vinculante para a Administração Pública. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 137, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n.º 87/1996, art. 13; Lei n.º 5.172/1966, art. 111; Lei n.º 8.981/1995, art. 31; Lei n.º 9.718/1998, arts. 2.º e 3.º; Lei n.º 10.522/2002, art. 19; DecretoLei n.º 406/1968, art. 2.º; Parecer Normativo CST n.º 77/1986, e Convênio ICM n.º 66/1988, art. 2.º. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 19, II, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, sobre matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, vincula a Administração tributária, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a constituição dos respectivos créditos tributários. Entretanto, inexiste ato declaratório que trate sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente nas operações internas. A matéria, atualmente objeto de Ação Declaratória de Constitucionalidade, encontrase aguardando decisão definitiva de mérito, que seja vinculante para a Administração Pública. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 137, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n.º 87/1996, art. 13; Lei n.º 5.172/1966, art. 111; Lei n.º 8.981/1995, art. 31; Lei n.º 9.718/1998, arts. 2.º e 3.º; Lei n.º 10.522/2002, art. 19; DecretoLei n.º 406/1968, art. 2.º; Parecer Normativo CST n.º 77/1986, e Convênio ICM n.º 66/1988, art. 2.º. Com efeito, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para definição de base de cálculo de tributo ou para definição dos limites semânticos de conceitos adotados pelo constituinte na instituição de tributos, como é o caso da discussão envolvendo a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, para fins de constituição de créditos contra a Administração Tributária passíveis de compensação, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que deu suporte à Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10875.902789/201161 Acórdão n.º 1002000.278 S1C0T2 Fl. 82 10 atividade arrecadatória, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 82DF CARF MF
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