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Numero do processo: 15578.720048/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a que seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de IRPJ, em relação ao ano-calendário de 2008, até a data de apresentação da DComp nº 34162.67009.240712.1.3.02-4191, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a que seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de IRPJ, em relação ao ano-calendário de 2008, até a data de apresentação da DComp nº 34162.67009.240712.1.3.02-4191, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.259 1 1.258 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.720048/201301 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.516 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de agosto de 2017 Assunto Declaração de Compensação Recorrente BRAZIL TRADING Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a que seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de IRPJ, em relação ao ano calendário de 2008, até a data de apresentação da DComp nº 34162.67009.240712.1.3.024191, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente Substituta. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.121 a 1.143) interposto contra o Acórdão nº 0130.315, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 1.107 a 1.113), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .7 20 04 8/ 20 13 -0 1 Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 15578.720048/201301 Resolução nº 1302000.516 S1C3T2 Fl. 1.260 2 A Manifestação de Inconformidade (fls. 707 a 805) foi apresentada contra o Parecer Seort nº 346/2014 e Despacho Decisório nele embasado (fls. 686 a 695), que não homologaram as compensações declaradas nas Declarações de Compensação (DComp) n° 37394.39519.250712.1.7.024260, 09373.45405.241012.1.3.026206, 22000.38388.161112.1.3.026690, 26448.13785.200613.1.3.020802, 22138.72768.280613.1.3.021737, 27773.17684.180713.1.3.021502, 35631.73080.290813.1.3.027771 e 38087.08104.181213.1.3.022504. O crédito envolvido nas referidas DComp tem por origem saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2008 (fls. 53 a 99) e alterado por meio de lançamento de ofício de que trata o processo administrativo nº 15578.720163/201378. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. Voto Como dito, contra o Recorrente, foi lavrado Auto de Infração que alterou o crédito que deu suporte à apresentação das DComp de que trata o presente processo. Contudo, tanto o Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo, quanto o Acórdão que tratou da impugnação a ele e o Parecer Seort nº 346/2014 consideraram como pagos apenas os valores retidos na fonte e os recolhimentos realizados até o encerramento do exercício. Ocorre que o sujeito passivo sustenta, na DComp que discrimina o crédito (DComp nº 37394.39519.250712.1.7.024260, que retificou a de nº 34162.67009.240712.1.3.024191) e no Recurso Voluntário, a existência de parcelamentos, quitação posterior e compensação de valores de estimativas do IRPJ. O Parecer Seort nº 346/2014 reconhece a existência de parcelamentos, desconsiderandoos por terem sido realizados após o encerramento do exercício. A par disso, o mesmo Parecer afirma que todas as DComp apresentadas pelo Recorrente para compensar estimativas de IRPJ no anocalendário de 2008 foram consideradas como não declaradas, mas, contraditoriamente, relata que os débitos foram inscritos em Dívida Ativa da União. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de IRPJ, tem efeito direto na análise das DComp de que trata o presente processo. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Vitória/ES), para que: a) informese, dos totais de estimativas de IRPJ que compuseram o crédito informado na DComp nº 37394.39519.250712.1.7.024260, quais os montantes que efetivamente foram objeto de pagamento, Dcomp e/ou de parcelamento até a data de apresentação da DComp nº 34162.67009.240712.1.3.024191; Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 15578.720048/201301 Resolução nº 1302000.516 S1C3T2 Fl. 1.261 3 b) detalhese, para cada mês do referido anocalendário, o desfecho de cada uma das DComp eventualmente apresentadas e/ou parcelamentos eventualmente formalizados referentes a estimativas de IRPJ, com indicação do número do processo administrativo correspondente; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado. Chamo a atenção para a relação de decorrência existente entre este processo e o de nº 15578.720163/201378, no âmbito de qual foi solicitada diligência similar à Unidade de origem, os quais deverão ser julgados conjuntamente por este CARF. Destaco, por fim, para a relação de decorrência deste processo com o de nº 15578.720045/201441, referente a multa pela nãohomologação das DComp aqui tratadas, de modo que o julgamento daquele deverá ser realizado após o julgamento de mesma instância deste ou ser realizado conjuntamente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.722153/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN.
Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP.
Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170A DO CTN. Nos termos do art. 170A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 21 53 /2 01 3- 75 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 436 2 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10320.722153/201375, em face do acórdão nº 0830.493, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), na sessão de julgamento de 23 de julho de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Tratase de processo no nome do contribuinte em epígrafe, doravante mencionado simplesmente como contribuinte, autuado ou Hospital, por meio do qual foi formalizado crédito tributário incluindo o período 01/2010 a 12/2011. O processo se compõe dos seguintes Autos de Infração: Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.020.6166, no qual foi lançada glosa de compensação indevida de contribuições, informadas em Guias de Recolhimento do Fundo Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 437 3 de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP: b) Auto de Infração nº 51.020.6174, com multa isolada de 150%, no valor de R$ 5.512.221,27. 1 Relatório Fiscal Consta no Relatório Fiscal que: 1. Foram glosados os valores informados pelo contribuinte nas GFIPs das competências 12/2009 a 13/2011 a título de compensação previdenciária, considerados indevidos pela fiscalização. 2. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista a redução do tributo a ser pago nas citadas competências. 3. Nos dispositivos legais que regem a compensação e restituição de pagamento indevido (Código Tributário Nacional – CTN, art. 156, II, e arts. 165 a 169, Lei nº 8.212/1991, art. 89, e Lei Complementar nº 118/2005, art. 3º) está claro que somente é possível a compensação em caso de pagamento, não havendo a possibilidade nos casos em que o tributo supostamente indevido esteja inserido em parcelamento. 4. No caso, não se trata de recolhimento indevido em decorrência de equívoco, mas de pretensão de ver afastada a aplicação da legislação em vigor. Justamente para evitar conflitos decorrentes de decisões judiciárias provisórias, o legislador vedou a compensação de valores questionados judicialmente antes do trânsito em julgado da sentença, o que não foi observado pelo contribuinte. 5. O contribuinte impetrou Mandados de Segurança distribuídos para a 3ª e a 6ª Varas Federais em São Luís/MA, requerendo a concessão de medida liminar que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário referente à contribuição previdenciária incidente sobre o auxíliodoença/acidente pago nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento, salário maternidade, férias e adicional de férias, adicionais noturno, de periculosidade, de insalubridade, de transferência, aviso prévio indenizado, assim como compensação dos valores recolhidos a esse título nos últimos 10 (dez) anos. 6. O MM. Juiz Federal da 6ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão denegou a segurança demandada pelo contribuinte por meio do processo 0041947752010.4.01.3700. O Tribunal Regional Federal – TRF da Primeira Região deu parcialmente provimento ao Recurso de Apelação interposto pelo contribuinte tão somente para suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado e respectiva parcela do 13º proporcional. Foi Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 438 4 ressaltado, ainda, que a repetição dos valores recolhidos deve observar a data do ajuizamento da ação. No caso, como a ação foi ajuizada em 11/11/2010, o prazo de cinco anos deve ser contado do recolhimento indevido, estando prescritos créditos anteriores a 11/11/2005. Foi destacado também na decisão que é vedada a realização da compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial. 7. Há também o processo 000756408.2009.4.01.3700 (número anterior 2009.37.00.77455). A Decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, em 22/02/2010, deu provimento, em parte, ao agravo de instrumento interposto pelo contribuinte, suspendendo a exigibilidade da contribuição previdenciária sobre os valores pagos nos primeiro quinze dias de auxílio acidente e doença e adicional de 1/3 de férias. 8. Em resposta à solicitação do demonstrativo das bases de cálculo que originaram as contribuições compensadas, o contribuinte apresentou planilha onde constam verbas sobre as quais não foi afastada a exigibilidade de contribuição previdenciária patronal, tais como horas extras, adicional noturno, de periculosidade, de insalubridade, de transferência, salário maternidade e férias. 9. Tendo a empresa infringido o art. 170A do CTN, efetuando a compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial, as compensações efetuadas foram glosadas. 10. Considerando, em tese, falsa a declaração de compensação efetuada pelo contribuinte, a Auditora Fiscal aplicou a multa isolada prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, no percentual de 150%, a qual incidiu sobre os valores indevidamente compensados. Foi aplicada, ainda a multa moratória de 0,33% ao dia limitada a 20%, bem como a taxa SELIC. 11. A Auditoria Fiscal destacou que a responsabilidade pela declaração de compensação é do contribuinte, cabendo a ele certificarse de que, conforme a legislação aplicável, tem realmente o direito de compensarse. 2 Intimação e Impugnação A ciência do contribuinte deuse em 20/08/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado às fls. 163. Em 02/09/2013, o autuado apresentou impugnação, na qual alega, em síntese, que: 1. Foi ajuizada a ação nº 7564082009.4.01.3700 (número antigo 2009.37.00.0077455), distribuída para a 6ª Vara Federal de São LuísMA, atualmente em trâmite perante o TRF da 1ª Região, na qual foi pleiteada a declaração de inexigibilidade das verbas ali discutidas : férias, 1/3 incidente sobre férias, auxílio doença e acidente e saláriomaternidade. Foi pedido também que o Fisco Federal se abstivesse de promover retaliações ao exercício do direito à compensação, tendo a empresa obtido decisões judiciais favoráveis. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 439 5 2. O contribuinte ajuizou a ação nº 004194775.2010.4.01.3700, distribuída para a 3ª Vara Federal em São Luís/MA, pleiteando não ser compelido ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal incidente sobre as seguintes verbas indenizatórias: horas extras (mínimo 50), adicionais noturno (mínimo 20%), de insalubridade (de 10% a 40%), de periculosidade (30%) e de transferência (mínimo de 25%), bem como aviso prévio indenizado e respectiva parcela de 13º salário, ação atualmente em trâmite perante o TRF da 1ª Região. 3. Em ambas as ações acima mencionadas foram proferidas decisões liminares, sentença e acórdão favoráveis ao impugnante, o que por si só suspende a exigibilidade do crédito, nos termos do art. 151 do CTN, sendo a exigência indevida. Em face dessas decisões, não poderia o contribuinte sofrer fiscalização, tampouco ser submetido ao pagamento da suposta infração e da exorbitante multa exigidos. 4. No Auto de Infração, a Auditora Fiscal exige do contribuinte a contribuição previdenciária patronal incidente sobre férias, adicional constitucional de 1/3, salário maternidade, horas extras e adicionais noturno, de periculosidade e insalubridade, indevidamente. 5. Com respeito à competência 07/2010, a Auditora Fiscal equivocouse ao considerar o valor compensado como sendo R$ 267.695,75, quando o correto é R$ 84.133,09, conforme demonstrado na Guia da Previdência Social – GPS do período. O que houve foi apenas um erro material na GFIP, o que acarretou o equívoco da fiscalização. 6. Em relação ao período 08/2011 e 13/2011, houve também equívoco, tendo sido considerado que houve compensação quando tais competências foram objeto de declaração retificadora espontânea enviada em 10/01/2013. 7. Recente decisão da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça – STJ, no Recurso Especial nº 1.322.945/DF, reabriu discussão sobre a inexigibilidade da contribuição previdenciária patronal sobre verbas que não compõem sua base de cálculo, como salário maternidade e férias gozadas. Nessa decisão, o STJ concordou com a tese dos contribuintes, não sendo mais pacífica a jurisprudência em favor da União Federal. Por essa tese, embora a Lei nº 8.212/1991 e a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT tenham conferido natureza salarial às verbas pagas a título de salário maternidade e férias gozadas, elas não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária por força do art. 195, I, “a”, da Constituição Federal, pois não constituem contraprestação por serviços laborais. 8. Da mesma forma, por não consistirem em contraprestação por serviços prestados, não incide a contribuição patronal previdenciária sobre a importância paga nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e sobre o adicional de féria de 1/3. Por sua vez, as verbas indenizatórias (horas extras, adicionais noturno, de Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 440 6 periculosidade, de insalubridade e de transferência) destinamse a indenizar os trabalhadores que se encontram laborando em situações anormais, conforme previsão legal (CLT) e constitucional. Há também previsão constitucional e legal no que tange ao caráter provisório do aviso prévio indenizado. Não se trata, pois, de pagamento pelos serviços prestados. 9. Na verdade, no caso das indenizações por trabalho excedente ou condições adversas, há incidência da contribuição patronal apenas sobre o valor normal, não sobre o valor que corresponde à indenização. 10. No que tange ao terço constitucional de férias, o Fisco Federal faz indevida equiparação entre a contribuição patronal e a contribuição dos segurados empregados, sendo o salário de contribuição base de cálculo apenas destes últimos, não se prestando para apurar a base de cálculo da contribuição patronal, conforme disposto no art. 20 da Lei nº 8.212/1991. Ademais essa indevida exigência é sustentada em dispositivos infralegais, como a Instrução Normativa RFB nº 971/2009, cujos dispositivos são ilegais e inconstitucionais, ocorrendo desrespeito ao princípio da legalidade. 11. A jurisprudência dos tribunais superiores é pacífica quanto à não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias. 12. Da mesma forma, o argumento de que o salário maternidade e verbas indenizatórias (horas extras, adicionais noturno, de periculosidade, de insalubridade e de transferência) integram o salário de contribuição não procede, uma vez que este último somente constitui a base de cálculo da contribuição do segurado empregado. 13. Por ter recolhido indevidamente a contribuição previdenciária o impugnante buscou amparo legal e judicial para efetuar compensações, direito reconhecido em decisão judicial e amparado pelo art. 66 da Lei nº 8.383/1991, c/c art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ao final, o impugnante pede que a sua defesa seja recebida, sendolhe atribuído efeito suspensivo, para que seja decretada a total improcedência dos Autos de Infração. Protesta provar o alegado por todos os meios admitidos em direito, notadamente a juntada posterior de documentos e, especialmente, pela realização de perícia técnica, para comprovar suas afirmações. É o relatório." A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR) entendeu pela procedência em parte da impugnação, vindo a exonerar do lançamento os valores na tabela abaixo (fl.352) Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 441 7 Assim, o lançamento se manteve em relação aos seguintes valores (consolidados em 26/07/2012), conforme tabela de mesma folha. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 366/428, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Ação Judicial. Renúncia à via administrativa. No caso aqui discutido, o Hospital impetrou dois mandados de segurança. Um deles foi objeto do Processo nº 4194775.2010.4.01.3700, no qual ele objetiva a declaração de inexistência de relação jurídicotributária apta a ensejar o recolhimento de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de adicional noturno, de periculosidade, de insalubridade e de transferência, bem como a título de aviso prévio indenizado e respectiva parcela correspondente do 13º salário proporcional e horas extras. Pleiteou também o direito de efetuar a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tal título nos último 10 (dez) anos, acrescidos dos consectários legais, com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Previdenciária, sem as limitações do art. 170A do CTN, dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005 e do §3º do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, afastando as restrições presentes em qualquer norma legal ou infralegal. Requereu, ainda, que fosse determinado que o Fisco se abstivesse de promover a cobrança ou a exigência dos valores da contribuição em questão, não podendo haver quaisquer restrições, autuações fiscais, negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito, imposições de multas, penalidades ou inscrições em órgãos de restrição como o CADIN. A DRJ bem salientou que as alegações apresentadas perante o Poder Judiciário fundamentando a não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 442 8 citadas foram as mesmas agora manejadas no âmbito administrativo. Desse modo, a decisão de primeira instância foi no sentido de que, ao recorrer a contribuinte ao Poder Judiciário, o contribuinte renunciou à instância administrativa, estando ele e o Fisco adstritos ao disposto nas decisões judiciais específicas para o processo, cuja análise se passa a fazer. Em relação ao processo nº 000756408.2009.4.01.3700, o qual impetrado pelo contribuinte para que fosse afastada a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos empregados a título de auxílio doença e auxílio acidente nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento, sobre o salário maternidade, sobre as férias e seu respectivo adicional. Verificase que também neste processo são os argumentos nas ações judiciais fundamentando a não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas mencionadas foram os mesmos apresentados no âmbito administrativo. Não cabe, pois, a avaliação desses aspectos no presente julgamento, diante da renúncia ao contencioso administrativo representada pela interposição da ação judicial. Conforme se verifica dos autos, a contribuinte está discutindo judicialmente a incidência de contribuição previdenciária sobre algumas rubricas, dentre elas os valores pagos nos primeiros 15 dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados e, também, aqueles pagos a título de terço constitucional de férias. No entanto, a Súmula nº 01 deste Conselho assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não conheço das alegações quanto a não incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas em questão, diante da renúncia à instância administrativa. Glosa por compensação indevida. No processo judicial nº 4194775.2010.4.01.3700 o pedido formulado em sede liminar foi indeferido. Na sentença de primeiro grau, emitida em 05/04/2011, foi declarada a inexistência de relação jurídicotributária que autorizasse a cobrança de contribuição previdenciária patronal incidente apenas sobre as seguintes verbas: aviso prévio indenizado e 13º salário calculado sobre o aviso prévio indenizado. Assim, o MM. Juiz decidiu que todas as outras verbas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, ao contrário do que diz o contribuinte na sua defesa. Ademais, ainda quanto a esse primeiro processo, foi autorizada a compensação dos valores recolhidos a tal título, porém não consta na decisão judicial autorização para que a empresa ignorasse o comando insculpido no art. 170A do CTN. Ao contrário, na fundamentação da sentença resta evidente que referida compensação está sujeita ao disposto no art. 170A do CTN e deve ser realizada com débitos oriundos exclusivamente de contribuições patronais incidentes sobre a folha de salário. No Acórdão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região por meio do qual foram julgadas as apelações do contribuinte e da Fazenda Nacional, resta claro que não foi Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 443 9 afastado o cumprimento obrigatório do disposto no art. 170A do CTN, tanto no fundamento quanto no dispositivo: "Fundamentos: [...] Nos termos da Súmula 271 do STF, “concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais, em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria”. No presente caso, o deferimento da compensação tributária na sentença recorrida não violou esse entendimento sumular. A compensação será realizada após o trânsito em julgado da sentença (CTN, art. 170A) e, assim, não produzirá efeito patrimonial no passado. [...] Por outro lado, a Súmula 269 do STF dispõe que “o mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança”. Esse enunciado, igualmente, não foi violado no presente caso, porque não se trata de repetição de indébito, mas, sim, de compensação a ser realizada a partir do trânsito em julgado da sentença. [...] O Superior Tribunal de Justiça decidiu, em regime de recursos repetitivos, que o art. 170A é aplicável às ações ajuizadas depois da entrada em vigência da LC 104/01 (REsp 1.164.452), caso dos autos (11.11.2010) Dispositivo: Ante o exposto: a) nego provimento à apelação do impetrante; b) dou parcial provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial [...]" O acórdão foi publicado em 1º/06/2012, os embargos de declaração foram julgados improcedentes por acórdão publicado em 21/02/2014. Portanto, no período em que foram efetivadas as compensações, não havia se dado ainda o trânsito em julgado, sendo descabido tal procedimento por parte do contribuinte, pois não foram cumpridos nem o art. 170A do CTN, nem as decisões judiciais específicas para o caso. Por sua vez, em relação ao processo nº 000756408.2009.4.01.3700, o Juiz Federal da 6ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão denegou a segurança demandada, em sentença publicada em 18/11/2010. O contribuinte interpôs apelação, a qual foi julgada pelo TRF da Primeira Região por meio de acórdão publicado em 04/07/2011, cuja decisão foi no sentido de afastar a exigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidente apenas sobre os valores pagos durante os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou acidente, assim como sobre o adicional de férias (exigível, pois, a contribuição sobre salário maternidade e férias). Foi declarado, ainda, o direito de o contribuinte promover a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tal título. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 444 10 Tal qual no outro processo, além de o dispositivo da decisão não mencionar a dispensa da obrigação de observar o art. 170A do CTN, no fundamento encontrase expressamente manifestado o entendimento de que esse dispositivo deve ser obedecido no caso: "[...] A partir deste quadro, devem ser observados os seguintes tópicos quanto ao direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos, levandose em conta a data da impetração do presente “writ”, que no caso se deu em 06/11/2009: a) a disposição contida no art. 170A do CTN (introduzida pela Lei Complementar nº 104/01), a qual determina que a compensação somente poderá ser efetivada após o trânsito em julgado da decisão; [...]" Foram opostos embargos de declaração pela União, cuja omissão alegada restringiuse a matéria relacionada à prescrição do direito de pleitear a repetição do indébito. Os embargos foram inicialmente rejeitados, porém em face da decisão do Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos de que o art. 170A é aplicável às ações ajuizadas depois da entrada em vigência da Lei Complementar nº 104/2001, em retratação, o tribunal emitiu novo acórdão, adequando o julgamento dos embargos de declaração ao entendimento do STJ. A contribuinte interpôs recurso especial em 25/07/2011. Porém, como a publicação do acórdão dos embargos de declaração foi posterior (10/08/2012), o juízo de segunda instância entendeu ser necessária a reiteração do pedido recursal, a teor da súmula 418 do STJ. Não cumprida essa formalidade, restou caracterizada a extemporaneidade do recurso especial, o qual não foi admitido. Dessa forma, quando da efetivação das compensações, não havia se dado ainda o trânsito em julgado também da decisão desse processo, tendo agido o contribuinte em confronto com o art. 170A do CTN e com as decisões judiciais emitidas para o caso. A compensação de valores discutidos judicialmente deve obedecer o que determina o CTN, no artigo 170A: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifouse) No entanto, conforme verificado, a contribuinte procedeu à compensação antes do trânsito em julgado das decisões judiciais, prática vedada pelo art. 170A do Código Tributário Nacional. Assim, o direito da contribuinte escudado pelas ações judiciais ainda não foi definitivamente julgado pela Poder Judiciário, sendo, portanto, indevida a compensação declarada em GFIP nas competências referidas. Observase que na época da realização das compensações os referidos processos ainda não haviam sido definitivamente julgados. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 445 11 Dessa feita, em que pese o fato de haver discussão judicial acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre algumas verbas pagas a empregados, temse que não há nos autos nenhuma decisão judicial que, contrariando a legislação tributária de regência, autorizasse o contribuinte a compensar valores decorrentes de discussão judicial ainda não transitada em julgado com contribuições apuradas, conforme realizou. Portanto, em conformidade com o dispositivo citado, e em respeito à decisão judicial referida pela recorrente, as compensações, objeto de glosa por meio da autuação tratada no presente processo, foram efetuadas sem que, na oportunidade de sua realização, existissem créditos que lhes amparassem, devendo tais glosas serem mantidas. Multa por compensação indevida. A contribuinte realizou compensações consideradas indevidas, por utilizarse créditos antes do trânsito em julgado. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Relativamente à aplicação da multa isolada de 150%, a Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, assim dispõe: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Da leitura destes dispositivos, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 446 12 sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou qualquer uma das figuras penais descritas no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A multa de 150% é cabível não apenas em função da compensação indevida mas pela declaração falsa do contribuinte de possuir créditos em seu favor. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracterizaria a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual foi a situação que ensejou a glosa das compensações. O Relatório Fiscal fornece os fundamentos para a multa, descrevendo os supostos créditos que o contribuinte teria utilizado para as compensações. Tais compensações foram indevidas. Assim sendo, as importâncias utilizadas como crédito pelo contribuinte não gozavam do pressuposto de liquidez e certeza, levando à conclusão de que este contribuinte compensouse de créditos inexistentes. Por pertinente, transcrevo trecho do voto vencedor da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido no Acórdão nº 9202004.341, em julgamento na Câmara Superior deste Conselho (sessão de 24/08/2016), sobre a aplicação da multa ora examinada: "[...] o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. [...] Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: "Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 447 13 Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da ei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal." [...] Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. [...] De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. (sem grifos no original.)" Deste modo, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, com relação à multa isolada, considerando que a informação em GFIP de compensações realizadas, sem que o contribuinte encontrese exercendo direito líquido e certo, leva sim, a uma declaração falsa, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Registro, ainda, que esta Turma, em julgamento em 04 de abril de 2017, por maioria de votos, entendeu pela manutenção da multa isolada de 150%, consoante ementa abaixo parcialmente transcrita: "[...] COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 448 14 inexistentes, de fato ou de direito, seja por utilizar créditos prescritos, seja pela compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. [...]" (Acórdão 2202003.786. Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Redatora designada: Conselheira Cecília Dutra Pillar. Sessão de 04/04/2017) Assim, restando evidenciado que na declaração em GFIP houve falsidade da declaração apresentada, está configurada a situação prevista na Lei para a aplicação da penalidade de 150%. Alegações de inconstitucionalidade. Em relação a alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, deixo de apreciála, por força do disposto na Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 448DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.003304/2007-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Em se tratando de classificação fiscal de produtos, recorrida e paradigma devem tratar do mesmo produto, admitindo-se, excepcionalmente, que se refiram a produtos distintos, mas referidos no mesmo código NCM, quando a discussão travada nas duas decisões puder ser aplicada a ambos os produtos.
Numero da decisão: 9303-004.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator designado. Vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que o conheceram.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Alves Ramos - Relator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Em se tratando de classificação fiscal de produtos, recorrida e paradigma devem tratar do mesmo produto, admitindose, excepcionalmente, que se refiram a produtos distintos, mas referidos no mesmo código NCM, quando a discussão travada nas duas decisões puder ser aplicada a ambos os produtos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator designado. Vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que o conheceram. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos Relator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 33 04 /2 00 7- 15 Fl. 712DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 3 2 Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata o presente de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do acórdão n.º 3202001.438, de 11/12/2014, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fato Gerador: 28/08/2007 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA. Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. (grifos nossos) Cuida o presente processo de lançamento de ofício para cobrança do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n.º 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n.° 215835/2001 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n.º 10.833/2003), em decorrência de Fl. 713DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 4 3 classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, de “cartuchos de toner de diversos modelos", os quais foram classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. A fiscalização entendeu que os cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. A contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria, requerendo a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas. O Colegiado negou provimento ao Recurso voluntário, com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner de diversos modelos” devem ser classificadas no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C (a utilização do item situado em último lugar na ordem numérica), não cabendo aludir a direito consuetudinário, sob o argumento de que há soluções de consultas em sentido divergente ao adotado pela fiscalização. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, evidenciando a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, no que tange à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Ou seja, entendeuse (paradigma), que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3a e 3b; entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner (mercadoria importada), o que contraria o entendimento do acórdão recorrido. Então, no caso presente do recurso especial, concentrase no mérito da questão quanto a diferença de classificação. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida. Contrarrazões foram apresentadas. É o relatório, em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Da admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido, conforme razões expostas abaixo Fl. 714DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 5 4 O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”, os quais foram classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. A fiscalização entendeu que os cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. E o acórdão recorrido, com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, entendeu que os "cartuchos de toner de diversos modelos” devem ser classificadas no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C (a utilização do item situado em último lugar na ordem numérica), não cabendo aludir a direito consuetudinário, sob o argumento de que há soluções de consultas em sentido divergente ao adotado pela fiscalização. ] A contribuinte então interpôs Recurso Especial, evidenciando a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, no que tange à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. O paradigma entendeu que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3a e 3b; entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner , o que contraria o entendimento do acórdão recorrido. E visando comprovar a divergência foram apontados diversos paradigmas, no entanto cito os seguintes Acórdãos 3802001.002, 3803002.648, e 310100.253: Acórdão 3802001.002, de 22/05/2012: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/03/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto n° 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatórioe votos que integram o presente julgado. Acórdão 3803002.648, de 21/03/2012: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 24/02/2006 a 14/03/2006 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 6 5 EQUIPAMENTOS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO. CARACTERÍSTICA ESSENCIAL. Os produtos constituídos pela reunião de aparelhos diferentes classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação, segundo Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/02/2006 a 14/03/2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INSUBSISTÊNCIA DO MOTIVO. CANCELAMENTO Deve ser cancelado o lançamento fundado em motivo que se revela insubsistente, consubstanciado na atribuição de erro na classificação fiscal procedida pela Contribuinte, que se verifica correta. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade. O Conselheiro Belchior Melo de Sousa, neste aspecto acompanhou o relator por suas conclusões. No mérito, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso.Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Acórdão 310100.253, de 19 de outubro de 2009 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/09/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifucionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afastaa da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente passificada no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n° 1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado comercialmente de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CT N° 1/ ATA N° 08/08) Recurso Voluntário Provido. Para melhor ilustrar a divergência ora sob análise, cabe transcrever fragmentos dos votos dos acórdãos paradigmas, respectivamente: Acórdão 3802001.002 "Tenho que, a princípio, em termos objetivas, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria Fl. 716DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 7 6 desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. " Acórdão 3803002.648 Os produtos constituídos pela reunião de aparelhos diferentes classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação, segundo Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado. Portanto é forçoso concluir como correta a classificação procedida àquele tempo pela contribuinte. " Já o acórdão recorrido indica que não se pode aplicar as Regras 3a e 3b, porque os cartuchos de toner importados pela Recorrente tanto poderiam ser utilizados para impressão quanto para cópia, conforme trecho do voto abaixo: "A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada." Vale ressalta que de acordo com a Regra Geral n.º 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias: “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:”. Entretanto, caso pareça que a mercadoria possa classificarse em duas ou mais posições, a classificação deverá efetuar se na forma da Regra Geral nº 3: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para Fl. 717DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 8 7 venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Desta maneira, o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, no que tange à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Ou seja, entendeuse (paradigma), que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3a e 3b; entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner (mercadoria importada), o que contraria o entendimento do acórdão recorrido. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo contribuinte. Vencida no conhecimento, deixo de analisar o mérito. É como voto. ÉRIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Relatora Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator para o acórdão Fui designado pela Presidência para a redação das razões pelas quais a maioria do colegiado, divergindo da relatora, não conheceu do recurso apresentado. Elas se resumiram à constatação de que todos os acórdãos trazidos como paradigma referemse a impressoras e não a cartuchos de impressora. O colegiado, mantendo longa jurisprudência, não entendeu oponíveis decisões relativas a classificação fiscal quando diferentes os produtos por classificar. Nessa linha, quando muito, podem ser opostos itens distintos, mas que pertençam ao mesmo código Fl. 718DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 9 8 NCM. E, ainda assim, a semelhança entre eles tem de ser tal que a discussão travada em ambos possa ser tomada como suficiente à definição da classificação correta. No caso em discussão, pretende a recorrente que a divergência se deu quanto à aplicação da regra 3A do sistema harmonizado. Para ela, as decisões paradigmas a aplicaram e a recorrida não. Ora, isso não pode bastar à caracterização de divergência, a menos que se pretenda aceitála sempre que a regra que o recorrente pretendia ver aplicada não o for. Muito mais do que isso, o que importa para configurar a divergência, quando a matéria envolve a classificação fiscal de produtos, é que colegiados distintos tenham proposto classificações diferentes para o mesmo produto, pouco importando se o fizeram aplicando a mesma regra de classificação ou diferente. Em qualquer caso, caberá à CSRF dizer qual das duas propostas é a correta, ratificando, por consequencia, a aplicação da regra correspondente, quando divergentes. De outra banda, não basta meramente apontar a regra que deve ser aplicada sem daí deduzir a consequência para o específico produto em consideração. Isso só tem valor se for ratificada a decisão recorrida, pois, para o produto que interessa classificar, somente ela disse que a regra é tal e a consequência, qual. No "paradigma" estáse a dizer que, para produto distinto, a regra é outra. Ainda assim, para o produto que queremos classificar, resta a pergunta: e daí? Com efeito, os "paradigmas" entenderam que para as impressoras multifuncionais, dadas as características delas, impressoras, a regra a ser adotada é a 3A. Mas o que nos autoriza a concluir que as características do toner são as mesmas, como faz a dra. Érika, ao dizer " entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner". Por quê? Toner é uma coisa e impressora é outra. Por isso, nada, para ele, se extrai da conclusão de que " a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH". Isso pode perfeitamente ser verdade para a impressora e não o ser para o toner. Do mesmo jeito que " haver uma NCM mais específica" para impressoras não impõe que haja uma para o toner. O que essas próprias expressões demonstram é quais os critérios que devem ser seguidos na aplicação das subdivisões da regra 3. Sobre isso não há divergência alguma. O que há é que um outro produto (segundo os paradigmas) tem uma função principal identificável e posição específica. Como a decisão recorrida disse que o toner não os tem, precisaríamos de acórdão que dissesse, contrariando a recorrida, que ele também o tem. E isto não pode ser dito originariamente pelo colegiado superior, como o fazia a relatora. Essas as razões que levaram o colegiado a não admitir o recurso. Esse o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 719DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 720DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.900749/2009-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO.
A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal somente pode utilizá-lo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. Este procedimento é uma formalidade essencial ao ato de compensar tributos administrados pela RFB, sem a qual a direito não pode ser exercido.
Numero da decisão: 1801-000.387
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Rogério Garcia Peres que votaram pela conversão do julgamento em diligência. Houve sustentação oral pelo representante da Recorrente Dr. Antônio Fernando dos Santos Barros, OAB/GO nº 25.858
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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SALDO NEGATIVO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal somente pode utilizá-lo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. Este procedimento é uma formalidade essencial ao ato de compensar tributos administrados pela RFB, sem a qual a direito não pode ser exercido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Rogério Garcia Peres que votaram pela conversão do julgamento em diligência. Houve sustentação oral pelo representante da Recorrente Dr. Antônio Fernando dos Santos Barros, OAB/GO nº 25.858. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Fl. 41DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) em 19/05/2006, fls. 10/16, utilizando- se do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$26.472,14 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 29/06/2005, fl. 09. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 06, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento a titulo de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual somente pode ser utilizado na dedução do tributo devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo. Cientificada em 02/04/2009, fl. 25, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 24/04/2008, fls. 01/05, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que procedeu ao pagamento a maior que o devido a título de estimativa, já que optou pelo pagamento do tributo com base no lucro real anual. Discorda da previsão legal no sentido de que o pagamento efetuado sobre a base estimada somente pode ser utilizado para compor o saldo negativo ao final do período de apuração. Argúi comprovar de forma inequívoca o pagamento a maior. Diz que houve violação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 3.1 Ex positis REQUER seja reformado o Despacho Decisório ora guerreado, a fim de que seja integralmente homologada a compensação declarada. Termos em que, Pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03-32.990, de 28/08/2009, fls. 27/30:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta que ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 Compensação - Pagamento Indevido ou a Maior - Impossibilidade - Necessidade de Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo Fl. 42DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13116.900749/2009-40 Acórdão n.º 1801-00.387 S1-TE01 Fl. 43 3 A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Constitucionalidade e/ou legalidade de Normas Legais A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou legalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Notificada em 05/01/2010, fl. 33, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02/02/2010, fls. 34/39, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui 4.1. Ex positis REQUER seja recebido, conhecido e julgado o presente recurso, por atender os pressupostos legais. 4.2. Requer, pelo mérito, seja reformado o Acórdão a quo, de sorte que, alfim, seja reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. Termos em que, Pede e espera deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Em relação à compensação, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 43DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) No caso de a pessoa jurídica apurar crédito tributário passível de restituição pode empregá-lo na compensação de débitos próprios. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que vigorava à época da entrega da Per/DComp, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. [...] Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] § 7º Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação. § 8º A compensação de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, será efetuada pelo sujeito passivo mediante a apresentação da Declaração de Compensação ainda que: I – o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição; A legislação de regência e a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, dispõem no sentido de que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal somente pode utilizá-lo ao final Fl. 44DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13116.900749/2009-40 Acórdão n.º 1801-00.387 S1-TE01 Fl. 44 5 do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. Este procedimento é uma formalidade essencial ao ato de compensar tributos administrados pela RFB, sem a qual a direito não pode ser exercido. Como não há previsão legal para a retificação de ofício da Per/DComp, somente por iniciativa do sujeito passivo as informações constantes no documento podem ser retificadas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 14/10/2010): [...]Nº Recurso 160204 - Número do Processo 11060.001258/2002-13 - Turma 3ª Turma Especial Contribuinte TECMA ENGENHARIA LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 16/09/2008 Relator(a) Ester Marques Lins de Sousa Nº Acórdão 193-00012 - Tributo / Matéria CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.) Decisão Por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso - Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF - Ano-calendário: 1996, 1997,1998 Ementa: IRPJ. LUCRO REAL. SALDO NEGATIVO - Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o imposto de renda retido na fonte incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção. Assunto: Normas de Administração Tributária Anos-calendário: 1997, 1998, 1999 IRPJ. CSLL. EVENTUAL EXCESSO DE ESTIMATIVAS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica não adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação do IRPJ e da CSLL em decorrência de eventuais excessos nos recolhimentos por estimativa. Após 31 de dezembro, momento do fato gerador, o que poderá ser restituído ou compensado é o pagamento a maior apurado decorrente do ajuste anual, configurado como saldo negativo. [...]Nº Recurso 157525 - Número do Processo 10380.012470/00- 16 - Turma 7ª Turma Especial Contribuinte SUPER FILME COMERCIAL LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 21/10/2008 Relator(a) Leonardo Lobo de Almeida Nº Acórdão 197-00051 - Tributo / Matéria CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.) Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso - Ementa Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL - Exercício: 1996, 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO - CSLL - PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA - As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei, não se caracterizam, de imediato, Fl. 45DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 como tributo indevido ou a maior passível de restituição. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a verificação da regularidade dos pagamentos efetuados. [...]Nº Recurso 157361 -Número do Processo 10620.720035/2005-38 -Turma 5ª Câmara Contribuinte INONIB INOCUL E FERRO LIG NIPO BRASIL SA Tipo do RecursoRecurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade- Data da Sessão 17/04/2008 Relator(a) Marcos Rodrigues de Mello Nº Acórdão 105-16967 -Tributo / MatériaCSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.) Decisão Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - ANO-CALENDÁRIO: 2003 Ementa: O valor pago a título de estimativa, não sendo demonstrado que tenha havido erro em sua apuração, nos termos da legislação vigente à época, não pode ser considerado indevido e, assim sendo, não pode ser considerado passível de restituição. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que o entendimento de ofício não deve prevalecer. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para elidir a motivação fiscal da ação de ofício, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório lícito e robusto de que o procedimento de ofício está correto. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que o entendimento de ofício não deve prevalecer. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para elidir a motivação fiscal do lançamento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório lícito e robusto de que o procedimento de ofício está correto. Assim, o pagamento de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 29/06/2005, fl. 09, no valor de R$26.472,14, somente pode ser utilizado na dedução do tributo devido ao final do ano-calendário ou para compor o saldo negativo de 2006. Por conseguinte, não cabem reparos ao procedimento fiscal. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente entende que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF), e que assim determina: Fl. 46DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13116.900749/2009-40 Acórdão n.º 1801-00.387 S1-TE01 Fl. 45 7 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face do exposto voto, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 47DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 11065.002301/2009-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 23 01 /2 00 9- 86 Fl. 204DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação de fls. 201, este processo encontravase apenso ao Processo 11065.002300/200931, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 9202005.565 CSRFT2 Fl. 205 3 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 206DF CARF MF 4 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 9202005.565 CSRFT2 Fl. 206 5 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 208DF CARF MF 6 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 9202005.565 CSRFT2 Fl. 207 7 do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Fl. 210DF CARF MF 8 Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 9202005.565 CSRFT2 Fl. 208 9 Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003302/2006-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. NOVEL ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS OU PEDIDOS FORMULADOS A PARTIR DE 09/06/2005. A jurisprudência do STJ albergava a tese de que o prazo prescricional na repetição de indébito de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9/06/2005. Porém, esse entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4/08/2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas ou pedidos de restituição formulados a partir da entrada em vigor da nova lei (9/06/2005), ainda que essas ações ou pedidos digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Para os pleitos de restituição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ajuízados ou apresentados administrativamente antes do término da vacatio legis da referida Lei Complementar, prevalece a aplicação do prazo de prescrição de que trata a “Tese 5+5”do STJ.
Numero da decisão: 1802-001.093
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Nelso Kichel
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DCOMP Recorrente OTR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. NOVEL ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS OU PEDIDOS FORMULADOS A PARTIR DE 09/06/2005. A jurisprudência do STJ albergava a tese de que o prazo prescricional na repetição de indébito de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9/06/2005. Porém, esse entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4/08/2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas ou pedidos de restituição formulados a partir da entrada em vigor da nova lei (9/06/2005), ainda que essas ações ou pedidos digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Para os pleitos de restituição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ajuízados ou apresentados administrativamente antes do término da vacatio legis da referida Lei Complementar, prevalece a aplicação do prazo de prescrição de que trata a “Tese 5+5”do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 143/150 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Campinas (fls.136/140) que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo o despacho decisório do Seort/DRF/Campinas que denegara a repetição do direito creditório pleiteado de R$ 10.389,82, não acatando a “Tese 5+5” do STJ. A propósito, trancrevo a decisão do Seort/DRF/Campinas, de 20/06/2007 (fls.61/66), in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 2000 (CRÉDITO) DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO Para fins de se pleitear a restituição, é necessário que o contribuinte demonstre cabalmente a origem do indébito. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO INDEFERIDO. 1. Relatório Tratase de pedido de restituição, protocolizado pelo contribuinte em data de 05 de julho de 2006, de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2000, exercício 2001. 2. Fundamentação Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003302/200614 Acórdão n.º 1802001.093 S1TE02 Fl. 2 3 2.1 Da decadência Considerando que o saldo negativo objeto do pedido de restituição referese ao anocalendário 2000 e que a protocolização do pedido foi realizada em 05 de julho de 2006, concluise, de forma cabal, que ocorreu a decadência do direito de pedir restituição, haja vista o contido nos artigos 165 e 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), (...) Seguindo a inteligência dos dispositivos legais acima (...), o Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999, assevera: "I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário — arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)." (...) Em se tratando de saldo negativo de IRPJ, a data do pagamento indevido é o último dia do anocalendário a que se refere, ou seja, 31 de dezembro de 2000, iniciandose nesta data a contagem do prazo decadencial para a formulação de pedido de restituição. 2.3 Da proposição Face ao exposto, proponho seja indeferido o pedido de restituiçãoo sob análise. À consideração do Senhor Chefe deste Seort. 3. Decisão e Ordem de Intimação De acordo. Procedase conforme proposto. Que a interessada seja cientificada do inteiro teor deste despacho decisório e de sua faculdade, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste, de apresentar manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de restituição à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. (...) Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade junto à DRJ/Campinas (fls. 68/71), argumentando, em suas razões, que, no caso dos tributos lançados por homologação, o prazo para pedir restituição é de cinco anos contados da data da homologação tácita ("tese do cinco mais cinco" do STJ). Além Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 disso, lembrou que, de acordo com o STJ, a alteração introduzida pelos arts. 3º e 4º da Lei Complementar n° 118, de 2005, somente atingiria fatos geradores posteriores ao início da sua vigência. Juntou, ainda, documentos (fls. 72/134). Por sua vez, a DRJ/Campinas, no mesmo sentido do Seort/DRF/Campinas, ratificou a decisão anterior, denegando o direito creditório pleiteado, cuja ementa da decisão transcrevo a seguir (fl.136): (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. ART. 168 DO CTN. Nos termos do art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição de tributo, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido, se exaure com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida (...) Irresignada coma decisão a quo da qual tomou ciência em 03/07/2008 (fl. 1142), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/07/2008 (fls. 143/150), reiterando as razões apresentadas na primeira instância de julgamento, ou seja, pela aplicação da “Tese dos 5+5” do STJ, no caso. Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, para reconhecimento do seu direito creditório . É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003302/200614 Acórdão n.º 1802001.093 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Tratam os autos do pleito de restituição do direito creditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000 – protocolizado em 05/07/2006, no valor de R$ 10.389,82 (fls. 01/03). As decisões anteriores, neste processo, denegaram o pleito de restituição do direito creditório pleiteado, pela ocorrência da prescrição. Inconformada com a decisão a quo, a recorrente – nas razões do seu recurso defende a “Tese 5+5” do STJ para repetição do indébito tributário, pugnando pela não aplicação do prazo do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, por ser inconstitucional, submentendo a contenda à análise desta Colenda Turma. A questão a ser enfrentada, nesta instância de julgamento, resumese em apurar se a recorrente pleiteou o pretenso direito creditório antes ou depois de transcorrido o lapso temporal prescricional. Antes de tudo, apenas para argumentar, tanto em sede doutrinária, quanto em sede jurisprudencial dos nossos tribunais, há divergência quanto ao entendimento se o prazo para repetição de indébito tributário seria decadencial ou prescriocional. Sem delongas, entendo que o prazo para repetição de indébito tributário é prescricional, pois a ação de repetição do indébito tributário tem natureza condenatória por envolver pretensão suscetível de violação, sujeitandose aos efeitos da prescrição, e não da decadência que se articula com o exercício de direitos potestativos, insuscetíveis de violação. A questão do prazo para repetição do indébito tributário, em face do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, já foi enfrentada, no mérito, pelo Pleno do STF, Corte Suprema guardiã da Constituição da República Federativa do Brasil, no RE nº 566.621/RS. Vale dizer, na sessão plenária de 04/08/2011, no RE nº 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, sob regime de repercussão geral, o STF – por maioria de votos declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, cuja ementa desse decisum transcrevo a seguir: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA A REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados de seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts.150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. (...) A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos (...). Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (...) Em face dessa decisão do STF, a “Tese 5+5” do STJ para repetição do indébito tributário restou superada para pleitos ajuizados ou reclamados em sede administrativa a partir de 09/06/2005, ainda que relativos a pagamentos ou recolhimentos indevidos anteriores à vigência dessa novel Lei Complementar. Por outro lado, permaneceu válida a “Tese 5+5” do STJ apenas para pleitos ajuízados ou formulados antes dessa data. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003302/200614 Acórdão n.º 1802001.093 S1TE02 Fl. 4 7 Por oportuno, colaciono a ementa do julgado do próprio STJ que elucidou a questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC N. 118/2005. NOVEL ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS A PARTIR DE 9.6.2005. 1. A jurisprudência do STJ alberga a tese de que o prazo prescricional na repetição de indébito de cinco anos, definido na Lei Complementar n. 118/2005, somente incidirá sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9.6.2005. Vide o REsp 1.002.032/SP, julgado pelo regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). 2. Este entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4.8.2011, no julgamento do Recurso Extraordinário n.566.621/RS (acórdão não publicado), pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar n.118/2005, incidirá sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas a partir da entrada em vigor da nova lei (9.6.2005), ainda que estas ações digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Agravo regimental provido em parte. (STJ, AgRg no REsp 1215642/SC, Rel. MIN. HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2011, DJe 09/09/2011). No caso, a recorrente protocolizou o pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000 (apurado em 31/12/2000), no valor de R$ 10.389,82, tão somente em 05/07/2006 , não fazendo jus ao prazo de prescrição da “Tese 5+5” do STJ. O pretenso direito creditório pleiteado, portanto, está fulminado pela prescrição, pois o pedido de repetição do indébito foi formulado além do prazo de 5 (cinco) anos da apuração do saldo negativo do IRPJ (31/12/2000). Diante do exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10932.000349/2006-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
ANO-CALENDÁRIO: 200], 2002. 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
Havendo termo de perempção lavrado pela autoridade preparadora e ficando inerte o contribuinte, devidamente intimado para comprovar o regular protocolo de seu recurso que alega ter sido tempestivo, não é possível conhecer do recurso.
Numero da decisão: 3201-001.066
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, para não conhecer do recurso voluntário.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 3201001066_10932000349200688_201208; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-09-08T19:55:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 3201001066_10932000349200688_201208; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 3201001066_10932000349200688_201208; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-09-08T19:55:37Z; created: 2017-09-08T19:55:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-09-08T19:55:37Z; pdf:charsPerPage: 1139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-09-08T19:55:37Z | Conteúdo => / \' \ S3-C2T1 FI. 986 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 10932.000349/2006-88 00000000 3201-001.066 - r Câmara / r Turma Ordinária 22 de agosto de 20] 2 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IP] Alumigon Aluminu" Indústria e Comércio de Metais Não Ferrosos Ltda. Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI ANO-CALENDÁRIO: 200], 2002. 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. Havendo termo de perempção lavrado pela autoridade preparadora e ficando inerte o contribuinte, devidamente intimado para comprovar o regular protocolo de seu recurso que alega ter sido tempestivo, não é possível conhecer do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara / ] a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, para não conhecer do recurso voluntário. - d~~~. MARCõS RELIO PEREIRA VALADAO - Presidente. / {\I\OvV&fu r;)'G A 1 - !\;voq~:. MARCELO RIBEIR~- RelatoU Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração pelo fato de o estabelecimento industrial ter dado saída de produtos tributados pelo IPI sem emissão de nota fiscal, em decorrência de omissão de receita, nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, caracterizada por depósitos bancários junto a instituições .financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nessas operações a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea. o crédito tributário lançado totalizou R$ 10.566.370,63, inclusos juros de mora e multa de oficio. o termo de verificação e constatação fiscal de jls. 450/452 descreve a 'ação fiscal, ressaltando que foi aplicada a multa qualificada de 150%, em função de se considerar que o contribuinte teve a intenção de suprimir ou reduzir tributo ou contribuição, na medida em que se declarou inativo nos anos- calendário de 2001 e 2002, ficou omisso nos anos-calendário de 2003, 2004 e 2005, mantendo grande e incompatível movimentação financeira em instituições bancárias, além de não prestar esclarecimentos ou entregar a documentação solicitada pela fiscalização. Referida multa foi agravada para 225%, pelo fato de a empresa não ter atendido as intimações e apresentado os documentos solicitados. Notificada do lançamento em 22/12/2006, conforme autos de infração às jls.470/480, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 19/0112007, com a impugnação de fis.498/531, alegando, em suma: Em Preliminar: • Violação ao princípio da legalidade e da publicidade, uma vez que a autoridade administrativa não esclareceu os motivos que ensejaram a instaurqção do mandado de procedimento fiscal (MPF) - diligência, nem quais os motivos de alteração para procedimento de fiscalização, além das demais questões levantadas nas petições protocoladas pela impugnante; • Violação do principio da motivação, uma vez que não restaram materializadas as razões que levaram á instauração do termo de início de fiscalização, exigindo a entrega de seus extratos bancários; • Nulidade do MPF, por não estar em conformidade com os princípios assegurados constitucionalmente, como o principio que impede a auto-incriminação (Constituição Federal - CF, art. 5°. LXVIII), manifestação eloqüente da cláusula da amp~/ 2 Processo n° 10932.000349/2006-88 Acórdão n.o 3201- defesa (CF, art. 5 O, LV), do direito de permanecer calado (CF, art. 5°, LXIII) e da presunção de inocência (CL, ml. 5°, 1, VII); • Necessidade de devolução do prazo para impugnação, pois as cópias dos autos não foram entregues à impugnante dentro do prazo razoável, ocasionando o cerceamento de seu direito de defesa, já que houve recusa dos agentes administrativos em liberar cópias dos autos. No mérito: • Decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento do imposto, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 150, ~ 40, com relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro a novembro de 2001, urna vez que a lavratura dos autos se deu em 20/12/2006; • Ofensa ao principio da capacidade contributiva, da vedação de confisco e da isonomia contributiva; • Inexistência de crédito tributário, dada a irregularidade do lançamento, tendo em vista que foram solicitadas iriformações sobre toda a movimentação financeira da impugnante junto ás instituições bancárias, mediante requisições de movimentação financeira (IMF), o que é um ato totalmente inconstitucional, pois apenas o Poder Judiciário tem competência para determinar a quebra de dados sigilosos dos contribuintes; • Inconstitucionalidade no ato de vasculhar as movimentaçÕeS bancárias da impugnante por meio de envio de RMF para as instituições financeiras, uma vez que o art. 40, ~ 7°, do Decreto nO 3.724, de 2001, não exige que a RMF apresente entre os seus requisitos obrigatórios a fundamentação de que trata a CE art. 93, IX; • Deixando de respeitar todas as normas, leis e até o bom-senso, os agentes fiscais considerarem como receitas omitidas os valores depositados/creditados nas referidas contas bancarias, revelando-se que houve preguiça por parte deles, pois é muito mais fácil e rápido indicar os valores que bem entenderem, sem investigar o que é devido ou não, sem separar o que foi devidamente recolhido de imposto pela impugnante; • A empresa não apresentou os documentos solicitados durante a ação fiscal pelos seguintes motivos: por entender que o procedimento fiscalizatório foi instaurado irregularmente em sua origem, uma vez que os motivos que ensejaram o termo de inicio de diligência fiscal e, posteriormente, a fiscalização, não estão formalmente materializados; foi negado acesso aos autos de procedimento administrativo fiscal, a fim de que a impugnante pudesse exercer de forma plena o direito de defesa assegurado pela Constituição Federal; flagrante violação de princípios e direitos; em qualquer procedimento/processo está resguardado o direito constitucional de não autoincriminação; 53-C2Tl FI. 987 3 • Nulidade da multa aplicada, por ser manifestamente confiscatória, além do que, sem prova material da existência de fraude fiscal ou sonegação fiscal, como definida em leisfederais, a multa por suposta infração a dispositivo regulamentar, sem caracterizar má-jé, não pode ser astronômica, nem proporcional ao valor da operação ou do imposto; • A imposição de multa de 225% pelo não atendimento das intimações pela impugnante não deve ser exigida, uma vez que, conforme inúmeras petições protocoladas no decorrer de todo o procedimento fiscalizatório, os documentos solicitados não foram apresentados pela impugnante pelos motivos fartamente expostos; • Não devem ser aplicadas nem a multa qualificada cm 150% nem a de 250%. por suposta infração dos art. 10 e]O da aludida lei; • Com relação à representação fiscal para fins penais em decorrência do MPF, o entendimento dos nossos tribunais é de que, não estando encenado oprocedimento administrativo fiscal, não há que sefalar em adentrar na esfera criminal. Requereu a devolução do prazo para impugnação a partir da data da retirada das cópias dos autos do procedimento administrativo. Em caso negativo, a desconstituiçâo do auto de infração impugnado, a declaração da nulidade da multa aplicada ou sua redução para o percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor do tributo. Diante das alegações apresentadas pela empresa referentes à disponibilização do processo para vistas e das cópias solicitadas, os autos do processo principal (10932.000346/2006 44) c o processo decorrente de IPI da matriz (10932.000348/2006-33) foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São Bernardo do Campo, para que fosse reaberto o prazo de trinta dias para apresentação de defesa. Cumprido o despacho, a contribuinte recebeu a intimação em 18/10/2007, Em 30/11/2007, a empresa apresentou documento aditando a impugnação anteriormente protocolizado no processo da matriz, no qual reiterou todos os termos da impugnação anteriormente ofertado, solicitando a aplicação da Lei n° 9.784, de 1999, no que diz respeito aos preceitos basilares do processo administrativo. Referidos documentos foram Juntados por mim ás fls. 724/729. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO INDUSTRIALIZADOS - IPI SOBRE PRODUTOS ~/ 4 Processo nO 10932.00034912006-88 Acórdão n.o 3201- ANO-CALENDÁRIO: 2001, 2002. 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFICIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Comprovada a falta apuração e recolhimento do imposto, o prazo decadencial, para a constituição do crédito tributário, excepciona o dies a quo determinado pelo S 4° do Art. 150 do CTN. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIo. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. FRA UDE. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES A falta de atendimento pela contribuinte das intimações que lhe foram dirigidas durante ação fiscal acarreta o agravamento da multa de oficio. Lançamento Procedente 53-C2T1 FI. 988 o contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, ~presento~ recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de./')./ Impugnaçao. ~ 5 Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. Em sessão de 02 de fevereiro de 2011, este Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, na forma da Resolução n° 3201-000.159, para que a autoridade preparadora informasse a este Colegiado se há qualquer registro do protocolo do recurso no dia 19 de dezembro de 2.008, conforme alega o contribuinte, e intimasse o contribuinte a apresentar, no prazo de 15 (quinze) dias, cópia do protocolo do recurso voluntário interposto, a fim de possibilitar a este Colegiado a apreciação da tempestividade do mesmo. Foi buscada a intimação pessoal do contribuinte, por aerograma registrado, em seu endereço informado à autoridade fiscal, esta restou infrutífera e tendo sido procedida a intimação por edital, o contribuinte não se manifestou no prazo estabelecido naquela intimação. Encerrada a diligência, os autos retornaram a este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Observo que há nos autos (às fls. 776), Termo de Perempção lavrado pela autoridade preparadora e datado de 15 de janeiro de 2009, considerando que não houve a interposição de recurso voluntário em face da decisão de primeira instância. O contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância, através de Termo de Vistas Processuais e Ciência (fls. 755), datado de 26 de novembro de 2008, logo, o prazo para interposição do recurso se encerraria no dia 29 de dezembro de 2.008 (posto que o dia 26 de dezembro daquele ano foi decretado ponto facultativo). Às fls. 781 e seguintes dos autos, foi juntada petição do contribuinte, na qual se faz referência ao recurso voluntário apresentado em 19 de dezembro de 2.008, portanto, dentro do prazo legal. Diante da inércia do contribuinte, devidamente intimado e a inexistência de qualquer outro indício que permita a este relator apontar a correção do protocolo ou mesmo a existência real do alegado recurso voluntário, acolho o Termo de Perempção e VOTO para não conhecer do recurso. ~ ~1~ j):O",'-fl~d1~', rJIARCELO RIB~~I~\Jelator 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 10980.937854/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 30/03/2001
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE.
Uma vez declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em regime de repercussão geral, o valor da receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, por não integrar o faturamento da pessoa jurídica não financeira.
PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVADO O RECEBIMENTO DE RECEITA FINANCEIRA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de reconhecimento o direito creditório se não provado, com documento hábil e idôneo, o recebimento da receita financeira sobre a qual foi apurada a parcela do PIS e da Cofins alegada como indevida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Se não comprovadas a certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório mantém-se a não homologação da compensação declarada por ausência de crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.485
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente P.G.SCHMIDT & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/03/2001 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em regime de repercussão geral, o valor da receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, por não integrar o faturamento da pessoa jurídica não financeira. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVADO O RECEBIMENTO DE RECEITA FINANCEIRA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de reconhecimento o direito creditório se não provado, com documento hábil e idôneo, o recebimento da receita financeira sobre a qual foi apurada a parcela do PIS e da Cofins alegada como indevida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Se não comprovadas a certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório mantémse a não homologação da compensação declarada por ausência de crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 78 54 /2 01 1- 71 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.937854/201171 Acórdão n.º 3302004.485 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp) em que a contribuinte informou a utilização de indébito de PIS cumulativo (código 8109), para adimplir débitos de tributos diversos. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, seja em razão de o Darf discriminado na DComp encontrarse totalmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na citada DComp ou não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o crédito utilizado era decorrente da ampliação da base cálculo, determinada pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998, que fora declarada inconstitucional pelo STF no julgamento do RE 357.950; que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996; que apresentou demonstrativo da origem do crédito e afirmou que estava amparada pelo art. 170 do CTN; citou e transcreveu jurisprudência administrativa e judicial; ressaltou o contido no art. 165 do CTN; insistiu no direito à restituição; e, ao final, pediu a homologação da compensação. Sobreveio a decisão de primeira instância em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantida a não homologação da compensação declarada, com base nos fundamentos expressos no Acórdão 06046.178. A contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário constante nos autos, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.481, de Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.937854/201171 Acórdão n.º 3302004.485 S3C3T2 Fl. 4 3 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.924260/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.481): "O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia gira em torno da não homologação da compensação declarada, por inexistência do direito creditório informado. De fato, noticia o Despacho Decisório de fls. 2/4, que, embora localizado nos sistema da RFB, o Darf informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) de fls. 5/8, o pagamento nele discriminado fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação em apreço. Por meio da manifestação de inconformidade de fls. 9/14, a recorrente alegou que a parcela do pagamento utilizado na compensação correspondia a parcela do pagamento da Cofins do mês de fevereiro de 2001, calculada sobre o valor das receitas financeiras recebidas no mês, incluído indevidamente na base de cálculo da contribuição, em razão da decisão do STF que declarara inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998. A questão jurídica, atinente ao ilegal alargamento da base de cálculo, já se encontra superada no âmbito deste Conselho desde o trânsito em julgado da decisão plenária do STF, proferida no âmbito do julgamento da questão de ordem suscitada no RE nº 585.235/RG, realizado sob o regime de repercussão geral, estabelecido no art. 543B do CPC, cujo enunciado da ementa restou a assim redigido, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 28/11/2008) – Grifos não originais. Com o trânsito de julgado da referida decisão, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º, da Portaria MF 343/2015, que aprovou Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), os fundamentos do referido julgado são de adoção obrigatória por todos membros deste Conselho, logo, aqui adotase o teor da respectiva decisão, para afastar o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998. Entretanto, embora reconhecido como indevido o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, o que, induvidosamente, inclui as receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência, a Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.937854/201171 Acórdão n.º 3302004.485 S3C3T2 Fl. 5 4 recorrente não dignou trazer aos autos prova de que de que auferira o valor da receita financeira alegado. De fato, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente não apresentou nenhum elemento probatório que confirmasse o recebimento das referidas receitas financeiras e tampouco que tenha incluído o correspondente valor na base de cálculo da contribuição recolhida no mês. Somente com a apresentação da peça recursal em apreço, a recorrente trouxe à colação dos autos o demonstrativo de fls. 44/45, em que discriminado os valores das receitas financeiras, auferidas nos meses de fevereiro de 2001 a dezembro de 2003, bem como os supostos valores originais e atualizados da Cofins indevida, apurados nos citados meses. E com vista à comprovação do valor da receita financeira auferida no mencionado mês, em vez de apresentar cópia das folhas do livro contábil obrigatório (o livro diário), devidamente autenticado no Registro Público de Empresas Mercantis, acompanhado das cópias dos extratos bancários das correspondentes operações financeiras, conforme exige os arts. 1.179 a 1811 da Lei 10.406/2002 (Código Civil de 2002), a recorrente limitouse a apresentar uma folha com os valores de suposta Demonstração de Resultado do mês de fevereiro. A copia do suposto documento não foi extraída do livro Diário e tampouco assinado por profissional da área contábil legalmente habilitado e pelo representante da recorrente, conforme exige o art. 1.184 do Código Civil de 2002, a seguir transcrito: Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1º Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2º Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico 1 "Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. § 1º Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. § 2º É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios." Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.937854/201171 Acórdão n.º 3302004.485 S3C3T2 Fl. 6 5 em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. (grifos não originais) Assim, como se trata de documento sem autenticidade, sequer assinado por representante legal da recorrente e profissional habilitado, induvidosamente, ele não serve como meio de prova do recebimento dos valores das referidas receitas financeiras discriminados pela recorrente no citado demonstrativo. Além disso, o citado documento não foi apresentado com a manifestação de inconformidade, conforme exige o art. 15 do Decreto 70.235/1972. Assim, ainda que revestisse de meio de prova adequada, o que se admite apenas para argumentar, por força da preclusão determinada no art. 16, § 4º, do citado Decreto, o referido documento não poderia ser admitido como elemento de prova na atual fase processual. Enfim, cabe ainda consignar que, no processo de compensação, a parte autora é o contribuinte que realizou o procedimento compensatório, portanto, nos termos do art. 373, I, da Lei 13.105/2015 (Código Processo Civil), que, na ausência de norma específica, aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal (art. 152 do CPC), o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação em apreço era da incumbência da recorrente. No entanto, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos, ela omitiu se de apresentar prova adequada que demonstrasse a existência do direito creditório informado. No mesmo sentido, o art. 36 da Lei 9.784/1999, que dispõe sobre o processo administrativo federal, atribui ao autor do feito ou do pedido o ônus da prova constitutiva do seu direito. Logo, uma vez demonstrado que o ônus da prova da existência do crédito compensado era da recorrente, porém, como ela não se incumbiu dessa função deve arcar com as consequências decorrentes da sua omissão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 2 "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Fl. 51DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.720235/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração.
IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS.
A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.158-35/01.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração.
IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS.
A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.158-35/01.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração. IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS. A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.158-35/01. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração. IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS. A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.158-35/01. Recurso negado.
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FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontrase devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração. IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS. A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.15835/01. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontrase devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 02 35 /2 01 5- 11 Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 992 2 IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS. A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.15835/01. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração de PIS/COFINS cobrados no regime de apuração cumulativo, alem de multa regulamentar por não entrega da escrituração contábil em meio digital (a qual não foi impugnada), tendo em vista entendimento do Fisco (TVF fls. 870/873) que o valor das comissões de serviços prestados no exterior em forma de desconto do valor remetido ao exterior para pagamento dos tomadores de serviços se caracteriza como receita. Assim, sobre este valor entendeu a fiscalização que incidem as contribuições e constituiu o correspondente crédito tributário. Inicialmente, em 29/01/2015, a fiscalização fez a cobrança com base no regime nãocumulativo (fls. 814/840). Posteriormente, em 13/02/2015, novo TVF retificando os itens 3.1.3 a 3.1.5 daquele, tendo a fiscalização constatado que utilizou incorretamente o referido regime de apuração na apuração inicial. Dessa feita refez os cálculos no regime cumulativo, conforme demonstrativos de fl. 872 (item 3.1.4 Apuração dos Valores do PIS e da COFINS Devidos). Assim, a exação objeto destes autos são os valores constantes no TVF de fls. 814/840. Informa o Fisco que a autuada é uma agência de viagens com foco na venda de programas de intercâmbio e cursos no exterior compreendendo, entre outros, cursos de idiomas, ensino médio no exterior, graduação, extensão universitária, programas de trabalho remunerado, programas para profissionais, para estudantes e famílias durante as férias escolares, além de viagens de aventura e voluntariado. Oferece também serviços correlatos Fl. 992DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 993 3 como venda de passagens aéreas, planos de assistência médica internacional, reserva de acomodações, emissão da carteira internacional do estudante e outros. Durante o procedimento fiscal, a empresa foi intimada e reintimada a informar os fundamentos legais que ampararam a classificação, a título de "Receita Isenta e Demais Receitas sem Incidência da Contribuição" (PIS e Cofins), dos valores declarados nos DACON relativos aos períodos de apuração do anocalendário de 2010. Em resposta, justificou a não incidência das referidas contribuições sobre receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Intimada e reintimada a apresentar documentação comprobatória sobre a justificativa acima, informou que “parte das receitas (comissão) foi recebida dos tomadores por meio de (i) remessas provenientes do exterior, devidamente suportadas por contratos de câmbio, enquanto que a outra parte das receitas (comissão) foi recebida dos tomadores mediante (ii) dedução do respectivo montante (da comissão) das receitas auferidas pelos tomadores no país e objeto de remessas ao exterior realizadas pela Fiscalizada, também suportadas por contratos de câmbio”, acrescendo citação de soluções de consulta que dariam suporte ao entendimento de que o procedimento de dedução referido no item "ii" não desqualificaria o valor descontado da comissão quando da remessa como "ingresso de divisas" no país. Já a fiscalização, como dito, entende que a dedução dos montantes dos valores devidos a esses mesmos tomadores em decorrência da venda de passagens aéreas, cursos no exterior e outros produtos por serviços prestados a tomadores residentes ou domiciliados no exterior, não representa efetivo ingresso de divisas, referenciando outras soluções de consulta que vão ao encontro desse entendimento. Ou seja, em suma, entendeu a fiscalização que não ocorrendo o efetivo ingresso de divisas, não estão atendidas as condições expressas na legislação de regência para caracterizar tais receitas como beneficiárias da não incidência do PIS e da Cofins. Este é o núcleo da lide. Impugnado o lançamento (fls. 897/908), a DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente (fls. 927/941). Não resignada, a autuada interpôs o presente recurso voluntário (fls. 955/972), no qual, em síntese, alega: 1 Em preliminar, que o lançamento seria nulo por "ausência de motivação e consequente cerceamento de defesa", uma vez que os citados artigos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, não são aplicáveis uma vez que se referem ao regime nãocumulativo, o que não é o caso dela, nos termos do art. 10, XXIV da Lei 10.833. Igualmente, pugna pela nulidade da r. decisão ao argumento de que ela não teria enfrentado o pedido de decretação de nulidade por motivação inadequada do lançamento; 2 Que é uma agência de viagem que atua, primordialmente, na intermediação de programas de intercâmbio e de cursos no exterior promovidos por escolas e universidades, sendo que estas remuneram os serviços que ela presta por meio de comissão, as quais são recebidas mediante desconto dos valores remetidos ao exterior para pagamento dos tomadores de serviços, e mediante o recebimento de valores diretamente do exterior. Assim, entende que não pode prosperar o entendimento fiscal de que as comissões estariam sujeitas à incidência das contribuições por não representarem ingresso de divisas, pois, a seu juízo, tais valores seriam imunes nos termos do inciso I do § 2º do artigo 149 da Constituição. Ou seja, entende que tais valores de comissão seriam "receitas decorrentes de exportação". Argui que Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 994 4 ainda que a imunidade não se aplicasse ao caso vertente, as receitas de comissão seriam isentas com arrimo no inciso III e § 1º do artigo 14 da MP 2.15835/2001, o qual dispõe que são isentas da contestadas contribuições os serviços prestados por PJ, "cujo pagamento represente ingresso de divisas". Nesse sentido, faz referência às soluções de consulta 2/2008 da SRRF5 e 16/2007 da SRFF9, e Acórdão 20180.871, de 13/12/2007. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire PRELIMINAR Quanto à pugnada nulidade do lançamento, mera procrastinação, pois o novo TVF deixou bem aclarado que a exação anterior é que estava equivocada, pois errou ao apurar as contribuições devidas com base no regime nãocumulativo. Contudo, sem qualquer prejuízo à defesa, que sequer havia impugnado o lançamento anterior, pois foi feito novo lançamento (fls. 874/891) em substituição ao anterior (fls. 844/864), desta feita com o correto regime de apuração e suas respectivas alíquotas, resultando, inclusive, em uma cobrança de valor significativamente menor. E o novo lançamento que substituiu o anterior em todos seus termos está devidamente motivado quanto ao enquadramento legal. Quero crer que a recorrente não o tenha lido, restringindo sua leitura à retificação do TVF (que manteve o histórico da ação fiscal do anterior). Porém, a fl. 875, consta para a COFINS no regime cumulativo o seguinte enquadramento legal: E o enquadramento legal para a exigência do PIS encontrase à fl. 880: Portanto, não houve qualquer prejuízo à defesa, quer pelo correto enquadramento legal que consta às explícitas no auto de infração, quer porque os termos das Fl. 994DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 995 5 peças de impugnação e recursal demonstram pelo seu teor que não houve qualquer cerceio à defesa. Assim, sem reparos à peça fiscal de cobrança. Igualmente sem fundamento o pedido de anulação da decisão a quo, pois esta enfrentou, ao contrário do que afirma a recorrente, todos os pontos aventados na impugnação, mormente no que se refere ao pedido de nulidade do lançamento, inclusive em item específico (fl. 935 II "Da Nulidade dos Autos de Infração"). Vejase: No que se refere à disposição legal infringida, requisito obrigatório do auto de infração conforme art. 10, inc. IV, do Decreto nº 70.235/72, importante esclarecer o seguinte: Na primeira versão dos autos de infração referentes a Insuficiência de Declaração e/ou Recolhimento do PIS e da Cofins (fls. 851/864) constou como Enquadramento Legal as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 (regime nãocumulativo). Posteriormente, os lançamentos dos autos de infração acima foram objeto de revisão de ofício, conforme previsto no art. 149, inc. V, do Código Tributário Nacional, por ter sido utilizado incorretamente o regime nãocumulativo na apuração do PIS e da Cofins, razão pela qual os correspondentes autos de infração foram anulados. O lançamentos revistos de ofício foram objeto de novos autos de infração (fls. 874/883), cujo Enquadramento Legal cita adequadamente: art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 2º da Lei nº 9.718/98; art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09 (Cofins regime cumulativo); art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; art. 2º, inc. I, e 9º da Lei nº 9.715/98; art. 2º da Lei 9.718/98; art. 79 da Lei nº 11.941/2009; art. 3º da Lei 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09 (PIS regime cumulativo). Conforme se depreende dos fatos acima, não procede a alegação da Impugnante de que a Fiscalização se utilizou de base legal inadequada para o regime de apuração a que está sujeita. Embora tenha se equivocado na primeira versão dos autos de infração, estes foram adequadamente revistos e substituídos por outros devidamente qualificados com o enquadramento legal correto. Com efeito, sem reparos à r. decisão. Dessarte, por não identificar qualquer vício no lançamento e na decisão recorrida, e tampouco qualquer cerceamento ao seu direito de defesa ( pas de nullité sans grief) rechaço as pugnadas nulidades. MÉRITO Fl. 995DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 996 6 Quanto ao mérito, a lide se resume em identificarmos se os valores das comissões cobradas pela recorrente mediante desconto dos valores remetidos ao exterior para pagamento aos tomadores de serviços teria natureza jurídica de receita cujo pagamento represente ingresso de divisas. Já a recorrente entende que os valores recebidos “mediante desconto”, conforme acima relatado, está compreendido no conceito de receitas decorrentes da exportação de serviços, para fins de obtenção da imunidade, nos termos dos artigos 149, § 2º, inc. I, da CF/88, ou isenção do PIS e da Cofins, nos termos do art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.15835/01. Regulamentando tal regra exonerativa constitucional em questão, o art. 14, inciso III e § 1º da MP n° 2.15835/01, estabelece a “isenção” de PIS e Cofins sobre as receitas dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...]III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; [...]§ 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Portanto, condição legal para fruição da isenção em pauta tratase da exigência de que o pagamento represente ingresso de divisas no país. E o ingresso no país da receita de exportação ocorre por meio da liquidação dos correspondentes contratos de câmbio. E, como bem pontuado na r. decisão, para tanto devemos buscar o que dispõe a Circular Bacen 3.691/2013. TÍTULO: 1 – Mercado de Câmbio CAPÍTULO: 11 – Exportação SEÇÃO: 1 – Disposições Gerais 1. Este capítulo dispõe sobre as operações no mercado de câmbio relativas às exportações brasileiras de mercadorias e de serviços. 2. As exportações brasileiras de mercadorias e de serviços sujeitamse ao ingresso no País da moeda estrangeira correspondente, mediante celebração e liquidação de contrato de câmbio em banco autorizado a operar no mercado de câmbio, no País, ressalvados os casos específicos previstos na legislação e regulamentação em vigor. 3. As operações de câmbio a que se refere o item anterior são liquidadas mediante a entrega da moeda estrangeira ou do documento que a represente ao banco com o qual tenha sido celebrado o contrato de câmbio. Contudo, o recebimento de comissões obtidas mediante desconto dos valores remetidos ao exterior não se enquadra em nenhuma das formas acima discriminadas que ensejam a caracterização como ingressos de divisas no País. E não se tratando de recebimento de receitas do exterior, não há que falarse em imunidade, pois esta só haveria se houvesse receita de exportação, a qual, como dito, condicionase ao ingresso de divisas no país, o que não ocorreu na modalidade do desconto utilizado pela recorrente. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 997 7 Em face dos aspectos legais discutidos e das considerações supra, concluo que receitas decorrentes das comissões obtidas mediante desconto dos valores remetidos ao exterior para pagamento dos tomadores de serviços não fruem da isenção de PIS e Cofins prevista no art. 14, inciso III, e § 1º, da MP n° 2.15835/01, e tampouco são imunes. Tratase, portanto, de receitas tributáveis. CONCLUSÃO Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 997DF CARF MF
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Numero do processo: 13707.001674/2002-96
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1997
DIPJ. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País,
registradas ou não, sejam quais forem os fins, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, estão obrigada a entregar a Declaração de Informações da Pessoa Jurídica.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.717
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 DIPJ. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, registradas ou não, sejam quais forem os fins, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, estão obrigada a entregar a Declaração de Informações da Pessoa Jurídica. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes Fl. 56DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator A contribuinte foi autuada no valor de R$ 414,35 por haver entregue, com atraso,a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica relativa ao exercício de 1998, ano calendário 1997. O prazo para entrega da DIPJ, no presente caso, era até o dia 29/ 05/1998 e consta no Auto de Infração, como data de apresentação da Declaração o dia 20/07/2001. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual alega a improcedência do mesmo, pois afirma que apresentou Declaração dentro do prazo, em 14/05/1998, juntando cópia não autenticada do recibo (fl..04).. Alega ainda que apresentou outra Declaração posteriormente, atendendo a pedido da Secretaria da Receita Federal. Diante da alegação da contribuinte, foi a mesma intimada pela 5ª Turma da DRJ/RJOI a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, original ou cópia autenticada do recibo da declaração de rendimentos correspondente ao exercício de 1998, anocalendário de 1997. Recebida a intimação em 08 de março de 2004, a contribuinte não se manifestou A DRJ/RJOI entendeu que o documento de fl. 04 não se presta a confirmar a entrega tempestiva da declaração, pois não há como comprovar sua autenticidade e pelo Acórdão nº DRJ/RJOI nº 6313/2004, de 17/12/2004, manteve o lançamento constante do Auto de Infração. Intimada do Acórdão em 02/03/2005 (f,ls.27) a contribuinte apresentou, em 17 de março de 2005, cópia autenticada do Recibo de Entrega de Declaração de IRPJ 1998/1997 (Fls. 29/30) O processo, junto com a cópia autenticada , foi devolvido à DRJ I para análise, em 17/03/2005. A DRJ, proferiu o seguinte despacho em 25/04/2005(fls. 31): Haja vista, esta Delegacia já haver proferido decisão neste processo, fls. 22 a 25, e não existir previsão para reconsideração. Restituase o presente ao CAC/MADUREIRA/RJ, para as providências de sua alçada. O CAC/Madureira, através da Intimação nº 330/2005, de 09/5/2005, solicitou o comparecimento da contribuinte no prazo de 5 (cinco) dias, para esclarecer divergência encontrada no processo, mas sem especificála. A contribuinte foi intimada em 13/05/2005 (fls. 32) e não consta seu comparecimento ao CAC/MADUREIRA. Inconformada com a decisão, interpôs Recurso Voluntário 05/07/2005 (fls. 38/39) alegando que o lançamento é improcedente, pois entregou a Declaração de Renda no prazo legal, de acordo com os documentos constantes do processo. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13707.001674/200296 Acórdão n.º 1801000.717 S1TE01 Fl. 50 3 Pede a anulação do lançamento e a improcedência da multa. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator Acato como Recurso Voluntário, tempestivo, a apresentação da cópia autenticada do recibo da entrega da DIPJ relativa ao anocalendário 1997, feita pela recorrente em 17 de março de 2005 e como Aditamento ao Recurso Voluntário, a peça protocolada em 05/07/2005. Pelos motivos expostos conheço do Recurso Voluntário. Considero satisfeita a obrigação acessória da recorrente, no tocante à entrega tempestiva da DIPJ relativa ao anocalendário de 1997. Diante do exposto, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 59DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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