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Numero do processo: 10880.691700/2009-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 17 00 /2 00 9- 31 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao período de apuração abril/2004, e requer a compensação de R$ 10.698,35 com débitos também de Cofins (fls. 2 a 4). Por meio de despacho decisório à fl. 7, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual esclareceu que, em decorrência de fiscalização realizada pela Receita Federal na sede da empresa em meados de 2007, foi orientada a não recolher os valores das contribuições dos regimes cumulativo e não cumulativo no mesmo Darf, como vinha fazendo, e que o erro deveria ser corrigido por meio de declaração de compensação, uma vez que não era possível desmembrar o Darf. O contribuinte informou, ainda, que apresentou a Per/Dcomp, mas se esqueceu de retificar a DCTF do período, o que gerou um débito que não existiria. Com a retificação da DCTF, a incorreção foi sanada, surgindo o crédito a ser utilizado na compensação (fls. 10 a 12). Instruiu sua manifestação de inconformidade com procuração e contrato social (fls. 13 a 32), cópia do Darf (fl. 33), cópia da Dcomp (fls. 34 a 39), cópia da DCTF retificadora (fls. 40 a 44) e cópia do Despacho Decisório (fl. 45). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1634.477 (fls. 47 a 54), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação, uma vez não carreado aos autos documentação hábil, idônea e suficiente para provar o que foi alegado, somado à comprovada incoerência entre as informações prestadas pelo contribuinte em Dacon e DCTF retificadora, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2005 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de defeito creditório disponível para fins de compensação. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 4 3 preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento e apresentação de DCTF Retificadora desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF anterior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) ativa na data da transmissão do PER/DCOMP, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 12/12/2011, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 56, e protocolizou seu recurso voluntário em 20/12/2011, conforme carimbo no Recurso Voluntário, à fl. 57. O recurso voluntário é uma cópia da manifestação de conformidade, à qual se soma o argumento de que sua razão de pedir será comprovada pelo Dacon original anexado ao processo, concluindo com o protesto pela juntada de novos documentos e de nova manifestação, se necessário para a comprovação do alegado (fls. 57 a 78). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão que chega a este Colegiado diz respeito à matéria de prova. Nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, o ônus probatório pertence ao requerente, conforme definido nas normas que regem o processo administrativo e o processo civil. Segundo o Código de Processo Civil em seu artigo 373, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, de maneira similar, dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 5 4 Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Assim, não resta dúvida de que o ônus probatório recai sobre a recorrente, que jamais alegou o contrário e vem tentando se desincumbir de sua obrigação. A discussão tem se resumido a definir se os elementos apresentados seriam suficientes para demonstrar o que se pleiteia. Relembrando o histórico destes autos, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acompanhada apenas da DCTF, retificada após o Despacho Decisório. Por sua vez, a DRJ decidiu analisar o Dacon original, transmitido antes do pedido de compensação, e concluiu que ele contradizia a DCTF retificadora e as alegações do sujeito passivo. Na ausência de quaisquer outros documentos probatórios, decidiuse pelo não provimento da manifestação de inconformidade. Por fim, o contribuinte juntou a seu recurso voluntário esse mesmo Dacon analisado pela DRJ, afirmando tratarse de prova suficiente. Contudo, este processo possui uma particularidade que é a natureza da alegação quanto aos motivos de direito: a compensação visaria apenas a fazer um acerto contábil entre a Cofins cumulativa e a nãocumulativa. Não haveria de fato nenhum pagamento a maior ou indevido, mas a alocação equivocada da parcela relativa ao regime cumulativo no código da nãocumulativo no momento do pagamento, um erro de preenchimento de Darf que, aparentemente, estaria presente também na DCTF original. Diante dessa peculiaridade, o relator considerou que, neste caso específico, consideraria suficiente para a demonstração do direito a existência de Dacon original, anterior à transmissão do PER/Dcomp, que confirmasse as retificações promovidas na DCTF. Frisese que o Dacon não foi apresentado pelo contribuinte, mas consultado pelo relator diretamente nos sistemas da Receita Federal, dentro da liberdade relativa da qual dispõe um julgador para definir os documentos necessários para a formação de sua convicção. 7. Neste ponto, importante destacar que o Contribuinte não apresentou em sua Manifestação de Inconformidade quaisquer documentos que pudessem demonstrar a pertinência das alterações efetuadas por meio da DCTF retificadora entregue após o Despacho Decisório. Para os fins pretendidos pela Requerente, permaneceria a necessidade de comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos confessados. 7.1. No entanto, considerando as informações constantes do processo administrativo, há que se ressaltar a característica peculiar do pretendido pelo Contribuinte com a apresentação da presente declaração de compensação: (...) 7.2. Nesses termos, considerando a alegada intenção do Contribuinte em regularizar as declarações entregues à RFB, adotase como suficiente, no presente caso, que a DCTF Retificadora se apresente em consonância com outras Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 6 5 declarações entregues pelo Sujeito Passivo antes da transmissão do PER/DCOMP sob análise, o que demonstraria uma coerência das informações prestadas ao Fisco. 7.3. Nesta linha de raciocínio, uma vez que a apuração do tributo em discussão (Cofins) é demonstrada mensalmente por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), a comparação entre a DCTF Retificadora e o citado demonstrativo forneceriam elementos para a formação de convicção sobre a procedência do quanto solicitado, neste caso específico no qual o Contribuinte pretende a redistribuição entre as sistemáticas cumulativa e nãocumulativa da Cofins. Neste ponto, é importante lembrar que uma declaração, genericamente falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que, uma vez ocorridos, ensejam o pagamento de tributos. A declaração expressa a visão do declarante sobre um fato. Não é o fato em si, não gera o fato e, por isso, não faz prova inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a sustentem. Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não faz prova irrefutável do fato que elas representam, mas apenas demonstra a existência de coerência entre elas, como apontado pelo relator. Coerência entre declarações não implica necessariamente fidedignidade no seu conteúdo. Significa com certeza um bom indício de correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral por meio de documentação contábilfiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins de autorização da compensação, assim como a certeza do erro é imprescindível para fins de reconhecimento da alteração de declaração que vise a reduzir tributo. Por esse motivo, embora compreenda a lógica adotada no julgamento de primeira instância e concorde que ela possa ser utilizada, ouso discordar de sua aplicação neste caso em virtude das inúmeras inconsistências apuradas, sobre as quais discorro a seguir. O contribuinte justifica seu pedido de compensação como decorrente de uma exigência da Fiscalização, mas em nenhum momento comprova que de fato existiu essa demanda. Juntou à manifestação de inconformidade um Darf pago, com anotações à mão do valor a ser transferido de um código de receita para outro, que nada prova. Se o problema era apenas o recolhimento da Cofins no código de receita errado, porque agrupado o valor de dois códigos em apenas um, era de se esperar que a DCTF estivesse correta – o cálculo da contribuição devida em cada regime deveria estar correto. Se não está, então o problema pode ser outro que não a simples alocação de tributo em código errado no Darf. No caso em tela, temos inicialmente divergência entre a DCTF original e o Per/Dcomp, com posterior retificação da DCTF para adequála às informações constantes no pedido de compensação. Neste cenário, cabe ao contribuinte submeter à apreciação da Administração Tributária documentos que mostrem quais receitas e despesas o autorizam a afirmar que o débito é menor do que aquele declarado. A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984. Sua alteração visando a diminuir o tributo deve estar amparada em documentação, como previsto no CTN: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 7 6 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Considerando o argumento do contribuinte de que a compensação teria sido efetuada apenas para transferir valores entre diferentes códigos de Cofins, o valor total dos débitos de Cofins deveria ser o mesmo, seja na DCTF original, seja na retificadora, seja no Dacon. Em não sendo, deduzimos que a inconsistência já existia desde a transmissão da DCTF original, o que nos impede de saber qual das declarações reflete a realidade. A isso se some que foram distribuídos a esta relatora não apenas este, mas um lote de 10 processos, idênticos, alterandose apenas o período considerado. Na análise do processo nº 10880.691705/200964, vêse que o Dacon foi transmitido apesar de o sistema apontar 12 erros no seu preenchimento, erros não impeditivos da transmissão, mas relevantes quanto ao conteúdo. Nesse Dacon, alocouse a quase totalidade das receitas no regime cumulativo, em contradição com os demais 9 processos, nos quais predominam receitas no regime nãocumulativo, e em contradição com a base de cálculo apurada para o cálculo do PIS/Pasep do mesmo mês, entre outros problemas. É sabido que a base de cálculo das contribuições se compõem das mesmas receitas, não sendo razoável persistir divergência dessa natureza após o aviso de erro dado pelo sistema. Tal constatação sugere um certo desmazelo na prestação de informações para a Receita Federal e acentua a incerteza quanto à fidedignidade do conteúdo das declarações juntadas a estes processos. Do conjunto de inconsistências encontradas nas diversas declarações e processos do sujeito passivo, fica a convicção de que qualquer alegação desprovida de prova documental não pode ter guarida neste julgamento. Partindo agora para a análise do Dacon, vêse que neste processo, diferentemente de todos os demais, ele está em acordo com a DCTF retificadora, ao contrário do que apurou a DRJ. Transcrevese trecho do voto em que consta a análise do Dacon consultado diretamente nos sistemas da Receita Federal: (a) O DACON foi entregue e recepcionado pelos sistemas à disposição da RFB em 29/10/2004, antes da data de transmissão do presente PER/DCOMP; (b) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins nãocumulativo no valor de R$ 125.175,32, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 103.739,54; (c) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins cumulativo no valor de R$ 10.698,36, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 10.698,35; (grifado) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 8 7 De acordo com o Dacon juntado aos autos está confirmada a Cofins não cumulativa no valor de R$ 103.739,52, como consta da DCTF retificadora, o que nos leva à conclusão de que teria havido algum equívoco na consulta realizada pelo relator. Do valor total de Cofins a pagar (R$ 114.437,88 – linha 33), deve ser subtraída a porção referente à Cofins cumulativa (R$ 10.698,36 – linha 2), informações essas constantes da Ficha 17B/Resumo Cofins à fl. 78 deste processo. Tendo em vista tudo o que se explanou anteriormente, não obstante o valor confirmado da Cofins, entendo que o Dacon em harmonia com a DCTF retificadora não é suficiente para provar o direito neste caso, sendo indispensável a juntada dos documentos fiscais e contábeis hábeis a comprovar o que se alega. O Dacon, apresentado isoladamente, não faz prova da pertinência das alterações promovidas na DCTF. Quanto ao pedido para a juntada posterior de novos documentos e de nova manifestação, não há previsão legal para tal procedimento. Regra geral, o contribuinte deve demonstrar o seu direito na manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (grifado) A recorrente instruiu seu recurso voluntário com o Dacon, que foi conhecido e analisado, já que em primeira instância seu conteúdo havia sido utilizado como fundamento de decidir – alínea “c” do § 4º do art. 16 do PAF. Entretanto não há previsão legal para a produção futura de provas. Uma vez não comprovada a ocorrência de alocação indevida de parcela da Cofins cumulativa no código da nãocumulativa e não justificadas as alterações promovidas na DCTF, não reconheço a existência de crédito. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002961/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3201-000.250
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente Relator Luciano Lopes de Almeida Moraes. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do primeiro trimestre de 2005, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 357 2 Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (b) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004, face a limitação da utilização desse tipo de crédito imposta pela Lei nº 10.865/2004; os demais créditos foram glosados em razão de a autoridade fiscal considerar que as máquinas e equipamentos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a produção de maçã. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de beneficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maçã. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. A própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maçã frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com a finalidade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apuradas apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 358 3 Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833 e ao Art. 8º na IN/SRF 404/2004 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8.a Região Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IPI, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juízo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4º) e como embalagem de transporte (art. 6º); e faz referência a uma decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Em outro item de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte contesta a glosa de créditos vinculados a aquisição de cabeçote de impressora s600, fita de impressão tipo 60mm, fita de impressora iimak ksi e serviços de confecção, defendendo que tais produtos consistem de insumos consumidos durante o processo produtivo, integrando, portanto, o produto vendido. Por fim, contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e “packing house”. Assim explica: a)Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, adubação do solo e na aplicação de defensivos usados no controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção dos frutos. Também foram glosadas caixas de apicultura, cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixa d’agua e poços artesianos usados para irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 359 4 b) Bens utilizados no “packinghouse”: também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigoríficas para armazenagem de Bins com frutas sendo uma espécie de “prateleira gigante” (Conjunto porta pallets em aço galvanizado a fogo (drivein), adquirido em 16/12/2004), bem como as peças utilizadas na classificadora de frutas (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. (...) Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fotossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. No “packinghouse” ocorre a industrialização dos frutos produzidos nos pomares. São lavados, selecionados e classificados de acordo com a cor e calibre, e embalados. Após estas etapas são vendidos ou acondicionados em câmaras frias que possuem o objetivo de conservar os produtos para que a venda possa ocorrer ao longo do ano. (...) A descrição dos bens glosados acima demonstra que estes são essenciais ao cultivo e industrialização da maçã, sendo aplicados diretamente no processo produtivo da empresa.... Afirma a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso “na Lei n.o 10.833/2003, no seu art. 3º, VI e VII e art. 15, II, que possibilita a apuração de créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação de produtos destinados à venda e também edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa”. A corroborar seu entendimento, transcreve a ementa da Solução de Consulta nº 182 de 27 de dezembro de 2007. Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS nãocumulativo os valores contestados. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC manteve o lançamento realizado, conforme Decisão DRJ/FNS nº 20.094, de 28/05/2010, fls. 388/402, assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 360 5 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Às fls. 403 o contribuinte é intimado, apresentado recurso voluntário de fls. 422/434. Após, é dado seguimento ao processo. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 361 6 Voto O recurso interposto atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de COFINS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, dentre outros. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.392: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus ónus probandí) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 362 7 Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se todos os bens ora debatidos são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa, listandoos. Nos casos em que entender não o sejam, especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens. Ainda, deve ser intimado o contribuinte a juntar aos autos cópia integral do mandado de segurança mencionado às fls. 06 ou, alternativamente, cópia das partes principais (inicial, sentença, acórdãos), bem como certidão narratória do processo. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 11080.000192/2002-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Os Embargos Inominados são cabíveis quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto.
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO.
O pedido de parcelamento, em qualquer fase processual, importa na desistência do recurso interposto, com a renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta, inclusive na hipótese de decisão favorável ao recorrente.
Numero da decisão: 1201-002.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Os Embargos Inominados são cabíveis quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. O pedido de parcelamento, em qualquer fase processual, importa na desistência do recurso interposto, com a renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta, inclusive na hipótese de decisão favorável ao recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 83 1 82 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.000192/200206 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1201002.071 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2018 Matéria CSLL AUTO DE INFRAÇÃO Embargante DRF/PORTO ALEGRE/RS Interessado TRANSCONTINENTAL LOGÍSTICA S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Os Embargos Inominados são cabíveis quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. O pedido de parcelamento, em qualquer fase processual, importa na desistência do recurso interposto, com a renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta, inclusive na hipótese de decisão favorável ao recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 01 92 /2 00 2- 06 Fl. 83DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Inominados, opostos pela unidade de origem, DRF/Porto Alegre/RS, argumentando lapso manifesto no acórdão nº 180301.130, ementado a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Exercício: 1998. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Exercício: 1998. DCTF. REVISÃO INTERNA. PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. DESCABIMENTO DO LANÇAMENTO. Constatado erro no preenchimento da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) na qual se baseou o lançamento, deve ser, este, cancelado. Conquanto dado provimento ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, o acórdão citado, prolatado em 23 de novembro de 2011, não observou a adesão ao Parcelamento Especial, instituído pela Lei nº 11.941/2009, antes da sessão de julgamento. Em Despacho de fl.70, ratificado pelo Despacho de fl.79, a unidade de origem, ora Embargante, remeteu os autos para novo pronunciamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sobre a opção pelo Parcelamento Especial e seu efeito quanto ao acórdão embargado, favorável à contribuinte. A desistência do Recurso Voluntário, noticiada em extrato nos autos (fls. 68), ocorreu em 01 de julho de 2011, consistindo em pressuposto para adesão ao Parcelamento Especial. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.000192/200206 Acórdão n.º 1201002.071 S1C2T1 Fl. 84 3 A extinta 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, deu provimento ao Recurso Voluntário, em que pese a desistência havida antes da apreciação daquele colegiado, consequentemente, renunciandose à instância administrativa para fins de adesão ao Parcelamento Especial. Considerando a extinção da 3ª Turma Especial e a modificação da composição desta Turma, mediante novo sorteio, fui designado relator. A admissibilidade dos Embargos de Declaração foi proferida em despacho nos autos (fls. 80 a 82), neste momento, sobrevindo a sua apreciação pelo presente colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos, com admissibilidade reconhecida, portanto, deles tomo conhecimento. O pedido de parcelamento, em qualquer fase processual, com a confissão irretratável do débito sem ressalva, implicará na desistência do recurso e a renúncia ao direito controvertido, tornando insubsistente a decisão favorável ao contribuinte, segundo preceitua o artigo 78, parágrafos segundo, terceiro e quinto, Anexo II, do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o Fl. 85DF CARF MF 4 recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis.(Grifei). O artigo 66, Anexo II, do RICARF, prevê os embargos inominados para retificação de "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão", conforme interposto pela unidade de origem, ante a desistência do Recurso Voluntário, com a adesão ao Parcelamento Especial, sem a ressalva do débito, renunciando inclusive o favorável acórdão nº 180301.130. De acordo com a Embargante, a opção pelo Parcelamento Especial data de 01 de julho de 2011, enquanto o Recurso Voluntário foi julgado na sessão de 23 de novembro de 2011. Posteriormente, tal parcelamento foi consolidado, observandose o interesse da contribuinte, manifestado antes da prolação do acórdão embargado. Isto posto, ACOLHO os Embargos Inominados, declarando a insubsistência do acórdão nº 180301.130, diante da adesão ao Parcelamento Especial, que caracterizou a desistência e a renúncia integral ao direito arguido em Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13907.720528/2011-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN).
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN). ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ATRASO DCTF Recorrente M. E. GONÇALVES INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN). ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 7. 72 05 28 /2 01 1- 06 Fl. 81DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 68 à 75) interposto contra o Acórdão n° 0430.836, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (efls. 51 à 53), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A obrigatoriedade de apresentação da DCTF foi estabelecida através da Medida Provisória 1.788/98 convertida na lei 9.779/99 e não por instruções normativas. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A alegação de inobservância de princípios constitucionais na imputação de penalidades por infração de obrigações acessórias não pode ser analisada em sede administrativa, mas, tão somente através do poder judiciário. Impugnação Improcedente Os argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário giram em torno do pleito de afastamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, por entender que esta penalidade imposta ao Contribuinte representa violações aos princípios constitucionais, tais como o da proporcionalidade, da razoabilidade e do confisco. Sustenta, ainda, a inocorrência de dano ao erário, mesmo tendo sido configurado o atraso na entrega de sua DCTF. De arremate, questiona a própria legalidade da Declaração per se, por entender seu descompasso para com a letra do art. 5°, II, da Constituição Federal e do art. 7° do CTN. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13907.720528/201106 Acórdão n.º 1002000.228 S1C0T2 Fl. 82 3 O presente Recurso Voluntário é tempestivo, contudo e atende por completo aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os pleitos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se fundam nos supostos malferimentos constitucionais decorrentes da cobrança da multa por atraso na entrega da DCTF. Tais aspectos foram fundamentadamente abordados no juízo administrativo a quo, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do Acórdão Recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: A impugnação é tempestiva, e, por reunir as demais condições de admissibilidade, dela conheço. O contribuinte insurgese contra o lançamento da multa exclusivamente em razão da ilegalidade da instituição da obrigatoriedade da apresentação da DCTF através da Instrução Normativa 129/86 e não através de instrumento legal, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Equivocase o contribuinte ao fazer tal afirmação, considerando que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF foi instituída através do inciso IV do artigo 15 da Medida Provisória 1.788/98 convertida na lei 9.779/99 cujo artigo se transcreve abaixo: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: (...). IV a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. A Instrução normativa que regulamentou a apresentação da DCTF por delegação legal foi a IN SRF 126/98 com suas alterações posteriores. Questões de natureza constitucionais não podem ser apreciadas em sede administrativa, mas, tão somente através do poder judiciário. Quanto às decisões judiciais transcritas, estas somente se aplicam aos casos em que foram proferidas, a menos que, firmada a jurisprudência pelos tribunais superiores e sua aplicação se concretize, observadas as condições previstas no Decreto 2.346/97. Pelos motivos acima voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário. Fl. 83DF CARF MF 4 Adicionando aos argumentos acima, assevero que tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. No que concerne o eventual malferimento aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e vedação do confisco, bem como a análise da legalidade da exigência da DCTF, repiso que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade. Logo, não há que se arguir nessa instância os eventuais predicados decorrentes da multa aplicada. Há, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destaco, ademais, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Por fim, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720674/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada pela diferença entre os valores informados no Livro Caixa entregue pelo próprio contribuinte e os valores a menor declarados.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO CAIXA E OS DECLARADOS.
Caracteriza-se como omissão de receitas do Simples Nacional a diferença apurada entre os valores escriturados no Livro Caixa e os valores declarados ao fisco federal.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO.
A legislação prevê a exclusão do Simples no caso de a pessoa jurídica auferir receita bruta superior ao limite legal no ano-calendário.
No caso da pessoa jurídica omitir receitas que, somadas, ultrapassem o limite da receita bruta no ano-calendário de 2011, correto o Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão do Simples a partir do ano-calendário subseqüente.
Numero da decisão: 1201-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 30/06/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada pela diferença entre os valores informados no Livro Caixa entregue pelo próprio contribuinte e os valores a menor declarados. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO CAIXA E OS DECLARADOS. Caracteriza-se como omissão de receitas do Simples Nacional a diferença apurada entre os valores escriturados no Livro Caixa e os valores declarados ao fisco federal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO. A legislação prevê a exclusão do Simples no caso de a pessoa jurídica auferir receita bruta superior ao limite legal no ano-calendário. No caso da pessoa jurídica omitir receitas que, somadas, ultrapassem o limite da receita bruta no ano-calendário de 2011, correto o Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão do Simples a partir do ano-calendário subseqüente.
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada pela diferença entre os valores informados no Livro Caixa entregue pelo próprio contribuinte e os valores a menor declarados. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO CAIXA E OS DECLARADOS. Caracterizase como omissão de receitas do Simples Nacional a diferença apurada entre os valores escriturados no Livro Caixa e os valores declarados ao fisco federal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO. A legislação prevê a exclusão do Simples no caso de a pessoa jurídica auferir receita bruta superior ao limite legal no anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 74 /2 01 5- 99 Fl. 254DF CARF MF 2 No caso da pessoa jurídica omitir receitas que, somadas, ultrapassem o limite da receita bruta no anocalendário de 2011, correto o Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão do Simples a partir do anocalendário subseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 30/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo que propõe a exclusão do contribuinte do Simples Nacional a partir de 1o de janeiro de 2012. De acordo com a Representação de fls. 2/4: 1 – INTRODUÇÃO O contribuinte é optante pelo Simples Nacional. A ação fiscal foi programada para o período de janeiro de 2011 a dezembro de 2011 e foi motivado por movimentação financeira incompatível com a receita declarada. O contribuinte apresentou Declaração Retificadora Anual do Simples Nacional no ano calendário de 2011, DASN, cópia em anexo, ND 080214522011002, com receita bruta total de R$ 119.360,29, no período fiscalizado ano calendário de 2011.. 2 – HISTÓRICO: 1.1 – Procedimento de fiscalização Em 29/07/2014 o contribuinte foi devidamente intimado, através do Termo de Início de Ação Fiscal, e após inúmeras Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10580.720674/201599 Acórdão n.º 1201002.284 S1C2T1 Fl. 3 3 prorrogações de prazo solicitadas e concedidas, ele entregou o Livro Caixa relativo ao anocalendário de 2011, onde foi constatado que o total da receita do Contribuinte para o ano calendário de 2011 foi de R$ 6.541.353,34. Foi lavrado o auto de infração em 02/02/2015, onde foram realizados os seguintes lançamentos: IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, CPP, e ICMS (Bahia) totalizando R$ 658.274,14, O valor total da multa foi de R$ 493.705,72 e o valor total dos juros de mora foi de R$ 206.149,45, totalizando R$ 1.358.129,31. 1.2 Da exclusão do Simples Nacional. Conforme previsto na Lei Complementar 123/2006 será excluído do SIMPLES NACIONAL o contribuinte que durante o ano calendário tiver auferido Receita superior ao limite máximo permitido. Conforme a Lei Complementar 123/2006 alterada pela Lei Complementar 139/2011 no seu Art. 3º transcrito a seguir; “Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei n º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: ... II no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais)” Foi proposta a exclusão de ofício do Contribuinte fiscalizado do Simples Nacional, em função do disposto no Art. 29, inciso I, combinado com o Art. 30 inciso II da Lei Complementar 123/06, uma vez que o contribuinte deveria solicitar a sua exclusão por excesso de Receita, e não o fez. Conforme o Art. 3º, parágrafo 9º da Lei Complementar 123/2006 a exclusão do SIMPLES NACIONAL surtirá efeito a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente. Desta forma, propomos ao Senhor Chefe do Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador a seguinte representação, no uso da competência delegada que lhe confere o artigo 4º, VIII, da Portaria DRF/SDR no 12, de 10 de fevereiro de 2014 – DOU de 12 de fevereiro de 2014, visando a exclusão do regime simplificado de pagamento de impostos e contribuições criados pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, do Contribuinte acima identificado, com a expedição do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional. A exclusão do SIMPLES NACIONAL produzirá efeitos a partir de 01 de janeiro de 2012. Fl. 256DF CARF MF 4 A empresa apresentou defesa tempestiva (fls. 178/196), questionando a proposta de exclusão do Simples formalizada através do Ato Declaratório Executivo DRF Salvador/SEFIS nº 0005, de 03 de fevereiro de 2015, fls. 18. Alega, em síntese, que o excesso de receita que teria dado azo à exclusão do Simples Nacional não atende aos requisitos técnicos e legais para que surta os efeitos desejados pelo Fisco Federal. Em seguida invoca os mesmos argumentos constantes da impugnação aos lançamentos dos tributos apurados sobre a receita omitida (processo nº 10580.720802/20015 02), quais sejam: (i) nulidade por falta de clareza de motivação e ausência de fundamentação legal específica; (ii) cerceamento de direito de defesa; (iii) violação aos princípios da capacidade contributiva, não confisco e tipicidade cerrada; e (iv) erros pontuais de valores que não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo. Aduz, ainda, que a empresa teria sido induzida a cometer grande equívoco ao escriturar um novo Livro Caixa apresentado ao auditor com referenciada movimentação bancária. Nenhum outro exame fiscal foi feito compulsando a documentação da empresa com os valores da movimentação desses recursos; e considera que, se o auditor pretendia fundamentar seu lançamento na movimentação bancária da empresa, não teria que exigir da empresa que escriturasse o livro Caixa, mas sim, intimála à comprovação da origem e efetiva entrega dos recursos bancários, como previsto no artigo art. 42 da Lei 9.430 de 1996. Em Sessão de 25 de Janeiro de 2016, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou a defesa improcedente por meio de decisão (fls. 200/212) cuja ementa ora transcrevo: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Improcede a arguição de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, quando a infração imputada ao contribuinte encontrase objetivamente descrita em termo de verificação que instrui a peça básica. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. No caso de apuração de divergências entre a receita bruta escriturada no livrocaixa e a declarada por empresa optante pelo Simples Nacional, o enquadramento legal da infração cometida corresponde às disposições da legislação que tratam da obrigação tributária (definição da receita bruta, tributos abrangidos, determinação do valor devido, escrituração do livrocaixa e competência para fiscalização). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10580.720674/201599 Acórdão n.º 1201002.284 S1C2T1 Fl. 4 5 Anocalendário: 2011 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As disposições contidas no art. 42 da Lei nº 9.430/96 depósito bancário de origem não comprovada não se aplicam na hipótese de o lançamento ter se restringido às diferenças encontradas entre os valores escriturados no livrocaixa e os declarados pelo sujeito passivo. O contribuinte, após intimado, apresentou recurso voluntário (fls. 215/230), reiterando os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Nulidade e cerceamento do direito de defesa Da leitura do recurso voluntário, notase que a Recorrente basicamente se concentrou em argumentos de nulidade das autuações, sob diversas alegações: (i) falta de motivação da descrição da efetiva ocorrência do fato gerador e respectiva fundamentação legal; (ii) cerceamento do direito de defesa; e (iii) violação aos princípios da capacidade contributiva e tipicidade tributária cerrada. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 258DF CARF MF 6 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. O ato de exclusão do Simples foi emitido com observância de seus requisitos essenciais e como determina a legislação de regência. Mais precisamente, a fiscalização verificou que a Recorrente deixou de possuir os requisitos necessários para se manter no referido regime tributário, tendo em vista que omitiu receitas escrituradas no LivroCaixa que, somadas, extrapolaram o limite legal. Os lançamentos têm como motivação a caracterização de omissão de receita apurada em face da diferença apurada entre o Livro Caixa escriturado e apresentado pela própria Recorrente durante a fiscalização e os valores declarados ao fisco em montante bem inferiores, omissão de receita esta que levou a Recorrente a ultrapassar os limites do regime simplificado. No tocante à fundamentação legal, consta do relatório de Representação Fiscal para Exclusão (fls. 02 a 04) a indicação do artigo 3º da Lei Complementar n. 123/2006, dispositivo este que justamente regulamenta os limites da receita bruta para fins de manutenção no Simples. A fiscalização ainda esclarece no termo que foi proposta a exclusão de ofício do Contribuinte fiscalizado do Simples Nacional, em função do disposto no Art. 29, inciso I, combinado com o Art. 30 inciso II da Lei Complementar 123/06, uma vez que o contribuinte deveria solicitar a sua exclusão por excesso de Receita, e não o fez. Em seguida relata que "conforme o Art. 3º, parágrafo 9º da Lei Complementar 123/2006 a exclusão do SIMPLES NACIONAL surtirá efeito a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente". Diante desse cenário, a DRJ assim concluiu: Não existe, pois, qualquer incorreção na disposição legal infringida. Aliás, a infração apurada é tão simples e relatada com tal clareza que dispensaria consulta à legislação. Concordo com esse racional. O conjunto probatório acostado aos autos, somado a descrição dos motivos de fato e de direito caracterizadores da infração, demonstram que a Recorrente omitiu receitas escrituradas no seu LivroCaixa, receitas estas que ensejam sua exclusão no regime simplificado por ultrapassarem o teto estabelecido em lei. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10580.720674/201599 Acórdão n.º 1201002.284 S1C2T1 Fl. 5 7 Ao contrário do que sustenta a Recorrente, a meu ver a motivação e a fundamentação do ato administrativo que propõe sua exclusão estão claras, explícitas e congruentes no TVF: omissão de receitas escrituradas no Livro Caixa e que extrapolaram o limite legal permitido, permitindo a perfeita compreensão da lide e exercício do contraditório. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade e de cerceamento de defesa. Inconstitucionalidade Quanto aos argumentos relacionados à violação de princípios constitucionais, tais como do não confisco, capacidade contributiva e tipicidade cerrada, cumpre ressaltar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, matéria cuja apreciação cabe tão somente ao Poder Judiciário. Livro Caixa No mérito, não é necessário grande esforço para concluir que o cerne da questão diz respeito à legitimidade ou não da proposta de exclusão do Simples em razão da Recorrente ter ultrapassado o limite legal em face da omissão de receitas escrituradas no próprio LivroCaixa. O LivroCaixa é um documento fiscal obrigatório para apurar a base de cálculo dos tributos, devendo registrar as receitas e a movimentação financeira, inclusive bancária, das empresas optantes pelo Simples Nacional. Tais empresas, apesar de estarem dispensadas perante o fisco de possuírem escrituração completa, estão sujeitas a algumas obrigações acessórias, tais como a de possuir o livrocaixa devidamente escriturado. Nesse sentido dispõe o artigo 26 da Lei Complementar nº 123/2006, verbis: Artigo 26 As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. § 1º O MEI fará a comprovação da receita bruta mediante apresentação do registro de vendas ou de prestação de serviços na forma estabelecida pelo CGSN, ficando dispensado da emissão do documento fiscal previsto no inciso I do caput, Fl. 260DF CARF MF 8 ressalvadas as hipóteses de emissão obrigatória previstas pelo referido Comitê. (...) § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Nesse contexto, e como bem observou a decisão recorrida, em um procedimento de auditoria a fiscalização deve tomar como referência exatamente os dados registrados no LivroCaixa e já com base neste registro verificar se o contribuinte está apto a permanecer no regime simplificado, sem prejuízo de emprego de outros meios de fiscalização. Conforme visto, há comando legal que determina que o contribuinte do Simples deve manter e apresentar o Livro Caixa, devendo as informações ali prestadas gerarem seus efeitos até que se comprove que não mereçam fé. Considerando que o fisco recebeu o LivroCaixa do contribuinte, e que este mostrouse compatível com os extratos bancários, a fiscalização corretamente reputou válidas as informações ali prestadas e daí comprovou que realmente a Recorrente auferiu receitas em montantes superiores aos declarados, a ponto de ensejar sua exclusão desta sistemática. Não há, nos autos, prova hábil trazida pela Recorrente que seja capaz de demonstrar a origem das receitas consideradas omitidas ou de eventual erro da diferença apurada por meio de seu Livro Caixa. A contribuinte chega a afirmar que o Livro Caixa conteria equívocos, mas não comprova, justifica ou indica que equívocos são esses. Cabe, aqui, lembrar do velho brocardo latino: "alegar e não provar é quase não alegar" (allegatio et non probatio quasi non allegatio) ou "alegar e não provar o alegado importa nada alegar" (niagara ilia et allegatum nom probare paria sunt). A Recorrente, pois, limitouse a questionar os lançamentos com base em razões de nulidade, cerceamento de defesa e outros genéricos, mas nunca foi “direto ao ponto”, contornando o cerne da questão acerca da divergência apurada e devidamente motivada pela fiscalização. Por fim, no que diz respeito aos questionamentos pontuais da Recorrente acerca da inclusão indevida de determinados valores na base de cálculo, vale ressaltar que a fiscalização não se valeu dos extratos bancários (quebra de sigilo), mas tomou como base o LivroCaixa. Caberia, portanto, ao contribuinte comprovar o equívoco de algum registro ou operação, o que não ocorreu. Dessa forma, uma vez demonstrado que a pessoa jurídica omitiu receitas que, somadas, ultrapassaram o limite da receita bruta no anocalendário de 2011, considero correto o Ato Declaratório Executivo DRFSalvador/SEFIS nº 0005, de 03 de fevereiro de 2015, fls. 18, que determina a exclusão da Recorrente do Simples a partir de 01.01.2012. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10580.720674/201599 Acórdão n.º 1201002.284 S1C2T1 Fl. 6 9 Conclusão Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010535/2006-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2003, 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO.
Por força do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, o crédito presumido do IPI integra a base de cálculo do PIS. Trata-se de um benefício fiscal com natureza de subvenção de custeio, integrando a receita bruta do contribuinte.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
Não há como concluir que a receita decorrente do crédito presumido de IPI é decorrente de operação de exportação de mercadorias para o exterior. É um benefício fiscal instituído unilateralmente pelo Poder Público e decorre das operações internas com incidência de PIS. Nos termos do art. 111 do CTN interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário.
Numero da decisão: 9303-007.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO. Por força do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, o crédito presumido do IPI integra a base de cálculo do PIS. Tratase de um benefício fiscal com natureza de subvenção de custeio, integrando a receita bruta do contribuinte. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Não há como concluir que a receita decorrente do crédito presumido de IPI é decorrente de operação de exportação de mercadorias para o exterior. É um benefício fiscal instituído unilateralmente pelo Poder Público e decorre das operações internas com incidência de PIS. Nos termos do art. 111 do CTN interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 05 35 /2 00 6- 66 Fl. 300DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo originado do auto de infração de efls. 10 e 11, lavrado contra a contribuinte em 30/11/2006, por ter a fiscalização constatado que a empresa deixou de incluir na base de cálculo do PIS nãocumulativo os valores referentes ao crédito presumido de IPI, no período de outubro a dezembro de 2003 (efl. 16). A contribuinte teve ciência do auto de infração em 01/12/2006 e o Relatório de Atividade Fiscal com a descrição das irregularidades verificadas encontrase às efls. 14 a 16. A contribuinte apresentou impugnação às efls. 76 a 88, em 02/01/2007, pleiteando o cancelamento do auto de infração, sob o argumento de que os créditos presumidos de IPI apropriados como redutores de seus custos de produção não se constituem em receitas, para fins de formação da base de cálculo do PIS, seja ele cumulativo ou não. A 2ª Turma da DRJ/POA, no acórdão nº 1015.702, prolatado em 13 de março de 2008, às efls. 120 a 122, considerou, por unanimidade, procedente o lançamento e manteve o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão da DRJ em 31/03/2008 (efl. 124), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 30/04/2008, às efls. 125 a 139. Apresentou, resumidamente, os seguintes argumentos: a) considera que os valores relativos ao crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 constituem um retificador ou redutor de custo, não constituindo receita, motivo pelo qual não podem ser incluídos na base de cálculo da contribuição para o PIS, independentemente de previsão normativa que preveja expressamente essa nãoinclusão; e b) pondera que a inclusão na base de cálculo da contribuição para o PIS dos valores referentes ao crédito presumido do IPI representaria um venire contra factum proprium, além de encontrar óbice no inciso I do §2º do art. 149 da CF e no inciso I do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, que vedam a incidência da contribuição para o PIS sobre receitas relativas a exportação. Ao final, requer o provimento do recurso para que seja julgado integralmente insubsistente o auto de infração. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 17 de março de 2010, resultando no acórdão nº 340100.605, às efls. 159 a 164, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2003 LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃOCUMULATIVO, POR NÃO EXISTIR PERMISSÃO LEGAL. O PIS incide sobre qualquer receita independentemente Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200666 Acórdão n.º 9303007.044 CSRFT3 Fl. 301 3 da classificação contábil, conforme consta no art. I o da Lei n°. 10.637, sendo possível apenas as exclusões previstas em lei. Recurso Negado. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Emanuel Carlos Dantas de Assis e Luciano Pontes Maya Gomes (Suplente). Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte para regidir o voto vencedor. Embargos de declaração da contribuinte Intimada do acórdão nº 340100.605 em 16/08/2011 (efl. 170), a contribuinte apresentou embargos de declaração na mesma data (efls. 172 a 177), embasado em alegadas omissões no acórdão. Requer o saneamento dos vícios apontados, registrando que tal fato conduzirá a resultado diverso no julgamento do julgamento (efeitos infringentes). Os embargos foram analisados pelo então Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF nos termos do despacho às efls. 197 e 198, datado de 04/11/2011, nos termos dos arts. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, que entendeu por rejeitálo, definitivamente, em face da manifesta improcedência dos vícios apontados. Recurso especial da contribuinte A contribuinte foi intimada do despacho de admissibilidade de embargos (e fls. 197 e 198) em 06/11/2012 (efl. 203), e apresentou recurso especial em 21/11/2012 (efls. 205 a 230). Inicialmente, a contribuinte pede o sobrestamento do julgamento do recurso, por tratar de matéria com repercussão geral reconhecida pelo STF no Recurso Extraordinário nº 593.544RS. Em seguida, levanta divergência quanto ao entendimento do acórdão recorrido sobre a natureza jurídica do crédito presumido de IPI, concedido pela Lei nº 9.363/96, e em especial se possui ou não natureza de receita (paradigmas nº 180300.703 e 20218.135). Explica que o acórdão recorrido admitiu que o crédito de IPI constitui receita, e como tal sua exclusão da base de cálculo da contribuição dependeria de norma permissiva. Argumenta que o paradigma nº 180300.703, por outro lado, entendeu que o mesmo crédito não constitui receita da pessoa jurídica, e sim mera recomposição de custos. Destaca também que o paradigma nº 20218.135 considerou que, ainda que os valores relativos ao crédito presumido de IPI constituam receita, se trata de receita decorrente de exportação, sobre a qual é vedada a incidência de contribuição para o PIS. Fl. 302DF CARF MF 4 Quanto ao mérito, repisa os argumentos apresentados anteriormente em seu recurso voluntário e nos embargos declaratórios. Ao final, requer o conhecimento e provimento do seu recurso especial, para que seja reformado o acórdão recorrido e julgado integralmente insubsistente o auto de infração. O então Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 14/07/2015, no despacho de e fls. 277 a 279, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 2009, dando lhe seguimento. Contrarrazões da Procuradoria A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade de efls. 277 a 279, em 06/08/2015 (efl. 280), e apresentou contrarrazões em 14/08/2015, às efls. 281 a 289. A representante da PGFN entende que, como o crédito presumido discutido nos autos se caracteriza como uma receita operacional e não se encontra compreendido entre as hipóteses de isenção ou exclusão, ele deve integrar a base de cálculo do PIS. Explica que, por falta de previsão legal que permita a exclusão da base de cálculo, os créditos ressarcidos de IPI devem integrar a receita bruta da pessoa jurídica (totalidade das receitas por ela auferidas, independente do tipo de atividade ou a classificação contábil adotada), para efeito da apuração da base de cálculo do PIS e também da COFINS, por se tratar de um conceito de abrangência genérica. Salienta que, mesmo se os valores provenientes do ressarcimento do crédito presumido de IPI forem considerados receita nãooperacional, tal fato não macula o lançamento, que se refere a fatos geradores posteriores ao advento da MP nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002. Pelas razões apresentadas, a Fazenda Nacional pugna pela negativa do provimento do recurso especial do sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da procuradoria é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. A divergência trazida pela contribuinte se estabelece sobre o crédito presumido de IPI integrar ou não a base de cálculo das contribuições para o PIS sujeito à não cumulatividade, por duas razões: (a) tal crédito não constituiria receita e, ainda que receita fosse, (b) não haveria incidência da contribuição porque decorrente de exportação. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200666 Acórdão n.º 9303007.044 CSRFT3 Fl. 302 5 Inconteste a existência dos créditos de IPI neste processo, discutese a sua tributação, ou não, a título de receita em contribuição para o PIS, o que reduziria os créditos deste tributo que a contribuinte pretendeu utilizar para compensações. Inquestionável que a Lei nº 10.637 de 30/12/2002, ao estabelecer a contribuição da cobrança nãocumulativa para o PIS, em seu art. 1º1, tomou como seu fato gerador o total das receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação fiscal, afastando apenas aquelas descritas no § 3º do mesmo artigo. Não há qualquer exclusão específica relativa ao crédito presumido de IPI. Estando esse crédito presumido definido na Lei nº 9.363 de 13/12/19962, há respeitáveis juristas a advogar que ele representa verdadeiro ressarcimento, oferecido ao contribuinte para compensar as despesas tidas com o recolhimento pretérito de PIS e de Cofins incidentes sobre as operações que a lei especifica. Contudo, filiome a outra corrente, que vislumbra no crédito presumido de IPI a natureza de subvenção de custeio, ofertada pelo Poder Público, mediante renúncia fiscal, para auxiliar o beneficiário a arcar com os gastos de sua atividade. Nesta linha de entendimento, os créditos em comento deveriam sempre ser adicionados ao resultado tributável. Para analisar a natureza de receita do crédito presumido de IPI, me apoio na Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas, que em seus objetivos já traz a seguinte definição: A receita é definida na NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo desta Norma é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. 1 Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...) 2 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Fl. 304DF CARF MF 6 Me socorro ainda de excerto doutrinário sobre a matéria3, apud ao voto do i. conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no acórdão nº 3301002.395: (...) Não há qualquer impedimento à cobrança do tributo no regime não cumulativo, uma vez que a recuperação de custos integra a receita bruta da empresa. Afinal, se o conceito de receita compreende o acréscimo patrimonial líquido, não há motivos para afastar de seu âmbito de significação o incremento resultante do recebimento do crédito presumido do IPI. O patrimônio compreende não só os bens, mas os direitos de crédito e todas as demais relações jurídicas de conteúdo econômico titularizadas pelo sujeito de direitos. Por conseguinte, a receita pode ser auferida não apenas mediante recebimento de dinheiro, mas pela aquisição de qualquer direito susceptível de apreciação pecuniária. Por outro lado, embora a Lei nº 9.363/1996 faça referência a “ressarcimento”, devese ter presente que não se trata propriamente de uma indenização. A concessão do crédito constitui uma liberalidade, um ato unilateral do Poder Público, que não se confunde com as obrigações derivadas da responsabilidade extracontratual. Tampouco se trata de reembolso, porque este pressupõe a recomposição do patrimônio devida em razão de uma despesa realizada por conta e ordem de outrem. (...) Os créditos presumidos são benefícios fiscais concedidos unilateralmente pelo Poder Público, podendo apresentar natureza de subvenção de custeio (v.g. crédito presumido do IPI para ressarcimento de contribuições previsto na Lei nº 9.363/1996) ou de subvenção para investimentos (v.g. crédito presumido para incentivos da Lei nº 9.826/1999). No primeiro caso, as subvenções integram o resultado da pessoa jurídica e, nessa condição, têm natureza de receita bruta do sujeito passivo. Portanto, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, desde que se trate de contribuinte submetido ao regime não cumulativo... (...) (Negritei.) Concluindo que seja receita para fins de tributação pelo PIS, há que se constatar se essa receita seria passível de algum tipo de exclusão por decorrer de exportação, como argumenta a recorrente. Ora, a não incidência prevista no art. 5º da Lei nº 10.637/20024 é para as receitas decorrentes das operações de exportação e, conforme destacado acima, o crédito 3 Conselheiro Sólon Sehn no artigo denominado “Crédito Presumido de IPI e a Base de Cálculo de PIS e Cofins” publicado no volume 2 do livro “PIS e cofins à luz da Jurisprudência do CARF, fls. 519/537. 4 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200666 Acórdão n.º 9303007.044 CSRFT3 Fl. 303 7 presumido é um benefício fiscal, com natureza de subvenção de custeio, definido na Lei nº 9.363/1996, e não uma receita decorrente da exportação. Por fim, ainda na linha do voto do aresto vergastado, ao se tratar de interpretação da legislação tributária sobre exclusão de créditos dessa natureza, há que se aplicar o artigo 111 do CTN, que indica a interpretação literal para tais casos. Em se tratando de uma receita sujeita à contribuição para o PIS e inexistindo exclusão para incidência dessa tributação, correto o entendimento expresso no acórdão combatido e, por consequência, na redução dos créditos disponíveis para compensação pela contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte para negarlhe provimento, mantendo a integralidade do crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.004086/2008-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual. Verificada a omissão de rendimentos, compete à fiscalização efetuar o lançamento, como prevê o art.142 do CTN.
Numero da decisão: 2001-000.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual. Verificada a omissão de rendimentos, compete à fiscalização efetuar o lançamento, como prevê o art.142 do CTN.
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DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual. Verificada a omissão de rendimentos, compete à fiscalização efetuar o lançamento, como prevê o art.142 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 40 86 /2 00 8- 90 Fl. 123DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, despesas com instrução e omissão de rendimentos, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos e agregou comprovantes financeiros de pagamento das despesas de plano de saúde. Argumentou que os pagamentos à APPAI referem se a serviços de saúde. Não apresentou argumentos nem documentos novos referentes a omissão de rendimentos. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Não trouxe documentos sobre despesas com instrução. Sobre a omissão de rendimentos não foram apresentados argumentos novos, e nem identificamos alguma questão não abordada pelo acórdão de impugnação. Concordamos com esse acórdão que assim dispôs sobre essa matéria: Por força da legislação tributária, cujos dispositivos foram especificados na Notificação de Lançamento / Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 14), o titular da Declaração de Ajuste Anual está obrigado informar o total dos rendimentos recebidos no anocalendário, por ele próprio e pelos dependentes declarados, efetuando o ajuste anual do imposto de renda. É dessa obrigação que trata o art. 787 do RIR/99, citado pela contribuinte. Na hipótese de não fazêlo de maneira completa, caracterizase omissão de rendimentos, com o lançamento de ofício do correspondente imposto devido. No presente caso, a omissão apurada foi mantida em sede de revisão do lançamento pela DRF, tendo em vista o confronto entre as informações prestadas pela fonte pagadora CAPEMI mediante DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e os rendimentos informados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. A DIRF é declaração de apresentação obrigatória, que se realiza sob a responsabilidade da fonte pagadora e tem força probatória que só poderia ser afastada mediante retificação. No presente caso, a informação não foi alterada pela fonte Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13708.004086/200890 Acórdão n.º 2001000.557 S2C0T1 Fl. 3 3 pagadora, como se verificou em consulta aos bancos de dados da Receita Federal do Brasil. A impugnante alega tratarse de pecúlio, rendimento isento de tributação. O art. 39, inciso XLIII, do RIR/99 dispõe: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XLIIIo capital das apólices de seguro ou pecúlio pago por morte do segurado, bem como os prêmios de seguro restituídos em qualquer caso, inclusive no de renúncia do contrato (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIII); Todavia, não apresenta documento comprobatório do fato alegado e não trouxe elementos que afastem a força probante da DIRF apresentada pela fonte pagadora. Impõese, assim, a manutenção do acréscimo ao total de rendimentos tributáveis auferidos pela contribuinte no anocalendário 2006. Em termos gerais, pede para que se reexamine, sem nominar, a impugnação. Examinamos todo o processo e entendemos que o acórdão de impugnação abordou corretamente a legislação, e os fatos. Em relação às despesas médicas pagas a plano de saúde, no ano específico, apresentou as guias de pagamento, e alguns comprovantes financeiros. Considerando que há continuidade da prestação do serviço; que houve a apresentação das guias; que a falta de pagamento gera cancelamento de plano; que a comprovação de parcial de alguns períodos indica a continuidade da prestação, que não houve nenhuma investigação, ou conferência junto ao plano de saúde sobre a matéria; e tendo em conta também que um procedimento de diligência, nessa altura do processo administrativo, tornase mais oneroso que a dedução pleiteada; assim, entendo pela aceitação das despesas referentes à Golden Cross. Os pagamentos à APPAI, já foram aceitos nos anoscalendários de 2003 e 2005, em Despachos Decisórios, em processos em exame por esse relator, como referentes a serviços médicos, entendemos como comprovadas, dessa forma, essas despesas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, aceitando as despesas médicas referentes a APPAI e plano de saúde Golden Cross. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 125DF CARF MF 4 Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.000742/2010-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 07 42 /2 01 0- 76 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 365DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 366DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 367DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 368DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 369DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904373/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 24/08/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2401-005.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 24/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 43 73 /2 00 9- 51 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 138 2 José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação utilizando pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 2.089,10 (cód 5273, PA 20/08/2005), veiculado na PER/DCOMP 32648.41044.141005.1.3.044672, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. A seguir, transcrevo alguns excertos do Acórdão de piso: (...) COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL As informações prestadas pelo sujeito passivo, até prova em contrário, são consideradas verdadeiras, e não podem ser desconsideradas mediante simples alegações; para que estas informações sejam alteradas, dando origem a um indébito, deverá o contribuinte comprovar inequivocadamente o alegado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para sua utilização. (...) Relatório (...) a manifestação de inconformidade (...) resumidamente alega: 4.1 A tempestividade (...). 4.2 O não reconhecimento do crédito utilizado é decorrente de “mero equívoco nas informações prestadas em DCTF”. Esclarece que “a impugnante quitou, a título de IRRF, a cifra de R$ 2.136,00, relativa à 3” semana de agosto de 2005”; acrescenta que posteriormente “constatou que o montante por ela recolhido a título de IRRF foi indevido”, utilizando o valor recolhido a maior na DCOMP em litígio neste processo. 4.2.1 Informa que o indébito não foi confirmado pelo fisco em decorrência das informações prestadas em DCTF e que "esse equívoco foi sanado pela impugnante via DCTF retificadora". Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 139 3 4.3 Defende a observância do princípio da verdade material, transcrevendo excertos de James Marins, Alberto Xavier e acórdão do Conselho de Contribuintes. 4.4 Para amparar sua argumentação anexa ao processo o DARF recolhido, a DCTF original e a DCTF retificadora, apresentada em 24/07/2009. 4.5 Por fim, propugna pela homologação da compensação. (...) Voto (...) 14. As informações acerca do IRF20/08/2005 foram prestadas pelo próprio contribuinte, tanto na DCTF original quando na DCTF retificadora. O crédito utilizado na DCOMP não foi reconhecido pela DRF em função das informações prestadas na DCTF original. O contribuinte retifica a informação apresentada somente em 24/07/2009 (fl. 56), após o recebimento do Despacho Decisório emitido pela DRF. 14.1 A IN RFB n° 903, de 30 de dezembro de 2008 vigente na data da apresentação da DCTFRetificadora assim prescreve, acerca da retificação da DCTF: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 14.2 Vale dizer, a declaração retificadora apresentada pelo contribuinte não produz os efeitos pretendidos, considerando o inciso III do § 2° do art. 11 acima transcrito. Contudo, ainda que assim seja, os dados constantes do presente documento poderiam ser acatados, desde que acompanhados da comprovação documental da alteração efetuada. Esta comprovação não foi apresentada pelo impugnante. (...) o contribuinte não apresentou qualquer comprovação da alteração efetuada, de modo que não há como validar o pretenso direito de crédito utilizado pelo contribuinte na DCOMP em litígio neste processo. (...)16. Considerando a inexistência de liquidez e certeza do pretenso indébito utilizado pelo contribuinte, a princípio, não há como homologar a compensação em litígio neste processo. Cientificado do Acórdão em 26/08/2010, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em 27/09/2010, alegando, em síntese: a) Tempestividade. Recepcionada a intimação postal em 26/08/2010 (quinta feira), o prazo para recurso se encerrar em 27/09/2010 (segundafeira) por força do art. 5 , parágrafo único, do Decreto n 70.235, de 1972. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 140 4 b) No período de apuração 20/08/2005, a Recorrente realizou o pagamento de R$ 2.136,00 a título de IRRF, quando nada era devido. Por equívoco, informou na DCTF originária R$ 2.136,00. Contudo, o erro restou sanado por DCTF retificadora (doc. 08 da Manifestação de Inconformidade). c) Nula a decisão que deixar de apreciar demonstrativos documentais relacionados com a matéria em discussão. d) Em face do princípio da verdade material, não há dúvida acerca da liquidez e certeza do direito creditório, devendo o Acórdão da DRJ ser reformado. Pesa sobre a Administração judicante, como conseqüência da legalidade tributária, o dever de busca da verdade material, para cuja estrutura processual é indispensável o princípio inquisitório. A doutrina e a jurisprudência do Conselho de Contribuintes respaldam o imperativo de observância dos princípios da legalidade e da verdade material. e) Rechaça o entendimento constante do Acórdão de a DCTF retificadora apresentada posteriormente ao recebimento do Despacho Decisório não produzir efeitos. Isto porque, independentemente do momento da retificação da mencionada declaração, o direito da Recorrente à repetição do indébito tributário não pode ser comprometido: este, é cediço, nasce do (e no momento do) recolhimento indevido; não depende, para existir, do cumprimento de meras obrigações tributárias acessórias. Logo, devem ser apreciados os fatos e documentos constantes dos autos, a demonstrar a existência do crédito. e) Pedido. Requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral do Acórdão atacado, com o consequente reconhecimento do crédito e a homologação integral da compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Tempestividade. O contribuinte sustenta a tempestividade do recurso. O recurso apresentado em 27/09/2010 (segundafeira), é tempestivo em face da intimação postal do Acórdão operada em 26/08/2010 (quintafeira) e do disposto no parágrafo único do art. 5 do Decreto n 70.235, de 1972. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Da preliminar. O contribuinte sustenta que a decisão de primeira instância administrativa deixou de apreciar os documentos carreados aos autos com a impugnação (DARF recolhido, DCTF original e DCTF retificadora). A simples leitura do Acórdão atacado revela que tais documentos foram considerados, mas não de modo a alicerçar as alegações do contribuinte. Logo, afastase a alegação de nulidade por não apreciação de tais documentos. Do mérito. O contribuinte sustenta que a decisão de primeira instância administrativa não observou os princípios inquisitório e da verdade material, decorrentes do princípio constitucional da legalidade, eis que teria desconsiderado os documentos carreados Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 141 5 aos autos com a impugnação, a demonstrar a liquidez e certeza do crédito. Além disso, argumenta ser irrelevante o momento da retificação da DCTF, pois a configuração do recolhimento indevido/a maior não dependeria de obrigação acessória. A DRJ não negou o recolhimento comprovado por DARF e nem a retificação da DCTF após a emissão do Despacho Decisório. Ponderou, contudo, que a simples retificação da DCTF não tem o condão de qualificar o recolhimento como indevido/a maior. Assim, invocando o disposto no art. 11, §2°, III, da IN RFB n° 903, de 2008, considerou que a retificação não produz efeitos quando tem por objetivo alterar débitos em relação ao qual exista procedimento fiscal, no caso a apreciação fiscal veiculada no Despacho Decisório, a demandar prova do cabimento da retificação, ônus do contribuinte. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). 1 DecretoLei n° 2.124, de 1984. Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. 2 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 142 6 A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais adota o entendimento aqui esposado, conforme revelam as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. Não existe nos autos qualquer prova a demonstrar a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento constante de DARF e o preenchimento da DCTF original. A prova da retificação da DCTF após o Despacho Decisório não é indício suficiente para se justificar, com lastro nos princípios inquisitório (inquisitivo ou da majoração dos poderes do julgador) e da verdade material, a conversão do julgamento em diligência. Os princípios inquisitório e da verdade material não podem ser invocados para se afastar o dever de a empresa instruir a manifestação de inconformidade com provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11). Impõese, por conseguinte, a aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 143 7 Além disso, o presente colegiado é incompetente para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade das normas aplicáveis ao caso concreto3 sob a alegação de ofensa a princípios constitucionais ou legais4. A doutrina e jurisprudência invocadas pelo recorrente não têm o condão de influir no presente julgamento, restando, por todo o exposto, não caracterizada a existência de liquidez e certeza do pretenso indébito utilizado pelo contribuinte, não havendo como se homologar a compensação pretendida. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator 3 CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II; Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°; Lei n° 9.430, art. 74, §11; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III. 4 Decreto n° 70.235, de 1972, art. 32A; Portaria RFB n° 10.875, de 2007, art. 18; e Lei n° 9.430, art. 74, §11. Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005179/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2007
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO. COOPERATIVA. SUB-ROGAÇÃO.
A Cooperativa fica sub-rogada na obrigação do empregador rural pessoa física e do segurado especial, de que tratam, respectivamente, a alínea "a" do inciso V e o inciso VII do art. 12 desta Lei nº 8.212, de 1991, na condição de responsável, em relação à retenção e ao recolhimento da contribuição substitutiva, prevista no art. 25 do citado diploma legal.
Numero da decisão: 2401-005.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento parcial para limitar a multa ao percentual de 20%.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2007 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO. COOPERATIVA. SUB-ROGAÇÃO. A Cooperativa fica sub-rogada na obrigação do empregador rural pessoa física e do segurado especial, de que tratam, respectivamente, a alínea "a" do inciso V e o inciso VII do art. 12 desta Lei nº 8.212, de 1991, na condição de responsável, em relação à retenção e ao recolhimento da contribuição substitutiva, prevista no art. 25 do citado diploma legal.
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CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO. COOPERATIVA. SUBROGAÇÃO. A Cooperativa fica subrogada na obrigação do empregador rural pessoa física e do segurado especial, de que tratam, respectivamente, a alínea "a" do inciso V e o inciso VII do art. 12 desta Lei nº 8.212, de 1991, na condição de responsável, em relação à retenção e ao recolhimento da contribuição substitutiva, prevista no art. 25 do citado diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento parcial para limitar a multa ao percentual de 20%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 51 79 /2 00 9- 25 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 206 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 182/186) interposto em face do Acórdão nº. 0336.835 (fls. 174/181) da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília. Por bem circunstanciar os fatos, transcrevemse trechos do relatório da decisão do colegiado de primeira instância: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP 37.219.5989, emitido contra a empresa em epígrafe, no valor de R$ 1.594.336,98 (Um milhão, quinhentos e noventa e quatro mil trezentos e trinta e seis reais e noventa e oito reais), consolidado em 27/04/2009, referente as contribuições sociais destinadas a Seguridade Social (parte patronal) incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural in natura, realizada por produtores rurais pessoas físicas, em substituição à que incidiria sobre o total da remuneração dos empregados dos produtores rurais e que, por força de lei, o adquirente se subroga na responsabilidade pelo recolhimento, no período compreendido entre as competências 08/2006 a 11/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 39/44, o fato gerador que serviu de base para o cálculo das contribuições sociais lançadas nesta autuação é proveniente da aquisição de algodão realizada pela Cooperativa, situação em que, de acordo com a legislação, a autuada se subroga na obrigação de descontar as contribuições incidentes do produtor e recolher aos cofres públicos, mas não o efetuou, e consta dos seguintes levantamentos: Relata que a Cooperativa questionou na justiça a legalidade das contribuições objeto da presente autuação, primeiramente através de ação cautelar n° 2006.35.03.0028898, onde obteve decisão favorável em caráter preliminar para depósito judicial das contribuições. Em 17/02/2007, protocolou ação principal n° 2008.35.03.0019114, e em 25/01/2008, foi prolatada sentença indeferindo o pedido sem julgamento do mérito, por considerar que a cooperativa não possui legitimidade processual, sentença publicada em 22/02/2008. A autora impetrou recurso de apelação, que não foi recebido por intempestividade. Informa que os valores das contribuições constituídas através deste auto de infração foram depositadas no Banco do Brasil, com base na medida judicial citada e xerox dos comprovantes em anexo. In forma ainda que o fato gerador e as contribuições constituídas através do presente auto de infração não foram informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, sendo, então, emitido auto de infração. Tal omissão configura, em tese, o crime de sonegação de contribuição previdenciária — art. 337 — A, item II Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 207 3 do Código Penal Brasileiro — Decreto Lei IV 3.848, de 07/12/40, sendo emitida a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais. • DA IMPUGNAÇÃO A empresa impetrou defesa tempestiva, As fls. 305/348, alegando, em apertada síntese: que a fiscalização lastreiase no art. 245 da Instrução Normativa MPS/SRP n" 03/2005, que estabelece a não incidência do Funrural apenas quando a produção rural for comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Todavia, no caso em tela, as operações realizadas são efetivamente operações diretas, visto que, pela natureza jurídica da ora impugnante, a sua participação não se caracteriza como intermediação, nem como operação mercantil, razão por que não efetuou o recolhimento do Funrural sobre as operações de exportações; tece um breve histórico do fenômeno do cooperativismo e da natureza jurídica das cooperativas para demonstrar a distinção destas e da sociedade de capital, cujo objetivo é fortalecer os seus cooperados para a obtenção, por parte deles, de vantagens econômicas. Cientificada da decisão de piso em 24/06/2010, a Cooperativa apresentou recurso voluntário com os seguintes argumentos de defesa: 1) No tocante aos fatos, diz que recebeu autuação sob a acusação de que não efetuou recolhimento de FUNRURAL sobre as operações de exportação. Informa que a fiscalização lastreouse no art. 245 da IN MPS/SRP nº 3, de 2005; 2) Afirma que as operações realizadas são efetivamente operações diretas, visto que, pela natureza jurídica da ora recorrente, a sua participação na operação não se caracteriza como intermediação, nem tampouco como operação mercantil; 3) Ressalta que a contribuição FUNRURAL foi declarada inconstitucional pelo STF, por ter como base de cálculo a receita bruta; 4) Discorre sobre as Cooperativas, fazendo menção ao fenômeno do cooperativismo e ainda de posição doutrinária sobre a matéria. Cita também artigos da Lei nº 5.764, de 1971; 5) Ao final requer: "... que seja o auto de infração ora questionado julgado improcedente, por ser de inteira justiça, visto que se exige dela contribuição por operação de exportação efetivamente ocorrida". É o relatório Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto, deve ser conhecido. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 208 4 Mérito AI DEBCAD nº 37.219.5989 (Levantamento: PR3 Produto Rural Algodão Depósito Judicial competências: 08/2006 a 12/2006, 01/2007 a 11/2007). A matéria em discussão nos autos encontrase disciplinada pela Lei nº 8.212, de 1991, nos seguintes dispositivos (dispositivo vigente a época do lançamento): Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. [...] § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. [...] § 10. Integra a receita bruta de que trata este artigo, além dos valores decorrentes da comercialização da produção relativa aos produtos a que se refere o § 3o deste artigo, a receita proveniente: I – da comercialização da produção obtida em razão de contrato de parceria ou meação de parte do imóvel rural; [...] IV – do valor de mercado da produção rural dada em pagamento ou que tiver sido trocada por outra, qualquer que seja o motivo ou finalidade; e Art.30… [...] III a empresa adquirente, consumidora ou consignatória ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatória ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 209 5 art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; A contribuição previdenciária, popularmente conhecida como "Funrural", incide sobre a produção rural. Como se observa dos dispositivos acima, a referida subrogação constituise da clássica figura do responsável pela obrigação tributária, que, nos termos do inciso II do art. 121 do Código Tributário Nacional, é considerado o sujeito passivo da obrigação principal que, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de expressa disposição legal. Alega a recorrente que a contribuição Funrural foi declarada inconstitucional pelo STF, e que, dessa forma, produtores rurais e frigoríficos estão livres do recolhimento da contribuição. Em relação aos questionamentos sobre a constitucionalidade da contribuição "Funrural", transcrevo excerto do voto no Acórdão nº 2301005.151, que de forma precisa sintetizou as demandas judiciais sobre a matéria: (i) no Recurso Extraordinário nº 363.852 (normal), Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 03/02/2010 (Frigorífico Mataboi), foi declarado inconstitucional o art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos art. 12, inc. V e VII, 25, inc. I e II, e 30, inc. IV, todos da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97; CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS –PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO–LEI Nº 8.212/91 – ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL –PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 –UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei no 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n. 8.540/92 e n. 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações. (ii) no Recurso Extraordinário nº 596.177 (repercussão geral), Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 01/08/2011, em essência, foram dados os efeitos da repercussão geral ao julgamento do Recurso Extraordinário nº 363.852; vale registrar que somente em 17/10/2013, por ocasião do julgamento dos embargos de declaração, ficou definido os limites da declaração de inconstitucionalidade, sendo que “a constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida”; CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 210 6 ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (iii) no Recurso Extraordinário nº 718.874 (repercussão geral), Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 30/03/2017, foi declarada a constitucionalidade material e formal do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº10.256/01; (iv) no Recurso Extraordinário nº 761.263 (repercussão geral), Rel. Min. Alexandre de Moraes, aguardando julgamento, discutese se a base de cálculo erigida pelo art. 25 da Lei nº 8.212/91 (receita bruta proveniente da comercialização da produção) é compatível com a base de cálculo constante do art. 195, §8º da CF/88 (resultado da comercialização da produção). Ao que se percebe, até o presente julgamento, não há óbice constitucional para a exigência do Funrural, como base no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/01, relativamente às competências ocorridas entre 2004 e 2007, como ocorre no presente processo administrativo. Outro ponto abordado pelo sujeito passivo diz respeito a natureza jurídica das Cooperativas. Fez um histórico sobre o cooperativismo, cita dispositivos da Lei nº 5.764, de 1971, que rege a política brasileira de cooperativismo e define o ato cooperativo, para concluir que não há relação mercantil entre o cooperado e a cooperativa. Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Em regra, entre a cooperativa e cooperado não há, consoante legislação, ato de comércio quando, por exemplo, entrega sua produção a essa entidade. Entretanto, estamos diante de uma situação (fato gerador comercialização da produção por intermédio da cooperativa) em que a recorrente é apenas responsável pela obrigação tributária, sendo contribuinte o produtor rural. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 211 7 Nos termos do art. 150, §7º, da CF/88 e do art. 128 do CTN, a cooperativa qualificase com responsável tributário pelo desconto e recolhimento dessa exação, por força da obrigação tributária acessória que lhe fora imposta pelos incisos III e IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Do relatório do auto de infração AI nº 37.219.5989, retirase a motivação do lançamento em discussão (fls. 42/43): 2. ... referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural "in natura", realizadas por produtores rurais pessoas físicas(art. 25, incisos I e II da Lei 8.212/91), em substituição a que incidiria sobre o total da remuneração dos empregados dos produtores rurais(art. 22, incisos I e II da Lei 8.212/91), e que por força legal o adquirente subroga na responsabilidade pelo recolhimento(art. 30, inciso IV, Lei 8.212/91), .... [...] 3. O fato gerador que serviu de base para calculo das contribuições que compõem o presente Auto de Infração é proveniente da aquisição de algodão realizadas pela Cooperativa, que de acordo com a legislação a autuada sub roga na obrigação de arrecadar do produtor as contribuições incidentes e recolher aos cofres público. [...] Em que pese a recorrente alegar que as operações referemse a exportações diretas, necessário esclarecer que referido levantamento (DEBCAD dos autos) corresponde ao PR3 Produto Rural Algodão Depósito Judicial competências: 08/2006 a 12/2006, 01/2007 a 11/2007). As operações de exportação referese ao levantamento PR2 (Processo nº 10120005177200936). Nesse ponto, reafirmase a decisão do colegiado de primeira instância, que assim concluiu: Em sua defesa, a impugnante se limita a afirmar categoricamente que realizava operações de exportações de forma direta. No entanto, a fiscalização descreve que, no levantamento PR2, encontramse discriminadas as aquisições relativas às competências: 09/2005 a 12/2005, 08/2006 a 12/2006, 07/2007 a 12/2007, que, de acordo com a escrituração fiscal e contábil da Cooperativa, tratamse de aquisição que teria como destino a exportação e esclarece ainda que, embora a Constituição Federal conceda imunidade em relação aos tributos incidentes sobre os produtos exportados, no caso presente, não se tratam de contribuições incidentes sobre exportações da Cooperativa para o exterior, mas sim de contribuições sobre a folha de pagamento dos empregados cio produtor rural pessoa física exigidas de forma substitutiva sobre o valor da comercialização da produção deste com a Cooperativa. Não procedem, portanto, as alegações da ora impugnante. Os argumentos da impugnante não atingiram o cerne da questão, pois não rebatem os elementos de fato e constituidores do lançamento fiscal, nem a improcedência do mesmo frente As normas previdenciárias vigentes, apesar de o Relatório Fiscal e anexos possibilitarem a compreensão da origem das Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 212 8 exigências lançadas — comercialização da produção rural in natura, realizadas por produtores rurais pessoas físicas, em substituição A que incidiria sobre o total da remuneração dos empregados dos produtores rurais e que, por força de lei, o adquirente (Cooperativa) se subroga na responsabilidade pelo recolhimento. Portanto, sem razão a recorrente. Mantémse a decisão do colegiado de primeira instância. Ademais, em relação à ação judicial nº 2008.35.03.0019114 impende esclarecer que no caso foi prolatada a sentença judicial sem julgamento de mérito, considerandose que a Cooperativa não possui legitimidade processual. Conclusão Voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 213DF CARF MF
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