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Numero do processo: 10580.723143/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2008
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN.
Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP.
Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170A DO CTN. Nos termos do art. 170A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 31 43 /2 01 2- 13 Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 419 2 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.723143/201213, em face do Acórdão nº 1532.566, julgado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), na sessão de julgamento de 11 de junho de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Tratase de processo que agrupa os Autos de Infração (AI) lavrados por descumprimento de obrigações tributárias principais, acessórias e acréscimos legais, sob os seguintes DEBCAD nº: 37.355.1924 e 37.355.1916, consolidados em 26/03/2012. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 420 3 A tabela abaixo apresenta um resumo dos Autos de Infração que compõem o processo sob julgamento: Informa a Fiscalização que a empresa auditada é uma sociedade anônima e tem como principal objeto à atividade de atendimento hospitalar. Relata que o procedimento fiscal foi desenvolvido na modalidade fiscalização, tendo sido iniciada, através do MPF Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 05.1.01.00201200132, seguida da emissão, em 06/03/2012, de Termo de Inicio Procedimento Fiscal TIPF através do qual foram solicitados os diversos documentos examinados no procedimento. Afirma que as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, levantadas no AI 37.355.1924 correspondem ao valor da glosa das compensações efetuadas no ano de 2008, uma vez que a empresa efetuou compensações sem possuir o respectivo crédito originário, nos termos do art. 89, § 9o e 10, da Lei 8.212/91. O contribuinte efetuou compensação de créditos inexistentes uma vez que considerou o pagamento de diversas parcelas incidentes de contribuição previdenciária como recolhimento indevido. A planilha de compensação apresentada pelo contribuinte demonstra que este se compensou de valores pagos sobre saláriomaternidade, férias gozadas e 1/3 das férias gozadas, sem o respectivo suporte legal ou jurídico. Questionado sobre as compensações o contribuinte apresentou esclarecimento assinado pelo escritório de advocacia que o assessora afirmando que tais compensações foram efetuadas por entenderem que sobre diversas parcelas recolhidas não haveria incidência de contribuição previdenciária, sendo, assim, cabível a compensação. Foram apresentadas à fiscalização cópias de dois processos judiciais ajuizados pelo contribuinte discutindo a incidência de contribuição sobre o saláriomaternidade, 1/3 de férias, insalubridade, periculosidade e outras parcelas. Tais processos tiveram sentenças desfavoráveis ao contribuinte em relação às parcelas que foram previamente compensadas. Salienta a Fiscalização que estes processos ainda não transitaram em julgado e que até o momento, a sentença foi desfavorável ao pleito do contribuinte, considerando as parcelas Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 421 4 indevidamente compensadas como incidentes de contribuição previdenciária. Ressalta que mesmo que as sentenças tivessem sido favoráveis ao contribuinte, o que não aconteceu, os valores somente poderiam ser compensados após o trânsito em julgado da sentença, conforme disposto no artigo 170A, do Código Tributário Nacional. A base de cálculo foi apurada de acordo com os valores efetivamente compensados pelo contribuinte, por meio de declaração em GFIP. Tais valores constam também das planilhas demonstrativas de compensação disponibilizadas pelo contribuinte fiscalizado. O valor da glosa da compensação corresponde ao exato valor compensado, corrigido pelos índices legais. Pontua ainda a Fiscalização que AI 37.355.1916 se refere à multa de ofício (multa isolada) da compensação efetuada sem o devido crédito, nos termos do art. 89, § 9o e 10, da Lei 8.212/91. As contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, levantadas neste Auto de Infração, correspondem à multa de 150% sobre o valor da compensação indevida, nos termos do §10 do art. 89, da Lei 8.212/91, efetuada nos anos de 2009 e 2010, uma vez que a empresa efetuou compensações sem possuir o respectivo crédito originário. O valor do multa isolada, nos termos do art. 89, §10, da Lei 8.212/91, corresponde, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ao dobro da multa de 75% prevista no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desta forma, a alíquota aplicável é de 150% incidente sobre os valores falsamente declarados em GFIP. Consta dos autos Termo (fl. 193) que informa a apensação do processo 10580.723145/201202 a este que é considerado como principal. O Autuado foi cientificado dos lançamentos pessoalmente em 27 de março de 2012, conforme assinaturas nas folhas de rosto dos AI integrantes deste processo. Em 26 de abril de 2012, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Do direito de petição. Inicialmente, destaca que a presente Petição deve ser recebida, posto que encontra indubitável amparo no direito constitucional de petição, insculpido no artigo 5º, inciso XXXIV, alínea "a", da Constituição Federal. Dos fatos. A autoridade Administrativa formalizou os Autos de Infração referentes à glosa de compensações e à multa de ofício (multa isolada), ambos apurados no período de 01/2009 a 12/2010, compensações estas originárias de créditos discutidos Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 422 5 em duas ações judiciais, autuadas sobre os n°s. 0020064.16.2007.401.3300 (2007.33.00.0200736) e 0009908.27.2011.401.3300, buscando o direito ao crédito dos valores recolhidos nos últimos 10 anos anteriores a propositura das demandas, a titulo de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga pelo empregador ao empregado nos 15 (quinze) primeiros dias que antecedem a concessão do auxíliodoença e auxilioacídente, sobre as férias indenizadas e o respectivo adicional de 1/3, insalubridade, periculosidade e outras parcelas. Deixou de observar a autoridade impugnada a decisão proferida nos autos da ação judicial n° 0020064.16.2007.401.3300 (2007.33.00.0200736) que reconheceu indevida a contribuição incidente sobre os 15 (quinze) dias que antecedo o auxilio doença e acidente, bem como o terço constitucional de férias, além de reconhecer legítimo o direito da impugnante quanto a compensação dos valores recolhidos indevidamente. Com efeito, o Auto de Infração ora combatido foi lavrado à margem da Constituição Federal e a legislação atinente, isto porque, entendeu por bem a fiscalização em proceder a lavratura, sem, sequer, analisar os documentos apresentados pela Impugnante, os quais seriam suficientes para a homologação dos créditos efetivamente compensados, ou quiçá, houvesse a lavratura do auto de infração e o mesmo continuasse com a exigibilidade suspensa até julgamento final das ações judiciais, buscando assim, evitar a decadência. Do vício insanável da autuação em razão da ausência de correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários. Inicialmente, destaca que a Impugnante cumpriu todas as suas obrigações fiscais, sejam elas principais ou acessórias. Prova disso são os documentos que foram apresentados, no transcorrer da fiscalização. As parcelas compensadas pela impugnante, referemse as contribuições sociais previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), sendo que, nestes casos, a jurisprudência é uníssona no sentido de inexigibilidade das sobreditas contribuições. Em sendo tais valores, pagos em circunstâncias em que não há indubitavelmente, prestação de serviço, por parte de seus colaboradores, temse que não está configurada, por consequência, a hipótese de incidência prevista no inciso I do artigo 22, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Do cabimento da impugnação e da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário. Com fulcro no art. 15 do Decreto 70.235/72 e no art. 151 do CTN é indubitável que a exigibilidade dos supostos débitos deve ser suspensa, em razão da apresentação de impugnação, devendo a autoridade competente tomar as medidas cabíveis para que os DEBCAD não constem como restrições a Impugnante, seja de que natureza for. Assim, resta claro que a presente defesa apresentada pela Impugnante ratifica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 423 6 conforme dispõe o artigo 151 do Código Tributário, conforme entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça. Da contribuição previdenciária propriamente dita. Ocorre que em inegável ofensa ao princípio da legalidade estrita (Constituição Federal, art. 150, inciso I) bem como ao histórico legislativo e jurisprudencial exige a autoridade Impugnada o recolhimento da contribuição social previdenciária pretensamente incidente sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados, ou seja, hipóteses que desbordam do fato gerador in abstracto, como as importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente) e a título de abono constitucional de 1/3 (um terço) de férias. Da legalidade da compensação prevista no art. 66 da Lei nº 8383/91. O aludido artigo 66 da Lei n° 8.383/91, faculta ao contribuinte a possibilidade de utilizar os créditos com a Fazenda Pública, cujos tributos pagos a maior ou indevidamente, o direito de compensar aludidos valores com débitos vincendos, independentemente de autorização da Administração Pública. Nesta hipótese, os valores a compensar são apurados e registrados pelo próprio contribuinte, em seus livros contábeis e fiscais, e a compensação efetivase independentemente de prévia autorização do ente tributário, cuja participação na operação, cingese a posterior revisão dos atos praticados pelo contribuinte, sua possível homologação, ou ao lançamento por discordância parcial ou total com a compensação realizada. Como se não bastasse, a Lei n° 8.383/91, em seu art. 66, trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização. O art. 170 do Código Tributário e seu apêndice, o artigo 170ª cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte e que extingue o crédito tributário (já constituído, portanto), nos termos do art. 156, II, do CTN. Desse modo, não pode a administração vincular aquele procedimento de compensação ao trânsito em julgado daquela decisão, por não ser aplicável ao procedimento aqui defendido. Da constituição do crédito tributário. É função do sujeito ativo da obrigação tributária, em caso de averiguação de ausência de pagamento, pagamento a menor, ou compensações supostamente indevidas, proceder ao lançamento de ofício e notificar o sujeito passivo para que pague no prazo assinalado, sob pena de, não o fazendo, sujeitarse à cobrança judicial, desde que precedida da inscrição na dívida ativa. Por decorrência lógica, ao informar por via de GFIP a suspensão ou pagamento com fundamento em processos judiciais, não pratica o sujeito passivo qualquer ato tendente a constituir o crédito tributário, não havendo razão para que o Fisco proceda à inscrição na dívida ativa e à respectiva cobrança de seus créditos. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 424 7 Da indevida aplicação da Taxa Selic. Resta claro a impossibilidade da utilização da taxa de referência SELIC, como taxa de juros moratórios para as multas aplicadas, já que a mesma não possui natureza indenizatória, própria dos juros moratórios, além de tratarse de meio de remuneração e, não, de indenização, caso em que, se não observado tal fundamento, estará configurado o locupletamento ilícito. Da multa isolada de 150%. Imputação em razão da suposta inexistência de crédito. Ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco. Ainda que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada de 150% deve ser afastada, seja por inexistência de indícios na apuração indevida de créditos, seja por se tratar de multa confíscatóría, desproporcional e desarrazoada. Pedidos. Por todo o que foi exposto, requerse seja a presente impugnação conhecida e regularmente processada, suspendendose nos termos do artigo 151, inciso III do CTN, a exigibilidade do crédito tributário, dandose a esta completo provimento, julgandose totalmente improcedente o lançamento. Requer a intimação da Impugnante na pessoa de seu representante legal infra assinado para oportuna sustentação oral, quando do julgamento da referida Impugnação; bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada. Requerse, sob pena de nulidade, que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341, com escritório matriz na Avenida Marginal Pinheiros n° 5200, Condomínio América Business Park, Edifício Montreal, 6o andar, Jardim Morumbi, São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 05.693000, telefone (11) 33302299." A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR) entendeu pela improcedência da impugnação apresentada. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 340/362, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Ação Judicial. Renúncia à via administrativa. Conforme se verifica dos autos, a contribuinte está discutindo judicialmente a incidência de contribuição previdenciária sobre algumas rubricas, dentre elas os valores pagos Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 425 8 nos primeiros 15 dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados e, também, aqueles pagos a título de terço constitucional de férias. No entanto, a Súmula nº 01 deste Conselho assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não conheço das alegações quanto a não incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas em questão, diante da renúncia à instância administrativa. Glosa por compensação indevida. Trata o Auto de Infração DEBCAD 37.355.1924 da glosa de compensação de contribuição previdenciária declarada em GFIP e escudadas em ações judiciais 0020064.16.2007.401.3300 (2007.33.00.0200736) e 0009908.27.2011.401.3300 e que, atualmente, estão em fase de recurso, em trâmite no TRF da 1ª Região. Ocorre que o contribuinte procedeu à compensação antes do trânsito em julgado das decisões judiciais, prática vedada pelo art. 170A do Código Tributário Nacional. Assim, o direito da contribuinte escudado pelas ações judiciais ainda não foi definitivamente julgado pela Justiça, sendo, portanto, indevida a compensação declarada em GFIP nas competências referidas. A compensação de valores discutidos judicialmente deve obedecer o que determina o CTN, no artigo 170A: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifouse) Observase que na época da realização das compensações o referido processo ainda não havia sido definitivamente julgado. Dessa feita, em que pese o fato de haver discussão judicial acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre algumas verbas pagas a empregados, temse que não há nos autos nenhuma decisão judicial que, contrariando a legislação tributária de regência, autorizasse o contribuinte a compensar valores decorrentes de discussão judicial ainda não transitada em julgado com contribuições apuradas, conforme realizou. Portanto, em conformidade com o dispositivo citado, e em respeito à decisão judicial referida pela recorrente, as compensações, objeto de glosa por meio da autuação tratada no presente processo, foram efetuadas sem que, na oportunidade de sua realização, existissem créditos que lhes amparassem, devendo tais glosas serem mantidas. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 426 9 Multa por compensação indevida. A contribuinte realizou compensações consideradas indevidas, por utilizarse créditos antes do trânsito em julgado. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Relativamente à aplicação da multa isolada de 150%, a Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, assim dispõe: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ... § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Da leitura destes dispositivos, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou qualquer uma das figuras penais descritas no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A multa de 150% é cabível não apenas em função da compensação indevida mas pela declaração falsa do contribuinte de possuir créditos em seu favor. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracterizaria a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual foi a situação que ensejou a glosa das compensações. O Relatório Fiscal fornece os fundamentos para a multa, descrevendo os supostos créditos que o contribuinte teria utilizado para as compensações. Tais compensações foram indevidas. Assim sendo, as importâncias utilizadas como crédito pelo contribuinte não Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 427 10 gozavam do pressuposto de liquidez e certeza, levando à conclusão de que este contribuinte compensouse de créditos inexistentes. Por pertinente, transcrevo trecho do voto vencedor da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido no Acórdão nº 9202004.341, em julgamento na Câmara Superior deste Conselho (sessão de 24/08/2016), sobre a aplicação da multa ora examinada: "Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. ... Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: "Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 428 11 Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da ei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal." ... Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. ... De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. (sem grifos no original.)" Deste modo, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, com relação à multa isolada, considerando que a informação em GFIP de compensações realizadas, sem que o contribuinte encontrese exercendo direito líquido e certo, leva sim, a uma declaração falsa, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Registro, ainda, que esta Turma, em julgamento em 04 de abril de 2017, por maioria de votos, entendeu pela manutenção da multa isolada de 150%, consoante ementa abaixo parcialmente transcrita: "[...] COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes, de fato ou de direito, seja por utilizar créditos prescritos, seja pela compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 429 12 imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. [...]" (Acórdão 2202003.786. Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Redatora designada: Conselheira Cecília Dutra Pillar. Sessão de 04/04/2017) Assim, restando evidenciado que na declaração em GFIP houve falsidade da declaração apresentada, está configurada a situação prevista na Lei para a aplicação da penalidade de 150%. Alegações de inconstitucionalidade. Em relação a alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, deixo de apreciála, por força do disposto na Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Taxa Selic. Quanto à alegação de ilegalidade da utilização da Taxa SELIC, não merece guarida. Ocorre que, nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 429DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901615/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.964
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 15 /2 01 2- 41 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901615/201241 Acórdão n.º 3201002.964 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.596, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901615/201241 Acórdão n.º 3201002.964 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901615/201241 Acórdão n.º 3201002.964 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901615/201241 Acórdão n.º 3201002.964 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901615/201241 Acórdão n.º 3201002.964 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901615/201241 Acórdão n.º 3201002.964 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901615/201241 Acórdão n.º 3201002.964 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901615/201241 Acórdão n.º 3201002.964 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901615/201241 Acórdão n.º 3201002.964 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.723735/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 30/08/2010 a 30/04/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. QUITAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO QUE ENSEJOU A MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO DA MULTA. OMISSÃO QUE DEVE SER SANADA.
O contribuinte expressou a desistência parcial da defesa, antes do julgamento, pois promoveu pagamento da única parcela do crédito tributário que ensejou a lavratura de multa de ofício qualificada. Neste sentido, deve ser sanado o acórdão embargado que decidiu pela manutenção da multa qualificada em relação ao crédito tributário extinto pelo pagamento.
Numero da decisão: 2201-003.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanar a inexatidão material apontada, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 31/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 30/08/2010 a 30/04/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. QUITAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO QUE ENSEJOU A MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO DA MULTA. OMISSÃO QUE DEVE SER SANADA. O contribuinte expressou a desistência parcial da defesa, antes do julgamento, pois promoveu pagamento da única parcela do crédito tributário que ensejou a lavratura de multa de ofício qualificada. Neste sentido, deve ser sanado o acórdão embargado que decidiu pela manutenção da multa qualificada em relação ao crédito tributário extinto pelo pagamento.
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Vício sanável Embargante ANTONIO AUGUSTO GOMES DOS SANTOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 30/08/2010 a 30/04/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. QUITAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO QUE ENSEJOU A MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO DA MULTA. OMISSÃO QUE DEVE SER SANADA. O contribuinte expressou a desistência parcial da defesa, antes do julgamento, pois promoveu pagamento da única parcela do crédito tributário que ensejou a lavratura de multa de ofício qualificada. Neste sentido, deve ser sanado o acórdão embargado que decidiu pela manutenção da multa qualificada em relação ao crédito tributário extinto pelo pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanar a inexatidão material apontada, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 31/08/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 37 35 /2 01 3- 19 Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10830.723735/201319 Acórdão n.º 2201003.837 S2C2T1 Fl. 1.103 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratamse de Embargos Inominados opostos pelo contribuinte às fls. 1018/1024, com base no art. 65 do RICARF, em face do acórdão nº 2201002.699, de fls. 990/1003, que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para “considerar como valor de alienação R$ 17.000.000,00”. A demanda versa sobre IRPF decorrente de ganho de capital. No entanto, o contribuinte alegou em seus Embargos que o acórdão possui omissão, já que ele manifestou a desistência parcial do Recurso Voluntário, relativamente ao valor de R$ 800.000,00 que teria ensejado a aplicação da multa qualificada de 150%. Entretanto, o voto vencedor do acórdão silenciouse sobre o fato. Colaciono abaixo trechos dos embargos apresentados pelo contribuinte: (...) (...) Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10830.723735/201319 Acórdão n.º 2201003.837 S2C2T1 Fl. 1.104 3 Quando do julgamento do recurso, em 11/03/2015, a Turma julgadora proferiu acórdão com a seguinte ementa (fls. 990/1003): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 30/08/2010 a 30/04/2013 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO REGISTRADO NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. Considerase como valor de alienação aquele registrado no Termo de Verificação e utilizado para apuração do imposto devido, independentemente de majoração por parte da DRJ, ainda que para corrigir erro material devido a lapso manifesto.” Em Despacho de Admissibilidade de fls. 1100/1101, foram acolhidos os Embargos de Declaração, com vistas a sanar o vício apontado pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10830.723735/201319 Acórdão n.º 2201003.837 S2C2T1 Fl. 1.105 4 O recurso preenche aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme já bem exposto no Despacho de Admissibilidade, houve, no presente caso, flagrante omissão quanto ao pedido formulado pelo contribuinte, ora EMBARGANTE, de desistência parcial do seu Recurso Voluntário exclusivamente em relação ao item do lançamento que ensejou a multa qualificada de 150%, qual seja, o valor tributável de R$ 800.000,00 relativo ao período de apuração 08/2010. Verifico que, de fato, o contribuinte apresentou petição de fls. 975/980, em 30/09/2014, a fim de comunicar a desistência parcial do recurso, nos termos acima delineados, a fim de promover a quitação do crédito tributário relativo a parcela em que houve renúncia de defesa com os descontos previstos pela Lei nº 12.996/2014. Na ocasião, anexou aos autos as guias de pagamento do crédito tributário (fl. 977) Assim, requereu fosse homologada a desistência parcial tão somente em relação ao período de 08/2010, mantendose integralmente os demais termos e pedidos do recurso voluntário. O pagamento do crédito tributário foi confirmado pela unidade preparadora, conforme extrato do processo (fls. 983/986) onde consta que a única parcela do crédito tributário do presente processo vinculado à multa qualificada de 150% havia sido extinto pelo pagamento: Ou seja, não há dúvidas de que o contribuinte quitou o débito atrelado à multa qualificada. Contudo, no voto vencedor do acórdão embargado, o conselheiro redator abriu tópico específico para tratar da multa qualificada. Na oportunidade, observou que “A qualificação está restrita a apenas um período de apuração, em relação ao qual a autoridade fiscal concluiu ter ocorrido uma conduta dolosa praticada pelo contribuinte envolvendo a sociedade Viação Lira Ltda.” e, ao final, concluiu que “deve ser mantida a qualificação em relação ao ganho de capital cujo fato gerador ocorreu em 30 de agosto de 2010” (fl. 1002). Conforme exposto, resta patente nos autos a desistência parcial do recurso voluntário, unicamente no tocante à parcela do crédito tributário atrelado à multa qualificada de 150%. Também resta comprovada a quitação do referido crédito tributário. Neste sentido, deve ser corrigido o acórdão embargado, a fim de reconhecer a desistência parcial do recurso referente ao valor tributável do período de apuração de 08/2010 atrelado à multa de 150%, ante a extinção pelo pagamento da mencionada parcela do crédito tributário. Portanto, é de rigor reconhecer que a multa qualificada também foi “quitada” em razão dos benefícios concedidos pela Lei nº 12.996/2014. Assim, o litígio não mais envolve referidas parcelas. Portanto, não há que se falar em qualquer aplicação de multa qualificada no presente caso. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10830.723735/201319 Acórdão n.º 2201003.837 S2C2T1 Fl. 1.106 5 Isto posto, voto no sentido de conhecer e ACOLHER os embargos de declaração apresentados, reformando a decisão embargada tãosomente para afastar a aplicação da multa qualificada a qualquer período envolvendo o crédito tributário em litígio, ante a constatação da extinção (por pagamento com os benefícios da Lei nº 12.996/2014) da única parcela do crédito tributário atrelado à multa qualificada de 150%. O processo deve prosseguir para análise de admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo contribuinte (fls. 1032/1057). (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1106DF CARF MF
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Numero do processo: 11829.720019/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila. Relatório. Tratamse de Recursos Voluntários de fls 4103, 4115, 4344 e 4362, dos contribuintes e de seus sócios (autuados como sujeitos passivos), em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/SC de fls. 4059 que deu provimento parcial para as impugnações de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 29 .7 20 01 9/ 20 13 -8 1 Fl. 4416DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.417 2 fls 3804, 3838, 3856, 3888 e 3918, mantendo o Auto de Infração de fls 3, por interposição fraudulenta de terceiros na importação. Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 1.160.742,76 referente a multa prevista no artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Depreendese do “Termo de Verificação e Descrição dos Fatos” do auto de infração (fls. 17 a 99), que a Empresa HOT SAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA. (CNPJ 74.052.085/000198) foi identificada como sujeito passivo oculto em operações de importação que identificavam como “real adquirente” a Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (CNPJ 07.069.077/000167). Segundo a fiscalização, a Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. simulou importações em seu nome ocultando ao longo do período (e até mesmo numa única operação) 04 sociedades empresárias distintas, reais interessados nas operações de importação, entre as quais a Empresa HOT SAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Relata a fiscalização que as sociedades empresariais compravam idênticos produtos eletrônicos (amplificadores de sinal de televisão), sendo que a Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. repassava as mercadorias estrangeiras diretamente às sociedades empresariais ou aos clientes destas sociedades (por orientação destas empresas). A fiscalização ressalta que em diversas declarações de importação a operação de importação foi realizada mediante contratação de serviços da Empresa EXIMBIZ COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A, que figurou como “importador” nessas operações de importação (importação por conta e ordem de terceiros). Embora esta empresa tenha registrado algumas declarações de importação, no entender da fiscalização quem de fato ocultou os reais adquirentes foi a Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., motivo pelo qual aquela empresa não foi incluída no pólo passivo da autuação. Quanto à integralização do capital social da Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., a fiscalização, após analise dos fatos ocorridos a partir de 2004, concluí que o sócio Sr. ERIC MONEDA KAFER (CPF 292.322.99836) não dispunha de recursos financeiros para o aporte registrado formalmente. Embora a Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. possua como objeto social uma imensa gama de mercadorias (97% dos capítulos da Nomenclatura Comum do Mercosul), restou constatado pela Fl. 4417DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.418 3 fiscalização que, em regra, a empresa não dispunha de local adequado para armazenagem, sendo as mercadorias estrangeiras repassadas aos clientes imediatamente após o respectivo desembaraço. A conclusão é de que a atividade é típica de empresas que prestam serviços e não a comercialização de mercadorias. A sede da Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. está localizada numa sala comercial de apenas 46 m2 num condomínio cujo acesso é restrito. A filial no Espírito Santo tratase de uma sala alugada na estrutura da Empresa EXIMBIZ COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A. (CNPJ 31.757.503/000130). A filial com endereço em Campinas, São Paulo, não foi localizada em funcionamento, o local estava fechado, desocupado e sem sinais de uso. A fiscalização também argumenta que a Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. não dispunha de mão de obra compatível com as atividades que alegava desempenhar no comércio exterior. A empresa declarou não possuir funcionários e contratava estagiários e que se tratava de empresa familiar. Quanto ao fluxo das mercadorias, a fiscalização informa que em diversos casos, a data de emissão da nota fiscal de saída é a mesma da nota de entrada (em outros, as datas são próximas, sendo que também existem exemplos de mercadorias sendo vendidas todas de uma vez. Tal fato, segundo a fiscalização, evidencia que a Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. sabia, antecipadamente, para quem venderia os produtos importados. Análise das informações prestadas pela Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. em seu sítio na internete (já retirados da rede) levam à conclusão de que a atividade da empresa era de fato a prestação de serviços aduaneiros de importação e exportação. Os registros contábeis apresentados pela Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. em razão das intimações realizadas pela fiscalização denotam a prática de artifícios ilegítimos na contabilidade. Os fatos contábeis relacionados às operações de importação e comercialização das respectivas mercadorias foram adequados aos interesses da empresa e não à realidade dos negócios efetivamente praticados. À folhas 52 a 59 a fiscalização indica detalhadamente os documentos que comprovam os fatos jurídicos acontecidos e os respectivos registros contábeis formulados pela interessada nas primeiras operações de importação, demonstrando habilmente que em verdade os valores correspondentes às operações de importação eram adiantados pelos clientes, tanto para o fechamento do contrato de câmbio, quanto para o registro da respectiva declaração de importação. Contudo, não era desta forma que tais fatos eram contabilizados. Ao menos na contabilidade apresentada pela Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. à fiscalização. Os fatos eram dissimulados. Fl. 4418DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.419 4 Não obstante a incongruência entre os documentos e os registros contábeis apresentados à fiscalização, o excontador da Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou declaração e documento indicando que o Sr. ERIC MONEDA KAFER teria pedido a ele que alterasse os registros contábeis em razão da fiscalização federal (o que foi negado). O excontador apresentou os registros contábeis originalmente realizados, inclusive com cópia dos termos de abertura e encerramento dos livros diário com os carimbos de comprovação do registro no cartório. Tais livros não foram apresentados pela empresa. Ao comparar alguns registros contábeis, principalmente os que apontam os adiantamentos dos recursos financeiros realizados pelos clientes, constatase que, de fato, houve alteração nos registros contábeis (em tese, falsificações ideológicas) para que a fiscalização não pudesse observar as irregularidades tributárioaduaneiras. Observa a fiscalização que os registros no Livro Caixa de 2008 apresentado pela Empresa HOT SAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA. em atendimento à intimação, não informa os três primeiros depósitos bancários em favor da Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Tal fato, no entender da fiscalização, evidencia o dolo. A agência utilizada para depósito (inclusive em outras operações) está localizada na cidade de Teresina – PI, cerca de 4 Km da sede da Empresa HOT SAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Como critério para rateio dos valores pertencentes à cada empresa cliente da Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. a fiscalização calculou o quanto de repasse de recursos foi realizado por cada um dos clientes, sendo então atribuído a cada empresa o montante de mercadorias proporcionalmente correspondente aos recursos repassados à Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. À folhas 75 e 76 a fiscalização indica como chegou aos valores repassados, bem como os ajustes realizados em acordo com os registros contábeis. Assim, com base nestes fatos, a fiscalização concluiu que a Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. , ao registrar declarações de importação de mercadorias destinadas a terceiros, que haviam adiantado recursos financeiros para a realização destas operações, descumpriu a legislação de regência, pois simulou importações de terceiros como sendo próprias. Com isso, ocultou os reais compradores das mercadorias, no caso, a Empresa HOT SAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Em razão das informações prestadas nas declarações de importação a fiscalização concluiu que também houve o uso de documentos ideologicamente falsos. O adquirente das mercadorias seria a Empresa HOT SAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA. e não a Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Fl. 4419DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.420 5 Portanto, com base nos fatos anteriormente citados a fiscalização considerou ocorrida a infração tipificada no artigo 23, incisos IV e V, do DecretoLei nº 1.455/76 (combinado com o inciso VI do artigo 105 do DecretoLei nº 37/66), porém em razão da não localização, por terem as mercadorias sido consumidas, foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em substituição à aplicação da pena de perdimento, conforme estabelecido no § 3º do mesmo dispositivo legal. No pólo passivo da autuação foram alocadas as Empresas ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e HOT SAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA., bem como seus respectivos sócios Sr. ERIC MONEDA KAFER, Sra. VERA LÚCIA MONEDA KAFER (CPF 256.816.37808) e, Sr. RAIMUNDO NONATO DE ALBUQUERQUE JUNIOR (CPF 342.394.56304), Sr. RAIMUNDO NONATO DE ALBUQUERQUE (CPF 025.598.97334), Sra. JOSIANE MENDONÇA COUTO (CPF 447.190.35353). Cientificada, a Empresa ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou impugnação de folhas 3.804 a 3.821, anexando os documentos de folhas 3.822 a 3.834. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, compulsando os autos verificase a ausência de indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Há cerceamento do direito de defesa. A descrição dos fatos e enquadramento não possibilita identificar a relação entre a apreensão das mercadorias a suposta irregularidade na importação; Que, requer que a representação fiscal para fins penais seja emitida após o trânsito em julgado na esfera administrativa fiscal. Há que se observar o disposto no artigo 83 da Lei n° 9.430/96; Que, o ônus da prova não é da impugnante, mas sim da administração fiscal; Que, tanto pelo princípio da especificidade, quanto pelo princípio de que na dúvida “pro réu”, aplicase apenas e tão somente a penalidade da multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/07; Que, todas as operações foram registradas na contabilidade, não houve qualquer simulação, todos os tributos foram pagos, em nenhum documento fiscal fora apurado o adiantamento de qualquer recurso financeiro que demonstrasse a ocorrência da cessão do nome e/ou a ocultação de outro sujeito passivo. Não ocorreu dano ao Erário, todos os tributos foram pagos, o lançamento foi feito com base apenas em indícios; Que, as operações objeto da presente autuação foram realizadas integralmente com recursos próprios da impugnante; Que, foi utilizado documento flagrantemente protegido por sigilo profissional (email do Contador da empresa), houve excesso de prazo para conclusão do presente procedimento especial (artigo 9 da IN SRF 228/02); Fl. 4420DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.421 6 Que, a fiscalização não demonstrou em qual capitulação legal é a responsabilidade da impugnante. Houve capitulação no artigo 135 do Código Tributário Nacional (erro que acarreta na nulidade do processo); Que, foram suprimidos documentos apresentados nas respostas às intimações e que demonstram a capacidade econômica, financeira e estrutural da impugnante; Requer: sejam acolhidos os argumentos de nulidade do auto de infração; emitida a Representação Fiscal para Fins Penais após o trânsito em julgado; julgado o processo improcedente e insubsistente; alternativamente aplicada somente a multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/07; a juntada posterior de novos documentos e provas. Cientificado, o Sr. ERIC MONEDA KAFER apresentou impugnação de folhas 3.838 a 3.849, anexando os documentos de folhas 3.850 a 3.852. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, compulsando os autos verificase a ausência de indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Há cerceamento do direito de defesa. A descrição dos fatos e enquadramento não possibilita identificar a relação entre a apreensão das mercadorias e a suposta irregularidade na importação; Que, requer que a representação fiscal para fins penais seja emitida após o trânsito em julgado na esfera administrativa fiscal. Há que se observar o disposto no artigo 83 da Lei n° 9.430/96; Que, parte das declarações de importação (até 06/10/2008) foram atingidas pelo fenômeno tributário da decadência; Que, o ônus da prova não é da impugnante, mas sim da administração fiscal; Que, tanto pelo princípio da especificidade, quanto pelo princípio de que na dúvida “pro réu”, aplicase apenas e tão somente a penalidade da multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/07; Que, todas as operações foram registradas na contabilidade, não houve qualquer simulação, todos os tributos foram pagos, em nenhum documento fiscal fora apurado o adiantamento de qualquer recurso financeiro que demonstrasse a ocorrência da cessão do nome e/ou a ocultação de outro sujeito passivo. Não ocorreu dano ao Erário, todos os tributos foram pagos, o lançamento foi feito com base apenas em indícios; Requer: sejam acolhidos os argumentos de nulidade do auto de infração; emitida a Representação Fiscal para Fins Penais após o trânsito em julgado; reconhecida a decadência; julgado o processo improcedente e insubsistente; excluída a responsabilidade solidária atribuída ao sócio gerente; a juntada posterior de novos documentos e provas. Fl. 4421DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.422 7 Cientificada, a Sra. VERA LÚCIA MONEDA KAFER apresentou impugnação de folhas 3.856 a 3.880, anexando os documentos de folhas 3.881 a 3.884. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, compulsando os autos verificase a ausência de indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Há cerceamento do direito de defesa. A descrição dos fatos e enquadramento não possibilita identificar a relação entre a apreensão das mercadorias a suposta irregularidade na importação; Que, requer que a representação fiscal para fins penais seja emitida após o trânsito em julgado na esfera administrativa fiscal. Há que se observar o disposto no artigo 83 da Lei n° 9.430/96; Que, parte das declarações de importação (até 06/10/2008) foram atingidas pelo fenômeno tributário da decadência; Que, inexiste solidariedade em relação a ora impugnante, é sócia minoritária, não exerce qualquer poder de gestão, nem tão pouco de gerência. Somente sócios com poderes de gestão, sendo estes administradores da sociedade em tempo integral, e que tenham praticado atos lesivos ao Erário, podem ser responsabilizados tributariamente; Que, para incluir sócio da empresa como responsável solidário, a referida responsabilidade não pode ser objetiva, devendo estar caracterizado o ato de gestão que deu ensejo à responsabilização; Que, para que seja configurada a responsabilidade de terceiros aos supostos atos praticados devem estar intimamente ligados com o fato gerador da obrigação tributária; Que, a impugnante não se beneficiou da suposta infração cometida. A impugnante sequer detinha email relacionado a empresa; Requer: sejam acolhidos os argumentos de nulidade do auto de infração; emitida a Representação Fiscal para Fins Penais após o trânsito em julgado; reconhecida a decadência; julgado o processo improcedente e insubsistente; excluída a responsabilidade solidária atribuída à impugnante; a juntada de documentos e provas que a autoridade entender necessárias. Cientificada, a Empresa HOT SAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA. apresentou impugnação de folhas 3.918 a 3.944, anexando os documentos de folhas 3.945 a 4.051. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, deve ser excluída a responsabilidade solidária atribuída à ex sócia, visto que a mesma retirouse da sociedade em 03/11/99; Que, não ocorrendo dissolução irregular da empresa, seus sócios não podem ser responsabilizados até o devido chamamento da própria sociedade empresária; Fl. 4422DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.423 8 Que, em nenhum momento é observado (na autuação) qualquer ato que desabone a conduta da firma Hot Sat, a mesma respondeu a todos os pedidos da Receita, com a entrega de respostas por escrito e cópia de todos os documentos solicitados, sempre possibilitando o correto andamento dos trabalhos fiscais; Que, a impugnante adota a prática de “just in time” para gerenciamento de seus estoques, contudo a Receita Federal tem interpretado, em algumas situações, o fato como interposição de terceiros na importação de produtos, não aceitando que um importador saiba para quem irá vender seus produtos. Mero conhecimento de produto e cliente; Que, em nenhum momento autorizou preposta, terceiros, ou quem quer que seja a realizar transação comercial em seu nome. Não foi feito contrato com a ENCOMEX, as mercadorias eram adquiridas como de qualquer outro fornecedor da Hot Sat de bens de origem nacional ou estrangeira; Que, o fisco entende que este ato de compra geraria prejuízo ao Erário. Tal prejuízo trataria exatamente do imposto sobre a importação de produtos, e por conta deste haveria todo o cálculo apresentado na forma de multa (o fato gerador que possibilitou esta fiscalização foi a ausência de imposto de importação). Há “bis in idem”; Que, a impugnante apenas passou a possuir o RADAR em 18/04/11, enquanto os fatos narrados na autuação remontam aos anos 2008 a 2011. Por outro lado, não existe um único dispositivo legal que impeça uma firma que possui a habilitação do SISCOMEX de adquirir mercadorias perante qualquer firma importadora; Que, o controle de entrada das mercadorias demonstra que outras firmas vendiam e entregavam a mesma mercadoria na sede da Hot Sat. O produto era comprado em outras firmas também. O produto é importado, todas as fornecedoras importam o citado produto e realizam a devida coleta de impostos com a nacionalização destes; Que, o fato de antecipar um pagamento não pode ser considerado como ilícito ou possibilitar a presunção de que houve prejuízo ao Erário. A conta adiantamento a fornecedores é uma rubrica contábil utilizada para registrar remessas de valores a fornecedores, pois muitos fornecedores, para garantirem a entrega e melhor preço, exigem o pagamento antecipado de parte ou do valor total das mercadorias solicitadas, é prática norma do comércio. A Hot Sat em nenhum momento negou que fizesse remessas de valores antecipadas (adiantamento a fornecedores) para aquisição de mercadorias para venda junto ao fornecedor ENCOMEX; Que, não concorda com a forma adotada para o cálculo da multa, mantida a condenação, suportará por transações realizadas com empresas e pessoas que não possuem nenhuma ligação com a mesma; Requer: a exclusão da exsócia e sócios autuados; acolhida a impugnação e cancelado o débito fiscal; seja revista a forma de cálculo Fl. 4423DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.424 9 da multa, sendo a mesma calculada com base nas mercadorias efetivamente enviadas à impugnante. Cientificada, a Sra. JOSIANE MENDONÇA COUTO apresentou impugnação de folhas 3.888 e 3.889, anexando os documentos de folhas 3.890 a 3.916. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, a requerente não integra mais o quadro societário da referida empresa desde 27/10/99, logo é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da autuação; Pede deferimento. Os responsáveis solidários, Sr. RAIMUNDO NONATO DE ALBUQUERQUE JUNIOR e Sr. RAIMUNDO NONATO DE ALBUQUERQUE, embora cientificados (Correios, AR fls. 3.797 e 4.052) não apresentaram peça de defesa específica. O que consta dos autos é que a peça de defesa da Empresa HOT SAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA. (subscrita pelo Sr. RAIMUNDO NONATO DE ALBUQUERQUE JUNIOR) contesta a responsabilidade solidária atribuída aos seus sócios. Consulta eletrônica no Sistema “Eprocesso” do processo administrativo n° 10384.723712/201310 indica que os documentos de folhas 3.918 a 4.051 dos autos do presente processo (peça de defesa da Empresa HOT SAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA.) são cópias daquele processo. Restando, portanto, esclarecido os termos do despacho formulado pela unidade preparadora à folhas 4.053." Esta decisão de primeira instância da DRJ/RJ foi publicada com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/05/2008 a 09/02/2011 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 19/05/2008 a 09/02/2011 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. MATÉRIA ESTRANHA À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO Compete à autoridade administrativa de julgamento aterse à análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas legais vigentes, não cabendo ao julgador adentrar no mérito de pleito Fl. 4424DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.425 10 referente a matéria alheia à constituição do crédito, cuja discussão deve ser desenvolvida no âmbito do processo administrativo adequado. DECADÊNCIA. PENALIDADES. O direito de impor penalidade extinguese em 5 (cinco) anos, a contar da data da infração. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. De outra sorte, não restando comprovado o interesse comum ou o benefício com a prática da infração deve a responsabilidade solidária ser afastada. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." O Recursos Voluntários reforçaram as argumentações preliminares da impugnação e adicionaram a alegação de ilegitimidade passiva. No mérito, alegaram a licitude das operações. A Sra. Josiane Couto, por ter sido excluída do lançamento em razão de não ser sócia da empresa desde 1999, conforme Doc. 01 juntado em sua impugnação de fls. 3888, não apresentou Recurso Voluntário. O processo digitalizado foi distribuído, encaminhado a este Conselheiro e pautado em acordo com o regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Conforme fls. 17 do Termo de Verificação Fiscal, os autuados foram as seguintes pessoas físicas e jurídicas: Fl. 4425DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.426 11 Todos os autuados devem ser intimados para apresentar sua defesa da decisão de primeira instância, é o que se conclui da leitura da Súmula Carf de n.º 71, transcrita a seguir: “Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade.” Esta Súmula é o resultado da aplicação reiterada do devido processo legal e das garantias dos contribuintes positivadas no Direito Brasileiro, seja na Constituição Federal, no Código Tributário Nacional, no Decreto 70.235/72 ou na Lei 9.784/99. É importante informar que após a juntada da decisão de primeira instância da DRJ/SC de fls 4059 é possível encontrar somente a intimação por correio com Aviso de Recebimento da Sra. Vera Lúcia, do Sr. Eric Moneda e da empresa Hot Sat, assim como a intimação por edital da empresa Encomex, em razão da intimação por correio ter sido infrutífera. Logo, não há nos autos a comprovação da intimação da decisão de primeira instância dos Srs. Raimundo Nonato, tanto do Pai quanto do Filho (jr.). O Sr. Raimundo Nonato, o Pai, foi intimado para apresentar impugnação conforme fls. 3799, mas não apresentou, visto que foi devolvido o Aviso de Recebimento em razão da ausência do Sr. Raimundo Nonato no endereço. Fl. 4426DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201381 Resolução nº 3201001.001 S3C2T1 Fl. 4.427 12 Mas não há nos autos a intimação do lançamento, por edital, do Sr. Raimundo Nonato, o Pai. Intimação que deveria ter ocorrido desde antes da decisão de primeira instância. E o Sr. Raimundo Nonato Jr foi intimado por correio com Aviso de Recebimento, antes da decisão de primeira instância e apresentou sua impugnação e Recurso Voluntário em conjunto com sua empresa, a Hot Sat. Talvez por isto, não foi intimado da decisão de primeira instância. Diante do exposto, para instruir os autos, votase para que o julgamento seja convertido em DILIGÊNCIA para que: a unidade de origem revise e identifique as intimações dos responsáveis e, caso não tenham sido realizadas, intime desde o lançamento até a decisão de primeira instância; Após cumprida a diligência e privilegiado o devido processo legal, retornem os autos para este Conselho para julgamento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 4427DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.723056/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. DOCUMENTOS FISCAIS. APRESENTAÇÃO. NECESSIDADE.
O direito de crédito se assenta nos documentos fiscais que lhe conferem legitimidade, no caso, notas fiscais, faturas, contratos, comprovantes de pagamento, dentre outros, não bastando a tal desiderato a simples indicação da existência de lançamentos nos livros fiscais e contábeis da pessoa jurídica.
TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO PELAS AUTORIDADES FISCAIS. IMPOSIÇÃO LEGAL.
Quando a lei atribui ao sujeito passivo a responsabilidade pela apuração e o recolhimento dos tributos devidos e este não se desencarrega de seu ônus, cabe à autoridade administrativa a adoção das providências necessárias ao levantamento, constituição e exigência do crédito tributário devido, por imposição das normas catalogadas no Código Tributário Nacional e na legislação específica.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. DOCUMENTOS FISCAIS. APRESENTAÇÃO. NECESSIDADE.
O direito de crédito se assenta nos documentos fiscais que lhe conferem legitimidade, no caso, notas fiscais, faturas, contratos, comprovantes de pagamento, dentre outros, não bastando a tal desiderato a simples indicação da existência de lançamentos nos livros fiscais e contábeis da pessoa jurídica.
TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO PELAS AUTORIDADES FISCAIS. IMPOSIÇÃO LEGAL.
Quando a lei atribui ao sujeito passivo a responsabilidade pela apuração e o recolhimento dos tributos devidos e este não se desencarrega de seu ônus, cabe à autoridade administrativa a adoção das providências necessárias ao levantamento, constituição e exigência do crédito tributário devido, por imposição das normas catalogadas no Código Tributário Nacional e na legislação específica.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS. CONFUSÃO PATRIMONIAL. CABIMENTO.
A confusão patrimonial verificada entre os sócios e a pessoa jurídica, configurada pela assunção, por parte desta última, de despesas pessoais daqueles, pagamentos não identificados, retiradas de valores não justificados ou não realizados na forma legalmente admitida, dentre outros comportamentos lesivos ao patrimônio da pessoa jurídica, implica a atribuição da responsabilidade pessoal estatuída no art. 153, III do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter a responsabilidade da pessoa jurídica; (b) por maioria de votos, para manter a responsabilidade do sócio-administrador, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (c) por voto de qualidade, para manter a responsabilidade dos sócios não administradores, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Rosaldo Trevisan - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COM. DE CAIXAS E PAPELÃO ONDULADO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. DOCUMENTOS FISCAIS. APRESENTAÇÃO. NECESSIDADE. O direito de crédito se assenta nos documentos fiscais que lhe conferem legitimidade, no caso, notas fiscais, faturas, contratos, comprovantes de pagamento, dentre outros, não bastando a tal desiderato a simples indicação da existência de lançamentos nos livros fiscais e contábeis da pessoa jurídica. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO PELAS AUTORIDADES FISCAIS. IMPOSIÇÃO LEGAL. Quando a lei atribui ao sujeito passivo a responsabilidade pela apuração e o recolhimento dos tributos devidos e este não se desencarrega de seu ônus, cabe à autoridade administrativa a adoção das providências necessárias ao levantamento, constituição e exigência do crédito tributário devido, por imposição das normas catalogadas no Código Tributário Nacional e na legislação específica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 56 /2 01 3- 97Fl. 7381DF CARF MF 2 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. DOCUMENTOS FISCAIS. APRESENTAÇÃO. NECESSIDADE. O direito de crédito se assenta nos documentos fiscais que lhe conferem legitimidade, no caso, notas fiscais, faturas, contratos, comprovantes de pagamento, dentre outros, não bastando a tal desiderato a simples indicação da existência de lançamentos nos livros fiscais e contábeis da pessoa jurídica. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO PELAS AUTORIDADES FISCAIS. IMPOSIÇÃO LEGAL. Quando a lei atribui ao sujeito passivo a responsabilidade pela apuração e o recolhimento dos tributos devidos e este não se desencarrega de seu ônus, cabe à autoridade administrativa a adoção das providências necessárias ao levantamento, constituição e exigência do crédito tributário devido, por imposição das normas catalogadas no Código Tributário Nacional e na legislação específica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS. CONFUSÃO PATRIMONIAL. CABIMENTO. A confusão patrimonial verificada entre os sócios e a pessoa jurídica, configurada pela assunção, por parte desta última, de despesas pessoais daqueles, pagamentos não identificados, retiradas de valores não justificados ou não realizados na forma legalmente admitida, dentre outros comportamentos lesivos ao patrimônio da pessoa jurídica, implica a atribuição da responsabilidade pessoal estatuída no art. 153, III do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter a responsabilidade da pessoa jurídica; (b) por maioria de votos, para manter a responsabilidade do sócioadministrador, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (c) por voto de qualidade, para manter a responsabilidade dos sócios não administradores, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Fl. 7382DF CARF MF Processo nº 19515.723056/201397 Acórdão n.º 3401003.895 S3C4T1 Fl. 11 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de auto de infração para exigência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, relativos ao anocalendário 2009, decorrentes de glosas de créditos apropriados indevidamente, por variadas razões. Descreve a fiscalização que foram glosados os créditos (presumidos) referentes aos estoques de abertura e depreciação acumulada, devido à falta de comprovação dos valores constantes do balanço, quando da mudança do regime de tributação (lucro presumido para lucro real); custo dos produtos vendidos, por ausência de comprovação do crédito e não enquadramento no conceito de insumo, destacando que essa conta foi utilizada, também, para registro e apuração dos créditos relativos às matériasprimas; bem como, foram investigadas as rubricas i) copa e cozinha, ii) material de escritório, iii) material de limpeza, iv) manutenções diversas, v) assistência técnica, vi) combustíveis, vii) fretes e carretos, ix) gastos com empilhadeiras, x) tratamento de efluentes e xi) equipamentos de proteção individual. O Termo de Constatação Fiscal descreve, de forma individualizada, as glosas e os defeitos constatados na apropriação dos créditos, os ajustes efetuados e os valores admitidos, com a recomposição da base de cálculo dos tributos. Houve imputação de responsabilidade aos sócios Valdir Soares de Mello, Francisco Esteve de Araújo e José Domingo Ferreira, em razão de condutas variadas que vão desde a ausência de documentação hábil a respaldar despesas registradas na contabilidade, retiradas de valores da empresa sem inclusão em prólabore, assunção de despesas pessoais dos sócios e familiares pela empresa inclusive manutenção de veículos de luxo , até a geração de reservas de lucros sem comprovação, para distribuição de ganhos isentos e pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Em impugnação, o contribuinte (VIP) apontou, preliminarmente, cerceamento do direito de defesa; ausência de motivação do auto de infração, caracterizado pela falta de demonstração do procedimento utilizado e da composição do montante autuado; e, questionou a jurisdição fiscal para lavratura da autuação. No mérito, sustentou decadência do lançamento e a existência de vício material e, quanto às glosas, defendeu que o lançamento não seria claro o suficiente, por deixar de individualizar as notas fiscais excluídas, ao passo que tomou por base apenas os lançamentos do razão contábil, sem levar em conta o Livro Registro de Apuração do ICMS, além de fazer elucubrações econômicas sobre o elevado volume de glosas efetuadas; tocante à depreciação acumulada do ativo, sua glosa integral seria descabida, pois desconsideraria a realidade da existência de seu parque fabril e suas instalações; concernente às exclusões por falta de documentação hábil (“copa e cozinha”, “combustíveis” e “manutenções diversas”), aduziu que a não aceitação do crédito não se respaldou pela sua desqualificação como insumo, de modo que deveriam ser admitidos, uma vez que a fiscalização não se desincumbiu de demonstrar a ausência de prova do dispêndio; asseverou que não houve justificação de qual o critério específico utilizado para tomar (ou não) as despesas como insumo; discorreu sobre o seu conceito de insumo, equivalente à integralidade Fl. 7383DF CARF MF 4 do que é consumido no processo, criticando o emprego da acepção extraída do IPI e utilizada pela fiscalização, rebatendo, na seqüência, as glosas feitas in specie; destacou a desproporcionalidade e irrazoabilidade das multas impostas, em violação do princípio da vedação ao confisco; e, por fim, pugnou pela improcedência do lançamento. O responsável Valdir Soares de Mello alegou ilegitimidade passiva, por ausência de demonstração de qualquer das figuras relacionadas no art. 135, III do CTN; por inexistência de conduta dolosa ou culposa, ou mesmo ilícito penal, em relação à autuação de PIS/Pasep e Cofins, razão porque deveria ser excluído do polo passivo e também cancelado o correspondente arrolamento de bens lavrado. Além do arrazoado próprio, relativo à responsabilidade tributária, repisou os demais argumentos expostos pelo contribuinte (VIP), quanto à improcedência do auto de infração. Os responsáveis solidários José Domingos Ferreira e Francisco Esteves de Araújo sustentaram ilegitimidade passiva, por não possuírem poderes de gerência na sociedade, sendo apenas sócios minoritários da empresa, pleiteando a exoneração da responsabilidade. No mais, reproduziram a argumentação pela improcedência do lançamento Em 31/10/2014, o contribuinte (VIP) juntou laudo de avaliação dos bens do ativo, com vistas à comprovação dos valores referentes à depreciação acumulada. Em 12/05/2015, a DRJ São Paulo/SP julgou as impugnações improcedentes, em decisão assim ementada: “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é de se reconhecer qualquer espécie de prejuízo à defesa se é providenciado ao Contribuinte e Responsáveis Tributários (Interessados, em conjunto) suficiente texto explicativo da matéria autuada (termo de verificação fiscal), esse secundado por inúmeras planilhas cuja dinâmica manipulativa permite a precisa individualização/especificação de cada lançamento contábil (presente na escrita do Contribuinte) então criticado pela Fiscalização, ainda mais se, justamente para sanar qualquer dúvida a tal respeito, tenhase, antes do julgamento, por devolvido o prazo integral de defesa ao Interessados. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIOADMINISTRADOR. Cabe reconhecer a responsabilidade solidária do sócioadministrador, ao mote de excesso de poder, se sob suas hostes vão identificados múltiplos pagamentos, em múltiplas contas contábeis, a beneficiário não identificado e/ou sem causa, a configurar desvio de recurso societário com óbvio prejuízo à sobrevida da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. INTERESSE COMUM. Sócios que, profusamente, em várias contas contábeis de despesa e durante todo o anocalendário, recebem pagamentos da pessoa jurídica que não atribuído à sua normal remuneração e/ou retirada de lucros, concorrem em interesse comum (remuneração indireta) na situação que constitui/modifica fato gerador de obrigação tributária tirada contra a pessoa jurídica (aumento de base de cálculo de crédito de Contribuição ao PIS e de Cofins pela anotação da mencionada despesa). EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO AGENTE. LIMITES. Fl. 7384DF CARF MF Processo nº 19515.723056/201397 Acórdão n.º 3401003.895 S3C4T1 Fl. 12 5 O quadro funcional de Auditores da Delegacia Especial da Receita Federal de Fiscalização DEFIS/SP, tem jurisdição sobre Contribuintes sediados na cidade de São Paulo. Certo ainda que, não obstante a existência de filiais (planta industrial) em outras cercanias municipais, o fato é que o auto de infração pode ser lavrado no local de verificação da falta (repartição pública), quando mais se verifica a suficiência de elemento documental papelburocrático e/ou arquivo magnético para efeito de formação de convicção da Autoridade Lançadora. FATOS PASSADOS. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. CUSTOS. DESPESAS. COMPROVAÇÃO PARA EFEITO DE CÁLCULO DE CRÉDITOS DO REGIME NÃOCUMULATIVO. Merece ser glosada, para efeito de cálculo de direito de crédito próprio do regime nãocumulativo da Contribuição ao PIS/COFINS, o registro contábil que anota custos/despesas em relação aos quais, intimado o Contribuinte: (a) não apresenta documentação alguma de suporte; (b) quando sim, a pretensa documentação serviente a justificálos (b.1) não traz em seu corpo suficiente discriminação de seu objeto de ordem que fica obstado qualquer juízo à respeito de sua vinculação a insumos, ou ainda, (b.2) percebese o imperativo de sua ativação.” Em recurso voluntário, consolidado em instrumento único, assinalouse abuso na condução do procedimento fiscal, em razão da autoridade lançadora jamais ter visitado o seu estabelecimento, por exigir que os livros e documentos fossem apresentados na repartição fiscal, por não ter sido juntada adequadamente a planilha analítica das glosas e por não ter ficado claro qual a documentação pretendia a fiscalização fosse apresentada no curso da ação fiscal para justificar as aquisições; que houve decadência do lançamento, em razão da reabertura do prazo de impugnação, dado o vício nos arquivos eletrônicos, relativos aos demonstrativos de glosa entregues aos recorrentes; duplicidade de glosas; equívoco na quantificação dos créditos, pois, ao invés de partir o exame do DACON para proceder às glosas, tomou os lançamentos do Livro Razão; ocorrência de glosas por arbitramento, sem previsão em lei, uma vez que não foi oportunizado, ainda durante o procedimento fiscal, a contrariedade às exclusões propostas ou mesmo a apresentação dos documentos faltantes; que o Livro Registro de Entradas foi entregue à fiscalização, não havendo que se falar em ausência de documentação; que não incluiu, na sua apuração do PIS/Pasep e Cofins apurados, as rubricas “copa e cozinha”, “material de escritório”, “material de limpeza”, “assistência técnica” e “manutenções diversas”, soando sem sentido glosar o que não foi computado; que a conta “custo dos produtos vendidos”, por ostentar natureza aglutinadora transitória, não poderia ser tomada como base para apuração das contribuições não cumulativas; reafirmou que as aquisições de matériaprima encontravamse devidamente registradas no livro fiscal específico e o valor escriturado guardava consonância com os lançamentos da conta “fornecedores”, o que não foi levado em consideração pela fiscalização; e, que se mostra absurda a glosa integral da depreciação acumulada, ao argumento de ausência de comprovação dos valores. Relativamente Fl. 7385DF CARF MF 6 à responsabilidade tributária, argüiuse a ausência de fraude, dolo ou prática de atos de gestão com abuso de direito para sua imputação, necessária à aplicação do art. 135, do CTN; e, que não haveria o interesse comum à incidência do art. 124 do mesmo diploma, por se tratar de glosas de créditos de contribuições não cumulativas. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Cumpre, preambularmente, destacar algumas questões. A fiscalização se desenvolveu a partir de um procedimento já em andamento, relativo ao Imposto de Renda, diante das infrações constatadas, iniciandose com a intimação nº 22, de 23/05/2013, onde foram solicitados documentos comprobatórios das despesas relacionadas às contas “Custos dos Produtos Vendidos”, “Matérias Primas”, “Copa e Cozinha”, “Combustíveis”, “Material de Escritório”, “Material de Limpeza”, “Manutenções Diversas”, “Assistência Técnica”, “Carretos”, “Fretes”, dentre outros, além do Livro Registro de Inventário. Em 20/06/2013, através do Termo de Intimação nº 23, foi comunicada a inclusão do PIS/Pasep e Cofins no RPF/MPF e requerida a documentação hábil que respaldava os saldos iniciais das contas “Estoques de Matérias Primas”, “Bens em Operação”, “Depreciação Acumulada”, “Provisão para Contingências”, “Capital Social” e “Reservas de Lucros”, em 2009, bem assim, que fossem fornecidas as contas contábeis que compuseram os valores informados nas fichas 6A e 16A do DACON. O DACON apresentado (efls. 15/326) indicava como única origem dos créditos a rubrica “Bens para Revenda”, sendo que o mês de dezembro/2016 não apontava qualquer valor, eis que apresentado “zerado” (tanto débitos, quanto créditos), o que denota a impropriedade do preenchimento do referido demonstrativo, se considerado que se trata de pessoa jurídica cujo objeto principal é a industrialização de caixas e papelão ondulado. Em 01/08/2013, ante seu silêncio, foi o contribuinte reintimado a apresentar os documentos e esclarecimentos determinados, tendo então informado, em 08/08/2013, que mantinha “estrutura de contabilidade regular”, independente do regime de tributação, desde 2007, e que já fora objeto de fiscalização, razão porque os saldos seriam procedentes, não apresentando a documentação exigida. Na mesma oportunidade esclareceu que, em relação ao DACON, aguardaria o encerramento da fiscalização para promover as retificações necessárias, não indicando, também, as parcelas componentes dos valores das fichas 06A e 16A. Em 03/10/13 foi reiterada a intimação para prestação de informação dos saldos iniciais das contas enumeradas, dentre elas, os estoques de matérias primas e depreciação acumulada, além do Livro Registro de Inventário. Mais uma vez o contribuinte não atendeu à fiscalização, limitandose a repetir o que já aduzira, quanto à documentação, e, relativamente ao Livro de Inventário, que Fl. 7386DF CARF MF Processo nº 19515.723056/201397 Acórdão n.º 3401003.895 S3C4T1 Fl. 13 7 iria buscálo em seu “arquivo morto”, o que, até o encerramento do procedimento fiscal, não havia ocorrido. Então, diante do quadro descortinado, onde o DACON não apresentava informações seguras e tampouco permitia a aferição dos valores indicados, a par de, como antecipado, apresentar claras distorções em seus registros, a autoridade fiscalizadora promoveu o levantamento do PIS/Pasep e Cofins devidos a partir dos livros e documentos disponibilizados. Para tanto, tomou as contas de despesas que, em tese, poderiam conferir créditos da não cumulatividade, passando a examinar individualmente os lançamentos respectivos, cotejandoos com os documentos que lhe conferiam legitimidade. Referidas contas são “Custo dos Produtos Vendidos”, “Matérias Primas”, “Copa e Cozinha”, “Combustíveis”, “Material de Escritório”, “Material de Limpeza”, “Manutenções Diversas”, “Assistência Técnica”, “Carretos”, “Fretes”, “Depreciação Acumulada” e “Móveis e Utensílios”. A fim de possibilitar o contraditório, ao invés de tomar apenas os créditos tidos como válidos e aproveitáveis, a fiscalização adotou o método de partir do valor global da conta e promover as glosas específicas e detalhar as razões de exclusão. Essas glosas se fundamentaram, basicamente, na ausência de documentação idônea a lastrear os créditos, apresentação de documentação insuficiente (recibos, cópias de cheques, comprovantes de pagamentos, porém, desacompanhados das notas fiscais), bens que não se caracterizam como insumo, bens para os quais não houve individualização ou especificação da destinação ou emprego no processo industrial e bens registrados como despesas e que, pelas normas fiscais, deveriam ser registrados no ativo da pessoa jurídica. Após consolidar as exclusões, conforme demonstrativos produzidos no Termo de Constatação Fiscal (efls. 2.777/2.820), houve o levantamento dos débitos correspondentes que, confrontados com os créditos aceitos, redundou na quantificação do valor devido, sendo que o lançamento abarcou as diferenças entre esses valores e aqueles declarados nas DCTFs. A fiscalização destacou a mudança de regime de tributação operada pelo contribuinte, do anocalendário 2008 para 2009, com a migração da apuração pelo lucro presumido para o lucro real, o que acarretou a submissão à incidência não cumulativa para o PIS/Pasep e Cofins. Esse foi o procedimento de apuração levado a efeito pela autoridade fiscal. Outro ponto merecedor de realce diz respeito à inovação defensiva, com a colação de temas não argüidos no recurso inaugural, acarretando a sua preclusão consumativa, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 7387DF CARF MF 8 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Essa situação se verifica especialmente em relação à alegação de nulidade por “abusos na condução do procedimento fiscal” espraiandose por outras matérias que, a despeito do vício processual, serão conhecidas e enfrentadas por obediência ao princípio da verdade material, visto tratarse de lançamento para exigência de crédito tributário. Contudo, por apreço ao debate, ainda que não fosse o óbice assinalado, não se vislumbraria qualquer abuso no desenvolvimento da fiscalização, não configurando qualquer vício a inquinar o lançamento a realização do exame dos livros e documentos fora do estabelecimento do contribuinte, por contar com amparo no art. 35 da Lei nº 9.430/96. De outra banda, o citado art. 264 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) em momento algum determina que o exame de escrituração se realize, obrigatoriamente, nas dependências do sujeito passivo. Não há, aí, aproximação de excesso de exação, extravagância ou surrealismo, como afirmou o recorrente, mas simples exercício de uma prerrogativa legal. Também não procede a reclamação de exigência que todos os livros e documentos fossem apresentados, haja vista que, a teor do art. 71 da MP 2.15835/2001, o sujeito passivo deve apresentar, no prazo máximo de 20 (vinte) dias, toda a documentação necessária à fiscalização dos tributos. Quanto à argüição de procedência das glosas por ausência de documento, registro que os Livros Registros de Entradas e de Apuração do ICMS, isoladamente considerados, não servem de prova suficiente ao reconhecimento do direito ao crédito da não cumulatividade, porquanto apenas individualizam as notas fiscais de aquisição, sem descrever os produtos adquiridos/entrados, e a demonstração de apuração do imposto estadual, respectivamente, daí porque a nota fiscal de entrada é o documento essencial e imprescindível ao reconhecimento do crédito pleiteado. Nesse ponto cabe um parêntese, pois a fiscalização reiteradamente intimou o contribuinte a apresentar a documentação faltante, que, por seu turno, não se desincumbiu do seu ônus, não se podendo olvidar que, entre o início e o encerramento da ação fiscal do PIS/Pasep e Cofins – 23/05/2013 a 12/12/2013 – passaramse mais de 06 (seis) meses, sem que o contribuinte tivesse entregue documentos que, pela sua natureza (notas fiscais), deveriam ser apresentados em 05 (cinco) dias úteis, como disposto no já mencionado art. 71 da MP 2.158 35/2001. Atinente ao argumento de ser absurda a tese de inexistência de documentação a justificar uma glosa de aproximadamente 30 % (trinta por cento) das aquisições de bens e serviços, temse que a fiscalização não afirmou a sua inexistência, mas tãosomente que não fora apresentada ou, quando apresentada, o foi de modo insuficiente, daí a glosa pela falta de comprovação. Fl. 7388DF CARF MF Processo nº 19515.723056/201397 Acórdão n.º 3401003.895 S3C4T1 Fl. 14 9 Nesse passo, intimado o sujeito passivo a fazer prova de seu direito, mediante acervo documental, e não o fazendo, invertese o encargo probatório, cabendo então a ele a demonstração do fato modificativo, extintivo ou impeditivo da exigência do crédito tributário. Outrossim não cabe a conversão do julgamento em diligência para angariar provas que apenas o próprio recorrente poderia produzir e, mesmo ao longo de um semestre, não conseguiu. Além do que, mesmo em fase processual, não juntou um princípio de prova que fosse, a justificar a pretendida diligência, razão porque não mereceria guarida a demanda. Entretanto, como registrado inicialmente, esta contraargumentação foi tecida a título de obter dictum, um comentário sem influência no julgado, porque rebate questão alcançada pela preclusão consumativa, no bojo da tese da nulidade por abuso na condução do procedimento fiscal, que não foi deduzida em impugnação e, como tal, não será conhecida. Respeitante à decadência, entendo não assistir razão ao recorrente. O lançamento foi cientificado ao contribuinte e responsáveis solidários em 27/01/2014, conforme AR de efl. 2.852, sendo que o fato gerador mais antigo corresponde ao período de apuração 31/01/2009, logo, não há que se falar em decadência, contada na forma do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. O fato de um dos arquivos magnéticos, com planilhas explicativas da autuação, apresentar problemas não invalida a ciência realizada, mas apenas implica a interrupção do prazo recursal, com a reabertura da oportunidade de apresentação do recurso, para evitar o cerceamento de defesa, o que efetivamente ocorreu. Com efeito, a DRJ São Paulo/SP, em homenagem ao princípio do contraditório, uma vez constatado o defeito nos arquivos magnéticos, reabriu o prazo para vista dos autos e apresentação de impugnação, o que não significa, a meu ver, vício de ciência a justificar declaração de nulidade ou decadência do lançamento, como pretende o recorrente, mas uma deficiência na instrução do lançamento que deve ser, e foi, saneada pela reabertura dos prazos. Outro questionamento recursal versa sobre a suposta duplicidade de exigências do lançamento, que teria catalogado duas infrações sobrepostas, a saber, a insuficiência de recolhimentos (001) e a glosa de créditos indevidos (002), de modo que, por implicação lógica, sendo as glosas a origem do pagamento indevido, ao relacionar as duas infrações na autuação haveria cobrança em dobro. O raciocínio engendrado pelo recorrente, a priori, estaria correto, porém, analisando o auto de infração, concluí que esta situação não está lá refletida, porquanto a glosa de créditos consta do lançamento apenas a título de formalização da infração, mas sem alteração do crédito tributário exigido, bastando para tanto a análise do demonstrativo de multa e juros de mora (efls. 2.832 e 2.841), onde estão individualizadas as parcelas componentes da exigência fiscal. Nesse demonstrativo, a coluna “contribuição” traz apenas os valores correspondentes à primeira infração (insuficiência de recolhimentos), sendo esse o valor do principal registrado no demonstrativo do crédito tributário (efls. 2.823 e 2.833), do auto de infração, o que deixa clara a inexistência de cobrança indevida entre as infrações constantes do lançamento. Fl. 7389DF CARF MF 10 Outrossim, diversamente do que apregoa o recorrente, a quantificação das glosas e a apuração dos valores devidos e exigidos no auto de infração estão devidamente relacionadas nos diversos demonstrativos componentes do Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 2.777/2.820. Ainda nesse ponto, o recorrente critica a metodologia fiscal de apurar, por conta própria, o montante devido, em especial os créditos respectivos, no entanto, esta reclamação não condiz com a postura adotada durante o procedimento fiscal, onde, instado a apresentar os elementos necessários à aferição da apuração por ele realizada, simplesmente não os disponibilizou, a despeito de intimado a fazêlo em mais de uma oportunidade, o que exigiu da autoridade fiscal o refazimento do trabalho. Ao assim agir, as autoridades administrativas não estão substituindo o contribuinte na prestação de informações em declarações previstas em lei, visto que se trata de obrigação acessória, mas simplesmente exercendo a sua competência legal para apuração e constituição do crédito tributário, consoante art. 142 do Código Tributário Nacional. Por pertinente, cabe destacar que a escolha das contas de despesas não foi aleatória, como aduz o recorrente, mas se estendeu a todas as rubricas que poderiam, de alguma forma, gerar créditos em favor do contribuinte, de maneira que, se ficou de fora do levantamento alguma outra conta contábil, cumprialhe indicar na ocasião adequada, o que não foi feito, razão porque não se verifica mácula nesse procedimento fiscal. Respeitante às glosas reclamadas, sustenta o recorrente que não foi demonstrada de forma analítica as aquisições excluídas da apuração, com precisa indicação da nota fiscal correspondente. Ocorre que essa situação advém justamente da ausência de esclarecimentos e da apresentação desses documentos fiscais à fiscalização pelo próprio contribuinte. A apuração dos créditos, por sua vez, tomou como ponto de partida os lançamentos no Livro Razão, de modo que caberia ao contribuinte, através de seu sistema de escrituração digital, individualizar os documentos que legitimaram esses lançamento e apresentálos à autoridade fiscal, não o inverso. Ou seja, o recorrente tenta imputar à autoridade fiscal um ônus que a ele caberia. Como não bastasse, tenta atribuir à fiscalização um hipotético “estratagema” de transferir a “apuração da matéria autuada” para a fase processual, pelo fato de não ter submetido a planilha com os valores glosados ao crivo do recorrente, antes da autuação. Entretanto, durante a ação fiscal, no decurso de seis meses, o contribuinte não apresentou documentos ou informações que propiciassem a conferência dos valores registrados no DACON, ao contrário, afirmou que aguardaria o encerramento da fiscalização para proceder aos ajustes necessários, o que obrigou a autoridade fiscal a providenciar todo o levantamento dos tributos. Mais uma vez, para pontuar, não procede a reclamação de ser demasiada e absurda a exigência de todos os documentos e livros do período de 2009, pelos motivos já expostos, consolidados e fincado no argumento de existência de previsão legal a amparála. Na mesma senda, o Livro Registro de Entrada, ou mesmo Livro Registro de Apuração do ICMS, não são, isoladamente considerados, suficientes para legitimação do direito de crédito do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, porque apenas as notas fiscais Fl. 7390DF CARF MF Processo nº 19515.723056/201397 Acórdão n.º 3401003.895 S3C4T1 Fl. 15 11 trazem a descrição do produto adquirido, a permitir o exame de seu enquadramento como insumo. Referido direito de crédito respaldase não apenas na nota fiscal respectiva, mas também nos livros fiscais, como o Livro Registro de Entradas, e também no comprovante de pagamento, sendo os elementos mínimos necessários ao reconhecimento deste direito, razão porque, não apresentados, correta a fiscalização em providenciar a sua glosa. Nos termos do art. 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, previsão reproduzida no art. 264, § 3º do RIR/99. Na seqüência, já adentrando o exame analítico das glosas, ainda que as rubricas “copa e cozinha”, “material de escritório”, material de limpeza”, “assistência técnica” e “manutenções diversas”, em princípio, não sejam geradoras de crédito, o exame individualizado realizado pela fiscalização revelou uma confusão na escrituração do contribuinte, onde os lançamentos não observavam uma coerência em sua classificação fiscal, acarretando a localização de créditos nessas contas. Concernente à conta “Custo dos Produtos Vendidos”, a fiscalização asseverou que o seu tratamento, em relação aos lançamentos mensais mais expressivos, referentes à conta “Matéria Prima”, foi tratada de forma apartada, sendo que os valores inferiores, como componentes da apuração dos tributos, foram trabalhados nesse tópico, em exame individual, não maculando o levantamento o fato de aludida conta ser transitória, como prega o recorrente, desde que tomadas as cautelas de não efetuar glosas em duplicidade, o que foi observado pela fiscalização. Quanto às reclamações de glosa, ratifico: o reconhecimento do direito de crédito está ancorado nos documentos que lhe conferem legitimidade, in casu, as notas fiscais devidamente registradas nos livros próprios e seus respectivos comprovantes de pagamento, sendo que essa documentação deve ser exibida aos agentes fiscais quando exigido, sob pena de glosa. Se qualquer desses elementos não foi apresentado, correta a exclusão da aquisição da apuração do montante de créditos da não cumulatividade. No caso vertente, não foram apresentadas as notas fiscais de entrada correspondentes. Por oportuno, destaco que a glosa não significa inocorrência da aquisição, como insiste em defender o recorrente, mas simplesmente que ela não foi adequadamente comprovada por documentação hábil e idônea. Respeitante aos fretes, boa parte da glosa atrelase à ausência de conhecimentos de transporte, o que impede a aferição da vinculação do transporte às aquisições de insumo ou vendas, quando arcadas pelo vendedor, sendo apenas esses os eventos propiciadores de crédito. Ou seja, repetese o problema da ausência de documentação hábil a acobertar o direito de crédito. Fl. 7391DF CARF MF 12 Tocante à depreciação acumulada em 2009, caracterizada pela apropriação de quotas ao longo do anocalendário, a fiscalização não a aceitou em razão da falta de apresentação do Livro Registro de Inventário e/ou de documentação hábil e idônea a justificar os montantes lançados no balanço de abertura, considerando que, até o ano de 2008, o contribuinte estava submetido ao regime de tributação pelo lucro presumido e, nessa condição, escriturava apenas o Livro Caixa, como consignado na decisão recorrida. Posteriormente, em impugnação, o recorrente fez juntar um laudo de avaliação, não aceito pela turma julgadora a quo, em função de sua pretensa incompletude, o que foi rechaçado pela defesa. Nesse ponto, entendo que o laudo de avaliação (efls. 6.820 e ss.), em si, não é incompleto, tampouco inválido, eis que respeita o art. 8º da Lei nº 6.404/76, contudo, há algumas especificidades que o tornam inapropriado a fazer a prova desejada pelo recorrente, uma vez que a avaliação dos edifícios e instalações não alcançou todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, mas tãosomente aquele localizado na Av. Fernando Piccini, 220 – Distrito Industrial –Vinhedo/SP. Por outro lado, se esse é o único estabelecimento da pessoa jurídica, outro obstáculo se erige, ao passo que o valor do laudo é cerca de 30% (trinta por cento) inferior àquele constante do balanço de 2009 (efls. 6.818/6.819). A diferença de valores também se verifica em relação às contas “Móveis e Utensílios”, “Máquinas e Equipamentos” e “Computadores e Periféricos” sujeitas à depreciação e integrantes da rubrica “Depreciação Acumulada”. Portanto, o laudo de avaliação não sustenta os valores registrados no balanço. Além do que, referida avaliação foi elaborada em outubro/2014, refletindo os valores atuais dos bens naquela data, motivo pelo qual não atende à exigência do art. 19, parágrafo único, da Lei nº 8.541/92, que prevê, ao contribuinte que não mantiver escrituração comercial completa, a realização, no dia 1° de janeiro do anocalendário seguinte, levantamento patrimonial visando a elaboração do balanço de abertura e permitir o início da escrituração contábil. Tendo em conta a mudança do regime de tributação ocorrida entre 2008/2009, deveria o contribuinte ter providenciado dito levantamento patrimonial em 01/01/2009. Como não bastasse, também não apresentou a documentação que permitiria identificar os bens componentes do seu patrimônio, o que impediu, do ponto de vista fiscal, o reconhecimento do direito às quotas de depreciação a partir da conta “depreciação acumulada”. Relativamente à responsabilidade tributária atribuída aos sócios da pessoa jurídica, a fiscalização, para sua imputação, arrolou o emprego de vários expedientes destinados a retirar valores da pessoa jurídica, sem observância da forma legalmente prevista, como a simulação de reserva de lucros não comprovada, para distribuição com isenção de impostos; contratação de serviços sem comprovação; pagamentos diversos a pessoas com vínculo de parentesco, sem inclusão em folha de pagamentos; dispêndios de veículos de luxo utilizados pelos sócios e seus familiares às custas da pessoa jurídica, como, manutenção, combustíveis, IPVA, etc.; pagamentos a beneficiários não identificados, dentre outros. A decisão recorrida traz interessante excerto sobre o tema, que merece transcrição: Fl. 7392DF CARF MF Processo nº 19515.723056/201397 Acórdão n.º 3401003.895 S3C4T1 Fl. 16 13 “92. Bem objetivamente, o Sr. Valdir Soares de Mello responde pelo art. 135, inciso III, do CTN, porque sócio administrador e sob tal administração é que se identificaram pagamentos: (a) a beneficiários não identificados nas contas contábeis 3.30.10.30.08 Seguros, 3.30.10.40.11 – Viagens e Estadias, 3.30.10.40.19 – Manutenções Diversas, 3.30.10.50.07 – Contabilidade, 3.30.10.60.01 – Fretes, 3.30.20.10.01 – Comissões de Vendas, 3.30.10.50.05 – Jurídico, 2.30.60.10.03 – Distribuição de Lucros e 2.10.50.40.01 – Dividendos a Pagar (vide respectivas planilhas abrigadas na planilha Infrações Apuradas por Conta Contábil IRPJ.xls). Como já debatido nos itens precedentes, os Interessados não vencem a acusação à simples base de dizer que a autuação não permitiu suficiente individualização/especificação lançamento a lançamento contábil então criticado, ou a insistir na suficiência probatória de cópias de recibos, cheques, depósitos (estes, desacompanhados das respectivas notas fiscais), de notas fiscais sem suficiente discriminação do dispêndio, de contratos de prestação de serviços (consultoria contábil e/ou jurídica) desacompanhados projetos, atas de reunião, memoriais de cálculo, relatórios de horas gastas e/ou materiais utilizados e/ou mãodeobra utilizada, estudos, ou mesmo sem trazer documentação de suporte a justificar os saldos iniciais do balanço de abertura para o ano de 2009, isso ainda sem dizer de documentação simplesmente não apresentada. [Nos correntes autos, a hipótese de pagamento a beneficiário não identificado é ocorrente nas contas contábeis: 3.30.10.40.19 – MANUTENÇÕES DIVERSAS, num total de R$ 4.832,50; 3.30.10.60.01 – FRETES, no importe de R$ 442.385,59] (b) sem causa nas contas contábeis 3.30.10.30.05 – Telefone, 3.30.10.50.10 – Assistência Técnica e 2.30.60.10.03 – Distribuição de Lucros (vide respectivas planilhas abrigadas na planilha Infrações Apuradas por Conta Contábil IRPJ.xls). Ajuntese arrazoado idêntico à alínea anterior. [Nos correntes autos, a hipótese de pagamento sem causa é ocorrente na conta contábil 3.30.10.50.10 – ASSISTÊNCIA TÉCNICA, num total de R$ 414.925,28] 93. Dúvida não resta que tais circunstâncias (pagamento a beneficiário não identificado e/ou sem causa) nem tangenciam proveito que seja para a manutenção da atividade empresária. O desvio de recurso é evidente. Uma tal atuação concorre com os interesses de sobrevida da pessoa jurídica. Retificase o pressuposto fático da hipótese Fl. 7393DF CARF MF 14 ‘excesso de poder’ (que compreende, mas sem aí se esgotar, as hipóteses de ‘infração de lei, contrato social ou estatuto’) previsto no referido art. 135, inciso III, do CTN. 94. D’outro tanto, os Srs. Valdir Soares de Mello, Francisco Esteves de Mello e José Domingos Ferreira respondem pelo art. 124, inciso I, do CTN, porque disputam ‘interesse comum na situação’ constitutiva do ‘fato gerador da obrigação principal’, certo que beneficiados por remuneração indireta em diversas contas contábeis: 3.20.10.10.01 – Custos dos Produtos Vendidos, 3.30.10.30.08 – Seguros, 3.30.10.30.05 – Telefone, 3.30.10.40.11 – Viagens e Estadias, 3.30.10.40.19 – Manutenções Diversas, 3.30.10.50.01 – Administração, 3.30.10.50.06 – Consultoria, 3.30.10.50.12 – Carretos, 3.30.20.10.01 – Comissões de Vendas, 3.30.10.50.05 – Jurídico e 2.30.60.10.03 – Distribuição de Lucros (vide respectivas planilhas abrigadas na planilha Infrações Apuradas por Conta Contábil IRPJ.xls). Ajuntese arrazoado idêntico à alínea (a) do parágrafo 92 desse Voto. [Nos correntes autos, a hipótese de remuneração indireta de sócios é ocorrente nas contas contábeis: 3.20.10.10.01 – CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS, no importe de R$ 141,70, a favor do Sr. Francisco Esteves de Mello, para ‘Conserto BMW – DFC 0108’; 3.30.10.40.19 – MANUTENÇÕES DIVERSAS, no importe de R$ 650,00, a favor do Sr. Francisco Esteves de Mello, para ‘Alinhamento/Balanceamento Chrysler EPB – 0572’, no importe de R$ 10.965,65, a favor de José Domingos Ferreira, para ‘Boleto s/ NF – Itatiaia Automóveis Ltda.’, no importe de R$ 940,67, a favor do Sr. Valdir Soares de Mello, para ‘CONTROLAR BMW EVZ – 6666’ e ‘Troca de Óleo BMW ENF – 6666’; 3.30.10.50.12 – CARRETOS, no importe de R$ 10.000, a favor do Sr. José Domingos Ferreira]”. A situação relatada, em minha visão, configura clara confusão patrimonial entre a pessoa jurídica e seus sócios, o que caracteriza excesso de poderes, a atrair a responsabilidade do art. 135, III do CTN. Essa confusão patrimonial fere o princípio contábil da “entidade”, previsto no art. 4º da Resolução CFC nº 750, de 29/12/1993, publicado no DOU de 31/12/1993, verbis: “SEÇÃO I O PRINCÍPIO DA ENTIDADE Art. 4º. O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio Fl. 7394DF CARF MF Processo nº 19515.723056/201397 Acórdão n.º 3401003.895 S3C4T1 Fl. 17 15 não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil.” Nesse passo, os sócios como detentores de cotas do capital social da pessoa jurídica não dispõem de seu patrimônio para lançar mão e arcar com despesas pessoais a seu livre talante, como ocorrido, sem qualquer conseqüência jurídica. Aliás, não sem razão, dispõe o art. 50 do Código Civil que, “em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.” (destacado) É exatamente esse o caso dos autos, tanto assim que, segundo consta da declaração de voto proferida no julgamento de primeiro grau, há referência a deferimento de medida cautelar fiscal de bloqueio de bens de todos os sócios da pessoa jurídica para evitar o esvaziamento patrimonial da sociedade e garantir os créditos da Fazenda Nacional. Em seu favor o recorrente sustenta que não houve imposição de multa qualificada no lançamento, o que levaria ao reconhecimento de ausência de dolo, que, em seu entendimento, seria inerente à aplicação do art. 135, III do CTN, tampouco havendo demonstração do interesse comum em relação aos créditos glosados na apuração do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos. A esse respeito, filiome à tese exposta na declaração de voto já mencionada, eis que, diversamente do que prega o recorrente, indigitado art. 135 não exige o dolo ou a fraude para atribuição de responsabilidade, mas tãosomente a constatação de infração à lei ou o excesso de poderes, não se exigindo sempre que esta “infração à lei”, no âmbito tributário, corresponda ao dolo, fraude ou sonegação, a exigir a qualificação da multa, conforme estatuído nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Aproveitando o ensejo, reproduzo o trecho em comento: “133. Em relação aos créditos tributários constituídos com a multa vinculada ou isolada em seu patamar básico (75%), ou seja, nos casos em que não restou configurada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio (evidentes infrações à lei), entendo que a ausência de qualificação da multa vinculada ou isolada não permite concluirmos pela inocorrência de infração à lei por parte do administrador da empresa, vez que (i) a qualificação da multa somente é cabível nos casos de sonegação, fraude ou conluio, ou seja, não alberga todas as potenciais infrações à lei (neste ponto, é muito elucidativo relembrar a pacífica jurisprudência do STJ acerca da responsabilidade Fl. 7395DF CARF MF 16 tributária do sócio administrador na dissolução irregular da empresa, ainda que possa não restar configurada sonegação, fraude ou conluio diretamente relacionados com a obrigação tributária objeto do lançamento, vez que a infração à lei pode materializarse apenas com a própria dissolução irregular – AgRg no AREsp 608.701/SC, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/02/2015, DJe 03/03/2015) e (ii) é extremamente comum a impossibilidade de qualificação da multa decorrer diretamente da inércia do contribuinte em apresentar os livros ou documentos solicitados pela fiscalização.” Assim, nem todo infração à lei impõe a necessária existência de intenção dolosa, inclusive por força do art. 136 do CTN, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Por fim, a alegação de que não foi apresentada causa específica para atribuição de responsabilidade em relação ao PIS/Pasep e Cofins, entendo que a responsabilização dos sócios decorre da constatação de uma série de situações que demonstram o risco da impossibilidade de satisfação do crédito tributário, devendo esse exame abordar o contexto fático em que verificadas as infrações e não circunstâncias isoladas, haja vista que quaisquer infrações tributárias que resultem insuficiência de recolhimento de tributos, necessariamente implicarão no aumento das disponibilidades financeiras da pessoa jurídica sujeitas às ingerência dos seus sócios, não custando frisar que, neste processo, constatase a ocorrência de confusão patrimonial. Em face de todo o acima exposto, conheço em parte do recurso e, nessa parte, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 7396DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.901044/2011-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
SUPORTES FÁTICOS DISTINTOS. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA DE FORMA DIVERGENTE. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Não é possível o atendimento a requisito específico de admissibilidade previsto no art. 67, Anexo II do RICARF, de que se deve demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente, se a decisão recorrida e a paradigma apresentam suportes fáticos distintos. Situação que implica no não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 9101-003.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA DE FORMA DIVERGENTE. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. Não é possível o atendimento a requisito específico de admissibilidade previsto no art. 67, Anexo II do RICARF, de que se deve demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente, se a decisão recorrida e a paradigma apresentam suportes fáticos distintos. Situação que implica no não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 10 44 /2 01 1- 28 Fl. 7895DF CARF MF Processo nº 16682.901044/201128 Acórdão n.º 9101003.031 CSRFT1 Fl. 7.896 2 Participaram da sessão de julgamento Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 7671/7676) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1101000.883 (efls. 4898 e segs), pela 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção, na sessão de 11/04/2013, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte. Resumo Processual São compensações pleiteadas pela TELEMAR NORTE LESTE S/A (Contribuinte) relativas a pretensos saldos negativos de IRPJ, cujo pleito foi indeferido pela DEMAC/RJ em despacho decisório eletrônico (efls. 25/31). Foi apresentada manifestação de inconformidade (efls. 33/51) que foi indeferida pela DRJ (efl. 951/969). Foi interposto recurso voluntário (efls. 975/992) pela Contribuinte, que foi provido pela Turma Ordinária do CARF (efls. 4898/4912). Foram opostos embargos de declaração pela PGFN (efls. 4914/4918). Os embargos foram acolhidos sem efeitos infringentes (efls. 7662/7669). Foi interposto recurso especial pela PGFN (efls. 7671/7676). O despacho de exame de admissibilidade (efls. 7704/7707) deu seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 7761/7776). A seguir, maiores detalhes da fase contenciosa. Fase Contenciosa Peço vênia para transcrever excerto do relatório da decisão recorrida, objetivo e preciso. Inicialmente a contribuinte transmitiu a DCOMP n° 08076.70562.130206.1.3.028109 para utilização de parcela do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2005, que estaria informado na DCOMP n° 03268.90731.250106.1.3.02 7911 (fls. 02/05). Contudo, em 03/12/2007 retificou a DCOMP n° 08076.70562.130206.1.3.028109, transmitindo a DCOMP n° 12624.51410.031207.1.7.023317, na qual informou que a compensação não estaria vinculada a DCOMP anterior, e ali demonstrando a composição do saldo negativo compensado, que quantificou no valor original de R$ 19.453.511,62 (fls. 06/16). Na seqüência, a contribuinte transmitiu a DCOMP no 26555.97943.130306.1.3.022001 para utilização de outra Fl. 7896DF CARF MF Processo nº 16682.901044/201128 Acórdão n.º 9101003.031 CSRFT1 Fl. 7.897 3 parcela daquele crédito, a qual foi retificada pela DCOMP n° 32418.79030.140606.1.7.028470 (fls. 17/20). Por fim, mediante a DCOMP n° 37707.62386.140606.1.3.020145 a contribuinte utilizou a alma parcela do crédito apurado (fls. 21/24). Em 04/05/2011 foi emitido despacho decisório não homologando as compensações veiculadas nas DCOMP n° 12624.51410.031207.1.7.023317, 32418.79030.140606.1.7.02 8470 e 37707.62386.140606.1.3.020145, na medida em que, confirmadas parcialmente as antecipações informadas (R$ 214.158.064,87 do total de R$ 283.312.320,39), tal valor foi insuficiente para liquidar o IRPJ devido no período (R$ 263.858.808,77). Consoante exposto no quadro demonstrativo que integrou o despacho decisório (fl. 25), foram confirmadas parcialmente as retenções de imposto na fonte (R$ 15.916.248,35 do total de R$ 30.747.684,14) e as estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores (R$ 8.028.485,21 do total de R$ 18.092.467,65) e compensadas com outros créditos (R$ 127.395,07 do total de R$ 44.386.232,36). Nas informações complementares da análise do crédito, disponibilizadas no sitio da Receita Federal na Internet, foram relacionadas, por fonte pagadora e código de receita, as retenções confirmadas e aquelas não confirmadas, neste segundo caso seguidas de informações em campo justificativa. Também constou naquele documento a relação dos pagamentos confirmados e das estimativas compensadas parcialmente confirmadas, seguidas de informações em campo justificativa (fls. 26/28). Foi apresentada manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela 9ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, na sessão de 10/11/2011, no Acórdão 1242.207, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTERESSADO QUE NÃO ENTENDE A MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando as informações constantes do Despacho Decisório e da Análise do Crédito deixam claro que, para se defender, o Interessado tem o ônus de provar as retenções e compensações não confirmadas. PROVA. ESCRITURAÇÃO SEM DOCUMENTOS QUE LHE DEEM SUPORTE. Não prova suas alegações, o Interessado que apresenta escrituração, mas não junta sequer uma amostra representativa da documentação que a suporta. PROVA. RETENÇÕES NA FONTE. Fl. 7897DF CARF MF Processo nº 16682.901044/201128 Acórdão n.º 9101003.031 CSRFT1 Fl. 7.898 4 Por disposição legal, as retenções na fonte devem ser provadas mediante a apresentação dos respectivos comprovantes. PARCELA DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA NÃO CONFIRMADA POR NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A Manifestação de Inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos, mas não invalida o Despacho Decisório de não homologação, que permanecerá válido até que se decida reformálo, administrativa ou judicialmente. Não é correto afirmar que a compensação extingue o débito confessado até que sobrevenha decisão definitiva de não homologação, mas que essa extinção se manterá até que uma decisão, definitiva ou não, a resolva. Estimativas que foram desconsideradas na composição do saldo negativo, não devem, em tese, ser cobradas. Havendo decisão administrativa impugnada, mas válida, que homologa a compensação de certo débito, não pode outra decisão, em processo distinto, considerar que foi compensado um débito de valor diverso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PRAZOS PARA HOMOLOGAR COMPENSAÇÃO E PARA REALIZAR O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. Embora a homologação da compensação e o lançamento de ofício tenham prazo de cinco anos para realização, os termos a quo não coincidem: enquanto no lançamento a contagem inicia se com a ocorrência do fato gerador, para a homologação da compensação temos a data de entrega da declaração. DECADÊNCIA. EFEITO SOBRE VALORES DECLARADOS EM DIPJ. O decaimento do direito de lançar, torna definitivo o imposto devido, mas não o saldo negativo, pois a alteração deste independe de lançamento. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Caso o prazo se esgote sem manifestação do Fisco, considerase tacitamente homologada a compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Fl. 7898DF CARF MF Processo nº 16682.901044/201128 Acórdão n.º 9101003.031 CSRFT1 Fl. 7.899 5 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS PARA RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Para que se reconheça o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ devem ser confirmados: 1) a retenção do imposto de renda na fonte; 2) o oferecimento das respectivas receitas à tributação; e 3) a extinção das estimativas usadas na constituição do crédito. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa compensação quando a soma das parcelas confirmadas de composição do crédito é menor que o Imposto de Renda devido. A Contribuinte interpôs recurso voluntário. A 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção, por meio do Acórdão nº 1101000.883, na sessão de 11/04/2013, deu provimento ao recurso, conforme a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. OMISSÃO DOS MOTIVOS PARA NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITóRIO. NULIDADE. E nulo o despacho decisório que omite os motivos do não reconhecimento do direito creditório. Entendeu a decisão que estaria clara a nulidade do despacho decisório eletrônico, em razão da omissão das razões de convencimento que conduziram à não homologação as compensações. Tal omissão teria resultado em cerceamento do direito de defesa. Enfim, concluiu que, em razão da nulidade do despacho, estaria consumada a homologação tácita das compensações. Foram opostos embargos de declaração pela PGFN (efls. 4914/4918), que foram acolhidos sem efeitos infringentes (efls. 7662/7669), no Acórdão nº 1101000.933, da 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção, na sessão de 08/08/2013, nos termos da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de omissão no acórdão exarado, os embargos devem ser acolhidos. DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. A constatação de vício material no despacho decisório que se presta à nãohomologação de compensações impõe a declaração Fl. 7899DF CARF MF Processo nº 16682.901044/201128 Acórdão n.º 9101003.031 CSRFT1 Fl. 7.900 6 de sua nulidade quando já transcorrido o prazo legal para sua convalidação. A PGFN interpôs recurso especial, para discorrer sobre os efeitos da declaração de nulidade, com base no art. 59, 60 e 61 do PAF. Entende que o dispositivo normativo tutela pela preservação dos atos já praticados, razão pela qual não haveria razão para anular os atos que não tenham sido resultado do ato declarado nulo pela decisão recorrida. Assim, uma vez declarada a nulidade do despacho decisório, deveriam os autos retornar para a DRF, para que a unidade emita um novo pronunciamento a respeito do processo de compensação. Aduz que o vício na motivação da decisão prolatada, apontado posteriormente, não teria o condão de tornála inexistente. E, na condição de existente, produziria efeitos mundo jurídico, razão pela qual não há que se falar em homologação tácita da DCOMP, porque, no quinquênio legal, existiu manifestação do Fisco a respeito, ainda que tenha sido, posteriormente, considerado com um ato nulo. Requer pela reforma do acórdão recorrido no sentido de se afastar a homologação tácita, e pelo retorno dos autos à origem para que a DRF emita um novo despacho decisório. O despacho de exame de admissibilidade de efls. 7704/7707 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte, no qual protesta que a pretensão do Fisco em reapurar, no ano de 2008, os saldos negativos de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2002, afronta a decadência prevista no § 4º, art. 150 do CTN. Entende que os prazos extintos tem a função de estabilizar as relações jurídicas, discorre sobre os efeitos da decadência no regime jurídico do lançamento por homologação e que a administração tributária encontrase submetida a prazo decadencial ao analisar os saldos negativos informados na declaração de compensação. Aduz que não há como se alterar os saldos negativos por uma suposta irregularidade na base de cálculo sem que seja efetuado o lançamento de ofício, o que no caso concreto não seria mais possível em razão do prazo decadencial. Requer pela manutenção da decisão recorrida e, caso seja provido o recurso da PGFN, pelo retorno dos autos ao CARF para apreciação do mérito do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Há que se tecer considerações sobre a admissibilidade do recurso da PGFN, que foi conhecido pelo despacho de exame de admissibilidade de efls. 7704/7707, decisão objeto de protesto pela Contribuinte em contrarrazões. Isso porque a situação retratada pelo acórdão paradigma apresenta particularidade própria que torna inviável a verificação, em face da decisão recorrida, prevista pelo art. 67, Anexo II do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária Fl. 7900DF CARF MF Processo nº 16682.901044/201128 Acórdão n.º 9101003.031 CSRFT1 Fl. 7.901 7 interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. O acórdão paradigma nº 3801001.609, trata de pedido de ressarcimento de IPI, sobre o qual se vinculam declarações de compensação. No caso, foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e, por consequência, não homologando as compensações formuladas. Ocorre que, por cerceamento do direito de defesa, a decisão do acórdão paradigma foi no sentido de declarar nulo o despacho decisório. Contudo, o voto vencedor entendeu que caberia o retorno dos autos para a DRF de origem, porque, se por um lado considerouse o despacho decisório nulo, o que implicaria na homologação tácita das compensações, por outro, não houve pronunciamento sobre os pedidos de ressarcimento de IPI. Tal posicionamento assumiria relevância no caso de o ressarcimento ser de valor superior ao crédito das compensações, ou seja, caberia à DRF promover o ressarcimento do direito creditório remanescente. Transcrevo excerto voto do paradigma: No entanto, uma vez declarada a nulidade do despacho decisório, conforme expresso no voto do eminente relator, não há que se entrar no mérito do pedido administrativo, devendo o processo retornar a DRF de origem para que essa se posicione quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União. No caso em tela, por se tratar de pedido de ressarcimento cumulado com pedido de compensação, caso o crédito seja reconhecido e tiver valor superior ao total do débito objeto da compensação, a autoridade competente da Receita Federal do Brasil deverá promover o ressarcimento do saldo creditório remanescente, desde que inexistam outros débitos a serem compensados com o referido crédito. Ainda que haja o reconhecimento da homologação tácita da compensação pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, é cabível a apresentação de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório quando o crédito informado pelo sujeito passivo em seu pedido de ressarcimento cumulado com pedido de compensação não for integralmente reconhecido. (Grifei) Observase, portanto, que nos autos do paradigma, o retorno dos autos para a DRF não se deu porque, mesmo com a nulidade do despacho decisório, não haveria ocorrido homologação tácita e por isso, poderia a unidade preparadora preparar novo despacho decisório. O que entendeu a decisão é que o retorno dos autos para a DRF deveria ocorrer para que se pudesse apreciar o pedido de ressarcimento, já que, se fosse em valor superior ao crédito pleiteado na compensação, caberia ser devolvido ao contribuinte. Fl. 7901DF CARF MF Processo nº 16682.901044/201128 Acórdão n.º 9101003.031 CSRFT1 Fl. 7.902 8 Por outro lado, nos presentes autos, não há pedido de ressarcimento vinculado a processo de compensação. Trata de compensações relativas a pretensos saldos negativos de IRPJ. E entendeu a decisão recorrida que estaria clara a nulidade do despacho decisório eletrônico, em razão da omissão das razões de convencimento que conduziram à não homologação as compensações. Tal omissão teria resultado em cerceamento do direito de defesa. Assim, concluiu que, em razão da nulidade do despacho, estaria consumada a homologação tácita das compensações. Considerando que a decisão dos presentes autos não enfrenta situação específica do acórdão paradigma, a respeito dos pedidos de ressarcimento, tornase impossível o atendimento ao requisito específico de admissibilidade previsto art. 67, Anexo II do RICARF. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 7902DF CARF MF
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Numero do processo: 35415.000073/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Na ausência de comprovação de pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplica-se ao lançamento a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no inciso I do art 173 do Código Tributário Nacional. O recolhimento em nome próprio das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento da empresa contratante de serviços (Código GPS 2100) não implica pagamento antecipado com relação ao valor de retenção equivalente a 11% da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra a ser recolhido pela tomadora em documento de arrecadação em nome da empresa contratada (Código GPS 2631).
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. HIPÓTESE DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO TOMADOR DE SERVIÇOS.
A empresa contratante de serviços mediante cessão de mão de obra é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária que reteve ou que deixou de reter sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Na hipótese de falta de retenção, a tomadora de serviços fica diretamente responsável pela importância que deixou de receber em desacordo com a lei, independentemente de pagamentos feitos pelo prestador de serviços sobre a folha de salários.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. VALORES DE MATERIAL OU EQUIPAMENTO. DEDUÇÃO. CONDIÇÕES.
Os valores referentes a material ou equipamento não integrarão a base de cálculo da retenção de 11% incidente sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra quando o seu fornecimento estiver previsto no contrato celebrado entre a tomadora e a prestadora de serviços, ou na hipótese que a utilização do equipamento seja inerente à própria execução do serviço contratado. Em um e outro caso, o ônus probatório incumbe ao autuado, o qual tem interesse em fazer prevalecer os fatos que invoca como fundamento à sua pretensão. Na falta de comprovação, mantém-se o lançamento fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O FATURAMENTO.
Por força das determinações constantes do Regimento Interno deste CARF, e em face ao que dispõe a SÚMULA CARF nº 02, não cabe a esse Colegiado se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4
É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
(Súmula Carf nº 4)
RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADES. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14/2009.
Para fins de aplicação da retroatividade benigna em matéria de multas, com relação a fatos geradores até a competência 11/2008, o cálculo da penalidade será efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 08, em julgamento proferido na data de 12/06/2008, reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Assim, conclui-se que devem ser excluídas desta notificação de débito, em razão da decadência, os valores lançados nas competências 02/1999 a 07/2000 e 09/2000, conforme determinado pelo venerando acórdão recorrido.
Numero da decisão: 2401-004.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e conhecer parcialmente do recurso voluntário, nas competências 08/00, 10/00 e 11/00. Por maioria, negar provimento ao recurso de ofício. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, que dava provimento parcial ao recurso de ofício, por entender que não ocorreu a decadência nas competências 12/99 a 07/00 e 09/00. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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(MCDONALDS COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA.) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Na ausência de comprovação de pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplicase ao lançamento a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no inciso I do art 173 do Código Tributário Nacional. O recolhimento em nome próprio das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento da empresa contratante de serviços (Código GPS 2100) não implica pagamento antecipado com relação ao valor de retenção equivalente a 11% da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra a ser recolhido pela tomadora em documento de arrecadação em nome da empresa contratada (Código GPS 2631). CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. HIPÓTESE DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO TOMADOR DE SERVIÇOS. A empresa contratante de serviços mediante cessão de mão de obra é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária que reteve ou que deixou de reter sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Na hipótese de falta de retenção, a tomadora de serviços fica diretamente responsável pela importância que deixou de receber em desacordo com a lei, independentemente de pagamentos feitos pelo prestador de serviços sobre a folha de salários. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. VALORES DE MATERIAL OU EQUIPAMENTO. DEDUÇÃO. CONDIÇÕES. Os valores referentes a material ou equipamento não integrarão a base de cálculo da retenção de 11% incidente sobre a nota fiscal ou fatura de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 5. 00 00 73 /2 00 6- 16 Fl. 2041DF CARF MF 2 prestação de serviços mediante cessão de mão de obra quando o seu fornecimento estiver previsto no contrato celebrado entre a tomadora e a prestadora de serviços, ou na hipótese que a utilização do equipamento seja inerente à própria execução do serviço contratado. Em um e outro caso, o ônus probatório incumbe ao autuado, o qual tem interesse em fazer prevalecer os fatos que invoca como fundamento à sua pretensão. Na falta de comprovação, mantémse o lançamento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O FATURAMENTO. Por força das determinações constantes do Regimento Interno deste CARF, e em face ao que dispõe a SÚMULA CARF nº 02, não cabe a esse Colegiado se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4 É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). (Súmula Carf nº 4) RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADES. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14/2009. Para fins de aplicação da retroatividade benigna em matéria de multas, com relação a fatos geradores até a competência 11/2008, o cálculo da penalidade será efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 08, em julgamento proferido na data de 12/06/2008, reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Assim, concluise que devem ser excluídas desta notificação de débito, em razão da decadência, os valores lançados nas competências 02/1999 a 07/2000 e 09/2000, conforme determinado pelo venerando acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.042 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e conhecer parcialmente do recurso voluntário, nas competências 08/00, 10/00 e 11/00. Por maioria, negar provimento ao recurso de ofício. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, que dava provimento parcial ao recurso de ofício, por entender que não ocorreu a decadência nas competências 12/99 a 07/00 e 09/00. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davamlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 2043DF CARF MF 4 Relatório Período de apuração: 1999 a 2005 Conforme descrito no "RELATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO — NFLD DEBCAD N°35.900.9956", que constitui as fls. 248 a 252 dos autos, o presente lançamento corresponde à contribuição de que trata o artigo 31 da Lei n 8.212, de 2471991, na redação dada pela Lei n° 9.711, de 20111998, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de serviços emitidas por diversas empresas que prestaram serviços à ARCOS DOURADOS COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. (MC DONALD'S COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA.), mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, no período de fevereiro de 1999 a abril de 2005. O Relatório de Notificação Fiscal descreve ainda que o contribuinte não apresentou comprovantes dos recolhimentos dos valores exigidos na NFLD; que os valores mencionados foram apurados com base na contabilidade da empresa, conforme as planilhas anexadas As fls. 253 a 426, em que são informados os números das contas contábeis examinadas e os das notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras dos serviços. Continuamente, a ação fiscal constatou após a análise de algumas notas fiscais e respectivos contratos de prestação de serviços, que não houve destaque da retenção a que alude o § 1° do art. 31 da Lei no 8.212/91, não se configurando, portanto, o crime de apropriação indébita previdenciária. Ressalta que, foram examinados os Livros Diário e Razão, as notas fiscais e faturas de serviços acima referidas e os comprovantes de recolhimentos apresentados pela "MC DONALD'S". Irresignada com o lançamento, a empresa impugnouo alegando que o crédito previdenciário relativo ao período de fevereiro de 1999 a novembro de 2000 se encontrava, quando do lançamento, abrangido pela decadência a que alude o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz ainda, que o fato de a AFRFB haver examinado as notas fiscais e os contratos de prestação de serviços por amostragem elimina a liquidez e a certeza do crédito lançado, razão pela qual a presente notificação fiscal deve ser anulada. Que as empresas Teto Construções e Empreendimentos Ltda. e Mahogany Instalações Ltda. encontravamse amparadas por decisão judicial, que afastara a obrigatoriedade da retenção dos 11% de que trata o art. 31 da Lei no 8.212/91. A Seção de Contencioso Administrativo da extinta Delegacia da Receita Previdenciária em Osasco converteu o julgamento em diligência, para que a fiscalização se pronunciasse a respeito das questões suscitadas no despacho de fls. 1457 e 1458. Em atendimento ao solicitado a Delegacia juntou aos autos o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n° 0923003702 (fls. 1460); o FORCED — Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos (fls. 1461 a 1478); e o "Relatório Fiscal Complementar" da NFLD, em que tecem comentários acerca dos questionamentos formulados às fls. 1457 e 1458 e reabrem o prazo de defesa. Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.043 5 Oportunamente, o impugnante apresenta o expediente (fls. 1489 e 1490), em que ratifica em todos os seus termos a defesa interposta em 05/01/2006. Continuamente, a Seção de Contencioso Administrativo da DRP Osasco retorna os autos a fiscalização (fls. 1493), para que esta se manifeste a respeito de algumas inconsistências verificadas no "FORCED" e, também, junte novo relatório de coresponsáveis e o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar — MPFC no 0923003703. Nesse descortino, a fiscalização junta aos autos do processo os seguintes elementos: novas páginas do "FORCED" (fls. 1494 a 1496), com as correções das falhas apontadas pela referida unidade julgadora; novos Relatórios de Representantes Legais — REPLEG e Relação de Vínculos (fls. 1497 e 1498); MPFC no 09230037CO3 (fls. 1499); e informativo destinado a explicitar as alterações promovidas no "FORCED" (fls. 1500). Cientificado destas últimas providências, o sujeito passivo, novamente, ratifica a defesa protocolada em 05/01/2006 (fls. 1505). A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP) expediu a Resolução n° 2.223, em que solicitou A DRF de origem a adoção das seguintes providências: a) elaboração de relatório em que fossem discriminados os documentos e as razões que deram ensejo as retificações propostas pelos auditores notificantes, bem como os considerados impertinentes para tal efeito, e demonstração da nova composição do débito após tais alterações; b) encaminhamento desse novo relatório e da própria Resolução n° 2.223 a empresa, juntamente com cópia do FORCED (fls. 1461 a 1478 e 1494 a 1496), reabrindo o prazo de 30 (trinta) dias para, em desejando, complementar a sua defesa. Finalmente, após ciência da diligência o impugnante (fls. 1.538 a 1.635), mais uma vez, ratifica os termos de sua defesa anteriormente apresentada e reitera o pedido de que o lançamento seja julgado improcedente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0525.422 6ª Turma da DRJ/CPS, às fls. 1.692/1.715, julgando parcialmente procedente o lançamento e mantendo em parte o crédito tributário. Recordese: “PREVIDENCÁRIO. SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE 11% DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA EMITIDA PELA EMPRESA CEDENTE. OBRIGAÇÃO DA CONTRATANTE. Incumbe A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra a retenção e o recolhimento da importância correspondente a 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa cedente, excetuandose desta regra apenas as empresas amparadas por decisão judicial em sentido contrário. Fl. 2045DF CARF MF 6 RECOLHIMENTO EM ATRASO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Consoante a legislação previdenciária, as importâncias das contribuições pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, de caráter irrelevável. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE INSCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe As autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal regularmente posto e em vigor, vez que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. CRÉDITO PREVIDENCIARIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. É de cinco anos o prazo para a constituição do crédito previdenciário, contado do mês da ocorrência do respectivo fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, conforme tenha ou não havido recolhimento parcial.” O processo foi submetido à apreciação desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina o artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15/05/2009, conforme AR às fls. 1.825. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 1.833/1.881, ratificando suas alegações anteriormente expendidas e ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrido, nos seguintes termos: Alega e existência de decadência, porque a regra do inciso I, do artigo 173 do Código Tributário Nacional é inaplicável na hipótese dos autos tendo em vista que, diversamente do que entendeu a r. decisão recorrida, no caso houve sim pagamento antecipado da contribuição previdenciária relativa as competências de agosto/2000, outubro/2000 e novembro/2000, conforme se verifica dos comprovantes anexos (doc. 01), não restando dúvida quanto aplicação no caso concreto do disposto no artigo 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional e da decadência em relação as competências citadas. Relata a suposta nulidade do lançamento pois o procedimento adotado como base de cálculo das contribuições em causa os valores constantes da contabilidade relativamente a faturas emitidas por empresas construtoras no período, lançadas em várias contas, sem qualquer análise do conteúdo das faturas e sem considerar que nem todos os serviços tomados de empresas de construção civil estio sujeitos à retenção dos 11% 1 vicia o levantamento, não restando dúvida quanto à nulidade do lançamento fiscal. O Recorrente alega ser absurdo o procedimento da fiscalização de considerar todos os contratos de prestação de serviços firmados como sujeitos à retenção de 11%, sem Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.044 7 considerar a singularidade de cada contrato, vale dizer, a variação dos serviços de um contrato para outro, a sujeição ou não à obrigação de retenção dos 11%, a eventual exclusão do valor da fatura ou nota fiscal para este efeito, dependendo do contrato. Ressalta que a não apresentação dos contratos não pode levar à consequência pretendida pela r. decisão recorrida, sendo certo que no caso concreto nas Notas Fiscais apresentadas há a discriminação individualizada dos valores relativos a fornecimento de materiais, conforme se verifica dos documentos juntadas aos autos, de modo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição por não corresponderem a "prestação de serviço", sob pena de violação aos princípios da legalidade e da verdade material, que vigoram em matéria tributária. Não resta dúvida, portanto, quanto à necessidade de se excluir do lançamento fiscal os valores correspondentes aos serviços de elaboração/fornecimento de projetos e/ou executados inteiramente nas dependências da empresa contratada, bem como os discriminados nas Notas Fiscais a titulo de fornecimento de materiais e equipamentos, merecendo reforma a r. decisão. No mérito, alega que a responsabilidade pela retenção e recolhimento inexiste após a ocorrência do fato gerador. Alega que a r. decisão recorrida deixou de considerar que se não houve a retenção dos 11% por parte do Recorrente, a exigência passou a ser integralmente devida pelo contribuinte de direito. Constitui condição "sine qua non" para a exação seja exigida do Recorrente o inadimplemento da obrigação de recolher a contribuição previdenciária pelo prestador de serviço de construção, sob pena de duplicidade de cobrança. Continuamente, alega a inexistência de prova do débito. No caso concreto, embora seja função do INSS demonstrar a efetiva existência de tais débitos, de modo a evidenciar a fragilidade da NFLD o Recorrente apresentou as Certidões Negativas de Débito e Certidões Positivas com efeitos de Negativa obtidas no sitio da internet do próprio INSS, as quais comprovam que inúmeras empresas relacionadas na NFLD em questão em vários períodos abrangidos pela fiscalização estavam com sua situação regular perante o INSS, algumas até mesmo com débitos com exigibilidade suspensa, não impedindo a emissão das referidas Certidões Positivas com Efeitos de Negativa. Relata a Inconstitucionalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre o faturamento. Requer a retroatividade da lei benigna para aplicação da multa. Como se percebe da transcrição supra, a nova redação do art. 35 da Lei n° 8.212/91 traz penalidade menos severa do que a prevista pela redação do art. 35 da mesma lei vigente A época dos fatos e que está sendo exigida do Recorrente no presente caso. Por fim, alega a impossibilidade de se computar juros de mora com base na taxa Selic e requer integral provimento do recurso. Posteriormente, às fls 1.807/1.814, o contribuinte requereu a desistência parcial do Recurso Voluntário interposto, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentaram o recurso, na parte objeto da desistência, indicando os débitos que seriam incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/09 . Assim, manteve a discussão apenas quanto aos débitos relativos às competências de agosto, outubro e novembro de 2000. Fl. 2047DF CARF MF 8 O processo também foi submetido à apreciação desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina a legislação que rege a matéria, por força de recurso necessário da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.045 9 Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Contribuinte foi cientificado da r. decisão em debate no dia 16/03/2009 conforme AR juntado às fls. 1.825, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 15/05/2009, razão pela qual CONHEÇO DOS RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. No tocante ao Recurso de Ofício, o processo foi submetido à apreciação desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina a legislação que rege a matéria, por força de recurso necessário, razão pela qual também CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DELIMITAÇÃO DA LIDE Tratase de NFLD para a cobrança de contribuições previdenciárias referentes às competências de fevereiro de 1999 a abril de 2005, os quais não foram retidos e recolhidos à alíquota de 11% sobre os valores das notas fiscais, faturas e recibos quanto aos serviços tomados de empresas construtoras, executados mediante cessão de mãodeobra e empreitada, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98. A 6ª Turma da DRJ/CPS julgou parcialmente procedente o recurso para: A) excluir os valores lançados: a.1) nas competências de 02/1999 a 07/2000 e 09/2000, em razão da decadência por ter identificado recolhimentos de contribuição previdenciária correspondentes a serviços tomados mediante cessão de mãodeobra no período; a.2) na competência 12/2004, quanto à Teto Construções e Empreendimentos Ltda., e nas competências de 05/1999 a 09/2002, em relação á Mahogany Instalações Ltda., por força das decisões judiciais vigentes no período que afastaram a aplicação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91; a.3) em relação a 1o Notas Fiscais onde restou comprovado que referidos serviços corresponderam a administração, gerenciamento ou consultoria; B) manter os demais valores lançados. Nesse diapasão, como o valor exonerado superou o valor de alçada, foi submetido RECURSO DE OFÍCIO à apreciação desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina a legislação que rege a matéria. Fl. 2049DF CARF MF 10 Noutro giro, o Contribuinte, às fls. 1.807/1.814 requereu a desistência parcial do Recurso Voluntário interposto, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentaram o recurso, na parte objeto da desistência, indicando os débitos que seriam incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/09 e mantendo a discussão apenas quanto aos débitos relativos às competências de agosto, outubro e novembro de 2.000. Assim, passamos às análises dos Recursos Voluntário e de Ofício. 3. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 3.1 DA DECADÊNCIA Após a desistência parcial do Recurso Voluntário o Contribuinte está sendo tributado em face da falta de retenção e recolhimento da alíquota de 11% sobre os valores de notas fiscais, faturas e recibos, quanto aos serviços tomados e executados mediante cessão de mão de obra,nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, para os débitos relativos às competências de agosto, outubro e novembro de 2000. A Instância a quo rejeitou a alegação de decadência dos débitos relativos às competências de agosto, outubro e novembro de 2000 por entender que não havia nos autos nenhum documento apto a demonstrar a existência de recolhimento, ainda que parcial, dos valores lançados nessas competências. Todavia, data máxima venia, esse entendimento não pode prosperar já que existem nos autos comprovantes de recolhimentos de contribuições previdenciárias realizados para as competências de agosto, outubro e novembro de 2000, acostados às fls. 1.878/1.880, atraindo assim, a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, § 4º, do CTN, a saber: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notese que, para fins de averiguação da antecipação de pagamento, prevista em lei, as contribuições previdenciárias à cargo da empresa, na condição de responsável direta, devem ser apreciadas como um todo, mesmo que a outro título, e não apenas sobre os tributos da mesma natureza, como entendeu a instância inferior. Existindo recolhimento parcial de contribuições a qualquer título, mesmo que a outro título ou sobre rubrica é suficiente para atender o comando legal de existência de pagamento antecipado, levando, por consequência, a aplicação do art.150, § 4º do CTN. Nessa esteira de entendimento foi editada a Súmula 99 do CARF, in verbis: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.046 11 valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída na base de cálculo desse recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Diante dos fatos e fundamentos expostos, entendo que resta comprovada a existência de recolhimentos antecipados de contribuições previdenciárias, quanto aos períodos em debate, conforme documentos juntados às fls. 1.878/1.880, devendo dessa forma ser aplicado o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, reconhecendo, assim, a decadência em virtude do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador até a data da notificação do Contribuinte, quanto ao lançamento ocorrido em 21/12/2005 e declarando extintos os débitos relativos às competências de agosto, outubro e novembro de 2000. Entretanto, após deliberação em sessão de julgamento deste E. Colegiado, esta relatora restou vencida na preliminar de decadência, restando designado para apresentar o voto vencedor o Ilustre Conselheiro Cleberson Alex Friess, razão pela qual passo a enfrentar as demais razões do Recurso Voluntário. 3.2 – LEVANTAMENTO POR AMOSTRAGEM Conforme se observa do Relatório Fiscal, a fiscalização obteve os valores supostamente devidos por AMOSTRAGEM, como expressamente consigna o Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, verbis: "... foi constatado, após análise de notas e contratos por amostragem, que não houve destaque da retenção em nota fiscal, assim como o pagamento das mesmas foram realizados integralmente,sem a ocorrência efetiva da retenção...". Com efeito, não procede a afirmação da r. decisão recorrida no sentido de que apenas num primeiro momento da ação fiscal a fiscalização valeuse do critério da amostragem, tendo incluído na NFLD somente valores que efetivamente se referem a prestação de serviços mediante cessão de mãode obra, posto que a simples comparação entre os valores constantes do lançamento original e os valores que remanesceram após as diligências realizadas já evidencia que na NFLD estavam sendo exigidos valores relativos a serviços não sujeitos à retenção dos 11%. De fato, a retificação procedida na base de cálculo das contribuições em tela, que reduziu a exigência fiscal de R$ 21.229.047,52 para R$5.481.959,79 face As notas fiscais apresentadas pelo Recorrente, CONFIRMA a nulidade da NFLD, posto que comprova que o critério de apuração adotado pela fiscalização é imprestável para o fim de embasar a exigência porque decorre de mera presunção, o que é inaceitável em matéria tributária e implica na invalidade da exigência. Não há justificativa para a "generalização" procedida pelos Fiscais, nem mesmo o trabalho que daria, bem como o tempo que demandaria efetuar a análise de todos os contratos e de todas as notas fiscais, porque é dever da fiscalização efetuar o levantamento correto, operação por operação, de forma a apurar o verdadeiro montante do eventual valor devido, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 2051DF CARF MF 12 Assim, dúvida não resta que o crédito tributário constituído nos presentes autos é ilíquido e incerto, além de ser fruto de um levantamento fiscal mal elaborado, razão pela qual não pode prosperar. 3.3 –DOS SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E DO FORNECIMENTO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS Compulsando os autos, resta claro o absurdo do procedimento da fiscalização de considerar todos os contratos de prestação de serviços firmados como sujeitos à retenção de 11%, sem considerar a singularidade de cada contrato, vale dizer, a variação dos serviços de um contrato para outro, a sujeição ou não à obrigação de retenção dos 11%, a eventual exclusão do valor da fatura ou nota fiscal para este efeito, dependendo do contrato. Demonstrou o Recorrente que a fiscalização considerou serviços de desenvolvimento de projetos como sujeitos à retenção, quando é certo que tais serviços, por não serem executados mediante cessão de mão de obra, estão fora da incidência da norma. Alem disso, demonstrou que não é necessariamente o valor total da Nota Fiscal ou da Fatura que pode ser base de cálculo da retenção, porque dela deve ser excluído o valor dos materiais ou equipamentos, próprios ou de terceiros, fornecidos pela contratada quando discriminados na Nota Fiscal e no Contrato (art. 149 da IN 03/05) e outras verbas permitidas por lei (artigo 152 da IN 03/05). O Recorrente fez o levantamento das Notas Fiscais relativas empresa HTS Construções e Empreendimentos Ltda. indicadas pela fiscalização e referentes ao período de dez/01 a dez/03, tendo apurado que o Fisco deixou de excluir da base de cálculo valores relativos a serviços de gerenciamento e materiais aplicados não obstante estivessem eles perfeitamente discriminados no corpo das Notas Fiscais, assim como deixou de considerar valores destacados como Retenção para Seguridade Social, exatamente porque não fez a análise caso a caso das Notas Fiscais relacionadas na NFLD, mas apenas de algumas delas, tomando o n° e o valor das demais a partir da contabilidade do Recorrente. A r. decisão recorrida, por sua vez, reconheceu expressamente a procedência da alegação do Recorrente no tocante a inexigibilidade da retenção prevista pelo artigo 31 da Lei n° 8.212/91 sobre os serviços de elaboração/fornecimento de projetos e/ou executados inteiramente nas dependências da empresa contratada. Contudo, excluiu do lançamento apenas os valores relativos às Notas Fiscais listadas às fls. 1679 e verso, correspondentes a serviços de gerenciamento de obras, por entender que são "as únicas que se mostram aptas a realizar tal comprovação". Ocorre que a simples verificação da razão social das empresas elencadas pela fiscalização, como por exemplo a Arquitetus — Arquitetura e Construções Ltda., Ergo Engenharia Ltda., DSP Engenharia e Manutenção Ltda., Gera Serviços de Engenharia S/S Ltda., Pasqua & Associados Engenharia de Estruturas Ltda., já evidencia que são empresas fornecedoras de projetos e/ou que executam os trabalhos inteiramente em suas próprias dependências não havendo cessão de mãodeobra, que prestam serviços excepcionados da regra da retenção dos 11%, como reconhece a r. decisão nesse ponto, de modo que os valores relativos aos serviços prestados pelas empresas supra referidas, constantes do "Relatório de Lançamento", devem igualmente ser excluídos do lançamento fiscal. Por outro lado, no tocante à necessidade de exclusão dos valores destacados nas Notas Fiscais relativos ao fornecimento de materiais e equipamentos, embora Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.047 13 reconhecendo que as importâncias correspondentes não integram a base de cálculo da contribuição, a r. decisão entendeu por bem não excluir tais valores porque "implica a necessidade de que a empresa tomadora dos serviços (no caso, a "MC DONALDS") apresente à fiscalização os contratos há pouco mencionados, pois somente assim fará jus a que a base de cálculo daqueles 11% se restrinja ao valor dos serviços, isto, é, sem exclusão dos valores discriminados nos documentos fiscais a titulo de fornecimento de material ou equipamento." Ocorre, porém, que a exigência de apresentação do contrato como condição para que a retenção dos 11% não incida sobre valores relativos a materiais e equipamentos é totalmente descabida pois, alem de tal condição não estar prevista em lei (artigo 31 da Lei n° 8.212/91), não leva em consideração que os contratos podem ser firmados até verbalmente, não havendo exigência de forma especial. Como bem esclareceu o recorrente em sua peça recursal, o contrato fisicamente pode nem existir, e as partes podem de comum acordo estabelecer que se forneça material ou equipamentos na execução dos serviços a serem prestados, sendo perfeitamente válida a discriminação feita a tal titulo em notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, independentemente da existência ou apresentação do contrato, sobretudo quando em momento algum é feito pela fiscalização qualquer questionamento quanto a. idoneidade das empresas prestadoras de serviços ou quanto a veracidade dos documentos por elas emitidos. Como se vê, portanto, a não apresentação dos contratos não pode levar à conseqüência pretendida pela r. decisão recorrida, sendo certo que no caso concreto nas Notas Fiscais apresentadas há a discriminação individualizada dos valores relativos a fornecimento de materiais, conforme se verifica dos documentos juntadas aos autos, de modo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição por não corresponderem a "prestação de serviço", sob pena de violação aos princípios da legalidade e da verdade material, que vigoram em matéria tributária. Nesse diapasão, não resta dúvida quanto à necessidade de se excluir do lançamento fiscal os valores correspondentes aos serviços de elaboração/fornecimento de projetos e/ou executados inteiramente nas dependências da empresa contratada, bem como os discriminados nas Notas Fiscais a titulo de fornecimento de materiais e equipamentos, merecendo reforma a r. decisão, para as competências 08/2000, 10/2000 e 11/2000. 3.4 A RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A Recorrente defende que com o advento da alteração da redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 9.711/98, regulamentado pelo artigo 219 do Decreto nº 3.048/99, o qual também já estava regulamentado pela Instrução Normativa nº 03, de 14/07/2005, criouse a retenção na fonte de 11% do valor das faturas e notas fiscais dos serviços lá elencados, como verdadeira antecipação dos valores devidos a titulo de contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento pelas prestadoras de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. O parágrafo 3º do artigo 31 da Lei n° 8.212/91 na redação da Lei n° 9.711/98, define cessão de mãodeobra para os efeitos da exigência em questão dando ênfase ao aspecto topográfico, ou seja, ao local onde estiverem trabalhando os empregados da contratada. Fl. 2053DF CARF MF 14 Como conseqüência, as atividades indicadas no Decreto somente poderiam estar sujeitas à retenção se de fato enquadráveis nas regras legais, ou seja, se houver efetivamente cessão de mãodeobra. Assim, admitindose que o Recorrente efetivamente fosse responsável pelos eventuais débitos em questão, mesmo assim esta responsabilidade somente subsistiria até a ocorrência do fato gerador, como vem reiteradamente decidindo a jurisprudência. Notese que a r. decisão recorrida deixou de considerar que no RE 393.9467 MG o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, analisando a legislação em questão, entendeu constitucional a exigência imposta pelo artigo 31 da Lei 8.212/91, qualificandoa apenas de nova sistemática de arrecadação da contribuição, entendendo que a lei apenas teria criado situação idêntica à do imposto de renda retido na fonte, em nada alterando a obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento pelas prestadoras de serviços. Ignorando, assim, que se não houve a retenção dos 11% por parte do Recorrente, a exigência passou a ser integralmente devida pelo contribuinte de direito. constitui condição sine qua non para a exação seja exigida do Recorrente o inadimplemento da obrigação de recolher a contribuição previdenciária pelo prestador de serviço de construção, sob pena de duplicidade de cobrança. Em sendo assim, quer tenha a tomadora feito a retenção e recolhimento dos 11%, quer não o tenha feito, tem o contribuinte a responsabilidade decorrente da sua própria obrigação de apurar e recolher as contribuições devidas sobre a folha de pagamento ao final de cada período de apuração. Como se vê, portanto, não há qualquer responsabilidade por parte do Recorrente quanto à eventual retenção e recolhimento da contribuição supostamente devida, tendo em vista o encerramento do período de apuração, de modo que se algum valor fosse devido, somente dos contribuintes de direito poderia o INSS exigir a contribuição. Ademais, seja de quem for feita a exigência, esta, no caso, não pode ser maior do que o que seria devido pela prática do fato gerador —pagamento de salários porque se trata de mera antecipação. Nessa esteira de entendimento, estando a responsabilidade do Recorrente limitada a data do encerramento do período de apuração, os juros de mora somente poderiam ser dele exigidos, se fosse o caso, entre a data em que a retenção e o recolhimento deveria ter sido efetuado e a data do encerramento do períodobase de apuração, nos termos do já mencionado PN SRF 1/2002, item 16.1. Assim, tendo o Fisco efetuado lançamento de juros de mora compreendendo o período desde as datas em que o recolhimento dos 11% deveria ocorrer, como consta da NFLD, também por esta razão o eventual crédito apurado não é liquido e certo, portanto, não pode ser exigido. Razão pela qual esta Relatora entende pela improcedência do levantamento fiscal realizado para as competências 08/2000, 10/200 e 11/2000. 3.5 FALTA DE PROVA DA EXISTÊNCIA DA DÍVIDA Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.048 15 No caso concreto, o Recorrente apresentou as Certidões Negativas de Débito e Certidões Positivas com efeitos de Negativa obtidas no sitio da internet do próprio INSS, as quais comprovam que inúmeras empresas relacionadas na NFLD, em vários períodos abrangidos pela fiscalização, estavam com sua situação regular perante o INSS, algumas até mesmo com débitos com exigibilidade suspensa, não impedindo a emissão das referidas Certidões Positivas com Efeitos de Negativa (doc. 05 da impugnação). Juntou ainda os recolhimentos feitos ao INSS por várias das empresas construtoras indicadas na NFLD relativos As contribuições previdenciárias relacionadas As obras que executaram para o Recorrente no período fiscalizado (doc. 06 da impugnação). Ademais, a grande maioria das empresas relacionadas no levantamento fiscal são empresas existentes e ativas no CNPJ que podem perfeitamente ser fiscalizadas pela Receita. Como se demonstra, o INSS, naquela ocasião, não teve sequer o trabalho de confirmar a existência de divida relativamente àquele período para lavrar a NFLD, preferindo simplesmente exigir diretamente do Recorrente tais valores, evidenciando assim a cobrança imprópria, ilegal e possivelmente em duplicidade dos valores exigidos na NFLD em comento. Razão pela qual entendese pela improcedência do levantamento fiscal em debate, para as competências 08/2000, 10/200 e 11/2000. 3.6 INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O FATURAMENTO. O Recorrente alega que, o art. 195, I da CF/88 é textual ao dispor que os empregadores estarão sujeitos a uma contribuição social incidente sobre a folha de salários. Tal significa que onde não houver empregador, tal como definido na Consolidação das Leis do Trabalho, e onde não houver o pagamento de salário, tal como definido pela legislação laboral, ausentes estarão igualmente os elementos constitucionalmente eleitos como aptos a ensejar o nascimento dessa especifica e nominada obrigação tributária. Que se trata de contribuição nova, que somente poderia ser instituída por meio de lei complementar, nos termos do artigo 195, parágrafo 4º da Constituição Federal, não atendendo ademais ao referido artigo ao eleger como base de cálculo (Notas FiscaisFatura =faturamento) dimensão que já serve de base de cálculo para outras contribuições sociais. Nesse particular, embora esta Relatora compartilhe do entendimento jurídico esposado nas razões de defesa do Contribuinte, por força das determinações constantes do Regimento Interno deste CARF, e em face ao que dispõe a SÚMULA CARF nº 02, não irá se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3.7 HIPÓTESE DE RETROATIVIDADE DE LEI BENIGNA, NOS TERMOS DO ART. 106,II, "c" DO CTN E IMPOSSIBILIDADE DE SE COMPUTAR JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC. Em que pese os argumentos lançados em sede recursal sobre os temas encimados, tendo em vista que esta Relatora adota entendimento pelo PROVIMENTO do recurso voluntário, para as competências 08/2000, 10/2000 e 11/2000, restam prejudicadas as análises das referidas matérias. Fl. 2055DF CARF MF 16 4. DO RECURSO DE OFÍCIO 4.1 DECADÊNCIA DAS COMPETÊNCIAS 02/1999 a 07/2000 e 09/2000 Da leitura dos documentos aos autos constatase que nos meses de 12/1999 a 07/2000 e 09/2000, existem recolhimentos sobre o valor de notas fiscais correspondentes a serviços prestados à Contribuinte, mediante cessão de mãodeobra. Assim, há que se reconhecer a decadência do crédito lançado nessas competências, eis que, nos termos do Parecer no PGFN/CAT N° 1617/2008, a contagem do prazo de cinco anos se faz, in casu, na forma estabelecida no § 4° do art. 150 do CTN. Dessa forma não merece reparo, nesse tocante, o v. Acórdão recorrido. 4.2 DAS PRESTADORAS DE SERVIÇO AMPARADAS POR ORDEM JUDICIAL Primeiramente, importante analisar os documentos juntados aos autos, principalmente o mandado de segurança nº 2001.61.00.0318510. Da leitura dos autos possível verificar que à época dos fatos havia sido concedida liminar à "APEMEC Associação das Pequenas e Médias Empresas de Construção Civil de São Paulo", determinando que o INSS se abstivesse de exigir das empresas a ela associadas o recolhimento da contribuição prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.711/98; No dizer da notificada, a ausência de cumprimento do disposto no caput do art. 31 da lei de custeio, relativamente as empresas "Teto Construções e Empreendimentos Ltda." e "Mahogany Instalações Ltda.", decorreu dessas empresas encontraremse, à época, amparadas por ordem judicial afastando a obrigatoriedade da retenção de 11% do valor das notas fiscais por elas emitidas. Continuamente em 17/06/2002 foi prolatada sentença confirmando a liminar em questão. Em 07/12/2004, o Tribunal Regional Federal da 3ª Regido deu provimento ao recurso de apelação do órgão impetrado, com o que restaram afastados os efeitos da decisão de lª instância e restabelecida a incidência daquele art. 31 sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra pelas empresas associadas à "APeMEC"; e em 20/01/2005, ocorreu a publicação do mencionado acórdão do TRF no D.J.U., Seção 2. Dessa forma, o dispositivo legal questionado no mandado de segurança em apreço é inaplicável, quanto às empresas associadas à "APeMEC", no período de 20/02/2002 (data da concessão da liminar) a 20/01/2005 (data da publicação do acórdão que revogou aquela primeira decisão). Devendo ser excluído da presente NFLD o valor lançado na competência 12/2004, mantendose, todavia, os relativos As competências 02/2005 e 03/2005. No tocante a empresa "Mahogany", os documentos de fls. 549 e 550 e 1671 a 1673 demonstram que em 13/04/1999, nos autos do mandado de segurança no 1999.61.00.01564/71, o juiz deferiu o pedido de liminar formulado pela empresa, no sentido de "afastar a exigência da Lei n. 9.711/98..."; em 07/07/1999, a mesma autoridade judicial confirmou a liminar já deferida e prolatou sentença concedendo a segurança postulada pela impetrante; em 01/10/2002, ocorreu a publicação do acórdão do TRF que deu provimento ao recuso do INSS, que afastou os efeitos da decisão de 1ª instância. Assim, em relação a "Mahogany", impõese excluir da presente NFLD o valor lançado nas competências 05/1999 a 09/2002, mantendose, todavia, os relativos As competências 10/2002 a 06/2003. Nesse ponto, não merece alterações o venerando acórdão recorrido. 4.3 DOS SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.049 17 A retenção dos 11%, somente deve atingir somente aqueles serviços praticados mediante cessão de mãodeobra ou por empreitada, pelo que devem ser excluídos da NFLD, por exemplo, os valores relativos aos serviços prestados pelas empresas Arquitetus — Arquitetura e Construções Ltda., Ergo Engenharia Ltda., DSP Engenharia e Manutenção Ltda., Gera Serviços de Engenharia S/S Ltda., Pasqua & Associados Engenharia de Estruturas Ltda., que são meras fornecedoras de projetos e/ou que executam os serviços inteiramente em suas próprias dependências. Nesse ponto, importante transcrever, o artigo 31 da Lei nº °8.212/91, confira se: §3ª Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação a disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (grifamos) Da leitura do artigo supracitado, verificase que é inexigível a retenção dos serviços de elaboração/fornecimento de projetos e/ou executados inteiramente nas dependências da empresa contratada. Quanto ao caso dos serviços de elaboração/fornecimento de projetos, por força dos seguintes normativos expedidos pela própria administração da previdência social: • Instrução Normativa INSS/DC n° 069, de 1052002: Art. 40. A retenção não se aplica: I na construção civil, à contratação dos seguintes serviços: (.) g) elaboração de projeto arquitetônico e estrutural, entre outros; • Instrução Normativa INSS/DC no 100, de 18122003: Art. 179. lsleio se sujeita à retenção, a prestação de serviços de: (.) VII elaboração de projeto da construção civil vinculado a uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART); • Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 1472005: Art. 170. Aldo se sujeita a retenção, a prestação de serviços de: (.) VII elaboração de projeto da construção civil; Fl. 2057DF CARF MF 18 Observase então que o deslinde da controvérsia encontrase no campo das provas, isto porque o direito é incontroverso, cabendo averiguar, in casu, se os serviços prestados pelas empresas mencionadas na impugnação se enquadram numa dessas duas hipóteses excludentes da retenção em apreço. Para ilustrar, confirase, o artigo 170 da IN 03/2005: Art. 170. Não se sujeita a retenção, a prestação de serviços de: I administração, fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras; II assessoria ou consultoria técnicas; Da análise dos documentos juntados ao autos, verificase que novamente assiste razão ao venerando acórdão recorrido, e as únicas faturas que comprovam tratase de serviços de administração gerenciamento ou consultoria, são as abaixo arroladas: NF 840 — CCR Engenharia Ltda. (fl. 813) NF 841 CCR Engenharia Ltda. (fl. 814) NF 842 CCR Engenharia Ltda. (fl. 815) NF 179 — HTS CONSTR. E EMPREEND. LTDA. (fl. 1582) NF 184 — HTS CONSTR. E EMPREEND. LTDA. (fl. 1585) NF 185 — HTS CONSTR. E EMPREEND. LTDA. (fl. 1586) NF 186 — HTS CONSTR. E EMPREEND. LTDA. (fl. 1587) NF 216 — HTS CONSTR. E EMPREEND. LTDA. (fl. 1595) NF 218 — HTS CONSTR. E EMPREEND. LTDA. (fl. 1596) NF 224 — HTS CONSTR. E EMPREEND. LTDA. (fl. 1599) Pelo exposto, não merece reparo o acórdão recorrido, impondose a manutenção da exclusão da base de cálculo das contribuições exigidas na NFLD os valores das dez notas fiscais acima relacionadas. 4.4 DO FORNECIMENTO DE MATERIAIS OU EQUIPAMENTOS Quanto a esse tocante, exclusão dos valores relativos ao fornecimento de materiais ou equipamentos importante transcrever, as normas vigentes: “ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF N° 209, DE 20 DE MAIO DE 1999 HI DAS DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DA RETENÇÃO 17 A contratada que esteja obrigada a fornecer material ou dispor de equipamentos próprios ou de terceiros indispensáveis a execução do serviço, cujos valores estejam estabelecidos contratualmente, sendo as parcelas correspondentes discriminadas na nota fiscal, fatura ou recibo, os respectivos valores não estarão sujeitas a retenção. 17.1 Na hipótese de não constar no contrato os valores referentes a material ou equipamentos, deverão ser Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.050 19 discriminadas as respectivas parcelas na nota fiscal, fatura ou recibo, não se admitindo que o valor relativo aos serviços seja inferior a 50% (cinquenta por cento) do valor bruto. 17.1.1 Quando a utilização de equipamento não estiver estabelecida em contrato, porém for inerente ei execução do serviço, aplicase o disposto no subitem anterior. 17.2 0 valor do material fornecido ao contratante a ser discriminado na nota fiscal, fatura ou recibo não poderá ser superior ao valor de sua aquisição para fins de dedução da base de cálculo da retenção. 17.3 Na construção civil, quando os serviços abaixo relacionados forem executados com equipamentos mecânicos, não constando no contrato o valor referente a equipamento, deverá ser discriminada a respectiva parcela na nota fiscal, fatura ou recibo, não podendo a importância relativa aos serviços em relação ao valor bruto ser inferior a: Drenagem 50% (cinquenta por cento) Obras de arte (pontes e viadutos) 45% (quarenta e cinco por cento) Pavimentação asfáltica 10% (dez por cento) Terraplenagem /Aterro Sanitário 15% (quinze por cento) Demais serviços com utilização de meios mecânicos 35% (trinta e cinco por cento) INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC N° 069, DE 10 DE MAIO DE 2002 Subseção I Das Deduções da Base de Cálculo da Retenção Art. 42. Os valores de material ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, fornecidos pela contratada, indispensáveis à execução do serviço, discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, e constantes em contrato não estão sujeitos Ot retenção. § I° Se houver previsão, no contrato, de fornecimento de material ou equipamento, mas sem discriminação de valores, a base de cálculo da retenção não poderá ser inferior a 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, desde que devidamente discriminada nestes documentos. § 2° Na falta de discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação se serviços, a base de cálculo será o valor bruto, ainda que a discriminação conste em contrato. § 3° Havendo discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, mas inexistindo a previsão no contrato para fornecimento de material ou equipamento, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo. Fl. 2059DF CARF MF 20 § 4° Se não existir no contrato a previsão de fornecimento de equipamento, mas se este for inerente à execução do serviço, a base de cálculo da retenção não poderá ser inferior aos percentuais mínimos previstos § 5° deste artigo, desde que haja a discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. § 5° Na construção civil, quando os serviços abaixo relacionados forem executados com equipamentos mecânicos, não constando no contrato os valores referentes a eles, deverá ser discriminada a respectiva parcela na nota fiscal, na fatura ou no recibo, não podendo a importância relativa aos serviços, em relação ao valor bruto, ser inferior a: I drenagem: 50% (cinqüenta por cento); II obras de arte (pontes e viadutos): 45% (quarenta e cinco por cento); HI pavimentação asfáltica: 10% (dez por cento); IV terraplanagem ou aterro sanitário: 15% (quinze por cento); V demais serviços com utilização de meios mecânicos: 35% (trinta e cinco por cento); § 6° Os percentuais de que trata este artigo representam o valor relativo aos serviços contidos no valor total da nota fiscal, da fatura ou do recibo, devendo ser, por conseguinte, aplicados sobre o valor bruto, sem a exclusão das importâncias referentes a material e à utilização de equipamentos. INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC n°100 de 18.12.2003 Seção V Da Apuração da Base de Cálculo da Retenção Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7° do art. 219 do RPS. § 1° 0 valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração da base de cálculo da retenção. §2° Revogado. § 3° Compete a contratada a comprovação dos valores de que trata o § 1° deste artigo, mediante apresentação de documentos fiscais de aquisição do material ou contrato de locação de equipamento. Art. 159. Quando o fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, estiver previsto em contrato, mas sem discriminação dos valores de Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.051 21 material ou equipamento, a base de cálculo da retenção correspondente no minimo: I cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II trinta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços de transporte passageiros, cujas despesas de combustível e de manutenção dos veículos corram por conta da contratada; III sessenta e cinco por cento quando se referir ei limpeza hospitalar e oitenta por cento, quando se referir as demais limpezas, aplicados sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. § 1° Se a utilização de equipamento for inerente et execução dos serviços contratados, mas não estiver prevista em contrato, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, há cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, observandose, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, os percentuais abaixo relacionados: I pavimentação asfáltica: dez por cento; terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: quinze por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): quarenta e cinco por cento; IV drenagem: cinqüenta por cento; V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais: trinta e cinco por cento. §2° Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a execução de mais de um dos serviços referidos nos incisos Ia V do §§. 1° deste artigo, cujos valores não constem individualmente discriminados na nota fiscal, na fatura, ou no recibo, deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir identificar o valor de cada serviço. Art. 160. Não existindo previsão contratual de fornecimento de material ou utilização de equipamento, e o uso deste equipamento não for inerente ao serviço, mesmo havendo discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, exceto no caso do serviço de transporte de passageiros, onde a base de cálculo da retenção correspondente à prevista no inciso lido art. 159.” Da leitura de todos os normativos transcritos, vislumbrase que os valores referentes a material ou equipamento somente não integrarão a base de cálculo das Fl. 2061DF CARF MF 22 contribuições aqui exigidas, quando o seu fornecimento estiver previsto no contrato celebrado entre a tomadora e a prestadora dos serviços. Nesse diapasão, se não houver previsão contratual, a retenção de que cuida o art. 31 da lei de custeio deverá ser feita sobre o valor total da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa cedente de mãodeobra, ainda que esta tenha discriminado, nestes documentos, as importâncias relativas a mãodeobra e ao material ou equipamento fornecido. Ou seja, apenas se a recorrente tivesse apresentado a fiscalização os contratos há pouco mencionados, faria jus que a base de cálculo daqueles 11% se restrinja ao valor dos serviços, sem a inclusão dos valores discriminados nos documentos fiscais a titulo de fornecimento de material ou equipamento. A notificada trouxe aos autos cópias de documentos fiscais que identificam, separadamente, o valor referente a serviço e o correspondente a fornecimento de materiais, a saber: em 05/01/2006 e 19/02/2009, quando, respectivamente, protocoladas a defesa inicial e a sua última complementação. Temos que o próprio auditor notificante já excluirá, por ocasião da lavratura da NFLD, os valores discriminados (por exemplo, com a NF no 1757, juntada A fl. 982, emitida pela "CCR ENGENHARIA LTDA.", a qual, no discriminativo de fl. 285, já figura com o valor relativo tão somente ao serviço), ou propôs novas exclusões, quando do cumprimento da diligência requerida às fls. 1457 e 1458 (por exemplo, com a NF no 1506, juntada A fl. 952, também emitida pela "CCR", a qual, no discriminativo de fl. 284, figura com o seu valor bruto, enquanto no de fl. 1517 já é computado apenas o valor relativo ao serviço). No tocante aos documentos trazidos na complementação de defesa (fls. 1575 a 1604), esses apenas reforçam a procedência do lançamento, pois não englobam fornecimento de material ou equipamento, nem vêm acompanhadas de GPS Guia da Previdência Social que demonstre o eventual recolhimento dos valores exigidos na NFLD. Assim, não merece reparo mais uma vez o venerando acórdão recorrido nesse tocante. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos Voluntário e de Ofício, para no mérito, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.052 23 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess – Redator Designado Peço vênia a I. Relatora para divergir quanto às analises e conclusões do recurso voluntário. Decadência No âmbito do lançamento dos tributos por homologação, como ora se examina, a tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento demanda do sujeito passivo a realização de uma série de procedimentos a partir da confrontação entre o fato jurídico e a regramatriz de incidência tributária. Sob esse prisma, não localizei nos autos, relativamente às competências 08/2000, 10/2000 e 11/2000, a existência de pagamento antecipado que mantenha conexão com os fatos geradores vinculados ao crédito tributário lançado pela fiscalização, apto a atrair a aplicação do § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). As cópias das Guias da Previdência Social (GPS), juntadas às fls. 1.878/1.880, dizem respeito ao recolhimento em nome próprio das contribuições incidentes sobre a folha de pagamento da empresa tomadora de serviços, ora recorrente (Código de Pagamento 2100), e não ao valor de 11% sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, cujo recolhimento da importância retida, ou que deveria ter sido retida, pela empresa contratante dos serviços dáse em documento de arrecadação em nome da empresa contratada (Código de Pagamento 2631). Afastandome do ponto de vista da I. Relatora, a tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento, nos termos do art. 150 do CTN, exige do sujeito passivo um conjunto de procedimentos realizados separadamente para cada um dos tributos devidos, a partir do cotejo individualizado dos fatos jurídicos com a regramatriz de incidência tributária. Não há relação entre a atividade do sujeito passivo que lhe corresponde determinar e quantificar a prestação pecuniária incidente sobre a folha de salários dos seus segurados (arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991), antecipando o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, e aquela de apurar o montante devido, na condição de responsável tributário, aplicado sobre o valor da nota fiscal ou fatura de serviços contratados mediante cessão de mão de obra (art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991). A linha de pensamento aqui exposta não conflita, senão harmonizase com o enunciado da Súmula 99 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), novamente reproduzida abaixo: Fl. 2063DF CARF MF 24 SÚMULA CARF 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Com efeito, o enunciado vinculante associa o pagamento antecipado, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no § 4º do art. 150 do CTN, a uma mesma contribuição previdenciária, chamada de fato gerador, ainda que não tenha sido incluída no recolhimento parcial alguma parcela exigida no auto de infração, e que normativamente compõe a respectiva base de cálculo do tributo. Assim, o preceito trata de afastar a tese de que o pagamento parcial deve ser verificado rubrica a rubrica integrante da base de cálculo de uma mesma contribuição. Em conclusão, não há que se falar em decadência para as competências 08/2000, 10/2000 e 11/2000. Mérito Segundo a I. Relatora permanecem em discussão no recurso voluntário, tendo em conta a inclusão em parcelamento das demais competências, somente os fatos geradores dos meses de 08/2000, 10/2000 e 11/2000. Não é pelo fato de haver redução significativa do montante originalmente lançado devido às exclusões realizadas pela decisão de piso que todo o lançamento fiscal estará integralmente contaminado, por vícios insanáveis, restando ausente a liquidez e certeza do crédito tributário. Pelo contrário, o expurgo de valores indevidos no curso do processo administrativo, mediante a retificação do débito original, após oferecidos o contraditório e a ampla defesa à empresa autuada, é medida que contribui para a liquidez e certeza do crédito tributário. É inviável, por conseguinte, a generalização pretendida pela recorrente, para considerar que o critério de apuração utilizado pela autoridade fiscal é imprestável para o fim de embasar o lançamento do crédito tributário remanescente. Como bem destacou o votocondutor da decisão recorrida, apenas num primeiro momento do procedimento investigatório, na fase de diagnóstico, o agente fiscal valeuse do critério de amostragem. Na sequência, foram examinados todos os lançamentos contábeis e demais documentos apresentados pela empresa fiscalizada. O lançamento tributário correspondeu exclusivamente a valores identificados pela autoridade fiscal como vinculados à prestação de serviços mediante cessão de mão obra, sujeitos à retenção de 11% sobre a nota fiscal ou fatura emitida, ou em relação aos quais a empresa, devidamente intimada, deixou de exibir integralmente os correspondentes documentos fiscais. Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.053 25 De acordo com a tradicional repartição do ônus probatório, cabe ao sujeito passivo demonstrar os fatos que invoca como fundamento à sua pretensão, mediante argumentos precisos e convergentes, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. Nas hipóteses em que a impugnante trouxe ao processo administrativo os elementos materiais e teóricos para contraporse, na linguagem de provas, ao lançamento fiscal, a decisão de piso procedeu à avaliação e exclui da base de cálculo os valores comprovadamente indevidos. Na fase recursal, não acrescentou provas para desconstituir o crédito tributário mantido em primeira instância. Por sinal, as seis notas fiscais emitidas pela empresa HTS Construções e Empreendimentos Ltda, às fls. 1.881/1.886, relativas a serviços de gerenciamento de obras, que são trazidas no recurso voluntário com o propósito de reforçar a tese de inconsistência do lançamento fiscal, não dizem respeito às competências 08/2000, 10/2000 ou 11/2000. Quanto à natureza dos serviços contratados e à necessidade de exclusão da base de cálculo apurada de materiais e equipamentos utilizados, também não merece censura a decisão de piso. Não é suficiente a mera verificação da razão social das empresas para evidenciar que os serviços prestados estão associados ao fornecimento de projetos e/ou execução de trabalhos nas dependências da empresa contratada, excepcionados da regra de retenção de 11%. Escorreito o acordão recorrido quando afirma que a controvérsia não reside no campo do direito, e sim naquele atinente às provas que devem ser produzidas, cabendo à empresa contratante demonstrar, na linguagem de provas, a veracidade de que os serviços contratados junto às prestadoras não estão submetidos à incidência da retenção de 11%. Por sua vez, a exigência de apresentação do contrato como condição para que a retenção dos 11% não incida sobre valores relativos a materiais e equipamentos está prevista no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (...) § 7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. (...) (GRIFEI) Fl. 2065DF CARF MF 26 A eventual falta de celebração de um contrato escrito, como argumenta a recorrente, não retira da tomadora de serviços o ônus probatório quanto à natureza e às condições da execução dos serviços contratados. Tal circunstância tão somente dificulta a produção de prova que lhe incumbe, não sendo bastante, para redução da base de cálculo, a só discriminação de materiais e equipamentos utilizados feita em notas fiscais, faturas ou recibos de serviços, quando ausentes elementos adicionais de convicção da realidade da execução, avaliada caso a caso, inclusive a prova de que a utilização de equipamentos seria inerente à própria natureza dos serviços executados. Portanto, a não apresentação dos contratos leva à conseqüência dada pela decisão recorrida, de manutenção do lançamento fiscal. Aduz a recorrente a inexistência da sua responsabilidade pela retenção e recolhimento do percentual de 11% sobre notas fiscais, faturas ou recibos após a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias. Cuidase, entretanto, de proposição jurídica não acolhida pela jurisprudência, além de contrária ao texto de lei. Ao promover alterações na redação do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, a Lei nº 9.711, de 20 de novembro de 1998, não criou uma nova contribuição social, tampouco modificou a base de cálculo e as alíquotas das contribuições previdenciárias devidas pelas empresas prestadoras de serviço, nada acrescentando a sua carga tributária. O legislador ordinário implantou tão somente uma novel sistemática de arrecadação, mediante a técnica de substituição tributária, em que o tomador de serviços está obrigado a reter determinado percentual sobre a nota fiscal ou fatura e recolhêlo em nome da empresa prestadora de serviço, a qual poderá utilizar o montante na compensação dos valores devidos sobre a folha de salários. Não foi exigido do tomador de serviços, o qual está vinculado indiretamente ao fato gerador, qualquer redução patrimonial. O valor que deve recolher a título de contribuição previdenciária, em nome do prestador de serviços, equivale exatamente a parcela que desconta, arrecada e deixa de pagar ao contratado pelos serviços prestados. Nesse contexto normativo, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) fixou o entendimento de que a empresa contratante de serviços é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Desse modo, o legislador afastou a responsabilidade subsidiária do tomador de serviços ou a responsabilidade supletiva da empresa prestadora. Para melhor visualização da posição consolidada do STJ, reproduzo abaixo a ementa do Recurso Especial (REsp) nº 1.131.047/MA, da relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil, vigente à época): TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR E TOMADOR DE MÃODEOBRA. ART. 31 DA LEI 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711/98. 1. A partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 35415.000073/200616 Acórdão n.º 2401004.727 S2C4T1 Fl. 2.054 27 contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra. 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (STJ, REsp nº 1.131.047/MA, 1ª Seção, Ministro Teori Albino Zavascki, Julgado em 24/11/2010). A responsabilidade exclusiva da empresa contratante, que figura como único sujeito passivo da obrigação tributária, não se altera pela ausência de retenção, tampouco pela existência de recolhimentos da contribuição previdenciária sobre a folha de salários efetuados pela empresa prestadora de serviços. Caso não efetue a retenção dos 11% sobre a nota fiscal, fatura ou recibo de serviços prestados mediante cessão de mão obra, o tomador estará sujeito à cobrança do montante que deixou de reter, nos termos do art. 31 c/c § 5º do art. 33, ambos da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (...) Art. 33 (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (...) (GRIFEI) Tornamse irrelevantes, desse modo, os eventuais pagamentos feitos pelo prestador de serviços a título de contribuições previdenciárias. Se assim não fosse, a natureza da responsabilidade do contratante ficaria convertida em subsidiária, em afronta ao texto expresso da lei, que não prevê, para o lançamento de ofício, a necessidade de verificação da situação fiscal da empresa cedente de mão de obra. Defende a recorrente ainda a extinção da obrigação da empresa contratante após o encerramento do período de apuração, passando a responsabilidade para o próprio prestador de serviços, o qual tem o dever de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remuneração dos seus trabalhadores. Fl. 2067DF CARF MF 28 É, no mínimo, criativa a tese exposta pela recorrente, que aplica, por analogia, a sistemática do imposto sobre a renda retido na fonte a título de antecipação do ajuste anual. Porém, a linha de defesa é despedida de credibilidade jurídica, haja vista o regramento próprio aplicável à retenção de 11% no âmbito da legislação previdenciária, como antes exposto. Com relação à retroatividade benigna, para fins de aplicação da multa mais benéfica, consoante alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, devem ser comparadas, por competência, as multas previstas na legislação da época da infração e aquelas implementadas pela legislação superveniente, introduzida pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Tal procedimento já se encontra devidamente regulamentado pela Portaria PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009, dispensando o provimento recursal. Quando da execução do julgado, a autoridade administrativa observará, uma vez que vinculada ao ato administrativo conjunto, os critérios estabelecidos na referida portaria para a retroatividade benigna, efetuando o recálculo das penalidades aplicadas, se mais benéfico para o sujeito passivo. Por fim, no tocante aos juros incidentes sobre o valor original do crédito tributário, utilizouse apenas a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), reconhecida válida para fins tributários, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 4, assim vazada: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Conclusão Ante o exposto, relativamente ao recurso voluntário, afasto a decadência para as competências 08/2000, 10/2000 ou 11/2000 e, no mérito, NEGOLHE provimento. Acompanho a I. Relatora nas demais conclusões do seu voto. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2068DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904844/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.959
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 84 4/ 20 11 -5 8 Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 10530.904844/201158 Resolução nº 3201000.959 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10530.904844/201158 Resolução nº 3201000.959 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 10530.904844/201158 Resolução nº 3201000.959 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10530.904844/201158 Resolução nº 3201000.959 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903125/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.399
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 25 /2 01 2- 12 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de COFINS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.661, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903125/201212 Acórdão n.º 3402004.399 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903451/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.654
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP. O pedido de restituição referese a suposto pagamento a maior de contribuições sociais no período de apuração referido na ementa deste julgado. O despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 51 /2 01 2- 77 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10283.903451/201277 Acórdão n.º 3402004.654 S3C4T2 Fl. 3 2 decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outros débitos. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o direito à restituição regularmente pleiteado, alegando que seu direito creditório adviria do alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente da inclusão indevida do ICMS no conceito de faturamento. Seu pleito foi julgado improcedente pela DRJ, ensejando a interposição de Recurso Voluntário, repisando suas razões originais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.636, de 27 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.903445/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.636): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1. Sobre a necessidade de suspensão do processo administrativo Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 574.706, julgado favoravelmente ao Contribuinte mas pendente de publicação do acórdão, e passível ainda de Embargos de Declaração. Não há, portanto, o seu trânsito em julgado. Como bem ponderado pela Conselheira Thaís de Laurentiis em outro acórdão, haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10283.903451/201277 Acórdão n.º 3402004.654 S3C4T2 Fl. 4 3 Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 2. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/COFINS Sobre esse tema, este Colegiado se manifestou por unanimidade com a ressalva do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em substituição ao Conselheiro Pedro Bispo ao prolatar o Acórdão CARF nº 3402003.317 de relatoria do Cons. Atulim,e cujas razões reproduzo aqui e adoto como fundamentos da minha decisão: No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10283.903451/201277 Acórdão n.º 3402004.654 S3C4T2 Fl. 5 4 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/ netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10283.903451/201277 Acórdão n.º 3402004.654 S3C4T2 Fl. 6 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 83DF CARF MF
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