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Numero do processo: 10930.907064/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 14/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 64 /2 01 1- 57 Fl. 193DF CARF MF 2 CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 14/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 106110: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em 19/01/2012, em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 28710.21209.300605.1.2.040948, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 pela DRF em Londrina (rastreamento nº 013472485). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 323,09, referente ao pagamento efetuado em 13/07/2001, de PIS/Pasep, código de receita 8109, no valor total de R$ 14.916,48. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção do débito de PIS/Pasep, cod. 8109, do período de apuração 06/2001, de acordo com a informação contida na DCTF transmitida pela interessada. Na manifestação apresentada, a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Prossegue, afirmando que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.907064/201157 Acórdão n.º 3302004.965 S3C3T2 Fl. 3 3 material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais, segundo alega, “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta, ainda, que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Ao final, pede o provimento integral do recurso. Encaminhado para julgamento, foi proferido, pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba, em sessão de 19/06/2013, o Acórdão nº 0641.469, o qual, por unanimidade, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). Posteriormente, o processo foi remetido para esta DRJ, em Curitiba, para novo julgamento. Em 08 de dezembro de 2015, foi proferida o acórdão nº 0653.776, julgando, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO INDEFERIDO. ACÓRDÃO DO CARF. LAVRATURA DE NOVO ACÓRDÃO PARA A ANÁLISE DE MÉRITO. Em virtude de decisão proferida pelo CARF, apreciase, em novo acórdão, o mérito da questão em relação à qual há acórdão anterior que indeferiu o pedido de restituição. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Para fins de deferimento de pedido de restituição, o recolhimento indevido ou a maior em virtude da declaração de inconstitucionalidade de dispositivo relativo ao alargamento da Fl. 195DF CARF MF 4 base de cálculo do PIS e da Cofins deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea. Intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10930.907064/201157 Acórdão n.º 3302004.965 S3C3T2 Fl. 4 5 crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). Fl. 197DF CARF MF 6 No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10930.907064/201157 Acórdão n.º 3302004.965 S3C3T2 Fl. 5 7 A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.8 6, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Fl. 199DF CARF MF 8 Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 200DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.001071/2006-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO APURAÇÃO TRIMESTRAL. A exigência do IRPJ e CSLL na sistemática do lucro arbitrado, a partir de 1997 se dá em períodos trimestrais, nos termos do art. 1 o. da Lei 9.430/1997. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, quanto a apreciação de provas, se tais elementos forem apresentados após proferida a decisão. LUCRO ARBITRADO - APURAÇÃO TRIMESTRAL - DECADÊNCIA - MULTA QUALIFICADA - SELIC. Nas hipóteses de arbitramento do lucro a apuração do IRPJ e feita em periodicidade trimestral. Havendo demonstração de evidente intuito de fraude o prazo decadencial aplicável é o previsto no art. 173, I, do CTN. Aplica-se a multa de 150% quando restar comprovado evidente intuito de fraude. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é penalidade sim modalidade de apuração do resultado tributável do IRPJ e CSLL, quando o contribuinte não apresenta os livros e documentos de sua escrituração, dentre outras hipóteses. JUROS SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado.
Numero da decisão: 1402-000.555
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, que desqualificava a multa de ofício.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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DE PEDRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO APURAÇÃO TRIMESTRAL. A exigência do IRPJ e CSLL na sistemática do lucro arbitrado, a partir de 1997 se dá em períodos trimestrais, nos termos do art. 1o. da Lei 9.430/1997. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, quanto a apreciação de provas, se tais elementos forem apresentados após proferida a decisão. LUCRO ARBITRADO APURAÇÃO TRIMESTRAL DECADÊNCIA MULTA QUALIFICADA SELIC. Nas hipóteses de arbitramento do lucro a apuração do IRPJ e feita em periodicidade trimestral. Havendo demonstração de evidente intuito de fraude o prazo decadencial aplicável é o previsto no art. 173, I, do CTN. Aplicase a multa de 150% quando restar comprovado evidente intuito de fraude. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é penalidade sim modalidade de apuração do resultado tributável do IRPJ e CSLL, quando o contribuinte não apresenta os livros e documentos de sua escrituração, dentre outras hipóteses. JUROS SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16004.001071/200623 Acórdão n.º 140200.555 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, que desqualificava a multa de ofício. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório CASS & JL IND E COM DE PEDRAS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão PretoSP em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado apurouse que o contribuinte, no curso do anocalendário 2001 realizou depósitos bancários de origem não comprovada, e, ademais, não manteve escrituração regular, razão pela qual foi lavrado o auto de infração de fls. 436437, no qual foram lançados créditos tributários correspondentes ao IRPJ apurados de acordo com o lucro arbitrado para os quatro trimestres de 2001. Como reflexo dos fatos apurados, foram lavrados também os autos de infração de PIS (fls. 442444), de COFINS (fls. 449451), ambos relativos aos meses de janeiro a dezembro de 2001, e o auto de infração de CSLL (fls. 455456), relativo aos quatro trimestres de 2001. 2. Conforme descrito no “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 426432, o contribuinte, a despeito das reiteradas intimações, não apresentou livros Caixa, razão pela qual concluiuse que não havia escrituração contábil e fiscal hábil a sustentar a apuração dos créditos tributários devidos. Intimada a esclarecer a origem dos depósitos bancários detectados em suas contas junto a diversas instituições financeiras, limitouse o contribuinte a afirmar que tal origem seria objeto de identificação pormenorizada na escrituração dos livros Caixa. Ocorre que tais livros nunca foram apresentados, de modo que a autoridade autuante, com base no art. 42 da Lei 9.430/96, apurou a receita omitida para o anocalendário 2001 e lançou os créditos tributários devidos sobre tais receitas. Ressaltese que o IRPJ, diante da falta de apresentação dos livros Caixa, foi apurado com base no lucro arbitrado. Constatouse, ainda, que no ano de 2001 houve grande quantidade de títulos de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16004.001071/200623 Acórdão n.º 140200.555 S1C4T2 Fl. 3 3 crédito descontados nos bancos em que o contribuinte manteve contas, sendo que os créditos correspondentes foram realizados em suas contas bancárias. Ademais, verificouse a existência de DOCs e TEDs relativos a ingressos de recursos em suas contas bancárias provenientes de diversas lojas varejistas, como Ponto Frio, Brasimac, Lojas Cem etc, evidenciando que tais valores provém de venda de produtos. Da mesma forma, nomes de lojas de móveis ou de utilidades domésticas constam como devedoras de títulos de crédito nos extratos de movimentação da carteira de descontos vinculada à sua contacorrente no Banco Bradesco S/A e nos extratos de lançamentos da carteira de empréstimos subjacentes à contacorrente mantida junto ao Banco Mercantil de São Paulo. Identificaramse, ainda, ligações entre o contribuinte e a empresa DALMAR INDÚSTRIAS DE MÓVIES DE AÇO LTDA, que teve como gerente, desde 1996, o Sr. Sebastião José de Souza Filho, também sóciogerente da CASS & JL IND. COM. DE PEDRAS LTDA. Vários documentos bancários indicam a DALMAR, cujo objeto social inclui a fabricação de móveis com predominância de metal, como remetente ou beneficiária de recursos da CASS & JL. Foi aplicada multa de 150% sobre os créditos tributários apurados, tendo em vista a existência de evidente intuito de fraude. A intenção de fraudar restou demonstrada não apenas pelos fatos já narrados, mas também pelo fato de que também no anocalendário 2002 apurouse a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, que perfazem montante em muito superior ao das receitas indicadas na DIPJ. Para o anocalendário 2003, a despeito da não apresentação de DIPJ, constatouse que os depósitos bancários de origem não comprovada alcançam valores muito superiores ao da receita bruta que deu base aos recolhimentos de COFINS. 3. Inconformado com os autos de infração lavrados, dos quais foi devidamente cientificado em 22/11/2006, o contribuinte apresentou, em 22/12/2006, a impugnação de fls. 465491, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. Houve erro na identificação temporal do lançamento, pois foram indicadas as datas do final de cada trimestre, em descompasso com os fatos apurados, já que os valores apontados como receitas omitidas foram percebidos durante todo o transcurso do ano, de modo que a tributação deveria ocorrer no próprio mês de sua constatação, e não apenas ao final de cada trimestre. A partir de janeiro de 1992, com base no art. 38 da Lei 8383/91, o imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ser apurado mensalmente, passando a DIRPJ a constituir mera declaração de ajuste, não mais necessária à apuração e ao pagamento do imposto, conforme prescrito pelo art. 43 da mesma Lei. Também o art. 42 da Lei 9.430/96, base legal do lançamento, determina que as receitas omitidas sejam consideradas auferidas ou recebidas no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. A jurisprudência administrativa tem anulado os lançamentos realizados com equívoco na identificação temporal dos fatos geradores. 3.2. Todos os tributos lançados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) sujeitamse a lançamento por homologação, regulandose o respectivo prazo decadencial pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. O prazo, portanto, é de cinco anos, contado da data da ocorrência do fato gerador. Tendo em conta que os fatos geradores são mensais e que a ciência dos autos de infração ocorreu em novembro de 2006, concluise que houve o transcurso do prazo decadencial para os fatos geradores de janeiro a outubro de 2001. Assim tem se pronunciado o Conselho de Contribuinte. Não se pode alegar, na hipótese dos autos, que, em razão da aplicação da multa de 150%, a contagem do prazo decadencial foi deslocada para o art. 173, I, do CTN, pois a multa aplicada carece de fundamentação. É descabida a aplicação da multa de 150% nas hipóteses em que o crédito tributário é apurado com base em presunção Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16004.001071/200623 Acórdão n.º 140200.555 S1C4T2 Fl. 4 4 legal, tal como aquela prevista no art. 42 da Lei 9.430/96. Antes desta disposição legal, a irregularidade apontada pela autoridade sequer representava omissão de receitas, mas apenas indício a autorizar pesquisa mais aprofundada, conforme reconhecia a jurisprudência. Assim, não se pode admitir que a simples presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada caracterize fraude, que deve ser provada. A jurisprudência administrativa vem consagrando o entendimento de que a simples omissão de receita não enseja a aplicação da penalidade agravada. 3.3. A impugnante está providenciando a escrituração e legalização do livro Caixa, que será anexado aos autos em fase posterior, juntamente com os devidos esclarecimentos que invalidam o procedimento adotado pelo Fisco. 3.4. Tendo em vista que a taxa de juros moratórios de 1% ao mês, prevista no art. 161, § 1º, do CTN, corresponde ao dobro do ordinariamente admitido para débitos não tributários, de acordo com a lei civil, concluise, numa interpretação histórica e sistemática, que o legislador ordinário, ao valerse da faculdade conferida pelo mesmo § 1º do art. 161 do CTN, só pode estabelecer taxa de juros moratórios menor que 1%, que configura o limite máximo permitido. 3.5. Por fim, pede o impugnante que seja julgado improcedente o lançamento. A decisão recorrida está assim ementada: LUCRO ARBITRADO APURAÇÃO TRIMESTRAL DECADÊNCIA MULTA QUALIFICADA SELIC. Nas hipóteses de arbitramento do lucro a apuração do IRPJ e feita em periodicidade trimestral. Havendo demonstração de evidente intuito de fraude o prazo decadencial aplicável é o previsto no art. 173, I, do CTN. Aplica se a multa de 150% quando restar comprovado evidente intuito de fraude. Selic aplicada nos termos da lei. LUCRO ARBITRADO APURAÇÃO TRIMESTRAL DECADÊNCIA MULTA QUALIFICADA SELIC. Nas hipóteses de arbitramento do lucro a apuração do IRPJ e feita em periodicidade trimestral, apurandose a CSLL também segundo esta regra. Aplicase a multa de 150% quando restar comprovado evidente intuito de fraude. A decadência da CSLL regulase pelo disposto no art. 45, I, da Lei 8.212/91. Selic aplicada nos termos da lei. DECADÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. SELIC. A decadência da Cofins regulase pelo disposto no art. 45,I da Lei 8212/91. Aplicase a multa de 150% quando restar comprovado evidente intuito de fraude. Selic aplicada nos termos da lei. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em preliminar nulidade do acórdão de 1a. instância por cerceamento do direito de defesa; bem com dos autos de infração do IRPJ/CSLL, por ter sido lavrado em fatos geradores trimestrais e não mensais, conforme estabelece a Lei 8.383/1991; a seguir, contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16004.001071/200623 Acórdão n.º 140200.555 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Passo a apreciar as alegações da recorrente. Das preliminares de nulidade. Conforme relatado tratase de exigências tributárias do anocalendário de 2001, sendo o IRPJ e CSLL na sistemática do lucro arbitrado, PIS e COFINS, sobre diferenças de receitas, apurado em face de depósitos bancários de origem não comprovada. A fiscalização apurou a multa qualificada de 150%, sendo que os autos de infração foram cientificados em 22/11/2006 (fl. 442). Afasto, de plano, a preliminar de cerceamento do direito de defesa, em face de não ter sido apreciadas prova juntadas no complemento de sua impugnação, isso porque ao contrário do que afirma a contribuinte, a decisão de 1a. instância foi proferida em 2/4/2007, fl. 554, e as aludidas provas protocoladas em 10/04/2007, fl. 569 e seguintes. Também cabe afastar a preliminar de nulidade do auto de infração por erro na identificação temporal do lançamento do IRPJ e CSLL, pois foram indicadas as datas do final de cada trimestre, em descompasso com os fatos apurados, já que os valores apontados como receitas omitidas foram percebidos durante todo o transcurso do ano, de modo que a tributação deveria ocorrer no próprio mês de sua constatação, e não apenas ao final de cada trimestre. Reitera a recorrente que a partir de janeiro de 1992, com base no art. 38 da Lei 8383/91, o imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ser apurado mensalmente, passando a DIRPJ a constituir mera declaração de ajuste, não mais necessária à apuração e ao pagamento do imposto, conforme prescrito pelo art. 43 da mesma Lei. Reafirma que também o art. 42 da Lei 9.430/96, base legal do lançamento, determina que as receitas omitidas sejam consideradas auferidas ou recebidas no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Tal qual fundamentado na decisão recorrida, não assiste razão ao contribuinte, haja vista que nos termos do art. 1º da Lei 9.430/96, a apuração do imposto de renda com base no lucro arbitrado é trimestral, a partir do anocalendário 1997. O fato de a omissão de receitas ser apurada mensalmente ou até diariamente, e os lançamentos serem realizados mensalmente ou trimestral não implicam em qualquer prejuízo ao contribuinte, desde que observado a legislação de regência de cada tributo. O IRPJ é lançado em períodos trimestrais, o PIS e COFINS mensais., o IPI quinzenais ou mensais conforme a época. Em todos os casos a base de cálculo é apurada pela r soma algébrica dos valores omitidos. Rejeito, pois, ambas as preliminares. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16004.001071/200623 Acórdão n.º 140200.555 S1C4T2 Fl. 6 6 Da aplicação da multa qualificada. Contagem do prazo decadencial. Tenho reiteradamente manifestado o entendimento de que cabível aplicação da multa qualificada quando o contribuinte pratica sistemática e reiterada omissão de receitas, em valores expressivos, e apresenta declarações ao fisco condizentes com os valores recolhidos, no claro intuito de impedir ou retardar o conhecimento pelo autoridade tributária. Citese, nesse sentido, recente julgado deste colegiado, acórdão 140200.299, de 09/11/2010, cuja ementa elucida: MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, durante a fiscalização, não implica a inexistência de dolo, tampouco elide a prática dolosa anterior. Nos exatos termos do enquadramento legal utilizado pela fiscalização, a multa qualificada no percentual de 150% tem fulcro no do art. 44, inciso II, da Lei n.o 9.430/96, que, com a redação vigente à época da autuação, assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – se setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ...” (grifei). Com o advento da Medida Provisória n.º 303, de 29 de junho de 2006, art. 18, foi dada nova redação ao art. 44 da Lei n.º 9.430/96: Art.18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Ide setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; IIde cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ...” (grifei). Observo que para os casos de mera falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata será aplicada a multa de 75%, a menos que o fisco detecte e aponte as condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei n.º 4.502, de 1964, arts. 71 a 73: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16004.001071/200623 Acórdão n.º 140200.555 S1C4T2 Fl. 7 7 “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” (Grifei). A importância das declarações entregues ao Fisco fundase nas próprias bases do Direito Tributário. O Código Tributário Nacional estabelece a primazia e importância das informações prestadas tanto pelos contribuintes como por terceiros, elementos estes decisivos no lançamento do crédito tributário. Lembro que a apresentação de declarações, sendo uma obrigação acessória, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.” (CTN, art. 113, § 2º). O Código Tributário Nacional prevê que o lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação’ (art. 147 CTN). Aliomar Baleeiro observa que ‘até prova em contrário (e também são provas os indícios e as presunções veementes), o Fisco aceita a palavra do sujeito passivo, em sua declaração, ressalvado o controle posterior, inclusive nos casos do art. 149 do CTN. Daí que, ao assinar a declaração falsa, entregandoa ao Fisco, sendo ela capaz de reduzir ou suprimir tributo, configurase o delito. Se o agente também falsificou um documento com a finalidade de comprovar perante o Fisco determinada despesa capaz de reduzir o tributo, a falsidade de tal documento fica absorvida pelo crimefim, que é consumado com a entrega da declaração. Mas, pela sistemática da declaração do imposto de renda, é irrelevante para configurar o delito que a falsidade inserida na declaração encontre respaldo em outro documento falso. Pelo exposto, com a supressão ou redução de tributo obtida através da falsidade ou omissão de prestação de informações na declaração de rendimentos e/ou bens e, concomitantemente, identificada a vontade do agente em fraudar o fisco, por afastada a possibilidade do cometimento de erro natural, independentemente de haver um outro documento falso, configurase o dolo, a fraude, o crime contra a ordem tributária, o que dá ensejo ao lançamento de ofício com a aplicação da penalidade qualificada. Não resta dúvida de que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal também está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurgem de atos que tenham por finalidade impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. Vejamos a descrição dos fatos que ensejaram a aplicação da multa qualificada (termo de verificação fiscal à fl. 428/430): Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16004.001071/200623 Acórdão n.º 140200.555 S1C4T2 Fl. 8 8 Ressaltese que, em 2001, houve grande quantidade de títulos de crédito descontados nos bancos em que a fiscalizada manteve contas, conforme f. 2224(Banco do Brasil), 228272 (Banco Mercantil do Brasil), 325388 e 327329(Banco Real), 938 (Banco Sofisa), 957972 (Banco Sudameris), 1.054(Banco Mercantil de São Paulo), 1.0851.086(Banco Alvorada). Acrescentese que os créditos correspondentes a tais descontos foram creditados em contas da própria fiscalizada, o que se verifica compulsando os documentos de folhas acima indicadas e os respectivos extratos bancários (Anexo II). Há evidências de que os recursos depositados nas contas bancárias da fiscalizada provém de venda de produtos a lojas de varejo, uma vez que os extratos de conta corrente, de DOC's e de TED's do banco Bradesco S.A. (f. 350399 e 402434 do Anexo II e f. 586743) registram inúmeras ordens de pagamento tendo como remetente a GLOBEX UTILIDADES S/A, rede de varejo nacionalmente conhecida como "Ponto Frio". Também depósitos/créditos no mesmo banco foram efetuados pela seguintes empresas: Claudino S.A., Brasimac S.A. (fichas de depósito de f.438 439), Credimóveis Novolar Ltda., Everest Comercial Ltda., Casa Bahia Comercial Ltda.,Luiza Factoring Fomento Mercantil, Lojas Cem S.A., S. V. C. Jaraguá Ltda. (extratos de TED e de DOC de f. 586743). Também famosas lojas de artigos domésticos são citadas como clientes da fiscalizada nas propostas de abertura de conta de depósitos no Banco Real (f. 293 e 295) e na ficha cadastral do Banco Rural (f. 394verso). Nesta ficha cadastral citada consta a declaração de que "tampos de mesa em mármore natural e granito" são os principais produtos da fiscalizada. A f.411416 acostamse os dados cadastrais de algumas dessas lojas, de modo a demonstrar seus respectivos objetos sociais. Igualmente nomes de lojas de móveis ou de utilidades domésticas constam, como devedoras de títulos de crédito, nos Extratos de Movimentação da Carteira de Descontos vinculada à contacorrente n. 4.415 mantida no Banco Bradesco S/A (Anexo IV) e nos Extratos de lançamentos da carteira de empréstimos subjacente à contacorrente n. 3.606.9764 do Banco Mercantil de São Paulo. Pois bem, é notória a venda de mesas de aço com tampo em granito/mármore pelas lojas de departamento ou de móveis e eletrodomésticos. Ademais, identificaramse liames entre a fiscalizada e a empresa Dalmar Indústria de Móveis de Aço Ltda., CNPJ 54.557.343/000180, doravante denominada Dalmar, cujo objeto social inclui a fabricação de móveis com predominância de metal, consoante ficha cadastral da JUCESP de f. 129132. Interessa notar que o sócio gerente na fiscalizada, Sebastião José de Souza Filho, também era, desde 1996, sócio de mesma estirpe naquela empresa, tendo inclusive participado temporariamente desta sociedade no ano de 1991, nos termos da referida ficha cadastral e da ficha de controle de f. 183136. Vários documentos bancários trazem a Dalmar como remetente ou beneficiária de recursos oriundos da fiscalizada, tais como os supracitados extratos de TED, ou mencionam outras relações entre essas empresas (proposta para abertura de conta e fichas cadastrais no banco Sudameris de f.950954). Salientese que as operações da Dalmar são objeto de outra fiscalização, que se baseia também na movimentação financeira incompatível com as receitas informadas na DIPJ do Exercício de 2003 ou com os recolhimentos da COFINS nos anoscalendário de 2003 e 2004 (f. 325399 e 402410). (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16004.001071/200623 Acórdão n.º 140200.555 S1C4T2 Fl. 9 9 Para o anocalendário de 2003, os depósitos bancários de origem não comprovada alcançam o importe de R$ 25.824.599,55, ao passo que a receita bruta baseada nos pagamentos da COFINS (f. 422424) gira em torno de R$360.000,00. Os inúmeros cheques emitidos a partir de contas bancárias mantidas pela fiscalizada (inseridos por amostragem no Anexo III, na proporção de 10% do total), não pertinentes às vinculações acima delineadas, reforçam as evidências de que houve planejamento fiscal com o fito de não levar aos cofres públicos as receitas que lhe eram devidas, eis que demonstram situação comum àqueles que agem ardilosamente de modo a dificultar a identificação de suas operações, qual seja, a emissão de cheques à ordem do próprio sacador. A fim de demonstrar a legitimidade das pessoas que assinaram tais cheques, registro que no Anexo I, no qual se encontram as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) dirigidas às instituições financeiras indicadas no Termo de Início de Fiscalização, exceto as relativas ao banco "ABC BRASIL" e "PINE", e as respectivas informações prestadas, podem ser vistas as cópias de procurações outorgadas pela fiscalizada, enviadas pelas instituições financeiras em suas primeiras respostas. E às f. 1.0821.083 juntase cópia do Cartão de Assinaturas constante dos arquivos do antigo Banco Bilbao Vizcaya Argentaria Brasil S/A, atual Banco Alvorada S/A. Assim, diante de todo o exposto no presente Termo, concluise estar caracterizado, na espécie, o evidente intuito de fraude da fiscalizada, de modo a se imiscuir ao correto recolhimento do imposto de renda e contribuições sociais devidos nos anos calendário de 2001, 2002 e 2003. No desígnio de ocultar receitas do conhecimento do Fisco, a fiscalizada empreendeu ações que evidenciam a intencionalidade da fraude (dolo). No presente caso evidenciase que a apuração das receitas omitidas não está calcada apenas no somatório dos créditos/depósitos bancários. A fiscalização identificou a origem desses valores em créditos de oriundos de clientes da contribuinte (Ponto Frio, Brasimac, Casas Bahia), ou seja, venda de produtos de fabricação da recorrente. Portanto, é notória a origem dos valores, não se tratando de simples omissão de receitas e sim evidente intuito de reduzir os tributos devidos. Vejamos o volume das omissões no ano de 2001. Período de Apuração Receitas /DIPJ Receitas Omitidas 1º Trim./2001 235.102,00 7.723.633,43 2º Trim./2001 190.895,33 8.092.146,98 3º Trim./2001 206.765,32 9.506.546,46 4º Trim./2001 213.118,99 12.597.988,93 Resta então correta a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% deslocandose a contagem do prazo decadencial para o 1o. dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado, no caso 1o. de janeiro de 2002, nos termos do art. 173, inciso I do CTN, pelo que afastase também a preliminar de decadência. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16004.001071/200623 Acórdão n.º 140200.555 S1C4T2 Fl. 10 10 Arbitramento dos lucros. No que tange ao arbitramento dos lucros, levado a efeito pela fiscalização, para fins de apuração do IRPJ e CSLL, entendo que não merece qualquer reparo, haja vista que a contribuinte foi por diversas vezes intimada a apresentar sua escrituração contábil /fiscal, bem como a documentação pertinente, e mesmo tendo sido concedido prazo razoável, não apresentou. O não atendimento às notificações do fisco, o que deu azo ao arbitramento do lucro, nos termos do art. 530 e inciso III, do RIR/99, a seguir reproduzidos: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º):(...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Diante da legislação citada, notadamente no que se refere à falta de escrituração contábil ou fiscal ou, pelo menos, do livro caixa, considerando que o sujeito passivo era optante pelo regime do lucro presumido, os motivos narrados tanto na descrição dos fatos como no TVF são mais do que suficientes para garantir a legalidade do arbitramento do lucro levado a cabo pelo Fisco. Em decorrência disso, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi considerada a partir da receita bruta conhecida, no caso representada por duas parcelas: uma, pelas receitas informadas na DIPJ pelo próprio contribuinte; e a outra, pelas receitas omitidas, levantadas pelas fiscalização No caso, portanto, constatada a omissão de receitas, não sendo possível a apuração do lucro presumido, a tributação do IRPJ e da CSLL deve ser levada a efeito com base no lucro arbitrado. A omissão de receitas repercute ainda nos lançamentos do PIS e da Cofins. Tudo consoante o estabelecido no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (grifos acrescentados) Logo, constatada a omissão de receitas, por ausência de escrituração regular, procede o arbitramento dos lucros para o lançamento do IRPJ e da CSLL, repercutindo a omissão de receitas também no PIS e na COFINS. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16004.001071/200623 Acórdão n.º 140200.555 S1C4T2 Fl. 11 11 O fato de o contribuinte ser o titular dessas contas bancárias, bem como ter declarado esse fato o fisco, é inócuo diante da falta de justificativa da origens dos créditos, que não em receitas da atividade da empresa. Em verdade, não há como a recorrente se justificar diante da notoriedade dos fatos, o volume de omissão de receitas é contundente, seja em 2001, ano objeto do presente processo, seja em 2002 ou 2003, conforme registrado no termo de verificação fiscal. Em toda a peça recursal o contribuinte não justifica um único valor das receitas omitidas. Suas alegações margeiam o foco da acusação fiscal. Conforme se viu, todo o procedimento fiscal está pautado nas normas regulamentares e foi realizado em consonância com as disposições do art. 142 do CTN, devendo ser ressaltado ainda que foram observados todos os quesitos atinentes à formalização da exigência fiscal previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Irretocável também a decisão recorrida, cujos jurídicos fundamentos do voto condutor peço vênia para aqui adotar como razões adicionais de decidir. Mantenho, pois, o arbitramento dos lucros para tributação do IRPJ e CSLL e exigência do PIS/COFINS. Juros de mora à taxa Selic A incidência de juros à Taxa Selic, tratase de questão pacificada neste Conselho, objeto da Súmula no. 4 do CARF, abaixo transcrita, portanto deve ser mantida. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 11DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 15504.720697/2011-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.720697/201104 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.436 – 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO OÁSIS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 06 97 /2 01 1- 04 Fl. 1287DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls.117 a 128, referese aos seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD nº 37.276.7087 – R$ 782.886,95, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte patronal, incidentes sobre as verbas remuneratórias pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, destinadas à Seguridade Social. AI – DEBCAD nº 37.276.7095 – R$ 126,76, relativo à contribuição descontada das verbas remuneratórias pagas ou creditadas aos segurados empregados. AI DEBCAD n.º 37.312.2365 – R$ 164.407,08, relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos denominados terceiros, (Salário Educação (FNDE), INCRA, SESC, SEBRAE), incidentes sobre as verbas remuneratórias pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. AI DEBCAD n.º 37.312.2373 – R$ 121.885,60, relativo à multa por infringência ao artigo 32, inciso IV, §§ 3º e 5º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação da Lei nº 9.528 de 10 de dezembro de 1997, combinado com o artigo 225, IV e §4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06 de maio de 1999. (Código de Fundamentação Legal 68). A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 19/11/2013, foi sobrestado o julgamento do processo, prolatandose a Resolução nº 2302000.262 (fls. 1.076/1.086), nos seguintes termos: “Exsurge dos termos do Relatório Fiscal que o vertente lançamento decorre diretamente do indeferimento do Pedido de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais aviado Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 9202006.436 CSRFT2 Fl. 3 3 Despacho Decisório nº 966 – DRF/BHE, a fls. 549/544, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 36378.000760/200761. O pedido houvese por indeferido com base na documentação apresentada e na declaração da própria entidade de que não promoveu assistência social beneficente. Em face de tal decisão, a Fundação Oasis interpôs Recurso Voluntário, a fls. 172/183 dos autos do PAF nº 36378.000760/200761, o qual se houve por interposto intempestivamente, conforme assim atesta documento a fls. 462 desses autos. Por determinação legislativa, mesmo o Recurso Voluntário intempestivo há de ser levado à apreciação do Órgão Julgador de 2ª Instância. Ocorre, todavia, que antes da apreciação pelo órgão ad quem, os autos retornaram à repartição de origem, em observância às disposições inscritas no Decreto nº 7.237/2010, estando, ainda, pendente de decisão definitiva. Nesse contexto, em razão da litispendência referida no item 1.2. supra e da flagrante relação de prejudicialidade, pugnamos pela conversão do julgamento do mérito em diligência, até o Trânsito em Julgado Administrativo do feito objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 36378.000760/200761 acima citado. A diligência deve ser concluída pela juntada de cópia da decisão definitiva, no âmbito administrativo, do PAF conexo referido no parágrafo anterior”. Julgado o processo acima citado (36378.000760/200761), restou o Acórdão nº 2301003.819 (fls. 1.103/1.108), da 3ª Câmara, de 19/11/2013, que foi juntado ao presente processo e que teve o seguinte resultado e ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 05/03/2007 RECURSO INTEMPESTIVO É de 30 dias, contados a partir da ciência da DN, o prazo para apresentação de recurso. A apresentação de recurso fora do prazo legal constitui razão para seu não conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).” Com o julgamento do PAD acima, o processo retornou ao CARF para julgamento, restando o Acórdão nº 2302003.587, (fls. 1.141/1.167), de 21/01/2015, com o Fl. 1289DF CARF MF 4 seguinte resultado: ”ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial, exclusivamente, para que a multa aplicada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.312.2373, CFL 68, nas competências de setembro/2007 até novembro/2008, seja recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente, em homenagem à retroatividade da lei mais benéfica encartada no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Na competência dezembro/2008 deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ TRANSITADA EM JULGADO ADMINISTRATIVAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhece de matéria que tenta rediscutir, em sede de recurso voluntário, questões já decididas administrativamente, de maneira definitiva, e cuja decisão já se houve por transitada em julgado no âmbito administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da interposição de Recurso Voluntário não se configura como óbice à constituição de crédito previdenciário, mediante o Lançamento, pela Fazenda Pública. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 9202006.436 CSRFT2 Fl. 4 5 Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 04/02/2015 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 09/03/2015, Recurso Especial (fls. 1.169/1.175). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 30/03/2016 (fls. 1.178/1.184). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, inciso I, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2302003.587, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 02/05/2016, o contribuinte interpôs Recurso Especial (fls. 1.227/1.255) da parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido e contrarrazões (fls. 1.256/1.263) em 18/05/2016, portanto, intempestivamente. Assim, o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 30/09/2016, não conheceu do Recurso Especial do Contribuinte (fls. 1.266/1.267). É o relatório. Fl. 1291DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 1178. Assim, sendo intempestivas as contrarrazões e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Antes mesmo de adentrar ao mérito, importante esclarecer que a apreciação do presente processo não implica qualquer violação a determinação do STF acerca do sobrestamento de processos que envolvam a discussão sobre a constitucionalidade do art.55 da lei 8212/91. No caso, a análise do presente processo não envolve qualquer discussão a esse respeito, mas tão somente a análise sobre a multa aplicada e a aplicação da retroatividade benigna. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 9202006.436 CSRFT2 Fl. 5 7 conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no Fl. 1293DF CARF MF 8 caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 9202006.436 CSRFT2 Fl. 6 9 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 1295DF CARF MF 10 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 15504.720697/201104 Acórdão n.º 9202006.436 CSRFT2 Fl. 7 11 inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a Fl. 1297DF CARF MF 12 publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901702/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 17 02 /2 00 9- 96 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10983.901702/200996 Acórdão n.º 1402002.927 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2003, anocalendário de 2002, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10983.901702/200996 Acórdão n.º 1402002.927 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10983.901702/200996 Acórdão n.º 1402002.927 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10983.901702/200996 Acórdão n.º 1402002.927 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001443/2011-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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O CARF não é competente para julgar a constitucionalidade normas legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 14 43 /2 01 1- 33 Fl. 160DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0127.497, da 2ª Turma da DRJ/BEL, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, e dela tomo conhecimento. A questão em foco pautase no reconhecimento, ou não, da possibilidade de ingresso na sistemática de tributação em apreço em razão do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fl. 12,uma vez que a situação da interessada junto ao Portal do Simples Nacional na internet é de que existiam situações impeditivas, assim descritas: “ Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa Fundamentação legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V.” Lista de Débitos 1)Débito: 394801245 2)Débito: 394801253 Por oportuno, reproduzimos abaixo o diploma legal ao norte mencionado: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Grifei) [...........................................................]” Ora, conforme fls. 12, a empresa foi impedida de ingressar no Simples Nacional em decorrência de débitos de natureza previdenciária cuja exigibilidade não estava suspensa, como ao norte se discrimina. Ocorre que, conforme despacho de fl. 124, que abaixo se reproduz, assim se manifesta a Delegacia de origem: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10280.001443/201133 Acórdão n.º 1001000.272 S1C0T1 Fl. 3 3 “O contribuinte alega que os débitos que geraram o Termo de Indeferimento, estão pagos, conforme comprovantes às fls. 13/19. Entretanto, conforme consulta aos sistemas da previdência, OS débitos encontramse em cobrança pela PGFN (fls. 121/122).” O artigo 7º da Resolução do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) nº 04, de 30 de maio de 2007, com a redação vigente à época dos fatos ora discutidos assim dispunha: Resolução nº 04/2007 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009)” (...) Desta forma, ficou demonstrado que a empresa está impedida de ingressar no Simples Nacional em virtude de não haver solucionado tempestivamente as pendências que a impediram de ingressar nessa Sistemática. Resta proferir o voto para julgar a manifestação de inconformidade improcedente. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A Recorrente alega a inconstitucionalidade da LC 123/2006, arti 17, inciso V (acima transcrito) por ofensa à Constituição Federal. A este respeito, releva ressaltar, que este Egrégio CARF não tem competência para julgar a constitucionalidade de norma legal. O assunto, inclusive, já foi objeto de súmula, a de número 2, conforme a seguir: Fl. 162DF CARF MF 4 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Adicionalmente, alega: A própria recorrente, em seu recurso, admite o recolhimento do débito em atraso (07/03/2012),, após o término do prazo legal (31/01/2011), conforme bem explicitado no Acórdão da DRJ. Portanto, não assiste razão à recorrente. Recurso Voluntário negado, sem crédito em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.002577/2008-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 25 77 /2 00 8- 08 Fl. 109DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. Considerase não impugnada a matéria com a qual o contribuinte concorda ou que não tenha sido expressamente contestada. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação por documentos hábeis é de se manter a glosa das despesas médicas declaradas, sobretudo quando houver necessidade de elementos adicionais para a formação da convicção de sua ocorrência, além dos recibos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do acórdão de impugnação destacamos as seguintes passagens: Tendo sido apresentados nesta fase de julgamento, os recibos relativos aos profissionais Vivian Gomes Vigneron, fisioterapeuta, no valor de R$ 4.000,00, Ayres Barbosa, cirurgião dentista, no valor de R$ 16.980,00, e Ana Maria de S H Carvalho, fisioterapeuta, no valor de R$ 10.000,00, não foram suficientes para formação da convicção do julgador sobre a regularidade da dedução pleiteada, pelo que retornaram os autos em diligência fiscal, à vista do fato de serem os valores das despesas médicas informadas exageradas em relação aos rendimentos declarados e os recibos serem únicos, por seu total, levandose em conta ainda o disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, o qual determina que “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, onde se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10725.002577/200808 Acórdão n.º 2001000.154 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 111DF CARF MF 4 Voto Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10725.002577/200808 Acórdão n.º 2001000.154 S2C0T1 Fl. 4 5 Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos não comprovam despesas médicas. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Fl. 113DF CARF MF 6 Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10725.002577/200808 Acórdão n.º 2001000.154 S2C0T1 Fl. 5 7 “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 115DF CARF MF 8 Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010284/2006-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO .
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fernanda Melo Leal, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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Numero do processo: 10855.900002/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Deve-se manter o Despacho Decisório recorrido e mantido na primeira instância administrativa, quando não se apresenta elemento de prova ou de direito capaz de modificá-lo, mesmo após procedimento de diligência desencadeado por este colegiado.
Numero da decisão: 1402-002.924
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, que votou por dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, que votou por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Devese manter o Despacho Decisório recorrido e mantido na primeira instância administrativa, quando não se apresenta elemento de prova ou de direito capaz de modificálo, mesmo após procedimento de diligência desencadeado por este colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, que votou por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 02 /2 00 9- 40 Fl. 306DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 307 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Preliminarmente, ressaltase que o presente processo está retornando de uma diligência suscitada pelo presente colegiado, ao qual o relator de então não mais integra a presente turma. Do Despacho Decisório: O presente processo tem por objeto pedidos de compensações transmitidos entre os anos de 2004 e 2005, referente a um crédito de R$ 112.765,70 (valor original) de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999, que não foram reconhecidos na sua integralidade, conforme despacho decisório a efl. 07. Na análise do despacho decisório nº 815454866, emitido em 09/01/2009 (efls. 08 e 09), não foram homologadas as compensações, tendo em vista que o crédito pleiteado pela recorrente era Imposto de Renda Retido na Fonte código 6800 já havia sido integralmente compensado sem processo, na contabilidade, com débito da recorrente referente ao código 3426, cujo período de apuração é a 1ª semana de junho/2001. Cabe ressaltar que quando da emissão do despacho decisório, a recorrente tinha a razão social de SCHINCARIOL PARTICIPACOES E REPRESENTACOES S.A.. Da manifestação de inconformidade: Inconformada com o teor do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Cientificada do referido Despacho em 20/01/2009 (fl. 10), apresentou a interessada, em 17/02/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 11/20, juntamente com os documentos de fl. 21/80, por meio da qual alega, em síntese, que: . A autoridade fiscal indeferiu o pedido de compensação tendo em vista que a interessada teria utilizado crédito referente ao IRPJ anobase 1999 para compensar outros débitos que não os escritos nas PER/DCOMP objeto dos autos; Fl. 308DF CARF MF 4 . O débito que a autoridade fiscal faz referência seria o decorrente do Imposto de Renda Retido na Fonte, devido no 2º trimestre/2001, declarado em DIPJ, no valor de R$ 154.295,55; . Tal entendimento é equivocado, pois a requerente utilizou se de crédito decorrente de saldo credor do IRRF incidentes sobre aplicações financeiras dos anoscalendário 1993, 1995 e 1996 e IRPJ incidente sobre o lucro do anocalendário 1995 para compensar o referido débito; . Deste modo, infundado o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o crédito objeto da compensação teria sido utilizado anteriormente; . Discorre sobre a sistemática de compensação por ela utilizada nos PER/DCOMP objeto dos autos; . Afirma que a sistemática de compensação correspondeu a indicação do crédito global do IRPJ/exercício 2000, ou seja, a quantia de R$ 112.765,70, ocorrendo a dedução do débito sobre o montante do crédito atualizado; . Verificase que a interessada não infringiu os artigos 6º e 75 da Lei 9.430/1996 e 5º da IN SRF 600/2005, constantes do enquadramento do indeferimento do pedido de compensação, quando utilizou parcela do crédito do tributo (IRPJ/Exercício 2000) para compensar débito; . Assim, o indeferimento do pedido de compensação não se sustenta. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão recorrida é a seguinte: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Devese manter o Despacho Decisório recorrido, quando não se apresenta elemento de prova ou de direito capaz de modificálo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: Não foram juntados aos autos pela interessada, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, momento propício para contraditar, cópias de livros e documentos de sua escrituração fiscal/contábil que demonstrassem a Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 308 5 existência dos créditos por ela alegados e, ainda, que os mesmos foram de fato utilizados na compensação do débito de IRRF cód. receita 3426 período de apuração 1ª sem. junho/2001. Esclareçase que não é suficiente à prova pretendida a simples apresentação de cópias das DIPJ 1993 (fl. 39), DIPJ 1996 (fl. 40) e DIPJ 1997 (fl. 41). Salientese, por oportuno, que consta na DCTF ND 00001.002.001/50696746 relativa ao 2º trimestre / 2001 entregue pela própria interessada em 15/08/2001 (fl. 87/89 e fl. 38) que parte do débito de IRRF foi objeto de compensação "sem processo" com crédito de "IRPJ Saldo Negativo Período Anterior", sendo, portanto, seu o ônus de comprovar que houve equívoco no preenchimento da mesma. Do exposto, uma vez que o crédito pleiteado foi integralmente utilizado em compensação anterior, fato este não elidido pela interessada, não remanesceu crédito a ser aproveitado nas DCOMP objeto dos autos. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos, aos quais transcrevo abaixo: (...) A recorrente, conforme comprovase através das DIPJ's dos anosbase 1993, 1995 e 1996 sofreu a retenção de Imposto de Renda sobre aplicações financeiras e, no ano de 1995, recolheu IRPJ a maior que o devido (fls. 39, 40 e 41). De operação aritmética, decorre dai um saldo credor de R$154.284,55 (cento e cinqüenta e quatro mil, duzentos e oitenta e quatro reais e cinqüenta e cinco centavos) [R$14,02 + R$32,78 + R$91.156,40 +R$63.081,35], o qual foi utilizado para compensar débitos de IRPJ do 2° trimestre de 2001. O crédito do IRRF, anocalendário 1993, pode ser comprovado através da DIPJ vide fls. 39. Os créditos do IRRF e do IRPJ, anocalendário 1995, podem ser comprovados através da DIPJ vide fls. 40. O crédito do IRRF, anocalendário 1996, pode ser comprovado através da DIPJ vide fls. 41. Esse saldo — o de R$ 154.284,55 — foi ignorado pela fiscalização e pelo v. Julgado recorrido, pelo que há de ser conhecido e provido o presente recurso voluntário. Frisese, ao contrário do que constou do v. Julgado recorrido, a prova contumaz do crédito do IRRF e do IRPJ — Fl. 310DF CARF MF 6 ano calendário 1993, 1995 e 1996 — encontrase às fls. 39/41. Logo, não procede a anulação contida no v. Julgado recorrido no sentido de que a interessada não apresentou qualquer documento que comprove os créditos dos anos calendário de 1993, 1995 e 1996. Isso porque tal documento encontrase às fls. 39/41. Através de referido crédito houve a compensação do débito de IRRF sobre aplicações financeiras de renda fixa, apurado na 1ª semana de junho de 2001, o qual totalizou o crédito a que a autoridade fiscal declara como devido, correspondente a quantia de R$154.284,55 (cento e cinqüenta e quatro mil, duzentos e oitenta e quatro reais e cinqüenta e cinco centavos). Ou seja, o valor que a autoridade fiscal reconhecia como débito, o que motivou o indeferimento dos pedidos de compensação acima indicados, foi compensado com crédito originário dos anoscalendário 1993, 1995 e 1996 Logo, ao contrário do que entendeu o v. Acórdão recorrido, não existia o pretenso débito de R$154.295,55, falso pressuposto com que partiu o fisco tão somente para não homologar todas as DCOMP cuja homologação se pretende. Esse fato, de per si, já o suficiente para conhecer e prover o presente recurso para o fim de homologar todas as DCOMP's objeto da presente. E não é só. (...) Mesmo que indevida fosse a compensação realizada contabilmente no ano de 2001, teria decaído ao fisco o direito de lançar o pretenso e suposto débito que resultou nos R$154.295,55. E isso é lógico, ao realizar essa operação contábil, a Recorrente apresentou, perante a Receita Federal, a correlata DCTF. e isso,frisese, no ano de 2001. Assim, tendo a Recorrente apresentado a correlata DCTF no ano de 2001 e constituído o crédito/débito no ano de 2001 com o lançamento pelo contribuinte via DCTF (como, aliás, prova as fls. 87/89), é evidente que transcorreu o lapso temporal para lançamento e cobrança de R$154.295,55, posto que a compensação contábil teria ocorrido em 2001. Aliás, a entrega da DCTF é reconhecida no v. Acórdão, ou seja, o v. Acórdão reconheceu que os R$154.295,55 foi objeto de compensação efetuada via DCTF, verbis: "Salientese, por oportuno, que consta na DCTF ND 00001.002.001/50696746 relativa ao 2° trimestre / 2001 entregue pela própria interessada em 15/08/2001 (fl.87/89 e fl. 38)(...)". Com efeito, considerando que a compensação utilizando o saldo credor, originário dos anoscalendário 1993, 1995 e Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 309 7 1996, foi realizada no anocalendário 2001, mesmo que a compensação de débitos fosse indevida, o que se diz por cautela, transcorreuse o lapso prescricional para o lançamento e cobrança do débito. (...) No caso sub judice, a constituição dos créditos/débitos na contabilidade e informação ao fisco via DCTF ocorreu no ano de 2001 informação esta que foi à época devidamente reconhecida pelo fisco, como prova o próprio acórdão, expresso ao reconhecer a entrega da DCTF, está acobertada pelo manto da prescrição e, via de conseqüência, extinto o suposto crédito tributário a teor do inc. V do art. 156 do CTN. Logo, temse que o fisco jamais poderia utilizarse, tardiamente e após o decurso de 5 anos, de suposta quantia a "titulo de débito de R$154.295,55" como sucedâneo, escolhido a gosto e ao caso, para não compensar as DCOMP's em foco (frisese: em evidente ressurreição de débito há muito extinto nos moldes do inc. V do art. 156 do CTN). Assim é que, constituída a compensação contábil via DCTF no período entre 2001 — como reconhece o fisco no v. Acórdão sobre a entrega da DCTF — a inércia pela não cobrança no período de 5 anos subseqüentes impõe a páde cal sobre qualquer pretensão do Fisco, sendo descabido imputar TARDIAMENTE tal suposto débito extinto pela prescrição (art. V do art. 156 do CTN), no valor de R$154.295,55, às DCOMP's apresentadas para homologação, DCOMP's essas que merecem homologação por não haver qualquer suposto débito de R$154.295,55. (...) Estando comprovada a inexistência do débito de R$154.295,55, seja pela compensação com os créditos de 1993, 1995 e 1996 (cujo crédito está provado), seja pela prescrição nos moldes do inc. V do art. 156 do CTN, passase agora a analisar a compensação questionada nestes autos. No anocalendário de 1999, a recorrente apurou Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 112.765,70. 0 crédito decorrente do saldo negativo do IRPJ ano calendário 1999, foi utilizado para a compensação de tributos por meio das PER/DCOMP's não homologadas pelo despacho decisório, ora hostilizado, quais sejam: (...) Reconhecido pela autoridade fiscal o crédito, no entanto, os débitos declarados através das PER/DCOMP's acima não foram compensados, sob a alegação de existência de débito Fl. 312DF CARF MF 8 anterior, que, como já dito, além de inexistir, estava extinto conforme inc. V do art. 156 do CTN. Nem se diga, por sua vez, como pretende o fisco, que eventual R$ 154.295,55 teria sido fruto de compensação de oficio, posto que tal seria aniquilar e desprezar a compensação contábil anteriormente efetuada. Mais ainda: seria ressuscitar um crédito sepultado pela força do inc. V do art. 156 do CTN vez que, uma vez constituído via DCTF, o fisco remanesceu inerte, não fazendo qualquer cobrança. Quer o fisco, nesse ensejo, fazer uma compensação 'de oficio' por meio de uma ressurreição de débitos extintos, o que é vedado. Nem se diga que suposto crédito pretérito poderia ser utilizado pelo fisco por meio de compensação de oficio, até porque o §7° do art. 34 da IN 900/2008 é expresso em dispor que "os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação", sic., g.n. E a Recorrente não indicou nenhum débito de R$154.295,55, via Declaração de Compensação, quanto menos tal débito que inexistia e extinto estava. E não é só, o que se diz por cautela e amor ao debate, caberia a Recorrente o direito a manifestarse sobre "compensação de oficio", pois com o reconhecimento de um debito o contribuinte tem a faculdade de optar por outros meios para resolução do débito. Ao tratar da compensação de oficio a Instrução Normativa n° 600, de 28/12/2005, estabelece o prazo de 15 dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela Receita Federal do Brasil, para o sujeito passivo se manifestar quanto a eventual compensação de débitos, fato que não ocorreu no caso sub judice. Supondose que o débito objeto da compensação de oficio, no importe de R$154.295,55 (cento e cinqüenta e quatro mil, duzentos e noventa e cinco reais e cinquenta e cinco centavos), fosse devido, caberia a peticionária o direito de manifestarse sobre à compensação. (...) Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da nãohomologação do pedido de compensação, requer se dignem Eméritos Julgadores em julgar procedente o presente recurso para, reformandose o v. Acórdão n° 1232.985 da 1ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), homologar integralmente todas as compensações realizadas constantes das PERDCOMP (...), pelo reconhecimento do crédito do anocalendário de 1999 no valor de R$ 112.765,70. Da solicitação de diligência e seu retorno Este colegiado, em sessão ocorrida em 04 de agosto de 2011, solicitou uma diligência, através da Resolução 1402.00.076. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 310 9 Nesta resolução, expõe os seguintes elementos e argumentos: (...) É certo que a contribuinte possuía SNRIRPJ (acumulado) suficiente para essa compensação. Todavia, não consta na DCTF de qual período seria tal SNRIRPJ. Também não consta nos anexos aos Despachos Decisório (fls. 5 e seguintes) planilha analítica demonstrando o aproveitamento do SNRIRPJ (acumulado) do contribuinte período a período. De igual forma, tal qual asseverado na decisão recorrida, o recorrente também não apresentou “cópias de livros e documentos de sua escrituração fiscal/contábil que demonstrassem a existência dos créditos.” O artigo 29 do PAF estabelece que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (...) O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve, no prazo de 5 anos contatados do pedido, investigar a existência do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido de sua formação, cabendo ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente. ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal proceda verificação na contabilidade da recorrente, bem com nos registros da Receita Federal, para apurar a forma de utilização do Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ da contribuinte nos anos de 1993, 1995 e 1999, visando apurar o valor efetivamente disponível para compensação no 2o. Trimestre de 2001 e no 1o. Trimestre de 2004. Ao final dos trabalhos, o Auditor Fiscal responsável pela diligência deverá elaborar relatório consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestese nos autos no prazo de 30 (trinta) dias. Em informação prestada a efls. 289 e segs., a autoridade fiscal apresenta relatório do apurado em atendimento à diligência solicitada. Desta, extraise os seguintes elementos e argumentos: Através da Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0565/2012 – RCM o interessado foi intimado a apresentar documentação contábil que comprove a existência e utilização em compensação do Saldo Negativo de 93, 95 e 96, bem como planilha com clara explanação da utilização destes créditos de saldo negativo, contendo todos os débitos que foram quitados a partir da utilização desses créditos (fl 151). Fl. 314DF CARF MF 10 O interessado juntou planilhas de IRRF a compensar, bem como cópias do Livro Diário do período de 01 a 12/93, 11 e 12/95, 05 a 12/96 (fls 154 a 221). Juntou também cópia do Diário Geral com lançamento a crédito de Imposto de Renda a compensar de R$ 154.284,55 oriundo de IRRF (fl 226). A documentação apresentada não foi suficiente para atendimento da diligência solicitada e enviamos a Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0223/2017, para apresentação de Relatório anual discriminando todos os débitos compensados com o Saldo Negativo de IRPJ apurado nos anoscalendário 1993, 1995 e 1996, bem como para informar a utilização do Saldo restante constante da planilha IRRF A COMPENSAR 1300008 / IRPJ 1996 (fl 160 do processo). Inicialmente se faz necessário esclarecer quanto à diferença entre IRRF s/ aplicações financeiras e a apuração do Saldo Credor de IRPJ Saldo Negativo IRPJ , em vista de impropriedade na escrituração apresentada. Não existe Imposto de Renda Retido na Fonte a compensar, mas sim previsão legal para a dedução da totalidade das retenções na fonte efetuadas ao longo de determinado anocalendário para o cálculo do Imposto de renda a pagar no encerramento do exercício. Só a partir do encerramento do exercício ocorre a apuração do Saldo Negativo IRPJ e a partir daí devem ser considerados os acréscimos legais. Em atendimento à Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0223/2017 o interessado alega que não apresentou relatório discriminando a utilização dos Saldos Negativos de 1993, 1995 e 1996 pois “...naquele momento o sistema de compensações da RFB era diferente do que temos nos dias atuais.Um primeiro diferencial é que na escrita contábil e tão pouco na DCTF entregue mensalmente, não constava especificamente qual a origem do crédito que se estava utilizando para a compensação...”. Entendemos que tal alegação não merece prosperar já que até setembro/2002 havia a possibilidade do contribuinte efetuar a compensação na própria contabilidade, de tributos da mesma espécie, entretanto tal compensação precisava ser registrada em sua escrita fiscal. Não há como se compensar crédito apurado sem qualquer tipo de controle quanto à sua utilização. Também não estamos convencidos quanto à alegação de que o saldo restante de IRPJ relativo ao anocalendário 1996 no montante de R$ 90.505,48 permanece escriturado na contabilidade aguardando decisão definitiva no âmbito da ação ordinária de restituição nº 2004.61.10.0032194, já que tal ação judicial se refere a Saldo Negativo AC 97, o qual foi indeferido no âmbito administrativo através do processo administrativo 13876.000437/200347. De todo o exposto entendemos que não foram apresentados novos elementos nem documentação comprobatória quanto à existência de crédito efetivamente disponível dos SN 1993, Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 311 11 1995 e 1996, para compensação no 2º Trimestre de 2001 e no 1º Trimestre de 2004. Tomando ciência do relatório imediatamente supracitado, a recorrente apresentou manifestação pertinente. Desta, extraise os seguintes elementos e argumentos: (...) Fazse necessário esclarecer que a fundamentação utilizada pela RFB para não homologar as declarações de compensação acima descritas não foi acompanhada de prova alguma. A não homologação foi baseada em uma suposição, o que é vedado pelo Código Tributário Nacional. A contribuinte, por sua vez, juntou aos autos documentos capazes de comprovar a existência do crédito (saldo negativo de IRPJ — anocalendário 1999), além de comprovar que a "compensação anterior" mencionada pelo fisco foi realizada com créditos oriundos dos anoscalendários de 1993, 1995 e 1996. A comprovação da existência dos créditos dos anos calendários 1993, 1995 e 1996 foi realizada através da juntada de DIPJ (fls. 42/43, 45/48), planilha com a explanação da utilização dos créditos de 1993, 1995 e 1996 (fls. 154/161), Livro Diário de 1993, 1995 e 1996 (fls. 170/213), balanço de 1996 (fls. 214/220), Livro Diário de 2001 (fls. 222/227), planilha com a relação das compensações realizadas com o crédito de 1999 (fls. 284/287), planilha com a relação das compensações realizadas com os créditos de 1993, 1995 e 1996 (fl. 288), além do esclarecimento detalhado das compensações apresentadas ao fisco quando da diligência (fls. 262/266). Através dos documentos acima relacionados, é possível verificar que a contribuinte fez uso de todos os meios possíveis para comprovar que a compensação realizada em 2001 utilizou créditos dos anoscalendários de 1993, 1995 e 1996. Vale destacar ainda, que se o fisco possuía alguma dúvida quanto à existência dos créditos oriundos dos anos calendários 1993, 1995 e 1996, que pudesse macular a compensação do débito de IRRF do 2° trimestre de 2001, deveria têlo questionado dentro do prazo de 5 (cinco) anos da apresentação da DCTF/2001, conforme prevê o inciso V do artigo 156 do CTN. E no restante da manifestação, repisa os argumentos apresentados na sua peça recursal. É o relatório. Fl. 316DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Conforme previamente relatado, o objeto do presente processo é a não homologação de DCOMPs. Segundo o Despacho Decisório, o crédito apontado em tais DCOMPs já teria sido utilizado anteriormente pela recorrente para compensar outro débito de IRRF referente a junho/2001. A recorrente alega que já se utilizou de saldos negativos de recolhimento de IRPJ dos anoscalendário de 1993 a 1996 para quitar o aludido débito de 2001, invocado pelo Despacho Decisório para não homologar as DCOMPs. E ademais, tal débito aludido já estaria extinto nos termos do art. 156 do CTN, posto que a compensação foi declarada em DCTF. O cerne do litígio aqui é que a autoridade fiscal entende que o saldo negativo de IRPJ de 1999 já foi utilizado naquela compensação anterior, ocorrida via DCTF, no anocalendário de 2001. Por seu turno, a recorrente alega que nesta compensação se valeu de saldo negativo acumulado de 1993, 1995 e 1996. Na DCTF apresentada pela recorrente, relativa ao 2º trimestre de 2001, fls. 37 e 38, em que informa a compensação, consta, genericamente, "origem do crédito: IRPJ Saldo Negativo de Período Anterior". Aqui, não consta qual o período deste saldo negativo de IRPJ. Igualmente, tanto na peça impugnatória, quanto na peça recursal, a recorrente não apresentou cópias de livros e documentos de sua escrituração fiscal/contábil que deslindem e segmentem de qual período se refere tal saldo negativo. Isto exposto quando da primeira análise deste colegiado, em 2011, o processo foi baixado em diligência para verificação probatória do alegado pela recorrente. Da primeira intimação fiscal da Diligência Na primeira intimação fiscal em atendimento à solicitação de diligência (efl. 151), a autoridade fiscal solicitou os seguintes itens: 1) documentação contábil que comprove a existência e utilização em compensação dos créditos referentes a saldo negativo desse período (93, 95 e 96); 2) termos de Abertura e Encerramento desses Livros Contábeis; Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 312 13 3) planilha, devidamente assinadas pelo representante legal da empresa (com firma reconhecida), com clara explanação da utilização desses créditos de saldo negativo na compensação, contendo todos os débitos que foram quitados a partir da utilização desses créditos. Em sua resposta, os elementos apresentados pela recorrente foram os seguintes (efls. 151 e segs.), correspondendo com os itens acima: 1) apresentou planilhas com atualização de valores (efls. 154 a 161), cujo título é "IRRF a compensar 130008", e aproveitamento destes valores ao longo dos anos; 2) cópias de partes do Diário Geral, com respectivos termos de abertura e encerramento (efls. 170 a 227). Da segunda intimação fiscal da Diligência Não satisfeito com o recebido, constando isso em nova intimação, nos seguintes termos: A documentação apresentada em atendimento à Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0565/2012 não foi suficiente para subsidiar a análise do crédito pleiteado, conforme diligência determinada através da Resolução nº 140200.076 do CARF, solicitou o seguinte: 1) Relatório anual discriminando todos os débitos compensados com o Saldo Negativo de IRPJ apurado nos anos calendário 199 3, 1995 e 1 99 6. Deve constar em tal relatório as compensações efetuadas na própria contabilidade. 2) Informar a utilização do Saldo restante constante da planilha IRRF A COMPENSAR 1300008 / IRPJ 1996 juntada pelo interessado em atendimento da Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0565/2012 (fl 160 do processo) 3) Comprovantes de Retenção na Fonte em nome da Schincariol Participações e Representações Ltda, efetuadas pelas fontes pagadoras nos anos calendário 1993, 1995 e 1996. Em sua resposta (efls 262 a 266), a recorrente apresenta os seguintes elementos e argumentos, correspondentes a cada item: 1) relatório anual de compensações dos anoscalendário 1993, 1995 e 1996, informa a peticionária que naquele momento o sistema de compensações da RF13 era diferente do que temos nos dias atuais. Um primeiro diferencial é que na escrita contábil e tão pouco na DCTF entregue mensalmente, não constava especificamente qual a origem do crédito que se estava utilizando para a compensação, (...). Após, apresenta um demonstrativo de como compensou o valor referente a R$ 154.284,55 (referente a 1ª semana de junho/2001 código 3426), remetendo ao cálculo da planilha apresentada no item 1 da primeira intimação da diligência suscitada pelo CARF. Igualmente, apresenta uma remissão de como foram contabilizados tais valores na compensação de 2001; 2) Com relação ao questionamento do item 2, qual seja, informar a utilização do saldo de IRPJ de 1996 (fls. 160 do processo) no valor de R$ 90.505,48, Fl. 318DF CARF MF 14 esclarece a requerente que em Julho/2002 providenciou a compensação deste crédito com débito de IRPJ de Janeiro e Fevereiro/2002 no valor de R$ 15.576,25 e R$ 10.843,90 respectivamente. O saldo restante permanece escriturado na contabilidade da requerente aguardando decisão definitiva da ação ordinária de restituição nº 2004.61.10.0032194 em tramite perante a 3ª Vara Federal de Sorocaba. Referida ação atualmente encontrase aguardando julgamento de apelação da requerente. 3) Já no que tange ao item 3, o qual requer a apresentação dos comprovantes de retenção na fonte em nome da requerente efetuados pelas fontes pagadoras nos anos de 1993, 1995 e 1996, informa a requerente que em decorrência destes períodos não serem objeto de qualquer questionamento pelo Fisco e ainda pelo lapso de tempo transcorrido entre a retenção e a intimação em comento, estes documentos não foram localizados, deixando assim de serem entregues. Vale destacar que nos termos do art. 195, §único do CTN o lapso temporal de prescrição e inclusive de decadência já decorreu, aliás, já se passaram mais de 24 anos do exercício de 1993, por exemplo! Apresenta algumas planilhas geradas por si própria para corroborar com alguns pontos a seguir, mas nada substancial em relação ao enfoque tomado. Da informação fiscal referente à diligência executada Nas efls. 289 a 291, a autoridade fiscal executora da diligência conclui que o apresentado não o convenceu quanto ao alegado pela recorrente, como já exposto na parte do relatório do presente acórdão. Inicialmente, o alegado para não apresentar o relatório discriminando a utilização dos Saldos Negativos de 1993, 1995 e 1996 que naquela época o sistema de compensações da RFB era diferente não deveria prosperar, já que até setembro/2002, havia a possibilidade do contribuinte efetuar compensação na própria contabilidade, de tributos da mesma espécie, devendo tal situação ser registrada na sua escrita fiscal. Contudo, no presente caso, não houve um controle devido deste crédito apurado e compensado. Igualmente, parte dos argumentos da recorrente de que o saldo restante de IRPJ relativo ao anocalendário de 1996, no montante de R$ 90.505,48, estaria escriturando aguardando decisão definitiva em discussão judicial no processo 2004.61.10.0032194, quando tal ação judicial se refere a saldo negativo referente ao anocalendário 1997, que foi indeferido no âmbito administrativo através do processo 13876.000437/200347. E conclui que não foram apresentados novos elementos nem documentação comprobatória quanto à existência de crédito efetivamente disponível dos saldos negativos de IRPJ de 1993, 1995 e 1996, para compensação no 2º trimestre de 2001 e no 1º trimestre de 2004. Posteriormente, a recorrente repisa argumentos apresentados na sua peça recursal em manifestação a respeito desta informação Da questão probatória envolvida Verificandose todos os elementos até o momento exposto, e o que é muito comum nestas análises de direito creditório de PER/DCOMP, acaba se resumindo ao enfrentamento de uma questão probatória do alegado pela recorrente e contestado pela autoridade fiscal. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 313 15 No caso concreto, desde a sua peça impugnatória, a recorrente entende que o que apresenta basta para demonstrar o seu direito. Cabe uma análise destes elementos. Na peça impugnatória, para demonstrar o alegado pela autoridade fiscal para não homologar sua DCOMP, apresenta DIPJ 1993 (efl. 44), DIPJ 1996 (e fls. 40/41) e DIPJ 2000 (efls. 47/48). Contudo, tais informações não evidenciam o alegado pelo recorrente, ao qual vou ao encontro do decidido no v. acórdão recorrido, de que não . Em nova oportunidade de apresentar de novos elementos na sua peça recursal, para tentar demonstrar cabalmente o alegado, a recorrente não agrega nenhum documento que afaste a dúvida da situação contestada pela autoridade fiscal. Apenas repisa os argumentos da sua peça impugnatória, e diz entender que bastaria o apresentado na sua impugnação. Foca na sua peça recursal argumentos de que a motivação da não homologação não procede, contestando de forma veemente a questão do crédito já ter sido utilizado em outro débito anteriormente. E concentra seu raciocínio e esforços argumentativos sem trazer nenhum comprovação cabal do devido crédito, tanto em relação à situação arguida no despacho decisório. Mais ainda insiste que bastaria o que consta na DIPJ para comprovar o alegado, acabando discutindo questões do débito da 1ª semana de junho de 2001, e respectiva decadência do mesmo. Contudo, em nenhum momento foi cerne da questão tanto no despacho decisório quanto no v. acórdão recorrido. Ali se discutia se o crédito usado para compensar valores de 2004 e 2005 já foram utilizados anteriormente ou não. Acertadamente houve a baixa em diligência por este colegiado então, dando mais um benefício a recorrente de aportar documentação cabal do alegado através de diligência, e igual reanálise da situação pela autoridade fiscal. Nas respostas ao diligenciado pela autoridade fiscal, a recorrente apresenta, primeiramente, planilhas de correção de valor que entende ter o direito, e cópias do diário geral, de valores contabilizados aos quais não há como discernir como houve o aproveitamento de tais valores. Nada mais apõe, o que se esperaria, e como foi intimado, qual seja um memorial de cálculo de aproveitamento dos seus saldos negativos ao longo dos anos em discussão. Novamente intimada na diligência pela autoridade fiscal, ressaltando se que o apresentado não fora suficiente para o deslinde das dúvidas, e enfatizando o que se esperaria do contribuinte um memorial dos débitos compensados com o saldo negativo de IRPJ apurado nos anoscalendário de 1993, 1995 e 1996, bem como, comprovantes das retenções de IRRF sofridas que dariam o direito pleiteado. Em sua resposta, a esta segunda intimação fiscal da diligência, a recorrente repisa argumentos, sem demonstrar o solicitado. Os argumentos até poderiam ser verdadeiros, mas não suporte documental para corroborarem o arguido. O que apresenta são demonstrativos criados para atender a intimação fiscal nada que demonstre serem controles da época devida, e muito menos algum documento que possa ser checado com terceiros, como um comprovante de retenção, ou algo do gênero. Fl. 320DF CARF MF 16 Com o devido cuidado e zelo ao crédito contra a Fazenda Pública, ao qual deve ser líquido e certo, a autoridade fiscal em retorno de diligência, na sua informação, conclui, após analisar todo o apresentado, que não houve novos elementos. para elucidar o direito creditório pleiteado pela recorrente. Cientificada desta informação da autoridade fiscal, a recorrente praticamente repisa argumentos, atacando a decisão de não homologação, o acusando de uma presunção. Contudo, nada apresenta para demonstrar o contrário. Na sua resposta à segunda intimação fiscal, quando da diligência decidida por este colegiado, a recorrente se insurge quando, do item 3, a apresentar comprovantes de retenção na fonte de 1993, 1995 e 1996, dizendo que já se trata de período não mais questionável pelo fisco, e que os documentos não foram localizados. Em certa parte, o débito de 2001, e respectivo crédito de 1993, 1995 e 1996 não é o cerne do presente processo, mas o crédito do presente está sendo questionado pela autoridade fiscal por indicar já ter sido utilizado anteriormente. E nisso atacado, deveria envidar todos os esforços para demonstrar, o que não ocorreu. Ao ter um direito creditório de saldo negativo de IRPJ ocorrido em 1999, e só utilizálo em 2004 e 2005, quando neste ínterim houve outros saldos negativos de IRPJ utilizados para compensar outros débitos, nada mais do que no devido direito da autoridade fiscal solicitar maiores esclarecimentos destas compensações e os documentos que deram suporte, bem como a transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Aqui, cabe comentar que o art. 264 do RIR/1999, que preceitua o seguinte: Art. 264 A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10855.900002/200940 Acórdão n.º 1402002.924 S1C4T2 Fl. 314 17 conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Ou seja, há o preceito que a recorrente é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, enquanto não prescrito eventual ação que lhe seja atinente, o que é o presente caso, pois não elucidou nem o devido aproveitamento do saldo negativo de 1999 em 2004/2005, e nem a dúvida da autoridade fiscal de já ter sido utilizado anteriormente. O direito creditório pleiteado pela recorrente deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa, e, para tanto, ela pode e deve, no prazo de 5 anos contatados do pedido, investigar a existência do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido de sua formação, cabendo ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente. Em face do exposto, voto para que seja NEGADO provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003388/2007-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 1002-000.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vice-presidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
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Multa por atraso na entrega da DCTF Recorrente MASTRA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 33 88 /2 00 7- 69 Fl. 94DF CARF MF 2 Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vicepresidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 69 à 89) interposto contra o Acórdão n° 1422.841, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 59 à 66), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. A multa pelo atraso na entrega de declaração será exigida sempre, independentemente de prévia intimação para que o sujeito passivo entregue a declaração original. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que O contribuinte o faça espontaneamente. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. PERÍCIA. REQUISITOS. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10865.003388/200769 Acórdão n.º 1002000.010 S1C0T2 Fl. 7 3 Considerase não formulado O pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. IMPUGNAÇÃO. ONUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Por representar acurácia no resumo dos fatos apresentados em sede de impugnação, peço vênia para transcrever os pedidos formulados no Recurso Voluntário, à fl.89: De todo o exposto, a Recorrente aguarda confiante seja o presente recurso administrativo conhecido e provido por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para o fim de se reformar integralmente a r. decisão recorrida, declarado nulo o Auto de Infração; i) por falta de intimação prévia da Recorrente para prestar esclarecimentos ou quitar o suposto débito, nos termos do art. 7°, da Lei n° 10.426/O2 e; ii) pela impossibilidade de se fundamentar o lançamento em informações eletrônicas da Receita Federal, inclusive pela ausência de provas, na medida em que não foi acompanhado de qualquer evidência da ocorrência da infração apontada; ou então, no mérito; iii) seja julgado improcedente o Auto de Infração, pela ausência de infração diante da impossibilidade de transmissão da declaração no prazo, por falta de certificado digital, ou ainda; iv) reconhecendose a ocorrência da denúncia espontânea caracterizada pe entrega da DCTF, antes de qualquer intimação fiscal o a ausência de prejuízo ao Erário, afastandose a multa aplicada, por ser medida de JUSTIÇA! Conforme exposto no relatório do Acórdão da DRJ, os pedidos supramencionados arvoraramse nos seguintes argumentos, os quais foram reiterados em sede de Recurso Voluntário: · Nulidade do auto de infração pela falta de prévia intimação da impugnante para esclarecimentos, conforme regra do art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002; · Impossibilidade de se fundamentar o lançamento tão somente em informações eletrônicas da Receita Federal, pois o auto foi lavrado sem que qualquer auditorfiscal tenha ido até a impugnante para verificar a efetiva ocorrência da infração apontada, ou qualquer outra causa que tivesse impossibilitado o cumprimento da obrigação acessória; · No mérito, impossibilidade de transmissão da DCTF por ausência de certificação digital, requisito essencial para a entrega, conforme § 2° do art. 7° da Instrução Normativa (IN) SRF n° 695, de 2006, pois só quando tratou de efetuar a transmissão de todas as suas declarações fiscais conseguiu a liberação de seu certificado digital no começo do ano de 2006, quando tratou de efetuar a transmissão de todas as suas declarações fiscais sem que houvesse intenção de lesar o Fisco, Fl. 96DF CARF MF 4 mas somente a impossibilidade de cumprimento da obrigação acessória; · Descaracterizada a intenção de fraude à fiscalização, resta descaracterizado o critério material de conduta ilícita para aplicação da multa punitiva; · Impossibilidade de aplicação da multa por ocorrência de denúncia espontânea, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 138, pois a declaração foi entregue antes de qualquer intimação de início de ação fiscal; · Ausência de prejuízo ao Erário, capaz de incidir a imputação de penalidade, uma vez que apresentou a declaração, ainda que a destempo. Solicitou seja declarado nulo o auto de infração, pelas duas causas apontadas, ou, no mérito, seja ele julgado improcedente. Protestou pela juntada de novos documentos, não colacionados em função da exigüidade do tempo, bem como pela produção de outras provas, como perícia, oficios, declarações, constatações e diligências, em atendimento ao princípio da verdade material. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. 1. Das Preliminares Alega a Recorrente que há nulidade no Auto de Infração, em virtude da ausência de prévia intimação para fins de esclarecimentos. Para tanto, sustenta com base no art. 7°, da Lei n° 10.426/02 e aponta cerceamento de defesa. Em seguida, aduz à impossibilidade de se fundamentar o lançamento com base apenas em informações eletrônicas, disponíveis pela Receita Federal do Brasil RFB. O fundamento de sua alegação reside no fato do Auto de Infração ter sido lavrado sem qualquer presença física de auditorfiscal, apta a comprovar in loco o descumprimento da obrigação acessória. Não vejo razão de acolher as Preliminares suscitadas. Conforme destacado no Acórdão da DRJ, não se faz necessária a intimação prévia quando a autoridade autuante já dispõe de todos os elementos para efetuar o lançamento tributário. Aliás, destaco que tal aspecto decorre do próprio registro das informações prestadas pela Recorrente junto ao sistema online da Receita Federal, na forma do 142 do CTN, e do art. art. 929, §7°, do RIR. A entrega da DCTF por intermédio da rede mundial de computadores serve, justamente, para agilizar o acesso às informações necessárias à atividade fiscalizatória. Em verdade, caso a autoridade administrativa deixasse de efetuar o lançamento nessas circunstâncias, estaria infringindo a Lei. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10865.003388/200769 Acórdão n.º 1002000.010 S1C0T2 Fl. 8 5 Destaco que o afastamento da suposta ilegalidade do lançamento de ofício, realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, resta pacificado nos termos de enunciado sumular 46 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. 2. Da ausência do Certificado Digital Quanto ao mérito, sustenta a Recorrente que o envio de sua DCTF foi obstado pela ausência de certificação digital, conforme requer o art. 7°, § 2°, da IN SRF n° 695, de 2006. Sustenta, ainda, que apenas logrou em conseguila em 2006, o que demonstra sua boafé e ausência de intuito de lesar o Fisco. Sem embargo, a Contribuinte não fez qualquer prova de tal aspecto no decorrer do Processo Administrativo Fiscal, razão pela qual descumpre os preceitos do art. 16, III, do Dec. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Assim, ante a ausência de provas, tornase impossível acatar a alegação da Recorrente. 3. Da multa incidente em virtude do atraso na entrega da DCTF Sustenta a Recorrente que a entrega da DCTF, embora a destempo, enseja a incidência do art. 138 do CTN. Advoga, portanto, que a penalidade imposta seria afastada pelo instituto da denúncia espontânea. Ademais, entende que não caberia a multa, haja vista sua suposta ilegalidade. Não vejo como acolher esses argumentos. A própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Nessa toada, resta inafastável o argumento exarado no Acórdão da DRJ (fl. 65): O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária. A entrega da declaração de rendimentos constitui obrigação acessória prevista no CTN, e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. (...) Dessa forma, com fulcro no retrocitado art. 113, tomase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação Fl. 98DF CARF MF 6 acessória de apresentação da declaração, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração. De arremate, vale dizer que o assunto encontrase sumulado no enunciado 49 do CARF, cuja redação segue: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, o argumento de prejuízo ao erário se esvai quando se analisa a multa tributária sob o aspecto objetivo. Isso porque, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. 4. CONCLUSÃO Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.903127/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002
Numero da decisão: 1402-000.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO Recorrente COMPANHIA DE SANEAMENTO DO PARANA SANEPAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INSUFICIÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO INTEGRAL. Comprovado nos autos que parte do direito creditório alegado é insubsistente, correta a decisão que deferiu apenas parcialmente a compensação pleiteada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.903127/200643 Acórdão n.º 140200.863 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.903127/200643 Acórdão n.º 140200.863 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório COMPANHIA DE SANEAMENTO DO PARANÁ SANEPAR, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório de fl. 795, proferido pelo chefe do Seort da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, pelo qual foi homologada parcialmente a compensação informada pelo interessado. O direito creditório pleiteado é o saldo negativo de IRPJ apurado em 31.12.2002, informado na DIPJ como sendo de R$4.763.263,59. A unidade de origem reconheceu apenas em parte esse saldo negativo, tendo em vista que fora lavrado um auto de infração contra o interessado, decorrente de glosa de compensação indevida de prejuízo fiscal no ano de 2002. Esse lançamento de ofício foi formalizado sob o processo nº 10980.011332/200681, que se encontrava pendente de julgamento. O valor do IRPJ (principal) exigido de ofício foi deduzido pela unidade de origem do saldo de IRPJ negativo apurado em 31.12.2002. Em 26.3.2008, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 797) e, em 25.4.2008, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 799 a 801, pela qual argumenta que já apresentara impugnação contra o lançamento de ofício do qual resultou a redução do direito creditório pleiteado. Juntou à sua defesa os mesmos documentos já apresentados na referida impugnação e pede o cancelamento do crédito tributário lançado de ofício, para que se restabeleça o montante de IRPJ negativo originalmente apurado em 31.12.2002. A decisão recorrida está assim ementada: INSUFICIÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO INTEGRAL. Comprovado nos autos que parte do direito creditório alegado é insubsistente, correta a decisão que deferiu apenas parcialmente a compensação pleiteada. Compensação não Homologada No voto conduto do aludido acórdão extraise os seguintes fundamentos: A parcela do direito creditório indeferido pela unidade de origem corresponde exatamente ao IRPJ apurado em procedimento de ofício, no bojo do processo nº 10980.011332/200681, motivado por glosa de compensação indevida de prejuízo fiscal. Assim, o interessado juntou à sua manifestação de inconformidade os mesmos documentos carreados pela impugnação apresentada contra a exigência de ofício e que já foi analisada por esta 1ª Turma da DRJ/CTA. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.903127/200643 Acórdão n.º 140200.863 S1C4T2 Fl. 0 4 Como se depreende das fls. 188 a 190 daqueles autos, foi julgada procedente a glosa da compensação do prejuízo fiscal, embora daquele lançamento não resultasse cobrança, uma vez que o imposto apurado fora extinto com parte do saldo de IRPJ negativo existente em 31.12.2002 (Acórdão 0620.273, de 11.12.2008, 1ª Turma DRJ/Curitiba). Essa parcela do saldo negativo de IRPJ utilizada para quitar o imposto resultante da glosa da compensação indevida deve ser deduzida do direito creditório pleiteado, caso contrário haveria uma indevida duplicidade da utilização desse direito creditório. Assim, deve ser mantida a decisão proferida pela unidade de origem. Em conclusão, voto por indeferir a solicitação do interessado. Cientificada da aludida decisão em 29/12/2008 (fl. 855), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/01/2009 (fl. 856 e seguintes), no qual ratifica as alegações da peça impugnatória quanto a incorreção do lançamento de que trata o processo 10980.011332/200681. Os autos foram enviados a este Conselho e sorteados ao presente relator que mediante despacho de 30/6/2011 propugnou: Tratase de recurso voluntário interposto no presente processo, relativo a Declarações de Compensação de fls. 01/43. A primeira, de fls. 01, cujo crédito também serviu para outros pedidos de compensação, foi transmitidas 27/05/2003. Pretende a interessada compensar débitos informados em DCTF saldo negativo de IRPJ, apurado em 31/12/2002, no valor de R$ 4.763.263,59. Conforme despacho de fl. 789/795, datado de 18/03/2008, e cientificado em 26/03/2008 (fl. 797), a autoridade fiscal reconheceu apenas em parte esse saldo negativo, tendo em vista que fora lavrado um auto de infração contra a requerente, em virtude da glosa de compensação indevida de prejuízo fiscal no ano de 2002, cujo lançamento de oficio restou formalizado através do processo n° 10980.011332/200681 (fls. 423/433). O valor do IRPJ (principal) exigido de oficio foi deduzido pela unidade de origem do saldo de IRPJ negativo apurado em 31/12/2002. Ocorre que o aludido processo conexo, de nº 10980.011332/200681, relativo a glosa de despesas, está em tramitação no CARF, conforme tela abaixo ilustrada: (...) Se restabelecidas as despesas, de forma total ou parcial, que resultaram na redução da base de cálculo do saldo negativo do imposto de renda, haverá influência no presente julgado. Assim, o resultado do julgamento do processo nº 10980.011332/200681 se constitui em prejudicial ao julgamento deste feito. Diante do exposto, propugno seja solicitada a distribuição do citado processo nº 10980.011332/200681 a este Relator, por conexão, para julgamento em conjunto com o presente. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.903127/200643 Acórdão n.º 140200.863 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. O litígio desde processo é decorrente do auto de infração em julgamento no aludido PAF 10980.011332/200681. Tratase da não homologação de compensações em face da redução do direito creditório do contribuinte, relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ do anocalendário de 2002, mediante auto de infração de que trata o processo 10980.011332/200681. Se fosse acolhido o recurso interposto no processo nº 10980.011332/200681 o resultado seria pela procedência do recurso aqui examinado. Se fosse negado provimento ao recurso daquele processo, por consequência, o julgado aqui segue o mesmo caminho. Ocorre que ao examinar o recurso do processo nº 10980.011332/200681, cujo auto de infração resultou na redução do crédito aqui postulado, este colegiado não conheceu do recurso por intempestivo. Desta forma, sendo mantida a infração que resultou na redução do crédito utilizado para compensação, negase provimento a este recurso. Diante do exposto voto por negar provimento. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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