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Numero do processo: 10166.724554/2014-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO.
Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido.
IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA.
A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO.
Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA.
A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 2202-004.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
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PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 54 /2 01 4- 71 Fl. 2935DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou parcialmente procedentes os autos de infração DEBCAD nº 51.040.9555 e nº 51.065.2778, referentes, respectivamente, à contribuição patronal de 20% sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, e às contribuições descontadas dos segurados contribuintes Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.936 3 individuais (11%), sendo os lançamentos atinentes às competências 01/2010 a 12/2011, e ao levantamento LC. Foram responsabilizados solidariamente a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. e a Cyrela DF 01 Emprendimentos Imobiliários Ltda., e os sócios da recorrente Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini. Passase a transcrever, na sequência, o bem elaborado resumo do procedimento fiscal e dos termos da impugnação, levado a efeito pela instância de piso: (...) 2. O Relatório Fiscal (fls. 28/91) anexo ao processo administrativo apresenta as informações pertinentes à ação fiscal realizada no contribuinte, à apuração das contribuições previdenciárias do período fiscalizado, bem como os fatos e justificativas para a caracterização da responsabilidade solidária de terceiros (empresa e pessoas físicas) frente ao crédito tributário constituído. Do referido relatório, destacamse as seguintes informações: 2.1. A Autoridade Fiscal relata as tentativas de obter a documentação comprobatória dos serviços prestados por contribuintes individuais, incluindose os comprovantes das remunerações pagas, devidas ou creditadas, bem como um discriminativo dos valores pagos (identificandose Nome, CPF, NIT, CRECI e Competência) aos corretores ou consultores imobiliários pessoas físicas, tendo em vista que a atividade principal da empresa é a intermediação ou comercialização de imóveis ou unidades imobiliárias autônomas. 2.1.1. Ressaltou que a não apresentação dessa documentação acarretaria no arbitramento do valor da remuneração que reputar devida, mediante procedimento de aferição indireta, e sem a observância do limite máximo do salário de contribuição no cálculo da contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais. 2.2. Em resposta às intimações, a fiscalizada apresentou esclarecimentos, dentre os quais se destacam os seguintes: (i) as autorizações de corretagem eram informalmente outorgadas pelas incorporadoras à LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda, não tendo sido localizados quaisquer contratos escritos nos seus arquivos; (ii) reforça que não toma serviços de corretores de imóveis independentes, nem efetua pagamentos em favor destes. Tais corretores seriam contratados e remunerados diretamente por seus clientes (compradores dos imóveis); (iii) ao explicar suas atividades, afirma que auxilia o incorporador a definir as características mercadológicas do produto e, com o seu lançamento, é autorizada a tornálo acessível ao mercado. Por sua vez, o corretor independente é que faz a intermediação da transação, associandose à LPS Brasília. Por fim, o comprador assume 3 obrigações distintas: de pagar o preço do imóvel, de remunerar a LPS Brasília e de remunerar o corretor independente. 2.3. Considerando que a fiscalizada apresentou documentos e esclarecimentos insuficientes para comprovar a veracidade de suas afirmações de que não contratou/remunerou contribuintes individuais para auxiliála na intermediação de negócios imobiliários (destacase que a fiscalizada apresentou Gfip sem quaisquer informações sobre pagamentos de corretores de imóveis), a Autoridade Fiscal entendeu imprescindível a realização de diligências fiscais em: (a) pessoas jurídicas (incorporadoras/construtoras) para as quais a fiscalizada prestou serviços de intermediação imobiliária; (b) prestadores de serviços pessoas físicas (03 diretores, Fl. 2937DF CARF MF 4 03 coordenadores/supervisores e 05 corretores) integrantes das equipes de venda da LPS Brasília; (c) compradores de imóveis da sua carteira de negócios imobiliários. Para o cumprimento dessas diligências, foram emitidos termos de intimação (TIPF Diligência) para fins específicos de prestarem informações e esclarecimentos de interesse do Fisco, como forma de subsídio à ação fiscal desenvolvida na empresa LPS Brasília (MPF vinculados). 2.3.1. Os esclarecimentos prestados pelos compradores de imóveis foram consistentes nas seguintes afirmativas: (i) os imóveis foram adquiridos com a intermediação da LPS Brasília (CNPJ 09.264.879/000153); (ii) os corretores pessoas físicas que os atenderam se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília, e que em geral usavam crachá, camiseta e/ou cartão de identificação dessa empresa; (iii) foram emitidos vários cheques para fins de pagamentos diversos, inclusive do sinal e da comissão/premiação pela intermediação imobiliária realizada pelo corretor e demais membros integrantes da equipe de vendas da LPS Brasília (corretor, supervisor/coordenador, gerente, diretor, LPS), conforme consta do documento memória de cálculo da área financeira; (iv) a concretização do negócio ocorreu nos estandes de venda da imobiliária e/ou da incorporadora/construtora, geralmente no local da obra, podendo também ser concluído na sede da empresa LPS Brasília; (v) o valor do imóvel constante no contrato de compra e venda geralmente era inferior ao valor constante na proposta de compra e venda/tabela de preço, devido a não inclusão dos valores pagos a título de comissão/premiação aos intermediários. 2.3.2. A partir da análise dos documentos e dos esclarecimentos prestados pelos coordenadores e diretores diligenciados, a fiscalização entendeu que a abertura de pessoas jurídicas por estes prestadores de serviços é resultado de uma orientação, se não exigência, da LPS Brasília (isoladamente ou em conjunto com as contratantes incorporadoras/construtoras) para fins de atingir um propósito específico no caso concreto: o não recolhimento das contribuições previdenciárias oriundas das remunerações que esta deveria ter pago diretamente aos corretores e demais pessoas físicas que lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária, utilizandose do procedimento de criação de sociedades simples e/ou individuais para prestarem serviços, geralmente exclusivos, à empresa para quem já trabalhavam como pessoas físicas (Pjotização). 2.3.3. Por sua vez, destacamse os seguintes esclarecimentos apresentados pelos corretores de imóveis diligenciados: (i) embora assinassem praticamente todos os documentos relacionados à venda do imóvel, uma das vias dos documentos básicos ficavam de posse da imobiliária Lopes Royal (LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda) e/ou da incorporadora/construtora, enquanto outra via era entregue ao comprador do imóvel; (ii) toda a documentação era entregue ao supervisor/coordenador de equipe e/ou diretor da LPS Brasília para análise e somente após a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (construtora/incorporadora e o comprador) a área financeira da Lopes Royal entregava os cheques do pagamento da comissão de corretagem aos diversos integrantes das equipes de venda, aí incluídos os corretores de imóveis autônomos; (iii) as comissões/premiações de vendas eram definidas pelas construtoras/incorporadoras em conjunto com a imobiliária LPS Brasília; (iv) prestavam serviços com exclusividade, geralmente em stands de vendas ou na sede da imobiliária LPS Brasília, que fornecia toda a infraestrutura e materiais necessários, sendo obrigatório o cumprimento das escalas de plantões de venda e a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da imobiliária, sob pena de desligamento do quadro das equipes de vendas. 2.3.4. Por fim, as diligências fiscais realizadas em 27 pessoas jurídicas (incorporadoras/construtoras), em especial das empresas Essa Empreendimentos e Serviços S/A (CNPJ: 00.609.995/000192) e Real Celebration Engenharia Ltda Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.937 5 (CNPJ: 10580.974/000106), propiciaram os seguintes esclarecimentos, em resumo: (i) esclareceram ser praxe no mercado imobiliário do Distrito Federal a concessão de autorizações de intermediação com base no princípio da informalidade e da boafé entre as incorporadoras/construtoras e as imobiliárias; (ii) após a imobiliária prestar consultoria mercadológica à incorporadora, esta define o preço do imóvel e o valor da corretagem que, conforme costume adotado no mercado, varia entre 3,5% a 5,0%; (iii) afirmam que a ligação incorporadoramercado é feita pela imobiliária e a relação compradorincorporadora é feita por corretores independentes; (iv) esclarecem que o sinal ou preço total do imóvel e as parcelas de corretagem devidas à imobiliária e aos corretores independentes são pagas diretamente pelos compradores àqueles. 2.3.4.1. Citando alguns contratos celebrados entre incorporadoras e a fiscalizada (LPS Brasília), a Autoridade Fiscal evidencia a existência de cláusulas: (a) de exclusividade na intermediação das unidades das incorporadoras pela contratada; (b) que possibilitam a criação de campanhas de prêmios para estimular a comercialização das unidades, a serem pagos pelas incorporadoras à imobiliária (LPS Brasília) e aos profissionais que esta indicar (corretores autônomos), cabendo à contratada a organização e distribuição dos prêmios; (c) que permite, em exceção à regra, que os contratos de compra e venda determinem o pagamento das comissões diretamente à incorporadora, que se compromete a repassar as comissões à imobiliária e aos profissionais participantes da intermediação da venda, conforme indicado pela contratada. 2.4. Diante dos fatos apurados, considerando ainda os esclarecimentos insuficientes e insatisfatórios da empresa fiscalizada sobre a sistemática e a documentação empregada na comercialização de imóveis relativos aos empreendimentos da sua carteira de negócios imobiliários, os quais não encontram abrigo na legislação vigente aplicável, conclui que a empresa sob ação fiscal não só tem o conhecimento como participa ativamente de todas as etapas da intermediação imobiliária, que vai desde o preenchimento da ficha cadastral, da emissão da proposta de compra e venda com recibo de sinal, da emissão do RPA e da nota fiscal para pagamento da comissão de venda até a coleta final da assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (comprador e vendedor, em geral a incorporadora). 2.4.1. Reforça que tanto os arts. 28 a 32 da Lei n° 4.591/64 (Lei da incorporação), quanto os arts. 1º a 6º da Lei n° 6.530/78 (regulamenta a profissão do corretor de imóvel) e os arts. 722 a 729 da Lei n° 10.406/02 (Da Corretagem – Código Civil) exigem formalidades e documentos próprios para a prestação de serviços, que vão desde a incorporação imobiliária até a alienação/comercialização de imóveis ou de fração ideal de terrenos vinculadas a unidades imobiliárias autônomas. 2.4.2. Entendeu a Auditoria Fiscal que a imobiliária fiscalizada, quer na condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviço dos profissionais pessoas físicas, atua no intuito de fragmentar as etapas da comercialização de imóveis (intituladas “etapas da intermediação de operações imobiliárias”) por meio de atos simulados/dissimulados, com a finalidade de vincular os corretores autônomos diretamente aos compradores de unidades imobiliárias. Todo o complexo processo de intermediação, apesar das afirmativas contrárias da fiscalizada, é executado sob a sua orientação, coordenação, controle, supervisão e direção, responsabilizandose pelo fornecimento dos materiais e de toda a estrutura de apoio aos profissionais pessoas físicas para que estes prestem um bom serviço de atendimento aos clientes compradores. Fl. 2939DF CARF MF 6 2.4.3. As atitudes da fiscalizada caracterizam ato ilícito que tem por finalidade imediata a sonegação de tributos, especialmente das contribuições previdenciárias incidentes sobres as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos profissionais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária prestados. 2.4.4. Relembra que, em que pese a empresa ter sido submetida a outras fiscalizações anteriormente e com decisões administrativas favoráveis ao Fisco (Processos n° 10166.720564/201011, 10166.727550/201100, 10166.727551/2011 46 e 10166.723699/201292), a imobiliária Lopes Royal (autuada) continua infringindo a legislação tributária e demais leis que versam sobre a matéria no tocante a: existência de “acordos verbais” para a contratação da intermediação imobiliária, transferência do ônus do pagamento das comissões/premiações devidas ao corretor para os compradores, recusa na apresentação ao Fisco de toda a documentação comprobatória das etapas de intermediação imobiliária. 2.4.5. Ressalta que o adquirente não toma conhecimento antecipado, adequado e transparente de boa parte de seus direitos e obrigações para a formação do livre convencimento, a não ser de forma superficial no momento da assinatura da proposta de compra e venda. Esses procedimentos, adotados pelos entes imobiliários (incorporadora e/ou imobiliária), além de ferirem a legislação tributária também contrariam o disposto nos seguintes artigos do Código de Defesa do Consumidor (CDC), Lei n° 8.078/90: art. 6°, inciso IV e V; art. 7°, § único; art. 39, inciso I; art. 42, § único e art. 51, inciso IV. 2.4.6. Acrescenta que os documentos apresentados e os esclarecimentos prestados pelos diligenciados foram decisivos para a identificação e comprovação da ocorrência de atos ilícitos e lesivos contra o Fisco praticados pela empresa: os adquirentes de imóveis afirmaram que não contrataram qualquer corretor e que este profissional já se encontrava nos locais de venda designados pela fiscalizada, se identificando como representante da LPS. Também os corretores de imóveis diligenciados afirmaram que quando os contratos de prestação de serviço foram firmados com a LPS, esta não lhes entregara nenhuma via; ainda foram uníssonos em afirmar que cumpriam plantões de venda nos pontos ou estandes da LPS (ou da incorporadora/construtora contratante), que a imobiliária fornecia toda a estrutura e documentação necessárias para a conclusão da venda de imóvel e que recebiam o pagamento da comissão (em geral cheque emitido pelo comprador) da Tesouraria/setor financeiro da LPS após a assinatura final do contrato entre o comprador e o vendedor (incorporadora/construtora). 2.4.7. De acordo com a Lei n° 6.530/78 e respectivo regulamento (Decreto n° 81.871/78), o atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição; e, ainda, somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. Nesse contexto, a referida empresa vem atuando na comercialização de imóveis à revelia da legislação vigente, pois conforme se observa nas declarações prestadas por ela à auditoria fiscal, não há envolvimento do corretor autônomo com a fiscalizada e esta se relaciona com construtora/incorporadora geralmente de forma verbal, o que não corresponde com a verdade diante da documentação apresentada e dos esclarecimentos prestados tanto pelos compradores/corretores de imóveis quanto por algumas construtoras/incorporadoras diligenciadas. 2.4.8. Conclui estar demonstrado o procedimento ilícito e lesivo do sujeito passivo em consolidar no seu processo de intermediação imobiliária a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda para os compradores de imóveis, fazendo crer que o corretor autônomo presta serviço para Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.938 7 esses adquirentes, com o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, principalmente no que tange às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos corretores e demais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária que foram prestados para a empresa autuada. Tal procedimento também caracterizaria tentativa de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias, o que é vedado pelo art. 123 do CTN. 2.4.9. Esse entendimento encontra sustentação em diversas decisões judiciais que afirmam de forma categórica que, em regra, é obrigação do vendedor pagar a comissão ao corretor e que é ilegal e abusivo o pagamento da comissão de venda ao corretor pelo comprador, inclusive com condenação dos comitentes (imobiliária e/ou incorporadora) a devolução em dobro do valor de comissão pago indevidamente pelo comprador e consumidor final. 2.5. Diante dos fatos apurados, o AuditorFiscal considerou fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, diretores...) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda. 2.5.1. Em razão do sujeito passivo deixar de entregar os principais documentos solicitados e de prestar esclarecimentos deficientes, insatisfatórios e/ou que não mereçam fé, quanto ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis pertencentes a carteira de negócios da própria autuada, a autoridade administrativa, com fulcro no art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN), arbitrou as remunerações (bases de cálculo) pagas, devidas ou creditadas aos corretores autônomos/demais membros das equipes de vendas como contrapartida pelos serviços prestados nas transações imobiliárias. 2.5.2. Para tanto, utilizouse do procedimento de aferição indireta, tendo como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela fiscalizada e informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB anoscalendário 2010 e 2011) e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Considerando a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), foi considerado como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na conta contábil mencionada. 2.5.3. Considerando que os valores pagos a título de comissão/premiação para os integrantes das equipes de venda (PF) são normalmente superiores aos valores pagos à imobiliária LPS (PJ), o critério de aferição indireta adotado pela fiscalização para apurar o valor da remuneração paga aos corretores e demais profissionais pessoas físicas se demonstra justo, razoável, prudente e fundamentado nos documentos entregues e nos esclarecimentos prestados pelos diligenciados. 2.5.4. Nas autuações incluídas no presente processo administrativo (Levantamento LC), foram considerados apenas as comissões pagas em razão da intermediação imobiliária promovida para a empresa Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ nº 10.970.513/000189), para a qual foi emitido o respectivo Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS). Fl. 2941DF CARF MF 8 2.5.5. Relata a Autoridade Fiscal que, uma vez que os valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas não foram informados pela fiscalizada, não foram declarados em folhas de pagamento nem em Gfip, e nem lançados em títulos próprios da contabilidade, não foi observado o limite máximo do salário de contribuição no cálculo das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais. 2.5.6. Cita como fundamentação para as autuações os seguintes dispositivos legais: (a) o enquadramento do contribuinte individuai está previsto no art. 12, inciso V, alínea “g”, da Lei nº 8.212/91, enquanto que a hipótese de incidência se encontra disciplinada no inciso III do art. 28 da mesma lei; (b) cita como obrigações da empresa aquelas previstas no art. 30, inciso I e § 4°, art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; (c) justifica o arbitramento por meio de aferição indireta em consonância com o disposto no art. 33, §§ 3°e 6°, da mesma lei; (d) com relação ao desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas, aplicase o disposto no § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 4º da Lei nº 10.666/03. 2.6. Com a introdução do art 35A na Lei nº 8.212/91 pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, a partir da competência 12/2008 a multa de ofício do Auto de Infração é de 75% sobre o valor das contribuições previdenciárias apuradas, a qual poderá ser qualificada (150%) nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Também, o crime de sonegação de contribuição previdenciária está previsto no art. 337A do Código Penal (DecretoLei n° 2848/40), com a redação dada pela Lei n° 9.983/00. 2.6.1. Pelo fato do sujeito passivo ter agido no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores constantes nos levantamentos supracitados e também de atuar com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento da sua condição pessoal de contribuinte, e com isso ter afetado a obrigação tributária principal (deixar de pagar as contribuições previdenciárias), a multa de ofício de 75% foi aplicada em dobro (qualificada em 150%) sobre as contribuições previdenciárias apuradas nas competências 12/2010 a 11/2011, nos termos do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 2.7. No que diz respeito à responsabilidade solidária dos sócios da autuada, destaca a Autoridade Fiscal que a LPS Brasil – Consultoria de Imóveis S/A (CNPJ 08.078.847/000109), sócia majoritária da autuada (51% do seu capital social), tem participação permanente em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas presentes em vários Estados e no Distrito Federal, sendo a fiscalizada LPS Brasília uma das integrantes desse grupo econômico, que tem como principal objeto a prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, ou de direitos e obrigações a eles relativos. 2.7.1. Aponta que existem diversos interesses comuns entre essas duas empresas, tais como controle acionário, administradores, atividade econômica. Também, tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, tão determinantes e imprescindíveis para que a fiscalizada LPS Brasília auferisse expressivas receitas brutas de vendas de imóveis. 2.7.2. Cita o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 222 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que determinam que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da citada lei e regulamento. 2.7.3. Por sua vez, Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.939 9 Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa, inclusive com participação na comissão de venda destinada a Lopes Royal conforme informações prestadas pelos corretores e coordenadores/diretores diligenciados. 2.7.4. Diante do exposto, em razão de integrarem o quadro societário, participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS Brasília, assim como por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte fiscalizado. 2.8. Quanto à responsabilidade solidária do contratante dos serviços de intermediação imobiliária, informa a Autoridade Fiscal que a empresa Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ nº 10.970.513/000189) foi intimada e prestou os seguintes esclarecimentos, em síntese: (i) não celebrou contrato firmado com a imobiliária LPS Brasília; (ii) em razão da relação direta entre a empresa LPS Brasília e os compradores, afirma não ter ingerência no percentual da comissão a ser paga pelos compradores à referida empresa; (iii) os preços dos imóveis são definidos pela incorporadora, no qual não estão incluídas quaisquer comissões; (iv) afirma que no ato da compra, o comprador assumia duas obrigações: de pagar o preço do imóvel à incorporadora e de pagar a verba de comissão diretamente à imobiliária e/ou corretores independentes. 2.8.1. Entende a Autoridade Fiscal que a intimada Cyrela apresentou esclarecimentos superficiais e inconsistentes acompanhados de documentos insuficientes e restritos sobre o processo de intermediação imobiliária. Destacamse as seguintes conclusões da referida Autoridade: embora alegue não ter relação jurídica com a LPS Brasília, a incorporadora Cyrela apresenta relação de unidades vendidas pela própria imobiliária LPS; os Instrumentos Particulares de Promessa de Compra e Venda apresentados pela incorporadora são insuficientes para demonstrar que a comissão paga aos intermediadores imobiliários não integrou a negociação entre os vendedores e compradores, vez que a praxe do mercado consiste em somente lançar neste documento o valor venal do imóvel já deduzido das comissões de venda pagas aos corretores. Somente a apresentação das tabelas de venda e das propostas de compra e venda com recibo de sinal poderiam dar maior confiabilidade à afirmação da incorporadora. 2.8.2. Sendo assim, foi caracterizada a sujeição passiva solidária da empresa Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ nº 10.970.513/000189) com relação aos créditos previdenciários de obrigação principal (AIOP debcad 51.040.9555 e 51.065.2778, Lev LC) em razão de ter participado de forma isolada e/ou conjuntamente com a empresa autuada na ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos. 2.8.3. Reforça a Auditoria Fiscal que, com base nos documentos apresentados e nos esclarecimentos prestados ao Fisco tanto pelo contribuinte quanto pelos compradores/corretores de imóveis e pelas incorporadoras/construtoras diligenciados, assim como nas informações constantes nos bancos de dados da Receita Federal do Brasil, apurou a ocorrência dos seguintes fatos, entre outros: 2.8.3.1. A prática ilícita e abusiva adotada tanto pela incorporadora Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda quanto pela imobiliária LPS Brasília ao Fl. 2943DF CARF MF 10 transferirem ao comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda ao corretor pessoa física. 2.8.3.2. Ficou comprovada ilegalidade ao verificar que a empresa intermediadora, em regra, registra o valor total da comissão/premiação na proposta de compra com recibo de sinal, mas sempre deduz do contrato de compra e venda assinado entre as partes (comprador e vendedor) o valor pago aos corretores (PF e/ou PJ) pelo comprador, com a finalidade precípua em demonstrar que este custo não é de responsabilidade da intermediadora/vendedora e sim do comprador do imóvel, apesar deste valor já estar incluso no preço final do imóvel constante nas tabelas de venda apresentadas pelos corretores aos adquirentes. 2.8.3.3. Com a adoção desses procedimentos, a contratada LPS deixou de recolher os tributos devidos nas intermediações imobiliárias. 2.8.3.4. Igualmente caracteriza infração à lei (em tese crime de sonegação de contribuições previdenciárias), o procedimento adotado pelos administradores da LPS Brasília em não incluir (ou não fazer incluir) nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias relativos às remunerações pagas às diversas pessoas físicas que certamente lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária no período de 01/2010 a 12/2011. 2.8.3.5. Discorda a Autoridade Fiscal dos argumentos da incorporadora e da LPS Brasília de que o comprador de imóvel é o responsável pelo pagamento da comissão/premiação de venda aos corretores, vez que restou demonstrado que os profissionais corretores pessoas físicas estão ali representando uma imobiliária e/ou incorporadora (normalmente renomada e com credibilidade no mercado). 2.9. Nesses termos, respaldado nos fatos anteriormente narrados e na legislação própria em vigor, ficou caracterizada a sujeição passiva solidária dos integrantes do grupo econômico LPS Brasil (LPS Brasil – Consultoria de Imóveis S/A e as pessoas físicas Wildemir Antonio Demartini e Marco Antonio Demartini) e da incorporadora Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda com relação aos créditos previdenciários de obrigação principal (AIOP Debcad nº 51.040.9555 e 51.065.2778) lançados de ofício contra a empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda no período de 12/2010 a 11/2011, tendo sido emitidos os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária que integram o presente processo administrativo. 2.10. Por fim, informa o AuditorFiscal que emitiu Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), a ser encaminhada à autoridade competente, em razão da não inclusão dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária e as respectivas remunerações pagas, devidas ou creditadas nas folhas de pagamento e nas Gfip, bem como ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade as contribuições previdenciárias devidas e as remunerações pagas, o que caracterizaria, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei nº 9.983/00. (...) IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA 5. A autuada impugnou tempestivamente a autuação por meio do instrumento de fls. 1833/1891, com a juntada de documentos de fls. 1892/1913 (documento de identificação dos patronos, procuração, 6ª Alteração de Contrato Social, recibos de corretagem), no qual apresenta as seguintes alegações, resumidamente: Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.940 11 5.1. Após breve relato dos fatos, sintetiza as conclusões da Autoridade Fiscal nos seguintes termos: (a) os compradores de imóveis não teriam livre convencimento de que teriam contratado Corretores Independentes; (b) seria ilegal a celebração de contratos de corretagem não formais (orais); (c) a fiscalizada teria praticado atos simulados/dissimulados numa tentativa de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias; (d) com a transferência, aos compradores, da “responsabilidade” pelo pagamento das comissões, eximindo a fiscalizada do pagamento dos encargos tributários devidos na operação; (e) a transferência da sujeição passiva tributária aos compradores; (f) foi aplicada a multa qualificada (150%) em razão da “ocorrência do crime de sonegação fiscal em todo o período de apuração das contribuições previdenciárias, haja vista a empresa LPS já ter incorrido no mesmo crime em fiscalizações realizadas anteriormente sobre o mesmo fato gerador dos créditos ora constituídos”. 5.2. Afirma que o AuditorFiscal não identificou a roupagem jurídica de que se reveste a relação estabelecida entre a impugnante e Corretores Independentes, ignorando dispositivos existentes na legislação vigente que afastam esta relação do modelo de contrato de prestação de serviços: art. 6º da Lei n° 6.530/78 e art. 728 do Código Civil. 5.3. Sustenta, com base no disposto no art. 722 do Código Civil, que o corretor não se encontra vinculado, ao incumbente, “em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência”. Assim, é o corretor “agente auxiliar do comércio” que tem por objetivo um resultado, a conclusão do negócio intermediado, e não o que se deve fazer ou deixar de fazer para obtêlo. 5.4. Afirma não se confundir o corretor com o “vendedor”, que é mero preposto do empresário. Nesse sentido, inócua a afirmação da autoridade lançadora de que a atividade dos Corretores Independentes se desenvolveria sob a orientação, coordenação, controle, supervisão e direção da impugnante, vez que os corretores correm todos os riscos associados à suas próprias atividades. 5.5. Cita diversos dispositivos legais e normativos (Decreto nº 2.475/1897, Decretolei nº 1344/39, Resolução CNSP nº 295/13, Lei nº 6.530/78, Decreto nº 81.871/78) que fragilizariam a suposição da Autoridade Fiscal de que, no âmbito da corretagem imobiliária, pode existir a figura do preposto. 5.6. Ainda que se tomasse como possível a constituição de preposto por corretor de imóveis, ele não agiria “enquanto corretor de imóveis”, mas como mero “instrumento” deste. Por isto, a exigência quanto ao atendimento do público, nas transações patrocinadas por pessoa jurídica, a cargo de um corretor de imóveis, elimina toda chance de que o “patrocínio” seja de qualquer maneira associada ou identificada à preposição, a qual, em regra, implica o exercício de uma atividade que não é a mesma desempenhada pelo corretor. Preposto não é corretor, é instrumento deste; no patrocínio, o Corretor Individual não deixa de agir como corretor de imóveis e, por isto, não pode ser tido como mero preposto. 5.7. Defende que a horizontalidade entre corretores de imóveis (pessoa físicas e pessoa jurídica) se dá como uma relação entre iguais, que somente pode consistir numa espécie de associação ou parceria. Tal interpretação ultimouse consagrada no art. 728 do Código Civil de 2002: Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. 5.8. Nesta relação de associação ou parceria, a impugnante capta autorizações/permissões de produtos imobiliários e os oferece para uma Fl. 2945DF CARF MF 12 universalidade de potenciais compradores. Os Corretores Independentes dedicamse à captação do comprador específico com perfil adequado para o produto imobiliário anunciado, e, quando atinge esse resultado, aproximam o cliente conquistado para fazer negócios em parceria com a impugnante. Assim, não existe, na associação, qualquer delegação, por parte da imobiliária, de uma atividadefim ou atividade meio cuja titularidade necessariamente lhe incumbisse. Ao revés, as atividades da imobiliária e do Corretor Independente são distintas e complementares, correndo cada qual seus próprios e distintos riscos econômicos. 5.9. Ressalta, ainda, o interesse específico do corretor no estabelecimento da associação: embora assuma riscos próprios de um empresário, recebe uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como a prestação de serviços ou a relação de emprego. 5.10. Alega ser plenamente possível que a impugnante dê orientações, compartilhe knowhow, e ofereça certa estrutura de trabalho aos Corretores Independentes, com o objetivo de coordenar (não controlar) a atividade destes com a sua própria. Semelhante coordenação, advirtase, é muito comum numa sociedade (que também possui causa associativa): um sócio pode oferecer informações e ferramentas de trabalho a outro sócio, sem que com isto um se tome prestador de serviços contratado pelo outro. O que subjaz à base da coordenação é o fato de que as contribuições feitas pelos envolvidos sempre são direcionadas à persecução de objetivos que lhes são comuns. 5.11. No caso concreto, ainda que apenas no sentido econômico, afirma que o comprador de imóveis remunera o Corretor Independente em razão do atendimento prestado. Por sua vez, o Corretor Independente, em contraprestação ao acesso à autorização de corretagem dada pela incorporadora/vendedora e a determinada infraestrutura para a captação de clientela (telefone, cartões de visita, etc), “remunera” a imobiliária. 5.12. Afirma inexistir o pagamento de remunerações entre impugnante e os Corretores Independentes, pois há mero rateio (como prevê o art. 728 do Código Civil) de valores pagos diretamente pelos beneficiários da intermediação levada a efeito. Sobre a questão, percebese que a Autoridade Fiscal não afirma nem comprova, em momento algum, a realização de pagamentos pela impugnante. 5.13. Entende descabida a afirmação da suposta falta de livre convencimento, por parte dos compradores de imóveis, quanto a estarem contratando os Corretores Independentes como corretores de seus interesses. Todos os compradores receberam os recibos de pagamento autônomo emitidos pelos Corretores Independentes, e contra os fatos atestados em tal documento não se insurgiram. O recibo de pagamento autônomo formaliza não apenas o pagamento, como a própria relação de corretagem estabelecida entre o cliente e Corretor Independente. 5.13.1. Ainda que assim não fosse, nada impede que o contrato de corretagem seja celebrado verbalmente entre as partes, ou, ainda, que a sua existência seja deduzida a partir do comportamento concludente dos envolvidos. Ressalta que o próprio Auditor admitiu a possibilidade do contrato de corretagem ser celebrado tacitamente. 5.14. Tampouco se sustenta a acusação de simulação. Há contradição no raciocínio da autoridade fiscal: embora afirme que o negócio simulado teria o objetivo de aparentar a realização de pagamentos por parte dos compradores de imóveis, com vistas a encobrir o negócio dissimulado pelo qual seria a impugnante a efetiva pagadora das citadas remunerações, a própria Autoridade defende ter ocorrido uma ilegal transferência do ônus de pagar a corretagem, transferência esta real e efetiva. Porém, se há transferência do ônus de pagar a corretagem, não se pode Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.941 13 dizer que os pagamentos realizados pelos compradores são meramente aparentes. Ou bem a suposta transferência de ônus é apenas aparente e, neste caso, nada caberia dizer sobre a sua legalidade ou ilegalidade, pois ela sequer existiria ou, então, ela é real e efetiva e não haveria como se negar que, concretamente, os pagamentos aos Corretores Independentes foram realizados pelos compradores. 5.14.1. Ressalta que a acusação de simulação somente faria sentido se a Autoridade Fiscal tivesse afirmado e demonstrado o conluio entre a impugnante e o comprador, não sendo aplicável a mera presunção de que todos os compradores de imóveis teriam ajustado acordos simulatórios com a impugnante e os Corretores de Independentes. 5.15.1. Portanto, não seria verdadeira a afirmação do Relatório Fiscal de que haveria inequívoca ilegalidade no modelo contratual adotado comumente no âmbito da corretagem de imóveis. Ainda, a ilegalidade da prática comercial em comento, mesmo se confirmada, não teria o condão de ocasionar a requalificação dos fatos, de modo a ficarem configurados, em última instância, os suportes fáticos referidos na legislação tributária. 5.15.2. Acrescenta que a Autoridade Fiscal não nega que os compradores efetuaram os pagamentos devidos aos Corretores Independentes, limitandose a afirmar que estes pagamentos foram ilegais, abusivos, lesivos etc, como se tivesse legitimidade para pleitear eventuais direitos alheios, em matéria de direito do consumidor. Ainda que admitida, esta discussão somente pode repercutir no âmbito da responsabilidade civil, nada importando ao direito tributário. 5.15.3. Insiste em ser falsa a ilação segundo a qual, da eventual ilegalidade da assunção da obrigação de corretagem pelo comprador, deriva a caracterização do fato do pagamento da corretagem pela imobiliária. 5.16. Argumenta que, ao cogitar da transferência da sujeição passiva, a Autoridade Fiscal desenvolve uma narrativa que contraria a lógica formal. O art. 123 do CTN exclui, como regra geral, a possibilidade de transferirse a sujeição passiva. A afirmação de que houve transferência de sujeição passiva, portanto, contrasta com a ineficácia que o CTN normalmente atribui às convenções que tenham este escopo. 5.17. Em que pese não ter a Autoridade Fiscal logrado êxito em comprovar a efetiva realização de pagamentos pela impugnante, em benefício dos Corretores Independentes, aquela pretende comprovar a inexistência do fato tributável discutido por meio da apresentação de cópias de recibos de pagamentos autônomos que foram emitidos por compradores em favor de Corretores Independentes, documentos estes obtidos com muito custo pela impugnante, haja vista não manter a guarda de documentos relativos à atividade de terceiros. 5.18. Aduz que a controvérsia já foi objeto de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que negou ter havido qualquer pagamento de corretagem pela impugnante em benefício dos Corretores Independentes, assim como negou que o modelo de negócios correntemente adotado pelos integrantes do mercado de corretagem imobiliária fundarseia sobre um planejamento tributário abusivo. Isto porque ao não realizar os pagamentos aos Corretores Independentes, a imobiliária perde a possibilidade de realizar deduções, para fins de apuração do imposto de renda. 5.19. Pelas mesmas razões já abordadas, entende necessário ser canceladas as exigências de penalidades decorrentes do suposto descumprimento de obrigações acessórias. Fl. 2947DF CARF MF 14 5.20. Quanto aos elementos probatórios colhidos pela autoridade fiscal mediante circularização, sustenta trataremse de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. 5.20.1. Ainda que assim não fosse, e o auto de infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidos pela autoridade fiscal, há diversas declarações que comprovam, ao contrário do que se pretendia, a narrativa dos fatos e a interpretação jurídica da impugnante. Embora tenha recebido dos Corretores Independentes e das incorporadoras submetidos à circularização importantes esclarecimentos contrários à sua tese, a autoridade fiscal os ignorou. 5.20.2. Afirma que o consumidor, na maioria das vezes, não tem condições de realizar uma análise técnicojurídica do negócio de que participa. Há de se diferenciar a aparência que o empresário quer conferir ao seu negócio, única conhecida pelo consumidor, da essência jurídica que ele possui e que deve ser buscada pelo Fisco. Entende que a Autoridade Fiscal não se limitou a coletar fatos puros quando indagou da existência de “trabalho”, ou “serviço”, ou “vinculação” aos compradores. Tratase de emissão de opinião sobre a roupagem jurídica de que se revestem os fatos puros. 5.20.3. Entende que a Autoridade Fiscal ignorou esclarecimentos prestados pelos Corretores Independentes, bem como cláusulas integrantes dos contratos firmados entre estes e a autuada, os quais deixam bastante claro o objeto da parceria e a inexistência de prestação ou tomada de serviços. De forma análoga, deixou de considerar os esclarecimentos prestados por algumas incorporadoras e contratos de corretagem disponibilizados por outras. 5.21. Refuta o procedimento adotado pelo AuditorFiscal definir a base de cálculo do Auto de Infração com base no procedimento de arbitramento sem observar as diretrizes procedimentais estabelecidas pela legislação de regência. No caso de falta de informações sobre fatos tributáveis, a Autoridade Fiscal pode, observadas as condições legais específicas, valer de procedimento de arbitramento, mas nada a autoriza da descumprir o teto da salário de contribuição. 5.21.1. Apresenta método alternativo para a aferição do número de segurados (Corretores Independentes) e da base de cálculo individual, baseado no número de operações intermediadas pela impugnante. No entanto, sustentando que a adoção do método sugerido seria impossível, vez que a revisão de lançamento não pode alterar o critério jurídico do lançamento, por força do artigo 146 do CTN, e não pode versar sobre fatos que já poderiam ser conhecidos pela autoridade fiscal, ex vi do artigo 149 do CTN, não resta outra alternativa que não o cancelamento integral do lançamento afeito à cota do segurado. 5.22. Remetendo a aplicação da aferição do Salário de Contribuição de contribuinte individual ao disposto no art. 201, § 3º, do Decreto nº 3.048/991, sustenta ser ônus do AuditorFiscal a identificação dos beneficiários das remunerações discutidas para que restassem cumpridas as exigências mínimas necessárias para a apuração de base de cálculo legalmente válida. Ao contrário, a Autoridade Fiscal optou por se utilizar da criatividade e adotar um procedimento de arbitramento sem qualquer base legal, motivo pelo qual o lançamento deverá ser cancelado. 5.23. Entende relevante o fato do AuditorFiscal ter adotado a Tabela de Honorários do CRECI para definir, a partir do percentual previsto de 50% para o rateio da comissão entre imobiliária e Corretores Independentes, o valor que teria sido pago a estes. Considerando que o CRECI, seguindo o entendimento decorrente da legislação especial e dos usos e costumes da prática da corretagem imobiliária, entende que este rateio não diz respeito a pagamento de remuneração, a Autoridade Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.942 15 Fiscal teria realizado uma aferição indireta a partir de um documento que nega toda a sua tese. 5.24. A par da ilegalidade do arbitramento, é de se levar em conta que a alíquota aplicável, no caso da contribuição do segurado, é a de 11%, não a de 20%,como propôs a autoridade fiscal. Discorda da interpretação do AuditorFiscal ao § 4º do art. 30 da Lei nº 8.212/91 que acarretou na inaplicabilidade da dedução de 45% da contribuição devida pela impugnante, limitada a 9% do saláriode contribuição, vez que não teriam sido as contribuições declaradas. 5.25. Subsidiariamente, pleiteia seja reconhecido o descabimento do agravamento da multa de ofício com base na acusação de suposto evidente intuito de fraude por parte da Impugnante. 5.25.1. A adoção de procedimento fiscal indevido, caso praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados, consiste no chamado "erro de proibição", situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo está ciente da sua obrigação com o fisco, entretanto, age de forma consciente com o objetivo de não recolher tributo que entende ser devido. 5.25.2. O modelo de negócio adotado pela impugnante está embasado em procedimento em uso e consolidado há décadas no ambiente do mercado imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos Corretores Independentes, e contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). 5.25.3. É absurda, portanto, a suposição de que a fiscalizada teria adotado um procedimento sabidamente incorreto. Em tal contexto, a majoração da multa de ofício fere o bom senso e a correta interpretação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 – além de contrariar toda a jurisprudência do CARF sobre o tema. 5.26. Defende entendimento de que a expressão “crédito” contida no art. 161 do CTN abrange tão somente aqueles créditos tributários que, por sua natureza, possam estar sujeitos a penalidades, ou seja, aqueles decorrente do descumprimento da obrigação tributária. Assim, estaria excluído deste conceito o crédito tributário decorrente da obrigação penal tributária, devendose concluir no sentido da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. 5.27. Por fim, a impugnante (i) requer seja o Auto de Infração julgado integralmente improcedente; (ii) protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DOS SÓCIOS DA AUTUADA PESSOAS FÍSICAS – RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS 6. Os sócios pessoas físicas da autuada, Wildemir Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, responsabilizados solidariamente pelas autuações em exame, protocolizaram tempestivamente Impugnações (fls. 1914/1938 e 1939/1964, respectivamente) nas quais apresentaram as seguintes alegações, resumidamente: 6.1. Após breve relato dos fatos, apontam que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, inciso I, bem como o artigo 135, Fl. 2949DF CARF MF 16 III, ambos do CTN, imputando aos impugnantes o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e a multa de ofício qualificada. 6.2. Aduzem que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos, partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui fato gerador, direitos e deveres iguais. 6.2.1. A existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no Relatório Fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, sob pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. 6.2.2. Entendem que a Autoridade Fiscal não comprovou que os impugnantes e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque, no fundo, o Relatório Fiscal indica como interesse comum a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, inciso I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre com relação à sociedade investida. Essa tese, caso aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participassem. 6.3. Relembram que solidariedade não se presume e citam decisão do CARF que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescentam que não restou demonstrado qualquer indício de confusão patrimonial entre os impugnantes e a LPS Brasília, o que afasta cabalmente a aplicabilidade do artigo 124, inciso I, do CTN. 6.4. Refutam a caracterização da solidariedade como sanção, vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. 6.5. Apontam suposta inconsistência no Relatório Fiscal ao chamar os impugnantes a responder pelo crédito tributário, simultaneamente, de forma solidária e como responsável pessoal. Consideram que a responsabilidade pessoal do agente exclui a responsabilidade solidária porque, antes disso, exclui a responsabilidade da própria pessoa jurídica autuada. Nesses termos, impõese o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária uma vez que o artigo 135, inciso III, do CTN, é incompatível com a responsabilidade da própria LPS Brasília (autuada). 6.6. Alegam que o Relatório Fiscal não comprovou que os impugnantes teriam agido de forma ilegal, ou com excesso de poderes, ou de forma contrária ao contrato social da LPS Brasília. Requerse, dizendo mais claramente, prova de dolo específico do sócio, manifestado por deliberação ou outro ato de sua incumbência, que sabidamente contraria a lei e objetiva a obtenção de vantagem tributária indevida. 6.6.1. Afirmam que a Autoridade Fiscal pretende arrolar os impugnantes entre os responsáveis pelo crédito tributário lançado sem fazer qualquer prova de que teriam incorrido nas hipóteses ensejadoras da responsabilidade pessoal, previstas no art. 135 do CTN. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.943 17 6.6.2. A inexistência dos requisitos autorizadores da aplicação do artigo 124, inciso I, bem como do art. 135, inciso III, ambos do CTN, fazem imperioso o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. 6.7. Ainda que não se entenda pelo cancelamento dos referidos Termos pelas razões anteriores, sustentam cediço que os impugnantes não podem figurar como devedores solidários da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída, pois, a multa. 6.7.1. Também não se sustenta a responsabilidade dos impugnantes pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135, inciso III, do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que este agiu com dolo específico, conforme dispõe o art. 137, também do CTN, o que não se verifica no presente caso. 6.8. Por fim, requerem (i) sejam os Termos de Sujeição Passiva julgados integralmente improcedentes; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas aos endereços dos impugnantes, constantes do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DA SÓCIA DA AUTUADA PESSOA JURÍDICA – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA 7. A sócia pessoa jurídica da autuada, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, responsabilizada solidariamente pelas autuações em exame, protocolizou tempestivamente Impugnação (fls. 1965/2035) na qual apresentou as seguintes alegações, resumidamente: 7.1. Após breve relato dos fatos, aponta que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, inciso I, do CTN, bem como o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, imputando à impugnante o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e a multa de ofício qualificada. 7.2. Aduz que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos, partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui fato gerador, direitos e deveres iguais. 7.2.1. A existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no Relatório Fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, sob pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. 7.2.2. Entende que a Autoridade Fiscal não comprovou que a impugnante e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque, no fundo, o Relatório Fiscal indica como interesse comum a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, inciso I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre com relação à sociedade investida. Essa tese, caso aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participassem. Fl. 2951DF CARF MF 18 7.3. Relembra que solidariedade não se presume e cita decisão do CARF que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescentam que não restou demonstrado qualquer indício de confusão patrimonial entre a impugnante e a LPS Brasília, o que afasta cabalmente a aplicabilidade do artigo 124, inciso I, do CTN. 7.4. Refuta a caracterização da solidariedade como sanção, vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. 7.5. Defende não estarem presentes as condições que autorizem a aplicação do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991, pois a obrigação solidária com fundamento neste dispositivo exige que haja verdadeira unicidade do poder decisório e administrativo entre as sociedade de um dito grupo econômico e que o grau da centralização decisória alcance as decisões sobre a realização ou nãorealização dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como que alcance a decisão acerca do cumprimento das obrigações tributárias. Dentro dessa moldura deve ser feita a análise dos elementos que darão azo à solidariedade, não sendo lícita a interpretação meramente literal de que em havendo grupo econômico, de direito ou de fato, automaticamente responderão solidariamente todas as pessoas integrantes desse grupo 7.5.1. O artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991, atribui obrigação solidária aqueles que possuem competência decisória concreta e determinante sobre os atos que correspondem ao fato gerador, bem como ao cumprimento das obrigações tributárias, e não em função do simples pertencimento ao grupo econômico. 7.5.2. Argumenta que a fiscalização não logrou êxito em comprovar que a impugnante exerce sobre a LPS Brasília poder decisório capaz de determinar a prática dos atos que teriam constituído o suposto crédito tributário lançado, tampouco que teria tido ingerência sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações tributárias que a fiscalização pretende imputar à LPS Brasília. Não restou demonstrada, portanto, a caracterização de situação que autorize a obrigação solidária com fundamento no artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991. 7.6. Ainda que não se entenda pelo cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária pelas razões anteriores, sustenta cediço que a impugnante não pode figurar como devedora solidária da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída, pois, a multa. 7.6.1. Também não se sustenta a responsabilidade da impugnante pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135, inciso III, do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que este agiu com dolo específico, conforme dispõe o art. 137, também do CTN, o que não se verifica no presente caso. 7.7. Por fim, requer (i) seja o Termo de Sujeição Passiva julgado integralmente improcedente; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA INCORPORADORA/VENDEDORA Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.944 19 (...) A exigência foi parcialmente mantida no julgamento de primeira instância (fls. 2038/2096), havendo sido excluída do pólo passivo a responsável solidária Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda. A autuada interpôs recurso voluntário em 18/5/2016 (fls. 2098/2196), e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários respectivamente às fls. 2362/2382, 2290/2316, e 2385/2452. Nesses documentos, foram reprisadas, em linhas gerais, as aduções das peças impugnatórias mais acima minuciadas, bem como contestados certos pontos da argumentação da DRJ/SPO. Ademais, foram juntados parecer de jurista renomado, e dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria. Em 7/6/2017 apresentou a autuada petição (fls. 2603/2607) juntando documentos novos ao processo, e demandando a aplicação do decidido no RE [sic] 1.599.51/SP à controvérsia. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço, cabendo ressalvar, contudo, não ser possível admitir a apreciação do documento intitulado "Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes", elaborado por empresa de consultoria, e "Laudo de Avaliação da LPS Brasília Auditores Independentes", ambos presentes nessas peças recursais. Tratase de material de nítido cunho probatório, restando precluso o momento processual para sua apresentação, ante o disposto no art. 16, inciso III e §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Evidentemente, caso se configurassem em documentos que por si só, apontassem de maneira segura e inquestionável a justa solução da lide posta, poderiam ser, em tese, superadas tais vedações, face a outros princípios que regem o contencioso tributário; não se trata em absoluto, porém, de tal caso. Já no que concerne ao parecer jurídico juntado pelos recorrentes, veiculando tal texto tese jurídica de caráter eminentemente opinativo, não há vedação a seu conhecimento, para fins de, eventualmente, fornecer subsídios à formação de convencimento do julgador. Também os documentos juntados em petição posterior ao ingresso do recurso voluntário, pelas mesmas razões mais acima vertidas, não merecem acolhimento. E, quanto à alusão ao recurso repetitivo mencionado nessa mesma petição, será tal decisão oportunamente abordada, até mesmo face aos cogentes regramentos do art. 62 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343/15). Fl. 2953DF CARF MF 20 Sublinhese, em decorrência do explanado, que as alegações recursais pautadas em sua essência nos referidos documentos inadmitidos serão, consequentemente, não apreciadas. Ainda a título preliminar, deve ser anotado que não merece guarida o pleito genérico voltado ao protesto por produção de todas as provas admitidas em direito, formulado nos recursos, por estar sendo formulado sem qualquer fundamentação consistente e em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto no supracitado art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/1972. Nesse rumo, também é demandada a ciência pessoal do patrono dos recorrentes, todavia os incisos I a III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no RICARF. Do recurso voluntário da autuada As alegações da recorrente principiam por buscar diferenciar a corretagem da prestação de serviços, com foco no art. 722 do Código Civil, e salientar que os corretores independentes não são seus prepostos, sendo associativa a relação instituída entre eles e a imobiliária. Pois bem, reza o art. 11 da Lei nº 8.212/91 que a seguridade social é financiada, dentre outras fontes, por contribuições sociais das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, bem como dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriocontribuição. Já no inciso V do art. 12 é assinalado ser segurado obrigatório, como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; Notese que a legislação previdenciária não alude à necessidade de existência de um contrato de prestação de serviços formalizado e restrito aos termos do art. 593 a 609 do Código Civil como pressuposto para a incidência das contribuições. Ao contrário, os princípios constitucionais da solidariedade e da equidade na participação do custeio atraem, inafastavelmente, a conclusão de que a prestação de serviços referenciada na norma previdenciária não se limita àquele estrito conceito tipificado no diploma civilista, mas tem seu alcance amplificado tal como acontece nas relações de consumo, vide o art. 3ª, § 2º do Código de Defesa do Consumidor: § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Então, ainda que o art. 722 do Código Civil tenha distinguido o conceito de corretagem da simples prestação de serviços, objetivando denotar as especificidades desses contratos, para fins previdenciários deve ser observado o sentido largo da expressão 'prestação de serviços'. Vejase que o exercício da profissão de corretor de imóveis tem sua regulamentação específica na Lei nº 6.530/78, que prescreve no caput do seu art. 3º: Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.945 21 Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. (...) Inegável que a atividade do corretor de imóveis se exprime, em sua própria definição, na realização de uma prestação de serviços, qual seja, exercer a intermediação de operações imobiliárias, a aproximação das partes envolvidas na compra e venda de imóveis. E a qualidade de ser um contrato do tipo aleatório, no qual a remuneração percebida está vinculada a obtenção de um resultado útil, não desfigura o caráter de contraprestação de serviços da comissão paga pelo contratante/tomador ao corretor de imóveis. Ou seja, a despeito das peculiaridades da corretagem, para fins previdenciários ela se constitui sim, em prestação de serviços, devendo ser destacado que a interpretação das leis ordinárias deve ser sempre realizada sob o lume dos princípios constitucionais, com ênfase, no caso, nos já mencionados princípios da solidariedade e da equidade na participação do custeio (exvi dos arts. 3º, 194 e 195 da CF). Sob esse prisma, e analisando a atividade de corretagem no caso, de seguros o Ministro Herman Benjamim, como relator do voto condutor do REsp nº 519.260/RJ, em 9/4/2008 (1o qual deu origem à Súmula 458 do STJ), assim explicou: De outro lado, e como de conhecimento geral, toda e qualquer interpretação do direito infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República. Não é por outra razão que a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da equidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Vale dizer, as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social "independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" (Leandro Paulsen, Contribuições Custeio da Seguridade Social, 2007, pág. 22). Assim, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos corretores, em razão da intermediação que realizam, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da equidade na forma de participação no custeio (que, em última análise, configura desdobramento do princípio da isonomia), pois se criaria uma única categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Noutro giro, temse que a contribuinte alega que não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os corretores independentes, sendo a relação de corretagem estabelecida entre esses e os compradores dos imóveis. Seus clientes são, assevera, as empresas incorporadoras, não ditos compradores, conforme laudo de avaliação de composição patrimonial. Afirma, nesse passo, que o pagamento aos corretores é realizado pelos clientes adquirentes, como atestado pelos recibos colacionados. Também refere que parecerista 1 Súmula 458 do STJ: A contribuição prevideinciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. (DJe 8/9/2010) Fl. 2955DF CARF MF 22 contratado aduz que a maior parte das vendas não resulta do estande de vendas, mas sim de contrato prévio entre corretor e comprador, que integraria carteira de clientes daquele. Salientese, previamente, que as conclusões do indigitado parecerista, bem como da recorrente, amparamse em significativa medida em documento não conhecido pelo Colegiado Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes visto que apresentado em momento extemporâneo do contencioso. E, ainda que fosse conhecido, é de se ressaltar que não teria sido submetido ao crivo do contraditório, o que implicaria em necessária e considerável cautela ante a sua pretensa utilidade para fins probatórios. Feitas essas necessárias ressalvas, cumpre frisar que não constam elementos nos autos a corroborar a narrativa da autuada. As diligências realizadas pela fiscalização por amostragem junto aos compradores de imóveis (Anexo III), trazem dados consistentes no sentido de que os corretores identificavamse sempre como representantes da imobiliária, trajando uniforme e portando crachás e cartões de visita para assim serem identificados. A transação acontecia geralmente em estandes de venda junto ao local da obra visitada pelo interessado. Contrariamente ao que aventa a peça recursal, na maioria dos casos não há qualquer sinal de que havia contato prévio entre compradores e corretores, antes da visita dos primeiros aos referidos locais. Muito menos existe evidência nos autos de que tais compradores pertenciam a lista de clientes cadastrados junto aos corretores, ou que estes teriam sido por aqueles contratados, formal ou informalmente. Tais informações se coadunam com os depoimentos colhidos junto aos prestadores de serviço de intermediação imobiliária pessoas físicas (Anexo IV), de modo a permitir desvelar o procedimento usual de vendas, a saber, o cliente em potencial adentrava nos estandes ou plantões de vendas e era atendido pelo corretor autônomo "da vez", consoante escala de revezamento préestabelecida, não escolhendo assim quem lhe atenderia. Como bem pontuado pela decisão de piso, e malgrado o entendimento da recorrente em sentido diverso, os corretores presentes nesses plantões, a despeito de sua pretensa autonomia, se traduziam, aos olhos dos potenciais adquirentes, em vendedores representantes da empresa face a sua identificação e atuação apresentando o produto, tabela de preços e condições/detalhes do empreendimento. Daí, caso pactuado o negócio, era firmada proposta de compra pelo valor total, com pagamento de sinal. Em momento posterior, o comprador assinava o instrumento de promessa de compra e venda propriamente dito, no qual o montante do negócio consta reduzido. Com efeito, o cliente era orientado a emitir diversos cheques no curso da quitação ou da entrada na compra, para a incorporadora, para a imobiliária e outros envolvidos na transação, sendo que um deles era destinado ao corretor que o havia atendido; do valor inicial acertado eram assim descontadas as quantias associadas a esses cheques, pagos a título de comissão. À evidência, encontrado afinal o imóvel que lhe agradava, o adquirente não se opunha a tal condição de pagamento. Eventual prejuízo em posterior alienação do bem quando de eventual apuração de ganho de capital, dada a corretagem não integrar o valor da aquisição, não prevalecia na realidade, provavelmente sequer era cogitado frente à satisfação auferida com a aquisição. Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.946 23 Os cheques atinentes à negociação eram recolhidos à imobiliária, e, passado certo prazo, relativo ao prazo legal de desistência do negócio, o cheque referente ao corretor lhe era entregue. O fato é que os elementos dos autos, a experiência comum, bem como sucessivas decisões em sede judicial, reconhecem que nas vendas de imóveis em plantão o corretor que intermedia a transação, na ampla maioria dos casos, não realiza sua atividade em prol do comprador, mas sim opera tendo em vista aos interesse de seu contratante, a empresa imobiliária ou mesmo diretamente a incorporadora. A notoriedade dessa situação é atestada por uníssonos julgados, valendo transcrever a seguinte passagem do acórdão do REsp nº 1.599.511/SP, no qual o relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, após explicar que usualmente o incumbente no contrato de compra e venda de imóveis é o vendedor, passar a asseverar: Modernamente, a forma de atuação do corretor de imóveis tem sofrido modificações nos casos de venda de imóveis na planta, não ficando ele mais sediado em uma empresa de corretagem, mas, contratado pela incorporadora, em estandes situados no próprio local da construção do edifício de apartamentos. O cenário fático descrito nos processos afetados é uniforme no sentido de que o consumidor interessado se dirige a um estande de vendas com o objetivo de comprar uma unidade autônoma de um empreendimento imobiliário. No estande, o consumidor é atendido por um corretor previamente contratado pela incorporadora. Alcançado êxito na intermediação, a incorporadora, ao celebrar o contrato de promessa de compra e venda, transfere para o promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem diretamente ao corretor, seja mediante cláusula expressa no instrumento contratual, seja por pactuação verbal ou mediante a celebração de um contrato autônomo entre o consumidor e o corretor. (...) Esse quadro fático sintetiza a prática usual do mercado brasileiro da utilização da corretagem em benefício do vendedor, pois toda a atividade desenvolvida, desde a divulgação até a contratação, tem por objetivo angariar clientes para a incorporadora (promitentevendedora). Cabe chamar a atenção, contudo, que nesse julgamento, realizado em 24/8/2016, restou assentada a seguinte tese (Tema nº 938) em sede de recurso repetitivo (art. 1.040 do CPC): 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de compra e venda de unidade imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. Considerando os termos do art. 62 do RICARF, não subsistem as alegações da fiscalização, bem como da tese vencedora no julgamento de primeiro grau, de que seria ilegal e abusiva a transferência da obrigação de pagar a comissão de corretagem, do vendedor (incorporadora/imobiliária) ao comprador, mediante cláusula contratual, visto que superadas Fl. 2957DF CARF MF 24 por essa decisão do STJ, a qual afastou, inclusive, as arguições de que estaria a ocorrer venda casada. Por outra via, mister frisar que tal percepção não afeta a responsabilidade tributária do tomador dos serviços de corretagem, posto que o art. 123 do CTN dispõe que Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Então, ainda que o pagamento dos serviços tenha sido realizado por terceiro que não o contratante dessa prestação, tal feito não influi na incidência das contribuições previdenciárias, não sendo relevante a origem do fluxo financeiro notese que pode ser quitado certo salário ou prestação de serviços com cheques de terceiros, sem alterar a relação jurídica tributária. Importa lembrar que a recorrente alega, em apertada síntese, que desenvolve contrato de parceria ou associação com corretores autônomos para fins de viabilizar a comercialização de imóveis cuja venda lhe teria sido autorizada pelas incorporadoras. Oportuno reproduzir os termos dos arts. 3º e 5º do Decreto nº 81.871/78, que regulamenta profissão de corretor de imóveis: Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. (...) Art 5º Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. De sua parte, os contratos firmados entre as incorporadoras e a autuada, conforme exemplos juntados aos autos, atribuem com exclusividade à recorrente a intermediação/mediação na venda dos imóveis construídos, sendo que alguns explicitam que tal incumbência de "corretagem imobiliária" se consubstancia em "serviços a serem prestados e desenvolvidos" de modo a ser auferida a devida remuneração pela contratada, a ser rateada entre a esta e os corretores autônomos, que, conforme descrito, restam por ser pagos diretamente pelos adquirentes. Assim, resta claro que a LPS Consultoria, ainda que dentro de um "pacote" mais amplo que poderia englobar consultoria e promotoria de vendas, pactuava a prestação de serviços de corretagem/mediação com as incorporadoras, lhe sendo devida a comissão pertinente, o que aliás é compatível com o objeto social da empresa: "a atividade de prestação de serviços técnicos de planejamento, organização; compra e venda e administração de imóveis; intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis próprios". Tal prestação de serviços pois, como visto, para fins de incidência de contribuições previdenciárias a atividade de corretagem traduzse em modalidade de prestação Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.947 25 de serviços era realizada mediante a contratação de corretores, em conformidade com o preceito contido no parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, linhas acima transcrito. A recorrente aduz que esses contratos firmam relação associativa ou de parceria, de comunhão de esforços com vistas a obtenção do resultado final, ou seja, a concretização da venda do imóvel e consequente divisão da comissão obtida, apresentando, inclusive, parecer nesse sentido. A tese é sedutora, porém o exame dos fatos não sustenta tal entendimento. Causa espécie a parceria em questão, na qual apenas um dos ditos parceiros estabelece todas as regras e disposições concernentes à atividade objeto da avença, disponibilizando a estrutura física mesmo que pertencente à incorporadora logística e de propaganda relacionadas com o negócio. Não há comprovação alguma de que as decisões administrativas e regramentos relativos à associação tenham tido, em algum momento, ingerência ainda que marginal dos corretores ditos autônomos. Nessa toada, as metas, as escalas de trabalho, os rateios de corretagem, eram aspectos essenciais das atividades desenvolvidas, e sobre os quais apenas uma das cogitadas 'parceiras', a imobiliária, tinha poder de disposição. Deve ser registrado que alguns depoentes confirmaram não ter relação de prestação de serviços com a autuada, mas sim de parceria comercial, o que por outro lado conflita com depoimentos em sentido diametralmente oposto, no sentido de que o vínculo tinha caráter de relação de emprego. Tais diferenças parecem residir, em substancial medida, no grau hierárquico da função desempenhada pelo corretor coordenador, diretor ou mero corretor autônomo individual dentro da empresa. Ou seja, quanto mais alto o cargo exercido, mais o diligenciado tende a dissociar seu trabalho de uma prestação de serviços, identificandoa como parceria, ou havendo mesmo constituído pessoa jurídica para efetivar tal relação. Por outra via, na maior parte dos casos os corretores autônomos sem função adicional na imobiliária trazem versão diversa, inclusive asseverando terem firmado contrato de prestação de serviço, sendo que sua via deste não lhe era fornecida pelo empresa, aliás; ainda, há corretor depoente que alude à natureza de sua relação como sendo empregatícia. Cabe anotar ser natural a necessidade de diretrizes a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como escalas a serem seguidas, revezamento, preferências, uso de crachá, etc, bem como participação em treinamentos. Existe sim, o desempenho de uma atividade de coordenação por parte da empresa sobre a atividade dos corretores, visando padronizar os serviços prestados e transmitir credibilidade aos potenciais adquirentes. Porém o estabelecimento de sanções em caso de faltas, com a possibilidade de rescisão contratual, o regramento unilateral das condições da atividade por apenas um dos parceiros, sem a menor participação dos corretores, que meramente aderem às condições pré estabelecidas pela autuada, são características que revelam grau significativo de subordinação e controle dos corretores autônomos frente à imobiliária, grau esse o qual, ainda que não suficiente para atrair vínculo empregatício, afasta claramente a tese associativa ou de parceria dimensionada na peça recursal, remetendo claramente à realização de prestação de serviços. Fl. 2959DF CARF MF 26 Reiterese que a prestação de serviços consistia, da parte da autora relativamente às incorporadoras, em envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, o que poderia ou não resultar em efetivo negócio. Face à obrigatoriedade, por força do parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, de que o atendimento ao público comprador fosse realizado por corretores pessoas físicas, a empresa efetuava suas vendas por intermédio desses corretores contratados, que lhe prestavam parte dos serviços objeto do contrato com a imobiliária por exemplo, a divulgação do lançamento na mídia não era realizada por corretores, logicamente, mas sim diretamente pela imobiliária. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verificava pela consecução ou não da meta visada, a venda do imóvel. Em outros termos, a recorrente, para se desincumbir de seu dever de prestar o serviço de corretagem às incorporadoras comitentes, contratava corretores autônomos os quais poderiam realizar suas atividades como pessoa física ou jurídica, podendo ou não ter atribuições adicionais no âmbito da organização. Em regra, esses corretores atendiam aos potenciais adquirentes quando estes visitavam os plantões de vendas do empreendimento imobiliário. O pagamento do serviço prestado por esses corretores ao seu contratante direto, a imobiliária, era realizado não por essa tomadora imediata, mas pelos compradores de imóveis, mediante emissão de cheque à parte no nome daqueles, com a concordância dos envolvidos. Portanto, há que se concluir que a obrigação tributária da autuada, como contratante desses corretores, não resta modificada pelo acerto realizado quanto ao pagamento, forte no art. 123 do CTN; constatase então correta a imputação fiscal, no que se refere à aferição de infringência ao disposto nos arts. 22, III; 28, III, 30, inciso I, § 4º; 32, inciso IV e 33, §§ 3º a 6º da Lei nº 8.212/91. No tocante ao tópico recursal denominado "O limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração", merece ser dito que a questão referente à circularização foi enfrentada à minúcia pela DRJ/SPO e, não se discordando das razões ali discorridas, pedese a devida vênia para que elas passem a integrar esta fundamentação: 8. O processo administrativo fiscal é composto por uma sequência de atos dentre os quais é possível identificarse duas fases distintas: a inquisitorial (preliminar) e a contraditória. 8.1. Na fase preliminar, investigativa, conhecida como oficiosa, ou não contenciosa, a Autoridade Fiscal coleta dados, examina documentos, procede à auditoria contábilfiscal e verifica a subsunção dos fatos à regra matriz de incidência tributária. 8.2. Em tal fase, a indigitada Autoridade forma sua convicção com base nos elementos colhidos e análises efetuadas, não havendo, ainda, que se falar em processo nem, tampouco, em contraditório. 8.3. Efetuado o lançamento e, com isso, constituído o crédito tributário, nasce para o então sujeito passivo, após regular cientificação, a faculdade de provocar o início da segunda fase do procedimento – a fase contenciosa, litigiosa ou contraditória – por intermédio da sua insurgência (Impugnação) contra o ato concreto resultante da primeira fase (lançamento). 8.4. Destarte, ratifiquese, no procedimento fiscal, o exercício do contraditório somente ganha espaço após a formalização do lançamento regulamente cientificado ao contribuinte que, então, tem o direito de desafiálo com a interposição de defesa, Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.948 27 com a exposição dos argumentos e provas que julgar pertinente para embasar suas alegações. 8.5. Assim, diante do sintetizado, as objetadas circularizações, consistentes em técnica de auditoria largamente utilizada, tratandose de coleta de dados e informações e, por corolário, abrangidas pela fase inquisitorial do procedimento, não estão sujeitas ao contraditório, haja vista que prévias ao atacado lançamento. 8.6. Lado outro, tendo sido levadas ao conhecimento do sujeito passivo, mediante relatório e termos acostados aos autos, sujeitas, por tanto, à contradita, referidas circularizações em nada se aproximam da ideia de provas obtidas ilicitamente, pois que não se desnudam contrárias à lei lato sensu, nem contrárias a procedimento. Ademais, há que se realçar que a ampla maioria dos depoimentos colhidos via circularização confirma de modo consistente as conclusões da fiscalização quanto aos fatos submetidos à investigação. Por exemplo, não se nega a possibilidade de que em determinadas circunstâncias, tenham havido contatos prévios entre corretores e compradores interessado, mas essas situações surgem, à toda vista, como exceção, não como regra. Também a maior parte dos corretores diligenciados corrobora a versão do Fisco de que prestavam serviços nos plantões de venda à autuada firmando inclusive contrato de prestação de serviços, do qual não lhes era fornecida cópia sob seu controle, orientação e regras fixadas unilateralmente, conforme abordado à saciedade, estando até mesmo sujeitos a sanções. E, como já referido, as alegações de parceria são ventiladas predominantemente por corretores que também tinham competências funcionais/gerenciais outras dentro da empresa, cabendo cautela na apreciação de seus depoimentos. E o que a recorrente rotula como mera "opinião", guiada pela "aparência", dos compradores de imóveis, é na realidade bastante compatível a realidade documental espelhada nos autos, valendo sublinhar, uma vez mais, que os tribunais pátrios vem reconhecendo reiteradamente que a prestação de serviços em situações tais como a analisada se dá em benefício primeiro do contratante pessoa jurídica, não sendo o serviço de corretagem prestado aos compradores, ao contrário do que insistentemente aduzido no recurso. Melhor sorte não favorece a recorrente, no que diz respeito ao arbitramento realizado pela fiscalização. Com esteio no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, diante da apresentação deveras deficiente dos elementos solicitados via intimação, a autoridade fiscal lançou as quantias devidas, arbitrando a remuneração paga aos corretores, base de cálculo das contribuições. O procedimento de aferição deuse tomando como base 100% das comissões recebidas pela autuada e constantes na sua DIMOB de 2010 e 2011, relativas às intermediações imobiliárias realizadas para a empresa Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda. (LEV LC). A partir desses dados, foi então utilizada a tabela de honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região CRECI DF, segundo a qual a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária ocorreria na razão de 50% para cada parte. Fl. 2961DF CARF MF 28 Argui a autuada que deveriam ter sido utilizados critérios outros, que reputa serem mais adequados, aludindo explicitamente aos constantes do art. 201, § 3º do Decreto nº 3.048/99 (RPS Regulamento da Previdência Social). Vejase, não obstante, que tal dispositivo é destinado especificamente aos segurados de que tratam as alíneas 'e' a 'i' do inciso V do art. 9º desse decreto, ou seja, titular de firma, diretor não empregado, sócio e ou associado de cooperativa, situações em nada assemelhadas às ora examinadas. Acrescentese que a fiscalização logrou demonstrar, via quadro Demonstrativo (fls. 74/75), que o critério de aferição foi inclusive benéfico à recorrente, posto que nos casos particulares nos quais se pôde chegar a números mais concretos, o percentual da corretagem destinado aos corretores pessoa física superava o pagamento da corretagem à pessoa jurídica. E anotese também que, a despeito de alguns corretores haverem formalizado pessoas jurídicas para realizar suas atividades, restou evidenciado, conforme argumentação desenvolvida supra, e em concordância com o entendimento da fiscalização, que a natureza dos serviços constituíase materialmente em prestação de serviços por pessoa física, verificados inclusive os vínculos de subordinação, ainda que mitigados relativamente ao vínculo empregatício, a justificar a utilização das tabelas da CRECI na espécie. Constatase ser bastante proporcional e adequado o critério de aferição utilizado, portanto, e em consonância com as normas de regência. Quanto à suposta improcedência do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição, devese destacar que não foi possível à fiscalização, face à não colaboração da recorrente em apresentar os dados individualizados de pagamentos das comissões aos prestadores de serviços de corretagem, por operação de venda dados aos quais tinha decerto acesso, pois quedava com os cheques àqueles devidos, até a conclusão do negócio , discriminar por beneficiário a comissão a ele paga. Destarte, os valores lançados, por uma questão lógica, acabaram por superar o limite máximo de salário contribuição, pois estão vinculados ao conjunto das operações mensais realizadas para cada incorporadora no mês, não a um contribuinte individual determinado, situação na qual aí sim, o limite em questão não poderia ser ultrapassado. Para assim compreender, basta consultar o DD (Discriminativo do Débito) do lançamento. Também por essa via, então, não prosperam as alegações recursais. A recorrente se insurge, ainda, contra a qualificação da multa de ofício. Partilhase, nesse particular, do ponto de vista expresso na declaração de voto constante da decisão. Explico. A fiscalização entendeu, ao justificar a qualificação questionada, que a autuada "atua no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis (...) por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias (...). Prossegue afirmando que a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão da venda para os compradores tem "o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação", com ênfase nas contribuições previdenciárias. Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.949 29 Ora, a validade da precitada transferência de responsabilidade do pagamento da comissão de corretagem da incorporadora/imobiliária contratante para o comprador do imóvel era matéria acerca da qual havia considerável controvérsia, seja na esfera administrativa, seja na judicial, nesta última especialmente sob o enfoque consumerista. Não obstante, consoante anteriormente explicitado, quedou assentado em 2016 pelo STJ em recurso repetitivo a validade desse tipo de cláusula contratual, desde que previamente informado o preço do total da aquisição ao comprador, com destaque do valor da comissão. À luz dessa decisão, resta bastante difícil sustentar a tese vertida pela fiscalização, de que se tal proceder teria natureza simulatória voltada para a elisão fiscal. Ainda que possa ter se originado em prática voltada para tais fins, o fato reconhecido judicialmente é que se trata de prática amplamente disseminada no mercado imobiliário, e que restou admitida como harmônica perante o ordenamento jurídico. Quanto ao aspecto da informação prévia ao comprador, é questão que só pode ser elucidada caso a caso, o que extrapola os limites da presente lide. Assim sendo, e em que pese a multicitada transferência de pagamento não ter a repercussão pretendida pela recorrente, ou seja, ela não traz consequências no que tange ao fato jurídico anterior que acarreta sua sujeição passiva como contribuinte dos tributos exigidos, temse que não há elementos adicionais suficientes circunstanciados no auto de infração aptos a respaldar a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser exonerada do lançamento. Por fim, no que concerne aos juros sobre a multa de ofício, cabe lembrar o caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Fl. 2963DF CARF MF 30 ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Do recurso voluntário da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. De acordo com o relatório fiscal e termo de sujeição passiva solidária, foi imputada responsabilidade tributária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., por ser esta sóciamajoritária da autuada com 51% do seu capital social, integrando grupo econômico formado por cerca de 23 empresas coligadas/controladas atuante no ramo imobiliário, o que atrai a incidência do art. 124, inciso I do CTN e do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. A atribuição de responsabilidade solidária com fulcro no interesse comum carece, entendese, de elementos adicionais outros que não a mera participação societária de uma pessoa jurídica em outra. Não obstante, é de ser salientado que a própria empresa tida como responsável admite no seu recurso fazer a autuada parte do grupo econômico por ela capitaneado. Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.950 31 Diante de tal realidade, e a despeito das considerações vertidas pela recorrente, dado o princípio da legalidade aplicase de plano o disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 2º, § 2º da CLT: Lei nº 8212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) X as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; DecretoLei nº 5.452/43 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Convém registrar que o inciso IX do art. 30 da Lei de Custeio não traz ressalva alguma sobre a exclusão das penalidades da sujeição passiva solidária. De qualquer maneira, a multa de ofício, penalidade que restou mantida após o presente julgamento, não prescinde do dolo específico referido pela recorrente,para sua aplicação, pois decorre do descumprimento objetivo do dever de pagar ou recolher a contribuição, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Havendo observado a autoridade fiscal a legislação supra explicitada, não prospera o recurso da pessoa jurídica responsável solidária. Dos recursos voluntários de Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini A atribuição de responsabilidade solidária aos epigrafados, amparada nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III do CTN, foi fundamentada da seguinte maneira no relatório fiscal: 78. O sr. Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa sob ação fiscal. Já o sr. Marcello Rodrigues Leone exerce o cargo de Fl. 2965DF CARF MF 32 Diretor financeiro na LPS Brasília e de Diretor sem vínculo empregatício na LPS Brasil. 79. Sendo assim, as sócias pessoas físicas e jurídica demonstradas na planilha acima por integrarem o quadro Societário e participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS BRASÍLIA, assim como, por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte ora fiscalizado. Bom, conforme mencionado linhas acima, não se concebe que a mera participação no quadro societário de empresa ampare a imputação de solidariedade conforme previsto no art. 124, inciso I do CTN. Por outro lado, o que aparenta ser a justificativa para a aplicação do art. 135, inciso III do CTN atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos está contida na passagem acima 'participarem conjuntamente com a empresa autuada da iliegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos'. Ora, como dantes abordado, o próprio intérprete máximo da legislação infraconstitucional, em sede de recurso repetitivo, já firmou não haver ilegalidade, a princípio, nesse gênero de transferência. Adicionalmente, anotese que não restou apontada qualquer outra violação legal, contratual ou estatutária. Frente a tais constatações, não deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária aos referidos sócios da autuada. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Declaração de Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Parabenizo o i.Cons. Relator pelas bem expostas palavras, pormenorizada análise dos autos e fundamentada argumentação jurídica. A verdade, entretanto, é que divirjo na própria essência da causa, razão pela qual apresento a seguir os fundamentos do meu voto. Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.951 33 Conforme o relatório apresentado, tratase de lançamento de Contribuições Previdenciárias em função de a Contribuinte ter tomado serviços de intermediação imobiliária de segurados contribuintes individuais, especificamente pelo pagamento de remuneração a título de comissão ou prêmio de vendas de imóveis. Em outras palavras, o "serviço" que a autoridade lançadora indica ter sido exercido pelos corretores pessoas físicas à Contribuinte foi a intermediação na venda/compra dos imóveis, i.e., na corretagem propriamente dita. Acontece que o contrato de corretagem, especificamente intermediação imobiliária identificada pela autoridade lançadora, é ato comercial autônomo do profissional perante as partes que almejam o contrato envolvendo o imóvel, seja vendedorcomprador, seja locadorlocatário, seja ainda permutantes ou contrato de qualquer outra natureza. Especificamente, observase que a Recorrente não é nenhuma desses, mas sim corretora, de forma que entre eles não houve sequer contrato de corretagem, mas sim outro, seja empregatício, seja associativo. Em qualquer deles, entretanto, certo é que não há prestação de serviços na intermediação imobiliária. Essa matéria não é nova nesse Conselho. O CARF já enfrentou o problema de definir se há ou não prestação de serviços em contrato de corretagem em inúmeras oportunidades, ora aceitando e ora negando a viabilidade dessa incidência. A título exemplificativo, convém apresentar precedentes em ambos os sentidos. A Favor: Acórdão CARF nº 2302003.573, de 20/01/2015: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo Fl. 2967DF CARF MF 34 nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, devese verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). Contra: Acórdão CARF nº 2803003.816, de 05/11/2014: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.952 35 (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Acontece que, se é fática a existência de contenda, a qual inclusive é válida do ponto de vista acadêmico, a questão encontrase respondida claramente pela Lei nº 10.406/2002, denominada Código Civil, que estabelece: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A Lei é clara: na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. Onde a Lei é expressa, desnecessárias maiores interpretações: não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços quando o Código Civil expressamente afirma que não tem essa natureza. É imperioso registrar que o Código Tributário Nacional, em seu art. 110, estabelece que a Lei tributária não pode alterar a definição de institutos de direito privado. Se nem mesmo a "Lei tributária" pode alterar esses conceitos, com ainda mais razão é possível afirmar que não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em mera interpretação do aplicador do direito. Efetivamente, se a Lei tributária não poderia afirmar que o contrato de corretagem é prestação de serviço para fins de incidência da Contribuição Previdenciária porquanto estaria contradizendo o próprio CTN e o CC/2002 , com ainda mais razão se nega ao intérprete tal poder. Esse motivo é, por si só, suficiente para determinar o cancelamento do auto de infração, vez que imputase a corretagem como hipótese de prestação de serviço, o que a Lei expressamente definiu em contrário. Ainda assim, apenas a título subsidiário, caso se entendesse que este e.CARF pode deixar de aplicar a Lei o que é expressamente vedado , passo ao esclarecimento de ordem doutrináriajurídicalógica. A corretagem é o contrato pelo qual uma pessoa, o corretor, é contratado por outra, o incumbente, para encontrar um negócio. No contrato de corretagem, o corretor não atua como mandatário, não tendo poder para representar o incumbente nem para firmar contrato em nome dele. Tampouco é locador de serviço; o corretor não está obrigado a realizar determinada prestação especifica, não sendo obrigado a comissivamente buscar o negócio, anunciar o imóvel nem a contatar potenciais compradores. Se o corretor, contratado sem nenhuma cláusula acessória, nada fizer, simplesmente aguardar que algum comprador o procure por sorte, não estará em mora. Em suma, no contrato de corretagem não se contrata determinada atividade, determinada prestação, mas sim para que seja alcançado determinado resultado, qual seja, a conclusão de um negócio. Fl. 2969DF CARF MF 36 No contrato de corretagem, só há adimplemento da obrigação do corretor se este encontrar um negócio. Ainda que o corretor tenha realizado todos os esforços possíveis, ou nenhum, não terá feito a corretagem se não tiver encontrado um negócio. Exatamente por isso é que não se pode falar em prestação de serviços pela intermediação do corretor, inclusive imobiliário, independente de estar dias a fio à disposição do incumbente, buscando encontrar negócio, mas se pode falar em corretagem quando o corretor, sem comparecer única vez in loco, encontra um negócio para o incumbente. Diferente é a hipótese em que, ao contrato de corretagem, acrescentamse outras obrigações, acessórias ou mesmo principais, alterando a natureza do negócio jurídico. Efetivamente, como bem chama atenção SILVIO VENOSA, "A maior dificuldade em fixar a natureza jurídica desse contrato (de corretagem) devese ao fato de que raramente o corretor limitase à simples intermediação. Por isso, para a corretagem acorrem princípios do mandato, da locação de serviços, da comissão e da empreitada, entre outros. Quando um desses negócios desponta como atuante na corretagem, devem seus respectivos princípios de hermenêutica ser trazidos à baila. Para que seja considerada corretagem, a intermediação deve ser a atividade preponderante no contrato e na respectiva conduta contratual das partes." 2 Como esclarecido acima, o contrato de corretagem é o negócio pelo qual o incumbido se obriga a encontrar um negócio. Podem, entretanto, as partes (corretor e incumbente) acordar que ao contrato de corretagem serão acrescentadas outras obrigações. São exemplo: podem acordar que o corretor seja obrigado a anunciar o negócio (imóvel, no caso em tela) em determinado site ou outdoor; seja obrigado a contatar número mínimo de clientes por semana; seja obrigado a ficar em determinado estande de vendas por certo número de horas, a atender o telefone, a panfletar etc. Nesses casos, quando são acrescentadas apenas cláusulas ou obrigações acessórias, o contrato de corretagem alterase, podendo, ou não, perder a sua essência. Nessa senda, não custa relembrar a lição de PONTES DE MIRANDA que aponta as diversas correntes possíveis em relação à natureza do contrato de corretagem. In verbis: "O contrato de corretagem pode ser contrato unilateral (só o que outorga se faz devedor e obrigado), ou bilateral (outorgante e outorgado devem e são obrigados), ou plurilateral. Por êle, o outorgante fica vinculado a pagar ao corretor remuneração (dita comissão; melhor corretagem) pela comunicação de quando e de como pode concluir o contrato, ou de como por outorgar poder de intermediação, aí sem representação, ao corretor. O elemento de serviço ou de obra que entra no contrato de corretagem não lhe tira a característica, se criados o dever e a obrigação de desenvolver atividade e de comunicação, para se poder ter o ensejo de negociação: bilateralizase o contrato, quebrando a unilateralidade, ou ao lado dessa (C. E. RIESENFELD, Der Civilmakler. Gruchots Beiträge, 37, 277 e 847; W. REULING, Provisionsansprüche, 40, 193; E. RIEZLER, Der Werkvertrag, 91; H. SIBER, Der Rechtszwang, 48 s.). Pela bilateralidade, sempre, mesmo se não ocorre dever e obrigação por parte do corretor: C. CROME (Die partiarischen 2 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 682. Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.953 37 Rechtsgeschäfte, 45; System, II, 709), F. SCHOLLMEYER (Recht der Schuldverhältnisse, 113), PAUL OERTMANN (Das Recht der Schuldverhältnisse, 759 s.) e OTTO VON GIERKE (Deutsches Privatrecht, III, 709). Se o corretor não assume o dever de desenvolver atividade, a fim de poder informar o outorgante, a sua prestação de informar é que determina o direito a receber remuneração. Isso não quer dizer que, sendo unilateral o contrato, não fique vinculado, não pode praticar atos contrários aos interêsses do outorgante, tem dever de discrição, não pode, de má fé, com dano para o outorgante, suspender a atividade que voluntàriamente começou, nem pode usar essa atividade para informar a outrem, com dano para o outorgante. Se o corretor assume o dever de desenvolver atividade necessária à obtenção do informe e de informar, ou a prestar o informa que já tem, bilateralizase o contrato de corretagem. A opinião que sustenta desnaturarse, com a bilateralização, o contrato, tornandose, apenas, contrato de serviço, parte de que: a) o contrato ou é de corretagem ou é de serviço; b) não se pode pensar em incidirem as regras jurídicas sôbre corretagem e, subsidiàriamente, as regras jurídicas sôbre contrato de serviços." 3 Em suma, no contrato de corretagem per si, não há locação (prestação) de serviço, mas mera autorização para o corretor, que fica obrigado a anunciar que encontrou um negócio, e obrigação para o incumbente, que fica obrigado a pagar a corretagem em caso de resultado útil. Podem ser acrescentados ao contrato de corretagem, é verdade, outras obrigações, inclusive a de prestar determinados serviços (como a propaganda, a panfletagem etc.), os quais, entretanto, não são presumidos porquanto não fazem parte da essência do negócio. Ainda assim, é necessário distinguir a causa (antecedente jurídico) do pagamento ao corretor: se o pagamento é pela corretagem propriamente dita, ou seja, por ter encontrado um negócio, então as obrigações acessórias não são remuneradas; se, de outro lado, o pagamento é pelo adimplemento das obrigações acessórias descritas permanecer no stand de vendas, fazer ligações ou propaganda etc. , então sim é que o pagamento decorre da prestação de serviços. Neste caso, porém, o pagamento será devido independente de ter ou não encontrado o negócio. Nesse sentido, inclusive, com grande simplicidade, o incomparável PONTES DE MIRANDA: "O corretor é remunerador pelo resultado. O locador de obra ou de serviço, pela obra ou pelo serviço."4 Frisase: o corretor pode prestar serviços. São exemplos exatamente o "ficar à disposição do incumbente", o "panfletar", o "elaborar laudo de avaliação do imóvel" etc. Nestes casos o pagamento é pelo serviço prestado, e naturalmente está dissociado da conclusão de um negócio envolvendo o imóvel (venda, locação, permuta etc.). Esses serviços são inconfundíveis com o ato comercial de intermediação. 3 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 427. 4 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 430. Fl. 2971DF CARF MF 38 Esclarecidas essas questões, voltando ao caso concreto, constatase que a autoridade lançadora afirmou que houve prestação de corretagem. Em que pese tenha identificado algumas obrigações acessórias, reconhece que a base de cálculo é composta pelos pagamentos efetuados a título de corretagem, e não como contraprestação por essas outras obrigações. Ainda que se pudesse configurar a corretagem como hipótese de prestação de serviço do corretor em prol do incumbente, o que já foi afastado acima, é necessário analisar ainda outra questão que, ab ovo, fere de morte o presente lançamento: qual a relação entre os contribuintes autônomos corretores pessoas físicas e a Recorrente? Concluiu a autoridade lançadora que, tendo a Contribuinte exercido atividade de intermediação, e não estando os corretores pessoas submetidos às regras da relação de trabalho, então estavam prestando serviços. Excluiu, contudo, a possibilidade de que os corretores pessoas físicas estivessem atuando em parceria com as corretoras pessoas jurídicas. A verdade é que o Código Civil estabeleceu que: Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Percebese que a Lei estabeleceu a presunção de que o vínculo entre dois corretores é de parceria. Tratase de uma norma dispositiva: presumese existir parceria, mas esse vínculo pode ser afastado ou alterado, desde haja ajuste em contrário. Em outras palavras, não apenas é plenamente possível que dois ou mais corretores atuem em parceria como, na falta de provas de que as partes e não um terceiro, como é a autoridade lançadora estipularam em contrário, essa é a natureza da relação entre si. Mais uma vez, socorremonos da doutrina: "Na hipótese de ser a corretagem conjunta, ou seja, mais de um corretor intermediar a realização do negócio, o preço da mediação será dividido em partes iguais, pelo número de corretores participantes, salvo expressa disposição contratual em contrário." 5 E "Se forem vários os corretores a participação da intermediação, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. É comum que negócios de grande e médio porte tenham participação de vários corretores. Divergindo eles sobre a partilha da comissão, cabe ao comitente consignála em juízo. No caso concreto, pode ser necessário averiguar a participação efetiva de cada corretor em cada intermediação e se não foi estabelecido percentual diverso para cada um." 6 Assim, não bastava demonstrar que os corretores pessoas físicas tinham algum vínculo com a Contribuinte; deveria a autoridade lançadora ter demonstrado que a Contribuinte atuava como tomadora do serviço, enquanto as pessoas físicas lhe prestavam serviços, eram suas subordinadas, jamais podendo estar alçadas ao patamar de parceiras. E, mais, que a remuneração era devida em função do serviço, e não pela corretagem. 5 CORNETTI, Marcelo Tadeu, Direito comercial direito de empresa, São Paulo, Saraiva, 2009, p. 161 6 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 686. Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.954 39 Ora, ainda que se entendesse que a corretagem é prestação de serviço e que houve tomada de serviço in casu o que passaria pela necessária análise da efetiva intermediação de negócios imobiliários pela Contribuinte , o que justifica a afirmação de que foi a Contribuinte quem tomou o serviço dos corretores pessoas físicas? O fato de que ela é uma empresa e eles pessoas físicas? Poderseia argumentar o inverso: que foram eles, pessoas físicas, quem tomaram serviço da Contribuinte, pessoa jurídica; que eles a remuneram, com parte da comissão recebida, pelo trabalho de prospectar incumbentes, de instalar e manter equipamentos, de fazer a panfletagem, de planejar a melhor estratégia de marketing etc. Pode se argumentar que se tratam de serviços que eles, pessoas físicas, tomaram dela, imobiliária, em prol da atividade deles, que é intermediar compra e venda de imóveis. Eles, corretores pessoas físicas, podem tomar esse serviço de qualquer imobiliária ou mesmo fazêlo por conta própria enquanto ela, Contribuinte, é quem dependeria deles, os corretores, na figura de seus clientes, para auferir receita. Podese argumentar que sem a comissão da venda efetuada pelos corretores pessoas físicas, a Contribuinte não sobreviveria. Para que não restem dúvidas: nas relações privadas em sentido amplo, tanto a pessoa física pode prestar serviços às pessoas jurídicas, como estas podem prestar aquelas. Assim, a empresa toma serviços do advogado, do contador, do pintor, mas também o hóspede toma serviço do hotel, o viajante da transportadora, a platéia do cinema etc. Ou seja, não se pode pular à conclusão de que é a pessoa jurídica que toma o serviço da pessoa física simplesmente porque serem, respectivamente, jurídica e física. É necessário buscar extrair quem exerce a atividade e quem remunera. No caso do corretor pessoa física e da imobiliária exatamente por ser um contrato de parceria é possível identificar que ambos exercem atividades: a pessoa física é quem conclui o negócio, com contata o cliente final etc.; a pessoa jurídica é quem encontra o negócio, quem organiza a propaganda, quem cuida das formalidades. Novamente: é plenamente admissível observar o negócio assim: o corretor pessoa física, profissional que é, precisa de um espaço físico, de estrutura de atendimento etc., mas, não desejando despender tempo nem dinheiro com esses investimentos, prefere remunerar uma imobiliária pelo direito de usar suas estrutura. Inclusive, o parecer jurídico anexado aos autos relata que, em pesquisa de mercado, foi identificado que a maior parte dos negócios não é concluído no stand de vendas, mas sim pela carteira de clientes privada do corretor. Ainda que compartilhe das ressalvas do relator em relação aos dados concretos alcançados, percebese que a experiência prática leva a conclusões dessa natureza: é comum em visitas a stand de vendas que os corretores ali presentes busquem firmar um vínculo com o cliente, e que apresentem outros imóveis sempre que perceberem que aquele não é melhor negócio desejado pelo potencial comprador. Nessa senda, percebese que o corretor pessoa física é o principal beneficiário dos "serviços" prestados pela imobiliária, e não o inverso. Mais: ainda que se aceite que o ato de encontrar um negócio é um serviço, em favor de quem é prestado esse serviço? Da pessoa que deseja concluir o negócio, pessoa essa denominada incumbente (porque incumbe o corretor de encontrar o negócio). Quem é o incumbente no caso de compra e venda de imóveis? O comprador ou o vendedor do referido imóvel. Podese imaginar que outro corretor (pessoa física ou jurídica), enquanto corretor, seja incumbente? Não faz sentido, uma vez que esse outro corretor, stricto sensu, não tem poder de concluir o negócio, não representa as partes e nem tem mandato, de forma que somente o incumbente (vendedor ou comprador) é quem pode efetuar a venda ou a compra. Fl. 2973DF CARF MF 40 Na dúvida, portanto, ainda que se concebesse que a corretagem prestada pelos contribuintes autônomos fosse considerada prestação de serviço, essa prestação não teria sido realizada em prol da Recorrente, verdadeiramente uma parceira, e sim das incumbentes (os proprietários dos imóveis ou dos compradores). Ora, reforçase a tese de que haveria parceria, no caso concreto, o fato de que, tal como descrito no transcrito art. 728, a remuneração (corretagem) era repartida entre os corretores e a Recorrente. Mais uma vez, enquadrase perfeitamente na hipótese do art. 728, i.e., parceria ou associação. Voltando assim à leitura da Lei, é perceptível que apesar da clareza solar dos arts. 722 e 728 do CC/2002 os aplicadores do direito continuaram extrair uma natureza prática do vínculo diversa daquela expressamente definida no CC/2002. Exatamente para eliminar quaisquer dúvidas, o legislador alterou a Lei nº 6.530/1978, que regulamenta especificamente a profissão do corretor de imóveis, amiudando a questão do vínculo entre o corretor pessoa física e a imobiliária (corretora pessoa jurídica). Nesta, observamse inúmeras previsões legais relevantes ao deslinde do litígio, principalmente: Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. (...) § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) (...) § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) Ora, a Lei especifica do corretor de imóveis ratifica o comando do Código Civil, explicitando ainda mais a norma. Não deixa dúvidas nem qualquer margem de interpretação quanto à natureza da relação entre o corretor de imóveis pessoa física e a imobiliária: ou há vínculo empregatício ou há associação. Melhor dizendo, se não for empregado hipótese em que fará jus a salário, não dependendo exclusivamente da corretagem , o corretor pessoa física será associado a uma imobiliária para fins de determinado empreendimento ou negociação. Configurase, portanto, contrato de associação, e não de prestação de serviços. Não há, nesta última hipótese, prestação de serviços de um a outro, nem pagamento ou remuneração. Configurase, verdadeiramente, a hipótese do art. 728 do CC/2002, na qual dois ou mais corretores atuam em conjunto para a conclusão do negócio. E, novamentem em conformidade com o art. 728 do CC/2002, tendo atuado em conjunto, os Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.955 41 corretores (pessoas físicas e jurídicas) fazem jus ao compartilhamento da corretagem. Não à toa foi imputado aos corretores pessoas físicas parte das corretagens, e não a sua integralidade. Essa natureza associativa só será distorcido se for configurado um vínculo empregatício de um em relação ao outro, que depende dos requisitos do art. 3º da CLT. Em suma, corretagem não configura prestação de serviço. Ainda que assim não fosse, a Contribuinte não é a incumbente, e sim parceira dos corretores pessoas físicas, de forma que não é ela quem remunera eles, mas sim compartilha a remuneração paga pelo incumbente seja o comprador, seja o vendedor do imóvel. Concluise, portanto, que não há o fato gerador e, subsidiariamente, que é parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente autuação. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 2975DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720068/2016-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 10 e 59 do PAF.
DESPESAS GLOSADAS - NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS - DECLARAÇÃO POSTERIOR - NECESSIDADE DE PROVA DE QUE AS MERCADORIAS/SERVIÇOS FORAM EFETIVAMENTE ADQUIRIDOS/CONTRATADOS
Ainda que eventual ato que declare inidôneos documentos fiscais em momento posterior não possam, per se, inquinar de inválidas despesas incorridas pelo contribuinte, é imperioso que se comprove que as operações retratadas nos aludidos documentos concreta e efetivamente ocorreram, sem o que, a glosa deve ser realizada.
PRESCRIÇÃO (ORIGINÁRIA/INTERCORRENTE)
Não se opera prescrição enquanto não definitivamente constituído o crédito tributário e, portanto, enquanto não encerrado o contencioso administrativo, também não se aplicando, ao processo administrativo, a hipótese de prescrição intercorrente, consoante entendimento sedimentado a partir da Sumula 11 deste CARF.
DECADÊNCIA.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA QUALIFICADA - PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DO NÃO CONFISCO
Argumentos cujo acolhimento encerraria a aplicação de lei válida, sobre a qual não houve declaração de inconstitucionalidade, não podem ser objeto de análise por este Conselho, por força de disposição expressa contida no art. 62, caput, do RICARF.
Numero da decisão: 1302-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação ao devedor solidário e, quanto ao contribuinte, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinatura digital)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 10 e 59 do PAF. DESPESAS GLOSADAS - NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS - DECLARAÇÃO POSTERIOR - NECESSIDADE DE PROVA DE QUE AS MERCADORIAS/SERVIÇOS FORAM EFETIVAMENTE ADQUIRIDOS/CONTRATADOS Ainda que eventual ato que declare inidôneos documentos fiscais em momento posterior não possam, per se, inquinar de inválidas despesas incorridas pelo contribuinte, é imperioso que se comprove que as operações retratadas nos aludidos documentos concreta e efetivamente ocorreram, sem o que, a glosa deve ser realizada. PRESCRIÇÃO (ORIGINÁRIA/INTERCORRENTE) Não se opera prescrição enquanto não definitivamente constituído o crédito tributário e, portanto, enquanto não encerrado o contencioso administrativo, também não se aplicando, ao processo administrativo, a hipótese de prescrição intercorrente, consoante entendimento sedimentado a partir da Sumula 11 deste CARF. DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA - PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DO NÃO CONFISCO Argumentos cujo acolhimento encerraria a aplicação de lei válida, sobre a qual não houve declaração de inconstitucionalidade, não podem ser objeto de análise por este Conselho, por força de disposição expressa contida no art. 62, caput, do RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação ao devedor solidário e, quanto ao contribuinte, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinatura digital) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 10 e 59 do PAF. DESPESAS GLOSADAS NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS DECLARAÇÃO POSTERIOR NECESSIDADE DE PROVA DE QUE AS MERCADORIAS/SERVIÇOS FORAM EFETIVAMENTE ADQUIRIDOS/CONTRATADOS Ainda que eventual ato que declare inidôneos documentos fiscais em momento posterior não possam, per se, inquinar de inválidas despesas incorridas pelo contribuinte, é imperioso que se comprove que as operações retratadas nos aludidos documentos concreta e efetivamente ocorreram, sem o que, a glosa deve ser realizada. PRESCRIÇÃO (ORIGINÁRIA/INTERCORRENTE) Não se opera prescrição enquanto não definitivamente constituído o crédito tributário e, portanto, enquanto não encerrado o contencioso administrativo, também não se aplicando, ao processo administrativo, a hipótese de prescrição intercorrente, consoante entendimento sedimentado a partir da Sumula 11 deste CARF. DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DO NÃO CONFISCO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 68 /2 01 6- 17 Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.458 2 Argumentos cujo acolhimento encerraria a aplicação de lei válida, sobre a qual não houve declaração de inconstitucionalidade, não podem ser objeto de análise por este Conselho, por força de disposição expressa contida no art. 62, caput, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação ao devedor solidário e, quanto ao contribuinte, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinatura digital) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de autos de infração lavrados em desfavor do recorrente a fim de lhe exigir o recolhimento de créditos tributários concernentes ao IRPJ e, reflexamente, à CSLL, PIS/Não cumulativo e COFINS/Não cumulativa. Além disso, ao caso foi aplicada multa de ofício qualificada no percentual de 150%, além de se ter procedido à inclusão do sócio administrador da empresa no pólo passivo da obrigação, mediante lavratura de termo de responsabilidade solidária. Pelo que se dessume do TVF, a autuação tem como origem a glosa de despesas contabilizadas pelo contribuinte, calcadas em operações acobertadas por documentos fiscais considerados inidôneos, mormente porque emitidos por empresas cuja inexistência fática/operacional fora detectada pela Fiscalização. No caso, todas as despesas decorrentes de operações praticadas com as seguintes empresas foram objeto da glosa fiscal: a) Goodmetal Industria e Comércio de Metais Ltda – ME; b) Metais Desck Atacadista Comercial Ltda.; e c) Leval Comércio de Metais. Fato comum às três empresas acima, de acordo com a fiscalização, nenhuma delas jamais entregou uma única GFIP ou recolheu tributos federais, sendo certo que duas das Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.459 3 três empresas jamais apresentaram, sequer, DIPJ. Mais que isso, a fiscalização identificou que todas se encontravam inabilitadas, inclusive quanto ao cadastro de contribuintes estadual, além de apontar diversas incongruências ou indícios de fraude1. A D. Auditoria Fiscal esclarece, mais, que, a partir da análise de extratos bancários (obtidos mediante emissão de RMF), foram identificados que os pagamentos de títulos e duplicatas pretensamente vinculados às notas fiscais emitidas pelas empresas acima teriam sido direcionados à terceiros estranhos à relação jurídiconegocial, encartada nas mencionadas faturas (a partir da análise do citados extratos, de acordo com o D. Auditor, não se constatou qualquer operação que pudesse comprovar a realização de transferências ou pagamentos às três empresas acima quadros demonstrativos de efls. 1.208 a 1.211). A vista de tais indícios e incongruências, a Autoridade lançadora promoveu diversas intimações ao contribuinte, solicitando, num breve resumo, esclarecimentos sobre os fatos apontados anteriormente (pagamentos realizados à pessoas estranhas às que constavam dos documentos fiscais e livros contábeis), bem como para comprovar a aquisição efetiva das mercadorias listadas nas notas fiscais oriundas de empresas cuja inaptidão já havia sido identificada. Com respostas parciais às intimações supra, o contribuinte se limitou a apresentar a relação de notas fiscais sem, contudo, ao ver da D. Fiscalização, comprovar o pagamento efetivo ou, quando menos, a concreta aquisição das mercadorias, tida e havida como despesa operacional e como base para apuração de créditos concernentes à contribuição para o PIS à COFINS Ante a inação do contribuinte e a existência, no entender da D. Auditoria, de provas suficientes sobre os ilícitos apontados, procedeuse à lavratura dos autos de infração ora polemizados, dando ao recorrente a necessária ciência destes que, conjuntamente com o sujeito passivo solidário, apresentou sua impugnação administrativa. Instada a se manifestar sobre a defesa mencionada alhures, a DRJ de Belo Horizonte houve por bem julgála improcedente, conforme ementa abaixo reproduzida: DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Inaplicável o conceito de prescrição intercorrente quando a Fazenda Pública se encontra impedida de exigir o seu crédito por força do inciso III do art. 151 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. 1 A primeira possui sócios com capacidade econômica incompatível com o volume de operações registrados pelas notas objeto deste auto de infração; a segunda foi considerada inapta por se encontrar em local incerto; a terceira tem o registro de uma reclamação do sócio que consta dos atos constitutivos em que, sustenta, teriam falsificado a sua assinatura para abrir a citada empresa. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.460 4 Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 10 e 59 do PAF. CUSTO DOS BENS VENDIDOS FALTA DE COMPROVAÇÃO Compete ao contribuinte o ônus de comprovar a efetiva e real aquisição de mercadorias cujos valores foram deduzidos como custos na determinação do lucro real, não bastando a prova de sua ocorrência apenas no plano formal, mormente se o fisco demonstra que os emitentes dos documentos fiscais respectivos não possuíam existência de fato e eram absolutamente destituídos de capacidade operacional para realizar tal atividade. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador; cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. Mantémse a multa qualificada de 150% quando configurado o intuito de fraude utilizada para ocultar os reais beneficiários e responsáveis pelos créditos tributários. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. A ciência do resultado de julgamento acima se deu, em 31/05/2017, por decurso de prazo registrado na caixa postal eletrônica do contribuinte (doc. de efls. 1.387); o sujeito passivo solidário, por sua vez, foi intimado por carta em 22/05/2017 (AR de efls. 1.386). Mais uma vez, em petição única, o devedor principal e seu sócio interpuseram seu recurso voluntário em 30/06/20172, por meio do qual sustentaram: a) em preliminar, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa sob a alegação de que a fiscalização não teria lhe conferido a dilação de prazo para apresentação de documentos adicionais; b) no mérito: 2 O contribuinte, em verdade, apresentou, primeiramente, em 26/06/2017, um recurso apócrifo; posteriormente, em 30/06/2017, reapresentouo devidamente assinado. Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.461 5 b.1) que teria procedido à aquisição das mercadorias de boafé e que a declaração de inidoneidade posterior não poderia retroagir para invalidar as notas fiscais emitidas; b.2) que teria ocorrido prescrição do direito da União de cobrar o crédito tributário objeto deste feito; b.3) que, de mais a mais, teria se observado a decadência do direito de lançar o crédito, com espeque nos preceitos do art. 150, § 4º, do CTN; b.4) finalmente, que descaberia a aplicação da multa de ofício qualificada seja por, a seu ver, inocorrer qualquer hipótese de fraude ou simulação, seja por, argumenta, violar o princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. Os autos, então, foram encaminhados para este Colegiado para análise e julgamento. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães das Fonseca Relator É importante registrar, mais uma vez, que, como já dito no relatório, a empresa recorrente e seu sócio apresentaram uma mesma petição de impugnação e uma só petição de recurso; o problema é que o devedor solidário teria sido intimado do resultado do julgamento da DRJ antes do contribuinte (22/05/2017) e, nesta esteira, quanto aquele, o recurso seria intempestivo, impondose o seu não conhecimento (em relação ao Sr. Sérgio). Como, entretanto, não foram trazidos argumentos específicos relativos a responsabilização do devedor solidário, o não conhecimento do recurso quanto a este não traz quaisquer efeitos práticos, já que a análise do apelo quanto ao contribuinte o aproveitará. De toda sorte, pelo que expus acima, conheço do recurso apenas em relação ao devedor principal, deixando de conhecer do recurso em relação ao devedor solidário. I Preliminar de nulidade pretenso cerceamento de defesa. O recorrente deduz, como principal argumento a sustentar a ocorrência de cerceamento de defesa, a alegação de que a D. Auditoria Fiscal não lhe teria franqueado a dilação de prazo para atendimento de uma das diversas intimações fiscais a ele endereçadas. Primeiramente, pelo que se extrai dos documentos acostados ao feito, bem como da descrição constante do TVF, o contribuinte teria sido intimado cerca de 12 vezes para prestar esclarecimentos sobre os fatos, indícios e incongruências preliminarmente identificados pela D. Fiscalização, tendo sido concedidas duas prorrogações de prazo; o indeferimento, diga se, noticiado pelo recorrente, teria se dado após ter sido intimado, por duas vezes, a apresentar documentos, sendo que, na primeira oportunidade, a empresa simplesmente recusouse a exibi los sob a alegação de "prescrição" (?)... Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.462 6 Ou seja, oportunidades para se explicar e apresentar documentos que pudessem demonstrar a regularidade das operações tratadas neste feito foram dadas a contento (inclusive para além do necessário). Demais a mais, vale destacar, quaisquer documentos ou provas que ainda pudessem de qualquer forma auxiliar a tese do recorrente poderiam ter sido trazidas por ocasião da impugnação ou, quiçá, caso atendidos os pressupostos do art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, junto deste apelo; e, nada obstante, nem a impugnação, nem tampouco o recurso voluntário, foram instruídos com quaisquer documentos adicionais; apesar de todas as intimações e todas as oportunidades dadas ao contribuinte, este permaneceu inerte... Não houve, e não há, no caso em análise, ato ou fato que possa, sob qualquer prisma, tipificar as hipóteses de nulidade tratadas pelo art. 59 do já mencionado Decreto 70.235, pelo que, entendo, é descabida a preliminar aventada. II Mérito II.1 Da declaração posterior de inidoneidade das empresas e documentos fiscais por ela emitidas em favor do contribuinte e da alegada boafé. Sempre me filiei ao entendimento adotado pelo C. STJ de que a declaração de inidoneidade de documentos fiscais somente afeta os fatos posteriores a sua cientificação, pela imprensa oficial, aos cidadãos em geral. De fato, seria pouco razoável, para não dizer, absurdo, pretender atribuir aos contribuintes mister que é próprio da fiscalização, impondo lhes, neste passo, a difícil tarefa de auditar os seus fornecedores sem dispor, como dispõe a Auditoria Fiscal, de poder de polícia. Como diria um amigo e tutor, os contribuintes não podem ser considerados avalistas da atividade fiscal. Tal premissa, todavia, sempre foi tomada por mim em relação à apuração de tributos estaduais e, mais, calcada na legislação destes entes federados; além disso, esta mesma premissa só serve para ilidir possíveis presunções de irregularidade, mantendo no fisco o ônus de se provar a irregularidade das operações investigadas, na forma do art. 142 do CTN. O caso em análise, vejam bem, distanciase, e muito, dos casos com os quais me deparei no passado, mormente porque, como muito bem apontado pelo voto do D. Auditor Álvaro Luiz Pires dos Santos, relator do acórdão recorrido, a legislação federal é percuciente e exaustiva quando trata do problema da inaptidão de empresas e de suas consequências. Peço venia, neste passo, para reproduzir os preceitos do art. 47, caput, e §§ 1º e 5º, da Instrução Normativa RFB nº 1.634, de 6 de maio de 2016: Art. 47. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1ºOs valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.463 7 I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o Pis/pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. (...) § 5 º O disposto no § 1ºnão se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Notem que os dispositivos acima seguem, a risca, o entendimento sedimentado na jurisprudência do C. STJ, invocado pelo próprio contribuinte e que reproduzo a seguir: 0 comerciante que adquire mercadoria de pessoa jurídica regularmente inscrita, mediante nota fiscal, e comprova o respectivo pagamento do preço e do ICMS não pode ser responsabilizado pela omissão da vendedora, em recolher o tributo. Imputar responsabilidade ao comprador, em tal situação, seria atribuir a terceiro, sem previsão legal, responsabilidade tributária, em flagrante ofensa ao art. 128 do CTN (STJ, REsp. n. 96.601/SP) Destaquese que o STJ somente não autoriza a presunção da prática do ilícito, exigindo, outrossim, que o contribuinte, adquirente, contrate com empresas existentes (formal e fisicamente) e que, mais, comprove a ocorrência concreta, efetiva, do pagamento descrito nos documentos considerados inidôneos... ou seja, não se presume a fraude ou a "compra de notas fiscais"; demonstrado ou, quando menos, investigada a empresa adquirente e evidenciado (e, aqui, não uso o termo "evidência" levianamente) que a operação retratada pelo documento fiscal não se realizou, mesmo que a declaração de inidoneidade seja posterior ao fato, considerarseá imprestável o aludido documento. In casu, a D. Auditoria Fiscal foi extremamente diligente como, aliás, já dito pelo próprio acórdão recorrido. A Fiscalização, frisese. não se contentou, apenas, com a constatação de inaptidão dos fornecedores do contribuinte, nem tampouco com a declaração consequente da inidoneidade dos documentos fiscais por eles emitidos; como asseverado no relatório, supra, ao se deparar com os indícios de fraude tratados neste feito, o Sr Auditor cuidou logo de apurar a ocorrência, real e concreta, da aquisição ou, quiçá, de pagamentos efetivos às preditas empresas... a conclusão deste trabalho investigativo, reproduzo a seguir (e fls. 1.208): Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.464 8 Na análise da Contabilidade no formado da ECD, especificamente da conta contábil de número 2004 Mercadorias a débito, em contrapartida com a conta contábil 1014 Banco HSBC a crédito (RAZÃO MERCADORIAS 2011), verificamos que em alguns casos a Contabilidade não espelhou a realidade. De acordo com a Contabilidade, os pagamentos detalhados a seguir foram utilizados para o pagamento de títulos/duplicatas dos fornecedores GOODMETAL, LEVAL ou METAIS DESCK. Na análise das planilhas contendo os envios de TED´s apresentadas pelo Banco HSBC (TEDS HSBC), entretanto, constatamos que estes pagamentos foram direcionados a contribuintes diferentes. De fato, foram encontrados vários pagamentos nesta mesma situaçõa, entretanto selecionamos apenas uma amostragem para ilustrar essa situação, mostrada abaixo. Analisando essa planilha de envio de TED´s, não constatamos nenhuma pagamento a GOODMETAL, LEVAL ou METAIS DESCK. O fato constatado acima, a meu sentir, já seria mais que suficiente para desacreditar os documentos fiscais vinculados às três fornecedoras abordadas no TVF; nada obstante, a Fiscalização, ainda assim, lavrou sucessivos termos de intimação ao recorrente, premendo por esclarecimentos sobre as conclusões acima reproduzidas; e, como já dito anteriormente, o contribuinte permaneceu silente, nada esclarecendo sobre as incongruências observadas em sua contabilidade, tomadas em comparação com as informações econômico financeiras extraídas de seus extratos bancários. Não bastasse os cuidados tomados, acima abordados, a D. Auditoria ainda se ocupou de investigar, com profundidade exemplar (no mais estrito respeito às regras do art. 142 do CTN), as empresas pretensamente fornecedoras do recorrente e, tal qual já alertado no relatório deste acórdão, atestou, para alem de dúvidas razoáveis, a inexistência de fato das aludidas empresas, mesmo à época do fatos apurados no feito. Enfim, os autos de infração ora questionados foram lavrados e, mais importante, instruídos com a absoluta observância das regras encartadas na legislação tributária (em especial a IN 1.005 citada anteriormente), além de estar em total consonância com o entendimento atualmente adotado pelo C. STJ (conforme ementa de julgado trazida pelo próprio contribuinte). Lado outro, a situação apontada nos dois últimos parágrafos retro (não refutada pelo insurgente), demonstra que o contribuinte tinha ciência exata e precisa da inidoneidade dos documentos fiscais registrados como despesas operacionais (o que será melhor abordado no tópico da qualificação da multa de ofício), afastandose, neste ponto, a alegação de que tais operações teriam sido pactuadas de boafé. Me permitam, aqui, reproduzir as seguintes conclusões do acórdão recorrido que bem resumem a inegável improcedência da pretensão recursal: Apesar de intimado e reintimado várias vezes, o contribuinte não apresentou os comprovantes de pagamentos e nem outros elementos que pudessem dar validade para comprovar a veracidade e a materialidade de suas aquisições de mercadorias dos fornecedores mencionados, concluindose assim, pela inidoneidade das notas fiscais que lastreariam tais aquisições. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.465 9 A Fiscalizada ora Impugnante, simulou em sua contabilidade operações comerciais que não existiam, sendo que estas representavam meras simulações com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores, através de valores que não representavam reais operações mercantis. Tal fato é corroborado tanto pela própria inexistência das três empresas fornecedoras, conforme demonstrado acima, tanto pela própria mecânica das operações mercantis fictas. Por tudo o que expus, entendo, não merecem reparos a decisão recorrida. II.2 Da alegada prescrição (originária ou intercorrente). Quanto a este argumento, permissa venia, não me estenderei; com bem dito pela decisão a quo, só há que falar em prescrição do direito do fisco de cobrar o crédito tributário a partir de sua constituição definitiva, que se opera, e somente pode se operar, nos termos do art. 145, I, c/c art. 174, caput, do CTN, quando da "constituição3" em definitivo da obrigação (que não se opera enquanto não julgadas as defesas e recursos opostos pelo contribuinte). Como consentâneo lógico da assertiva acima, também não se aplica, ao processo administrativo, a figura da "prescrição intercorrente", como aliás, já restou pacificado por este Conselho através da Súmula 11, cujo verbete transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Sem qualquer lastro técnico ou legal a alegação em testilha, pelo que absolutamente correto também quanto este ponto o acórdão ora combatido. II.3 Da multa qualificada e da alegada decadência. A despeito de tratados separadamente pelo recurso voluntário e, também, pelo acórdão recorrido, analisarei, aqui, conjuntamente, as duas alegações concernentes à multa qualificada e a decadência. No que toca à tipificação da hipótese tratada pelo art. 44,§ 2º, da Lei 9.430/96, ainda que o contribuinte, em suas razões de apelo, se limite a dizer não ter ocorrido fraude ou simulação no caso em testilha (sim, isto é tudo o que diz o contribuinte sobre este tema), a conclusão fiscal é inafastável, principalmente a luz dos fatos identificados no TVF. Peço licença, aqui, para invocar o seguinte trecho do relatório fiscal que representa o fato/tipo da simulação tratada pelo art. 72 da Lei 4.502/77 e que autoriza a qualificação da multa ofício aplicada ao caso: A simulação consistia na emissão de um determinado pagamento para o pagamento de um título comercial de uma fornecedora inexistente, que, contabilizado em sua escrita fiscal, transparecia aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal a efetiva realização de transação comercial que representava. 3 Com as críticas que tal expressão merece. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.466 10 Realmente, a partir das demonstrações já invocadas no tópico II.1, deste voto, é possível extrair a constatação de que as movimentações bancárias referenciadas pela contabilidade indicavam transferências realizadas para pessoas outras em momento algum noticiadas no razão de efls. 609/695; numa análise rasa e descuidada deste documento e dos próprios extratos bancários, semelhante conduta poderia passar despercebida pelos órgãos fiscais, já que o contribuinte indicava, de fato, a quitação dos títulos/duplicatas. Na opinião deste relator, contudo, a situação me parece até um pouco mais grave que a identificada neste feito porque, a teor dos citados extratos, o recorrente pagou, efetivamente, valores à terceiros (pessoas físicas e pessoas jurídicas), pagamentos estes não referendados por sua escrita contábil, fato que comprova hipótese de pagamento sem causa e, lado outro, somado aos fatos apurados neste processo, indicia a possível ocorrência de compra de mercadorias sem nota fiscal ou, quiçá, o crime tipificado no art. 1º da Lei 9.613/98. Seja como for, os documentos que instruíram a autuação e a própria fundamentação constante do TVF dão conta de que as operações concretizadas pelo recorrente objetivaram "a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais", estando suficientemente demonstrada a tipificação da hipótese descrita no art. 44, § 2º, da Lei 9.430/96. Quanto a alegação de desproporcionalidade/inconstitucionalidade do percentual da penalidade aplicado, tal questionamento não tem cabimento na seara administrativa, restando aos Agentes da Administração Pública, e também à este Conselho, aplicar a lei independentemente de qualquer juízo de validade desta a luz da Carta Magna (como, aliás, pontua, o próprio art. 62, caput, do RICARF). Pois bem, uma vez assentado no caso concreto a ocorrência de fraude (mediante simulação), fica definitivamente prejudicado o argumento do contribuinte concernente à decadência. Aqui, lançando mão da faculdade descrita no art. 57, § 3º, do RICARF, me permitam reproduzir as razões de decidir da DRJ, com a quais concordo e, por isso, adoto: No presente caso, não houve pagamento algum, já que não houve qualquer pagamento dos tributos lançados no período. Além disso, não há dúvida de que a infração foi praticada intencionalmente, caracterizandose o dolo, fraude ou simulação. Logo, a contagem do prazo decadencial devese fazer nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN. No caso do IRPJ e da CSLL, em virtude da apuração pelo regime de Lucro Real Anual, o fato gerador ocorreu em 31/12/2011, com vencimento em 30/03/2012. Por conseguinte, o lançamento já poderia ter sido efetuado no ano de 2012, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte, em 01/01/2013. Logo, o fisco teria até cinco anos contados de 01/01/2013 para efetuar o lançamento. Esse prazo expiraria, portanto, em 01/01/2018. Visto que as ciências dos sujeitos passivos se deu em 09/11/2016, não há dúvida de que o fisco efetuou o presente lançamento antes da expiração do prazo estipulado pelo artigo 173 do CTN. Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.467 11 Já no caso da contribuição para o PIS e da Cofins, de apuração mensal, os fatos geradores mais antigos ocorreram no mês de março de 2011. Por conseguinte, o lançamento já poderia ter sido efetuado no próprio ano de 2011, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte, em 01/01/2012. Logo, o fisco teria até cinco anos contados de 01/01/2012 para efetuar o lançamento. Esse prazo expiraria, portanto, em 01/01/2017. Visto que as ciências dos sujeitos passivos se deu em 09/11/2016, não há dúvida de que o fisco efetuou o presente lançamento antes da expiração do prazo estipulado pelo artigo 173 do CTN. Não há, digase, reparos a fazer na decisão de primeiro grau, seja quanto a qualificação da multa, seja quanto a decadência alardeada pelo recorrente. III Conclusão. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso em relação ao devedor solidário e, quanto ao devedor principal, por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1467DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001357/2003-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda
Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1301-000.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a
decadência e cancelar a autuação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no inciso I, do art. 173, do CTN,
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a decadência e cancelar a autuação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no inciso I, do art. 173, do CTN, 11,1,,,-L LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VEIGÀ EDITADO EM: OCHA - Relator 20 DEZ 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório SUSA S/A, CNN 61.602,439/0001-89, sucessora por incorporação de VENDEX DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ 43.669A 18/0001-10, sucessora por incorporação de NOVASUSA COMERCIAL LTDA., CNPJ 57934A 76/0001- 38, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 16-12.150, de 11/01/2007, da 7' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - 1 / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado pelo diligente relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância, cujos excertos reproduzo a seguir. Trata o processo administrativo fiscal (PM') de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe em 15/04/2003. Foi efetuado ajuste da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 96 e 97), referente ao fato gerador ocorrido em 31/12/1997, no valor de R$ 1.558.457,68, 2. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizou-a no Termo de Verificação e Intimação para Ajustar o LALUR (fls. 92 a 94), no qual relata o resultado da auditoria fiscal. 3. Em resumo, assegura que a contribuinte não adicionou, na apuração do lucro real do ano-calendário de 1997, o percentual mínimo de lucro inflacionário a realizar determinado pela legislação tributária vigente à época. t- 5. A contribuinte, que tomou ciência do auto de infração em 15/04/2003, apresentou impugnação em 14/05/2003, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 103 a 118), alegando, em síntese, o que segue: 5.1. De plano, pugna pelo reconhecimento da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio do crédito tributário, com base no art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional (CTN). 5,2. Pede também pelo reconhecimento da decadência relativa aos percentuais mínimos de realização obrigatória referente aos anos-calendários de 1993 a 1997. 5,3. Em seguida, alega que realizou integralmente o saldo de lucro inflacionário nos anos-calendários de 1992 e 1993, por intermédio de compensação com prejuízos fiscais acumulados. 5.4. Requer a declaração de nulidade do auto de infração. A 7a Turma da DRI em São Paulo - 1 / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-12.150, de 11/01/2007 (fis. 174/180), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador.' 31/12/1997 2 Processo n° 19515.001357/2003-94 Acórdão 1301-00.369 S1-C3T1 Fl. 2 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, PRAZO QUINQUENAL, DECADÊNCIA. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica apurado com base no lucro real anual se insere no rol dos lançamentos por homologação. Entretanto, quando não há o pagamento do imposto, a contagem de prazo decadencial se dá à luz do art. 173, I, do CTN. LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA, Procede o lançamento de oficio alusivo à realização mínima obrigatória do lucro inflacionário diferido, se o contribuinte não adotou espontaneamente o procedimento. Por oportuno, esclareço que foram excluídas da exigência as parcelas do lucro inflacionário correspondentes às realizações mínimas que deveriam ter sido oferecidas à tributação nos anos-calendário 1993, 1994, 1995 e 1996. Ciente da decisão de primeira instância em 06/02/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 185, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/03/2008 conforme carimbo de recepção à folha 188. No recurso interposto (fls. 190/209), a interessada reitera, preliminarmente, os argumentos anteriormente trazidos acerca da decadência, escudada no art. 150, § 40, do CTN. Colaciona doutrina e jurisprudência administrativa que entende favorável a sua tese, No mérito, a recorrente insiste em que o lucro inflacionário já teria sido integralmente realizado nos exercícios 1992 e 1993. Parte desse lucro inflacionário teria sido compensado com prejuízos fiscais acumulados em 31/12/1992. A parcela remanescente teria sido realizada proporcionalmente ao percentual de realização dos ativos nos meses de janeiro a julho de 1993. A interessada busca demonstrar suas afirmações mediante análise das partes A e B de seu Lalur e sustenta, ainda, que tal realização antecipada lhe seria facultada pela legislação vigente à época. A seguir, questiona o não reconhecimento, na autuação, da decadência relativamente aos percentuais mínimos de realização obrigatória nos anos de 1993 a 1997. Ao final, pede a reforma da decisão recorrida e o integral cancelamento do auto de infração ou, alternativamente, a realização de diligência "para apuração dos pontos levantados neste recurso". A unidade preparadora identificou "irregularidades/desatualizações" no que toca à representação processual e à documentação societária apresentadas, e intimou (fl. 242) a interessada a corrigi-las mediante a apresentação de contrato social consolidado e atualizado, além de instrumento de mandato com firma reconhecida e rigorosamente consoante com o disposto no Código Civil e no contrato social, Tal intimação, enviada à interessada por via postal, não foi atendida. Ainda assim, o processo foi enviado ao CARP. É o Re1atóri 3 4 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha O recurso é tempestivo. Inicialmente, devem ser verificados os aspectos de representação processual e documentação societária apresentadas. Compulsando os autos, constato que os fatos geradores em questão foram praticados pela pessoa jurídica Novasusa Comercial Ltda., CNPJ57.934.176/0001-38. Posteriormente, essa pessoa jurídica foi incorporada por Vendex do Brasil Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 43.669A 18/0001-10, a qual veio a ser autuada, na qualidade de sucessora. Finalmente, a Vendex foi incorporada por Susa S/A, CNPJ 61.602.439/0001-89, a qual é, atualmente, o sujeito passivo da obrigação tributária aqui discutida. Resta verificar, então: (1) se existe nos autos instrumento de mandato hábil a outorgar poderes aos signatários do recurso voluntário para a prática desse ato; e (2) se tais poderes foram outorgados por quem efetivamente podia fazê-lo, no exercício da representação da pessoa jurídica. Quanto ao primeiro aspecto acima, o recurso voluntário foi subscrito pelos advogados Dr. Plínio J. Marafon, Dra. Juliana Moura Borges Maksoud e Dra. Mariana Zechin Rosauro (fl. 209). O instrumento particular de mandato de fl. 210 outorga amplos poderes, inclusive para a prática de atos perante a administração pública, a essas três pessoas, e é subscrito pelos Srs. Arnaldo Bisoni — Diretor Presidente, e Edio Bérgamo — Diretor Financeiro. Tal instrumento, entretanto, não está datado, nem as firmas dos seus subscritores foram reconhecidas. Ainda, às fls. 166/167, encontro cópia autenticada de outro instrumento particular de mandato, este datado de 20/08/2004, subscrito pelo Sr. Edio Bérgamo em nome da Susa S/A, com firma reconhecida, outorgando poderes, entre outros, ao advogado Dr. Plínio J. Marafon. Considero, assim, que o primeiro aspecto a ser verificado foi atendido, posto que ao menos um dos signatários do recurso voluntário (Dr. Plínio J. Marafon) possuía poderes para tanto, outorgados pelo sujeito passivo Susa S/A, No que toca ao segundo aspecto supra, não encontro nos autos cópia do estatuto societário da pessoa jurídica Susa S/A, nem de ata de reunião de diretoria que nomeie seus diretores. Entretanto, encontro às fls. 212/224 o Protocolo e Justificação de Incorporação da Vendex do Brasil Indústria e Comércio Ltda., datado de 17/11/2003, no qual tanto a incorporada Vendex quanto a incorporadora Susa S/A se fazem representar por seus diretores Arnaldo Bisoni e Edio Bérgamo. Também às fls, 225/228 , encontro o Instrumento Particular de Extinção em virtude de incorporação da Vendex do Brasil, datado de 15/12/2003, do qual participam os mesmos Srs. Arnaldo Bisoni e Edio Bérgamo. Finalmente, encontro às fls. 161 e seguintes cópia autenticada da ata da Assembléia Geral Extraordinária da Susa S/A, realizada em 15/12/2003, ocasião que foi aprovada a incorporação da Vendex do Brasil e respectivo protocolo e justificação de incorporação. Dessa AGE participaram os Srs. Arnaldo Bisoni e Edio Bérgamo, respectivamente na qualidade de presidente e secretário da mesa. Processo nü 19515.001357/2003-94 Sl-C3T1 Acórdão n 1301-00.369 Fl. 3 Diante do exposto, é de se admitir que há indícios fortes, variados e convergentes de que o Sr, Edio Bérgamo, ao subscrever o instrumento de mandato de fis. 166/167, tenha agido no exercício da representação da pessoa jurídica Susa S/A, Considerando, ainda, o princípio da formalidade moderada, aplicável ao processo administrativo fiscal, tenho por atendidos os pressupostos de representação processual, e conheço do recurso. Preliminarmente, argúi a recorrente a ocorrência da decadência do direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento, Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN: Art.. 173, O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [ -1 Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras específicas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. àç 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, .fraude ou simulação. Quanto ao IRPJ, discutido no presente processo, entendo submeter-se ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. O critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. A regra do inciso I do art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento. O exemplo clássico é o do IPTU, em que a Autoridade Tributária apura o valor devido, lança o tributo e notifica o sujeito passivo. Apenas então ocorre o pagamento. Se, por hipótese, o contribuinte se antecipa ao lançamento, calcula por sua conta o montante devido e faz o recolhimento antes mesmo de ser notificado, isto ocorre não por obrigação, mas por mera liberalidade, e o mecanismo previsto para apuração do tributo não se altera. O lançamento não deixa de ser de oficio, e não há também mudança no termo inicial para contagem do prazo decadencial. WALDIR A ROCHA - Relator O mesmo raciocínio se aplica aos tributos para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. É essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faz com que o lançamento seja por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Em primeira instância, a Turma Julgadora entendeu que, na ausência de pagamento, o dispositivo aplicável seria o inciso 1 do art. 173. Pelo anteriormente exposto, não sigo essa linha de pensamento e devo divergir. Observo que, no caso concreto, o contribuinte optou, no ano-calendário 1997, pela tributação com base no lucro real anual (fl. 33), apurou prejuízo fiscal no montante de R$ 10333.441,05 (fl. 38) e, por consequência, não fez qualquer pagamento de IRPJ. O contribuinte adotou, portanto, os procedimentos de apuração do imposto da forma que lhe pareceu correta, e deles deu conhecimento ao Fisco, mediante a tempestiva entrega da declaração apropriada. Considero, pois, perfeitamente caracterizado o exercício da atividade pelo contribuinte de tal forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4 0, do CTN. Assim, ao tributo aqui discutido devem ser aplicadas as disposições do art. 150, § 40, do erN, o que implica a necessidade de rever a decisão a qzio. No ano-calendário 1997, o lançamento foi feito por período de apuração anual, para o IRPJ. Consumando-se os fatos geradores tributários em 31/12/1997, e tendo sido o lançamento cientificado ao sujeito passivo em 15/04/2003 (fl. 97), constato que a decadência alcançou a totalidade do auto de infração ora discutido. Deixo de apreciar os demais argumentos de defesa, que se tornaram irrelevantes diante do acolhimento da preliminar de decadência. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto e pelo cancelamento integral do auto de infração, em face da decadência. 6
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Numero do processo: 10880.928999/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.531
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.915297/2008-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.915297/200861, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 89 99 /2 00 8- 12 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.928999/200812 Acórdão n.º 3302005.531 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo/SP pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que os valores referentes ao período foram recolhidos a maior gerando direito a compensar, sendo que os dados da DCTF foram corrigidos posteriormente por meio de DCTF retificadora, sendo os débitos devidamente compensados, requerendo o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação declarada. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16031.393. Após ciência ao acórdão de primeira instância apresentou o recurso voluntário , sem argüições preliminares, no que concerne à tempestividade. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.928999/200812 Acórdão n.º 3302005.531 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.517, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.915297/200861, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.517): "Examinando os elementos componentes dos autos, constato que a ciência da decisão recorrida efetuouse por via postal em 17/06/2011, sexta feira, com o Aviso de Recebimento AR de fl. 108. O recurso voluntário, por seu turno, foi protocolado em 21/07/2011 (fl. 53), quintafeira. Procedendo à contagem do prazo recursal na forma dos arts. 5º e 23 do Decreto nº 70.235/72, verifico que o prazo legal de 30 (trinta) dias esgotouse em 19/07/2011, na terçafeira anterior, ao do protocolo recursal, em 21/07/2011. Nesta senda, inobservado o prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a intempestividade da peça interposta. Em face de todo o exposto, considerando que a peça não atende a requisito essencial de admissibilidade, a tempestividade, voto por não conhecê la." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade do Recurso Voluntário não atendendo a requisito essencial de admissibilidade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721705/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração.
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL.
Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR.
O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. Pedido do contribuinte acatado parcialmente apenas para considerar a área reserva legal, no total de 350,0 ha, averbada antes do fato gerador.
ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS.
Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-005.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 6.401.483-5 a área de preservação permanente, no total de 68,5529 ha, e a área de reserva legal, no total de 350,0 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 3.822,0505 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2009 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. Pedido do contribuinte acatado parcialmente apenas para considerar a área reserva legal, no total de 350,0 ha, averbada antes do fato gerador. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 6.401.483-5 a área de preservação permanente, no total de 68,5529 ha, e a área de reserva legal, no total de 350,0 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 3.822,0505 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 17 05 /2 01 2- 47 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 213 2 laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. Pedido do contribuinte acatado parcialmente apenas para considerar a área reserva legal, no total de 350,0 ha, averbada antes do fato gerador. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 6.401.4835 a área de preservação permanente, no total de 68,5529 ha, e a área de reserva legal, no total de 350,0 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 3.822,0505 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 214 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento n° 03201/00025/2012 (fls. 03/06), contra o contribuinte acima qualificado, decorrente de procedimento de revisão de Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo ao exercício de 2009, referente ao imóvel denominado “Fazenda Vale do Rio Ourives II”, localizado no município de Barra do Corda (MA), com cadastro fiscal sob o n° 6.401.4835 (fls. 03). Segundo consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o contribuinte, após regularmente intimado, não teria comprovado a área efetivamente utilizada para pastagens declarada, nem mesmo a área efetivamente utilizada para fins de exploração extrativa declarada, o que motivou a alteração do Documento de Informação e Apuração do ITR. A modificação imposta ocasionou a alteração da área utilizada e consequentemente do grau de utilização do imóvel, levando a modificação da alíquota incidente, nos termos da lei, antes de 0,45, para 20,00, ocasionando saldo suplementar a pagar no valor histórico de R$ 288.779,78, com fundamento no art. 10, § 1°, inciso V, alíneas “b” e “c” da Lei n° 9.393/96, além da multa de 75% (setenta e cinco por cento), no montante histórico de R$ 216.584,83, capitulada no art. 44, inciso I, § 1° e 3° da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, além dos juros de mora, previstos no art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Após efetivada ciência da Notificação do Lançamento de ITR (fls. 10), o contribuinte, tempestivamente, compareceu aos autos apresentando sua Impugnação (fls. 13/33), com os seguintes argumentos, em síntese: (a) Deixou de informar áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas, porque a Receita Federal informava que a comprovação de tais áreas seria necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental que, na época, não estava disponível no site do Ibama, o qual só veio a ser expedido em 2011. (b) Não conseguiu transmitir a declaração retificadora do exercício 2009, após ter protocolado o Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal junto à Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão, porque o sistema da Receita Federal não estava disponível naquela data, por isso o imóvel rural foi tributado como se não tivesse áreas isentas, resultando na cobrança de imposto bem elevado. Contudo, tem direito de retificar sua declaração porque adquiriu a espontaneidade e fazendo jus à isenção relativa às áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, para justificar seu entendimento cita a súmula 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e Solução de Consulta Interna nº 15 de 20 de maio de 2005. (c) O Código Florestal e a Lei nº 10.165/2000 não exigem para o reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas averbação na matrícula do imóvel tampouco apresentação do ADA, e cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e do Supremo Tribunal Federal para justificar seu entendimento sobre a matéria. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 215 4 (d) Houve violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade que se constituem como verdadeiros anteparos jurídicos necessários à segurança das relações jurídicotributárias bem como à estrita obediência ao princípio da verdade material. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0434.008, de 04/11/2013, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário (fls. 97/106). É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2009 Nulidade do Lançamento. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Áreas Isentas. Tributação. Averbação. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária. A área de reserva legal deve estar averbada na matrícula do imóvel na data do fato gerador do ITR. Retificação dos Dados da DITR. Incabível a retificação dos dados da DITR quando não restar comprovado com documentos hábeis e idôneos conforme previstos na legislação tributária erro no preenchimento da declaração. Matéria não Impugnada – Áreas de Pastagem e Exploração Extrativa. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) Para a exclusão das áreas de preservação permanente, reserva legal, bem como as áreas cobertas de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, incluindo o Bioma Mata Atlântica, da incidência do ITR, é necessário a informação das áreas ambientais no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolizado dentro dos prazos previstos nos atos normativos do IBAMA. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 216 5 (b) Para a exclusão da área de reserva legal, fazse necessário a averbação tempestiva à margem da matrícula junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, conforme preceituam os artigos 16 e seus parágrafos e 44 e seu parágrafo único da Lei n° 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/89 e pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, art. 1°; RITR/2002, art. 12. (c) Constam nos autos Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, ART, Certidão de Registro, mas o Ato Declaratório Ambiental de 2011 não regulariza o exercício 2009, face à anualidade de sua apresentação. Por outro lado, a área de reserva legal só foi averbada na matrícula em 16/06/2010. (d) Não sendo comprovada a isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas nativas mediante a apresentação do ADA protocolado no prazo previsto em ato normativo do Ibama, não há como atender o pleito do contribuinte. (e) Por fim, no que diz respeito à glosa da área de exploração extrativa e área de pastagem não comprovadas, o contribuinte nada questionou. Dessa forma, considerase não impugnada essas matérias, vez que não foram expressamente contestadas, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67 da Lei nº 9.532/1997. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 146/163), no dia 19/08/2015, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (a) A recuperação da espontaneidade deferida mediante decisão unânime lavrada pelo Acórdão n. 0434008 devolveu ao contribuinte o direito de retificar sua declaração originária na Impugnação, operandose efeito ex tunc, isto é, desde a data anterior ao início da ação fiscal, possibilitando ao contribuinte realizar a retificação da declaração do ITR sem os efeitos do lançamento tributário, isto é, sem a aplicação da multa de ofício de 75% e seus consectários legais. (b) Deve ser aplicada a súmula 75 do CARF que dispõe que “a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo”, ficando afastado, no caso em julgamento, o óbice do enunciado n° 33 do CARF que prevê que “a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. (c) O contribuinte é proprietário do imóvel rural com área total de 6.229,7 hectares, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), sob a matrícula n° 16.860, possuindo 2.333,2 hectares (350 ha e 1.983,2 ha) a título de reserva legal, 68,5 hectares de área de preservação permanente, e, ainda, é detentor de área remanescente coberta por florestas nativas primárias, correspondente a 3.822,0 hectares, conforme a certidão de inteiro teor do imóvel, o Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica e o Ato Declaratório Ambiental (documentos ns. 03, 04 e 05 coligidos à defesa). (d) Entretanto, o contribuinte deixou de considerar as áreas informadas na declaração do ITR, pois, segundo a Receita Federal, para a comprovação de tais áreas, seria imprescindível a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, documento que na ocasião da Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 217 6 feitura da declaração original não estava disponível, pois o IBAMA somente veio a expedilo no ano de 2011, conquanto o requerimento do Termo de Averbação de Reserva Legal tenha sido protocolado na Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão – SEMA. (e) A Lei 9.393/96 que disciplina o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na redação anterior ao advento da Lei 12.651/2012 (novo Código Florestal), não traz em seu bojo a exigência de prazo para averbação de reserva legal, tampouco a exigência de Ato Declaratório Ambiental – ADA para comprovação da área de reserva legal, de preservação permanente e coberta por florestas nativas. (f) A única exigência prevista no antigo Código Florestal, aplicável à espécie, era a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis respectivo, sem estipulação de qualquer prazo para fazêlo (Medida Provisória n. 21667 que alterou a Lei 4.771/65, então em vigor, no início do procedimento fiscal). (g) E mesmo a Lei 10.165/2000, que alterou o art. 17O da Lei 6.938/81, não ventilou qualquer exigência à observância de prazo para requerimento do ADA, não se podendo cogitar em impor como condição à isenção, a data de sua requisição/apresentação. (h) No caso do imóvel em questão, a averbação da de 350,0 hectares de Reserva Legal foi efetivada no Cartório de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), em 18 de agosto de 2004, e o restante, em 16 de junho de 2010, antes do início da ação fiscal, já sendo o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E, quanto à área de preservação permanente e a área remanescente coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, suficiente à comprovação o Laudo Técnico de Avaliação do imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, com apresentação de mapas e imagens captadas por satélite. (i) Assegurando a observância do princípio da verdade material, erigido ao status de lei, a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (j) A averbação da área de reserva legal, no Cartório de Imóveis competente, desde que realizada antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal, já é o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E mesmo o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir o benefício fiscal no âmbito do ITR, também no que diz respeito à área de preservação permanente. (k) Dessa forma, o imóvel em questão, possui área de preservação permanente correspondente, a qual, mesmo sendo dispensada por lei a averbação em cartório, dispõe também de laudo técnico elaborado por profissional habilitado devidamente reconhecido pelo CREA, sendo meio hábil de prova, suficiente ao êxito da presente discussão. (l) E, tratandose de área de preservação permanente devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, ainda que não apresentado o Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivamente, impõese o reconhecimento da aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar em observância ao princípio da verdade material. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 218 7 Ao final, requereu a procedência do apelo para: (a) Declarar a nulidade do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIFR sob o n. 6.401.4835, relativo ao exercício de 2009, em face da espontaneidade readquirida, reconhecendo a existência da área de reserva legal, tendo em vista que a averbação da respectiva área foi devidamente realizada na respectiva matrícula do imóvel, em data anterior ao início da ação fiscal, no quantitativo discriminado no presente recurso e já apresentado na defesa. (b) Declarar, a nulidade do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIFR sob o n. 6.401.4835, relativo ao exercício de 2009, em face da espontaneidade readquirida, reconhecendo a existência da área de preservação permanente, devidamente declarada no Ato Declaratório Ambiental – ADA, em data anterior ao início da ação fiscal, no quantitativo discriminado no presente recurso e já apresentado na defesa. (c) Declarar a nulidade do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIRF sob o n. 6.401.4835, relativo ao exercício de 2009, em face da espontaneidade readquirida, reconhecendo a existência da área coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, devidamente declarada no ADA – Ato Declaratório Ambiental, em data anterior ao início da ação fiscal, no quantitativo discriminado no presente recurso e já apresentado na defesa; (d) Alternativamente, somente na eventualidade desse Conselho não acolher o pedido de anulação do crédito tributário do ITR, determinar que a autoridade fiscal promova a correta desoneração do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIRF sob o n. 6.401.4835, referente ao exercício de 2009, em face da espontaneidade readquirida, e da existência dos documentos necessários à comprovação da existência das áreas de reserva legal, de preservação permanente e aquelas cobertas por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, anteriores ao início da ação fiscal, nos quantitativos discriminados no presente recurso e já apresentados na defesa. (e) Caso assim não entenda esse respeitável Conselho Administrativo, tendo em vista que já houve o reconhecimento da requisição da espontaneidade tributária da ora recorrente, que conceda ao contribuinte o direito de retificar a declaração original do ITR, relativa ao exercício de 2009 do imóvel cadastrado na Receita Federal do Brasil, sob o NIRF n. 6.401.4835, ante a existência das áreas de reserva legal, cobertas por floresta nativa (primária) e de preservação permanente no aludido imóvel, uma vez que não há como o contribuinte promover a retificação, já que o sistema da Receita Federal está indisponível para alteração/retificação de dados. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 219 8 Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/7. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Conexão Esclareço que, nos termos do art. 6°, § 1°, I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, o presente processo é conexo aos processos destacados abaixo, pois versam sobre exigência de crédito tributário e pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, todos relativos ao imóvel com Código Fiscal sob o n° 0.047.4460, diferenciandose, entre eles, apenas em relação ao período em questão: Processo Exercício Imóvel 10320.721704/201201 2008 NIRF 6.401.4835 10320.721706/201291 2010 NIRF 6.401.4835 A discussão posta nos autos é pertinente, ainda, para os processos mencionados abaixo, pois possuem idêntica fundamentação de direito, embora relacionadas a fatos distintos, por se tratarem de imóveis distintos, conforme tabela abaixo: Processo Exercício Imóvel 10320.721698/201283 2008 NIRF 0.047.4460 10320.721699/201228 2009 NIRF 0.047.4460 10320.721700/201214 2010 NIRF 0.047.4460 10320.721701/201269 2008 NIRF 1.661.6359 10320.721702/201211 2009 NIRF 1.661.6359 10320.721703/201258 2010 NIRF 1.661.6359 10320.721707/201236 2008 NIRF 6.569.2071 10320.721708/201281 2009 NIRF 6.569.2071 10320.721709/201225 2010 NIRF 6.569.2071 Em todo o caso, os argumentos trazidos pelo contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, são similares, diferenciandose apenas em relação ao período, e por vezes alterando, cirurgicamente, a ordem de alguns parágrafos ou acrescentando excertos jurisprudenciais. Por fim, destaco que todos os processos mencionados acima foram distribuídos a este Relator. 3. Considerações iniciais O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 220 9 interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pelo interessado. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, constato que não encontrei nenhum vício que macula o lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada, sendo o imposto e sua base de cálculo apurados com base na declaração apresentada pelo contribuinte à Receita Federal. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). Assim, passo a analisar o mérito. 4. Mérito Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 221 10 4.1. Sobre a possibilidade de retificar a declaração após iniciada a ação fiscal, ou mesmo procedido o lançamento A teor do disposto nos arts. 142 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) e 10 e 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, tem se que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei n° 9.393/96). Iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda de espontaneidade, nos termos do art. 7° do Decreto n° 70.235/72. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. A propósito, é ver a redação do artigo 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Na hipótese dos autos, o contribuinte, após iniciada a ação fiscal, vem procurando retificar a declaração objeto da autuação, o que é vedado pelo dispositivo legal em comento, impossibilitando o acolhimento de seu pleito. Ainda que se considere a reabertura da espontaneidade do sujeito passivo, a denúncia espontânea deve vir acompanhada da declaração retificadora, e, antes do lançamento de ofício. Após esse prazo, a questão deve ser resolvida na Impugnação, com a análise dos argumentos postos pelo contribuinte para afastar o lançamento tributário e que, sendo sua pretensão acolhida pelo Colegiado, excluirá integralmente ou determinará o recálculo do imposto a pagar, com a retificação da declaração pela unidade da RFB responsável pelo cumprimento do decisum. 4.2. Da exigência do Ato Declaratório Ambiental para as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Áreas Cobertas por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração Como se observa do relato introdutório, o cerne da questão posta nos autos é a discussão sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por florestas nativas, bem como a necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Inicialmente, sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal, e Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 222 11 cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, cumpre esclarecer, o que dispõe a Lei nº 9.393/96, a respeito do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, conforme redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) O Decreto n° 4.382/02, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, tratou da área tributável da seguinte forma: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 223 12 III de reserva particular do patrimônio natural (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b"); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c"). § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000). Ademais, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.165/00, passou a prever: Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 224 13 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Apesar da previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, entendo que o dispositivo não pode ser analisado isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA. Pela interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, e § 7° da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81, entendo que a exigência do ADA para fins de isenção do ITR diz respeito apenas às seguintes áreas: (a) de reserva particular do patrimônio natural; (b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput do artigo 10 do Decreto n° 4.382/02; (c) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Nas hipóteses acima, sendo o ADA exigido para fins de fruição da isenção, não cabe ao julgador afastar sua obrigatoriedade, invocando o princípio da verdade material, mormente em se tratando de exigência atinente ao ITR, de caráter nitidamente extrafiscal e que almeja a proteção do meio ambiente aliada à capacidade contributiva. Isso porque, muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Contudo, entendo que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal ou ambiental, estão excluídas da exigência do ADA para fins de fruição da isenção, em virtude do caráter interpretativo do disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96 e que trata expressamente dessas áreas. Ainda que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal, estejam mencionadas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02, a interpretação deve ser sistemática, excluindo a obrigatoriedade em razão da análise conjunta com o disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96. Tratase de aparente antinomia, resolvida pelo intérprete mediante o emprego da interpretação sistemática. A propósito, no tocante às áreas de preservação permanente e de reserva legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 225 14 geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR1, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Temse notícia, inclusive, de que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR, relativamente aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, tendo a referida orientação incluída no item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). Já no tocante às áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, entendo que se encontram excluídas da exigência do ADA em virtude da ausência de sua menção no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Tratase de interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, “e”, da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81. Ainda que se considere o fato de que a introdução da exclusão da referida área da base de cálculo do ITR somente sobreveio com a vigência da Lei nº 11.428, de 2006, que incluiu a alínea “e”, no inciso II, do § 1°, da Lei nº 9.393/96, e que o Regulamento do ITR é do ano de 2002, época em que não havia, portanto, a referida previsão legal, não é possível a utilização do recurso da analogia para criar obrigações tributárias, sob pena de desrespeito ao art. 108, § 1°, do CTN. Se não houve a alteração formal da legislação, não cabe ao intérprete criar obrigações não previstas em lei. Ademais, ressalto, novamente, que a previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, não pode ser analisada isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA, não sendo o caso das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, por não estarem previstas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Dessa forma, ao contrário da decisão de piso, entendo que não cabe exigir o protocolo do ADA para fins de fruição da isenção do ITR das áreas de preservação permanente, reserva legal e das áreas cobertas por florestas nativas, bastando que o contribuinte consiga demonstrar através de provas inequívocas a existência e a precisa delimitação dessas áreas. Se a própria lei não exige o ADA, não cabe ao intérprete fazêlo. E no tocante à questão probatória, reforço que o Laudo Técnico, referente ao ano de 2007, emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 54/70), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 71 e 76), identificou as áreas pertinentes ao imóvel denominado “Fazenda Vale do Rio Ourives II”, elucidadas no demonstrativo abaixo: 1 É ver os seguintes precedentes: REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007; REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004; AgRg no REsp 1.395.393/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 31/03/2015. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 226 15 Exercício 2009 Demonstrativo do AI Distribuição da Área do Imóvel Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2008 Área Total do Imóvel 6.229,7 6.229,7 6.229,7465 Área de Preservação Permanente 68,5529 Área de Reserva Legal 2.333,2425 Área Coberta por Florestas Nativas 3.822,0505 Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2008 Área de Pastagens 5.636,0 Área de Exploração Extrativa 579,7 O conjunto probatório acostado aos autos, ao meu juízo, permite atestar, com segurança, a existência dessas áreas, notadamente em razão dos seguintes documentos apresentados em sede de Impugnação: (a) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), constatando no Livro n° 2 do Registro Geral de Imóveis da Comarca, na matrícula n° 16.860, que após levantamentos técnicos procedidos pelo Resp. Técnico – CREA – 1346/DPIVisto: 788MA – Gerson dos Santos Rodrigues, constatouse que a área encontrada foi de 6.229,7465 ha e não 6.382,1387 ha (fls. 46). (b) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), afirmando que, no Livro n° 2 de Registro Geral de Imóveis (Registro Geral), na matrícula n° 16.860, registro n° 03, em data de 31 de agosto de 2004, há o registro de uma Gleba de terras situada neste município, denominada Fazenda Vale do Rio Ourives (01), localizada no lugar Ourives, com uma área de 6.229,7465 ha (fls. 53). (c) Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural – NIRF 6.401.4835 emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 54/70), referente ao ano de 2008, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 71 e 76). (d) Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal TRARL, protocolizado junto à Sec. Est. Meio Ambiente (fls. 83). (e) Mapa de Uso do Solo, discriminando as áreas de Reserva Legal, Preservação Permanente, Remanescente e Benfeitorias, devidamente assinado por Engenheiro Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 74), informando que as coordenadas foram obtidas a partir de GPS de navegação (fls. 72). Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 53/69), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 46, 53 e 83. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 54/70) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 227 16 Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. 4.3. Da exigência da prévia averbação de reserva legal no registro de imóveis como condição para a isenção do ITR No que diz respeito à necessidade prévia de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão para a isenção do Imposto Territorial Rural, prevista no art. 10, II “a”, da Lei n° 9.393/96, o Superior Tribunal de Justiça2 pacificou as seguintes teses: (a) É indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo a averbação, para fins tributários, eficácia constitutiva; (b) A prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; e (c) É desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois essa área é delimitada a olho nu. Dessa forma, para a exclusão da área de reserva legal do cálculo do ITR, exigese sua averbação tempestiva e antes do fato gerador. Interpretação diversa não se sustenta, pois a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, que dispõe sobre a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal do cálculo do ITR, redação vigente à época, fazia referência às disposições da Lei nº 4.771/65 do antigo Código Florestal. E, ainda, o § 8° do art. 16 do Código Florestal exigia que a área de reserva legal fosse averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro competente. É ver a redação do dispositivo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. 2 STJ EREsp: 1310871 PR 2012/02329655, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 23/10/2013, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 04/11/2013. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 228 17 A referida exigência, consta, ainda, expressamente no art. 12, § 1°, do Decreto n° 4.382/02, in verbis: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Também a Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) prevê a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, conforme se observa do art. 167, inciso II, nº 22: Art. 167 No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos. (...) II a averbação: (...) 22. da reserva legal. Assim, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de reserva legal, é imprescindível a averbação prévia da referida área na matrícula do imóvel, sendo o ato de averbação dotado de eficácia constitutiva, posto que, diferentemente do que ocorre com as áreas de preservação permanente, não são instituídas por simples disposição legal3. Apesar do § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96, dispensar a prévia comprovação da área de reserva legal por parte do declarante, nada mais fez do que explicitar a natureza homologatória do lançamento do ITR, não dispensando sua posterior comprovação que só perfectibiliza mediante a juntada do documento de averbação, em razão de sua eficácia constitutiva. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis, antes do fato gerador, deve ser exigida, portanto, como requisito para a fruição da benesse tributária, sendo uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR4. Isso porque, o ITR é um imposto que concilia a arrecadação com a proteção das áreas de interesse ambiental, e o incentivo à averbação da área de reserva legal vai ao encontro do desenvolvimento sustentável, por criar limitações e exigências para a manutenção de sua vegetação, servindo como meio de proteção ambiental. Também aqui, entendo que não cabe ao julgador invocar o princípio da verdade material, mormente em atenção à extrafiscalidade do ITR, pois muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 3 Nesse sentido: STJ EREsp 1027051/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 21.10.2013. 4 Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 229 18 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Não cabe, pois, invocar a verdade material para o descumprimento de uma exigência legal e que está em consonância com a preservação do meio ambiente, aspecto ínsito ao caráter extrafiscal do ITR. A jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vem adotando o mesmo entendimento, ao exigir a averbação de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador, como requisito para a isenção do ITR: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. (CARF Processo nº 10660.724592/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.977 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2017). ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção TERCEIRA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2301004.866 Data de decisão: 18/01/2017) ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de reserva legal da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2202004.311 Data de decisão: 04/10/2017). ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. A averbação tempestiva é requisito indispensável à isenção de ITR para área de reserva legal. No caso dos autos a averbação ocorreu 2 anos após a ocorrência do fato gerador. Embargos Acolhidos. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 230 19 (CARF Segunda Seção QUARTA CMARA PRIMEIRA TURMA ECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2401004.436 Data de decisão: 12/07/2016) ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, na data anterior ao fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2201003.027 Data de decisão: 12/04/2016 ) Cumpre destacar, ainda, que o Código de Processo Civil de 2015, com aplicação subsidiária ao processo administrativo, por força de seu artigo 15, estimula a integridade das decisões proferidas, ao recomendar que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente” (art. 926 do NCPC/15). Por fim, observo que o contribuinte alega que, no caso do imóvel em questão, a averbação da área de 350,0 hectares de Reserva Legal foi efetivada no Cartório de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), em 18 de agosto de 2004, e o restante, em 16 de junho de 2010, antes do início da ação fiscal, já sendo o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito à isenção garantido pela Lei n° 9.393/96. Conforme exposto, endosso o entendimento de que para o exercício do direito à exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR, é imprescindível a averbação da área à margem da matrícula do imóvel, antes do fato gerador, por ser ato constitutivo da própria reserva, não importando que a emissão do Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal tenha ocorrido antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal. De fato, compulsando os autos, notadamente o documento de fls. 45, que consiste na Certidão de Inteiro Teor do Imóvel de matrícula n° 16.860, resultado da fusão dos registros anteriores de n° 15.816, 15951 e 15.952, verifico que consta o gravame de 350,0 hectares, como de utilização limitada, não podendo ser nela feita qualquer tipo de autorização sem autorização do Ibama, valendo para o proprietário, seus herdeiros ou sucessores. Dessa forma, entendo que o contribuinte comprovou apenas no tocante à área de 350,0 hectares, a averbação da área de reserva legal no registro competente (fls. 45), anteriormente ao fato gerador, possibilitando a fruição do direito à isenção do ITR, relativamente a essa área, por se tratar de obrigação propter rem, devendo, contudo, ser mantida a glosa para o restante. 4.4. Da Área Ocupada com Benfeitorias Úteis e Necessárias Destinadas à Atividade Rural A recorrente discorre, brevemente, em seu petitório inicial, alegando ser proprietária do imóvel rural com área total de 6.229,7 ha, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), possuindo 8,0 ha como área de benfeitorias (estradas). Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 231 20 Contudo, tratase de questão não renovada nesta instância revisora, impossibilitando que seja oferecida à apreciação do Colegiado, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não se constata existir pedido expresso para a consideração desta área, limitandose em discorrer sobre as áreas de reserva legal, de preservação permanente e as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de revisar as informações na declaração do exercício de 2009, passando a constar as seguintes áreas, referentes ao imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 6.401.4835: (a) área de preservação permanente, no total de 68,5529 ha; (b) área remanescente coberta por florestas nativas, no total de 3.822,0505 ha; (c) área de reserva legal, no total de 350,0 ha. Esclareço que a unidade da RFB responsável pela execução do acórdão deverá proceder ao recálculo do imposto, segundo a legislação vigente à época dos fatos geradores, devendo a multa de 75% (setenta e cinco por cento) incidir sobre o saldo remanescente apurado. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar de seu voto na parte em que acolheu a comprovação da existência de área remanescente coberta por florestas nativas para fins de exclusão da área tributável do imóvel rural. A respeito dessa matéria controvertida, reproduzo excerto do voto do I. Relator: (...) Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 53/69), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 46, 53 e 83. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 54/70) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 232 21 à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. (...) Pois bem. Na origem, a revisão da declaração pela fiscalização foi motivada pela ausência de comprovação das áreas declaradas pelo contribuinte como utilizadas para fins de pastagens e de exploração extrativa, o que resultou na alteração de ofício dos dados e exigência de imposto suplementar. Por ocasião do contencioso administrativo, o recorrente não se insurgiu contra tal aspecto da declaração, mas sim afirmou que havia deixado de incluir tempestivamente na declaração anual as áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas do seu imóvel rural, calculando o imposto como se não houvesse áreas isentas. Nessa hipótese, em que o contribuinte alega erro no preenchimento da declaração, recai sobre ele todo o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito. Em outros dizeres, cabe ao interessado demonstrar através de documentação hábil e idônea a existência das áreas, bem como o cumprimento dos requisitos legais para a exclusão da tributação. Para os imóveis rurais nos quais há áreas cobertas por florestas nativas, prescreve o art. 10, § 1º, inciso II, alínea "e", da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10320.721705/201247 Acórdão n.º 2401005.572 S2C4T1 Fl. 233 22 (...) Como se observa do texto da Lei nº 9.393, de 1996, as áreas cobertas de florestas nativas são passíveis de exclusão do montante tributável por força de lei, desde que comprovado o estágio médio ou avançado de regeneração. Todavia, como assinala o I. Relator em seu voto, o laudo técnico acostado aos autos não permite inferir que a área coberta por florestas nativas encontrase em estágio médio ou avançado de regeneração, tal qual exigido em lei. Não se trata de inovação no julgamento em instância recursal, porque a área coberta por florestas nativas não havia sido declarada e, portanto, não foi objeto de avaliação pela autoridade fazendária. Por isso, tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico do lançamento fiscal. Ao interpor o recurso voluntário, toda a matéria correspondente foi devolvida à apreciação pelo órgão de segunda instância administrativa. Na falta de comprovação pelo contribuinte que a área do imóvel cumpre os requisitos legais, inviável a sua exclusão para fins de redução do imposto devido. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tão somente uma área de preservação permanente e uma área de reserva legal, respectivamente, no total de 68,5529 ha e 350,0 ha. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920520/2009-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2008
DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado.
DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ NÃO COMPROVADAS. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MANUTENÇÃO.
Demonstrado e provado que a apresentação da DCTF retificadora não foi comprovada nos autos o que implicou a não comprovação da certeza e liquidez do crédito (indébito) financeiro reclamado e utilizado na compensação, mantém-se a não homologação da Dcomp.
Numero da decisão: 9303-006.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2008 DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ NÃO COMPROVADAS. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MANUTENÇÃO. Demonstrado e provado que a apresentação da DCTF retificadora não foi comprovada nos autos o que implicou a não comprovação da certeza e liquidez do crédito (indébito) financeiro reclamado e utilizado na compensação, mantém-se a não homologação da Dcomp.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ NÃO COMPROVADAS. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MANUTENÇÃO. Demonstrado e provado que a apresentação da DCTF retificadora não foi comprovada nos autos o que implicou a não comprovação da certeza e liquidez do crédito (indébito) financeiro reclamado e utilizado na compensação, mantémse a não homologação da Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 20 /2 00 9- 72 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.920520/200972 Acórdão n.º 9303006.978 CSRFT3 Fl. 170 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3803006.317, de 23 de julho de 2014, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. nos termos das seguintes ementas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/02/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre." Inconformado com o não reconhecimento do crédito financeiro pleiteado e, consequentemente, com a não homologação da Dcomp, o contribuinte interpôs Recurso Especial, requerendo a baixa dos autos em diligência à Unidade de origem para que seja comprovada a regularidade do crédito financeiro utilizado por ele na Dcomp em discussão, sob a alegação de divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 330201.406, apresentado como paradigma. Expendeu extenso arrazoado sobre a violação aos princípios da legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, visando provar seu direito de retificar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) que comprovaria a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp, ainda que transmitida depois de intimado do despacho decisório que não a homologou. Por meio do despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 247/249, o recurso especial do contribuinte foi admitido. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões requerendo o seu desprovimento, alegando, em síntese, que o próprio contribuinte reconhece que, até a data da ciência do despacho decisório, não apresentou DCTF retificadora; a retificadora apresentada em data posterior à da intimação do despacho decisório não pode ser acolhida como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida para apontar erros Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10880.920520/200972 Acórdão n.º 9303006.978 CSRFT3 Fl. 171 3 que teriam sido cometidos na análise do crédito financeiro pleiteado pelo contribuinte, em relação às informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, na data de emissão do despacho decisório. A simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz prova, por si só, nesta fase recursal, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios do alegado erro. Assim, o recurso deve ser improvido. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em litígio, conforme consta do despacho de admissibilidade do recurso especial e confirma a ementa do acórdão paradigma apresentado, restringese à retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não homologou a Dcomp. Em seu recurso especial, o contribuinte alega que retificou a DCTF e que a retificadora comprova a certeza e a liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão. Alegou ainda que, em face dos princípios da legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, a retificação ainda que efetuada depois de intimado do despacho decisório que não homologou a Dcomp produz todos os efeitos tributários, inclusive, provando a certeza e liquidez do crédito financeiro dela decorrente. Ao contrário do seu entendimento, conforme demonstrado e provado, no voto condutor do acórdão recorrido, a não homologação da Dcomp teve como fundamento a falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na compensação, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, e não a falta de aceitação da DCTF retificadora. Também, ao contrário de sua alegação, de que apresentou DCTF retificadora depois de intimado do despacho decisório, do exame dos autos, nenhuma declaração foi encontrada. Aliás, nem a original foi apresentada, assim como não foram apresentadas cópias dos documentos fiscais e contábeis, comprovando o alegado erro no valor do débito tributário declarado cuja retificação resultaria o indébito tributário, ou seja, o crédito financeiro declarado na Dcomp. Assim, não tendo o contribuinte demonstrado e provado que retificou a DCTF, mediante a apresentação da cópia da retificadora transmitida, não há que se falar em indébito tributário (crédito financeiro) passível de restituição/compensação. À luz do exposto, NEGO provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.002634/2007-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/02/2007
FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOA-FÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boa-fé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 3001-000.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/02/2007 FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOA-FÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boa-fé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/02/2007 FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOAFÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boafé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 26 34 /2 00 7- 61 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 99 2 O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1745.679 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II / SP DRJ/SP2, que, em sessão de julgamento realizada no dia 27.10.2010, julgou improcedente a impugnação, para considerar totalmente procedente o auto de infração em questão. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (fls. 51 a 57), que segue transcrito: Relatório Trata se de auto de infração pela entrega fora do prazo do Registro de Manifesto de carga consolidada NVOCC nº 007/023.435, na Equipe de Manifesto, referente ao conhecimento de carga master nº EISU3407000O9025, emitido pelo transportador de carga PETROTANK S A., e ao conhecimento de carga house nº BUE/STS07159, emitido pelo consolidador de carga SOUTHATLANTIC MARITME S A, representando pelo desconsolidador de carga MERIDIONAL MARÍTIMA LTDA., sendo a carga descarregada do navio HANIHE, atracado Porto de Santos, em 26 de fevereiro de 2007. A fiscalização fundamentou o auto nos artigos 37 e 107, IV, “e” do DecretoLei nº 37/66 com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, e com a regulamentação da ordem de serviço Alf/Sts nº 4/2001. Por intermédio do presente auto de infração, cobrouse a multa de R$ 5.000,00 pela entrega intempestiva. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 100 3 Intimada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação e documentos, alegando em síntese: * Inexistência de prejuízo à Fazenda Nacional, manifesto entregue em prazo complementar. * Descabimento da multa em face da denúncia espontânea. * Ordem de serviço nº 4 fere o principio da reserva legal, instituído no artigo 97, V do CTN. * Desproporção da multa, ferindo os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Posteriormente a interessada protocolizou petição requerendo aplicação retroativa do disposto na MP 479, de 27/07/2010, em face da denúncia espontânea. É o relatório. Da ementa da Decisão de 1ª Instância A 2ª Turma da DRJ/SP2, ao julgar improcedente a impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/02/2007 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. Cabível a multa por atraso na entrega, prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, regulamentada pelo art. 37 da IN SRF nº 28/94, quando o registro do manifesto for entregue fora do prazo determinado na legislação em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs, às fls. 62 a 70, recurso voluntário para aduzir que: (i) ao contrário do que sustenta a decisão recorrida, o caso em exame configura a denúncia espontânea que exclui a aplicação da penalidade discutida; pois, na espécie, tratase de auto de infração com imposição de multa administrativa pela apontada prestação extemporânea e/ou corrigida de informações no Sistema da Receita; (ii) o caso é de retificação das informações prestadas pelo requerente, cuja inserção de dados no sistema Siscomex ocasionou seu bloqueio, mas que tal ocorrera antes da lavratura do auto de infração ora impugnado; Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 101 4 (iii) no presente caso não há nenhum ato por escrito da autoridade aduaneira anterior a 28.02.2007, data do fato gerador da obrigação questionada; logo, na espécie, o procedimento fiscal só foi iniciado após as informações do requerente, circunstância que caracteriza a denúncia espontânea que gerou a cobrança impugnada; (iv) a Medida Provisória 497 de 27.07.2010, alterou o parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966; (v) a nova norma legal vigente reconhece que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa, exatamente como é o caso destes autos; (vi) o Código Tributário Nacional (CTN) determina, de forma taxativa, em seu artigo 106, a aplicação retroativa da nova norma, quando esta deixar de definir uma conduta como infração ou quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, exatamente como o caso dos autos; (vii) a teor do § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, com a redação dada pela MP 497/2010, combinado com o artigo 106 do CTN, impõese que seja julgado improcedente o lançamento fiscal ora impugnado; (viii) que a retificação das informações no Siscomex se deu por fatos alheios à da impugnante; (ix) somente a partir da correção/retificação, pelo requerente, das informações anteriormente enviadas, é que a fiscalização impõe a penalidade combatida, pelo suposto atraso na prestação de informações, quando o que ocorreu não foi atraso, mas sim, simples retificação; (x) com fundamento na Solução de Consulta 218 de 17.08.2004, da SRRF/9ª RF, sempre que o transportador tem necessidade de alterar dados no Siscomex, que não dificulte ou impeça a fiscalização, nenhuma penalidade lhe pode ser aplicada, tanto que o procedimento de Carta de Correção é permitido pelo Regulamento Aduaneiro; (xi) não obstante a fundamentação no sentido de que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável (artigo 94 do DL 37/66), a jurisprudência pátria tem caminhado no sentido de que a presunção de boafé do contribuinte ou responsável é verdadeira causa de exclusão de ilicitude, alcançando também o direito administrativo, tributário e aduaneiro, principalmente se e quando, como é o caso em discussão, cuja conduta não implica em absolutamente nenhum dano ao erário público. Diante do exposto, requer que seja reformada a decisão recorrida, julgandose totalmente improcedente o lançamento fiscal impugnado, determinando, outrossim, o arquivamento do presente processo. Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental (fl. 89). É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 102 5 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 25.11.2010 tomou conhecimento da Intimação nº 395/2010 (fl. 59) dandolhe conta do teor do acórdão vergastado, é o que depreendese do aviso de recebimento "AR" juntado à fl. 59 verso. Irresignado com a decisão nele assentada, em 09.12.2010, junta o presente recurso voluntário, é o que depreendese do protocolo da Alfândega do Porto de Santos constante da sua "Folha de Rosto" (fl. 62). Concluise no caso sob exame, após cotejar as datas acima mencionadas, que peça recursal foi interposta no interstício legal de 30 (trinta) dias, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do litígio O autuado, cientificado da decisão de primeira instância, protocolou recurso voluntário para, notadamente, requer sejalhe aplicado o benefício da denúncia espontânea, nos moldes como assentado no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de1966, com a redação dada pela MP 497 de 27.07.2010, convertida na Lei 12.350 de 2010, combinado com o artigo 106 do CTN, bem como aduz, como excludente de ilicitude e, por conseguinte, de aplicação de penalidade, a presunção de boafé do contribuinte ou responsável, na medida em que, no caso em discussão, sua conduta não implicou em dano ao erário, pelo que pugna pela improcedência do lançamento fiscal que impõe a multa de que trata a alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003. Portanto, em síntese, o litígio cingese ao cabimento ou não da tese da excludente de responsabilidade pelas supostas (i) denúncia espontânea da infração e (ii) presunção de boafé do contribuinte. Do contexto jurídico da autuação De plano, cabe destacar que a aplicação da penalidade em comento foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 103 6 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) O Decretolei 37 de 18.11.1966, que trata do imposto de importação, reorganiza os serviços aduaneiros e dá outras providências, dispõe: (...) Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 2º Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 3º A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participar da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei nº 5.025, de 10 de junho de 1966. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 4º A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no caput. (Renumerado do Parágrafo único com nova pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) O Decreto 4.543 de 26.12.2002 RA/2002, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior, no que pertine à prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, dispõe: (...) Art. 24. A entrada ou a saída de veículos procedentes do exterior ou a ele destinados só poderá ocorrer em porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 104 7 § 1o O controle aduaneiro do veículo será exercido desde o seu ingresso no território aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens de viajantes. (...) Art. 27. As operações de carga, descarga ou transbordo de veículo procedente do exterior poderão ser executadas somente depois de formalizada a sua entrada no País. § 1o Para efeitos fiscais, considerase formalizada a entrada do veículo quando emitido o termo de entrada de que trata o art. 31. (...) Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente. Art. 31. Após a prestação das informações de que trata o art. 30, e a efetiva chegada do veículo ao País, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. (...) A Portaria MF 30 de 25.02.2005, publicada no DOU de 04.03.2005, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, dispõe: (...) Art. 250. Aos Delegados da Receita Federal e, no que couber, aos Inspetores e aos Chefes de Inspetoria, incumbe: (...) II editar atos relacionados com a execução de serviços, observadas as instruções da SRRF sobre a matéria tratada; (...) Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 105 8 A Instrução Normativa/SRF 115 de 16.11.1984, publicada no Diário Oficial da União em 20.11.1984, que regulamenta a visita aduaneira a embarcações procedentes do exterior, dispõe: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, SUBSTITUTO, no uso de suas atribuições, considerando a necessidade de uniformizar a visita aduaneira a veículos procedentes do exterior, de que trata o Art. 37, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, em particular a visita de embarcações resolve, 1. A chegada de embarcação, em navegação de longo curso ou de grande cabotagem, deverá ser informada, pelo agente da empresa de navegação à repartição aduaneira da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o porto, com antecedência mínima de 12 (doze) horas. 2. Informada, a autoridade aduaneira determinará a visita, que deverá ser realizada por Fiscal de Tributos Federais (FTF), acompanhado por representante da empresa de navegação credenciado perante a repartição aduaneira. 3. Durante o ato de visita, o FTF deverá solicitar do comandante da embarcação os documentos exigidos pela legislação pertinente, proceder às lacrações necessárias e lavrar o Termo de Visita. 3.1 A não apresentação dos documentos. citados neste item implicará suspensão da visita impedindo a realização pela embarcação de quaisquer operações portuárias (carga, descarga, etc.). 4. As normas deste Ato aplicamse, no que couber, inclusive nos portos fluviais e lacustres, às embarcações de recreio, de esporte e outras procedentes do exterior ou da Zona Franca de Manaus. 5. O Coordenador do Sistema de Fiscalização baixará normas complementares necessárias à execução do presente Ato. 6. Esta Instrução Normativa entrará em vigor a partir de 1º de dezembro de 1984. A Ordem de Serviço ALF/STS 4 de 05.11.2001, publicada no Diário Oficial da União em 16.11.2001, dispõe: (...) Art. 2º O agente desconsolidador deverá efetuar a entrega de um manifesto, relativo a toda a carga conteinerizada de sua responsabilidade, no Grupo de Manifesto na Importação (GMAN), da Equipe de Visita, Busca, Vigilância Aduaneira e Manifesto (EQVIB), através de formulário próprio, conforme modelo do anexo I, em duas vias, e acompanhadas de: I cópia do(s) conhecimento(s) "master" original(ais) respectivo(s);e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 106 9 II vias não negociáveis dos conhecimentos filhotes e, se houver, dos "submasters", assinadas pelo NVOCC emissor. § 1º O prazo para a apresentação do manifesto a que se refere este artigo é o que vai desde as 48 horas úteis, antes da previsão de atracação do navio, até o final do expediente do dia útil seguinte ao de sua efetiva atracação. Do contexto fático da autuação Da "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" que integra o auto de infração de fls. 01 a 06, a efetiva conduta que motivou a imputação ao agente de carga, desconsolidador, da penalidade em apreço foi o registro de manifesto, no setor competente, fora do prazo determinado pela legislação em vigor. Para a absoluta evidenciação dos fatos, transcrevese os seguintes trechos da referida peça acusatória: (...) Em 28 de FEVEREIRO de 2007, o agente de carga MERIDIONAL MARÍTIMA LTDA, devidamente qualificado neste Auto, protocolizou, conforme determina a Ordem de Serviço Alf/Sts nº 04/2001, o Registro de Manifesto de Carga Consolidada NVOCC nº 007/023.435 (fls. de 07 a 09), na Equipe de Manifesto (Eqman), referente ao conhecimento de carga "master" nº EISU340700009025, emitido pelo transportador de carga PETROTANK S.A., e ao conhecimento de carga "HOUSE" nº BUE/STS07l59, emitido pelo consolidador de carga SOUTHATLANTIC MARITIME S.A., representado no Brasil pelo desconsolidador de carga MERIDIONAL MARITIMA LTDA, sendo estes conhecimentos referentes as cargas descarregadas do navio "HANIHE", atracado no Porto de Santos, em 26 DE FEVEREIRO DE 2007, conforme Termo de Visita Aduaneira Nº 007/023.435 Eqvib/Plantão (fl. 10). (...) Apesar de o Agente de Carga ter entregue o Registro de Manifesto no setor competente (Eqman), fêlo fora do prazo determinado pela legislação em vigor que, de acordo com o artigo acima, é de até 48 horas úteis, antes da previsão de atracação do navio, até o final do expediente do dia útil seguinte ao de sua efetiva atracação. No caso concreto, o navio atracou em 26 de FEVEREIRO de 2007, sendo, portanto, 0 prazo para cumprimento da obrigação acessória até o final do expediente do dia 27 de FEVEREIRO de 2007. (...) Não nos resta dúvida de que, ao não prestar as informações previstas na legislação estabelecida pela Secretaria da Receita Federal, através da Ordem de Serviço ALP/STS nº 04, no prazo exigido, o agente de carga, que neste caso caracterizase por ser desconsolidador de carga, deixou de atender a uma obrigação acessória, convertendose esta em obrigação principal. Pois, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 107 10 como determina a alínea "e" do inciso IV do art. 107 acima citado, o fato de o agente de carga deixar de prestar a informação das operações que execute, dentro do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, implicará na multa de R$ 5.000,00 (Cinco Mil Reais). (...) Desta feita, constatase que o registro do manifesto de carga em apreço deu se extemporaneamente e que é equivocada a alegada retificação de informações. Quanto à primeira constatação, como visto no caso em exame, o desconsolidador de carga, Meridional Marítima Ltda., protocolou o "Registro de Manifesto de Carga Consolidada NVOCC 007/023.435" em 28.02.2007 (fls. 07 a 09), conquanto o navio "HANIHE", proveniente do exterior (Buenos Aires), já encontravase atracado no Porto de Santos, desde o dia 26.02.2007, conforme elucida o "Termo de Visita Aduaneira Nº 007/023.435 Eqvib/Plantão" (fl. 10). Perscrutando a legislação tributária aplicável, tal providência deveria ter sido protocolada pelo agente de carga responsável até o final do expediente do dia 27.02.2007, como corretamente assinalou a autoridade fiscal atuante, fato, digase, não contestado pelo recorrente. Quanto à segunda constatação, que referese à suposta retificação das informações prestadas pelo requerente, cuja inserção de dados ocasionou bloqueio no sistema Siscomex, este, para justificar seu entendimento, alega que no caso sob escrutínio inexistiu qualquer ato por escrito da autoridade competente elaborado anteriormente a 28.02.2007, data em que considera que o procedimento fiscal teve início, pois, sob sua ótica, somente depois de haver protocolado o referido "Registro de Manifesto de Carga", ou seja, que prestou referidas informações, é que a autoridade aduaneira veio a conhecer os fatos que culminaram na presente autuação fiscal. Como dito, equivocase o recorrente, não se trata de retificação de informação já prestada à autoridade aduaneira, tal como ocorre, por exemplo, nos casos de alteração dos dados referentes à carga descarregada/desconsolidada, o que de fato ocorreu foi a entrega tardia do manifesto relativo à desconsolidação da carga descarregada do navio "HANIHE", que estava sob sua responsabilidade, cujo prazo estava previsto no parágrafo 1º do artigo 2º da Ordem de Serviço ALF/STS 4 de 05.11.2001, que estipulava, como derradeiro o final do expediente do dia útil seguinte ao de sua efetiva atracação. Portanto, conforme restará demonstrado, é indiscutível que o recorrente praticou a conduta infracionária narrada no auto de infração em apreço, bem assim, que a conduta praticada subsumese concretamente à hipótese da infração descrita na legislação de regência transcrita. Aliás, é de enfatizar que com relação à materialidade da infração mencionada inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pelo recorrente. Da denúncia espontânea da infração. O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que com a alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 108 11 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. A denúncia da infração não restou configurada, haja vista que o "Registro de Manifesto de Carga Consolidada NVOCC nº 007/023.435", efetuado junto à "Equipe de Manifesto" (Eqman) da ALP/STSSP, ocorreu em 28.02.2007 (fl. 07), portanto, após a atracação/entrada do veículo transportador no TECON/Santos, efetivada em 26.02.2007, conforme demonstra o "Termo de Visita Aduaneira Nº 007/XXXX Eqvib/Plantão (fl. 10), lavrado em conformidade com artigo 37 do Decretolei 33 de 1966, por sua vez, regulamentado pela IN/SRF 115 de 16.11.1984, que, segundo preceituava o parágrafo 3º do artigo 612 do Decreto 4.543 de 2002 (RA/2002), afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade. Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria o recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea. A fim de justificar porque a penalidade ora objetada não comporta o instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, que fundamentou a decisão consignada no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 109 12 exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 110 13 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 111 14 Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em suma, em se tratando de multas aduaneiras, a denúncia espontânea possui tratamento expresso e específico. Com efeito, reproduzse, a seguir, os preceitos dos artigos 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 Regulamento Aduaneiro à época vidente e do atualmente em vigor, qual seja o 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 112 15 § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 2o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, com exceção das aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Da singela leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que o instituto da denúncia espontânea passou, depois do ano de 2010 e em alguns casos, a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, esta mesma regra é expressa ao determinar, desde a vigência do Regulamento Aduaneiro de 2002, que depois de formalizada a entrada do veículo procedente Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 113 16 do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o contribuinte prestou as informações exigidas apenas após a atracação do navio no porto brasileiro. Como bem pontuou o auto de infração, ao noticiar que em 28 de FEVEREIRO de 2007, o agente de carga MERIDIONAL MARÍTIMA LTDA, devidamente qualificado neste Auto, protocolizou, conforme determina a Ordem de Serviço Alf/Sts nº 04/2001, o Registro de Manifesto de Carga Consolidada NVOCC nº 007/023.435 (fls. de 07 a 09), na Equipe de Manifesto (Eqman), referente ao conhecimento de carga "master" nº EISU340700009025, emitido pelo transportador de carga PETROTANK S.A., e ao conhecimento de carga "HOUSE" nº BUE/STS07l59, emitido pelo consolidador de carga SOUTHATLANTIC MARITIME S.A., representado no Brasil pelo desconsolidador de carga MERIDIONAL MARITIMA LTDA, sendo estes conhecimentos referentes as cargas descarregadas do navio "HANIHE", atracado no Porto de Santos, em 26 DE FEVEREIRO DE 2007, conforme Termo de Visita Aduaneira Nº 007/023.435 Eqvib/Plantão (fl. 10). Da presunção de boafé do contribuinte O recorrente desenvolve argumento no sentido de ver excluída a penalidade imposta sob a justificativa da presunção da sua boafé, ainda mais que no caso em discussão sua conduta não implicou em dano ao erário. Entretanto, inexistindo qualquer previsão normativa de redução ou afastamento da multa aplicada pela prática da infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, por boafé do infrator. Tratase, como visto ao longo deste voto, de multa não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, dotada de natureza objetiva, sendo que para ser aplicada basta a confirmação da irregularidade, in casu, da entrega fora do prazo do Registro de Manifesto de carga consolidada NVOCC 007/023.435, independentemente da intenção do agente. Salientese, a lei não confere qualquer âmbito de discricionariedade ao agente administrativo, nem ao julgador, no tocante à dosimetria da multa, em face da infração ora examinada, a fim de aplicála ou não, sendo o bastante que se caracterize a situação descrita na legislação de regência para que haja a aplicação da penalidade. Da natureza da obrigação acessória A própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo de eventual tributo a ser exigido. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância convertese em principal, relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º do artigo 113 do CTN). Dessa forma, com fulcro no retrocitado preceito legal, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, conforme corretamente descrita no auto de infração. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11128.002634/200761 Acórdão n.º 3001000.387 S3C0T1 Fl. 114 17 De arremate, o argumento de prejuízo ao erário se esvai quando se analisa a multa tributária sob o aspecto objetivo. Isso porque, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Noutros termos, quedase alheia à vontade do contribuinte e/ou responsável ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o artigo 136 do Código Tributário Nacional. Da conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pelo recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720173/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.992
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 01 73 /2 01 1- 31 Fl. 59190DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59191DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59192DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59193DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59194DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59195DF CARF MF Processo nº 10410.720173/201131 Acórdão n.º 3401004.992 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660378/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 78 /2 01 2- 02 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660378/201202 Acórdão n.º 3401004.779 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001366/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração para dirimir contradição, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1401-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, dar-lhes provimento, sem efeitos infringentes, para dirimir a contradição levantada, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO. Acolhem-se os embargos de declaração para dirimir contradição, sem efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, dar-lhes provimento, sem efeitos infringentes, para dirimir a contradição levantada, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO. Acolhemse os embargos de declaração para dirimir contradição, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, darlhes provimento, sem efeitos infringentes, para dirimir a contradição levantada, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 66 /2 01 0- 33 Fl. 701DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela DEINFSPO. Afirmase que a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o Acórdão nº 1401001.742, incorreu em face do Acórdão nº 1401001.809, de 21 de março de 2017, proferido pela Primeira Turma Ordinária desta Câmara, sob os seguintes fundamentos: a) o acórdão em questão deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, por entender que a conta de Reserva de Capital não deve ser excluída para fins de cálculo do limite de pagamento de JCP estipulados pela legislação tributária; b) entretanto, seguindo seu arrazoado, a relatora colaciona, logo abaixo, trecho de ementa do Acórdão nº 1401001.742, de 05/10/2016, que também foi reproduzido na ementa do próprio acórdão embargado, que contradiz o que acabara de defender, tanto que nesse acórdão foi negado o recurso voluntário do contribuinte. Na espécie, afirma a embargante: "estes Embargos de Declaração têm por intuito a correção da contradição apontada no presente acórdão, no intuito de mantêlo inteiramente coerente com os fundamentos do voto e a ementa". Demonstrada, a contradição entre a decisão (voto e ementa do acórdão) e seus respectivos fundamentos, os embargos foram admitidos e encaminhados para julgamento pelo colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Relatora Os embargos são tempestivos, para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência dos vícios apontados. Da leitura do relatório, verificase que há contradição a ser sanada a fim de alinhar a ementa ao conteúdo do voto. Conforme anotado na fundamentação do voto objeto destes embargos, o Recurso Voluntário foi julgado procedente: Em primeiro lugar, porque o cálculo do limite de pagamento de JCP toma em consideração todas as contas do patrimônio líquido do contribuinte, o que inclui o capital social, antes ou após a capitalização das Reservas de Capital, havendo previsão legal para a exclusão apenas da Reserva de Reavaliação e da Reserva de Especial expressamente tratadas no parágrafo 8o. do artigo 9 o da Lei n° 9.249/95 e no artigo 29, parágrafo 2 o , da IN/SRF n 11/96. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 1401002.678 S1C4T1 Fl. 702 3 Em segundo lugar porque, se as Reservas de Capital são incorporáveis ao capital social, e são, ainda, passíveis de utilização para compensar prejuízos do mesmo modo que se passa com os lucros acumulados e com as reservas de lucros, e, o que é mais importante, assumem a mesma natureza econômica dos ingressos financeiros que compõem o lucro líquido, devem compor o cálculo do limite de JCP, pois consistem, inequivocamente, em capital próprio dos sócios. Já por esse motivo, portanto, mesmo que válidas as premissas da Fiscalização, o que, em face dos fatos e fundamentos jurídicos ora deduzidos, o cálculo de JCP adotado pela autuação esta incorreto, e merece reparos ao menos em parte, por não dispor de fundamento legal no que tange à exclusão da Reserva de Capital do montante sobre o qual se deve aplicar a TJLP para fins de apuração do limite de pagamento de que trata o artigo 9o, caput, da Lei n° 9.532/95. Afim de dirimir quaisquer dúvidas a respeito do conteúdo do decidido, acrescento à fundamentação do voto que o art. 9o. da Lei 9.249/95, instituiu a figura dos JCP com o intuito de estimular o investimento de capital nas empresas e desestimular o financiamento das atividades operacionais mediante empréstimos de terceiros ou dos próprios sócios, que levariam ao endividamento das empresas, a não distribuição de dividendos aos acionistas e ao pagamento de juros dedutíveis da base tributável do IRPJ. Portanto, aduz razão ao Recorrente quando menciona que não há razão para se excluir a reserva de capital da apuração do patrimônio líquido que serve de base de cálculo para o cálculo dos JCP, porque essa reserva não é transitória e não está sujeita a nenhuma condição legal para ser incorporada ao capital, ao contrário do que ocorre, por exemplo, com a reserva de reavaliação que recebe todo um tratamento da legislação tributária, que exige a tributação no momento de sua realização. Também não há dúvida que a lei tributária determinou a dedução de despesa de JCP no anocalendário do pagamento ou crédito, pois é nesse ano, precisamente 2006, que a despesa de JCP é conhecida e incorrida pelo regime de competência. Além disso, demonstrado que a Recorrente cumpriu com o que estabelece a Lei 9.249/95, quando aduz que os JCP estão limitados a (i) 50% dos lucros do próprio exercício, antes de computada a respectiva dedução, ou (ii) a 50% dos lucros acumulados e reservas de lucros, podendo ser utilizado o maior limite entre (i) e (ii), tendo computado os JCP e o limite de pagamento conforme quadro abaixo reproduzido do Recurso Voluntário, descrevendo a impropriedade da glosa. Fl. 703DF CARF MF 4 Neste sentido, resta demonstrado que a reserva de capital foi indevidamente excluída do cálculo do JCP, razão pela qual merece reforma a decisão de piso. Ante o exposto, acolho os embargos, sem efeito infringentes, apenas para aprimorar seus fundamentos no que se refere a procedência do recurso retificar sua ementa nos seguintes termos: Ementa: REGIME DE COMPETÊNCIA. Ainda que os juros sobre o capital próprio pudessem ser pagos/creditados ao titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica em um determinado período base, relativamente ao patrimônio líquido de períodos base anteriores, a respectiva despesa com esses juros deverá ser atribuída aos períodos anteriores, em observância ao regime de competência. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — LIMITE DEDUÇÃO. O montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução para efeitos de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social limitase ao maior dos seguintes valores: 50% (cinqüenta por cento) do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros; ou 50% (cinqüenta por cento) do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros. Conheço, pois, os embargos nesse item para, no mérito, darlhes provimento, sem efeitos infringentes, apenas para dirimir contradição. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 1401002.678 S1C4T1 Fl. 703 5 Fl. 705DF CARF MF
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