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Numero do processo: 19740.900034/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material.
Nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008 a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.069
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material. Nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008 a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 00 34 /2 00 9- 15 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 19740.900034/200915 Acórdão n.º 3201003.069 S3C2T1 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo da Declaração de Compensação – Dcomp nº 31877.52519.190109.1.3.041202, por meio da qual a contribuinte em epígrafe realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose do crédito no valor de R$ 197.187,69, relativo ao DARF de Cofins de Entidades Financeiras e Equiparadas (código 7987), recolhido em 20/06/2007, no valor R$ 903.526,97. Em 07/10/2009, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro – Deinf/RJ emitiu o despacho decisório de nãohomologação da compensação (rastreamento nº 848606547), pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins (código 7987) do período de apuração de maio de 2007, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito informado na DCOMP acima citada. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 20/10/2009 e apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade por meio da qual sustenta a existência do crédito informado na Dcomp. Alega que “em 22/09/2003, impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.61.000268000 (doc. 03), postulando o reconhecimento do seu direito de não se submeter à majoração da alíquota de COFINS imposta pelo artigo 18 da Lei nº 16.684/2003, posteriormente reiterada pelo inciso I do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, tendo depositado os valores em discussão em conta vinculada àquele feito.” Argumenta, também, que na DCTF retificadora apresentada em 18/09/2009 (antes da emissão do despacho decisório contestado) a Cofins do período de apuração de maio de 2007 foi declarada no valor total de R$ 941.785,71 da seguinte forma: R$ 235.446,43, suspenso por depósito judicial efetuado em conta vinculada ao MS citado; e R$ 706.339,28, liquidado com o DARF recolhido em 20/06/2007, no valor total de R$ 903.526,97. Diz que recolheu indevidamente (por meio do DARF) a quantia de R$ 197.187,69 e que referido crédito consta demonstrado em planilha elaborada pelo contador responsável, na qual é evidenciada a base de cálculo da contribuição, e, também, em sua escrituração contábil (Livro Razão e Balancete). Pede, à vista do exposto, o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação efetuada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0649.598, sessão de 22/10/2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 19740.900034/200915 Acórdão n.º 3201003.069 S3C2T1 Fl. 4 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/Dcomp, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. CONDIÇÕES. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte apresenta recurso voluntário com argumentos que repisam mesmo conteúdo da sua impugnação e outros que combatem a decisão recorrido. Em síntese suscita: A decisão da Delegacia de Julgamento é nula, pois indeferiu o direito creditório sob o único fundamento de que o DARF recolhido, do qual decorria pagamento a maior, tinha sido integralmente alocado em DCTF [a original]; Antes da prolação do despacho decisório [07/10/2009] procedeu à retificação da DCTF [18/09/2009] informando o débito da Cofins de maio/2007, que confrontando com a originalmente transmitida revela um valor a menor, de R$ 941.785,71, que caracteriza seu direito creditório; Anexou à manifestação de inconformidade (i) demonstrativo da base de cálculo da Cofins de maio/2007, assinada pelo contabilista responsável pela escrituração, (ii) cópias de folhas do livro Razão com a demonstração da "reversão de provisão" e lançamento a crédito de conta do ativo da parcela a compensar da Cofins decorrente dessa reversão, e (iii) parte do balancete que espelhava o saldo das contas; No acórdão, a DRJ limitouse a asseverar que a contribuinte não comprovou materialmente o indébito bem como a base de cálculo do débito da Cofins; Os julgadores reconheceram a existência de documentos que indicavam a contabilização do alegado indébito, contudo, se lhes restavam dúvidas quanto à validade da DCTF retificadora e dos documentos acostados aos autos, deveriam converter o julgamento em diligência; Requer que a nulidade da decisão da DRJ não seja pronunciada, pois entende que seu direito creditório é "fulgurante"; Materialmente, o direito creditório advém das exclusões permitidas de que trata o inciso II, do § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e que, relativamente ao mês maio/2007, deduziu da base de cálculo a título de "sinistros efetivamente pagos" quantia menor que a assegurada pelo dispositivo legal, o que ocasionou o preenchimento incorreto da DCTF, elevando o valor a pagar da Cofins; Fl. 136DF CARF MF Processo nº 19740.900034/200915 Acórdão n.º 3201003.069 S3C2T1 Fl. 5 4 Após as correções, resultou que os "pagamentos de indenizações por sinistros" no mês [sic] julho/2007 foram maiores, o que reduziu a Cofins devida de R$ 1.204.702,62 para R$ 941.785,71, do qual apurou valor de Cofins a maior, na quantia de R$ 197.187,69, tendo transmitindo a DCTF retificadora Demonstrara na impugnação, e também neste recurso, o erro em não adotar o valor correto da base de cálculo dos créditos das Contribuições, relativas ao ano de 2012, fato que importa a nulidade do lançamento; A comprovação da apuração descrita fazse por meio de balancete (fls. 128/130), elaborado conforme Resolução Normativa ANS nº 14/2007. A ausência de retificação do Dacon em nada fragiliza o direito creditório, vez que se trata de documento meramente informativo. O processo foi distribuído e encaminhado a este Conselheiro para prosseguimento, de forma regimental. Cumpre observar que em sede de manifestação de inconformidade não foi suscitada a nulidade do despacho decisório. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminar Nulidade do acórdão recorrido A recorrente argumenta que a decisão da Delegacia de Julgamento é nula pois indeferiu o direito creditório sob um único fundamento: o DARF recolhido, do qual decorria pagamento a maior, tinha sido integralmente alocado na DCTF original. Não assiste razão à recorrente quanto à nulidade da decisão, no termos requerido, conforme denotase dos excertos do seu voto: No caso, a compensação não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado na DCOMP não existia, ou seja, na DCTF utilizada para a emissão do despacho decisório o DARF de Cofins (recolhido em 20/06/2007) indicado como origem do crédito para compensação estava totalmente utilizado para a quitação de um débito que foi validamente declarado em DCTF. Em contrapartida, na manifestação a contribuinte alega que o débito de Cofins de maio de 2007 é menor do que aquele que foi inicialmente declarado. Inicialmente [sic] a o referido débito havia sido declarado no valor de R$ 1.204.702,62 (com o valor de R$ 301.175,65 vinculado à ação judicial e com o depósito Fl. 137DF CARF MF Processo nº 19740.900034/200915 Acórdão n.º 3201003.069 S3C2T1 Fl. 6 5 efetuado) e a interessada afirma que ele é de R$ 903.526,97 (com o valor de R$ 235.446,43 vinculado ao depósito judicial), de forma que o valor incontroverso foi reduzido de R$ 903.526,97 (R$ 1.204.702,62 – R$ 301.175,65) para R$ 706.339,28 (R$ 941.785,71 – R$ 235.446,43), resultando em um suposto crédito de R$ 197.187,69 (R$ 903.526,97 – R$ 706.339,28). Em que pese a existência de DCTF retificadora em 18/09/2009 (antes da emissão do despacho decisório contestado) o fato é que a contribuinte não logrou êxito em comprovar materialmente o indébito tributário alegado e nem tampouco a base de cálculo do referido débito de Cofins, nos termos em que previstos no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN. É bem verdade que a interessada juntou ao processo uma planilha demonstrativa da base de cálculo da contribuição e algumas fichas do Livro Razão que indicam a contabilização do indébito alegado. No entanto, referidos documentos, não comprovam por si sós o crédito alegado, uma vez que a interessada não apresentou os documentos contábeis que evidenciam o valor efetivo da base de cálculo da contribuição em discussão. Em adição, e corroborando a necessidade de evidenciação do valor devido da contribuição, a ser realizado com base nos documentos contábeis da empresa, anotese que o único Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon do período (entregue em 06/07/2007) contradiz a tese da interessada, uma vez que em citado demonstrativo a Cofins de maio de 2007 consta declarado no exato valor de R$ 1.204.702,62. Ressaltese que, no presente caso, o ônus da prova cabe à contribuinte, pois a legislação pátria adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato constitutivo, impeditivo ou modificativo do direito. Citada interpretação pode ser depreendida da leitura do artigo 16, III, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e cujo rito processual deve ser adotado para a situação de fato (conforme previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, com as modificações da Lei 10.833/2003), e do artigo 333, do Código de Processo Civil (...) Constatase no entendimento do relator que, em realidade, o voto aponta para o motivo da não homologação da compensação expresso no despacho decisório, qual seja, o crédito indicado não existia, pois o DARF encontravase totalmente utilizado para quitação de débito declarado, não restando valor com direito a compensar. Os fundamentos eram a DCTF original. As razões de decidir dos julgadores a quo fundamentaramse na inexistência de conjunto probatório, ainda que se considerasse a DCTF retificadora, que ficou aclarada no enunciado da ementa ao expressar que "a retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN)". Fl. 138DF CARF MF Processo nº 19740.900034/200915 Acórdão n.º 3201003.069 S3C2T1 Fl. 7 6 Assim, para a decisão recorrida, a recorrente apresentou duas declarações, em que a segunda DCTF retificadora substituiu a original. Daí decorre que há divergência material de valores informados pela contribuinte que somente poderiam ser aceitos se restassem plenamente comprovados por documentos hábeis acostados nos autos que sustentassem os demonstrativos e cópias do livro Razão. Ademais, tratandose de direito creditório, inconteste que a prova era da contribuinte que alegara direito creditório. Acerca das nulidades, cumpre transcrever os dispositivos que regem a matéria no processo administrativo fiscal, o art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Com efeito, nulo seria o ato administrativo se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, situação que não se caracteriza nos autos. Não se colocou em dúvida a competência dos julgadores, não houve preterição do direito de defesa, vez que os julgadores enfrentaram todos os argumentos da manifestação de inconformidade da contribuinte capacitandoa a se defender plenamente através do presente recurso voluntário. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos requisitos legais apontados, não se enquadrando, portanto, em nenhum daqueles citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, os fatos suscitados que ensejam a nulidade serão enfrentados com mais profundidade no mérito, a seguir. Com essas considerações, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Mérito O cerne da questão é em verdade o valor apurado da Cofins no mês maio/2007, cujo montante incontroverso apontado na DCTF original era de R$ 903.526,97 e reduziuse a R$ 706.339,28, na DCTF retificadora, transmitida em 18/09/2009. Da diferença decorre o valor alegado como crédito a ser compensado, de R$ 197.187,69, demonstrado no quadro: COFINS DCOMP DOCUMENTO DCTF Paga (DARF) Pago a maior Crédito declarado direito creditório Despacho decisório (DCTF original) 903.526,97 903.526,97 zero 197.187,69 não há Despacho decisório (DCTF retificadora) 706.339,28 903.526,97 197.187,69 197.187,69 197.187,69 Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente, após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 19740.900034/200915 Acórdão n.º 3201003.069 S3C2T1 Fl. 8 7 No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se à recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 19740.900034/200915 Acórdão n.º 3201003.069 S3C2T1 Fl. 9 8 Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada não se admitem retificações de DCTF tendentes a reduzir tributo previamente confessado quando a cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operou se ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: " Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rel. Min. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 19740.900034/200915 Acórdão n.º 3201003.069 S3C2T1 Fl. 10 9 Ilmar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Conclusão Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o despacho decisório, por vício material. É como voto. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.008101/2006-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. TERMO DE RESPONSABILIDADE COM PODER PÚBLICO. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ART. 16, §§8º E 10 DA LEI
Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel e, nos casos de ser mero possuidor, haver comprovação pelo contribuinte da celebração de Termo de Responsabilidade com o Poder Público antes da ocorrência do fato gerador.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA
É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal e desde que comprovada a existência da área deduzida.
Numero da decisão: 9202-005.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL JOSE SUHAIL DE REZENDE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. TERMO DE RESPONSABILIDADE COM PODER PÚBLICO. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ART. 16, §§8º E 10 DA LEI Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel e, nos casos de ser mero possuidor, haver comprovação pelo contribuinte da celebração de Termo de Responsabilidade com o Poder Público antes da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal e desde que comprovada a existência da área deduzida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 81 01 /2 00 6- 10 Fl. 191DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2002. Conforme termo de "descrição dos fatos e enquadramento legal" (fls. 17 e seguintes) a autuação pode assim ser resumida: Da análise dos documentos apresentados, pudemos extrair, para efeito fiscal do fato gerador do ITR/2002, referente ao imóvel supraqualifiçado, que, das áreas de 948,2ha e 682,0 ha, informadas pelo contribuinte nos itens 02 e 03, do quadro 08, da Ditr/2002, respectivamente, como áreas de preservação e de utilização limitada, do tipo reserva legal, que, desta última, 672,lha encontramse averbados à margem da inscrição de matrícula do imóvel no CRI de Doverlândia.GO, comarca de Caiapônia.GO, conforme AV11.201 gravada à margem daquela matrícula em 21 de setembro de 1.990. Em consonância com a legislação ambiental, sobretudo, com os dispositivos da Lei 4.771/65 (Código Florestal) e suas alterações introduzidas pela MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, o Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002, em especial, nos seus arts. 12 e 14, caput's e §§, exige, notadamente, para as áreas de utilização limitada, dos tipos reserva legal e servidão florestal, que elas devem estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel no competente registro de imóveis, na data de ocorrência do respectivo fato gerador do ITR, a fim de que a interessada possa gozar do benefício de excluílas das demais áreas tributáveis do imóvel. O contribuinte não apresentou, na sua remessa de documentos, aquele correspondente ao Ato Declaratório Ambiental ADA, do órgão competente, para satisfazer, plenamente, à condição de uso da prerrogativa de exclusão daquelas áreas de utilização limitada como de natureza não tributável. A leitura, feita pelo sistema da SRF no banco de dados do Ibama sobre os Atos Declaratórios Ambientais (ADA's), objeto de comunicação Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10120.008101/200610 Acórdão n.º 9202005.760 CSRFT2 Fl. 192 3 daquele Instituto à Coordenação de Fiscalização desta Secretaria, em 6.2.2006, por intermédio do ofício n" 31/2006 CCGREF, não apontou a certificação do ato ambiental, daquela de utilidade limitada, registrada pela contribuinte na Ditr/2002. Intimado o contribuinte apresentou impugnação (fls. 76) fundamentada, entre outros pontos, na desnecessidade de ADA para reconhecimento das áreas não tributáveis pelo ITR. Reitera as informações prestadas à autoridade fiscal, destacando a existência de comprovação da averbação das áreas de reserva legal e laudo técnico de avaliação do imóvel com a comprovação da área de preservação permanente. A Delegacia de Julgamento, diante da intempestividade do Ato Declaratório Ambiental, julgou improcedente a impugnação e manteve na íntegra o lançamento. Vale destacar o seguinte trecho do voto: Em Recurso Voluntário o Contribuinte ratificando os termos da impugnação e citando jurisprudência, reitera a existência das áreas não tributáveis. Por meio do acórdão nº 280100.758 a 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer como não tributáveis a área de reserva legal averbada antes da ocorrência do fato gerador, no total de 672ha, mantendose a glosa da área de preservação permanente . Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: A União, citando como paradigmas os acórdãos 30134352 e 39100037, interpôs recurso especial de divergência. Defende que a partir do exercício de 2001, é indispensável, para o reconhecimento das aludidas áreas isentas di ITR, a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA ou mesmo de requerimento do contribuinte Fl. 193DF CARF MF 4 para emissão deste junto ao órgão ambiental competente, haja vista a redação dada pelo art. 1º da kei 10.165/2000 ao art. 17O da lei nº 6.938/1981. Intimado da admissibilidade do recurso o contribuinte apresentou contrarrazões requerendo a manutenção do acórdão. Na mesma oportunidade apresentou o seu próprio recurso de divergência quanto a parte da decisão que lhe negou direito à área de preservação permanente, cita os acórdãos 30335.643 e 0304.244. Fazenda Nacional apresentou contrarrazões fundada na imprescindibilidade do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da área tributável pelo ITR. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Os recurso preenchem os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço, destacando que por se tratarem de matérias afins, a análise dos recursos será feita de foram conjunta. Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente e reserva legal do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10120.008101/200610 Acórdão n.º 9202005.760 CSRFT2 Fl. 193 5 Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; Fl. 195DF CARF MF 6 e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10120.008101/200610 Acórdão n.º 9202005.760 CSRFT2 Fl. 194 7 científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 197DF CARF MF 8 § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10120.008101/200610 Acórdão n.º 9202005.760 CSRFT2 Fl. 195 9 caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Em contrapartida, por força dos §§4º, 8º e 10 do art. 16 para caracterização de Área de Reserva Legal, além dos requisitos ecológicos, exigiase i) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda ii) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Faziase necessária a realização desses esclarecimentos, pois as diferenças formais apontadas traz impactos diretos no estudo dos requisitos para aplicação da não incidência do ITR especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA. No presente caso, nos interessa discutir acerca dos requisitos que devem ser cumpridos pelo Contribuinte para que reste caracterizada a não incidência do ITR sobre áreas classificadas como de Reserva Legal e Preservação Permanente: Do requisito da averbação: Considerando a redação da Lei nº 4.771/65 afirmase que o ato de averbação em nada afeta a constituição de uma área de preservação permanente a qual existe e pode ser comprovada por qualquer meio capaz de demonstrar que aquele imóvel ou parte dele está localizado em áreas com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. A própria Receita Federal do Brasil nos documentos "Perguntas e Respostas do ITR" manifestava expressamente no sentido de a legislação do ITR não exigir a averbação da área de preservação permanente no Cartório de Registro de Imóveis. Por outro lado a necessidade de averbação ou celebração de Termo de Ajustamento de Conduta, se for o caso, das áreas de Reserva Legal é exigência prevista na própria Lei nº 4.771/65, razão pela qual filiome a corrente cujo entendimento é no sentido de serem averbação e termo requisitos constitutivos da referida área. A averbação ou o termo é condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR o cumprimento desses requisitos devem ser anteriores à ocorrência do fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Fl. 199DF CARF MF 10 Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fim de não incidência do ITR a averbação no registro do imóvel ou a celebração de termo com o Poder Público em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito aplicável apenas à Área de Reserva Legal. Do Ato Declaratório Ambiental ADA: A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, é um pouco mais polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentase na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10120.008101/200610 Acórdão n.º 9202005.760 CSRFT2 Fl. 196 11 alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização Fl. 201DF CARF MF 12 de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento de que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR em qualquer circunstância APP e ARL, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção: 1) à Área de Preservação Permanente devidamente comprovada nos autos e cujo ADA foi apresentado antes do início da ação fiscal, e 2) à Área de Reserva Legal devidamente averbada à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Para a maioria o cumprimento destes requisitos formais supre a necessidade de apresentação do ADA. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente (NOVO) * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10120.008101/200610 Acórdão n.º 9202005.760 CSRFT2 Fl. 197 13 no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; Fl. 203DF CARF MF 14 (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10120.008101/200610 Acórdão n.º 9202005.760 CSRFT2 Fl. 198 15 IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Assim, partindose da premissa acima fixada, reiterando meu entendimento de ser o ADA instrumento dispensável para fins de não incidência do ITR e considerando as circunstâncias e provas juntadas aos autos concluo: 1) quanto à Área de Preservação Permanente: embora o contribuinte afirme que há nos autos comprovação da existência das áreas por meio de laudo técnico, o que temos é a ausência completa de provas neste sentido. Manuseando os autos, em especial os documentos que acompanharam a peça de impugnação não encontrei qualquer elemento que corroborasse com as afirmações do contribuinte. Desta forma, diante da não comprovação da existência da área declarada como de preservação permanente, devese manter neste ponto a incidência do imposto; e 2) quanto à Área de Reserva Legal: deve ser reconhecida a área devidamente averbada na matrícula do imóvel no total de 672,1 ha, haja vista a comprovação da respectiva averbação em 21/09/1990 (fls. 8), data anterior ao fato gerador. Fl. 205DF CARF MF 16 Assim, nego provimento a ambos os recursos para manter a decisão recorrida que reconheceu a existência da área de reserva legal no total de 672,1 ha e manteve a glosa da área de preservação permanente declarada. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 206DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720413/2015-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
LANÇAMENTO. PROCESSO JUDICIAL. DEPÓSITO EM MONTANTE INTEGRAL.
É regular o lançamento que objetiva prevenir a decadência de débito discutido judicialmente, mesmo que suspenso em razão de depósito no montante integral. Neste caso, as matérias estranhas aos temas submetidos ao crivo do judiciário podem e devem ter sua discussão administrativa regular, com a ressalva de que a exigência do débito lançado está limitada à decisão judicial definitiva.
PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS E RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO SINDICAL. EXISTÊNCIA.
Devidamente comprovada a participação sindical (sua convocação e presença), a simples negativa de assinatura motivada pela ausência e estipulação de taxa negocial, no acordo, não se perfaz em motivo para a desconsideração da participação do Sindicato.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
FATOR DE RISCO ACIDENTÁRIO - FAP
A contestação do Fator de Risco Acidentário atribuído a empresas deve ser objeto de demanda específica junto ao órgão competente do Ministério da Previdência Social.
Numero da decisão: 2201-003.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de PLR. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento ao recurso; e os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada
EDITADO EM: 28/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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PROCESSO JUDICIAL. DEPÓSITO EM MONTANTE INTEGRAL. É regular o lançamento que objetiva prevenir a decadência de débito discutido judicialmente, mesmo que suspenso em razão de depósito no montante integral. Neste caso, as matérias estranhas aos temas submetidos ao crivo do judiciário podem e devem ter sua discussão administrativa regular, com a ressalva de que a exigência do débito lançado está limitada à decisão judicial definitiva. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS E RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO SINDICAL. EXISTÊNCIA. Devidamente comprovada a participação sindical (sua convocação e presença), a simples negativa de assinatura motivada pela ausência e estipulação de taxa negocial, no acordo, não se perfaz em motivo para a desconsideração da participação do Sindicato. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FATOR DE RISCO ACIDENTÁRIO FAP A contestação do Fator de Risco Acidentário atribuído a empresas deve ser objeto de demanda específica junto ao órgão competente do Ministério da Previdência Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 13 /2 01 5- 80 Fl. 1163DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de PLR. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento ao recurso; e os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada EDITADO EM: 28/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração referente a diferenças de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, incidentes sobre a remuneração de empregados: O lançamento é relativo ao anocalendário de 2010 e, no Relatório Fiscal de fl. 22 a 35, é possível identificar sua motivação, que, em síntese, seria constituir o crédito tributário que decorre da diferença da alíquota GILRAT considerada devida pelo contribuinte e postulada judicialmente no processo 2010.61.05.0033706 (2%) e a devida nos termos da legislação de regência para o período (5,0877), aplicada sobre as bases de calculo que resultaram no lançamento de ofício objeto do processo 10830.720415/201579. Portanto, para o anocalendário de 2010, foram lançadas no presente processo a diferença de 3,0877%(5,0877 2) aplicada sobre as infrações à legislação tributária relativa a PLR e pagamentos a título de Previdência Privada, as quais, segundo a Autoridade Lançadora, não teriam observado os preceitos legais necessários à sua exclusão do conceito de salário de contribuição. Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10830.720413/201580 Acórdão n.º 2201003.787 S2C2T1 Fl. 1.164 3 Ressalta a Autoridade lançadora que, em decorrência da lide judicial, o fisco deve se abster de tomar qualquer medida tendente à exigência do crédito tributário enquanto persistir a condição suspensiva. Ciente do lançamento em 13 de fevereiro de 2015, conforme AR de fl. 04, inconformado, o contribuinte formalizou a impugnação de fl. 587 a 649, na qual apresentou as razões que amparam o seu pedido diligência, de improcedência total do lançamento ou o sobrestamento do presente até o desfecho da Ação Ordinária acima citada. A defesa se estruturou nos tópicos e razões abaixo resumidas: PRELIMINARMENTE DA NULIDADE DO PRESENTE AI (fl. 591/596) (...) Nesse sentido, data máxima vênia, mister reconhecerse que, no presente, caso, falhou a d. fiscalização em seu mister de apuração da verdade material dos fatos. (...) (fl. 593) Além disso, o AI ora combatido é nulo de pleno direito, por se revelar absolutamente desmotivado, conforme restará abaixo demonstrado. (...) (fl. 595) Assim, é forçosa a conclusão de que, no presente caso, não houve apropriada motivação fática e legal do lançamento fiscal, culminando, assim, na nulidade material insanável do AI ora resistido. (fl. 596) DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO : (fl. 597/602) Atualmente, a referida medida judicial encontrase sobrestada na secretaria do tribunal. (fl. 598) Como se vê, é nítida a existência de correlação entre a autuação fiscal ora rebatida e o objeto da Ação Ordinária nº 2010.61.05.0033706. Portanto, o deslinda da referida ação judicial tem implicação direta sobre o presente processo administrativo. DO DIREITO DA DECADÊNCIA PARCIAL DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EXIGIDOS (fl. 602) (...) Dessa forma, concluise que todo e qualquer suposto crédito tributário decorrente de fatos geradores anteriores a fevereiro de 2010 foi inequivocamente extinto pela decadência, nos estritos termos do art. 156. V, do mesmo Codex. (fl. 603) DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR (fl. 603) (...) Isso porque, muito embora os representantes sindicais não tenham assinado os Acordos de PLR dos estabelecimentos 54.625.819/000173 e 54.625.819/00289 (relativo ao PLR do Fl. 1165DF CARF MF 4 exercício de 2010), os pagamentos deverão ser considerados como legítimo PLR, uma vez que houve a devida participação sindical nas tratativas sobre o PLR, conforme restará abaixo demonstrado. (fl. 604) E com relação ao pagamento de PLR para a "Folha Confidencial", vale destacar que os representantes sindicais tinham ciência das regras diferenciadas para pagamento de PLR para tais empregados, posto que os Acordos de PLR aplicáveis aos empregados "em geral" da Impugnante continham cláusulas específicas (cláusulas estas ratificadas pelos Sindicatos competentes) em que restavam consignados que os PLRs para a "Folha Confidencial" seriam negociados em apartado. Logo, não há que se falar em inexistência de participação sindical também para tais pagamentos. (fl. 605) (...) Ocorre que, ao contrário do exposto pelo d. auditor fiscal, o Acordo de PLR que foi firmado entre a Impugnante e seus funcionários teve a participação e anuência do |Sindicato Metalúrgico competente, conforme se verifica dos Comunicados expedidos pela empresa informando ao Sindicados de todos os procedimentos realizados. (fl. 613) DO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA (fl. 619) (...) Dito de outro modo, a legislação apenas determina que a empresa ofereça o plano previdência privada a todos os seus funcionários, não a obrigando a realizar depósitos nas contas vinculadas no fundo de previdência de todos seus funcionários. (fl. 625) (...) Para justificar a incidência de contribuições previdenciárias, a d. fiscalização aduziu que a Impugnante somente realizaria contribuições (contrapartida) nos casos de contribuição normal e especial. (fl. 630) No entanto, deixou de verificar a d. fiscalização que a Impugnante é obrigada a realizar uma contribuição mínima creditada na conta coletiva do fundo de reserva do pleno de previdência privada concedido a todos os funcionários, sem distinção do tipo de contribuição escolhida pelo funcionário (denominada "Contribuição Coletiva"). . DA ILEGALIDADE DO AUMENTO DA ALÍQUOTA BÁSICA DO SAT (fl. 633) (...)não se pode admitir a majoração da alíquota básica do SAT tal como proposta pelo Decreto nº 6.957/2009, uma vez que tal majoração se mostra ilegal e inconstitucional, eis que não foi feita nos ermos da legalidade tributária prevista no art. 150, I, da Constituição Federal, nem nos termos do § 3º do art. 22 da Lei 8.212/91. (...) Assim a presente autuação deve ser cancelada, posto que a impugnante não pode ser obrigada a aplicar a alíquota básica de SAT de 3%, eis que a majoração da alíquota se mostra claramente ilegal. (fl. 638) Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10830.720413/201580 Acórdão n.º 2201003.787 S2C2T1 Fl. 1.165 5 DAS ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES DA INSTITUIÇÃO DO FAP (fl. 638) Conforme exposto na exordial da ação judicial em questão (doc. 03 pré citado), a instituição do FAP fere diversos princípios constitucionais que norteiam a tributação tais como os princípios da legalidade, da motivação, da razoabilidade, da proporcionalidade e da adequação, bem como o princípio da irretroatividade. A instituição do FAP fere também diversos princípios que norteiam a Seguridade Social tais como o princípio do equilíbrio financeiro e atuarial, o princípio da equidade na participação do custeio; o princípio da solidariedade e a regra de contrapartida. DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% (LIMITAÇÃO DA MULTA EM 20% EM RAZÃO DA NOVA LEGISLAÇÃO) (fl. 640) (...) Ocorre que, nos termos da mais balizada jurisprudência, resta pacificado o entendimento no tocante à impossibilidade de aplicação de multa de 75% nos casos de autuações relativas às contribuições referidas no art. 35 da Lei nº 8.212/91. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAR JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO (fl. 643) (...) Constatase, pois, que além de não haver qualquer fundamento legal para escorar o procedimento equivocado adotado pela fiscalização federal, o próprio órgão administrativo de julgamento apresenta jurisprudência firme, ratificada por sua instância superior, no sentido da completa impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. VI DA EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS RESPONSÁVEIS LEGAIS, SÓCIOS, DIRETORES, ETC. (...) Dessa forma, tendo em vista que no caso concreto não está diante de nenhuma das hipóteses previstas no art. 137 do CTN, bem como tendo em vista a revogação do art. 13 da Lei nº 8.620/93 pela Lei nº 11.941/09, requerse, desde já, a imediata exclusão dos referidos agentes do "Relatório de Vínculos" e do pólo passivo da presente autuação. (fl. 644) DA EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS RESPONSÁVEIS LEGAIS, SÓCIOS, DIRETORES, ETC. (fl. 645) (...) Dessa forma, tendo em vista que no caso concreto não está diante de nenhuma das hipóteses previstas no art. 137 do CTN, bem como tendo em vista a revogação do art. 13 da Lei nº 8.620/93 pela Lei nº 11.941/09, requerse, desde já, a imediata exclusão dos referidos agentes do "Relatório de Vínculos" e do pólo passivo da presente autuação. (fl. 647) Fl. 1167DF CARF MF 6 Na análise da impugnação, a 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto/SP considerou improcedente a impugnação, nos termos abaixo sintetizados: Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade e ilegalidade (fl. 970) À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade dos dispositivos legais, se estes ferem ou não os princípios de isonomia, estrita legalidade, anterioridade, capacidade contributiva e as limitações estatuídas na Carta Magna. Nulidade (fl. 971) A nulidade do lançamento sustentada pelo impugnante não pode ser acatada por nenhum de seus argumentos. Não houve análise superficial pela fiscalização dos documentos e dos lançamentos fiscais, conforme será demonstrado pelo tratamento de cada questão de mérito ao longo do presente voto. As questões que envolvem PLR e Previdência Privada não são matéria do presente processo, que trata tãosomente do lançamento da contribuição associada aos riscos ambientais do trabalho (GIILRAT e FAP). E a invocada determinação pelo STF de sobrestamento de processos alusivos ao FAP em face de questionamento de constitucionalidade pendente em sede de repercussão geral não abrange diretamente os processos administrativos, mas apenas os do âmbito judicial. Efeitos da existência de ação judicial e do depósito judicial (fl. 972) O único efeito que advém da interposição de ação judicial cujo objeto também é matéria do processo administrativo é a renúncia à instância administrativa no que se refere a essa matéria, que passa a ser restrita ao âmbito judicial, cuja solução definitiva irá determinar o resultado no âmbito administrativo. Matéria não apreciada (fl. 973) O impugnante apresenta argumentos em relação à não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de PLR e Previdência Complementar, porém, conforme já mencionado no item referente a delimitação da lide, tais argumentos não serão conhecidos em face de não integrarem diretamente o objeto do presente processo, que trata tãosomente do lançamento da contribuição associada aos riscos ambientais do trabalho (GIILRAT e FAP). Decadência (fl. 975) Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10830.720413/201580 Acórdão n.º 2201003.787 S2C2T1 Fl. 1.166 7 Portanto, há que se reconhecer a decadência do lançamento referente à competência janeiro/2010, para todos os estabelecimentos, excluindose os valores correspondentes. Limitação da multa (fl. 975) A multa de mora de 20% prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/1991, e no art. 61, da lei nº 9.430/1996, referese à situação de recolhimento em atraso de contribuição devidamente declarada pelo contribuinte, o que não foi o caso das contribuições lançadas de ofício no presente processo. Portanto, aplicase a multa de 75% conforme previsto na legislação. Juros de mora sobre multa de ofício (fl. 975) Pelo exposto, não se vislumbra na presente autuação a incidência de juros sobre a multa de ofício. A eventual cobrança em momento posterior, caso reconhecida a procedência do débito, encontrase amparada pela legislação de regência. (fl. 976) Relatório de Vínculos (fl. 976) Deve ser esclarecido que a inclusão dos sócios no relatório denominado “Relatório de Vínculos”, bem como no Relatório Fiscal, dáse em caráter meramente informativo, ou seja, ela não implica a colocação dessas pessoas físicas no pólo passivo da relação jurídica processual instaurada com a lavratura do presente Auto de Infração. Visa apenas instruir os autos com todas as informações necessárias ao trâmite administrativo e/ou judicial do processo. Diligência (fl. 976) No presente caso, todas as questões puderam ser apreciadas sem nenhum prejuízo, portanto há que se considerar qualquer diligência como prescindível para o deslinde do feito. Ciente do Acórdão da DRJ em 10 de maio de 2016, conforme Termos de fl. 982/983, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 987 a 1052, em 09 de junho de 2016, no qual, basicamente, reitera os mesmos tópicos e argumentos já expressos na impugnação, os quais serão tratados com mais detalhes no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Fl. 1169DF CARF MF 8 PRELIMINARMENTE DA NULIDADE MATERIAL DOS PRESENTES AIS (fl. 992) A recorrente entende que a decisão de piso deve ser reformada no tocante à violação da busca da verdade material, afirmando que é um dever da Administração Pública investigar, com base na realidade dos fatos, a efetiva existência dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Após citar doutrina sobre o tema, ressalta que a fiscalização falhou em seu dever de apuração da verdade material dos fatos, limitandose a examinar superficialmente os lançamento fiscais e documentos da recorrente. Não assiste razão à defesa, já que, como restou bem claro no Relatório e nas demais peças do processo, a autuação fiscal, basicamente, decorre da diferença de alíquotas do SAT discutidas judicialmente aplicadas sobre as bases de cálculo apuradas no processo administrativo nº 10830.720415/201579. Assim, não existia nada mais a ser avaliado pelo AuditorFiscal, pois a base de cálculo já havia sido apurada nos autos citados no parágrafo precedente. A partir daí, o Agente promoveu o lançamento exclusivamente para prevenir a decadência, reconhecendo os efeitos do processo judicial 2010.61.05.0033706. Assim, não há dúvidas de que as afirmações fiscais tem lastro documental, legal e fático que evidenciam a regularidade do lançamento e confirmam o acerto decisão recorrida. DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO (fl. 998) A recorrente reforça que pleiteou judicialmente objetivando não ser compelida ao recolhimento complementar da contribuição ao SAT, em virtude da aplicação do FAP e da indevida majoração da alíquota básica do SAT. Sustenta que seu processo aguarda análise de Recursos Especial e Extraordinário e que há, no STF, reconhecimento de repercussão geral de matéria constitucional que resultou no sobrestamento do feito. Afirma a nítida correlação entre a atuação fiscal ora combatida e a Ação Ordinária nº 2010.61.05.0033706, concluindo que tal lide judicial tem implicação direta sobre o presente processo administrativo. Em síntese, são estes os argumentos recursais. Como se viu no Relatório, a Autoridade Fiscal reconhece a existência da ação judicial indicada pelo contribuinte em seu Recurso, tanto que o presente lançamento está relacionado especificamente à diferença entre os débitos lançados no processo administrativo nº 10830.720415/201579, a título de SAT/RAT, apurados à alíquotas de 2%, e aqueles que seriam devidos se aplicada as nova alíquota prevista na legislação para o período, 5,0877%. Ainda no Relatório fiscal, é possível identificar a ressalva que, em razão do litígio judicial, o fisco deve se abster de tomar qualquer medida tendente à exigência do crédito tributário enquanto persistir a condição suspensiva. Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10830.720413/201580 Acórdão n.º 2201003.787 S2C2T1 Fl. 1.167 9 Portanto, exatamente por conta da alegada identidade entre os débitos ora em discussão e os valores depositados em juízo, é que os créditos tributários aqui lançados estão suspensos e assim permanecerão até que haja decisão definitiva do processo judicial. O que se tem é que tais diferenças devem ser objeto de lançamento fiscal exclusivamente para se prevenir a decadência, tudo nos termos do art. 63 da Lei 9430/96, que assim dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Não obstante, há um rito administrativo que não se mostra prejudicado pela situação atual do processo judicial, tampouco há amparo legal para que o procedimento administrativo seja suspenso. Muito embora, em particular nos casos de repercussão geral reconhecida pelo STF e pelo STJ em matéria constitucional, no âmbito do julgamento em 2ª Instância, havia possibilidade de tal sobrestamento (art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Contudo, o novo Regimento Interno do CARF não mais prevê tal possibilidade. Naturalmente, nestes casos, em razão da supremacia da decisão judicial sobre a administrativa, não há espaço para discussões relativas aos mesmo objeto e causa de pedir levados ao crivo do judiciário. É este o sentido da Súmula Carf abaixo transcrita: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não há amparo legal para o sobrestamento do presente feito administrativo, sendo certo que o crédito tributário aqui tratado estará suspenso até que concluído o julgamento do processo judicial, oportunidade em que, caso o contribuinte obtenha o provimento judicial definitivo, os débitos aqui lançados serão extintos, ao passo que, caso tenha negado o seu intento, os mesmos serão objeto de cobrança. Desta forma, nada a prover neste tema. DO DIREITO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (fl. 1003) Ressalta o contribuinte que nenhuma outra infração à Lei nº 10.101/2000 foi indicada pela fiscalização, a não ser a que chama de suposta inexistência de participação do representante sindical na formalização do PLR. (fl. 1004) Fl. 1171DF CARF MF 10 Alega que, muito embora os representantes sindicais não tenham assinado os Acordos de PLR, os pagamentos devem ser considerados como legítimo PLR, uma vez que houve a devida participação sindical nas tratativas do Plano. Quanto à "Folha Confidencial", destaca que os representantes sindicais tinham ciência das regras diferenciadas para pagamento de PLR a tais empregados, já que havia cláusula ratificada pelos |Sindicados competentes em que foi consignado que haveria negociação apartada. Apresenta argumentos teóricos, lastreado em texto legais e entendimentos judiciais e administrativos, sobre a partição dos empregados nos lucros da empresas para concluir que, pela imunidade constitucional, nem mesmo seria necessária a existência de acordo de PLR para viabilizar tal pagamento. A seguir, já analisando os termos da Lei 10.101/2000, o Recorrente enumera três determinações básicas para implantação do benefício, quais sejam (fl. 1008): (a) o acordo de PLR deverá ser feito mediante negociação entre a empresa e seus empregados, por meio de comissão escolhida entre as partes, convenção ou acordo coletivo; (b) dos instrumentos decorrentes das negociações deverão advir regras claras e objetivas; e (c) a entidade sindical deverá participar/ter ciência das negociações. Sustenta que, apesar de não haver assinatura do represente sindical no corpo dos Acordos de PLR relativos aos estabelecimentos 000173 e 002893, que teria apresentado à fiscalização cópia das Atas de Reuniões, as quais comprovariam a participação dos representantes sindicais e cópia das comunicações entregues ao sindicado comunicando as negociações. fl. 1015. Afirma que o Sr. Sidalino Orsi Júnior, representante sindical, participou de todas as reuniões relativas à negociação do PLR para o ano de 2010, concluindo que a questão da inexistência de assinatura do representante sindical nos Acordos teria sido superada. Em relação ao PLR da "Folha Confidencial", afirma que, da mesma forma, houve a ciência e anuência do sindicato, em razão da existência de cláusula que previa definições de metas e fórmula de pagamento definidas de forma diferenciada (Cláusula Quinta, reproduzida em fl. 1016). Em síntese, são estes os argumentos recursais. Como bem pontuado pelo Julgador de 1ª Instância, a matéria em tela tem reflexo apenas indireto no presente processo, que cuida exclusivamente de diferenças de alíquotas Sat/RAT, já que o seu mérito é objeto do processo nº 10830.720415/201579. Vale ressaltar que, embora os presentes autos sigam apensados ao processo de nº 10830.720414/201524, decerto que deverão ser aplicados aos débitos ora em discussão os mesmos reflexos das conclusões sobre a procedência ou não do lançamento discutido nos autos citados no parágrafo precedente. Observandose, adicionalmente, as limitações impostas pela discussão objeto da Ação Ordinária nº 2010.61.05.0033706. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10830.720413/201580 Acórdão n.º 2201003.787 S2C2T1 Fl. 1.168 11 Assim, não há reparos a serem feitos na Decisão recorrida, que deixou de conhecer a impugnação neste tema. DO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA (fl. 1021) O recorrente contesta o lançamento manifestando sua convicção de que o seu Plano de Previdência Privada é oferecido a todos os seus funcionários, atendendo plenamente às normas legais e constitucionais. Da mesma forma como fez no curso da defesa relativa ao PLR, após apresentar argumentos teóricos e legais sobre a matéria, enumerou requisitos indispensáveis à não incidência das contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de Previdência Privada, a saber (fl. 1024): i Os valores sejam efetivamente pagos a entidade de previdência complementar, aberta ou fechada; ii O benefício seja disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da sociedade. Afirma que, conforme informativo emitido pelo Departamento de Recursos Humanos e entregue ao funcionário no momento de sua contratação, todos são elegíveis ao plano de previdência complementar instituído pela EatonPrev (fl. 1025). Aduz que a imputação fiscal é facilmente desconstruída por uma simples leitura do Material Explicativo, o qual atesta que os funcionários com salários inferiores a dez vezes o "salário unitário" poderiam contribuir por meio de Contribuição Suplementar de Participante ou por meio Contribuição Suplementar Adicional. (fl. 1026). Argumenta que, independentemente do valor do salário recebido pelo funcionário, todos podem aderir ao citado Plano, bastando, para tanto, manifestação de vontade via formulário próprio. Destaca que a legislação previdenciária somente dispõe sobre a necessidade de disponibilização a todos os empregados e dirigentes para afastar a incidência das contribuições previdenciárias, não sendo obrigatória a realização de depósitos ou aportes nas contas vinculadas ao fundo de previdência de todos os funcionários da recorrente (fl. 1028). Alega que, ainda que assim não fosse, não haveria que se falar em incidência de contribuição previdenciária, uma vez que a Recorrente efetua, de forma universal, depósitos e aportes aos fundos relativos ao Plano de Previdência com vistas a garantir os benefícios de seus funcionários (fl. 1033). Resumidos os argumentos da defesa, temse que, da mesma forma que o tema anterior, a matéria em tela tem reflexo apenas indireto no presente processo, que cuida exclusivamente de diferenças de alíquotas Sat/RAT, já que o seu mérito é objeto do processo nº 10830.720415/201579, ao qual os presentes autos seguem apensados. Decerto que deverão ser aplicados aos débitos ora em discussão os mesmos reflexos das conclusões sobre a procedência ou não do lançamento discutido nos autos citados no parágrafo precedente. Observandose, adicionalmente, as limitações impostas pela discussão objeto da Ação Ordinária nº 2010.61.05.0033706. Fl. 1173DF CARF MF 12 Assim, não há reparos a serem feitos na Decisão recorrida, que deixou de conhecer a impugnação neste tema. DA ILEGALIDADE DO AUMENTO DA ALÍQUOTA BÁSICA DO SAT (fl. 1037) DAS ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES DA INSTITUIÇÃO DO FAP (fl. 1043) Inicia o contribuinte reafirmando que a matéria de direito está sendo discutida na esfera judicial e pede vênia para apresentar um breve resumo das teses ventiladas na referida medida judicial que corroboram seu argumento do sentido de que a majoração da alíquota do SAT feita pelo Decreto nº6.957/09 seria ilegal. Afirma que não discute o fato de que o Decreto pode ou não alterar o grau de risco da empresa, o que questiona é que a legislação não foi observada para tal majoração. Alega que a instituição do FAP fere princípios constitucionais que norteiam a tributação e também diversos princípios que norteiam a Seguridade Social. Prossegue com o seu breve resumo para concluir afirmando que autuação merece ser integralmente cancelada, por não estar obrigada à nova alíquota do SAT em 3% em razão de sua flagrante ilegalidade. Deixo de tratar com maiores detalhes os argumentos recursais neste tema por restar inconteste que a questão da regularidade da majoração das alíquotas do SAT é o objeto da ação judicial muitas vezes citadas no presente voto. Sobre este tema não cabe ao julgador administrativo tecer qualquer consideração, posto que seriam inócuas, em razão da preponderância da decisão judicial sobre a administrativa. Como já destacado alhures, quando o contribuinte optou por recorrer ao judiciário, abdicou da discussão administrativa sobre a mesma matéria. Ademais, não cabe, no julgamento administrativo de 2ª Instância qualquer juízo sobre a inconstitucionalidade de leis tributária ou mesmo o afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto sob amparo de inconstitucionalidade, tudo conforme se vê nos comandos abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ricarf. Portaria MF 343/2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ademais, há que se ressaltar que é possível a contestação do FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social. Entretanto, tal demanda deve ser formalizada junto ao próprio MPS, nos termos do art. 202B do Decreto 3.048/1999. Portanto, irretocável o lançamento e a decisão recorrida. DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% (LIMITAÇÃO DA MULTA EM 20% EM RAZÃO DA NOVA LEGISLAÇÃO) (fl. 1045) Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10830.720413/201580 Acórdão n.º 2201003.787 S2C2T1 Fl. 1.169 13 Alega o recorrente que, com o advento da Lei 11.941/09, que deu nova redação ao artigo 35 da lei 8.212/91, teria ocorrido uma limitação no que tange à aplicação da multa de mora na para a constituição de débitos previdenciários. Vejamos o que dispõe tal comando legal: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Já o art. 61 da lei 9.430/96 dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. A questão não exige maiores considerações, já que é evidente a confusão da recorrente entre as multas devidas pelo atraso no pagamento, esta realmente limitada a 20%, e a multa decorrente do lançamento de ofício, esta também prevista, para as contribuições previdenciárias na lei 8.212/91, mas em seu art. 35A, que assim dispõe: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Portanto, nada a prover neste tema. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE APLICAR JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO (fl. 1049) Alega a recorrente a inaplicabilidade de juros de mora sobre os valores lançados a título de multa de ofício, afirmando que, além de não contar com amparo legal, este Conselho apresente firmes precedentes, ratificados pelas Câmara Superior, no sentido de ser indevida tal exigência. Vejamos o que diz a legislação pertinente sobre o tema: Fl. 1175DF CARF MF 14 Lei 5.172/66 (CTN) Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Notase, pelos textos destacados acima, que o crédito decorrente de penalidade pecuniária também está contido no conceito de obrigação principal, cujo não pagamento dá ensejo a acréscimos legais calculados a partir do primeiro dia do mês seguinte ao do respectivo vencimento. Portanto, inconteste que há sim amparo legal para incidência do juros de mora sobre o valor da multa de ofício, razão pela qual entendo irretocável a decisão de piso, não vinculando o presente julgamento eventuais decisões em sentido diverso emitidas por este Conselho Administrativos de Recursos Fiscais. Por fim, quanto ao pedido de ciência de termos e atos processuais na pessoa do patrono do requerente, não há amparo legal para tanto, já que é regular a ciência do contribuinte em qualquer uma das hipóteses descritas no art. 23 do Decreto 70.235/72. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10830.720413/201580 Acórdão n.º 2201003.787 S2C2T1 Fl. 1.170 15 Não obstante o bem fundamentado voto do Ilustre Relator, com a devida vênia, ouso discordar do seu entendimento relativo à Participação nos Lucros ou Resultados da empresa, especificamente quanto à participação sindical nas tratativas do referido plano. Sustenta a recorrente que, apesar de não haver assinatura do represente sindical no corpo dos Acordos de PLR relativos aos estabelecimentos 000173 e 002893, teria apresentado à fiscalização cópia das Atas de Reuniões, as quais comprovariam a participação dos representantes sindicais e cópia das comunicações entregues ao sindicado comunicando as negociações. Alega também que a ausência da assinatura do representante sindical foi suprida com o seu arquivamento, conforme se depreende com assinatura do Sr. Sidalino Orsi Junior, de 25 de julho de 2009. Em relação ao PLR da "Folha Confidencial", afirma que, da mesma forma, houve a ciência e anuência do sindicato, em razão da existência de cláusula que previa definições de metas e fórmula de pagamento definidas de forma diferenciada (Cláusula Quinta, do Acordo de PLR). Sobre o processo em análise, destacou o Relator: Como bem pontuado pelo Julgador de 1ª Instância, a matéria em tela tem reflexo apenas indireto no presente processo, que cuida exclusivamente de diferenças de alíquotas Sat/RAT, já que o seu mérito é objeto do processo nº 10830.720415/201579. Vale ressaltar que, embora os presentes autos sigam apensados ao processo de nº 10830.720414/201524, decerto que deverão ser aplicados aos débitos ora em discussão os mesmos reflexos das conclusões sobre a procedência ou não do lançamento discutido nos autos citados no parágrafo precedente. Observandose, adicionalmente, as limitações impostas pela discussão objeto da Ação Ordinária nº 2010.61.05.0033706. Assim, aplicase, ao presente caso, os efeitos da decisão proferida, nos autos do processo nº 10830.720415/201579, abaixo transcrita. Acerca do tema, o Relator assim discorreu no mencionado processo: O que interessa à presente lide, é o que consta de fl. 504/508 e 749/753 (documento juntado pela fiscalização e pelo recorrente), no qual se mostra incontroverso que não houve assinatura do representante sindical, fato alegado pela fiscalização para constituir o crédito tributário e reconhecido pelo recorrente, que entende desnecessária a assinatura expressa do sindicato, já que havia sua ciência e anuência em razão de participação nas reuniões que levaram ao texto final do Acordo. Vejamos os termos da legislação sobre o tema: Constituição Federal de 1988: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 1177DF CARF MF 16 XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Lei 10.101/2000: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Posteriormente, em 2013, o inciso I acima citado teve alterado o seu conteúdo para afirmar que a comissão deveria ser paritária, demonstrando a preocupação do legislador em mitigar a superioridade do empregador sobre os empregados. Contudo, tal preocupação já aparecia no texto original, que previa que a comissão também deveria ser integrada por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Portanto, ao contrário do que afirma o recorrente, a participação do sindicato não é uma mera formalidade, tampouco a simples anuência ou ciência deste seria suficiente atestar a regularidade do PLR. Tratase de expressa exigência legal. A leitura da Ata de reunião levada a termo em 13 de julho de 2010, fl. 828, não deixa dúvidas de que a entidade sindical não assinou o referido PLR por este não contemplar a taxa negocial a ser paga pela empresa diretamente à entidade sindical, a exemplo do que ocorrera em anos anteriores. Na oportunidade, a empresa teria alegado que a ausência de tal previsão resulta de sentença proferida em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal contra o Sindicado, proibindo a cobrança de tal numerário das empresas. Sustenta que eventual pagamento deveria ocorrer por conta dos funcionários. Não concordando com tal entendimento e alegando que a decisão judicial ainda não havia transitado em julgado, a representação sindical afirmou que caberia à empresa o pagamento de tal taxa, sem qualquer desconto dos funcionários. Em fl. 831, consta correspondência da citada Representação Sindical ao Recorrente, datada de 02 de agosto de 2010, pleiteando a retomada das negociações e reafirmando prática política de esgotar todos os canais de diálogo antes de se decidir por movimento grevista. Portanto, a despeito da evidente participação sindical nas reuniões em que se discutia o PLR, não se chegou a um efetivo acordo em relação ao Programa de Participação nos Lucros dos estabelecimentos 000173 e 002893, já que as tratativas resultaram em impasse sobre a questão do pagamento da taxa Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10830.720413/201580 Acórdão n.º 2201003.787 S2C2T1 Fl. 1.171 17 negocial, que, ressaltese, embora tenha como beneficiário direto o próprio sindicato, tem como beneficiário indireto o trabalhador por este representado. Nos caso de impasse nas negociações, o próprio legislador indicou ao caminho a ser seguido, é o que se depreende do teor do art. 4º da Lei 10.101/2000, abaixo transcrito: Art. 4o Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I mediação; II arbitragem de ofertas finais. Portanto, correta a fiscalização e o Julgador de 1ª Instância ao entender que o Acordo de PLR apresentado para o ano calendário de 2010 não atendeu aos preceitos legais, devendo incidir contribuições previdenciárias sobre os valores que foram pagos sob seu amparo. Quanto ao acordo relativo à "Folha Confidencial", cuja anuência ou ciência da representação sindical, segundo a defesa, teria lastro na Cláusula Quinta do mesmo PLR que restou não aperfeiçoado, pelas mesmas razões, mostrase irretocável o lançamento e a decisão recorrida. Com a análise dos documentos acostados aos autos, observase que o Acordo de PLR firmado entre a Recorrente e seus funcionários teve efetivamente a participação e anuência do Sindicato Metalúrgico competente, conforme se verifica dos Comunicados aos Sindicatos expedidos pela empresa. Em que pese não haver a assinatura do representante no corpo do Acordo de PLR, a Recorrente apresentou à fiscalização: cópia das atas de reuniões, as quais comprovam a participação dos representantes sindicais e cópia das comunicações entregues ao sindicato informando sobre as negociações de PLR. Além disso o Acordo de PLR foi devidamente arquivado perante o Sindicato competente. Considerando que foram lavrados vários autos de infração; durante a ação fiscal, que inclusive geraram processos distintos sorteados ao mesmo Relator e julgados na mesma sessão de julgamento, neste Conselho; cabe destacar que, conforme se infere do conjunto da documentação dos processos, não resta dúvida de que a entidade sindical não assinou o plano de PLR por este não contemplar a taxa negocial a ser paga pela empresa diretamente à entidade sindical, a exemplo do que ocorrera em anos anteriores. A empresa justificou que a ausência de tal previsão foi resultante da determinação contida em sentença proferida em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal contra o Sindicado, proibindo a cobrança de tal numerário das empresas. Portanto, não se evidencia impasse relativo aos termos do PLR, mas sim sobre a exigência de taxa negocial. Fl. 1179DF CARF MF 18 Como dito, em momento anterior, foi devidamente comprovada a participação sindical (sua convocação e presença). Assim, a simples negativa de assinatura motivada pela ausência e estipulação de taxa negocial, não se perfaz em motivo para se considerar a inexistência de participação do Sindicato. Ora, permitirse a descaracterização da participação nos lucros ou resultados com tal fundamento, seria admitir a possibilidade de comportamentos abusivos das entidades Sindicais, tendo em vista que, diante da presença efetiva do Sindicado, a contribuinte sequer poderia ter se utilizado da disposição contida no art. 617, § 1º, da CLT, que permite a convocação da Federação e da Confederação, no caso da ausência do Sindicato. Portanto, a natureza dos pagamentos aos empregados restou preservada e caracterizada como participação nos lucros ou resultados, de modo que não integra a remuneração e, por isso, não incide contribuição previdenciária. Destacase que a intenção do legislador constituinte, ao tratar do plano de PLR, foi incentivar as empresas a distribuírem seus lucros com os empregados, perfazendo com isso uma melhor distribuição de renda no país e socializando os lucros. Assim, cercar o instituto com excessos de exigências formais o desvirtualiza e desincentiva as empresas a fazê lo, tendo em vista, principalmente, a realidade fática do caso concreto sob análise. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para excluir do lançamento os valores relativos ao plano de participação nos lucros ou resultados da empresa. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Fl. 1180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.721683/2014-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.446
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves Marco Rogério Borges, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Ausente, justificadamente, o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves Marco Rogério Borges, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .7 21 68 3/ 20 14 -7 7 Fl. 2865DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 2.866 ___________ Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, que julgou IMPROCEDENTE a impugnação do contribuinte em epígrafe. Da autuação: A autuação foi sobre o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos de Contribuição sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativo ao período compreendido entre janeiro a dezembro de 2010, no montante de R$ 22.175.653,84. Na autuação, encontramos as seguintes infrações: despesas não necessárias, deduzidas da base de cálculo do IRPJ e CSLL de valores doados a partidos políticos No montante das despesas glosadas: R$ 110.000,00 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica devido de R$ 27.500,00 Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido devida de R$ 9.900,00. comprovação inidônea de despesas, deduzidas da base de cálculo do IRPJ e CSLL em razão da fragmentação ilícita da empresa recorrente, e a criação da empresa A.Z.P. Participações S.A No montante das despesa glosadas: R$ 4.437.370,56 Multa qualificada aplicada Imposto Renda da Pessoa Jurídica devido de R$ 1.109,342,64 Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido devida de R$ 399.363,35, e glosa de créditos sobre a despesas não aceitas no montante de R$ 73.216,61 (PIS) e R$ 337.240,16 (Cofins). glosa de crédito indevido de contribuições destinadas ao PIS e a Cofins sujeitas ao regime de tributação monofásica; glosa de créditos indevidos de contribuições ao PIS e a Cofins provenientes da aquisição de mercadorias destinadas à Zona Livre Comércio; cobrança de PIS e Cofins cobrados em razão das transferências irregulares de mercadorias sujeitas ao Regime de Tributação Monofásico; multa qualificada; responsabilidade solidária de direito dos sócios Alcides Zirondi Primo, CPF 259.034.89915, Carlos Cezar Zirondi, CPF 420.327.33234 nos termos do artigo 124, I, da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional) e responsabilidade solidária de fato da empresa A.Z.P. Participações S.A., CNPJ 09.163.638/000118, nos termos do mesmo 124, I, da Lei 5.172/66, por interess sobre a Fragmentação Ilícita da Empresa Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Resolução nº 1402000.446 S1C4T2 Fl. 2.867 3 A autoridade fiscal, neste ponto, evoca os seguintes preceitos: Traz no transcorrer do Termo de Verificação e Constatação Fiscal vários elementos colhidos durante a fiscalização para reforçar seus argumentos, como: A A.Z.P. Participações S.A. (doravante chamada de A.Z.P.) teve sua constituição em 03/09/2007, tendo ingressado logo após na recorrente como sócia majoritária, e ao mesmo tempo que passou a firmar contratos de arrendamento de móveis/imóveis pertencentes à própria recorrente, dentre entre outros elementos inerentes; localização geográfica da A.Z.P. e da recorrente que se confundem; quadro societário entre ambas praticamente os mesmos; Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Resolução nº 1402000.446 S1C4T2 Fl. 2.868 4 a recorrente passou a ter despesas com arrendamento de bens/gestão de ativos, cujas as despesas eram atribuídas como pagas à A.Z.P.. Contudo, sem a devida comprovação dos pagamentos (no ano de 2010, no montante de R$ 3.168.829,19) parte significativa dos bens arrendados eram da própria recorrente ou dos sócios; A recorrente, para deduzir os valores das despesas criadas perante à A.Z.P., criou a conta contábil "Provisão de Arrendamento de Bens", em que estaria violando os impedimentos de dedutibilidade do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), e adiciona que, mesmo que fosse considerados, eventuais despesas com arrendamento são vedados entre pessoas jurídicas direta ou indiretamente coligadas ou interdependentes, nos termos do artigo 356 do RIR/99, que remete à Lei nº 6.099/74. Tais operações também não gerariam créditos de PIS e Cofins, nos termos do artigo 31, § 3º da Lei nº 10.865/04. Há também a contratação da recorrente da A.Z.P. para administração de ativos (no ano de 2010, no montante de R$ 1.268.541,37). Em relação a este contrato, a autoridade fiscal elenca, sucintamente, os seguintes elementos: confusão da contratação entre a administrada e gestora, tanto pelas cláusulas contratuais e situação fática encontrada, quanto pelas datas, conforme se destaca no Temo de Verificação e Constatação Fiscal: Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Resolução nº 1402000.446 S1C4T2 Fl. 2.869 5 Nisto a Fiscalização discorre que se trata, portanto, de planejamento tributário abusivo, na qual a recorrente "atribuiu à sua controladora A.Z.P. a gestão de seus ativos financeiros e do seu patrimônio apenas para criar em seu favor despesas fictícias e assim diminuir a base de cálculo dos impostos/contribuições sociais devidas". Da dedução indevida de despesa a título de doação: São valores destinados à campanha política (despesa com doações eleitorais). Contudo, seriam indedutíveis, devendo ser adicionados à base de cálculo do IRPJ/CSLL, na forma do artigo 249, parágrafo único, inciso VII do RIR/99: Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Resolução nº 1402000.446 S1C4T2 Fl. 2.870 6 No que tange a estes dois elementos infracionais contidos na autuação fiscal, teríamos o seguinte ajuste no lucro líquido para o lucro real no AnoCalendário de 2010: Além do supracitado, decorrente de situações que ensejaram autuação do IRPJ e respectivos reflexos, há outras questões/infrações sendo autuadas: questão das transferências irregulares de mercadorias da área de livre comércio e utilização indevida de créditos PIS/Cofins, e; aquisição de crédito indevido sobre bens adquiridos: . bens adquiridos pelo estabelecimento localizado na área de livre comércio de GuajaráMirim; .bens adquiridos pelo contribuinte, sujeitos ao Regime de Tributação Monofásica. Na mesma autuação, e no mesmo processo, há questões levantadas sobre os tópicos supracitados, cujos montantes envolvidos estão na parte inicial do presente relatório. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Resolução nº 1402000.446 S1C4T2 Fl. 2.871 7 Sobre tais infrações do PIS e Cofins (tanto o valor cobrado, quanto a glosa), não são decorrentes dos fatos que suscitaram o lançamento de IRPJ e CSLL. Há sim uma parcela de PIS e Cofins na autuação decorrente dos fatos que ensejaram o lançamento de IRPJ e CSLL, mas a parte substancial é de autuação materialmente autônoma. Da Impugnação: Inconformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, em que argumentou e apresentou os seguintes elementos: solicitou nulidade da autuação no que concerne à glosa de despesas com arrendamento de bens, por erro de fundamento legal, no que tange ao arrendamento de bens, por se tratar de um arrendamento comum, e não um arrendamento mercantil, nos ditames da Lei 6.099/74. Neste caso, haveria impossibilidade jurídica de tal fundamento jurídico, pos a lei 6.099/74 é para situações de arrendamentos que são controlados e fiscalizados pelo Bacen, e nem a impugnante (então atual recorrente) e nem a prestadora de serviços (A.Z.P.) atendem tal requisito; solicitou nulidade por falha no cálculo do IRPJ e da CSLL, por não terem refeito a apuração do exercício; inexistência dos fatos jurídicos simulados, tanto no que tange às suas consequencias tributárias, no que se refere à glosa de despesas com arrendamento de bens e serviços, invocando questões de fundamentação fática da fiscalização como falhas; que a glosa de despesas a título de doação para partidos políticos para apuração do IRPJ e da CSLL foi errada, pois houve a adição desta despesa no Livro de Apuração do Lucro Real Parte A, incluído com outros valores, em que aparece o total das adições de R$ 418.515,93; que se não houver consideração dos argumentos apresentados, deve ocorrer o aproveitamento dos tributos realizado pela prestadora de serviços; que os créditos glosados de Pis e Cofins sobre os bens arrendados são indevidos pelos elementos expostos anteriormente; que as glosas de créditos do PIS e da Cofins nas aquisições de mercadorias são indevidos, conforme elementos apresentados na sua peça de impugnação; que as glosas de créditos do PIS e da Cofins na hipótese de revenda tributada de mercadorias sujeitas ao regime monofásico são indevidos, conforme elementos apresentados na sua peça de impugnação; que a cobrança do PIS e da Cofins sobre transferências de mercadorias são indevidas; a multa qualificada foi indevida, pois o procedimento seria supostamente equivocado, (...) o que não caracterizaria sonegação fiscal; Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Resolução nº 1402000.446 S1C4T2 Fl. 2.872 8 questiona a ilegalidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada; os solidários apresentaram impugnação, praticamente idêntica, invocando não aplicação da situação; Do Acórdão da DRJ: Em julgamento na DRJ, foi mantido integralmente a autuação, tanto no que tange ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, conforme transcrição da ementa infra: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível deimpugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento apreciar a matéria preventivamente. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedada aos órgãos julgadores administrativos a análise de alegações de inconstitucionalidade de normas, cabendo o fiel cumprimento daquelas em vigor. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Correta a apuração do IRPJ e da CSLL se considerado o Lucro Real efetivamente encontrado na DIPJ. IRPJ E CSLL. DESCONSIDERAÇÃO DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DE ATOS. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. DESPESAS. Correta a glosa de despesas apropriadas relativamente a arrendamento debens e prestação de serviços, quando a arrendadora e prestadora de serviços foram constituídas somente para fins de economia tributária, sem propósito negocial, portanto. IRPJ E CSLL. DOAÇÕES A PARTIDOS POLÍTICOS. DESPESA.ADIÇÃO. Glosamse as despesas relativas a doações a partidos políticos, se não demonstrada corretamente a sua adição ao lucro líquido para determinação do lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO DE MERCADORIAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA DA TRIBUTAÇÃO PELA CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E COFINS. Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Resolução nº 1402000.446 S1C4T2 Fl. 2.873 9 As entradas de produtos sujeitos à incidência monofásica das contribuições não dão direito ao crédito das contribuições. PIS/PASEP E COFINS. TRANSFERÊNCIAS DE MERCADORIAS DEFILIAL SITUADA EM ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. Nas transferências entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, de mercadorias internadas inicialmente em ALC, são devidas as contribuiçõesque não foram pagas pelo vendedor, havendo direito ao crédito somente setiver havido esse pagamento. PIS/PASEP E COFINS. ENTRADAS EM ESTABELECIMENTO SITUADO EM ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. ALÍQUOTA ZERO. Até dezembro de 2010 não havia obrigatoriedade de destaque no documento fiscal de que a operação se dava sob a alíquota zero das contribuições, não dando direito ao crédito delas pelo estabelecimento adquirente situado em ALC. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2010 MULTA QUALIFICADA. Demonstrada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correto o arrolamento desses interessados como sujeitos passivos solidários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário: O contribuinte irresignase com a decisão da DRJ, e invoca os seguintes aspectos, em muito similares ao apresentados na impugnação: nulidade do v. acórdão recorrido por ausência de fundamentação; nulidade do v. acórdão recorrido por ausência de análise dos documentos apresentados pelo contribuinte; nulidade do lançamento: a) erro de fundamentação legal b) equívoco no cálculo do IRPJ e da CSLL c) erro material no trabalho realizado pela fiscalização e na base de cálculo utilizada para atribuição de "responsabilidade" da Recorrente inexistência de fatos jurídicos simulados irregularidades das glosas de despesas com arrendamento de bens e serviços para apurado do IRPJ e da CSLL: a) não existência de simulação, dissimulação ou ainda abusa de forma nos atos praticados; b) localização da empresa A.Z.P. Participações S/A; c) existência de funcionários; Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Resolução nº 1402000.446 S1C4T2 Fl. 2.874 10 d) similitude do quadro societário; e) realização de diversos outros negócios jurídicos f) data da celebração dos contratos g) arrendamento de bens que seriam anteriormente da recorrente aproveitamento dos tributos recolhidos pela A.Z.P. Participações S/A nos valores cobrados no presente lançamento; que seriam devidos a dedução de doações destinadas a partidos políticos; e há uma manifestação extensa no que tange ao mérito das matérias específicas de PIS e Cofins, como sobre aquisição de produtos à alíquota zero, ou de produtos submetidos à sistemática monofásica, além de outros elementos. É o relatório. Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10240.721683/201477 Resolução nº 1402000.446 S1C4T2 Fl. 2.875 11 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges O recurso voluntário da autuada principal e das demais pessoas arroladas como solidárias são tempestivos, motivo pelo qual deles conheço. Antes de qualquer análise de direito ou de mérito, cabe destacar que a presente autuação envolve lançamentos de PIS e COFINS em discussão não decorrente do lançamento de IRPJ, ou seja, não são reflexos e nem decorrentes dos mesmos elementos de prova, conforme prevê o inciso IV do artigo 2º do anexo II do RICARF. Tal situação já deveria ter sido constatada e devidamente apartada em processos distintos quando da autuação, nos termos da Portaria RFB 666, de 24 de abril de 2008. Contudo, não foi feito, e a DRJ não saneou tal situação, julgando integralmente o processo administrativo, em todas as matérias e tributos, sob o mesmo acórdão. Contudo, entendo que tais matérias devam ser apartadas, para o melhor exercício da competência devida, que acabam suscitando maior conhecimento para o devido julgamento. O próprio contribuinte recorrente solicitou a apartação, em que suscita eventuais problemas decorrentes, nos seguintes termos: 6. A “apartação” dos autos, igualmente, prevenirá algumas dificuldades procedimentais junto à Câmara Superior deste Egrégio Tribunal, pois caso haja a interposição de recurso especial por algumas das partes, a análise deste recurso ficará a cargo da sua 1ª Turma1, mesmo que seja referente a lançamentos de PIS e COFINS e que não decorram de lançamentos de IRPJ, sendo que até mesmo a indicação dos processos paradigmas pela parte recorrente poderá ser prejudicada. Contudo, devese atentar que uma parcela do valores de PIS e Cofins glosados são decorrentes da autuação do IRPJ e CSLL, conforme demonstrado no auto de infração. Diante do acima exposto, e não se sujeitar ao risco de nulidade de eventual decisão, só me resta votar pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à unidade de origem, a fim de que a ocorra o desentranhamento do PIS e Cofins não decorrentes e nem conexos do lançamento do IRPJ e da CSLL, para o devido encaminhamento e julgamento da sua competência, no caso, a 3ª Seção. Posteriormente, o retorno do presente, para julgamento no que concerne à competência desta 1ª Seção deste CARF. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Fl. 2875DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.906964/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.934
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 96 4/ 20 11 -8 7 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10183.906964/201187 Resolução nº 3201000.934 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10183.906964/201187 Resolução nº 3201000.934 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10183.906964/201187 Resolução nº 3201000.934 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10183.906964/201187 Resolução nº 3201000.934 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720890/2007-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado dentro do referido prazo. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR.
Numero da decisão: 9202-005.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado dentro do referido prazo. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 90 /2 00 7- 04 Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 926 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 280100.524, prolatado pela 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 12 de maio de 2010 (efls. 629 a 643). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou ao Ibama ou a órgão conveniado, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das divas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR. AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de áreas de utilização limitada/reserva legal reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. AREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA. As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de uma APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental. Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter especifico, Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 927 3 mediante ato especifico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. O laudo técnico de avaliação hábil a comprovar o VTN pleiteado é aquele emitido por profissional habilitado, que faça expressa referencia ao preço de mercado em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador. Recurso parcialmente provido. Decisão: por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acatar Area de utilização limitada/reserva legal no montante de 228,7 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis e Julio Cezar da Fonseca Furtado que restabeleciam a Area de Preservação Permanente (APP) declarada. Inicialmente, o decisum supra foi objeto de embargos da Relatora, a fim de que se pronunciasse a Turma acerca de novo elemento de prova trazido aos autos pela recorrente (laudo de efls. 644 a 648). Da análise dos embargos pelo Colegiado, contida no Acórdão 280100.970, de 23/09/2010, de efls. 653 a 656, restou mantido, por maioria de votos, o teor do decisum, no sentido de "dar provimento parcial ao recurso para acatar área de Utilização Limitada/Reserva Legal no montante de 228,7 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva e Carlos César Quadros Pierre que restabeleciam área de Preservação Permanente declarada". Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 04/01/2011 (efl. 658), esta apresentou, em 10/01/2011 (efl. 702), Recurso Especial (efls. 659 a 670 e anexos), com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009 O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 703 a 706. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30239.144, prolatado em 07 de novembro de 2007, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30134.352, prolatado em 26 de março de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas Acórdão 30239.144 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 928 4 A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao IBAMA, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO PARA A PROTEÇÃO DOS ECOSSISTEMAS. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO. Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete às instâncias administrativas de julgamento apreciar ou se manifestar sobre matéria referente à inconstitucionalidade de leis ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados, uma vez que esta competência é exclusiva do Poder Judiciário, conforme constitucionalmente previsto. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Somente produzem efeitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham efeitos erga omnes. Demais decisões judiciais apenas se aplicam às partes envolvidas nos litígios para os quais são proferidas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 929 5 RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Decisão: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Acórdão 30134.352 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO: 2001 ITR EXERCÍCIO 2001. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente essa obrigação (art. 170 da Lei n" 6.938/81, na redação do art. 1 da Lei n" 10.165/2000). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, relator e Valdete Aparecida Marinheiro. Designado para redigir o acórdão o conselheiro José Luiz Novo Rossari. Quanto à matéria se alega: a) Enquanto o acórdão impugnado dispensa a comprovação por meio de ADA protocolado tempestivamente pelo contribuinte junto ao IBAMA ou órgão ambiental conveniado, tese essa consagrada quando a decisão hostilizada afirma que a lei não estabelece um prazo para a apresentação do ADA ao Ibama, os acórdãos paradigmas não prescindem da referida exigência dentro do lapso temporal fixado na legislação de regência do tributo, tendo como base o citado art. 17O da Lei no. 6.938, de 30 de agosto de 1981 e a existência do Decreto no 4.382, de 19 de setembro de 2002 e de Instruções Normativas da Receita Federal estabelecendo prazo para o protocolo do respectivo documento; b) Nos presentes autos, da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, confirmase o não cumprimento da exigência da apresentação tempestiva de ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado, relativamente ao ITR do exercício de 2004; c) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10, inciso II da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; d) Ressalta que a obrigatoriedade de apresentação tempestiva do ADA ou de seu requerimento, para a não incidência tributária, foi instituída através de dispositivo legal Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 930 6 (art. 17O da Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, com redação dada pelo art. 1o. da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97, 73/2000, 60/2001 e 256/2002, Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; f) Nos termos da legislação retro, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Logo, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, a Administração Tributária, por meio de ato normativo, fixou condição para a não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR. g) A exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2º e 3º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Ou seja: a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória, mas sim incidência do imposto. h) Entende como inteiramente equivocado o entendimento no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, uma vez que: "(...). O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo." i) o exercício do direito do contribuinte está atrelado a uma simples declaração dirigida ao órgão ambiental competente. Tratase, por evidente, de norma amplamente favorável ao contribuinte do ITR, que, na hipótese de sua ausência, estaria sujeito a meios de prova notadamente mais complexos e dispendiosos, como, por exemplo, os laudos técnicos elaborados por peritos. De posse da declaração (ADA), o IBAMA deverá, em momento oportuno, certificar a veracidade dos dados informados pelo proprietário do imóvel; j) Não é juridicamente sustentável a tese segundo a qual, diante da declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de preservação permanente ou de utilização limitada, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado através da Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 931 7 documentação competente. O direito ao benefício legal deve estar documentalmente comprovado. E o ADA, apresentado tempestivamente, é documento exigido para tal fim; k) No presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente. O que se busca é a comprovação do cumprimento de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação; Requer, assim, que seja conhecido o recurso, seja acolhido o pedido formulado como preliminar e seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, mantendose a decisão proferida em 1a. instância. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 14/06/11 (efl. 714), a contribuinte apresentou contrarrazões tempestivas, datadas de 29/06/11, de efls. 719 a 723 anexos e novamente reproduzida às efls. 812 a 816 e anexos, onde: a) Está evidente, pelas próprias razões da Recorrente, que a área de 228,7 ha. é efetivamente de reserva legal, bem como que foi promovida a averbação à margem da matricula do imóvel. Ou seja, a verdade real indica que tal terreno não pode integrar a base de cálculo do ITR, mas em virtude do suposto descumprimento de uma obrigação acessória pretendese exigir o imposto sobre uma área de reserva legal; b) E se não bastasse, o Ato Declaratório Ambiental foi entregue no dia 03 de agosto de 2007, sendo que, apesar da suposta intempestividade, o fato é que se trata de um ato declaratório, que reconhece uma situação preexistente, produzindo, assim, todos os efeitos legais; c) A entrega do ADA é tãosomente o reconhecimento de situações preexistentes, já consolidadas, porquanto a documentação fiscal era irregular desde o seu nascedouro. Na verdade, não é o ato declaratório que criará a área de preservação permanente. A área de reserva legal (ARL) é preexistente, sendo que o ato em questão apenas declara esta situação. Com efeito, o ato declaratório só produz efeito a partir de sua entrega, mas com eficácia "ex tunc", de modo que sua apresentação, a qualquer tempo, produz efeitos em todo o período anterior. d) Cita, finalmente, jurisprudência deste Conselho para requerer que negado provimento ao Recurso Especial, mantendose incólume a decisão de origem no que atine aos 228,7 ha. de reserva legal. Houve ainda, no mesmo dia 29/06/2011, apresentação de Recurso Especial de iniciativa do contribuinte de efls. 735 a 747 e anexos, reproduzido novamente às efls. 828 a 840 e anexos o qual restou admitido, na forma de exame de admissibilidade de efls. 904 a 910, somente quanto à necessidade de apresentação do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente. Sobre a exigência do ADA tempestivo para o reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente, a recorrente indica os acórdãos paradigmas nºs 391 00.031 e 0305.356, que foram assim ementados. : Acórdão nº 39100.031: Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 932 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A obrigatoriedade de apresentação do ADA nos prazos estabelecidos na legislação vigente, como condição básica para o gozo da redução do ITR, teve vigência a partir do exercício de 2001 (art. 17O da Lei no 6.938/81, com redação dada pelo art. 1º da Lei n° 10.165/2000). Na ausência da apresentação do ADA nos prazos estabelecidos, o contribuinte também pode excluir área de preservação permanente, desde que faça prova da existência dessa área, mediante a apresentação de laudo técnico emitido por profissional competente. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de ITR devem ser comprovadas mediante a apresentação de laudo técnico ou do ato declaratório ambiental ou ainda através de averbação á margem da matricula do imóvel, no caso de reserva legal. [...] RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Decisão: por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Hélcio Lafeta Reis, que negava provimento. PR AVEIRA Acórdão nº 0305.356: ITR/1998. AREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO. Firmouse na CSRF jurisprudência no sentido de que a obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8º do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer titulo, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel. A exigência da averbação como précondição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL ADA. A recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do prazo previsto da IN SRF n° 6797, não tem amparo legal. Recurso especial negado. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 933 9 Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando que deu provimento ao recurso. Quanto à matéria, alega o contribuinte: a) já foi juntado aos autos Laudo Técnico atestando a existência dos 296,17 ha. de Área de Preservação Permanente (APP) e sua efetiva destinação de preservação do meio ambiente; b) Em 2009, o IBAMA promoveu vistoria no imóvel reconhecendo expressamente as áreas de preservação permanente. Também se demonstrou, através de declaração e planta do imóvel expedidas pelo IEF, que a fazenda em tela está inserida dentro da área de Proteção Ambiental APA SUL RMBH instituída pelo Decreto Estadual n°. 35.264/94. c) E se não bastasse, o Ato Declaratório Ambiental foi entregue no dia 03 de agosto de 2007, sendo que apesar da suposta intempestividade, o fato é que se trata de um ato declaratório, que reconhece uma situação preexistente, produzindo, assim, todos os efeitos legais. A entrega do ADA é tãosomente o reconhecimento de situações preexistentes, já consolidadas, porquanto a documentação fiscal era irregular desde o seu nascedouro. Na verdade, não é o ato declaratório que criará a área de preservação permanente. A APP é preexistente, sendo que o ato em questão apenas declara esta situação. Com efeito, o ato declaratório só produz efeito a partir de sua entrega, mas com eficácia "ex tunc", de modo que sua apresentação, a qualquer tempo, produz efeitos em todo o período anterior; d) Resumidamente, entende que a área de Preservação Permanente (APP) foi reconhecida pelo: d.1) ADA entregue em 2007; d.2) Laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo; d.3) Declaração e planta entregues pelo IEF; d.4) Laudo técnico de vistoria do IBAMA — Minas Gerais; e) Assim, fica evidente que a verdade real e a correta apuração tributária foram totalmente abandonadas, fazendose com que o lançamento se baseie não na ocorrência do fato gerador, mas sim na entrega ou não de um documento dentro de um prazo estabelecido em Instrução Normativa. O que prevalece em qualquer procedimento jurídico é a verdade real, razão pela qual não se pode manter a cobrança do ITR sobre áreas comprovadamente de preservação permanente, ainda que não amparada em ADA. Requer, assim, a contribuinte que seja conhecido e provido seu Recurso Especial de Divergência quanto á matéria, para excluir as áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Cientificada da admissibilidade parcial de seu recurso em 24/11/14 (efl. 915 a 917), a contribuinte reitera as contrarrazões anteriormente anexadas aos autos. É o relatório. Voto Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 934 10 Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: mesmo não havendo nos autos o AR referente ao Termo de Intimação Fiscal de efls. 10/11, podese garantir, porém, que o início da ação fiscal deuse entre a lavratura do referido termo, datado de 04/06/2007 e a data de 03/08/2007, uma vez que a resposta a tal intimação data de 05/08/2007 (um domingo), consoante efl. 12, o que é suficiente para fins do deslinde do presente processo, uma vez que descarta a possibilidade do ADA, datado de 03/08/2007 (efl. 14) ter sido apresentado antes do início da ação fiscal; b) ADA/2007 Apresentado em 03/08/2007 (efl. 14), contendo 550,0 ha. de APP; c) Averbação, em 13/10/89, da área de Reserva Legal, admitida como exclusão pelo Colegiado a quo (228,75 ha) (efl. 17); d) Laudo de avaliação de efls. 27 a 88, onde, à efl. 60, notese, se afirma que a área de Reserva Legal, objeto de reconhecimento pelo Colegiado a quo, encontravase dentro da área de Preservação Permanente do imóvel (vide efl. 60). Faço notar que o litígio envolve aqui áreas de Preservação Permanente assim declaradas pelo Contribuinte, no valor de 550,0 ha., na forma de declaração de efl. 05. Em tal declaração, não retificada, baseouse o lançamento aqui objeto de análise. Ainda a propósito, de se notar que, repitase, a área de Reserva Legal, objeto de reconhecimento pelo Colegiado a quo (228,75ha.), se encontra inclusa em Área de Preservação Permanente, conforme efl. 60. Ainda, faço notar há evidência de que não houve entrega de ADA para o exercício em questão antes do início da ação fiscal, mas somente em 03/08/2007 (efl. 14). Feita tal digressão, passo a analisar os Recursos Especial da Fazenda Nacional e da Contribuinte. a) Recurso Especial da Fazenda Nacional. Insurgese a Fazenda contra a concessão da área de 228,75 ha. a título de Reserva Legal pelo Colegiado a quo. Uma vez estando a área de Reserva Legal, objeto de reconhecimento pelo Colegiado a quo (228,75ha.), inclusa em área de Preservação Permanente (fato incontroverso pelo Laudo carreado aos autos pelo contribuinte de efl. 60), entendo como aplicável a tal área todos os requisitos formais aplicáveis às áreas de Preservação Permanente, os quais passo a Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 935 11 analisar se cumpridos no presente caso. Faço notar estar tal posicionamento embasado no fato da área de Preservação Permanente estar sujeita a requisitos mais estritos de preservação do que a Reserva Legal, onde se pode, eventualmente, permitir a exploração via manejo sustentável. Mais especificamente agora acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório, para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico, que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 936 12 Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito de entrega do ADA não foi efetivamente cumprido até o início da ação fiscal, mas somente em 03/08/2007. Ainda a propósito, agora quanto à questão do momento da entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 937 13 à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 938 14 Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 939 15 ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que como, no caso em questão, não houve, a partir dos elementos constantes dos autos, entrega do ADA para o exercício em questão antes do início da ação fiscal, é de se manter a glosa da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, perpretada pela autoridade lançadora, área esta em que, notese, estava inclusa a Reserva Legal anteriormente concedida pelo Colegiado a quo, a qual, destarte, também faz parte da glosa aqui mantida. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria, reformandose o recorrido para manter a glosa realizada pela autoridade lançadora, mantida pela decisão de 1a. instância. b) Quanto ao Recurso Especial da Contribuinte: Pelos mesmos fundamentos adotados acima, quando da análise do Recurso Especial da Fazenda Nacional, reitero que é de se manter a glosa da área de preservação permanente além dos 228,75 ha. anteriormente concedidos pelo Colegiado a quo, a partir da apresentação extemporânea do ADA de efl. 14. Assim, de se negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Diante do exposto, voto por: a) dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria, reformandose o recorrido para manter a glosa realizada pela autoridade lançadora, mantida pela decisão de 1a. instância e b) negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10680.720890/200704 Acórdão n.º 9202005.685 CSRFT2 Fl. 940 16 É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 940DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.001285/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO.
O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços.
Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota-parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria.
Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quota-parte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregá-los em "produtos" em relação à sua quota-parte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cota-parte.
CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR.
Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.033
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota-parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria. Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quota-parte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregá-los em "produtos" em relação à sua quota-parte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cota-parte. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR. Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria. Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quotaparte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregálos em "produtos" em relação à sua quotaparte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cotaparte. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR. Aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 85 /2 01 1- 70 Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de Cofins nãocumulativo(a) Exportação, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que possui o direito ao ressarcimento/compensação do crédito presumido acima (apurado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004) em face da introdução do art. 56A na Lei 12.350, de 2010, realizada pelo art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 2010. Por sua vez, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após a realização de uma auditoria fiscal, emitiu Despacho Decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório solicitado, sem a incidência de atualização monetária ou de juros de mora. A contribuinte foi cientificada do mencionado despacho decisório, apresentando manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Incialmente, após um breve relato dos fatos, no item “Do Indeferimento/Glosa dos Créditos Presumidos”, subitem “1) Do direito a apuração do crédito presumido sobre a aquisição da produção dos produtores rurais nos contratos de parceira avícola/suinícola”, a interessada sustenta que os contratos de parceria caracterizam juridicamente as operações realizadas como produção de bens e não como prestação de serviços. Diz que, como não existe (ainda) lei específica, os contratos de parceria rural estão sob a égide do art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 1964, e do Decreto nº 59.566, de 1966. Sustenta que o produtor, ao final da realização do objeto do contrato, recebe uma parte da produção, e que “Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quotaparte da produção com a agroindústria (parceiro outorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência.” Alega que referido entendimento, de que, nos contratos de parceira rural, a parte da produção do produtor rural é considerada como sendo produção Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 4 3 própria, é corroborado pela legislação do Funrural (art. 168 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009) e confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Argumenta, também, que a administração tributária, em face do que dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN, não pode alterar a definição de institutos privados, qualificando as operações como prestação de serviços para efeito da apuração do crédito presumido e como produção própria para efeito da incidência da contribuição para o Funrural. No subitem a seguir, denominado “2) Da alíquota para apuração do crédito presumido da produção de carnes”, a contribuinte defende a aplicação do percentual de 60% sobre a alíquota básica da contribuição (PIS 60% sobre alíquota de 1,65%, com alíquota efetiva de 0,99 % e Cofins 60% sobre a alíquota de 7,60%, com alíquota efetiva de 4,56%) para a apuração do crédito presumido relativo à produção de carnes. Alega que a legislação (art. 8º da Lei 10.925, de 2004) é clara ao definir que a alíquota é aplicada de acordo com os produtos fabricados e não conforme os insumos adquiridos. Diz que apurou o crédito presumido sobre os insumos adquiridos (aves/suínos e milho/ração) aplicando o percentual de 60%, mas que a autoridade fiscal, de forma diversa, apurou o crédito utilizando o percentual de 35% (sobre a alíquota básica da contribuição). Acrescenta que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF corrobora o seu entendimento e que os seus produtos constam compreendidos no capítulo 2 da NCM, devendo ser aplicado, portanto, o percentual de 60 % (previsto no inciso I, § 3º, do mencionado art. 8º). Na sequencia, no subitem “3) Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido”, a interessada defende a aplicação do método de rateio proporcional de forma setorial, de modo que sejam aplicados percentuais específicos para os setores de carne (receita de exportação carnes/receita bruta total carnes) e de óleo (receita de exportação óleo/receita bruta total óleo). Diz que o método aplicado pela fiscalização, de apuração de um índice único (receita de exportação/receita bruta total), com a inclusão de todas as receitas auferidas pela cooperativa no computo da receita bruta total, demonstrase ilegal e afronta os artigos 56A e 56B da Lei 10.350, de 2010, uma vez que o objetivo da inclusão do citados artigos foi o de permitir a conversão dos créditos acumulados em moeda (ativo financeiro). Argumenta que o método do rateio proporcional, previsto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, deve ser interpretado de modo que “o crédito presumido a ressarcir deve corresponder ao apurado sobre os bens adquiridos e utilizados na produção dos bens exportados com direito ao crédito presumido.” Sustenta que a interpretação da autoridade tributária ao diminuir o indíce do percentual de exportação, e consequentemente o valor do crédito presumido apurado, viola o princípio constitucional da isonomia, uma vez que diferencia empresas que mantém uma única atividade das que exercem diversas atividades econômicas. Logo a seguir, no item “Da Atualização Monetária dos Créditos Obstados Ilegalmente”, a contribuinte defende a atualização monetária dos créditos, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos. Alega que a correção monetária Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 5 4 deve ser aplicada para manter a integralidade dos créditos e não para punir a mora da administração pública em ressarcilos e que a devolução dos créditos em valores originais representa um enriquecimento sem causa da União. Diz, também, que a aplicação da atualização aos pedidos de ressarcimento vem sendo reconhecida, conforme a jurisprudência administrativa (Conselho Administrivo de Recursos Fiscais – CARF) e judicial (Superior Tribunal de Justiça – STJ) que colaciona na manifestação. Em outro item, denominado “Da Suspensão da Exigibilidade da Multa Isolada Lançada de Ofício”, a interessada pugna pela suspensão da exigibilidade da multa isolada, lançada no percentual de 50% sobre o valor do crédito indeferido, por meio do auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311. Sustenta que a exigibilidade da referida multa deve restar suspensa com a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de ressarcimento a ela relativo, conforme prevê o § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, inserido pelo art. 20 da Lei nº 12.844, de 2013. Por último, no item “Do Pedido”, a contribuinte solicita: (i) a suspensão da exigibilidade da multa isolada lançada no auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311; (ii) o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de reformar o despacho decisório e acolher as razões e argumentos apresentados; (iii) proceder à devolução do crédito presumido solicitado com a atualização monetária, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos até a data do efetivo pagamento. Registrese, quanto ao pedido de suspensão da multa de ofício isolada (de 50%), que a contribuinte foi orientada pela autoridade a quo a apresentar impugnação específica para o processo administrativo nº 10935.722746/201311. Anotese, também, que a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade complementar, por meio da qual acrescenta argumentos a respeito do percentual a ser aplicado sobre as alíquotas básicas (de PIS e Cofins) para a apuração do crédito presumido sobre os insumos adquiridos, relativamente à produção de carnes. No caso, a interessada repisa o seu entendimento de que deve ser aplicado o percentual (de 60%), levandose em conta, portanto, a origem dos insumos adquiridos e não a dos produtos fabricados. Acrescenta, também, que a polêmica na aplicação do referido percentual foi resolvida com a edição do art. 33 da Lei nº 10.865, de 2013, que inseriu o § 10 ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004, o qual dispôs nos seguintes termos: “Para efeito de interpretação do inciso I do 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Por fim, é de se ressaltar a existência do mandado de segurança nº 5005004.61.2013.404.7005/PR, o qual tem como objetivo, entre outros, o reconhecimento do direito à correção monetária pela taxa Selic do crédito reconhecido no presente processo (assim como em outros 23 processos de Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 6 5 ressarcimento), acumulada a partir do protocolo dos pedidos de ressarcimento até o seu efetivo pagamento. A DRJ decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06050.204. Inconformada com os indeferimentos e glosas mantidos na decisão recorrida, a COOPAVEL defende a ilegalidade destas. Ao final, pugna pela inclusão das aquisições de produtos da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria avícola/suinícola na base de cálculo para a apuração do crédito presumido; e que, na apuração do crédito a ser ressarcido seja utilizado o índice de exportação aferido da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos do setor carnes e óleo de soja degomado com a receita bruta total destes produtos (índice setorial). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.013, de 31 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.000742/201117, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.013):Relator "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido da Cofins da recorrente lastreiase no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011: Da Lei nº 10.925/2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 7 6 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Da Lei nº 12.350/2010: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Direito à apuração do crédito presumido sobre a alegada aquisição da produção dos criadores nos contratos de parceria avícola/suinícola Conforme relatado, a Delegacia de origem efetuou glosa relativa às entradas de frangos e suínos provenientes dos contratos de parceria, tendo em vista o entendimento de que essas operações não se qualificam como compra efetiva mas sim como pagamento de serviços prestados (mão de obra) para seus associados. Esta argumentou ter havido "uma simulação de compra de bens (aves/suínos) a qual representa o pagamento dos serviços prestados pelos produtores rurais com os cuidados no trato e criação dos lotes de aves ou suínos". Por consequencia, considerou não haver direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, entendendo Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 8 7 que "referido crédito somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços". De fato, o dito art. 8º fala em " calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003", estas que delimitam o creditamento da insumos no desenho da Pis/Pasep e da Cofins não cumulativas,"bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"; restingindo o crédito presumido aos bens, excluindo os serviços. Se são bens e tratase de prestação de serviços, reproduzo a argumento da fiscalização: “Nestes contratos de parceria, fica evidente que as aves e animais já são de propriedade da cooperativa, apenas são remetidos às propriedades rurais dos associados para a contra prestação de serviços na sua criação e posterior devolução, devendo o parceiro, em resumo, seguir rígido sistema de manejo pré estabelecido, adotar na alimentação exclusivamente a ração e medicamentos fornecidos pela contratante e ao final do prazo estabelecido, devolver o lote completo de animais ou aves, recebendo como pagamento por seus serviços o resultado de um índice que mede o êxito do seu trabalhão (IEP – Índice de Eficiência Produtiva). Para subsidiar esta conclusão destacamos alguns fatos que traduzem por si o entendimento de que não há compra de mercadoria, mas pagamento de prestação de serviços: • A cooperativa não paga diretamente em espécie o resultado do trabalho do associado medido pelo IEP, usa o artifício de entregar simbolicamente seu equivalente valor em produto (aves/suínos), mas com uma cláusula de fidelidade nos contratos, obriga o parceiro a vender exclusivamente para a própria cooperativa tal parte, ou seja, faz um operação triangular, para ocultar o pagamento a título de serviços prestados, substituindo pelo imediato pagamento de uma suposta compra de produtos (que documentalmente já é de sua propriedade, ou seja, como pode comprar aquilo que já é seu?); • Sem entrar na seara tributária com o reflexo de tal procedimento equivocado, o fato é que representa uma distorção da realidade, onde o parceiro é investido na qualidade de proprietário das aves/suínos de forma virtual e apenas por alguns segundos, tempo suficiente para a emissão da nota fiscal de compra, instrumento que na pratica retrata o pagamento por seus serviços; • Ao término da criação, o transporte integral do lote de aves/suínos, da propriedade rural até o frigorífico é realizado pela Coopavel, para garantir que não haja desvio da produção. Somente no abate o parceiro/produtor rural tomará conhecimento do valor de seus serviços prestados, ocasião em que para recebelo aceita a emissão de uma nota fiscal simulando a venda de parte do lote, que não é seu, pois apenas detém a posse precária e não a propriedade; • Os contratos de parceria caracterizam o criador como fiel depositário das aves ou suínos; Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 9 8 • Se os próprios contratos de parcerias definem que o criador receberá pelas suas tarefas/trabalhos para cada lote que concluir a criação, um valor pecuniário, logo, considerando não pertencer ao criador a propriedade dos animais e aves, ração e medicamentos utilizados no trato, é impróprio que este possa vender à cooperativa parte do lote (que não é seu), para mascarar o pagamento dos serviços prestados, dandolhe a versão de ‘aquisição de mercadorias’;” (Grifos deste relator). A recorrente defendo o contrário: "a operação realizada tem natureza jurídica de produção de bens da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria e não de prestação de serviços como se pretendeu na decisão recorrida"(Grifos deste relator). Traz o art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) que trata dos contratos de parceria rural. Diz que seu § 5º prevê que as regras dos contratos de parceria rural não se aplicam aos contratos de parceria agroindustrial para a criação de aves e suínos que possuirão legislação específica; mas que, como até então não foi publicada a lei específica, tem se mantido a aplicação das regras da parceria rural. Observa que esse artigo fora regulamentado pelo Decreto nº 59.566/1966, destacandose, para o presente caso, partes do seu art. 4º: Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa [...] lhe entrega (a outra pessoa) animais para cria, recria, invernagem, engorda [...] mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei. (Grifos do original. Explicação entre parênteses, deste relator). E prossegue: Nos contratos de parceria avícola/suinícola o objeto do contrato é a criação de frangos/suínos para o abate. A agroindústria (parceiraoutorgante) se obriga ao fornecimento de pintos e suínos para cria, recria, medicamentos, ração, assistência técnica e transporte e o produtor rural (parceirooutorgado) se obriga ao alojamento em estrutura própria (aviário) e ao desenvolvimento desses animais até chegarem ao ponto ideal de abate, arcando com as despesas trabalhistas e previdenciárias da contratação de funcionários, energia elétrica, manutenção, etc. [...] A parte do produtor é caracterizada como produção rural própria e não prestação de serviços. Ao final da realização do objeto do contrato, o produtor recebe parte da produção e não por haver prestado serviços. Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quota parte da produção com a agroindústria (parceirooutorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência. Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 10 9 O Código Civil estabelece o conceito de proprietário/ direito de propriedade como um conjunto de direitos: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou; inclusive a sua, assimchamada, quotaparte; por força do contrato de parceria; não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço por parte do criador; não sendo portanto cabível o pretendido direito ao crédito presumido. O animal, que se representa sua quotaparte é apenas um parâmetro, uma referência para sua remuneração. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quotaparte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço. Traz a recorrente em seu favor, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009: [...] no capítulo I do título III ao dispor das normas e procedimentos das atividades rural e agroindustrial, menciona nos incisos XI e XIV do artigo 165 sobre o contrato de parceria rural. Expressamente, o § único do artigo 168 da referida instrução normativa prescreve que a quotaparte do parceiro é considerada produção rural própria do produtor rural e base de incidência da contribuição previdenciária sobre a receita da comercialização da produção rural. [...] Parágrafo único. A parte da produção que na partilha couber ao parceiro outorgante é considerada produção própria." (Grifos do original). Este entendimento também é confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, que instado a se manifestar sobre a incidência da contribuição previdenciária (funrural) nos contratos de parceria avícola, concluiu pela incidência da contribuição sobre a receita auferida pelo produtor rural quando da comercialização da sua quotaparte na produção a empresa agroindustrial (parceiro outorgante). [...] O artigo 110 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/1966) veda a possibilidade do ente competente de alterar a definição de institutos de direito privado [...] De fato, tal Instrução Normativa ´considera a quotaparte do parceiro produção rural própria, mas para fins específicos de incidência da contribuição previdenciária. Não pode ela alterar o instituto da propriedade esculpido no Código Civil, por força do referido art. 110 do Código Tributário. Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 11 10 Traz a recorrente jurisprudência deste CARF em seu socorro. Importante examinar os termos dos contratos de parceria que regulam as relações em pauta: “A retenção de frangos pelo CRIADOR em índice superior ao permitido, [...]caracterizará o furto, respondendo o mesmo penal e civilmente pelo ato praticado. “O CRIADOR. por cada lote criado, receberá pecuniariamente o valor apurado através da tabela referente ao Índice de Eficiência Produtiva IEP, observandose o seguinte: Peso Médio (X) Sobrevivência (X) 100 % (:) Conversão Alimentar (X) Idade dos Frangos.” “Facultase ao CRIADOR utilizar 0,15% (zero vírgula quinze por cento) do total de aves do lote em formação, para o seu próprio sustento. Não consumindo o total permitido, obrigase o CRIADOR a entregar todo o saldo de aves viáves e remanescentes não consumidas.” “O CRIADOR se obriga ainda: [...] “O CRIADOR por este instrumento constituise fiel depositário das aves postas em seu poder pela COOPAVEL, para que efetue a criação obejto deste instrumento, devendo respeitar orientações técnicas, zelando pela sua guarda e conservação, sendo que não o fazendo por ato de sua responsabilidade, responderá pelas penas de depositário infiel, nos termos da lei, especialmente se der causa ao desaparecimento de frangos não autorizados por este instrumento. As penas do depositário infiel serão de ordem civil e criminal.” (Grifos do original) O fato de ser constituído fiel depositários das aves (entendo, de todas elas) postas em seu poder pela COOPAVEL demonstra que, como já examinado, não são suas as aves, apenas presta serviço com relação a elas. Sua remuneração é pelo Índice de Eficiência Produtiva e não pela venda de animais. Se pode reter parte dos animais é para o seu sustento, não sendo estas devolvidas ao produtor, apenas se houver saldo. Situação semelhante ocorre com os contratos relativos aos suínos. Assim, nesse tema, nego provimento ao recurso voluntário. Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido Consta do acórdão recorrido que a Delegacia de origem recalculou o crédito presumido (relativamente às aquisições comprovadas e não glosadas) aplicando um novo critério de rateio proporcional; desconsiderando a aplicação do índice setorial de exportação utilizado pela recorrente. Empregou a unidade índice de exportação calculado mediante a comparação das exportações realizadas (de carne e de óleo de soja degomado) com a receita bruta total da empresa no período: Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 12 11 Em síntese, a autoridade fiscal, após determinar as aquisições de milho, soja, e animais realizadas de pessoas físicas que poderiam conceder o direito ao crédito presumido, aplicou: (i) o índice de exportação de carnes (frango e suíno), calculado por meio da divisão do total de exportações de carne pela receita bruta total, sobre as aquisições de animais (frango e suínos) e de milho com direito à crédito; e (ii) o índice de exportação de óleo degomado, calculado por meio da divisão do total das exportaçoes de óleo pela receita bruta total, sobre as aquisições de soja in natura com direito à crédito. No caso, a fiscalização partiu da premissa de que o milho foi empregado exclusivamente na fabricação da ração e a soja somente na industrialização do óleo de soja degomado, caracterizandose, portanto, a existência de consumo direto nos respectivos processos produtivos e de exportações de carne e de óleo de soja degomado. A contribuinte, por outro lado, aplicou e defende a aplicação das seguintes fórmulas: A recorrente alega ilegalidades na forma de apuração utilizada pelo Fisco, tendo em vista o disposto nos já citados artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, os quais autorizam a compensação com débitos próprios ou o ressarcimento em dinheiro, respectivamente: a) de saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes à data de publicação da lei; e b) para a pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004; remetendo o cálculo aos §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Argumenta que, quanto à primeiro situação, a exposição de motivos da Medida Provisória nº 517/2010, na qual fora convertida a dita lei, traz que a finalidade da medida é monetizar o estoque de créditos presumidos vinculados às receitas de exportação, permitindo que as pessoas jurídicas consigam realizar estes ativos de modo a reduzir os custos de produção (grifos do original). Reproduzo, para análise mais detalhada, os disposições em pauta: Art. 3º. [...] § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 13 12 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (Grifos deste relator). A recorrente, optante pelo rateito proporcional, assim interpretou o respectivo dispositivo: [...] o crédito presumido a ressarcir vinculado a receita de exportação será apurado pela aplicação sobre os custos (bens adquiridos) da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos com direito ao crédito presumido em relação a receita bruta total dos produtos com direito ao crédito presumido, ou seja, obtido conforme a seguinte fórmula. Entendo pelo acerto da Delegacia de origem e da Delegacia de Julgamento: a disposição do 3o, § 8o , II, da Lei n. 10.833/2003 não deixa margem à interpretação da recorrente, posto que baseia o rateio na "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total". Se é "receita bruta total" não é receita bruta total por produto (ou setor) carne e óleo de soja degomado como quer fazer crer a recorrente. A exposição de motivos que traz em seu favor não tem o poder de alterar o significado da lei, no máximo direcionar a seu interpretação quando houver margem para tanto. Ainda assim, também não ampara a fórmula defendida pela recorrente, por não discriminar produtos/ setores. Aduz a recorrente que o Receita Federal estaria a violar o princípio constitucional da isonomia, "diferenciado para empresas que investem e produzem através de diversas atividades em unidade filiais, das empresas que mantém uma única atividade e assim não tem que computar para Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10935.001285/201170 Acórdão n.º 3301004.033 S3C3T1 Fl. 14 13 cálculo de seu crédito receita de outras atividades. De plano, não compete a este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Ainda assim, entendo que o legislador, ao estatuir a opção pelo método da apropriação direta, permite que a empresa compute operação a operação o seu crédito. Já na opção pelo rateio proporcional, o legislador elegeu um método mais geral e simplificado, para empresas com incidência nãocumulativa da COFINS, para apenas parte de suas receitas, sem o detalhamento por produto/ setor. Assim, nessa questão, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento os recurso voluntário da COOPAVEL." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, o Crédito Presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011, e o cálculo de rateio proporcional no regime da não cumulatividade se aplica tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 2370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008662/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 86 62 /2 00 9- 71 Fl. 280DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar o feito, reproduzo trecho do relatório fiscal: “O presente processo trata da exigência do valor de R$ 50.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em dezembro de 2005 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/ GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE’s listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO nº 0717700/00/00543/09”, descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 21, acompanhada dos documentos de fls.22 a 75, para aduzir, em apertada síntese, que (i) o “o auto de infração se mostra improcedente, uma vez que a conduta da Impugnante não se enquadra aos princípios que norteiam a conduta administrativa, (...), cuja cobrança é desproporcional, desarrazoada e ilegítima, além de tais atrasos terem sido motivados pela própria Impugnada, em função das constantes falhas e ausência de informações do SISCOMEX”. (ii) “Em vista disto, conforme exposto a seguir, o Auto de Infração em epígrafe afigurase nulo e, portanto, insuscetível de imposição da multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66 ou de qualquer outra penalidade contra a Impugnante”. (iii) “Por todo exposto, é a presente para requer seja julgado improcedente o Auto de Infração tendo em vista à violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade pela Autoridade Impugnada, assim como às constantes falhas verificadas no sistema SISCOMEX e que isentam de culpa a Impugnante nos atrasos alegados”. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0724.849, de 09/06/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cujo julgamento foi dispensado de ementa, nos termos da Portaria n° 1.364, de 10/11/2004. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10715.008662/200971 Acórdão n.º 3402004.300 S3C4T2 Fl. 3 3 O julgamento foi no sentido de rejeitar as preliminares arguidas e por julgar procedente em parte a impugnação, para manter o crédito tributário lançado no valor de R$ 45.000,00. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. A Recorrente alega: i) irrazoabilidade na aplicação da multa; e ii) atribui culpa às "constantes falhas do SISCOMEX" para o descumprimento da obrigação de registro das informações do embarque. Fl. 282DF CARF MF 4 Quanto ao primeiro fundamento, alega que a alteração dos prazos para registro foi realizado sem grande divulgação na mídia de massa, e que até 2005 não havia um prazo objetivo, mas a indicação de que o registro deveria ser imediatamente após o embarque. Ora, durante os fatos geradores abarcados pelo presente processo a IN SRF nº 510/2005 já estava vigente, e não pode ninguém se eximir do cumprimento da lei alegando desconhecêla, sobretudo aqueles que trabalham especificamente com determinado setor, como o de transporte de cargas. Além disso, quanto ao argumento de desproporcionalidade, a única possibilidade de não aplicação da multa seria pela declaração de inconstitucionalidade da mesma, o que é vedado expressamente pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02. Quanto à alegação de constantes falhas no SISCOMEX, a Recorrente não faz qualquer prova a respeito, razão pela qual não há como se aferir se as informações por ela prestadas são verdadeiras ou sequer verossimilhantes. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar, devendo o julgador observar as regras de distribuição do ônus probatório. Desse modo, os argumentos não devem prosperar, razão pela qual NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720404/2006-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.337
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda n° 256 de 2009, bem como da Portaria Conselho Administrativo de Recursos Fiscais n° 01 de 2012.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 3201000337_10665720404200657_201208; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-09-08T20:02:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 3201000337_10665720404200657_201208; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 3201000337_10665720404200657_201208; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-09-08T20:02:31Z; created: 2017-09-08T20:02:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-09-08T20:02:31Z; pdf:charsPerPage: 935; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-09-08T20:02:31Z | Conteúdo => •• I. S3-C2Tt FI. 526 Processo n° Recurso n° MINISTÉRIO DA FAZENDA ~ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ]0665.720404/2006-57 Resolução n° 3201-000.337 - r Câmara / la Turma Ordinária Data 2] de agosto de 201:1- Assunto Sobrestamento Recorrente MINASBEB COMERCIO DE BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda n° 256 de 2009, bem como da Portaria Conselho Administrativo de Recursos Fiscais n° 01 de 20]2. ~~CWCLeo~4wqtCU~ f'. Ma*elo Ribeiro Nogueira - Relator. V Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudino e Paulo Sérgio Celani. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Processo n° 10665.720404/2006-57 Resolução n.o 3201-000.337 Lavrou-se contra o contribuinte acima identificado os Autos de Infração de fls. 03/14 relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, nos valor de R$ 48.291,59 incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos períodos de 01/2001 a 01/2004 (fls. 05/06). A autuação ocorreu em virtude de insuficiência no recolhimento da contribuição, no regime cumulativo, até o ano de 2002, e no regime não-cumulativo, a partir de 2003, originada de divergências verificadas do cotejo entre os valores escriturados nos livros contábeis e os valores declarados em DCTF da contribuição, nos períodos acima identificados, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 15/27, cuja apuração encontra-se discriminada nos demonstrativos de fls. 44/45. Como enquadramento legal, citaram-se os artigos ]O e 3°, da Lei Complementar nO7, de 7 de setembro de 1970; artigos JO, inciso 1, 3°, 8°, inciso 1, e 9°, Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e arts. JO e 3° da Lei nO9. 718, de 27 de novembro de 1998; arts. 1°, 3 O e 4° da Lei n° 10.637, de 2002. Irresignado, tendo sido "cientificado em 22/12/2006 (fl. 04), o autuado apresentou, em 24/01/2007, acompanha:das dos ,documentos de fls. 188/216, as suas razões de discordância (fls. 180/187), a seguir resumidas: Narrando osfatos considerados pelo fisco naformalização do presente processo, argúi preliminarmente a ocorrência de cerceamento do direito de defesa pelo fato de o processo não contemplar todos os anexos e documentos aos quais a suposta infração estaria relacionada, além de haver exigência em duplicidade, porquanto as supostas diferenças já teriam sido objeto de lançamento de oficio em processo deste distinto. Prosseguindo em seu arrazoado, argúi a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, para os fatos geradores correspondentes a 2001, nos termos do art. 150, 9 4° do CTN. No mérito, aduz que ajiscalização glosou indevidamente a exclusão da base de cálculo da contribuição referente ao valor relativo ao ICMS cobrado na condição de substituto tributário, tendo este sido incluído na vala comum correspondente às diferenças de base de cálculo. Destaca que algumas diferenças encontradas entre as receitas de venda contabilizadas e as informadas como base de cálculo, verificadas em processo deste distinto, ocorreram não só para menos, como também para mais, conforme se pode constatar naquele processo, sendo que as diferenças a maior sequer foram mencionadas pela fiscalização no presente processo. Por fim, em face dos argumentos expostos, propugna pelo cancelamento da exigência. S3-C2T1 FI. 527 2 Processo n° 10665.72040412006-57 Resolução n.o 3201-000.337 A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2001 a 31/01/2004 São suscetíveis de nulidade apenas os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Extingue o crédito tributário a homologação do lançamento, nos termos do art. 156, VII do CTN. Lançamento Procedente em Parte S3-C2Tl FI. 528 o contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. o processo foi inicialmente distribuído a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, já que o relator original não mais faz parte deste Colegiado, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Observo que o presente recurso cuida, dentre outros temas de direito, da discussão concernente à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS, que é matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nO574.706: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CARMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe-088 DIVULG 15-05-2008 PUBLIC 16-05-2008 EMENT VOL-02319-10 PP-02174) 3 Processo n° 10665.720404/2006-57 Resolução n.o 3201-000.337 S3-C2Tl FI. 529 Considerando que o Supremo Tribunal Federal determinou expressamente o sobrestamento de todos os recursos sobre o tema, VOTO por aplicar o comando do art. 62-A, SI0, do Anexo 11do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2°, S 2°, I, da Portaria CARF n° 00 I de 2012, para sobrestar o presente recurso voluntário até que esteja transitado em julgado o acórdão a ser proferido no recurso extraordinário acima mencionado. É como voto. {\ /\C\A;a -eoQ;JLtWo~~ .'. Ma\celo Ribeiro Nogueira - Relator () 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 10665.904962/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 29/02/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.893
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PIS/COFINS. Recorrente DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 29/02/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02045.468, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 49 62 /2 01 2- 11 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10665.904962/201211 Acórdão n.º 3301003.893 S3C3T1 Fl. 3 2 localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, tempestivamente, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese, o seguinte: verificase pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, porém segundo se apurou no Dacon retificador o valor do débito nãocumulativo devido seria inferior ao efetivamente recolhido, resultando um saldo a ser compensado no PerDcomp; deve ser esclarecido que, na época própria, o contribuinte realizou a devida retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório; contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode conduzir a que seja violado o princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda que posteriormente demonstrada, de forma cabal e inequívoca, a existência do crédito que se pretende compensar; Requerendo, ainda, o acolhimento da manifestação de inconformidade para o fim de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.883, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10665.900851/201236, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.883): "O Recurso Voluntário, de 22 de agosto de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458, de 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10665.904962/201211 Acórdão n.º 3301003.893 S3C3T1 Fl. 4 3 O prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão. Observase no presente processo que a Decisão recorrida foi proferida em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento (fls. 95): TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 09/07/2013 8:14h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Contribuinte: 21.759.758/000188 DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013 Já às fls. 96 apurase no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/07/2013 Acórdão de Manifestação de Inconformidade DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013 Constatase assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento e pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22 de agosto de 2013. Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107): Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10665.904962/201211 Acórdão n.º 3301003.893 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário foi apresentado em 22/08/2013, e a data da ciência da decisão da DRJ, por decurso de prazo, também ocorreu em 19/07/2013. Comprovado está que também nestes autos o recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 dias, portanto, intempestivamente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 96DF CARF MF
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