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Numero do processo: 10920.005285/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
MATÉRIA PRECLUSA.
As matérias não expressamente atacadas em sede recursal consideram-se definitivamente constituídas na esfera administrativa.
NULIDADES DO LANÇAMENTO.
Estando presentes todos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 válido o lançamento constituído.
DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes somente são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, quando devidamente comprovadas.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2301-005.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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As matérias não expressamente atacadas em sede recursal consideramse definitivamente constituídas na esfera administrativa. NULIDADES DO LANÇAMENTO. Estando presentes todos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 válido o lançamento constituído. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes somente são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, quando devidamente comprovadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 52 85 /2 00 7- 21 Fl. 356DF CARF MF 2 João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0714.473, da 4ª Turma da DRJ em Florianópolis, que, por unanimidade de votos, julgou o lançamento procedente em parte, com a exclusão dos depósitos de até R$ 12.000,00, que nos anos calendário não superaram R$ 80.000,00, sendo excluídos em 2003 R$26.793,34; R$ 22.336,00 em 2004 e R$ 600,00, em 2005. A recorrente teve contra si lavrado o Auto de Infração em tela referente aos anoscalendário 2003 a 2005, nos quais foram configuradas as seguintes infrações, conforme relatório do acórdão recorrido: a) Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições de Previdência Privada e Fapi Anocalendário 2004 Multa de oficio de 75%; b) Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos adquiridos em reais Anocalendário 2003 Multa de oficio de 75%; c) Dedução Indevida de Despesas Médicas Anoscalendário 2003 a 2005 Multa de oficio de 150%; d) Dedução Indevida de Despesas com Instrução Anos calendário 2003 e 2004 Multa de oficio de 150%; e) Dedução Indevida de Previdência Privada/Fapi Anos calendário 2003 e 2004 Multa de oficio de 75%; Í) Omissão de Rendimento Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada Anoscalendário 2003 a 2005 Multa de oflcio de 75%. A justificar a aplicação da multa de oficio de 150%, a autoridade fiscal explica, às folhas 213 e 214: [...] Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 3 3 Como foi demonstrado acima, a contribuinte, reiteradamente, incluiu despesas médicas e despesas de instrução fictícias, com o intuito de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido nas suas declarações de ajuste. Por isso, se enquadra na previsão de multa qualificada de que trata o art. 95 7, inciso II, do RIR/1999. Cientificada do lançamento, apresentou impugnação alegando em síntese, também conforme descrito no relatório do acórdão recorrido: Em preliminar, às folhas 234 e 235, a contribuinte alega a nulidade do lançamento em vista da falta dos requisitos de certeza e liquidez do crédito tributário, em conseqüência da ilegitimidade da exação e da improcedência de seus efeitos. . No mérito, sob o titulo 1 Omissão de ganho de capital, à folha 235, a contribuinte alega que não foram aplicadas as reduções previstas no Capítulo VIII, artigos 38, 39 e 40 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005. Argumenta a contribuinte que foi aplicada alíquota de 15% diretamente sobre R$ 40.000,00, resultando no valor de R$ 6.000,00, que hoje totaliza R$ 14.823,00. No segundo tópico Falta de perícia nos documentos quando alegada adulteração de data de nota fiscal , às folhas 236 a 237, a contribuinte requer a anulação das alegações da autoridade fiscal de que houve adulteração de documentos. Defende que tal conclusão deve ser proferida por perito e que no presente caso não há laudo acostado aos autos. Sob 0 título 3 Cumulação de Multa e Juros, às folhas 237 a 243, a contribuinte discorda da aplicação de juros moratórios cumulados com multa de infração, por entender que ambos exercem, preponderantemente, a mesma função que é ressarcir o credor dos danos advindos do atraso no cumprimento da obrigação. Argúi a contribuinte que a cumulação dos institutos indenizatórios multa e juros sobre o principal implica em confisco e, por conseguinte, em ilegalidade e inconstitucionalidade. No tópico 4 Da violação da capacidade contributiva e Da multa confiscatória de 75% e 150%, às folhas 243 a 254, a contribuinte tece diversas considerações acerca do princípio da capacidade contributiva, do nãoconfisco e da proporcionalidade para concluir que a multa exigida de 150% é ilegal e inconstitucional. A contribuinte alega, ainda, que não houve dolo a justificar a imposição da multa de 150%. No tópico 5 Taxa Selic, às folhas 255 a 269, a contribuinte alega que a adoção da taxa selic como juros moratórios, por razões de variada ordem, é ilegal e inconstitucional. Requer a contribuinte a aplicação de juros de um por cento ao mês, conforme Acórdão do Superior Tribunal de Justiça, que cita. Fl. 358DF CARF MF 4 A contribuinte alega, sob o título 6 Do valor de R$ 40.000,00 relativo à empréstimo familiar, à folha 269, que comprovou a origem do valor de RS 40.000,00. Defende que o fato de o cheque não ser nominal a sua pessoa em nada interfere na comprovação da origem do crédito, uma vez que estava por ela endossado. A contribuinte alega que o endosso transmite todos os direitos resultantes do cheque e, portanto, entende que foi comprovada a origem do crédito de R$ 40.000,00, devendo tal valor ser excluído do lançamento. No sétimo tópico Do vício da investigação quanto ao valor de PDI, item 3.2.2.2, às folhas 269 e 270, a contribuinte alega que restou comprovada nos autos a origem do crédito de R$ 125.709,79, conforme documento autenticado pelo banco. E explica: [...] as alegações quanto ao PDI foram analisadas equivocadas. pois a data do PD1 é 07/08/2002 item 21 do PDI, doc anexo, sendo assim, próxima a data do crédito, outro ponto e' que o valor de R$ 113.492,04 e o valor somente da indenização item 25 do PDI, doc anexo, sendo que o valor total e' de R$ 118.968,37, que se aproxima em muito do depósito a posteriori de R3 125. 709, 79, que nada mais e' do que correção monetária até a data do crédito na conta da ora Recorrente. Sob o título Das despesas com educação e das despesas médicas x Do poder de polícia administrativa da Receita Federal, às folhas 270 a 273, a contribuinte tece diversas considerações doutrinárias acerca do conceito de poder de policia para alegar que à autoridade fiscal cabe, com base no poder de polícia, investigar a empresa Odonto Fama, emissora de recibos odontológicos, TR Fisioterapia e a empresa educacional Dynamic, que “desapareceu da cidade deixando dividas e sumindo com os documentos fiscais objetos desta fiscalização”. Discorda da atuação da autoridade fiscal que baseou o lançamento em declaração unilateral da empresa Odonto Fama, a qual não teria interesse em confirmar a emissão de nota fiscal. Indica uma funcionária da empresa como testemunha. Por fim, alega que não houve procedimento investigatório nas empresas que cita e, por conseguinte, não haveria fundamento para o lançamento. No último tópico Do requerimento, à folha 273, a contribuinte requer a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial à documental, testemunhal e pericial contábil. A DRJ/Florianópolis julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do Acórdão nº 0714.473, sessão de 07/11/2008 (efls. 320/340), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 4 5 Na apuração do ganho de capital, não havendo comprovação do custo de aquisição, este equivale a zero e, portanto, não há que se falar em atualização monetária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NÃO COMPROVADA ORIGEM. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando O contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRITÉRIOS DE APURAÇÃO. Para efeito de determinação da receita omitida, não serão considerados créditos bancários de origem não comprovada de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (Oitenta mil reais). DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes somente são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, quando devidamente comprovadas. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUTIBIL1DADE. Somente são dedutiveis da base de cálculo no ajuste anual os gastos com instrução comprovados, desde que referentes ao próprio contribuinte ou a seu dependente, até o limite individual estabelecido na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS CARGO PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n. 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Fl. 360DF CARF MF 6 Os juros de mora são devidos em todos os casos de recolhimentos extemporâneos, sejam estes motivados por ato voluntário do contribuinte ou por imposição de ato de oficio da autoridade fiscal. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 IMPUGNAÇÃO POR MEIO DA NEGAÇÃO GERAL. INADMISSIBILIDADE. A contestação do lançamento efetuada por meio de meras alegações, sem a devida individualização das razões de insurgência e sem a indicação dos elementos de prova que contraditam o material probatório que embasou O procedimento de oficio, equiparase à processualmente vedada “negação geral”, restando inviabilizado seu acolhimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. Diante de matérias não expressamente impugnadas, impedido fica o julgador administrativo de pronunciarse em relação ao conteúdo do feito fiscal que com elas se relaciona. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de O impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Lançamento Procedente em Parte Cientificada da decisão em 26/11/2008 (efl. 343), a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de efls. 344 e ss, em 10/12/2008, em que apresenta as seguintes alegações, em síntese: Nulidade da autuação, em decorrência de erros do Fisco, na apuração da base de cálculo do lançamento; Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 5 7 Dos valores glosados: alega que efetuou os pagamentos a Odonto Fama (que, por sua vez, teria emitido notas calçadas), sendo essa a verdadeira responsável pela glosa das despesas declaradas pela recorrente; Falta de perícia nos documentos quando alegada adulteração de nota fiscal e recibos: sustenta que para que sejam consideradas fraudadas as notas fiscais/recibos apresentados pela recorrente é necessária a realização de perícia técnica. Requer a anulação das alegações do julgador nesse sentido. Despesas Médicas X Poder de polícia Administrativa da Receita Federal: alega que cabe à Receita Federal verificar junto às empresas emissoras dos recibos a veracidade dos mesmos e não punir a recorrente; Da comprovação da origem do PDI (Programa de Demissão Incentivada): não é cabível a glosa do valor referente a PDI uma vez que comprovado nos autos; Por fim, requer: que seja julgado procedente o recurso apresentado, tornando nula a notificação. Não há a juntada de novos documentos. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Verificada a tempestividade do recurso voluntário dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Matéria Preclusa A contribuinte deixou de se manifestar sobre a omissão de rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições de Previdência Privada e Fapi e Dedução Indevida de Previdência Privada/Fapi em sua impugnação, conforme voto do julgador de primeira instância. Por sua vez, em sede recursal, a contribuinte não se manifestou sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos no anocalendário 2003 bem como sobre a dedução indevida de despesas com instrução. Portanto, em relação a tais matérias precluiu seu direito de defesa, restando definitivamente constituído o crédito tributário correspondente . Nulidade da autuação A recorrente sustenta a nulidade da autuação por falta de liquidez e certeza do crédito constituído, alegando que os valores glosados de despesas médicas e dependentes Fl. 362DF CARF MF 8 foram devidamente comprovados por meio de recibos e notas fiscais, os quais foram desconsiderados pela fiscalização por suposta prática de fraude pela empresa prestadora dos serviços (Odonto Fama). As nulidades, no processo administrativo fiscal, estão descritas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) Outras irregularidades, omissões e incorreções diversas das descritas no artigo citado, não configuram nulidade e devem ser sanadas, desde que não tenham resultados em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, conforme prescrito no art. 60 do mesmo diploma legal: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Não ocorrendo nenhuma das situações descritas acima, não há como reconhecer a nulidade pretendida. Rejeito a preliminar. Dos valores glosados Falta de perícia nos documentos quando alegada adulteração de nota fiscal e recibos Despesas Médicas X Poder de polícia Administrativa da Receita Federal Os três tópicos acima referemse todos à alegação de improcedência da glosa de valores declarados de despesas médicas supostamente suportados pela contribuinte em relação à empresa Odonto Fama. Alega a recorrente que apresentou os recibos ou notas fiscais de pagamento e que as mesmas foram desconsideradas pela fiscalização, porque a empresa teria negado a emissão das mesmas. Sustenta que há necessidade de perícia técnica, sendo inválida a mera Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 6 9 manifestação do AuditorFiscal e que a Receita Federal, através do seu poder de polícia administrativo, deve abrir procedimento administrativo junto às empresas para verificação da prática de crimes, ao invés de punir a recorrente. Para melhor elucidar a questão convém transcrever os seguintes excertos do relatório fiscal da autuação, acerca dos documentos comprobatórios apresentados durante o procedimento fiscal: (...) A fiscalizada recebeu a intimação SAFIS/GAB nº 076/2007 para apresentar a prova dos pagamentos de despesas médicas da Odonto Fama Ltda., TR Clínica de Fisioterapia e Reabilitação Ltda. e Fisiocorp Fisioterapia Ltda., através de cópia de cheque nominativos, saques bancários ou similar, coincidentes em datas e valores. Dentro do prazo fixado não o fez e, assim, deixou de provar a veracidade dos recibos apresentados. (...) A fiscalizada juntou a Nota Fiscal de Serviços nº 002887 expedida pelo Centro Radiológica Sul Ltda. relativo a radiograma panorâmico no valor de R$ 40,00. Examinada a nota, verificouse que a data foi adulterada, pois a emissão que era de 23. 02.2006 foi alterada para 23.02.2005, ou viceversa. A rasura afasta a como ser considerada como regular. A Fisiocorp Fisioterapia foi instada pela intimação SAFIS/GAB n° 071/2007 para se manifestar sobre os recibos apresentados pela fiscalizada e não foi encontrada no domicilio fiscal declarado à Receita Federal, tendo o envelope retornado com a anotação dos Correios de que “mudouse". Em consulta ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídica CNPJ verificouse que a Fisiocorp tem sua situação cadastral como INAPTA, desde 17.07.2004, tendo como motivo ser INEXISTENTE DE FATO, ou seja, consta como “omisso não localizada”. Assim, este é mais um indício de que se trata de despesas fictícias. Procedida a pesquisa junto ao cadastro do responsável pela empresa, Valdomiro Parron Lopes, CPF n" 039.228.52823, foi verificado que seu domicílio fiscal é na cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, tendo residido anteriormente na cidade de Presidente Prudente, no interior do Estado de São Paulo. Seu endereço foi atualizado junto à base do CPF pela declaração de Ajuste Anual apresentada em 25.07.2003. Como existem documentos que teriam sido assinados por ele em Joinville, depois dessa data, evidentemente, que a conclusão que se impõe é que tais recibos não são de sua lavra. Fl. 364DF CARF MF 10 A Odonto Fama Ltda., atendendo à Intimação SAFIS/GAB n° 068/2007, informa que a fiscalizada não efetuou nenhum tipo de tratamento odontológico durante os anos de 2003, 2004 e 2005. Por isso, não houve emissão de notas fiscais a ela e ainda, que não emite "recíbos simples " aos seus pacientes/clientes e sim Nota Fiscal de Prestação de Serviço, sendo assim que desconhece a origem dos recibos que lhe foram apresentados em cópia. (...) A TR Clínica de Fisioterapia e Reabilitação Ltda., para atender à intimação SAFIS/GAB nº 070/2007, informa que os recibos que foram apresentados pela fiscalizada não foram de sua emissão. (...) Para fins de dedução das despesas médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual o contribuinte deve comprovar de forma idônea as deduções pretendidas, consoante o disposto no art. 80, §1º, III do RIR/1999, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, que estabelece: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(Grifamos) Ademais o Fisco pode glosar as deduções que não forem cabíveis, e ainda lançar de ofício, sempre que considerar inidôneo o documento apresentado, desde que haja um indício ou elemento de prova da falsidade ou inexatidão dos documentos comprobatórios apresentados. É o que se depreende do § 1º do art. 73, c/c § 1º do art.845, ambos do RIR/99: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 7 11 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. ... Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive: ... § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. (Grifos nossos) Apesar das manifestações da recorrente, verificase que a mesma não buscou comprovar a veracidade dos recibos e/ou notas fiscais não considerados pela fiscalização através da comprovação do efetivo dispêndio financeiro correspondente (cópia de cheque nominativo, extrato de cartão de crédito, saque em conta corrente em valor e data aproximados, etc). Também importa destacar que a apresentação de declaração de uma suposta empregada da empresa não serve como meio de prova do dispêndio com despesas para fins de dedução de IR. Portanto, não há reparos na decisão de piso sobre a matéria que assim se manifestou: Retomando ao caso concreto, verificase que há nos autos um quadro indiciário bastante claro que toma oportuna a suspeita levantada contra a contribuinte de que a mesma pode utilizar recibos como procedimento geral de redução de impostos. Neste caso cabe a exigência de que a contribuinte comprove com mais detalhes o pagamento e a efetividade dos serviços médicos e odontológicos declarados. As empresas Odonto Fama Ltda. e TR Clínica de Fisioterapia e Reabilitação Ltda. negaram, às folhas 83 e 92, a emissão dos recibos apresentados pela contribuinte, às folhas 48 a 63, bem como a prestação de serviços médicos à contribuinte e seus dependentes. A empresa Fisiocorp Fisioterapia, por sua vez, não foi localizada. A simples apresentação de recibos ou declaração de ex profissional da emissora dos recibos, neste caso, não se constituem em documentos de força probante capaz de elidir as glosas das deduções pleiteadas. Na realidade, para fortalecer o convencimento do julgador, e aceitarse plenamente os argumentos da interessada, bastaria comprovar efetivamente as importâncias despendidas. Provar nesse contexto seria demonstrar por meios objetivos e subjetivos aceitos pelo sistema juridico, de que ocorreu ou deixou de ocorrer um certo fato. ... A somarse aos indícios indicados nos parágrafos anteriores, está o fato de que o contribuinte, durante três anoscalendário consecutivos informou despesas odontológicas, em valores Fl. 366DF CARF MF 12 expressivos, dos quais não conseguiu comprovar, de forma inequívoca, sequer uma despesa. Lembrando que um único indício, desde que veemente, pode levar a conclusão da ocorrência de um fato ou a falta dele. Da mesma forma, vários indícios em si fracos podem, somados, levar a mesma conclusão. Assim, por tudo que dos autos consta, diante do quadro acima evidenciado não há como considerar os documentos trazidos aos autos como prova suficiente das despesas pleiteadas, mantendo se integralmente a glosa das despesas médicas declaradas e impugnadas. Sem razão à recorrente. Depósitos Bancários de origem não identificada Em sede recursal a recorrente limitase a afirmar que "O PDI foi devidamente demonstrado nos autos, não sendo cabível a glosa dos valores requeridos pelo fisco. Isto posto, requer seja aceita como comprovada a origem do débito PDI em questão." Alega a fiscalização sobre a matéria (Depósito bancário junto à CEF não comprovado): O crédito autorizado de R$ 125.709,79, ocorrido em fevereiro de 2005, cuja origem seria um PDI do falecido marido, ficou sem prova da sua origem. Foi juntado um documento do BESC como prova, no entanto, este é datado de 07.08.00 e o valor era de R$ 113.492,04. Como se vê, nem o valor é igual e nem a data é próxima. O extrato diz que houve um "créd autor" que seria uma autorização de crédito em 28.02.2005 e, portanto, essa é a comprovação necessária para afastar a presunção legal de rendimentos omitidos. Como se vê a autuação decorreu da falta de comprovação da origem de depósito bancário em conta da recorrente, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por sua vez a recorrente entende que comprovou a origem do depósito com a documentação referente ao Pedido de Demissão Voluntária apresentada junto com a impugnação Termo de quitação plena (efl.300) e Termo de rescisão de contrato de trabalho (efl. 301). Entretanto os mesmos não servem para fins de comprovação do recebimento de PDI com o depósito bancário não comprovado, por lhes faltar coincidência entre datas e valores, conforme bem demonstrado pela decisão de piso, que transcrevemos: Do mesmo modo, quanto ao depósito bancário no valor de RS 125.709,79, não há comprovação de origem. Consta dos autos tãosomente um documento elaborado pelo Banco do Estado de Santa Catarina, à folha 204, datado de 7 de agosto de 2002, informando o pagamento, a título de PDI/2001, no valor de R$ 113.492,04. Neste caso, caberia à contribuinte comprovar que o referido pagamento do Programa de Demissão lncentivada, datado de Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 8 13 2002, pelo BESC, tem relação com o depósito bancário efetuado em 2005, no valor de R$ 125.709,79. Como não foram juntados quaisquer outros documentos em sede recursal, não ficou demonstrada a vinculação entre o depósito bancário de origem não comprovada no ano de 2005, no valor de R$ 125.709,79 com o Termo de Rescisão datado de 07/08/2002, no valor líquido de R$ 118.968,37 (fl. 301). Sem razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo a decisão recorrida na integralidade. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.721782/2011-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 17 82 /2 01 1- 17 Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 564DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.000280/2006-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2005
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acata-se os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo.
PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO.
No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte.
Numero da decisão: 9303-005.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto à incidência da taxa Selic ao pedido de ressarcimento e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformular o acórdão apenas em relação ao equipamento de proteção individual, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto à incidência da taxa Selic ao pedido de ressarcimento e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformular o acórdão apenas em relação ao equipamento de proteção individual, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 80 /2 00 6- 41 Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 3 2 em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 330100.690, proferido pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que somente os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens geram créditos passíveis de ressarcimento, e gastos com mão deobra avulsa, ainda que contratada por intermédio de sindicato, não geram direito ao ressarcimento de créditos de PIS, por fim, afastou a possibilidade de correção monetária pela Taxa Selic, por ausência de previsão legal. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Cuidase de recurso em face do Acórdão n° 0620.366 3' Turma da DRJ/CTA (fls. 412/420, que deferiu apenas em parte o ressarcimento de créditos de insumos decorrentes da contribuição ao PIS/PASEP não cumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637/2002, do período de apuração de 01/09/2005 a 31/12/2005. Cientificada em 09/02/2009 (AR fl. 422), a recorrente apresentou em 05/03/2009, o recurso de fls. 381/395, aduzindo que apesar de ter demonstrado o dispêndio financeiro (gasto) com custos de insumos aplicados diretamente na produção de bens destinados à venda de produtos, apurando, por conseqüência e nos termos da legislação vigente, os respectivos créditos da contribuição para o PIS/PASEP. Dentre os custos / insumos temse as aquisições dos seguintes itens: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 4 3 Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais O despacho decisório, cuja confirmação deuse pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, glosou os custos / insumos indicados no parágrafo acima, alegando que tais itens não foram expressamente mencionados pela legislação tributária federal, não permitindo, portanto, o crédito de PIS/PASEP. O acórdão recorrido restou assim ementado: "Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO As despesas com alimentação, cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, uniforme e vestuário, equipamento de proteção individual, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza não geram créditos passíveis de dedução da contribuição mensal devida, bem como as despesas com mãodeobra pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa é a receita bruta decorrente da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, não sendo aplicável, no caso, a decisão do Supremo Tribunal Federal (RE346.084) que declarou a inconstitucionalidade do § I o do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Contribuinte ingressou com embargos de declaração, fls. 1021/1022, alegando a existência de obscuridade no acórdão embargado. O Presidente da 3º Seção de Julgamento, rejeitou os embargos por entender que não houve nenhuma obscuridade no acórdão embargado. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, requerendo que seja dado provimento integralmente ao crédito pleiteado, ensejando, por conseqüência, a homologação das compensações vinculadas. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3401001.713, 930301.741 e 9303002.101. Em seguida, o Presidente da 3º Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 5 4 Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 1119/1125. Vejamos: "Constata se, portanto, que o fundamento da decisão recorrida para vedar a atualização monetária sobre os ressarcimento de créditos de PIS foi a adoção dos fundamentos de dois acórdãos do extinto Segundo Conselho de Contribuintes que tratavam de ressarcimento de IPI e interpretaram o art. 39, §4º da Lei nº 9.250, de 1995. Assim, constatase o dissídio jurisprudencial, pois enquanto na decisão recorrida a atualização pela taxa Selic foi vedada pela interpretação do art. 39, §4º da Lei nº 9.250, de 1995, o paradigma aplicou acórdão proferido pelo STJ sob o rito de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), cuja interpretação da legislação, inclusive do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, resultou na possibilidade de atualização dos créditos objeto de ressarcimento pela taxa Selic. Portanto, presentes os demais pressupostos de admissibilidade, deve o recurso especial ser admitido quanto à interpretação do termo “insumo” e quanto à atualização dos valores pedidos em ressarcimento pela taxa Selic". Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 1130/1142, requerendo que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose incólume a decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator Os Recurso foi apresentado com observância no prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Com efeito, as matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, envolve à interpretação do termo “insumo” e atualização dos valores solicitados em ressarcimento pela taxa Selic". Quanto a divergência do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, tomo conhecimento da matéria. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 6 5 No que tange atualização dos valores solicitados em ressarcimento pela taxa Selic, não tomo conhecimento matéria. Explico e fundamento: Nos termos do exame de admissibilidade do Recurso, processo nº 10930.002522/200431, a Contribuinte apresentou o acórdão nº 9303002.101, o mesmo utilizado no presente Recurso. O Presidente da 3º Seção de Julgamento, entendeu naquele processo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a divergência. Vejamos: "Atualização pela taxa Selic sobre os valores passíves de ressarcimento. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou o seguinte paradigma: Acórdão nº 9303002.101 proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na apreciação da matéria no paradigma, decidiuse pela aplicação do artigo 62A do RICARF, não tecendo, o relator, maiores considerações sobre o litígio. Por sua vez, o acórdão proferido pelo STJ, apresentado como representativo da aplicação do rito previsto no artigo 543C do CPC, AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS, interpretou a possibilidade de atualização monetária em vista da Lei nº 9.363, de 1996 e da Súmula nº 411 do STJ, as quais tratam do ressarcimento de créditos de IPI. Já o acórdão proferido no Recurso Especial nº 1.035.847 – RS (2008/00448972), precedente da controvérsia submetida ao rito de recurso repetitivo, analisou o artigo 11 da Lei nº 9.779. de 1999, o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e o artigo 39 da Lei nº 9.250, de 1995. Por outro lado, o acórdão recorrido adotou os fundamentos da decisão de primeira instância, a qual interpretou, além de outros, o artigo 13 da Lei nº 10.833, de 2003, que trata da vedação legal quanto à atualização monetária ou incidência de juros sobre o aproveitamento de créditos da não cumulatividade da Cofins (aplicável ao PIS pelo artigo 15 da Lei nº 10.833, de 2003), dispositivo legal não interpretado no acórdão paradigma, o qual dispôs sobre a atualização monetária de créditos presumidos de IPI, nem referido nos acórdãos proferidos pelo STJ sob o rito do artigo 543C do CPC. Verificase, portanto, que a recorrente não logra comprovar a divergência suscitada, pelo fato de que a decisão atacada e o acórdão paradigma tratarem de situações fáticas e jurídicas distintas1". Em atenção ao despacho de admissibilidade do Processo nº 10930.002522/200431), a Contribuinte não logrou êxito em comprovar divergência jurisprudencial quanto atualização do pedido de ressarcimento pela Taxa Selic, portanto, o recurso não deve ser conhecido quanto esta matéria. 1 Despacho de Admissibilidade do Processo Paradigma nº10930.002522/200431, fls. 889/904. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 7 6 Passo ao julgamento da divergência do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Mercado Externo (II. 01). protocolizado cm 30/07/2004, relativo ao 1° trimestre/2003, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cuidase de recurso em face do Acórdão n° 0620.366 3º Turma da DRJ/CTA (fls. 412/420, que deferiu apenas em parte o ressarcimento de créditos de insumos decorrentes da contribuição ao PIS/PASEP não cumulativo, com fundamento na Lei n° 10.637/2002, do período de apuração de 01/09/2005 a 31/12/2005. Cientificada em 09/02/2009), a Contribuinte apresentou em 05/03/2009, o recurso de fls. 381/395, aduzindo que apesar de ter demonstrado o dispêndio financeiro (gasto) com custos de insumos aplicados diretamente na produção de bens destinados à venda de produtos, apurando, por conseqüência e nos termos da legislação vigente, os respectivos créditos da contribuição para o PIS/PASEP. Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que somente os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens geram créditos passíveis de ressarcimento, e gastos com mãodeobra avulsa, ainda que contratada por intermédio de sindicato, não geram direito ao ressarcimento de créditos de PIS, por fim, afastou a possibilidade de correção monetária pela Taxa Selic, por ausência de previsão legal. No presente caso foram glosados créditos decorrentes das despesas de aquisições dos seguintes itens: "Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laborara Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; O Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância, Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais". Neste passo, em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 8 7 A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte industrializa, comercializa no mercado interno e exporta diversos produtos (café solúvel, óleo de café, extrato de café, etc), de industrialização própria. Exporta ainda mercadorias adquiridas de terceiros. Tais valores estão devidamente registrados em seus livros contábeis/fiscais. Destarte, ressaltase que a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 9 8 da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. As aquisições estão relacionadas, por divisão, juntamente com amostragem dos documentos, às fls. 373 a 399 e 402 a 411. Os créditos aproveitados pela Contribuinte foram acrescidos do ICMS e diminuídos do IPI (divisão de embalagens). Deste modo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 10 9 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, o que se coaduna com o presente caso ( PIS). Dessa forma, o conteúdo contido no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS. Diferentemente do presente caso, as glosas referentes alimentação; cesta básica; vale transporte; assistência médica/odontológica; materiais de manutenção/conservação; materiais químicos e de laboratório, materiais de limpeza; materiais de expediente; materiais de consumo; serviço temporário; serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza; serviços de manutenção e reparos; outros serviços de terceiros; exportação e gastos gerais, entendo não serem essenciais ao processo de produção da Contribuinte. Como se observa, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. Por outro lado, a Contribuinte não teve nenhum interesse em apresentar seu processo produtivo, e fundamentar seu direito, pelo contrario, em sua peça Recursal alega apenas que o direito a crédito " conceito de insumo" deve ser o mesmo aplicado ao imposto de renda, visto que, para se auferir lucro. Esta E. Câmara Superior, atual composição, tem como regra debater "insumo" por "insumo", para verificar se de fato os insumos utilizados no processo produtivo são essenciais ao processo de produção, salvo entendimento dos Conselheiros Fazendários que não adotam o critério da essencialidade. Neste sentido, em recente julgamento por esta Turma, os acórdãos de nºs 9303005.678 e 9303005.679, julgado na sessão de 19 de setembro, de Relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, empreendeu toda fundamentação lastreada em laudos, processo de produção e essencialidade dos insumos utilizados no processo de produção. Como dito, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 11 10 Nos termos do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, como pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, entendo ser essencial atividade da Contribuinte, uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis. No que tange à exclusão da base de cálculo do PIS, do valor da indenização de seguro recebido pela Contribuinte, lhe assiste razão. A inclusão das receitas do Grupo 81 Outras Receita Operacionais na base de cálculo, as indenizações de seguro recebidas, ficou comprovado que tais valores não afetaram o patrimônio da Contribuinte tão pouco seu resultado operacional. Para ser receita, há que afetar o patrimônio da pessoa jurídica. A indenização de seguro tem a mesma natureza do bem sinistrado, já integrante do patrimônio do segurado, e não se confunde com alienação de bens porque o segurado não realizou operação mercantil alguma. Deve, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS valores líquidos lançados na contabilidade da recorrente referente a Indenizações de Seguros. Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste, dúvida quanto aos fundamentos empregados no decisum. in verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para reverter as glosas referente a uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis, excluindose ainda da base de cálculo do PIS, valores líquidos lançados na contabilidade da Contribuinte referente a Indenizações de Seguros. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo em parte de suas conclusões a respeito da possibilidade de apurar créditos da não cumulatividade relativa ao PIS e à Cofins. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto o relator aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Concordei com o relator em relação à maioria das glosas mantidas por ele. Nossa discordância é específica em relação a uniforme/vestuário e combustíveis/lubrificantes, tendo em vista que concordo com o afastamento da glosa relativa aos equipamentos de proteção individual na medida em que são consumidos, com o tempo, em aplicação necessária durante o processo de produção e não compõem o ativo imobilizado do contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 13 12 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 14 13 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. O legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto, antes de iniciado ou após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela lei). Ressalto que considero que os uniformes/vestimentas utilizadas na fábrica em razão de exigências de ordem sanitárias em decorrência de normas legais, podem ser apropriados como créditos em face de seu consumo, com o tempo, diretamente no processo produtivo. Porém uniformes/vestimentas adotados por mero interesse do fabricante, sem demonstração de que sejam utilizados no chão da fábrica, não se revestem da previsão legal ao direito ao crédito. Quanto aos combustíveis/lubrificantes observase que há previsão expressa no inciso II do art. 3º, acima transcrito, quanto à possibilidade do creditamento quando utilizados diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda. Acontece que estes créditos relativos aos combustíveis/lubrificantes já foram considerados e concedidos quando da análise original do pedido de ressarcimento. Portanto, eventuais consumo de combustíveis e lubrificantes utilizados antes de iniciado o processo produtivo ou em etapa posterior, não dão direito ao crédito por falta de previsão legal. Portanto os combustíveis/lubrificantes objetos da presente discussão não referemse ao uso direto no processo produtivo, mas aos usados em períodos anteriores ou posteriores à produção do produto destinado à venda. Assim, efetivamente não há base legal para sua concessão. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 15 14 Assim, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, somente para acatar o direito à apropriação de créditos com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1162DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.720485/2010-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR.
A dedutibilidade de despesas com Participação nos Lucros e Resultados - PRL submete-se à regra geral do artigo 299 do Decreto n. 3000/99, que exige a identificação de sua necessidade, registro como despesa conforme o regime de competência e comprovação de sua efetividade.
Numero da decisão: 9101-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Luis Flávio Neto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Adriana Gomes Rego, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Leonardo de Andrade Couto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida OPPORTUNITY DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. A dedutibilidade de despesas com Participação nos Lucros e Resultados PRL submetese à regra geral do artigo 299 do Decreto n. 3000/99, que exige a identificação de sua necessidade, registro como despesa conforme o regime de competência e comprovação de sua efetividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Luis Flávio Neto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Adriana Gomes Rego, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 04 85 /2 01 0- 61 Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Leonardo de Andrade Couto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração (Efls. 883 ss.), cientificado à contribuinte em 14.10.2010, para a exigência de IRPJ e CSLL, juros de mora e multa de 75% relativos aos anos calendário de 2006 a 2008, sob o entendimento fiscal de indedutibilidade das despesas incorridas pela contribuinte com o pagamento de participaçãoo nos lucros e resultados – PLR aos seus empregados, diante do descumprimento de regras previstas na Lei n. 10.101/2000, no caso, (i) a ausência de comprovação da eleição do representante dos empregados na composição do Comitê Executivo que elaborou o Programa PRL/2002; (ii) ausência de participação de representante indicado pelo sindicato da categoria dos empregados nesse comitê; e (iii) dedução de despesas em exerício posterior à sua efetivação, caracterizando postergação. Para maior detalhamento, sugerese a leitura do Termo de Verificação Fiscal (Efls. 870 ss.), resumido pela relatório da decisão da DRJ, que ora se aproveita: “Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a interessada acima identificada, consubstanciada no lançamento de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), em valores respectivamente iguais a R$ 9.359.964,64 e R$ 4.151.596,94, já incluídos a multa de ofício e os juros de mora, este calculado com emprego da taxa Selic e aquela determinada à razão de 75%. Segundo consta do termo de verificação fiscal (TVF) de fls. 870/882, o lançamento resultou da constatação de suposta indedutibilidade do pagamento de participações nos lucros e resultados (PLR) aos funcionários, em razão da não participação no denominado Comitê Executivo – que estabeleceu o Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PPR2002), de representante: (i) indicado pelo sindicato da categoria profissional e (ii) livremente escolhido pelos empregados. Aduziu a fiscalização que a primeira das irregularidades acima mencionadas se concretiza no parágrafo 1º da cláusula 2ª do acordo firmado, que estabelece a composição do aludido comitê como sendo de “02 cargos privativos por indicação do empregador e 01 cargo privativo de um representante dos empregados”, sem qualquer previsão de participação de representante sindical, tanto do empregador quanto dos empregados. Para confirmar a exclusão dos sindicatos da negociação, a fiscalização formulou pedido de esclarecimentos a tais entidades, recebendo de ambas respostas que confirmavam a não participação. Quanto ao procedimento seguido para a escolha do representante dos empregados, consta que a interessada, intimada sucessivas vezes a apresentar “toda a documentação relacionada ao processo eleitoral”, teria se limitado a entregar: (i) carta intitulada “escolha da comissão”, datada de 03/04/2002 e endereçada aos empregados, porém sem nenhuma assinatura, nem do subscritor e nem de algum empregado que dela tenha tomado ciência; (ii) carta emitida pelo sr. Wilson Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 4 3 Barcellos da Silva, datada de 04/04/2002 com a manifestação de interesse em ser o representante dos empregados; e (iii) carta da empresa, datada de 12/04/2002 e igualmente sem qualquer assinatura, informando aos empregados a aceitação do sr. Wilson como representante deles e abrindo prazo até o dia 17/04/2002 para impugnação do feito. Em 2006, o referido empregado foi substituído, na representação, pela sra. Cíntia Santana de Oliveira, tendo a interessada apresentado documentação equivalente à acima relacionada para comprovar o rito de escolha desta nova representante da força de trabalho. O PPR2002 foi concluído em 28/05/2002, ocasião em que a interessada teria levado os empregados a assinarem termo de concordância com as cláusulas lá apostas, na forma do document intitulado “lista de concordância dos empregados”, carreados a estes autos no anexo 01, e pelo qual os signatários firmaram adesão ao programa de participação nos lucros e reconhecem o sr. Wilson como seu representante. Ante os fatos, concluiu, a fiscalização, que “o processo de escolha foi mera indicação do empregador”. Ato contínuo, a fiscalização tomou como indedutíveis os valores de R$ 3.524.726,33, R$ 8.351.599,87 e R$ 6.850.000,00, respectivamente iguais às despesas com a constituição das PPR afetas às competências 2006, 2007 e 2008 e que serviram de base para o lançamento combatido nestes autos. Por oportuno, registrese que a fiscalização detectou que parte (R$ 539.439,17) do valor deduzido em 2006, era relativo ao segundo semestre de 2005, bem como parte (R$ 1.409.349,49) da dedução levada a efeito em 2007 era afeta à PLR do Segundo semestre de 2006. Por fim, a fiscalização informou a existência de lançamento concernente à mesma matéria, mas afeto ao ano calendário 2009 e autuado no corpo do processo administrativo n.º 12448.720493/201016. O enquadramento legal consta do auto de infração de fls. 883/898.” A contribuinte apresentou Impugnação (Efls. 910 ss.) defendendo haver atendido a legislação que rege a questão, com os seguintes esclarecimentos, também sintetizados pela decisão da DRJ utilizada acima: " 1. que atendeu a legislação pertinente ao tema, considerando que: • o art. 2º da Lei n.º 10.101/00 dispõe que “a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I – comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II – convenção ou acordo coletivo.”, conferindo assim ampla liberdade para as partes, inclusive deixando de estabelecer critérios para a escolha da comissão negociadora, sem nem mesmo mencionar a necessidade de eleição e fazendo referência à escolha “pelas partes” e não “pelos empregados”; • “o único empregado que manifestou interesse em compor a comissão negociadora (...) foi o Sr. Wilson Barcellos da Silva”, sendo que “a Impugnante não teve qualquer ingerência na vontade dos empregados que se candidataram à comissão e no aparente desinteresse dos demais em concorrer a tal posto”, razão pela qual “não restou demonstrado qualquer vício de consentimento na escolha da comissão que elaborou o Programa PLR/2002”; • “na cláusula sétima do referido programa consta a informação de que os empregados da Impugnante, mediante assinatura de listagem, tomaram conhecimento do Programa, tendo expressado a sua concordância”; • “ainda que fosse possível cogitar vício na representação dos empregados para a negociação do Programa em questão, tal vício teria sido sanado a partir da aprovação do Programa PLR/2002 pela integralidade de empregados que à época Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 5 4 trabalhavam na impugnante, manifestada por meio da assinatura da ‘Lista de Concordância’ anexa ao PLR/2002”, o que demonstraria que as regras “foram debatidas, colocadas por escrito e validadas com todos os empregados da Impugnante, os quais com elas concordaram expressamente e por escrito”; • “a participação sindical no processo de elaboração de planos de PLR não é uma exigência legal. Tratase, na verdade, de uma mera faculdade das partes interessadas na instituição de um plano para distribuição de resultados, quando se opta pela modalidade prevista no artigo 2º, inciso I, da Lei nº 10.101/00”, o que se constataria pelo emprego do legislador do vocábulo “também” no dispositivo, bem como “no fato de a natureza dos direitos envolvidos em um plano de PLR serem individuais, homogêneos e não coletivos” (sic), não se tratando, por conseguinte, “de interesses afeitos a toda a categoria de empregados de um dado segmento de mercado”, mas de “interesses de trabalhadores individualizados, que em nada se comunicam com o restante da categoria profissional”; • “não é demais lembrar que o Programa PLR/2002 efetivamente contempla a participação do sindicato profissional na sua confecção”, conforme dispõe o seu intróito; • “o sindicato profissional informou expressamente à fiscalização em outro procedimento fiscal que estava sendo realizado na Impugnante, que não só tinha ciência do Programa PLR/2002, mas também que estava de acordo com os seus termos”; e • “a presença do sindicato tornase prescindível quando, como no presente caso, todos os trabalhadores concordam com as regras do plano de PLR. Exigirse intermediação syndical seria privilegiar uma inútil prevalência da forma sobre o conteúdo”. 2. que, ainda que admitida a existência de irregularidades no PPR2002, as despesas com os valores pagos aos empregados são dedutíveis, pois podem ser consideradas gratificações, portanto usuais e necessárias a sua atividade, na forma do art. 299 do RIR/99, dos Pareceres Normativos Cosit n.º 32/81 e 109/75 e do artigo 34 da IN SRF n.º 93/97; e 3. que a dedução das despesas em exercício posterior ao da efetiva competência não trouxe prejuízo ao Fisco, conforme Parecer Normativo Cosit n.º 02/96. Culmina a peça de bloqueio com o pedido de improcedência do lançamento. Subsidiariamente, requer que, caso seja mantido o lançamento, não incidam juros de mora sobre a multa de ofício, com base no art. 161 do CTN.” A autuação foi mantida por decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (Efls. 971 ss.), no sentido de que (i) se aplicaria a regra específica e hierárquica e cronologicamente superior da Lei n. 10.101/2000 no lugar do artigo 299 do Decreto Lei 3000/99, concluindose que “para serem dedutíveis as despesas da pessoas jurídicas a título de pagamento de participação nos lucros ou resultados, fazse mister que o programa que contenha as regras do aludido pagamento seja objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; ou convenção ou acordo coletivo”. Adicionalmente, (ii) decidiuse pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Insurgindose contra a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 992 ss.), defendendo que esta não deve prosperar porque, (i) quando da Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 6 5 elaboração do Programa PLR/2002, atendeu todas as disposições previstas na Lei n. 10.101/2000, na medida em que comprovou com documentos hábeis e idôneos a participação do empregado efetivamente escolhido pelos seus pares na negociação do referido programa e que a participação de representante pelo sindicato seria facultativa e a sua ausência não trouxe qualquer prejuízo aos seus empregados; (ii) deveria considerar subsidiariamente a regra geral do artigo 299 do Decreto n. 3.000/99 para a dedutibilidade, tratando os pagamento como gratificações para esse fim; (iii) deixou de analisar o argumento que demonstra que a dedução das despesas em exercício posterior ao de sua efetiva competência não trouxe qualquer prejuízo ao Fisco, nos termos do Parecer COSIT n. 02/1996; e, por fim, (iv) não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa. Do julgamento do recurso, resultou o Acórdão n. 1401000.944 (Efls. 1041 ss.), que lhe deu provimento, em razão de considerar não haver antinomia entre a Lei n. 10.101/2000 e o artigo 299 do RIR/99, este podendo servir de base para a dedutibilidade das despesas, independentemente do preenchimento das regras específicas daquela Lei, assim como serviria de fundamento também o seu parágrafo 3o., além de anuir com as alegações de postergação apresentadas pela Recorrente, no que restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEDUTIBILIDADE. Para serem dedutíveis as despesas da pessoas jurídicas a título de pagamento de participação nos lucros ou resultados é despiciendo saber se houve ou não o cumprimento de normas técnicas relacionadas ao processo de instituição do PLR, pois o § 3º art. 299 do RIR/99 acolhe como dedutível as gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. A mera postergação de despesas por inobservância do regime de competência quando no caso concreto não implica em postergação de tributos ou redução indevida do lucro real em qualquer período não se torna apta a gerar uma infração fiscal com implicações tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Maurício Pereira Faro. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Fereira da Silva, Karem Jureidini Dias, Victor Humberto da Silva Maizman e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.” A Fazenda Nacional então interpôs Recurso Especial (Efls. 1056 ss.) sustentando haver divergência quanto à dedutibilidade de despesas com o pagamento de participação nos lucros ou resultados – PLR poder ser feita com base no artigo 299 do Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 7 6 RIR/99 ou depender do atendimento de legislação específica, como a Lei n. 10.101/2000, apresentando para tanto como paradigmas os acórdãos n. 180300.467 e 10807.945. Nesse sentido, defende que (i) o pagamento de PLR não seria despesa operacional da pessoal jurídica, mormente porque, havendo regra especial no artigo 462 do RIR/99 a seu respeito, a contrario sensu, significaria que o art. 299 do mesmo estatuto seria inaplicável à questão; e que (ii) as desconformidades com a Lei n. 10.101/2000, por si só, excluiriam o contribuinte da “vantagem fiscal”prevista no referido atigo 462. O recurso foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade (Efls. 1097 ss.) que se deteve sobre os dois acórdãos paradigmas apresentados, dando seguimento ao recurso por considerar que, diversamente da decisão recorrida, esses teriam acompanhado a linha de que se deveria observar legislação específica para a dedutibilidade de despesas com PLR. A contribuinte, por sua vez, ofereceu Contrarrazões (Efls. 1101 ss.) sustentando o preenchimento das condições para o atendimento tanto da regra geral de dedutibilidade do artigo 299 do RIR/99, quanto aos requisitos da Lei n. 10.101/2000. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 8 7 internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, verificase que a Fazenda Nacional interpôs recurso especial sustentando haver divergênciade na interpretação da legislação tributária quanto à dedutibilidade de despesas com o pagamento de participação nos lucros ou resultados – PLR poder ser feita com base no artigo 299 do RIR/99 ou depender do atendimento de legislação específica, como a Lei n. 10.101/2000, apresentando como paradigmas os acórdãos n. 180300.467 e 10807.945. Em suas razões, defendeu que (i) o pagamento de PLR não seria despesa operacional da pessoal jurídica, mormente porque, havendo regra especial no artigo 462 do RIR/99 a seu respeito, a contrario sensu, significaria que o art. 299 do mesmo estatuto seria inaplicável à questão; e que (ii) as desconformidades com a Lei n. 10.101/2000, por si só, excluiriam o contribuinte da “vantagem fiscal” prevista no referido atigo 462. Pois bem. Verificandose a ementa do primeiro paradigma apresentado, acórdão n. 180300.467, temse a seguinte redação: “PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DE EMPREGADOS NOS LUCROS (PLR). DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos valores pagos à título de Programa de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), depende da adoção de regras claras e objetivas, consignada em acordo/convenção coletiva do sindicato da categoria ou acordo particular adotado através de prévia negociação com comissão de trabalhadores, contando com a participação do respectivo sindicato da categoria.” No contexto em que colocada pela Recorrente, no sentido de que se exigiria o cumprimento dos requisitos da Lei n. 10.101/2000 para a dedutibilidade das despesas com PRL, certamente que leva à indução de que não bastaria a regra geral do art. 299 do RIR/99. Mas se trataria de uma inferência, e não necessária, de modo que não se entende possível compreender de pronto e peremptoriamente que este acórdão, tal como proferido, poderia se prestar como paradigma para este julgamento. O que não foi colocado pela Recorrente, em seu recurso protocolizado datado de 16.05.2013, é que este paradigma foi integrado pelo acórdão n. 180300.946, que julgou os embargos de declaração contra ele opostos pela contribuinte daquele processo, em 28.06.2011, justamente com o intuito de aclarar omissão quanto à aplicabilidade do Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 9 8 artigo 299 do RIR/99, que havia sido objeto do recurso voluntário. E o novo voto foi lavrado com a seguinte redação, da qual se grifou determinados trechos: “Afirma a embargante que teria havido omissão no julgado em relação ao pedido alternativo de que independentemente do reconhecimento dos valores deduzidos a título de PLR – Participação dos Empregados nos Lucros nos moldes da Lei nº 10.101/00, as verbas pagas aos empregados seriam dedutíveis como despesa de natureza salarial nos termos do art. 299, § 3º do Regulamento do Imposto de Renda que tem a seguinte redação: (…) O dispositivo transcrito e citado pela embargante é do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, sendo que no período objeto do lançamento – 1997, vigia o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041/94, cujo artigo correspondente é o artigo 242, com a mesma redação exceto justamente o § 3º enfatizado pela embargante. Já o ponto em que a recorrente abordou no recurso voluntário a dedutibilidade perante o IRPJ e CSLL dos valores glosados pela fiscalização, tem a seguinte redação: “b) A aplicação do disposto no artigo 462 do RIR 55. Se já não fosse por todos esses motivos, a decisão merece ainda ser revista em razão de que o próprio artigo 462 do Regulamento do Imposto sobre a Renda ("RIR"), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.3.1999, permite a dedução em questão. 56. Estabelece esse artigo que: Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro liquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica: I asseguradas a debêntures de sua emissão; II atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; III atribuídas aos trabalhadores da empresa, nos termos da Medida Provisória a° 1.76955, de 1999. 57. Tal dispositivo deixa claro que não são dedutíveis apenas os valores pagos nos termos da Medida Provisória n° 1.76933/ 99, posteriormente convertida na Lei n° 10.101/00. Com efeito, o inciso II do citado artigo assegura a dedutibilidade dos valores pagos aos empregados a titulo de participação nos resultados, desde que não haja discriminação. 58. No caso concreto, a Convenção Coletiva de Trabalho dos Empregados em Estabelecimentos Bancários deixa claro que todos os empregados terão direito ao beneficio, e a CCT do Sindicatão admite expressamente a aplicação de outras que não estejam ali contidas, desde que sejam mais benéficas à categoria, o que afasta por completo a hipótese de discriminação. 59. Assim, também por essa razão afigurase desprovida de fundamento a glosa dos valores pagos aos empregados. Aliás, é conveniente mencionar que a exigência em questão é tão desarrazoada, que procura ignorar que o verdadeiro beneficio da PLR não constitui na dedutibilidade dos valores pagos aos empregados, já que os salários pagos são integralmente dedutiveis, de acordo com as normas em vigor. Grifo do original 6o. Na verdade, o beneficio previsto nas regras atinentes à PLR consiste em que os valores pagos a tais títulos não se incorporam no chamado "salário de contribuição" e, por tal razão, não geram incidência de quaisquer verbas previdenciárias, nem devem ser computados no cálculo das férias e do décimo terceiro salário devido aos Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 10 9 empregados. Como se vê, o beneficio em questão é de natureza previdenciária e trabalhistas, mas não tributária! 61. Por isso mostramse equivocadas e imprecisas as assertivas de que o "beneficio da dedutibilidade" dos valores pagos a titulo de PLR dependem do cumprimento de uma série de formalidades. O cumprimento de tais requisitos poderia, sim, impactar no cálculo de verbas trabalhistas e previdenciárias, mas jamais teria qualquer relevância para o cálculo do IRPJ e da CSL. 62. Tanto isso é verdade que muito antes da edição das Medidas Provisórias que resultaram na Lei n° 10.101/00, o Fisco Federal já admitia a dedutibilidade de valores pagos a título de participação nos resultados. 63. Confirase, a esse respeito, os seguintes precedentes: (...)” Destarte, considerando o exposto, entendo efetivamente que faltou ao acórdão embargado a apreciação mais detalhada da alegação e portanto acolho os embargos para suprir a omissão apontada. Não obstante o empenho de seus patronos, no mérito não se pode prover os embargos apresentados pela requerente. Com efeito, inicialmente constatase que a matéria alegada nos subitens – 55 a 62 – do recurso voluntário não foi objeto de prequestionamento por ocasião da impugnação (fls. 59/77), sendo portanto preclusa e vedado em princípio o seu conhecimento sob pena de supressão de instância. No entanto, considerando tratarse de matéria constante de dispositivo expresso em norma tributária pode o julgador administrativo superar a preclusão da material não suscitada na impugnação. Vêse que a interessada apresentou nos embargos como suporte às suas alegações o § 3º do art. 299 do RIR/99, que trata de gratificações e não de participações nos lucros, sendo que no ano calendário de 1997, vigiam as disposições do RIR/94 em seus artigos 242, 280 e 299, com limites específicos para dedutibilidade de gratificações a empregados. No entanto, conforme dispõe o caput do art. 299 e seus §§, todos os dispêndios seja com participações nos lucros ou à título de gratificações, submetemse às normas gerais de dedutibilidade, devendo observar as regras específicas à cada modalidade de dispêndio para reunir as condições de dedutiblidade e estar inseridas nos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade. Outrossim, desde a impugnação vem a contribuinte sistematicamente defendendo a legitimidade da dedução realizada, como participação dos empregados nos lucros, nos termos da Lei nº 10.101/00, fato corroborado pela dedução na linha 28 da ficha 26 da DIPJ (fl. 22), não podendo agora darlhe natureza jurídica de gratificação. Por outro lado, o dispositivo invocado pela recorrente (art. 432 do RIR/99), tinha na vigência do RIR/94, como correspondente o art. 430, com a seguinte redação: “Art. 430. Podem ser deduzidas na apuração do lucro líquido do período base as participações nos lucros da pessoa juridica (DecretoLei nº 1.598/77, art. 58): I – asseguradas a debêntures de sua emissão; II – atribuídas a seus empregados segundo normais gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas. Constatase que a participação nos lucros aventada no inciso II do art. 430 do RIR/94, tendo como base legal o art. 58 do DecretoLei nº 1.598/77, é modalidade distinta da PLR regulada a partir das Medidas Provisórias nº 794/94 e 1.76955 de 1999 (atual Lei nº 10.101/2000), com requisitos e procedimentos próprios para fins de dedutibilidade, tanto que esta última mereceu atenção específica com o advento do RIR/99, conforme se observa dos artigos 359 e 626 e a inclusão do inciso III do art. 432, citado no recurso voluntário e já transcrito neste voto. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 11 10 As participações nos lucros aventadas tem condições de dedutibilidade distintas bem como repercussões diferentes no âmbito previdenciário e trabalhista, afastando a suposta similitude entre as aludidas modalidades. Não comprovou contudo, que preencheu ao menos os requisitos exigidos no art. 430 do RIR/94, limitandose a mera alegação genérica que não pode ser acolhida por este colegiado julgador administrativo. Ou seja, se a contribuinte na primeira instância nada alegou neste sentido, em grau de recurso voluntário alegou a suposta identidade entre as participações nos lucros aventadas no RIR/99 (ainda não vigente no ano calendário 1997) não apresentando contudo qualquer prova de que reunia as condições prescritas ao menos em um dos institutos, sendo que nos embargos apresentou nova versão, pleiteando desta feita a possibilidade de dedutibilidade como gratificação. Destarte, se pretendia conforme foi sua manifestação na impugnação, efetuar a distribuição dos lucros na forma da Lei nº 10.101/2000, na vigência das Medida Provisórias nº1.539/96 e 1.619/97, deveria atender suas disposições sob pena de ver glosada a dedutibilidade para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, não se vislumbrando a suposta fungibilidade com a participação nos lucros prevista no art. 58 do DL 1.598/77. Ante o exposto, voto por acolher os embargos para no mérito negar provimento ao recurso, rerratificandose o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator” Vejo que o voto acima reuniu diferentes motivos para negar a aplicação do 299 – como o fato de a contribuinte desde o início ter sustentado à sua adequação à Lei n. 10.101/2000; tratar o PLR previsto no mencionado art. 430 de espécie diversa daquele regulado pela referida lei; não ter feito prova de que preenchia as condições de dedutibilidade desse artigo; bem como haver alterado o critério de PLR para gratificação apenas na última instância – o único trecho que poderia levar à conclusão de que afasta a possibilidade de dedução com base na regra geral do artigo 299 seria o seguinte: “No entanto, conforme dispõe o caput do art. 299 e seus §§, todos os dispêndios seja com participações nos lucros ou à título de gratificações, submetemse às normas gerais de dedutibilidade, devendo observar as regras específicas à cada modalidade de dispêndio para reunir as condições de dedutiblidade e estar inseridas nos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade.” Embora reconheça que sua redação possa permitir a interpretação conferida pela Recorrente, entendo que sua redação não é totalmente clara no sentido que o art. 299 remete necessariamente às regras específicas da Lei n. 10.101/2000, como exigido pela fiscalização. Assim sendo, não vejo clareza suficiente sobre a divergência em questão para fim de credenciar esse acórdão n. 180300.467 como paradigma para o conhecimento do recurso. Passandose à análise do segundo paradigma, acórdão n. 10807.945, também não se vê a sua possiiblidade de se prestar como paradigma ao presente caso. Sobre o tema que importa à divergência, primeiramente, lêse de sua ementa: Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 12 11 “DESPESA INDEDUTIVEL — PARTICIPAÇÃO DE FUNCIONÁRIOS NO RESULTADO DO PERíODO — A dedução como despesa das participações cometidas aos empregados, só acontece quando obedece às determinações do artigo 364, I do RIR/80 e Parecer Normativo CST 99/78.” Do relatório, extraise sobre a defesa da recorrente: “À glosa das participações nos lucros e respectivos encargos sociais, pagos aos empregados, nos exercícios de 87,88,89 e 90, estaria de acordo com a norma contida no artigo 364,1 do RIR/80 e Parecer Normativo CST 99/78, portanto, equivocada fora a conclusão da autoridade de primeiro grau. O critério principal da premiação foi o de relacionar todos os funcionários, mesmo da atividade meio, que contribuíram para a obtenção das metas, frente ao faturamento e lucro liquido. As participações foram proporcionais aos salários individuais. Exceções ao critério de cumprimento das metas foram às participações do funcionário do ano e reconhecimento ao tempo de serviço prestado.” E, por fim, mais adiante, segue o único trecho que trata da questão, como efetiva decisão: “Quanto às participações dos lucros da forma que foi operacionalizada, também não atenderam aos critérios preconizados no regulamento do Imposto de Renda para reduzirem o resultado do período, representando mera liberalidade, não produzindo os efeitos pretendidos. As participações obedeceram a critérios subjetivos e não beneficiaram a todos os empregados da empresa, condição indispensável a tomálas dedutiveis como bem explicitado na decisão recorrida às fis.765/767.” Dessa totalidade de trechos extraídas do acórdão apresentado como segundo paradigma, não se consegue compreender – afinal, como foi possível no acórdão ora recorrido, assim como na decisão da DRJ – discussão sobre a aplicabilidade suficiente do artigo 299 ou necessidade de legislaçãoo específica. Ao contrário, nem o artigo 299 foi em qualquer momento mencionado, e também o Regulamento do Imposto de Renda foi utilizado como norma aplicável, ao que tudo indica. Por fim, com a devida vênia, não parece ser o papel do julgador, em âmbito de recurso especial, que requer a demonstração analítica da divergência, ter que buscar o teor das citadas fls. 765/767 da decisão recorrida que deu origem ao paradigma em questão, o que também não mudaria meu posicionamento pelo que já colocado. Mais uma vez, se trataria de uma inferência a partir destes poucos trecho e, como dito acima, não necessária. Por essas razões, também entendo imprestável o segundo paradigma, impedindo o conhecimento do recurso definitivamente. No entanto, na hipótese de restar vencida, esclareço que a divergência teria que se limitar à aplicabilidade do regulamento ou legislação específica para a dedutibilidade, sem poder adentrar na questão desenvolvida pela Recorrente quanto ao não atendimento das condições da Lei n. 10/101/2000. Primeiramente porque não foram Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 13 12 apresentados paradigmas para este ponto. Segundo porque, ainda que tivesse sido, não seria possível demonstrar a divergência simplesmente em razão de o acórdão recorrido não have lo feito, decidindo tão somente pela aplicablidade do artigo 299 do RIR/99, o que inclusive motivou o pedido da contribuinte de eventual retorno dos autos para se apreciar a questão, a depender do resultado de mérito. Assim, em conclusão, votase por NÃO CONHECER O RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. MÉRITO Na hipótese de restar vencida com relação ao conhecimento, devolve se, então, ao julgamento deste Colegiado a questão da (i) aplicação da regra geral do artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda à dedutibilidade das despesas relativas às debêntures com o pagamento de participação nos lucros e resultados – PLR. De plano, já registro que se a autuação foi realizada com fundamento tanto no artigo 299 e na Lei n. 10.101/2000, entendo que as despesas poderiam ser consideradas dedutíveis simplesmente pela regra geral do primeiro dispositivo, de modo que as exigência requeridas pela fiscalização nao seriam capazes de infirmar a necessidade das referidas despesas para fins fiscais. Com efeito, é sabido que não basta, para a tributação da renda, tão somente a verificação das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Exigese, para que se avalie o efetivo acréscimo patrimonial percebido, a dedução dos custos e despesas despendidos para a formação dessas receitas. Dizse, assim, que os custos correspondem à troca de recursos pré existentes no ativo da pessoa jurídica, ou mesmo à contração de dívidas, para a aquisição de um bem ou direito, enquanto as despesas aos gastos assumidos pela entidade, no emprego de valores ou contração de dívidas para o pagamento de encargos necessários à produção da renda, já utilizados ou consumidos, isto é, que não remanesçam no seu ativo. As despesas de possível dedução são as chamadas operacionais, assim definidas como aquelas não computadas nos custos e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, como prescrito pelo artigo 47 da Lei nº. 4.506/1964, reproduzido pelo artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda: Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 14 13 “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º) […].” De acordo com a redação desse dispositivo, além de não serem computadas como custos, para que sejam dedutíveis, as despesas devem ser pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações requeridas pela atividade da empresa, de modo normal e usual, o que significa, portanto, que ao menos quatro diferentes critérios devem ser analisados. O primeiro requisito à dedutibilidade das despesas, como apontado, é que estas não sejam contabilizadas como custos, ou seja, não correspondam à troca de recursos préexistentes no ativo da pessoa jurídica, ou mesmo à contração de dívidas, para a aquisição de um bem ou direito. Como um segundo critério, temse a exigência de que as despesas sejam necessárias para que possam ser deduzidas, o que deve ser corretamente interpretado, sem objetividade ou subjetividade desmedida. Explicase. É inerente ao ato de interpretar, vale dizer, de construir o sentido da norma jurídica, tomarse como ponto de partida o texto. Dele se parte e nele se têm os limites finais daquele processo. Embora o intérprete seja quem atribua conteúdo à referida norma, conferindolhe, inevitavelmente, seus valores, o subjetivismo contido nesta atividade não é ilimitado, como bem demonstra Paulo de Barros Carvalho1: Os predicados da inesgotabilidade e da intertextualidade não significam ausência de limites na tarefa interpretativa. A interpretação toma por base o texto: nele tem início, por ele se conduz e, até o intercâmbio com outros discursos, instaurase a partir dele. Ora, o texto de que falamos é o jurídicopositivo e o ingresso no plano de seu conteúdo tem de levar em conta as diretrizes do sistema […]. Com isso se quer afirmar que, para a configuração das despesas mencionadas no artigo 299 do RIR/99 como necessárias, o que se exige minimamente é que possuam relação com as atividades da empresa ou sua fonte produtora. Mas que isso, possivelmente, é estar impondo condição não prevista na lei. 1 Ibid., p. 194. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 15 14 A confirmar essa orientação, são válidas as palavras de Ricardo Mariz de Oliveira2: […] a lei vincula a dedutibilidade à existência de uma relação entre as despesas e as atividades da empresa ou a sua fonte produtora. Estabelecida a existência dessa relação, o que qualquer pessoa pode fácil e objetivamente fazer, a despesa será por todos reconhecida como necessária, independentemente do que qualquer um pense ou possa pensar, ache ou possa achar, quanto à sua conveniência ou por comparação com qualquer outro referencial de apreciação. Isto é da maior importância: o referencial legal para se constatar a necessidade é a relação objetiva entre a despesa e a empresa, isto é, entre a despesa e as atividades da empresa ou a sua fonte produtora! Qualquer outro referencial, que alguém queira subjetivamente utilizar, é imaterial e irrelevante perante a lei. Assim sendo, na medida em que o dispositivo define como necessárias as despesas que tenham relação com as atividades da empresa e a fonte produtora, trata se a dedutibilidade de regra geral, o que significa que, atendidas as condições impostas pela legislação, esse desconto independe de algo que declare especificamente as despesas como dedutíveis, não sendo possível a imposição de limitações subjetivas ao alcance da relação entre as despesas e as atividades da empresa ou fonte produtora3. Observese que, já no Parecer Normativo nº 32 de 1981, a Coordenadoria do Sistema de Tributação dispunha que “o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos”. 2 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 693. 3 Nesse sentido, a Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda já vem decidindo a longo tempo: “IRPJ – DESPESAS OPERACIONAIS – DEDUTIBILIDADE – NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO. – O art. 47 da Lei nº. 4.506/64, consolidado no art. 191 do RIR/80, ao estabelecer que são operacionais as despesas não computáveis nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, criou na área do imposto de renda o que comumente se denomina de cláusula geral. Isto significa que o legislador evitou baixar norma exemplificativa ou, muito menos, taxativa. Se a pessoa jurídica consegue provar, por qualquer meio lícito de prova, que o gasto existiu e se trata de despesa normal ou usual no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, ainda que mediante simples notas fiscais simplificadas, não há como se glosar tal gasto”. (BRASIL. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso nº 124107. Acórdão nº 010900. Relator: Kazuki Shiobara. Sessão: 29 jun. 1989). Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 16 15 Na linha desenvolvida, remetese aqui a todas as despesas relativas à empresa, assim entendidas “em oposição a gastos absolutamente estranhos à sociedade e às suas atividades, ou que caracterizem mera liberalidade”4. Não se quer com isso afirmar que despesas alheias às atividades da pessoa jurídica não sejam necessárias, apenas que os atos de liberalidade não são precisos para a obtenção da renda. Ademais, a despesa incorrida não deve obrigatoriamente ser exigida de forma direta pela atividade da companhia, senão o que dizer dos juros incorridos, multas sofridas, gastos com acidentes? São despesas que envolvem a continuidade dos negócios, estratégias de riscos. São despesas, portanto, relacionadas à atividade da empresa e à manutenção de sua fonte produtora. Assim, concluindo com a definição de Ricardo Mariz de Oliveira5, podese afirmar, sem incorrer em qualquer equívoco, “que uma despesa é necessária quando ela for inerente à atividade da empresa ou à sua fonte produtora, ou for dela decorrente, ou com ela for relacionada, ou surgir em virtude da simples existência da empresa e do papel social que ela desempenha”, orientação esta inclusive incorporada pela jurisprudência administrativa, em trecho do seguinte acórdão6: A regra geral de definição do lucro real baseado no lucro líquido, ou seja, contábil, é no sentido de que, em princípio todos os dispêndios da empresa são dedutíveis. A lei, não podendo prever uma a uma as inumeráveis atividades e espécies de gastos da empresa, parte da definição genérica de que todos os custos e todas as despesas são admitidos na apuração da base de cálculo do imposto de renda e estabelece as exceções para cálculo do lucro tributável. […] Partindo dessa premissa, podemos dizer que uma despesa é necessária quando inerente à atividade da empresa, ou dela decorrente, ou com ela relacionada ou até mesmo que surge em virtude da simples existência da empresa e do papel social que desempenha. Em contrapartida, a despesa é não necessária quando for decorrente de ato de liberalidade, não no sentido de espontaneidade, mas no sentido jurídico de ato de favor, estranho aos objetivos sociais. […]. 4 LATORRACA, Nilton; OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. A dedutibilidade das multas fiscais face ao princípio da legalidade da obrigação tributária e a conceituação de custos e despesas operacionais. Revista de direito mercantil, industrial, econômico e financeiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, n. 8, 1972, p. 140. 5 OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 696. 6 BRASIL. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso nº 126251. Acórdão nº 10193720. Relatora: Sandra Maria Faroni. Sessão: 23 jan. 2002. Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 17 16 Passandose à questão da normalidade das despesas, esta se refere, em síntese, aos gastos comuns no ramo de atividade em que atua a companhia ou no tipo de operação envolvida, enquanto usuais seriam aqueles caracterizados pela habitualidade, pela frequência com que são incorridos. Segundo o Parecer Normativo da Coordenadoria do Sistema de Tributação nº 32/1981, editado para analisar a dedutibilidade de gastos necessários num determinado ramo empresarial, “despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária”, com a complementação de que “o requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio”. O que se exige, efetivamente, é a relação de pertinência entre as despesas incorridas pelas pessoas jurídicas e suas atividades, sendo elas comuns neste ramo de negócio ou na espécie de transação ou operação objeto de análise, vale dizer, “consideradas despesas normais e habituais, notadamente se não evidenciada a sua desnecessidade à fonte produtora de recursos”7. Outras condições impostas à dedutibilidade de despesas diz respeito à sua escrituração e possibilidade de comprovação. No primeiro caso, somente podem ser descontadas na formação da base de cálculo do tributo aquelas despesas devidamente contabilizadas, regra esta flexibilizada em casos particulares. Relativamente à comprovação das despesas, num de seus aspectos, devese verificar a existência de prescrição legal quanto a alguma forma específica de prova, isto é, a exigência de que a despesa seja comprovada por meio de documento determinado, no que se refere ao tributo exigido.Por fim, para que as despesas sejam consideradas dedutíveis, devem ser deduzidas no lucro real no períodobase competente, quando, segundo o regime de competência, tiverem sido efetivamente incorridas8. A realidade é que, além da regra do citado artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda, a legislação fiscal traz diversas outras normas impedindo a dedutibilidade de algumas despesas, limitando o seu valor, condicionandoas a certos 7 BRASIL. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Acórdão nº 10309030. Sessão: 10 abr. 1989. 8 Acerca do tema, vejase antiga lição de Sampaio Dória, para quem “despesa incorrida é a que: (a) resulta de obrigação formalmente contratada, líquida e certa, vencida ou não; (b) seja precisamente quantificável; (c) independa de evento futuro e incerto, que possa eliminar a respectiva obrigação, verificandose automaticamente seu vencimento (decurso de prazo, para exemplificar); e (d) possua titular (credor) identificado precisamente.” (DÓRIA, Antônio Roberto Sampaio. O regime de competência no imposto de renda e deduções de juros contratados. Revista de estudos tributários. São Paulo: IBET; Resenha Tributária, n. 3, 1979, p. 24). Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 18 17 requisitos ou atribuindolhe tratamento específico. De todo modo, quer parecer que o limite principal, que submete essas previsões a um juízo de razoabilidade e proporcionalidade, seria o próprio conceito de renda tributável. Nesse sentido, seja como gratificações – como colocado subsidiariamente pela recorrida –, seja como participação nos lucros e resultados, entendo que as despesas incorridas pela contribuinte assumem as características necessárias à sua dedutibilidade, não as perdendo simplesmente em função de uma participação de um representante do sindicato ou discussão quanto à forma de eleição do representante dos empregados no comitê executivo do PLR/2002. Com essa mesma orientaçãoo, vejase trechos do acórdão n. 1102 000.847, de relatoria da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa: “Matéria IRPJ Dedução de Participação nos Lucros e Resultados Recorrente BANCO BTG PACTUAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. AUSÊNCIA DA REPRESENTAÇÃO SINDICAL NA NEGOCIAÇÃO. CONSEQÜÊNCIAS. Existindo acordo formal entre empregador e empregados fixando as regras para pagamento da remuneração, a ausência da representação sindical na negociação não é suficiente para impedir a dedutibilidade da despesa, para efeitos de apuração do lucro real. (...) Ao final, diz a autoridade lançadora, que os critérios de cálculo e pagamento da PLR competência 2004 teriam sido definidos em Acordo firmado, em 02/12/2004, entre a instituição financeira e comissão de empregados, sem a participação da entidade sindical que representa os interesses dos funcionários. Ou seja, nenhum outro vício foi afirmado no pagamento das participações glosadas. Assim, tratandose de valores contratualmente ajustados entre empregador e empregados, sem qualquer evidência de liberalidade, não há como negarlhes o caráter de remuneração e, dessa forma, assegurar sua dedução na apuração do lucro real, ainda que não atendidos todos os requisitos para sua caracterização como participação nos lucros ou resultados.” (grifouse) Por essas razões, acordase com a decisão recorrida, votandose no sentido de sua manutenção, que teve relatoria do então ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto e vale a transcrição por refletir toda a divergência em julgamento e o posicionamento que também se adota: “Como é sabido, as despesas em geral são regidas pela regra prevista no art. 299 do RIR/99: RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos,necessárias à Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 19 18 atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. As despesas com PLR estão mais especificamente previstas no art. 2° da Lei n.° 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa: Lei 10.101/00: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I indices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade syndical dos trabalhadores. § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. § 4o A periodicidade semestral mínima referida no § 2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 20 19 § 5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. (nossos destaques). A DRJ manteve o lançamento considerando a despesa indedutível na medida em que divisou uma antinomia jurídica e que foi resolvida através dos critérios convencionais (hierarquia, temporal e especialidade) em favor da aplicação dos ditames da Lei 10.101/00. Como a DRJ constatou um descumprimento relevante dessa norma específica, consequência jurídica divisada foi a indedutibilidade das despesas relacionadas ao pagamento do PLR aos funcionários. No caso, a DRJ deu prevalência ao princípio da especialidade em que norma mais específica tem primazia sobre norma de caráter geral. Considerou, pois, que a Lei 10.101/00 seria norma reguladora mais específica que a regra geral prevista no art. 299 do RIR/99. Eis as próprias palavras da DRJ para negar o pleito da Recorrente: Assim, em que pese o louvável esforço da criativa tese de defesa, é forçoso admitir, contrariamente ao que fora dito na peça de bloqueio, que o tema PLR é afeto a uma coletividade, qual seja, a totalidade de empregados de uma empresa e que pertencem a uma categoria profissional definida, tanto assim que há sindicato específico para albergalos. Mas nem é preciso envolverse em tal análise quando se extrai do texto legal o mandamento pelo qual a "comissão escolhida pelas partes, [deve ser] integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria". Por tal comando, resta evidente tanto o caráter imperative da participação de um representante sindical nas negociações, como a necessidade de legitimação prévia do acordo por meio da presença de empregado que tenha sido escolhido também por seus pares, o que não restou comprovado nos autos. Ao contrário, a apresentação de uma carta circular que, não bastasse nem ser assinada, não contém protocolo de ciência ao corpo laboral, reforça a tese de escolha unilateral dos membros da comissão pela interessada. Vejase, por exemplo, que, quando lhe conveio, a interessada cientificou todos os seus empregados, um a um, sobre o conteúdo do programa de PLR com redação já finalizada, como se bastasse a mera adesão deles a um conjunto de regras prontas. Peço vênia para discordar da conclusão supra. Por dois motivos, primeiro por não divisar antinomia, como ficará bem claro mais adiante. Por último, mas ainda ligado ao primeiro motivo, por não considerar que o descumprimento da norma técnica no âmbito da Lei nº 10.101/00 tenha como resultado a sanção negativa de tornar a despesa indedutível. Foi muito bem ressaltado pela doutrina do jusfilósofo Hart que dentro de qualquer sistema jurídico, ao lado das normas sancionadoras coexistem tantas outras normas, em que a sanção pode não ser a característica relevante da norma: normas de estrutura, de outorga de poder, normas técnicas etc. As chamadas normas técnicas são aquelas que apenas regulam como devem ser exercidos certos direitos ou praticados determinados atos, como a feitura de um testamento ou as condições para considerar o que seja um PLR, como é o caso. Quando da feitura de um testamento, por exemplo, terseá uma norma a determinar que se alguém quer fazêlo, deverá fazer como prescreve a norma. Se feito conforme a lei, o testamento será válido; caso contrário, será inválido. O caso que se cuida, podese divisar duas interpretações para o descumprimento das normas técnicas em questão. Podese entender que o descumprimento de alguns requisitos da norma não leva a sanção nenhuma, por não serem relevantes, ou podese atribuir, sim, efeitos sancionatório negativo, como foi o exemplo do Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 21 20 testamento. Nesse caso, a consequência jurídica seria a invalidade do PLR para efeito das normas do direito do trabalho. O PLR passa a ser considerado uma remuneração e com toda as conseqüências do âmbito trabalhista disso, pois ele não é incorporado aos salários, não incidindo assim em direitos trabalhistas como 13º, férias e aposentadoria. Portanto, pelas premissas postas no parágrafo anterior, despiciendo averiguar se houve ou não descumprimento das normas técnicas em questão, ou seja, desnecessário aferir se houve efetivamente a participação de um representante sindical nas negociações, como forma de legitimar o acordo, se houve anuência dos trabalhadores etc. Claro está que a consequência jurídica do descumprimento dessas normas técnicas se exaure no âmbito trabalhista. E não poderia ser diferente, justamente porque a norma do art. 299 do RIR/99 acolheria perfeitamente o resultado encontrado pela aplicação da Lei º 10.101/00 , que seria dotála de outra natureza, ou seja como um remuneração normal. Ora, a regra geral do art. 299 do RIR/99, especificamente o seu parágrafo 3º está em perfeita sintonia com essa conclusão: “§ 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.”. Daí porque afirmei alhures que não divisava qualquer tipo de antinomia na aplicação das normas jurídicas em relevo no caso concreto. A uma perfeita compatibilidade entre as normas. Cabe ainda uma outra justificação ao fato de que a Lei nº 10.101/00 tratou também de autorizar a dedutibilidade das despesas com PLR nos seus termos. Da inserção de um parágrafo afirmando que o PLR é dedutível nos termos daquela Lei não se pode extrair, utilizandose de uma argumento “quase lógico”, o argumento a contrário sensu e chegarse à conclusão de que as despesas seriam indedutíveis. E não se pode chegar ‘aquela conclusão pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (a existência e validade jurídica dos pagamentos na forma de PLR) > (implica) “q” (em sua dedutibilidade como despesas para efeito de Imposto de Renda). Isso não que dizer que se negarmos “p” (PLR, por qualquer que seja o motivo) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (sua dedutibilidade). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”, no caso não só o § 3o do art. 299 do RIR/99 já referido alhures, mas o próprio § 3º da Lei 10.101/2000 serve também de amparo para a dedutibilidade caso o programa de participação nos lucros ou resultados não satisfizer os preceitos da Lei 10.101/2000, uma vez que tal preceptivo prevê a possibilidade de a empresa adotar um outro programa de participação, mantidos espontaneamente: § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (…)” Por essas razões, votase por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 22 21 (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora Designada Com a devida vênia, voto pelo conhecimento do recurso especial da Procuradoria, eis que tanto o acórdão recorrido quanto o acórdão paradigma (nº 180300.467) tratam da dedutibilidade da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O acórdão paradigma referido condiciona a dedutibilidade ao cumprimento dos requisitos tratados pela Medida Provisória nº 1.61939/97, cujas reedições foram ao final convertidas na Lei nº 11.101/2001. Nesse sentido, destaco trecho do acórdão nº 180300.467: Conforme acima exposto, a empresa interessada em utilizar o instituto da participação dos empregados nos seus resultados, deve adotar um dos instrumentos previstos no art. 20 da Lei retromencionada, implantando comissão escolhida pelas partes da qual participe membro do sindicato da categoria ou inclui as regras do PLR em acordo ou convenção coletiva. Embora os pagamentos tenham sido realizados na vigência das Medidas Provisórias nº 1.539/96 e 1.619/97 e suas respectivas reedições, constatase a necessidade de prévia negociação da empresa e comissão escolhida entre seus trabalhadores, integrada ainda por um representante indicado pelo sindicato da categoria. Tal negociação visa fixar regras claras e objetivas contendo estipulação de metas para os trabalhadores e resultados positivos para as empresas, bem como os critérios de aferição do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos de revisão do acordo. (...) Se nenhum dos procedimentos foi adotado pela empresa, resta desfigurado o instituto legalmente regulamentado pela Lei n° 10.174/2001, pois não há meio de se aferir de se estar diante de um verdadeiro Programa de Participação nos Lucros — PLR. (...) Assim como a empresa pode invocar este ou aquele acordo ou convenção coletiva sem no entanto estar obrigada a qualquer um, inferese a conseqüente liberalidade no seu pagamento e a conseqüente indedutibilidade dos valores da base de cálculo do IRRT e CSLL. De outro lado, o acórdão recorrido também analisando a dedutibilidade conclui por afastar a exigência de cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101/00 na esfera tributária, aplicando ao caso o artigo 299, do RIR/99: Como é sabido, as despesas em geral são regidas pela regra prevista no art. 299 do RIR/99: (...) As despesas com PLR estão mais especificamente previstas no art. 2° da Lei n.° 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa : (...) No caso, a DRJ deu prevalência ao princípio da especialidade em que norma mais específica tem primazia sobre norma de caráter geral. Considerou, pois, que a Lei 10.101/00 seria norma reguladora mais específica que a regra geral prevista no art. 299 do RIR/99. (...) Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 23 22 Peço vênia para discordar da conclusão supra. Por dois motivos, primeiro por não divisar antinomia, como ficará bem claro mais adiante. Por último, mas ainda ligado ao primeiro motivo, por não considerar que o descumprimento da norma técnica no âmbito da Lei nº 10.101/00 tenha como resultado a sanção negativa de tornar a despesa indedutível. (...) Claro está que a consequência jurídica do descumprimento dessas normas técnicas se exaure no âmbito trabalhista. E não poderia ser diferente, justamente porque a norma do art. 299 do RIR/99 acolheria perfeitamente o resultado encontrado pela aplicação da Lei º 10.101/00 , que seria dotáa de outra natureza, ou seja como um remuneração normal. Ora, a regra geral do art. 299 do RIR/99, especificamente o seu parágrafo 3º está em perfeita sintonia com essa conclusão: “§ 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.” Daí porque afirmei alhures que não divisava qualquer tipo de antinomia na aplicação das normas jurídicas em relevo no caso concreto. A uma perfeita compatibilidade entre as normas. Ambos os acórdãos, portanto, tratam da interpretação dos dispositivos do RIR/1999 e da Lei nº 10.101/00 (fruto de conversão de Medidas Provisórias anteriormente reeditadas), para analisar a dedutibilidade do PLR quanto ao IRPJ. Diante disso, há de se conhecer o recurso especial, para análise da matéria por esta Turma da CSRF. Por tais razões, voto pelo conhecimento do recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003488/2005-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que existe averbação anterior a 01/01/2002.
Numero da decisão: 9202-006.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente - APP, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que existe averbação anterior a 01/01/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente APP, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 34 88 /2 00 5- 64 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 246 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 280100.371, prolatado pela 1a Turma Especial da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 10 de março de 2010 (efls. 150 a 157). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Comprovado que as informações constantes de sua DITR são fidedignas e foram objeto de comunicação a órgão de fiscalização ambiental, cabe restabelecêlas. Recurso provido. Decisão: por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende votaram pelas conclusões. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência, ocorrida em 19/04/2011 (efl. 158), esta apresentou, também em 19/04/11 (efl. 160), Recurso Especial (efls. 161 a 178 e anexos), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à necessidade de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e utilização limitada/Reserva Legal. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 247 3 Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão no. 30239.233, de 29 de agosto de 2008, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Turma Especial do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão no. 39100.037, prolatado em 21 de outubro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 30239.233 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÀREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO.DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel. VTN Deve ser mantido o VTN apurado pela fiscalização quando não apresentado Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Decisão: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, relator e Marcelo Ribeiro Nogueira que davam provimento parcial. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Acórdão 39100.037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 248 4 A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) A decisão vergastada, colidiu com a jurisprudência de outras Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes, no ponto em que os demais órgãos julgadores exigem a apresentação do ADA ou requerimento tempestivo deste para exercícios posteriores à Lei no. 10.165, de 27 de dezembro de 2000, considerando a alteração promovida na redação do art. 17 O da Lei no. 6.938, de 31 de agosto de 1981; b) Nos presentes autos, da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, confirmase o não cumprimento da exigência da apresentação tempestiva de ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado, relativamente ao ITR do exercício de 2002, em contrariedade ao disposto no artigo 17O, da Lei no. 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1° da Lei no.10.165, de 2000, c/c arts. 10, inciso II, da Lei no. 9.393, de dezembro de 1996 e artigos 17 da IN SRF no. 60/2001 e 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002; c) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10 da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN. Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração; d) Ressalta que tal obrigatoriedade para a não incidência tributária foi instituída através de dispositivo legal (art. 17O da Lei 6.983, de 31 de agosto de 1981, com redação dada pelo art. 1o. da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000). Cita que tal obrigatoriedade já havia sido estabelecida pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97 e posteriores, pelo Manual de Perguntas do ITR/2002 e pelo art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; e) Entende, citando jurisprudência administrativa deste CARF a propósito, como inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, uma vez que: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 249 5 "(...). O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo." f) Ressalta que, no caso concreto, embora regularmente intimado para tanto, o contribuinte não apresentou ADA ou o seu requerimento, protocolados tempestivamente, junto ao IBAMA, não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente e reserva legal; g) Destaca que há lei, estabelecendo de forma expressa, a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de reconhecimento do direito isenção em relação ás áreas de utilização limitada/reserva legal. Ora, sendo assim, não pode o julgador administrativo, apenas com base na verdade material e sem qualquer outro fundamento, desconsiderar dispositivo expresso de lei (em especial, o art. 17O, da Lei no. 6.938, de 1981) e normas regulamentares expedidas em conformidade com seu substrato de validade pela autoridade competente (Instruções Normativas da SRF). Entenderse o processo administrativo fiscal dessa forma significaria subverter o princípio da legalidade: ainda que a aplicação do principio da verdade material tivesse lugar no presente feito, o que se considera apenas para fins de debate, devese assentar que sua aplicação não é absoluta, de modo que não se presta a afastar a aplicação de dispositivo legal, válido e vigente; g) Cita posicionamento da 3a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em linha com o esposado no pleito recursal. Requer, assim, o conhecimento e o provimento do recurso para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja consagrada a exigência de apresentação tempestiva de ADA ou de seu requerimento relativo às áreas de preservação permanente e reserva legal. O recurso foi admitido, consoante despachos de efls. 193 a 195. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 22/09/2014 (efl. 199), o contribuinte apresentou, em 26/09/2014 (efl. 203). contrarrazões de efls. 203 a 210, onde defende que o posicionamento esposado pela Procuradoria da Fazenda Nacional encontrase superado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e deste Conselho, citando e colacionando a propósito diversos Acórdãos daquele e deste Tribunal neste sentido. Requer, assim, que o Acórdão recorrido seja mantido em sua íntegra. Feito colocado em pauta durante a reunião desta Turma de Novembro de 2016, tendo ali se notado que o exame de admissibilidade de efls. 193 a 195 carecia de complementação, por ter se cingido a analisar uma das matérias objeto do recurso (exclusão das áreas de preservação permanente), resolvendo este Colegiado pela conversão em diligência na forma de Resolução de efls. 214 a 219. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 250 6 Complementada a análise de admissibilidade recursal através dos despachos de efls. 221 a 225, onde se deu seguimento também à segunda matéria recorrida (exclusão da área de utilização limitada), foi devidamente cientificado o autuado (efl. 229), declinando este de apresentar quaisquer novas contrarrazões (efl. 232). É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 251 7 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, bem como a caracterização de divergência interpretativa, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Passo, portanto, à análise de mérito, segregando a análise quanto a: a) áreas de preservação permanente glosa de 67,0 ha. e b) área de utilização limitada/Reserva Legal glosa de 403,6 ha., consoante efls. 56 e 59. Antes, todavia, para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 30/03/2004 efl. 06; b) Demonstrativo contemplando a glosa efetuada pela autoridade fiscal na DITR efl. 59; c) ADA carimbo de protocolo de 14/06/2005, com data de recepção no IBAMA de Irati/PR em 24/09/2004 efls. 41 e 76; d) Matrícula onde houve averbação de áreas de Reserva Legal de 418,1326 ha., em 20/08/98 efl. 23; e) Laudo Técnico quanto à distribuição da área do imóvel efls. 12 a 17 e 18 a 21 e anexos. a) Quanto às áreas de preservação permanente Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 252 8 Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido Codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 253 9 não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte em 29/09/04 (e fls. 41 e 76), posteriormente ao prazo estabelecido pela regulamentação infralegal da RFB (prazo limite: 31/03/03, consoante Instruções Normativas SRF no. 256, de 2002) e, também, posteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 30/03/04 (efl. 06). Assim, devese enfrentar agora a questão do momento da entrega efetuada pelo autuado, posterior ao prazo estabelecido infralegalmente, mas antes do início da ação fiscal, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR do exercício 2002. Com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 254 10 n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 255 11 mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 256 12 independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA contendo a área de preservação permanente glosada de 67,0 ha. somente foi entregue em 29/09/04 (efls. 41 e 76), assim, posteriormente ao início da ação fiscal (iniciada em 30/03/04, conforme efl. 06), é de se manter a glosa da base de cálculo do ITR perpretada pela autoridade lançadora. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria, restabelecendose a glosa de 67,0 ha. de área de preservação permanente declarada pelo autuado como exclusão da base de cálculo do ITR/2002. b) Quanto à área de utilização limitada/Reserva Legal Alinhome aqui aos que entendem ser necessária a averbação da Reserva Legal junto ao Registro de Imóveis até a data do fato gerador, posicionamento, muito bem esclarecido por voto condutor de lavra da Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no âmbito do Acórdão 220201.269, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF em 26 de julho de 2011, o qual adoto como razões de decidir, fundamentando meu entendimento acerca do tema, ressalvando que as menções ao art. 16 §8o. do Código Florestal, quanto à obrigatoriedade de averbação, são plenamente aplicáveis aqui, uma vez que o §2o. do mesmo artigo, em sua redação anterior, dada pela Lei no. 7.803, de 1989, estabelecia idêntica obrigatoriedade, verbis: (...) Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de Reserva Legal, conforme disposto no art. 10, § 1o , inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de Reserva Legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de Reserva Legal (art. 1o , §2o , inciso III): Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 257 13 Art. 1o [...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à Reserva Legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o ). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. (...) Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da Reserva Legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à Reserva Legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 258 14 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A Reserva Legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a Reserva Legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de Reserva Legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o , caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Acórdão n.º 9202006.284 CSRFT2 Fl. 259 15 gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. (...)" No caso em questão, conforme se depreende dos documentos de efl. 23, em 01/01/2002, já se encontrava averbado, na respectiva matrícula, o montante total de 418,1326 ha., abrangendo o montante declarado a título de Reserva Legal em DITR (averbação em 20/08/1998). Assim, de se admitir a sua exclusão da base de cálculo do tributo. Quanto à necessidade de apresentação do ADA para fins de exclusão da Reserva Legal, entendo aqui que a averbação pública, agora de natureza constitutiva, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose uma vez mais o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação, em linha com o já aqui esposado quando da análise das áreas de preservação permanente. Ressaltese, que, aqui, no caso da área de Reserva Legal, diferentemente do caso das APPs, se está diante de área onde o proprietário ou possuidor a indica, em qualquer local do imóvel rural, de forma que fique vedado o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários, mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. Presente tal elemento volitivo definidor do contribuinte no caso em questão, entendo que a ausência do ADA, no caso específico da Reserva Legal, pode ser substituída pela formalização (pública) da indicação supra através da mencionada averbação, de natureza constitutiva, com o ADA possuindo, nesta hipótese, natureza declaratória. Despicienda, assim, qualquer análise a respeito da apresentação ou protocolização do ADA para fins de exclusão da Reserva Legal, uma vez tendo sido cumprido o requisito de averbação tempestiva desta. Assim, quanto a esta matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendose a exclusão dos 403,6 ha. declarados em DITR como de utilização limitada. c) Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de restabelecer a glosa dos 67,0 ha. de área de preservação permanente, declarados em DITR. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721285/2013-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal.
Numero da decisão: 1001-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 05) para o ano calendário 2013, tendose em vista a existência de débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, de natureza previdenciária (nº 368174549, nº 368174557, nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 12 85 /2 01 3- 20 Fl. 66DF CARF MF 2 393407667, nº 393407675, nº 408876409 e nº 408876417), cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 36/38) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que os débitos previdenciários de nº 408876409 e nº 408876417 foram objeto de Parcelamento em 28/03/2013, data posterior ao prazo limite 31/01/2013: 1) Os débitos previdenciários de nº 368174549, nº 368174557, nº 393407667 e nº 393407675 foram parcelados de acordo com a Lei nº 11.941/2009 – RFB – Art. 1º. Em 31/01/2013, este parcelamento se encontrava na situação LIQUIDADA. 2) Os débitos previdenciários de nº 408876409 e nº 408876417 foram objeto de Parcelamento Convencional Manual, conforme processo administrativo nº 10830.721691/201392, com data de protocolo em 28/03/2013 (fls. 35), data posterior ao prazo final para a regularização das pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 24/02/2014 (efl. 63) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 11/03/2014 (e fls. 62), em que aduz, em resumo, que, os débitos previdenciários 408876409 e 408876417 foram parcelados antes do prazo fatal para a opção do Simples Nacional, através do Parcelamento Simplificado Previdenciário n° 845061 solicitado em 13/12/2012, cuja primeira parcela foi paga em 17/12/2012, mas com erro de preenchimento: 1 Diferentemente do que foi citado na decisão a quo no que diz respeito aos débitos previdenciários 408876409 e 408876417, que embasaram o indeferimento à opção do Simples Nacional, os mesmos foram parcelados sim antes do prazo fatal para a opção do Simples Nacional, através do Parcelamento Simplificado Previdenciário n° 845061 solicitado em 13/12/2012, cuja primeira parcela foi paga em 17/12/2012 conforme cópia anexa, ocorrendo que ao realizar o pagamento da primeira parcela, o contribuinte informou como código identificador da GPS o número do CNPJ, haja visto que sistema de pagamento do Banco Itau não aceitava e dava mensagem de erro, ou seja, impossibilitado de finalizar o pagamento com o código identificador gerado no pedido de parcelamento, o contribuinte achou por bem informar o número do CNPJ ao invés do código identificador gerado pela internet, que é, digase de passagem, o número que sempre utilizou em todas as guias da Previdência Social, incorrendo num erro perfeitamente justificável na medida que estava se aproximando o fim do prazo para a opção do Simples Nacional. 2 0 fato é que o contribuinte pagou sim a primeira parcela tempestivamente, apenas que pelos motivos acima citados, não conseguiu pagar com o código identificador gerado quando da celebração do parcelamento no sitio da RFB, optando em pagar com o numero do seu CNPJ dada a proximidade do prazo final, o fato é que o dinheiro entrou nos cofres da União e não houve em hipótese alguma má fé por parte do contribuinte, além do mais, durante muitos anos o contribuinte sempre efetuou pagamentos de Guias da Previdência Social pela internet Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.721285/201320 Acórdão n.º 1001000.162 S1C0T1 Fl. 67 3 utilizandose como código identificador o número do seu CNPJ, com o que a Receita Federal do Brasil não poderia mudar esse código para um número fora do padrão habitual, podem ter certeza que muitos contribuintes acabaram se confundindo e incorrendo no mesmo erro ora guerreado. 3 0 simples fato de uma incorreção na hora de se preencher uma guia de recolhimento não poderia jamais ensejar rompimento de um parcelamento de débitos tributários, principalmente nesse caso onde a eficácia do recolhimento confirma o parcelamento e do qual depende o contribuinte para se manter num regime diferenciado e favorecido, o fato é que o contribuinte agiu na mais perfeita boa fé, ou qual seria a sua intenção em recolher o primeiro pagamento de forma incorreta? De celebrar um parcelamento e preencher a guia de forma incorreta? A boa fé é uma causa de exclusão da ilicitude que atua em todos os departamentos do direito positivo, o que inclui, portanto, o direito tributário.(...). Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 05) para o ano calendário 2013. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) Fl. 68DF CARF MF 4 § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Os débitos previdenciários de nº 408876409 e nº 408876417 foram objeto de Parcelamento válido em 28/03/2013, data posterior ao prazo limite 31/01/2013. O contribuinte alega que os mesmos débitos teriam sido parcelados antes do prazo para a opção do Simples Nacional, através do Parcelamento Simplificado solicitado em 13/12/2012, mas que a primeira parcela teria sido paga em 17/12/2012 com erro de preenchimento. O fato é que ao parcelar os mesmos débitos em data posterior, e não retificar o pagamento que se alega errado, através de Redarf, p. ex, o contribuinte optou por desistir do primeiro parcelamento. Logo, os débitos referidos não estavam com a exigibilidade suspensa em 31/01/2013. Desta forma, concluo que havia impedimento para a adesão. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.004092/96-53
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR - Recurso Especial . Nulidade declarada de ofício. Notificação
de lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no
artigo 11 do Decreto n. 70.235/72. A falta de indicação, na
notificação de lançamento, do cargo ou função e o número de
matrícula do AFTN acarreta a nulidade do lançamento, por vício
formal.
Numero da decisão: CSRF/03-03.173
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em declarar a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Márcia Regina Machado Melaré
Nome do relator: Henrique Prado Megda
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ementa_s : ITR - Recurso Especial . Nulidade declarada de ofício. Notificação de lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no artigo 11 do Decreto n. 70.235/72. A falta de indicação, na notificação de lançamento, do cargo ou função e o número de matrícula do AFTN acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal.
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Nulidade declarada de ofício. Notificação de lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no artigo 11 do Decreto n. 70.235/72. A falta de indicação, na notificação de lançamento, do cargo ou função e o número de matrícula do AFTN acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em declarar a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Márcia Regina Machado Melaré. E 1 DRIGUES RESIDENTrAlln- MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATORA DESIGNADA nã 2001FORMALIZADO EM: - Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIZ BARTOLI. Processo n° :10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 Recurso : RD/201-0.369 Sujeito Passivo : PALIVIASOLA S/A MADEIRAS E AGRICULTURA RELATÓRIO Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, de decisão da Colenda i a Câmara do E. 2° Conselho de Contribuintes, constante do Acórdão n° 201-73.179, que, por unanimidade dos votos de seus integrantes, deu integral provimento ao recurso interposto pelo contribuinte determinado a emissão de nova notificação de lançamento com base no VTN fixado pelo laudo técnico de avaliação constante dos autos. Irresignada, a Fazenda Nacional entende deva ser anulado o julgamento da instancia "a quo", eis que se encontra fundamentado em Laudo de Avalização imprestável, por inobservância de requisito essencial a sua validade, posto que, não obstante ter sido firmado e emitido por profissional que indica ser inscrito no CREA, apresenta se desacompanhado da indispensável ART — ANOTACAO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA, exigência legal prevista e instituída pela Lei n 6496/72. Analisado o recurso especial, sob o ponto de vista dos pressupostos de admissibilidade ditados pelo art 33, caput e parágrafo segundo, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria ME n 55/98, verificou se tanto sua tempestividade quanto a comprovação da divergência arguida com cópias de acórdãos proferidos por outras Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes manifestando entendimento diferente sobre matéria idêntica à tratada no acórdão recorrido, razão pela qual foi recebido pelo ilustre presidente da Câmara ora recorrida. 2 Processo n° :10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 Presente aos autos com suas contra-razões recursais o sujeito passivo alegando que a Anotação de Responsabilidade Técnica é, de fato, documento fundamental que vem dar suporte legal a toda e qualquer avaliação técnica de terras rurais, razão pela qual cercou se de toda a cautela em relação ao Laudo Técnico de Vistoria e Avaliação que trouxe aos autos em atendimento à exigência formulada pelo E Segundo Conselho de Contribuintes, apensando ao mesmo (fls. 95) a competente ART n 1521718 emitida em 11/08/99 pelo CREA/SC, inexistindo, destarte, fundamento para o pedido de anulação da decisão formulado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. 3 Processo n° : 10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA Data vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições acessórias, com base nos artigos 5°, inciso VI, e 6°, da IN SRF n° 94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... II - locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Art. 4° Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de ofício, mediante lavratura de auto de infração. 4 Processo n° :10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: VI - o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de oficio, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se trata de Notificação de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF n° 94/97 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que aportam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. O art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: 5 Processo n° : 10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso II, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei n° 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso III, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados 6 Processo n° : 10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, torna-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar- se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matrícula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do ITR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: 7 Processo n° :10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declarada de ofício pela Douta Conselheira Relatora, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto n° 70.235/72, que aqui se transcreve: "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, a saber: 8 Processo n° :10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado." É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir o ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do caso, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, com a repetição de todo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR , no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art. 9 do Decreto n° 70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 1° da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em 9 Processo n° : 10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do fato gerador: 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 1 1, do Decreto 70.235/72, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 10 Processo n° :10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 O dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR@', até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9' do Decreto 70.235172, ela não se refere a um só imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, 11 Processo n° : 10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. S- essões- DF, - 07 de maio de 2001. — R10 PRADO MEGDA 12 Processo n° : 10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 VOTO VENCEDOR Conselheira MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, Relatora: Preliminarmente, verifico que na notificação de lançamento de fls., emitida por sistema eletrônico, não consta a indicação do cargo ou função , nome ou número de matricula do agente fiscal do tesouro nacional autuante. Desta forma, considerando o disposto no artigo 6°., inciso I e II da Instrução Normativa SRF n. 094, de 24 de dezembro de 1997, que determina seja declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no artigo 5°. da mesma Instrução Normativa; considerando que o artigo 5° da Instrução Normativa da SRF n. 94/97, em seu inciso VI, determina que no lançamento deve constar, obrigatoriamente, o nome , o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; considerando que o parágrafo único do artigo 11 do Decreto n° 70.235/72 somente dispensa a assinatura do AFTN autuante quando o lançamento se der por processo eletrônico, exigindo, portanto , a indicação do cargo ou função e o número de sua matrícula; considerando, ainda, que o 1o. Conselho de Contribuintes, através de decisões publicadas, já houve por bem decretar a nulidade do lançamento que não observe as regras do Decreto 70.235/72, conforme ementa transcrita: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - NULIDADE DE LANÇAMENTO - É nulo o lançamento cuja notificação não contém todos os pressupostos legais contidos no artigo 11 do Decreto 70235/1972 ( Aplicação do disposto no artigo 6°. da IN SRF 54/1997). " ( Acórdão n°. 108.06.420, de 21.02.2001) E tendo em vista que a notificação de lançamento do ITR apresentada nos autos não preenche os requisitos legais, especialmente por faltar 13 fs'- Processo n° : 10925.004092/96-53 Acórdão n° : CSRF/03-03.173 na mesma a indicação do cargo ou função e o número de matrícula do AFTN autuante, voto no sentido de ser declarada, de ofício, a NULIDADE DO LANÇAMENTO DE FLS., relativo ao ITR impugnado, com base nos dispositivos constantes da legislação tributária já referidos. Sala das Sessões-DF, em 07 de maio de 2001. MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ 14 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10880.940318/2009-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
IPI. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito.
RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE.
Estando o valor do direito creditório disponível para compensação na data da transmissão do PER/DCOMP corretamente demonstrado nos anexos ao despacho decisório e, posteriormente explicitado, de forma inclusive didática, no voto condutor do acórdão recorrido; e, constatado que os documentos acostados ao recurso voluntário são exatamente aqueles em que fundamentou a autoridade fiscal que concluiu pela existência apenas parcial de saldo credor de IPI informado pelo contribuinte, bem assim os juntados na manifestação de inconformidade, não há como prevalecer a pretensão recursal quanto a existência de saldo credor de IPI suficiente para compensar os débitos declarados a título de PIS/Pasep e/ou Cofins.
Numero da decisão: 3001-000.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. Estando o valor do direito creditório disponível para compensação na data da transmissão do PER/DCOMP corretamente demonstrado nos anexos ao despacho decisório e, posteriormente explicitado, de forma inclusive didática, no voto condutor do acórdão recorrido; e, constatado que os documentos acostados ao recurso voluntário são exatamente aqueles em que fundamentou a autoridade fiscal que concluiu pela existência apenas parcial de saldo credor de IPI informado pelo contribuinte, bem assim os juntados na manifestação de inconformidade, não há como prevalecer a pretensão recursal quanto a existência de saldo credor de IPI suficiente para compensar os débitos declarados a título de PIS/Pasep e/ou Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 03 18 /2 00 9- 67 Fl. 200DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 84 a 198) interposto contra o Acórdão 11 40.632, da 6ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE DRJ/REC (fls. 76 a 81), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 27 a 32), mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação" PER/DCOMP 01285.25079.191008.1.5.011313, retificado pelo PER/DCOMP 11173.65519.181008.1.1.013415, transmitido em 19.10.2008, e o PER/DCOMP 00922.87319.191108.1.3.012145, transmitido em 20.10.2008, solicitou o ressarcimento do IPI, referente ao 2º trimestrecalendário do ano de 2008, para compensar com a COFINS Não Cumulativa, referente ao período de apuração de 10/2008, com vencimento em 19.11.2008 (fls. 02 a 20). Do Despacho Decisório Em face do referido pedido, foi exarado o despacho decisório Número de Rastreamento 850214867 (fls. 21 a 25): (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 12.735,48 Valor do crédito reconhecido: R$ 882,76 0 valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos. Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é Inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. 0 crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 00922.87319.191108.1.3.012145 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.940318/200967 Acórdão n.º 3001000.031 S3C0T1 Fl. 201 3 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 1285.25079.191008.1.5.011313 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/10/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 11.852,72 2.370,54 1.130,74 Para informações complementares da análise de crédito, identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar www.receita.fazenda.gov.br , opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto "Restituição...Compensação", Item PER/DCOMP, Despacho Decisório. Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 04.12.2009, manifestação de inconformidade para aduzir, em apertada síntese, que o valor do crédito acumulado no trimestrecalendário em questão é suficiente para atender à compensação declarada e, por conseguinte, para autorizar a homologação pelo órgão fazendário (RFB). Junta os seguintes documentos (fls. 33 a 73): (1) alteração e consolidação contratual da sociedade; (2) instrumento de procuração outorgada pelo sócio da sociedade; (3) cédula de identidade de estrangeiro do sócio da sociedade; (4) identidade do procurador; despacho decisório; (5) pedido de ressarcimento; (6) declaração de compensação; e (7) registro de apuração de IPI. Por considerar que existe o crédito no montante informado, invoca a improcedência do indeferimento de seu pleito, razão pela qual requereu a homologação da compensação declarada em PER/DCOMP. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do acórdão vergastado, exarado pela 6ª Turma da DRJ/REC, da Sessão realizada de 24 de abril de 2013, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Fl. 202DF CARF MF 4 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. O valor do direito creditório disponível para compensação na data da transmissão do PER/DCOMP em foco foi corretamente demonstrado nos anexos ao despacho decisório. A alegação de que o saldo credor referenciado seria superior ao valor reconhecido pela RFB não pode ser sustentada pelo teor da manifestação de inconformidade e documentos anexos. Mantém se a decisão exarada pela repartição fiscal de origem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado ainda com o feito, o requerente interpôs recurso voluntário, que veio a reprisar, em suma, os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Os trechos a seguir transcritos confirmam essa identidade, vejamos: (...) Trata o caso em tela da hipótese de créditos escriturais de IPI relativos a aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados diretamente com o produto final comprovados através dos documentos anexos (Registro de Apuração do IPI) relativo ao período apurado do crédito compensado. Apesar do constante no despacho decisório referente ao presente processo, verificase dos documentos anexados (Registro de Apuração de IPI) demonstram haver créditos acumulados suficientes para fazer frente aos débitos compensados. Os créditos estão registrados no livro de apuração do IPI conforme se verifica dos documentos juntados. (LIVRO_REGISTRO_APURACAO_IPI) No entanto, a autoridade administrativa fiscal constatou que, até a data da apresentação do PER/DCOMP em tela, a interessada já utilizara parcialmente, o saldo credor passível de ressarcimento relativo ao trimestre especificado no PER/DCOMP, utilizandoo para quitar outros débitos em períodos mensais subseqüentes ao trimestre referenciado no PER/DCOMP. Assim, o Despacho Decisório recorrido apontou o crédito remanescente reconhecido em valor insuficiente para compensar integralmente os débitos declarados e, por isso, foi homologada apenas parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP. A razão não merece acolhimento à alegação supra. (...) O valor passível de ressarcimento no trimestrecalendário em tela foi gerado após abatimento dos débitos do IPI mensal e suficiente para compensar devidamente, os débitos das Contribuições Sociais do PIS e da COFINS até a data de transmissão do PER/DCOMP como se comprovará a seguir. (...) Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.940318/200967 Acórdão n.º 3001000.031 S3C0T1 Fl. 202 5 Em relação ao apontamento feito pelo Ilustre Agente Fiscal de Rendas que, a utilização se daria também por transmissão de outras compensações via PER/DCOMP em meses posterior a data efetivada da primeira compensação, não deve prosperar, haja vista a documentação digital comprobatória juntada que demonstra claramente que a recorrente somente efetivou compensação até o mês 11/2008 nada mais do que isto!! Arquivo magnético (DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA) (...) Não obstante, a fim de se comprovar que o saldo credor passível de ressarcimento apurado no segundo trimestre de 2008 não foi utilizado na escrituração fiscal e tão pouco em outros PER/DCOMP, mas devidamente estornado (folhas de número 46 e 50 do LRAIPI) nos meses de 10/08 e 11/08 o montante de R$ 78.647,67, solicitado na data de transmissão. (...) A empresa contribuinte apurou saldo credor de IPI acumulado no trimestre calendário conforme artigo 11 da Lei 9.779/99 e IN SRF 33/99. (...) Assim, no presente caso houve total obediência à regras da lei n. 9.779/99 e à Instrução Normativa 33/99 eis que os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) havidos no trimestre calendário e que foram escriturados na forma da legislação específica e que diante disto foram utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos fiscais compensados em PER/DCOMP. Apenas para frisar, como pode ser verificado do Registro de Apuração de IPI anexo, ao final do trimestrecalendário, foram verificados créditos do IPI passíveis de ressarcimento, assim, requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI" anexo e utilizouos para compensação de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os créditos estão registrados no livro de apuração do IPI conforme se verifica dos documentos juntados. (LIVRO_REGISTRO_APURACAO_IPI) (...) III. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida o presente recurso voluntário com a homologação da compensação declarada em PER/DCOMP diante da existência de crédito. DOCUMENTOS JUNTADOS Fl. 204DF CARF MF 6 1. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA 2. LIVRO_REGISTRO_APURACAO_IPI 3. PEDIDO RESTITUICAO RESSARCIMENTO 001 4. PEDIDO RESTITUICAO RESSARCIMENTO 002 Relativamente ao "Livro Registro de Apuração do IPI Modelo P8", foram juntados os registros de apuração referentes aos meses de abril de 2006 a dezembro de 2008. Quanto aos Recibos de Entrega das Declarações de Compensação DComp, foram juntadas a (1) Declaração 29906.25423.201008.1.3.016730, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de PIS/PASEP, no valor de R$ 6.127,34 (transmitida em 20.10.2008); (2) Declaração 4062.81245.201008.1.3.014018, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de PIS/Pasep e Cofins, no valor de R$ 7.436,32 (transmitida em 20.10.2008); (3) Declaração 16309.44189.201008.1.3.011581, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 6.297,66 (transmitida em 20.10.2008); (4) Declaração 0953.36888.201008.1.3.012055, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 5.773,61 (transmitida em 20.10.2008); (5) Declaração 2424.37807.201008.1.3.014403, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 5.109,02 (transmitida em 20.10.2008); (6) Declaração 13546.42469.201008.1.3.014828, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 7.899,30 (transmitida em 20.10.2008); (7) Declaração 22095.33340.201008.1.3.010740, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 5.535,00 (transmitida em 20.10.2008); (8) Declaração 26453.16454.201008.1.3.016206, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 507,35 (transmitida em 20.10.2008); (9) Declaração 30382.01631.191108.1.3.01 9490, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de PIS/Pasep e Cofins, no valor de R$ 6.456.48 (transmitida em data não legível); (10) Declaração 00922.87519.191108.1.3.012145, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 12.735,48 (transmitida em 19.11.2008); e (11) Declaração 07128.75878.191108.1.3.019676, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 14.590,11 (transmitida em 19.11.2008). Em relação aos Recibos de Entrega dos Pedidos de Ressarcimento PER, foram juntados o (1) Pedido 40793.65653.181008.1.1.010177, retificado pelo Pedido 02087.88403.191008.1.5.012729, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 7.436,32 (transmitido em 19.10.2008); (2) Pedido 14101.10637.181008.1.1.016573, retificado pelo Pedido 01015.60880.191008.1.5.014520, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 6.297,66 (transmitido em 19.10.2008); (3) Pedido 31610.50773.181008.1.1.015430, retificado pelo Pedido 07594.62437.191008.1.5.017247, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 5.773,61 (transmitido em 19.10.2008); (4) Pedido 28558.73480.181008.1.1.012411, retificado pelo Pedido 09663.67026.191008.1.5.010729, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 5.109,02 (transmitido em 19.10.2008); (5) Pedido 42631.47982.181008.1.1.01 5240, retificado pelo Pedido 04878.82484.191008.1.5.018809, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 7.899,30 (transmitido em 19.10.2008); (6) Pedido 29431.70429.181008.1.1.011607, retificado pelo Pedido 25281.11300.191008.1.5.012741, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 5.535,00 (transmitido em 19.10.2008); (7) Pedido 30183.98453.181008.1.1.016717, retificado pelo Pedido 36170.63409.191008.1.5.01 3443, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 6.963,83 (transmitido em 19.10.2008); Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.940318/200967 Acórdão n.º 3001000.031 S3C0T1 Fl. 203 7 (8) Pedido 11173.65519.181008.1.1.013415, retificado pelo Pedido 01285.25079.191008.1.5.011313, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 12.735,48 (transmitido em 19.10.2008); e (9) Pedido 1585.03017.181008.1.1.014039, retificado pelo Pedido 39262.71941.191008.1.5.013723, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 14.590,11 (transmitido em 19.10.2008). É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme se depreende do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado na CAC/Paulista, em 19.06.2013 (quartafeira). A ciência da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme carimbo aposto no Aviso de Recebimento "AR" CDD Veleiro São Paulo SPM (fl. 83), ocorreu em 27.05.2013 (segundafeira). Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto 7.574 de 29.09.2011, combinado com o artigo 33 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Prolegômeno O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3001000.033 de 27 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.940320/200936, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.033): "Do Mérito Em face da manutenção integral dos fundamentos do despacho decisório, efetuada pela 6ª Turma da DRJREC, quando da prolação do acórdão recorrido, o litígio posto à apreciação desta Turma de Julgamento, restringese em se determinar se os elementos de prova coligidos aos autos, com a apresentação do recurso voluntário, são hábeis e suficientes para infirmar a conclusão contida no voto condutor do acórdão vergastado, que referendou a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem, ocasião em que homologou parcialmente a compensação declarada através do PER/DCOMP especificado, e com isto, reconhecer o direito creditório alegado pelo recorrente, confirmando a existência do saldo credor de IPI requerido, com relação ao trimestre/ano indicado no PER/DCOMP, utilizado para quitar débitos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. É inconteste que a presente contenda não se refere a uma possível discussão sobre a natureza do crédito de IPI, relativo a aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados ao produto final. Fl. 206DF CARF MF 8 Da mesma forma, não está se discutindo se o recorrente apurou saldo credor de IPI em desconformidade com a legislação de regência aplicável ao caso sob exame, notadamente as gravadas no artigo 11 da Lei 9.779 de 19.01.1999 e IN/SRF 33 de 04.03.1999. Posto que em nenhum momento discutiuse o direito ao aproveitamento de saldo credor de IPI, que resultou de aquisições de matériaprima, materiais intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização. A celeuma está em saber se, com as informações disponíveis nos sistemas de controle da RFB, complementadas com a documentação apresentada pelo recorrente, o saldo credor do IPI, referente ao trimestre informado, é no montante indicado no PER/DCOMP transmitido na data da compensação pretendida ou se parte deste saldo já fora utilizado na compensação de outros débitos, por meio de outros PER/DCOMP, em meses subseqüentes ao trimestre em que foi apurado o saldo credor considerado. Já se viu que a documentação coligida aos autos neste momento processual é a mesma que havia sido apresentada nas fases inquisitorial e recursal antecedentes. Neste sentido, valhome da instrutiva análise contida no voto condutor do acórdão recorrido, o qual, desde já peço licença para reproduzir alguns trechos, para evidenciar que a interpretação dada pelo recorrente, quanto ao suposto saldo credor não se sustenta, vejamos o que importa destacar: (...) O despacho decisório recorrido e seus anexos explicitam a conclusão obtida a partir da análise fiscal procedida. Explicita se naqueles anexos ao despacho decisório, que o valor do remanescente saldo credor referenciado ao trimestre especificado no PER/DCOMP, efetivamente disponível para ressarcimento ou compensação é em valor inferior ao pretendido, identificando ambos os valores. Ao contrário do que alega a d. manifestante, a razão para a conclusão da autoridade fiscal foi devidamente explicitada nos anexos ao despacho decisório, tudo cientificado à interessada. Os anexos ao despacho decisório se formam a partir de um extrato do “Sistema de Controle de Créditos (SCC) PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito”, o qual foi desdobrado nos seguintes quatro (04) demonstrativos: (1º) Demonstrativo de Créditos e Débitos (Ressarcimento de IPI), (...); (2º) Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível, (...); (3º) Demonstrativo de Apuração após o período do ressarcimento. (...) (4º) Demonstrativo do Crédito Reconhecido para cada PER/DCOMP (...). No caso concreto, foi plenamente garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ademais, os fundamentos utilizados pela fiscalização, que serviram de base ao despacho decisório recorrido, foram devidamente cientificados ao Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.940318/200967 Acórdão n.º 3001000.031 S3C0T1 Fl. 204 9 contribuinte, conforme documentos anexos, e estão consoantes com o entendimento oficial. No entanto, a interessada, ora manifestante, apesar de alegar possuir crédito suficiente para a compensação pretendida, não foi capaz de contraditar a informação fiscal de que houve compensação de outros débitos, atestados em outros PER/DCOMP relacionados no terceiro demonstrativo dentre os anexados ao despacho decisório, fatos que determinaram a redução do saldo credor ressarcível referente ao trimestre referenciado no PER/DCOMP. (...) O despacho decisório, cuja conclusão foi corroborada pelo voto condutor do acórdão recorrido, teve como fundamento as informações prestadas pela própria empresa. Com referência ao crédito e compensação já parcialmente negados, não há mais espontaneidade da empresa, o que não dispensa a apresentação das declarações com as informações que entende corretas. A manifestação de inconformidade (primeiro) e o recurso voluntário (por fim) era a oportunidade para a empresa fornecer a devida comprovação do direito creditório e/ou do erro em que se fundou a declaração transmitida. O artigo 170 do CTN (Lei 5.172 de 25.10.1966) fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações devem ser comprovadas com documentos hábeis e suficientes, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (aplicável tanto a impugnação e a manifestação de inconformidade, quanto a recurso, por força dos §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei 9.430 de 27.12.1996), cabendo ao interessado apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/93). Para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, nos termos em que pretendido pelo interessado, necessário que demonstrasse que sua escrita contábilfiscal infirmasse a conclusão contida no acórdão recorrido, na medida em que não representasse a expressão a verdade. No entanto, no presente processo, nenhuma prova nova, Fl. 208DF CARF MF 10 que comprovasse o montante do saldo credor de IPI, para fins do ressarcimento pretendido, foi apresentada. Noutros termos, a documentação acostada ao presente recurso é a mesma que instruiu a declaração transmitida eletronicamente e a manifestação de inconformidade, qual seja o "LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI MODELO P8", cujos registros não contradizem as informações contidas no “Sistema de Controle de Créditos (SCC) PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito”. Não se pode acolher a argumentação de que o saldo credor de IPI requerido, com relação ao trimestre/ano indicado no PER/DCOMP, foi suficiente para quitar débitos de tributos administrados pela RFB, conforme pretende o interessado. Não é possível reconhecer o direito se o contribuinte não traz documentação fidedigna apta a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do artigo 373, do Código de Processo Civil CPC/2015 (Lei 13.105 de 16.03.2015.), abaixo transcrito: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Quanto à decisão recorrida, só seria cabível a sua reforma em julgamento com a comprovação taxativa e incontestável do erro em que se fundou a declaração original e do indébito apurado, o que, como exaustivamente evidenciado, não é o caso dos presentes autos. Da Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.940318/200967 Acórdão n.º 3001000.031 S3C0T1 Fl. 205 11 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.008584/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:2003
Ementa:PERC – SÚMULA Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
TRIBUTOS FEDERAIS. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INCENTIVO OU "BENEFÍCIO FISCAL. INDEFERIMENTO.
A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte nos termos da Súmula CARF nº 37 impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais
Numero da decisão: 1401-000.506
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário:2003 Ementa:PERC – SÚMULA Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). TRIBUTOS FEDERAIS. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INCENTIVO OU "BENEFÍCIO FISCAL. INDEFERIMENTO. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte nos termos da Súmula CARF nº 37 impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais
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TRIBUTOS FEDERAIS. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INCENTIVO OU "BENEFÍCIO FISCAL. INDEFERIMENTO. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte nos termos da Súmula CARF nº 37 impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente Fl. 277DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.008584/200601 Acórdão n.º 1401000.506 S1C4T1 Fl. 267 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Viviane Vidal Wagner. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.008584/200601 Acórdão n.º 1401000.506 S1C4T1 Fl. 268 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1621.762, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário 2003, protocolado em 15/0972006 pelo contribuinte acima identificado (fl. 01). 2. Conforme dados constantes na DIPJ/2004 apresentada (Ficha 36 Aplicações em Incentivos Fiscais fls. 77 e 197) e no sistema IRPJOEIF (fls. 112 a 117), a contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda ao fundo de investimento FINAM. 3. Todavia, no processamento eletrônico da DIPJ, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme cópia do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 9), o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido no Despacho Decisório de fl. 118, em razão de irregularidades do contribuinte (fls. 101 a l08 e ll7) perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). 4. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls.120 a 126, protocolizada em 23/12/2008 e acompanhada dos documentos de fls. 127 a 191, alegando em síntese que: 4.1. A autoridade administrativa verificou a regularidade fiscal da contribuinte na data em que analisou o PERC, contudo, a melhor interpretação para a definição da data da regularidade fiscal é a da entrega da DIPJ, uma vez que a regularidade fiscal da contribuinte deve corresponder ao período a que o benefício fiscal se refere; 4.2. Os débitos inscritos em dívida ativa ou no sistema Profisc, apontados pelo Despacho Decisório, não podem constituir motivo de indeferimento do PERC, conforme a seguir demonstrado: 4.2.1. A inscrição em dívida ativa n° 80.7.04.00887139 foi objeto.de pedido de revisão protocolado em 09/06/2004, pendente de análise até o momento (fls. 140 a 149) ; 4.2.2. A inscrição em dívida ativa n° 80.7.04.00373887 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 04/05/2004, pendente de análise até o momento (fls. 150 a 155); 4.2.3. A inscrição em dívida ativa n° 80.6.04.03233906 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 09/06/2004, pendente de análise até o momento (fls. 156 a 172); Fl. 279DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.008584/200601 Acórdão n.º 1401000.506 S1C4T1 Fl. 269 4 A inscrição em dívida ativa n° 80.6.04.01264200 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 25/05/2004, pendente de análise até o momento (fls. 173 a 181); A inscrição em dívida ativa n° 80.6.01211671 foi objeto de pedido de. revisão protocolado em 09/06/2004, pendente de análise até o momento (fls. 182 a 189); 4.2.6. Em relação ao débito constante do sistema Profisc, a impugnante esclarece que consta o processo n° 10880.031164/9194, referente à medida judicial do Imposto sobre o Lucro Liquido, que tem acórdão favorável à contribuinte; 4.3. Anexa Certidão Negativa do INSS e Certificado de Regularidade do FGTS (fls. 190 e 191). A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 TRIBUTOS FEDERAIS. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INCENTIVO OU BENEFÍCIO FISCAL. INDEFERIMENTO. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente e aduzindo em complemento que: insurgese contra a decisão de piso na medida em que fundamentou o indeferimento por estar irregular em relação a débitos gerados no momento da opção do benefício, isso porque teria sido a própria DRF que deslocara a análise da regularidade fiscal da recorrente para o momento do exame do PERC, onde se encontram consignados supostos débitos com vencimentos posteriores ao anocalendário da opção pelos benefícios fiscais. caso as Autoridades Fazendárias, em função de seu poderdever de fiscalização, apontem qualquer pendência relativa ao período delimitado pela entrega da DIPJ/2004 pela Recorrente, deveria ser dado prazo para que esta regularizasse sua situação fiscal; se comprova que as pendências fiscais constantes dos cadastros fazendários da Recorrente em setembro de 2008, data aleatória de análise do PERC, estão com a sua exigibilidade suspensa ou já extintos; todo o imposto de renda devido no anobase de 2003 foi corretamente recolhido e que não existem quaisquer outros débitos fiscais anteriores a esse exercício que pudessem justificar a negativa do benefício fiscal pleiteado; também não se justifica o indeferimento da opção ao FINAM e FINOR também com relação aos referidos valores, em que pese à decisão recorrida destacar que a Fl. 280DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.008584/200601 Acórdão n.º 1401000.506 S1C4T1 Fl. 270 5 Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) têm competências distintas em relação ao controle dos créditos tributários, sendo esta última competente para praticar atos relativos aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.008584/200601 Acórdão n.º 1401000.506 S1C4T1 Fl. 271 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a presente lide decorre da não emissão de ofício do incentivo fiscal, relativo ao anocalendário 2003, em razão da existência de débitos de tributos e contribuições federais com exigibilidade não suspensa. Tendo a recorrente protocolizado o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, o mesmo foi indeferido em função da existência de débitos com exigibilidade junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil e junto à Procuradoria da Fazenda Nacional existentes no momento em que se examinou o pedido de revisão de ordem de emissão do incentivo fiscal. A meu ver, a aferição da regularidade do contribuinte deve se dar mesmo na data da opção, pois no momento que se solicita tal benefício o contribuinte já deve assumir como certo que deve cumprir integralmente as condições que dão acesso ao mesmo, diferentemente do que fez a DRF, a instauradora da lide. Além do que, se trata de um marco objetivo que favorece a decidibilidade e a segurança jurídica. Não se pode deixar a decisão da pesquisa a respeito da regularidade fiscal oscilar ao sabor do momento em que a autoridade administrativa resolver apreciar o pedido ou mesmo julgálo em Primeira e Segunda instâncias. Falta razoabilidade. Enfim, no caso em tela, a apreciação deve referirse ao momento da opção feita por ocasião da entrega da DIPJ/2004. A autoridade administrativa, por seu turno, não fornece subsídios necessários para aferir a regularidade fiscal da recorrente no momento de sua opção, pois escolhe como marco justamente o momento do exame do PERC: Perceba que a autoridade administrativa agindo assim passa uma incerteza inadmissível quanto à regularidade fiscal, justamente porque vacila em relação a qual marco tomar como ponto referencial de análise. A autoridade administrativa deveria ter verificado as pendências existentes à época da opção pelo incentivo fiscal e não no momento em que o despacho é proferido. No mais das vezes assim transcorre o procedimento de análise do Perc: a interessada é comunicada da existência genérica em seu nome de débitos de tributos e contribuições federais, não sendo informada de quais débitos se tratavam, com a perfeita identificação dos mesmos. Os sistemas da Receita Federal ao tempo em que não faz tal discriminação parece também não reter em seu banco de dados os débitos em aberto ensejadores da não emissão de ofício do incentivo fiscal. Daí é um passo para entender a dificuldade da autoridade administrativa quando do exame do PERC em resgatar as informações necessárias para sua perfeita decisão – Fl. 282DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.008584/200601 Acórdão n.º 1401000.506 S1C4T1 Fl. 272 7 a regularidade fiscal no momento da opção pelo incentivo , e ser obrigada a deslocar esse marco de pesquisa, para outro momento, o do proferimento do despacho decisório. Sendo assim, agir dessa forma, conduz inexoravelmente a um outro raciocínio lógico pautado na isonomia de tratamentos. Se é permitido à autoridade fiscal analisar a situação fiscal do contribuinte no momento em que profere a decisão sobre a opção de incentivo, da mesma forma apresentase legítima a regularização procedida pelo contribuinte enquanto não esgotado a discussão administrativa sobre o direito ao benefício fiscal. Assim se pronunciou o Julgador da DRJ em seu voto: Irregularidades Fiscais apontadas pelo Despacho Decisório Item Pendência Fls. Processo Ádm. Inscrição DAU i Processo em cobrança (Profisc) 102 10880.031164/9194 0 ii Processo em cobrança (Profisc) 102 13805.006822/9589 o iii Processoem cobrança (Profisc) 102 13805.014247/9679 0 iv Débitos em cobrança (SIEF) 103 o 0 v Inscrições em cobrança na PGFN 104 10880.526732/200452 8020401211671 vi Inscrições em cobrança na PGFN 104 10880.526733/200405 8060401264120 vii Inscrições em cobrança na PGFN 104 10880.526734/200441 8070400373887 viii Inscrições em cobrança na PGFN 104 10880.526735/200496 8060401264200 ix Inscrições em cobrança na PGFN 104 10880.535891/200448 8070400887139 x Inscrições em cobrança na PGFN 106 10880.535892/200492 8060403233906 15. Confrontandose as provas apresentadas pela contribuinte com os itens da tabela acima é possível constatar que: 15.1. Itens (i) a (iii): as consultas ao sistema PROFISC de fls. 194 a 196 demonstram que os processos administrativos fiscais em questão ou foram encerrados por medida judicial (item i), ou estão com a exigibilidade suspensa em função de medidas judiciais (itens ii e iii); 15.2. Item (iv): a. contribuinte não fez qualquer menção na manifestação de inconformidade aos débitos em cobrança no sistema SIEF elencados à fl. 103; 15.3. Itens (v) e (vii) a (x): os créditos tributários dos processos em questão foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa e, segundo a manifestante, foram objeto de pedidos de revisão administrativos; 15.4. Item (vi): os créditos tributários dos processos em questão foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, e não foram mencionados pela contribuinte na manifestação de inconformidade. 16. Sendo assim, concluise que das pendências originalmente identificadas pelo Despacho Decisório restaram aquelas referidas nos tópicos 15.2, 15.3 ,e 15.4 acima, que serão abordados a seguir, e se referem respectivamente a débitos no sistema SIEF e a inscrições em Dívida Ativa da União. 17. No que tange aos processos administrativos n°s 10880.526732/200452 (inscrição na Dívida Ativa da União n° 8020401211671), 10880.526733/200405 (inscrição na Dívida Ativa da União n° 8060401264120), 10880.526734/200441 (inscrição na Dívida Ativa da União n° 8070400373887), 10880.526735/200496 (inscrição na Dívida Ativa da. União n° 8060401264200), 10880.535891/200448 (inscrição na Dívida Ativa da União n° 8070400887139) e 10880.535892/200492 Fl. 283DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.008584/200601 Acórdão n.º 1401000.506 S1C4T1 Fl. 273 8 (inscrição na Dívida Ativa da União n° 8060403233906), cumpre destacar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) têm "competências distintas em relação ao controle dos créditos tributários. (...) 25. Cumpre ressaltar que a manifestante não faz nenhuma menção aos débitos em cobrança no sistema SIEF apontados pelo Despacho Decisório, conforme o relatório de fls. 103, motivo que, por si só, é suficiente para determinar a irregularidade fiscal da contribuinte, nos termos do artigo 60 da Lei n° 9.069/1995. (...) Como se vê a DRJ segue o entendimento da DRF, pautandose pelo entendimento de que para fazer jus ao incentivo fiscal o contribuinte deveria ter demonstrado a sua regularidade tãosomente até o momento em que se examina o pedido de revisão de ordem de emissão do incentivo fiscal, não importando se os débitos foram constituídos após o momento da opção. O seu critério de checagem baseiase unicamente em dados do sistema em momento temporal aleatório em dissonância com a jurisprudência administrativa: É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso provido” (Ac. 10709323) IRPJ – INCENTIVO FISCAIS – PERC – DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL – Sendo o único óbice apontado pela autoridade administrativa para o indeferimento a existência de débito inscrito na PFN, afastado o óbice mediante apresentação de certidão positiva com efeito de negativa, impõese o deferimento do PERC. (Ac. 10196069) Cabe por fim salientar que tal matéria já foi inclusive sumulado pelo CARF: “Súmula CARF Nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Porém, mesmo aplicando o entendimento mais benéfico ao Contribuinte aqui esposado e lastreado na Súmula acima, a Recorrente não demonstra que estaria regular no presente momento ou que a exigibilidade estaria suspensa à época da opção pelo benefício que Fl. 284DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.008584/200601 Acórdão n.º 1401000.506 S1C4T1 Fl. 274 9 se concretizou a entrega da DIPJ/2004 cujo prazo para entrega se deu em 30/junho/2004 (art. 4º, II da Instrução Normativa SRF nº 413, de 26 de março de 2004). 30 de Junho de 2004 é então o marco a delimitar quais débitos deveriam estar com sua exigibilidade suspensa. Pela Decisão DRJ, apenas os Itens (i) a (iii): da Tabela acima demonstrariam que os processos administrativos fiscais em questão ou foram encerrados por medida judicial (item i), ou estariam com a exigibilidade suspensa em função de medidas judiciais (itens ii e iii). Todos os outros processos não estariam com a exigibilidade suspensa. Ora, desde já ressalto aqui que um único débito exigível já é bastante o suficiente para manter o indeferimento da presente solicitação. Nessa linha de entendimento, conforme muito bem ressaltado pela DRJ, a interessada desde a manifestação de inconformidade, bem assim no recurso voluntário não fez nenhuma menção aos débitos em cobrança no sistema SIEF apontados pelo Despacho Decisório, conforme o relatório de fls. 103, motivo que, por si só, é suficiente para determinar a irregularidade fiscal da contribuinte, nos termos do artigo 60 da Lei n° 9.069/1995. Observar que o débito no valor de R$ 4.4763, 89 possui vencimento em 26 de maio de 2004 (fl. 103), portanto, anterior ao marco posto acima (30 de junho de 2004). Cabe por fim ressaltar, apenas para argumentar em relação aos demais débitos, todos inscritos em 13 de fevereiro de 2004 ou 24 de março de 2004, antes portanto do marco aqui delimitado de 30 de junho de 2004, que não faltaram oportunidades para que a Recorrente trouxesse aos autos Certidões negativas ou Certidões conjuntas positivas com efeitos de negativa emitidas pela Receita Federal do Brasil e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 285DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 08/04/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10725.900857/2008-75
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ Apenas as estimativas mensais, cujo recolhimento restar comprovado, podem ser utilizadas, como dedução do valor devido no ajuste anual, na apuração do saldo negativo de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.955
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ Apenas as estimativas mensais, cujo recolhimento restar comprovado, podem ser utilizadas, como dedução do valor devido no ajuste anual, na apuração do saldo negativo de IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1519; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 68 1 67 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.900857/200875 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.955 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de abril de 2012 Matéria Restituição / Compensação Recorrente DIPEVEM DISTRIBUIDORA DE PEÇAS E VEÍCULO DE MACAÉ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ Apenas as estimativas mensais, cujo recolhimento restar comprovado, podem ser utilizadas, como dedução do valor devido no ajuste anual, na apuração do saldo negativo de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição, cumulado com compensação PERDCOMP eletrônicos – transmitidos em 13/05/2005 (fls. 19/24), 29/07/2004 (fls. 25/29) e 01/11/2004 (fls. 30/35), pelos quais pretende a interessada compensar débitos próprios com direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, no valor de R$ 50.305,05. Por Despacho Decisório Eletrônico (fl. 4) as compensações foram não homologadas sob a justificativa de não haver saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2003. Cientificada a empresa apresentou manifestação de inconformidade tempestiva na qual alegou que o total recolhido a titulo de IRPJ calculado por estimativa relativo ao ano de 2003 foi de R$ 315.417,30; e que o valor devido de IRPJ apurado ao final do exercício foi de R$ 265.112,25, gerando um crédito a seu favor de R$ 50.305,05, tudo conforme DIPJ de fl. 17. Afirmou, ainda, ter se equivocado ao preencher o Perdcomp n° 40139.60094.01104.1.3.025048, que seria referente ao crédito do exercício de 2003 e não ao de 2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJI julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade e, após analisar os recolhimentos de estimativa de IRPJ do anocalendário 2003 constantes dos sistemas internos da RFB, reconheceu, a favor da interessada, o direito creditório no valor de R$ 2.220,71, relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. Quanto à alegação de equivoco no preenchimento do Perdcomp observou que a Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, somente admitiria a retificação do documento antes de proferida decisão administrativa em relação à declaração a ser retificada. Notificada da decisão, em 01/03/2011, e intimada a recolher os débitos não compensados (fl. 61) apresentou, a interessada, em 31/03/2011, o recurso voluntário de fls. 63 a 65, no qual reafirma que houve erro material no preenchimento do Perdcomp n° 40139.60094.01104.1.3.025048, que a decisão da autoridade da DRJ, ao não admitir a sua retificação, teria violado os princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material e que teria demonstrado, pelos documentos juntados – LALUR, DIPJ e outros – a existência do crédito alegado. Ao final pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Voto Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10725.900857/200875 Acórdão n.º 180100.955 S1TE01 Fl. 69 3 Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Cumpre observar, inicialmente, que a discussão a respeito do alegado erro de preenchimento do PERDCOMP n° 40139.60094.01104.1.3.025048 é impertinente ao caso. A retificação de PERDCOMP possui regras específicas e rito próprio e não pode ser discutida nos presentes autos. O litígio a ser apreciado deve se restringir à diferença, de R$ 48.084,34 entre o direito creditório pleiteado pela recorrente, de R$ 50.305,05, e o direito creditório reconhecido pela DRJ no Rio de Janeiro/RJI, de R$ 2.220,71 e referese a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. Nesse sentido a empresa alega ter apurado saldo negativo de IRPJ, em 31/12/2003, no valor de R$ 50.305,05, composto da seguinte forma, conforme extraído da Ficha 12A da DIPJ do exercício 2004 (fl. 17): Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real Alíquota de 15% 173.467,35 Adicional 91.644,90 () Imposto Renda Mensal pago por Estimativa (315.417,30) Imposto de Renda a Pagar 50.305,05 As estimativas declaradas como devidas na DIPJ – Ficha 11 (fls. 13/16) são as seguintes: Mês Valor Janeiro 30.511,25 Fevereiro 31.481,41 Março 21.814,70 Abril 20.288,08 Maio 22.618,70 Junho 21.441,49 Julho 23.955,68 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Agosto 25.584,58 Setembro 22.569,37 Outubro 28.353,83 Novembro 32.982,47 Dezembro 37.493,53 Total 319.095,09 Afirma, ainda, ter recolhido, a título de estimativas mensais no ano calendário de 2003, a importância de R$ 315.417,30. Entretanto, não juntou aos autos cópias dos DARF de pagamentos das estimativas mensais ou qualquer documento que comprove que o total recolhido é aquele que alega. Ocorre que na verificação da consistência do saldo negativo a autoridade julgadora da DRJ no Rio de Janeiro/RJI checou, junto aos sistemas internos da RFB, os recolhimentos de estimativas efetuados pela empresa no decorrer do anocalendário e confirmou o pagamento dos seguintes valores, conforme extratos de pesquisas anexadas às fls. 39/40 : Mês de Apuração Vencimento Valor Janeiro 28/02/2003 0,00 Fevereiro 31/03/2003 9.908,32 Março 30/04/2003 21.814,70 Abril 30/05/2003 20.288,08 Maio 30/06/2003 22.618,71 Junho 31/07/2003 21.441,50 Julho 29/08/2003 23.955,68 Agosto 30/09/2003 25.584,58 Setembro 31/10/2003 22.651,55 Outubro 28/11/2003 28.353,83 Novembro 30/12/2003 32.982,48 Dezembro 30/01/2004o 37.733,53 Total 267.332,96 Assim, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, confirmado pelos elementos constantes dos autos, ficou assim determinado: Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10725.900857/200875 Acórdão n.º 180100.955 S1TE01 Fl. 70 5 Alíquota de 15% 173.467,35 Adicional 91.644,90 () Imposto Renda Mensal pago por Estimativa (267.332,96) Imposto de Renda a Pagar 2.220,71 Ressalto, uma vez mais, que a recorrente não trouxe aos autos documentos que demonstrem o recolhimento de estimativas mensais do anocalendário 2003, no total alegado de R$ 315.417,30. Portanto, comprovado que os recolhimentos mensais de estimativa totalizaram, no anocalendário 2003, o valor de R$ 267.332,90, e tendo em conta que já foi reconhecido, a favor da interessada, o montante de R$ 2.220,71 a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, passível de utilização em compensações, nada mais há a ser reconhecido a favor da recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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