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Numero do processo: 10183.722020/2010-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
APP: ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO DENTRO DE PARQUE QUESTIONAMENTO: ATO ESPECÍFICO DO PODER PUBLICO. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente.
Numero da decisão: 9202-006.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTONIO CARLOS PELEGRINA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 APP: ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO DENTRO DE PARQUE QUESTIONAMENTO: ATO ESPECÍFICO DO PODER PUBLICO. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 20 20 /2 01 0- 78 Fl. 226DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional por meio do qual questiona o entendimento do Colegiado a quo que se manifestou no sentido de que a área total do imóvel estaria isenta do Imposto Territorial Rural ITR. Tratase de ITR relativo ao exercício de 2005. A decisão recorrida, acolhendo os argumentos de defesa e com base na prova juntada aos autos, concluiu que não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em parque estadual instituído por Decreto Estadual. O acórdão nº 280100.575, preferido pela 1ª Turma Especial da Segunda Seção recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. Recurso Voluntário Provido. O ilustre Relator assim se manifestou: O litígio cingese à glosa procedida pela autoridade fiscal de 29.278,6 ha de área de preservação registrada na declaração em tela, que corresponde a integralidade do imóvel denominado “Fazenda Najá”, localizado no município de Santa Cruz do Xingu/MT, com NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 2.587.0386. Compulsando os autos verificase que de acordo com a Declaração da Secretaria de Estado do Meio Ambiente SEMA (Governo do Estado do Mato Groso(fl.142),o referido imóvel rural encontrase inserido no Parque Estadual do Xingu criado pelo Decreto n° 3.585, de 07.12.2001, alterado pela Lei n. 8.054, de 29.12.2003. ... Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10183.722020/201078 Acórdão n.º 9202006.038 CSRFT2 Fl. 227 3 Portanto, em relação à referida área, está terminantemente proibido uso direto dos recursos naturais com desenvolvimento de atividade produtiva, ressalvandose as atividades científicas devidamente autorizadas pela autoridade competente. Registrese que os Parques (Nacional, Estadual ou Municipal), em conformidade com a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que regulamentou o art. 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição da República Federativa do Brasil e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, são Unidades de Proteção Integral, para as quais só é admitido o uso indireto (aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais) dos seus atributos naturais. ... Em que pese à referida área não ter sido ainda desapropriada, a partir da edição do Decreto n° 7.641/1980 (art. 7°), ela passou a ser controlada pelo poder público, de forma a não haver possibilidade de qualquer tipo de exploração, a não ser ambiental e, mesmo assim, com autorização prévia dos órgãos governamentais de controle do meio ambiente. Citando como paradigmas os acórdãos 30236.278 e 30236.783, a Fazenda Nacional defende que para reconhecimento da isenção de áreas citadas em decreto estadual como área de interesse ecológico, se faz essencial a apresentação de ADA tempestivo e ainda ato específico do Poder Público atestando ao contribuinte a abrangência e restrição imposta pela criação do Parque sobre suas áreas. Por meio do despacho de fls 203/205 o recurso foi recebido apenas em relação a discussão sobre a necessidade de reconhecimento formal da área como de preservação permanente pelo IBAMA ou por órgão delegado através de convênio. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões reiterando seus argumentos. Na parte que nos interessa: 1) argui que a Área de Preservação Permanente APP de 1,250.360 hectares e Área de Reserva Legal ARL de 28,028,300 hectares que pertencem a propriedade localizada no Município de Santa Cruz do Xingu denominada FAZENDA NAJA, está totalmente inserida dentro do Parque Estadual do Xingu, criado pelo Decreto nº 3.585/2001 e alterado pela Lei nº 8.054/2003 ambos do estado de Mato Grosso, sendo uma unidade de conservação e de proteção integral que tem como objetivo básico de preservar a natureza, inviabilizando, dessa forma, o imóvel para desenvolvimento de atividade produtiva; 2) reitera os documentos juntados com a impugnação tais como: a) declarações ao IBAMA no sentido de não existir exploração de atividade econômica, (fls. 24/30 e 33); b) ofício da Secretaria de Estado de Meio Ambiente atestanto que a totalidade da área está localizada dentro do Parque Estadual do Xingu (fls. 39) Fl. 228DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente por declaração de interesse ecológico, do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'b' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de interesse ecológico, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de nãoincidência do ITR. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10183.722020/201078 Acórdão n.º 9202006.038 CSRFT2 Fl. 228 5 E para fixar a abrangência dessa não incidência, assim como ocorre com as demais áreas citadas pela Lei nº 9393/96, para delimitar o conceito de área de interesse ecológico devemos fazer uma interpretação do citado dispositivo com o Código Florestal, que na época se tratava da Lei nº 4.771/65. Assim a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições impostas pela norma específica que define a característica desta área. O Código Florestal ao conceituar de área de preservação permanente, inclui entre essas a chamada área de interesse ecológico, vejamos: Art. 1° As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendose os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. ... § 2o Para os efeitos deste Código, entendese por: ... II área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas; ... Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, Fl. 230DF CARF MF 6 planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Observando a redação do citado art. 3º, além das delimitações que vamos chamar de ecológicas, temos também um requisito formal para sua constituição, qual seja a necessidade de que tais áreas sejam assim definidas por Ato do Poder Público. Destacando que o próprio código florestal já deixa claro que essas áreas sofrerão mitigações no exercício pleno da propriedade pois, a supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. A Lei nº 9.393/96 ao regulamentar o ITR o fez partindo desta premissa para fixar que não estão sujeitas ao imposto as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas em relação às Áreas de Preservação Permanente, restrições essas já inerentes á criação da própria área por força do art. 3º do Código Florestal. Percebemos, portanto, que ao contrário da argumentação do Recorrente não temos nas duas leis que tratam do tema qualquer exigência de ato específico direcionado a determinado proprietário por parte do Poder Público e ainda a necessidade de que ocorra a desapropriação prévia do bem, a exigência imposta pelo Legislador se restringe a exigir que o ente responsável, por ato próprio, crie e defina as limitações o exercício da propriedade da área por ele eleita como se interesse ecológico. Portanto os requisitos para afastar a incidência do imposto são: existência de ato do Poder Público criando a área e comprovação de que o imóvel objeto do lançamento está ali localizado. No presente caso os dois elementos foram cumpridos. Conforme consta das fls. 40, o Decreto Estadual nº 3.585/2001 criou o Parque Estadual do Xingu e, entre outros pontos, impôs em seu art. 3º que, extrapolando as vedações impostas pela Código Florestal, que as terras e benfeitorias localizadas dentro dos limites descritos são de utilidade pública para fins de desapropriação. Consta também das fls. 42 a Lei Estadual nº 8.054/2003 que traz as mesmas vedações, e amplia a área do parque. Para fins de comprovação da localização da área citamos o documento de fls. 39 emitido pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente que, além de reiterar as limitações impostas pelos instrumentos normativos acima, atesta que a totalidade do imóvel em questão encontrase nos limites do Parque Estadual do Xingu. Vale citar o teor da declaração: Atendendo solicitação as Vossa Senhoria contida no documento com protocolo nº. 461258/07, que trata da confirmação da localização de um imóvel com área de 29.278,68 ha, denominado Fazenda Najá, no município de Santa Cruz do Xingu/MT. De acordo com as Coordenadas da propriedade apresentada pelo requerente, temos a informar que a área está totalmente inserida no interior do Parque Estadual do Xingu, criada por Decreto nº 3565 de 07/12/2001 e alterado pela Lei N°.3054 de 29/12/2003, inviabilizando dessa forma o imóvel para desenvolvimento de atividade produtiva. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10183.722020/201078 Acórdão n.º 9202006.038 CSRFT2 Fl. 229 7 Informamos ainda que de acordo com a base fundiária do Parque e as informações do interessado o imóvel denominado Fazenda Naja incide também sobre os títulos de Adolfo José do Nascimento, Antenor F Andrade, Alaor Rodrigues da Cunha / Luiz C. de Almeida, Antonio Sillar a Eablino do Vale, fonte Instituto de Terras da Mato Grosso INTERMAT. Assim, cumpridos os requisitos apontados, não há como incluir na base de cálculo tributável pelo ITR imóvel que por determinação do Poder Público não pode ser utilizado pelo proprietário em sua plenitude. Somase ao argumento acima o fato do art. 10, §1º inciso II, 'c' da Lei nº 9.393/96 excluir da tributação também área imprestável à exploração econômica, reforçando o caráter extrafiscal do imposto: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; (...) Portanto, no entender desta relatora a área pertencente ao Contribuinte efetivamente enquadrase como não tributável, seja por pertencer a parque ecológico devidamente criado pelo Poder Público, seja pela impossibilidade de exploração privada, nos termos do art. 10, §1º, da Lei nº 9.393/96, não havendo fundamento para o lançamento. Assim, diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 232DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar de seu posicionamento quanto aos requisitos aplicáveis para fins de exclusão das áreas de interesse ecológico da base de cálculo do ITR. A propósito, estabelece art. 10, §1º inciso II, 'b' da Lei nº 9.393/96, com a redação à época do fato gerador em questão: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...) Necessária assim, conforme o referido dispositivo legal em seu inciso II, "b", a declaração das referidas áreas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que amplie as restrições de uso previstas na alínea anterior, de forma a se poder excluir tais áreas da base de cálculo do ITR. Destarte, declarações ou ofícios, tal como o de efl. 39, que se limitou a afirmar que o imóvel de denominação em questão se encontrava dentro de Parque Estadual, "(...)Inviabilizando dessa forma o imóvel para desenvolvimento de atividade produtiva", não supre tal requisito, uma vez notese, ser esta característica também eventualmente observável no caso de áreas de Reserva Legal e APP, não podendo se depreender, do referido ato, a existência, legalmente exigida, de restrições de uso adicionais em relação àquelas outras duas espécies de áreas. Adicionalmente a propósito, adotamse aqui também as razões de decidir de lavra da autoridade julgadora de 1a. instância, in verbis: "(...) Neste aspecto, como já visto, a interessada pretende sustentar seus argumentos nas legislações de criação do Parque Estadual Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10183.722020/201078 Acórdão n.º 9202006.038 CSRFT2 Fl. 230 9 do Xingu, por entender que pelo fato de seu imóvel estar localizado no perímetro dessa área seria de interesse ecológico com direito à isenção. Porém, este argumento, por si só, não é suficiente para comprovar a isenção, pois, se assim fosse, praticamente todos os imóveis situados nessa região seriam isentos, situação esta que não ocorre. 31. Neste item, na Notificação de Lançamento o Fisco explicou, detalhadamente, que enquanto não concluído o necessário processo de regularização fundiária, mediante a desapropriação das áreas declaradas de utilidade pública, admitese a existência de terras particulares dentro dos limites do parque, portanto, tributáveis. Foi tratado, inclusive, do dispositivo legal que demonstra que o expropriado é contribuinte do ITR até a data da transferência do imóvel. 32. Assim, embora já bem explanado pelo Fisco, vejamos aqui a legislação que trata da matéria, Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que estatui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, especificamente na parte relativa aos Parques: DAS CATEGORIAS DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Art. 7O As unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: I Unidades de Proteção Integral II Unidades de Uso Sustentável. § 1o (...) Art. 8O O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: I – (...) III Parque Nacional IV – (...) Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. (grifos não presentes no original). § 2o (...) Fl. 234DF CARF MF 10 33. Assim, a previsão legal define como Parque Nacional (aos quais se equiparam os Parques Estadual e Municipal) a área composta por imóveis públicos e esses já estão afastados da tributação por imunidade, como previsto na Constituição Federal. No caso, não há comprovação de que houve desapropriação do imóvel ora tratado para constituição de um Parque em data anterior a do fato gerador aqui tratado, para justificar reconhecimento da imunidade e afastar o interessado do pólo passivo da exigência tributária. 34. O próprio impugnante explicou, com base na legislação de criação do Parque, que as terras e benfeitorias localizadas dentro de seus limites ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação. Ou seja, serão desapropriadas, ainda. 35. Vejamos os artigos 3o e 4o, do referido Decreto, que se repetem na Lei estadual: Art. 3o As terras e benfeitorias localizadas dentro dos limites descritos no artigo 1o deste Decreto ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação. Art. 4o O Parque fica subordinado à Fundação Estadual do Meio Ambiente FEMA que deverá tomar as medidas necessárias para sua efetiva implantação e controle. 36. Desta forma, de acordo com § 1o, do artigo 1o, da Lei nº 9.393/1996, há incidência do tributo em questão. (...)" Em linha com o excerto acima, também entendo aplicável ao caso de terras particulares ainda não desapropriadas em limites de parque o referido dispositivo, restando, assim, estabelecida a incidência, verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. Finalmente, de se rechaçar a possibilidade de exclusão de qualquer montante na forma declarada pelo contribuinte, uma vez que: a) Quanto às áreas de preservação permanente (APP) declaradas, não foi apresentado laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atestando a sua existência (materialidade) e b) Quanto ás áreas de Reserva Legal/Utilização Limitada, descumprido o requisito, entendido como essencial pela maioria deste Colegiado, de sua averbação na matrícula do imóvel junto ao Registro de Imóveis competente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose a glosa perpretada pela autoridade lançadora. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10183.722020/201078 Acórdão n.º 9202006.038 CSRFT2 Fl. 231 11 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 236DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.015266/2009-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/07/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 52 66 /2 00 9- 08 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 314DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 316DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 317DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 318DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 320DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15455.720025/2014-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 45 5. 72 00 25 /2 01 4- 66 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 15455.720025/201466 Acórdão n.º 1001000.189 S1C0T1 Fl. 47 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1452.551, de 31/07/2014 (efls. 24/25), objetivando a reforma do referido julgado. Em 25/01/2013, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 14/02/2014 (efl. 10), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal, cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita :5338 Nome do Tributo : DIPJMULTAATRASO/FALTA Número do Processo : 0 Período de Apuração: 2007 Saldo Devedor : R$ 200,00 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, alegando, em síntese, que no dia 31/01/2014 pagou o débito. A DRJ considerou procedente o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional, ao constatar que o "débito encontrase ativo no sistema, já que o valor não foi recolhido com os encargos moratórios, impedindo a opção" e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS. PENDÊNCIAS IMPEDITIVAS. VEDAÇÃO DE INGRESSO NOREGIME DIFERENCIADO. A existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, não regularizados até o prazo para solicitação da opção ao regime do Simples Nacional, é circunstância impeditiva para ingresso no referido sistema. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 31/10/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 31, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 14/11/2014 (efls. 34/43), conforme carimbo aposto à efl. 34. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 15455.720025/201466 Acórdão n.º 1001000.189 S1C0T1 Fl. 48 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente afirma que "o débito ativo no sistema é referente ao DARF 5338 de R$ 200,00, cujo valor foi recolhido erroneamente, sem os Fl. 48DF CARF MF Processo nº 15455.720025/201466 Acórdão n.º 1001000.189 S1C0T1 Fl. 49 4 encargos moratórios. Sendo assim, após o indeferimento, foi pago o DARF com o resíduo constante", e anexa o DARF de R$29,94, cujo pagamento foi efetuado em 12/11/2014. Não merece reparo o pronunciamento da Turma Julgadora de Primeira Instância em declarar que a regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação. Conforme disposto no art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, o favorecimento fiscal instituído pela Lei Complementar é somente para os contribuintes que não possuem pendências com débitos tributários, não se enquadrando a recorrente nesta situação em 31/01/2014, pois com relação a um débito fiscal procedeu o pagamento somente em 12/11/2014. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito não suspenso perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001027/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35, parágrafo único, da Portaria RFB n.º 10.875/2007.
Súmula CARF nº 1
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.631
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos-Redator Ad Hoc
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35, parágrafo único, da Portaria RFB n.º 10.875/2007. Súmula CARF nº 1 Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-10-23T13:55:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2017-10-23T13:55:37Z; Last-Modified: 2017-10-23T13:55:37Z; dcterms:modified: 2017-10-23T13:55:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-10-23T13:55:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-10-23T13:55:37Z; meta:save-date: 2017-10-23T13:55:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-10-23T13:55:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2017-10-23T13:55:37Z; created: 2017-10-23T13:55:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-10-23T13:55:37Z; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-10-23T13:55:37Z | Conteúdo => S2-C3T2 Fl. 3.618 1 3.617 S2-C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.001027/2009-26 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302-003.631 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CENTRO INTEGRADO DE APOIO PROFISSIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei n o 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35, parágrafo único, da Portaria RFB n.º 10.875/2007. Súmula CARF nº 1 Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 319DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Redator Ad Hoc e Presidente da Terceira Câmara e da Segunda Seção de Julgamento na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Redator Ad Hoc e Presidente da Terceira Câmara e da Segunda Seção de Julgamento na data da formalização. Trata o presente de auto-de-infração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em 09/12/2009, com ciência em 15/12/2009, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §6º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 6º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter prestado informações incorretas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências 01/2004 a 06/2008. Em tais competências foi informado o código de recolhimento em GPS 2305, quando deveria ter sido informado o código 2100 e nas competências de 01/2004 a 05/2007, foi informado o código CNAE - 91.99-5, 94.30-800, 88.00-600 ou 85.32-499, quando deveria ter sido, 85.16-2. Nas competências de 06/2007 a 06/2008, informou o código CNAE - 94.30-800, quando deveria ter sido informado o código 78.30-200. Relatório Fiscal da Infração às fls. 38/41, dos autos digitais, informa que: [...] 3. O contribuinte não goza da isenção das contribuições previdenciárias patronais, nem das destinadas às Outras Entidades e Fundos, pois não possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS. A empresa ajuizou Ação Ordinária n° 2003.70.01.003836-2 (PR), a qual foi distribuída perante a 2a Vara Federal de Londrina, requerendo o reconhecimento da isenção das contribuições previdenciárias patronais, porém este processo ainda encontra-se em andamento, sem decisão transitada em julgado. 4. O contribuinte ora fiscalizado apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, com erro de Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11634.001027/2009-26 Acórdão n.º 2302-003.631 S2-C3T2 Fl. 3.619 3 preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. [...] Após a impugnação, Acórdão da DRJ de Curitiba, às fls. 251/255, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde argúi em apertada síntese: a) que é descabida a exigência, porque sua condição é de entidade filantrópica e por isso óbvia a sua imunidade; b) que a isenção já foi reconhecida no âmbito judicial; c) argúi, em preliminar, a nulidade do julgado de primeira instância, porque lhe foi negada a análise de suas razões, sob o argumento de que idêntica questão tinha sido posta ao judiciário. Mas que a Constituição Federal assegura o direito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa; d) alega que apontou a causa que obsta a constituição do crédito, por isso imperiosa a análise das razões jurídicas e fáticas pela autoridade administrativa; e) que as medidas judiciais não tem efeito suspensivo; f) que a autuação é imprópria, porque teve reconhecido seu direito ao gozo da imunidade previsto no art. 195,§7º, da CF/88; g) que o lançamento a despeito de buscar evitar a prescrição, não pode se sobrepor ao direito reconhecido; h) quanto ao mérito do lançamento, diz que visa a cobrança de valores supostamente devidos a título de contribuições previdenciárias patronais, que não foram adimplidas pela recorrente, mas que nada é devido, pois possui imunidade, conforme art. 195,§7º, da CF/88; i) que existe demanda judicial para reconhecimento de que goza de imunidade tributária; j) que a ação ordinária se encontra em fase final de tramitação sem que haja qualquer recurso a lhe atribuir efeito suspensivo. Discorre sobre a sua caracterização como entidade filantrópica para configurar o seu direto à imunidade tributária. E, por fim, requer a reforma da decisão e o provimento do recurso. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF 4 Voto LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Redator ad hoc Para registro e esclarecimento, pelo fato de o conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, estou designado AD HOC para fazê- lo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do Conselheiro, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser examinado. O presente lançamento não se refere às contribuições previdenciárias patronais que não foram adimplidas como diz a recorrente, mas trata de multa punitiva aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória que vem definida na legislação tributária e que no caso em tela, refere-se a oposição de códigos errôneos relativo ao recolhimento em GPS e ao CNAE informados em GFIP. A recorrente possui Ação Ordinária n° 2003.70.01.003836-2 (PR), onde requer o reconhecimento da isenção das contribuições previdenciárias patronais, processo que ainda se encontra em andamento, sem decisão definitiva transitada em julgado e o lançamento tem por objetivo prevenir a decadência. Na citada demanda judicial, a entidade busca o reconhecimento de sua condição de imune quanto aos encargos tributários. Nas razões recursais, a matéria de mérito tratada se restringe ao mesmo assunto, a recorrente faz considerações sobre a ação, a sua motivação e a sua caracterização como entidade filantrópica com direito à imunidade. Para melhor esclarecer, a presente autuação se deu porque a recorrente informou em GFIP códigos próprios de entidade isenta do recolhimento da cota patronal das contribuições previdenciárias, como se já possuísse a isenção patronal, matéria que, como se viu, está sendo tratada pela ação judicial interposta. Portanto, está devidamente posta a similaridade entre as demandas judicial e administrativa, atraindo ao caso a aplicação da Súmula n.º 01 do CARF. Considera-se "idêntico pedido", para o efeito de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, quando, na impugnação ou recurso, for deduzida a mesma matéria submetida à apreciação judicial, já que, a teor do princípio constitucional da unidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, CRF/88) - segundo o qual somente ao Poder Judiciário é atribuída a função de compor os conflitos de interesses com caráter de definitividade -, é inócua qualquer discussão em sede administrativa, quando simultaneamente submetida ao crivo do Judiciário. As decisões do Poder Judiciário sobrepõem-se às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta pela autuada ação judicial na qual são discutidas as mesmas questões de mérito suscitadas em sua defesa administrativa, encerrando-se o processo judicial, a decisão administrativa seria substituída pela sentença. Nesse sentido, ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido” sobre o qual versa o processo administrativo, em inteligência ao art. 126, § 3º, da Lei n o 8.213/91 combinado com o Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11634.001027/2009-26 Acórdão n.º 2302-003.631 S2-C3T2 Fl. 3.620 5 art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e com o art.35 da Portaria RFB n.º 10.875/2007: “Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social- INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) “(sem grifos no original) Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Corrobora tal entendimento a Súmula n.º 01 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às i’nstâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todo o exposto, não conheço do recurso voluntário em face da existência de ação judicial que trata de idêntica matéria exposta nas razões recursais, qual seja a imunidade tributária que a recorrente espera ver reconhecida judicialmente. Foi assim que o Conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (Assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Redator Ad Hoc e Presidente da Terceira Câmara e da Segunda Seção de Julgamento na data da formalização. Fl. 323DF CARF MF 6 Fl. 324DF CARF MF Relatório Voto
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Numero do processo: 15940.720144/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. SÚMULA CARF n. 103. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF n. 63, de 9 de fevereiro de 2017.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OPÇÃO PELO ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO.
Uma vez que o contribuinte não logrou justificar a diferença entre o montante das notas fiscais do produtor emitidas e a receita bruta da atividade rural declarada, resta confirmada a omissão de rendimentos. Em caso de opção pelo arbitramento da base de cálculo, o valor tributável corresponde a 20% (vinte por cento) da receita bruta.
OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIETÁRIAS. MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Evidenciada a majoração indevida da reserva de lucros utilizada em integralização de capital pelos sócios e, por conseguinte, do custo de aquisição da participação societária alienada, apura-se ganho de capital não oferecido à tributação.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO
Caracterizado dolo específico do sujeito passivo no sentido de reduzir a tributação do ganho de capital, incide a aplicação da multa qualificada com fulcro no art. 44, §1°., da Lei n. 9.430/1996.
Todavia, no caso concreto, há de se considerar o não reconhecimento, por não comprovação inequívoca, do dolo específico na omissão de rendimentos da atividade rural.
Numero da decisão: 2402-006.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário, dando-lhe parcial provimento para afastar a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% especificamente em relação à infração de omissão de rendimentos da atividade rural.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. SÚMULA CARF n. 103. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF n. 63, de 9 de fevereiro de 2017. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OPÇÃO PELO ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Uma vez que o contribuinte não logrou justificar a diferença entre o montante das notas fiscais do produtor emitidas e a receita bruta da atividade rural declarada, resta confirmada a omissão de rendimentos. Em caso de opção pelo arbitramento da base de cálculo, o valor tributável corresponde a 20% (vinte por cento) da receita bruta. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIETÁRIAS. MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Evidenciada a majoração indevida da reserva de lucros utilizada em integralização de capital pelos sócios e, por conseguinte, do custo de aquisição da participação societária alienada, apurase ganho de capital não oferecido à tributação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Caracterizado dolo específico do sujeito passivo no sentido de reduzir a tributação do ganho de capital, incide a aplicação da multa qualificada com fulcro no art. 44, §1°., da Lei n. 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 44 /2 01 3- 66 Fl. 2014DF CARF MF 2 Todavia, no caso concreto, há de se considerar o não reconhecimento, por não comprovação inequívoca, do dolo específico na omissão de rendimentos da atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário, dandolhe parcial provimento para afastar a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa ao patamar ordinário de 75% especificamente em relação à infração de omissão de rendimentos da atividade rural. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso de Ofício (art. 34, I do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 9.532/1997; Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008, em vigor à época dos fatos), e de Recurso Voluntário (efls. 1.987/2.006) em face do Acórdão n. 16 57.341 16ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SPO (efls. 1.958/1.980), que julgou parcialmente procedente a impugnação de efls. 1.467/1.488 (apresentada pelo sujeito passivo principal) e manteve em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 2008; 2009; 2010; 2011 no montante de R$ 2.112.265,62 sendo R$ 730.619,17 de imposto Cód. Receita 2904 , R$ 290.156,80 de juros de mora calculados até 10/2013 e R$ 1.091.489,65 de multa proporcional passível de redução (efls. 1.419/1.432) com fulcro em apuração de i) omissão de rendimentos da atividade rural recebidos nos meses de fevereiro; julho; e dezembro/2009; e ii) omissão de ganhos de capital na alienação de quotas societárias auferidos em dezembro/2008; janeiro a março e setembro e outubro/2009; fevereiro, março e junho/2010; e fevereiro/2011, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) efls. 1.433/1.448 e procedente a impugnação de efls. 1.906/1.929 apresentada pelo sujeito passivo relacionado como solidário LFM Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 posteriormente denominada LFMS Administração e Participações Ltda., no tocante ao afastamento da sujeição passiva. No TVF (efls. 1.433/1.448), parte integrante do Auto de Infração de efls. 1.419/1.432), a Fiscalização da RFB relata os procedimentos efetuados no curso da ação fiscal (intimações e respostas apresentadas) e, a partir das informações coletadas junto ao contribuinte e terceiros circularizados, bem assim pesquisas nos sistemas da RFB, indica as conclusões às quais chegou a partir das constatações levantadas. A DRJ/SPO compila e resume, no essencial, os principais eventos relacionados no TVF (efls. 1.433/1.448), verbis: Da omissão de ganhos de capital na alienação de quotas societárias: 21. Através do instrumento particular de quinta alteração contratual, assinada em 24/12/08, os sócios da empresa LFM Administração e Participações Ltda CNPJ: 04.849.060/000134 (o fiscalizado possuía à época 99% da participação societária, cabendolhe a administração exclusiva da sociedade conforme cláusula quarta da referida alteração contratual) elevaram seu capital social que passou de R$ 104.000,00 (cento e quatro mil reais) para R$ 6.200.000,00 (seis milhões e duzentos mil reais), subscrevendose para tanto mais 6.096.000 (seis milhões e noventa e seis mil) cotas com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma. Desse montante, R$ 5.037.212,12 (cinco milhões, trinta e sete mil, duzentos e doze reais e doze centavos) vieram da conta lucros acumulados sendo que ao fiscalizado coube a integralização de R$ 6.035.000,00 (seis milhões e trinta e cinco mil reais) os quais foram entregues da seguinte maneira: 1) um imóvel urbano matrícula n° 49.612 do 2o CRI de Presidente Prudente/SP com área de 71.25,27 m2 entregue pelo valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão e reais); 2) um imóvel urbano matrícula n° 9.444 do 1o CRI de Presidente Prudente/SP com área de 200 m2 entregue pelo valor de R$ 48.200,00 (quarenta e oito mil e duzentos reais); Fl. 2016DF CARF MF 4 3) R$ 4.986.840,00 (quatro milhões, novecentos e oitenta e seis mil, oitocentos e quarenta reais) pelo aporte com reservas da conta Lucros Acumulados, segundo a participação do fiscalizado nas cotas sociais. (...) 23. Considerando que a empresa não conseguiu comprovar através de sua escrituração contábil a formação desses lucros no tempo, e, na tentativa de comprovar a existência desses lucros acumulados, buscaramse informações nos sistemas informatizados da Receita Federal onde foi apurado o que se segue. (Seguem tabelas que evidenciam os valores da receita bruta informados em Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (efls. 1223 a 1352), desde a abertura em 04/01/2002 até o anocalendário de 2006, bem como os valores recolhidos a título de PIS e COFINS em cada anocalendário, conforme telas de efls. 1399 a 1418). 26. Portanto, estando declarada em DIPJ uma receita bruta acumulada, no período compreendido desde a abertura da empresa até o anocalendário de 2006, no valor de RS 1.128.260,00; corroborado pelos valores recolhidos a título de PIS/COFINS nesse mesmo período, restou provado ser impossível que a empresa LFM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. possuísse em 31/12/2006 um saldo de lucro acumulado da ordem de R$ 4.616.914,69 (quatro milhões, seiscentos e dezesseis mil, novecentos e quatorze reais e sessenta e nove centavos). No item “27” (efls. 1441 e 1442), a fiscalização assinala que, conforme instrumento particular de compromisso de cessão e transferência de cotas de capital de sociedade limitada firmado em 26/12/2008 e sexta alteração contratual, datada de 25/03/2009 (efls. 824 a 826 e 834 a 841), o contribuinte alienou 70,71% das quotas que detinha na empresa LFM Administração e Participações Ltda. para a pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda., CNPJ n° 10.531.068/000150. Uma vez apresentada a escrituração contábil relativa ao anocalendário de 2007, que consigna o lucro do exercício de R$ 564.482,57 (fl. 741), a fiscalização considerou comprovada a integralização de capital com reserva de lucros no valor de R$ 420.297,43, correspondente à diferença entre o total informado como integralizado a esse título (R$ 5.037.212,12) e o valor não comprovado (R$ 4.616.914,69). Assim, apurouse a parcela integralizada pelo contribuinte com reserva de lucros, de R$ 416.094,46, que corresponde a 99% de R$ 420.297,43. No item “28” (efls. 1442 a 1444), relata que, de acordo com a sétima alteração contratual datada de 08/09/2009 (efls. 336 a 343), foi aumentado o capital social da empresa LFM Administração e Participações Ltda. e, concomitantemente, o contribuinte alienou à pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda. 45,16% da participação então detida na LFM. No item “29” (efls. 1444 e 1445), registra que, de acordo com a oitava alteração contratual datada de 01/12/2009 (efls. 344 a 351), o contribuinte retirouse da empresa LFM Administração e Participações Ltda., alienando o total de 1.520.000 quotas, sendo 1.368.000 quotas à pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda, 76.000 quotas a Sandro Santana Martos e 76.000 quotas a Vanessa Santana Martos. Nos itens “27” a “29”, a fiscalização demonstra, ainda, o reflexo da falta de comprovação do lucro acumulado na importância de R$ 4.616.914,69 na apuração do ganho de capital auferido nas alienações de participação societária mencionadas. Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 103 5 Da omissão de rendimentos da atividade rural: 31. Para justificar a diferença apurada R$ 188.447,70 entre o valor declarado na sua DIRPF 2010/2009 e o constante dos sistemas informatizados da Receita Federal (de R$ 1.812.972,98 e R$ 2.001.420,68, respectivamente, conforme Termo de Intimação Fiscal de 24/09/2013, efls. 1013 a 1016), o contribuinte informou que no Estado do Mato Grosso do Sul as Notas Fiscais de Produtor são emitidas com o valor de pauta e em muitos casos não refletem o valor real da operação realizada entre vendedor e comprador. Informou, outrossim, que essas Notas Fiscais de Produtor foram declaradas segundo o regime de caixa, ou seja, pelas datas do efetivo recebimento.(...) (...) 32. Quanto à Nota Fiscal de Produtor n° 12060174 valor de R$ 445,00 o contribuinte declarou item 17 sic: "que não se lembra do referido documento, o mesmo deve ter sido extraviado". 33. Analisando essas justificativas e os documentos fiscais apresentados temos: 33.1 Exclusão do valor de R$ 2.429,80: procedente haja vista que consta no corpo da NF Produtor n° 012037298 campo observações "Valor total da operação R$ 500.000,00", devidamente anotada à época de emissão da nota; 33.2 Exclusão do valor de R$ 5.604,90: procedente haja vista que o recibo datado de 13/03/2009, devidamente assinado e com firma reconhecida em 31/03/2009, o contribuinte atestou o recebimento de R$ 324.095,10 tendo em vista que do montante total das NF Produtor n°s 011886871 a 011886879 R$ 329.700,00 concedeu desconto de R$ 5.604,90; 33.3 Exclusão do valor total da NF Produtor n° 012348884 R$ 142.140,00. Essa nota fiscal, emitida em 30/12/2009, referese à alienação de 150 cabeças de bovinos a R$ 947,60/cada feita pelo contribuinte a Sandro Santana Martos e outra. Para justificar a exclusão integral do valor dessa nota fiscal o contribuinte anexou cópia da declaração firmada em 03/10/2013 pelas partes envolvidas na transação onde elas afirmam que a importância correspondente não foi quitada até a presente data pelos compradores e que o prazo de pagamento ainda está em aberto entre as partes. Objetivando verificar a autenticidade dessa declaração firmada pelas partes, realizouse consulta às suas DIRPF Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física e foi constatado que não há correspondência entre o que foi afirmado por elas em 03/10/2013 e o declarado anteriormente nas citadas DIRPF; ou seja, o contribuintealienante não declarou esse valor como direito a receber na ficha "Bens e Direitos" e os adquirentes não o incluíram na ficha "Dívidas e Ônus Reais" nem na ficha "Dívidas Vinculas à Atividade Rural" do Demonstrativo da Atividade Rural. Vêse, portanto, que, intencionalmente, as partes firmaram essa declaração a fim de que o fiscalizado se esquivasse da devida tributação. 33.4 Exclusão do valor de R$ 21.078,00. As NF Produtor n°s 11838587 a 11838592, emitidas em 19/02/09, cujo destinatário consta Valdir Gonçalves Nogueira, têm como valor total R$ 17.313,00/cada, somando o total de R$ 103.878,00. Observase que em referidas notas foi incluida no campo observações, datilograficamente e após a emissão da nota fiscal, a seguinte informação: "Valor da operação $ 460,00 p/cabeça=R$ 13.800,00". Para comprovar o valor recebido o contribuinte anexou cópia de cheque de terceiro, nominal a Valdir Gonçalves Nogueira cheque n° 850040/BBrasil/Agência 0483 – no valor de R$ 38.000,00; cópia de extrato Fl. 2018DF CARF MF 6 bancário (Bradesco) onde se destacaram os valores de: R$ 33.610,70 Ted; R$ 2.490,00 Transferência; R$ 800,00; R$ 2.500,00; R$ 2.400,00 e R$ 3.000,00 Depósitos; cabe ressaltar que esses valores constantes do extrato bancário não identificam a origem. Nesse contexto, temos que anotações extemporâneas à emissão das NF a respeito do valor da transação e falta de documento hábil a comprovar a origem do valor recebido impedem a exclusão solicitada; 33.5 Exclusão do valor de R$ 16.750,00. As NF Produtor n°s 11812282 a 11812288, emitidas em 27/01/09, a Bom Mart Frigorífico, têm como valor R$ 31.824,00/cada, somando o total de R$ 222.768,00. 0 contribuinte apresentou cheque nominal a ele, emitido por Bom Mart Frigorífico em 12/12/2008 e comprovante de depósito tendo ele como favorecido cujo valor e data coincidem com o citado cheque. Diante desses documentos, a exclusão foi aceita. Da multa qualificada: 34. Do exposto acima itens 20 a 29 temos que, de maneira deliberada, a empresa LFM Administração e Participações Ltda forjou fraudulentamente a formação de lucros acumulados que, posteriormente capitalizados, permitiu ao sócio fiscalizado, que à época de ocorrência dos fatos era sócio administrador com 99% (noventa e nove por cento) de participação societária, alienar suas cotas sem a devida apuração de ganho de capital. 35. Ainda, o constante no item 33.3, demonstra que o fiscalizado, em conluio com as partes envolvidas na transação ali mencionada, emitiu declaração falsa na qual afirma não ter recebido até o presente anocalendário receita de venda de gado, ocorrida em 30/12/2009, evitando com isso sua tributação. 36. Por força da determinação contida na Portaria RFB n° 2.439, de 21 de dezembro de 2010, e diante da constatação de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária previsto nos artigos 1o, incisos I e II; e 2o, incisos I e II da Lei n° 8.137/90, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais. O recorrente foi cientificado do lançamento em 31/10/2013 (efl. 1.449) e, inconformado, apresentou impugnação em 02/12/2013 (efls. 1.467/1.488), aduzindo em síntese: Apuração de omissão de rendimentos da atividade rural: quanto à suposta omissão de rendimento no valor de R$ 21.078,00, a anotação contida nas NF do Produtor nos 11838587 a 11838592 decorre do fato de que as operações de venda de bovinos realizadas no Estado do Mato Grosso do Sul têm suas notas fiscais emitidas diretamente nas Agências Fazendárias da localidade onde está situado o gado negociado e pelo valor da pauta fiscal vigente à data da operação, para fins de recolhimento de ICMS, conforme Portaria SAT n° 2030, de 22/12/2008 ( efls. 1507 a 1510); a diferença entre o valor de pauta, de R$ 577,10 por cabeça de gado bovino fêmea de 12 a 24 meses, e o valor real da operação negociada pelo impugnante, de R$ 460,00, ou seja, R$ 117,10 por cabeça, não representa rendimentos da atividade rural, mas apenas diferença entre o valor de pauta fiscal e o da efetiva operação; conforme escriturado em livro caixa (fl. 1499) e respaldado pelas cópias das NF (efls. 1501 a 1503) e cópia de cheques, comprovantes de depósitos e extrato bancário (efls. 1504 a 1506), nas operações de venda de gado para Valdir Gonçalves Nogueira, o impugnante auferiu rendimentos no limite de R$ 82.800,00 e não de R$ 103.878,00, como presumiu a fiscalização; Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 104 7 não houve a omissão de rendimento no valor de R$ 142.140,00, expresso na NF n° 01234884, pois os rendimentos da atividade rural são tributados pelo regime de caixa e os compradores prestaram declaração reconhecendo o não pagamento da dívida (fl. 1512); ainda que seja considerada existente a referida omissão, não há fundamento legal para a imposição de multa qualificada, uma vez não comprovado o evidente intuito de fraude, conforme Súmula CARF n° 14; a mera alegação de que as partes declarantes não teriam incluído tais informações em suas DIRPF, item 33.3 do Termo de Verificação, não é suficiente para deduzir que "intencionalmente, as partes firmaram essa declaração a fim de que o fiscalizado se esquivasse da devida tributação"; conforme comprova anotação na pág 38 do Livro Caixa do impugnante (fl. 1515), seu crédito em desfavor de Sandro Santana Martos e outra foi devidamente escriturado pelo valor de R$ 142.140,00, em 30/12/2009; além de o impugnante não ter como precisar se a mesma conduta foi adotada por seus devedores em suas declarações de ajuste anual relativas ao exercício de 2010, não cabe ser a ele imputada responsabilidade ou punição por fato de terceiro, além de seu alcance; caso mantido o lançamento, os rendimentos da atividade rural são sujeitos ao arbitramento à razão de 20%, à luz do disposto no art. 60, § 2°, do RIR, e não à tributação pelo valor integral, como foi consignado no Demonstrativo de Apuração do IRPF devido. Apuração de omissão de ganhos de capital na alienação de quotas societária: o impugnante procurou pela sua antiga empresa LFM Administração e Participações Ltda. para que ela lhe fornecesse os documentos solicitados durante o processo de fiscalização, no entanto, foi informado que ela já havia se desfeito da documentação correspondente aos anos de 2001 a 2007, posto que este período já estaria prescrito, tendo cessado a causa da guarda dos documentos, nos termos da legislação; não obstante, o impugnante conseguiu localizar os seguintes documentos pertencentes à LFM Administração e Participações Ltda., através dos quais foi possível comprovar a composição dos lucros acumulados de R$ 4.616.914,69 nos anos de 2001 a 2006: a) Balanços Patrimoniais e Balancetes Contábeis dos anos de 2001, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009; b) Recibo de entrega de todas as DCTFs dos exercícios de 2002 a 2009; c) Livro Razão Analítico dos anos de 2001 e 2006; e d) Livro Diário dos anos de 2001 e 2006; os Balanços Patrimoniais, além de estarem devidamente assinados pelo contador, cujas declarações fazem prova em favor do contribuinte, podem ter sua veracidade comprovada através do simples cotejo da receita bruta operacional neles consignada, com os valores correspondentes declarados nas DIPJ dos respectivos exercícios; em relação ao ano de 2001, foi possível identificar no Balanço Patrimonial que, embora a LFM Administração e Participações Ltda. tenha sido constituída no dia 03 de novembro, ela obteve um lucro no exercício de R$ 1.214.781,48, representado na conta "Receita de Cessão de Direitos Sobre Bens", da folha 0.012 da Demonstração Analítica, identificada no Livro Razão como referente a Fl. 2020DF CARF MF 8 "recebimento de participação societária na ordem de 99% da E. Agropecuária Prudenmar (efls. 1516 a 1521); as distribuições de lucros e resultados advindos da Agropecuária Prudenmar Ltda. ocorreram em virtude da participação da LFM Administração e Participações Ltda. no seu capital social, conforme demonstram os contratos sociais juntados às efls. 26 e ss.; dando suporte à legitimidade dos pagamentos feitos pela empresa Agropecuária Prudenmar, da qual também já havia sido sócio, o impugnante identificou que o valor de R$ 1.214.781,48 (R$ 926.585,93 + R$ 288.195,54), em 31/12/2001, também pode ser comprovado pelo registro no Livro Diário n° 0006, do ano de 2001 pág. 23, onde estão apontados os lançamentos contábeis referentes à distribuição a título de lucros acumulados, seguido pelo Balanço Patrimonial, Plano de Contas e Livro Razão Analítico, no qual os lançamentos podem ser localizados às págs. 17 e 24; para o ano de 2004, o impugnante localizou no Balanço Patrimonial da LFM Administração e Participações Ltda. um lucro do exercício no valor de R$ 220.454,38, cuja existência é comprovada pela cópia do Balanço Geral emitido em 31/12/2004; assim, afigurase totalmente equivocada a premissa apontada no item 24 do Termo de Verificação, como sendo R$ 70.000,00 a receita total do período 2005/2004; o valor de R$ 70.000,00, na verdade, é apenas um dos componentes da Receita Bruta auferida no período, como pode ser comprovado pelo documento ora juntado sob n° 188 (fl. 1682); o Balanço Patrimonial do ano de 2004 prova ainda a existência no Patrimônio líquido de lucros acumulados no ano anterior de 2003, no importe de R$ 2.099.467,83, que também veio a compor o valor de R$ 4.616.914,69, ora em discussão, tornando evidente a conclusão de que no ano de 2002 o lucro acumulado perfez o valor aproximado de R$ 884.686,35, que corresponde à diferença entre o valor declarado em 2003 e o registrado em 2001 (R$ 2.099.467,831.214.781,48); para o ano de 2005, o impugnante localizou a prova da existência de lucro acumulado no exercício, de R$ 261.795,15, no Balanço Geral emitido em 31/12/2005 (fl. 1687); a veracidade das informações contidas no demonstrativo de efls. 1687/1691 pode ser constatada pelo total da receita bruta no valor de R$ 296.000,00, cujo valor coincide com a receita bruta declarada na DIPJ do mesmo exercício; o lucro do ano de 2006, de R$ 2.136.138,53, somado aos lucros acumulados de exercícios anteriores (2001, 2002, 2003, 2004 e 2005) no valor de R$ 2.480.776,16, resulta no montante de R$ 4.616.914,59, identificados na cópia do Balanço Patrimonial de 2006, como reserva de capital; o elevado lucro do ano de 2006 se deu em face do recebimento de distribuição de lucros em pagamento de empréstimo no valor de R$ 1.584.000,00, que havia sido celebrado com a empresa Agropecuária Prudenmar, conforme comprovam Livro Diário n° 06, Balanço Patrimonial, DRE e Livro Razão, pertencentes à LFM Administração e Participações Ltda.; dando respaldo à existência desses valores, seguem também Declaração Recibo de Distribuição de Lucros e Pagamento/Recebimento de Empréstimo, no valor de R$ 1.584.000,00 de 28 de abril de 2006, e cópia do Livro Razão, apuração de faturamento e composição de lucros acumulados, recibos de entrega de DCTFs, Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 105 9 Balanço Patrimonial e Livro Diário n° 11, pertencentes à Agropecuária Prudenmar Ltda., referentes ao ano de 2006, quando a distribuição foi efetuada; respaldando a composição dos lucros, anexa também Contrato de Cessão de Direitos Sobre Bens/Créditos (efls. 1521 a 1525), entre a cedente, Agropecuária Prudenmar Ltda., e a LFM Administração e Participação Ltda., firmado em 28/12/2001 e reajustado em 01/02/2002; diante dessas provas, resta dirimida qualquer dúvida levantada pela fiscalização sobre a veracidade da existência do lucro acumulado na LFM Administração e Participação Ltda. em 2006, no valor de R$ 4.616.914,59, lançados no Patrimônio Líquido como reserva de capital no ano de 2006 e posteriormente revertidos como aumento de capital social, conforme representado na 5a alteração de contrato social (fl. 318) e que resultaram no aumento do numero de cotas, que posteriormente foram alienadas pelo impugnante, sem que isso resultasse em ganho de capital para ele; as receitas decorrentes de distribuição de lucros da Agropecuária Prudenmar não compõem a base de cálculo de incidência de PIS/COFINS, pois não se tratam de faturamento, por isso, totalmente equivocadas as considerações lançadas pela autoridade fiscal no item 24, 25 e 26 do Termo de Verificação Fiscal, as quais, por esta razão, não servem como fundamento para a qualificação da multa; estando a conduta do impugnante amparada em documentação idônea, não há lugar para alegação da existência de evidente intuito de fraude tal como está tipificado no artigo 72 desde os idos de 1964, assim como não tem aplicação a regra constante do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; também restaram elididas as alegações feitas pela autoridade fiscal nos itens 20 a 29, principalmente porque demonstrada a inexistência de qualquer inconsistência ou incompatibilidade entre os valores apontados nas DIPJ e DCTF, a título de Receita Bruta ou Faturamento, com a formação de lucros acumulados, vez que evidenciado que a maioria dele veio de distribuição de lucros e resultados da empresa Agropecuária Prudenmar Ltda., que não estavam sujeitos a tributação de IRPJ, CSLL ou PIS/COFINS, tendo em vista que todos foram devidamente informados nos documentos contábeis ora anexados; requer seja desconstituído o crédito tributário, com o reconhecimento da total improcedência do Auto de Infração impugnado, por inexistirem as infrações descritas, ou subsidiariamente seja reconhecida a improcedência da aplicação da pena de multa na forma qualificada. A Fiscalização atribuiu responsabilidade solidária à pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 mediante o Termo de Sujeição Passiva Solidária de efls. 1.450/1.452, pelas razões relatadas no Auto de Infração (e fls. 1.419/1.432) e no TVF (efls. 1.433/1.448). Ciente do referido Termo em 06/11/2013 (efl. 1.452), juntamente com o TVF (efls. 1.433/1.448) e Auto de Infração (efls. 1.419/1.432), a pessoa jurídica indicada como responsável solidário apresentou, em 05/12/2013, a impugnação de efls. 1.906/1.929, que foi considerada procedente pela DRJ/SPO nos termos do Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980) , caracterizando a insubsistência da responsabilidade solidária a ela atribuída, afastandoa, ipso facto, do polo passivo da relação jurídicatributária em tela. Na apreciação das impugnações de efls. 1.467/1.488 (Luiz Antonio Martos CPF 037.408.14845) e de efls. 1.906/1.929 (LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134), o órgão julgador de primeira instância, mediante o Acórdão n. 16 57.341 (efls. 1958/1980), assim sumarizou o seu entendimento: Fl. 2022DF CARF MF 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2008, 2009, 2010, 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OPÇÃO PELO ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Uma vez que o contribuinte não logrou justificar a diferença entre o montante das notas fiscais do produtor emitidas e a receita bruta da atividade rural declarada, resta confirmada a omissão de rendimentos. Em caso de opção pelo arbitramento da base de cálculo, o valor tributável corresponde a 20% (vinte por cento) da receita bruta. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIETÁRIAS. MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Evidenciada a majoração indevida da reserva de lucros utilizada em integralização de capital pelos sócios e, por conseguinte, do custo de aquisição da participação societária alienada, apurase ganho de capital não oferecido à tributação. MULTA QUALIFICADA. Sempre que houver conduta dolosa do sujeito passivo buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, está configurado o evidente intuito de fraude à lei tributária, a justificar a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. Não subsiste a atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), à pessoa jurídica cujas quotas sociais foram objeto da transação que ensejou o lançamento, uma vez que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária ocorre entre pessoas que figuram no mesmo polo da relação jurídica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O recorrente foi cientificado do teor do Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980) em 15/05/2014 (efls. 1981 e 1.984) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 16/06/2014 (efls. 1.987/2006), tempestivo, portanto, no qual repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos (exceto nos capítulos reconhecidos pela DRJ/SPO) apresentados na impugnação de efls. 1.467/1.488. Lateralmente, a DRJ/SPO submeteu a decisão consubstanciada no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980) à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), de acordo com o artigo 34, I, do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 9.532/1997, e Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008 (em vigor à época dos fatos), por força de recurso de ofício. É o relatório. Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 106 11 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Do Recurso de Ofício O Recurso de Ofício interposto pela DRJ/SPO Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980) ancorouse no art. 34, I do Decreto n. 70.235/1972, verbis: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda." Todavia, o Recurso de Ofício em apreço balizouse pela Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008, que estabelecia o limite para interposição de recurso de ofício pelas turmas de julgamento das DRJ sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00, conforme disposto no art. 1°. daquele diploma infralegal. Ocorre que a Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008 foi revogada pela Portaria MF n. 63, de 09 de fevereiro de 2017, que estabeleceu o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°., §§ 1° e 2°., verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, consoante determina a Súmula CARF n. 103. Desta forma, devese balizar, no caso concreto, o conhecimento do recurso de ofício anotado no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1.958/1.980) pelos parâmetros estabelecidos na Portaria MF n. 63, de 09 de fevereiro de 2017, em vigor. Nessa perspectiva, verificase que o valor total do crédito exonerado é inferior ao limite estabelecido na Portaria MF n. 63, de 09 de fevereiro de 2017, conforme denunciado no Demonstrativo do Crédito Tributário informado no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980), a seguir reproduzido: Fl. 2024DF CARF MF 12 Ainda que a referida exoneração tivesse alcançado a totalidade do crédito tributário não teríamos a incidência do limite para interposição do recurso de ofício, vez que tributo e multa, somados, alcançaria o total de R$ 1.822.108,82, conforme se depreende do demonstrativo do crédito tributário de fl. 02: Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 107 13 Isto posto, não há que se conhecer do recurso de ofício anotado no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980), restando, inclusive, prejudicado quanto ao afastamento da responsabilidade solidária da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134, vez que sequer o limite do crédito tributário exonerado foi alcançado. Fl. 2026DF CARF MF 14 Do Recurso Voluntário: Por sua vez, o Recurso Voluntário (efls. 1.987/2006) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele também CONHEÇO. Consoante relatado, a autuação em lide recai sobre omissão de rendimentos da atividade rural; omissão de ganhos de capital na alienação de quotas societárias, aplicação de multa qualificada e responsabilidade tributária passiva. O órgão julgador de primeira instância reconheceu que, em caso de opção pelo arbitramento da base de cálculo, o valor tributável dos rendimentos decorrentes de atividade rural corresponde a 20% da receita bruta, nos termos do art. 60, §2°. do Decreto n. 3.000/99 (RIR/99), e também afastou a responsabilidade solidária passiva da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134, vez que não subsiste a atribuição da solidariedade imputada, nos termos do art. 124, I do CTN. Destarte, o Recurso Voluntário de efls. 1.987/2006 restringese à i) omissão de rendimentos da atividade rural; ii) omissão de ganhos de capital na alienação de cotas da pessoa jurídica LFM Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134, e iii) à aplicação de multa qualificada de 150%. Isto posto, passo a analisar o Recurso Voluntário (efls. 1.987/2006). por capítulos, na ordem nele apresentada. Omissão de rendimentos da atividade rural: A Fiscalização da RFB apurou omissão de rendimentos da atividade rural no valor total de R$ 163.663,00 correspondente à exclusão dos valores R$ 142.140,00; R$ 21.078,00 e R$ 445,00 pelas razões expostas a seguir: O valor de R$ 142.140,00 referese à NF Produtor n. 012348884 (efls. 1.513). Para uma melhor contextualização dos motivos da exclusão, reproduzo, ipsis litteris, o relato da Fiscalização da RFB subitem 33.3 efls. 1.446/1.447 do TVF, bem assim o posicionamento da DRJ/SPO, verbis: "Quanto ao valor de R$ 142.140,00 relativo à NF do Produtor n° 012348884 (fl. 1513), o interessado alega que o preço da operação não teria sido quitado, conforme declaração firmada pelas partes, datada de 03 de outubro de 2013 (fl. 1512). Tal declaração já fora apresentada no curso do procedimento fiscal (fl. 1030) e sobre ela a fiscalização observa o que segue, no subitem “33.3” do Termo de Verificação Fiscal (efls. 1446 e 1447): Objetivando verificar a autenticidade dessa declaração firmada pelas partes, realizouse consulta às suas DIRPF Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física e foi constatado que não há correspondência entre o que foi afirmado por elas em 03/10/2013 e o declarado anteriormente nas citadas DIRPF; ou seja, o contribuintealienante não declarou esse valor como direito a receber na ficha "Bens e Direitos" e os adquirentes não o incluíram na ficha "Dívidas e Ônus Reais" nem na ficha "Dívidas Vinculas à Atividade Rural" do Demonstrativo da Atividade Rural. Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 108 15 Vêse,portanto, que, intencionalmente, as partes firmaram essa declaração a fim de que o fiscalizado se esquivasse da devida tributação. Não merece crédito a declaração prestada pelas partes envolvidas, em total descompasso com o informado em suas declarações de ajuste anual, ainda mais se considerado o vínculo de parentesco entre os signatários, posto que Sandro Santana Martos e Vanessa Santana Martos são sobrinhos do impugnante. Cabe ressaltar que o livro caixa da atividade rural, por não ser sujeito a registro, é apenas um elemento subsidiário de prova, sendo indispensável a apresentação de documentos comprobatórios hábeis e idôneos." A leitura do art. 18 da Lei n. 9.250/95, bem assim do art. 61, §4°. do RIR/99, deve alinharse ao disposto na legislação do imposto de renda pessoa física. Assim, as anotações nas respectivas declarações de rendimentos (DIRPF) do alienante (ficha Bens e Direitos) e dos adquirentes (fichas "Dívidas e Ônus Reais" e ficha "Dívidas Vinculadas à Atividade Rural" do Demonstrativo da Atividade Rural) são procedimentos previstos na legislação do imposto de renda, com força cogente, portanto, não podendo dele se elidir o recorrente, apenas pelo fato de não ter efetivamente recebido os rendimentos. Ora, quando efetivamente os receber, deverá oferecêlos à tributação mediante a declaração de ajuste anual de IRPF relativa ao respectivo anocalendário da aquisição da disponibilidade financeira. Isto posto, é procedente a não aceitação da exclusão no valor R$ 142.140,00, vez que resta infirmada a declaração de efl. 1.512, sendo assim desprovida de qualquer repercussão tributária. Por sua vez, quanto ao valor de R$ 21.078,00, o recorrente alega que o valor real das NF do Produtor n. 11838587 a 11838592 (efls. 1501 a 1503) seria de R$ 13.800,00 cada uma e não de R$ 17.313,00, em virtude do valor de pauta (valor mínimo fixado para a operação, pela Secretaria da Fazenda de Mato Grosso do Sul), constante da Portaria SAT n. 2030, de 22 de dezembro de 2008 (efls. 1507 a 1510). Todavia, verificase que as referências ao preço de R$ 460,00 p/cabeça (total de R$ 13.800,00) não faz parte do corpo original das referidas notas fiscais (foram apostas por meio datilográfico), havendo razoável dúvida quanto à contemporaneidade de tais anotações, bem assim não há comprovação nos autos de valores recebidos pelo recorrente relacionados aos montantes questionados (R$ 82.800,00) no período referente às datas de emissão das referidas NF, inclusive quanto à identidade do real depositante (que o recorrente afirma tratar se do Sr. Valdir Gonçalves Nogueira), consoante cópias de extratos bancários acostados aos autos. Ou seja, não resta comprovado nos autos, de forma expressa e inequívoca, que a operação em litígio ocorreu nos valores informados pelo recorrente e que este recebeu os valores na ordem de grandeza que informa do adquirente Valdir Gonçalves Nogueira. Embora o recorrente alegue que "as operações de venda de bovinos realizadas no estado do Mato Grosso do Sul, tem suas notas fiscais emitidas diretamente nas Agências Fazendárias da localidade onde está situado o gado negociado e pelo valor da Pauta Fiscal vigente à data da operação, para fins de geração de DAEMS e consequente recolhimento de ICMS, independentemente do valor de negociação, que pode ser superior ou inferior ao valor da pauta praticado na região", bem assim que "a diferença existente entre o valor de pauta R$ 577,10 (2), por cabeça de gado bovino fêmea de 12 a 24 meses e o valor real da operação negociada pelo recorrente (R$ 460,00), ou seja, os (R$ 117,10) por cabeça, não representam rendimentos da atividade rural, mas apenas diferença do valor da pauta fiscal e o da efetiva operação", não traz aos autos nenhum elemento de prova emitido pelos Fl. 2028DF CARF MF 16 respectivos órgãos oficiais do estado do Mato Grosso do Sul nesse sentido, que viesse a robustecer a alegação quanto aos valores efetivos das operações de venda ao Sr. Valdir Gonçalves Nogueira, bem assim da referida pauta fiscal vigente à data da operação. É, sem sombra de dúvidas, uma ausência bastante prejudicial ao pleito do recorrente. É de se destacar que, na seara tributária, o ônus da prova é de quem dela se aproveita. Desta forma, as provas acostadas aos autos não têm a robustez suficiente para elidir a exclusão do valor de R$ 21.078,00 procedida pela Fiscalização da RFB. O recorrente não se pronunciou quanto à exclusão do valor de R$ 445,00, tornandoa matéria não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/1972. Com relação à multa qualificada, o recorrente protesta no sentido de que "a mera alegação de que as partes declarantes não teriam incluído tais informações em suas DIRPF, item 33.3 do termo de verificação, não é suficiente para deduzir que: intencionalmente, as partes firmaram essa declaração a fim de que o fiscalizado se esquivasse da devida tributação". Nesse diapasão, remete à Súmula CARF n. 14, verbis: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." O art. 44, §1º., I da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a multa de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, é de 150%. É o que denominase de multa qualificada. As condutas previstas nos dispositivos legais em tela têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessária a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo (no caso, específico), ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente às normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo específico a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. No caso concreto, a declaração com data de 03/10/2013 firmada pelo recorrente com os adquirentes (que têm estrito vínculo de parentesco com o recorrente) foi considerada falsa pela Fiscalização da RFB, com fundamento em ausência do referido direito no demonstrativo da atividade rural integrante da declaração de ajuste anual do recorrente, nem tampouco foi informado como dívida nas declarações de ajuste anual dos adquirentes. O órgão julgador de primeira instância, por sua vez, assim se pronunciou, verbis: Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 109 17 "No entanto, o estreito vínculo de parentesco entre os signatários da declaração de fl. 1030, bem como o total descompasso entre o teor desta e as informações prestadas em suas declarações de ajuste anual, conduzem à conclusão de que houve ajuste doloso para o fim de encobrir a ocorrência do fato gerador, impondose a manutenção da multa qualificada." Entretanto, a questão não é tão simples assim. Não obstante as circunstâncias apuradas pela Fiscalização, acima relatadas, não há elementos nos autos que comprovem, de forma inequívoca, que houve efetivo ajuste doloso para o fim de encobrir a ocorrência de fato gerador (dolo específico), como conclui a DRJ/SPO e a Fiscalização da RFB, conforme o enunciado da Súmula CARF n. 14, in fine. O estreito vínculo de parentesco que une os adquirentes e o alienante, bem assim a ausência do referido direito no demonstrativo da atividade rural integrante da declaração de ajuste anual do recorrente e da informação da dívida nas declarações de ajuste anual dos adquirentes, não permitem, por si só, concluirse, de forma absoluta, pelo dolo específico dos envolvidos na operação de compra e venda. Omissão de ganho de capital: Conforme relatado, o recorrente, inicialmente, alienou 70,71% das quotas que detinha na empresa LFMS Administração e Participações Ltda. para a pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda. CNPJ n. 10.531.068/000150 (conforme instrumento particular de compromisso de cessão e transferência de cotas de capital de sociedade limitada firmado em 26/12/2008 e sexta alteração contratual, datada de 25/03/2009 efls. 824 a 826 e 834 a 841), correspondente a um total de 4.340.000,00 cotas ao valor nominal de R$ 1,00 cada uma, totalizando, portanto, R$ 4.340.000,00. Desse montante, R$ 2.514.600,00 o recorrente recebeu no anocalendário 2008 e R$ 1.825.400,00 no anocalendário 2009. A seguir, reproduzo a apuração efetuada pela Fiscalização da RFB, conforme (efls. 1.433/1.448), no que diz respeito à 5ª. e 6ª. alterações contratuais, que ilustram a narrativa acima, bem assim o aporte de Lucros Acumulados no valor de R$ 4.986.840,00: Fl. 2030DF CARF MF 18 Posteriormente, em 08/09/2009, de acordo com a sétima alteração contratual datada de 08/09/2009 (efls. 336 a 343), foi aumentado o capital social da empresa LFMS Administração e Participações Ltda. que passou de R$ 6.200.000,00 para R$ 7.600.000,00 e, concomitantemente, o recorrente alienou à pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda. 45,16% da participação então detida na LFMS, correspondente a 1.252.000 cotas a R$ 1,00 cada cota, perfazendo um total de R$ 1.252.000,00, que foram recebidos em setembro e outubro de 2009. A seguir, reproduzo a apuração efetuada pela Fiscalização da RFB, conforme (efls. 1.433/1.448), no que diz respeito à 7ª. alteração contratual, que ilustra a narrativa acima: Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 110 19 De acordo com a oitava alteração contratual datada de 01/12/2009 (efls. 344 a 351), o recorrente retirouse da empresa LFMS Administração e Participações Ltda., alienando o total de 1.520.000 quotas, sendo 1.368.000 quotas à pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda, 76.000 quotas a Sandro Santana Martos e 76.000 quotas a Vanessa Santana Martos. A seguir, reproduzo a apuração efetuada pela Fiscalização da RFB, conforme (efls. 1.433/1.448), no que diz respeito à 8ª. alteração contratual, que ilustra a narrativa acima: Fl. 2032DF CARF MF 20 Essas foram as alienações efetuadas pelo recorrente, objeto da autuação em lide, bem assim o histórico da integralização do capital social com a composição dos Lucros Acumulados ao longo do tempo. Conforme se constatará a seguir, o núcleo da controvérsia em apreço, no que diz respeito à apuração de ganhos de capital, concentrase na procedência da composição dos Lucros Acumulados que deram azo à majoração do custo de aquisição para fins de alienação de quotas da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 e Agropecuária Prudenmar CNPJ 01.595.436/000133. A Lei n. 7.713/88, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Quando da primeira alienação (valor de R$ 4.340.000,00), a Fiscalização da RFB entendeu que o recorrente majorou indevidamente o custo de aquisição da participação societária alienada, vez que não restou comprovado o valor de R$ 4.570.745,54, correspondente a 99% (participação societária do recorrente) do valor de R$ 4.616.914,49 (abatido integralmente). Com efeito, em 24/12/2008, mediante a quinta alteração contratual, houve elevação do capital social da LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 de R$ 104.000,00 para R$ 6.200.000,00 , com a subscrição de 6.096.000 cotas no valor nominal de R$ 1,00 cada uma. Desse total, R$ 5.037.212,12 vieram da conta Lucros Acumulados, havendo o recorrente integralizado R$ 6.035.000,00, dos quais R$ 4.986.840,00 pelo aporte com reservas da conta Lucros Acumulados, observandose o percentual de participação do recorrente (99%). Ocorre que a pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 não logrou êxito em comprovar a formação dos Lucros Acumulados, havendo a Fiscalização constatado, mediante análise das DIPJ Exercícios 2003 Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 111 21 a 2007 , receita bruta acumulada no período de apenas R$ 1.128.260,00, valor bastante próximo da apuração por valores recolhidos de PIS/COFINS (consulta ao sistema SINAL08) nos respectivos anoscalendário (2002 a 2006) que resultaram em uma receita bruta de R$ 1.123.610,00. A Fiscalização, para fins de estimativa dos Lucros Acumulados, considerou o valor de R$ 1.128.260,00. Em 31/12/2007, a LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 informou à RFB, mediante Livro Diário n. 07, Lucros Acumulados de R$ 4.616.914,69. De acordo com o TVF (efls. 1.433/1.448), a Fiscalização observa que a LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 não apresentou a escrituração contábil de anoscalendário anteriores a 2007 e, assim, não logrou demonstrar a formação, no tempo, dos lucros acumulados em 31 de dezembro de 2006 no valor de R$ 4.616.914,69 constante no balanço de janeiro a dezembro de 2007 (efl. 741), levando a Fiscalização constatado, conforme já informado, receita bruta acumulada no período de apenas R$ 1.128.260,00 nos respectivos anoscalendário (2002 a 2006). Considerando este valor, concluiu a Fiscalização pela impossibilidade de existência de saldo de Lucros Acumulados, em 31/12/2006, de R$ 4.616.914,69, raciocínio que me parece bastante razoável. Desta feita, uma vez apresentada a escrituração contábil relativa ao ano calendário de 2007 que consigna o lucro do exercício de R$ 564.482,57 (efl. 741) foi considerada comprovada a integralização de capital com reserva de lucros acumulados no valor de R$ 420.297,43, correspondente à diferença entre o total informado como integralizado pelos sócios a esse título (R$ 5.037.212,12) e o valor não comprovado (R$ 4.616.914,69). Considerandose que, anteriormente à sexta alteração contratual da LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 , o contribuinte detinha a participação de 99%, apurouse a parcela por ele integralizada com reserva de lucros, de R$ 416.094,46 (99% de R$ 420.297,43), bem como os ganhos de capital nas alienações de participação societária, em decorrência da majoração indevida do custo de aquisição. Destarte, foi desconsiderado o valor de R$ 4.570.745,54 do aporte de lucros acumulados informados pelo recorrente (R$ 4.986.840,00) Visando à comprovação dos Lucros Acumulados em apreço, o recorrente acostou aos autos cópias de livros e demonstrações contábeis (efls. 1.516/1.521; 1.528/1.785; 1.787; e 1.803/1.880). Todavia, os Livros Diário apresentados não contêm qualquer registro, sendo, assim, desprovidos de qualquer força probatória, conforme ressaltado no acórdão recorrido. O Livro Razão, por sua vez, embora tenha o registro dispensado, somente se presta para prova se corroborado pelo Livro Diário, fato que não ocorre no caso concreto. No que tange aos Livros Diário, é oportuno resgatar o disposto no art. 258 do Decreto n. 3.000/99 (RIR/99), verbis: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). §1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares Fl. 2034DF CARF MF 22 para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). §2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. §3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). §4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). §5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Destarte, há, por expressa previsão legal, necessidade de que o Livro Diário, para efeito de prova a favor do contribuinte, contenha, respectivamente, na primeira e na última página, termos de abertura e de encerramento e seja registrado e autenticado pelas Juntas Comerciais ou repartições encarregadas do Registro do Comércio, ou, no caso das sociedades civis, no Registro Civil das Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos onde se acharem arquivados seus atos constitutivos, fato não constatado no caso concreto. No tocante aos demonstrativos contábeis acostados aos autos pelo recorrente, não resta comprovado que foram transcritos no Diário ou em livro próprio, sujeito à registro, na forma estabelecida no art. 258, §6°, do RIR/99, acima reproduzido. E, ainda que regular fosse a escrituração, só se prestaria como prova se respaldada em documentos hábeis e idôneos, nos termos exatos do art. 923 do RIR/99, verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Com relação à composição dos Lucros Acumulados, nos períodos indicados pelo recorrente, bem assim à higidez dos documentos contábeis apresentados, assim se pronunciou o órgão julgador de primeira instância: "Com vistas a demonstrar a percepção de lucro em 31 de dezembro de 2001, no valor de R$ 1.214.781,48, decorrente de “receita de cessão de direitos s/bens”, conforme demonstrações contábeis de efls. 1517 a 1519, o contribuinte apresenta cópias simples de instrumentos particulares de Cessão de Direitos sobre Bens/Créditos, relativos a imóveis, de efls. 1522 a 1525, onde a LFM figura como cessionária, além de certidões de registro de imóveis lavradas em 04 de março de 2002 (efls. 1526 e 1527), que seriam referentes aos mesmos imóveis. Na qualidade de cessionária, evidentemente, a LFM jamais auferiria “receita de cessão de direitos”. As referidas demonstrações contábeis teriam sido transcritas Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 112 23 no Razão cujo Termo de Abertura consta de fl. 1516, em desacordo com o previsto no artigo 258 do RIR/1999, acima reproduzido. Além de o Razão não se prestar à comprovação da manutenção de escrituração regular, há fortes indícios de que as folhas cujas cópias foram juntadas às efls. 1517 a 1521 não integrariam o Razão mantido em poder da empresa. Notese que, no canto superior direito do Termo de Abertura de fl. 1516, o número da folha é indicado com os algarismos “0001”. Já nas cópias de efls. 1517 a 1521, os números de folhas possuem tipologia distinta – “0.009”, “0.010”, “0.012”, além de “00.002” e “00.003”. Embora o contrato social de constituição da LFM esteja datado de 03 de novembro de 2001 (efls. 293 a 299), consta da tela extraída do Sistema CNPJ (fl. 1952) que a constituição da empresa se deu em 04 de janeiro de 2002, o que é corroborado pela informação prestada na DIPJ (fl. 1223). Não é demais lembrar que a existência da pessoa jurídica tem início com o arquivamento dos seus atos constitutivos no órgão competente. Desse modo, não há que se falar em apuração de resultado em 31 de dezembro de 2001. Alega o impugnante que, em abril de 2006, a LFM teria recebido da Agropecuária Prudenmar Ltda., CNPJ n° 01.595.436/000133, a importância de R$ 1.584.000,00, a título de distribuição de lucros, a maior parte utilizada para quitar empréstimo obtido dessa empresa, conforme declaração de fl. 1786. Além de a referida declaração ter sido firmada pelo próprio interessado, não foi comprovado que a operação foi regularmente escriturada pelas pessoas jurídicas, nem tampouco a efetividade do aludido empréstimo. Embora não seja indispensável a prova da contratação do mútuo mediante instrumento formal, em caso de pessoas ligadas, o empréstimo deve ser comprovado por meio de documentação hábil e idônea da efetiva transferência do numerário ao tomador. Pairam dúvidas inclusive sobre o fato de a LFM ter sido sócia da Agropecuária Prudenmar Ltda.. De acordo com a Alteração n° 05 da Prudenmar, datada de 03 de novembro de 2002 (efls. 36 a 38), a pessoa jurídica admitida como sócia é identificada com o número de CNPJ e o endereço da sede social correspondentes à empresa F.J.F. Administração e Participação S/C Ltda.. O percentual de participação da pessoa jurídica seria de 99%, ou 99.000 quotas, cujo valor teria sido integralizado em moeda corrente. Não obstante, os sócios Luiz Antonio Martos e Francisco Martos teriam integralizado parte do capital social da LFM mediante a conferência de 99.000 quotas da Prudenmar, confome Anexo I ao contrato social datado de 03 de novembro de 2001 (fl. 298), situação que se manteve até a 4ª alteração contratual datada de 29 de janeiro de 2007, conforme Anexo I das sucessivas alterações contratuais (efls. 305, 310 e 316). Ou seja, a referida conferência de quotas para a LFM se fez à margem dos atos societários da Prudenmar. Finalmente, é irrelevante para o presente litígio a demonstração do “faturamento acumulado” da Agropecuária Prudenmar Ltda. no período de janeiro de 2002 a fevereiro de 2005, constante da tabela denominada “Apuração do Faturamento para Composição da Reserva de Lucros”, de fl. 1788, elaborada com base nos valores de PIS e COFINS informados nas DCTF de efls. 1789/1802." Fl. 2036DF CARF MF 24 Da leitura dos autos, constatase que a LFMS não informou qualquer valor a título de “Receitas e Rendimentos Não Tributáveis” nas DIPJ relativas aos anoscalendário de 2002 a 2005 (efls. 1255, 1291, 1327 e 1339) e não se comprovou o recebimento de lucros ou dividendos distribuídos, nos termos do art. 10 da Lei n. 9.249/1995 e da Instrução Normativa SRF n. 93/1997 (em vigor à época dos fatos), conforme informa o recorrente em sua peça recursal de efls. 1.987/2006. Outrossim, também não há registro nas DIPJ AnoCalendário 2006 das pessoas jurídicas LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 e Agropecuária Prudenmar CNPJ 01.595.436/000133 do valor dos lucros distribuídos ao recorrente (efls. 1.955/1.956). Desta forma, ausente a comprovação do montante dos lucros pagos aos sócios no anocalendário de 2006, por cada uma das empresas mencionadas, mediante apresentação de registros contábeis mantidos com observância da legislação tributária e de prova da transferência dos recursos do patrimônio das pessoas jurídicas para os sócios, não há como determinar se há saldo de lucros acumulados pela LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 anteriores a 2007, passível de distribuição na data da alienação da participação societária. Isto posto, verificase que a presente lide resolvese, na sua essência, pela ausência de elementos fáticos hábeis e idôneos que robusteçam a alegação do recorrente no que se refere à formação dos lucros acumulados no período em tela, decorrendo, destarte, a procedência da apuração de ganhos de capital na alienação de quotas societárias, considerando se os ajustes no custo de aquisição das quotas da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 , conforme discriminado no Auto de Infração de efls. 1.419/1.432 e no Termo de Verificação Fiscal de efls. 1.433/1.448, parte integrante daquele, em consonância com o decisum recorrido. Com relação à multa qualificada, o recorrente protesta no sentido de que "ainda que não pareça verossímil à autoridade lançadora que o contribuinte ora recorrente nada soubesse sobre a inserção de informações falsas em sua declaração, a conduta adotada desde o início da fiscalização me leva a concluir pelo desconhecimento deste a respeito do fato criminoso". Entende, assim, que a conduta do recorrente estaria amparada em documentação idônea e em escrituração contábil que respaldariam a composição dos Lucros Acumulados da LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134. Nesse sentido, resgata o enunciado da Súmula CARF n. 14, já transcrito neste voto. Conforme já relatado, as condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessária a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo (no caso, específico), ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo específico a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 113 25 No caso concreto, o TVF (efls. 1.433/1.448) informa a motivação para o lançamento da multa qualificada, in verbis: "34. Do exposto acima itens 20 a 29 temos que, de maneira deliberada, a empresa LFM Administração e Participações Ltda forjou fraudulentamente a formação de lucros acumulados que, posteriormente capitalizados, permitiu ao sócio fiscalizado, que à época de ocorrência dos fatos era sócio administrador com 99% (noventa e nove por cento) de participação societária, alienar suas cotas sem a devida apuração de ganho de capital." Da análise sistêmica da apuração de ganhos de capital, conforme exposta nos autos, entendese que há, sim, elementos de convicção suficientes no sentido de caracterizar o dolo específico do recorrente em ocultar a ocorrência da hipótese de incidência da obrigação tributária, consubstanciado na majoração indevida do custo de aquisição das quotas societárias da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 alienadas pelo recorrente, sócioadministrador da referida pessoa jurídica com 99% de participação acionária, portanto, em posição privilegiada na cadeia de comando da retrocitada pessoa jurídica, com o domínio absoluto e inconteste na condução dos procedimentos, que, ao fim, o beneficiaria com a redução de imposto de renda a pagar. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso de Ofício anotado no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1.958/1.980), CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 1.987/2.006) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa a 75%, especificamente em relação à infração omissão de rendimentos da atividade rural. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 2038DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.003257/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1997
Falta de Recolhimento.
Nega-se provimento ao recurso do contribuinte, posto que o mesmo não logrou comprovar a quitação integral do crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 1401-000.363
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 Falta de Recolhimento. Nega-se provimento ao recurso do contribuinte, posto que o mesmo não logrou comprovar a quitação integral do crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator. EDITADO EM: 31/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Declarou-se impedido o conselheiro Maurício Pereira Faro Relatório Fl. 169DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 192): Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$ 2.631.236,58 (fls. 06/15). 2. O lançamento teve origem na Auditoria Interna das Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF relativas ao 10 2°, 3° e 4° trimestres de 1997, onde foi constatado falta de recolhimento do IRPJ, nos períodos de apuração de 01-02/1997, 01-05/1997, 01-06/1997, 01-07/1997, 01-09/1997, 01-10/1997 e 01-11/1997, nos valores respectivos de R$ 206.117,29, R$ 133.269,88, R$ 521.447,79, R$ 502,26, R$ 19.97, R$ 74.462,73 e R$ 61.988,03, totalizando o valor originário em R$ 997.807,95, conforme "Anexo Ib — Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados em DCTF" (fls. 08/14) e "Anexo III 1— Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (fls. 15). 3. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 12/12/2001 (AR, fls. 19), o contribuinte apresentou impugnação em 08/01/2002 (fls. 01/02). Alega, em síntese, que: 3.1 — comprova o efetivo recolhimento dos valores declarados junto ao Banco 001 (Banco do Brasil), Agência 0044-2, provando inequivocamente o cumprimento da obrigação Principal, conforme DARF's anexos aos autos e demonstrativo próprio constante da impugnação (fls. 01); 3.2 —os códigos sob os nºs 4424 e 6677 não constavam da tabela da DCTF da época, ressaltando, também, que, em consulta verbal efetuada junto à Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição, foi orientado a fazer referência ao código 2362; 3.3 - ante o exposto, requer o processamento dos pagamentos com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e a respectiva baixa do processo e seu arquivamento. Ao receber a impugnação e constatar a existência de diversos DARFs com código de recolhimento incorreto, a DRF Teresina – PI efetuou a vinculação manual dos referidos pagamentos e promoveu a revisão do lançamento, cancelando créditos tributários no montante de R$ 988.112,61. Restou apenas um saldo devedor no valor de R$ 9.695,34, acrescido de multa de ofício. Assim, o processo foi encaminhado à DRJ Fortaleza, para julgamento do crédito tributário remanescente. A 4ª Turma da DRJ Fortaleza , por unanimidade, julgou o lançamento procedente em parte, por meio do Acórdão DRJ/FOR nº 9.269, de 30/11/2006, assim ementado (v. fl. 87): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Fl. 170DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10384.003257/2003-61 Acórdão n.º 1401-00.363 S1-C4T1 Fl. 155 3 Ementa: Falta de Recolhimento. Tendo o contribuinte logrado comprovar parcialmente o recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, é de se considerar procedente em parte o lançamento. Multa Vinculada. Retroatividade Benigna. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, c/c o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, cancela-se a multa de oficio vinculada aplicada. Lançamento Procedente em Parte Cientificado do referido Acórdão em 20/09/2007 (fls. 96, verso), o contribuinte interpôs em 16/10/2007 o recurso voluntário de fls. 100-103. O Recorrente alega, basicamente, o que segue (fls. 102): [...] o IRPJ relativo ao mês de junho de 1997 foi integralmente quitado pela Recorrente, não havendo qualquer saldo remanescente a ser recolhido. Destarte, conforme elucidado na tabela acima, a Recorrente realizou o pagamento integral do imposto devido no período em questão, através de dois DARF's nos valores de R$ 448.445,10 (doc. 08) e R$ 73.022,65 (doc. 09). Nesse sentido, veja-se que a soma dos dois DARF's recolhidos no mês de junho de 1997 representam exatamente o valor do IRPJ devido no período (R$ 521.447,79), restando claro que o referido imposto foi integralmente quitado pela Recorrente na data do seu vencimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. O presente lançamento originalmente se reportava a falta de recolhimento do IRPJ, nos períodos de apuração de 01-02/1997, 01-05/1997, 01-06/1997, 01-07/1997, 01- 09/1997, 01-10/1997 e 01-11/1997, nos valores respectivos de R$ 206.117,29, R$ 133.269,88, R$ 521.447,79, R$ 502,26, R$ 19.97, R$ 74.462,73 e R$ 61.988,03, totalizando o valor originário em R$ 997.807,95, acrescido de multa de ofício (fls. 15). Antes mesmo de enviar o presente processo para a DRJ Teresina - PI, a DRF Teresina – PI procedeu à vinculação manual de diversos pagamentos efetuados pela contribuinte, por meio de DARFs com códigos de recolhimento incorretos, os quais foram trazidos aos autos na fase impugnatória. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Estas vinculações de pagamentos acarretaram o cancelamento quase integral do crédito tributário lançado, remanescendo apenas um crédito tributário no valor de R$ 9.695,34 (acrescido de multa de ofício), relativo ao período de apuração 01-06/1997. A DRJ Fortaleza constatou a correção do procedimento realizado pela DRF Teresina – PI, mantendo apenas a exigência do crédito tributário no valor de R$ 9.695,34, referente ao período de apuração 01-06/1997. Sobre o tema, assim se pronunciou o relator do Acórdão recorrido, fls. 89 (grifado): 5.2 — deixou de comprovar, porém, a totalidade dos recolhimentos do IRPJ, referente ao período de apuração 01- 06/1997 (2° trimestre/98), pois, do valor declarado de R$ 521.447,79, justificou o recolhimento de apenas R$ 511.752,45, conforme se infere dos demonstrativos de fls. 74/76, c/c o "RESUMO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS LANÇADOS COM REVISÃO DO LANÇAMENTO" (fls. 77), remanescendo o crédito tributário no valor de R$ 9.695,34, a ser mantido no presente lançamento. A multa de ofício resultou cancelada pela DRJ Fortaleza, tendo em vista a nova redação do art. 18 da Lei 10.833, de 2003, dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, por força do disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Importante destacar que os dois DARFs mencionados pelo contribuinte em seu recurso voluntário, nos valores de R$ 448.445,10 e R$ 73.022,65 (fls. 150 e 152), já foram devidamente analisados pela DRF Teresina – PI, na fase de revisão de ofício do presente lançamento. Conforme relatório de fls. 74, os aludidos recolhimentos, acrescido de outro recolhimento no valor de R$ 76.337,50, não foram suficientes para quitar integralmente o débito lançado, relativo ao período de apuração 01-06/1997. O citado relatório não teve sua correção expressamente questionada pelo contribuinte, nem na fase impugnatória, nem na fase recursal. Vale dizer que tal relatório serviu de base para o Acórdão recorrido, o qual reconheceu expressamente a existência de uma pequena parcela de crédito tributário remanescente, no montante de R$ 9.695,34. Sobre esta parcela, contudo, não mais incide multa de ofício, conforme decisão da DRJ Fortaleza. Diante da ausência de qualquer indício de incorreção no demonstrativo elaborado pela DRF Teresina (fls. 74), voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Fl. 172DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10384.003257/2003-61 Acórdão n.º 1401-00.363 S1-C4T1 Fl. 156 5 Fl. 173DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004941/2003-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO.
O instituto da decadência, em matéria tributária, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento de ofício.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
(Súmula Carf nº 38)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada dá-se pela regra do § 4º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 2401-005.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento, reconhecendo a decadência do crédito lançado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente KLEBER GUIMARÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. O instituto da decadência, em matéria tributária, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento de ofício. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula Carf nº 38) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada dáse pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 49 41 /2 00 3- 00 Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.571 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e darlhe provimento, reconhecendo a decadência do crédito lançado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.572 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (DRJ/STM), cujo dispositivo julgou procedente em parte o lançamento fiscal, mantendo parcialmente o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1807.405 (fls. 1.343/1.361): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para sobre a constitucionalidade ou legalidade de lei SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO INFORMAÇÕES RELATIVAS A CPMF. Como o advento da Lei no 10.174/2001, resguardado o ria forma da legislação aplicável, é legítima a utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas a CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte lançamento de outros tributos, ainda que os geradores tenham ocorrido antes da vigência da referida Lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. Lançamento Procedente em Parte 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 1.104/1.112, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao anocalendário 1998, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, em virtude de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, efetuados em conta corrente, de origem não comprovada. 2.1 O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 1.123/1.129, enquanto a relação de depósitos não comprovados, por data e valor, às fls. 1.113/1.122. 2.2 Esclarece a autoridade fiscal que o lançamento compreende apenas os recursos depositados nas contas bancárias mantidas pelo contribuinte no Unibanco S/A, Banco Bradesco S/A e Banco Nossa Caixa S/A sem comprovação da origem. Os valores depositados para os quais foi comprovada, no curso do procedimento fiscal, a origem do crédito em conta não compõem o auto de infração. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.573 4 3. A ciência da autuação se deu em 12/01/2004, conforme fls. 1.130, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 1.154/1.162). 4. Intimado da decisão de piso por via postal, em 27/11/2008, o recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2008, com os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve em parte a pretensão fiscal (fls. 1.367/1.373): (i) no caso do lançamento tributário relativo à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a inversão do ônus da prova é incompatível com o conceito de aferição de renda previsto na Carta Política de 1988; (ii) a decisão recorrida deixou de acatar como prova de recursos pertencentes a terceiros os recibos por prestação de serviços emitidos pela empresa de contabilidade do recorrente, a Kage Contabilidade Ltda.; (iii) todas as movimentações relacionadas às contas correntes do recorrente restaram devidamente comprovadas na impugnação, por intermédio de documentos hábeis e idôneos, cabendo a declaração de improcedência do crédito tributário remanescente; e (iv) a decisão de piso não considerou os valores pagos e declarados pelo contribuinte em sua declaração como pessoa física, relativamente ao anocalendário de 1998. É o relatório. Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.574 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Ao compulsar os autos, não localizei o comprovante do recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, que atesta a data em que o recorrente tomou ciência do acórdão de primeira instância. 6. Por outro lado, a unidade preparadora manifestouse pela apresentação tempestiva do apelo recursal (fls. 1.562), tendo o recorrente declarado que foi cientificado da decisão de primeira instância em 27/11/2008 (fls. 1.367). 7. Além disso, constato que a interposição do recurso voluntário no prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão recorrida, é conclusão compatível com a data de elaboração do documento de intimação do Acórdão nº 1807.405, em 18/11/2008, sendo plenamente razoável admitir o transcurso de uma semana, no mínimo, até a efetivação da ciência no domicílio do contribuinte, considerando a expedição da comunicação via postal (fls. 1.362). 8. Assim exposta a questão processual, entendo tempestivo o apelo recursal, protocolado em 23/12/2008, e, uma vez satisfeitos os demais requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele tomo conhecimento. Decadência 9. Ainda que indeterminado e aberto o conceito de "matéria de ordem pública", prevalece a noção de que a decadência, em matéria tributária, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento. 10. O IRPF é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de cinco anos contados do fato gerador, na hipótese da existência de pagamento parcial antecipado, e ausente o dolo, fraude ou a simulação na conduta do sujeito passivo, nos termos do § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.575 6 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 11. Nessa diretriz de raciocínio, o decidido no Recurso Especial (REsp) nº 973.733/SC, da relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, na sessão de 12/08/2009. Reproduzo parcialmente a sua ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) (DESTAQUEI) 12. Como regra geral, o fato gerador do IRPF é anual, por meio do ajuste realizado no ano seguinte, considerandose ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário do recebimento dos rendimentos, inclusive quanto à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. 13. Tal linha de entendimento, após longo debate, representa o entendimento consolidado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o verbete abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. 14. O Auto de Infração é relativo ao anocalendário de 1998, considerandose ocorrido o fato gerador, portanto, em 31/12/1998. Não há alusão pelo agente fazendário de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada praticada pela pessoa física autuada. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.576 7 15. Por sua vez, a cópia da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 1998, exercício 1999, transmitida pelo contribuinte em 16/04/1999, revela o recebimento de rendimentos tributáveis de pessoas jurídicas, com imposto retido na fonte no importe de R$ 1.247,27, a título de antecipação do devido no ajuste anual (fls. 9/11). 15.1 Tal situação caracteriza pagamento parcial antecipado do imposto lançado, cujo lançamento de ofício incluiu a base de cálculo declarada pelo contribuinte e o imposto pago/devido na declaração de ajuste (fls. 1.123). 16. Dado que a ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse no dia 12/01/2004 (fls. 1.130), nessa ocasião já havia transcorrido mais de cinco anos da data do fato gerador, operandose, por consequência, a decadência do crédito tributário lançado no auto de infração, segundo a contagem do § 4º do art. 150 do CTN. 17. Deixo de analisar os demais argumentos de defesa contra a pretensão fiscal remanescente após a decisão de primeira instância, por absoluta desnecessidade para o deslinde do julgamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO para tornar insubsistente o auto de infração, devido ao reconhecimento da decadência do crédito tributário. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1576DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005097/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.140
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13839.005097/200711 Acórdão n.º 180101.140 S1TE01 Fl. 44 2 (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente solicitou opção pelo Simples Nacional a qual foi indeferida com base nos fundamentos de fato e de direito indicados, fl. 22: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) [...] Com fundamento no parágrafo 6º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e no artigo 8º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional pro incorrer na(s) seguinte(s) situação (ões): Estabelecimento CNPJ: 68.221.050/000132 Atividade econômica vedada: 70204/00 Atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica especifica Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XIII. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204 com as alegações a seguir sintetizadas. Suscita a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, por afronta ao princípio da igualdade. Defende a tese de que a legislação não pode limitar a opção pelo Simples Nacional em razão de atividade econômica, porque é garantido um tratamento simplificado e diferenciado a todas as microempresas e empresas de pequeno porte. Diz que a autoridade administrativa deve zelar pelo cumprimento das garantias da Carta Magna. Conclui Face o quanto suso exposto a Requerente requer de V. Sa. se digne em julgar totalmente procedente o presente pleito, reconhecendo a aplicação do artigo 150, inciso II, da Constituição Federal ao presente caso, revogando o ato administrativo Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13839.005097/200711 Acórdão n.º 180101.140 S1TE01 Fl. 45 3 que determinou a vedação da inclusão da mesma no SIMPLES NACIONAL em função de sua atividade econômica, por ser de direito e para que se faça a sempre costumeira e necessária justiça. Termos em que. Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0525.399, de 09.04.2009, fls. 2425: “Solicitação Indeferida”. Restou ementado ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. CONSULTORIA. VEDAÇÃO. A prestação de serviço de consultoria é circunstância impeditiva para o ingresso ou a permanência no Simples Nacional. LEGALIDADE. Cumpre à Administração aplicar a Lei de ofício, sem desbordar para críticas sobre sua constitucionalidade. Notificada em 04.05.2009, fl. 26verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 08.05.2009, fl. 20, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, a Impugnante requer se dignem os Ilustres Julgadores ACOLHER esta manifestação de inconformidade para o fim de reformar a v. decisão de fls. 24/25 e determinar a inclusão da Impugnante no SIMPLES NACIONAL desde o ANOCALENDÁRIO 2007. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, sem exceção de quaisquer, os quais ficam desde já requeridos ainda que não especificados. Requer, por derradeiro, que a decisão proferida na análise desta impugnação seja encaminhada, por correio e com aviso de recebimento, para o endereço da Impugnante, constante do preâmbulo desta petição. Termos em que. Pede deferimento. É o Relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13839.005097/200711 Acórdão n.º 180101.140 S1TE01 Fl. 46 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para fins da aplicação das determinações relativas à notificação, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 1. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente se insurge contra o indeferimento da opção. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais.A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. O seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13839.005097/200711 Acórdão n.º 180101.140 S1TE01 Fl. 47 5 Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional é a manifestação unilateral da administração pública, que vincula o ente federativo que o emitiu, uma vez que esta questão é afeta à repartição constitucional de competências tributárias. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios2. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fl. 22, tem como motivo a prestação de serviços de atividade consultoria em gestão empresarial. No Contrato Social registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo consta que a sociedade tem o seguinte objeto, fls. 3642: [...] A sociedade terá como atividade social de assessoria e consultoria empresarial e tributária; treinamento e comércio de produtos de informática. A hipótese de indeferimento da opção da Requerente pelo Simples Nacional fundamentada na prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, pressupõe a obtenção de receita proveniente da atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Analisando todos este fatos verificase que a “prestação de serviços de atividade consultoria em gestão empresarial” caracterizase por si só a atividade expressamente vedada, de acordo com o Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 18 de junho de 2007. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso3. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 e art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965. 3 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13839.005097/200711 Acórdão n.º 180101.140 S1TE01 Fl. 48 6 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11065.724554/2014-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF.
Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1001-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2013 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF. Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente COMERCIAL GAÚCHA DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF. Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 45 54 /2 01 4- 71 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11065.724554/201471 Acórdão n.º 1001000.049 S1C0T1 Fl. 61 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 15ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1276.167, de 20 de maio de 2015 (efls. 40/42), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 07) com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 4.158,83 a título de multa de ofício isolada por dezesseis (16) meses de atraso na entrega, em 31/10/2014, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de maio de 2013, cujo prazo final era 19/07/2013. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, argumentando, que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Ciente da decisão de primeira instância em 23 de junho de 2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 45, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21 de julho de 2015 (efls. 47/52), conforme carimbo aposto à efl. 47. É o Relatório. Voto Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11065.724554/201471 Acórdão n.º 1001000.049 S1C0T1 Fl. 62 3 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Gira a lide sobre a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de maio de 2013. A base legal do lançamento foi o art. 7º da Lei nº 10.426/2001, com a redação que lhe foi dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3; [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.724554/201471 Acórdão n.º 1001000.049 S1C0T1 Fl. 63 4 No recurso interposto, os argumentos da recorrente, a exemplo do que ocorreu em sede de primeira instância, são centrados em princípios legais e constitucionais, a saber, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Alternativamente, a recorrente pede a aplicação da multa em seu valor mínimo, na forma do art. 7º, § 3º, da IN RFB nº 1.110/2010. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Como se pode observar, a Interessada não contesta o fato de haver apresentado a declaração a destempo. Suas razões de inconformidade estão centradas, única e exclusivamente, no valor da multa aplicada, que, segundo seu entendimento, seria excessivo, violando os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Muito embora respeitáveis os argumentos de defesa, não há como acolher a pretensão da Impugnante. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Uma vez configurada a ocorrência do fato gerador da multa, é dever da autoridade fiscal aplicar a penalidade nos estritos termos do comando legal. Ao julgador administrativo, por seu turno, é vedado afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). De observar que, no caso em apreço, a multa foi calculada exatamente de acordo com a regra do art. 7º, inciso II, da Lei nº 10.426, de 2002, não tendo cabida a aplicação da penalidade mínima de R$ 500,00, prevista no § 3º do referido dispositivo. Como acertadamente consignou a decisão recorrida em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, como bem assinalou a decisão recorrida, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.724554/201471 Acórdão n.º 1001000.049 S1C0T1 Fl. 64 5 A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por fim, em relação ao pedido de redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00, tenho a acrescentar que essa multa mínima corresponde àquela estatuída no § 3º do dispositivo legal anteriormente transcrito neste voto, e não há dúvidas de que é aplicável apenas quando a multa calculada na forma do inciso I for inferior aos valores mínimos, ou, ainda, nos casos de não haver qualquer valor informado na DCTF. Tais hipóteses não se aplicam ao caso vertente, pelo que igualmente inaplicável a multa mínima pretendida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910674/2011-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 05/03/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.545
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 05/03/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 74 /2 01 1- 32 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910674/201132 Acórdão n.º 3402004.545 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.042, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 05/03/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910674/201132 Acórdão n.º 3402004.545 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910674/201132 Acórdão n.º 3402004.545 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910674/201132 Acórdão n.º 3402004.545 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
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