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Numero do processo: 11555.001411/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/2002
PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes.
PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor-Fiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91.
Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO A DISPOSITIVO LEGAL. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. NÃO CUMPRIMENTO.
Constitui infração ao disposto no art. 2°., §3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, § 5°., da Lei n. 8.212/91, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições sociais a que se refere o art. 7°. da Lei n. 8.706/93, devidas pelos contribuintes individuais transportadores autônomos a seu serviço, destinadas ao SEST e ao SENAT.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN.
Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes. PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao AuditorFiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91. 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Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 11555.001411/201042 Acórdão n.º 2402006.110 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 1305/1318 em face da Decisão Notificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 1279/1288), que julgou procedente o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.601.3847 consolidado no valor total de multa de R$ 1.101,75 Código de Fundamentação Legal (CFL) 99 na data de 22/12/2005 Período de Autuação: 01/1998 a 11/2002 (efls. 03/09) com fulcro em infração ao art. 2°., § 3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, § 5°., da Lei n. 8.212/91, lavrado em desfavor do contribuinte em epígrafe, por deixar de arrecadar, mediante desconto, as contribuições sociais a que se refere o art. 7°. da Lei n. 8.706/93, devidas pelos contribuintes individuais transportadores autônomos a seu serviço, destinadas ao SEST e ao SENAT, incidentes sobre o valor do frete, no período de 01/1998 a 11/2002. A DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 (efls. 1279/1288) reformou a DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0070/2006 (efls. 1275/1278), que considerava improcedente a autuação em lide. O Relatório Fiscal (efls. 32/53), bem assim o Relatório de Grupo Econômico RGE (efls. 105/132), caracterizam os procedimentos fiscais realizados; as evidências constatadas no curso da fiscalização e a solidariedade das empresas FRIGORÍFICO BONSUCESSO LTDA., FRIGORÍFICO PORTO LTDA., FRIGORÍFICO VALE DO RIO ACRE LTDA., FRIGORÍFICO SANTA ELVIRA LTDA. e FRIGORÍFICO NOVO ESTADO S/A que constituem grupo econômico de fato pelo débito de natureza previdenciária em apreço. A Recorrente foi regularmente cientificada do AI DEBCAD n. 35.601.3847 (efls. 03/09) em 29/12/2005 (efl. 1269), e, irresignada, apresentou, em 10/01/2006, a impugnação de efls. 1245/1257, aduzindo, em síntese: i) Preliminar de nulidade de citação; ii) Inexistência de grupo econômico; iii) Inexistência de solidariedade; iv) Irregularidades no decorrer da ação fiscal; v) Improcedência da autuação por não caracterizar a infração ao art. 2°., §3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007, de 13/12/1993, c/c art. 33, §5°., da Lei n. 8.212/91. vi) Inobservância das regras que disciplinam o Mandado de Procedimento Fiscal. Ao fim, requer que seja relevada a multa consubstanciada no AI DEBCAD n. 35.601.3847 (efls. 03/09), considerando a primariedade da empresa, a inexistência de circunstâncias agravantes e a correção da falta. Fl. 1373DF CARF MF 4 Os solidários também foram cientificados do lançamento em lide. O crédito tributário de natureza previdenciária no AI DEBCAD n. 35.601.3847 (efls. 03/09) foi mantido no julgamento de primeiro grau, consoante a Decisão Notificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 (efls. 1279/1288), que sumarizou seu entendimento conforme emenda abaixo reproduzida: A Recorrente foi cientificada do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 (efls. 1279/1288), e, inconformada, apresentou Recurso Voluntário ao Conselho de Recursos Fiscais da Previdência Social em 19/06/2006 (efls. 1305/1318), esgrimindo os mesmos argumentos da impugnação de efls. 1245/1257. Os solidários também foram notificados do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 (efls. 1279/1288). Todavia, o Recurso Voluntário de efls. 1305/1318, a despeito de sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada pela Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 1329/1330). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Nesse contexto, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu à revisão da legalidade dos atos praticados pela autoridade administrativa (Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO), concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 1305/1318, conforme despacho de acompanhamento especial de efls. 1362/1363. É o relatório. Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 11555.001411/201042 Acórdão n.º 2402006.110 S2C4T2 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Consoante relatado, o Recurso Voluntário de efls. 1305/1318, a despeito de sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada pela Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 1329/1330). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Destarte, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu ao controle de legalidade da decisão que negou seguimento ao recurso administrativo com fundamento no art. 126, §1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, exarada pela autoridade administrativa (Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO) efls. 1329/1330, concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 1305/1318, conforme despacho de acompanhamento especial de efls. 1362/1363. Uma vez declarada a nulidade do ato que indeferiu o seguimento do recurso, deve ser proferida nova decisão administrativa sobre o juízo de admissibilidade recursal, e, não havendo outra causa autônoma impeditiva do seguimento do recurso, este deve ser processado normalmente. Isto posto, o Recurso Voluntário (efls. 1305/1318) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Da Preliminar de Nulidade de Citação De plano, cabe ressaltar que a ciência por via postal é modalidade de intimação prevista no art. 23, II, do Decreto n. 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal , bem assim na IN SRP/MPS n. 03/2005 e Portaria MPS n. 520/2004 vigentes à época dos fatos. Outrossim, inexiste ordem de preferência entre a intimação pessoal e a intimação postal para efeito do processo administrativo fiscal estabelecido no Decreto n. 70.235/1972. A teor do art. 23, § 1°., do Decreto n. 70.235/1972, apenas para a intimação ficta, por via editalícia, é que se exige ordem de preferência, uma vez que deve resultar improfícuo a intimação pessoal ou postal (sem ordem de preferência entre estas). Fl. 1375DF CARF MF 6 Da análise dos autos, constatase que a ciência do AI DEBCAD n. 35.601.3847 (efls. 03/09) e de diversos outros documentos afetos ao lançamento em lide foi direcionada à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS RG 303.598 SSP/RO CPF 621.104.38215, nomeada e constituída pelo Recorrente mediante o instrumento procuratório público registrado no Tabelionato Figueiredo Ofício Único de Notas Vilhena/RO na data de 14/02/2005 Traslado: Primeiro Livro: 228 Folhas: 031 com validade até 31/12/2005 (efl. 21). No instrumento de procuração pública de efl. 21, o Recorrente outorga amplos e ilimitados poderes à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS, a seguir transcritos: Não à toa, a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS assinou, recebeu e forneceu diversos documentos vinculados à fiscalização que resultou no lançamento do AI DEBCAD n. 35.601.3847 (efls. 03/09) em desfavor do Recorrente, tais como: Mandados de Procedimento Fiscal Fiscalização e Complementar, Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, Relatório de Grupo Econômico, Termo de Cientificação de Constituição de Crédito em Grupo Econômico, Agendamento de Devolução Parcial de Documentos Apreendidos e TEAF (efls. 10/20). E foi exatamente a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS RG 303.598 SSP/RO CPF 621.104.38215 a signatária do Aviso de Recebimento (AR) e fl. 1269 da correspondência cujo conteúdo compreende, entre outros documentos, o AI DEBCAD n. 35.601.3847 (efls. 03/09), ora questionado. Destarte, é reprovável e afronta o princípio da boafé objetiva que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente pretenda infirmar os poderes outorgados à procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS, que o representou em todo o curso da ação fiscal que culminou com o lançamento do crédito tributário consubstanciado no AI DEBCAD n. 35.601.3847 (efls. 03/09), buscando desqualificar o domicílio fiscal por ela eleito (diverso daquele onde se situa a sede da Recorrente) para comunicarse com a Fiscalização da RFB, bem assim negando que a retrocitada procuradora represente os seus interesses, não obstante a validade do mandato ter como limite a data de 31/12/2005 e o aperfeiçoamento do lançamento em litígio ter ocorrido em 29/12/2005, data da assinatura da procuradora no AR de efl. 1269. Com relação à validade da intimação por via postal, inclusive no que tange à qualificação do recebedor, objeto de questionamento pelo Recorrente, é relevante resgatar o Enunciado de Súmula CARF n. 09, verbis: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 11555.001411/201042 Acórdão n.º 2402006.110 S2C4T2 Fl. 104 7 É oportuno salientar que, ainda que falta ou irregularidade houvesse na intimação (ciência do AI DEBCAD n. 35.601.3847 efls. 03/09), o comparecimento do Recorrente aos autos, consubstanciado na apresentação da impugnação de efls. 1245/1257, é bastante para sanear eventual vício existente na intimação. Por fim, convém destacar que a Recorrente encontrase com situação cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) baixada desde 09/02/2015, por motivo de omissão contumaz, conforme consulta realizada no sítio da RFB (receita.fazenda.gov.br/pessoajurídica/cnpj/cnpjreva/Cnpjreva_Comprovante_asp). Isto posto, rejeito a preliminar. Da Preliminar de Nulidade de Mandado de Procedimento Fiscal No que tange ao questionamento em face do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e de supostas irregularidades verificadas no decorrer da ação fiscal, não há reparo a fazer na decisão recorrida, vez que o MPF Fiscalização n. 09233178 expedido em 13/04/2005 com validade até 11/08/2005 para verificação do cumprimento das obrigações principais decorrentes de Folha de Pagamento e Contribuição Rural (efl. 10) e o MPF Complementar 01 n. 09233178 expedido em 16/06/2005 com validade até 14/10/2005 para verificação de todos os fatos geradores (efl. 11), encontram abrigo no art. 196 do CTN; no art. 1°. da Lei n. 11.098/2005; na Instrução Normativa INSS/DC n. 100/2003 e no Decreto n. 3.969/2001, todos vigentes à época dos fatos, observandose ainda que a execução da ação fiscal decorreuse dentro dos estritos limites legais. Isto posto, rejeito a preliminar. Do Mérito Em relação à insurgência contra a caracterização de grupo econômico e a consequente solidariedade entre as empresas do grupo, não assiste razão à Recorrente. Com efeito, resta sobejamente comprovado nos autos os fundamentos que evidenciam a composição de grupo econômico compreendendo as seguintes pessoas jurídicas: i) Frigorífico Bonsucesso Ltda.; ii) Frigorífico Porto Ltda.; iii) Frigorífico Vale do Rio Acre Ltda..; iv) Frigorífico Santa Elvira Ltda.; e o Frigorífico Novo Estado S/A. A DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 (efls. 1279/1288) elucida e esclarece, de forma minuciosa, com amparo no Relatório de Grupo Econômico (efls. 105/132), as questões de fato e de direito suficientes à caracterização de grupo econômico e à solidariedade entre as respectivas empresas, quanto ao crédito tributário de natureza previdenciária consubstanciado no AI DEBCAD n. 35.601.3847 (efls. 03/09), a seguir resumidas: Fl. 1377DF CARF MF 8 O art. 124 do CTN (Lei n. 5.172/1966), informa norma geral aplicável a todos os tributos existentes no sistema tributário nacional, nos seguintes termos: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifei)" Não obstante a expressão "interesse comum" consignada no art. 124, I, do CTN, encartar um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançarse a ratio essendi do referido dispositivo legal. Assim, verificase que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas jurídicas solidariamente obrigadas estejam no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à hipótese de incidência tributária, exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídicatributária a integração no polo Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 11555.001411/201042 Acórdão n.º 2402006.110 S2C4T2 Fl. 105 9 passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não há de ser o mero interesse social, moral ou econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas sim o interesse jurídico, atrelado à atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo. Assim, caracteriza responsabilidade solidária em matéria tributária a realização conjunta de situações que, per se, configuram a hipótese de incidência tributária, irrelevante que se trate ou não de grupo econômico formalmente constituído. É cediço que os grupos econômicos de fato caracterizamse por serem criados com o fim exclusivo de redução do risco empresarial e maximização de lucros, caracterizando se um abuso de direito, inclusive para fins de afastar a incidência de tributos, no caso concreto, na espécie contribuições sociais. Constatase, a partir das situações relatadas nos autos e sintetizadas pela DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 (efls. 1279/1288), acima reproduzidas, uma unidade de interesse jurídico das várias pessoas jurídicas (frigoríficos) envolvidas, consolidandose evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de circulação de riquezas. Noutro giro, há previsão legal de solidariedade quanto às contribuições à Seguridade Social, independentemente da natureza (formal ou de fato) do grupo econômico, bastando tãosomente a sua caracterização, nos termos exatos do art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991, verbis: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; [...] (grifei)" Considerandose o disposto no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91, acima reproduzido, não há dúvidas que, no caso específico das contribuições previdenciárias, incide não apenas a regra do inciso I do art. 124 do CTN, mas também do inciso II do retrocitado dispositivo legal. Na peça recursal de efls. 1305/1318, a Recorrente, em sua defesa, informa que "improcedente a aplicação da penalidade através da lavratura de AUTO DE INFRAÇÃO sob a alegação do descumprimento de obrigações acessórias por conta de retenções não efetuadas porquanto no caso informado não está devidamente tipificada a previsão legal e normativa constante na legislação previdenciária que determina a mencionada retenção o que de fato não ocorreu, devendo o AUTO DE INFRAÇÃO ser cancelado ou relevado". Todavia, inexiste previsão legal a acolher os argumentos da Recorrente, havendo, ao contrário, determinação expressa na legislação vigente à época dos fatos para a Fl. 1379DF CARF MF 10 lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, inclusive quanto ao valor lançado, forte no art. 2°., §3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, §5°., da Lei n. 8.212/91; art. 92 e 102 da Lei n. 8.212/91; art. 7°. da Lei n. 8.706/93; art. 283, caput e §3°. c/c 373, e art. 292, inciso I, todos do Decreto n. 3.048/99; e Portaria MPS n. 822/05. Nessa perspectiva, o lançamento consubstanciado no AI DEBCAD n. 35.601.3847 (efls. 03/09) encontrase alinhado à configuração da legislação vigente à época dos fatos, particularmente o art. 2°., § 3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, § 5°., da Lei n. 8.212/91. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 1305/1318), REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.901469/2013-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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DIREITO CREDITÓRIO. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 14 69 /2 01 3- 33 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10850.901469/201333 Acórdão n.º 1402003.037 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado: "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2012 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição [...], transmitida em 27/12/2012, por meio da qual o contribuinte acima identificado solicita restituição de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código 2372) do período de apuração 30/09/2012. Despacho Decisório (fl. 04) da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto indeferiu o Pedido de Restituição em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. " Cientificado do Despacho Decisório por via postal em 14/05/2013, o contribuinte apresentou, em 07/06/2013, manifestação de inconformidade (fl. 03), alegando que teve indeferido seu pedido de restituição pelo fato de não ter retificado suas declarações (DCTF, DACON e DIPJ), porém pleiteia novamente o crédito afirmando ter corrigido todas as declarações." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual traz a seguinte explicação para retificar a DCTF, DACON e DIPJ: "Isto tudo foi feito quando constatado que a empresa LC ASSISTÊNCIA MÉDICA S/S LTDA, recolheu o IRPJ sendo 4,80% e a CSLL sendo 2,88% na Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10850.901469/201333 Acórdão n.º 1402003.037 S1C4T2 Fl. 4 3 sua totalidade, e a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF 1,5%, Código 1708 e o PIS/COFINS/CSLL 4,65% Código 5952." Em seu pedido, requer que se aceite as retificações das declarações, pleiteando o crédito novamente referente ao PER/DCOMP acima identificado. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.901469/201333 Acórdão n.º 1402003.037 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.078, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10850.901450/2013 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.078): "O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. O recorrente teve seu pedido de restituição indeferido o fato de que, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que retificou as declarações DCTF, DACON e DIPJ para redução de tributos, pois recolheu o IRPJ e a CSLL na sua totalidade, contudo a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF e o PIS/COFINS/CSLL. Uma vez que a administração tributária tenha iniciado procedimento fiscal para verificar as obrigações tributárias referentes a determinado período e tributo, não mais se pode falar em espontaneidade na entrega de declaração retificadora. Dessa forma, uma vez que a administração tributária emite decisão com base em declaração regularmente entregue, não é lícito que o recorrente retifique a informação que levou àquela decisão e pretenda que seja a nova informação aceita sem passar pelo crivo do Autoridade Fiscal. Sendo assim, deveria o recorrente ter apresentado sua manifestação de inconformidade acompanhada de elementos probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a efetiva ocorrência dos alegados equívocos cometidos em suas declarações anteriores, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10850.901469/201333 Acórdão n.º 1402003.037 S1C4T2 Fl. 6 5 Contudo, apesar das alegações, o recorrente não traz quaisquer documentos (notas fiscais, recibos, comprovante de pagamento) que comprovem que houve a retenção dos referidos valores de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. Além de não comprovar a retenção dos referido tributos, também não houve a demonstração de que os valores retidos seriam suficientes para quitar integralmente os tributos apurados a partir de seus livros comerciais e fiscais. Desse modo, sendo do recorrente o ônus de provar o crédito que alegava ter, nos termos do artigo 333, I, do Código de Processo Civil, e não tendo se desincumbido de referido ônus, cumpre indeferir seu pedido de restituição e de compensação, por falta de comprovação da existência do crédito. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11051.720039/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de omissão na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66.
Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3201-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de omissão na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
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OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de omissão na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 72 00 39 /2 01 2- 18 Fl. 1246DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Tratase de embargos opostos pelo Contribuinte, em face do Acórdão 3201 002.825, que foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 27/01/2012 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. Recurso Voluntário Negado Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 11051.720039/201218 Acórdão n.º 3201003.615 S3C2T1 Fl. 3 3 Os embargos foram admitidos parcialmente, sendo dado seguimento para a matéria referente a responsabilidade solidária. Os embargos foram admitidos, nos seguintes termos. Com base nos argumentos acima e no disposto no art. 65, § 3º do Regimento Interno do CARF, na redação dada pela Portaria MF nº 39/2016, dou seguimento aos embargos de declaração apenas quanto à “responsabilidade solidária” e nego seguimento aos embargos relativamente às demais questões, em virtude da improcedência das alegações.. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência da omissão alegada pela Recorrente, a turma não enfrentou a alegação de inexistência de responsabilidade solidária da RXM. Verificando todo o arcabouço de provas, constante dos autos, fica evidente o conhecimento das empresas RXM e PORTES BR nas operações realizadas e da fraude ocorrida para ocultação dos reais adquirentes das mercadorias. Conforme já demonstrado, a ocultação dos operadores reais nas Declarações de Importação estão plenamente confirmadas nas informações e documentos apurados pela Auditoria Fiscal, onde são detalhadas as operações e responsabilidade de cada um das partes nas operações. Existindo o conhecimento das empresas autuadas nas importações, não há como afastar a responsabilidade nas operações realizadas. Os fatos apurados no trabalho fiscal foram detalhados no voto condutor do Acórdão guerreado, conforme trechos transcritos abaixo. Pelas informações apuradas pela Fiscalização, resta evidente que a Portes realizava serviços de importação para terceiros, conforme sua própria informação e estava realizando importações em que se declarava como real adquirente das mercadorias. Diante destes fatos, a fiscalização procedeu uma análise detalhada das operações realizadas pela Portes identificando que parte das suas importações tiveram como destino final a RXM, que era na verdade a real proprietária das mercadorias. As informações levantadas no trabalho fiscal foram bem detalhadas no voto condutor da decisão da primeira instância, que peço vênia para transcrever trechos, que entendo comprovar o envolvimento da RXM na operação.(fls. 1085 a 1087) Fl. 1248DF CARF MF 4 Da apresentação à fiscalização de pedidos de compra falsos pela PORTES em relação à DI nº 12/01712710, objeto do litígio Em relação à DI nº 12/01712710 (fls. 200204), registrada em 27/01/2012, a PORTES procedeu à importação de 22.000 kg de carne bovina, retida com a instauração do procedimento especial (art. 5º da IN RFB nº 1169/2011) e posteriormente entregue ao importador (desembaraçada em 24/04/2012) mediante apresentação de garantia na modalidade Carta de Fiança (art. 7º da IN SRF nº 228/2002). O objeto do procedimento foi a análise da regularidade da citada operação de importação, adotando como referencial comparativo a operação de importação anterior (DI nº 11/23780333). Intimada (fls. 442) a apresentar cópia dos pedidos de compra relativos à carne importada através da DI nº 12/01712710, a PORTES, em sua resposta (fls. 443444), enviou três pedidos de compra, que correspondem à totalidade da carne importada: empresa WEW (5.500 Kg – fl. 451), empresa KEMP FOODS (11.000 Kg – fl. 452), e empresa MICHI FOODS (5.500 Kg – fl. 453). Em resposta a intimação anterior, em que solicitada a discriminação de fornecedores, a PORTES omitiu que havia negociação em andamento com as três empresas citadas. Entretanto, intimadas (fls. 754, 781 e 795), essas empresas negaram a autenticidade desses pedidos (fls. 737, 786 e 798). Presumese, então, a falsidade de todos os pedidos de compra apresentados pela PORTES, o que indica o intuito de ocultar o real comprador e sujeito passivo da operação, por meio de uma simulação, a exemplo do que ocorreu com a DI nº 11/23780333. Da existência de Nota Fiscal Eletrônica de simples faturamento, para venda futura à RXM, emitida pela PORTES antes do registro da DI nº 12/01712710. Foi detectada, em pesquisa sobre as Notas Fiscais Eletrônicas emitidas pela empresa PORTES, no dia 17/01/2012, ou seja, dez dias antes do registro da DI nº 12/01712710, a emissão de uma nota fiscal de simples faturamento contra a RXM a NFe nº 4831 (fls. 865867), correspondente a 50% das mesmas mercadorias objeto dessa importação. A NF totalizou 11, e a importação, 22 toneladas. As quantidades de cada produto e o total (22 TON) de mercadorias importadas consta da nota fiscal de entrada (NFe nº 5001 – fls. 875876) emitida pela PORTES em 25/04/2012. No campo “Natureza da Operação” da referida NFe, consta: “SIMPLES FAT DEC VENDA P/ ENTR FUTURA – ITAJAI”. Podese entender isso como sendo mais um indício de que a PORTES realmente intentava ocultar o comprador das mercadorias (a RXM). Do destino final constante da fatura proforma relativo às mercadorias importadas através da DI nº 12/01712710. À fl. 860, consta a fatura proforma nº 5053 (transcrita no Termo de Verificação, à fl. 916), a qual foi emitida pela CIBUS Southamerica S/A, em 21/12/2011, exportadora das carnes importadas através da DI nº 12/01712710. Conforme descrito na proforma, o destino final da mercadoria é CAJAMARSP, com reinspeção pelo MAPA em ItajaíSC. Verificase, então, que não era ItajaíSC (município do importador) o destino final das mercadorias. O destino final era CAJAMARSP desde a data do pedido ao exportador, em Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 11051.720039/201218 Acórdão n.º 3201003.615 S3C2T1 Fl. 4 5 dezembro de 2011. E, como se verifica na ficha de cadastro, copiada à fl. 915, quem está estabelecida na cidade de CAJAMARSP é a MICHI FOODS, empresa utilizada (terceirizada) pela RXM para armazenagem de suas mercadorias, conforme contrato apresentado pela própria RXM (fl. 620). Assim, esse é mais um indício que aponta da direção de que a PORTES intentava ocultar o comprador das mercadorias, previamente encomendadas, não se tratando, de fato, de uma importação por conta própria da PORTES. Da existência de mais duas Notas Fiscais Eletrônicas de simples faturamento, para venda futura, emitida pela PORTES relativas à DI nº 12/01712710. No dia 27/01/2012, data do registro da DI nº 12/01712710, a PORTES emitiu mais duas NFe de simples faturamento, sendo a NFe nº 4842 (fls. 868870) contra a PIRCO e a NFe n° 4843 (fls. 871873) contra a RXM, ambas correspondentes a 11.000 kg de carne bovina cada (PICANHA FRIAR). A soma da quantidade de mercadoria faturada contra as duas empresas coincide com o total da mercadoria importada por meio da DI n° 12/01712710, ou seja, 22.000 kg. Em pesquisa nos sistemas da RFB se verificou que a PORTES não realizou nenhuma outra importação de carne bovina, além das importações de dezembro/2011 e janeiro/2012. Com a finalidade de verificar o que motivou ou fundamentou a emissão das NFe nº 4842 e 4843, de simples faturamento, uma vez que o total das mercadorias dessas duas notas é o mesmo da DI nº 12/01712710, a PORTES foi intimada (fl. 596), em 19/06/2012, a respeito disso. Em resposta (fls. 597), a PORTES informou que as notas fiscais citadas não tinham referência com a DI n° 12/01712710, tendo ela realizado uma outra importação, amparada pela DI nº 12/01177841. A PORTES respondeu, ainda: “Neste contexto, na época dos fatos foi realizada a venda das mercadorias no mercado interno, mas os clientes nacionais DESISTIRAM de comprar a mercadoria, pois a PORTES não conseguiu cumprir a data de entrega, razão pela qual houve cancelamento da operação”. Cabe destacar que, conforme tela do Siscomex (fl. 600) a citada DI nº 12/01177841 não existe. A afirmação da PORTES de que “na época dos fatos”, ou seja, em janeiro de 2012, “foi realizada a venda das mercadorias no mercado interno” pode ser entendida como uma confissão de que as mercadorias estavam realmente encomendadas pela RXM, mas a PORTES ocultou essa informação no momento do registro da declaração, descumprindo as normas vigentes para esse tipo de operação, que era, de fato, como apontam os indícios, IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. Na verdade, as mercadorias não foram entregues no prazo por terem sido apreendidas por conta do procedimento especial de fiscalização, tendo sido desembaraçadas apenas em 24/04/2012, mediante apresentação de garantia (CARTA FIANÇA). Fl. 1250DF CARF MF 6 Ora, o procedimento de emissão de notas fiscais de simples faturamento foi utilizado para a importação anterior operação." A apuração dos fatos, conforme relatado alhures comprovam de forma inequívoca o conhecimento e o envolvimento das RXM na fraude perpetrada aos controles aduaneiros. A comprovação que a PORTES BR realizou operações encobrindo a real adquirente RXM resta, ao meu sentir, plenamente comprovada nos autos, respondendo a RXM de forma solidária nas exigências constantes do lançamento fiscal controlado no presente processo. Firme neste entendimento devese aplicar as determinações expressas do artigo 95, inciso I e V, do Decretolei nº 37/66, que responsabiliza o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem. " Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(grifo nosso) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos para enfrentar a omissão e manter a responsabilidade solidária da RXM importação e exportação Ltda. Winderley Morais Pereira Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 11051.720039/201218 Acórdão n.º 3201003.615 S3C2T1 Fl. 5 7 Fl. 1252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720487/2010-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
NORMAS PROCEDIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo em vista que o crédito principal, constante deste mesmo processo, foi totalmente exonerado, não há interesse recursal no cômputo de multas.
Numero da decisão: 9202-006.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Tendo em vista que o crédito principal, constante deste mesmo processo, foi totalmente exonerado, não há interesse recursal no cômputo de multas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 87 /2 01 0- 80 Fl. 826DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, , interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, consubstanciada do Acórdão n° 230102.905, sessão de 21 de junho de 2012: Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. EXACERBAÇÃO DE COMPETENCIA.SÚMULA 02 DO CARF. A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Incidência da Súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 22 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 9202006.689 CSRFT2 Fl. 827 3 Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível à comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Na origem, tratase de Auto de Infração DEBCAD 37.2727565, exigindo contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração paga aos seus sócios, correspondentes à rubrica Contribuinte Individual patronal. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para exonerar a integralidade do crédito tributário, entretanto consignou (a despeito da inexistência do crédito tributário) a aplicação da retroatividade benigna de multa. Interposto Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional (efls. 464 a 673), este teve seguimento parcial para acolher apenas a seguinte divergência: b) retroatividade benigna para aplicação da multa calculada nos termos do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, se mais benéfica ao contribuinte; restou rejeitado o seguimento do Recurso Especial em relação à matéria: a) prólabore. O Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial das efls. 733 e 734 confirmaram a decisão reexaminada. Em 03/05/2016 os autos foram encaminhados ao órgão preparador para ciência e demais providências de sua alçada (efl. 738). Em 25/07/2016 o órgão preparador opôs embargos de declaração (efl. 740), asseverando: O Acórdão n. 2301002.9053a Câmara / Ia Turma Ordinária (fls.626644) deu provimento ao recurso voluntário para exonerar a integralidade do crédito tributário, bem como acolhendo a aplicação da multa mais benéfica. Ao Recurso Voluntário apresentado pela PGFN foi dado seguimento apenas quanto à discussão da retroatividade de multa mais benigna. A questão que submetemos à apreciação desse CARF é que se a multa é aplicada sobre o montante devido a título de principal, no caso zero, não haveria objeto para prosseguimento do julgamento, porque, ante a exoneração total do principal, irrelevante qual o percentual da multa a ser aplicada. Fl. 828DF CARF MF 4 Somente haveria objeto para processamento do Recurso Especial se admitido em seus dois fundamentos, ou seja, a possibilidade de restabelecimento do valor principal e o percentual da multa a ser aplicada. Desse forma, restituímos a esse CARF para apreciação. A esta manifestação foi decidido "que a petição nominada de embargos de declaração seja recebida como embargos inominados, e que esses não sejam admitidos", tendo como fundamentação que: ...buscase, por meio dos embargos, à reanálise/retificação do Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, de modo que, não tendo sido admitida a primeira matéria do Recurso Especial (prólabore), também a segunda deveria não ser admitida(retroatividade benigna para aplicação da multa calculada nos termos do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, se mais benéfica ao contribuinte. Porém, o Ricarf não prevê a possibilidade de juízo de retratação no despacho do exame de admissibilidade de Recurso Especial; ademais, uma vez admitido o Recurso Especial, a competência para se pronunciar sobre as questões que tiveram seguimento passa à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por força do art. 67 do Ricarf. O contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso Especial frente a inexistência de interesse recursal. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Pressupostos de admissibilidade: Ficou patente no processo em análise que houve quebra da lógica recursal, no que tange ao interesse da Fazenda Nacional quando este CARF não deu segmento à matéria relativa à prólabore: não é possível aplicação de multa acessória quando inexiste o débito principal. Precisos os argumentos da Unidade Preparadora: O Acórdão n. 2301002.9053a Câmara / Ia Turma Ordinária (fls.626644) deu provimento ao recurso voluntário para exonerar a integralidade do crédito tributário, bem como acolhendo a aplicação da multa mais benéfica. Ao Recurso Voluntário apresentado pela PGFN foi dado seguimento apenas quanto à discussão da retroatividade de multa mais benigna. Somente haveria objeto para processamento do Recurso Especial se admitido em seus dois fundamentos, ou seja, a Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 9202006.689 CSRFT2 Fl. 828 5 possibilidade de restabelecimento do valor principal e o percentual da multa a ser aplicada Diante de todo o exposto, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 830DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020545/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Relatório
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 20 54 5/ 20 09 -8 5 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 15504.020545/200985 Resolução nº 2402000.654 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI 37.237.6630 PAF 15504.020542/200941, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte da empresa, inclusive a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (b) AI 31.231.6665 PAF 15504020545/200985, para a constituição de multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (c) AI 37.237.6657 PAF l5504.020544/200931, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (d) AI 37.237.6649 PAF 15504020543/200996, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação De acordo com a acusação, a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador ou o desvirtuamento de suas finalidades pela empresa participante acarretaria o cancelamento de sua inscrição no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda dos incentivos fiscais. No caso concreto, o fornecimento de alimentação pela contribuinte estaria ligado a sistema de premiação ou punição do trabalhador, conforme conclusões do Processo 46016.0002969/200811 SIT/MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. As modalidades de serviços de alimentação fornecidas pela empresa seriam: a) administração de cozinha; b) cestas básicas; c) ticket alimentação; d) ticket refeição; e) alimentação e lanches. Os valores tributáveis foram extraídos da escrituração contábil da empresa e das folhas de pagamento. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15504.020545/200985 Resolução nº 2402000.654 S2C4T2 Fl. 4 3 Os fatos geradores não foram declarados em GFIP. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, a qual foi julgada improcedente, conforme decisão assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fato gerador de contribuição previdenciária. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. Os valores pagos aos trabalhadores a título de auxilio alimentação somente são excluídos do campo de incidência das contribuições sociais quando fornecidos em conformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. DECADÊNCIA. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. DECISÕES JUDICIAIS. As decisões judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Autoridade Fiscal deverá formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que tiver conhecimento da ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária. PRÁTICAS REITERADAS ADOTADAS PELO FISCO. A prática reiterada pelo Fisco tem sido a de autuar os contribuintes que, inobservando os ditames contidos na legislação, efetuam o pagamento da parcela in natura em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Intimada da decisão em 07/01/2011, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/01/2011, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, suscitou o seguinte: Decadência (a) decadência: os créditos tributários são relativos às competências janeiro a dezembro de 2004, ao passo que a recorrente foi autuada somente em dezembro de 2009, estando decaídas as contribuições do período de janeiro a novembro; (b) é aplicável o art. 150, § 4º, do CTN; Do auxílioalimentação Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15504.020545/200985 Resolução nº 2402000.654 S2C4T2 Fl. 5 4 (c) apenas o ticket alimentação estava condicionado à assiduidade do empregado; (d) não há como se cogitar da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores gastos pela recorrente com a manutenção de restaurante interno, bem como a título de cesta básica, alimentação e lanches e ticket refeição, haja vista o inegável caráter indenizatório de tais verbas, pagas para o trabalho e não pelo trabalho; (e) além de estar restrita ao ticket, a condição estipulada em acordo coletivo de trabalho jamais poderia ser assemelhada a um sistema de premiação; (f) maior prova de que o pagamento de ticket alimentação não é uma espécie de premiação ao empregado é o fato de a recorrente efetivamente possuir um programa de prêmios para seus funcionários, este sim visando a maior produtividade; (g) não existe previsão em lei ou em decreto que proíba essa condição estabelecida pela recorrente; (h) a Portaria 87, que teria excluído a requerente do PAT, é datada de 19/03/2009, tendo sido publicada no DOU de 23/03/2009, mas pretende produzir efeitos de forma retroativa, cancelando inscrições de 1995 a 2008; (i) inscrição no PAT não é condição indispensável à caracterização da natureza indenizatória das verbas alimentares pagas pela recorrente aos seus empregados. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15504.020545/200985 Resolução nº 2402000.654 S2C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Da necessidade de diligência Conforme preceitua o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso, não havendo necessidade de pedido expresso de desistência: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (destacouse) Como se vê, o RICARF preleciona que basta o pedido de parcelamento para que se tenha como consequência a desistência do recurso. Desta forma, é irrelevante, para fins de aferição da desistência, se o parcelamento está ou não ativo, importando, sim, analisar se houve pedido. Neste caso concreto, há uma informação expressa, à fl. 255 (PAF 15504.020542/200941), de que a empresa teria incluído a totalidade dos seus débitos no parcelamento: Todavia, a informação contida à fl. 254 (PAF 15504.020542/200941) é a de que a empresa não teria incluído a totalidade dos débitos da PGFN e da RFB no parcelamento. Ou seja, tais informações aparentemente se contradizem e é necessário verificar se houve a inclusão da totalidade dos débitos, e, se não tiver havido a inclusão da totalidade, se houve pedido de inclusão dos débitos controlados neste processo no parcelamento, ainda que o parcelamento tenha sido posteriormente rescindido. Lembrese: é irrelevante, para fins de aferição da desistência, se o parcelamento está ou não ativo, importando, sim, analisar se houve pedido. Realizada a diligência, o contribuinte deve ser intimado para, querendo, apresentar sua manifestação no prazo legal. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15504.020545/200985 Resolução nº 2402000.654 S2C4T2 Fl. 7 6 2 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos nele abrangidos. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901111/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 11 /2 01 4- 52 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 6 5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 8 7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.723136/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES.
O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração.
INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. SIGILO BANCÁRIO.
Com a edição da Lei Complementar nº 105/2001, passou a ser permitido ao fisco, independentemente de autorização judicial, o exame de informações relativas às movimentações bancárias do contribuinte e obtidas junto às instituições financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O arbitramento do lucro é medida prudente para o atingimento aproximado da realidade econômica do contribuinte, considerando que sua escrituração fiscal e contábil evidencia deficiências que tornam-na imprestável para a identificação do efetivo lucro auferido.
Numero da decisão: 1201-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário,e, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração. INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. SIGILO BANCÁRIO. Com a edição da Lei Complementar nº 105/2001, passou a ser permitido ao fisco, independentemente de autorização judicial, o exame de informações relativas às movimentações bancárias do contribuinte e obtidas junto às instituições financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro é medida prudente para o atingimento aproximado da realidade econômica do contribuinte, considerando que sua escrituração fiscal e contábil evidencia deficiências que tornam-na imprestável para a identificação do efetivo lucro auferido.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração. INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. SIGILO BANCÁRIO. Com a edição da Lei Complementar nº 105/2001, passou a ser permitido ao fisco, independentemente de autorização judicial, o exame de informações relativas às movimentações bancárias do contribuinte e obtidas junto às instituições financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro é medida prudente para o atingimento aproximado da realidade econômica do contribuinte, considerando que sua escrituração fiscal e contábil evidencia deficiências que tornamna imprestável para a identificação do efetivo lucro auferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 31 36 /2 01 1- 15 Fl. 1049DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário,e, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratam os autos de autos de infração cientificados em 19/12/2011 para a exigência de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao anocalendário de 2006 (fls. 846881), acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora. De acordo com o relatório fiscal de fls. 841845, o procedimento de fiscalização foi iniciado (i) por existir diferença de R$7.178.181,10 entre as compras lançadas na DIPJ (R$22.065.261,55) e a receita bruta do período (R$14.887.080,45), (ii) porque a movimentação financeira informada pelo Banco Bradesco por meio da declaração de CPMF foi superior à receita bruta em R$7.029.711,63 e (iii) porque a contribuinte apurou prejuízos fiscais elevados em todos os trimestres do anocalendário de 2006 (R$5.221.556,58, R$6.744.431,63, R$2.732.596,18 e R$2.541.005,34, respectivamente). O auditor fiscal concluiu pela imprestabilidade da escrituração e realizou a apuração do lucro pela sistemática do arbitramento, tendo indicado no relatório fiscal os diversos vícios que entendeu estarem presentes nas demonstrações contábeis da contribuinte. Foi consignado, no relatório fiscal, que em 22/10/2010 foi lavrado termo de intimação e devolução de documentos, no qual foram solicitados esclarecimentos sobre falhas e omissões encontradas nos livros razão e diário e a contribuinte foi intimada a retificar tais informações, sob pena de arbitramento do lucro. A contribuinte apresentou esclarecimentos, mas não retificou as incorreções apontadas pela autoridade fiscal, exceto quanto à identificação do contador responsável. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 3 3 Em 21/10/2011 a contribuinte foi novamente intimada a comprovar os valores da conta 211.01.02 “Fornecedores” e da conta 221.01.01 “Empréstimos a Coligada a Longo Prazo”, mas tais esclarecimentos não foram prestados até o encerramento da ação fiscal, que ocorreu em 13/12/2011. Também foi registrado no relatório fiscal que a contadora da contribuinte, em depoimento prestado à Fiscalização, afirmou ser a contabilidade imprestável para apurar o lucro real. Em razão (i) das fraudes na contabilidade objetivando apurar um prejuízo inexistente e (ii) tendo em vista a imprestabilidade da escrita contábil para a apuração do lucro real, a autoridade fiscal procedeu à qualificação da multa para 150% e formalizou representação fiscal para fins penais. Foi observado o prazo decadencial previsto pelo art. 173, I do CTN pois (i) não houve apresentação de DCTF e DACON, tampouco (ii) pagamentos a título de IRPJ, CSLL, COFINS E PIS; (iii) foi desclassificada a “DIPJ como apuração pelo lucro real” e (iv) houve fraude na escrita contábil com qualificação da multa. Impugnação Em 17/01/2012 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 908927 alegando, em suma, o que segue. Houve cerceamento do direito de defesa, pois a contribuinte não foi intimada das nove renovações do prazo do MPF 02.1.01.002010000277, sendo assim o auto de infração nulo nos termos do art. 12, II do Decreto nº 7.574/11; Os autos de infração estão fundamentados em provas obtidas ilicitamente, pois a contribuinte foi coagida a apresentar seus extratos bancários, uma vez que, se tais documentos não fossem exibidos à Fiscalização, seria caracterizado embaraço à fiscalização e lavrado auto de infração mediante a utilização do critério de arbitramento. Cita o RE nº 389.808PR, em que o STF decretou a inconstitucionalidade do art. 6º da LC 105, de 10/01/2001; Ocorreu a decadência dos créditos tributários correspondentes aos três primeiros trimestres de 2006 (considerandose a apuração trimestral), pois deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN, e não o art. 173, I. Isso porque foi apresentada a DIPJ relativa ao ano calendário de 2006 e a contribuinte apenas não recolheu IRPJ, CSLL, PIS e COFINS porque apurou prejuízo fiscal. Além disso, não houve fraude, pois não foi praticada conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou evitar ou diferir o seu pagamento; Auditor fiscal agiu de forma equivocada ao declarar a imprestabilidade da escrita fiscal da contribuinte, pois inexistiram os elementos necessários para tanto, fixados na legislação vigente. Isso porque (i) o auditor fiscal teve acesso à movimentação financeira e bancária da contribuinte, (ii) foram prestados todos os documentos e esclarecimentos Fl. 1051DF CARF MF 4 solicitados durante o procedimento de fiscalização, (iii) a escrita fiscal da contribuinte era regular, com o preenchimento de todos os livros exigidos pela legislação para as empresas optantes pelo lucro real; Subsidiariamente, o lançamento deve ser declarado nulo, ainda que parcialmente, em relação à CSLL, ao PIS e à Cofins, pois o MPF foi expedido com o objetivo inicial de apurar a regularidade do cumprimento de obrigações tributárias relativas ao IRPJ, ou seja, o auditor fiscal extrapolou sua competência; Deve ser afastada a qualificação da multa, pois essa penalidade foi substituída por uma mais benéfica e não foi caracterizado o evidente intuito de fraude; e Tendo sido demonstrado que não foi realizada fraude pela contribuinte, deve ser declarada a perda de objeto da representação fiscal para fins penais. Acórdão da DRJ Às fls. 949967, os membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgaram procedente em parte a impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. DECADÊNCIA. Nos lançamentos cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4º do art. 150 do CTN, de outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. LUCRO ARBITRADO. APLICAÇÃO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular, deve ser tributado pelo Lucro Arbitrado. SIGILO BANCÁRIO. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 4 5 Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados não constitui quebra do sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. PROVA PERICIAL. LIMITES OBJETIVOS. Destinamse as perícias à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para suprir a ausência de provas que já poderiam as partes ter juntado à impugnação ou para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. É necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo para autorizar a qualificação da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: PIS e COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, o lançamento decorrente segue a sorte do lançamento principal, se não houver razão para decidir diversamente. Em suma, e nos termos do voto do Relator, a DRJ afastou a qualificação da multa de ofício por não ter sido demonstrado o evidente intuito de fraude pela autoridade fiscal. Não havia sido interposto recurso de ofício. Recurso Voluntário Contra o referido acórdão a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 974993, no qual reiterou os argumentos tecidos em sede de impugnação, exceto quanto à multa qualificada. Resolução 1103000.171 Por meio da Resolução 1103000.171 a 3° Turma da 1°Câmara converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos do voto relator: Desse modo, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA: Fl. 1053DF CARF MF 6 a) Interponha recurso de ofício contra o Acórdão nº 0125.734, proferido em 30/11/2012 nos autos do presente processo administrativo; b) Cientifique o contribuinte sobre a interposição do recurso de ofício, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada ao objeto de tal recurso, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme o art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e c) Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. A DRJ/Belém cumpriu a resolução em seus exatos termos e os autos retornaram a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recursos Voluntário e de Ofício interpostos são tempestivos e preenchem os demais requisitos legais, por isso, merecem ser analisados. Do Recurso Voluntário Decadência Alega a contribuinte que tendo sido optante pelo Lucro Real Trimestral e considerando que foi cientificada do Auto de Infração apenas em 13/12/2011, ocorrera a decadência dos fatos geradores de 31/03/2006; 30/06/2006 e 30/09/2006, conforme regra prevista no art. 150, § 4°do CTN. Baseia também a contribuinte sua alegação de decadência nos moldes do art. 150, § 4°do CTN no fato de inexistir em sua conduta qualquer indício de fraude ou simulação que pudesse levar à aplicação da regra do art. 173, I do CTN. Discordo do racional da Contribuinte, pois, resta incompleta. Explico. A análise deste ponto norteia a construção lógica de que a consumação do instituto da decadência depende diretamente do termo a quo adotado, variando de acordo com a situação fática que se concretiza. O fator que opera esta variação, no caso em tela, é o pagamento antecipado do tributo. Outros fatores, ocasionalmente, podem ser levados em conta, como a constatação Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 5 7 da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, mas, conforme se verá em análise posterior do mérito, o presente caso não exige a aplicação de quaisquer destes. Neste albor, uma vez constatado o pagamento antecipado do tributo, necessária a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, definindo, desta forma, o momento da ocorrência do fato gerador como o termo a quo para contagem do prazo decadencial. Em contrapartida, não havendo indícios de pagamento antecipado do tributo, irretorquível a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o início do prazo decadencial no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o caso em tela, pois, não foram identificados pagamentos nos períodos em discussão, ainda que em valores menores que o devido. Desta sorte, deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN ao presente caso e por consequêcia, deve ser afastada a alegação de decadência de qualquer dos períodos ora em discussão. Cerceamento ao direito de defesa. Nulidade do MPF. Alega a contribuinte o cerceamento de seu direito de defesa em razão de nulidade do MPF, pois, teria expirado o prazo deste. Discordo da Contribuinte. A jurisprudência da CSRF é no sentido que o MPF é apenas um ato interno da SRF, de cunho gerencial, que, por consequência, não afeta o auto de infração quando expedido ou executado sem respeitar os termos da Portaria ou mesmo quando não expedido, como podemos ver em recentes julgados das três turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1ª Turma da CSRF “O MPF é apenas uma medida interna, de controle administrativo e sua ausência não contamina a essência do lançamento quando levado a efeito por autoridade competente.” (...) “Frisese, não é o MPF que dá legitimidade ao Auditor da RFB para lançar tributos, mas a lei stricto sensu, e esta não restou violada.” (Acórdão nº 9101001.798, Relatoria Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão. Decisão por maioria. Data da sessão: 19/11/2013) Fl. 1055DF CARF MF 8 2ª Turma da CSRF “Todas infrações ligadas ao descumprimento do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN:” (...) “Cumpre ressaltar também que a inobservância da Portaria SRF nº. 1.265, de 22 de novembro de 1999 pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos praticados pelo Auditor, em cumprimento ao disposto nos arts 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional.” (Acórdão nº 9202003.063, Relatoria Cons. Manoel Coelho Arruda Júnior. Decisão por maioria. Data da sessão: 13/02/2014) 3ª Turma da CSRF “O auto de infração e, consequentemente o lançamento, somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 59, inciso I, in verbis: Por maioria de votos, afastouse a preliminar de nulidade do MPF. Vencidas as Conselheiras Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas;” (Acórdão nº 9303001.194, Relatoria Cons. Maria Teresa Martinez López. Redator Voto Vencedor Cons. Rodrigo Costa Pôssas. Decisão por maioria. Data da sessão 25/10/2010) Do primeiro acórdão, notamos que não há nulidade do procedimento de fiscalização, mesmo inexistindo MPF. O segundo acórdão deixa claro que a inobservância de MPF gera apenas consequências disciplinares à autoridade administrativa, não gerando nulidade para a fiscalização realizada. Por fim, o terceiro acórdão conclui que, tratandose de ato administrativo, só será nulo quando proferido por pessoa incompetente. Concordo com esse entendimento. Analisando a legislação tributária, vemos que no plano constitucional o art. 145, § 1º possibilita que os entes tributantes identifiquem o patrimônio, os rendimentos e as atividades do contribuinte, desde que “respeitados os direitos individuais e nos termos da lei”: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 6 9 § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Em nosso entender, o direito individual mencionado acima é o direito de defesa, bem como outras garantias estabelecidas por lei que, desrespeitadas, haja previsão expressa de ensejarem a nulidade do procedimento. No que tange à prescrição “nos termos da lei”, encontramos no Código Tributária Nacional, por sua vez, os seguintes dispositivos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (...) Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. (...) Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. Fl. 1057DF CARF MF 10 Em outros termos, a lei estabelece que a constituição do crédito tributário, por autoridade administrativa, deve respeitar os seguintes requisitos: i) a autoridade ter competência para a prática do ato; ii) deve ser instaurado um procedimento; iii) se o procedimento depender de intimação do sujeito passivo, deve ser lavrado termo para que se documente a data de início; iv) prazo para findar; e, se necessário, v) lavratura de auto de infração contendo a RMIT. Os dispositivos acima estabelecem, também, que a legislação tributária, ou seja, “os decretos e as normas complementares”, inclusive1, regulará, observado o disposto nesta Lei, “a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação”. Nesse sentido, o art. 7º do DecretoLei nº 70.235/72, recepcionado pela CF/88 com nível de lei ordinária, dispõe: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Entendemos que o art. 194, do CTN possibilita a instituição de duas espécies de normas: i) inaugurais e ii) regulamentares; podendo ser subdivididas em normas de direito material e normas processuais. Na lição do Prof. PAULO DE BARROS CARVALHO, pautandose no art. 5º, § 2º da CF/88, “A lei e os estatutos normativos que têm vigor de lei são os únicos veículos credenciados a promover o ingresso de regras inaugurais no universo jurídico brasileiro, pelo que as designamos por “instrumentos primários”, e “Todos os demais diplomas regradores de conduta humano, no Brasil têm sua juridicidade condicionada às disposições legais, quer emanem preceitos gerais e abstratos, quer individuais e concretos. São, por isso mesmo, considerados ‘instrumentos secundários’ ou ‘derivados’, não apresentando por si só, a força vinculante que é capaz de alterar as estruturas do mundo jurídicopositivo.”2 1 CTN: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 90. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 7 11 Ainda sobre o tema, ressalta que os instrumentos secundários não podem inovar a ordem jurídica, “fazendo surgir novos direitos e obrigações”3. Em sentido contrário, entendese que tampouco poderá restringir direitos ou obrigações. Pois bem. O art. 6º da Lei nº 10.593/2002 é exemplo de norma inaugural de direito material, quando confere, privativamente, ao AuditorFiscal da Receita Federal a competência para “constituir, mediante lançamento, o crédito tributário”. Por sua vez, o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, que confere atribuições às delegacias e departamentos internos são normas de direito material regulamentares. A importância da classificação acima está no fato que, a nulidade de um ato só deve ser declarada quando a norma for: i) inaugural de direito material ou ii) de direito processual, com previsão expressa de uma consequência em caso de desrespeito à previsão legal ou infralegal. A partir dessa premissa, auto de infração lavrado por quem não é auditorfiscal é “nulo”, pois o art. 142 do CTN combinado com o art. 6º da Lei nº 10.953/2002 confere apenas a essa autoridade administrativa a competência para constituir o crédito tributário por meio de auto de infração. Todavia, procedimento estabelecido por ato regulamentar, “observado o disposto nesta Lei” (art. 194, do CTN), que não preveja expressamente uma consequência quando ela não for respeitada, na seara tributária, não gera nenhum efeito, exceto se provado prejuízo ao exercício do direito de defesa – esta com base em instrumento inaugural, qual seja o art. 59 do Decreto nº 70.235/72. É o que ocorre com o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal – TDPF, outrora denominado Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). À época da fiscalização, o MPF tinha como fundamento a Portaria da RFB nº 3.014/2011, instituída com o fim de dispor “sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Já pela ementa da Portaria é possível depreender o seu fim: norma de natureza gerencial da Receita. Todavia, ainda que se entenda que a legislação outorga “direitos” ao administrado, esses são, apenas, de natureza processual, e, desse modo, não há que se falar em nulidade, sem que se configure o prejuízo. Ademais, não encontramos na citada portaria nenhum dispositivo que atribua consequência, por exemplo, nulidade, quando qualquer dos requisitos do ato seja desrespeitado. Como bem fundamentou o ilustre Cons. Antônio Bezerra Neto: “O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitandose a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada.” Acórdão n.º 1401001.223. Somase aos argumentos retro o fato que as garantias e privilégios do crédito tributários não podem ser afastados por meio de ato infralegal, nem mesmo por aplicação do “princípio da legalidade, da ampla defesa e do devido processo legal”, haja vista que o art. 194 do CTN limita a regulamentação dos atos procedimentais “observando o disposto nesta lei”. Frisamos, nenhuma lei em sentido estrito foi ofendida. 3 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 108. Fl. 1059DF CARF MF 12 Por fim, como já fundamentado acima, a competência para lavrar auto de infração é privativa de auditorfiscal, nos termos do art. 142 do CTN, combinado com o art. 6º da Lei nº 10.953/2002. Eventual desrespeito a ato infralegal de “repartição de competência”, não gera nulidade do AI. Em suma, não há que se falar em nulidade de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, seja porque a autoridade lançadora era competente, seja porque não houve cerceamento do direito de defesa. Da obtenção das informações protegidas por sigilo bancário Alega a Contribuinte que as provas foram obtidas pela fiscalização de maneira ilícita, vez que foi coagida a apresentar seus extratos bancários. Assim, tais provas não poderia subsidiar o lançamento ora em combate. Mais uma vez não assiste razão à Contribuinte. Quanto à nulidade decorrente da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, pleiteia o Recorrente o cancelamento do auto de infração, por terem, os Auditores, procedido a quebra do sigilo bancário da Recorrente, e utilizado os extratos bancários como prova, sem a devida autorização judicial. Tal ponto é objeto de constante discussão no judiciário. Conforme decisão da 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, é descabido que a fiscalização tributária tenha de ajuizar ação na Justiça cada vez que precisar de informações da vida financeira de contribuintes. Além disto, como bem argumentou o julgador da primeira instancia, não há o que se falar em quebra indevida de sigilo bancário, visto que há amparo legal para tal procedimento, no artigo 6º da Lei Complementar 105 de 2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O dispositivo legal acima encontrase em plena vigência, não cabendo a este julgador a análise sobre eventual inconstitucionalidade por respeito `Súmula CARF n. 2. De fato, já foi externada posição a respeito da matéria pelo Plenário do Eg. Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 389.808/PR, conforme ementa abaixo: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 8 13 quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” (RE 389808/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Julgado em 15/12/2010, Publicado em 10/05/2011) Não obstante minha posição se assemelhe bastante ao julgado acima, o fato é que tal decisão não foi proferida pelo STF sob o rito da Repercussão Geral, sendo assim, considerando a existência e vigência de lei que permite a quebra do sigilo bancário sem autorização, bem como, o teor da Súmula CARF n. 2 que veda aos Conselheiros do CARF a análise de inconstitucionalidade, devo afastar a presente preliminar de nulidade. Desta forma, tendo o processo de fiscalização e o auto de infração preenchido todos os requisitos previstos em lei, todas as alegações de nulidade merecem ser afastadas. Arbitramento do Lucro Tributável Conforme já bem destacado na decisão da DRJ, a não apresentação dos livros e da documentação contábil e fiscal, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, assim como a apresentação dos mesmos em desacordo à técnica de escrituração contábil, impossibilita ao fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. O Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda – apresenta as hipóteses em que o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, verbis: Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Fl. 1061DF CARF MF 14 (...) VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. O arbitramento é consequência lógica à instalação de total ou parcial insegurança jurídica nas atividades fiscalizatórias, especificamente na determinação da matéria tributável, e assim, na constituição definitiva do próprio crédito tributário. O ato de lançamento tem como pressupostos a certeza e a liquidez do título que o instrumentaliza, no caso o Auto de Infração, de forma que qualquer indefinição precedente contaminao e desnaturao perante o ordenamento jurídicotributário. Devese adotar como premissa que as informações prestadas pelo contribuinte façam prova a seu favor. O posicionamento do presente julgador, já externado em outros tantos votos, é de que, inicialmente, com o nascimento da obrigação tributária e, no caso dos tributos aqui analisados, cujo o lançamento se dá por homologação, a documentação apresentada pelo contribuinte possui presunção relativa de veracidade, transferindo e compulsionando o ônus de mitigar tal presunção à fiscalização. Quando a fiscalização enxerga inconsistências e pleiteia a prestação de esclarecimentos, bem como a apresentação de documentações outras, e o contribuinte não concretiza tal almejo, detémse a possibilidade legal de utilização de outros meios eficazes a atingir as informações não prestadas ou inexistentes (através de RMFs, informações de órgãos públicos, dentre outros). Neste momento, contrastando as informações prestadas pelo contribuinte em um primeiro momento, com as informações colhidas unilateralmente pela Fiscalização, eventuais disparidades robustecem o permissivo de transferência da presunção relativa de veracidade e, assim, o contribuinte passa a deter o ônus probante. A presunção de omissão de receitas, legalmente disposta no art. 42 da Lei nº 9430/96, materializa esta presunção relativa da Fiscalização. Cabe ao contribuinte ilidir tal presunção, caso apresente documentação hábil e idônea, apta a comprovar a origem dos recursos correspondentes. Importante ressaltar que a Fiscalização, neste momento, carreia inúmeras oportunidades ao contribuinte para que este desnature tal presunção, intimandoo para a apresentação de documentos comprobatórios. Em referência ao caso em tela, o ora recorrente se manteve omisso quanto a apresentação da documentação que suportasse sua escrituração comercial e fiscal. Veja, a fiscalização analisa a documentação inicialmente apresentada e instiga o contribuinte a cooperar com o atingimento de uma verdade absoluta. Diante de todo o exposto, então, o arbitramento tornase o instrumento utilizado pela fiscalização como ultimação da atribuição de presunção relativa aos fatos, após todas as tentativas vãs e falhas no sentido de busca pelas informações e documentações do contribuinte. Não obstante, o instrumento em si, leiase, o arbitramento, é dotado de presunção absoluta de veracidade, ressaltando que os fatos ali contidos são relativizados. Veja, Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 9 15 uma presunção absoluta (“jure et de jure”) é uma ficção legal: não deixa de ser uma presunção, considerando aqui o alcance conteudístico significativo deste signo, apesar de uma maior proximidade a realidade concreta do que uma presunção relativa de veracidade. Sob outra ótica, não há o atingimento da verdade propriamente dita, principalmente quando a análise dos fatos é respaldada sobre a égide da aplicação do princípio da verdade material. Em contrapartida, o princípio da verdade formal, impulsiona o firmamento de uma presunção absoluta de veracidade, uma vez que todos os meios legais foram consumados e exaustos na busca pela verdade dos fatos, e legitima o arbitramento do lucro no caso concreto, inadmitindo prova em contrário que o desnature. Quanto aos fatos que o precederam e que o originaram, reiterase, mantémse a mesma presunção relativa da qual todo o processo fiscalizatório fora alagado. Para melhor entendimento da situação no campo fático, imprescindível a aplicação do art. 148 do CTN, o qual, sob um olhar perfunctório, tem o escopo de aproximar os valores arbitrados o máximo possível da verdadeira base de cálculo do tributo. Ainda assim, referido dispositivo legal, contudo, não encerra a possibilidade de prova em contrário no momento de formação do lançamento: o legislador estendeu a garantia do contraditório também à ocasião posterior ao arbitramento. Eis a dicção legal do art. 148 do CTN: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” A jurisprudência instaurada no CARF, alicerçada pelo normativo supracitado, amparada, agora sim, integralmente no princípio da verdade material, concretiza os princípios do contraditório e da ampla defesa à todo o processo administrativo. Permitese que o contribuinte faça prova a seu favor em sede de impugnação e recurso voluntário, no intuito claro de ilidir a presunção relativa ultimada por meio do arbitramento, mantendo intacta, no entanto, a presunção absoluta deste último. Tal assertiva é consolidada através de entendimento sumulado: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Fl. 1063DF CARF MF 16 Tornase cristalina a conclusão de que o arbitramento, por si, não pode ser invalidado, pois em momento anterior fora eivado de presunção absoluta de veracidade. Conquanto, os fatos ali dispostos, dotados de presunção relativa, são passíveis de serem ilididos pelo contribuinte a qualquer momento. Não cabe, ao presente julgador, desnaturar o arbitramento e seus efeitos propagados desde o lançamento: foge a lógica do ordenamento jurídicotributário; é expressamente vedado por entendimento súmula, que respalda toda a jurisprudência neste sentido; e, além, chocase com toda a sistemática criada pelo legislador para a otimização da busca pela verdade absoluta. Quanto a este último ponto, restou demonstrado que as presunções de veracidade relativa são institutos oscilantes e voláteis, justamente para funcionarem como um instrumento que impulsiona, a todo o custo, o aprimoramento da verdade e, posteriormente, o atingimento de uma verdade absoluta. Enquanto isso, as presunções absolutas, apesar de não perfazerem uma verdade absoluta de fato, não instigam a possibilidade de prova em contrário, o que as reserva um caráter de estagnação, imutabilidade momentânea. Inviabilizar o arbitramento pelas provas apresentadas em momento posterior, portanto, tornase um meio incapaz de eivar de ilegalidade todo o processo fiscalizatório e o lançamento concretizado e insuficiente para a decretação de nulidade. Reiterase, que o arbitramento é a consequência de todo um processo fiscalizatório, concretizando a verdade até então apurada. Neste contexto o arbitramento só será desnaturado como consequência lógica a ilição concreta de todas as presunções relativas ali construídas, por natural perda de seu objeto. Tributação Reflexa Em relação à tributação reflexa, de PIS e COFINS, dada a íntima relação de causa e efeito e inexistência de fatos diversos que justificassem uma análise diferente, o lançamento decorrente segue o racional do lançamento principal. Recurso de Ofício Da multa Qualificada Entendo que fora acertada a decisão da DRJ que afastou a multa qualificada de 150% em razão da inexistência de fraude da contribuinte. Comungo do mesmo entendimento dos julgadores a quo no sentido de que o arbitramento do lucro por si só não justifica a aplicação da multa qualificada de 150% se ausente a comprovação de fraude. Também aqui me socorro da Súmula CARF n. 14 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 10 17 multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Entendo também aplicável ao presente caso a Súmula CARF n. 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A fiscalização não conseguiu comprovar no presente caso o evidente intuito de fraude da Contribuinte, tendo tido êxito somente para fins de justificar o arbitramento aplicado. Assim, não merece reparo a decisão da DRJ que afastou a multa qualificada. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGAR LHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para AFASTAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS e no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1065DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000347/2004-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
LANÇAMENTO. ATO ADMINISTRATIVO. ESPÉCIE. VÍCIOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (competência, forma, objeto, motivo e finalidade), não se verificando qualquer nulidade no auto de infração que, além de preencher os requisitos de validade, estatuídos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não viola as disposições do art. 59 do mesmo diploma legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO. ATOS LEGAIS E INFRALEGAIS. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE.
Conforme dispõem os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, a compensação de créditos de um contribuinte com débitos de outro, na forma do do art. 15 da IN SRF 21/97, deve observar a ordem de prioridade definida no art. 7º do Decreto-Lei nº 2.287/86, segundo o qual, antes de se proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá a RFB verificar se o contribuinte, titular do direito de crédito, é devedor da Fazenda Nacional e, em caso positivo, promover a compensação, total ou parcialmente, com os seus débitos próprios, para só então, remanescendo direito de crédito, compensar os débitos de outros contribuintes, quando permitido.
MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
É descabida a exigência de multa de ofício no lançamento realizado na forma do art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, pelo indeferimento de compensação de um contribuinte com crédito de outro, com fulcro no art. 15 da IN SRF 21/97, tendo em vista a superveniência do art. 18 da Lei nº 10.833/03 e a aplicação do instituto da retroatividade benigna inserto no art. 106, II, a do Código Tributário Nacional.
DCTF. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. JUROS DE MORA. FLUÊNCIA.
Consoante arts. 161 do CTN e 61 da Lei nº 9.430/96, os débitos para com a União, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, serão acrescidos de juros moratórios à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-005.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa de ofício aplicada, mantidos o principal e os juros moratórios.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 LANÇAMENTO. ATO ADMINISTRATIVO. ESPÉCIE. VÍCIOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (competência, forma, objeto, motivo e finalidade), não se verificando qualquer nulidade no auto de infração que, além de preencher os requisitos de validade, estatuídos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não viola as disposições do art. 59 do mesmo diploma legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO. ATOS LEGAIS E INFRALEGAIS. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE. Conforme dispõem os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, a compensação de créditos de um contribuinte com débitos de outro, na forma do do art. 15 da IN SRF 21/97, deve observar a ordem de prioridade definida no art. 7º do DecretoLei nº 2.287/86, segundo o qual, antes de se proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá a RFB verificar se o contribuinte, titular do direito de crédito, é devedor da Fazenda Nacional e, em caso positivo, promover a compensação, total ou parcialmente, com os seus débitos próprios, para só então, remanescendo direito de crédito, compensar os débitos de outros contribuintes, quando permitido. MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. É descabida a exigência de multa de ofício no lançamento realizado na forma do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, pelo indeferimento de compensação de um contribuinte com crédito de outro, com fulcro no art. 15 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 47 /2 00 4- 41Fl. 353DF CARF MF 2 da IN SRF 21/97, tendo em vista a superveniência do art. 18 da Lei nº 10.833/03 e a aplicação do instituto da retroatividade benigna inserto no art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional. DCTF. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. JUROS DE MORA. FLUÊNCIA. Consoante arts. 161 do CTN e 61 da Lei nº 9.430/96, os débitos para com a União, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, serão acrescidos de juros moratórios à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa de ofício aplicada, mantidos o principal e os juros moratórios. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Cuidase de lançamento para exigência de COFINS, outubro/1999, fundado no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, decorrente do indeferimento de compensação de débito de um contribuinte com crédito de outro, no bojo do PA 10660.001897/9955. Em impugnação o contribuinte defendeu a legalidade da compensação efetuada; pugnou pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário até prolação de decisão definitiva no PA 10660.001897/9955, onde se encontra a compensação vinculada à exigência; asseverou a inaplicabilidade da multa de ofício e dos juros de mora e, por fim, sustentou a nulidade do auto de infração em função dos vícios apontados. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16327.000347/200441 Acórdão n.º 3401005.055 S3C4T1 Fl. 354 3 A DRJ São Paulo I/SP manteve integralmente a autuação: “AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível cogitarse de nulidade do Auto de Infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade) COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO. A legislação de regência, vigente à época da autuação, impõe o lançamento de ofício do crédito tributário, quando não homologada a compensação pretendida pelo sujeito passivo. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de compensação, com créditos de terceiros, não suspende a exigibilidade dos débitos objeto do pedido, por inadequação às hipóteses descritas no art. 151, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Aplicase a multa prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos de lançamento de ofício de de crédito tributário cuja compensação não foi homologada. JUROS DE MORA CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta.” O recurso voluntário insistiu na nulidade do auto de infração, na regularidade da compensação, suspensão da exigibilidade do crédito tributário e descabimento da multa de ofício e dos juros de mora. Em 04/02/2011, por intermédio da Resolução nº 3401000.238, foi reconhecida a conexão com o PA 10660.001897/9955 e convertido o julgamento em diligência para juntar a decisão administrativa definitiva a ser prolatada naqueles autos. A diligência foi cumprida e o processo devolvido para prosseguimento. Em função do relator original não mais compor o colegiado houve a redistribuição, por sorteio, do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Cuidandose de retorno de diligência, o juízo de admissibilidade recursal já foi oportunamente realizado, quando da primeira inclusão em pauta do processo. Fl. 355DF CARF MF 4 Preliminarmente, quanto à nulidade do lançamento, na mesma toada que a decisão de primeiro grau, não a vislumbro, uma vez que não se verifica qualquer vício nos elementos constitutivos do ato administrativo, do qual o lançamento é espécie – competência, objeto, forma, motivo e finalidade – atendendo plenamente os requisitos de validade insertos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, além do que, não há violação às disposições do art. 59 do mesmo diploma legal. De outra banda, o pretenso defeito na constituição do crédito e a inflição de multa de ofício e juros de mora implica na procedência ou improcedência da exigência tributária, porque diz respeito ao mérito, não inquinando o lançamento de nulidade, como sustentado. Tocante à legalidade da compensação, alguns ajustes nas premissas adotadas pelo recurso são necessários, principiando pela tese segundo a qual a compensação aviada extinguiria o crédito tributário, a teor do art. 156, II do Código Tributário Nacional, isso porque a compensação como causa de extinção do crédito tributário é aquela tratada no art. 170, do mesmo codex, que exige a liquidez e certeza dos direitos creditórios de titularidade do contribuinte. Nessas hipóteses, a Administração Tributária se manifesta antes do procedimento compensatório, com o reconhecimento antecedente da procedência jurídica (certeza) e quantificação (liquidez) dos créditos invocados pelo contribuinte, situação jurídica que torna o encontro de contas definitivo e, nessa condição, apto a extinguir o crédito tributário. Todavia, as formas de compensação implementadas pelas Leis nºs 8.383/91 e 9.430/96 prescindem dos pressupostos de liquidez e certeza do direito de crédito, sendo oportunizado ao contribuinte promover a compensação sob condição resolutória de sua ulterior homologação, tácita ou expressa, como posteriormente veio a constar da norma de regência, pelas modificações introduzidas pela Lei nº 10.637/02 e seguintes, de modo que a extinção do crédito não ocorreria, no momento da compensação, mas com a homologação do procedimento, expressamente, pela autoridade fiscal, ou tacitamente, pelo decurso do tempo. Outrossim, distintamente do que aduz o recorrente, a matriz legal da compensação aviada – entre contribuintes diversos – não é o art. 66 da Lei nº 8.383/91, que estatuiu a compensação de tributos da mesma espécie, e foi normatizada pela IN DPRF 67/92, que estabelecia a sua realização no âmbito do lançamento por homologação, diretamente na escrita contábil do sujeito passivo, mas sim os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, que instituíram a possibilidade de compensação entre tributos de espécies diversas, mediante requerimento do interessado, com disciplina na IN SRF 21/97, que, mesmo não contando com respaldo legal aparente, permitiu a compensação de débito de um contribuinte com crédito de outro, através da entrega dos formulários de requerimento lá previstos. A redação dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, à época dos fatos, era a seguinte: “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16327.000347/200441 Acórdão n.º 3401005.055 S3C4T1 Fl. 355 5 II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” (destacado) A normatização da compensação se deu pelo art. 15 da IN SRF 21/97: “Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRF A da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) Fl. 357DF CARF MF 6 § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000)” Pelo que se extrai dos autos, o formulário pedido de compensação do detentor do direito creditório (Exportadora Princesa do Sul Ltda.) foi protocolado no PA 10660.001897/9955, enquanto o requerimento do titular do débito a compensar, o recorrente, no PA 16327.002872/9946, sendo a compensação realizada no período em que vigorava a permissão para esse procedimento. Portanto, a compensação sob análise, a priori, é válida, ao passo que obedece as prescrições infralegais, no entanto, não tem a capacidade de extinguir o crédito tributário, mas apenas impedir a sua cobrança, por decorrência da condição resolutória, que produz efeitos jurídicos imediatos e vincula sua ineficácia à ocorrência do evento futuro – a homologação do procedimento. Daí a motivação da conversão em diligência: a verificação da ocorrência do evento futuro impeditivo da exigibilidade do crédito tributário. Feitas as ressalvas e já adentrando o meritum causae, a unidade preparadora juntou cópia das principais peças do PA 10660.001897/9955, valendo referenciar o Despacho nº 11/2017RFB/DRFVAR/SAORT/GEDOC, de 06/02/17 (efls. 324/326), que fixou as balizas da execução da decisão administrativa irreformável lá exarada. A partir dessa manifestação foi expedido o Despacho nº 51/2017 RFB/DRFVAR/SAORT/GEDOC, de 11/04/2017, onde foi apurado o direito de crédito e o processamento e liquidação das compensações e dos débitos pendentes (efls. 327/329). Devidamente intimado a se manifestar sobre a compensação, especialmente o procedimento de ofício, com fulcro no art. 73 da Lei nº 9.430/96, o contribuinte detentor do direito de crédito não concordou com a providência, o que impediu o prosseguimento da compensação com débitos de terceiros, dada a ordem de prioridade compensatória lá insculpida, conforme Despacho nº 121/2017RFB/DRFVAR/SAORT/GEDOC, de 19/07/2017 (efls. 344/345), que ora se reproduz: “O presente processo (10660.720289/201713) foi formalizado com a finalidade de viabilizar o encontro de contas e a operacionalização da compensação dos débitos relacionados no(s) Pedido(s) de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, referente à empresa acima identificada (UAM – ASSESSORIA E GESTÃO DE INVESTIMENTOS LTDA.), os quais foram protocolados no eprocesso nº 10660.001897/9955, cujo detentor do Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16327.000347/200441 Acórdão n.º 3401005.055 S3C4T1 Fl. 356 7 crédito é a empresa Exportadora Princesa do Sul Ltda, CNPJ nº 25.865.247/000100. Os débitos foram cadastrados neste processo visando agilizar o procedimento de compensação, tendo em vista a grande quantidade de terceiros envolvidos na compensação, sendo que os mesmos débitos também estão controlados nos processos nº 16327.000347/200441 e 16327.000346/200405 sendo que na época do cadastramento estavam localizados na DIV CONTROLE ACOMP TRIBUTARIODEINFSP. Visando não causar prejuízo a empresa identificada em epígrafe, após o cadastramento dos débitos foi informado no sistema SIEF questionamento/revisão de lançamento para suspensão da cobrança dos débitos cadastrados. Observando que após a compensação efetuada o presente processo seria encaminhado à jurisdição para providências relativas aos débitos dos processos nº 16327.000347/2004 41 e 16327.000346/200405. Ocorre que, por meio da Intimação no 139/2017 RFB/DRFVAR/SAORT/GEDOC, constante do processo digital nº 10660.001897/9955, o contribuinte detentor do crédito foi intimado a autorizar o procedimento de compensação de ofício com débitos próprios, porém a empresa não aquiesceu desta compensação, fato este que impede o prosseguimento do procedimento da compensação com quaisquer débitos de terceiros.” (destacado) Como mencionado alhures, a compensação com crédito de terceiros é figura que não contava com previsão expressa na lei, porém, foi admitida como espécie de compensação com tributos de espécies distintas, nos moldes dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, realizada mediante requerimentos dos interessados, como dispunha o art. 15 da IN SRF 21/97. Ocorre que, nos termos do art. 74, acima transcrito, o direito à restituição/ressarcimento/compensação deveria primordialmente observar a ressalva do art. 73, que por sua vez, atrelava a repetição de indébito ou ressarcimento à observância do disposto no art. 7º do DecretoLei nº 2.287/86, assim redigido à época: “Art 7º A Secretaria da Receita Federal, antes de proceder a restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá verificar se o contribuinte é devedor à Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito em nome do contribuinte, o valor da restituição ou ressarcimento será compensado, total ou parcialmente, com o valor do débito. Fl. 359DF CARF MF 8 § 2º O Ministério da Fazenda disciplinará a compensação prevista no parágrafo anterior.” O dispositivo não deixa dúvida que a prioridade de abatimento do direito creditório do contribuinte recai sobre débitos próprios perante a Fazenda Nacional, que deverão ser compensados em primeiro lugar, para só então, acaso remanesça saldo de crédito, empregarse nas compensações a requerimento, aí incluídas, aquelas realizadas com débitos de outro contribuinte, com lastro no art. 15 da IN SRF 21/97. Então, se o contribuinte detentor do direito creditório não concordar com o procedimento compensatório de ofício, nos termos do art. 73 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 7º do DL 2.287/86, independente dos motivos alegados, fica obstada a compensação a requerimento, como ocorre nesses autos (16327.000347/200441). Assim, sustada a compensação da COFINS, outubro/1999, acostada no PA 16327.002872/9946, correto, por ocasião da lavratura, o lançamento para constituição do crédito tributário respectivo, com lastro no art. 90 da MP 2.15835/2001. Quanto à suspensão da exigibilidade do crédito, a partir da conexão processual, uma vez encerrado o feito principal (PA 10660.001897/9955), a sua ocorrência se dá exclusivamente pelo contencioso que se desenvolve no presente processo. Relativamente aos juros de mora, estabelece o art. 61 da Lei nº 9.430/96, que os débitos de tributos administrados pela RFB serão acrescidos de juros à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, de maneira que não assiste razão à reclamação do recorrente. Respeitante à multa de ofício, estribandose a autuação no art. 90 da MP 2.15835/2001, como destacado no relatório de autuação (efl. 5), destinavase à cobrança das diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Entretanto, posteriormente, com o advento da Lei nº 10.833/03, de 29/12/2003 (DOU 30/12/2003), por intermédio de seu art. 18, a necessidade de lançamento prevista no art. 90 da MP 2.15835 passou a ser restrita aos casos nele enumerados, não alcançando a situação destes autos – compensação indeferida – verbis: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Considerando que o indeferimento da compensação não se funda na verificação de quaisquer das circunstâncias arroladas no preceptivo, ainda que mantida a constituição do principal e dos juros moratórios, deve ser exonerada a multa de ofício, por aplicação do instituto da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional: Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16327.000347/200441 Acórdão n.º 3401005.055 S3C4T1 Fl. 357 9 “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (...)” Por conveniente, a liquidação dessa decisão fica atrelada ao destino dos processos onde se processam as compensações (PA's 10660.001897/9955 e 16327.002872/99 46). Em face de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa de ofício aplicada, mantidos o principal e os juros moratórios. Robson José Bayerl Fl. 361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000939/2002-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. FUNDAMENTOS.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. No caso, os documentos carreados aos autos suprem a contradição dos fundamentos que serviram de base ao voto condutor.
Numero da decisão: 2401-005.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
1.0 = *:*
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CONTRADIÇÃO. FUNDAMENTOS. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. No caso, os documentos carreados aos autos suprem a contradição dos fundamentos que serviram de base ao voto condutor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 09 39 /2 00 2- 90 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13558.000939/200290 Acórdão n.º 2401005.433 S2C4T1 Fl. 107 2 Relatório Cuidase de embargos de declaração do representante da Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 30134.572, da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 86/93), cuja ementa e dispositivo estão está assim redigidos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 Áreas de preservação permanente e reserva legal. Para ser excluída da área tributável, a área de preservação permanente deve ser assim reconhecida pelo IBAMA ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental, ou laudo que comprove existir a referida área. Estando averbada à margem da matricula, deve ser excluída da área tributável a área de reserva legal. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Às fls 103/105, consta despacho de admissibilidade dos embargos efetuado pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos seguintes termos: [...] Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional, o Conselheiro Relator expôs argumentos contraditórios no voto condutor do acórdão, denotando vicio no raciocínio que ensejou o deferimento do pedido de inclusão da Área de Reserva Legal não averbada na matricula do imóvel na data do fato gerador. Destacou trecho do voto para demonstrar a alegada contradição: "Consta averbação da reserva legal no ano de 2003, conforme documentos de fls. 57 e seguintes, mas nenhum documento ou laudo atestando que a época da ocorrência do fato gerador havia a referida reserva legal. Muito embora à época da ocorrência do fato gerador a reserva legal não estivesse averbada, a averbação em momento posterior deve ser considerada. A averbação é ato que somente exterioriza, faz repercutir no campo jurídico a existência de reserva legal. Somente no caso de direito real é que a averbação requisito de formação do direito. No caso, a reserva legal já existia antes da averbação, cumprindo esse ato jurídico apenas a função de dar publicidade, servir de meio de prova e repercutir juridicamente, para todos os efeitos legais, a existência da referida reserva. Portanto, deve ser reconhecida a área de reserva legal." (grifos do embargante) Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13558.000939/200290 Acórdão n.º 2401005.433 S2C4T1 Fl. 108 3 Acrescenta que, na hipótese em questão, podese observar que o colegiado entende que mesmo não estando averbada a área de reserva legal no momento do fato gerador do tributo, pode ser mantida a isenção se houver documento ou laudo que ateste a contemporaneidade daqueles — área e fato gerador. Ressalta que, o próprio voto condutor afirma veementemente que não existe tal comprovação nos autos, tornando lógico concluir que se mostra cabível a glosa nas áreas indicadas pela contribuinte. Afirma que, não obstante a constatação, a seqüência do raciocínio mostra se equivocada, na medida em que o Conselheiro afirma que a área de reserva legal em questão já existia quando da averbação, sem se referir ao fato gerador, momento adequado para analisar a veracidade das informações prestadas na DITR de 1998. Ao final, requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada, e, considerando a constatação de ausência de comprovação da Área de reserva legal por documento ou laudo técnico a época do fato gerador, conclua o colegiado pela negativa de provimento ao recurso voluntário em análise. É o breve relato. Passo ao exame. Considerando que se trata de embargos opostos contra decisão proferida por colegiado extinto, analiso sua admissibilidade, na qualidade de Presidente da Seção competente para apreciação da matéria. Com relação a contradição apontada, assiste razão à Embargante. Ao mesmo tempo em que o acórdão afirma textualmente que não há nenhum documento ou laudo nos autos, que comprove a existência da área de Reserva Legal à época do fato gerador, reconhece que a averbação da referida área na matrícula do imóvel em data posterior possibilita a exclusão da área da base tributável do ITR. Diante do exposto, devese acolher os Embargos e, conseqüentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13558.000939/200290 Acórdão n.º 2401005.433 S2C4T1 Fl. 109 4 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Os presentes aclaratórios devem ser recepcionados no sentido de que seja analisada a contradição no decidido no Acórdão nº 30134.572, datado de 19 de junho de 2008. A questão da controvérsia, segundo a representante da PFN, podese ser resumida nas seguintes passagens do voto condutor: Consta averbação da reserva legal no ano de 2003, conforme documentos de fls. 57 e seguintes, mas nenhum documento ou laudo atestando que a época da ocorrência do fato gerador havia a referida reserva legal. ... No caso, a reserva legal já existia antes da averbação, cumprindo esse ato jurídico apenas a função de dar publicidade, servir de meio de prova e repercutir juridicamente, para todos os efeitos legais, a existência da referida reserva. Portanto, deve ser reconhecida a área de reserva legal. Os embargos declaratórios tem por finalidade tornar clara a decisão embargada, suprir eventuais contradições entre os fundamentos e a decisão ou, ainda, trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver sido o objeto do litígio enfrentado em sua inteireza, de forma lógica e coerente. Compulsando os autos, verifico que existe às fls. 19 o Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado no IBAMA 19/06/1998, com a especificação da área de Reserva Lega de 301,7 ha, exatamente o valor da glosa perpetuada no lançamento de ofício às 2/8. Pois bem. A decisão do colegiado foi no sentido de que mesmo não estando averbada a área de reserva legal no momento do fato gerador, pode ser mantida a isenção se houver documento ou laudo que ateste a contemporaneidade da área e do fato gerador. Portanto, à vista do ADA protocolado no órgão ambiental, entendo que está suprida a contradição apontada pelo representante da Fazenda Nacional. Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, para rejeitar a contradição com fundamentos no voto acima. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000278/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 28/02/2005
AUTUAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PAGAMENTOS DE SALÁRIOS A DIVERSOS EMPREGADOS SEM DECLARAÇÃO EM GFIPS. PAGAMENTOS POR FORA. PERÍODO DE 06/2002 A 02/2005 E CIÊNCIA EM 22/10/2007. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Não comprovação de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias pelo contribuinte. Aplicação da Súmula CARF nº 99, aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 2201-004.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes e Douglas Kakazu Kushiyama.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 28/02/2005 AUTUAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PAGAMENTOS DE SALÁRIOS A DIVERSOS EMPREGADOS SEM DECLARAÇÃO EM GFIPS. PAGAMENTOS POR FORA. PERÍODO DE 06/2002 A 02/2005 E CIÊNCIA EM 22/10/2007. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Não comprovação de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias pelo contribuinte. Aplicação da Súmula CARF nº 99, aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
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PAGAMENTOS DE SALÁRIOS A DIVERSOS EMPREGADOS SEM DECLARAÇÃO EM GFIPS. PAGAMENTOS POR FORA. PERÍODO DE 06/2002 A 02/2005 E CIÊNCIA EM 22/10/2007. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Não comprovação de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias pelo contribuinte. Aplicação da Súmula CARF nº 99, aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 02 78 /2 00 7- 62 Fl. 462DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes e Douglas Kakazu Kushiyama. Relatório O presente Auto de Infração (DEBCAD 37.034.6270 CFL 68) decorre do descumprimento de obrigação acessória, ou seja, por apresentar o documento a que se refere a Lei Nr. 8.212/1991, Ar. 32, Inciso IV e Parágrafo 3°., acrescentados pela Lei Nr. 9.528/1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei Nr. 8.212/ 1991, Art. 32, IV e parágrafo 5°., também acrescentado pela Lei Nr. 9.528/1997, combinado com o Art. 225, IV e parágrafo 4°. Do Regulamento da previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06.05.1999. A Fiscalização constatou que a empresa efetuou pagamentos de salários a diversos empregados e NÃO DECLAROU TAIS PAGAMENTOS EM GFIPS., deixando, portanto, de informar mensalmente todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias Referidos pagamentos de salários foram efetuados pela empresa mediante Cheques e, também, através de Folhas de Pagamento “EXTRAFOLHA”, ou seja, em ambos os casos ocorreu pagamentos de salários “POR FORA” das Folhas de Pagamento de Salários mensais dos empregados da empresa. Significa dizer que o “Salário Real”, Salário efetivamente pago pela empresa aos seus empregados, foi registrado/anotado A MENOR, respectivamente, na Carteira de Trabalho e Previdência Social CTPS e no Livro de Registro de Empregados LRE. Competências 06/2002 a 02/2005 e ciência em 22/10/2007. Há a informação de que foi lavrado o Auto de Infração DEBCAD 35.564.9039 (Código de Fundamento Legal 56), que cobrava multa decorrente do fato de a Autuada, ora Recorrente, contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra oriundas das empresas contratadas, deixou de reter 11% (onze por cento) do valor bruto das nota fiscais de serviço NFS relacionadas e efetuar o recolhimento das contribuições retidas em nome das referidas empresas cedentes de mãodeobra (contratadas). Naquele auto (DEBCAD 35.564.9039), aplicouse multa e o contribuinte efetuou o pagamento com o benefício da redução de multa em 50% (cinquenta por cento). Posteriormente, foi emitida DecisãoNotificação DN Nr. 11.428.4/0062/2004 que determinou a extinção do crédito, em razão do pagamento da penalidade imputada, dentro do prazo deferido para interposição de defesa, ocorrendo redução de 50% do valor da autuação. No caso, entendeuse que a prática de nova infração a dispositivo legal diferente, dentro de 5 (cinco) anos da data da decisão administrativa homologatória da extinção do crédito referente à infração anterior configura reincidência genérica, fato que enseja a aplicação de multa em seu valor mínimo, elevado em duas vezes, nos termos do art. 290, inciso V e parágrafo único, combinado com o art. 292, inciso IV, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 12963.000278/200762 Acórdão n.º 2201004.289 S2C2T1 Fl. 443 3 De acordo com a fiscalização o contribuinte incidiu em circunstâncias agravantes (reincidência genérica), a multa aplicada, face a natureza do presente AI( Código de Fundamento Legal: 68 ), é a prevista no Parágrafo 5°, Art. 32 da Lei Nr. 8.212/1991, acrescentado pela Lei Nr. 9.528, de 10.12.1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto Nr. 3.048, de 06.05.99, Art. 284, Inciso II, respeitandose a graduação prevista no Parágrafo 4°., Art. 32 da citada Lei, ou seja, o valor da multa é limitado ao número de segurados da empresa em cada competência (mês). O valor da multa pela infração praticada foi atualizado pela PORTARIA Nr. 142, de 11.04.2007, do Ministério da Previdência Social (Art. 9°., Inciso VI), nos termos do Art. 102 da lei Nr. 8.212/1991 e Art. 373 do RPS, sendo a mesma no valor de R$ 1l.211,18 (Onze Mil, Duzentos e Onze Reais e Dezoito Centavos). O contribuinte apresentou defesa e documentos (fls. 162/182) em que requereu a improcedência da autuação ou, alternativamente, a relevação ou atenuação da mesma, alegando em apertada síntese, conforme relatado na decisão recorrida: Primeiramente, demanda seja concedida a decadência qüinqüenal das supostas infrações cometidas antes de 10/2002, com base em jurisprudência que considera inconstitucional o prazo decadencial de 10 (dez) anos das contribuições previdenciárias. No mérito, argumenta que nas cópias das GFIP referentes às competências 06 a 12/2002 e 01 a 03/2003, acostadas aos autos, entregues anteriormente à fiscalização, verificase que foram declarados corretamente os pagamentos efetuados a todos os empregados relacionados no relatório fiscal. Por outro lado, acrescenta que não pode ser aceita a informação de que se trata de pagamentos de salários “por fora”, pois não foi indicado qual o valor da remuneração registrada, o valor da remuneração que o fiscal entende correta, o valor relativo à parte do empregado e se a remuneração considerada já atingiu ou não 0 teto do saláriobase. Quanto às competências 10/2003 e 08/2004 a 02/2005, diz que não se consegue saber sequer a quais trabalhadores se referem os salários apurados, o que causa cerceamento do direito de defesa da empresa e prejuízo ã mesma, por não possuir dados suficientes para contestar a infração ou corrigir a falta. Relativamente à multa, alega que esta desprovida de amparo legal, pois no Auto de Infração vêse a informação de que se refere a contribuições previdenciárias, porém em seu cálculo foram considerados valores referentes a terceiros (na alíquota de 5,8%). Discorda da caracterização da reincidência da infração e do consequente agravamento do valor da multa por dois motivos. Primeiro, porque a ação fiscal que culminou com a lavratura da presente autuação teve como motivação nova constituição de crédito devido à anulação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.564.9047, de 08/04/2004, devendo Fl. 464DF CARF MF 4 assim a presente ação ser considerada continuação daquela e não uma nova, o que desconfiguraria a reincidência. Em segundo lugar, independente do primeiro argumento, aduz que o art. 290, V, parágrafo único, estabelece que caracteriza reincidência a prática de nova infração dentro de cinco anos da extinção do crédito referente à infração anterior. No presente caso, as infrações relatadas foram anteriores ao trânsito em julgado administrativo do Auto de Infração n° 35.564.9039, apontado como a infração que gerou a reincidência, o que se deu em 21/10/2004, com a emissão da Decisão que extinguiu o crédito quitado em 13/09/2004. Por fim, o autuado protesta pela produção de provas adicionais incluindose a juntada de documentos, no momento e condições que se apresentarem necessários. (...) Analisando os argumentos de defesa, foi proferida decisão (fls. 427/436) pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora (MG), que julgou o lançamento procedente em parte, cujos tópicos de defesa podem ser resumidos da seguinte forma: "DECADÊNCIA (...) Assim, a Lei n° 8.212/91 regula inteiramente a questão do prazo decadencial da contribuição previdenciária, não cabendo aplicar o Código Tributário Nacional, que dispõe sobre normas gerais, para suprir eventuais lacunas na legislação. Cumpre assim à Administração Tributária, portanto, seguir expressamente o que preceitua a legislação pertinente à matéria previdenciária, a qual determina que o referido prazo decadencial é de 10 (dez) anos, posto que o mesmo não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A informação mensal ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) dos dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e de demais informações de interesse da autarquia foi instituída pela Lei n° 9.528/1997. O Decreto n° 3.048/1999 definiu que tais informações darse iam através da GFIP estipulando sua obrigatoriedade relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999 (art. 225, inciso IV, § 3°). A Lei n° 9.528/1997, acrescentando dispositivos à Lei n° 8.212/1991, também estabeleceu no § 5° de seu art. 32, que a apresentação do documento acima referido com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitaria o infrator à pena administrativa correspondente à cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitadas aos valores previstos no § 4°, art. 32 da mesma lei. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 12963.000278/200762 Acórdão n.º 2201004.289 S2C2T1 Fl. 444 5 A fiscalização apurou, conforme mencionado no Relatório Fiscal da Infração, que a empresa deixou de informar na GFIP os fatos geradores de contribuição previdenciária ali detalhados, ensejando a lavratura da presente autuação, nos termos estritos do previsto no an. 293 do RPS. E oportuno salientar que os valores lançados pela fiscalização foram apurados a partir dos documentos apreendidos do contribuinte para análise, como Folhas de Pagamento e Livros de Registros de Empregados, conforme documentos de fls. 19/26. Quanto ao ônus da prova, fazse necessário esclarecer à impugnante que a legitimidade do ato administrativo traz ínsita a inversão do ônus da prova. Ensina Hely Lopes Meirelles que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção da legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. (Direito Administrativo Brasileiro, 21ª ed., pág.l4l/2). Neste sentido, manifestase com precisão Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em sua obra Processo Administrativo Tributário, Malheiros Editores, 2000, pg. 184 185: As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguramse e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. Dessa forma, cabia ao contribuinte o ônus de provar em contrário, não tendo o mesmo se desincumbido a contento desse mister, já que alegou genericamente que os valores estavam incorretos e que deviam ter sido analisados outros documentos. Não foram especificadas as provas dos seus argumentos, tampouco foram precisos os fatos alegados. Assim, na falta de prova regular e formalizada, a fiscalização lançou corretamente os valores. Sobre o cerceamento de defesa alegado pelo contribuinte, salientamos que este não restou caracterizado. No AI em tela não houve descumprimento de qualquer formalidade obrigatória (artigo 37 da Lei n.° 8.212/91), eis que constam dos autos relatórios que discriminam, por competência, todos os dados e fatos necessários à perfeita compreensão do lançamento, senão vejamos: Na folha de rosto (fls. 01) estão elencados os anexos que integram o AI em pauta, os quais discriminam os fundamentos legais e a documentação que serviu de subsidio à lavratura. O Relatório Fiscal (fls. 29/39) descreve as infrações cometidas, os elementos e o período examinados e a forma de cálculo da penalidade. A multa cominada para a infração tem previsão no art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212, de 24.07.91, acrescentado pela Lei n° 9.528, de Fl. 466DF CARF MF 6 10.12.97 e art. 284, Il, e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, atualizada pela Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007. Verificase no relatório de fls. 37/39 que o demonstrativo de cálculo atendeu parcialmente aos ditames do art. 32 da Lei n° 8.212/1991 e ao art. 284, II, do Decreto n° 3.048/1999, senão vejamos: consta a competência em que houve a infringência, o número de segurados para fins de aplicação do multiplicador sobre o valor mínimo da infração por ocorrência; os valores da contribuição devida não declarada e, por fim, o valor da multa aplicada por ocorrência, respeitandose o limite estabelecido pelo art. 32, § 4° da Lei n° 8.212/1991 Porém, a autoridade lançadora considerou indevidamente, nos valor da contribuição devida, a alíquota de 5,8% relativa às outras entidades e fundos (“terceiros”) que por não ser contribuição devida à Previdência, não deve constar do cálculo da multa. Os valores retificados seguem abaixo:. (quadro à fl. 434) (...) A impugnante alega que não cabe considerar a existência de agravante reincidência para fins de gradação da multa aplicada, uma vez que a ação fiscal que originou a lavratura do presente AI é continuação da ação iniciada em 2004, onde foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.564.9047, de 08/04/2004, tomada nula por meio da Decisão Notificação DN n° 11.431.4/0001/2006, de 06/01/2006, que determinou a lavratura de NFLD substitutiva, e não um novo procedimento fiscal. A nova NFLD recebeu o n° 37.034.6289, de 22/10/2007. Determina o art. 657, § 1° da IN SRP n° 03, de 14/07/2005 : (...) Assim, resta claro que os procedimentos devem ser considerados distinto para fins de caracterização de reincidência. Caso fosse continuidade da ação anterior, teria sido emitido um Mandado de Procedimento Fiscal Complementar para seqüência da mesma, conforme a IN SRP n° 03/2005. Com relação à alegação de não ter ocorrido nova infração após o pagamento do Auto de Infração lavrado na ação anterior, também não assiste razão ao defendente. Em pesquisa junto aos arquivos informatizados DATAPREV/INSS, constatase o pagamento do AI 35.564.9039 em 13/09/2004. Constatase no Relatório Fiscal que as infrações ocorreram de 06/2002 a 02/2005. Assim, quando das novas ocorrências, nas competências de 10/2004 a 02/2005, a empresa passou a ser reincidente, confonne art.290, inciso V e parágrafo único do RPS, que dispõem: (...) Fl. 467DF CARF MF Processo nº 12963.000278/200762 Acórdão n.º 2201004.289 S2C2T1 Fl. 445 7 Contudo, conforme relatado pelo Auditor Fiscal, a infração em epígrafe não permite agravamento do valor da multa, em que pese a caracterização de reincidência. Passase à análise da solicitação de atenuação ou relevação da multa. Os requisitos necessários para tais benefícios relativos à multa administrativa, aplicada em razão de descumprimento de obrigação acessória à legislação tributária, que versa sobre a cobrança de contribuições previdenciárias, estão previstos no an. 291 do RPS, que diz: (...) Da análise dos autos, constatase que a autuada não corrigiu a falta apontada. Desta forma, não apresentou circunstância atenuante, consoante o estabelecido no caput do art. 291 do RPS. Também ocorreu a circunstância agravante de reincidência e, por conseqüência, concluise pela manutenção do valor da multa aplicada, de acordo com a legislação vigente acima explicitada, não tendo como relevála ou atenuala, uma vez que a autuada não se ' enquadra no disposto no § 1° do art. 291 e inc. V do art. 292, ambos do RPS. Em relação ao requerimento de juntada posterior de documentos, devese observar que a Portaria RFB n° 10.875, de 16/08/2007, exige que as provas sejam apresentadas na impugnação, precluindo o direito de apresentálas em outro momento processual, a menos que se demonstre a ocorrência de um dos casos previstos nos incisos I a III do parágrafo primeiro de seu artigo 7°, caso em que deverá ser requerida tal juntada, mediante petição e demonstrando, com fundamentos, a ocorrência de uma destas condições, in verbis: (...) Face ao exposto, o presente voto é no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE a autuação, excluindo do cálculo da multa o valor referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos, alterando o valor da mesma para RS 9.492,13 (nove mil, quatrocentos e noventa e dois reais e treze centavos). Cientificada do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, conforme fl. 438, tempestivamente, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 439 a 442, no qual pugna apenas pelo reconhecimento da decadência quinquenal. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Fl. 468DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Decadência Por constituir matéria preliminar de mérito e por ser a única matéria em discussão no Recurso Voluntário do contribuinte, passo à análise da alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vigente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise foi lavrado pela não inclusão nas Guias de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP do período 06/2002 a 02/2005 de pagamento de salários a diversos empregados efetuados pela empresa mediante cheques e folhas de pagamentos “Extrafolha”, ou seja, o salário real efetivamente pago para empresa foi registrado a menor nas Carteiras de Trabalho e Previdência Social – CTPS e no Livro de Registro de Empregados – LRE, conforme detalhado no Relatório Fiscal da Infração de fls. 29/36. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66, Código Tributário Nacional (CTN), cujo teor merece destaque: Fl. 469DF CARF MF Processo nº 12963.000278/200762 Acórdão n.º 2201004.289 S2C2T1 Fl. 446 9 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifouse Ocorre que o prazo decadencial, no presente caso, tem início da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto na Súmula CARF 99, uma vez que decorre de diferenças e presumese que parte das contribuições foram pagas. O prazo decadencial, no presente caso, nos termos do disposto na súmula CARF nº 99, devese reconhecer o pedido do Recorrente: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Desta forma, nos presentes autos, não se trouxe prova de que houve pagamento antecipado do valor considerado pelo contribuinte, de modo que só me resta concluir pela aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). No caso em questão, a ciência do contribuinte da lavratura do presente auto de infração ocorreu em 22/10/2007 de modo que não há que se falar em decadência. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 470DF CARF MF 10 Fl. 471DF CARF MF
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