Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.675904/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2003
VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.368
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.675904/2009-25
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5856611
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.368
nome_arquivo_s : Decisao_10880675904200925.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10880675904200925_5856611.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7245730
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310416531456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.675904/200925 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.368 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PLÁSTICOS MACHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considerase válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 59 04 /2 00 9- 25 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02052.706, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade, não conhecendo do direito creditório postulado e não homologando a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada, alegando ainda, em síntese: "Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Transcreve doutrina relativa ao Código de Processo Civil que sustenta que as citações de pessoas jurídicas devem ser feitas aos seus representantes designados nos estatutos. No processo administrativo, expõe, as intimações devem ser realizadas de modo a garantir a ciência do interessado. Dada a importância da citação inicial e das repercussões de tal ato na lide e com vistas a garantir o pleno exercício do direito ao contraditório, conclui que, no caso de pessoas jurídicas, ela seja feita ao representante legal. Em não sendo observada a formalidade defendida, pugna pela nulidade dos atos processuais por cerceamento ao direito de defesa. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 4 3 Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei no 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar no 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória no 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Contudo, a Lei no 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP no 1.724, de 1998, convertida na Lei no 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 5 4 Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. Ao final, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o Despacho Decisório. Pede ainda que seja mantida vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art 17, § 11, e deste modo os valores compensados estarão suspensos conforme legislação pertinente." Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.364, de 21 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.675899/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.364): "O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0252.701, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte, por meio do ora analisado Recurso Voluntário, visa reformar o Acórdão referido por compreender que (i) há liquidez e certeza do crédito discutido; (ii) não foi respeitado o devido processo legal, no que diz respeito ao contraditório, uma vez que a notificação não foi feita na pessoa de seus sócios ou administradores; e (iii) deve ser excluído o valor devido de ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Como a questão da (i) liquidez e certeza do crédito tributário tem reflexos na discussão acerca (iii) da exclusão ou não do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, enfrentarseá primeiro a discussão do ponto sobre o (ii) devido processo legal e a ofensa ao contraditório no que tange a notificação, para posteriormente em conjunto tratar dos dois outros pontos. Do devido processo legal e contraditório O Contribuinte alega que houve violação ao devido processo legal, mais especificamente no seu direito ao contraditório, uma vez que a notificação não se deu na pessoa de seus sócios ou administradores, o que segundo ele, acaba por trazer a nulidade ao Despacho Decisório (fl. 2) em questão. Acerca deste argumento percebese, por meio do voto no Acórdão ora recorrido, que o Contribuinte, ciente do referido Despacho, foi capaz de apresentar sua Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 29) de forma tempestiva para questionar o objeto da Intimação. Cito a seguir trecho do voto do acórdão recorrido, como razões para decidir, que bem esclarece os fatos acerca da notificação e da alegada nulidade do Despacho Decisório por não respeitar o devido processo legal e contraditório (fls. 71 a 73): Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. Acerca do assunto em pauta, vale ressaltar também o entendimento expresso na Súmula nº 9 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi possível extrair o AR correspondente à ciência do Despacho Decisório ora contestado, que comprova que o documento foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo à época da intimação: (...) Conforme se vê, o contribuinte, ciente do Despacho Decisório, foi capaz de apresentar, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, questionando o ato administrativo objeto da intimação. As argumentações apresentadas pelo manifestante demonstram que a intimação cumpriu sua finalidade de cientificálo acerca da não homologação da compensação e consequente exigência do débito que não foi extinto, concedendolhe prazo para apresentar sua contestação. Tendo sido válida a intimação e analisada a manifestação de inconformidade no presente ato, não ficou configurada nenhuma hipótese de cerceamento do direito de defesa, devendo ser afastada a tese de nulidade do Despacho Decisório. Nesse sentido, considerando que a notificação sobre o Despacho Decisório se deu de forma legal, de acordo inclusive com o previsto na Súmula CARF nº 9, sem prejuízo ao direito ao contraditório, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Da liquidez e certeza do crédito discutido e do ICMS integrar a base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 8 7 O Contribuinte aduz que não é pressuposto para admissão da ação a definição sobre a liquidez e certeza do crédito discutido. Para tanto o Contribuinte cita o art. 170 do CTN, que, segundo ele e a doutrina colada aos autos, estabelece como requisito de liquidez e certeza se referem apenas a créditos da União e não do Contribuinte. Alega também que o valor de ICMS na sua nota fiscal é simplesmente para fins contábeis e que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, uma vez que não configura faturamento e que se caso assim fosse feriria o princípio da capacidade contributiva e teria como efeito o confisco. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte acerca destas duas matérias, resta prejudicada a discussão acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições, se não ficar demonstrado a liquidez e certeza do crédito discutido. Nesse sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido que bem elucidam a discussão, bem como, as razões para decidir (fl. 74): (...) Para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo e apuram as contribuições com base na Lei nº 9.718, de 1998, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém, cabe salientar que, no Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria relativamente aos processos de restituição ou compensação, por isso utilizase a existente no CPC. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração da Cofins do período analisado, incluiu receitas financeiras na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. É bom lembrar ainda que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), princípio este que também se aplica a pedido de restituição. Concluise, portanto, que deve a RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como evidenciado no caso em comento. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 9 8 (...) (Grifouse) Com o intuito de verificar a miúde se o Contribuinte fez prova em seu Recurso Voluntário, de que tenha feito o recolhimento a maior, cabe citar suas alegações (fls. 84 e 85): Portanto, constatase que como não foi comprovado a liquidez e certeza do crédito alegado, tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, sendo Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.675904/200925 Acórdão n.º 3301004.368 S3C3T1 Fl. 10 9 requisito legal para a concessão da compensação e restituição, fica prejudicada a discussão e análise acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições. Assim voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange a comprovação da liquidez e certeza do crédito e restando prejudicado a questão concernente a composição da base de cálculo da Cofins. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, restando prejudicada a questão concernente a composição da base de cálculo do PIS/COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002185/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1996 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1996 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.002185/2010-03
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861848
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.195
nome_arquivo_s : Decisao_19515002185201003.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515002185201003_5861848.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7281045
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310432260096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002185/201003 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2201004.195 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONTAXMOBITEL S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1996 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 85 /2 01 0- 03 Fl. 194DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19515.002185/201003 Acórdão n.º 2201004.195 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 196DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19515.002185/201003 Acórdão n.º 2201004.195 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 198DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723161/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO.
É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dando-lhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
A teor da Súmula CARF nº 11, incabível a aplicação de prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal.
Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS. REQUISITOS. DESCARACTERIZAÇÃO
Desfigurados os atos cooperativos, por prática de atos alheios aos objetivos da entidade previstos na Lei nº 5.764/1971, cabe a tributação das rendas e receitas auferidas.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Demonstrado nos autos o interesse comum de outras pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, entende-se que são solidariamente obrigadas com a autuada em relação à exigência correspondente, nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. ADMINISTRADORES DE FATO E DE DIREITO. IMPUTAÇÃO. ARTIGOS. 124, I, E 135, III, DO CTN.
A imputação prevista no artigo 135, III, do CTN exige que o administrador da entidade componha, regularmente, seu quadro gerencial. Se, à época dos fatos apurados, ele já não figurava como diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, inaplicável arrolá-lo como responsável com suporte neste dispositivo. Constatado, porém, que continuava a atuar, de fato, como gestor nos negócios da entidade, mesmo depois de formalmente excluído, é lícito à autoridade fiscal qualificá-lo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído, nos termos do art. 124, I, do CTN.
Numero da decisão: 1402-003.014
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso voluntário da recorrente EQUIPE - COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA., mantendo integralmente os lançamentos e o crédito tributário constituído nos autos de infração; ii) dar provimento parcial ao recuso voluntário das pessoas físicas Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira para afastar a responsabilização solidária fincada no artigo 135, III, do CTN, mantendo tão somente a sujeição passiva fundada no artigo 124, I, do mesmo diploma legal; iii) negar provimento ao recurso voluntário das pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda.; Edusaúde Serviços Administrativos S.A. e Prospectar Serviços Administrativos Ltda., mantendo a sujeição passiva imputada com base no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dando-lhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A teor da Súmula CARF nº 11, incabível a aplicação de prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal. Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS. REQUISITOS. DESCARACTERIZAÇÃO Desfigurados os atos cooperativos, por prática de atos alheios aos objetivos da entidade previstos na Lei nº 5.764/1971, cabe a tributação das rendas e receitas auferidas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Demonstrado nos autos o interesse comum de outras pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, entende-se que são solidariamente obrigadas com a autuada em relação à exigência correspondente, nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. ADMINISTRADORES DE FATO E DE DIREITO. IMPUTAÇÃO. ARTIGOS. 124, I, E 135, III, DO CTN. A imputação prevista no artigo 135, III, do CTN exige que o administrador da entidade componha, regularmente, seu quadro gerencial. Se, à época dos fatos apurados, ele já não figurava como diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, inaplicável arrolá-lo como responsável com suporte neste dispositivo. Constatado, porém, que continuava a atuar, de fato, como gestor nos negócios da entidade, mesmo depois de formalmente excluído, é lícito à autoridade fiscal qualificá-lo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído, nos termos do art. 124, I, do CTN.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.723161/2011-06
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868715
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.014
nome_arquivo_s : Decisao_11065723161201106.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 11065723161201106_5868715.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso voluntário da recorrente EQUIPE - COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA., mantendo integralmente os lançamentos e o crédito tributário constituído nos autos de infração; ii) dar provimento parcial ao recuso voluntário das pessoas físicas Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira para afastar a responsabilização solidária fincada no artigo 135, III, do CTN, mantendo tão somente a sujeição passiva fundada no artigo 124, I, do mesmo diploma legal; iii) negar provimento ao recurso voluntário das pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda.; Edusaúde Serviços Administrativos S.A. e Prospectar Serviços Administrativos Ltda., mantendo a sujeição passiva imputada com base no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7318574
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310435405824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1990; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.766 1 1.765 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.723161/201106 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.014 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria IRPJ e Reflexos Recorrente EQUIPE COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A teor da Súmula CARF nº 11, incabível a aplicação de prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal. RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS. REQUISITOS. DESCARACTERIZAÇÃO Desfigurados os atos cooperativos, por prática de atos alheios aos objetivos da entidade previstos na Lei nº 5.764/1971, cabe a tributação das rendas e receitas auferidas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Demonstrado nos autos o interesse comum de outras pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, entendese que são solidariamente obrigadas com a autuada em relação à exigência correspondente, nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. ADMINISTRADORES DE FATO E DE DIREITO. IMPUTAÇÃO. ARTIGOS. 124, I, E 135, III, DO CTN. A imputação prevista no artigo 135, III, do CTN exige que o administrador da entidade componha, regularmente, seu quadro gerencial. Se, à época dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 31 61 /2 01 1- 06 Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.767 2 fatos apurados, ele já não figurava como diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, inaplicável arrolálo como responsável com suporte neste dispositivo. Constatado, porém, que continuava a atuar, de fato, como gestor nos negócios da entidade, mesmo depois de formalmente excluído, é lícito à autoridade fiscal qualificálo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído, nos termos do art. 124, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso voluntário da recorrente EQUIPE COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA., mantendo integralmente os lançamentos e o crédito tributário constituído nos autos de infração; ii) dar provimento parcial ao recuso voluntário das pessoas físicas Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira para afastar a responsabilização solidária fincada no artigo 135, III, do CTN, mantendo tão somente a sujeição passiva fundada no artigo 124, I, do mesmo diploma legal; iii) negar provimento ao recurso voluntário das pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda.; Edusaúde Serviços Administrativos S.A. e Prospectar Serviços Administrativos Ltda., mantendo a sujeição passiva imputada com base no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.768 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em conjunto interposto pela contribuinte acima identificada e pelos sujeitos passivos solidários eleitos pela Autoridade Fiscal para comporem o pólo passivo, as pessoas físicas Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira – CPF nº 176.183.63072 e Sérgio Luiz da Silva Pereira – CPF nº 174.500.63034 e as sociedades Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126), Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) e Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160) em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/POA em sessão de 28 de março de 2017 (fls. 1578/1621)1, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas, manteve os lançamentos de IRPJ e reflexos perpetrados pelo Fisco, anoscalendário 2007/2008 e 2009 e a responsabilização dos solidários relativamente às infrações estampadas nos autos de infração (fls. 387/481). DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o Relatório da Ação Fiscal – RAF , no âmbito da Operação Solidária da Polícia Federal e de auditorias da Controladoria Geral da União (CGU) ficou comprovado que a fiscalizada não se revestia das propriedades intrínsecas de sociedade cooperativa, sendo identificadas as seguintes condutas em divergência com a Lei nº 5.764/71: (a) os cooperativados eram selecionados mediante análise de currículos e entrevistas, sendo que o art. 29 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 afirma que “O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade”; (b) a autuada contratava, mediante o pagamento de honorários vultosos e superfaturados, empresas ligadas direta e indiretamente ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, CPF 176.183.63072, para serviços de gerenciamento da cooperativa; neste sentido, ocorreu, também, a contratação da sociedade Pontal, de seu parceiro de negócios Sérgio Luiz da Silva Pereira, CPF 174.500.63034; deste modo, a cooperativa deixou de ter como objetivo a reunião de “pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro”; (b.1) agindo como sociedade de recrutamento de mãodeobra controlada pelo Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e não como cooperativa, a fiscalizada buscava remunerar a contratação superfaturada de serviços de consultoria e afins de sociedades ligadas ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira; tais evidências foram constatadas durante todo o período fiscalizado, embora o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira já estivesse formalmente desvinculado da sociedade fiscalizada; tais operações são detalhadas no Inquérito Policial Federal 0236/2009 – SR/DPF/RS, que embasa ação penal que integra o processo judicial 2009.71.12.0016602, o qual tramita na Vara Federal de Canoas, compartilhadas com a Receita Federal do Brasil por determinação judicial; como subsídio ao procedimento policial, foi efetuada auditoria da CGU nos contratos de prestação de serviços para as unidades de saúde da Prefeitura Municipal de Canoas, que concluiu pela existência de “indícios de subterfúgio para a retirada de capital dos “proprietários de fato” da cooperativa” (fl. 484); 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.769 4 (b.2) existe vínculo entre os Srs. Antônio Cavalheiro e Sérgio Luiz da Silva Pereira, e favorecimento pessoal do primeiro nas relações com a Equipe Cooperativa (fls. 485496) ; ao se afastar formalmente da cooperativa, o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira constituiu a sociedade de “consultoria em gestão empresarial” Antônio Carlos de Oliveira (ACCO), CNPJ 07.461.736/000106, que passou a prestar serviços exclusivamente à Equipe Cooperativa, tendo sido contratada, por valor inicial mensal de R$ 52.000,00, à época em que sua irmã Sílvia ocupava a presidência da cooperativa; tais serviços prestados eram substancialmente os mesmos que o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira prestava à Equipe Cooperativa na qualidade de associado desta, recebendo remuneração de R$ 4.000,00 mensais para tanto; o Sr. João Batista Portella Pereira, Secretário Municipal da Fazenda de Canoas asseverou que o Sr. Antônio Carlos se apresentava como “comercial da Equipe Cooperativa”; o Sr. Sérgio Albuquerque Frederes, que por diversos anos foi o responsável pela gestão do HPSC, afirmou que Sr. Antônio Carlos era conhecido por ser o “presidente da Equipe Cooperativa”; (b.3) a ACCO Consultoria LTDA. prestou serviços exclusivamente à Equipe Cooperativa, tendo recebido, até 2007, R$1.841.000,00; a quase totalidade de sua receita (R$ 1.600.000,00) foi transferida ao sócioproprietário, Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, na forma de pagamentos de dividendos, descontandose apenas uma despesa de R$ 1.800,00 e o pagamento de tributos; tal sociedade de consultoria não possui conta bancária, sendo que R$ 998.449,00 foram transferidos às contas do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e de R$ 600.000,00 não se sabe o destino; a ACCO não possui nenhum funcionário nem sede física (fls. 489/490); (b.4) a outra contratada da Equipe Cooperativa é a Sociedade Pontal Consultoria Empresarial Ltda., cujas sócias Gládis Teresinha Moreira Garcia e Elisabeth Helena Hass de Oliveira, respectivamente esposa do Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira e ex esposa do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, haviam sido do quadro da Equipe Cooperativa. As sociedades Pontal e ACCO são os maiores recebedores de valores provenientes da Equipe Cooperativa. Após constituir a Equipe Cooperativa e se manter na sua presidência por oito ou nove meses, a Sra. Gládis Teresinha Moreira Garcia foi substituída pelo Sr. Carlos Gomes, caseiro do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira. A Sra. Gládis Teresinha Moreira Garcia afirmou que, apesar de constar como sua presidente, nunca trabalhou na Equipe Cooperativa e que após a contratação da Pontal pela Equipe Cooperativa (sociedade na qual figuram como sócios ela e seu esposo, Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira) os ganhos mensais de sua família não foram substancialmente alterados. Os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, apesar de estranhos aos quadros da Equipe Cooperativa, indicaram a Sra. Estella dos Santos Meneghetti para integrar o Conselho Fiscal daquela; (b.5) são relatadas as relações do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira com as cooperativas MAISAÚDE e à EDSAÚDE e com a sociedade Prospectar Serviços Administrativos Ltda; (c) é descrita a seleção do quadro de cooperativados com base na análise de currículos e em entrevista, em desobediência ao art. 29 da Lei nº 5.764/71; são citados acórdãos do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), que versam sobre a natureza comercial da Equipe Cooperativa (fls. 447449); Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.770 5 (d) é citada a interferência do Prefeito Municipal de Canoas, Marcos Ronchetti, do Secretário Municipal Francisco Braga e da Sra. Neide Bernardes, que “comandavam o esquema de pagamento superfaturados à Equipe para, posteriormente, drená los por intermédio de Cavalheiro” (o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira) (fls. 449/501). Concluiu a Fiscalização que a Equipe Cooperativa não obedecia, no período fiscalizado, ao disposto na legislação específica das cooperativas (fls. 501/502). Afirmou ainda a fiscalização que: como a totalidade das receitas auferidas pela fiscalizada é decorrente da contratação de serviços por prefeituras municipais, não são atos cooperativos, sofrendo tributação normal; no entanto, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi excluída, pela contribuinte, a totalidade do resultado, e foi excluída a totalidade das receitas da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); ainda que não houvesse o descumprimento da legislação cooperativa, caberia o lançamento dos tributos, pelo fato de suas receitas não serem decorrentes de ato cooperativo; citou ação judicial onde o tema foi proposto, tendo a ação transitada em julgado pela tributação pela PIS e pela COFINS das receitas derivadas da prestação de serviços a terceiros (fls. 502/504). Em relação à incidência do IRPJ, afirmou que a totalidade das receitas da contribuinte não são atos cooperativos, devendo, portanto ser tributada; afirmou que o § 2º da art. 182 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 17/06/1999 (RIR) prescreve a tributação da totalidade dos resultados da sociedade como sanção à distribuição de benefícios em favor de associados ou terceiros (sem que haja a desconstituição de sua personalidade jurídica) (fls. 504/505). Concernente à CSLL, aduz que a isenção prevista no art. 39 da Lei nº 10.865/04 é restrita aos atos cooperativos praticados por sociedade que obedeçam a legislação específica, não sendo aplicável à autuada pelas mesmas razões pelas quais incide IRPJ sobre os seus resultados. Foi emitido ato declaratório de suspensão de isenção da CSLL, a teor do art. 32 da Lei nº 9.430/96 (fls. 506/507). Atinente à PIS e à COFINS, asseverou que todos as receitas são sujeitas às contribuições, por não serem decorrentes de atos cooperativos. A tributação se deu pelo regime cumulativo nos anoscalendários de 2007 e 2009 (fls. 507509). Foi lavrado termo de sujeição passiva solidária contra o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, o Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira e às sociedades Pontal Consultoria Empresarial, EDSAÚDE Serviços Administrativos S.A. e Prospectar Serviços Administrativos Ltda, uma vez que as pessoas físicas agiam de fato como controladores da fiscalizada. DAS IMPUGNAÇÕES Contestados os lançamentos, a DRJ/POA entendeu que a contribuinte Equipe Cooperativa foi a única a apresentar impugnação, prolatando decisão mantendo as acusações (Ac. – 22/03/2012 – fls. 1369/1401) e declarando precluso o direito dos sujeitos passivos solidários por não interposição de defesa. Referida decisão, entretanto, foi anulada pelo CARF (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul) em acórdão prolatado em 15/09/2016, assim ementado: Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.771 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DE DECISÃO. A teor dos artigos 31 e 59 do Decreto n° 70.235/72, é nula a decisão que ignora a impugnação apresentada tempestivamente por um dos sujeitos passivos no caso, o responsável por cercear o direito ao contraditório e à ampla defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão O voto da Conselheira Relatora é conclusivo (fls. 1522/1523): “Resta evidente que o acórdão 1037.452 da DRJ/POA ignorou a impugnação tempestivamente apresentada pelos sujeitos passivos solidários, laborando em patente cerceamento do direito de defesa destes. Nos termos do artigo 59, II, do Decreto 70.235/72, as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa são nulas: (...) Diante do exposto, voto por anular o acórdão 1037.452 da DRJ/POA, por cerceamento do direito de defesa dos sujeitos passivos solidários, os quais não tiveram sua impugnação tempestiva analisada”. Com isso, os autos retornaram ao crivo da Turma de 1º Piso que passou a analisar as impugnações da contribuinte e dos sujeitos passivos solidários. DA IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE – EQUIPE (fls. 583/619) Segundo relatório da decisão de 1º Grau, os argumentos expendidos pela Equipe na impugnação estão assim sintetizados: (a) chegou a ter cerca de 800 cooperados, atuando em razão de contratos firmados com diversas municipalidades, como Guaíba, Canoas, Alvorada e Eldorado; no Hospital ProntoSocorro de Canoas, sempre primou pela observância da legislação de regência à sua natureza, inclusive primando pela excelência de remuneração dos cooperados, tendo contratado seguro de vida a estes; todas as assembléias foram realizadas, com as publicações em jornais de grande circulação e nas dependências mais frequentadas pelos cooperados; sempre se manteve regular junto à Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (OCERGS); assim, não é crível que o suposto “esquema de beneficiamento” jamais fosse objeto de qualquer questionamento pelos aproximadamente 3.000 cooperados que exerceram suas atividades profissionais na cooperativa (fls. 583/598); (b) é livre o ingresso na cooperativa àqueles que preencherem as condições técnicas a tanto (art. 29 c/c 4º, I, da Lei nº 5.764/71 e princípio norteador do cooperativismo reconhecidos pela Aliança Cooperativa Internacional), o que tem como modo natural de verificação a análise de currículo ou entrevista pessoal; atuando junto à administração pública, em contratos de prestação de serviços específicos, por exemplo, no Programa Saúde da Família ou no Hospital ProntoSocorro de Canoas, não se pode cogitar da autuação de profissionais cooperados, profissionais vinculados à área da saúde, que não observassem os requisitos a Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.772 7 tanto; ademais, é uníssono o fato de que, levada a efeito a análise técnica do profissional, este era aceito na Cooperativa; tal análise técnica era inclusive realizada em reunião de diretoria, o que, por si só, afasta o fundamento de meras indicações políticas; não é ilegal que agente político sugira a determinada pessoa que ingresse na cooperativa para alcançar oportunidade de exercício profissional; os diálogos transcritos na ação fiscal não denotam qualquer ingerência de autoridade municipal na admissão de cooperados, tratase de meras sugestões para o preenchimento de vagas mediante análise técnica e de qualificação da cooperativa; a interpretação levada a efeito para conclusões decorrentes de reconhecimento de relação trabalhista em muito pode ultrapassar o literal texto da lei, analogismo e ampliação de conceitos, o que é vedado pelo art. 109 do Código Tributário Nacional; sempre obedeceu aos arts. 4º, VI e VII, e 38 da Lei nº 5.764/71, realizado as assembléias soberanas e distribuindo sobras; a totalidade de seus atos se enquadra na conceituação de ato cooperativo, definida pelo art. 79 da Lei nº 5.764/71 (fls. 599/603); (c) a cooperativa é livre para a prática de atos de gestão, como as contratações com a administração pública ou consultorias de prestação de serviços, a teor do art. 170 da Constituição Federal; a contratação de pessoa jurídica para a prestação de serviços de consultoria não pode ser considerada superfaturada unicamente com base no seu valor, sem a completa verificação das peculiaridades envolvidas; prestar consultoria à pessoa jurídica que opera com contratos que podem chegar a cinquenta milhões de reais requer conhecimento, experiência, perícia e responsabilidade, não sendo possível reconhecer a ocorrência de fraude, sem provas, ao profissional que atinge reconhecimento que possibilita a obtenção de bons contratos; eventual superfaturamento deve ser comprovado mediante comparação entre preços praticados no mercado quanto aos serviços contratados, o que não foi feito pela fiscalização; as empresas contratadas mantinhamse regulares perante o fisco; os valores destas contratações eram públicos e de conhecimento de qualquer associado, que poderia questionar eventual pagamento indevido (fls. 603/611); (d) não pode a pretensão do fisco – como se pretende com o presente lançamento – desbordar a composição do fato jurídico tributário, sob pena de estar o legislador infraconstitucional e a administração, quando da exigência da exação, incorrendo em tributação inconstitucional; a autoridade fiscal não está autorizada a desconsiderar a realidade do livre exercício da atividade econômica, notadamente quando embasada em contratações levadas a efeito em absoluta consonância à legislação vigente; não há qualquer prova de favorecimentos a terceiros, mas meras presunções, indícios e suposições; estão sendo feridos os princípios da legalidade, da tipicidade, da livre concorrência, bem como a segurança jurídica e ao direito de propriedade e a possibilidade de escolha entre mais de um caminho para que venha a exercer sua atividade junto ao mercado; não há se falar de evasão fiscal ou prática de ilícitos; não há liberdade ao fisco para o reenquadramento dos fatos e à desconsideração da personalidade jurídica da cooperativa, como se estivesse sob autorização de discricionariedade plena, de todo afastada da aplicação de normas tributárias; a desconsideração da personalidade jurídica só está autorizada mediante a fundamentada comprovação de seus requisitos (fls. 611/615); (e) no que tange a decisões judiciais decorrentes de fatos apurados na denominada Operação Solidária, até agora nenhuma decisão foi proferida declarando ilegal qualquer contratação havida com a administração pública; as licitações e seus resultados não foram objeto de questionamento na Justiça, mas, mesmo que houvesse, não ensejaria a desqualificação da natureza da cooperativa; não cabe ao fisco a análise de mérito quanto aos valores dos contratos, uma vez que a cooperativa pode pagar o valor que entender direito Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.773 8 quando da contratação de qualquer serviço, desde que haja aprovação em assembléia e de seus órgãos de controle (fls. 615/617); (f) ser ilegal e inconstitucional a multa aplicada (fls. 617618). Pediu o cancelamento do Ato Declaratório Executivo 40, de 16/09/2011 e todas as suas consequências, mantendose a isenção tributária e afastando a exigência do IR, CSLL, PIS e COFINS. Alternativamente, requer seja afastada a incidência da multa (fls. 618/619). Quanto à defesa da isenção dos atos cooperativos em relação à CSLL, defendeuse afirmando que não é o caso de aplicação do art. 32 da Lei nº 9.430/96, uma vez que a isenção que gozam as cooperativas não são condicionadas, mas concedidas em caráter geral. No demais, suas alegações vão ao encontro do alegado por ocasião de sua impugnação aos lançamentos. DA IMPUGNAÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS (fls. 535/551) Os responsáveis solidários eleitos pelo Fisco, Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira – CPF nº 176.183.63072, Sérgio Luiz da Silva Pereira – CPF nº 174.500.63034, Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126), Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) e Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160) apresentarem impugnação em comum. Ainda de acordo com o relatório da decisão a quo, estes foram os argumentos trazidos na impugnação: (a) os requerentes foram contratados para assessorar a cooperativa na consecução de suas atividades, notadamente nas áreas administrativa e operacional; a relevância dos serviços prestados é facilmente verificada da análise do relatório da ação fiscal e nas diversas referências que lhe fazem depoentes em inquérito policial; (b) a responsabilização solidária dos requerentes pela autoridade fazendária foi desprovida de qualquer intimação prévia na esfera administrativa, o que configura violação ao contraditório e ao exercício do direito de defesa; ademais, a fiscalização deixou de realizar especificação quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que deram lastro à responsabilização. Não houve tampouco indicação quanto à “mensuração de valores”; (c) a atuação dos requerentes é a prestação de serviços de consultoria, enquanto sua responsabilização tributária por solidariedade seria decorrente da exigência de tributos federais sobre as prestação de serviços relacionados a área da saúde, em contratos com a administração pública; indevido, pois, o procedimento de responsabilização, dado que inexiste relação direta entre os requerentes e os fatos que ensejaram as exigências tributárias, conforme disposto no art. 124 do CTN; (d) a responsabilização solidária dos requerentes somente poderia ser autorizada se acompanhada da pormenorizada indicação de quais fatos jurídicotributários seriam do interesse comum entre a autuada e cada um dos requerentes; (e) a tese da fiscalização de que a Cooperativa e os requerentes seriam um "grupo econômico" que visava unicamente fraudar contratos com a administração pública em benefício de duas pessoas físicas é improcedente; cada uma das pessoas jurídicas contratadas Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.774 9 exercia funções específicas, de acordo com suas capacidades, nos termos das contratações firmadas; (f) para a aplicação da responsabilização solidária, nos termos do art. 124 do CTN, é imprescindível a identificação de quais fatos jurídicotributários seriam do interesse comum entre devedor principal e solidário, tudo nos termos do posicionamento do STJ; a pretensão genérica levada a efeito pelo fisco dá a entender que os requerentes levavam a efeito a consecução das operações da Cooperativa, sendo partícipes da efetivação de todos os fatos que ensejaram a exigência; (g) indevida a responsabilização levada a termo com base no 135, III do CTN, visto que os impugnantes não praticaram qualquer ato que constituísse infração à lei, contrato social ou estatutos de suas empresas. Igualmente, a atuação com excesso de poderes não autoriza a responsabilização pessoal dos requerentes pessoas físicas; (h) a pretensão do fisco, mediante a responsabilização pessoal dos requerentes, tem verdadeira natureza de desconsideração de personalidade jurídica de empresas, de modo a alcançar pessoas que supostamente se beneficiariam de esquema de pagamentos superfaturados, o que sequer foi provado no curso da ação fiscal; (i) não havendo a clara identificação na peça fiscal dos fundamentos que ensejariam a responsabilização dos requerentes pessoas físicas e nem prova de ato ilícito a autorizar esta pretensão, não merece prosperar a exigência tributária. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 1578/1621) Debruçandose sobre os autos, a Turma de Julgamento, depois de discorrer longa e profundamente sobre o cooperativismo, as cooperativas, os atos cooperativos e não cooperativos e demais aspectos ligados ao tema, prolatou decisão cujos excertos principais são abaixo reproduzidos: “O fundamento jurídico para a manutenção do lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL é o art. 182 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 17/06/1999 (RIR), que possui a seguinte redação: (...) Como apontado no Relatório Fiscal, a Equipe Cooperativa estabeleceu diversas vantagens ou privilégios ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, em desobediência ao art. 24, § 3º da Lei nº 5.764/71. Como conseqüência, os seus resultados devem ser tributados, em consonância com o § 2º do art. 182 do RIR 99. As vantagens e privilégios foram apuradas no âmbito da Operação Solidária da Polícia Federal, presentes no Inquérito Policial Federal 0236/2009 – SR/DPF/RS, que embasa ação penal que integra o processo judicial 2009.71.12.0016602 e em auditorias da Controladoria Geral da União (CGU) nos contratos de prestação de serviços para as unidades de saúde da Prefeitura Municipal de Canoas, o qual concluiu pela existência de “indícios de subterfúgio para a retirada de capital dos ‘proprietários de fato’ da cooperativa” e consistem em: Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.775 10 • contratação, mediante o pagamento de honorários superfaturados, de sociedades ligadas direta e indiretamente ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira para serviços de serviços de consultoria e afins da cooperativa; como exemplo, a contratação da sociedade Pontal, de seu parceiro de negócios Sérgio Luiz da Silva Pereira; • por ato da então presidente da cooperativa autuada, a Sra. Sílvia, contratação da sociedade Antônio Carlos de Oliveira (ACCO), CNPJ 07.461.736/000106, por R$52.000,00 mensais, para prestar os mesmos serviços que o Sr. Antônio Carlos de Oliveira, pessoa física, prestava por R$4.000,00; • outra contratada da Equipe Cooperativa é a sociedade Pontal Consultoria Empresarial Ltda., cujas sócias Gládis Teresinha Moreira Garcia e Elisabeth Helena Hass de Oliveira, são respectivamente esposa do Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira e ex esposa do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira; ambas haviam sido do quadro da Equipe Cooperativa; • as sociedades Pontal Consultoria Empresarial Ltda. e Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira são as maiores recebedores de valores provenientes da Equipe Cooperativa; • após constituir a Equipe Cooperativa e se manter na sua presidência por oito ou nove meses, a Sra. Gládis Teresinha Moreira Garcia foi substituída pelo Sr. Carlos Gomes, caseiro do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira; • os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, apesar de estranhos aos quadros da Equipe Cooperativa, indicaram a Sra. Estella dos Santos Meneghetti para integrar o Conselho Fiscal daquela; • o relatório do Inquérito policial menciona a interferência do Prefeito Municipal de Canoas, Marcos Ronchetti, do Secretário Municipal Francisco Braga e da Sra. Neide Bernardes, que “comandavam o esquema de pagamento superfaturados à Equipe para, posteriormente, drenálos por intermédio de Cavalheiro”; Além disso, chama atenção a confusão existente entre a autuada e o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira: • Sr. João Batista Portella Pereira, Secretário Municipal da Fazenda de Canoas asseverou que o Sr. Antônio Carlos se apresentava como “comercial da Equipe Cooperativa”; • o Sr. Sérgio Albuquerque Frederes, que por diversos anos foi o responsável pela gestão do Hospital de ProntoSocorro de Canoas, afirmou que Sr. Antônio Carlos era conhecido por ser o “presidente da Equipe Cooperativa”. Ressalto que a Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira Consultoria LTDA. não possui nenhum funcionário nem sede física e, embora tenha recebidos vultosos valores da autuada (até 2007, R$ 1.841.000,00) não possuía conta corrente bancária. Por outro lado, a liberdade dos atos de gestão encontra limite no art. 24, § 3º da Lei nº 5.764/71, que fundamenta o lançamento, vedando o estabelecimento Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.776 11 de vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros. Já a constatação de superfaturamento não derivou unicamente do valor a contratação da sociedade Antônio Carlos de Oliveira, CNPJ 07.461.736/000106 pela Equipe Cooperativa, mas de comparação entre este valor e o que recebia o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira para a prestação dos mesmos serviços. No que tange à prova do superfaturamento, lembro que, a teor do decidido no acórdão nº CSRF/0102.743, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, lastreado em jurisprudência emanada do Supremo Tribunal Federal e citada por Hely Lopes Meirelles, que indícios vários e concordantes são prova: (...) No presente lançamento não se está desconsiderando a personalidade jurídica da cooperativa, mas aplicando a legislação cooperativista à autuada. Em favor do fundamento da manutenção da autuação é a vedação do estabelecimento de vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em benefício de quaisquer associados ou terceiros. Não possuem o condão de infirmar esta motivação as afirmações, realizadas pela interessada, de obediência à legislação tributária, da inaplicabilidade dos arestos trabalhistas no direito tributário, da realização de assembléias, da distribuição de sobras, que buscam a negar a ingerência de autoridade municipal na admissão de cooperados, que a totalidade de seus atos se enquadra na conceituação de ato cooperativo. (...) Está sendo tributado em relação à CSLL o lucro obtido em decorrência da prática de atos nãocooperativos, mais especificamente, de atos não cooperativos intrínsecos, os quais não são abrangidos pela isenção do art. 39 da Lei nº 10.865/04, que se restringe aos resultados advindos da prática de atos cooperativos. Não está descrita no relatório fiscal a tributação de qualquer resultado advindo da prática de atos cooperativos. Consequentemente, toda a discussão a respeito da perda da isenção da CSLL é absolutamente irrelevante para a manutenção, ou não, do auto de infração. No entanto, uma vez que a suspensão da isenção em questão pode ter efeitos mais amplos que a lavratura do presente auto de infração, sigo na análise da questão. Como corretamente aduziu a unidade de origem nas razões de decidir do Parecer DRF/NHO/Seort nº 035/2011 (fls. 305320), as quais assumo como minhas, mutatis mutandis: (...) Embora pense que as análises dos currículos se justifiquem no caso concreto, e que a fiscalização não fez prova de que profissionais na mesma situação de fato, por exemplo, cardiologistas ou enfermeiros, não tenham sido aceitos pela cooperativa, entendo serem verdadeiras as conclusões da fiscalização de Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.777 12 que a interessada, ao proporcionar o benefício desigual do seu “controlador”, de fato violou as disposições da Lei nº 5.764/71, notadamente seus artigos 3º e 24,§ 3º. A afronta ao art. 24, § 3º, da Lei nº 5.764/71 está minuciosamente descrito às fls. 223233, no subitem “2.1.2. Do vínculo de Antônio Cavalheiro e do seu favorecimento pessoal”. (...) A contribuinte tece diversas considerações sobre a licitude de seus atos (o que, como visto, é relevante para a tributação do IRPJ e da CSLL, mas não para o lançamento da PIS e da COFINS), mas não enfrenta a questão da base de cálculo da PIS e da COFINS, que independe totalmente (i) do estabelecimento, pela cooperativa, de vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros ou (ii) da caracterização ou não da sociedade como cooperativa. Ocorre que tais espécies tributárias são contribuições sociais, e como tais, são devidas por toda a sociedade, em atenção ao princípio constitucional que determina ser a seguridade social financiada por toda a sociedade: (...) A autuada presta serviços na área da saúde. A prestação dos serviços de saúde a nãoassociados (assim entendidos as pessoas físicas ou jurídicas que são tomadoras dos serviços prestados pelos seus associados) não são atos cooperativos, no conceito legislado pelo art. 79 da Lei nº 5.764/71: (...) Deste modo, gera receita bruta e/ou faturamento, tributável pela PIS e pela COFINS. (...) A autuada não se defende da acusação de ter deixado de pagar a PIS e a COFINS, pelo que voto pela manutenção integral dos lançamentos referentes a estes tributos”. E conclui afastando as colocações sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade da multa aplicada. Na sequência, avaliou a impugnação dos solidários e depois de afastar as preliminares de cerceamento de defesa, concluiu pela correção da inclusão dos listados no pólo passivo da lide, considerando que o comando da pessoa jurídica fiscalizada era exercido de fato por Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, com auxílio de Sérgio Luiz da Silva Pereira; que Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Pereira foram os responsáveis diretos “para que as prescrições da Lei do Cooperativismo (Lei nº 5.764/71) fossem infringidas”; c) que os “gerentes de fato” drenaram recursos da fiscalizada em benefício pessoal, mediante o empreendimento de negócios jurídicos eivados de simulação, absoluta ou relativa, junto às empresas PONTAL, EDSAÚDE e PROSPECTAR. Mais, que “as situações evidenciadas junto ao tópico 2.12 do relatório de fiscalização da RFB (denominado “Do vínculo de Antônio Cavalheiro e Sérgio Pereira e do seu favorecimento pessoal”) revelam uma unidade de interesses e total afinidade de objetivos entre as Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.778 13 empresas EQUIPE, PONTAL, EDSAÚDE, PROSPECTAR e seus dirigentes de fato, em contexto de verdadeira confusão patrimonial, totalmente convergentes com a realidade delineada nos documentos antes referidos, produzidos pela Polícia Federal e pela CGU. A existência inequívoca de confusão patrimonial entre as pessoas físicas e jurídicas partícipes do esquema foi reconhecida, ainda, pelo Poder Judiciário, como se vê na sentença que autorizou o bloqueio de bens de Antônio Cavalheiro, Sérgio Pereira, EDUSAÚDE, PONTAL, PROSPECTAR e ANTONIO CAVALHEIRO – EPP, em sede de medida cautelar. Senão, vejamos o voto proferido pelo Desembargador Joel Paciornik, nos autos do Agravo de Instrumento nº 501930780.2012.404.0000/RS, cujo excerto transcrevo a seguir (...)”. Concluindo ser “improcedente a alegação dos impugnantes de que teria havido a desconsideração da pessoa jurídica por parte da fiscalização. A autuação decorreu – isso sim – de infrações à legislação tributária, enquanto a responsabilização tributária dos impugnantes ocorreu em consonância com os artigos 124 e 135 do CTN, conforme analisado acima”. E fechar o voto nestes termos (fls. 1621): “Em razão do exposto, voto por (a) julgar improcedente a manifestação de inconformidade acerca da suspensão da isenção implementada pelo art. 39 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, (b) desconhecer das alegações de inconstitucionalidade e (c) julgar improcedentes as impugnações de fls. 535/551 e fls. 583/619, mantendo integralmente o crédito tributário”. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 COOPERATIVA. ESTABELECIMENTO DE VANTAGENS OU PRIVILÉGIOS EM FAVOR DE ASSOCIADOS OU TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. É vedado às cooperativas estabelecer vantagens ou privilégios, financeiro ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano, atribuídos ao capital integralizado (Lei nº 5.764, de 1971, art. 24, §3º). A inobservância desta regra importa a tributação dos resultados pelo IRPJ e pela CSLL e à perda da isenção estabelecida no art. 39 da Lei nº 10.865/04. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA PIS E DA COFINS SOBRE O FATURAMENTO ADVINDO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A cooperativa de trabalho é sociedade de pessoas com personalidade jurídica distinta dos associados. Pratica atos internos e externos, e somente os primeiros gozam de isenção. Na prática dos atos externos (contrato de prestação de serviços com terceiros) há faturamento, base imponível do COFINS/PIS. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Evidenciase o interesse comum, quando identificado liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, revelado por atuação complementar entre as empresas, vinculação gerencial, identidade de administradores e interesse econômico recíproco. Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.779 14 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, devendo responder solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO CONJUNTO – RECORRENTE E SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS (fls. 1690/1746) Cientificados do R. decisum (fls. 1682/1683/1684/1685/1686/1687), a contribuinte e os sujeitos passivos solidários interpuseram Recurso Voluntário conjunto e único em 04/05/2017 (fls. 1690/1746), no qual contrapuseramse ao decidido em 1ª Instância, arguindo ainda prescrição intercorrente, cerceamento de defesa e quanto às matérias tratadas nos lançamentos, basicamente repetem o aduzido nas impugnações, inclusive em relação à sujeição passiva. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.780 15 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, os recorrentes estão corretamente representados (fls. 552/556 e 620/621) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Afasto o alegado cerceamento de defesa, primeiro porque as longas e bem detalhadas peças de defesa acostadas aos autos mostram o amplo e livre acesso que os imputados tiveram ao processo e suas peças, sem restrição de qualquer espécie. Depois porque não há que se falar em cerceamento de defesa quando ainda na fase investigativa ou procedimental. Com a consecução dos lançamentos e interposição de defesa é que se instaura o contencioso e somente a partir daí podese perquirir eventual afronta ao direito do contraditório, o que não se estampa nos autos. Nesta senda (Ac. 1401001.606): NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO QUE PERMITE A COMPREENSÃO DOS FATOS. VALIDADE DO LANÇAMENTO. É válido o lançamento quando a descrição fática nele contida permitir ao interessado saber o fato que lhe é imputado, não havendo, nesse caso, prejuízo que possa ensejar a declaração de nulidade do ato administrativo. Na outra preliminar, a recorrente suscita ter havido "prescrição intercorrente". Sem maiores delongas, a Súmula CARF nº 11 mostra o quadro no âmbito deste Colegiado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Preliminares rejeitadas. Passo ao mérito. No caso dos autos, estáse diante de uma cooperativa autointitulada “cooperativa de serviços” (Estatutos – fls. 2/31) com atuação na área de saúde. Impende, prefacialmente, uma breve retrospectiva histórica do cooperativismo. Como ponto de partida, sirvome das lições do eminente Conselheiro Demetrius Nichele Macei, desta 2ª Turma 4ª Câmara 1ª Seção de Julgamento do CARF (com o qual tenho a honra de compartilhar a bancada de julgadores) que em seu livro “Ato Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.781 16 Cooperativo e Tributação” (Juruá Editora – 2ª Ed. 2014), depois de lembrar que “o surgimento do cooperativismo como empreendimento socioeconômico aconteceu na Inglaterra em 1884, na cidade de Rochdale, perto de Manchester”, apontou como causa desta novel (à época) atividade econômica, “a crescente ameaça de [28 tecelões] serem substituídos pelas máquinas a vapor”, o que os levou a “buscar outra alternativa de trabalho e sobrevivência” (obra citada, pg. 16). Ainda segundo Demetrius Nichele Macei (op. cit. – pg. 18) podese definir cooperativismo como “sistema de organização econômica, baseada em um conjunto de princípios fundamentais, e que visa eliminar a mera intermediação, comercial e de mão de obra, característica do sistema capitalista”. Assim, em breve síntese, correto afirmar que o cooperativismo tem como objetivo difundir os ideais em que se baseia, no intuito de atingir o pleno desenvolvimento financeiro, econômico e social de todas as sociedades cooperativas. A cooperação sempre existiu nas sociedades humanas desde as eras mais remotas. Menos evoluído, menos agressivo, mas sempre como a resultante de necessidades imperiosas de sobrevivência. No Brasil, as primeiras e incipientes cooperativas surgiram nos estertores do século XIX e aurora do século XX e ganharam formatação legal em 1971, com a promulgação da Lei nº 5.764/1971 e, mais recentemente, a Lei nº 12.690/2012. Nesta linha do tempo, uma ação ganha destaque por ter resultado em dado histórico fundamental para o registro da primeira cooperativa no Brasil: a criação da Associação Cooperativa dos Empregados da Companhia Telefônica, em Limeira, São Paulo, isso no ano de 1891. Posteriormente, o cooperativismo veio a se consolidar no Brasil com a vinda dos imigrantes alemães, italianos e japoneses, que se estabeleceram no sul e sudeste do país. O grande marco, porém, que sinalizou decisivamente para a consolidação do cooperativismo no país, foi a promulgação do Decreto nº 22.239, de 19 de dezembro de 1932, a Primeira Lei Orgânica do Cooperativismo Brasileiro. Definido brevemente “cooperativismo”, de se destacar que, de outra banda, “sociedades cooperativas” são, no dizer literal da Lei nº 5.764/1971, art. 4º, “...sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características”. Por seu turno, “atos cooperativos” são todos aqueles “praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais” (art. 79, da Lei nº 5.764/1971). Com a explícita eleição feita pelo seu parágrafo único: Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. A evolução legislativa, jurisprudencial e doutrinária, aliada aos avanços havidos nas atividades econômicas praticadas pelos homens nos últimos cento e cinquenta Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.782 17 anos acabaram por levar ao aparecimento de diversos tipos de cooperativas, valendo destacar as principais. Na visão de De Plácido e Silva2, três seriam os grupos de cooperativas a considerar – de consumo, de produção e de crédito. Para a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a subdivisão abrangeria treze espécies, dentre elas, as agropecuárias, de consumo, de trabalho e, no que importa ao caso concreto, “de serviço (de saúde)”, esta com a seguinte definição: “Cooperativas de Saúde: aquelas em que os cooperados têm qualificação específica (médicos, enfermeiros, etc.) e se dedicam à preservação da saúde humana”. Finalmente, para fechar este breve intróito, não se pode deixar de lembrar que os atos cooperativos (e não as cooperativas propriamente ditas) é que têm tratamento tributário especial, contemplado na área federal (Imposto de Renda) no artigo 182, do diploma regulamentar (RIR/1999): Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 69). Com as ressalvas dos seus dois parágrafos: §1 É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei nº 5.764, de 1971, art. 24, § 3º). §2 A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Esta não incidência implica em que as cooperativas pratiquem “atos cooperativos”, digase, ocorrendo situação diversa, a tributação seguirá a regra geral, posto que se estará diante de operação comercial lucrativa, definhando a “ausência de fins lucrativos”, sustentáculo do cooperativismo. Pois bem, ainda que longa e profundamente a defesa argumente que os trabalhos executados restringiramse a “atos cooperativos”, fato é que os autos mostram outra realidade, a de que a Equipe agia, efetivamente, como uma empresa no sentido comercial do termo, atuando no segmento de recrutamento de mão de obra. Mais, que tinha na pessoa de Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira um verdadeiro gestor, que a controlava e ditava sua direção. Nessa linha, saltam aos olhos duas situações que mostram o desvio da linha de conduta entre uma cooperativa e uma empresa: 2 In Vocabulário Jurídico – 11ª Ed. RJ – Forense – 1989, volume 1, pg. 561/565 Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.783 18 1. A “seleção” de profissionais que comporiam a cooperativa como “cooperados” impunha análise de currículo (sic) e entrevista (sic) (exatamente como ocorre em empresas) , como se fosse possível ignorar que o artigo 29, da Lei nº 5.764/1971 prescreve literalmente que “o ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto, ressalvado o disposto no artigo 4º, item I, desta Lei”; e, 2. A investigação levada a efeito no âmbito da chamada “Operação Solidária” da Polícia Federal e de auditorias da Controladoria Geral da União (CGU) comprovando que a “cooperativa” contratava, mediante o pagamento de honorários altíssimos e superfaturados, diversas empresas paralelas que, de uma forma ou outra, eram ligadas, direta ou indiretamente, a Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, remunerando serviços que, na prática, nada mais eram que paga pelo gerenciamento da cooperativa. Ainda na mesma toada, contratouse a empresa Pontal, de Sérgio Luiz da Silva Pereira, tido pelas investigações como parceiro de negócios de Antônio. Com isso, a “cooperativa” deixou de ser uma reunião de pessoas com interesse comum e que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro, para beneficiar as empresas e pessoas citadas. Ou seja, como bem pontuado pelas investigações levadas a efeito pela Operação Solidária da Polícia Federal e pelas auditorias da Controladoria Geral da União (CGU) e consolidado no RAF da Autoridade Fiscal, i) os cooperativados eram selecionados mediante análise de currículos e entrevistas, fazendo letra morta ao preceito do art. 29 da Lei nº 5.764, que define ser livre o ingresso nas cooperativas; e, ii) havia pagamentos vultosos de “honorários” (a esse ou outro título) ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira ou a empresas a ele ligadas (que depois o remuneravam), pagamentos que, salvo motivo extremamente relevante, não se justificavam, ainda mais por absorver enorme fatia da renda da cooperativa que deveria pertencer aos cooperados Em outro dizer, enquanto um médico recebia em torno de R$ 7.500,00/mês e mais R$ 1.600,00/ano como distribuição das sobras liquidas da cooperativa, referido gestor, diretamente ou através de empresas ligadas, tinha remuneração exponencialmente maior. Confirase (fls.90/91/92/98): Remuneração Sr. Antônio: Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.784 19 Remuneração de “cooperado”: Ora, cooperativa pressupõe atendimento ao cooperado, dandolhe o suporte necessário para desenvolver e atingir os fins propostos. Jamais servir de meio de remuneração expressiva para aqueles que a dirigem ou sobre ela tenham controle. Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.785 20 Claro, não se nega a possibilidade e necessidade de remunerar os que prestam serviço à entidade. Desde que, por óbvio, a remuneração seja compatível com os serviços prestados e a capacidade financeira de quem efetua o pagamento. Em suma, agindo como verdadeira sociedade de recrutamento de mãode obra controlada pelo Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e não como cooperativa, a fiscalizada remunerava seus controladores mediante a contratação superfaturada de serviços de consultoria e afins de sociedades ligadas ao Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira; tais evidências foram constatadas durante todo o período fiscalizado, embora o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira já estivesse formalmente desvinculado da sociedade fiscalizada; operações detalhadas no Inquérito Policial Federal 0236/2009 – SR/DPF/RS, que embasa ação penal que integra o processo judicial 2009.71.12.0016602, o qual tramita na Vara Federal de Canoas, compartilhadas com a Receita Federal do Brasil por determinação judicial; como subsídio ao procedimento policial, foi efetuada auditoria da CGU nos contratos de prestação de serviços para as unidades de saúde da Prefeitura Municipal de Canoas, que concluiu pela existência de “indícios de subterfúgio para a retirada de capital dos “proprietários de fato” da cooperativa” (fl. 484). Também incontroverso que existe vínculo entre os Srs. Antônio Cavalheiro e Sérgio Luiz da Silva Pereira, e favorecimento pessoal do primeiro nas relações com a Equipe Cooperativa (fls. 485/496) ; ao se afastar formalmente da cooperativa, o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira constituiu a sociedade de “consultoria em gestão empresarial” Antônio Carlos de Oliveira (ACCO), CNPJ 07.461.736/000106, que passou a prestar serviços exclusivamente à Equipe Cooperativa, tendo sido contratada, por valor inicial mensal de R$ 52.000,00, à época em que sua irmã Sílvia ocupava a presidência da cooperativa. Reportese que a ACCO Consultoria LTDA. prestou serviços exclusivamente à Equipe Cooperativa, tendo recebido, até 2007, R$ 1.841.000,00; a quase totalidade de sua receita (R$ 1.600.000,00) foi transferida ao sócioproprietário, Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, na forma de pagamentos de dividendos, lembrando que a ACCO não possui nenhum funcionário nem sede física (fls. 489/490); Finalmente, a outra contratada da Equipe Cooperativa é a Sociedade Pontal Consultoria Empresarial Ltda., cujas sócias Gládis Teresinha Moreira Garcia e Elisabeth Helena Hass de Oliveira, respectivamente esposa do Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira e ex esposa do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, haviam sido do quadro da Equipe Cooperativa. As sociedades Pontal e ACCO são os maiores recebedores de valores provenientes da Equipe Cooperativa. Após constituir a Equipe Cooperativa e se manter na sua presidência por oito ou nove meses, a Sra. Gládis Teresinha Moreira Garcia foi substituída pelo Sr. Carlos Gomes, caseiro do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira. Nesse contexto, ainda que a defesa pontue sobre a capacidade profissional dos dirigentes da cooperativa (que aqui não se discute), a remuneração não pode suplantar estratosfericamente os rendimentos dos maiores interessados, os cooperados. De outro lado, sem necessidade de maiores digressões, é senso comum que o gerenciamento de uma empresa de prestação de serviços não representa maiores complexidades que aquelas normais de uma sociedade da área de recursos humanos, de modo que a remuneração deve se parametrizar pelas regras de mercado. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.786 21 Nem se discute sobre outros pontos tratados na investigação policial e da CGU, matérias que devem ser vistas no campo próprio. O que se analisa é o reflexo destes fatos na seara tributária e, nesse aspecto, o procedimento da Autoridade Fiscal, desde o princípio, pautouse por absoluta correção e estrita vinculação à legalidade. Em outro dizer, não é a Polícia Federal ou a Controladoria Geral da União que estão definindo as repercussões tributárias dos fatos apurados. Quem está desempenhando esse papel é justamente a fiscalização tributária que em sua missão institucional utiliza provas coletadas por aqueles órgãos e compartilhadas por decisão judicial (fls. 43/45). Quanto às conclusões do Relatório da CGU, é correto afirmar que no âmbito de sua alçada (fiscalização do gasto público e da execução orçamentária) elas terão repercussão jurídica após a análise dos órgãos ou setores competentes. No entanto, os fatos ali relatados não foram contestados pelo contribuinte e são perfeitamente hábeis para instruir o conjunto probatório reunido pela Fiscalização. Em relação às alegações da defesa de que teria havido absolvição do réu Antonio Carlos Cavalheiro de Oliveira do crime de lavagem de dinheiro, conforme informado pelo contribuinte, em nenhum momento a Fiscalização fez qualquer referência ao crime de lavagem de dinheiro. Ao contrário, fez questão de separar as esferas de atuação, como ilustra o seguinte trecho do Relatório da Ação Fiscal anexo à Notificação Fiscal, ora analisada: A autoridade policial descreve com minúcia os procedimentos adotados no âmbito de algumas administrações municipais para direcionar a contratação superfaturada da interessada para a prestação de serviços, notadamente na área da saúde. Tais procedimentos, todavia, não são afeitos à seara tributária, pelo que não serão detalhados no presente Relatório. Pois bem, houvesse o ganho real da cooperativa sido distribuído como sobras a todos os cooperativados, de forma proporcional aos serviços prestados, não haveria qualquer ofensa aos objetivos do cooperativismo de produzir o bem comum (art. 3º da Lei nº 5.764/71). Mas não foi isso o que aconteceu. Como quantificado pelo Fisco no RAF, Cavalheiro e suas empresas auferiram R$ 4.153.016,00 em três anos. Sem ter funcionários registrados e com despesas mínimas, ou seja, os recursos eram recebidos totalmente pelos sócios dessas empresas que não são cooperativados. Em comparação, já dito antes, um médico cooperativado auferia R$ 7.500,00 mensais brutos, tendo recebido sobras anuais da ordem de R$ 1.600,00 (ver página 15 do Relatório da Ação Fiscal). No que tange aos certificados de regularidade apresentados por diversas entidades de fiscalização profissional, cabe referir que esses documentos não representam qualquer atestado de que os requisitos da legislação específica das cooperativas estejam sendo cumpridos. Tratase de mera certificação para a prestação de serviços nas respectivas áreas que são exigidas de qualquer pessoa jurídica que atue no mercado. O fato de a contribuinte estar regularizado junto à OCERGS mostra apenas o cumprimento de um requisito formal da Lei do Cooperativismo. Como se viu, os requisitos essenciais que são a busca do bem comum e o livre ingresso dos cooperativados não foram cumpridos. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.787 22 Em suma, os maiores beneficiários dos contratos firmados pela Equipe com as prefeituras municipais não foram os cooperados (razão de ser da cooperativa), mas, as empresas (Pontal, Edusaúde e Prospectar), ligadas aos instituidores da entidade, Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira. Como bem pontuado pela CGU: “Isso se explica, em grande parte, pelos expressivos montantes de despesas da Equipe Cooperativa de Serviços Ltda. com a contratação de assessorias, revelando indícios de subterfúgio para a retirada de capital dos proprietários de fato da cooperativa”. Neste cenário, restou descaracterizado o “ato cooperativo”, impondo, por consequência, a tributação da receita. Cenário muito bem observado no Ac. 1302002.113, relatoria do Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, assim sintetizado: “A legislação do Imposto de Renda estabelece que a incidência do IRPJ das sociedades cooperativas se dará apenas sobre os “resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade". (...) Não me parece que a venda de serviços que serão executados pelos seus associados se enquadra neste conceito, pois é este o objeto e a razão de ser da cooperativa. A oferta dos serviços (prestados pelos cooperados) a terceiros e sua contratação para execução por estes, me parece constituir o cerne da existência de uma cooperativa de serviços. Acho até mesmo impróprio chamálo de negócio –meio para atingir o atofim, pois se a cooperativa não presta este serviço (de intermediação dos serviços) qual outro serviço prestaria? Assim, me parece que o "fornecimento de bens ou serviços a não associados para atender aos objetivos sociais", que ensejaria o alcance pela tributação do IR, seria o repasse dos serviços (contratados) a terceiros não associados, para cumprimento de contrato firmado pela cooperativa com os tomadores de serviços (para atender aos objetivos sociais). O resultado (se positivo) dessas operações derivadas do repasse desses serviços, no meu entender, é que deve ser alcançado pela tributação do imposto de renda”. (destaques acrescidos). Entendimento em consonância com o artigo 183, do RIR/1999, que dispõe: Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei nº 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º): Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.788 23 I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Finalmente, não deixa de chamar atenção a pluralidade de especialidades e especificidades dos profissionais que poderiam compor o quadro cooperativo. Vejase o Estatuto Social consolidado (fls. 2/4): Embora não haja proibição para esse procedimento, não deixa de ser surpreendente que profissões tão diversas, embora de um mesmo segmento, possam ser amealhadas em uma única cooperativa, mais ainda sabendose que as respectivas pagas são feitas em função dos serviços prestados e das sobras líquidas, de modo que a mensuração entre os serviços de um médico pressupõese seja totalmente diferente da remuneração de um atendente. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.789 24 Quadro que mais ainda reforça a sensação de verdadeira empresa comercial, do ramo de contratação de mão de obra, robustecendo o trabalho fiscal. Repitase, que as cooperativas, melhor dizendo, os “atos cooperativos” têm tratamento tributário diferenciado, inexistem dúvidas, como exaustivamente atrás já se destacou. Todavia, indiscutível também, os atos cooperativos devem ser efetivamente “atos cooperativos” e não apenas possuírem uma “formatação legal”, digase, não basta “aparentarem ser”, o que efetivamente não são. Nessa linha, não é demais lembrar que a jurisprudência pátria evoluiu para considerar que a essência se sobrepõe à forma, ou seja, insuficiente que uma formalidade legal esteja corretamente satisfeita se os fatos estampados mostram outra realidade. Não se olvide, “O tratamento tributário diferenciado dispensado às cooperativas, conforme previsto no art. 146, III, c da CF não se aplica de forma automática e direta a qualquer ato das cooperativas, mas tão somente aos seus atos cooperativos. Não são as cooperativas que recebem tratamento diferenciado, mas os atos cooperativos”. (Ac. 1201001.746). Por fim, apontese que não se está diante de desconsiderar a personalidade jurídica da cooperativa enquanto formalmente constituída, mas, sim, de adequar sua receita à efetiva situação fática de atos cooperativos (não sujeitos à tributação) e não cooperativos (tributados). Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação às infrações tratadas nestes autos. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A Autoridade autuante imputou responsabilização solidária às seguintes pessoas físicas e jurídicas: 1. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira – CPF nº 176.183.63072 – Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 2 (fls. 518/519) – artigos 124, I e 135, III, do CTN; 2. Sérgio Luiz da Silva Pereira – CPF nº 174.500.63034 Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 5 (fls. 530/531) – artigos 124, I e 135, III, do CTN; 3. Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126) Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 3 (fls. 524/525) – artigo 124, I, do CTN; 4. Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 4 (fls. 521/522) – artigo 124, I, do CTN; e, 5. Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160) Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1 (fls. 527/528) – artigo 124, I, do CTN; Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.790 25 Segundo a acusação (RAF – item 6 fls. 515/517 – Da Sujeição Passiva Solidária), estes foram os fatos imputados: i) o comando da pessoa jurídica fiscalizada era exercido de fato por Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, com auxílio de Sérgio Luiz da Silva Pereira; ii) Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Pereira foram os responsáveis diretos “para que as prescrições da Lei do Cooperativismo (Lei nº 5.764/71) fossem infringidas”; iii) os “gerentes de fato” drenaram recursos da fiscalizada em benefício pessoal, mediante o empreendimento de negócios jurídicos eivados de simulação, absoluta ou relativa, junto às empresas PONTAL, EDSAÚDE e PROSPECTAR. Como suporte de seu trabalho, o Fisco respaldouse a) no Inquérito Policial Federal nº 0236/2009 – SR/DPF/RS, que integra o processo judicial nº 2009.71.12.0016602, pertinente à denominada Operação Solidária, e b) no relatório de auditoria da Controladoria Geral da União (CGU fls. 117/137). Pois bem, a documentação acostada aos autos e os fatos relatados mostram, incontroversamente, unicidade, afinidade e alinhamento de objetivos entre a Equipe, as outras três pessoas jurídicas listadas e seus dirigentes (dirigentes de fato), tudo convergindo para tornar a “cooperativa” uma fonte de recursos que lhes permitia dela retirar vultosas quantias, sempre em detrimento dos “cooperados”, que acabavam por ficar com ínfimos e residuais valores. Esta realidade (de confusão patrimonial entre os imputados) ficou bem estampada no voto proferido pelo E. Desembargador Joel Paciornik nos autos do Agravo de Instrumento nº 501930780.2012.404.0000/RS, cujos excertos abaixo se transcrevem: “Com efeito, a medida restou fundamentada com base na indicação de 'indícios de interposição fraudulenta de empresas com a finalidade de ocultar a identidade de seus proprietários e permitir o favorecimento financeiro das pessoas físicas requeridas, assim como uso das demais empresas, para fins de usufruir os benefícios fiscais do sistema cooperativo em beneficio dos requeridos’, nos seguintes termos: (...) A Cooperativa requerida contratava, ainda, a requerida 'PONTAL CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA.', a qual caberia a administração operacional das atividades da cooperativa. Essa empresa foi constituída em 2006 pelo Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira e sua esposa, Sra. Gládis Teresinha Moreira Garcia, a qual era a vicepresidente fundadora da primeira requerida, de onde se afastou ao ser substituída pelo caseiro do Sr. Antônio na direção daquela cooperativa. (...) O Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira, por sua vez, é identificado como um auxiliar do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira nos assuntos diários. Há ainda a ligação com a requerida EDUSAÚDE TERCEIRIZAÇÃO NA ÁREA DA EDUCAÇÃO, SAÚDE E INFORMÁTICA LTDA, a qual foi criada pela sobrinha do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, sendo vendida a este Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.791 26 em 2004. Atualmente, são sócios o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e sua filha (Bruna). Em que pese o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira declarar que passou a integrar a empresa somente em 2008, constatouse que adquiriu um imóvel em Porto Alegre em maio de 2007 e o transferiu à empresa EDUSAÚDE ainda naquele ano, cerca de uma semana após a aquisição, demonstrando a confusão patrimonial e que o requerido já era ligado a tal cooperativa antes de passar a integrála formalmente. Finalmente, conforme a inicial, a requerida PROSPECTAR SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA foi criada em 2008 pelo Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e outra de suas filhas (Rafaela), tendo como objeto a prestação de serviços administrativos, dentre outros. Logo após a sua constituição, foi contratada pela primeira requerida para prestação de serviços, com remuneração mensal de RS 62.000.00. Aparentemente, esta empresa atua da mesma forma como atua (ou atuou) a requerida ANTÔNIO CARLOS CARVALHO DE OLIVEIRA EPP, não havendo qualquer notícia de empregados ou outra despesa, que não seja a distribuição de lucros ao seu sócio. Ao longo de toda a inicial foram apontados diversos fatos, inclusive conversas telefônicas interceptadas, que demonstram que a Cooperativa intermediava mãodeobra em desrespeito aos ditames do sistema cooperativo, e remunerava as empresas já listadas, de propriedade ou comandadas pelos Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, com valores acima do razoável. Assim, acabavam desviando parte dos recursos com benefícios fiscais para aquelas pessoas, demonstrando o caráter empresarial da cooperativa e o intuito de enriquecimento de seus comandantes. Em síntese, o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira fundou a primeira requerida junto com a Sra. Gládis, esposa do Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira, o qual é identificado como um auxiliar do Sr. Antônio nos assuntos diários. Após 2004, passou a prestar serviços à primeira requerida através das empresas de sua propriedade ou de seus familiares ou, ainda, de um ex funcionário: Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, Prospectar Serviços Administrativos Ltda. Epp e Edusaúde. Além disso, a primeira requerida teria contratado os serviços da empresa Pontal Consultoria Empresarial Ltda., de propriedade do Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira. Todas essas contratações teriam sido realizadas por valores fora da realidade, aprovados pela diretoria da primeira requerida, composta por sua irmã e um funcionário pessoal do mesmo. Conforme expõe a inicial, houve o uso da Equipe Cooperativa para fins pessoais, com o desvirtuamento de várias pessoas jurídicas, em beneficio do enriquecimento de determinadas pessoas. Há confusão patrimonial entre as empresas, demonstrando, ainda, a transferência de recursos da primeira requerida para as demais, com o fito de dificultar a satisfação dos débitos fiscais”. Repito e destaco: “Ao longo de toda a inicial foram apontados diversos fatos, inclusive conversas telefônicas interceptadas, que demonstram que a Cooperativa intermediava mãodeobra em desrespeito aos ditames do sistema cooperativo, e remunerava as empresas já listadas, de propriedade ou comandadas pelos Srs. Antônio Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.792 27 Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, com valores acima do razoável. Assim, acabavam desviando parte dos recursos com benefícios fiscais para aquelas pessoas, demonstrando o caráter empresarial da cooperativa e o intuito de enriquecimento de seus comandantes. Conforme expõe a inicial, houve o uso da Equipe Cooperativa para fins pessoais, com o desvirtuamento de várias pessoas jurídicas, em beneficio do enriquecimento de determinadas pessoas”. Relevante observar que a expressão “interposição fraudulenta de empresas”, presente na peça judicial, vem ao encontro do procedimento do Fisco e dá sustentação à imputação de responsabilidade solidária, isso porque, ao atuar de forma intencional com o fito de trazerem para si os benefícios que deveriam ser dos cooperados, puseramse ao alcance – em tese e a princípio – das tipificações dos artigos 124, I e 135, III, do Estatuto Tributário3. Procedimento que se robustece ao se deparar com as investigações da Polícia Federal (fls. 92/93): “Apenas no triênio 2005/2007. a EQUIPE COOPERATIVA recebeu de Canoas a quantia de R$ 50.637.230,32. sendo que, conforme a Receita Federal, as empresas PONTAL e ANTÔNIO CARLOS CAVALHEIRO DE OLIVEIRA (ACCO) são os maiores recebedores de valores provenientes da EQUIPE COOPERATIVA. Reiterese, portanto, que, ao final, os maiores beneficiários do vínculo contratual mantido entre a cooperativa e o município de Canoas são empresas ligadas aos instituidores da cooperativa, CAVALHEIRO e SÉRGIO. Nesse ponto não é demais revisitar a percuciente constatação da CGU, exarada no tópico 2.1.1.2.1: "Isso se explica, em grande parte, pelos expressivos montantes de despesas da Equipe Cooperativa de Serviços Ltda. com a contratação de assessorias, revelando indícios de subterfúgio para a retirada de capital dos 'proprietários de fato' da cooperativa " É simples e precisa essa assertiva. Há farta demonstração de que CAVALHEIRO, muito embora tenha sido excluído da diretoria da EQUIPE, permaneceu à frente da cooperativa capitaneando as ações”. 3 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.793 28 Ou seja, atos e fatos que convergem para, repitase, a princípio, dar razão ao Fisco. Cabe ver, todavia, se a tipificação legal assumida está em consonância com os fatos narrados. No caso das duas pessoas físicas imputadas (Antônio e Sérgio), ficou claro nos autos que ambos não possuem status de dirigentes de “direito” da Equipe, mas, sim, comandamna de forma paralela (ocultamente na forma, mas concretamente na essência), de modo que inadequado assumirse os ditames do artigo 135, III, do CTN, endereçado a “diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado”, o que não é o caso. De outro eito, indiscutível que os fatos elencados coadunamse com a dicção do artigo 124, I. De fato, ficou comprovado nos autos que Antônio e Sérgio, conquanto formalmente não presentes na direção da cooperativa, de fato permaneceram à sua frente no período objeto da ação fiscal. Nessa senda, os atos por eles, Antônio e Sérgio, praticados, mostram, à abundância, a drenagem da cooperativa e sua utilização por ambos – de forma pessoal – no sentido de abocanhar recursos sob os títulos mais diversos, como honorários, prestação de serviços, consultoria, etc., estando, pois, em consonância com o “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” de que fala o inciso I, supra. Deste modo, em relação à responsabilização solidária de Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira – CPF nº 176.183.63072 e Sérgio Luiz da Silva Pereira – CPF nº 174.500.63034, mantenho a sujeição passiva com fulcro no artigo 124, I, do CTN e afasto a direcionada para o artigo 135, III, do Código Tributário. Posição que se amolda à jurisprudência desta Turma, conforme expresso em outros julgamentos, por exemplo, Ac. 1402002.466, relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, por votação unânime: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Constatado que o sócio administrador continuava a atuar de fato nos negócios da empresa mesmo depois de formalmente excluído do seu quadro societário, é lícito à autoridade fiscal qualificálo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído. No que tange às pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126); Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) e Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160), pelos motivos acima elencados, igualmente devem ser mantidas as imputações com sustento no artigo 124, I, do CTN, isto porque tratavamse comprovadamente de empresas dirigidas por Antônio e Sérgio e que do mesmo Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.794 29 modo, foram utilizadas para drenar a Equipe, inicialmente em benefício delas mesmos e depois direcionando recursos às pessoas físicas mencionadas. Sintetizando, logrando proveito próprio (econômico, financeiro, jurídico) nas situações surgidas e que constituam os fatos geradores, cabe a responsabilização solidária marcada pelo artigo 124, I, do Diploma Tributário. Nesse sentido, o Ac. 1101001.010, relatoria da Conselheira Edeli Pereira Bessa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Demonstrado nos autos o interesse comum de outras pessoas jurídicas na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, entendese que são solidariamente obrigadas com a autuada em relação à exigência correspondente, nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN. Assim, mantenho a responsabilização solidária impingida com fulcro no artigo 124, I, do CTN às pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126); Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) e Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160). Concluindo, encaminho meu voto para: i) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da recorrente EQUIPE COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA., mantendo integralmente os lançamentos e o crédito tributário constituído nos autos de infração (fls. 387/481); ii) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recuso voluntário das pessoas físicas Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira – CPF nº 176.183.63072 e Sérgio Luiz da Silva Pereira – CPF nº 174.500.63034, para afastar a responsabilização solidária fincada no artigo 135, III, do CTN, mantendo tão somente a sujeição passiva fundada no artigo 124, I, do mesmo diploma legal; e, iii) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário das pessoas jurídicas Pontal Consultoria Empresarial Ltda. (PONTAL – CNPJ nº 07.983.541/000126); Edusaúde Serviços Administrativos S.A. (EDSAÚDE – CNPJ nº 07.161.798/000110) e Prospectar Serviços Administrativos Ltda. (PROSPECTAR – CNPJ nº 10.015.925/000160), mantendo a sujeição passiva imputada com base no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional. É como voto. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1402003.014 S1C4T2 Fl. 1.795 30 Brasília (DF), em 11 de abril de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1795DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007730/2005-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA.
A entrega da DCTF fora do prazo previsto na legislação sujeita o contribuinte à multa respectiva decorrente deste atraso.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. INATIVIDADE CARACTERIZADA. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA DE ATO NORMATIVO SUPERVENIENTE COM TRATAMENTO JURÍDICO MENOS SEVERO QUE O VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO.
A superveniência de norma com aplicação de tratamento jurídico menos severo do que o vigente à época da autuação atrai a incidência do art. 106, II, b, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa.
Numero da decisão: 1002-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA. A entrega da DCTF fora do prazo previsto na legislação sujeita o contribuinte à multa respectiva decorrente deste atraso. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. INATIVIDADE CARACTERIZADA. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA DE ATO NORMATIVO SUPERVENIENTE COM TRATAMENTO JURÍDICO MENOS SEVERO QUE O VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. A superveniência de norma com aplicação de tratamento jurídico menos severo do que o vigente à época da autuação atrai a incidência do art. 106, II, b, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.007730/2005-81
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868292
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.154
nome_arquivo_s : Decisao_10380007730200581.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10380007730200581_5868292.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7315931
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310460571648
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-01T14:54:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: PDF Architect 5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-06-01T14:54:04Z; Last-Modified: 2018-06-01T14:54:04Z; dcterms:modified: 2018-06-01T14:54:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; Last-Save-Date: 2018-06-01T14:54:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDF Architect 5; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-01T14:54:04Z; meta:save-date: 2018-06-01T14:54:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-01T14:54:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-06-01T14:54:04Z; created: 2018-06-01T14:54:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2018-06-01T14:54:04Z; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-06-01T14:54:04Z | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.007730/200581 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.154 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria MULTA POR TRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente RTR COMÉRCIO DE MÁQUINAS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA. A entrega da DCTF fora do prazo previsto na legislação sujeita o contribuinte à multa respectiva decorrente deste atraso. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. INATIVIDADE CARACTERIZADA. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA DE ATO NORMATIVO SUPERVENIENTE COM TRATAMENTO JURÍDICO MENOS SEVERO QUE O VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. A superveniência de norma com aplicação de tratamento jurídico menos severo do que o vigente à época da autuação atrai a incidência do art. 106, II, “b”, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 77 30 /2 00 5- 81 Fl. 29DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por economia processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/Fortaleza (CE): Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração, fis. 02, referente à multa pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, anocalendário de 2003, no valor total de RS 400,00. Inconformada com a exigência da qual tomou ciência em 04/08/2005 (Ar. fls. 03), o contribuinte ingressou com impugnação em 05/09/2005, fls. 01, alegando, em síntese, que não realizou nenhuma operação desde a sua constituição, ou seja, 31/01/2003, até o mês de novembro do mesmo ano. Assim, por se enquadrar na situação de inativa estava dispensada a apresentar as declarações relativas aos dois períodos que originaram o auto de infração. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada improcedente pela DRJ/FOR, conforme acórdão n. 0815.143, de 31 de março de 2009 (efl. 12), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Considerase inativa, para fins de dispensa na entrega da DCTF, a pessoa jurídica que não realizou qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial no curso do trimestre civil. Observada qualquer dessas movimentações, tornase obrigatória a apresentação da declaração e, sendo o caso, a aplicação da multa por atraso no cumprimento da obrigação acessória. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário no qual, em síntese, ratifica os argumentos apresentados em sede de impugnação, no sentido de que se encontrava na situação de inativa desde o inicio do ano calendário a que se referiam as DCTFs, aduzindo que, de acordo com a Instrução Normativa RFB 893/2008, parágrafo único do art. 2°, os pagamentos efetuados no ano calendário referentes a tributos ou multa pelo descumprimento de obrigações acessórias referentes aos anoscalendário anteriores não descaracterizam a inatividade. É o Relatório. Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10380.007730/200581 Acórdão n.º 1002000.154 S1C0T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Examinandose o mérito da lide administrativa, verifico que não há contestação do atraso na entrega da DCTF do períodobase em questão nem do cálculo da multa, evidenciados no auto de infração de efl. 4, lavrado em 12/07/2005. O Recorrente apenas evoca legislação posterior que lhe seria mais benéfica e que teria o condão de excluir a aplicação da referida multa. Compulsandose os autos, verifico que a razão jurídica externada pela instância a quo para descaracterização da inatividade e indeferimento do pleito do Recorrente foi a constatação de existência de recolhimento por ele efetuado em 30/05/2003, conforme excerto seguinte (in verbis): De acordo com a legislação tributária, considerase pessoa jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, durante todo o anocalendário. A pessoa jurídica que tenha feito qualquer tipo de aplicação no mercado financeiro não ,será considerada inativa. Este conceito se encontra expressamente previsto na Instrução Normativa SRF n° 21/2001, art. 2°, parágrafo único, e em atos administrativos subseqüentes. No presente caso, conforme consulta ao Sistema de Arrecadação Federal Sinal, fls. 13, verificase que o contribuinte efetuou em 30/05/2003 um recolhimento sob o código de receita n° 5338, no valor de R$ 800,00, relativamente a uma obrigação vencida em 30/05/2002. Portanto, estando comprovada a realização de atividade financeira no mês de maio de 2003, referente a uma obrigação vencida em 2002, fica afastada a hipótese de inatividade alegada pela defesa.(grifos nossos) Vêse que a inatividade do contribuinte foi descaracterizada pela constatação de pagamento sob o código de receita 5338, o qual descreve recolhimento de multa por atraso na entrega de DIRPJ, conforme consulta ao sitio da Receita Federal do Brasil RFB: Fl. 31DF CARF MF 4 Entretanto, segundo o parágrafo único do art. 2° da Instrução Normativa RFB 893/2008, os pagamentos efetuados no anocalendário referentes a multa pelo descumprimento de obrigações acessórias não descaracterizariam a inatividade: Art. 2º Considerase pessoa jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer atividade operacional, nãooperacional, patrimonial ou financeira, inclusive aplicação no mercado financeiro ou de capitais, durante todo o anocalendário. Parágrafo único. O pagamento, no anocalendário a que se referir a declaração, de tributo relativo a anoscalendário anteriores e de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não descaracterizam a pessoa jurídica como inativa no anocalendário.(grifos nossos) Sendo assim, é de deferirse o pleito do Recorrente, eis que o recolhimento sob o código de receita 5338 constituiu o único fundamento para descaracterização da inatividade no períodobase da autuação, redundando na geração da multa pelo atraso na entrega da DCTF. Em razão de a IN RFB 893/2008 ter dado tratamento jurídico menos rigoroso à caracterização da inatividade, aplicase ao caso o art. 106, II, “c”, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;(grifos nossos) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, considerando que a situação sob exame subsumese à alínea "b" do inciso II do artigo 106 supra mencionado, deve ser reconhecido o direito do Recorrente à exclusão da à multa pelo atraso na entrega da DCTF do anocalendário de 2003. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 32DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720680/2016-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/09/2014
DECISÃO JUDICIAL. EXTENSÃO DOS EFEITOS. APLICAÇÃO DO JULGAMENTO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBREPOSIÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. UNICIDADE DA JURISDIÇÃO.
Em sede de julgamento administrativo não há dúvida sobre a insubsistência do auto de infração, uma vez que sua motivação (extensão dos efeitos da sentença judicial transitada em julgado em favor do estabelecimento matriz, também para a filial da empresa) foi levada à apreciação do Poder Judiciário, que a julgou em favor da Contribuinte. Esta decisão não foi objeto de recurso pela Fazenda Nacional.
Assim, não há espaço para que se faça uma análise diferente daquela exarada pelo Poder Judiciário, sendo necessária sua simples aplicação. Não poderia ser diferente, afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa, em razão da unicidade da jurisdição adotada no sistema brasileiro.
Numero da decisão: 3402-005.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 23/09/2014 DECISÃO JUDICIAL. EXTENSÃO DOS EFEITOS. APLICAÇÃO DO JULGAMENTO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBREPOSIÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. UNICIDADE DA JURISDIÇÃO. Em sede de julgamento administrativo não há dúvida sobre a insubsistência do auto de infração, uma vez que sua motivação (extensão dos efeitos da sentença judicial transitada em julgado em favor do estabelecimento matriz, também para a filial da empresa) foi levada à apreciação do Poder Judiciário, que a julgou em favor da Contribuinte. Esta decisão não foi objeto de recurso pela Fazenda Nacional. Assim, não há espaço para que se faça uma análise diferente daquela exarada pelo Poder Judiciário, sendo necessária sua simples aplicação. Não poderia ser diferente, afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa, em razão da unicidade da jurisdição adotada no sistema brasileiro.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10909.720680/2016-87
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861385
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.137
nome_arquivo_s : Decisao_10909720680201687.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 10909720680201687_5861385.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7273292
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310488883200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 649 1 648 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.720680/201687 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.137 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente FIRST S/A E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/09/2014 DECISÃO JUDICIAL. EXTENSÃO DOS EFEITOS. APLICAÇÃO DO JULGAMENTO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBREPOSIÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. UNICIDADE DA JURISDIÇÃO. Em sede de julgamento administrativo não há dúvida sobre a insubsistência do auto de infração, uma vez que sua motivação (extensão dos efeitos da sentença judicial transitada em julgado em favor do estabelecimento matriz, também para a filial da empresa) foi levada à apreciação do Poder Judiciário, que a julgou em favor da Contribuinte. Esta decisão não foi objeto de recurso pela Fazenda Nacional. Assim, não há espaço para que se faça uma análise diferente daquela exarada pelo Poder Judiciário, sendo necessária sua simples aplicação. Não poderia ser diferente, afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa, em razão da unicidade da jurisdição adotada no sistema brasileiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 06 80 /2 01 6- 87 Fl. 649DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que declarou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança tributos e multas decorrentes de operação de importação, no montante de R$ 4.282,62, consubstanciada nos autos de infração em questão. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratase de processo de insurgência das autuadas contra as exações fiscais veiculadas nos autos de infração (AI) lavrados em 11.04.2016, pela ALF/Porto de Itajaí (fls. 02 a 30), e cientificados em 12.04.2016 e 13/04/2016 (fls. 100/101), que resultou no lançamento de ofício do Imposto de Importação (II), no valor de R$ 68.521,84, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado à importação, no valor de R$ 65.952,27 e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (CofinsImportação), no valor de R$ 4.282,62, todos acrescidos dos juros de mora (calculados até 31.03.2016) e multas de ofício. A autoridade lançadora ressalta que figuram no polo passivo dos presentes autos de infração a epigrafada FIRST S/A e a adquirente das mercadorias, na condição de /responsável solidária, INFOCWB COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA. (CNPJ 06.087.184/000317). .../ Em síntese, a presente autuação trata dos efeitos e desdobramentos da decisão judicial exarada nos autos da Ação Ordinária nº 5037205 92.2011.404.7000/PR, ajuizada pela adquirente, que determinou que as placas de vídeo GPU classificamse no código NCM 8473.30.73, conforme as autuadas fizeram constar na ficha “Informações Complementares” da parte geral da Declaração de Importação nº 14/18264751. A autoridade lançadora afirma que: (i) a Declaração de Importação (DI) nº 14/18264751, registrada em 23.09.2014, cujo valor aduaneiro das mercadorias era R$ 428.261,54, tinha como importadora a CAPITAL TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e como adquirente a INFOCWB COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETROELETRÔNICOS LTDA; (ii) o AuditorFiscal responsável pela análise do despacho, apenas exigiu que as autuadas promovessem a retificação da DI a fim de fazer constar no campo próprio o número do processo judicial e o recolhimento da multa prevista no art. 84 da Medida Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 650 3 Provisória nº 2.15835/2001 c/c o art. 69, § 1º, da Lei nº 10.833/2003; (iii) atendidas referidas exigências, a DI foi desembaraçada em 10.10.2014; (iv) incorreu em erro a autoridade aduaneira que conduziu a análise do respectivo despacho aduaneiro, pois a referida ação ordinária que reconheceu o direito de a autora ter suas importações futuras dos bens objeto da consulta que resultou na Solução de Divergência nº 6/2009 – Coana referese ao estabelecimento matriz da Infocwb, enquanto que na Declaração de Importação objeto da presente autuação quem figura com adquirente dos respectivos bens é o estabelecimento filial da Infocwb identificado pelo sufixo 003 no respectivo número do CNPJ; (v) na importação os tributos são devidos pelo estabelecimento importador, tratase de tributos cujos fatos geradores operamse de forma individualizada, tanto na matriz quanto nas filiais que operarem no comércio exterior; (vi) é pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que no campo tributário, a existência de registros de CNPJ diferentes caracteriza autonomia patrimonial, administrativa e jurídica de cada um dos estabelecimentos. Assim, matriz e filiais operam de modo independente em relação aos demais. Reforça esse entendimento com a trazida da ementa do acórdão do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.488RS, que dispõe que no caso de tributo cujo fato gerador operase de forma individualizada não se outorga à matriz legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome das filiais. Transcrevo, verbis: EMENTA TRIBUTÁRIO. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. MATRIZ E FILIAIS. AUTONOMIA JURÍDICOADMINISTRATIVA. CDAS DISTINTAS. SÚMULA 83/STJ. INAPLICABILIDADE DA ENTENDIMENTO FIRMADO NO RESP REPETITIVO 1.355.812/RS. 1. Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, no campo tributário, a existência de registros de CNPJ diferentes caracteriza a autonomia patrimonial, administrativa e jurídica de cada um dos estabelecimentos. Assim, matriz e filiais operam de modo independente em relação aos demais. 2. Logo, em se tratando de tributo cujo fato gerador operouse de forma individualizada, tanto na matriz quanto na filial, não se outorga àquela legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome das filiais. 3. A tese discutida e firmada no REsp Repetitivo 1.355.812/RS, acerca da unidade patrimonial da empresa e limites da responsabilidade dos bens da sociedade e dos sócios definidos no direito empresarial, não afasta a tese de que, para fins fiscais, ambos os estabelecimentos matriz e filial são considerados entes autônomos. Agravo regimental improvido. Fl. 651DF CARF MF 4 Conclui, portanto, que, vencida a questão da inexistência de ordem judicial para que seja aceita a classificação fiscal indicada pelas autuadas, com arrimo (i) na legislação que disciplina a classificação fiscal de mercadoria, (ii) na conclusão da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira que a mercadoria em análise tem todas das características das unidades de máquinas automáticas de processamento de dados classificáveis na posição 8471 (Solução de Divergência Coana nº 06/2009) e (iii) na estrutura da posição 8471, que a mercadoria deve ser classificada no código 8471.80.00, evidenciando que as autuadas cometeram erro de classificação fiscal ao eleger o código NCM 8473.30.43 ao invés do código NCM 8471.80.00. Sustenta que o desembaraço da Declaração de Importação nº 14/18264751, que acolheu a classificação fiscal trazida pelas autuadas como se essa (classificação fiscal) fosse fruto de uma ordem judicial, quando em verdade não havia ordem judicial que alcançasse o caso em apreço, restou eivado de vício de legalidade, cabendo à Administração promover sua anulação, respeitadas as condições contidas nos artigos 53 e 54 da Lei nº 9.784/1999. Alerta que com a reclassificação das mercadorias para o código NCM 8471.80.00 ocorreu o recolhimento insuficiente de Imposto de Importação, de Imposto sobre Produtos Industrializados e da Contribuição Cofinsimportação, pois, para mercadorias desta classificação fiscal: (i) a alíquota devida do Imposto de Importação, segundo a Tarifa Externa Comum dispostas na Resolução Camex nº 94, de 12.12.2011, é 16%, e as autuadas utilizaram alíquota de 0%; (ii) a alíquota devida do Imposto sobre Produtos Industrializados, segundo o Decreto nº 7.660/2011 é de 15%, e as autuadas utilizaram alíquota de 2%; (iii) o código NCM da nova classificação consta do Anexo I da Lei nº 12.546/2011, de modo que a alíquota da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador (CofinsImportação) fica majorada em um ponto percentual sendo alterada de 7,60% para 8,60%. Ressalta que em se tratando a DI em apreço de uma importação por conta e ordem de terceiro, a empresa adquirente também responde pela infração, à luz do art. 95, inciso V, do Decretolei nº 37/1966, Razão pela qual foi também trazida para o polo passivo a Infocwb, na condição de responsável solidária. Por fim, informa que a presente exação está enquadrada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) nº 1 (texto da posição 8471 e da Nota 5 do Capítulo 84) e nº 6 (texto da subposição 8471.80) da TEC aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 12.12.2011, e alterações posteriores, arts. 1º, 2º, incisos I e II, 22, 23 e 95, incisos I e IV do Decreto lei nº 37/66, arts. 94 e 122 do Decreto nº 6.759/2009, arts. 1º, 2º, inciso I, 13, 14, alínea “b”, 26, inciso I, 34 e 35, alínea “b”, da Lei nº 4.502/1964, arts. 1º, 3º, inciso I, 4º, inciso I, 5º, inciso I, 7º, inciso I, 8º, inciso II e § 21, 13, inciso I, 19 e 20 da Lei nº Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 651 5 10.865/2004 e artigos 53 e 54 da Lei nº 9.784/1999. E quanto à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. A empresa Infocwb Importação e Distribuição Ltda., atual denominação de Infocwb Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda., irresignada com as autuações, apresenta em 11.05.2016 impugnação e demais documentos (fls. 104 a 209), para alegar que: através da 11ª alteração contratual, registrada na Junta Comercial do Paraná em 23.09.2013, foi constituída uma filial na cidade de JoinvilleSC, cujo CNPJ é 06.087.184/000317, ou seja, mantendose a mesma raiz do CNPJ da matriz, o mesmo ramo de atividade e sem destaque de capital, portanto, o mesmo objeto social da matriz; nos termos do art. 15 da Lei nº 9.779, de 19.01.1999, todos os pagamentos dos tributos federais são centralizados no estabelecimento matriz da referida pessoa jurídica; a empresa First S/A é prestadora de serviços de importação na modalidade por conta e ordem, conforme consta informados nas onze declarações de importação citas nos autos de infração ora contestados; não obstante a autoridade lançadora haver enumerado minuciosamente as diretrizes que norteiam a classificação fiscal das mercadorias, esse não parece ser o motivo da presente autuação, haja vista que a conceituação da NCM e dos produtos importados já foram objeto de apreciação nos autos da ação ordinária tombada sob o nº 503720592.2011.404.7000/PR; logo, referida reapreciação, feita pela autoridade fiscal, mostra se desnecessária, de vez que já enfrentada pelo Poder Judiciário, à exaustão, nos referidos autos judiciais; as placas de vídeo objeto da presente autuação referemse exatamente àquelas da referida ação ordinária, cuja decisão judicial foi no sentido de classificálas na NCM 8473.30.43, indicada nas respectivas declarações de importação, ao invés daquela exigida pela União (NCM 8471.80.00); no citado procedimento judicial, em 25.03.2013, depois de exauriente juízo foi expedida sentença de mérito, confirmando o deferimento, em 11.10.2011, da antecipação de tutela e julgando procedente o pedido, para declarar que as importações já realizadas pela Autora, bem como as futuras, relativamente ao produto placa de vídeo GPU, sejam desembaraçadas pela NCM nº 84.73.30.43, enquanto não criada subposição mais específica à classificação do produto na posição 84.71 da NCM; citada decisão, naquilo que interessa para os presentes autos, foi mantida hígida pelo Tribunal Federal da 4ª Região TRF/04, donde restou acobertada pelo manto da coisa julgada, não havendo notícia de que a União tenha intentado ação rescisória Fl. 653DF CARF MF 6 com vista a contrapôla, logo, não cabe mais a União, por meio da RFB, colocar em discussão o direito de a Autora importar placas de vídeo, utilizando a classificação fiscal da NCM 8473.30.43, na medida que albergada judicialmente; até agosto de 2009 importava placa de vídeo utilizando a NCM 8473.30.43, haja vista estar resguardada pela Solução de Consulta nº 210, de 08.08.2008, contudo, a partir desta data a RFB passou a entender que a placa de vídeo se classificava no código NCM 8471.80.00, obrigandoa reduzir seu volume de importação à metade, situação somente revertida com a decisão proferida na ação ordinária nº 503720592.2011.404.7000/PR, que reconheceu que a NCM correta para a placa de vídeo que importava era a 8473.30.43, por ser mais específica; o ato administrativo do presente lançamento é desprovido de base legal, indo de encontro com a Solução de Consulta nº 210/2008, portanto, arbitrário, confiscatório e extremamente prejudicial à autuada, conforme restou, inclusive, consagrado na ação judicial; o ponto nodal que ensejou os presentes autos de infração repousa no entendimento da autoridade lançadora em não admitir que os efeitos da decisão judicial obtida por seu estabelecimento matriz, na citada ação ordinária, possa ser estendida à sua filial, constituída em Santa Catarina em data posterior ao seu trânsito em julgado (grifei); a autoridade fiscal reconhece que o objeto da citada ação ordinária, ajuizada pela matriz da Infocwb, está assentado na reversão dos efeitos da Solução de Divergência nº 6 Coana, que alterou o entendimento fixado na solução de consulta veiculada no processo nº 15165.000718/200856; não havendo dúvidas de que a decisão judicial obtida nos autos da citada ação ordinária reverteu a decisão proferida na Solução de Divergência nº 6 Coana, “não há como se admitir que os efeitos desta sentença sejam restritos à matriz da empresa INFOCWB IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. uma vez que, por disposição normativa, os efeitos do processo de consulta tributária também abrangem os demais estabelecimentos filiais”, em atenção aos termos dos arts. 2º, § 1º e 13, da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16.09.2013; diferentemente do aduzido pela autoridade lançadora, “não há uma tributação individualizada no que concerne aos tributos federais de matriz e filial, até porque, se assim fosse, haveria contrariedade ao comando do artigo 15 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, a qual já restou citada no corpo da presente impugnação. Todos os informativos fiscais são feitos pela Matriz da empresa Infocwb Importação e Distribuição Ltda. como, por exemplo, DACON e DCTF e é a própria matriz quem efetua os pagamentos tributários”; houve erro de transcrição do número do processo judicial, cuja ementa a autoridade fiscal reproduz para justificar sua tese jurídica, pois, referese à ementa do Recurso Especial nº 1.488.209/RS; Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 652 7 referida ação não serve de paradigma para sustentar a tese da fiscalização, pois a situação enfrentada no STJ referese a “tributos cujo fato gerador operouse de forma individualizada tanto na matriz quanto na filial”; na espécie, por se tratar de tributos federais, não há uma tributação individualizada, a exemplo do ICMS que se opera de forma individualizada entre a matriz e a filial em face da autonomia legislativa dos entes federados; matriz e filial constituem uma única pessoa jurídica (§ 1º do art. 75 do Código Civil); a inscrição no CNPJ de número específico para cada estabelecimento da pessoa jurídica é determinação imposta pela própria RFB, objetivando facilitar a fiscalização e o cumprimento das obrigações fiscais (§ 1º do art. 10 da IN RFB nº 748/2007); “o número do CNPJ da filial é derivado do número do CNPJ da matriz”, logo, “a filial é estabelecimento que integra o acervo patrimonial de uma única pessoa jurídica”, conforme entendimento dominante no STJ, consoante dispõe, a título de exemplo, o Resp nº 1.355.812/RS, Primeira Seção, Unanimidade, Dje: 31/05/2013, cujo julgamento foi submetido ao rito previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, a impugnante conclui que “o auto de infração é de todo insubsistente, merecendo a sua total improcedência, pois a decisão judicial que autorizou a empresa INFOCWB IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA a desembaraçar as placas de vídeo pela NCM 8473.30.43 estendese a sua filial catarinense e, consequentemente, os tributos recolhidos por ocasião das importações referidas ao auto de infração, são suficientes para não ensejar as complementações e penalidades pretendidas pela Autoridade Fiscal”. Requer a juntada da (i) 11ª e da 14ª alteração contratual da empresa Infocwb Importação e Distribuição Ltda.; (ii) inicial, liminar e sentença proferidas nos autos 5037205 92.2011.404.7000/PR e (iii) sentença proferida no Mandado de Segurança tombado sob nº 500254928.2015.4.04.7208/SC. Por fim, pede a insubsistência do auto de infração. A empresa First S/A, igualmente irresignada com as autuações, apresentou em 12.05.2016 (fl. 253) a impugnação de fls. 212 a 241, trazendo os mesmos argumentos apresentados pela adquirente Infocwb, à exceção dos a seguir sintetizados, que: de acordo com o artigo 1º da IN SRF nº 225/2002 e artigo 12, § 1º, inciso I, da IN SRF nº 247/2002, “a importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa (a importadora), a qual promove em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquiridas por outra empresa (a adquirente), em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros Fl. 655DF CARF MF 8 serviços relacionados a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial”; na importação por conta de ordem, a pessoa jurídica importadora (trading) é mera mandatária do adquirente, que pactua a compra internacional, embora o faça por meio de interposta pessoa (trading), que atua como prestadora de serviços, sendo que a responsável pelas informações prestadas durante o procedimento de importação das mercadorias é a empresa adquirente; realizada uma importação por conta e ordem do adquirente, não tendo o importador recolhido os valores referentes aos tributos incidentes na operação, restará ao adquirente a responsabilidade pelo devido recolhimento. Por fim, pede que seja decretada a insubsistência do auto de infração. Sobreveio então o Acórdão 0739.070, da 2ª Turma da DRJ/FNS, negando provimento à impugnação dos sujeitos passivos, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/09/2014 COMÉRCIO EXTERIOR. DEMANDA JUDICIAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA. FATO GERADOR AUTÔNOMO. DECISÃO JUDICIAL OBTIDA EM NOME DA MATRIZ NÃO SE ESTENDE AUTOMATICAMENTE PARA AS FILIAIS DA PESSOA JURÍDICA. Tributos e contribuições federais que tem como fato gerador operação de comércio exterior, especialmente na nacionalização de mercadoria de origem estrangeira, operase de forma individualizada em cada operação e em nome de cada estabelecimento autônomo da pessoa jurídica. O fato gerador deve ser aferido isoladamente em cada operação, não se aplicando automaticamente a extensão dos efeitos de decisão judicial obtida em nome da matriz para as suas filiais. Recurso em que se discute a possibilidade de extensão dos efeitos de decisão judicial obtida em nome da matriz para as suas filiais. Demanda judicial aforada pela matriz de pessoa jurídica discutindo no mérito a mesma matéria objeto de solução de divergência exarada pela Coana/RFB em face de processo de solução de consulta sobre classificação fiscal de mercadorias não se estende de forma automática para as suas filiais em razão dos limites objetivos e subjetivos da coisa julgada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/09/2014 DECISÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. TRÂNSITO EM JULGADO. PARECER NORMATIVO 7/2014. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. MATÉRIA DISTINTA. APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO QUANTO AO CABIMENTO DA AÇÃO JUDICIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 653 9 O trânsito em julgado de decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte em que se discute matéria com idêntico objeto de solução de consulta, solução de divergência e do auto de infração, torna incabível a análise do mérito do assunto discutido em face da primazia das decisões judiciais, mas não impede a apreciação de matéria distinta, especialmente quando na impugnação esta se refere ao cabimento e aplicação (ou não) da própria decisão judicial ao processo administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com o resultado do julgamento a quo, a INFOCWB IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA (doravante denominada simplesmente INFOCWB) interpôs recurso voluntário (fls 295 a 313) dirigido a este Conselho, repisando os mesmo argumentos anteriormente trazidos em impugnação. Ademais, informa que, depois de ter conseguido a tutela judicial para amparar as importações efetuadas sob o código NCM 8473.30.43, inclusive por meio de sua filial em Santa Catarina, foi notificada de cinco autos de infração pela Receita Federal (10909.720683/201611; 10909.720684/201665; 10909.720682/201676; 10909.720679/201652; 10909.720680/201687), todos sob o mesmo fundamento do presente. Desses cinco, três primeiros já foram julgados improcedentes no âmbito da DRJ. Afirma ainda que o Acórdão recorrido incorre em afronta à decisão judicial, sendo essa mais uma das situações em que a Receita Federal vem se eximindo de cumprir o quanto determinado pelo Poder Judiciário. Nesse sentido, narra que, pelo fato de as importações efetuadas pela filial terem passado a ser verificadas pela Aduana com parametrização automática pelo canal vermelho, a Recorrente ingressou nos autos da Ação n. 503720592.2011.4.04.7000/PR (já em fase de execução de sentença contra a Fazenda Pública), requerendo ao magistrado competente que declarasse os efeitos da sentença anteriormente proferida, vale dizer, se as importações de placas de vídeo utilizando o NCM n. 8473.30.43 estavam amparando também a filial da sociedade, além a matriz que ajuizara a ação. Em 29/09/2016 foi proferida decisão sobre o tema (fls 645), ratificando que a ordem judicial abrange tanto as importações efetivadas pela matriz, como pela filial. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Fl. 657DF CARF MF 10 Pela leitura do relato acima, bem como pela síntese trazida pelo Acórdão recorrido, o ponto nevrálgico do presente processo é o seguinte: a restrição dos efeitos da sentença proferida nos autos da Ação de rito ordinário n. 503720592.2011.404.7000/PR, à medida que a fiscalização considerou que a referida decisão judicial (sobre a correta classificação fiscal dos produtos importados no NCM 8473.30.43, conforme pleiteado pela autora da ação) surte efeitos tão somente para o estabelecimento matriz (autora da ação judicial), não abrangendo, por conseguinte, a filial situada no Estado de Santa Catarina (ora Recorrente) da empresa Infocwb Importação e Distribuição Ltda (atual denominação). Somando à leitura do relatório, as informações constantes da cópia dos autos da Ação de rito ordinário de n. 503720592.2011.4.04.7000/PR (fls 352 a 636), não há dúvidas que a Recorrente vem lidando com um processo kafkaniano. Com efeito. Ao invés de ter o seu direito, já declarado e resguardado pelo Poder Judiciário, simplesmente cumprido pelas autoridades administrativas, a Recorrente foi sendo envolvida num emaranhado de atos que levam não só à injustiça, como também à insanidade no que diz respeito ao próprio direito. Para se ter consciência sobre o ponto em que chegou a questão, depois de inúmeras intimações das autoridades competentes para dar eficácia à sentença judicial em favor da Recorrente inclusive impondo multa diária contra à União pelo citado descumprimento, inicialmente de 1%, depois elevada para 2% do valor da causa , foram intimados o Sr. Jorge Antonio Deher Rachid, Secretário da Receita Federal, e o Sr. José Carlos de Araújo, CoordenadorGeral de Administração Aduaneira COANA (fls 521 e 522), para que a decisão judicial fosse cumprida em âmbito nacional. Deixando de lado as dificuldades processuais e procedimentais vividas pela Recorrente, fato é que, depois de tamanhos esforços perpetrados, nesse momento não há mais dúvida sobre a insubsistência do auto de infração, uma vez que sua motivação (extensão do quanto decidido para a matriz, também para a filial) foi levada à apreciação do Poder Judiciário, que a julgou em favor da Contribuinte. Esta decisão não foi objeto de recurso pela Fazenda Nacional. Tratase da decisão de fls 645, proferida na execução contra a Fazenda Pública na Ação n. 503720592.2011.4.04.7000/PR, in verbis: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 654 11 Para que não restem dúvidas sobre a definitividade desta decisão, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional vem direcionando o seu cumprimento, sem contestála, conforme o comunicado abaixo colacionado (fls 359), bem como a petição de fls 517 a 519, bem como os demais andamentos da ação comprovados nos autos: Fl. 659DF CARF MF 12 Assim, não há espaço para que esta relatora faça uma análise do alcance da decisão judicial, nem mesmo que discorra o sobre os limites da coisa julgada subjetiva e objetiva, sobre a teoria da unidade patrimonial da pessoa jurídica ou sobre a autonomia dos estabelecimentos, como fez eloquentemente o Acórdão recorrido. Isto porque tal trabalho foi feito pelo próprio Poder Judiciário, dando razão às alegações da defesa do presente processo administrativo, uma vez que reconhece que o seu julgamento abrange a filial situada em Santa Catarina, conforme demonstrado. Não poderia ser diferente, afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa, em razão da unicidade da jurisdição adotada no sistema brasileiro. Dessarte, a Recorrente é pessoa jurídica amparada pela decisão transitada em julgado proferida nos autos do Processo n. 503720592.2011.4.04.7000/PR. Por conseguinte, correta a classificação fiscal adotadas nas importações consubstanciadas das DIs sob análise (NCM n. 8473.30.43), sendo incabível a cobrança de diferença de tributos ou multas decorrentes de erro de classificação fiscal das mercadorias. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 655 13 Finalmente, salientese que com relação aos três autos de infração mencionados pela Recorrente em sua peça ao CARF, que já haviam sido cancelados pela DRJ, tais decisões não foram alteradas no âmbito recursal. Os recursos de ofício não foram conhecidos por este mesmo Colegiado, nos Acórdãos n. 3402004.227, 3402004.225 e 3402 004.226, de relatoria do Conselheiro Jorge Freire. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente os autos de infração, decisão esta que logicamente abarca o sujeito passivo solidário. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 661DF CARF MF 14 Fl. 662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000080/2007-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
COMPROVAÇÃO.
A divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo.
Não restou inequivocamente comprovado que a pessoa jurídica se dedique à atividade de construção civil, atividade então vedada ao SIMPLES.
Numero da decisão: 9101-003.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 COMPROVAÇÃO. A divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. Não restou inequivocamente comprovado que a pessoa jurídica se dedique à atividade de construção civil, atividade então vedada ao SIMPLES.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.000080/2007-31
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5858172
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.489
nome_arquivo_s : Decisao_13603000080200731.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GERSON MACEDO GUERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13603000080200731_5858172.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7254987
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310502514688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1373; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 251 1 250 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13603.000080/200731 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.489 – 1ª Turma Sessão de 8 de março de 2018 Matéria SIMPLES ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLÁSSICOS DIVISÓRIAS LTDA ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 COMPROVAÇÃO. A divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. Não restou inequivocamente comprovado que a pessoa jurídica se dedique à atividade de construção civil, atividade então vedada ao SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 00 80 /2 00 7- 31 Fl. 251DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 180100.459, onde restou decidido que a prestação serviço de montagem e desmontagem de divisórias não seria atividade acessória à construção de imóveis, de modo que aquele contribuinte que a executa não estava impedido de optar pelo SIMPLES Federal. Na origem, a contribuinte em questão foi excluída do SIMPLES Federal, com base no ADE 07/2007. No relatório da DRF que deu origem ao ato de excçusão, compreendeu se que o serviço de colocação de divisórias, pisos e de forros em geral é um serviço auxiliar e complementar à construção, portanto, também é atividade vedada, conforme artigo 9, V, §4º, da Lei 9.317/96. Houve apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte, que fora julgada improcedente pela DRJ. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 PERTENÇA. A divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. COMPROVAÇÃO. Não restou inequivocamente comprovado que a pessoa jurídica se dedique à atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora." Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência, alegando que a atividade em questão é atividade complementar à construção de imóveis, enquadrandose, portanto, na vedação do parágrafo 4° do art. 9° da Lei n° 9.317/96. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13603.000080/200731 Acórdão n.º 9101003.489 CSRFT1 Fl. 252 3 O Recurso da Fazenda foi conecido, conforme despacho de admissibilidade Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, pugnando pela manutenção do julgado a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo não haver reparos a serem feitos no despacho de admissibilidade, portanto, dele conheço. Sobre o mérito da questão, entendo não haver reparos a serem feitos na decisão recorrida. Compreendo que a referida vedação alcança, apenas, as pessoas jurídicas que se dediquem à construção de imóveis, e o § 4° do mesmo dispositivo não tem o condão de modificar a extensão do que expresso naquele inciso. Mencionado parágrafo 4º apenas expõe as diversas facetas da regra do inciso V, sem aumentar o seu alcance, exercendo as seguintes funções: 1) explica que nem todas as obras de construção civil são consideradas construção de imóvel; 2) esclarece que é irrelevante a titularidade do imóvel; 3) informa que o conceito de imóveis alcança as edificações e as benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo (no que se aproxima da definição de imóvel do art. 79 Código Civil); e 4) estabelece, por meio de exemplos (construção, demolição, reforma, ampliação), quais obras de construção civil estão alcançadas pelo conceito de construção de imóvel. Nesse contexto, outra não pode ser a conclusão, senão a de que a vedação existente só afasta a possibilidade de opção pelo Simples para a empresa com atividades de construção civil que resulte na construção de imóveis e que, portanto, as atividades descritas no ADN 30/99, para impedirem o ingresso ou permanência da pessoa jurídica na sistemática simplificada de recolhimento, não podem ser analisadas isoladamente, mas sim demonstradas corno integrantes de um conjunto que resulte na edificação de imóveis No presente caso, a atividade realizada visava apenas a montagem, desmontagem, remanejamento, manutenção e conserto de divisórias, ou seja, seu resultado não resultaria, jamais, na edificação de imóveis. Logo, não há como enquadrar tal atividade na vedação legal. Fl. 253DF CARF MF 4 Nesse contexto, não há reparos a serem feitos na conclusão da Turma a quo, no seguinte sentido: "No presente caso a divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. Ademais, toda obra para ser considerada como de engenharia, de arquitetura ou de agronomia depende, para sua legalidade, da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) correspondente ao registro do contrato de prestação de serviços, de acordo com a Lei nº 6.496, de 07 de dezembro de 1977, fato que não restou comprovado nos autos." Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904221/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10746.904221/2012-31
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5860139
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.301
nome_arquivo_s : Decisao_10746904221201231.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10746904221201231_5860139.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7268806
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310520340480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.904221/201231 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.301 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 21 /2 01 2- 31 Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10746.904221/201231 Acórdão n.º 3301004.301 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.870, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.595. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10746.904221/201231 Acórdão n.º 3301004.301 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10746.904221/201231 Acórdão n.º 3301004.301 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10746.904221/201231 Acórdão n.º 3301004.301 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 986DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916325/2011-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.916325/2011-31
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5863783
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.450
nome_arquivo_s : Decisao_13971916325201131.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13971916325201131_5863783.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7288773
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310522437632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.916325/201131 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.450 – 3ª Turma Sessão de 13 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 25 /2 01 1- 31 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13971.916325/201131 Acórdão n.º 9303006.450 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.948, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13971.916325/201131 Acórdão n.º 9303006.450 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13971.916325/201131 Acórdão n.º 9303006.450 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916325/201131 Acórdão n.º 9303006.450 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907536/2009-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
NULIDADE DE DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A falta de motivação adequada, que se baseie em fatos demonstrados nos autos, implica o cerceamento do direito de defesa e, por consequência, a nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3002-000.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora para que efetue novo julgamento, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NULIDADE DE DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de motivação adequada, que se baseie em fatos demonstrados nos autos, implica o cerceamento do direito de defesa e, por consequência, a nulidade da decisão de primeira instância.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10935.907536/2009-15
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5867729
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.172
nome_arquivo_s : Decisao_10935907536200915.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LARISSA NUNES GIRARD
nome_arquivo_pdf_s : 10935907536200915_5867729.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora para que efetue novo julgamento, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7312005
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310526631936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.907536/200915 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.172 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente SEVENCON TECELAGEM E CONFECÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NULIDADE DE DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de motivação adequada, que se baseie em fatos demonstrados nos autos, implica o cerceamento do direito de defesa e, por consequência, a nulidade da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora para que efetue novo julgamento, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI relativo ao 1º trimestre de 2005, ao qual foram vinculadas duas declarações de compensação, relativas aos períodos de março/2008 e de abril/2008 (PER fls. 39 a 67 e Dcomp apenas de abril/2008 fls. 68 a 71). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 75 36 /2 00 9- 15 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10935.907536/200915 Acórdão n.º 3002000.172 S3C0T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal em Cascavel emitiu Despacho Decisório no qual reconheceu integralmente o crédito de IPI; homologou integralmente a compensação relativa a março/2008, mas homologou apenas parcialmente a compensação relativa a abril/2008, tendo em vista que o crédito de IPI reconhecido foi insuficiente para compensar a totalidade dos débitos declarados pelo sujeito passivo. O despacho decisório foi acompanhado de demonstrativos do saldo credor ressarcível e do detalhamento da compensação por declaração transmitida (fls. 27 a 31). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou que tinha direito ao crédito nas saídas de produtos isentos, com alíquota zero ou imunes, bem como nas aquisições de estabelecimento comercial atacadista não contribuinte; que deveria ter sido considerado o saldo credor do período anterior; e, por fim, que não utilizou créditos sem lastro, residindo o problema no programa PER/Dcomp, que permitiu a transmissão de uma compensação vinculada a mais de um pedido de ressarcimento, fazendo o contribuinte crer que teria indicado crédito suficiente para a compensação quando, em realidade, tal procedimento não seria aceito. Requereu o reconhecimento integral do seu crédito e, a título de demonstração do seu direito, juntou um demonstrativo do saldo credor e uma tabela de controle de ressarcimentos e compensações (fls. 22 a 26). A Delegacia de Julgamento em Belém proferiu o acórdão nº 0132.516 (fls. 85 a 87), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o crédito pleiteado havia sido integralmente reconhecido, apenas não sendo homologada integralmente a compensação porque a interessada não computou multa e juros de mora na compensação de débitos vencidos. Em relação à glosa, entendeuse como reclamação descabida, assim como o não aproveitamento de saldo credor de período anterior, que foi utilizado em pedidos de ressarcimento de trimestres anteriores. Transcrevese a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA E JUROS DE MORA. Caberá o acréscimo de multa e juros de mora sobre os débitos extintos em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 04/02/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem constante à fl. 89, e protocolizou seu recurso voluntário em 07/03/2016 (fls. 92 a 97), conforme carimbo aposto à página inicial. A recorrente alega que o acórdão é desprovido de fundamento, pois a motivação da decisão de primeira instância não corresponde à realidade, já que o contribuinte não estava em mora com suas obrigações. Requer que seja reconhecido o crédito solicitado nas Per/Dcomps e que seja afastada toda e qualquer aplicação de multa e juros. Junta uma planilha que demonstraria o cumprimento a tempo das obrigações tributárias (fl. 96). Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10935.907536/200915 Acórdão n.º 3002000.172 S3C0T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Este processo integra um lote de 10 processos similares, todos versando sobre pedidos de ressarcimento, nos quais ocorreram alguns percalços que tornam a situação aparentemente mais confusa do que é realmente. A matéria de fundo diz respeito à existência de créditos suficientes para o ressarcimento de IPI, por vezes cumulado com pedido de compensação. O contribuinte fez um pedido inicial, que consta do processo nº 10935.907532/200929, integralmente reconhecido, mas insuficiente para quitar a totalidade dos débitos declarados. A homologação apenas parcial na primeira compensação, agravada pelo não reconhecimento do direito ao ressarcimento do IPI a partir do 4º processo deste lote, desencadeou divergência entre todas as decisões administrativas e os pedidos subsequentes. Para maior clareza, apresentamos uma tabela da correlação entre processos, pedidos de ressarcimento (PER) e declarações de compensação (Dcomp). Os dados do presente processo estão em negrito. Nestes autos, temos o PER5467, ao qual foi vinculada a Dcomp0711, compensada integralmente, e a Dcomp3271, compensada parcialmente, já que, como se vê na tabela acima, o valor das duas Dcomps é superior ao crédito do PER. Ciente de que o PER 5467 era insuficiente para quitar as duas compensações, o contribuinte informou o PER5283 no campo “Nº do último PER/Dcomp” da Dcomp3271, na expectativa de que fosse considerado o crédito contido nos dois PER. Tendo sido a compensação homologada apenas até o limite reconhecido no PER5467, sem considerar o crédito do PER5283, concluiu o contribuinte que o programa não aceitava a vinculação de um segundo pedido de ressarcimento a uma compensação. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10935.907536/200915 Acórdão n.º 3002000.172 S3C0T2 Fl. 5 4 Neste ponto, fazse necessário um aparte para que se esclareça que o litígio neste lote de processos pode ser dividido em dois tipos: ressarcimento de IPI integralmente reconhecido, mas insuficiente para a homologação (processos de final 532, 534 e 536) e ressarcimento de IPI negado ou parcialmente reconhecido (processos de final 538 até 544). Não obstante a natureza distinta dos objetos de cada grupo de processos, o sujeito passivo elaborou uma única manifestação de inconformidade, baseada nas decisões em que não se reconhece o direito ao ressarcimento de IPI (segundo grupo de processos). Em vista dessa conduta, nos processos do primeiro grupo, no qual este se insere, temos alegações que não guardam relação com os fatos ou com as razões de decidir apontadas nos Despachos Decisórios. Frente a esta situação, a DRJ/Belém proferiu o Acórdão do qual se transcreve o voto em sua integralidade: 4. Conforme relatado acima, na verdade o crédito pleiteado foi integralmente reconhecido. Apenas não foi homologada a compensação em virtude de insuficiência de crédito, uma vez que a interessada deixou de acrescentar multa e juros de mora nos débitos compensados que estavam vencidos. Assim, descabe qualquer referência à glosa de créditos. 5. Com relação ao não aproveitamento de saldo credor de período anterior, a interessada informou no Per/Dcomp em análise o saldo credor de períodos anteriores já utilizados em pedidos de ressarcimento anteriores, sendo incabível o aproveitamento em duplicidade. 6. Conforme tabela abaixo, nas quatro primeiras linhas os Per/Dcomp’s e os valores dos pedidos dos trimestres anteriores, cuja soma coincide com o saldo credor de período anterior utilizado no presente Per/Dcomp, objeto da quinta linha. [tabela excluída] Ainda que sucinto, o voto responde corretamente aos protestos indevidos de direito a crédito nas situações listadas acima, visto que o crédito de IPI foi integralmente reconhecido e não ocorreu nenhuma glosa. É um protesto sem sentido, dirigido ao segundo grupo de processos. Da mesma forma rebate acertadamente o relator a alegação relativa à desconsideração do saldo credor de período anterior ao apontar que esse saldo havia sido utilizado, sendo incabível o aproveitamento em duplicidade. E para comprovar juntou uma tela do programa Per/Dcomp na qual se vê o saldo credor de cada período e o valor já utilizado (fl. 87). Prosseguindo no voto, sobre a primeira parte da sua fundamentação, na qual o relator afirma que apenas não foi homologada a compensação em virtude de insuficiência de crédito, não há reparo a ser feito. Relativamente a esse fato, claramente demonstrado por meio da documentação que instrui o Despacho Decisório, nada trouxe a recorrente aos autos que demonstrasse o contrário. A questão de fundo é simples e sobre ela não paira dúvida: apesar de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10935.907536/200915 Acórdão n.º 3002000.172 S3C0T2 Fl. 6 5 o crédito de IPI ter sido reconhecido integralmente, não foi suficiente para quitar os débitos informados. Todavia, introduz o relator como motivo para a compensação parcial a incidência de multa e juros não considerados pelo contribuinte, mas devidos pela compensação em atraso, o que não encontra respaldo nos autos. Pelo Detalhamento da Compensação (fl. 30), parte integrante do Despacho Decisório, vêse que em ambas Dcomps não incidiu nem multa nem juros. O crédito disponível foi suficiente para a quitação integral da Dcomp0711, mas insuficiente para a Dcomp3271. A Dcomp3271 é retificadora, mas, segundo a planilha juntada pela recorrente, a declaração original teria sido transmitida tempestivamente, o que se confirma pelo Detalhamento da Compensação. Não se sabe a que fato o relator faz referência quando menciona multa e juros, se tal afirmação decorre de informação constante em outra declaração consultada diretamente nos sistemas da Receita Federal ou se é simplesmente um lapso. O fato é que um novo elemento foi trazido para as razões de decidir, mas sem o devido esclarecimento sobre a que situação se refere ou sobre a origem de tal informação, de importância crucial na decisão, a ponto de ser o único ponto abordado na ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA E JUROS DE MORA. Caberá o acréscimo de multa e juros de mora sobre os débitos extintos em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A motivação é elemento constitutivo essencial de uma decisão. E para que tenhamos uma motivação adequada, suficiente, não basta que seja declarada. Ela deve se assentar em fatos demonstrados nos autos e, a partir dessa demonstração, deve ser estabelecida uma correlação entre esses fatos, o direito aplicável e a consequência jurídica. Houvesse previsão legal de embargos de declaração às decisões de primeira instância, seria incontestavelmente o caso de sua interposição. Em não existindo, ainda que resulte desta análise a convicção de que não cabe razão à recorrente, resta a este Colegiado devolver o processo para novo julgamento, vez que o vício que se constata impede que o direito de defesa seja plenamente exercido. A limitação no direito de defesa, decorrente de decisão motivada em fato não demonstrado, implica a sua nulidade, conforme disposto no DecretoLei nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10935.907536/200915 Acórdão n.º 3002000.172 S3C0T2 Fl. 7 6 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifado) Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário e anular a decisão de primeira instância, para que seja proferida nova decisão, com a adequada motivação, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916990/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.272
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13888.916990/2011-74
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861930
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-001.272
nome_arquivo_s : Decisao_13888916990201174.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13888916990201174_5861930.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7281467
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050310529777664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 153 1 152 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.916990/201174 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.272 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de março de 2018 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente INDÚSTRIAS ROMI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Restituição formulado sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o deferimento de seu pedido de restituição, arguindo que o indébito decorrera da incidência da contribuição sobre receitas financeiras e outras receitas, incidência essa julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do RE nº 346.084. Alegou, ainda, que o CARF já se pronunciara, em diversas oportunidades, pela extensão da decisão do STF a todos os contribuintes, transcrevendo ementas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 16 99 0/ 20 11 -7 4 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13888.916990/201174 Resolução nº 3201001.272 S3C2T1 Fl. 154 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF que reconhecera a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei nº 9.718/1998, bem como na falta de comprovação da liquidez e certeza do indébito reclamado. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa, afirmando existir nos autos documentação comprobatória do seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.265, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 13888.914725/201151, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.265): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, originado de pagamento indevido ou a maior Em despacho decisório eletrônico, foi indeferida a solicitação da contribuinte, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que o crédito decorre do recolhimento indevido da contribuição sobre parcelas que não integram o faturamento, nos termos da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Foi anexada à Impugnação documentação comprobatória da existência do crédito. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse", o que não teria logrado comprovar a Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, ressalta que foram anexados diversos documentos à Manifestação de Inconformidade e requer a juntada e exame das cópias dos DARFs, Pedido de Restituição e Livro Razão Geral. Além disso, apresenta planilha demonstrativa do crédito postulado. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13888.916990/201174 Resolução nº 3201001.272 S3C2T1 Fl. 155 3 Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese que em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Importa registrar que, nos presentes autos, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
