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Numero do processo: 12268.000533/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Foi devidamente descrita a infração tributária cometida pelo sujeito passivo, sendo-lhe aberto prazo para impugnação e, posteriormente, apresentação de recurso voluntário, de modo que ao contribuinte foi oportunizado o devido contraditório e a ampla defesa.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALE-TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA DO CARF N.º 89.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia.
PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. ABONO CONVENÇÃO.
Ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, não haverá decisão administrativa quanto ao tema.
SALÁRIOS INDIRETOS PAGOS A DIRETORES EMPREGADOS E EXPATRIADOS. PAGAMENTOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O pagamento relativo à obrigação principal não acarreta efeitos em relação às multas aplicadas pela fiscalização pelo descumprimento de dever instrumental, devendo ser mantido o lançamento.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-004.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 05/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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INEXISTÊNCIA. Foi devidamente descrita a infração tributária cometida pelo sujeito passivo, sendolhe aberto prazo para impugnação e, posteriormente, apresentação de recurso voluntário, de modo que ao contribuinte foi oportunizado o devido contraditório e a ampla defesa. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALE TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA DO CARF N.º 89. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia. PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. ABONO CONVENÇÃO. Ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, não haverá decisão administrativa quanto ao tema. SALÁRIOS INDIRETOS PAGOS A DIRETORES EMPREGADOS E EXPATRIADOS. PAGAMENTOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O pagamento relativo à obrigação principal não acarreta efeitos em relação às multas aplicadas pela fiscalização pelo descumprimento de dever instrumental, devendo ser mantido o lançamento. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 05 33 /2 00 8- 03 Fl. 564DF CARF MF 2 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 05/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de Auto de Infração (DEBCAD nº 37.144.1072), cadastrado no COMPROT sob n.º 12268.000533/200803, lavrado contra a empresa HSBC BANK BRASIL S.A. — BANCO MÚLT1PLO, acima identificada., pela entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que caracteriza infração ao artigo 32, inciso IV c parágrafo 5º, da Lei n° 8.212, Fl. 565DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 3 3 de 24 de julho de 1991, conforme Relatório Fiscal da Infração, fls. 142/143. As omissões de fatos geradores encontramse detalhadas nas planilhas dos seguintes anexos: Anexo I (ValeTransporte pago em dinheiro a funcionários), anexo II (Abonos pagos a funcionários), anexo III (salários indiretos pagos a diretores empregados e a expatriados) e anexo IV (Pagamentos a contribuintes individuais). Em decorrência da infração praticada foi aplicada a multa prevista no art. 32, § 5º, combinado com o art. 284, cap/It e inciso II, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social — RPS, no valor de R$ 2.447.035,50, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 144, e Planilha do anexo V (Demonstrativo do Cálculo da Multa), observandose que em todas as competências o valor da multa aplicada atingiu o limite máximo de R$ 62.744,50, em face da existência de mais de 5.000 segurados em todo o período. Com relação à penalidade aplicada, configurouse a circunstância agravante prevista no inciso V do art. 290 do RPS, pois a empresa incorreu em reincidência, tendo em vista a lavratura, em ações fiscais anteriores, dos Autos de Infração relacionados no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, fls. 144. A circunstância agravante constatada não produz efeito para a gradação da multa, porém é impeditiva de sua relevação, com fulcro no § 4º do art. 655 da Instrução Normativa n° 3, de 14 de julho de 2005. Não houve a ocorrência da circunstância atenuante prevista no mina do art. 291 do RPS. Com relação à planilha do Anexo II — Abonos Pagos a Funcionários, foram extraídas da folha de pagamento as rubricas 1016 (Abono Convenção) e 1216 (Abono Único), sendo que a Impugnante possui as ações judiciais n os 2003.34.00.0364951 e 2005.34.00.0321456, as quais discutem tais matérias, estando ambas em fase de recursos de apelação e remessa oficial perante o Tribunal, estando os créditos tributários abarcados por decisões provisórias com efeitos suspensivo e devolutivo. A Impugnante foi cientificada pessoalmente do Auto de Infração em 31/10/2008, fls. 1, e protocolizou impugnação em 1/12/2008, fls. 231/252, alegando, em síntese, que: (...). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2006 APRESENTAÇÃO DE GFIP MENSAL. INFORMAÇÃO DEFICIENTE. INFRAÇÃO. Fl. 566DF CARF MF 4 A empresa que apresentar a GFIP sem conter dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias incide em infração a uma obrigação acessória, por competência, a ensejar lavratura de auto de infração e a aplicação da penalidade cabível. VALETRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Por estar em desacordo com a legislação própria, o vale transporte pago em dinheiro integra a base de cálculo das contribuições destinadas à Seguridade Social. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. VERBAS PAGAS. DETERMINAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. VEDAÇÃO. A autonomia das convenções coletivas consagradas pela Constituição Federal limitase ao âmbito das relações empregatícias, sendolhe vedada alterar a natureza jurídica das verbas pagas para fins de incidência tributária. AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. FINALIDADE. EXECUÇÃO JUDICIAL. O REPLEG apenas lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, a fim de subsidiar eventuais execuções judiciais. CRIMES. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL. Sempre que o AuditorFiscal constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá realizar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar, no âmbito administrativo, a aplicação de lei, decreto ou ato normativo, por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, dentro do lapso temporal legal, no qual o contribuinte aduz: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 4 5 a) a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve demonstração da configuração do fato descrito na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias; b) a multa aplicada deve ser cancelada, em razão do que dispõe o art. 106, II, "c", do CTN (MP 449/08); c) a decisão recorrida inovou o lançamento originário do presente processo ao pretender instaurar e sustentar uma representação fiscal para fins penais, no presente caso (fls. 335 do processo); d) os valores pagos a título de valetransporte em dinheiro não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, portanto correta a ausência de declaração em GFIP; e) a inocorrência de desistência do processo administrativo, em razão de propositura de ação judicial, no que se referem aos abonos, pois não se aplica ao presente caso o art. 38 do Lei 6.830/80 e a renúncia deve ser requerida expressamente, não podendo ser presumida, conforme dispõe o art. 51 da Lei 9.784/99; f) os abonos pagos em decorrência das Convenções Coletivas de Trabalho são nãosalariais, uma vez que não decorrem do contrato de trabalho, da prestação de serviços dos empregados integrantes da categoria profissional ou de reajuste salarial da categoria, bem como são pagos em caráter eventual e ajustados em valor fixo, independente da remuneração dos beneficiados; g) não deve subsistir a cobrança de multa objeto do presente processo, considerando que os créditos tributários não são devidos (por não representarem retribuição ao serviço prestado e não serem habituais) e estão com a exigibilidade suspensa, bem como diante da evidente inexistência de infração/dolo por parte do recorrente; h) no que tange aos valores pagos pelo recorrente a título de salários indiretos pagos a diretores empregados e expatriados e pagamentos a contribuintes individuais, foi efetuado o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias, restando extinto o crédito tributário; i) deve ser sobrestado o presente processo administrativo, até que sejam proferidas decisões definitivas, seja na esfera administrativa (em relação à incidência ou não das contribuições sobre valetransporte pago em dinheiro, seja nas ações judiciais n.º 2003.34.00.0364951 e 2005.34.00.0321456. Posteriormente, às fls. 493, foi apresentada petição acompanhada dos documentos comprobatórios, na qual o contribuinte informa o resultado da ação judicial n.º 2003.34.00.0364951, com trânsito em julgado, por meio da qual restou afastada a incidência de contribuições previdenciárias sobre o abono único pago em decorrência da Convenção Coletiva do Trabalho 2003/2004 (doc. 1). Fl. 568DF CARF MF 6 Assim, requer o contribuinte a extinção parcial do crédito tributário discutido nos presentes autos, em razão da decisão judicial favorável ao Recorrente, nos termos do art. 156, X, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, em síntese, os presentes autos tratam da multa prevista no art. 284, inciso II, do Decreto n.º 3.048/99, relativamente a outubro/2003 a dezembro/2006, em razão de suposta inobservância do disposto no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei 8.212/91, sob alegação de que o recorrente não teria declarado os seguintes pagamentos realizados: a) vale transporte pago em dinheiro aos empregados; b) abonos pagos aos empregados; c) salários indiretos pagos a diretores empregados e expatriados; e d) pagamentos a contribuintes individuais. Passemos, então, à análise dos argumentos expostos em sede recursal. 1. Da preliminar de nulidade Aduz o contribuinte a existência de nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve demonstração da configuração do fato descrito na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Conforme depreendese do relatório fiscal, fls. 145 e seguintes, foi devidamente descrita a infração tributária cometida pelo sujeito passivo, sendolhe aberto prazo para impugnação e, posteriormente, apresentação de recurso voluntário, de modo que ao contribuinte foi oportunizado o devido contraditório e a ampla defesa. Assim, no presente caso, não se identifica a existência das situações descritas no art. 59 do Decreto 70.235/72 aptas a ensejarem a existência de nulidade do lançamento. Desse modo, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. 2. Do pagamento de valetransporte em dinheiro aos empregados Fl. 569DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 5 7 No que se refere à incidência da contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a fim de sanar a controvérsia sobre o tema, foi editado o Enunciado de Súmula CARF n.º 89, que assim dispõe: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia.” Nos termos do art. n° 45 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, a mencionada Súmula é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros desse colegiado. Nesse contexto, tornase imperioso o entendimento no sentido de que não deve ser exigida contribuição previdenciária sobre valores pagos, em pecúnia, a título de vale transporte e, conseqüentemente, não se faz necessária a sua declaração em GFIP. Assim, assiste razão ao recorrente, sobre essa rubrica. 3. Dos abonos pagos aos empregados Consoante consta do relato da fiscalização, são objetos dos presentes autos o abono convenção (2003/2004) e o abono único (2005/2006), de acordo com o trecho abaixo transcrito, fls. 145 e seguintes: 7.1. Rubrica 1016 (ABONO CONVENÇÃO) em decorrência da cláusula 46ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004, no valor de R$ 1.500,00 por funcionário; e 7.2. Rubrica 1216 (ABONO ÚNICO) em decorrência da cláusula 48a da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006, no valor de R$ 1.700,00 por funcionário. Extraise também do Relatório mencionado a existência de dois processos judiciais (ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária com pedido de tutela antecipada) sobre os abonos descritos nos itens 7.1 e 7.2, como segue: 7.3.1. Processo no 2003.34.00.0364951, ora em trâmite no Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF1), objetivando, em síntese, a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o "abono" previsto na cláusula 46ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004. Esta ação encontrase em fase de recursos de apelação e remessa oficial perante o Tribunal. Os créditos tributários ora lançados estão abrangidos pela decisão provisória, que possui efeitos suspensivo e devolutivo. 7.3.2. Processo no 2005.34.00.0321456, ora em tramite no TRF1, objetivando, em síntese, a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o "abono" previsto na cláusula 48ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006. Esta ação encontrase em fase de recursos de apelação e remessa oficial perante o Tribunal. Os créditos tributários ora lançados estão abrangidos pela decisão provisória, que possui efeitos suspensivo e devolutivo. Fl. 570DF CARF MF 8 Acerca da matéria, a Delegacia de Origem, entendendo pela concomitância da discussão instaurada na via administrativa com a tratada no judiciário, assim dispôs: Inicialmente, cabe observar que as contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas a titulo de abono, conforme consta do Relatório Fiscal, estão sendo discutidas judicialmente, por intermédio da Ação Ordinária n° 2003.34.00.0364951 e 2005.34.00.0321456, pendente de julgamento da apelação no Tribunal Regional Federal da l a. Região. (...). A conclusão que se impõe é que a propositura de ação judicial, com o mesmo objeto, implica renúncia à instancia administrativa. Logo, a autoridade administrativa julgadora fica impedida de apreciar a mesma matéria. Insta destacar que esses dispositivos se informam pelo princípio da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5°, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988, do qual se infere que não cabe à autoridade administrativa pronunciarse sobre o mérito de questão pendente de apreciação pelo Poder Judiciário, pois prevalecerá a decisão judicial. Assim sendo, não poderá ser apreciada a alegada ausência de hipótese de incidência das contribuições previdenciárias em relação ao pagamento do abono único, matéria que a própria Impugnante reconhece que foi demonstrada judicialmente, o que implica renúncia ao contencioso administrativo. Há que se ponderar, contudo, que a renúncia ao contencioso administrativo ocorre apenas em relação às matérias que constituem objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, devendo o processo administrativo prosseguir cm relação As matérias diferenciadas, não submetidas ao contencioso judicial. Aduz o recorrente a inocorrência de desistência do processo administrativo, em razão de propositura de ação judicial, no que se referem aos abonos, pois não se aplica ao presente caso o art. 38 do Lei 6.830/80 e a renúncia deve ser requerida expressamente, não podendo ser presumida, conforme dispõe o art. 51 da Lei 9.784/99. O art. 38 da Lei 6.830/80 assim dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 6 9 Notase que a referida lei trata da fase de execução fiscal, ou seja, momento posterior a constituição do crédito tributário, situação fática que não se amolda ao presente caso. A respeito do tema, foi editado o Enunciado de Súmula CARF n.º 1, de observância obrigatória por esse Colegiado, abaixo transcrito: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Cumpre destacar que a mencionada súmula deixa claro o fato de que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, de modo que a natureza da ação judicial não é apta a afastar a aplicação do entendimento acerca da concomitância. Além disso, a renúncia ocorre de forma tácita, por imposição da disposição da Súmula CARF n.º 1, sendo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto o suficiente para a caracterização da situação descrita na súmula e conseqüente renúncia ao contencioso administrativo. Assim, não assiste razão ao recorrente quanto a esses argumentos. Em meu entender, a discussão travada por meio de ação declaratória de inexistência de relação jurídico tributária confundese com o objeto dos presentes autos, uma vez que trata exatamente da cláusula 46ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004 e da cláusula 48ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006. Os pedidos das ações judiciais visam a declaração de inexistência de relação jurídico tributária, no que concerne ao recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre o abono único. E os autos sob análise tratam da constituição de crédito tributário em razão de suposta inobservância do disposto no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei 8.212/91, inclusive sobre o abono único. Para melhor elucidar a similitude dos objetos, basta fazermos as seguintes indagações: por que se quer a declaração de inexistência de relação jurídica tributária? para o reconhecimento da desnecessidade de recolhimento da contribuição previdenciária sobre o abono único. E porque se busca a improcedência do lançamento em análise, no tocante ao abono? para o reconhecimento da desnecessidade sua declaração em GFIP e, conseqüente, cancelamento da multa exigida nos autos, em razão da inexistência da relação jurídico tributária. Observase que a declaração de inexistência de relação jurídicotributária gera uma conseqüência lógica que é a desnecessidade de declaração em GFIP, quanto aos fatos geradores discutidos. Portanto, sobre a questão do abono, entrelaçamse os processos judiciais e administrativos. Fl. 572DF CARF MF 10 Assim, em razão do sistema de jurisdição única, não se pode discutir administrativamente, no Conselho, o que já está sendo discutido na via judicial, independentemente de ter sido proposta a modalidade processual antes ou depois de instaurado o processo administrativo. Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida, no tocante ao reconhecimento da existência de renúncia ao contencioso administrativo. Contudo, diante do trânsito em julgado do processo n.º 2003.34.00.0364951; no qual restou afastada a incidência de contribuições previdenciárias sobre o abono único pago em decorrência da Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004; deve a autoridade preparadora atentarse à aplicação da norma individual e concreta a qual se perfaz a decisão irrecorrível do poder judiciário. 4. Dos salários indiretos pagos a diretores empregados e expatriados e pagamentos a contribuintes individuais Sobre a matéria, aduz o recorrente que foi efetuado o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias, restando extinto o crédito tributário. Cumpre elucidar que os presentes autos tratam de obrigação diversa da obrigação principal (recolher o tributo), consubstanciandose na obrigação acessória de declarar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Por um lado, mostrase correto afirmar que o resultado do julgamento do auto de infração lavrado pela omissão de declaração em GFIP dos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias depende diretamente da decisão do lançamento da obrigação tributária principal correlata. Por outro lado, porém, a extinção do crédito tributário da obrigação principal em razão do pagamento não leva ao afastamento da multa por descumprimento da obrigação acessória relacionada à ausência de informações nos documentos transmitidos às autoridades fiscais. O reflexo da obrigação tributária principal na acessória se vislumbra, por exemplo, quando da extinção da obrigação principal em razão do reconhecimento da inexistência de relação jurídico tributária apta a ensejar o pagamento da obrigação principal. Assim, considerandose improcedente a exigência fiscal com relação à obrigação principal, não há razão para se exigir do contribuinte declaração respectiva. Fazse relevante destacar que o fundamento da obrigação acessória sob análise está voltado ao interesse da administração, na fiscalização e arrecadação dos tributos, como mecanismo de facilitação do cumprimento do sujeito passivo da obrigação tributária principal. A multa fiscal pelo descumprimento de obrigação acessória visa um propósito repressivo, em razão do desatendimento de um dever jurídico relevante para a Administração Tributária. Além disso, a multa também tem efeito preventivo, na medida em que as sanções pecuniárias buscam desestimular novas infrações, seja pelo próprio infrator ou terceiros. Ademais, a GFIP não se consubstancia apenas em um documento de confissão de constituição de crédito tributário, mas também contém dados essenciais à Fl. 573DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 7 11 concessão de benefícios previdenciários, sendo a falta de informação correta e tempestiva prejudicial aos interesses dos segurados da Previdência Social. Em razão do exposto, o pagamento relativo à obrigação principal não acarreta efeitos em relação às multas aplicadas pela fiscalização pelo descumprimento de dever instrumental, devendo ser mantido o lançamento, nesse ponto. 5. Representação fiscal para fins penais Assevera o Recorrente que a decisão recorrida inovou o lançamento originário do presente processo ao pretender instaurar e sustentar uma representação fiscal para fins penais, no presente caso (fls. 335 do processo). De fato, a decisão recorrida tece várias considerações acerca da qualificação da multa, mas o lançamento não tratou de multa qualificada. Desse modo, assiste razão ao recorrente em sua argumentação, pois não pode a Delegacia de origem inovar no lançamento, considerando a competência privativa da autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. 6. Da multa aplicada retroatividade benigna Alega o sujeito passivo que a multa aplicada deve ser cancelada, em razão do que dispõe o art. 106, II, "c", do CTN, considerando a superveniência da MP 449/08. Sobre o tema, utilizome do voto de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos abaixo transcrito. Cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 574DF CARF MF 12 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 575DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 8 13 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 576DF CARF MF 14 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 577DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 9 15 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Fl. 578DF CARF MF 16 Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 579DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 10 17 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, voto pelo provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. 7. Do pedido de sobrestamento Aduz o recorrente a necessidade de sobrestamento do presente processo administrativo, até que sejam proferidas decisões definitivas, seja na esfera administrativa (em relação à incidência ou não das contribuições sobre valetransporte pago em dinheiro, seja nas ações judiciais n.º 2003.34.00.0364951 e 2005.34.00.0321456). Considerando o exposto no item 3 desse voto, não há razão jurídica, bem como fundamento regimental para a concessão do pedido de sobrestamento, pois o processo está apto a julgamento. 8. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para: a) excluir do lançamento a multa relativa à ausência de declaração do valetransporte pago em pecúnia; b) diante do trânsito em julgado do processo n.º 2003.34.00.0364951; no qual restou afastada a incidência de contribuições previdenciárias sobre o abono único pago em decorrência da Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004; deve a autoridade preparadora atentarse à aplicação da norma individual e concreta a qual se perfaz a decisão irrecorrível do poder judiciário; c) aplicar a retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 580DF CARF MF 18 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, com o qual concordo quanto à conclusão, devo dela divergir, com a máxima vênia, quanto aos fundamentos e razões de decidir, somente no tocante à concomitância entre os processo administrativo e judicial relativa ao abono pago por força de contrato coletivo. Explico. Entende a ínclita Relatora que: "(...) a discussão travada por meio de ação declaratória de inexistência de relação jurídico tributária confundese com o objeto dos presentes autos, uma vez que trata exatamente da cláusula 46ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004 e da cláusula 48ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006. Os pedidos das ações judiciais visam a declaração de inexistência de relação jurídico tributária, no que concerne ao recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre o abono único. E os autos sob análise tratam da constituição de crédito tributário em razão de suposta inobservância do disposto no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei 8.212/91, inclusive sobre o abono único. Para melhor elucidar a similitude dos objetos, basta fazermos as seguintes indagações: por que se quer a declaração de inexistência de relação jurídica tributária? para o reconhecimento da desnecessidade de recolhimento da contribuição previdenciária sobre o abono único. E porque se busca a improcedência do lançamento em análise, no tocante ao abono? para o reconhecimento da desnecessidade sua declaração em GFIP e, conseqüente, cancelamento da multa exigida nos autos, em razão da inexistência da relação jurídico tributária. Observase que a declaração de inexistência de relação jurídicotributária gera uma conseqüência lógica que é a desnecessidade de declaração em GFIP, quanto aos fatos geradores discutidos." (grifos não constam do voto) A simples leitura do trecho acima transcrito, permite inferirmos que, para a Relatora, há concomitância quando o objeto da ação judicial impactar o resultado do processo administrativo fiscal. Esse é o ponto fulcral da discordância que aqui se explicita. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 11 19 Não há concomitância exceto quando os processos administrativo e judicial, tiverem, além das mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. Vejamos. Como dito, segundo a insigne Relatora, verificase concomitância toda vez que o contribuinte buscar o judiciário e da decisão resultante, poder restar prejudicado, pelo sucesso da lide judicial, o lançamento tributário objeto da discussão no âmbito administrativo. Entre outros fundamentos, apóiase o Conselheiro na dicção da Súmula CARF nº 1. Vejamos seus termos: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (destaques nossos) Claríssima a disposição que consolidou entendimento praticamente unânime deste Colegiado: há tácita renúncia ao processo administrativo a propositura, antes ou depois do lançamento, de medida judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Assim, mister entendermos o que é o objeto do processo administrativo e cotejálo com o objeto do processo judicial que se analisa. Segundo o dicionário Michaelis 'online', publicado no sitio uolBusca (http://dic.busca.uol.com.br/result.html?q=objeto&group=0&t=10), o verbete objeto, em sua acepção jurídica: "objeto •sm(lat objectu) Tudo que se oferece aos nossos sentidos ou à nossa alma. Coisa material:Havia na estante vários objetos.Col: bateria,trem(quando agrupados para o mesmo fim). Motivo, causa. Tudo que constitui a matéria de ciências ou artes. Assunto, matéria. Intenção, desígnio, mira. Fim a que se mira ou que se tem em vista. FilosAquilo que é pensado, por oposição ao próprio ato de pensar. DirTudo aquilo sobre que recai um direito, ou uma ação, ou obrigação." (sublinhamos) Também no mesmo sentido, um tanto amplo para os fins do nosso estudo, caminha o dicionário jurídico. Para objeto do processo, encontramos a seguinte significação (Diccionario Básico Jurídico, 7ª ed. Comares Editorial): "Conjunto de fatos que integrando o processo, o levam a conseguir as diversas finalidades que o mesmo persegue (...)" Das significações apresentadas, podemos inferir que o objeto da demanda processual é aquilo que com ela se pretende obter, o que se quer alcançar. Fl. 582DF CARF MF 20 Porém, somente tal entendimento é suficiente para se verificar a concomitância, como entende a Relatora? Não nos parece a melhor doutrina. O Professor Moacyr Amaral Santos, no clássico Primeira Linhas de Direito Processual Civil ( 1º Vol., Ed. Saraiva, 20ª ed., p. 163), leciona que objeto da ação: "é o pedido do autor (Cod Proc. Civil, art 282, IV), ou seja, o que ele solicita que lhe seja assegurado pelo órgão jurisdicional. (...) Assim, o objeto, isto é, o pedido (res, petitum) é imediato ou mediato. O pedido imediato consiste na providência jurisdicional solicitada: sentença condenatória, declaratória, constitutiva ou mesmo providência executiva, cautelar ou preventiva. O pedido mediato é a utilidade que se quer alcançar pela sentença, ou providencia jurisdicional, isto é, o bem material ou imaterial pretendido" Continuando sua lição, o emérito Professor das Arcadas, ensina que o pedido deve estar sempre apoiado, deve sempre corresponder a uma causa de pedir, pois "quem invoca uma providência jurisdicional quanto a um bem pretendido, cumpre dizer no que se funda seu pedido" (ob. cit., pag. 164). Recorda o Mestre que o Códex Processual exige que o autor exponha na inicial não só o seu pedido, mas também os fundamentos jurídicos deste. Com tal exigência, a lei processual requer a exposição não só a causa próxima de pedir os fundamentos jurídicos como também a causa remota o fato gerador do direito. No caminhar de sua lição, com a didática exemplar que sempre o caracterizou, o Professor Moacyr Amaral, explica que a identificação de ações (o cerne de nosso problema), exige que se examine detalhadamente a identidade, a individualidade de uma demanda. Para tanto, leciona o saudoso Professor: "(...) duas ações são idênticas quando em ambas seus elementos são os mesmos. Assim, duas ações são idênticas quando entre elas há: a) identidade de partes (eadem personae); b) identidade de objeto (eadem res); c) identidade de causa de pedir (eadem causa petendi)." Exsurge a distinção. Temse identidade entre ações quando as mesmas, intrinsecamente, coincidem, ou seja, são iguais. Para tanto, necessariamente convergem para a mesma solução a partir de divergências sobre o mesmo bem da vida mas forçosamente com essa divergência decorrente do mesmo motivo, da mesma causa. Tal exigência decorre não só de um imperativo processual, mas também de um imperativo lógico. Não basta a demanda reunir mesmas partes, sobre o mesmo bem em discussão: o motivo da disputa deve ser o mesmo. Por exemplo se pode entender melhor. Dois senhores podem discutir sobre um imóvel, mais acuradamente sobre a posse e propriedade de um imóvel. Imaginemos que se Fl. 583DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 12 21 trate de um imóvel comercial, onde o proprietário, por contrato de locação, passou a posse do imóvel a um comerciante. Tempos depois, o comerciante propôs a compra do imóvel. Firmam um contrato de compra e venda, com pagamento parcelado. Ajustam que durante o pagamento parcelado da compra, o locatário, agora promitente comprador, continuaria a pagar o aluguel. Iniciados os pagamentos, o comprador vêse em dificuldades financeiras e atrasa algumas parcelas. O vendedor, opta pela resolução contratual unilateral e vende, à vista, o imóvel a outrem, porém ajustando com o novo comprador, que entregará o imóvel desocupado. Ingressa com medida judicial, ação de despejo, visando a retomada do imóvel. Nesse caso o objeto é a posse do imóvel. O locatário, aqui ainda promitente comprador, inconformado com o desfazimento do contrato de promessa de compra e venda, ingressa com ação judicial buscando fazer valer seu direito decorrente do contrato de compra e venda firmado e portanto anular a segunda venda. Objeto da ação: a propriedade do imóvel. Partes envolvidas: as mesmas. Resultado, objeto , de uma e de outra: o imóvel. Importante recordar que se o direito de promitente comprador for reconhecido, por óbvio que a segunda decisão terá seu resultado impactando na primeira, na ação de despejo. Mesmo assim, há coincidência de ações? Por óbvio que não. A distinção é flagrante quanto à causa de pedir. Em uma e em outra ação, embora o objeto seja o mesmo, o fundamento jurídico do pedido é distinto. Esses requisitos para que se reconheça a identidade de ações e portanto, a concomitância também é reconhecido por Julio Fabbrini Mirabete (Processo Penal, Ed. Atlas, 10ª ed., p. 217), processualista de renome que explicita, ao examinar a litispendência: "Os elementos que identificam a demanda, impedindo outra por litispendência são: a) o pedido (petitum), o que o autor pede; b) as partes (personae), são as partes em litígio; a causa de pedir (causa petendi), a razão de fato pela qual o autor pede a condenação, no processo penal o fato criminoso. Numa expressão bem simples, se o mesmo autor, com o mesmo fundamento de fato, faz o mesmo pedido, contra o mesmo réu, a demanda é a mesma que a anterior" (destacamos) Não é outra a lição de Cândido Rangel Dinamarco, outro ícone da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, que em sua importantíssima obra, Instituições de Direito Processual Civil ( Vol. III, 2ª ed. Ed. Malheiros p. 136), assevera: "Didaticamente e seguindo uma linha tradicional no processo civil brasileiro, o Código de Processo Civil afirma que uma ação é precisa reprodução de outra quando em ambas coincidem os três elementos constitutivos, tendo elas as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido (...)" (destacamos) Fl. 584DF CARF MF 22 Outro simples raciocínio demonstra a importância da causa de pedir como traço elementar, e portanto distintivo, de uma ação. Pensemos agora em hipótese de lide tributária clássica, ou seja, insurgência contra a tributação. Decerto que nessas ações tributárias, dois elementos serão sempre coincidentes: i) as partes, pois sempre se analisará a demanda de determinado contribuinte contra a Administração Tributária; ii) o pedido, o próprio objeto, pois sempre o contribuinte buscará se esquivar da exação como pretendida pelo Fisco. Ora, nesses casos, ao prevalecer a questão como posta pela Relatora, ou seja, há concomitância quando o contribuinte pode alcançar na via judicial o mesmo resultado que teria na esfera administrativa, qualquer tipo de lide judicial afastaria qualquer demanda na fase administrativa, uma vez que pelo nosso pressuposto ao conseguir judicialmente o afastamento da pretensão fiscal como pretendida pela Administração Tributária, a esfera administrativa nunca teria função. Imaginemos que o contribuinte tenha ingressado com uma ação de inexistência de relação tributária acerca de determinado tributo. Tempos depois, ao perceber que aquele contribuinte não estava recolhendo os valores devidos sobre aquele determinado tributo, o Fisco inicia procedimento fiscalizatório. Ao ser cientificado da existência da demanda judicial, a autoridade fiscal, visando cumprir a determinação legal, opta por lançar o tributo em litígio somente para prevenir a decadência. Na impugnação, o contribuinte se insurge sobre o lançamento tributário em razão da existência, em sua opinião, de nulidade no procedimento do lançamento. A prevalecer a posição aqui atacada, por ser certo que o resultado da lide judicial pode ser a declaração da inexistência da relação tributária entre o Fisco e o contribuinte, a processo administrativo tributário não poderia ser conhecido pois se observaria a concomitância, com consequente renuncia. Resultado: a Administração Tributária deixou de examinar, de controlar, a legalidade de determinado ato por ela produzido, expondo assim ao mundo um ato eivado de ilegalidade, nulo portanto, realizado por quem está adstrito ao princípio da legalidade, que determina que a Administração Pública só pode fazer o que a lei permite. Por óbvio que não pode ser esse o conceito de concomitância. Ao aplicarmos aos exemplos acima a clássica doutrina processualista, que exige para que se tenha identidade de ações a presença dos três elementos essenciais da ação (mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido), não se verificaria a concomitância havendo, portanto, o exame dos processos por serem distintos. Outro não é o entendimento da própria Administração Tributária. Vejamos o trecho do conteúdo do Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que versa exatamente sobre o tema aqui analisado: "Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica Fl. 585DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 13 23 processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap Fl. 586DF CARF MF 24 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1ºe 2º, do CPC; e Súmula nº1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. 10.A prevalência, nesses casos, do curso do processo judicial se deve ao princípio constitucional da unicidade de jurisdição, insculpido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;”), segundo o qual o Poder Judiciário detém o monopólio do controle jurisdicional, não sendo necessário que se configure a efetiva lesão a direito, bastando a simples ameaça para que se dê o ingresso em juízo. Ademais, o caráter de não definitividade das decisões administrativas consiste na possibilidade de sua apreciação pelo Judiciário. Registrese, ainda, a desnecessidade do esgotamento da via administrativa para o acesso ao Poder Judiciário, como ocorria no sistema constitucional revogado (CF/1967, art. 153, § 4º). (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; Fl. 587DF CARF MF Processo nº 12268.000533/200803 Acórdão n.º 2201004.001 S2C2T1 Fl. 14 25 DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 312). 10.1. Outra justificativa que se pode invocar para a inadmissibilidade da concomitância entre as discussões sobre a mesma matéria nas instâncias judicial e administrativa, sob pena de se admitir um dispêndio desnecessário de recursos públicos, além do risco de se obterem decisões conflitantes, passa pelo princípio da economia processual, o qual, segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 79), “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais”. Tratase do mesmo princípio que inspira os efeitos do instituto da litispendência no processo civil (arts. 219, 267 e 301 do CPC)." (destaques não constam do Parecer mencionado) Nesse mesmo caminho segue o STJ. Afirma o voto condutor da decisão proferida no Ag Rg no Agravo em Recurso Especial nº 702.892SP, de Relatoria do Min Sérgio Kukina, julgado em 15/03/16 pela Primeira Turma. "Há litispendência quando se repetem ações em curso com as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido; ainda que sejam causas de natureza diversa, como são mandado de segurança e processo de conhecimento, induvidosa a réplica proibida pela lei processual." Assentes quanto ao conceito de concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo tributário, passemos ao caso concreto. No caso em apreço, a determinação da identidade de ações se torna ainda mais necessária e, com a devida vênia, o desacerto do entendimento esposado no voto da Relatora ainda mais flagrante. Como bem apontado pela nobre Relatora, o contribuinte impetrou Ação Ordinária de Inexistência de Relação Jurídica Tributária pelo qual obteve decisão favorável no sentido da não incidência da quota patronal da contribuição previdenciária sobre as verbas constantes da ação interposta. Ora, o lançamento tributário que aqui se analisa foi efetuado justamente pelo descumprimento de obrigação acessória decorrente da principal relativa a incidência da contribuição previdenciária. Vejamos a questão da concomitância. Para tanto, destaquemos as controvérsias existentes. No plano judicial, encontramos uma ação de inexistência de relação jurídica tributária proposta pela Recorrente em face da Administração Tributária que tem por objeto a não incidência da quota patronal de contribuição previdenciária sobre determinadas verbas em razão da ausência de caráter remuneratório nessas verbas. Fl. 588DF CARF MF 26 No plano administrativo, observamos que o Recorrente se insurge contra o lançamento tributário decorrente do descumprimento de obrigação acessória relativa a principal discutida no processo judicial, passível de tributação, no entender do Fisco. Ao buscarmos os elementos essenciais das duas demandas encontraremos: Administrativo Judicial Partes Recorrente e Fisco Recorrente e Fisco Pedido Inexistência de obrigação acessória/Cancelamento da autuação Não incidência da contribuição Causa de pedir Nulidade/ não incidência Verbas não remuneratórias A simples leitura do quadro acima demonstra a inexistência de coincidência entres os elementos caracterizadores das lides, o que torna despiciendo que o contribuinte possa a vir obter a improcedência do lançamento como resultado da demanda judicial proposta. Assim, mister que se conheça do recurso apresentado, uma vez que não se pode, sob ofensa ao primado da lógica jurídica, aplicarse a Súmula CARF nº 1 ao caso em apreço, vez que nem mesmo o objeto, o pedido em si, é o mesmo. Na via judicial, se discute incidência. Na via administrativa o pedido é cancelamento do lançamento, seja por nulidade, seja por inexistência de obrigação acessória. Não obstante o exposto, mister realçar que a concomitância de ações exige além da identidade do pedido, a identidade da causa de pedir. Em consequência, entendo pelo conhecimento do recurso nessa parte. A despeito de todo o apresentado, necessário apontar que, conforme asseverado pela Relatora, houve o reconhecimento judicial da inexistência da incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de abono previsto na convenção coletiva. Com essa decisão, em que pese a inexistência da concomitância, o que exige a análise do recurso nessa parte, forçoso reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba e, por via de consequência, a ausência de obrigação de informação em GFIP de tal pagamento, o que como firmado no voto acima exige o provimento do recurso nessa parte. Assim, voto por excluir os valores relativos ao pagamento do abono previsto no contrato coletivo do dever de informação em GFIP, o que permite, como dito alhures, minha aquiescência com as conclusões da eminente Conselheira Relatora, nessa parte. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 589DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721579/2012-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
Ementa
DESISTÊNCIA
A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1001-000.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, no valor original de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), e que após a decisão de primeira instância foi reduzida para R$ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 15 79 /2 01 2- 61 Fl. 139DF CARF MF 2 3.000,00 (três mil e quinhentos reais), referente a Multa por Atraso na Entrega da Escrituração FCONT – Controle Fiscal Contábil de Transição (anocalendário 2010). Cientificada eletronicamente, a contribuinte apresentou impugnação em 27/04/2012 (efls. 02/13). As razões da impugnação foram assim resumidas no acórdão recorrido: Preliminar de Nulidade – os dispositivos legais citados no enquadramento legal (art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, art. 57, inciso I, Art. 2º da IN RFB 967/2009 e inciso I do artigo 54 da Medida Provisória 2.15835/01), transcritos, não servem como suporte à descrição dos fatos, pois são, em parte, inaplicáveis e, em parte, insuficientes para fundamentar a presente imposição descrita nos fatos, sendo, portanto, flagrante a ausência de enquadramento legal na notificação ora combatida; – o art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999 (transcrito), estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos que devem ser, obrigatoriamente, motivados. Além disso, o inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que são nulos: (...) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, temse que a capitulação legal é requisito essencial para a fundamentação de todo e qualquer ato administrativo, e sua ausência, além de cercear o direito de defesa do contribuinte, é fator de absoluta nulidade; – logo, diante da ausência dos elementos identificadores do objeto da obrigação tributária, violando garantia constitucional prevista no inciso LV do art. 5º, não restam dúvidas quanto à nulidade da presente Notificação de Lançamento, haja vista manifesto vício insanável; Do Direito – de acordo com a descrição dos fatos contida na notificação do presente lançamento: A entrega dos dados para o Controle Fiscal de Transição (FCONT) fora do prazo enseja a aplicação da multa de R$5.000,00 por mês calendário ou fração de atraso. – como a Escrituração FCONT do exercício de 2009, com prazo de entrega de 30/11/2011, foi entregue em 30/03/2012, a autoridade fiscal entendeu pela aplicação da penalidade de R$5.000,00 por “4 meses de atraso”, num total de R$20.000,00 (vinte mil reais); – o entendimento da autoridade fiscal foi no sentido de que a pena pecuniária deveria ser aplicada por “mês de atraso”, a partir da data em que a escrituração deveria ter sido entregue; Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10920.721579/201261 Acórdão n.º 1001000.097 S1C0T1 Fl. 140 3 – tal entendimento não merece prosperar tendo em vista que a presente discussão trata, na sua essência, a respeito da aplicação do correto conceito de “mês calendário” ; – uma vez que a referencia é “mês calendário” e não “mês de atraso”, a aplicação da multa de R$5.000,00 deve incidir uma única vez a cada obrigação acessória descumprida; – caso a multa incidisse repetidamente, em todos os meses do período de atraso do cumprimento da obrigação, a referência seria expressa por mês de atraso e não por mês calendário; – ao entender que “mês calendário” abrange todos os meses durante o atraso no cumprimento da obrigação, a autoridade incorre em interpretação extensiva e, além de prejudicar o contribuinte, contraria totalmente a orientação trazida pelo art. 112 do CTN; – assim sendo, a cada vez que o contribuinte deixar de entregar escrituração, na data determinada, ele só pode ser penalizado uma única vez. Além do mais, a fixação da multa de forma cumulativa configurase totalmente desproporcional, pois se estaria transformando a multa que é punitiva em moratória; – isso se justifica ainda, pelo fato de que nem toda obrigação acessória tem periodicidade mensal. Assim, mesmo que a periodicidade seja trimestral ou anual, o termo “mês calendário” deve ser interpretado conforme essa peculiaridade, de modo que cada escrituração que deixe de ser apresentada gerará uma única multa. Se a obrigação é mensal, a multa incide por mês; se trimestral, a multa será para cada trimestre, e assim por diante (cita ementa do Ac 523020074013801 do TRF1, em julgamento de multa pelo atraso na entrega de Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune, conhecida como “DIFPapel Imune”. cujo título é “ATRASO NA ENTREGA. MULTA REGULAMENTAR. NÃO CUMULATIVIDADE”); – no presente caso, como a periodicidade é anual, o termo “por mês calendário” significa a cada ano em que permanecer o atraso. Assim, a forma correta de aplicar a multa de R$5.000,00 é apenas a cada ano, até que a escrituração seja entregue; – dessa forma, o termo “mês calendário”, que é uma previsão genérica, estará sendo interpretado, corretamente, em relação a cada espécie de obrigação Fl. 141DF CARF MF 4 descumprida, e não aplicado cumulativamente em todos os casos; – portanto, no presente caso, é indevida a multiplicação do valor da multa pelo número de meses que durou o atraso, sob pena de a multa assumir caráter confiscatório e malferir os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade; Dos Pedidos – por todo o exposto, requer que se acate integralmente a impugnação, julgandoa procedente, seja pela preliminar, seja pelas demais razões, no sentido de cancelar o lançamento na sua totalidade. Do contrário, que seja aplicada a penalidade na forma exposta. A decisão de primeira instância (efls. 53/60) manteve em parte o crédito tributário, exonerando em parte o crédito por constatar a superveniência de lei nova (Lei nº 12.766/2012) que prevê, para a mesma infração, a aplicação de penalidade menos severa do que a lei vigente na data da prática da infração, o que autorizaria a aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/11/2013 (efl. 63) a Interessada interpôs recurso voluntário em 06/12/2013 (efls. 65/102), em que repete os argumentos da impugnação e aduz, em resumo, julgados do CARF e do STJ (CARF Acórdão n° 340200.754 e STJ REsp n° 252.095PE) em que se teria decidido a favor da tese do recorrente, de que seria indevida a multiplicação do valor da multa (prevista para cada infração à obrigação formal falta de declaração) pelo número de meses que durou o atraso: (...) Com relação a este julgado, o r. Acórdão recorrido afirmou que "não cabe ao agente do Fisco deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais sem efeito erga omnes, ou decisões judiciais em que o sujeito passivo não foi parte do processo, uma vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Data vénia, ainda que o Fisco tenha que cumprir a atividade vinculada e obrigatória de lançar, não pode, de forma desarrazoada, impor penalidades ao contribuinte, extrapolando o que determina a legislação tributária, sob pena de violação de princípios constitucionais já citados, tais como razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. Ademais, ainda que os julgados não tenham efeito erga omnes, não se pode ignorar atuais entendimentos acerca do tema, sendo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em caso análogo, se manifestou também no seguinte sentido: (...) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Processo n° 19515001106/200571, Recurso Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10920.721579/201261 Acórdão n.º 1001000.097 S1C0T1 Fl. 141 5 Voluntário n° 25.3366, Acórdão n° 340200.754 — 4° Câmara/2° Turma Ordinária, Sessão: 26/08/2010). Ora, se a própria lei prevê a aplicação das referidas multas até o limite máximo de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) ao mês calendário da inadimplência de informação, não parece razoável que esse limite legal possa ser extrapolado pela Fiscalização, mediante a simples multiplicação de seu valor pelo número de meses em que a Recorrente permaneceu inadimplente, mormente considerandose que os referidos limites se encontram sob expressa previsão no CTN em seu artigo 97, V, instituído exatamente para refrear os abusos, a irrazoabilidade ou a desproporcionalidade na sua aplicação. No presente caso, como a periodicidade de entrega é anual, o termo "por mêscalendário" significa "a cada ano" em que permanecer o atraso. Assim, a forma correta seria aplicar a multa de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) apenas uma vez a cada ano, até que a escrituração seja entregue, havendo ainda no caso da Contribuinte a redução de 50% acima mencionada. Ainda que a lei não tivesse limitado a aplicação da referida multa, sendo pressuposto de sua aplicação o fato de que as infrações sejam continuadas e persistentes, parece evidente que esse fato por si só, já desautoriza cogitar de aplicação mensal cumulada em razão do número de meses em que a Impugnante permaneceu inadimplente, pois como já assentou a Jurisprudência: "o STJ firmou o entendimento de que a sequência de várias infrações apuradas em uma única autuação caracteriza a chamada infração de natureza continuada, com aplicação de uma única multa fixada de acordo com a gravidade da transgressão cometida" (STJ REsp n° 252.095PE, Reg. n° 2000/00264008, 06/12/2005, Rei. Min, JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJU de 13/03/06, p. 235). Dessa forma, o termo "mêscalendário", que é uma previsão genérica, deve ser interpretado em relação a cada espécie de obrigação descumprida, e não aplicado cumulativamente em todos os casos. Portanto, no presente caso, é indevida a multiplicação do valor da multa pelo número de meses que durou o atraso, sob pena da multa assumir caráter confiscatório e malferir os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Conforme Termo de Anexação de 27/10/2017 (efl. 106), o contribuinte solicitou, previamente ao julgamento, desistência (efl. 107) do presente recurso por ter requerido adesão ao parcelamento do Programa de Regularização Tributária (PRT), instituído Fl. 143DF CARF MF 6 pela MP n. 766/2017. A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Desta forma, voto por não conhecer do recurso (assinado digitalmente) Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.721735/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
PEDIDO PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CABIMENTO.
A prova pericial é cabível somente quando nos autos constarem elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar seu entendimento, necessitando, então, de um pronunciamento técnico/específico. O indeferimento fundamentado do pedido de realização de perícia não configura cerceamento de defesa, principalmente se não forem necessárias novas provas para definir o posicionamento do julgador.
Numero da decisão: 1402-002.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão sem efeitos infringentes, mantendo-se integralmente o teor da decisão proferida no Acórdão 1402-002.359.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Evandro Correa Dias. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 PEDIDO PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CABIMENTO. A prova pericial é cabível somente quando nos autos constarem elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar seu entendimento, necessitando, então, de um pronunciamento técnico/específico. O indeferimento fundamentado do pedido de realização de perícia não configura cerceamento de defesa, principalmente se não forem necessárias novas provas para definir o posicionamento do julgador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão sem efeitos infringentes, mantendo-se integralmente o teor da decisão proferida no Acórdão 1402-002.359. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Evandro Correa Dias. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 693 1 692 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.721735/201414 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402002.731 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2017 Matéria IRPJ ATOS COOPERADOS E NÃO COOPERADOS Embargante COOPERATIVA DE PRODUCAO E CONSUMO CONCORDIA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PEDIDO PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CABIMENTO. A prova pericial é cabível somente quando nos autos constarem elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar seu entendimento, necessitando, então, de um pronunciamento técnico/específico. O indeferimento fundamentado do pedido de realização de perícia não configura cerceamento de defesa, principalmente se não forem necessárias novas provas para definir o posicionamento do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão sem efeitos infringentes, mantendose integralmente o teor da decisão proferida no Acórdão 1402002.359. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 17 35 /2 01 4- 14 Fl. 693DF CARF MF 2 Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Evandro Correa Dias. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10925.721735/201414 Acórdão n.º 1402002.731 S1C4T2 Fl. 694 3 Relatório A ora Embargante, COOPERATIVA DE PRODUÇÃO E CONSUMO CONCÓRDIA, foi autuada, pela DRF de Joaçaba/SC, quanto ao IRPJ e a CSLL (ano calendário 2011), por ausência de adições devidas, bem como pela exclusão indevida dos já citados tributos. Eis um resumo apresentado no relatório do Acórdão de Impugnação nº 02 63.077 (fl.513537): Do julgamento da Impugnação interposta (fl.408) e julgada improcedente, extraise a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É defeso a este colegiado o exame de constitucionalidade do procedimento de lançamento, em virtude da Súmula CARF 02 que diz: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATO COOPERADO E ATO NÃO COOPERADO. APURAÇÃO DOS CUSTOS. PROPORÇÃO. Desde que devidamente comprovado o percentual de ato cooperado e não cooperado utilizado pelo sujeito passivo para alocar custos deve guardar correspondência com o percentual de ato cooperado e não cooperado relativo às suas respectivas receitas. Não restou comprovada a alocação individualizada, ou seja, os custos indiretos, as despesas e os encargos comuns às duas proporcionalmente na forma apurada pela fiscalização. VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. ATO NÃO COOPERADO. RESULTADO NÃO OPERACIONAL. Fl. 695DF CARF MF 4 A venda de bens do ativo permanente que não tem qualquer relação com o objetivo social da cooperativa é integralmente tributável como resultado não operacional, não podendo ser computado como ato cooperado. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS SEM CORRESPONDÊNCIA COM A ATIVIDADE DA COOPERATIVA. INCIDÊNCIA DO IRPJ. SÚMULA 262 STJ Os rendimentos de aplicações financeiras que não guardam correspondência com a atividade da cooperativa exceto do ramo "crédito" estão sujeitos à tributação nos termos da legislação vigente. Neste mesmo sentido manifestouse o Poder Judiciário por meio da Súmula 262 do Superior Tribunal de Justiça. PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. PRERROGATIVA DA UTILIZAÇÃO RESTRITA AO SUJEITO PASSIVO. EQUÍVOCO. O fisco, quando em benefício do próprio contribuinte, pode utilizar o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL na apuração da nova base de cálculo do imposto/contribuição, nos termos em que permitida pela legislação vigente. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.receitas com cooperados e com não cooperados devem ser apropriados Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, o qual também negou provimento ao pleito da autuada, mantendo a exação. Consultese a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É defeso a este colegiado o exame de constitucionalidade do procedimento de lançamento, em virtude da Súmula CARF 02 que diz: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10925.721735/201414 Acórdão n.º 1402002.731 S1C4T2 Fl. 695 5 ATO COOPERADO E ATO NÃO COOPERADO. APURAÇÃO DOS CUSTOS. PROPORÇÃO. Desde que devidamente comprovado o percentual de ato cooperado e não cooperado utilizado pelo sujeito passivo para alocar custos deve guardar correspondência com o percentual de ato cooperado e não cooperado relativo às suas respectivas receitas. Não restou comprovada a alocação individualizada, ou seja, os custos indiretos, as despesas e os encargos comuns às duas receitas com cooperados e com não cooperados devem ser apropriados proporcionalmente na forma apurada pela fiscalização. VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. ATO NÃO COOPERADO. RESULTADO NÃO OPERACIONAL. A venda de bens do ativo permanente que não tem qualquer relação com o objetivo social da cooperativa é integralmente tributável como resultado não operacional, não podendo ser computado como ato cooperado. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS SEM CORRESPONDÊNCIA COM A ATIVIDADE DA COOPERATIVA. INCIDÊNCIA DO IRPJ. SÚMULA 262 STJ. Os rendimentos de aplicações financeiras que não guardam correspondência com a atividade da cooperativa exceto do ramo "crédito" estão sujeitos à tributação nos termos da legislação vigente. Neste mesmo sentido manifestouse o Poder Judiciário por meio da Súmula 262 do Superior Tribunal de Justiça. PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. PRERROGATIVA DA UTILIZAÇÃO RESTRITA AO SUJEITO PASSIVO. EQUÍVOCO. O fisco, quando em benefício do próprio contribuinte, pode utilizar o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL na apuração da nova base de cálculo do imposto/contribuição, nos termos em que permitida pela legislação vigente. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Fl. 697DF CARF MF 6 Novamente inconformada, porém desta vez quanto à decisão proferida em segunda instância, vem agora, a ora Embargante, arguir omissão no Acórdão do Recurso Voluntário nº 1402.002.359 (fl.613), quanto ao pedido de perícia e diligência. Tal alegação foi admitida pelo Despacho de Admissibilidade (fl.690), razão pela qual se faz necessária sua apreciação. É o relatório. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10925.721735/201414 Acórdão n.º 1402002.731 S1C4T2 Fl. 696 7 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator A alegação de omissão apresentada pela Embargante encontrase resumida na folha 653 dos Embargos, mais especificamente no segundo parágrafo, do item I, denominado "DO ACÓRDÃO EMBARGADO. OMISSÃO". Vejase: Ocorre que, Vossas Senhorias não analisaram condizentemente as razões de reforma e fundamentos apontados pela ora Embargante que, absolutamente, afastam a ilegal e inconstitucional exigência, em especial o pedido expresso da necessidade da realização de perícia e diligência constante das razões de pedir (item XIII) e pedidos (item 4) do recurso voluntário. De pronto, pela leitura atenta do acórdão embargado é possível constatar que, de fato, o tema não foi apreciado. Desta feita, necessário admitir, nos mesmos moldes do Despacho de Admissibilidade, que a omissão alegada pela Embargante está configurada. No entanto, necessário também esclarecer que a admissão da omissão não implica necessária e diretamente no provimento da questão de mérito não analisada. Estando isto registrado, passo, agora, a decidir sobre o mérito da controvérsia. Na folha 653 dos Embargos, a Embargante aduz o seguinte: A Recorrente, por sua vez, argumentou, comprovou e provou todos os fatos apontados, todas as operações mencionadas e a existência da verdade real em que fundase o seu direito. Desta forma, para preservação do seu direito, tornase imperiosa a necessidade da realização de perícia. Assim, em atendimento ao disposto no inciso IV do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, a Recorrente, apresentou os seguintes quesitos: a) A escrituração contábil da sociedade está em conformidade com a Lei nº 6.404/76, a Lei nº 5.764/71 e as Normas Brasileiras de Contabilidade? b) Em sendo afirmativa a resposta para a questão anterior, é possível dizer que há, na escrituração contábil, nos relatórios auxiliares da contabilidade e nas demonstrações financeiras, registros destacados das operações com sócios e não sócios? c) Em sendo afirmativa a resposta da questão anterior, é possível atestar que a Impugnante apresentou estas informações ao agente fiscalizador quando das intimações? d) A Impugnante apurou o lucro líquido do exercício em conformidade com as normas legais, em especial, se a apuração do resultado ocorreu no período anual? Fl. 699DF CARF MF 8 e) A apuração do ato cooperativo apresentado pela Impugnante está em conformidade com as normas legais, e, em especial, correspondem as informações registradas e escrituradas na contabilidade e nos livros fiscais? Para tanto, a Recorrente indicou e nomeou os seguintes profissionais técnicos como peritos: LAERCIO LUIZ DONDONI, brasileiro, bacharel em Ciências Contábeis registrado no CRCSC sob nº SC022911/O7, residente e domiciliado na Rua Antonio Morandini, nº 580E, Bairro SAIC, na cidade de Chapecó, Estado de Santa Catarina, e, REGIS ANTONIO CECHET, brasileiro, bacharel em Ciências Contábeis registrado no CRCSC sob nº SC030487/O2, residente e domiciliado na Rua Marechal Floriano Peixoto, nº 240L, Bairro Centro, CEP 89802010, na cidade de Chapecó, Estado de Santa Catarina. Diante das alegações da fiscalizada, prevê o Decreto nº 70.235 de 06 de março de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 29. que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Nesta linha de entendimento caminhou a DRJ, afirmando que a perícia tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador em sua decisão, e não se presta à produção de provas que devem ser apresentadas junto com a impugnação. No caso em tela, os documentos acostados ao processo e os esclarecimentos prestados tanto pelo fisco como pelo contribuinte são suficientes para a convicção do julgador, não sendo necessária informação adicional para solução da lide. Mesmo entendendo que a juntada de provas pode ocorrer em qualquer fase processual, impugnatória ou recursal, concordo com as razões suscitadas em 1ª instância e complemento tal raciocínio, demonstrando que não se trata, tal posicionamento, de conduta arbitrária, mas sim legitimada, neste caso, pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/72. Inclusive, a jurisprudência deste Conselho tem se posicionado da mesma maneira, senão vejamos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 PRELIMINAR. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia, provas documentais e testemunhais não caracterizam cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador.(...) (Acórdão nº 2201003.716; Relatora Ana Cecilia Lustosa da Cruz; Data da Sessão 04/07/2017) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10925.721735/201414 Acórdão n.º 1402002.731 S1C4T2 Fl. 697 9 Anocalendário: 2010, 2011 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. REJEIÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade em decisão devidamente fundamentada que rejeita pedido de perícia, ainda que a interessada tenha apresentado quesitos e indicado o assistente pericial, na forma prevista em lei. PEDIDO DE PERÍCIA. REJEIÇÃO. A realização de perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, devendo ser indeferida visa analisar os elementos de provas contidos nos autos, cuja valoração incumbe ao julgador.(...) (Acórdão nº 1302002.289; Relator Luiz Tadeu Matosinho Machado ; Data da Sessão 20/06/2017) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A solicitação de prova pericial só tem fundamento quando existem nos autos elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar entendimento e constata a necessidade de pronunciamento específico.(...) (Acórdão nº 1402002.458; Relator Leonardo de Andrade Couto; Data da Sessão 11/04/2017) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. (...) (Acórdão nº 2401004.509; Relator Carlos Alexandre Tortato; Data da Sessão 20/09/2016) Todas estas decisões, apesar de tratarem de tributos diferentes, possuem algo em comum ao tratar da prova pericial: todas elas entendem ser cabível a prova pericial apenas quando nos autos constarem elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar seu entendimento, necessitando, então, de um pronunciamento técnico/específico. Isto quer dizer Fl. 701DF CARF MF 10 que, o indeferimento fundamentado do pedido de realização de perícia não caracteriza, por si só, cerceamento de defesa, principalmente se não forem necessárias novas provas para formalizar o posicionamento do aplicador. Desta conclusão, podese afirmar que o presente caso justamente se enquadra nesta conclusão. Isto porque, a própria Embargante repitase confirma a desnecessidade de perícia, senão vejamos: A Recorrente, por sua vez, argumentou, comprovou e provou todos os fatos apontados, todas as operações mencionadas e a existência da verdade real em que fundase o seu direito. (Grifo meu) Ora, se a própria autuada admite que exerceu seu direito de prova satisfatoriamente, não subsiste razão em requerer pedido de perícia, principalmente porque, no entendimento deste julgador, as provas juntadas nos autos são suficientes para aclarar e comprovar os fatos apontados pela Fiscalização e pela própria contribuinte. Pelo exposto, ACOLHO os Embargos quanto à omissão, porém, NEGO PROVIMENTO no que diz respeito a questão de mérito, pelos motivos de Direito acima aduzidos. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 702DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13862.000349/92-17
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2000
Ementa: BENEFÍCIO FISCAL DE "EX" TARIFÁRIO — "EX"- PORTARIA M.E.F.P. N°S 162/91 E 247/92. Transmissão automática "ALLISON" — O benefício fiscal abrangem as transmissões da série AT e MT, torques de entrada entre zero e 1322Nm, e da série HT, torques de entrada entre zero e 2135Nm, incluindo-se portanto os modelos "AT-545, MTB-
647, MT-647-CR, MT-643 e MT-654-CR.
Numero da decisão: CSRF/03-03.124
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : FAZENDA NACIONAL Sessão de : 14 DE AGOSTO DE 2000 Acórdão n° : CSRF/03-03.124 BENEFÍCIO FISCAL DE "EX" TARIFÁRIO — "EX"- PORTARIA M.E.F.P. N°'S 162/91 E 247/92. Transmissão automática "ALLISON" — O benefício fiscal abrangem as transmissões da série AT e MT, torques de entrada entre zero e 1322Nm, e da série HT, torques de entrada entre zero e 2135Nm, incluindo-se portanto os modelos "AT-545, MTB- 647, MT-647-CR, MT-643 e MT-654-CR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. e ISON PERE s' -_ -0D UES PRESIDENTE - NP ,„_.—,---- ON BAR-1-;_l RELATO FORMALIZADO EM: 1 4 DEZ 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇAVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MARCIA REGINA MACHADO MELARÉ, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e JOÃO HOLANDA COSTA. Processo n.° : 13862.000349/92-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.124 Recurso n° : RD/302-0.343 Recorrente : GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA. Recorrida : 2a. CÂMARA DO 3° C. CONTRIBUINTES RELATÓRIO O presente feito alçou, para julgamento, a esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais em decorrência de Recurso Especial Divergente interposto pela recorrente contra Acórdão proferido pela E. Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, em síntese, julgou parcialmente provido o recurso, por maioria de votos, entendendo que a mercadoria importada, em questão, transmissão automática Allison MT 643 para uso em ônibus e caminhões com torque de entrada máximo de 867 Nm não está beneficiada com a redução "EX" de 0%, criada pela Portaria N° 162/91 baseada no disposto pelo art.111 do CTN. A referida Portaria trata apenas de torques máximos de 1322 e 2135 Nm. Originariamente, a questão, os fatos e peças assim se postam no processo: A Recorrente submeteu à despacho aduaneiro, a importação por ela realizada, por meio da Dls. n°s. 50201/91, 50212/91, 53634/91, 53635/91, 54050/91 Adição 001, 54945/91 Adição 001, 54946/91 e 54947/91, cuja mercadoria declarada consistia em transmissão automática Allison modelo MT 643 com torque de entrada máximo de 867 Nm, enquadrando tal mercadoria do destaque "ex" criado no sub item tarifário TAB/SH 8708.40.0000 pela Portaria MEFP n° 162/91 . Ao efetuar a conferência física de mercadoria, o fiscal autuante, entendeu que a classificação correta encontrava-se na posição TAB 8708.40.0000, mas não beneficiada pela redução "ex" da citada Portaria por conter torque de entrada máximo não constante da referida Portaria. Assim, incorreu a importação em insuficiência de recolhimento dos tributos, lavrando auto de infração (fls. 01), no qual lançou os tributos exigidos pela diferença de impostos, acrescido dos encargos legais. Ao referido auto foram juntadas cópias (fls. 07/44) das Declarações de Importação. Intimado da autuação, a Recorrente apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 48/51), argumentando, em síntese, que: ..(i) a mercadoria importada, transmissão automática Allison MT 643 para uso - em ônibus e caminhões com torque de entrada máximo de 867 Nm, foi 2 Processo n.° : 13862.000349/92-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.124 enquadrada na redução tarifária da MEFP n° 162/91 por apresentar torque máximo de entrada inferior aos discriminados, logo alterou-se a alíquota de 11 para 0% , incidente sobre as transmissões automáticas de torque de entrada máximo de 1322 e 2135 Nm. (ii) observa-se que não existe produto similar nacional e tal portaria foi baixada em atendimento a solicitação da impugnante. (iii) a posição adotada pelo autuante no ato da conferência foi de não discordar do procedimento adotado pela impugnante, mais de um ano após o desembaraço da mercadoria houve discordância quanto ao enquadramento e conseqüente lavratura do Auto, pois a insuficiência de recolhimento do 1.1 infringiu os arts.99,100 e 499 R.A c/c art.57 e 63,"a" do RIPI.. (iv) a classificação formalizada pelo importador na Dl caso não convalidada pelo agente fiscal não caracteriza infração pois este não pode deflagrar o lançamento por não ter competência. É portanto arbitrária e exacerbada a acusação da violação dos artigos supra referidos, uma vez que a mercadoria foi declarada regular e integralmente pelo importador e foram fornecidos todas as informações e especificações ao agente fiscal. (v) ressalta ainda que no AI não constaram quais incisos do art.57 do RIPI foram desrespeitados, caracterizando cerceamento de defesa e que somente a sonegação de informações geraria a multa de ofício o que não ocorreu. (vi) Finaliza requerendo o provimento a impugnação apresentada. Após a apresentação da defesa ao auto de infração e apreciação ao autor do feito, manifestou-se indicando que a infração do RIPI tem por supedâneo o inciso IV do art.57 do Decreto n° 879841/82 e propôs reabertura do prazo para defesa. Foi apresentada nova impugnação fls.57159 ratificando os termos da primeira defesa e acrescentando que: - Não foi apontada qual norma regulamentadora constante do capítulo V teria sido desatendida. - O lançamento enquanto fonte de nascimento da obrigação tributária é privativo do sujeito ativo. - Relativamente a multa de ofício, não deve o contribuinte ser apenado pois supriu todos os meios para realização do lançamento e nada tem a ver com a morosidade do sujeito ativo em implementar o ato de lançamento. - Logo, não comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação é ilegal e arbitrária a imposição da multa de ofício proposta. Retornando o processo ao AFTN autuante, este relata, em síntese que: (i) o destaque "ex" criado no sub-item tarifário TAB/SH 8707.40.0000 pela '- portaria MEFP 162//91 é muito claro ao citar apenas três transmissõe , 3 Processo n.° : 13862.000349192-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.124 automáticas, para a pretensão da autuada ser enquadrada no referido destaque "ex" o maior torque de 2135 Nm deveria ser precedido da palavra "até". (v) pela nota citada, fica claro que a mercadoria em lide, não deve ser classificada na portaria MEFP 162/91, uma vez que trata-se de um elemento com torque de 867 Nm e não 1322 ou 2135 Nm como descrito pela portaria. (iii) observa-se ainda que o lançamento efetuado pelo AFTN, atendeu todos os requisitos exigidos pelo art.142 do CTN sendo "ex ofício" e não denúncia espontânea. (iv) relativamente as penalidades aplicadas, devem proceder, visto que a autuada não recolheu o 1.1 já que enquadrou erroneamente a mercadoria no destaque "ex" e recolheu com insuficiência o IPI. Em julgamento de primeiro grau, decidiu a autoridade oficiante julgar procedente a ação fiscal e improcedentes as razões de impugnação, uma vez que a formalização do crédito tributário através do Ai, está perfeitamente amparada pela legislação vigente, a mercadoria em lide não atende a descrição feita pela portaria pois apresenta torque de entrada máximo inferior aos especificados. Para tanto a interpretação da referida portaria deve ser literal abrangendo o produto e não a qualificação do importador, ressalta-se ainda que as alegações quanto as multas não procedem e não pode-se aplicar a multa de mora prevista no art.59 da Lei 8383/91alegada pela defesa, pois foi demonstrada a procedência do lançamento das multas de ofício. Intimado da decisão o Interessado aparelhou recurso (fls. 76/79) tempestivo, para o E. Terceiro Conselho de Contribuintes, deduzindo, em suma a mesma alegação da Impugnação, destacando-se que: (i) Somente a General Motors pleiteou a redução da alíquota do 1.1 para 0% aos órgãos competentes logo e tendo interesse específico não sonegaria dados a fiscalização prestando uma declaração inexata. (ii) o direito do fisco está precluso de acordo com o RA art.444 pois conferida a mercadoria e desembaraçada não se pode mais questionar tais aspectos, que devem ser feitos no momento do desembaraço, assim torna-se inviável a reclassificação fiscal, prejudicando inclusive o exame físico da mercadoria já que foi homologado. Nesta fase admite-se apenas exames documentais . 4 Processo n.° : 13862.000349/92-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.124 (iii) ressalta ainda que se houve falha, a responsabilidade não pode ser atribuída a recorrente, já a multa de ofício é indevida enquanto não exaurido o prazo necessário para a perenização do lançamento caracterizando a intempestividade. (iv) indevida também torna-se a aplicação da penalidade do art.364, II, do RIPI. Portanto e de acordo com o que exposto anteriormente espera Ter possibilitado aos membros da Câmara uma visão completa dos fatos. Remetido à Instância Superior, foi o processo distribuído à E. Segunda Câmara, oficiando como Relatora a Ilustre Conselheira Relatora Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto que assim como a maioria dos conselheiros deu provimento parcial ao recurso excluindo as penalidades aplicadas O voto vencedor expõe que a revisão aduaneira complementa o procedimento de conferência e desembaraço da mercadoria e que pode ser realizada enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito, assim como o direito do Fisco não está precluso como alega a recorrente conforme disposto no art.150 CTN que se a lei não fixar prazo para homologação será este de 5 anos a contar da data do fato gerador. Conclui-se porém que o torque máximo de 867 Nm não abrange o benefício da redução "ex" de 0% criada pela portaria n° 162/91 conforme disposto no art.111 do CTN a referida portaria trata apenas de torques máximos de 1332 e 2135 Nm. Face à intimação da decisão de 2a instância (fls. 125), o Interessado apresentou seu Recurso Especial de Divergência com documentos e a decisão divergente (fls. 128/147), conforme estatuído no Decreto 83.304/79, art. 3°, inciso II, motivando o cabimento do Recurso face a divergência do acórdão proferido com os acórdãos n°'s 301-27.906 e 301- 27.909, sessão de 22.11.1995, da Eg. Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Os acórdãos divergentes trazido à colação, justificou o acolhimento do presente Recurso, emergindo a necessidade de harmonizar, pacificando de vez a jurisprudência do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, eis que existem decisões conflitantes para processos tributários administrativos de idêntico teor. A Fazenda Nacional, através de seu procurador, ofereceu suas contra-razões ratificando os termos do v. acórdão recorrido e repisando os pontos relativos ao benefício fiscal, apenas os produtos descritos na forma concessõria podem ser favorecidos de acordo com o art.111 do CTN, nota-i 5 Processo n.° :13862.000349/92-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.124 se que sob uma mesma classificação fiscal podem residir produtos divergentes do que é objeto do benefício. A pretensão da recorrente fere o art.111 do CTN por possuir torque máximo de entrada de 867Nm e não 1322 e 2135 como regula a portaria. Assim, a Fazenda Nacional não reconhece o Recurso Especial de Divergência e espera que mérito seja negado provimento ao recurso, mantendo integralmente o acórdão recorrido. É o Relatório. 6 Processo n.° : 13862.000349/92-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.124 VOTO CONSELHEIRO NILTON LUIZ BARTOLI — RELATOR Como já julgamos no passado caso idêntico relatado por mim, através do acórdão CSRF/03-02.831, peço venha para transcreve-lo, uma vez que não se espera julgamento diferente do que já foi dado: "Cumprido os requisitos processuais, consoante inclusive despacho de fls. 272, conheço do recurso de divergência e passo ao seu exame de mérito. A Recorrente, no apelo de divergência, largou mão dos demais argumentos lançados nas instâncias inferiores para ater-se exclusivamente aos fundamentos dos acórdãos paradigmas, os quais, por sua vez, embasaram-se na resposta do DTT. Assim, no presente processo a matéria ficou adstrita à verificação se pode, ou não, a mercadoria importada pela Recorrente ser enquadrada no "ex" mencionado. Por esta razão é imprescindível ouvir a manifestação do órgão encarregado da política de tarifas. Deste modo, passo a ler o resultado da diligência: "Parecer n° 121/95 Processos n°s 13862-000350/92-04 (Recurso n° 118.208) 10845-000708/93-45 (Recurso n° 118.585) 10845-001895/93-67 (Recurso n° 118.218) Assunto: Diligência do 3° Conselho de Contribuintes 2a Câmara (importação de transmissões automáticas com aliquotas "0" - Ex). Interessado: General Motors do Brasil Ltda. e Outras (coligadas). 7 Processo n.° : 13862.000349/92-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.124 Tendo em vista recursos apresentados pelos interessados, contra autos de infração lavrados pela Receita Federal sobre importações de transmissões automáticas com alíquotas "0", ao amparo do código tributário 8708.40.00.00 "Ex" 001 - Portaria MEFP n° 136/91, a 2a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, baseada em relatório e através de voto qualificado, converteu o julgamento dos mesmos em diligência a este Departamento, fundamentada em cinco indagações, constantes da declaração de voto. Visando atender a consulta formulada nos processos em referência, de igual teor, sugiro resposta deste DTT, como segue: 1. O "Ex - 001" do código 8708.40.0000 surgiu em decorrência de pedido específico da empresa General Motors do Brasil (ou qualquer de suas divisões: Brazauto S A, Cruz Alta Ltda., etc.) objeto da circular n° 131, de 08/11/90 dessa CTT, e das conseqüentes portarias MEFP: 162/91 e 247/92? Sim, o pleito que originou o "Ex" foi formulado pela Divisão Allison da General Motors do Brasil Ltda., conforme processo protocolo n° 28, 881/90, 2. Os dados para a elaboração do "Ex" acima descrito foram fornecidos por iniciativa da General Motors do Brasil através de catálogos para as transmissões objeto do pedido da concessão do "Ex"? Sim, os dados necessários à análise do pleito foram fornecidos pela Empresa e compõem o processo acima identificado. 3. Ocorreu alguma manifestação elou impugnação quanto à Circular 131/90, por parte de outras empresas brasileiras sobre as caixas de mudanças automáticas objeto do "Ex - 001" - código 8708.40.0000? Sim, duas Empresas fabricantes de transmissões no Brasil, a Clark e a ZF manifestaram-se acerca da Circular n° 131, de 08/11/90; a CLARK, 8 Processo n.° : 13862.000349/92-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.124 favoravelmente à redução para "O" de aliquota do II e a ZF, contrariamente a mesma. Com relação ao pronunciamento contrário da ZF, a então Coordenação Técnica de Tarifas considerou que a mesma não se caracterizava como fabricante dos tipos de transmissões para os quais se pretendia reduzir a aliquota do II, posto que aquela Empresa ainda estudava a viabilidade econômica da sua fabricação no Brasil. 4. Pelo texto do "Ex" acima descrito, ocorreram dúvidas entre as especificações da empresa e o constante das portarias mencionadas. Pergunta-se: o texto engloba, também os torgue de entrada inferiores a 1322 e 2135 Nm, isto é, entre O e 1322 para a série MT e entre O e 2135 para a série HT em que são fabricados diversos modelos e para determinadas aplicações? Sim, o "Ex" foi concedido para atender a diversas faixas de linhas de produção de veículos como ônibus, caminhões, veículos militares, equipamentos de perfuração, máquinas agrícolas, rodoviárias e fora de estrada, cujos tipos de transmissão utilizadas não tem produção nacional. Dessa forma, entendemos que para o "Ex" alcançar o seu objetivo, deve abranger as faixas de transmissão cujos limites máximos de capacidade se situem, respectivamente, por família, em 1322 Nm e 2135 Nm. Tal entendimento está embasado nas seguintes considerações: - Que as importações efetivadas se enquadram no objetivo primordial da redução temporária de aliquotas do II através de concessão de "Ex's" tarifários, qual seja, privilegiar a importação de bens sem produção nacional e que resultem, por conseqüência, na desoneração do custo final do produto ou serviço para o consumidor interno ou que vise a viabilização de exportações em condições de concorrência internacional de preços; 9 Processo n.° : 13862.000349/92-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.124 - Que os produtos objeto do "Ex" antes referido, transmissões automáticas de aplicação restrita em ônibus, caminhões, veículos militares, máquinas agrícolas, rodoviárias e fora de estrada, não tem produção nacional, independente do torque máximo de entrada; - Que o "Ex" foi concedido atendendo a pleito dos próprios importadores e para atender a produção de diversos veículos ensejando a aplicação de transmissões de faixas de torque de entrada diferenciados, que tem por limites máximos 1322 os modelos da série Nm e 2135 os modelos da série "MT". 5. Em caso contrário, qual o alcance dos termos "torque de entrada (máximo) de 1322 e 2135 Nm". Constantes dos referidos atos ministeriais? Prejudicado face à resposta anterior".(meus os grifos e destaques) Sem embargo da interpretação do acórdão recorrido, creio que, assim como o voto vencido do Conselheiro Ubaldo Campello Neto e os acórdãos paradigmas, as dúvidas foram esclarecidas pelo Departamento Técnico de Tarifas, no sentido que as transmissões automáticas importadas pela Recorrentes estão inseridas no "ex" decorrente das Portarias 162/91 e 247/92. Por tudo o que foi exposto, conheço e dou provimento ao recurso de divergência. É como voto." De tais considerações e as demais razões e fundamentos expostos nos autos, é de se reconhecer o recurso de divergência, para no mérito dar-lhe provimento. Sala das Sessões, Brasília, 14 de agosto de 2000 NON LU/I ARTC?- lo Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.910667/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 31/07/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.539
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 67 /2 01 1- 31 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910667/201131 Acórdão n.º 3402004.539 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.036, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/07/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910667/201131 Acórdão n.º 3402004.539 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910667/201131 Acórdão n.º 3402004.539 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910667/201131 Acórdão n.º 3402004.539 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.723170/2015-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Perfeitamente cabível o arbitramento do lucro da pessoa jurídica na hipótese desta deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal quando intimada para tanto.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502/64.
MULTA AGRAVADA. NÃO APLICAÇÃO A RESPONSÁVEIS QUE NÃO DERAM CAUSA AO AGRAVAMENTO.
O reiterado não atendimento das intimações expedidas no curso do procedimento fiscal enseja o agravamento da multa de ofício aplicada ao contribuinte, acrescendo-a de metade de seu percentual. Todavia, tal punição, que tem como causa a prática de atos contemporâneos à autuação fiscal e não aos fatos geradores, não pode atingir pessoas indicadas como responsáveis pelos débitos lançados, a menos que haja prova de que estas participaram dos atos que ensejaram o agravamento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS.
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. INOCORRÊNCIA.
Estando perfeitamente caracterizada a qualificação da penalidade pela incidência dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, é certo que na análise da questão decadencial deve-se adotar o critério constante do art. 173, inciso I, do CTN. Incabível, portanto, a alegação de decadência.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INC. I, DO CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do disposto no art. 124, I, do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 135 DO CTN. SÓCIO-GERENTE DE EMPRESA INDICADA COMO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA.
Não obstante a prova de que a pessoa jurídica praticou atos ensejadores de sua responsabilização tributária nos termos do artigo 124, I, do CTN, a legislação não permite presumir que seu sócio-administrador participou de tais atos. Pelo contrário, para a aplicação do artigo 135, III, do CTN, e consequente responsabilização do sócio-gerente da empresa indicada como responsável solidária, é necessário indicar e provar que tal pessoa física praticou, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os atos que deram origem às obrigações tributárias então exigidas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É prerrogativa do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito Tributário mediante o lançamento tributário, sendo válido o procedimento ainda que realizado por servidor de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo.
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
A apresentação do recurso fora do prazo regulamentar, impede que o mesmo seja conhecido, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
Numero da decisão: 1401-002.083
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário apresentado por JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO por ser intempestivo. Por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e de decadência e, no mérito, manter a responsabilidade solidária de GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA - ME. Por maioria de votos, afastar tão somente o agravamento da multa de ofício em face da Responsável Solidária GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA - ME. Vencido o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Por maioria de votos, afastar a Responsabilidade Solidária de MARIZA FERREIRA BROGIOLO. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Livia De Carli Germano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Perfeitamente cabível o arbitramento do lucro da pessoa jurídica na hipótese desta deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal quando intimada para tanto. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA. NÃO APLICAÇÃO A RESPONSÁVEIS QUE NÃO DERAM CAUSA AO AGRAVAMENTO. O reiterado não atendimento das intimações expedidas no curso do procedimento fiscal enseja o agravamento da multa de ofício aplicada ao contribuinte, acrescendo-a de metade de seu percentual. Todavia, tal punição, que tem como causa a prática de atos contemporâneos à autuação fiscal e não aos fatos geradores, não pode atingir pessoas indicadas como responsáveis pelos débitos lançados, a menos que haja prova de que estas participaram dos atos que ensejaram o agravamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS. Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. INOCORRÊNCIA. Fl. 1734DF CARF MF 2 Estando perfeitamente caracterizada a qualificação da penalidade pela incidência dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, é certo que na análise da questão decadencial deve-se adotar o critério constante do art. 173, inciso I, do CTN. Incabível, portanto, a alegação de decadência. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INC. I, DO CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do disposto no art. 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 135 DO CTN. SÓCIO- GERENTE DE EMPRESA INDICADA COMO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA. Não obstante a prova de que a pessoa jurídica praticou atos ensejadores de sua responsabilização tributária nos termos do artigo 124, I, do CTN, a legislação não permite presumir que seu sócio-administrador participou de tais atos. Pelo contrário, para a aplicação do artigo 135, III, do CTN, e consequente responsabilização do sócio-gerente da empresa indicada como responsável solidária, é necessário indicar e provar que tal pessoa física praticou, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os atos que deram origem às obrigações tributárias então exigidas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É prerrogativa do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito Tributário mediante o lançamento tributário, sendo válido o procedimento ainda que realizado por servidor de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. A apresentação do recurso fora do prazo regulamentar, impede que o mesmo seja conhecido, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário apresentado por JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO por ser intempestivo. Por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e de decadência e, no mérito, manter a responsabilidade solidária de GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA - ME. Por maioria de votos, afastar tão somente o agravamento da multa de ofício em face da Responsável Solidária GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA - ME. Vencido o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Por maioria de votos, afastar a Responsabilidade Solidária de MARIZA FERREIRA BROGIOLO. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Livia De Carli Germano. Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.735 3 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 1736DF CARF MF 4 Relatório O presente processo trata de Autos de Infração de IRPJ e seus reflexos, lavrados contra a empresa em epígrafe. As infrações apuradas decorreram do arbitramento do lucro relativo aos períodos de apuração 06/2010, 09/2010 e 12/2010. O arbitramento foi realizado, haja vista que a Contribuinte não teria apresentado à Fiscalização os livros e documentos fiscais e contábeis, apesar de regularmente intimada para tanto. O procedimento fiscal tem como origem as informações coletadas em outras auditorias, realizadas em face das empresas TOPMAX COMERCIAL LTDA, CNPJ 11.848.840/0001-25 e D´STARFOX COMERCIAL LTDA, CNPJ 11.973.620/0001-23. Nessas auditorias foram identificadas vultosas emissões de notas fiscais por parte das referidas empresas em favor da NEW FORM (mais de R$27 milhões), com pagamentos ínfimos realizados por conta das vendas efetuadas. Chegou-se à conclusão de que teria sido perpetrada fraude fiscal, realizada através de registros contábeis de operações fictícias de mercadorias, com o propósito de sonegação fiscal e apropriação indevida de créditos tributários. Da análise dos recursos transferidos pela NEW FORM COMERCIAL LTDA para as contas correntes de TOPMAX e de D’STARFOX, restou demonstrada a existência de vínculo entre as empresas, sobretudo quando constatado que todas as saídas de recursos, tanto da D’STARFOX, quanto da TOPMAX, são realizadas às custas da NEW FORM COMERCIAL LTDA, com aportes realizados no mesmo dia dos pagamentos e nos exatos valores. Em 17 de março de 2014, a Fiscalização lavrou o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, enviado à empresa NEW FORM COMERCIAL LTDA e suplementarmente ao sócio JOÃO VICTOR STOLAGLI, CPF Nº 000.606.598-82, através do qual foram solicitados diversos documentos, livros e informações. Referido Termo de Início foi encaminhado por duas vezes ao domicílio cadastrado na Receita Federal, entretanto, as correspondências retornaram com a situação "mudou-se". O Termo de Início, também encaminhado ao sócio JOÃO VICTOR STOLAGI, por duas vezes, não foi respondido pelo mesmo. Assim, a Fiscalização teve início através de edital. Frente a plena inércia do sujeito passivo, a Fiscalização ainda procedeu a diligência no endereço da empresa NEW FORM. Na ocasião, foi lavrado Termo de Constatação Fiscal em que, dentre outros fatos, constatou a impossibilidade de a empresa fiscalizada operar naquele local, tendo em vista que para o tipo de atividade e o volume operado pela mesma seriam necessárias instalações físicas de porte muito superiores às encontradas no local. Assim, concluiu a Fiscalização que estaria configurada a inexistência “de fato” da fiscalizada, robustecendo bastante os indícios do cometimento de fraude fiscal realizada através de operações fictícias de mercadorias, denominadas operações “sem causa”. Considerando que a empresa fiscalizada não foi localizada no endereço constante no CNPJ, acrescido do fato de que, mesmo cientificada do Termo de Início de Procedimento Fiscal por edital, a fiscalizada teria permanecido inerte em relação às providências requisitadas pela autoridade fiscal, tornou-se necessário rastrear os recursos movimentados pela conta da qual a fiscalizada é titular, a fim de identificar o real beneficiário das operações. Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.736 5 Da análise dos extratos bancários obtidos pela Fiscalização apurou-se uma movimentação a débito, nas contas de empresa NEW FORM, no ano de 2010, no montante de R$ 63.472.860,09. Buscando identificar os reais beneficiários dos recursos financeiros que saíram da fiscalizada, a Autoridade Fiscal apurou que a empresa GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – ME, CNPJ nº 07.826.556/0001-80 foi beneficiária de diversas transferências financeiras efetuadas pela fiscalizada, no período, sem contudo haver qualquer transação comercial lastreada por notas fiscais da empresa NEW FORM para a GLOBALPAR. O montante de recursos financeiros transferidos à GLOBALPAR atingiu a cifra de R$ 16.104.521,65, ou seja, mais de 25% dos recursos que deixaram as contas da empresa NEW FORM tiveram como destino as contas da empresa GLOBALPAR, conforme a tabela constante do Termo de Verificação Fiscal de e-fls. 173/213. Intimada, a empresa GLOBALPAR não apresentou nenhuma justificativa para a origem dos recursos recebidos da empresa NEW FORM, em 2010. Não tendo sido apresentado nenhum documento, livro ou informação por parte da empresa NEW FORM, foi realizado o arbitramento do lucro com base no art. 530, incisos I e III, do RIR/99. A receita conhecida adotada pela Fiscalização para o arbitramento foi obtida a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada. Foram apontados como responsáveis solidários pelo crédito tributário exigido, com fundamento no art. 124, inc. I, do CTN, os seguintes contribuintes: 1) D´STARFOX COMERCIAL LTDA, CNPJ 11.973.620/0001-23; 2) TOPMAX COMERCIAL LTDA, CNPJ 11.848.840/0001-25; 3) GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA - ME, CNPJ 07.826.556/0001-80. Também foram arrolados como responsáveis solidários, desta feita com supedâneo no art. 135, inc. III, do CTN, os administradores das empresas envolvidas, haja vista que teriam praticado atos tipificados como sonegação e fraudes fiscais, praticadas através da emissão de notas fiscais com o propósito de simular operações comerciais, operações essas que nunca ocorreram de fato, ou em razão de conluio realizado para desviar os recursos financeiros da empresa fiscalizada. Foram responsabilizados os sócios ou terceiros não-sócios com poderes de gestão à época dos fatos geradores. São os seguintes os contribuintes apontados como responsáveis solidários: 1) NILTON PARONI, CPF 069.130.198-07, sócio-administrador da NEW FORM; 2) SATURNINO GOMES BASÍLIO, CPF 214.457.908-31, sócio das empresas TOPMAX e D´STARFOX; 3) VERA LÚCIA BATISTA, CPF 082.833.918-01, sócia da empresa TOPMAX; 4) FRANCISCO DE ASSIS DOS SANTOS, CPF 500.625.494-72, sócio da empresa TOPMAX; 5) FLÁVIA JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO, CPF 382.799.208-70, sócio das empresas TOPMAX e D´STARFOX; Fl. 1738DF CARF MF 6 6) MÍRIAM FEITOSA DOS SANTOS TEIXEIRA, CPF 424.156.914-53, sócia da empresa D´STARFOX; 7) MARIZA FERREIRA BROGIOLO, CPF 043.862.728-87, sócia da empresa GLOBALPAR. Apresentaram impugnação ao Auto de Infração os contribuintes GLOBALPAR, MARIZA FERREIRA BROGIOLO, FLÁVIA JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO e FRANCISCO DE ASSIS DOS SANTOS. Os demais quedaram-se silentes. As impugnações apresentadas pelos contribuintes GLOBALPAR e MARIZA foram conhecidos e apreciados pela DRJ de Belo Horizonte, conforme consta do Acórdão nº 02- 69.254 - 3ª Turma. Já os recursos apresentados por JOEDNA e FRANCISCO não foram conhecidos, haja vista sua intempestividade. Abaixo colaciono a ementa do Acórdão proferido pela DRJ/BHE, em 29 de junho de 2016. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO. É atribuição do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito Tributário mediante lançamento consubstanciado em auto de infração, sendo válido o procedimento ainda que realizado por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Não elididos os fatos que lhe deram causa, o termo de sujeição passiva solidária deve ser mantido. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na atuação que constitua o fato gerador da obrigação principal. INTEMPESTIVIDADE A apresentação eventual de petição fora do prazo regulamentar, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplica-se ao lançamento da CSLL, PIS E COFINS o que foi decidido em relação ao lançamento do IRPJ, formalizado a partir dos mesmos elementos fáticos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.737 7 O Acórdão acima foi cientificado a todos os contribuintes apontados como responsáveis solidários pelo crédito tributário. Entretanto, somente os contribuintes GLOBALPAR, MARIZA FERREIRA BROGIOLO e FLÁVIA JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO apresentaram Recurso Voluntário, conforme abaixo: 1) GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA - ME - cientificada do Acórdão de Impugnação em 29 de agosto de 2016 (v. e-fls. 1.573), apresentou seu Recurso Voluntário em 26/09/2016 (v. e-fls. 1.629); 2) MARIZA FERREIRA BROGIOLO - cientificada do Acórdão de Impugnação em 29 de agosto de 2016 (v. e-fls. 1.572), apresentou seu Recurso Voluntário em 26/09/2016 (v. e- fls. 1.649); 3) FLAVIA JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO - cientificada do Acórdão de Impugnação em 31/08/2016 (v. e-fls. 1.576), apresentou seu Recurso Voluntário em 17/10/2016 (v. e-fls. 1.668). A seguir, passo a discorrer sobre as alegações de cada um dos recorrentes, em apertada síntese. 1) Recurso Voluntário de GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA - ME a) Nulidade do Termo de Verificação Fiscal lavrado por autoridade incompetente, pois alega que os Mandados de Procedimento Fiscal (MPF’s), bem como o Termo de Verificação Fiscal deles resultante, teriam sido emitidos pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Taubaté (para a fiscalização da Topmax, D’Starfox, New Form e da ora Recorrente). Porém, a sede da Topmax e D’Starfox estaria situada em Osasco, e das demais empresas em São Paulo. Logo, a abertura do procedimento de fiscalização teria sido realizada por agentes distintos daqueles investidos na competência para o exercício de tais funções; b) Inaplicabilidade do art. 124 do CTN, pois inexistiria interesse comum entre a ora Recorrente e a empresa autuada; c) Ilegitimidade da imputação das multas de ofício à Recorrente, mormente pela ausência de dolo do responsável solidário que pudesse dar azo à majoração da penalidade; d) Decadência do direito à constituição de parte do suposto crédito tributário (fatos geradores compreendidos entre janeiro e outubro de 2010), haja vista a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN; 2) Recurso Voluntário de MARIZA FERREIRA BROGIOLO a) Nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por inexistência de solidariedade da GLOBALPAR, sociedade da qual a Recorrente é sócia; b) Nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por ausência de motivação fática; c) Inexistência de conduta dolosa a justificar a responsabilidade pessoal fundada no art. 135, inc. III, do CTN; Fl. 1740DF CARF MF 8 3) Recurso Voluntário de FLAVIA JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO O recurso voluntário apresentado por FLAVIA JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO foi protocolado em 17 de outubro de 2016. Ocorre que a contribuinte foi cientificada do acórdão de impugnação no dia 31/08/2016 (v. e-fls. 1.576). Portanto, o recurso da contribuinte é manifestamente intempestivo. Em seu recurso, preliminarmente, argui que teria sido intimada da decisão recorrida em 16 de setembro de 2016, porém, essa não é a realidade dos autos. Assim, o referido recurso não será conhecido, haja vista sua patente intempestividade. Ressalte-se que a referida contribuinte já havia tido a sua impugnação rejeitada pelo mesmo motivo. É o que se depreende do Acórdão Recorrido, às e-fls. 1.558/1.559. 126. A ciência do auto de infração ocorreu aos 16/11/2015, conforme AR à fl. 1156 e o documento apresentado pela responsabilizada somente ocorreu aos 07/03/2016, argumentando que as correspondências do fisco foram enviadas a seu endereço antigo. 127. O AR anexado ao processo – endereçado ao mesmo endereço constante dos cadastros da RFB e identificado no documento apresentado pela responsabilizada à RFB - comprova o recebimento dos autos de infração aos 16/11/2015, diferente do alegado pelo contribuinte. A pretensa impugnação somente foi apresentada pelo contribuinte aos 07/03/2016, quando já ultrapassados os 30 dias previstos no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. (...) 131. Em síntese, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem é objeto de decisão. Contudo, uma vez suscitada pelo interessado a tempestividade da apresentação de seu documento, cabe ao Órgão julgador, em respeito ao contraditório e a ampla defesa, manifestar-se acerca deste questionamento (tempestividade). Constatada a intempestividade da petição, não há análise de mérito, de modo que, no caso vertente, não se conhece da impugnação apresentada. Portanto, também nesse caso, não há como se conhecer do Recurso Voluntário da Sra. FLAVIA JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO, por sua intempestividade. Ao final, vieram os autos a este Conselheiro para relatar. É o relatório. Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.738 9 Voto Vencido Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. Os Recursos Voluntários de GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e MARIZA FERREIRA BROGIOLO são tempestivos e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Já o Recurso Voluntário de FLAVIA JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO é manifestamente intempestivo, haja vista que teve ciência do Acórdão de Impugnação no dia 31/08/2016 (v. e-fls. 1.576), apresentando o seu recurso tão somente em 17/10/2016 (v. e-fls. 1.668). A contribuinte FLAVIA JOEDNA teve a sua impugnação igualmente não conhecida porque também na 1ª instância de julgamento já havia entregue o seu recurso fora do prazo regulamentar (v. e-fls. 1.558/1.559). No recurso voluntário não há nenhuma menção ou justificativa acerca da apresentação extemporânea. Limitou-se a contribuinte a dizer que havia sido cientificada da decisão recorrida em 16 de setembro de 2016 (sexta-feira), o que não é verdade, haja vista a juntada do AR da intimação do resultado do julgamento de e-fls. 1.576. Assim, deixo de apreciar o Recurso Voluntário apresentado por FLAVIA JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO, por ser manifestamente intempestivo. Passemos, pois, à análise de cada um dos Recursos Voluntários apresentados: 1) GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA Inicialmente, a Recorrente volta à carga na argüição de nulidade do lançamento, haja vista que os Mandados de Procedimento Fiscal (MPF’s), bem como o Termo de Verificação Fiscal deles resultante, teriam sido emitidos pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Taubaté (para a fiscalização da Topmax, D’Starfox, New Form e da ora Recorrente), enquanto que a sede da Topmax e D’Starfox seria Osasco, e das demais empresas seria São Paulo. Logo, na sua visão, a abertura do procedimento fiscal teria sido realizada por agentes distintos daqueles investidos na competência para o exercício de tais funções. Em síntese, a Recorrente argumenta que a abertura do procedimento fiscal foi efetuada por agente sem competência para tal procedimento, tendo em vista que a sede da Recorrente estaria localizada em São Paulo, enquanto o auto de infração foi lavrado em Osasco, cidade circunscrita territorialmente à DRF Taubaté. Invoca o art. 12 do Decreto nº 70.235, de 1972. Merece ser destacado, ab initio, que ao contrário do que ocorre no Poder Judiciário, a distribuição de competências no âmbito de atuação da Secretaria da Receita Federal do Brasil é tão somente funcional, não territorial, como assim parece querer fazer crer a Recorrente. Fl. 1742DF CARF MF 10 Tal ilação decorre diretamente dos termos do Código Tributário Nacional CTN, bem assim das leis ordinárias que regem os tributos ora em debate e das leis processuais. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando- se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: I - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II em caráter geral, exercer as demais atividades Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.739 11 inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. §1o O Poder Executivo poderá cometer o exercício de atividades abrangidas pelo inciso II do caput deste artigo em caráter privativo ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. (...) Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. §1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. §2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Assim, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil a repartição de competências para a constituição de crédito tributário mediante lançamento de ofício é tão somente funcional, privativa do Auditor-Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, inexistindo na Biblioteca Legal Federal norma que estatua distribuição territorial para o exercício das competências atribuídas pelo Ordenamento Jurídico. Possuindo, portanto, a RFB, competência nacional para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, a distribuição territorial de tal competência dentre os funcionários da carreira de Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visando à melhor organização e funcionamento da Administração Pública Fazendária, passa a ser assunto Interna Corporis, de atribuição privativa do Presidente da República, que o realiza mediante a expedição de decretos e regulamentos, no termos do art. 84 da CF/88, não criando, todavia, qualquer direito subjetivo aos administrados, tampouco a estes instituindo obrigações. Nessa esteira, o Decreto nº 3.724/2001 estatui que procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nessa vertente, o Secretário da Receita Federal do Brasil, no uso das atribuições que lhe confere art. 2º do decreto nº 3.724/2001, fez publicar a Portaria nº 3.014/2011, cujo art. 6º estatui expressamente que o MPF pode ser emitido, dentre outras autoridades, pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, bem como pelo Superintendente da Fl. 1744DF CARF MF 12 Receita Federal do Brasil, sendo certo que os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, devem ser autorizados pelo respectivo Superintendente. Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011 Art. 6º O MPF será emitido, observadas as respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: I - Coordenador-Geral de Fiscalização; II - Coordenador-Geral de Administração Aduaneira; III - Superintendente da Receita Federal do Brasil; IV - Delegado da Receita Federal do Brasil; V - Inspetor-Chefe da Receita Federal do Brasil; VI - Corregedor-Geral; VII - Coordenador-Geral de Pesquisa e Investigação; ou VIII - Coordenador-Geral de Programação e Estudos. §1º As autoridades indicadas nos incisos IV e V somente poderão emitir MPF no âmbito de suas respectivas áreas de competência. (...) §4º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. No caso dos autos, o domicílio tributário da empresa autuada está assentado na cidade de São Paulo/SP – 8ª Região Fiscal. Ocorre, todavia, que os fatos geradores que deram início ao procedimento fiscal em apreço ocorreram na circunscrição da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Taubaté/SP, circunstância que autoriza o deslocamento dos procedimentos de Fiscalização para esta Unidade Descentralizada, mediante Ato do respectivo Superintendente Regional, a teor do §4º do art. 6º da Portaria nº 3.014/2011. No presente feito, o MPF que expediu a ordem para a execução dos procedimentos de Fiscalização por servidores lotados na DRF em Taubaté/SP foi efetivamente autorizado pela SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL da 8ª REGIÃO FISCAL, à determinação da Sra. MARIA INES KIYOKO NAGAMINE - Matrícula: 00877859 - Portaria de Delegação de Competência nº 9, de 30/01/2012, conforme o extrato do respectivo MPF abaixo colacionado. Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.740 13 Dessarte, os procedimentos de Fiscalização foram executados por servidores competentes – Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, lotados na Delegacia da Receita Federal do Brasil circunscricionante do estabelecimento onde, de fato, ocorreram os fatos geradores objeto do vertente lançamento, autorizados que estavam pela SRRF 8ª Região Fiscal, sendo o débito lavrado em nome da empresa, na pessoa do seu estabelecimento matriz. Inexiste, portanto, qualquer vício de competência no lançamento ora em debate. Por todo o exposto, rejeitamos a preliminar de incompetência da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Taubaté/SP. O segundo ponto objeto de irresignação por parte da Contribuinte GLOBALPAR diz respeito à inaplicabilidade do art. 124, inciso I, do CTN, como fundamento para a sua responsabilização solidária em relação ao crédito tributário objeto deste processo. Sua argumentação é forte no sentido de que, em suma, inexistiria interesse comum entre a ora Recorrente e a empresa autuada. Não concordo com a Recorrente. Versa o art. 124, inciso I, do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...]Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. A Recorrente é bastante incisiva ao esclarecer que inexistiria qualquer tipo de relação societária entre ela e as empresas TOPMAX, D’STARFOX e NEW FORM. Também argui que a Fiscalização não teria sido capaz de indicar qual ato teria sido praticado por ela a ensejar a responsabilização. Primeiramente, não encontrei no Termo de Verificação Fiscal ou no Auto de Infração nenhum trecho escrito que estabelecesse alguma conexão entre a Recorrente GLOBALPAR e as empresas TOPMAX e D´STARFOX. A Autoridade Fiscal é bem clara ao estabelecer a relação entre a Recorrente e a NEW FORM por conta de transferências financeiras de alto valor desta para a primeira, sem qualquer emissão de nota fiscal de venda ou de prestação de serviços. Relembremos o apontado no TVF, às e-fls. 183 e ss. 41. No que tange aos extratos bancários enviados pela instituição financeira e apurados através do sistema ContAgil da Receita Federal do Brasil (extratos anexos ao processo –Documentos Diversos – Outros – Extratos Bancários Apurados), esta fiscalização apurou a movimentação a débito, nas contas de empresa NEW FORM, no ano de 2010, no montante de R$ 63.472.860,09. 42. Na busca por identificar os reais beneficiários dos recursos financeiros que saíram da fiscalizada, esta fiscalização apurou que a empresa GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – ME, Fl. 1746DF CARF MF 14 CNPJ nº 07.826.556/0001-80, doravante denominada GLOBALPAR, foi beneficiária de diversas transferências financeiras efetuadas pela fiscalizada, no período, sem, contudo, haver qualquer transação comercial lastreada por notas fiscais da empresa NEW FORM para a GLOBALPAR. 43. O montante de recursos financeiros transferidos à GLOBALPAR atingiu a cifra de R$ 16.104.521,65, ou seja, mais de 25% dos recursos que deixaram as contas da empresa NEW FORM tiveram como destino as contas da empresa GLOBALPAR, conforme tabela abaixo (extrato completo anexo aos autos. Antes de mais nada, apenas para esclarecer à Recorrente, quando a Fiscalização diz que encontrou movimentação a débito, nas contas de empresa NEW FORM, no ano de 2010, no montante de R$ 63.472.860,09, significa dizer que tais valores deram SAÍDA das suas contas bancárias. Indo mais além em sua investigação, a Fiscalização identificou que deste total, 25% foram direcionados à empresa GLOBALPAR sem justificativa plausível. Diante de tais valores, e da falta de justificativa para tais pagamentos, entendeu a Fiscalização que a empresa GLOBALPAR estaria conluiada com a NEW FORM para desviar os recursos financeiros desta para o seu patrimônio. Assim, a Fiscalização apontou, de forma bastante clara, o motivo pelo qual teria arrolado a empresa GLOBALPAR como responsável solidária, ao contrário do que alega a Recorrente. Essa indicação está clara. Resta saber se ela é suficiente. Abaixo vamos trazer algumas alegações utilizadas pela Recorrente para desqualificar os fatos apontados acima, com os respectivos comentários que elaboramos. Consequentemente, para que se pudesse cogitar da responsabilização solidária da Recorrente, deveria ela ter participado diretamente (isto é, novamente, ser parte) da relação jurídica que constitui o fato gerador do tributo exigido, qual seja, das operações de venda da Topmax e da D’Starfox para a New Form, as quais foram glosadas pela Fiscalização, pois consideradas fictícias, sem existência de fato, dando origem às receitas tidas por omitidas. Logo, para justificar a responsabilidade imputada, a Recorrente deveria ter efetivamente participado dos atos tidos por fraudulentos pela Fiscalização, mediante a prática do fato gerador da obrigação tributária, o que resta demonstrado não ter ocorrido. A Fiscalização nunca vinculou a responsabilização da GLOBALPAR às notas fiscais emitidas fraudulentamente pelas empresas TOPMAX e D´STARFOX. A vinculação realizada pela fiscalização entre a NEW FORM e a GLOBALPAR diz respeito às saídas de vultosos recursos da conta bancária da primeira para a segunda sem qualquer justificativa plausível. Tanto é assim, que o arbitramento efetuado pela Fiscalização (visto que o contribuinte autuado, tendo sido notificado, não apresentou os livros e documentos da sua escrituração), tem como base de cálculo a receita decorrente dos valores apurados nas notas fiscais eletrônicas emitidas por Topmax e D’Starfox, conforme o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: Parece-nos que a Recorrente, efetivamente, não entendeu o proceder da Fiscalização. O arbitramento não foi realizado com base nas notas fiscais emitidas por TOPMAX e D´STARFOX. O arbitramento se deu com base nas notas fiscais emitidas pela própria NEW FORM, conforme bem assentado no TVF às e-fls. 191/193. Mesmo que se pudesse cogitar da responsabilização solidária de que trata o art. 124, I, do CTN, em virtude de mero interesse econômico, ainda sim não estaria justificada a responsabilização no caso concreto. Conforme apontado no TVF, a Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.741 15 totalidade das movimentações a débito da New Form monta à ordem de R$ 63.472.860,09, enquanto as destinadas à Recorrente constam de R$ 16.104.521,65, representando somente 25% do total. Não foram apresentadas quaisquer razões aptas a justificar a escolha desse “patamar”, que sequer representa a maioria das movimentações a débito da New Form, como resultado de “conluio” destinado a fraudar o Fisco. O arbitramento se baseou no total de notas fiscais emitidas eletronicamente pela NEW FORM e que somaram em torno de R$72 milhões no período. Tal valor é consentâneo com os R$64 milhões debitados da conta bancária da fiscalizada. Assim, se considerarmos as taxas usuais de lucratividade correntes no ramo de atividade da Fiscalizada (comércio atacadista de ferragens e ferramentas), destinar 25% de todos os seus lançamentos a débito em contas bancárias para determinada pessoa sem justificativa é um valor mais do que expressivo, muito mais do que o que seria auferido em termos de lucros em condições normais. Então, 25% do total de débitos, é sim, um valor bastante considerável, devendo ser muito bem explicado para a Autoridade Fazendária. Aliás, a corroborar tal entendimento, verificamos nos balancetes da Autuada, informados na sua DIPJ, que em todos os trimestres do ano de 2010 foram apurados prejuízos contábeis. Portanto, os valores transferidos são mais do que relevantes, beiram o acinte, se considerarmos tais elementos. Continuando nossa análise, vejamos mais esse trecho do Recurso Voluntário: Por último, merece destaque a assertiva da DRJ de que, apesar de a Recorrente apresentar as notas promissórias ao processo, estes documentos nada comprovariam, visto tratar-se de documentos emitidos pela autuada, destinados a amparar as transferências de numerário para a Recorrente. Contudo, para a DRJ, nenhum documento teria sido apresentado a comprovar a entrada do numerário correspondente aos cofres da New Form. A Recorrente alegou e comprovou que os valores a ela repassados pela New Form tiveram como objeto renegociação de uma dívida civil (empréstimo), conforme comprovam as notas promissórias emitidas e já anexadas aos autos. A comprovação deu-se dessa forma, visto que o objeto da Fiscalização era exatamente os lançamentos a débito das contas correntes da New Form (e não a crédito). Correta a argumentação e as razões apontadas pela DRJ/BHE para não acatar as alegações da Recorrente neste ponto. Aqui, temos uma séria contradição. A Fiscalização intimou a empresa GLOBALPAR a apresentar todos os documentos que dissessem respeito aos valores que foram transferidos para si através da empresa NEW FORM (vide TVF às e-fls. 189). Essa intimação deu-se em 15/09/2015, não tendo sido atendida pela Contribuinte. Nesse ínterim, o contador da empresa, o Sr. WILSON DE ALVARENGA BOTELHO, CPF nº 055.277.278-00, munido de instrumento de procuração, manteve contato com a Fiscalização e afirmou aos Auditores Fiscais responsáveis pelo procedimento, de maneira informal, que os recursos financeiros transferidos para a empresa GLOBALPAR, no período, foram apenas “transferências entre os sócios, daí a impossibilidade de se comprovar a origem dos recursos recebidos” (v. e-fls. 190). Fl. 1748DF CARF MF 16 Como dissemos, não houve atendimento à intimação da Fiscalização por parte da GLOBALPAR relativamente a essas transferências. Quando da impugnação, a Recorrente apresenta outra versão para as referidas transferências, que somaram mais de R$16 milhões no período. Disse a Recorrente, em apenas um parágrafo de sua impugnação: Os contratos, como previsto no art. 107 do Código Civil, podem ser escritos ou verbais. Aqui, segundo a Recorrente, trata-se de contrato verbal, eis que desacompanhado do respectivo instrumento. Relativamente à validade de contratos particulares é oportuno transcrever o art. 221 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), que manteve, praticamente, a redação do art. 131 do Código Civil anterior: Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Já o art. 288 do Código Civil (CC) diz o seguinte: Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654. Contratos verbais não teriam como ser registrados em cartório de títulos e documentos, condição para que os mútuos a que se refere o impugnante produzissem efeitos contra terceiros. Para o presente caso, então, os contratos não poderiam ter sido verbais. E se fossem escritos, cabe registrar que teriam que atender aos dispositivos legais acima. Tal registro tem por escopo não só autenticar o documento e fixar sua data, mas também dar ciência a terceiros da existência do negócio. A Receita Federal do Brasil, no caso em pauta, embora não seja propriamente um terceiro credor, tem total interesse na comprovação de que houve realmente um empréstimo e não mera simulação. Notas promissórias e documentos contábeis são de fácil emissão. Deve ser lembrado à Recorrente que a informalidade dos negócios celebrados entre as partes não pode eximir a contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes, ou de quaisquer outros motivos, mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.742 17 A relação entre Fisco e Contribuinte não é informal; é formal e vinculada à lei, sem exceção. Logo, a forma convencionada entre as partes diz respeito somente às partes; não exime o contribuinte de apresentar a prova da efetiva realização dos negócios jurídicos em toda a sua extensão. Vejamos a forma como externou a DRJ/BHE sua conclusão a respeito: 91.1 Apesar da impugnante apresentar as notas promissórias anexas ao processo, estes documentos nada comprovam. Trata-se de documentos emitidos pela autuada, destinados a amparar as transferências de numerário para a impugnante; contudo, nenhum documento foi apresentado destinado a comprovar a entrada do numerário correspondente aos cofres da NEW FORM. 91.1 É bom ressaltar que, apesar do impugnante minimizar a quantia envolvida – R$16.104.521.65 – tal importância não é usualmente objeto de mútuo entre empresas desacompanhado de um contrato formal. E ainda, a própria transcrição apresentada pelo impugnante em sua peça de defesa direciona a destinação da verba transferida: “transferências entre sócios” com impossibilidade de se comprovar a origem dos recursos. 92. Ainda que o fisco não tenha identificado a relação entre os sócios das empresas envolvidas, é incontestável a transferência – sem qualquer justificativa comercial – da importância de R$16.104.521.65 das contas da autuada NEW FORM para a impugnante GLOBALPAR. Neste contexto, ainda que a GLOBALPAR não tenha participado pessoalmente das operações comerciais fictícias que envolveram as demais empresas, tais procedimentos propiciaram a transferência do numerário vultoso já apontado, de modo que se constata que todas as envolvidas se uniram com o objetivo de desviar os recursos financeiros da autuada. Desta feita, o enquadramento efetuado pelo fisco para a GLOBALPAR – art. 124, I do CTN está em perfeita consonância com os fatos apontados. Portanto, repito mais uma vez, correta a conclusão a que chegou a DRJ ao não acatar as justificativas da empresa GLOBALPAR, calcadas em suposto “empréstimo” entre ambas as empresas. Mais um indício forte de que tal empréstimo não existiu, pode ser extraído da DIPJ/2011 da Autuada. Nem no balanço patrimonial, nem na demonstração do resultado, aparece qualquer menção ou pagamento a título desse “empréstimo”. Apenas para exemplificar, colacionei abaixo parte da Demonstração do Resultado do Período (4º trimestre), evidenciando que não foi registrado nenhum pagamento a título de empréstimo, a quem quer que seja. Tal padrão se repete em todos os demais trimestres do ano. Fl. 1750DF CARF MF 18 Também a DIPJ apresentada pela GLOBALPAR, relativa ao período de apuração de 2010, não contém qualquer informação a respeito. Aliás, muito pior do que não ter nenhuma informação a respeito de tal empréstimo, é verificar que a referida declaração foi entregue pela Recorrente totalmente zerada. Abaixo colaciono, a título exemplificativo, uma das fichas da respectiva declaração, entregue no dia 29/06/2011, e que recebeu o nº 0001157235: Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.743 19 Ganha corpo, isso sim, a tese de que tais recursos foram transferidos de forma a desfalcar o patrimônio da empresa NEW FORM, em detrimento de seus credores, entre eles a Fazenda Nacional, razão pela qual achou por bem a Autoridade Fiscal responsabilizar solidariamente a empresa GLOBALPAR pelo crédito tributário exigido no presente Auto de Infração. Trata-se, no presente caso, da chamada solidariedade de fato, na qual uma pessoa é solidária quando realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Significa dizer que, para se caracterizar a solidariedade – que, como vimos, a doutrina denomina solidariedade de fato –, é necessário que exista interesse comum na situação jurídica constitutiva do fato gerador da obrigação, isto é, uma atitude voltada ao atendimento de uma necessidade (econômica, moral, social, etc.), em que as pessoas interessadas são vinculadas por circunstâncias externas formadoras de solidariedade (consciência de grupo), conforme acentua Marcos Vinícius Neder (artigo “Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito”, publicado no livro Responsabilidade Tributária, Dialética, 2007, p. 21). Durante todo o período objeto da auditoria (e do lançamento), a empresa GLOBALPAR recebeu vultosas somas, conforme bem demonstrado no TVF às e-fls. 184/189, sem nenhuma justificativa. Ou seja, é perfeitamente plausível se inferir que tais valores foram oriundos da sonegação de tributos que foi perpetrada pela empresa NEW FORM durante esses vários meses. Aqui exsurge a única conexão existente entre a atuação das empresas TOPMAX e D´STARFOX com a Recorrente (apesar de a Autoridade Fiscal não ter feito esse vínculo); enquanto a NEW FORM diminuía o seu resultado pela apropriação de despesas inexistentes, calcadas em documentos inidôneos fornecidos por TOPMAX e D´STARFOX, os tributos que seriam devidos sobre os lucros indevidamente subtraídos eram desviados para o patrimônio da empresa GLOBALPAR. Então, temos a caracterização do interesse comum, qual seja, fraudar a Fazenda Pública, subtraindo-lhe os recursos que lhe seriam devidos, tendo como beneficiários, tanto a empresa NEW FORM, quanto a GLOBALPAR. Indo mais além, trata-se de verdadeira confusão patrimonial a caracterizar o interesse comum de todos os responsabilizados na situação que constituiu o fato gerador dos tributos que foram sonegados, uma vez que todo o lucro que deveria ter sido auferido pela NEW FORM, deixou de ser submetido à tributação, ou seja, foi transferido, como vimos acima, para o patrimônio da empresa GLOBALPAR. Fl. 1752DF CARF MF 20 No presente caso, portanto, vejo como acertada a imputação de responsabilidade solidária, fundamentada no art. 124, I, do CTN, à empresa GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES. Vencida a questão da imputação da responsabilidade solidária à empresa GLOBALPAR, tratemos, pois de suas alegações em face da imposição da multa de ofício, que foi qualificada e agravada pela Fiscalização. A qualificação restou perfeitamente justificada pela Autoridade Fiscal (v. e- fls. 205: 80. Os fatos apontados acima permitem concluir que embora tenham sido emitidas notas fiscais eletrônicas de venda das participantes D’STARFOX COMERCIAL LTDA E TOPMAX COMERCIAL LTDA para a fiscalizada, essas operações nunca ocorreram de fato, ficando caracterizado o conluio entre as mencionadas empresas com intuito de fraudar o fisco federal, percorrendo os elementos dispostos no artigo 72 da Lei nº 4.502/64. Por conseguinte, as infrações apuradas foram penalizadas com a multa qualificada de 150%. Não foi sequer contestada pela Contribuinte autuada, mesmo porque, tanto ela quanto seus responsáveis legais jamais vieram ao processo para contestar o lançamento. Já a Recorrente não contesta a qualificação da multa quanto ao seu mérito, mas entende que a sua imputação à ela seria ilegítima, mormente pela ausência de dolo do responsável solidário que pudesse dar azo à majoração da penalidade. Quanto ao agravamento, aduz que compareceu à Repartição Fazendária, através de seu contador, para se inteirar do procedimento fiscal, bem como para prestar esclarecimentos. O art. 124 do CTN prevê que são solidariamente obrigadas – nos casos em que se aplica, como é o caso vertente - ao pagamento do imposto, multa e juros, nos termos da legislação vigente. Neste contexto, a responsabilizada responde por todo o crédito tributário apurado pelo fisco, inclusive as multas de ofício, que têm previsão legal na Lei nº 9.430, de 1996. Ademais, quando instada pela Fiscalização, também não atendeu à intimação. Apenas em sede de impugnação é que trouxe alguma documentação para ser analisada, no caso, as notas promissórias que justificariam empréstimo contraído com a empresa NEW FORM, mas como já vimos, nada comprovam. Aduz em seu recurso, ainda, o seguinte: A DRJ remanesceu silente em relação a esse ponto, certamente por lhe faltar argumentos para contestá-lo. Não foi tecida uma única linha acerca do comparecimento espontâneo de representante da Recorrente na DRF de Taubaté para se inteirar acerca dos procedimentos de Fiscalização, bem como para prestar esclarecimentos, conforme descrito pelo Termo de Verificação Fiscal, o que derruba a majoração da penalidade nos termos da legislação e de jurisprudência sobre o tema. Ora, como já vimos, o contador compareceu diante da Fiscalização apenas para se inteirar do procedimento. A empresa GLOBALPAR, durante o procedimento de auditoria, não apresentou nenhum documento à Autoridade Fiscal. Em relação aos Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.744 21 esclarecimentos que teria dado, foram feitos de maneira informal e ainda assim, de forma contraditória, pois a informação prestada à Fiscalização foi de que os recursos recebidos da NEW FORM seriam oriundos de “transferências entre os sócios, daí a impossibilidade de se comprovar a origem dos recursos recebidos” (v. e-fls. 190); já na impugnação, a recorrente alega que tais recursos seriam oriundos de mútuo, juntando aos autos uma série de notas promissórias para fazer prova quanto ao alegado. Assim, com relação a este ponto, também não há como dar guarida às alegações da Recorrente. Por último, alega a Recorrente ter incorrido a decadência do direito à constituição de parte do suposto crédito tributário (fatos geradores compreendidos entre janeiro e outubro de 2010), haja vista a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Ora, como já vimos, estando perfeitamente caracterizada a qualificação da penalidade pela incidência dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, é certo que na análise da questão decadencial devemos adotar o critério constante do art. 173, inciso I, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Assim, perfeito o entendimento esposado no Acórdão Recorrido, que adoto como minhas razões para decidir. 98.1 O dispositivo legal invocado pela impugnante reporta-se ao lançamento por homologação, quando o contribuinte apura e antecipa o pagamento do imposto devido; este ato está submetido ao prazo quinquenal a contar da ocorrência do fato gerador. 98.1.1 Contudo, no presente caso, a autuada não efetuou qualquer declaração ou pagamento dos tributos devidos, de modo que, não há o que se homologar. E ainda, o dispositivo transcrito também ressalva a sua inaplicabilidade nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, fato inconteste no caso vertente. (...) 99.1 Como se vê, no presente caso, os fatos geradores ocorreram no AC de 2010, de modo que, o prazo decadencial tem início em 01/01/2011. Considerando que as ciências aos envolvidos ocorreu no período de 13/11/2015 a 08/12/2015, a constituição do crédito tributário ocorreu dentro do prazo previsto na legislação vigente. Desta feita, rejeita-se a alegação de decadência. Fl. 1754DF CARF MF 22 Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES. 3) MARIZA FERREIRA BROGIOLO A Sra. MARIZA FERREIRA BROGIOLO, CPF nº 043.862.728-87, também foi apontada pela Fiscalização como responsável solidária pelo crédito tributário ora exigido no Auto de Infração, com fundamento no art. 135, III, do CTN, sob os seguintes argumentos, extraídos do Termo de Verificação Fiscal, às e-fls. 209. 89. Por outro lado, tendo em vista que os administradores das empresas envolvidas percorreram os elementos tipificados nos artigos caracterizadores de sonegação e fraude fiscais, praticadas através da emissão de notas fiscais com o propósito de simular operações comerciais, operações essas que nunca ocorreram de fato, ou em razão de conluio realizado para desviar os recursos financeiros da empresa fiscalizada, sem prejuízo das consequências atinentes à esfera penal, impõe-se a responsabilização dos sócios ou terceiros nãosócios com poderes de gestão à época dos fatos geradores, em conformidade com o disposto no art. 135, III, do CTN. 90. Resta, pois, a esta fiscalização responsabilizar o sócio administrador da empresa NEW FORM, à época dos fatos geradores, em razão dos atos infracionais praticados, conforme o disposto no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Outrossim, inclui-se nessa exata tipificação os sócios-administradores das empresas TOPMAX COMERCIAL LTDA, D’STARFOX COMERCIAL LTDA e GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, que, à época dos fatos, praticaram atos com infração à lei. 91. É justamente nessa seara que o artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, tem plena aplicabilidade, ao determinar a responsabilização de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado em razão de créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A Recorrente alega, primeiramente, a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, adotando os mesmos argumentos já expendidos pela GLOBALPAR. Em apertada síntese, seriam: a) Sua lavratura por Autoridade Fiscal incompetente; b) Por ser incabível a responsabilização solidária da GLOBALPAR, pela inexistência do interesse comum a justificar o enquadramento de sua solidariedade no art. 124, inc. I, do CTN; c) Ausência de pressupostos para a imputação da multa de 150% à GLOBALPAR, por esta não ter qualquer relação com os fatos apontados pela Fiscalização como fraudulentos; d) Não cabimento do agravamento da multa de ofício aplicada à GLOBALPAR, haja vista que a mesma teria prestado as informações requeridas quando do procedimento fiscal; e) Decadência do crédito tributário, por força da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.745 23 Em relação a esses pontos, já analisados em detalhe no tópico antecedente, adoto as mesmas razões de decidir já expostas para rechaçar, de plano, todas as alegações trazidas pela Recorrente. Portanto, nestes pontos, nego provimento ao recurso da Contribuinte. Especificamente em relação à sua indicação como responsável solidária, calcada no art. 135, inc. III, do CTN, a Recorrente tece as seguintes considerações, abaixo reproduzidas, também em apertadíssima síntese: a) Nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por ausência de motivação fática; b) Inexistência de conduta dolosa a justificar a responsabilidade pessoal fundada no art. 135, inc. III, do CTN; A decisão recorrida assim se manifestou em relação a cada um dos pontos acima levantados: 116.3 As informações prestadas pelo responsável pela GLOBALPAR em resposta à intimação do fisco, reproduzida pela impugnante em sua peça de defesa: "foram apenas transferências entre os sócios, daí a impossibilidade de se comprovar a origem dos recursos recebidos”. 117. Ainda que o fisco não tenha identificado a relação entre os sócios das empresas envolvidas, a própria GLOBALPAR, através de seu representante já menciona "transferência entre sócios", ademais, é incontestável a transferência – sem qualquer justificativa comercial – da importância de R$16.104.521.65 das contas da autuada NEW FORM para a impugnante GLOBALPAR. 118. Neste contexto, ainda que a GLOBALPAR não tenha participado pessoalmente das operações comerciais fictícias que envolveram as demais empresas, tais procedimentos propiciaram a transferência do numerário vultoso já apontado, de modo que se constata que todas as envolvidas se uniram com o objetivo de desviar os recursos financeiros da autuada. 118.2 Considerando os valores recebidos pela GLOBALPAR, administrada pela impugnante, constata-se o interesse de todos os envolvidos na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, com o objetivo de desviar recursos financeiros da autuada. A informação prestada pela GLOBALPAR acerca da "transferência entre sócios" confirma essa assertiva e contradiz a alegação da impugnante acerca de inexistência de relação societária com os demais envolvidos. 118.3 Os artigos 124, I e o art. 135 do CTN prevêem, respectivamente, a solidariedade aos interessados e a responsabilização pessoal dos diretores, gerentes ou representantes das envolvidas, uma vez que tais atos foram praticados com infração à lei ou contrato social. Desta feita, o enquadramento legal efetuado pelo fisco é perfeitamente aplicável aos fatos. O primeiro argumento a que aduz a Recorrente, de que a Autoridade Fiscal não teria apontado a motivação fática para responsabilizá-la, creio não proceder. Apesar de a Autoridade Fiscal ter economizado em suas palavras, o motivo pelo qual arrolou a Recorrente como responsável solidária foi apontado. Senão vejamos: "89. Por outro lado, tendo em vista que os administradores das empresas envolvidas percorreram os elementos tipificados nos artigos caracterizadores Fl. 1756DF CARF MF 24 de sonegação e fraude fiscais, praticadas através da emissão de notas fiscais com o propósito de simular operações comerciais, operações essas que nunca ocorreram de fato, ou em razão de conluio realizado para desviar os recursos financeiros da empresa fiscalizada, sem prejuízo das consequências atinentes à esfera penal, impõe-se a responsabilização dos sócios ou terceiros não-sócios com poderes de gestão à época dos fatos geradores, em conformidade com o disposto no art. 135, III, do CTN." 91. É justamente nessa seara que o artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, tem plena aplicabilidade, ao determinar a responsabilização de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado em razão de créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vejam, Senhores Conselheiros, que o ato infracional supostamente praticado pela Recorrente foi apontado pela Autoridade Fiscal, qual seja, o conluio para realizar a sonegação (arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502/64). Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Resta-nos analisar se houve dolo de sonegar ou de participar da sonegação por parte da Recorrente, bem assim se o conluio e a sonegação podem ser tidos como tipificações penais passíveis de serem consideradas como infração à lei, condição exigida para que a aplicação do art. 135, inc. III, do CTN, seja viável ao presente caso. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.746 25 Para tanto, me utilizo do brilhante voto proferido pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, consubstanciado no Acórdão nº 1402-002.257, de 09 de agosto de 2016: O termo responsabilidade, em sentido amplo, possui estreita ligação com o direito civil, em especial com o direito das obrigações. Karl Larenz aduz que a possibilidade de o devedor responder, em regra, com seu patrimônio perante o credor surgiu de longa evolução do direito de obrigações e do direito de execução. 1 A obrigação, em sentido técnico, tem origem em uma relação jurídica entre duas ou mais partes, na qual o polo ativo (credor) passa a ter o direito de exigir do polo passivo (devedor) uma prestação, ou, de modo contrário, o devedor passa a ter obrigação de determinado comportamento ou conduta para com o credor. 2 No bojo dessa relação jurídica obrigacional, tem-se como elemento necessário o denominado vínculo. Este pode se originar de inúmeras fontes e obriga o devedor a cumprir determinada prestação para com o credor. Subdivide-se em débito (prestação a ser cumprida conforme pactuado) e responsabilidade (o direito de o credor exigir o cumprimento da obrigação quando não satisfeita a prestação, podendo esta exigência incidir, inclusive, sobre os bens do devedor). Segundo Gonçalves A responsabilidade é, assim, a consequência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. Pode- se, pois, afirmar que a relação obrigacional tem por fim precípuo a prestação devida e, secundariamente, a sujeição do patrimônio do devedor que não a satisfaz. 3 No âmbito da responsabilidade civil e tributária, a sujeição tem como limite o patrimônio do responsável, ainda que não seja este, necessariamente, o infrator da norma de conduta desrespeitada. Já o termo responsabilidade tributária, em sentido ainda amplo, é entendido como a sujeição do patrimônio de uma pessoa, física ou jurídica, ao cumprimento de obrigação tributária inadimplida por outrem. Assim, pode-se afirmar que “responsabilidade tributária” possui conceito próximo a “sujeição passiva tributária”, porém, ressalte-se que há diferenças entre estes conceitos: enquanto a sujeição tributária nasce a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, a responsabilidade exsurge somente se a pretensão tributária tornar-se exigível, ou nas palavras de Luciano Amaro, “a presença do responsável como devedor na obrigação tributária traduz uma modificação subjetiva no polo passivo da obrigação, na posição que, naturalmente, seria ocupada pela figura do contribuinte”. 4 É importante distinguir a responsabilidade tributária da responsabilidade civil. Esta advém da prática de ato ilícito lato sensu causador de dano a terceiro, sobrevindo a obrigação de indenizar, enquanto aquela, em que pesem algumas hipóteses de 1 LARENZ, 1958, apud GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 35. 2 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 22. 3 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 35. 4 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. atual. – São Paulo: Saraiva, 2004, p. 295. Fl. 1758DF CARF MF 26 surgimento a partir de atos ilícitos (artigos 134, 135 e 137 do CTN), possui também como propulsor atos lícitos. 5 Assim discorre Maria Rita Ferragut sobre a responsabilidade: É a ocorrência de um fato qualquer, lícito ou ilícito (morte, fusão, excesso de poderes etc.), e não tipificado como fato jurídico tributário, que autoriza a constituição da relação jurídica entre o Estado-credor e o responsável, relação essa que deve pressupor a existência do fato jurídico tributário. 6 Ao ponderar sobre a matéria, Marcos Vinícius Neder anota que a responsabilidade tributária tem respaldo no CTN, o qual consagra normas gerais sobre sujeição passiva de tal forma a redirecionar a responsabilidade pela dívida tributária do contribuinte para um terceiro, facilitando e tornando mais efetivo o trabalho dos órgãos da administração tributária 7 , e afirma que a “lei tributária autoriza ao Fisco incluir terceira pessoa, distinta da que pratica o fato jurídico tributário, no polo passivo da obrigação tributária como responsável pelo pagamento do crédito tributário”. 8 O CTN contempla em seus artigos 128 a 138 os casos de responsabilidade tributária, assim distribuídos: - Disposição geral (art. 128); - Responsabilidade dos sucessores (arts. 129 a 133); - Responsabilidade de terceiros (art. 134 e 135) e - Responsabilidade por infrações (arts. 136 a 138). O que nos interessa, no momento, é a análise da responsabilidade dos representantes legais de empresas a que se refere o art. 135, III, do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Doravante, de modo genérico, o tema será tratado como responsabilidade dos representantes legais de empresas. Elementos da Responsabilidade Tributária do Representante Legal de Empresas 5 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária: Conceitos Fundamentais. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 11. 6 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária: Conceitos Fundamentais. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 11. 7 NEDER, MARCOS Vinícius. Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 28. 8 NEDER, MARCOS Vinícius. Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 28. Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.747 27 Para a caracterização da responsabilidade a que alude o art. 135, III, do CTN, faz-se necessário a presença de dois elementos: - Elemento pessoal: diz respeito ao sujeito que deu azo à ocorrência da infração, ou seja, o executor, partícipe ou mandante da infração. Trata-se, na realidade, do administrador da sociedade, independentemente de ser ou não sócio. Assim sendo, não poderão ser incluídos como responsáveis quaisquer sujeitos que não possuam poder de decisão; - Elemento fático: necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. 9 Desse modo, “não basta ser sócio da empresa (pessoa jurídica), é indispensável que exerça função de administração no período contemporâneo aos fatos geradores”. 10 Conforme já salientado, o art. 135, III, do CTN possibilita responsabilizar os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado desde que sejam os responsáveis pela ocorrência do elemento fático que ensejou o nascimento da obrigação tributária. O conceito de diretor é dado pelo art. 144 da Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas: o sócio ou administrador de uma organização é o que possui poderes para representá-la, inclusive em juízo, bem como para praticar todos os atos necessários ao seu regular funcionamento. 11 Já a definição de gerente é trazida pelo Código Civil (art. 1.172 e seguintes): considera-se gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência. Note-se que na hipótese de lei não determinar poderes especiais, considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados. 12 Maria Rita Ferragut assim conceitua representante: é a pessoa física ou jurídica que, em função de um contrato mercantil, obriga-se a obter pedidos de compra e venda de mercadorias fabricadas ou comercializadas pelo representado, não tendo poderes para concluir a negociação em nome do representado. Não possui vínculo empregatício, e sua subordinação tem caráter empresarial, cingindo-se à organização do exercício da atividade econômica. 13 Percebe-se que, para a caracterização da responsabilidade de que trata o dispositivo legal em questão, faz-se necessária a coexistência de dois elementos essenciais em relação a um fato: que seja praticado por um representante legal de empresa e que denote excesso de poder ou infração à lei ou atos constitutivos da pessoa jurídica. 9 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 124. 10 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do Sócio-Administrador. 5. reimp. Curitiba: Juruá, 2010, p. 99. 11 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 125. 12 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 126. 13 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 126. Fl. 1760DF CARF MF 28 Pois bem. Passo à análise do caso concreto. As provas coligidas e sintetizadas no voto condutor do aresto recorrido alhures reproduzido demonstram que a Recorrente é sócia-administradora da empresa GLOBALPAR, o que não foi negado pela Recorrente em nenhum momento. Não se desconhece a jurisprudência do STJ atinente ao caso em tela e claramente externada através da Súmula nº 430: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. Mais recentemente, julgou-se a matéria sob a égide do disposto no art. 543-C do CPC, sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. Portanto, o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparecer que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, pode-se sim atribuir a responsabilidade de que trata o art. 135 do CTN. No caso em apreço, não temos um simples inadimplemento de tributo, mas, com efeito, temos um inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei nº 8.137/90. Assim, creio que tal violação, da lei tributária, com a intensidade praticada pelo sujeito passivo (NEW FORM) neste caso, com o auxílio direto da empresa GLOBALPAR para desviar os recursos financeiros sonegados, é sim, passível de fundamentar a infração à lei causadora da responsabilização do art. 135, III, do CTN. Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo infrações às leis tributárias. Não me parece ser crível que, em se tratando de uma norma tributária, exclua-se do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. Doutrina, ainda que em franca minoria, e farta jurisprudência, endossam tal entendimento. O Juiz Federal, Zenildo Bodnar, assim se manifestou a respeito do inadimplemento tributário: Uma vez definido com precisão o que vem a ser “atos praticados com infração à lei”, é fácil concluir que o simples inadimplemento tributário da pessoa jurídica não autoriza a responsabilização do sócio-gerente ou administrador, salvo, evidentemente, quando acompanhado de condutas dolosas ou culposas, a exemplo da sonegação fiscal e outras fraudes. 14 [grifos nossos] 14 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do Sócio-Administrador. Curitiba: Juruá, 2010, p. 128. Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.748 29 No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: A diferenciação entre os arts. 134 e 135 do CTN pode ser resumida assim: Art. 134: exigência de culpa, restrição da responsabilidade à obrigação tributária principal e limitação do montante ao valor do tributo, acrescido de juros de multa de mora; Art. 135: exigência de dolo, abrangência da responsabilidade para abarcar as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e ampliar o montante, com inclusão da multa de ofício. Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. O que não pode é a responsabilidade ser atribuída à pessoa física com supedâneo no art. 134 ou 135, sem qualquer investigação sobre a existência de culpa ou dolo. Permitir que assim aconteça é substituir a responsabilidade subjetiva por outra, objetiva, sem guarida no ordenamento jurídico. Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente). [...] 15 [grifos nossos] Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal pode-se extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: PARECER/PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; 15 DANTAS DE ASSIS, Emanuel Carlos. Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade Culposa e Dolosa dos Sócios e Administradores de Empresas por Dívidas Tributárias da pessoa Jurídica. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 158-159. Fl. 1762DF CARF MF 30 c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; [grifos nossos] NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010) 55. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: a) Infração ao contrato social ou estatuto – deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. b) Excesso de poder – não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). c) Infração à lei – não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter conseqüências tributárias. 56. Observa-se que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. [grifos nossos] Quanto à jurisprudência, colacionamos os seguintes julgados: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. INTELIGÊNCIA DO AR TIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA DA EMPRESA EXECUTADA. REDIRECIONAMENTO AO SÓCIO-GERENTE. DECRETO-LEI Nº 1.736/79. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO E JULGAR PREJUDICADA A APELAÇÃO INTERPOSTA PELO EXECUTADO. 1. Os embargos declaratórios somente podem ser utilizados quando houver no acórdão obscuridade, contradição ou omissão acerca de ponto sobre o qual deveria pronunciar-se o Tribunal e não o fez, isso nos exatos termos do artigo 535 do Código de Processo Civil. 2. Assiste razão à embargante, pois efetivamente o acórdão embargado não apreciou detidamente a questão referente a aplicação do artigo 8º do Decreto-lei nº 1.736, de 20/12/1979, sendo omissa nesta parte. 3. Os débitos em execução referem-se a IRPJ-Fonte, devendo ser aplicado o Artigo 8º do Decreto-lei nº 1.736/79, porque está autorizado pelo artigo 124, II, do Código Tributário Nacional (são solidariamente obrigadas... as pessoas expressamente designadas por lei... A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem). Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.749 31 4. É correto fixar a responsabilidade dos sócios-gerentes ou administradores nos casos de IPI e imposto de renda retido na fonte, pois nesses casos o não-pagamento revela mais que inadimplemento, mas também o descumprimento do dever jurídico de repassar ao erário valores recebidos de outrem ou descontados de terceiros, tratando-se de delito de sonegação fiscal previsto na Lei nº 8.137/90, o que atrai a responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional (infração a lei). 5. Recurso provido para dar provimento à apelação da União e julgar prejudicada a apelação interposta pelo executado. (Embargos de Declaração em Apelação Cível Nº 0509878- 53.1997.4.03.6182/SP, Relator Desembargador Federal JOHONSOM DI SALVO, Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sessão de 24/10/2013) [grifos nossos] TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. 1. A jurisprudência da 1ª Seção desta Corte firmou-se, em consonância com entendimento atual da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o redirecionamento contra o sócio-gerente somente tem lugar com início de prova de que o sócio agiu com excesso de mandato ou infringência à lei ou estatuto, não decorrendo da simples inadimplência no recolhimento de tributos. 2. Nos casos em que a empresa deixa de recolher aos cofres públicos as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, é possível a responsabilização solidária dos sócios, pois configura infração expressa à lei, não em razão do mero inadimplemento, mas em virtude da prática, em tese, de infração penal (apropriação indébita de contribuições previdenciárias - 168-A do CP). (EMBARGOS INFRINGENTES Nº 2006.70.99.002075-0/PR, Relatora Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA, 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, decisão unânime, sessão de 04 de junho de 2009) [grifos nossos] SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – STJ – PRIMEIRA TURMA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIO- GERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sócio- gerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de Fl. 1764DF CARF MF 32 dissolução irregular da empresa. A condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) [grifos nossos] Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso e com repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária. Entendo ser desarrazoado pensar que o responsável pela administração da pessoa jurídica possa vir a ser responsabilizado penalmente, inclusive com restrições ao seu direito de ir e vir, e não possa, diante dos mesmos fatos, responder também pela obrigação tributária correspondente. Portanto, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, também poderão vir a ser responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária. Por fim, tal implicação não possui correspondência biunívoca, ou seja, não se pode fazer o raciocínio inverso a ponto de se concluir que, na ausência de tal penalidade qualificada, não incidiria a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN. Isso porque há hipóteses em que sequer é necessário o lançamento de ofício do crédito tributário para que o responsável legal da pessoa jurídica responda pelo crédito tributário, como, por exemplo, nos casos de apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do Código Penal) e na apropriação indébita de que trata como crime contra a ordem tributária pela art. 2º, inciso II, da Lei nº 8.137/90 (falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte e de IPI destacado na nota fiscal, por exemplo). Em tais hipóteses, basta o contribuinte declarar o débito e não recolhê-lo para que o administrador da pessoa jurídica, ao lado da própria empresa, passe a responder pelo débito correspondente, sem que haja necessidade sequer da realização do lançamento de ofício, e, muito menos, de penalidade qualificada. No presente caso, contudo, já analisei que restou comprovado o intuito doloso de sonegar, razão mais do que suficiente para manutenção da multa qualificada, e por todo o exposto, a manutenção da coobrigação imputada à Recorrente com base no art. 135, III, do CTN. É obvio que para receber mais de R$16 milhões em suas contas bancárias, a sócia-administradora da empresa GLOBALPAR, no caso, a ora Recorrente, detinha pleno conhecimento, em outras palavras, detinha o perfeito domínio do fato, qualificado como de sonegação, que somente poderia ter ocorrido com o seu conhecimento e atuação, haja vista o porte, a natureza e o próprio quadro societário de sua empresa (em que consta com 99,8% das cotas). Por todo o exposto, resta caracterizada a responsabilidade solidária da sócia administradora da empresa GLOBALPAR, a Sra. MARIZA FERREIRA BROGIOLO, conforme o disposto no art. 135, III, do CTN. Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.750 33 Portanto, considerando tudo o que consta do presente processo, voto no sentido de manter a responsabilidade solidária da empresa GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, com fulcro no art. 124, I, do CTN, e da Sra. MARIZA FERREIRA BROGIOLO, com supedâneo no art. 135, III, do mesmo diploma legal. Deixo de conhecer do Recurso Voluntário proposto por FLAVIA JOEDNA ANDRADE DOS SANTOS BRITO, por sua manifesta intempestividade. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Voto Vencedor Conselheira Livia De Carli Germano, Redatora Designada. No presente processo fui designada para redigir o voto vencedor e os respectivos trechos de ementa especificamente com relação aos tópicos: (i) agravamento da multa e (ii) responsabilização da Sra. Mariza Ferreira Brogiolo, sócia administradora da empresa Globalpar Construções, Empreendimentos e Participações Ltda. - ME. Quanto à multa agravada, a maioria da Turma entendeu que esta punição, que tem como causa a prática de atos contemporâneos à autuação fiscal, não poderia atingir pessoas indicadas como responsáveis, na medida em que estes não teriam participado -- ou pelo menos não há prova de tenham participado -- dos atos que ensejaram tal penalidade. No caso, a multa foi agravada em razão de a contribuinte New Form Comercial Ltda. não ter atendido reiteradas intimações para apresentar arquivos digitais e sistemas. Trata-se de punição por uma conduta específica da contribuinte, para a qual os responsáveis não tiveram qualquer contribuição. Assim, muito embora este colegiado tenha decidido pela manutenção da responsabilidade tributária da empresa Globalpar Construções, Empreendimentos e Participações Limitada, com fulcro no artigo 124, I, do CTN, entendeu-se que a responsabilização seria exclusiva quanto aos fatos geradores e penalidades daí decorrentes contemporâneas a tais fatos, não podendo se estender a débitos relacionados a punições por atos praticados anos após os fatos geradores, como é o caso do agravamento da multa. Ressalto que a exclusão do agravamento da multa foi específica para a responsável Globalpar apenas porque esta foi a recorrente que teve o seu recurso analisado por este colegiado com débito tributário mantido. Não se analisou o caso dos demais responsáveis simplesmente porque seus recursos não foram objeto de deliberação por esta Turma, à exceção da Sra. Mariza Ferreira Brogiolo que, pelas razões a seguir, teve seu recurso analisado e sua responsabilidade exonerada. Pois bem. Quanto à responsabilização da Sra. Mariza Ferreira Brogiolo, o Termo de Verificação Fiscal baseia a sujeição passiva no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: Fl. 1766DF CARF MF 34 89. Por outro lado, tendo em vista que os administradores das empresas envolvidas percorreram os elementos tipificados nos artigos caracterizadores de sonegação e fraude fiscais, praticadas através da emissão de notas fiscais com o propósito de simular operações comerciais, operações essas que nunca ocorreram de fato, ou em razão de conluio realizado para desviar os recursos financeiros da empresa fiscalizada, sem prejuízo das consequências atinentes à esfera penal, impõe-se a responsabilização dos sócios ou terceiros não-sócios com poderes de gestão à época dos fatos geradores, em conformidade com o disposto no art. 135, III, do CTN. “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – ...; II – ...; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” 90. Resta, pois, a esta fiscalização responsabilizar o sócio administrador da empresa NEW FORM, à época dos fatos geradores, em razão dos atos infracionais praticados, conforme o disposto no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Outrossim, inclui-se nessa exata tipificação os sócios- administradores das empresas TOPMAX COMERCIAL LTDA, D’STARFOX COMERCIAL LTDA e GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, que, à época dos fatos, praticaram atos com infração à lei. 91. É justamente nessa seara que o artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, tem plena aplicabilidade, ao determinar a responsabilização de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado em razão de créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 92. A seguir, qualifica-se os responsáveis: (...) - MARIZA FERREIRA BROGIOLO, CPF Nº 043.862.728-87, SÓCIA-ADMINISTRADORA da empresa GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – ME, residente na (...) Esta é a única menção ao nome da Sra. Mariza em todas as 42 páginas do Termo de Verificação Fiscal, não havendo qualquer indicação de conduta especificamente por ela praticada que pudesse ser considerada infração de lei ou contrato social. Como visto, o artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Trata-se de responsabilidade tributária que Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10882.723170/2015-26 Acórdão n.º 1401-002.083 S1-C4T1 Fl. 1.751 35 ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais. Por consequência, para sua caracterização, é necessário que, no mínimo, se indique especificamente que atos foram esses que extrapolaram a lei/contrato social/estatuto. No caso, muito embora a Turma tenha decidido manter a responsabilidade solidária da empresa Globalpar, por ter esta empresa operado em conluio para desviar recursos financeiros da contribuinte, responsabilizar a sócia administradora da Globalpar sem indicar o ato ilícito que esta pessoa física tenha praticado extrapolaria o disposto no artigo 135, III, do CTN, pois configuraria responsabilizar a Sra. Mariza simplesmente por ser sócia- administradora da Globalpar. Por mais que se prove que a pessoa jurídica tenha praticado atos ensejadores de sua responsabilização tributária, não há dispositivo legal que permita a presunção de que seu sócio-administrador participou de tais atos. Pelo contrário, para a aplicação do artigo 135, III, do CTN é necessário indicar e provar que o sócio e/ou administrador praticou, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os atos que deram origem às obrigações tributárias então exigidas. Por tais razões orientei meu voto para afastar tão somente o agravamento da multa de ofício em face da responsável solidária GLOBALPAR CONSTRUÇÕES, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA - ME e para afastar a responsabilidade solidária de MARIZA FERREIRA BROGIOLO, no que fui acompanhada pela maioria da Turma. No mais, sigo o elogiável voto do ilustre Conselheiro relator. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1768DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10510.004281/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/01/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 42 81 /2 00 7- 58 Fl. 77DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10510.004281/200758 Acórdão n.º 2202004.192 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000371/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 22/06/2010
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1.
De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. SÚMULA CARF N.º 17.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do Art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
Numero da decisão: 3201-003.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Augusto de Albuquerque Paludo, OAB/DF 42.075, scritório Covac Sociedade de Advogados.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 22/06/2010 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. SÚMULA CARF N.º 17. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do Art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
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SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. SÚMULA CARF N.º 17. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do Art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Augusto de Albuquerque Paludo, OAB/DF 42.075, scritório Covac Sociedade de Advogados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 03 71 /2 01 1- 32 Fl. 328DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 286 em face da decisão de primeira instância da DRJ/CE de fls. 245 que manteve o lançamento de II, IPI, Pis e Cofins Importação, diante de indícios de falta de recolhimento de tributos, por importação não amparada por imunidade e, ao mesmo tempo, reconheceu a concomitância, mas manteve as multas. A autoridade lavrou os Autos de Infração das fls. 4 a 24. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação dos fatos, matéria e trâmite dos autos, conforme segue: "Trata o presente processo de impugnação contra lançamentos de créditos tributários relativos a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidente na Importação (COFINSImportação) e Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação (PIS/PASEPImportação), acrescidos de multa, no percentual de 75%, e juros de mora, conforme autos de infração de fls. 0431. De acordo com a descrição dos fatos, contida nos autos de infração, o contribuinte promoveu importação de mercadorias, deixando de efetuar o pagamento dos tributos e contribuições incidentes na operação, por força de decisão judicial, exarada nos autos do processo n° 000769118.2010.403.6104, da Justiça Federal, Seção Judiciária de São Paulo. O fato referese à Declaração de Importação nº 10/10470312, registrada em 22/06/2010 (fls. 3539). No auto de infração relativo ao Imposto de Importação, o auditorfiscal aduz que o importador arguiu a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, e art. 195, § 7º, da Constituição Federal. A fiscalização discorre sobre o direito pleiteado pelo importador e, ao final, conclui que as mercadorias submetidas a despacho aduaneiro não se enquadram na referida imunidade constitucional, por força do § 4º do art. 150 da Constituição Federal, segundo o qual a imunidade compreende somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades neles mencionadas. Por fim, a autoridade fiscal informa que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, com base no art. 151, inciso IV, do Código Tributário Nacional. Os autos de infração referentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados, COFINSImportação e PIS/PASEPImportação, Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11128.000371/201132 Acórdão n.º 3201003.172 S3C2T1 Fl. 329 3 fazem alusão à mencionada decisão judicial, constando ainda que, embora a exigibilidade esteja suspensa, os créditos tributários foram constituídos para prevenir a decadência. Cientificada dos lançamentos em 07/02/2011, conforme Aviso de Recebimento de fl. 49, a autuada apresentou a impugnação de fls. 5271, em 09/03/2011, na qual expõe as seguintes razões de defesa: a) o lançamento é irregular, tendo em vista que a impugnante é entidade beneficente de assistência social, detentora da imunidade de impostos e contribuições sociais, nos termos do art. 150, inciso VI, e do art. 195, § 7º, da Constituição Federal; b) a exigibilidade do crédito tributário está suspensa em virtude da concessão de medida liminar e reconhecimento judicial da imunidade tributária; c) os fundamentos do Auto de Infração são totalmente desarrazoados, porquanto foi lavrado em razão de o Fiscal considerar que o bem importado não guardaria relação com as atividades assistenciais da impugnante e, assim, não estaria albergado pela regra imunitória; d) além da ausência de motivação congruente, o lançamento é inteiramente nulo e improcedente; e) discorre sobre a natureza de entidade assistencial, o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e os títulos de utilidade pública que detém e aduz argumentos acerca da imunidade dos impostos e das contribuições, sustentando a essencialidade das mercadorias relacionadas para o exercício das suas atividades fins; f) a multa cobrada é totalmente arbitrária e ilegal, pois, embora se admita a lavratura do Auto de Infração como forma de constituir o crédito tributário evitandose a decadência, é impossível aplicar multa, uma vez que essa cobrança encerra hipótese de sanção e a impugnante não descumpriu nenhuma obrigação legal; g) o suposto descumprimento de obrigação principal, ou seja, o desembaraço aduaneiro sem recolhimento dos tributos, somente ocorreu em razão de decisão judicial, que produz norma concreta e específica em favor da impugnante, dispensandoa do recolhimento, o que afasta a norma geral e abstrata que determina o recolhimento dos tributos, de modo que não é possível vislumbrar nenhuma ilegalidade na conduta; h) ainda que a medida judicial seja considerada ilícita, ela não autoriza impor à impugnante o ônus do pagamento da multa, uma vez que agiu de boa fé, sendo o suposto erro atribuível exclusivamente ao EstadoJuiz; i) por fim requer seja anulado o auto de infração, de forma a reconhecer a imunidade aos impostos e às contribuições sociais, Fl. 330DF CARF MF 4 com base no art. 150, inciso VI, e no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, e, caso não prevaleça esse entendimento, que seja excluída a multa aplicada; j) requer ainda que todas as publicações e intimações sejam realizadas exclusivamente em nome do advogado signatário e em seu endereço profissional. Conclusos, os autos foram encaminhados a este órgão julgador." A DRJ/CE de fls. 245 publicou seu acórdão de primeira instância com a seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/06/2010 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DIVERGÊNCIA PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do Princípio da Unidade de Jurisdição, a propositura de ação judicial contra a Fazenda Pública importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, no tocante à matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Em relação à referida matéria, o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. Havendo divergência parcial de objetos entre o processo administrativo e a ação judicial, é cabível o julgamento administrativo da lide unicamente no que concerne à matéria diferenciada. Nessa hipótese, havendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/06/2010 AÇÃO JUDICIAL. TUTELA ANTECIPADA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. VALIDADE. A propositura de ação judicial, ainda que favorecida com tutela antecipada, não afasta o dever da autoridade fiscal de proceder ao lançamento de ofício do crédito tributário em litígio, ficando, porém, suspensa sua exigibilidade enquanto vigorar a decisão judicial. AÇÃO JUDICIAL. TUTELA ANTECIPADA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA. Na constituição de crédito tributário, cuja exigibilidade estiver suspensa por medida liminar ou tutela antecipada, concedida após o início do procedimento fiscal, é aplicável a multa de ofício, no percentual de 75% sobre os valores que deixaram de ser recolhidos. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11128.000371/201132 Acórdão n.º 3201003.172 S3C2T1 Fl. 330 5 Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." O processo digitalizado foi distribuído e pautado nos termos do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Mesmo que o tempestivo Recurso Voluntário contenha matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não é possível conhecêlo em razão de concomitância com processo judicial. Conforme destacado no relatório, o lançamento ocorreu diante de indícios de importação não amparada por imunidade, com expressa menção à medida judicial de fls. 225, processo n.º 000769118.2010.403.6104, da Justiça Federal, Seção Judiciária de São Paulo. O contribuinte alega ser imune aos tributos em razão de ser entidade sem fins lucrativos com finalidade de assistência social e fundamentou sua alegação nos Art. 150, VI, c, e Art. 195, §7.º da CF/88. Analisados os pedidos e a certidão judicial em fls. 322 proferida no âmbito TRF3, é possível concluir que o Poder Judiciário trata da mesma matéria submetida à esta lide administrativa fiscal, conforme segue: Fl. 332DF CARF MF 6 Portanto, a decisão de primeira instância administrativa fiscal errou em julgar improcedente a Impugnação e manter as multas, uma vez que, ao discutir o mesmo objeto e causa de pedir no Poder Judiciário, com o reconhecimento de sua imunidade, o contribuinte optou por uma via de defesa, o que gerou concomitância, prevista na Súmula n.º 1 deste Conselho: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Independentemente da argumentação do contribuinte ter finalidade de assistência social e fundamentar sua alegação nos Art. 150, VI, c, da CF/88, a questão do afastamento da multa, com base no Art. 63 da Lei 9.430/96 deve ser analisada. O ato do registro da DI é do contribuinte e assim não é possível concluir que tenha ocorrido algum procedimento de ofício antes da suspensão do débito. Logo, a exigibilidade está suspensa e a multa carece de previsão legal para ser mantida, conforme reforçado pela Súmula n.º 17 deste Conselho, transcrita a seguir: "Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo." CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, votase para que o Recurso Voluntário seja parcialmente conhecido e na parte conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO, para afastar a multa de ofício. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11128.000371/201132 Acórdão n.º 3201003.172 S3C2T1 Fl. 331 7 Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009426/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
TRIBUTAÇÃO PELO IRPJ COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. ADOÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIME CUMULATIVO PARA COFINS. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. EMBARGOS REJEITADOS
O art. 1° da Lei n° 10.833/03, o qual supostamente não teria sido apreciado pelo CARF e, por isto, incorrido em omissão, não se aplicava à embargada. No período autuado, era tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido, o que a excluía da sujeição ao regime não cumulativo da COFINS, previsto no art. 1° da Lei n° 10.833/03. Encontrava-se sob o regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98, o qual fundamentou o auto de infração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3301-004.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração opostos pela Procuradoria geral da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 TRIBUTAÇÃO PELO IRPJ COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. ADOÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIME CUMULATIVO PARA COFINS. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. EMBARGOS REJEITADOS O art. 1° da Lei n° 10.833/03, o qual supostamente não teria sido apreciado pelo CARF e, por isto, incorrido em omissão, não se aplicava à embargada. No período autuado, era tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido, o que a excluía da sujeição ao regime não cumulativo da COFINS, previsto no art. 1° da Lei n° 10.833/03. Encontrava-se sob o regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98, o qual fundamentou o auto de infração. Embargos Rejeitados.
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ADOÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIME CUMULATIVO PARA COFINS. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. EMBARGOS REJEITADOS O art. 1° da Lei n° 10.833/03, o qual supostamente não teria sido apreciado pelo CARF e, por isto, incorrido em omissão, não se aplicava à embargada. No período autuado, era tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido, o que a excluía da sujeição ao regime não cumulativo da COFINS, previsto no art. 1° da Lei n° 10.833/03. Encontravase sob o regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98, o qual fundamentou o auto de infração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração opostos pela Procuradoria geral da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 94 26 /2 00 8- 68 Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 11080.009426/200868 Acórdão n.º 3301004.094 S3C3T1 Fl. 1.252 2 Relatório Tratase de embargos opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão n° 3803003.450, cujo relatório adoto: "Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte com o fito de constituir crédito tributário relativo a COFINS, do período de apuração de 01/12/2002 a 31/12/2006, no valor de R$ 252.778,58, sendo destes R$ 175.788,08 de contribuição e R$ 76.990,60 de juros de mora calculados até 31/07/08. A infração decorreu da inexistência de recolhimento ou declaração de COFINS dos períodos analisados, tendo ocorrido o lançamento para prevenir a decadência, com exigibilidade suspensa, nos moldes do art. 63 da Lei 9.430/1996, porque a contribuinte teria ação judicial em mandado de segurança coletivo nº 2001.71.00.0268315, da OABRS, com decisão favorável, não transitada em julgado à época da lavratura do auto, conforme Relatório de Ação Fiscal, de fls.38/48, que compõe a descrição dos fatos do Auto de Infração. Cientificada, a contribuinte apresentou Impugnação alegando em preliminar a nulidade do lançamento por ofensa ao princípio da legalidade, argumentando que é beneficiária de decisão proferida no MS n. 2001.71.00.0268315, em que a Ordem dos Advogados do Brasil/RS pleiteou a inexigibilidade da COFINS incidente sobre o faturamento das sociedades civis prestadores de serviços profissionais de advocacia. Argumenta, ainda que mesmo provisória, a decisão não poderia ter sido descumprida pela RFB, o que acarretaria a nulidade do lançamento. Apresenta doutrina e jurisprudência. Alega ainda, em sede de preliminar, a decadência do lançamento pois, ao seu entender, como o lançamento fiscal ocorreu em 08/08/2008, somente poderiam ter sido lançados os períodos de apuração posteriores a 08/08/2003 nos termos do art.173 c/c o art. 150, §4º, ambos do Código Tributário Nacional, tendo em vista a publicação da Súmula Vinculante nº 8 pelo STF,que declarou inconstitucional os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, o qual trata do prazo de 10 anos para a decadência e prescrição da COFINS. No mérito aduz que é beneficiária da isenção contida no art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, por ser sociedade civil de prestação de serviço de profissão regulamentada, nos termos do art. 1º do DecretoLei nº 2.397/87, não podendo a isenção ser revogada pela Lei Ordinária nº 9.430/96, normativo hierarquicamente inferior. Também argumenta que a base de cálculo da contribuição é o faturamento e que este não compreende os reembolsos de despesas de cópias reprográficas, já que estas não são objeto dos serviços prestados por uma sociedade de advogados. Isto decorre do fato que as receitas agregam valor ao patrimônio (honorários) enquanto que os reembolsos (despesas de cópias reprográficas) são simples ingressos de valores na contabilidade da empresa, conforme doutrina e jurisprudência do STJ sobre o ISS. A DRJ em Porto Alegre rejeitou a unanimidade de votos as preliminares de nulidade e de decadência por inaplicáveis ao caso em concreto, indeferiu o pedido Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 11080.009426/200868 Acórdão n.º 3301004.094 S3C3T1 Fl. 1.253 3 de diligência realizado no bojo da impugnação por não obedecer a legislação e por entender desnecessária à solução do litígio. No mérito, desconheceu da impugnação que tratou da ilegalidade inconstitucionalidade da revogação da COFINS por, em outras palavras, reconhecer a existência da concomitância entre as demandas e determinou a observância da decisão judicial pela instância administrativa. No restante, considerou improcedente a impugnação conforme ementa que transcrevemos a seguir: 'ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 NULIDADE/ ANULABILIDADE HIPÓTESES DO DECRETO 70.235, DE 06 DE MARÇO DE 1972. A declaração de nulidade/anulabilidade do lançamento ocorre q uando os fatos se enquadram as hipóteses descritas no art.59 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, sendo que as demais irregularidade, incorreções e omissões serão passíveis de serem sanadas, nos termos do art.60 do citado diploma normativo. DECADÊNCIA IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo pagamento ou declaração de dívida do tributo, se aplica o prazo decadência do art.173, inciso I, do CTN, e não o art.150, § 4º, do CTN, acarretando a correção do lançamento e improcedência da impugnação. AÇÃO JUDICIAL ANTES OU DEPOIS DA AUTUAÇÃO RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA A existência de questionamento judicial, independente de ser antes ou depois da autuação fiscal, ou processo administrativofiscal, acarreta a renúncia da esfera administrativa, segundo o Ato Declaratório COSIT (Normativo) nº 3, publicado no D.O.U. de 15 de fevereiro de 1996. FATURAMENTO DEFINIÇÃO LEGAL. O faturamento deve obedecer a definição legal contida na norma da contribuição, englobando as receitas da contribuinte.' Cientificada em 11/05/2012, apresentou recurso voluntário no qual insiste nas teses apresentadas em sede de impugnação e refuta o argumento utilizado pela instância julgadora a quo no sentido de que ao optar pela discussão da matéria no Poder Judiciário haveria renunciado da via administrativa, tendo em vista que o MS foi impetrado pela OAB/RS e não pela Recorrente. Argumenta ainda que o art. 102 da CF que trata da competência do STF nada menciona sobre a desistência da instância administrativa. No pedido, requer o acolhimento das preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração, bem como a reforma da Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 11080.009426/200868 Acórdão n.º 3301004.094 S3C3T1 Fl. 1.254 4 decisão recorrida para excluir da base de cálculo do tributo os reembolsos das despesas processuais. É o relatório." Em 22/08/12, o colegiado do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário. Ratificou as decisões da DRJ concernentes às nulidades e concomitância, porém reformou a decisão recorrida, no que tange à incidência da COFINS sobre reembolso de despesas com fotocópias. Entendeu não se enquadrarem no conceito de faturamento, que é a base de cálculo da COFINS, conforme LC n° 70/01 e Lei n° 9.718/98. E destacou que o alargamento da base de cálculo pretendido pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em sede do RE n° 585.235QO, admitido sob o regime de repercussão geral. O Acórdão n° 3803003.450 foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 Ementa: CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Inteligência da súmula nº 1 do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 Ementa: COFINS BASE DE CÁLCULO LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART 62A DO RICARF. Tal como disposto no art. 62A do RICARF, as decisões do STF com repercussão geral deverão ser observadas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. É inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A base de cálculo da COFINS e do Pis/Pasep é aquela determinada pelas Leis Complementares nº 07/70 e 70/91. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE REEMBOLSO DE DESPESAS PROCESSUAIS NATUREZA JURÍDICA. Para fins de incidência da COFINS, não integra o faturamento os valores recebidos pela pessoa jurídica a título de reembolso de despesas financeiras decorrentes dos encargos com despesas processuais decorrentes do pagamento de custas processuais, Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 11080.009426/200868 Acórdão n.º 3301004.094 S3C3T1 Fl. 1.255 5 fotocópias e impressões, os quais não integram o objeto social do escritório de advocacia. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" A Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN) opôs embargos de declaração (fls. 1.238 a 1.240) em face do Acórdão n° 3803003.450 (fls. 1.226 a 1.235), em razão da ocorrência de omissão. Extraio o trecho final dos embargos: "(. . .) 6. É indubitável que o STF, através de controle difuso, declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Em tais decisões, o Pretório Excelso entendeu que o citado dispositivo havia ampliado a base de cálculo do PIS e da COFINS, todavia não esclarecendo qual “conceito” de faturamento remanescia após a decisão. Os Ministros não tiveram a preocupação específica de buscar a exata conceituação do termo que tivesse validade geral para todos os ramos de atividade econômica (até mesmo porque se buscava solução para um caso concreto). 7 Não obstante essa premissa, fato é que os aludidos vícios contidos na Lei 9.718/98, no que tange à base de cálculo para incidência da COFINS, foram sanados pelo art. 1º da Lei 10.833/03, verbis: 'Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de suadenominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput.' 8 Diante dos preceitos legais acima, concluise que o fato gerador da COFINS tem como base de cálculo o faturamento mensal, “assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. 9 Dessa forma, o acórdão merece ser esclarecido em relação à superveniência da Lei 10.833/03, que por sua vez conformou a base de cálculo da COFINS à norma constitucional e, além disso, encontravase vigente ao tempo de substancial parcela do auto de infração. 10 Face ao exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que esta e. Turma se manifeste sobre a aplicação da Lei 10.833/03 ao caso concreto, esclarecendo se os valores lançados a partir de sua vigência (01/2004 a 12/2006) permaneceriam incólumes." Os embargos foram admitidos pelo Presidente 3ª TE/3ª Seção/CARF (fl. 1.248). Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 11080.009426/200868 Acórdão n.º 3301004.094 S3C3T1 Fl. 1.256 6 É o relatório. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 11080.009426/200868 Acórdão n.º 3301004.094 S3C3T1 Fl. 1.257 7 Voto A Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN) opôs embargos de declaração (fls. 1.238 a 1.240) em face do Acórdão n° 3803003.450 (fls. 1.226 a 1.235), em razão da ocorrência de omissão. Não teria sido apreciado pelo colegiado o reflexo da alteração na base de cálculo da COFINS, introduzida pela Lei n° 10.833/03, no lançamento de ofício da COFINS sobre reembolso de despesas cobrados de clientes. Os embargos foram admitidos pelo Presidente 3ª TE/3ª Seção/CARF (fl. 1.248). O contribuinte é prestador de serviços de advocacia. Sofreu lançamento de ofício para cobrança da COFINS sobre os honorários profissionais e valores cobrados de seus clientes a título de reembolso de despesas com fotocópias. Conforme acima mencionado, a suposta omissão apontada pela PGFN diz respeito tão somente à decisão relativa COFINS incidente sobre reembolso de despesas. A autuação abrangeu o período de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. A fiscalização entendeu que a "realização de impressões e fotocópias de documentos é inerente à prestação de serviços de advocacia, e quando feita pelo próprio contribuinte fiscalizado e cobrada de seus clientes, os valores assim obtidos integram o seu faturamento, tal como definido pelo artigo 3°, caput, da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998." A turma julgadora do CARF, todavia, concluiu em sentido contrário. Em primeiro lugar, o voto condutor discorre sobre a natureza dos valores cobrados e dispõe que não poderiam ser considerados como faturamento, "(. . .) mas sim meros reembolsos de despesas que não podem ser considerados prestação de serviços da sociedade advocatícia, mormente porque o exercício da advocacia é incompatível com qualquer procedimento de mercantilização (art. 5º do Código de Ética e Disciplina da OAB)." Então, consigna que a base de cálculo da COFINS foi definida pela Lei Complementar 70/91 como o faturamento, "assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.". E que, com advento da Lei n° 9.718/98, houve uma tentativa de ampliar a base de cálculo, para abranger a totalidade das receitas. Contudo, foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no RE n 585.235QO, com repercussão geral. Nos embargos, a PGFN lembra que o período autuado era de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. Que a Lei n° 10.833/03 entrou em vigor em janeiro de 2004 e que, Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 11080.009426/200868 Acórdão n.º 3301004.094 S3C3T1 Fl. 1.258 8 seu art. 1°, ampliou a base de cálculo da COFINS, como segue (redação em vigor no período fiscalizado): “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (. . .)” Conclui, acusando o colegiado de ter cometido omissão, em razão de não ter se pronunciado acerca da citada alteração legislativa e seu possível reflexo na base tributável apurada pelo Fisco, relativa ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Com a devida vênia, voto pela rejeição dos embargos. O art. 1° da Lei n° 10.833/03, invocado pela PGFN, não se aplicava ao contribuinte. No Relatório Fiscal (fl. 38), consta que, nos anos de 2002 a 2006, a recorrente calculou o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) com base no lucro presumido, o que, nos termos do inciso II do art. 10 da Lei n° 10.833/03, a excluía da tributação pelo regime não cumulativo da COFINS, previsto nos artigos 1° ao 8° da Lei n° 10.833/03, e a mantinha sob a égide da Lei n° 9.718/98, cujos artigos 2°, 3° e 8° fundamentaram o auto de infração. Ademais, ainda que tal dispositivo legal fosse aplicável ao caso, o colegiado não poderia a ele ter recorrido para ratificar o posicionamento da fiscalização e, assim, negar integral provimento ao recurso voluntário. Como o lançamento de ofício não foi capitulado art. 1° da Lei n° 10.833/03, porém nos artigos 1° , 2° e 10, § único, da Lei Complementar n° 70/91 e 2°, 3° e 8°, caput, da Lei n° 9.718/98 e 18 da Medida Provisória n° 2.15835/2001(fl. 14), se da forma proposta pela PGFN tivesse procedido o colegiado do CARF, teria ele incorrido em inovação de critério jurídico, o que é vedado pelo art. 146 do CTN. Isto posto, rejeito os embargos de declaração opostos em face do Acórdão n° 3803003.450, uma vez que não ocorreu a omissão alegada pela PGFN. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 11080.009426/200868 Acórdão n.º 3301004.094 S3C3T1 Fl. 1.259 9 Fl. 1259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904469/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/08/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/08/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 44 69 /2 01 2- 11 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10825.904469/201211 Acórdão n.º 1302002.449 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 04155.79488.201010.1.3.045606, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 29/08/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 66/67), tendo interposto o seu recurso voluntário em 25/06/2013 (doc. de fl. 69). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10825.904469/201211 Acórdão n.º 1302002.449 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 29/08/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10825.904469/201211 Acórdão n.º 1302002.449 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.904469/201211 Acórdão n.º 1302002.449 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904469/201211 Acórdão n.º 1302002.449 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904469/201211 Acórdão n.º 1302002.449 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904469/201211 Acórdão n.º 1302002.449 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 105DF CARF MF
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