Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18365.721050/2012-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a contribuinte a regularizar a questão da representação legal do seu procurador. Vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (Relator) que votou contra a realização da diligência. Designada a Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll para redigir o voto vencedor. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18365.721050/2012-01
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5923796
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.038
nome_arquivo_s : Decisao_18365721050201201.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 18365721050201201_5923796.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a contribuinte a regularizar a questão da representação legal do seu procurador. Vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (Relator) que votou contra a realização da diligência. Designada a Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll para redigir o voto vencedor. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7499148
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146820517888
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-10-17T13:47:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-10-17T13:47:05Z; Last-Modified: 2018-10-17T13:47:05Z; dcterms:modified: 2018-10-17T13:47:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:79e488be-243c-4c0e-bb52-77530b92779c; Last-Save-Date: 2018-10-17T13:47:05Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-10-17T13:47:05Z; meta:save-date: 2018-10-17T13:47:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-10-17T13:47:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-10-17T13:47:05Z; created: 2018-10-17T13:47:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2018-10-17T13:47:05Z; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-10-17T13:47:05Z | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 59 1 58 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18365.721050/201201 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2002000.038 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Data 25 de setembro de 2018 Assunto IRPF Recorrente MARIA DE NAZARÉ SILVA DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a contribuinte a regularizar a questão da representação legal do seu procurador. Vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (Relator) que votou contra a realização da diligência. Designada a Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll para redigir o voto vencedor. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 83 65 .7 21 05 0/ 20 12 -0 1 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 18365.721050/201201 Resolução nº 2002000.038 S2C0T2 Fl. 60 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.35/36) contra decisão de primeira instância (fls.28/30), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: A Notificação de Lançamento de fls. 5/12 (numeração eletrônica), lavrada em 6/12/2011, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2010, anocalendário de 2009, no valor de R$ 7.844,68 (sete mil, oitocentos e quarenta e quatro reais e sessenta e oito centavos), já acrescidos da multa de ofício e juros de mora, calculados até 29/12/2011, onde, em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual – DAA, foram glosadas deduções de contribuições para Previdência Privada e Fapi (R$ 4.869,35), Dependentes (R$ 6.921,60), Instrução (R$ 8.126,82) e Despesas Médicas no valor de R$ 5.989,25, referente plano de saúde SAMEL Serviços de Assistência Médica, de conformidade com o enquadramento legal citado na Notificação de Lançamento, da qual uma via foi encaminhada ao contribuinte. 2. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2, concordando com a glosa da Previdência Privada e Fapi e questionando, parcialmente: ● dedução de dependentes: quer reconhecimento da dependência de um dependente (R$ 1.730,40), juntando documento; ● dedução relativa à instrução: questiona R$ 2.600,00, juntando documento; ● dedução de despesas médicas: questiona R$ 4.811,93, juntando documento; ● pede que seja aceito declaração retificadora cuja cópia junta; ● pede prioridade com base no Estatuto do Idoso. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. A dedução por pessoa considerada dependente previsto no art. 77, do RIR, provada a relação de dependência, é cabível no valor vigente à época. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. As despesas com instrução são dedutíveis na declaração de ajuste anual para pagamentos devidamente comprovados, efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do Fl. 60DF CARF MF Processo nº 18365.721050/201201 Resolução nº 2002000.038 S2C0T2 Fl. 61 3 contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis na declaração de ajuste anual a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos, devidamente comprovados. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 08/05/2014 (fl.48); Recurso Voluntário protocolado em 06/06/2014 (fl.35), assinado por procurador, sem procuração. O Recurso Voluntário, apresentado às fl.36 dos autos, vem assinado por José Binda Passos (Procurador), observo que nos autos não consta a procuração. Mandatário é aquele que, no contrato de mandato, recebe poderes de representação do mandante. Quando lhe é dada plena liberdade de agir, quanto aos meios a empregar no cumprimento do mandato, é denominado procurador. O instrumento particular de mandato deve conter a indicação do lugar onde foi passada, a qualificação do outorgante e a do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. O mandado pode ser expresso (verbal ou escrito) ou tácito (presumido), como se observa no CC, todavia a outorga do mandado está sujeita à forma exigida por lei para o ato praticado, não se admitindo mandato verbal quando a ato deve ser celebrado por escrito, como ocorre no mandado judicial ou administrativo. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, não conheço do Recurso Voluntário, por falta de Representação Processual. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18365.721050/201201 Resolução nº 2002000.038 S2C0T2 Fl. 62 4 Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do relator quanto ao não conhecimento do recurso voluntário por falta de representação processual. Do exame dos autos verificase que o recurso foi apresentado por José Binda Passos, conforme identificação impressa abaixo da assinatura (efls. 36), mas que, de fato, não foi anexada a procuração correspondente. Entendo, contudo, que essa irregularidade deveria ter sido observada pela Unidade de Origem no momento do protocolo do recurso, cabendo à mesma alertar a contribuinte sobre a pendência existente. Não obstante, constatase que tal procedimento não ocorreu, uma vez que não há nos autos nenhum indício de que a Unidade de Origem tenha exigido da recorrente a procuração de seu representante legal. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a recorrente a apresentar procuração válida de seu representante legal, conforme assinatura constante do recurso voluntário apresentado. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720775/2013-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO A TURMA A QUO.
Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-007.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO A TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16682.720775/2013-36
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5921611
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-007.129
nome_arquivo_s : Decisao_16682720775201336.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16682720775201336_5921611.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7486776
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146832052224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16682.720775/201336 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.129 – 2ª Turma Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria CSP LAVRATURA DE AI COM MEDIDA JUDICIAL NULIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO A TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 75 /2 01 3- 36 Fl. 366DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente lançamento foi efetuado para prevenir a decadência em razão de discussão judicial da matéria e compreende os seguintes autos de infração: a) AI n.º 51.014.8670: valor original de R$ 23.410.554,03, referese à diferença de alíquota da contribuição para o GILRAT, depositada judicialmente, em sede do processo judicial nº 2007.51.01.0175470; b) AI n.º 51.014.8689: valor original de R$ 1.868.794,91, referese às contribuições a Outras Entidades e Fundos (Terceiros) devidas ao INCRA, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, depositadas judicialmente, em sede do processo judicial nº 2004.51.01.0162930/ A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ I julgado a impugnação procedente em parte, para excluir do lançamento os créditos tributários em que se verificou a conversão dos depósitos judiciais em renda. Desta decisão, houve interposição de recurso de ofício. Apresentado Recurso Voluntário, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Em sessão plenária de 08/06/2017, foi dado provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2402005.878 (fls. 293/300), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONVERSÃO EM RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A conversão de depósito judicial em renda extingue o crédito tributário. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 3 3 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. São improcedentes os lançamentos de ofício em que o tributo exigido esteja com a exigibilidade suspensa, por força de depósito do seu montante integral. Decisão que se alinha ao entendimento firmado em decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça adotada sob o rito do art. 543C do CPC. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 23/06/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 07/08/2017, Recurso Especial (fls. 302/312). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua totalidade. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 23/10/2017 (fls. 316/322), considerados os acórdãos 1101001.135 e 107007.992. · Em seu recurso a Fazenda Nacional argumenta que, de acordo com o art. 142 do CTN, o lançamento é ato administrativo de caráter vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal eximirse de efetuálo, mesmo que existente hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, CTN), sob pena de responsabilidade funcional. · Alega que o fato de se ter realizado o depósito integral do montante do crédito tributário, não cria vedação a atuação funcional do agente público; e por isso, devese manter o lançamento quanto aos valores depositados, tendo em vista que não houve nulidade na constituição do crédito, nem prejuízo ao contribuinte, eis que pode haver a posterior conversão em renda da União, caso esta reste vencedora, ou levantamento pelo contribuinte, caso este seja vencedor. · Acrescenta que nada impede que o Fisco, com vistas a prevenir a decadência, proceda ao lançamento quando o contribuinte, antes de procedimento fiscal, busca a tutela jurisdicional para deixar de recolher, total ou parcialmente, determinado tributo, realizando os respectivos depósitos judiciais integrais, conforme art. 63 da Lei 9.430/96, conforme mencionado supra. Cientificado do Acórdão nº 2402005.878, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 06/11/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – fl. 327), o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 330/339), em 21/11/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada à folha 328, portanto, tempestivamente. · Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser provido, eis que se baseia em jurisprudência ultrapassada e detém caráter protelatório. Fl. 368DF CARF MF 4 · Aduz que a jurisprudência pátria já consolidou o entendimento no sentido de que o depósito judicial possui natureza jurídica semelhante ao lançamento por homologação do crédito tributário. · Assim, considera que a lavratura de autuação fiscal que tenha o mesmo objeto constitui ato administrativo despiciendo, tratandose de lançamento de tributo em duplicidade que não deve ser admitido. · Assim, requer que não seja conhecido o Recurso Especial interposto, ou ainda, sucessivamente, sejalhe negado seguimento. É o relatório. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 316/322. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Porém, cumpre esclarecer que embora o acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recurso Fiscais, esta reforma ocorreu posteriormente à apresentação do Recurso Especial da Fazenda Nacional, eis que a publicação do acórdão nº 9101003.061 ocorreu em 23/10/2017 e o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi apresentado em 07/08/2017. Assim, o acórdão pode ser utilizado para demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Contudo, esse fato não justifica o não conhecimento da medida, tendo em vista que o que se discute é o questionamento sobre a ausência de nulidade pela inaplicabilidade da decisão do STJ. Nos processos administrativos em que se discute a (im)possibilidade de realização de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial, é freqüente a alegação, por parte dos sujeitos passivos, de que a questão já teria sido decidida de maneira definitiva pelo STJ no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, de 03/12/2010. O julgamento de tal recurso judicial efetivamente seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC), em virtude de aquela Corte Superior ter considerado o recurso como representativo de controvérsia. Portanto, tal julgado se enquadraria, em tese, entre as hipóteses elencadas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Ocorre que o caso concreto enfrentado nos presentes autos não é alcançado pelo teor daquele julgado, de forma a vincular a decisão deste Colegiado, como aplicou o acórdão recorrido. É nesse ponto que encontrase a divergência, ou seja, enquanto no acórdão recorrido entendeu pela aplicação da decisão e promoveu a nulidade do lançamento o paradigma entendeu inexistir qualquer nulidade no lançamento a luz do CTN. Notese que tanto o recorrido como o paradigma foram proferidos após a decisão do STJ, o que possibilita sua análise, posto que tratandose de normas gerais tiveram os colegiados posições distintas em relação a situações semelhantes. Nesse sentido, concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito O depósito judicial não impede o lançamento fiscal, não o exonera nem o torna nulo. Fl. 370DF CARF MF 6 O Colegiado a quo entendeu por dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte sob o fundamento de que o lançamento seria desnecessário face à existência do de depósitos judiciais no montante integral. O contribuinte alega que há duplicidade de lançamento em razão da existência de depósito judicial, no entanto, não lhe confiro razão. De fato houve a realização do depósito judicial nos mesmos valores lançados, deixando claro tratarse de depósito do montante integral do crédito tributário. Por sua vez, o presente lançamento foi efetuado com o intuito de prevenir a decadência, eis que a matéria está sendo discutida em juízo. Cumpre dizer que nos termos do art. 142 do CTN, transcrito a seguir, o lançamento encontrase dentre das atividades vinculadas do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não comportando juízo de conveniência. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) É certo que o depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário. Ao final da demanda judicial, caso vença a Fazenda Nacional, os valores depositados serão convertidos em renda, caso contrário, os valores serão levantados pelo contribuinte. Entretanto, não se vislumbra ilegalidade no lançamento ou qualquer vício que leve à sua nulidade. Tampouco se pode dizer que há duplicidade de lançamento, porque, conforme já arguido, caso a contenda termine de forma favorável à Fazenda Nacional, o depósito será convertido em renda e o lançamento será desconstituído, tal qual ocorreu no provimento parcial dado pela decisão de primeira instância. Tanto é assim, que não se julga o mérito das questões quando existe identidade fática entre o lançamento e a ação judicial, em conformidade com o que: " Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Por outro lado, não se vislumbra que o lançamento possa levar a algum prejuízo ao contribuinte, eis que havendo decisão final a seu favor, o crédito será considerado extinto e os valores depositados judicialmente poderão ser, por ele, levantados. Não se pode olvidar que, por variadas hipóteses, o juízo pode decretar o levantamento do valor depositado ainda no curso da ação judicial. Caso isso ocorra e o contribuinte, por hipótese, venha a sucumbir no processo judicial, tendo transcorrido o prazo decadencial, ficaria o fisco impossilitado de proceder à cobrança do crédito tributário, o que traria desnecessário dano ao Erário. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 5 7 Ainda que a formalização do lançamento possa ser considerada desnecessária, uma vez efetuado o lançamento, não cabe sua anulação se inexiste qualquer mácula em sua constituição. Por fim, considerando ter o relator do acórdão recorrido consubstanciado seu voto no art. 62 do RICARF, competenos apreciar a questão sob esse prisma. Quanto a este ponto transcrevo trecho de voto apresentado em caso similar pelo ilustre conselheiro Rafael Vidal de Araújo no acórdão nº 9101003.474, citando inclusive voto desta 2ª Turma de relatoria da ilustre conselheira Maria Helena Cotta Cardozo no Acórdão nº 9202004.303, ao qual a posição adoto como razões de decidir: De plano, julgo prudente esclarecer que não entendo aplicável ao presente caso o mandamento insculpido no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Nos processos administrativos em que se discute a (im)possibilidade de realização de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial, é frequente a alegação, por parte dos sujeitos passivos, de que a questão já teria sido decidida de maneira definitiva pelo STJ no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. O julgamento de tal recurso judicial efetivamente seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC), em virtude de aquela Corte Superior ter considerado o recurso como representativo de controvérsia. Portanto, tal julgado se enquadraria, em tese, entre as hipóteses elencadas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Ocorre que o caso concreto enfrentado nos presentes autos não é alcançado pelo teor daquele julgado, de forma a vincular a decisão deste Colegiado. A 2ª Turma da CSRF teve recentemente a oportunidade de deliberar a respeito do alcance do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Dispôs a respeito do assunto o voto condutor do Acórdão nº 9202004.303: "A esse respeito, o Contribuinte alega a existência de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543B, do Fl. 372DF CARF MF 8 Código de Processo Civil, que vincularia os Conselheiros de CARF, conforme o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF. Tratase do Recurso Especial 1.140.956SP, que no entender desta Conselheira de forma alguma autoriza a conclusão de que deveriam ser declarados nulos os Autos de Infração lavrados em presença de depósito do montante integral do débito. Assim, embora não seja imprescindível a lavratura de Auto de Infração nos casos em que haja depósito do montante integral do crédito tributário, não há base legal para que os lançamentos efetuados nessas condições sejam considerados nulos ou sejam cancelados. Nesse sentido, trago à colação e aqui incluo em minhas razões de decidir o voto proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, que analisou o Recurso Especial 1.140.956SP, citado pelo Contribuinte em seu apelo, concluindo que o efeito repetitivo não contempla a tese esposada pelo Contribuinte: "A recorrente invoca a observância do art. 62A do RICARF em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956SP: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilida de inscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilida de execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 6 9 como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." Fl. 374DF CARF MF 10 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte referese à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original) Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 7 11 lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. Por tais razões, deve ser REJEITADO o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62A do RICARF." (...) Assim, resta claro que o julgado ora analisado de forma alguma autoriza a interpretação no sentido de que o Auto de Infração lavrado apenas para prevenir a decadência, adotando todas as cautelas legais, no sentido da manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, lavrado por pessoa competente e sem qualquer cerceamento de direito de defesa deva ser declarado nulo, por haver o Contribuinte efetuado depósito do montante integral do débito." (grifouse) Acompanho as razões expostas no julgado transcrito para concluir que a tese construída no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP não se aplica indistintamente a qualquer hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial. A i. Conselheira Relatora do Acórdão nº 9202004.303, fazendo remissão ao Acórdão nº 1101001.135, conclui que o Egrégio STJ somente apreciou, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, hipótese em que o sujeito ativo promove o lançamento de crédito tributário acompanhado de penalidade, em razão de entenderse, no momento do lançamento, pela não integralidade dos depósitos judiciais por meio dos quais o sujeito passivo pretendeu suspender a exigibilidade o crédito tributário, valendose da previsão legal do inciso II do art. 151 do CTN. Não estão contempladas na manifestação exarada pelo STJ hipóteses como a encontrada nos presentes autos, em que a Fiscalização reconhece no auto de infração a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos e realiza o lançamento sem a imputação de penalidade alguma, com o propósito de prevenção da decadência. Tal conclusão é corroborada pela declaração feita no início do voto condutor do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Ao justificar a necessidade de julgamento da controvérsia pelo rito do art. 543C do CPC então vigente, o i. Ministro Relator faz referência à existência de grande quantidade de recursos especiais em que se discute acerca da integralidade ou mesmo da existência de depósito judicial e dos seus efeitos em relação à impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal. Além disso, quando mencionou os atos de cobrança cuja realização estaria inibida pela existência do depósito judicial, o voto condutor do acórdão judicial fez menção apenas à "lavratura do auto de infração e aplicação de multa", não abordando a hipótese de lançamento realizado sem a aplicação de qualquer penalidade em virtude do reconhecimento da Fl. 376DF CARF MF 12 integralidade do depósito judicial e da consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante de tais fatos, considero que o STJ, ao construir sua decisão no julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, não contemplou hipóteses fáticas em que a autoridade tributária realiza lançamento de ofício com a exclusiva finalidade de prevenir a decadência, reconhecendo expressamente a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos em virtude da existência de depósitos judiciais e corretamente se abstendo de aplicar penalidade ao sujeito passivo. Assim, concluise que, embora o STJ tenha proferido o acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP seguindo o rito estabelecido no art. 543C do CPC então vigente, não há que se falar em vinculação dos conselheiros desta Turma, no presente julgamento, àquela decisão. [...] Passase então ao desenvolvimento das razões de decidir aplicáveis ao caso ora submetido ao julgamento desta 1ª Turma da CSRF. Filiome ao grupo dos julgadores administrativos que entendem não haver impedimento à lavratura de autos de infração para prevenção da decadência de obrigação tributária que já seja objeto de depósito vinculado a uma demanda judicial. A autoridade tributária tem entre suas atribuições a atividade administrativa de lançamento, que, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, é vinculada e obrigatória. In verbis: [...] Identificando, portanto, a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, aquela autoridade tem como dever funcional a realização do lançamento tributário, que se completa com as etapas de determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível, se for o caso. O dispositivo é expresso ao definir a atividade administrativa de lançamento como vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não trazendo qualquer previsão de tratamento diferenciado para hipóteses de crédito com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Na hipótese de existência de depósito judicial relacionado à obrigação identificada pela autoridade tributária, poderseia discutir a necessidade de realização do lançamento. Isso porque existe a tese de que a efetivação de tal depósito seria análoga ao pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, figura encontrada na sistemática adotada para os tributos submetidos ao lançamento por homologação. Os defensores de tal tese entendem que o depósito judicial seria suficiente para a constituição do crédito tributário (sujeita à posterior homologação do sujeito ativo), sendo desnecessária a realização de lançamento de ofício pela autoridade tributária. Tal entendimento, todavia, não leva à conclusão de que os lançamentos de ofício realizados neste contexto sejam nulos ou passíveis de cancelamento. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 8 13 O Decreto nº 70.235/1972 trata da seguinte forma as hipóteses de nulidade no processo administrativo tributário: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Lançamentos de ofício como o praticado nos presentes autos não se enquadram em nenhuma das situações de nulidade prescritas. O auto de infração foi lavrado por autoridade competente (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) e não houve qualquer preterição de direito de defesa. Após a formalização do lançamento, o contribuinte pôde exercer plenamente seu direito de defesa assegurado por lei, impugnando o auto de infração e provocando o contencioso administrativo, que inclusive nos trouxe até a presente fase de julgamento de recurso especial. Os requisitos formais dos autos de infração, cujo descumprimento poderia, em tese e em último caso (impossibilidade de saneamento), levar a uma declaração de sua nulidade, são objeto do art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: O auto de infração que originou os presentes autos cumpriu rigorosamente todas as formalidades que dele são exigidas, não se podendo cogitar de sua nulidade em razão de alguma mácula neste sentido. Sendo assim, não se identifica qualquer vício ou irregularidade que possa provocar a nulidade do lançamento realizado. A autuação, embora possa ser considerada desnecessária por alguns, se deu de forma completamente regular, notadamente diante de seu propósito de prevenir a decadência, do reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito constituído em virtude da existência de depósito judicial e da não imputação de penalidade ao sujeito passivo. Acrescentese que não acarretou qualquer prejuízo para o contribuinte o lançamento realizado com a finalidade de prevenção da decadência (e tampouco provocará prejuízo sua manutenção neste julgamento). Quando um sujeito passivo suspende a exigibilidade de crédito tributário mediante a realização de depósito judicial integral, nenhuma exigência lhe é feita até o trânsito em julgado da demanda judicial. Somente com o trânsito em julgado da ação é que o sujeito passivo é autorizado a levantar os valores depositados, devidamente corrigidos (caso obtenha êxito no mandado de segurança), ou observa a conversão do depósito judicial em renda a favor da União (caso a decisão judicial seja favorável à Fazenda Nacional). Diante do exposto, quanto ao mérito do recurso especial da Fazenda Nacional, voto por DARLHE PROVIMENTO para Fl. 378DF CARF MF 14 restabelecer integralmente o lançamento objeto dos presentes autos. Pelas razões acima transcritas, as quais adoto como razões de decidir, entendo devase dar provimento ao recurso da PGFN para afastar a nulidade declarada, contudo com retorno a Câmara a quo. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contudo com retorno à Câmara a quo para apreciação das demais questões referentes ao mérito da inconstitucionalidade do INCRA, bem como não apreciação dessas questões pela DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003170/2006-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2001
EXCESSO DE LUCRO DIFERIDO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO PROVIMENTO.
Se a própria Fiscalização, em diligências demandadas pela DRJ, reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorrida que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício.
DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS REFIS. RESTABELECIMENTO DA DESPESA GLOSADA.
Constatado, em diligências demandadas pelo CARF, que os débitos dos processos administrativos de fls.542 foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros então glosados, contabilizados pelo contribuinte em julho/2001, reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados, de se restabelecer a dedutibilidade de sua despesa. Diligências posteriores conduziram em outras direções, todas no sentido de manter a glosa em questão, por meio da realização de procedimentos fiscalizatórios acrescentando novos ingredientes não aventados na autuação, além de trazer motivações distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal, situação que não se pode concordar.
Apesar das oportunidades para os devidos esclarecimentos, o fato é que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2001
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por ser fundamentado nos mesmos elementos de comprovação.
CSLL. MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL. INDEDUTÍVEL.
Não são dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas por infrações fiscais, impostas por descumprimento de obrigações tributárias que resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. De se reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores.
Numero da decisão: 1401-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) negar provimento ao recurso de ofício e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas financeiras (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no tocante à falta de adição das multas por infrações fiscais na base de cálculo da CSLL, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 EXCESSO DE LUCRO DIFERIDO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO PROVIMENTO. Se a própria Fiscalização, em diligências demandadas pela DRJ, reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorrida que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício. DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS REFIS. RESTABELECIMENTO DA DESPESA GLOSADA. Constatado, em diligências demandadas pelo CARF, que os débitos dos processos administrativos de fls.542 foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros então glosados, contabilizados pelo contribuinte em julho/2001, reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados, de se restabelecer a dedutibilidade de sua despesa. Diligências posteriores conduziram em outras direções, todas no sentido de manter a glosa em questão, por meio da realização de procedimentos fiscalizatórios acrescentando novos ingredientes não aventados na autuação, além de trazer motivações distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal, situação que não se pode concordar. Apesar das oportunidades para os devidos esclarecimentos, o fato é que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2001 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por ser fundamentado nos mesmos elementos de comprovação. CSLL. MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL. INDEDUTÍVEL. Não são dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas por infrações fiscais, impostas por descumprimento de obrigações tributárias que resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. De se reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.003170/2006-78
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5945109
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.034
nome_arquivo_s : Decisao_19515003170200678.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
nome_arquivo_pdf_s : 19515003170200678_5945109.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) negar provimento ao recurso de ofício e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas financeiras (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no tocante à falta de adição das multas por infrações fiscais na base de cálculo da CSLL, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7561320
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146839392256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 4.096 1 4.095 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003170/200678 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401003.034 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS E OUTROS Recorrentes CONSTRUTORA OAS S/A. EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 EXCESSO DE LUCRO DIFERIDO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO PROVIMENTO. Se a própria Fiscalização, em diligências demandadas pela DRJ, reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorrida que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício. DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS REFIS. RESTABELECIMENTO DA DESPESA GLOSADA. Constatado, em diligências demandadas pelo CARF, que os débitos dos processos administrativos de fls.542 foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros então glosados, contabilizados pelo contribuinte em julho/2001, reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados, de se restabelecer a dedutibilidade de sua despesa. Diligências posteriores conduziram em outras direções, todas no sentido de manter a glosa em questão, por meio da realização de procedimentos fiscalizatórios acrescentando novos ingredientes não aventados na autuação, além de trazer motivações distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal, situação que não se pode concordar. Apesar das oportunidades para os devidos esclarecimentos, o fato é que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2001 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 70 /2 00 6- 78 Fl. 4096DF CARF MF 2 Aplicase ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por ser fundamentado nos mesmos elementos de comprovação. CSLL. MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL. INDEDUTÍVEL. Não são dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas por infrações fiscais, impostas por descumprimento de obrigações tributárias que resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. De se reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) negar provimento ao recurso de ofício e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas financeiras (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no tocante à falta de adição das multas por infrações fiscais na base de cálculo da CSLL, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado). Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte dirigida contra os Autos de Infração, os quais lhe exigiram Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ na importância de R$ 4.674.563,11 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, na importância de R$ 1.952.866,54, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. Dos Autos de Infração IRPJ Fl. 4097DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.097 3 001 GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS Despesas financeiras contabilizadas a maior, gerando, em consequencia, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 13.962.233,84 75% Enquadramento Legal Arts,251, e parágrafo único, 299 e parágrafos 1º e 2º, e 374, inciso I do RIR/99. 002 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. Excesso de diferimento de lucro na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, referente a contratos com entidades governamentais, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 4.736.018,61 75% Enquadramento Legal Arts.249, inciso II, 299 e 409, inciso II do RIR/99. CSLL 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Despesas financeiras contabilizadas a maior, gerando, em consequencia, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 13.962.233,84 75% FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Excesso de diferimento de lucro na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, referente a contratos com entidades governamentais, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 4.736.018,61 75% Fl. 4098DF CARF MF 4 002 CSLL REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL Redução indevida do Lucro Líquido sem o devido ajuste, na apuração da base de cálculo da CSLL, resultando em apuração a menor da contribuição social sobre o lucro líquido, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 3.000.264,71 75% Por bem descrever a autuação e a matéria impugnada, reportome ao relatório da decisão recorrida: Relatório 1. A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração de IRPJ e CSLL, relativos ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, cuja exigência fiscal totalizou R$ 17.107.384,11, incluindo multa e juros calculados até 31/11/2006 (fls. 179/187 as folhas dos autos mencionadas neste relatório e no voto se referem à numeração do processo em papel). 2. Consta do Termo de Constatação Fiscal de fls. 169/174 que a contribuinte incorreu na inobservância da legislação tributária, conforme segue: • Excesso de diferimento do lucro – parcela de lucro foi diferida em montante proporcionalmente superior à receita não recebida até a data do encerramento do balanço. O excesso de lucro diferido se refere às seguintes obras: CENTRO DE CUSTO OBRA 01192031 Anel Viário Mogi das Cruzes SP 01196098 Cons. Parque Novo Mundo 01198034 Ampliação Aeroporto Dois de Julho 01198045 Vale do Reginaldo 01199071 Estrada do Coco 01200968 Infra Carapicuíba • Excesso de despesas financeiras – as despesas de juros concernentes ao parcelamento no âmbito do REFIS excedeu ao valor efetivamente devido. • Multa por infração fiscal – o valor de multa indedutível não foi adicionada na base de cálculo da CSLL. 3. As disposições legais encontramse citadas nos atos administrativos mencionados acima. Fl. 4099DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.098 5 4. Em 28/12/2006, a interessada tomou ciência dos autos de infração e, em 24/01/2007, apresentou defesa (fls. 193/248), resumidamente, • A IN SRF 21/1997 é aplicável à apuração de resultado nos contratos de construção por empreitada ou fornecimento de bens e serviços, hipótese a qual se sujeita a impugnante. • Independentemente da contratação da obra ocorrer ou não com pessoa jurídica de direito público, todo e qualquer contribuinte que desenvolva atividade de construção civil na modalidade de empreitada ou fornecimento de bens e serviços por preço predeterminado, com execução superior a doze meses, deve reconhecer seu resultado com base no progresso da obra ou serviço. O critério adotado pela impugnante obedeceu exatamente o estabelecido pela legislação vigente. • O mesmo ocorre em relação ao diferimento do lucro previsto no artigo 409 do RIR/1999, ratificado pelo item 10.5 da IN SRF 21/1997. • Relativamente à obra de ampliação do Aeroporto 02 de Julho, foram emitidas as notas fiscais de fls. 360/372, cuja receita não foi recebida no anocalendário de 2001, como se pode verificar pelo Razão. • Assim, como se pode comprovar, a parcela calculada pela Impugnante como lucro diferido do exercício de 2001 corresponde exatamente à hipótese prevista no artigo 409 do RIR/99, razão pela qual não deve prosperar a autuação atribuída pela Fiscalização à Impugnante. • Em relação aos serviços executados na Estrada do Coco, do total das receitas registradas no exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante correspondente a R$ 2.111.351,86, sendo que o valor de R$ 1.583.225,12 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • Quanto ao Anel Viário Mogi das Cruzes, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 9.423.804,85, sendo que o valor de R$ 2.114.325,56 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • No que concerne à obra Vale do Reginaldo, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante correspondente a R$ 2.323.873,07, sendo que o valor de R$ 550.789,47 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. Fl. 4100DF CARF MF 6 • Relativamente à Infra Carapicuíba, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 6.345.444,18, sendo que o valor de R$ 192.774,93 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • No que tange à obra Cons. Parque Novo Mundo, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 169.652,56, sendo que o valor de R$ 63.110,75 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • Assim, como se pode comprovar, a parcela calculada pela Impugnante como lucro diferido do exercício de 2001 corresponde exatamente à hipótese prevista no artigo 409 do RIR/99, razão pela qual não deve prosperar a autuação atribuída pela Fiscalização à Impugnante. • Fato é que a Fiscalização, ao efetuar seu trabalho, adotou critério equivocado para o cálculo do valor diferido, furtandose à análise dos documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados pela Impugnante. • Resta claro que não existe qualquer excesso de diferimento em relação ao lucro decorrente de contratos celebrados com pessoas jurídicas de direito público no exercício de 2001, razão pela qual deve ser cancelada a infração ora impugnada. • No que concerne ao excesso de despesas financeiras, a Fiscalização alega que os juros incidentes sobre o saldo consolidado em sua conta de REFIS poderia ser, no máximo, correspondente ao saldo por ela apurado. • Assiste razão à fiscalização quando considera as despesas financeiras relativas à variação da TJLP. Contudo, esta se equivocou justamente ao tentar ajustar o saldo em função dos eventos de acréscimos e decréscimos de dívidas que ocorreram na conta de REFIS da Impugnante. • Primeiramente, tais acréscimos ou decréscimos de dívida, quando inseridos no saldo da conta, já o são pelo valor final, considerandose todos os eventos ocorridos entre a data de adesão ao REFIS e a data de ocorrência do próprio evento. • Assim, não seria necessário o ajuste efetuado pela fiscalização quanto ao estorno da parcela da TJLP apropriada entre o início do exercício e a data do evento, uma vez que o próprio saldo acrescido ou decrescido à conta já considera essa variação. • Contudo, este não foi o pior equívoco cometido pela Fiscalização. No acréscimo de dívida realizado na conta de Fl. 4101DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.099 7 REFIS da Impugnante, em julho de 2001, no montante de R$ 19.254.413,35, há parcela de juros ali embutida. • O Razão Contábil apresentado à Fiscalização (Anexo 09), considera o valor correspondente à variação dos juros SELIC verificados em função do acréscimo de dívida, bem como toda a variação da TJLP verificada no saldo da conta de REFIS. • Assim, a diferença verificada pela Fiscalização e por ela glosada, nada mais é do que a variação dos juros SELIC e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo ocorrido em julho de 2001. • Se os juros SELIC não receberem a característica de juros, mas sim de parcela principal de dívida (o que de fato não ocorre), estaríamos diante de uma despesa efetivamente incorrida no exercício, e, como tal, sua dedutibilidade se daria em função dos requisitos de normalidade, necessidade e usualidade previstos no artigo 299 do RIR/1999. • No tocante às multas por infração fiscal, é mister ressaltar que não há qualquer norma, geral e abstrata, que vede a sua dedução, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. • A norma inserta no artigo 41, da Lei n° 8.981/95, aplicase exclusivamente à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, não sendo aplicável, portanto, à CSLL. • Em razão das alegações e provas alinhadas até aqui, que demonstram claramente a ausência de liquidez e certeza à autuação requisitos essenciais ao ato de lançamento, requerse o cancelamento da presente autuação a fim de evitarse futura inscrição indevida em dívida ativa. • Considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora. • Requerse, portanto, o cancelamento dos autos de infração. 5. Em 21/06/2007, o processo foi encaminhado DEFIS/SPO/DIPAC (fls.562/564), para realização de diligência nos livros e documentos contábeis e fiscais da interessada, com vistas à verificação do exato montante das receitas apropriadas ao resultado no anocalendário de 2001 que não foram recebidas no período e qual a parcela do lucro passível de diferimento, nos termos do artigo 409, I, do RIR/1999. Fl. 4102DF CARF MF 8 6. Efetuada a diligência, a fiscalização lavrou o Termo de Instrução Processual de fls. 575/576 e elaborou novos Anexos 2 e 3 (fls. 577/578), para neles consignar suas conclusões. 7. A interessada manifestou sua concordância com os cálculos realizados pela autoridade diligenciadora (fls. 579/582). No voto condutor da DRJ, foi mantido em parte o crédito tributário, sendo a parcela exonerada objeto de recurso de ofício. As infrações e seus desdobramentos, impugnação, diligências e recurso voluntário, serão a seguir detalhadas e analisadas. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Do excesso do lucro diferido Conforme relatoriado, esta suposta infração, em face das alegações da Contribuinte, foi objeto de diligências demandadas pela DRJ, no intuito de se averiguar "qual a parcela do lucro passível de ser diferido nos termos do artigo 409, I do RIR/99." De se reproduzir a conclusão da unidade diligenciadora, a DEFIS/SPO/DIPAC, transcrita no voto da decisão recorrida: 11. Efetuada a diligência, a fiscalização lavrou o Termo de Instrução Processual de fls. 575/576, do qual se extrai o seguinte: Cabe esclarecer que a fiscalização adotou o método indireto de determinação dos valores recebidos; A escolha do método indireto tinha como objetivo encurtar o tempo de fiscalização e também evitar possíveis transtornos ao contribuinte gerados por este dever de ofício como, por exemplo, a disponibilização de local e funcionário para atendimento à fiscalização, bem como desarquivamento de documentação de 30 (trinta) obras espalhadas pelo Brasil; Ainda, o método indireto traz a vantagem de ser econômico e mais pragmático e tem a mesma natureza de determinação do custo de mercadoria em empresa comercial, ou seja: Custo Mercadoria Vendida = Estoque inicial do período (ou estoque final do período anterior) + Compras do período estoque final do período Assim, o método indireto não é invenção da fiscalização, mas prática contábil perfeitamente aplicável; Entretanto, após a análise da documentação apresentada pelo impugnante, verificamos que o método indireto de determinação dos valores recebidos, que foi adotado pela fiscalização, não se aplica em sua plenitude, a este contribuinte, por diversas nuanças percebidas na documentação e justificativas apresentadas na fase de impugnação; Fl. 4103DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.100 9 O método indireto constante do Anexo 1 ao Termo de Constatação Fiscal levou em consideração a seguinte equação contábil: Valor recebido = saldo final contas receber em 2000 + valor receitado saldo final contas receber em 2001 Tendo, o Anexo 1, relação direta com os Anexos 2 e 3, os mesmos foram prejudicados pelo primeiro acarretando apuração incorreta do valor tributável; Desta forma, desconsiderando o Anexo 1, foram refeitos, com base na documentação apresentada na fase de impugnação, o Anexo 2 e o Anexo 3 ao Termo de Constatação Fiscal compreendendo, tais anexos, parte integrante do presente Termo de Instrução Processual; Assim, o Anexo 1 ao Termo de Constatação Fiscal deve ser desconsiderado, e os Anexos 2 e 3, substituídos pelos integrantes a este Termo de Instrução Processual; 12. Os novos Anexos 2 e 3, mencionados acima, encontramse acostados aos autos às fls. 577/578. De acordo com esse último levantamento efetuado, não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras. Cumpre reproduzir os dados contidos no Anexo 3:[...] 13. Uma vez que, após efetuada diligência, foi constatado que o lucro diferido pela empresa era proporcional à receita de obras não recebida até a data do balanço de encerramento, compete exonerar a impugnante desta imposição fiscal. Assim, se a própria Fiscalização reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorria que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício. Glosa de Despesas Financeiras Vejamos, desde o início, os procedimentos que motivaram a autuação. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls.99 Volume 1), a Contribuinte apresentou, dente outras solicitações, seu razão da conta JUROS REFIS, período de 01/01 a 31/12/2001, onde apontou um saldo de R$ 28.420.398,44 (fls.104), enquanto que a fiscalização teria apurado a importância de R$ 14.458.164,60, tendo glosado a diferença, então de R$ 13.962.233,84, matéria tributável que ora se discute. A autoridade fiscal teria constatado que os juros em questão (REFIS) estavam registrados por valor diferente ao contabilizado pelo Contribuinte, conforme registrado no Sistema REFIS, da SRF, (itens 28 e 29 do Termo Fiscal). Que em 31/12/2000 o saldo do principal era de R$ 161.077.750,16, que, após deduzidas amortizações pelos pagamentos efetuados em 2001, "correram juros calculados pela TJLP, no referido ano" que foram da ordem de R$ 14.256.864,98 (tabela no item 29). Fl. 4104DF CARF MF 10 Ainda, a Fiscalização procedeu a outros ajustes na conta, perfazendo o montante final apurado, de despesas com juros, da ordem de R$ 14.458.164,60 (item 31). Destaquese aqui que o valor contabilizado na conta JUROS REFIS, da ordem de R$ 11.427.579,01 com o histórico VLR REF JUROS INCLUSÃO NO REFIS DE IMPOSTOS NÃO CONSTITUÍDO ATUALIZADO ATÉ 31/03/2000, não se tem explicação de porque de sua não aceitação por parte da Fiscalização. Do Termo de Constatação Fiscal (fls.169 a 32. Ora, conforme já salientado no item 25 deste termo, o contribuinte contabilizou despesa de juros do referido programa, escriturados na conta 5320204 JUROS REFIS, cujo valor total, no anocalendário de 2001, importou em R$ 28.420.398,44, incorrendo, assim, em excesso de despesas financeiras de 28.420.398,44 14.458.164,60 = R$ 13.962.233,84, deduzido na linha 36, da Ficha 06A, da DIPJ 2002, que será neste momento glosada por esta fiscalização; DA IMPUGNAÇÃO II.2. Do Suposto excesso na Dedução de Despesas Financeiras (Juros recolhidos no âmbito do REFIS) Pois bem. No que concerne ao REFIS, os valores consolidados no exercício de 2000 seriam os seguintes: Principal R$ 161.077.750,16 Juros TJLP R$ 12.484.081,53 Total R$ 173.561.831,69 Nas palavras da Fiscalização, conforme consta no próprio TCF, sobre o valor do principal consolidado, subtraindose as amortizações relativas aos pagamentos realizados no exercício de 2001, teriam sido verificados juros calculados com base na variação da Taxa de Juros de Longo Prazo ("TJLP"), que totalizariam R$ 14.256.864,98 (catorze milhões, duzentos e cinqüenta e seis mil, oitocentos e sessenta e quatro reais e noventa e oito centavos). [...] Assim, segundo a Fiscalização, a despesa financeira incorrida com a Impugnante em razão dos juros incidentes sobre o saldo consolidado em sua respectiva conta REFIS, poderia ser, no máximo, correspondente ao saldo por ela apurado. [...] De fato, assiste razão à fiscalização quando considera as despesas financeiras relativas à variação da TJLP. Contudo, esta equivocouse justamente ao tentar ajustar o saldo em função dos eventos de acréscimos e decréscimos de dívidas que ocorreram na conta REFIS da Impugnante. Isto porque, primeiramente, tais acréscimos ou decréscimos de dívida, quando inseridos no saldo da conta, já o são pelo valor Fl. 4105DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.101 11 final, considerandose todos os eventos ocorridos entre a data de adesão ao REFIS e a data de ocorrência do próprio evento. [...] Contudo, este não foi o pior equívoco cometido pela Fiscalização. Ao analisar os eventos de acréscimo e decréscimo de dívida, constatados e considerados no AIIM, a Autoridade Fiscal, furtouse à análise do que ali era considerado. Se isto não tivesse acontecido, teria constatado a fiscalização que no acréscimo de dívida realizado pela própria SRF, na conta REFIS da Impugnante, em julho de 2001, no montante de R$ 19.254.413,35 (dezenove milhões, duzentos e cinqüenta e quatro mil, quatrocentos e treze reais e trinta e cinco centavos), há parcela de juros ali embutida. [...] Este valor, incluído no saldo REFIS pela SRF, é decorrente processos administrativos existentes em nome da Impugnante, versando sobre tributos diferentes (IRPJ, CSLL, IRRF e PIS), cuja composição em função do processo administrativo existente pode ser verificado na tabela constante do Anexo 11, contemplando ainda os demonstrativos dos débitos consolidados no âmbito do REFIS para cada um dos processos administrativos. De qualquer forma, a composição geral do saldo relativo ao acréscimo efetuado é a seguinte: Descrição Valor R$ Principal 5.174.017,19 Multa 2.727.826,21 Juros 11.427.579,01 Total 19.329.425,41 Aqui se evidencia ainda mais o equívoco cometido pela fiscalização. Isto porque, os juros constantes da tabela acima, correspondem justamente à variação da Taxa SELIC ocorrida no período compreendido entre o fato gerador e a adesão ao REFIS, montante este, que em nenhuma hipótese, perde a característica de despesa com pagamento de juros. Assim, é evidente que o valor do acréscimo ocorrido contempla além do principal e multa, a variação dos juros SELIC, independentemente, da variação da TJLP verificada a partir da adesão. Desta forma, o razão contábil apresentado à Fiscalização (Anexo 09 já citado), considera o valor correspondente à Fl. 4106DF CARF MF 12 variação dos juros SELIC verificados em função do acréscimo de dívida, bem como toda a variação da TJLP verificada no saldo da conta REFIS. Assim, a diferença verificada pela Fiscalização e por ela glosada, nada mais é do que a variação dos juros SELIC e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo ocorrido em julho de 2001, cuja composição se pode aqui verificar: Descrição Valor R$ Juros SELIC sobre valor não constituído 11.427.579,01 Atualização abr/00 até jan/01 1.658.351,02 Atualização fev/01 até jun/01 750.062,75 Ajuste referente amortização principal 3.566,76 TOTAL 13.839.559,76 Desta forma, fica aqui evidenciada que a diferença glosada pela fiscalização, nada mais é do que a despesa financeira ocorrida com a consideração dos juros SELIC incidentes sobre o valor acrescido à dívida da Impugnante no REFIS, razão pela qual deve ser cancelada a autuação atribuída à Impugnante. [...] Mais uma vez se verifica o descabimento da autuação atribuída a Impugnante. Mais do que isso, podese constatar que o processo de fiscalização e os métodos adotados para as conclusões apresentadas foram baseados no critério menos trabalhoso, sem o cuidado necessário que o D. Agente Fiscal deveria ter em relação ao seu trabalho. Se a fiscalização tivesse observado a descrição existente no razão contábil, bem como analisado o próprio extrato da conta REFIS por ela mencionado de maneira adequada, poderia ter constatado a natureza do acréscimo de dívida ocorrido, evitando assim, constranger a Impugnante a se defender de tão descabida autuação. DO ACÓRDÃO DRJ 18. Argumenta a interessada, contudo, que os juros glosados corresponderiam à variação da Taxa SELIC do período compreendido entre o fato gerador e a adesão ao REFIS e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo da dívida realizado na conta de REFIS da Impugnante, ocorrido em julho de 2001. Esse acréscimo corresponderia a seus débitos tributários constituídos por meio de processos administrativos que versam sobre IRPJ, CSLL, IRRF e PIS. Os documentos que comprovariam suas alegações foram acostados às fls.527/554. Fl. 4107DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.102 13 19. No demonstrativo de fl. 534, a empresa informa que parte dos juros teria sido gerada em decorrência dos lançamentos de IRPJ, COFINS, CSLL e PIS, constituídos mediante os Processos nºs 10.580.003.403/9660 e 10.580.003.491/9627. Quanto aos juros restantes, seriam incidentes do IRRF formalizado por meio dos Processos nºs10.120.451.706/200112, 10.235.450.084/200118, 10.245.450.122/200113, 10.280.450.396/200186, 10.580.451.012/200168 e 10.980.450.926/200107. 20. Contudo, consultandose a última declaração concernente ao REFIS entregue pela contribuinte (nº 0510100.2001.000791 – anexada ao volume “Espelho da Declaração Processada), transmitida em 09/02/2001, não se constata que esses débitos tenham sido nela relacionados. 21. E embora a interessada tenha carreado aos autos as telas de fls. 535/554, não há comprovação de quando tais débitos teriam sido incluídos no referido programa de recuperação fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO II DA COMPROVAÇÃO DO SALDO DE DESPESAS FINANCEIRAS R$ 13.962.233,84 [...] Contudo, a despeito do entendimento firmado pela Turma Julgadora, os juros no total de R$ 28.420.398,44 são justificados e plenamente dedutíveis do lucro líquido da Recorrente. É o que se passará a demonstrar. II.1 DO SALDO DE JUROS SELIC NO TOTAL DE R$ 11.427.579,01 A Recorrente comprovou na peça impugnatória que parte dos juros registrados na conta sob a rubrica "JUROSREFIS" decorre da incidência da taxa SELIC sobre os créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS formalizados nos processos administrativos nºs 10580.003403/9660 e 10580.003491/9627 sobre o IR/Fonte formalizado nos Processos nºs10120.451706/200112, 10235.450084/200118, 10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107. Com efeito, para demonstrar a plena dedutibilidade do montante de juros incidentes sobre os créditos tributários exigidos por intermédio dos processos acima enumerados, no valor de R$ 11.427.579,01, a Recorrente anexou aos autos os demonstrativos dos débitos consolidados no REFIS (documentos acostados na impugnação e que novamente se apresenta) [...] Fl. 4108DF CARF MF 14 Cita e transcreve a legislação aplicável ao REFIS, a qual permite que a RFB inclua de ofício "todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica" (parágrafo 3º do art.2º da Lei 9.964/2000, mencionando também a IN SRF 043/2000 que instituiu a Declaração REFIS, onde arremata que "...muito embora a adesão ao REFIS fosse uma opção do contribuinte, uma vez exercida essa opção, a Receita Federal tinha a autorização para incluir a totalidade dos débitos conhecidos do referido contribuinte no parcelamento, constituídos ou não." DILIGÊNCIAS I Por força desta linha de argumentação, foram demandadas diligências pela 1ª Turma, 4ª Câmara, por meio da RESOLUÇÃO CARF 08 DE AGOSTO DE 2012, a qual assim se posicionou: Para provar o alegado, acosta aos autos os documentos de fls. 527/554, ou seja telas dos sistemas da Receita Federal que comprovariam que os referidos débitos teriam sido incluídos no referido programa de recuperação fiscal. Quanto ao primeiro aspecto relacionado à apontada contradição, penso que precisa ser melhor investigada, uma vez que as provas trazidas aos autos são de sistemas da própria Receita Federal e indicam a princípio possibilidade de a Recorrente ter razão. [...] Fl. 4109DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.103 15 Caso a assertiva acima se mostre verossímil, investigar a origem da diferença apontada pela DRJ. Se for o caso, intimar o contribuinte a demonstrar detalhadamente, mas por amostragem, os lançamentos no Razão (fl. 528), relativos aos juros supostamente incorridos em 2001, que a DRJ afirma que “sequer permitem identificar como foram calculados”. Se for o caso, considerar a possibilidade de ter havido postergação da apropriação de despesas. [...] Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas[...]. [GRIFO DO ORIGINAL] Em atendimento às diligências demandadas, assim se manifestou a unidade diligenciadora: RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL [...] Conforme se verifica do demonstrativo denominado "Débitos de tributos e contribuições administrados pela SRF Secretaria da Receita Federal incluídos no REFIS" (fls.869) e do extrato "REFIS, CONSOLIDA, CONSULTA, CONSEVENTO (CONSULTA EVENTOS) (fls.823), os débitos dos processos nºs 10580.003403/9660 e 10580.003491/9627 (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) e nºs10120.451706/200112, 10235.450084/200118,10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107 (IRRF) e que constam do demonstrativo de fls. 542 (fls.534 do processo físico), no qual se baseou os ajustes efetuados pelo contribuinte em julho/2001, foram todos incluídos e consolidados na dívida do REFIS. No cotejo dos valores dos juros de cada um desses processos, que totalizam R$ 11.427.579,01, conforme o demonstrado pelo contribuinte às fls.542 (fls.534 do processo físico), com aqueles que constam da base de dados desta RFB, não se constatou divergências. Portanto, em relação ao primeiro quesito do CARF, podese afirmar que os débitos dos processos administrativos de fls.542 (fls.534 do processo físico) foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros de R$ 11.427.579,01, contabilizado pelo contribuinte em julho/2001 reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados. GRIFO É DO RELATOR [...] Além do reconhecimento desta despesas com juros, então alegada pela Recorrente, consta ainda no referido Relatório de Diligencias, em atendimento a outro quesito, uma demonstração feita pela autoridade diligenciadora, por meio de várias tabelas, de que o excesso de juros a serem glosados seria inferior ao da autuação, no caso de R$ 12.860.772,34: Fl. 4110DF CARF MF 16 Quadro 09 Em reais (R$) Juros registrados na conta 5320204 Juros REFIS 28.420.398,44 () Juros TJLP de 2001 considerados no auto de infração 14.458.164,60 (=) Excesso de juros apurado no auto de infração 13.962.233,84 () Juros TJLP do ano de 2000 (postergada para 2001) 1.101.461,50 (=) Excesso de juros apurado nesta diligência fiscal 12.860.772,34 DA MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE ACERCA DAS DILIGÊNCIAS Em apertada síntese, a Recorrente assim se manifestou, os destaques são do original: Além disso, a Autoridade Fiscal acabou por se contradizer também no que tange às despesas aproveitadas pela Recorrente nos anos de 2000 e 2001 (R$ 28.420.398,44), uma vez que reconheceu expressamente, como demonstrado anteriormente, a regularidade do montante a título de juros SELIC registrado pela Recorrente (R$ 11.427.579,01), entretanto, deixou de considerálos ao apurar o suposto "excesso" de despesas, conforme se verifica do Quadro 09 do Relatório de Diligência Fiscal: Neste termos, não se pode aceitar a análise efetuada pela Autoridade Fiscal no relatório de diligência, na medida em que foi indevidamente mantida a maior parte da glosa de despesas objeto da autuação fiscal, as quais tiveram seu montante devidamente reconhecido, não só por meio dos documentos apresentados pela Recorrente, mas, também, no próprio Relatório de Diligência Fiscal. GRIFO É DO RELATOR DILIGÊNCIAS II Em face desta nítida contradição, foram demandadas novas diligências pela 1ª Turma, 4ª Câmara, por meio da RESOLUÇÃO CARF 01 DE FEVEREIRO DE 2016: Após descrever a manifestação da Recorrente em relação ao Relatório de Diligência Fiscal, concluiu o Relator da 1ª Turma na Resolução: Como se vê, são bastante plausíveis as alegações da Recorrente no sentido de que a fiscalização não foi muito conclusiva em relação ao primeiro quesito, e não infirmando a sua alegação de a diferença lançada seria justamente "a dedutibilidade das despesas decorrentes dos juros calculados à taxa SELIC até março/00 (R$ 11.427.579,01), e TJLP (R$ 2.408.413,77)", uma vez que, segundo ela, refletiriam a atualização de débitos incluídos no REFIS pela SRFB em 2001, correspondentes aos processos administrativos anteriormente mencionados e que tais Fl. 4111DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.104 17 valores não haviam sido contabilizados no momento da opção ao REFIS, anocalendário de 2000. Nesse contexto, o julgamento deve ser novamente convertido em diligência para averiguar todas as alegações da Recorrente feitas em suas contrarrazões ao retorno de diligência (fls. 3625/3660), não se esquecendo também de verificar se esse ajuste de atualização já não havia mesmo sido contabilizado anteriormente pela Recorrente. Relatório da Diligência Fiscal Após descrever os procedimentos efetuados, desde a autuação, Resolução do CARF, manifestações da Recorrente e a nova Resolução do CARF, assim se pronunciou a autoridade diligenciadora, em resumo: O contribuinte, inconformado com o resultado da Diligência Fiscal apresentou contrarazões (efls.3625/3660) alegando que na diligência não se pronunciou quanto a dedutibilidade dos juros calculados à taxa SELIC até março/00 (R$ 11.427.579,01) e TJLP (R$ 2.408.413,77), uma vez que: (i) refletem a atualização de débitos incluídos no REFIS pela SRFB em 2001, correspondentes aos processos administrativos anteriormente mencionados e (ii) tais valores não haviam sido contabilizados no momento da opção ao REFIS, anocalendário de 2000. [...] Através da Resolução nº 140100.380 da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária de 01 de fevereiro de 2016, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária solicitou nova diligência para "averiguar todas as alegações da Recorrente feitas em suas contrarazões, e para "verificar se esse ajuste de atualização já não havia mesmo sido contabilizado anteriormente pela Recorrente." Juros TJLP no valor de R$ 2.408.413,77 [...] Juros SELIC até março/2000 R$ 11.427.579,01 Com relação ao montante de R$ 11.427.579,01, relativos aos processos contabilizados em julho/2001 (efls.542), o contribuinte reitera que esse valor corresponde aos juros calculados até março/2000 e não contabilizado no momento da opção ao REFIS, sendo portanto dedutível nesse ano de 2001. Esse montante corresponde, basicamente, aos juros dos débitos exigidos através dos processos nºs 10580.003491/9627 e 10580.003403/9600. [...] Fl. 4112DF CARF MF 18 No mês de março/2000, mês da adesão ao programa, o contribuinte contabilizou e reconheceu na sua conta do passivo 2262099 REFISPROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL um total de R$ 85.184.842,01 (principal, multa e juros); e no mês de julho/2001, um total de R$ 19.329.425,41, relativo aos débitos dos processos acima, sendo que nesse biênio 2000/2001, foi contabilizado um total R$ 104.514.267,42 de dívidas fazendárias incluídas no programa. [...] Assim, para identificar quais os débitos e os juros que compuseram o total de R$ 85.184.842,01 e verificar se nele já haviam sido incluídos ou não os juros dos processos acima descritos, foi solicitado ao contribuinte através do Termo de Intimação de 26/07/2016 [....]. Esta intimação foi feita pela autoridade diligenciadora e encontrase nos autos às fls.3.758/3.759, onde ali consta : [...] A partir de então, a autoridade diligenciadora envereda por outro caminho, ainda no sentido de se certificar quanto à debatida despesa contabilizada de juros, que já havia sido por ela reconhecida (na Diligência I) nos termos em que apregoado pela Recorrente. Agora, direcionou sua averiguação em outro rumo, no sentido de verificação das rubricas que constam em conta de passivo contábil (Juros a Pagar), ou seja, se neste Fl. 4113DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.105 19 passivo poderia estar contido aquele valor de despesas de juros que inicialmente havia reconhecido na conta de resultados (Juros Refis). Informa em seu relatório, que "no mês de março de 2000, mês da adesão ao programa, o contribuinte contabilizou e reconheceu na sua conta do passivo 2262099 REFISPROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL um total de R$ 85.184.842,01 (principal, multa e juros); e no mês de julho/2001, um total de R$ 19.329.425,41 relativo aos débitos dos processos...". [grifei] Ora, dentro destes R$ 19.329.425,41 registrados em julho/2001, no passivo, encontramse os juros que foram também contabilizados em resultado, JUROSREFIS, no montante de R$ 11.427.579,01, conforme demonstrativo da contribuinte, reproduzido à fl.14 deste Voto. Ainda, a autoridade em sua intimação (supra) solicita detalhes dos lançamentos da conta 2262099 REFIS, efetuados no mês de março de 2000, além de destacar a necessidade de uma segregação entre o valor do principal, dos juros e multa, algo que, sequer foi aventado na autuação. Em extenso arrazoado em suas novas considerações, acaba por citar o art.249 do RIR/99 (adição de despesas não dedutíveis), dispositivo legal que sequer foi mencionado no auto de infração, onde arremata que: No entanto nos demonstrativos acostados nos autos pelo contribuinte não foi feita essa segregação e não há como verificar a parcela dedutível dos juros e nem há a comprovação de que a parcela não dedutível foi regularmente adicionada para a apuração da base tributável, conforme determina o artigo 249 do RIR/99. Neste sentido, independente das constatações acima quanto a apropriação das despesas de juros de juros no tempo, considerando que não restou demonstrado nos autos que o valor contabilizado em julho/2001 (R$ 11.427.579,01) corresponde à parcela dedutível dos juros, entendo que há de se manter o lançamento fiscal em relação aos juros em referência. DA MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE ACERCA DAS DILIGÊNCIAS II A Recorrente, trazendo os argumentos já destacados na impugnação, recurso voluntário e em aditamento às diligências, se manifestou: Saldo de Juros SELIC Valor Total de R$ 11.427.579,01 Que a Autoridade Fiscal não atendeu o solicitado pelo CARF, de que precisava "averiguar todas as alegações da Recorrente feitas em suas contrarazões ao retorno de diligência." Que limitouse a repetir conclusões feita em diligência anterior, além de ter inserido novas acusações não abordadas pela Autoridade lançadora. Fl. 4114DF CARF MF 20 Que, mesmo que se entenda pela necessidade de segregação aludida na diligência, a adesão ao REFIS abrange todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, aí incluídos os acréscimos de multa de mora, de ofício e juros. Que a mencionada segregação em nenhum momento foi objeto de questionamento na autuação fiscal e "o que se vê, na verdade, é que a Autoridade Fiscal, mais uma vez, diante da comprovação da legitimidade das despesas em questão, visou encontrar novos obstáculos à sua dedutibilidade,...." Creio assistir razão à Recorrente, aliado ao fato de que as diligências não responderam de modo satisfatório à duas resoluções do CARF. Entendo, ainda, que houve, digamos, uma segunda fiscalização e feita por parte da autoridade diligenciadora, a qual acrescentou ingredientes novos não aventados na autuação, trazendo novas motivações (?) e distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal (Volume I). Veja que em seu primeiro relatório (Diligência I), deixou de maneira explícita que a Recorrente estava certa em seu procedimento contábil . De se repetir: RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL [...] Conforme se verifica do demonstrativo denominado "Débitos de tributos e contribuições administrados pela SRF Secretaria da Receita Federal incluídos no REFIS" (fls.869) e do extrato "REFIS, CONSOLIDA, CONSULTA, CONSEVENTO (CONSULTA EVENTOS) (fls.823), os débitos dos processos nºs 10580.003403/9660 e 10580.003491/9627 (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) e nºs10120.451706/200112, 10235.450084/200118,10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107 (IRRF) e que constam do demonstrativo de fls. 542 (fls.534 do processo físico), no qual se baseou os ajustes efetuados pelo contribuinte em julho/2001, foram todos incluídos e consolidados na dívida do REFIS. No cotejo dos valores dos juros de cada um desses processos, que totalizam R$ 11.427.579,01, conforme o demonstrado pelo contribuinte às fls.542 (fls.534 do processo físico), com aqueles que constam da base de dados desta RFB, não se constatou divergências. Portanto, em relação ao primeiro quesito do CARF, podese afirmar que os débitos dos processos administrativos de fls.542 (fls.534 do processo físico) foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros de R$ 11.427.579,01, contabilizado pelo contribuinte em julho/2001 reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados. Apesar deste reconhecimento, apresentou uma conclusão (Diligência I) sem referência ao concluído acima em seu relatório, ocasião em que este Colegiado solicitou o devido esclarecimento, abrindo uma nova rodada de diligência (Diligência II). Neste segundo momento, começaram as novas averiguações e, novamente, silenciandose quanto à conclusão que proferira no relatório de Diligência I, (acima Fl. 4115DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.106 21 reproduzida e objeto de esclarecimento por parte deste Colegiado), algo que não se pode se conformar e nem de se concordar. Apesar das oportunidades para o esclarecimento suscitado, o fato é que a razão pende para a Recorrente, uma vez que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados de R$ 11.427.579,01 seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas. Assim, permanece a dedutibilidade da importância de R$ 11.427.579,01, ficando prejudicadas as demais glosas, então feitas se desconsiderando esta despesa. Assim, voto pelo restabelecimento total da despesa glosada e considerada, de R$ 13.962.233,84, no Auto de Infração. CSLL Multa por Infração fiscal De se reproduzir o que consta no Termo de Constatação Fiscal: 33. O contribuinte escriturou a conta 5220417 Multas Fiscais Não Dedutíveis, que no anocalendário de 2001, importou no somatório de R$ 3.000.264,71; 33. Referido somatório compôs o valor de R$ 3.015.876,71 lançado na linha 19, da Ficha 05A, da DIPJ 2002, dos quais R$ 3.000.264,71 foi considerado na coluna Parcelas Não Dedutíveis; 34. Os valores da coluna Parcelas Não Dedutíveis, da Ficha 05A, foram levados para a linha 03 Despesas Operacionais Soma Parcelas Não Dedutíveis, da Ficha 09 A, para apuração do lucro real; 35. Ocorre que o valor de R$ 3.000.264,71, contabilizado na conta 5220417 Multas Fiscais Não Dedutíveis, não foi considerado na linha 17, e em nenhuma outra linha de adições, da Ficha 17, na apuração da Base de Cálculo da CSLL; 36. No que se refere a multas por infrações fiscais, a Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, na Subseção I, que trata Das alterações na apuração do lucro real (grifei), assim dispôs no § 5o , do art. 41: "§ 5o. Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo." 37. Adiante, ao dispor sobre a Contribuição Social sobre o Lucro, determina que as alterações na apuração do lucro real produzida por ela (Lei n° 8.981/95), também sejam aplicadas a CSLL: "Art 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n" 7.689, de 15 de dezembro de 1988) as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Fl. 4116DF CARF MF 22 Renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei." 38. A interpretação a que alude o referido dispositivo legal é no sentido de que, aplicase a CSLL as mesmas normas de apuração (grifei) e pagamento estabelecidas para o IRPJ, mantida a base de cálculo e as alíquotas até então em vigor, porém, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.981/95;. ' 39. Ora, se até o advento da Lei n° 8.981/95 a base de cálculo da CSLL já era diferente da base de cálculo do IRPJ, então com as alterações produzidas na apuração do IRPJ, quando aplicável, também, a CSLL, não ensejariam a produção de efeitos a tornar iguais as bases de cálculo; 40. Portanto, o valor da multa indedutível de R$ 3.000.264,71 reduziu indevidamente o lucro líquido, do qual não foi providenciado o ajuste na apuração da base de cálculo da CSLL, o que resultou em pagamento a menor da contribuição social sobre o lucro líquido, no importe de 3.000.264,71 x 9% = R$ 270.023,82, motivo pelo qual efetuaremos o lançamento da base tributável de R$ 3.000.264,71, na apuração da referida contribuição social. DO RECURSO VOLUNTÁRIO No item III Da Impossibilidade de Adição das Multas na Base de Cálculo da CSLL, a Recorrente alega que a multa poderia ser deduzida para fins de apuração da CSLL, em face de que tal indedutibilidade seria aplicável apenas para o IRPJ. A dedutibilidade das multas por infrações fiscais é disciplinada pelo art.344 do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 41 da Lei 8.981/1995), que assim dispõe: Tributos e Multas por Infrações Fiscais Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art.41). ......................................................................................................... § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 5º). De se reproduzir as disposições contidas no caput do Art. 57 da Lei 8.981/95: Fl. 4117DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.107 23 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38,mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n 9.065, de 1995) A despeito do entendimento da Recorrente, segundo o qual não se poderia utilizar o artigo 57 da Lei 8.981/95 para justificar a adição de despesas tidas como indedutíveis perante a legislação do IRPJ, na base de cálculo da CSLL, é de se reconhecer exatamente o contrário. Ora, o citado dispositivo reflete a intenção do legislador de evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas tinham de comum. Por exemplo: como as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL partem do lucro líquido ou o resultado contábil do período de apuração tornase dispensável repetir os conceitos de receita bruta, receita líquida, custos e despesas operacionais, etc, aplicáveis à CSLL, se os mesmos estão devidamente definidos na legislação do IRPJ. No mais, de se acatar o decidido pela DRJ: 79. Concluise, pois, serem indedutíveis as multas por infrações fiscais na apuração da base de cálculo da CSLL. 80. Esse entendimento é corroborado pela IN SRF 390/2004, que, baseandose em toda a legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido então vigente, inclusive na retrocitada lei, assim determinou: Subseção V Das Multas Das Multas por Infrações Fiscais Art. 56. Não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. 81. Há que se observar que o disposto nessa instrução normativa, por ter caráter interpretativo, retroage sua eficácia ao momento em que a norma interpretada começou a produzir efeitos. 82. Destarte, não procede a alegação da impugnante que o feito fiscal relativo a essa irregularidade não tem respaldo legal. Entretanto, em outra alegação no item IV.1 Do Erro Material contido no Auto de Infração de CSLL, observa a Recorrente que a Fiscalização deveria recompor a base de cálculo da CSLL do ano de 2001 (da autuação), uma vez que detinha base de cálculo negativa de períodos anteriores, conforme consta em sua DIPJ. Fl. 4118DF CARF MF 24 Assiste razão a Recorrente e como permaneceu de pé apenas a infração referente a indedutibilidade da multa, de se recompor o cálculo da CSLL, utilizandose os dados da Ficha 17 da DIPJ, que, digase, não foi objeto de qualquer restrição fiscal, sendo, inclusive utilizada na autuação (alguns dados). Ficha 17 Cálculo da CSLL 31. Base de cálculo antes da comp de BC Negativa de Per Anteriores 20.792.753,44 Infração Apurada e Mantida 3.000.264,71 Base de cálculo 23.793.018,15 32.() BC Negativa de CSLL de Per Anteriores Ativ em Geral (30%) 7.137.905,43 34. Base de Cálculo da CSLL 16.655.112,72 35. CSLL por atividade 1.498.960,14 Cálculo da CSLL 36. CSLL Total 1.498.960,14 DEDUÇÕES 38. () CSLL Mensal Paga por Estimativa 2.904.250,21 41. () CSLL retida na Fonte por Órgão Público 189.005,94 42. CSLL A PAGAR 1.594.296,01 Com relação ao item V Da Ilegalidade da Cobrança de Juros de Mora Sobre a Multa, entendo que resta prejudicada tal alegação, uma vez que não restou crédito tributário no presente processo passível de cobrança. Lançamento de CSLL relativa aos itens decorrentes do lançamento de IRPJ Tendo em vista que a matéria apontada no Auto de Infração do IRPJ, em seus itens 001 Glosa de Despesas Financeiras e 002 Adições Não Computadas no Lucro Real foram excluídas de tributação, conforme decidido no presente Voto, de se excluir tais matérias também no âmbito do Auto de Infração da CSLL, por ali constarem por mera decorrência. Fl. 4119DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.108 25 Conclusão Voto em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de restabelecer a dedutibilidade da despesa financeira (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores, mantida a indedutibilidade da multa por infração fiscal (item 002 do lançamento de CSLL). (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 4120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.961005/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.961005/2008-61
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927859
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.543
nome_arquivo_s : Decisao_10880961005200861.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880961005200861_5927859.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7514418
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146846732288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 120 1 119 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.961005/200861 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.543 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de outubro de 2018 Assunto PER/DCOMP (DDE) COFINS Recorrente GINES SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA (atual denominação de GINES REPRESENTAÇÕES LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 61 00 5/ 20 08 -6 1 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.961005/200861 Resolução nº 3401001.543 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.961005/200861 Resolução nº 3401001.543 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.961005/200861 Resolução nº 3401001.543 S3C4T1 Fl. 123 4 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.961005/200861 Resolução nº 3401001.543 S3C4T1 Fl. 124 5 o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.961005/200861 Resolução nº 3401001.543 S3C4T1 Fl. 125 6 de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.961005/200861 Resolução nº 3401001.543 S3C4T1 Fl. 126 7 se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914097/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 03/06/2008
CRÉDITO. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO COM MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO, NOTAS FISCAIS E CARTAS DE CORREÇÃO. RESSARCIMENTO / COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
Consideram-se receitas de exportação as vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado por memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual e notas fiscais de venda acompanhadas das correspondentes cartas de correção.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS.
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo.
Numero da decisão: 3201-004.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer que as notas fiscais venda nº 1096, 1115, 1146 e 1160 e as respectivas notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177 ampararam vendas com fim específico de exportação, devendo os correspondentes valores compor a base de cálculo dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 03/06/2008 CRÉDITO. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO COM MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO, NOTAS FISCAIS E CARTAS DE CORREÇÃO. RESSARCIMENTO / COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Consideram-se receitas de exportação as vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado por memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual e notas fiscais de venda acompanhadas das correspondentes cartas de correção. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10783.914097/2011-94
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5924079
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.245
nome_arquivo_s : Decisao_10783914097201194.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10783914097201194_5924079.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer que as notas fiscais venda nº 1096, 1115, 1146 e 1160 e as respectivas notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177 ampararam vendas com fim específico de exportação, devendo os correspondentes valores compor a base de cálculo dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7501220
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146861412352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.168 1 1.167 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.914097/201194 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.245 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria COFINS NÃO CUMULATIVO Recorrente CIA HISPANO BRASILEIRA DE PELOTIZACAO HISPANOBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 03/06/2008 CRÉDITO. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO COM MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO, NOTAS FISCAIS E CARTAS DE CORREÇÃO. RESSARCIMENTO / COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Consideramse receitas de exportação as vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado por memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual e notas fiscais de venda acompanhadas das correspondentes cartas de correção. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer que as notas fiscais venda nº 1096, 1115, 1146 e 1160 e as respectivas notas complementares de preço nº 1174, 1175, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 40 97 /2 01 1- 94 Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.169 2 1176 e 1177 ampararam vendas com fim específico de exportação, devendo os correspondentes valores compor a base de cálculo dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado no acórdão nº 3101000.351 que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo à COFINS nãocumulativa– exportação, referente ao 2º trimestre de 2008. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório (fl. 02), com base no relatório da análise do crédito (fls. 546 a 555), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado e, em decorrência, homologar parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 12815.80195.181108.1.3.097701. O despacho decisório não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP’s 26193.94232.221208.1.3.093951 e 41814.56039.260109.1.3.099470 e não reconheceu valor a ser restituído/ressarcido para o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP 39233.38345.181108.1.1.093424. A análise do crédito pela autoridade fiscal resultou nos seguintes ajustes na base de cálculo dos créditos e na base de cálculo da contribuição devida apurada pelo contribuinte: a) reversão de créditos passíveis de ressarcimento/compensação para créditos sujeitos simplesmente ao desconto de débitos da contribuição, efetuada com base no resultado de auditoria fiscal anteriormente realizada na empresa, onde se verificou que o contribuinte considerou como receita de exportação algumas vendas feitas no mercado interno alegando tratarse de vendas a empresas comerciais exportadoras, mas que, segundo a fiscalização, não atendiam os requisitos para serem Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.170 3 consideradas como tal. A ação fiscal resultou na lavratura de auto de infração formalizado no processo nº 15586.001601/201053, abrangendo o PIS e a COFINS relativos aos períodos de apuração de 01/2006 a 12/2008; b) glosa de créditos apurados pelo contribuinte em relação a serviços não caracterizados como insumos. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 04/01/2012 (fl. 03) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 02/02/2012 (fls. 09 a 125), alegando, em síntese: (i) a obediência aos requisitos para fruição da imunidade/não incidência/isenção nas saídas para exportação; e (ii) a higidez dos créditos glosados utilizados para compensação. Requereu ainda que fosse aplicado ao caso a mesma solução dada ao processo nº 15586.001601/201053, que trata de auto de infração lavrado relativo ao mesmo tributo e às saídas não tributadas. A 17ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (I), em sessão de julgamento realizada em 13 de julho de 2013, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito creditório relativo a COFINS não cumulativa apurada no 2º trimestre de 2008, no valor de R$ 11.462.124,00, a ser acrescido ao crédito anteriormente reconhecido pela DRF/Vitória e homologou as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido. O acórdão 1256.855 foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da COFINS as receitas decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado por memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual e notas fiscais de venda acompanhadas das correspondentes cartas de correção. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário (fls.620 a 652), onde reprisa os Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.171 4 argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, e apresenta as cartas de correção das notas fiscais nº 1174, 1175, 1176 e 1177, com o objetivo de comprovar que as vendas nelas refletidas se deram com o fim específico de exportação. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Submetido a julgamento em turma extinta deste CARF, na sessão de 26/03/2014, Resolução nº 3101000.351, decidiram seus Conselheiros, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora promovesse a anexação da decisão definitiva no PAF nº 15586.001601/201053, a análise e parecer conclusivo acerca da destinação (fins específicos de exportação) das mercadorias amparadas pelas notas fiscais apresentadas pela contribuinte. O voto foi assim assentado: [...] Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para a autoridade preparadora adotar as seguintes providências: (a) Aguardar o julgamento definitivo do processo nº 15586.001601/201053 e anexar sua decisão definitiva administrativa; (b) Analisar as notas fiscais nºs 1174, 1175, 1176 e 1177, juntamente com suas cartas de correção (fls. 674 a 694), juntadas pela recorrente em seu Recurso Voluntário, confrontálas com a escrita contábil e fiscal da recorrente, e apresentar parecer conclusivo acerca da alegação da Recorrente de que as vendas refletidas nas referidas notas fiscais deramse com o fim específico de exportação. Após a conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para pronunciar se sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. O contribuinte foi intimado e apresentou cópias das notas fiscais e da escrituração fiscal e contábil em seus livros. A autoridade fiscal procedeu à análise requerida em Resolução exarou suas conclusões: 1. As notas fiscais originais de venda de produtos nº 1096, 1115, 1146 e 1160, e as notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177, que seriam as notas fiscais objetos desta diligência, estão devidamente lançadas na sua escrituração contábil e fiscal; 2. As receitas correspondentes às notas fiscais foram lançadas originalmente como vendas no mercado interno (CFOP 5.101 venda de produção do estabelecimento para empresas localizadas no próprio estado da federação) tanto nas escriturações fiscal e contábil; Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.172 5 3. As NFs 1174, 1175, 1176 e 1177 de 5.101 tiveram a retificação do CFOP para 5.501 (remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação) por intermédio de cartas de correção emitidas em 21/12/2010; 4. Essas mesmas notas fiscais tiveram suas informações complementares retificadas em relação aos preços, também por cartas de correção emitidas em 10/07/2013; 5. As cartas de correção foram emitidas anos após a emissão das notas fiscais e, especialmente, após o encerramento da fiscalização que constatou inexistência de vendas/remessas com fins específicos de exportação; 6. Reafirmou o entendimento de que as vendas da contribuinte com fins específicos de exportação não se comprovou pois carece de prova não carreada aos autos, ou seja, a remessa dos produtos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. A síntese da conclusão da fiscalização foi assim exposta: [...] Por tudo que foi acima explanado, a fiscalização pode concluir: que as notas fiscais 1174, 1175, 1176 e 1177 referemse à complementação de preço de produtos vendidos em janeiro, fevereiro, março e abril de 2008, conforme escrituração contábil e fiscal do contribuinte; que as cartas de correção foram feitas por interesse da fiscalizada, posteriormente a fiscalização realizada na empresa, visando adequar estas notas fiscais a suas alegações de que se tratavam de vendas feitas para empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, e de correção de valores de vendas feitas através das notas fiscais 1096, 1115, 1146 e 1160; e, por fim, que segundo a legislação vigente, nenhuma das constatações anteriores podem comprovar o fim específico de exportação das vendas feitas através destas notas fiscais, uma fez que isto somente poderia ser feito com a comprovação do envio dos produtos direto para embarque ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. [...] A contribuinte teve ciência da informação fiscal e manifestouse nesses termos: i. Menciona e traz excerto da decisão da DRJ no processo nº 15586.001601/201053 para afirmar que a matéria relativa à comprovação da venda de seus produtos com o fim específico de exportação está definitivamente julgada; ii. Entende que o próprio CARF, na Resolução nº 3101000.351 delimitou os documentos necessários à comprovação da exportação as notas fiscais e as cartas de correção; Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.173 6 iii. Evidenciouse na diligência que as notas fiscais foram emitidas em complemento apenas para correção dos valores consignados nas notas fiscais que efetivamente ampararam a venda de produtos que tiveram o fim específico de exportação; iv. Uma vez solucionada a matéria relativa à comprovação da venda com fim específico de exportação, devem os autos aguardarem a solução definitiva administrativa no processo nº 15586.001601/201053. O processe retornou ao CARF e foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Na fase em que se encontra o processo, duas são as matérias de mérito a serem enfrentadas neste julgamento: A primeira, vinculada, por razões de segurança jurídica e respeito às decisões exaradas por Colegiado deste CARF, ao que restou definitivamente decidido no processo nº 15586.001601/201053, no que diz respeito à comprovação de que determinadas vendas compõem as Receitas de Exportação para fins de ressarcimento das Contribuições para o PIS/Cofins. A segunda, atinente à glosa de créditos apurados pelo contribuinte em relação a serviços e dispêndios não caracterizados como insumos para fins de creditamento das contribuições. Vendas com fim específico de exportação direito ao ressarcimento/compensação Em procedimento fiscal afirma a autoridade ter constatado divergências no valor da contribuição apurada pelo contribuinte, uma vez que este considerou como receita de exportação algumas vendas feitas no mercado interno, alegando tratarse de vendas para empresas comerciais exportadoras, mas que, em verdade, não atendiam aos requisitos para serem consideradas com tal. Deste trabalho resultou o lançamento do auto de infração para a cobrança dos valores de PIS e Cofins não recolhidos/pagos, o qual foi formalizado através do processo nº 15586.001601/201053, relativos ao período de 2006 a 2008. No presente autos, tratouse do direito creditório relativo a Cofins do 2º trimestre de 2008, portanto, compreendido no período da autuação fiscal. Assim, a desqualificação de vendas como para a exportação resultou no lançamento de ofício para formalizar a exigência das Contribuições nas operações no mercado interno e, por conseguinte, a diminuição dos créditos provenientes das receitas de exportação, versados neste processo. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.174 7 Finalizado o julgamento do recurso voluntário no PAF nº 15586.001601/201053, após a interposição e provimento de dois embargos de declaração interpostos pela contribuinte, restou decidido pelo Colegiado que as vendas de produtos a empresa foram consideradas para exportação. Sintetizando aquele litígio, determinadas notas fiscais foram inicialmente emitidas consignandose os códigos CFOP 5.101 como de vendas para o mercado interno. Todavia, constatouse a emissão regular de carta de correção para a retificação da natureza das operações para a modalidade exportação CFOP 5.501, corresponde à remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação. Impende ressaltar que o fundamento para o provimento do recurso da contribuinte considerar comprovadas as vendas com o fim específico de exportação e exonerar o lançamento de PIS e Cofins sobre vendas no mercado interno foi a correlação entre (i) as notas fiscais de venda e as notas fiscais de complementação de preço com as (ii) respectivas cartas de correção e (iii) os memorandos de exportação, regularmente emitidos nos termos da legislação estadual. A seguir, os acórdãos de recurso voluntário e de embargos que se relacionam às notas fiscais tratadas igualmente neste processo notas fiscais de venda nºs 1096, 1115, 1146 e 1160, e as notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177. Acórdão de Recurso de Ofício e Voluntário nº 3401002.190, de 19/03/2013: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA O MERCADO EXTERNO. COMPROVAÇÃO COM MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. Os memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual servem como comprovantes de que tenha havido a exportação de mercadorias para o exterior, não obstante a existência de preenchimento incorreto na nota fiscal de venda (CFOP), porquanto foi emitida a correspondente carta de correção. [...] Cuja decisão foi assim proferida: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos que lhe dava provimento. Por maioria, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a tributação do PIS/Pasep e da Cofins relativas às vendas no mercado interno do minério de ferro não aglomerado e relativas a parte das vendas de pelotas com fim específico de exportação cujas saídas para o exterior restaram comprovadas por memorandos de exportação e tiveram o erro cometido na aposição do CFOP corrigidos por meio de documento apropriado. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos que deu provimento apenas quanto às vendas no mercado interno do minério de ferro não aglomerado. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.175 8 E os fundamentos que constam do voto condutor: [...] Vendas de minério de ferro aglomerado (pelotas) Acabamos de ratificar o procedimento da DRJ quanto a outra parte dessas receitas, isto é, aceitamos como prova de que as vendas de minério de ferro em pelotas, da Hispanobras para a VALE, se deram com o fim específico de exportação, os memorandos de exportação e as cartas de correção apresentados pelo contribuinte. Houve uma parte, porém, dessas mesmas receitas de venda de pelotas, para as quais, segundo a DRJ, a Recorrente não se desincumbiu da tarefa de comprovar que tivessem mesmo se dado para o exterior e, desta forma, manteve a exação fiscal. A Recorrente, por seu lado, alega ter trazido nesta fase recursal os memorandos de exportação e as cartas de correção reclamados pela DRJ. A PFN em suas contrarrazões atestou que somente três novos memorandos de exportação foram anexados aos autos juntamente com o Recurso Voluntário, mas, que, mesmo assim, não serviriam para a comprovação esperada. Observo, às fls. 1.650, 1.652, 1.663, 1.664, 1.667, a existência de Memorandos de Exportação e de Cartas de Correção relacionados às notas fiscais de venda de minério de nºs. 768 e 1.008, atendendo, portanto, as condições mínimas exigidas para que se tenha como comprovada a operação de exportação. Esses valores devem ser retirados da exação. Da mesma forma, verificase que, no campo das suas informações complementares, algumas dessas notas que não teriam sua exportação comprovada, referemse, na verdade, a “complementos de preços” de operações de exportação feitas anteriormente e que possuem memorando de exportação a comprovar a operação de saída para o exterior. É o caso das notas fiscais nºs. 1.073, 1.098, 1.117, 1.147, 1.162, 1.190, 1.205, 1.5051,1.517 e 1.557, que se referem a complementos de preços das exportações realizadas por meio das notas fiscais, respectivamente, nºs 1.071, 1.096, 1.115, 1.146, 1.160, 1.185, 1.202,1.503, 1.515 e 1.555, para as quais restou comprovada a exportação com a apresentação dos respectivos memorandos de exportação. De outra parte, a Recorrente não logrou êxito em comprovar que as operações de venda constantes das notas fiscais nºs. 835, 836, 837, 838, 1.174, 1.175, 1.176, 1.177, e 1.615, as quais, ressaltese, não obstante também refiramse a complementos de preços, não têm indicação precisa de qual nota fiscal estão Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.176 9 complementando preços, de modo que não se consegue associá las a qualquer memorando de exportação. Ora, a própria Recorrente invocara os memorandos de exportação como prova inconteste de suas exportações, não se justificando a falta deles para as referidas notas fiscais, senão a presunção de que referidas operações foram realizadas no mercado interno, a despeito das cartas de correção. Em resumo, neste quesito, dou provimento parcial ao recurso para retirar da base de cálculo das contribuições as receitas de venda relacionadas às notas fiscais nºs. 768, 1.008 e 1.073, 1.098, 1.117, 1.147, 1.162, 1.190, 1.205, 1.505, 1.517 e 1.557. [...] Acórdão em embargos nº 3401003.089, de 29/01/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS. ACOLHIMENTO. REQUISITOS. Cabe provimento aos embargos quando se constata a omissão e a contradição na decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher parcialmente os embargos com efeitos infringentes nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Júlio César Alves Ramos registraram que a conclusão se deve exclusivamente em relação ao critério já adotado na decisão embargada. E os fundamentos que constam do voto condutor: A contribuinte, a meu ver, nestes Embargos de Declaração, trazem aos autos as cartas de correção que esclarecem que as notas fiscais [...), 1174, 1175, 1176, 1177, [...] são "notas fiscais complementares" emitidas pela EMBARGANTE com intuito de reajustar a diferença de preço das notas originais n° [...], 1096, 1115, 1146, 1160 e [...], respectivamente. Essas informações já constavam dos documentos acostados aos autos. Ocorre que, a meu ver, essa informação não é suficiente para atender o critério adotado pelo acórdão recorrido para decidir se há a comprovação de que essas notas fiscais se referem a exportações. O critério adotado foi a existência de memorandos de exportação registrando essas notas fiscais. Nos autos, consegui identificar os memorandos de exportação para as seguintes notas fiscais: [...] Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.177 10 NF 1096 Memorando de Exportação n. 218 (fls. 1669) NF 1115 Memorando de Exportação n. 402 (fls.2082) NF 1146 Memorando de Exportação n. 405 (fls. 2086) NF 1160 Memorando de Exportação n. 405 (fls. 2086) [...] Entretanto, não consegui constatar o memorando de exportação para a nota fiscal indicada a seguir porque não é legível esse dado no documento acostado aos autos: NF 749 Memorando de Exportação n. 156 (fls. 1646) A contribuinte logrou apontar os correspondentes memorandos de exportação, exceto para a NF 749. Portanto, proponho a este colegiado que seja dado parcial provimento aos embargos, com efeitos infringentes, pelo fato de ter sido constatada, no acórdão recorrido, a contradição e a omissão alegadas para as notas fiscais por mim acima listadas como relacionadas a memorandos de exportação. Com efeito no julgamento dos embargos de declaração do PAF 15586.001601/201053, acórdão nº 3401003.089, os Conselheiros entenderam comprovada a venda com fim específico de exportação as notas fiscais nºs 1096, 1115, 1146 e 1160, e as respectivas notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177, sob o fundamento de que encontravamse relacionadas nos memorandos de exportação. Assim, ao meu ver a providência solicitada na Resolução nº 3101000.351 para a análise e correlação das NFs 1174, 1175, 1176 e 1177, tal como parecer fiscal quanto à alegação da recorrente de que tais notas refletiam vendas com o fim específico de exportação seria inócua e despicienda. Isto porque o lançamento fiscal para a exigência de PIS e Cofins formalizada no processo nº 15586.001601/201053, utilizado como fundamento para as glosas de créditos de PIS e Cofins no presente processo, já não subsiste, como reconhece a DRF de Origem na informação fiscal anexada ao processo de exigência das Contribuições, conforme imagem: Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.178 11 Nada obstante, em que concordo parcialmente com as conclusões fiscais de que a venda com fim específico de exportação terseá por comprovada com o embarque de exportação ou a armazenagem em recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (arts. 39, § 2º da Lei nº 9.532/1997 e 46, § 1º da IN/SRF nº 247/2002), no presente caso há de se dar por comprovada a vinculação e correlação entre os quatro elementos de verificação: notas fiscais de venda, notas fiscais de complementação de preços das notas de venda, cartas de correção e memorandos de exportação. Ademais, em diligência foi confirmada a emissão e escrituração regular de tais notas fiscais, não havendo elementos colacionados aos autos que infirmassem tais circunstâncias. Em que pese as cartas de correção emitidas em datas muito superiores as das notas fiscais, tal situação, não corroborada com outros fatos, não permitem a presunção de que as vendas não foram para exportação. Assim, diante dos argumentos aqui assentados, especialmente com a decisão no PAF nº 15586.001601/201053, cumpre reconhecer que as notas fiscais versadas neste tópico ampararam vendas com fim específico de exportação devendo, portanto, os valores nelas consignados compor a base de cálculo dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação. Glosa de créditos de serviços Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.179 12 A fiscalização excluiu da base de cálculo dos créditos da Cofins não cumulativa os serviços não abrangidos no conceito de insumo, assim considerados na IN SRF nº 404/2004; ou seja, tomou o conceito restritivo apenas para admitir o crédito quando consumido ou aplicado diretamente na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. Dessa forma, glosou créditos com despesas de serviços não classificados como insumos e os serviços de operação na usina, denominados, conforme contrato celebrado com a Vale S/A, Fator K e Fator Y, conforme o quadro "Demonstrativo dos Créditos Aceitos pela Fiscalização" (fls. 544): Denotase que, em termos de valor monetário, quase a totalidade dos créditos foram mantidos, pois a glosa significou apenas 0,39% em abril/2008, 0,32% em maio/2008 e 0,1% em junho/2008. Entende a recorrente que o conceito de insumo é mais amplo que o conceito de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, e sustenta que os serviços glosados são todos decorrentes de sua operação industrial onerando a atividade empresarial, inclusive com a incidência das Contribuições que devem ser nãocumulativas. Em síntese, arremata que os serviços foram prestados para a efetivação da produção de pelotas de minério de ferro. A DRJ corroborou o entendimento fiscal, pois ao cotejar os serviços relacionados e a descrição dos motivos da glosas concluiu não serem (os serviços) aplicados ou consumidos na produção de pelotas de minério de ferro. Com razão a decisão recorrida. Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.180 13 Apenas ínfima parcela das despesas relacionadas a serviços foram glosados por não serem essenciais ou relevantes ao processo produtivo. Tratamse de despesas variadas que, conquanto necessária às atividades da pessoa jurídica, não se relacionam com a fabricação de produtos destinados à venda. São elas (fl. 543): Analisando cada uma das rubricas desses serviços e a natureza da atividade do prestador é de se concluir que "despesas administrativa, advocatícia, publicitária, alimentação, eventos, seguros, refrigeração, etc; despesas com desenvolvimento de projeto, construção, manutenção de engenharia civil e topografia; despesas com assessoria ambiental, tributária, técnica; despesas com material de uso e consumo e máquinas e equipamentos de escritório" não se enquadram no conceito de insumos empregados na atividade industrial da recorrente e, com fulcro no art. 3º da Lei nº 10.8333/2003, não há permissivo para o creditamento. Quanto ao serviços de operação e manutenção de equipamento da produção aponta a contribuinte para a Solução de Consulta Cosit nº 30/2010 que alega permitir crédito a tais rubricas. Solução de Consulta nº 30, de 26 de janeiro de 2010 Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP AQUISIÇÃO DE FERRAMENTAS. MÃODEOBRA PARA OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DA PRODUÇÃO. SERVIÇOS APLICADOS SOBRE O PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORMES, EPIS, PAT, TRANSPORTE DE PESSOAL, VIGILÂNCIA, JARDINAGEM, MANUTENÇÃO DA REDE ELÉTRICA E DE PRÉDIOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Revisa a/ Solução de Consulta SRRF/93 RF/Disit n° 377, de 9 de novembro de 2006. As ferramentas adquiridas para utilização em máquinas da linha de produção, a contratação de mãodeobra de pessoas jurídicas para operação e manutenção de equipamentos da linha de produção e a contratação de serviços de pessoas jurídicas aplicados diretamente sobre o produto em transformação ou sobre as ferramentas utilizadas nas máquinas pertencentes à linha de produção são considerados insumos, para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/PASEP. Todavia não são considerados insumos a aquisição de uniformes e de Equipamentos de Proteção Individual, os dispêndios com o Programa de Alimentação do Trabalhador, a contratação dos serviços de transporte de pessoal, de limpeza, vigilância e jardinagem e de manutenção da rede elétrica e de prédios administrativos e de produção. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.181 14 Não posso concordar que a SC 30/2010 respalde a tomada de crédito com as despesas pretendidas, pois seu fundamento é a aplicação direta do serviço sobre o produto ou sobre as ferramentas utilizadas nas máquinas pertencentes à linha de produção. A recorrente não demonstrou que tais serviços são efetivamente realizados em máquinas e equipamentos da produção. Ademais, em suas razões recursais acaba por infirmar a aplicação desses serviços nas etapas produtivas, conforme item 48 (fl. 639): Ora, os serviços operação e manutenção de equipamentos da produção são_diretamente utilizados na produção do produto (verbi gratia serviços de gerenciamento e de elaboração de projetos e consultoria de engenharia; operação manutenção de aterro industrial; controle consultoria ambiental; locação de andaimes sanitários químicos e outros módulos topográficos; desenvolvimento de softwares serviços de compras de bens de uso e consumo etc.) Em relação aos serviços prestados contratualmente pela Vale S/A, identificados nos demonstrativos como Fator C, Fator K e Fator Y, a autoridade fiscal constatou trataremse de serviços necessários e correlatos ao funcionamento da usina de pelotização da recorrente. Os Fatores estão assim identificados: Fator C: valor dos materiais, serviços e suprimentos diretamente medidos na operação da usina; valor para a HISPANOBRAS dos serviços e materiais complementares relativos ao Departamento de Pelotização da CVRD, tais como inspeções, controle de qualidade, oficinas, sala de controle, engenharia industrial, transporte de pessoal e de materiais, etc.; valor para a HISPANOBRAS correspondente ao total das despesas com mão deobra e respectivos encargos e provisões do Departamento de Pelotização da CVRD dividido pelo número de usinas operadas pela CVRD na Ponta de Tubarão. Fator K: despesas gerais da CVRD. Referese a todas as despesas incorridas pela CVRD, em Vitória e no Rio de Janeiro, pela prestação de serviços necessários ou úteis para a administração regular da HISPANOBRAS, entre os quais: telex e outras modalidades de comunicação, elaboração e processamento de dados, treinamento de pessoal, órgãos de pessoal, comercial e de compras, assistência jurídica e fiscal, estatística, serviços de contabilidade e custo, etc., que não estejam incluídos em nenhum componente da compensação. Fator Y: componente voltado a compensar a CVRD pelo custo financeiro do capital de giro que a CVRD proverá para a operação e manutenção da Usina, através da manutenção em estoque de sobressalentes e de materiais de consumo. Nos termos do item V do contrato, os fatores apontados referemse à compensação monetária pela operação normal da usina, nos quais estão incluídos os Fatores "C", "K" e "Y". Verificou o Fisco que se referem a serviços voltados à administração regular da recorrente (Fator K) e as aquisições de bens de consumo e o custo financeiro à manutenção de estoque (Fator Y). Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.182 15 Não houve glosa relativamente às despesas dos serviços mencionados no Fator C, e quanto aos Fatores K e Y alcançou somente as despesas gerais, não aplicadas ou consumidas diretamente na produção, como consignou a autoridade fiscal (fls. 554): Observase da análise dos componentes da compensação pela operação da usina que vários deles não são aplicados ou consumidos diretamente na produção de pelotas de minério de ferro e, por conseguinte, não se subsumem ao conceito de insumo para aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins. Nesta condição estão os serviços voltados à administração regular da HIPANOBRAS abarcados pelo Fator K. No tocante ao Fator Y, salientase que a legislação somente estabeleceu o aproveitamento de créditos sobre os valores das aquisições de bens para a industrialização, não integrando o cálculo as aquisições de bens de consumo e o custo financeiro atinente à manutenção em estoque. Desta forma, e aplicando os mesmos fundamentos do tópico anterior, procedeuse à glosa dos valores compensados à CVRD referentes a gastos não aplicados ou consumidos diretamente na produção de pelotas de minério de ferro, quais sejam, as despesas gerais representadas pelos Fatores K e Y. Não há reparo na decisão recorrida quanto à manutenção da glosa parcial nas despesas dos Fatores K e Y. Essas despesas são de natureza financeira e administrativa e se relacionam a custos do capital de giro provido pela Vale S/A e à gestão administrativa da unidade produtiva da Hispanobrás. Por fim, de se ressaltar que a matéria enfrentada neste tópico (glosa dos serviços dos Fatores K e Y) foi decidida por Turma deste CARF no julgamento do processo nº 15586.000005/201137, da mesma contribuinte CIA HISPANO BRASILEIRA DE PELOTIZACAO HISPANOBRAS , quanto aos fatos do período do 1º trimestre de 2006, com a prolação do Acórdão nº 3302005.270, sessão de 28 de fevereiro de 2018, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que, por unanimidade de voto, negou provimento ao recurso voluntário, com a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITOS. INSUMOS. NÃOCUMULATIVIDADE. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços que tenham relação de pertinência com a produção, fabricação ou prestação de serviço, ainda que não tenham contato direto e não tenham seu aproveitamento vedado pela lei. A decisão é melhor compreendida com excerto do voto: [...] Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10783.914097/201194 Acórdão n.º 3201004.245 S3C2T1 Fl. 1.183 16 Abrigada na hermenêutica que se extrai dos dispositivos acima citados, considerando que a recorrente atua na produção e comercialização de pelotas de minério de ferro e em face da descrição dos elementos que compõem os fatores K e Y e glosados pela fiscalização, inferese que embora sejam dispêndios necessários à atividade da empresa, não se enquadram nas disposições normativas acima destacadas quanto ao conceito de insumo, já que visam à administração regular da Hispanobrás (Fator K) e à remuneração pelo custo financeiro do capital de giro provido pela CVRD (Fator Y). [...] Dessa forma, não comprovado pelo contribuinte a essencialidade dos serviços glosados em atividades produtivas da fabricação dos produtos destinados à venda, e tampouco se enquadrarem no conceito de insumos previsto nos dispositivos do art. 3º da Lei nº 10.8333/2003, não há permissivo para o creditamento. Conclusão Destarte, encaminho este voto para concluir que: 1. Consideramse receitas de exportação as vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado por memorandos de exportação exigidos pela legislação estadual e notas fiscais de venda acompanhadas das correspondentes cartas de correção; 2. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços para os quais o contribuinte não comprova ou demonstra a aplicação em etapas essenciais ao processo produtivo. Por tudo ante exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apenas para reconhecer que as notas fiscais venda nºs 1096, 1115, 1146 e 1160, e as respectivas notas complementares de preço nº 1174, 1175, 1176 e 1177, ampararam vendas com fim específico de exportação devendo, portanto, os valores nelas consignados compor a base de cálculo dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.725302/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazê-lo em outro momento processual.
RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA.
O pedido de restituição não é o procedimento previsto em lei para a revisão de crédito tributário lançado de ofício e quitado por pagamento. Somente há crédito passível de restituição se configurado o pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 1201-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor, vencidos os conselheiros Rafael Gasparello Lima (relator), Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro José Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazê-lo em outro momento processual. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. O pedido de restituição não é o procedimento previsto em lei para a revisão de crédito tributário lançado de ofício e quitado por pagamento. Somente há crédito passível de restituição se configurado o pagamento indevido ou a maior.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.725302/2010-09
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5932245
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.589
nome_arquivo_s : Decisao_10380725302201009.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL GASPARELLO LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10380725302201009_5932245.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor, vencidos os conselheiros Rafael Gasparello Lima (relator), Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro José Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7535829
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146865606656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1638; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 462 1 461 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.725302/201009 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.589 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO VALOR INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. O pedido de restituição não é o procedimento previsto em lei para a revisão de crédito tributário lançado de ofício e quitado por pagamento. Somente há crédito passível de restituição se configurado o pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor, vencidos os conselheiros Rafael Gasparello Lima (relator), Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 53 02 /2 01 0- 09 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 463 2 (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro José Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Inicialmente, o Recorrente foi autuado pelo não pagamento da estimativa mensal de IRPJ (anoscalendário de 2000 e 2002), após indeferimento da sua compensação com crédito de Ação de Mandado de Segurança, diante da superveniência de decisão judicial contrária, transitada em julgado. O lançamento de ofício da multa isolada sobre a estimativa mensal (R$ 115.576.337,57) ocorreu, concomitantemente, com a penalidade de ofício (R$ 70.722.284,23), segundo o respectivo demonstrativo: Em despacho decisório (fls. 171 e 172), a restituição foi negada, uma vez que o Recorrente quitou o valor exigido pelo Auto de Infração (PAF nº 10380.005784/200510), dentro do prazo de 30 (trinta) dias, expressando sua concordância com lançamento de ofício e, por fim, auferindo a redução da multa isolada em 50%, como se infere a seguir: O presente processo recepciona o PER/DCOMP nº 32697.33758.090710.1.2.041072 (fls. 02/04), enviado em 09/07/2010, referente a Pedido de Restituição de Pagamento Indevido ou a Maior, cujo crédito, que diz existir, inserido no Campo Valor do Pedido de Restituição, totaliza R$57.788.168,77 (cinqüenta e sete milhões, setecentos e oitenta e oito mil, cento e sessenta e oito reais e setenta e sete centavos) Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 464 3 referente ao DARF demonstrado naquele documento com Código de Receita 6378 (MULTA ISOLADA IRPJ (ART. 43 L.9430)), Período de Apuração – PA 07/07/1980, data da arrecadação 11/08/2005 e vinculado ao Processo Administrativo Fiscal – PAF nº 10380.005784/200510. 2. Concomitante a transmissão do pedido eletrônico, a requerente apresentou requerimento, em 12/07/2010, expondo suas razões e documentos que julgou necessários para demonstrar o indébito tributário. 3. O DARF identificado no pedido totaliza R$57.788.168,77 (cinqüenta e sete milhões, setecentos e oitenta e oito mil, cento e sessenta e oito reais e setenta e sete centavos) e referese ao pagamento de auto de infração objeto do PAF nº 10380.005784/200510 relativo a multa exigida isoladamente relativo ao IRPJ, conforme consta do respectivo documento acostado por cópia a este processo digital. 4. Com efeito, a restituição pleiteada alberga sua origem em suposto pagamento a maior ou indevido relacionado a auto de infração lavrado em seu desfavor e já quitado com as reduções legais pertinentes e, por conseqüência, não contestado em momento oportuno. Portanto, após a quitação com as reduções previstas em lei, o crédito tributário tornarse definitivamente extinto, não podendo a contribuinte, a posteriori, usar pedido de restituição para demonstrar suposto indébito daquela natureza, transformando a restituição como sucedâneo da impugnação administrativa, na forma prevista nas leis instituidora do processo administrativo tributário. Ademais, o DARF inserido no documento encontrase totalmente utilizado não restando saldo credor passível de restituição, conforme extrato do pagamento acostado às fls. 164/165 do presente processo. (...) 8. As razões apresentadas neste processo não têm o condão de demonstrar indébito tributário oriundo de pagamento vinculado à quitação do auto de infração regulamente notificado. Essas razões deveriam ter sido apresentadas como impugnação no prazo legal estabelecido. Não tendo sido feito, precluiu o direito de a impugnante fazêlo utilizando, para isso, pedido de restituição. Ademais, a quitação do AI ocorreu em 11/08/2005, no entanto, somente em 09/07/2010, a contribuinte entendeu ser indevido o referido pagamento. Portanto, como já mencionado linhas atrás, o pedido de restituição em comento não pode ser utilizado para contrapor a um lançamento através de auto de infração já quitado sob alegação de que a multa proporcional aplicada sobre o tributo teria sido indevida. O contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário, esclarecendo a origem do pagamento indevido, in litteris: Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 465 4 Em 12.07.2005, foi lavrado Auto de Infração nº 0310100/00473 04 do MPF (fls. 67 a 84) relativo ao IRPJ – calendários de 2000 e 2002, motivado pela não aceitação de compensação realizada com créditos decorrentes do Plano Verão e recolhimento de estimativas em atraso sem a respectiva multa de mora. Em 11.08.2005, o Banco recorrente pagou o valor de R$ 57.788.168,77 (cinqüenta e sete milhões e setecentos e oitenta e oito mil e cento e sessenta e oito reais e setenta e sete centavos) cobrados no mencionado Auto de Infração, com redução de 50% em virtude do pagamento realizado dentro do prazo de impugnação. DARF e demonstrativo às fls. 85/89. Em 09.07.2010, dentro do prazo de 05 anos da autuação, o recorrente efetivou pedido de restituição através da transmissão da PERD/DCOMP nº 32697.33758.090710.1.2.041072 (fls. 02/04). Concomitante à transmissão do pedido eletrônico, o banco postulante apresentou requerimento, em 12.07.2010, expondo suas razões e documentos que julgou necessários para demonstrar o indébito tributário e pedir sua restituição (fls. 05/31). Citada PERD/DCOMP e pedido de repetição de indébito foram indeferidos por despacho decisório (fls. 171/172). Em 17.08.2011 o recorrente apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 179/216) na qual expõe as razões pelas quais considera ilegal o auto de infração perpetrado e legítimo o seu pedido de restituição. (...) II.1 – Da retroatividade da MP nº 303/2006 e Lei n9 11.488/2007, que revogaram o dispositivo que autorizava a aplicação da multa isolada no presente caso O art. 106 do CTN regula a aplicação da lei tributária a ato ou fato pretérito. Neste sentido, o inciso II, “a”, do mesmo artigo é claro ao determinar a retroatividade da lei em relação a ato não definitivamente julgado quando deixe de definilo como infração. Tendo em vista que o recorrente exerceu o seu direito de pedir restituição do tributo dentro do prazo prescricional de 5 anos (art. 168, I, do CTN), contado da data da extinção do crédito tributário. Não há que se falar em concordância do contribuinte com a multa aplicada, pois se tal fato fosse válido a lei não daria ao contribuinte um prazo de 5 anos para pleitear a restituição. Assim, plenamente plausível, obedecido o prazo prescricional, a possibilidade de apresentação do ato à apreciação da jurisdição administrativa ou judiciária para julgamento do mesmo, posto que não existiu julgamento anterior. Desta forma, no momento do julgamento do presente processo a multa isolada aplicada ao Banco recorrente não merece persistir Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 466 5 tendo em vista a revogação pela MP nº 303/2006 dos dispositivos legais que a autorizavam. (...) Percebese que desde 2006 o CARF vem decidindo reiteradamente pela retroatividade da MP 303/2006 e posterior Lei 11.488/2007, fazendo com que a multa aplicada no presente caso seja considerada inválida. (...) II.2. DECADÊNCIA DA MULTA ISOLADA (...) O auto de infração datado de 12.07.2005 (fls. 67 a 84), apresenta a data de apuração do tributo (fato gerador) corresponde a janeiro/2000, ou seja, após o término do prazo decadencial de acordo com o que preconiza o artigo 150, § 4ç? do CTN. Conforme se observa, o lançamento do tributo pelo Fisco somente poderia ocorrer até julho de 2000, prazo este que não se suspende nem se interrompe! Ressaltese que embora não tenha natureza de tributo, por serem sanção de ato ilícito, o art. 113, § 1º do CTN, dispensa às multas, o mesmo tratamento jurídico dado aos tributos, quando as coloca como obrigação principal ao lado do próprio tributo. (...) II.3. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA SOBRE A ESTIMATIVA Com efeito, o art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 (que embasou a cobrança da multa no Auto de Infração), reza que, nos casos de lançamento de ofício, quando da falta de pagamento ou recolhimento de tributo, será aplicada multa punitiva, cuja exigência, em se tratando de pessoa jurídica sujeita ao pagamento de IR através do Lucro Real, por estimativa, verifica se mesmo que tenha havido prejuízo fiscal no anocalendário correspondente. Entretanto, no caso em questão não houve falta de pagamento ou recolhimento do tributo na estimativa, mas sim compensação não homologada pelo Fisco. (...) II.4 DA APLICAÇÃO ILEGAL DA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO: (...) Por força de argumentação, mencionase o acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes, Turma Ordinária: Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 467 6 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1999. Ementa: MULTA DE OFÍCIO Em relação às diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação indevida ou não comprovada, só cabe lançamento da multa de ofício quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, e nos casos de a compensação ser considerada não declarada nas hipóteses previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. (grifos nossos) Por fim, com base nos argumentos expostos anteriormente, o Bancorecorrente REQUER a exoneração da multa punitiva de ofício, uma vez que restou comprovada a falta de enquadramento da conduta do Banco nas hipóteses previstas em lei para a aplicação da citada multa. (grifado no original) O acórdão recorrido reiterou o despacho decisório, como transcrevo abaixo: 7. De plano, temse que será analisado neste processo pela autoridade julgadora somente as alegações relativas à manifestação de inconformidade em face do despacho decisório de indeferimento. As infrações apuradas no auto de infração deveriam ter sido impugnadas. Com o pagamento, precluiu o direito do interessado impugnar a multa isolada uma vez que extinguiu a lide que, notese, nem chegou a ser instaurada. 8. Tratase de Manifestação de Inconformidade ante ao Despacho Decisório de efls. 171/172, que não reconheceu a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de multa isolada de IRPJ (art.43, L.9430), em razão do DARF indicado no pedido de restituição já ter sido integralmente utilizado. 9. Conforme consulta ao sistema SIEF o DARF utilizado no pedido de restituição foi utilizado na quitação do auto de infração relacionado ao PAF nº10380.005784/200510 (efls. 416/429). O despacho recorrido consigna que: “ [...] o DARF inserido no documento encontrase totalmente utilizado não restando saldo credor passível de restituição, conforme extrato do pagamento acostado às fls. 164/165 do presente processo.”. Portanto, inexiste saldo a ser restituído. Em síntese, vislumbrase que a restituição é subsidiada no pagamento indevido da multa isolada: (i) extinta pela decadência antes do adimplemento e; (ii) inexigível, conforme precedentes e a interpretação jurídica do Recorrente. É o relatório. Voto Vencido Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 468 7 Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Inicialmente, a restituição é admitida quanto houver "cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido" (artigo 165, inciso I, do Código Tributário Nacional), "erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento" (artigo 165, inciso II, do Código Tributário Nacional) e a "reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória" (artigo 165, inciso III, do Código Tributário Nacional). O crédito pretendido advém do pagamento de multa isolada e não do tributo propriamente dito. Contudo, existem precedentes para incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, pois integrante da obrigação tributária. Por exemplo, citase parte do acórdão nº 9101003.469, proferido pela Conselheira, Adriana Gomes Rêgo: Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, necessário a análise se o pagamento efetivado é indevido ou não, independentemente, se realizado com a anistia parcial da multa isolada, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no primeiro lançamento de ofício (PAF nº 10380.005784/200510). Todavia, ressalvase que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", como delimita sua Súmula nº 2. Como antecipado no relatório do presente voto, limitase a presente análise à existência de pagamento indevido da multa isolada pela (i) decadência antes do adimplemento e; (ii) inexigibilidade, sem abordagem da inconstitucionalidade da lei ordinária. I. DECADÊNCIA PRÉVIA AO PAGAMENTO INDEVIDO Embora o Recorrente opine pela fluência do prazo decadencial a partir de janeiro/2000, consubstanciada no artigo 150, parágrafo quarto, do Código Tributário Nacional, citando a jurisprudência nesse sentido, divirjo do referido posicionamento. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 469 8 Atualmente, prevalece o entendimento da Súmula nº 104 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 104: Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O tema é elucidado pelo acórdão nº 9101001.861, relatado pela Conselheira, Karem Jureidini Dias, paradigma da mencionada Súmula nº 104: Tratase de fato jurídico tributário que tem por suporte fático uma conduta ilícita (não recolhimento da estimativa) praticada pelo sujeito passivo. Desta forma, o lançamento em questão tem natureza originariamente de ofício e não natureza de lançamento por homologação. Nessa medida, pareceme que não há como se imputar pagamento parcial da estimativa à multa isolada, para fins de aplicação do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, porquanto a multa, quando isoladamente aplicada, não depende da constituição do tributo, não se lhe caracterizando como procedimento sujeito ao lançamento por homologação. Aplicável, assim, a regra decadencial do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ante o exposto, tendo em vista que o contribuinte teve ciência do auto de infração em 15 de julho de 2005 e os fatos geradores reportamse ao anocalendário de 2000, não há que se falar em decadência, pelo que voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. Logo, não há pagamento indevido pela exposição acima. II. INEXIGIBILIDADE DA MULTA ISOLADA CUMULADA COM A MULTA DE OFÍCIO A multa isolada não é cumulativa como a penalidade de ofício, consoante jurisprudência uniformizada pela Súmula nº 105 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. O acórdão nº 9101001.261, relatado pelo Conselheiro, Valmir Sandri, paradigma da aludida Súmula nº 105, expõe a interpretação contrária à cumulatividade das penalidades: Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 470 9 antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de oficio de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades — de mora e de oficio — na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dosimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. (...) Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6°). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo.” Entendo, portanto, que há certeza e liquidez sobre o indébito de pagamento indevido do Recorrente, suscetível de deferimento do pedido de restituição eletrônico (PER/DCOMP), com acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). Isto posto, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo o pagamento indevido da multa isolada. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Voto Vencedor Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 471 10 A análise constante do voto do i. relator orientouse por dois pontos: I. DECADÊNCIA PRÉVIA AO PAGAMENTO INDEVIDO; II. INEXIGIBILIDADE DA MULTA ISOLADA CUMULADA COM A MULTA DE OFÍCIO. Muito embora concorde com essa análise, a restituição pleiteada não pode ser deferida em face de outra razão, qual seja, a não impugnação quanto ao lançamento de ofício que exigia, além do tributo, a multa isolada. Em face disso, peço vênia do i. relator para discordar do seu voto, no que tange à possibilidade de restituição de valores lançados de ofício. Como visto no relatório, o pedido é relativo à multa isolada lançada por meio de auto de infração controlado no processo nº 10380.005784/200510, paga com a redução prevista na legislação de regência. Por óbvio, está claro que o referido lançamento de ofício não foi objeto de impugnação. Cabe frisar, também, que havia outro processo do contribuinte (nº 10380.005783/200567), relativo à CSLL, em que foi feita a exigência de multa isolada e que também foi quitado, tendo sido protocolado pedido de restituição dessa multa paga. Esse processo de restituição tem por número 10380.724825/201020 e foi julgado por meio do acórdão nº 1401001.467 da 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, de 18 de janeiro de 2016, tendo sido indeferido o pedido. No acórdão da manifestação de inconformidade deste processo, a relatora assim se manifestou no seu voto, item 7 (fl. 437): 7. De plano, temse que será analisado neste processo pela autoridade julgadora somente as alegações relativas à manifestação de inconformidade em face do despacho decisório de indeferimento. As infrações apuradas no auto de infração deveriam ter sido impugnadas. Com o pagamento, precluiu o direito do interessado impugnar a multa isolada uma vez que extinguiu a lide que, notese, nem chegou a ser instaurada. Já, naquele processo relativo à CSLL lançada de ofício, o relator em seu voto (acórdão nº 1401001.467) baseouse na decisão de primeira instância para indeferir o pedido de restituição, conforme abaixo: Ao apreciar esta questão, manifestouse com muita propriedade a decisão de piso, fls. 386: 8. Sobre a constituição do crédito e sua alteração, convém citar o art. 145 do CTN, o qual determina que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de impugnação, recurso de ofício ou iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. 9. Não tendo sido impugnado o lançamento, não há que se falar em recurso de ofício. Além disso, não se vislumbra qualquer Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10380.725302/201009 Acórdão n.º 1201002.589 S1C2T1 Fl. 472 11 iniciativa de ofício visando a alterar o lançamento efetuado, visto que não estão presentes quaisquer das hipóteses do art. 149 do CTN. Portanto, sobre aquele crédito tributário definitivamente constituído de ofício não se vislumbra mais qualquer tipo de alteração, seja em virtude de não se enquadrar em qualquer das hipóteses de revisão de ofício relacionadas nos art. 149 do CTN, ou porque a interessada não suscitou à época própria, mediante apresentação de impugnação ao lançamento, as discussões que agora procura restabelecer. 10. Assim, não cabendo mais alteração do valor lançado de ofício no auto de infração tratado no processo administrativo fiscal nº 10380.005783/200567, temse que o pagamento de que trata o Darf listado no Pedido de Restituição protocolizado sob o nº 00860.38518.090710.1.2.049056 não se configura como sendo pagamento a maior, inexistindo qualquer situação de fato ou de direito a ensejar restituição à interessada, que por isso deve ter o seu pedido indeferido. Assim, mutatis mutandis, adoto também tais fundamentos como razões de decidir, pelo que não é cabível a restituição de importância paga que foi lançada por meio de auto de infração não impugnado em momento próprio. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 472DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720935/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 2.500.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/17, a qual, por tratar-se de norma processual, é de aplicação imediata.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO. CONTA CONJUNTA COM ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
No caso de conta conjunta com contribuinte falecido no curso do ano-calendário fiscalizado, a responsabilidade pela comprovação da origem dos depósitos, no que tange aos créditos bancários recebidos desde a abertura da sucessão até a partilha dos bens, recai sobre o inventariante, a quem cabe representar e administrar o espólio, no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. Por sua vez, a responsabilidade pela comprovação da origem dos créditos bancários efetuados após a partilha dos bens, persiste apenas para o co-titular sobrevivente.
Nessas condições, intimado o inventariante, ao mesmo tempo, co-titular da conta bancária fiscalizada e um dos sucessores do de cujus, remanescendo depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por documentação hábil e idônea, recebidos a partir da abertura da sucessão, subsiste em parte a ação fiscal contra ele levada a efeito. O demais sucessores respondem solidariamente apenas em relação ao crédito tributário decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos imputável ao espólio, referente aos depósitos bancários de origem não comprovada recebidos entre a abertura da sucessão e a partilha dos bens, observada a limitação ao montante do quinhão do legado ou da meação.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. LEGALIDADE. IMPOSTO APURADO PELO ESPÓLIO APÓS A ABERTURA DA SUCESSÃO.
A aplicação da multa de ofício de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Apurada a omissão de rendimentos tributáveis por parte do espólio, relativamente a fatos geradores ocorridos após a abertura da sucessão, não há falar em aplicação da multa de mora nos termos regrados pelo art. 49 do Decreto-Lei nº 5.844/43.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4.
Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2202-004.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 2.500.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/17, a qual, por tratar-se de norma processual, é de aplicação imediata. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO. CONTA CONJUNTA COM ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No caso de conta conjunta com contribuinte falecido no curso do ano-calendário fiscalizado, a responsabilidade pela comprovação da origem dos depósitos, no que tange aos créditos bancários recebidos desde a abertura da sucessão até a partilha dos bens, recai sobre o inventariante, a quem cabe representar e administrar o espólio, no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. Por sua vez, a responsabilidade pela comprovação da origem dos créditos bancários efetuados após a partilha dos bens, persiste apenas para o co-titular sobrevivente. Nessas condições, intimado o inventariante, ao mesmo tempo, co-titular da conta bancária fiscalizada e um dos sucessores do de cujus, remanescendo depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por documentação hábil e idônea, recebidos a partir da abertura da sucessão, subsiste em parte a ação fiscal contra ele levada a efeito. O demais sucessores respondem solidariamente apenas em relação ao crédito tributário decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos imputável ao espólio, referente aos depósitos bancários de origem não comprovada recebidos entre a abertura da sucessão e a partilha dos bens, observada a limitação ao montante do quinhão do legado ou da meação. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. LEGALIDADE. IMPOSTO APURADO PELO ESPÓLIO APÓS A ABERTURA DA SUCESSÃO. A aplicação da multa de ofício de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Apurada a omissão de rendimentos tributáveis por parte do espólio, relativamente a fatos geradores ocorridos após a abertura da sucessão, não há falar em aplicação da multa de mora nos termos regrados pelo art. 49 do Decreto-Lei nº 5.844/43. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.720935/2011-03
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944358
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-004.850
nome_arquivo_s : Decisao_19515720935201103.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 19515720935201103_5944358.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7559885
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146872946688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2137; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 421 1 420 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720935/201103 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2202004.850 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2018 Matéria IRPF Recorrentes ANTONIO CARLOS KALIM FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 2.500.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/17, a qual, por tratarse de norma processual, é de aplicação imediata. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO. CONTA CONJUNTA COM ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No caso de conta conjunta com contribuinte falecido no curso do ano calendário fiscalizado, a responsabilidade pela comprovação da origem dos depósitos, no que tange aos créditos bancários recebidos desde a abertura da sucessão até a partilha dos bens, recai sobre o inventariante, a quem cabe representar e administrar o espólio, no cumprimento de obrigações ativas ou passivas pendentes. Por sua vez, a responsabilidade pela comprovação da origem dos créditos bancários efetuados após a partilha dos bens, persiste apenas para o cotitular sobrevivente. Nessas condições, intimado o inventariante, ao mesmo tempo, cotitular da conta bancária fiscalizada e um dos sucessores do de cujus, remanescendo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 35 /2 01 1- 03 Fl. 421DF CARF MF 2 depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por documentação hábil e idônea, recebidos a partir da abertura da sucessão, subsiste em parte a ação fiscal contra ele levada a efeito. O demais sucessores respondem solidariamente apenas em relação ao crédito tributário decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos imputável ao espólio, referente aos depósitos bancários de origem não comprovada recebidos entre a abertura da sucessão e a partilha dos bens, observada a limitação ao montante do quinhão do legado ou da meação. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. LEGALIDADE. IMPOSTO APURADO PELO ESPÓLIO APÓS A ABERTURA DA SUCESSÃO. A aplicação da multa de ofício de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Apurada a omissão de rendimentos tributáveis por parte do espólio, relativamente a fatos geradores ocorridos após a abertura da sucessão, não há falar em aplicação da multa de mora nos termos regrados pelo art. 49 do DecretoLei nº 5.844/43. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Fl. 422DF CARF MF Processo nº 19515.720935/201103 Acórdão n.º 2202004.850 S2C2T2 Fl. 422 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou procedente em parte lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2008, face à apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos de origem não comprovada. A instância de piso descreveu os termos da autuação, em relato (fls. 347/348) que aqui se reproduz no essencial: Contra o contribuinte ANTONIO CARLOS KALIM, CPF nº 009.026.09882, foi lavrado, em 15/08/2011, o Auto de Infração de fls. 209/216, acompanhado do “Demonstrativo de Valores Depositados/Creditados em Conta Bancária, de Origem Não Comprovada”, às fls. 190/194, do “Termo de Verificação Fiscal” às fls. 195/208 e dos “Termos de Sujeição Passiva Solidária” em face de CHAMSI BARCAT KALIM, CPF nº 003.931.80875 (fls. 218/219), ARMANDO BARCAT KALIM, CPF nº 028.491.21827 (fls. 221/222), e CHADIA BARCAT KALIM, CPF nº 056.763.42803 (fls. 226/227). Tratase de autuação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2007, em que foi exigido crédito tributário no montante de R$ 1.529.705,58, sendo os valores de R$ 733.320,03 a título de imposto, de R$ 246.395,53 a título de juros de mora, calculados até 29/07/2011, e de R$ 549.990,02 a título de multa proporcional. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 211/212) e no Demonstrativo de Apuração (fls. 213), foi constatada a OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, no que tange a valores creditados em conta de depósito ou de investimento do espólio de SALIM ABRÃO KALIM, mantida em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, na condição de inventariante, herdeiro, sucessor e, ainda, cotitular da conta bancária examinada, embora regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 195/208), nos montantes mensais a seguir: (...) É de se observar que ANTONIO CARLOS KALIM e SALIM ABRÃO KALIM eram titulares na conta corrente conjunta nº 22.9016, mantida junto à agência 47252, do Banco do Brasil (fls. 62), cuja movimentação foi objeto da ação fiscal em tela, iniciada em 2011 (fls. 11/17), referente ao anocalendário 2007, tendo o segundo falecido em 26/09/2007 (fls. 41), com a realização de inventário e partilha extrajudicial, por meio de escritura pública lavrada em 28/11/2007, em que o primeiro foi nomeado como inventariante, com poderes para representar o espólio (fls. 42/51). Notase, ainda, que os sujeitos passivos solidários foram informados da constituição de crédito tributário de que trata o Auto de Infração ora em foco, relativo ao imposto de renda, do anocalendário 2007, devido pelo de cujus até a data da partilha, por se tratarem de herdeiros apontados na escritura pública, que definiu a divisão consensual dos bens do espólio de SALIM ABRÃO KALIM, consignandose a responsabilidade dos sucessores até o montante da herança, meação ou legado (fls. 218/219, 221/222 e 226/227). A exigência foi impugnada pelo contribuinte, em conjunto com os responsáveis solidários (fls. 252/273), sendo que, em sede de julgamento de primeiro grau, foi promovida significativa reforma no crédito tributário, dado terem sido excluídos da base de Fl. 423DF CARF MF 4 cálculo do lançamento os depósitos bancários compreendidos entre os meses de janeiro a setembro de 2007. O contribuinte interpôs em 13/05/2016, em conjunto com os solidários, recurso voluntário (fls. 389/412), aduzindo, em síntese, que: ter havido violação do seu sigilo bancário; ser indevida sua responsabilização, bem como dos demais solidários, tendo em vista o falecimento de um dos cotitulares da conta objeto de exame fiscal, devendo ser salientado, ainda, que apenas a partir de 28/11/2007 o recorrente passou à condição de inventariante, e que os sucessores respondem pelos tributos devidos pelo de cujus até o limite de sua herança; os depósitos de origem não comprovada não caracterizam omissão de rendimentos, e que os documentos apresentados para tal comprovação são idôneos, devendo ser aceitos pela fiscalização; as informações contidas nos extratos do Banco do Brasil são idôneas, pois emitidas por conceituada instituição financeira; não cabe a aplicação da multa de ofício com base no art. 44 da Lei nº 9.430/96, pois a responsabilidade pelas multas não se estende aos sucessores, os quais, quando muito, responderiam na forma do art. 964, inciso I, 'b' do RIR/99; é indevida a cobrança de taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Do recurso de ofício Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida teria exonerado o contribuinte em valor superior a R$ 1.000.000,00 (imposto mais multa), limite então estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF nº 03/08, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/721. Sem embargo, tal limite foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/2/2017, que revogou a Portaria MF nº 03/08: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tratandose de norma de ínsito caráter processual, deve ser ela aplicada de imediato aos julgamentos em curso, nos termos da Súmula nº 103 do CARF: 1 Registrese que, na verdade, a exoneração não ultrapassou esse limite, conforme demonstrativo de fl.2. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 19515.720935/201103 Acórdão n.º 2202004.850 S2C2T2 Fl. 423 5 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O auto de infração atingia a cifra de R$ 1.283.310,05, como somatório de tributo e multa, sendo promovida a exoneração pela decisão de piso (fl. 371) de um total de R$ 1.075.747,57. Constatase, portanto, que a exoneração promovida pela vergastada foi em montante inferior ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, não devendo ser conhecido o recurso de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De início, cabe referir que as alegações no sentido de que a solicitação da fiscalização para a apresentação de extratos bancários teria violado direitos constitucionais do contribuinte deve ser rejeitada prontamente, por ingressar na análise da constitucionalidade de seu suporte legal, o artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não bastasse, não é demasiado lembrar que a constitucionalidade dos arts. 5º e 6º da LC nº 105/01, que tratam desse tema, já foi assentada no julgamento em 24/02/2016 pelo STF, sob o rito de repercussão geral, do RE nº 603.314/SP. Aliás, compulsando os autos, pode ser verificado que o próprio contribuinte entregou os extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal mediante intimação, conforme narrado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 299), quedando sem respaldo, portanto, as alegações recursais. Nesse particular, por conseguinte, não tem razão o recorrente. No que concerne à responsabilidade pelos tributos incidentes sobre a omissão apurada, impende transcrever o art. 131 do CTN: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; Fl. 425DF CARF MF 6 III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Na espécie, a contacorrente nº 22.9016, cuja movimentação foi objeto da auditoria fiscal, era mantida no Banco do Brasil S/A., sendo de titularidade conjunta do autuado e de Salim Abrão Kalim, que faleceu em 26/09/2007. E, tendo em vista que a obrigação de comprovar a origem dos depósitos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 é de natureza personalíssima relativamente ao titular da conta, a DRJ/SPO cancelou o lançamento no que se refere aos períodos anteriores ao óbito de Salim Abrão Kalim ou seja, os fatos geradores compreendidos entre jan/07 e set/07. Tudo isso realizado, em consonância, observese, com reiterada jurisprudência administrativa a respeito da matéria, vide ilustrativamente os Acórdãos da CSRF de nos 9202006.009 (j. 27/09/2017) e 9202004.511 (j. 25/10/2016). Destarte, ao contrário do que parece o recorrente ter compreendido sobre a situação, após a reforma no lançamento promovida pela instância de piso não há falar mais em tributação sobre a movimentação bancária efetuada pelo de cujus, ou, em outras palavras, acontecida antes da abertura da sucessão. Na realidade, a cobrança remanescente é referente à movimentação na conta corrente no decorrer do período em que já aberta a sucessão, respondendo o contribuinte pessoalmente, junto com os demais responsáveis solidários, na condição de sucessor, consoante prescreve o inciso II do art. 131 do CTN, independentemente de qualquer consideração acerca de sua condição de inventariante. Então, sendo cotitular da conta em tela, responde o contribuinte por 50% da movimentação, respondendo, junto com os demais solidários, pelos outros 50% atribuíveis ao espólio, nos meses de out/07 e nov/07, em observância ao § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. E, após a partilha, ocorrida em 28/11/2007, responde ele integralmente pela sua movimentação, na qualidade de único titular restante da conta em apreço, como bem circunstanciado pela fiscalização. Vale acrescentar que em nenhum momento o recorrente demonstra documentalmente ter o crédito tributário examinado superado o quinhão do legado/herança, maculando as prescrições do art. 1997 do CC c/c o art. 131, inciso II do CTN; pelo contrário, a escritura pública de inventário e partilha às fls. 42/51 revela que o quinhão que lhe foi atribuído é robusto o suficiente para arcar com o tributo lançado de ofício. Quanto à inconformidade genérica aduzida pelo contribuinte, com relação à caracterização do fato gerador do imposto de renda com base em depósitos bancários, impende explicar que o lançamento foi apurado tendo como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo que desde o início da vigência desse preceito a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Portanto, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão, e o consequente Fl. 426DF CARF MF Processo nº 19515.720935/201103 Acórdão n.º 2202004.850 S2C2T2 Fl. 424 7 fato gerador do imposto de renda pessoa física, a despeito do entendimento em sentido diverso trazido na peça recursal. E apesar de não haver previsão legal para que a justificação da origem se dê com coincidência de datas e valores, o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige que a comprovação demandada aconteça de maneira individualizada. Destarte, intimado o recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados em conta de sua cotitularidade, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos, a qual, após os ajustes efetuados em sede de julgamento de primeira instância, restou verificada para os meses de out/07, nov/07 e dez/07. A respeito das arguições ventiladas pelo recorrente sobre a não consideração de documentos por ele trazidos, não discrimina ele quais teriam sido tais documentos, e em que medida sua valoração estaria equivocada ou ausente. Por seu turno, o Termo de Verificação Fiscal às fls. 298/316 detalha toda a análise das provas carreadas nos autos, merecendo acrescentar que a decisão contestada acatou (fls. 366/367), adicionalmente, dois documentos associados a pagamentos efetuados pela empresa FININVEST como aptos à configurar a comprovação demandada, excluindo os correspondentes valores da base de cálculo da autuação. Nesse rumo, merece anotar o fato de que há depósitos que são identificados nos extratos como havendo sido realizados por determinadas empresas, mas necessário ressalvar também que a presunção de omissão de receitas legalmente estabelecida requer, para ser ilidida, não só o apontamento do remetente, mas também, e principalmente, seja explicada a causa jurídica/negocial que deu ensejo a tais créditos, até mesmo para saber se tratamse de recursos já anteriormente submetidos à tributação, em ônus de prova conferido ao titular das contas. Assim, não é o caso de se questionar a idoneidade das informações contidas nos extratos disponibilizados pelas instituições financeiras, como supõe o recorrente, mas sim de sopesar a qualidade probatória das informações neles constantes, aqui claramente insuficientes. Na sequência, cumpre frisar que a imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização, visto que o contribuinte não cumpriu suas obrigações tributárias, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sua aplicação, portanto, é mera decorrência da legislação, e coerente com a constatação da autoridade fiscal no particular, ou seja, não haver sido pago o tributo devido. Notese que na espécie os fatos geradores que permaneceram incólumes após a exoneração promovida pela DRJ/SPO não se deram por atuação do de cujus, posto que, por óbvio, já falecido desde setembro de 2007, mas sim por omissão de rendimentos do próprio espólio, sendo, daí, inaplicáveis os termos do art. 49 do DecretoLei nº 5.844/43 (art. 23, § 1º, c/c o art. 964 do RIR/99). Como remate, registrese que a incidência de juros de mora, face ao inadimplemento do tributo no prazo de regência, dáse por força de expressa previsão legal contida nos arts. 13 da Lei nº 9.065/95, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, sendo irrelevante qualquer conjetura acerca do aspecto volitivo da conduta do contribuinte para sua aplicação. Fl. 427DF CARF MF 8 Não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, valendo trazer à colação o enunciado em referência: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 428DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17284.720990/2016-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Somente podem ser aceitas as deduções legais da base de cálculo do IRPF, quando comprovados, mediante documentação hábil, o preenchimento dos requisitos legais, no curso do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2001-000.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Somente podem ser aceitas as deduções legais da base de cálculo do IRPF, quando comprovados, mediante documentação hábil, o preenchimento dos requisitos legais, no curso do processo administrativo fiscal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 17284.720990/2016-35
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5945144
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-000.835
nome_arquivo_s : Decisao_17284720990201635.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 17284720990201635_5945144.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7561431
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17284.720990/201635 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.835 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente IVAN ALTENBURG DOMINGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Somente podem ser aceitas as deduções legais da base de cálculo do IRPF, quando comprovados, mediante documentação hábil, o preenchimento dos requisitos legais, no curso do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 28 4. 72 09 90 /2 01 6- 35 Fl. 104DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, em que foram efetuadas glosas com despesas médicas (plano de saúde), no valor de R$ 1.861,27, por se referir a beneficiário que não consta da relação de dependentes na DIRPF. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RIO DE JANEIRO. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 65.. Em síntese, alega que é portador de moléstia grave, fazendo jus à isenção do imposto de renda. Argumenta que não faz nenhum sentido continuar na cobrança, uma vez que a doença está comprovada e reconhecida. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Entendo que assiste razão ao recorrente. Às f. 78/81, foi anexada Decisão da DRF Niterói, que reconheceu, relativamente ao Exercício 2012, a moléstia grave e a isenção ao contribuinte. Não há que se falar, portanto, que o mérito da isenção não tenha sido tratado anteriormente. Desta forma, há de ser deferido seu pedido, no sentido de reconhecer a isenção sobre seus proventos de aposentadoria e/ou pensão. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento, para reconhecer o direito à isenção dos proventos de aposentadoria e/ou pensão recebidos pelo contribuinte. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 105DF CARF MF Processo nº 17284.720990/201635 Acórdão n.º 2001000.835 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 106DF CARF MF
_version_ : 1713051146881335296
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001629/2004-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 30, § 1°, DA L. 9.718/98.INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
O Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei nº 9.718/98 no RE 527.602, com repercussão geral reconhecida, proclamando que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal,ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal.
Numero da decisão: 1301-003.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 30, § 1°, DA L. 9.718/98.INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. O Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei nº 9.718/98 no RE 527.602, com repercussão geral reconhecida, proclamando que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal,ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.001629/2004-73
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5921902
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.416
nome_arquivo_s : Decisao_13971001629200473.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 13971001629200473_5921902.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7486939
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146894966784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.001629/200473 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.416 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria PIS/COFINS Recorrente BLUCARGO TRANSPORTES NACIONAIS E INTERNACIONAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 30, § 1°, DA L. 9.718/98.INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. O Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei nº 9.718/98 no RE 527.602, com repercussão geral reconhecida, proclamando que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal,ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento integral, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 16 29 /2 00 4- 73 Fl. 561DF CARF MF 2 Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados para a cobrança das contribuições sociais do PIS e da COFINS (fls. 119135 e 346362), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de muro, correspondente aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. Como consta nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalizada foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 01/01/1999 por conta de prática reiterada de infração à legislação tributária (omissão de receitas financeiras), conforme processo administrativo fiscal de nº 13971.001700/200418, ao apensado ao presente. A autuada apresentou a impugnação de fls. 138/163 (COFINS) e fls. 365/390, onde questiona a exclusão do SIMPLES e alega que receitas financeiras estão fora do alcance da hipótese de incidência das contribuições sociais. A DRJ julgou improcedente a sua impugnação, conforme acórdão de fls. 514 e ss. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. A questão aqui discutida é sobremaneira simples, com o perdão do trocadilho A partir da exclusão do contribuinte do regime do Simples Nacional, lançouse o PIS/COFINS cumulativo, com base na Lei nº 9.718/98, sobre as receitas financeiras que entendeu a fiscalização não terem sido oferecidas à tributação. Entretanto, o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, através do Recurso Extraordinário nº 527.602, assim ementado: PIS E COFINS LEI Nº 9.718/98 ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13971.001629/200473 Acórdão n.º 1301003.416 S1C3T1 Fl. 3 3 RECEITA BRUTA E FATURAMENTO A sinonímia dos vocábulos Ação Declaratória nº 1, Pleno, relator Ministro Moreira Alves conduz à exclusão de aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida Recurso Extraordinário nº 357.9509/RS, Pleno, de minha relatoria. (RE 527.602, Relator(a): Min. EROS GRAU, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 05/08/2009, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe213 DIVULG 12112009 PUBLIC 13112009) Essa decisão é de observância obrigatória no âmbito deste CARF, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desse modo, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário para afastar a cobrança de PIS/COFINS sobre as receitas financeiras da Recorrente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000038/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA.
A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2003, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima.
Numero da decisão: 1401-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Sergio Abelson, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano, Eduardo Morgado Rodrigues, Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2003, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.000038/2007-41
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927799
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.952
nome_arquivo_s : Decisao_16561000038200741.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 16561000038200741_5927799.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Sergio Abelson, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano, Eduardo Morgado Rodrigues, Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7514358
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146916986880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 564 1 563 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000038/200741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.952 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente EATON LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2003, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Sergio Abelson, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano, Eduardo Morgado Rodrigues, Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 38 /2 00 7- 41 Fl. 564DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1624.855 4” Turma da DRJ/SP1, que por unanimidade de votos julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito lançado. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo em parte o relatório da DRJ, naquilo que interessa à solução da controvérsia: O presente processo trata do resultado da ação fiscal desenvolvida na empresa em epígrafe, que teve como objetivo apurar a adequação dos cálculos realizados pelo contribuinte, relativos aos preços de transferência dos produtos importados de empresas ligadas no exterior, no anocalendário de 2002. 2. A fiscalização relata no “Termo de Verificação e Constatação TVC" (fls. 68 a 70), basicamente, que: 2.1. a empresa entrou com ação na Justiça Federal, e obteve liminar em Mandado de Segurança, visando assegurar o direito de praticar ajustes a titulo de preços de transferência pela IN SRF n° 32/2001 por entender que a IN SRF n° 243/2002, introduz uma forma de cálculo não prevista na Lei n° 9.430/96 com caracteristicas extorsivas no cálculo pelo método do PRL 60%; 2.2. nos trabalhos desenvolvidos foi verificado, para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, que a dedutibilidade dos custos dos bens importados, de 3. Em decorrência do apurado foram lavrados os seguintes autos de infração, com ciência dada em 18/04/2007 (fls. 59 a 67): Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no valor de R$ 4.191.292,56 e Contribuição Social sobre Lucro Liquido CSLL na quantia de R$ 1.508.865,30 (os valores incluem multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 30/03/2007). 4. Os enquadramentos legais aplicados foram: (i) IRPJ: art. 241 do RIR/99 e (ii) CSLL: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 1° da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96 e art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. A contribuinte apresentou impugnação alegando que estava amparada por liminar em Mandado de Segurança que suspendia a aplicação da regra prevista na IN/SRF 243/2002 para os fatos anteriores a sua entrada em vigor, como é o caso do período autuado, motivo pelo qual a autuação deveria ser restrita a constituição do crédito tributário para prevenção da ocorrência da decadência; alegou também a inaplicabilidade da IN243/2002, publicada em 13/11/2002, a fatos que lhes foram antecendentes, como é o caso dos autos e por fim a própria ilegalidade da metodologia de cálculo da norma frente a Lei 9.430/96, uma vez que impacta na majoração do IRPJ e da CSLL sem a necessária previsão legal, bem como por seu caráter antiisononômico. Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido integralmente sob o entendimento de que de acordo com a decisão obtida no MS impetrado pela Contribuinte a liminar conquistada foi no sentido de não aplicar os critérios de cálculo previstos na IN SRF n° 243/02, somente a partir do anocalendário de 2003. Conseqüentemente, ao contrário do que Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16561.000038/200741 Acórdão n.º 1401002.952 S1C4T1 Fl. 565 3 determinou a fiscalização, os créditos lançados, relativos ao ano calendário de 2002, não estavam com a exigibilidade suspensa, o que também não impedia a aplicação de multa de ofício, não restando nenhuma nulidade ou preliminar a ser sanada. Quanto às alegações feitas pela Contribuinte no sentido de que a IN SRF n° 243/02 não encontra respaldo na Lei n° 9.430/96, criando obrigações novas, não previstas na lei, violando o princípio constitucional da legalidade e mesmo que fosse legal, não poderia ser aplicada já no anocalendário de 2002, pois, foi publicada em novembro daquele ano, entendeuse pela ausência de competência da esfera administrativa para apreciação de tais alegações, posto que relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Tendo a decisão de piso consignado que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo (através da edição de regras administrativas, como a referida Instrução Normativa), deve limitarse a aplicar as disposições ali contidas, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Contudo, tendo considerado ao final que a IN n° 243/02 não veio inovar, mas resgatar o que estava previsto na lei para apuração do custo (parâmetro), ou seja, considerar o preço de revenda do bem importado aplicado na produção de outro bem, e não o preço de venda do produto final. E, conseqüentemente, poderia ser aplicada no ano da sua publicação no Diário Oficial. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário pleiteando a reforma do julgamento sob os seguintes fundamentos: (i) Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem competência para julgar a ilegalidade de um ato normativo expedido pela Receita Federal do Brasil; (ii) A IN/SRF n.° 243/2002 jamais poderia ter sido aplicada para questionar os ajustes realizados pela Recorrente no anocalendário de 2002, tendo a facultatividade da utilização do método PRL60, de acordo com a IN/SRF 243/02, sido reconhecida pela própria COSIT; (iii) A IN/SRF n.° 243/2002 é ilegal por ter extrapolado sua função regulamentadora da Lei n.° 9.430/96 e, assim, ter criado nova e mais gravosa metodologia de cálculo do preço parâmetro no método PRL60; (iv) A sistemática de cálculo de ajustes de preços de transferência prevista na IN/SRF n.° 243/2002 é prejudicial à indústria e economia nacional, uma vez que incentiva os importadores a reduzir o grau de nacionalização dos produtos importados; e (v) A IN/SRF n.° 243/2002 fere o princípio da isonomia ao equiparar a forma de cálculo do preço parâmetro para importadores de produtos para revenda e para importadores de produtos para aplicação na produção nacional, mantendo, porém, margens de lucro distintas (20% e 60%, respectivamente). A controvérsia versa essencialmente sobre a forma de cálculo dos ajustes de preços de transferência de acordo com o método PLR 60. Fl. 566DF CARF MF 4 Enquanto a contribuinte defende que os ajustes devem ser calculados com base no método descrito na Lei 9.430/96 (com a redação dada pela Lei 9.959/2000), a fiscalização entende que deve ser adotado o método descrito na IN SRF n. 243/2002. O Acórdão DRJ recorrido, manteve o lançamento ratificando a autuação conforme o método descrito na IN SRF n. 243/2002. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. No mérito, discutese basicamente a legalidade da IN SRF 243/2002 ao estabelecer os cálculos do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL para fins de cumprimento da legislação sobre preços de transferência. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Especificamente ao ano de 2002, sustenta também a recorrente que os efeitos da referida IN 243/2002 apenas passaram a surtir efeitos a partir do anocalendário de 2003, em respeito aos princípios da irretroatividade, da anterioridade, da segurança jurídica e proteção da confiança legítima, além do art. 146 do CTN. Assiste razão ao contribuinte. Este mesmo entendimento foi adotado na Solução de Consulta COSIT N. 2/08: Processo de Consulta n° 2/08 Órgão: Coordenação Geral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. Na determinação do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento, na metodologia de cálculo, devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no país, na apuração da margem de lucro de 60%, e, também, do preço líquido de venda na apuração final do preço parâmetro. Esta metodologia deverá ser utilizada a partir do início do ano calendário de 2003 e, opcionalmente, em 2002, pela empresa interessada, em função da publicação de novo procedimento pela Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002. A interessada, no entanto, poderseá utilizar, nos anos de 2000, 2001 e, opcionalmente, em 2002 das disposições que constam da Instrução Normativa SRF então vigente (IN SRF n° Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16561.000038/200741 Acórdão n.º 1401002.952 S1C4T1 Fl. 566 5 32, de 2001), nas quais, não contemplam a retirada do valor agregado na composição final do preço parâmetro pelo método PRL 60%. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 146 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e § 11 do art. 12 da Instrução Normativa SRF n°243, de 11 de novembro de 2002. OTHONIEL LUCAS DE SOUSA JÚNIOR Coordenador Geral — Substituto (Data da Decisão: 23.01.2008 25.01.2008) É incontroverso que a IN/243/2002 estabeleceu fórmula de cálculo do PRL60 mais gravosa ao contribuinte que as fórmulas até então previstas pela IN 38/1997 e 32/2001. A alegação dos que sustentam a legalidade da referida IN parte do pressuposto que a fórmula por ela estabelecida para o cálculo do método PRL60 é suportada pela Lei n. 9.430/96, mesmo que mais gravosa que as fórmulas previstas nas instruções normativas anteriores. Nesse rumo, se a lei em sentido estrito deve observar o princípio da anterioridade sempre que estabelecer ou majorar tributo, da mesma forma os atos infralegais não devem receber tratamento menos rigoroso. Logo, ao estabelecer fórmula de cálculo do PRL60 mais gravosa que aquela até então prevista por outras instruções normativas até então vigente, seus efeitos apenas devem ser aplicados no exercício seguinte à sua instituição, ou seja, a partir de 01.01.2003, sendo vedada sua retroatividade. Neste mesmo sentido, a CSRF, através do Acórdão nº 9101002.839, manifestou de forma unânime: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2013, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima. Por esta razão, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte, para cancelar a autuação. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 568DF CARF MF 6 Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
