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Numero do processo: 18336.001866/2006-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/02/2006, 26/05/2006
MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE EXTRAVIO NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA.
Em uma operação de importação, o depositário deve informar à Secretaria da Receita Federal, de forma imediata, sobre a disponibilidade da carga recolhida sob sua custódia, inclusive quanto à ocorrência de avaria ou extravio.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/02/2006, 26/05/2006
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Razoabilidade e da Proporcionalidade.
Numero da decisão: 3002-000.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade. Em relação à parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/02/2006, 26/05/2006 MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE EXTRAVIO NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA. Em uma operação de importação, o depositário deve informar à Secretaria da Receita Federal, de forma imediata, sobre a disponibilidade da carga recolhida sob sua custódia, inclusive quanto à ocorrência de avaria ou extravio. INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/02/2006, 26/05/2006 OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Razoabilidade e da Proporcionalidade.
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MULTA REGULAMENTAR. Recorrente EMPRESA MARANHENSE DE ADMINISTRAÇÃO PORTUÁRIA EMAP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/02/2006, 26/05/2006 MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE EXTRAVIO NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA. Em uma operação de importação, o depositário deve informar à Secretaria da Receita Federal, de forma imediata, sobre a disponibilidade da carga recolhida sob sua custódia, inclusive quanto à ocorrência de avaria ou extravio. INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006, 26/05/2006 OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Razoabilidade e da Proporcionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade. Em relação à parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 18 66 /2 00 6- 13 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 18336.001866/200613 Acórdão n.º 3002000.460 S3C0T2 Fl. 116 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado pela Alfândega do Porto de São Luis (ALF/São Luis) para a aplicação da multa ao depositário ou operador portuário por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, prevista no art 107, inciso IV, alínea “f” do DecretoLei nº 37/1966, que assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; (grifado) De acordo com o auto de infração e seus anexos (fls. 2 a 26), a empresa autuada, fiel depositário do Porto de Itaqui/MA, deixou de comunicar à Receita Federal em duas ocasiões a ausência de volumes em carga de importação, armazenada sob sua responsabilidade – ausência de um volume na descarga do navio Silkeborg, em 15.02.2006, e ausência de 12 volumes na descarga do navio Nordborg, em 24.05.2006. Como ocorreu omissão do depositário em relação a dois eventos independentes, aplicouse uma multa por evento, em um total de dez mil reais. Em ambos os casos, os volumes faltantes eram parte de uma carga total de 25 volumes, que correspondia a um caminhão completo desmontado, pertencentes ao mesmo importador. O depositário registrou a presença da carga como se tivesse desembarcado a carga total quando, em verdade, os volumes faltantes ficaram no navio e foram desembarcados em Vila Velha/ES. A importadora descobriu o erro e solicitou o retorno da carga para a Alfândega de Vitória, que procedeu à identificação dos volumes e sua devolução à ALF/São Luís por trânsito terrestre. Após chegar ao Porto de Itaqui, a carga sofreu nova conferência, pois as declarações de importação já haviam sido desembaraçadas, e foi autorizada sua entrega ao importador em 23.08.2006 (fl. 8). Em 25.08.2006, o coordenador de armazéns e pátios do depositário informou oficialmente à Receita Federal a falta dos 13 volumes, esclarecendo que teriam seguido até o Espírito Santo por engano (fl. 18). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 18336.001866/200613 Acórdão n.º 3002000.460 S3C0T2 Fl. 117 3 A ALF/Luís providenciou uma consulta ao Setor de Administração Tributária da Alfândega sobre as penalidades aplicáveis ao caso, que se manifestou pela aplicação da penalidade administrativa de advertência, que foi tratada em outro processo, e a multa que ora se analisa (fls. 24 a 26). A autuada apresentou impugnação (fls. 30 a 47), na qual alegou que o ato descrito não estava tipificado em lei e que à época dos fatos a Receita Federal ainda não havia estabelecido a forma e o prazo para prestação de informação sobre mercadoria extraviada; que não cometeu a infração pois apenas com a edição da Instrução Normativa SRF nº 680/2006 foi estabelecido prazo para a comunicação de extravio pelo depositário, tendo o auto de infração ferido os princípios da anterioridade da lei e da irretroatividade; que a MP nº 320/2006 alterou o conceito de extravio e nenhum prejuízo foi causado à Fazenda Nacional; e que deve ser aplicado o instituto da denúncia espontânea. A Delegacia de Julgamento em Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0828.115 (fls. 72 a 77), por meio do qual decidiu pela improcedência da impugnação, com base nos seguintes fundamentos: a Instrução Normativa SRF nº 206/2002 e o Decreto nº 4.543/2002 já dispunham sobre a obrigação de o depositário informar sobre o estado da carga logo após a descarga; que não se aplica da denúncia espontânea em penalidades administrativas; e que a MP nº 320/2006 foi integralmente rejeitada, situação formalizada por meio do Ato Declaratório nº 1/2006 do Senado Federal, não podendo produzir efeitos. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA Data do fato gerador: 22/02/2006, 26/05/2006 DEVER DE INFORMAR. DESCUMPRIMENTO. MULTA PROCEDENTE. O depositário de mercadoria sob controle aduaneiro, na importação, deve informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma imediata, sobre a disponibilidade da carga recolhida sob sua custódia em local ou recinto alfandegado, de zona primária ou secundária, mediante indicação do correspondente número identificador, inclusive quanto à ocorrência de avaria ou extravio, sendo cabível a aplicação da penalidade estatuída pelo DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, “f”. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE ADMINISTRATIVA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea referida pelo art. 138 do CTN não é aplicável às penalidades administrativas, nos termos do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, para os fatos geradores ocorridos antes do advento da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 117DF CARF MF Processo nº 18336.001866/200613 Acórdão n.º 3002000.460 S3C0T2 Fl. 118 4 Não consta do processo o termo de ciência do Acórdão proferido pela DRJ. A recorrente protocolizou seu recurso voluntário em 28.01.2014, conforme carimbo aposto na página inicial (fl. 81). No recurso voluntário (fls. 81 a 88), a recorrente repisa os mesmos argumentos da impugnação, exceto sobre a denúncia espontânea, não abordada, e acrescenta que a multa ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, fazse necessário esclarecer porque a juntada do recurso voluntário foi considerada tempestiva, a despeito de a ciência da decisão de primeira instância não ter sido juntada aos autos. Consta do processo o seu recebimento pela ALF/São Luís após o julgamento pela Delegacia de Julgamento, em 16.12.2014; o despacho interno do Gabinete da Alfândega, datado de 27.01.2014, para que o setor responsável providencie a ciência do acórdão da DRJ (fl. 80); o carimbo do Gabinete da Delegacia de São Luís em que atesta o recebimento do recurso voluntário em 28.01.2014 (fl. 81) e o despacho de encaminhamento do processo para o Carf, no qual o servidor do Setor de Administração Tributária, não obstante não possuir competência para fazêlo, atesta a tempestividade do recurso (fl. 114). Assim, teria sido determinada a providência da ciência em 27.01.2014 e o recurso teria sido entregue no dia seguinte. Na ausência de elemento para contestar, acolho o recurso como tempestivo. Preliminares Nulidade do Auto de Infração A recorrente retoma a alegação de que a conduta por ela praticada seria a “prestação de informação espontânea nãoimediata de extravio”, diversa daquela capitulada no art. 107, inciso IV, alínea “f” do DecretoLei nº 37/1966 e, por esse motivo, seria nulo o auto de infração. O referido artigo, fundamento da autuação, dispõe que será aplicada multa ao depositário ou operador portuário que não preste informação sobre carga armazenada no prazo estabelecido pela Receita Federal. O momento para informar sobre o estado da carga é quando do seu recebimento pelo depositário. Se ele não apontar que recebeu do transportador carga avariada ou extraviada, será presumida a sua responsabilidade pela avaria ou pelo extravio. Não se trata apenas de uma imposição da Receita Federal, mas de uma prática recorrente em função da responsabilidade civil que o depositário também assume em relação à carga que armazena. Receber uma carga sem ressalva ou protesto, situação destes autos, significa reconhecer que a recebeu em perfeito estado geral, exatamente como disposto nos documentos de transporte. Por certo que há situações em que o extravio ocorre posteriormente ao recebimento da carga ou somente é constatado após a abertura de algum volume e, para essas situações, a legislação Fl. 118DF CARF MF Processo nº 18336.001866/200613 Acórdão n.º 3002000.460 S3C0T2 Fl. 119 5 prevê a informação no momento da constatação do fato. É o que se depreende do disposto nas normas de regência da matéria, que se transcreve a seguir: Instrução Normativa SRF nº 206/2002 Art. 5º O depositário de mercadoria sob controle aduaneiro, na importação, deverá informar à Secretaria da Receita Federal (SRF), de forma imediata, sobre a disponibilidade da carga recolhida sob sua custódia em local ou recinto alfandegado, de zona primária ou secundária, mediante indicação do correspondente número identificador. § 1º No caso de carga contendo volume recebido com ressalva, a informação a que se refere este artigo somente deverá ser prestada após a realização da vistoria aduaneira ou a dispensa desta em razão de desistência assumida pelo importador. (grifado) Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 583. Cabe ao depositário, logo após a descarga de volume avariado, ou a constatação de extravio, registrar a ocorrência em termo próprio, disponibilizado para manifestação do transportador, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Art. 584. Não será iniciada a verificação de mercadoria contida em volume que apresente indícios de avaria ou de extravio de mercadoria, enquanto não for realizada a vistoria. Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. (grifado) No caso que ora se analisa, o atraso na prestação da informação do extravio é fato inconteste, não negado pela recorrente. As cargas desembarcaram incompletas em fevereiro/2006 e em maio/2006, tendo o depositário se manifestado apenas em agosto/2006, não somente meses após o fato ocorrido, mas inclusive após o importador e a Receita Federal terem sanado o problema. Foi providenciada a devolução da carga, em trânsito de Vila Velha até o Porto de Itaqui, com chegada e armazenamento pela recorrente em 11.08.2006 (fl. 13). A fiscalização aduaneira promoveu a conferência física da carga (procedimento no qual um representante do depositário sempre está presente) e autorizou sua entrega pelo depositário em 23.08.2006 (fl. 8). Contudo, a recorrente apresentou termo de constatação de extravio apenas em 25.08.2006, ou seja, após a realização de todos os procedimentos descritos acima (fl. 18). Assim, dizer que sua omissão corresponde a uma “prestação de informação espontânea nãoimediata de extravio” não passa de mero jogo de palavras, sem correspondência com a realidade, nem quanto à pretensa espontaneidade, seja em seu sentido vulgar, corriqueiro, seja no sentido que lhe atribui o Código Tributário Nacional, e entendo Fl. 119DF CARF MF Processo nº 18336.001866/200613 Acórdão n.º 3002000.460 S3C0T2 Fl. 120 6 estar perfeita a subsunção dos fatos à conduta infracional prevista na Lei, motivo pelo qual afasto esta preliminar de nulidade. Apresenta ainda a recorrente um segundo motivo para a nulidade do auto de infração, qual seja, a utilização de prazo definido em ato normativo vigente após a ocorrência dos fatos, o que configuraria ofensa ao princípio da anterioridade da lei e da irretroatividade. Não assiste razão à recorrente também neste ponto. A descrição dos fatos, no auto de infração (fls. 3 a 5), iniciase com a referência à transgressão pelo fiel depositário do disposto art. 5º da IN SRF nº 206, de 2002, e com enquadramento legal nos arts. 63, 580 e 583 do Regulamento Aduaneiro de 2002 e no art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, transcritos acima. Logo, toda a legislação que suporta a lavratura da multa foi publicada anteriormente aos fatos, ocorridos em 2006, descabendo a alegação de nulidade com esse fundamento. Mérito Retoma a recorrente a argumentação de que o fato de não ter avisado sobre o extravio não trouxe qualquer dano à fiscalização aduaneira. A infração em matéria tributária e aduaneira tem caráter objetivo, bastando que o fato concreto subsumase ao tipo legal, não sendo relevante a intenção de cometer o ato infracional ou a extensão das consequências que dele decorrem, pois assim determina o art. 94 do DecretoLei nº 37/1966, in verbis: Art. 94. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifado) Ademais, e este aspecto é igualmente importante, a autoridade administrativa encontrase estritamente vinculada à lei, entendida em sentido amplo. Então, uma vez constatada a ocorrência de ato, comissivo ou omissivo, que implique infringência à norma, não há outro caminho para a fiscalização que lavrar o auto de infração. Esse é o entendimento que se retira do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 120DF CARF MF Processo nº 18336.001866/200613 Acórdão n.º 3002000.460 S3C0T2 Fl. 121 7 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifado) Considerandose o caráter objetivo na definição da infração aduaneira e a obrigatoriedade do lançamento, a alegação de ausência de prejuízo não tem o poder de afastar os dispositivos legais que determinam a aplicação da multa. Mesmo porque há um aspecto, não suficientemente abordado na fase anterior, que diz respeito ao fato de a recorrente haver inserido informação errada no Siscomex, causando, sim, prejuízo ao controle aduaneiro. A recorrente informou que a carga estava disponível em sua integralidade para as etapas seguintes do despacho aduaneiro, o que permitiu ao importador registrar as declarações de importação, que foram desembaraçadas, enquanto parte da carga circulava irregularmente pelo território nacional – uma declaração foi desembaraçada imediatamente em canal verde, sem conferência pela fiscalização, e a segunda, selecionada para o canal amarelo, foi desembaraçada após exame exclusivamente documental, na certeza de que a totalidade da carga encontravase no recinto alfandegado. Logo, o argumento de não ter causado prejuízo não se sustenta, seja porque não se sobrepõe ao caráter objetivo da infração, seja porque houve prejuízo ao controle aduaneiro. Em relação ao argumento de alteração do conceito de extravio pela MP nº 320/2006, tal questão já foi suficientemente esclarecida pela primeira instância e, em não tendo sido acrescido nada sobre esse ponto no recurso voluntário, conforme autorizado pelo art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, apenas transcrevo as razões de decidir da DRJ, que adoto neste voto: Da Medida Provisória nº 320, de 24 de agosto de 2006 Em diversos momentos da sua peça de impugnação, o contribuinte menciona dispositivos da Medida Provisória MP nº 320/2006, que versava sobre a movimentação e armazenagem de mercadorias importadas ou despachadas para exportação, o alfandegamento de locais e recintos e a licença para explorar serviços de movimentação e armazenagem de mercadorias em Centro Logístico e Industrial Aduaneiro. Ocorre que a referida MP teve o seu conteúdo integralmente rejeitado, situação formalizada através do Ato Declaratório nº 1, de 13 de dezembro de 2006, subscrito pela presidência do Senado Federal, de forma que não produz efeitos sobre as situações apreciadas quanto ao auto de infração combatido. Destaquese, ainda, que a referida norma foi publicada originalmente em 24/08/2006, após, portanto, a ocorrência dos fatos geradores, ocorridos em fevereiro e maio de 2006 e que, ainda que sua eficácia tivesse sido confirmada, não poderia ser aplicada a fatos pretéritos a sua publicação. (grifado) Por fim, no que concerne ao argumento de que a multa ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, não conheço da alegação por absoluta falta de competência deste Colegiado para apreciar a constitucionalidade de lei ou norma. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 18336.001866/200613 Acórdão n.º 3002000.460 S3C0T2 Fl. 122 8 Tal limitação decorre de previsão expressa no Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe sobre o tema: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(grifado) O Regimento Interno do CARF trata igualmente da matéria, em seu art. 62, além de ter emitido súmula, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, temos que à Administração Fazendária, bem como ao julgador no contencioso administrativofiscal, cabe realizar o confronto dos atos praticados com a norma posta, vedada a perquirição relativa à existência de vício em lei ou ato normativo infralegal. Para esse propósito, deve a recorrente se socorrer nas instâncias judiciais. Por todo o exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, em relação à parte conhecida, por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.004834/2002-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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PRESCRIÇÃO O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, consoante art. 168, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 48 34 /2 00 2- 43 Fl. 539DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1234.345, da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra a decisão que denegou os pedidos de restituição de fls 02 e 19, nos valores de R$ 2.384,83 e R$19.373,67, relativos a saldo negativo de CSLL e ÍRPJ, respectivamente, ambos oriundos do ano calendário de .1997. Para fins de aproveitar o crédito pleiteado, foram apresentadas as declarações de compensação de fls 71 a 83, todas enviadas eletronicamente entre 30/08/2005 e 29/11/2005, cujo relatório, peço a devida vênia para reproduzilo, a seguir. O presente processo tem como objeto os pedidos de restituição, protocolados em 23/10/2002, nos valores de R$ 2.384,83 e R$19.373,67, relativos a saldo negativo de CSLL e ÍRPJ, respectivamente, ambos oriundos do ano calendário de .1997. Para fins de aproveitar o crédito pleiteado, foram apresentadas as declarações de compensação, todas enviadas eletronicamente entre 30/08/2005 e 29/11/2005. Para fins de instruir o pleito Foram juntados aos autos os seguintes documentos: ... Intimada em 30/04/2010 e em 08/06/2010 a interessada apresentou os documentos de fls 128/331 e 335/349. Dentre eles, merece destaque o de fls 339, datado de 23/06/2010, no qual foi feito o registro de que .teria ocorrido erro no preenchimento dos pedidos de restituição de fls 1/2, uma vez que o crédito pretendido seria originário do ano calendário de 1999 e não do ano calendário de 1997, conforme originalmente informado. Em despacho decisório (fls 356/365) do. qual a. interessada foi cientificada em 14/07/2010 (fls 372) foram declaradas não homologadas as compensações declaradas em razão do indeferimento do crédito 'pleiteado. As razões de assim decidir foram, em síntese, as seguintes: • Em 25/06/2010 a interessada informou ter incorrido em erro. Conforme relato seu, apresentado à época, o crédito que é objeto deste processo seria originário do ano de 1999 e não de 1997; • com tal procedimento, a interessada pretendia alterar o crédito solicitado originalmente, hipótese esta que configuraria um novo pedido. Porém, em 25/06/2010 já havia decaído o direito de pleitear créditos oriundos de saldo negativo do ano de 1999; • apesar de ter sido intimada por duas vezes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito originalmente pleiteado, referente a saldo negativo do ano calendário 1997, a interessada não logrou apresentar todos os documentos e esclarecimentos necessários; Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fis 379, protocolada em 11/08/2010, na qual alega que: • Incorreu em erro quando formulou os pedidos de restituição de fls 01 e 17 fazendo referência aos saldos negativos de 1997. Por este motivo, devem ser apreciados os documentos e alegações referentes aos saldos negativos corretos, referentes ao ano de 1999; Fl. 540DF CARF MF Processo nº 11543.004834/200243 Acórdão n.º 1001000.822 S1C0T1 Fl. 3 3 • O erro cometido decorreu da falta de transporte dos valores do imposto pago por antecipação pela impugnante. Este erro fez com que tais valores não constassem da DIPJ do período, não havendo sido evidenciada a apuração dos seguintes saldos negativos (IRPJ): Ano calendário 1995 R$ 14.437,62 (utilizado para quitar imposto de março/1998); Ano calendário 1996 R$ 25.311,29, utilizado para quitar imposto relativos a março de 1998 e abril de 1999; Ano calendário 1997 R$ 19,373,67, utilizado para quitar estimativa referente ,ao mês de abril de 1999; Ano calendário 1998 R$ 47421,84, utilizado para quitar estimativa de abril de 1999; Ano calendário 1999 R$ 68.532,80, objeto do pedido de restituição de que trata o presente processo. • O erro cometido não ocasionou dano à.Fazenda Pública; » Não teve a intenção de apresentar um novo pedido de restituição; • No dia 07/07/2010, data em que foi prolatada a decisão recorrida, a interessada apresentou carta de esclarecimentos que não foi considerada, por aquele ato decisório; • Conforme jurisprudência firmada pelos. Tribunais Administrativos, a ocorrência de erro formal não descaracteriza a existência do direito creditório. Pelos motivos expostos, a interessada requer que sejam apreciadas as respostas que elaborou aos TSI 59/2010 e 98/201Õ e, ainda, que seja deferido o crédito que pleiteia. Cientificada em 16/05/2012 , a ora recorrente apresentou o recurso voluntário em. 13/06/2012. . Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: Fl. 541DF CARF MF 4 · o primeiro desses erros está no fato de se ter identificado o pedido de restituição como "Pedido de Restituição Saldo Negativo do IRPJ do Ano Base de 1997". Ora, o saldo negativo a ser objeto de restituição somente poderia ser o referente ao exercício de 1999, valendo ressaltar que os esclarecimentos de fls. 335/349, apresentados pela RECORRENTE, não pode ser entendido como pretensão de um novo pedido tal como aludido na decisão ora recorrida; · o saldo negativo de 1997, atualizado pela SELIC (R$ 26.506,96), foi utilizado na composição de parte do somatório de saldos negativos (R$ 88.464,89) utilizado na liquidação de débitos relativos aos meses de abril e maio de 1999. Logo, o saldo negativo de 1997, ao compor o montante do saldo negativo de (R$ 68.532,80), consumiuse, deixando de existir; · o segundo erro está no montante a restituir pleiteado, De fato, o pedido de restituição (do saldo negativo de 1999 e não de 1997, conforme demonstrado) não indicou o valor restituível correto, que seria R$ 68.532,80 correspondente ao saldo negativo de 1999, fixandose no valor de R$ 19.373,67 correspondente ao saldo negativo de 1997, menos de um terço do valor correto (R$ 68.532,80); · constatase que, na verdade, a RECORRENTE teria o direito de obter a restituição do saldo negativo de 1999 e pelo seu valor real de R$ 68.532,80, direito esse prejudicado pelos mencionados erros formais: (i) indicação equivocada do saldo negativo a restituir como sendo do exercício de 1997 e não de 1999; e (ii) restituição de valor ( R$19.373,67) correspondente a menos de um terço do valor que lhe seria devido; A recorrente alega, também, a aplicação do princípio da verdade material, apresentando algumas decisões deste CARF, onde este egrégio Conselho decidiu que a verdade material deve prevalecer sobre a formal. Culmina, pedindo: · o reconhecimento de que o pedido de restituição apresentado referiase ao saldo negativo do exercício de 1999 e não do exercício de 1997,como constou, reconhecendo também tratarse de erro formal, tal como demonstrado pela RECORRENTE; · o reconhecimento de que o valor correto a ser restituído seria o do apurado saldo negativo de R$ 68.532,80 e não os R$19.373,67 (saldo negativo, no valor original, referente ao ano de 1997); · a homologação do pedido de restituição da RECORRENTE de R$19.373,67 (pois, independentemente dos erros formais, foi efetivamente formalizado um pedido de restituição com este valor), acrescido dos juros SELIC até 31 de agosto de 2005, e Fl. 542DF CARF MF Processo nº 11543.004834/200243 Acórdão n.º 1001000.822 S1C0T1 Fl. 4 5 exclusão de expungir multas e tudo mais que lhe for exigido nos autos em decorrência da situação dos autos. De acordo com o acórdão, verificase que a DRJ baseou a sua decisão no seguinte: De todo o exposto, o que se constata é que a interessada não incorreu em erro quando pleiteou, às fls 01 e 17, os saldos negativos cio ano de 1997. Os documentos originalmente juntados para fins de instrução dos autos, bem como a exata coincidência entre os valores dos saldos negativos informados em DIPJ e nos pedidos de restituição, demonstram que o que ocorreu foi a alteração deliberada do valor e origem do crédito, motivada, possivelmente, pelo direcionamento da auditoria que foi realizada para fins de confirmar a legitimidade dos resultados contábeis relativos a 1997, Ainda que se entenda como possível a alteração da origem do crédito, tal como pretendeu operar a interessada, no presente caso, não há que.se identificar esta configuração de fatos com a hipótese de retificação do pedido original. A retificação remete à reparação de erro material anterior, o que no caso, não se configurou. Os elementos que constam dos autos demonstram que à época em que formalizou seu pedido original, a interessada o fez corretamente e que, em momento posterior, próximo a homologação das compensações declaradas, quando já encaminhada a auditoria que verificava a correção do crédito, optou por alterálo. Na ausência de erro material a ser retificado, a mudança do ano de origem do crédito configura novo pedido ao qual se aplicam os prazos e normas da legislação tributária. Assim, tendo em vista que apenas em 23/06/2010 a interessada veio aos autos,, solicitando crédito oriundo de saldo negativo do ano de 1999, confirmo a decisão recorrida quanto a conclusão de que tal pleito foi formalizado após o prazo máximo de que trata o art 168 do CTN. Quanto aos créditos originalmente pedidos, oriundos de saldo negativo de CSLL e IRPJ, ano 1997, registro que a própria interessada reconhece, às fls 335/340, que já foram utilizados para fins de extinguir débitos referentes às estimativas do ano de 1999. Inicialmente, cabe mencionar que a recorrente apresentou a documentação solicitada e ela própria reconhece ter cometido um erro quanto à identificação do ano calendário a que se referia o pedido. Na folha 19 (renumerada para 17) indicou que o valor referiase ao anocalendário de 1997. Apresentou a cópia da declaração de rendimentos, folha 23 (renumerada para 19), na qual constava o valor de R$19.373,67, que era o objeto do pedido. Como a recorrente mesmo afirma ter utilizado o saldo negativo, apurado no ano de 1997, entendo correta a decisão de não homologar a restituição pleiteada, conforme conclusão da DRJ, a qual reproduzo: Quanto aos créditos originalmente pedidos, oriundos de saldo negativo de CSLL e IRPJ, ano 1997, registro que a própria interessada reconhece, às fls 335/340, que já foram utilizados para fins de extinguir débitos referentes às estimativas do ano de 1999. Fl. 543DF CARF MF 6 Quanto aos erros formais cometidos, a recorrente afirma que o saldo negativo referiase ao ano de 1999 e requereu que assim fosse considerado. Isto corresponderia, de fato, como concluiu a DRJ, a um novo pedido de restituição. A DRJ, então, concluiu, em relação a este novo pedido: Na ausência de erro material a ser retificado, a mudança do ano de origem do crédito configura novo pedido ao qual se aplicam os prazos e normas da legislação tributária. Assim, tendo em vista que apenas em 23/06/2010 a interessada veio aos autos,, solicitando crédito oriundo de saldo negativo do ano de 1999, confirmo a decisão recorrida quanto a conclusão de que tal pleito foi formalizado após o prazo máximo de que trata o art 168 do CTN. Dispõe o artigo 168 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário Ainda que se tentasse aplicar a súmula CARF 91, o direito à restituição já estaria prescrito: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, nego provimento ao presente recurso e não reconheço o direito a compensação pleiteada. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901255/2016-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3002-000.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
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DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 12 55 /2 01 6- 32 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10882.901255/201632 Acórdão n.º 3002000.441 S3C0T2 Fl. 3 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 37/38 dos autos: "DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 114601189, emitido eletronicamente em 10/05/2016, referente ao PER/DCOMP nº 09147.16323.041115.1.3.047102. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 23/12/2010, no valor de R$25.904,48. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: PRIMEIRA NULIDADE • O despacho é nulo porque pretende cobrar R$ 6.518,43 a título de multa. • A cobrança é improcedente por três razões: 1) não está prevista em Lei; 2) o valor cobrado está incorreto: q a multa está limitada a 20% do principal; q o principal é R$ 25.904,48; q 20 % de R$ 25.904,48 é igual a R$ 5.180,90, e não R$ 6.5182,43; 3) o despacho não traz a fundamentação legal da multa. SEGUNDA NULIDADE O despacho é nulo porque pretende cobrar R$ 2.444,40 a título de juros Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10882.901255/201632 Acórdão n.º 3002000.441 S3C0T2 Fl. 4 3 § o termo inicial da contagem dos juros é a data da transmissão da DCOMP, 04/11/2015; § o termo final da contagem dos juros é da data do despacho decisório, 10/05/2016; § aplicandose a SELIC do referido período sobre o valor total de R$25.904,48, apurase juros em valor menor do que o exigido. MÉRITO • 1) O DARF estava disponível para ser compensado no sítio da própria Receita Federal. § Os sistemas de verificação impedem a transmissão da DCOMP quando o crédito não existe. § A DCOMP transmitida foi devidamente recepcionada. § Se a DCOMP transmitida foi aceita, o DARF estava disponível para compensação e o crédito é válido. • 2) O crédito decorre de pagamento a maior de COFINS. Isso se deu em virtude da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A exclusão do ICMS da base de cálculo é matéria analisada segundo o rito dos recursos repetitivos pelo STJ. • 3) O despacho deixou de indicar o dispositivo legal infringido. PEDIDO Diante do exposto, pedese posterior juntada de prova, anulação do despacho decisório e homologação do PER/DCOMP.". Resumindo, o contribuinte em 04/11/2015 protocolou pedido de compensação em razão de suposto pagamento indevido de COFINS (09147.16323.041115.1.3.047102) (fls. 24/28) no valor de R$ 25.904,48. O contribuinte teve negado sua homologação em razão "das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." (fls. 29 Despacho Decisório). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 04/09) requerendo a nulidade do despacho decisório em virtude de vicio formal insanável um vez que "o próprio Despacho Decisório não traz em seu bojo o fundamento legal de tal exigência" bem como, a "suposta multa de mora ... traz valor a maior" ou seja, do valor de R$ 25.904,48 "vinte por cento disso dá o valor de R$ 5.180,89 e não o valor de R$ 6.518,43" prosseguiu argumentando que, "como o próprio Despacho Decisório de data de a 10 de maio de 2016, diz, a data inicial da contagem dos juros é a data de transmissão da DCOMP, novembro de 2015. A SELIC acumulada de novembro de 2015 a maio de 2016 é de 6,50%, conforme tabela da Receita Federal que ora anexamos. Desta forma se pegarmos o principal R$ 25.904,48 e aplicarmos a SELIC do período, 6,50%, temos a quantia de R$ 1.683,79 e não a quantia do Despacho Decisório, que é de R$ 2.444,40." Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10882.901255/201632 Acórdão n.º 3002000.441 S3C0T2 Fl. 5 4 A DRJ/BHE proferiu o Acórdão nº 0273.583 (fls. 36/45) por meio do qual decidiu pela improcedência em relação às alegações na manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte e indeferiu o pedido de posterior juntada, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, não conheceu do direito creditório postulado, bem como deixou de homologar as compensações do pedido apresentado. O acórdão foi assim ementado: "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo." Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 51/64) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa e, ainda, em razão da infringência ao art. 142 do CTN e b) "porque tratase de pagamento indevido de COFINS, uma vez que o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a inclusão do ICMS base de cálculo da COFINS.". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte em razão de suposto pagamento indevido de COFINS tinha ou não crédito para realizar compensação com tributo da mesma espécie. Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, "in verbis": "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10882.901255/201632 Acórdão n.º 3002000.441 S3C0T2 Fl. 6 5 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.)." Alega o contribuinte que "há, no presente caso, preterição do direito de defesa, ensejando a anulação do Despacho Decisório" tendo em vista que não lhe foi dado oportunidade de autoregularização na análise do PER/DCOMP. Não é esta, porém, a conclusão que eu chego na análise da presente demanda. Isso porque, é dever do contribuinte demonstrar qual a origem do recolhimento indevido para se valer da compensação. Entretanto, se houver discordância da análise preliminar disponibilizada e a retificação não for cabível, o contribuinte não deve, como resposta à oportunidade de autorregularização, apresentar justificativas ou documentos comprobatórios, devendo sim aguardar o recebimento do despacho decisório e, dentro do prazo legal, poderá, então, apresentar manifestação de inconformidade instruída com os documentos comprobatórios que julgar pertinentes. Portanto inocorreu o alegado cerceamento de defesa eis que, ao contrário do que aduz, o contribuinte teve toda a oportunidade no curso do presente processo administrativo para demonstrar a origem, quantificação e liquidez e certeza do crédito restituendo, com as respectivas retificações nos autolançamentos anteriores, até agora não demonstrados. Já em relação à nulidade em razão da infringência ao art. 142 do CTN como alegado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, ou seja, afirmando que "desta forma vemos que, para que haja a legítima cobrança de tributos, é necessária a clara descrição dos fatos e da disposição legal infringida". Pois, bem, notese que no despacho decisório (fls. 29) a fiscalização foi explicita e dispôs de forma clara o enquadramento legal nos seguintes termos: "Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.". Sendo assim, entendo que não assiste razão as alegações feitas pelo contribuinte. Dessa forma, rejeito as preliminares apresentadas pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. O Acórdão da DRJ aduz que "o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação". Sendo assim, o contribuinte deixou de apresentar nos autos a prova dos fatos alegados, ou seja, "o sujeito passivo vinculou ao débito declarado o DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado." e, ainda, por fim, "a apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo, apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, também não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior.". Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10882.901255/201632 Acórdão n.º 3002000.441 S3C0T2 Fl. 7 6 Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Assim, embora não se ignore os efeitos da recente declaração de inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS pelo STF (RE n. 574706) que, em tese podem aproveitar ao contribuinte, também não se pode ignorar que estes efeitos somente se viabilizam mediante a demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo cujo ônus incumbe ao contribuinte (art. 170 do CTN c/c art. 373, I do CPC), inocorrente no caso concreto Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10882.901255/201632 Acórdão n.º 3002000.441 S3C0T2 Fl. 8 7 Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.720325/2016-84
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ALUGUEIS - IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - AUSÊNCIA DE LIDE
A impugnação apresentada tempestivamente pelo contribuinte instaura a fase litigiosa do processo administrativo, de acordo com o artigo 14 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2002-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 03 25 /2 01 6- 84 Fl. 81DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 04 a 07), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa física Dimob Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.963,27, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 28 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Na impugnação (fl.2) a contribuinte alega que houve inconsistência nos valores informados na DIMOB, ano calendário 2013, relativo ao imóvel situado na Rua Minas Novas, nº 109, aptº 101 – Bairro Cruzeiro em Belo de sua propriedade e administrado pela GN IMÓVEIS Ltda., conforme documentos em anexo. Salienta que a Dimob foi retificada em 30/11/2015. Requer a tramitação prioritária do processo com base no Estatuto do Idoso. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, em 20/04/2016, no acórdão 1056.359, às efls. 50 a 55, julgou à unanimidade, a impugnação intempestiva. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 01/06/2016 às efls. 61 a 79 no qual alega, em síntese, que os valores da autuação e os valores de fato recebidos não guardam similitude, já que auferiu a título de alugueis o valor de R$16.400,00. Ainda informa que solicitou a imobiliária a retificação da DIMOB. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/05/2016, efls. 59, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 01/06/2016, efls. 61, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme a decisão da DRJ, a impugnação da contribuinte foi apresentada intempestivamente: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 15504.720325/201684 Acórdão n.º 2002000.415 S2C0T2 Fl. 82 3 No caso, a intimação relativa à presente Notificação de Lançamento, lavrada em 21/11/2015 foi endereçada para o domicílio fiscal da interessada: Rua Do Uruguai, nº 29, apto. 21 Sion – Belo Horizonte/MG. Conforme Consulta Postagem” (fl. 29), tal documento foi encaminhado pela via postal em 26/11/2015, constando como situação: “Em trânsito” e a data da entrega (informação ECT) em 30/11/2015. Verificase, portanto, que não há nos autos a data do recebimento do Notificação de Lançamento. Em decorrência, considerase feita a intimação, quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do inciso II, parágrafo 2º do art 23 retro transcrito. No caso, a data da postagem foi 26/11/2015 e a data da ciência da notificação se deu em 11/12/2015 (sextafeira). Observado o prazo de trinta dias pelo art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, concluise que a interessada poderia ter impugnado até 12/01/2016. Como a impugnação foi protocolada em 14/01/2016, concluise ser intempestiva. A oportunidade de o contribuinte discutir administrativamente o crédito tributário regularmente constituído está condicionada, nesta instância de julgamento, à apresentação de impugnação tempestiva, pois somente ela instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal. O artigo 15 do Decreto nº 70.235/72 tem a seguinte redação: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A impugnação apresentada tempestivamente pelo contribuinte instaura a fase litigiosa do processo administrativo, de acordo com o artigo 14 do mesmo diploma legal: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 83DF CARF MF 4 Desta forma, atraise o disposto do artigo 17: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ainda, ao presente caso, aplicase a Súmula 9 deste CARF: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por todo exposto, voto por conhecer do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento, já que a lide não possui objeto. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902757/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2011
RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 30/11/2011 RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 27 57 /2 01 4- 41 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10480.902757/201441 Acórdão n.º 3301005.211 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) da Contribuição (PIS/Cofins), em virtude de o pagamento informado encontrarse totalmente alocado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou aos autos DCTF mensal original e retificadora e comprovante de pagamento como provas do recolhimento indevido. Sustentou que o Pedido de Restituição havia sido negado por falta de retificação da DCTF, contendo os valores devidos, anteriormente à data da análise do pedido de crédito. Por fim, destacou que a empresa procedera ao pedido de restituição da contribuição por se tratar de tributo com alíquota zero, nos termos do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.464, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando o pleito por falta de comprovação do direito creditório. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade, destacando que agira de acordo com orientações recebidas de funcionários da Receita Federal e que não lhe fora informado da necessidade de retificação prévia do Dacon. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10480.902757/201441 Acórdão n.º 3301005.211 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.202, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10480.902751/201474, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.202): O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente pleiteia a restituição do PIS, nos termos do art. 28 da Lei nº 10.865/2004: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: Todavia, a empresa não indicou o inciso do dispositivo. Entendo como provável o “III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI”, de acordo com os atos constitutivos da Lázaro Frutas. Todavia, a decisão de piso não merece reforma, porquanto nestes autos não há suporte documental comprobatório do direito creditório requerido, o que afasta a sua certeza e liquidez. É certo que incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A Recorrente trouxe aos autos a DCTF mensal original e retificadora, a DACON retificadora e DARF, por entender como suficientes para demonstrar que o recolhimento foi indevido. Entretanto, não foram trazidos aos autos a escrituração contábil fiscal da Recorrente, esclarecimentos do porquê o recolhimento foi indevido, planilha de apuração do PIS ou notas fiscais (art. 26 a 27 do Decreto n° 7.574/2011). Entendo que as declarações retificadas devem estar acompanhadas de outros documentos que demonstrem cabalmente o recolhimento indevido. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10480.902757/201441 Acórdão n.º 3301005.211 S3C3T1 Fl. 5 4 CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Assim, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao ressarcimento. Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito pleiteado, devendo ser mantido o Despacho Decisório proferido pela DRF de origem. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.906980/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) que votavam por converter o julgamento em diligência. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.902485/2009-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) que votavam por converter o julgamento em diligência. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.902485/2009 49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 69 80 /2 00 9- 27 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10283.906980/200927 Acórdão n.º 1402003.569 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que: · A falta de comunicação ao contribuinte das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal, na forma determinada pelo § 2o do art. 13 da Portaria SRF n° 3.007, de 26.11.2001, ofende, notadamente, os princípios da legalidade e da moralidade administrativa, de sorte que o lançamento efetuado em circunstância padece de vários irremediáveis vícios, impondo, assim, a anulação do ato exacional; · Houve um equívoco (erro de fato), cometido no preenchimento da mencionada Declaração de Ajuste, por lapso de memória, deixouse de informar o valor das estimativas de CSLL, pagas no curso do ano calendário em questão. · Procedeu a retificação da DIPJ, fazendose contar o Saldo Negativo de CSLL. · O Despacho Decisório proferido pelo autoridade fiscal foi efetivado em cima de Declaração de Compensação Original, que posteriormente foram retificadas. A autoridade fiscal não se deu ao trabalho de pelo menos baixar dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, precisamente, o sistema PER/DCOMP, para aferir se existia declarações retificadoras geradoras para o mesmo créditos. · Propugna seja acolhida as suas preliminares de Cerceamento de Direito de Defesa, de Vício formal do Auto de Infração e da Decadência pelas razões expendidas supra (...)" Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10283.906980/200927 Acórdão n.º 1402003.569 S1C4T2 Fl. 4 3 · Alega, ainda, nulidade por "falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação" e por ofensa aos princípios da legalidade e da motivação. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que considerou não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não restou comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Prevaleceu o entendimento que nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, apresentando as seguintes alegações de fato e de direito para a reforma da decisão a quo: A empresa não estava sob procedimento fiscal quando procedeu às retificações das Declarações de Compensação anteriormente apresentadas no anocalendário de 2005, cujos valores compensados, passaram igualmente, a integrar o saldo negativo apurado no Ajuste de 31/12/2006, esta retificada e transmitida em 03/12/2007. Conforme a legislação, o contribuinte tem o prazo de cinco anos para retificar a declaração. A Autoridade fiscal que conduziu o procedimento de análise não se preocupou em colher junto aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, elementos que lhe proporcionassem a tomada de decisão justa. Dessa forma, o Despacho Decisório, carece de liquidez e certeza, ou seja é totalmente improcedente, devendo ser reformado para manterse a compensação efetivamente correta realizada pela empresa por todos os PER/DCOMP's apresentados e retificados posteriormente. Alega, ainda, que o erro de direito cometido nas autuações fiscais acarreta a nulidade por afronta aos princípios da legalidade e da motivação, pela inexistência de fundamento jurídico necessário para o devido embasamento legal e pela falta de descrição exata e precisa dos motivos de fato e de direito. Afirma que processo ora contestado versa sobre fato tributário presente em dezenas de outros processos já julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Belém, em favor da recorrente. Não se pode tratar a matéria de forma diferenciada porque o fundamento dos dois é igual, ou seja, o contribuinte recolheu estimativa mensal que superou o valor do imposto devido no ajuste anual. Por todo o exposto, em vista de a fiscalização não ter comprovado que o pagamento foi indevido, bem como ter deixado de comprovar a existência do crédito, temse que não se pode admitir a não homologação da compensação,devendo a mesma ser cancelada de plano, caso o mérito deste recurso seja julgado procedente. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10283.906980/200927 Acórdão n.º 1402003.569 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.559, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.902485/2009 49, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.559): "O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Preliminar A Recorrente alega nulidade por falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação e por ofensa aos princípios da legalidade e da motivação. Verificase no despacho que não homologou a compensação, que a fundamentação foi que a partir das características do DARF discriminada no PER/DCOMP foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação do débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ressaltase que estando correto a descrição do motivo que acarretou a não homologação da compensação, descabe falar em nulidade por falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação e por ofensa aos princípios da legalidade e da motivação, posto que bem fundamentado o despacho. Ademais, no contexto das preliminares de mérito, há que se esclarecer que, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. Mérito A Recorrente alega que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DIPJ, que já foi retificada e anexadas a este Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10283.906980/200927 Acórdão n.º 1402003.569 S1C4T2 Fl. 6 5 processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido. Não assiste razão a Recorrente em suas alegações, pois a mera retificação de DIPJ não confirma o crédito alegado, que já foi objeto de procedimento fiscal. A Recorrente afirma que a Autoridade fiscal que conduziu o procedimento de análise, nem sequer se deu o trabalho de aferir os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispõe de todas as informações necessárias para comprovar que a empresa é detentora do benefício fiscal de redução do IRPJ no montante de 75% (setenta e cinco por cento). É só acessar o "Sistema IRPJ", que contém as Declarações processadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e no mencionado sistema, esta declarado na DIPJ/2006, o usufruto do benefício fiscal. Não deve prosperar essa afirmação pois nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Ao contrário do que alega , caberia à Recorrente comprovar que o pagamento foi indevido, bem como comprovar a existência do crédito, pois, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. A Recorrente alega que processo ora contestado versa sobre fato tributário presente em dezenas de outros processos já julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Belém, em favor da recorrente. Não se pode tratar a matéria de forma diferenciada porque o fundamento dos dois é igual, ou seja, o contribuinte recolheu estimativa mensal que superou o valor do imposto devido no ajuste anual. Essa alegação também não deve ser acatada pois o recorrente não conseguiu comprovar que recolheu estimativa mensal que superou o valor do imposto devindo no ajuste anual. Portanto confirmase o entendimento de que considerarseá não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10283.906980/200927 Acórdão n.º 1402003.569 S1C4T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721178/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA.
As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante.
Numero da decisão: 3201-004.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante.
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 11 78 /2 01 4- 32 Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 3 2 Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal pela DRF de Presidente Prudente. Merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal: A fiscalização da DRF elaborou o referido Termo, no qual explicou as glosas efetuadas e os cálculos indicando um crédito inferior ao pleiteado pela empresa. Em síntese, foram glosados os créditos relativos a despesas e gastos que não se enquadrariam no conceito legal de insumo, nem estariam relacionados na legislação de regência. Inicialmente, o Auditorfiscal assim entendeu: Como sobredito, esse crédito deve referirse a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Ou seja, é fundamental que o insumo seja utilizado na etapa laboral cujo resultado seja um produto objeto de comercialização pela empresa. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 4 3 Sob este entendimento, explicase as glosas: Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. O entendimento contrário levaria à inadequada situação em que bastaria ao contribuinte evitar a ativação de suas máquinas, optando pelo arrendamento mercantil ou pelo simples aluguel, para ampliar sobremaneira suas possibilidades de creditamento. Com base nessas premissas, foram glosados créditos calculados às linhas 02 (Bens Utilizados como Insumos), 03 (Serviços Utilizados como Insumos), 06 (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica), 07 (Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda), 08 (Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil), 10 (Sobre Bens do Ativo Imobilizado Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) e 12 (Devoluções de vendas sujeitas às alíquotas não cumulativas). Nesse último caso, as devoluções objeto de glosa referemse a retorno de mercadorias não oneradas nas antecedentes saídas, caso do leite resfriado ou prébeneficiado, objeto de suspensão tributária, como será explanado mais adiante. Ainda tratando dos créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, porém mais especificamente no que respeita aos dispêndios com edificações (aproveitados no prazo de 24 meses com base no custo de aquisição ou de construção), foi realizada a glosa integral dos créditos calculados pelo contribuinte, em razão da inobservância do disposto no artigo 6°, caput e parágrafos 5° e 6°, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Além disso, a autoridade fiscal também informou que outro procedimento considerado irregular por esta fiscalização reportase ao aproveitamento de crédito básico sobre a aquisição de leite resfriado e leite prébeneficiado. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 5 4 Explicou que a Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, em seu artigo 8º admite a apuração de créditos presumidos sobre a aquisição de insumos destinados a produção de mercadorias para à alimentação humana ou animal: Em suma, a venda de leite por fornecedor que exerça as atividades de resfriamento, transporte e venda a granel de leite in natura é efetuada, obrigatoriamente, com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins quando o comprador dessa mercadoria apurar o IRPJ com base no lucro real, exercer atividade agroindustrial e utilizar esse leite como insumo na produção de diversos alimentos, dentre eles o leite e seus derivados industrializados. Ademais, percebese que os três requisitos citados no parágrafo anterior são supridos pela fiscalizada, visto que: 1) seu imposto de Renda Pessoa Jurídica é apurado com base no lucro real; 2) sua atividade econômica é considerada agroindustrial, pois produz mercadorias arroladas nos incisos do caput do citado artigo 5o e não se encontra dentre as excludentes do artigo 2o da Lei 8.023, de 12 de abril de 1990;e 3) os insumos em comento são efetivamente aplicados na produção dessas mercadorias. Por fim, quanto aos créditos presumidos, assim se reportou: Portanto, não há que se falar em apuração de crédito básico (100% da alíquota) para tais aquisições, apenas sendo admitida a constituição de crédito presumido, à proporção de 60% das alíquotas nãocumulativas dos dois tributos em apreço. Já os créditos calculados sobre o transporte do leite pré beneficiado e resfriado não foram reclassificados para o presumido. Tais créditos foram integralmente glosados, pois não há previsão legal para aproveitamento de créditos presumidos sobre o transporte dessas mercadorias. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14057.036, de 26/02/2015, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 6 5 diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; b) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; c) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido; d) Arrendamento mercantil: a lei em momento algum especifica que os custos com contraprestações de arrendamento mercantil devem estar intrinsecamente ligados ao processo de produção, este considerado enquanto um bem que se integra ao produto final objeto da atividade da empresa. Os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente integram e são essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado; e) Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas: lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, portanto, não há dúvidas de que faz parte do processo em se tratando de insumo diretamente ligado e consumido no processo de produção da Recorrente, a teor dos atos normativos destacados, ainda que adquiridos de pessoas físicas, em conformidade com a Lei 10.935/04 e IN 660/06 é legitimo o direito creditório em tela. É o relatório. Voto Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 7 6 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.324, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.721176/201443, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.324): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 8 7 de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 9 8 No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 10 9 Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o Fl. 834DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 11 10 PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 12 11 Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Do Arrendamento mercantil Sustenta, noutros termos, que a legislação de regência não determina que o bem objeto do arrendamento mercantil deve estar intrinsecamente ligado ao processo produtivo. Assim, os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente seriam, no seu entender, essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado. A matéria encontrase disciplinada no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, na forma seguinte: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 3º. O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. (g.n.) A fiscalização explicou a glosa na forma seguinte: Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. (g.n.) Contudo, o legislador não restringiu o tipo de bem objeto do arrendamento mercantil, mas apenas exigiu que seja utilizado nas atividades realizadas pela pessoa jurídica, não diretamente utilizadas na produção de bens ou na prestação de serviços. Assim, por exemplo, os gastos com o arrendamento de um caminhão utilizado na entrega dos produtos fabricados por uma indústria, ainda que não diretamente utilizados na produção, podem ser considerados créditos na sistemática não cumulativa de PIS/Cofins. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 13 12 Vejam, a propósito, como dispôs, nos fundamentos, a Solução de Consulta nº 205 Cosit, de 24/04/2017: 6. O que tais diplomas legais estabelecem é a possibilidade de se descontar créditos relativos aos valores pagos a título de “contraprestações de operações de arrendamento mercantil”. Nenhuma imposição quanto ao objeto do arrendamento é fixada pela legislação. Portanto, nenhum óbice existe em relação a arrendamento mercantil de veículo, desde, naturalmente, que ele seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica. 6.1 Evidentemente, devem ser observados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie, entre outros, a exigência de que tais valores sejam pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, e que tal pessoa jurídica não seja optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Assim, a nosso juízo, os gastos com o arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa geram o direito ao crédito do PIS/Cofins. Do Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas Sustenta a Recorrente, neste tópico do recurso, que a lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, de forma que, ainda que adquiridos de pessoas físicas, é legitimo o direito creditório, em conformidade com a Lei 10.925, de 2004, e Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006. Bem, o que se vê do Termo de Verificação Fiscal, anexado às fls. 291 e ss., é que, quando a fiscalização tratou do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, fêlo apenas com relação à aquisição de leite, conforme comprovam alguns de seus parágrafos, onde o tema é tratado: (...) (...) Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10835.721178/201432 Acórdão n.º 3201004.327 S3C2T1 Fl. 14 13 No concernente ao tema, apenas a afirmação, no voto condutor do acórdão recorrido, de que a aquisição de produto desonerado não pode gerar o direito ao crédito básico de PIS/Cofins. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 838DF CARF MF
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Numero do processo: 13973.720213/2017-52
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS INFORMADOS NA DAA E RENDIMENTOS ALEGADOS COMO VERDADEIROS. DESCONTOS PREVIDENCIÁRISO DECLARADOS EM DIVERGÊNCIA COM A COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE.
Os rendimentos pagos e os descontos efetuados pelo Instituto Nacional de Seguro Social - INSS mostrados em documentos são diferentes daqueles informados pelo Contribuinte. A documentação probatória é insuficiente para respaldar as alegações de defesa desde a fase de impugnação até esta etapa recursal. Divergência estabelecida no que se refere a IRRF e desconto para a previdência oficial.
Numero da decisão: 2001-000.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jorge Henrique Backes que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RENDIMENTOS INFORMADOS NA DAA E RENDIMENTOS ALEGADOS COMO VERDADEIROS. DESCONTOS PREVIDENCIÁRISO DECLARADOS EM DIVERGÊNCIA COM A COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Os rendimentos pagos e os descontos efetuados pelo Instituto Nacional de Seguro Social - INSS mostrados em documentos são diferentes daqueles informados pelo Contribuinte. A documentação probatória é insuficiente para respaldar as alegações de defesa desde a fase de impugnação até esta etapa recursal. Divergência estabelecida no que se refere a IRRF e desconto para a previdência oficial.
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DESCONTOS PREVIDENCIÁRISO DECLARADOS EM DIVERGÊNCIA COM A COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Os rendimentos pagos e os descontos efetuados pelo Instituto Nacional de Seguro Social INSS mostrados em documentos são diferentes daqueles informados pelo Contribuinte. A documentação probatória é insuficiente para respaldar as alegações de defesa desde a fase de impugnação até esta etapa recursal. Divergência estabelecida no que se refere a IRRF e desconto para a previdência oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jorge Henrique Backes que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 72 02 13 /2 01 7- 52 Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente a rendimentos recebidos, desconto de IRRF e desconto previdenciário. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte R$ 7.697,96 (R$ 8.896,82 – R$ 1.198,86), com multa de 20% mais juros de mora e R$ 847,82 a título de imposto suplementar com multa de 75% e juros de mora, por falta de comprovação documental. O fundamento básico da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento o fato de que o Contribuinte declarou valores diferentes dos documentos que juntou ao processo em sua defesa. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação do IRRF e da Contribuição Previdenciária informada na DAA, como segue: Tratase de impugnação contra Notificação de Lançamento (fl. 20/24), exercício 2013, anocalendário 2012, que detectou dedução indevida de previdência oficial, de R$ 3.082,97, e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, de R$ 7.697,96, porque declarados R$ 8.896,82, houve comprovação de R$ 1.198,86 retidos pela fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. Apurouse imposto de renda suplementar, de R$ 8.545,78, assim dividido: R$ 847,82, sujeito à multa de ofício de 75%, e R$ 7.697,96, sujeito à multa de mora de 20%. O contribuinte impugna o lançamento (fl. 2) e alega que as contribuições ao INSS totalizam R$ 812,57 referentes à fonte pagadora BB Assessoria e Consultoria empresarial Ltda ME. O valor glosado de R$ 2.270,40 relativo ao INSS não existe e foi equivocadamente lançado, conforme comprovante de rendimentos que anexa (fl. 8). Quanto à compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, de R$ 7.697,96 também foi lançada erroneamente, porque inexiste, assim como incorretos os rendimentos de R$ 67.638,06, relacionados ao INSS, porque só recebeu o valor que consta no comprovante de rendimentos de R$ 32.448,28, com retenção de imposto de renda de R$ 1.198,86. Apresenta rascunho de declaração (fls. 9/12) com os valores corretos, apurando saldo de imposto de renda a pagar de R$ 972,99 (fl. 12). Registrase, inicialmente, que o lançamento impugnado teve como base a declaração de ajuste anual, ND 08/14.328.236, transmitida pelo contribuinte em 29/04/2013 (fls. 13/19). Nela (fl. 14), o contribuinte informou no campo rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo titular, valores pagos por duas fontes, INSS e BB Assessoria Empresarial, no total de R$ 75.022,06, com contribuições à previdência oficial de R$ 3.082,97 e imposto de renda retido na fonte de R$ 8.896,82. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13973.720213/201752 Acórdão n.º 2001000.821 S2C0T1 Fl. 67 3 Os documentos que integram o processo e os bancos de dados da Receita Federal do Brasil não comprovam qualquer pagamento a título de previdência oficial, razão da glosa do valor declarado, de R$ 3.082,97, assim como atestam apenas R$ 1.198,86, a título de imposto de renda retido na fonte. As alegações do contribuinte em sua impugnação, a respeito de valores incorretos, ressaltese, por ele informados na declaração de ajuste anual, desacompanhadas de documentos que se contraponham aos dados que espontaneamente informou no ajuste anual não são suficientes para afastar o lançamento fiscal. Isso posto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação e por manter o imposto de renda suplementar lançado, de R$ 8.545,78, assim dividido: R$ 847,82, sujeito à multa de ofício de 75%, e R$ 7.697,96, sujeito à multa de mora de 20%, acrescidos dos juros moratórios. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a infração apurada no valor de R$ 8.545,78, sendo: R$ 847,82, sujeito à multa de ofício de 75%, e R$ 7.697,96, sujeito à multa de mora de 20%, com os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) A declaração de Imposto de Renda anocalendário 2012 Exercício 2013, objeto desta notificação de nº 2013/000160054709981, foi lançado equivocadamente os rendimentos tributáveis recebidos do INSS – Instituto Nacional de Seguro social – CNPJ 29.979.036/0001 40, assim como o pagamento de Imposto de Renda. Na declaração foi Lançado o rendimento recebido do INSS no valor de R$ 67.635,06, porém o correto seria R$ 32.448,28. No campo do Imposto de Renda na Fonte foi lançado o valor de R$ 8.896,82 e o correto seria R$ 1.198,86. O valor oriundo da Notificação seria os R$ 8.896,82 – R$ 1.198,86 = R$ 7.697,96. Conforme os documentos anexos a serem apresentados, o Fiscal considerou o valor de Imposto de Renda Retido lançado a maior, mas desconsiderou o valor de Rendimento lançado erroneamente, no qual refazendo o cálculo considerando os valores corretos de fato, daria a pagar de imposto de renda o valor de R$ 972,99. Simulação feita no próprio programa da época, por causa deste erro de lançamento, acabei pagando o valor de R$ 1.808,04, ou seja, paguei R$ 835,05 a mais do que devia. Portanto, discordo desta notificação, sendo muito claro o erro de digitação e solicito a restituição do valor pago a mais, no valor de R$ 835,05. Fl. 68DF CARF MF 4 De acordo com os fatos apresentados, segue anexo o Informa de Rendimentos do INSS, tirando do próprio sistema da Receita Federal, no qual comprova os valores recebidos de aposentadoria, assim como o pagamento do Imposto Retido, 1 Relatório tirado do eCAC onde consta a divergência dos Lançamentos, 1 simulação do cálculo do Imposto de Renda no programa de declaração da época, 1 cópia do recibo de entrega da declaração de Imposto de Renda anocalendário 2012 exercício 2013. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Recorrente alega em sua manifestação recursal que os rendimentos objeto de lançamento são oriundos de aposentadoria no Valor de 32.448,28, com impostos de renda retido na fonte de R$ 1.198,86, conforme documento oficial informativo de rendimentos pagos pelo Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, fl. 08, dos autos, o que constou de uma simulação de cálculo com o formulário da época, fl. 09, adicionados aos rendimentos recebidos da fonte BB Assessoria Empresarial Ltda, no valor de R$ 7.387,00, totalizando na declaração Rendimentos de R$ 39.835,28, Contribuição Previdenciária Oficial de R$ 812,57 e IRRF de R$ 1.198,86, resultando em um saldo de imposto a pagar de R$ 972,99, no exercício de 2013, anocalendário 2012. Contudo, sua DAA oficial juntada ao processo, fl. 26, mostram um valor de rendimentos de R$ 67.635,06 recebidos de Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, mais R$ 7.387,00 recebidos de BB Assessoria Empresarial Ltda, totalizando na declaração Rendimentos de R$ 75.022,06, Contribuição Previdenciária Oficial de R$ 3.082,97 (R$ 2.270,40 + R$ 812,57) e IRRF de R$ 8.896,82, resultando em um saldo de imposto a pagar de R$ 1.808,04, no exercício de 2013, anocalendário 2012. O Fisco glosou o imposto no valor de R$ 7.697,96 (R$ 8.896,82 – R$ 1.198,86), com multa de 20% mais juros de mora e R$ 847,82 a título de imposto suplementar com multa de 75% e juros de mora, por falta de comprovação documental. As informações constantes do sistema da Receita Federal acusam a diferença entre as informações declaradas pela fonte pagadora e os valores informados pelo Recorrente, onde aparece como fonte pagadora somente o Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, fl. 60 dos autos. De sua parte o Contribuinte apresentou, fl. 61, comprovantes de rendimento da mesma fonte pagadora informada pelo Fisco mostrando o valor de tão somente R$ 32.448,28 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13973.720213/201752 Acórdão n.º 2001000.821 S2C0T1 Fl. 68 5 de rendimentos e R$ 1.198,86 a título de IRRF. Nada mais acrescentando da fonte pagadora INSS quanto de qualquer outra fonte por ventura existente. A questão aqui tratada é de falta de comprovação documental que respalde as alegações da defesa recursal do Recorrente no que se refere aos rendimentos declarados, imposto de renda retido na fonte e desconto para a previdência oficial. O exame do caso aponta de maneira direta para a questão da prova parcial que resulta em desfavor do Contribuinte pela inconsistência probatória do alegado também em sede de Recurso Voluntário, o que conduz para a negativa de provimento e a manutenção do Lançamento. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, para manter o crédito tributário no valor lançado. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13882.720055/2013-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2002-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade.
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score : 1.0
Numero do processo: 15374.723499/2009-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é possível a caracterização de divergência jurisprudencial quando confrontadas decisões que analisaram situações fáticas diversas.
Numero da decisão: 9101-003.855
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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DIREITO CREDITÓRIO INSUFICIENTE. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Recorrente SOCIEDADE MICHELIN DE PARTICIPAÇÕES INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é possível a caracterização de divergência jurisprudencial quando confrontadas decisões que analisaram situações fáticas diversas. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 34 99 /2 00 9- 01 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 15374.723499/200901 Acórdão n.º 9101003.855 CSRFT1 Fl. 1.107 2 Relatório A contribuinte em epígrafe recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 612/624, contra o Acórdão nº 1402001.675, proferido pela então Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 6/5/2014, pelo qual a turma, por inanimidade de votos, negou provimento ao seu Recurso Voluntário e não reconheceu o direito creditório em litígio e não homologou as compensações declaradas (efls. 575/580). A contribuinte transmitiu a declaração de compensação PER/DCOMP nº 33628.06380.221107.1.7.023565, em 22/11/2007, com o objetivo de quitar débitos próprios de sua responsabilidade (objeto dos PER/DCOMPs 13103.36186.130906.1.7.026220 e 23806.52240.130906.1.7.022784) com direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, no valor de R$ 5.503.169,03. O saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, formado por antecipações a título de IRRF e estimativas, foi objeto de análise pelo órgão de origem que considerou não comprovada a parcela de IRRF no montante de R$ 27.256,95, nem confirmados os recolhimentos da seguintes estimativas: PA 01/2003 no valor de R$ 1.172.481,57 – objeto do processo 13706.000801/200321, cujo indeferimento foi confirmado pela Delegacia de Julgamento, Acórdão 1221.507, de 23/10/2008. PA 03/2003 no valor de R$ 6.618.410,87 – processo 13706.001247/2003 07, cujo indeferimento foi confirmado pela Delegacia de Julgamento, Acórdão 1220.155, de 30/07/2008. O valor glosado das estimativas cujas compensações não foram confirmadas totalizou R$ 7.790.892,54, superando o saldo negativo pleiteado, razão pela qual não foi reconhecido o direito creditório e nem homologadas as compensações. Irresignada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 407 e ss do vol. 3), julgada improcedente pelo acórdão nº 1240.413, da 7ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI (efls. 501/506). Na sequência, interpôs Recurso Voluntário (efls. 516/545), apreciado pela 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 6/5/2014, que, por unanimidade de votos, negoulhe provimento. No acórdão nº 1402001.675 deduziuse a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Demonstrado nos autos a inexistência do crédito pleiteado, é conseqüência natural a não homologação do pedido de compensação. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 15374.723499/200901 Acórdão n.º 9101003.855 CSRFT1 Fl. 1.108 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O voto condutor registrou o seguinte entendimento: [...] Por esse motivo, reconheço o direito à utilização, na composição do saldo negativo do IRPJ, do IRRF questionado no montante de R$ 27.256,95. No que se refere às estimativas, a princípio concordo com a decisão recorrida no sentido de que as regras norteadoras do processo administrativo fiscal não prevêem expressamente a figura do sobrestamento. Por outro lado, tal questão, admito, é controversa nesta Corte onde vários julgados posicionamse no sentido de que, em casos como o presente, a apreciação do processo de compensação só deve ocorrer quando do trânsito em julgado da decisão proferida nos autos em que o crédito foi anulado ou reduzido, ou ainda no autos em que a estimativa aqui utilizada foi quitada por compensação. A meu ver a solução mais adequada seria o trâmite simultâneo dos processos, o que permitiria que as decisões estivessem em sintonia dentro da mesma instância administrativa. Em outras palavras, proferida decisão no CARF em relação ao auto de infração ou ao processo em que a estimativa foi compensada tal decisão poderia, e deveria, ser imediatamente aplicada no processo de compensação. Caberia às partes interessadas (sujeito passivo ou Fazenda Nacional) efetuar as devidas gestões para que uma eventual reversão daquele julgado fosse trazida ao processo de compensação. No caso, o processo 13706.000801/200321 (apensado ao processo 13706.000526/200345), que trata de pedidos de compensação ( inclusive de parte da estimativa do mês de janeiro/2003 no valor de R$ 1.172.481,57) com crédito correspondente ao saldo negativo do IRPJ apurado em 2001, foi apreciado nesta mesma sessão com decisão pela conversão do julgamento em diligência (Resolução 1402000.251) para verificação. Mesmo que, por hipótese, a decisão naquele processo fosse favorável ao sujeito passivo, não haveria impacto nos presentes autos como se verá na parte final deste voto. O processo 13706.001247/200307 referese a pedidos de compensação com crédito referente ao saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 2000. Esse saldo negativo foi revertido como decorrência do procedimento de fiscalização, com apuração de irregularidades tributárias, formalizado nos autos do processo 18471.000022/200510. Em pesquisas nos sistemas disponíveis constatase que o processo 18471.000022/200510 já foi julgado no CARF e está arquivado. Foi prolatado o Acórdão 10196.788 (sessão de 25/06/2008) através do qual negou–se provimento ao recurso de ofício, que tratava apenas da possibilidade de utilização de saldo de prejuízo anteriores na formalização da exigência, e também ao recurso voluntário. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 15374.723499/200901 Acórdão n.º 9101003.855 CSRFT1 Fl. 1.109 4 Portanto, nesse caso, não há crédito passível de compensação e a estimativa do mês de março (R$ 6.618.401.97) não pode compor o resultado do período. [...] Apurado saldo a pagar de imposto, e não saldo negativo, não há crédito a ser restituído motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso. Como afirmado em momento anterior deste voto, a decisão não seria alterada caso houvesse posicionamento favorável ao sujeito passivo no bojo do processo 13706.000801/200321 (apensado ao processo 13706.000526/200345). Na apuração acima, foi considerado como quitado a o valor lá em discussão, referente a parte da estimativa no mês de janeiro/2003, corresponde a R$ 1.172.481,57; montante insuficiente para reverter o saldo de imposto a pagar apurado. Em face da decisão acima foram opostos Embargos de Declaração (efls. 590/593), rejeitados por despacho do presidente da turma (efls. 597/599). A contribuinte foi cientificada do acórdão do despacho que rejeitou os aclaratórios em 18/3/2016, e apresentou Recurso Especial (efls. 612/624), apontando divergência jurisprudencial em relação ao seguinte tema: 1) estimativa cuja compensação não foi homologada não pode integrar o saldo negativo a ser utilizado como direito creditório em outras compensações. Indicou como paradigmas o Acórdão nº 1102001.259 e o Acórdão nº 1801001.892. Em suas razões recursais a contribuinte inicialmente aduz que, na forma do § 6º do art. 74 da Lei n° 9.430/96, o pedido de compensação importa em efetivo reconhecimento de dívida, constituindo documento suficiente a legitimar a cobrança dos valores compensados indevidamente. Pondera que não sendo homologado o pedido de compensação, o respectivo crédito tributário será integralmente exigido da empresa, seja administrativa ou judicialmente, recompondo o saldo negativo e frisa que, em sede judicial, dito crédito pode ser reconhecido como legítimo, hipótese que confirma o saldo negativo aproveitado pelo contribuinte. Considera ser evidente que, seja pelo reconhecimento do crédito aproveitado ou pela exigência de valor indevidamente compensado, o saldo negativo decorrente de estimativas compensadas será recomposto, de modo que é legítima e plenamente cabível sua utilização. Afirma que caso a estimativa compensada não seja posteriormente homologada, o contribuinte será intimado para efetuar seu pagamento, visto que a PER/DCOMP representa confissão de dívida. Aponta que o próprio CARF reconhece a legitimidade da inclusão de estimativas compensadas, ainda que não homologadas ou pendentes de apreciação, na composição do saldo negativo do anocalendário, mostrarseia forçoso reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado pela Recorrente, referente às estimativas de janeiro de 2003 (R$ 1.172.481,57) e março de 2003 (R$ 6.618.410,97), considerando que quitadas por meio de compensação regularmente transmitidas e, por conseguinte, aptas a compor o saldo negativo do anocalendário de 2003. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 15374.723499/200901 Acórdão n.º 9101003.855 CSRFT1 Fl. 1.110 5 Pede ao final pelo conhecimento e provimento do Recurso Especial, para que se reconheça a inclusão das estimativas no crédito pleiteado. Feita a análise de admissibilidade, o Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF entendeu que a divergência alegada não se caracterizou e, assim, não admitiu o Recurso, nos termos do despacho de efls. 1.048/1.055. Notificado desse despacho e, inconformado, o contribuinte apresentou Agravo (efls. 1.065/1.078), em que reitera haver a divergência suscitada entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados. Avaliando a adequação do despacho de admissibilidade questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado entendeu, o Presidente da CSRF, que a divergência havia sido demonstrada em relação ao acórdão paradigma nº 1801001.892, concluindo que o acórdão nº 1102001.259 não serviria como paradigma por tratar de situação fática distinta. Assim, o agravo foi admitido pelo despacho de efls. 1.081/1.086. Notificada, a PFN apresentou contrarrazões (efls. 1.094/1.102). Inicialmente aponta que teria se mostrado irrelevante para o acórdão recorrido a alegação da contribuinte de que as estimativas compensadas não homologadas podem compor o saldo negativo, pois, quanto ao processo nº 13706.001247/200307 a discussão estaria encerrada e, no processo 13706.000801/200321 a decisão não teria o condão de gerar o saldo negativo aqui em discussão. No mérito, após referirse à legislação que rege a compensação tece, em resumo, os seguintes argumentos: a) nos termos da legislação, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação; b) a compensação por iniciativa do sujeito passivo ocorre mediante a entrega, por este, de pedido/declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; c) se não homologada a compensação, a estimativa não pode integrar o saldo negativo postulado em outro processo de compensação, por faltarlhe os atributos de liquidez e certeza; d) não se admite no nosso sistema PER/DCOMPs condicionais, ou seja, créditos ainda não líquidos e certos que poderão gozar desses atributos em momento posterior em razão do reconhecimento do crédito discutido em outro feito, situação que poderá ocorrer ou não. Ao final pede que seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, mantendose o acórdão recorrido no ponto. É o relatório. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 15374.723499/200901 Acórdão n.º 9101003.855 CSRFT1 Fl. 1.111 6 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Conhecimento O recurso especial foi admitido após agravo do contribuinte, e somente em relação ao acórdão paradigma nº 1801001.892, nos termos do despacho de exame de agravo de efls. 1.081/1.086. Todavia, entendo que, no presente caso, não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, haja vista a ausência de similitude fática. Como se sabe, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Evidentemente, o primeiro pressuposto para a configuração de dissídio interpretativo, é, inquestionavelmente, a similitude fática entre a matéria discutida nos acórdãos recorrido e paradigmas. Ou seja, é essencial que reste demonstrado que, decidindo matéria semelhante, órgãos julgadores distintos chegaram a conclusões diversas, em razão de divergências na interpretação da legislação tributária. No despacho de admissibilidade restou consignado: O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "demonstrado nos autos a inexistência do crédito pleiteado, é conseqüência natural a não homologação do pedido de compensação." Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados não se revelam discordantes, não restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pelo Sujeito Passivo. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 15374.723499/200901 Acórdão n.º 9101003.855 CSRFT1 Fl. 1.112 7 De outro lado, o paradigma admitido assim deduziu (Acórdão nº 1801 001.892): IRPJ. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE DE CÔMPUTO NO SALDO NEGATIVO. O débito relativo a estimativa mensal (cuja quitação se pretendeu realizar por compensação) que já foi inscrito na Dívida Ativa e seguiu para a ação de execução fiscal, está apto a compor o saldo negativo do período de apuração. Vejase que o voto vencedor do referido paradigma adotou o seguintes fundamentos para acatar o crédito pleiteado: [...] a definitividade da constituição do débito está juridicamente estruturada na lei. O valor da estimativa confessada já está apto a compor o saldo negativo aproveitável em período posterior. Qualquer que seja o desfecho no processo de compensação da estimativa que compõe o saldo negativo, não se irá alterar o débito que dá lastro a este último. O que restará para ser apreciado naquele processo é a formação e a aptidão do crédito invocado. Se for homologada a compensação, confirmase o crédito oposto à estimativa, e em nada se modifica o débito (a estimativa confessada). Se ainda estiver pendente a discussão administrativa, o crédito ainda está indefinido, e também não há modificação do débito, que permanece com exigibilidade suspensa. Acaso a decisão final seja desfavorável ao pleito do sujeito passivo, afastase o crédito invocado e, novamente, em nada se modifica o débito. Assim, a estimativa confessada no contexto da declaração de compensação, já está, desde tal constituição de débito, apta a compor o saldo negativo do período de apuração. Por fim, concluiu o referido voto vencedor no paradigma: Assim, considerando que o débito confessado a título de estimativa é certo, líquido, e que sua exigibilidade apenas aguarda a conclusão do processo da compensação da estimativa (onde se definirá se o débito foi quitado pela compensação ou se seguirá para execução fiscal), mas que tal definição em nada altera sua aptidão para formar o saldo negativo, deve ser admitido o crédito nos termos pleiteados pela recorrente. O presente caso tem duas peculiaridades: as compensações das estimativas são de 2000 (portanto, anteriores à alteração do artigo 74 da Lei 9.430, pela Lei 10.637 de 2002), e os débitos dessas mesmas estimativas já foram objeto de ajuizamento de execução fiscal. Poderia, então, haver dúvida quanto ao aspecto da confissão de dívida posteriormente introduzido por lei na sistemática das Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 15374.723499/200901 Acórdão n.º 9101003.855 CSRFT1 Fl. 1.113 8 DCOMP’s, o que poderia abalar a liquidez e certeza do débito que integrou a formação do saldo negativo. No entanto, o fato de já ter sido proposta a ação de execução fiscal (precedida, é claro, da inscrição na Dívida Ativa da União), afasta qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito. Há informação nestes autos de que os débitos das estimativas (que se pretendia quitar por compensação) foram transferidos para o Processo nº 10245.000745/200149, que seguiu para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Se o débito que compôs a apuração do saldo negativo já foi encaminhado para a Dívida Ativa, é porque contava com liquidez e certeza. A exigibilidade foi posteriormente suspensa pelos atos e evento processuais ulteriores. Mas, como já referi, a liquidez e certeza não são afetados pelas mutações do estado da exigibilidade do débito. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer os créditos das estimativas objeto de compensação, relativas a maio, junho e julho do anocalendário de 2000. Ora, nos presentes autos, consoante a decisão recorrida, o fundamento para a negativa do reconhecimento do direito creditório pleiteado baseouse em distinta situação fática, conforme demonstrado a seguir. No presente caso, tratouse de apreciar a possibilidade de se computar, no saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, valores de estimativas de 2003 indicados para compensação com saldos negativos de períodos anteriores, tratadas em outros processos administrativos e que restaram não homologadas ou se encontram pendentes de julgamento. As estimativas não homologadas nestes autos estão sendo tratadas nos processos de nº 13706.000801/200321 e nº 13706.001247/200307. A turma ordinária examinou o estado dos referidos processos e constatou que o processo nº 13706.000801/200321, no qual a parcela da estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 1.172.481,57 havia sido indicada para compensação, fora apensado ao de nº 13706.000526/200345 e este último fora convertido em diligência pelo mesmo colegiado. Mas ponderou que, mesmo por hipótese, se a decisão naquele processo fosse favorável ao sujeito passivo não haveria impacto nos presentes autos porque o valor da referida estimativa, de R$ 1.172.481,57, já havia sido computado na apuração do ano de 2003 e mostrouse insuficiente para reverter o saldo de imposto a pagar apurado. Com efeito, verificase que o colegiado a quo computou o valor de R$ 1.172.481,57 na apuração do saldo do IRPJ. Notese que o valor do saldo negativo de IRPJ de 2003 pleiteado é de R$ 5.503.169,03 e foi assim demonstrado pelo sujeito passivo: Imposto....................................................................7.059.571,49 Adicional.................................................................4.682.381,00 Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 15374.723499/200901 Acórdão n.º 9101003.855 CSRFT1 Fl. 1.114 9 Total imposto devido.............................................11.741.952,49 Programa da Alimentação do Trabalhador............. 282.382,66 IRRF......................................................................(1.198.678,25) Imposto pago a título de estimativas....................(15.764.060,41) Saldo negativo...................................................... (5.503.169,03) O valor das estimativas admitido pelo colegiado como comprovado foi de R$ 9.145.649,44 que é produto da subtração do montante total de estimativas indicado pela recorrente, de R$ 15.764.060,41 () a estimativa de março/2003, esta sim considerada como não comprovada, no valor de R$ 6.618.410,97. Portanto, em relação a parcela da estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 1.172.481,57, não há mais litígio a ser apreciado nestes autos. Por outro lado, no que respeita à estimativa de março/2003, sua compensação foi tratada no processo nº 13706.001247/200307, com o saldo negativo do ano de 2000 e o colegiado a quo apurou que esse saldo negativo de IRPJ do ano de 2000 foi revertido em saldo positivo de imposto como decorrência do procedimento de fiscalização, com apuração de irregularidades, tendo referido processo transitado em julgado em desfavor do sujeito passivo, encontrandose atualmente em arquivo. Assim, em tese, não haveria direito creditório suficiente a homologar a compensação da estimativa de março/2003, no valor de R$ 6.618.410,97, tratada no processo nº 13706.001247/200307. Assim consignou o relator do voto recorrido: O processo 13706.001247/200307 referese a pedidos de compensação com crédito referente ao saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 2000. Esse saldo negativo foi revertido como decorrência do procedimento de fiscalização, com apuração de irregularidades tributárias, formalizado nos autos do processo 18471.000022/200510. Em pesquisas nos sistemas disponíveis constatase que o processo 18471.000022/200510 já foi julgado no CARF e está arquivado. Foi prolatado o Acórdão 10196.788 (sessão de 25/06/2008) através do qual negou–se provimento ao recurso de ofício, que tratava apenas da possibilidade de utilização de saldo de prejuízo anteriores na formalização da exigência, e também ao recurso voluntário. Portanto, nesse caso, não há crédito passível de compensação e a estimativa do mês de março (R$ 6.618.401.97) não pode compor o resultado do período. [...] (destacouse) É certo que o processo nº 13706.001247/200307, que trata propriamente da compensação dessa estimativa de março/2003, encontrase em fase de distribuição para julgamento do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, conforme extrato Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 15374.723499/200901 Acórdão n.º 9101003.855 CSRFT1 Fl. 1.115 10 disponibilizado no site do CARF (https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ Consultar InformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessuais.jsfAcompanhamento Processual). Todavia, no presente caso, como visto, o que interessou ao voto recorrido como fundamento de decidir foi definitividade da constituição do crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal nº 18471.000022/200510, que formalizou o auto de infração o qual reverteu o saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 2000, após apuração de irregularidades tributárias e tendo sido negado provimento ao recurso voluntário. Como muito bem destacado pelo relator do voto recorrido "nesse caso, não há crédito passível de compensação e a estimativa do mês de março (R$ 6.618.401.97) não pode compor o resultado do período". Vejase que, enquanto naquele paradigma, a tese vencedora tratou como irrelevante a questão da pendência da discussão administrativa sobre o crédito, por considerar que "a estimativa confessada no contexto da declaração de compensação, já está, desde tal constituição de débito, apta a compor o saldo negativo do período de apuração", neste voto recorrido foi crucial para o deslinde da lide a definitividade da decisão negativa ao contribuinte no processo conexo que reverteu o saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 2000, o qual representava o crédito aqui pleiteado. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. Assim, diante da ausência de similitude fática, as conclusões aparentemente dissonantes do acórdão recorrido e paradigma não se consubstanciam em divergência jurisprudencial nos termos do art. 67 do Anexo II do Ricarf para fins de admissibilidade do recurso especial. Conclusão Em vista do exposto, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1115DF CARF MF
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