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Numero do processo: 10320.720165/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 16 5/ 20 10 -1 2 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 282DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.721850/2011-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Súmula CARF n.º 49.
DBF. ATRASO NA ENTREGA. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO QUE DETERMINAVA A PENALIDADE (DERROGAÇÃO). RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 106 DO CTN.
Verificado que o dispositivo normativo correspondente à DBF, que estabelecia a penalidade que motivou o lançamento tributário, foi revogado, deixou de haver definição legal como infração do atraso na sua entrega.
Numero da decisão: 1002-000.479
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Súmula CARF n.º 49. DBF. ATRASO NA ENTREGA. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO QUE DETERMINAVA A PENALIDADE (DERROGAÇÃO). RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 106 DO CTN. Verificado que o dispositivo normativo correspondente à DBF, que estabelecia a penalidade que motivou o lançamento tributário, foi revogado, deixou de haver definição legal como infração do atraso na sua entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 18 50 /2 01 1- 33 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 55 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (DRJ/CPS) mediante o Acórdão n.º 0537.403, de 27/03/2012 (efls. 24 a 29). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Versa o presente processo sobre Auto de Infração relativo ao anocalendário de 2010, donde se extrai a exigência do pagamento de multa por falta de entrega de Declaração de Benefícios Fiscais (DBF), no valor de R$ 30.000,00. Inconformado com a exigência, o Contribuinte impugnou o lançamento, sob a alegação, em breve síntese, de que a funcionária responsável pelo cumprimento da obrigação acessória desconhecia os procedimentos normativos. Salienta restar alcançado pelo instituto da denúncia espontânea. Pede o cancelamento da multa. [...] Sendolhe desfavorável a decisão de 1.ª instância administrativa, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário em 15/05/2012, efls. 36 a 45, pugnando pela ocorrência de denúncia espontânea e trazendo mais posições doutrinárias e alguns julgados, e associando o reconhecimento da denúncia espontânea ao princípio da isonomia. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 56 3 Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pelo recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso1. A alegação relatada pelo defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente ao princípio da isonomia, que o recorrente aduz inerente à aplicação da denúncia espontânea, ressaltese que não há o que opor a essa assertiva, contudo, não se tratando o caso dos autos de hipótese de denúncia espontânea, como se verá, esvaziase tal associação com o princípio constitucional da isonomia, motivo pelo qual não há lógica em enfrentar o argumento proposto nesses termos. O recorrente suscita, então, que está amparado pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo n.º 1149022/SP2, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/09/2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF n.º 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015. A contestação aduzida pelo defendente, por isso, não pode ser sancionada quanto a este aspecto. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Contudo, ajustamse ao presente processo as considerações abaixo, que se justificam pelo dever de observação do princípio da legalidade, pelos agentes e órgãos 1 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 3 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62, § 2.º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 57 4 públicos, ainda que não envolvam matéria contestada na impugnação e no recurso voluntário. Dizem respeito à aplicação da lei tributária. No que se refere à aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). A imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9.º do Código Tributário Nacional). O recorrente pede pela nulidade da Notificação de lançamento e que se declare a insubsistência da sua responsabilidade tributária. No exercício do seu poder regulamentar e com base no art. art. 16 da Lei n.º 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei n.º 12.766, de 27 de dezembro de 2012, a RFB instituiu a Declaração de Benefícios Fiscais (DBF), cuja apresentação é obrigatória para, entre outras entidades, os Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional, referentes às doações efetuadas aos Fundos dos Direitos da Criança e Adolescente. O programa e as instruções para preenchimento da DBF estão disponíveis na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e são de livre reprodução. A DBF deve ser apresentada até o último dia útil do mês de março, em relação ao ano calendário imediatamente anterior, por intermédio da Internet, utilizandose o Programa Receitanet, que está disponível no endereço do sítio institucional. O Recibo de Entrega é gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. A partir de 04/12/2007, restou estabelecido que a não apresentação da Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) no prazo legal ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretaria a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo e (b) cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas. Essa multa tem, por termo inicial, o primeiro dia subseqüente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da DBF ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. A partir de 30/12/2010, para a apresentação da DBF relativa a fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário 2010, tornouse obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido. Até 27/12/2012 o descumprimento das obrigações acessórias exigidas pela legislação acarretaria a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados e (b) cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta (art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001). Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 58 5 A partir de 28/12/2012, com a nova redação dada pela Lei n.º 12.766, de 27 de dezembro de 2012, o sujeito passivo que deixasse de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação ficaria sujeito às seguintes multas por apresentação extemporânea: (a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido, (b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento, (c) por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ 1.000,00 (mil reais) por mês calendário e (d) por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Nesse sentido foi editada a Instrução Normativa RFB n.º 1.389/2013, que vigorou a partir de 02/09/2013 e revogou expressamente o art. 5.º da Instrução Normativa RFB n.º 1.307/2012 — o art. 5.ºA, I, "b", que insere a multa de R$ 1.500,00 para falta ou atraso de entrega da DBF por "demais pessoas jurídicas" foi inserido em dezembro de 2013, pela IN RFB n.º 1.426/2013 —, que previa que a não apresentação da DBF no prazo legal ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretava a aplicação das seguintes penalidades: (a) multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de sua entrega depois do prazo, e (b) multa de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas (IN SRF n.º 311/2003, IN RFB n.º 789/2007, IN RFB n.º 1.113/2010, IN RFB n.º 1.120/2011, IN RFB n.º 1.307/2012 e IN RFB n.º 1.389/2013). Cumpre verificar a vigência dos dispositivos de interesse para este voto, mormente a aplicação do art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei n.º 12.766, de 27 de dezembro de 2012, e consonância com o art. 5.ºA da IN RFB n.º 1.307/2012: MP n.º 2.15835/2001: (...) Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) (...) Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 59 6 b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) IN RFB n.º 1.307/2012: (...) Art. 5ºA A não apresentação da DBF no prazo estabelecido no art. 4º ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretará a aplicação das seguintes penalidades, definidas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1426, de 20 de dezembro de 2013) I por apresentação extemporânea: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1426, de 20 de dezembro de 2013) (...) b) R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1426, de 20 de dezembro de 2013) (...) Em razão do exame da revogação do art. 5.º e da data de inserção do art. 5.º A, ambos da IN RFB n.º 1.307/2012, penso que a discutida penalidade por atraso na entrega da DBF por "demais pessoas jurídicas" foi revogada (derrogada) em agosto de 2013 e só voltou ao ordenamento legal a partir de dezembro de 2013, quando a IN RFB n.º 1.426/2013 alterou a IN RFB n.º 1.307/2012, devendose aplicar ao caso em concreto o princípio tributário contido no artigo 106, do Código Tributário Nacional (CTN – Lei nº 5.172/66), conhecido por retroatividade benigna da norma tributária: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) a) quando deixe de definilo como infração; (...) Ao analisar as alterações legislativas, que extraíram da aplicação de multas por infração a obrigações acessórias a generalidade, passando a especificar na norma os sujeitos passivos alcançados e novos valores cominados, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou o Parecer Normativo n.º 03 de 10 de junho de 2013, interpretando os efeitos da nova legislação sobre os casos que de trata. Vale reproduzir, a seguir, alguns de seus trechos, com destaques em negrito. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 60 7 Dispõe o referido Parecer: [...] 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) [...] (iii) Como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001? (iv) Continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5ºda Lei nº 11.033, de 2004? Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 61 8 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB n.º 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB n.º 1.052, de 2010, do art. 7.º da IN RFB n.º 989, de 2009, do art. 4.º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5.º da IN RFB n.º 1.307, de 2012, do art. 5.º da IN RFB n.º 1.114, de 2010, e do art. 6.º da IN RFB n.º 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP n.º 2.15835, de 2001. E, mais especificamente sobre a DBF (Declaração de Benefícios Fiscais), normatizou o Parecer no âmbito da RFB: 6.1.2. Quanto à IN RFB n.º 1.307, de 2012 (DBF) e à IN RFB n.º 1.114, de 2010 (Derc), a análise deve ser mais detalhada. A multa do art. 57 da MP possui como aspecto pessoal as pessoas físicas e jurídicas, tanto de direito público como privado. O aspecto quantitativo dos incisos I e III pressupõe a sanção à pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, já que pessoa física, pessoa jurídica imune ou de direito público não têm forma de apuração de lucro presumido ou real (inciso I) nem receita bruta (inciso III). Como o direito tributáriopenal deve respeito ao princípio da tipicidade cerrada, não se pode aplicar analogia para a configuração da multa. Não há base legal, atualmente, para a multa por atraso na sua entrega (inciso I), bem como para informações inexatas, incompletas ou omitidas em relação a ela (inciso III). Somente é passível de aplicação da multa à situação do inciso II, ou seja, após a intimação para entrega dos arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos. Impôs ainda necessária alteração normativa (o que foi providenciado posteriormente com a elaboração da IN RFB n.º 1.426, de 20/12/2013, incluindo o art. 5.ºA no texto da IN RFB n.º 1.307/2012): 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. E, ainda, destaca a observação do art. 106 do CTN: 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos acrescentados) 4. [...] Daí que estabeleceuse um hiato temporal de aproximados quatro meses entre a entrada em vigor da IN RFB n.º 1.389, de 30/08/2013, que revogou expressamente o artigo 5.º da IN RFB n.º 1.307, de 27/12/12, e o restabelecimento, através do art. 5.ºA, inserido pela IN RFB n.º 1.426, de 20 de dezembro de 2013, sob novo texto, da penalidade que havia sido expurgada do ordenamento: 4 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/PareceresNormativos/2013/parecer032013.htm>. Acesso em 03 set.2013. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 62 9 IN RFB n.º 1.389/2013: (...) Art. 2º Fica revogado o art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.30711, de 2012. (...) IN RFB n.º 1.426/2013: (...) Art. 2º A Instrução Normativa RFB nº 1.307, de 2012, passa a vigorar acrescida do art. 5ºA: “Art. 5ºA A não apresentação da DBF no prazo estabelecido no art. 4º ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretará a aplicação das seguintes penalidades, definidas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: I por apresentação extemporânea: (...) b) R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (...) Pelo exposto, a penalidade imposta pela ausência da entrega de DBF – Declaração de Benefícios Fiscais, foi expressamente derrogada, nos casos em que os contribuintes obrigados não foram intimados a apresentála, por norma tributária posteriormente editada, fato reconhecido pelo órgão exator, não podendo subsistir a sua exigência contra a recorrente, por força do princípio da retroatividade benigna da norma tributária que deixa de cominar penalidade relativa a ato anteriormente considerado infração tributária. Voto, portanto, dada a questão de direito analisada de ofício, por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722897/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. DECRETO Nº 70.235/72 E LEI Nº 9.784/99. NÃO CONHECIMENTO.
A porção do Recurso Voluntário que trata de matéria alheia ao processo, diversa da fundamentação e da base legal efetivamente empregada no lançamento de ofício, não deve ser conhecida. Corolário do princípio da dialeticidade e inteligência dos art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 60 da Lei nº 9.784/99.
MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO.
A imposição da multa qualificada mostra-se justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, INCISO I, DO CTN.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
TAXA SELIC E MULTA. CONFISCATORIEDADE ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 1402-003.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias de inconstitucionalidade e alheias ao processo e, na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Veira e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) que davam provimento parcial para afastar a qualificação da multa de ofício e reconhecer a decadência para o período de julho a novembro de 2007, em face da aplicação do artigo 150, § 4º do CTN. Designado para redigir o voto vencedor em relação à qualificação da multa e inocorrência da decadência o Conselheiro Evandro Correa Dias.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. DECRETO Nº 70.235/72 E LEI Nº 9.784/99. NÃO CONHECIMENTO. A porção do Recurso Voluntário que trata de matéria alheia ao processo, diversa da fundamentação e da base legal efetivamente empregada no lançamento de ofício, não deve ser conhecida. Corolário do princípio da dialeticidade e inteligência dos art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 60 da Lei nº 9.784/99. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A imposição da multa qualificada mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. TAXA SELIC E MULTA. CONFISCATORIEDADE ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 97 /2 01 2- 04 Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.281 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias de inconstitucionalidade e alheias ao processo e, na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Veira e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) que davam provimento parcial para afastar a qualificação da multa de ofício e reconhecer a decadência para o período de julho a novembro de 2007, em face da aplicação do artigo 150, § 4º do CTN. Designado para redigir o voto vencedor em relação à qualificação da multa e inocorrência da decadência o Conselheiro Evandro Correa Dias. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados). Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.282 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2225 a 2245) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/SP (fls. 2169 a 2178) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 2144 a 2165), mantendo a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional, bem como a Autuação sofrida pela Recorrente, integralmente (fls. 1937 a 2135). No período colhido, a Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Contribuição Patronal Previdenciária, referentes ao segundo semestre do anocalendário de 2007, acrescidos de multa qualificada na monta de 150%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas, em face da declaração em DANS e oferta à tributação de valores, referente a revenda de mercadorias automobilísticas e prestação de serviços, inferiores àqueles escriturados em sua contabilidade e, principalmente, inseridos em Notas Fiscais, como constatado e documentado pela Fiscalização em ação fiscal. Em face de tal infração, foi determinada a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional a partir de 1º de janeiro de 2008 (exercício seguinte ao do presente lançamento de ofício), vez que constatado o extrapolamento do limite da receita bruta, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006 (fls. 2131 a 2139). Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 08.1.90.002011017731, que culminou com a Representação Fiscal para exclusão do Simples Nacional a partir de 01/01/2008 e formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, na modalidade Simples Nacional. De acordo com o Contrato Social da empresa e seu cadastro no CNPJ, tratase de uma sociedade empresária limitada, constituída em 19/08/1988, cujo objetivo social abrange atividades de comércio e prestação de serviços, e foi optante do Simples Nacional, na condição de empresa de pequeno porte, tendo apresentado para o período abrangido pela fiscalização a Declaração Anual do Simples Nacional ( DASN ), demonstrando uma receita bruta total de R$ 846.787,61. Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.283 4 O contribuinte foi intimado pessoalmente em 18/05/2011 a apresentar os Livros Caixa ou Diário e Razão, Livros de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias e/ou Serviços, Livros Registro de Inventário, arquivos digitais de notas fiscais e notas fiscais de Entradas e Saídas e/ou Serviços, todos relativos aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Reintimado, apresentou parte da documentação solicitada. Posteriormente, em 15/08/2011, foi intimado a apresentar os extratos bancários de todas as contascorrente e de investimentos referentes aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Não atendida a intimação, foi lavrado o Termo de Constatação e reintimação, sendo que nenhum documento ou esclarecimento foi apresentado. Foi lavrado, então, o termo de Embaraço, recebido via postal pelo contribuinte em 05/12/2011, onde foi consignado que os documentos ali listados não haviam sido entregues até aquela data, reintimandoo a apresentálos em cinco dias. Após vários pedidos de apresentação de esclarecimentos e documentos, atendidos parcialmente, em 17/05/2012 ele apresentou uma carta informando que em face da não localização dos documentos solicitados, teria efetuado o procedimento de “declaração à praça”, declarando o extravio das notas fiscais de saída e de prestação de serviços, assim como as notas fiscais de aquisição de mercadorias e de serviços prestados à empresa nos anos de 2007 a 2009. Anexa cópia de publicações em jornais. Do confronto das notas fiscais de saída de mercadorias com o Livro Registro de Saídas, a Fiscalização constatou que os valores escriturados eram menores do que constavam nas notas fiscais. No 2º semestre de 2007 consta da DASN que a venda de mercadorias foi de R$ 694.779,32, porém a receita com vendas, de acordo com as notas fiscais chegou a R$ 6.976.638,69, com uma omissão na DASN de R$ 6.281.859,37. Com relação a serviços, consta na DASN que a receita no 2º semestre/2007 foi no valor de R$ 152.008,29, mas as notas fiscais revelam um montante de R$ 1.712.925,57, sendo considerada omitida a receita de R$ 1.560.917,28. Somando a receita de venda de mercadorias e a de serviços, a receita bruta omitida no 2º semestre de 2007, objeto do presente processo, foi de R$ 7.842.776,65. Considerando que o contribuinte excedeu o limite da receita bruta de R$ 2.400.000,00 para empresas de pequeno porte no anocalendário de 2007, foi a empresa excluída do Simples Nacional a partir de 01/01/2008 conforme Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRES nº 06/2013, fls. 2.139. Com relação ao 1º semestre, a receita declarada à Receita Federal foi de R$ 358.851,22 e a receita bruta apurada foi de R$ 3.682.113,03, tendo ocorrido a omissão de R$ 3.323.261,81. Os valores de omissões de receita do 1º semestre de 2007 foram Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.284 5 objeto de auto de infração formalizado através do processo nº 19515.722895/201215. No decorrer do procedimento fiscal ficou constatada a utilização de artifícios fraudulentos para omitir receitas que deixaram de ser escrituradas no Livro Registro de Saídas. Esta conduta deixa evidente que seu objetivo era eximirse do pagamento de tributos à Fazenda Pública, procedimento que caracteriza sonegação fiscal nos termos do inciso I e caput do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, configurando a existência de dolo, impondo a multa de 150% nos termos do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Caracterizada a sonegação fiscal, aplicouse a responsabilização solidária pelos créditos constituídos, abaixo informados, aos sócios da pessoa jurídica, Srs. Marcos Proença e Josué Ferreira dos Reis, conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados pelos Agentes Fiscais. Também foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, uma vez que o comportamento das pessoas físicas responsáveis solidárias pelo crédito tributário configura, em tese, crime contra a ordem tributária conforme definido no artigo 1º da Lei nº 8.137/1990. A ciência do ADE deuse via postal em 05/03/2013 conforme fls. 2.131 dos autos. O lançamento de ofício está consubstanciado nos autos de infração – Simples Nacional: 1 Receitas de Revenda de mercadorias, exceto para o exterior, sem substituição tributária: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (fls. 2.047), no valor de R$ 127.864,75; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 2.051), no valor de R$ 127.864,75; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 2.055), no valor de R$ 378.637,14; Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 2.059), no valor de R$ 89.877,26, e Contribuição Patronal Previdenciária (fls. 2.063), no valor de R$ 1.089.068,25, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 1.813.312,15 ( um milhão, oitocentos e treze mil, trezentos e doze reais e quinze centavos ), aí incluído o principal, multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até o último dia útil de 12/2012. 2) Receitas de Prestação de serviços sujeitas ao Anexo III, sem retenção/substituição tributária de ISS, com ISS devido ao próprio Município do estabelecimento: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (fls. 2.102), no valor de R$ 39.007,29; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 2.106), no valor de R$ 38.058,90; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 2.110), no valor de R$ 116.541,43; Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 2.114), no valor de R$ 27.429,42, e Contribuição Patronal Previdenciária (fls. 2.118), no valor de R$ 380.186,48, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 601.223,52 ( seiscentos e um mil, duzentos e vinte e três reais e cinqüenta e dois centavos ), aí incluído o principal, Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.285 6 multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até o último dia útil de 12/2012. A ciência pessoal dos Autos de Infração deuse em 18/12/2012, fls. 2.067 e 2.121, e em 16/01/2013 o contribuinte apresenta a impugnação ao auto de infração, fls. 2.144/2.165, com os seguintes argumentos: 1 O artigo 150 da Constituição Federal veda expressamente a instituição de tributos com efeito de confisco e o estabelecimento de multas fiscais não pode induzir a violação ao princípio do não confisco, plasmada na Carta Maior; 2 Para que a multa de ofício qualificada no percentual de 150% possa ser aplicada é necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio; 3 A aplicação da taxa SELIC para a correção dos créditos de natureza tributária é inconstitucional, pois se trata de taxa que não foi criada por lei para fins tributários. Discorre sobre a taxa SELIC e conclui dizendo que a sua aplicação na seara fiscal infringe vários princípios constitucionais como o da legalidade, da segurança jurídica dentre outros; 4 Durante os procedimentos fiscalizatórios a autoridade lançadora não procedeu com a devida veracidade, devendo os atos serem reanalisados, desta feita à luz da verdade dos fatos, e não baseados em meras suposições; e 5 Referese ao prazo decadencial para concluir que no lançamento por homologação o termo de início do prazo decadencial iniciase a contar da ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação tributária, nos termos expressos no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. No presente caso, as autoridades fiscais ignoraram esta regra, exigindo tributos devidos no período de 07/2007 a 12/2007, explicitamente decaídos, devendo de plano ser exonerados. Quanto à exclusão do Simples Nacional, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Processada a Defesa, foi proferido pela 6ª Turma da DRJ/POA o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido e, em face da ausência de questionamento da exclusão do SIMPLES Nacional, mantevese tal medida: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.286 7 Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. SONEGAÇÃO. Em se verificando a ocorrência de dolo relativo à sonegação dos fatos geradores, o prazo decadencial tem seu início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. SELIC. É cabível a aplicação da Taxa Selic enquanto juros de mora no tocante ao lançamento de crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Simples Nacional, não recolhidas em época própria. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SONEGAÇÃO. A conduta de omitir a receita bruta ao Fisco configura a sonegação, ensejando a qualificação da multa de ofício. Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo novas alegações além daquelas de Impugnação, inclusive atacando a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional, mas abandonando algumas linhas argumentativas antes invocadas. Ainda, a Recorrente foi intimada para regular a sua representação processual, procedendo a tal medida (fls. 2247 a 2279). Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.287 8 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Registrese que os sujeitos passivos solidários não apresentaram Impugnação e tampouco Recurso Voluntário. Preliminarmente, alega a Recorrente em seu Recurso Voluntário, sob a rubrica de matéria de ordem pública, a possibilidade de se conhecer, até ex officio, a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo do lançamento. Contudo, neste mesmo tópico, a Parte não aponta o suposto erro. Então, como inclusive já este Conselheiro já posicionou em outros julgamentos, temse que procede a afirmação da Recorrente, podendo ser conhecida tal matéria, a qualquer tempo e mesmo espontaneamente pelo Julgador administrativo. Sequencialmente, passase a discorrer sobre a exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional. Cabe aqui esclarecer que, como registrado na decisão da DRJ a quo, na Impugnação apresentada tal matéria não foi aventada ou combatida. Diante de tal ocorrência, primeiro deveria se considerar a preclusão desse tema neste processo, posto que sequer ventilada na primeira Defesa da Recorrente, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Antes mesmo de se iniciar uma análise hermenêutica sistemática de tal dispositivo, e à luz do princípio da busca pela verdade material (assim como das prerrogativas Fl. 2288DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.288 9 do conhecimento de matéria de ofício pelo Julgador administrativo), esclarecese que toda a argumentação da Recorrente sobre tal tema é baseada nas disposições do art. 29, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, tratando de prática reiteradas. Ocorre que a exclusão da Recorrente foi fundamentada no art. 29, inciso I, e em outros dispositivos da Lei Complementar nº 123/2006, como se verifica tanto nas fls. 2131 a 2139, como no próprio bojo do próprio ADE: Assim, concluise que a pratica reiterada de infração à legislação tributária é matéria alheia à exclusão da Contribuinte. A motivação da exclusão da ora Recorrente foi o extrapolamento do limite da receita bruta auferida no anocalendário e tanto assim foi que tal medida administrativa apenas deuse no ano seguinte da apuração da infração e não a partir do próprio mês da sua ocorrência, como a Lei Complementar em questão determina no caso da verificação da hipótese do art. 29, inciso V. Posto isso, e não havendo qualquer manifesta ilegalidade em tal Ato Declaratório Executivo, considerando a circunstância acima relatada, não deve ser conhecida a matéria referente à exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional. Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.289 10 Posteriormente, a Contribuinte passa a versar sobre o anunciado erro na apuração da base de cálculo da Autuação, mas partindo da premissa de que a exclusão deuse nos termos do art. 29, inciso V e do § 1º de Lei Complementar nº 123/2006. E, dentro de tal lógica, considerando os efeitos da exclusão já no período dos fatos geradores colhido, alega ter sido adotado modalidade equivocada na apuração do lucro. Confirase: (...) Ora, como relatado e anteriormente esclarecido, a exclusão deuse apenas no anocalendário seguinte àquele em que apurouse as infrações de omissão de receitas que motivaram o presente lançamento de ofício, tendo, então, sido lavradas as Autuações dentro da sistemática do SIMPLES Nacional, como optado pela Contribuinte. Mais uma vez, estáse diante de matéria alheia aos autos, não devendo, igualmente, se conhecer de tal alegação. Ainda, alega a Recorrente que foi indevida a aplicação da multa qualificada, na monta de 150%, posto que, em suma, não teria havido conduta dolosa, fraudulenta ou simulada, não se confundido a infração apurada com tais condutas, existindo documentação das operações colhidas, cuja a receita fora omitida. Invoca também a Súmula CARF nº 141. Para melhor contextualizar as afirmações da Contribuinte, colacionase a seguir o fundamento integral para a qualificação da penalidade: 1 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 2290DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.290 11 (...) (fls. 1946) Entendese que, aqui, assiste razão à Recorrente. Como se observa, a motivação para a qualificação multa fora precisa e exclusivamente a própria infração de omissão de receitas. Não só tal circunstância atrai a aplicação da Súmula CARF nº 14, como não pode a infração tributária ordinária, já motivadora da aplicação da multa de ofício de 75%, confundirse com postura dolosa, fraudulenta ou simulada. A ausência de declaração e pagamento traduzse em mero inadimplemento tributário (descumprimento de obrigação principal e acessória), não podendo ser revestido, automática e objetivamente, em ocultação de fato jurídico tributário ou impedimento e retardamento da sua apuração pela Fiscalização. Ainda, entende este Conselheiro ser irrelevante para a qualificação da multa a ausência, parcial ou não, de escrituração dos valores colhidos, não podendo ser tal falha contábil o motivo determinante para o agravamento penal tributário. Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.291 12 Posto isso, afastase a multa qualificada, reduzindo a sanção fiscal para o percentual de 75%. Na sequência, a Recorrente alega a decadência dos débitos apurados, pugnando que, diante da ausência de dolo, fraude e simulação, deverá ser aplicado ao crédito tributário sob debate as disposições do art. 150, §4º, do CTN. E, nos termos de tal norma, já estariam os débitos decaídos, vez que lavradas as Autuações em 18/12/2012. Pois bem, como visto no tópico acima, realmente fora afastada a prática de dolo, fraude e simulação, sendo devido e correto o cômputo do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do Codex Tributário. Confirmando a incidência de tal norma, no próprio TVF relatase a apuração e declaração parcial dos tributos no período, mêsamês, ainda que em monta inferior, não aventandose o inadimplemento de tal monta. Nas fls. 13 a 20 consta das DASN o registro das DAS pagas mensalmente, dentro dos valores apurados e declarados, sem qualquer questionamento da Fiscalização, a qual efetivamente excluiu da base de cálculo essas receitas, tratandoas como efetivo objeto de tributação prévia. Considerando o vencimento mensal dos tributos exigidos sob a sistemática do SIMPLES Nacional, tendo em vista que, da Autuação lavrada, tomou a Contribuinte ciência em 18/12/2012, é parcialmente procedente a alegação. In casu, são exigidos tributos precisamente de julho a dezembro de 2007. Considerando o prazo quinquenal, a contar do último dia de cada mês do anocalendário, apenas os créditos tributários referentes a dezembro de 2007 não foram extintos pela caducidade, nos termos do art. 156, inciso V do CTN. Dessa forma, merece provimento o Apelo para o cancelamento parcial das exações em tela, referente a todos os tributos colhidos no período de julho a novembro de 2007. Frisese que, mesmo diante de tal cancelamento, a receita bruta anual apurada no anocalendário de 2007, considerando aquilo já, anteriormente às Autuações, declarado pela Contribuinte, bem como os débitos remanescente de dezembro de 2007, prevalece o desrespeito ao limite de legal de receita bruta fixado na Lei Complementar nº 123/2006, vigente à época dos fatos apurados (R$ 2.400.000,00), como fica claro na tabela a seguir, extraída do TVF: Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.292 13 Desse modo, confirmase a correção e a manutenção da exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional, a partir de 1º de janeiro de 2008. Por fim, a Recorrente alega a inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC na correção dos débitos sob exigência e o efeito confiscatório da sanção aplicada, com base legal exclusiva no o art. 150, inciso IV, da Constituição da República vigente. O afastamento da exação, ou qualquer de seus componentes legais, sob tais argumentos e norma constitucional encontra óbice no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos constitucionais. Apenas se acrescente quem em relação a utilização da Taxa SELIC, esta C. 2ª Turma Ordinária, acompanha o atual entendimentos da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que professa ser devida tal postura fiscal. O trecho a seguir do Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra esse posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.293 14 (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: (Acórdão nº 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão nº 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Sem necessidade de maiores aprofundamentos em relação a esse tema específico, reforçando tal posição, confirase trecho da ementa do recente Acórdão nº 9101 003.222, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como voto vencedor do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, publicado em 05/03/2018: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.294 15 Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. (...) Por fim, incide ao caso o claro teor da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O mesmo entendimento foi adotado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.073.846/SP, de 25/09/2009, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, sob a dinâmica do art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época. Diante do exposto, voto por não conhecer das matérias constitucionais e alheias ao processo e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para i) cancelar o crédito exigido referente ao período de julho a novembro de 2007, em face da consumação da decadência, bem como ii) afastar a qualificação da multa aplicada, reduzindoa à percentagem ordinária de 75%, mantendose a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.295 16 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, no seu voto, por entender que não teria havido conduta dolosa, fraudulenta ou simulada do contribuinte ao praticar a infração de omissão de receitas, concluiu pelo provimento parcial para afastar a qualificação da multa de ofício e reconhecer a decadência para o período de julho a novembro de 2007, em face da aplicação do artigo 150, § 4º do CTN. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário nessas matérias. Da aplicação da Multa Qualificada A justificativa da Autoridade Fiscal para qualificar a multa reside no fato de que a Recorrente utilizouse de artifício fraudulento de omitir receitas mediante o "calçamento" dos valores escriturados no Livro Registro de Saídas. Reproduzse a seguir trechos do Termo de Verificação Fiscal que descrevem a conduta da recorrente: · Do confronto das notas fiscais de saída de mercadorias com o Livro Registro de Saídas, constatamos que os valores escriturados são menores do que constam nas respectivas notas fiscais. · Os valores das vendas foram escriturados no Livro Registro de Saídas, no decorrer de todo o 2º semestre de 2007, de forma reiterada, em valores expressivamente menores que aqueles constantes das notas fiscais. · Os valores declarados de receita de venda de mercadorias e de prestação de serviços na DASN/2008, em todo o 2º semestre de 2007, correspondem aos valores de venda escriturados no Livro de Saída e, portanto também são significativos menores que aqueles apurados na totalização mensal das notas fiscais emitidas nesse período. · A prática adotada abrangeu todo o 2º semestre de 2007. Aliás esta conduta adotada pelo contribuinte fiscalizado se repetiu no decorrer de todo o período compreendido pela ação fiscal (anoscalendário 2007 a 2009). · As receitas apuradas na presente atuação importaram em R$ 8.689.564.26, cerca de 10,26 vezes superior ao faturamento do período informado pelo contribuinte na DASN/2008 no respectivo período, 01/07/2007 a 31/12/2007, R$ 846.787,61. Concordase com as conclusões da fiscalização quanto à qualificação da multa, que entendeu que o Recorrente declarando a menor as receitas comprovadamente auferidas aliados à utilização de um padrão de procedimento sistemático, deixa evidente a voluntariedade da conduta adotada e o escopo de exonerarse do pagamento de tributos à Fazenda Pública, o que inclui a ação perpetrada pelo sujeito passivo na categoria delituosa de sonegação fiscal, que encontra definição no art. 71 da Lei n° 4.502/64. Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.296 17 A conduta do Recorrente em agrupar diversas notas fiscais em um único lançamento no Registro de Saídas, mas registrando apenas parte do somatório, e consequentemente declarando e pagando valores menores que aqueles consignados nas notas fiscais, sistematicamente, agiu de forma a encobrir do Fisco os verdadeiros aspectos da situação de fato, capaz de provocar a incidência da norma tributária, com o intuito de dificultar ou impedir que a autoridade fiscal detectasse o pagamento de valores menores que os devidos. Da alegação de decadência Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN, conforme entendimento já pacificado no âmbito do CARF, através da Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 10422564, de 14/06/2007 Acórdão nº 240100249, de 08/09/2009 Acórdão nº 140200506, de 31/03/2011 Acórdão nº 210201186, de 18/03/2011 Acórdão nº 10517083, de 25/06/2008 Acórdão nº 1103 00486, de 29/06/2011. Verificada que a Recorrente utilizouse de artifício fraudulento de omitir receitas mediante o "calçamento" dos valores escriturados no Livro Registro de Saídas, deve ser aplicado o prazo decadencial conforme art. 173, I ,do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Notase que o primeiro dia do exercício seguinte, no presente caso, corresponde ao dia 01/01/2008, consequentemente, o crédito tributário poderia ter sido constituído até 31/12/2012, para os fatos geradores de julho a novembro de 2007, e até 31/12/2013, para o fato gerador de dezembro de 2007. Logo não se aplica o instituto da decadência aos tributos lançados no período de 01/07/2007 a 31/12/2007 já que a ciência dos autos de infração deuse em 18/12/2012. Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.297 18 Conclusão Do exposto, voto por manter a qualificação da multa de ofício e pela inocorrência da decadência, negando provimento ao recurso voluntário nessas matérias. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 2298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909042/2006-05
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ no valor original de R$214.226,86, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do ano-calendário de 2000, observando que deste montante já foi reconhecida a quantia de R$10.666,74 em sede de Despacho Decisório DERAT/SIORT/SP de 26.09.2008, fls. 21-24.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ no valor original de R$214.226,86, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2000, observando que deste montante já foi reconhecida a quantia de R$10.666,74 em sede de Despacho Decisório DERAT/SIORT/SP de 26.09.2008, fls. 2124. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 11803.26305.091003.1.3.020641 em 09.10.2003, fls. 0106, utilizandose do saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$214.226,86, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2000 para compensação dos débitos ali confessados. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 04 2/ 20 06 -0 5 Fl. 979DF CARF MF Processo nº 10880.909042/200605 Resolução nº 1003000.012 S1C0T3 Fl. 980 2 Consta no Despacho Decisório DERAT/SIORT/SP de 26.09.2008, fls. 2124, os seguintes fundamentos: Examinandose o extrato do IRPJCONS às fls. 07 a 11, verificamos que o contribuinte apurou na Ficha 12A Cálculo do IR sobre o Lucro Rela Linha 18 um crédito de Imposto de Renda no montante de R$ 214.226,86 (fls. 11); como não apurou IR devido, este valor corresponde à soma de antecipações (linha 16) no valor de R$ 192.776,19 com IRFonte (linha 13) de R$ 21.450,67. [...] Pesquisa no sistema SinaI08 (fls. 11) informa que não houve nenhum pagamento no período de 01/01/00 a 31/01/01. [...] Pesquisa no sistema DCTFGER informa antecipações declaradas no montante de R$ 192.776,19 (fls. 13); contudo, constatase que todos os pagamentos mensais foram quitados por compensação sem processo com saldo do anocalendário de 1999 (fls. 13/14). [...] Por este motivo, tornouse imperativo o exame dos valores apresentados no ano calendário de 1999 e neste caso, verificase que não foram apresentadas DCTFs com informações relativas ao Imposto de Renda (fls. 15). No exame da Ficha 13A Cálculo IR sobre o Lucro Real Linha 18, foi informado apenas um crédito de Imposto de Renda no montante de R$ 39.554,48 (fls. 12); este valor é substancialmente inferior aos R$ R$ 192.776,19 empregados pelo contribuinte no ano seguinte. [...] Conforme se observa nos extrato da DCTGER às fls. 17 e 18, O contribuinte empregou o saldo negativo apurado em 2000 em compensações sem processo no decorrer no anocalendário de 2001. Entretanto, o contribuinte, para essas compensações, dispunha apenas do saldo apurado em 31/12/99 no valor de R$ 39.554,48 (fls. 12) e do crédito relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte do anocalendário de 2000 de R$ 21.450,67, comprovado pelo sistema Sief às fls. 16. [...] Com o apoio do sistema SAPO (fls. 19 e 20), deduzidos os valores compensados em 2001, verificase que resta ao contribuinte um crédito de saldo negativo de IR no montante de R$ 10.666,74. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa e excerto do voto condutor do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 16 24.230, de 10.02.2010, fls. 463467: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2000 DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. À falta de comprovação documental do erro de preenchimento alegado, prevalecem os valores informados na DCTF considerada pela autoridade administrativa para análise do crédito pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente [...] Contudo, verificase dos autos que a requerente entregou a DCTF retificadora apenas em 30/10/08 (fl. 392), um dia antes de protocolar sua Manifestação de Inconformidade. Ou seja, a retificação noticiada foi efetuada após a ciência do Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10880.909042/200605 Resolução nº 1003000.012 S1C0T3 Fl. 981 3 despacho decisório, que apontou a insuficiência do crédito apurado em 1999 para composição do crédito pleiteado pela requerente no PER/DCOMP analisado. Em face do exposto, voto no sentido de a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE apresentada ser julgada IMPROCEDENTE, para ratificar os temos do despacho decisório recorrido. Notificada em 17.03.2010, fl. 468, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.04.2010, fls. 469476, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: 9. A alegação do douto Órgão Julgador para considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente foi a falta de elemento que demonstrasse o erro alegado, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato. Haja vista que a Recorrente sempre cumpriu suas obrigações com estrita observância aos ditames da legislação que rege a tributação no país, foram apresentados como anexos à Manifestação de Inconformidade todos os documentos fiscais que comprovam a formação do o crédito tributário e suas consequentes compensações. 11. O que ocorreu na prática foi tão somente erro de indicação da origem do crédito no preenchimento da obrigação acessória DCTF, a qual foi retificada após .o início do procedimento de fiscalização por dois motivos distintos: primeiramente porque não envolvia diretamente a compensação indeferida por meio do Despacho Decisório (PER/DCOMPS l6580.03434.091003.1.3.020087 e 34088.47050.091003.1.3.035590); em segundo lugar porque a retificação da DCTF foi absolutamente necessária a fim de justamente comprovar ainda que de modo fiscal a formação do crédito tributário tão largamente difundida no Acórdão. 12. Nada obstante toda a evidenciação fiscal da existência do crédito, a Recorrente valese do presente recurso para demonstrar, como tenciona o Acórdão proferido, que as compensações informadas na DCTF refletem exatamente os dados contidos na escrituração contábil da empresa e que foram devidamente registrados à época dos eventos, conforme lançamentos efetuados no Livro Diário da Recorrente [...]. Concernente ao pedido expõe que: 17. Em face do exposto, a Recorrente requer o regular conhecimento e o integral provimento do presente Recurso Voluntário, a fim de arquivar o Processo Administrativo n° 10880.909042/200605, e por conseqüência, anular a Intimação n° 2045/2010, por ser esta medida de JUSTIÇA! É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10880.909042/200605 Resolução nº 1003000.012 S1C0T3 Fl. 982 4 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido e procura demonstrar suas alegações mediante apresentação de DCTF retificadoras do anocalendário de 2000. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Sobre este procedimento, o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015, assim determina: Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10880.909042/200605 Resolução nº 1003000.012 S1C0T3 Fl. 983 5 PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. (grifos acrescentados) Tendo em vista a apresentação das DCTF retificadoras em sede de litígio de Per/DComp nos presentes autos, bem como do início de prova produzido pela Recorrente e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente cotejar as informações fornecidas pela Recorrente com os registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência das informações constantes no Per/DComp nº 11803.26305.091003.1.3.020641, fls. 0106, em face da apresentação das DCTF retificadoras dos anoscalendário de 1997 a 2000, das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anoscalendário de 1997 a 2000, cuja cópias devem ser juntadas aos presentes autos, e das orientações constantes no Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015. Ainda os autos devem ser instruídos, se houver, com a relação dos pagamentos efetuados nos anos calendário de 1997 a 2000 e os Per/DComp em que foram utilizados os direitos creditórios dos saldos negativos de IRPJ dos anos calendário de 1997 a 2000. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ no valor original de R$214.226,86, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2000, observando que deste montante já foi reconhecida a quantia de R$10.666,74 em sede de Despacho Decisório DERAT/SIORT/SP de 26.09.2008, fls. 2124. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10880.909042/200605 Resolução nº 1003000.012 S1C0T3 Fl. 984 6 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 984DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.910612/2015-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/10/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910612/201549 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.280 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/10/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 12 /2 01 5- 49 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.511. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 13985.000157/2005-63
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Diante da fixação da data de exclusão do SIMPLES surge a obrigação de entrega da DCTF nos limites previstos na legislação tributária.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1003-000.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do SIMPLES surge a obrigação de entrega da DCTF nos limites previstos na legislação tributária. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do SIMPLES surge a obrigação de entrega da DCTF nos limites previstos na legislação tributária. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 5. 00 01 57 /2 00 5- 63 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 55 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão de nº 0713.767, de 05 de setembro de 2008, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, às fls. 2831, julgando procedente o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao 1°, Trimestre/2003, nos moldes da ementa abaixo transcrita: Assumo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2003 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n9 1.364, de 10 de novembro de 2004. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 3846, requerendo sua reforma, e, para tanto, argumentou, em síntese: (i) preliminarmente : a) que o auto de infração fundamentouse em normas revogadas, as quais devem ser tidas como inexistentes, e, que, portanto, o auto de infração é nulo em sua integralidade; (ii) no mérito, que: a) estava dispensada da entrega da DCTF até o segundo semestre de 2003 por ser optante do SIMPLES, ainda que tenha ocorrido sua exclusão do referido sistema com efeitos retroativos a 01.01.2002; (b) são inconstitucionais as multas previstas na Lei n°10.426/02, e, como a multa mantida é relativa ao 1° Trimestre de 2003, não caberia a aplicação retroativa do inciso I do § l° do art. 3° da IN 255/2002, para sua exigência; c) a multa isolada aplicada não pode persistir por conta da MP n. 303/06, dando nova redação ao referido art. 44 da Lei n° 9.430/96; que deixou de impor tal penalidade; d) a multa em questão deve ser afastada pela denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 56 3 Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão 0713.767, proferido pela 3ªTurma da DRJ/FNS, em 02/10/2008 (fls. 37) e apresentou o recurso competente em 03/11/2008 (fls. 3846). O recurso voluntário interposto pela Recorrente, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. PRELIMINARMENTE Em sede de preliminar, alega a Recorrente que o auto de infração é nulo, pois fundamentouse em normas revogadas1 pela IN 255/2002. Neste ponto, por entender que as considerações realizadas pela DRJ no r. acórdão são irretocáveis, colaciono parte de seu texto neste voto: "Não procede a arguição de nulidade pelo fato de terem sido citados no Auto de Infração dispositivos pertencentes a diplomas revogados pela IN SRF n° 255/2002, quais sejam: o art. 4° c/c art. 2° da IN SRF 73/96, e os arts. 2° e 6° da IN SRF 126/98, pois referidos dispositivos mantiveram sua força normativa nos períodos em que vigeram, inclusive no período tratado no lançamento, conforme se vê abaixo: Instrução Normativa SRF n°255, de II de dezembro de 2002: Art. 11. Ficam formalmente revogadas, sem interrupção de sua força normativa, as Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal nº 073/96, de 19 de dezembro de 1996, nº 45/98, de 05 de maio de 1998, nº 126/98, de 30 de outubro de 1998; nº 15/99, de 12 de fevereiro de 1999; nº083/99, de 12 de julho de 1999; nº018/00, de 23 de fevereiro de 2000. Acrescentese que referidos dispositivos não trouxeram problema de nenhuma espécie para a defesa da interessada, que demonstrou pleno domínio na legislação que rege da obrigação acessória e da multa em debate. Ademais, o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, consoante redação do art. 144 do Código Tributário Nacional, salvo as seguintes exceções previstas no mesmo dispositivo e que não se aplicam no caso em análise. Logo, impossível prosperar preliminar de nulidade do auto de infração. 1 Art. 2° da IN SRF 73/96, e arts. 2° e 6° da IN SRF 126/98. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 57 4 MÉRITO No tocante ao mérito, a Recorrente argumenta que, como optante do SIMPLES, estaria dispensada da entrega da DCTF até o segundo semestre de 2003, quando então foi excluída do sistema simplificado. Ocorre que, à exclusão da Recorrente do SIMPLES, foram atribuídos efeitos retroativos a 01/01/2002, conforme se comprova às fls. 21. Baseada neste motivo, bem como pela análise da legislação vigente à época, a DRJ concluiu, com cuja decisão concordo, estar correta a imposição da multa em relação ao 1° Trimestre/2003. Por isso, transcrevo parte da decisão da DRJ como fundamento deste voto: Até a entrada em vigor da Instrução Normativa SRF n° 255, publicada em 12/12/2002, vigorava a Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, que nos termos do inciso I, do parágrafo único do art. 3°, estipulava que somente a partir do 1° trimestre do ano subseqüente ao da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES, deixava de estar dispensada da apresentação da DCTF. Confirase (grifei): Art. 3º "Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (...) IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. Parágrafo único. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do SIMPLES, a partir do II trimestre do ano subseqüente ao da exclusão"; Essa norma vigorou até a entrada em vigor da Instrução Normativa SRF n° 255, publicada no DOU de 12/12/2002, momento desde o qual a pessoa jurídica excluída do SIMPLES estava obrigada à apresentação da DCTF a partir, inclusive, do trimestre que compreender o mês em que a exclusão surtir seus efeitos. Confirase (grifei): Art. 3° "Estão dispensadas da apresentação da DCTF: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente aos trimestres abrangidos por esse sistema; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 58 5 (...) § 1º Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do Simples, a partir, inclusive, do trimestre que compreender o mês em que a exclusão surtir seus eƒeitos;” Nesta senda, considerando o caso em concreto, em que à exclusão da empresa do SIMPLES, foram atribuídos efeitos retroativos a partir de 01/01/2002 (fl. 21), a Recorrente não estava dispensada de apresentar DCTF a partir do primeiro trimestre do ano subseqüente ao da exclusão, ou seja, desde o primeiro trimestre de 2003, nos termos da legislação aplicada. Portanto, não deve ser reformada a decisão que manteve o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao 1°, Trimestre/2003, consoante disposto na IN SRF n° 255, em 12/12/2002. A Recorrente questiona a constitucionalidade das multas previstas na Lei n°10.426/02 e da aplicação retroativa da IN 255/2002. Contudo, é vedado ao CARF pronunciarse sobre questões de constitucionalidade e legalidade de leis tributárias. Esse entendimento está consolidado pela Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, segundo a Recorrente o lançamento deve ser julgado improcedente, ante a retroatividade benigna (art. 106, II, "c", do CTN) da MP nº 303/06, mesmo com a perda de seus efeitos com a restauração da dicção contida no art. 44, da Lei nº 9.430/96. Todavia, equivocase a Recorrente! A redação dos dispositivos citados diz respeito à exclusão/redução da penalidade aplicada nas hipóteses de pagamento do tributo efetuado após o vencimento, mas sem a multa de mora, face a impossibilidade da cobrança cumulada da multa isolada e da multa de ofício. Ora, exigência aqui não é de multa isolada em razão de pagamento de tributo em atraso não acrescido de mora, mas sim de lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Ou seja, o auto de infração referese à incidência de multa pelo cumprimento intempestivo de obrigação acessória (art. 113, CNT). Assim, mostra cabível, in casu, a aplicação retroativa dos efeitos da MP nº 303/06. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 59 6 Ante o exposto, voto pela rejeição da preliminar suscitada no recurso e, no mérito, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao 1° Trimestre/2003. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 60 7 (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721114/2017-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 11 14 /2 01 7- 23 Fl. 160DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 101 dos autos: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. O contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese: i) nulidade do auto de infração por ausência de informações que prejudica o direito de defesa; ii) ocorrência da denúncia espontânea; iii) o atraso se deveu a supostas inconsistências do sistema mercante no dia 23/06/2014, quando iria retificar as informações que alega terem sido prestadas tempestivamente em 20/06/2014, oportunidade em que teve que excluir as informações e só as conseguiu reincluilas após a restauração do sistema; além disso, alegou inexistir amparo legal para a aplicação de penalidade pela retificação das informações prestadas tempestivamente. Requereu, caso ultrapassada a preliminar de nulidade, que sejam prestadas informações pelo chefe da unidade da SRFB a fim de se verificar a alegada inconsistência do Sistema Mercante no dia 23/06/2014. Requereu, ao fim, reconhecimento da nulidade do auto de infração, ou, caso superada a preliminar e apreciado o mérito, pediu julgamento no sentido da insubsistência do auto de infração. Juntou, com a impugnação, os documentos de fls. 66/94. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 99/104) consignou, inicialmente, deixar de acolher preliminares aduzidas pelo contribuinte e quaisquer argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, ou ocorrência de denúncia espontânea. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.721114/201723 Acórdão n.º 3002000.422 S3C0T2 Fl. 161 3 Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 01/03/2018 (vide Termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 109 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, tempestivamente (vide Termo de Análise de Solicitação de Juntada à fl. 112, com data de 14/03/2018), Recurso Voluntário (fls. 113/141). Em seu recurso, o contribuinte alegou, inicialmente, que o acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre vários pontos de sua defesa, e que todos seriam capazes de afastar o lançamento. Em seguida, repisou os argumentos de sua impugnação, que são: i) nulidade do auto de infração por ausência de informações que prejudica o direito de defesa; ii) ocorrência da denúncia espontânea; iii) o atraso se deveu a supostas inconsistências do sistema mercante no dia 23/06/2014, quando iria retificar as informações que alega terem sido prestadas tempestivamente em 20/06/2014, oportunidade em que teve que excluir as informações e só as conseguiu reincluílas após a restauração do sistema; além disso, alegou inexistir amparo legal para a aplicação de penalidade pela retificação das informações prestadas tempestivamente. Nos pedidos, requereu o reconhecimento da nulidade do auto de infração e, no caso de se adentrar no mérito, pediu julgamento no sentido de sua insubsistência. Juntou, com o recurso, os documentos de fls. 142/157. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade do acórdão recorrido O Recorrente inicia a argumentação do seu Recurso Voluntário dispondo sobre como o acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre vários pontos de sua impugnação administrativa, ressaltando que estes fundamentos de defesa trazidos seriam capazes de afastar o lançamento. Embora não tenha chegado a requerer o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida, mas apenas a sua reforma, trouxe argumentos que demonstram a nulidade daquele acórdão proferido, consoante será analisado em sucessivo. Consoante acima narrado, o contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese: i) nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, pois o documento fiscal não teria apresentado informações essenciais ao direito de defesa; ii) ocorrência da denúncia Fl. 162DF CARF MF 4 espontânea; iii) o atraso se deveu a supostas inconsistências do sistema mercante no dia 23/06/2014, quando iria retificar as informações que alega terem sido prestadas tempestivamente em 20/06/2014, oportunidade em que teve que excluir as informações e só as conseguiu reincluilas após a restauração do sistema; além disso, alegou inexistir amparo legal para a aplicação de penalidade pela retificação das informações prestadas tempestivamente. O acórdão recorrido, por seu turno, relata da seguinte forma o conteúdo da impugnação apresentada: Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. Notase, portanto, que há uma clara dissonância entre o efetivo conteúdo da impugnação apresentada e a narração constante do acórdão recorrido. Em decorrência desta dissonância, o acórdão recorrido assim consignou: (i) que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo; (ii) afastou o argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto; (iii) afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Como se vê, o único argumento preliminar analisado que possui relação com a presente contenda é o disposto no item (ii), relativo à denúncia espontânea. Todos os demais argumentos não foram objeto da impugnação apresentada. Sendo assim, não resta dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda, levando à compreensão de que o caso não fora analisado com o devido cuidado pelos Julgadores naquela oportunidade. Como se não bastasse, verificase que o acórdão recorrido, além de ter tratado sobre temas não relacionados à presente contenda, deixou de discorrer sobre tópicos específicos constantes da impugnação apresentada, quais sejam: nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, pois o documento fiscal não teria apresentado informações essenciais ao direito de defesa; o atraso se deveu a supostas inconsistências do sistema mercante no dia 23/06/2014, quando iria retificar as informações que alega terem sido prestadas tempestivamente em 20/06/2014, oportunidade em que teve que excluir as informações e só as conseguiu reincluilas após a restauração do sistema; além disso, alegou inexistir amparo legal para a aplicação de penalidade pela retificação das informações prestadas tempestivamente. Da leitura do acórdão recorrido, verificase que a DRJ não dedicou uma única linha a nenhum desses argumentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação. Ao analisar o caso, o acórdão recorrido discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro, prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.721114/201723 Acórdão n.º 3002000.422 S3C0T2 Fl. 162 5 para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho e concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. Ou seja, verificase que o acórdão recorrido, de fato, julgou a presente contenda de forma genérica, sem que tivesse feito qualquer consideração acerca das particularidades alegadas pelo contribuinte neste caso concreto e da referida documentação anexada aos autos. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Isso porque, além de ter incluído argumentos não levantados pelo contribuinte em sua impugnação administrativa, deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda. Sendo assim, os autos deverão retornar àquela instância de julgamento, para nova decisão. Ademais, o retorno dos autos à DRJ também se apresenta essencial para fins de evitar supressão de instância. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de, acolhendo a preliminar levantada, decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, em que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720268/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DA ALEGADA OMISSÃO.
Constatada não a omissão, mas a obscuridade, os embargos devem ser acatados e aclarados, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1301-003.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a obscuridade apontada e ratificar o decidido no acórdão 1301-002.616.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DA ALEGADA OMISSÃO. Constatada não a omissão, mas a obscuridade, os embargos devem ser acatados e aclarados, sem efeitos infringentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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NÃO OCORRÊNCIA DA ALEGADA OMISSÃO. Constatada não a omissão, mas a obscuridade, os embargos devem ser acatados e aclarados, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a obscuridade apontada e ratificar o decidido no acórdão 1301002.616. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 68 /2 01 4- 22 Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.098 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 2080) opostos por BANCO SAFRA S/A, em face do Acórdão nº 130102.616, de 19/09/2017 (fls. 2046), que negou seguimento ao recurso voluntário do contribuinte. Valhome do relatório realizado no Despacho de Admissibilidade, às fls. 2091 e ss. A decisão foi formalizada no Acórdão nº 130102.616 (fls. 2046), o qual adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 INEXISTÊNCIA. DE IMPROPRIEDADE NO ACÓRDÃO. DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO INDEFERIDO. MANIFESTAÇÃO IMPROCEDENTE. Considerase improcedente a manifestação de inconformidade quando não há o reconhecimento de qualquer parcela do direito creditório pretendido. AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150. § 4o DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150. § 4a do CTN. para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. AFASTAMENTO. Considerando que no mérito, a decisão quanto à dedutibilidade da despesa com remuneração, é favorável á recorrente, a nulidade apontada não foi apreciada pela Turma Julgadora. DESPESAS COM NATUREZA REMUNERATÓRIA DEDUTIBILIDADE. Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.099 3 Os valores contabilizados como empréstimos, porém reclassificados pelo Fisco como despesas de natureza remuneratória para cobrança de penalidades relativas à falta de retenção de IRRF, são despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real. IRRF. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Os valores de IRRF utilizados na dedução do imposto apurado, para determinação do saldo de imposto a pagar, devem ser comprovados mediante apresentação de comprovantes de retenção hábeis a permitir a restituição dos valores. A falta de apresentação de documentos comprobatórios das retenções enseja a glosa dos valores de IRRF utilizados indevidamente nas deduções. IRRF. RENDIMENTOS REMETIDOS PARA SUCURSAIS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. DEDUTIBILIDADE. E permitida a compensação do IRRF sobre os rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, coligada ou controlada domiciliada em paraísos fiscais ou países com tributação favorecida, enquadrados nas disposições do art. 24 da Lei n° 9.430/96. com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada domiciliada no Brasil, quando esses resultados forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. IRRF SOBRE RENDIMENTOS PAGOS A SUCURSAIS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. RETENÇÕES EFETUADAS POR TERCEIROS O IRRF sobre os rendimentos pagos à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil pode ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil, não havendo distinção o entre IRRF retido pela própria matriz, controladora ou coligada no Brasil e o imposto retido por terceiros. IRRF. CORREÇÃO SELIC. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para correção dos valores de Imposto de Renda Retidos na Fonte pela taxa Selic. IRRF UTILIZADOS EM PERÍODOS ANTERIORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DIVERSA. A falta de apresentação de documentos comprobatórios de que os valores compensados em 1999 e 2000 tiveram como origem remessas e IRRF diversos dos utilizados na compensação realizada em 2005. enseja a dedução desses valores do saldo disponível em 2005. O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 04/12/2017 (fls. 2077). Os presentes embargos foram apresentados em 07/12/2017 (fls. 2078), portanto, dentro do prazo previsto no art. 65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. O processo tem origem em declaração de compensação em que o contribuinte utilizou como crédito alegado pagamento a maior de IRPJ relativo a 2006. A Administração Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.100 4 Tributária não reconheceu o crédito declarado (fls. 1761). Iniciado o contencioso administrativo, a decisão de primeira instância considerou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 1957). A decisão ora recorrida negou provimento ao recurso voluntário (2046), dando ensejo aos presentes embargos de declaração. Os embargos de declaração contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis apenas quando estas contiverem obscuridade, contradição ou omissão, nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. O embargante opõese ao referido acórdão em face de alegada contradição e de alegada omissão, a seguir analisadas. 1. Prazo decadencial na análise de DCOMP contradição A primeira reclamação do embargante diz respeito à alegada contradição em relação ao alcance da ação fiscal, no tempo, para averiguar declarações de compensação. O embargante aponta que a decisão embargada, em um momento, teria afirmado que o prazo decadencial previsto no CTN não se aplicava à averiguação de DCOMP e depois teria afirmado que o Fisco teria cinco anos para averiguar a DCOMP. Tais afirmações, no entender do embargante, seriam contraditórias, conforme o seguinte excerto (fls. 2083): Apesar de ter reconhecido, no mérito, o direito do Embargante à dedutibilidade da despesa com o pagamento de salários no valor de R$ 23.011.000,00, o Acórdão Embargado acabou por decidir não reconhecer o direito creditório pleiteado, vez que permitiu a análise de fatos ocorridos em anoscalendário anteriores (1998 a 2005), já atingidos pela decadência. E para afastar os argumentos do Embargante a respeito da impossibilidade do Fisco de, a pretexto de verificar a existência de crédito a restituir/compensar, reabrir a análise de fatos ocorridos em período já abrangido pela decadência, o voto do aresto embargado apresentou a seguinte conclusão: [...] Como se vê, o aresto embargado é contraditório em suas proposições, pois de um lado afirma que o Fisco não se sujeita aos prazos decadenciais previstos no CTN para analisar a origem do direito creditório, e de outro afirma que o Fisco tem o prazo de cinco anos contados da data de entrega da DCOMP para analisar e homologar o crédito pleiteado, nos termos do §4° do art. 74 da Lei 9.430/96. O trecho do acórdão embargado que foi citado pelo embargante é o que se segue (fls. 2054): A investigação da origem do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado em 31/12/2005 e pago em 24/02/2006 tratase de análise não sujeita aos prazos decadenciais previstos no CTN. O prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do CTN, para o tributos sujeitos aos lançamentos por homologação, aplicase às investigações em que a autoridade fiscal verifica a apuração efetuada pelo sujeito passivo e, discordando do tributo por ele apurado, constitui o lançamento de ofício. Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.101 5 Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: [...] O ônus da prova do direito creditório é do contribuinte, por outro lado, o Fisco tem o prazo de cinco anos, contados da data de entrega da Declaração de Compensação, conforme o § 4º, do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para promover a análise e homologar o crédito pleiteado pelo contribuinte, sob pena de ocorrer a homologação tácita. Entendo que não há a alegada contradição no trecho apontado, uma vez que as duas afirmações destacadas estão tratando de objetos diferentes. Quando a decisão embargada afirma que "o Fisco tem o prazo de cinco anos, contados da data de entrega da Declaração de Compensação, [...] para promover a análise e homologar o crédito pleiteado pelo contribuinte" está se referindo ao prazo previsto no §4º do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que institui a homologação tácita da compensação não questionada pelo Fisco dentro do prazo indicado. O efeito da homologação tácita referida é impedir que o Fisco questione compensação declarada há mais de cinco anos. Diferentemente, quando a decisão embargada afirma que "a investigação da origem do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ [...] tratase de análise não sujeita aos prazos decadenciais previstos no CTN" está se referindo a uma não incidência do §4º do art. 150 do CTN, pelo qual o Fisco não pode rever de ofício a apuração de tributo declarado e pago há mais de cinco anos. Tratando de objetos distintos, quais sejam, as aplicações de normas distintas, não há que se falar em contradição entre as duas afirmações apontadas pelo embargante. Na espécie, o embargante deseja que o Fisco, ao analisar a sua declaração de compensação, não questione as apurações do IRPJ realizadas há mais de cinco anos, ou seja, ele deseja que o §4º do art. 150 do CTN se aplique à auditoria para verificar a liquidez e a certeza de crédito usado em compensação, o que foi afastado na decisão embargada. Todavia, os embargos de declaração não são remédio hábil para provocar nova apreciação sobre matéria já julgada. Com isso, entendo que os embargos de declaração não devem ser admitidos quanto a esse tópico. 2. Superposição de auditorias fiscais omissão Em sua segunda reclamação, o embargante afirma que a decisão embargada conteria omissão em relação ao fato de o contribuinte já ter sofrido auditoria fiscal relativa ao ano 2005, sem lançamento tributário. Tal fato seria relevante porque este teria sido o período revisto, na análise de sua DCOMP, e que teria fundamentado a sua não homologação, conforme o seguinte excerto (fls. 2086): O acórdão embargado é também omisso, vez que não se manifestou sobre a comprovada assertiva de que o ora Embargante, no ano de 2009, foi amplamente fiscalizado em relação ao anocalendário 2005, ocasião em que foi checada toda a documentação comprobatória do IRRF aproveitado, não tendo sido efetuado naquela oportunidade qualquer lançamento de oficio em relação às irregularidade no cálculo do IRPJ apontadas no presente Acórdão, e que serviram de fundamento para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Importante consignar que a Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.102 6 única modificação na apuração fiscal relativa ao ano base 2005 realizada após a fiscalização levada a efeito no ano de 2009, foi a exclusão da dedução da despesa com remuneração de pessoal, que havia sido equivocadamente classificada e que teve sua natureza retificada de ofício pelo Fisco. Assim, o Fisco não poderia revisar toda a apuração da Recorrente Como sabido, o próprio Código Tributário Nacional prevê a homologação do Fisco como hipótese de extinção do crédito tributário, seja ela expressa mediante uma comunicação formal neste sentido, ou ainda tácita, representada pela realização de fiscalização em determinado período, sem que haja o lançamento do crédito tributário respectivo. Verifico que essa questão foi levantada no recurso voluntário, conforme o seguinte excerto (fls. 1991): A esse propósito, é de se notar, inclusive, que em 2009, as autoridades fiscais já haviam fiscalizado a Recorrente para o anocalendário 2005, checando toda a documentação comprobatória do IRRF aproveitado, não tendo efetuado qualquer lançamento de oficio a esse respeito (Doc. 2 da manifestação de inconformidade MPF n° 08.1.66.002008002464, Termo de Intimação Fiscal de 09/01/2009 e Resposta à Intimação Fiscal em 19/01/2009).[grifo do original] Agora, novamente, em 2014, a fiscalização indevidamente revisa a apuração do anocalendário 2005 e deixa de homologar o crédito pleiteado pela Recorrente, reclamando que não fora apresentada documentação completa que comprovasse a totalidade do IRRF aproveitado em 2005. Vejam, ilustres julgadores, o absurdo que está sendo exigido da Recorrente! Com isso, o contribuinte reclama de uma superposição de auditorias fiscais. Na primeira fiscalização, não teria havido exigência quanto ao IRRF declarado e na segunda, objeto do presente processo, o IRRF foi considerado insuficientemente demonstrado. O autor entende que a nova fiscalização não é admissível, considerando que não houve alterações nessa matéria no interstício das duas fiscalizações. Verifico que essa questão não foi abordada na decisão embargada, apesar de ter sido levantada no recurso voluntário. Entendo que a apreciação dessa matéria é necessária, na medida em que é capaz de, em tese, infirmar a conclusão adotada no acórdão embargado (artigo 1.022 , par. único, II, c/c artigo 489, 1º, IV, da Lei nº 13.105, de 2015 CPC). Com isso, os embargos devem ser admitidos para que a turma julgadora se pronuncie sobre a alegada superposição de auditorias fiscais, bem como sobre seus efeitos sobre a presente lide. Conclusão Por todo o exposto, entendo que o autor não demonstrou a existência da alegada contradição relativa ao prazo decadencial na análise de DCOMP (item 1), mas demonstrou a omissão quanto ao questionamento sobre a superposição de auditorias fiscais (item 2), razão pela qual ADMITO EM PARTE os embargos de declaração em tela, em caráter definitivo, nos termos do artigo 65, caput e §3º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.103 7 O despacho de admissibilidade admitiu os embargos em razão da omissão apontada, nos termos do artigo 65 do RICARF. Recebi os autos por sorteio em 17/05/2018. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. O presente embargos de declaração opostos pelo contribuinte foram admitidos, conforme despacho de fls. 2091 e ss, apenas em parte no que tange à seguinte omissão: Em sua segunda reclamação, o embargante afirma que a decisão embargada conteria omissão em relação ao fato de o contribuinte já ter sofrido auditoria fiscal relativa ao ano 2005, sem lançamento tributário. Tal fato seria relevante porque este teria sido o período revisto, na análise de sua DCOMP, e que teria fundamentado a sua não homologação, conforme o seguinte excerto (fls. 2086): O acórdão embargado é também omisso, vez que não se manifestou sobre a comprovada assertiva de que o ora Embargante, no ano de 2009, foi amplamente fiscalizado em relação ao anocalendário 2005, ocasião em que foi checada toda a documentação comprobatória do IRRF aproveitado, não tendo sido efetuado naquela oportunidade qualquer lançamento de oficio em relação às irregularidade no cálculo do IRPJ apontadas no presente Acórdão, e que serviram de fundamento para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Importante consignar que a única modificação na apuração fiscal relativa ao ano base 2005 realizada após a fiscalização levada a efeito no ano de 2009, foi a exclusão da dedução da despesa com remuneração de pessoal, que havia sido equivocadamente classificada e que teve sua natureza retificada de ofício pelo Fisco. Assim, o Fisco não poderia revisar toda a apuração da Recorrente Como sabido, o próprio Código Tributário Nacional prevê a homologação do Fisco como hipótese de extinção do crédito tributário, seja ela expressa mediante uma comunicação formal neste sentido, ou ainda tácita, representada pela realização de fiscalização em determinado período, sem que haja o lançamento do crédito tributário respectivo. Verifico que essa questão foi levantada no recurso voluntário, conforme o seguinte excerto (fls. 1991): Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.104 8 A esse propósito, é de se notar, inclusive, que em 2009, as autoridades fiscais já haviam fiscalizado a Recorrente para o anocalendário 2005, checando toda a documentação comprobatória do IRRF aproveitado, não tendo efetuado qualquer lançamento de oficio a esse respeito (Doc. 2 da manifestação de inconformidade MPF n° 08.1.66.002008002464, Termo de Intimação Fiscal de 09/01/2009 e Resposta à Intimação Fiscal em 19/01/2009).[grifo do original] Agora, novamente, em 2014, a fiscalização indevidamente revisa a apuração do anocalendário 2005 e deixa de homologar o crédito pleiteado pela Recorrente, reclamando que não fora apresentada documentação completa que comprovasse a totalidade do IRRF aproveitado em 2005. Vejam, ilustres julgadores, o absurdo que está sendo exigido da Recorrente! Com isso, o contribuinte reclama de uma superposição de auditorias fiscais. Na primeira fiscalização, não teria havido exigência quanto ao IRRF declarado e na segunda, objeto do presente processo, o IRRF foi considerado insuficientemente demonstrado. O autor entende que a nova fiscalização não é admissível, considerando que não houve alterações nessa matéria no interstício das duas fiscalizações. Verifico que essa questão não foi abordada na decisão embargada, apesar de ter sido levantada no recurso voluntário. Entendo que a apreciação dessa matéria é necessária, na medida em que é capaz de, em tese, infirmar a conclusão adotada no acórdão embargado (artigo 1.022 , par. único, II, c/c artigo 489, 1º, IV, da Lei nº 13.105, de 2015 CPC). Com isso, os embargos devem ser admitidos para que a turma julgadora se pronuncie sobre a alegada superposição de auditorias fiscais, bem como sobre seus efeitos sobre a presente lide. Inicialmente cabe ressaltar que esse ponto foi também levantado pelo contribuinte em sede de impugnação, porém a DRJ igualmente não analisou de forma explícita. Veja estas linhas, quando ele faz a diferenciação entre os procedimentos de lançamento, de homologação de compensações declaradas, e análise do direito creditório pleiteado: Outro problema a ser apreciado é se o lançamento de ofício, para retificação da base de cálculo do imposto ou contribuição seria necessário para conferir fundamento de validade ao ato de não reconhecimento do direito creditório. O lançamento de ofício, apesar de ser um ato necessário à constituição do crédito tributário, não se configura imprescindível para a determinação da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do contribuinte. Dito por outras palavras: não é porque não houve lançamento de ofício em relação a determinado período de apuração do tributo ou contribuição, que estaria homologado o direito creditório relativo ao saldo negativo demonstrado na DIPJ ou ao alegado pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer verificação. (gn) Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.105 9 Na verdade, com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, §4º ou 173, I, do CTN apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Todavia, não se pode inferir, a partir daí que, com o transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, estariam tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem repercutir em períodos de apuração futuros. Digo isso porque a relatora do acórdão ao analisar a questão da decadência e liquidez, o faz de forma similar, segundo os trechos abaixo colacionados: Alega também a recorrente ter ocorrido a decadência do direito do Fisco de, a pretexto de verificar a existência de imposto a restituir/compensar, reabrir a análise de fatos ocorridos em períodos decaídos, sob o argumento de que não teriam sido comprovados os valores de IRRF aproveitados no ano de 2005. Acrescenta que o IRRF sobre remessas de rendimentos para sucursais no exterior aproveitado no anocalendário de 2005 referiase a imposto retido em diversos anoscalendário anteriores,no período de 1998 a 2005, e que deixar de considerar valores de IRRF aproveitados em período passado e alcançado pela decadência, equiparase a lançar valores naquele período. A investigação da origem do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado em 31/12/2005 e pago em 24/02/2006 tratase de análise não sujeita aos prazos decadenciais previstos no CTN. O prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do CTN, para o tributos sujeitos aos lançamentos por homologação, aplicase às investigações em que a autoridade fiscal verifica a apuração efetuada pelo sujeito passivo e, discordando do tributo por ele apurado, constitui o lançamento de ofício. Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: (...) O ônus da prova do direito creditório é do contribuinte, por outro lado, o Fisco tem o prazo de cinco anos, contados da data de entrega da Declaração de Compensação, conforme o § 4º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para promover a análise e homologar o crédito pleiteado pelo contribuinte, sob pena de ocorrer a homologação tácita. (...) No caso concreto, a contribuinte foi cientificada do despacho decisório que promoveu a análise das declarações de compensação apresentadas em 30/09/2011, em 13/06/2014, conforme Termo de Ciência de Decurso de Prazo (fls. 1.786), ou seja, antes do prazo previsto para homologação tácita. Assim, procedeu corretamente a fiscalização ao verificar a certeza e liquidez do crédito e efetuar o ajustes necessários à correta apuração do valor a ser restituído/compensado. Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.106 10 Novamente, ressalto aqui, que revendo tanto as decisões da DRJ quanto da Relatora a quo não vejo omissão no que tange ao entendimento de que por se tratar de pedido de restituição e de compensação, segundo o entendimento deles, abrese a possibilidade do fisco de se analisar a sua liquidez e certeza e nessa linha de argumentação, ainda que o contribuinte tenha sido fiscalizado em 2009 acerca do período de 2005 e o procedimento fiscal tenha findado sem lançamentos, ao se proceder nos pedidos de restituição e de compensação, cabe ao Fisco aferir a liquidez e certeza dos créditos e dessa forma não haveria que se falar em superposição de auditorias fiscais. E dessa forma, não haveria que se falar em omissão do acórdão embargado. E sim, talvez de obscuridade, e dessa forma entendo que aclarada, no sentido acima mencionado. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto em conhecer dos presentes embargos, para sanar a obscuridade apontada, sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910614/2015-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/11/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 14 /2 01 5- 38 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.513. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.729781/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
RECEITAS. POLÍTICA EMPRESARIAL.
Movimentação de recursos entre empresas vinculadas, visando ao equilíbrio financeiro e manutenção da rentabilidade do grupo, se traduzem em receitas para a unidade que os recebe e, portanto, são tributáveis pelo PIS e COFINS.
Sendo receita o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, o procedimento em análise tem natureza de Receita.
Numero da decisão: 3302-006.033
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 RECEITAS. POLÍTICA EMPRESARIAL. Movimentação de recursos entre empresas vinculadas, visando ao equilíbrio financeiro e manutenção da rentabilidade do grupo, se traduzem em receitas para a unidade que os recebe e, portanto, são tributáveis pelo PIS e COFINS. Sendo receita o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, o procedimento em análise tem natureza de Receita.
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POLÍTICA EMPRESARIAL. Movimentação de recursos entre empresas vinculadas, visando ao equilíbrio financeiro e manutenção da rentabilidade do grupo, se traduzem em receitas para a unidade que os recebe e, portanto, são tributáveis pelo PIS e COFINS. Sendo receita o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, o procedimento em análise tem natureza de Receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 97 81 /2 01 2- 55 Fl. 2865DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Aproveitase o Relatório apresentado no Acórdão de Recurso Voluntário: Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 29/04/2012 (fls. 2376 a 2381 e 2382 a 2387)1 para exigência, respectivamente, de Contribuição para o PIS/PASEP (em relação a fatos geradores de 31/10/2007 e 31/12/2007, acrescida de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 4.406.913,92) e COFINS (em relação aos mesmos fatos geradores, e em total, acrescido de juros de mora e multa de 75%, de R$ 20.298.512,56. Ambas as contribuições são exigidas na sistemática da não cumulatividade, em função de omissão de receitas sujeitas à incidência das contribuições. No Termo de Constatação e Encerramento (TCE) da fiscalização narrase que: ü o objeto da ação fiscal foi a verificação do cumprimento das obrigações tributárias decorrentes das regras de preços de transferência dos produtos importados no ano de 2007 (constantes no processo administrativo n 16561.720094/201263), e, como decorrência, apurou se também o auferimento de receita que não foi incluída nas bases de cálculo da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP; ü a Nokia Siemens Networks do Brasil Sistema de Comunicações LTDA (NOKIA COMUNICAÇÕES) firmou contrato de distribuição com a Nokia Siemens Networks OY (NOKIA FINLÂNDIA), versando sobre a política de preços praticados entre as partes e sua observância no que concerne às regras de preços de transferência; ü com base no acordo, a NOKIA FINLÂNDIA enviou à sua coligada brasileira R$ 119.731.344,20, mediante a emissão de notas de crédito, tendo a NOKIA COMUNICAÇÕES anotado em sua contabilidade que deste total, R$ 49.030.217,04 destinavamse a cobrir eventuais ajustes de preços de transferência na aquisição de programas de computador, sendo o restante da remessa para compensar ajustes relativos a compras de produtos; ü na elaboração dos cálculos de preços de transferência dos bens importados, a NOKIA COMUNICAÇÕES apurou ajuste de R$ 6.483.754,35; ü questionada sobre as substanciais diferenças, em Intimação (07/2012), a empresa respondeu basicamente Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 3 3 que eram devidos a contrato com a Claro (operadora de telefonia celular); ü ao ser solicitada memória de cálculo dos preços detransferência aplicáveis aos programas de computador adquiridos de vinculadas no exterior, a empresa alegou ser incabível tal providência, posto que os direitos comprados estariam abrangidos pela exclusão prevista no § 9o do art. 18 da Lei no 9.430/1996; ü o contrato firmado entre a NOKIA FINLÂNDIA e a empresa, no entanto, possui escopo delimitado, e trata apenas da autorização para distribuição e da política de preços de transferência de bens, serviços e direitos adquiridos pela subsidiária brasileira; ü se os programas de computador não se sujeitam às normas de preços de transferência, como defende a empresa, as verbas recebidas e contabilizadas para esse fim não estão amparadas pelo contrato de distribuição e foram destinadas a outras finalidade; ü a diferença entre o ajuste apurado nas aquisições de produtos e o valor total procedente do exterior para neutralizálo igualmente não está amparada no acordo e alegadamente foi utilizada para a compra de equipamentos usados, pertencentes a uma das clientes da pessoa jurídica brasileira; e ü a NOKIA COMUNICAÇÕES optou por lançar as quantias recebidas em contas redutoras de custos, ao invés de reconhecêlas como receita, mas pela legislação que rege as contribuições (Leis no 10.637/2002 e n" 10.833/2003) tais valores constituem receita, devendo ser objeto de tributação pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS, pois decorrem das atividades sociais da empresa, acrescentamse a seu patrimônio, e são marcadas pelo caráter da definitividade. A empresa apresenta impugnação em 30/10/2012 (fls. 2394 a 2428), alegando, em síntese, que: ü tem por objeto social a industrialização, por conta própria ou por encomenda a terceiros, comércio, importação e exportação e desenvolvimento de software e de produtos para prestação de serviços de telecomunicações; ü na consecução de suas operações, celebra contratos de fornecimento complexos, que são do interesse do grupo NOKIA SIEMENS e envolvem outras empresas estrangeiras, como o contrato assinado com empresa do grupo CLARO, com suporte da NSNOy (referida no termo como “NOKIA FINLÂNDIA”) para fornecimento Fl. 2867DF CARF MF 4 de equipamentos e prestação de serviços, inclusive licenciamento de software; ü além do suporte, a NSNOy (“NOKIA FINLÂNDIA”) assume riscos do negócio, como ajuste de preços para garantia de rentabilidade das operações da NOKIA COMUNICAÇÕES; ü ambas as empresas vinculadas (NOKIA COMUNICAÇÕES e NSNOy/NOKIA FINLÂNDIA) estão sujeitas em suas transações às normas sobre preços de transferência, mas as normas brasileiras (arts. 18 a 24 da Lei no 9.430/1996) são bem diferentes das utilizadas na Finlândia, baseadas nas Diretrizes de Preços de Transferência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE); ü a remessa de 2007, no valor de R$ 119.731.344,20, acobertada por notas de crédito, para cumprir a ambas as regras de preços de transferência (Brasil e Finlândia), destinavase a “ajustar o excesso de custos do fornecimento de bens, serviços e softwares” da NSNOy/NOKIA FINLÂNDIA para a NOKIA COMUNICAÇÕES, como consta no contrato entregue à RFB (embora nem necessitasse haver contrato formal para tanto, visto que seu conteúdo deriva das legislações brasileira e finlandesa); ü a fiscalização entendeu que as notas de crédito não estariam enquadradas no contexto do contrato de distribuição, e que os softwares não seriam objeto das regras de preços de transferência (e efetivamente não o são na legislação brasileira, embora o sejam segundo as regras internacionais), havendo recebimento de receitas novas pela empresa, o que não procede, pois a fiscalização não compreendeu o escopo do contrato de distribuição (ignorando a Cláusula 1 e a Cláusula 4.2) e a finalidade/natureza das notas de crédito (cf. Cláusulas 2 e 3 do contrato, que fazem com que os preços atendam ao maior princípio das regras de preços de transferência arm's lenght, destacandose ainda que foram utilizadas notas de crédito porque o Tratado para Evitar Dupla Tributação entre Brasil e Finlândia não contém a cláusula do “ajuste correlato”); ü a empresa teve postura conservadora, motivando recolhimento de tributos de forma igualmente conservadora (até mesmo em excesso), para que fosse possível atender tanto a legislação brasileira quanto a finlandesa (daí a diferença de valores entre o ajuste verificado segundo o padrão brasileiro e o padrão internacional, que resultou inclusive em maior recolhimento de IRPJ e CSLL, em montante superior ao da autuação R$ 40.708.657,03); ü o art. 45 da Lei no 10.637/2002 expressamente permite o ajuste de custo para fins de preços de transferência, como já reconheceu a DRJ/SP em caso análogo; Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 4 5 ü as reduções de custo não constituem receita (como já entenderam a própria RFB e o STJ), mas ainda que os valores entendidos como receita pela fiscalização, para efeitos tributação pelas contribuições, efetivamente o fossem, seria indevida qualquer das contribuições, tendo em vista serem classificadas como receitas de exportação; e ü é ilegal a incidência de juros SELIC sobre a parcela da multa cobrada, por violar o disposto no art. 61 da Lei no 9.430/1996, como já reconheceu o CARF. No julgamento de primeira instância (fls. 2715 a 2732), acordouse unanimemente pela procedência do lançamento efetuado, sob o fundamento de que a “movimentação de recursos entre empresas vinculadas, visando ao equilíbrio financeiro e manutenção da rentabilidade do grupo, se traduzem em receitas para a unidade que os recebe e, portanto, são tributáveis pelo PIS e COFINS” (sic). Conclui ainda a DRJ que “a multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita a incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento”. Destaca, em adição, a DRJ, que: (a) o contrato em análise é de 2009, enquanto as remessas se referem ao ano de 2007; (b) o ajuste permitido pelo art. 45 da Lei no 10.637/2002 é jurídico (em cumprimento às normas tributárias), e ao final do período de apuração, não guardando relação com as remessas tratadas nos autos; (c) independente da forma de contabilização, as remessas constituem receitas e são tributáveis pela legislação que rege as contribuições; e (d) as receitas não são de exportação, pois não houve qualquer bem ou serviço exportado pago pelas notas de crédito. Cientificada da decisão de piso em 07/10/2013 (cf. documento de fl. 2739), a empresa apresenta recurso voluntário em 05/11/2013 (fls. 2741 a 2788), basicamente reiterando os argumentos expostos em sua impugnação, acrescentando que: (a) a DRJ não descaracteriza os contratos por serem firmados em data posterior às remessas, e nem poderia fazêlo, seja porque não há necessidade de contrato escrito, ou ainda porque o contrato retroage a 01/01/2001, e é fruto de acordo entre empresas do grupo, que não causa prejuízo a nenhum terceiro; (b) a DRJ classifica as remessas como receita operacional (embora reconheça serem redutoras de custos), mas não detalha que tipo de receita operacional (venda de mercadoria, prestação de serviços ou mesmo financeira); (c) não há contradição entre a figura do “ajuste jurídico”, criada pela DRJ, e o ajuste de preços nas operações intergrupo (chamado na decisão de piso de “política empresarial”), sendo ambos complementares; Fl. 2869DF CARF MF 6 (d) a decisão recorrida não entendeu que o contrato de distribuição regula as operações da recorrente com sua matriz (NSNOy/”NOKIA FINLÂNDIA”) e não as operações da recorrente com seus clientes, e confunde os ajustes de preços de transferência efetuados pela recorrente em decorrência da legislação (brasileira e finlandesa) com os termos do contrato de distribuição; (e) as notas de crédito foram emitidas no âmbito de “contrato de fornecimento de compra e venda de equipamentos, licenciamento de software e prestação de serviços para rede de telecomunicações”, celebrado entre a recorrente e empresas do Grupo CLARO; (f) o ajuste de preço de transferência de 2007 foi efetuado de acordo com as regras da Finlândia, e se não houvesse sido efetuado, a recorrente teria um lucro a menor de R$ 119.731.344,20; (g) nas notas de crédito há detalhamento produto por produto do valor e do custo devolvido pela NSNOy (”NOKIA FINLÂNDIA”) para a recorrente, estando as referidas notas de crédito ainda suportadas por contratos de câmbio; (h) não há como negar que os valores recebidos decorrem de devolução parcial do preço, em razão das regras de preços de transferência; (i) mesmo que as remessas se referissem a reembolsos/compensações (como sugere a DRJ), e não a ajustes decorrentes das regras de preços de transferência, ainda assim não incidiriam as contribuições, por não se tratar de receitas, conforme entendimentos já expressos pela própria RFB e pelo CARF; e (j) para caracterização da exportação não se faz necessária a saída física das mercadorias do Brasil (sujeitandose ao controle de preços de transferência, por exemplo, as operações de “back to back”, conforme entendimento externado pela RFB). A PGFN apresenta suas contrarrazões em 12/02/2014 (fls. 2813 a 2825), sustentando que: (a) não há nulidade na decisão da DRJ; (b) a recorrente compra bens da sua controladora na Finlândia para vender no Brasil, e, em decorrência da operação realizada com empresa vinculada, passa a ter uma dívida tributária nascida em razão da legislação do preço de transferência, sendo, posteriormente, ressarcida/compensada desta dívida pela empresa no exterior; (c) assim, os recursos recebidos da NSNOy (”NOKIA FINLÂNDIA”) não poderiam ter sido contabilizados como redução de custos, já que tais recursos representam uma receita (ingresso positivo de recurso que representa aumento patrimonial) da empresa brasileira, que dela depende para equilibrar o resultado de suas atividades operacionais e apresentar lucratividade; (d) a receita não é decorrente de exportação, por não ter havido fornecimento de qualquer bem ou serviço da empresa à sua controladora estrangeira; e (e) em análise sistemática do Código Tributário Nacional, concluise que o crédito tributário engloba tanto o Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 5 7 tributo quanto a multa, cabendo a incidência de juros de mora sobre ambos. Em 11 de novembro de 2014, através do Acórdão n° 3403003.383, a 4a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, não tomaram conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Entendeu a Turma que: Pelo entrelaçamento dos procedimentos, que se mencionam reciprocamente, e são fundados em um mesmo MPF (final 001851), com um mesmo objeto de fiscalização (verificação do cumprimento da legislação referente a preços de transferência) para um mesmo período (anocalendário de 2007), tenho que se apresenta aqui caso de conexão que deslocaria a competência para a Primeira Seção de Julgamento (conforme art. 2o, IV do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009). A empresa NOKIA se manifestou, de folhas 2.847 a 2.850 do processo digital, no sentido de requerer a remessa dos autos para 3a Seção, como nova distribuição para julgamento por Turma veiculada aquele órgão administrativo. Em 14 de setembro de 2016, a 1a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 1a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em Resolução no sentido de encaminhar o processo para o Ilmo. Presidente do CARF a fim de resolver o conflito negativo ora instaurado entre a 1a e a 3a Seções de Julgamento. Em 19 de junho de 2017, diante do disposto no artigo 20, inciso IX, c/c § 7° do artigo 6°, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o seu Presidente decidiu que o pleito deverá ser julgado pela Terceira Seção de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 18 de outubro de 2013, por via eletrônica, às folhas 2.740 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 05 de novembro de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Fl. 2871DF CARF MF 8 ü Da natureza jurídica do contrato de distribuição firmado pela recorrente com a NSNOy e das notas de crédito emitidas pela NSNOy; ü Das críticas iniciais à decisão recorrida; ü Os valores recebidos por meio das notas de créditos são decorrentes dos ajustes de preço de transferência; ü Da necessidade de reconhecimento da aplicação do art. 45 da Lei n° 10.637/02 ajustes de preço de transferência são redutores de custo; ü Dos efeitos fiscais do procedimento adotado pela Recorrente majoração do pagamento de IRPJ e CSLL; ü Do conceito de receita base de cálculo do PIS e da COFINS inexistência de receitas operacionais; ü Da impossibilidade da incidência do PIS e da COFINS sobre reembolsos; ü Do posicionamento da Receita Federal do Brasil e do STJ o PIS e a COFINS não incidem sobre despesas recuperadas; ü Devese reconhecer que os valores recebidos pela recorrente são receitas de exportação; ü Da ilegalidade da incidência de juros SELIC sobre a parcela da multa. Passase à análise. A NSNOy emitiu as seguintes notas de crédito em favor da Recorrente: As referidas notas de crédito foram emitidas no âmbito dos seguintes Contratos: Ø Contrato do Fornecimento de Compra e Venda de Equipamentos, Licenciamento de Software e Prestação de Serviços para Rede de Telecomunicações que a Recorrente, à época sob a denominação social de Nokia do Brasil Ltda., assinou com a Americel S/A e BCP S/A, empresas que do Grupo Claro, o qual previa fornecimentos do valor de USD 200.000.000,00 (duzentos milhões de dólares) no período de 3 anos; e Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 6 9 Ø Contrato de Fornecimento de Bens e Serviços relativos ao Suprimento e Implementação de Sistema de Telefonia GSM, celebrado entre a Recorrente e a TIM Celular S/A e a TIM Nordeste S/A. Passa a ser o propósito desse VOTO analisar a natureza jurídica desses recursos. Da natureza jurídica do contrato de distribuição firmado pela recorrente com a NSNOy e das notas de crédito emitidas pela NSNOy É alegado nos itens 34 a 36 do Recurso Voluntário: Da leitura das duas cláusulas acima, fica clara a preocupação da Recorrente e da NSNOy em atender as regras de preços de transferência. Isso porque, a cláusula 2 (Preços) exige que os preços atendam o maior princípio das regras de preços de transferência, qual seja, o princípio arm's lenght (traduzida no contrato como padrão de plena concorrência). E para evitar possíveis distorções nos preços de transações entre partes relacionadas, a Cláusula 3 determina que caso haja alguma outra distorção nas margens de lucratividade, a NSNOy deve devolver determinado montante, de modo que a lucratividade da Recorrente no Brasil atenda as regras internacionais de preços de transferência. Dentro desse contexto, como será melhor detalhado abaixo, as notas de crédito recebidas pela Recorrente, no ano de 2007, tinham como objetivo recompor os ajustes de preços de transferência decorrentes das operações praticas com a NSNOy com base no Contrato de Distribuição. E conclui no item 38: Ocorre que, uma vez reconhecido que os valores recebidos pela Recorrente são decorrentes do Contrato de Distribuição, a presente autuação deveria ser cancelada, como se passa a demonstrar. O termo “preço de transferência” tem sido utilizado para identificar os controles a que estão sujeitas as operações comerciais ou financeiras realizadas entre partes relacionadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, ou quando uma das partes está sediada em paraíso fiscal. Em razão das circunstâncias peculiares existentes nas operações realizadas entre essas pessoas, o preço praticado nessas operações pode ser artificialmente estipulado e, consequentemente, divergir do preço de mercado negociado por empresas independentes, em condições análogas ‐ preço com base no princípio arm’s length. Fl. 2873DF CARF MF 10 O controle fiscal dos preços de transferência se impõe em função da necessidade de se evitar a perda de receitas fiscais. Essa redução se verifica em face da alocação artificial de receitas e despesas nas operações com venda de bens, direitos ou serviços, entre pessoas situadas em diferentes jurisdições tributárias, quando existe vinculação entre elas, ou ainda que não sejam vinculadas, mas desde que uma delas esteja situada em país ou dependência com tributação favorecida ou goze de regime fiscal privilegiado. Diversos países vêm instituindo esse controle como medida de salvaguarda de seus interesses fiscais, haja vista a constatação de manipulação dos preços por empresas interdependentes em transações internacionais, com o inequívoco objetivo de usufruir de regimes tributários mais favoráveis. Assim, ocorre a transferência de renda de um Estado para outros que oferecem alíquotas inferiores ou concedem isenções, por intermédio da manipulação dos preços praticados na exportação e na importação de bens, serviços e direitos. Em nosso auxílio, contribuição precisa do Acórdão de Impugnação, folhas 14: No sentido de política empresarial, temse a prática comum adotada entre empresas de mesmo grupo com unidades sediadas em diferentes países, de atribuição de valores diferentes dos de livre mercado às operações comerciais e financeiras envolvendo bens, serviços e direitos transacionados entre as empresas vinculadas, visando a um melhor resultado do grupo. Mesmo que uma das partes seja prejudicada em seu resultado em função da melhora do resultado de outra. O objetivo é maximizar o lucro, otimizar a alocação dos recursos financeiros, ganhar e garantir mercados, melhorar a performance e a rentabilidade do grupo como um todo, além de atender às exigências legais de diferentes países e buscar minimizar a incidência tributária sobre os resultados do grupo. “A constatação desse fenômeno origina o controle tributário dos preços de transferência, ou seja, a elaboração de normas tributárias voltadas para a correção de distorções no lucro contabilizado e, conseqüentemente, na base de cálculo do imposto de renda, em virtude de um super ou subfaturamento das transações transfronteiriças entre partes nãoindependentes.” In: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA E PRESERVAÇÃO DA BASE TRIBUTÁRIA PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL Maria de Fátima Ribeiro e Carolina Spack Kemmelmeier. (www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/ anais/XIVCongresso/201.pdf) “O controle fiscal dos preços de transferência se impõe em função da necessidade de se evitar a perda de receitas fiscais. Essa redução se verifica face a alocação artificial de receitas e despesas nas operações com venda de bens, direitos ou serviços, entre pessoas vinculadas, situadas em diferentes jurisdições tributárias.” Perg/Resp 805, http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2003/Pe rgResp2003/pr805a864.htm . grifei. Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 7 11 A legislação tributária brasileira sobre preços de transferência aplicase ao Imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido. Consiste na apuração de um preço parâmetro por métodos determinados em lei, na comparação deste com o preço efetivamente praticado na “transferência”, e, caso diferentes, no ajuste artificial do lucro líquido da empresa para fins de tributação. O ajuste para fins tributários, tratase apenas de ajuste jurídico. Não estão envolvidos ajustes de recursos. Alguns doutrinadores falam mesmo em “fato gerador fictício”. O Acórdão de Impugnação também trouxe a legislação aplicável ao caso: LEI n° 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002. Art. 45. Nos casos de apuração de excesso de custo de aquisição de bens, direitos e serviços, importados de empresas vinculadas e que sejam considerados indedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, apurados na forma do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica deverá ajustar o excesso de custo, determinado por um dos métodos previstos na legislação, no encerramento do período de apuração, contabilmente, por meio de lançamento a débito de conta de resultados acumulados e a crédito de: I conta do ativo onde foi contabilizada a aquisição dos bens, direitos ou serviços e que permanecerem ali registrados ao final do período de apuração; ou II conta própria de custo ou de despesa do período de apuração, que registre o valor dos bens, direitos ou serviços, no caso de esses ativos já terem sido baixados da conta de ativo que tenha registrado a sua aquisição. “ ROTEIRO FEDERAL 2012/3902 IRPJ e CSLL Preços de transferência Controle fiscal Roteiro de procedimentos (...) III.1.4 Preço parâmetro x Preço praticado Ajustes e contabilização Após apurados por um dos métodos de importação, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição. A parcela dos custos que exceder ao valor determinado por um dos métodos aqui referidos, deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. O valor resultante do excesso de custo, despesas ou encargos, considerado indedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, será ajustado contabilmente por meio de Fl. 2875DF CARF MF 12 lançamento a débito de conta de resultados acumulados do patrimônio líquido e a crédito de: a) conta do ativo onde foi contabilizada a aquisição dos bens, direitos ou serviços e que permanecerem ali registrados ao final do período de apuração; ou b) conta própria de custo ou de despesa do período de apuração, que registre o valor dos bens, direitos ou serviços, no caso de já terem sido baixados da conta de ativo que tenha registrado a sua aquisição (art. 45 da Lei n° 10.637 de 2002). Na prática, as empresas acabam por fazer esses ajustes via Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Ou seja, na apuração do resultado do ano calendário, faz se uma adição no LALUR, sem alterar a contabilidade. Mesmo porque, os ajustes realizados na contabilidade infringem princípios contábeis como, por exemplo, o Princípio do Custo como Base de Valor. Como visto, a aplicação do preço de transferência implica, unicamente, em ajustar artificialmente o lucro líquido apurado a de terminado valor esperado. Um procedimento meramente jurídico totalmente desvinculado com a movimentação de recursos. Por sinal, a redação do artigo 45 da Lei n° 10.637/2002 reforça esse entendimento. O Recorrente gasta laudas consideráveis do Recurso Voluntário em tentar encaixar o procedimento em análise remessa de dinheiro da Nokia Finlândia para a Nokia Comunicações – nesse artigo, mas entende que esse esforço é em vão, pois o artigo transcrito lida estritamente com procedimentos contábeis e não com remessas de recursos que implicam em aumento do caixa. O propósito do presente tópico é investigar a natureza jurídica do contrato de distribuição, cujo objetivo, nas palavras do próprio Recorrente, é evitar possíveis distorções nos preços de transações entre partes relacionadas, através da devolução de determinado montante pela NSNOy, de modo que a lucratividade da Recorrente no Brasil atenda as regras internacionais de preços de transferência. Contudo, essa prática é incompatível com o conceito de “preço de transferência”. Isso porque, como exposto, “preço de transferência” é um ajuste contábil para efeitos tributários, sem qualquer repercussão na movimentação de recursos, enquanto que o procedimento ora em análise possui por principal propósito a própria movimentação de recursos, o que confere total incompatibilidade. Assim, a denominação que se vale a empresa NOKIA para se referir ao procedimento em questão é imprecisa. Por previsão contratual cláusulas citadas e transcritas no Auto de Infração, na impugnação e no Recurso Voluntário os valores recebidos em dinheiro, através das notas de crédito, da Nokia Finlândia tem por finalidade a garantia do equilíbrio financeiro e da rentabilidade da Nokia Comercial. Essa busca pela garantia do equilíbrio financeiro e da rentabilidade não visa qualquer ajuste contábil, mas sim aportes de recursos em caixa, tal qual descrito no Acórdão de Impugnação, às folhas 14: Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 8 13 "Como visto, no caso em tela, a prática de política empresarial do grupo NokiaSiemens resultou na remessa de dinheiro da Nokia Finlândia para a Nokia Comunicações, através de notas de crédito. Efetivamente, entrou dinheiro no caixa da Nokia Comunicações, sendo contabilizado, no entanto, não como receita, mas em conta redutora de custos. Portanto, resta claro que a natureza jurídica do contrato de distribuição firmado pela recorrente com a NSNOy e das notas de crédito emitidas pela NSNOy não é a de “preço de transferência”. No mais, como demonstrado, a legislação brasileira exige determinados requisitos para o reconhecimento do “preço de transferência” que não foram observadas. Isso porque, tais valores deveriam ser contabilizados como redutores de custos, conforme previsto pelo art. 45 da Lei n° 10.637/02. Das críticas iniciais à decisão recorrida. É alegado nos itens 46 do Recurso Voluntário: Inicialmente, afirma a r. decisão que: "estamos falando em re111messas de dinheiro recebidas em 2007. O contrato apresentado é datado de 2009, portanto, posterior às remessas. Fato, no minimo, curioso". O que se observa do trecho acima é que a r. decisão recorrida não descaracteriza o contrato de distribuição pelo motivo de ter sido firmado apenas em 2009, isto é, posteriormente ao recebimento das notas de crédito objeto da presente autuação (2007). Não obstante esse fato, para que não fique nenhuma dúvida quando do julgamento pelo E. CARF, a Recorrente destaca que o contrato de distribuição jamais poderia ser descaracterizado apenas pelo motivo de ter sido assinado posteriormente ao recebimento das notas de crédito. Primeiro porque, o Contrato de Distribuição (doc. 04 da Impugnação), apesar de ter sido assinado em 01/01/2009, estabelece que o referido acordo retroage a 01/01/2001. Em relação à existência da cláusula de retroatividade, nada há que se falar, uma vez que se trata de um acordo entre empresas do grupo e que não causa prejuizo a nenhum terceiro. Segundo porque, o contrato firmado pela Recorrente tem como objetivo a busca pelo valor de preço justo entre partes relacionadas, isto é, o "arm' s lenght". A Recorrente e a NSNOY optaram pela celebração do contrato de distribuição para evidenciar a terceiros (e.g. Fisco, acionistas) a observância das melhores práticas nas transações realizadas entre a Recorrente e a NSNOy, a qual inclui a observância das regras de preços de transferência (assunto de interesse da Receita Federal do Brasil e do fisco finlandês) . Fl. 2877DF CARF MF 14 E, nesse sentido, como é sabido, a aplicabilidade das regras de preços de transferência, tanto no Brasil como na Finlândia, independem de contrato escrito para serem aplicáveis. Independente da existência ou não de contrato, as referidas regras são plenamente aplicáveis às transações entre partes vinculadas (i.e. a Recorrente e a NSNOy). Dessa forma, como bem reconhecido pela decisão da DRJ, a retroatividade do contrato de distribuição firmado pela Recorrente e pela NSNOy não é causa para descaracterização do referido contrato. De fato. Tanto no Acórdão de Impugnação como no presente VOTO, o fato do Contrato de Distribuição ter sido assinado em 01/01/2009, constando cláusula de retroatividade onde é estabelecido que o referido acordo retroage a 01/01/2001 não afetou estes Juízos para fins de descaracterização da natureza jurídica pretendida, até mesmo porque, como visto, o procedimento em análise e o conceito de "preço de transferência" se mostram incongruentes. Contudo, é de se estranhar a elaboração do contrato, ainda mais com cláusula retroativa, na busca pela garantia do equilíbrio financeiro e da rentabilidade que redunda na prática em aportes de recursos em caixa da empresa NOKIA DO BRASIL. E as indagações que surgem são as seguintes: Ø O desequilíbrio financeiro e de rentabilidade só surgiram no ano de 2009? Ø Se eles preexistiam a essa data, e pessoalmente estou certo disso, porque esse contrato não foi feito antes? Ø Seria essa uma tentativa de amoldar os aportes de recursos em caixa em favor da empresa NOKIA DO BRASIL, face ao conceito amplo de receita, previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03? Essas questões ainda serão enfrentadas no presente VOTO. Os valores recebidos por meio das notas de créditos são decorrentes dos ajustes de preço de transferência; É alegado nos itens 60 a 62 do Recurso Voluntário: Como ficou amplamente demonstrado na Impugnação, os valores recebidos pela Recorrente por meio das notas de crédito são decorrentes do ajuste de preço transferência realizado de acordo com as normas da Finlândia. Nesse sentido, demonstrouse que os valores recebidos pela Recorrente teriam como objetivo recompor os custos da Recorrente e, consequentemente da margem de lucro, conforme previsto pela legislação que rege o preço de transferência. Ocorre que, no entendimento da r. decisão recorrida, os valores recebidos pela Recorrente seriam compensações financeiras que teriam o objetivo de manter a rentabilidade e a lucratividade do grupo NokiaSiemens como um todo de acordo com a politica Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 9 15 empresarial adotada e, por isso, não se caracterizariam como ajuste de preços de transferência nos termos da legislação brasileira: Nessa mesma linha, os itens 73 a 75 do Recurso Voluntário: A r. decisão confunde os ajustes de preços de transferência efetuados pela Recorrente que são obrigações impostas pela legislação brasileira e pela legislação finlandesa com os termos de o Contrato de Distribuição, o qual determina que os preços de mercado devem respeitar os parâmetro de mercado (princípio arm 's lenght) apenas e tão somente por políticas internas. É de conhecimento público que as regras brasileiras de preços de transferência são completamente diferentes do padrão internacional de preços de transferência estipulado pela OCDE, o qual é adotado, especialmente quando tratamos do método de Preço de Revenda Menos Lucro ("PRL"), que é o método utilizado pela Recorrente no controle de preços de transferência nas importações. De forma resumida, o padrão brasileiro adota margens mínimas de lucratividade fixas, ao passo que o padrão internacional da OCDE, o qual é utilizado na Finlândia, adota margens próprias para cada atividade econômica, calculadas com base em pesquisa de mercado e levando em consideração as particularidades de cada empresa. Cabe ainda esclarecer que o padrão OCDE é adotada de forma global pelo Grupo Nokia Siemens, tanto que Contrato de Distribuição (doc. 04) possui um anexo que detalhada as políticas de preços de transferência do grupo, baseadas na OCDE. Essa mesma questão é retomada no item 89 do Recurso Voluntário: 89. Ocorre que, o ajuste do preço de transferência, nas operações praticas com a NSNOy, no ano de 2007, foi feito de acordo com as regras da Finlândia. Isso porque, o grupo econômico Nokia Siemens se utiliza das regras da Finlândia para aplicação dos ajustes necessários nos preços de transferência, como forma de evitar distorções na lucratividade do grupo como um todo. Nesse diapasão, um outro aspecto a se considerar é o disposto no artigo 123 do Código Tributário Nacional: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Reforçase o entendimento de que a alegação de natureza jurídica de "preço de transferência" já foi afastada, denominação essa tida por incoerente. No mais, independentemente das disposições contratuais estabelecidas entre as empresas, o Fl. 2879DF CARF MF 16 procedimento deve ser analisado frente a legislação brasileira; particularmente em relação ao artigo 3o da Lei 10.637/02 e 10.833/03. É alegado nos itens 67 e 68 do Recurso Voluntário: (...) "Preços de transferência praticados em unidades de venda são calculados de maneira que eles forneçam para a unidade de venda uma compensação de plena concorrência para as funções desempenhadas , valor agregado, riscos realizados e bens empregados pelas unidades de venda. As unidades de venda comercializam os produtos a um preço de revenda menos o preço de transferência. 0 preço de revenda menos o preço de transferência será ajustado de acordo com o desenvolvimento do nível de preço no mercado e assim, o risco de preço fica a cargo da NSN Oy ou da unidade de fabricação sob licença. Para fins fiscais, o resultado dos preços de transferência é avaliado com base no nível de lucro operacional sobre os padrões de relatórios do IFRS (Normas internacionais de contabilidade) com o objetivo de garantir uma medição igual e de maneira global no grupo NSN. Assim, quando verificado que o preço praticado pela NSNOy com a Recorrente for superior ao preço de mercado, devese aplicar as regras de preço de transferência, conforme diretrizes firmadas no contrato de distribuição no item acima. O objetivo do item 4.2 do anexo 1 do contrato de distribuição é garantir que os preços praticados pelas partes vinculadas do grupo NokiaSiemens estejam de acordo com o "arm's length". Incoerente a denominação de "preço de transferência" para a descrição do procedimento. O que ocorre é a previsão contratual de recebimento de valores, através das notas de crédito, da Nokia Finlândia para a garantia do equilíbrio financeiro e da rentabilidade da Nokia Comercial. Conceito de Receita. Base de cálculo do PIS e da COFINS. Salientase que a recorrente é sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições e aos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cujas redações em 2009 eram as abaixo transcritas: Lei nº 10.637/2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 10 17 § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (a Lei nº 10.833/2003 ampliou a exclusão para "não operacionais, decorrentes da venda do ativo permanente", aplicandose ao PIS/Pasep, de acordo com o artigo 15 da referida lei) Lei nº 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; Fl. 2881DF CARF MF 18 III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). Verificase que a legislação incluiu todas as receitas no campo de incidência, sendo irrelevante para a discussão aqui travada se se tratam de receitas da atividadefim ou acessória, pois que esta matéria somente influencia quando estamos diante da análise do alcance da inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, o que não é o caso dos autos. De modo geral, o artigo 1º inclui todas as receitas na base de cálculo das contribuições e elenca as exclusões desta base. Assim, a respeito de créditos presumidos de ICMS, valores recebidos a titulo de abatimento ou rebate ou descontos condicionais, bem como reembolsos de despesas não estão expressamente mencionadas nas exclusões do artigo 1º. Assim, resta verificar se estes valores se amoldam ao conceito de receita. Nesta matéria, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federa de Contabilidade, dispõe que Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 11 19 propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecêla. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Os artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 determinam que a incidência independe da denominação ou classificação contábil, dispondo em seu §3º sobre as receitas que não integram a base de cálculo, mencionando expressamente as reversões de provisões e as recuperações de crédito baixados como perda (que é uma recuperação de despesa), indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. De acordo com o disposto no referido preceito legal, no âmbito do regime não cumulativo, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, integram a base de cálculo das referidas contribuições. De outra parte, os únicos tipos de receitas excluídas da citada base cálculo são somente aquelas taxativamente especificadas no § 3º do artigo transcrito, dentre as quais, apenas as receitas provenientes de “recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas” são passíveis de dedução. O disposto no referido preceito legal ainda põe em evidência a clara opção por uma definição de base de cálculo ampliada ou alargada, incluindo todas as receitas auferidas pelo contribuinte, com exceção daquelas expressamente excluídas por lei da base de cálculo da contribuição, conforme exige o art. 97, IV, do CTN. Assim, por constituir situação excepcional, as hipóteses de exclusão da base de cálculo das referidas contribuições, explicitadas nos incisos do § 3º do art. 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, inequivocamente, não comportam interpretação extensiva. Em face da similitude com a natureza da receita aqui analisada, merece o destaque o disposto na alínea “b” do inciso V do § 3º do art. 1º da Lei 10.833/2003, anteriormente transcrito, que, expressamente excluiu da base de cálculo da contribuição as receitas de “recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas”, que, inequivocamente, tem natureza de recuperação de despesa ou custo anteriormente registrado na contabilidade. Ora, se dita exclusão restringiuse apenas às receitas Fl. 2883DF CARF MF 20 de “recuperações de créditos baixados”, obviamente, as demais receitas representativas de recuperação de despesas ou de custos não podem ser excluídas da base de cálculo das citadas contribuições, a exemplo das receitas de reembolso ou recuperação de gastos com propaganda. O entendimento aqui esposado, inclusive, encontra respaldo no inciso III do art. 44 da Lei 4.506/1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), que, expressamente, reconhece como sendo integrante da receita bruta os valores provenientes das “recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões”, para fins de incidência do IRPJ, nos termos a seguir transcrito: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Para recorrente, os ganhos obtidos a título de reembolso ou recuperação de gastos com verbas de propagandas não eram receita, logo não poderiam compor a base de cálculo das referidas contribuições. No entendimento da recorrente, receita seria apenas a entrada de recursos que se integrava ao patrimônio como elemento positivo, sem qualquer reservas ou condições. Logo, não eram consideradas receitas as entradas financeiras que não representassem fatos modificativos do patrimônio. O conceito pessoal de receita apresentado pela recorrente, evidentemente, não se equivale ao conceito de receita utilizado como base de cálculo das contribuições, que tem por fundamento o disposto na legislação tributária e societária, bem como as definições veiculadas pelas normas contábeis editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Previamente, cabe ressaltar que, como as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que instituíram o regime de incidência não cumulativa das referida contribuições, foram editadas após a vigência da nova redação a alínea “b” do inciso I do artigo 195 da CF/1988, dada pela Emenda Constitucional 20/1998, que acrescentou a receita como base de cálculo das contribuições, não se aplica ao caso em tela, o entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento dos Recursos Extraordinários (RREE) nºs 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, em que declarada a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998, na parte em que acrescentou receitas diversas daquelas do produto da venda de mercadoria, de mercadoria e serviços e de serviço de qualquer natureza ao conceito de receita bruta ao contribuinte. Previamente, cabe esclarecer que, na legislação tributária, não se encontra a definição do conceito de receita. Por se tratar de um conceito eminentemente contábil, utilizado pela legislação tributária, a definição que melhor representa o conceito de receita, inequivocamente, é que aquele veiculado pelas normas contábeis editadas pelo CFC, de obediência obrigatória por todo o profissional que atua na área contábil. E no âmbito das referidas normasn contábeis, a definição de receita encontrase estabelecida no item 7 da Resolução CFC 1.412/20121, que deu nova redação à “NBC TG 30 – Receitas”, com os seguintes dizeres: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da 1 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1412.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 12 21 entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. No “Apêndice A Definição de termos” da Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG 472, de 25 de novembro de 2016, vigente a partir de 1/1/2018, a definição de receita passou ter a seguinte redação: Aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil, originado no curso das atividades usuais da entidade, na forma de fluxos de entrada ou aumentos nos ativos ou redução nos passivos que resultam em aumento no patrimônio líquido, e que não sejam provenientes de aportes dos participantes do patrimônio. Com mais detalhes, a referida definição também encontrase estabelecida na Norma Brasileiro da Contabilidade, que dispõe sobre a Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro (NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL), aprovada pela Resolução CFC 1.374/20113, a seguir reproduzido: 70. Receitas e despesas são definidas como segue: (a) Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultem em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade; e (b) Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída de recursos ou redução de ativos ou incremento em passivos, que resultem em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição aos proprietários da entidade. 71. As definições de receitas e despesas identificam os seus aspectos essenciais, mas não especificam os critérios que precisam ser satisfeitos para que sejam reconhecidas na demonstração do resultado. Os critérios para o reconhecimento das receitas e despesas são comentados nos itens 82 a 98. 72. As receitas e despesas podem ser apresentadas na demonstração do resultado de diferentes maneiras, de modo que prestem informações relevantes para a tomada de decisões. Por exemplo, é prática comum distinguir entre receitas e despesas que surgem no curso das atividades usuais da entidade e as demais. Essa distinção é feita porque a fonte de uma receita é relevante na avaliação da capacidade que a entidade tenha de gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro; por exemplo, receitas oriundas de atividades eventuais como a venda de um investimento de longo prazo normalmente não se repetem numa base regular. Nessa distinção, devese levar em conta a natureza da entidade e suas operações. Itens que resultam das atividades 2 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG47.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 3 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1374.pdf> Acesso em 21 mar. 2017. Fl. 2885DF CARF MF 22 ordinárias de uma entidade podem ser incomuns em outras entidades. 73. A distinção entre itens de receitas e de despesas e a sua combinação de diferentes maneiras também permitem demonstrar várias formas de medir o desempenho da entidade, com maior ou menor abrangência de itens. Por exemplo, a demonstração do resultado pode apresentar a margem bruta, o lucro ou prejuízo das atividades ordinárias antes dos tributos sobre o resultado, o lucro ou o prejuízo das atividades ordinárias depois desses tributos e o lucro ou prejuízo líquido. Receitas 74. A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas como ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias de uma entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e aluguéis. 75. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos e, como tal, não diferem, em natureza, das receitas. Conseqüentemente, não são considerados como um elemento separado nesta Estrutura Conceitual. 76. Ganhos incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos nãocorrentes. A definição de receita também inclui ganhos não realizados; por exemplo, os que resultam da reavaliação de títulos negociáveis e os que resultam de aumentos no valor de ativos a longo prazo. Quando esses ganhos são reconhecidos na demonstração do resultado, eles são usualmente apresentados separadamente, porque sua divulgação é útil para fins de tomada de decisões econômicas. Esses ganhos são, na maioria das vezes, mostrados líquidos das respectivas despesas. 77. Vários tipos de ativos podem ser recebidos ou aumentados por meio da receita; exemplos incluem caixa, contas a receber, mercadorias e serviços recebidos em troca de mercadorias e serviços fornecidos. A receita também pode resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, a entidade pode fornecer mercadorias e serviços a um credor em liquidação da obrigação de pagar um empréstimo. [...] (grifos não originais) Com base nos textos transcritos, podese afirmar que as receitas se caracterizam pelos aumentos nos benefícios econômicos, que podem ser representados pela (i) aumento de ativos com a entrada de recursos, ou (ii) diminuição de passivos sem a saída de recursos, que resultem, nas duas hipóteses, em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de recursos aportados pelos proprietários da entidade. O conceito amplo (lato sensu) de receita compreende o conceito estrito (stricto sensu) de receita ou receita propriamente dita e os ganhos. As receitas propriamente ditas incluem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária, enquanto que os ganhos compreendem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária ou não. No mesmo sentido a abalizada doutrina de Solon Sehn, para quem: Fl. 2886DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 13 23 [...] O dispositivo [art. 1º, § 1º, da Lei 10.833/2003]deve ser interpretado conforme a Constituição, de modo que por receita se entendam apenas os ingressos de soma em dinheiro ou qualquer outro bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo. Daí resulta que não podem ser incluídos na base de cálculo da Cofins, os ingressos que não se enquadram no conceito de receita, como as simples entradas de caixa, os reembolsos, as cauções, depósitos, os empréstimos contraídos ou amortizações dos concedidos, enfim, todas as demais somas escrituradas sob reserva de serem restituídas ou pagas a terceiro por qualquer razão de direito e as indenizações (por dano emergente) 4. (os últimos destaque não constam dos originais). Assim como o referido autor, este Relator também entende que os meros ingressos de caixa ou quaisquer outros tipos de ingresso, que não representem “alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica”, inequivocamente, não se enquadra no conceito de receita ou de receita bruta, logo, não integram a base de cálculo das referidas contribuições. Cabe ressaltar ainda que os conceitos veiculados na referida norma contábil estão em perfeita consonância com os conceitos de receita que compõem a estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), nos termos do art. 187 da Lei 6.404/1976, a seguir transcrito: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se 4 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regime de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 230. Fl. 2887DF CARF MF 24 caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Com base nesse entendimento, chegase a conclusão de que os ganhos obtidos de terceiros a título de recuperação ou reembolso de despesas, inequivocamente, representam ingressos de valores no ativo sem correspondência no passivo, o que implica aumento do patrimônio líquido. Dessa forma, se o referido valor representa ganho não decorrente da atividade principal, ele representa receita da atividade não ordinária, sob a forma de incremento do ativo e do patrimônio líquido, portanto, receita integrante da base de cálculo das contribuições. E como não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização. Face a essa exposição, passase a analisar argumentos trazidos pelo Recurso Voluntário: É alegado nos itens 94 e 95 do Recurso Voluntário: Assim sendo, não há como negar que: (i) os valores recebidos decorrem devolução parcial de preço, em razão da aplicação das regras de preços de transferência; (ii) que os valores foram efetivamente contabilizados como redução de custo, de maneira individualizada por produto fato reconhecido pela DRJ; e (iii) houve efetivo ingresso desses recursos no Brasil. Por fim, outra questão importante diz respeito à forma de implementação do ajuste de preço via notas de crédito. Considerando que a Nokia Siemens tem como prática efetivamente devolver os valores relativos a ajustes de preços de transferência, é necessário que haja um mecanismo que possa documentar essa operação para fins cambiais e contábeis. É uma forma de mascarar o aumento do patrimônio líquido, sem denominar sua causa de Receita. Não se pode denominar a prática de política empresarial do grupo Nokia Siemens, que resultou na remessa de dinheiro da Nokia Finlândia para a Nokia Comunicações, através de notas de crédito, onde efetivamente, entrou dinheiro no caixa da Nokia Comunicações, portanto aumento do patrimônio líquido, de redução de custo. Redução de custo implica em um dispêndio menor de recursos para exercer uma dada atividade que consumia, até então, um volume superior de numerário. Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 14 25 Sendo receita o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, o procedimento em análise tem natureza de Receita. Por fim, a alegação da Recorrente de que tais receitas seriam de exportação, se revela absolutamente inócua dado que houve qualquer bem ou qualquer serviço que tenha saído do Brasil com destino à Finlândia, como muito bem apontado pelo Acórdão de Impugnação. Da possibilidade de Cobrança de Juros Moratórios sobre a Multa de Ofício. A matéria já se encontra pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através de Súmula. Súmula CARF n° 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Jorge Lima Abud. Fl. 2889DF CARF MF 26 Fl. 2890DF CARF MF
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