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Numero do processo: 10925.002970/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE CREDITAMENTO SOBRE OS CUSTOS INCORRIDOS COM CONTRATAÇÃO DE MÃO DE OBRA DE PESSOA FÍSICA. LEI N. 10.925/2004. LEGISLAÇÃO POSTERIOR AO PERÍODO DO AUTO DE INFRAÇÃO. LEI N. 10.833/2003. VEDAÇÃO CONTIDA NAS DUAS NORMAS.
A Lei n. 10.833/2003 veda expressamente a apropriação de créditos
decorrentes da contratação de mão de obra pessoa física no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a COFINS, e tal restrição é replicada na Lei n. 10.925/2004.
Numero da decisão: 3302-004.744
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem prestar-lhes efeitos infringentes.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE CREDITAMENTO SOBRE OS CUSTOS INCORRIDOS COM CONTRATAÇÃO DE MÃO DE OBRA DE PESSOA FÍSICA. LEI N. 10.925/2004. LEGISLAÇÃO POSTERIOR AO PERÍODO DO AUTO DE INFRAÇÃO. LEI N. 10.833/2003. VEDAÇÃO CONTIDA NAS DUAS NORMAS. A Lei n. 10.833/2003 veda expressamente a apropriação de créditos decorrentes da contratação de mão de obra pessoa física no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a COFINS, e tal restrição é replicada na Lei n. 10.925/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem prestar-lhes efeitos infringentes. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 09 25 .0 02 97 0/ 20 07 -5 6 Fl. 1.038Fl. 1.038 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2017 agosto de 2017 Contribuição par ao Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição par ao Financiamento da Seguridade Social - Cofins RENAR MAÇÃS S.A. RENAR MAÇÃS S.A. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 1038DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira do Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Relatório Tratam-se de embargos de declaração opostos pela Renar Maçãs S.A., com arrimo no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, com a redação aprovada pela Portaria MF n. 343, de 2015, contra o Acórdão n. 3302-001.781, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AR. PROVA DA CIÊNCIA. Somente aprova a ciência do acórdão de primeira instância o AR que contenha especificamente a descrição do conteúdo e a indicação do processo a que se refere a decisão. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTêNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento ou compensação, mostra-se ônus da interessada a minuciosa comprovação da existência do direito creditório. DILIGÊNCIA NÃO NECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. A realização de diligência somente deve ocorrer quando não for possível a aferição dos fatos pelos documentos contidos nos autos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITOS. O conceito de insumo passível passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, trata-se de definição própria. Para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10925.002970/2007-56 Acórdão n.º 3302-004.744 S3-C3T2 Fl. 1.039 3 daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. CRÉDITOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE. O custo com embalagens - quaisquer que seja a embalagem: utilizada para o transporte ou para embalar o produto, para apresentação - deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e COFINS. CRÉDITOS. DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS , VEÍCULOS E INSTALAÇÕES. Admite-se o crédito de despesas com peças e custos de manutenção de máquinas, veículos, equipamentos e instalações caso sejam utilizados na produção dos bens e serviços vendidos. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. O eventual crédito presumido apurado com base no art. 8º da Lei n. 10.925, de 2004 (com as alterações posteriores), somente pode ser utilizado para dedução da contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS. PESSOA FÍSICA. O crédito presumido é permitido, no que se refere à pessoas físicas, apenas em operações de comercialização (compra de bens) e não de prestação de serviços, inteligência do caput do artigo 8º da Lei n. 10.925/04. Recurso Voluntário Provido em Parte. Em 27/04/2017 foi proferido o juízo positivo de admissibilidade, oportunidade na qual foi reconhecida a existência de contradição entre a fundamentação e o dispositivo do acórdão (fls. 1036/1037). Diante do teor do despacho acima indicado, os autos do processo foram devolvidos a este Colegiado, para que os vícios apontados sejam sanados através de novo julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado A embargante esclarece que o vício que macula o acórdão embargado reside no seguinte ponto: Fl. 1040DF CARF MF 4 "Muito embora o acórdão tenha decidido fundamentadamente acerca da inadmissibilidade do crédito presumido, por entender que '... serviços não conferem direito ao crédito presumido...' (fls. 964 do processo digital), glosado pela Autoridade Fiscal e objeto do subitem '05.5' do Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, a razão adotada para decidir encontra-se em total descompasso a realidade dos autos, pois embasada em dispositivo legal inexistente no período de apuração do crédito pleiteado. Apesar de reconhecer corretamente que '... a glosa teria ocorrido por falta de comprovação deste serviço' (fl. 963 do processo digital), o acórdão, descurando-se, data venia, da realidade dos autos, afirma em seus fundamentos que é '... inaplicável o crédito presumido, porque de acordo com os termos legais o crédito presumido é permitido, no que se refere à pessoas físicas, em operações de comercialização (compra e bens) e não de prestação de serviços. É o que determina o caput do art. 8º, da Lei n. 10.925/04', restou contraditório na análise desta questão. (...) Ocorre que, no período aquisitivo do crédito, 2º trimestre de 2004, o artigo 8º da Lei n. 10.925, de 23 de julho de 2004, ainda não estava em vigor". Com efeito, a questão submetida ao crivo deste colegiado tem início em pedido de ressarcimento de créditos de COFINS apurados pelo regime da não-cumulatividade, cumulado com declaração de compensação, decorrentes de operações no mercado externo, que remanesceram ao final do 2º trimestre de 2004. O pedido de ressarcimento foi apresentado em 31/05/2007 e se refere aos créditos gerados nas operações realizadas entre fevereiro a julho de 2004. A lei utilizada com fundamento do voto condutor do acórdão embargado - Lei n. 10.925/2004- entrou em vigor em 23/07/2004, o que a torna inaplicável para a apreciação de recurso que tem por objeto pedido de ressarcimento de créditos apurados em período que antecede a sua vigência. Deste modo, deve ser considerado o teor da Lei n. 10.833/2003, vigente à época dos fatos. Porém, esta norma contém a vedação expressa de apropriação dos créditos decorrentes dos custos incorridos com contratação de mão de obra de pessoa física. A saber, segue transcrição do dispositivo pertinente: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II. bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; § 2º Não dará direito a crédito o valor da mão de obra paga a pessoa física. Assim, ainda que fundamentada na Lei n. 10.833/2003, vigente à época dos fatos, os efeitos do acórdão embargado não se alteram, já que permanece a proibição do creditamento pretendido. Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10925.002970/2007-56 Acórdão n.º 3302-004.744 S3-C3T2 Fl. 1.040 5 Diante desses esclarecimentos, voto por acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão para modificar tanto o dispositivo da decisão, quanto sua ementa, para que nesses trechos conste os seguintes registros: Dispositivo apresentado no voto vencedor original: "Neste particular entendo inaplicável o crédito pleiteado, porque de acordo com os termos legais o crédito presumido é permitido, no que se refere à pessoas físicas, em operações de comercialização (compra de bens) e não de prestação de serviços. É o que determina o caput do art. 8º da Lei n. 10.925/04, a saber: Lei n. 10.925/04 Art. 8 o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013)" Dispositivo corrigido por esses embargos: "Neste particular entendo inaplicável o crédito pleiteado, porque de acordo com os termos legais o crédito presumido é permitido, no que se refere à pessoas físicas, em operações de comercialização (compra de bens) e não de prestação de serviços. É o que determina o §2º do artigo 3º da Lei n. 10.833/2003, a saber: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II. bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; Fl. 1042DF CARF MF 6 § 2º Não dará direito a crédito o valor da mão de obra paga a pessoa física. Ementa proferida no acórdão embargado: CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS. PESSOA FÍSICA. O crédito presumido é permitido, no que se refere à pessoas físicas, apenas em operações de comercialização (compra de bens) e não de prestação de serviços, inteligência do caput do artigo 8º da Lei n. 10.925/04. Ementa alterada pelos embargos: CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS. PESSOA FÍSICA. O crédito presumido é permitido, no que se refere à pessoas físicas, apenas em operações de comercialização (compra de bens) e não de prestação de serviços, inteligência do § 2º do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para rerratificá-lo sem, contudo, prestar-lhes efeitos infringentes. (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora Fl. 1043DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904057/2014-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO.
A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.904057/201458 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201001.797 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria IRPJ/CSLL DEDUÇÃO CRÉDITOS PIS/COFINS Recorrente AÇOS GROTH LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 57 /2 01 4- 58 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10875.904057/201458 Acórdão n.º 1201001.797 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório, para compensar débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, sintetizado a seguir. Informa que é contribuinte do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituídos pela Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, respectivamente. Afirma que a nãocumulatividade destas contribuições trazidas por estas legislações, criou uma nova materialidade tributária, qual seja a incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro sobre os créditos de PIS e Cofins oriundos das aquisições de determinados bens e serviços. Que a base de cálculo de ambas contribuições é o total da receita bruta auferida de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, e as alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins; o contribuinte tem o direito de abater, do valor apurado, créditos gerados pelas aquisições de bens e serviços necessários à consecução do seu objeto social, definidos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Apesar de rotulada de nãocumulativa, a sistemática guarda diferenças em relação à apuração de ICMS e IPI. Do ponto de vista contábil afirma que o §10 do art. 3º da Lei 10.833, de 2003, estabelece que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor da contribuição; que o Ato Declaratório Interpretativo n° 3, de 2007, da SRFB, recomenda a contabilização dos créditos de PIS e Cofins como ativo fiscal, e expressa que em contrapartida não poderão ser contabilizados como receita; que, em assim sendo, alternativamente à contabilização dos créditos como receita, a pessoa jurídica optante pelo Lucro Real, e sujeita a sistemática nãocumulativa do PIS e Cofins, poderá adotar critério de Registro do crédito fiscal como redução do custo, isto é, créditos de PIS/Cofins terem o mesmo registro contábil que o aplicado aos de IPI e ICMS, ou seja, como redução do custo do bem adquirido (ou da despesa); diz que este procedimento foi inicialmente defendido pelo Parecer n.º 1/03 do Conselho Federal de na Interpretação Técnica nº 1, de 2004; e que procedimento técnico do reconhecimento dos créditos de PIS/ Cofins como redução do custo ou como receita, resultará no aumento do resultado contábil que, na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo, sofrerá a incidência do IRPJ e CSLL; cita a definição de receita bruta do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), para concluir que a contabilização de tais créditos, seja com receita, seja como Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10875.904057/201458 Acórdão n.º 1201001.797 S1C2T1 Fl. 4 3 redução de custo, resulta em aumento do Lucro Real, que sofrerá a incidência do IRPJ e da CSLL. Do ponto de vista jurídico, interpreta que o §10 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e por analogia também a Lei nº 10.637, de 2002, prevêem a possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL, dado que os créditos oriundos da nãocumulatividade foram afastados do conceito de receita bruta; postula que a exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPJ e CSLL se reveste da característica de "Subvenção de Investimento" e tais créditos não devem ser considerados para fins de tributação. Conclui pleiteando que os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o Relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.782, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901028/201515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.782): 12. A partir das Leis nº 10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003, as empresas que optam, ou que são obrigada à tributação do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, devem apurar os valores a recolher de PIS e Cofins, no regime de nãocumulatividade, que consiste, no seguinte cálculo: a. Débito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre a receita bruta; b. Crédito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre dispêndios relacionados no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; c. PIS/Cofins a recolher: Débito () Crédito 13. A apuração do lucro líquido, que após ajustes, é base de apuração de IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta () Débito de PIS/Cofins isto é, a apuração do lucro líquido parte da receita bruto, da qual se deduz o valor total do Débito de PIS/Cofins, apurado conforme explicado no item precedente. b. resulta que o Crédito, embutido no valor do Débito, está deduzido, conforme pleiteia a Recorrente. 14. Para melhor esclarecer, apresentase exemplo numérico da apuração da contribuição a pagar pelo contribuinte: a. Receita bruta hipotética R$1.000,00 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10875.904057/201458 Acórdão n.º 1201001.797 S1C2T1 Fl. 5 4 b. Débito de PIS 1,65% x 1.000,00 = R$16,50 c. Insumos hipotéticos sobre os quais pode ser aproveitado crédito R$600,00 d. Crédito de PIS 1,65% x 600,00 = R$9,90 e. PIS a pagar 16,50 () 9,90 = R$6,60 15. Demonstrase a seguir a apuração, de forma simplificada, da base de cálculo de IRPJ e CSLL: Receita bruta 1.000 () débito de PIS 16,50 Lucro líquido 983,50 16. E em seguida, se demonstra que equivale a deduzir os créditos, bem como o valor que o contribuinte pagou: Receita bruta 1.000 () PIS pago 6,60 () crédito de PIS 9,90 Lucro líquido 983,50 17. No caso da Cofins, o procedimento é o mesmo, variando apenas a alíquota. 18. Fica evidente que o pleito do contribuinte seria de deduzir mais uma vez os créditos, ou seja, resulta em duplicidade de dedução, o que não está previsto na legislação. 19. Cabe esclarecer que o §10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e o ADI n° 3, de 2007, visaram esclarecer que o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, não deve ser tratado como redução de custo ou como subvenção para custeio, dado que estes últimos são considerados receita tributável; o mesmo comentário se aplica à jurisprudência que a Recorrente colacionou. Conclusão Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904863/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.978
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 86 3/ 20 11 -8 4 Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10530.904863/201184 Resolução nº 3201000.978 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10530.904863/201184 Resolução nº 3201000.978 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10530.904863/201184 Resolução nº 3201000.978 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10530.904863/201184 Resolução nº 3201000.978 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720498/2008-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 9202-005.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 04 98 /2 00 8- 38 Fl. 788DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 16/06/2010, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento julgou o Recurso Voluntário 508.420, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão 220100.697 (fls. 477 a 484), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Observado tais requisitos, o laudo tem força probante do Valor da Terra Nua, devendo ser acatado. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO. REQUISITO. O ato que, genericamente, cria uma área de proteção ambiental não exclui, automaticamente, a possibilidade de exploração econômica da propriedade, apenas a submete a um regime especial. Assim, no caso de imóvel, total ou parcialmente, contido em área de proteção ambiental, a exclusão dessa área para fins de apuração da base de cálculo não é automática, dependendo para tanto de ato específico do Poder Público. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 17/02/2011, conforme Intimação constante às fls. 485, o digno representante da Fazenda Nacional protocolizou o Recurso Especial, em 17/02/2011, isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Suscita a recorrente que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Em sessão plenária de 16/06/2010, a I a Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o Recurso Voluntário n° 508.420, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 220100.697, assim ementado: Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10680.720498/200838 Acórdão n.º 9202005.336 CSRFT2 Fl. 788 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURALITR Exercício: 2006 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO, REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Observado tais requisitos, o laudo tem força probante do Valor da Terra Nua, devendo ser acatado. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO, NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2° e 16 da Lei n° 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO, EXCLUSÃO, REQUISITO. O ato que, genericamente, cria uma área de proteção ambiental não exclui, automaticamente, a possibilidade de exploração econômica da propriedade, apenas a submete a um regime especial. Assim, no caso de imóvel, total ou parcialmente, contido em área de proteção ambiental, a exclusão dessa área para fins de apuração da base de cálculo não é automática, dependendo para tanto de ato específico do Poder Público. Recurso de oficio negado Recurso voluntário parcialmente provido. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de oficio e, quanto ao recurso voluntário, indeferir o pedido de diligência para, no mérito, dar parcial provimento ao recurso restabelecendo a área glosada de 239,40 ha referente à reserva legal. Matérias objeto do recurso especial: O recurso está manejado quanto à discussão sobre a necessidade de apresentação do ADA para reconhecimento de isenção do ITR sobre as áreas de reserva legal.. O Contribuinte tomou ciência do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela improcedência do Recurso da Procuradoria e apresentou Recurso Especial, que não foi admitido. É o relatório. Fl. 790DF CARF MF 4 Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Entretanto, conforme o constante das fls. 738 e ss, foi trazido ao conhecimento deste CARF o ajuizamento de ação anulatória de lançamento tributário, no dia 19/09/2016, processo nº 5497591.2016.4.01.3800. Notese, assim, que ao ingressar em juízo, não mais compete a autoridade administrativa manifestarse sobre qualquer questão, posto que a decisão final deve ser dada nos autos da ação judicial, subsumindose a autoridade administrativa à decisão judicial, conforme o constante da Súmula CARF n.º 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 791DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.904598/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Sustentação oral pelo Dr. Eduardo Lourenço - OAB 36.531/DF.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Sustentação oral pelo Dr. Eduardo Lourenço - OAB 36.531/DF. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Sustentação oral pelo Dr. Eduardo Lourenço OAB 36.531/DF. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Cuidase de Recurso visando modificar a decisão de piso que manteve na integra a decisão do Despacho Decisório brotado por meio parametrizado que encontra às fls. 15/16, que deixou de reconhecer o pleito ao argumento de que o valor original total no montante de R$ 719.657,71 teria sido totalmente utilizado, diante da inexistência do crédito, deixou de homologar a compensação declarada. Irresignada com o desfecho a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em apertada síntese: “ No momento da transmissão da declaração de compensação, a Requerente pretendia compensar um débito de Cofins no valor original de R$ 274.003,75 (valor atualizado R$ 305.157,98), com crédito de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 04 59 8/ 20 08 -0 1 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Resolução nº 3302000.601 S3C3T2 Fl. 6 2 Cofins, decorrente de valor pago a maior contido em um Darf de R$ 719.657,71. Por se tratar de crédito vinculado a um único Darf, no valor de R$ 719.657,71, para a solução da questão basta perquirir se para o período de competência nele consignado (30.04.2003), da comparação entre a apuração da empresa e os pagamentos realizados, houve montante recolhido a maior no valor de, no mínimo, R$ 274.003,75. Origem do Crédito. A questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB em 20.10.2006, referente ao 2 a trimestre de 2003, entregue pela Telemar Norte Leste S.A. (doc. N. 05). Para o período de apuração em questão (abril de 2003), foi apurado débito de Cofins (2172), no valor de R$ 41.572.056,95. Como forma de' pagamento do débito apurado, foram vinculados os seguintes créditos: DARF’s R$ 16.257.840,26; Outras compensações e deduções R$ 7.818.334,17; Compensação de pagamento indevido ou a maior R$ 17.822.630,59; Créditos vinculados: R$ 41.898.805,02. (doe. NE 06). Notese que o valor recolhido (vinculado) supera o montante do débito apurado em R$ 326.748,07, superior ao valor utilizado pela Requerente quando da transmissão da declaração. Retificação da DCTF. O crédito utilizado pela Requerente, como já demonstrado, consta de DCTF retificadora recepcionada pelo FISCO em 20.10.2006, data posterior à da transmissão da PER/DCOMP, que se deu em 18.03.2004.” Julgado improcedente a Manifestação de Inconformidade ao argumento de falta de prova. Ciente em 24 de março de 2011 interpôs o voluntário em 20 de abril de 2011 fl.86/ Reprisa os argumentos e alega que retificou a DCTF tempestivamente, de modo que a documentação fiscal passou a refletir a existência do crédito. Esclarece no item um do voluntário a composição do crédito: “O crédito decorre do pagamento de débito no montante de R$ 41.572.056,95, para o qual foram imputados DARF’s no valor total de R$ 16.257.840,26 e compensações no valor total de R$ 25.640.964,76” Acrescenta que a DCTFretificadora que corrigiu o valor devido para o período foi recebida pela SRF em 20.10.2006, assim sendo, transmitida dentro do prazo de 05 anos previsto na legislação supramencionada e antes do despacho decisório que não homologou a compensação. Examinado o recurso voluntário foi negado provimento, Irresignado com a decisão o Contribuinte interpôs Embargos Declaratório ao argumento de ocorreu equivoco no julgamento em decorrência do conteúdo não guardar qualquer vinculo com os argumentos e o assunto tratado nesse processo, de que não haveria dúvida tratar de uma situação diversa daquela assentada no feito, examinado o assunto, decidiu à antiga 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, baixar o feito em diligência (Acórdão nº 3403000 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Resolução nº 3302000.601 S3C3T2 Fl. 7 3 416) fl. 217/218, no sentido de que fosse esclarecido o motivo pelo qual a decisão recorrida deixou de considerar a DCTF retificadora recepcionada em 20 de outubro de 2006, referente ao segundo trimestre de 2003 entregue pela Telemar Norte Leste S/A. Solicitou também que fosse verificado e informado se teria sido a DCTF que serviu de base para o Despacho Decisório, assim como, verificar se a DCTF de fl 51/55 foi posteriormente retificada, e, se foi demonstrado o histórico das retificações, juntando aos autos cópia dos dados pertinentes à COFINS do período de apuração abril de 2003 em cada declaração. Retorna os autos para prosseguimento do julgamento e foi acostado o relatório de diligência de fls. 235/237, conclusivo, sustentando a inexistência de saldo credor em razão de dedução de juros e multa por atraso no pagamento de dois débitos de abril/2003, em síntese a informação fiscal resumiu a situação de o modo a seguir: “Solicita a Terceira Seção de Julgamento do CARF: a) informar qual foi a DCTF que serviu de base para o Despacho decisório; b) informar se a DCTF de fls. 51/55 foi posteriormente retificada; c) se foi alterada, demonstrar o histórico das retificações, juntando aos autos cópia dos dados. Conforme definição do sistema, a DCTF que serviu de base para o despacho decisório emitido em 12/05/2008 (fl.223) foi a de número 1000.000.2006.0312315674, entregue em 20/10/2006 (fl.224), ativa no dia, 25/10/2007, na conclusão da análise do direito creditório (fl.223). Esta DCTF foi retificada pela de número 1000.000.2008.0391852991, entregue em 28/02/2008 (fl.224). Nestas duas declarações o valor de Cofins declarado, para abril/2003, foi o de R$ 41.572.056,95 (fls.225/226), ou seja, não há registros de mudanças a serem juntados aos autos, pois não houve nenhuma alteração de valores ou alocações. Assim, se a conclusão da análise do direito creditório ocorresse no dia seguinte à entrega da última retificadora, no caso 29/02/2008, o sistema também apontaria a inexistência de crédito. Conforme observado no voto do relator, “o único motivo para não homologação da compensação foi à suposta inexistência de crédito disponível, em análise parametrizada da DCTF transmitida. Tratase crédito de COFINS, decorrente de valor pago a maior contido em um DARF de R$ 719.657,71”. A alocação dos R$ 719.657,71 foi influenciada pelas datas de entrega das DCTF e dos pagamentos realizados para aquele fato gerador. A entrega da DCTF original (0718.000.2003.0300172574) ocorreu no dia 15/08/2003, conforme demonstrado na folha nº 224. O vencimento da contribuição de abril de 2003 foi no dia 15/05/2003 (Fl.228), ou seja, três meses antes da entrega da DCTF. Nem todos valores foram pagos no vencimento. Dois deles ocorreram no dia 31/10/2003 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Resolução nº 3302000.601 S3C3T2 Fl. 8 4 (fls.230/231), cinco meses depois do vencimento e dois meses e meio após a entrega da DCTF. Os pagamentos, como visto acima, foram acompanhados apenas de juros de mora (fls.230/231). No encerramento da análise do direito creditório, o sistema alocou do DARF em discussão R$ 392.909.64 (fl.228) para quitar parte do débito ativo de Cofins em abril de 2003 (R$ 41.572.056,95). Houve uma sobra de R$ 326.748,07. A sobra (R$ 326.748,07) foi usada para liquidar as multas ocasionadas pelos dois pagamento fora de prazo. Quitou totalmente a multa de R$ 44.948,17 do primeiro débito (20% de R$ 224.740,83), conforme folha nº 233 e o restante (R$ 281.799,91) abatendo parte da multa de 2.808.417,78 devida pelo outro valor pago fora do vencimento (20% de R$ 14.042.088,90), conforme folha nº234. Deste modo, não houve excesso para sustentar a compensação pleiteada no PERDCOMP 31961.99649.180304.1.7.045528, pois do DARF de R$ 719.657,71, foi todo usado na liquidação de parte do débito de abril de 2003 (R$ 392.909.64) e o restante em acréscimos legais não pagos nos pagamentos fora do prazo, realizados pelo contribuinte. Atenciosamente, Edilson Teixeira AFRB matrícula 12” É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. A discussão gira em torno do direito da Recorrente de utilizar de crédito de COFINS no montante de R$ 274.003,75 (valor atualizado R$ 305.157,98) decorrente de valor pago a maior contido em um DARF no valor de R$ 719.657,71. Diante da alegação do contribuinte de que o crédito pretendido encontrava refletido na DCTF – retificadora transmitida e recepcionada em 20 de outubro de 2006, a qual apontava com clareza o saldo credor, documento esse providenciado após emissão do Despacho Decisório, motivou o questionamento do por que não foi considerada a DCTF retificadora quando do julgamento de piso. Em razão do próprio debate, decidiu o Colegiado converter o julgamento em diligência, a qual foi realizada, juntado o parecer fiscal aos autos. Entretanto, não foi oportunizado a Recorrente se manifestar em relação ao trabalho fiscal, o que fere as normas processuais traçadas para garantir segurança do processo. Sendo assim, impõe dar conhecimento a Interessada para manifestar sobre o parecer fiscal encarregado da diligência. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15374.904598/200801 Resolução nº 3302000.601 S3C3T2 Fl. 9 5 Com essas razões voto no sentido de transformar o julgamento em diligência no sentido de que seja dado conhecimento do resultado da diligência a Recorrente, querendo se manifestar poderá fazêlo no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000174/2007-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Constitui cerceamento de defesa o não enfientamento das razões de
contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto n° 70235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição,
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.227
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a nulidade do acórdão de primeira instância suscitada pela recorrente, dando provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rogério Garcia Peres.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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NO RIO DE JANEIRO/RJ - ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfientamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto n° 70235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição, Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a nulidade do acórdão de primeira instância suscitada pela recorrente, dando provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rogério Garcia Peres, ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente e Relatora EDITADO EM: 12 AGO 2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes Relatório A empresa teve contra si lavrados vários Autos de Inflação pelos quais exige- se o pagamento das multas moratórias devidas pelos atrasos nos recolhimentos de tributos federais, a saber: IRRF - diversos — fls. 61 a 72 deste processo; IRPJ — processo administrativo ri' 19740.000171/2007-88; CSLL — processo administrativo n°19740.000175/2007-66; IRRF processo administrativo n° 19740.000170/2007-33. Na impugnação, a autuada informa que está discutindo em juízo os valores autuados porque entende serem indevidos, uma vez acobertados pelo instituto da denúncia espontânea preceituada no artigo 138 do Código Tributário Nacional — CTI\L Esclarece que na ação judicial de natureza declaratória n° 99.011582-1 depositou os valores litigiosos e estes depósitos ensejam o cancelamento das autuações, A Quinta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro / RJ — 1 exarou o Acórdão n° 12-16948/07, não conhecendo da impugnação interposta pelos seguintes fundamentos: Da ação judicial concomitante Conforme citado na peça impugnatória e comprovado pelos documentos acostados às fls 47/64, verifica-se que a interessada, dentre outras, ingressou com Ação Declaratória com pedido de Antecipação de Tutela de n° 99 0011582-1 na 17 Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, onde pede seja declarada inexistente a relação jurídica em face da União Federal que as obrigue ao pagamento de multas, inclusive moratória, sempre que recolherem os tributos e contribuições, mesmo em atraso, mas antes de qualquer procedimento .fiscal, à luz do art. 138 do CTN. Assim, por tratar o presente processo da mesma matéria levada à análise do Poder Judiciário, deve-se observar o disposto no Ato Declaratorio Normativo Cosit n° 03, de 14 de .fevereiro de1996, que estabelece,' "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto,' b) consequentemente, quando diferentes :os objetos do processo .judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.), C34 2 Processo n° 19740000174/2007-11 Si-TE01 Acórdão n." 1801-00227 Fl. 2 c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão .formal, dedaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN. De .fato, em razão do principio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art, 5 0, .A.r.DY, da Constituição Federal de 1988, a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examiná-las de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. O processo administrativo é, assim, apenas uma alternativa, ou seja, uma opção, conveniente tanto para a administração como para os contribuintes, por ser 11171 processo gratuito, sem a necessidade de interrnediação de advogado e, gerahneme, com maior celeridade que a via judicial. A propositura de ação judicial pelos contribuintes, em razão disso, nos pontos cai que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato havendo deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Do contrário, ter-se-ia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa. Assim, não cabendo decidir de modo diverso do proferido pelo Poder Judiciário, não pode o julgador administrativo conhecer da impugnação cujo mérito verse exclusivamente sobre matérias sub.judice, A recorrente, tempestivamente, interpõe o Recurso Voluntário de fls. 93 a 97 argumentando, em síntese, que o acórdão padece de nulidade porque não enfrentou os argumentos trazidos na impugnação sobre o fato de haver a empresa procedido aos depósitos judiciais do montante exigido pelo fisco. Argumenta que estando depositado o crédito tributário ora discutido não há como prosperar o lançamento fiscal, devendo ser cancelado, por força no disposto no artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional — CTN, • Discorre sobre os princípios constitucionais que garantem o devido processo legal e, ao final, solicita que se dê procedência ao pedido de cancelamento do Auto de Infração em debate, por força do artigo 59, §3 0, do Decreto ri° 70,235/72, ou declare-se nulo o acórdão de primeira instância. É o relatório, passo ao voto. d 3 Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. O ceme da discussão deste recurso está no fato de a recorrente entender que os depósitos judiciais que vêm vinculando à ação judicial if 99,0011582-1, de natureza declaratória, e em trâmite, possuem o condão de impedir o fisco de proceder à constituição dos créditos tributários que discute, no caso, pagamento da multa moratória incidente sobre tributos federais, Alega, preliminarmente, que este foi argumento da exordial e que não fura enfrentado pela turma julgadora de primeira instância, o que acarretaria a nulidade do julgamento, por flagrante cerceamento de defesa. Da leitura da peça inicial de defesa da contribuinte, verifico que, de fato, notificou o fisco da realização dos depósitos (e juntou aos autos documentos que corroboram esta informação). Embora tenha adentrado no fato de haver impetrado com a ação judicial por entender que seu procedimento está acobertado pelo instituto da denúncia espontânea, expressou claramente que entendia que estes depósitos impediriam de ser autuada. Assim versou, in verbis: 2. O valor em questão encontra-se Depositado Judicialmente em conta vinculada à Ação Declaratória n° 99.0011582-1. 2.1. Isto posto, deve-se inicialmente salientar que, em 24/06/1999, a IMPUGNANTE ajuizou a Ação Declaratória com pedido de antecipação de tutela (n° 99.0011582-1 - doc. 3,), objetivando ver declarada a inexistência de relação . jurídica em face da União Federal que a obrigue ao pagamento da multa de mora sobre o valor relativo a qualquer tributo administrado pela Receita Federal do Brasil, espontaneamente recolhido em atraso, isto é, antes do início de qualquer procedimento „fiscal, tendo em vista a ofensa flagrante dos dispositivos legais que estabelecem penalidades pecuniárias nestas situações à regra expressa no artigo 138 do Código Tributário Nacional 2.2. Naquele feito, passou a depositar judicialmente o valor da penalidade em questão, tendo assim procedido regularmente, inclusive, quanto a multa vinculada ao período de apuração objeto do auto de infração ora impugnado, conforme Comprovantes de Arrecadação em anexo(doc.4). 2.3. Portanto, estando depositado o crédito tributário ora exigido, não há como prosperar- o lançamento ,fiscal, tendo el11 vista o disposto no inciso lido artigo 151 do CTN. (grilbs não pertencem ao original) A turma julgadora a gila deixou de conhecer a impugnação por. estar sendo a penalidade imposta discutida no âmbito judicial, consoante orienta o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 03/96. cA 4 Processo n° 19740000174/2007-1 I SI-TE01 Acórdão n° 1801-00.227 FI 3 Mas, assiste razão à recorrente, a Quinta Turma Julgadora não se pronunciou sobre os depósitos, pois não captou que este foi o âmago da questão trazida à lide administrativa e não o fato de se estar judicialmente discutindo a questão da espontaneidade versus multa moratória. Os depósitos judiciais, na realidade, não se confundem com a constituição do crédito tributário que se dá por duas formas, tributariamente se tratando: recolhimento espontâneo dos contribuintes (nos tributos cujo lançamento se dá por homologação — art. 150 CTN) ou de oficio, pela lavratura de Notificação ou Auto de Infração (nos casos das penalidades ou de tributos que não comportem a modalidade descrita no artigo 150 do CTN, pelo pagamento antecipado). É o caso. Sem a lavratura do Auto de Infração não se constitui o crédito erguido sobre as diferenças decorridas da mora no pagamento dos tributos. Daí ser o Auto de Inflação totalmente procedente. O que a recorrente requer, na verdade, e diz com suas próprias palavras é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, prevista no artigo 151, II, do CTN e aí confunde a constituição do crédito com a suspensão de sua exigibilidade. E suspensão de exigibilidade é procedimento a ser observado pela unidade de jurisdição da contribuinte (no serviço de controle do crédito tributário), que procederá ao cotejo entre os valores constituídos e aqueles depositados e suspenderá a exigibilidade, por observância ao artigo 151, II, do CTN. Pelo exposto, não é possível acolher as razões meritórias da recorrente ao solicitar que se supra a nulidade suscitada, cancelando, nesta instância, a autuação contra si imposta, nos termos do artigo 59, §:3°, do Decreto n° 70135/72, invocado, Voto no sentido de determinar a devolução dos autos à primeira instância de julgamento para enfrentar o mérito trazido na impugnação ofertada pela contribuinte, qual seja o fato de entender que os depósitos judiciais prévios do montante autuado impedem a lavratura do Auto de Infração, ANA DE BARROS FERNANDES Relatora 5
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000159/2005-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário:2004
PRAZO PARA ADESÃO AO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO
Comprovado nos autos o erro de fato e a inequívoca intenção da pessoa jurídica em aderir à sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições Simples, deve ser deferida a solicitação de inclusão retroativa, desde que não se vislumbre qualquer outro tipo de vedação de ingresso ao sistema.
Numero da decisão: 1801-000.637
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Magda Azario Kanaan Polanczyk.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário:2004 PRAZO PARA ADESÃO AO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO Comprovado nos autos o erro de fato e a inequívoca intenção da pessoa jurídica em aderir à sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições Simples, deve ser deferida a solicitação de inclusão retroativa, desde que não se vislumbre qualquer outro tipo de vedação de ingresso ao sistema.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 PRAZO PARA ADESÃO AO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO Comprovado nos autos o erro de fato e a inequívoca intenção da pessoa jurídica em aderir à sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições Simples, deve ser deferida a solicitação de inclusão retroativa, desde que não se vislumbre qualquer outro tipo de vedação de ingresso ao sistema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Magda Azario Kanaan Polanczyk. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Relatório Tratase de pedido de inclusão retroativa à 28/07/2004, na sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições federais – Simples Federal, protocolizado em 27/05/2005 (fl. 01) e indeferido pela unidade de origem, conforme despacho decisório às fls. 23/24, ao argumento de que, em que pese não ter sido observado o exercício de atividade impeditiva, a interessada teria perdido o prazo legal para fazer a opção por essa sistemática. A empresa manifestouse contrariamente ao entendimento da ARF em São Bento do Sul/SC, por meio da manifestação de inconformidade de fls. 27, na qual alega que teria cometido erro de fato no preenchimento da FCPJ por omissão do código 301 no CNPJ, apresentou diversos documentos a fim de demonstrar a sua intenção inequívoca em aderir ao sistema. Pelo Acórdão 0622.534 a 2a. Turma da DRJ em Curitiba/PR indeferiu a solicitação. No voto condutor restou consignando que, tendo em vista que após inclusão de críticas na recepção da declaração anual simplificada do exercício de 2003 (anocalendário 2002) e recusa das apresentadas por pessoas jurídicas não cadastradas como optantes pelo Simples nos sistemas da Receita Federal, mas que se julgavam enquadradas na sistemática, foi excepcionalmente autorizada para fatos ocorridos até aquele exercício, nos casos de não apresentação do Termo de Opção e da não formalização da opção de adesão ao Simples mediante a FCPJ, a inclusão retroativa de ofício na sistemática de contribuintes que não tenham incorrido em nenhuma das hipóteses de vedação previstas no art. 9o. da Lei n o 9.317, de 1996, e que comprovassem a intenção de promover a alteração cadastral exigida pela Lei n° 9.317, de 1996, mediante entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou pagamento por meio de DarfSimples dos impostos e contribuições devidos no regime do Simples. Nesse contexto aquela autoridade considerou que o pedido formulado em 27/05/2005 foi feito a destempo e não haveria, nos autos, prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva à opção. Notificada da decisão em 10/09/2009, como demonstra a cópia do AR à fl. 63 a interessada apresentou, em 25/09/2009, o recurso voluntário de fl. 64. Em sua defesa argúi, com suas palavras: “...a ocorrência de erro de fato por omissão ao código 301 do CNPJ, que resultou no não enquadramento como empresa optante pelo SIMPLES, conforme Lei 9.317 de 1996, na data de sua inscrição junto ao CNPJ no início de sua atividade, cujo fato só foi constatado em 27/05/2005, no ato da entrega da declaração PJSI conforme Protocolo do recibo de entrega no. 2699805341, e nessa data solicitamos o referido enquadramento retroativo”. Pediu pelo enquadramento na sistemática desde 28/07/2004, data do registro do contrato social na JUCESP e início das atividades, até 31/12/2005, pois a partir de 01/01/2006 a sua inscrição já teria sido regularizada. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13976.000159/200561 Acórdão n.º 180100.637 S1TE01 Fl. 67 3 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O cerne do litígio diz respeito ao prazo para formalização da opção pelo sistema simplificado de pagamento de impostos e contribuições federais – Simples Federal. A Lei n o. 9.317, de 1996, que instituiu e regulamentou o Simples determinou no artigo 8o. a forma pela qual os contribuintes poderiam optar pelo sistema: Art. 8º A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto I a especificação dos impostos, dos quais é contribuinte (IPI, ICMS ou ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1º As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. § 2º A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. [...] A IN SRF n o. 355, de 29 de agosto de 2003, que vigorava à época do início das atividades da empresa interessada confirmou as disposições da Lei: Art. 16. A opção pelo Simples darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: I aos impostos dos quais é contribuinte (IPI, ICMS, ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1º A pessoa jurídica, inscrita no CNPJ, formalizará sua opção para adesão ao Simples, mediante alteração cadastral efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 § 2º A pessoa jurídica em início de atividade poderá formalizar sua opção para adesão ao Simples imediatamente, mediante utilização da própria Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ). § 3º As opções e alterações cadastrais relativas ao Simples serão formalizadas mediante preenchimento da FCPJ. § 4º No caso de a empresa iniciar as suas atividades no mês de janeiro e não exercer a opção pelo Simples quando da inscrição no CNPJ, poderá fazêla mediante alteração cadastral até o último dia útil do mês de janeiro desse anocalendário, retroagindo a opção para a data de início das atividades. Entretanto, no presente caso verificase a intenção inequívoca da empresa em aderir ao Simples desde a data de sua constituição. Nesse sentido foram juntados aos autos os seguintes documentos: 1) Declaração de Microempresa, datada de 12/07/2004 e registrada na JUCESC em 28/07/2004 (fl. 03); 2) contrato de constituição da empresa datado de 12/07/2004 e registrado na JUCESC em 28/07/2004 (fls. 07/09); 3) 1a. alteração e consolidação do contrato social da empresa Six Car Tuning Comercio de Acessórios Ltda. ME, datada de 01/11/2004 e registrada na JUCESC em 16/11/2004, tendo por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios para veículos e início de atividades em 01/10/2004 (fls. 04/06); 4) 2a. alteração e consolidação do contrato social da empresa Six Car Tuning Comercio de Acessórios Ltda. ME, datada de 08/09/2005 e registrada na JUCESC em 26/09/2005, tendo por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios para veículos e início de atividades em 01/10/2004 (fls. 35/37); 5) Formulário “Impressão dos Dados Cadastrais” da Six Car Tuning Comercio de Acessórios Ltda. ME, emitido pela Secretaria de Estado da Fazenda do Estado de Santa Catarina em 10/08/2004 com indicação de enquadramento fiscal no Simples (fls. 10/12 e 55/57); 6) Darfs recolhidos sob o código 6106, com período de apuração iniciado em 31/10/2004 (fls. 13 a 18/49 a 54); 7) Cópia impressa do sistema SINAL 08 demonstrando o recolhimento mensal pelo Simples a partir de novembro de 2004 até setembro de 2005 (fl. 22); 8) Cópia da Declaração PJSI relativa ao exercício 2005, anocalendário 2004, entregue tempestivamente em 27/05/2005 (fls. 39/ Como bem ressaltou a autoridade julgadora da DRJ em Curitiba/PR é certo que o Ato Declaratório Interpretativo no. 16, de 02/10/2002, editado pela Secretaria da Receita Federal, e que previu a possibilidade de a autoridade fiscal retificar de ofício tanto o Termo de Opção pelo Simples, quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ), para incluir no regime do Simples as pessoas jurídicas que se julgavam inseridas na sistemática e que, por erro de fato, não estavam, desde que fosse possível identificar a intenção inequívoca de aderir ao Simples, vigorou para fatos ocorridos até o exercício de 2003. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13976.000159/200561 Acórdão n.º 180100.637 S1TE01 Fl. 68 5 Contudo, também é certo que aquele Ato Declaratório Interpretativo foi buscar seu fundamento de validade numa lei maior, a Lei no. 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional (com status de Lei Complementar) em vigor até este momento e, portanto, plenamente aplicável. In casu, verificase a intenção inequívoca da pessoa jurídica em aderir ao Simples desde o início de suas atividades, pois não somente efetuou o recolhimento mensal pelo Simples, como providenciou a emissão da competente Declaração de Microempresa, informou sua condição à Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina e entregou a Declaração de rendimentos da Pessoa Jurídica sob o regime do Simples. Ademais, pelo contrato social e alterações posteriores a interessada não exerce qualquer atividade que a impeça de aderir ao sistema, assim como sua receita bruta não ultrapassa os limites estipulados para opção pelo Simples. Não vislumbro, portanto, impedimento para que a recorrente obtenha o direito de se inserir na sistemática do Simples no período de julho de 2004 a dezembro de 2005. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 10880.979255/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 55 /2 00 9- 39 Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10880.979255/200939 Acórdão n.º 1201001.699 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979255/200939 Acórdão n.º 1201001.699 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979255/200939 Acórdão n.º 1201001.699 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.979255/200939 Acórdão n.º 1201001.699 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 34DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.721793/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IRREGULARIDADES, INCORREÇÕES E OMISSÕES.
As irregularidades, incorreções e omissões que não caracterizem (a) atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou (b) despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.
ACÓRDÃO ASSINADO POR AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL OUTRO QUE O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DA DELEGACIA. VALIDADE.
1. As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por cinco julgadores, podendo funcionar com até sete julgadores, titulares ou pro tempore.
2. O julgador deve ser ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil.
3. As Turmas Ordinárias são dirigidas por um presidente nomeado entre os julgadores, sendo uma delas presidida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que também exerce a função de julgador.
FRAUDE OU SIMULAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
1. Configura-se simulação ou fraude quando os elementos probatórios indicam que duas sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, por possuírem mesma atividade econômica e unidade de gestão, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividades-fins, da força de trabalho formalmente vinculada à outra, que, por sua vez, é optante pelo regime simplificado de tributação (Simples).
2. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprova que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação.
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA.
O Fisco, por meio de seus agentes auditores fiscais, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Inteligência do § 2o do art. 229 do RPS/99.
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROVEITAMENTO DOS PAGAMENTOS DE SOCIEDADE CONSIDERADA DEPARTAMENTO DE OUTRA. POSSIBILIDADE.
Os recolhimentos com o código do regime de tributação do Simples Nacional, efetuados por sociedade considerada mero departamento de outra, podem ser aproveitados nos percentuais legalmente fixados para reduzir o valor devido pela sociedade principal.
Numero da decisão: 2301-005.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, conhecer do recurso para rejeitar as preliminares e, (b) no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que sejam deduzidas, do valor lançado em cada período de apuração, as parcelas destinadas à Previdência Social dos recolhimentos efetivamente realizados pela Padrão Etiquetas com o código do regime de tributação do Simples Nacional; vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que solicitou entregar declaração de voto.
Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia da Silva Queiroz, Procuradora da Fazenda Nacional.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IRREGULARIDADES, INCORREÇÕES E OMISSÕES. As irregularidades, incorreções e omissões que não caracterizem (a) atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou (b) despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. ACÓRDÃO ASSINADO POR AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL OUTRO QUE O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DA DELEGACIA. VALIDADE. 1. As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por cinco julgadores, podendo funcionar com até sete julgadores, titulares ou pro tempore. 2. O julgador deve ser ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. 3. As Turmas Ordinárias são dirigidas por um presidente nomeado entre os julgadores, sendo uma delas presidida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que também exerce a função de julgador. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. Configura-se simulação ou fraude quando os elementos probatórios indicam que duas sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, por possuírem mesma atividade econômica e unidade de gestão, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividades-fins, da força de trabalho formalmente vinculada à outra, que, por sua vez, é optante pelo regime simplificado de tributação (Simples). 2. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprova que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA. O Fisco, por meio de seus agentes auditores fiscais, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Inteligência do § 2o do art. 229 do RPS/99. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROVEITAMENTO DOS PAGAMENTOS DE SOCIEDADE CONSIDERADA DEPARTAMENTO DE OUTRA. POSSIBILIDADE. Os recolhimentos com o código do regime de tributação do Simples Nacional, efetuados por sociedade considerada mero departamento de outra, podem ser aproveitados nos percentuais legalmente fixados para reduzir o valor devido pela sociedade principal.
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(SUCESSORA DE PADRÃO GRAFIA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IRREGULARIDADES, INCORREÇÕES E OMISSÕES. As irregularidades, incorreções e omissões que não caracterizem (a) atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou (b) despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. ACÓRDÃO ASSINADO POR AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL OUTRO QUE O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DA DELEGACIA. VALIDADE. 1. As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por cinco julgadores, podendo funcionar com até sete julgadores, titulares ou pro tempore. 2. O julgador deve ser ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. 3. As Turmas Ordinárias são dirigidas por um presidente nomeado entre os julgadores, sendo uma delas presidida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que também exerce a função de julgador. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. Configurase simulação ou fraude quando os elementos probatórios indicam que duas sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, por possuírem mesma atividade econômica e unidade de gestão, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 17 93 /2 01 3- 94 Fl. 323DF CARF MF 2 atividadesfins, da força de trabalho formalmente vinculada à outra, que, por sua vez, é optante pelo regime simplificado de tributação (Simples). 2. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprova que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA. O Fisco, por meio de seus agentes auditores fiscais, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Inteligência do § 2o do art. 229 do RPS/99. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROVEITAMENTO DOS PAGAMENTOS DE SOCIEDADE CONSIDERADA DEPARTAMENTO DE OUTRA. POSSIBILIDADE. Os recolhimentos com o código do regime de tributação do Simples Nacional, efetuados por sociedade considerada mero departamento de outra, podem ser aproveitados nos percentuais legalmente fixados para reduzir o valor devido pela sociedade principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, conhecer do recurso para rejeitar as preliminares e, (b) no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que sejam deduzidas, do valor lançado em cada período de apuração, as parcelas destinadas à Previdência Social dos recolhimentos efetivamente realizados pela Padrão Etiquetas com o código do regime de tributação do Simples Nacional; vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que solicitou entregar declaração de voto. Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia da Silva Queiroz, Procuradora da Fazenda Nacional. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10980.721793/201394 Acórdão n.º 2301005.120 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0642.494, exarado pela 5ª Turma da DRJ em Curitiba (efls. 223 a 233). O processo diz respeito ao: 1. Auto de Infração n° 51.025.2400, referente às contribuições previdenciárias da empresa, incidentes sobre remunerações pagas a segurados contribuintes individuais e empregados, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – Sat/Rat, no período de 01/2009 a 06/2012 e valor de R$6.969.469,66, consolidado em 17/04/2013, e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%; 2. Auto de Infração n° 51.025.2419, referente às contribuições descontadas pela empresa de segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2009 a 06/2012 e valor de R$ 2.789.046,59, consolidado em 17/04/2013, e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%; 3. Auto de Infração n° 51.025.2427, 26/36, referente às contribuições da empresa para outras entidades ou fundos (terceiros), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, no período de 01/2009 a 06/2012 e valor de R$1.775.103,23, consolidado em 17/04/2013, e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%. De acordo com o relatório fiscal (efls. 37 a 57): (a) de 07/2007 a 06/2012, a sociedade Padrão Etiquetas Ltda ME (Padrão Etiquetas), optante pelo Simples, declarava receitas no Programa Gerador de Documento de Arrecadação do Simples (PGDAS) equivalente a 10% das receitas declaradas em Gfip (receitas brutas declaradas em PGDAS: R$ 2.194.525,25; total da remuneração declarada em Gfip: R$ 21.220.923,97); as despesas com pessoal da Padrão Etiquetas eram cerca de dez vezes superiores às suas receitas; a continuidade e existência da Padrão Etiquetas era garantida por empréstimos mensais feitos pela Padrão Grafia; a Padrão Etiquetas tinha uma mínima movimentação em aquisição de matéria prima, gerando baixa produção de produtos para venda, e, conseqüentemente, custo de mercadorias vendidas quase nulo; não se identificou custo de serviços vendidos, o que indica ter a Padrão Etiquetas pouquíssima atividade mercantil própria; há total dependência econômica da Padrão Etiquetas em relação à Padrão Grafia; assim, a análise das informações contábeis revela que a Padrão Etiquetas é uma fração da Padrão Grafia, sem existência autônoma, existindo basicamente para servir a Padrão Grafia; (b) as duas sociedades possuem os mesmos sócios, atividades semelhantes e estão localizadas na mesma quadra, estando fisicamente interligadas, conforme mapa aéreo; todo o maquinário de impressão e corte é de propriedade da Padrão Grafia, não havendo pagamento de aluguel pela Padrão Etiquetas para uso do imóvel, dos maquinários e nem das instalações; durante o período fiscalizado, 01/07/2007 a 30/06/2012, a Padrão Grafia gastou apenas R$144.349,63 com empregados (contas 3201020007 – SALÁRIOS E ORDENADOS e 3201020018 – FGTS), uma média de R$ 2.000,00 por mês; faturou, no mesmo período, Fl. 325DF CARF MF 4 R$27.129.920,30, com média mensal de R$376.805,00, restando claro o desequilíbrio entre as sociedades: uma existe para faturar e outra apenas para registrar e pagar os empregados; (c) a Padrão Etiquetas é optante pelo Simples, declarando baixo faturamento e alto número de empregados, média de 215 por mês, e os dois sócios administradores; por exemplo, na competência 06/2012 tinha 225 trabalhadores: 160 na atividade gráfica, 11 em vendas, 40 na administração e o restante em manutenção e atividades de apoio; a Padrão Grafia apura seu lucro pelo regime de Lucro Presumido, tendo faturamento alto e baixo número de empregados, em média 3 empregados (dois gerentes e um trabalhador em impressão gráfica), e os dois sócios administradores; (d) os documentos de gestão de recursos humanos e tributários das sociedades são emitidos em formulários idênticos e pelo mesmo sistema de informática; a Padrão Grafia efetuava pagamentos aos empregados da Padrão Etiquetas, saindo os valores das contas bancárias da Padrão Grafia diretamente para as contas dos trabalhadores; a Padrão Grafia processava, emitia as folhas de pagamento, e efetuava os pagamentos diretamente aos empregados da Padrão Etiquetas, bem como gerava e transmitia para a Padrão Etiquetas Gfip, com mesmo usuário e mesma senha, Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged); (e) diante desses fatos, concluiu a fiscalização que os empregados da Padrão Etiquetas estão a serviço da Padrão Grafia e que o controle gerencial, financeiro e administrativo das empresas era único e centralizado na Padrão Grafia; a Padrão Grafia utilizava a Padrão Etiquetas, com grande número de empregados, optante pelo Simples Nacional, para que esta se beneficiasse de regime favorecido de tributação, havendo sonegação das contribuições sociais patronais incidentes sobre a folha de pagamentos dos empregados e contribuintes individuais; a Padrão Grafia utilizouse do artifício da criação da pessoa jurídica aparentemente independente Padrão Etiquetas para reduzir seus custos tributários; (f) foram lançadas contra a Padrão Grafia as contribuições previdenciárias e para terceiros incidentes sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais da Padrão Etiquetas, cuja responsabilidade é da Padrão Grafia; a base de cálculo foi apurada a partir das Gfip apresentadas pela Padrão Etiquetas, não tendo a Padrão Grafia recolhimentos referentes aos fatos geradores lançados; aplicouse a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Impugnados os lançamentos, a impugnação foi julgada improcedente; o acórdão recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. APURAÇÃO DOS FATOS. PRIMAZIA DA REALIDADE. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é competente (Lei n° 10.593, de 2002, art. 6°, I, a) para identificar o real contratante dos serviços prestados pelos trabalhadores (Lei n° 8.212, de 1991, art. 15, I), apurando o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos na realidade fática, na prática executiva da relação de trabalho, e não a partir de atos existentes meramente no plano formal, até porque estes atos, mesmo em face do direito privado, são nulos de pleno direito, Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10980.721793/201394 Acórdão n.º 2301005.120 S2C3T1 Fl. 4 5 uma vez caracterizada a hipótese legal do art. 9° da Consolidação das Leis do Trabalho. INTERMEDIAÇÃO DE MÃODEOBRA. EMPRESA ARTIFICIAL INTERPOSTA. Os atos praticados com o objetivo de reduzir artificialmente os tributos não são oponíveis ao fisco, que pode desconsiderálos. APROPRIAÇÃO DE RECOLHIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de amparo legal, não prospera o pedido formulado pela empresa autuada de dedução no lançamento de ofício de contribuições recolhidas indevidamente em nome de outra empresa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 06/08/2013 (efl. 235). Em 29/08/2013, foi apresentado recurso voluntário (efls. 237 a 257), sendo alegado, em síntese: (a) haver desrespeito ao devido processo legal e cerceamento do direito de defesa; (b) ser parte ilegítima para responder pelo crédito tributário, face ao disposto no art. 138 do CTN; (c) cerceamento do direito de defesa por ter sido indeferida produção de outras provas, sob o argumento de não ter sido especificado na impugnação quais provas a serem produzidas; (d) incompetência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para a desconsideração de vínculo, privativa dos AuditoresFiscais do Trabalho (Lei n° 10.593, de 2002, art. 11; e Consolidação das Leis do Trabalho, arts. 626 e 631); (e) não observância dos arts. 7º, 22 e 25 do Decreto nº 70.235, de 1972; (f) não haver utilização de pessoa interposta; (g) a Padrão Etiqueta pagou todos os tributos previdenciários devidos; logo, o lançamento fiscal como efetuado acarreta o enriquecimento ilícito da União, eis que se exige tributos já recebidos; na hipótese de ser mantida a exigência fiscal, deve ser descontado os valores já pagos a título de contribuição dos segurados, terceiros e empresa, devendo recair a mesma sorte sobre qualquer multa lançada por suposta omissão de Gfip, pois não poderia apresentálas para funcionários registrados por outra sociedade; o objetivo e a função declaratória/informativa da Gfip foi cumprida com a sua entrega pela Padrão Etiquetas, utilizadas inclusive para a definição da base de cálculo, sendo plenamente válidas para a Previdência Social e para o FGTS; (h) ser inaplicável o parágrafo único do art. 116 do CTN por ausência de sua regulamentação; Fl. 327DF CARF MF 6 Foram feitos os seguintes pedidos: (a) a reforma da decisão recorrida com o reconhecimento da nulidade e arquivamento dos auto de infração; (b) alternativamente, o desconto dos valores já pagos. Em 17/02/2016, pela Resolução 2301000.581, foi determinada diligência para esclarecimento de divergências cadastrais (efls. 287 a 298). As informações foram prestadas (efls. 302 e 303). Reproduzoas: 1 O primeiro ponto a destacar é que não houve lançamento de débito contra a empresa PADRÃO ETIQUETAS LTDA ME. denominada atualmente de H7 ETIQUETAS LTDA ME, alteração cadastral realizada em 07/05/2013, após o encerramento da ação fiscal. 2 Conforme minuciosamente detalhado no Relatório Fiscal a empresa Padrão Etiquetas era mero departamento da Padrão Grafia, e, em razão disto, foi elaborada REPRESENTAÇÃO FISCAL EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL da Padrão Etiquetas, formalizada no PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 10980721.795/201393. no qual foi o emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n° 317. de 30 dezembro de 2.013, que definiu a exclusão da empresa do Simples Nacional. 3 Inconformada com a decisão que a excluiu do Simples Nacional a Padrão Etiquetas apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pelo Acórdão 09 55.229 da 2a Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). 4 Pelos mesmos motivos também foi apresentada REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA SUSPENSÃO E BAIXA DE OFÍCIO DE CNPJ. devidamente formalizada pelo PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 10980.722842/201314. no qual concretizouse a baixa de oficio da H7 Etiquetas Ltda pela edição do Ato Declaratório Executivo GAB/DRF/CTA n° 45. de 14 de maio de 2015, publicado no Diário Oficial da União N° 92, de 18 de maio de 2015. 5 Em relação as divergências cadastrais: 5.1 A empresa PADRÃO GRAFIA INDUSTRIA E COMERCIAL LTDA alterou sua denominação social para GRAFIA AUTO ADESIVOS TÉCNICOS LTDA em 14/01/2015, conforme cadastro na Receita Federal, e sua atividade principal, na verdade, é 18.13099 Impressão de material para outros usos conforme excerto do cartão de CNPJ apresentado a seguir, no qual observase ainda que a atividade Comercio atacadista de artigos de escritório e de papelaria é secundária. A atividade principal detalhada em impressão de material para adesivos auto colantes. destacada no Relatório Fiscal, foi extraída do Contrato Social da autuada. Intimada, a recorrente se manifestou (efls. 315 e 316), afirmando nunca ter exercido a atividade "46.47801 Comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria", apesar dessa atividade constar no seu cartão de CNPJ como atividade secundária; prova disto extraise da análise de suas Notas Fiscais eletrônicas, na quais é possível verificar que somente Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10980.721793/201394 Acórdão n.º 2301005.120 S2C3T1 Fl. 5 7 a atividade principal, 18.13099 Impressão de material para outros usos, é efetivamente exercida; ser prática comum o contrato social prever diversas atividades econômicas que possam ser exercidas pela empresa, não havendo nada de ilícito ou punível em não executálas, devendo ser a empresa enquadrada nas hipóteses legais da atividade que efetivamente desenvolve. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO DESRESPEITO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA LEGITIMIDADE DA PARTE A recorrente sustenta que houve desrespeito ao devido processo legal e cerceamento do direito de defesa, uma vez que (1) ao desconsiderar o vínculo empregatício dos trabalhadores com a Padrão Etiquetas e atribuílo a si, o fisco carece de proporção e razoabilidade e ofende a ampla defesa e o contraditório, visto que a defesa resta prejudicada, não dispondo de documentos nem de detalhes relativos às relações de emprego e nem de poderes de fiscalização para buscar elementos de defesa; (2) na hipótese de ser mantida alguma exigência tributária, não poderá a impugnante fazer ratificação de Gfip e nem poderá pedir a restituição de valores pagos, pois quem pagou tais valores foi a empresa Padrão Etiquetas; a Padrão Etiquetas, sua esporádica prestadora de serviços, informou ter pago todos os tributos previdenciários, assinou declaração e forneceu documentos espontaneamente, mas isso não é suficiente para a plena defesa da autuada; (3) para observar o devido processo legal material, o fisco deveria ter constituído a exigência contra a Padrão Etiquetas e lhe chamado ao processo administrativo fiscal como responsável solidária, em litisconsórcio passivo; (4) ser parte ilegítima para responder pelo crédito tributário, face ao disposto no art. 138 do CTN; (5) cerceamento do direito de defesa por ter sido indeferida produção de outras provas, sob o argumento de não ter sido especificado na impugnação quais provas a serem produzidas. Não lhe assiste razão. Não há cerceamento do direito de defesa por ter sido indeferida produção de outras provas, sob o argumento de não ter sido especificado quais provas deveriam ser produzidas. O Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, § 4º, define que as provas devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de apresentálas posteriormente a menos que presentes as situações numero clausus ali indicadas: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10980.721793/201394 Acórdão n.º 2301005.120 S2C3T1 Fl. 6 9 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Grifouse.) Mesmo a juntada de documentos após a impugnação deve ser justificada à luz das situações presentes nas alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Por outro lado, as diligências consideradas prescindíveis ou impraticáveis podem ser indeferidas a critério da autoridade julgadora, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim sendo, não há qualquer cerceamento do direito de defesa em indeferir pedido genérico de produção de provas, que não indica as provas a serem produzidas. As demais razões deste tópico, números (1) a (4), decorrem de questão central de mérito: serem ou não a Padrão Grafia e a Padrão Etiquetas, de fato, uma só sociedade. Serão portanto analisadas conjuntamente com a referida questão de mérito. DA OBSERVÂNCIA DOS ARTS. 7º, 22 E 25 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972 A recorrente aduz não ter sido observado o art. 7º do Decreto 70.235, de 1972, o qual determina que o sujeito passivo seja cientificado do início do procedimento. Sem razão a recorrente, uma vez que o termo de início de procedimento fiscal se encontra às efls. 84 e 85, devidamente assinado por seu representante, em 29/08/2012. Refere a contendora que o processo não observou a exigência da observância de ordem cronológica, prevista no artigo 22 do Decreto 70.235, de 1972, mas não indica nem o prejuízo que tal fato teria lhe causado nem os motivos pelos quais chegou a essa conclusão, que mais parece ser erro de transcrição do que deveria ser o art. 25 desse decreto, na alegação de incompetência do auditorfiscal para assinar o acórdão de impugnação; sendo uma alegação genérica, não é possível haver manifestação precisa sobre seu conteúdo; aduzo, porém, que, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, salvo caracterização de cerceamento do direito de defesa ou existência de atos, termo, despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente – que sequer restou alegado –, as irregularidades ocorridas no processo administrativo fiscal não são causas de nulidade, mas sim de saneamento: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 331DF CARF MF 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse.) Assevera a litigante que a autoridade competente para assinar as decisões das diversas turmas de julgamento é o titular d|a Delegacia da Receita Federal de Julgamento; essa assertiva demonstra o seu desconhecimento do procedimento administrativo adotado há mais de quinze anos pela Receita Federal do Brasil (RFB). O art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972 foi modificado pelo art. 64 da Medida Provisória 2.15835, de 2001, o qual previu o julgamento colegiado nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento Art. 64. O art. 25 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; ................................................................ § 5o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá os atos necessários à adequação do julgamento à forma referida no inciso I do caput." (NR) Para regulamentar o texto legal, na forma do § 5º da MP 2.15835 foi editado a Portaria MF 258, de 2001, que previu a composição das turmas de julgamento, integrada por cinco julgadores, todos auditoresfiscais da Receita Federal: Art. 2º As DRJ são constituídas por turmas de julgamento, cada uma delas integrada por cinco julgadores. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10980.721793/201394 Acórdão n.º 2301005.120 S2C3T1 Fl. 7 11 Parágrafo único. As turmas são dirigidas por um presidente nomeado entre os julgadores, sendo uma delas presidida pelo Delegado da DRJ, que também exerce a função de julgador. Art. 3º O julgador deve ser ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF), que tenha cumprido o estágio probatório e, preferencialmente, com experiência na área de tributação e julgamento ou habilitado em concurso público nessa área de especialização. Se seguiram à Portaria MF 258, de 2001, as seguintes portarias: Portaria MF 58, de 2016, Portaria MF 341, de 2011, Portaria MF 571, de 2013, alterando a estrutura das DRJ, mas não a sua composição, que se mantém colegiado formado unicamente por auditores fiscais da Receita Federal do Brasil. Eis o texto atualmente vigente (Portaria MF 341, de 2011): Art. 1º A constituição das Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e o seu funcionamento devem obedecer ao disposto nesta Portaria. Art. 2º As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco) julgadores, podendo funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou pro tempore. § 1º As Turmas Ordinárias podem ter até 2 (duas) Turmas Especiais a elas vinculadas, que serão instaladas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil no ato de designação dos respectivos julgadores e terão a mesma competência para julgamento atribuída às Turmas Ordinárias a que se vinculam. § 2º As Turmas Ordinárias são dirigidas por um presidente nomeado entre os julgadores, sendo uma delas presidida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que também exerce a função de julgador. (...) Art. 3º O julgador deve ser ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), preferencialmente com experiência na área de tributação e julgamento ou habilitado em concurso público nessa área de especialização. Assim, ter sido a decisão recorrida assinada pelo relator e pelo presidente da turma, ambos auditoresfiscais da Receita Federal do Brasil, é requisito de validade do acórdão, e não causa de nulidade. Desse modo, não procedem as alegações da recorrente. Fl. 333DF CARF MF 12 DA CARACTERIZAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE PESSOA INTERPOSTA DA COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL DA RFB PARA A DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO DA INAPLICABILIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116 DO CTN A recorrente (Padrão Grafia) afirma que a Padrão Etiquetas possuía outros clientes além de si; suas sedes eram em endereços distintos; tinham ramos de atuação distintos; ambas possuíam autorização e alvarás de funcionamento; ser inverdade a alegação de uma sociedade existir apenas para faturar e outra apenas para registrar e pagar os empregados, embora reconheça que o faturamento dos serviços efetuados pela empresa Padrão Etiquetas fosse insuficiente para pagar a folha de pagamento; a Padrão Etiquetas honrava todos os compromissos trabalhistas, previdenciários e fiscais mediante endividamento, comprovadamente contabilizado, conforme item 17 do Relatório Fiscal; não há prova de que a impugnante pagava diretamente os salários dos empregados da empresa Padrão Etiquetas; o Relatório Fiscal não cita o contrato de mútuo apresentado em 12/03/2013, em anexo; o mútuo de dinheiro realizado dentro dos conformes legais é perfeitamente viável, caso seja necessário para sobrevivência econômicofinanceira das empresas, não havendo qualquer ilícito a ser aplacado; ambas as sociedades possuem contrato de prestação de serviços contábeis e trabalhistas com o mesmo escritório de contabilidade, responsável pela escrituração da contabilidade, controle e emissão de todos os documentos trabalhistas e previdenciários das duas empresas; afirmar que todos esses documentos eram gerados e emitidos pela Padrão Grafia é desespero para fazer valer a tese de que as duas empresas são uma só; ser inaplicável o parágrafo único do art. 116 do CTN. A meu juízo, os elementos expostos no relatório fiscal demonstram que as sociedades Padrão Grafia e Padrão Etiquetas formavam um único empreendimento, com unidade de gestão e mesmo quadro funcional, sendo essa última inexistente de fato, porque não dispunha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, tendo sido constituída apenas para registrar formalmente os contratos de trabalho cuja relação material se dá em face da recorrente, com o objetivo de usufruir a diminuição de custos referentes às contribuições previdenciárias em razão da opção, pela Padrão Etiquetas, ao Sistema Simplificado de Tributação (Simples). Os fatos mencionados no relatório fiscal que corroboram essa assertiva são os seguintes: a) a Padrão Etiquetas e a Padrão Grafia pertencem aos mesmos sócios, Jocevani Rodrigues Hoffmann e Izabel Hoffmann; b) as duas sociedades possuem atividades semelhantes (serviços gráficos de impressão de etiquetas e adesivos): Padrão Etiquetas, impressão de etiquetas e adesivos e Padrão Grafia, impressão de material para outros usos, adesivos auto colantes; c) as duas sociedades estão localizadas na mesma quadra, uma (Padrão Etiquetas) de frente para a Rua O Brasil para Cristo, 2803 e a outra (Padrão Grafia) de frente para a Rua Diogo Mugiatti, 746, no Bairro Boqueirão, Curitiba; visita ao local constatou que as duas são fisicamente interligadas, conforme comprovado à vista de mapa aéreo (efl. 44); d) todo maquinário de impressão e corte utilizado por Padrão Etiquetas é de propriedade da Padrão Grafia, está lançado na contabilidade desta, e não existe pagamento de aluguel por parte da Padrão Etiquetas para uso do imóvel, dos maquinários e nem das instalações; e) os documentos de gestão de recursos humanos e tributários da Padrão Etiquetas, como folhas de pagamentos, contracheques, recibos de férias, termos de rescisão de Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10980.721793/201394 Acórdão n.º 2301005.120 S2C3T1 Fl. 8 13 contrato de trabalho, guias de recolhimentos, eram emitidos em formulários idênticos e pelo mesmo sistema de informática utilizado pela Padrão Grafia; f) a Padrão Grafia efetuava pagamentos aos empregados da Padrão Etiquetas; os valores saíam das contas correntes bancárias da Padrão Grafia diretamente para as contas correntes dos empregados da Padrão Etiquetas; g) a Padrão Grafia gerava e transmitia, da microempresa Padrão Etiquetas, Gfip com o mesmo "usuário" e mesma senha do "Sistema de Integração Social" utilizados pela Padrão Grafia, a Relação anual de Informações Social (Rais) e o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged); h) a Padrão Grafia, durante o período fiscalizado, gastou apenas R$144.349,63 com empregados (conta 3201020007 – Salários e Ordenados – R$130.192,55 mais conta 3201020018 – FGTS – R$14.157,08), média de R$2.000,00 por mês; faturou, no mesmo período, R$27.129.920,30, média mensal de R$376.805,00; i) Padrão Etiquetas teve despesas com pessoal (R$ 19.743.028,45), quase 10 vezes superior às suas receitas (R$ 2.421.167,94); j) a Padrão Grafia declarava o faturamento alto e baixo número de trabalhadores, 5 ao mês em média, sendo 3 empregados (2 gerentes e 1 trabalhador em impressão gráfica) e mais 2 contribuintes individuais (sócios administradores), l) a Padrão Etiquetas possuía grande número de empregados, 215 por mês em média; de acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), informada na Gfip da competência 06/2012, dos 225 trabalhadores, 160 trabalhavam diretamente ligados à atividade gráfica, 11 trabalhavam em vendas, 40 na administração da empresa e o restante em manutenção e outras atividade de apoio; m) Padrão Etiquetas possuía mínima aquisição de matéria prima, o que gerava baixa produção de produtos para venda e custo de mercadorias vendidas quase nulo; não foram identificados custos de serviços vendidos o que indica que tinha pouquíssima atividade mercantil própria; n) a continuidade e existência da Padrão Etiquetas dependia de empréstimos mensais feitos pela Padrão Grafia, da qual havia total dependência econômica; o) a Padrão Grafia não é optante pelo Simples, mas apura seu lucro pelo Lucro Presumido; p) a partir do enquadramento no Simples da Padrão Etiquetas e respectiva declaração em Gfip, deixaram de ser calculadas como devidas à Previdência Social as contribuições sociais a cargo da empresa. Assim, independentemente da quantidade de segurados empregados e contribuintes individuais e do valor declarado como remuneração paga a esses segurados informados em GFIP, a empresa recolhe à Previdência Social apenas a contribuição dos próprios segurados, ou seja, os valores descontados das remunerações pagas aos trabalhadores. As argumentações da recorrentes são insuficientes para elidir as conclusões da fiscalização: Fl. 335DF CARF MF 14 (a) é irrelevante se a Padrão Etiquetas possuía outros clientes além de si Padrão Grafia, tal fato sequer constou na motivação do lançamento; (b) suas sedes eram em endereços distintos, porém há contiguidade física ente eles, facilmente constatável na foto aérea juntada aos autos (efl. 44); (c) tinham ramos de atuação distintos; os elementos presentes aos autos comprovam diferentemente, ambas exerciam apenas um conjunto de atividades; (d) ambas possuíam autorização e alvarás de funcionamento – tal fato apenas comprova a existência formal das duas sociedades, que nunca foi contestada; (e) ser inverdade a alegação de uma sociedade existir apenas para faturar e outra apenas para registrar e pagar os empregados, embora reconheça que o faturamento dos serviços efetuados pela empresa Padrão Etiquetas fosse insuficiente para pagar a folha de pagamento – o conjunto probatório, mormente a Padrão Grafia, optante pelo Lucro Presumido, concentrar o faturamento e a Padrão Etiquetas, optante pelo Simples, concentrar a contratação de trabalhadores, me convence de estar correta a fiscalização; (f) a Padrão Etiquetas honrava todos os compromissos trabalhistas, previdenciários e fiscais mediante endividamento, comprovadamente contabilizado, conforme item 17 do Relatório Fiscal – a Padrão Etiquetas era inviável economicamente, apenas recebendo – e nunca devolvendo – recurso da Padrão Grafia; (g) não há prova de que a impugnante pagava diretamente os salários dos empregados da empresa Padrão Etiquetas – mesmo desconsiderando essa assertiva da fiscalização, o conjunto probatório comprova que a Padrão Etiquetas não possuía vida própria, sendo constituída formalmente para diminuir a carga tributária a ser paga pela recorrente, especialmente em relação às contribuições previdenciárias; (h) o relatório fiscal não cita o contrato de mútuo apresentado em 12/03/2013, em anexo; o mútuo de dinheiro realizado dentro dos conformes legais é perfeitamente viável, caso seja necessário para sobrevivência econômicofinanceira das empresas, não havendo qualquer ilícito a ser aplacado – é característico de que as ações fraudulentas, visando a evadir tributos, se revistam de formalidades, no caso, o contrato de mútuo, que serviria a justificar a sobrevida, sem recursos suficientes, da Padrão Etiquetas e seu quadro de mais de duzentos trabalhadores; (i) ambas as sociedades possuem contrato de prestação de serviços contábeis e trabalhistas com o mesmo escritório de contabilidade, responsável pela escrituração da contabilidade, controle e emissão de todos os documentos trabalhistas e previdenciários das duas empresas; afirmar que todos esses documentos eram gerados e emitidos pela Padrão Grafia é desespero para fazer valer a tese de que as duas empresas são uma só – o fato de ambas sociedades utilizarem uma única senha de acesso ao "Sistema de Integração Social" utilizados pela Padrão Grafia, e para a transmissão da Relação anual de Informações Social (Rais) e do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), comprova a unidade operacional, que é o foco do lançamento; (j) ser inaplicável o parágrafo único do art. 116 do CTN – tal texto legal não foi citado nem pela fiscalização nem pelo acórdão recorrido. Como se verá a seguir, não é preciso invocálo para efetivar o lançamento em questão. Em suma, os elementos fáticos probatórios dos autos são suficientes para demonstrar que a Padrão Etiquetas não existe de fato, restando caracterizado que o controle Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10980.721793/201394 Acórdão n.º 2301005.120 S2C3T1 Fl. 9 15 gerencial, financeiro e administrativos desta e da Padrão Grafia era único e centralização na Padrão Grafia, com o objetivo de sonegar as contribuições patronais incidentes sobre a folha de pagamentos dos empregados e contribuintes individuais prestadores de serviços. Ademais, a meu juízo, restou configurada a simulação objetiva da relação empregatícia em decorrência de a Padrão Grafia e a Padrão Etiquetas configurarem, de fato, apenas uma sociedade. A fraude nas relações empregatícias é objetiva, decorrente da presença material dos requisitos da relação de emprego, conforme ficou assentado no voto proferido pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, acórdão nº 2402004.380, na sessão de 04/11/2014, cujas razões de decidir, a seguir transcritas, assumo como minhas, mutatis mutandis: Dizse objetiva a fraude nas relações empregatícias porque, ao contrário do que ocorre no direito civil, para a sua averiguação "(...) basta a presença material dos requisitos da relação de emprego, independentemente da roupagem jurídica conferida à prestação de serviços (parceria, arrendamento, prestação de serviços autônomos, cooperado, contrato de sociedade, estagiário, representação comercial autônoma, etc.), sendo irrelevante o aspecto subjetivo consubstanciado no animus fraudandi do empregador, bem como eventual ciência ou consentimento do empregado com a contratação irregular, citandose, v.g, nesta última hipótese, a irrelevância dos termos de adesão às falsas cooperativas pelos trabalhadores com vistas a alcançar um posto de trabalho dentro de determinada empresa; a inscrição, e consequente prestação de serviços, como autônomo ou representante comercial, apesar da existência de um vínculo empregatício; a exigência de constituição de pessoa jurídica ("pejotização") pelo trabalhador para ingressar no emprego etc., posto que constituem instrumentos jurídicos insuficientes para afastar o contratorealidade entre as partes" (artigo Fraudes nas Relações de Trabalho: Morfologia e Transcendência. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15a Região, n. 36, 2010; pág. 170/171). Com esse mesmo entendimento o doutrinador Américo Plá Rodrigues afirma que "(...) a existência de uma relação de trabalho depende, em consequência, não do que as partes tiverem pactuado, mas da situação real em que o trabalhador se ache colocado, porque [...] a aplicação do Direito do trabalho depende cada vez menos de uma relação jurídica subjetiva do que de uma situação objetiva, cuja existência é independente do ato que condiciona seu nascimento. Donde resulta errôneo pretender julgar a natureza de uma relação de acordo com o que as partes tiverem pactuado, uma vez que, se as estipulações consignadas no contrato não correspondem à realidade, carecerão de qualquer valor" (Apud DE LA CUEVA, Mario; Princípios de Direito do Trabalho; São Paulo; LTr, 2002, pág. 340) (g.n.). O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, a relação real Fl. 337DF CARF MF 16 entre as empresas, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária, desde que haja elementos probatórios apontado o real sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, a verificação do enquadramento feito pela empresa em relação aos segurados que lhe prestam serviços é decorrência lógica das atribuições inerentes ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (RFB) para, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo, constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições e executar procedimentos de fiscalização (Lei 10.593, de 2002, art. 6º, I “a” e “c”, com a redação dada pela Lei 11.457, de 2007) A livre apreciação das provas é ínsita ao processo administrativo fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que positiva tal dispositivo no art. 29: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. A meu entender, estamos diante de diversos indícios concordantes da simulação ocorrida entre as duas sociedades. Tal simulação, ao que me convenci, tem por escopo a redução dos encargos previdenciários incidentes sobre as remunerações dos seus empregados. Tais indícios concordantes são prova, na lição do paradigmático Acórdão CSRF/0102.743, que, evocando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal citada por Hely Lopes Meirelles, demonstra a um só tempo o entendimento doutrinário, judicial e administrativo acerca da matéria: “Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que “indícios vários e concordantes são prova”, com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado”. (STF, RTJ 52/140 apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22a ed., 1997, p. 97.) (Grifouse.) Não bastasse o reconhecimento implícito à legislação tributária de utilizar dos indícios e presunções como prova, a legislação previdenciária, pelo Decreto 3.048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social – RPS), art. 229, § 2º, é explícita quanto à possibilidade da fiscalização desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições para ser considerado empregado: Decreto 3.048, de 1999 Art 229. (...) § 2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999) Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10980.721793/201394 Acórdão n.º 2301005.120 S2C3T1 Fl. 10 17 O STJ, ao analisar a questão, já se manifestou no mesmo sentido, em decisão que se aplica, presentemente, ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INSS. COMPETÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. AFERIÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. A autarquia previdenciária por meio de seus agentes fiscais tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária, não acarretando a chancela aos direitos decorrentes da relação empregatícia, pois matéria afeta à Justiça do Trabalho. 2. O agente fiscal do INSS exerce ato de competência própria quando expede notificação de lançamento referente a contribuições devidas sobre pagamentos efetuados a autônomos, por considerálos empregados, podendo chegar a conclusões diversas daquelas adotadas pelo contribuinte. 3. À evidência, o IAPAS ou o INSS, ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação. O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestada, seja administrativamente, seja judicialmente (REsp nº 515.821/RJ, Relator Ministro Franciulli Netto, publicado no DJU de 25.04.05). (STJ, 2ª T., REsp 575.086/PR, Min. CASTRO MEIRA, mar/06) (gn) Em suma, com base nos arts. 142 e 149 do CTN, a fiscalização efetuou o lançamento em face da sociedade empresária Padrão Grafia, na condição de real sujeito passivo das contribuições sociais aqui tratadas. Sujeição Passiva A Recorrente alega que o lançamento é ilegal porque o contribuinte dos fatos geradores é Padrão Etiquetas, de modo que a fiscalização deveria ter efetivado contra ela o lançamento e lhe chamado como responsável solidária. Concluiuse, no capítulo anterior deste voto, que a eleição da pessoa jurídica Padrão Grafia como sujeito passivo do lançamento foi acertada e decorreu da situação de fato que envolve o vínculo jurídico real existente entre a recorrente e os trabalhadores cujas remunerações constituem o fato gerador do lançamento. Ficou demonstrado tratarse de fraude nas relações de trabalho, mediante transferência fraudulenta da folha de pagamento da autuada para a Padrão Etiquetas, optante pelo Simples. Fl. 339DF CARF MF 18 Ao examinar os fatos retroexpostos, chegouse à conclusão de que a recorrente e a Padrão Etiquetas formam um único empreendimento de fato, e, por conseguinte, a recorrente possui relação pessoal e direta com as situações que constituem o fato gerador, o que viabiliza a sua condição de contribuinte, nos termos do art. 121, parágrafo único, I, do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; A aceitação da alegação da inexistência de fato da Padrão Etiquetas decorre da valoração das provas diretas dos fatos trazidos ao processo (provas diretas da existência de unidade de gestão, do uso da mesma força de trabalho, do exercício da mesma atividade). Não há falar, assim, em falta de proporção e razoabilidade ou de ofensa à ampla defesa e o contraditório. Em suma, Padrão Grafia responde, na condição de contribuinte, pela dívida ora constituída. DO APROVEITAMENTO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS POR PADRÃO ETIQUETAS O recorrente afirma que a Padrão Etiqueta pagou todos os tributos previdenciários devidos; logo, o lançamento fiscal como efetuado acarreta o enriquecimento ilícito da União, eis que se exige tributos já recebidos; na hipótese de ser mantida a exigência fiscal, deve ser descontado os valores já pagos a título de contribuição dos segurados, terceiros e empresa, devendo recair a mesma sorte sobre qualquer multa lançada por suposta omissão de GFIP, pois não poderia apresentálas para funcionários registrados por outra sociedade; o objetivo e a função declaratória/informativa da Gfip foi cumprida com a sua entrega pela Padrão Etiquetas, utilizadas inclusive para a definição da base de cálculo, sendo plenamente válidas para a Previdência Social e para o FGTS. Lhe assiste parcial razão. O fundamento da autuação é a inexistência formal da Padrão Etiquetas, considerada mero departamento da Padrão Grafia. Vejase no relatório fiscal: 32 Por outro lado, a PADRÃO GRAFIA, empresa que de fato existe e da qual a PADRÃO ETIQUETAS é um mero departamento fabril, não é optante pelo Simples, eis que realiza a apuração de seu lucro pelo regime de Lucro Presumido conforme declarações ao Fisco listadas no quadro a seguir:(...) (efl. 46) 42 Portanto, os livros e documentos das empresas PADRÃO GRAFIA e PADRÃO ETIQUETAS, examinados durante os procedimentos fiscais a que foram submetidas, nos levam a crer que a PADRÃO GRAFIA para reduzir seus custos tributários sobre a atividade de impressão de etiquetas e adesivos utilizou Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10980.721793/201394 Acórdão n.º 2301005.120 S2C3T1 Fl. 11 19 se do artifício da criação da pessoa jurídica aparentemente independente PADRÃO ETIQUETAS. Ora, se se trata de apenas uma sociedade, sendo a Padrão Etiquetas um mero departamento da Padrão Grafia, não é possível vedar o aproveitamento dos pagamentos tributários realizados pela Padrão Etiquetas, a qual, pela lógica do lançamento, materialmente é a própria Padrão Grafia. Considerando então que a Padrão Etiquetas era optante pelo Simples, e que, nesta sistemática, no valor de cada parcela recolhida, há uma destinação, por expressa determinação legal, dos valores considerados para cada tributo, deveria a autoridade proceder ao levantamento dos valores efetivamente recolhidos pela Padrão Etiquetas, a título de contribuições previdenciárias, na sistemática do SIMPLES, para descontálos do valor devido em cada período de apuração. Conclusão Pelo exposto, voto, portanto, por conhecer do recurso para rejeitar as preliminares e, no mérito, lhe dar parcial provimento para que sejam deduzidas, do valor lançado em cada período de apuração, as parcelas destinadas à Previdência Social dos recolhimentos efetivamente realizados pela Padrão Etiquetas com o código do regime de tributação do Simples Nacional. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Declaração de Voto Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao aproveitamento dos recolhimentos efetuados pela empresa PADRÃO ETIQUETAS LTDA. Em primeiro lugar, a Resolução CGSN1 nº 94, de 29/11/11, é muito clara em seu art. 119, § 5º, ao dizer que a compensação somente poderá ser realizada quando se tratar de compensação de ofício oriunda de deferimento em processo de restituição ou quando se tratar de exclusão da empresa do Simples Nacional: Art. 119. A compensação dos valores do Simples Nacional recolhidos indevidamente ou em montante superior ao devido, será efetuada por aplicativo disponibilizado no Portal do Simples Nacional, observandose as disposições desta Seção. 1 Comitê Gestor do Simples Nacional Fl. 341DF CARF MF 20 (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 21, §§ 5º a 14) (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 129, de 15 de setembro de 2016) [...] § 5º Os créditos apurados no Simples Nacional não poderão ser utilizados para extinção de outros débitos junto às Fazendas Públicas, salvo quando da compensação de ofício oriunda de deferimento em processo de restituição ou após a exclusão da empresa do Simples Nacional. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 21, § 10) Inclusive, nos termos da Súmula CARF nº 76, os valores recolhidos pela empresa, na sistemática do Simples, são passíveis de aproveitamento, após a sua exclusão: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Acontece, porém, que o caso em questão não diz respeito a processo de restituição e nem se trata de caso de exclusão do Simples Nacional. Logo, não cabe a aplicação da compensação prevista na Resolução CGSN nº 94 e na Súmula CARF nº 76. Em segundo lugar, tratase de aproveitamento de créditos de uma outra empresa (PADRÃO ETIQUETAS LTDA. CNPJ 03.021.244/000149) nos débitos da empresa autuada (GRAFIA AUTOADESIVOS TECNICOS LTDA, CNPJ 07.386.836/000115, sucessora da empresa PADRÃO GRAFIA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA.), o que não é possível, pois a compensação somente pode ser realizada entre débitos e créditos do mesmo contribuinte. Essa é a inteligência que se extrai do Código Tributário Nacional, art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Sendo assim, em que pese a empresa PADRÃO ETIQUETAS LTDA. ter sido criada para burlar a tributação, atuando como mero departamento da empresa autuada, teve existência física e jurídica própria, não sendo possível, dessa forma, o aproveitamento de seus recolhimentos na apuração dos débitos lançados na empresa GRAFIA AUTOADESIVOS TECNICOS LTDA., haja vista a ausência de amparo legal para tal procedimento. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 342DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912056/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.770
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 56 /2 01 2- 31 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.912056/201231 Acórdão n.º 3301003.770 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.797, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912056/201231 Acórdão n.º 3301003.770 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912056/201231 Acórdão n.º 3301003.770 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912056/201231 Acórdão n.º 3301003.770 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912056/201231 Acórdão n.º 3301003.770 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912056/201231 Acórdão n.º 3301003.770 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912056/201231 Acórdão n.º 3301003.770 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912056/201231 Acórdão n.º 3301003.770 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 197DF CARF MF
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