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Numero do processo: 10183.721793/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência.
Hipótese em que o Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal.
ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO.
Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola.
VTN. VALOR INCONTROVERSO. O Valor da Terra Nua admitido pelo contribuinte, para a propriedade, está expresso no laudo técnico que juntou aos autos e que é superior ao declarado na DIAT.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) restabelecer a área de Reserva Legal de 605 ha e (b) reconhecer como valor da terra nua o montante admitido no laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, de (3.630 ha - 605 ha) * R$ 339,00 = R$ 1.025.475,00.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS
Redatora designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que o Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal. ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola. VTN. VALOR INCONTROVERSO. O Valor da Terra Nua admitido pelo contribuinte, para a propriedade, está expresso no laudo técnico que juntou aos autos e que é superior ao declarado na DIAT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 93 /2 00 9- 01 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 393 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) restabelecer a área de Reserva Legal de 605 ha e (b) reconhecer como valor da terra nua o montante admitido no laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, de (3.630 ha 605 ha) * R$ 339,00 = R$ 1.025.475,00. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 370/384) interposto em 06 de setembro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (efls. 330/352), do qual o Recorrente teve ciência em 10 de agosto de 2011 (efl. 360), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 02/14, lavrada em 30 de novembro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do ITR (não comprovação da área de reserva legal e do VTN), verificada no exercício de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 394 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 NIRF: 5.118.3706 Fazenda Boa Sorte VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. MULTA E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção apenas das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972. ÁREA DE RESERVA LEGAL E ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A exclusão da área tributável do imóvel rural, da área de reserva legal e da área de preservação permanente, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. É do sujeito passivo o ônus da prova do valor da terra nua do imóvel quando sua omissão tiver dado ensejo ao lançamento pela técnica do arbitramento, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTADO. A prova da exploração extrativa objeto de Plano de Manejo Florestal Sustentado (PMFS) se faz mediante comprovação de autorização pelo IBAMA e do cumprimento do respectivo cronograma de execução. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS E ÁREA EM DESCANSO. As áreas de produtos vegetais e áreas em descanso declaradas são consideradas áreas utilizadas pela atividade rural e não foram alteradas no lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (efl. 330/332). Fl. 394DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 395 4 Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 370/384), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a fiscalização ao analisar a DITR do Recorrente glosou a área de reserva legal declarada de 2.904 ha., além de corrigir o Valor da Terra Nua – VTN/ha. declarado de R$ 36.000,00 para R$ 5.136.667,80, de acordo com o “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” (efl. 12). Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Fl. 395DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 396 5 Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 397 6 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for Fl. 397DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 398 7 necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 399 8 § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da Fl. 399DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 400 9 reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das Fl. 400DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 401 10 florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. Portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo Fl. 401DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 402 11 necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu Fl. 402DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 403 12 se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57), no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a previsão de entrega do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma a inverter o ônus da prova, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que data de setembro de 2002. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são Fl. 403DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 404 13 matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. O prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 405 14 “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, para o fim de inverter o ônus da prova, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Após o início da fiscalização, o contribuinte deve comprovar os dados constantes da DITR, por outros documentos que provem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 406 15 ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, verificase que o contribuinte não apresentou o ADA em relação ao imóvel em questão. Dessa forma, o ônus passou a ser seu acerca da comprovação da efetiva existência da área de reserva legal Nesse sentido, conforme reconheceu a própria DRJ, foi averbada a área de reserva legal de 605 ha., em 22 de junho de 1981 (efl. 308), motivo pelo qual, quanto a este aspecto, o recurso deve ser provido em parte. A legislação que rege a atividade de avaliação de imóveis, no que diz respeito ao Valor da Terra Nua – VTN, condiciona a utilização do Sistema de Preços de Terras SIPT à observância do art. 14, caput e §1º, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza o arbitramento do VTN nos casos de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de Fl. 406DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 407 16 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/93, que eram originariamente os seguintes: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. §2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” A partir de 2001, com a edição da Medida Provisória n° 2.18356, de 24 de agosto de 2001, referido art. 12 da Lei n.º 8.629/93 passou a ter a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder seá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações." Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 408 17 Extraise dos mencionados dispositivos que o arbitramento do valor da terra nua, nos termos do art. 148 do CTN, deve observar os parâmetros fixados pelo artigo 12 de Lei n. 8.629/93, inclusive capacidade potencial da terra ou aptidão agrícola. Nesse sentido, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão 9202003.144, relatado pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ... ITR VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras – SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993). Recurso especial provido em parte” (Processo 13116.001484/200318, j. 27 de março de 2014). No presente caso, o VTN foi calculado sem aptidão agrícola (efl. 16). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 605 ha. e o VTN declarado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins Com a devida vênia ao voto do Conselheiro Relator, divirjo no que tange ao valor da terra nua aceito pelo contribuinte no ano em questão. Na contestação do lançamento, o recorrente apresentou laudo técnico aonde informa um Valor da Terra Nua, para a propriedade, superior ao declarado na DIAT. Conforme art. 334 da lei 5869/72, a informação contida no laudo foi admitida como correta pelo contribuinte, tornandose então incontroversa. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 409 18 ... II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos, no processo, como incontroversos; Desta forma entendo que, dadas as condições do imóvel antes relatadas, o VTN informado no laudo técnico, apresentado pelo contribuinte e juntado aos autos, deve ser utilizado para fins da tributação da propriedade rural. Conselheira Maria Cleci Coti Martins Redatora designada Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 10166.908069/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/02/2006
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por conseqüência o não conhecimento deste.
Numero da decisão: 3301-001.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo Possa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por conseqüência o não conhecimento deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do voto da relatora. Rodrigo Possa Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 69 /2 00 9- 91 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Brasília (fl. 27/54) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 01 a 16) que contrapôs ao despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, relativa a pagamento a maior de PIS e COFINS. O contribuinte transmitiu eletronicamente em 15/09/2006, Declaração de Compensação – DCOMP n°. 21649.70693.150906.1.3.049950, com base em suposto crédito oriundo do período de 01/2004 a 02/2006, quando foi pago “PIS e COFINS, sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa, bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes”. O pagamento realizado a maior ocorreu por não observância do tratamento tributário adequado descrito nos arts. 49 e 50 da lei 10.833/2003. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentado na inexistência de crédito. De acordo com os cálculos efetuados pelo contribuinte, o valor total recolhido a maior/indevidamente, e que ora requer compensação, totalizava até a data da transmissão do PER/DCOMP a importância de R$ 2.303,97 (dois mil trezentos e três reais e noventa e sete centavos). Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade. Informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao PIS e COFINS, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e COFINS dos meses seguintes a partir de 03/2006, por meio de PER/DCOMP. Entretanto, quando tomou conhecimento do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, com todos os documentos a respeito do assunto, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. Apresentando DCTF retificadoras, solicitou a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios, colocandose à disposição para a apresentação de outros documentos. Nesse sentido, consta às fls. 19/22 que na sessão de 16/04/2012, a 4º Turma da DRJ/BSB proferiu o acórdão nº 0347.845 cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.908069/200991 Acórdão n.º 3301001.899 S3C3T1 Fl. 3 3 Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte, devidamente cientificado, interpôs Recurso Voluntário as fls. 27/33 por meio do qual contesta o referido Acórdão, que segundo o seu entendimento, merece ser integralmente reformado, posto que colide com a legislação pátria e a jurisprudência aplicável ao caso. É o relatório. Voto Conselheiro Fábia Regina Freitas Preliminarmente, é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, para apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 28/05/2012 (segundafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 25), e só protocolizou seu Recurso Voluntário na data de 28/06/2012 (quintafeira), ou seja, 1 (um) dia após o transcurso do prazo recursal, já que o prazo encerrouse no dia 27/06/2012 (quartafeira). Diante do exposto, não conheço do presente Recurso Voluntário, por ser intempestivo. Conclusão Com essas considerações, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013. Fábia Regina Freitas. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10314.722059/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/03/2012
AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa.
NULIDADADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DA ALEGADA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa a decisão de primeira instância que não se pronunciou sobre razões defesa aduzidas em peça impugnatória complementar, apresentada após o término do prazo impugnatório e demonstrado que foram analisadas todas as alegações aduzidas na impugnação tempestiva.
PEDIDO DE DILGÊNCIA/PERÍCA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda os requisitos previsto no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/1972.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF) PARA SE AFASTAR LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Oswaldo Leite de Moraes Filho, OAB/SP nº 32.881, advogado do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/03/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. PRÁTICA DA INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. MERCADORIA DADA A CONSUMO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. POSSIBILIDADE. A ocultação do real importador e adquirente das mercadorias, na declaração de importação e demais documentos que instruem o despacho aduaneiro de importação, com objetivo de quebrar a cadeia de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), configura prática da infração por interposição fraudulenta na importação, sancionada com a pena de perdimento da mecadoria, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, uma vez não localizada, consumida ou revendida a mercadoria. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/03/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu plena e adequadamente o direito defesa. NULIDADADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DA ALEGADA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa a decisão de primeira instância que não se pronunciou sobre razões defesa aduzidas em peça impugnatória complementar, apresentada após o término do prazo impugnatório e demonstrado que foram analisadas todas as alegações aduzidas na impugnação tempestiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 20 59 /2 01 2- 14 Fl. 219464DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 PEDIDO DE DILGÊNCIA/PERÍCA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda os requisitos previsto no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/1972. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF) PARA SE AFASTAR LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Oswaldo Leite de Moraes Filho, OAB/SP nº 32.881, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzse a seguir excertos relevantes do relatório encartado na decisão de primeira grau: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 29/03/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria no valor de R$ 17.788.089,88 em virtude dos fatos a seguir descritos. No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao disposto nos arts. 194 a 197 do Código Tributário Nacional (CTN – Lei nº 5.172/1966) e nos arts. 54 e 138 do DecretoLei nº 37/1966, e em atendimento à programação do Serviço de Fiscalização Aduaneira I (Sefia I) da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo (IRF/SPO), foi realizada ação fiscal nas empresas do GRUPO LE POSTICHE, LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA., CNPJ 61.777.009/0001O6 (doravante apenas LE SAC Fl. 219465DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 101 3 61), DAY BY DAY COMERCIAL DE COUROS E IMPORTADORA LTDA., CNPJ 00.565.362/000120 (doravante apenas DAY BY DAY), e LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA., CNPJ 29.026.689/000105 (doravante apenas LE SAC29), com o objetivo específico de verificar indícios de ocultação do contribuinte LE SAC61 por parte dos contribuintes DAY BY DAY e LE SAC29 em operações de importação registradas entre 01/01/2009 e 31/12/2010. Após a realização dos devidos procedimentos fiscais, a fiscalização concluiu que a LE SAC29 e a DAY BY DAY fizeram parte de esquema de ocultação do real interessado nas importações de mercadorias, com a finalidade principal de promover a quebra da cadeia do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Ficou evidente para a fiscalização que embora existam três CNPJ distintos, há uma confusão patrimonial e operacional tão grande entre as empresas que se pode considerar que, de fato, tratase de uma única empresa. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 04/04/2012, o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 30/04/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011. Na forma do artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, alegou que: DAS PRELIMINARES DA POSSIBILIDADE DA PRESENTE MANIFESTAÇÃO Inicialmente, com a simples leitura do Relatório Fiscal temse a impressão de que não se fiscalizou as empresas da qual atesta têlas feito, por um fato muito simples, todos os documentos anexados na impugnação comprovam exatamente o contrário, não só das irresponsáveis afirmações e conclusões lançadas no Relatório. Para cada fato pela fiscalização destacado que, na sua totalidade improcede, será apresentado um documento provando exatamente o contrario, de forma a evidenciar que a mesma não leu os documentos, não fiscalizou as empresas, não conheceu dos procedimentos nem da dinâmica empresarial e pior, lançou conclusões irreais e irresponsáveis atacando pessoas de caráter e de reputação ilibada. DA PRELIMINAR DE NULIDADE A unanimidade dos Ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal já decidiram que o Erro de Direito não autoriza a retificação do ato administrativo exarado, confirmando a tese de que a existência de equívoco por parte do ente publico não lhe garante ulterior revisão mas, apenas, a nulidade do ato administrativo praticado. Fl. 219466DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Junta textos da Jurisprudência Judicial da 2a Turma do Supremo Tribunal Federal a respeito do assunto. Junta textos da doutrina de Rubens Gomes de Souza e Estevão Horvath a respeito do assunto. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Egrégio Conselho de Contribuintes a respeito do assunto. A ausência da ciência do processo pela falta de reconhecimento de firma na procuração. Como a advogada da empresa foi impedida de ter acesso ao processo, devido, somente, pela falta de reconhecimento de firma na procuração, exigência ilegal. Configurouse a violação aos incisos constitucionais, elencados acima. A Multa de caráter confiscatório. Outro ponto a se destacar: multa no nível que pretende é claramente confiscatória. Por todos os motivos encimados, podemos concluir que o Auto de Infração é absolutamente viciado por Erro de Direito, e, portanto NULO, pelo o que deve ser desconsiderado. NO MERITO A Contribuinte, ora Impugnante, na persecução de seus objetivos sociais, efetuou, durante o período em questão, todos os recolhimentos de acordo com a legislação. Como cediço, a fiscalização examinou toda a documentação e lançamentos efetuados. Apesar de auditar todas as contas por mais de 12 meses, inclusive quebrando o sigilo bancário, por meio de RMF, só apontou algumas poucas irregularidades (menos de 5%, do total de lançamentos). E pasmem, até mesmo estas poucas apontadas, comprovaremos documentalmente que as mesmas estão corretas, ou seja, não permitiria esta conclusão porque os documentos a ela entregues, conforme demonstraremos ao longo desta Impugnação, provam exatamente o contrário. Alegou as seguintes inconsistências na ação fiscal: Alega a fiscalização que a Le Sac 61 sempre comercializou uma considerável quantidade de produtos, contudo, a Le Sac 61, antes da incorporação, tinha como receita principal os valores de royalties fato este registrado e devidamente comprovado pelas respectivas declarações do Imposto sobre a Renda e pelos contratos de licenciamento celebrados com a Alfa Licenciadora. Cabendo registrar, por verídico que, quem detinha as lojas não era a Le Sac 61 mas a Le Sac 29. Assim a fiscalização no bojo de suas declarações e justificativas enorme confusão com a Le Sac 29 e 61 que, a partir de agosto de 2009 tornaramse uma só, incorporadora e incorporada . Outra inconsistência, registrase é que a Day by Day realmente fica no interior da Le Sac, estas estão no mesmo prédio mas em local distinto e separado, com funcionários próprios e diversos. Existe logicamente contrato de locação do espaço com a Day By Day e RAIS de seus empregados. Logicamente poderá ocorrer de Fl. 219467DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 102 5 funcionários que eram da Le Sac, futuramente trabalharem na Day By Day e viceversa, como qualquer empresa de mesmo grupo econômico, ainda mais após a criação da importadora. Outro fato isolado e sem qualquer fundamento é o fato de haver uma só recepção no local, não configurarseia ser uma mesma empresa. As mercadorias adquiridas e transferidas para os seus respectivos estoques, são depois encaminhadas para as lojas licenciadas, cada qual com seu respectivo CNPJ e diferente das lojas próprias do grupo. Outro fator real e importante reforçar, fundamentase que todo o pedido de compra realizado na China pela Day By Day até o desembarque das mercadorias no Brasil pode levar até seis meses, período em que certamente as mercadorias já são vendidas, fazendo com que, no seu despacho, o estoque tenda a praticamente zero. Como qualquer sociedade comercial, são as queimas de estoque e realização de liquidações de estoque, este fato foi incompreendido pela fiscalização que demonstra a inexatidão das informações: o fato da Day By Day já ter realizado várias liquidações por preços bem menores, afim de liquidar seu estoque, quando alcança uma margem de tempo sem saída. Que jamais haveria, como não houve qualquer simulação de pessoas ou de vendas, alias todas as vendas, historicamente registradas e contabilizadas, são caracterizadas com realização plena e com efetiva margem de lucro, inclusive para as empresas licenciadas e lojas próprias. Se analisadas isoladamente as vendas ocorridas às empresas licenciadas, registrará facilmente que a margem de venda e lucratividade será ainda maior. A margem de lucratividade de venda para as lojas Le Sac é e deve ser sempre menor que as praticadas pelas licenciadas, até porque não precisa ter custos com a armazenagem dos produtos comercializados, entre outros motivos. Outro ponto importante a esclarecer é que na Av. Prof. Ascendino Reis, existe uma loja Mega Store da Le Postiche e o escritório na rua lateral e em entrada independente pela Rua Agostinho Rodrigues Filho. O mesmo questionamento traduz quanto ao fato e o porquê da empresa Le Sac ter tantos bancos e o porquê das transferências bancarias entre eles e que isto visava burlar a fiscalização, questiona ainda a entrada de dinheiro nos bancos, vale lembrar que uma empresa comercial diariamente recebem recursos em espécie e que são depositados diariamente em contas bancarias, dentro de cada Shopping Center, e em função disto, justificase os muitos bancos para realização destes depósitos, já que hoje, praticamente, não podese, por questões de segurança sair do shopping com qualquer dinheiro, para depositar em uma única conta corrente da empresa. Justificase em função da segurança das pessoas envolvidas e o alto custo um carro forte para buscar o dinheiro nas lojas, salientase, contudo que cada venda é contabilizada em dinheiro , cartão de credito e cartões de débito. Fl. 219468DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Outro ponto que vale registro é citado por onde saem os recursos para cobrir as operações de comercio exterior. Chega a afirmar que os mesmos saem tanto da Le Sac como da Day By Day, o que não tem qualquer coerência, uma vez que a Le Sac, compra e comercializa suas mercadorias, tem entrada de recursos diários, através de pagamentos em espécie ou através das administradoras de cartões, como normalmente registra uma loja, quanto a Day By Day tem créditos através da compra e venda de suas mercadorias a seus cliente, também recebe diariamente recursos através de pagamentos de seus clientes e, caso não sejam suficientes para pagar seus compromissos, esta poderá ir até ao mercado financeiro e tomar empréstimo ou negociar recebíveis com os bancos a que tem conta. As empresas têm alguns sócios em comum, porém têm sócios que só figuram no quadro social de uma delas. O que prova que são quadros societários distintos. Conforme os fatos citados e provas aqui produzidas, todas contabilizadas e não vistas pela fiscalização, explicado portanto, não encontrase nenhuma Lei que proíba esta forma de atuação praticada pelas empresas. O que vem comprovar que não há nenhuma ilegalidade ou fraude nos fatos relatados, ao contrario, procedimentos normais, usuais e até recomendados pelo fisco que quer todos os fatos registrados e transparentes. É cristalino o entendimento, que a Impugnante tem o direito de proceder contabilizando, informando, registrando e até procedendo compensações, se assim o fato constituir. DOS FATOS Objetiva o presente item demonstrar haver equívoco e máfé nas afirmações da auditora fiscal sobre o giro dos estoques. Entendeu a fiscalização que: “O prazo médio de estoque era inferior a 4 dias e em alguns casos inferior a 24 horas.” Como se vê, o entendimento comporta a análise do conceito que trata do prazo médio de permanência nos estoques. ESTATÍSTICAS PRAZO DE PERMANÊNCIA NOS ESTOQUES Na rotina de atacadista/importadora onde a empresa Day by Day atua, possui centros de distribuição diversificados, e para isso adota políticas comerciais e operacionais de acordo com o custo e gastos que incidem na operação, por esta maneira entendemos que o mecanismo utilizado em nossa distribuição contribua de forma clara e objetiva para reduzir os custos da companhia. Para demonstrar os números operacionais, prazo médio de estocagem da companhia (Day by Day) utilizou fórmulas de avaliação do prazo médio de estocagem pautadas nos Balanços Patrimoniais dos períodos (2009 e 2010), apurando o resultado de 10,31 dias para o período de 2009 e de 12,20 para o período de 2010. Fl. 219469DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 103 7 Comentários sobre as afirmações do Processo Administrativo 10314722.059/ 201214. Day By Day A Le Sac 61 de fato nunca realizou operações de importação. A Le Sac 61 e a Le Sac 29 são a mesma empresa a partir da Incorporação em 07/2009. A Le Sac, tanto 29 quanto 61, possuíam endereços distintos até sua Incorporação; A Day By Day funciona em local distinto, inclusive com Filiais em outros Estados; Cada empresa possui seus números de telefones, devidamente cadastrados na telefônica; Cada uma das empresas Le Sac possuía sua folha de Pagamento distinta, lembrando que a Le Sac 61 somente recebia Royalties de franqueados e equivalência patrimonial, por ser sócia da 29, até o momento de incorporação; Estas pontuações quanto a funcionários e pessoas que recebem correspondências, corresponde ao princípio de serem empresas coligadas, visto que uma participava do capital social da outra, quando falamos em Le Sac. Quando neste item referese ao espaço de tempo em que as mercadorias importadas são armazenadas, ocorre por razões óbvias, em que a empresa distribui rapidamente suas mercadorias nos pontos de venda, que são suas Filiais. A não habilitação no Sistema RADAR. Alega a fiscalização que o Sistema RADAR apresenta ocultação do real adquirente das mercadorias, devendo para tanto efetuar apresentação destes históricos, uma vez que a empresa nunca foi restringida em seus desembaraços; Não foram encontradas falsidades. É uma questão interpretativa da Fiscalização; Se for analisado o faturamento total, podese verificar que há outros clientes na empresa Day By Day; Esta diferença de margem é razão lógica entre vendas por Atacado e Varejo; De maneira geral, os produtos importados pela Day By Day, são vendidos à rede própria e franquias da Le Postiche e por esta razão a etiqueta identifica o exposto; A existência de maior fluxo financeiro entre as empresas Le Sac e Day By Day em datas próximas aos do fechamento de câmbio, dáse por negociação comercial entre elas. Operação normal e usual neste tipo de transação comercial; Uma empresa Licenciadora da marca, contratualmente tem o poder de decidir quais mercadorias que são vendidas pelos seus licenciados; Dano ao erário, da interposição fraudulenta no comércio exterior e gravidade da sua prática. Das pessoas mencionadas neste relatório e do enquadramento de sua forma de operação. Fl. 219470DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 Identifica as empresas citadas, tais como Dirre, Eximbiz, Capital Trade, Sidmex e licenciados; O fato de a mercadoria ser adquirida pela Filial Barueri, dáse por razão logística,visto que lá encontrase o Depósito; A contagem de filiais, do CNPJ 61 e do 29, não corresponde à realidade. Como pode ser verificado no cadastro da Receita Federal, visto que indica 109 filiais; As razões a respeito da Incorporação está especificada no Termo de Intenções de Incorporação devidamente registrado na JUCESP, pouco importando o relato dado; As razões de baixa do CNPJ 29, após o início da fiscalização, deuse por razões de procedimentos necessários perante a própria Receita Federal e não por qualquer outra razão. A composição societária da empresa DIRRE, demonstra que não é parte do mesmo grupo econômico. . Embora especificar a Berriville como indício de lavagem de dinheiro, não prova o suposto, tampouco a conclusão de que procurador de empresa é equivalente a sócio, são figuras distintas na vida e no direito. Da presente fiscalização Este item indica que a motivação desta ação de fiscalização, teve início em um procedimento ocorrido em Itajaí na data de 20/08/2010; Ainda neste item especifica o resumo das provas apresentadas. No Anexo 3 é especificado a margem de lucro apurada pela empresa La Sac, comparada as aquisições que fez da empresa Day By Day e a própria margem apurada pela empresa importadora Day By Day, o que apresenta grande distorção. Para análise da margem apurada pela empresa Le Sac, foram extraídas informações do valor de venda, do site da Le Postiche, na data de realização da consulta, ou seja, em 2012. Improvável e o que pode não corresponder ao valor praticado à época do fato gerador, ou ainda o real preço de venda da mercadoria. Na parte B, do mesmo item, são totalizadas as operações realizadas pela Day By Day Espírito Santo, através do Anexo 5, que especifica nota por nota seus destinatários. Vale ressaltar, por verdadeiro, que o valor apresentado, é próximo do valor apurado através de planilha anteriormente apresentada. Nos Anexos 6, 7, 8, 9 e 10, foram efetuadas as análises financeiras das empresas, utilizando para tanto a Requisição de Movimentação Financeira, RMF, perante aos Bancos em que as empresas têm movimentação. Anexo 11 Na observação constante na folha 81, a AFRF trata como uma informação importante e descreve o fato de que a conta 617272 é de titularidade do CNPJ 61, o que não corresponde a verdade e que pode ser comprovada através de prova bancária; na observação constante na folha 81 alega que não há Fl. 219471DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 104 9 movimentação bancária registrada na RFB da conta existente perante a CEF a qual existe e é devidamente contabilizada, conforme pode ser observado em lançamentos existente no diário, exemplificado pelos lançamentos de números: 29481, 26236, 26308, 23238 e 29576 e Escrituração SPED lançamentos 8141, 8264, 8614, 8704 e 10174. Na folha 81 diz ainda ter recebido informações do Banco Real de que não haveria movimentação nesta conta em titularidade do CNPJ 29, o que não corresponde a verdade, conforme pode ser apresentada prova bancária além dos lançamentos contábeis a seguir exemplificados: 29463, 29459, 26381, 29559, 29560 e 29616 e Escrituração SPED lançamentos 8139, 8744, 8833, 10014, 10536 e 12976. Indaga esta mesma AFRF ainda: De onde veio este dinheiro? O que a própria descrição da Notificação explica e se lido fosse, está devidamente contabilizado no lançamento do Diário número 29463 e Escrituração SPED lançamentos 8139; Incisivas vezes a fiscalização cita a ausência de lançamentos dos Contratos de Câmbios n.°(s) 09/013024, 09/013249 e 09/045537, o que não corresponde a verdade visto que se analisado os lançamentos no Livro Diário de n.°(s) 23435, 23441 na Le Sac 29 e lançamento 2224 em 24/08/2009 na Le Sac 61, ou seja, iá incorporada respectivamente e Escrituração SPED lançamentos 16798. 17076 e 2133. sendo o último na forma já incorporada e através do Unibanco. Na folha 84 cita a fiscalização sobre uma conta que teria sido não contabilizada oriunda do Unibanco e de número 122475, que se faz necessário o rastreamento de sua existência junto ao Banco, visto que de fato não há contabilização; Verificar se não tratase de uma conta investimento vinculada a conta contabilizada; Na folha 87 cita que não foram contabilizados lançamentos das contas do Banco Itaú da empresa Day By Day, os quais especifico, por amostragem devido a quantidade apresentada. Como pode a fiscalização se apegar a descrição contida no histórico do lançamento contábil se as contas contábeis envolvidas no lançamento Banco “Recebimento de Clientes Nacionais”, descreve o fato ocorrido, através do lançamento no Livro Diário sob n.° 5265 e Escrituração SPED lançamentos 4881? E mais, como pode haver receita de importação se não há uma contrapartida de conta contábil que corresponda a esta descrição? Na folha 91, a descrição do histórico está errada, nos dois lançamentos citados. Ademais, se verificado na conta de clientes a receber, verifícase o saldo de valores a receber que justifica exatamente os citados, tais créditos efetuados; Fl. 219472DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 Ainda na mesma folha 91, a fiscalização mais uma vez se apega a históricos descritos no lançamento contábil, que de maneira óbvia a Day By Day recebe de sua cliente Le Sac valores continuadamente ao longo de todo tempo. Que absurdo!! Na folha 92 há indagações a respeito de acordo firmado com o licenciado Recife, o qual deverá ser explicado pela Le Sac para correta interpretação do que de fato ocorreu. Na folha 93, por mais uma vez, questiona o crédito oriundo do recebimento do cliente Le Sac no valor de R$ 565.136,43. Sempre que ocorrer estes casos, deverá ser justificado o encontro de contas que é feito para amparar o crédito efetuado. Na folha 94 a fiscalização diz haver simulação na origem das mercadorias adquiridas no exterior, de forma a sugerir que tenham sido havidas no mercado interno. Isto não é fato, é falácia. Basta verificarse na Demonstração do Resultado do Exercício de cada ano, ali se identificará, de forma cristalina e real, todas as mercadorias classificadas como Mercadorias Importadas que, exemplificando, no ano de 2010, perfazem o total de R$ 29.887.389,11. O que sempre são colocados em questão, são os pagamentos realizados, que nada tem haver com a possibilidade de querer ocultar a correta operação realizada, já que erroneamente, os lançamentos foram efetuados contra a conta de Fornecedores Nacionais, que ela mesma em momentos anteriores afirma que a totalidade das mercadorias adquiridas pela Day By Day são do Mercado Externo; Na folha 96 a fiscalização irresponsavelmente expõe que nenhuma das operações de cambio realizadas, junto ao Banco Safra, foram contabilizadas. Isso não expressa a verdade, conforme exposição feita na impugnação a partir das folhas 43. Na folha 98 repetemse as indevidas citações e afirmações constantes ao já exposto na folha 94. As alegações indevidas e inexistentes também foram citadas as folhas 101, podese constatar facilmente que, ao contrário da lógica apresentada pela insigna AFRF, não houveram contratos de câmbio que não foram contabilizados nem houveram lançamentos identificados nos extratos bancários que não tenham sido objeto de contabilização. Da mesma forma não houveram aquisições de mercadorias de fornecedores nacionais conforme, poderá ser facilmente identificado, nas Demonstrações do Resultado do Exercício. Inexiste qualquer transferência ou jogo de recursos financeiros entre bancos que sejam objetos de tentativa de mascarar lançamentos contábeis. Apenas existe a citação imaginária da ilustre autoridade fiscal. Quebra da Cadeia do IPI A fiscalização em citação momentânea, alega, ou melhor, afirma, não ser da competência daquela divisão da Receita Federal, analisar assuntos relacionados ao IPI. Fl. 219473DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 105 11 Contudo e ao mesmo tempo, aponta um suposto valor, da diferença entre compras e vendas entre as duas empresas, para um débito de IPI, extraindo informações de valores de venda atuais, relacionandoos como supostos valores praticados à época dos fatos. Da análise dos documentos disponibilizados pelas fiscalizadas enfocase como natural e até normal entre empresas de mesmo grupo econômico ou entre esta e as franqueadas a política de preços e descontos praticados entre as mesmas, em detrimento ou benefício do mercado corporativado situação esta ocorrida por razões comerciais. Razões idênticas e normais de mercado em apontar empréstimos realizados entre estas mesmas empresas. O que não é comum e nem devido é o tratamento dispensado pela fiscalização AFRF quando, em um momento trata como operacional e outro, tais transações, são tratadas como a tentativa de fraudar o real importador. Todas as operações e suas classificações foram clara e devidamente contabilizadas. A autoridade autuante informa ainda como base que, especificados valores identificados como sendo transferências de Mercadorias entre a Le Sac e a Day By Day são meios de fraudar o real importador, quando o importador sempre foi o conhecido e o outro logisticamente desempenhado. Analises retiradas das notas fiscais disponibilizadas pela Le Sac 29 A logística sempre foi evidenciada e descrita nas inúmeras intimações e documentos trocados entre as empresas fiscalizadas e a AFRF. Existem duas logísticas detalhadas e evidenciadas para atender as suas finalidades. No Espírito Santo a empresa contratada é a Eximbiz Armazéns e em São Paulo a empresa do próprio grupo realiza a logística de forma a distribuir por todas as lojas próprias e as empresas licenciadas que exploram o nome fantasia Le Postiche. Outras análises relevantes a Le Sac 29 Relevante esclarecer que os atos civis de qualquer sociedade jurídica versa entre a tomada de decisões, atos, registros e oficialização desses atos. O que importa dizer que, num processo de incorporação de sociedades, enquanto o primeiro ato se consolida o último ainda nem dá para se ver, ou seja, o pedido de registro na Junta Comercial e o efetivo registro pode demorar até anos; do registro até a unificação de CNPJs, outra eternidade e assim, sucessivamente. Registrase este fato por oportuno e para esclarecer que a AFRF, cm visão míope, entende que, uma vez requerida a incorporação, a sociedade incorporada não pode mais movimentar conta bancária, não pode mais comprar, vender, importar ou praticar qualquer ato para a subsistência dela e deus seus empregados, por esta visão míope a mesma não consegue entender que o ato decisório de uma incorporação perante os vários atos e compromissos civis e administrativos com repercussões de caráter Municipal, Fl. 219474DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 Estadual e Federal, caminham de forma isolada mas paralela c chegam ao final de forma oblíqua. Desta forma não cabe hoje imaginar que o CNPJ da incorporada não poderia ter movimentação bancária, fiscal e contábil apos o início do processo de incorporação, importante reafirmar que a interpretação dada pela fiscalização é de como se as coisas acontecessem, no âmbito da Receita Federal, como um passe de mágica, e de que não existe o chamado Cadastro Sincronizado entre Receita e Estado, que obriga a comunicação conjunta dos atos de alteração nos dois entes ao mesmo tempo, sendo que se não deferido por um, não se aplica ao outro. Isso certamente responderá o que a empresa continuou a realizar suas operações de crédito junto aos bancos e devidamente contabilizálas, mesmo após o registro perante a JUCESP que se deu em 11/08/2009 e somente após comunicado as demais repartições. Analises retiradas da contabilidade da Day By Day A Fiscalização referese mais uma vez aos históricos utilizados. Se observarmos os documentos e os registros de forma escorreita facilmente verificarseá que a conta contábil utilizada é a de Fornecedores Nacionais em uma, e Clientes Nacionais na outra, o que significa dizer que no histórico somente referese a tratar de uma compra de mercadoria importada, mas no mercado interno. Outro ponto relevante a demonstrar é a contradição constante que a AFRF demonstra na simples leitura dos autos aplicados, quando afirma que, quase a totalidade das mercadorias adquiridas pela Day By Day, tem origem importada, e vem negar o mesmo fato em outro momento, quando diz que a empresa camuflava tratando como se fossem adquiridas no mercado interno. Tornando difícil até a defesa destes itens. Analises retiradas das nota fiscais disponibilizadas pela Day By Day Verificase que, mesmo após a empresa Le Sac 29 ter sido incorporada pela Le Sac 61, houve emissões de diversas notas fiscais de saídas da Day By Day, no período de 03/08/2009 a 15/07/2010 para a Le Sac 29, considerando que a mesma não existia mais; Mais uma vez a fiscalização considera equivocadamente que toda a alteração se dá num único dia, na comunicação dos atos junto as esferas públicas, visto que esta comunicação conseguiu ter efeito apenas em 07/06/2011 conforme pode ser verificado no pedido de baixa do CNPJ “29”. Mas, como a característica própria de uma incorporação, ainda assim, a incorporadora assumiu todos os ativos e passivos da incorporada. Análises retiradas da contabilidade da Le Sac 61 Na análise em exame, a fiscalização argumenta que na conta “Fornecedores”, encontramse lançados valores que referemse materiais de embalagem e suprimentos, alegando que deveriam estar classificados na conta “contas a pagar”, mas desta não faz Fl. 219475DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 106 13 parte, visto que o importante a registrar é a totalidade de mercadorias importadas comercializadas pela Le Sac, são oriundas ou não da empresa Day By Day. Tanto que adiante a mesma descreve e concorda com as operações realizadas pela Le Sac, através de cartões de crédito e débito, afirmando ser compatível com as operações, embora nas saídas de mercadorias com notas fiscais modelo 1 tenham sido efetuadas sem a identificação do consumidor. Análises retiradas das notas fiscais da Le Sac 61 Neste item a fiscalização exemplifica as saídas da Le Sac 61 para comprovar a origem oriunda da Day By Day, sem qualquer relevância ou registro a comentar. Outras análises relativas à Le Sac 61 Estranho que neste item , a fiscalização argumenta que o número de empregados na quantidade de 82 é bem superior aos 9 da Day By Day, o que em sua tese reforça novamente que a Day By Day é um braço de comércio exterior dentro da Le Sac e não ao contrario, como tentou, desde o início, evidenciar. Das Requisições de informações sobre a Movimentação Financeira Quando a autoridade autuante trata da requisição de movimentação financeira junto aos bancos, da empresa Day By Day, esta alega não ter sido fornecido conforme solicitado na Intimação e por força do não fornecimento os requisitou junto aos bancos nos termos do Art. 3o X do Decreto 3.724/2001. Desta forma não conseguiu e jamais conseguirá concatenar os registros e os fatos, sem passar pelo histórico fiscal e contábil à vincular a movimentação financeira, ou seja, se parte a fiscalização com base em um único item sem analisar os demais registros, o resultado será sempre errôneo. Como aqui, efetivamente, ocorreu. A fragilidade e a tentativa de configurar o perdimento da carga e a aplicação da multa tem de estar vinculada obrigatoriamente a fraude ou a simulação, supedâneos indispensáveis a alicerçar a procedência desta aplicável multa. Essa matéria já foi, também, amplamente discutida na esfera administrativa. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Conselho de Contribuintes a respeito do assunto. Pensemos no absurdo que nos tenta impor a fiscalização quando quer determinar a forma de atuar de cada empresa, por suas convicções e empenho pessoal, sem se informar como funciona ou deve funcionar a maioria das empresas no país. Ela parte de fatos reais, para, através de silogismos, chegar a conclusões falaciosas. Registrese que aos cidadãos c contribuintes é permitido fazer tudo que a Lei efetivamente não proíba. Desta forma agem as empresas, no estrito limite da Legislação. A fiscalização parece querer legislar e impor formas de atuação Fl. 219476DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 que a Lei não exige. Contrariando pelo seu “achismo”a Lei Maior, que se pauta constitucionalmente na Livre Iniciativa. A Day by Day é uma empresa especializada em comércio exterior, tendo em seu quadro funcional pessoas especializadas neste tipo de comercialização. São especialistas em logística, em transações internacionais, em câmbio e outras atividades que exigem o conhecimento específico de cada uma. Diferente do quadro funcional da Le Sac, que é especializado na comercialização de produtos no comércio varejista. Fica muito claro, por qualquer lógica, que não se conseguiu provar as teses em que se apoiam suas conclusões e a sua vontade de autuar. A i. auditora demonstrou, ao longo do procedimento fiscal, não ter o conhecimento necessário à auditoria contábil realizada. Qualquer perícia contábil pode verificar a correta contabilização dos fatos ocorridos e atestar a precisão dos lançamentos originais. Desta fora, cabe e requer, ainda nesta fase administrativa de defesa, o requerimento e o deferimento uma perícia contábil, para, de forma independente e com lisura, apurar o se todos os lançamentos e registros contábeis estão corretos. Pelo exposto, concluise que não há nenhuma motivação fática, fiscal, contábil ou jurídica que possa supedanear ou justificar alguma autuação. Ainda que fosse, as realização de importação ocultando o real importador com fins específicos para quebra da cadeia do IPI, ressalta a impugnante que, na prática isto jamais poderia ocorrer, uma vez que o IPI tem como fato gerador a nacionalização dos produtos e não a comercialização dos mesmos. A empresa autora, como já observado, pratica operações em que adquire mercadorias do exterior e as revende no Brasil, sendo que a Capital Trade e a empresa Eximbiz Comércio Internacional S/A viabilizam a entrada de mercadorias no território nacional, por conta e ordem da impugnante, sendo esta quem efetivamente paga todos os tributos e despesas decorrentes da importação, bem como decorrentes da venda da mercadoria importada. Este tipo de operação é classificada por conta e ordem de terceiros ou por encomenda, cujas características serão tratadas adiante. Na essência, a impugnante realiza o contato com o exportador, no exterior, e em seguida contrata os serviços destas tradings para viabilizar a entrada da mercadoria importada no Brasil, funcionando a trading como uma importadora prestadora de serviços de nacionalização, formalizando a relação de comércio internacional. Após as negociações e conclusões de viabilidade, uma vez fechado o negócio, o exportador envia a mercadoria ao Brasil, em nome da empresa importadora, ora Impugnante, que a recebe aqui e dá a destinação adequada, conforme o caso. Fl. 219477DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 107 15 Ao chegar ao Brasil, seja via modal marítimo, aéreo ou rodoviário, a mercadoria, já em zona alfandegada (zona primaria), que pode ser aeroporto, porto ou zonas de fronteira, é submetida ao procedimento denominado despacho aduaneiro, que se inicia com o registro da Declaração de Importação — DI, documento responsável por trazer todas as informações necessárias para o início do procedimento. Neste procedimento, com o registro da DI, é que são verificadas todas as questões de ordem técnica relacionadas aos produtos importados, tais como classificação tarifária, quantidade, peso, especificações, veracidade de informações, legitimidade dos produtos, dentre outras questões. Com o registro da Declaração de Importação — DI e o início do despacho aduaneiro, todos os tributos incidentes nesta fase são devidamente recolhidos, de forma antecipada, sendo a liberação das mercadorias condicionada a este prévio recolhimento, sem o qual o procedimento não segue normalmente. Uma vez atendidos os requisitos legais e devidamente recolhidos os tributos, não havendo impedimento contrário por parte da fiscalização, as mercadorias são desembaraçadas e, a partir de então, nacionalizadas. Notese, por oportuno, que neste momento já recaíra sobre a operação a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI/importação, anteriormente, por força do desembaraço aduaneiro, conforme inciso I do art. 46 do CTN. A partir de então as mercadorias seguem para a empresa, entrando física e fiscalmente em seu estoque. Sem que sofram qualquer modificação que enseje industrialização, as mercadorias são revendidas, comercializadas, em características idênticas àquelas de quando foram nacionalizadas, sem alterações, sendo que, nesta nova fase da cadeia, qual seja a saída das mercadorias para comercialização, a empresa impugnante mais uma vez recolhe o Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, importando clara e nitidamente em pagamento do mesmo tributo duas vezes, ou seja, evidente a bitributação no caso vertente, o que, como cediço, é vedado por forma constitucional. É de se notar que a incidência do IPI, neste caso, ocorre duas vezes, sendo que, na segunda, de forma equivocada, haja vista a inexistência de relação jurídicotributária ao caso em apreço, uma vez que o tributo fora recolhido na importação, não havendo na operação seguinte qualquer operação de industrialização que pudesse justificar nova cobrança. Além disso, há que se observar o texto legal, precipuamente o Código Tributário Nacional —CTN, para que se entenda pela não incidência dupla do IPI, detalhe técnico que será devidamente abordado à frente. Fl. 219478DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 16 Portanto, de forma bem clara, o que se busca demonstrar com o presente relato é demonstrar a essa fiscalização que autuou, formalmente, a inexistência de relação jurídicotributária quando da saída das mercadorias importadas, sem industrialização, para comercialização no mercado interno, uma vez que o fato gerador neste caso é a importação/desembaraço aduaneiro, e não a saída da mercadoria para revenda. DOS FUNDAMENTOS DE DIREITO Do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Para que se considere ocorrida a industrialização, para fins de incidência do IPI, além daqueles requisitos acima apontados pela doutrina, também há a necessidade de que a operação modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto. Sem tais requisitos, não se pode considerar por efetiva a industrialização. Nesta sequência, aterrissando as colocações e trazendoas para o caso em apreço, temse que as saídas das mercadorias importadas de estabelecimento importador, ora impugnante, para comercialização ou transferência, sem que sofram as alterações e modificações previstas em lei, nada tem por receber, em sua operação, o ônus desta exação tributária. Do fato gerador do IPI, do contribuinte e a dupla incidência O legislador derivado definiu, como fato gerador do IPI, não só uma situação isolada e bem definida, mas três alternativas para sua incidência, devidamente expressas pelos incisos I a III do art. 46 do Código Tributário Nacional. Em primeiro lugar, e logo de forma incisiva, há que se considerar, por uma questão lógica e sistêmica, que apesar de o legislador derivado ter estabelecido mais de um momento e mais de um contribuinte para o referido imposto, não se pode concluir pela incidência sempre que um desses fatos venha a ocorrer. Este critério é definitivamente alternativo. Isso porque, em determinadas situações, como no caso em tela, os fatos previstos no CTN como geradores da obrigação tributária principal de pagamento do IPI ocorrerão por mais de uma vez. Explicase. E que na prática, tanto o desembaraço aduaneiro quanto a saída da mercadoria para comercialização vem a ocorrer, uma vez se tratar de uma operação de importação. Logo, de fácil constatação que esta dupla incidência é deveras indevida, ao violar de morte não só a própria legislação como também diversos princípios constitucionais, como, por exemplo, o da isonomia. Não se pode admitir que as empresas importadoras paguem duplamente o IPI, no desembaraço e na saída, ao passo em que as industriais internas só o pagam uma vez, quando da saída de Fl. 219479DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 108 17 seus estabelecimentos. Não seria isonômico este tratamento, colocando em “cheque” as operações advindas do exterior. Se assim não fosse, estarseia diante de um nítido caso de inconstitucionalidade dos dispositivos, pela ocorrência do fenômeno da bitributação, uma vez que estariam criando mais de uma regramatriz de incidência tributária para o mesmo imposto, o que, como cediço, não é legal. In casu, ou a incidência se dá no desembaraço aduaneiro ou na saída para comercialização, vedada a incidência nos dois casos. Por tais razões, podese concluir facilmente pelo não cabimento do recolhimento do IPI na saída das mercadorias de estabelecimento importador/comercial para outros estabelecimentos, sob pena de se estar onerando, indevida e ilegalmente, certos contribuintes. Do posicionamento unânime da Jurisprudência face à ilegalidade da dupla incidência do IPI A tese ora defendida, apenas pelos argumentos balizados até o momento, já seria demasiadamente aceitável e imediatamente aplicável, uma vez que a violação neste caso se mostra gritante e de fácil constatação. Em que pesem estes argumentos, temse que, corroborando, já se pronunciou nosso judiciário, em primeiro, segundo tribunal superior, todos favoráveis a tese em voga. Junta textos da Jurisprudência Judicial, proveniente da Seção Judiciária de Santa Catarina e do Superior Tribunal de Justiça, a respeito do assunto. Destarte, não restam dúvidas de que a incidência do IPI na saída de estabelecimentos importadores/comerciais, quando já onerados no desembaraço aduaneiro pelo mesmo tributo, se mostra evidentemente indevido, pois fere, dentre outras questões, a isonomia e a vedação à bitributação, nos termos do voto do Relator acima, Ministro Francisco Falcão. Da prova inequívoca e verossimilhança da alegação A prova inequívoca e a verossimilhança da alegação é o que conhecemos como o fumu boni iuris, ou fumaça do bom direito, que tem como escopo central a busca da certeza de se estar diante de uma afirmativa ou suposição verídica, ou, em melhor hipótese, de uma suposição com grande possibilidade de se confirmar. São casos em que as provas e alegações préconstituídas tenham tamanha pertinência que, de imediato, se verifica estar diante de um caso em que o direito pleiteado tenha uma probabilidade positiva imediata. E um juízo de valor antecipado, baseado numa análise sumária, mas de fácil e nítida constatação. Assim, como prova inequívoca, têmse as próprias guias de recolhimento do IPI na saída do estabelecimento da impugnante, Fl. 219480DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 18 em operações comerciais que não tem qualquer viés de industrialização, pagamentos estes que ocorrem após o pagamento do IPI na importação, gerando, por pressuposto, a dupla incidência. Além destes comprovantes que cabalmente demonstram o duplo pagamento, trazse à baila as decisões cristalinas em caso idêntico, que reforçam e subsidiam a verossimilhança esperada para se conceder a medida antecipatória. DO PEDIDO Isto posto, com base no farto conteúdo probatório, produzido e os demais que se fizerem necessários até o julgamento desta impugnação, aliados a prova pericial contábil e documentação superveniente já citada e, demonstrada a insubsistência e improcedência da autuação, requer a IMPROCEDÊNCIA da autuação supra aplicada. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 219052/219129), em que, em preliminar, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e mantido o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/09/2009 Ocultação do sujeito passivo. Embora existam três CNPJ distintos, há uma confusão patrimonial e operacional tão grande entre as empresas que se pode considerar que, de fato, tratase de uma única empresa. Não houve qualquer erro de critério jurídico por parte da fiscalização. Pelo contrário. O Relatório Fiscal que acompanha o Auto de Infração em análise é pródigo em reunir fatos probandos no sentido de enquadrar a conduta das empresas autuadas na infração na conduta de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. O MPF está cingido à fase instrutória, onde são apurados os fatos para a formação de convicção inicial da fiscalização quanto à existência ou não de ilicitude, seja ela qual for. O procedimento fiscaladministrativo que tem por função identificar o sujeito passivo pode muito bem negar essa condição a quem apenas a aparenta. Se as importações efetuadas pela já possuiam compradores antes do respectivo registro da Declaração de Importação, seja na condição de adquirentes, seja na condição de encomendantes a legislação exige que esses compradores sejam apresentados à autoridade aduaneira, sob pena de se configurar a ocultação do sujeito passivo. A autuada tinha o tinha pleno controle das importações, portanto o domínio do fato, sendo a responsável pelas operação de comércio exterior. Fl. 219481DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 109 19 A autuada DAY BY DAY foi cientificada da decisão de primeira instância em 3/7/2013 (fl. 219138). Inconformada, em 10/7/2013 (fls. 219245), apresentou o recurso voluntário de fls. 219247/219329, em que reafirmou os argumentos aduzidos na peça impugnatória, em relação às questões de mérito e à necessidade da realização de perícia. Por sua vez, a autuada LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA. foi cientificada em 21/6/2013 (fl. 219137). Irresignada, em 11/7/2013 (fls. 219139), apresentou o recurso voluntário de fls. 219141/219224, em que reafirmou as razões de defesa apresentadas na fase impugnatória, em relação às questões de mérito e à necessidade da realização de perícia. Em aditamento às razões de defesa suscitadas nas respectivas peças impugnatórias, em preliminar, as recorrentes alegaram nulidade da decisão de primeira instância por supressão instância e cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que, no citado julgado, não foram analisadas as razões de defesa aduzidas nas impugnações complementares (fls. 212679/212736 e 215867/215923), apresentadas em 12/12/2012. Ainda, em sede de preliminar, alegaram as recorrentes nulidade da decisão recorrida, sob argumento de que não houve qualquer contraponto ou indício de análise em relação à argumentação suscitada na peça impugnatória acerca da suposta ocultação do real interessado nas operações de importação, com a finalidade de quebrar a cadeia do IPI devido na saída do estabelecimento equiparado à industrial pela venda de mercadorias importadas no mercado interno, fundamento que não servia de amparo para a imposição da referida penalidade, na medida em que era posicionamento unânime da jurisprudência a ilegalidade da chamada dupla incidência do IPI ou bitributação. Em 11/6/2014, depois de quase um ano de expirado o prazo recursal, a recorrente DAY BY DAY apresentou as razões recursais complementares de fls. 219354/219377, em que alegou: a) nulidade do auto de infração, em face da (i) nulidade das provas obtidas, sob argumento de que não constava dos autos a motivação da proposta de expedição de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) e (ii) do erro na determinação do fato gerador da multa de conversão da pena de perdimento aplicada; e b) ausência de subsunção do fato à norma, pois o importador e o destinatário das mercadorias eram as mesmas pessoas. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Nos recursos voluntários apresentados pelas autuadas DAY BY DAY COMERCIAL DE COUROS E IMPORTADORA LTDA. (fls. 219246/219329), doravante denoninada de DAY BY DAY, e LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA. (fls. 219140/219224), doravante denominada de LE SAC61, foram apresentadas as mesmas razões de defesa, dada essa circunstância eles serão apreciados em conjunto. Fl. 219482DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 20 A controvérsia limitase as contestações suscitadas nos referidos recursos. Nas referidas peças recursais, em síntese, as recorrentes aduziram o seguinte: a) em sede de preliminar, alegaram nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que houve supressão de instância, porque, no julgado recorrido, não foram análisados os argumentos aduzidos nas impugnações complementares de fls. 212679/212736 e 215867/215923 nem o orgumento apresentado na impugnação original sobre a ilegadade da dupla incidência ou bitributação do IPI, que descaracterizaria a imputada quebra de cadeia do IPI apontado como motivo da ocultação da responsável solidária; b) nulidade do auto de infração, em face da (i) nulidade das provas obtidas, sob argumento de que não constava dos autos a motivação da proposta de expedição de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) e (ii) do erro na determinação do fato gerador da multa de conversão da pena de perdimento aplicada; c) reiteraram o pedido de realização diligência para fim de produção de prova pericial, para fim de aferir se, diante da estrutura operacional adotada, era possível ou não demonstrar a quebra da cadeia do IPI e para que fosse confirmada se nas operações de importação teria havido interposição fraudulenta e se as pessoas jurídicas LE SAC29 e DAY BY DAY havia figurado nas DI e se possuíam recursos suficientes para realizar as importações; e c) no mérito, alegaram que: i) as operações de importação objeto da autuação não caracterizavam interposição fraudulenta comprovada ou presumida, capitulada no art. 23, V, e § 2º, do Decretolei 1.455/1976; ii) a legalidade das pessoas jurídicas que integravam o “GRUPO LE POSTICHE”, das operações entre elas realizadas e a inexistência da elegada confusão patrimonial e operacional; iii) faltava previsão legal para que a suposta importação por encomenda caracterizasse a infração capitulada no art. 23, V, § 2º, do Decretolei 1.455/1976 e que a presução legal de interposição fraudulenta também não existiria, uma vez que não comprovada a fraude ou simulação; iv) o enquadramento da conduta das recorrentes no art. 23, V, § 2º, do Decretolei 1.455/1976 e no art. 33 da Lei 11.488/2007, distorciam a natureza dessas infrações e os objetivos almejados pelo legislador; v) eram totalmente equívocados os indícios e conclusões apresentados pela fiscalização em relação as condutas imputadas às recorrentes; vi) não houve quebra da cadeia do IPI, posto que ocorrera regular pagamento do IPI nas operações de importação e venda efetuadas pela recorrrente DAY BY DAY; vii) ausêcia de causalidade e proporcionalidade entre a multa imposta às recorrentes e os alegados prejuízos ao erário; e viii) o caráter confiscatório da pena de perdimento e a sua conversão em pena pecuniária. I Da Preliminar de Nulidade da Decisão Recorrida Em sede de preliminar, as recorrentes alegaram nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que houve supressão de instância no âmbito do julgado recorrido, porque não foram analisados os argumentos aduzidos nas impugnações complementares de fls. 212679/212736 e 215867/215923 nem o orgumento apresentado na impugnação original sobre a ilegadade da dupla incidência ou bitributação do IPI, que descaracterizaria a imputada quebra de cadeia do IPI apontada como o motivo da ocultação da responsável solidária. Sem razão a recorrente, porque as referidas impugnações complementares foram apresentadas em 12/12/2012, ou seja, em data bem posterior ao prazo final de impugnação de 30 (trinta) dias, que se expirou em 4/5/2012. Fl. 219483DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 110 21 Aliás, o fato de a Turma de Julgamento de primeiro grau não ter apreciado os argumentos aduzidos nas citadas peças, bem como os documentos que a elas foram colacionados, está em perfeita consonância com o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/1972, doravante denominado de PAF, que exigem respectivamente, que: a) a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, seja apresentada ao órgão preparador no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias; e b) a prova documental seja apresentada junto com a impugnação tempestiva, sob pena de preclusão, exceto se (i) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maio, (ii) refirase a fato ou direito superveniente e (iii) destinese a contrapor fatos ou razões supervenientes, o que não ocorreu no caso em tela. Também não tem procedência a alegação das recorrentes de que não foi analisado no questionado julgamento o orgumento apresentado na impugnação tempestiva, acerca da ilegadade da dupla incidência ou bitributação do IPI, assim como da descaracterização da imputada quebra de cadeia do IPI, apontada como o motivo da ocultação da responsável solidária. Com efeito, contrariamente ao que alegou às recorrentes, da leitura do extenso e profundo voto condutor do julgado recorrido observase que a matéria foi aborda em várias passagens, em especial, no item XIII do citado voto (fls. 219115/219117), em que, com brilhantismo, o nobre Relator, com base em fundamentos legais sólidos e do contejo entre as imputações feitas pela fiscalização e dos argumentos de defesa aduzidos pelas impugnantes, concluiu que a quebra da cadeia do IPI não só tinha sido quebrada, mas que tinha acarretado um elevado prejuízo à arrecadação do referido imposto. Por essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, pois não houve a alegada supressão de instância suscitada pelas recorrentes. II Da Preliminar de Nulidade do Auto de Infração Na razões recursais complementares, a recorrente DAY BY DAY alegou nulidade do auto de infração, sob argumento de que foram obtidas de forma indevida, sob argumento de que não constava dos autos a motivação da proposta de expedição de Requisição de Movimentação Financeira (RMF). Sem a razão à recorrente. Com efeito, compulsando o Subitem 5.12.1 do citado Relatório Fiscal, verificase que a solicitação de informações bancárias foi feita de forma regular e com estrita observância ao disposto no Decreto 3.724/2001, uma vez que devidamente intimadas a disponibilizar, em até 20 dias, cópia de seus extratos bancários relativos ao período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010, as recorrentes não atenderam a solicitação da fiscalização. Portanto, diferetemente do alegado pela recorrente, a expedição das correspondentes RMF foram motivadas e em consonância com o disposto na legislação vigente. Também não procede a alegação da recorrente de que houve erro na determinação do fato gerador da multa de conversão da pena de perdimento aplicada por meio do Auto de Infração em apreço, pois, sabidamente, a data do fato gerador da multa não é data do fato gerador do tributo, como alegou a recorrente, mas a data da lavratura do auto de infração. Fl. 219484DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 22 Com base nessas considerações, rejeitase a alegação de nulidade do Auto de Infração, aduzida pela recorrente DAY BY DAY. III Do Pedido de Perícia As recorrentes reiteraram o pedido de realização diligência para fim de produção de prova pericial, para fim de aferir se, diante da estrutura operacional adotada, era possível ou não demonstrar a quebra da cadeia do IPI e para que fosse confirmada se nas operações de importação teria havido interposição fraudulenta e se as pessoas jurídicas LE SAC29 e DAY BY DAY havia figurado nas DI e se possuíam recursos suficientes para realizar as importações. O referido pedido de produção de prova pericial não merece guarida. A uma, porque formulado em desacordo com os requisitos do fixados no art. 15, IV, do PAF, pois, além de não indicar os quesitos referentes aos exames desejados, não indicou o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, o que, por força do disposto no § 1º do referido artigo implica em considerar como não formulado o referido pedido. Além disso, os pedidos de confirmação apresentados pelas recorrentes, induvidosamente, prescindem de realização de diligência ou perícia, haja vista que se referem à informação facilmente verificável em documentos que se encontram coligidos aos autos, ou que poderiam ser coligidos aos autos pelas próprias recorrentes. Com base nessas considerações, com fundamento no art. 18, combinado com o disposto no art. 28, ambos do PAF, indeferese o pedido de diligência/perícia formulado. IV Da Análise das Questões de Mérito Inicialmente, cabe esclarecer que a presente autuação trata apenas das Declaraçõeos de Importação (DI), registradas no período de 8/9/2009 a 28/12/2010, referentes às operações de importação realizadas, formalmente, por conta e ordem da autuada DAY BY DAY, por intermédio da filial de Itajaí (a totalidade das importações discriminadas na planilha de fls. 183/189) e da filial do Espírito Santo (33,89% das importações discriminadas na planilha de fls. 189/192), e que foram vendidas diretamente às pessoas jurídicas LE SAC29 e LE SAC61. De acordo com subitem 6.4 do Relatório Fiscal que integra a autuação em questão (fls. 181/183), informou a fiscalização que ficara provado que, nas referidas importações, a autuada DAY BY DAY ocultou as reais importadoras e adquirentes das mercadorias, as pessoas jurídicas LE SAC29 e LE SAC61, concorrentes direta para a prática da infração capitulada no art. 23, V, do Decretolei 1.455/1976, a seguir transcrito: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] Fl. 219485DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 111 23 Além disso, no referido subitem do citado Relatório Fiscal (fls. 181/183), informou a fiscalização que as autuadas, ora recorrentes, DAY BY DAY e LE SAC61, foram incluídas no polo passivo da autuação na condição de beneficiárias e por terem concorrido diretamente para a prática da infração de ocultação do real adquirente, tipificada no citado preceito legal, em conformidade com o estabelecido no art. 95, I, do Decretolei 37/1966, a seguir reproduzido: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...] (grifos não originais) Dados esses breves esclarecimentos, fica evidenciado que, nos autos, inexiste controvérsia em relação ao fato de que as citadas operações de importação, formalmente, foram realizadas por conta e ordem da autuada DAY BY DAY, conforme consignado pela fiscalização nas referidas planilhas (fls. 183/193) e pelas recorrentes nas correspondente DI, foram por elas colacionadas aos autos na fase impugnatória (fls. 200253/204546), tendo como importadoras empresas comerciais importadoras (tradings companies). Além disso, não tem relevância para o deslinde da controvérsia se a interposição fraudulenta em questão foi do tipo comprovada ou presumida, já que as pesssoas jurídicas importadoras não foram arroladas no polo passivo da autuação. No caso, o cerne da controvérsia gira em torno da questão atinente a quem, de fato, foi a real importadora e adquirente das referidas mercadorias, se (i) a autuada DAY BY DAY, formalmente declarada nas respectivas DI, ou (ii) a autuada LE SAC61, adquirente das mercadorias formalmente importadas por conta ordem da primeira autuada. Com efeito, para a fiscalização, a real importadora e adquirente das mercadorias foi a pessoa jurídica autuada LE SAC61, ocultada das respectivas DI. Segundo a fiscalização (fl. 27), quem precisava de mercadorias importadas para comercializar era a LE SAC61, “a ‘verdadeira LE POSTICHE’, e que a LE SAC29 e a DAY BY DAY são empresas inseridas no grupo apenas para figurarem como interpostas pessoas, quebrando a cadeia do IPI e, assim, gerando menores obrigações tributárias para a LE SAC61.” Já para as recorrentes a real importadora e adquirente das mercadorias foi a autuada DAY BY DAY, corretamente informada nas correspondentes DI, conforme explicitado no trecho extraído dos citados recursos, a seguir transcrito: [...] nas operações de importação realizadas, sobre as quais recaem a exigência em combate, não houve qualquer ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, posto que que o real adquirente dessas mercadorias, conforme o caso, a LE SAC 29 ou a DAY BY DAY, previamente informou à RFB acerca da contratação das Tradings Companies que, nos termos da legislação pertinente, iriam importar mercadorias por sua conta e ordem, figurou nas respectivas Declarações de Importação como tal, também em perfeita observância à legislação federal, e possuía recursos suficientes para fazer frente a tais importações, ou seja, possuía capacidade financeira para arcar com todos os custos e despesas decorrentes das importações realizadas; Fl. 219486DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 24 Antes analisar os pontos controvertidos suscitados pelas recorrentes, cabe responder a seguinte indagação apresentada pelas recorrentes: [...] qual a hipótese legalmente prevista para a caracterização de interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior teria ocorrido para que a DAY BY DAY, real adquirente das mercadorias importadas, tomadora dos serviços de importação prestados pelas Tradings Companies que contratou, fosse tida como "pessoa interposta" em tais importações, na medida em que a 23ª Turma da DRJ/SP1, limitouse a abordar aspectos teóricos acerca do tema? Induvidosamente, a resposta a essa indagação encontrase na leitura do citado subitem 6.4 do Relatório Fiscal (fls. 181/183), onde se encontra expressamente consignado que o motivo da autuação foi a ocultação da real importadora e adquirente das mercadorias importadas, a pessoa jurídica LE SAC61, e a infração cometida foi corretamente capitulada no art. 23, V, do Decretolei 1.455/1976, incluído pela Lei 10.637/2002. Definido o contorno da controvérsia e prestados esses esclarecimentos, passa se a análise das razões de defesa aduzidas pelas recorrentes. Da inexistência da interposição fraudulenta. As recorrentes alegaram que as operações de importação objeto da autuação não caracterizavam interposição fraudulenta comprovada ou presumida, capituladas, respectivamente, no V e no § 2º do art. 23 do Decretolei 1.455/1976, sob o argumento de que “os procedimentos legalmente previstos para a realização de tais operações foram observados tanto pela DAY BY DAY (real adquirente das mercadorias importadas), como pelas Tradings Companies por ela contratadas para prestar serviços de importação”. Sem razão a recorrente. O motivo da autuação não foi o descumprimento dos requisitos formais exigidos para as importações por conta e ordem, mas o fato de a pessoa jurídica DAY BY DAY, informada nas DI como a importadora e adquirente das mercadorias, de fato, não ter sido a real importadora e adquirente das mercadorias. Para fiscalização (fls. 25/34), a real importadora e adquirente das mercadorias era a autuada LE SAC61, que foi, intencionalmente, omitida nas DI com o objetivo de quebrar a cadeia do IPI. Relata a fiscalização que, a partir da incorporação da LE SAC29, sob ponto de vista formal, a autuada DAY BY DAY assumiu as importações do GRUPO LE POSTICHE antes realizadas em nome da LE SAC29, de modo que a qualidade de real adquirente das mercadorias importadas da LE SAC61 continuasse sendo ocultada nos documentos de importação. Para esse mister, a DAY BY DAY passou a atuar por meio (i) da filial no Espírito Santo, ocultando as empresas franquiadas/licenciadas da LE POSTICHE e a LE SAC61 e (ii) da filial em Santa Catarina (Itajaí), ocultando apenas LE SAC61, uma vez que todas importações eram revendidas diretamente para esta pessoa jurídica. Da leitura dos fatos consignados no citado Relatório Fiscal (fls. 7/208), resta demonstrado que a conduta dolosa imputada as recorrentes reside no fato de ocultar, esconder ou encobrir a pessoa jurídica LE SAC61, com a finalidade de quebrar a cadeia do IPI e, dessa forma, evitar o pagamento do IPI sobre os valores de vendas normais das operações praticadas no mercado interno. Assim, fica demonstrado que o motivo da autuação não foi o descumprimento dos procedimentos legais determinados para realização da importação por Fl. 219487DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 112 25 conta e ordem, mas o fato de a pessoa jurídica informada como sendo a real importadora ou adquirente, de fato, não ostentar essa condição. Da confusão patrimonial e operacional. As recorrentes alegaram a legalidade das pessoas jurídicas que integravam o “GRUPO LE POSTICHE”, das operações entre elas realizadas e a inexistência da elegada confusão patrimonial e operacional, com base no argumento de que era notório que a semelhança dos membros dos quadros societários das citadas empresas não podia (nem devia) servir de indício e/ou de base para a conclusão de que essas empresas não existiam de fato, nem de direito, porque não havia qualquer dispositivo, no nosso ordenamento jurídico, que autorizasse ou sustentasse esse entendimento. No que tange à semelhança do quadro societário, alegaram as recorrentes que era notório que tal condição não podia nem devia servir de indício e/ou de base à conclusão de que essas empresas não existem de fato, nem de direito. Não procedem os argumentos aduzidos pelas recorrentes, porque a fiscalização não afirmou, em parte alguma do Relatório Fiscal, que as recorrentes não existiam de fato e direito, até porque se essa fosse a conclusão, por dever de ofício, a fiscalização, certamente, teria proposto a declaração da inaptidão da inscrição dos referidas pessoas jurídicas no CNPJ. Entretanto, diferentemente do alegado, o que a fiscalização concluiu foi que a autuada DAY BY DAY fora utilizada para fim de ocultação da autuada LE SAC61, a real importadora e adquirente das mercadorias, com a evidente finalidade de promover a quebra da cadeia do IPI. Ainda alegaram as recorrentes, que a existência de sócios em comum apenas caracterizava a relação de interdependência entre as autuadas, nos termos do art. 520 do RIPI/2010, situação que implicava fixação de valor tribubável mínimo para as transações entre as empresas, nos termos do art. 136 do citado Regulamento. Tratase de argumentos estranhos aos autos. Tal assunto diz respeito a cobrança do IPI, matéria que não foi contemplada na autuação em apreço. As recorrentes ainda alegaram que a organização das empresas fora feita por meio de atos válidos, lícitos e na forma prescrita em lei, o que era um direito do contribuinte. A opção, em razão de estratégia mercadológica, pela constituição de nova empresa, assegurando seu crescimento empresarial, ainda que isso gerasse um gravame menos oneroso em relação ao IPI, não podia ser questionada pelo fiscalização, porque o procedimento encontrava amparo na lei e decorria da prática de atos lícitos. Com base nesses argumentos, as recorrentes concluíram que (i) não era dado ao Fisco substituir o contribuinte na escolha da melhor forma, entre as legalmente possíveis de alcançar os resultados econômicos pretendidos e (ii) a interpretação econômica feria os princípios da legalidade, da tipicidade e da segurança jurídica. Outra tetativa das recorrentes de trazer à apreciação deste Colegiado questões estranhas aos autos. Deveras, compulsando o citado Relatório Fiscal, em parte alguma, foi encontrada qualquer afirmação de que os atos de constituição e negociais praticados pelas recorrentes eram ilegais. Tampouco a fiscalização fez qualquer interpretação de natureza econômica com vistas a descaracterizar a condição de real importadora e adquirente das mercadorias atribuída pelas recorrentes à autuada DAY BY DAY. Ademais, em nenhum momento a fiscalização demonstrou que tivesse a intenção de substituir o contribuinte na escolha da melhor forma, entre as legalmente possíveis de alcançar os resultados econômicos pretendidos. Fl. 219488DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 26 Com efeito, o que fez a fiscalização, concernente apenas às operações de importação, foi demonstrar uma situação artificial e trazer a lume a real importadora, que fora ocultada nos documentos de instrução dos despachos aduaneiros de importação, com o evidente objetivo de fraudar o pagamento do IPI devido nas operações de revenda das mercadorias no mercado interno. E para justificar tal conclusão, ela apresentou uma conjunto de fatos que, de forma congruente, ratificam que a autuada DAY BY DAY, nos respectivos despachos de importação, cumprira apenas o desiderato de ocultar a autuada LE SAC61, comprovadamente, a real importadora e adquirente das mercadorias. Tais fatos foram contestados pelas recorrentes e serão a seguir analisados. As recorrentes alegaram que as autuadas efetivamente existiam, tinham sede e filiais próprias, objetos sociais específicos, apesar da relação de interdependência estabelecida entre elas, conforme atestavam os contratos sociais e a documentação da incorporação homologada pela Junta Comercial. Se a fiscalização não tratou da existência jurídica das recorrentes e nem questionou o referenciado ato de incorporação, inequivoamente, tratase de alegação de alegação fora de contexto, que nada contribui para o deslinde da controvérsia. As recorrentes também alegaram que se elas tinham folha de pagamento própria e quadro de funcionários distintos, tal situação implicava que elas tinham independência operacional, gerando despesas e receitas próprias. Além de se tratar fato insignificante, comparado com a gravidade dos demais fatos apontados pela fiscalização, no que tange à mãodeobra, a fiscalização asseverou que “as mesmas pessoas ora estão empregadas por uma empresa ora por outra, os Avisos de Recebimento das correspondências enviadas pela fiscalização são recebidos pelos mesmos empregados, não importando a qual empresa a correspondência estava endereçada”, fato que foi ratificado pelas autuadas ao afirmarem que “ocorrências dessa natureza em empresas que apresentam alguma relação operacional, no presente caso notada pela interdependência, são absolutamente comuns e representam apenas decisões operacionais e gerenciais no intuito de melhor se atender aos interesses de cada uma delas, sua estrutura e foco de atuação.” Em relação aos empréstimos e transferências bancárias entres as autuadas, as recorrentes limitaramse em argumentar que tais fatos deramse de forma lícita e foram devidamente contabilizados, tendo como justificativa nada mais que as razões negociais e operacionais de cada uma delas, no intuito de melhor atender aos seus interesses. Além de não ter feito qualquer afirmação acerda da licitude das referidas operações financerias, o que torna inócua tal alegação, as recorrentes deixaram de justificar a imputação feita pela fiscalização de que, da análise do fluxo financeiro entre elas, fora constatado uma série de transferências bancárias de uma empresa para outra em datas próximas à liquidação dos câmbios. Por todas essas razões, fica demonstrada a improcedência das alegações suscitadas pelas recorrentes neste tópico. Dos fatos imputados às autuadas. Para a fiscalização, embora tivessem CNPJ distintos, havia uma confusão patrimonial e operacional tão grande entre as duas empresas autuadas que, de fato, elas funcionavam com se fossem uma única empresa. Para essa conclusão, a fiscalização baseouse nos fatos, corroborados por documentos colacionados aos autos, a seguir relacionados: Fl. 219489DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 113 27 a) a LE SAC61, principal empresa do “GRUPO LE POSTICHE”, sempre comercializara uma considerável quantidade de produtos importados, mas nunca registrara um única DI; b) os produtos comercializados pela LE SAC61 eram os mesmos importados pela DAY BY DAY; c) A LE SAC61 e a DAY BY DAY apresentavam, praticamente, o mesmo quadro societário, os mesmos endereços, os mesmos números de telefone, a mesma mãodeobra (as mesmas pessoas ora estão empregadas por uma empresa ora por outra, os Avisos de Recebimento das correspondências enviadas pela fiscalização são recebidos pelos mesmos empregados, não importando a qual empresa a correspondência estava endereçada); d) as filiais da DAY BY DAY promotoras das importações nada mais eram do que espaços para armazenamento das mercadorias por curtíssimo espaço de tempo antes de sua distribuição para as lojas do “GRUPO LE POSTICHE”; e) as autuadas possuem, no sistema RADAR, uma série de fichas registradas que indicam um histórico de ocultação do real adquirente entre elas mesmas; f) as fiscalizadas prestaram informações comprovadamente falsas no curso da fiscalização, o que faz com que seja questionada a sua credibilidade como um todo; g) antes da incorporação da LE SAC29 pela LE SAC61, a LE SAC29 promovia as importações, simulava uma venda das mercadorias à DAY BY DAY e recomprava essas mesmas mercadorias da mesma DAY BY DAY, quebrando, assim a cadeia do IPI (os valores das vendas da LE SAC29 à DAY BY DAY e das compras da LE SAC29 para a DAY BY DAY eram quase idênticos); h) após a incorporação da LE SAC29 pela LE SAC61, a DAY BY DAY assumiu as atividades de ocultação da LE SAC29; i) a filial da DAY BY DAY em Itajaí, uma das promotoras das importações do grupo, só tinha a LE SAC29 e a LE SAC61 como clientes; j) o prazo médio de permanência das mercadorias nos estoques da filial da DAY BY DAY em Itajaí era de apenas 4 (quatro) dias, sendo que várias mercadorias entravam na DAY BY DAY em Itajaí e dela saiam no mesmo dia; k) a margem de lucro da filial da autuada DAY BY DAY em Itajaí era muitíssimo inferior à da LE SAC61; l) a filial da DAY BY DAY no Espírito Santo, outra promotora das importações do grupo, só tinha a LE SAC29, a LE SAC61 e empresas Fl. 219490DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 28 filiadas/franquiadas da rede LE POSTICHE como clientes (apenas 0,321% das mercadorias da filial da DAY BY DAY no Espírito Santo são destinadas a outras pessoas); m) da análise do fluxo financeiro entre as empresas, foi constatado uma série de transferências bancárias de uma empresa para outra em datas próximas à liquidação dos contratos de câmbio; n) em várias notas fiscais, no campo destinatário constava o nome da LE SAC (LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA.), mas o CNPJ era o da DAY BY DAY, o que comprovava que os funcionários dessas empresas tratavamnas como uma unidade; o) no contrato de licenciamento da DAY BY DAY com a marca LE POSTICHE, havia cláusulas que demonstravam que era a LE SAC61 quem dava a palavra final na escolha das mercadorias a serem importadas; p) da análise da contabilidade das empresas, apurou a fiscalização que: i) a DAY BY DAY admitia manter acordo de importações com as licenciadas; ii) a DAY BY DAY contabilizava recebimentos da LE SAC para cobrir despesas com as importações; iii) a DAY BY DAY registrava importações como se fossem compras no mercado interno; iv) as fiscalizadas apresentavam uma política de desconto entre elas não aplicável às outras empresas; v) havia uma série de empréstimos da LE SAC à DAY BY DAY; vi) era comum uma das autuadas pagar despesas da outra; e vi) havia o registro de pagamento de aluguéis da DAY BY DAY à LE SAC, que comprova que a área por ela ocupada pertencia à LE SAC. Apesar da extensa relação de fatos que, de forma congruente, corroboram a conclusão da fiscalização, as recorrentes limitaramse apenas em contestar alguns deles, que serão analisados seguir, com exceção dos que foram já apreciados em tópicos anteriores. Em relação ao fato de que a LE SAC61 sempre comercializara uma considerável quantidade de produtos importados, mas nunca registrara um única DI, alegaram as recorrentes que antes da incorporação da LE SAC29 pela LE SAC61, a sua receita principal originavase dos valores de royalties decorrentes dos contratos de licenciamento celebrados. Tratase de alegação que não se aplica a esta autuação, que compreende as operações de importação realizadas, formalmente, por conta e ordem da autuada DAY BY DAY, após a incorporação da LE SAC29 pela LE SAC61. No que tange aos fatos de que os produtos comercializados pela LE SAC61 eram os mesmos importados pela DAY BY DAY, as recorrentes alegaram que era natural que a autuada LE SAC61 comercializasse os mesmos produtos importados pela autuada DAY BY DAY, pois esta empresa, mediante licenciamento da marca, era a responsável pela importação, logística e distribuição dos produtos para a LE SAC61 e para as outras empresas franqueadas da marca LE POSTICHE, sendo certo que era uma consequência lógica que a autuada LE SAC61 comercializasse os referidos produtos importados. Sem razão as recorrentes. Inicialmente, cabe esclarecer que não é verdade que a autuada DAY BY DAY fosse a responsável pela distribuição das mercadorias importadas às lojas franqueadas da LE POSTICHE. Diferentemente do alegado, os fatos relatados nos Fl. 219491DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 114 29 autos, corroborados com documentação adequada, comprovam que a autuação compreende apenas as mercadorias importadas (“por conta e ordem”) pela autuada DAY BY DAY (filial Itajaí e Espírito Santo) e, logo em curtíssimo prazo, revendidas diretamente à autuada LE SAC 61, por preço muitíssimo inferior ao que era praticada por esta autuada nas revendas que, também logo em seguida, eram feitas para as lojas franqueadas das citadas lojas. Tal movimentação encontrase explicitada, com clareza, nos fluxogramas das mercadorias importadas pela autuada DAY BY DAY (filial Itajaí e Espírito Santo) consignado no citado Relatório Fiscal (fls. 74 e 76). No que tange a esse argumento, cabe ainda ressaltar que, de acordo com subitem 5.8.2 do Relatório Fiscal (fls. 71/76), a fiscalização informou que: a) a totalidade das importações realizada pela filial de Itajaí da DAY BY DAY foi vendida (com margem de lucro média de 26,18%) diretamente à filial da LE SAC61 de Barueri, que, em seguida, revendera (distribuía) às lojas franqueadas (com margem de lucro média de 314,03%); e b) apenas 33,89% das importações realizadas pela filial do Espírito Santo da DAY BY DAY foi vendida à LE SAC61, que, em seguida, revendia (distribuía) para lojas franqueadas. De acordo com planilha de fl. 193, apenas o percentual de 33,89% das importações realizadas pela filial do Espírito Santo da DAY BY DAY, vendidas diretamente à filial da LE SAC61, foram incluídas na base de cálculo da multa objeto da presente autuação. Assim, fica evidenciado que não se aplica ao caso em tela a alegação das recorrentes de que parte das importações realizadas pela autuada DAY BY DAY foram destinadas a outras empresas franqueadas da marca LE POSTICHE, haja vista que esta parcela das importações não foram objeto da autuação. Em relação ao fato de que as filiais da DAY BY DAY, realizadoras das importações, nada mais eram do que espaços para armazenamento das mercadorias por curtíssimo espaço de tempo antes de sua distribuição para as lojas do “GRUPO LE POSTICHE”, as recorrentes se limitaram em alegar, sem comprovar, que: a) as filiais seriam espaços de armazenamento, funcionavam regularmente, praticando operações regulares e se encontravam em situação igualmente regular perante as fiscalizações Estaduais e Municipais, inclusive recolhendo todos os impostos decorrentes das atividades praticadas; b) na impugnação original demonstraram que a alegação da fiscalização em relação ao tempo curtíssimo de armazenagem não procedia, pois prazo de permanência médio das mercadorias (estocagem) seria de 30 a 35 dias. No que tange ao primeiro argumento, como ele não foi suscitado pela fiscalização, tratase de matéria estranha à lide. Já em relação ao segundo, o prazo médio calculado pelas recorrentes foi baseado no Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) e no Estoque Médio (EM), com a utilização da seguinte fórmula algébrica: PRAZO MÉDIO DE ESTOCAGEM = 360 x CMV/EM Onde 360 representa o número de dias do ano. Fl. 219492DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 30 Por sua vez, de acordo com o explicitado no subitem 5.8.2 do Relatório Fiscal (fls. 71/73), a fiscalização apurou o prazo médio de estocagem com base nas DI e notas fiscais de entrada e saída. Do cotejo dos dois critérios, induvidosamente, o que foi utilizado pela fiscalização representa, com maior fidelidade, o fluxo real de entrada e saída das mercadorias importadas no estabelecimento da autuada DAY BY DAY, ao passo que o adotado pelas recorrentes tem como referência os valores médios dos estoques extraídos do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício, tendo como resultado um índice médio impreciso. Assim, entre o prazo médio calculado com os dados reais e o prazo médio calculado como valores médios, induvidosamente, por ser o mais preciso, deve prevalecer o primeiro. Para contestar os dados apresentados pela fiscalização, a recorrente deveria ter utilizado o mesmo critério de apuração, como não o fez, temse por verdadeiros os percentuais calculados pela fiscalização, a seguir reproduzidos: MÉDIA: 04 DIAS (isso significa que, em média, as mercadorias importadas pela DAY BY DAY ficaram apenas 04 dias em seus estoques, sendo repassadas quase imediatamente ao real adquirente – LE SAC); MODA: ZERO DIAS (isso significa que o prazo de permanência de maior ocorrência é de ZERO DIAS, ou seja, grande parte das mercadorias importadas pela DAY BY DAY foram repassadas ao real adquirente – LE SAC – sem ficar um dia sequer nos estoques da DAY BY DAY); MEDIANA: 02 DIAS (isso significa que mais da metade das mercadorias importadas pela DAY BY DAY ficaram menos de dois dias em seus estoques antes de serem repassadas ao real adquirente – LE SAC). CONCLUSÃO: A DAY BY DAY – ITAJAÍ repassa muito rapidamente à LE SAC as mercadorias por ela importadas, o que significa que a DAY BY DAY NÃO TEM FUNCIONAMENTO INDEPENDENTE DA LE SAC (ou seja, essas mercadorias já eram destinadas à LE SAC antes mesmo de seu embarque no exterior). No que tange ao fato de a margem de lucro da filial da autuada DAY BY DAY em Itajaí ter sido muitíssimo inferior à da LE SAC61, as recorrentes alegaram que não levou em conta a diferença de preço existente entre as mercadorias negociadas no atacado e no varejo, a destinação da mercadoria, prazo de pagamento, o “markup” dos produtos comercializados e a tabela de preços da época das operações. Ainda segundo as recorrentes, outro fator desprezado pela fiscalização, que impactava diretamente no relatório por ela elaborado, eram as variações nos preços e, consequentemente, nas margens de lucro, levando se em conta a região do território nacional onde se encontrava o destinatário, prazo e forma de pagamentos e períodos de liquidação e “queima” de estoques, na medida em que os preços podem variar segundo esses critérios que, ao serem desprezados, contribuíram para imperfeição dos dados obtidos pela fiscalização. Os dados sobre margem de lucro em comento, apresentados pela fiscalização (fls. 73/74), extraídos da documentação e escrituração contábilfiscal das autuadas, foram os seguintes: Fl. 219493DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 115 31 DAY BY DAY LE SAC MARGEM DE LUCRO MÉDIA 26,18% 314,03% MARGEM DE LUCRO MEDIANA 22,34% 294,53% MARGEM DE LUCRO MODA 16,94% 543,35% Os valores apresentados evidenciam que os preços praticados pela LE SAC 61 eram muitíssimo superiores àqueles praticados pela DAY BY DAY. A contestação desses percentuais precisava da apresentação de dados claros e objetivos, calculados e extraídos de fontes idôneas. No entanto, ao invés de apresentar os dados consolidados e de fácil compreensão, como fez a fiscalização, inexplicavelmente, as recorrentes trouxeram aos autos, junto com a impugnação original e as impugnações complementares (respectivamente de fls. 206984/207090 e 214665/214803) extensas tabelas de preços supostamente pracicados pela autuada DAY BY DAY e relativas apenas aos meses de julho de 2010 a janeiro de 2011. Em outras palavras, além de incompleta, as recorrentes não se deram ao trabalho de compilar e resumir tais dados e assim prestar uma informação valiosa para o julgamento da lide. Como apresentados não é possível estabelecer qualquer comparação com os percentuais apresentados pela fiscalização. Da mesma forma, as recorrentes procederam em relação à margem do preço de venda no mercado interno em relação ao preço na DI, denominado de DI x MARKUP. Em quase de 2.000 páginas, colacionadas à impugnação original e às impugnações complementares (respectivamente de fls. 205260/207090 e 214804/215791), as recorrentes desfilam um amotoados de números sem nenhuma utilidade, haja vista a impossibilidade de se estabelecer qualquer relação com os valores apresentados pela fiscalização. Como apresentados tais dados não tem qualquer utilidade para fim de comparação com os percentuais apresentados pela fiscalização. Ainda em relação a esse ponto, as recorrentes alegaram que, independentemente de qualquer outra cogitação, a DAY BY DAY sempre comercializou suas mercadorias acima de seu custo, o que lhe gerava receitas, notadamente, lucro e, consequentemente, viabilidade operacional. Tratase de argumento sem qualquer relevância para o deslinde do controvérsia, posto que também a fiscalização comprovou que a referida autuada vendera suas mercadorias com margem de lucro médio de 22,34%. Portanto, não foi a inexistência da margem de lucro o fato apontado pela fiscalização como corroborador da ocultação da real importadora e autuada da LE SAC61, mas sim a baixíssima margem de lucro das vendas da autuada DAY BY DAY para a autuada LE SAC61. Dada esssa circunstância, seria de enorme relevância que as recorrentes tivessem trazidos aos autos dados consolidados, inteligíveis e comparáveis, o que não foi feito no caso em tela, haja vista o amotoado de número que foram consignados nas referenciadas tabelas/planilhas. Em relação ao fluxo financeiro, as recorrentes alegaram que ele decorria negociações comerciais entre elas, normal e usual nas atividades por elas desenvolvidas. Acontece que, diferentemente do alegado, com base nos dados apresentados na planilha de fl. 153, não constestados pelas recorrentes, a fiscalização concluiu que toda a movimentação financeira da DAY BY DAY foi realizada por meio de sua matriz, não havendo qualquer Fl. 219494DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 32 registro de Declarações de Informações sobre a Movimentação Financeira (DIMOF) para suas filiais que realizam importações, o que representava “mais um indício de que as filiais da DAY BY DAY do Espírito Santo e de Santa Catarina não têm um funcionamento regular, tendo sido abertas exclusivamente para ocultar a LE SAC61 no processo de importação.” No que tange ao fato de que o contrato de licenciamento da DAY BY DAY com a marca LE POSTICHE continha cláusulas que demonstravam que era a LE SAC61 quem dava a palavra final na escolha das mercadorias a serem importadas, as recorrentes alegaram que tal fato não representava indício algum, senão mera consequência da existência de um contrato de licenciamento entre as partes, que nada impactava nas conclusões da fiscalização, o que torna essa alegação sem qualquer relevância para o deslinde controvérsia. Com base na análise da contabilidade das autuadas, a fiscalização apurou várias irregularidades, anteriormente relatadas, em relação as quais as recorrentes limitaramse em alegar que a própria informação da fiscalização de que não havia identificado adiantamentos de recursos entre as empresas autuadas para cobrir despesas com importações, conjugada com as alegações suscitadas na peça impugnatória, contrariava as irregularidades apontadas pela fiscalização. Mais uma vez, as recorrentes apresentam uma alegação genérica, sem respaldo em elementos probatórios idôneos, o que, certamente, não têm o condão de infirmar as fortes irregularidades encontradas na contabilidade das autuadas e relatadas pela fiscalização no citado Relatório Fiscal. Por todas essas razões, rejeitase os argumentos aduzidos pelas recorrentes, por não infirmarem as referidas irregularidades relatadas pela fiscalização. Da falta de caracterização da interposiação fraudulenta. As recorrentes alegaram que faltava previsão legal para que a suposta importação por encomenda caracterizasse a infração capitulada no art. 23, V, § 2º, do Decreto lei 1.455/1976 e que a presução legal de interposição fraudulenta também não existiria, uma vez que não comprovada a fraude ou simulação. Tratase de alegação estranha aos autos. O motivo da autuação foi a ocultação da real importadora e adquirente das mercadorias. Da leitura subitem 6.4 do Relatório Fiscal (fls. 181/183) não existe qualquer referência a importação por encomenda ou presumida. Mais uma vez, as recorrentes tentam, sem nenhuma justificativa plausível, trazer para o bojo controvérsia matérias que não fazem parte do litígio. Assim, por ser matéria estranha aos autos e sem qualquer relevância para o deslinde da lide, não se toma conhecimento dessas alegações. Do enquadramento da infração. As recorrentes alegaram que o enquadramento da conduta das recorrentes no art. 23, V e § 2º, do Decretolei 1.455/1976 e no art. 33 da Lei 11.488/2007, distorciam a natureza dessas infrações e os objetivos almejados pelo legislador. Inicialmente, cabe esclarecer que, conforme anteriormente exposto, as condutas das recorrentes foram enquadradas apenas no inciso V do art. 23 do Decretolei 1.455/1976, conforme excerto extraído do Relatório Fiscal (fl. 182), a seguir transcrito: Fl. 219495DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 116 33 Ficou comprovado, neste relatório, que, para as importações mencionadas nos dois pontos acima, a DAY BY DAY ocultou diretamente a real adquirente LE SAC29/LE SAC61, incorrendo na conduta prevista no DecretoLei nº 1.455/1976 e no Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro): DecretoLei nº 1.455/1976: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ........................................................................................ V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Decreto nº 6.759/2009: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): ...................................................................... XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (grifos do original) Portanto, se não foi feita qualquer menção ao § 2º do art. 23 do Decretolei 1.455/1976, fica demonstrada que, na autuação em apreço, não houve imputação da conduta de interposição fraudulenta presumida, coforme entendera as recorrentes. Além disso, a presente autuação não trata da infração e penalidade fixadas no art. 33 da Lei 11.488/2007. A multa prevista no referido preceito legal destinase a sancionar a conduta do importador ou importador aparente, ou seja, aquele cedeu o seu nome com o objetivo de ocultar os reais importadores ou adquirentes das mercadorias importadas (ou intervenientes ou beneficiário das operações de comércio exterior), hipótese que não se vislumbra no caso em tela. Para que não reste dúvida, transcrevese a seguir o referido preceito legal: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Fl. 219496DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 34 Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (grifos não originais) Em relação ao enquadramento da infração no art. 23, V, do Decretolei 1.455/1976, os fatos relatados, corroborados por provas documentais robustas, demonstram que a real importadora e adquirente das mercadorias foi autuada LE SAC61, omitida nas correspondentes DI, portanto, corretamente enquadrada na infraçaõ no citado preceito legal. Dessa forma, fica demonstrada a improcedência das alegações suscitadas pelas recorrentes neste tópico. Da presunção de redução no recolhimento do IPI. As recorrentes alegaram que não houve a alegada quebra da cadeia do IPI, mas regular pagamento deste imposto nas operações de importação e venda efetuadas pela recorrrente DAY BY DAY à autuada LE SAC61, que, financeiramente, suportou o ônus do IPI quando adquiriu as mercadorias (incluído o IPI pago desembaraço aduaneiro), na qualidade de contribuinte de fato e mesmo o recolhimento desse imposto efetuado por ocasião da venda no mercado interno. Logo, no máximo, poderseia cogitar do não recolhimento do IPI sobre suposta diferença existente entre preço de compra e o preço de venda, caso a fiscalização lograsse comprovar a inobservância ao valor mínimo tributável, fixado no art. 195 do RIPI/2010, em decorrência da relação de interdependência entre as empresas. Previamente, enfatizase mais uma vez que, na autuação em apreço, foram incluídas na base de cálculo da multa aplicada apenas o valor das importações realizadas pela autuada DAY BY DAY e revendidas diretamente a autuada LE SAC61 para subsequente e imediata distribuíção às lojas franqueadas da LE POSTICHE, portanto, não há que se cogitar de pagamento do IPI nas operações de venda (distribuição) realizadas pela autuada LE SAC 61. Em relação à alegação de que a autuada DAY BY DAY realizou o regular pagamento do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro, quanto na operação seguinte de venda à autuada LA SAC61, tratase de matéria estranha aos autos, posto que não foi objeto da questionada autuação. Também não tem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia, o fato de a recorrente e autuada LE SAC61 ter suportado o ônus financeiro do IPI pago nas operações anteriores, até porque, certamente, tal valor foi incluído no preço de venda às lojas franquiadas e, por fim, repassados ao consumidor final, que é quem, de fato, sofre o impacto de toda a carga tributária da cadeia de comercialização das citadas mercadorias. Aliás, o fato de a recorrente LE SAC apresentar tão elevada margem nos preços de venda, constitui evidente demonstração de que tal ônus, inequivocamente, foi repassado para às lojas franquiadas da rede LE POSTICHE. Por essas razões,deixase de acatar os argumentos aduzidos pelas recorrentes. Da ausência de causalidade e proporcionalidade entre o valor da multa aplicada e os prejuízos ao erário e o seu caráter confiscatório. As recorrentes alegaram ausêcia de causalidade e proporcionalidade entre a multa imposta às recorrentes e os alegados prejuízos ao erário e feição confiscatória da multa que lhes foi imposta. Fl. 219497DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.722059/201214 Acórdão n.º 3102002.317 S3C1T2 Fl. 117 35 Tratase de alegações que exige a análise prévia da constitucionalidade da normal legal vigente, veiculada no art. 23 do Decretolei 1.455/1976, com as alterações posteriores, que estabelece a infração e penalidade questionadas pelas recorrentes. Dessa forma, por falta de competência deste Colegiado, deixase de conhecer das referidas alegações. Nesse sentido, cabe ressaltar que, à instância administrativa de julgamento, é vedado apreciar a legalidade e/ou constitucionalidade de norma legal vigente, conforme expressamente determinado no art. 26A1 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com redação dada Lei nº 11.941, de 2008. Tal atribuição é reservada ao Poder Judiciário. No âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase determinada no art. 622 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e consolidada no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Com base nessas considerações, rejeitase as presentes alegações. V Da Conclusão Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 1 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 2 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". Fl. 219498DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 36 Fl. 219499DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10730.720229/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.165
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à localização do imóvel no Parque Estadual e à apresentação de Ato Declaratório Ambiental. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório O contribuinte apresentou recurso voluntário contra o acórdão 0348.748 da 1a. Turma da DRJ/BSB que manteve o auto de infração de ITR para o exercício 2006, relativamente ao imóvel FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE (NIRF RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 20 22 9/ 20 10 -5 3 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/12/ 2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, As sinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10730.720229/201053 Resolução nº 2101000.165 S2C1T1 Fl. 3 2 3.415.6283), com área declarada de 1839,2ha., localizado no município de Cachoeiras de Macacu, RJ. O referido acórdão manteve o crédito tributário tendo em vista que o contribuinte não apresentou documentação comprobatória bastante das alegações relativas à reserva legal e área de preservação permanente. No recurso voluntário o recorrente utiliza os mesmos argumentos apresentados na impugnação. Anexa aos autos documentos já existentes no processo e que foram considerados insuficientes para o fim de isenção de ITR. A área declarada para o NIRF 3.415.6283, denominada FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE, tem 1.820,0 ha. Declaradas como de preservação permanente e 6,5 há de reserva legal que, segundo o contribuinte, encontravase no exercício 2006 inteiramente dentro do Parque Estadual dos Três Picos, conforme Decreto 31343/2006. Informa que declarou o ADA para o exercício 2006 em nome da pessoa física cuja área, está localizada totalmente dentro do Parque Estadual dos Três Picos e, por isso, isenta do ITR/2006. O referido ADA para o exercício 2006 não consta dos autos do processo. No processo foram anexados os documentos a seguir. ADA exercício 2008 (fls. 45) para o imóvel Fazenda Brasil, protocolo do IBAMA n. 10833330009222, transmitido em 01/08/2008. Este imóvel foi declarado com 19.360,00 ha, definidos como reserva legal. ADA exercício 2009 (fls. 44), número do recibo 10933330244480, transmitido em 28/12/2009, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. Não foi declarada área nem a localização do imóvel. ADA exercício 2010 (fls. 43) –número do recibo 11033330504170, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. O imóvel foi declarado com 1936ha de área de preservação permanente e 1 há com mineração. Também neste documento foi informada a localização geográfica da sede, sendo Latitude 22o26’ 57 8’ ‘S, e Longitude 42o 36’ 45,6 ‘ W. Cópias de diário oficial do Estado Rio de Janeiro que cria o Parque Estadual dos Três picos e do decreto estadual 31343/2002. Laudo agronômico para fins de recadastramento de propriedade rural junto ao INCRA (fls. 33), sem data. Cadastro técnico federal– certificado de regularidade – IBAMA – permitindo o uso de Recursos Naturais para atividade agrícola e pecuária.(fls. 46) Declaração da Prefeitura Municipal de Cachoeiras de Macacu de que as fazendas Reunidas Joaquim e Piedade e Fazenda Brasil encontrase em área de preservação permanente, datado de 2003.(fls. 86) Apesar de ter sido tratado no acórdão recorrido, o contribuinte insurgese novamente contra a aplicação da multa de 75%, por ser improcedente o lançamento. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/12/ 2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, As sinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10730.720229/201053 Resolução nº 2101000.165 S2C1T1 Fl. 4 3 Menciona os dispositivos legais que garantiriam a isenção do ITR na propriedade sob análise, a saber, art. 104 da lei 8171/91, par. 1o. art. 10 da lei 9393/96, decreto 4382/02. O documento à fls. 58 – Termo de Transferência de Crédito Tributário – informa que em 18/03/2011 foram transferidos créditos deste processo para o processo 10730 720.597/201182. Argumenta com decisões do Conselho de Contribuintes sobre a desnecessidade do ADA para o reconhecimento da exoneração. Cita também decisões das Cortes superiores que corroborariam o entendimento da desnecessidade de ADA para isenção de ITR nas áreas de preservação permanente. Embasa o pedido no Decreto Estadual do Estado do Rio de Janeiro n. 31343/2002 que criou o Parque Estadual dos Três Picos. Solicita que seja declarado insubsistente o crédito tributário e que seja cancelada a Notificação de Lançamento n. 07102/00004/2010, tendo em vista que a área declarada é de preservação permanente, sendo esta isenta do ITR. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Conforme legislação vigente, já amplamente mencionada no acórdão recorrido, o reconhecimento de isenção de ITR tanto de área de preservação permanente quanto de área de reserva legal depende de documentos bastante comprobatórios de que o imóvel realmente está inserido no contexto que alega. O legislador, para garantir o direito do proprietário do imóvel junto à Receita Federal, previu documentos que não poderiam ser refutados pela Receita Federal para conceder a isenção, quais sejam: Ato Declaratório Ambiental Lei 6938/81 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/12/ 2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, As sinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10730.720229/201053 Resolução nº 2101000.165 S2C1T1 Fl. 5 4 Averbação da área de Reserva Legal Decreto 4382/2002 Art.12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável(Lei nº4.771, de 1965, art. 16,com a redação dada pelaMedida Provisória nº2.16667, de 2001). §1ºPara efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere ocaputdeste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Como já repisado no acórdão de impugnação, a documentação acostada aos autos não comprova a quantidade de área da propriedade que estaria comprometida com reserva legal ou com preservação permanente. Os documentos comprovam a existência do Parque Estadual dos Três Picos, que abrange municípios onde a propriedade está inserida, e que áreas da a propriedade teriam sido objeto de preservação permanente/reserva legal. Um laudo anexado aos autos para fins de recadastramento da propriedade junto ao INCRA informa que a propriedade estaria dentro do referido parque. Contudo, não existe qualquer documento legal hábil que comprove tal afirmação. Mais ainda, não há nos autos, documentação que comprove a quantidade de área de reserva legal ou de preservação permanente na propriedade, no exercício 2006. O contribuinte faz referência à apresentação de ADA no ano 2006, entretanto, não juntou o documento aos autos em nenhum momento. O art. 150 do Código Tributário Nacional (lei 5172/1966) define o lançamento por homologação como “aquele em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Contudo, caso seja intimado para prestar esclarecimentos em procedimento de fiscalização, o contribuinte deverá apresentar os documentos comprobatórios dos dados utilizados para o cálculo do tributo. A aplicação das multas é uma imposição legal e está determinada no art. 14 da lei 9363/1996 e definidas no art. 44, inc. I da lei 9430/1996. As decisões em processos tanto administrativos quanto judiciais são aplicáveis às partes nos respectivos processos, i.e., no contexto em que foram proferidas. Dado o exposto, negase provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins Relatora Voto Vencedor Não obstante as lúcidas informações trazidas no Relatório e no bem fundamentado Voto da Ilustre Conselheira Relatora, entendo que o feito em julgamento carece Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/12/ 2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, As sinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10730.720229/201053 Resolução nº 2101000.165 S2C1T1 Fl. 6 5 de esclarecimentos quanto a questões de fato, objetivando realizar a melhor justiça fiscal administrativa. Ora, conforme identificado pela Ilustre Conselheira Relatora, foram trazidos aos autos documentos que comprovam a existência do Parque Estadual dos Três Picos, que abrange municípios onde a propriedade do imóvel em análise, estaria inserida. Do mesmo modo se observou a existência de um laudo realizado para fins de recadastramento do imóvel junto ao INCRA, contendo informação que a propriedade estaria dentro do referido parque. Portanto, percebemse fortes indícios de que áreas do imóvel referente à “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº 3.415.6283, sejam objeto de preservação permanente e/ou de reserva legal. Nesse sentido, para evitar qualquer injustiça, em respeito ao princípio da verdade material, que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir a ocorrência ou não do fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação, voto no sentido de converter o julgado em diligência a ser realizada pela Repartição de origem, para que: sejam intimados os Cartórios de Registro de Imóvel porventura existentes no Município de Cachoeiras de Macacu, no Estado do Rio de Janeiro, para que informem, por meio de certidão, todos os registros ocorridos relativamente ao imóvel denominado “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº3.415.6283, em especial quanto a averbação de áreas de reserva legal e de preservação permanente; seja oficiado o INCRA, por meio da sua Superintendência Regional no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº3.415.6283, em especial quanto à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos; seja oficiado o IBAMA, por meio da sua Superintendência no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº 3.415.6283, relativo à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos, quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental no ano de 2005, e em especial sobre as áreas identificadas como de preservação permanente e de reserva legal, existentes no referido imóvel. Após a obtenção das respostas, a Recorrente deverá ser cientificada e informada de que poderá se manifestar sobre o resultado da diligência dentro do prazo de 30 dias. É como voto. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/12/ 2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, As sinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920516/2009-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/02/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE.
A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
Numero da decisão: 3803-006.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/02/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
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NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 16 /2 00 9- 12 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de Cofins Importação, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/ indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, PISImportação e CofinsExportação, em valores que teria utilizado para quitar débitos de Cofins, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PeR/DComp; b) juntamente com o Despacho Decisório eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete, todos decidindo pela não homologação de compensações declaradas pela Contribuinte; c) deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE PISImportação e CofinsExportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; d) mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; f) o Despacho Decisório carece de fundamentação, em violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando, ainda, que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida na dita decisão, entendendo ser nulo o ato ora impugnado; g) o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, pelo que reclamou que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" ; h) qualquer agente fiscal que " ... analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada"; i) declarara em DCTF débito que fora pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inexigível a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; j) à luz dos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material não admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alegou, além de acórdão do Conselho de Contribuintes; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920516/200912 Acórdão n.º 3803006.314 S3TE03 Fl. 181 3 k) foi exíguo o prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informou que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito; Por fim. requereu a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PeR/DComp, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Em julgamento da lide a DRJ/São Paulo I argumentou que: a) ao contrário do que alegara a Manifestante, o despacho decisório neste processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções, sem preterimento do direito de defesa, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72; b) deveria ser óbvio para a Contribuinte que se ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito, em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior. Estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório, a Contribuinte pôde se defender amplamente, como o fez; c) quanto aos erros cometidos no preenchimento da DCTF e que uma vez sanados haveria o crédito que utilizou nas DComps, observou que a Contribuinte limitouse a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova; d) a retificação da DCTF para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida como argumento de defesa; e) a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, feita com base nas informações constantes dos Sistemas da Receita Federal prestadas pelos próprios contribuintes através das declarações fiscais. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF A1 PÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho deciSório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 24 de janeiro de 2011, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23 de fevereiro de 2011, em que reiterou todos os termos da manifestação de inconformidade, destacandose as alegações: a) de carência de fundamentação do despacho decisório; b) da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; e c) de ter executado um escorreito procedimento de compensação. Ao fim, requer que seja declarado nulo o Despacho Decisório ante a patente carência de fundamentação, caso assim não se entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a sua escrita fiscal, confirmandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente reconhece que o valor dos pagamentos do débito em DARF estava de acordo com o débito declarado em DCTF. Na sequência, sustenta que o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil, antes da transmissão das compensações, não pode lhe subtrair o direito ao crédito. Correta está a Recorrente em sua afirmação. Ocorre que a Administração Tributária somente veio a ter ciência de erro no preenchimento das DCTFs na manifestação de inconformidade. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DComp), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920516/200912 Acórdão n.º 3803006.314 S3TE03 Fl. 182 5 O Despacho Decisório emitido em resultado do procedimento eletrônico fez então registrar: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.012,94 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não há previsão legal para a existência de contraditório no itinerário entre a transmissão da DComp, pelo contribuinte, e a análise do crédito e subsequente decisão administrativa, pois os procedimentos dãose em torno de dados do sistemas, alimentados pelo próprio contribuinte. O contraditório e o exercício da ampla defesa, segundo previsto no Decreto nº 70.235/72, ocorrem a partir do processo, que somente surge com a Manifestação de Inconformidade. O texto do Despacho Decisório possui clareza suficiente na descrição do fato verificado, de sorte que permite a sua compreensão por qualquer técnico de inteligência mediana que opera com DCTF, DARF, PERD/COMP, sendo elementar que sobre tal fato esta Contribuinte haveria de construir a sua ampla defesa. Reiterese que a declaração antes prestada pela Contribuinte, no exercício do seu ofício legal de apurar e antecipar o pagamento de tributos, no regime de lançamento por homologação procedimento que supre de dados os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) , é o que a impediu de lograr êxito no seu procedimento de compensar débitos utilizando parcela de pagamento em DARF já alocado integralmente a outro débito, por si declarado. A declaração de compensação que o contribuinte transmite configura o uso de um direito potestativo, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apura a existência de crédito perante a RFB. Pela natureza jurídica deste direito é que a compensação extingue o crédito tributário, independentemente de apreciação prévia do órgão fazendário, nada obstante sob a condição resolutiva de ulterior verificação da legitimidade do procedimento, no prazo de cinco anos. Uma demonstração da veracidade deste efeito é a possibilidade de o contribuinte extrair certidão negativa de débito momentos após a transmissão da DComp. Dada esta feição das relações FiscoContribuinte, neste particular, é que ao transmitir a compensação o contribuinte extingue o seu débito, mas o faz por conta e risco seu. Noutra vertente, outro efeito a compensar o ganho do contribuinte na agilidade da extinção do seu débito é que ao malograr no seu intento por se verificar inexistência de crédito é ele que tem que provar que possui o crédito com que quitara o seu débito. Não é a Fazenda que tem que ir lá esquadrinhar a sua contabilidade para buscar a verdade material do seu crédito. Não. Não nesta hipótese. Em auto de infração, por meio do qual a Fazenda acusa, sim. Neste caso, o dever de ir em busca da verdade dos fatos é da Fazenda. E assim dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Pelo que foi dito acima, não é nulo o despacho decisório e a Contribuinte não foi obstada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa. A decisão de primeira instância, à míngua de provas que deveriam ter sido carreadas junto com a manifestação de inconformidade, consideroua improcedente e indeferiu a solicitação. E foi específica e pontual ao dizer que “Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa”. Entre ser verdadeira a afirmação da Contribuinte, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações , não lhe pode subtrair o direito ao crédito, e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário contaria com a possibilidade de seu acolhimento em segunda instância. Ressaltese que, um ano e meio entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não lhe bastaram para conseguir coligir tais provas, ou até mesmo indícios de prova. Por fim, em nada repercute apenas proceder à retificação a destempo da DCTF, ausente dos documentos e demonstrações que a supriram de novos dados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10730.904694/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/04/2004
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/04/2004 LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.904694/200910 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.345 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente SUCESI REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/04/2004 LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 46 94 /2 00 9- 10 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904694/200910 Acórdão n.º 3801004.345 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904694/200910 Acórdão n.º 3801004.345 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904694/200910 Acórdão n.º 3801004.345 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904694/200910 Acórdão n.º 3801004.345 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001730/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/1999 a 31/12/2002
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TEMPESTIVIDADE DE IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA VIA POSTAL.
O documento emitido pelos Correios, de emissão de SEDEX não é prova suficiente de cumprimento do prazo de apresentação da impugnação. Necessário se faz a comprovação de recebimento da defesa pela Administração Pública.
Numero da decisão: 3201-001.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/1999 a 31/12/2002 FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TEMPESTIVIDADE DE IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA VIA POSTAL. O documento emitido pelos Correios, de emissão de SEDEX não é prova suficiente de cumprimento do prazo de apresentação da impugnação. Necessário se faz a comprovação de recebimento da defesa pela Administração Pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
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O documento emitido pelos Correios, de emissão de SEDEX não é prova suficiente de cumprimento do prazo de apresentação da impugnação. Necessário se faz a comprovação de recebimento da defesa pela Administração Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 17 30 /2 00 3- 14 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 10/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança de contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão financeira CPMF, multa de oficio e juros de mora calculados até 30/04/2003, por força de provimento judicial,posteriormente revogado. Em 04/08/2003, a Recorrente apresentou petição informando que a sua inclusão no Programa de Parcelamento Especial, na forma da Lei n. 10.684, de 30 de maio de 2003, requerendo a desistência parcial, expressa e irrevogável da defesa, relativa apenas quanto ao valor do principal, prosseguindose o litígio no que concerne a multas e juros. Cientificado do lançamento em 26/06/2003, em expediente protocolado em 11/08/2003 (fls. 147/149), a Recorrente apresentou impugnação, em que discute, preliminarmente, a tempestividade de sua impugnação, relatando que em 28/07/2003 tentou protocolar a impugnação no horário de funcionamento da repartição, mas não conseguiu, por “falta de agendamento”. Por essa razão, a impugnação foi enviada pelos Correios, pelo serviço Sedex com aviso de recebimento, cujo comprovante de postagem, foi juntado por cópia aos autos. A Delegacia de Julgamento de Campinas, no entanto, não admitiu a impugnação apresentada, por intempestiva, aplicando ao caso o Ato Declaratório Normativo n° 15, de 12/07/1996, assim se manifestando: Embora o dia coincida com o afirmado, nada mais existe nos documentos trazidos pela contribuinte que indique o conteúdo da correspondência eventualmente enviada, menos ainda que se trate da impugnação ao lançamento. Com efeito, não há descrição de conteúdo no comprovante brandido pela defesa. Por seu turno, se a correspondência foi enviada com Aviso de Recebimento, como afirma a defesa, tal aviso não foi trazido aos autos como prova de recebimento e conteúdo que são imprescindíveis para dar suporte aos argumentos. Não existem nos autos nem mesmo a cópia do recebimento ou do envelope que conteria a impugnação enviada, praxe administrativa em casos dessa natureza. Nem mesmo a ocorrência de anormalidades no expediente administrativo foi validamente provada de forma a permitir a extensão do prazo de protocolo da impugnação. Da mesma forma a limitação de acesso dentro do horário de expediente. No recurso voluntário, a Recorrente reitera os argumentos quanto à tempestividade, referindose à impossibilidade de agendamento para o protocolo, bem como o envio pelos Correios da Impugnação, conforme comprovante de fls.306, dirigido à “DEL DA REC FEDERAL”. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 10/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13819.001730/200314 Acórdão n.º 3201001.324 S3C2T1 Fl. 94 3 No mais, reiterou a informação sobre o parcelamento do principal, bem como da ilegitimidade na cobrança da multa e dos juros moratórios pela taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio a ser apreciado referese à questão da tempestividade da impugnação apresentada. A ora Recorrente afirma que protocolou a sua petição de defesa pelos Correios, conforme comprovantes de fls.306, muito embora não tenha juntado o Aviso de Recebimento, que o próprio comprovante faz menção. Por outro lado, conforme sublinhado na decisão recorrida, não há nos autos, quaisquer provas que demonstrem o recebimento da defesa pela via postal, seja o envelope, seja a cópia do Aviso de Recebimento. A protocolização da impugnação por via postal, bem como os atos de intimação e notificação, são expressamente admitidos no rito do processo administrativo fiscal federal, conforme estabelecido no art.23, II do Decreto n. 70235/72 e, especialmente, no caso da impugnação, no Decreto n. 7574/2011, no caput do art.56: Art.56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Esse mesmo dispositivo, no §5o, estabelece que a data do cumprimento do prazo será aquela constante do aviso de recebimento, como se depreende: §5o Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. É certo que o §6o do art. 56 prescreve que “na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da apresentação da impugnação a constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 10/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 da postagem da correspondência”, sendo que, caberá à unidade de preparo juntar, por “anexação ao processo correspondente, o referido envelope”, de acordo com o §7o. No caso em tela, a Recorrente não apresentou o respectivo aviso de recebimento e, por outro lado, não traz qualquer argumento quanto à impossibilidade de fazê lo. Da mesma forma, o envelope que traria a impugnação não foi juntado aos autos, porém , não é, da mesma forma contestado esse fato, não se suscitando que a autoridade preparadora apresentasse qualquer manifestação. Por outro lado, ainda que se considerasse que o comprovante de postagem trazido pela Recorrente referese à expedição da peça de impugnação, esta não é prova suficiente para comprovar a tempestividade da defesa, e assim, instaurar a fase litigiosa. Destarte, é inerente ao conceito de contraditório a ideia de ato comunicacional, que pressupõe não só a emissão da mensagem, como a sua recepção pelo destinatário, em decorrência da dialética processual. Tal como na notificação, em que só o aviso de recebimento aperfeiçoa esse ato, por decorrência lógica, assim deve ser no caso dos atos processuais produzidos pelo contribuinte, por via postal. Por conseguinte, e, porque não há nos autos quaisquer provas que se remetam ao recebimento pela Administração Pública, da impugnação tempestiva, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 10/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10725.000817/2003-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1991
LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (proc jud não comprova) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fático-probatório trazido aos autos.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
Numero da decisão: 9303-003.129
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1991 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (proc jud não comprova) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fático-probatório trazido aos autos. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SIQUEIRA CIA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1991 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud não comprova”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 08 17 /2 00 3- 17 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN contra acórdão que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, conforme ementa abaixo transcrita: Relator: Flávio de Castro Pontes Acórdão: 380100.826 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1991 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/05/1998 a 30/11/1998 LANÇAMENTO FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. Recuso Voluntário Provido O Auto de Infração foi lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF, relativo à Cofins fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, conforme se vê do "Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", da coluna "ocorrência", que consigna “proc.jud. não comprovado”. lrresignada, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em preliminar, que o auto de infração é nulo por não conter a descrição dos fatos, apoiando o pleito em acórdãos dos Conselhos de Contribuintes. A PGFN argumenta que não houve alteração na motivação do lançamento e, mesmo que houvesse, qualquer novo fundamento suscitado pelo contribuinte não teria o condão de modificar a situação prática verificada no processo administrativo, pois o lançamento é uma imposição legal. Em resumo, nas contrarazões, a empresa repisa seus argumentos do recurso Voluntário, pugnando pela nulidade do lançamento, quer por desatendimento dos requisitos essenciais previstos no art. 10º do Decreto n° 70.235/72. É o relatório Voto Fl. 229DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10725.000817/200317 Acórdão n.º 9303003.129 CSRFT3 Fl. 714 3 O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O relator do voto vencedor, Conselheiro José Luiz Bordignon,descreve os fatos de uma forma sucinta e completa. Vejamos: Como visto anteriormente, o presente auto de infração originou se da realização de auditoria interna na DCTF relativa ao período compreendido entre 31/05/1998 a 30/11/1998, tendo sido constatada, segundo a descrição dos fatos e o demonstrativo de créditos vinculados não confirmados, a falta de recolhimento da COFINS, decorrente de declaração inexata, não se comprovando a existência do processo judicial informado pelo contribuinte, vinculado a compensação. Consta nos autos cópia da sentença relativa à Ação Ordinária nº 94.00377827 (fls. 73), informada na DCTF objeto do lançamento (fl. 08/09), por meio da qual a autuada requer a restituição dos valores indevidamente recolhidos a título da contribuição Finsocial em face da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da majoração das alíquotas da referida exação. Conforme comprova a documentação anexada, a empresa efetivamente ajuizou a Ação Ordinária nº 94.00377827, nos termos do pedido formulado. Desta forma, concluise que a ocorrência que deu origem à presente autuação, “Processo judicial não comprovado”, não se confirma, uma vez que a autuada efetivamente figura como autora na Ação Ordinária nº 94.00377827, cujo nº foi corretamente informado na DCTF em questão (fl. 08/09). Não procede, portanto, o lançamento, por não se comprovar a fundamentação fática que o originou, ressaltandose que não integra o objeto deste voto a correção, ou não, do procedimento adotado pelo contribuinte em relação aos créditos tributários objeto do lançamento, em função da decisão judicial obtida, uma vez que tal questão não foi analisada quando da realização do lançamento. Com base nas decisões judiciais, a empresa efetivamente informou na DCTF o valor da COFINS devida, na condição de compensada. Portanto, a partir das informações contidas na DCTF em análise, caberia à autoridade autuante avaliar a correção ou não do procedimento adotado pelo contribuinte. No entanto, tal procedimento não foi realizado na autuação em questão, restringindose a ocorrência que fundamentou o lançamento à não comprovação da existência do processo judicial informado pelo contribuinte na DCTF, estando, porém, a numeração informada, como se viu, correta. Portanto, não se comprova a fundamentação fática que baseou o lançamento, elemento obrigatório do auto de infração, nos Fl. 230DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 termos do artigo 10º do Decreto nº 70.235/72, não podendo este, em decorrência, ser mantido. Incontroverso o fato de que houve erro na descrição dos fatos que ensejou o lançamento. O processo judicial informado na DCTF, ao contrário do informado no auto de infração existia e assegurava o direito à realização das compensações efetuadas. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. Com efeito, no presente caso, houve inovação na matéria que foi objeto de apreciação nos autos. Foi trazida uma matéria jurídica não presente originariamente. Esse fato traz um inaceitável cerceamento ao direito de defesa. O contribuinte se defende dos fatos e não do direito. Assim, se houvesse mera modificação da fundamentação legal, não haveria que se falar em nulidade do lançamento, o que não ocorreu na presente lide. A descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10ª, inciso III, do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se consubstanciaria o motivo do lançamento. A descrição correta dos fatos formam a motivação do lançamento, que significa a descrição dos motivos que ensejam o lançamento, que é responsável pela materialização da obrigação tributária, tornandose possível identificar os sujeitos da obrigação e quantificar o crédito. Com efeito, a motivação é um requisito formal do ato administrativo, que é o lançamento. Um vício de motivação não poderá ser sanado no decorrer do processo administrativo tributário, não restando outra alternativa, senão a nulidade do ato ( auto de infração). A lei processual tributária (Dec. 70.235/72 e Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) é bem clara ao trazer como requisito do lançamento a descrição dos fatos. De fato houve uma afronta à legislação tributária e processual tributária que deve ensejar a anulação do auto de infração nos exatos termos do acórdão recorrido. Examinando situação semelhante a esta, a eminente Conselheira Maria Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão n 2 20217.721, de 25/05/2006): "A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10725.000817/200317 Acórdão n.º 9303003.129 CSRFT3 Fl. 715 5 ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado no auto de infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas deforma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. Ainda acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento, cabe acrescentar colação os acórdãos abaixo: "Acórdão n° 10320.074 (Rec. 118.581), sessão de 19/8/99. Ementa: É vedado à Autoridade Julgadora o aperfeiçoamento do lançamento em face da previsão legal atribuindo tal atividade à Autoridade Lançadora. Publicado no DOU de 8/10/99 n° 194E. Acórdão n° 10320.754 (Rec. 125.219), sessão de 17/10/01 (DOU de 12/12/01). Ementa: (.) IRPJ Inovação quanto ao Lançamento no Ato Decisório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Impossibilidade. 0 deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe cabendo aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. CSSL Erro na Apuração da Base de cálculo Impossibilidade de Aperfeiçoamento por este órgão Julgador. Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para a fixação da base de cálculo da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar a exigência, diante do erro ocorrido. (.) Recurso conhecido e provido em parte. Acórdão n° 10706.463 (Rec. 127.319), sessão de 7/11/01. Ementa:Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração. Não deve subsistir o Auto de Infra cão que não contenha exigências tributárias, nem mesmo relativas à redução no estoque de prejuízos a compensar. Se houve erro em sua lavratura não cabe ao órgão julgador o seu aperfeiçoamento." Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.908174/2009-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. RELATÓRIO E VOTO A empresa recorre do Acórdão nº 0356.227 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, efls. 76 a 80, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação), objetos destes autos. A empresa argumenta que procedeu a recolhimentos de tributos, via DARF, em valores maiores que os efetivamente devidos. Apresenta cópia de DIPJ, folha do Razão e DCTF retificadora pretendendo comprovar o erro cometido na DCTF originalmente entregue. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 08 17 4/ 20 09 -3 1 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.908174/200931 Resolução nº 1801000.370 S1TE01 Fl. 3 2 O Despacho Decisório eletrônico restringese a denegar o pedido com base no fato de o valor recolhido por intermédio do Darf haver sido inteiramente alocado no período correspondente. A Turma Julgadora de Primeira Instância entendeu serem insuficientes as provas oferecidas pela empresa para comprovar o efetivo erro de recolhimento do tributo, alegado como efetuado em valor maior do que o devido. Assim restou ementado o Acórdão: DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 84 a 177, reiterando os termos da defesa exordial e acrescentando, em síntese, que procedeu ao recolhimento a maior do tributo em razão de haver incluído como receita financeira variações cambiais ativas relativa a uma atualização cambial feita indevidamente. Esclarece que o lançamento contábil errôneo foi devidamente estornado na contabilidade em 01/12/2005 e que a DIPJ foi corretamente preenchida, enquanto a DCTF relativa ao período em que houve o lançamento contábil indevido, não. Assim que flagrouse do erro, procedeu à retificação da DCTF, a qual não foi admitida. Para comprovar o alegado, junta ao Recurso Voluntário, entre outros documentos, em cópias: extratos bancários dos meses de abril, maio e junho de 2005; folhas do Diário e do Razão relativas aos lançamentos contábeis de variação cambial ativa e passiva, bem como dos tributos a pagar (IRPJ e CSLL); planilha demonstrando os cálculos das variações cambiais; notas fiscais de liquidações comprovando as operações em abril, maio e junho de 2005, planilhas de cálculo de apuração do IRPJ e CSLL. É o suficiente para o relatório. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. 1 AR – 18/12/2013, efls. 86; Recurso – 16/01/2014, efls. 88 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.908174/200931 Resolução nº 1801000.370 S1TE01 Fl. 4 3 A recorrente pleiteia restituição da CSLL relativa ao 2º trimestre de 2005, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que informou equivocadamente em DCTF – original que o valor referente a CSLL do referido trimestre era da ordem de R$ 2.150,35 (pago em duas cotas), mas o valor correto é de R$ 1.675,90. Requer a devolução da diferença sobre as duas cotas. Este processo tem como objeto o DARF, segundo a recorrente, relativo a uma das parcelas, e a diferença pleiteada é da ordem de R$ 237,23. A Turma Julgadora de Primeira Instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de serem insuficientes as provas exibidas pela recorrente, não sendo hábil para comprovar o erro alegado a apresentação de DCTF retificadora. No entanto, se houve efetivamente erro no cálculo do IRPJ devido, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.908174/200931 Resolução nº 1801000.370 S1TE01 Fl. 5 4 prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. (grifos não pertencem ao original) Para comprovar o erro, todavia, mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos completa. A DIPJ original, cuja natureza é meramente informativa, e a DCTF retificadoras são, de fato, insuficientes. Mas, entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, os registros contábeis pertinentes, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época para verificarse os valores devidos de IRPJ, no caso, relativo ao 2º trimestre de 2005 e o porquê da exclusão dos valores de variação cambial ativa que originalmente foram oferecidos à tributação. Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que, a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo do IRPJ relativo ao 2º trimestre de 2005 junto a contabilidade completa da recorrente, bem como a correção do procedimento em expurgar a variação cambial ativa e Saldo do IRPJ apurado, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando aos autos, em cópia, os registros contábeis pertinentes. A recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência proposta para, desejando, manifestarse em prazo regulamentar. Após, retornem os autos a esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10907.002102/2003-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
EXISTÊNCIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EFEITOS.
Sendo realizados, pelo contribuinte, depósitos judiciais, com o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, não cabe à fiscalização a lavratura de auto de infração pela ausência de recolhimento do tributo, se não restar comprovado que o depósito não foi realizado no montante integral
Numero da decisão: 3801-003.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. Aplicação da Súmula nº 08 do STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 EXISTÊNCIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EFEITOS. Sendo realizados, pelo contribuinte, depósitos judiciais, com o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, não cabe à fiscalização a lavratura de auto de infração pela ausência de recolhimento do tributo, se não restar comprovado que o depósito não foi realizado no montante integral Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 21 02 /2 00 3- 61 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Para descrever os fatos, transcrevo o relatório constante no voto proferido pela Delegacia da Receita Federal de Florianópolis (SC): Trata o presente processo do Auto de Infração n° 0000209 As fls. 08/12, decorrente de auditoria interna nas DCTF dos primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 1998 em que, consoante descrição dos fatos, A fl. 09, e anexos, de fls. 10/12 e 46 são exigidos: • Para os períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998, por "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA", RS 35.391,73 de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, com enquadramento legal nos art. 1° ao 4° da Lei Complementar n" 70/1991, art. 1° da Lei n°9.249/1995 e art. 57 da Lei n°9.069/1995, art. 56, §único, 60 e 66 da Lei n° 9.430/96, art. 53 e 69 da Lei n° 9.532/97; e R$ 26.543,80 de multa de oficio de 75%, com fundamento no art. 160 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 1° da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art. 44, I e § 1 0, I, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. 2. As fls. 10/32 e 46, no "DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS", constam valores informados na DCTF, a titulo de "VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO", cujos créditos vinculados, informados como "Exigibilidade Suspensa", em face da existência do Processo Judicial n° 96.00185484, não foram confirmados, sob a ocorrência: "Proc Jud não comprovad". 3. Cientificada da exigência fiscal, a interessada, por intermédio do procurador habilitado (doc. fl 13), apresentou, conforme atestado pela autoridade preparadora à fl. 41, tempestiva impugnação (fls. 01/07) em 31/07/2003, cujo teor será a seguir sintetizado: • Preliminarmente, alega que os débitos exigidos, referentes aos períodos de apuração 01/1998 a 05/1998, já foram atingidos pela decadência, considerando que, de acordo com o artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, o prazo para a Fazenda Fl. 89DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002102/200361 Acórdão n.º 3801003.459 S3TE01 Fl. 12 3 Pública constituir o crédito tributário é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme jurisprudência administrativa e judicial; • Aduz, ainda, que os depósitos judiciais vinculados à conta judicial da Ação Ordinária 96.00185484 não mais poderão ser convertidos em renda da Unido, visto que são objeto de suspensão de exigibilidade e não de extinção do correspondente débito, portanto, a liquidação e certeza desses valores não são garantidas a Fazenda Nacional se não constituídos dentro do período de decadência; • No mérito, alega que os depósitos judiciais, por ocasião da constituição do crédito suspenso para prevenção da decadência, garantem A empresa a segurança de estar imune da punibilidade e da exigência dos juros de mora; • Por fim, requer, em caso de não ser acolhida a decadência invocada, seja cancelada a exigências de multa de oficio e dos juros moratórios, bem como declarada suspensa qualquer pretensão quanto a inscrição do crédito tributário na divida ativa da Unido. Em decisão proferida, a Impugnação do contribuinte foi julgada improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORIVEAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/05/1998 DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo a COFINS decai em dez anos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. São aplicáveis no lançamento fiscal, por falta de recolhimento, a multa de oficio e os juros de mora previstos em lei, ainda que em face da existência de depósitos judiciais. Lançamento Procedente Inconformado com a decisão exarada, o contribuinte, ora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário, no qual repisou os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Primeiramente, cumpre esclarecer que a razão social do Recorrente, lançada nas peças do presente procedimento administrativo, consta como sendo LBE – Locadora Brasileira de Equipamentos Ltda.. O CNPJ indicado é o de nº 80.794.365/000174. Contudo, em consulta ao site da Receita Federal do Brasil este CNPJ é o da empresa DIGERSC COMERCIO LTDA, que consta como Recorrente no presente procedimento. Desta forma, partese da premissa de que houve alteração da razão social da Recorrente, o que não impede a análise do presente Recurso Voluntário. Pois bem. Como demonstrado no relatório acima, o ora Recorrente, DIGER SC COMERCIO LTDA., teve auto de infração lavrado em seu nome em 13/06/2003, na qual a Receita Federal do Brasil constituiu créditos tributários de COFINS, cujos fatos geradores se deram 01/01/1998 e 31/12/1998. Em sua impugnação, o Recorrente alegou a decadência do direito de a fazenda pública constituir os créditos tributários anteriores à Junho de 1998, pela aplicação do § 4º, do artigo 150 do CTN. No julgamento realizado, a douta Delegacia de Julgamento de Curitiba entendeu pela aplicação do disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91, que, diferentemente do CTN, fixava o prazo decadencial de 10 (dez) anos para que a fazenda pública constituísse o crédito tributário em desfavor dos contribuintes. Entendeu ainda que o referido dispositivo se aplicava à COFINS. Contudo, assiste razão ao contribuinte. O Supremo Tribunal Federal, ao analisar a constitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que fixavam prazos decadencial e prescricional diferentes do Código Tributário Nacional, entendeu pela inconstitucionalidade dos dispositivos. Assim, houve a edição da súmula vinculante nº 8, com a seguinte redação: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não se pode olvidar, neste sentido, que os conselheiros deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais estão vinculados às decisões preferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos do disposto no artigo 62A do Regimento Interno. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002102/200361 Acórdão n.º 3801003.459 S3TE01 Fl. 13 5 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, deve ser considerado, in casu, o prazo decadencial fixado pelo Código Tributário Nacional. Como a autuação se deu em 13/06/2003, houve a decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente a esta data. Com relação ao mérito, no qual o Recorrente alega que realizou os depósito judiciais e que os efeitos deles não foram respeitados pela autuação perpetrada, também há razão no Recurso Voluntário apresentado. É que a fiscalização, ignorando os depósitos judiciais realizados, entendeu por bem constituir a integralidade do crédito tributário, uma vez que, a princípio, não conseguiu identificar os depósitos. Ocorre que, o Recorrente trouxe aos autos comprovantes das depósitos realizados e alegou que os mesmos foram realizados de forma integral, ou seja, deveriam suspender a exigibilidade do crédito tributário. Desta feita, sendo incontroverso nos autos que foram realizados depósitos judiciais, caberia à fiscalização verificar se estes estavam de acordo com as declarações apresentadas pelo contribuinte, podendo, inclusive, não homologar estas declarações dentro do prazo legal. Contudo, isso não foi feito. A constituição do crédito foi integral, de acordo com os créditos constituídos em DCTF pelo contribuinte, créditos estes que estavam depositados judicialmente, em ação proposta pelo Recorrente. Neste sentido, argumentou o ilustre julgador Jorge Frederico Cardoso de Menezes, cujo voto foi vencido no julgamento de 1ª instância administrativa. Confirase: É dizer, considerados os estreitos limites de cognição que ensejaram a "autuaçãoeletrônica", nos casos em que o contribuinte declara não ter pago o débito em face de ter obtido na justiça a suspensão de sua exigibilidade, compete à autoridade administrativa inexoravelmente verificar qual foi o ato processual que ensejou a referida suspensão, se tal ato afasta, ou não, a aplicação de penalidades e, ademais disso, tendo sido informada a suspensão com base em depósitos, se os mesmos foram efetuados, de fato, pelo montante integral exigível, se houve, ou não, o trânsito em julgado da ação e, sobretudo, se tais depósitos foram, ou não, convertidos em renda da Unido e em que medida este último fato afetou a exigibilidade do crédito. Portanto, não demonstrado, na autuação que os depósitos judiciais realizados pelo contribuinte não foram realizados em montante integral e, por consequência, não teriam o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, deve ser julgado como improcedente o lançamento. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele deu provimento, para anular, na totalidade, o crédito tributário constituído pela Fazenda Pública, tendo em vista, preliminarmente, a decadência do período anterior à data da autuação e, no mérito, pela falta de comprovação, pela fiscalização, de que os depósitos judiciais realizados pelo contribuinte não foram realizados em montante integral. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Fl. 93DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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