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Numero do processo: 13971.003140/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004
NORMA DO ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. NORMA PROGRAMÁTICA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A norma do artigo acima citado (É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no
prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta dias) a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte) é meramente programática, não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento por parte da Administração Fiscal, sendo certo inclusive que se encontra topologicamente em capítulo referente à organização da
Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (capítulo II) e não no capítulo referente ao Processo Administrativo Fiscal PAF
(capítulo III), ou seja, há fundada dúvida sobre sua aplicação, mesmo programática, ao PAF. Mesmo que se considere sua aplicação ao PAF, trata-se, apenas, de um apelo feito pelo legislador ao julgador administrativo para implementar o ditame do
inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição da República (a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação), pois o legislador não impôs sanção pelo descumprimento de tal norma. Por óbvio, não estabelecida
a sanção na lei, não cabe ao julgador administrativo usurpar a atividade do legislador, criando sanção não prevista em lei. Ademais, no caso concreto, a administração tributária, pela Turma da Delegacia de Julgamento, proferiu decisão em prazo extremamente razoável, um pouco acima de um ano.
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE
A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008;
AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se
pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos
artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência
e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EM CARÁTER INDIVIDUAL. DESEMPENHO DE PROFISSÃO REGULAMENTADA.
TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Dentro da nova tipologia do direito
da empresa do Novo Código Civil, vê-se que a recorrente sequer poderia ser considerada “empresário”, constituída como empresa individual (firma individual), nos limites do art. 966, parágrafo único, do Código Civil, pois exerce profissão de natureza artística, não restando comprovado nos autos a presença do elemento de empresa. Ao revés, percebe-se que a contribuinte
desempenha atividade de modelo, em caráter individual, devendo os
rendimentos auferidos na atividade serem tributados como pessoa física, na forma do art. 150, § 2º, I e II, do Decreto nº 3.000/99.
ART. 129 DA LEI Nº 11.196/2005. DISPOSITIVO QUE INSTITUI UM
NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO PARA SOCIEDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA A FATO GERADOR OCORRIDO ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DE TAL LEI. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO ÀS EMPRESAS INDIVIDUAIS. O art. 129 da Lei nº 11.196/2005 (Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não,
com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código
Civil) sequer está voltado para a empresa individual (ou, como
queira, firma individual), mas apenas às sociedades, situação última que não se amolda ao caso em debate. Ainda, caso se pretenda aplicar a norma acima ao empresário individual, prestador de serviço de profissão regulamentada, não se pode retroagir tal norma, pois a legislação do imposto de renda impede
a equiparação da tributação da empresa individual de profissão
regulamentada à tributação da pessoa jurídica.
MULTA QUALIFICADA. CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO ESTRANGEIRO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Não se pode negar que a exasperação da multa de ofício na área tributária indica a ocorrência de algum dos tipos previstos na Lei nº 8.137/90, que expressamente regula os crimes contra a ordem tributária. Ora, sempre que a autoridade fiscal perceber, em tese, a vulneração de tal subsistema jurídico, deve qualificar a multa de ofício, confeccionando a competente representação
fiscal para fins penais. Na prática, passa-se a ter uma pena administrativa pecuniária majorada e, eventualmente, uma pena no juízo criminal. Nessa linha, soa estranho imaginar que uma vulneração da ordem financeira ou cambial, para a qual há sanções administrativas que serão aplicadas pelo Banco Central do Brasil e penas previstas na Lei nº 7.492/86 a serem aplicadas pelo juízo criminal, possa também implicar em sanções administrativas exasperadas no âmbito tributário. Ademais, mesmo no tipo
do art. 22, parágrafo único, in fine, da Lei nº 7.492/86 (Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente), como no caso destes autos, há fundada dúvida se a repartição competente a ser notificada para o caso do contribuinte ter depósitos no exterior é a Receita Federal, o Banco Central ou quiçá ambos. Em essência, no âmbito tributário, não há diferença entre um depósito de origem comprovada a partir de conta bancária mantida no Brasil ou no exterior, ambas a partir de contas bancárias não declaradas ao fisco, sendo
certo que não se qualificada a multa sobre o imposto decorrente da omissão de rendimentos provenientes de conta bancária omitida existente no País, exceto se a conta for movimentada por interposta pessoa, aberta com documento fraudulento ou que se tenha perpetrado uma fraude adicional, hipóteses não comprovadas no caso da conta bancária mantida no estrangeiro e em debate nestes autos.
VULNERAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO ART. 2º DA LEI Nº 9.784/99.
INOCORRÊNCIA. A ação fiscal transcorreu dentro de um rito de absoluta normalidade, na qual, simplesmente, a autoridade fiscal discordou da forma de tributação utilizada pela contribuinte autuada. Não houve qualquer vulneração aos princípios da administração previstos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, mas, ao revés, vê-se um procedimento fiscal bem conduzido, no
qual a contribuinte foi seguidamente intimada a comprovar fatos e situações, que culminou na autuação em discussão.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-001.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares e, no mérito, em DAR provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação dos valores pagos na empresa individual Mariana Mueller Weickert-ME com o imposto lançado nestes autos e para reduzir a multa de ofício do
percentual de 150% para 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Mesmo que se considere sua aplicação ao PAF, trata-se, apenas, de um apelo feito pelo legislador ao julgador administrativo para implementar o ditame do inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição da República (a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação), pois o legislador não impôs sanção pelo descumprimento de tal norma. Por óbvio, não estabelecida a sanção na lei, não cabe ao julgador administrativo usurpar a atividade do legislador, criando sanção não prevista em lei. Ademais, no caso concreto, a administração tributária, pela Turma da Delegacia de Julgamento, proferiu decisão em prazo extremamente razoável, um pouco acima de um ano. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EM CARÁTER INDIVIDUAL. DESEMPENHO DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Dentro da nova tipologia do direito da empresa do Novo Código Civil, vê-se que a recorrente sequer poderia ser considerada “empresário”, constituída como empresa individual (firma individual), nos limites do art. 966, parágrafo único, do Código Civil, pois exerce profissão de natureza artística, não restando comprovado nos autos a presença do elemento de empresa. Ao revés, percebe-se que a contribuinte desempenha atividade de modelo, em caráter individual, devendo os rendimentos auferidos na atividade serem tributados como pessoa física, na forma do art. 150, § 2º, I e II, do Decreto nº 3.000/99. ART. 129 DA LEI Nº 11.196/2005. DISPOSITIVO QUE INSTITUI UM NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO PARA SOCIEDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA A FATO GERADOR OCORRIDO ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DE TAL LEI. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO ÀS EMPRESAS INDIVIDUAIS. O art. 129 da Lei nº 11.196/2005 (Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil) sequer está voltado para a empresa individual (ou, como queira, firma individual), mas apenas às sociedades, situação última que não se amolda ao caso em debate. Ainda, caso se pretenda aplicar a norma acima ao empresário individual, prestador de serviço de profissão regulamentada, não se pode retroagir tal norma, pois a legislação do imposto de renda impede a equiparação da tributação da empresa individual de profissão regulamentada à tributação da pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO ESTRANGEIRO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Não se pode negar que a exasperação da multa de ofício na área tributária indica a ocorrência de algum dos tipos previstos na Lei nº 8.137/90, que expressamente regula os crimes contra a ordem tributária. Ora, sempre que a autoridade fiscal perceber, em tese, a vulneração de tal subsistema jurídico, deve qualificar a multa de ofício, confeccionando a competente representação fiscal para fins penais. Na prática, passa-se a ter uma pena administrativa pecuniária majorada e, eventualmente, uma pena no juízo criminal. Nessa linha, soa estranho imaginar que uma vulneração da ordem financeira ou cambial, para a qual há sanções administrativas que serão aplicadas pelo Banco Central do Brasil e penas previstas na Lei nº 7.492/86 a serem aplicadas pelo juízo criminal, possa também implicar em sanções administrativas exasperadas no âmbito tributário. Ademais, mesmo no tipo do art. 22, parágrafo único, in fine, da Lei nº 7.492/86 (Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente), como no caso destes autos, há fundada dúvida se a repartição competente a ser notificada para o caso do contribuinte ter depósitos no exterior é a Receita Federal, o Banco Central ou quiçá ambos. Em essência, no âmbito tributário, não há diferença entre um depósito de origem comprovada a partir de conta bancária mantida no Brasil ou no exterior, ambas a partir de contas bancárias não declaradas ao fisco, sendo certo que não se qualificada a multa sobre o imposto decorrente da omissão de rendimentos provenientes de conta bancária omitida existente no País, exceto se a conta for movimentada por interposta pessoa, aberta com documento fraudulento ou que se tenha perpetrado uma fraude adicional, hipóteses não comprovadas no caso da conta bancária mantida no estrangeiro e em debate nestes autos. VULNERAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO ART. 2º DA LEI Nº 9.784/99. INOCORRÊNCIA. A ação fiscal transcorreu dentro de um rito de absoluta normalidade, na qual, simplesmente, a autoridade fiscal discordou da forma de tributação utilizada pela contribuinte autuada. Não houve qualquer vulneração aos princípios da administração previstos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, mas, ao revés, vê-se um procedimento fiscal bem conduzido, no qual a contribuinte foi seguidamente intimada a comprovar fatos e situações, que culminou na autuação em discussão. Recurso parcialmente provido.
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NORMA PROGRAMÁTICA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A norma do artigo acima citado (É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta dias) a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte) é meramente programática, não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento por parte da Administração Fiscal, sendo certo inclusive que se encontra topologicamente em capítulo referente à organização da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (capítulo II) e não no capítulo referente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (capítulo III), ou seja, há fundada dúvida sobre sua aplicação, mesmo programática, ao PAF. Mesmo que se considere sua aplicação ao PAF, tratase, apenas, de um apelo feito pelo legislador ao julgador administrativo para implementar o ditame do inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição da República (a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação), pois o legislador não impôs sanção pelo descumprimento de tal norma. Por óbvio, não estabelecida a sanção na lei, não cabe ao julgador administrativo usurpar a atividade do legislador, criando sanção não prevista em lei. Ademais, no caso concreto, a administração tributária, pela Turma da Delegacia de Julgamento, proferiu decisão em prazo extremamente razoável, um pouco acima de um ano. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EM CARÁTER INDIVIDUAL. DESEMPENHO DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Dentro da nova tipologia do direito da empresa do Novo Código Civil, vêse que a recorrente sequer poderia ser considerada “empresário”, constituída como empresa individual (firma individual), nos limites do art. 966, parágrafo único, do Código Civil, pois exerce profissão de natureza artística, não restando comprovado nos autos a presença do elemento de empresa. Ao revés, percebese que a contribuinte desempenha atividade de modelo, em caráter individual, devendo os rendimentos auferidos na atividade serem tributados como pessoa física, na forma do art. 150, § 2º, I e II, do Decreto nº 3.000/99. ART. 129 DA LEI Nº 11.196/2005. DISPOSITIVO QUE INSTITUI UM NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO PARA SOCIEDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA A FATO GERADOR OCORRIDO ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DE TAL LEI. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO ÀS EMPRESAS INDIVIDUAIS. O art. 129 da Lei nº 11.196/2005 (Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 2 3 2002 Código Civil) sequer está voltado para a empresa individual (ou, como queira, firma individual), mas apenas às sociedades, situação última que não se amolda ao caso em debate. Ainda, caso se pretenda aplicar a norma acima ao empresário individual, prestador de serviço de profissão regulamentada, não se pode retroagir tal norma, pois a legislação do imposto de renda impede a equiparação da tributação da empresa individual de profissão regulamentada à tributação da pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO ESTRANGEIRO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Não se pode negar que a exasperação da multa de ofício na área tributária indica a ocorrência de algum dos tipos previstos na Lei nº 8.137/90, que expressamente regula os crimes contra a ordem tributária. Ora, sempre que a autoridade fiscal perceber, em tese, a vulneração de tal subsistema jurídico, deve qualificar a multa de ofício, confeccionando a competente representação fiscal para fins penais. Na prática, passase a ter uma pena administrativa pecuniária majorada e, eventualmente, uma pena no juízo criminal. Nessa linha, soa estranho imaginar que uma vulneração da ordem financeira ou cambial, para a qual há sanções administrativas que serão aplicadas pelo Banco Central do Brasil e penas previstas na Lei nº 7.492/86 a serem aplicadas pelo juízo criminal, possa também implicar em sanções administrativas exasperadas no âmbito tributário. Ademais, mesmo no tipo do art. 22, parágrafo único, in fine, da Lei nº 7.492/86 (Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente), como no caso destes autos, há fundada dúvida se a repartição competente a ser notificada para o caso do contribuinte ter depósitos no exterior é a Receita Federal, o Banco Central ou quiçá ambos. Em essência, no âmbito tributário, não há diferença entre um depósito de origem comprovada a partir de conta bancária mantida no Brasil ou no exterior, ambas a partir de contas bancárias não declaradas ao fisco, sendo certo que não se qualificada a multa sobre o imposto decorrente da omissão de rendimentos provenientes de conta bancária omitida existente no País, exceto se a conta for movimentada por interposta pessoa, aberta com documento fraudulento ou que se tenha perpetrado uma fraude adicional, hipóteses não comprovadas no caso da conta bancária mantida no estrangeiro e em debate nestes autos. VULNERAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO ART. 2º DA LEI Nº 9.784/99. INOCORRÊNCIA. A ação fiscal transcorreu dentro de um rito de absoluta normalidade, na qual, simplesmente, a autoridade fiscal discordou da forma de tributação utilizada pela contribuinte autuada. Não houve qualquer vulneração aos princípios da administração previstos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, mas, ao revés, vêse um procedimento fiscal bem conduzido, no qual a contribuinte foi seguidamente intimada a comprovar fatos e situações, que culminou na autuação em discussão. Recurso parcialmente provido. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em DAR provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação dos valores pagos na empresa individual Mariana Mueller WeickertME com o imposto lançado nestes autos e para reduzir a multa de ofício do percentual de 150% para 75%. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 09/09/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face da contribuinte Mariana Mueller Weickert, CPF/MF nº 037.887.919 77, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 29/11/2007, auto de infração (fls. 308 a 316), com ciência postal em 11/12/2007 (fl. 347). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 66.805,69 MULTA DE OFÍCIO R$ 69.551,79 À contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: 1. omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, nos anos calendário 2002 (R$ 41.302,69) e 2003 (R$ 107.336,03), conduta essa apenada com multa de ofício de no percentual de 75% sobre o imposto lançado, com a seguinte motivação (fls. 326 a 328): (...) 26. A contribuinte é titular de firma individual, especificamente MARIANA MUELLER WEICKERT ME., CNPJ 04.956.174/000183, cuja atividade econômica informada (CNAE FISCAL) prescreve "Outras atividades de serviços pessoais não especificadas anteriormente". (doc. 13) 27. Esta fiscalização intimou a referida firma individual a indicar objetivamente a atividade econômica desenvolvida, descrevendoa minuciosamente. (doc. 14) 28. Em resposta (doc. 15), a contribuinte fiscalizada, titular da firma individual, respondeu literalmente que "a respeito de sua atividade Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 3 5 econômica, temos a dizer que trabalha como modelo profissional, atuando em desfiles de moda e também em campanhas publicitárias em geral". 29. Ora, as atividades da empresa, descritas pela fiscalizada, são atividades de caráter personalíssimo da sua titular, ou_ seja, não podem ser prestadas senão por ela própria. A própria fiscalizada, ao descrever a atividade da empresa parece estar a descrever a sua atividade própria. 30. Na verdade, o que há é a contratação da modelo profissional Mariana Mueller Weickert, e não da empresa MARIANA MUELLER WEICKERT ME. Tratase de obrigação de fazer do tipo personalíssimo, lá do Direito Civil, em que se contrata uma pessoa específica para fazer algo, sendo que esta pessoa contratada é insubstituível. 31. Quem contrata Mariana Weickert para um desfile, por exemplo, através de sua firma individual, não aceitará que a empresa a substitua, lhe mande outra modelo no lugar. O contrato, embora de direito seja com a firma individual, de fato é com a modelo Mariana Weickert. 32. Cópias das notas fiscais emitidas pela firma individual referida comprovam a natureza personalíssima do serviço prestado. (doc. 21) 33. Ali aparecem, por exemplo, referências a desfiles e fotos realizados para a internacionalmente conhecida agência de modelos FORD MODELS BRASIL LTDA., para a também conhecida marca ELLUS IND. E COM. LTDA., além de serviços prestados principalmente a uma empresa denominada TECNOBLU LTDA., CNPJ 00.056.633/000111, com sede em BlumenauSC e atividade informada de produção de aviamentos para costura, mas que pesquisa no seu site www.tecnoblu.com.br mostra ser bastante conhecida e reconhecida no mundo da moda, participando de feiras e eventos. 34. O artigo 3°, § 4°, da Lei n° 7.713, de 1988 lei que dispõe sobre a tributação pelo imposto de renda dos rendimentos da pessoa física estabelece que "A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título". 35. E o artigo 123 do Código Tributário Nacional determina que "Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes". 36. Portanto os contratos celebrados pela contribuinte não podem modificar a definição legal do sujeito passivo, que no caso é a pessoa física, pois os contratos envolvem a prestação individual e personalíssima de serviços ou a cessão de direitos autorais pela utilização de nome, marca e/ou imagem. 37. Por esta razão, os rendimentos reportados como tendo sido auferidos pela firma individual MARIANA MUELLER WEICKERT ME., CNPJ 04.956.174/000183, anoscalendário 2002 e 2003, consubstanciamse, de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 fato e de direito, rendimentos da pessoa física de Mariana Mueller Weickert, e como tal devem ser tributados. 2. omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior, nos anos calendário 2002 (R$ 101.842,85) e 2003 (R$ 22.491,15), conduta essa apenada com multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o imposto lançado, com a seguinte motivação (fl. 328 e 329): 38. Conforme descrito nos parágrafos 17 e 25, a contribuinte reconheceu a titularidade da conta n° OVS00827912, do Banco Prudential Securities, Nova Iorque, assim como dos recursos ali depositados conforme datas e valores constantes do quadro do parágrafo 22, abaixo reproduzido: DATA HISTÓRICO CRÉDITO U$ 08/01/2002 FEDERAL FUNDS RCVD VALLEY NATIONAL BANKW 6.300,00 23/04/2002 CHIPS FUNDS RCVD BANK OF TOKIO MITSUBI 36.895,00 18/12/2003 BOOK TRANSFER FROM CHASE 7.647,45 TOTAL 50.842,45 39. Afirmou que estes recursos são pagamentos que recebeu por trabalhos de modelo profissional que efetuou naquelas datas. 40. Em que pese o fato de que não apresentou documentação comprobatória destes pagamentos, confirmando a sua condição profissional, é público e notório que a contribuinte fiscalizada é modelo profissional. 41. Sua mãe, Anamaria Weickert, além de também afirmar o fato, trouxe a esta fiscalização fotos que o sustentam. (doc. 02) 42. Cópias de seus passaportes no período mostram que viajava constantemente ao Estados Unidos da América , além de outros países. (docs. 02 e 08) 43. Além disso, uma singela pesquisa no site de busca "google", sob argumento "Mariana Weickert", evidencia a publicidade e notoriedade de sua atividade profissional. 44. De modo que esta fiscalização está convencida de que os recursos de fato são oriundos da atividade de modelo profissional da contribuinte fiscalizada. (...) 45. Estes recursos, a par do fato da contribuinte não ter apresentado documentação que pudesse esclarecer a natureza da relação com os seus contratantes a informação prestada por ela é de que os "recursos foram recebidos por agências regularmente estabelecidos em seus países de origem", são rendimentos tributáveis, a teor do disposto nos arts. 43, I, IV, V, X e XIII, "e"; 45, I, II, III e VII; 52, III, 53, I a III e 55, VII do RIR/99, combinados com os arts. 43, 45, 114, 116, 118, 121 e 123 do Código Tributário Nacional, instituído pela Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966. 46. A contribuinte nada comprovou acerca da tributação destes recursos no estrangeiro, de modo que estes recursos devem ser tributados no Brasil. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 4 7 Ainda, na descrição das infrações, assim acrescenta a autoridade fiscal (fls. 330 e 331): 51. Não há, nas respectivas DIRPFs, nenhum valor declarado a título de rendimentos tributáveis recebidos do exterior. Tampouco há menção à existência de conta bancária em instituição sediada no exterior. 52. Os valores de rendimentos isentos e não tributáveis referem se a distribuição de lucros efetuada pela firma individual da contribuinte: MARIANA MUELLER WEICKERT ME., CNPJ 04.956.174/000183. 53. A mesma firma individual é indicada como fonte pagadora dos rendimentos tributáveis informados. 54. Constatado, portanto, que a contribuinte ora fiscalizada não ofereceu à tributação os rendimentos auferidos no exterior, decorrentes de sua atividade de modelo profissional, em suas DIRPFs relativas aos anoscalendário 2002 e 2003. 55. Resta saber, ainda, se estes rendimentos não foram declarados como receita de sua firma individual, posto que, como vimos acima, tinha por objeto a prestação de serviços personalíssimos de sua titular. 56. Entretanto, análise das cópias de todas as notas fiscais de prestação de serviços, emitidas em 2002 e 2003, não consignam nenhuma prestação de serviço de modelo profissional a cliente no exterior. 57. Destarte, não pode ser outra a conclusão desta fiscalização no sentido de que os rendimentos auferidos no exterior, anos de 2002 e 2003, decorrentes da atividade de modelo profissional da contribuinte ora fiscalizada, Mariana Mueller Weickert, constituem omissão de receita. 58. Referidos valores, indicados na tabela constante do parágrafo 48, foram levados ao Auto de Infração para constituição do tributo correspondente Imposto de Renda. (...) 90. Os valores dos tributos recolhidos pela firma individual, equiparada à pessoa jurídica, não foram compensados com o tributo apurado por não se tratarem de recolhimentos havidos nos termos dos artigos 11 e 12, V da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995. A multa de ofício no tocante aos rendimentos recebidos no exterior foi qualificada com a seguinte motivação (fls. 333 a 335) 63. Devemos verificar se os fatos anteriormente narrados, que detalham a conduta da contribuinte fiscalizada, se encaixam em uma das definições de evidente intuito de fraude, estampadas nos arts. 71,72 e 73, acima transcritos. A conduta a ser analisada no Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 presente caso é: manter contacorrente bancária em país estrangeiro, sob titularidade de outrem, destinada a receber rendimentos decorrentes de prestação de serviços no exterior, omitindo do fisco tanto a existência da contacorrente como os recursos ali creditados. 64. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a manutenção da conta bancária no estrangeiro, sob titularidade de outrem, destinada a receber rendimentos decorrentes de prestação de serviços no exterior, omitindo do fisco tanto a existência da contacorrente como os recursos ali creditados na definição de sonegação contida no art. 71 da Lei 4.502/64, já transcrito. (...) 67. A alegação da fiscalizada de que os recursos eram recebidos líquidos, ou seja, que as agências contratantes de seus serviços pagavam todas as taxas, impostos e despesas absolutamente não se sustenta. 68. Se assim fosse, se os rendimentos de fato já houvessem sido tributados no país de origem, por que razão não informar a existência da conta bancária e os rendimentos, haja vista que, dependendo do país, existem acordos internacionais que evitam a bitributação? 69. Ressaltese que estamos no final de 2007, e que os rendimentos referemse aos anos de 2000, 2002 e 2003. Não fosse a circunstância da fiscalização relativa à sua mãe, Anamaria Weickert, que identificou transferências de recursos da conta do exterior em nome dela mas de titularidade de fato da fiscalizada, e estes fatos teriam passado ao largo do conhecimento do órgão fiscal brasileiro. 70. Nenhuma iniciativa demonstrou a fiscalizada, nestes anos todos, no sentido de apresentar ao fisco a verdade sobre seus rendimentos e patrimônio no exterior. É presumível que assim se mantivesse, silente, pois que a economia no pagamento de tributos era certamente compensadora. 71. Ainda que redundante, rememoremos: a contribuinte assumiu a titularidade de conta bancária em instituição sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, reconheceu como decorrente de suas atividades profissionais os créditos financeiros ali havidos e manteve todas estas informações à margem do fisco brasileiro, tudo isto durante 07 anos! 72. Não há que se falar em equívoco ou esquecimento. Esta hipótese até poderia ser plausível se se referisse a um ano, mas quando a conduta é permanente, uniforme, durante vários anos, não se é possível considerála. Tratase, na verdade, de ação dolosa no sentido de impedir o conhecimento do fisco da ocorrência do fato gerador, que é exatamente o que denota a intenção de sonegar, prevista no art. 71 da Lei 4.502/64. 73. A consideração dos créditos bancários como receita omitida é, portanto, imposição legal. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 5 9 Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Dentre a documentação anexada à impugnação, a contribuinte trouxe atestado do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo, qualificandoa como artista (função manequim e modelo) à luz do art. 7º, III, da Lei nº 6.533/78 (fl. 235), bem como recolhimentos de tributos na sistemática de pagamento do Simples Federal (fls. 436 a 445). A 4ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0715.049, de 06 de fevereiro de 2009 (fls. 448 a 462). A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 10/03/2009 (fl. 465). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 08/04/2009 (fl. 472). No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que: I. nos termos do art. 24 da Lei nº 11.457/2007, a administração fiscal deve proferir decisão no prazo máximo de um ano a contar da protocolização do recurso. No caso dos autos, a então impugnante apresentou reclamação em 03/01/2008 e a Turma de Julgamento da DRJ somente prolatou decisão em 06/02/2009, sendo de rigor decretar a decadência do direito de constituir o crédito tributário em face da inocorrência de decisão tempestiva da autoridade administrativa; II. a decadência, contada na forma do art. 150, § 4º, do CTN, extinguiu os créditos tributários lançados há mais de cinco anos da ciência do lançamento, considerando os fatos geradores com periodicidade mensal; III. “Conforme se pode verificar em fls. 140141 dos autos, a Recorrente é titular de Firma individual MARIANA MUELLER WEICKERT ME, CNPJ 04.956.174/000183. Tratase de micro, optante do SIMPLES, e que se encontra em situação regular junto aos órgãos fazendários. Tem como atividade econômica "CNAE: 9609299 Outras atividades de serviços pessoais não especificadas anteriormente" (fls. 141). A Recorrente, sendo modelo profissional (atividade devidamente regulamentada nos termos da Lei n° 6.533, de 24.05.78) e devidamente inscrita no Sindicato da sua classe profissional (Doc. 04 da Impugnação fls. 430/431), atua através da Firma Individual MARIANA MUELLER WEICKERT ME (Doc. 05 da Impugnação fls. 433/434) em atividades relacionadas a campanhas publicitárias em geral e desfiles de moda, conforme esclareceu em fls. 148. Ou seja, exerce de forma habitual, através da Firma Individual organizada, atividade econômica de natureza civil e comercial a venda a terceiros de serviços, com o fim especulativo de lucro” (fl. 477 – transcrição do recurso voluntário); IV. labora em grave equívoco a decisão recorrida e a autoridade lançadora, pois as empresas individuais, como a firma individual Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 Mariana Mueller Weickert ME, CNPJ 04.956.174/00183, são equiparadas à tributação da pessoa jurídica; por força dos arts. 146 a 150 do Decreto nº 3.000/99; V. “... mesmo que se admita que a atividade da Recorrente é a prestação de serviços de natureza intelectual, in casu de natureza cultural e artística, em caráter personalíssimo, o entendimento do acórdão recorrido encontrase superado pelo artigo 129 da lei nº 11.196, de 21.11.2005, não havendo que falarse em sua inaplicabilidade...” (fl. 480 – transcrição do recurso voluntário), norma de caráter interpretativo; VI. acaso não acatado a linha defensiva acima, devese deferir a compensação dos tributos pagos na firma individual, como comprovado nestes autos, com o imposto aqui combatido, sob pena de configuração de um inaceitável enriquecimento sem causa do ente tributante. Devese salientar que o fisco fez uma reclassificação de rendimentos da empresa individual para a pessoa física, devendo, por óbvio, considerar os pagamentos feitos na PJ, conforme pacífica jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, e, ainda, outorgar o pagamento das diferenças sem multa de ofício, visto que não houve a manifesta intenção do agente de sonegar; VII. os recursos recebidos no exterior foram líquidos de imposto e demais comissões, pagos pelas agências que contratavam a recorrente, estando diligenciando para comprovar tal situação, o que impediria a autoridade fiscal de encerrar o feito, sob pena de cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Ademais, tais valores não poderiam ser considerados rendimentos omitidos, pois caberia ao fisco comprovar seu consumo, evidenciando os sinais exteriores de riqueza, sempre lembrando que depósitos lastreados em extratos bancários não constituem, por si só, rendimentos, conforme remansosa jurisprudência; VIII. a qualificação da multa de ofício deve ser cancelada, pois se utilizou um fundamento legal (art. 44, II, da Lei nº 9.430/96) que remete à multa de ofício no percentual de 50%, com violação ao princípio da tipicidade e da legalidade. Ademais, no mérito dessa imputação, não se comprovou que a contribuinte tenha agido com evidente intuito de fraude, praticando uma das condutas dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, bem como tal multa tem caráter claramente confiscatório; IX. a autuação vulnerou os princípios do art. 2º da Lei nº 9.784/1999, especificamente os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois não se demonstrou a riqueza auferida pela fiscalizada com os rendimentos omitidos. É o relatório. Voto Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 6 11 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 10/03/2009 (fl. 465), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 08/04/2009 (fl. 472), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 09/04/2009, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Passase a debater o item I da defesa (decadência do crédito tributário em decorrência da violação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007). A norma do artigo acima citado (É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte) é meramente programática, não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento por parte da Administração Fiscal, sendo certo inclusive que se encontra topologicamente em capítulo referente à organização da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (capítulo II) e não no capítulo referente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (capítulo III), ou seja, há fundada dúvida sobre sua aplicação, mesmo programática, ao PAF. Mesmo que se considere sua aplicação ao PAF, tratase, apenas, de um apelo feito pelo legislador ao julgador administrativo para implementar o ditame do inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição da República (a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação), pois o legislador não impôs sanção pelo descumprimento da norma programática. Por óbvio, não estabelecida a sanção na lei, não cabe ao julgador administrativo usurpar a atividade do legislador, criando sanção não prevista em lei. Ademais, no caso concreto, a administração tributária, pela Turma da Delegacia de Julgamento, proferiu decisão em prazo extremamente razoável, um pouco acima de um ano. No ponto, sem razão ao recorrente. Passase à defesa do item II (decadência). Primeiramente, fazse breve menção à tradicional jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sobre a matéria. Entendiase que a regra de incidência de cada tributo era que definia a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribuísse ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldarseia à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial darseia na forma disciplinada no art. 150, § 4º, do CTN, sendo irrelevante a existência, ou não, do pagamento, e, no caso de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial tinha assento no art. 173, I, do CTN . Este era o entendimento aplicado ao lançamento do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica sujeito ao ajuste anual. Assim era pacífico no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física e jurídica sujeito ao ajuste anual amoldarseia à dicção do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na Fl. 11DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citamse os acórdãos nºs: 10195.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 10246.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 07/07/2005; 10323.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 10422.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; 10615.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/11/2006. O entendimento acima também veio a ser acolhido pelo CARF a partir de 2009, quando este Órgão substituiu os Conselhos de Contribuintes. Entretanto, veio a lume uma alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), que passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). E o Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), confessou uma tese na matéria decadencial diversa do CARF, como abaixo se vê, sendo de rigor aplicála nos julgamentos da segunda instância administrativa. Assim, no que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação, tivemos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, Fl. 12DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 7 13 consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. Ainda, todas as infrações imputadas à contribuinte impactam o imposto apurado no ajuste anual, sendo de rigor asseverar que todos os fatos geradores ocorreram em 31/12 de cada anocalendário, ou seja, as eventuais infrações dos anoscalendário 2002 e 2003 interfeririam no fato gerador do imposto de renda apurado em 31/12/2002 e 31/12/2003, daí contandose o prazo decadencial, que, para esses anoscalendário informados, teria termo final decadencial em 31/12/2007 e 31/12/2008 (isso considerando a regra mais benéfica para o contribuinte na contagem do prazo decadencial, qual seja, a do art. 150, § 4º, do CTN), Fl. 13DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 14 momento posterior à ciência do lançamento (11/12/2007 fl. 347), e, assim, não haveria falar em decadência para as infrações dos anoscalendário 2002 e 2003. O entendimento acima, no tocante ao aperfeiçoamento do fato gerador do imposto de renda apurado no ajuste anual em 31/12 de cada anocalendário, está em linha com a inteligência da Súmula CARF nº 38: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. Por tudo, sem razão à recorrente. Agora se passa ao cerne da controvérsia, estampada nas defesas dos itens III a VI, nas quais a contribuinte vergasta a reclassificação dos rendimentos da empresa individual MARIANA MUELLER WEICKERT ME para a pessoa física MARIANA MUELLER WEICKERT. Antes de tudo, devese observar que a empresa individual acima tributava suas rendas como pessoa jurídica, na sistemática, favorecida e diferenciada, de pagamento do Simples Federal (Lei nº 9.317/96), como se viu pelas guias de recolhimento juntadas aos autos (fls. 436 a 445). E, pelo art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96 (Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados; e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida), a empresa individual MARIANA MUELLER WEICKERT ME, que desempenha atividade regulada pela Lei nº 6.533/78 (Dispõe sobre a regulamentação das profissões de Artistas e de técnico em Espetáculos de Diversões, e dá outras providências), como se vê pelo atestado de fl. 235, sequer poderia fazêlo, pois se trata de profissão (Artista – função modelo e manequim) cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida, hipótese com vedação à adesão ao Simples Federal, como se vê pelos excertos acima destacados. E aqui se deve lembrar que o Supremo Tribunal Federal, na ADI 1.643DF, proposta pela Confederação Nacional das Profissões Liberais, na relatoria do Ministro Maurício Corrêa, em sessão de 05 de dezembro de 2002, assentou a constitucionalidade do art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. Porém o debate central aqui não se volta para as modalidades de tributação como pessoa jurídica que a empresa individual MARIANA MUELLER WEICKERT ME poderia fazêlo, mas se essa poderia ser equiparada à pessoa jurídica para fins do imposto de renda. Caso positivo, eventual enquadramento indevido nos regimes tributários da pessoa jurídica seria corrigido, porém se mantendo a tributação como ente abstrato. Caso contrário, as rendas da empresa individual teriam que ser tributadas como pessoa física. Para uma perfeita compreensão do assunto ora em debate, fazse necessário fazer um breve apanhado da tipologia societária existente no decaído Código Civil de 1916 (empresa individual, sociedade civil de profissão legalmente regulamentada e sociedades mercantis) e no novo Código Civil1 (empresário individual, sociedade empresária e sociedade simples). 1 E agora, com a Lei nº 12.441/2011, com vigência a partir de 180 dias após a publicação dela (12/07/2011), virá a lume a empresa individual de responsabilidade limitada. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 8 15 Primeiramente, passase a apreciar o quadro normativo societário (e tributário) vigente no decaído Código Civil de 1916. No regime do Código Civil de 1916 e legislação superveniente, as sociedades de prestação de serviço de profissão legalmente regulamentada eram incorporadas como sociedades civis (art. 16, I, do Código Civil de 1916). A par das sociedades civis, tinhamse as sociedades mercantis e empresas individuais, tríduo essencial para ação do empreendedor na atividade econômica, com organização dos fatores de produção, para produzir e fazer circular bens e serviços, com fim especulativo de lucro. A sociedade mercantil não oferecia maiores dúvidas, existindo quando duas ou mais pessoas, ligadas pela affectio societatis, efetuavam contrato de sociedade entre si, objetivando a produção e venda a terceiros de bens ou serviços, com o fim especulativo de lucro. Já a empresa individual era aquela de titularidade unipessoal, igualmente com o fim de organizar os fatores de produção (capital, mãodeobra, insumos e tecnologia), para promover a produção e circulação de bens e serviços. Em termos de direito tributário (art. 150 do Decreto nº 3.000/99), as empresas individuais (firmas individuais; as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços; as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos) são equiparadas à tributação das pessoas jurídicas para os efeitos do imposto de renda. Entretanto, algumas pessoas físicas que, individualmente, exercem determinadas atividades profissionais legalmente regulamentadas, ou não2, com o mesmo objetivo antes citado, jamais podem ser equiparadas à tributação da pessoa jurídica, devendo ser tributadas como pessoa física. Dessa forma, a empresa individual, desde que pudesse ser equiparada à pessoa jurídica, fruindo das normas da tributação da pessoa coletiva, e não incidisse em alguma das atividades vedadas pelos regimes tributários diferenciados das microempresas e empresas de pequeno porte, poderiam aderir a quaisquer dos regimes tributários das pessoas jurídicas (lucro real, presumido, arbitrado ou Simples Federal). Esse era o quadro normativo, societário e fiscal, vigente antes do Novo Código Civil. E pelo quadro acima, no tocante ao primeiro ano da autuação destes autos (anocalendário 2002), vigente ainda o Código Civil de 1916, vêse que a atividade desenvolvida pela contribuinte (Artista – função manequim e modelo), enquadrase na vedação 2 Atividades descritas no Art. 150, § 2º, do Decreto nº 3.000/99 – Atividades de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais; agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria; serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros; corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções; e exploração de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 16 da equiparação à tributação da pessoa jurídica, prevista no art. 150, § 2º, I e II, do Decreto nº 3.000/99, aqui registrando que não há qualquer diferença entre empresa individual e firma individual3, ou seja, alguns tipos de empreendimentos individuais não podem ser equiparadas à tributação da pessoa jurídica, como ocorre com a atividade da recorrente. Vejase a legislação de regência abaixo, que claramente veda a equiparação da pessoa física à tributação da pessoa jurídica, no caso do exercício de profissões reguladas por lei, como ocorreu com o caso vertente: Art.150.As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). §1ºSão empresas individuais: Ias firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "a"); IIas pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "b"); (...) §2ºO disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: Imédico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); IIprofissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "b"); (grifouse) Em essência, o objetivo básico da legislação do imposto de renda era impedir que pessoas físicas que prestavam serviço de profissões legalmente regulamentadas, travestidas de pessoa jurídica, pudessem aderir aos regimes tributários das pessoas jurídicas, inclusive o Simples Federal (tais pessoas físicas caso, em nome individual, explorassem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de prestação de serviço de profissão legalmente regulamentada – médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas – com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de serviços, deveriam tributar seus rendimentos como pessoas físicas, na forma do art. 150, § 2º, I, do Decreto nº 3.000/99). 3 Nesse ponto, devese observar que há em paralelo o conceito de firma individual, utilizado na legislação do imposto de renda, como uma das espécies de empresa individual (art. 150 do Decreto nº 3.000/99). Na prática, há uma confusão terminológica entre firma individual e empresa individual, não sendo possível apreender uma diferença entre elas, como se pode ver em ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Análise Estrutural e Teleológica do Enunciado do Art. 129 da Lei nº 11.196/05. In ANAN JR., Pedro & PEIXOTO, Marcelo Magalhães (org.). Prestação de Serviços Intelectuais por Pessoas Jurídicas: Aspectos Legais, Econômicos e Tributários. São Paulo: MP Editora, 2008, p. 485 a 504. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 9 17 Já com a publicação do Novo Código Civil, adotando a teoria da empresa, houve uma alteração da tipologia acima citada, surgindo a figura do empresário individual, aquele que profissionalmente desenvolve atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços (art. 966 do Código Civil), em todo assemelhado à antiga empresa individual4; a sociedade empresária, quando pessoas celebram contrato de sociedade que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados (arts. 966, 982 e 983 do Código Civil); e a sociedade simples ou não empresária (arts. 982 e 983 do Código Civil). O conceito de atividade empresária, elemento essencial para distinguir as sociedades, empresária e simples, veio apenas informado no art. 966 do Código Civil, no denominado elemento de empresa, verbis: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Leslie Amendolara (A Sociedade Intelectual no Código Civil. In ANAN JR., Pedro & PEIXOTO, Marcelo Magalhães (org.). Prestação de Serviços Intelectuais por Pessoas Jurídicas: Aspectos Legais, Econômicos e Tributários. São Paulo: MP Editora, 2008, p. 74) assim detalha o elemento de empresa: A doutrina tem considerado, embora sem estabelecer uma definição clara, que seriam elementos de empresa: a profissionalização, organicidade e economicidade. A profissionalização caracterizase pela presença, na sociedade, de um quadro de profissionais especializados, exercendo suas atividades com permanência dentro de uma hierarquia. A organicidade, como salienta Adalberto Simão Filho, ‘põe em funcionamento um fundo de comércio que vincula, através de empresário individual ou societário, ente personalizado, cuja missão é representar juridicamente a empresa no mundo de negócios e cujos atos são praticados repetidamente, em série orgânica, e são sempre comerciais, pela sua própria natureza’. A economicidade decorre da atividade empresarial na produção e circulação de bens e serviços. Na economia de mercador, ela se manifesta pela interação de compradores e vendedores, que ditarão o preço das mercadorias ou dos serviços, sem interferência de cartéis ou do Estado. Outro aspecto fundamental é a perseguição do lucro, condição para sua sobrevivência e desenvolvimento, remuneração e geração de riqueza para os sócios. 4 E agora, com a Lei nº 12.441/2011, com vigência a partir de 180 dias após a publicação (12/07/2011), a empresa individual de responsabilidade limitada, a qual não será debatida nestes autos, já que essa Lei não se encontra ainda vigente. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 18 Manoel Ignácio Torres Monteiro (Análise Estrutural e Teleológica do Enunciado do Art. 129 da Lei nº 11.196/05. In ANAN JR., Pedro & PEIXOTO, Marcelo Magalhães (org.). Prestação de Serviços Intelectuais por Pessoas Jurídicas: Aspectos Legais, Econômicos e Tributários. São Paulo: MP Editora, 2008, p. 53 e 54) assim estrema sociedade empresária e simples, com foco no elemento de empresa: A expressão elemento de empresa referese a situações em que a atividade profissional intelectual, científica, literária ou artística é absorvida pela atividade empresarial, da qual se tornaria um mero elemento. Segundo a doutrina predominante, para que essas sociedades sejam consideradas empresárias, seria necessária a existência de uma estrutura empresarial, na qual terceiros nãosócios ou empregados concorram para a execução da atividade fim, e, de outro lado, os sócios exerçam também atividades de coordenação dos fatores de produção. Esse conceito pode ser melhor entendido com base nos seguintes Enunciados da III Jornada de Direito civil do Conselho de Justiça Federal: 194 – Os profissionais liberais não são considerados empresários, salvo se a organização dos fatores de produção for mais importante que a atividade pessoal desenvolvida. 195 – A expressão elemento de empresa demanda interpretação econômica, devendo ser analisada sob égide da absorção da atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, como um dos fatores da organização empresarial. Nessa ordem de idéias, devese reconhecer que, às vezes, há uma enorme dificuldade em distinguir a existência, ou não, de um elemento de empresa no exercício de uma atividade profissional, o que justifica a existência, ou não, de um empresário ou sociedade empresária. Assim, por exemplo, não há dúvida de que um advogado que contrate uma secretária para apoiar seu mister não pode ser encarado como empresário individual (empresa individual). Simplesmente é uma pessoa física, que desempenha uma profissão liberal, devendo oferecer seus rendimentos à tributação no regime das pessoas físicas. Porém, suponha dois médicos que operem uma clínica, em sociedade, com contratação de empregados. Se tais médicos não contratarem outros médicos ou profissionais de profissão regulamentada, surge a dúvida quanto à existência de um elemento de empresa, pois a prestação do serviço pelos profissionais sócios médicos se assemelha à prestação individual de cada um deles, ou seja, no máximo poderseia permitir que houvesse a constituição do empreendimento como sociedade simples. Porém se houver a contratação de outros profissionais médicos, parece claro a existência de um elemento de empresa, podendo tratar essa entidade como uma sociedade empresária, com tributação como tal, e não como pessoa física ou como sociedade simples (regime geral das demais empresas). E a questão que aqui se coloca é se a nova tipologia societária trazida pelo Novo Código Civil, de alguma forma, teria o condão de alterar a legislação do imposto de renda no tocante a uma empresa que exerça, individualmente, profissões de atividades legalmente habilitadas. Para o caso em debate, dentro da nova tipologia do direito da empresa do Novo Código Civil, vêse que a recorrente sequer poderia ser considerada “empresário”, constituída como empresa individual (firma individual), nos limites do art. 966, parágrafo Fl. 18DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 10 19 único, do Código Civil, nas partes abaixo destacadas, pois exerce profissão de natureza artística, desenvolvendo ela mesmo a atividade profissional, em caráter personalíssimo, não restando comprovado nos autos a presença do elemento de empresa, que seria aquele estrutura empresarial que visa movimentar fatores de produção – trabalho, capital, tecnologia etc., quando a atividade personalíssima da recorrente (artista/modelo) seria absorvida pela atividade empresarial (aqui não se nega que uma empresa individual/empresário individual possa contratar pessoas, instalações, outros profissionais, inclusive de profissões regulamentadas idênticas ao do titular da empresa individual, tudo a concretizar o elemento de empresa, naquela situação que a atividade empresarial do titular é absorvida pela gestão do negócio, situação, entretanto, que não se viu nestes autos): Art. 966 do Código Civil. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. (grifouse) Ademais, continuam vigentes as mesmas normas do art. 150 do Decreto nº 3.000/99, que impede que uma atividade de profissão regulamentada, com exercício profissional individual, como se viu nestes autos, possa ter as rendas dela tributadas de forma equiparada à pessoa jurídica. Por fim, o art. 129 da Lei nº 11.196/2005 (Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil) sequer está voltado para a empresa individual (ou, como queira, firma individual), mas apenas às sociedades, situação última que não se amolda ao caso aqui em debate. Ainda, caso se pretenda aplicar a norma acima ao empresário individual, prestador de serviço de profissão regulamentada, não se pode retroagir tal norma, pois a legislação anterior do imposto de renda, como se viu, impedia a equiparação da tributação à da pessoa jurídica. Já no tocante ao pedido de compensação, entendo que assiste razão à recorrente, até em razão de um paralelismo de procedimento, em obediência ao princípio da moralidade administrativa, já que soaria desarrazoado reclassificar as receitas da empresa individual para rendimentos da pessoa física, mantendo lá os tributos pagos, obrigando que a pessoa física/empresa individual solicitasse uma restituição, para compensação posterior, sofrendo o ônus de eventual decadência do direito creditório ou mesmo da imposição global da multa de ofício aqui lançada, quando se sabe que, contemporaneamente ao fato gerador do imposto referente às receitas reclassificadas, houve pagamento parcial dos tributos sobre tais receitas/rendimentos reclassificados. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 20 É de se observar que a exação total paga no âmbito do Simples Federal pela empresa individual deve ser corrigida pela Taxa Selic, como pagamento indevido, até o vencimento do imposto de renda da pessoa física lançado (30/04/2003 e 30/04/2004 – fl. 316), aí efetuando a compensação. Do imposto remanescente, incidirá juros de mora a partir do mês seguinte ao vencimento, agregado da multa de ofício no percentual de 75% sobre o imposto remanescente, não sendo aqui possível acatar o pleito de exoneração da multa de ofício feito pela recorrente, já que se detectou imposto a pagar em procedimento de ofício, sendo de rigor aplicar a cominação legal sobre o imposto remanescente, na forma do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Por tudo, aqui se registra que esse Conselheiro relator já confessou entendimento em todo similar ao presente caso, como se viu no Acórdão nº 10617.147, sessão de 05 de novembro de 2008, que restou assim ementado: IRPF REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Não há plausibilidade jurídica em defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, detentora de um único ativo vinculado à imagem de um tenista profissional, para comercialização dos desdobramentos patrimoniais do direito de imagem, quando a empresa centrase unicamente na figura do tenista, o qual é o responsável principal pela execução (ou inexecução) dos contratos geradores de renda, e não meramente um anuente. Claramente seria uma sociedade cujo affectio societatis se resumiria à redução do pagamento dos tributos incidentes sobre os rendimentos do trabalho percebidos unicamente por um dos sócios, e não uma atividade econômica específica, que pudesse alavancar a carreira ou os negócios do anuente agenciado. O que une os sócios dessa sociedade não é o desenvolvimento de uma atividade econômica, mas uma pretensa redução de carga tributária, já que todo o ônus (e bônus) da prestação dos serviços está vinculado ao desempenho personalíssimo de um dos sócios. Assim, deve ser tributada como rendimento de pessoa física a remuneração por serviços prestados, de natureza personalíssima, sem vínculo empregatício, independentemente da denominação que lhe seja atribuída. ART. 129 DA LEI Nº 11.196/2005 DISPOSITIVO QUE INSTITUI UM NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA A FATO GERADOR OCORRIDO ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DE TAL LEI. Dispositivo que institui uma nova modalidade de tributação não pode ser encarado como norma interpretativa, a retroagir seus efeitos para fatos geradores anteriores a sua edição. RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITAS DE PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA DO SÓCIO COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA COM AQUELE LANÇADO NA PESSOA FÍSICA EM Fl. 20DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 11 21 DECORRÊNCIA DOS RENDIMENTOS/RECEITAS RECLASSIFICADOS HIGIDEZ. Em respeito ao princípio da moralidade administrativa, uma vez que foram reclassificados os rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio, devese adotar o mesmo procedimento em relação aos tributos pagos na pessoa jurídica vinculados aos rendimentos/receitas reclassificados, ou seja, apurado o imposto na pessoa física, deste devemse abater os tributos pagos na pessoa jurídica, antes dos acréscimos legais de ofício. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR ACORDO RECIPROCIDADE DE TRATAMENTO COMPENSAÇÃO As pessoas físicas que recebam rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir do imposto apurado na declaração de ajuste, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos desde que haja previsão para tanto em acordo ou convenção internacional fixada com o país de origem dos rendimentos, ou que haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. O acordo, ou a lei que estabeleça a reciprocidade, têm que estar em vigor no anocalendário para o qual a compensação é pleiteada, sob pena de a mesma não ser permitida. Ademais, caberá ao contribuinte comprovar, através da documentação pertinente, a data e o montante do imposto recolhido. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, quando as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Multa excluída. Recurso parcialmente provido. Agora se passa à defesa do item VII (os recursos recebidos no exterior foram líquidos de imposto e demais comissões, pagos pelas agências que contratavam a recorrente, estando diligenciando para comprovar tal situação, o que impediria a autoridade fiscal de encerrar o feito, sob pena de cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Ademais, tais valores não poderiam ser considerados rendimentos omitidos, pois caberia ao fisco comprovar seu consumo, evidenciando os sinais exteriores de riqueza, sempre lembrando que depósitos lastreados em extratos bancários não constituem, por si só, rendimentos, conforme remansosa jurisprudência). Restou comprovado à saciedade nos autos, inclusive com confissão da própria recorrente (fl. 234), que os recursos acima são pagamentos que recebeu por trabalhos de modelo profissional que efetuou no exterior, sendo rendimentos de trabalho não assalariado, nos quais incide o imposto de renda. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 22 Toda a discussão sobre sinais exteriores de riqueza ou tributação sobre depósitos bancários é inaplicável ao caso em debate, pois não se tratou de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, mas se identificou a origem dos depósitos bancários, a partir de confissão da própria contribuinte, que reconheceu, como já dito, que se tratava de rendimentos de trabalho, omitidos do pagamento de imposto de renda no País. Ainda, a contribuinte não comprovou qualquer incidência de imposto sobre os valores recebidos no exterior até a presente data, sendo desarrazoada a pretensão de que a autoridade fiscal estaria impedida de encerrar o procedimento fiscal. Ora, imputada a omissão de rendimentos percebidos no exterior, caberia a contribuinte, na impugnação, demonstrar que os valores recebidos alhures tinham sido tributados, para que, na instância administrativa, se fosse o caso, reconhecerse a compensação do imposto apurado no Brasil com o pago no estrangeiro. Ocorre que até a presente data a contribuinte não comprovou tal fato, o que demonstra a ausência de razoabilidade da tese defensiva. Finalizando, a recorrente não pleiteou como razão de defesa que os valores recebidos no exterior fossem tributados na firma individual MARIANA MUELLER WEICKERT ME, pois se esta fosse uma realidade jurídica plausível, certamente a recorrente teria aventado a possibilidade da tributação dos valores recebidos no estrangeiro na empresa individual. Isso simplesmente é mais um indício a demonstrar que a empresa individual citada foi uma cortina de fumaça, utilizada unicamente para permitir um pagamento extremamente minorado de tributos no país, ao abrigo indevido do Simples Federal, como já se viu. Passase à defesa do item VIII (qualificação da multa de ofício). Como se viu no relato deste voto, a autoridade autuante especificou detalhadamente a conduta que considerou qualificada, entendendo haver demonstrado a conduta de sonegar, razão suficiente para exasperar a multa de ofício. Obviamente que eventual equívoco na fundamentação legal da multa qualificada, mormente quando essa tinha sede primitiva no próprio art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, não pode ser causa de nulidade do lançamento, pois o contribuinte devese defender do fato a ele imputado e não de eventual equívoco no registro da base legal da qualificação no auto de infração (fl. 316). E o fato qualificado, na visão da autoridade autuante, está bem delineado e descrito, não havendo qualquer nulidade a ser aqui declarada. Na preliminar, sem razão a recorrente. A conduta que levou a autoridade fiscal a qualificar a multa de ofício vinculada ao imposto incidente sobre os rendimentos auferidos no exterior foi a que abaixo se descreve (fl. 333): 63. Devemos verificar se os fatos anteriormente narrados, que detalham a conduta da contribuinte fiscalizada, se encaixam em uma das definições de evidente intuito de fraude, estampadas nos arts. 71,72 e 73, acima transcritos. A conduta a ser analisada no presente caso é: manter contacorrente bancária em país estrangeiro, sob titularidade de outrem, destinada a receber rendimentos decorrentes de prestação de serviços no exterior, omitindo do fisco tanto a existência da contacorrente como os recursos ali creditados. 64. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a manutenção da conta bancária no estrangeiro, sob Fl. 22DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 12 23 titularidade de outrem, destinada a receber rendimentos decorrentes de prestação de serviços no exterior, omitindo do fisco tanto a existência da contacorrente como os recursos ali creditados na definição de sonegação contida no art. 71 da Lei 4.502/64, já transcrito. (...) Não me parece que a conta em nome da mãe da recorrente tenha sido um veículo para esconder as informações fiscais da Receita Federal. É de conhecimento geral que jovens brasileiras são contratadas como manequins no mundo inteiro, sendo que muitas vezes os pais (ou a mãe) acompanham a profissional, gerindo suas finanças, muitas vezes abrindo conta bancárias no exterior, que são repositórios dos recursos do trabalho da manequim. No caso vertente, quer parecer que sendo a conta aberta em nome da mãe da recorrente ou desta própria, os valores não seriam ofertados à tributação no Brasil, a partir de uma falsa percepção de que uma eventual tributação nos Estados Unidos seria suficiente. Quanto a não declaração da conta estrangeira às autoridades fiscais e cambiais brasileiras, aqui se poderia ter a ocorrência do crime de manter depósitos não declarados à repartição federal competente (art. 22, parágrafo único, última figura, da Lei nº 7.492/86), mas não me parece que seria o caso de qualificação da multa no âmbito tributário, a gerar um ilícito penal também na área tributária. Pessoalmente, já tive a oportunidade de confessar entendimento similar ao da autoridade autuante, quando da prolação do Acórdão nº 10617.054, sessão de 11/09/2008, em que, relator do feito, restei vencido pela douta maioria da então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que então desqualificou a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75% sobre o imposto lançado, já que entendeu, a maioria, que a questão tratada no art. 22, parágrafo único, da Lei nº 7.492/86 era estranha à lide tributária, já que se tratava de um crime contra o sistema financeiro e não contra a ordem tributária. Desde então, melhor ponderando sobre essa controvérsia, passei a acompanhar o entendimento da maioria que se formou naquele julgado, como se viu no Acórdão 210200.432, sessão de 03 de dezembro de 2009, deste colegiado, pelas razões abaixo descritas. Inicialmente, não se pode negar que a exasperação da multa de ofício na área tributária indica a ocorrência de algum dos tipos previstos na Lei nº 8.137/90, que expressamente regula os crimes contra a ordem tributária. Ora, sempre que a autoridade fiscal perceber, em tese, a vulneração de tal subsistema jurídico, deve qualificar a multa de ofício. Na prática, passase a ter uma pena administrativa pecuniária majorada e, eventualmente, uma pena no juízo criminal. Na linha acima, soa estranho imaginar que uma vulneração da ordem financeira ou cambial, para a qual há sanções administrativas que serão aplicadas pelo Banco Central do Brasil e penas previstas na Lei nº 7.492/86 a serem aplicadas pelo juízo criminal, possa também implicar em sanções administrativas exasperadas no âmbito tributário. Ademais, mesmo no tipo do art. 22, parágrafo único, in fine, da Lei nº 7.492/86 (Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente), há fundada dúvida se a repartição competente a ser notificada para o caso do contribuinte ter depósitos no exterior é a Receita Federal, o Banco Central ou quiçá ambos. Em essência, no Fl. 23DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 24 âmbito tributário, não há diferença entre um depósito de origem comprovada a partir de conta bancária mantida no Brasil ou no exterior, ambas a partir de contas não declaradas ao fisco, sendo certo que não se qualificada a multa sobre o imposto decorrente da omissão de rendimentos provenientes de conta bancária omitida existente no País, exceto se a conta for movimentada por interposta pessoa, aberta com documento fraudulento ou que se tenha perpetrado uma fraude adicional, hipóteses não comprovadas no caso da conta bancária mantida no estrangeiro e em debate nestes autos. Com as considerações acima, aqui se entende que ocorreu uma simples omissão de rendimentos auferidos no exterior, devendo essa conduta ser apenada com multa ordinária de ofício de 75% sobre o imposto lançado. Por fim, passase à defesa do item IX (a autuação vulnerou os princípios do art. 2º da Lei nº 9.784/1999, especificamente os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois não se demonstrou a riqueza auferida pela fiscalizada com os rendimentos omitidos). A tese acima é destituída de qualquer razoabilidade, pois a ação fiscal transcorreu dentro de um rito de absoluta normalidade, na qual, simplesmente, a autoridade fiscal discordou da forma de tributação utilizada pela recorrente Mariana Mueller Weickert para tributar seus ganhos no país e no exterior. Não houve qualquer vulneração aos princípios da administração previstos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, mas, ao revés, vêse um procedimento fiscal bem conduzido, no qual a contribuinte foi seguidamente intimada a comprovar fatos e situações, que culminou na autuação ora em debate. Assim, no ponto, sem razão a recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação dos valores pagos na empresa individual Mariana Mueller WeickertME com o imposto lançado nestes autos e para reduzir a multa de ofício do percentual de 150% para 75%. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 24DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.003140/200789 Acórdão n.º 210201.490 S2C1T2 Fl. 13 25 Fl. 25DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11831.004805/2003-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/02/2000 a 29/06/2000
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS e COFINS NÃO-CUMULATIVOS.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-001.723
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto votou pelas conclusões.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2000 a 29/06/2000 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS e COFINS NÃO CUMULATIVOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Fl. 490DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: Trata o presente processo de pedido de restituição (11,01), posteriormente retificado paia pedido de ressarcimento (f1,88), do PIS e da COFINS, referente à aquisição de gasolina automotiva e óleo combustível revendidos a varejo, com correção pela SEL1C, Período da aquisição é de 01/02/2000 a 29/06/2000. O pedido totaliza R$ 131040,65. A autoridade fiscal deferiu parcialmente o pedido da contribuinte (fls.172/18 1 ), fundamentando que não houve pagamento indevido ou a maior do PIS/CO.FINS, de modo que a União recebeu as contribuições de forma licita, sendo o ressarcimento um favor fiscal, motivo pelo qual não há previsão legal para correção pela SELIC. Assim, o crédito foi parcialmente deferido sem correção pela SELIC, o que totalizou R$ 82.761,57. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade com as seguintes alegações (fls.183/194): O § 3" do art, 66 da Lei IV 8.383/91 que autoriza a correção não se limita aos casos de pagamento indevido ou a maior; A correção é apenas recomposição do valor reduzido pela inflação, por isso não exige previsão legal; O §40, do art. 39 da Lei n o 9,250/95 prevê a aplicação da Taxa SELIC na compensação ou restituição e a Instrução Normativa n" 06, de 29 de janeiro de 1999, diz que o direito de ressarcimento se dá através de compensação ou restituição ; Ainda que não houvesse a previsão da IN/SRF n° 06/1999, a SELIC deve ser aplicada analogicamente ao ressarcimento, pois é permitida à compensação e nas dois instituto o contribuinte recupera crédito; A SELIC deve ser aplicada como índice de correção monetária em substituição à MR. A DRJ São Paulo 1 —SP prolatou acórdão com a seguinte ementa (fls.305/312): "RESSARCIMENTO. A repetição de indébito decorre de pagamento indevido ou a maior do que o devido, não podendo .ser confundida com o ressarcimento. SELIC Taxa Selic não representa correção monetária. DISPOSIÇÃO EXPRESSA A Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal n" 600, de 28 de dezembro de .2005, afasta expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do PI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, bem como na compensação de referidos créditos" A contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ aproximadamente no dia 27/07/2008 (fls. 314/316) e interpôs Recurso Voluntário em 14/07/2008 (fls. 317/330) reforçando os argumento utilizados na Manifestação de Inconformidade e, ao final, fazendo os seguintes pedidos: "ser garantido o direito a incidência da SELIC sobre o valor do crédito da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP Fl. 491DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11831.004805/200317 Acórdão n.º 930301.723 CSRFT3 Fl. 424 3 reconhecido administrativamente, como atualização monetária ou mesmo juros da seguinte forma. i)calculado sobre o valor do crédito pleiteado a partir da data de protocolização do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo ressarcimento, ou ii) na hipótese de ter sido o crédito utilizado em compensação(ões) tributária(s), calculada a partir da data de protocolização do Pedido de Ressarcimento até a data da(s) compensação(ões) tributária(s), sobre o eventual saldo credor resultante do(s) abatimento(s) até seu efetivo ressarcimento. Requer, por fim, que também seja intimada de todas as decisões proferidas nestes autos a advogada signatária do presente no mesmo endereço da Recorrente" (grifo no original). É o Relatório. Julgando feito, o Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2000 a .29/06/2000 PIS RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E POSTERIOR VEDAÇÃO EXPRESSA. Até 30 de abril de 2004 faltava previsão legal para aplicação da Taxa SELIC na atualização monetária do ressarcimento do PIS, após essa data, a vedação à atualização passou a ser expressa. Recurso negado. Inconformada, a requerente apresentou recurso especial de divergência (fls.351 a 359), sendolhe dado seguimento apenas quanto à questão da atualização monetária com base na taxa Selic, despacho de fl. 410, confirmado pelo de fl. 411. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 413 a 419. Em apertada síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator A teor do relatado, a matéria trazida a debate cingese à questão da atualização monetária dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos pleiteados pela recorrente. A meu sentir, a posição mais consentânea com o bom direito é a da não incidência de correção monetária desses créditos, visto que, contra tal pretensão, há o fato intransponível da inexistência de previsão legal que autorizasse a atualização, nos primórdios da não cumulatividade dessas contribuições, e, posteriormente, a existência de Fl. 492DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 vedação expressa para tal correção, vedação essa, trazida pela Lei 10.833/2003, art. 131, para a COFINS, e art. 15, inc. VI2 (incluído pela Lei 10.865/2004). Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi assim estabelecida no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Ora, ao reportarse ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, o dispositivo legal acima transcrito restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais. Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos créditos decorrentes da sistemática não cumulativa a que foi submetida a tributação dessas contribuições. Assim, não é lícito estender o alcance desse dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida. Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao tratar sobre pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento , ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 1 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. 2 Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). ......................................................................................................... VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 493DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11831.004805/200317 Acórdão n.º 930301.723 CSRFT3 Fl. 425 5 III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. (Grifouse). Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito decorrente da não cumulatividade do PIS e da Cofins. Dessa forma, não é lícito valerse da analogia para estender ao ressarcimento de crédito o que a legislação (artigo 39, § 4º da Lei 9.250 c/c o art. 66, da Lei nº 8.383, de 1991) prevê exclusivamente para as hipóteses de compensação e de restituição de pagamento de tributos e contribuições indevidos ou pagos a maior que o devido. Ora, é evidente que se o legislador quisesse conceder a correção monetária também para o ressarcimento em questão, têloia incluído nos diplomas legais citados, ao contrário de vedar, expressamente, como o fez, no caso sob exame Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial apresentado pela contribuinte. Henrique Pinheiro Torres Fl. 494DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10680.003252/2008-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS.
SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que a apresentação tão-somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que a apresentação tãosomente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Redator Designado EDITADO EM: 17/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 22/06/2009, a Primeira Turma Especial da Segunda Seção do CARF proferiu decisão que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Interessado, conforme se denota do Acórdão n. 280100.260: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Anocalendário: 2002,2003,2004 DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos lançamentos por homologação, o direito de constituir o crédito tributário decai apôs decorridos 5 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador, exceto nas hipóteses em que presente dolo, fraude ou simulação, cujo prazo passa a ser de 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do CTN. IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO GLOSA Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago. [RIF MULTA QUALIFICADA Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003252/200806 Acórdão n.º 920201.758 CSRFT2 Fl. 2 3 configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. Recurso negado. Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial sob o fundamento de que o decisum recorrido estaria em descompasso com a jurisprudência de outras Câmaras – Acórdão n. 10419.454 e 10614.753: (i) decadência do direito de lançar: 10419.454 DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA — AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO — O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda pessoa física, devido no ajuste anual, decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. (i) comprovação de despesas médicas 10614.753 IRPF — IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A comprovação de despesas médicas e outras ligadas à saúde, com vistas à apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, é feita por documento em que esteja especificada a prestação do serviço, onde conste o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas de quem os recebeu, reputandose pagas pelo contribuinte e a ele prestadas nos casos em que o fisco, mediante o deverpoder próprio, não providencia no sentido de infirmar os documentos e alegações do declarante.Submetido ao exame de admissibilidade, a i. Presidente entendeu pela admissibilidade/seguimento parcial do Recurso Especial interposto – requisitos de dedutibilidade dos recibos correspondentes às despesas passíveis de dedução. Provocado, o i. Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção do CARF deu seguimento parcial ao recurso especial – tãosomente a matéria relativa à comprovação das despesas médicas , não tendo o admitido em face da matéria decadência [fls. 285/288]. Ato contínuo, o despacho foi aprovado pelo então Presidente do CARF [fl. 289]. Perpassado tal procedimento, o i. representante da Fazenda Nacional foi devidamente intimado do decisum e recurso, tendo apresentado, tempestivamente, contrarrazões [fls. 292/299]. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Conforme descrito pela autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal de fls. 09 e 10, o lançamento decorre de glosas de despesas médicas relativas aos profissionais Marcos_Vinicius Fernandes Castro (R$ 10.000,00, R$ 12.000,00 e R$ 10.000,00, exercícios 2003 a 2004, respectivamente, com multa de oficio qualificada de cento e cinqüenta por cento e feita a Representação Fiscal para Fins Penais, processo n° 10680.003256/200886, eis que há representação fiscal para fins penais para o referido profissional, o qual emitia recibos nos anoscalendário 2002 a 2004 sem a correspondente prestação de serviços odontológicos, consoante diversos contribuintes fiscalizados); Helena Jorge Mitre (R$ 2.900,00, R$ 6.300,00 e R$ 6.800,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento). Enquadramento legal às fls. 04 e 08. Em sessão plenária de 22/06/2009, a Primeira Turma Especial da Segunda Seção do CARF proferiu decisão que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Interessado, conforme se denota do Acórdão n. 280100.260. O Contribuinte interpôs Recurso Especial sob o fundamento de que o decisum recorrido estaria em descompasso com a jurisprudência de outras Câmaras – Acórdão n. 10419.454 e 10614.753: (i) decadência do direito de lançar: 10419.454 DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA — AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO — O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda pessoa física, devido no ajuste anual, decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. (i) comprovação de despesas médicas 10614.753 IRPF — IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A comprovação de despesas médicas e outras ligadas à saúde, com vistas à apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, é feita por documento em que esteja especificada a prestação do serviço, onde conste o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas de quem os recebeu, reputandose pagas pelo contribuinte e a ele prestadas nos casos em que o fisco, mediante o deverpoder próprio, não providencia no sentido de infirmar os documentos e alegações do declarante.Submetido ao exame de admissibilidade, a i. Presidente entendeu pela admissibilidade/seguimento parcial do Recurso Especial interposto – requisitos de dedutibilidade dos recibos correspondentes às despesas passíveis de dedução. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003252/200806 Acórdão n.º 920201.758 CSRFT2 Fl. 3 5 Provocado, o i. Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção do CARF deu seguimento parcial ao recurso especial – tãosomente a matéria relativa à comprovação das despesas médicas , não tendo o admitido em face da matéria decadência [fls. 285/288]. Ato contínuo, o despacho foi aprovado pelo então Presidente do CARF [fl. 289]. Antes de proceder ao exame dos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em situações idênticas, verificase a adoção de soluções diversas. Destarte, é de fundamental importância a análise das situações constantes dos julgados recorridos e paradigma, com o escopo de aferir acerca da sua eventual identidade. Para melhor entendimento do objeto da lide, peço licença ao Colegiado para transcrever excerto do voto condutor do decisum recorrido: [...] conforme prevê a legislação de regência, a aceitação das despesas médicas estaria condicionada à apresentação de elementos de prova adicionais, que confirmassem a efetividade dos serviços ou dos pagamentos. Tal procedimento encontra amparo no próprio Regulamento do Imposto de Renda, em seus artigo 80, § 1°, inciso III, que deve ser interpretado em conjunto com o artigo 73, do mesmo diploma: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora (DecretoLei n°. 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 4°). § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o atog se •f ..,r irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei n°. 5.844, de 1943, art. 11. ,§ 5°). Recibos, por si só, não autoriza a dedução de despesas, principalmente quando sobre o Recorrente pesa à analise de utilização de documentos inidôneos. Por conseguinte, a inversão legal do ônus da prova, transfere para o Recorrente o ônus de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao fisco, neste caso, obter provas da inidoneidade do recibo, mas sim, o Recorrente apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire a esse respeito sobre o documento. Não se presta, por exemplo, a comprovar a efetividade de pagamento, não se restringindo na seara de argumentações. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Logo, a dedução de despesas médicas, está, assim, condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Surge, ao Recorrente em nome da verdade material, o ônus de contestar os valores lançados, apresentando as suas razões, porém, corroboradas em provas concretas da efetividade da prestação dos serviços questionados, e não, trazer aos autos simples recibos como se desprende dos autos. Eximindose de apresentar as microfilmagens dos títulos, extratos bancários que expressem a compensação dos cheques, ou quaisquer outros documentos que demonstrem cabalmente a efetiva ocorrência da despesa, enfim provas que realmente se mostrem incontestes, o que no presente caso não ocorreu. Portanto, frente à ausência de elementos de prova, especialmente no que se refere à efetividade dos respectivos pagamentos, mantenho a glosa das despesas médicas. O contribuinte apresentou como fundamento de sua pretensão o acórdão n. 10614753: IRPF — IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A comprovação de despesas médicas e outras ligadas à saúde, com vistas à apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, é feita por documento em que esteja especificada a prestação do serviço, onde conste o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas de quem os recebeu, reputandose pagas pelo contribuinte e a ele prestadas nos casos em que o fisco, mediante o deverpoder próprio, não providencia no sentido de infirmar os documentos e alegações do declarante.Submetido ao exame de admissibilidade, a i. Presidente entendeu pela admissibilidade/seguimento parcial do Recurso Especial interposto – requisitos de dedutibilidade dos recibos correspondentes às despesas passíveis de dedução.A matéria em discussão no presente recurso é a possibilidade do Colegiado de segunda instância conhecer de provas apresentadas pelo contribuinte após a sua impugnação. Segundo consta, o processo tratava de lançamento de IRPF por glosa de despesas médicas no anocalendário 1997. Os excertos abaixo do relatório e do voto ajudarão na compreensão dos fatos subjacentes: O I. julgador registra que "A autuação, porém, não está fundamentada na falsidade dos documentos. Está, isto sim, alicerçada na falta de indicação do paciente atendido e/ou na não comprovação do efetivo pagamento e prestação dos serviços. A falta desses documentos não implica, necessariamente, em falsidade documental, mas, sim, em imprestabilidade desses recibos para fruição do benefício fiscal". Noutra parte do voto, dizse que o contribuinte na oportunidade que teve para comprovar o efetivo pagamento e a prestação dos serviços limitouse a afirmar o pagamento em espécie sem indicar saques ou cheques emitidos para comprovar os pagamentos. Também, que grande parte dos recibos carece de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003252/200806 Acórdão n.º 920201.758 CSRFT2 Fl. 4 7 elemento essencial de validade, qual seja a identificação do paciente a que as despesas se referem.[...] Como visto a lide carente de exame nesta Câmara respeita ao exame de provas, ou melhor, de apreciação de provas de despesas médicas, nos termos em que a legislação determina suficiente para que o contribuinte faça jus à dedução dos rendimentos tributáveis.[...] Nos termos da legislação transcrita são dedutíveis dos rendimentos tributáveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas realizadas em atendimentos próprios ou dos dependentes. A comprovação do pagamento deve ser feita por documento em que esteja especificada a prestação do serviço, "com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento". Apresentado documento que preencha as condições especificadas na lei ou o fisco aceitao ou demonstra a falsidade formal ou material do mesmo. Neste caso realiza diligência, investiga os prestadores do serviço, colhe provas da prestação, enfim. Nada disto tendo sido providenciado, resta acatar a validade dos documentos apresentados pelo contribuinte. É regra de direito que o pagamento se prova pela apresentação do título quitado. Ao contrário, não se encontra no ordenamento a obrigatoriedade de provar o pagamento mediante cópia de cheque ou extrato de movimentação bancária. Aliás, a lei define a cópia de cheque nominativa quando faltar o documento emitido pelo prestador dos serviços. No presente caso, os recibos emitidos pelos prestadores dos serviços são a prova da realização de despesa dedutiva como possibilita a legislação. A ausência do nome do contribuinte, afirmando este que foi o próprio assistido, para desqualificação dos recibos, necessária a confirmação do fisco junto aos profissionais. É de se ressaltar que desde o Termo de Inicio da Ação Fiscal, ao AuditorFiscal solicita a apresentação de "documento que comprove que detinha em seu poder (em caixa) o dinheiro correspondente na data do (s) pagamento (s) da (s) despesa (s) médicas". O contribuinte, por seu turno, responde que "com referência a Comprovação do Efetivo Pagamento de minas despesas, as mesmas foram pagas paulatinamente (mensal), em moeda corrente de acordo com minhas receitas recebidas de convênios conforme estão relacionadas como fontes pagadoras (I —Rendimentos recebidos de Pessoas Jurídicas)". Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Já no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal a autoridade fiscal assenta como razão para glosar as despesas, entre outros motivos "paciente atendido — não especifica" ou que intimou por diversas vezes o profissional para se manifestar a respeito da prestação dos serviços "não tendo em nenhuma oportunidade apresentado qualquer informação, apesar das diversas oportunidades concedidas ...". Ora, não é pelo fato de o profissional não informar sobre a prestação de serviço que se deve imputar não realizado em prejuízo ao tomador. Em face dos meios que a fiscalização detém é possível obter resposta às intimações feitas, quiçá pela abertura de fiscalização junto ao contribuinte reticente. Dessa forma, enquanto o acórdão recorrido decidiu que, diante da suposta dúvida da efetiva prestação de serviço médico, é ônus do contribuinte apresentar provas de sua realização, o paradigma julgou que, em situação semelhante, seria ônus do Fisco comprovar que os recibos apresentados não eram verdadeiros. Não obstante os argumentos apresentados no decisum recorrido, entendo que o acórdão n. 280100.260, pois os recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados. Deste modo, considerando que não consta dos autos qualquer informação pela SRF quanto aos documentos apresentados pelo Contribuinte, mas simplesmente a alegação de que “seus argumentos desacompanhados de elementos contundentes de prova tanto da efetividade dos serviços prestados quanto dos correspondentes desembolsos, não tem a força probante pretendida”, entendo que deve o Especial interposto ser provido, para anular o decisum recorrido, para que a Câmara a quo analise os documentos juntados sob o arrimo de que é ônus do Fisco comprovar que os recibos apresentados não eram verdadeiros. Em face do exposto conheço do recurso especial para, no mérito, DAR PROVIMENTO. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003252/200806 Acórdão n.º 920201.758 CSRFT2 Fl. 5 9 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Designado Em que pese o brilhantismo do voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, peço vênia para divergir do seu entendimento. Entendo que as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados. Nesse sentido, é oportuno, conferir o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que traz essas condições para dedução desse tipo de despesa: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Complementando a necessidade dessa comprovação, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, em seu art. 73, dispõe que (a) as deduções estão sujeitas à comprovação e (b) deduções exageradas poderão ser glosadas inclusive sem audiência do contribuinte, conforme a seguir reproduzido: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame. Em uma visão sistêmica da legislação tributária, verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Portanto, em vista do exposto, podemos concluir que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais: (a) efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e (b) que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Entendo que a conclusão acima esteja alicerçada tanto no art. 73 do RIR/99, já transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no Código de Processo Civil, que: no art. 333, inciso I, atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito; e no art. 368, parágrafo único, dispõe que documento particular, escrito e assinado, quando contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de proválo. Apesar da jurisprudência referida no recurso, para a situação revelada no caso em exame, há que se comungar com o posicionamento majoritário expresso nas ementas dos Acórdãos da CSRF e deste Conselho de Contribuintes, abaixo colacionadas, dentre muitas outras, na mesma linha de entendimento: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647/1998)” Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.003252/200806 Acórdão n.º 920201.758 CSRFT2 Fl. 6 11 Com efeito, em uma análise ponderada da especificidade do caso, entendo que a glosa efetuada pela fiscalização, por seus fundamentos, permanece incólume. Não se trata de exigências descabidas ou ilegais, ou ônus indevido para o contribuinte, pois foi dada a oportunidade para a interessada trazer aos autos as comprovações necessárias à dedutibilidade das despesas declaradas, o que, entretanto, não ocorreu. Quanto ao agravamento da multa, entendo não haver retoque a ser realizado, salientese que foram declaradas pretensas despesas com profissional que emitiu, em 5 anos, mais de 5 milhões de reais, gerando nesse período 9 mandados de procedimento fiscal, sob a suspeita de que teria emitido recibos sem a correspondente prestação de serviços. Nessa situação, mormente na ausência de prova específica dessa prestação e do respectivo pagamento, tenho como inconcebível o argumento de que o fisco deveria comprovar que os recibos seriam inidôneos. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. É o voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIR A SANTO, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13838.000125/99-98
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1990, 1992
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. ILL. CSLL. PRAZO.
Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. [...].
Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (STF Repercussão Geral).
Numero da decisão: 1803-001.117
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para, superada a preliminar de prescrição do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 21 de julho de 1989, inclusive, seja proferido novo despacho decisório, pela DRF jurisdicionante, quanto ao mérito do pedido de restituição/compensação desses pagamentos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1990, 1992 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ILL. CSLL. PRAZO. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. [...]. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (STF Repercussão Geral). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13838.000125/9998 Acórdão n.º 180301.117 S1TE03 Fl. 350 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para, superada a preliminar de prescrição do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 21 de julho de 1989, inclusive, seja proferido novo despacho decisório, pela DRF jurisdicionante, quanto ao mérito do pedido de restituição/compensação desses pagamentos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13838.000125/9998 Acórdão n.º 180301.117 S1TE03 Fl. 351 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 178): Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação da Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial, relativa à parcela recolhida acima da alíquota de 0,5% (meio por cento), no período de apuração de setembro de 1989 a março de 1992, assim como do Imposto de renda sobre o Lucro Líquido (ILL), relativo ao exercício de 1992, e à Contribuição Social sobre o Lucro do exercício de 1990. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pedido (fls. 88/89 e 168/169), sob a alegação de que o direito de o contribuinte pleitear a restituição ou compensação do indébito estaria decaído, pois o prazo para repetição de indébitos relativos a tributo ou contribuição pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no exercício do controle difuso de constitucionalidade das leis, seria de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, nos termos do disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999. 3. Cientificada da decisão em 28 de fevereiro de 2000, a contribuinte impugnou o despacho decisório em 24/03/2000 (fls. 103/134), alegando, em síntese e fundamentalmente, que: 3.1 o prazo de cinco anos para a repetição de indébito de tributo iniciase quando ele tornouse indevido, pela declaração de inconstitucionalidade, pela edição de Resolução do Senado Federal ou ato do Poder Executivo ou Legislativo, dispensando a constituição do crédito tributário; 3.2 pelo Parecer Cosit nº 58, de 27/10/1998, a Secretaria da Receita Federal admitiu esse entendimento sobre a contagem do prazo para pedido de restituição e/ou compensação; 3.3 a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que, na prática, resulta num prazo de 10 (dez) anos: 5 para a homologação tácita e mais 5 para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça; 3.4 o Ato Declaratório SRF 96/99 é ilegal, por defeito de motivo e objeto; 3.5 citando decisões favoráveis a seu entendimento, requer a improcedência do despacho que determinou o indeferimento do pedido de restituição, restabelecendo seu legítimo direito à restituição dos valores pagos a maior a título de Finsocial, Imposto sobre o Lucro Líquido e Contribuição sobre o Lucro. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 176): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13838.000125/9998 Acórdão n.º 180301.117 S1TE03 Fl. 352 4 Ementa: RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, em virtude de posterior declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no controle difuso, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. O crédito tributário é extinto pelo pagamento, não influenciando, na contagem do prazo para pleitear a repetição de indébito, o fato de ter sido sob condição resolutória. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. Solicitação Indeferida. 3. Cientificada da referida decisão em 08/01/2003 (fls. 193), a tempo, em 22/01/2003, apresenta a interessada Recurso de fls. 194 a 218, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. 4. Constam, ainda, do processo diversas decisões e recursos, relativos especificamente à restituição/compensação do Finsocial (fls. 227 a 343). Em mesa para julgamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13838.000125/9998 Acórdão n.º 180301.117 S1TE03 Fl. 353 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Matéria a ser analisada 5. Serão aqui analisados apenas os pleitos de restituição/compensação atinentes ao Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Repercussão geral (STF) 6. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICarf), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 7. Relativamente à questão do prazo prescricional para o sujeito passivo pleitear a restituição/compensação do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é o seguinte o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática de Repercussão Geral (art. 543B do CPC): DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13838.000125/9998 Acórdão n.º 180301.117 S1TE03 Fl. 354 6 jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) 8. Considerando que, no presente caso, o pleito de restituição/compensação foi protocolado em 20/07/1999, não procede a preliminar de prescrição do ILL e da CSLL em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 21/07/1989, inclusive. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13838.000125/9998 Acórdão n.º 180301.117 S1TE03 Fl. 355 7 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para, superada a preliminar de prescrição do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 21 de julho de 1989, inclusive, seja proferido novo despacho decisório, pela DRF jurisdicionante, quanto ao mérito do pedido de restituição/compensação desses pagamentos. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10680.009276/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2003
RECOLHIMENTO PARCIAL. PARTE PATRONAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Nos termos do artigo 12, inciso V, letra “g”, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como contribuinte individual, quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego.
A empresa é obrigada a contribuir sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuinte individuais que lhe prestem serviços.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.350
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa presente no lançamento; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja
aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Marcelo Oliveira.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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PARTE PATRONAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Nos termos do artigo 12, inciso V, letra “g”, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como contribuinte individual, quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. A empresa é obrigada a contribuir sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuinte individuais que lhe prestem serviços. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 presente no lançamento; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.009276/200780 Acórdão n.º 230102.350 S2C3T1 Fl. 315 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MP COMÉRCIO EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA em face da decisão que julgou procedente em parte o lançamento fiscal de débito referente às contribuições patronais devidas à Seguridade Social, incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais – “honorários e fretes”. (f. 37) 2. Conforme narrado no relatório Fiscal a constituição do crédito previdenciário se deu através do levantamento: “O débito foi lançado através do levantamento FPN – Folha de Pagamento não declarada na GFIP, cujas alíquotas são: • 15% sobre o valor dos serviços – Contribuição patronal – Período de jun/1997 a fev/2000; • 20% sobre o valor dos serviços – Contribuição patronal – Período de nov/2001 a jun/2003; • 11% sobre o valor dos serviços – Desconto de segurado (não retido) – Período de abr/2003 a jun/2003” (f. 37) 3. Após a apresentação da impugnação, o Serviço Contencioso Administrativo da então Delegacia da Receita Previdenciária de Belo Horizonte, em f. 243, encaminhou o processo para manifestação do auditor fiscal notificante com o objetivo de esclarecer se os valores recolhidos pelo contribuinte quitam total ou parcialmente o débito. 4. Em reposta, o fisco apresentou informação asseverando que “a GPS no valor total de R$ 2.047,13, recolhida através do Banco Itaú, no dia 23/10/06 (f. 239), embora com acréscimos legais calculados em desacordo com as instruções contidas no IPC – Instrução para o Contribuinte, para quitação em 15 duas da notificação, poderá ser aproveitada para quitação parcial do débito desta NFLD”. (f. 245) 5. Os autos foram baixados novamente em diligência em conjunto com o Auto de Infração lavrado para reexame: “Considerandose a conexão entre a presente NFLD 37.023.0183 e o presente Auto de Infração, estou encaminhando ambos os processos para reexame, pois consta da informação fiscal que somente não foram corrigidos os valores referentes aos contribuintes empresários – prolabore, não havendo como separar os valores referentes aos autônomos e aos empresários, posto que a planilha elaborada apresenta os valores globalizados. Importante que se elabore planilha demonstrativa.” (f. 246) 6. Apesar da solicitação de reexame, o auditor fiscal apenas manteve as informações fiscais já prestadas. Não foi aberto prazo para manifestação do contribuinte. 7. A ementa do julgamento a quo restou vazada nos termos que transcrevo abaixo: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 “CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ERRO NA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. RETIFICAÇÃO. A empresa quando utiliza serviços de contribuintes individuais possui a obrigação legal de recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título a esses assegurados. A inclusão no mesmo levantamento de períodos anteriores e posteriores á exigência da apresentação mensal da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP é erro que implica a retificação da notificação fiscal. Lançamento Procedente em parte” (f. 262) 8. Em sede recursal, insurgese o contribuinte contra a decisão recorrida, alegando em síntese que: a) comprovou o recolhimento de todas as contribuições, tanto as patronais como aquelas devidas aos contribuintes individuais; b) faz jus ao benefício da relevação da multa, tendo em vista que cumpriu todos os requisitos determinados pelo artigo 291 do Regulamento da Previdência Social, tendo em vista que comprovou nos autos o pagamento de todas as contribuições, inclusive com reconhecimento no prazo da impugnação de valor não recolhido, porém devidamente pago acrescido de correções e juros; c) por fim, aduz que o valor pago espontaneamente deve ser considerado, pois quita totalmente a dívida, e, dessa forma, a penalidade aplicada também deve ser relevada. 9. Em julgamento, a 4ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (ff. 279 a 282) anulou a decisão de primeira instância, por considerar que houve o cerceamento de defesa do contribuinte. Eis o teor de sua ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIRETO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto n.º 70.235/72, que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. DECISÃO RECORRIDA ANULADA.” (F. 279) 10. O processo foi devolvido para a apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora, a qual lavrou novo acórdão que restou ementado nos seguintes termos: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.009276/200780 Acórdão n.º 230102.350 S2C3T1 Fl. 316 5 “LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. No âmbito do lançamento por homologação, havendo algum pagamento, o prazo para constituir de ofício o crédito tributário relativo a eventuais diferenças encontradas pelo Fisco deve observar a regra de decadência estabelecida no artigo 150, §4º, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa quando utiliza serviços de contribuintes individuais possui a obrigação legal de recolher as contribuições a seu cargo e de descontar a contribuição da parte do segurado, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” (f. 293) 11. Foi aberto prazo para manifestação do contribuinte, que reiterou os argumentos apresentados anteriormente. Sem contrarrazões, os autos foram novamente encaminhados a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO LANÇAMENTO 2. Narra o relatório fiscal que o lançamento de débito face à empresa recorrente “referese a valores devidos à Seguridade Social pela empresa, correspondente à contribuição da parte patronal e contribuição dos segurados (não descontadas), incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais (honorários e fretes)”. (f. 37) 3. E sobre a questão, o contribuinte se defende alegando que “frente à documentação juntada aos autos, restou comprovado o recolhimento de todas as contribuições, tanto as patronais como aquelas devidas aos contribuintes individuais, antigo autônomo, inclusive havendo uma denúncia espontânea quanto ao não recolhimento da quantia de R$ 2.047,13 (dois mil e quarenta e sete reais e treze centavos), razão pela qual não há como validar a presenta autuação nos termos posto”. (f. 310) 4. Ocorre que, o valor recolhido pelo contribuinte não quita todo o débito, porém, entendo que a quantia deve ser considerada para fins de abatimento no crédito fiscal no momento oportuno. 5. E sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 6. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.009276/200780 Acórdão n.º 230102.350 S2C3T1 Fl. 317 7 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 8. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 9. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 10. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, decotando do lançamento a quantia recolhida pelo contribuinte, bem como para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, mais benéfica ao contribuinte, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Declaração de Voto Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à conclusão sobre a multa. O Relator fundamenta seu voto quanto á multa nos seguintes termos: 5. E sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 6. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 8. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.009276/200780 Acórdão n.º 230102.350 S2C3T1 Fl. 318 9 cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 9. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Concordo com a posição do Relator a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN ao caso: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita pelo Relator, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.009276/200780 Acórdão n.º 230102.350 S2C3T1 Fl. 319 11 dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o nobre Relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991. Não é a utilização equivocada do termo multa de mora que constava no revogado Art. 35 da Lei 8.212/1991 – razão suficiente ´para alterar a definição jurídica da penalidade. Portanto, divirjo do voto do Relator, pelas razões expostas. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 12DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 37005.009015/2006-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo.
Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal.
Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeito-prejuízo.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.523
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a nulidade declarada no acórdão vergastado, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para que enfrente as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao apelo fazendário.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a nulidade declarada no acórdão vergastado, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para que enfrente as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao apelo fazendário. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente – Substituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 206 00.578, proferido pela antiga 6ª Câmara do 2º CC em 12/03/2008 (fls. 847/854), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 861/872). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, anulou a NFLD por vício formal. Segue abaixo sua ementa: “NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD E/OU RELATÓRIO FISCAL. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vicio insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. De conformidade com o artigo 37, da Lei n° 8.212/91, o fiscal autuante ao promover o lançamento deve fundamentálo de forma clara e precisa, sob pena de nulidade da notificação. Processo Anulado.” A recorrente explica que o acórdão recorrido destoa da jurisprudência consolidada em outras câmaras no ponto em que entendeu que a omissão do fundamento legal da forma de apuração do tributo, no instrumento que consubstancia o lançamento, é causa inequívoca de vício insanável deste. Explica que o voto condutor do aresto em comento anulou a NFLD sob o argumento de que não há nos Fundamentos Legais do Débito e nem mesmo no relatório fiscal Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 37005.009015/200605 Acórdão n.º 920201.523 CSRFT2 Fl. 2 3 qualquer menção a aplicação de arbitramento por aferição indireta e muito menos seu fundamento legal. Apresenta paradigmas nos quais se verifica que a capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, ou até a ausência de enquadramento legal, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento, ainda mais quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos arts. 11, 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72. Em seguida, destaca que a decisão ora atacada também diverge de outro paradigma que indica no ponto em que decreta uma nulidade sem a comprovação de prejuízo. Diz que o contribuinte exerceu plenamente a sua defesa, inclusive, não tendo se insurgido quanto a este ponto. Cita jurisprudência da CSRF segundo a qual não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Pondera que a NFLD, o RF e os demais termos que acompanham o procedimento fiscal estão em plena conformidade com o que estabelece o Decreto nº 70.235/72 e a Lei n.º 8.212/91. Argumenta que, em que pese não ter havido a menção específica a um dos parágrafos do art. 33 da Lei n.º 8.212/91, releva notar que o relatório de fiscalização expressamente remete à sistemática da aferição indireta, adotada em razão da documentação apresentada pela contribuinte mostrarse deficiente, não atendendo aos requisitos legais vigentes. Ao final, requer o provimento do recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 2400138/2009 (fls. 873/875), foi dado seguimento parcial ao pedido em análise. Inconformada, a PGFN apresentou agravo às fls. 878/888, que foi rejeitado nos termos do Despacho nº 240174/2009, fls. 889/889verso. O contribuinte não ofereceu contrarazões, consoante despacho de folha 893. Eis o breve relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão controvertida posta à apreciação diz respeito à declaração de nulidade do lançamento em decorrência da ausência da expressa fundamentação legal do arbitramento procedido. No passado, por diversas vezes me manifestei pela nulidade de lançamentos fiscais que não apresentassem a expressa menção ao arbitramento. Aliás, este entendimento encontravase consolidado no âmbito das câmaras com competência para julgar os processos administrativos fiscais referentes às contribuições previdenciárias, desde que esta competência era exercida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que aprovou o enunciado nº 29: “Nos casos de levantamento por arbitramento, a existência do fundamento legal que ampara tal procedimento, seja no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD ou no Relatório Fiscal REFISC garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento” Entretanto, a jurisprudência firmada no âmbito do CARF, no sentido de que não há nulidade sem prejuízo me fez reavaliar a questão. O seguinte precedente ilustra o entendimento dominante no CARF: NULIDADE ENQUADRAMENTO LEGAL Deve ser rejeitado o pedido de nulidade do auto de infração fundado na deficiência de enquadramento legal, quando os elementos contidos em termo, expressamente referido como parte integrante e indissociável da peça acusatória, e utilizado pela própria Impugnante em sua defesa, supre suficientemente falha porventura ocorrida. Se não há prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade, o enquadramento legal da exigência, ainda que incompleto, não enseja a decretação de sua nulidade. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento.(Acórdão 10807651 da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Relatora: conselheira Karem Jureidini Dias de Mello Peixoto) Modernamente, o direito processual, inclusive o administrativo fiscal, tem como primado a efetividade da tutela dos direitos assegurados, adotando a vertente de instrumentalidade do processo à persecução do direito material deduzido. As formalidades desmotivadas foram substituídas pela instrumentalidade e busca da eficiência na prestação jurisdicional. Ada Pellegrini Grinover sustenta que “a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 37005.009015/200605 Acórdão n.º 920201.523 CSRFT2 Fl. 3 5 jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação.”1 Afirma, ainda, a referida autora que “o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tãosomente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida”.2 As formas do processo são meios para alcance da tutela jurisdicional. Caso a tutela jurisdicional pretendida seja alcançada, mesmo em detrimento das formas legalmente exigidas, não há nulidade. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Ou seja, podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Assim sendo, em atendimento ao princípio do pas de nullité sans grief, a invalidade processual há de ser entendida como uma sanção que somente será aplicada caso se constate a presença do binômio defeito e prejuízo, devendo o último ser entendido como obstáculo ao alcance da finalidade do ato processual. Isto é, não há de ser declarada a nulidade de ato processual se este não causa prejuízo a alguém, já que o processo, como meio de pacificação dos conflitos sociais, nada mais é do que o instrumento para efetivação do direito. Marcos Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, citando Ada Pellegrini Grinover lecionam: “Assim, antes de se anular o ato processual, é preciso examinar a possibilidade de se aproveitar o ato realizado, eliminandose ou superandose o vício que, sobre ele, pesa. Para Ada Pellegrini Grinover, “a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação”. Com efeito, é inútil, do ponto de vista prático, anularse ou se decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. Afirma, ainda, a renomada autora que “o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema das nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tão somente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo 1 Ada Pellegrini Grinover e outros; As Nulidades no Processo Penal; São Paulo, p. 26. 2 Idem, p. 27. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida. Com efeito, a atipicidade do ato não conduz necessariamente ao pronunciamento de sua nulidade. Se o ato defeituoso alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. São atos meramente irregulares que não sofreram a sanção de ineficácia. Nessa linha, a nulidade não deve ser declarada em todos os casos em que o julgador se defronta com vício formal no ato de lançamento, só nos casos em que está configurado prejuízo às partes ou ao sistema processual.” Destarte, não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para afastar a nulidade por vício formal declarada no acórdão recorrido, em decorrência da ausência de fundamentação legal do arbitramento, devendo o colegiado a quo apreciar as demais matérias pertinentes ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Elias Sampaio Freire (Assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11924.000003/2001-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1997
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.398
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer no lançamento o valor correspondente à área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento.
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer no lançamento o valor correspondente à área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 2 (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator. EDITADO EM: 23/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, interposto pela Fazenda Nacional [folhas267/288], em face do acórdão nº. 30334.768 [folhas 251/261] que por unanimidade, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo da obrigação tributária, cuja ementa passo a transcrever: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). A teor do artigo 10º, § 7º da Lei n.º 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte quanto à existência de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. Nos termos da lei nº 9.393/96, não são tributáveis as ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE e de reserva legal. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Comprovada, mediante documentação hábil e inidônea (laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica, vinculado à Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Irrigação – EMATER/Piauí). ÁREA DE PASTAGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentos hábeis que refutem os valores atribuídos pela fiscalização, tomamse os valores como válidos. Recurso Provido em Parte. A recorrente cita como acórdão paradigma, o seguinte acórdão proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes [folha 271]: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 11924.000003/200137 Acórdão n.º 920201.398 CSRFT2 Fl. 2 3 As áreas de preservação permanente, a que se refere o art. 2º da lei nº 4.771/65, estão sujeitas a comprovação para fins de gozo da isenção do ITR e, aquelas previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65, devem ser declaradas como tal, por ato do Poder Público. RESERVA LEGAL GRAVADA COMO ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A área de reserva legal será considerada para efeito de exclusão da área tributária e aproveitável do imóvel competente, em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, nos termos da legislação pertinente. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. (ACÓRDÃO Nº 30236.625) Suscita ainda nas razões do recurso especial [folhas 267/288]: (i) A imprescindibilidade da entrega tempestiva do ADA; (ii) A exigência de averbação à margem da matrícula do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador; (iii) A Lei 4.771/65 exige a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Ainda em argüição de divergência jurisprudencial a Recorrente colaciona o acórdão abaixo, referente ao mesmo sujeito passivo [folha 286/287]: ÁREA DE PASTAGEM E EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. A não comprovação de rebanho, como também da exploração Extrativa, com documentação hábil, autoriza a glosa das referidas áreas para a determinação do grau de utilização. (Ac. 30237.261, Relator: Luis Antônio Flora) A ilustre Presidente da então 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, em análise preliminar de juízo de admissibilidade, deu seguimento, em parte, ao recurso especial [folha 307/310], conforme se observa – fl. 309: [...] Quanto às áreas de exploração extrativa, nego seguimento, haja vista que o entendimento dos dois julgamentos é semelhante, pois exigiram a comprovação documental. Ocorre que no acórdão paradigma foi negado provimento uma vez que o contribuinte deixou de apresentar documentos que comprovassem a existência de áreas de exploração e não restou demonstrado, no recurso especial, que os elementos de prova fossem os mesmos. Em contrarazões ao supracitado recurso, o sujeito passivo suscita [folhas 317/323]: (i) A inexistência da obrigatoriedade de apresentação do ADA, sendo bastante a declaração do contribuinte para o benefício da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 4 isenção tributária. Consoante disposição do art. 10, §1º, inciso II, alínea “a” da Lei 9.393/96; (ii) Cabimento de aplicação retroativa da Lei, conforme previsão do artigo 106, inciso II, alínea “a” do Código Tributário Nacional; (iii) Que o ônus da prova incumbe ao fisco, sendo que esse não produziu qualquer prova; É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 11924.000003/200137 Acórdão n.º 920201.398 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte em desfavor de decisão colegiada n. 30334.768 [folhas 251/261]. A ilustre Presidente da então 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, em análise preliminar de juízo de admissibilidade, deu seguimento, em parte, ao recurso especial [folha 307/310], conforme se observa – fl. 309: [...] Quanto às áreas de exploração extrativa, nego seguimento, haja vista que o entendimento dos dois julgamentos é semelhante, pois exigiram a comprovação documental. Ocorre que no acórdão paradigma foi negado provimento uma vez que o contribuinte deixou de apresentar documentos que comprovassem a existência de áreas de exploração e não restou demonstrado, no recurso especial, que os elementos de prova fossem os mesmos. Assim, diante da negativa de seguimento em relação à área de exploração extrativa – decisão essa que não foi questionada pela Fazenda Nacional por meio de agravo , entendo que o especial atendeu os pressupostos de admissibilidade, no que tange à (i) a imprescindibilidade da entrega tempestiva do ADA; e (ii) a exigência de averbação à margem da matrícula do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, passo ao exame do mérito. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I – de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. (...) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 6 total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbála junto ao órgão competente). Vejase a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas . 2003. 15ª ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bemestar social.(destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência “negativa”, que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 11924.000003/200137 Acórdão n.º 920201.398 CSRFT2 Fl. 4 7 Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65(Código Florestal) (...) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade específica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário nº 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitála. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificouse nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 30334.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmouse a partir do julgamento do Mandado de Segurança nº 226889/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. ... Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 8 A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.3702/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A “reserva legal”, prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf. L. 8.629/93, art. 10, IV),sem que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 11924.000003/200137 Acórdão n.º 920201.398 CSRFT2 Fl. 5 9 Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de prédefinição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Ressaltase que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, advertese para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A outra divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, temse o artigo 10, caput, da Lei nº 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I – de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. (...) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 10 (...) II – área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; ... Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de utilização limitada. § 1º A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIAT, e a distribuição das áreas, à situação existente em 1º de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (...) § 3º São áreas de utilização limitada: ... § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: ... II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (...) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/1998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF nº 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 11924.000003/200137 Acórdão n.º 920201.398 CSRFT2 Fl. 6 11 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: ... IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: ... V sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei nº 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do benefício de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão “nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal”. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 12 ... IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão “nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal” cingese às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, trazse também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. ... Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental – ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão do exposto, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor correspondente à reserva legal não averbada à época do fato gerador e excluído o valor correspondente à área de preservação permanente, mesmo que ausente o ADA. Voto pelo provimento parcial do recurso especial interposto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 12DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11070.000488/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
IPI. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS.
PROVA
Incomprovado pelo contribuinte nos autos a liquidez e certeza dos créditos
pleiteados, adequada a não homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.218
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 IPI. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS. PROVA Incomprovado pelo contribuinte nos autos a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, adequada a não homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Walber José da Silva Presidente. Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 26/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 156DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.000488/200742 Acórdão n.º 330201.218 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada tempestivamente, fls. 94/114, contra despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS, fls. 86/87, que reconheceu parcialmente direito ao ressarcimento ao crédito de IPI pleiteado no valor de R$ 1.191.035,81, autorizado pela Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, relativamente ao 1º trimestre de 2006, e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido no valor de R$ 903.720,45. A glosa no valor de R$ 287.315,36, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 36/40, é decorrente da reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, 48, pelas seguintes infrações: "1 Crédito indevido de IPI — Nota Fiscal de Devolução/Retorno de Produtos O contribuinte creditouse indevidamente do IPI, em relação às notas fiscais de entradas de produtos, sem que aqueles produtos tivessem efetivamente entrado no estabelecimento da empresa. As operações em que houve o creditamento indevido são: Devoluções e retornos de remessas referentes a vendas para entrega futura p/ refaturamemo (CFOP 1.949, 2.949) Devoluções de produtos do estabelecimento p/ refaturamento (CFOP 1.201, 2.201) Devolução de produto do estabelecimento ((TOP 2.949) Outras entradas (CFOP 2.949) Nestas operações não houve a efetiva entrada do produto no estabelecimento da empresa..." Tais infrações apuradas resultaram na reconstituição da escrita da contribuinte no período em apreço, cujo desfecho redundou em crédito tributário constituído de oficio Auto de Infração nº 11070.001443/200876, bem como na redução dos saldos credores relativos aos períodos de apuração que a requerente entende fazer jus para ressarcimento em conformidade com o disposto no artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Em sua inconformidade, após breve relato dos fatos, sustenta, em resumo, que a glosa do crédito por entrada de mercadorias devolvidas e refaturadas não foi suficientemente motivada pela Autoridade Fiscal. Pugna pela aplicação dos artigos 164, 190, 191, 323, 359 e 378 do RIPI, não observados pela Autoridade Fiscal, e que no seu entender dão suporte para escrituração do crédito em operações que não representam o efetivo ingresso de mercadorias no estabelecimento. Argumenta que atendeu o estabelecido em Regulamento, pois a comprovação da entrada dos produtos devolvidos é documental, feita por intermédio do registro da operação no livro registro de Entrada (modelo 1) e no livro Registro de Controle da Fl. 157DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.000488/200742 Acórdão n.º 330201.218 S3C3T2 Fl. 3 3 Produção e do Estoque (modelo 3). Na seqüência pugna pelo cumprimento do principio da nãocumulatividade do IPI, cita decisões do Conselho que entende favoráveis aos seus argumentos. Ao final, requer produção de prova pericial. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, bem como indeferir o pedido de produção de prova pericial. Intimada em 08/02/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/03/2010. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Tratase de Recurso Voluntário apresentado tempestivamente, fls. 132/143, contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, fls. 127/128, que reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento de crédito de IPI, pleiteado no valor de R$ 1.191.035,81, autorizado pela Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, relativamente ao 1º trimestre de 2006, e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido no valor de R$ 903.720,45. O Recorrente pretende creditarse do IPI com base em notas fiscais de entrada, por ele emitidas, registradas no livro registro de Entrada (modelo 1) e no livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3), sem quaisquer comprovação de trânsito das mercadoria e sem comprovação da sua efetiva entrada no estabelecimento, quando os dispositivo exigem, em caso de devolução de produtos, a escrituração das notas fiscais recebidas dos estabelecimentos que efetuaram a devolução ou registro de notas fiscais de entrada acompanhadas de carta emitida pelos respectivos adquirentes, pessoas físicas, com o registro dos motivos da devolução (art. 169, II e 170), escriturações estas que só são permitidas na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial (art. 190). Assim, em face da não movimentação do estoque, a Recorrente além de não ter seu crédito homologado, foi autuada através do Auto de Infração, processo nº 11070.001443/200876, o qual encontrase em trâmite perante este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em face de recurso voluntário protocolado, tempestivamente pela o Recorrente. Neste sentido, considerando exclusivamente as provas acostadas aos autos, ou melhor, a ausência de provas relativamente à ausência de movimentação dos estoques por ocasião do recebimento das mercadorias devolvidas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.000488/200742 Acórdão n.º 330201.218 S3C3T2 Fl. 4 4 GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 159DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 35013.004408/2003-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
A constituição dos créditos se deu em razão de declaração do próprio contribuinte em GFIP.
Embora seja vedado ao contribuinte a retificação da declaração após a notificação do lançamento (art. 147, § 1º, do CTN), isso não impede que ele demonstre que a declaração foi feita com erro e que não ocorreu o fato gerador do tributo, ou que houve erro em sua quantificação.
No caso dos autos, o contribuinte alegou, em sede de recurso voluntário, que a exigência fiscal somente foi mantida com base em declarações que foram apresentadas com erro para o fisco e que, efetivamente, os funcionários que exerciam suas funções nos setores de acabamento e supervisão de acabamento não estavam expostos a riscos capazes de ensejar aposentadoria especial.
A decisão recorrida, por presumir que os valores e informações constantes na GFIP presumem-se corretos e verdadeiros, cabendo ao recorrente demonstrar o contrário, por meio dos documentos retificadores, deixou de apreciar se efetivamente ocorreram os erros de preenchimento da GFIP, alegados pelo contribuinte.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. A constituição dos créditos se deu em razão de declaração do próprio contribuinte em GFIP. Embora seja vedado ao contribuinte a retificação da declaração após a notificação do lançamento (art. 147, § 1º, do CTN), isso não impede que ele demonstre que a declaração foi feita com erro e que não ocorreu o fato gerador do tributo, ou que houve erro em sua quantificação. No caso dos autos, o contribuinte alegou, em sede de recurso voluntário, que a exigência fiscal somente foi mantida com base em declarações que foram apresentadas com erro para o fisco e que, efetivamente, os funcionários que exerciam suas funções nos setores de acabamento e supervisão de acabamento não estavam expostos a riscos capazes de ensejar aposentadoria especial. A decisão recorrida, por presumir que os valores e informações constantes na GFIP presumemse corretos e verdadeiros, cabendo ao recorrente demonstrar o contrário, por meio dos documentos retificadores, deixou de apreciar se efetivamente ocorreram os erros de preenchimento da GFIP, alegados pelo contribuinte. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 24/01/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 20601.122, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 06/08/2008 (fls. 159/163), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 170/195). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP CONFISSÃO DE DIVIDA GERENCIAMENTO INADEQUADO DO AMBIENTE DE TRABALHO RAT FINANCIAMENTO APOSENTADORIA ESPECIAL ALIQUOTA ADICIONAL. As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de divida, na hipótese do nãorecolhimento. Neste caso, em comprovado o erro, caberia ao recorrente, a comprovação das correções pertinentes no documento GFIP, que conforme descrito acima, constitui confissão de divida. Portanto os valores e informações constantes na GFIP presumemse corretos e verdadeiros, cabendo ao recorrente Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35013.004408/200347 Acórdão n.º 920201.903 CSRFT2 Fl. 2 3 demonstrar o contrário, por meio dos documentos retificadores. Recurso Voluntário Negado.” Afirma que a decisão recorrida diverge dos paradigmas que apresenta ao entender que, comprovado o erro material em GFIP, o Auto de Infração só poderia ser cancelado se a recorrente tivesse efetuado a retificação da referida declaração. Explica que os paradigmas afastaram a exigência consubstanciada no AI com a simples constatação de que o contribuinte teria incorrido em erro na sua declaração, sem exigir qualquer retificação de sua declaração. Considera ter comprovado claramente que houve um erro no preenchimento de sua GFIP, mediante a apresentação de uma série de documentos, de modo a afastar a exigência que estaria sendo feita no presente AI. Pondera que só tomou conhecimento do erro em questão com a lavratura do AI, não fazendo qualquer sentido promover a retificação da GFIP após esse fato. Aduz que não há base legal que sustente a exigência tributária que está sendo feita, pois foi demonstrado que não ocorreu o fato gerador do tributo em discussão. Ao final, requer o provimento do recurso especial de divergência. Nos termos do Despacho nº 2400163/2010 (fls. 199/201), foi dado seguimento ao pedido em análise. A Fazenda Nacional ofereceu, tempestivamente, contrarazões às folhas 205/213. Explica que no caso dos autos, consoante bem salientado no votocondutor do acórdão, o fisco previdenciário, ao promover o presente lançamento, tomou por base as informações constantes das GFIP's apresentadas pela contribuinte, onde restou inscrito haver trabalhadores expostos a agentes nocivos capazes de ensejar a aposentadoria especial. Salienta que a legislação previdenciária, mas precisamente o artigo 225, inciso IV, e §§ 1°, 3° e 4°, do Decreto n° 3.048/99, estabelece que as informações constantes das GFIP's serão admitidas como base de cálculo das contribuições previdenciárias, bem como confissão de divida. Por decorrerem de lei, pondera, não pode o contribuinte tentar se eximir das obrigações em comento a pretexto de supostos erros no preenchimento das Guias, especialmente quando sequer corrigiu as pretensas faltas incorridas. Observa que meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou lógico, como as que aqui se vislumbra, não têm o condão de afastar a exigência das contribuições previdenciárias ora lançadas, não havendo que se falar em improcedência da notificação. Ao final, requer seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. Eis o breve relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recuso especial preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a constituição dos créditos se deu em razão de declaração do próprio contribuinte em GFIP. Segundo Leandro Paulsen, "As declarações prestadas pelo contribuinte aos sujeitos ativos das obrigações tributárias, seja no cumprimento de obrigações acessórias, como no caso da apresentação da DCTF à Receita Federal e da GFIP ao INSS, ou através de confissão de dívida para obtenção de parcelamento (situação dos autos), são, há muito, consideradas pelos Tribunais como supletivas da necessidade de lançamento por parte da autoridade fiscal que pode simplesmente encaminhálas para inscrição em dívida ativa e cobrança." (in Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 3ª Edição, 2001, p. 201) Embora seja vedado ao contribuinte a retificação da declaração após a notificação do lançamento (art. 147, § 1º, do CTN), isso não impede que ele demonstre que a declaração foi feita com erro e que não ocorreu o fato gerador do tributo, ou que houve erro em sua quantificação. É certo que este Conselho tem admitido a possibilidade de o contribuinte invocar a alegação de improcedência do lançamento, demonstrando que a declaração foi feita com erro e que não ocorreu o fato gerador do tributo, ou que houve erro em sua quantificação, desde que devidamente comprovado, porquanto não se refere à existência ou não de um direito, mas à própria inexistência do fato gerador do tributo. Neste sentido, os paradigmas apresentados pelo recorrente: “(...) REVISÃO DE LANÇAMENTO E RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO – Evidenciado que o lançamento impugnado decorre de erro de fato cometido pelo sujeito passivo no preenchimento da declaração, deve ser deferida a retificação e cancelada a cobrança da diferença impugnada.” (Recurso Voluntário n° 133.205; Processo Administrativo n° 10480.006676/9568; 1ª Câmara; Sandra Maria Farioni; 101 95548; Sessão de 25.05.06; DOU 29.08.06) “(...) LUCRO INFLACIONÁRIO — ERRO DE PREENCHIMENTO NAS DECLARAÇÕES DO CONTRIBUINTE Constatado erro nos sistemas eletrônicos de controle do lucro inflacionário a realizar, ainda que ocasionado por equívocos da contribuinte no preenchimento da Declaração de Rendimentos,comprovados por meio de documentação hábil, deve ser cancelada a exigência correspondente. Recurso provido.” Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35013.004408/200347 Acórdão n.º 920201.903 CSRFT2 Fl. 3 5 (Recurso Voluntário n° 155.342; Processo n° 10480.016756/200168; 1ª Câmara; Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; Acórdão n° 10196516; Sessão de 22.01.08; DOU 09.09.08) No caso dos autos, o contribuinte alegou, em sede de recurso voluntário, que a exigência fiscal somente foi mantida com base em declarações que foram apresentadas com erro para o fisco e que, efetivamente, os funcionários que exerciam suas funções nos setores de acabamento e supervisão de acabamento não estavam expostos a riscos capazes de ensejar aposentadoria especial. Entretanto, a decisão recorrida, por presumir que os valores e informações constantes na GFIP presumemse corretos e verdadeiros, cabendo ao recorrente demonstrar o contrário, por meio dos documentos retificadores, deixou de apreciar se efetivamente ocorreram os erros de preenchimento da GFIP, alegados pelo contribuinte. Destarte, deve o colegiado a quo apreciar se o contribuinte comprovou, de forma inequívoca, existência de erros nas informações prestadas ao Fisco, fato que não ocorreu na decisão recorrida. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da recorrente, para anular a decisão recorrida, devendo o colegiado a quo apreciar a comprovação de erro no preenchimento da GFIP. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000649/2005-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais.
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA.
Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado em razão da omissão de rendimentos de fonte situada no exterior, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recursos especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional negados.
Numero da decisão: 9202-001.705
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Francisco Assis de Oliveira Junior.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado em razão da omissão de rendimentos de fonte situada no exterior, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recursos especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional negados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 0 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14041.000649/200571 Recurso nº 153.562 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 920201.705 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2011 Matéria IRPF Recorrentes FAZENDA NACIONAL e BRUNO ALEXANDRE BARRETO AMADOR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado em razão da omissão de rendimentos de fonte situada no exterior, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recursos especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000649/200571 Acórdão n.º 920201.705 CSRFT2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Francisco Assis de Oliveira Junior. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Bruno Alexandre Barreto Amador foi lavrado o auto de infração de fls. 3543, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Além da multa de ofício de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75%, pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) manteve integralmente o crédito tributário (fls. 7283). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10249.001, que se encontra às fls. 111115, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003 IRPF PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À UNESCO/ONU TRIBUTAÇÃO Os rendimentos de nacionais contratados no país, decorrentes da prestação de serviços à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura Fl. 225DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000649/200571 Acórdão n.º 920201.705 CSRFT2 Fl. 3 3 UNESCO/ONU são tributáveis. Precedentes da 2ª. Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura, que negou provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 31/07/2008 (fls. 116), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 119125, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A questão central do presente Recurso Especial versa sobre a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício. Ocorre, contudo, que se trata de duas multas distintas, aplicadas por força do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e que não são excludentes uma da outra; b) O art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988, estabelece no que fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei (recolhimento mensal obrigatório — carnêleão), a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. O Imposto é calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês, conforme o dispõe o I do art. 4° da Lei n° 8.134, de 1990; c) Os rendimentos de que trata o art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988, além de estarem sujeitos ao recolhimento mensal, compõem, também, a base de cálculo do Imposto de Renda no ajuste anual a ser feito por ocasião da apresentação da declaração de rendimentos; d) Portanto, em relação aos rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, verificase que o contribuinte deverá observar duas condutas: calcular e efetuar o recolhimento do Imposto de Renda mês a mês e incluir os rendimentos na declaração, apurando, se for, o caso, o saldo do Imposto a pagar. A inobservância das obrigações legais acima constitui infração à legislação tributária e sujeita o contribuinte à aplicação de multas distintas, por meio de lançamento de ofício feito pela Autoridade Fiscal. Isso porque duas são as infrações cometidas, quais sejam, declaração inexata e falta de pagamento do carnêleão, que têm bases de cálculos distintas e que não são excludentes; e) O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 dispõe sobre as multas aplicadas; f) Diante dos dispositivos citados, depreendese que duas são as multas de ofício aplicáveis ao lançamento, uma sobre o imposto mensal devido e não recolhido Fl. 226DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000649/200571 Acórdão n.º 920201.705 CSRFT2 Fl. 4 4 (multa isolada), e outra sobre o imposto suplementar apurado na declaração de rendimentos, se for o caso; g) Logo, como o contribuinte deixou de incluir na declaração de rendimentos os valores recebidos de fontes situadas no exterior, bem como deixou de recolher, tempestivamente, o imposto devido a título de carnêleão sobre os valores por ele recebidos, é cabível a aplicação das duas multas de 75%, a isolada, que deve incidir sobre o valor do imposto que deixou de ser pago em cada mês do ano calendário, e a incidente sobre o imposto apurado no ajuste anual. Assim, deveria ser mantida a cobrança da multa isolada sobre o valor do IRPF devido a título de carnêleão; h) Ao entender diversamente, o v. Acórdão ora recorrido acabou por malferir os artigos de lei que embasaram a aplicação da multa isolada, a saber: art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988 c/c arts. 43 e 44, §1°, III da Lei n° 9.430, de 1996; art. 957, parágrafo único, III do RIR/1999; art. 22 da IN SRF n°073, de 1998 e art. 21 da IN SRF n°208, de 2002; i) Requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial por Maioria, reformando parcialmente o v. Acórdão ora recorrido, para restabelecer a multa exigida isoladamente. Admitido o recurso (despacho n° 604, fls. 126127), o contribuinte, devidamente cientificado, apresentou contrarrazões às fls. 193199, onde defendeu, fundamentalmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso, em razão da ausência de divergência jurisprudencial ou, no mérito, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido com relação ao afastamento da multa isolada. Interpôs, também, recurso especial de divergência às fls. 130150, acompanhado dos documentos de fls. 151192, no qual alegou, em apertada síntese, que os rendimentos em apreço são isentos do imposto de renda, suscitando como paradigmas os acórdãos nos 10416.708 e 10419.543. Por intermédio do despacho n° 21010032/2009 (fls. 201202) o recurso restou admitido, sendo que a Fazenda Nacional, quando intimada, apresentou contrarrazões às fls. 205221, pugnando, fundamentalmente, pela improcedência da pretensão do contribuinte. É o Relatório. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000649/200571 Acórdão n.º 920201.705 CSRFT2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Sob minha ótica, por uma questão lógica, devese apreciar, inicialmente, a insurgência do contribuinte, que cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecida, pois provido tal recurso, perde o objeto a manifestação da Fazenda Nacional. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. O contribuinte pleiteia o cancelamento do lançamento, sob o fundamento de que os rendimentos recebidos de organismo internacional estão isentos do imposto sobre a renda. Passase, então, à análise do recurso interposto pelo autuado. O recurso especial do contribuinte A matéria que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura UNESCO). O recorrente sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa física. Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre o tema, cuja jurisprudência já foi favorável ao contribuinte e também à Fazenda Nacional. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a questão não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 39 tem o seguinte conteúdo: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000649/200571 Acórdão n.º 920201.705 CSRFT2 Fl. 6 6 Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo recorrente como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. O recurso especial da Fazenda Nacional O recurso especial da Fazenda Nacional também deve ser conhecido, pois cumpre os pressupostos de admissibilidade. Segundo a recorrente, inexiste fundamento que autorize o afastamento da exigência da multa isolada incidente sobre a falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Sob minha ótica, tal pretensão não merece prosperar. Não se pode admitir a incidência de duas penalidades (isolada e de ofício) sobre uma única base de cálculo ou sobre um único rendimento omitido, conforme, aliás, tem decidido de forma amplamente majoritária o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cuja jurisprudência pode ser ilustrada através das ementas dos seguintes acórdãos: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO No 106 16.281NORMAS PROCESSUAIS – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – PROCEDÊNCIA – RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO – Confirmadas as omissões do acórdão, outro deve ser proferido na devida forma, para que sejam sanadas. IRPF – ORGANISMO INTERNACIONAL DA ONU ISENÇÃO A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. (Precedente da CSRF/MF) MULTA ISOLADA – MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base de cálculo. Embargos acolhidos. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso n° 153.931, acórdão n° 10616.820, Relatora Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, julgado em 07/03/2008) IRPF – RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL – Reflete omissão de rendimentos quando o Fl. 229DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000649/200571 Acórdão n.º 920201.705 CSRFT2 Fl. 7 7 contribuinte deixe de comprovar, de forma cabal, a origem dos rendimentos utilizados no incremento do seu patrimônio. RECURSOS – Empréstimo comprovado por Nota Promissória, devidamente autenticada, registrado nas declarações de ajustes anuais tempestivamente apresentadas, tanto da devedora como da credora e demonstrada a capacidade financeira das contratantes, justifica a origem dos recursos. IRPF. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGENS COMPROVAÇÃO – A comprovação pela Contribuinte do exercício regular de atividade econômica e da correlação entre os ingressos financeiros decorrentes de empréstimos e os créditos/depósitos bancários realizados em suas contas correntes, afastam a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada. MULTA ISOLADA – MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – É inaplicável a multa isolada apenas quando aplicada em concomitância com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso provido parcialmente. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, acórdão n° 10615.245, Relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula, julgado em 25/01/2006) IRPF – IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – Incide a tributação do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos a título de honorários advocatícios sendo estes pagos mediante dação em pagamento de imóveis certificada em Escritura Pública cuja cláusula de retrovenda não foi exercida no prazo estabelecido. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso provido parcialmente. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, acórdão n° 10615.013, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 25/10/2005) Entendo, seguindo o entendimento amplamente majoritário deste Tribunal Administrativo, que não pode haver incidência concomitante de multa de ofício e de multa isolada sobre uma única base de cálculo, de modo que a decisão recorrida deve ser confirmada, também neste aspecto. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000649/200571 Acórdão n.º 920201.705 CSRFT2 Fl. 8 8 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento a ambos os recursos especiais. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 231DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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