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Numero do processo: 10830.005072/2008-90
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 133 1 132 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.005072/200890 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.185 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOAO FRANCISCO REGIS DE MORAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 50 72 /2 00 8- 90 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.005072/200890 Acórdão n.º 2801002.185 S2TE01 Fl. 134 2 Relatório Adoto como relatório o explicitado pela DRJ que assim dispõe: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 15/16, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, na qual, em revisão da Declaração de Ajuste Anual, foram glosadas deduções referente a Despesas Médicas. 2. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, de fls. 15v, a glosa decorreu da falta de comprovação do efetivo pagamento, embora regularmente intimado o contribuinte, nos termos da Intimação Fiscal n° 108/2008, das despesas médicas relacionadas aos profissionais Manoel Moraes Filho (dentista — R$ 14.000,00) e Paulo César Moraes (dentista — R$ 9.000,00), fundamentado no art. 8°, inciso II, alínea "a", e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250/95; art. 43 a 48, da Instrução Normativa SRF n° 15/2001, art. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n° 3000/99 (RIR). 3. Foi glosado o valor de R$ 23.000,00, sendo calculado imposto no valor de R$ 6.325,00, aplicado a multa de 7 .5%, no valor de R$ 4.743,75 e juros de R$ 3.588,80 (calculado até 30/04/2008), totalizando o crédito tributário de R$ 14.657,55. 4. Cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 1/2, na qual diz que o lançamento é nulo de pleno direito por absoluta falta de embasamento legal, até porque o impugnante, em resposta à aludida intimação Fiscal n° 108/2008, informou que os "efetivos pagamentos dos valores aludidos, aos profissionais mencionados, ocorreram em moeda corrente do pais, e que foram considerados e tributados pelos mesmos em suas respectivas declarações", resposta essa pura e simplesmente ignorada no lançamento, sabendose que os recibos correspondentes à glosa encontramse "ab initio" em poder da fiscalização, entregues oportunamente que foram pelo impugnante. 5. A descrição clara, objetiva e detalhada dos fatos e do direito é ônus probante e obrigação da autoridade, não cumprindo o rigor do disposto no artigo 142 do CTN, a lacônica e indefinida "complementação da descrição dos fatos", de dedução indevida de despesas médicas. 6. Os artigos mencionados no "enquadramento legal" 73, 80 e 83, inciso II do RIR, dão total guarida em favor do impugnante, não havendo nenhuma irregularidade ou ilegalidade nos atos praticados pelo impugnante, válidas, portanto, as deduções ilegalmente glosadas. 7. Concluindo, pede recebimento e provimento da impugnação, cancelando o irregular lançamento. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.005072/200890 Acórdão n.º 2801002.185 S2TE01 Fl. 135 3 A DRJ/SP2 julgou a impugnação improcedente (fls. 86/90), em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 Ementa: DEDUÇÕES. PROVA. Cabe ao contribuinte comprovar, nos termos da legislação de regência, as deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis na declaração de ajuste anual a titulo de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos, devidamente comprovados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância, o Interessado apresentou o Recurso, reiterando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A controvérsia está relacionada unicamente ao valor probante dos documentos apresentados pelo recorrente. No processo administrativo fiscal, a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Nos processos relativos ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Assim, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove a efetiva prestação dos serviços ou o pagamento decorrente desta prestação quando as circunstâncias assim recomendarem, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.005072/200890 Acórdão n.º 2801002.185 S2TE01 Fl. 136 4 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Assim, existindo motivos que justifiquem, pode a Administração Tributária não conceder eficácia probatória aos documentos apresentados pelo contribuinte, sem que isto implique na inautenticidade de tais documentos. Por outro lado, o Decreto nº 70.235/1972 confere aos julgadores administrativos, na busca da verdade material, o livre convencimento na apreciação da prova. É essa busca da verdade material, como elemento essencial do julgamento, que baliza a formação da convicção do julgador. No caso presente temos que os documentos acostados aos autos não trazem elemento essencial ao seu aceite, qual seja o detalhamento dos serviços prestados pelo profissional, nem comprovação através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. Referidas não conformidades documentais foram apontadas pela autoridade lançadora desde o início do procedimento fiscal, cabendo ao contribuinte atender as solicitações a si direcionadas e cumprir com as exigências impostas para validação de sua documentação. Não o fazendo, correto o lançamento fiscal, devendo ser mantida a glosa referente a despesas médicas. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000621/2005-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO.
A compensação pressupõe a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1201-000.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(Documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente em exercício.
(Documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A compensação pressupõe a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação pretendida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (Documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente em exercício. (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A compensação pressupõe a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (Documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente em exercício. (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 06 21 /2 00 5- 80 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 11080.000621/200580 Acórdão n.º 1201000.954 S1‐C2T1 Fl. 207 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, transmitida em 13/09/2004 (cópia às fls. 02/05), por meio da qual o contribuinte pleiteou a restituição de crédito relativo ao Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, exercício 2003, no valor total de R$ 82.048,00, para compensação de débitos do PIS e da Cofins de agosto/2004, cujos valores originários perfazem o total de R$ 1.064,36. A Secretaria da Receita Federal não homologou as compensações, pois não reconheceu o direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2002, exercício 2003. Apesar de ter verificado que o saldo negativo apurado era decorrente das retenções informadas na ficha 43 da DIPJ, fez as seguintes observações em relação aos documentos acostados: “a) O primeiro documento da fl. 34 (retenção de R$ 32,39) e o documento de fl. 39 (retenção de R$ 54.284,23) referemse ao anocalendário 2001. b) A cópia do documento de fl. 33 (retenção no valor total de R$ 2.171,83, relativo aos meses de janeiro, fevereiro e março) não permite identificar o anocalendário a que se refere, todavia, verificase ter sido ele emitido em 17/04/2003, além de tal retenção não encontrar respaldo nos detalhamentos mensais das DIRFs às fls. 22/28. c) Os documentos de fls. 35 a 37 dizem respeito a informativos mensais de uma mesma aplicação financeira (CDB FLEX — R$ 40.000,00 — Nota n° 20020326000174 — início em 26/03/2002 e vencimento em 26/09/2002), distinguindose apenas com relação à data a que se refere cada informativo (fl. 35: posição em 30/06/2002, fl. 36: posição em 31/07/2002, fl. 37: posição em 31/08/2002), sendo que o rendimento e o IRRF constantes em cada um dos informativos corresponde ao acumulado até a data de referência. Assim, para fins de comprovação do IRRF, considerase apenas o valor de R$ 604,83 constante do informativo de fl. 37.” Desse modo, a fiscalização desconsiderou os documentos mencionados nos itens a, b e c, remanescendo comprovado, portanto, o valor de R$ 25.008,14, cabendo retificar os valores informados nas linhas 13, 16 e 18, conforme segue: “linha 12A/13, relativa ao IRRF remanescente dos valores apropriados mensalmente, de R$ 13.488,14 para zero; linha 12A/16, relativo às estimativas efetivamente pagas, de R$ 93.590,72 para R$ 25.758,32, correspondente às retenções Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 11080.000621/200580 Acórdão n.º 1201000.954 S1‐C2T1 Fl. 208 3 comprovadas (R$ 25.008,14) e a estimativa de janeiro (R$ 750,18); linha 12A/18, relativa ao saldo do imposto, de R$ 17.290,11 a restituir para R$ 64.030,43 a pagar.” Além disso, a fiscalização identificou outras DCOMPs utilizando o crédito pretendido neste processo para fins de compensação de débitos de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL de 2004. Desse modo, por não ter identificado a efetiva existência de saldo negativo, deixou de homologar a compensação pretendida. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) quanto à retenção de R$54.284,23 (IRF sobre lucros auferidos do fundo de investimento imobiliário Ville de France referente a resultado apurado em 31/12/01), o valor não foi por ela considerado na DIPJ do ano da retenção (2001) de modo que, se assim fosse, simplesmente causaria aumento do saldo negativo daquele ano na mesma proporção da retenção. Informou, ainda, que esse valor foi integralmente utilizado para compensação das antecipações mensais do IRPJ devidas no ano de 2002, transformandose em imposto de renda pago por estimativa, que, por seu turno, transformase em saldo negativo do IRPJ; b) somente a partir do mês de outubro de 2002 passou a ser obrigatória a remessa de declaração de compensação para concreta utilização e formalização de compensação de saldos negativos de IRPJ de anoscalendário anteriores; c) no anocalendário de 2002 deixou de declarar o montante de R$24.588,57 (IRF sobre lucros proporcional a participação no capital do fundo de investimento Manhattan) em DIPJ, o valor retido e também utilizado para compensar as antecipações mensais de IRPJ a partir de agosto de 2002; d) em relação aos valores retidos pela Caixa Econômica Federal, a desconsideração não pode prosperar sem que se diga sobre os saldos lançados na ficha 43 da DIPJ. A Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre manteve o indeferimento da solicitação. Primeiramente, destacou que o contribuinte tributou seus resultados com base no lucro real e, de acordo com as leis fiscais e comerciais, a contabilização das receitas e despesas deve se dar no período em que ocorrerem. Assim, o aproveitamento do IRRF, deduzindoo do imposto apurado anualmente, está condicionado ao cômputo dos rendimentos na formação da base de cálculo, observando se o regime de competência. Ademais, foi consignado que o contribuinte não demonstrou que ofereceu à tributação as receitas das quais decorreram as retenções. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 11080.000621/200580 Acórdão n.º 1201000.954 S1‐C2T1 Fl. 209 4 E, por fim, quanto à retenção no montante de R$ 24.588,57 (rendimentos derivados de fundo imobiliário), mesmo que se admitisse a sua dedução, o valor seria insuficiente para gerar saldo negativo no ano calendário. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os termos da manifestação de inconformidade e acrescentou que: a) Houve completa e regular contabilização dos rendimentos dos fundos imobiliários e dos correspondentes IRRF em maio e agosto de 2002. Anexou cópias do Diário Geral e do Razão Contábil; b) E, caso constatada equivocada postergação de receita de fundo imobiliário, caberia à fiscalização recompor a apropriação de receita e apurar o correto resultado tributável do ano calendário de 2001; c) Não pode o acórdão de primeira instância simplesmente ignorar a existência dos rendimentos efetivamente contabilizados e, especialmente, dos respectivos recolhimentos processados através dos correspondentes IRRF retidos; crédito da empresa contribuinte que não ser desconsiderado; Por fim, em vista do princípio da verdade material, pugnou pela reforma da decisão proferida em primeira instância administrativa, com a consequente homologação da compensação pretendida. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 11080.000621/200580 Acórdão n.º 1201000.954 S1‐C2T1 Fl. 210 5 Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, por meio da qual o contribuinte pleiteou a restituição de crédito relativo ao Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, exercício 2003, para compensação de débitos do PIS e da Cofins de agosto/2004. A Secretaria da Receita Federal não homologou as compensações, pois não reconheceu o direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2002, exercício 2003. A questão cingese à prova da existência do crédito. É sabido que o que autoriza a compensação é a existência de crédito líquido e certo a ser utilizado para tanto. Assim, além da apuração do saldo negativo, deve ser provado que referido saldo não foi restituído nem utilizado para outras compensações. Incumbe ao contribuinte o ônus de demonstrar a liquidez e a certeza do crédito pretendido. No presente caso, dos documentos acostados, verificase que valores escriturados nos livros razão e diário foram divergentes. Além disso, verificase que os valores declarados em DIPJ são incompatíveis com a escrituração contábil do contribuinte. Assim, diante da inexistência de liquidez e certeza do crédito pretendido, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 11080.000621/200580 Acórdão n.º 1201000.954 S1‐C2T1 Fl. 211 6 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10920.001139/2010-22
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/10/2009
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS.
Compete à Receita Federal do Brasil a fiscalização, a arrecadação e a cobrança das contribuições destinadas às outras Entidades ou Fundos, na forma da legislação em vigor.
São devidas contribuições sociais destinadas a Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços.
MULTA. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para a multa por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos.
Não há previsão legal para reduzir ou excluir multa tributária e juros aplicados na forma da lei com base em inexistência de dolo ou culpa, ou ainda na boa-fé do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/12/2006 a 31/10/2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. Compete à Receita Federal do Brasil a fiscalização, a arrecadação e a cobrança das contribuições destinadas às outras Entidades ou Fundos, na forma da legislação em vigor. São devidas contribuições sociais destinadas a Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços. MULTA. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para a multa por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. Não há previsão legal para reduzir ou excluir multa tributária e juros aplicados na forma da lei com base em inexistência de dolo ou culpa, ou ainda na boa-fé do sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente BRETZKE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/2006 a 31/10/2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. Compete à Receita Federal do Brasil a fiscalização, a arrecadação e a cobrança das contribuições destinadas às outras Entidades ou Fundos, na forma da legislação em vigor. São devidas contribuições sociais destinadas a Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços. MULTA. PRINCÍPIO DA BOAFÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para a multa por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. Não há previsão legal para reduzir ou excluir multa tributária e juros aplicados na forma da lei com base em inexistência de dolo ou culpa, ou ainda na boafé do sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 11 39 /2 01 0- 22 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.001139/201022 Acórdão n.º 2803003.970 S2TE03 Fl. 604 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.001139/201022 Acórdão n.º 2803003.970 S2TE03 Fl. 605 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração lançado contra o sujeito passivo em epígrafe, referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, referente às competências 13/2006 a 10/2009. Segundo consta do Relatório Fiscal (fls. 14 a 19), os fatos geradores das contribuições lançadas constituemse nas prestações de serviço pelos segurados da sociedade empresária, cujas remunerações foram discriminadas em folhas de pagamento e não informadas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte. O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal e apresentou impugnação. A decisão de primeira instância, 6a Turma da DRJ/FNS, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário alegando em síntese: o órgão julgador administrativo pode e deve analisar a incompatibilidade de lei com a Constituição Federal; a contribuição ao INCRA é inconstitucional; a contribuição ao salárioeducação é indevida; devese excluir a importância devida ao SEBRAE ou que seja exigido apenas um adicional incidente sobre a contribuição destinada ao SESI ou ao SENAI; impossibilidade de aplicação da taxa selic; a multa tem efeito confiscatório, pois devese aplicar o princípio da boafé; por fim, requer o cancelamento da autuação fiscal ou na parte que toca aos juros e multa aplicados. É o relatório. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.001139/201022 Acórdão n.º 2803003.970 S2TE03 Fl. 606 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. A legislação corrente, em especial o art. 94, da Lei 8.212/91, o DecretoLei 1.146, de 31 de dezembro de 1970, e a Lei Complementar 11/71, (art. 15, II), disciplinam a matéria. O DecretoLei 1.146, de 31 de dezembro de 1970, que consolidou as disposições legais criadas pela Lei 2.613/55, incluindose o INCRA, manteve o adicional de 0,4% sobre a contribuição das empresas: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: ... Art.3". É mantido o adicional de 0.4% (quatro décimos por cento) à contribuição previdenciária das empresas instituído no §4º, do artigo 6" da lei n. 2.613, de 23 de setembro de 1955, com Fl. 606DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.001139/201022 Acórdão n.º 2803003.970 S2TE03 Fl. 607 5 a modificação do artigo 35, §2°, item VIII, da Lei n. 4.683, de 29 de novembro de 1965. Art.4°. Cabe ao Instituto Nacional de Previdência Social 1NSS arrecadar as contribuições de que tratam os artigos 2° e 3º deste DecretoLei(...). A Lei Complementar 11/71, (art. 15, II), elevou o adicional ao FUNRURAL para 2,4% (dois e quatro décimos por cento), determinando a contribuição ao INCRA em 0,2% (dois décimos por cento): Art. 15. Os recursos para o Custeio do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural provirão das seguintes fontes: I da contribuição de 2% (dois por cento) devida pelo produtor sabre o valor comercial dos produtos /trais, e recolhida: a) pelo adquirente, Consignatário ou cooperativa que ficam sub rogados, Para êsse fim, em tôdas as obrigações do produtor; b) pelo produtor, quando ele próprio industrializar seus produtos vendêlos, no varejo, diretamente ao consumidor. II da contribuição de que trata o art. 3º do Decretolei n" 1.146, de 31 de dezembro de 1970 a qual fica elevada para 2,6% (dois e seis décimos por cento), cabendo 2,4% dois e quatro décimos por cento) ao FUNRURAL". Com o advento da Lei 7.787/89 (art. 3°, §1°), foram suprimidas as alíquotas pertinentes ao PRORURAL/FUNRURAL, sendo mantida a destinada ao INCRA, no valor de 0,2%. É irrelevante o fato da recorrente não está vinculada ao meio rural para ser contribuinte da exação em evidência, ante aos princípios da universalidade do custeio da Seguridade Social (arts.194, I, e 195 da CF/88) e da igualdade tributária. Nesse sentido é o entendimento do Supremo Tribunal Federal pela constitucionalidade da cobrança da contribuição para o INCRA, como se nota nos Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário (REED 372811), Relator Ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal – STF, 2a Turma, em 28/08/2012, DF, cuja ementa transcrevese: Ementa: RECURSO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM PROPÓSITO MODIFICATIVO E INTERPOSTO DE DECISÃO MONOCRÁTICA CONHECIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO EXTRA PETITA. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. ESPECÍFICA TESE DA REFERIBILIDADE OU DO BENEFÍCIO DIRETO. PRECEDENTES. A agravada reconheceu expressamente em suas razões de recurso extraordinário não ter interesse em recorrer da parte do acórdão que versava sobre a contribuição destinada ao Funrural. Portanto, não está caracterizada decisão extra petita. Esta Suprema Corte firmou orientação quanto a constitucionalidade da sujeição passiva das empresas urbanas à Contribuição ao INCRA. Matéria diversa da discussão sobre a Fl. 607DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.001139/201022 Acórdão n.º 2803003.970 S2TE03 Fl. 608 6 inconstitucionalidade superveniente devido à modificação do art. 149 da Constituição. Recurso de embargos de declaração conhecido como agravo regimental, ao qual se nega provimento.(nosso grifo) De igual modo decisão nos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento (AIED 588877), Relator Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal – STF, 2a Turma, em 10/08/2010, DF, cuja ementa transcrevese: Ementa Embargos de declaração em agravo de instrumento. 2. Decisão monocrática. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. 3.Contribuição para o INCRA. Constitucionalidade. Precedentes. AIAgR 700.932. RERG 578.635. AIED 588.877. 4. Agravo regimental não provido. CONTRIBUIÇÃO PARA SALÁRIOEDUCAÇÃO A Súmula 732 do STF decidiu pela constitucionalidade do Salárioeducação: STF Súmula nº 732 26/11/2003 DJ de 9/12/2003, p. 2; DJ de 10/12/2003, p. 2; DJ de 11/12/2003, p. 2. Constitucionalidade Cobrança da Contribuição do Salário Educação. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE, SESI E SENAI A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal constante dos autos, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. O Tribunal Regional Federal TRF da 4ª Região, tem entendimento firmado que o adicional destinado à contribuição do SEBRAE constitui simples majoração das alíquotas previstas para o Senai, Senac, Sesi e Sesc (DecretoLei nº 2.318/86) e prescindível de Lei Complementar, dando tratamento favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional, submetendo à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. : Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Fl. 608DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.001139/201022 Acórdão n.º 2803003.970 S2TE03 Fl. 609 7 Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, no sentido de que todas as empresas contribuintes do SESC, SENAC ou SESI, SENAI, devem recolher a contribuição para o SEBRAE, que constitui Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CF, art. 149), conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007, e outros mais, a seguir transcritos: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Processo AGRESP 200700566872AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 978852, Relator(a) MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ, SEGUNDA TURMA, Fonte DJE DATA:28/06/2010 Ementa: TRIBUTÁRIO.CONTRIBUIÇÃOAO SESC, SENAC ESEBRAE.SOCIEDADES PRESTADORAS DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO CONSOLIDADO NA CORTE RELATIVO ÀS PRESTADORAS DE SERVIÇO EM GERAL. 1. "É pacífica a jurisprudência desta Corte quanto à legitimidade da contribuição para o SESC e para o SENAC pelas empresas prestadoras de serviço" (REsp 895.878/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJ 17.9.2007). 2. Nos últimos julgados das Turmas integrantes da Primeira Seção, relativos especificamente à atividade de prestação de serviços advocatícios, esta Corte entendeu que, nestes casos, também há a incidência das contribuições destinadas ao Sesc e ao Senac, no mesmo sentido da jurisprudência do STJ relativa às prestadoras de serviço em geral. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp 654450/PE, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 25.9.2006; e EDcl no AgRg no AI n. 959423/SP, Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 5.3.2009. 3. "A contribuição destinada ao SEBRAE,consoante jurisprudência do STF e também a do STJ, Fl. 609DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.001139/201022 Acórdão n.º 2803003.970 S2TE03 Fl. 610 8 constitui Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CF, art. 149) e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sujeitam a Contribuições devidas ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico, porque não vinculada a eventual contraprestação dessas entidades" (AgRg no Ag 936.025/SP, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.10.2008). 4. Agravo regimental não provido. Assim, também, vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, e outros mais, cuja ementas estão abaixo transcritas: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Processo AIAgR 655354AIAgR AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO, Relator(a) CELSO DE MELLO, STF Ementa: E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO VALIDADE CONSTITUCIONAL DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE À INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃOSOCIAL DESTINADA AO SEBRAE EXIGIBILIDADE DESSA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE Fl. 610DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.001139/201022 Acórdão n.º 2803003.970 S2TE03 Fl. 611 9 396.266/SC, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, reconheceu a plena legitimidade constitucional da norma inscrita no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90, na redação dada pelas Leis nº 8.154/90 (art. 1º) e nº 10.668/2003 (art. 12), admitindo, em conseqüência, a constitucionalidade da contribuição social destinada ao SEBRAE. O tratamento dispensado à referida contribuição social não exige a edição de lei complementar, resultando conseqüentemente legítima a disciplinação normativa dessa exação tributária mediante legislação de caráter meramente ordinário. Precedentes. Por tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. De outro modo, também ficam demonstrada a legalidade da cobrança da contribuição para o SESI e SENAI. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III, do Título IV, da Constituição Federal, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Permitir que órgãos colegiados administrativos reconheçam a constitucionalidade de normas jurídicas é infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo Fl. 611DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.001139/201022 Acórdão n.º 2803003.970 S2TE03 Fl. 612 10 declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) se autoimpôs regra nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (Aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e dá outras providências): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. No mesmo sentido é o que dispõe a Súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não há razão no argumento de que o órgão julgador administrativo pode e deve analisar a incompatibilidade de lei com a Constituição Federal. A aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é devida e legal, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciada nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.001139/201022 Acórdão n.º 2803003.970 S2TE03 Fl. 613 11 A multa aplicada no lançamento fiscal encontra respaldo na lei 8.212/91, conforme demonstrado no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. Aplicada a multa na forma da lei não pode ser considerada confiscatória, pois este juízo de admissibilidade já foi feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto nº. 70.325/72, acrescentado pela MP nº 449/2008. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multa por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. Não há previsão legal para reduzir ou excluir multa tributária e juros aplicados na forma da lei com base em inexistência de dolo ou culpa, ou ainda na boafé do sujeito passivo. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e artigo. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, Discriminativo do Débito – DD, Fundamentos Legais do Débito – FLD, Relatório Fiscal, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 613DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10976.000603/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência a fim de apurar a alegação de cômputo em duplicidade das saídas atreladas a vendas para entrega futura. Vencidos os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator, e José Fernandes do Nascimento que consideravam a matéria excluída do litígio, face à sua não impugnação. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena. Fez sustentação oral o Advogado Geraldo Mascarenhas Lopes Diniz, OAB MG nº 68.816.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Decidem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência a fim de apurar a alegação de cômputo em duplicidade das saídas atreladas a vendas para entrega futura. Vencidos os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator, e José Fernandes do Nascimento que consideravam a matéria excluída do litígio, face à sua não impugnação. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena. Fez sustentação oral o Advogado Geraldo Mascarenhas Lopes Diniz, OAB – MG nº 68.816. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de Autos de Infração lavrados em decorrência da constatação de falta de recolhimento do IPI, por ter a empresa deixado de destacar o imposto nas vendas de emulsões asfálticas e asfaltos modificados por polímeros, produtos classificados sob o código 2715.0000, sujeitos à RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 76 .0 00 60 3/ 20 08 -0 1 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000603/200801 Resolução nº 3102000.162 S3C1T2 Fl. 3 2 alíquota da 5% na TIPI, conforme relatado pela auditora no Termo de Verificação Fiscal de fls. 77 a 87. Os valores do IPI que deixaram de ser destacados foram levantados segundo relação de notas fiscais de fls. 88 a 192, que, após reconstituição da escrita fiscal (fls. 63, 67/68 e 71/72), resultaram nos valores exigidos na presente autuação (fls. 11/13, 30/32 e 51/54). A empresa ajuizou a Ação Declaratória Ordinária, processo 2006.34.00.01192504, com pedido de antecipação de tutela, visando obter a declaração de que os produtos asfálticos que industrializa, dentre eles as emulsões asfálticas e os asfaltos modificados, objeto desta autuação, não se sujeitam ao IPI em virtude de seu enquadramento no conceito de derivados de petróleo, o que os tornaria abrangidos pela imunidade de que trata o art. 155, § 3º, da Constituição Federal de 1988. A mencionada ação ordinária tramita perante a Justiça Federal, Seção Judiciária do Distrito Federal (cópias de peças às fls. 211 e 489/490), sem sentença de primeiro grau até a presente data, segundo consulta processual de fls. 491/493. Quanto à antecipação da tutela pretendida pela autora, o pedido foi denegado em juízo de primeiro e de segundo graus (a autora interpôs agravo contra a decisão singular que denegou a antecipação da tutela, denegação confirmada pelo Tribunal da 1ª Região – fls. 489/490). Em 29/12/2008 a requerente protocolou a impugnação de fls. 224 a 266. Discorda do lançamento efetuado nos seguintes termos, resumidamente: 1.requer, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração, em virtude de erro de informação, no termo lavrado pela auditora, quanto ao período abrangido pela autuação, e em virtude de o MPF ter sido emitido por meio eletrônico, “o que gerou considerável insegurança para o sujeito passivo quanto à validade e veracidade daquele documento”; 2.alega que os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2003 foram atingidos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; 3.aduz que os produtos que industrializa conceituamse como derivados de petróleo, estando albergados pela imunidade conferida pelo art. 155, § 3º, da Constituição Federal; 4.diante da equivocada constatação dos débitos do imposto, a fiscalização desconsiderou os créditos apurados quando das aquisições de insumos; 5.requer a realização de perícia para comprovação de que os produtos asfálticos produzidos são derivados de petróleo, nomeando perito e apresentando quesitos; 6.finalizou sua defesa alegando que a multa de ofício aplicada possui caráter confiscatório e que a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic é ilegal e inconstitucional. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000603/200801 Resolução nº 3102000.162 S3C1T2 Fl. 4 3 Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso por afastar as preliminares de nulidade, não tomar conhecimento do mérito do litígio, acatar a prejudicial de decadência e manter parcialmente a exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2003 DECADÊNCIA. Se a contribuinte efetuou o recolhimento dos saldos devedores apurados, ou se, na apuração de saldos credores, promoveu o confronto de débitos com os créditos admitidos pela legislação do imposto, resta caracterizado o pagamento segundo definição do art. 124, parágrafo único, incisos I e III, do RIPI/2002, o que implica a aplicação do prazo estabelecido pelo art. 150, § 4º, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 FALTA DE LANÇAMENTO.AÇÃO JUDICIAL. Devem ser objeto de lançamento de ofício os valores do IPI apurados pela fiscalização relativos às vendas de emulsões asfálticas e asfaltos modificados (produtos tributados), que não foram destacados nas notas fiscais de saídas nem declarados, deduzidos os créditos básicos cuja legitimidade foi comprovada. E, na ausência de medida judicial que implique a suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 151 do CTN, exigível a multa de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 NULIDADE. É de se rejeitar a nulidade argüida quando o procedimento fiscal foi amparado por MPF regularmente emitido e a infração cometida foi pormenorizadamente descrita, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Constatada a identidade de objeto, não pode a autoridade administrativa manifestarse acerca de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados à inconstitucionalidade da multa de ofício e da taxa de juros Selic, ambas exigidas com amparo em lei vigente. Não pende Recurso de Ofício acerca da fração do lançamento afastada pelo órgão a quo. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, acrescentando reclame acerca da fixação da base de cálculo. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000603/200801 Resolução nº 3102000.162 S3C1T2 Fl. 5 4 Segundo aduz, quando da reconstituição da escrita, teriam sido consideradas as vendas para entrega futura em duplicidade. Ou seja, tanto no momento da venda, quanto da efetiva saída no estabelecimento. Em síntese, é o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Não vejo como deferir o pedido de perícia suscitado no momento da sustentação oral realizada pelo patrono. Como narrado, o único pedido de diligência formulado no momento processual oportuno diz respeito à qualificação da mercadoria. Não haveria, com a devida vênia, como pretender rediscutir matéria preclusa, no caso, a correção do cálculo do imposto levado a efeito pelo Fisco. Tratase, a meu ver, de matéria preclusa. Noutro giro, há que ser imprescindível, ou seja, não se presta a suprir a omissão no cumprimento do dever de instruir corretamente o processo. Ora, se os autos estão instruídos com as planilhas empregadas pelo Fisco para o cálculo do imposto, a recorrente poderia perfeitamente, desde o momento da impugnação, apresentar sua própria memória de cálculo e contestar as conclusões da autoridade fiscal. Nesse contexto, julgo igualmente descabida a pretensão de realização de diligência com o objetivo de apurar a alegação de lançamento em duplicidade do imposto. Sala das Sessões, em 1 de março de 2011. Luis Marcelo Guerra de Castro Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Tendo em vista o encerramento do mandato da Conselheira Beatriz Sena, Conselheira designada, conforme Ata da Sessão, para redigir o voto vencedor, sem que, até esse momento, o Voto tenha sido formalizado, fui designado ad hoc pelo então Presidente da Turma para me desincumbir dessa função. Conforme memória que tenho das discussões que se travaram em Plenário, o Patrono da Recorrente alegou da tribuna que haveria valores computados em duplicidade na apuração do crédito tributário devido. Embora seja desnecessário mencionar a incontestável qualificação do Relator do Processo, percebi, por ocasião do julgamento, que tratavase de uma questão não suficientemente esclarecida nos autos, particularmente em face dos argumentos apresentados pela defesa no curso da Reunião de Julgamento. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000603/200801 Resolução nº 3102000.162 S3C1T2 Fl. 6 5 Tenho sido intransigente no reconhecimento da preclusão de matéria não contestada oportunamente. Contudo, aqui se está falando de possível cobrança em duplicidade, bem demonstrada da tribuna, fato que não pode ser deixado de lado. Por esse motivo, decidi me por acompanhar a divergência suscitada pela Conselheira Beatriz Sena. Uma vez que não tivesse sido designado originalmente para redigir o Voto Vencedor, não tive o cuidado de guardar uma memória dos apontamentos feitos da Tribuna. Por conta disso VOTO pela conversão do julgamento em diligência, para que a empresa seja intimada a indicar quais valores foram considerados em duplicidade na apuração do crédito tributário veiculado no Auto de Infração. Feito isso, deve a Fiscalização Federal da Unidade de Jurisdição do contribuinte manifestarse a respeito para, então, ser aberto prazo de trinta dias para a derradeira manifestação do contribuinte. Após retorne a este Conselho para decisão final da lide. Sala de Sessões, 1º de março de 2011. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Fl. 591DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13016.000513/2003-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 16 .0 00 51 3/ 20 03 -4 4 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13016.000513/200344 Resolução nº 3401000.867 S3C4T1 Fl. 2.350 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação de débitos de setembro de 2003, transmitido em 24/09/2003 (fls.1.692/1693), com crédito de suposto recolhimento indevido do IOF, efetuados entre novembro de 1998 e agosto de 1999 (fl.1729/1797). A delegacia de origem negou o crédito, em razão de a instituição financeira não ter mais em seus arquivos os documentos que comprovem a retenção do IOF, bem como a inexistência de estorno, e por haver entendido que os documentos apresentados pela Contribuinte não comprovam a existência de crédito (fls.2220/2222). A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.2232/2241), a qual não obteve sucesso, haja vista o acórdão prolatado pela DRJ em Porto Alegre/RS com a seguinte ementa (2284/2288): “COMPENSAÇÃO –Não comprovados os pagamentos indevidos ou a maior do imposto, não se reconhecem créditos passíveis de restituição e conseqüentemente não se homologam as declarações de compensação vinculadas ao direito creditório pleiteado. CARTA COBRANÇA A carta cobrança, expedida em decorrência de compensação não homologada, não comporta manifestação de inconformidade, perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de objeto. Solicitação Indeferida”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 18/06/2009 (fl.2291) e interpôs Recurso Voluntário em 17/07/2009 (fls.349/355) alegando, em resumo, o seguinte: 1. A decisão recorrida levou em consideração somente o fato de a instituição financeira, responsável pelo recolhimento do IOF, não ter apresentado os documentos e deixou de considerar os documentos apresentado pela Recorrente que demonstram o recolhimento do IOF e a falta de estorno; 2. O crédito não pode ser negado por mera presunção de que o valor indevidamente recolhimento tenha sido estornado. Ao fim, a Recorrente pediu o reforma do acórdão da DRJ, para que seja reconhecido o crédito e os débitos sejam integralmente compensados. É o Relatório. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13016.000513/200344 Resolução nº 3401000.867 S3C4T1 Fl. 2.351 3 Voto O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente busca o ressarcimento do IOF, supostamente recolhido indevidamente. Inicialmente cabe destacar que é incontroverso que a Recorrente, por ser cooperativa, tinha direito à redução a zero da sua alíquota do IOF. Desse modo, o cerne da questão consiste em saber se os documentos apresentados pela Recorrente suprem a falta de documento das instituições financeiras. Conforme relatado, o indeferimento se deu simplesmente porque o banco não possuía as informações necessárias para a confirmação do crédito. Por outro lado, a Recorrente juntou nas fl.1729/1797 a planilha para demonstrar o recolhimento do IOF os extratos que provam os recolhimentos estão nas fls. 1.798/2017. A autoridade fiscal não conseguiu contrapor as provas apresentadas pela Recorrente, fundamentando seu indeferimento em mera presunção de estorno, sem demonstrar em nenhum momento que os estornos de fato ocorreram. Essas meras ilações da autoridade fiscal não são suficientes para afastar o poder probatório dos extratos apresentados pela Recorrente. Na falta dos documentos de responsabilidade da instituição financeira e do controle mais efetivo da autoridade fiscal, não pode o contribuinte ter o seu direito cerceado. Nesse sentido, transcrevese a ementa do processo nº 13016.000599/200313, julgado por esta turma na sessão de 29/11/2012: PROVA DE RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IOF. FALTA DE DOCUMENTOS DE RESPONSABILIDADE DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. EXTRATO BANCÁRIO COM VALOR DE PROVA As instituições financeiras são responsáveis por arquivar e disponibilizar àReceita Federal do Brasil os documentos relativos às operações comincidência do IOF. Na falta desses documentos e de outros meios paraanalisar o valor recolhido, o extrato bancário apresentado pelo contribuintetornasesuficienteparaprovarorecolhimentoindevido. Portanto, considerando as provas apresentadas pela Recorrente, converto o presente julgamento em diligência para que a delegacia de origem examine os documentos e emita parecer acerca da procedência do direito creditório e quantificar os valores. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 661DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 12466.002432/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Joel Miyazaki - Presidente em exercício
Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Joel Miyazaki - Presidente em exercício Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Erika Costa Camargos Autran.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 100 1 99 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.002432/200661 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.514 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de dezembro de 2014 Assunto IMPORTAÇÃO Recorrente COTIA TRADING S.A. H. STERN S.A FAZENDA NACIONAL Recorrida OS MESMOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Joel Miyazaki Presidente em exercício Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Erika Costa Camargos Autran. Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 06 a 104, lavrados para a exigência de R$ 853.128,94, a título de Imposto de Importação (II), de R$ 1.066.955,63, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de R$ 239.157,31, correspondente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), de R$ 51.921,94, referente a Contribuição para o PIS/PASEP, acrescidos de multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora, de R$ 4.270.148,86, a título de multa do controle administrativo das importações (100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado), e de R$ 1.998.048,92, correspondente a multa por entrega a consumo ou consumo de mercadorias estrangeiras importadas de forma irregular ou fraudulenta, prevista no art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 1º do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 02 43 2/ 20 06 -6 1 Fl. 3396DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002432/200661 Resolução nº 3201000.514 S3C2T1 Fl. 101 2 Decretolei nº 400/1968, regulamentada pelo art. 631 do Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro – RA/2002). Como se depreende da peça acusatória, a exigência do crédito tributário, ao início qualificado, encontrase formalizada com pluralidade de sujeitos passivos, estando: a) na condição de contribuinte, a empresa Cotia Trading S.A., CNPJ 72.891.955/0001 97; e b) na condição de devedora solidária, a empresa H. Stern Comércio e Indústria S.A., CNPJ 33.388.943/000192. O lançamento foi motivado pelo fato de a fiscalização ter entendido ser a empresa H.Stern Comércio e Indústria S.A. a real adquirente das mercadorias despachadas mediante as Declarações de Importação (DIs) relacionadas à fl. 12, registradas como operações por conta própria da Cotia Trading S.A. Segundo a autoridade autuante, a H. Stern negociou as mercadorias junto aos verdadeiros exportadores no exterior, utilizando a empresa de agenciamento de cargas AST para subfaturálas (exceto no caso dos relógios adquiridos da empresa suíça Ideò Tempo S.A.) e remetêlas ao Brasil, onde teria empregado a interposição fraudulenta da Cotia Trading para desembaraçar os bens por preços irrisórios. Na seqüência, como a H. Stern não foi equiparada a estabelecimento industrial, teria revendido as mercadorias no mercado interno sonegando o IPI incidente sobre o valor agregado. Devidamente cientificadas, as interessadas apresentaram as seguintes impugnações: a) Cotia Trading S.A. às fls. 758 a 786; e b) H. Stern Comércio e Indústria S.A., às fls. 1.786 a 1.824. A empresa Cotia Trading S.A. alega, em síntese, que: ao contrário do que afirmou a fiscalização, no documento encaminhado pelo Sr. Adido Aduaneiro da França para a América do Sul não existe qualquer informação no sentido de que a empresa AST, que constou como exportadora nas DIs autuadas, não teria permissão para atuar como empresa comercial, tendo sido consignado, apenas, que a sua atividade principal é a organização de transportes marítimos e aéreos, o que não implica, em princípio, a proibição de realização de transações comerciais; cabe ressaltar, outrossim, que as afirmações do Sr. Adido Aduaneiro, confirmadas por depoimento do gerente da empresa AST, referemse a um suposto envio de faturas em branco da AST para a empresa Terranova, fato que não tem relação alguma com a impugnante, muito menos com as DIs objeto da presente autuação; assim, a par de não se poder extrair do referido documento a ilação pretendida pela fiscalização, verificase que as informações ali contidas, relativas a outra empresa, foram tomadas por empréstimo para servir de elemento probatório no tocante às importações realizadas pela impugnante, prática vedada pelo Direito Tributário; Fl. 3397DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002432/200661 Resolução nº 3201000.514 S3C2T1 Fl. 102 3 o Conselho de Contribuintes tem reiteradamente rejeitado a utilização de prova emprestada, como demonstram as ementas de decisões transcritas às fls. 761 a 762; as empresas comerciais importadoras habitualmente praticam duas formas de operação: a importação por conta própria ocorre quando há a aquisição de mercadorias no exterior para revenda a qualquer interessado, ou para cumprimento de contrato de compra e venda previamente celebrado com o promissário comprador, como no caso sob exame; a importação por conta e ordem se verifica quando a pessoa jurídica importadora faz a intermediação entre exportador estrangeiro e adquirente nacional, agindo a mando e com recursos deste; em vista disso, é possível afirmar que, na importação por conta própria, há uma única figura, que é a do importador (que compra a mercadoria para eventual revenda, suportando os riscos do negócio), ao passo que, na importação por conta e ordem, há duas pessoas envolvidas na operação: o importador (prestador de serviço que promove a importação de mercadoria para terceiro) e o adquirente (que compra a mercadoria e contrata o importador para trazêla do exterior); o Parecer PGFN/CAT nº 1.316/2001 e o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 07/2002 apontam a possibilidade da empresa comercial importadora ser a efetiva proprietária das mercadorias importadas, quando preencher requisitos que configuram a importação por conta própria, previstos no citado ADI; a responsabilidade financeira do importador pela operação de comércio exterior é elemento decisivo para configurar uma operação por conta própria ou por conta e ordem de terceiro, conforme se depreende da Lei nº 10.637/2002, que modificou disposições do DecretoLei nº 1.455/1976 e da Lei nº 9.430/1996; tendo a pessoa jurídica importadora adquirido a propriedade da mercadoria e se responsabilizado financeiramente pela operação, não se pode cogitar de prática destinada a dissimular uma “importação por conta e ordem” com o objetivo de ocultar o “real adquirente” da mercadoria; nesse sentido, foi aprovado pelo Congresso Nacional o art. 11 da Lei nº 11.281/2006, com o claro propósito de dirimir as divergências interpretativas causadoras de controvérsia entre importadores e fiscalização; reconheceu o legislador, desse modo, a distinção entre as importações por encomenda e as importações por conta e ordem, em dispositivo com nítido caráter declaratório; evidenciase, desse modo, a precariedade dos argumentos em que se sustenta o Auto de Infração, por não indicarem qualquer elemento que denote terem sido as operações realizadas por conta e ordem de terceiro, devendo ser considerada insubsistente a autuação por fundamentarse em indícios frágeis e insuficientes, consoante jurisprudência reproduzida às fls. 771 a 772; Fl. 3398DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002432/200661 Resolução nº 3201000.514 S3C2T1 Fl. 103 4 a fiscalização deixou de investigar a capacidade econômica do importador e a origem, disponibilidade e transferência dos recursos envolvidos, conforme mandamento legal, preocupandose apenas em buscar outros indícios que, no seu entender, seriam suficientes para demonstrar pretensa irregularidade no procedimento da impugnante; a mera presença de um adquirente predeterminado não descaracteriza a natureza jurídica da operação de importação, tratandose de modalidade de operação por conta própria, a importação por encomenda, atualmente disciplinada pela Lei nº 11.281/2006; diversamente do alegado pela autoridade autuante, a impugnante assumiu os riscos cambiais e comerciais das operações, conforme atestam os documentos anexos (contratos de câmbio e acordo comercial celebrado entre a Cotia e a H. Stern); o fato de a encomendante ter contatos prévios com os exportadores, negociar preços e estabelecer vínculos comerciais que incluem a fabricação de produtos com a sua marca exclusiva em nada afeta a natureza jurídica das importações realizadas; ao contrário do que tentou fazer crer a fiscalização, houve lucro nas operações, decorrente da concessão dos incentivos financeiros por parte do Estado do Espírito Santo, nada existindo de irregular ou ilegítimo nesta forma de ganho; o fato de a encomendante exigir exclusividade para aquisição dos produtos importados também não descaracteriza as importações por conta própria; o procedimento da impugnante está em conformidade com interpretação fiscal constante do ADI SRF nº 07/2002, o que afasta a aplicação de qualquer tipo de penalidade, de acordo com o disposto no art. 610 do Regulamento Aduaneiro/2002; igualmente, não pode prevalecer a acusação de subfaturamento, pois além de não ter sido observado o procedimento especial de valoração aduaneira, previsto na Instrução Normativa SRF (IN SRF) nº 327/2003, tal imputação baseiase em mera presunção calcada em provas emprestadas, o que é inadmissível; não tem conhecimento de supostas negociações envolvendo o subfaturamento das mercadorias, muito menos tem qualquer relação com os documentos apontados pela fiscalização, nunca tendo pago à empresa exportadora AST qualquer valor além daqueles constantes dos respectivos contratos de câmbio relativos a cada uma das DIs em comento; considerando que o ato tido como fraudulento consiste na importação com preços aquém da realidade e que a impugnante nem sequer negociou preços diretamente com o exportador, disto resulta, como conseqüência lógica, que nenhum ato da Cotia deflagrou o dano, de modo que não pode ser responsabilizada por tributos ou penalidades, nos termos dos arts. 135 e 137 do Código Tributário Nacional (CTN); Fl. 3399DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002432/200661 Resolução nº 3201000.514 S3C2T1 Fl. 104 5 verificase que a fiscalização pretende impor duas penalidades decorrentes do mesmo alegado ato ilícito (multa majorada de 150% sobre as diferenças de tributos e multa de 100% sobre as diferenças entre o preço declarado e o efetivamente praticado), o que configura inaceitável “bis in idem”; além disso, deve ser considerado o caráter confiscatório das multas em questão, em nítida violação ao art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Por sua vez, a H. Stern Comércio e Indústria S.A. argumenta, em sua defesa, que: preliminarmente, ressalta que não é parte legítima para figurar no pólo passivo do Auto de Infração; não é cabível a responsabilização da impugnante com base em suposto interesse comum na ocorrência do fato gerador, uma vez que tal conceito se refere à realização conjunta e à participação direta na situação que constitua o fato gerador, o que não se verifica na hipótese sob exame; o encomendante predeterminado, que adquire mercadoria estrangeira de pessoa jurídica importadora, como é o caso da H. Stern, somente passou a ser responsabilizado solidariamente em relação a operações na importação com a edição da Lei nº 11.281/2006, que entrou em vigor após a ocorrência dos fatos geradores objeto dos presentes autos; o relatório de fiscalização está polvilhado de menções a operações de terceiros e de operações que não fazem parte da autuação em comento, invocadas com o objetivo de criar uma sensação generalizada, mas não comprovada, de inidoneidade acerca das empresas que adquirem mercadorias da Cotia Trading; adquiriu as mercadorias importadas, no mercado interno, da Cotia Trading, empresa importadora e proprietária de tais bens, pois celebrou os respectivos contratos de câmbio e realizou os pagamentos por conta própria, motivo pelo qual as importações jamais poderiam ser consideradas como realizadas por conta e ordem da H. Stern, segundo o disposto no art. 1º da IN SRF nº 225/2002, no Parecer PGFN/CAT nº 1.316/2001 e no ADI SRF nº 07/2002; caso as autoridades fiscais não reputem justo que determinadas tradings organizem suas operações de modo a auferir seus lucros em decorrência do sistema FUNDAP devem buscar os meios próprios para questionar esse sistema, não se admitindo que o inconformismo fiscal seja traduzido em acusação de fraude contra a impugnante; desviandose do direito positivo, a fiscalização buscou sustentar que a aquisição de mercadorias pela Cotia Trading não refletiria uma importação por conta própria, mas sim por conta e ordem de terceiros, por haver um destinatário determinado das mercadorias, qual seja, a H. Stern; Fl. 3400DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002432/200661 Resolução nº 3201000.514 S3C2T1 Fl. 105 6 o próprio legislador reconhece expressamente que as importações a encomendante predeterminado não se confundem com as importações por conta e ordem de terceiros, sendo, isso sim, uma modalidade de importação por conta própria, conforme se depreende da simples leitura do art. 11 da Lei nº 11.281/2006; por outro lado, a responsabilidade solidária e a equiparação a contribuinte do IPI, que passaram a alcançar as importações por encomenda a partir da publicação da mencionada Lei nº 11.281/2006, jamais poderiam abranger as operações objeto da autuação, ocorridas nos anos de 2004 e 2005; na impossibilidade de aplicação retroativa do referido diploma legal, buscou a fiscalização indevidamente incluir a H. Stern no pólo passivo do lançamento, mediante a incomprovada alegação de fraudes nas importações, envolvendo a impugnante no arbitramento de valores aduaneiros, exigindolhe supostas diferenças de tributos devidos e impondolhe elevadíssimas multas, na suposta qualidade de responsável solidária; resta claro que a H. Stern não poderia ser abarcada em acusações de fraude nas relações jurídicas atinentes a importação de mercadorias, porquanto delas não participou, visto que as transações foram firmadas entre a Cotia Trading e a AST; pelo que consta dos autos, entende não estar demonstrada fraude nem mesmo em relação à Cotia Trading, visto que a informação prestada pela Aduana Francesa, além de ser relativa a outro processo, é no sentido de que uma das atividades principais da AST é a prestação de serviços de transporte e agenciamento de fretes, o que não permite a conclusão de que as faturas emitidas pela AST para a Cotia Trading, que foram objeto dos Autos de Infração, sejam inválidas; a autoridade aduaneira desconsiderou todas as aquisições de relógios Century realizadas pela Cotia Trading por encomenda da H. Stern, presumindo que todas elas deveriam ter sido realizadas com base no valor indicado na suposta Invoice nº 04713; é inadmissível tal conduta fiscal, pois a referida Invoice, além de ser estranha ao processo em análise, não teve a sua validade reconhecida pelo seu suposto emitente, a Century Time Gems, consoante documento em anexo; de acordo com as DIs anexas, os preços praticados pela Century nas vendas diretas à H. Stern são absolutamente compatíveis com os apontados nas DIs objeto de arbitramento, corroborando o descabimento das acusações fiscais; confirmase assim que os preços praticados pela Century seguem um padrão, independentemente da participação ou não da AST e da Cotia Trading na cadeia comercial, infirmando por completo as alegações fiscais; as informações relativas ao site da empresa Century Time Gems são inteiramente irrelevantes para o arbitramento, pois a fabricação de produtos com a marca H. Stern nada tem de fraudulento, sendo comum Fl. 3401DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002432/200661 Resolução nº 3201000.514 S3C2T1 Fl. 106 7 a participação de distribuidores e tradings adquirindo e revendendo os produtos nos elos intermediários da cadeia industrial e comercial; a discussão jurídica a respeito das importações serem realizadas por conta própria ou por conta e ordem, ainda que fosse cabível, jamais poderia ser invocada como indicativo de fraude, nem tampouco como razão para proceder ao arbitramento dos valores aduaneiros das mercadorias importadas; não tem conhecimento nem reconhece a validade das Invoices dos fabricantes Baccarat, Bernardaud e Rosenthal, que conteriam mercadorias nas mesmas quantidades daquelas adquiridas pela Cotia Trading da AST, importadas por meio das DIs nºs 04/09426100, 04/00581374 e 04/09650832; adquiriu as mercadorias da Cotia Trading, conforme as Notas Fiscais de Venda acostadas ao processo, as quais reputou legítimas e válidas, efetuando os devidos pagamentos a essa empresa; solicitou informações às empresas Baccarat, Bernardaud e Rosenthal acerca das alegações apresentadas pela fiscalização, não tendo logrado, até o momento, obter os esclarecimentos esperados; o arbitramento e a imposição de elevadas multas em relação aos produtos fabricados pela empresa Tag Heuer foram levados a efeito sem que a própria fiscalização sequer alegasse haver elementos que pudessem demonstrar a existência de fraude no caso concreto; portanto, o arbitramento foi efetivado única e exclusivamente com base em valores de importações realizadas por terceiros, em operações comerciais distintas, o que, como já fartamente reconhecido pelo Conselho de Contribuintes, não pode ser admitido; documento firmado pela Tag Heuer, em anexo, informa que o fato de a impugnante representar 75% das vendas dos relógios dessa marca realizadas no Brasil é levado em conta para a determinação dos preços de vendas encomendadas pela H. Stern a tradings, não podendo as operações destinadas a outras lojas ou distribuidoras serem tomadas como parâmetro para a fixação desses preços; as planilhas que demonstram os cálculos efetuados pela autoridade fiscal não permitem que se compreenda e verifique a adequação dos critérios e cálculos realizados, já que dos documentos acostados aos Autos de Infração não é possível depreender se as importações que serviram de parâmetro ao arbitramento abrangem mercadorias idênticas ou similares, se retratam operações realizadas no mesmo nível comercial, nem tampouco se eram quantidades compatíveis com as que foram objeto do lançamento, requisitos exigidos pelo Acordo de Valoração Aduaneira; os vícios acima apontados em relação ao critério de “mercadorias idênticas ou similares” também afetaram o coeficiente apurado com base na diferença entre os valores declarados e os arbitrados pela fiscalização, erroneamente considerado como “critério razoável”; Fl. 3402DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002432/200661 Resolução nº 3201000.514 S3C2T1 Fl. 107 8 o “critério razoável” do art. 7º do Acordo de Valoração Aduaneira deve ser entendido como uma flexibilização na aplicação dos demais critérios, exemplificada nas notas interpretativas ao referido artigo, nunca como uma carta em branco concedida ao aplicador da norma; a conclusão, portanto, é que o inusitado critério de arbitramento a partir da média aritmética obtida entre o total dos valores arbitrados e o total dos valores declarados não está compreendido pelo chamado “critério razoável”, pois o aludido critério sequer levou em consideração as peculiaridades das mercadorias abrangidas pelo arbitramento; no que tange aos produtos importados pela Cotia Trading da empresa Ideò Tempo, reconheceuse o integral recolhimento dos tributos devidos na importação, todavia houve a imposição da multa do art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/1964, aplicável, segundo a dicção legal, nos casos de produtos introduzidos no país de forma clandestina ou fraudulenta; a aplicação da mencionada penalidade, no entanto, é inteiramente descabida e abusiva, pois os próprios termos dos Autos de Infração reconheceram a validade do conteúdo dos documentos que refletiram a importação das mercadorias; nem mesmo as alegações invocadas a respeito da AST podem socorrer as acusações fiscais, uma vez que, pelo que dos autos consta, os relógios fabricados pela Ideò Tempo foram comprados pela Cotia Trading do próprio fabricante, e não da AST; pertinentes ou não as ponderações fiscais acerca da importação por conta e ordem de terceiros, introdução clandestina não houve, uma vez que as importações foram declaradas; a jurisprudência do Conselho de Contribuintes é assente nos sentido de que a multa em referência é cabível somente nos casos já descritos pela cristalina dicção da lei. Além do presente, foi formalizado o processo de Representação Fiscal para Fins Penais sob o nº 12466.002433/200613, referente à representação elaborada pelos Auditores que durante a ação fiscal verificaram a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC indeferiu parcialmente o pleito das recorrentes, conforme Decisão DRJ/FNS nº 10.816, de 21/09/2007, fls. 2.023/2.045, assim ementada: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 09/12/2003 a 18/01/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante interposição fraudulenta, infração punível com a pena de perdimento, substituída pela multa igual ao valor da mercadoria que tenha sido entregue a consumo ou consumida. Fl. 3403DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002432/200661 Resolução nº 3201000.514 S3C2T1 Fl. 108 9 INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. PENALIDADE. APLICAÇÃO. As multas relativas às infrações administrativas ao controle das importações somente podem ser lançadas antes da aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 09/12/2003 a 18/01/2005 VALORAÇÃO ADUANEIRA. METODOLOGIA. Estando a matéria dos autos submetida a legislação específica, art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, em virtude da caracterização de fraude, resta inaplicável ao caso o Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT/1994. Cabível a exigência das diferenças de tributos apuradas em virtude do arbitramento dos preços das mercadorias e a imposição das multas de ofício qualificadas. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Lançamento Procedente em Parte. Da decisão supra foi interposto recurso de ofício em face da exclusão da multa por controle administrativo das importações, fls. 2.024. Às fls. 2.046/V o contribuinte COTIA TRADING S.A. é intimado da decisão supra, apresentando o recurso voluntário de fls.2.051/2.079. Às fls. 2.082/v o contribuinte H. Stern S/A. é intimado da decisão supra, apresentando o recurso voluntário de fls. 2.092/2.123. Após, foi dado andamento aos recursos interpostos. Iniciado o julgamento, foi convertido em diligência. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Antes de adentrarmos no julgamento do recurso interposto, entendo deva ser baixado em diligência o presente processo. Isto porque tanto a PGFN quanto os recorrentes não foram intimados do retorno da diligência. Somente após o cumprimento das referidas intimações, com prazo para manifestação, que deverá ser dado prosseguimento ao processo. Fl. 3404DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 12466.002432/200661 Resolução nº 3201000.514 S3C2T1 Fl. 109 10 Assim, devem ser intimadas todas as partes da diligência realizada, abrindo prazo para que se manifestem em 30 dias. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2014 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 3405DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726853/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREAS ALAGADAS.
Não sendo comprovadas a existência das áreas de preservação permanente e áreas alagadas no imóvel fiscalizado, através de documentação hábil e idônea, é de ser mantido o lançamento nesse sentido quanto a alteração de utilização do imóvel
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exige-se Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Portanto, o arbitramento do VTN, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREAS ALAGADAS. Não sendo comprovadas a existência das áreas de preservação permanente e áreas alagadas no imóvel fiscalizado, através de documentação hábil e idônea, é de ser mantido o lançamento nesse sentido quanto a alteração de utilização do imóvel ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exige-se Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Portanto, o arbitramento do VTN, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. Recurso Negado
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AGRÍCOLA E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREAS ALAGADAS. Não sendo comprovadas a existência das áreas de preservação permanente e áreas alagadas no imóvel fiscalizado, através de documentação hábil e idônea, é de ser mantido o lançamento nesse sentido quanto a alteração de utilização do imóvel ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exigese Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Portanto, o arbitramento do VTN, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 68 53 /2 01 2- 06 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento lavrada em 05/11/2012 (fls. 14/18), contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao Exercício 2008, que exige crédito tributário no valor de R$ 105.179,85, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 02/11/2012. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constantes às fls. 15/16, o contribuinte após regularmente intimado, não comprovou a área efetivamente em descanso declarada, bem como não fora comprovado por meio de Laudo de Avaliação do Imóvel, o valor da Terra Nua declarado. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) restou alterado quanto às áreas de descanso, e no campo valor da terra nua por ha (VTN/ha) foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra (SIPT). Cientificado da exigência tributária em 14/11/2012 (fl. 131), e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 14/12/2012 (fls. 135/142), alegando, em síntese que a fiscalização reduziu o percentual de utilização do imóvel de 100,0% para 66,8%, com alteração da alíquota de 0,15% para 0,85%, porém não levou em consideração o Laudo de Caracterização da Vegetação Existente, assinado por profissionais habilitados que comprova de maneira irretorquível que a área utilizável estava em uso; o VTN considerado no lançamento é o mesmo valor declarado no DIAT/2008; a área em descanso é composta de 37,78 ha de área de preservação permanente, 91,51 ha de reserva legal e 19,69 ha de terras alagadas, perfazendo o total de 148,98 de vegetação existente no imóvel; o fisco alterou arbitrariamente o valor da terra nua declarado, invocando o art. 14 da Lei nº 9.393/1996; por fim, requer improcedência da notificação de lançamento e o arquivamento do processo. Instruíram os autos os documentos de fls. 144 a 231, representados por Procuração, Alteração Memorial Descritivo, Mapa de Caracterização de Vegetação, Croquis, Laudo de localização de gleba e Caracterização da Vegetação existente no imóvel e projeto de reserva legal, Alteração do Contrato Social, Matrícula Atualizada, entre outros. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2008 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.726853/201206 Acórdão n.º 2102003.194 S2C1T2 Fl. 333 3 Área em Descanso Incabível restabelecer a área em descanso quando não consta nos autos Laudo Técnico elaborado por profissional legalmente habilitado com a recomendação expressa para aquela área específica seja mantida em descanso ou submetida a processo de recuperação. Valor da Terra Nua VTN. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0432.469 da 1ª Turma da DRJ/CGE em 05/08/2013 (fl. 245). Sobreveio Recurso Voluntário em 04/09/2013 (fls. 517/348), acompanhado dos documentos de fls. 549 e seguintes, no qual, em suma, ratificou a impugnação. Alega que o acórdão recorrido ignora solenemente os fatos incontestáveis apresentados na impugnação para esconderse atrás do estribilho de que o contribuinte não apresentou um laudo propondo area de descanso. Aduz que não apreciou o fato de que o contribuinte confessou que havia um erro, de fato, em sua Declaração, e que a área não utilizada para fins econômicos, na verdade, área de preservação protegida por lei, como atesta o Laudo idôneo apresentado. Aduz que a impropriedade do impugnante em sua declaração levouo inclusive, a pagar mais imposto que o devido, pois as três áreas em questão deveriam ser retiradas da área tributável, e, automaticamente, não participariam no cálculo do grau de utilização da terra, pois essas três áreas não são disponíveis para uso ns termos da lei de regência. Argumenta que o fisco para arbitrar o valor da terra nua lança mão da mesma base de dados do IEA usada pelo contribuinte, mas desrespeita o CTN, ao não referir o valor à data do fato gerador. Diz que tendo em vista que a base de dados do IEA disponibiliza os valores para os meses de fevereiro, junho e novembro, o valor utilizável, necessariamente haverá de ser o de novembro anterior ao fato gerador, pois do contrário estarseia vinculando o fato gerador a futuro incerto. Alega que a decisão recorrida não explica porque o fisco pode utilizar a tabela para promover o lançamento de ofício e o contribuinte não pode utilizar para lançamento regular Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Inicialmente no que tange à área de descanso informada pelo recorrente na DITR constante em fls. 07/13, o mesmo esclarece que esta fora assim declarada por equívoco, e que em realidade, esta área tratase de 37,78 ha de área de preservação permanente, tais como fundos de vale, 91,51 ha de área de reserva legal, vegetação natural em processo de recomposição em estágio médio para avançado e, 19,69 ha de área de terra alagada, por lâminas de água. Para corroborar suas alegações, o interessado acosta Laudo de Caracterização da Vegetação Existente que fora apresentado tanto na fase de fiscalização, como na impugnação e no presente recurso (fls. 49/85, 155/191, 260/296). Assim, alega que estes 145,1 ha (em realidade 148,98 ha), não podem por lei ser computados como área disponível para exploração econômica. Consta do Laudo de Localização de Gleba, Laudo de Caracterização da Vegetação Existente e Projeto de Reserva Florestal Legal (fls. 49/85), no item “1.1 – OBJETIVOS”, que o laudo “tem como finalidade a regularização da área perante os padrões da CETESB bem como a implantação de 6 glebas de Reserva Legal [...] e que “a implantação das Reservas Legais será em uma área de 101,81 há, divididas em 6 glebas [...] e “nos estudos realizados, o posicionamento da Reserva Legal, justificação pela já existência de mata nativa [...]”. Nas fotos constantes do mapa, em fls. 54/58, há descrição de cada gleba, sendo que nas Fotos 5, 6, 7, 8 e 9, há indicação do local onde será implantada a reserva legal. Dá análise dos documentos apresentados, verificase que o Laudo supracitado referese exclusivamente à Reserva Legal e Projeto de Revegetação da Reserva Legal. Assim, ainda que declarado equivocadamente as áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas alagadas como sendo áreas de descanso na DITR, verificase que não há registro nos documentos acostados pelo recorrente acerca da APP e das áreas alagadas, posto que não foram apresentados quaisquer documentos, quer seja, laudos técnicos que comprovem a existência efetiva de tais áreas no imóvel fiscalizado. Logo, não há como acolher os fundamentos invocados pelo recorrente relativamente a tais áreas (Área de Preservação Permanente – APP e Áreas Alagadas). No que tange às áreas de Reserva Legal, é exigência, que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.726853/201206 Acórdão n.º 2102003.194 S2C1T2 Fl. 334 5 reserva legal, documento que cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Vislumbrase que, distintamente da Área de Preservação Permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei e comprovados no laudo técnico não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a Área de Reserva Legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8º, do Código Florestal). Cabe lembrar ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente. Outrossim, em julgamento recente (EREsp 1027051 – 26/08/2013), a 1ª Seção do STJ, pacificou o entendimento das turmas de direito público, no sentido que a isenção do Imposto Territorial Rural – ITR, vale tão somente para as Áreas de Reserva Legal registradas na matrícula do imóvel, sob o fundamento que a União e os Municípios possam fiscalizar os contribuintes que declaram ter áreas de reserva legal dentro da propriedade para aproveitamento do benefício fiscal. Portanto, por falta de averbação, deve ser mantida à glosa. Finalmente, passase a análise do valor da terra nua informado pelo contribuinte em sua DITR do exercício de 2008, o qual fora alterado pela fiscalização. Segundo alega a defesa, o Fisco para arbitrar o valor da terra utilizou a mesma base de dados do Instituto de Economia Agrícola – IEA, usada pelo contribuinte, mas desrespeitou o Código Tributário Nacional, ao não referir o valor à data do fato gerador. Argumenta que tendo em vista que a base de dados do IEA disponibiliza os valores para os meses de fevereiro, junho e novembro, o valor utilizável, necessariamente haverá de ser o de novembro anterior ao fato gerador, pois do contrário estarseia vinculando o fato gerador a futuro incerto. Para se apurar a correta mensuração da área tributável, foi oportunizado ao recorrente acostar Laudo Técnico atual, elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), hábil à comprovar o real Valor da Terra Nua, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica, devidamente registrada no CREA. No entanto, dá análise dos autos, verificase que o recorrente não apresentou Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua, limitandose a acostar tãosomente Laudo de Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Localização de Gleba, Laudo de Caracterização da Vegetação Existente e Projeto de Reserva Florestal Legal, os quais não tem qualquer relação com o VTN. Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$ 4.470.400,00 (valor total do imóvel), encontrase, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN médio, por hectare, de R$ 12.672,18 (fl. 15) – valor total de R$ 6.509.698,86, apurado no universo das DITR/2008 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Indaiatuba, MG. Cabe ressaltar que a autoridade fiscal solicitou no “Termo de Intimação Fiscal nº 08104/00002/2012” constante em fls. 03/06, que o contribuinte apresentasse Laudo de Avaliação que demonstrasse, para efeito de prova documental, o Valor da Terra Nua, sob pena de arbitramento com base no Sistema de Preços de Terras – SIPT da RFB, conforme excertos da intimação transcrita abaixo: “Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2008, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2008 [...]” Reiterase que a apuração do VTN a preço de mercado é disposição expressa do § 2° do art. 8° da Lei n° 9.393/1996, in verbis: “§2° O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado." Caberia, portanto, ao recorrente apresentar Laudo de Avaliação que demonstrasse o valor fundiário do imóvel fiscalizado bem como a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Logo, não tendo sido apresentado o respectivo Laudo de Avaliação, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preço de 1°.1.2008, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares e classes de exploração, não cabe alterar o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 337DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.726853/201206 Acórdão n.º 2102003.194 S2C1T2 Fl. 335 7 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10730.002781/2004-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXTINÇÃO SEM RESSALVA DO DÉBITO. DESISTÊNCIA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Em razão do disposto no art. 26 da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência do processo.
Numero da decisão: 3801-004.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXTINÇÃO SEM RESSALVA DO DÉBITO. DESISTÊNCIA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Em razão do disposto no art. 26 da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência do processo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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EXTINÇÃO SEM RESSALVA DO DÉBITO. DESISTÊNCIA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Em razão do disposto no art. 26 da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 27 81 /2 00 4- 18 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro – II: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, abrangendo os períodos de apuração 02/99 a 11/02 (fls. 04 a 07 e 09 a 17), no valor de R$ 10.282,38, com o acréscimo de multa de oficio de 75% no valor de R$ 7.711,64, e juros de mora, calculados até 31/05/04, no valor de R$ 6.370,54, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 24.364,56, em decorrência de ação Fiscal levada a efeito pela DRFNiterói, conforme Termo de Início de Fiscalização às fls. 35/36. 2. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 08), o AFRF autuante informa, em resumo, que: . Em procedimento de fiscalização relativo às verificações obrigatórias, o contribuinte foi intimado a esclarecer as diferenças apuradas, constantes dos demonstrativos em anexo, face às divergências encontradas entre os valores de PIS e COFINS declarados em DCTF e os apurados no exame de sua escrituração contábil e fiscal; . O contribuinte auferiu no período entre janeiro/99 e dezembro/02 os valores lançados a crédito na conta de despesa n° 5.1.5.99.01.00098 (fls. 57 a 61), intitulada como "despesas reembolsadas", e, indevidamente, não os integrou à base de cálculo das contribuições, contrariando o § 1° do artigo 3° da Lei n°9.718/98; . Os esclarecimentos prestados pelo contribuinte foram insubsistentes, com equivocada citação à Lei n° 9.317/96, que trata do Simples, de argumentos que não encontram amparo na legislação reguladora do caso em análise e sem apresentação de qualquer documentação comprobatória que justifique as diferenças encontradas. 4. O enquadramento legal da autuação foi artigo 77111 do DecretoLei n° 5.844/43; artigo 149 da Lei n° 5.172166; artigos 1° e 3°, alínea "h" da Lei Complementar n° 7/70; artigo 1°, parágrafo único da Lei Complementar n° 17/73; Título 5, Capítulo 1, Seção 1, alínea "b", itens I e II do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF n° 142/82; artigos 2°I, 8°4 e 9° da Lei n° 9.715/98; artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. A base legal da multa de oficio e dos juros de mora exigidos consta às fls. 17. 5. Após tomar ciência das autuações por via postal em 16/07/2004 (fls. 196), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação anexada às fls. 198, 199 e 202 a 243 em 16/08/2004, com as alegações abaixo resumidas: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.002781/200418 Acórdão n.º 3801004.537 S3TE01 Fl. 12 3 5.1. O MPF que deu origem ao auto se refere a ordem específica para procedimento de fiscalização de IRPJ no período de 1998 até 2001, sendo inválido o lançamento relativo a outro tributo não indicado no MPF, uma vez que este é formalidade imprescindível para a validade da autuação fiscal, conforme doutrina citada e entendimento do Conselho de Contribuintes; 5.2. O AFRF não apresentou à impugnante o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF, demonstrando o novo pr\azo de validade do documento, conforme determina o artigo 13 da Portaria SRF no 3.007/01; 5.3. Inexistindo MPF específico para o PIS e não tendo o MPFF sido regulamente prorrogado, considerandose o mesmo extinto por decurso de prazo, conforme determina o artigo 16 da Portaria SRF n° 3.007/01, há de se considerar inválido o presente auto; 5.4. A exigência versa sobre operações ocorridas há mais de cinco anos, já tendo decaído o direito de o Fisco lançar o tributo em questão, a teor do § 4° do artigo 150 do CTN; 5.5. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91 não se aplica ao PIS, uma vez que se refere ao direito da Seguridade Social de constituir seus créditos e, conforme previsto no artigo 33 da mesma Lei, os créditos são constituídos pela SRF, órgão que não integra o Sistema da Seguridade Social; 5.6. No caso do PIS, a aplicabilidade do artigo 45 tem como destinatária a seguridade social, mas as normas sobre decadência nele contidas direcionamse apenas às contribuições previdenciárias, cuja competência para constituição é do INSS; 5.7. Para as contribuições cujo lançamento compete à SRF, o prazo decadencial continua sendo de cinco anos, conforme previsto no CTN; 5.8. Ainda que assim não fosse, haveria que se observar o disposto no artigo 146IIIb da Constituição, cabendo a edição de lei complementar, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes e da Câmara de Recursos Fiscais; 5.9. Tratandose de lançamento por homologação, dispõe o Fisco de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador para exercer seu poder de controle; 5.10. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, a impugnante entende "decadente" o direito de constituir o crédito relativo ao PIS para os fatos geradores ocorridos no período anterior a julho de 1999, pois a ciência do auto se deu em 19/07/04, há mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores; 5.11. Os valores tributados pela Fiscalização se constituem em reembolso de despesas, entendendo a impugnante que certo está Fl. 407DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 o procedimento por ela adotado, dentro do conceito do que realmente seja "receita"; 5.12. Tais valores se referem, de fato, às despesas, conforme registrado, estando correto o procedimento adotado pela impugnante; 5.13. A utilização da taxa SELIC não é cabível por ser esta figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, além de ser fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo, e ainda extrapolar o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN; 5.14. Os juros moratórios, como acessório do crédito tributário, somente podem ter sua taxa fixada por lei, nos termos do artigo 161 do CTN, tendo havido, no caso da SELIC, delegação de competência, vOada pelo princípio da legalidade em matéria tributária, nos termos do artigo 25 do ADCT; 5.15. A presente questão, já apreciada pelo Poder Judiciário, pode ser decidida na esfera administrativa, ainda que se entenda que o Conselho de Contribuintes não aprecie matéria constitucional, na medida em que a legitimidade da aplicação da taxa SELIC comporta solução na esfera infraconstitucional, pela antinomia das normas legais instituidoras da referida taxa com as normas de lei complementar do CTN; 5.16. A multa lançada vai de encontro aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da moralidade pública, da legalidade, da irretroatividade, da capacidade contributiva, da tipicidade, da anterioridade e do nãoconfisco, não podendo ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como tributo disfarçado, conforme já apreciado diversas vezes pelo Poder Judiciário; 5.17. Somente as receitas do faturamento constituem a base de cálculo do PIS eda COFINS, não se confundindo com todo o conjunto das entradas de caixa que venham a ocorrer no curso das atividades do contribuinte, na medida em que estas se revestem de distintos fundamentos e origens; 5.18. Não são receita de faturamento os ingressos que traduzam apenas ressarcimentos feitos ao prestador de serviços, pelos seus contratantes, de despesas havidas no interesse destes, pois não se caracterizam como fatores de remuneração de atividade econômica desenvolvida, não servindo de parâmetro para a adequada identificação da contrapartida que as receitas devem representar; 5.19. O contribuinte, no exercício da prestação de seus serviços, a par de incorrer em despesas próprias, pode, igualmente, ser ressarcido por valores, ou gastos, que antecipa, ou incorre, no exclusivo interesse de seu contratante; 5.20. As despesas próprias fazem parte integrante do exercício de sua atividade econômica, mas os valores reembolsados nas condições do contrato entre as partes não têm tal dimensão, não Fl. 408DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.002781/200418 Acórdão n.º 3801004.537 S3TE01 Fl. 13 5 remuneram serviços e não exprimem qualquer parcela da capacidade contributiva por parte do prestador, não compondo as receitas de faturamento; 5.21. Ainda que tais valores sejam expressivos, nem assim perdem a condição de receitas inorgânicas ou secundárias, não originárias da atividade tributada. Aliás, nem de receitas se tratam, mas de simples "entradas", não fazendo parte do conceito de "preço de serviço"; 5.22. Conforme diversos acórdãos transcritos, o 1° Conselho de Contribuintes admite o rateio de despesas; 5.23. A IN/SRF n° 75/01 reconheceu o rateio de despesas, conforme seu artigo 1°, I. Assim, a empresa que arcou inicialmente com a despesa não agregou qualquer valor a seu patrimônio, correspondendo as quantias por ela recebidas a dispêndios das demais participantes, que só transitaram pela sua contabilidade por razões comerciais ou de praticidade, não configurando receita; 5.24. Considerar receita tributável pela COFINS e pelo PIS o que é apenas ingresso pode importar em confisco tributário, em ofensa ao artigo 150IV da Constituição; \ 5.25. A forma de escriturar suas operações é de livre escolha do contribuinte, nos termos do Parecer Normativo n° 347/70 e, segundo o RIR, os lançamentos contábeis ficam ao inteiro critério das empresas, quanto aos seus procedimentos, não podendo a Fiscalização interferir; 5.26. A escrituração faz prova a favor do contribuinte, conforme artigo 174 do RIR, sendo que a contabilização foi realizada nos estritos termos desta norma; 5.27. O auto de infração é nulo em face de os fatos narrados não corresponderem ao enquadramento legal; 5.28. O auto de infração é nulo por violação do artigo 5° da IN n° 94, cerceamento do direito de defesa, e IN n° 54/97; 5.29. O auto de infração é nulo por conter apenas generalidades, não indicando com precisão no que consiste a irregularidade, nem o dispositivo legal adequado; 5.30. O auto de infração é nulo por violação do artigo 2° da Lei n° 9.784/99; 5.31. O auto de infração é nulo por configurar arbitrariedade da Fiscalização, não observando a IN n° 126/88; 5.32. As multas e os juros não podem ultrapassar o principal, nos termos dos artigos 920 do Código Civil de 1916 e 412 do Novo Código Civil. Também o artigo 113, § 2° do CTN determina que os juros se agregam às multas; Fl. 409DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 5.33. As multas de oficio e os juros de mora não se justificam, pois os recolhimentos foram realizados corretamente; 5.34. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que autorizava o lançamento da multa de oficio para tributo lançado, foi revogado pelo artigo 7° da Lei n° 9.716/98. Assim, o valor lançado em DCTF não pode ser objeto de multa de oficio; 5.35. O artigo 3° da MP n° 75/02 limitou a aplicação do disposto no artigo 90 da MP n° 2.15835/01, já não sendo possível o lançamento de oficio e nem a aplicação da multa de oficio fora daquela previsão, o que não é o presente caso; 5.36. As receitas de reparos navais, realizadas para navios de bandeira estrangeira, por corresponderem a exportação, gozam de imunidade, nos termos da EC n° 33/01, que alterou o artigo 149 da Constituição, impedindo a criação de tributo sobre ato ou fato protegido, ou paralisando a eficácia das normas já existentes e que se refiram à situação albergada; 5.37. A realização de acordo entre as empresas para rateio de encargos goza de ampla liberdade, pois, na administração particular, é lícito desenvolver os seus negócios de modo que consultem os seus interesses sociais, desde que não haja vedação legal; 5.38. Considerando o princípio da autonomia da vontade e o disposto no artigo 82 do Código Civil, a autuada e a empresa Enavi Reparos Navais Ltda, com finalidade de rateio de encargos, implementaram acordo ,objetivando a minimização dos custos e encargos, mediante a maximização do uso de pessoal; 5.39. A autuada requer a aplicação do artigo 37 da Lei n° 9.784/99 e a realização de perícia, nos termos do artigo 1° da Lei n° 8.748/93, em razão de o auto de infração ser baseado em presunção e indício, a fim de comprovar que os fatos indicados não correspondem à realidade, indicando perito contador e quesito a ser respondido; 5.40. Pelo exposto, requer a nulidade do lançamento, a extinção do crédito no período anterior a 06/99, o reconhecimento da inexistência de divergências entre os valores declarados e os escriturados e o afastamento da multa de oficio e dos juros SELIC. Analisando o Processo, a DRJ no Rio de Janeiro – II entendeu por bem manter o lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 PIS DECADÊNCIA Tendo sido constituído o crédito tributário dentro do prazo de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se caracteriza a decadência. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.002781/200418 Acórdão n.º 3801004.537 S3TE01 Fl. 14 7 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/95 os juros de mora equivalem à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO – CARÁTER CONFISCATÓRIO Aplicase a multa de ofício no percentual de 75% por expressa determinação legal, não cabendo questionamentos quanto à sua constitucionalidade no âmbito administrativo. PIS AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e observados todos os requisitos do seu artigo 10, não há que se falar em nulidade da autuação. IMPUGNAÇÃO PROVA A prova documental deve ser apresentada pelo contribuinte no momento da impugnação do lançamento. MPF AUTUAÇÃO NULIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e gerencial, sendo que eventual irregularidade em sua emissão ou prorrogação não constitui causa de nulidade do procedimento fiscal e do lançamento dele decorrente, desde que atendidos os requisitos do Decreto n° 70.235/72. PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia requerida pelo contribuinte não se justifica quando as questões abordadas no julgamento já estejam suficientemente claras nos autos. PIS/COFINS BASE DE CÁLCULO A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS e da COFINS é composta pela totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil. Lançamento Procedente Em 25/05/2007, o contribuinte apresentou petição (fl. 300), na qual solicita a compensação dos débitos controlados pelo presente processo com supostos créditos constantes do processo administrativo n° 10730.003485/200515. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Apesar do pedido de compensação formalizado, o contribuinte apresentou, em 05/06/2007, recurso voluntário, acostado às fls. 308/362, contestando a exigência contida no mencionado Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Relator O recurso é tempestivo. Porém, como relatado, o Recurso foi apresentado após protocolo, em 25/05/2007, de petição na qual solicita a compensação dos débitos controlados pelo presente processo com supostos créditos constantes do processo administrativo n° 10730.003485/2005 15. Ora, em razão do disposto no art. 26 da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência do processo. Considerando o exposto, entendo que houve preclusão em relação à peça recursal interposta, configurando a perempção. Isto posto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 412DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10314.009744/2010-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/08/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/08/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 312 1 311 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.009744/201090 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.663 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria II/IPI/PISCOFINSIMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SOC. BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/08/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/08/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 97 44 /2 01 0- 90 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009744/201090 Acórdão n.º 3803006.663 S3TE03 Fl. 313 3 contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/08/2010 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 10/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 25/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009744/201090 Acórdão n.º 3803006.663 S3TE03 Fl. 314 5 importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009744/201090 Acórdão n.º 3803006.663 S3TE03 Fl. 315 7 sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009744/201090 Acórdão n.º 3803006.663 S3TE03 Fl. 316 9 intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11080.912729/2012-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 12 72 9/ 20 12 -4 6 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912729/201246 Resolução nº 1802000.588 S1TE02 Fl. 95 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 63/65 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Brasília (efls. 55/59) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 21/06/2010, utilizando o programa gerador PER/DCOMP, a contribuinte transmitiu pela internet o PER Pedido de Restituição nº 20162.06433.210610.1.2.040174 (e fls. 50/52), demandando: direito créditório contra o fisco (valor original): R$ 567,61: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior da CSLL do período de apuração 30/09/2009 (3º trimestre/2009), código de receita 2372, data de arrecadação 30/10/2009, valor original do recolhimento – DARF R$ 66.493,75 (1ª quota). Em 05/12/2012, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 46, pela DRF/Porto Alegre, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 567,61 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para restituição. (...) Diante da inexistência do crédito, indefiro o pedido de restituição. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). (...) Ciente dessa decisão em 17/12/2012 – Aviso de Recebimento – AR (efl. 53), a contribuinte, em 21/12/2012, apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.02/03), juntando ainda documentos de efls. 04/07, cujas razões, em resumo, são as seguintes: que o direito creditório pleiteado nos autos relativo à CSLL seria líquido e certo, pois teria decorrido de pagamento indevido ou maior; Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912729/201246 Resolução nº 1802000.588 S1TE02 Fl. 96 3 que, na apuração da CSLL do 3º (terceiro) trimestre/2009, teria apurado débito a pagar o valor de R$ 197.778,45 para pagamento em 3 (três) quotas iguais de R$ 65.926,15; que, entretanto, antes disso, teria confessado na DCTF débito da CSLL do 3º (terceiro) trimestre/2009 o valor de R$ 199.481,25, e que teria, inclusive, efetuado pagamento desse valor em 3 (três) quotas de R$ 66.493,75; que, diante disso, alega estaria configurado o erro de fato, quanto ao valor do débito da CSLL confessado a maior na DCTF, e que, também, teria implicado pagamento indevido ou a maior; que, nos presentes autos, o crédito pleiteado da CSLL diz respeito apenas ao pagamento indevido ou maior da CSLL do 3º trimestre/2009, quanto à 1ª quota, ou seja, o valor de R$ 567,61 (valor original). que, em 20/12/2012 (data posterior à ciência do despacho decisório que denegara o direito creditório pleiteado), a contribuinte apresentou DCTF retificadora, reduzindo o débito informado na DCTF primitiva, no sentido de justificar o crédito pleiteado (efls. 08/45); A 4ª Turma da DRJ/Brasília, enfrentanto no mérito as questões suscitadas pela contribuinte, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado conforme Acórdão, de 17/10/2013 (efls. 55/59), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912729/201246 Resolução nº 1802000.588 S1TE02 Fl. 97 4 A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 25/10/2013 por AR (efl.. 61), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls. 63/65, em 14/11/2013, juntando ainda documentos de efls. 66/68 e 71/86, reiterando as razões já suscitadas na manifestação de inconformidade na instância a quo, porém acrescentou: que discorda da decisão recorrida, no que concerne à não apresentação de documentos hábeis e idôneos que pudessem comprovar a CSLL devida no PA 3º trimestre/2009 e o pagamento a maior ou indevido; que no anocalendário 2009 os resultados foram submetidos à tributação pelo lucro presumido trimestral, pelo regime de caixa; que a base de cálculo da CSLL são os valores efetivamente recebidos no período, mais as receitas financeiras, informações constante da DACON; que durante o anocalendário 2009 prestou informações, mensalmente, à RFB, acerca da apuração das contribuições sociais na DACON; que, ademais, no anocalendário 2009, a contribuinte foi intimada pela RFB e passou a ter condição de Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado, sendo que entregou ao fisco, entre outros, toda a sua escrituração contábil em meio magnético (Portaria RFB nº 11.211/2007, revogada pela Portaria RFB nº 2.356/2010) – efl. 53; que, dessa forma, os documentos hábeis e idôneos não só foram registrados pela empresa em seus livros societários, mas também sempre estiveram à disposição da RFB; que, outrossim, juntou ao Recurso Voluntário cópia dos livros Diário nºs 39, 40, 41 e 42 da Matriz; nº 08 da filial de Caxias do Sul; nº 04 da filial de Brasília; nº 02 da filial de Florianópolis e nº 10 da filial de Parobé, todos do anocalendário 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais; que pelos registros existentes na DACON, além dos dados informados através do Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado e nos livros Diário e Razão, fica claro ou evidente que os valores recebidos pela empresa mensalmente serviram de base de cálculo para apuração da CSLL devida; que, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, ou seja, provimento integral ao recurso. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912729/201246 Resolução nº 1802000.588 S1TE02 Fl. 98 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam do pedido de restituição do pagamento indevido ou a maior da CSLL do PA 3º (terceiro) trimestre/2009, relativo à 1ª (primeira) quota. Direito creditório pleiteado da CSLL, relativo a suposto pagamento a maior de R$ 567,61 (valor original) atinente à 1ª (primeira) quota do PA 3º (terceiro) trimestre/2009. A recorrente alega que na DCTF primitiva, por equívoco ou erro de fato, confessou e recolheu valor a maior da CSLL do PA 3º (terceiro) trimestre/2009 em relação ao valor do débito a pagar, apurado e informado na DIPJ; porém, tal argumento não restou acatado na instância a quo, pois a contribuinte deixara de produzir prova do alegado erro de fato. Nesta instância recursal, a recorrente, então, busca a reforma da decisão a quo que não reconheceu o crédito pleiteado, insistindo na alegação da ocorrência de erro de fato. A DCTF retificadora, que reduziu o débito informado/confessado na DCTF primititiva, é posterior à data de ciência do despacho decisório. Vale dizer, a DCTF retificadara, para ser aceita, é necessário comprovar, primeiro, o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva (CTN, art. 147, § 1º). A divergência de apuração, quanto ao valor da CSLL a pagar entre a DCTF primitiva e a DIPJ, não se resolve pela mera apresentação de DCTF retificadora. Tornase necessário a contribuinte comprovar o alegado erro de fato de preenchimento da DCTF primitiva, mediante apresentação/juntada aos autos de cópia da escrituração contábil (livro Caixa, Razão, Diário) do anocalendário 2009. Compulsando os autos, observase a existência falhas na instrução do processo e que não permitem a formação da convicção julgador quanto ao mérito da lide, ou seja, não possibilitam a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado, pois: a) sequer consta dos autos cópia da DIPJ do anocalendário 2009; b) sequer consta dos autos cópia da DCTF primitiva atinente ao PA 3º trimestre/2009; c) sequer consta cópia dos DARF de pagamento das três quotas da CSLL do 3º trimestre/2009. Ou seja, não há prova de pagamento integral do débito da CSLL confessado na DCTF primitiva, quanto PA 3º (segundo) trimestre/2009;. d) falta confirmação de que houve recolhimento/pagamento das três quotas da CSLL do 3º (terceiro) trimestre do anocalendário 2009;. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912729/201246 Resolução nº 1802000.588 S1TE02 Fl. 99 6 e) além disso, a recorrente informou nas razões do recurso que juntara aos autos cópia de sua escrituração contábil do anocalendário 2009, juntamente com a peça recursal; porém, essa prova foi retirada dos autos, conforme consta narrado no documento Adendo à defesa, apresentado em 28/11/2013 de efls. 56 e 71, in verbis: ADENDO À INTIMAÇÃO DRF/POA7SEORT/COMPENSAÇÃO 2372/2013 DCSNET Comunicações Ltda, empresa com sede em Porto Alegre RS, (...) vem, respeitosamente, à presença de V.Sa. por seu procurador apresentar adendo à defesa protocolada em 14 de Novembro de 2013 sob número 10101004, referente aos processos 11080.912686/201207, 11080.912688/201298, 11080.912690/201267, 11080.912707/2012 86, 11080.912709/201275, 11080.912711/201244 e 11080.912729/201246. 1 Retiramse dos processos os Livros Diários n° 39, 40, 41 e 42 da Matriz, n° 8 da filial de Caxias do Sul, n° 4 da filial de Brasília, n° 2 da filial de Florianópolis e n° 1 0 da filial de Parobé, todos do ano de 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais. 2 Anexase ao processo os arquivos validados pela SVA no código 4ca91fe8c2f18799e54eac8dc2e15f43 em 27/11. 3 A troca dos Livros Diários pelo arquivo em meio magnético foi solicitação da funcionária Giovana Pedrini Martins ATRFB SIAPECAD 1213794, conforme Portaria MF 527 de 09/11/2010. 4 Ressaltamos, todavia, que os Livros Diários encontramse a disposição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, estando arquivados na sede da empresa, podendo ser anexados ao presente processo a qualquer tempo. (...) Assim, diversamente do informado pela recorrente, não consta dos autos (e processo) o arquivo magnético ou digitalização da escrituração contábil da recorrente, quanto ao anocalendário 2009. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Porto Alegre a fim de que a fiscalização: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF e a DIPJ 2010, anocalendário 2009), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 20/12/2012 (efls. 08/20) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maior; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos das três quotas da CSLL do 3º (terceiro) trimestre/2009, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912729/201246 Resolução nº 1802000.588 S1TE02 Fl. 100 7 c) junte cópia da DIPJ 2010, anocalendário 2009; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 3º trimestre/2009; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circuntanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe, ou não, e se está ou disponível para restituição); g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manisfestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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