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Numero do processo: 10380.726495/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 29/12/2005
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO, NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO
A simulação existe quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, para se identificar a natureza do negócio praticado pelo contribuinte, deve ser identificada qual é a sua causalidade, ainda que esta causalidade seja verificada na sucessão de vários negócios intermediários sem causa, na estruturação das chamadas step transactions. Assim, negócio jurídico sem causa não pode ser caracterizado corno negócio jurídico indireto. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes ou pelos contribuintes.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA,
No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há corno ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n 4.502/64.
JUROS SOBRE MULTA.
A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 2202-002.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO IMPOSTO E JUROS: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam o recurso. Os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT apresentarão declaração de votos. QUANTO A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado). Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Miguel Neto, OAB/SP 85688.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Declaração de voto
(Assinado digitalmente)
Fábio Brun Goldshmidt Declaração de voto
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 29/12/2005 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO, NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO A simulação existe quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, para se identificar a natureza do negócio praticado pelo contribuinte, deve ser identificada qual é a sua causalidade, ainda que esta causalidade seja verificada na sucessão de vários negócios intermediários sem causa, na estruturação das chamadas step transactions. Assim, negócio jurídico sem causa não pode ser caracterizado corno negócio jurídico indireto. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes ou pelos contribuintes. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA, No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há corno ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n 4.502/64. JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Recurso voluntário provido em parte
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Assim, negócio jurídico sem causa não pode ser caracterizado corno negócio jurídico indireto. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes ou pelos contribuintes. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA, No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há corno ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n 4.502/64. JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 64 95 /2 01 0- 15 Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO IMPOSTO E JUROS: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam o recurso. Os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT apresentarão declaração de votos. QUANTO A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%.Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado). Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Miguel Neto, OAB/SP 85688. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Declaração de voto (Assinado digitalmente) Fábio Brun Goldshmidt – Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, PEDRO ALCANTARA REGO DE LIMA, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), fls. 02/09, para cobrança do Imposto de Renda, apurado no valor de R$ 3.056.561,11. sobre o Imposto de Renda Pessoa Física foi lançada a penalidade de Multa de Ofício, no percentual de 150% (qualificada), no valor de R$ 4.584.841,66, tendo havido representação fiscal para fins penais, formalizada no processo nº 10380.016200/201091. O crédito tributário totalizou, em 30/11/2010, o valor de R$ 9.283.081,74. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, anexo ao Auto de Infração, e com o Termo de Verificação Fiscal, fls.09/44, o crédito tributário é relativo a fato gerador ocorrido no mês dezembro 2005, alienação de participação societária, 50% das quotas de capital, com ganho de capital. O crédito tributário decorreu de infração de falta de recolhimento de Imposto de Renda relativo a ganho de capital na alienação de participação societária, quotas de capital, ocorrida no dia 29 de dezembro de 2005, relativamente à empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA, CNPJ nº 63.310.411/000101, na qual o senhor contribuinte participava, na data de 29/12/2005, com 12,282% do capital social. Segundo informações extraídas do relatório da DRJ: A Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2006, anocalendário 2005, demonstra: 1) rendimentos tributáveis no valor total de R$ 29.967,34, percebidos das seguintes pessoas jurídicas: SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, PRINCIPAL COMÉRCIO DE INDUSTRIA DE CAFÉ LTDA e BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A. 2) rendimentos de distribuição de lucros, no valor total de R$ 1.823.357,00, redução de capital e resgate de ações, no valor total de R$ 19.443.859,38, outros rendimentos isentos e não tributáveis, no valor de R$ 2.010.859,18, totalizando o valor de R$ 23.278.075,56; 3) rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva, como ganho da capital na alienação de bens e direitos, no valor de R$2.735.455,40; 4) juros sobre capital próprio, no valor de R$ 2.368.383,33, rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva; 5) evolução patrimonial no valor de R$ 18.174.236,83. A evolução patrimonial está justificada pelos rendimentos tributáveis, no valor total de RS 29.967,34, rendimentos isentos Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 (lucros e dividendos recebidos e resgate de quotas e ações), no valor total de R$ 23.278.075,56, rendimentos com tributação exclusiva na fonte, no valor de R$ 5.103.838,73, e ganho de capital na alienação de bens e direitos, no valor de R$ 2.735.455,40. Anexo à Declaração de Ajuste Anual constam dois Demonstrativos de Apuração dos Ganhos de Capital: 1) um que demonstra alienação de quotas de capital da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA para a empresa PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, em 13/01/2005. Pelo demonstrativo, o senhor contribuinte teria alienado, em 13/01/2005, uma quantidade de 219.919.610 quotas de capital da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA para a empresa PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, apurando ganho de capital, no valor de R$ 1.743.412,75, pagando Imposto de Renda, no valor de R$ 261.511,91; 2) outro que demonstra alienação de quotas de capital da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA para a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, em 29/12/2005. Pelo demonstrativo, o senhor contribuinte teria alienado, em 29/12/2005, uma quantidade de 192.495.794 quotas de capital da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA para a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, apurando ganho de capital, no valor de R$ 1.474.770,05, pagando Imposto de Renda, no valor de R$ 221.215,50 A Declaração de Ajuste Anual foi selecionada pela fiscalização para averiguação quanto ao ganho de capital e à evolução patrimonial. No procedimento de fiscalização, verificouse operação de alienação de quota de capital, acontecida no dia 29/12/2005, com ganho de capital, envolvendo os sócios da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e a empresa ELITE INTERNACIONAL BV, relacionada ao demonstrativo de apuração de ganho de capital, anexo à Declaração de Ajuste Anual, que tem como adquirente a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A. O presente Auto de Infração trata da operação de alienação de quotas de capital relacionada aos sócios da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA que alienaram, em 29 de dezembro de 2005, 50% da participação em quotas de capital para a empresa ELITE INTERNACIONAL BV, pertencente ao grupo STRAUSSELITE. A empresa ELITE INTERNACIONAL BV, com sede em Amsterdã, na Holanda, representa a Divisão de Café Internacional do Grupo STRAUSSELITE, líder no segmento alimentício em Israel. Referido grupo nasceu da aquisição da ELITE pela STRAUSS, ambas com larga experiência no setor Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 4 5 alimentício, operando em Israel, Europa e Estados Unidos. O Grupo STRAUSSELITE estava, à época, entre as dez maiores indústrias de café do mundo e contava com diversas fábricas, tendo adquirido, em dezembro de 2000, a principal indústria de café do Estado de Minas Gerais e uma das oito maiores do Brasil: a CAFÉ 3 CORAÇÕES S/A. A operação de alienação de quotas de capital de que trata o presente Auto de Infração envolve as seguintes pessoas físicas e as seguintes pessoas jurídicas: a) a empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ nº 63.310.411/000101, com sede na cidade de Eusébio, Ceará; b) sócios da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, a saber: PEDRO ALCÂNTARA REGO DE LIMA, PAULO TARSO REGO DE LIMA, VICENTE DE PAULA REGO DE LIMA e PRL – PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, CNPJ nº 03.499.195/000154; c) a empresa ELITE INTERNACIONAL BV, CNPJ nº 05.534.721/000103, com sede em Amsterdã, Holanda; d) a empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, CNPJ nº 17.467.515/000107, com sede na cidade de Santa Luzia, Minas Gerais; e) a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ nº 07.473.767/000187 (empresa veículo) constituída por parte da empresa SANTA CLARA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA); f) a empresa ELITE DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ nº 04.934.059/000108 (empresa veículo constituída por parte da empresa ELITE INTERNACIONAL BV). Um dia antes da operação de alienação das quotas de capital, que segundo a fiscalização, ocorreu no dia 29 de dezembro de 2005, a empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, com sede na cidade de Eusébio, no Ceará, com atividade de industrialização e comercialização de café, alcançando, na época da venda, o posto de segunda maior indústria de café do Brasil, com capital social de R$ 15.673.023,87, apresentava no seu quadro societário os seguintes sócios: PEDRO ALCÂNTARA REGO DE LIMA, PAULO TARSO REGO DE LIMA, VICENTE DE PAULA REGO DE LIMA e PRL – PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A. PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO e VICENTE DE PAULA, (irmãos), cada um participava com 12,282%, e a empresa PRL – PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A participava com 63,162%, conforme demonstrativo, abaixo: Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 A empresa PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, com capital social no valor de R$ 3.476.520,00, apresentava no seu quadro societário os seguintes sócios: PEDRO ALCÂNTARA REGO DE LIMA, PAULO TARSO REGO DE LIMA e VICENTE DE PAULO REGO DE LIMA, cada um com 33,333% do total das ações, conforme demonstrativo, abaixo: Na concepção de alienação de quotas de capital, que teria ocorrido em 29/12/2005, a fiscalização constatou que os sócios, PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO, VICENTE DE PAULA e PRL EMPREENDIMENTOS S/A, alienaram, individualmente, 50% da quota de participação no capital para a empresa ELITE INTERNACIONAL BV. A fiscalização constatou que a alienação ocorreu pelo valor de R$ 215.500.000,00 (valor de 50% da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA), e que, nessa operação, houve ganho de capital. Para o contribuinte, PEDRO ALCÂNTARA, o ganho de capital foi apurado no valor de R$ 20.377.074,12. Não tendo havido, nessa operação, recolhimento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital foi lançado o Imposto de Renda correspondente apurado no valor de R$ 3.056.561,11. A empresa adquirente das quotas de capital, ELITE INTERNACIONAL BV, com sede em Amsterdã, na Holanda, integrante do grupo empresarial STRAUSSELITE, na data da operação, participava, desde o ano de 2000, do capital da empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, sediada na cidade de Santa Luzia, do Estado de Minas Gerais. A empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, na época da operação, ocupava a oitava posição na classificação das empresas produtoras de café, apresentando capital no valor de R$ 3.886.360,00, conforme o quadro societário, abaixo demonstrado: Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 5 7 Segundo a fiscalização a operação de alienação não foi direta, o sócio da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO transferindo suas quotas de capital para a empresa ELITE INTERNACIONAL BV, mas houve planejamento tributário evasivo, na espécie de simulação relativa, arquitetado pelos alienantes, sócios da CAFÉ SANTA CLARA, e pela empresa adquirente, sócios da ELITE INTERNACIONAL BV. O planejamento tributário consistiu na montagem de um sistema de associação de empresas, “joint venture”, entre as empresas SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, com criação de empresas veículo, SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A (HOLDING), por parte da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, e ELITE DO BRASIL PARTICIPAÇÕES S/A, por parte da empresa ELITE INTERNACIONAL BV (CAFÉ TRÊS CORAÇÕES). Como resultado da “joint venture”, a empresa ELITE INTERNACIONAL BV, sócia da empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, passou a fazer parte do quadro societário da empresa CAFÉ SANTA CLARA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA, como participação de 50% do capital social, juntamente com a empresa PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, com participação de 50%. Também como resultado da “joint venture”, os sócios PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO e VICENTE DE PAULA deixaram a participação direta na empresa SANTA CLARA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Pela “joint venture” a empresa ELITE INTERNACIONAL BV, através da empresa ELITE DO BRASIL PARTICIPAÇÕES S/A (empresa veículo), investiu, em 29/12/2005, um montante de R$ 215.500.000,00, na empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, conseqüentemente, investia na SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO e VICENTE DE PAULA deixaram de participar diretamente da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, havendo redução de capital, resgataram ações da empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A e receberam lucros acumulados da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e da PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A. Segundo a fiscalização, cada sócio recebeu, proporcionalmente à participação no capital, de rendimentos isentos e não tributáveis, em 29/12/2005, um montante equivalente ao valor do ganho de capital relacionado ao ingresso de recursos aportados pela empresa ELITE INTERNACIONAL BV. Na data do aporte da quantia de R$ 215.500.000,00, a empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA era controlada pela empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, que apresentava o seguinte quadro societário: Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 Ainda segundo informações extraídas do termo de verificação fiscal: Pelo contrato da “jointventure” a empresa ELITE INTERNACIONAL BV ingressou na empresa CAFÉ SANTA CLARA INDUSTRIA E COMÉRCIO através da empresa veículo SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A que, por sua vez, possuía no seu quadro societário as empresas PRL – PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A e a empresa ELITE DO BRASIL. A empresa ELITE DO BRASIL possuía no seu quadro societário a empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, que por sua vez possuía no seu quadro societário a empresa ELITE INTERNACIONAL BV. A empresa ELITE DO BRASIL ingressou no quadro societário da empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, aportando o valor de R$ 215.500.000,00, composto dos seguintes valores: 1) valor de R$ 76.500.000,00, representado pelas ações da empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A; 2) valor de R$ 139.000.000,00, em moeda corrente. Do valor aportado, R$ 215.500.000,00, foi destinado para aumento de capital da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, o valor de R$ 17.480.829,50. A diferença, no valor de R$ 198.019.170,64 foi destinada a reserva de ágio. A empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, a partir de 29/12/2005 e até 30/06/2007, possuía no seu quadro societário os seguintes sócios: a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, com 100% das quotas e Pedro Alcântara Rego de Lima, com 1 quota. No período de 29/12/2005 a 30/06/2007, aconteceram os seguintes fatos: 1) PEDRO, PAULO e VICENTE voltam a ser acionistas da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, com transferência de 1 ação para cada um por parte da PRL – PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A; Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 6 9 2) A SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A admite como sócios as seguintes pessoas físicas através de transferência de 1 ação da empresa ELITE DO BRASIL para cada pessoa física: OFRA YASMIN STRAUSS, EREZ PINHAS VIGODMAN E PIETER POLHUIJS; 3) A SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES aumenta o capital da SANTA CLARA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA em R$12.216.028,00; 4) aumento da capital da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES em R$ 12.216.028, integralizadas pela PRL e ELITE DO BRASIL, 50% de cada uma; 5) aumento da capital da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES em R$ 7.783.972,00, integralizadas pela PRL e ELITE DO BRASIL, 50% de cada uma; 6) cisão parcial da ELITE DO BRASIL, com versão de 93% do patrimônio para SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A; 7) a SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA incorpora a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A. Em 30/06/2007, decorrido um ano e seis meses do aporte de R$215.500.000,00, pela empresa ELITE INTERNACIONAL BV na empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, a empresa CAFÉ SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA incorpora a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A. Os sócios da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A e PEDRO) decidem pela incorporação total do patrimônio liquido da empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, aprovando integralmente o laudo de avaliação apresentado pela empresa EQUITY SERVIÇOS DE AUDITORIA CONTÁBIL LTDA, a qual apurou o quantum de R$ 178.075.675,00 , a ser incorporado ao patrimônio da SANTA CLARA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA, sendo: 1) o valor de R$ 56.699.966,09 levado a aumento de capital da incorporadora; e 2) o valor de R$ 121.375.706,00 destinado para reserva de ágio. Assim, em 30/06/2007, a empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, passou a possuir em seu quadro societários os seguintes sócios: PRL – PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, ELITE INTERNACIONAL BV, PEDRO ALCÂNTARA REGO DE LIMA, VICENTE DE PAULA REGO DE LIMA, PAULO TARSO REGO DE LIMA, MAREEL JOSEPH LOUIS CORBEAU, CIFRA STRAUSS, EREZ VIGODMAN E PIETER POLHUIJS, conforme demonstrativo abaixo. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 A conclusão da fiscalização de que na “joint venture” houve de fato uma alienação de quotas de participação societária com ganho de capital sujeito à tributação do Imposto de Renda fundamentou se nos seguintes fatos: 1) criação de empresas veículo com capital irrisório possuindo sócios que integram associações de advogados e contadores especializados em planejamento tributário, endereço da associação especializada no planejamento tributário; 2) transferência das ações dos sócios advogados da empresaveículo para os sócios da SANTA CLARA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, por liberalidade; 3) a empresa veículo não teve existência de fato, existindo apenas na formalidade, nos atos contábeis registrados na junta comercial; 4) transferência das quotas de capital da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA para a empresa veículo; 5) a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, DIPJ, relativa à empresa veículo, não demonstra atividade operacional, mas tão somente o balanço patrimonial, retratando o ativo e o passivo, conforme a formalidade contábil da empresa; 4) diversidade de fatos e de atos contábeis, acontecidos em um intervalo de tempo curto, até mesmo em um mesmo dia, tais como: diminuição de capital, no valor de R$ 47.872.024,38, aumento de capital, no valor de R$ 83.506.847,24, mudança da razão social, resgate de quotas capital, transferências de quotas de capital, saída de sócios pessoas físicas; 5) saída dos sócios PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO E VICENTE DE PAULA da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA, resgatando quotas de capital, ações e lucros acumulados, cuja soma, proporcionalmente à participação no capital da CAFÉ SANTA CLARA INDUSTRIA E COMERCIO, foi no valor equivalente ao ganho de capital pelo aporte da empresa ELITE INTERNACIONAL BV na empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A; 6) a contabilidade da empresa SANTA CLARA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA, no início de dezembro de 2005, demonstrava existência de recursos de lucros acumulados e viabilidade de redução de capital com resgate de quotas, em valor compatível, proporcionalmente à participação dos sócios, com o ingresso de recursos da empresa ELITE INTERNACIONAL BV, no montante de R$ 215.500.000,00; 7) os recursos aportados pela ELITE INTERNACIONAL BV poderiam sair para o patrimônio de cada sócio através de distribuição de lucros acumulados, resgate de quotas por diminuição de capital e resgate de ações; Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 7 11 8) noticias de compra por parte da empresa ELITE INTERNACIONAL BV de 50% da empresa SANTA CLARA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA; 9) o aporte no valor de R$ 215.500.000,00 foi compatível com o valor de avaliação da empresa SANTA CLARA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA, apurado conforme o valor de avaliação da “joint venture”, formada pelas empresas SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES, e o valor de avaliação da empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A; 10) os sócios receberam recursos financeiros que foram aplicados e para justificar a evolução patrimonial na Declaração de Ajuste Anual decorrente do saldo de aplicação financeira, apurou se um ganho de capital decorrente de valorização de quota de capital e transferência para empresa que se tornaria controladora, além de liberação de lucros acumulados; 11) os sócios da empresa SANTA CLARA INDUSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA não apresentaram MEMORANDO DE ENTENDIMENTO, CONTRATO DE INVESTIMENTO E ACORDO DE ACIONISTAS, apesar de ter havido intimação; 12) a empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S.A., em Assembléia Geral Extraordinária, ocorrida em 29/12/2005, aprovou a celebração do Contrato de “Joint Venture” e do Acordo de Acionistas entre a ELITE INTERNACIONAL BV e a PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A; 13) apesar da negativa, houve a assinatura de um contrato e de u acordo de acionistas. A não apresentação de tais documentos reforçou a evidente intenção do contribuinte de esconder do Fisco o verdadeiro fato ocorrido (venda de ações com ganho de capital). A prova de que houve simulação consistiu na demonstração de que os atos societários (assembléia geral extraordinária) e os fatos contábeis (constituição societária das empresas) representavam operação visível, simulada, encobertando uma operação invisível, dissimulada, alienação de quotas de capital, fraude perfeitamente concebida pela documentação que embasa uma falsa “joint venture”. Há de se ressaltar que na preparação da empresa veículo SANTA CLARA PARTICIPAÇÃO S/A, para recebimento das quotas da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (transferência das quotas de capital da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA, ocorrida em 29/12/2005), houve valorização das quotas de capital, apuração de ganho de capital e recolhimento de Imposto de Renda sobre o ganho de capital. Nessa operação, o senhor contribuinte recolheu Imposto de Renda no valor de R$ 221.215,50, conforme o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital da Declaração de Ajuste Anual, já bastante esclarecido, acima. Em 29/12/2005, os sócios da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA transferem suas quotas de capital, com valorização de R$ 27.675.975, para a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A. No Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil demonstra ganho de capital com Imposto de Renda, apurado no valor de R$ 3.056.561,11. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 Os atos societários e os fatos contábeis que demonstravam uma montagem de uma “joint venture”, entre as empresas SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A foram tidos pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, por simulados, por esconderem uma operação de alienação de quotas de capital com ganho de capital, no valor de R$ 20.377.074,12, e, o não pagamento de Imposto de Renda, no valor de R$ 3.056.561,11. O autor do procedimento de fiscalização analisou todos os atos societários e os fatos contábeis, relacionados à alegada “joint venture”, concluindo que os sócios da empresa SANTA CLARA IND E COM, PEDRO ALCÂNTARA REGO DE LIMA, VICENTE DE PAULA REGO DE LIMA, PAULO TARSO REGO DE LIMA E PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, transferiram por alienação, em 29/12/2005, 50% de suas quotas para a empresa ELITE INTERNACIONAL, tudo por intermédio das empresas veículo criadas. A fiscalização concluiu, também, que os fatos e os documentos demonstram que o grupo STRAUSSELITE pagou o valor de R$ 215.500.000,00. O fiscalizado, PEDRO ALCÂNTARA REGO DE LIMA, detinha 12,282% das quotas da SANTA CLARA IND E COM e o ganho de capital foi calculado proporcionalmente a essa participação, conforme demonstrativo, abaixo: Foi informado que o custo de aquisição de uma quota de capital foi no valor de R$ 0.01 (um centavo de real). Na venda de 50% da SANTA CLARA IND E COM foram “transferidas” para a ELITE INTERNACIONAL BV por intermédio das empresasveículo SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES e ELITE DO BRASIL metade das quotas da SANTA CLARA IND E COM, ou seja, 4.958.993.556 quotas. Destas, 12,282% pertenciam ao fiscalizado, o que representa 609.063.588. O custo total das quotas vendidas pelo fiscalizado foi, portanto: Pelos motivos acima expostos, a fiscalização lavrou o Auto de Infração, decorrente de omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, no valor de R$ 20.377.074,12. Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 8 13 Para um melhor entendimento sobre o planejamento tributário, transcrevem se os seguintes outro trechos do Termo de Verificação Fiscal: Da análise de todos os documentos e informações coletadas, esta Fiscalização concluiu que, em 29/12/2005, os sócios da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ nº 63.310.411/000101, atualmente denominada TRÊS CORAÇÕES ALIMENTOS S.A., praticaram negócio jurídico típico de alienação de participação societária, por meio do qual alienaram 50% de suas quotas para a empresa ELITE INTERNACIONAL BV, CNPJ nº 05.534.721/000103, atualmente denominada STRAUSS COFEE BV, sem a devida apuração e recolhimento do IMPOSTO DE RENDA SOBRE O GANHO DE CAPITAL. Para tanto, os vendedores arquitetaram um planejamento tributário absolutamente contrário aos interesses do Fisco, com uma série de operações societárias na SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA e em outras empresas constituídas, especificamente, para esse fim, com a intenção de fazer crer não se tratar de venda, mas sim de um investimento societário. Colocamos abaixo, desde já, um resumo do planejamento tributário engendrado, com o fim de facilitar o entendimento do presente Termo: 1) A SANTA CLARA IND E COM, uma das maiores indústrias de café do Brasil, tinha nos irmãos PEDRO, PAULO e VICENTE seus únicos proprietários. No ano de 2005, os irmãos decidem vender para uma empresa estrangeira, a ELITE INTERNACIONAL BV, metade da SANTA CLARA IND E COM; 2) A venda seria por um valor muito superior ao do custo de aquisição, gerando, assim, elevado ganho de capital. Foi com o intuito de evitar o pagamento do Imposto de Renda incidente sobre referido ganho, que teve início o planejamento tributário; 3) A idéia era fazer a venda de metade da SANTA CLARA IND E COM para a ELITE INTERNACIONAL BV parecer uma operação de reorganização societária. Para isso, foram criadas duas empresas veículo com capital social irrisório: a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES (atuando em nome dos vendedores) e a ELITE DO BRASIL (atuando em nome dos compradores). Ambas constituídas por advogados que, “coincidentemente”, possuíam outras empresas “de Participações”; 4) Acertada as bases do planejamento tributário, os advogados saem de cena: uma empresaveículo (ELITE DO BRASIL) é integralmente transferida para os compradores e a outra empresa veículo (SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES) é totalmente transferida para os vendedores; 5) No dia da venda (29/12/2005), as empresas SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES e ELITE DO BRASIL têm o capital aumentado para 27,6 milhões e 226,0 milhões, respectivamente: Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 5.1) Os acionistas da SANTA CLARA IND E COM integralizaram o capital da empresaveículo (SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES) justamente com todas as quotas que detinham na empresa que seria vendida (a própria SANTA CLARA IND E COM). A partir desse momento, quem comprasse a “PARTCIPAÇÕES” (controladora) estaria, na realidade, comprando a “IND E COM” (controlada); 5.2) A empresa ELITE DO BRASIL foi capitalizada pela compradora (ELITE INTERNACIONAL BV) com R$ 216 milhões e, horas depois, “investiu” R$ 215,5 milhões na SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES, empresa que, horas antes, acabara de receber todas as quotas da empresa que seria comprada (SANTA CLARA IND E COM); 6) Horas depois, os irmãos PEDRO, PAULO e VICENTE saem da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES resgatando, ao todo, 10.199.183 ações (a R$ 1,00 cada), e recebendo R$ 54 milhões. A partir desse momento, as empresas PRL (dos irmãos PEDRO, PAULO e VICENTE) e ELITE DO BRASIL ficam com 50% da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES cada uma; 7) Ainda no dia da venda (29/12/2005), cada irmão recebe, totalmente livre de imposto de renda, o valor de R$ 20,3 milhões, o mesmo valor do ganho de capital escondido; 8) Um ano e meio depois, em uma operação na qual a controlada (“filha”) incorpora a controladora (“mãe”), a SANTA CLARA IND E COM incorpora a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES. Chegavase, assim, à configuração desejada desde o início: metade da SANTA CLARA IND E COM pertencendo aos irmãos PEDRO, PAULO e VICENTE (por intermédio da PRL) e a outra metade pertencendo à empresa ELITE INTERNACIONAL BV. (...) Em 2005, a empresa APPRAISAL AVALIAÇÕES E PERÍCIAS S/C LTDA, com endereço em São Paulo, foi contratada para avaliar a Joint Venture formada pelas empresas operacionais Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda e Café 3 Corações S/A, chegando a um valor entre R$ 540 milhões e 590 milhões. Na mesma data, também foi feita a avaliação da empresa Café Três Corações S/A (R$ 76.500.000,00). De posse das referidas análises, as partes chegaram ao valor da empresa a ser vendida (SANTA CLARA IND E COM) O “investimento” de R$ 215,5 milhões que a ELITE fez na SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES foi concebido para parecer real; as partes envolvidas na compra e venda procuraram seguir um roteiro cuidadosamente planejado. Nesse sentido, podese afirmar que: 1) toda a operação analisada pela fiscalização encontrase registrada nos livros contábeis; 2) os atos societários estão registrados nas Juntas Comerciais (Ceará e São Paulo); Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 9 15 3) a contabilidade demonstra operação de investimento com subscrição de novas ações pela empresa ELITE DO BRASIL, e pagamento de dividendos aos sócios de acordo com o resultado do exercício, tudo devidamente apurado conforme a lei societária. Em um lance característico desse tipo de planejamento tributário, houve, inclusive, pagamento de Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital apurado por ocasião da transferência das ações da SANTA CLARA IND E COM pertencentes ao patrimônio das pessoas físicas PEDRO, PAULO e VICENTE para a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES (item 3.3.1). Os três apuraram e recolheram, cada um, R$ 221.215,51; valor, obviamente, bem inferior ao realmente devido. Embora concebido por profissionais do ramo, os atos legais praticados foram incapazes de esconder que a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES e a ELITE DO BRASIL foram constituídas sem nenhum propósito negocial ordinário, servindo apenas para a execução de uma parte do roteiro previamente elaborado: a venda de 50,0% da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Todos esses fatos envolvendo o negócio jurídico celebrado na venda de metade da empresa SANTA CLARA IND E COM foram dolosamente obstaculizados ao conhecimento do Fisco. Tal comportamento, voluntário e consciente das pessoas físicas e jurídicas citadas, foi montado para impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Observase que não se trata de atos isolados, mas uma seqüência de atos praticados pelo contribuinte com expressivos valores envolvidos. Houve, claramente, um acerto para fazer um negócio venda e mostrar outro, restando evidente que os atos visíveis não tiveram fim extratributário. A conduta praticada por cada uma das pessoas físicas alienantes, se subsume integralmente nos ditames do art. 71 da Lei nº 4.502/64, fato que, além de chamara incidência do art. 957, inciso II do RIR/99 (matriz legal art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96), desloca, inclusive, a contagem do prazo decadencial, do § 4ª do art. 150, para o art. 173, inciso I do CTN. Consentânea com toda esta tese, observadas as adaptações de praxe, estão as Decisões do 1º Conselho de Contribuintes Ac. Nº 10421.675/ 2004, 10709263/ 2007, 20402050/ 2006, 1094771/ 2004, 102¬46545/2004, 10420749/ 2005, 10614720/ 2005, 10195693/ 2006, 10323041/ 2007. Por estas razões, aplicarseá a multa qualificada de 150% sobre o imposto de renda apurado, conforme disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. O autor do procedimento de fiscalização juntou aos autos todos os atos societários e contábeis que foram analisados e que serviram de fundamento para a conclusão de existência de Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 16 simulação encobertando fato jurídico gerador do imposto de renda. Documentos juntados aos autos às fls. 57/1094. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência, em 22/12/2010, conforme Termo de Encerramento, fls. 1088, o contribuinte apresentou, em 19/01/2011, impugnação, documentos anexados às fls. 1090/1168, através de procuração, instrumento anexado às fls. 1169, contestando todas as conclusões do Termo de Verificação Fiscal e o Auto de Infração. O contribuinte argumentou contra todas as conclusões da fiscalização, destacando os atos societários, os fatos contábeis e demonstrando a formação de uma “joint venture”, fato que, segundo seu entendimento, aconteceu e justificase naturalmente na dinâmica do negócio. Os argumentos contra o Auto de Infração, em síntese, foram: 1) não houve a alegada operação de alienação de quotas de capital, tendo havido conclusão equivocada por parte da fiscalização na análise dos atos societários e dos fatos contábeis, apresentados pela empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A; 2) o que de fato aconteceu foi formação de uma “joint venture” entre SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A) e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A (ELITE INTERNACIONAL BV); 3) todos os atos societários (ata de assembléia geral extraordinária) e os fatos contábeis (diminuição de capital, aumento de capital, transferências de quotas e ações, resgate de quotas e de ações, cisão, incorporação, distribuição de lucros), são parte de uma reestruturação da sociedade SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA para atendimento de um contrato de “joint venture” com a empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, controlada pela empresa ELITE INTERNACIONAL BV; 4) pelo contrato de “joint venture” a empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA teria que ser controlada apenas pela empresa PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, tendo havido a saída dos sócios pessoas físicas; 5) no processo de reestruturação, houve avaliação das quotas de capital, apuração de ganho de capital e recolhimento do Imposto de Renda. A Declaração de Bens da Declaração de Ajuste Anual demonstra, claramente, os fatos ocorridos pela reestruturação, não tendo havido intenção de ocultar os fatos à fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil; 6) o entendimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil fundamentase em uma premissa equivocada de venda de quotas de capital, concebida a partir de notícias econômicas relacionadas à avaliação do valor econômico da “joint venture” SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES, veiculadas na internet; Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 10 17 7) para que a “joint venture” fosse viável, a empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES, possuindo capital bem inferior ao capital da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, teve que receber investimento de sua controladora, ELITE INTERNACIONAL BV, em valor total de R$ 215.500.000,00. 8) os sócios, PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO e VICENTE DE PAULA, dentro do processo de reestruturação societária, tiveram que deixar a empresa, recebendo lucros acumulados e resgatando quotas de capital, tudo devidamente demonstrado pela contabilidade e pela Declaração de Ajuste Anual. 9) o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, dentro do seu errôneo entendimento, concebeu o valor da alienação de quotas de capital e o valor do ganho de capital a partir de dados colhidos em noticia sobre a avaliação econômica da “joint venture” SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A e da empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A. Entendeu, erroneamente, que os sócios (PEDRO ALCANTARA, PAULO TARSO, VICENTE DE PAULA e PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A) receberam proporcionalmente à participação no capital um valor próximo da avaliação econômica; 10) partindo do valor de R$ 215.500.000,00 apurou o quanto cada sócio teria recebido, apurou o ganho de capital e comparou o ganho de capital com os valores recebidos a título de lucros acumulados, resgates de quotas ou de resgates de ações; 11) os recursos da ELITE INTERNACIONAL BV (US 60.000.000,00, em espécie, equivalente a R$ 139.440.000,00, e o capital da CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, R$ 76.500.000,00) ingressaram na empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A e não foram transferidos para os sócios, PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO E VICENTE DE PAULA e PRL – PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A; 12) os sócios, PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO E VICENTE DE PAULA, receberam lucros acumulados, resgate de quotas de capital, resgate de ações e juros sobre o capital próprio, em conseqüência da formação da “joint venture”, tudo conforme a contabilidade das empresas SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, PRLPARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTO S/A e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A; 13) os valores recebidos a título de lucros acumulados, resgate de quotas de capital, resgate de ações e juros sobre o capital próprio estão registrados na contabilidade e nos atos societários. Os valores foram confirmados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, equivocadamente, comparou o montante desses recebimentos com o valor do investimento da ELITE INTERNACIONAL BV (R$ 215.500.000,00), em parte proporcional à participação no capital, como se o investimento Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 18 tivesse sido transferidos para os sócios, ou seja, os sócios teriam recebidos, proporcionalmente à participação no capital, o valor do investimento (o auditor fiscal estabeleceu uma equivalência entre o ganho de capital, R$ 20.377.074,12 com o somatório dos lucros acumulados e dos resgates de quotas, no valor de R$ 20.342.301,72, percebidos em dezembro de 2005); 14) lucros acumulados, resgate de quotas de capital por redução do capital e resgate de ações são rendimentos isentos, conforme legislação tributária. Esses rendimentos foram devidamente informados na Declaração de Ajuste Anual como isentos; 15) os rendimentos isentos, conforme informados na Declaração de Ajuste Anual, foram devidamente comprovados através da documentação apresentada ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil; 16) a documentação relativa aos rendimentos de lucros acumulados, aos rendimentos de resgate de quotas de capital e aos rendimentos de resgate de ações comprovam a efetividade do recebimento. Esses rendimentos foram recebidos da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (lucros acumulados e resgate de quotas), da empresa PRLPARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A (lucros acumulados e resgate de ações) e da empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A (resgate de ações); 17) os sócios, PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO e VICENTE DE PAULA, não receberam nenhum numerário, relacionado ao investimento no valor de R$ 215.500.000,00. O investimento ingressou no patrimônio da empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A; 18) ficou demonstrado que os sócios receberam somente rendimentos de lucros acumulados, resgates de quotas de capital, resgate de ações e de juros sobre o capital próprio; 19) não houve dolo, fraude ou simulação, uma vez que os atos societários e os fatos contábeis demonstram claramente a formação de uma “joint venture” e a Declaração de Bens da Declaração de Ajuste Anual informa todos os fatos relacionados à formação da “joint venture”, inclusive apuração de ganho de capital quando da transferência das quotas de capital da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA para a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A. Para o caso não se aplica as disposições do parágrafo único do artigo 116 do CTN (evasão fiscal); 20) o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil partiu das informações da Declaração de Ajuste Anual, variação patrimonial elevada e apuração de ganho de capital. Os fatos analisados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil estão informados na Declaração de Bens, não tendo havido ocultação de informação que ensejasse sonegação fiscal 21) o fato concebido pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, simulação e alienação de quotas de capital e ganho de capital, não se enquadra dentro das hipóteses de dolo, fraude e Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 11 19 simulação, uma vez que não houve simulação, sendo ilegal o lançamento da Multa de Ofício Qualificada; 22) em prevalecendo o entendimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que seja reduzida a Multa de Ofício para o percentual de 75%; 23) em prevalecendo o entendimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não haja incidência de Juros de Mora, Taxa Selic, sobre a Multa de Ofício; 24) em prevalecendo o entendimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil que seja considerado o Imposto de Renda sobre o ganho de capital que foi recolhido, conforme a Declaração de Ajuste Anual. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 29/12/2005 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Para efeito de apuração do ganho de capital é suficiente a ocorrência do fato gerador, ou seja, a alienação do bem, materializada pelo efetivo recebimento do preço da operação e pela variação patrimonial ocorrida pela aquisição de novos bens com o produto da alienação, tudo devidamente demonstrado com fatos e documentos. O Imposto de Renda sobre o ganho de capital recolhido pelo contribuinte deve ser compensado com o apurado no Auto de Infração, desde que o que foi pago pelo contribuinte seja relativo à mesma operação de alienação objeto do Auto de Infração. O ganho de capital relacionado ao ato simulado, existente só no papel, nos atos formais, deve ser considerado como parte do ganho de capital relacionado ao fato real, escondido pelo ato simulado. Houve ganho de capital, mas relacionado à operação real demonstrada pela fiscalização e não conforme o demonstrativo apresentado pelo contribuinte. SIMULAÇÃO RELATIVA. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ILÍCITO. EVASÃO FISCAL. A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente, realização formal, e o ato que se quer materializar, Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 20 oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Para que não se configure simulação é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente Na operação de alienação de quotas de capital, o sócio incorre na pratica de simulação relativa, ato tido como nulo pelo Código Civil e ato típico de evasão fiscal e de lançamento de Imposto de Renda sobre ganho de capital pelo Código Tributário Nacional, ao utilizar as situações financeira e econômica da empresa da qual detinhas as quotas, devidamente demonstrada na contabilidade, para criar uma operação de investimento, recebimento de dividendos e resgate de quotas, tudo no valor da alienação das quotas, através de atos societários e fatos contábeis, montados em seqüência, com a finalidade única de ocultar o fato real de alienação de quotas, fato gerador do ganho de capital. No âmbito do direito tributário, o negócio jurídico formal, mesmo que devidamente estruturado com base na lei das sociedades por ações, não pode prevalecer se não representar o fato real ocorrido, quando esse fato real é tipificado como fato gerador do imposto de renda, devidamente comprovado pela inconsistência dos atos societários e dos fatos contábeis. PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 116 DO CTN. LEI COMPLEMENTAR Nº 104, DE 2001. NORMA ANTIELISÃO. Estando comprovada a ocorrência do fato gerador, alienações de quotas de capital, e se verificando que o contribuinte usou de negócio jurídico simulado, usando a empresa da qual vendeu sua participação, exteriorizando operação de investimento, feito pela empresa adquirente das quotas de capital, recebimento de dividendos, por parte do vendedor, prejudicando a fisco, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, amparado no inciso VII do artigo 149 do CTN, deve constituir o crédito tributário tendo por objeto o ato dissimulado (alienação de quotas de capital), uma vez que o ato simulado (investimento) é nulo, nos termos do Código Civil, subsistindo o ato dissimulado. SIMULAÇÃO. EVASÃO. GANHO DE CAPITAL A realização de operações simuladas, com o objetivo de elidir o surgimento da obrigação tributária principal ou de gerar maiores vantagens fiscais, não inibe a aplicação de preceitos específicos da legislação de regência, bastando que, pela finalidade do ato ou negócio, sejam obtidos rendimentos ou ganhos de capital submetidos à incidência do imposto de renda, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio, que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto de renda. SIMULAÇÃO. EVASÃO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA. O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 12 21 conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. ELISÃO. No planejamento tributário lícito, também conceituado como elisão, evitase a ocorrência do fato gerador sem afrontar a lei tributária. Nesse procedimento utilizase das regras legais como motivação para se evitar a ocorrência do fato gerador, realizando se atos verdadeiros em consonância com a vontade entre as partes. Planejamento tributário deve designar tão somente a técnica de organização preventiva de negócios, visando a uma lícita economia de tributos, seja evitando a incidência destes, seja reduzindo ou diferindo o respectivo impacto fiscal sobre as operações. SIMULAÇÃO. FRAUDE. EVASÃO FISCAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ILÍCITO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada, conforme o art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996. JUROS MORATÓRIOS.TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Selic, decorre de expressa disposição legal. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE A incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, §3º, da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/12/2005 VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS. Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprovála diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 22 Aplicase a súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, que possua efeito vinculante, conforme Portaria do Ministro da Fazenda nº 383, de 2010. Não se enquadrando o julgado, posto como norma a ser observada, dentre os acórdãos paradigmas da súmula do CARF, o julgador da DRJ é livre, podendo seguir ou não o entendimento do julgado do CARF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ entendeu por bem cancelar em parte a exigência uma vez que ficou demonstrado o recolhimento de Imposto de Renda no valor de R$ 221.215,50, conforme o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital da Declaração de Ajuste Anual, já bastante esclarecido, acima. Em 29/12/2005, os sócios da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA transferem suas quotas de capital, com valorização de R$ 27.675.975, para a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A. No entendimento da autoridade recorrida somente existiu uma única operação que foi a de alienação das quotas de capital, que ocorreu em 29/12/2005, com apuração de ganho de capital, no valor de R$ 20.377.074,12, e Imposto de Renda no valor de R$ 3.056.561,11. Desta forma, o Imposto de Renda sobre o ganho de capital apurado pelo senhor contribuinte que foi recolhido no valor de R$ 221.215,50 deve ser compensado com o apurado no Auto de Infração. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. no que toca aos pontos principais, destacando os seguintes aspectos no final de seu recurso. Preliminarmente, afirma que a decisão recorrida ignorou todos os argumentos fáticos e de direito apresentado ao longo da impugnação, limitandose a repetir as palavras do fiscal autuante. Da desconsideração da jurisprudência colacionada pelo recorrente no corpo da impugnação; Das premissas necessárias a compreensão dos atos jurídicos objeto de autuação mantida pelo decisão recorrida, entre eles destaquemse: i) da autuação mercadológica da Santa Clara Ind e Com, no Brasil antes de Dezembro de 2005; ii) da autuação mercadológica da StraussElite Group, no Brasil e no mundo antes de Dezembro de 2005; iii) Das razões que levaram os grupos da Santa Clara e Strauus –Elite a se associaram, assim como as implicações da constituição de uma jointventure; iv) dos atos societários acordados entre a Santa Clara e o Strauss Elite Group; v) da impropriedade do cálculo realizado para inferir a apuração do suposto ganho de capital; Da existência de uma diferença entre o montante apontado como ganho de capital de R$ 20.377.074,12 e aquele demonstrado pelo somatório dos lucros, redução de capital e resgate de ações que totaliza R$ 20.342.3012,72; Do enfrentamento dos argumentos utilizados pela fiscalização para alegar a ocorrência de simulação nocente. Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 13 23 Questiona também o entendimento da autoridade recorrida reforçando que a mesma limitouse a transcrever termos do termo de verificação fiscal; Não houve a alegada operação de alienação de quotas de capital, tendo havido conclusão equivocada por parte do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na análise dos atos societários e dos fatos contábeis, apresentados pela empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A; Todos os atos societários (ata de assembléia geral extraordinária) e os fatos contábeis (diminuição de capital, aumento de capital, transferências de quotas e ações, resgate de quotas e de ações, cisão, incorporação, distribuição de lucros), são parte de uma reestruturação da sociedade SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA para atendimento de um contrato de “joint venture” com a empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, controlada pela empresa ELITE INTERNACIONAL BV; Pelo contrato de “joint venture” a empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA teria que ser controlada apenas pela empresa PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, tendo havido a saída dos sócios pessoas físicas; No processo de reestruturação, houve avaliação das quotas de capital, apuração de ganho de capital e recolhimento do Imposto de Renda. A Declaração de Bens da Declaração de Ajuste Anual demonstra, claramente, os fatos ocorridos pela reestruturação, não tendo havido intenção de ocultar os fatos à fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil; O entendimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil fundamenta se em uma premissa equivocada de venda de quotas de capital, concebida a partir de notícias econômicas relacionadas à avaliação do valor econômico da “joint venture” SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES, veiculadas na internet; Para que a “joint venture” fosse viável, a empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES, possuindo capital bem inferior ao capital da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, teve que receber investimento de sua controladora, ELITE INTERNACIONAL BV, em valor total de R$ 215.500.000,00. os sócios, PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO e VICENTE DE PAULA, dentro do processo de reestruturação societária, tiveram que deixar a empresa, recebendo lucros acumulados e resgatando quotas de capital, tudo devidamente demonstrado pela contabilidade e pela Declaração de Ajuste Anual. os sócios, PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO E VICENTE DE PAULA, receberam lucros acumulados, resgate de quotas de capital, resgate de ações e juros sobre o capital próprio, em conseqüência da formação da “joint venture”, tudo conforme a contabilidade das empresas SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, PRLPARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTO S/A e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A; os valores recebidos a título de lucros acumulados, resgate de quotas de capital, resgate de ações e juros sobre o capital próprio estão registrados na contabilidade e nos atos societários. Os valores foram confirmados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, equivocadamente, comparou o montante desses recebimentos com o valor do investimento da ELITE INTERNACIONAL BV (R$ Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 24 215.500.000,00), em parte proporcional à participação no capital, como se o investimento tivesse sido transferidos para os sócios, ou seja, os sócios teriam recebidos, proporcionalmente à participação no capital, o valor do investimento (o auditor fiscal estabeleceu uma equivalência entre o ganho de capital, R$ 20.377.074,12 com o somatório dos lucros acumulados e dos resgates de quotas, no valor de R$ 20.342.301,72, percebidos em dezembro de 2005); os sócios, PEDRO ALCÂNTARA, PAULO TARSO e VICENTE DE PAULA, não receberam nenhum numerário, relacionado ao investimento no valor de R$ 215.500.000,00. O investimento ingressou no patrimônio da empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A; ficou demonstrado que os sócios receberam somente rendimentos de lucros acumulados, resgates de quotas de capital, resgate de ações e de juros sobre o capital próprio; não houve dolo, fraude ou simulação, uma vez que os atos societários e os fatos contábeis demonstram claramente a formação de uma “joint venture” e a Declaração de Bens da Declaração de Ajuste Anual informa todos os fatos relacionados à formação da “joint venture”, inclusive apuração de ganho de capital quando da transferência das quotas de capital da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA para a empresa SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A. Para o caso não se aplica as disposições do parágrafo único do artigo 116 do CTN (evasão fiscal); em prevalecendo o entendimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não haja incidência de Juros de Mora, Taxa Selic, sobre a Multa de Ofício; em prevalecendo o entendimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil que seja considerado o Imposto de Renda sobre o ganho de capital que foi recolhido, conforme a Declaração de Ajuste Anual. É o relatório. Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 14 25 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. DOS ARGUMENTOS Conforme entendimento da Fiscalização e a DRJ, os contribuintes praticaram simulação pela utilização de operações estruturadas em sequência e utilização de empresas veículo no intuito de reduzir a base de cálculo sobre a qual incidiria o IRPF sobre o ganho de capital na alienação da participação societária na empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO à empresa ELITE INTERNACIONAL BV, pertencente ao grupo holandês STRAUSSELITE. Para a autoridade fiscal teria ocorrido um planejamento tributário abusivo com o objetivo de reduzir o valor do ganho de capital tributável pelo IRPF na alienação de 50% das quotas da sociedade SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA dos irmãos PEDRO ALCÂNTARA REGO DE LIMA, PAULO TARSO REGO DE LIMA e VICENTE DE PAULA REGO DE LIMA para a sociedade ELITE INTERNACIONAL BV, empresa membro do grupo israelense STRAUSSELITE. Ainda na visão da fiscalização a utilização de operações estruturadas em sequência e empresasveículo permitiu que o pagamento aos alienantes pessoas físicas se desse através de distribuição de supostos lucros acumulados, resgate de ações, resgate de quotas de capital, adiantamento para futuro aumento de capital e juros sobre capital próprio. O recorrente por sua vez afirma que na verdade ocorreu uma joint venture entre a SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA e a CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S.A. A operação tinha finalidade estratégica, não podendo nunca se confundir como uma operação sem propósito negocial. A estruturação da operação teria sido realizada para permitir a operação tendo em vista que envolviam empresas de natureza e cultura muito diferenciada. DA CRONOLOGIA DA OPERAÇÃO Segundo o que descreve os autos a operação teria ocorrido em 29 de dezembro de 2005, a seguir apresentase as principais etapas da operação: SITUAÇÃO INICIAL A sociedade empresária SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, constituída pelos sócios PEDRO ALCÂNTARA REGO DE LIMA (12,282%), PAULO TARSO REGO DE LIMA (12,282%), VICENTE DE PAULA REGO DE LIMA (12,282%) e PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A (63,162%), sendo que a Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 26 PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A era composta pelos três irmãos Lima, PEDRO, PAULO e VICENTE, cada um com 33,333% de suas ações. As partes vendedoras constituíram a empresa veículo SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A; CONSTITUIÇÃO DAS EMPRESAS VEÍCULOS 31/05/2005, foi constituída por Assembleia Geral a empresa ALIMA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, com sede em São Paulo, tendo como sócios LAGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA (a qual se declarou inativa perante a Receita Federal no anocalendário de 2005) e uma PESSOA FÍSICA. O capital social da ALIMA era de R$ 500,00 (quinhentos reais). 9/12/2005, em Assembleia Geral Extraordinária, os sócios da ALIMA decidem “ceder” todas as suas ações para a empresa PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A. Na mesma AGE, foi decidido: a alteração do nome empresarial da ALIMA para SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A; a mudança do objeto social da companhia para incluir também a compra, processamento e venda de produtos de café; o aumento de capital da companhia no valor de R$ 27.675.974,00 mediante a emissão de 27.675.974 novas ações ordinárias no valor nominal de R$ 1,00, mediante conferência à companhia de todas as quotas detidas pelos novos acionistas PAULO, PEDRO e VICENTE, bem como a própia PRL, na SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Notese que ai surge a empresa veículo SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, tendo como sócios PEDRO, PAULO, VICENTE e a PRL PARTICIPAÇÕES. Nesse momento a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A se tornou sócia única da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Na parte das compradoras havia também uma empresa veículo a ELITE DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, conforme mencionado no Termo de Verificação Fiscal. Ficou, então, constituído que precede à operação de venda. De um lado havia a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A como única quotista da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e, do outro, a ELITE DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. DIA DA OPERAÇÃO (29/12/2005) 29/12/2005 Em AGE realizada, foi aprovado o aumento do capital social na ordem de R$ 122.074.875,00, mediante a criação de 13.428.249 ações ordinárias sem valor nominal, integralizadas pela ELITE INTERNACIONAL BV através de créditos que esta detinha com a própria CAFÉ TRÊS CORAÇÕES. 29/12/2005 Na mesma AGE, foi aprovada a celebração do Contrato de Joint Venture e do Acordo de Acionistas entre a ELITE INTERNACIONAL BV e a PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A relativos à SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES. A CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A anuiu a esse contrato na forma de interveniente. 29/12/2005 Por intermédio da alteração do contrato social da ELITE DO BRASIL, houve o aumento de capital da sociedade em R$ 216.028.200,00, pela criação de novas quotas integralizadas totalmente pela sócia ELITE INTERNACIONAL BV mediante 13.855,748 ações ordinárias que detinha na CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A no valor de R$ 76.500.000,00, bem como aporte em dinheiro no valor de R$ 139.528.200,00; Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 15 27 29/12/2005 Em AGE às 14h, a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A aumentou seu próprio capital social em R$ 17.477.292,00, mediante a criação da mesma quantidade de ações classe “C”. 29/12/2005 A ELITE DO BRASIL, empresa veículo da ELITE INTERNACIONAL BV, integraliza as novas ações da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A pagando R$ 215.500.000,000, mediante o aporte de R$ 139.000.000,00 em moeda nacional e cessão de 13.855.748 ações ordinárias que detinha no capital da CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A pelo valor de R$ 76.500.000,00. Isso gerou a inserção de R$ 17.477.292,00 no próprio capital social e a constituição de R$ 198.022.708,00 de Reserva de Ágio. A ELITE DO BRASIL é agora acionista da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, a qual é quotista única da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. 29/12/2005, às 19h, esta companhia aprovou o resgate das ações dos três irmãos, extinguindo a “Classe B” de ações, titularizada pelas pessoas físicas, e reduzindo o capital social da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A em virtude da saída dos três sócios. As Classes A e C, titularizadas respectivamente pela PRL e pela ELITE DO BRASIL, foram unificadas, tendo os sócios os mesmos direitos. Ao final do processo a ELITE DO BRASIL, controlada pelos compradores do grupo STRAUSSELITE, e a PRL, controlada pelos vendedores do grupo SANTA CLARA, detinham cada um 50% do controle acionário da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, a qual era quotista única da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Os três irmãos se retiraram da sociedade recebendo os valores integralizados na SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES pelo grupo STRAUSSELITE, DA NATUREZA DA OPERAÇÃO Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, o montante de R$215.500.000,00 é compatível com a avaliação patrimonial da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Segundo os autos em 2005, em avaliação pela empresa APPRAISAL – AVALIAÇÕES E PERÍCIAS S/C LTDA do valor da joint venture entre a CAFÉ TRÊS CORAÇÕES e SANTA CLARA, totalizaria um valor entre R$ 540 e 590 milhões. Considerando que a CAFÉ TRÊS CORAÇÕES foi avaliada em laudo da mesma consultoria por R$ 76.577.146,00, o valor da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA gravitava entre R$ 439.334.000,00 e R$ 513.500.000,00, sendo o preço de 50% de suas quotas R$ 219.600.000,00, valor próximo do “investido” pelo grupo STRAUSSELITE. Registrese que : 09/12/2005, a SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA reduziu seu capital social de R$ 63.545.048,25 para R$ 15.673.023,87 (diferença de R$ 47.872.024,38). Este valor foi liberado para os sócios, cabendo aos contribuintes PEDRO e PAULO o valor de R$ 4.467.896,04; Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 28 29/12/2005, o capital da sociedade SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA foi aumentado para R$ 99.179.871,11 (diferença de R$ 83.506.847,24), sendo essa diferença integralizada pela SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A com recursos recebidos da ELITE INTERNACIONAL BV, através da ELITE DO BRASIL. 29/12/2005, houve a operação descrita anteriormente, pela qual a ELITE DO BRASIL aporta R$ 215.500.000,00 na SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A como investimento para integralização de ações. Com a redução do capital social da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, além do valor a que fariam jus os sócios pessoas físicas, também lhe foram distribuídos denominados lucros acumulados. O pagamento se deu por intermédio de um TED para a conta conjunta dos três irmãos no valor total de R$ 24.404.252,12. Na mesma data, ocorreu a redução de capital da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A pela extinção da classe de ações dos sócios pessoas físicas. Nessa operação, foi destinado aos sócios retirantes o valor de R$ 44.927.890,00. Esse valor também foi depositado em conta conjunta dos irmãos via TED. A soma dos valores depositados pelas duas empresas do grupo SANTA CLARA é de R$ 69.292.556,76, totalizando R$ 23.463.400,00 para cada um dos exsócios. Observe que esse vultuoso pagamento foi realizado logo após o aporte de R$ 215.500.000,00 da ELITE DO BRASIL no grupo SANTA CLARA. DOS CRITÉRIO DE VALIDADE DE UM PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO O que é válido fazer para reduzir, postergar ou afastar a incidência de tributos (“tax avoidance”) com uso de operações societárias? Responder a esta pergunta não é tarefa fácil. No Brasil, esta dificuldade é agravada pelo fato das figuras jurídicas formalmente apontadas para realizar tal balizamento como “simulação”, “fraude à lei”, dentre outras na prática, serem aplicadas de forma confusa e imprecisa. Shoueri et. al., em 2010, realizaram uma pesquisa a partir dos “acórdãos” (nome dado aos julgamentos) do então CC, onde se procurou identificar estes “reais” critérios utilizados pelos julgadores na análise de atividades de planejamento tributário. Tal estudo, abrindo mão de rastrear conceitos préestabelecidos pela legislação (como os citados acima), partiu diretamente das características fáticas e argumentativas trazidas pelos julgadores (conselheiros) e analisouos em face de sua conclusão, fazendo uso da metodologia criada por Alchourrón e Bulygin em 1975, conhecida como “normative systems”. Esta técnica assemelhase a ou é uma espécie de metodologia de análise de conteúdo. Entretanto, ela encontra maior compatibilidade para uso em conteúdos jurídicos (SHOUERI et al, 2010; SANTI, 2012), já que as tradicionais metodologias de análise de conteúdo carregam um compromisso muito grande pelo que está efetivamente escrito (se há a presença deste ou daquele termo, etc.), enquanto o “normative systems” permite algum tipo de interpretação, ou sistematização de ideias que permita interpretação posterior: “O modelo mais adequado para sistematizar o material jurídico e identificar suas inconsistências é o ‘Normative Systems’. Desta forma, SHOUERI et al (2010) analisaram acórdãos publicados entre 2002 e 2008 (além de algumas decisões mais antigas) que discutiram condutas de tax avoidance um número total de 78 acórdãos , e chegaram as seguintes conclusões: Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 16 29 a) O Conselho de Contribuintes considera inválidos os planejamentos tributários sempre que considera que os fatos não ocorreram tais como descritos pelos contribuintes; b) A desconsideração dos fatos tais como descritos pelos contribuintes se dá de forma direta, a partir da constatação de que os negócios jurídicos praticados não correspondem à realidade. Contudo, em muitos casos, o critério relevante para desconsiderálos foi a falta de motivos extratributários para as estruturas negociais. Não está claro se o Conselho de Contribuintes considera a falta de motivos como critério autônomo para invalidar o planejamento, ou se o emprega como indício de simulação; c) Para constatar a falta de motivos nãotributários para os negócios, o Conselho de Contribuintes leva em consideração, principalmente, a adequação do intervalo temporal entre os negócios jurídicos praticados e a sua coerência com as atividades empresariais do contribuinte. A independência entre as partes é fator relevante nos julgamentos do órgão, mas não é tão determinante quanto os demais. Estes fatores podem implicar, também, a desconsideração direta dos negócios praticados pelos contribuintes, sem qualquer referência aos motivos empresariais; d) O atendimento às regras cogentes nãotributárias é importante para a estruturação de operações aceitas pelo Conselho de Contribuintes, que tende a considerar inválidos os planejamentos tributários que violam as normas jurídicas não tributárias, formais ou materiais. Mas não é garantia de sucesso do planejamento, vez que o tribunal administrativo julgou inválidos diversos casos de planejamento tributário em que os contribuintes observaram todas as normais legais pertinentes ao negócio. (SHOUERI et al, 2010, p. 440). Com base nessas considerações gerais cabe apontar as principais características do caso concreto, identificando critérios para análise da validade do planejamento tributário. 1. A operação teve outros motivos que não os tributários? Não. Havia um interesse especial em assegurar o menor pagamento de tributos por parte do recorrente. Em suma no caso concreto, não se identifica uma motivação, outra que não a fiscal para a realização da operação, que poderia ser feita de modo mais direto e objetivo. 2. Houve um adequado intervalo temporal entre as operações? Não. As operações foram realizadas concentradas no dia 29/12/2005. Todos a maioria dos atos foram concentrados no mês de dezembro de 2005 3. Os fatos foram considerados existentes tais como foram descritos pelo contribuinte? Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 30 Não. Ficou a dúvida se seria realmente uma operação de Joint Venture. A definição de uma joint venture prescinde uma idéia de parceria, nos termos expostos transpareceu como uma operação de aquisição. 4. Foram observadas as regras cogentes nãotributárias? Não é apontada qualquer ilegalidade de regras cogentes não tributárias. Entretanto no que toca a joint ventures, merece destaque a observação presente no Termo de Verificação de que o recorrente não teria disponibilizado a fiscalização o préacordo, ou mesmo o acordo de acionista, que se seria de esperar numa operação dessa natureza e complexidade. 5. As partes envolvidas eram independentes? Não. Ocorreram operações envolvendo empresas veículo, controladas e utilizada exclusivamente para a operação. As transações realizadas entre com as empresas veículo foram cruciais para o planejamento tributário proposto. 6. Existe coerência entre as operações e as atividades empresariais das partes envolvidas? Não. As operações poderiam ser realizada diretamente, com a simples aquisições das ações do recorrente, sem a realização de uma serie encadeada de operações, estruturadas para dessimular os atos apresentados. No contexto apresentado não vejo como dar guarida ao planejamento tributário utilizado. Em face de todos os elementos detalhadamente expostos no termo de verificação fiscal não vejo como acolher os argumentos do Recorrente. Conforme posição consolidada em vários precedente no CARF, se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária. Os fatos desencadeados pelas empresas envolvidas nas operações, representam, no meu entendimento, uma série de atos que não guardam qualquer correspondência com a real intenção das partes, porquanto se produziu uma série de documentos envolvendo uma pretensa operação de participação societária, quando na verdade o único objetivo do negócio foi de transferir parte das atividades do recorrente para a empresa adquirente, afastando o ônus tributário. Pragmaticamente, tenho dificuldade em conciliar o argumento de que ocorreu um mero investimento para formação de joint venture com empresa estrangeira e, no mesmo intervalo, tenha sido liberado o pagamento de lucros acumulados, resgate de quotas, resgate de ações, crédito para futuro aumento de capital e juros sobre o capital próprio. DA BASE DE CÁLCULO DA INFRAÇÃO A base de cálculo do IRPF, no caso, foi calculada considerandose a participação de cada irmãosócio no capital social da SANTA CLARA INDÚSTRIA E Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 17 31 COMÉRCIO LTDA (12,282%), aplicado sobre o ganho de capital de R$ 165.910.064,40 (diferença entre o preço de R$ 215.500.000,00 e o custo de aquisição de R$ 49.595.935,56), totalizando um ganho de capital tributável para cada contribuinte no valor de R$20.377.074,12. Com fins ilustrativo a fiscalização apresentou no termo de verificação fiscal na fls 37 tentativa de explicar como os valores efetivamente entraram na conta corrente dos irmãos, no mesmo dia da venda. No cálculo ilustrativo proposto pela fiscalização o valor recebido seria de R$ 20.342.302,72. Nesse ponto o recorrente questiona essa diferença numérica, entretanto cabe registrar que essa não foi a base de cálculo utilizada para apuração do imposto. Devese reconhecer que a ilustração da fiscalização não é a mais coerente e gera dúvidas, portanto não merece ser enfatizadas. Porem isso não compromete o critério efetivamente utilizado para apurar a base de cálculo. Na realidade mais oportuno, no caso concreto, seria demonstrar o que os contribuintes teriam recebido no dia 29/12/2005, e nesse ponto constatase que no dia 29/12/2005, o recorrente e irmãos tiveram depositados em sua conta corrente mediante TED e mediante um crédito na Santa Clara Participações o montante equivalente a venda de parte de suas ações. Aprecie no quadro a seguir o demonstrativo de base de cálculo da fiscalização (16), o exemplo ilustrativo oferecido pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (811) e a relação dos valores recebidos pelo recorrente e irmãos no dia 29/12 fruto da venda de sua participação (1217). 1. Valor de Alienação 215.500.000,00 2. Participação Individual, % 12,282% 3. Participação Individual R$ 26.467.710,00 4. Valor de 50% das Cotas 49.589.935,56 5. Custo Individual ´=2 x 4 6.090.635,89 6. Ganho de Capital ´= 3‐5 20.377.074,11 8. Dividendos 898.283,33 9. Redução Capital 4.468.055,61 10. Resgate Ações 14.975.963,78 11. Ganho de Capital (exemplo) 20.342.302,72 12. Recebimentos TED SC LTDA 24.404.252,12 13. Recebimentos TED SC S/A 44.927.890,32 14. Crédito Contábil na SC S/A 10.000.000,00 15. Creditos a Favor dos Irmãos 79.332.142,44 16. Participação Individual, % 33,333% 17. Participação Individual, R$ 26.444.047,48 Por oportuno, mediante o lançamento se afasta os efeitos de vários negócios intermediários sem causa, na estruturação das chamadas step transactions. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes ou pelos contribuintes. Ou seja o que vale é a efetiva venda das participações societárias, perdendo validade os efeitos desejados das normas de contorno propostas. Em suma, a maneira como o recorrente procedeu o Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 32 pagamento dessas aquisição é desconstituída pelos efeitos jurídicos propostos. Não haveria nesse contexto como coexistir a operação venda de ações, com a distribuição de dividendos, redução de capital e resgate de ações. O que se passa a tributar é a operação de venda de ações com ganho de capital. Da Multa Qualificada Segundo a fiscalização a recorrente teria simulado a operação, adotando conduta no sentido de impedir o lançamento e retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária. Inobstante respeitável entendimento da autoridade fiscalizadora, não vejo circunstâncias que caracterizem um evidente intuito de fraude. Na verdade, como já se demonstrou as escâncaras, tratouse de um sucessão de negócios jurídicos típicos produzindo um efeito atípico, de fraudar as leis do Imposto de Renda, usando “norma de cobertura”, que protegeria a conduta realizada, isentandoa do pagamento dos tributos devidos. Não há dolo ou evidente intuito de fraude, pois a “fraude a lei” significa a fraude com a acepção totalmente diferente da fraude referida no art. 72 da Lei nº 4.502/64. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 18 33 No caso concreto não tenho como presumir que a conduta foi eivada de vício, mas tão somente de omitir do fisco com conhecimento de fato relevante. MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Nestes termos, posicionome no sentido de rejeitar as preliminares, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso de voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Da Incidência de Juros Sobre a Multa de Ofício Acompanho o entendimento da legalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Uma análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio reduzindoa a 75% (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 34 Declaração de Voto O voto do nobre relator conselheiro AntonioLopo Martinez, está muito bem fundamentado. Apesar das razões e fundamentos que o levaram a chegar a tal conclusão, tenho entendimento diverso do dele em alguns pontos, daí a razão de ter necessidade de elaborar a presente declaração de voto Antes de mais nada gostaria de destacar que o assunto por nós analisado não é novo nesse tribunal administrativo. Ele já foi analisado por diversas vezes, por nosso órgão de julgamento. E cabe a nós decidirmos se essa operação teve como finalidade esconder uma operação de compra e venda, onde se procura reduzir o ganho de capital tributável, ou se o caso dos autos foi uma legítima reestruturação societária, que teve motivação econômica para ocorrer. Para tanto gostaria de citar recente caso que foi julgado por esse respeitável tribunal administrativo, conforme ementa abaixo transcrita: CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 1401 00.582 em 29/06/2011 IRPJ/CSLL ASSUNTO: AUTO DE INFRAÇÃO. EMENTA NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. OPERAÇÃO CASAS E PARA . A subscrição de novas ações de uma sociedade anônima, com a sua integralização em dinheiro e registro de ágio, para subseqüente retirada da sociedade da sócia originária, com resgate das ações para guarda e posterior cancelamento caracteriza negócio jurídico indireto de venda da participação societária. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O fato de ser um negócio jurídico indireto não traz a consequência direta de tornar eficaz o procedimento da interessada, pois essa figura não é oponível ao fisco quando, como é o caso concreto, sem propósito negocial algum, visto de seu todo, visar apenas a mera economia de tributos. No caso concreto, houve por conseguinte fraude à lei do imposto de renda que comanda a tributação do ganho de capital na Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 19 35 alienação de bens do ativo permanente através da utilização de norma de cobertura. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. MULTA. No negócio jurídico indireto, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estendese ao lançamentos decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade por erro na imposição da base de cálculo, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e KaremJureidini Dias. Por maioria de votos, dar provimento parcial para afastar a multa qualificada, vencido o conselheiro Maurício Pereira Faro que dava provimento integral ao recurso. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Podemos verificar que, o que caracteriza uma operação como sendo de casa e separa, onde o real intuito das partes é mitigar a tributação do ganho de capital tentando ocultar uma operação de compra e venda seriam: a) as operações são realizadas em curto espaço de tempo, normalmente em horas ou dias; e, b) ausência de propósito negocial – não há motivação lógica e jurídica que a realização de toda reestruturação societária, pois a real intenção é efetuar uma compra e venda. Peço licença para transcrever o trecho do voto do conselheiro Antonio Bezerra Neto onde isso fica bem claro: Recordemos. No caso concreto, foram estruturados em seqüência os atos societários abaixo mencionados, realizados na TATERKA Comunicações S/A: 1) no dia 17/02/2003, a subscrição, pela TBWA Brasil Participações S/C Ltda., de 28.333 ações, ao valor nominal de R$ 1,00 cada uma, pelo valor de R$ 5.500.000,00, ou seja, com ágio de R$ 5.471.667,00, Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 36 levado a conta de reserva de capital; 2) no dia seguinte, 18/02/2003, a incorporação da dita reserva ao capital e a cisão parcial da companhia, com a versão de ativos aos antigos sócios, Vera Cruz Eventos Ltda. e Dorian Taterka. Notese que fora previamente estipulada a cisão parcial e seletiva da companhia investida, o que fica evidente na leitura do Anexo I à Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 17/02/2003 (fl. 37), que registra a necessidade "de saneamento do seu balanço, mediante a eliminação de ativos que não oferecem perspectivas próprias de retorno dos investimentos ". Diversos negócios, portanto, concatenados em curto espaço de tempo, cujas funções se conjugam para a produção dos efeitos de um negócio de cuja forma se desejou esquivar, exclusivamente por motivos tributários. Por outras palavras, como já se demonstrou as escâncaras, tratouse de um sucessão de negócios jurídicos típicos produzindo um efeito atípico, de fraudar as leis do Imposto de Renda, usando “norma de cobertura” sem propósito negocial algum que protegeria a conduta realizada, isentandoa do pagamento dos tributos devidos, com fins meramente de economia tributária. Propósito Negocial Elemento importante no processo de interpretação do fato para formação da convicção do julgador no sentido de desconsiderar o negócio jurídico com fins meramente de economia tributável. A esse respeito, dos autos extraio a completa falta do propósito negocial, trilhando a Recorrente o caminho mais complexo. Tais características (realização da operação e curto espaço de tempo e sem propósito negocial) também foram observadas nos casos julgados cuja ementa seguem abaixo transcritas: 1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara / ACÓRDÃO 108 09.037 em 18.10.2006 IRPJ e OUTROS EX.: 2001 OPERAÇÃO ÁGIO SUBSCRIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM ÁGIO E SUBSEQÜENTE CISÃO VERDADEIRA ALIENÇÃO DE PARTICIPAÇÃO Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária. PENALIDADE QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INOCORRÊNCIA SIMULAÇÃO RELATIVA A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 20 37 da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos IRPJ ATO NEGOCIAL ABUSO DE FORMA A ação do contribuinte de procurar reduzir a carga tributária, por meio de procedimentos lícitos, legítimos e admitidos por lei revela o planejamento tributário. Porém, tendo o Fisco demonstrado à evidência o abuso de forma, bem como a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabível a desqualificação do negócio jurídico original, exclusivamente para efeitos fiscais, requalificandoo segundo a descrição normativotributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos. (ACÓRDÃO 10195552) CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 1401 00.155 em 28/01/2010 IRPJ E OUTROS Ganho de Capital ASSUNTO: NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO A simulação existe quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, Para se identificar a natureza do negócio praticado pelo contribuinte, deve ser identificada qual é a sua causalidade, ainda que esta causalidade seja verificada na sucessão de vários negócios intermediários sem causa, na estruturação das chamadas steptransactions. Assim, negócio jurídico sem causa não pode ser caracterizado como negócio jurídico indireto. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes ou pelos contribuintes. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 38 SIMULAÇÃO A subscrição de novas ações de uma sociedade anônima, com a sua integralização em dinheiro e registro de ágio, para subseqüente retirada da sociedade da sócia originária, com resgate das ações para guarda e posterior cancelamento caracteriza simulação de venda da participação societária. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA. No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede ao argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo refere se à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. MULTA ISOLADA E MULTA ACOMPANHADA DE TRIBUTO. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. Por se referirem as inflações distintas, a multa de oficio exigida isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa no curso do ano calendário, que deixou de ser recolhido, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso , nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, dar provimento para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento), vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à multa isolado vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira (Relator), João Francisco Bianco e KaremJureidini Dias, designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor em relação a esta MATÉRIA ; III) Por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos os Conselheiros João Francisco Bianco e KaremJureidini Dias; e IV) Por maioria de votos, em relação à manutenção do lançamento, negar provimento ao recurso , vencido o Conselheiro João Francisco Bianco que dava provimento integral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e João Francisco Bianco apresentarão declarações de voto. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 21 39 Podemos verificar que nos casos acima citados que foram julgados por esse respeitável tribunal administrativo, ficou claro que a real intenção das partes era de realizar uma compra e venda de participação societária e não uma reestruturação societária. Que no meu entender está correto o entendimentos esposados pelas turmas de julgamento. Feitas essas considerações iniciais, passarei a analisar se no caso que estamos analisando tais condições ocorreram ou não. A questão a ser analisada, é o que levou a Recorrente e seus sócios, a efetuar a reestruturação societária objeto de questionamento por parte da autoridade fiscal. Podemos verificar que a reestruturação societária efetuada pela Recorrenteconsistiu na montagem de um sistema de associação de empresas, “joint venture”, entre as empresas SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, com criação das empresas, SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A (HOLDING), por parte da empresa SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, e ELITE DO BRASIL PARTICIPAÇÕES S/A, por parte da empresa ELITE INTERNACIONAL BV (CAFÉ TRÊS CORAÇÕES). Como resultado da “joint venture”, a empresa ELITE INTERNACIONAL BV, sócia da empresa CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A, passou a fazer parte do quadro societário da empresa CAFÉ SANTA CLARA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA, como participação de 50% do capital social, juntamente com a empresa PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, com participação de 50%. Podemos concluir que todos os atos praticados pela RECORRENTE, no tocante aos efeitos fiscais que deles decorrem, estão devidamente regulados e foram todos observados. Nada impede do contribuinte buscar na legislação comercial e societária o caminho que lhe seja mais conveniente, desde que se submeta aos efeitos fiscais decorrentes da opção adotada. Analisando os efeitos de cada um deles, ele pode optar pelo caminho fiscalmente lícito que melhor se ajusta a seus objetivos, aderindo a norma tributária da melhor maneira possível. Além disso, não é fato desconhecido pelos operadores do Direito, bem como administradores empresariais, que a estruturação dos negócios jurídicos, deve ser pautada de modo a arcarse com o menor ônus tributário possível, sendo para isso podem ser utilizadas as formas legais – não vedadas pelo ordenamento jurídico pátrio – é prática comum e corriqueira realizadas pelas empresas em geral, que visam minimizar o impacto dos tributos sobre sua situação financeira, econômica e patrimonial. Na realidade, a boa gestão tributária não se limita a optar por esta ou aquela opção de tributação existente na legislação competente, mas de, efetivamente, elaborar um estudo e traçar estratégias, a fim de propiciar um menor desembolso com o gasto tributário. São casos exemplificativos: opção pelo regime do lucro real ou do presumido, ou ainda pelo Simples (atendidos os limites legais); creditar ou não juros sobre o Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 40 capital próprio; reavaliar ou não ativos da empresa; depreciar ou não ativos, ou ainda, usar de depreciação acelerada ou não. Dentre outras! No meu entender a Recorrente utilizouse de opção fiscal como ferramenta de gestão estratégica empresarial, o que não é lhe é vedado pelo ordenamento jurídico, muito pelo contrário, tanto não é vedado, que nossa legislação trata como um dever dos administradores de sociedades.1 O particular tem o direito de organizar seus negócios jurídicos da forma que melhor lhe aprouver, sob o aspecto fiscal, eis que o próprio ordenamento jurídico lhe faculta optar por um determinado regime tributário mais benéfico, independentemente de qualquer razão extratributária, a qual, no entanto, no caso presente está presente e era efetivamente necessária, conforme cabalmente comprovado nos autos. Assim resumindo o que se praticou, temos que: Houve Planejamento mais amplo, que envolveu efeitos de ordem Societária, mas que era necessário naquele momento tendo em vista estratégia empresarial de crescimento de participação no mercado de café, e que acabou sendo efetivamente implementado; No que diz respeito à parte tributária, usouse de Opção permitida pela Lei, materializado por escolha dentre duas ou mais OPÇÕES FISCAIS, todas lícitas e vigentes, calcadas em permissão expressa na Lei, sem que houvesse nelas quaisquer lacunas. Desta forma, o contribuinte não pode ser penalizado pelo fato de ter optado pelo caminho que oferecesse menor carga tributária, desde que a operação tivesse o devido propósito negocial, que é o que podemos verificar que houve no caso em concreto. Além do mais em momento algum a autoridade lançadora questionou a validade da distribuição de lucros e redução de capital efetuada pelo RECORRENTE, que na data da operação possuía disponibilidade para efetuar tal pagamento. Desta forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso interposto pela Recorrente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior 1Art. 155, da Lei nº 6.404/76, dentre outros. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 22 41 DECLARAÇÃO DE VOTO Em que pese o bem fundamentado voto do relator conselheiro, ouso dele dissentir como abaixo exponho. 1) Ausência de fundamentação legal para a autuação Primeiramente é necessário verificar que o auto de lançamento é nulo por ausência de fundamento legal. Da leitura do termo de verificação fiscal percebese claramente que ele se fundamenta na ocorrência de suposta simulação. Para tanto, há a obrigatoriedade da desconsideração da operação ocorrer sob a égide do art. 149, ou então pelo art. 116, parágrafo único, ambos do CTN, ou enfim, com assento em ALGUM dispositivo legal, seja de que diploma for. Todavia, da leitura do auto de infração (fl.4), percebese que não há nele qualquer menção aos referidos artigos, ou a qualquer dispositivo que trate de abuso de forma ou descaracterização do negócio jurídico. Ou seja, houve desconsideração do negócio jurídico SEM RESPALDO EM DISPOSITIVO LEGAL. Vejase o enquadramento legal dado: É de suma importância para o contribuinte saber de que imputação está se defendendo, para poder apresentar sua defesa. No caso, não tendo o auto sequer optado por um dos dispositivos, todos, ou mesmo outro, não há embasamento legal para a desconsideração do negócio formulado, acarretando nulidade diante do incontornável cerceamento de defesa. Verificase o descumprimento do art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.2357 cumulado com art. 59, inciso II, do mesmo diploma legal que assim dispõem: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 42 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse sentido, precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2007, 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A descrição dos fatos e enquadramento legal incompletos ensejam a nulidade do auto de infração, se resta configurado prejuízo ao direito de defesa da recorrente. CSLL. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DO IRPJ. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Igual sorte devem colher os lançamentos decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração de IRPJ, na medida que inexistem circunstâncias ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. (Acórdão nº 1301001.314, Relator(a) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior) Sendo assim, entendo que ocorre a nulidade do auto de lançamento no ponto, por cerceamento de defesa. 2) Sobre a desconsideração do negócio jurídico lícito, a exigência de lex praevia e o vício de fundamentação “Alguém devia ter caluniado Josef K., visto que uma manhã o prenderam, embora ele não tivesse feito qualquer mal”. A frase vestibular da obra O Processo de Franz Kafka ilustra com riqueza a insegurança e opressão gerada sobre o indivíduo quando não há qualquer amarra de legalidade e previsibilidade entre a acusação (e o processo que a veicula) e aquele sobre o qual recai. É sob essa égide que o tema do planejamento tributário vem sendo tratado no Direito brasileiro, quando autos de infração são lavrados sob o argumento de que a Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 23 43 operação realizada pelo contribuinte, em que pese formalmente válida, teve como único fim a redução da carga tributária, sem qualquer propósito negocial ou substrato econômico. A partir dessa premissa, o Fisco não busca questionar a legalidade da operação redutora de tributos, mas limitase a desconsiderar as operações realizadas, porque ausentes de outras motivações que não a economia tributária. Utilizandose de termos como ausência de propósito negocial, ausência de substrato econômico, ausência de motivos extratributários, o Fisco passa a tributar operações legítimas. Gostaria de fazer um alerta sobre os perigos de uma tal linha de ação. O apego à lei está na própria razão de ser do Direito Tributário, nascido como foi dos excessos e arbitrariedades na cobrança de impostos, que desaguaram na máxima “no taxation without representation” estampada na histórica Carta de João Sem Terra de 1215. Ou ainda, a vitória da objetividade e da certeza sobre a subjetividade e a incerteza na imposição e cobrança tributárias. Agora vemonos voltando à Idade Média, permitindo que se cobre tributos onde a lei rigorosa e objetivamente NÃO PREVÊ; autorizando que o crédito tributário seja criado a partir não da vontade do Congresso, mas da criação cerebrina de um único sujeito que edita novos fatos geradores, declarada e reconhecidamente SEM previsão pontual em lei, senão que baseados em ilações, analogias e num enunciado geral que autoriza a desconsideração de negócios jurídicos, como se isso bastasse para criar tributo sem previsão em lei. A insegurança daí decorrente é total. E o “ganho” do Fisco daí resultante é um ganho instantâneo que, dado o clima de incerteza que gera, só implica aumento de arrecadação naquele microscópico caso, pois no cenário geral do nível de arrecadação, deteriora as contas do Fisco, pois afugenta toda sorte de investimento. O capital, já se disse, é um animal que se assusta fácil. E foge. Em outras palavras, a aceitação de tal sorte de prática constitui a típica vitória de Pirro, expressão que, aliás, se origina justamente de frase pronunciada pelo general greco Pirro que, após a vitória na batalha de Ásculo com um estrondoso número de baixas disse: “mais uma vitória como essa e estamos perdidos”. Pois assim é com o tratamento dado pela Receita hoje aos planejamentos tributários. O primeiro ponto que está na base do raciocínio das autuações que, como a presente, desconsideram operações LÍCITAS, está em considerar que toda operação que tem como única finalidade reduzir tributos é ILÍCITA. Em outras palavras, o contribuinte não pode objetivar economizar tributos, sendo este um fim em si mesmo. E aí já aflora a primeira incoerência: ora, o Direito Tributário – tal como o Direito Penal – é um direito de DEFESA, constituído para proteção do contribuinte e limitação do Poder do Estado (que não por outra razão se nomina “competência”, terminologia que supõe o Poder recortado e perfeitamente delimitado). Justamente por isso a CF contém um Capítulo nominado “Limitações ao Poder de Tributar”, no qual dispõe que “sem prejuízo de outras garantias” é vedado ao Estado (...), a evidenciar que o rol de garantias é aberto e deseja o influxo de OUTRAS garantias adicionais, em contraste com o rol de “Poderes”, que é numerus clausus. Como já disse TIPKE, “en general puede afirmarse que los funcionarios de Hacienda no tienen el deber de ‘recaudar todos los impuestos posibles’ con cualquier tipo de medios. «El aumento de recaudación no puede ser el estímulo ni la medida del rendimiento del funcionario de Hacienda. Su ideal ha de ser, más bien, el de tutelar el Derecho tributario».” Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 44 (TIPKE, Klaus. Moral tributaria del estado y de los contribuyentes. Madrid: Marcial Pons, 2002. p. 82) Em outras palavras, fica evidente que o contribuinte possui o direito de pagar o menor tributo possível, dentro da lei. E que ao Estado só é autorizado exigir aquele sacrifício expressamente previsto em lei. Previsto em lei, digase, há de ser entendido como em “lei anteriormente POSTA”, já que o conceito de “lex praevia” é inerente à legalidade e supõe deveres conhecidos PREVIAMENTE à exigência; jamais CRIADOS PARA A EXIGÊNCIA. Como se sabe, a legalidade congrega não apenas uma garantia de certeza (lex certa), senão que também a garantia de que tal norma seja conhecida e compreendida pelo particular previamente à sua exigência (lex praevia), o que impede que por meio da somatória de dois ou mais enunciados se pretenda a criação de um terceiro, não previsto em lei alguma – nem, por isso mesmo, conhecido pelo particular e que redunde na exigência de imposto ou, pior, na imposição de sanção. Tratase de enxergar, no conjunto deôntico conformador do tipo de cada norma expressiva de sanção, também um limite objetivo, de modo a respeitar a relação “se...então” nele contida. E, com isso, impedirse que, da realização de um dado e único suposto (“se”), possam resultar inúmeras consequências, capazes de comprometer sua integridade lógica. À forma dáse a função de garantir a substância do direito, impedindose que no exercício hermenêutico se possa deformar o equilíbrio e o limite contido na relação de causa e consequência, pela adoção de resultado sancionador (final) não previsto em norma alguma (lex praevia).2 No caso, estáse criando a “lei” NO MESMO ATO pelo qual se exige o imposto e se impõe a sanção, o que se evidencia pela circunstância de que a “norma” não existia antes no ordenamento e passou a existir no exato momento de sua formulação pela autoridade lavradora do auto. Não podia ser antes conhecida, nem, consequentemente, poderia obrigar, vincular ou pautar o comportamento de quem quer que seja. Quanto mais para o efeito de se pretender que, do seu descumprimento, pudesse derivar o direito a punir. Mas admitamos – para efeitos meramente argumentativos que a busca pelo menor imposto é ILÍCITA se não acompanhada de um “propósito negocial” subjacente, que vá além da mera decisão de economizar e fazer uso da alternativa mais barata do ponto de vista tributário (de mais a mais um imperativo de qualquer negócio ou empresa, ou mesmo da dinâmica de economia doméstica). Ora, então morram de medo todos os aplicadores da poupança (que nela aplicam para fugir do IR cobrado nos demais investimentos), pois vocês serão os próximos! Morra de medo você, mecânico, eletricista ou marceneiro, que constitui uma empresa e a coloca no SIMPLES para pagar menos tributo. Afinal, suas decisões de investimento e de forma de se organizar juridicamente estão baseadas fundamentalmente na economia tributária delas decorrentes! 2 Por todos, citese a STC 60/1991 de 23 marzo, do Tribunal Constitucional Espanhol, que bem resume o tema: "el principio de legalidad comprende una doble garantía, la primera de orden material y alcance absoluto, referido tanto al ámbito estrictamente penal, como al de las sanciones administrativas, refleja la especial trascendencia del principio de seguridad jurídica en dichos campos limitativos y supone la imperiosa necesidad de predeterminación normativa de las conductas infractoras y de las sanciones correspondientes; es decir, la existencia de preceptos jurídicos (lex previa) que permitan predecir con suficiente grado de certeza (lex certa) aquellas conductas y se sepa a qué atenerse en cuanto a la aneja responsabilidad y a la eventual sanción; la segunda, de carácter formal, relativa a la exigencia y existencia de una norma de adecuado rango, y que este Tribunal ha identificado como la ley en sentido formal, interpretando así los términos legislación vigente del artículo 25 CE." Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 24 45 Ora, o Fisco só pode aquilo que a lei expressamente lhe autoriza e que, no mais, vige o prestígio à liberdade de iniciativa (valor estampado no artigo 1º da CF) e à propriedade privada (base do sistema capitalista), entendidos como base para o “desenvolvimento nacional” objetivado pelo art. 3º da Carta, a balizar nossa Ordem Econômica, na forma do art. 170. É ilícito, cobrar MAIS do que aquilo que a lei expressamente prevê, especialmente quando isso é feito sem que as regras do jogo sejam dadas a conhecer ANTES do ato que obriga e pune (lex praevia) o comportamento (vide arts. 105 e 106 do CTN). Mas, evoluindo na análise do caso, o que se vê é que, em autuações como a presente, não se atenta para o quadro normativo aplicável, isto é, não se perquire em quais situações o Código Tributário Nacional autorizou essa espécie de procedimento de desconsideração do negócio, nem se, na ausência de autorização expressa do Código Tributário Nacional, esse instituto pode ser utilizado. Deve ser questionado se os conceitos de propósito negocial, substrato econômico e fraude à lei tributária, podem ser usados como motivos da autuação, ou se seriam apenas meios para aferir a ocorrência de uma das anomalias para as quais o CTN permite o lançamento. O Nobre Relator faz referência em seu voto ao trabalho coordenado por Luiz Eduardo Schoueri, em 2010. Em referido estudo, os autores analisaram e sistematizaram as decisões do então Conselho de Contribuintes sobre planejamento tributário, procurando identificar o âmago dos critérios utilizados para definir quais seriam os fatores preponderantes para aferição da existência ou não de sua validade. A importância deste trabalho é grandiosa quando levamos em consideração que buscou e conseguiu sistematizar a ratio decidendi de 78 julgados do Conselho, encontrando um fio condutor do pensamento do Conselho para a (des)configuração do propósito negocial. Todavia, como adverte em suas conclusões, citadas inclusive pelo Nobre Relator: b) A desconsideração dos fatos tais como descritos pelos contribuintes se dá de forma direta, a partir da constatação de que os negócios jurídicos praticados não correspondem à realidade. Contudo, em muitos casos, o critério relevante para desconsiderálos foi a falta de motivos extratributários para as estruturas negociais. Não está claro se o Conselho de Contribuintes considera a falta de motivos como critério autônomo para invalidar o planejamento, ou se o emprega como indício de simulação; (SHOUERI et al, 2010, p. 440). Como bem apontado por Schoueri, é sobre este tema que o Conselho deveria se pronunciar: a ausência de critérios extratributários é suficiente para invalidar o planejamento tributário? Não sendo, pode ser utilizada como indício de simulação? Sendo usada como indício, é suficiente para desconsideração de planejamentos tributários por outras “patologias” que não a simulação, o dolo e a fraude? Para tanto, não se pode investigar tais questionamentos à luz unicamente da jurisprudência, senão que à luz da legislação tributária. Decorre do próprio Estado Democrático de Direito, que dispôs em seu artigo 5º, inciso II, da CF/88 que determina que “ninguém será Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 46 obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. A legalidade encontra nova especialização no âmbito tributário ao determinar, em seção referente às limitações ao Poder de Tributar, que é vedado aos Entes Tributantes “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”. Fora da legislação, portanto, não há como se permitir que o Fisco desconsidere qualquer negócio jurídico válido, para fins de efetuar a exigência tributária. Dito isso, necessário afirmar que não se pode aceitar que uma desconsideração de negócio jurídico se dê de qualquer forma que não decorra da Lei. Sequer como defendem alguns autores, com base em princípios como da capacidade contributiva ativa e no princípio da solidariedade. Tais princípios têm e devem ter suas vigências observadas enquanto normas programáticas, mas jamais podem ser usados como base para a própria CRIAÇÃO de NOVOS fatos geradores não previstos PONTUALMENTE em lei (tipicidade cerrada). Exposto esse questionamento, é necessário indagar quando a legislação tributária permite a desconsideração do negócio praticado. Nesse ponto, é evidente que a validade dos atos ou negócios jurídicos realizados pelo contribuinte representam um limite à sua liberdade fiscal. O artigo 149 do CTN, em seu inciso VII, previu que o lançamento será feito de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. A prática do ilícito com o intuito de evitar a tributação é que se chama de evasão tributária. Contrapondose à evasão, historicamente, a doutrina cunhou o termo da elisão fiscal, conceituada como “os atos ou omissões destinados a evitar, reduzir ou retardar o envolvimento do indivíduo na relação tributária, mediante a utilização de meios legalmente permitidos e sem que haja ‘divergências abusivas entre a forma jurídica adotada e a realidade econômica visada pelas partes”.3 A elisão, portanto, é lícita, e mesmo quando praticada com o único fim de evitar a tributação, não poderia ser objeto de revisão fiscal, salvo se expressamente previsto na Lei, nas chamadas normas antielisivas. Entre esses dois polos surgiu, à luz da doutrina estrangeira, a figura da elusão tributária, correspondente àqueles atos que, embora revestidos das legalidades formais, são praticados através de artifícios irreais, com intuito de contornar regras tributárias. Como referido por Heleno Taveira Tôrres, seria “o fenômeno pelo qual o contribuinte usa de meios dolosos para evitar a subsunção dos negócios praticados ao conceito normativo do fato típico e a respectiva imputação dos efeitos jurídicos, de constituição da obrigação tributária”4. Tratase de situação sui generis. O contribuinte não vem afrontar diretamente a lei tributária, como no caso da evasão, pois o negócio jurídico trazido a lume é válido formalmente. Ocorre, entretanto, que a motivação do contribuinte não encontra correspondência no substrato do negócio jurídico declarado, mas em outro cujos efeitos lhe interessam. Nesses casos, a figura da elusão permitiria que a administração tributária, embora reconhecendo a legalidade do negócio declarado, conseguisse atingir o âmago do negócio jurídico praticado e exigir a tributação correspondente a esse fato. Justamente por adentrar na seara de aspecto volitivo do contribuinte, é que cada país criou seus próprios mecanismos para sua contenção, geralmente atribuindo a correspondência entre o negócio praticado e declarado pela verificação de indícios 3 GERMANO, Livia de Carli. Planejamento Tributário e Limites para a Desconsideração dos Negócios Jurídicos. Editora Saraiva, 2013. 4 TÔRRES, Heleno Taveira. Limtes ao Planejamento tributário – normas antielusivas (gerais e preventivas) – a norma geral de desconsideração de atos ou negócios do direito brasileiro. In: Marins, James (Coord.). Tributação e Antielisão. Curitiba: Juruá, 2003, p. 40 Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 25 47 econômicos que motivassem o negócio jurídico, como é o caso das normas antielusivas do Direito Português5 e Espanhol6, bem como a Economic Substance Doctrine do Direito Americano. É importante notar que, na Espanha e em Portugal, tal disposição normativa não concorre com a ocorrência de simulação, que é instituto albergado em outro dispositivo dos referidos diplomas.7 8 O legislador pátrio, sabedor de que o lançamento de ofício previsto no art. 149 do CTN não alcançaria aquelas operações nas quais o contribuinte buscasse contornar, através de meios lícitos, a ocorrência do fato gerador, buscou introduzir norma que permitisse tal tributação. Assim, por meio da Lei Complementar nº 104/2001, que introduziu o parágrafo único do art. 116 do CTN, introduziu a figura da desconsideração do negócio jurídico praticado para dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Todavia, condicionou que tal desconsideração deveria obedecer aos procedimentos a serem obedecidos em lei. Na tentativa de regulamentar tais procedimentos, o Governo Federal apresentou a Medida Provisória nº 66/02 que, em seu artigo 14, expressamente determinava que: Art. 14. São passíveis de desconsideração os atos ou negócios jurídicos que visem a reduzir o valor de tributo, a evitar ou a 5Lei Geral Tributária (DecretoLei n.º 398/98). Artigo 38.º Ineficácia de actos e negócios jurídicos (...) 2 São ineficazes no âmbito tributário os actos ou negócios jurídicos essencial ou principalmente dirigidos, por meios artificiosos ou fraudulentos e com abuso das formas jurídicas, à redução, eliminação ou diferimento temporal de impostos que seriam devidos em resultado de factos, actos ou negócios jurídicos de idêntico fim económico, ou à obtenção de vantagens fiscais que não seriam alcançadas, total ou parcialmente, sem utilização desses meios, efectuandose então a tributação de acordo com as normas aplicáveis na sua ausência e não se produzindo as vantagens fiscais referidas. 6 Ley General Tributaria (Ley 58/2003) Artículo 15. Conflicto en la aplicación de la norma tributaria. 1. Se entenderá que existe conflicto en la aplicación de la norma tributaria cuando se evite total o parcialmente la realización del hecho imponible o se minore la base o la deuda tributaria mediante actos o negocios en los que concurran las siguientes circunstancias: a) Que, individualmente considerados o en su conjunto, sean notoriamente artificiosos o impropios para la consecución del resultado obtenido. b) Que de su utilización no resulten efectos jurídicos o económicos relevantes, distintos del ahorro fiscal y de los efectos que se hubieran obtenido con los actos o negocios usuales o propios. 2. Para que la Administración tributaria pueda declarar el conflicto en la aplicación de la norma tributaria será necesario el previo informe favorable de la Comisión consultiva a que se refiere el artículo 159 de esta ley. 3. En las liquidaciones que se realicen como resultado de lo dispuesto en este artículo se exigirá el tributo aplicando la norma que hubiera correspondido a los actos o negocios usuales o propios o eliminando las ventajas fiscales obtenidas, y se liquidarán intereses de demora, sin que proceda la imposición de sanciones. 7 Ley General Tributaria (Ley 58/2003) Artículo 16. Simulación. 1. En los actos o negocios en los que exista simulación, el hecho imponible gravado será el efectivamente realizado por las partes. 2. La existencia de simulación será declarada por la Administración tributaria en el correspondiente acto de liquidación, sin que dicha calificación produzca otros efectos que los exclusivamente tributarios. 3. En la regularización que proceda como consecuencia de la existencia de simulación se exigirán los intereses de demora y, en su caso, la sanción pertinente. 8 Lei Geral Tributária (DecretoLei n.º 398/98) Artigo 39.º Simulação dos negócios jurídicos 1 Em caso de simulação de negócio jurídico, a tributação recai sobre o negócio jurídico real e não sobre o negócio jurídico simulado. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 48 postergar o seu pagamento ou a ocultar os verdadeiros aspectos do fato gerador ou a real natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. § 1º Para a desconsideração de ato ou negócio jurídico dever seá levar em conta, entre outras, a ocorrência de: I falta de propósito negocial; ou II abuso de forma. § 2º Considerase indicativo de falta de propósito negocial a opção pela forma mais complexa ou mais onerosa, para os envolvidos, entre duas ou mais formas para a prática de determinado ato. § 3º Para o efeito do disposto no inciso II do § 1, considerase abuso de forma jurídica a prática de ato ou negócio jurídico indireto que produza o mesmo resultado econômico do ato ou negócio jurídico dissimulado. Vejase que a Medida Provisória nº 66/02, expressamente afirmou que, tanto a ausência de propósito negocial, quanto o abuso de forma, são meios para analisar e presumir que a vontade declarada está em descompasso com a vontade real e permitir a desconsideração do negócio jurídico praticado, para tributar o negócio jurídico pretendido intimamente pelo contribuinte. Ocorre que a tentativa de internalização desses procedimentos no ordenamento pátrio não foi efetuada, devido à rejeição da proposta governamental, em 2002, pelo Parlamento. Ou seja, a figura da desconsideração de negócio jurídico formalmente válido não é permitida no ordenamento jurídico brasileiro, porquanto o art. 116, parágrafo único, não possui vigência, eficácia ou validade à falta de lei regulatória. Nesse sentido, Ives Gandra da Silva Martins afirma que “não há, pois, no direito tributário brasileiro, regido pelo princípio da estrita legalidade, tipicidade fechada e reserva absoluta da lei tributária, a figura desconsiderativa, nem o princípio de que à falta de propósito negocial, o planejamento fiscal, que apenas objetive reduzir a carga tributária UTILIZANDOSE DO INSTRUMENTO LEGAL EXISTENTE, seja ilegal”. 9 Cotejando os artigos 149 e 116 do CTN percebese a diferença de seus alcances. A simulação, a teor do art. 167 do diploma civil, ocorre quando os negócios jurídicos aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, ou quando os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. No caso do art. 116, esses requisitos não são observados. Tratase de permissão de desconsideração quando os fatos reportados e declarações são verdadeiros, ou seja, não se está operando no âmbito da veracidade, mas no âmbito da vontade, da causa. E é justamente essa a grande novidade que veio trazer a norma prevista no art. 116 do CTN. O artigo 149 permitia o lançamento de ofício com base na simulação: ou seja, permitia desconsiderar atos que, em que pese declarados, não eram verdadeiros. Já o artigo 116 veio a permitir que aqueles atos que, declarados e existentes de fato, só ocorreram para contornar uma outra situação que exigia tributação mais elevada. 9 MARTINS, Ives Gandra da Silva. Grandes Questões em Discussão no CARF Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 26 49 Vejase que é justamente esse o substrato da presente autuação, conforme Item 3.2 fl. 14, do Termo de Verificação Fiscal “É sabido que o fato de cada uma das transações isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando resta comprovado que os atos praticados tinham intuito diverso daquele que lhes é próprio, pois no âmbito do direito tributário, o negócio jurídico formal, mesmo que devidamente estruturado com base na lei das sociedades por ações, não pode prevalecer se não representar o fato real ocorrido, quando este é tipificado como fato gerador do imposto de renda. É com foco nesse contexto, que passamos a descrever as principais etapas percorridas no Planejamento Tributário engendrado, o qual objetivou o afastamento da caracterização do negócio jurídico de compra e venda”. É interessante notar que ABERTAMENTE a autuação se dá com base no art. 116 do Código Tributário Nacional, embora tal artigo não seja elencado nos fundamentos da autuação, motivo pelo qual a fiscalização o utiliza, de maneira indireta, albergada pelo conceito de simulação. É o que se depreende, por exemplo, ao se referir: Item 1, fl. 9, “Para tanto (fugir da tributação do IRGC) os vendedores arquitetaram um planejamento tributário absolutamente contrário aos interesses do Fisco...” Item 3.2, fl. 14 “...visualizase uma série de atos praticados encadeadamente, tudo no sentido de consignar legitimidade entre aquilo que almejavam de fato (contrato de compra e venda) e aquilo que deixara contabilmente registrado apenas formalmente, mas não substancialmente” Item 3.2 item I, fl. 15 ao referir que a criação de empresa Laguna Participações, não “parece” ter propósito negocial, além de servir como instrumento para o negócio (venda) que os compradores e vendedores tinham em vista. Item 4, fl. 30, quando refere ser “importante lembrar que a liberdade de autoorganização não endossa a prática de atos sem motivação de negócio sob o argumento de exercício de planejamento tributário”. Percebese, portanto, que quem acaba por incidir em dissimulação é a própria autuação, pois apesar de tratarse de auto de infração verdadeiro e formalmente hígido com base no art. 149, na verdade esconde uma autuação com base no art. 116, parágrafo único, do CTN. Ou seja, sempre se concordou que a operação obedeceu a todas as formalidades, mas, utilizando método de aferição (propósito negocial) cuja internalização foi rechaçada pelo Parlamento, defende que tal operação não teve motivação, sendo usada unicamente para evitar a tributação incidente sobre uma compra e venda direta. Em tais situações é impossível cogitar da desconsideração, posto que demandaria a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN que, como vimos, não possui eficácia enquanto pendente de regulação. Nesse sentido já decidiu o CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006, 2007, 2008 SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. A utilização de uma empresa componente do grupo (Subsidiária integral) para a organização de negócios e a válida implementação da estrutura análoga às dos “correspondentes bancários” (Resolução BACEN no 3.110/2003 e 3.954/2011), mesmo que essa não possua estrutura própria, não se mostra suficiente para presumir a ocorrência de fraude. O reconhecimento da existência de “objetivo negocial” Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 50 não está atrelado à existência de empregados, escritórios ou demais elementos materiais, mas sim, de sua efetiva presença e atuação nos negócios considerados, o que efetivamente restou validamente comprovado nos autos. A caracterização de simulação, na presente vertente, sem a necessária configuração das hipóteses próprias do art. 167 do Código Civil, somente seria possível com a aplicação das disposições do parágrafo único do Art. 116 do CTN, o que, atualmente por falta de específica regulamentação , não pode ser promovido pelos agentes da fiscalização fazendária. (Acórdão: 1301001.356; Relator: Carlos Augusto de Andrade Jenier) Sendo assim, por todos esses fundamentos, entendo que merece ser cancelada a autuação. 3) Ad argumentandum: a verificação do propósito negocial à luz de uma possível qualificação de “simulação”, à luz do art. 149 do CTN Mas mesmo considerando que a conduta imputada pelo agente ao contribuinte pudesse ser qualificada como a de simulação, e não a de dissimulação; e mesmo considerando que o propósito negocial seja via possível para aferição da ocorrência ou não da patologia, igualmente não prosperam as razões da autuação. Como se viu, a conduta simulada caracterizase quando a operação noticiada de fato não ocorreu. Para a fiscalização, a documentação trazida denota que os sócios da empresa Santa Clara Indústria e Comércio transferiram por alienação, em 29/12/2005, 50% de suas cotas para a empresa Elite Internacional, por intermédio de empresas veículo criadas. Os fatos e documentos demonstrariam que o grupo StraussElite teria adquirido as respectivas cotas no valor de R$ 215.500.000,00 (fl. 1584). Com tal argumento, a autoridade fiscal desconsiderou o negócio de joint venture e as operações que o antecederam, como se tal operação tivesse como único objetivo permitir a transferência desses ativos. A doutrina do propósito negocial (businesspurpose doctrine) teve início em 1935, no leading case denominado Gregory v. Helvering, no qual a Suprema Corte analisou operação realizada pela Sra. Gregory, com o intuito de verificar a existência de “substância” nessa operação. A contribuinte detinha empresa chamada United Mortgage Corporation que, por sua vez, detinha 1.000 ações de uma outra empresa, a Monitor Securities Corporation, que a contribuinte pretendia negociar. Com o intuito de minorar a tributação, a contribuinte criou uma quarta empresa, a Averril Corporation e alguns dias depois, transferiu as 1.000 ações da Monitor para a Averril. Logo em seguida, a contribuinte dissolveu a Averril, liquidando os ativos dessa nova empresa, transferindoos para si mesma, ensejando a aplicação de norma específica que previa a isenção nos casos em que determinada empresa distribuísse a seus acionistas quotas que detinha de outra empresa, objeto de reestruturação societária. A Suprema Corte pretendeu então analisar a causa do referido negócio, para verificar se a Averril foi utilizada com o único escopo de viabilizar o tratamento tributário. Nesse sentido, referiu que a empresa criada e logo dissolvida teria servido de mero instrumento criado com o escopo único de viabilizar o tratamento benéfico concedido a tais organizações societárias. Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 27 51 Estimulada por tal precedente, a jurisprudência administrativa brasileira passou a se utilizar do conceito referido, valendose de diferentes nomenclaturas (como motivações extratributárias, propósito negocial, substância sobre a forma) e consolidando alguns aspectos que são levados em consideração para verificação da validade da operação, tais como assentado por Schoueri: Se a operação teve outros motivos extratributários. Se as operações são realizadas com pouco intervalo entre cada rodada de decisões, de forma que as operações realizadas não cheguem a surtir efeitos, até que uma próxima operação sobrevenha, denotando a irrealidade da operação. Ausência de interdependência entre as partes, que configura a ausência de efeitos econômicos perante terceiros. Anormalidade das operações realizadas, que destoam da rotina empresarial da sociedade. Vejase, entretanto, que o teste do propósito negocial, tendo em vista a validade dos negócios realizados, é medida de caráter negativo, isto é, é necessário que a autuação prove a ausência do substrato. Assim, condições como o lapso temporal, anormalidade das operações, ausência de interdependência, são meros indícios, não valendo, por si só, para afastar a higidez das operações. Verificado que a forma utilizada prestouse para a consecução dos objetivos propostos, não há como não reconhecer o propósito negocial. No caso, tanto a fiscalização DEIXOU de demonstrar e comprovar a ausência de substrato, quanto é facilmente verificável pela prova carreada aos autos a EXISTÊNCIA de um propósito negocial e a utilidade dos meios empregados para a consecução dos fins almejados. A operação analisada referese à sucessão de operações societárias realizadas entre Grupo Santa Clara e Grupo Strauss Elite, que resultaram na transferência de 50% das contas da Sociedade Santa Clara Industria e Comércio de Alimentos Ltda, para a Empresa Elite Internacional BV, em 29/12/2005. E noticia o contribuinte que a organização societária decorre da criação de uma joint venture com participação societária igualitária de 50% do Grupo Santa Clara e 50% Grupo Strauss Elite. O nítido propósito negocial e substrato econômico da operação realizada pode ser objetivamente comprovado mediante comparativo entre as situações inicial e final da operação realizada: Situação inicial (em 09/12/2005): Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 52 ESTRUTURA ORIGINAL PRL Santa Clara Ind. e Com. (SCI) Elite Internacional Elite do Brasil Café 3 Corações 100% 72% 3X9,33% Com a criação de uma joint venture (em 30/06/2007). ESTRUTURA FINAL PRL Santa Clara Ind. e Com. (SCI) Elite Internacional Café 3 Corações Vejase que não houve mera operação de compra e venda. Na compra e venda há interesses antagônicos entre parte compradora e vendedora: uma quer vender, outra quer comprar, por preços díspares, tentando maximizar suas vantagens pessoais. Uma vez realizada a operação, ambas as partes seguem alijadas de interesses em comum, seguindo cada qual apenas com as partes a que cada uma pretendeu. No caso em análise, ao contrário, verificase desde o início o total alinhamento entre os interesses das partes em transformar o negócio, como efetivamente o fazem. É o que se poderia denominar de prova matemática da boa sociedade – a prova de que o affectio societatis efetivamente existe. Isso se dá quando a união de forças gera um resultado SUPERIOR à simples soma de talentos. A Sociedade incontestavelmente REAL E PROFÍCUA é aquela em que 2 + 2 não são 4, mas 5 ou 6. Esta é a JUSTIFICATIVA OBJETIVA DA EXISTÊNCIA DO PROPÓSITO NEGOCIAL. No caso, a união de esforços do Grupo Santa Clara e Grupo Strauss Elite criou um novo grupo com muito mais potencial de faturamento, geração de empregos e penetração de mercado. As informações trazidas pelo Recorrente em memorais comprovam de forma contundente a existência de propósito negocial à luz do critério objetivo e matemático por nós adotado: 2005 – Antes da Joint Venture Pós Joint Venture Santa Clara Três Corações 2012 Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 28 53 Patrimônio líquido 107 44 309 Faturamento 527 112 2.235 Nº de empregados 1.831 271 4.038 Nº de Estabelecimentos 16 6 32 Participação no Mercado 8,30% 3,20% 20,50% Analisando o faturamento da empresa nos 5 anos que posteriores à operação, temos (fls. 1746): 0 500 1000 1500 2000 2006 2007 2008 2009 2010 Faturamento em milhões O crescimento da companhia resultante deixa claro que o objetivo das partes nunca foi a mera troca de ativos, mas sim a formação de um grupo econômico, o que se comprova inclusive pelo fato de que o Grupo Santa Clara, em que pese tenha permanecido com seus supostos “vendedores” na direção do conselho administrativo, modificou seu próprio nome para 3 Corações Alimentos S.A. Vejase que tal argumento encontra respaldo em notícias veiculadas cinco anos após a criação do grupo, como se lê do quanto publicado no Estadão, dia 10/05/2010:10 Durante décadas, o grupo potiguar responsável pelo beneficiamento, industrialização e comercialização de seis marcas de café no País atendeu pelo nome de Santa Clara e reinou absoluto no Norte e Nordeste. Mas a aquisição da mineira 3 Corações, em 2005, mudou a trajetória da empresa. O café 3 Corações cresceu tanto e ficou tão conhecido que o conglomerado decidiu adotálo como marca institucional. O Grupo 3 Corações será oficialmente apresentado hoje aos varejistas e consumidores, na abertura da feira da Associação Paulista de Supermercados(Apas). "Queríamos um nome capaz de consolidar o grupo como marca nacional", diz Pedro Lima, presidente da empresa. Após contratar uma consultoria especializada, a Thymus Branding, ouvir funcionários e consumidores, Lima e seus sócios chegaram à conclusão de que a nova identidade estava dentro de casa. 10 http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,osantaclaravirou3coracoesimp,549405 Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 54 Quando entrou na 3 Corações, a partir de uma joint venture com o grupo israelense Strauss, dono da marca, a intenção de Lima era clara: chegar à região Sudeste. Não só conseguiu o objetivo, como colocou a 3 Corações, fundada no município de Santa Luzia, na Grande Belo Horizonte, na liderança do mercado nacional, com 19,8% de market share, disputado xícara a xícara com a americana Sara Lee, dona do café Pilão, segundo a consultoria Kantar Worldpanel. "Quando chegamos a São Paulo, a 3 Corações detinha 1% do mercado local; hoje temos 15%", diz Lima. A expansão da empresa, há 20 anos mantida num ritmo superior aos dois dígitos, se deve, segundo Lima, às ações nas áreas de marketing, logística e operações. O Grupo 3 Corações, que transferiu sua sede de São Miguel, no interior do Rio Grande do Norte, para Fortaleza, conta com quatro mil funcionários, sete fábricas, três beneficiadoras de grãos verdes e 23 centros de distribuição próprios. Atualmente, seus produtos são vendidos em cerca de 95 mil pontos de venda, chegando a uma receita de R$ 1,45 bilhão em 2009 Analisando o site da Sociedade, percebese que a gestão é totalmente partilhada entre os dois grupos:11 11 http://www.3coracoes.com.br/companhia/governancacorporativa/acionistasconselho.php Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 29 55 Resta plenamente demonstrado que o intuito, a causa do negócio jurídico, jamais foi uma simples operação “casa e separa” visando à venda. Após quase dez anos de casamento, as empresas permanecem unidas e vão gerando frutos que sozinhas não gerariam, como bem espelha a multiplicação de marcas gerada a partir da joint venture (conforme foto do memorial abaixo): Para que houvesse a ocorrência da simulação, o teste do propósito negocial deveria aferir que a operação societária realizada não foi condizente com a declarada. Não há como sustentar a ocorrência de compra e venda quando a empresa, graças à união de esforços, aumentou seu faturamento, alargou seu market share e ainda dirige o negócio de forma conjunta. E diante do evidente substrato econômico da operação, é despropositado perquirir se seus passos transcorreram em breve lapso de tempo ou mesmo mediante o uso de empresas veículo (de mais a mais um imperativo para se garantir segurança jurídica às partes). 4) Da base de cálculo do imposto apurado: vício insanável – irretroatividade e ato jurídico perfeito No item 5.3, do Termo de Verificação, a autoridade fazendária trata da forma pela qual os valores supostamente pagos pela Elite do Brasil teriam passado para as mãos dos sócios da Santa Clara Ind. e Com. Segundo a fiscalização, a base de cálculo seria equivalente às parcelas de a) distribuição de lucros, b) redução de capital, c) resgate de ações, cujos dados passo a reportar: a) Em relação aos dividendos: Em ata de reunião de quotistas da Santa Clara Ind e Com, realizada em 28/12/2004, foi deliberada a distribuição de dividendos, mediante depósito em conta corrente Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 56 de quotistas, referentes aos lucros acumulados dos exercícios de 1999 até aquela data, fazendo jus à quantia de R$ 2.500,00 para cada irmão (fl. 35): Em ata de Reunião de SóciosCotistas da Santa Clara Ind e Com realizada em 31/1/2005, às 09h, foi deliberada a distribuição de lucros, mediante a entrega de moeda corrente, no valor total de R$ 1.637.024,75, formados no exercício de 2004 (fl. 35): Em AGO da PRL Participações e Empreendimentos S.A, realizada em 29/04/2005, às 11h, foi deliberada a distribuição de dividendos na importância total de R$ 175.727,28 (fl. 35). Seis meses depois, em Ata de Reunião de SóciosCotistas da Santa Clara Ind. e Com., foi deliberada a distribuição de lucros, mediante a entrega de moeda corrente, no valor total de R$ 864.895,61 (fl. 35), formados no exercício de 2003: Em ata de reunião de sócios da Santa Clara Ind e Com. Realizada em 9/12/2005, às 18h, foi deliberada a distribuição de dividendos, na importância total de R$ 27.894.000,00, contabilmente registrados na conta “Lucros Acumulados” formados em exercícios sociais encerrados até 31 de dezembro de 2004, e lucro do anocalendário de 2005, constante do balanço encerrado em 30/11/2005. Ata de 9/12/2005 Valor (R$) Pedro Lima 1.387.293,33 Paulo Lima 1.387.293,33 Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 30 57 Vicente Lima 1.387.293,34 PRL 23.732.120,00 Tais valores foram somados, juntamente aos saldos de dividendos a receber em 2004 e 2005, constante nas respectivas DIRPFs, chegandose aos seguintes valores de Lucros/Dividendos efetivamente recebidos no ano da venda: Pedro Lima R$ 2.527.394,88 Paulo Lima R$ 1.865.960,93 Vicente Lima R$ 1.870.690,35 b) Em relação à redução do capital Em 09/12/2005, os sócios da Santa Clara Ind. e Com. Através da 65ª Alteração Contratual, decidiram reduzir o Capital Social totalmente integralizado, de R$ 63.545.048,25 para R$ 15.673.023,87, uma redução, portanto, de R$ 47.872.024,38, por considerálo excessivo às necessidades operacionais da sociedade (fl. 36). A diminuição do capital social levou à restituição dos seguintes valores para Pedro, Paulo e Vicente Lima, bem como para a PRL, empresa controlada pelos irmãos: PRL 34.467.857,55 Pedro Lima 4.468.055,61 Paulo Lima 4.468.055,61 Vicente Lima 4.468.055,61 Considerando que tal redução importou na diminuição da participação de cada sócio, com o resgate em dinheiro das seguintes rubricas, que englobaram ainda o recebimento de lucros (R$ 898.283,33 para cada), juros sobre capital próprios (R$ 2.368.383,33 para cada) e o crédito decorrente de adiantamento (R$ 386.833,31) para futuro aumento de capital (fls. 37), que somado aos R$ 4.468.055,61 supra referidos da redução de capital social, chegarseia a seguinte totalização por irmão: Pedro Lima 8.121.555,58 Paulo Lima 8.141.348,27 Vicente Lima 8.141.348,27 Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 58 Segundo o termo de verificação fiscal, referida quantia foi repassada através de depósito via TED, ocorrido e 29/12/2005, em conta conjunta que os irmãos possuem no Banco do Brasil, no valor total de R$ 24.404.252,12 (fls. 476). c) Em relação ao resgate de ações. Em 29/12/2005, os sócios da Santa Clara Participações aprovaram o resgate de 10.199,183 ações ordinárias de propriedade dos irmãos Pedro, Paulo e Vicente, ficando acertado que o pagamento seria realizado através da transferência do montante total de R$ 54.927.890,00, divididos proporcionalmente para cada um (fl. 37). Somando as quantias definidas, a TED de 29/12/2005 teria depositado um valor total de 44.927.890,32 (fls. 37). A diferença de 10.000.000,00, entre o valor acertado do resgate de ações e o valor depositado, foi contabilizado como crédito dos irmãos na Santa Clara Participações, para fazer frente a eventuais provisões contábeis que poderiam ser apontadas pelos auditores da Elite. De tal depósito via TED, caberia a cada irmão uma quantia de 14.975.963,77 a título de resgates de ações (fls. 37). Sendo assim, a fiscalização entendeu que cada um dos irmãos teria recebido da Santa Clara, no dia da suposta venda, um total de R$ 20.342.302,72, referente a R$ 898.282,33 a título de Lucros distribuídos, R$ 4.468.055,61 a título de Redução de Capital e R$ 14.975.963,78 à título de Resgate de ações. A fiscalização, então, apresenta o cálculo do ganho de capital que entenderia correto e que foi efetivamente lançado. Assim discorre: “tendo a Santa Clara Ind. e Com, em 29/12/2005, um Capital Social de R$ 99.179.871,11, podese dizer que metade da empresa (R$ 49.489.935,56) foi vendida por R$ 215.000.000,00, gerando assim, um Ganho de Capital de R$ 165.910,064,40, (...)temos que o ganho de capital relativo à participação Direta de cada irmão na Santa Clara Ind. e Com. (12,82%) foi de R$ 20.377.074,12 (fls.37). Percebese, portanto, que a autuação procedeu a uma conta de chegada, para apurar, entre os valores recebidos pelo autuado e seus irmãos, no período que antecedeu a joint venture, uma quantia que estivesse “próxima” ao que entende ser o valor devido a título de ganho de capital. Utiliza para tal conta de chegada as duas TEDs que foram depositadas em 29/12/2005: Valor Total Valor Individual Composição Individual R$ 898.283,33 – Distribuição de Lucros TED 1 (fls. 376/377) R$ 24.404.252,12. RS 8.121.555,58 R$ 2.368.383,33 Juros Sobre Capital Próprios Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 31 59 R$ 386.833,31 Crédito decorrente de Adiantamento R$ 4.468.055,61 Redução de Capital Social Valor Total Valor Individual Composição Individual TED 2 (fls. 378/379) R$ 44.927.890,32 RS 14.975.963,78 R$ 14.975.963,78– Resgate de ações Ora, se a distribuição de lucros é considerada simulada, então todas as mesmas deveriam ser consideradas pela fiscalização. Pinçar somente algumas para o efeito de dar “lógica” e “precisão” ao seu cálculo é obviamente inadequado, especialmente porque põe em xeque o fundamento da desconsideração. Da análise da primeira planilha, percebese que a fiscalização, para fazer valer sua conta de chegada, escolhe as rubricas referentes à distribuição de dividendos e redução do capital social, sem fazer qualquer menção do porque desconsiderou os valores referentes ao JSCP e do Crédito decorrente de Adiantamento. Os JSCP, como sabemos, são retidos na fonte quando do seu pagamento. Mas ainda assim, não houve justificativa para a não inclusão dos valores a esse título ou daquele referente crédito decorrente de adiantamento, restando evidente que o Fisco procedeu a uma conta de chegada para respaldar a autuação. E mais importante. Em que pese tenha equivocadamente desconsiderado o negócio jurídico realizado, é certo que a fiscalização levou em consideração para apuração da base de cálculo, valores que decorreram de operações anteriores àquela reputada simulada e que, portanto, são inalcançáveis pelo lançamento. Vejamos: Operações Realizadas antes de 29/12/2005 Operações Realizadas em 29/12/2005 Base da tributação: R$ 5.366338,94 Base da Tributação R$ 14.975.963,78 09/12/2005 65ª Alteração Contratual, determinou a redução do Capital Social totalmente integralizado. Gerou ao autuado a restituição ao autuado de R$ 4.468.055,61 R$ 898.283,33 – Saldo de Distribuição de Lucros conforme deliberações de 28/12/2004 (fls. 247), 03/01/2005 (fl. 249), 31/10/2005 (fl. 251), 09/12/2005 (fl. 253), na forma descrita na alínea a. Resgate de Ações – deliberado em assembleia em 29/12/2005 – no valor 14.975.963,78 Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 60 Ainda, no tocante aos dividendos, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, foi deliberada a distribuição de lucros acumulados no valor de R$ 2.527.394,88 (fls. 247/253). Ou seja, ao longo do ano a Sociedade decidiu que tais valores seriam distribuídos aos sócios. De acordo com os comprovantes juntados (Recibos de distribuição de lucros) às fls. 381 a 434, temos que houve a distribuição de dividendos, em diversos períodos do ano, cuja soma alcançou quantia maior do que os R$ 898.283,33, recebidos pelo contribuinte em 29/12/2005 (fl. 348) e que foram utilizadas como referência pela autuação. Vêse que a sociedade, em decisão que só a ela traz efeitos, decidiu distribuir um determinado valor a título de dividendos, o que foi devidamente registrado nos seus atos societários. Realiza esses pagamentos ao longo do ano, o que foi devidamente documentado. Mas, pelo fato de um determinado valor ter sido pago no dia 29/12/2005, por mais uma discricionariedade da empresa, o Fisco desconsidera tal pagamento, para afirmar ser este um recebimento em decorrência de uma compra e venda. Se tal quantia fosse repassada ao sócio uma semana antes, ou uma semana depois, haveria diferença para fins de descaracterização do ato jurídico praticado? Para o Fisco, sim, pois do contrário, não poderia ter “pinçado” dentre um universo de pagamentos um único pagamento para entender ser este decorrente do um recebimento a título de uma alienação societária. Vejase, portanto, que o Fisco utilizou um ato que já estava consolidado no tempo para apurar o tributo e, sem justificativa, desconsiderou outros tantos. Aqui, entendo que há um ponto que deva ser mais bem explorado. o desconsiderar o negócio jurídico, a fiscalização entendeu que todos aqueles valores recebidos a título de dividendos, bem como de redução do capital social cujo pagamento ocorreu em 29 de dezembro de 2005, seriam valores retirados pelos sócios, a título da venda das quotas da Santa Clara Ind. e Com. Ocorre que tais valores decorrem de ATOS PRATICADOS em momentos anteriores à etapa supostamente simulada e dizem respeito a decisões societárias PRÉVIAS à joint venture firmada posteriormente, dizendo respeito às próprias sociedades e aos sócios que os praticaram. Para tanto, necessário que se tome por base o desenrolar dos fatos, conforme se lê no voto do Nobre Relator: SITUAÇÃO INICIAL A sociedade empresária SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, constituída pelos sócios PEDRO ALCÂNTARA REGO DE LIMA (12,282%), PAULO TARSO REGO DE LIMA (12,282%), VICENTE DE PAULA REGO DE LIMA (12,282%) e PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A (63,162%), sendo que a PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A era composta pelos três irmãos Lima, PEDRO, PAULO e VICENTE, cada um com 33,333% de suas ações. As partes vendedoras constituíram a empresa veículo SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A; Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 32 61 CONSTITUIÇÃO DAS EMPRESAS VEÍCULOS 31/05/2005, foi constituída por Assembleia Geral a empresa ALIMA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, com sede em São Paulo, tendo como sócios LAGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA (a qual se declarou inativa perante a Receita Federal no ano calendário de 2005) e uma PESSOA FÍSICA. O capital social da ALIMA era de R$ 500,00 (quinhentos reais). 9/12/2005, em Assembleia Geral Extraordinária, os sócios da ALIMA decidem “ceder” todas as suas ações para a empresa PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A. Na mesma AGE, foi decidido: a alteração do nome empresarial da ALIMA para SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A; a mudança do objeto social da companhia para incluir também a compra, processamento e venda de produtos de café; o aumento de capital da companhia no valor de R$ 27.675.974,00 mediante a emissão de 27.675.974 novas ações ordinárias no valor nominal de R$ 1,00, mediante conferência à companhia de todas as quotas detidas pelos novos acionistas PAULO, PEDRO e VICENTE, bem como a própria PRL, na SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Notese que aí surge a empresa veículo SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, tendo como sócios PEDRO, PAULO, VICENTE e a PRL PARTICIPAÇÕES. Nesse momento a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A se tornou sócia única da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Na parte das compradoras havia também uma empresa veículo a ELITE DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, conforme mencionado no Termo de Verificação Fiscal. Ficou, então, constituído que precede à operação de venda. De um lado havia a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A como única quotista da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e, do outro, a ELITE DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. DIA DA OPERAÇÃO (29/12/2005) 29/12/2005 Em AGE realizada, foi aprovado o aumento do capital social na ordem de R$ 122.074.875,00, mediante a criação de 13.428.249 ações ordinárias sem valor nominal, integralizadas pela ELITE INTERNACIONAL BV através de créditos que esta detinha com a própria CAFÉ TRÊS CORAÇÕES. 29/12/2005 Na mesma AGE, foi aprovada a celebração do Contrato de Joint Venture e do Acordo de Acionistas entre a ELITE INTERNACIONAL BV e a PRL PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A relativos à SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES. A CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A anuiu a esse Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 62 contrato na forma de interveniente. 29/12/2005 Por intermédio da alteração do contrato social da ELITE DO BRASIL, houve o aumento de capital da sociedade em R$ 216.028.200,00, pela criação de novas quotas integralizadas totalmente pela sócia ELITE INTERNACIONAL BV mediante 13.855,748 ações ordinárias que detinha na CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A no valor de R$ 76.500.000,00, bem como aporte em dinheiro no valor de R$ 139.528.200,00; 29/12/2005 Em AGE às 14h, a SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A aumentou seu próprio capital social em R$ 17.477.292,00, mediante a criação da mesma quantidade de ações classe “C”. 29/12/2005 A ELITE DO BRASIL, empresa veículo da ELITE INTERNACIONAL BV, integraliza as novas ações da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A pagando R$ 215.500.000,000, mediante o aporte de R$ 139.000.000,00 em moeda nacional e cessão de 13.855.748 ações ordinárias que detinha no capital da CAFÉ TRÊS CORAÇÕES S/A pelo valor de R$ 76.500.000,00. Isso gerou a inserção de R$ 17.477.292,00 no próprio capital social e a constituição de R$ 198.022.708,00 de Reserva de Ágio. A ELITE DO BRASIL é agora acionista da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, a qual é quotista única da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. 29/12/2005, às 19h, esta companhia aprovou o resgate das ações dos três irmãos, extinguindo a “Classe B” de ações, titularizada pelas pessoas físicas, e reduzindo o capital social da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A em virtude da saída dos três sócios. As Classes A e C, titularizadas respectivamente pela PRL e pela ELITE DO BRASIL, foram unificadas, tendo os sócios os mesmos direitos. Ao final do processo a ELITE DO BRASIL, controlada pelos compradores do grupo STRAUSSELITE, e a PRL, controlada pelos vendedores do grupo SANTA CLARA, detinham cada um 50% do controle acionário da SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES S/A, a qual era quotista única da SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Os três irmãos se retiraram da sociedade recebendo os valores integralizados na SANTA CLARA PARTICIPAÇÕES pelo grupo STRAUSSELITE, Segundo a narração dos fatos, portanto, a realização do ato simulado ocorreu no dia 29/12/2005, quando efetivamente há prática de todos os atos que importaram no início de relação jurídica entre os dois grupos econômicos. Até então, naquilo que foi denominado fase preparatória, não há qualquer vinculação entre as Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 33 63 partes capazes de macular um ato válido que poderia ser normal e regularmente exercido no contexto das sociedades. Independentemente da questão atinente à possibilidade de desconsideração de operações alegadamente simuladas ou dissimuladas, portanto, o raciocínio desenvolvido na autuação peca por ofensa a cláusulas constitucionais de IRRETROATIVIDADE e proteção aos ATOS JURÍDICOS PERFEITOS. Como ensina o constitucionalista e Ministro do STF Luís Roberto BARROSO12 “a garantia contra a retroatividade da lei prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição, impede que os contratos, mesmo aqueles de trato sucessivo, ou quaisquer outros atos jurídicos perfeitos, sejam afetados pela incidência da lei nova, tanto no que diz respeito à sua constituição válida, quanto no que toca à produção de seus efeitos, ainda que estes se produzam já sob o império da nova lei.” PONTES DE MIRANDA, em Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda nº 1 de 1969, t. V, 1971, p. 102, ensina que “o ato jurídico perfeito, a que se refere o art. 153, § 3° [agora, art. 5°, XXXVI], é o negócio jurídico, ou o ato jurídico stricto sensu; portanto, assim as declarações unilaterais de vontade como os negócios jurídicos bilaterais, assim os negócios jurídicos, como as reclamações, interpretações, a fixação de prazo para a aceitação de doação, as comunicações, a constituição de domicílio, as notificações, o reconhecimento para interromper a prescrição ou com sua eficácia (ato jurídico stricto sensu)”; e José Afonso da SILVA, em Curso de direito constitucional positivo, 1997, p. 414, explica que “a diferença entre direito adquirido e ato jurídico perfeito está em que aquele emana diretamente da lei em favor de um titular, enquanto o segundo é negócio fundado na lei”13. A construção da autoridade fiscal está lastreada na premissa de que não houve joint venture, mas uma venda de 50% das quotas da Santa Clara Ind. e Com. pelos irmãos Lima (TVF – fl. 37). Esse o ato que se reputa simulado e que dá ensejo à tentativa de desconstituição pelo Fisco. O que ocorreu ANTES dele, antes de 29.12.2005, portanto, é inatacável sob esse argumento. Constituem atos jurídicos perfeitos, regular e higidamente consumados consoante as regras e formas próprias quando de sua prática. A prova maior disso é que, caso não tivesse ocorrido a operação do dia 29.12.2005, nenhum vício teria sido imputado aos referidos atos; nenhuma ilegalidade teria sido imputada aos autuados. Ou seja, seus atos seriam, À LUZ DA PRÓPRIA AUTORIDADE AUTUANTE, considerados perfeita e validamente consumados. Como explica MOREIRA ALVES, “se a lei alcançar os efeitos futuros de contratos celebrados anteriormente a ela, será essa lei retroativa porque vai interferir na causa, que é um ato ou fato ocorrido no passado. "14 O pagamento, parece óbvio, é um efeito de um contrato/ato/negócio celebrado anteriormente, que constitui sua causa, exatamente como ensina a clássica obra de MOREIRA ALVES. É essa que está sob análise quando se pretende caracterizar a simulação. É 12 Em algum lugar do passado Segurança jurídica, direito intertemporal e o novo Código Civil. In http://www.migalhas.com.br/arquivo_artigo/art_031002.htm 13 Segundo BARROSO, ibidem. 14 Idem, ibidem. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 64 essa operação que se pretende declarar nula por viciada, pouco importando se o pagamento ocorreu no dia “x” ou “y”. Ou mesmo se o pagamento ocorreu no dia em que foram praticados os atos conducentes à efetiva integração dos Grupos pela joint venture. Afinal, é natural que a prática de alguns atos LÍCITOS possa ter sido estimulada pela realização do negócio e mesmo que determinados atos jamais tivessem ocorrido se a joint venture, efetivamente, não chegasse a se consumar. Mas isso é obviamente insuficiente para se lhes considerar ILÍCITOS. Repetimos: a prova de fogo, aqui, está em verificar que, acaso não ocorrida a joint venture, todos esses atos estariam – como estão perfeitamente dentro da esfera de liberdade das sociedades e sócios e, na pior das hipóteses, constituiriam uma má decisão administrativa. Nada além disso. Se uma empresa, v.g., realiza uma cisão para vender parte de um Grupo ou empresa, esta cisão é lícita, ocorrendo ou não a transação que se objetivara. Se um particular decide integrar um imóvel ao patrimônio de uma empresa em nome de um aumento de capital a ser realizado por seu sócio, mas esse não chega a ocorrer, tampouco este ato terá sido ilícito ou simulado. BARROSO explica o ponto dizendo “a questão, na verdade, como já se tinha destacado desde o início, não é controvertida (grifo nosso). A doutrina aponta a existência de consenso no sentido de subordinar os efeitos do contrato à lei vigente no momento em que tenha sido firmado, mesmo quando tal aplicação importa em atribuir ultratividade à lei anterior, negandose efeito à lei nova. A aplicação imediata da lei nova, nesse caso, produziria a denominada retroatividade mínima, que por ser igualmente gravosa à segurança jurídica, é também vedada pelo sistema constitucional.”15 16 Se isto vale para as leis, normas gerais e abstratas, com muito mais razão haverá de valer para a norma individual e concreta criada pela fiscalização para o efeito de considerar simulado o negócio. E, para que não pairem dúvidas sobre a aplicação da doutrina ao caso em exame, assim é inclusive para as leis ditas de ordem pública, como anota novamente o Ministro BARROSO, “esta conclusão não se altera pelo fato de a norma nova poder ser qualificada como norma de ordem pública. A Constituição não distingue entre espécies de leis e não se pode admitir que a norma infraconstitucional, qualificando a si própria de uma determinada forma, afaste a garantia constitucional. A proteção constitucional recai sobre o núcleo da 15 Idem, ibidem. 16 Clássica a lição de Moreira Alves no voto proferido na ADIn 493, sobre os três graus de retroatividade – máxima, média e mínima: “Dáse a retroatividade máxima (também chamada restitutória, porque em geral restitui as partes ao status quo ante), quando a lei nova ataca a coisa julgada e os fatos consumados (transação, pagamento, prescrição). Tal é a decretal de ALEXANDRE III que, em ódio à usura, mandou os credores restituírem os juros recebidos. À mesma categoria pertence a célebre lei francesa de 2 de novembro de 1793 (12 brumário do ano II), na parte em que anulou e mandou refazer as partilhas já julgadas, para os filhos naturais serem admitidos à herança dos pais, desde 14 de julho de 1789. A carta de 10 de novembro de 1937, art. 95, parágrafo único, previa a aplicação da retroatividade máxima, porquanto dava ao Parlamento a atribuição de rever decisões judiciais, sem excetuar as passadas em julgado, que declarassem inconstitucional uma lei. A retroatividade é média quando a lei nova atinge os efeitos pendentes de ato jurídico verificados antes dela, exemplo: uma lei que limitasse a taxa de juros e fosse aplicada aos vencidos e não pagos. Enfim, a retroatividade é mínima (também chamada temperada ou mitigada) quando a lei nova atinge apenas os efeitos dos atos anteriores produzidos após a data em que ela entra em vigor. Tal é, no direito romano, a lei de Justiniano (C. 4, 32, de usuris, 26, 2 e 27 pr.), que, corroborando disposições legislativas anteriores, reduziu a taxa dos juros vencidos após a data da sua obrigatoriedade. Outro exemplo: o DecretoLei nº 22.626, de 7 de abril de 1933, que reduziu a taxa de juros e se aplicou, ‘a partir da sua data, aos contratos existentes, inclusive aos ajuizados (art. 3º)’. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10380.726495/201015 Acórdão n.º 2202002.731 S2C2T2 Fl. 34 65 manifestação de vontade das partes e seus efeitos, e não sobre o tratamento legal do instituto ou da matéria”.17 Ademais, além de violação à irretroatividade, resta flagrante que o Fisco acabou por desconsiderar os efeitos jurídicos de todos os atos anteriores, os quais já estavam consolidados na forma de atos jurídicos perfeitos, sem qualquer fundamentação e sem qualquer base legal para tanto. Não custa lembrar, por seu turno, que o Código Tributário Nacional estabelece que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (art. 144). Da mesma forma, dispõe que o fato gerador se perfectibiliza no momento em que verificam as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios (art. 116). Da análise de ambos os dispositivos, percebese que o negócio jurídico consumado num determinado ponto no espaçotempo deve ou não configurar um fato gerador segundo uma lei vigente. Caso configure, nascerá a obrigação tributária. Caso não configure, haverá um negócio jurídico perfeito, consumado, e que passará ao largo da tributação. Não é a toa que para haver a desconsideração desse ato, o legislador teve que introduzir o § 1º ao próprio art. 116 do CTN, cuja aplicabilidade resta impossibilitada pelos motivos já amplamente expostos neste voto. Em resumo, entendo que a fiscalização jamais poderia considerar, como base de cálculo para a aferição do ganho de capital, atos e negócios ocorridos e perfeitamente consumados antes da ocorrência daquele ato que se busca desconstituir por viciado/simulado. Tal vício – dada a impossibilidade deste Conselho relançar o tributo, por se tratar de competência privativa da autoridade fiscal – implica na total imprestabilidade do auto lavrado, que assim padece de vício insanável. É como voto. Fabio Brun Goldschimidt (Assinado Digitalmente) 17 Idem, ibidem. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinad o digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 10280.905798/2011-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 12 1 11 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.905798/201101 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.544 – 3ª Turma Especial Data 17 de setembro de 2014 Assunto Processo Administrativo Fiscal Recorrente BELEM DIESEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 05 79 8/ 20 11 -0 1 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 13 2 Relatório A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/2011 40, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/2011 42 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 14 3 contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 15 4 Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 16 5 se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos Tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 17 6 E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Tratase de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 18 7 é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 19 8 O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dele conheço. Ab initio versam os autos acerca da declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em sessão de julgamento realizada em 10/09/2008, na sistemática de repercussão geral, portanto do alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e das implicações dela decorrentes, encontrandose tal decisão respaldada por farta jurisprudência nas esferas judicial e administrativa, das quais destacase a ementa do RE 585.2351/MG, transcrita a seguir: TRIBUNAL PLENO 10/09/2008 REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. ORD. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO 585.2351 MINAS GERAIS. RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO RECORRENTES(S): UNIÃO ADVOGADO(S): PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO(A/S): IRMAZI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ADVOGADO(A/S): DANIEL BARROS GUAZZELLI E OUTRO(A/S) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, REL. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No passo seguinte cabe ressaltar que, para além da declaração de inconstitucionalidade, por se constituir a referida decisão em caráter definitivo, na forma do disposto no § 2º do art. 102, CF/88, repercutiu o seu efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Judiciário, inclusive projetandose na Administração Pública direta e indireta em todas as esferas de governo. Por tal razão o citado parágrafo foi objeto de revogação pela Lei nº 11.941/09, sendo certo que o próprio RICARF/09, por meio do seu art. 62A, vincula os julgamentos realizados no âmbito de seus órgãos judicantes às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C, respectivamente. Cabe registrar, para fins de análise, que as receitas financeiras, quando relacionadas às atividades econômicas da recorrente, devem ser elencadas no grupo de contas Fl. 199DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 20 9 destinadas à receitas não operacionais, por conseguinte devem ser afastadas da base de cálculo da Cofins, para fins de incidência tributária. Isto dito, ante os fatos circunscritos ao campo do direito, cabe aqui o reconhecimento do direito da recorrente quanto ao afastamento da base de cálculo da Cofins, das receitas financeiras apuradas, na data do fato gerador de que tratam os autos. O acórdão recorrido, muito embora haja reconhecido que o tributo é devido, mencionou que a lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e que o julgamento proferido na forma dos arts. 543B e 543C, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes, para justificar que, em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. E assim poder a autoridade administrativa justificar que, para os créditos da recorrente já extintos por pagamento, em momento anterior ao advento do julgado do SRF ou STJ, não mais há como se questionar a validade dos pagamentos efetuados. Logo não merece prosperar esse entendimento profligado no acórdão recorrido, eis que tal inferência, refirome ao Parecer da PGFN nele citado, carece de expresso amparo constitucional, pois se encontra no pretenso plano infralegal da discricionariedade da autoridade administrativa e do julgador, posição firmada essa não se coaduna com o princípio da estrita legalidade, consoante previsto no art. 150, I, CF/88, que não dá margem para a subjetividade. Ademais disso o juízo a quo não poderia utilizar como fundamento das razões de decidir entendimento embasado em parecer da PGFN, pelo simples motivo de que a Fazenda Nacional como representante da Administração é parte, é juíza, no processo subjudice. Creio haver grande equívoco cometido pelo juízo a quo ao formular as assertivas contidas no item (iii) da decisão proferida no acórdão recorrido, não devendo as mesmas serem convalidadas. Certifiquese. A Constituição Cidadã de 1988, que limitou com muita propriedade, a competência do poder de tributar, no § 2º do seu artigo 102, assim assentou: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Grifei). Na esteira desse entendimento encontrase o art. 62A do RICARF/09, que vincula à adoção do entendimento vazado em decisão definitiva pelo STF, para os julgadores do CARF, por ocasião de julgamento de recursos. Quanto a este aspecto nada mais há a se comentar. Ademais disso, sob a hipótese legal de se estar adimplindo com a obrigação principal, portanto efetuandose o pagamento do tributo devido na data do vencimento mensal, até o advento da Lei nº 11.941/09, mesmo na forma da base de cálculo ampliada (revogada pelo art. 79, XII, desta Lei), para aqueles que não ingressaram com demandas judiciais com o Fl. 200DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 21 10 fito de questionar o seu direito acerca do tema ora tratado (a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), a realização da conduta pelo contribuinte, corresponde ao acerto inconteste. Assim para este contribuinte, somente a partir da revogação expressa da regra que permitia o alargamento da base de cálculo pela Lei nº 11.941/09, é que se tornou disponível o seu direito de postular pela restituição do pagamento indevido. Portanto não há se alegar que não há mais como se questionar a validade dos pagamentos efetuados antes da decisão definitiva do STF ou STJ para aqueles que não demandaram judicialmente. No mesmo sentido, para os casos de repetição de indébito tributário, o art. 3º da LC nº 118/05, publicada no DOU de 09/02/05, ao interpretar o contido no inciso I do art. 168, do CTN, com vistas à extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, determinou o prazo decadencial de dez anos, contados da data do fato gerador, para os eventos ocorridos antes da vigência dessa lei, aplicandose a cada caso a regra do art. 150, § 4º, em caso de realização de pagamento antecipado, ou apresentação de DCTF, ou ainda a regra prevista no art. 173, I, ambos os arts. do CTN, se não houve antecipação de pagamento, nem apresentação de DCTF. Tal entendimento encontrase consubstanciado em larga jurisprudência judicial e administrativa, notadamente no âmbito do CARF. Isto relacionase à questão do alcance do beneplácito obtido pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de calculo da Cofins. Ainda nesta seara há o pleito formulado pela recorrente para o acolhimento da juntada de documentos aos autos, extemporaneamente, notadamente do Livro Razão, sob a alegação de que novos fatos foram trazidos aos autos, por meio do despacho decisório e da decisão recorrida, o que fez com amparo na alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72. Acerca deste tema tenho me pronunciado em outros julgamentos nos quais tenho participado na qualidade de julgador, pelo acolhimento desse tipo pleito, sob o amparo do disposto nos arts. 131 e 333 do CPC, especialmente no que atine ao princípio da verdade material. Bem se vê que tais fundamentos não se contrapõem ao disposto no art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, ao contrário se harmonizam para a integração da legislação tributária, mesmo que subsidiariamente como é o caso dos artigos invocados do CPC. O mesmo entendimento emana do disposto no art. 29 do Dec. Nº 70.235/72, inclusive quanto ao poder discricionário do julgador no que atine à determinação de diligências que entender necessárias ao deslinde da controvérsia, sendo tal faculdade endereçada ao julgador, no auxílio à formação de sua convicção pessoal, com vistas à formação da sua convicção, por ocasião do pronunciamento em sede de julgamento. É com este entendimento que afasto a alegação de preclusão da apresentação de provas extemporaneamente. Adoto a mesma medida para rejeitar as alegações formuladas pela recorrente acerca da imprescindível realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de verificação da exatidão das informações prestadas, mediante o exame de sua escrituração contábil e fiscal. Logo não há se alegar descumprimento ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, ou a outra qualquer norma infralegal. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 22 11 No que atine à possibilidade de reunião de processos para julgamentos simultâneos, sob a alegação de existência de conexão entre eles, percebese que entre os mesmos é comum o objeto ou e a causa de pedir. No caso vertente também há identidade entre as partes litigantes, mesmo que não sejam oriundos do mesmo crédito, pois a lei não faz esta exigência. Com a finalidade de dar respaldo à proposição formulada pela recorrente em relação a este cenário veio o art. 105 do CPC dispor, in verbis: Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Com fulcro no texto legal acima transcrito acolho o pleito da recorrente de reunião dos processos para que possam se apreciados simultaneamente. A retificação da DCTF, como pressuposto para o reconhecimento do direito creditório arguido pela recorrente, não deve desautorizar outra(s) possibilidade(s) de comprovação do crédito alegado, principalmente quando tais provas encontramse consubstanciadas por meio de documentos hábeis e idôneos a exemplo dos livros de escrituração contábil e fiscal, como o Livro Diário e Razão, do Livro de Registro de Inventário, etc. No caso concreto dos autos o despacho decisório mencionou que no curso da análise do direito creditório apresentado com o PER/DCOMP foram detectadas inconsistências que foram objeto de termo de intimação e que restaram não saneadas pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi confirmada a existência do crédito pleiteado. Significa que o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito, para indeferir o pedido de restituição, com fulcro no art. 165 do CTN. De acordo com esse cenário seguindo o mesmo raciocínio o juízo a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, em razão da preclusão, quando da apresentação da prova documental. O relator colacionou aos autos extratos dos sistemas da RFB, que sinalizam pela inexistência do direito creditório alegado pela recorrente, também aduzindo ser a insuficiência de elementos de prova material prejudicial à formação de seu convencimento, inclusive supondo que o motivo do indeferimento do pedido, apesar de não alegado, seria o cometimento de erro no preenchimento do PER/DCOMP, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado. Em contrapartida há o débito confessado por meio de DCTF em valor atá superior ao do recolhimento, ensejador do pedido de restituição. Com tais argumentos concluiu pela inexistência de saldo passível de restituição, aventando, inclusive, que tal possibilidade, de existência de saldo credor poderia ocorrer, se a recorrente houvesse por bem retificado sua DCTF até a data de transmissão do PER/DCOMP já mencionado. De outra parte a recorrente de boa fé buscou esclarecer ao Fisco acerca da origem do indébito segundo o seu entendimento, colacionando aos autos cópia do DARF que registra o valor do pagamento indevido efetuado em 15/04/99, no valor de R$ 45.396.03 (doc. 03), além de demonstrativo por ela elaborado onde está discriminado o valor das receitas financeiras que foram indevidamente computados à base de cálculo da Cofins (doc. 04), além de cópia do balancete de março/99 com os registros contábeis dos valores que compõem o Fl. 202DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.905798/201101 Resolução nº 3803000.544 S3TE03 Fl. 23 12 crédito aqui pleiteado (doc. 05) e, posteriormente anexou o Livro Razão, que possibilita identificar todas as operações realizadas no período de apuração das receitas financeiras (01/03 a 31/03/99). Entendo que a recorrente procurou, ao seu modo, segundo a sua crença de que os documentos apresentados seriam o suficiente a comprovar o alegado, se desincumbir de sua responsabilidade de demonstrar a existência do crédito alegado na data de transmissão do PER/DCOMP e, com isso, demonstrar o fato constitutivo de seu direito, e extintivo do direito do Fisco. Ou seja, a contribuinte, nos moldes do art. 333 do CPC, buscou demonstrar a existência do seu direito creditório colacionando aos autos os documentos que, no seu entendimento seriam o suficiente ao cumprimento do desiderato. Já a autoridade administrativa admitiu a possibilidade de existência de erro no preenchimento da DCTF e que por tal razão não encontrou o DARF que, no entender da recorrente é o motivo da existência do direito creditório alegado. Diante deste contexto creio não haver como penalizar o sujeito passivo. O atributo da liquidez, certeza e exigibilidade, é imprescindível seja para o Fisco realizar a cobrança do crédito tributário ou, na mesma medida, para a contribuinte obter a repetição do indébito. Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. Isto posto deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição preparadora, bem assim a sua manifestação em relação ao feito, se assim lhe aprouver, em razoável espaço de tempo para, posteriormente retornarem os autos com o fito de dar prosseguimento ao julgamento ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10314.004693/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/09/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Os contribuintes podem apresentar Recurso Voluntário frente a acórdãos proferidos pela DRJ no prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, não sendo conhecidos os recursos apresentados após ultrapassado este prazo.
Numero da decisão: 3201-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Os contribuintes podem apresentar Recurso Voluntário frente a acórdãos proferidos pela DRJ no prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, não sendo conhecidos os recursos apresentados após ultrapassado este prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 46 93 /2 00 7- 12 Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 2 Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 09/05/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de multa proporcional e juros de mora, além de multa do controle administrativo equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no valor de R$ 1.613.194,88 em virtude dos fatos a seguir descritos. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e conforme programação do Serviço de Fiscalização Aduaneira da Inspetoria da Receita Federal de São Paulo SEFIAII/ IRF/SP, foi realizada auditoria do Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK concedido ao contribuinte acima citado, com o objetivo específico de verificar o regular cumprimento dos requisitos e condições fixadas na legislação aplicável e nos Atos Concessórios abaixo: [...] A fiscalização verificou que não houve a vinculação dos Registros de Exportação apresentados no Relatório Final de Baixa com os Ato Concessórios objeto da fiscalização. Além disso, não foram apresentadas as Notas Fiscais de Saída destas exportações, não estando comprovada a saída do estabelecimento do produto final definido nas condições do Regime. Dessa forma, resolvese a suspensão através da cobrança da tributação suspensa, com os devidos acréscimos legais, e da multa prevista no artigo 633, III, b do decreto 4543/02 pelo não cumprimento de uma das providências previstas no artigo 342 do Regulamento Aduaneiro Decreto n°. 4.543/02 (devolução ao exterior ou reexportação, destruição ou destinação para consumo com o pagamento dos tributos). Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 30/05/2007 (fls. 32), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 28/06/2007, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de folhas 643 a 649. Na forma do artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, alegou que: DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL FALTA E INDICAÇÃO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Com efeito, consoante registrado no item 3 (três) da presente, o regime aduaneiro de drawback conferido à Autuada corresponde à modalidade drawback intermediário, através do qual uma terceira empresa, distinta da importadora, efetivamente realiza as exportações. É claro que, neste caso, a empresa que adquire no mercado interno os bens importados igualmente se beneficia do regime aduaneiro especial, em virtude da desoneração conferida à empresa importadora e da conseqüente redução de custos fiscal. No caso em apreço, tanto a Impugnante, importadora dos insumos beneficiados com a suspensão do I.I., quando a Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.004693/200712 Acórdão n.º 3201001.812 S3C2T1 Fl. 2.291 3 adquirente exportadora, qual seja, a UNIVELER (IGL Industrial Ltda.) tem interesse comum no que se refere à operação de importação realizada, haja vista que ambas dela se beneficiaram, como assinalado. Neste contexto, força é convir que deveria o Fisco ter arrolado a empresa exportadora como coobrigada solidariamente com a Autuada quanto ao crédito tributário supostamente devido, por força do disposto no precitado artigo 124, I, do C.T.N.. A despeito do instituto da solidariedade implicar, na seara cível, uma simples opção do credor, em se tratando de obrigação de natureza tributária não é lícito ao Fisco deixar de arrolar o devedor solidário para fins da cobrança do seu crédito, haja vista que a atividade de lançamento é plenamente vinculada, a teor do artigo 142 do C.T.N., de tal forma que não pode a administração atuar discricionariamente e escolher este ou aquele devedor para figurar no pólo passivo do processo fiscal. Por conseguinte, ante a falta de arrolamento de todos os sujeitos passivos que devem responder pelo débito, patente é a nulidade da autuação fiscal, por ofensa ao artigo 11, I, do Decreto n.° 70.235/72, o que ora requerse seja reconhecido, ou, ao menos, seja providenciada a intimação e inclusão da empresa exportadora dos produtos importados sob o regime de drawback para que responda aos termos da autuação na qualidade de coobrigada. DO EFETIVO CUMPRIMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO E DA IRRELEVÂNCIA DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES FORMAIS O regime aduaneiro especial do drawback consiste, antes de mais nada, em um mecanismo destinado a incrementar as exportações nacionais, sendo este seu propósito e a própria razão de sua existência. Não se confunde, pois, com um mero benefício fiscal, haja vista que a existência de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada (art. 78, II, do DL n.° 347/69) consiste em pressuposto lógico erigido pela legislação instituidora do regime. De igual forma, o Comunicado CACEX n.° 179, de 24.09.87, dispõe que “O benefício do Drawback é um incentivo fiscal à exportação não se confundido com favor fiscal. Naturalmente, se a suspensão dos tributos aduaneiros consiste no meio eleito pelo legislador para se alcançar o seu objetivo final, qual seja, a exportação, é fora de dúvidas que não podem ser privilegiados aspectos meramente procedimentais e formais inerentes ao instituto, ainda que previstos em regulamento, em detrimento sua finalidade precípua. Em outras palavras, as obrigações acessórias inerentes ao regime aduaneiro não podem ser aplicadas e interpretadas literalmente, como se tratassem de um fim em si mesmo, mas sim mediante uma analise teleológica, no sentido de que elas Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 4 existirão somente para propiciar um objetivo que, uma vez alcançado, revela a legitimidade da conduta do contribuinte. Aliás, tendo em vista que o multicitado regime aduaneiro não pode ser classificado como uma isenção ou favor fiscal, e, consequentemente, não lhe sendo aplicável o disposto no artigo 111 do C.T.N., não há como admitir a interpretação literal que implique na descaracterização do benefício por questões meramente formais. Junta textos da Jurisprudência Administrativa da 1ª Câmara do E CONSELHO DE CONTRIBUINTES a respeito do assunto. Para demonstrar que o cumprimento do compromisso inerente ao drawback deve ser aferido levandose em conta a efetivação das exportações, e não diante do cumprimento ou não de outras obrigações acessórias relativas ao regime aduaneiro, insta ressaltar que a própria Coordenação Geral do Sistema de Tributação COSIT, através do Ato Declaratório n.° 20, de 17.05.96, considerou que o benefício deve ser preservado independente mesmo da vinculação física entre o insumo importado e a mercadoria exportada, desde que efetivamente realizadas as exportações. No caso vertente, o fato é que o compromisso de exportação assumido pela autuada foi integralmente cumprido, uma vez que os produtos finais referidos nos atos concessórios de drawback foram exportados no exato volume exigido pela SECEX. Para evidenciar o alegado, a Autuada anexa à presente cópia das Notas Fiscais de Exportação (does. 03, anexos), emitidas pela empresa exportadora (IGL Industrial Ltda.), contendo, dentre outros, os produtos finais aludidos nos precitados atos concessórios (tubos de alumínio contendo “dentifrício”). Ademais, apresenta a Impugnante Planilha detalhada (doc. 04, anexo) relacionando todos os produtos importados com os respectivos atos concessórios, registros de exportação e Notas Fiscais de saída, emitidas pela Autuada para a IGL Industrial Ltda., bem como as Notas Fiscais de Exportação, emitidas por esta última empresa. Pelo exame comparativo entre os documentos ora apresentados fica claro que as lâminas de alumínio importadas, sob o regime de drawback, foram transformadas em embalagens pela Impugnante e vendidas à IGL Industrial Ltda., a qual, por sua vez, exportou seu produto ("dentifrício”) com ditas respectivas embalagens. Inclusive, é patente a relação entre o produto beneficiado vendido à IGL Industrial Ltda. e as exportações descritas nas Notas Fiscais respectivas, haja vista que ambos foram identificados pela marca final do produto (p. ex.. “close up menta triple”). De mais a mais, como se pode inferir do anexo “Contrato de Fornecimento de Mercadorias e Outras Avenças”, a Impugnante é fornecedora exclusiva da embalagens para a IGL Industrial Ltda., o que desde já demonstra a vinculação entre as mercadorias importadas e aquelas exportadas, fato este, inclusive, que não foi diretamente contestado pelo Fisco. Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.004693/200712 Acórdão n.º 3201001.812 S3C2T1 Fl. 2.292 5 Sobreleva notar, outrossim, que de um universo de 480 (quatrocentos e oitenta) Notas Fiscais, a Autuada não conseguiu anexar somente 22 (vinte e duas) Notas Fiscais, posto que estas não lhe foram entregues pela empresa exportadora, IGL Industrial Ltda., razão pela qual a Impugnante formula com a presente (item 17, infra) pedido de produção de prova pericial, a fim de que sejam examinados outros documentos, de posse da referida empresa exportadora, aptos a comprovar a efetiva realização das exportações de que cuidam as NF's faltantes. A respeito da essencialidade da efetiva exportação no contexto do drawback, em prejuízo de quaisquer outras obrigações estabelecidas neste regime aduaneiro, traz decisão do E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES. O descumprimento de meras obrigações acessórias, a exemplo do registro das exportações na SECEX e da falta de indicação da natureza da operação em Notas Fiscais de exportação, constitui simples erro formal que não descaracteriza as efetivas exportações, as quais, uma vez efetuadas, conferem direito à extinção do crédito tributário do I.P.I suspenso quando da importação. De tal forma que, devidamente comprovadas em gênero e quantidade as exportações relacionadas aos atos concessórios objeto do auto de infração, através da documentação ora colacionada, manifesta é a improcedência da autuação fiscal. Não há, de outro lado, como sustentar o entendimento de que o ônus da prova da regularidade do aproveitamento do regime de drawback seria do contribuinte, de acordo com o artigo 179 do C.T.N.. A uma, porque o supracitado dispositivo legal trata de isenção fiscal, o que, a rigor, não é o caso do benefício aduaneiro em questão. A duas, pois sendo o lançamento fiscal atividade privativa do sujeito ativo da obrigação tributária, a teor do artigo 142 do C.T.N., é a ele que incube o ônus de apontar todos os elementos de fato necessários à determinação da matéria tributável. Junta textos da doutrina de IVES GANDRA MARTINS a respeito do assunto. De sorte que, não tendo sido apresentadas provas contundentes da irregularidade supostamente cometida pelo contribuinte, patente revelase a ilegitimidade do Auto de Infração ora combatido, também nesta parte. INAPLICABÍLIDADE DA MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E AUSÊNCIA DE PREVISÀO LEGAL Merece destaque o fato de que a multa por suposto descumprimento do controle aduaneiro, aplicada à Autuada com fulcro nos artigos 432 e 433 do Regulamento Aduaneiro, bem Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 6 como nas Portarias DECEX n.° 08 de 14.05.91 e SECEX n.° 21 de 12.12.96, não merece prosperar. Com efeito, verificando o teor dos precitados artigos do Regulamento Aduaneiro, percebese que eles simplesmente estipulam as obrigações genéricas do beneficiário do regime de drawback, não estabelecendo, em nenhum momento, uma penalidade administrativa específica para infrações relacionadas ao controle aduaneiro. É de se ressaltar, outrossim, que o alegado descumprimento das condições do drawback já ensejou, na presente autuação, além da cobrança do imposto tido por devido e respectivos juros, multa isolada equivalente a 75 % do crédito tributário exigido. Diante deste contexto, inferese que o Fisco pretende exigir do contribuinte duas penalidades distintas decorrentes de um mesmo fato, a saber, o suposto descumprimento do compromisso inerente ao drawback, o que acarreta, indubitavelmente, efeito confiscatório da penalidade. E nem se diga que a penalidade em questão teria fundamento nas Portarias DECEX n.° 8 e SECEX n.° 21. Isto porque a criação e imposição de penalidades são reservadas para o trato exclusivo da lei, em sentido formal e material. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL Considerando, conforme assinalado no item 11 (onze), que uma pequena parte das Notas Fiscais de exportação não foi entregue pela empresa exportadora (IGL Industrial Ltda.), e tendo em vista o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, segundo o qual o Fisco deve promover a averiguação efetiva e concreta dos fatos envolvidos na demanda, é a presente para requerer a produção de prova pericial mediante exame dos documentos fiscais e contábeis da IGL Industrial Ltda.. com vistas a verificar a materialidade das operações de exportação, com fulcro no artigo 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, apresentando quesitos. • Pedese ao Sr. Perito que apure, com base na planilha anexa à esta Impugnação (doc. 04) e nas Notas Fiscais de exportação ora anexadas (does. 03), quais as Notas Fiscais que não foram anexadas; • Pedese ao Sr. Perito que verifique, em relação às Notas Fiscais identificadas na resposta ao quesito de n.° 1 (um), se existem documentos contábeis ou fiscais da IGL Industrial Ltda. que são hábeis a comprovar o pagamento pelo fornecimento dos produtos ali consignados, inclusive contratos de câmbio, especificandoos; • Pedese ao Sr. Perito que apure se existe documentação contábil ou fiscal da IGL Industrial Ltda., relacionada às exportações referidas nas Notas Fiscais, através das quais possam ser identificados os produtos que foram exportados, bem como que aponte quais produtos seriam estes; Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.004693/200712 Acórdão n.º 3201001.812 S3C2T1 Fl. 2.293 7 • Pedese ao Sr. Perito que verifique se a IGL industrial dispõe de documentação atestando o embarque, ao exterior, de mercadorias que deveriam ser exportadas segundo os atos concessórios de que cuida este PTA, em datas próximas às da emissão das Notas Fiscais faltantes; • Pedese ao Sr. Perito que aponte se nas Notas Fiscais de Exportação anexadas aos autos foram relacionadas mercadorias que deveriam ser exportadas segundo os atos concessórios de que cuida este PTA, identificandoas em gênero e volume; A Impugnante indica como sua assistente técnica a Sra. Erica Tsujimoto, brasileira, contadora, portadora do R.G. n.° 22.682.91012 SSP/SP, inscrita no Ch'F ^ob o n.° 273.384.06812 e no CRC sob o n.° 1SP208195, com endereço profissional na Avenida Valentina Melo Freire Boreinstein, 233, bairro Vila São Francisco, tel.: (11) 4723.4724. DO PEDIDO Diante do exposto, requer a Impugnante seja reconhecida e declarada a nulidade do lançamento, por falta da indicação de sujeito passivo necessário, ou, alternativamente, seja determinada a retificação da autuação de forma a incluir como coobrigada a IGL Industrial Ltda.. Sucessivamente, requerse seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração ora impugnado, para que seja determinado o cancelamento da respectiva exigência fiscal, por ser medida de Direito e Justiça. Ainda sucessivamente, requerse seja julgada procedente a Impugnação, a fim de que seja excluída a multa do controle aduaneiro. Sobreveio decisão da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 27/09/2002 Auditoria fiscal do Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK, modalidade Suspensão, com o objetivo especifico de verificar o cumprimento das obrigações fiscais relativas os Atos Concessórios. Ao se editar a norma complementar (Portaria Secex n° 35 de 24/11/2006), foram estabelecidos critérios do Secex para comprovação do regime de drawback. É norma complementar compreendida na expressão legislação tributária que o Código Tributário Nacional faz referencia no seu art.113. Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 8 Não houve a comprovação das exportações vinculadas ao regime de drawback em questão junto ao Secex dentro do prazo regulamentar, nos termos do art. 131 da Portaria Secex n. 35/06.| MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO Improcedente. A fiscalização não trouxe elementos fáticos que apontassem para o descumprimento de requisitos de controle da importação. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto No que tange aos pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário interposto pela recorrente, verificase não estar presente àquele referente à tempestividade. Isto porque a recorrente apresentou seu recurso voluntário após transcorrido o prazo de 30 dias contados a partir da ciência da decisão, previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu artigo 33, concede aos contribuintes o direito de, no prazo de trinta dias, apresentar recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, frente a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instancia; Este mesmo diploma legal estabelece em seu artigo 23 as formas de intimação, entre elas a por meio eletrônico: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.004693/200712 Acórdão n.º 3201001.812 S3C2T1 Fl. 2.294 9 a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) Do exposto, temse que, em se tratando de intimação por meio eletrônico, a mesma se considera feita na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo de 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo. No caso em tela, a recorrente tomou conhecimento do teor do acórdão nº 16 047.060, proferido pela 23 ª Turma da DRJ/SP1, em 21/06/2013, sextafeira. O prazo para a apresentação do recurso voluntário, portanto, iniciou em 24/06/2013, segundafeira, tendo se encerrado em 23/07/2013. Assim, há de ser tomado por intempestivo o presente recurso voluntário, posto protocolizado somente em 2/8/2013. Destarte, voto para não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
score : 1.0
Numero do processo: 13401.000782/2004-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PREJUÍZOS FISCAIS. RESTABELECIMENTO.
Cai por terra o lançamento do IRPJ efetuado unicamente com base em compensação indevida de prejuízos fiscais de períodos anteriores, se o montante indevidamente compensado era objeto de litígio e se, posteriormente, foi prolatada decisão administrativa irrecorrível restabelecendo os prejuízos fiscais questionados.
Numero da decisão: 1201-001.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PREJUÍZOS FISCAIS. RESTABELECIMENTO. Cai por terra o lançamento do IRPJ efetuado unicamente com base em compensação indevida de prejuízos fiscais de períodos anteriores, se o montante indevidamente compensado era objeto de litígio e se, posteriormente, foi prolatada decisão administrativa irrecorrível restabelecendo os prejuízos fiscais questionados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0223.558, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte MG. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 07 82 /2 00 4- 48 Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13401.000782/200448 Acórdão n.º 1201001.087 S1C2T1 Fl. 3 2 Em face do sujeito passivo em epígrafe foram lavrados dois autos de infração relativos ao IRPJ, o primeiro resultando somente em retificação do saldo de prejuízo fiscal acumulado ao final do anocalendário de 1998 (fls. 01/08), e o segundo em lançamento do IRPJ referente aos anoscalendários de 1999 e 2000 (fls. 11/20). Impugnados os mencionados autos de infração, a DRJ de origem julgou parcialmente procedente os lançamentos para cancelar o auto de infração de fls. 01/08 e manter parte do IRPJ relativo ao ano de 2000 (fl. 397 e ss.). Não houve recurso de ofício. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, entre outras coisas, que a parcela do IRPJ mantida pelo órgão a quo é fruto de glosa de prejuízo fiscal relativo ao ano de 1997, questão essa que está sendo discutida no âmbito do processo administrativo nº 10882.002950/200214, já com decisão parcialmente favorável à contribuinte proferida em primeiro grau. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. Conforme se observa na decisão recorrida, especialmente às fls. 409/410, o IRPJ mantido no presente processo realmente é fruto unicamente da glosa do prejuízo fiscal do ano de 1997, que estava sob discussão nos autos do processo nº 10882.002950/200214. Examinando o andamento do referido processo, verifico que a 2ª Turma Especial da 1ª Seção deste Conselho julgou procedente o recurso interposto pela contribuinte, restabelecendo portando o prejuízo fiscal do ano de 1997 (Acórdão nº 1802001.021, de 22 de novembro de 2011). Verifico também que não houve interposição de recurso especial por parte da Fazenda Nacional, estando o citado processo atualmente no Setor de Arquivo da DRF de Recife PE, conforme consulta ao sítio http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp. Houve, portanto, o transito em julgado da decisão proferida pela 2ª Turma Especial. Restabelecido nos autos do referido processo o prejuízo fiscal referente ao ano de 1997, e tendo em conta que o IRPJ mantido pela DRJ de origem é fruto unicamente da glosa daquele prejuízo, devese afastar a exigência. Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13401.000782/200448 Acórdão n.º 1201001.087 S1C2T1 Fl. 4 3 Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10880.910873/2008-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 73 /2 00 8- 83 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910873/200883 Acórdão n.º 3803006.693 S3TE03 Fl. 60 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 1.909,84, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910873/200883 Acórdão n.º 3803006.693 S3TE03 Fl. 61 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910873/200883 Acórdão n.º 3803006.693 S3TE03 Fl. 62 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910873/200883 Acórdão n.º 3803006.693 S3TE03 Fl. 63 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10380.004529/2006-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3403-000.281
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Ivan Allegretti
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho e Liduína Maria Alves Macambira. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 05/18) lavrado para a exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/1998 e 31/03/2003. A notificação do contribuinte aconteceu em 18/05/2006 (fl. 05). A descrição dos fatos que deram causa ao lançamento é, em síntese, a seguinte: (...) foi constatado que a contribuinte deixou de informar e nada recolheu a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, haja vista que todo o faturamento foi excluído da base de cálculo por ser tratado como receita oriunda de ato cooperativo. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 2 2 Ocorre que as operações praticadas pela contribuinte, em sua esmagadora maioria, são vendas de segurosaúde/plano de saúde médicohospitalarodontológico, que se caracterizam como ATOS NÃO COOPERATIVOS DIVERSOS DOS LEGALMENTE PERMITIDOS em função da contratação e revenda de serviços de terceiros para suprir os serviços que os COOPERADOS não podem oferecer aos usuários (já que se trata de uma cooperativa de serviços médicos), fatos que evidenciam atos de intermediação de negócios, ou seja, mercancia. A UNIMED FORTALEZA, independentemente do que conste nos seus estatutos, divulga fartamente na mídia e vende no mercado, a qualquer pessoa interessada, plano de segurosaúde que assegura a cobertura de assistência médica, diárias e serviços hospitalares, laboratoriais, odontológicos, etc, inclusive seguro de vida, nos mesmos moldes de outras empresas que desenvolvem estas atividades, ficando os usuários sujeitos ao pagamento de taxas de inscrição e de mensalidades, mesmo que não se utilizem dos serviços contratados. Os procedimentos descritos vão de encontro aos objetivos do cooperativismo por serem próprios das sociedades mercantis, como já abordados no PN 38/80, verbis: “3.2 Atos NãoCooperativos Diversos dos Legalmente Permitidos Se, conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os nãocooperativos excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde. 3.3 Intermediação Como estas obrigações contratuais não poderão ser cumpridas diretamente pela cooperativa porque seu objeto social é voltado internamente aos associados, nem pelos associados na condição de prestadores de serviços médicos, tornase logicamente imprescindível a aquisição daqueles bens/serviços de outras sociedades ou de outros profissionais, o que, evidentemente, é característica da mercancia, ou seja a intermediação. 3.4 Organização Mercantil Estas atividades, francamente irregulares para este tipo societário, estão iniludivelmente contidas em contexto de modelo comercial, uma vez que seu perfil operacional, neste particular, envolve.(1) atividade econômica, (2) fins lucrativos, (3) habitualidade, (4) organização voltada à circulação de bens e serviços e (5) assunção de riscos. Esta afirmação Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 3 3 melhor estará corroborada se abstrairmos, dentre as obrigações assumidas com a clientela, a de prestação de serviços médicos pelos próprios associados, percebese, então, que seria lógica e juridicamente insustentável considerarse como cooperativa a entidade :que tivesse como único objetivo a revenda de. bens e serviços. (...) Destarte, as receitas auferidas pela UNIMED FORTALEZA, no desempenho de sua atividade (venda de planos de saúde), não se caracterizam como as de ATO COOPERATIVO, mas sim, como decorrentes de operações de mercado, vedadas pelo art. 79, parágrafo único, da Lei n" 5.764/71 Lei das Cooperativas , insusceptíveis, portanto, de quaisquer benefícios, devendo, pois, submeterem se à tributação, de acordo com as normas de regência, "ex vi" da Lei nº 9.718/98 e suas alterações. As receitas que formam as bases de cálculo, referentes ao período compreendido entre agosto de 2002 e dezembro/2004, constam da escrituração contábil e correspondem às declaradas nas fichas 20A da DIPJ/2003, 26A da DIPJ/2004 e 25 da DIPJ/2005. No que diz respeito ao anocalendário de 2005 os dados foram extraídos da contabilidade apresentada pela contribuinte e todas estão demonstradas, bem como o cálculo da contribuição, no papel de trabalho "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada", em anexo. " (fls. 6/7; grifos editados) O contribuinte apresentou impugnação (fls. 69/75), alegando, em síntese, (1) que apenas e exclusivamente pratica atos cooperativos, em relação aos quais goza de isenção, e que conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 5a Região, tal isenção não foi validamente revogada, visto que apenas poderia ser validamente revogada por meio de Lei Complementar, não sendo válida a pretensão de revogá la por meio de lei ordinária, e (2) que, ainda que houvesse a tributação, a Fiscalização deixou de levar em consideração as deduções aplicáveis às operadoras de planos de assistência à saúde, previstas no art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e que não se poderia alcançar os ingressos financeiros, argumentando ainda que “caso fossem cobrar os tributos exigidos no AI, estes deveriam recair apenas nos valores que ficam na cooperativa, posto que os demais, apenas transitam em sua contabilidade, sem representar patrimônio, e assim sem gerar capacidade tributária, para a entidade” (fl. 75). Em seguida o contribuinte apresentou petição (fls. 130/132) informando que “por um lapso, deixou de informar que, no Processo de n.° 2001 .81.00.00.003863 5, promovido através da MM. 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, em face de acórdão unânime da Egrégia Terceira Turma do Colendo Tribunal Regional Federal da Quinta Região, Relator S.Exa., o DD. Des. Fed. Ridalvo Costa, publicado no DOU de n.° 140, Seção 2, pág. 5821618 2210712005, foi deferida a segurança, para que a Fazenda Nacional deixasse de cobrar o PISICOFINS da requerente” (fl. 130) e que “provado que em 2210712005, ocorreu decisão que em sede mandamental , que impedia a Fazenda de cobrar tais tributos, os Autos de Infração, lavrados em 18105/2006, estão afrontando essa decisão, razão pela qual, só por isto, devem ser considerados insubsistentes”(fl. 132). Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 4 4 Depois de determinar a realização de diligência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE (DRJ), por meio do Acórdão nº 0810.388, de 23 de março de 2007 (fls. 184/195), manteve apenas em parte o auto de infração, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Tomase como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. RENUNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA. A interposição de ação judicial, seja qual for a modalidade, ainda que preencha as condições do artigo 151 do CTN para suspender a exigibilidade do crédito, não elide o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário. CRÉDITO COM EXIBILIDADE SUSPENSA. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 COOPERATIVAS. COFINS. DEDUÇÃO DAS SOBRAS. FATES. As sociedades cooperativas poderão excluir da base de cálculo da COFINS, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Lançamento Procedente em Parte Fl. 292DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 5 5 A DRJ concluiu pela exclusão da multa de 75%, em razão de haver decisão judicial vigente impedindo a exigência do tributo em relação ao contribuinte, e pela redução da base de cálculo em relação aos valores destinados à constituição do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social FATES, em respeito ao art. 1º da Lei nº 10.676/2003, de acordo com os valores apurados na diligência fiscal (fls. 149/150). Em razão dos valores exonerados serem superiores ao previsto na Portaria MF 375/2001, houve a interposição de Recurso de Ofício. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 199/205), no qual reitera os fundamentos da impugnação, requerendo ao Conselho “declarar a nulidade do auto e determinar a revisão do AI de acordo com a Lei 9718 e/ou arquivar o AI em acatamento a decisão mandamental mencionada” (fl. 205). Com efeito, ao mesmo tempo em que reclama que a Fiscalização não respeitou as deduções legais, pedindo a “aplicação do § 9º do art. 3º da Lei 9718, na redação que definitivamente deulhe a MP 21583512001, que, de forma regrada pela Instrução Normativa de n.° 635/06SRF, reduziu a base imponível do PIS/COFINS para as cooperativas operadoras de planos de saúde, permitindolhes excluir os sinistros, responsabilidades cedidas, etc” (fl. 203, item 5), também alega que a ação judicial que propôs foi julgada a seu favor pelo TRF da 5ª Região, nos seguintes termos: 10. Acaso se possa manter a autuação, no mérito, com o devido respeito, ela é de total insubsistência. 11. É que, como vimos, em processo exatamente de interesse da Unimed Fortaleza e a União, Ação n.° 2001.81.00.0038655 oriunda da 4ª Vara da Seção Judiciária do Ceará, que, em sede recursal, teve a seguinte decisão, extraída do sítio oficial da v. Corte (www.trf5.gov.br): REPUBLICÁ FEDERATIVA DO BRASIL TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL RIDALVO COSTA APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 87178 CE APTE: UNIMED DE FORTALEZA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO LTDA ADV/PROC: RODOLFO LICURGO TERTULINO DE OLIVEIRA E OUTROS APDO: FAZENDA NACIONAL RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL RIDALVO COSTA E M E N T A: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÉNCIA. LEI N.° 9.718198 E MP N.° 1.8586199. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 6 6 Não incidem o PIS e a COFINS sobre atos cooperativos próprios, de prestação de serviço pela cooperativa aos seus associados. Ausência de fim lucrativo. (Precedentes do STJ). ACÓRDÃO Vistos, etc. DECIDE a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5' Região, por unanimidade, dar provimento à apelação, nos termos do relatório e voto anexos, que passam a integrar o presente julgamento. Recife, (data do julgamento) Des. Federal Ridalvo Costa Relator 12. Tratandose de ação mandamental, sendo coincidente as partes e a tese (não incidência de tributos PISICOFINS sobre todos os atos da cooperativa) é evidente que tendo tomado conhecimento da decisão, manter o presente processo administrativo é desobedecer decisão judicial, com todas as conseqüências daí decorrentes. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo (fls. 198 e 199), motivo pelo qual dele conheço. A matéria de fundo trata da incidência da Cofins em relação às cooperativas de trabalho médico, sendo que neste caso concreto a recorrente também propôs medida judicial para a discussão do tema. Foi por isso, aliás, que o acórdão da DRJ deixou de conhecer da impugnação, em razão da impossibilidade da concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. Verificandose a situação da discussão judicial, consta do andamento do caso a notícia de que a recorrente teria pedido desistência da discussão judicial, inclusive com a renúncia do direito em que se funda a ação. Com efeito, é este o teor do andamento obtido pelos sistema informatizado, disponível no sítio do TRF da 5 ª Região em relação à Apelação em Mandado de Segurança nº 2001.81.00.0038635 (CNJ 000386398.2001.4.05.8100 ou AMS87178/01CE): Em 09/06/2011 08:31 Despacho do Desembargador(a) Federal VicePresidente [Publicado em 10/06/2011 00:00] [Guia: 2011.001048] (M124) DECISÃO A impetrante formulou pedido de desistência de qualquer direito obtido com o julgamento da apelação, renunciando a qualquer alegação de Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 7 7 direito sobre o qual se funda a ação, para o fim de aderir ao parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/2009. Posteriormente, peticiona requerendo a determinação de conversão em renda da União de valores depositados em juízo para o pagamento de débitos vinculados às inscrições nº. 3071000077556 e nº. 3061001451810. Os depósitos referidos encontramse suficientemente comprovados pelos documentos de fls. 366/407.Por outro lado, os extratos de consulta acostados às fls. 411/414 pela Fazenda Nacional dão conta de que dentre os débitos imputados à impetrante, apenas os vinculados às inscrições reportadas (3071000077556 e 3061001451810) apresentamse com exigibilidade ativa, estando a dos demais suspensa por força de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/2009. Ante o exposto:1) Homologo o pedido de desistência e a renúncia do direito sobre o qual se funda a ação;2) Sem honorários por se tratar de mandado de segurança;3) Custas pela impetrante, tendo em vista que a renúncia, após o julgamento, equivale à improcedência para fins de sucumbência;4) Julgo prejudicados os Recursos Especial e Extraordinário interpostos pela Fazenda Nacional;5) Embora a conversão, via de regra, somente ocorra após o trânsito em julgado, no caso, a providência foi requerida pelo próprio contribuinte. Assim, inexistindo qualquer prejuízo em desfavor da Fazenda Nacional, defiro o pedido formulado pela impetrante, para determinar a conversão em renda da União de valores depositados para o pagamento dos débitos vinculados às inscrições nº. 3071000077556 e nº. 3061001451810.6) No que tange à liberação do valor que sobejar, a questão deve ser decidida pelo Juízo de Primeiro Grau.Cumprase. P.I., baixandose os autos. Recife, 08 de junho de 2011. Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira VicePresidente do TRF da 5ª Região Ora, se houve a desistência da ação, inclusive com a renúncia ao direito em que se funda a ação, é de se supor que o contribuinte tenha incluído ou pretendido incluir o presente crédito tributário no referido parcelamento. Ante tal contexto dos fatos, com efeito, parece de rigor que se converta o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime o recorrente a informar e esclarecer quanto ao alcance da referida renúncia, inclusive apresentando cópia dos atos processuais em que foi formulada e homologada, e, se o caso, explicando e demonstrando em que medida o contribuinte entende ter sido afetado ou ainda subsistir seu interesse na presente discussão administrativa. Mesmo porque, de acordo com o previsto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009, a inclusão do débito que se discute nestes autos depende de desistência do recurso voluntário, não constando que o tenha feito, nada obstante tenha praticado ato incompatível com o interesse de recorrer, ao desistir da ação judicial, na medida em que parece pretender discutir os mesmos fundamentos em âmbito judicial e administrativo. O contribuinte deve informar, ainda, se existe ou propôs qualquer outra medida judicial em andamento a respeito da sua condição de contribuinte de PIS e Cofins, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 8 8 apresentando cópia das peças processuais (petição inicial, decisão, sentença, apelação, acórdãos etc). Ao final, deve a Delegacia de origem elaborar relatório conclusivo da diligência, em seguida promovendo a intimação do contribuinte para, querendo, manifestarse em 15 dias, depois devolvendose os autos a este Conselho para julgamento. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13601.000426/00-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
NULIDADE. ARTIGO 59 DO DECRETO Nº 70.235/72.
Apesar do julgador não estar obrigado a tratar de todos os argumentos constantes da peça recursal, e de poder decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção, no presente caso a análise de todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte, notadamente aqueles resultantes da diligência determinada pela Colenda Câmara a quo, afigura-se imprescindível para o deslinde da presente controvérsia. A ausência dessa análise configura preterição do direito de defesa, a teor do disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão recorrido por cerceamento de defesa, determinando o retorno dos autos ao Colegiado "a quo", para novo julgamento. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que negava provimento.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 NULIDADE. ARTIGO 59 DO DECRETO Nº 70.235/72. Apesar do julgador não estar obrigado a tratar de todos os argumentos constantes da peça recursal, e de poder decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção, no presente caso a análise de todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte, notadamente aqueles resultantes da diligência determinada pela Colenda Câmara a quo, afigurase imprescindível para o deslinde da presente controvérsia. A ausência dessa análise configura preterição do direito de defesa, a teor do disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão recorrido por cerceamento de defesa, determinando o retorno dos autos ao Colegiado "a quo", para novo julgamento. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que negava provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 04 26 /0 0- 55 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 454 2 Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto por DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA. (fls. 385 a 394) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 325 a 334) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário no sentido de determinar que o saldo credor do IPI apurado até 31/12/2008 somente poderá ser aproveitado com débitos do próprio imposto, registrados na escrita fiscal do contribuinte. Com isso, não sendo esgotados tais créditos, não se pode deferir o ressarcimento do saldo credor a partir de janeiro de 1999. Os presentes autos tratam, em síntese, de pedido de ressarcimento/compensação de créditos básicos de IPI do 4º trimestre de 1999 com arrimo no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 (fls. 02 e 03). Referido dispositivo tem o seguinte teor: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. O pedido foi inicialmente indeferido através da r. decisão de fls. 38 a 40, fundamentada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 35 a 37, onde se entendeu que não teria sido cumprido o disposto no artigo 5º da IN SRF 33/99, especialmente os seus §§ 2º e 3º: Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI – Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 455 3 inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. O fundamento da r. decisão inicial, em síntese, foi no sentido de que, verbis, o artigo 5º da IN 33/99 dispôs que os créditos acumulados na escrita fiscal, existente em 31/12/98 somente poderiam ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. Todavia, o § 2° do referido artigo vedou a possibilidade de abater débitos referentes a saídas de produtos industrializados com insumos tributados adquiridos a partir de janeiro de 1999. Com isso, em razão de não poder aproveitar os saldo credor acumulado até 31/12/98, a contribuinte deveria, no entendimento da fiscalização, ter optado pelo estorno do referido saldo a fim de possibilitar o ressarcimento/compensação do saldo credor a partir de janeiro de 1999, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 25 de setembro de 2002. Contra essa r. decisão a contribuinte apresentou impugnação (fls. 44 a 55), a qual não foi acolhida pela DRJ de Juiz de Fora – MG (fls. 112 a 116). Essa r. decisão reiterou a fundamentação de que o § 2° do artigo 5° da IN/SRF n.° 33/99 não deixa dúvidas de que os créditos existentes até 31.12.1998 só podem ser consumidos com os débitos decorrentes da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e daqueles fabricados a partir de 1° de janeiro de 1999, porém com a utilização dos insumos originadores desses créditos. Outrossim, reiterou que é extremamente relevante a comprovação de que o saldo credor existente em 31.12.1998 foi consumido mediante a saída de produtos já existentes naquela data e ainda daqueles cuja elaboração final se deu a partir de 01.01.1999 com o Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 456 4 aproveitamento dos insumos já existentes no estoque àquela época. Embora intimada, por três vezes, a comproválo, a contribuinte não fez, apresentando informações consideradas insuficientes pela Fiscalização. Contra essa r. decisão, em seguida, foi interposto recurso voluntário (fls. 122 a 137) onde se alegou, dentre outros argumentos, que a legislação, notadamente a IN SRF nº 33/99 não determina que devesse haver uma segregação física e produtiva desses insumos (adquiridos até 31/12/1998) e dos créditos respectivos (até porque isso seria impossível operacionalmente), como quer a fiscalização e o relator que atuou na decisão de 1ª instância. Em face desse recurso voluntário, a Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em Resolução da relatoria do Ilustre Conselheiro Cesar Piantavigna (fls. 219 a 223), decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse verificada a forma com que a contribuinte aproveitou o crédito de IPI acumulado em 31/12/98. Determinouse, ainda, que o seu resultado seria disponibilizado nos três processos em que se discute essa questão (processos nºs 13601.000131/0051, 13601.000319/200105 e 13601.000426/0055 – este último o ora em julgamento). O resultado da diligência consta do Termo de Diligência Fiscal acostado às fls. 298 a 299. Em seguida, após manifestação da contribuinte sobre a diligência (fls. 300 a 304), a Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, fazendoo através de julgado que possui a seguinte ementa: IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR APURADO ANTES DE 1999. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. IN SRF Nº 33/99. A teor do disposto no art. 5º da IN SRF n° 33/99, editada em conformidade com o art. 11 da Lei n° 9.779/99, o saldo credor de IPI apurado até 31/12/98, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos tributados, inclusive os sujeitos à alíquota zero, somente poderá ser utilizado mediante compensação com débitos do próprio imposto, registrados na escrita fiscal do contribuinte. Recurso negado. A Colenda Turma a quo, em suma, na esteira do voto proferido pelo relator designado, Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, entendeu que na situação dos autos, a empresa não cumpriu a IN SRF n° 33/99. Inclusive, não atendeu às três intimações para demonstrar a utilização dos insumos adquiridos até 1998. Certamente porque tal demonstração é contrária à sua interpretação, segundo a qual há possibilidade de o saldo credor de 1998 ser utilizado para abatimento dos débitos gerados a partir de 1999, independentemente da utilização dos insumos adquiridos até 1998 nos produtos vendidos a partir de 01/01/1999. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 457 5 Contra essa r. decisão foram opostos embargos de declaração (fls. 358 a 365), os quais não foram acolhidos pelo r. despacho de fls. 371 a 374. Irresignada, a contribuinte interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, preliminarmente, com base em divergência jurisprudencial, a nulidade do v. acórdão tendo em vista a não apreciação de todos os argumentos trazidos no seu recurso voluntário, bem como, no mérito, a legalidade do ressarcimento do crédito acumulado de IPI com base no art. 11 da Lei n° 9.779/99, bem como ofensa à legislação, já que teria cumprido as disposições contidas no citado artigo e na IN SRF n° 33/99. O recurso especial foi integralmente admitido através do r. despacho de fls. 433 a 434. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 440 a 449, onde se propugnou pela manutenção do v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator. Entendo que o recurso especial merece ser conhecido apenas no tocante à arguição de nulidade e, com relação a esta matéria, razão assiste à contribuinte. Com relação ao mérito, qual seja, a legalidade do ressarcimento do crédito acumulado de IPI com base no art. 11 da Lei n° 9.779/99, bem como ofensa à legislação, já que a contribuinte teria cumprido as disposições contidas no citado artigo e na IN SRF n° 33/99, entendo que o recurso interposto não merece ser conhecido. Na espécie, cuidase de recurso especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o v. acórdão n° 20311.953, com fundamento no art. 15 do Regimento Interno da CSRF (RICSRF) aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Após afirmar que o entendimento do aresto recorrido é contrário aos acórdãos n°s 10514.338, 10614.100, 20215.660, 20202.918, 20402.919 e 20402.917, a contribuinte tratou no seu recurso especial de duas matérias sobre as quais afirma haver divergência (nulidade e mérito), alegando, basicamente, com relação ao mérito, haver divergência em relação à possibilidade de aproveitamento do crédito acumulado de IPI com base no art. 11 da Lei n° 9.779/99, bem como ofensa à legislação, já que teria cumprido as disposições contidas no citado artigo e na IN SRF n° 33/99. Para tanto, transcreveu ementa e anexou cópia de inteiro teor do acórdão n° 20215.660 (Recurso n° 124.385), além de anexar cópias dos resultados (e não ementas) de três acórdãos proferidos pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes nos processos n°s 10830.000543/200288, 13601.000196/0005 e 13601.000352/0011 (Recursos Voluntários n°s 137340, 136514 e 136513, respectivamente). Fl. 461DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 458 6 Segundo a contribuinte, nesses três processos julgados pela Colenda Quarta Câmara lhe foi reconhecido o direito ao ressarcimento do IPI no ano de 1999, sendo que por ocasião da interposição do presente recurso especial os três acórdãos aguardavam formalização. Defende, todavia, que a circunstância de tais arestos não se encontrarem formalizados não deve ser impeditiva ao reconhecimento da divergência jurisprudencial, invocando em seu favor o artigo 37 da Lei n° 9.784/99, segundo o qual a Administração proverá, de oficio, a obtenção de documentos em seu poder. O recurso especial de divergência tem como suporte regimental, dentre outros dispositivos, os artigos 7°, inciso II, e 15 do RICSRF aprovado pela Portaria MF nº 147/2007: Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 2° Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. § 3°A cópia de publicação de ementa referida no § 2° quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. Ao anexar resultados de três processos cujos acórdãos ainda não estavam formalizados, a contribuinte deixou de observar a regra expressa contida no § 2° do artigo acima transcrito. Aqui o artigo 37 da Lei n° 9.784/99 não lhe socorre, pois cabe ao recorrente providenciar a juntada de cópia de ementa ou de inteiro teor. Ainda cuidando do conhecimento, a contribuinte anexou inteiro teor do acórdão n° 20215.660. Neste ponto, formalmente atendeu ao disposto no § 2° do art. 15 do RICSRF. Apesar disso, referido paradigma não comprova a divergência apontada, na medida em que é claro ao aplicar a IN SRF n° 33/99 e reputála compatível com o artigo 11 da Lei n° 9.779/99, tal como interpretou o v. acórdão recorrido. Os trechos do voto paradigma, transcritos no item 21 do Recurso Especial, apontam expressamente que o beneficio estipulado no artigo 11 da Lei n° 9.779/99 tem com termo inicial “os créditos oriundos dos insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a industrial a partir de 01 de janeiro de 1999", e que "(...) os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, (...) somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado o seu ressarcimento ou compensação." De igual modo o v. acórdão recorrido, que também veda o ressarcimento ao tratar da utilização do saldo credor do IPI apurado até 31/12/98. Desta forma, não comprovada qualquer divergência em relação a esse ponto, o recurso especial não se mostra cabível. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 459 7 No tocante à parte conhecida, qual seja, com relação à argüição de nulidade, apesar do julgador não estar obrigado a tratar de todos os argumentos constantes da peça recursal, e de poder decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção, entendo que no presente caso a análise de todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte, notadamente aqueles resultantes da diligência determinada pela Colenda Câmara a quo, afigurase imprescindível para o deslinde da presente controvérsia. A ausência dessa análise configura preterição do direito de defesa, a teor do disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Deveras, conforme apontado pela contribuinte, inclusive nos seus embargos de declaração, os argumentos que se afiguram imprescindíveis para dirimir a controvérsia são os seguintes: a) a IN SRF n° 33/99 foi publicada apenas em 24/04/99, não sendo possível se admitir que seus efeitos retroajam a janeiro/99, sob pena de ofensa direta aos artigos 105 e 106, ambos do CTN; b) manifestação sobre os Pedidos de Ressarcimentos anteriormente formulados pela Recorrente que foram integralmente deferidos pela então SRF, comprovando que ela, a Recorrente, agiu nos exatos da IN SRF n° 33/99; c) a IN SRF 33/99 determina que os insumos adquiridos até 31/12/99, geradores do crédito acumulado de IPI, sejam utilizados nos produtos acabados a partir de janeiro/99, mas não exclusivamente; d) o controle dos insumos adquiridos é contábil e não físico e está plenamente comprovado na documentação disponibilizada à fiscalização pela ora Recorrente; e) toda a movimentação física está registrada no Livro de Controle de Estoque mediante lançamento contábil; f) a Recorrente esgotou o crédito acumulado de IPI existente em 31/12/98 para, somente em abril/99, passar a deduzir o saldo credor originado a partir de janeiro/99; e g) manifestação acerca do Termo de Diligência Fiscal, datado de 22/02/2006, elaborado em atenção à Resolução n° 20300.664, desse E Conselho de Contribuintes. De maior relevância é, aliás, a diligência realizada nos presentes autos. Consoante o Termo de Diligência Fiscal acostado às fls. 298 a 299, restou comprovado o seguinte: a) A empresa dispunha, em 31/12/1998, do saldo credor do IPI no valor de R$ 1.816.589,76, conforme cópia do Livro Registro de Apuração do IPI as fls.221. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 460 8 b) A empresa compensou todo o saldo credor existente em 31/12/1998 com os débitos do IPI ocorridos no primeiro decêndio de janeiro de 1999 ao segundo decêndio de maio de 1999, tendo anotado no campo de observações do Resumo da Apuração do IPI o saldo credor remanescente, conforme cópias do Livro Registro de Apuração do IPI anexas as fls. 222 a 271. c) Os valores dos débitos de IPI da empresa ,do período de janeiro de 1999 a dezembro de 2001, estão informados na coluna (2) da planilha anexa a este Termo, as fls.215 a 219. d) A empresa se utilizou do crédito acumulado do IPI existente em 31/12/1998, para abater débitos do IPI gerados a partir de 1°/01/1999, tendo terminado no segundo decêndio de maio de 1999 de absorver totalmente o crédito, conforme demonstrado na planilha de fls.215 a 219. e) Os valores dos créditos do IPI apropriados pela empresa no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2001 estão informados na coluna (1) da planilha anexa a este Termo, as fls.215 a 219. f) Se forem consideradas devidas as compensações realizadas pela empresa, onde foi utilizado todo o saldo credor existente em 31/12/1998, teremos os seguintes valores de créditos acumulados do IPI nos trimestres relacionados abaixo : TRIMESTRE VALOR DO CRÉDITO ACUMULADO DO IPI VALOR SOLICITADO DE RESSARCIMENTO N NÚMERO DO PROCESSO 4° TRIM/99 2.710.000,00 2.710.000,00 13601.000131/0 051 1° TRIM/00 307.179,17 307.179,17 13601.000196/0 005 2° TRIM/00 430.179,17 430.179,17 13601.000352/0 011 3° TRIM/00 301.915,00 291.884,82 13601.000426/0 055 3° TRIM/01 82.570,10 80.000,00 13601.000319/0 105 g) A transposição do presente Termo para o processo 13601.000319/200105 não foi efetuada, tendo em vista que mesmo se encontra na Terceira Camara — 2CC DF , conforme tela do sistema comprot anexa as fls.273. (grifos nossos) Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 461 9 Vale ressaltar, por outro lado, que o Ilustre relator designado, Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, se restringiu apenas à análise da legalidade e aplicabilidade da IN SRF 33/99: Neste ponto ressalto que a norma do art. 11 da Lei n° 9.779/99 não é meramente interpretativa, mas sim constitutiva de direito, tendo alterado a forma de utilização dos créditos básicos do IPI. Na situação dos autos, a empresa não cumpriu a IN SRF n° 33/99. Inclusive, não atendeu às três intimações para demonstrar a utilização dos insumos adquiridos até 1998. Certamente porque tal demonstração é contrária à sua interpretação, segundo a qual há possibilidade de o saldo credor de 1998 ser utilizado para abatimento dos débitos gerados a partir de 1999, independentemente da utilização dos insumos adquiridos até 1998 nos produtos vendidos a partir de 01/01/1999. Como a empresa se recusa a cumprir o § 2° do art. 5° da IN SRF n° 33/99, 1 e como este dispositivo nada tem de ilegal e não é contrário ao art. 11 da Lei n° 9.779/99, o ressarcimento solicitado não lhe pode ser deferido. Aliás, nem mesmo após a oposição dos mencionados embargos de declaração a Colenda Câmara a quo enfrentou todos os fundamentos apresentados pela contribuinte, notadamente o resultado da diligência realizada. Isso é o que se verifica na própria manifestação decorrente dos embargos opostos, também da lavra do Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis: Quanto ao resultado da diligência determinada por esta Terceira Câmara, o voto vencedor não lhe fez menção porque nada trouxe de novo aos autos. Apenas serviu, a diligência, para deixar claro que a empresa usou o saldo credor de 31/12/98 nos decêndios de 11/99 a 2 5/99. Desta forma, entendo que, dentre as alegações apresentadas pela contribuinte, conforme acima transcrito, as mais importantes e necessárias à correta análise do presente caso não foram analisadas. Por outro lado, mister ressaltar que o julgador não deve se ater somente aos fundamentos jurídicos de legalidade e aplicabilidade da IN SRF nº 33/99, mas também deve se debruçar sobre as questões fáticas envolvidas, em respeito ao princípio da Verdade Material. O Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, cujos ensinamentos são de incomensurável valia, é incisivo e objetivo ao declinar a respeito do Princípio da Verdade Material: Princípio da Verdade Material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 462 10 deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Héctor Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial. O autor citado escora essa assertiva no dever administrativo de realizar o interesse público. Adiciono que, em perfeita consonância ao Princípio da Verdade Material, foi determinada a baixa do processo em diligência para que fossem averiguadas as alegações da contribuinte, o que resultou na elaboração do Termo de Diligência Fiscal TVF juntada aos autos às fls. 298 a 299. Destaco, outrossim, que no referido TVF ficou evidenciado que a empresa se utilizou do crédito acumulado do IPI existente em 31/12/1998 para abater débitos de IPI gerados a partir de 1°/01/1999, tendo terminado no segundo decêndio de maio de 1999 de absorver totalmente o crédito, conforme demonstrado na planilha de fls.215 a 219. Em suma, reitero que apesar do julgador não estar obrigado a tratar de todos os argumentos constantes da peça recursal, e de poder decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção, no presente caso a análise de todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte, notadamente aqueles resultantes da diligência determinada pela Colenda Câmara a quo, afigurase imprescindível para o deslinde da presente controvérsia. A ausência dessa análise configura preterição do direito de defesa, a teor do disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de conhecer em parte e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial para anular o v. acórdão recorrido por cerceamento de defesa, determinando a remessa dos presentes autos à instância a quo para que novo acórdão seja proferido. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 463 11 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 14098.000007/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1202-000.207
Decisão: Vistos, relatos e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatos e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 373 372 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14098.000007/201084 Recurso nº Resolução nº 1202000.207 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 08 de agosto de 2013 Assunto Sobrestamento Recorrente PETRO GARÇAS DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatos e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .0 00 00 7/ 20 10 -8 4 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 373 Relatório e Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator. Recebido o processo para relato, realizei um exame preliminar que indicou estar apto ao julgamento, tendo sido incluído em pauta da sessão de abril de 2013. Ocorre que posterior exame detalhado dos autos para elaboração do relatório e voto demonstrou que, entre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, está a questão inerente ao acesso aos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Tratase, entre outras infrações, de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários em conta corrente cuja origem não foi comprovada mediante documentos hábeis e idôneos. Para ter acesso à conta bancária da Recorrente foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) diretamente às Instituições Financeiras, de maneira que teria ocorrido, em tese, uma possível quebra de sigilo bancário. A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva, conforme se passa a demonstrar. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi recorrido por Embargos de Declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF nesta data demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 09/11/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. 2 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 373 Assim, considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, é dever deste E. Conselho sobrestar o julgamento dos processos que tratam sobre a matéria, conforme dispõe o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, transcrito abaixo: Art. 62 [....]§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspenderem o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida, exatamente o caso dos autos. 3 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 373 Diante de todo o exposto, manifestome pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto. 4 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904802/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 48 02 /2 00 9- 24 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 9303002.570 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 9303002.570 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000288/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCELAS A SEREM EXCLUÍDAS DA BASE TRIBUTÁVEL. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES OMITIDOS.
Presumem-se receitas omitidas os valores creditados em conta-corrente bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos.
Para efeito de determinação da receita omitida, serão desconsiderados os créditos decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular, bem assim os oriundos de empréstimos e financiamentos bancários.
Configurada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, deverá a autoridade fiscal lançar o imposto com base no lucro arbitrado.
LANÇAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL.
A opção pelo lucro real anual considera-se manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazê-lo por ato de ofício.
A pretensão fazendária de calcular o imposto de renda da pessoa jurídica mediante aplicação da alíquota de 15% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é indevida. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar o imposto devido é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A obrigatoriedade de efetuar o pagamento de estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam sua opção pelo lucro real anual. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo referido regime, é de afastar a aplicação da multa por falta de recolhimento de estimativas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. CSLL
As normas que tratam da apuração da base de cálculo e da forma de pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica aplicam-se, também, à contribuição social sobre o lucro.
Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal efetuará o lançamento da contribuição social sobre o lucro de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, a contribuição social deverá ser lançada com base nas regras do lucro arbitrado.
JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal, cuja verificação de constitucionalidade é de competência exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1401-001.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Maurício Pereira Faro e Antonio Bezerra Neto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCELAS A SEREM EXCLUÍDAS DA BASE TRIBUTÁVEL. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES OMITIDOS. Presumem-se receitas omitidas os valores creditados em conta-corrente bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Para efeito de determinação da receita omitida, serão desconsiderados os créditos decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular, bem assim os oriundos de empréstimos e financiamentos bancários. Configurada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, deverá a autoridade fiscal lançar o imposto com base no lucro arbitrado. LANÇAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. A opção pelo lucro real anual considera-se manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazê-lo por ato de ofício. A pretensão fazendária de calcular o imposto de renda da pessoa jurídica mediante aplicação da alíquota de 15% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é indevida. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar o imposto devido é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A obrigatoriedade de efetuar o pagamento de estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam sua opção pelo lucro real anual. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo referido regime, é de afastar a aplicação da multa por falta de recolhimento de estimativas. OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. CSLL As normas que tratam da apuração da base de cálculo e da forma de pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica aplicam-se, também, à contribuição social sobre o lucro. Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal efetuará o lançamento da contribuição social sobre o lucro de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, a contribuição social deverá ser lançada com base nas regras do lucro arbitrado. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal, cuja verificação de constitucionalidade é de competência exclusiva do Poder Judiciário.
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INDEFERIMENTO. A perícia não se presta a suprir a inércia do sujeito passivo que deixou de apresentar, no momento processual devido, provas documentais que já poderiam ter sido carreadas aos autos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS DE JULGAMENTO. É vedado aos órgãos administrativos de julgamento deixar de observar ou afastar a aplicação de leis validamente inseridas no ordenamento jurídico, sob o fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCELAS A SEREM EXCLUÍDAS DA BASE TRIBUTÁVEL. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES OMITIDOS. Presumemse receitas omitidas os valores creditados em contacorrente bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Para efeito de determinação da receita omitida, serão desconsiderados os créditos decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular, bem assim os oriundos de empréstimos e financiamentos bancários. Configurada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 02 88 /2 00 7- 31 Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.579 2 período, deverá a autoridade fiscal lançar o imposto com base no lucro arbitrado. LANÇAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. A opção pelo lucro real anual considerase manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazêlo por ato de ofício. A pretensão fazendária de calcular o imposto de renda da pessoa jurídica mediante aplicação da alíquota de 15% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é indevida. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar o imposto devido é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A obrigatoriedade de efetuar o pagamento de estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam sua opção pelo lucro real anual. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo referido regime, é de afastar a aplicação da multa por falta de recolhimento de estimativas. OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. CSLL As normas que tratam da apuração da base de cálculo e da forma de pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica aplicamse, também, à contribuição social sobre o lucro. Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal efetuará o lançamento da contribuição social sobre o lucro de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, a contribuição social deverá ser lançada com base nas regras do lucro arbitrado. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal, cuja verificação de constitucionalidade é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.580 3 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Maurício Pereira Faro e Antonio Bezerra Neto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.581 4 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário no Acórdão nº 1223.936, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro IRJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória ES, foram lavrados contra a empresa em epígrafe os autos de infração de fls. 523/556, para exigência do crédito tributário abaixo discriminado: (...) As infrações que motivaram a autuação encontramse descritas no relatório fiscal de fls. 517/522, cuja transcrição é a que segue: "RELATÓRIO FISCAL IINTRODUÇÃO No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao MPF n° 0720100.2006.006272, foi realizada a Auditoria na Empresa PROTECTION SISTEMAS DE VIGILÂNCIA LTDA, CNPJ 02.210.878/000187. A fiscalização foi motivada em virtude da discrepância entre as receitas informadas pelos clientes da fiscalizada, a movimentação financeira da empresa e as receitas conhecidas através dos sistemas, diferença esta detectada pelos controles da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A composição do Capital Social segundo a última alteração contratual é a seguinte: Nome CPF/CNPJ Participação Jesus Guarnieri 679.762.55800 50,00% Pedro Garschagen Filho 525.777.16753 50,00% IIDA AUDITORIA Através do Termo de Início de fls. 0086 a 0090, datado de 28/12/2006, enviado por via postal e recebido em 03/01/2007, intimouse a empresa a apresentar Livros Contábeis, Fiscais e demais documentos. Em 29/01/2007 e nova Intimação foi enviada a empresa já que a primeira ainda não havia sido respondida, fls. 0091 a 0094. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.582 5 Examinandose o Dossiê da empresa preparado pelo Setor de Seleção desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Vitória constatamos divergência entre os valores Declarados na DCTF, fls. 0084 a 0085, de onde se pode obter a Receita, as DIRF's de 53 clientes, fls. 0016 a 0024 e a movimentação financeira da empresa obtida pelas Declarações de CPMF dos Bancos, fls. 0011 a 0014. AC RECEITA D1PJ RECEITA DCTF DIRF'S CLIENTES MOVIMENTAÇÃO FINANC. (gastos) CPMF 2003 0,00 85.652.00 5.612.434,33 11.077.528,83 Caracterizase, portanto, a hipótese de gastos realizados incompatíveis com a receita conhecida. Em virtude disto e da não apresentação de documentação e dos extratos bancários pedidos, solicitamos aos bancos através de RMFa movimentação bancária do ano de 2003. De acordo com os extratos obtidos através de RMF, fls. 0203 a 0509, os valores creditados nas contascorrentes da empresa são os mostrados na planilha abaixo: MÊS BANESTES RURAL BRASIL REAL UN1BANCO TOTAL jan/03 356.929M I94.X37.45 41.407.X7 0.00 115.856.12 709.031.32 fn/03 290.724.44 114.705.05 34.903.55 0.00 125.286.64 565.619.68 mar/03 300.5*1.112 13X677.56 I32.24X.23 0.00 211.4X1.57 782.989.18 abr/03 322.272.16 149.1X4,03 156.221,50 0,00 116.221,25 743.898,94 mai/03 476.693.34 II6.73X.07 14X260.49 0.00 192.247.54 933.939.44 ¡un/03 320.466.9S 151.771.45 192.567.60 0.00 126.778.60 791.584.63 jul/03 326.417.57 101.5X2.49 202X77.69 100.00 130.749.61 761.727.36 ago/03 312.093.53 30.771,X0 1S7.S39.17 13.244.52 122.427.60 636.376.62 sel03 361.389.56 11.727.52 194.114,33 33.1IO.XO 110.541,43 710.883.64 oul/03 405.465.76 9.95X.81 124.863,31 51.132.62 97.944.94 689.365.44 nov/03 352.X74.97 0.00 143.226,55 50.2X6.93 81.705.45 628.093.90 dez/03 591.923.97 0,00 197.603,16 63.450.00 224.657,70 1.077.634.83 TOTAL 4.417.833,98 1.019.954.23 1.726.133.45 2U.324.X7 1.655.898,45 9.031.144.98 Em vista da movimentação financeira ocorrida em contraste com os valores informados pela empresa na DCTF, enviamos mais uma Intimação em 26/02/2007, fls. 0095 a 0127, solicitando mais uma vez os Livros da empresa, bem como que fosse explicada e comprovada a origem dos créditos ocorridos nas contascorrentes da PROTECTION. Em 03/2007 recebemos os primeiros documentos da empresa, isto é, Diário de 2003, Razão de 2003 e notas fiscais do ano de 2003. Só a título de comparação apresentamos abaixo tabela com os valores das contas bancárias contabilizadas: (...) Vêse claramente a diferença entre os valores bancários contabilizados, 0162 a 0167 e os apurados através dos extratos bancários, fls. 0203 a 0509. Em 19/03/2007 através de outra Intimação, fls. 0129 a 0140, solicitamos à empresa entre outras coisas o LALUR, uma vez que como optante pela tributação pelo Lucro Real este livro é obrigatório. Solicitamos também mais uma vez que explicasse e comprovasse a origem dos créditos recebidos em suas contas correntes. Até a presente data ainda não recebemos resposta a estes questionamentos. IIIINFRAÇÕES Examinandose a documentação da empresa bem como consultando os nossos sistemas detectamos os seguintes fatos: Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.583 6 a) A DIPJ do ano calendário de 2003, fls. 0029 a 0083, com opção pelo Lucro Real Trimestral foi preenchida com os campos zerados, ou seja, sem apuração do IRPJ e da CSLL. b) Apuramos também que as DCTF's, fls. 0084 a 0085, informaram valores de PIS e COFINS não condizentes as receitas constantes da contabilidade, fls. 0175 a 0176. Os respectivos Autos de Infração foram lavrados em processo apartado. c) Nas DCTF's também não foram declarados valores de IRPJ e CSLL. d) Observandose os valores escriturados no RAZÃO, no DIÁRIO e no Balanço do ano de 2003 constatase que a apuração do IRPJfoi feita de forma anualizada e com lucro de R$ 306214,95, fls. 0161 a 0192. e) Embora na contabilidade conste como tendo sido paga IRPJ e CSLL tendo como contrapartida a conta CAIXA, fls. 0161, pelo exame dos pagamentos efetuados conforme sistema SINAL, fls. 0026 a 0028, vêse que nada foi pago em relação a estes tributos. J) A empresa não apresentou balanços de suspensão nem efetuou pagamentos por estimativa do IRPJ. Diante do todo o exposto lavramos os seguintes Autos de Infração: 1 OMISSÃO IRPJ E REFLEXOS A diferença entre os depósitos bancários fornecidos pelos bancos e o valor das receitas escrituradas não foram devidamente explicadas nem tiveram sua origem comprovada. São consideradas receitas omitidas de acordo com a legislação. MÊS RECEITA CONTABILIZADA CRÉDITOS BANCOS OMISSÃO jan/03 460.209.35 710.148.16 249.938.81 fev/03 445.451.97 565.619.68 120.167.71 mar/03 507.900.51 783.539.18 275.638.67 abr/03 554.203.66 743.898.94 189.695.28 mai/03 597.381.87 945.265.44 347.883.57 jun/03 528.738.14 791.682.11 262.943.97 jul/03 526.361.25 761.727.36 235.366.11 ago/03 495.071.95 636.376.62 141.304.67 set/03 529.787,18 710.883.64 181.096,46 MÊS RECEITA CONTABILIZADA CRÉDITOS BANCOS OMISSÃO out/03 545.260,94 689.365,44 144.104,50 Nov/03 519.088,61 628.093,90 109.005,29 Dez/03 468.768,72 1.077.636,98 608.868,26 De acordo com o RIR/99 artigo 287RIR Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n" 9.430. de 1996, art. 42). § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, § 1°). Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.584 7 2 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO POR ESTIMATIVA Em virtude da opção pela tributação pelo Lucro Real e na falta de apresentação de Balanços de Suspensão, o não recolhimento das estimativas devidas ou o seu recolhimento com insuficiência sujeita a empresa à cobrança da multa isolada a que se refere o art. 44, parágrafo 1°, inciso VI, da Lei n° 9.430/96. Apesar de na DIPJ haver a opção pelo Lucro Real trimestral os quadros da mesma estão sem preenchimento, não houve apresentação de balanços trimestrais à fiscalização e a contabilidade, Diário, Razão e Balanço, está toda anualizada, ou seja, foi apurado lucro anual e não trimestral. Por este motivo lavramos Auto de Infração para cobrança da multa isolada prevista na legislação. MÊS RECEITARazão ESTIMATIVA MULTA(75%) jan/03 460.209,35 36.816.75 27.612,56 fev/03 445.451.97 35.636.16 26.727,12 mar/03 507.900,51 40.632,04 30.474,03 abr/03 554.203.66 44.336,29 33.252.22 mai/03 597.381,87 47.790.55 35.842.91 jun/03 528.738.14 42.299.05 31.724,29 jul/03 526.361,25 42.108.90 31.581.68 ago/03 495.071.95 39.605.76 29.704.32 set/03 529.787,18 42.382.97 31.787.23 out/03 545.260.94 43.620.88 32.715.66 nov/03 519.088,61 41.527.09 31.145.32 dez/03 468.768.72 37.501.50 28.126.12 6.178.224.15 494.257.93 370.693,45 3 FALTA DE RECOLHIMENTO E DECLARAÇÃO DO IRPJ E CSLL APURADOS NA CONTABILIDADE Conforme Balanço apresentado pela empresa constante de seu Livro Diário e respectiva conta do Razão o contribuinte apurou Lucro Líquido de R$ 306.214,95, fls. 0188. A DIPJ tem seus campos zerados, não tendo apresentado Lalur (apesar de intimada) e apurado adições e exclusões. O IRPJ e CSLL sobre este lucro apurado na contabilidade deveriam ter sido declarados em DCTF e pagos, o que não ocorreu. Em virtude do exposto lavramos os competentes Autos de Infração do IRPJ e da CSLL não pagos/declarados acompanhados das respectivas multas de oficio. LUCRO APURADO IRPJ CSLL 306.214,95 45.932,24 27.559,35 IVFINALIZAÇÃO 1 Os procedimentos adotados nesta fiscalização foram preconizados para a Operação 91231 Movimentação Financeira incompatível com receita declarada, ficando ressalvado o direito de a Fazenda Pública, dentro do prazo decadência!, proceder a outras fiscalizações, nestas ou em outras ações fiscais. 2 Os fatos, bases de cálculo, créditos tributários e enquadramentos legais encontramse no Auto de Infração, folhas de continuação ao Auto de Infração, Demonstrativo de Apuração e Demonstrativo de Multa e Juros. 3 Este Termo de Verificação, os demonstrativos, quadros e demais documentos nele mencionados são partes integrantes e inseparáveis do Auto de Infração. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.585 8 Inconformada com a exigência, de que foi cientificada em 09/05/2007, a Interessada apresentou, em 08/06/2007, as impugnações de fls. 561/574 (IRPJ), fls. 776/789 (PIS), fls. 994/1007 (COFINS) e fls. 1205/1218 (CSLL), instruídas com a documentação anexa de fls. 575/775, fls. 790/993, fls. 1008/1204, fls. 1219/1420 e fls. 1423/1428, alegando, em síntese: que, ao analisar os extratos das contascorrentes bancárias, a autoridade fiscal deixou de considerar transferências entre contas de mesma titularidade, adiantamentos de créditos futuros, descontos de duplicatas, depósitos em cheque entre contas bancárias da própria empresa, financiamentos e outras operações de crédito que não configuram faturamento; que a multa de ofício é excessivamente gravosa e sua aplicação ofende o princípio constitucional da vedação de utilização de tributo com efeito de confisco; que a aplicação da taxa Selic também é inconstitucional, uma vez que não foi criada por lei, além do que não se presta, tampouco, à atualização de débitos fiscais. Finalizando seu arrazoado, requereu a Interessada a realização de perícia nos seus extratos bancários, a fim de demonstrar a existência de transferências entre contas de mesma titularidade, adiantamentos de créditos futuros, descontos de duplicatas, depósitos em cheque entre contas bancárias da própria empresa, financiamentos e outras operações de crédito que não configuram faturamento. É O RELATÓRIO. A DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento e RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANCELADA, nos seguintes termos: a) JULGAR IMPROCEDENTE o auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ; b) JULGAR IMPROCEDENTE o auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; c) JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o auto de infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, para considerar, afinal, devido o valor principal de R$ 24.328,24 (vinte e quatro mil, trezentos e vinte e oito reais e vinte e quatro centavos), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, na forma da legislação vigente; d) JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o auto de infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, para considerar, afinal, devido o valor principal de R$ 44.233,16 (quarenta e quatro mil, duzentos e trinta e três reais e dezesseis centavos), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, na forma da legislação vigente O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.586 9 A perícia não se presta a suprir a inércia do sujeito passivo que deixou de apresentar, no momento processual devido, provas documentais que já poderiam ter sido carreadas aos autos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS DE JULGAMENTO. É vedado aos órgãos administrativos de julgamento deixar de observar ou afastar a aplicação de leis validamente inseridas no ordenamento jurídico, sob o fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCELAS A SEREM EXCLUÍDAS DA BASE TRIBUTÁVEL. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES OMITIDOS. Presumemse receitas omitidas os valores creditados em contacorrente bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Para efeito de determinação da receita omitida, serão desconsiderados os créditos decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular, bem assim os oriundos de empréstimos e financiamentos bancários. Configurada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, deverá a autoridade fiscal lançar o imposto com base no lucro arbitrado. LANÇAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. A opção pelo lucro real anual considerase manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazêlo por ato de ofício. De mais a mais, a pretensão fazendária de calcular o imposto de renda da pessoa jurídica mediante aplicação da alíquota de 15% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é descabida. O lucro líquido contábil, em si mesmo, não pode ser tomado como base de cálculo do imposto, devendo ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação tributária. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar o imposto devido é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.587 10 A obrigatoriedade de efetuar o pagamento de estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam sua opção pelo lucro real anual. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo referido regime, é de afastar a aplicação da multa por falta de recolhimento de estimativas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. As normas que tratam da apuração da base de cálculo e da forma de pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica aplicamse, também, à contribuição social sobre o lucro. Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal efetuará o lançamento da contribuição social sobre o lucro de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, a contribuição social deverá ser lançada com base nas regras do lucro arbitrado. LANÇAMENTO DA CSLL COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. A opção pelo lucro real anual considerase manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazêlo por ato de ofício. De mais a mais, a pretensão fazendária de apurar a contribuição social mediante aplicação da alíquota de 9% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é descabida. O lucro líquido contábil, em si mesmo, não pode ser tomado como base de cálculo da contribuição, devendo ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação tributária. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar a contribuição devida é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. O valor da receita omitida, apurado para fins de exigência do imposto de renda da pessoa jurídica será considerado, também, na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.588 11 O valor da receita omitida, apurado para fins de exigência do imposto de renda da pessoa jurídica será considerado, também, na determinação da base de cálculo da COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. A aplicação da multa de ofício de 75%, na hipótese de falta de pagamento de tributo, está prevista, expressamente, em lei. A alegação de que a referida penalidade violaria o princípio constitucional de vedação do confisco em matéria tributária não comporta exame pelos órgãos administrativos de julgamento. TAXA SELIC. QUESTIONAMENTO DE SUA UTILIZAÇÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO DOS JUROS DE MORA DE DÉBITOS FISCAIS. A utilização da taxa Selic, para efeitos de atualização de débitos tributários, está prevista expressamente em lei. A alegação de que o uso da referida taxa, para fins de cálculo dos juros de mora, violaria o princípio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária não comporta exame pelos órgãos administrativos de julgamento. Irresignada com a decisão de primeira instância na parte mantida, a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 1466/1480 para este CARF, bem assim se insurgindo sobre suposto arbitramento do lucro. É o relatório. Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.589 12 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos de ofício e voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade. A DRJ cancelou os autos de infração do IRPJ e CSLL, fundamentalmente, por erro no critério temporal do lançamento de ofício. O Contribuinte optou pela apuração trimestral do IRPJ e CSLL e a fiscalização lançou de ofício com apuração anual. Eis os exatos termos do cancelamento feito pela DRJ: A segunda infração apontada na peça acusatória diz respeito à suposta falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL calculados com base na contabilidade. No caso em questão, sabese que a Interessada apurou, no anocalendário de 2003, um lucro líquido contábil de R$ 306.214,95 — cfr. demonstração do resultado do exercício, transcrita no Livro Razão (copia à fl. 188). A partir do referido lucro, a autoridade lançadora calculou o IRPJ e a CSLL anuais da seguinte forma: IRPJ = (15%)(R$ 306.214,95) = R$ 45.932,24 CSLL = (9%)(R$ 306.214,95) = R$ 27.559,35 Ora, a pretensão fazendária de tributar o lucro líquido do exercício como se fosse "lucro real anual" é descabida. O lucro líquido contábil não pode ser equiparado diretamente ao lucro real, devendo ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação tributária (art. 247, caput, do RIR/99). Se o contribuinte não fornece à autoridade fiscal elementos que lhe possibilitem identificar os referidos ajustes, tornase simplesmente impossível apurar o lucro real. Neste caso, a única saída admissível seria o arbitramento do lucro (art. 275, inciso II, c/c art. 530, inciso I, in fine, do RIR/99). E mesmo que se admitisse como correta a forma de apuração adotada pela autoridade lançadora, ainda assim não haveria fundamento para manter a autuação com base no lucro real anual. Afinal, a opção pelo regime de apuração anual cabe exclusivamente ao contribuinte, não havendo norma legal que autorize ao Fisco adotála por ato de ofício. A propósito do assunto, vale lembrar que, nos termos da legislação tributária vigente, a opção pelo lucro real anual considerase manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou do início de atividade, ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão (art. 222, parágrafo único, c/c art. 230, § 2o, do RIR/99; e art. 17, §§ Io e 2o, da Instrução Normativa SRF n° 93, de 24/12/1997): (...) Pois bem. No caso concreto, não se tem conhecimento de qualquer ato do contribuinte que possa ser interpretado como opção pelo lucro real anual. Antes pelo contrário: — ao preencher a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica referente ao Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.590 13 anocalendário de 2003, a Interessada indicou, expressamente, o regime de apuração trimestral — cfr. DIP J/2004 Ficha 01, à fl. 29. O fato de a empresa haver elaborado uma demonstração de resultado para o exercício de 2003 não significa dizer que tenha optado pela tributação pelo lucro real anual. A apuração do resultado econômico ao fim de cada exercício social constitui, antes de mais nada, uma exigência da lei societária (art. 1.020 c/c art. 1.053, do Código Civil). Pelas razões acima expostas, reputo improcedente esta parcela da exigência Como se vê, o fiscal deveria ter lançado no lucro real trimestral e não no lucro real anual e na falta de elementos, no máximo ter arbitrado o lucro. Portanto, revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido, adotando as mesmas razões de decidir do voto condutor, negando provimento ao recurso de ofício. Da falta de recolhimento das estimativas mensais O terceiro item da autuação também foi cancelado pela DRJ e submetido à Recurso de Ofício. Esse item se refere à aplicação de multa isolada em virtude de falta de recolhimento de estimativas mensais. Ora, tal autuação é reflexo da anterior que foi cancelada. É que a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam a opção pelo lucro real anual (arts. 221 e 222 do RIR/99). Como o contribuinte não optou pelo referido regime, é de se afastar a aplicação de qualquer penalidade por falta de recolhimento de estimativas. Portanto, nego também provimento ao recurso de ofício neste item. Transferências entre contas da mesma titularidade/empréstimos e financiamento Por fim, a DRJ expurgou da base de cálculo do lançamento de omissão de receitas oriundas de depósitos bancários de origem não comprovada as transferências entre contas de mesma titularidade, como manda a Lei, bem assim quando pelo nomenclatura dos extratos bancários se comprova efetivamente que a origem de tais depósitos na verdade se deve a empréstimos ou financiamentos. Portanto, revisados os autos, constato também a correção do Acórdão recorrido nesse item, adotando as mesmas razões de decidir do voto condutor e negando provimento ao recurso de ofício. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.591 14 RECURSO VOLUNTÁRIO Perícia A Recorrente requer a realização de diligência bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Nesse ponto reproduzo as bem colocadas razões de decidir da DRJ que para justificaram bem a negativa de se baixar o feito em diligência: Com relação à perícia requerida na peça impugnatória, não vejo motivo que justifique a sua realização. A comprovação das parcelas que a Interessada pretende ver excluídas da base tributável — transferências entre contas do mesmo titular, liberações de empréstimos, financiamentos etc. — é tarefa simples, que requer não mais que a juntada de extratos bancários. Em algumas situações, pode até ocorrer que as rubricas constantes dos extratos não sejam suficientemente esclarecedoras, suscitando dúvida quanto à natureza das operações. Neste caso, porém, é ônus do contribuinte apresentar documentos hábeis e idôneos que sejam capazes de elucidar a questão. No caso em exame, cumpre destacar que a Interessada foi intimada, por TRÊS VEZES, a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias e não foi capaz de justificar um único lançamento sequer— cfr. Termo de Intimação de 26/02/2007, às fls. 95/97; Termo de Intimação de 19/03/2007, às fls. 129/130; e Termo de Constatação e Intimação de 25/04/2007, às fls. 158/159. À vista de tais circunstâncias, indefiro o pedido da impugnante e passo a julgar o feito exclusivamente com os elementos que se encontram no processo, deixando claro que a perícia não se presta a suprir a inércia do sujeito passivo que deixou de apresentar, no momento processual devido, provas documentais que já poderiam ter sido carreadas aos autos. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais, perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal Portanto, indefiro o pedido de perícia/diligência. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação suficiente que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos que foram mantidos pela fiscalização (listagens de fls. 106/109,110/117,118/119, 120/126 e Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.592 15 132/139). A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Em sede impugnatória e recursal, a interessada não contesta a base legal do lançamento, mas sim o seu quantum tributado como omissão de receitas, alegando que a autoridade lançadora deixou de considerar dos extratos bancários vários lançamentos que não poderiam lá constar como faturamento ou receita: descontos de duplicatas, transferências entre contas do mesmo titular, adiantamentos de créditos futuros, financiamentos e outras operações de empréstimo. Em relação ao primeiro ponto, descontos de duplicatas, a DRJ já justificou a contento a manutenção do lançamento: No que diz respeito aos valores provenientes de descontos de duplicatas, a alegação da impugnante não procede. Afinal, se houve uma duplicata descontada, é porque houve uma operação mercantil sujeita a tributação. Considerandose que a autoridade lançadora já excluiu do somatório de depósitos bancários não comprovados o montante das receitas escrituradas nos livros do contribuinte, não há qualquer risco de os valores referentes às duplicatas descontadas estarem sendo tributados duas vezes. Ora, partindo da premissa que por trás de todo desconto de duplicata há uma operação mercantil sujeita à tributação, de fato essa operação deveria estar entre aquelas receitas escrituradas que o fiscal já excluiu da tributação. De fato, não há perigo de bitributação, mas caso ela não tenha sido escriturada aí sim, não há como não ser tributada nos moldes que o foi. Em relação aos valores que transitaram entre contas do mesmo titular a DRJ já considerou tudo que havia para ser considerado. No que concerne aos empréstimos/financiamentos também a DRJ já cancelou tudo aquilo que a terminologia dos extratos bancários permitiram: Quanto aos ingressos provenientes de empréstimos e financiamentos, a Interessada tem razão, em tese, quando requer o expurgo de tais valores da base tributável. O problema está na identificação das referidas operações: — em alguns casos, a simples análise dos extratos já elucida a natureza da transação; em outros, porém, o histórico do lançamento não é suficientemente esclarecedor. Considerando que a impugnante não apresentou nenhum documento, além dos extratos, capaz de provar suas alegações, limitome, aqui, a excluir os valores em relação aos quais podese afirmar, com razoável segurança, serem provenientes de operações de empréstimos e financiamentos bancários: LANÇAMENTOS PROVENIENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS BANCO AGÊNCIA CONTACORRENTE DATA HISTÓRICO VALOR (RS) EXTRATO FLS. 409 7363 ' 1311849 03/01/2003 LIBER. CRED. C/C 7.576,51 404 409 7363 13M849 10/01/2003 LIBER. CRED. CC 6.781.30 407 409 7363 1311849 13/01/2003 LIBER. CRED. C/C 4.861.76 408 409 7363 1311849 15/01/2003 LÍBER. CRED. C/C 11.826,74 409 409 7363 1311849 15/01/2003 LÍBER. CRED. C/C 5.328,49 409 409 7363 1311849 20/01/2003 LÍBER. CRED. C/C 5.036.27 409 409 7363 1311849 22/01/2003 LIBER. CRED. C/C 4.307.20 410 409 7363 1311849 29/01/2003 LÍBER. CRED. C/C 5.197.62 412 409 7363 1311849 07/02/2003 LÍBER. CRED. C/C 11.216,58 416 409 7363 1311849 10/02/2003 LÍBER. CRED. C/C 9.678,19 417 409 7363 1311849 11/02/2003 LÍBER. CRED. C/C 1.966.86 418 409 7363 1311849 12/02/2003 LIBER. CRED. C/C 6.208,49 418 409 7363 1311849 13/02/2003 LÍBER. CRED. C/C 5.701.41 419 409 7363 1311849 25/02/2003 LIBER. CRED. C/C 4.878,52 423 409 7363 1311849 26/02/2003 LIBER. CRED. C/C 7.686,64 423 409 7363 1311849 05/03/2003 LÍBER. CRED. C/C 16.490.06 425 409 7363 1311849 07/03/2003 LÍBER. CRED. C/C 6.277,25 428 409 7363 1311849 11'03/2003 LIBER. CRED. C/C 3.107,41 429 409 7363 1311849 19/03/2003 LIBER. CRED. C/C 4.620.39 432 409 7363 1311849 24/03/2003 LIBER. CRED. C/C 10.595.50 434 409 7363 1311849 26/03/2003 LIBER. CRED. C/C 16.006.61 436 Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.593 16 409 7363 1311849 27/03/2003 LIBER. CRED. C/C 2.921.04 437 409 7363 1311849 01/04/2003 LIBER. CRED. C/C 4.503.35 439 409 7363 1311849 08/04/2003 LIBER. CRED. C/C 3.767.35 442 409 7363 1311849 08/04/2003 LIBER. CRED. C/C 7.747.72 442 409 7363 1311849 09/04/2003 LIBER. CRED. C/C 1.578,30 443 409 7363 1311849 16/04/2003 LIBER. CRED. C/C 15.897,46 448 409 7363 1311849 05/05/2003 LÍBER. CRED. C/C 21.868.94 455 409 7363 1311849 19/05/2003 LÍBER. CRED. C/C 16.834.28 463 409 7363 1311849 21/05/2003 LIBER. CRED. C/C 12.445.01 463 409 7363 1311849 23/05/2003 LÍBER. CRED. C/C 6.594,35 466 021 0051 6.060.651 23/05/2003 LIB. FIN. CRED. CONS. 130.000.00 223 LANÇAMENTOS PROVENIENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS BANCO AGÊNCIA CONTACORRENTE DATA HISTÓRICO VALOR (RS) EXTRATO FLS. 409 7363 1311849 26/05/2003 LÍBER. CRED. c/c 2.448,62 468 409 7363 1311849 04/06/2003 LÍBER. CRED. c/c 13.193.23 470 409 7363 1311849 10/06/2003 LÍBER. CRED. OC 10.745.90 472 409 7363 1311849 13/06/2003 LÍBER. CRED. C/C 9.000.41 474 409 7363 1311849 26'06/2003 LÍBER. CRED. C/C 3.068.12 477 409 7363 1311849 01/07/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 25.128.44 479 409 7363 1311849 02/07/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 9.925,57 479 409 7363 1311849 14/07/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 3.401.04 479 409 7363 1311849 21'07/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 38.831,26 480 409 7363 1311849 05/08/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 14.846.44 481 409 7363 1311849 06/08/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 21.452.38 481 356 0349 7.7215514 18/08/2003 REALGIRO 3.607,50 370 356 0349 7.7215514 19/08/2003 REALGIRO 1.392.50 371 409 7363 1311849 04/09/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 15934,86 483 409 7363 1311849 11/09'2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 22.035.40 483 409 7363 1311849 25/09/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 7.614.37 484 409 7363 1311849 09/10/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 16.472.65 486 356 0349 7.7215514 1 l / l 1/2003 REALGIRO 1.100.00 378 409 7363 1311849 04/12/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 11.001.89 490 409 7363 1311849 11/12/2003 LIBERAÇÃO DE CREDITO CFO 64.625,71 490 021 0051 6.060.651 16/12/2003 L1B. FIN. RÊD. CONS. 50.000.00 259 409 7363 1311849 18/12/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 10.538,69 491 409 7363 1311849 19/12/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 14.566.22 491 409 7363 1311849 22/12/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 6.611,89 491 409 7363 1311849 23/12/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 1.354.52 491 Outrossim, em seu recurso a Recorrente se insurge sobre a ilegalidade de suposto arbitramento. Ora, não houve arbitramento no caso concreto. Tratouse, como já se disse alhures, de uma presunção legal de omissão de rendimentos, onde o ônus da prova fica invertido e a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida, o que só ocorreu em parte como já foi demonstrado. Por todo o exposto, mantenho o lançamento nesse aspecto. Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória e gravosa a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.594 17 Como se vê, a aplicação da multa de 75% prevista em norma legal e vigente não pode ser afastada, muito menos substituída pela multa de mora de 20%, aplicável apenas em situações pagamento em atraso mas de forma espontânea. Legalidade dos Juros de Mora Em relação aos juros de mora, determina a legislação que sobre os débitos pagos fora de prazo, independente de qualquer causa, incidirão eles a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Não cabe, portanto, a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmula nº 4 do CARF, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e voluntário (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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