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Numero do processo: 11065.724885/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009
Ementa:
ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da multa, o que é vedado a este Conselho, salvo nas hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF.
MULTA ISOLADA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO INDEVIDO DO IPI.
Aplica-se multa isolada correspondente ao valor comercial da mercadoria, pelo registro e utilização de crédito do IPI de produto que deveria ter saído do estabelecimento fornecedor obrigatoriamente com suspensão do IPI.
Numero da decisão: 3402-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[Assinado digitalmente]
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
[Assinado digitalmente]
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 05/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Aparecida Martins de Paula, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Fenelon Moscoso de Almeida (Substituto), João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 Ementa: ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da multa, o que é vedado a este Conselho, salvo nas hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. MULTA ISOLADA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO INDEVIDO DO IPI. Aplica-se multa isolada correspondente ao valor comercial da mercadoria, pelo registro e utilização de crédito do IPI de produto que deveria ter saído do estabelecimento fornecedor obrigatoriamente com suspensão do IPI.
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MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da multa, o que é vedado a este Conselho, salvo nas hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. MULTA ISOLADA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO INDEVIDO DO IPI. Aplicase multa isolada correspondente ao valor comercial da mercadoria, pelo registro e utilização de crédito do IPI de produto que deveria ter saído do estabelecimento fornecedor obrigatoriamente com suspensão do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [Assinado digitalmente] GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. [Assinado digitalmente] MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 48 85 /2 01 3- 21 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 05/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Aparecida Martins de Paula, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Fenelon Moscoso de Almeida (Substituto), João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 246/281) em face do Acórdão nº 10 51.842, de 19 de setembro de 2014, exarado pela 3ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, que, por unanimidade de votos, não tomou conhecimento da preliminar de inconstitucionalidade da multa isolada e, no mérito, julgou improcedente a impugnação da contribuinte, para manter a exigência da multa isolada. O presente processo trata do Auto de Infração das fls. 117/120, com Relatório da Ação Fiscal nas fls. 121/130, para exigência de multa isolada no valor de R$ 1.900.000,00, prevista no art. 7o da Lei no 9.493, de 10 de setembro de 1997, correspondente ao valor comercial da mercadoria, por ter registrado a Nota Fiscal nº 269 (fl. 83), emitida pela empresa de CNPJ nº 09.256.482/000192, aproveitando o IPI nela destacado indevidamente, em desacordo com o art. 6º dessa Lei, vez que se referia a produtos adquiridos com suspensão obrigatória do tributo: Art. 6º Nas notas fiscais relativas às remessas previstas no art. 4º, deverá constar a expressão “Saído com suspensão do IPI”, com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do IPI nas referidas notas, sob pena de se considerar o imposto como indevidamente destacado, sujeitando o infrator às disposições legais estabelecidas para a hipótese. Art. 7º O estabelecimento destinatário da nota fiscal emitida em desacordo com o disposto no artigo anterior, que receber, registrar ou utilizar, em proveito próprio ou alheio, ficará sujeito à multa igual ao valor da mercadoria constante do mencionado documento, sem prejuízo da obrigatoriedade de recolher o valor do imposto indevidamente aproveitado. Ocorre que, em conformidade com os art. 3º e 4º da Lei no 9.493/97, os produtos em questão deveriam ter saído do estabelecimento produtor para o estabelecimento da recorrente com a suspensão do IPI: Art. 3º Ficam equiparados a estabelecimento industrial, independentemente de opção, os estabelecimentos atacadistas e cooperativa de produtores que derem saída a bebidas alcóolicas e demais produtos, de produção nacional, classificadas nas posições 2204, 2205, 2206 e 2208 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), e acondicionados em recipientes de capacidade superior ao limite máximo permitido para venda a varejo, com destino aos seguintes estabelecimentos: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11065.724885/201321 Acórdão n.º 3402002.561 S3C4T2 Fl. 288 3 I industriais que utilizem os produtos mencionados como insumo na fabricação de bebidas; II atacadistas e cooperativas de produtores; III engarrafadores dos mesmos produtos. Art. 4º Os produtos referidos no artigo sairão com suspensão do IPI dos respectivos estabelecimentos produtores para os estabelecimentos citados nos incisos I, Il e III do mesmo artigo. Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo aplicase também às remessas, dos produtos mencionados, dos estabelecimentos atacadistas e cooperativas de produtores para os estabelecimentos indicados nos incisos I, II e Ill do artigo anterior. A ação fiscal que deu origem a este processo também gerou o de número 11065.724728/201315, referente à falta de recolhimento do IPI no período de janeiro a dezembro de 2009, e o nº 11065.721263/201421, pela mesma infração, com respeito ao período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011. Cientificado da autuação em 9 de dezembro de 2013 (fl. 117), o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que, ao lhe ser reconhecido no Mandado de Segurança nº 1999.71.08.0099270, pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o direito de aproveitar créditos do IPI nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, ficaria implícito o direito de crédito do mesmo imposto nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão, dado que, do ponto de vista da defesa, suspensão seria espécie do gênero isenção. Segue dizendo que reforçaria esse entendimento o fato de que suspensão e isenção teriam os mesmos efeitos jurídicos e econômicos. Aduz que, na hipótese de suspensão, o IPI incide e, se incide, haveria necessariamente crédito. Deixar de reconhecer esse direito implicaria, segundo o impugnante, desobediência à decisão judicial. Mediante o Acórdão nº 1051.842, de 19 de setembro de 2014, a 3ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS não tomou conhecimento da preliminar de inconstitucionalidade da multa isolada e, no mérito, julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 MULTA. PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA ISOLADA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO INDEVIDO DO IPI. Aplicase multa isolada correspondente ao valor comercial da mercadoria, pelo registro e utilização de crédito do IPI, Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 indevidamente lançado em nota fiscal de saída de álcool neutro classificado no código 2208.90.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), acondicionado em recipiente de capacidade superior ao limite máximo permitido para venda a varejo, produto esse que deveria ter saído do estabelecimento fornecedor obrigatoriamente com suspensão do IPI. A empresa autuada foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em 03/10/2014 (fl. 244). Em 27/10/2014, a contribuinte apresentou suas razões de defesa no Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), sintetizadas a seguir: Das razões do pedido de acolhimento da impugnação apresentada: a suspensão é espécie de isenção e, portanto, a matéria discutida no MS n. 1999.71.08.009927 0/RS atinge e determina o cancelamento da multa isolada imposta. Ou, não sendo a suspensão espécie de isenção, o IPI é exigido e surge o direito ao crédito respectivo. Assim, o crédito feito em cima da Nota Fiscal mencionada é legal. A norma de isenção exonera o pagamento de determinado tributo que estaria sujeito à incidência não fosse a criação de uma situação legal de inexigibilidade do tributo. Nesse sentido leciona Paulo de Barros Carvalho, conforme trecho transcrito pela recorrente. O fenômeno jurídico representado pela suspensão do pagamento do tributo é, justamente, a exoneração do pagamento que, não fosse a norma exonerativa, seria exigido. Fosse como consta no auto de infração, terseia de concluir que a suspensão seria uma quarta ou quinta hipótese de pagamento do IPI ou uma espécie a parte de dispensa da exigibilidade do nominado produto. Claro que cabe a aplicação da sentença judicial transitada em julgado no MS nº 1999.71.08.0099270/RS ao presente processo. Sendo a suspensão um nomen iuris que nada mais representa do que a supressão da operatividade funcional da regra matriz de incidência do IPI idêntico ao da isenção, a desconsideração da sentença transitada em julgado, com a chancela da Suprema Corte, é ato de desobediência à ordem judicial. Nos termos o voto do Ministro Humberto Gomes de Barros, no REsp nº 128.800SP, “a suspensão é, portanto, uma isenção sob condição suspensiva; condição cujo implemento ocorre com a exportação da mercadoria, na qual se empregou o produto importado, por umas das formas mencionadas na lei.” Prossegue a recorrente, colacionando doutrina e precedentes na jurisprudência, para sustentar a sua posição de que, juridicamente, suspensão e isenção tratam de uma mesma hipótese exonerativa da cobrança do resultado final de uma etapa da produção, seja de forma provisória ou definitiva. Por conseguinte, cabível é a extensão dos efeitos da segurança concedida em favor da recorrente ao presente caso. Do direito ao crédito do IPI decorrente da entrada de insumos com a suspensão acaso se acolha o argumento que esta deva ter o mesmo tratamento jurídico da isenção. Não se olvida que a jurisprudência do STF se firmou em sentido contrário ao entendimento esposado no MS nº 1999.71.08.0099270/RS. Contudo a matéria deve ser analisada conforme dispõe o art. 11 do Lei nº 9.779/99, que passou a admitir o direito de crédito do IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11065.724885/201321 Acórdão n.º 3402002.561 S3C4T2 Fl. 289 5 embalagem aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, na forma dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, após o advento da Lei nº 9.779/99, o direito ao crédito decorrente de insumos isentos é letra clara e inequívoca. No entanto, após orientação do STF de 2007, que reviu sua posição sobre a matéria, acabou por ocorrer desrespeito ao princípio da não cumulatividade. O direito de crédito de IPI decorrente de entradas de insumos isentos está legalmente estabelecido e vem merecendo proteção por parte do próprio STJ, divergindose apenas a respeito da forma de utilização destes créditos. A aceitarse, portanto, o que a Recorrente sustentou em linha de que a suspensão e isenção têm os mesmos efeitos jurídicos e econômicos, merece acolhimento a pretensão deduzida neste recurso, já que, por questão de direito intertemporal, o direito de crédito reconhecido por lei ordinária não pode ser desconsiderado. Da Ação Rescisória 001260084.2012.404.0000/RS A ação rescisória em comento não tem o efeito de impedir o aproveitamento do crédito em questão com efeitos retroativos. Ao tempo da apropriação dos créditos, o que vigorava era a decisão da Suprema Corte e do TRF4 que reconheciam esse direito à recorrente. A mesma agia ao abrigo de sentença de mérito que não veio a ser reformada na parte da isenção pelo STF. Da multa isolada aplicada A decisão de mérito proferida na ação rescisória, ainda sub judice, não permite a exigência da multa, vez que nela constou que o contribuinte não pode ser penalizado com a aplicação de multas, decorrentes da desconstituição da decisão que transitou em julgado, e que está sendo rescindida, pois a empresa estava, desde 2002, amparada por uma decisão judicial que se tornou na época irrecorrível. Inclusive, a decisão de afastamento da multa foi confirmada nos embargos infringentes interpostos pela União. A entenderse, portanto, que a questão tratada no MS nº 1999.71.08.009927 0/RS abrange o tema de mérito do recurso (isenção e suspensão), a multa isolada deve ser afastada. Além do que, a multa isolada é manifestamente confiscatória, eis que toma como montante o valor da própria mercadoria. É de uma irrazoabilidade monstruosa ou insana do legislador ordinário. A multa aplicada no percentual de 100% do valor da mercadoria é manifestamente inconstitucional. Já decidiu a Suprema Corte que a vedação ao confisco se aplica tanto ao tributo em si quanto aos acessórios que dele decorrem. Portanto, carece a multa do efetivo suporte jurídico constitucional, já que toma o valor da mercadoria de uma nota fiscal supostamente ilegível, mas que, contraditoriamente, serve para a imposição da penalidade em questão. Sem se falar que o fiscal aplica uma norma regulamentar revogada para dar amparo a pretensão fiscalizatória. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Em se tratando de ato vinculado da administração pública, cumpre que, nesta esfera administrativa se afaste a multa aplicada pelos fundamentos acima expostos. Ao final, requereu a recorrente a total procedência do seu recurso voluntário para o efeito de desconstituir, total ou parcialmente, a multa isolada constituída. É o Relatório. Voto Conselheiro MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA A contribuinte foi cientificada da decisão a quo em 03/10/2014, tendo apresentado o recurso voluntário em 27/10/2014, razão pela qual é tempestivo. Consta na fl. 167 a comprovação da legitimidade do signatário do recurso para representar a contribuinte até 8 de janeiro de 2018. Atendidas as condições de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Passase à análise das razões de defesa da recorrente. A. Da matéria discutida no MS n. 1999.71.08.0099270/RS e da multa isolada Neste tópico, alega a recorrente, em síntese, que, juridicamente, suspensão e isenção tratariam de uma mesma hipótese exonerativa da cobrança do resultado final de uma etapa da produção, seja de forma provisória ou definitiva, colacionando textos da doutrina e da jurisprudência para sustentar a sua posição, de forma que seria cabível a extensão dos efeitos da segurança concedida em favor da recorrente no MS n. 1999.71.08.0099270/RS ao presente caso. Não assiste razão à recorrente. Não obstante as respeitáveis posições colacionadas pela recorrente que sustentam a semelhança entre as hipóteses exonerativas da suspensão e da isenção no campo da ciência do direito, o fato é que a legislação tributária faz distinção entre os dois institutos, prescrevendo efeitos e obrigações acessórias diversas para a isenção e a suspensão. Nesse sentido, a própria Lei nº 9.493/97, que trata especificamente desses dois institutos, descreve quais produtos e remessas estão sujeitos a isenção ou a suspensão, bem como prescreve as obrigações decorrentes para cada situação, inclusive aquela cujo descumprimento é objeto do presente processo, punível com a multa igual ao valor da mercadoria, nos termos do seu art. 7º. Em face do princípio da legalidade, incumbe à Administração tratar os institutos da isenção e da suspensão do IPI de forma diversa, com as peculiaridades que lhes são próprias. Pelo que agiu corretamente a fiscalização e o julgador de primeira instância, ao entender que a decisão judicial, que beneficiava a recorrente com o direito de creditarse do IPI sobre insumos e matériasprimas isentas, não obstava ao lançamento da multa isolada pelo Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11065.724885/201321 Acórdão n.º 3402002.561 S3C4T2 Fl. 290 7 aproveitamento indevido do IPI decorrente da entrada de produto que, obrigatoriamente, deveria ter saído do estabelecimento remetente com a suspensão do imposto. Nesse mesmo sentido, cabe mencionar, apenas como reforço argumentativo, o entendimento exposto na sentença, juntada pela própria recorrente (fls. 227/231), proferida no Mandado de Segurança nº 502425496.2012.404.7108/RS, ainda em julgamento no Tribunal Federal da 4ª Região, que foi impetrado pela recorrente em face do Delegado da RFB em Novo Hamburgo, com pedido de cancelamento dos créditos tributários dos processos nºs 11065.000887/2001 e 11065.001149/200088: Fundamentação Sustenta a impetrante que as decisões proferidas no âmbito administrativo se mostram contraditórias, porquanto, de um lado argumentou que os créditos glosados não eram objeto da discussão judicial e, de outro, não conheceu das impugnações e dos recursos voluntários ao argumento de que eram objeto da mesma discussão judicial. Conforme o acórdão do STF na ação nº 1999.71.08.009927 0/RS, foi reconhecido à empresa contribuinte o direito de creditarse do IPI relativamente aos insumos e matériasprimas adquiridos sob o regime de isenção (evento 1, fl 1644). O PA n. 11065.000887/200197, que tratava de auto de infração de IPI, estava suspenso em razão da ação judicial. O auto de infração originouse da glosa de créditos de IPI de insumos adquiridos pela empresa com suspensão do imposto. A autoridade fiscal afirmou que o auto de infração referido glosou créditos de IPI relativos a insumos adquiridos com suspensão de IPI, enquanto que a ação judicial reconheceu o direito ao crédito relativo aos insumos sob o regime de isenção, e determinou que o crédito formalizado no PA seguisse para cobrança(evento 1, fl. 1652/1653). Desta feita, necessário que se analise o argumento da impetrante de que a isenção abrangeria a suspensão do imposto. Porém, tenho que tal argumento não procede. A suspensão do imposto não se confunde com a isenção, nem com a alíquota zero. Sob o título 'suspensão do imposto', a legislação do IPI instituiu uma série de medidas de controle fiscal destinadas a preservar eventuais créditos tributários da União, em face de situações especiais, até que se verifique o fato econômico que justifique a sua exigência, ou viabilize a aplicação de uma isenção ou outro benefício fiscal sujeito a condições. Dizse que há suspensão do imposto quando, sendo este devido, sua exigibilidade fica suspensa, por determinação da lei, até que ocorra a condição legalmente estipulada, que em geral é a entrada no estabelecimento destinatário. Se ocorre desvio, se ocorre a utilização do produto em finalidade diversa daquela que ensejou a suspensão, cessa esta, voltando o imposto a ser exigível. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 A suspensão tem por finalidade evitar, condicionalmente, o ônus na operação correspondente. Se na operação seguinte o imposto é devido, será então recolhido o daquela, e também, em face da não utilização de crédito, o imposto relativo à operação anterior, onde se deu a suspensão. Se na operação seguinte àquela em que o imposto é suspenso ocorre isenção, ou imunidade tributária, temse garantia a ausência do ônus desde a operação anterior, evitandose que a isenção, ou a imunidade, abranja somente o valor acrescido na operação final. Em se tratando de isenção, ou imunidade, a suspensão do imposto em etapas anteriores tem a vantagem de evitar o recolhimento de quantia que depois vai servir como crédito para quem realiza a operação isenta, ou imune, que somente terá como utilizar esse crédito se realizar, também, operações tributárias. Assim, em se tratando de empresas dedicadas exclusivamente à exportação, por exemplo, é mais adequada a técnica da suspensão do imposto nas etapas anteriores. Na hipótese de suspensão o imposto incide. Tornase devido. Apenas não será exigido naquela oportunidade, porque há uma exoneração provisória, que poderá deixar de existir se incorrer a condição da qual depende, e de todo modo será afastada pela cobrança do imposto na operação seguinte. O uso do crédito, pelo adquirente do insumo, converteria a suspensão em verdadeira exoneração definitiva. Em verdadeira isenção. Ressaltese que o uso do crédito, quando a operação anterior é isenta, justificase exatamente para evitar que a isenção se converta em simples deferimento de incidência, ou suspensão do imposto. Desta feita, incorreu em equívoco a decisão administrativa que entendeu que não poderia a autoridade julgadora administrativa manifestarse acerca da matéria objeto da ação judicial, uma vez que a ação judicial não tratava da matéria em litígio no Processo Administrativo. Portanto, as impugnações lançadas nos processos administrativos nºs 11065.000887/200197 e 11065.001149/200088 devem ser recebidas e examinadas, na parte em que não o foram, uma vez que a matéria ali tratada não é a mesma do mandado de Segurança nº 1999.71.08.009927 0/RS, conforme admitido pela própria autoridade administrativa ao não atribuir efeito suspensivo ao crédito cobrado nos referidos processos administrativos. Dispositivo Ante o exposto, julgo procedentes os pedidos e CONCEDO A SEGURANÇA A SEGURANÇA pleiteada, extinguindo o processo com resolução de mérito, nos termos do art. 269, inciso I, do Código de Processo Civil, para o fim de determinar à autoridade impetrada que proceda na apreciação das impugnações administrativas interpostas nos processos administrativos nºs 11065.000887/200197 e 11065.001149/200088 na parte em que não conhecidas, cancelandose eventual inscrição dos débitos em dívida ativa da União. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11065.724885/201321 Acórdão n.º 3402002.561 S3C4T2 Fl. 291 9 (...) [grifos não são do original] É de se destacar que o julgado acima tratou de questão bem semelhante a que ora analisamos, qual seja, da impossibilidade de estender a decisão proferida no mesmo mandado de segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, que beneficiava a recorrente somente em relação às entradas de produtos com isenção, para outros créditos tributários decorrentes de glosas de créditos relativos a insumos adquiridos com suspensão. A única diferença é que tratamos aqui da multa pelo aproveitamento indevido do insumo adquirido com suspensão do imposto, mas o mesmo raciocínio se aplica. B. Da questão do direito ao crédito do IPI decorrente da entrada de insumos com suspensão acaso se acolha o argumento que esta deva ter o mesmo tratamento jurídico da isenção: A análise da tese da recorrente relativa a essa questão resta prejudicada no presente julgamento, tendo em vista o entendimento exposto acima de que não se aplica o mesmo tratamento jurídico aos institutos da isenção e da suspensão. C. Da Ação Rescisória nº 001260084.2012.404.0000/RS Alega a recorrente que a ação rescisória não teria o efeito de impedir o aproveitamento do crédito em questão com efeitos retroativos. Ao tempo da apropriação dos créditos, o que vigorava era a decisão da Suprema Corte e do TRF4 que reconheciam esse direito à recorrente, de forma que agia ao abrigo de sentença de mérito que não veio a ser reformada na parte da isenção pelo STF. Pelo mesmo argumento, de que não se aplica o mesmo tratamento jurídico aos institutos da isenção e da suspensão, a ação rescisória nº 001260084.2012.404.0000/RS, interposta pela União, para rescisão do julgado objeto do referido mandado de segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, que autorizou o creditamento de IPI na aquisição de insumos isentos, em nada influi no presente processo administrativo, que trata de multa pelo aproveitamento indevido do insumo adquirido com suspensão do imposto. As decisões do referido mandado de segurança ou da ação rescisória acima não abrigam, e nunca abrigaram, a apropriação de créditos efetuada pela recorrente em relação ao insumo com suspensão do tributo de que trata o presente processo. D. Da multa isolada aplicada A decisão de mérito proferida na ação rescisória, ainda sub judice, na parte que constou que a contribuinte não poderia ser penalizada com a aplicação de multas decorrentes da desconstituição da decisão que antes transitou em julgado, não socorre a recorrente no presente processo, vez que trata das exigências tributárias em relação ao creditamento de IPI efetuado pela recorrente na aquisição de insumos isentos, que encontrava, este sim, à época, amparo na decisão do mandado de segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, sob rescisão. Quanto à alegação de que a multa seria manifestamente confiscatória e, portanto, inconstitucional, eis que toma como montante o valor da própria mercadoria, dela não se pode tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da multa, o que é vedado a este Conselho, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 salvo nas hipóteses do art. 62, parágrafo único do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda (MF) nº 256/2009. Conforme já consta na decisão de primeira instância, no âmbito do processo administrativo fiscal, por força do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do Carf, aprovada pelo Pleno e pelas Turmas da CSRF, nas sessões realizadas em 8 de dezembro de 2009 e 29 de novembro de 2010, divulgada pela Portaria Carf no 52, de 2010: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10194.876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005 Assim, afasto a alegação da recorrente de confisco da multa. Quanto à alegação que careceria a multa do efetivo suporte jurídico, já que toma o valor da mercadoria de uma nota fiscal supostamente ilegível, mas que, contraditoriamente, serve para a imposição da penalidade em questão, esclarecemos que a referida nota fiscal, apesar de não totalmente legível, juntamente com a análise dos livros da recorrente, foram, sim, suficientes para a constatação da irregularidade pela fiscalização. Conforme consta na decisão de primeira instância, que passa a ser parte integrante do presente Acórdão, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.794/99, o aproveitamento indevido do IPI foi assim apurado: (...) O interessado escriturou a nota fiscal da fl. 83 no livro Registro de Entradas, segundo consta na fl. 37, indicando o crédito do IPI no valor de R$ 152.000,00, correspondente à aplicação da alíquota ad valorem de 8% referente ao produto “álcool neutro” do código 2208.90.00 da TIPI, sobre o respectivo valor tributável de R$ 1.900.000,00. No referido livro Registro de Entradas, no mês de janeiro de 2009, o valor total do IPI creditado é de R$ 270.937,01, segundo consta na fl. 38, e esse também é o valor total creditado, no referido mês, no livro Registro de Apuração do IPI, pelo que consta na fl. 10, tendo sido esse crédito utilizado para dedução dos débitos totais, apurados em janeiro de 2009, no valor de R$ 283.185,76, restando um saldo devedor de R$ 12.248,75. À vista disso, por ter registrado e utilizado o crédito indevido, o lançamento de ofício da multa é procedente e deve ser mantido. (...) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11065.724885/201321 Acórdão n.º 3402002.561 S3C4T2 Fl. 292 11 Por fim, quanto à alegação de que o fiscal teria aplicado uma norma regulamentar revogada, apesar da recorrente não ter especificado qual foi o dispositivo, esclarecemos que, conforme consta no auto de infração, o fundamento principal para a aplicação da multa foi o art. 7º da Lei nº 9.493/97, que se encontrava vigente à época do fato gerador, e ainda prossegue em vigor, do que a recorrente pôde bem se defender, sem cerceamento do seu direito de defesa. Assim, diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso voluntário É como voto. MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator Fl. 297DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.902972/2011-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/01/2008
PIS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
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ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 29 72 /2 01 1- 56 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ de Belém PA (fls. 93/99 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep, no valor de R$ 3.212,40, relativo ao PA mês de outubro de 2003. No Despacho Decisório (fls. 12/13), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 2/11). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A DRF em Belém emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, com suporte no argumento a seguir: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde alega, em resumo, que: (...) dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está à prestação de serviços para armadores estrangeiros. Na consecução de suas atividades, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902972/201156 Acórdão n.º 3802003.991 S3TE02 Fl. 141 3 legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais As Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, que tratam das Contribuições para o PIS e COFINS, dispõem que a não incidência dessas contribuições dependem de duas condições: 1. o tomador, pessoa física ou jurídica, estar domiciliado no exterior e, 2. o pagamento do respectivo preço deve se dar em moeda conversível. Podemos concluir assim, que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador) por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes a sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. (...) Frisando, os pagamentos realizados pelos armadores relativos àqueles serviços prestados aos seus navios de passagem por águas brasileiras são realizados em nome dos agentes, mas por conta dos armadores, dos quais são representantes. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são, suportados pelos armadores, que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao País divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos portos nacionais. (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Assim, a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/01/2008 Ementa: DCOMP. HOMOLOGAÇÃO Para que ocorra a homologação da compensação declarada pela contribuinte, faz se necessário a comprovação da existência de direito creditório líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da referida decisão em 04/02/2014 (fl. 102), a Recorrente, em 05/03/2014, apresentou o recurso voluntário (fls. 103/122), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: Inicialmente, a Recorrente esclarece sobre o objeto social da empresa e faz um relato da origem do crédito, alegando sua materialidade. Segue apresentando os demais argumentos, conforme abaixo: Dos fatos: faz uma abordagem sobre o direito a nãoincidência e da restituição do PIS/Pasep e da COFINS, alega que dentre as atividades desenvolvidas pela empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros; que até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; que esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes; que dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; reproduz a legislação que trata dessa matéria; que todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. Notese que esta vinculação pode ser evidenciada nas respectivas “ordens de pagamento” emitidas por cada comandante do navio com sua respectiva origem estrangeira. que as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902972/201156 Acórdão n.º 3802003.991 S3TE02 Fl. 142 5 Do Direito: reproduz um arcabouço de toda a legislação que rege a matéria discutida, informando diversas considerações sobre as interpretações possíveis das hipóteses de incidência das contribuições (PIS e da COFINS) e cita vários posicionamentos da RFB, alegando corroborar com a não incidência do fato gerado nas relações jurídicas desenvolvidas pela recorrente. Ao final, afirma estar demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, clama pela reforma da decisão recorrida, para dar provimento ao presente recurso, cancelando o procedimento administrativo, reconhecendo o valor do crédito, homologandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos Fatos Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de PIS, referente a serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, relativo ao mês de agosto de 2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), no seu Despacho Decisório, não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Já na decisão recorrida, a DRJ descreve em seus fundamentos que o reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido e que, apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme disposto no artigo 170 do CTN. Vejase trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Ocorre que, nos termos da disposição normativa acima transcrita, a não incidência da contribuição vinculase a que a prestação dos correspondentes serviços seja efetuada a pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e que o correspondente pagamento represente ingresso de divisas, também se fazendo necessário que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador)residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da COFINS”. Portanto, conforme esclarecido no relatório, a questão aqui discutida é essencialmente de prova nos autos, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações do Recorrente. No entanto, a Recorrente em seu recurso não juntou novos elementos de provas no processo, mas tão somente acrescentou argumentos aos já aduzidos na manifestação de inconformidade. No caso sob análise, em que pesem serem coerentes os seus argumentos do direito, a questão da prova (que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica – armador, residente ou domiciliada no exterior), é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes para a elucidação da lide, os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: (...) Nesse sentido, ao invés de a interessada comprovar a alegação de que é signatária de contrato de direito privado com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, bem como trazer aos autos os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes, as notas fiscais dos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e, ainda, o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas tais receitas, limitouse à informação de “disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido”. Esclareçase ao sujeito passivo, ainda, que na hipótese de mera intermediação, haveria de existir o contrato original firmado com o armador estrangeiro, bem como o mandato autorizando o seu representante em território nacional a atuar em seu nome, no limite dos poderes então conferidos. Na ausência de tais instrumentos jurídicos (ao que consta dos autos), as afirmações de que se trata, no caso concreto, de serviços prestados a pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior limitam se a mero exercício imaginativo. Registrese, também, que o possível fato de haver o pagamento por pessoa jurídica estrangeira, em etapa comercial anterior, a uma terceira pessoa jurídica domiciliada em território nacional não autoriza a dedução de que todos os ulteriores contratos de serviço tomados por aquela terceira pessoa também representarão “prestação de serviços a residente ou domiciliada no exterior, com o ingresso de divisas”. Assim, na hipótese em tela, apresentaria relevo para a finalidade pretendida pelo sujeito passivo que demonstrasse, por intermédio de prova hábil, que de fato ocorreu pagamento indevido, sob pena de, não o fazendo, atrair a incidência da máxima de que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. E nesse sentido, não é demais referir o fácil alcance, por parte do contribuinte, dos supostos elementos probatórios, haja Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902972/201156 Acórdão n.º 3802003.991 S3TE02 Fl. 143 7 vista tratarse de documentos que, acaso existissem, haveriam de integrar o seu próprio acervo. Como é cediço, conforme assevera a legislação, para fazer prova da não incidência das contribuições, tornase relevante e essencial a Recorrente provar dois requisitos fundamentais: da prestação de serviços e do ingresso de divisas. 1) quanto a prestação de serviços: verificase, pois, que não há nos autos prova inequívoca de que a beneficiária dos serviços prestados foi pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, vez que a contribuinte não juntou nos autos os contratos de prestação de serviços firmados. Afirma que o contrato de representação é feito entre o agente/representante e o armador estrangeiro e apresentou (em sede de manifestação de inconformidade) apenas uma relação de notas fiscais, que não atende as formalidades exigidas para o caso. 2) quanto ao ingresso de divisas: a Recorrente não apresentou nenhum contrato de câmbio. Afirma em seu recurso que “embora os pagamentos sejam feitos pela recorrente, são esses últimos que arcam com seus respectivos encargos tributários, enviando previamente ao Brasil divisas, específicas e suficientes a sua quitação. As empresas em questão, como a recorrente, atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis nacionais, que prescrevem a utilização desse elo para remessa, única e exclusivamente dos fretes contratados. Assim, todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. Notese que esta vinculação pode ser evidenciada nas respectivas “ordens de pagamento” emitidas por cada comandante do navio com sua respectiva origem estrangeira. Em outras palavras, as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Ao final, ressalta que “Continua a Recorrente a disponibilizar todas as notas fiscais para a conferência do referido período em questão, no momento em que V. Exa. Entender ser devido”. Como já abordado pela DRJ, a Recorrente encaminhou consulta sobre a matéria à SRRF da 2ª RF, sendo emitida para o deslinde da questão a Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, daquela superintendência, a este anexada, referente ao processo 10280.005047/200618, onde constam as condições necessárias para não incidência da contribuição na situação ali aventada, de onde se extrai que: (...) 13. A consulente afirma que presta serviços às embarcações de bandeira estrangeira pertencente a empresas com domicílio no exterior. No caso em análise, para atender a primeira condição prevista no dispositivo legal convém alertar que é necessário que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da Cofins. 17. Desse modo, o fato do pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma tributária em comento de produzir seus efeitos, visto que não é requisito dela que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige, para a não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. 19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.(grifos não originais) Por oportuno e tratar dessa mesma matéria, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30, da SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p.ex., Carta Circular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (g.n) No caso vertente, verificase que o Recorrente não trouxe, juntamente com sua manifestação de inconformidade e tampouco agora em sede de recurso voluntário, documentos que comprove de que é signatária de contrato de direito privado firmado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega ter prestado serviços, e nem os contratos de câmbio relativos aos respectivos pagamentos. Também não apresentou as cópias de notas fiscais relativas à prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, totalizado, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais obrigatórios. Assim, não quedouse comprovado que a Recorrente possui contratos de direito privado firmado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior e, também, que a mesma não conseguiu comprovar o ingresso de divisas e, tampouco, o nexo causal de ingresso de divisa por meio, de pagamento direto, mediante fechamento de câmbio Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902972/201156 Acórdão n.º 3802003.991 S3TE02 Fl. 144 9 em banco devidamente autorizado; ou, por pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. Por conseguinte, acerca da comprovação de suas alegações, apenas aduziu, em sua manifestação de inconformidade, que: (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido (g.n). Em sede de recurso voluntário, repisa os mesmos argumentos acima reforçando que a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que a Fazenda entender ser devido. .Frisese, portanto, que os elementos probatórios (documentos, contratos, fechamento de câmbio, livros e as notas fiscais) e essenciais como provas, não foram anexadas aos autos e portanto não se pode acatar as alegações efetuadas de forma genérica pela recorrente, desprovidas de sua comprovação. Sabese que no contencioso administrativo de iniciativa do sujeito passivo, originado de pedidos de ressarcimento ou restituição ou de declarações de compensação, o crédito reivindicado consubstancia o “fato constitutivo” do direito do requerente e, portanto, fato este cuja prova lhe cabe, em princípio (CPC, artigo 333, I). Nesse diapasão, assinalese que o Decreto nº 70.235/1972, assim dispõe acerca do tema: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Como visto nos autos, quando da transmissão da DCOMP, a Recorrente era conhecedora das condições necessárias para não incidência da contribuição na situação que lhe geraria o suposto direito creditório e teria que apresentar as provas do cumprimento daquelas premissas com o seu recurso voluntário (Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, PAF nº 10280.005047/200618). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Em síntese, a Recorrente não logrou comprovar que auferiu receitas que se subsumam ao art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002. Desta forma, é da Recorrente a responsabilidade pelo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado em face da inexistência de prova de que a isenção da receita dos serviços prestados estejam, de fato, respaldados nas condições legais permissivas e portanto, resta caracterizado que as alegações da Recorrente não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Conclusão Logo, tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório e não o fazendo no momento apropriado, e considerando o acima exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.935244/2009-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBCURIDADE. PRETENSÃO DE REEXAME DA QUESTÃO DE FUNDO. NÃO CABIMENTO.
Os embargos de declaração são cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Não cabe a oposição de embargos para fins de reexame das questões de fundo ou para manifestar inconformismo com o resultado do julgamento.
Embargos Rejeitados.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela embargante o Dr. Thales Saldanha Falek, OAB/DF 35.857.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela embargante o Dr. Thales Saldanha Falek, OAB/DF 35.857.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 583 1 582 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.935244/200925 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3802003.971 – 2ª Turma Especial Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante CGTEE COMPANHIA DE GERAÇÃO TÉRMICA DE ENERGIA ELÉTRICA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBCURIDADE. PRETENSÃO DE REEXAME DA QUESTÃO DE FUNDO. NÃO CABIMENTO. Os embargos de declaração são cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Não cabe a oposição de embargos para fins de reexame das questões de fundo ou para manifestar inconformismo com o resultado do julgamento. Embargos Rejeitados. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela embargante o Dr. Thales Saldanha Falek, OAB/DF 35.857. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 52 44 /2 00 9- 25 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos por CGTEE COMPANHIA DE GERAÇÃO TÉRMICA DE ENERGIA ELÉTRICA., com fundamento no art. 65 e ss., Anexo 2, do Regimento Interno, em face do Acórdão nº 3802001.937 (fls. 548 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PIS. REGIME CUMULATIVO. APLICABILIDADE. RECEITA.CONTRATOS DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. IGPM. PREÇO PREDETERMINADO. EFICÁCIA TEMPORAL. O art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003, nos termos do art. 15, V, e do art. 93, I, somente é aplicável ao PIS/Pasep a partir de 01 de fevereiro de 2004. O parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 aplicase apenas à Cofins. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. O Embargante alega ocorrência de contradição no acórdão, à medida que a aplicação do art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003 ao PIS/Pasep seria decorrência expressa do art. 15, V, do mesmo diploma legal. Pleiteia o acolhimento das razões apresentadas, com o conseqüente provimento dos embargos e saneamento do vício apontado. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão da Presidente da Turma (fls. 580 e ss.), na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o breve relato. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator A ciência do acórdão ocorreu em 31/10/2013 (fls. 557), tendo a oposição dos embargos ocorrido em 05/11/2013 (fls. 559). Tratase, assim, de embargos declaratórios opostos tempestivamente e que atendem aos demais pressupostos para o seu cabimento. Os embargos, entretanto, não podem ser acolhidos. Com efeito, nos termos do art. 65, Anexo II, do Regimento Interno, os embargos declaratórios são cabíveis “quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omisso ponto sobre o qual devia a pronunciarse a turma”. No presente caso, não há qualquer contradição no acórdão embargado. Este reconheceu que, nos termos do art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003, as receitas decorrentes de contratos de fornecimento de energia elétrica estariam sujeitas ao regime cumulativo. Essa regra aplicase ao PIS/Pasep a partir de 01 de fevereiro de 2004, conforme previsto nos arts. 15 e 93, I, da Lei nº 10.833/2003: Art. 93 . Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1º a 15 e 25, a partir de 1º de fevereiro de 2004; Fl. 584DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.935244/200925 Acórdão n.º 3802003.971 S3TE02 Fl. 584 3 Assim, considerando que, na data do período de apuração, o art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003, ainda não era aplicável ao PIS/Pasep, a Turma decidiu negar provimento ao recurso voluntário. Não há, como se vê, qualquer contradição na interpretação adotada pelo julgado. É inviável, portanto, o acolhimento dos embargos declaratórios, à medida que estes não se prestam ao reexame das questões de fundo ou para manifestar inconformismo com o resultado do julgamento. Votase, assim, pela rejeição dos embargos de declaração. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 585DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10850.907805/2011-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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(Incorporadora de GREEN VEÍCULOS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 78 05 /2 01 1- 90 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907805/201190 Acórdão n.º 3803006.541 S3TE03 Fl. 130 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do pedido de restituição formulado pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 7 de junho de 2005, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração novembro de 2000, no valor de R$ 58,71. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do comprovante de arrecadação, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/11/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907805/201190 Acórdão n.º 3803006.541 S3TE03 Fl. 131 3 Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/11/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 16 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Contestou também o argumento do julgador de piso que, segundo ele, pretendera anteceder qualquer ato processual futuro, relativamente à preclusão processual, pois que novos fatos e razões foram trazidos aos autos, reclamando pela aplicação do contido na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907805/201190 Acórdão n.º 3803006.541 S3TE03 Fl. 132 4 Em 13/01/2014, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.909875/201182, contendo a declaração de compensação do crédito controvertido nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que o despacho decisório fora prolatado em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Veículos Comércio e Importação Ltda., incorporada por Pará Automóveis Ltda., foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907805/201190 Acórdão n.º 3803006.541 S3TE03 Fl. 133 5 hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos, além de cópia do balancete, cópia do livro Diário, sendo que, compulsando os autos, se verifica que tal afirmativa não se confirma, pois somente a cópia do balancete foi juntada à peça recursal interposta em primeira instância. A par da decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, o contribuinte traz aos autos cópia de parte do livro Razão, porém, conforme se dera em relação ao balancete, restrito às informações relativas às receitas financeiras, não se identificando o faturamento, dado esse imprescindível à apuração da contribuição efetivamente devida no período. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907805/201190 Acórdão n.º 3803006.541 S3TE03 Fl. 134 6 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte no momento da Manifestação de Inconformidade não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois a parte do livro Razão apresentada também se restringiu às receitas financeiras, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essa constatação, por si só, já impede que se acate o pedido do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999), à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907805/201190 Acórdão n.º 3803006.541 S3TE03 Fl. 135 7 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que o documento então acrescentado não foi apto a suprir a falha de instrução do processo que já havia sido detectada na primeira instância. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 17883.000462/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2004
VÍCIO MATERIAL E FORMAL. DISTINÇÃO.
Quando se relacione à (i) exteriorização do lançamento, o vício formal é corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada - exteriorização. Todavia, pode ocorrer do vício se relacionar à (ii) formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada ou depurada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos. Uma terceira situação de vício formal, ocorre pela não observação do (iii) iter procedimental.
No vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento.
DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL.
O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a anulação do lançamento por vício formal, conforme declarado pela decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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DISTINÇÃO. Quando se relacione à (i) exteriorização do lançamento, o vício formal é corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada exteriorização. Todavia, pode ocorrer do vício se relacionar à (ii) formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada ou depurada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos. Uma terceira situação de vício formal, ocorre pela não observação do (iii) iter procedimental. No vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento. DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 04 62 /2 00 8- 05 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a anulação do lançamento por vício formal, conforme declarado pela decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000462/200805 Acórdão n.º 2302002.432 S2C3T2 Fl. 117 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou nulo o lançamento, em razão do reconhecimento de erro na classificação do lançamento, quando da emissão dos discriminativos de débito, tendo concluído, destarte, pela ocorrência de vício formal. Adotase o relatório do acórdão do órgão a quo, que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização (DEBCAD no 37.187.6915), apurado com base nos elementos indicados no Relatório Fiscal, pertinente às contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados à Previdência Social, arrecadadas pela empresa. O valor do presente lançamento é de R$ 15.478,84, consolidado em 25 de novembro de 2008. 2. O Relatório Fiscal de fls. 24/26 informa que as contribuições lançadas referemse a valores apurados relativos ao pagamento de cesta básica aos segurados empregados, sem a comprovação da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Os valores lançados, classificados como "auxílio cesta básica" não foram declarados em GFIP, conforme item 17 do referido Relatório Fiscal. 3. Dentro do prazo regulamentar, a tomadora contestou o lançamento através do instrumento de fls. 49/50, assinada pela sócia da Notificada, e alegando que pediu o parcelamento do crédito em questão, com os valores indicados no anexo IPC Instruções para o Contribuinte, entretanto o parcelamento não foi deferido pelo fato de que os valores real do crédito não é o constante no IPC Instruções para o Contribuinte. Requer o cumprimento do estabelecido no IPC e o parcelamento do crédito naqueles valores. Como afirmado, a primeira instância julgou nulo o lançamento, em razão do reconhecimento de erro na classificação do lançamento, quando da emissão dos discriminativos de débito, tendo concluído, destarte, pela ocorrência de vício formal. Cientificada da decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso no qual alega, em apertada síntese: * a decisão recorrida constatou que o autuante aplicou o inciso II do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 antes da modificação ali introduzida pela Lei n° 9.876/99, pela qual a multa a ser aplicada ao caso presente seria maior que aquela lançada no auto de infração. Ocorre que não trata o caso presente de vício formal, mas sim capitulação legal equivocada do lançamento e tal fato não pode ser considerado como vício formal. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000462/200805 Acórdão n.º 2302002.432 S2C3T2 Fl. 118 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Vício Formal e Material. Distinção. A controvérsia cingese ao reconhecimento da natureza do vício: se formal ou material. Tal questão importa em reconhecimento de interesse recursal ante a sua repercussão em termos de definição do prazo para constituição de novo crédito, na medida em que, no Código Tributário Nacional, há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (destaques nossos) Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; o que implica reconhecer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, identificandose o conceito de vício formal, por exclusão, podese reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, citamos a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (DI Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192). Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: Auto de Infração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal, etc). Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. A forma é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do lançamento administrativo, o Auto de Infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Ao verificar algum vício no lançamento, nem sempre é fácil distinguir se esta relacionado à mera forma ou se atinge a sua substância (vício material). Antes de buscar um critério adequado a distinguilos, cumpre ressaltar que somente implicam em nulidade do lançamento quando for comprovado o prejuízo à defesa. Ou seja, não havendo a demonstração de prejuízo, incide o brocardo jurídico pas de nullité sans grief. Nesse sentido vide REsp 533.082/PR (Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/09/2007, DJ 18/09/2007, p. 281) e Acórdão CARF 9202003.228 (sessão de 08 de maio de 2014, Relator Elias Sampaio Freire). Voltando à distinção entre a natureza dos vícios, entendemos que são três as possibilidades de ocorrência de vícios formais: (i) quando se relacione à exteriorização do lançamento, sendo corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada – exteriorização; (ii) quando se relacione à formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos; (iii) quando decorra da não observação de um iter procedimental; Em todas estas situações, a substância permanece inatacada. Havendo algum esclarecimento, este se dará pela mesma fundamentação (motivação) de fato e de direito, que não é alterada e tampouco é apurada após o lançamento. Ela preexiste, mas não foi transformada em linguagem adequada nos autos. Transposto este limite, passase da forma para atingir a substância, implicando em vício material. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000462/200805 Acórdão n.º 2302002.432 S2C3T2 Fl. 119 7 Como espécime de o vício restrito à exteriorização do lançamento, podemos citar a falta de indicação e de assinatura da autoridade fiscal. Apesar de não constar esta conclusão na ementa, é o que se extrai do voto contido no REsp 690.382/PE (Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009). Para citar uma situação de correção de formalização do lançamento, ou seja, de aperfeiçoamento da fundamentação (motivação) de fato e de direito, temos as hipóteses de retificação do lançamento ou de emissão de relatório fiscal complementar, desde que não haja necessidade de alteração substancial, apenas de aclaramento ou depuração, jamais inovação. Em tais casos, como mencionado, poderá haver convalidação do ato mediante seu refazimento no curso do próprio processo administrativo (art. 59, § 1°, do Decreto n° 70.235/72) ou mesmo a anulação do lançamento, se o vício for de origem e impossível de ser convalidado. Em sentido próximo do que se propõe: (...) 2. Nos casos em que há lançamento original e lançamento complementar proveniente da fase de diligências no curso do processo administrativo (art. 18, § 3º, do Decreto n. 70.235/72), o lançamento originalmente efetuado, mesmo que eivado de vício formal, constitui o crédito tributário e interrompe o prazo decadencial para a notificação de lançamento complementar. Interpretação do art. 173, I, II, e parágrafo único, do CTN. Precedente do extinto Tribunal Federal de Recursos: AC N. 0050216/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Justino Ribeiro, julgado em 16.3.1981. (...) (REsp 1212658/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011) Por fim, exemplo de vício de formal relacionado ao iter processual ou procedimental são as “aberturas” de prazo para manifestação ou as “cientificações” legalmente exigidas ou que decorram da garantia da ampla defesa e do contraditório: (...) 3. Se a DCTF apresentada pelo contribuinte é acompanhada da informação de ocorrência de compensação, e tal procedimento é rejeitado pelo Fisco, a inscrição imediata do valor em dívida ativa mostrase ilegítima, por vício formal no procedimento estabelecido, que determina a abertura de prazo para o sujeito passivo impugnar a sua negativa. A existência de vício formal na constituição do crédito tributário atrai a incidência do prazo decadencial disposto no art. 173, II, do CTN. 4. "O prazo a Fazenda pública proceder ao lançamento do crédito tributário, quando houver eventual decisão anulatória judicial ou administrativa relativo ao respectivo lançamento, em virtude da Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 ocorrência de vício formal, iniciase na data em que tal decisão tornarse definitiva, na forma do art. 173, II, do CTN" (REsp 1174144/CE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/4/2010, DJe 13/5/2010). Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1221146/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 11/09/2013) Assim, somente ocorrerá vício material se houver necessidade de modificação das razões de fato e de direito ou mesmo sua posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal. Para o seu suprimento, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento e não um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem daquelas razões de fato e de direito que deram ensejo ao lançamento. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Daí, concluirse que restará configurado o vício material quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL. A falta de indicação suficiente dos fatos que motivaram o lançamento e da origem do crédito tributário fulmina o lançamento por vício material. (Acórdão 9202003.285, sessão de 30 de julho de 2014, 2ª Turma CSRF, Rel. Gustavo Lian Haddad) RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000462/200805 Acórdão n.º 2302002.432 S2C3T2 Fl. 120 9 existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – ALÍNEA "C" – NÃOCONHECIMENTO – VIOLAÇÃO DO ART. 173, II, DO CTN – INTELIGÊNCIA – VÍCIO FORMAL – OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. 1. O recurso não pode ser conhecido pela alínea "c" do permissivo constitucional, pois não foi realizado o necessário cotejo analítico, bem como não foi apresentado, adequadamente, o dissídio jurisprudencial. Apesar da transcrição de ementa, deixouse de demonstrar as circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma. 2. O Tribunal de Origem assinalou que a anulação do lançamento ocorreu por vício material; qual seja, majoração ilegal dos valores venais dos imóveis objeto do processo e aplicação de alíquotas progressivas. 3. O art. 173, II, do CTN afirma que o lançamento somente ocorre na hipótese de vício formal, ocorrendo, assim, a decadência. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Recurso especial improvido. (REsp 964.018/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2007, DJ 19/11/2007, p. 225) Em suma, no vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento. De fato, a forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, constou do Relatório Fiscal (item 17) que as importâncias não foram declaradas em GFIP, e, no item 9 do mesmo relatório, é informado que os percentuais referentes às multas estão relacionados no Anexo “IPC – Instruções para o Contribuinte”. Este, por sua vez, relaciona percentuais de multa de mora que variam de 12% a 25% para pagamento e 14,4% a 30% para parcelamento, de acordo com tabela progressiva a partir da data de autuação. No entanto, de acordo com o que dispunha o § 4° do artigo 35, da Lei 8.212/91, a multa de mora aplicada às contribuições previdenciárias não recolhidas oportunamente pode sofrer uma redução no seu valor caso as mesmas tenham sido declaradas em GFIP, sendo que a não declaração em GFIP implica na aplicação da multa de mora em seu valor integral, ou seja, aqueles previsto no inciso II do citado artigo. Como destacado na decisão de origem, a discrepância entre o texto legal vigente e as informações repassadas ao contribuinte se deve ao fato de que o DAD — Discriminativo Analítico de Débito declara que o período do levantamento é anterior à implantação da GFIP, descrição evidentemente equivocada, tendo em vista que a mesma foi implantada em novembro de 1999, sendo exigível a partir de 01/99, portanto bem antes do período do débito. A inserção desta classificação do crédito no sistema originou um Relatório IPC, bem como um cálculo de multa compatível com a redação da Lei 8.212/91 que vigia anteriormente à edição da Lei 9.876/99. Tal circunstância gerou não só prejuízo à recorrente, mas também impossibilidade de correção por incompatibilidade do sistema, conforme relatado nos autos. Aqui nos importa, no entanto, apenas definir a natureza do referido vício. Em análise aos autos, constatase que a fundamentação legal e fática está correta, constando tanto do Relatório Fiscal quanto do Anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD a legislação e o enquadramento correto. Apenas na formalização do débito houve a Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000462/200805 Acórdão n.º 2302002.432 S2C3T2 Fl. 121 11 classificação errônea, que repercutiu nos anexos DAD — Discriminativo Analítico de Débito e IPC – Instruções para o Contribuinte. Ou seja, não se pretende que a autoridade fiscal altere qualquer fundamento de fato ou de direito do lançamento, mas apenas que corrija a sua forma (classificação do lançamento), razão pela qual entendo se tratar de vício formal. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 11052.000306/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
VALE-TRANSPORTE
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as rubricas "vale-transporte", nos termos da Súmula n.º 60, da AGU e "alimentação in natura", conforme Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as rubricas "vale transporte", nos termos da Súmula n.º 60, da AGU e "alimentação in natura", conforme Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 03 06 /2 01 0- 57 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11052.000306/201057 Acórdão n.º 2302003.484 S2C3T2 Fl. 125 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 95), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.264.0818) lavrado em 16/07/2010, no valor de R$ 56.734,28, acrescidos de juros e multa, referente às competências 01/2006 a 12/2006, contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 27/37), correspondem às contribuições referentes à parte devida pelos segurados empregados e não retida pela empresa, incidentes sobre as rubricas alimentação e valetransporte pagos em desacordo com a legislação. (destaques nossos) Além das rubricas mencionadas, houve ainda o lançamento de diferenças, mencionadas nos seguintes levantamentos: Levantamento DI Diferença da contribuição do eMpregado. Sendo utilizado o código CS para lançamento da diferença não descontada da contribuição dó segurado com enquadramento de alíquota. Levantamento DI1 Valores transferidos do levantamento DI após a comparação das multas. Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 108 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * o valetransporte pago em espécie e o fornecimento de alimentação em desacordo com o PAT não retiram a natureza indenizatória das rubricas; * inaplicabilidade da taxa Selic. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11052.000306/201057 Acórdão n.º 2302003.484 S2C3T2 Fl. 126 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi ValeTransporte. No Relatório Fiscal, apontase a verificação, nas folhas de pagamento, do pagamento em dinheiro a titulo de valetransporte aos empregados da interessada. Alega a recorrente que o fato de o valetransporte ser pago em espécie não retiraria a sua natureza indenizatória. Razão assiste à recorrente. Estabelece a Súmula nº 60, da Advocacia Geral da União – AGU, que: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba . (de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32) Assim, sem maiores considerações sobre o acerto de tal entendimento, em cumprimento à referida Súmula, deve ser excluído do lançamento o levantamento referente ao valetransporte pago em pecúnia. Alimentação. Consoante Relatório Fiscal, a empresa forneceu alimentação in natura aos seus empregados, não tendo providenciado sua inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador — PAT para o exercício de 2006. Alega a recorrente que o fornecimento de alimentação in natura, mesmo que em desacordo com o PAT não retira a sua natureza indenizatória. Novamente assiste razão à recorrente, como se demonstrará a seguir. Levandose em conta o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que se extrai da conjugação do artigo 195, I, a, com os artigos 11, 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, depreendese que os pagamento a título de fornecimento de alimentação são fatos geradores de contribuição previdenciária. No entanto, a norma inscrita no art. 28, § 9º, alínea “c” estabelece que não integra o salário de contribuição “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. Esta Lei, dispõe em seu art. 3º que: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ´in natura´, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. À evidência dos preceitos legais em comento, concluise que sobre o valor da alimentação fornecida pela empresa aos trabalhadores não incidem contribuições Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 previdenciárias, quando, nos termos da Lei n° 6.321, de 1976, o fornecimento ocorra de acordo com programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. É preciso considerar ainda que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.. Assim, não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. No caso sob exame, a despeito do fato de a recorrente não estar inscrita no programa no período do lançamento, em razão da alimentação ter sido fornecida in natura, a verba correspondente não pode sofrer incidência de contribuições previdenciárias, devendo este levantamento ser excluído do Auto de Infração. Taxa Selic. Aduz a recorrente a inaplicabilidade da taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte pago em dinheiro (Súmula n.º 60 da AGU) e à alimentação fornecida in natura (Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011). (assinado digitalmente) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11052.000306/201057 Acórdão n.º 2302003.484 S2C3T2 Fl. 127 7 ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10380.003027/2003-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - RECURSO ESPECIAL - NÃO CARACTERIZADA A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL - SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS.
Não se conhece do Recurso Especial se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática.
Numero da decisão: 9101-002.100
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Não se conhece do Recurso Especial se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 30 27 /2 00 3- 31 Fl. 808DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, CELMO ERNANY ARAÚJO e ALBERTO ALVES DE SOUZA, com fundamento nos artigos 64, 67 e 68 do Regimento Interno do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O presente processo administrativo é decorrente de Autos de Infração lavrados contra a empresa COMETA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA para a constituição de crédito relativo a COFINS, referente aos exercícios de 1998 a 2002. Foram arrolados os recorrentes como corresponsáveis solidários pelo pagamento do crédito tributário. Insurgiramse os mesmos contra o acórdão nº 10809.478, proferido pelos membros da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, na parte em que, por maioria de votos, quanto à imputação da responsabilidade tributária, negaram provimento ao recurso voluntário. Cientes formalmente do referido acórdão, os recorrentes interpuseram Embargos de Declaração para que fosse sanada omissão no voto. Alegaram que não haviam sido analisadas as provas que pretendiam indicar que o sócio de direito da autuada exerceu suas funções de gerente da empresa e que a procuração em conjunto para os três recorrentes só aconteceu em momento posterior. Os Embargos opostos foram acolhidos parcialmente para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no referido acórdão, visto que a manutenção da responsabilização tributária dos recorrentes levou em conta um conjunto de fatos que convergiram para uma mesma conclusão. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AnoCalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: CONHECIMENTO DE RECURSO INTERPOSTO POR PESSOAS VINCULADAS. Devese conhecer do recurso interposto por quaisquer pessoas vinculadas ao lançamento regularmente impugnado pelo sujeito passivo. COFINS – LANÇAMENTO DECORRENTE – O decidido no julgamento do processo matriz do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no processo decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar rejeitada. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR Processo nº 10380.003027/200331 Acórdão n.º 9101002.100 CSRFT1 Fl. 730 3 A decisão recorrida foi proferida no sentido de responsabilizar os recorrentes uma vez que, após a análise de todos os elementos juntados aos autos e do relato do Termo de Apuração da Responsabilidade Solidária, ficou claro que a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. operou durante os anos fiscalizados por ordem de terceiros não vinculados ao seu contrato social, deixando de recolher os tributos devidos, sendo administrada de fato pelos mesmos. Os recorrentes, nas razões recursais, argumentaram que, enquanto no acórdão recorrido a decisão se deu no sentido de que respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestam o nome para que eles realizem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, nos acórdãos paradigmas concluise que fere a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. O procurador de pessoa jurídica, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos nos quais intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário. Em sede de exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelos recorrentes responsáveis solidários para que seja reapreciada a discussão sobre a designação responsáveis solidários dos procuradores da pessoa jurídica em detrimento dos sócios da pessoa jurídica. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese, que, tendose em vista a responsabilidade solidária por interesse comum, e tendo sido verificado que os sócios de direito eram, na verdade, interpostas pessoas, restou comprovada pela Fiscalização a vinculação da Cometa Distribuidora de Alimentos com os recorrentes, relacionados como sócios de fato, devendo ser mantida, portanto, a decisão recorrida em sua integralidade. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Tratase de Recurso Especial de Divergência apresentado por ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, CELMO ERNANY ARAÚJO e ALBERTO ALVES DE SOUZA em face do acórdão nº 10809.478, na parte em que, no tocante à imputação da responsabilidade tributária, negou provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR 4 O presente Recurso Especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pelos recorrentes, senão vejamos. No acórdão recorrido restou consignado o entendimento de que respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestam o nome para que eles realizem operações em nome da pessoa jurídica, da qual os sócios de fato tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias. O entendimento proferido no acórdão recorrido foi adotado porque, a partir da análise do conjunto probatório do presente processo, chegouse à conclusão que a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. operou durante os anos fiscalizados por ordem de terceiros não vinculados ao seu contrato social, deixando de recolher os tributos devidos, sendo administrada de fato pelos ora recorrentes. No voto do acórdão embargado, a manutenção da responsabilização tributária dos contribuintes levou em conta um conjunto de fatos que convergiram para uma mesma conclusão. Foram analisadas as declarações tomadas a Termo, a diligência realizada, os cartões de assinatura em bancos, a falta de motivação para esses procedimentos e a função de gerente e administrador exercida pelos recorrentes responsabilizados tributariamente, com os sócios de direito figurando apenas como meras pessoas simbólicas. Dispõe da seguinte forma o art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Dessa forma, fica claro que cabe Recurso Especial para analisar interpretação divergente dada à lei, portanto tratase de revisão de matéria de direito. Assim, o Recurso Especial não serve como instrumento para a mera reanálise de provas. Ademais, os cinco acórdãos paradigmas trazidos versam sobre situações fáticas diversas daquela contida no acórdão recorrido, tratando, consequentemente, de conjuntos probatórios distintos do apreciado na decisão recorrida, o que descaracteriza tais acórdãos como paradigmas. Assim é o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgados cujas ementas seguem transcritas: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos Fl. 811DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR Processo nº 10380.003027/200331 Acórdão n.º 9101002.100 CSRFT1 Fl. 731 5 comparados não tratam da mesma questão fática. (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Os acórdãos apresentados chegaram à conclusão diversa da proferida no caso em questão porque em cada um deles há uma situação fática específica, havendo, como decorrência lógica, um conjunto probatório próprio que foi apreciado. Para comprovar isso basta uma breve análise de cada acórdão. Acórdão nº 180100243 PROVA TESTEMUNHAL. VALORAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. As provas testemunhais têm valor probatório restrito em face às provas documentais e servem apenas como subsidiárias para completar aquilo que aquelas são insuficientes a esclarecer, sendo prescindíveis quando os fatos já estão suficientemente provados documentalmente, Irrelevantes para a autuação em apreço, que só pode ser ilidida pela apresentação de prova documental que justifique a origem dos recursos depositados em favor da contribuinte no exterior, Não há cerceamento de defesa em não sendo deferida a sua produção, pela autoridade fiscal ou de julgamento. No primeiro acórdão paradigma, a situação fática diz respeito à comprovação de origem de depósitos bancários, o que diverge, evidentemente, da situação fática do acórdão recorrido. Assim, foi decidido que a prova documental tem valor probatório superior à prova testemunhal devido à análise dos fatos específicos ocorridos, bem como das provas desse caso. Desse modo, no acórdão acima transcrito houve uma valoração das provas com base nos fatos que ocorreram, assim como também houve valoração no caso do acórdão recorrido, a qual levou à responsabilização tributária dos recorrentes. Portanto, com base no conjunto probatório do presente caso, que é distinto do que embasou a decisão acima transcrita, foi decidido que os contribuintes eram os sócios de fato da empresa, o que acarretou a responsabilidade dos mesmos. Dessa forma, diante da existência de situações fáticas distintas, bem como de conjunto probatório distinto dos acórdãos recorrido e paradigma, não restou demonstrada a divergência. Acórdão nº 10196.145 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR 6 RESPONSABILIDADE PESSOAL – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias. Com o segundo acórdão paradigma, os recorrentes pretenderam demonstrar que só é possível a responsabilização de terceiros quando provado que são os verdadeiros sócios, o que, na visão deles, não ocorreu no presente caso. Porém, a partir da análise do conjunto probatório do processo em questão, foi concluído que os mesmos eram os sócios de fato da empresa, o que levou à responsabilização tributária. As situações fáticas de ambos os acórdãos, assim como as provas delas decorrentes, são diversas, sendo tomada cada decisão com base nas provas específicas de cada caso. Contudo, apesar das situações fáticas dos acórdãos paradigma e recorrido serem diferentes, a análise de cada um dos conjuntos probatórios levou a conclusões similares. Acórdão nº 10249.245 SOLIDARIEDADE PASSIVA – INEXISTÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES – LANÇAMENTO CANCELADO – A solidariedade tributária se caracteriza pela existência de interesse jurídico, e não econômico, vinculado a atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. Para que exista solidariedade, em matéria tributária, deve haver, numa mesma relação jurídica, duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, situação em que cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida. O interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo a ocorrência do fato imponível. Fere a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. O procurador de pessoa jurídica, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos com que intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário. No terceiro acórdão paradigma, os fatos referemse à responsabilização do procurador da pessoa jurídica, e, por meio do conjunto probatório nele existente, foi decidido que o mesmo, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos que intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário; Já no acórdão recorrido, através das provas produzidas, ficou demonstrado que os recorrentes eram sócios de fato, e não meros Fl. 813DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR Processo nº 10380.003027/200331 Acórdão n.º 9101002.100 CSRFT1 Fl. 732 7 procuradores. Assim, em que pese as decisões serem diferentes, as mesmas partiram de situações e provas também diversas, portanto não restou demonstrada a divergência. Acórdão nº 10705.221 IRPJ/IRFONTE – RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS – A transferência da responsabilidade tributária a terceiros, nos termos do artigo 135 do C.T.N., deve estar embasada em documentos de prova que demonstrem claramente a ocorrência dos pressupostos nele previstos. No quarto acórdão paradigma, os recorrentes, assim como ocorreu no segundo acórdão paradigma, tentam demonstrar que somente podem ser responsáveis terceiros quando claramente provada a ocorrência dos pressupostos do art. 135 do CTN. Ocorre que, para que fosse proferida tal decisão, foi analisado o conjunto probatório desse caso, que é diverso daquele do acórdão recorrido, uma vez que as situações fáticas também são distintas, e, através das provas dos autos, para os julgadores ficou evidente que ocorreram os pressupostos previstos no mencionado artigo, devendo, assim, haver a responsabilização dos mesmos pelo crédito tributário. Portanto, para que seja alterada a decisão que responsabilizou os recorrentes, é necessária uma nova análise de todas as provas do processo, e, como explicado anteriormente, não cabe revisão de provas em âmbito de Recurso Especial. Acórdão nº 120200.198 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL DE TERCEIROS, PROCURADORES. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE PROVA DIRETA INDIVIDUALIZADA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NO ILÍCITO PRESUMIDO POR FORÇA DE LEI. Quanto à responsabilidade solidária e pessoal dos terceiros envolvidos, procuradores, não trazendo a fiscalização provas diretas e objetivas a corroborar a dolosa participação na infração de presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem dos depósitos bancários, tal caracterização não pode ser mantida apenas em indício isoladamente, com o que se afasta, por essa razão, a possibilidade de responsabilidade tributária, solidária e pessoal, de terceiros, pelo crédito tributário do sujeito passivo. No quinto e último acórdão paradigma, a situação trazida mais uma vez não se assemelha ao caso do acórdão recorrido, visto que tratase de responsabilidade tributária, solidária e pessoal de terceiros pelo crédito tributário do sujeito passivo quando estes forem procuradores, o que restou comprovado que não é a situação dos recorrentes, uma vez que foi concluído que são sócios de fato. Além disso, mais uma vez, o que possibilitou tanto a decisão do paradigma quanto a decisão recorrida foi a apreciação do conjunto probatório de cada um dos casos, que, por sua vez, são distintos. Além disso, o paradigma versa sobre omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários, o que é diferente da Fl. 814DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR 8 situação fática da decisão recorrida. Ademais, conforme já exposto acima, o art. 67 do Regimento Interno do CARF prevê que “compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”, entretanto, com o acórdão paradigma em questão, os recorrentes trouxeram aos autos acórdão proferido pela mesma turma que proferiu o acórdão recorrido. Notese que a denominação da turma é diversa em razão da instalação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, senão vejamos a redação dos artigos 1º e 2º, II, da MF 41/2009: Art. 1º Fica instalado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme disposto no art. 44, §1 º da Medida Provisória n º 449/2008. Art. 2º Até a vigência de seu regimento interno, a ser expedido no prazo estabelecido no art. 44, §2 º da Medida Provisória n º 449/2008, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais adotará, no que couber, os regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial n º 147, de 28 de junho de 2007, e suas alterações posteriores, observadas as seguintes disposições: II A Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes passa a integrar a Segunda Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e seu colegiado constitui a Segunda Turma Ordinária da referida Câmara; Assim, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes passou a ser denominada Segunda Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Note que houve alteração de denominação da câmara e não criação de uma nova. Não há, dessa forma, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial, requisito de admissibilidade do Recurso Especial. Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, por se tratarem os acórdãos recorrido e paradigmas de representantes de situações fáticas diversas, e sendo necessária unicamente a reanálise de provas para a solução da questão suscitada, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial dos contribuintes. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator Fl. 815DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR Processo nº 10380.003027/200331 Acórdão n.º 9101002.100 CSRFT1 Fl. 733 9 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR
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Numero do processo: 16191.005521/2011-54
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL.
O Supremo Tribunal Federal - STF no julgamento do Recurso Extraordinário - RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99.
Foram apresentados Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional postulando a modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, bem como, a manifestação sobre a repristinação da Lei Complementar 84/96, alegando forte impacto ao orçamento da Seguridade Social e nas políticas públicas de saúde, previdência social e assistência social.
O STF pode restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado, considerando as razões de segurança jurídica ou de interesse social, nos termos do art. 27 da Lei 9.868/99.
Há a existência das razões de segurança jurídica e excepcional interesse social, no sentido de garantir à sociedade os direitos sociais à Previdência Social e à Seguridade Social (art. 6o e art. 194 a 204 da CF/88), que são alicerçados nos princípios constitucionais da diversidade da base de financiamento da Seguridade Social e da preexistência do custeio em relação ao benefício (art. 195, caput e § 5o da CF/88), que garantem o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema e dão suporte aos gastos com benefícios e serviços da Seguridade Social à sociedade.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543-B e 543-C da Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62-A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF 256, de 22/06/2009.
A decisão judicial definitiva deve ser aplicada ao lançamento fiscal.
Quanto aos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional relativos ao Recurso Especial, RE 595.838, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator os rejeitou, em sessão plenária de 18/12/2014. Destarte, não há como subsistir o lançamento fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal STF no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99. Foram apresentados Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional postulando a modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, bem como, a manifestação sobre a repristinação da Lei Complementar 84/96, alegando forte impacto ao orçamento da Seguridade Social e nas políticas públicas de saúde, previdência social e assistência social. O STF pode restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado, considerando as razões de segurança jurídica ou de interesse social, nos termos do art. 27 da Lei 9.868/99. Há a existência das razões de segurança jurídica e excepcional interesse social, no sentido de garantir à sociedade os direitos sociais à Previdência Social e à Seguridade Social (art. 6o e art. 194 a 204 da CF/88), que são alicerçados nos princípios constitucionais da diversidade da base de financiamento da Seguridade Social e da preexistência do custeio em relação ao benefício (art. 195, caput e § 5o da CF/88), que garantem o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema e dão suporte aos gastos com benefícios e serviços da Seguridade Social à sociedade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 19 1. 00 55 21 /2 01 1- 54 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 208 2 As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543 C da Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF 256, de 22/06/2009. A decisão judicial definitiva deve ser aplicada ao lançamento fiscal. Quanto aos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional relativos ao Recurso Especial, RE 595.838, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator os rejeitou, em sessão plenária de 18/12/2014. Destarte, não há como subsistir o lançamento fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 209 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de lançamento fiscal composta de contribuição incidente sobre valores pagos a cooperativas de trabalho que lhe prestaram serviços, não recolhidas na época própria. O lançamento foi efetuado com base em valores declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e Declaração do Imposto de Renda retido na fonte – DIRF exercícios 2000 a 2002. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência do lançamento fiscal se deu em 01/07/2003, inconformado o contribuinte apresentou impugnação. O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal considerou procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: o efeito suspensivo do recurso voluntário; nulidade da decisão recorrida ou sua revisão por conter falhas, por não rebater os argumentos da impugnação e não respeitar o contraditório; o lançamento deve indicar exatamente o quantum devido, com a aplicação de juros e correção monetária, de forma a garantir ao contribuinte a plena ciência dos valores exigidos, sob pena de nulidade. A recorrente não teve acesso aos termos conclusivos da fiscalização. A fiscalização não considerou os recolhimento da recorrente; há equívocos no relatório da notificação fiscal. Não apresenta de forma clara e precisa o objeto da notificação, dificultando a defesa, e por admitir como fatos geradores valores pagos a título de indenização decorrente da ruptura do contrato de trabalho e multa do FGTS, aviso prévio, férias indenizadas e terço constitucional; a extinção do crédito em razão de ação judicial transitada em julgado. Os créditos da recorrente reconhecidos judicialmente em desfavor do INSS são hábeis a extinguir os débitos apontados na notificação, nos termos do artigo 156, inciso II do CTN; a notificação deve ser extinta pela compensação integral com os créditos da recorrente reconhecidos judicialmente, ou deve a notificação ser refeita, abatendose de seu montante o percentual de créditos que o próprio INSS entende exigível; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 210 4 deve a decisão ser reformada para determinar a incidência de juros de 1% ao mês simples, ou se assim não entender este Conselho, que determine a aplicação única e exclusiva da Taxa Selic, expungindose do cálculo qualquer juros e correção monetária; Por fim, requer a extinção do crédito tributário. Os autos foram convertidos em diligência pela Resolução nº 2803000.215 – 3ª Turma Especial do CARF para que a autoridade fiscal se pronunciasse sobre as razões do recurso voluntário. Em resposta da foi expedido Relatório Fiscal, fls. 161/176, informando que não houve fato novo. Os recolhimentos alegados pelo contribuinte como considerados e a impossibilidade da compensação dos valores pleiteados foram esclarecidos na informação fiscal de folhas 88/89 dos autos. O contribuinte foi cientificado do relatório fiscal resultante da Resolução do CARF apresentando impugnação alegando em síntese: a inconstitucionalidade da contribuição em pauta. Não houve análise da quitação do débito com os créditos oriundos de demandas ajuizadas, onde houve o reconhecimento de créditos suficientes à satisfação do débito em questão, conforme documentação acostada aos autos; protesta por todos os meios de prova; requer que todas as intimações sejam dirigidas ao endereço constante do preâmbulo da impugnação do relatório fiscal resultante da Resolução do CARF. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 211 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo, preenchidos os requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consta do relatório fiscal, fls. 31/32, que o lançamento se refere a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, período de 03/2000 a 12/2002. Assim, não há que se falar em fatos geradores de valores pagos a título de indenização decorrente da ruptura do contrato de trabalho e multa do FGTS, aviso prévio, férias indenizadas e terço constitucional. O Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP, tema com repercussão geral reconhecida, declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99. A Procuradoria do Fazenda Nacional (PFN) apresentou Embargos de Declaração ao RE 595.838/SP postulando pela modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, bem como, a manifestação sobre a repristinação da Lei Complementar 84/96, alegando forte impacto ao orçamento da Seguridade Social e nas políticas públicas de saúde, previdência social e assistência social. Desse modo, o RE 595.838/SP não transitou em julgado. Com relação à modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, o Supremo Tribunal Federal – STF pode restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado, considerando as razões de segurança jurídica ou de interesse social, nos termos do art. 27 da Lei 9.868/99: Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Do enunciado pelo artigo 27 da Lei 9.868/99 se depreende, portanto, que o STF pode se utilizar de outras medidas que não a declaração de nulidade total da norma, como Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 212 6 a restrição dos efeitos da declaração, ou a eficácia da decisão somente após o trânsito em julgado, ou, ainda, de outro momento a ser fixado. O STF já proferiu decisões com modulação dos efeitos. A segurança jurídica não autoriza a desconstituição da norma, mesmo com eventuais imperfeições no texto legal ou normativo, sem a justificativa do ato ou situação. O banimento de eventual ato legal ou normativo pode ser mais danoso que sua manutenção, sobretudo quando há dano à ordem social e possível desestabilização da ordem pública. Assim sendo, há necessidade do fato ser examinado com especial atenção. A segurança jurídica guarda relação estreita com a ética, com o social e com ordenamento jurídico, de modo a preservar situação administrativa já consolidada no passado, segundo Ministro Celso de Mello. “Os postulados da segurança jurídica, da boafé objetiva e da proteção da confiança, enquanto expressões do Estado Democrático de Direito, mostramse impregnados de elevado conteúdo ético, social e jurídico, projetandose sobre as relações jurídicas, mesmo as de direito público, em ordem a viabilizar a incidência desses mesmos princípios sobre comportamentos de qualquer dos poderes ou órgãos do Estado (os Tribunais de Contas, inclusive), para que se preservem, desse modo, situações administrativas já consolidadas no passado”, escreveu Celso de Mello. Como se pode notar, a segurança jurídica pressupõe a confiança nos atos do poder público baseado na boafé e razoabilidade, como também, a estabilidade das relações jurídicas das normas legais instituídas e na conversão de direito em relação a nova lei, segundo Luis Roberto Barros, Temas de direito constitucional, Rio de Janeiro, Renovar, 2001. O interesse social compreende os direitos sociais e fundamentais garantidos na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Dentre os direitos sociais encontra se o direito à Previdência Social e à Seguridade Social (art. 6o e art. 194 a 204 da CF/88). Embora o STF tenha declarado a inconstitucionalidade do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 (RE 595.838/SP), não se deve esquecer que a norma declarada inconstitucional revogou lei anterior vigente que estabelecia a contribuição social para a Seguridade Social a cargo das cooperativas no valor de 15% (quinze por cento) sobre a remuneração dos cooperados (art. 1o, II, da LC 84/96). Daí a inteligência do art. 27 da Lei 9.868/99 que dispôs quando houver declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o STF restringir os efeitos da declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Indubitável a existência das razões de segurança jurídica e excepcional interesse social, no sentido de estabelecer a repristinação restaurando a vigência da LC 84/96 e/ou modulando os efeitos causados em razão da inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 213 7 Nesse sentido, estariam garantidos os direitos sociais à Previdência Social e à Seguridade Social (art. 6o e art. 194 a 204 da CF/88) que são alicerçados nos princípios constitucionais da diversidade da base de financiamento da Seguridade Social e da preexistência do custeio em relação ao benefício (art. 195, caput e § 5o da CF/88), que garantem o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema e dão suporte aos gastos com benefícios e serviços da Seguridade Social à sociedade. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. Como a decisão de inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, não transitou em julgado, havendo a necessidade de análise do pedido de repristinação e da modulação dos efeitos da decisão, e em razão do princípio da razoabilidade e prudência, entendese que o julgamento administrativo deve ser suspenso até decisão definitiva do julgamento judicial do RE 595.838/SP, para que não haja injustiça. A decisão judicial definitiva do RE 595.838/SP deve ser aplicada ao lançamento fiscal. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C da Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF 256, de 22/06/2009. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Quanto aos demais argumentos do contribuinte, a decisão recorrida e a autoridade fiscal, em diligência à Resolução do CARF, analisaram os argumentos e documentos anexados aos atos pelo contribuinte, concluindo que não há falha no lançamento, os argumentos foram rebatidos e foi respeitado o contraditório e ampla defesa, decidindo pela manutenção do lançamento fiscal. O discriminativo do lançamento fiscal demonstra os valores e suas origens e estão especificados. Os termos conclusivos da fiscalização estão anexos aos autos. Todos os recolhimentos considerados estão demonstrados. A cobrança de multa e juros é legal e está amparada na Lei 8.212/91, constante do relatório de Fundamentos Legais das Rubricas, anexo aos autos. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16191.005521/201154 Acórdão n.º 2803004.082 S2TE03 Fl. 214 8 A aplicação da taxa Selic é legal e está sumulada pelo CARF: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O contribuinte não especifica de forma clara seu pedido de extinção do crédito em razão de ação judicial transitada em julgado. Não demonstra especificamente os créditos reconhecidos judicialmente em desfavor do INSS que são hábeis à compensação e a extinguir os débitos apontados na notificação fiscal. Protesta por todos os meios de prova, entretanto, não houve nenhum documento anexado além dos constantes dos autos. A intimação deve ser dirigida ao endereço constante do preâmbulo da impugnação do relatório fiscal resultante da Resolução do CARF, se de acordo com o domicílio fiscal do contribuinte, conforme pleiteado pelo contribuinte. Quanto aos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional relativos ao Recurso Especial, RE 595.838, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator os rejeitou, em sessão plenária de 18/12/2014. Destarte, não há como subsistir o lançamento fiscal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13971.721335/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
RECURSO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS E DO LALUR. LUCRO ARBITRADO.
1. Não cabe o agravamento da multa quando o contribuinte informa que não dispõe de arquivos digitais e do LALUR. A consequência jurídica, nestas situações, é o arbitramento do lucro, como fez a autoridade fiscal. Recurso de Ofício Negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS E DO LALUR. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO.
2. É cabível o arbitramento do lucro nas situações em que o contribuinte não dispõe do LALUR ou de outros meios pelos quais a autoridade fiscal possa verificar a apuração do lucro real.
MULTA QUALIFICADA. DIFERENÇA RELEVANTE ENTRE VALOR APURADO EM DIJP E INFORMADO EM DCTF. FATO QUE SE REPETE INÚMERAS VEZES E EM TODOS OS PERÍODOS DE APURAÇÃO. SITUAÇÃO QUE CARACTERIZA O INTUITO DE OCULTAR DA AUTORIDADE FISCAL A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
3. Apesar de constar na DIPJ os valores correspondentes à receita, sem que tivesse sido constatado omissão ou inclusão de despesas inexistentes, o procedimento do contribuinte de informar em DCTF, de forma contínua, em três anos-calendário, valor muito aquém ao que informou na DIPJ, demonstra conduta com o intuito de ocultar da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador.
SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE DISTINÇÃO.
4. A solidariedade tributária de que trata as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra-matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídico-tributária.
5. A responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídico-tributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado.
6. A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídico-tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) - (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543-B do CPC).
7. A situação dos autos revela que foi imputado responsabilidade às pessoas indicadas pelo simples fato destas serem sócias da empresa. Não lhes foi imputado nenhuma conduta pessoal contrária aos interesses da empresa, ou ao direito, da qual tivesse decorrido o não pagamento dos tributos lançados. A responsabilidade decorreu do simples fato do não pagamento dos tributos devidos pela empresa. Contudo, tal situação não configura responsabilidade subsidiária de quem não faz parte da relação jurídico-tributária (REsp 1.101.728/SP, decidido na forma do art. 543-C, do CPC).
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membro do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilização da coobrigada Rita de Cássia Conti. Vencidos, em votações sucessivas: i) os Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Carlos Mozart Barreto Vianna que votaram por negar provimento integralmente ao recurso; e ii) o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por dar provimento em maior extensão para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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MULTA AGRAVADA. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS E DO LALUR. LUCRO ARBITRADO. 1. Não cabe o agravamento da multa quando o contribuinte informa que não dispõe de arquivos digitais e do LALUR. A consequência jurídica, nestas situações, é o arbitramento do lucro, como fez a autoridade fiscal. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS E DO LALUR. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. 2. É cabível o arbitramento do lucro nas situações em que o contribuinte não dispõe do LALUR ou de outros meios pelos quais a autoridade fiscal possa verificar a apuração do lucro real. MULTA QUALIFICADA. DIFERENÇA RELEVANTE ENTRE VALOR APURADO EM DIJP E INFORMADO EM DCTF. FATO QUE SE REPETE INÚMERAS VEZES E EM TODOS OS PERÍODOS DE APURAÇÃO. SITUAÇÃO QUE CARACTERIZA O INTUITO DE OCULTAR DA AUTORIDADE FISCAL A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. 3. Apesar de constar na DIPJ os valores correspondentes à receita, sem que tivesse sido constatado omissão ou inclusão de despesas inexistentes, o procedimento do contribuinte de informar em DCTF, de forma contínua, em três anoscalendário, valor muito aquém ao que informou na DIPJ, demonstra conduta com o intuito de ocultar da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador. SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE DISTINÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 13 35 /2 01 2- 71 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 2 4. A solidariedade tributária de que trata as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regramatriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídicotributária. 5. A responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídicotributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado. 6. A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídicotributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). 7. A situação dos autos revela que foi imputado responsabilidade às pessoas indicadas pelo simples fato destas serem sócias da empresa. Não lhes foi imputado nenhuma conduta pessoal contrária aos interesses da empresa, ou ao direito, da qual tivesse decorrido o não pagamento dos tributos lançados. A responsabilidade decorreu do simples fato do não pagamento dos tributos devidos pela empresa. Contudo, tal situação não configura responsabilidade subsidiária de quem não faz parte da relação jurídicotributária (REsp 1.101.728/SP, decidido na forma do art. 543C, do CPC). Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilização da coobrigada Rita de Cássia Conti. Vencidos, em votações sucessivas: i) os Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Carlos Mozart Barreto Vianna que votaram por negar provimento integralmente ao recurso; e ii) o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por dar provimento em maior extensão para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 873DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. Relatório No presente caso adoto o relatório do acórdão recorrido, que segue transcrito: O litígio que se aprecia foi inaugurado por interposição de impugnação, em 20/11/2012 (fl. 749)1, contra lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de multa proporcional de 150% e de 225%, além de juros de moratórios (calculados até 28/09/2012). Os valores lançados (exceto juros), que correspondem a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009 constam do quadro a seguir. Resumo – Valores Lançados (exceto juros) Valores em Reais TRIBUTO PRINCIPAL MULTA PROPORC. TOTAL IRPJ 1.196.892,47 2.421.856,16 3.618.748,63 CSLL 585.330,90 1.183.612,68 1.768.943,58 Cofins 1.949.737,40 3.964.802,13 5.914.539,53 PIS/Pasep 416.738,03 846.281,52 1.263.019,55 TOTAL 4.148.698,80 8.416.552,49 12.565.251,29 A ação fiscal estendeuse de 19/01/2012 a 19/10/2012 e teve como escopo inicial a verificação fiscal do IRPJ e da CSLL relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008. Posteriormente, o procedimento se estendeu ao anocalendário de 2009. A empresa fiscalizada – pessoa jurídica sediada em Brusque (SC) e atuante no setor têxtil – optou, nos anos calendário abrangidos pela fiscalização, por apurar o resultado fiscal com base nas regras do Lucro Real Trimestral. Ao concluir os trabalhos, a autoridade fiscal entendeu necessário lançamento com base nas regras do lucro arbitrado, tendo autuado a contribuinte por insuficiência de recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Apuração segundo as Regras do Arbitramento Segundo relato da autoridade fiscal (Termo de Verificação Fiscal, folhas 656 a 666), a contribuinte foi repetidamente intimada a apresentar livros contábeis da empresa, assim como dos arquivos magnéticos representativos de seus lançamentos contábeis. Nas intimações a contribuinte foi cientificada de que a não apresentação dos livros contábeis e fiscais teria como conseqüência o arbitramento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Face à 1 As citações de numeração das laudas introduzidas por este Acórdão referemse à numeração automaticamente atribuída na digitalização do Processo. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 4 impossibilidade de acesso aos livros fiscais e contábeis a autoridade fiscal promoveu o lançamento do IRPJ e da CSLL segundo as regras do Lucro Arbitrado. Ademais, lançou também as contribuições para o PIS e a Cofins apurandoas no regime da cumulatividade. Na apuração da receita conhecida, a autoridade fiscal utilizou as informações constantes dos livros balancetes, do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Federais (DACON) e do Sistema SPED. A autuante informou, ainda, que, dos valores dos tributos apurados de ofício, foram subtraídos aqueles efetivamente confessados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais. Aplicação de Multa Qualificada e Agravada Do ponto de vista da autoridade fiscal, restaram caracterizadas as condutas tipificadas com fraude e sonegação, implicando a aplicação da multa qualificada de 150%. Ademais, em relação aos anoscalendário de 2007 e 2008, a conduta da contribuinte teria subsumido às hipóteses previstas no inciso II do § 2°, do art. 44 da Lei 9.430/96, o que geraria a aplicação de multa no percentual de 225%. Sua percepção foi assim fundamentada (fl. 661/662): Podese notar pelos anexos a este Termo que os valores de tributos confessados pela empresa ficaram muito aquém dos apurados pela fiscalização em praticamente todos os períodos de apuração. A mesma conclusão pode ser tirada das tabelas constantes do Termo de Intimação Fiscal 05, que mostram a enorme diferença entre os tributos apurados pela empresa em comparação com os efetivamente confessados. Mesmo assim, uma falsa impressão pode ser tirada em relação aos valores confessados de IRPJ e CSLL nos primeiros trimestres de 2007 e 2008. Na verdade, a empresa utilizouse do estratagema de inserir informações falsas de uma suposta suspensão judicial, revelada posteriormente inexistente, na prática levando a valores a pagar praticamente ínfimos, na casa dos 11 reais. Por outro lado, nas apurações de PIS e COFINS dos anos de 2007 a 2009, a empresa incluiu valores indevidos a deduzir as contribuições a pagar, denominados "outras deduções". Em ambos os casos, a contribuinte foi regularmente intimada a esclarecer e comprovar tais informações, mas em nada esclareceu, ou comprovou. Associandose aos fatos citados as ocorrências de declaração simplesmente zerada, é inequívoco que a empresa empregou procedimentos distintos que se orientavam para um fim comum: reduzir, de forma fraudulenta, o montante de impostos devidos. Nem mesmo a ocorrência de valores declarados a maior em março de 2008 pode elidir a verdade constatada acima, pois que, podem ter sido resultado de apuração pela sistemática do lucro real, opção realizada originalmente pela empresa. Portanto, baseandose nas provas acostadas aos autos, afastase completamente qualquer alegação de que possa ter havido mero erro ou engano por parte da empresa R.C. CONTI pois, conforme se depreende das evidências, durante praticamente todos os meses de 2007 a 2009, de forma reiterada portanto, comprovadamente omitiuse de confessar a quase totalidade dos tributos federais devidos. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 5 Assim, por todo o acima exposto, cabe à fiscalização aplicar a multa de ofício duplicada para o valor de 150%, pela simples adequação da conduta praticada ao disposto no art. 44 da Lei 9.430/96. Por outro lado, para os anos de 2007 e 2008, ainda deve ser levado em consideração a afronta ao inciso II do §2°,do art. 44 da Lei 9.430/96: §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n3 11,488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a" pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b" com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c" com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Com efeito, tendo sido intimada pelo Termo de Início e novamente alertada pelo Termo de Intimação 01, a empresa, até o momento, não apresentou os arquivos magnéticos de sua contabilidade dos anos de 2007 e 2008. É um fato que não permite interpretação diversa da lei, porquanto havia a obrigatoriedade legal da manutenção dos arquivos citados. Também, seria paradoxal eventual alegação de que a fiscalização conseguiu encontrar elementos para o lançamento, não cabendo tal agravamento. Ora, a multa só pode ser agravada em caso de lançamento e a letra da lei não é morta nem inútil, ao contrário, absolutamente clara e mandatária. Assim, cabe também à fiscalização agravar a multa de ofício duplicada, passando de 150% para 225% , em relação aos débitos apurados dos anos de 2007 e 2008. Ainda do exposto, como conseqüência da ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária definido no artigo 1º da Lei 8.137/90, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, em obediência ao disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 21/12/2010, alterada pela Portaria RFB n° 3.182, de 29 de julho de 2011 Solidariedade Passiva Por fim, entendeu a autoridade autuante ser necessário revestir os sócios administradores da condição de solidários passivos junto à pessoa jurídica autuada. Invoca, para justificar tal imputação, os artigos 124, 128 e 135, todos do Código Tributário Nacional. Na descrição dos fatos que coincidiriam com o pressuposto conseqüente da norma, afirma o seguinte (fl. 664/65). Fl. 876DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 6 No caso em comento, deve ser levada em conta a participação consciente dos sócios RITA DE CÁSSIA CONTI, CPF 386.174.55004, MILTON CARLOS FLORIANI, CPF 433.211.78915 e PATRÍCIA CONTI FLORIANI CPF 646.553.77020, todos com poderes de gestão à época dos fatos geradores, conforme o Contrato Social vigente. Os sóciosadministradores ou atuaram ou tiveram conhecimento de forma direta, realizando individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultaram nas situações que constituíram ou relacionaramse aos fatos geradores dos tributos sonegados, por omissão. Os benefícios percebidos pela pessoa física do sócioadministrador são claros no sentido de que os tributos sonegados, indevidamente apropriados pela empresa, contribuíram para seus resultados econômicofinanceiros, e por extensão beneficiando os sócios, o que revela o "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação". Além da evidente grave infração à lei tributária, já comentada, ocorreu infração ao artigo 422 do Código Civil: Art.422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios da probidade e boa fé. O não agir conforme a boafé objetiva pode não impor a intenção de prejudicar, como na boafé subjetiva, mas a simples exteriorização de um comportamento ímprobo, egoísta ou reprovável, verificado sob a ótica da moral comunitária, viola um dever anexo ao contrato. Do exposto, concluise que os sóciosadministradores RITA DE CÁSSIA CONTI, MILTON CARLOS FLORIANI e PATRICIA CONTI FLORIANI são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído na presente auditoria, nos termos dos art. 124 e 135, da Lei n°. 5.172/66, Código Tributário Nacional. Nesse sentido, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, para os quais foram dadas ciências aos sócios, e inseridos nos presentes autos, juntamente com cópia dos principais Termos lavrados, de forma a propiciar o exercício da ampla defesa (Termo de Início, Intimação, Auto de Infração e anexos). DA IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO Irresignada com a lavratura do auto de infração, a contribuinte apresentou sua discordância com o lançamento realizado pela autoridade fiscal. A impugnação encontrase assinada por Rita Cássia Conti, que à época da ciência dos autos de infração detinha 70% do capital social da empresa e compartilhava com sua única sócia, Patrícia Conti Floriani, os poderes de administração da sociedade. Apresentase, a seguir, síntese de suas principais alegações. · Questões Preliminares Entremeados na exposição do contribuinte, inclusive em suas alegações sobre o mérito, a contribuinte expõe seu entendimento de ter havido irregularidade na prorrogação do Fl. 877DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 7 Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Ademais, alega a violação de princípios constitucionais no procedimento de arbitramento do lucro. Os dois temas são a seguir expostos do ponto de vista da impugnante. Prorrogação Irregular do MPF Entende a contribuinte que o Mandado de Procedimento original que sustentava o procedimento de ofício se extinguiu, sem que se providenciasse a prorrogação com a devida cientificação à empresa fiscalizada. Verbis (fls. 754/757, destaques da impugnante): 2.18. Com todo o respeito, com a devida vênia, o Termo de Intimação Fiscal 05", foi cientificado ao contribuinte em 16/05/2012, ou seja, um dia antes de expirar o prazo concedido para o encerramento do MPF 09.2.04.002012000095, que NAS PALAVRAS DO "Termo de Verificação Fiscal", SOMENTE FOI CIENTIFICADO A AUTUADA A CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL EM 29/06/2012. 2.19. E, nesse momento paira uma pergunta no ar, por que o visível desconforto do agente fiscal em conceder à partir de 28/03/2012 mais 30 dias para o atendimento de suas indagações pelo contribuinte, tanto que exigiu que as repostas, inclusive em relação ao Termo de Intimação 04 (já respondido), fossem dadas em 10 (dez) dias (corridos) contados à partir de 11/04/2012 (sendo o termo cientificado ao contribuinte em 12/04/2012), se o mesmo sequer teve a dignidade de prorrogar VALIDAMENTE o MPF antes de ele vencer? 2.20. Seria o caso de admitir que os prazos do processo administrativo somente são importantes quando aplicados ao contribuinte? 2.21. Por que a concessão de um prazo razoável ao contribuinte, que sempre deixou muito clara a dificuldade que enfrentava para o atendimento dos questionamentos fiscais, em especial pela perda de informações contábeis em seu sistema de processamento de dados, o que sempre foi do conhecimento do r. agente fiscal, para que este pudesse apresentar em condições melhores, mais apuradas os dados requeridos, se como se observa nos autos, MUITO TEMPO DEPOIS de expirado o prazo para a finalização do MPF ele foi IRREGULARMENTE prorrogado, visto que não se pode prorrogar algo vencido, pela mesma razão que não se pode ressuscitar os mortos. 2.22. A prática de tratar com desdém os prazos impostos aos agentes do ente político, é bem visível em qualquer consulta pública que se faça no site da RFB Receita Federal do Brasil, tanto que consta como "MPF prorrogado até 14 de setembro de 2012” e "MPF prorrogado até 11 de janeiro de 2013”. 2.23 . A propósito, os resultados da fiscalização, mormente os Autos de Infração, foram cientificados ao contribuinte em 19/10/2012, pelo que, ainda que se admitisse como viável a prorrogação do MPF "cientificada" em 29/06/2012, é ABSOLUTAMENTE LIVRE DE CONTROVÉRSIA que, no momento em que o TVF e os Autos de Infração foram cientificados ao contribuinte, já se teria a SEGUNDA PRORROGAÇÃO IRREGULAR, ao ponto de essa, de forma descarada, já nem ser mais objeto da ciência do interessado. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 8 2.24. Causou surpresa, a postura do agente fiscal que, em dado momento parecia empenhado em buscar a maior celeridade possível, ao ponto de limitar o tempo requerido pelo contribuinte para lhe fornecer as respostas e, ainda assim, TODAS AS INTIMAÇÕES FORAM RESPONDIDAS pelo contribuinte, sendo que o agente fiscal em dado momento resolveu lançar mão de um "Termo de Constatação Fiscal", que, com todo o respeito, só serviu para expor o fato de que o ilustre agente não havia lido a resposta ao "Termo de Intimação Fiscal 04" e, para forçar o contribuinte a apresentar dados que ele NÃO DETINHA, num prazo que lhe se havia informado, impraticável de dez dias, limitando a possibilidade oferecer esclarecimentos aos fatos pelo contribuinte, DENTRO DO PRAZO LEGAL DO MPF, ao passo que o agente se deu ao desfrute de prorrogar IRREGULARMENTE o MPF, cientificando o Contribuinte em [sic] segundo seu relatório em 29/06/2012 para 14/09/2012 e, novamente prorrogando 11/01/2013. [...] 2.31. Já se sintetizou alhures os motivos pelos quais se reputa a autuação notificada cabalmente nula, em especial por ter sido lavrada após o MPF original estar vencido e irregularmente prorrogado e, novamente prorrogado, desta feita sem sequer levar ao conhecimento da interessada, ainda que intempestivamente, o que para agentes fiscais "tão diligentes" em relação aos prazos exíguos concedidos para que o contribuinte esclarecesse os fatos, chama a atenção de forma negativa. Com relação ao tema específico da regularidade da prorrogação do MPF, a impugnante, ao apresentar seus pedidos, requer a nulidade do processo administrativo nos seguintes termos: 1 reconhecendose as preliminares levantadas no sentido da nulidade do processo administrativo instaurado, teve seu MPF irregularmente prorrogado com ciência ao interessado após o seus vencimento (em 29/06/2012) prorrogando o prazo para o encerramento para 14/09/2012 e, numa segunda suposta prorrogação NÃO FORMALIZADA E/OU CIENTIFICADA ao contribuinte, onde se indica IRREGULARMENTE como prorrogado o prazo para o encerramento até 11/01/2013, sendo que a ciência das autuações foi dada ao contribuinte em 19/10/2012; Ofensa a Princípios Constitucionais No item III de sua impugnação (da Apreciação da Aplicação ou Não De Dispositivos Legais Sob o Prisma de sua Validade ou Invalidade Perante a Constituição Federal em Sede Processo Administrativo Fiscal) a contribuinte sustenta a tese de que, na fase administrativa do contencioso, caberia, sim, a apreciação de alegações quanto à constitucionalidade de dispositivo legal. Já no item IV (do Confisco da Renda Objeto da Notificação Fiscal Ora Atacada), em continuidade ao item anterior, alega que o lançamento de ofício na modalidade do lucro arbitrado, com os demais acréscimos legais, mostrase contrário aos cânones constitucionais, dado seu caráter confiscatório. Assim se expressa (fl. 761) 4.1. Não bastassem todas as irregularidades, vícios e ilegitimidades da cobrança combatida que vem se explanando ao longo desta impugnação, resta alertar, ainda, que a exigência tributária resistida é cabalmente Fl. 879DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 9 infensa ao direito constitucional de propriedade e à sua mais expressiva proteção de vedação da utilização de tributos com efeitos confiscatórios (CF/88, arts. 5º, XXII, e 150, IV). [...] 4.8. Assim sendo, acaso todos os argumentos retro expendidos caiam por terra, o que não se acredita chegue a ocorrer, para que a pretensão fiscal tome as rédeas do que é legitimamente permitido pelo nosso ordenamento jurídico e não venha a implicar no vedado efeito confiscatório dos valores tributados, importa reduzirse os acréscimos legais sobre ela incidentes, a fim de adequálos aos limites da razoabilidade e da tolerância, senão vejamos. Já no item V, em que refuta especificamente a aplicação da multa qualificada e da multa agravada, volta a invocar violação de princípios constitucionais. 5.2. Contudo, impõese notar que, da maneira como cobrada, assume a multa aplicada feições confiscatórias, eis que exigida sob percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), chegandose a aplicar até mesmo 225% do valor do débito, à partir de evidente descompasso entre os fatos dos autos e a pretensão fiscal, o que é de todo modo extorsivo, ferindo de morte o artigo 150, inciso IV, de nossa Carta Magna. · Alegações quanto ao Mérito Nas questões de mérito, a impugnante ataca os seguintes pontos do lançamento fiscal: (i) a determinação da matéria tributável pelo regime de tributação do lucro arbitrado, ao invés do lucro real, (ii) a aplicação da multa qualificada de 150% sem a efetiva comprovação da presença de conduta dolosa e (iii) a aplicação da multa agravada de 225%, por inexistência dos pressupostos fáticos a sustentála. A seguir, seus principais argumentos. Irregularidades no Arbitramento do Lucro A impugnante manifesta seu estranhamento pelo fato de a autoridade – em relação ao anocalendário de 2007 – ter, concomitantemente, desacreditado sua escrituração fiscal e utilizado elementos dessa mesma escrituração na determinação do lucro arbitrado. No caso do anocalendário de 2008, a incoerência teria sido similar, porém, nesse caso foram utilizadas as informações declaradas no Dacon. In verbis: 1.8. Nesse momento é necessário esclarecer por que o "Lucro Real" apurado em 2007 foi desqualificado e, partiuse para a apuração do "Lucro Arbitrado", por suposta insubsistência dos dados contábeis e, em seguida o agente fiscal, conforme fica EVIDENTE na fl. 04/10 do TVF Termo de Verificação Fiscal, se utiliza DOS MESMOS DADOS E VALORES EXTRAÍDOS DOS "LIVROS BALANCETE. 1.9. Com todo o respeito, novamente rogando por vênia, nos parece no mínimo pouco ortodoxo o r. agente fiscal, num primeiro momento desqualificar a apuração a opção do contribuinte em tributar seus resultados com base no "Lucro Real", por deficiência em suas informações contábeis, e ai por óbvio, essa deficiência DEVE se estender ao conteúdo dos "balanços/balancetes" mensais apresentados e, no momento seguinte, SE UTILIZAR DESTA INFORMAÇÃO CONTÁBIL, que em tese, não seria Fl. 880DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 10 merecedora de fé, e se assim não for, descabe qualquer possibilidade de arbitramento. 1.10. Em outras palavras, o agente fiscal não considerou idônea as informações contábeis disponíveis, para a opção do contribuinte pelo Lucro Real, inobstante, SE UTILIZOU DOS MESMOS DADOS CONTÁBEIS para lastrear seu arbitramento. 1.11. Nesse ponto há contradição obvia: a) se a informação dos balancetes apresentados é merecedora de fé, e por isso foi utilizada pelo agente fiscal, isso socorre sua base de cálculo, porém, fulmina o seu arbitramento, pois, se a informação contábil contida nos balancetes apresentados foi merecedora de fé, NÃO poderia ser desqualificada a apuração pelo Lucro Real a partir dos mesmos balancetes; b) se a informação dos balancetes apresentados não é merecedora de fé, e esse é o pressuposto aqui, tanto que ensejou a desqualificação da opção e da apuração do lucro real feita pelo contribuinte, porque serviu de base para o cálculo do Arbitramento do Lucro pelo agente fiscal? 1.12. Em relação ao anocalendário de 2008, a contradição também existe, só que em relação a este anocalendário os dados foram extraídos do "DACON", ou seja, ainda são exatamente os mesmos valores apresentados pelo contribuinte, logo, se são indignos de fé, ao ponto de supostamente estarem a caracterizar a ocorrência de fraude, porque os mesmos valores foram utilizados pelo agente fiscal como base de cálculo em seus levantamentos? Ao sintetizar seus pedidos, em relação à utilização do regime do lucro arbitrado para determinar o quantum devido, requer o seguinte: II sucessivamente, no mérito sejam os autos de infração combatidos cancelados, a vista da demonstração retroexpendida no sentido de que diante do fato de que, se os dados contábeis apresentados foram desqualificados ao ponto de serem promovidos os arbitramentos, estes não poderiam se valer dos mesmos dados contábeis apresentados pelo contribuinte, em especial e principalmente em 2007, quando indica claramente serem os mesmos dados extraídos dos "balancetes" daquele ano calendário. Inaplicabilidade da Multa Qualificada de 150% Face à exigência da multa de ofício qualificada de 150%, a impugnante manifesta sua discordância quanto à interpretação dos fatos, conforme registrado pela autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal. Assume, explicitamente, a não conformidade de seus registros contábeis e fiscais, porém, atribuindolhe à negligência ou desídia, mas sem abrigar elemento doloso. Sustenta, também, que não foram apresentadas provas da conduta dolosa que lhe é atribuída. Quando expõe o item II (dos Pressupostos Fáticos e Jurídicos do Procedimento Fiscal), manifesta o seguinte (fl. 753/754, destaques da impugnante): Fl. 881DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 11 2.26. E, para surpresa geral, em completo desapego com os fatos dos autos, onde frisese, NADA deixou de ser esclarecido/respondido ao agente fiscal com os elementos disponíveis, sendo absolutamente livre de controvérsia que não houve qualquer tipo de constrangimento, limitação de alcance ou embaraço ao trabalho do r. agente fiscal, após aplicar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530 do RIR/99, por não terem sido apresentados os livros diário, razão e Lalur referentes 2007 e 2008, propõe o ilustre agente, o agravamento das multas para 225% nos termos do art. 44, § 2o, inciso II, da Lei 9.430/96, por que "a empresa, até o momento, não apresentou os arquivos magnéticos de sua contabilidade dos anos de 2007 e 2008". 2.27. Por obséquio, cabe salientar que a contribuinte impugnante não tinha como contestar, antes de receber a autuação fiscal, até por que simplesmente não tinha conhecimento alegações do ilustre agente fiscal mas, com todo o respeito, com a devida vênia, devem ser afastadas, no que tange ao agravamento das multas POR AUSÊNCIA DE PROVAS de qualquer conduta descrita nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64 e, no que tange proposto agravamento para 225%, simplesmente pela mais absoluta AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LÓGICO. 2.28. Ora, se o motivo para o arbitramento proposto para os anos de 2007 2008 foi que, não foram apresentados os livros Diário, Razão e Lalur, que estribariam a opção do contribuinte ao Lucro Real, e sendo o Lucro Arbitrado, nas palavras do agente fiscal, "apenas uma modalidade de apuração dos tributos que decorre da falta, pelo contribuinte, de apresentação de livros e documentos necessários à verificação fiscal", como pretende o mesmo agente fiscal aplicar uma penalidade/agravamento de penalidade pela não entrega desses livros "Diário", "Razão", "Lalur" dos anoscalendário de 2007 e 2008 se, como é de conhecimento público, os optantes pelo LUCRO PRESUMIDO E PELO LUCRO ARBITRADO, para fins fiscais, estão dispensados de escrituração contábil? Mais à frente, já em tópico específico sobre os acréscimos legais (V – dos Acréscimos Legais), volta à carga, entremeando sua argumentação com citações a julgados que, a seu ver, sustentam semelhante ponto de vista (fl.764/774, destaques do impugnante): 5.6. Cumpre destacar que, no caso dos autos, a autuada poderia ser qualificada como "desorganizada", sua documentação contábil poderia ser taxada de "bagunçada", seus registros contábeis dos anoscalendário de 2007 a 2009 realmente continham grande quantidade de desacertos mas, daí para lhe ser imputadas condutas delitivas INOCORR1DAS, das mais graves em se tratando de aplicação de multas, aí já é demais. 5.8. Esse contribuinte, admitindose por hipótese, que tenha cometido erros, falhas ou omissões em sua escrituração contábil, na verdade, sua falha ocorreu na ausência de um cuidado maior na guarda dos livros contábeis e, na ausência de um cuidado maior com a base de dados de seus sistemas de processamento de dados, cuja integridade das informações restaram prejudicadas, não deixou de prestar qualquer esclarecimento aos agentes fiscais, inclusive esclarecendo desde o primeiro contato que tinha imensas dificuldades em recuperar os dados requeridos, justamente por conta de uma "transição" administrativa traumática e, de não ter confiabilidade nos dados e livros contábeis do período fiscalizado. ... Fl. 882DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 12 5.9. Em nenhum momento esse contribuinte tentou induzir a fiscalização ao erro ou, por sua ação ou omissão tenha deixado de atender aos r. agentes fiscais, naquilo em que foi possível, diante do quadro de desordem de seus arquivos contábeis. 5.10. Notadamente, o fato de seus livros "Diário", "Razão" e "Lalur" terem se perdido e, diante do fato de lhe restar uma base de dados corrompida, de onde não foi possível recompor a escrituração contábil de 2007 a 2008, poderia até ensejar a aplicação da sistemática do Lucro Arbitrado, entretanto, uma vez que são estas as razões que estariam a estribar a aplicação do lucro arbitrado, NÃO PODE ser exigido em relação a esse mesmo período, a apresentação de arquivos e registros contábeis, tendo em mira que a adoção do lucro arbitrado EXCLUI a obrigatoriedade da escrituração contábil e, por óbvio, se o contribuinte está excluído da obrigatoriedade de escrituração entre 2007 e 2009 por força da própria autuação, NÃO PODE ser punido pela não entrega (daquilo que não dispõem) de dados inexigíveis aos tributados pelo Lucro Arbitrado. 5.11. Todavia, mesmo que se entenda como aplicável o lucro arbitrado e, aplicável uma multa (razoável e compatível com a falta), ainda que se decida por não ser aplicável o percentual de 30%, conforme arbitrado pelo STF no julgado anteriormente citado, é de se notar que o percentual de 150% para o anocalendário de 2009 e de 225%, exigido para os anos calendário de 2007 e 2008, da contribuinteimpugnante não são devidos, haja vista a necessidade do correto enquadramento da multa a ser cobrada aos termos da lei, e um mínimo de razoabilidade e proporcionalidade. 5.14. Percebese, portanto, que condição sine qua non para a imposição da multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento) concebida no comentado art. 44, da Lei n° 9.430/96, é a verificação de ter o contribuinte cometido alguma das infrações previstas nos arts. 71 a 73, da Lei n° 9.430/96, quais sejam, sonegação, fraude ou conluio. 5.15. Entretanto, como da própria leitura dos dispositivos em questão se pode facilmente perceber, todas as condutas neles descritas somente se podem ter como efetivamente ocorridas nos casos em que se observe ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte no intuito de encobrir o surgimento da obrigação tributária. 5.16. Nesse sentido, para a atribuição da multa de ofício do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é imprescindível a prova da prática dolosa dos crimes de sonegação, fraude e/ou conluio, eis que o dolo é elemento ínsito a essas condutas, sendo certo que o dolo não se presume, se prova. Portanto, ainda que se admita a exigência da obrigação principal com base em simples indícios e presunções, inconcebível será a imposição da multa de ofício de 150%, visto que esse patamar somente se apresenta aplicável no caso da demonstração da conduta dolosa do contribuinte, o que, de acordo com tudo quanto acima restou amplamente demonstrado, resta evidente não ter ocorrido no caso em tela. 5.17. Assim, não poderá eventual multa de ofício que venha a ser aplicada sobre os débitos ora discutidos ultrapassar o patamar de 75% da cobrança pretendida, sob pena de violação aos próprios mandamentos da sempre mencionada Lei n° 9.430/96, uma vez que não restou comprovado nos autos que a empresa tenha agido com qualquer intento doloso ou fraudulento. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 13 5.18. O CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversos julgados e, desde a muito tempo, impõe a interpretação restritiva ao art. 44, da Lei 9.430/96 e, exige a demonstração inequívoca da existência de DOLO, nos seguintes termos: [citamse ementas de julgados daquele tribunal administrativo] 5.19. Notadamente, a autuada apurou seus resultados conforme a sistemática do Lucro Real e, tanto no que tange aos registros contábeis, quanto em relação ao cumprimento de obrigações acessórias, muitas falhas e erros de procedimento foram cometidas, entretanto, com todo o respeito, com a devida vênia, o fato de "que os valores de tributos confessados pela empresa ficaram muito aquém dos apurados pela fiscalização em praticamente todos os períodos de apuração" NÃO SÃO PROVAS DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE E/OU DA OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO FISCAL. ... 5.23. Infelizmente, o ilustre r. agente fiscal extrapola suas prerrogativas, quando renuncia o seu poder/dever de apurar os fatos para tentar estribar a fundamentação de seus atos, em percepções visivelmente pessoais e desprovidas de consistência probante, dentre outros momentos quando afirma: "Mesmo assim, uma falsa impressão pode ser tida em relação a valores confessados de IRPJ e CSLL nos primeiros trimestres de 2007 e 2008. Na verdade, a empresa utilizouse do estratagema de inserir informações falsas de uma suposta suspensão judicial, revelada posteriormente inexistente, na prática legando a valores a pagar praticamente ínfimos, na casa dos 11 reais. Por outro lado, nas apurações de PIS e COFINS dos anos de 2007 a 2009, a empresa incluiu valores indevidos a deduzir contribuições a pagar, denominados "outras deduções". Em ambos os casos, a contribuinte foi regularmente Intimada a esclarecer e comprovar tais informações, mas em nada esclareceu ou comprovou" 5.24. Com todo o respeito, com nova concessão de vênia, tal amontoado de informações desconexas NÃO pode ser tomado como "prova" de NADA! 5.25. Esse contribuinte vinha, bem ou mal, apurando seus resultados pela sistemática do "Lucro Real" e, até mesmo um leigo sabe que, não se pode comparar a apuração de IRPJ e CSLL "Com Base no Lucro Real", com a apuração desse tributo e dessa contribuição feita com base na "presunção de um lucro", como é o caso do Lucro Arbitrado. 5.26. Assim, beira a insensatez afirmar que o simples e isolado fato de os valores declarados de IRPJ e CSLL, apurados pelo contribuinte pelo Lucro Real, serem MUITO menores que aqueles apurados pelo fisco, com base no Lucro Arbitrado, seria "prova" de conduta que pudesse ser imputada a "fraude" ou "sonegação fiscal" por parte da autuada. 5.27. Por óbvio, por exemplo, em relação ao terceiro e quarto trimestres de 2007, ao declarar em DCTF o valor devido como sendo "Zero", o contribuinte referiase a apuração de "prejuízo fiscal" e "base de cálculo negativa de CSLL" naqueles trimestres. A comprovação desse fato restou Fl. 884DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 14 virtualmente impossível pela instabilidade de sua base de dados e, pelo arbitramento dos resultados pelo fisco, mas daí para o ilustre agente fiscal tentar induzir aos incautos de que esse fato isoladamente estaria a caracterizar a existência de "fraude" ou "sonegação fiscal", existe não só um exagero, existe UM ABISMO entre uma coisa e outra. 5.28. Esse fato se repetiu em diversos trimestres, sendo a tentativa do agente em travestir essas ocorrências como sendo indicativas da ocorrência de fraude ou sonegação fiscal, decorre da CONFUSÃO do agente que, ignora o evidente fato de que uma empresa que tenha de fato uma rentabilidade baixa (com prejuízos em alguns períodos), pode e via de regra terá, um imposto de renda e uma CSLL MUITO maior se presumido um lucro, quando esta estiver com prejuízo ou baixa rentabilidade sazonal. 5.29. Novamente rogando por vênia, nos parece oportuno assentar que não há de ser por ERRO DE JULGAMENTO ou interpretação equivocada de fatos notórios do dia a dia, que a este contribuinte será imputada uma conduta delitiva que NUNCA OCORREU. ... 5.31. Cumpre asseverar que muitas vezes informações erradas em DCTF são apresentadas pelos contribuintes e, posteriormente, de posse de informações depuradas, depois de refeitos cálculos, essas informações são devidamente consertadas e, no caso concreto, provavelmente em muitas dessas informações descritas como incorretas, isso foi o que ocorreu. Além do que, foram inseridas informações erradas quanto a uma "suspensão judicial". 5.32. Esse procedimento de fato não estava correto nas informações em DCTF mas, nem de longe são delineadores de conduta delitiva imprudente talvez seguramente decorrente de desconhecimento de causa, ou seja, o contribuinte nesses casos DE FATO ingressou em juízo e, informou a "suspensão" de forma indevida, visto que não obteve a liminar, entretanto, vejamos o caso do processo 2007.72.05.0007945, referente a discussão do "alargamento da base de calculo da COFINS", que transitou em julgado em favor da autuada em 15/08/2012. 5.33. Diante disso, há que se ter em conta que a compensação indicada de forma errada como sendo "suspensão da exigibilidade", ou a indicação como "outros créditos", por mais errada que seja e, portanto, diante dos termos da legislação aplicável, passível de serem cobrados os aludidos valores com acréscimos legais, o reconhecimento EM JUÍZO de que o direito pleiteado, total ou parcialmente, lhe era de direito, fragiliza a argumentação de que seriam informações cujo propósito seria o recolhimento de valores ínfimos de PIS e COFINS. 5.34. Quando o ilustre agente fiscal afirma, como parte de sua construção no sentido de que essa contribuinte teria deliberadamente distorcido suas informações, o que não ocorreu, de que "a contribuinte foi regularmente intimada a esclarecer e comprovar tais informações, mas em nada esclareceu ou comprovou", é importante destacar que o contribuinte apresentou resposta detalhada ao "Termo de Intimação 05", com as informações disponíveis e conhecidas, sendo ali descrito com clareza solar que as informações prestadas em DCTF sobre "suspensões" o foram de forma errada. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 15 5.35. Importante destacar que o agente fiscal questiona o processo 2005267840, Vara 9, Brusque SC e questiona também o de número 20077205001/8475, Vara 2 Blumenau SC, ao que o contribuinte respondeu, de forma precisa e clara: "Cumpre destacar que o número de processo informado no Termo de Intimação Fiscal 05, como sendo "2005267840 Vara 9 Brusque/SC, não é um número de processo reconhecível, nem tão pouco, seria deste contribuinte, já o de número 200 7720500J/84 75 Vara 2 Blumenau/SC, provavelmente seja o 'Mandado de Segurança 2007.72.05.00184 75(SC) 0001847 60.2007.404.7205', sem liminar ou antecipação de tutela (TRF4)" 5.36. Diante do trecho citado, extraído da resposta ao "Termo de Intimação Fiscal 05", vale a pena refletir a extensão do que seria qualificável como um erro pois, quando as informações foram prestadas (e desde o início da ação fiscal) reconhecidas como erradas pelo contribuinte, estas foram descritas pelo fisco como indicativo claro de fraude/sonegação, ao passo que quando o fisco se "confunde" e apresenta dados/informações erradas ou truncadas, aí tudo Ok todo erro é escusável erro faz parte da atividade humana. 5.37. Pois bem, até prova em contrário e NADA FOI PROVADO NESSE SENTIDO NOS AUTOS, os erros, falhas e omissões contidos nas apurações fiscais e apresentações de obrigações acessórias, NÃO SE PRESTAM para caracterizar a ocorrência de Dolo ou Fraude, nem permitem concluir que houve sonegação fiscal. Solidariedade Passiva dos Sócios Administradores A impugnante também insurgese contra indicação dos sócios que detinham poderes de administração à época dos fatos geradores de que cuida os autos de infração como responsáveis solidários pelos créditos tributários. Afirma não haver elementos probantes da conduta delitiva e que a autoridade fiscal baseiase unicamente em retórica, sem apresentar elementos probantes. Tampouco haveria provas de que os sóciosadministradores teriam tido algum tipo de benefício, conforme afirmado pela autuante. Assim manifesta sua inconformidade (fl. 776): 6.8. Reprovável a prática reiterada demonstrada no relatório de "Termo de Verificação Fiscal TVF", onde com todo o respeito, com a necessária nova concessão de vênia, o agente fiscal usa e abusa de acusar a autuada e seus administradores de condutas delitivas sem PROVAR ABSOLUTAMENTE NADA, para em seguida lançar verdadeira "pérolas' como por exemplo: [reproduz trecho do TVF. Após replicar trecho do Termo de Verificação Fiscal –no qual se afirma que, com base nas provas e evidência trazidos aos autos, deveria ser afastada a hipótese de erro ou engano por parte da contribuinte – enumera os seguintes questionamentos (fl. 776): a) Baseado em que provas? b) Se existem provas das alegações fiscais, por que não foram apresentadas? c) Quais as evidencias de que esse contribuinte de fato tivesse se omitido de informar os tributos federais devidos? Fl. 886DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 16 d) Quando se afirma "comprovadamente", o que exatamente estaria a estribar tais comprovações nos autos, pois documentos nesse sentido'' não foram localizados? e) Por que as informações prestadas de forma reconhecidamente errada pelo contribuinte não são mero "erro" ou "engano"? Já na apresentação dos pedidos faz a seguinte referência direta à questão da solidariedade passiva, requerendo: IV sucessivamente, ainda, que seja reconhecida a inexistência de qualquer elemento de prova, que possa atestar a existência de conduta qualificável como crime contra a ordem tributária nos termos do art.7, da Lei 8.137/90, reconhecendo também como inócua a suposta solidariedade, que se procurou aplicar aos sócios Rita de Cássia Conti, Milton Carlos Floriani e Patricia Conti Floriani Por fim, acrescente esse último requerimento aos seus pedidos: V sucessivamente ainda, que seja sobrestado qualquer andamento na(s) representação(ões) para fins penais, vinculadas ao presente processo, determinandose seu definitivo arquivamento, assim que restar definitivamente decidido neste processo a inexistência de conduta capaz de ensejar a qualificação das multas e, reconhecida a inexistência "em tese, de crime contra a ordem tributária. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 780 e seguintes, afastou o agravamento da multa, mantendo o lançamento em relação aos demais aspectos. Da decisão acima referida a referida a parte interessada foi intimada em 05/06/2013 (fl. 823) e em 05/07/2013 protocolizou o recurso de fls. 827 e seguintes em que É o relatório. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 17 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Nos termos do artigo 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, nos casos em que exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total igual ou superior a R$ 1.000.000,00 a autoridade de primeira instância recorrerá de ofício. No caso concreto, diante do montante exonerado pela DRJ, merece ser conhecido o recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário o mesmo encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, encontrase devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Inicialmente, objetivando delimitar os limites da controvérsia a ser examinada neste julgamento, observo que as pessoas em relação às quais foi imputada responsabilidade solidária não apresentaram impugnação nem recurso. No entanto, a defesa da empresa foi assinada por Rita Cássia Conti e faz referência expressa à responsabilidade imputada a esta sócia. Na visão deste relator, não se pode confundir a personalidade jurídica da empresa com a de seus sócios, razão pela qual tenho entendimento pessoal de inexistência de defesa por parte de Rita Cássia Conti. Contudo, não é este o entendimento dos demais membros do Colegiado que entendem que nos casos em que a empresa apresenta impugnação refutando o crédito tributário e também a imputação de responsabilidade a sócio, se esta impugnação for subscrita pelo sócio a quem se imputou responsabilidade tributária, há que ser compreendida como exercício do direito de defesa tanto pela empresa quanto pelo sócio. Neste cenário, ressalvando meu ponto de vista e dado ao fato de que o recurso adotou o mesmo procedimento da impugnação, tenho que o recurso deve ser compreendido como sendo da empresa e da corresponsável Rita Cássia Conti. Oportuno observar que a posição do Colegiado na situação acima relatada somente se aplica quando a pessoa a quem se lhe imputou responsabilidade pelo crédito é quem subscreve o recurso, ainda que interposto em nome da empresa, mas que contesta, também, a responsabilidade tributária imputada ao subscritor da impugnação ou recurso. Em síntese, a matéria deste processo, no que diz respeito ao recurso de ofício, envolve a questão da multa agravada por não ter a contribuinte apresentado a documentação necessária à apuração do lucro real. No que diz respeito ao recurso voluntário a matéria contempla os seguintes pontos: I) Que os autos apontam com precisão e clareza que não houve omissão de receita e tampouco situação que justificasse a qualificação e o agravamento da multa aplicada (fl. 830); Fl. 888DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 18 II) O lucro real apurado em 2007 foi desqualificado por supostas inconsistências nos registros contábeis, no entanto a autoridade fiscal utilizase destes mesmos dados (Balancete em 2007, Dacon em 2008 e Sped em 2009), para arbitrar o lucro; III) Que não houve qualquer diligência pela autoridade fiscal para aferir os valores de custos e/ou despesas constante dos balancetes; IV) Que o agente fiscal considerou inidônea as informações contábeis disponíveis para apurar o lucro, inobstante considerou os mesmos para arbitrálo; V) inexistência, nos autos, de situações que justifique a qualificação da multa. VI) Inexistência de situação que justifique a imputação de responsabilidade aos sócios pelo crédito tributário. Inicio o exame da matéria pelo recurso de ofício. I Do recurso de ofício Pelo que se extrai do TVF (fl. 662), para os anoscalendário de 2007 e 2008 a recorrente foi intimada para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 2.218, bem como a documentação técnica de que a trata o artigo 38, alínea "c", da citada Lei, com as modificações introduzidas pela Lei 11.488, de 2007. Desta forma, por não ter apresentado os arquivos magnéticos aqui referidos, a autoridade fiscal agravou a multa aplicada, agravamento este que resultou afastado pela decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: "Embora de fato a fiscalizada, por ocasião do procedimento fiscal, não tenha apresentado os arquivos magnéticos – ou uma justificativa razoável para tal omissão – os demais elementos apresentados mostraramse suficientes para a determinação da matéria tributável, conforme se depreende da transcrição dos excertos do Termo de Intimação Fiscal 02. Naquele momento, a autoridade fiscal já apresenta os montantes que, a seu juízo, se constituiriam a base imponível dos tributos federais, solicitando, inclusive, manifestação da fiscalizada sobre sua concordância ou não com os valores apresentados." "O que se infere do fluxo de intimações e respostas posteriores é que, a partir do recebimento dos documentos encaminhados em atendimento ao TIF 01, o agente fiscal já conseguiu estabelecer uma linha de atuação em que os arquivos magnéticos – se tanto – serviriam com elemento adicional para referendar uma base de cálculo já contida nos Livros Balancetes, nas Dacon e nos registros fiscais relativos ao ICMS. Reforça esse entendimento, o fato de, nas sucessivas intimações (TIF 3, 4, 5 e 6) não ter havido nova reintimação com respeito a esse quesito específico (arquivos magnéticos)." "Portanto, não considero que a conduta da fiscalizada corresponda aos pressupostos legais necessários ao agravamento da multa de ofício conforme previsto no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. De se afastar, pois, a exigência da multa no que exceder os 150% correspondentes à multa qualificada." No momento que a autoridade fiscal já dispunha dos elementos necessários para analisar a situação da empresa, tendo esta, em situação anterior, conforme asseverado em outra do acórdão recorrido, "esclarecido que não estavam sendo entregues seus livros diário e razão, em virtude de não estar localizando as versões impressas dos mesmos e, de que sua base de dados contábeis "magnéticos" estar seriamente corrompida, o que estava inviabilizando e/ou tornando Fl. 889DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 19 morosa a obtenção de informações confiáveis referentes aos anoscalendário de 2007 a 2009", não há como afirmar que a empresa estava adotando procedimento deliberado com o intuito de causar embaraço à fiscalização. Ademais, penalidade prevista para infração ao disposto no artigo 11 da Lei nº 8.212, de 1992, está contida no artigo seguinte, sendo incabível o agravamento com base no artigo 44, § 2º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, nas hipóteses em que o contribuinte informa que não dispõe de tais arquivos, como se deu no caso concreto. Com tais fundamentos e, também, pelas demais razões de decidir contidas no acórdão recorrido, aqui também consideradas como razões de decidir, nego provimento ao recurso de ofício. II Do recurso voluntário da Empresa fiscalizada Confrontando a receita declarada na FICHA 06A, de cada um dos trimestres fiscalizados, com os valores adotados pela autoridade fiscal para efeito de base de cálculo, observo que eles se equivalem. Vejamos os exemplos relacionados ao anocalendário de 2007: Quando se examina a base de cálculo indicada em cada um dos períodos fiscalizados, verificase que a autoridade fiscal partiu dos valores indicados na DIPJ e "Livro Balancete que registra as vendas", do qual subtraiu as devoluções. O confronto das planilhas abaixo com o auto de infração demonstram, com precisão, a situação aqui referida: Fl. 890DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 20 Ratificando os dados acima referidos, à fl. 659, no TVF, destaca a autoridade autuante que para determinação das bases de cálculo mensais tributáveis no período de 2007 a 2009, foram utilizados os valores a seguir dispostos: Conformando o que observei anteriormente, do confronto dos valores indicados na DIPJ e declarados no Balancete (2007), Dacon (2008) e Sped (2009), constatase que não se está imputando receita omitida e tampouco glosa de custos. Conforme indicado às fls. 179/180, a empresa recorrente foi intimada a apresentar, em 5 cinco dias, o Lalur do período de 2007 a 2009 e os Livros Fiscais de Saída correspondente ao mesmo período. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 21 Pelo que se verifica do documento de fl. 181, a fiscalizada apresentou o Livro Balancete de Verificação de 2007 B.N.5 e Livro de Apuração de ICMS, além de cópias de DIME2. Não houve apresentação do Lalur em relação aos anoscalendário de 2007 e 2008. Igualmente, o Termo de Intimação nº 02 indica que não houve apresentação de documentos contábeis em relação ao anocalendário de 2008. No termo de intimação nº 04, à fl. 598, reiterouse a intimação à empresa para apresentar, em 05 cinco dias, o Lalur, o Livro de Registro de Inventário e, agora, acrescentando as demonstrações financeiras do período de 2007 a 2009. Em resposta à intimação acima indicada, à fl. 660, a recorrente informou que "não localizou em seus arquivos o Livro de Apuração do Lucro Real de 2007 a 2009." À fl. 625 consta Termo de Intimação em que a autoridade fiscal destaca que em relação ao IRPJ e a CSLL, em geral, os débitos declarados em DCTF não guardam consonância com a DIPJ, pois em grande parte dos casos limitase a R$ 11,00 e, em outros, existe o registro de suspensão do tributo sob a alegação de amparo judicial (processo 2007: 20077.205001/8475, da Segunda Vara de Blumenau e processo nº 2008:2005267840 da 9ª Vara de Brusque/SC. Assim, intimouse a contribuinte para esclarecer as discrepâncias, tanto em relação ao IRPJ e a CSLL, assim como o PIS e a Cofins, conforme indicado às fls. 627 e 630. Em atenção à informação acima, diz a recorrente, às fls. 631/632, que em razão da troca de comando na empresa, só pode atribuir a erros as diferenças entre os valores apurados em DIPJ e os informados em DCTF. No momento em que a fiscalizada não dispõe do Lalur e, em relação ao ano calendário de 2008, apresenta parte dos registros contábeis, penso que andou bem a autoridade fiscal em arbitrar o lucro. Sem a apresentação do LALUR, conforme destacado anteriormente, a autoridade fiscal não tem como apurar o lucro, restando nestas situações, como única forma de apurar o lucro real, o arbitramento previsto no artigo 530 de Regulamento do Imposto de Renda. Em relação à multa qualificada, não há acusação de omissão de receita e tampouco da inclusão de despesas inexistentes, até porque o lucro deuse de forma arbitrada. No entanto, no momento em que a fiscalizada apura um valor na DIPJ e lança outro em DCTF, de forma contínua, tenho por caracterizada as situações que justificam a qualificadora. No mais, quanto à solidariedade não há como manter. Os fundamentos utilizados não subsistem. Imputouse tal responsabilidade em face da simples razão de ser sócio. A propósito das questões relacionadas à solidariedade e à corresponsabilidade atribuída a sócio de empresa pelo simples fato deste ser sócio, como razões de decidir, lanço mão dos fundamentos que seguem, iniciando pelo seguinte quadro em que procuro fazer distinção entre solidariedade e responsabilidade tributária de terceiro: 2 Declaração do ICMS e Movimento Econômico (Fazenda Estadual), Fl. 892DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 22 contribuinte (art. 121, § único, I). Seção I Do sujeito passivo responsável (art. 121, § único, II). Capítulo IV interesse comum situação que constitua o FG. (124, I). Seção II – Solidariedade expressamente designada em lei (art. 124, II). LIVRO II Seção I – Disposição Geral Art. 128 (a lei pode atribuir responsabilidade a terceiro). Capítulo V Seção II – Responsabilidade dos sucessores – Art. 129 a 133. pais; tutores e curadores; adm. de bens de terceiros; Art. 134 inventariante; síndico; tabeliães ... sócios, nos caso de liquidação de sociedade e pessoas. Seção III – Responsabilidade de Terceiros pessoas relacionadas art. 134; Art. 135 mandatários, prepostos... diretores, gerentes ou representantes de PJ. Seção IV – Responsabilidade por infrações. Art. 137 É de responsabilidade do agente quando: I conceituadas como crime; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III – quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente do dolo específico: das pessoas referidas art. 134, contra aqueles a quem respondem; dos mandatários contra seus mandantes. dos diretores, gerentes de PJ de direito privado contra estas. Do quadro acima depreendese que não pode confundir solidariedade tributária e responsabilidade de terceiros. São figuras jurídicas distintas e como tais decorrem de situações fáticas distintas. A solidariedade tributária inserese na Seção II do Capítulo IV do Livro II do Código Tributário, que trata do sujeito passivo. A responsabilidade tributária de terceiros, incluindo aqui os sócios de direito e de fato, está disciplinada na Seção III do Capitulo V, do Livro II, do CTN e a responsabilidade de terceiro, por infrações, é prevista na seção seguinte, conforme anteriormente demonstrado. Necessário distinguir o sujeito passivo do responsável tributário. O sujeito passivo de que trata o Capítulo IV pode ser o contribuinte (art. 121, § único I) ou o responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte sua obrigação decorra de Fl. 893DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 23 disposição expressa em lei. Em relação à distinção entre contribuinte e responsável atenhamo nos às normas contidas no parágrafo único do artigo 121, “in verbis”: Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a condição de solidário. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR3.. A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, 3 Neste sentido é a posição do STJ. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. .... LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. [...]4. Na relação jurídicotributária, quando composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendose o instituto da solidariedade passiva. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. .... 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. (REsp 859.616/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJU 15.10.2007). Grifei. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 24 ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006). A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). A responsabilidade de terceiro, por pressupor duas normas autônomas: a regramatriz de incidência tributária e a regramatriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do agente e a norma de incidência. Neste sentido, costumo ilustrar a situação com o seguinte quadro: Na solidariedade Na Responsabilidade de terceiro O fato Situação descrita na lei como suporte fático suficiente para exigência do crédito tributário. O fato Situação descrita na lei que impõe conduta omissiva ou comissiva a alguém, sob pena de responder pelo crédito tributário. A autuação Descreve situação que caracteriza a existência do fato gerador, a obrigação de pagar tributo e o quanto a ser pago. A autuação Descreve situação irregular praticada pelo terceiro da qual decorre a obrigação de, mesmo sem ter praticado o fato gerador, responder pelos tributos devidos. Os limites O valor total do crédito tributário decorrente do fato gerador. Os limites Responsabilidade limitada aos tributos decorrentes dos atos em que intervir com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. A defesa Salvo nos casos de débito declarado, o autuado deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de nulidade da inscrição do débito em dívida ativa. A defesa Em qualquer situação o terceiro a quem se imputa infração que caracteriza responsabilidade tributária deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de ineficácia, em relação a ele, do ato administrativo ou judicial que lhe imputar a condição de responsável. A punição Decorre do ato de não pagar tributo. A punição Decorre do ato de praticar conduta omissiva ou comissiva contrária ao direito, da qual resulta o não pagamento de tributo pelo contribuinte direto. Outro detalhe importante é ter presente que o terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Ademais, em face das controvérsias surgidas em relação ato tema, diferentemente do que pensam alguns Conselheiros, entendo que “o simples fato de colocar terceira pessoa no contrato social não é o suficiente para atribuir a solidariedade ao sócio de fato”. Ao meu sentir, a solidariedade não decorre do fato de alguém ser sócio de fato ou de direito, mas sim do ato de praticar conduta que resulta no inadimplemento do crédito tributário. A título de exemplo, citase a retirada de recursos em favor dos sócios de fato, em prejuízo do pagamento dos tributos devidos. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13971.721335/201271 Acórdão n.º 1402001.852 S1C4T2 Fl. 0 25 Em síntese, é preciso ter presente que a solidariedade entre uma pessoa física e uma pessoa jurídica ou entre duas pessoas jurídicas ou duas pessoas físicas somente ocorre quando ambas participam da relação jurídico tributária. Nada impede, por exemplo, que uma empresa regularmente constituída celebre parceria com profissional, pessoa física, para realizarem pesquisa encomendada por terceiro, ou ainda, que uma empresa ligada à construção civil, junto com engenheiro não integrante da empresa, se unam para executar determinado projeto. Nestes casos, em relação à receita advinda dos serviços prestados haverá solidariedade. O mesmo pode ocorrer em relação ao comércio ou à indústria. Por outro lado, em atenção aos debates que esta matéria costuma suscitar, registro que o sócio de fato não é responsável pelo simples fato de ser sócio de fato, mas sim por praticar conduta comissiva ou omissiva relacionada a fato gerador do qual decorra tributo que resulte inadimplido. Isto se aplica, igualmente, nas situações em que o sócio de fato ou de direito apropriase dos lucros da empresa sem que esta, por primeiro, tenha pago os tributos devidos. Ademais, o artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a responsabilização da coobrigada Rita de Cássia Conti. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 896DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10860.905165/2009-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em Declaração de Compensação o ônus da prova é de quem alega o direito de crédito. Na falta de comprovação há que prevalecer a decisão que não reconheceu o direito creditório.
Numero da decisão: 3803-006.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 INSUMOS. FRETES PAGOS A TERCEIROS. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão para o desconto de créditos de fretes pagos a terceiro em terceirização de serviços. A terceirização da atividade fim não caracteriza insumo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em Declaração de Compensação o ônus da prova é de quem alega o direito de crédito. Na falta de comprovação há que prevalecer a decisão que não reconheceu o direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 51 65 /2 00 9- 40 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 10 de julho de 2007, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS de período de apuração fevereiro de 2004, com débitos do mesmo tributo da competência de novembro de 2006 no valor total de R$ 47.301,55. Através de Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF em Taubaté/SP não homologou a compensação requerida. Fundamentou na falta de créditos, pois, encontrou o pagamento indicado, mas, totalmente alocado para a quitação de débitos declarados pelo contribuinte. Irresignado, apresentou Manifestação de Inconformidade, onde alega, resumidamente que a não homologação do pedido enviado se deu pelo erro no preenchimento das declarações (DCTF e DACON) do período. Anexa Copias das DCTF's e DACON's, originais e retificadas, posteriormente ao Despacho Decisório. A DRJ em Campinas/SP através do acórdão nº 0537.215, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário onde, preliminarmente pede que o julgamento seja transformado em diligência, e, resumidamente Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905165/200940 Acórdão n.º 3803006.458 S3TE03 Fl. 11 3 alega que não foram considerados os valores referentes a dedução de "Outros Créditos", que correspondem a valores de serviços de fretes pagos a terceiros e valores gastos com recapagem de pneus. Por fim, requer o provimento do recurso com o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Anexa DCTF original e retificada, DACON original e retificada, planilha demonstrativa da base de calculo da COFINS de fevereiro de 2004, cópia dos Livros fiscais de saídas da matriz e filiais, cópia do Livro Diário outras receitas, copia do livro de registro de entradas, planilha de credito de COFINS sobre serviços de frete. Esta turma, em seção realizada em 22 de agosto de 2013, por meio da Resolução nº 3803000.342, converteu o julgamento em diligência para que a repartição de origem certifique junto ao contribuinte a comprovação documental das despesas com recapagem de pneus. Em sede de diligência, o contribuinte foi intimado a: a) apresentar as vias originais das Notas Fiscais referentes a despesas com recapagem de pneus, escrituradas no Livro Diário de 2004; b) prestar esclarecimentos no sentido de confirmar se a interessada efetivamente optou pela tributação pelo lucro presumido no ano base de 2005; c) apresentar os Livros Diários e Razão de 2005; d) esclarecer por que alguns valores apurados da Cofins em janeiro e fevereiro de 2005 estão vinculados na DCTF a pagamentos com códigos diferentes e, se for o caso, a retificar os códigos; e) apresentar contrato social, procuração do representante da empresa (se necessário for) e outros documentos ou esclarecimentos julgados necessários. Em resposta ao Termo de Intimação o contribuinte afirmou que as Notas Fiscais referentes a despesas com recapagem de pneus, escrituradas no Livro Diários de 2004 foram recicladas pelo lapso de tempo de guarda. Argumentou no sentido de que optou pela tributação pelo Lucro Presumido no ano de 2005. Ainda alegou equívoco em relação a apuração da Cofins e em relação a determinados códigos, os quais são passíveis de retificação para pronta correção. Por fim, apresentou Livro Diário referente ao período de janeiro a dezembro de 2005 e dois Pedidos de Retificação de DARF. A DRF, por meio de Informação Fiscal, se limitou a atestar que o recorrente não apresentou as notas fiscais sob o argumento de que tais documentos já foram reciclados em razão do lapso de tempo de guarda. É o relatório. Voto Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O contribuinte alega que possui direito aos créditos gerados pelos pagamentos de fretes a terceiros e recapagem de pneus, alegando que estes serviços seriam insumos no seu processo produtivo. Do conceito de insumos. Para possibilitar uma análise mais criteriosa dos argumentos trazidos pelo contribuinte, vale relembrar o conceito de insumos. Em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória nº. 66, que instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindoa na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2000. Em seu art. 3º, inciso II, a referida lei autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. In verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifamos) Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905165/200940 Acórdão n.º 3803006.458 S3TE03 Fl. 12 5 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] b) a receita ou o faturamento; [...] § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. O art 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõe sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Buscando normatizar o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905165/200940 Acórdão n.º 3803006.458 S3TE03 Fl. 13 7 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifamos) [...] O que se extrai da leitura dos dispositivos acima transcritos é que o creditamento das contribuições sociais encontramse adstritas aos bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o qual se transcreve abaixo a título comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI. O regime da nãocumulatividade do IPI, cujo critério material é a operação relativa à produtos industrializados, encontra respaldo no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática da nãocumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito da entrada do insumo que foi aplicado no produto industrializado, fazendo com que haja a compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores. Por tal razão, o conceito de "insumos" para fins de nãocumulatividade do IPI, restringese basicamente às matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. Por outro lado, no caso do Pis/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, jamais se conceberia. Entrementes, não podemos admitir que se amplie tal conceito ao ponto de permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial (despesas operacionais), conforme preceitua o RIR (Decreto 3000/99) nos arts. 290 e 299. A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além das contribuições incidirem sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questão. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as depesas necessárias à atividade da empresa. Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo, todavia, não basta que o bem seja aplicado diretamente no processo do produção do produto industrializado, mas que a subtração deste obste a atividade da empresa ou implique em substancial perda da qualidade do produto ou serviço daí resultante, além de que tal bem não integre o ativo imobilizado da empresa, o que impossibilitaria o creditamento. O mesmo, também encontrase reproduzido no Resp 1.246.317 MG de relatoria do Min. Mauro Campbell e foi adotado por esta Turma Especial para fins de interpretação do conceito de “insumos” na legislação das contribuições sociais. Desta forma, como outrora demonstrado, a abrangência do termo “insumos”para fins de creditamento do Pis/Pasep e da Cofins vai além daquele estabelecido pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do IR, ressaltando que o gasto necessita ser essencial ao processo produtivo, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo. Dos fretes pagos a terceiros O contribuinte alega que o custo de frete pagos a terceiros está respaldado pelo art. 3º, inciso II da lei nº10. 833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905165/200940 Acórdão n.º 3803006.458 S3TE03 Fl. 14 9 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10. 485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Não compactuamos com a interpretação da recorrente de que os serviços pagos são insumos na produção de seu serviço, por serem fretes pagos a terceiros, em clara terceirização de sua atividade fim. Razão pela qual descartamos a possibilidade da utilização do referido dispositivo para justificação do requerido. No mesmo art. 3º, inc. IX, temos a previsão do tipo de frete que gera créditos de COFINS, in verbis: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Entendemos que apenas os gastos com frete para a venda são admitidos para fins de creditamento das contribuições sociais, não há previsão legal para o desconto de valores referentes a pagamentos de fretes em terceirização da atividade fim. Dos gastos com recapagem de pneus. O recorrente, por ser do ramo de transporte, necessita da troca periódica e manutenção dos pneus. Tais gastos estão claramente caracterizados como insumos no processo produtivo da empresa, e, podem, se comprovados, gerar créditos para o contribuinte. Alega o recorrente, em seu Recurso Voluntário, que teria juntado o anexo G contendo as planilha de crédito de COFINS sobre serviços de recapagem de pneus diversos e cópias dos documentos comprobatório anexados, contudo, localizamos planilha com três valores de R$ 212,00, R$ 470,00 e R$ 1.470,00 às fls. 385 e que geraria crédito de COFINS no valor de R$ 163,55 e, ainda, no Livro Diário o lançamento destes valores, contudo, não localizamos os documentos fiscais que comprove os gastos efetivos com recapagem de pneus, quais sejam, as duas Notas Fiscais relacionadas na planilha de folhas 385. Da conversão do Julgamento em Diligência e da guarda de documentos. Em virtude dos fortes indícios da existência do crédito relativo à recapagem de pneus constatados nos autos, o julgamento foi convertido em diligência para confirmar a real existência do crédito pretendido, entretanto, em resposta à intimação, o contribuinte afirmou que as notas fiscais foram recicladas pelo lapso de tempo de guarda e anexou tabela Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 10 que aponta o prazo de 5 (cinco) anos como prazo obrigatório de guarda de Nota Fiscal de Fornecedor, com amparo legal no art.173 do Código Tributário Nacional. O contribuinte teria razão caso se tratasse de lançamento de ofício de crédito tributário por parte do Fisco sobre fato gerador ocorrido a mais de 5 anos, o que não é o caso. Estando a empresa em fiscalização, sob intimação, despacho decisório, processo administrativo ou judicial em que se discuta o crédito tributário, devese manter os documentos capazes de provar suas alegações até decisão final. Da compensação e do ônus da prova. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN, transcrito a seguir: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” A simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR/99, transcrito a seguir: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” Assim, o contribuinte apenas deveria “reciclar” as notas fiscais quando da homologação tácita da compensação ou após o fim do trâmite na esfera administrativa caso não tenha interesse em adentrar na esfera judicial. O recorrente perdeu a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905165/200940 Acórdão n.º 3803006.458 S3TE03 Fl. 15 11 II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão. Ante o exposto, a mera justificativa de que as Notas Fiscais não deveriam ser mantidas após o lapso temporal de 5(cinco) anos não deve prevalecer, pois tratamse de elementos essenciais para provar suas alegações e comprovar seu direito creditório no processo em andamento. Dessa forma, realizada a diligência conforme requerimento do próprio contribuinte, a falta da documentação fiscal prejudicou a pretensão do contribuinte e não nos permitiu aquilatar a liquidez e certeza do direito creditório pretendido, nos termos do artigo 170 do CTN. Pelo exposto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de não reconhecer o direito creditório. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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