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Numero do processo: 10283.909692/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 92 /2 00 9- 24 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909692/200924 Acórdão n.º 3202001.554 S3C2T2 Fl. 375 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720030/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMPs.
Numero da decisão: 1401-001.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMP’s. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 00 30 /2 00 7- 07 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720030/200707 Acórdão n.º 1401001.392 S1C4T1 Fl. 3 2 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720030/200707 Acórdão n.º 1401001.392 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida, em conjunto, no julgamento de um auto de infração e correlatas negativas de restituição de crédito tributário relacionados à operação da Contribuinte na execução do “Projeto Cabiúnas”. Conforme se extrai do relatório do julgamento realizado por esta Turma em 08 de agosto de 2013, “O trabalho fiscal empreendido neste feito originouse na análise do processo nº 19404.000358/200298 e resultou no lançamento fiscal realizado no processo nº 15521.000140/200751, cujo mérito também reflete a discussão travada nos pedidos de compensação analisados nos processos 10725.720028200720, 10725.720029200774, 10725.72003200707, 10725.720031200743, 10725.720109200720, 10725.720110200754, 10725.720111200707, 10725.720112200773 e 10725.720113200798, todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. Disso se extrai que, para evitar contradição nas decisões e coerência no julgamento, tanto o auto de infração quanto as negativas de compensação foram julgadas conjuntamente, tanto assim que os votos constantes de cada um dos processos possui o mesmo conteúdo. Em sede de embargos de declaração, os mesmos processos voltaram à apreciação desta Turma em 27 de agosto de 2014, sendo que este Relator fez consignar, naquela oportunidade que “Assim como no julgamento dos recursos voluntários, o julgamentos dos embargos de declaração serão feitos de forma conjunta”. Interpõe, agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional, novos embargos de declaração, apenas para os processos nº 19404.000358/200298, 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720030/200707, 10725.720111/200707, 10725.720112/2007 43 e 10725.720113/200798, em que aduz o seguinte: A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sem o trânsito em julgado do Processo Administrativo nº 15521.000140/200751, rejeitou as ponderações contidas nos Embargos de Declaração. Observase que para o correto desfecho do caso, o julgamento do presente feito (...) deveria aguardar a solução definitiva do processo nº 15521.000140/200751, pois ainda há a possibilidade deste ser reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que modificaria a posição adotada nesses autos. Com efeito, o julgamento do presente processo, sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, Fl. 469DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720030/200707 Acórdão n.º 1401001.392 S1C4T1 Fl. 5 4 já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401 001.250. A omissão na análise desse fato dificulta uma possível impugnação do julgamento, e, desse modo, cerceia o direito de defesa da União (Fazenda Nacional). Verificase, portanto, que esse fato repercute no processo, e dele, essa Egrégia Turma não se manifestou. Diante do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que a e. Turma, sanando a omissão, se manifeste acerca do fato apontado Tendo em vista a identidade de matérias e dos fatos, os embargos serão analisados em conjunto. É o relatório, no necessário. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720030/200707 Acórdão n.º 1401001.392 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos são tempestivos, pelo que deles conheço. Argumenta, a Fazenda Nacional, que teria havido omissão nos julgados dos recursos voluntários e dos embargos de declaração, uma vez que “sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401001.250”. Permissa venia, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração de forma conjunta. Não há dúvidas que o mérito de todos os processos supra relacionados estão interligados, sendo que os mesmos somente não foram apensados por conexão nessa instância por ausência de instrumentos hábeis a fazêlo. Não existe, assim, a omissão arguida. Muito ao contrário, atento a relação entre os feitos foi que, nos recursos voluntários foram “todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. E o mesmo se deu com relação aos embargos de declaração, que “feitos de forma conjunta”. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os presentes embargos. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 471DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10183.005265/2005-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF
A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas.
Como no presente caso, não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9202-003.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Como no presente caso, não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 52 65 /2 00 5- 70 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 340DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10183.005265/200570 Acórdão n.º 9202003.658 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0250, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão que decidiu dar provimento a recurso voluntário do contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL ADA PROTOCOLIZADO TEMPESTIVAMENTE Comprovado que a exigência do ADA foi cumprida, pelo contribuinte, dentro do prazo, é cabível o restabelecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, que foram objeto de glosa pela fiscalização, fundada unicamente na intempestividade na protocolização do referido Ato Declaratório. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre a possibilidade da fiscalização utilizar o Valor da Terra Nua médio (VTNm) com base o valor médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, sem levar em conta a aptidão agrícola. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que; 1. Há decisão divergente da emanada do acórdão recorrido, 210200.609; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 1. No acórdão paradigma resta consagrada a tese de que o VTNm constante do SIPT pode ter por base tanto o levantamento por aptidão agrícola como o valor médio das DITR entregues no município de localização do imóvel; 2. Plenamente legitima a conduta da autoridade fiscal ao considerar para definição do Valor de Terra Nua o valor médio das declarações do ITR; 3. No caso, ainda há um fator importante que deve ser levado em consideração, pois a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso, por meio de documento, informou que não teria condições de fornecer os valores da terra nua; 4. Além do mais, o contribuinte foi intimado para apresentação de laudo e o fez, mas sem atender as normas da ABNT, sendo, por nisso, imprestável para contraditar o valor do SIPT; 5. Em razão do exposto, solicita o acolhimento e o proviemnto de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. O contribuinte apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10183.005265/200570 Acórdão n.º 9202003.658 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Relator, Relator Quanto a admissibilidade, há questão a ser analisada. Esse colegiado analisou o conhecimento e chegou à conclusão pelo não conhecimento do recurso, conforme voto do Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, no processo 11060.720049/200779: “Quanto ao arbitramento do VTN, transcrevo o seguinte trecho do voto proferido pela Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo no julgamento do Processo 10640.720088/200782, que analisou situação idêntica à presente (mesmo paradigma apontado pela Recorrente), concluindo que a inexistência de divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma (Acórdão 210200.609) obstam o conhecimento do recurso especial da Fazenda: “Em seu apelo, a Fazenda Nacional visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe similitude fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e no paradigma indicado. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, a motivação do restabelecimento do VTN declarado pelo Contribuinte foi o fato de a autoridade lançadora ter arbitrado aquele valor com base no VTN médio das DITRs entregues no município, e não na aptidão agrícola. Assim, tal arbitramento não foi aceito, por não ter cumprido as exigências determinadas pela legislação de regência. Confirase a respectiva ementa: “O lançamento de oficio deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.” Fl. 343DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 210200.609 – a Fazenda Nacional colaciona o seguinte trecho, visando demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial: “No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente.’ (fl. 8)” (destaques da Recorrente) A leitura dos trechos em negrito, pinçados do voto condutor do aresto, levaria à conclusão de que efetivamente teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, a leitura do julgado paradigma, em sua integralidade, permite conhecer o contexto em que ele foi proferido. Nesse passo, verificase que, além de retratar uma situação distinta daquela analisada no recorrido, não se pode afirmar que nesse paradigma estarseia defendendo a tese de que o SIPT, somente com a média das DITR, seria válido. Confirase os principais trechos da ementa e do voto vencedor desse paradigma: “ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR 0 VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido (...) Agora, passase a apreciar a defesa do item II (no tocante ao valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, segundo a classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas " (Recurso n° 135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)" (fls. 218 e 219). Além disso, o recorrente agora junta Laudo Técnico complementar, no qual se demonstra que o valor do SIPT referese ao preço de terras comercializadas e não da terra Fl. 344DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10183.005265/200570 Acórdão n.º 9202003.658 CSRFT2 Fl. 5 7 nua, como inclusive se pode ver pelos formulários preenchidos pela EmaterMG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma fonte de informação, qual seja, a Emater MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT.). Como se pode constatar, no caso do paradigma o contribuinte se insurge contra o arbitramento pelo SIPT, alegando falta de publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como por se referir a preços de terras comercializadas, e não da terra nua. Ao final, pede que, caso seja mantido o arbitramento, que para o exercício de 2001 seja adotado o menor dos valores do SIPT. Assim, no intuito de enfrentar os argumentos de defesa, o Relator assim se manifesta quanto ao SIPT: “No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 44712002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27), e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. No ponto, sem razão o recorrente. A decisão recorrida ratificou o arbitramento perpetrado pela autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.6533) e pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aqueles do SIPT. (...) Fl. 345DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 , em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio referese ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela EmaterMG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a 293. Dessa forma, aqui não se acata a defesa de que os valores do SIPT se referiam ao valor total do imóvel. Ainda se deve anotar que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT 14.6533, vigente desde 30106/2004, data esta anterior à produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o laudo produzido em conformidade com tal Norma seria meio hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra nua declarado estava defasado, já que o próprio contribuinte confessou que utilizara o mesmo valor de 1996 (para os exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa do recorrente. Por fim, quanto ao pedido para reduzir o valor do exercício 2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o contribuinte tem razão. Explico. É de conhecimento de todos que, em arbitramento, havendo possibilidades diversas, utilizase a modalidade que mais favorece ao contribuinte . Inclusive , no âmbito da tributação da pessoa fisica, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n° 8.021/90, verbis: (...) No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (grifei) Destarte, verificase que em momento algum o paradigma defende, de forma genérica, que o arbitramento pelo SIPT pode ser efetuado com base apenas no valor médio das DITR. O que fica claro no voto condutor do aresto é que, naquele caso específico, em que estão presentes os dois critérios de Fl. 346DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10183.005265/200570 Acórdão n.º 9202003.658 CSRFT2 Fl. 6 9 arbitramento – pela média das DITR e pela aptidão agrícola – não há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizarse o VTN de menor valor que, nesse caso específico, é o VTN apurado pela média das DITR. Assim, as situações fáticas são distintas, a saber: no acórdão recorrido, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base apenas no valor médio das DITR, sem levar em conta a aptidão agrícola, e é esta a motivação que levou à sua desqualificação; no paradigma, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base nas duas modalidades – média das DITR e aptidão agrícola – e em nenhum momento o Relator defende que ele seja levado a cabo apenas com base na média das DITR; o que ocorre é que existe um pedido do Contribuinte para que se adote, dentre os diversos valores constantes do SIPT, o menor deles, que no caso é o da média das DITR, daí que nos trechos citados pela Recorrente o Relator tãosomente fundamenta o atendimento a esse pleito. Destarte, o paradigma indicado não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que, diferentemente do que ocorreu no recorrido, o arbitramento não se limitou ao VTN médio das DITR. Tampouco no caso do julgado guerreado houve pedido do Contribuinte, no sentido da adoção de valor específico, até porque, repitase, só havia um valor, qual seja, o da média das DITR. No presente caso, o dissídio interpretativo somente restaria demonstrado, com a colação de acórdão em que, efetuado o arbitramento com base no SIPT, levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola, dito arbitramento fosse mantido. Com efeito, o paradigma indicado não retrata tal situação fática, portanto não resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, por não atender aos pressupostos de admissibilidade.” Pelos mesmos motivos, voto no sentido de não conhecer do recurso, pois o paradigma apontado decidiu questão fática diferente da discutida nos presentes autos. Portanto, pelos mesmos motivos, voto pela não conhecimento do recurso. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 CONCLUSÃO: Em razão do expsoto, voto em não conhecer do recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 348DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 16327.902684/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DEFINITIVIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA.
Considera-se definitivo, na esfera administrativa, o Despacho Decisório emitido pela Delegacia de origem, contra o qual não foi apresentada manifestação de inconformidade pelo interessado.
Nesse sentido, inviável é a argumentação de sujeito passivo que, sob o pretexto de apontar a existência de crédito oriundo de saldo negativo de 2003 (discussão existente nestes autos), busca reavivar discussão sobre alegado crédito de saldo negativo de 2002, sendo que tal discussão encontra-se definitivamente dirimida em autos arquivados desde 2009.
Numero da decisão: 1101-001.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto que segue em anexo.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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DECISÃO ADMINISTRATIVA. Considerase definitivo, na esfera administrativa, o Despacho Decisório emitido pela Delegacia de origem, contra o qual não foi apresentada manifestação de inconformidade pelo interessado. Nesse sentido, inviável é a argumentação de sujeito passivo que, sob o pretexto de apontar a existência de crédito oriundo de saldo negativo de 2003 (discussão existente nestes autos), busca reavivar discussão sobre alegado crédito de saldo negativo de 2002, sendo que tal discussão encontrase definitivamente dirimida em autos arquivados desde 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto que segue em anexo. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 26 84 /2 00 8- 07 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Relatório Cuidase, na origem, de Declarações de Compensação DCOMPs para compensação de estimativas de IRPJ (07/2004 e 08/2004) e de CSLL (02/2004, 03/2004, 04/2004, 05/2004, 06/2004) com alegado crédito de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2003. Em 12/08/2008, foi exarado despacho decisório (fl. 69) por meio do qual não foram homologadas as compensações declaradas, sob o fundamento de que, “analisadas as informações prestadas (...), não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) [R$2.046.303,94] não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP [R$2.047.559,72]”. Por conta disso, foi apresentada manifestação de inconformidade (fl. 02/14) pela contribuinte, da qual se destaca assertiva no sentido de que, mesmo diante da ausência de correspondência entre os valores apontados em DIPJ (R$ 2.046.303,94) e em DCOMP (R$ 2.047.559,72), esse equívoco não justificaria a não homologação das compensações. Na ocasião, o contribuinte descreveu de forma analítica a formação do saldo negativo, concluindo que o crédito era mais do que suficiente para o encontro de contas pleiteado (o sujeito passivo aponta que, depois das compensações declaradas, ainda lhe sobraria um crédito de R$ 47.832,68). Após, houve por bem a autoridade administrativa preparadora, antes que fosse julgado o inconformismo do contribuinte, solicitar o retorno dos autos à DIORT/DEINF/SPO para reanálise, resultando em novo despacho decisório (fls. 312/317), por meio do qual houve o “reconhecimento do Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2003 no montante de R$1.830.780,38”. A propósito, leiamos breve trecho desse r. decisum, verbis: “10. Por fim, considerando a matéria tratada no PAF n° 16327.001836/200330, a qual se imbrica com o objeto do presente processo, houve por bem a autoridade administrativa preparadora, antes que fosse julgada a ‘Manifestação de Inconformidade’, solicitar o retorno dos autos a esta DIORT/DEINF/SPO, para a devida reanálise. FUNDAMENTOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Inicialmente, relativamente à certeza e liquidez do alegado Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2003, vale lembrar o quanto decidido pela DEINF/SPO no PAF n° 16327.001836/200330; 2. Com efeito, compulsando o referido processo, bem como os PAF n° 16327.001834/200341 e n° 16327.1835/200395 a ele apensados, sobressai ter a autoridade administrativa, em face da insuficiência do Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2002, conforme Despacho Decisório proferido por esta DEINF/SPO em 30/04/2009, não homologado as ‘DCOMP’s’ n° Fl. 393DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR Processo nº 16327.902684/200807 Acórdão n.º 1101001.262 S1C1T1 Fl. 3 3 18559.42289.140803.1.3.030089, parte, e n° 39849.74597.311003.1.3.030124, integral, afastando, assim, a extinção dos débitos da CSLL dos períodos Abr/03 (R$2004.597,01) e Set/03 (R$10.962,55) (folhas 119 a 124 e 125 a 128); 3. Em consequência, determinou a autoridade administrativa, no tocante à apuração da CSLL devida no encerramento do ano calendário 2003, a glosa das parcelas mensais estimadas de Abr/03 e Set/03 e então não homologadas; 4. Portanto, assim procedendo a autoridade administrativa, conclui se, contrariamente ao sustentado pelo interessado em sua ‘Manifestação de Inconformidade’, que o Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2003, dotado de certeza e liquidez, não seria aquele de R$2.046.303,95, mas sim de R$1.830.780,38, como indicado no demonstrativo ‘DIPJ AC 2003 RETIFICADA RESUMO CSLL’ elaborado por esta DIORT/DEINF/SPO’ (folha 189); 5. Por conseguinte, uma vez retificada de ofício, à luz do disciplinado pelo art. 147, §2°, a DIPJ/2004, e, em respeito ao previsto pelo art. 168, I, do CTN, reconhecido o Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2003, no montante de R$1.830.780,38, deveria a autoridade administrativa, conforme demonstrativo de compensação em anexo, homologar integralmente as ‘DCOMP’s’ n° 09673.75891.290404.1.7.036140, n°33303.85983.300404.1.3.03 4006, n° 40929.91518.310504.1.3.032310, n°21875.60185.290604.1.3.035878, n° 24044.59838.290704.1.3.03 0006 e n° 29095.81195.300804.1.3.033688 e, parcialmente, a ‘DCOMP’ n° 14654.88025.290904.1.3.032696, com a consequente extinção dos débitos da CSLL de Fev/04 (R$285.949,24), Mar/04 (R$286.734,84), Abr/04 (R$276.118,13), Mai/04 (R$282.118,92) e Jun/04 (R$236.251,70) e do IRPJ de Jul/04 (R$505.022,82) e Ago/04 (R$86.260,42) (folha 190)” Cientificado desse novo Despacho decisório em 19/05/2009 (fl. 328), o contribuinte apresentou nova (e tempestiva) manifestação de inconformidade (fls. 332/340) acompanhada de documentos (fls. 344/351). Consoante visto acima, o novo Despacho Decisório reconheceu apenas parcialmente o Saldo Negativo pleiteado pelo sujeito passivo pelo fato de que esse vindicado direito creditório era composto das estimativas de CSLL de abril/2003 (R$ 204.597,01) e setembro/2003 (R$ 10.962,55); contudo, tais estimativas haviam sido extintas via declaração de compensação com Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2002, sendo que tais encontros de contas não foram homologados e compunham o objeto do Processo Administrativo n. 16327.001836/200330. Em sua nova Manifestação de Inconformidade, o sujeito passivo alegou, em síntese, verbis: (i) O presente processo deveria ser sobrestado até que se ultimasse o julgamento daquele mencionado P.A. n. 16327.001836/200330; (ii) Caso assim não se entendesse, “no caso vivenciado nos autos, não há[veria] dúvidas de que (...) o saldo negativo de CSLL 2002, formalizado no ano de 2003, só poderia ter sido apreciado pela Fl. 394DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR 4 Fiscalização até o ano de 2008”, de modo que, “tendo sido o saldo negativo de CSLL de 2002 apreciado apenas em abril de 2009, como se constata do despacho decisório do Processo Administrativo n° 16327.001836/200330, fato é que tal decisão não encontra o respectivo respaldo legal, sendo manifestamente indevida, eis que não existia mais o direito do Fisco de analisar tal direito creditório pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos”. A partir disso, afirma ser “de rigor que o saldo negativo de CSLL de 2003 venha a ser integralmente reconhecido, dado não ser cabível mais a discussão sobre o saldo negativo de CSLL de 2002 como realizado pelo r. despacho decisório ora contestado”. Em sessão de julgamento realizada em 27 de março de 2013, a d. 10ª Turma da DRJ/SP1 houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, nos termos do acórdão n. 1645.213 (fls. 354/362), assim ementado, litteris: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. Nos termos do que dispõe o Decreto n° 70.235/1972, a juntada de documentos deverá ser feita por ocasião da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior, salvo nos casos expressamente previstos no processo administrativo fiscal. SOBRESTAMENTO PROCESSUAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal no processo administrativo fiscal para o sobrestamento de processo. DEFINITIVIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA. Considerase definitivo, na esfera administrativa, o Despacho Decisório emitido pela Delegacia de origem, contra o qual não foi apresentada manifestação de inconformidade pelo interessado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO. BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. O reconhecimento do saldo negativo de IRPJ e CSLL e a consequente utilização deste crédito para fins de compensação condicionase à demonstração da existência de certeza e liquidez do crédito vindicado, o que inclui a comprovação dos itens que compõem a sua base de cálculo. A verificação da base de cálculo não se sujeita ao prazo decadencial estipulado para a constituição de eventual crédito tributário resultante desta análise. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. ” Cientificada do r. decisum em 04 de setembro de 2013 (fl. 372), a contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 01° de outubro de 2013 (fls. 380/388) alegando, em suma, que “a análise do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2002” análise essa promovida nos autos do P.A. n. 16327.001836/200330 e não no presente caso “representa escancarada violação aos ditames legais que determinam ser de cinco anos o prazo para que o Fisco cobre qualquer coisa do contribuinte”, de modo a ser “de rigor que o saldo negativo de CSLL de 2003 venha a ser integralmente reconhecido, dado não ser cabível mais a discussão sobre o saldo negativo de CSLL de 2002 como realizado pelo r. despacho decisório que lançou o crédito tributário, confirmado pelo v. acórdão recorrido”. É o relatório. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR Processo nº 16327.902684/200807 Acórdão n.º 1101001.262 S1C1T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro – BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se depreende do relatório acima, a questão devolvida a este Col. CARF é no sentido de que “o saldo negativo de CSLL 2002, formalizado no ano de 2003, só poderia ter sido apreciado pela Fiscalização até o ano de 2008”, de modo que, “tendo sido o saldo negativo de CSLL de 2002 apreciado apenas em abril de 2009, como se constata do despacho decisório do Processo Administrativo n° 16327.001836/200330, fato é que tal decisão não encontra o respectivo respaldo legal, sendo manifestamente indevida, eis que não existia mais o direito do Fisco de analisar tal direito creditório pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos”, o que conduziria, na visão da contribuinte, à conclusão de que “o saldo negativo de CSLL de 2003 [deveria] ser integralmente reconhecido, dado não ser cabível mais a discussão sobre o saldo negativo de CSLL de 2002 como realizado”. Entendo que não merece acolhimento o inconformismo da ora Recorrente. Para melhor esclarecer meu posicionamento, importa reler trecho do r. despacho decisório prolatado nestes autos em que é apontada a razão de não ter sido reconhecido, na íntegra, o montante a que o contribuinte entende fazer jus a título de saldo negativo de 2003, litteris: “Inicialmente, relativamente à certeza e liquidez do alegado Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2003, vale lembrar o quanto decidido pela DEINF/SPO no PAF n° 16327.001836/200330; 2. Com efeito, compulsando o referido processo, bem como os PAF n° 16327.001834/200341 e n° 16327.1835/200395 a ele apensados, sobressai ter a autoridade administrativa, em face da insuficiência do Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2002, conforme Despacho Decisório proferido por esta DEINF/SPO em 30/04/2009, não homologado as ‘DCOMP’s’ n° 18559.42289.140803.1.3.030089, parte, e n° 39849.74597.311003.1.3.030124, integral, afastando, assim, a extinção dos débitos da CSLL dos períodos Abr/03 (R$204.597,01) e Set/03 (R$10.962,55) (folhas 119 a 124 e 125 a 128); 3. Em consequência, determinou a autoridade administrativa, no tocante à apuração da CSLL devida no encerramento do anocalendário 2003, a glosa das parcelas mensais estimadas de Abr/03 e Set/03 e então não homologadas; 4. Portanto, assim procedendo a autoridade administrativa, concluise, contrariamente ao sustentado pelo interessado em sua ‘Manifestação de Inconformidade’, que o Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2003, dotado de certeza e liquidez, não seria aquele de R$2.046.303,95, mas sim de R$1.830.780,38, como indicado no demonstrativo ‘DIPJ AC 2003 RETIFICADA RESUMO CSLL’ elaborado por esta DIORT/DEINF/SPO’ (folha 189)” Fl. 396DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR 6 Em suma, como não foram homologadas as compensações das estimativas de CSLL de Abril/2003 e de Setembro/2003 (com créditos oriundos de Saldo Negativo de 2002), não homologação essa levada a efeito nos autos do Processo n. 16327.001836/200330, é certo que tais parcelas não podem compor o Saldo Negativo de 2003, e foi justamente isso que o r. despacho decisório apontou. Por outro lado, toda a argumentação da contribuinte se resume à assertiva de que a não homologação das compensações das estimativas de Abril/2003 e Setembro/2003 – decisão essa tomada no bojo do tantas vezes mencionado P.A. n. 16327.001836/200330 – seria improsperável, uma vez que lá se discutia crédito de Saldo Negativo de CSLL do ano calendário 2002 e que apenas teria tomado ciência do respectivo Despacho Decisório em abril de 2009. Ora, sem adentrar a questão atinente à operação ou não da homologação tácita da Declaração de Compensação encerrada no Processo n. 16327.001836/20033, certo é que quaisquer discordâncias para com o r. despacho decisório proferido naquele processo administrativo deveriam ter sido apresentadas a tempo e modo no âmbito daquela controvérsia. Nada obstante, é induvidoso que o despacho decisório de não homologação da DCOMP discutida no Processo n. 16327.001836/200330 é definitivo, não tendo o sujeito passivo se irresignado através da competente Manifestação de Inconformidade. Por mais que se possa cogitar – e, digase de passagem, meramente cogitar – de equívoco no r. decisum que não homologou as compensações das estimativas de meses de 2003, tais equívocos jamais poderiam ser retificados no vertente feito, ante a definitividade daquela decisão e, primordialmente, pela circunstância de que não é este o objeto desta contenda. Ou seja, sob o pretexto de apontar a existência de crédito oriundo de saldo negativo de 2003 (discussão existente nestes autos), o que a contribuinte busca fazer é reavivar discussão sobre alegado crédito de saldo negativo de 2002, sendo que tal discussão a todo sentir encontrase definitivamente dirimida em autos que se encontram arquivados desde 2009. É exatamente por isso que chancelo os seguintes fundamentos presentes na r. decisão recorrida, litteris: “Quanto aos questionamentos acerca do processo administrativo n° 16327.001836/200330, o qual tratou de Declarações de Compensação de débitos compensados com créditos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 e de saldo negativo de CSLL dos anoscalendário 2001 e 2002, verificase que o processo em questão encontrase arquivado desde 31/08/2009 (fl. 353). (...) De acordo com a pesquisa de movimentação processual do sistema Comprot (fl. 353) não consta ter havido litígio sobre a decisão exarada, uma vez que após a emissão do Despacho Decisório, datado de 30/04/2009, o processo foi movimentado para o Arquivo Geral em 28/07/2009. (...) No caso, deve ser considerado definitivo na esfera administrativa, o Despacho Decisório emitido pela Diort/Deinf/SPO, contra o qual não consta ter sido apresentada manifestação de inconformidade pelo interessado. (...) Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR Processo nº 16327.902684/200807 Acórdão n.º 1101001.262 S1C1T1 Fl. 5 7 Alega, ainda, o manifestante que o saldo negativo de CSLL de 2002 foi apreciado apenas em abril de 2009, no Despacho Decisório do processo n° 16327.001836/200330, mas que tal decisão não encontra respaldo legal, eis que não existia mais o direito do Fisco de analisar tal direito creditório pelo transcurso do prazo de 5 anos, restando homologado tacitamente o crédito. (...) nos termos do já transcrito artigo 42, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, a decisão de primeira instância tornouse definitiva e não cabe agora, no presente processo administrativo, o contribuinte manifestarse contra àquela decisão já irrecorrível. ” Por todo o exposto, deve ser NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos das razões acima tecidas. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR
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Numero do processo: 10840.904459/2011-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO.
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras.
NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS.
Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO.
A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração.
DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANA-DE-AÇÚCAR.
A não-ocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de cana-de-açúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de cana-de-açúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shcappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração. DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANA-DE-AÇÚCAR. A não-ocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de cana-de-açúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 44 59 /2 01 1- 15 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 3 2 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime nãocumulativo de apuração. DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANADE AÇÚCAR. A nãoocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de canadeaçúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança Fl. 537DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 4 3 da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de canadeaçúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shcappo. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à COFINS, mercado externo, do terceiro trimestre de 2006, apurado de conformidade com o art.3° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 237.597,63. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio do Relatório da Ação Fiscal (fls. 403/420), constatou as seguintes incorreções: 1 – utilização incorreta de receitas na apuração do rateio dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas cumulativas e não cumulativas; 2 – aquisição de canadeaçúcar em desacordo com a legislação de contribuinte pessoa física e jurídica; 3 – bens não incluídos no conceito de insumos: Combustíveis e Lubrificantes utilizados nos veículos para cultivo e transporte de canadeaçúcar; desconto de créditos sobre os valores das aquisições de Óleo Diesel tributado à alíquota zero; Fl. 538DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 5 4 Lubrificantes; Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa; 4 Despesas de Fretes e Armazenagem de Mercadorias/Produtos, sem apresentar os documentos hábeis e idôneos (notas fiscais) para ter direito ao respectivo crédito; 5 Créditos apurados sobre as Despesas de Depreciação; (a contribuinte não produziu canadeaçúcar em nenhum dos períodos de apuração analisados nesta ação fiscal), conforme narrou o Auditorfiscal: Analisando as planilhas apresentadas pela contribuinte, identificamos irregularidades apenas no valor da depreciação relativa ao mês de junho de 2006. Neste período de apuração a contribuinte inseriu em sua apuração, indevidamente, créditos apurados sobre despesas de depreciação relativas a equipamentos não utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Encontramos nestas condições os seguintes itens, informados na coluna “Utilização no Processo Produtivo” da planilha da contribuinte com a denominação: “Transp. Cana” (veículos diversos) e “Agrícola” (colhedoras de cana). Estes itens foram excluídos do cálculo do benefício na apuração fiscal efetuada tendo em vista que a contribuinte não produziu canadeaçúcar em nenhum dos períodos de apuração analisados nesta ação fiscal. Ou seja, não há vinculação dos custos e despesas agrícolas com receitas oriundas destas atividades. 6 Receitas de exportações de álcool carburante (incidência cumulativa) classificadas incorretamente como receitas nãocumulativas pela contribuinte; 7 – Variação Cambial decorrente das exportações efetuadas pela empresa incluídas indevidamente no valor das exportações. Após a auditoria, foi glosado o valor de R$ 892.123,18 no trimestre, sendo que a empresa tem direito ao ressarcimento nos montantes de R$ 19.321,26 no mês de abril, R$ 94.627,83 no mês de maio e R$ 162.706,06 no mês de junho de 2006, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fl. 422, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 432/447. Inicialmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e discorda do rateio proporcional, alegando que não é esta a forma prevista pelas normas aplicáveis. Afirma que toda a canadeaçúcar adquirida pela Manifestante tem como único destino a produção de açúcar e etanol, e, por conseguinte, tem direito ao crédito presumido. Continua, rebatendo que não utilizou crédito presumido de PIS para compensar com outros tributos e alega ilegalidade quanto à Instrução Normativa nº 660/2006. Quanto ao crédito presumido de aquisição de canadeaçúcar de pessoa jurídica, alega inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004. Referese aos insumos utilizados no processo produtivo, defendo os créditos do óleo diesel com alíquota zero e, ainda, óleo e lubrificante desconsiderados, são utilizados em fase procedimental intrínseca à atividade principal e defende a ilegalidade da Instrução Normativa nº 404/2004. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 6 5 Afirma que “as receitas decorrentes de exportação de álcool enquadramse no regime nãocumulativo”. Defende que os documentos apresentados comprovam a armazenagem de álcool para exportação e combate o entendimento do Auditorfiscal que somente seria possível crédito sobre o frete pago para aquisição de canadeaçúcar. Discorda da glosa de despesas de depreciação dos bens não utilizados diretamente na produção, sob a alegação de que são utilizados em etapas indispensáveis da atividade da Manifestante e, ainda, transcreve jurisprudência do TRF 4º Região, para enquadrar variação cambial como receita de exportação. Finalmente, solicita o acolhimento da Manifestação de Inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins incidente em suas aquisições. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 7 6 VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação às despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, comprovadas com documentos hábeis e idôneos, geram direito ao crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação e acrescenta: i) Houve cerceamento do direito de defesa, pois, no voto condutor da decisão recorrida, afirmouse que a manifestação de inconformidade foi genérica e, por isso, a decisão também seria genérica. Segundo a recorrente, todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade, porém, a DRJ deixou de apreciar argumentos e documentos colacionados. ii) Os créditos da contribuição devem ser apurados segundo o critério de rateio proporcional, conforme legislação aplicável. iii) Que juntou notas fiscais de remessa e de transporte e conhecimentos de transporte para remessa de produtos exportados até o porto de embarque. É o relatório. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância administrativa. Extraio da decisão recorrida o seguinte trecho: “2 . Bens utilizados como insumos A este respeito, observo que a recorrente, muito embora tenha atacado todos os itens do lançamento de maneira genérica, especificamente reportouse a óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação, os quais são necessários para suas atividades, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pela autoridade fiscal”. Importante destacar que a recorrente não se reportou especificamente a um determinado item, identificando os dados da aquisição do bem desconsiderado (nota fiscal, valor, data, ou mesmo o item destacado nas planilhas incluídas no referido Relatório da Ação Fiscal (fls. 403/420). Concentrou seus protestos em termos genéricos, quanto aos créditos glosados em relação aos bens que entende se tratarem de insumos (aliás, assim também procedeu em relação aos demais itens do lançamento especificamente apontadas no recurso). Assim sendo, entendo que o julgamento também deve analisar a questão nos mesmos termos genéricos postos pela recorrente, sem se debruçar especificamente e individualizadamente nos itens indicados no auto de infração e termo de verificação pela fiscalização (identificados pelas respectivas notas fiscais de aquisição).” Verifico que na manifestação de inconformidade a contribuinte trata especificamente dos itens óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação. Quanto aos demais bens e serviços entendidos pela fiscalização como não integrantes do conceito de insumo, não foram abordados, tendo sido defendido que todos deveriam ser considerados insumo, segundo o entendimento de que este não se equipararia ao conceito de insumo obtido da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. A DRF deixou claro qual o seu entendimento sobre o conceito do termo “insumo”, o mesmo do IPI, e que os gastos com aquisições de bens e serviços que não se enquadrassem neste conceito não poderiam ensejar o direito ao crédito. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 9 8 Se a contribuinte apenas argumenta contra o entendimento adotado pela fiscalização quanto ao conceito em questão e nada diz contra o enquadramento naquele conceito de vários itens, aceita as conseqüências de restar vencido na única discussão proposta. Vejase que no recurso voluntário, ela afirmou que “todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade”. Se todos os pontos controversos foram abordados, os não abordados, entre eles, o enquadramento dos bens e serviços excluídos do cálculo do crédito no conceito restritivo de insumo, são tidos como incontroversos. Assim, uma vez que a DRJ também adotou o entendimento de que o conceito de insumo é o mais restritivo, semelhante ao do IPI, e que não foi demonstrado, sequer argumentado, que algum bem o serviço específico, além daqueles citados acima, deveria ser enquadrado no conceito restritivo, correta a decisão recorrida em não discutir especificamente sobre todos os itens. O Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, em seus artigos 16 e 17 ampara a decisão recorrida. Cito: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Ressaltando que os pontos atacados na manifestação de inconformidade foram todos enfrentados na decisão recorrida, pelas razões acima, voto por negar a preliminar suscitada. Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.833, de 2003. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os mesmos tratados na manifestação de inconformidade: óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação. Os demais foram tratados como se atendessem a um conceito de insumo mais amplo do que o adotado pela DRF de origem e pela DRJ. A primeira questão a se tratar é, pois, o conceito de insumo na legislação da Cofins. A Lei nº 10.833, de 2003, determina: Fl. 543DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 10 9 “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negritei) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens Fl. 544DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 11 10 ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o Fl. 545DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 12 11 PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se Fl. 546DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 13 12 manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004 adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 547DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 14 13 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 15 14 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa. Rateio proporcional Fl. 549DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 16 15 É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale o mesmo para a Cofins e para o PIS/Pasep. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 17 16 Concluise que todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive as receitas financeiras, devem compor a receita bruta total, denominador da relação percentual a ser aplicada aos custos, despesas e encargos comuns; porém, no numerador desta relação, devemse incluir apenas as receitas das exportações de bens e serviços que não se enquadrem no regime cumulativo da contribuição. Falta de demonstração da utilização de bens e serviços no processo produtivo. Com base no exposto nas seções acima sobre a preliminar de nulidade e sobre o conceito de insumo, tendo em vista que o conceito aqui adotado é o mesmo adotado pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil que já decidiram neste processo; que é ônus daquele que alega o direito provar os fatos em que se fundamenta, conforme art. 333 do Código de Processo Civil; que, no Processo Administrativo Fiscal Federal, a prova deve ser feita na impugnação ou, excepcionalmente, no recurso voluntário; que a contribuinte, até o presente, não alegou nem demonstrou que os gastos com bens ou serviços excluídos pela fiscalização poderiam se enquadrar neste conceito restritivo; devese manter a decisão, quanto aos gastos com bens e serviços constantes das planilhas “Bens Utilizados como Insumo” e “Serviços Utilizados como Insumo”, excluídos pela fiscalização. Gastos com óleo diesel e lubrificantes. Observase no Relatório da Ação Fiscal que a autoridade fiscal constatou que todos os lubrificantes adquiridos foram utilizados no transporte de canadeaçúcar e que a empresa a utilizou como insumo na industrialização de diversos produtos, como açúcar e álcool, em todos os meses do trimestre, porém não produziu e não vendeu o produto canade açúcar no período fiscalizado. Entendendo que os insumos não poderiam ser considerados como utilizados diretamente na fabricação ou produção de açúcar ou álcool; que somente seriam admitidos créditos destes insumos se houvesse produção e faturamento de canadeaçúcar, proporcionalmente à receita de canadeaçúcar auferida; que, não tendo havido exportação de canadeaçúcar, eventual crédito estaria vinculado apenas ao mercado interno, a fiscalização concluiu pela não inclusão destes gastos na apuração do benefício fiscal pleiteado. A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 18 17 Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, ressalvandose os casos de álcool carburante, tratado na seqüência deste voto. Uma vez que a norma, ao estabelecer o direito ao crédito nas aquisições de insumos, usa a expressão “bens destinados à venda”, não cabe ao aplicador da norma restringi la de modo a não admitir o crédito apenas porque no período em discussão não houve exportação da canadeaçúcar. Conforme atestado no relatório fiscal, no período, houve venda de açúcar, que é produzido a partir da canadeaçúcar, e nada foi dito sobre as vendas de álcool terem sido exclusivamente de álcool carburante. O fato de não ter havido exportação de canadeaçúcar repercute sim no rateio, mas não elimina o direito ao crédito. Por outro lado, no citado Relatório de Ação Fiscal, verifico afirmativa da autoridade fiscal de que a aquisição de óleo diesel não sofreu cobrança da contribuição, porquanto se deu à alíquota zero, o que não foi contestado pela contribuinte, logo, não enseja direito ao crédito. Pelo exposto nesta seção: 1º) As aquisições tributadas de lubrificantes utilizados no transporte de canadeaçúcar até a usina dão direito ao crédito e devem ser incluídas nos custos, encargos e despesas comuns; 2º) Com fundamento no art. 3º, §2º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, deve ser mantida a decisão administrativa quanto às exclusões referentes às aquisições de óleo diesel à alíquota zero. Depreciação As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Cofins e da contribuição para o PISPasep, em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (artigo 3º, inciso VI e §1º, inc. III, da Lei nº.10.637/2002, e art. 3º, inc. VI e §1º, inc. III, da Lei nº 10.833, de 2003). A fiscalização excluiu da cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido valores de depreciação com veículos e equipamentos utilizados para transporte e colheita de cana sob o fundamento de que no período não houve produção de canadeaçúcar, logo, não haveria vinculação dos custos e despesas agrícolas com receitas oriundas destas atividades. A norma exige que os equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado sejam adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 19 18 Isto não é o mesmo que dizer que apenas se houver efetiva produção no período o direito a descontar crédito poderá ser exercido. Aqui também não cabe ao aplicador da norma restringir, se a lei não restringiu. Por outro lado, os gastos com depreciação de ônibus utilizado para transporte de pessoal e de veículo utilizado no transporte de peças que não estão alocadas no processo produtivo não estão amparados pela norma que autoriza descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação. Assim, devem ser incluídos no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito os encargos com depreciação dos equipamentos e veículos utilizados na colheita e no transporte de canadeaçúcar. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004. A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: “Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000.)” A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, determinaram: Fl. 553DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 20 19 Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, sua receita não integra a base de cálculo prevista no art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, nos termos do seu art. 8º, VII, “a”, a receita de venda de álcool para fins carburantes permaneceu fora da sistemática nãocumulativa das contribuições. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitandose a defender que fossem afastadas estas normas. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 21 20 Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é regra viciada ante a comandos constitucional (art. 195, §12, da CF/1988) e legal mais específico (Art. 6º da Lei 10.833, de 2003). Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Deste modo, poderseia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso, porém, a alegação não merece ser acolhida. Invocar a nãoaplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não sendo apontados erros nos cálculos, estes devem ser tidos como corretos, seja porque tratase de matéria não questionada, seja porque não cabe ao julgador revisálos. Não obstante, valhome das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo nº 10840.003379/200594, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais. Transcrevo os seguintes trechos que contêm estas razões, válidas para a Cofins e para a contribuição para o PIS/Pasep: “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria, a partir do período de apuração de agosto de 2004, só podem ser utilizados para abater os débitos da COFINS nãocumulativa, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto se deve ao fato de que a referida compensação só pode ser efetuada quanto aos créditos apurados no artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, por força do disposto no parágrafo I e seu inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os incisos 11e 12 do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, que tratavam do crédito presumido da agroindústria, foram revogados pelo artigo 16, alínea "b" da Lei n° 10.925/2004. A nova sistemática de apuração do crédito presumido da agroindústria foi estabelecida pelo artigo 8° da referida Lei n° 10.925/2004, a partir de agosto de 2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não é passível de compensação ou ressarcimento, a partir do referido período de apuração. Quanto às aquisições de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica, o Auditorfiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS nãocumulativa calculados sobre os valores das aquisições de canadeaçúcar de empresa jurídica que exerce atividade agropecuária. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 22 21 Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de insumos destinados à industrialização dos produtos fabricados pela fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que, em princípio, vedaria a utilização de quaisquer créditos decorrentes destas operações. A partir de 01/08/2004, as empresas produtoras podem descontar o crédito presumido decorrente destas aquisições, em função do disposto no item III do parágrafo 1º do artigo 8o da referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não sendo passível de compensação ou ressarcimento.” Fretes utilizados no transporte de canadeaçúcar No relatório fiscal verificase que a fiscalização constatou que a contribuinte apurou créditos da Cofins sobre valores do frete pagos nas aquisições de canadeaçúcar, como se fosse um insumo normal: aplicou a alíquota própria do sistema não cumulativo sobre os valores das despesas pagas e inseriu o resultado na apuração do benefício. Ora, os valores dos fretes pagos à pessoa jurídica integram o custo de aquisição da canadeaçúcar e devem ter tratamento tributário igual ao desta, de modo que, assim como os valores das aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas e jurídicas, os valores dos fretes destas aquisições devem ser incluídos no crédito presumido da indústria, devendo, por isso, ser considerados no cálculo na coluna do mercado interno, que é o que se depreende dos arts. 8º e 15 de Lei nº 10.925, de 2004, e arts. 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo nº 15, de 2005: Correta a fiscalização que calculou os valores destes créditos da mesma forma dos créditos com aquisição de canadeaçúcar, alocando os valores na coluna “Mercado Interno”, porque servem apenas para abater os débitos do período, não podendo ser utilizados para ressarcimento ou compensação. Despesas de armazenagem de produtos. A fiscalização reconheceu que as despesas de fretes e armazenagem sobre vendas ensejam direito a crédito, por isso aceitou a inclusão destas despesas no cálculo do crédito presumido. As despesas não reconhecidas referemse à locação de espaço de tancagem para armazenagem e movimentação de produto álcool carburante para exportação, cujas vendas se submetem à incidência cumulativa da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, conforme tópico específico acima. Tendo em vista que somente são permitidos descontos de créditos sobre despesas relativas a produtos sujeitos à contribuição nãocumulativa, conforme artigo 10, inciso VII, alínea "a", combinado com o art. 1º, parágrafo 3º, inciso IV e com o art. 3º, parágrafo 7º, da Lei nº. 10.637, de 2002, e art. 5º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, com redação dada pela Lei nº 11.727, de 23/6/2008, agiu com acerto a autoridade fiscal em excluir do cálculo estas despesas, devendo ser mantida a decisão administrativa. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 23 22 Variação cambial. No Relatório da Ação Fiscal, observase que a autoridade fiscal constatou, após analisar planilha de cálculo da contribuinte, que esta considerou como receitas de exportação notas fiscais de complemento de preço, as quais, segundo a própria autoridade administrativa, referirseiam à variação cambial do dólar e, por isso, deveriam ser enquadradas como receita financeira. Concluise da leitura do relatório fiscal que estas notas fiscais dizem respeito a variações cambiais originadas em operações de exportação O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão de mérito no RE 627.815/PR, na sistemática de recurso repetitivo, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904459/201115 Acórdão n.º 3801004.623 S3TE01 Fl. 24 23 V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Tendo em vista o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, esta decisão deve ser reproduzida no presente julgamento, o que implica considerar as variações cambiais receitas não tributas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, tanto no sistema cumulativo quanto no não cumulativo. Porém, uma vez que foram consideradas pelo STF receitas decorrentes de exportação, devem ser consideradas como receitas de mercado externo, e não mercado interno, e devem ser incluídas, na apuração do percentual a ser aplicado aos custos, despesas e encargos comuns, no numerador, como receitas de exportação, e no denominador, integrando a receita bruta total, de modo que a fiscalização deverá corrigir os cálculos, adequandoos a esta decisão. Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de canadeaçúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900665/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO.
O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento.
Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3802-004.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausentes justificadamente os Conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INTEMPESTIVIDADE. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento. Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausentes justificadamente os Conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 06 65 /2 00 8- 11 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0823.278, da 4ª Turma da DRJ/FOR (DRJ/Fortaleza CE fls. 60/64 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em DECOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório nº 759930875, que não homologou a compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 35061.59465.151204.1.3.045110. 2. O pedido de compensação objetiva compensar com débito(s) fiscal(is) o alegado pagamento a maior de Cofins, referente ao mês de maio de 2004 e efetuado em 15.06.2004. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação (fls. 44/46): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 52.910,82. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 26.05.2008 (fl. 47), o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade em 25.06.2008 (fls 3/7), instruída com os documentos de fls. 10/25, requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, configurado a partir da retificação da DCTF, apresentada após tomar ciência do Despacho Decisório. A retificação foi motivada por equívoco no preenchimento da DCTF original. 5. É o relatório. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram totalmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10320.900665/200811 Acórdão n.º 3802004.102 S3TE02 Fl. 107 3 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em uma sexta feira, 26/10/2012 (fl. 67 – despacho da Unidade preparadora e às fl. 68, cópia do AR). Inconformada, a mesma apresentou em 28/11/2012 (protocolo às fl. 72), o Recurso Voluntário (fls. 72/77), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, e que considerando os argumentos apresentados requer que seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Da Admissibilidade do Recurso Cabe inicialmente verificar se foi atendido os pressupostos de admissibilidade, no caso concreto a tempestividade. Examinandose os autos, constatase que a ciência do Acórdão recorrido se deu em uma sexta feira, 26/10/2012 (fl. 67 – despacho da Unidade preparadora e fl. 68, cópia do AR). Assim, contase o prazo, prorrogado, a partir de segunda feira, 29 de outubro, 30 (trinta) dias. Portanto, o prazo findo para apresentação do recurso ocorreu em 27 de novembro de 2012. Porém, a petição de recurso voluntário só foi apresentada em 28/11/2012, quarta feira (conforme carimbo de protocolo às fls. 72), portanto, posteriormente ao prazo de 30 dias de que dispõe o sujeito passivo para formalizar sua contestação, tanto na primeira quanto na segunda instância de julgamento, nos termos dos artigos 15 e 33 do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcritos: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como visto, notase que, no caso, a interposição do recurso aconteceu após o lapso temporal trintídio. Desta forma, o prazo de que trata o dispositivo acima referenciado, além de peremptório, ou seja, improrrogável, é também preclusivo, tendo, portanto, natureza decadencial, posto que findo o mesmo não mais se torna possível a prática de atos posteriores. Logo, no caso presente, não há como se conhecer do recurso, uma vez que não houve a apresentação do mesmo no prazo legal, o que impede o conhecimento da peça contestatória na presente instância. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000767/2005-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar a preliminar Recurso negado.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 07 67 /2 00 5- 35 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar a preliminar Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000767/200535 Acórdão n.º 2202002.891 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, JEFERSON LUIS FERREIRA, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 115.325.70848, com domicílio fiscal na cidade de Pirassununga, Estado de São Paulo, na Rua Coronel Franco, n.º 843 Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 391/410, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 415/450. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 30/03/2005, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 04/12), com ciência por AR, em 07/04/2005 (fls. 236), exigindo se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$.348.415,13 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2000 a 2003, correspondentes aos anos calendário de 2001 a 2004, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente aos exercícios de 2000 e 2003, onde a autoridade fiscal lançadora constatou omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição (6es) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação de Infração, que faz parte integral deste Auto de Infração. As Infrações capitulada nos art. 849 do RIR/99; Art. 42 da Lei n° 9.430, 1996; art. 4° da Lei n° 9.481, de 1997; art. 1° da Lei n° 9.887, de 1999.; art. 1° da Medida Provisória n° 22, de 2002 convertida na Lei n° 10.451, de 2002. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação de Infração, datado de 30/03/2005 (fls. 13/20), entre outros, os seguintes aspectos: que requisição de informação sobre movimentação financeira, tendo em vista o não atendimento no prazo estipulado constante do Termo de Inicio e Intimação Fiscal, lavrado em 06/10/2004, para o prosseguimento da auditoria fiscal e conclusão dos trabalhos, em 03/12/2004, foi requisitada, fundamentadamente, nos termos da legislação tributária, junto à autoridade administrativa competente, a transferência de informações bancárias dos bancos do Brasil S/A e Banespa S/A (fls. 65 a 68); por se tratar de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no inciso VII, do Art°. 3° do Decreto 3.724 de 10 de janeiro de 2001. Neste ínterim, em 03/01/05, o contribuinte através de seu advogado (copia da procuração fls. 70), apresentou expediente requerendo vista e carga dos autos, para análise e extração de cópias (fls. 69). Em atendimento a solicitação supra, expedimos o Termo de Informação Fiscal n° 247/02, veja ás folhas 71/72; Fl. 485DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 que sobre as requisições de informação sobre movimentação financeira (RMF). As instituições financeiras, cumprindo integralmente os termos das requisições recebidas, procederam ao regular encaminhamento dos elementos necessários ao trabalho investigatório. que portanto o trabalho investigatório ora concluído decorre, de conformidade com os resultados que serão demonstrados no presente Termo de Verificação de Infração, a quantificação da matéria a ser objeto de tributação, ou seja, há que se operacionalizar a atividade de lançamento, privativa da autoridade administrativa competente, nos termos do artigo 142, da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional; que, no entanto, com base no artigo 849, § 2°, Incisos I e II, do Regulamento aprovado pelo Decreto n°. 3000, de 26/03/1999 (RIR/99), caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n°. 9.430. de 1996, artigo 42). Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 11/05/2005, a sua peça impugnatória de fls. 238/273, instruído pelos documentos de fls. 274/390, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que tais tentativas de bitributação evidenciam ainda mais que a obrigação de provar o alegado é do Fisco e não do contribuinte, que em nenhum momento foi obrigado pela legislação a manter um controle bancário de seus movimentos. Mesmo assim, tal constatação, feita por amostragem demonstra a fragilidade do trabalho fiscal que deve de plano ser considerado nulo; que nos demais anos calendários também houve distribuição de lucros, o que demonstra a completa impropriedade e nulidade do auto de infração; que como no referido exercício de 2000 inexistia previsão legal para os procedimentos adotados pelo fisco, salta aos olhos que as provas utilizadas no presente auto de infração são manifestamente ilícitas; que assim, preliminarmente, requer se a nulidade do processo, tendo em vista que os elementos que embasaram o trabalho fiscal foram obtidos de forma ilícita, eis que encontram respaldo na recente Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n ° 3.724, de mesma data, ambos voltados à abertura do sigilo bancário dos contribuintes, como instrumento de "caça aos sonegadores" (no demagógico discurso governista); que portanto, nem mesmo a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, não tem o condão de tornar o Fisco Federal independente de autorização judicial, ou seja, não pode afastar o prévio exame do Poder Judiciário sobre o cabimento da quebra do sigilo, transferindo tal prerrogativa própria administração pública, aos próprios inrteressados na suposta "investigação"; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000767/200535 Acórdão n.º 2202002.891 S2C2T2 Fl. 4 5 que nestes termos, o art. 62 da Lei Complementar n°. 105/01, ao estabelecer a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, bastando a vontade do agente público, ainda que motivada e fundamentada, vai de encontro com o posicionamento atual do Supremo Tribunal Federal, razão pela qual não pode ser admitido em nosso ordenamento jurídico, sob pena de violar o artigo 52, incisos X e XII da Constituição da República; que portanto é de entendimento sedimentado em nosso ordenamento jurídico, no sentido de que o sigilo bancário só deve ser aberto por decisão judicial ou nos casos, limitadíssimos, de algum órgão ser, por expressa menção da Constituição, equiparado ao Judiciário, como é o caso das Comissões Parlamentares de Inquérito (artigo 58, § 3 2, CF/88); que o auto de infração impugnado, portanto, encontra fundamento tão somente em mera presunção, eis que, simplesmente, parte de meros extratos bancários. Como cediço, de conformidade com o art. 142, do Código Tributário Nacional, é de competência privativa da autoridade administrativa constituir o crédito tributário, mediante ato administrativo do lançamento, devendo verificar a ocorrência do fato imponível tributário, determinando a matéria tributável, o montante do tributo devido, identificando o sujeito passivo; que ademais, há de se ressaltar que, com a adoção da TAXA SELIC, os juros incidentes superam o quantitativo de 1% ao mês, sem que a respectiva norma sobre a matéria tivesse definido qual o percentual a ser cobrado, tendo, sim, delegado essa fixação ao próprio Poder Executivo, por meio do Banco Central do Brasil, ao qual foi incumbida a mensuração daquela taxa; que o CTN é claro no sentido de dizer que a LEI pode até fixar percentual superior a 1%, o que não significa, porém, dizer que a lei que regulamente a matéria possa delegar a quantificação dos juros a órgão da administração federal, portanto, integrante do Executivo, que é parte interessada na cobrança do tributo e na oscilação do mercado em razão dos títulos que emite. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, concluíram pela procedência em parte a ação fiscal e pela manutenção parcial do crédito tributário. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. 0 auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem. entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Da mesma forma, não há vinculação do julgador administrativo à doutrina jurídica. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O principio da irretroatividade, acolhido no art. 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal de 1988, não é absoluto, estando vedada a retroatividade das leis apenas quando houver violação ao direito adquirido, coisa julgada e ao ato jurídico perfeito. Em matéria tributária, a Constituição Federal garante a irretroatividade apenas da lei que institua ou majore tributo (art. 150, inciso III, alínea " a" ), mas nada obsta a retroatividade da lei tributária material que não tenha por objeto instituir ou majorar tributo, ou a retroatividade da lei tributária formal (lei que regula o modo pelo qual deve ser realizada a atividade de lançamento). OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados com conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ENCARGOS LEGAIS . MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. 0 ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manter se passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim , cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Lançamento Procedente em Parte Fl. 488DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000767/200535 Acórdão n.º 2202002.891 S2C2T2 Fl. 5 7 A autoridade julgadora acatou como comprovado os seguintes depósitos: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 16/06/2008, conforme Termo constante nas fls. 391/410, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (25/08/2008), o recurso voluntário, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000767/200535 Acórdão n.º 2202002.891 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000767/200535 Acórdão n.º 2202002.891 S2C2T2 Fl. 7 11 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000767/200535 Acórdão n.º 2202002.891 S2C2T2 Fl. 8 13 documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 496DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 16095.720010/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. LUCRO PRESUMIDO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Para a distribuição de lucros isentos além do percentual permitido pela legislação, é indispensável que o excesso de lucro esteja comprovado através de escrituração contábil em conformidade como art. 258 do Decreto 3000/1999.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. COMPROVAÇÃO. Para serem considerados como rendimentos isentos, os lucros e dividendos distribuídos devem estar registrados na escrituração contábil da empresa e o pagamento ao sócio efetivamente comprovado.
DOLO. CARACTERIZAÇÃO. Inexistindo nos autos provas da conduta dolosa, não se pode agravar a penalidade. Súmula CARF n. 14.
TAXA SELIC. INDEXADOR TRIBUTÁRIO. Aplica-se a taxa SELIC para correção dos créditos tributários, conforme Súmula n.4 deste Conselho.
NEGATIVA DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se considera cerceamento de defesa a negativa de perícia em que a prova não depende de conhecimento especial de técnico, conforme art. 420 do CPC.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. CONSUMO DA RENDA. Conforme Súmula CARF n. 26, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a qualificação da multa de ofício, por dolo.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. LUCRO PRESUMIDO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Para a distribuição de lucros isentos além do percentual permitido pela legislação, é indispensável que o excesso de lucro esteja comprovado através de escrituração contábil em conformidade como art. 258 do Decreto 3000/1999. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. COMPROVAÇÃO. Para serem considerados como rendimentos isentos, os lucros e dividendos distribuídos devem estar registrados na escrituração contábil da empresa e o pagamento ao sócio efetivamente comprovado. DOLO. CARACTERIZAÇÃO. Inexistindo nos autos provas da conduta dolosa, não se pode agravar a penalidade. Súmula CARF n. 14. TAXA SELIC. INDEXADOR TRIBUTÁRIO. Aplica-se a taxa SELIC para correção dos créditos tributários, conforme Súmula n.4 deste Conselho. NEGATIVA DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se considera cerceamento de defesa a negativa de perícia em que a prova não depende de conhecimento especial de técnico, conforme art. 420 do CPC. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. CONSUMO DA RENDA. Conforme Súmula CARF n. 26, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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LUCRO PRESUMIDO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Para a distribuição de lucros isentos além do percentual permitido pela legislação, é indispensável que o excesso de lucro esteja comprovado através de escrituração contábil em conformidade como art. 258 do Decreto 3000/1999. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. COMPROVAÇÃO. Para serem considerados como rendimentos isentos, os lucros e dividendos distribuídos devem estar registrados na escrituração contábil da empresa e o pagamento ao sócio efetivamente comprovado. DOLO. CARACTERIZAÇÃO. Inexistindo nos autos provas da conduta dolosa, não se pode agravar a penalidade. Súmula CARF n. 14. TAXA SELIC. INDEXADOR TRIBUTÁRIO. Aplicase a taxa SELIC para correção dos créditos tributários, conforme Súmula n.4 deste Conselho. NEGATIVA DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se considera cerceamento de defesa a negativa de perícia em que a prova não depende de conhecimento especial de técnico, conforme art. 420 do CPC. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. CONSUMO DA RENDA. Conforme Súmula CARF n. 26, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 10 /2 01 3- 16 Fl. 2844DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a qualificação da multa de ofício, por dolo. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório O Recurso Voluntário visa reverter a decisão proferida no Acórdão 1647.044 da 16a. Turma da DRJ/SP1, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte. Conforme o "Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário Corrigido", o valor total do lançamento à época da lavratura do auto de infração era de R$ 5.912.041,28. Observase que a autoridade a quo detectou um erro material no processo relativamente ao valor constante no lançamento tributário, menor do que o levantado no decorrer do processo para o ano 2009. Assim, fezse auto de infração complementar, conforme processo 10875.723739/201461 para o lançamento dos valores faltantes. Adicionalmente, também houve erro no cálculo da multa de ofício, que foi motivo de correção do auto de infração deste processo, cuja ciência ocorreu em 23/01/2013. O contribuinte tomou ciência do Acórdão DRJ/SP1 nº 1647.044, de 28/05/2013, na data de 27/08/2013 e o Recurso Voluntário foi interposto em 13/09/2013. As infrações consideradas no auto de infração estão a seguir: · omissão de rendimentos recebidos em março de 2008, a título de lucro distribuído não comprovado. R$ 48.000,00 · omissão de rendimentos recebidos em dezembro de 2008, a título de lucro distribuído, excedente ao limite de sua participação no capital. Enquadramento legal: arts. 37, 38, 83, 654, 662 e 666 do RIR/1999, art. 202, § 2o, e 109 da Lei da S/A (redação dada pela Lei n° 10.303/2001); art. 1o, inciso II e parágrafo único, da Lei n° 11.482/2007; R$ 2.957.308,37 Fl. 2845DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.720010/201316 Acórdão n.º 2101002.686 S2C1T1 Fl. 3 3 · omissão de rendimentos apurada no anocalendário de 2009, caracterizada por variação patrimonial a descoberto, ou seja, excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. R$ 2.897.800,00 (obs.: o valor informado no Termo de Verificação Fiscal é de R$3.758.367,17. O restante do crédito tributário R$ 860.567,17 foi complementado com o lançamento do processo 10875.723739/201461). · omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em conta corrente, efetuados no anocalendário de 2009. R$ 2.607.901,00 obs.1: No Termo de Verificação Fiscal foi informado que estes valores seriam tributados como rendimentos recebidos de pessoa jurídica e não declarados. Contudo no Auto de Infração foram tributados como depósitos bancários não justificados. obs.2: O valor de R$ 2.897.800,00 constante no Demonstrativo I do Termo de verificação fiscal foi tributado como Variação Patrimonial a descoberto. obs. 3. Esses valores (R$ 2.607.901,00 e R$ 2.897.800,00) foram considerados como sujeitos à tabela progressiva e lhes foi aplicada multa isolada de 150%. O Acórdão de Impugnação, está assim ementado: PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. MAJORAÇÃO DE RENDIMENTOS. LUCROS DISTRIBUÍDOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse a tributação dos valores declarados como isentos ou não tributáveis, a título de lucros distribuídos, utilizados para pagamento de dispêndios no mesmo anocalendário, uma vez não comprovado o efetivo recebimento dos recursos ou, ainda que comprovado o recebimento, por não restar evidenciado que decorrem da atividade empresarial da fonte pagadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Fl. 2846DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Evidenciado nos autos o acréscimo patrimonial não justificado pela percepção de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei, por se tratar de atribuição reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar evidenciado o intuito doloso do contribuinte de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto. O lançamento fiscal foi baseado em irregularidades no que tange à distribuição de lucros em desacordo com a legislação (desproporcional ao valor da participação do sócio no capital da sociedade), à não observação de procedimentos formais de escrituração fiscal(registro de livros fiscais e contábeis, etc.), à falta de comprovação de recebimento/pagamento de valores (com documentação hábil e idônea), e à falta de comprovação efetiva do pagamento do resultado distribuído. A ATENDIMENTO DAS INTIMAÇÕES Conforme Termo de Verificação Fiscal, as empresas foram solicitadas a apresentar a demonstração da existência dos lucros, distribuídos de forma isenta, à recorrente, cujas respostas estão a seguir. A empresa Mendes & Mendes Adv. apresentou balanço do AC 2008 para comprovar o lucro de R$ 17.169,13 do exercício anterior e balancete de apuração do AC demonstrando lucro no valor de R$ 38.765,81. A recorrente teve participação social na empresa (5%) de 22/05/2007 a 09/05/2008. A empresa COBAL EMP. PART. S/A foi questionada sobre a distribuição de lucros além do permitido para empresa optante pelo lucro presumido. Apresentou folhas 002 do livro Razão Analítico da empresa (agosto a dezembro) para demonstrar o lucro distribuído à recorrente, incluindo cópia do balanço patrimonial e dos balancetes de verificação de janeiro à dezembro de 2008, demonstrando o lucro do exercício. A empresa SAELI EMP. PART. apresentou balancetes de verificação de janeiro à dezembro de 2009 demonstrando a contabilização do lucro do exercício no valor de R$ 4.603.839,12. Teria apresentado escrituração fiscal sem as formalidades legais, e informou que não havia Ata de Assembléia deliberando acerca da distribuição dos lucros. A SAELI também não teria comprovado a participação social na empresa COBAL EMP. PART. S/A. Fl. 2847DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.720010/201316 Acórdão n.º 2101002.686 S2C1T1 Fl. 4 5 B ANOCALENDÁRIO 2008 A aquisição da empresa SSN pela recorrente deuse em 01/08/2008, conforme contrato registrado na JUCESP em 28/08/2008, no quantitativo de 12 milhões de ações, sendo pago, no ano 2008 R$ 3.160.000,00 (incluindo um sobrado, um crédito de R$ 100.000,00 com a empresa, e um valor de R$ 3.005.833,49 com recursos recebidos a títulos de lucros e dividendos das empresas Mendes & Mendes e Cobal Emp. e Part. no valor de R$ 2.957.833,49). Obs. Em 2008, na DIPJ da COBAL e na declaração de IRPF da recorrente foi declarado que a mesma possuía 0,01% do capital da empresa Cobal de Alimentos. Conforme informação da JUCESP, a empresa COBAL EMP. E PART. S/A. teria sido constituída em 11/06/2008. Contudo, a empresa COBAL EMP. PART. S/A. entregou cópia da fl. 02 do Razão Analítico com movimento de janeiro à dezembro/2008, com distribuição de lucros a pagar no total de R$ 2.957.833,49. Os pagamentos teriam sido transferidos à recorrente e estariam contabilizados nas contas Banco SAFRA (conta contábil do crédito 11102000203). Adicionalmente, constam transferências periódicas da Caixa Econômica no valor de R$ 30.000,00, com início em agosto/2008, conforme folhas do Razão analítico 02 a 05. Tais transferências foram efetuadas para a conta corrente da sócia Eliana no Banco Bradesco, conforme cópias dos extratos bancários anexados aos autos. A empresa COBAL EMP. E PART. S/A. apresentou lucro acumulado do período, registrado na fl. 13 do Livro Diário, no valor de R$ 5.251.261,03. A sócia Eliana tem participação de 0,01% no capital dessa empresa (conforme DIRPF e DIPJ/COBAL EMP. PART. /2010). Assim, conforme o Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte teria recebido lucros a maior no valor de R$ 2.957.308,37, indevidamente, pois a lei das S/A determina que os lucros sejam divididos proporcionalmente à participação no capital social, por tipo de ação (art. 202, par. 2., e art. 109 da Lei 6404/76). A empresa MENDES & MENDES ADVOGADOS teria apurado lucro presumido no período, dos quais apresentou documentação, no valor de R$ 52.092,62, sendo que teria sido distribuído à recorrente o montante de R$ 48.000,00, muito além do correspondente à participação social da mesma (5%), o que corresponderia a R$ 2.604,63. A recorrente não comprovou, com documentação hábil e idônea, o recebimento dos valores. Assim, a autoridade fiscal considerou como rendimento tributável de origem não comprovada o valor de R$ 48.000,00, mais R$ 2.957.308,37 para o AC 2008. C ANO CALENDÁRIO 2009 A empresa SAELI PART. S/A se originou da cisão parcial da empresa Restaurante Armazém do Sabor de Guarulhos, registrado em 05/02/2009 (JUCESP). A SAELI não apresentou comprovantes da participação dos sócios no capital social da empresa, apesar de intimada com várias extensões de prazo. Também não apresentou conta e contrapartida, referentes à distribuição de lucros e dividendos, e também documentos que dessem lastro à distribuição dos lucros. Anexou aos autos somente folhas soltas cópias de balancetes de verificação para o período janeiro à dezembro/2009. Não apresentou recibos, cópias de cheques, extratos bancários, etc. que teriam dado origem à distribuição dos lucros. A empresa SAELI apresentou Livro Razão conta Caixa Geral, contendo recebimentos da empresa COBAL EMP. PART. LTDA. no ano 2009, no montante de R$ Fl. 2848DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 6.690.775,44, contudo não conseguiu comprovar os ingressos desses valores com documentação hábil e idônea. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, a empresa COBAL EMP. PART. LTDA. não registrou tais pagamentos. O Termo de Verificação apresenta uma lista de distribuição de lucros e dividendos à sra. Eliana em 2009, que não transitaram por quaisquer contas bancárias, com alguns valores superiores a R$ 300.000,00. A empresa SAELI registrou no Livro Razão, na conta Caixa Geral, a distribuição dos lucros e dividendos à sócia Eliana, no montante de R$ 6.374.468,17, contudo não conseguiu comprovar tal distribuição. O Lucro do Exercício anterior da empresa, registrados à fl. 07 do livro Razão, no valor de R$ 2.293.387,15, também não teria restado comprovado. Por outro lado, foi constatado que a empresa SSN PART. S/A. recebeu através de TED bancária da conta corrente da sra. Eliana (Banco Bradescoag. 1742, cc. 00414913) o valor de R$ 2.607.901,00. Com base nos fatos e informações levantados e consolidados no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal glosou o rendimento isento e não tributável originado de lucros e dividendos pagos pela Empresa SAELI conforme informado na DIRPF 2010 da recorrente. Mais ainda, o valor transferido pela COBAL EMP. PART. à contribuinte foi considerado rendimento tributável e não declarado, conforme verificado no extrato bancário, no valor de R$ 2.607.901,00. Além disso, foi também apurada variação patrimonial não justificada no ano 2009 no valor de R$ 2.897.800,00. Por ocasião da Impugnação foram juntados aos autos documentação comprobatória da participação indireta da recorrente nas empresa que lhe distribuíram lucros, conforme trecho do acórdão, destacado a seguir: A comprovação da participação societária indireta da contribuinte na COBAL EMPREENDIMENTOS, por intermédio das empresas SUPERMERCADOS COBAL LTDA., posteriormente denominada RESTAURANTE ARMAZÉM DO SABOR DE GUARULHOS LTDA., e SAELI PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A (sucessivamente), foi realizada na fase impugnatória (fls. 1502/1523 e 1771/1813). No Recurso Voluntário, o contribuinte repisa as razões da impugnação, como segue. Preliminarmente, alega cerceamento de defesa devido ao indeferimento da produção de provas relativamente à inexistência do fato imponível que justifique o lançamento tributário. A negativa de produção de prova pericial viola o direito constitucional de ampla defesa (art. 5, LV, CF/88), o que justifica a anulação da decisão de primeira instância, com a reabertura da instrução processual. 2. No mérito, apresenta a demonstração da origem dos lucros e dividendos obtidos pela recorrente e não observados pela decisão a quo, conforme a seguir. 2.1. AC 2008 MENDES & MENDES ADVOGADOS a recorrente ingressou na sociedade para prestar serviço de advocacia mediante cessão de 5% das quotas da Fl. 2849DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.720010/201316 Acórdão n.º 2101002.686 S2C1T1 Fl. 5 7 sócia ANNA CAROLINA PARONETO MENDES PIGNARATO. O contrato previa a distribuição desproporcional do lucro entre os sócios (par. 5o. do cap. VI do contrato social). No AC 2008, o lucro da sociedade teria sido de R$ 52.092,62 e coube à recorrente o importe de R$ 48.000,00 em 15/03/2008, tudo estaria comprovado nos autos. Considerando a legalidade do ato jurídico, entende que não deve ser desconsiderada a distribuição de lucro como origem de recursos. 2.2. AC 2008 COBAL EMPREENDIMENTO E PARTICIPAÇÕES S/A. A Sociedade Anônima foi constituída em 26/05/2008, e a recorrente subscreveu 10% do capital. Em 07/07/2008, foi aprovado o aumento do capital social, para R$ 565.386,00. O aporte de capital foi realizado pela acionista SUPERMERCADOS COBAL LTDA (95% pertencente à recorrente), que passou a ter 99,8 % do capital social da sociedade anônima. No ano 2008, a empresa COBAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A apresentou lucros (do exercício: R$ 3.801.833,49; acumulado: R$ 1.449.427,44; Lucro total acumulado = R$ 5.251.261,03). À recorrente coube o valor de R$ 2.957.833,49 de lucros distribuídos em decorrência da participação de 99,8% na empresa SUPERMERCADOS COBAL LTDA. A distribuição de lucros da empresa limitada é feita de forma desproporcional, conforme contrato, o que não é vedado pela legislação. 2.3 AC 2009 SAELI PARTICIPAÇÕES S/A. Em 30/12/2008, houve a cisão parcial da sociedade SUPERMERCADOS COBAL LTDA. para a constituição da nova sociedade SAELI PARTICIPAÇÕES S/A, que recebeu a parcela de investimentos do SUPERMERCADOS COBAL LTDA. cabendo à recorrente, 95% do capital social. A recorrente incluiu quadro demonstrativo da origem financeira proveniente da COBAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. no ano 2009, total de R$ 7.668.424,54 (ver. fl. 2080 Acórdão de Impugnação). 2.4 A Cobal Empreendimentos e Participações Ltda. realizou a distribuição de lucros à SAELI PARTICIPAÇÕES S/A., com participação em ações, na proporção de 99,8%, num total de R$ 6.855.163,59. Desse total, 95% (R$ 6.374.468,17) foram distribuídos à recorrente em ano 2009. 2.5 DA ORIGEM DO VALOR R$ 2.897.800,00 A fiscalização alega que a recorrente não apresentou documentos comprobatórios do valor de R$ 2.900.000,00 recebido em 31/12/2009. A recorrente alega que aumentou a participação na sociedade SSNEmpreendimentos e Participações S/A em R$ 12.000.000,00, com a subscrição de doze milhões de novas ações. Contudo não teria havido a integralização do capital. No ano 2008, parte dessa dívida (R$ 3.054.903,00) teria sido amortizada pela recorrente com recursos originários da Cobal Empreendimentos e Participações S/A x Supermercados Cobal Ltda. (Nesse ano de 2008, a empresa COBAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. apresentou Balanço aonde registrou um lucro de R$ 1.449.427,54) Em 31/12/2009, a recorrente utilizou valores da parcela do lucro no valor de R$ 2.900.000,00 da SAELI participações S/A. para reduzir a dívida com a SSN Empreendimentos e Participações S/A. A movimentação financeira ocorreu em 02/12/2009 Fl. 2850DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 resgate de aplicação feito pela COBAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. no valor de R$ 2.900.000,00 e depósito, no mesmo dia na conta da SAELI PARTICIPAÇÕES LTDA. e depósito subsequente na conta da SSNEMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A., operações que teriam ocorrido todas no mesmo dia, no mesmo valor, e no mesmo banco CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. 2.6. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O valor de R$ 2.607.901,00 referente a depósitos realizados pela COBAL EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES S/A. no ano calendário 2009 são originários da distribuição de lucros que a recorrente auferiu em sua participação como acionista na SAELI PARTICIPAÇÕES S/A. Contudo, devido a um acordo de acionistas das duas empresas, foram enviados por movimentação direta da COBAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A para a recorrente. Argumenta o contribuinte que o fato imponível não existiu, tendo em vista que a distribuição de lucros ocorreu e é legal, conforme o Código Civil Brasileiro. No caso de dúvida sobre a ocorrência do fato jurídico, deve prevalecer o fato jurídico com a interpretação mais benéfica ao contribuinte. Enfatiza, com base na doutrina (e cita a extinta Súmula 182 do extinto TFR), que a movimentação bancária não possibilita a existência de fato gerador de imposto de renda. Alega violação de princípios constitucionais (privacidade, intimidade, devido processo legal, separação dos poderes, razoabilidade). A quebra do sigilo bancário é uma afronta à segurança jurídica em face do direito ao devido processo legal, garantido pela constituição inclusive em matéria administrativa. Entende que há incompatibilidade entre o art. 42 da Lei 9430/96 e o art. 110 do CTN, que veda ao legislador ordinário alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas do direito privado para definir ou limitar competência da legislação tributária. Por conseguinte, prevalece a ficção legal da hipótese de enriquecimento injusto conforme art. 884 e seguintes do Código Civil Brasileiro que condicionam a restituição de valores recebidos indevidamente desde que eles sejam correlatos ao empobrecimento de outrem. No caso dos depósitos bancários, para a presunção se confirmar, deveria ficar comprovado o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente a omissão de rendimentos. Mais ainda, que seja evidenciado os sinais exteriores de riqueza. Acrescenta que somente deverá pagar o tributo aquele que auferiu renda ou proventos, consistindo na mutação decorrente de um acréscimo de patrimônio e não aquele que não teve acréscimo patrimonial. Observa que a interpretação dos artigos 116 e 117 e incisos, do CTN, leva à conclusão que devem ser respeitados os negócios jurídicos pela legislação tributária. Afirma que para legitimar a cobrança do imposto deve ter ocorrido a subsunção do fato imponível à hipótese de incidência, o que não é o caso dos autos. Nem a regra matriz de incidência do imposto contempla a movimentação bancária como renda ou proventos, como também não perfilha a figura de empréstimo realizado, a figura de fato tributário passível de tributação por tal imposto. Considerando correta a origem dos lucros distribuídos, está o fisco agindo contrariamente à legislação, pois aplica o bisinidem, tributando na pessoa física os lucros já Fl. 2851DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.720010/201316 Acórdão n.º 2101002.686 S2C1T1 Fl. 6 9 tributados na pessoa jurídica. Tal fato viola o direito de propriedade e produz efeitos anti isonômicos. Considera impossível a imposição de multa isolada injustamente aplicada em razão da omissão de rendimentos. A multa fiscal moratória é consequência do descumprimento de obrigação tributária principal e/ou acessória. A multa de ofício pressupõe a iniciativa da autoridade administrativa que apura a infração. É inaceitável também a cobrança de multa superior a 20% sobre o valor corrigido tendo em vista o par. 2o., art. 61 da Lei 9430/96. Em último caso, pleiteia o expurgo da capitalização, reduzindo as multas e os juros incidentes sobre o valor principal aos índices preconizados em lei. É inconstitucional a correção do débito tributário pela taxa da SELIC, pois a taxa não foi criada por lei e padece de inconstitucionalidade, e sua previsão consta apenas em portaria do Banco Central. Apresenta precedentes jurisprudenciais. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O Recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. A recorrente alega a nulidade do lançamento tributário sobretudo pelo indeferimento de provas periciais. Contudo, não merece prosperar tal alegação pois o ato fiscal não apresenta quaisquer das nulidades previstas no art. 59 do Decreto 70235/71, quais sejam, ato praticado por agente incompetente e/ou decisões proferidas com a inobservância do contraditório e da ampla defesa. O lançamento foi lavrado por Auditor Fiscal, que é a autoridade competente para tanto, e o rito do processo administrativo fiscal já pressupõe o direito de ampla defesa do contribuinte na fase da impugnação e de recursos. Convém salientar que a análise dos documentos deste processo administrativo fiscal não requere conhecimentos que não sejam do domínio de conhecimento das autoridades lançadora e julgadoras e, portanto, não é necessário a realização de perícia para a compreensão dos fatos neles registrados. Tal entendimento está em consonância com o art. 420 do Código de Processo Civil (lei 5.869/73), a seguir transcrito. Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III a verificação for impraticável. Assim, nada há que se corrigir na decisão a quo quanto a esse aspecto. A quebra do sigilo bancário está embasada no art. 6 da Lei Complementar 105/2001 e, portanto, perfeitamente legal a utilização desse instrumento fiscalizatório por parte do fisco federal. Raros são os princípios constitucionais que não são relativizados em função de um bem maior. A utilização de informações financeiras do contribuinte se apresenta como uma forma de investigação de ilicitudes tributárias em que ocorre a transferência do sigilo, da Fl. 2852DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 entidade bancária, para ao fisco. Certas atividades impossibilitam a investigação usual de ilícitos tributários, pois os que as desempenham não declaram o rendimento das mesmas à Receita Federal. Nesses casos, a transferência do sigilo bancário do contribuinte para a SRF, possibilitando a investigação, é uma forma única de se fazer a justiça fiscal, buscando o lançamento, de ofício, do tributo que não foi devidamente declarado e pago. Por outro lado, observo que as questões envolvendo inconstitucionalidade de lei devem ser tratadas no fórum jurisdicional competente. Conforme Súmula CARF n. 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação ao mérito do processo, distribuição indevida de lucros isentos de imposto, percebo que a maior parte dos lucros recebidos pela recorrente teriam advindo da empresa (holding) SAELI PARTICIPAÇÕES S/A (da qual a recorrente detém 95% da participação social), que por sua vez obteve o lucro em decorrência da empresa SUPERMERCADOS COBAL/ARMAZÉM DO SABOR/ cuja participação no capital social é de 95%. Desta forma, considero importante analisar primeiramente a possibilidade da existência de receita pela empresa Supermercados Cobal Ltda./Armazém do Sabor Ltda. passível de ter gerado os lucros declarados. A principal fonte de receita da empresa SUPERMERCADOS COBAL/COBAL EMPR. PART. S/A. decorre de aluguel de instalações e equipamentos para a empresa SONDA SUPERMERCADOS EXP. E IMP. LTDA., cujo contrato estipula um aluguel mensal de R$ 950.000,00 pelo prazo de 12 meses, a partir de setembro/2008, com opção de compra dos bens alugados, ao final do contrato, por R$ 550.000,00. Assim, no período de 12 meses seria auferida uma receita bruta de R$ 11.400.000,00 mais o valor da venda dos bens. Esses bens/instalações estavam registrados no ativo da empresa que os locou, pelo valor de R$ R$ 565.376,00. Esse contrato está acostado aos autos e possui autenticação de assinaturas em cartório com data de 21/07/2008. Mais ainda, os pagamentos foram comprovados via transferências bancárias, efls. 499 a 596, pelo locatário. Assim, entendo que existem evidências de as receitas para suportar os lucros distribuídos pelas empresas SUPERMERCADOS COBAL para a empresa SAELI, e destas para a recorrente, teriam existido. Observo, contudo, que além da empresa SAELI (importante devido ao montante de lucros distribuídos à recorrente) não ter apresentado documentação contábil hábil e idônea para comprovar as atividades desenvolvidas (livros fiscais, etc.), observei que os livros fiscais (diário, razão) das empresas que distribuíram lucros à recorrente, acostados aos autos, também não possuem autenticação da Junta Comercial, conforme determina o art. 258 do Decreto 3000/1999. Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). Fl. 2853DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.720010/201316 Acórdão n.º 2101002.686 S2C1T1 Fl. 7 11 § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente.(grifei) O art. 141 da IN/SRF 1515/2014, que substituiu a IN/SRF 93/1997 delinea as condições para a distribuição de lucros e dividendos isentos pelas empresas. Art. 141. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, observado o disposto no Capítulo III da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 16 de setembro de 2013. § 1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. (obs. dispositivo vigente à época dos fatos) Fl. 2854DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto sobre a renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos dos incisos I a IV do parágrafo único do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 2013. § 5º A isenção de que trata o caput não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. § 6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. § 8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto sobre a renda na forma prevista no § 4º. § 9º A isenção de que trata este artigo inclui os lucros ou dividendos pagos ou creditados a beneficiários de todas as espécies de ações previstas no art. 15 da Lei nº 6.404, de 1976, ainda que a ação seja classificada em conta de passivo ou que a remuneração seja classificada como despesa financeira na escrituração comercial. § 10. Não são dedutíveis na apuração do lucro real os lucros ou dividendos pagos ou creditados a beneficiários de qualquer espécie de ação prevista no art. 15 da Lei nº 6.404, de 1976, ainda que classificados como despesa financeira na escrituração comercial. Apesar da possibilidade de existência de receita que comporte a distribuição dos lucros à contribuinte, este não pode ser considerado como rendimento isento e não tributável se não cumpridas as exigências formais legais, e se não demonstrado que tal lucro existiu conforme a escrituração da época dos fatos. Os rendimentos só são considerados isentos se cumpridas as exigências legais, o que não ocorreu. Importante salientar que, no caso da empresa SAELI, não foram encontrados nos autos, os livros obrigatórios preconizados na legislação fiscal (i.e. livros diário, razão, etc.). Conforme o art. 111 da lei 5.172/66 (CTN), interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Fl. 2855DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.720010/201316 Acórdão n.º 2101002.686 S2C1T1 Fl. 8 13 II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Desta forma, considerando que não foram cumpridas as obrigações acessórias relativas à escrituração fiscal, e também quanto à legitimidade da comprovação do lucro a ser distribuído, e em observância ao disposto no art. 111 da Lei 5172/66, entendo que tais lucros não podem ser distribuídos isentos de tributação de imposto de renda. A recorrente se insurge contra o lançamento de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada pela contribuinte. Argumenta que a fiscalização deveria provar que tais valores teriam se incorporado ao patrimônio da contribuinte. Alega que tais valores, pelo simples fato de terem sido depositados na conta bancária, não indica que teriam dado origem ao fato imponível do tributo. Entende que deveria ficar comprovado o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente a omissão de rendimentos. Não assiste razão a contribuinte, pois do contrário, também qualquer pagamento de salários que não gere aumento patrimonial não deveria ser tributado. O legislador fixou um valor limite que, a partir do qual, o cidadão que auferir renda deve declarar e pagar o imposto de renda devido. A legislação é clara quanto ao fato imponível e foi aplicada diligentemente pela autoridade fiscal. Ademais, o entendimento deste Conselho, expresso na Súmula CARF n. 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ao contribuinte é dado o direito de apresentar provas de que os valores depositados em sua conta têm origem que os justifique, como por exemplo, as transferências entre contas de mesma titularidade. Contudo, em não comprovando a origem dos valores depositados na conta bancária, a presunção assume contornos de fato imponível e deve ser tributada. O fato é que a recorrente é proprietária de valores depositados em sua conta bancária, que não foram declarados na declaração de ajuste anual. Para efeitos de tributação, pelo princípio do nonolet, a procedência dos valores é irrelevante. Contudo, como bem esclarecido pelo julgador a quo, a comprovação da origem dos depósitos pressupõe não só a identificação da fonte pagadora, mas também a natureza dos recursos. A distribuição de lucros no caso de empresas que optam pela tributação do lucro presumido é feita até o limite de lucro definido na legislação, relacionado com o tipo de atividade da empresa. Caso queria distribuir lucro maior do que o permitido pela legislação, a empresa deve comprovar contabilmente a existência desse lucro, como se tivesse optado pela tributação pelo lucro real, o que não ocorreu no caso dos autos. A recorrente declarou rendimentos de lucros e dividendos que considerou isentos. A fiscalização, entretanto, apresentou argumentos bastantes e suficientes para não considerar a isenção desses rendimentos. Entretanto, entendo que não ficou comprovado no processo, o aspecto doloso da conduta da contribuinte. Sobretudo pelo fato de que a principal fonte (direta e indireta) dos lucros e dividendos distribuídos, a empresa COBAL SUPERMERCADOS/ARMAZÉM DO SABOR /COBAL EMPREEND. E PARTICIPAÇÕES S/A. auferiu receita que poderia ter gerado tais lucros e dividendos, conforme tratado anteriormente. O entendimento consolidado deste Conselho sobre o assunto está expresso na Súmula 14, a seguir transcrita. Fl. 2856DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. O entendimento deste Conselho sobre a utilização da taxa SELIC para atualização dos créditos tributários está sumulado conforme a seguir. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Convém salientar que a autuação relativa à desconsideração do recebimento dos lucros e dividendos da empresa Mendes & Mendes Advogados Associados no ano 2008 ocorreu, sobretudo porque não foi apresentada documentação hábil e idônea comprobatória da transferência de tal valor da empresa para a recorrente. Voto por afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para exonerar do lançamento a qualificação da multa de ofício, por não ter encontrado no processo elementos comprobatórios do dolo da recorrente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 2857DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 17460.000545/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: null
null
Numero da decisão: 2301-003.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente;. Redator designado: Wilson Antonio De Souza Correa.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio De Souza Correa - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete De Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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E COM. DE MAQ. INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 173, I, DO CTN. No caso em exame, por se tratar de descumprimento de obrigação acessória, inexistindo qualquer discussão a respeito da existência de pagamento antecipado, a norma decadencial a ser aplicada é aquela insculpida no art. 173, inciso I, do CTN. A ação fiscal compreendeu o período de 01/07/1999 a 31/12/2006. A empresa foi cientificada da presente NFLD em 14/03/2007, via postal conforme cópia do AR acostada às fls. 58, apresentando defesa em 27/03/2007, assinada por seu representante legal, às fls. 62/63. Isto é, aproximadamente isto é, aproximadamente sete anos após o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, encontramse decaídas as competências entre 1999 até 11/2001, fulminando a pretensão fazendária. SELIC. MULTA DE MORA. DECADÊNCIA. A empresa fica obrigada a recolher as contribuições sociais decorrentes das divergências verificadas entre o valor declarado em GFIP pelo próprio sujeito passivo e os valores recolhidos através de Guias da Previdência Social. As contribuições sociais arrecadadas pelo INSS, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, e multa de mora, ambas de caráter irrelevável. MULTA. MATÉRIA QUE NÃO SE CONFIGURA DE ORDEM PÚBLICA. No caso em tela a Recorrente não anatematizou a matéria especificamente. E, não sendo matéria de ordem pública porque ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 05 45 /2 00 7- 86 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’, deverá ser mantida em sua originalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente;. Redator designado: Wilson Antonio De Souza Correa. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator. (assinado digitalmente) Wilson Antonio De Souza Correa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete De Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17460.000545/200786 Acórdão n.º 2301003.906 S2C3T1 Fl. 292 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão de acórdão de nº 0217.994 – 9ª Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD referente contribuições retidas dos segurados empregados apuradas em Folhas de Pagamento declaradas em Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP n período de 06/1998 a 13/2006. O débito foi consolidado em 12/03/2007 no montante de R$ 193.495,64 (cento e noventa e três mil quatrocentos e noventa e cinco reais e sessenta e quatro centavos). Segue ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/2006 FATOS GERADORES INFORMADOS EM GFIP. DÉBITO DECLARADO. NÃO RECOLHIMENTO. SELIC. MULTA DE MORA. DECADÊNCIA. A empresa fica obrigada a recolher as contribuições sociais decorrentes das divergências verificadas entre o valor declarado em GFIP pelo próprio sujeito passivo e os valores recolhidos através de Guias da Previdência Social. As contribuições sociais arrecadadas pelo INSS, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, e multa de mora, ambas de caráter irrelevável. O prazo para a Seguridade Social apurar e constituir o crédito previdenciário é de dez anos. Lançamento Procedente Os fatos geradores relativos a esta NFLD foram apurados através do confronto entre valores declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP e Folhas de Pagamento apresentadas, e não recolhidos em época própria e estão devidamente discriminados no relatório DAD Discriminativo Analítico do Débito. Informa, também, a fiscalização, que a situação descrita configura, em tese, Apropriação Indébita Previdenciária de acordo com o artigo 168A do DecretoLei n° 2.848 Código Penal, de 07/12/1940, acrescido pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000, motivo pelo qual seu objeto de Representação Fiscal para Fins Penais com comunicação à autoridade competente. O contribuinte foi cientificada da presente NFLD em 14/03/2007, via postal conforme cópia do AR acostada as fls. 53, apresentando defesa em 27/03/2007, assinada por seu representante legal, as fls.57/58. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 A empresa alega, em sua defesa, que os débitos referentes ao período de 07/1999 até 31/12/2001 estão cobertos pelo manto da prescrição, razão pela qual esse período fica totalmente impugnado. Alega, também, que firmou termo de adesão ao REFIS cuja conta recebeu o número 940.000.132.700. Assegura que, assim, fica comprovado que a presente NFLD é nula de pleno direito, pois composta de débitos incluídos no Programa de Recuperação Fiscal e prescritos até 31/12/2001. Além da exclusão dos débitos pela adesão ao REFIS, a notificada aduz que não concorda com os índices praticados de multa nos períodos cujas contribuições deixaram de ser recolhidas, requerendo que a notificação seja cancelada. O processo foi encaminhado a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte de acordo com o despacho de fls. 60. A Delegacia entendeu que apesar da alegações expostas pela empresa, o lançamento deverá ser mantido sob o fundamento do art. 12, V, art. 21, art. 28, III combinado com art. 30, I, alínea 'b' da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, ou seja lançamento teve por base os fatos geradores declarados em GFIP cujo recolhimento não foi efetuado pela empresa em GPS. Assim, de acordo com o órgão julgador, por terem sido verificados os fatos e constatado no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB que a notificada declarou fatos geradores de contribuição previdenciária, confessando os valores devidos, e não os recolheu até o momento da presente notificação, a fiscalização, cuja atividade é vinculada, procedeu ao levantamento do débito. Segundo a Delegacia da Receita, a alegação do contribuinte referente a prescrição das competências dos períodos de 07/1999 a 12/2001 não pode prosperar pois não cabe aos órgãos da administração pública apreciar e/ou declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de qualquer dispositivo estatuído em lei, mas tão somente cumprilos. Isto porque as leis e atos normativos nascem com a presunção de legalidade, as quais devem ser questionadas perante o Poder Judiciário. Conforme entende e afirma em seu julgamento, aplicase ao caso em tela, enquanto não retirada a sua eficácia, a Lei n° 8.212/91 que estabelece prazo especifico para constituição de crédito destinado A Seguridade Social o que faz no seu art. 45, in verbis: Art 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Em se tratando das alegações da empresa à respeito do termo de adesão ao REFIS e que por isso parte dos débitos constantes da notificação estariam incluídos no programa, a Delegacia entende não há que se falar que parte do presente débito está incluído em programa de recuperação fiscal pois, não procedendo após ser constato em consulta a sistema informatizado de débitos da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB que empresa fez requerimento de adesão em 13/12/2000 tendo ocorrido seu deferimento em Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17460.000545/200786 Acórdão n.º 2301003.906 S2C3T1 Fl. 293 5 26/04/2001. Na mesma tela, em anexo às fls. 99 há a informação de fim da vigência e 01/04/2002. Com relação a exigência de multa, apreende que as mesmas não podem prosperar, pois essa determinação encontrase no artigo 35 da Lei 8.212/91, e no artigo 34. Concorda que foi aplicada corretamente a multa com redução de 50%, cumprindo a respectiva previsão legal, tendo em vista que os valores foram declarados em GFIP. Por fim, realizada a ciência do acórdão n° 0217.994, da 9ª turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento em Belo Horizonte/MG e no prazo legal o contribuinte apresentou Recurso voluntário sob os mesmos fundamentos anteriormente ditos. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. DA DECADÊNCIA A obrigação principal é proveniente do pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, configurando sempre com conteúdo patrimonial. A acessória é dever instrumental que visa assegurar o interesse da arrecadação dos tributos, facilitando a atividade fiscalizatória. Tais conceitos foram extraídos do enunciado normativo inserido no art. 113 do CTN: “Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2 A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3 A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância converte se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária.” Mais adiante, estabelece o art. 115 do CTN que o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na legislação aplicável, imponha a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Assim como na obrigação principal, a obrigação acessória poderá ser exigida do órgão fazendário dentro de determinado prazo. Com a publicação da Súmula Vinculante nº 8, em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional. Desse modo, no caso em exame, por se tratar de descumprimento de obrigação acessória, inexistindo qualquer discussão a respeito da existência de pagamento antecipado, a norma decadencial a ser aplicada é aquela insculpida no art. 173, inciso I, do CTN, a seguir: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17460.000545/200786 Acórdão n.º 2301003.906 S2C3T1 Fl. 294 7 A ação fiscal compreendeu o período de 01/07/1999 a 31/12/2006. A empresa foi cientificada da presente NFLD em 14/03/2007, via postal conforme cópia do AR acostada às fls. 58, apresentando defesa em 27/03/2007, assinada por seu representante legal, às fls. 62/63. Isto é, aproximadamente isto é, aproximadamente sete anos após o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, os períodos de entre 1999 até 11/2001, referentes às devidas cobranças, encontramse decaídas, fulminando a pretensão fazendária. DO MÉRITO A empresa argumenta que firmou termo de adesão ao REFIS e por isso parte dos débitos constantes da notificação estariam incluídos no programa. Foi Constatado em consulta ao sistema informatizado de débitos da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB que a empresa fez requerimento de adesão em 13/12/2000 tendo ocorrido seu deferimento em 26/04/2001. Na mesma tela, em anexo às fls. 101 há a informação de fim da vigência em 01/04/2002. Na consulta aos processos constantes do parcelamento especial (telas em anexo) aparecem quinze lançamentos, entre notificações e autos de infração, porém, como se vê de sua análise todos abrangem competências até 05/1998, anteriores, portanto, à primeira competência examinada na presente ação fiscal que é 06/1998. Dessa forma, não há que se falar que parte do presente débito está incluída em programa de recuperação fiscal, não procedendo esta alegação da empresa. Em relação à multa, em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP nº 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mais benéfico ao contribuinte. Sendo assim, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas multas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para a aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 E na hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP aplicase a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, como se depreende do inciso I do art. 32A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei 9.430/96. A Lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no presente caso, há o cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Quando lhe comine penalidades menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e de forma menos onerosa ao contribuinte. SELIC Ainda quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltase que o disposto no Enunciado da Súmula CARF n. 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portando, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. CONCLUSÃO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: a) declarar fulminadas pela decadências até a competência 11/2001; b) e aplicar, se mais benéfica ao contribuinte, a multa prevista no art. 32 A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, sendo que no mais fica mantida a r. decisão recorrida. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17460.000545/200786 Acórdão n.º 2301003.906 S2C3T1 Fl. 295 9 Voto Vencedor MULTA MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Em que pese a sapiência do nobre Conselheiro / Relator, a ele peço vênia para discordar de seu voto, somente com relação a multa, eis que no Recurso voluntário o Recorrente não tratou de espancar a matéria. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não préquestionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parece nos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17460.000545/200786 Acórdão n.º 2301003.906 S2C3T1 Fl. 296 11 T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. Verificamos que a defesa apresentada traça seu contorno apenas à argumentação relativa à prescrição e combater os juros, sem mencionar a multa. Conclusão Portanto, deverá ser mantida a multa na sua originalidade, eis que não houve manifestação expressa pelo Recorrente espancando a matéria que não a reconheço como de ordem pública. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Redator designado. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 36392.001623/2007-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO.
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Crédito Tributário Mantido Parcialmente
Numero da decisão: 2403-002.903
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº8.212/91 e prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003 CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido Parcialmente
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RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido Parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº8.212/91 e prevalecendo o valor mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 16 23 /2 00 7- 65 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 benéfico ao contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36392.001623/200765 Acórdão n.º 2403002.903 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de janeiro I, Acórdão 1219.224 da 13ª Turma, que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização com base no instituto da retenção, prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.711/98, no valor principal de R$ 3.386,85, acrescido de juros e multa moratória a serem calculados na data da liquidação. 2. Em seu relatório de fls. 26/28, a AuditoraFiscal notificante esclarece que a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito decorreu da não retenção de 11% sobre o os serviços prestados, identificados na contabilidade do contribuinte. 2.1. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, não foram apresentados os contratos de prestação de serviços. Da Impugnação 3. Inconformada com a exigência fiscal, a notificada, dentro do prazo regulamentar, contestou o lançamento através do instrumento de fls. 92/109, acostando aos autos a cópia de um dos contratos de prestação de serviços (fls 150/154). Produziu as alegações a seguir, em síntese: 3.1. Não conseguiu localizar os documentos exigidos durante o período em que estava sendo fiscalizado. 3.2. O serviço prestado pela empresa Dry Rio Comércio e Serviços LTDA à impugnante, objeto do lançamento, não está sujeito à retenção, uma vez que não há cessão de mãodeobra. 3.3. A responsabilidade da impugnante está extinta, pois a retenção tem natureza de antecipação. Deve ser apurada primeiro a responsabilidade no prestador. 3.4. A empresa Dry Rio Comércio e Serviços LTDA não coloca os seus empregados à disposição, seja no estabelecimento da Impugnante, seja em estabelecimento de terceiro. 3.5. No caso dos autos, não há norma expressa prevendo a retenção de 11% em decorrência da simples contratação de serviços, mas sim e tãosomente nos casos em que a prestação do serviço implica em cessão de mãodeobra. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 3.6. Uma vez constatada que o responsável tributário não efetuou a retenção, fica a sociedade prestadora obrigada a declarar e promover o recolhimento da Contribuição Previdenciária. 3.7. Disserta sobre a mecânica da retenção e de sua compensação. Na ausência de retenção da tomadora, cabe ao prestador o recolhimento. 3.8. Por fim, requer que o lançamento seja julgado improcedente e protesta pela produção de outras provas documentais. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · O lançamento foi efetuado com base nos lançamentos contábeis da Recorrente, alocados nas contas 3.4.86.0.02.99 e 4.1.01.3.02.99 "Serviços Profissionais e Contratados outros/Limpeza de Carpete", serviços prestados pela sociedade DRY RIO COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ("DRY RIO"). · Os serviços prestados não estão sujeitos à retenção de 11%, por se tratarem de serviços de limpeza de carpete executados sob o controle e gerenciamento da própria contratada, de forma não contínua, não havendo colocação de empregados à disposição da contratante, ou seja, não havendo cessão de mãodeobra. · A retenção tem a natureza de antecipação, devendo ser apurado, primeiramente, se o prestador do serviço efetuou o recolhimento da contribuição. · a Recorrente sequer possui expertise para orientar ou gerenciar funcionários na limpeza de carpetes, ainda mais em se considerando a extensão dos carpetes que forram um hotel inteiro, de ponta a ponta. · O requisito de disponibilização da mãodeobra, indispensável para a caracterização da figura da cessão de mãodeobra, não se aperfeiçoa no presente caso. · E cediço que tanto a cessão de mãodeobra quanto a empreitada de mãodeobra exigem que MÃODEOBRA PARA A EXECUÇÃO DO SERVIÇO seja colocada à disposição da Contratante. · Extinção da responsabilidade. É necessário verificar se o contribuinte do tributo — no caso, a empresa prestadora — recolheu ou não a contribuição previdenciária. · Anexa contrato com vigência para o período 01/09/2003 a 30/08/2004. É o relatório. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36392.001623/200765 Acórdão n.º 2403002.903 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O fisco entendeu que os serviços prestados pela empresa Dry Rio Comércio e Serviços Ltda estavam sujeitos à retenção estabelecida pelo artigo 31 da Lei 8.212/91. Destaco que a Lei prevê a retenção tanto para a sessão de mão de obra quanto a empreitada. Lei 8.212/91 Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5odo art. 33.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4oEnquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços:(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Ilimpeza, conservação e zeladoria;(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIvigilância e segurança;(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIIempreitada de mãodeobra;(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IVcontratação de trabalho temporário na forma daLei no6.019, de 3 de janeiro de 1974.(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 415DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 §5oO cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante.(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). O Relatório Fiscal registra que a empresa faz parte de grupo econômico do ramo hoteleiro e que deixou de exibir documentos referentes ao contrato. A empresa Rash faz parte de um Grupo Econômico do ramo hoteleiro, cuja controladora é a empresa Brasturinvest Investimentos Turísticos S/A CNPJ: 03.422.594/000117, sendo as demais controladas: ... Fato Gerador Mediante Termos para Apresentação de Documentos TIAD, foram solicitados todos os contratos relativos a serviços prestados por terceiros e as respectivas notas fiscais, a fim de que essa auditoria avaliasse ser incidente ou não a retenção dos 11 % (onze por cento) sobre tais serviços determinada pela Lei 9.711/98 e, assim sendo, verificar se a empresa ora notificada, na qualidade de contratante/tomadora do serviço procedeu ao devido recolhimento, apresentando as guias específicas da retenção. Tendo em vista não possuir a empresa arquivo cronológico, por contratada, com as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de serviços e as guias da Previdência Social GPS, estabelecido no parágrafo sexto do art. 219 do Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social e, também, não possuir arquivo dos contratos celebrados, deixou de exibir a documentação inerente necessária para verificação, razão de emissão de Autos de Infração. Dessa forma, foram analisadas as contas de serviços pessoas jurídicas pelos Livros Razão e, por uma filtragem dos nomes dos prestadores e históricos dos lançamentos, considerou a fiscalização a incidência da retenção, aplicandose a alíquota de 11 % sobe o total do serviço naquela competência. Considerou essa fiscalização, a execução do contrato com a empresa Dry Rio Comércio e Serviços Ltda. CNPJ: 02.881.069/000105 , serviço base de incidência da retenção, não comprovado pela empresa contratante Rash a satisfação do recolhimento de sua responsabilidade. Débito Apurado Em decorrência da caracterização do serviço como base de incidência da retenção , deixou a empresa Rash, tomadora dos serviços, de reter e recolher a alíquota de 11 % (onze por cento) sobre os valores constantes das notas fiscais emitidas, a título de pagamentos dos serviços, verificados nas contas: 3.4.86.3.02.99/ 4.1.01.3.02.99 Serviços Profissionais e Fl. 416DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36392.001623/200765 Acórdão n.º 2403002.903 S2C4T3 Fl. 5 7 Contratados outros/limpeza de carpete, em nome da empresa prestadora Dry Rio Comércio e Serviços Ltda.., ferindo o art. 219 do Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, abaixo transcrito: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no parágrafo quinto do art. 216. Assim, para apuração do débito foi aplicada a alíquota de onze por cento sobre o montante, por competência, dos valores constantes das contas acima descritas. Os serviços aqui considerados são de limpeza, sendo que o contrato apresentado especifica “serviços de: limpeza de carpetes, pelo sistema extração a seco, incluindo aspiração, e remoção de manchas localizadas”. Entendo o contrato apresentado (folhas 310 a 314) pela recorrente como representativo dos serviços contratados e entendo que é contrato de empreitada. CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO DOS SERVIÇOS •r 1 A CONTRATADA' executará os serviços de limpeza de carpetes, pelo sistema extração a seco, incluindo aspiração, e remoção de manchas localizadas, nos locais e na periodicidade constantes' do item 2. CLÁUSULA SEGUNDA LOCAL 2 Os serviços serão prestados nas dependências da CONTRATANTE, situadas, no endereço acima e na seguinte forma e periodicidade: Recepção— 30.9m²2 02(duas) vezes ao mês. Apartamentos e Suítes 7656m²2 — 01 (uma) vez ao ano . Salões— 1424m² 01(uma)vez ao mês Corredor— 1200m²2 03 (três) vezes ao ano Cadeiras ( auditório e recepção) Tapetes Na empreitada, a contratada se compromete a realizar um determinado serviço. Não está em questão pessoas à disposição do contratante. O que se contrata é o serviço. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Caio Mario da Silva assim conceitua empreitada: “Empreitada é o contrato em que uma das partes (empreiteiro) se obriga, sem subordinação ou dependência, a realizar certo trabalho para outra (dono da obra), com material próprio ou por este fornecido, mediante remuneração global ou proporcional ao trabalho executado” (PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil, vol. III, p. 315). Na empreitada, temse por meta o resultado final, a obra, que no caso concreto é o ambiente limpo, ou as cadeiras limpas, etc, enfim, não está em questão pessoas à disposição do contratante. Registro que o Decreto 3048/99 listou os serviços de limpeza, como sujeitos à retenção quando prestados mediante sessão de mão de obra ou na empreitada. Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §1ºExclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma daLei nº6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2ºEnquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: Ilimpeza, conservação e zeladoria; IIvigilância e segurança; IIIconstrução civil; IVserviços rurais; Vdigitação e preparação de dados para processamento; ... § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. MULTA DE MORA Fl. 418DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36392.001623/200765 Acórdão n.º 2403002.903 S2C4T3 Fl. 6 9 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 419DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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