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Numero do processo: 11831.001563/99-71
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1989
INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A contagem do quinquênio prescricional, para repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de tributos sujeitos a lançamento por homologação, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62, § 2º, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, para os pedidos protocolados até a data de 09/06/2005, deve ser feita pela tese dos cinco mais cinco, cinco anos para a homologação tácita e mais cinco para a prescrição, totalizando dez anos a partir da data do respectivo fato gerador.
Numero da decisão: 9900-001.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1989 INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A contagem do quinquênio prescricional, para repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de tributos sujeitos a lançamento por homologação, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62, § 2º, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, para os pedidos protocolados até a data de 09/06/2005, deve ser feita pela tese dos cinco mais cinco, cinco anos para a homologação tácita e mais cinco para a prescrição, totalizando dez anos a partir da data do respectivo fato gerador.
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RESTITUIÇÃOCOMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO Recorrente PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Recorrida CLA COMUNICAÇÕES S/C LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1989 INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A contagem do quinquênio prescricional, para repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de tributos sujeitos a lançamento por homologação, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62, § 2º, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, para os pedidos protocolados até a data de 09/06/2005, deve ser feita pela tese dos “cinco mais cinco”, cinco anos para a homologação tácita e mais cinco para a prescrição, totalizando dez anos a partir da data do respectivo fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 15 63 /9 9- 71 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11831.001563/9971 Acórdão n.º 9900001.034 CSRFPL Fl. 320 2 Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo Relatório Tratase de recurso extraordinário apresentado tempestivamente pela Fazenda Nacional, com fulcro no art. 9º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 147/2007, vigente à época da decisão ora impugnada. A Quarta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para afastar a prescrição do seu direito à repetição dos indébitos do PIS, decorrentes de recolhimentos indevidos e/ ou a maior, efetuados nos termos dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, com retorno dos autos ao órgão de origem para apreciação da matéria principal, nos termos do Acórdão nº 20401.765, sob a seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PRESCRIÇÃO. Nos pleitos de compensação/restituição de PIS, formulados em face da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, o prazo de prescrição do direito creditório é de 5 (cinco) anos contado da data da publicação da Resolução n°49 do Senado Federal, de 10 de outubro de 1995. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial contra essa decisão, defendendo a contagem do quinquênio prescricional, nos termos dos arts. 168, caput e inciso I, e 156, inciso I, do CTN, c/c os arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005, alegando que a inconstitucionalidade dos referidos decretoslei não exerce influência na contagem do prazo prescricional de que o contribuinte dispõe para exercer seu direito. Julgado o recurso especial, a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) negoulhe provimento, nos termos do Acórdão nº 0203.771, sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/01/1993 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratandose de pedido de restituição/compensação da Contribuição Para o Programa de Integração Social PIS exigido com base nos Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE n° 148.754/RJ, o termo a quo do prazo Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11831.001563/9971 Acórdão n.º 9900001.034 CSRFPL Fl. 321 3 prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, 10/10/1995, que atribuiu efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte, suspendendo a execução daqueles diplomas legais. Irresignada com essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário, alegando que, na data de protocolo do pedido de restituição, o direito de o contribuinte repetir os indébitos reclamados já havia prescrito, defendendo a contagem do quinquênio, a partir da data de extinção do respectivo crédito tributário pelo pagamento, nos termos do art. 156, I, do CTN, independentemente, de o indébito ter resultado de pagamento efetuado com base em diploma legal julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ou de simples erro. Alegou ainda que o art. 3º da LC nº 118/2005 ampara esse entendimento. Por meio do despacho de exame de admissibilidade às fls. 288/289, datado de 14/01/2011, o então Presidente Substituto do CARF deu seguimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Intimado do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão recorrido, alegando, em síntese, que o prazo quinquenal prescricional deve ser contado a partir da data de publicação da Resolução nº 49 do Senado Federal, em 10/10/1995. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O Código Tributário Nacional (CTN), art. 165, c/c o art. 168, que trata do prazo prescricional da ação para se repetir/compensar crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; […]. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11831.001563/9971 Acórdão n.º 9900001.034 CSRFPL Fl. 322 4 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...]. Nos termos destes dispositivos legais, o prazo de cinco anos para se verificar a prescrição do direito à repetição de indébitos tributários, no caso de pagamento indevido e/ ou a maior, deveria ser contado a partir da extinção do crédito tributário pela homologação tácita. No entanto, no julgamento do RE nº 566.621, que tratou da aplicação do art. 3º da Lei Complementar (LC) nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, que deu interpretação ao inciso I do art. 168 do CTN (Lei nº 5.172, de 1966), sobre a ocorrência da extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que aquele artigo somente se aplica às ações (pedidos) de restituição, ajuizadas (protocoladas) a partir de 9 de junho de 2005. Assim, em face dessa decisão e do disposto no § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 1.012.903/RJ, para os pedidos de restituição protocolados até a data de 8 de junho de 2005, a extinção do crédito tributário, de forma tácita, se deu somente depois de decorridos 5 (cinco) anos contados a partir do respectivo fato gerador e, conequentemente, o prazo prescricional qüinqüenal para se pedir a restituição de indébito decorrente de pagamento indevido e/ ou maior deve ser contado a partir da data da extinção tácita, resultando prazo total de 10 (dez), tese “dos cinco mais cinco”, até então aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os valores pleiteados pelo contribuinte decorreram dos pagamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos mensalmente a partir de 01/07/1988 a 31/01/1993. O pedido de restituição foi protocolado na data de 09 de novembro de 1999, conforme prova a data no carimbo de seu protocolo às fls. 02. Assim, contandose o quinquênio, levandose em consideração a tese dos "cinco mais cinco", na data de protocolo do pedido, em 09/11/1999, o direito de o contribuinte repetir parte dos indébitos pleiteados já havia decaído. Para as competências correspondentes aos fatos geradores ocorridos mensalmente nas datas 31/07/1988 a 31/10/1989, naquela data, a prescrição já havia se materializado. A data limite, para competência de outubro de 1989, fato gerador ocorrido em 31/10/1989, expirou em 31/10/1999. Já para as demais competências, novembro de 1989 a janeiro de 1993, a data limite para a competência mais antiga, novembro de 1989, expiraria em 30/11/1999. Contudo, o pedido foi protocolado em 09/11/1999. Ante o exposto, voto por DAR provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, reconhecendo a prescrição do direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos correspondentes às competências dos meses de julho de 1988 a outubro de 1989, e, consequentemente, reconhecendo o direito de ele repetir/compensar os indébitos Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11831.001563/9971 Acórdão n.º 9900001.034 CSRFPL Fl. 323 5 correspondentes às demais competências, novembro de 1989 a janeiro de 1993, decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou maior do PIS, efetuados segundo os DecretosLeis nº 2.445 e nºs 2.449, ambos de 1988, em relação aos valores devidos nos termos das LCs nºs 7/1970 e 17/1973, cabendo à autoridade administrativa apurar os indébitos a serem repetidos/compensados, levandose em conta a semestralidade da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.720738/2011-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 07 38 /2 01 1- 70 Fl. 112DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, anocalendário de 2008, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 25.000,00. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Brasília de f. 92/95. Cientificado, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 101/102. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10845.720738/201170 Acórdão n.º 2001000.776 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. Fl. 114DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10845.720738/201170 Acórdão n.º 2001000.776 S2C0T1 Fl. 4 5 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 13312.000560/2005-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DEDUÇÕES NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE.
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação, cabendo ao contribuinte apresentar provas hábeis e idôneas dos valores declarados.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2002-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para restabelecer a previdência oficial de R$ 5.102,99 e a pensão alimentícia de R$ 21.899,96.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Todas as deduções estão sujeitas a comprovação, cabendo ao contribuinte apresentar provas hábeis e idôneas dos valores declarados. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para restabelecer a previdência oficial de R$ 5.102,99 e a pensão alimentícia de R$ 21.899,96. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 05 60 /2 00 5- 13 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13312.000560/200513 Acórdão n.º 2002000.604 S2C0T2 Fl. 95 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 05/11) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do ano calendário 2001, onde se apurou: Dedução Indevida de Previdência Oficial, Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas, Dedução Indevida de Pensão Judicial e Dedução Indevida de Despesa com Instrução. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 24/26), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 54), o qual adoto: Inconformado com a exigência, a qual tomou ciência em 14/11/2005, fl. 22, o contribuinte apresentou impugnação em 06/12/2005, fls. 24/26, alegando em síntese que: · A previdência oficial referese ao IPEC; · Unimed – plano de saúde; · Pensão alimentícia – descontada em folha de pagamento a referida pensão é determinação judicial; · Dependentes – estava anexando cópias das certidões de nascimento; sendo 2 filhos do primeiro casamento sob sua responsabilidade, universitária e outro deficiente mental – a outra filha é do segundo casamento; · Instrução – estava anexando recibo do colégio de sua filha, do seu segundo casamento; Foram anexados aos autos os documentos de fls. 27/39. A impugnação foi julgada procedente em parte pela 1ª Turma da DRJ/FOR em decisão assim ementada (efls. 53/63): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DEDUÇÕES. DEPENDENTES. Para efeito de dedução na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, é necessária a comprovação da relação de dependência. DEDUÇÕES. DESPESAS DE INSTRUÇÃO. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13312.000560/200513 Acórdão n.º 2002000.604 S2C0T2 Fl. 96 3 As despesas de instrução deverão ser comprovadas para efeito de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PREVIDÊNCIA OFICIAL. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Os valores pagos a título de Pensão Alimentícia, de Previdência Oficial e com Despesas Médicas, somente podem ser dedutíveis para efeito de apuração da base cálculo do imposto de renda, quando devidamente comprovados. Cientificado do acórdão de primeira instância em 29/08/2014 (efls. 70), o interessado ingressou com recurso voluntário em 25/09/2014 (efls. 71/74) com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o lançamento é ato administrativo equivocado porque os descontos efetuados de pensão alimentícia (R$ 21.899,90) e previdência oficial (R$ 5.102,99) foram implantados em folha de pagamento pela Fazenda Estadual, conforme demonstrado no Comprovante de Renda em anexo. Esclarece que houve um preenchimento com lapsos no formulário, onde registrou o valor da previdência privada Unimed (R$ 4.302,72) como despesas médicas. Informa que também registrou Eline Damasceno de Freitas em vez de Helaine Damasceno de Freitas, sua filha universitária. Expõe que o filho especial Helisduardo Damasceno de Freitas somente ficou sob a guarda total de sua mãe biológica a partir do divórcio ocorrido em 2012, consoante audiência em 03 de maio de 2012, inclusive com mudança de percentagem da pensão. Ratifica as dificuldades de coletas dos comprovantes exigidos. Discorre sobre a mora da Receita Federal em julgar a defesa apresentada em 2005 e suscita a prescrição intercorrente no procedimento administrativo. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da leitura da decisão recorrida verificase que a DRJ restabeleceu a dependente Cíntia S. Damasceno de Oliveira e a sua despesa com instrução, mantendo as demais infrações apontadas no lançamento (efls. 53/63). No que concerne à dedução de previdência oficial, disciplinada pelo art. 74 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, verificase que a glosa foi mantida por falta de comprovação do valor declarado. Não obstante, entendo que o Comprovante de Rendimentos apresentado pelo recorrente para contrapor as razões Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13312.000560/200513 Acórdão n.º 2002000.604 S2C0T2 Fl. 97 4 trazidas pela DRJ confirma a previdência oficial de R$ 5.102,99 (efls. 76), devendo ser restabelecida a dedução correspondente. Sobre a dedução de dependentes, aplicase o disposto no art. 77 do RIR/99, sendo R$ 1.080,00 o valor individual previsto para o ano calendário 2001, nos termos da Lei 9.250/95, art. 8º, II, "c". O litígio recai sobre a dedução dos dependentes Elisduardo Damasceno de Freitas e Eline Damasceno de Freitas declarados pelo contribuinte (efls. 18) e cuja glosa fora mantida pela DRJ. Relativamente a Elisduardo, a Certidão de Nascimento juntada à defesa demonstra que ele é filho do sujeito passivo e de Maria de Freitas Damasceno e que nasceu em 1979, iniciando o ano calendário 2001 com 21 anos de idade (efls. 33). Numa análise inicial ele estaria abrangido pela hipótese de dependência prevista no art. 77, §1º, III, do RIR/99. No entanto, como exposto na decisão de piso, verificase através da Comunicação e da Carta Intimação do Poder Judiciário (efls. 29/30) que Maria de Freitas Damasceno ingressou com Ação de Alimentos contra o contribuinte em 1995, tendo sido fixados alimentos provisórios no percentual de 60% dos vencimentos e vantagens do promovido. Dessa forma, tendo em vista que não consta dos autos petição inicial, sentença ou acordo homologado contendo os termos e os beneficiários da pensão alimentícia à época, não se pode constatar, de maneira inequívoca, que Elisduardo não era alimentando no ano calendário em exame. Notese que, de acordo com a audiência de divórcio litigioso realizada em 2012 (efls. 79/80), o filho é beneficiário da verba alimentar pactuada e "permanece" sob os cuidados de Maria de Freitas Damasceno, havendo indícios, portanto, de que essa situação já existia anteriormente. Vale lembrar que no caso de filhos de pais separados somente podem ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 77, §4º, do RIR/99, e que a partir do mês em que se inicia o pagamento de pensão alimentícia pelo declarante é vedada a dedução do valor correspondente a dependente referente ao mesmo beneficiário, conforme previsto no art. 78 , §1º, do RIR/99. No que diz respeito à dependente Eline, o recorrente alega que houve erro de preenchimento em sua declaração, sendo correta a dependente Helaine Damasceno de Freitas, sua filha universitária. Ocorre, contudo que não consta dos autos nenhum documento oficial indicando a filiação e a data de nascimento de Helaine, não sendo possível confirmar se esta estava, de fato, abrangida pelas hipóteses de incidência previstas na legislação pertinente. Ao contrário, os documentos da Fundação Universidade Estadual Vale do Acaraú juntados ao recurso com o intuito de demonstrar que Helaine estava cursando estabelecimento de ensino superior à época (efls. 82/84) indicam que esta é filha do recorrente mas nasceu em 1972, ou seja, possuía mais de 24 anos de idade no ano calendário em exame e não preenchia, portanto, os requisitos previstos no art. 77, §2º, do RIR/99. Em vista do exposto, não há reparos a serem feitos na glosa de dependentes mantida no julgamento de primeira instância. No que tange à dedução de despesas médicas, verificase que a decisão recorrida manteve a glosa do pagamento declarado para a Unimed pela ausência de comprovação. Em seu recurso o contribuinte alega erro de preenchimento afirmando tratarse de despesa com previdência privada. Não obstante, não foi juntado aos autos nenhum comprovante de pagamento a esse título, devendo ser mantida a glosa correspondente. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13312.000560/200513 Acórdão n.º 2002000.604 S2C0T2 Fl. 98 5 Quanto à dedução de pensão alimentícia, disciplinada pelo art. 78 do RIR/99, verificase através da Comunicação e da Carta Intimação expedidas pelo Poder Judiciário em 1995 (efls. 29/30) que Maria de Freitas Damasceno ajuizou Ação de Alimentos contra o recorrente e que foram fixados alimentos provisionais em 60% dos vencimentos e vantagens do mesmo. Já o Termo de Audiência de 2012 (efls. 79/80) estabelece a pensão de 30% da sua remuneração, deduzida do imposto de renda, em favor de sua exesposa e de um de seus filhos. Dessa forma, ainda que não se saiba exatamente os termos e os beneficiários da pensão judicial à época, uma vez que não foram trazidos aos autos a petição inicial e a sentença ou o acordo homologado vigente no calendário objeto do lançamento, podese constatar que alguma obrigação de pagamento a esse título certamente existia. Assim, considerando que o Comprovante de Rendimentos fornecido pelo Governo do Estado do Ceará indica o pagamento de pensão alimentícia de R$ 21.899,96 no ano calendário 2001 (efls. 76), é de se restabelecer a dedução correspondente. Por fim, cabe esclarecer ao recorrente que a prescrição intercorrente não se aplica ao presente caso, conforme disposto na Súmula CARF nº 11 abaixo reproduzida: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para restabelecer a previdência oficial de R$ 5.102,99 e a pensão alimentícia de R$ 21.899,96. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001898/2008-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77.
Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor pago a estagiários passa a integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 9202-006.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheira Ana Paula Fernandes não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF) e a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz informou que equivocou-se quanto ao pedido. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 22/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM O QUE PRECEITUA A LEI 6.494/77. Não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei n.° 6.494, de 1977, o valor pago a estagiários passa a integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i", da Lei n.° 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheira Ana Paula Fernandes não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF) e a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz informou que equivocouse quanto ao pedido. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questões já votadas pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, relator originário, na sessão de 22/05/2018, no período da tarde. Nos termos do art. 58, §13, do Anexo II do RICARF, a Presidente da Turma designou como redatora ad hoc para este julgamento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 98 /2 00 8- 56 Fl. 918DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 919 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2202003.727, prolatado pela 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 15 de março de 2017 (efls. 677 a 686). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/08/2006 DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O julgador de 1ª instância rejeitou a alegação do contribuinte, porque entendeu que o mesmo não efetuara antecipação do pagamento referente, especificamente, às contribuições previdenciárias incidentes sobre a contratação de estagiários, objeto do lançamento. Entretanto, diz a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. TERMO DE COMPROMISSO. ESTAGIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO “STRICTO SENSU”. CONVÊNIO COM CENTRO INTEGRADO EMPRESA ESCOLA CIEE. Se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino, não se caracteriza relação de emprego “ stricto sensu ”. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 920 3 Cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Centro Integrado Empresa Escola CIEE, agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência até a competência 11/2003, inclusive. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento ao recurso. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, em 12/04/2017 (efl. 687), sua Procuradoria apresentou, em 12/05/2017 (efl. 716), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 688 a 715 e anexos). Analisado tal pleito através de despacho de efls. 718 a 730, o Recurso restou admitido quanto à matéria litigada, a saber, a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a segurados qualificados pela empresa como estagiários, durante a vigência da Lei no. 6.494, de 1977. Alegase, no pleito, quanto à matéria admitida, divergência em relação ao decidido pela 2a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 27/07/2011, através do Acórdão no. 2302001.162, e, ainda, em relação ao decidido, pela 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 20/06/2012, no âmbito do Acórdão no. 2402002.826 de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 2302001.162 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. ESTAGIÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. Figura como hipótese de não incidência de contribuição previdenciária o pagamento feito a estagiário, a título de bolsa de complementação educacional, quando efetuado nos exatos termos da Lei n° 6.494/77. Assentado que, nos termos da lei, nos serviços prestados por estagiários remunerados encontramse presentes todos os elementos caracterizadores da condição de Fl. 920DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 921 4 segurado empregado, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a ocorrência e a fiel observância dos termos e condições estatuídas na Lei n° 6.494/77 para que se possa desfrutar do benefício da renúncia fiscal ora em debate. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. ALÍQUOTA MÍNIMA. 8%. É de 8% a alíquota mínima da contribuição dos segurados empregados, uma vez que a CPMF foi definitivamente extinta, não persistindo mais os motivos que ensejaram o desconto nos Salários de Contribuição até 3 salários mínimos. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA SESC/SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. OBRIGATORIEDADE. As empresas prestadoras de serviços, por estarem enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante classificação do art. 577 da CLT e seu anexo, estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais vertidas ao Sesc/Senac. SEBRAE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONSTITUCIONALIDADE. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE. É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula 732 do STF. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 922 5 PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração em realce. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Acórdão 2402002.826 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2005 a 28/02/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PRÊMIOS DE INCENTIVO – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo a contribuintes individuais. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado ESTAGIÁRIO – CONTRATAÇÃO NÃO CUMPRIMENTO REQUISITOS LEGAIS – INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a trabalhadores a condição de estagiários se não forem cumpridos os requisitos para tal contratação dispostos na Lei nº Fl. 922DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 923 6 6.494/1977. De acordo com o art. 118 do CTN, abstraise, para os fins de definição do fato gerador, a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL REGULAR A escrituração contábil regular deve refletir a verdade dos fatos. Assim, mediante alegações sem provas de equívocos nos registros contábeis, prevalecem os últimos. PROVA TESTEMUNHAL – OITIVA DE TESTEMUNHA – INDEFERIMENTO – CERCEAMENTO DE DEFESA – INOCORRÊNCIA Não representa cerceamento de defesa o indeferimento de produção de prova testemunhal por meio de oitivas face à inexistência de previsão no Decreto nº 70.235/1972 da apresentação de prova testemunhal no contencioso administrativo fiscal PERÍCIA – NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO – REQUISITOS – CERCEAMENTO DE DEFESA – NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova RESPONSÁVEIS LEGAIS – PÓLO PASSIVO – NÃO INTEGRANTES Os representais legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de Vínculos não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis. TAXA SELIC – APLICAÇÃO Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC, a qual não é aplicada de forma capitalizada MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 924 7 recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Thiago Taborda Simões que limitavam a multa ao percentual de 20%. Após defender a existência de divergência interpretativa, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) No caso, a relação de estágio foi analisada à luz da Lei no. 6.494, de 1977, vigente à época dos fatos geradores. Inobstante, a decisão recorrida cogitou da aplicação da Lei no. 11.788, de 25/09/2008. Em verdade, é sabido, como regra, que os conflitos da lei no tempo devem ser resolvidos sob a ótica do milenar Principio da Irretroatividade (e exceções), que, no direito tributário, é extraído da combinação da Lei de Introdução ao Código Civil com o art. 101 do Código Tributário Nacional. No tocante à retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensandose, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de “lei mitior” quanto a infrações ou penalidades; b) Portanto, no caso, como não houve expressa disposição da lei, nem lei expressamente interpretativa, nem regulação de sanções, então não há retroatividade. Logo, no caso, a relação de estágio deve ser aferida segundo os requisitos estabelecidos na Lei no. 6.494, de 1977, vigente à época dos fatos geradores; c) Pelo teor da referida Lei, para a caracterização da relação de estágio, é necessária a comprovação da frequência escolar dos alunos admitidos pela empresa. Este requisito, no entanto, não foi cumprido pela contribuinte, conforme atestou a fiscalização, que ressaltou irregularidades quanto à: a) falta de comprovação de supervisão dos estagiários; b) não apresentação de plano de estágio; c) remuneração vinculada a cumprimento de metas; d) desempenho de atividades meramente burocráticas; d) Cita o art. 28, §9o., "i", da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, ressaltando que o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a bolsa paga ao estagiário. Porém, elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem observar os elementos definidos na Lei no. 6.494, de 1977. Este requisitos, no entanto, não foram cumpridos no caso dos autos, conforme detalhado anteriormente, tendo em vista as irregularidades apontadas pela fiscalização na relação de estágio. Com efeito, verificase que a verba relativa a bolsa de estágio não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, sendo que a isenção atinge apenas os valores pagos a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, em estrita observância à Lei no. 6.494, de 1977. No caso, o contribuinte não comprovou a matricula e frequência dos estagiários em instituições de ensino, conforme exige a lei. Além do descumprimento deste requisito legal, a fiscalização ainda constatou as seguintes irregularidades: falta de comprovação de supervisão dos estagiários; não apresentação de plano de estágio; remuneração vinculada a cumprimento de metas e desempenho de atividades meramente burocráticas; e) Não basta a mera exibição do Termo de Compromisso para afastar as verbas pagas a título de bolsa de estágio da incidência da contribuição previdenciária. Não é isso que está previsto na lei. É preciso que todos os requisitos sejam cumpridos cumulativamente. Impor tais obrigações apenas à instituição de ensino e ao órgão interveniente seria contrariar o espírito da relação de estágio e impor obrigações a apenas algumas partes, o que vai de encontro à própria natureza do instrumento firmado (convênio). Assim, uma vez Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 925 8 caracterizado o descumprimento da Lei no. 6.494, de 1977, correta a exigência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos à titulo de bolsa de estagio; f) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I. Portanto, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada. Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Desse modo, caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente a bolsa de estágio incondicionalmente, não teria feito expressa referência à Lei no. 6.494, de 1977, cujos requisitos devem ser observados e comprovados pelo contribuinte; g) Convém registrar que a Lei n ° 10.243, de 2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é especifica. O art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas. Para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, §9o., da Lei n° 8.212/91, conforme demonstrado. A prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal. Conforme o art. 195, § 11, da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer titulo, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Desse modo, pela singela leitura do texto constitucional possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário. Desse modo, não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, deve persistir o lançamento; Assim, requer que seja conhecido e provido o Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, mantendose o lançamento em sua integralidade. Após a ciência da autuada em 26/06/2017 (efls. 738/739), esta, em 10/07/2017 (efl. 740), apresentou contrarrazões de sua iniciativa, de efls. 742 a 765, onde: a) Alega que o REsp aviado pela PFN não se volta contra o principal fundamento que norteou, de fato e de direito, o provimento do Recurso Voluntário, qual seja: as obrigações tidas por descumpridas em relação aos estagiários não competem à Recorrida, o que, aliás, consta do próprio TVF. O Recorrido, em verdade, deu provimento ao Recurso Voluntário justamente por reconhecer que nenhum dos pretensos fundamentos da autuação consubstanciaria obrigação descumprida pela Recorrida, destacando uma série de elementos que corroborariam a improcedência da pretensão fiscal; b) É evidente que as alegações fazendárias tecidas no RESP não teriam o condão de alterar a conclusão da improcedência da autuação, pois tocam pontos periféricos do decisum que poderiam até ser considerados obter dictum no contexto global do v. Acórdão Recorrido. Com efeito, estando comprovado que o Acórdão Recorrido julgou o caso à luz da Lei n° 6.494, de 1977 e reputou não competir à Recorrida as obrigações tidas por descumpridas pela autuação, é fato que não alteraria o resultado de julgamento (i) o afastamento do Princípio da Retroatividade Benigna em relação à Lei n° 11.788/08, que revogou a Lei n° 6.494/77; (ii) o entendimento pela necessidade de comprovação da frequência escolar; Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 926 9 c) Aliás, em relação ao quesito da comprovação de frequência escolar, além de não se tratar de obrigação da Recorrida, nos termos da Lei n° 6.494, de 1977, o Acórdão Recorrido reputou comprovado in casu, diante do Convênio firmado, bem como em função dos Termos de Compromisso, dos relatórios de estágio e de toda a documentação fornecida, cujo pressuposto é o estado de matriculado dos estagiários, bem como diante da ausência de prova em contrário por parte da Fiscalização. Notese que tal quesito é suscitado pela PGFN não para convencer este Colegiado de que não haveria comprovação de matrícula dos estagiários, mas, apenas e tão somente, com a intenção de gerar dúvida sobre a sua existência. Diante disso, tem se que as razões arguídas pela PGFN à reforma do Acórdão Recorrido não seriam suficientes a tal fim, dado que os Julgadores a quo adotam outras e mais amplas premissas que manteriam o resultado tal como vazado. Assim, diante da evidente falta de interesse processual da Recorrente neste quesito, não merece ser conhecido o REsp aviado pela PFN.; d) Importa notar que o Acórdão Recorrido pautouse na detida análise do caso concreto, sopesando os motivos da autuação e os argumentos e provas colacionados pela ora Recorrida, para concluir pela improcedência das acusações fiscais. Tal fato demonstra de per se o descabimento do REsp da PGFN por ausência de paradigmas similares e entendimento divergente, não apenas pela dificuldade de se identificar autuação e julgado similares em tamanha complexidade fática, mas também, e principalmente, porque se reconhece in casu a diligência da Recorrida nas obrigações que lhe competiam, bem como a improcedência da acusação fiscal ao reputar descumpridos certos requisitos legais que não competiam à Recorrida. Em outras palavras, o Acórdão Recorrido adentrou aos detalhes do caso concreto para reconhecer que as acusações fiscais não refletem a realidade dos fatos, seja porque a Recorrida observou e cumpriu com a Lei no 6.494, de 1977, seja porque não poderia ser responsabilizada por eventual descumprimento de obrigação de terceiros, tal como da Instituição de Ensino, que ocupa importante posição na relação de estágio. Já se viu quais foram os fundamentos da autuação e do Acórdão Recorrido. Em contrapartida, a denotar a absoluta dessemelhança fática, cita as razões fáticas e jurídicas que lastreiam os alegados acórdãos paradigmas. d.1) A UMA, vejase que nenhum dos acórdãos encimados toca nas matérias de "titularidade das obrigações tidas por descumpridas" e "comprovação do cumprimento das tarefas legais da unidade concedente", as quais foram basilares na compreensão e no julgamento do caso concreto, por meio do Acórdão Recorrido, fato esse que torna insuscetíveis de comparação os julgados, mormente para fins de Recurso Especial. d.2) A DUAS, os julgados encimados registram, e de forma reiterada, a ausência de provas por parte dos contribuintes em face das acusações fiscais, o que levou os Julgadores a forma convicção de que, de fato, os pagamentos autuados se afiguraram salário de contribuição na constância de vínculo empregatício. Já in casu a produção de provas e argumentos foi identificada. e valorada pela Turma "a quo", dando ao caso concreto o devido tratamento legal a si aplicável, mediante o cancelamento da autuação, dada a higidez da relação de estágio que motivou os pagamentos autuados. Também isso torna insuscetíveis de comparação os julgados, mormente para fins de Recurso Especial. d.3) A TRÊS, notese que os acórdãos encimados sequer discutem de forma detida, tampouco amparam o argumento fazendário de que a autuação haveria de ser mantida por pretensa ausência de acompanhamento, de orientação e de avaliação de estágio, e de evidenciação de frequência escolar e matrícula dos estagiários na Instituição de Ensino. E por que não trataram disso? Por total carência de provas por parte dos contribuintes, segundo consta dos arestos. E, no caso do Acórdão no. 2402002.826 (caso "IGATA"), sequer a autuação recai sobre bolsa auxílio de estagiários, mas sim sobre "cartão de incentivos', o que Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 927 10 corrobora sua imprestabilidade à rediscussão do v. atesto vergastado in casu. É dizer NÃO HÁ ADERÊNCIA ENTRE os JULGADOS, SEJA QUANTO AOS FATOS, SEJA QUANTO AO ENTENDIMENTO. Notese que uma leitura apressada dos pretensos paradigmas poderia induzir o erro de que haveria alguma identidade, mas a sua ausência fica clara quando se percebe que tais julgados se limitaram a interpretar a lei em tese, talvez por falta de provas por parte dos contribuintes, enquanto que o Acórdão Recorrido analisou fatos e os submeteu à subsunção legal, concluindo, de forma natural, pela improcedência dos lançamentos. e) Ora, é cediço que a configuração da divergência jurisprudencial pressupõe que as decisões ditas conflitantes se reportem à mesma circunstância fática. Ou seja, somente podese falar em dissídio jurisprudencial quando diferentes julgadores, diante de circunstâncias fáticas similares, apresentam entendimentos divergentes, o que, como visto à saciedade, não ocorre in casu, notadamente quanto à discussão da aplicabilidade ou não da retroatividade benigna do art. 106 do CTN. Resta claro, portanto, o descumprimento do caput do art. 67 do RICARF, que prescreve o mais essencial dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial, que é a identidade fática e a interpretação divergente de lei tributária, comprovada por meio de acórdão paradigma apto. E, com relação à matéria de retroatividade benigna da Lei no 11.788, de 2008, a PGFN não apresenta acórdão paradigma para subsidiar tal argumento e tampouco o ponto foi motivo de decidir do v. aresto recorrido, desrespeitando o caput do 67 do RICARF. Assim, tendo em vista que a Procuradoria não demonstrou a existência de interpretação divergente da lei tributária, por meio da apresentação de acórdão paradigmático, na forma do caput do at. 67 do RICARF, não deve ser conhecido o RESP contrarrazoado, quanto ao ponto da retroatividade benigna; f) Outrossim, é fato que a irresignação da PGFN, in casu, decorre de clara pretensão de rediscutir matéria fáticoprobatória, o que não se admite nesta via especial, impedindo, portanto, o conhecimento do RESP aviado. A questão que se impõe é bem clara: a pretensão recursal demanda que se revisite toda sorte de documentos e subsídios carreados aos autos, bem como a sua rediscussão, extrapolando, portanto, o plano do direito, o que não cabe nesta via especial. Com efeito, a PGFN busca rediscutir o conjunto probatório constante dos autos, em busca de uma nova análise por esta CSRF. É cediço não caber, nesta via especial, a discussão sobre os fatos alegados no curso da lide administrativa, sendo claro que, a pretensão da PFN colide com a referendada Súmula n° 7 do STJ. g) Assim como consolidado na Súmula encimada, a CSRF não pode declinar se sobre o conjunto probatório presente nos autos, pois vai contra o seu mister, de âmbito de discussão de questões jurídicas, de direito, sendo certo que, a avaliação probatória, no âmbito do CARF, vai até a segunda instância. Aplicandose tal entendimento no presente caso, vêse que a PGFN demanda, em seu Recurso, que esta CSRF realize o reexame todo o conjunto probatório do caso, sugerindo, talvez, ter havido um julgamento errôneo das provas por parte da Câmara a quo, o que não ocorreu neste caso. Portanto, não pode ser conhecido o Recurso Especial ora contrarrazoado, também por afrontar a Súmula STJ n° 7; h) o dissídio jurisprudencial objeto do Recurso Especial deve ser cabalmente evidenciado, a partir da indicação analítica dos pontos divergentes, para, somente então, ter seu mérito conhecido. Sendo o cotejo analítico entre acórdão recorrido e paradigmas elemento essencial para a caracterização do dissídio jurisprudencial, o Recurso Especial que não se desincumbir do ônus imposto pelo art. 67, § 8o, do RICARF 2009, não pode ser conhecido. Ou seja, não obstante o esforço da Procuradoria, o seu Recurso limitase à mera transcrição da ementa e alegações do que trataria os acórdãos paradigmas, os quais não se prestam a evidenciar a similitude fática, tampouco a divergência entre os acórdãos. Importa lembrar que a CSRF já consolidou seu entendimento no sentido de que o REsp, para ser conhecido, deve Fl. 927DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 928 11 proceder ao cotejo analítico entre acórdãos recorrido e paradigmas, sendo que, para tanto, é insuficiente mera transcrição de ementa das decisões paradigmáticas, se desacompanhada de análise comparativa substancial. Assim, tendo em vista que a Procuradoria não demonstra a correlação na matéria debatida em seu Recurso de modo analítico, tal qual preceitua o artigo 67, § 6o, do RICARF 2009, a sua irresignação não merece ser conhecida, tal como asseverado no Despacho de Inadmissibilidade (sic); i) Quanto ao mérito, entende que a caracterização do estágio é certa, tanto com fulcro na Lei n° 6.494, de 1977, como na Lei n° 11.788, de 2008, notadamente diante do conjunto probatório apresentado pela ora Recorrida, comprovando o cumprimento dos requisitos da Lei n° 6.494, de 1977, inexistindo vínculo empregatício entre a Recorrida e os estagiários. Cita o art. 3o, da Lei n° 6.494,de 1977, para defender que, uma vez que a Recorrida apresentou os Termos de Compromisso firmados com os estagiários, inclusive, todos com interveniência do Centro de Integração Empresa Escola ("CIEE"), conforme reconhecido pela própria Autoridade Administrativa no Relatório Fiscal que acompanha os AIs, temse que a Recorrida cumpriu o requisito necessário para a realização do estágio; j) Cita, ainda, os art. 5o. do Decreto 87.497, de 1982, para argumentar que resta patente que a existência do Termo de Compromisso celebrado entre o estudante o cedente, com a supervisão da Instituição de Ensino, constitui prova bastante e suficiente da inexistência de vínculo empregatício. Nesse sentido, inclusive, jurisprudência deste CARF a propósito. k) Destarte, resta patente que os estágios curriculares fornecidos pela Recorrida estão em perfeita consonância com as determinações legais, bem como que a Recorrida cumpriu todos os requisitos formais e materiais previstos na Lei n.° 6.494, de 1977, revelandose, assim, absolutamente improcedente a pretensão da Autoridade Fiscal. Além disso, a Recorrida cumpriu os demais requisitos formais e materiais indicados na Lei n.° 6.494, de 1977, pois, além dos Termos de Compromisso firmados, todos os estagiários indicados no auto de infração frequentam cursos de educação superior; a Recorrida possui condições de proporcionar a experiência prática necessária na linha de formação do estagiário, sendo certo que o estágio propicia a complementação do ensino e da aprendizagem do estudante, planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos. E mais, todas as informações e relatórios acercados estagiários foram devidamente encaminhados às Instituições de Ensino e/ou ao CIEE, sendo certo que à Recorrida não cabe a guarda deste material, até porque, muitas vezes, os mencionados relatórios são enviados via digital, ficando disponíveis em sistema por apenas seis meses; l) Ademais, caso os programas de estágio não estivessem em conformidade com as condições estabelecidas pela lei e pelas instituições de ensino, as mesmas já teriam se pronunciado, solicitando que a Recorrida tomasse as providências cabíveis no sentido de regularizar a situação, haja vista serem as responsáveis pelos estágios, consoante inteligência do artigo 2o., do Decreto n.° 87.497, de 18 de agosto de 1982. Portanto, os elementos de prova demonstrados pela Recorrida são hábeis e suficientes para a comprovação das atividades de estágio exercidas; Pugna, assim, inicialmente, pelo não conhecimento do REsp aviado pela PGFN e, subsidiariamente, no mérito, pelo seu desprovimento, mantendose o Acórdão Recorrido na parte em que vergastado. É o relatório. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 929 12 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Pelo fato de o ConselheiroRelator Heitor de Souza Lima Junior não mais compor o colegiado em função do encerramento do seu mandato, eu, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nomeada para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele encaminhado na sessão de julgamento. Considerando que eu (Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), como redatora adhoc, fui designada apenas para a formalização do voto, deixo consignado que embora tenha acompanhado o relator, não me vinculo a todas os fundamentos por ele adotados em seu voto. Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator. 1. Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, o Recurso atende a este requisito de admissibilidade. Passo, assim, a analisar as óbices quanto ao conhecimento levantadas sem sede de contrarrazões (itens 12 a 51 de efls. 746 a 756). Inicialmente quanto à óbice levantada pela contraarrazoante de inexistência de interesse processual da PGFN (itens 12 a 21 de contrarrazões), entendo não lhe assistir razão. Explico. Nítido, em meu entendimento, que a Fazenda Nacional aduz, em seu Recurso de efls. 688 a 715 e anexos, tese jurídica que seria suficiente, sim, à manutenção do lançamento, na medida em que: a) Uma vez afastada a aplicação retroativa da lei no. 11.788, de 2008, e b) caracterizada violação pelo autuado da Lei no. 6.494 de 1977, pela não manutenção dos comprovantes de matrícula e de frequência de seus estagiários, (independentemente da existência do Convênio com a CIEE, que não é mencionado no Recurso) se atinge sim, pelo Recurso, o ponto fulcral de descumprimento de obrigação legal de responsabilidade do contribuinte consoante pode ser confirmado às efls. 711 a 713 do Recurso Fazendário. Notese que, afastada a referida retroatividade e uma vez adotada a tese propugnada pela Recorrente, restaria escorreito o lançamento Por fim, em sede de conhecimento, não deve se manifestar este Colegiado acerca de eventual improcedência de alegação por insuficiência de provas, a ser analisada somente quando do mérito recursal caso o Recurso reste regularmente admitido. Afastada tal óbice inicial, passo, agora, à análise de existência de similitude fática e existência de divergência interpretativa (óbices em itens 22 a 36 de contrarrazões, às e fls. 749 a 753). De se notar, a propósito que o Recurso Fazendário de efls. 688 a 715, contrariamente ao afirmado pelo contraarrazoante não possui, no presente caso, qualquer item específico relativo à aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna, o qual é tratado Fl. 929DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 930 13 conjuntamente com a matéria litigada, referente à caracterização de estagiários como empregados. Quanto à alegada inexistência de similitude fática entre recorrido e paradigmas, com o devido respeito ao argumento tecido pelo contrarrazoante, cediço que se está diante de situação fática notadamente semelhante no caso do primeiro paradigma (Acórdão 2302001.162), onde se conclui, pela necessidade, à luz do disposto na Lei no. 6.494, de 1977, de manutenção, pelo autuado (e não por terceiros) de comprovantes de frequência escolar (conforme citado às efls. 18/19 do primeiro acórdão paradigma), apesar de também ali existir convênio realizado com a mesma instituição dos presentes autos (CIEE) para fins de contratação do estágio. Assim, transmudado o caso concreto para o Colegiado paradigmático, não havendo a apresentação de tais elementos, restaria rejeitada a exclusão tencionada pelo autuado, em linha com a glosa realizada pela autoridade fiscal e em posição divergente do Colegiado a quo. Caracterizada, assim, a existência de divergência interpretativa, Quanto à óbice em sede de conhecimento levantada pelo contribuinte de se estar a tratar aqui de revaloração probatória (itens 37 a 44 de efls. 795 a 797), entendo que se está, no pleito, diante de questão notadamente jurídica, no que diz respeito ao ônus probatório a ser suportado pela instituição concedente de estágio, para fins da fruição da exclusão dos valores pagos a titulo de estágio da incidência sobre contribuições previdenciárias e à suficiência dos termos de compromisso como elemento de prova. Especificamente quanto ao item supra, ressalto que, neste cenário, não há que se falar em revaloração probatória, mas simplesmente de estabelecer o ônus probatório do qual se deve desincumbir o contribuinte (questão notadamente jurídica), limitandose, a partir daí, o julgado à aplicação da tese vencedora ao caso concreto, levando, sim, em consideração as provas constantes dos autos, mas sem revalorálas. Finalmente, quanto à suposta inexistência de cotejamento analítico (itens 45 a 51 de contrarrazões), entendo não haver reparos a fazer à análise de efls. 718 a 730, tendo a Fazenda se desincumbido satisfatoriamente do requisito Regimental, mais especificamente no item III de seu pleito, constante de efls. 691 a 708. Assim, a partir do acima disposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e passo à sua análise de mérito. 2. Quanto ao mérito Caracterização de Segurado Empregado Estagiário: Inicialmente, incontroversa, a esta altura, em meu entendimento a inaplicabilidade da retroatividade benigna e, consequentemente, da Lei no. 11.788, de 2008, aos presentes autos para fins de caracterização da relação de estágio/vínculo empregatício, uma vez que o contribuinte a reconhece como inaplicável expressamente em sede de contrarrazões, por força de sua interpretação da decisão recorrida, verbis: 34. E, com relação à matéria de retroatividade benigna da Lei no. 11788/08, a D. PGFN não apresenta acórdão paradigma para subsidiar tal argumento e tampouco o ponto foi motivo de decidir do v. aresto recorrido (grifei). Fl. 930DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 931 14 Assim, de se analisar o cumprimento ou não dos requisitos para fins da exclusão tencionada à luz da Lei no. 6.494, de 1977. Adentrando o caso, rezava a propósito o já mencionado art. 28, §9o., "i", da Lei no. 8.212, de 1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; (...) Por sua vez a mencionada Lei no. 6.494, de 1977, assim estabelecia : Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) §1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) §2º o estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) §3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. (Incluído pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) Art. 2º O estágio, independentemente do aspecto profissionalizante, direto e específico, poderá assumir a forma de atividade de extensão, mediante a participação do estudante em empreendimentos ou projetos de interesse social. Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) Fl. 931DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 932 15 § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Art. 4º O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Art. 5º A jornada de atividade em estágio, a ser cumprida pelo estudante, deverá compatibilizarse com o seu horário escolar e com o horário da parte em que venha a ocorrer o estágio. Parágrafo único. Nos períodos de férias escolares, a jornada de estágio será estabelecida de comum acordo entre o estagiário e a parte concedente do estágio, sempre com interveniência da instituição de ensino. Por sua vez estabelecia o Decreto no. 87.497, de 1982, regulamentador da Lei no. 6.494, de 1977: Art . 1º O estágio curricular de estudantes regularmente matriculados e com freqüência efetiva nos cursos vinculados ao ensino oficial e particular, em nível superior e de 2º grau regular e supletivo, obedecerá às presentes normas. Art . 2º Considerase estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino. Art . 3º O estágio curricular, como procedimento didático pedagógico, é atividade de competência da instituição de ensino a quem cabe a decisão sobre a matéria, e dele participam pessoas jurídicas de direito público e privado, oferecendo oportunidade e campos de estágio, outras formas de ajuda, e colaborando no processo educativo. Art . 4º As instituições de ensino regularão a matéria contida neste Decreto e disporão sobre: a) inserção do estágio curricular na programação didático pedagógica; b) cargahorária, duração e jornada de estágio curricular, que não poderá ser inferior a um semestre letivo; c) condições imprescindíveis, para caracterização e definição dos campos de estágios curriculares, referidas nos §§ 1º e 2º do artigo 1º da Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977; d) sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 933 16 Art . 5º Para caracterização e definição do estágio curricular é necessária, entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, a existência de instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as condições de realização daquele estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso.(grifei) Art . 6º A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. § 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. Art . 7º A instituição de ensino poderá recorrer aos serviços de agentes de integração públicos e privados, entre o sistema de ensino e os setores de produção, serviços, comunidade e governo, mediante condições acordadas em instrumento jurídico adequado. Parágrafo único. Os agentes de integração mencionados neste artigo atuarão com a finalidade de: a) identificar para a instituição de ensino as oportunidades de estágios curriculares junto a pessoas jurídicas de direito público e privado; b) facilitar o ajuste das condições de estágios curriculares, a constarem do instrumento jurídico mencionado no artigo 5º; c) prestar serviços administrativos de cadastramento de estudantes, campos e oportunidades de estágios curriculares, bem como de execução do pagamento de bolsas, e outros solicitados pela instituição de ensino; d) coparticipar, com a instituição de ensino, no esforço de captação de recursos para viabilizar estágios curriculares. Feita tal digressão, com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, entendo que, com fulcro no estabelecido no art. 28, §9o., "i", da Lei no. 8.212, de 1991, a referida Lei no. 6.494, de 1977, na forma do seu art. 1o, §§1o., 2o. e 3o., estabelece condições a meu ver a serem necessariamente cumpridas e que perpassam a simples celebração do Termo de Compromisso, dependendo a exclusão da base de cálculo das contribuições da efetiva comprovação, pela concedente, de todos os requisitos estabelecidos, uma vez que é a Fl. 933DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 934 17 concedente a beneficiária da exclusão, cabendo a esta, assim, comprovar o fato constitutivo de seu direito àquela, prevista na referida alínea "i", afastando, assim, a relação de emprego. No que tange à efetiva comprovação do atendimento ao disposto nos §§1o., 2o. e 3o. do art. 1o da Lei no. 6.494, de 1977, à luz do referido Regulamento, acedo aqui ao posicionamento brilhantemente esposado pelo Conselheiro Arlindo da Costa e Silva no âmbito do Acórdão no. 2401004.286, visto refletir, também, meu posicionamento acerca do tema, verbis: (...) De acordo com a legislação de regência, a caracterização de estagio curricular depende da celebração de Termo de Compromisso entre o Estudante e o Concedente, com a interveniência da Instituição de Ensino, o qual termo constituirá comprovante exigível da inexistência de vínculo empregatício. Com efeito, é através do reexame periódico do citado instrumento jurídico que as autoridades competentes, dentre as quais os auditores fiscais federais, podem sindicar se a relação jurídica estabelecida inicialmente entre estagiário e as empresas continuam atendendo aos requisitos essenciais da inexistência de vínculo empregatício, ou, no caso da legislação previdenciária, se o valor auferido pelo estagiário ainda reúne as condições indispensáveis para se subsumir à hipótese de não incidência prevista na alínea “i” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. (...) Em consonância com o regime jurídico ora vigente, a caracterização de inexistência de vínculo empregatício entre o estagiário e a empresa depende do adimplemento cumulativo dos seguintes requisitos essenciais: § Comprovação de matrícula e frequência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; § Comprovação da celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; § Comprovação da compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso; § Comprovação do acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, mediante vistos nos relatórios de atividades do educando, apresentados periodicamente em prazo não superior a 6 (seis) meses, e por menção de aprovação final.”(grifei) Aplicando tais considerações especificamente quanto ao caso sob análise, entendo que, uma vez tendo se limitado a concedente a apresentar os Termos de Compromisso Fl. 934DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 935 18 de Estágio, sem qualquer comprovação de matrícula e frequência regular e de compatibilidade de atividades e acompanhamento efetivo, não se desincumbiu aquela concedente satisfatoriamente do ônus supra, qual seja, de comprovação de cumprimento dos requisitos estabelecidos nos §§1o., 2o. e 3o. do art. 1o da Lei no. 6.494, de 1977, à luz do referido Decreto regulamentador, que restaram, assim, violados, alinhandome aqui ao entendimento da autoridade julgadora de 1a. instância, cujo excerto abaixo é adotado aqui como razão de decidir adicional quanto à matéria: " (...) Cabe observar, no caso, que a atividade do estagiário revestese, em princípio, de pessoalidade, de subordinação, de não eventualidade e de onerosidade, características inerentes a uma relação de emprego, mas que a legislação previdenciária isenta os valores percebidos pelos estagiários quando obedecidas as exigências previstas na Lei n.° 6.494/77, (...) (...) É de se ressaltar, aqui, que, caso a empresa não demonstre o atendimento dos requisitos formais e materiais da Lei n.° 6.494, de 07/12/1977, os valores percebidos pelos estagiários serão tributados, sofrendo a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, com a sua caracterização como segurados empregados. (...) Assim, não é qualquer pagamento a estagiário que irá resultar em isenção das contribuições previdenciárias e de terceiros, mas apenas aqueles que forem realizados em observância à Lei n.° 6.494/77, sendo que a prova de que a relação com o estudante respeita os pressupostos da Lei do Estágio é do contribuinte, não do Fisco. É do contribuinte, porque o estágio remunerado possui os pressupostos da relação de emprego. (...) Transcrevese, a seguir, entendimento jurisprudencial que abarca a matéria e solidifica a certeza de que cabe à concedente de estágio o ônus de comprovar a regularidade do estágio realizado dentro de seu estabelecimento, com o seu enquadramento nos preceitos da Lei n.° 6.494/77, sob pena de serlhe atribuída a condição de relação de emprego e a correspondente vinculação previdenciária do estagiário. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BOLSAS DE TRABALHO. ÔNUS PROBATÓRIO ART. 333,I DO CPC. I. No intuito de incidência da legislação que regra o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino superior, a situação fálica vivenciada pelas instituições educacionais deveria enquadrarse nos preceitos da Lei n°6.494/77. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 936 19 2. A parte autora não logrou êxito ao demonstrar o cumprimento das normas legais, ônus probatório que lhe incumbia (art. 333, I do CPC), 3. Não caracterizada a atividade como estágio, configurase os elementos fálicos que tipificam a relação de emprego, e, consequentemente, passível de incidência de contribuição previdenciária. (AC APELAÇÃO CÍVEL; Processo n.° 200304010059570/SC; TRF4 —Tribunal Regional Federal da 4" Região — Primeira Turma; Relatora Maria Lúcia Luz Leiria; DJ de 14/07/2004). TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BOLSAS DE ESTUDO. RELAÇÃO DE EMPREGO. 1. Para que incidisse a legislação que dispõe sobre o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino superior, deveria a hipótese vertente se amoldar aos preceitos da Lei n°6.494/77. 2. A embargante não logrou infirmar a situação fática constatada pela fiscalização previdenciária, que evidenciou não se tratar efetivamente de bolsas de estudos, mas de gratificações a funcionários ou retribuição por serviços prestados em atividades cotidianas, com subordinação e horários estabelecidos pela Universidade. 3. Restando desvirtuadas as finalidades visadas pela Lei n° 6.494/77, pois os bolsistas prestavam atividades inseridas nos fins próprios e inerentes da Universidade, como verdadeiros empregados, não se caracterizando a relação como de aprendizagem profissional e de complementaridade entre os conhecimentos ministrados na instituição de ensino e os praticados, são devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a título de "bolsas de estudos". (EIAC EMBARGOS INFRINGENTES NA APELAÇÃO CÍVEL; Processo n.° 199804010661910/RS; TRF4 — Tribunal Regional Federal da 4' Região — Primeira Seção; Relator Wellington Mendes de Almeida; DJ de 13/11/2002) Cumpre esclarecer que, ao contrário do que entende a impugnante, a simples apresentação de Termos de Compromisso de Estágio celebrados com os estudantes não constitui prova suficiente da inexistência de vínculo empregatício. Não basta a apresentação, pela empresa, destes Termos, para comprovar a regularidade dos estágios. É inadmissível prosperar a tese de que, uma vez contratado o estudante, com a formalização de Termo de Compromisso de Estágio, nenhuma outra providência ou controle viesse a ser exercido pela concedente do estágio ou exigido dela. A existência dos referidos Termos de Compromisso não constitui condição suficiente, mas apenas necessária para descartar o vínculo empregatício.(grifei) Fl. 936DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 937 20 Deve ser observado, aqui, o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, no qual o que prevalece é a realidade fática sobre a realidade formal. Em outras palavras, tais Termos de Compromisso só descaracterizam a relação de emprego quando observados todos os preceitos da Lei n.° 6.494/77, que foi regulamentada pelo Decreto n.° 87.497/82, o que não ocorreu no presente caso. Cabe observar que não procede a alegação da impugnante no sentido de que não caberia a ela a guarda e a apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, mediante TIAD (Termo de Intimação para Apresentação de Documentos), referente a outros relatórios e informações acerca dos estagiários que não os Termos de Compromisso de Estágio retro mencionados, uma vez que tais documentos constituem elementos probatórios das condições do estágio, sendo necessários para fins de comprovação do atendimento dos requisitos previstos na Lei n.° 6.494/77, sem a qual os estagiários são caracterizados como segurados empregados, com a integração das verbas pagas a eles ao saláriode contribuição, nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "i" da Lei n.° 8.212/91, e dos artigos 9°, inciso I, alínea "h" e 214, parágrafo 9°, inciso IX do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Ressaltese que, no caso, de acordo com o Relatório Fiscal, diversos requisitos, formais e materiais, previstos na legislação específica (Lei n.° 6.494/77 e Decreto n.° 87.497/82), relativos ao contrato de estágio, deixaram de ser cumpridos pela empresa concedente, conforme trecho a seguir transcrito. 5. PONTOS EM DESACORDO COMA LEGISLAÇÃO (...) Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática.., são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários corno empregados. (...) Não há que se falar em relação de estágio conforme a prevista na Lei n.° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao comando da norma escrita. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 938 21 No que tange ao relatório MAPE do estagiário Marcello Renato Souza, que cita em sua defesa e cuja cópia anexa aos autos, cabe observar que nele consta como data de admissão "20/02/2008", sendo que o período objeto deste AI é de 12/2002 a 08/2006, e que, ainda que fosse concernente ao presente lançamento e que, por hipótese, pudesse comprovar o planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação do estágio, não seria hábil a afastar esta autuação, uma vez que vários outros requisitos da legislação específica deixaram de ser atendidos pela empresa concedente, conforme se pode verificar no Relatório Fiscal.(grifei) É de se destacar, aqui, que o presente lançamento não foi fruto de uma simples interpretação econômica dos fatos, como alega a impugnante, tendo sido realizado, pela fiscalização, com base no disposto na Lei n.° 8.212/91, no RPS, aprovado Decreto n.° 3.048/99, na Lei n.° 6.494/77, no Decreto n.° 87.497/82, na Lei n.° 11.457/2007 e no Código Tributário Nacional, tendo sido observado, no caso, o princípio da legalidade. Ainda, acrescento, com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, que, na forma do art. 123 do CTN abaixo transcrito, entendo como inoponíveis ao Fisco os Convênios com a CIEE, de forma a sustentar eventual tese de que, por força dos referidos convênios, tivesse sido transferida a terceiros (que não são os beneficiários da referida exclusão) a responsabilidade pela comprovação do cumprimento das obrigações, repitase, estabelecidas por Lei, para fins de fruição do benefício da exclusão da base de cálculo. Como já tive oportunidade de mencionar, tal ônus, em meu entendimento, era do autuado, visto se estar a tratar de fato constitutivo de seu direito à exclusão em questão, previsto no art. 28, §9o, "i", da Lei no. 8.212, de 1991, na forma regrada pelo art. 333, I do CPC, em linha com julgados oriundos do TRF4 já aqui reproduzidos. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Rejeita este relator, ainda, a vinculação deste Tribunal a julgados oriundos da Justiça do Trabalho (TST inclusive) que, notese, não tratam especificamente da incidência de contribuições previdenciárias e, consequentemente, da legislação tributária em análise (diferentemente dos julgados exemplificativos trazidos pela decisão de 1a. instância, que se amoldam perfeitamente à situação em litígio, visto que oriundos do TRF da 4a. Região). A propósito ainda, com a devida vênia a quem entende de forma diversa, não se buscou, através do lançamento tributário, nenhum tipo de "tutela" pela RFB da relação estagiárioautuado, mas tão somente verificar o cumprimento dos requisitos legalmente estabelecidos, a fim de que os pagamentos efetuados não compusessem a base de cálculo do tributo em análise (cuidandose, aqui, da relação fiscocontribuinte), daí a não vinculação, seja legal, ou mesmo material, a tais julgados oriundos da Justiça Trabalhista, esta, sim, responsável pela tutela jurídicolaboral. Quanto aos arts. 4o. e 5o. do Decreto 87.497, de 1982, faço notar que entendo que se está a tratar, ali, dos requisitos de natureza acadêmica, cuja regulamentação obviamente Fl. 938DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 939 22 se remete às instituições de ensino e não às entidades concedentes, sem que, ressaltese, em nenhum momento nos referidos artigos, notese, se esteja a retirar qualquer ônus de comprovação da entidade concedente para fins de exclusão da incidência previdenciária. Devese, ainda, aqui, ressaltar que o §1o. do art. 6o. do mesmo diploma estabelece que o Termo de Compromisso é comprovante exigível para fins de que se afaste o vínculo empregatício, sem que tal fato acarrete, todavia, que a mera apresentação dos referidos Termos seja suficiente para afastamento do vínculo em situações onde, a exemplo do caso em questão, são carreados relevantes indícios no sentido da existência de tal vínculo. Oportuno, a propósito que se remeta aqui a tais indícios, constantes do Relatório Fiscal, mais especificamente às efls. 41 a 50, verbis: (...) 5. PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO: (...) 5.1.1 Planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. Está prevista na cláusula 53, alínea "a", a obrigatoriedade da Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio. Mesma exigência prevista no art. 1° da Lei n° 6.494/1977, a saber: "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares". (grifo nosso) Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovados para esta Auditoria Fiscal tal planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. 5.1.2 As atividades a serem desenvolvidas: Quanto às atividades destacadas em 3.2.1, não foram comprovadas para esta auditoria a execução das mesmas, ou seja, não existe documentação comprovando quais atividades os contratados desempenharam no período de contrato. Não foram apresentados relatórios de atividades desenvolvidas, apesar de serem atividades de execução e não de aprendizado. A alínea "e" da 3' cláusula dos termos que tratam das atividades dos estagiários contém atividades de execução, quais sejam, fazer atendimento a clientes, elaborar, calcular, estabelecer, redigir e selecionar dados e informações. Quando o objetivo do estagiário dentro da organização é o de aprender, conhecer, acompanhar e ter noções de elaboração, cálculos, redação e seleção de qualquer dado, informação, relatório e planilhas gerenciais entre outras atividades desenvolvidas dentro da organização. 5.2 Comprovação de freqüência escolar Fl. 939DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 940 23 Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovadas, para esta auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados, conforme previsto no §1° do art. 1° da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977. 5.3 Supervisão do estágio Apesar de constar, em alguns acordos firmados, um empregado do Contribuinte como supervisor (a) do estágio, não foi comprovado nesta auditoria tal supervisão; ou seja, aspectos tais como ocorreu a supervisão, se ambos estavam no mesmo setor, subordinados às mesmas pessoas, departamento, seção ou agência. Dos contratados relacionados em "3.2" não consta nome de supervisor (a) para: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Fernanda Lomeu Gaudereto e Tatiana Da Silva É fundamental que o estágio atenda a todos os requisitos materiais e formais para a sua configuração, sem os quais ele se reverte em contrato de trabalho comum. Os estudantes deveriam auxiliar e não executar funções sem acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas suas funções; funções relacionadas com a formação do estudante. Inclusive o atendimento a esta auditoria fiscal foi, na maioria das vezes, realizado pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz, sem acompanhamento. Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°, da Lei n. ° 6.494/77; são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários como empregados. Logo, a força laborativa dos estudantes inseriuse habitualmente na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade. (...) 8.1 Outros elementos de convicção (...) 8.1.5 Continuidade da contratação de estagiário Anteriormente à apresentação dos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio relacionados em "3.2", o Fl. 940DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 941 24 Contribuinte apresentou diversos Acordos de Cooperação e Termos de Compromisso de Estágio que foram firmados em período posterior ao auditado e, dentre eles, destacamos o firmado com o estagiário Ricardo Gomes Munhoz, com as mesmas características já mencionadas em "3.3", a saber: "Data de assinatura: 04/07/2007" "Cláusula 3a Ficam compromissadas entre as partes as seguintes CONDIÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO": "Vigência de: 04/07/2007 até 31/12/2008". "Bolsa Auxílio mensal, inicial de: R$1.159,11 (UM MIL, CENTO E CINQÜENTA E NOVE REAIS E ONZE CENTAVOS)" "Atividades do Estágio": "Elaborar relatórios de contabilidade; acompanhar a elaboração de relatórios de análises gerenciais; elaborar planilhas de custos e despesas; auxiliar na elaboração de relatórios gerenciais". 8.1.5.1 Relatório de estágio Juntamente com o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, o Contribuinte anexou um RELATÓRIO DE ESTÁGIO, referente a 11/2007, do estagiário Ricardo Gomes Munhoz. Este relatório, segundo informações do estagiário Ricardo Gomes Munhoz, é preenchido no site do CIEE pelo próprio estagiário. Deste relatório destacamos dois pontos que julgamos mais importantes: Texto no início do formulário, logo após a identificação do estagiário: "Caro Estagiário, o CIEE tem a responsabilidade de subsidiar as Instituições de Ensino com informações sobre o desenvolvimento e a evolução do seu estágio. Através deste instrumento estaremos auxiliando as Instituições de Ensino na supervisão e avaliação do estágio de seus alunos. Portanto, o preenchimento desse relatório é obrigatório, conforme consta na cláusula 7' do Acordo de Cooperação e o Termo de Compromisso de Estágio". Atividades de Estágio: As informações prestadas pelo estagiário foram: "Atendimento à fiscalização Receita Federal e Prefeituras. Controle e cadastro de Agências Filiais do Banco pelo país. Separar documentos para regularização de agências na Prefeitura". Fl. 941DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 942 25 As atividades desenvolvidas não estão previstas no acordo assinado; não há indicação de supervisão ou avaliação. As atividades foram de execução, sendo, inclusive, esta Auditoria Fiscal atendida pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz que, na maioria das vezes, apresentavase sem a presença de empregado do Contribuinte; prestava e recebia esclarecimentos como se empregado fosse. Em 26/02/2008 o Sr. Ricardo utilizouse do endereço de email do Contribuinte (Sup. Impostos Riscos Fiscais JSMTP:sirfiscaisasantander.com.br para responder ao questionamento a cerca dos históricos no razão contábil apresentado (anexo no CD com nome @EmRicardo). Na maioria das vezes que compareci às instalações do Contribuinte, foi o estagiário Ricardo quem liberou para a recepcionista a minha entrada nas dependências do mesmo (anexada cópia de uma das liberações). Estes outros elementos de convicção demonstram que as atividades das pessoas contratadas como estagiárias, na verdade, são atividades destinadas a empregados, reconhecidos pela Justiça Trabalhista e, internamente por todos. (...)" Diante do exposto, considerando: a) a não comprovação pelo autuado dos requisitos estabelecidos pela Lei no. 6.494, de 1977, mais especificamente em seu art. 1o, §§1o., 2o. e 3o., e que não se limitam ao Termo de Compromisso de Estágio (condição necessária mas não suficiente), simultaneamente à b) constatação de indícios que apontam para a existência de vínculo empregatício, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose, assim, o lançamento, a partir da escorreita caracterização dos estagiários em análise como segurados. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 943 26 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A presente declaração tem por escopo apenas reforçar alguns pontos suscitados durante as discussões acerca da impossibilidade de formação de vínculo de emprego quando descumpridas as regras da lei de Estágio. Quanto a impossibilidade de formação de vínculo de emprego para efeitos previdenciários, confundese o sujeito passivo, quanto ao alcance do lançamento e sua fundamentação. Conforme trazido pela autoridade fiscal no lançamento, e reforçado no voto do ilustre conselheiro relator Heitor de Souza Lima Junior, é fato que a contratação de estagiários deuse de forma irregular. A lei 6.494/77, em seus primeiros artigos descreve a inexistência de vínculo de emprego entre a empresa concedente do estágio e o estagiário, todavia, também estabelece a caracterização de segurado obrigatório da previdência social quando descumpridas as regras da lei de estágio. Trouxe a autoridade fiscal em seu relatório, fls. 186 a 202, não apenas a análise da legislação, como também, elementos fáticos que demonstram quais os descumprimentos foram imputados ao sujeito passivo e que ensejaram o lançamento fiscal acerca da motivação do lançamento. 2. Dos Fatos Em auditoria fiscal realizada no Contribuinte acima identificado, mediante MPF também acima identificado, foi solicitado por Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF e diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, documentos e esclarecimentos acerca da contratação de estagiários pelo contribuinte. Da documentação e esclarecimentos prestados, esta auditoria concluiu que as falhas existentes nesta contratação caracterizamna como uma relação de vínculo empregaticio. A caracterização deste vinculo empregatício está demonstrada, neste relatório, da seguinte forma: Em "3. DA CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS PELO CONTRIBUINTE" está relatado como se dá a relação do contribuinte com os estagiários quanto à documentação; Em "4. LEGISLAÇÃO SOBRE A CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS" está transcrita a legislação pertinente à contratação de estagiário; e, Em "5. PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO" estão relacionados os pontos da relação contribuinte estagiário em desacordo com a legislação. Em "6. Do VALOR APURADO" informações sobre como e quais valores foram calculadas as contribuições devidas. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 944 27 Em "7. DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO" a origem e o período que compõem o valor cobrado. Em "8. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO" constam o documento onde Contribuinte relaciona beneficiários e valores, forma de contratação e informações diversas confirmando que os estagiários na verdade são empregados. Ou seja, sempre foram de responsabilidade da empresa concedente do estágio as obrigações inerentes ao cumprimento e acompanhamento do cumprimento do objetivo do estágio, qual seja, o exercício pelos alunos de atividades em empresas ou instituições com o objetivo de complementar a aprendizagem através da vivência no mundo do trabalho dos conteúdos obtidos em sala de aula, senão vejamos outro trecho do relatório fiscal, transcrevendo os termos do contrato de estágio : Cláusula 3' Caberá à Concedente de Estágio: a) "formalizar as oportunidades de estágio, em conjunto com o CIEE, atendendo as condições definidas pelas Instituições de Ensino para a realização dos estágios, identificando quais vagas devem ser trabalhadas em módulo de Processo Especial"; b) "receber os estudantes interessados e informar ao CIEE o nome dos aprovados para o estágio"; c) "assinar os documentos legais providenciados pelo CIEE, indicados na alínea "e" da cláusula 2a;" d) "cumprir todas as responsabilidades, como Concedente, indicadas nos Acordos de Cooperação e Termos de Compromisso de Estágio celebrado com os estagiários"; e) "efetuar o pagamento mensal das BolsasAuxílio, diretamente a seus estagiários"; f) "solicitar ao estagiário, a qualquer tempo, documentos comprobatórios da regularidade da situação escolar"; g) "informar ao CIEE, de imediato, sempre que identificada irregularidade na situação escolar de qualquer estagiário e toda vez que ocorrer rescisão antecipada de qualquer Termo de Compromisso de Estágio TCE, para as necessárias providências legais e interrupção dos procedimentos técnicos e administrativos a cargo do CIEE, quando for o caso"; h) "participar da sistemática de acompanhamento, supervisão e avaliação dos estágios, fornecendo para as Instituições de Ensino ou ao CIEE quando solicitado". Vejamos o conceito de estágio descrito na lei 6494/77, que é a norma vigente à época em que o contrato de estágio se desenvolveu: O estágio é o procedimento formativo, de cunho didático pedagógico e articulado segundo projeto de planejamento institucional, que visa permitir ao estudante complementar a sua formação e compreender na prática os ensinamentos teóricos recebidos em sua vida escolar. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 945 28 Ademais, deixou muito bem consignado no relatório fiscal, não apenas os aspectos teóricos, mas especialmente os elementos de convicção que demonstram não apenas tratase de profissionalização de estudantes, mas utilização de mão de obra de forma irregular. senão vejamos, novamente, trechos dos relatórios: 3.2 — Depois de solicitado pelo Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF e por diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, o Contribuinte apresentou diversos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, conforme previsto na alínea "e" da cláusula 2a do Convênio firmado com o CIEE, todos em arquivo formato pdf anexado ao presente Auto (multimídia que não permite regravação); referentes aos seguintes contratados: [...] 3.2.1 — Atividades a serem desenvolvidas constantes nos contratos relacionados em 3.2 são: Alessandro Analisar documentos para preparação de contratos, examinar processos diversos, organizar arquivos de processos e clientes, elaborar procurações para clientes, orientar clientes sobre direito administrativo. Ana Auxiliar na contabilidade do Banco;auxiliar nos serviços gerais da agência; auxiliar no autoatendimento; fazer atendimento aos clientes; fazer divulgação dos produtos da agência. Bruno Elaborar calendário de eventos; identificar eventos turísticos; auxiliar na promoção de visitas, congressos, exposições festivas e demais eventos; elaborar calendário de eventos. Carolina Orientar participantes de cursos e treinamentos; auxiliar na preparação de material para treinamento; preparar relatórios gerenciais; auxiliar na programação de treinamentos. Daniela Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. Fabio Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. Felipe A ser estabelecida pelo coordenador interno e orientador do estágio, estabelecerão o plano de trabalho. Fernanda Auxiliar na análise de indicadores econômicos; calcular taxas ou operações financeiras; orientar clientes sobre produtos e serviços do banco; elaborar documentos relatório, planilhas ou formulários diversos. Leonardo Não menciona as atividades e prevê desconto do seguro item 6 Mariana Estabelecer crescimento de vendas por produtos; fazer divulgação técnica dos produtos; orientar clientes sobre produtos e/ou serviços de autoatendimento; fazer atualização dos dados cadastrais dos clientes. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 946 29 Ritiely Criar apresentações em Powerpoint; emitir documentos, relatórios, planilhas ou formulários diversos; fazer atualização dos dados cadastrais dos clientes; organizar documentos, prontuários e/ou registros diversos. Tatiana Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. Tiago Cadastrar novos clientes; estabelecer crescimento de vendas por produtos; analisar documentos para preenchimento do cadastro; prospectar clientes; operar terminais, ou pc, para processamento de informações; poderão ser realizadas outras atividades, a critério da supervisão do estágio. 3.2.2 O CIEE está como interveniente na maioria dos contratos, exceto nas seguintes contratações: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Leonardo Seiji Miyahara e Tatiana Da Silva; para os quais consta a respectiva faculdade como interveniente: 3.2.3 Consta nos respectivos termos urna previsão de reembolso de despesas extras na execução das atividades do estagiário, item 8 do termo, dos contratados Felipe Giunte Yoshida e Leonardo Seiji Miyahara. 3.2.4 Nos termos firmados cujo interveniente • é a respectiva faculdade, as atividades a serem desenvolvidas serão Conforme plano de estágio apresentado pelo Banco à Instituição de ensino, nos moldes por ela estabelecidos. [...] PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO: 5.1 — DOS ACORDOS DE COOPERAÇÃO E TERMOS DE COMPROMISSO DE ESTÁGIO Em relação aos acordos de cooperação e termos de compromisso de estágio apresentados pelo contribuinte com as pessoas contratadas, temos os seguintes pontos não comprovados ou em desacordo com a legislação: 5.1.1 Planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. Está prevista na cláusula 5', alínea "a", a obrigatoriedade da Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio. Mesma exigência prevista no art. 1° da Lei n° 6.494/1977, a saber: "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares". (grifo nosso) Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovados para esta Auditoria Fiscal tal planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. 5.1.2 As atividades a serem desenvolvidas: Quanto às atividades destacadas em 3.2.1, não foram comprovadas para esta auditoria a execução das mesmas, ou seja, não existe documentação comprovando quais atividades os Fl. 946DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 947 30 contratados desempenharam no período de contrato. Não foram apresentados relatórios de atividades desenvolvidas, apesar de serem atividades'de execução e não de aprendizado. A alínea "e" da 3a cláusula dos termos que tratam das atividades dos estagiários contém atividades de execução, quais sejam, fazer atendimento a clientes, elaborar, calcular, estabelecer, redigir e selecionar dados e informações. Quando o objetivo do estagiário dentro da organização é o de aprender, conhecer, acompanhar e ter noções de elaboração, cálculos, redação e seleção de qualquer dado, informação, relatório e planilhas gerenciais entre outras atividades desenvolvidas dentro da organização. Não foram apresentados os planos de estágios que deveriam ser encaminhados pelo Banco às Instituições de ensino, nos moldes por elas estabelecidos, previstos em diversos acordos (mencionados em 3.2.1). 5.2 — DO VALOR PAGO COMO REMUNERAÇÃO: Dentre os valores pagos a título de remuneração aos estagiários, dependendo de setor e atividade desenvolvida, o estagiário recebia bônus e prêmios, ou seja, remuneração vinculada a um objetivo específico, qual seja, superação de metas pré estabelecidas. Situação totalmente contrária à prevista no termo de compromisso e não contemplada na legislação sobre o assunto, ou seja, tanto a Lei quanto o Decreto falam que o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada. Como nos acordos firmados foi estipulado o recebimento de um valor fixo, outros valores estão fora do acordado. Foram pagos valores a título de BONUS VENDAS SEGUROS (290), que representa um bônus pelo número de seguros vendidos, devido aos Estagiários à disposição dos Gerentes; portanto, foi dado o mesmo tratamento que se dá aos empregados, qual seja, a superação de metas de vendas de seguros. Outra situação indicativa de vínculo empregatício é a previsão de reembolso de despesas extras na execução das atividades dos contratados Felipe Giunte Yoshida e Leonardo Seiji Miyahara, ou seja, tinham autorização para realizar gastos em nome da empresa. 5.3 —Comprovação de freqüência escolar Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovadas, para esta auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados, conforme previsto no §1° do art. 1° da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977. 5.4 — Supervisão do estágio Apesar de constar, em alguns acordos firmados, um empregado do Contribuinte como supervisor (a) do estágio, não foi comprovado nesta auditoria tal supervisão; ou seja, aspectos tais como ocorreu a supervisão, se Fl. 947DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 948 31 ambos estavam no mesmo setor, subordinados às mesmas pessoas, departamento, seção ou agência. Dos contratados relacionados em "3.2" não consta nome de supervisor (a) para: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Fernanda Lomeu Gaudereto e Tatiana Da Silva. É fundamental que o estágio atenda a todos os requisitos materiais e formais para a sua configuração, sem os quais ele se reverte em contrato de trabalho comum. Os estudantes deveriam auxiliar e não executar funções sem acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas suas funções; funções relacionadas com a formação do estudante. Inclusive o atendimento a esta auditoria fiscal foi, na maioria das vezes, realizado pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz, sem acompanhamento. Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática —conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°, da Lei n. ° 6.494/77; são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários como empregados. Logo, a força laborativa dos estudantes inseriuse habitualmente na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade. Não há que se falar em relação de estágio conforme a prevista na Lei n.° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao comando da norma escrita. Da leitura do relatório fiscal, não cntraposta com documentos capazes de afastar a realidade ali retratada notese que realmente houve a utilização de mão de obra de estagiários em descumprimento aos requisitos legais. O trabalho de estagiários não pode ser executado de forma autônomo, sem supervisão em atividades, tratase de trabalho de profissioalização de tudo que se aprende na escola, ou universidades. O pagamento de prêmios, pelo alcance de metas, no meu entender, já denota por si só a utilização irregular dessa força de trabalho em substituição aos empregados. Interessante observar, inclusive as informações obtidas junto a sindicatos e congressos dos próprios empregados do recorrente, em que se destaca a situação irregular dos estagiários: Abaixoassinado pede bolsaextra para estagiários Outro assunto discutido na reunião foi a exploração dos estagiários. Ademir entregou para Gilberto um abaixoassinado Fl. 948DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 949 32 dos estagiários das agências Porto Alegre Centro e Passo D'Areia, reivindicando o pagamento de uma bolsaauxilio extra em dezembro, como forma de compensar o não pagamento de 13° salário ou gratificação natalina. Os representantes sindicais defenderam a efetivação dos jovens, alertando que, além do descumprimento da legislação trabalhista e previdenciária, muitos deles acabam indo trabalhar em bancos concorrentes, levando muitos clientes. Vários ex estagiários movem também ações trabalhistas. Neste comunicado, vale lembrar que é de 16 de dezembro de 2003, temos o destaque da preocupação dos dirigentes sindicais com a situação dos supostos "estagiários", quanto à remuneração do 13° salário, o que leva a crer não existir defasagem entre a remuneração paga aos estagiários e empregados com funções parecidas,ou semelhantes. Há também a denúncia de que não são estagiários e sim, empregados, informando que" diversos já recorreram à justiça para reconhecimento do vínculo empregaticio. 8.1.3 — Informação obtida, também, na internet, no site da FETEC — SP — CUT 2, da qual destacamos os seguintes pontos: Administrador 15 /09 / 2003 (São Paulo) O 17.° Congresso Nacional dos Trabalhadores do Grupo Santander Banespa, realizado nos dias 12 e 13 (sextafeira e sábado passados), definiu um conjunto de ações a ser realizado nos próximos meses em defesa do emprego e dos direitos de todos os funcionários da ativa e aposentados. Temas em pauta — Os 377 congressistas (291 homens e 86 mulheres) do Banespa, Santander Brasil e Meridional debateram ainda outros temas importantes para os trabalhadores do grupo, tais como: unificação de contratos, formas de contratação e condições de trabalho, saúde e previdência, campanha salarial e a questão dos aposentados. Principais deliberações aprovadas no 17.° Congresso III — Formas de contratação e condições de trabalho — Fazer denúncia ao Ministério da Educação sobre a atividade bancária desempenhada pelos estagiários; — Exigir a contratação dos estagiários que executem funções de bancários e o respeito à grade curricular daqueles estudantes que realmente fazem estágio no banco; Fonte: Afubesp Dessa forma, quando constatadas irregularidades na execução de estágio, mais especificamente, quanto a seus requisitos objetivos, possível sim a formação de vinculo de emprego para efeitos previdenciários, no intuito de dar amparo ao trabalhador nos termos descritos na CF/88, vejamos o que estabelece o art. 9º do Decreto 3.048/99: "Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas": Fl. 949DF CARF MF Processo nº 16327.001898/200856 Acórdão n.º 9202006.943 CSRFT2 Fl. 950 33 "h) o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei n9 6.494, de 7 de dezembro de 1977. (grifo nosso)" Em mesmo sentido, descreve a lei 8212/91, em seu art. 28, §9º, 'i", a exclusão dos valores pagos à título de bolsa de aprendizagem, apenas quando pagas de acordo com a norma aplicável: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Ou seja, a lei previdenciária é clara em determinar que o descumprimento da lei do estágio gera incidência de contribuição previdenciária, assim como bem o fez o auditor no presente lançamento. Aliás, no meu entender, não poderia ser diverso o tratamento, concedendo amparo previdenciário, direito de todo o trabalhador, inclusive aquele que presta serviços de forma irregular, conforme descrito na CF/88. Entendo que o lançamento fiscal foi realizado no estreito cumprimento da lei, razão pela qual ratifico a posição no sentido de acompanhar o voto do relator. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 950DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903128/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 28 /2 00 9- 87 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13888.903128/200987 Acórdão n.º 3301005.390 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.393, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.903128/200987 Acórdão n.º 3301005.390 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.903128/200987 Acórdão n.º 3301005.390 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.903128/200987 Acórdão n.º 3301005.390 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.903128/200987 Acórdão n.º 3301005.390 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.903128/200987 Acórdão n.º 3301005.390 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010391/2007-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ) DE PESSOA JURÍDICA NÃO CADASTRADA NO SIMPLES. ENTREGA ANTES DO FINAL DO PRAZO COMPROVADA POR PETIÇÃO DIRIGIDA EM TEMPO HÁBIL Á UNIDADE DA RECEITA FEDERAL. REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO. NÃO CABIMENTO.
Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a Contribuinte requereu sua reinclusão com efeitos retroativos. Antes do término do prazo para a entrega da declaração ingressou com petição no órgão para comprovar a entrega da DSPJ no prazo legal, encaminhando-a em mídia eletrônica, já que o sistema RECEITANET não permitia a transmissão da declaração. O reconhecimento do reenquadramento foi feito em data posterior a data da entrega da declaração, contudo retroagiu a 01/01/1997. Não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, eis que a Contribuinte tinha o direito ao enquadramento e, ainda que por meio alternativo, entregou tempestivamente sua Declaração à Receita Federal do Brasil (RFB).
Numero da decisão: 1001-000.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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Recorrente GP COMERCIO DE ARTIGOS EM COURO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ) DE PESSOA JURÍDICA NÃO CADASTRADA NO SIMPLES. ENTREGA ANTES DO FINAL DO PRAZO COMPROVADA POR PETIÇÃO DIRIGIDA EM TEMPO HÁBIL Á UNIDADE DA RECEITA FEDERAL. REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO. NÃO CABIMENTO. Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a Contribuinte requereu sua reinclusão com efeitos retroativos. Antes do término do prazo para a entrega da declaração ingressou com petição no órgão para comprovar a entrega da DSPJ no prazo legal, encaminhandoa em mídia eletrônica, já que o sistema RECEITANET não permitia a transmissão da declaração. O reconhecimento do reenquadramento foi feito em data posterior a data da entrega da declaração, contudo retroagiu a 01/01/1997. Não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, eis que a Contribuinte tinha o direito ao enquadramento e, ainda que por meio alternativo, entregou tempestivamente sua Declaração à Receita Federal do Brasil (RFB). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 03 91 /2 00 7- 88 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 19647.010391/200788 Acórdão n.º 1001000.912 S1C0T1 Fl. 65 2 Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Recife (PE), mediante o Acórdão nº 1126.619, de 12/06/2009 (efls. 23/24), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Contra a empresa acima identificada foi lavrado o auto de infração, fl. 14, no valor de R$ 200,00, ,11 para a cobrança da Multa por Atraso na Entrega da declaração anual simplificada exercício de 2006, anocalendário de 2005, que teria sido entregue em 16/06/2006, posteriormente ao encerramento do prazo legal de entrega, 31/05/2006. Inconformada com a autuação, tempestivamente, em 02/10/2007, a contribuinte apresentou a impugnação de fl. 01, na qual solicita o cancelamento da multa, uma vez que a declaração do ano calendário de 2006 foi entregue em tempo hábil, em 31/05/2006. Porém como estava com uma pendência quanto à inclusão no Simples apresentou esta declaração na própria repartição. Deve ter havido algum erro na Secretaria da Receita Federal do Brasil ao processar a declaração da empresa em data posterior a entrega. A DRJ considerou procedente o lançamento, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido transcrevese a seguir, verbis: O auto de infração da fl. 07 segue as informações do sistema da Receita Federal acerca da recepção da declaração de rendimentos da pessoa jurídica. Acusa este auto que a contribuinte apresentou a Declaração de Informação da Pessoa Jurídica DIPJSimples, do exercício de 2006, anocalendário de 2005 no dia 16/06/2006 quando o prazo de entrega seria o dia 31/05/2006. A contribuinte contesta esta informação alegando que no dia 31/05/2006 apresentou sua declaração de rendimentos. No sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que a contribuinte apresentou a declaração do Ano Calendário 2005 no dia 16/06/2006, ou seja, após o prazo de entrega. Como a contribuinte alega que apresentou tempestivamente, mas não apresenta o recibo de apresentação com a data, não podemos considerar esta alegação, pois esta desacompanhada de elemento comprobatório. O acórdão foi assim ementado: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 19647.010391/200788 Acórdão n.º 1001000.912 S1C0T1 Fl. 66 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PROCEDÊNCIA. Não tendo o contribuinte apresentado o recibo de entrega da DIPJ/2006, com data de recepção dentro do prazo legal, cabe a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração. Lançamento Procedente. Ciente da decisão em 13/08/2009, conforme Aviso de Recebimento à efl. 27, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 31/08/2009 (efls. 29/30), conforme carimbo aposto à fl. 29. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, em suma, que a declaração foi entregue em tempo hábil, em 31/05/2006, porém como estava com uma pendência quanto à inclusão no Simples, que a impedia de transmitir via programa ReceitaNet, apresentou esta declaração na própria repartição mediante a abertura de um processo, assim como em outros anos, enquanto aguardava a decisão de reinclusão no Simples. A recorrente anexa protocolo de abertura de processo de nº 19647.004810/200661, em 31/05/2006, à efl. 57, bem como o despacho decisório do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário/SECAT, referente ao processo 19647.004677/200481, datado de 28/09/2006, que deferiu a inclusão retroativa a partir de 1997. Primeiramente, resta comprovado pelo próprio auto de infração, já que a multa está embasada na declaração simplificada, que a declaração foi admitida como válida, porém, extemporânea. É de conhecimento de que se não constar do cadastro CNPJ o enquadramento no SIMPLES, o sistema automaticamente bloqueava o envio da declaração simplificada pelo RECEITANET. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 19647.010391/200788 Acórdão n.º 1001000.912 S1C0T1 Fl. 67 4 Já o supracitado despacho decisório do SECAT atesta que a Contribuinte foi reincluída retroativamente no Simples em relação ao anocalendário de 1997, portanto, durante este período a empresa estava impedida de apresentar a declaração via sistema RECEITANET. Assim, o protocolo de abertura de processo de nº 19647.004810/200661, em 31/05/2006, de que a entrega da declaração se deu fisicamente (no balcão de atendimento da RFB), faz prova a favor da contribuinte. Dadas as circunstâncias do caso, entendo que a Contribuinte adotou todas as providências possíveis, eis que, em vista de sua exclusão, buscou a Receita Federal do Brasil (RFB) e conseguiu obter sua reinclusão com efeitos retroativos a 01/01/1997, e ainda apresentou petição à Receita Federal para comprovar a entrega da declaração no prazo legal (pelo menos em relação ao anocalendário de 2006) que é objeto deste processo, encaminhandoa em mídia eletrônica, já que o sistema RECEITANET não permitia a transmissão eletrônica da declaração. Diante da recusa eletrônica no recebimento de sua declaração, ela apenas se utilizou de um meio alternativo para a entrega do documento em tempo hábil, sem qualquer prejuízo para a Administração Tributária, pois esta acabou reconhecendo como correto o regime tributário adotado pela Contribuinte. Assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar a multa pelo atraso na entrega da DSPJ do exercício 2006, anocalendário de 2005. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.925702/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.693416/2009-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.693416/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 25 70 2/ 20 09 -3 0 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.925702/200930 Resolução nº 3302000.870 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório constante nos autos, o alegado crédito já havia sido utilizado para a quitação de outro débito, não restando, portanto, valor disponível para a compensação do débito por ela indicado no Per/Dcomp. Dessa forma, não foi homologada a compensação declarada. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a manifestante não sabe qual seria, na realidade, o motivo do indeferimento do direito creditório e, consequentemente, da não homologação da compensação declarada. apenas supõe que o direito creditório tenha sido negado em virtude de não ter sido localizada a DCTF retificadora que corrigiu o valor do débito devido. entretanto, não se pode aceitar que a contribuinte seja obrigada a se defender com base em suposições, sem ter segurança quanto ao motivo que determinou a glosa, pois o Decreto n° 70.235/1972 é claro ao determinar que os atos proferidos por autoridades administrativas que prejudicam ou impossibilitam o direito de defesa do contribuinte são eivados de nulidade. há de se observar que o Despacho Decisório ora combatido não contém uma descrição precisa e congruente dos fatos que ensejaram a sua emissão. Tal omissão e imprecisão impedem o pleno conhecimento das circunstâncias que levaram ao indeferimento do seu direito creditório, implicando grandes dificuldades e embaraços ao direito da ampla defesa e do contraditório. a própria fundamentação legal utilizada como embasamento para o indeferimento do direito creditório ora pleiteado foi indicada de modo apenas genérico, não permitindo a identificação de qual o equivoco teria sido pretensamente cometido. Em síntese, não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. o valor do pagamento ora discutido decorre, inequivocamente, da tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. sobre a tributação das receitas que não se enquadram no conceito de faturamento (base de cálculo prevista pela Lei 9.718/1998), é assente que tal exigência não está de acordo com o direito. Isto porque, o Supremo Tribunal Federal já declarou a sua inconstitucionalidade. Ademais, no caso ora analisado, a manifestante obteve decisão judicial definitiva que a possibilita não observar a base de cálculo prevista na Lei 9.718/1998. independentemente da decisão judicial definitiva favorável à manifestante, o direito creditório deve ser reconhecido, pois, como já mencionado, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.925702/200930 Resolução nº 3302000.870 S3C3T2 Fl. 4 3 o não reconhecimento da inconstitucionalidade da lei já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal viola princípios consagrados pelo ordenamento jurídico brasileiro, dentre os quais se destacam o "Principio da Moralidade” e o "Principio da Eficiência". muito embora a manifestante acredite que o seu direito creditório será reconhecido com a conseqüente homologação da compensação efetuada, em função do Principio da Eventualidade, não há como se furtar em apresentar a sua discordância em relação à exigência de multa e juros, na hipótese dos julgadores entenderem que o indeferimento deva prevalecer. no caso em tela, não há que se falar em imposição de multa e juros por atraso no pagamento, já que a manifestante quitou tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, o débito compensado. não há que se alegar mora ao quitar o débito equivocadamente exigido, uma vez que esta apresentou DCOMP com objetivo de cumprir sua obrigação, sendo que, a não homologação da DCOMP apresentada não é, por si só, fato caracterizador de mora do contribuinte. a exoneração da multa e dos juros deverá ser reconhecida, pois a manifestante não incorreu em mora, tendo apresentado tempestivamente a DCOMP para quitação integral do débito tributário compensado. Diante dessas alegações, a interessada solicita: o cancelamento total do Despacho Decisório ora combatido, com a declaração de sua nulidade, pois, em preliminar, é comprovado o cerceamento do direito de defesa. na hipótese de se entenderem que não deve ser declarada a nulidade do Despacho Decisório, a manifestante pede e espera que, no mérito, o seu direito creditório seja deferido e, conseqüentemente, homologada a compensação declarada. caso o indeferimento do direito creditório seja mantido, o que se admite apenas a título de argumentação, deve ser afastada a exigência de multa e juros de mora pelos motivos já expostos. Por fim, a manifestante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, sobretudo a diligência fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão recorrida, a Recorrente interpôs recurso voluntário reproduzindo as matérias de mérito já apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.925702/200930 Resolução nº 3302000.870 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.853, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.693416/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3302000.853): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão tratada nestes autos não é nova neste Conselho e, já foi analisado nos autos do Processo Administrativo nº 10880.693376/200996 (acórdão paradigma nº 3401001.361), instaurada contra a mesma empresa, de relatoria do i. Conselheiro Robson José Bayerl que, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para verificar a origem do crédito pleiteado pela Recorrente com base nos documentos já carreados aos autos e outros que fizerem necessários. Neste caso, por concordar com os argumentos explicitados por aquela relator e, visando dar o mesmo tratando processual, adoto as razões do citado Conselheiro como causa de decidir o presente processo, a saber: Como questão preliminar, cabe examinar a exigência de retificação da DCTF correspondente, como condição para repetição do indébito, consoante acentuado pela decisão recorrida. A tese defendida pelo colegiado a quo é que o impedimento à alteração do valor declarado a título de Cofins, dezembro/1999, obstaria o direito à restituição do montante pago indevidamente, mesmo que não ocorrida a decadência desse direito, nos termos do art. 165, I do Código Tributário Nacional, por entender que o crédito tributário já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. Todavia, ainda que o art. 150, § 4º do CTN disponha que a fluência do prazo de 05 (cinco) anos corporifica homologação tácita e transmuta o lançamento e respectivo pagamento em causa de extinção do crédito tributário, não se pode olvidar que o mencionado art. 165, I do mesmo diploma legal também garante o direito, independente de prévio protesto, à restituição do tributo pago em quantia maior que a devida, desde que observada a temporalidade do requerimento próprio (art. 168), o que se verificou nesse processo. Nestes autos, o decurso do prazo veda a constituição de crédito tributário complementar àquele declarado pelo sujeito passivo (art. 150, § 4º), entretanto, não obstaculiza a devolução do indébito, ao passo que feito o pedido dentro do prazo de 05 (cinco) anos do recolhimento(arts. 165, I e 168), mormente na situação sub examine, Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.925702/200930 Resolução nº 3302000.870 S3C3T2 Fl. 6 5 onde a quantia indevida corresponde justamente ao pagamento feito a destempo, acrescido de multa e juros de mora. Demais disso, esquadrinhando a IN SRF 600/05, vigente por ocasião da transmissão da PERDCOMP, não se localiza qualquer imposição de retificação da DCTF como requisito para processamento do pedido de restituição aviado, salvo na hipótese de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis nº 9.363/96 e 10.276/01), segundo o art. 16, § 5º, II do ato normativo. Portanto, mostrase improcedente a questão vestibular erigida pela decisão recorrida como fundamento à denegação do recurso. Tocante ao mérito, observase que o motivo inicial à não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notase, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua utilização em outra finalidade. Em outra linha argumentativa exposta na decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração documental das razões arroladas pelo recorrente, o que não se verificou. Nesse passo, é certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, assim como sua ausência não serve de causa ao indeferimento de restituição, também não é suficiente ao seu deferimento. Contudo, em recurso voluntário, o contribuinte trouxe demonstrativo de apuração e balancetes, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente a respeito do direito invocado (pagamento indevido de Cofins ante à inconstitucionalidade do conceito de faturamento veiculado pela Lei nº 9.718/98, decidida em repercussão geral no RE 585.235QO, de 10/09/2008). Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo,não se nega que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, eis que validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.925702/200930 Resolução nº 3302000.870 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Demais disso, ao fato constitutivo do direito ao crédito tributário posto pela Administração tributária – vinculação do direito de crédito a outro débito de titularidade do sujeito passivo –, contrapõe o recorrente um fato modificativo desse mesmo direito – a existência de pagamento a maior e o pedido tempestivo de sua restituição, acompanhado de início de prova –, o que milita em favor da verificação de procedência dessa alegação. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, ∙ Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.925702/200930 Resolução nº 3302000.870 S3C3T2 Fl. 8 7 Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.907242/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.903399/200953, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 72 42 /2 00 9- 05 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10283.907242/200905 Acórdão n.º 1301003.572 S1C3T1 Fl. 3 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de Declaração de Compensação DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal (código 2362). O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde afirma que as compensações foram realizadas em completa harmonia com a legislação vigente. Isto porque calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF. Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, teria nascido um crédito tributário. O sujeito passivo alega que por equívoco procedeu ao recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta também que não se trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de suspensão ou redução. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que os valores apurados a partir da receita bruta em função de balancete redução correspondem a estimativa mensal e que não havia previsão legal para utilização em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal de IRPJ. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das compensações em litígio. É o relatório. Voto Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10283.907242/200905 Acórdão n.º 1301003.572 S1C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.563, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.903399/2009 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.563): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão no presente processo é a possibilidade ou não de se compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de estimativa mensal para aquelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ pelo lucro real. O pedido de compensação foi indeferido liminarmente, através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento em que o sistema constatou tratarse de recolhimento efetivado sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou no mérito do direito creditório, e por conseguinte, não deu oportunidade para o contribuinte produzir provas. O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ, fundamentaram o indeferimento do pedido de compensação no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da IN SRF nº 600/2005. O §14º do art.74 da citada lei atribuiu competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a compensação e, o órgão emitiu instrução normativa que disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das vedações à compensação através de DCOMP, dispôs em seu Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10283.907242/200905 Acórdão n.º 1301003.572 S1C3T1 Fl. 5 4 inciso IX dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de créditos oriundos de pagamento indevido de estimativa mensal, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ........ IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (grifei) É de se observar que a Instrução Normativa fez uma interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou guarida na jurisprudência do CARF, que acerca da matéria proferiu a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Transcrevese ainda a redação anterior da súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à baila trecho do acórdão da CSRF nº 910100.406, de 02/10/2009, utilizado como precedente para elaboração da jurisprudência: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10283.907242/200905 Acórdão n.º 1301003.572 S1C3T1 Fl. 6 5 social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição corno pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, (...) De acordo com o acórdão recorrido, não seria possível caracterizar como indevido o recolhimento da antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a maior, apenas confrontando referido pagamento com as regras para apuração do valor devido a titulo de antecipação mensal. (...) É o relatório. (...) Nos termos da lei, a pessoa jurídica que opta pelo lucro real anual está obrigada a antecipar, mensalmente, o IRPJ calculado por estimativa. Referida obrigação de antecipar a cada mês uma parcela do IRPJ que será devido ao fim do ano calendário é apurada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme percentuais definidos em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte até o mês em que a antecipação é realizada. Ainda nos termos da lei, a obrigação de antecipar o imposto pode ser reduzida ou suspensa, conforme o Contribuinte comprove, mediante levantamento de balanços ou balancetes, que o IRPJ, se calculado sobre o lucro real verificado até o momento da apuração da antecipação, é menor do que o valor devido de acordo com o cálculo sobre a base estimada. Em apertada síntese, esse é o regime legal da obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso de opção pela apuração do lucro real em base anual. Diferentemente do acórdão recorrido, entendo que o Contribuinte está obrigado ao recolhimento das antecipações mensais nos termos estabelecidos na legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a base de cálculo apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. A meu ver, havendo recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10283.907242/200905 Acórdão n.º 1301003.572 S1C3T1 Fl. 7 6 Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei) Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84, reconhecese que é possível a caracterização de indébito a partir de recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte da existência de pagamento indevido, ou seja, que o valor recolhido a título de estimativa mensal, ainda que através de balanço ou balancete suspensão/redução, foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Logo, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo se assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10283.907242/200905 Acórdão n.º 1301003.572 S1C3T1 Fl. 8 7 de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003504/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA.
Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA ORDEM JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA. DECISÃO STF.
O STF no julgamento do Recurso Extraordinário 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu que: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal e A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DE EMPRESAS DO SIMPLES. SIMULAÇÃO.
A autoridade fiscal constatando situação capaz de concluir que haveria uma simulação para evitar a tributação devida, tem o poder-dever de exclusão do SIMPLES, bem como os da verificação de elementos que configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários empresas interpostas.
Assim, verifica da as circunstâncias definidas em lei como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Configura infração à Lei, deixar o Contribuinte de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária
A contribuinte é obrigada a elaborar conforme a legislação previdenciária as folhas de pagamento conforme as normas estabelecidas, sendo que quando não é realizado deve haver a aplicação de multa cabível ao caso.
MULTA AGRAVADA. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO
A autoridade fiscal ao apontar a simulação ou fraude deve indicar com elementos concretos a que acusação se funda. Em ocorrendo os indícios apontados, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a afastar as denúncias da fiscalização.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02.
Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02.
ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-005.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA ORDEM JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA. DECISÃO STF. O STF no julgamento do Recurso Extraordinário 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu que: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DE EMPRESAS DO SIMPLES. SIMULAÇÃO. A autoridade fiscal constatando situação capaz de concluir que haveria uma simulação para evitar a tributação devida, tem o poderdever de exclusão do SIMPLES, bem como os da verificação de elementos que configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários empresas interpostas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 04 /2 01 0- 40 Fl. 265DF CARF MF 2 Assim, verifica da as circunstâncias definidas em lei como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Configura infração à Lei, deixar o Contribuinte de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária A contribuinte é obrigada a elaborar conforme a legislação previdenciária as folhas de pagamento conforme as normas estabelecidas, sendo que quando não é realizado deve haver a aplicação de multa cabível ao caso. MULTA AGRAVADA. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO A autoridade fiscal ao apontar a simulação ou fraude deve indicar com elementos concretos a que acusação se funda. Em ocorrendo os indícios apontados, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a afastar as denúncias da fiscalização. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02. Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11020.003504/201040 Acórdão n.º 2301005.625 S2C3T1 Fl. 3 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela MÓVEIS E ARTESANATO MADREARTES LTDA E OUTROS, contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Porto AlegreRS (6ª Turma da DRJ/POA), que julgou a impugnação improcedente. Conforme relatório fiscal, o Auto de Infração, Debcad nº 37.311.5512, referese à autuação por descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 17 da Lei nº 8.213/1991, combinado com o artigo 18, I e § 1º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, em razão da empresa ter deixado de inscrever 116 segurados empregados a seu serviço mas que, por força de um planejamento tributário, foram registrados nas empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda. O Acórdão recorrido está descrito com o seguinte: "Para esta infração a multa corresponde a R$ 166.087,64 (cento e sessenta e seis mil e oitenta e sete reais e sessenta e quatro centavos), de acordo com os artigos 133 e 134 da Lei nº 8.213/1991, combinados com os artigos 283, caput e § 2º e 373 do RPS, e foi atualizada de acordo com a Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 29/06/2010, publicada no DOU de 30/06/2010. Em razão da empresa ter agido com dolo, fraude ou máfé, a multa foi elevada em três vezes, nos termos do artigo 292, II do RPS, totalizando R$ 498.262,92 (quatrocentos e noventa e oito mil, duzentos e sessenta e dois reais e noventa e dois centavos). A autoridade lançadora relata pormenorizadamente no Relatório do Auto de Infração, às fls. 127 a 182 dos autos digitais, as razões que a levaram a concluir que as empresas optantes pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (até 06/2007) e pelo Simples Nacional Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (a partir de 07/2007) Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, AllWar Móveis Ltda – CNPJ 05.360.328/000132, Móveis Shellon Ltda – CNPJ 09.097.785/000137, Móveis Stancieli Ltda – CNPJ 00.872.014/000103 e Móveis San Remy Ltda – CNPJ 03.995.384/000118 constituíam na realidade uma única empresa, que foi fracionada com o objetivo de reduzir sua carga tributária. Relata que evidenciou um planejamento para reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, com a alocação e divisão dos empregados em várias empresas, cada uma optante pelo regime simplificado de tributação, caso em que a alíquota previdenciária fica extremamente reduzida e ocasiona uma redução significativa no recolhimento das contribuições. Em apertada síntese do relato fiscal, extraise que a fiscalização identificou que as empresas Madreartes e Stancieli estão estabelecidas no mesmo local, separadas apenas por um Fl. 267DF CARF MF 4 estacionamento interno; que a Móveis Stancieli foi criada em 07/05/1995, mesmo ano da instituição do Simples, e que o endereço de sua filial é no mesmo local do antigo endereço da Madreartes; que o objetivo da criação da Móveis Stancieli foi a divisão do faturamento e do registro dos empregados; que as correspondências enviadas para a Madreartes são endereçadas para o mesmo endereço da Stancieli; que os documentos fiscais de fornecedores são emitidos com os dados da Madreartes, mas as mercadorias são entregues na Stancieli; que a All War, ao ser tributada pelo lucro presumido, transferiu em 31/12/2007 todo o seu estoque de matéria prima e de produtos em elaboração, bem como o imobilizado, para a Móveis Shellon, criada em 10/08/2007 no mesmo endereço da All War, com os mesmos funcionários e optante pelo Simples; que o objeto social das empresas é o mesmo; que todas possuem os mesmos números de telefone, o mesmo endereço eletrônico, o mesmo contador, os mesmos administradores, sócios em comum, atividades idênticas e cada uma com faturamento próximo ao limite de exclusão do Simples; que os gastos de todas as pseudoempresas são pagos pelas mesmas contas bancárias; que os veículos utilizados são os mesmos para todas; que a carteira de clientes é a mesma, e a codificação e especificação dos produtos faturados são os mesmos, conforme se comprova pelas notas fiscais de vendas; que é comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma empresa com o endereço de outra; que as empresas utilizam os mesmos trabalhadores, forjando a demissão em uma e a contratação na outra seis meses após, mas que os cartõesponto comprovam que jamais ficaram desempregados; que existe transferência de empregados da filial da Stancieli para a Shellon e para a Madreartes sem quebra de continuidade, já que são desligados em uma e admitidos na outra no mesmo dia, com o mesmo salário e com a mesma função; que os veículos constantes do ativo imobilizado das empresas são utilizados diariamente por todas elas; que a administração, venda e demais setores indiretos são comuns, no mesmo endereço (Móveis Stancieli), enquanto que nos demais estabelecimentos existe somente parte da produção; que os elementos das reclamatórias trabalhistas corroboram o fato de que há somente uma empresa; que os advogados contratados para a defesa nestes processos são os mesmos; que o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) de 2003 traz como endereço da Móveis San Remy o endereço da AllWar e da Shellon, enquanto que o da Móveis Stancieli traz como endereço o da Madreartes; que os empréstimos contraídos pela Móveis Stancieli junto à San Remy e à Madreartes não sofreram qualquer pagamento ou atualização monetária no período de 2005 a 2009. Com relação à contabilidade, a fiscalização identificou a existência de “caixa 2” na empresa Móveis Stancieli; que em todas as empresas a contabilidade não possui conta cliente, apesar de têlos em centenas; que todo o pagamento de duplicata é contabilizado na conta caixa, não havendo passagem por qualquer conta bancária; que a Móveis Stancieli contabiliza somente extensos prejuízos contábeis, tendo seu passivo a descoberto sistematicamente, indicando a ausência de realidade dos números; que há omissão de movimentação bancária de conta do Banco Santander na contabilidade da Móveis Stancieli; e que as empresas efetuam transferências Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11020.003504/201040 Acórdão n.º 2301005.625 S2C3T1 Fl. 4 5 bancárias entre elas, mas não as registram contabilmente, ou contabilizam simplesmente como “entrada” ou “saída de caixa”. Tendo em vista a constatação de que as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda não passavam de meros setores de produção da primeira empresa constituída, a Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, os empregados registrados naquelas empresas foram todos considerados, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos no período de 01/2005 a 13/2009, como empregados da empresa Madreartes. As bases de cálculo foram obtidas por meio do resumo das folhas de pagamento destas empresas e das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs por elas elaboradas e transmitidas. O Levantamento “15 – Salários Por Fora Patronal” abrange as competências 01/2005 a 11/2005 e, de acordo com a autoridade lançadora, foi originado por várias correspondências da Justiça do Trabalho e do Ministério Público Federal, dando conta de pagamento de salários sem a realização dos registros previstos na legislação, o que foi confirmado no procedimento de fiscalização. Foi aplicada a multa de ofício de 75% no período de 01/2005 a 11/2008, por se revelar a menos severa ao contribuinte, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN. A partir da competência 12/2008, o lançamento foi efetuado com aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 44, I e § 1º da Lei nº 9.430/1996. O sujeito passivo foi excluído do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 175, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/01/2005, e do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 176, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/07/2007 (fls. 1.106 e 1.107 dos autos digitais). Conforme os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 1.108 a 1.111, foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário às empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda nos termos do artigo 124 do CTN. O montante do crédito, consolidado em 25/11/2010, corresponde a R$ 3.544.478,22 (três milhões, quinhentos e quarenta e quatro mil, quatrocentos e setenta e oito reais e vinte e dois centavos). Cientificadas pessoalmente da autuação em 29/11/2010, as empresas Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, Móveis Shellon Ltda e Fl. 269DF CARF MF 6 AllWar Móveis Ltda apresentaram impugnação conjunta em 29/12/2010 por meio do instrumento de fls. 1.115 a 1.144". Após seus argumentos em sede de impugnação terem sidos rejeitados, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 231/252, e seguintes do eprocesso, produzindo as mesmas alegações de primeira instância, as quais reproduzo também do relatório da DRJ de origem, por serem exatamente iguais em seu recurso de segunda instância: Em preliminar a) Legitimidade para impugnar. Entendem que na qualidade de sujeitos passivos solidários, as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, Móveis Shellon Ltda e AllWar Móveis Ltda estão legitimadas para impugnar os Autos de Infração, uma vez que foram arroladas como coresponsáveis pelos lançamentos efetuados. b) Exclusão do Simples e do Simples Nacional. Sustentam que deve ser determinado o sobrestamento do presente feito até o julgamento definitivo das contestações da empresa Móveis e Artesanato Madreartes Ltda à sua exclusão do Simples e do Simples Nacional, ou, alternativamente, que os julgamentos sejam realizados de forma simultânea, sob pena de ocorrerem decisões contraditórias e de se caracterizar cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa das impugnantes. c) Decadência. Afirmam que, de acordo com o § 4º do artigo 150 do CTN, os fatos geradores anteriores a 29/11/2005 estão fulminados pela decadência e não podem mais ser exigidos. Alegam que não há nos autos elementos legítimos e suficientes para configurar a ocorrência de fraude ou simulação. d) Nulidades. d1) Cerceamento de defesa. Insurgemse contra o prazo de trintadias para apresentarem suas impugnações, argumentando que é injusto, cerceia seu direito à defesa e caracteriza violação ao princípio da isonomia processual, já que a fiscalização pode prorrogar indefinidamente seu prazo de apuração. Sustentam que somente tiveram acesso aos autos originais do processo em 16/12/2010, data em que aportaram na Agência da RFB em Canela, unidade apontada como preparadora do processo e local para onde deveriam se dirigir para poder acessálo, conforme informação retirada do site da própria RFB. Afirmam que a cópia do processo recebido pela Madreartes estava incompleto, e que os documentos faltantes foram obtidos em 16/12/2010, conforme solicitação de cópias protocolada na Agência da RFB em Canela e anexadas ao feito. d2) Irregularidade na obtenção de provas. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11020.003504/201040 Acórdão n.º 2301005.625 S2C3T1 Fl. 5 7 Sustentam que a fiscalização agiu de forma abusiva ao produzir “Termos de Constatação” sem a presença das fiscalizadas, induzindo e coagindo seus funcionários a firmar termos dos quais não tiveram acesso. Rechaçam as conclusões baseadas nestas declarações, que não condizem com a verdade dos fatos e foi construída à revelia da fiscalizada. Requerem, caso se entenda que tais documentos possuem valor, a oitiva das pessoas supostamente entrevistadas, entre outras conhecedoras dos fatos, para que apresentem sua versão, conforme rol de testemunhas que apresentam. d3) Obtenção ilegal de dados sigilosos. Alegam que a fiscalização extrapolou os limites de sua competência ao obrigar as fiscalizadas a entregarlhes documentos relativos à sua movimentação bancária, eis que sujeitos ao sigilo de dados garantidos pela Constituição Federal e confirmado pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, e que foram acessados dados bancários de terceiros que sequer estão envolvidos na fiscalização. Argumentam que em obediência à Lei Maior do país, bem como em respeito às decisões da Corte Suprema, devem ser anulados os Autos de Infração lavrados com base em informações obtidas de forma ilícita pela fiscalização. d4) Afronta ao princípio da legalidade. Afirmam que ao agir de forma abusiva e sem observância à legalidade exigida em seus atos, o agente fiscalizador desrespeitou o princípio da estrita legalidade inerente às atividades da Administração Pública. No mérito Exclusão do Simples e do Simples Nacional. Discorrem sobre os motivos pelos quais entendem que descabe a exclusão da Madreartes do Simples e do Simples Nacional, não devendo ser mantida diante da realidade fática apresentada, seja quanto ao faturamento compatível, falta de identidade de sócios e legal constituição de sua personalidade jurídica. Entendem que não se mostra criteriosa a imputação de toda a responsabilidade sobre os Autos de Infração à impugnante Madreartes por ter sido ela a pessoa jurídica constituída há mais tempo. Sustentam que a desconsideração da personalidade jurídica das demais impugnantes com fundamento no artigo 116, parágrafo único do CTN, não pode prosperar, pois além do dispositivo legal não ser autoaplicável, eis que ainda não foi regulamentado por lei ordinária, também é alvo de Ação Direta de Inconstitucionalidade que tramita perante o STF – ADIn nº 24469/600DF. Requerem que sejam desconstituídos os Atos que determinaram a exclusão da Madreartes do sistema Simples, devendo ser mantida a sua tributação por este sistema, uma vez que apresenta os requisitos exigidos para tanto, e que sejam consideradas as personalidades das demais pessoas jurídicas desconsideradas neste processo, incumbindo a cada uma delas individualmente a receita por elas auferida, bem como a Fl. 271DF CARF MF 8 tributação porventura incidente e a responsabilidade por seus empregados. Base de cálculo dos alegados pagamentos “por fora”. Afirmam que a fiscalização chegou à conclusão de que as empresas Móveis Stancieli Ltda e Móveis San Remy Ltda realizaram pagamentos de salário “por fora” em 2005 com base em documentos bancários sigilosos das empresas, aos quais obteve acesso de forma ilegal, uma vez que obrigou as fiscalizadas a lhe entregar tais documentos por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, sem observar que havia prévia necessidade de obter ordem judicial para acessar estes documentos. Por este motivo, requerem que seja desconstituída a base de cálculo apresentada na planilha de fls. 482, devendo ser excluída dos Autos de Infração a tributação incidente sobre esta base. Multas qualificadas. Alegam que a multa no lançamento de ofício somente poderá ser agravada quando configurado o evidente intuito de fraude, com a clara comprovação da vontade livre do contribuinte de cometer o ilícito, ou seja, o dolo, o que não foi demonstrado pela fiscalização no Relatório Fiscal. Sustentam que se para a constituição dos créditos tributários a fiscalização tomou por base as próprias declarações das impugnantes – folhas de pagamento, GFIPs e guias do FGTS – não se mostra adequado nem equânime agravar sua tributação, sob a perspectiva de ter havido fraude. d) Da inviabilidade das penalidades aplicadas. d1) Do Auto de Infração Debcad nº 37.269.7755. A Madreartes alega que não registrou os empregados pois estes estavam regularmente registrados nas outras empresas. Afirmam que foi aplicada a multa genérica do artigo 92 por infração inexistente ao artigo 32, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, pois a Madreartes não deixou de elaborar sua folha de pagamento na forma exigível, assim como as demais empresas. Entendem que não pode a fiscalização entender, com base em mera ficção, que o quadro funcional individual de cada empresa desconsiderada seja de responsabilidade apenas da Madreartes e com isso imputarlhe conduta que não praticou. Requerem a nulidade deste Auto de Infração. d2) Do Auto de Infração Debcad nº 37.269.7747. Afirmam que os alegados vícios na escrituração contábil, caso existissem, já são objeto do processo nº 11020.003510/20105, no qual as impugnantes tiveram o seu lucro arbitrado para efeitos de apuração do IRPJ e tributos decorrentes, justamente com fundamento na deficiência da contabilidade. Com base nisso, as multas arbitradas naquele processo em que se discutem outros tributos foram fixadas pelo Auditor Fiscal responsável em Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11020.003504/201040 Acórdão n.º 2301005.625 S2C3T1 Fl. 6 9 seu patamar máximo, agravadas para o equivalente a 150%. Entendem que a fiscalização pretende punir as contribuintes duas vezes com base na mesma circunstância, o que caracteriza o “bis in idem” da exigência, que não pode persistir, nem mesmo sob a alegação de que se trata de tributos diferentes. Alegam que, ainda que a fiscalização não tenha ficado satisfeita com suas explicações sobre a linha telefônica, não pode concluir que houve negativa de apresentar o documento solicitado, e que o dispositivo apontado como infringido referese exclusivamente a documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na lei, o que não é o caso do contrato de locação de telefone. Sustentam que tinham em seu benefício o direito constitucional de não se autoincriminar, ou não auxiliar na produção de prova contra si elaborada, prevista nos artigos 5º, LXIII da Constituição Federal, e 186 do Código do Processo Penal, ou seja, o exercício regular de direito como causa da exclusão da ilicitude. Persistindo a exigência, entendem que não podem sofrer o agravamento do artigo 292, II do RPS, já que não há comprovação de conduta dolosa das impugnantes para o cometimento de fraude, simulação ou conluio. d3) Do Auto de Infração Debcad nº 37.311.5512. Afirmam que os empregados que prestam serviços a cada uma das impugnantes foram devidamente registrados, em cada um dos estabelecimentos em que prestam efetivamente seus serviços, mediante o competente contrato de trabalho. Persistindo a exigência, entendem que não podem sofrer o agravamento da multa original em três vezes, já que não há comprovação da existência das condutas do artigo 292, II do RPS". Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. I DAS PRELIMINARES DE NULIDADE 1. CERCEAMENTO DE DEFESA As causas de nulidades no processo administrativo fiscal se limitam as que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 273DF CARF MF 10 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Grifei. Nesse quesito, as recorrentes alegam cerceamento de defesa em razão do prazo que não tiveram prazo hábil para realizar sua manifestação. Ocorre que os prazos são iguais para todos os contribuintes e não guarda relação subjetiva. Em havendo diversos responsáveis a serem intimadas, o prazo conta sempre do dia posterior daquele que restou intimada a pessoa jurídica ou física interessada, nos termos do PAF. Nesse sentido, não restou comprovado nos autos que as empresas tiveram prazos menores para realizar sua defesa. Assim, caso tivessem tido algum prazo a menor, era dever das recorrentes apresentarem suas provas, como por exemplo alguma declaração da Receita Federal de que só teve acesso ao processo administrativo fiscal com tempo menor do qeu o previsto em lei. Ainda, restou comprovado também que da capa do Auto de Infração que a contribuinte, na pessoa do seu representante, Sr. Lairton Wolff, declarou que recebeu segunda via do Auto de Infração e demais documentos relacionados. Ressaltase que, está pacificado em nossos Tribunais o princípio de nullité sans grief, ou seja: não há nulidade sem prejuízo. No presente caso, verificase que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como indicou elementos solicitados para as conclusões do lançamento. Portanto, afasto a alegação de cerceamento de defesa. 2. DA QUEBRA DO SIGILO FISCAL SEM ORDEM JUDICIAL Quanto a essa matéria, sem reparos a decisão da DRJ de origem. Após amplo debate sobre o tema perante os Tribunais administrativo e judicial brasileiro, o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. A Suprema Corte lançou o entendimento no RE n.º 601.314/SP 1, decidido sob o rito da repercussão geral, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas 1 No julgamento do Recurso Extraordinário 601.314, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu o STF: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11020.003504/201040 Acórdão n.º 2301005.625 S2C3T1 Fl. 7 11 sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados. Assim, não assiste razão o recorrente. 3. DAS DEMAIS PROVAS ALEGADAS COMO IRREGULARES Alega a recorrente que a fiscalização obteve dados e informações de seus funcionários de forma ilegal, deixando de apontar qual seria a forma ilegal. Porém, o PAF– processo administrativo fiscal se inicia pelo ato da fiscalização realizada pela autoridade administrativa, contemplada pelo artigo 196 do CTN, conforme transcrição abaixo: “Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas”. Por meio desse dispositivo é que a autoridade fazendária realiza a devida fiscalização. Com isso, a autoridade administrativa tem o direito e o dever de realizar diligências que entender devido para verificar o levantamento de todas as informações necessárias, desde que permitidas em lei, para a respectiva busca da verdade material sobre os fatos em relação a obrigação tributária a ser cumprida, podendo examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, movimentações financeiras, papéis e feitos comerciais ou fiscais dos contribuintes. Ainda, como bem ressaltado pela DRJ de origem, "essas atividades são desenvolvidas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, os quais, nos termos do artigo 6º, inciso I da Lei n.º 10.593/2002, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 11.457/2007, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo, possuem, dentre outras atribuições, as de executar procedimentos de fiscalização e de constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições". Verificase dos autos que os procedimentos administrativos foram devidamente realizados sem mácula ou nulidade, dentro do processo administrativo (rito processual). Assim, não há falar em nulidade. II. DO MÉRITO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Conforme consta do relatório fiscal, as empresas envolvidas no auto de infração, foram excluídas do simples: princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Fl. 275DF CARF MF 12 "o sujeito passivo foi excluído do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 175, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/01/2005, e do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 176, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/07/2007 (fls. 1.106 e 1.107 dos autos digitais)".] As razões segundo o REFISC foram: A autoridade lançadora relata pormenorizadamente no Relatório do Auto de Infração, às fls. 127 a 182 dos autos digitais, as razões que a levaram a concluir que as empresas optantes pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (até 06/2007) e pelo Simples Nacional Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (a partir de 07/2007) Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, AllWar Móveis Ltda – CNPJ 05.360.328/000132, Móveis Shellon Ltda – CNPJ 09.097.785/000137, Móveis Stancieli Ltda – CNPJ 00.872.014/000103 e Móveis San Remy Ltda – CNPJ 03.995.384/000118 constituíam na realidade uma única empresa, que foi fracionada com o objetivo de reduzir sua carga tributária. Relata que evidenciou um planejamento para reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, com a alocação e divisão dos empregados em várias empresas, cada uma optante pelo regime simplificado de tributação, caso em que a alíquota previdenciária fica extremamente reduzida e ocasiona uma redução significativa no recolhimento das contribuições. Em apertada síntese do relato fiscal, extraise que a fiscalização identificou que as empresas Madreartes e Stancieli estão estabelecidas no mesmo local, separadas apenas por um estacionamento interno; que a Móveis Stancieli foi criada em 07/05/1995, mesmo ano da instituição do Simples, e que o endereço de sua filial é no mesmo local do antigo endereço da Madreartes; que o objetivo da criação da Móveis Stancieli foi a divisão do faturamento e do registro dos empregados; que as correspondências enviadas para a Madreartes são endereçadas para o mesmo endereço da Stancieli; que os documentos fiscais de fornecedores são emitidos com os dados da Madreartes, mas as mercadorias são entregues na Stancieli; que a All War, ao ser tributada pelo lucro presumido, transferiu em 31/12/2007 todo o seu estoque de matéria prima e de produtos em elaboração, bem como o imobilizado, para a Móveis Shellon, criada em 10/08/2007 no mesmo endereço da All War, com os mesmos funcionários e optante pelo Simples; que o objeto social das empresas é o mesmo; que todas possuem os mesmos números de telefone, o mesmo endereço eletrônico, o mesmo contador, os mesmos administradores, sócios em comum, atividades idênticas e cada uma com faturamento próximo ao limite de exclusão do Simples; que os gastos de todas as pseudo empresas são pagos pelas mesmas contas bancárias; que os veículos utilizados são os mesmos para todas; que a carteira de clientes é a mesma, e a codificação e especificação dos produtos faturados são os mesmos, conforme se comprova pelas notas fiscais de vendas; que é comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma empresa com o endereço de outra; Fl. 276DF CARF MF Processo nº 11020.003504/201040 Acórdão n.º 2301005.625 S2C3T1 Fl. 8 13 que as empresas utilizam os mesmos trabalhadores, forjando a demissão em uma e a contratação na outra seis meses após, mas que os cartõesponto comprovam que jamais ficaram desempregados; que existe transferência de empregados da filial da Stancieli para a Shellon e para a Madreartes sem quebra de continuidade, já que são desligados em uma e admitidos na outra no mesmo dia, com o mesmo salário e com a mesma função; que os veículos constantes do ativo imobilizado das empresas são utilizados diariamente por todas elas; que a administração, venda e demais setores indiretos são comuns, no mesmo endereço (Móveis Stancieli), enquanto que nos demais estabelecimentos existe somente parte da produção; que os elementos das reclamatórias trabalhistas corroboram o fato de que há somente uma empresa; que os advogados contratados para a defesa nestes processos são os mesmos; que o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) de 2003 traz como endereço da Móveis San Remy o endereço da AllWar e da Shellon, enquanto que o da Móveis Stancieli traz como endereço o da Madreartes; que os empréstimos contraídos pela Móveis Stancieli junto à San Remy e à Madreartes não sofreram qualquer pagamento ou atualização monetária no período de 2005 a 2009. Com relação à contabilidade, a fiscalização identificou a existência de “caixa 2” na empresa Móveis Stancieli; que em todas as empresas a contabilidade não possui conta cliente, apesar de têlos em centenas; que todo o pagamento de duplicata é contabilizado na conta caixa, não havendo passagem por qualquer conta bancária; que a Móveis Stancieli contabiliza somente extensos prejuízos contábeis, tendo seu passivo a descoberto sistematicamente, indicando a ausência de realidade dos números; que há omissão de movimentação bancária de conta do Banco Santander na contabilidade da Móveis Stancieli; e que as empresas efetuam transferências bancárias entre elas, mas não as registram contabilmente, ou contabilizam simplesmente como “entrada” ou “saída de caixa”. Tendo em vista a constatação de que as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda não passavam de meros setores de produção da primeira empresa constituída, a Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, os empregados registrados naquelas empresas foram todos considerados, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos no período de 01/2005 a 13/2009, como empregados da empresa Madreartes. Conforme se observa acima, foram diversas as situações que levaram a concluir que haveria uma simulação capaz de levar a autoridade fiscal para a exclusão do SIMPLES, bem como os elementos (destacados ou não acima) configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários. Nesse aspecto, as recorrentes trazem aos autos alguns argumentos contrários, mas deixaram de rebater praticamente quase todos os elementos trazidos pela fiscalização. Fl. 277DF CARF MF 14 As recorrentes alegam, por exemplo que, como os sócios entraram em conflito litigioso onde tiveram embate judicial com ação de dissolução de sociedade seria causa suficiente para afastar uma a caracterização de se tratar de uma espécie de conluiou. Entretanto, somente esse elemento não tem o condão de afastar a constatação da engenharia tributária montada para evitar o recolhimento devido das contribuições previdenciárias. No que diz respeito ao faturamento das empresas, alegado pelas recorrentes, boa parte deles não forma considerado para a exclusão do simples pela faixa limite imposta pela Lei Complementar 123/2006. Isso porque a simulação seria a causa mais relevante para a o procedimento fiscal entender a descaracterização regular dos atos jurídicos praticados entre as empresas envolvidos no evento danoso ao erário. Ainda, sobre os vícios de inconstitucionalidade apresentados pelas recorrentes quanto ao dispositivo do art. 116 do CTN, não pode ser apreciado por este colegiado, uma vez que a súmula CARF 02 não permite apreciar matéria inconstitucional. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, as recorrentes não obraram afastar as alegações da fiscalização. DA BASE DE CÁLCULO Sobre o preceito da primazia da realidade, o fisco analisou todas as movimentações e valores incidentes nas operações que culminam no fato gerador das contribuições previdenciárias. A questão dos documentos ditos como adquiridos de forma ilícita pela recorrente, são na verdade decorrentes da própria competência de fiscalizar do agente público da administração da estrutura Fazendária. Nesse sentido, cito a Súmula do STF n.º 439, in verbis: "Súmula 439. Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação". Ademais, os documentos que o fisco teve acesso foram exatamente aqueles fornecidos pela autuada. Assim, sem reparos o auto de infração quanto à base de cálculo identificado. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 11020.003504/201040 Acórdão n.º 2301005.625 S2C3T1 Fl. 9 15 DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O auto de infração decorre pelo descumprimento pela contribuinte de obrigação acessória da legislação previdenciária, conforme o artigo 17 da Lei nº 8.213/1991, combinado com o artigo 18, I e § 1º do RPS, in verbis: Lei nº 8.213/1991 Art. 17. O Regulamento disciplinará a forma de inscrição do segurado e dos dependentes. RPS Art. 18. Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis à sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: I – o empregado e trabalhador avulso – pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, observado o disposto no § 2º do art. 20, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mãodeobra, no caso de trabalhador avulso; (...) § 1º A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindicato ou órgão gestor de mãodeobra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social". No presente caso, a fiscalização constatou que a contribuinte deixou de inscrever 116 segurados empregados a seu serviço mas que, por força de um planejamento tributário, foram registrados nas empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, All War Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda. Assim, tendo em vista que a obrigação principal restou mantida, a acessória, nesse caso, nesse segue o principal. DA MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA Foi aplicada a multa qualificada de 150% aplicada nas competências 12/2008 a 13/2009 está definida na legislação tributária, com base no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, em razão da caracterização dos elementos descritos nos artigos Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Também, a multa aplicada foi elevada em três vezes, de acordo com as disposições do artigo 292, II do RPS. Fl. 279DF CARF MF 16 No presente processo foram vastas as provas para qualificar e agravar a multa nos termos da autuação fiscal, provas essas que deveriam ter sido afastadas pelas recorrentes. DA DECADÊNCIA Cumpre destacar que, como visto acima, as questões preliminares não guardam relação com a matéria de decadência. Portanto, ela é considerada matéria de mérito. Assim passo a analisar. A recorrente alega que recebeu ciência do auto de infração em 29.10.2010. Diz que as contribuições que foram lançadas anteriores a 29.10.2005 estariam decaídas em razão da aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Ocorre que, O Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial n.º 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos, de aplicação obrigatória a este Tribunal. Nesse sentido, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Conforme se constatou dos autos, houve simulação praticada. Logo, afasta a incidência do disposto citado no art. 150, §4º,do CTN. Ademais a Súmula CARF n.º 72, assim prescreve: "Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN". Assim, sem razão a recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, para não apreciar matérias inconstitucionais, não acolher a preliminar e no mérito negar provimento, realizando a manutenção da decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 280DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.721176/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA.
As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante.
Numero da decisão: 3201-004.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO Recorrente LÍDER ALIMENTOS DO BRASIL S/A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 11 76 /2 01 4- 43 Fl. 822DF CARF MF 2 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da Cofins, com origem no 2º trimestre de 2011. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$4.888.282,82, do segundo trimestre de 2011, cumulado com Dcomp. A DRF em Presidente Prudente SP elaborou o Despacho Decisório de fl.310, no qual glosou o valor de R$ 1.230.601,42, homologando parcialmente a DComp apresentada, conforme o Termo de Verificação Fiscal de 27/06/2014 , juntado às fls. 291/306. A fiscalização da DRF elaborou o referido Termo, no qual explicou as glosas efetuadas e os cálculos indicando um crédito inferior ao pleiteado pela empresa. Em síntese, foram glosados os créditos relativos a despesas e gastos que não se enquadrariam no conceito legal de insumo, nem estariam relacionados na legislação de regência. Inicialmente, o Auditorfiscal assim entendeu: Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10835.721176/201443 Acórdão n.º 3201004.324 S3C2T1 Fl. 823 3 Como sobredito, esse crédito deve referirse a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Ou seja, é fundamental que o insumo seja utilizado na etapa laboral cujo resultado seja um produto objeto de comercialização pela empresa. Sob este entendimento, explicase as glosas: Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. O entendimento contrário levaria à inadequada situação em que bastaria ao contribuinte evitar a ativação de suas máquinas, optando pelo arrendamento mercantil ou pelo simples aluguel, para ampliar sobremaneira suas possibilidades de creditamento. Com base nessas premissas, foram glosados créditos calculados às linhas 02 (Bens Utilizados como Insumos), 03 (Serviços Utilizados como Insumos), 06 (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica), 07 (Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda), 08 (Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil), 10 (Sobre Bens do Ativo Imobilizado Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) e 12 (Devoluções de vendas sujeitas às alíquotas não cumulativas). Nesse último caso, as devoluções objeto de glosa referemse a retorno de mercadorias não oneradas nas antecedentes saídas, caso do leite resfriado ou prébeneficiado, objeto de suspensão tributária, como será explanado mais adiante. Ainda tratando dos créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, porém mais especificamente no que respeita aos dispêndios com edificações (aproveitados no prazo de 24 meses com base no custo de aquisição ou de construção), foi realizada a glosa integral dos créditos calculados pelo contribuinte, em Fl. 824DF CARF MF 4 razão da inobservância do disposto no artigo 6°, caput e parágrafos 5° e 6°, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Além disso, a autoridade fiscal também informou que outro procedimento considerado irregular por esta fiscalização reportase ao aproveitamento de crédito básico sobre a aquisição de leite resfriado e leite prébeneficiado. Explicou que a Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, em seu artigo 8o admite a apuração de créditos presumidos sobre a aquisição de insumos destinados a produção de mercadorias para à alimentação humana ou animal: Em suma, a venda de leite por fornecedor que exerça as atividades de resfriamento, transporte e venda a granel de leite in natura é efetuada, obrigatoriamente, com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins quando o comprador dessa mercadoria apurar o IRPJ com base no lucro real, exercer atividade agroindustrial e utilizar esse leite como insumo na produção de diversos alimentos, dentre eles o leite e seus derivados industrializados. Ademais, percebese que os três requisitos citados no parágrafo anterior são supridos pela fiscalizada, visto que: 1) seu imposto de Renda Pessoa Jurídica é apurado com base no lucro real; 2) sua atividade econômica é considerada agroindustrial, pois produz mercadorias arroladas nos incisos do caput do citado artigo 5o e não se encontra dentre as excludentes do artigo 2o da Lei 8.023, de 12 de abril de 1990;e 3) os insumos em comento são efetivamente aplicados na produção dessas mercadorias. Por fim, quanto aos créditos presumidos, assim se reportou: Portanto, não há que se falar em apuração de crédito básico (100% da alíquota) para tais aquisições, apenas sendo admitida a constituição de crédito presumido, à proporção de 60% das alíquotas não cumulativas dos dois tributos em apreço. Já os créditos calculados sobre o transporte do leite pré beneficiado e resfriado não foram reclassificados para o presumido. Tais créditos foram integralmente glosados, pois não há previsão legal para aproveitamento de créditos presumidos sobre o transporte dessas mercadorias. Cientificada do Despacho Decisório e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 693/717, alegando na preambular: Nos termos do Despacho Decisório ora impugnado, entendeu a D. Fiscalização que do montante referente ao crédito reconhecido (i) somente parte seria ressarcível e (ii) parte seria referente a créditos presumidos. Com relação aos "créditos presumidos", a D. Fiscalização entendeu por bem reclassificar os créditos "ressarcíveis" da Manifestante, oriundos de aquisições de leite, para créditos Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10835.721176/201443 Acórdão n.º 3201004.324 S3C2T1 Fl. 824 5 presumidos, com base na Lei n° 10.925/2004 e Instrução Normativa SRF n° 660/2006. Quanto aos créditos glosados, a DRF afirma que a Manifestante teria se apropriado indevidamente do montante de créditos indicado na tabela supra "constatado que a mesma pleiteia créditos relacionados a bens e serviços não inclusos no conceito legal de insumos utilizados especificamente no processo produtivo da empresa". Nesse diapasão, analisando o Despacho Decisório em epígrafe, verificase que foram rejeitados os créditos correspondentes à aquisição dos produtos e serviços abaixo relacionados: a) Frete entre estabelecimentos (transporte de insumos); b) Materiais de uso e consumo (manutenção de frotas, cestas básicas, despesas de refeitório, materiais de limpeza, materiais de higiene, uniformes e equipamentos de proteção, materiais de manutenção, conserto e reparo, lubrificantes, óleo diesel de motor, álcool, gasolina e pneus); c) Serviços (manutenção, mãodeobra de frota, carga e descarga, análise e tratamento de afluentes, serviços de lavagem, combustíveis com óleo de motor, diesel, álcool, gasolina e lubrificantes, serviços de consultoria). d) Uso e consumo de mercadorias e serviços (álcool, gasolina, lubrificantes, óleo diesel, óleo de motor, manutenção de frota, lavagem e outros materiais e serviços). e) Materiais de Embalagem (embalagem para transporte de produtos) f) Locação de bens e serviços g) Arrendamento mercantil relativo a bens/veículos; h) Crédito presumido de lenha adquirido de pessoas físicas. Preliminarmente, a interessada externa sua inconformidade e entende que o Sr. Fiscal está equivocado quanto aos créditos presumidos: Entretanto, a aludida reclassificação de créditos ressarcíveis para presumidos é indevida e se consubstancia em grave afronta a direito da Manifestante reconhecido por decisão judicial. Cita a sentença proferida pelo Juiz da 3ª Vara Federal de Presidente Prudente, nos autos do processo n° 2006.61.12.0085437: TÓPICO FINAL SENTENÇA (...): Ante o exposto:1.) no tocante ao pleito de afastamento do Ato Declaratório Interpretativo n° 15/2005, JULGO EXTINTO o presente feito, sem resolução do mérito, com fulcro no artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, em razão da ausência de interesse de agir.2.) em relação ao pedido de afastamento da Instrução Normativa SRF n° 660/06, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O Fl. 826DF CARF MF 6 PEDIDO, concedendo em parte a segurança e resolvendo o mérito nos termos do no artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil, para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante à utilização do saldo credor da contribuição para o PIS e Cofins, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei n° 10.925/04, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do artigo 16, inciso I, da Lei n° 11.116/05, salvo quanto às operações de venda (eventuais) de leite a granel realizadas na forma prevista no inciso II do 1.° do art. 8° da Lei 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada no sentido de impedir a aplicação do disposto no artigo 16, inciso I, da Lei 11.116/05, em especial a Instrução Normativa SRF n.° 660/06. Incabível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, a teor da Súmula 105, do Superior Tribunal de Justiça, e da Súmula 512, do Supremo Tribunal Federal. Custas "ex lege". Decorrido o prazo para recursos voluntários, remetamse os autos ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 3a Região, para reexame necessário, nos termos do artigo 14, 1°, da Lei n° 12.016/2009. Publiquese. Registrese. Intimemse. (grifos nosso) E, diante da citada decisão, a interessada conclui: De acordo com a citada decisão, o juiz (i) reconheceu o direito da Manifestante de utilizarse do saldo credor de PIS e COFINS, decorrente do crédito presumido, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, bem como (ii) afastou qualquer ato restritivo por parte do Fisco no sentido de impedir esse aproveitamento. (...) Logo, a Manifestante encontrase amparada por decisão judicial que lhe garante o direito de utilizarse do saldo credor de PIS/COFINS decorrente de crédito presumido para o fim de compensar com débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Patente, pois, que a reclassificação levada a cabo pelo Ilmo. Auditor Fiscal implica em grave afronta à referida decisão judicial, pois restringe o direito da Manifestante de aproveitar se do saldo credor decorrente de crédito presumido a que faz jus. Portanto, imprescindível que seja reformado o Despacho Decisório neste ponto, a fim de que seja determinado o direito da Manifestante ao imediato ressarcimento dos créditos oriundos de aquisições de leite, em respeito à aludida decisão judicial. Discorreu sobre a não cumulatividade das contribuições para o PIS e para a Cofins e entendeu que: Com base na aludida legislação é que a Manifestante aproveitouse dos créditos a título de PIS/COFINS consubstanciados no Pedido de Ressarcimento em epígrafe, os quais, frisase, existem e são legítimos em sua integralidade, revelandose indevidas as glosas levada a cabo pela fiscalização (...) Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10835.721176/201443 Acórdão n.º 3201004.324 S3C2T1 Fl. 825 7 Defende que, conforme entendimento do CARF o conceito de insumos para o PIS e COFINS, verificase que as despesas de frete de produtos em elaboração são verdadeiros custos de produção e, como tais, se subsumem ao conceito de insumo para o PIS e COFINS, haja vista o caráter de essencialidade desta despesa ao processo produtivo. Quanto às demais glosas, cita entendimento do Carf e entende que as despesas são necessárias: Conforme a interpretação dada pela fiscalização, conceito de insumos, para efeito de crédito de PIS/COFINS, considerase como aqueles que "sofram alterações, tais como desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". Não é necessário fazer maiores esforços exegéticos para verificar que referida interpretação se encontra em total dissonância com o já pacificado entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Além disso, também entende que: Os serviços de manutenção da frota, empilhadeiras, carga e descarga bem como serviços de consultoria relacionados às melhorias no processo de produção, ainda que não intrinsecamente agregados ao bem produzido pela Manifestante, compõem seu processo de produção. A Manifestante, além de produzir, é responsável pela comercialização e distribuição, no atacado, dos seus produtos, ou seja, a atividade se inicia com a aquisição do leite cru e concluise com a tradição do bem produzido ao adquirente. Quanto às glosas relativas às embalagens, defende que são despesas necessárias, inclusive já decidido pelo Carf e SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 215 de 26 de Outubro de 2011, que tratou de os produtos "film stretch" e "capa de cotton". Quanto à locação de bens e serviços, argumenta que as glosas predominantemente se referem à locação de empilhadeiras utilizadas no pátio fabril para acomodar os bens produzidos pela Manifestante nos locais específicos de acordo com a etapa do processo de produção, o que por si só demonstram que ela compõe parte essencial do seu processo de produção. Cita normas, transcreve instruções do Dacon e externa sua compreensão: Ou seja, no presente caso, as máquinas e equipamentos alugados pela Manifestante de pessoas jurídicas estão diretamente ligados à atividade da empresa, mais especificamente ao seu processo de produção propriamente, portanto, resta evidente o direito creditório da Manifestante, haja vista que a legislação não restringiu o aproveitamento do crédito, como fez a Fiscalização, mas é clara ao permitir o aproveitamento do crédito com relação Fl. 828DF CARF MF 8 às máquinas e equipamentos alugados UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA, inclusive atividades administrativas. Sobre o arrendamento mercantil, a interessada cita que a fiscalização houve por efetivar a glosa dos créditos tomados sobre arrendamento mercantil de bens e veículos ao argumento de que "não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa", discorda sob o seguinte argumento: In casu, os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Manifestante, integram e são essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado. Assim, onde a lei não restringe, não cabe ao interprete restringir, de modo que, sendo a única ressalva para aproveitamento do crédito sobre arrendamento mercantil a hipótese das empresas optante pelo SIMPLES, e não sendo este o enquadramento da Manifestante, devem tais créditos ser reconhecidos. Por fim, quanto ao crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas, cita a norma de regência e, ainda: Por esta razão, em se tratando de insumo diretamente ligado e consumido no processo de produção da Manifestante, a teor dos atos normativos destacados, ainda que adquiridos de pessoas físicas, em conformidade com a Lei 10.935/04 e 660/06 é legitimo o direito creditório em tela, devendo o Despacho Decisório ser reformado também neste ponto. Finaliza solicitando a homologação das DComp apresentadas. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1457.034, de 26/02/2015 (fls. 725 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10835.721176/201443 Acórdão n.º 3201004.324 S3C2T1 Fl. 826 9 Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1676 e ss., por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; b) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; c) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido; d) Arrendamento mercantil: a lei em momento algum especifica que os custos com contraprestações de arrendamento mercantil devem estar intrinsecamente ligados ao processo de produção, este considerado enquanto um bem que se integra ao produto final objeto da atividade da empresa. Os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente integram e são essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado; e) Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas: lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, portanto, não há dúvidas de que faz parte do processo em se tratando de insumo diretamente ligado e consumido no processo de produção da Recorrente, a teor dos atos normativos destacados, ainda que adquiridos de pessoas físicas, em conformidade com a Lei 10.935/04 e IN 660/06 é legitimo o direito creditório em tela. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 830DF CARF MF 10 Cuidase de pedido eletrônico de ressarcimento da Cofins não cumulativa, com origem no 2º trimestre de 2011. Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matériaprima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10835.721176/201443 Acórdão n.º 3201004.324 S3C2T1 Fl. 827 11 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Fl. 832DF CARF MF 12 Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10835.721176/201443 Acórdão n.º 3201004.324 S3C2T1 Fl. 828 13 PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode tornálo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, Fl. 834DF CARF MF 14 QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluem se os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confira se: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10835.721176/201443 Acórdão n.º 3201004.324 S3C2T1 Fl. 829 15 imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regramatriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o consêrto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Do Arrendamento mercantil Sustenta, noutros termos, que a legislação de regência não determina que o bem objeto do arrendamento mercantil deve estar intrinsecamente ligado ao processo produtivo. Assim, os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Fl. 836DF CARF MF 16 Recorrente seriam, no seu entender, essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado. A matéria encontrase disciplinada no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, na forma seguinte: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 3º. O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. (g.n.) A fiscalização explicou a glosa na forma seguinte: Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. (g.n.) Contudo, o legislador não restringiu o tipo de bem objeto do arrendamento mercantil, mas apenas exigiu que seja utilizado nas atividades realizadas pela pessoa jurídica, não diretamente utilizadas na produção de bens ou na prestação de serviços. Assim, por exemplo, os gastos com o arrendamento de um caminhão utilizado na entrega dos produtos Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10835.721176/201443 Acórdão n.º 3201004.324 S3C2T1 Fl. 830 17 fabricados por uma indústria, ainda que não diretamente utilizados na produção, podem ser considerados créditos na sistemática não cumulativa de PIS/Cofins. Vejam, a propósito, como dispôs, nos fundamentos, a Solução de Consulta nº 205 Cosit, de 24/04/2017: 6. O que tais diplomas legais estabelecem é a possibilidade de se descontar créditos relativos aos valores pagos a título de “contraprestações de operações de arrendamento mercantil”. Nenhuma imposição quanto ao objeto do arrendamento é fixada pela legislação. Portanto, nenhum óbice existe em relação a arrendamento mercantil de veículo, desde, naturalmente, que ele seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica. 6.1 Evidentemente, devem ser observados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie, entre outros, a exigência de que tais valores sejam pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, e que tal pessoa jurídica não seja optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Assim, a nosso juízo, os gastos com o arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa geram o direito ao crédito do PIS/Cofins. Do Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas Sustenta a Recorrente, neste tópico do recurso, que a lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, de forma que, ainda que adquiridos de pessoas físicas, é legitimo o direito creditório, em conformidade com a Lei 10.925, de 2004, e Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006. Bem, o que se vê do Termo de Verificação Fiscal, anexado às fls. 291 e ss., é que, quando a fiscalização tratou do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, fêlo apenas com relação à aquisição de leite, conforme comprovam alguns de seus parágrafos, onde o tema é tratado: (...) (...) Fl. 838DF CARF MF 18 No concernente ao tema, apenas a afirmação, no voto condutor do acórdão recorrido, de que a aquisição de produto desonerado não pode gerar o direito ao crédito básico de PIS/Cofins. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10835.721176/201443 Acórdão n.º 3201004.324 S3C2T1 Fl. 831 19 Fl. 840DF CARF MF 20 Fl. 841DF CARF MF
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