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Numero do processo: 10469.723389/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
RECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário
Numero da decisão: 1401-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos recursos apresentados tão somente por Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho, Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda, Naturaly Conveniência Ltda ME, Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP, Posto Líder Ltda, UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME, CCR Empreendimentos Ltda. Também por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento tão somente aos recursos de UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME e CCR Empreendimentos Ltda, para excluí-los do pólo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente),
Nome do relator: Relator
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NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 33 89 /2 01 5- 14 Fl. 2798DF CARF MF 2 elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos recursos apresentados tão somente por Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho, Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda, Naturaly Conveniência Ltda ME, Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP, Posto Líder Ltda, UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME, CCR Empreendimentos Ltda. Também por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento tão somente aos recursos de UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME e CCR Empreendimentos Ltda, para excluílos do pólo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva Luiz, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 0738.817 4ª Turma da DRJ/FNS, que por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento, mantendo o mantendo o crédito tributário exigido de Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho e improcedentes as impugnações das pessoas jurídicas abaixo relacionadas, para mantêlas no pólo passivo: Impugnações Improcedentes: UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME – CNPJ 06.143.726/000160; CCR Empreendimentos Ltda – CNPJ 08.274.076/000117; Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda – CNPJ 01.480.360/000109; Naturaly Conveniência Ltda ME – CNPJ 08.815.205/000137; Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP – CNPJ 08.845.735/000128; Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.798 3 Posto Líder Ltda – CNPJ 40.778.979/000148. Não foram conhecidas as impugnações apresentadas pelas empresas: Henrique Lage Salineira do Nordeste S/A – CNPJ 08.225.849/000175; Mossoró Transportes Locação e Construção Ltda EPP – CNPJ 03.473.711/000171; Realplast Indústria e Comércio Ltda ME – CNPJ 05.010.066/000186; Sacoplast do Brasil Ltda ME – CNPJ 05.933.101/000139; Realplastic Industrial Ltda ME – 06.170.475/000102; e Ciemarsal Comércio Indústria e Exportação de Sal Ltda – CNPJ 40.802.126/000102. Não apresentaram impugnação as seguintes pessoas: Edvaldo Fagundes de Albuquerque – CPF 315.676.30472; Zulaide de Freitas Gadelha – CPF 314.261.58491; Ana Catarina Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.46490; Eduardo Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.44446; Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque – CPF 060.921.57446; Mossoró Indústria e Comércio de Sal Ltda – CNPJ 04.081.262/000189; Dmarket Indústria e Comércio de Artefatos Plásticos Ltda – CNPJ 05.058.541/000194; EBS Empresa Brasileira de Sal Ltda – CNPJ 08.168.935/000193; Rafitex Rafia Têxtil Ltda – CNPJ 08.504.177/000137; Efa Gestão de Negócios Ltda – CNPJ 11.555.510/000141; CBC Indústria de Termoplásticos da Amazônia Ltda – CNPJ 15.399.734/000162; Premolds Indústria & Comércio Ltda – CNPJ 16.558.305/000153; ESS – Empresa de Serviços Salineiros Ltda EPP – CNPJ 14.942.555/0001 67; Locmaquip Locadora & Construtora Ltda ME – CNPJ 05.880.262/0001 01; Arroba Salineira Ltda EPP – CNPJ 17.364.994/000128; Compac Ltda ME – CNPJ 01.622.336/000159; Companhia Cachucha Pastoril CNPJ 06.298.962/000155; Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso: Fl. 2800DF CARF MF 4 Tratase de Autos de Infração através dos quais foram lançados, em nome da empresa acima identificada, créditos tributários da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não cumulativas, nos valores de R$ 2.277.817,30 e R$ 10.489.174,88, respectivamente, em relação a fatos ocorridos no período de 31/01/2010 a 31/12/2013. Foram lançados juros de mora e multa de ofício no percentual de 75% incidentes sobre as contribuições apuradas. Do lançamento Da DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, consta que a infração consiste de CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. Relata Autoridade Fiscal que a análise do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa em relação às contribuições se restringiu à verificação da apuração dessas contribuições tomandose por base os valores escriturados pela empresa em sua contabilidade, em confronto com os valores informados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Dacon. Ressalta que, de acordo com as informações prestadas nos demonstrativos, no período objeto da fiscalização a apuração efetuada pelo contribuinte não resultou em contribuições a recolher. Por conseguinte, a contribuinte não efetuou qualquer recolhimento e nem declarou valores devidos a título dessas contribuições em DCTF. Na referida análise verificouse que a contribuinte inseriu valores aleatórios na base de cálculo dos créditos, apurando incorretamente as contribuições e, em consequência, deixando de efetuar os pagamentos devidos caso tivesse procedido à apuração corretamente. No que tange a solidariedade passiva, a Autoridade Fiscal informa a existência de um conjunto de empresas, capitaneadas pelo Sr. EDVALDO FAGUNDES DE ALBUQUERQUE, CPF 315.676.30472, as quais constituem o denominado “Grupo Líder”. Traz em seu relatório um gráfico em que demonstra que o quadro societário da maioria das empresas deste grupo é formado principalmente por membros da família de Edvaldo Fagundes e, em algumas, os sócios são prepostos ligados a empresas do grupo. Relata que a existência do referido grupo econômico de fato formado por 32 empresas atuantes nas áreas de indústria de plástico, tecidos, resinas, extração de sal, revenda de combustíveis e veículos, construção civil, transportes e maricultura foi constatada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no âmbito da execução fiscal contra uma das empresas do grupo, a empresa Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda. A fim de fundamentar sua decisão, a Autoridade Fiscal traz em seu relatório a transcrição da íntegra da petição da Procuradoria da Fazenda Nacional, de onde constam todos os elementos, fatos e modus operandi do grupo utilizados para demonstrar o desvio de finalidade e a confusão patrimonial verificada entre as empresas envolvidas, situações que caracterizariam o “abuso de personalidade jurídica”, este que autorizaria a “desconsideração da personalidade jurídica” conforme previsto no art. 50, do Código Civil. A Autoridade Fiscal informa, ainda, que em decorrência do inquérito policial, IPL nº 1.28.100.000128/201331, a Polícia Federal requereu e a Justiça Federal, em novembro de 2013, determinou a busca e apreensão de documentos e registros contábeis nos endereços de empresas, sócios e pessoas relacionadas ao “Grupo Líder” e que, nessa ação, o Ministério Público Federal solicitou, e o juízo autorizou, o compartilhamento com a Receita Federal do Brasil das informações coletadas. Relata que foram apreendidos novos documentos que corroboram e confirmam a existência do “Grupo Líder” e que trouxeram indícios da existência de outras empresas relacionadas ao grupo, no caso as empresas: EME EMPRESA DE MÃO DE OBRA ESPECIALIZADA LTDA – CNPJ nº 14.945.955/000126; COMPANHIA CACHUCHA PASTORIL – CNPJ nº 06.298.962/000155; CCR Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.799 5 EMPREENDIMENTOS LTDA – CNPJ nº 08.274.076/000117; COMPAC LTDA – ME – CNPJ nº 01.622.336/000159; UTI DO CARRO COMÉRCIO E TRANSPORTES EXPRESS EIRELI – ME – CNPJ nº 06.143.726/000160. Com fundamento no interesse comum (art. 124, I, da Lei 5.172/66 – CTN) e na prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, I, II e III), foram arrolados como responsáveis solidários as pessoas físicas: Edvaldo Fagundes de Albuquerque – CPF 315.676.30472 (diretor da empresa); Zulaide de Freitas Gadelha – CPF 314.261.58491; Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho – CPF 008.326.57409 (diretor), Ana Catarina Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.46490 (administradora); Eduardo Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.44446 (administrador); Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque – CPF 060.921.57446 (administrador). E, configurado o interesse comum na situação (art. 124, I, da Lei 5.172/66 CTN), as seguintes pessoas jurídicas integrantes do Grupo Líder: TECIDOS LIDER INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, CNPJ 01.480.360/000109; MOSSORO TRANSPORTES LOCACAO E CONSTRUCAO LTDA EPP, CNPJ 03.473.711/000171; MOSSORO INDUSTRIA E COMERCIO DE SAL LTDA, CNPJ 04.081.262/000189; REALPLAST INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ME, CNPJ 05.010.066/000186; DMARKET INDUSTRIA E COMERCIO DE ARTEFATOS PLASTICOS LTDA, CNPJ 05.058.541/000194; SACOPLAST DO BRASIL LTDA ME, CNPJ 05.933.101/000139; REALPLASTIC INDUSTRIAL LTDA ME, CNPJ 06.170.475/000102; REVENDEDORA DE COMBUSTIVEIS PORTALEGRE LTDA ME, CNPJ 07.692.724/000192; EBS EMPRESA BRASILEIRA DE SAL LTDA, CNPJ 08.168.935/000193; RAFITEX RAFIA TEXTIL LTDA, CNPJ 08.504.177/000137; NATURALY CONVENIENCIA LTDA ME, CNPJ 08.815.205/000137; DIAMANTE CRISTAL INDUSTRIA E COMERCIO EIRELI EPP, CNPJ 08.845.735/000128; EFA GESTAO DE NEGOCIOS LTDA, CNPJ 11.555.510/000141; POSTO LIDER LTDA, CNPJ 40.778.979/000148; CIEMARSAL COMERCIO INDUSTRIA E EXPORTACAO DE SAL LTDA, CNPJ 40.802.126/000102; CBC INDUSTRIA DE TERMOPLASTICOS DA AMAZONIA LTDA, CNPJ 15.399.734/000162; PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, CNPJ 16.558.305/000153; ESS EMPRESA DE SERVICOS SALINEIROS LTDA EPP, CNPJ 14.942.555/0001 67; LOCMAQUIP LOCADORA & CONSTRUTORA LTDA ME, CNPJ 05.880.262/000101; ARROBA SALINEIRA LTDA EPP, CNPJ 17.364.994/0001 28; UTI DO CARRO COMERCIO E TRANSPORTES EXPRESS EIRELI , CNPJ 06.143.726/000160; COMPAC LTDA ME, CNPJ 01.622.336/000159; CCR EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ 08.274.076/000117; COMPANHIA CACHUCHA PASTORIL, CNPJ 06.298.962/000155. Como se verá adiante, nem todos os responsáveis solidários impugnaram o lançamento ou sua inclusão no polo passivo da exigência de que se trata. Assim as especificidades da situação de cada empresa que as ligariam ao grupo econômico serão abordadas por ocasião da análise das respectivas impugnações, quando for o caso. Das impugnações Regularmente cientificadas das autuações, não apresentaram impugnação: Edvaldo Fagundes de Albuquerque, Zulaide de Freitas Gadelha, Ana Catarina Fagundes de Albuquerque, Eduardo Fagundes de Albuquerque, Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque, Mossoró Indústria e Comércio de Sal Ltda, Dmarket Indústria e Comércio de Artefatos Plásticos Ltda, EBS Empresa Brasileira Fl. 2802DF CARF MF 6 de Sal Ltda, Rafitex Rafia Têxtil Ltda, Efa Gestão de Negócios Ltda, CBC Indústria de Termoplásticos da Amazônia Ltda, Premolds Indústria & Comércio Ltda, ESS – Empresa de Serviços Salineiros Ltda – EPP, Locmaquip Locadora & Construtora Ltda ME, Arroba Salineira Ltda EPP, Compac Ltda – ME, Compac Ltda – ME, Companhia Cachucha Pastoril. Os respectivos termos de revelia se encontram às folhas 2081 a 2097 dos autos. As empresas Henrique Lage Salineira do Nordeste S/A, Mossoró Transportes Locação e Construção Ltda EPP, Realplast Indústria e Comércio Ltda ME, Sacoplast do Brasil Ltda ME, Realplastic Industrial Ltda ME e Ciemarsal Comércio Indústria e Exportação de Sal Ltda., após a apresentação das respectivas impugnações foram intimadas a apresentar os documentos hábeis a atestar a legitimidade do outorgante com poderes para apresentar impugnação junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, mas não atenderam a esta intimação. As impugnações apresentadas por essas empresas não serão aqui relatoriadas em face do que sobre elas se decidirá. Impugnação de Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho, apresentou a impugnação de fls. 1992/2012 onde suscita preliminarmente a nulidade do lançamento em face da “ausência de fundamentação ou documentos” que o embasem. No mérito, no que tange a glosa de créditos, o impugnante alega que os créditos de “decorrentes do consumo de energia elétrica, consumo de lubrificantes, encargos com depreciação e outros” foram excluídos indevidamente dado que vai de encontro ao entendimento da Receita Federal do Brasil, como pode ser visto na Solução de Consulta n°58/2010, cuja ementa transcreve. Em relação à insuficiência de recolhimentos das contribuições, alega que “as supostas receitas a maior encontradas pela fiscalização não refletem a realidade, pois não foram feitas exclusões imprescindíveis para se chegar à verdadeira base de cálculo da COFINS e do PIS, que foi informada corretamente pela contribuinte”. Reclama da “tentativa frequente do Fisco de considerar os ingressos como base de cálculo” quando “na verdade são as receitas (sic) compõe a base de cálculo de tais contribuições”. Contesta a qualificação da multa de ofício alegando que inexiste qualquer tentativa de suprimir tributos de forma ilícita por parte da contribuinte, razão pela qual cai por terra a tentativa de “qualificar” a multa, elevandoa para o patamar de 150% do valor do tributo. Pugna que as correções a serem efetuadas no âmbito do presente processo, sejam levadas aos lançamentos reflexos que foram efetuados no processo de IRPJ e CSLL. Aponta vício de inconstitucionalidade na aplicação da multa de ofício, por seu caráter confiscatório. Por fim, o impugnante pugna pela realização de perícia contábil para “estabelecer com certeza qual seria a exata base de cálculo dos tributos que supostamente seriam devidos pela contribuinte”. Impugnação de Tecidos Líder e outras As empresas TECIDOS LIDER INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, CNPJ n° 01.480.360/000109; MOSSORO TRANSPORTES LOCACAO E CONSTRUCAO LTDA EPP, CNPJ n°03.473.711/000171; REALPLAST INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ME, CNPJ n° 05.010.066/000186; Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.800 7 SACOPLAST DO BRASIL LTDA ME, CNPJ n° 05.933.101/000139; REALPLASTIC INDUSTRIAL LTDA ME, CNPJ n° 06.170.475/000102; REVENDEDORA DE COMBUSTIVEIS PORTALEGRE LTDA ME, CNPJ n° 07.692.724/000192; NATURALY CONVENIENCIA LTDA ME, CNPJ n° 08.815.205/000137; DIAMANTE CRISTAL INDUSTRIA E COMERCIO EIRELI EPP, CNPJ n° 08.845.735/000128; POSTO LIDER LTDA, CNPJ n° 40.778.979/000148; CIEMARSAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO DE SAL LTDA, CNPJ n° 40.802.126/000102, apresentaram impugnação em conjunto (fls. 1857/1951) onde contestam sua inclusão no lançamento como responsável solidária, com fundamento no art. 124, I do CTN, sem uma prévia e necessária decisão administrativa ou judicial fundamentada, contra a qual lhes tivesse sido permitido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Pugnam pela nulidade do lançamento e que o julgamento seja aplicado ao processo n° 10469723.387/201517. Impugnação de UTI do Carro A empresa UTI do Carro Comércio e Transporte Express Ltda ME, foi cientificada das autuações e as contestou alegando, inicialmente, ilegalidade da sua inclusão no pólo passivo da demanda haja vista ter ocorrido sem o prévio e necessário procedimento administrativo ou judicial. Nesse sentido traz excertos doutrinários e aduz que a própria Receita Federal do Brasil, através da Portaria RFB n° 2.2484/2010, art. 2º, passou a exigir a prévia verificação administrativa para imputar a responsabilidade tributária a alguém. Aponta como outro fator de ilegalidade, o fato de a Autoridade Fiscal ter usado como fundamento para sua inclusão no lançamento como responsável solidária o art. 124, I do CTN, pois, segundo alega, este não se aplica ao caso, mas “se destina aos casos onde há coincidência de pessoas em um dos pólos do fato gerador do tributo devido”. Defende, então, que “Mesmo que a empresa peticionante integrasse o ‘grupo econômico’ delineado ..., ainda assim não subsistiria a responsabilidade tributária oriunda do art. 124, I do CTN”, haja vista que “não participou do negócio jurídico que desencadeou o fato gerador”. Suscita a nulidade do lançamento alegando cerceamento de defesa em face de os Auditores Fiscais terem “fundamentaram suas decisões em processos judiciais e inquéritos que correm em segredo de justiça e, além de não ter acesso aos referidos processos e inquéritos, a impugnante não pôde ter acesso a tais documentos, já que esses não foram anexados aos autos”. No mérito, nega que faça parte do grupo econômico e afirma que não tem gerência de nenhuma terceira pessoa, que não o seu proprietário, Saulo Negreiros. E reclama que a sujeição passiva foi, de forma arbitrária, fundamentada em relações comerciais e transações absolutamente lícitas, “realizadas pela impugnante com a pessoa de Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho”. Impugnação de CCR Empreendimentos Ltda Já a empresa CCR Empreendimentos Ltda impugna sua inclusão como responsável solidária alegando que o simples fato de ter sido avalista da empresa Premolds Indústria & Comércio Ltda na compra de um equipamento, empresa esta tida como pertencente ao Grupo Econômico de fato em Inquérito Policial, não implica que também integre o tal grupo. Em relação à menção da Autoridade Fiscal de que há “indícios de uma relação mais que comercial entre a CCR Empreendimentos e o Grupo Líder, o que pode Fl. 2804DF CARF MF 8 indicar que a empresa é parte integrante do próprio grupo econômico” a impugnante defende que tais indícios não prosperam, pois as tratativas comerciais entre a CCR e o Grupo Econômico de fato existiram por força do Contrato a Locação de Equipamentos, pertencentes à PREMOLDS quais sejam, o CONJUNTO MÓVEL LT106 (britador de mandíbulas), o CONJUNTO MÓVEL LT200HP (britador cônico) e o CONJUNTO MÓVEL ST4.8 (peneira vibratória). Apreciadas as impugnações da devedora principal e demais solidários que preenchiam os requisitos de admissibilidade, o lançamento foi mantido, afastada a preliminar de cerceamento de defesa, uma vez que constatada a suficiência da fundamentação e de documentos para dar suporte a autuação. No mérito o lançamento foi mantido, tendo em vista que em sede de impugnação laborou o impugnante no sentido de (1) apontar claramente quais os valores geradores de créditos que teriam sido declarados em Dacon e que teriam sido desconsiderados na análise da Fiscalização – indicando a competência, a linha do Dacon e o respectivo valor e (2) comprovar a existência e a legitimidade destes créditos – indicando o registro contábil referente a cada operação indicada e trazendo a respectiva nota fiscal. Na verdade, a alegação é genérica na medida em que o impugnante nem mesmo identifica as eventuais despesas que teriam sido por ele inseridas na base de cálculo do crédito e que entende que teriam sido indevidamente excluída ou desconsideradas pela Fiscalização. Sendo que em análise aos demonstrativos trazidos pela Autoridade Fiscal em seu relatório, vêse claramente que os valores lançados decorrem das diferenças apuradas entre os créditos apurados pela RFB e os informados pela empresa em Dacon, na medida em que, sendo os créditos reconhecidos menores que os descontados pela empresa, restaram valores das contribuições não pagos. Mantevese a aplicação da multa de ofício, uma vez reconhecida a sua constitucionalidade. A responsabilidade da solidária UTI do Carro Comércio e Transporte Express Ltda – ME, Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda e CCR Empreendimentos Ltda, fundada no art. 124, inciso I, do CTN, foi mantida, posto que demonstrada a confusão patrimonial entre as empresas do mesmo grupo econômico, com intuito de sonegação, resta evidenciado o interesse comum das demais empresas do grupo na relação jurídica tributária que deu causa à exigência, cabendo a inclusão dessas no pólo passivo da obrigação tributária. Intimados da decisão, os contribuintes interpuseram recurso voluntário, cujo histórico de intimação do acórdão recorrido e apresentação de recurso se extraí do despacho de fls. 2.7542.758, a saber: 1 Henrique Lage Salineira do Nordeste S/A – CNPJ 08.225.849/000175 Cientificado em 20/09/2016 (fls. 2.426). Acórdão da DRJ decidiu pelo não conhecimento da impugnação, sendo tal decisão definitiva (fls. 2.172/2.202). Entretanto, foi protocolizado Recurso Voluntário (RV) em 18/10/2016 (fls. 2.488 e 2.490/2.514). 2 – Edvaldo Fagundes de Albuquerque – CPF 315.676.30472 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 3 – Zulaide de Freitas Gadelha – CPF 314.261.58491 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 4 – Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho – CPF 008.326.57409 Cientificado em 20/09/2016 (fls. 2.424). Recurso Voluntário apresentado em Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.801 9 19/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.521), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 5 – Ana Catarina Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.46490 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 6 – Eduardo Fagundes de Albuquerque – CPF 011.839.44446 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 7 – Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque – CPF 060.921.57446 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 8 – Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda – CNPJ 01.480.360/000109 Cientificado em 20/09/2016 (fls. 2.425). Recurso Voluntário (RV) apresentado em 19/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.524/5.597), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 9 – Mossoró Transportes Locação e Construção Ltda EPP – CNPJ 03.473.711/000171 Cientificado em 14/10/2016 (fls. 2.481). Não protocolizou RV (fls. 2.747). 10 – Mossoró Indústria e Comércio de Sal Ltda – CNPJ 04.081.262/000189 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 11 Realplast Indústria e Comércio Ltda ME – CNPJ 05.010.066/000186 Cientificado em 25/10/2016 (fls. 2.661). Não protocolizou RV (fls. 2.748). 12 – Dmarket Indústria e Comércio de Artefatos Plásticos Ltda – CNPJ 05.058.541/000194 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 13 – Sacoplast do Brasil Ltda ME – CNPJ 05.933.101/000139 Cientificado em 20/09/2016 (fls. 2.427). Não protocolizou RV (fls. 2.750). 14 – Realplastic Industrial Ltda ME – 06.170.475/000102 Cientificado em 23/11/2016 (fls. 2.732). Não protocolizou RV (fls. 2.749). 15 – Revendedora de Combustíveis Portalegre Ltda ME – CNPJ 07.692.724/000192 Cientificado em 13/03/2017 (fls. 2.751/2.752). Não protocolizou RV (fls. 2.753). 16 – EBS Empresa Brasileira de Sal Ltda – CNPJ 08.168.935/000193 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 17 – Rafitex Rafia Têxtil Ltda – CNPJ 08.504.177/000137 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 18 – Naturaly Conveniência Ltda ME – CNPJ 08.815.205/000137 Cientificado em 14/10/2016 (fls. 2.483). Recurso Voluntário (RV) apresentado em 19/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.524/5.597), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 19 – Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP – CNPJ 08.845.735/000128 Cientificado em 22/09/2016 (fls. 2.431). Recurso Voluntário (RV) apresentado em 19/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.524/5.597), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 2806DF CARF MF 10 20 – Efa Gestão de Negócios Ltda – CNPJ 11.555.510/000141 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 21 – Posto Líder Ltda – CNPJ 40.778.979/000148 Cientificado em 14/10/2016 (fls. 2.482). Recurso Voluntário (RV) apresentado em 19/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.524/5.597), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 22 – Ciemarsal Comércio Indústria e Exportação de Sal Ltda – CNPJ 40.802.126/000102 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 23 – CBC Indústria de Termoplásticos da Amazônia Ltda – CNPJ 15.399.734/000162 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 24 – Premolds Indústria & Comércio Ltda – CNPJ 16.558.305/000153 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 25 – ESS – Empresa de Serviços Salineiros Ltda EPP – CNPJ 14.942.555/000167 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 26 – Locmaquip Locadora & Construtora Ltda ME – CNPJ 05.880.262/000101 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 27 Arroba Salineira Ltda EPP – CNPJ 17.364.994/000128 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. 28 – UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME – CNPJ 06.143.726/000160 Cientificado em 23/09/2016 (fls. 2.477/2.478). Recurso Voluntário apresentado em 24/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.645/2.658), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 29 – Compac Ltda ME – CNPJ 01.622.336/000159 Cientificado em 27/09/2016 (fls. 2.453/2.454). Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária, uma vez que não foi apresentada impugnação. Entretanto, foi protocolizado RV em 24/10/2016 (fls. 2.666/2.672). 30 – CCR Empreendimentos Ltda – CNPJ 08.274.076/000117 Cientificado em 26/09/2016 (fls. 2.475/2.476). Recurso Voluntário apresentado em 26/10/2016, portanto tempestivo (fls. 2.675/2.698), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. 31 – Companhia Cachucha Pastoril CNPJ 06.298.962/000155 Acórdão da DRJ declarou definitiva a imputação de responsabilidade solidária. Em linhas gerais, os autuados Recorrentes reproduziram suas razões apresentadas em sede de impugnação, principalmente em relação aos argumentos da impossibilidade de atribuição de responsabilidade solidária por formação de grupo econômico. Em relação aos demais, o lançamento restou definitivo. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir. É o relatório. Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.802 11 Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Admissibilidade Não Conhecimento do Recurso Voluntário interposto por Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho. Observo que há nos autos Recurso Voluntário apresentado em 19/10/2016 pelo responsável solidário Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho – CPF 008.326.57409, cientificado em 20/09/2016 (fls. 2.424), portanto tempestivo (fls. 2.521), nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Contudo, observo que não houve impugnação deste responsável no momento oportuno a instauração da fase litigiosa no presente processo, o que tornou o lançamento definitivo em relação à ele, conforme anotado pelo Acórdão DRJ. De maneira que não há como conhecer dos argumentos por ele trazidos no Recurso Voluntário em relação a ausência dos requisitos para atribuição de sua responsabilidade solidária pelo pagamento do credito tributário aqui exigido. Portanto em obediência ao art. 17 do Decreto 70.235/72, segundo o qual, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, deixo de conhecer o Recurso Voluntário interposto por Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho. Conhecimento dos Recursos Voluntários Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda IP, Naturaly Conveniência Ltda ME IP, Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP IP, Posto Líder Ltda IP, UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME IP, CCR Empreendimentos Ltda IP Os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Preliminar Cerceamento de defesa. A Recorrente reclama nulidade da autuação por cerceamento de defesa, os Auditores Fiscais “fundamentaram suas decisões em processos judiciais e inquéritos que correm em segredo de justiça e, além de não ter acesso aos referidos processos e inquéritos, a impugnante não pôde ter acesso a tais documentos, já que esses não foram anexados aos autos”. Fl. 2808DF CARF MF 12 A decisão de piso afasta tal alegação igualmente não procede, pois os elementos que levaram a Fiscalização a identificar a empresa ora impugnante como integrante do grupo de empresas são os documentos apreendidos por meio do Processo nº 0001030 38.2005.4.05.8401 e compartilhados com a RFB, cujas cópias encontramse no corpo do próprio relatório fiscal. Portanto, a Autoridade Fiscal não só apontou os fatos apurados a partir dos documentos que ligam a impugnante ao Grupo Líder como trouxe as cópias desses documentos, estes, salientese, referentes a bens da impugnante, razão pela qual não houve cerceamento de defesa. Entendo que assiste razão a DRJ no que diz respeito ao não conhecimento da preliminar. Mérito. Quanto ao Mérito, sobre a participação no grupo econômico e responsabilização dos recorrentes, temos que todos os recorrentes negam fazerem parte de grupo econômico, sob fundamento de que inexistiriam provas específicas em relação às suas condutas de maneira suficiente a respaldar a responsabilização. E reclamam que a sujeição passiva foi, de forma arbitrária, fundamentada em relações comerciais e transações absolutamente lícitas, realizadas com a pessoa de Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho. Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda e outras Algumas empresas do “Grupo Líder” foram arroladas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário constituído, com fundamento no Art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66. Dentre estas, as empresas TECIDOS LIDER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ n° 01.480.360/000109; MOSSORÓ TRANSPORTES LOCAÇÃO E CONSTRUCÃO LTDA EPP, CNPJ n°03.473.711/000171; REALPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ME, CNPJ n° 05.010.066/000186; SACOPLAST DO BRASIL LTDA ME, CNPJ n° 05.933.101/000139; REALPLASTIC INDUSTRIAL LTDA ME, CNPJ n° 06.170.475/000102; REVENDEDORA DE COMBUSTÍVEIS PORTALEGRE LTDA ME, CNPJ n° 07.692.724/000192; NATURALY CONVENIÊNCIA LTDA ME, CNPJ n° 08.815.205/000137; DIAMANTE CRISTAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO EIRELI EPP, CNPJ n° 08.845.735/000128; POSTO LIDER LTDA, CNPJ n° 40.778.979/000148; CIEMARSAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO DE SAL LTDA, CNPJ n° 40.802.126/000102, apresentaram impugnação em conjunto (fls. 1857/1951). Antes de se passar às razões de contestação, observese que, temse como não conhecida a impugnação apresentada em relação às empresas Mossoró Transportes Locação e Construção Ltda – EPP, Realplast Indústria e Comércio Ltda ME, Sacoplast do Brasil Ltda – ME, Realplastic Industrial Ltda ME – 06.170.475/000102 e Ciemarsal Comércio Indústria e Exportação de Sal Ltda. No que tange à legitimidade do procedimento fiscal, remetese ao motivos e razões de decidir postos no item 5.1 deste voto, para, aqui também, afastar a alegação de ilegalidade pela inclusão das impugnantes como responsáveis solidárias no lançamento fiscal sem uma prévia decisão administrativa ou judicial contra a qual tivessem tido a oportunidade de defesa. Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.803 13 Quanto à responsabilidade solidária, salientese que a impugnação não nega a existência do grupo econômico de fato e nem a configuração do interesse comum demonstrada pela Fiscalização. Limitase, tão somente, a suscitar de forma genérica a ilegalidade do feito fiscal ao alegar que não se aplica ao caso a hipótese de responsabilidade solidária prevista no o art. 124, I do CTN. Entretanto, não assiste razão às Contribuintes, posto que, uma vez havendo confusão patrimonial entre as empresas do mesmo grupo econômico, com intuito de sonegação, pode ser identificado o interesse comum entre as empresas de um grupo, mesmo que não tenham realizado formalmente o fato jurídico tributário. Temse, portanto, como legítima a responsabilização das impugnantes com fundamento no art. 124, I do CTN. No que tange a solidariedade passiva, a Autoridade Fiscal informa que foi constatada pela Procuradoria da Fazenda Nacional a existência do grupo econômico, denominado “Grupo Líder”, formado por 32 empresas, capitaneadas pelo Sr. EDVALDO FAGUNDES DE ALBUQUERQUE, CPF 315.676.30472, atuantes nas áreas de indústria de plástico, tecidos, resinas, extração de sal, revenda de combustíveis e veículos, construção civil, transportes e maricultura. A fim de fundamentar sua decisão, traz em seu relatório a transcrição da íntegra da petição da Procuradoria da Fazenda Nacional, de onde constam os elementos, os fatos e o modus operandi do grupo que demonstrariam o desvio de finalidade e a confusão patrimonial verificada entre as empresas envolvidas, situações que caracterizariam o “abuso de personalidade jurídica”, este que autorizaria a “desconsideração da personalidade jurídica” conforme previsto no art. 50, do Código Civil. Seguem algumas conclusões que constam da referida petição, tiradas a partir dos fatos lá narrados: Em síntese, pelo demonstrado acima, parecenos perfeitamente caracterizadas as fraudes do Grupo Líder no ramo de revenda de combustíveis. Mais adiante, passa se a provar a ligação das empresas acima referidas com a TECIDOS LÍDER e demais empresas de outros ramos, com fito de revelar porque estamos diante de típica hipótese de manejo da teoria da desconsideração da pessoa jurídica e da regra de responsabilização tributária de grupos econômicos com interesse comum. [...] Inicialmente, cabe mencionar que, dentro de cada atividade produtiva em si, o liame e confusão patrimonial entre as empresas já ficou devidamente demonstrada seja pela sobreposição formal, sucessão temporal, pulverização, identidade de objetos sociais, uso da mesma marca, utilização das mesmas pessoas interpostas, controle da atividade das empresas por procuração, etc. [...] A confusão entre as empresas de diferentes ramos caracterizase também pela “direção formal” e por seus quadros societários que, concomitantemente, são formado por “sócios” (na verdade, laranjas) que simultaneamente exercem funções nos diferentes ramos de atuação. [...] A promiscuidade da relação entre pessoas físicas e jurídicas na atividade do Grupo Líder é uma das marcas constantes de sua atuação. [...] Fl. 2810DF CARF MF 14 Em que pese toda a demonstração acima a respeito do Grupo Líder, em verdade, podese afirmar que é FATO PÚBLICO e NOTÓRIO na cidade de Mossoró/RN, a existência do referido conglomerado econômico familiar. Há anos, o Tribunal Regional do Trabalho de 21ª Região tem referendado as dezenas de sentenças exaradas nas Varas Trabalhistas de Mossoró/RN que dizem respeito ao Grupo Líder e a confusão patrimonial engendrada pelas empresas componentes. As decisões são deveras consistentes e lastreiamse em provas que só poderiam ser obtidas por exfuncionários reclamantes que conheciam de perto e por dentro a estrutura do Grupo. [...] Portanto, como dito acima e podese confirmar pelas decisões da Justiça Obreira, a existência do conglomerado empresarial LÍDER e suas técnicas de blindagem patrimonial já são deveras conhecidas em Mossoró/RN. Toda longa exposição acima visou, portanto, elucidar o modus operandi do grupo e, com isso, imprimir EFETIVIDADE às cobranças, já que mesmo extremamente conhecido, o grupo parece inatingível pelos poderes constituídos. [...] In casu, como se viu acima, a Fazenda Nacional buscou, ao máximo, colacionar todos os fatos que levaram às conclusões aqui expostas. Por motivos óbvios, prescindível seria a especificação ano a ano de rigorosamente todas condutas fraudulentas. O modus operandi e a farta demonstração de superposição e sucessão de CNPJ’s, de simulações e técnicas de blindagem patrimonial já são suficientes para comprovação do grupo e do esquema de evasão. [...] Na hipótese sob exame, não há dúvida quanto à configuração dos dois elementos (desvio e confusão). Evidentemente, diversas sociedades criadas, do modo como apontando, foram constituídas sem que houvesse qualquer finalidade, uma vez que não agregaram qualquer tipo de valor aos negócios. Não agregaram patrimônio, recursos financeiros, knowhow, absolutamente nada. As pessoas jurídicas simplesmente se multiplicaram nos mesmos endereços, superpondo e sucedendo umas as outras (confusão). Em todos os ramos de atuação, empresas “sujas” foram blindadas e abandonadas. Os patrimônios divididos entre pessoas físicas e jurídicas. Abusouse, exageradamente, de uso de pessoas interpostas. Em verdade, existem elementos contundentes a fundamentar a desconsideração da personalidade jurídica das pessoas envolvidas. [...] Portanto, não resta dúvida de que todas as pessoas envolvidas nas fraudes devem responder solidariamente pelos débitos, pois não o objetivo das fraudes é justamente não demonstrar os principais envolvidos e resguardar o patrimônio em nome de pessoas que supostamente pouco ou nada tem com todo o esquema montado. No caso em análise, a existência de um grupo econômico de fato, com a participação conjunta das Impugnantes e da empresa autuada, restou evidenciada a partir da presença de vários elementos, dentre os quais a confusão patrimonial. Assim é que demonstrada a confusão patrimonial entre as empresas do mesmo grupo econômico, com intuito de sonegação, resta evidenciado o interesse comum das Fl. 2811DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.804 15 demais empresas do grupo na relação jurídica tributária que deu causa à exigência, cabendo a inclusão dessas no polo passivo da obrigação tributária. Diante do exposto, legítima é a responsabilização das contribuintes relacionadas ao Grupo Lider com fundamento no art. 124, I do CTN, mantémse a responsabilidade solidária destas empresas. CCR Para sustentar a imputação de responsabilidade solidária da CCR Empreendimentos Ltda, a Autoridade Fiscal alega que o vínculo com o grupo Lider se daria, principalmente em razão da relação dessa empresa com a Premolds Indústria & Comérico Ltda. Dentre os documentos analisados foram encontradas diversas referências a CCR Empreendimentos, que a unem a várias empresas do Grupo Líder, em especial a Premolds Indústria & Comércio Ltda, conforme abaixo: Três contratos de venda de empreendimentos no interior do estado do Rio Grande do Norte, vendidos pela CCR Empreendimentos para a Premolds, sendo um de extração mineral no Sítio Saco da Areia, em Currais Novos, um de extração de granito no Sítio Lagoinha, em Itajá, e um de extração de calcário, em Pendências (Equipe 01 – Itens 42.11 a 42.13; Equipe 02 – Item 6.24). Aquisição de maquinário pela Premolds, sendo que a CCR Empreendimentos foi avalista e os pagamentos foram efetuados pela Premolds, CCR Empreendimentos, Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda e EBS Empresa Brasileira de Sal Ltda (Equipe 01 – Item 45; Equipe 02 – Itens 6.3, 6.4 e 6.18). Pagamentos de despesas diversas da CCR Empreendimentos, com autorização de Edvaldo Fagundes, e efetuadas por empresas do Grupo Líder (Equipe 02 – Itens 6.5, 6.10, 6.15, 6.27, 6.33 a 6.35). Pagamento de ICMS relativo a material de perfuração da Premolds. A comunicação eletrônica anexa à guia de recolhimento encaminha a guia para pagamento pelo Posto Líder Ltda, e para contabilizar na CCR Empreendimentos (Equipe 09 – Item 9.6). [ANEXA CÓPIA DE EMAIL EM QUE CONSTA O SEGUINTE TEXTO: “Segue em anexo GRI para ser pago e colocar a despesa no caixa da CCR conforme autorização de Edvaldo Filho.] Esses documentos são indícios de uma relação mais que comercial entre a CCR Empreendimentos e o Grupo Líder, o que pode indicar que a empresa é parte integrante do próprio grupo econômico. O Contribuinte rebate os principais pontos apresentados pela Autoridade Fiscal, alegando que não ter realizado os citados pagamentos e que as demais operações se vinculavam ao contrato de aluguel de equipamentos firmado com a Premolds Indústria & Comércio Ltda, argumentando que: Acontece que a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA foi Avalista da PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, devido existir interesse da primeira empresa CONTRATAR A LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS pertencentes a segunda empresa, o qual foi materializado através de contrato particular, cópia em anexo, a locação de um CONJUNTO MÓVEL LT106 britador Fl. 2812DF CARF MF 16 de mandíbulas), um CONJUNTO MÓVEL LT200HP britador cônico) e um CONJUNTO MÓVEL ST4.8 (peneira vibratória). De toda sorte, os pagamentos realizados através das contacorrente n° 57.879 7 e 49.7860, ambas existentes na agência n° 3226, do banco Bradesco, informada nos presentes autos como sendo de titularidade da CCR EMPREENDIMENTOS LTDA, na verdade pertencem a REVENDEDORA DE COMBUSTÍVEIS PORTALEGRE, empresa arrolada no Grupo Econômico de fato, conforme se pode inferior nos comprovantes de depósitos em anexos. Sendo assim, a responsabilidade solidária arrostada a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA, não deve prosperar, pois jamais a mesma pertenceu ao investigado Grupo Econômico de fato, pois a fiança que esta deu em favor da empresa PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, se limitou apenas e tão somente a obrigação afiançada, qual seja, a compra de equipamento. De igual sorte, resta comprovado que a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA se limitou a afiançar a empresa PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, tendo o equipamento afiançado sido pago por empresas que formam o investigado Grupo Econômico de fato. Menciona também a Autoridade Fiscal, em seu relatório, existir “indícios de uma relação mais que comercial entre a CCR Empreendimentos e o Grupo Líder, o que pode indicar que a empresa é parte integrante do próprio grupo econômico”, através de “Três contratos de venda de empreendimentos no interior do estado do Rio Grande do Norte”, “pagamentos de despesas diversas da CCR Empreendimentos, com autorização de Edvaldo Fagundes, e efetuadas por empresas do Grupo Líder”, e, “Pagamento de ICMS relativo a material de perfuração da Premolds”. De toda sorte, referidos indícios não hão de prosperar, haja vista o fato gerador de todas as tratativas comerciais entre a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA e o Grupo Econômico de fato existiram por força do CONTRATO A LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS, pertencentes à PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, quais sejam, o CONJUNTO MÓVEL LT1Q6 (britador de mandíbulas), o CONJUNTO MÓVEL LT200HP britador cónico) e o CONJUNTO MÓVEL ST4.8 peneira vibratória). Acontece que toda a manutenção dos referidos equipamentos locados, foram arcados exclusivamente pela empresa CCR EMPREENDIMENTOS LTDA, entretanto, algumas delas tiveram de ser adquiridas diretamente pela PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA. Sendo assim, existia um contacorrente, na PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, para computar todas as despesas referente as peças de desgaste natural e combustível, utilizados pelo BRITADOR locado a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA. Somente por tal fato é que a PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA menciona, em seus documentos, que a despesa com o guia de pagamento do tributo fosse contabilizado pela CCR EMPREENDIMENTOS LTDA. Ora, Douto Julgador, a PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA, pagou uma GIM, referente a compra de uma peça de desgaste do seu BRITADOR, que estava locado a CCR EMPREENDIMENTOS LTDA. Entretanto, a responsabilidade por tal manutenção era da locatária. Por fim, devido a inviabilidade na continuação do contrato, os representantes das empresas PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA e CCR Fl. 2813DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.805 17 EMPREENDIMENTOS LTDA decidiram dar termo a locação, e, por inexistir interesse por parte da segunda empresa em extrair minério, pois estava entregando o BRITADOR, anuíram quitar o débito através da cessão dos 03 (três) requerimentos de registro de licença de operação existentes no lDEMA, ou seja os 03 (três) empreendimentos mencionados nos presentes autos. Foi na relação estabelecida com a Premolds Industria & Comercio Ltda que a Autoridade Fiscal vislumbrou um vínculo de tal natureza que só seria justificável caso ambas as empresas pertencessem ao mesmo grupo econômico. Isoladamente, há de se reconhecer que os indícios trazidos nos autos pela Autoridade Fiscal pareciam corroborar esse entendimento. Por seu turno, a Contribuinte apresenta uma versão factível, na qual as transações havidas como suspeitas pela Autoridade Fiscal se articulariam em torno de um negócio contratual referente à locação de máquinas e equipamentos firmado entre ela e a Premolds Industria & Comercio Ltda. De pronto, devese afastar a afirmativa do autuante de que os depósitos realizados a titulo de pagamento para a empresa Metso Brasil Indústria e Comércio Ltda – com origem nas .contascorrentes 57.8797 e 49.7860 (ambas da agência 3226 do Bradesco) – sejam de autoria do Impugnante. Prova disso são os dois depósitos bancários trazidos pelo Impugnante onde consta como titular dessas mesmas contas a empresa REVENDEDORA DE COMBUSTÍVEIS PORT (nome resumido no extrato, que se refere provavelmente à Revendedora de Combustíveis Portalegre, empresa também arrolada no Grupo Econômico de fato). Dessa forma, fica prejudicada a afirmação de que a CCR teria pago (parcialmente) a compra de equipamentos para a empresa Premolds. Restam então, como eventuais evidências de interesses em comum, (i) três contratos de venda de empreendimentos extrativistas, (ii) a condição de avalista da Premolds na aquisição de máquinas e equipamentos, (iii) pagamentos de despesas da CCR Empreendimentos efetuadas pelo Grupo Lider e (iv) pagamento de ICMS relativo a material de perfuração da Premolds. A Contribuinte afirma que a venda dos empreendimentos extrativistas (com respectiva cessão dos direitos de lavra) também decorre daquele mesmo Contrato a Locação de Equipamentos. Alega que houve anuência em “quitar o débito através da cessão dos 03 (três) requerimentos de registro de licença de operação existentes no IDEMA, ou seja os 03 (três) empreendimentos mencionados nos presentes autos”. Curiosamente, nos contratos apresentados, embora haja cláusula obrigando o pagamento de preço, não se estipula esse preço a ser pago. Em razão da imprecisão contábil e financeira, a versão apresentada pelo Impugnante poderia levantar suspeitas sobre vários aspectos da citada operação, mas não se apresenta como um indício de confusão patrimonial. A condição de avalista da Premolds na aquisição de equipamentos – que seriam posteriormente locados à CCR – tampouco se apresenta como uma operação exótica, destituída de racionalidade econômica. Conforme argumenta o Impugnante – e segundo as cláusulas do contrato firmado entre as partes (CCR e Premolds) – , os equipamentos adquiridos seriam objeto de locação para a própria CCR, daí seu interesse em que a compra se realizasse sem percalços. Não vejo nessa concessão de aval, concretamente vinculada à posterior locação do bem pelo avalista, indício de formação de grupo econômico. Fl. 2814DF CARF MF 18 O pagamento das despesas da CCR por empresa do grupo Líder, assim como o pagamento do ICMS também foram devidamente contextualizados pelo Contribuinte, vinculando tais pagamentos à obrigatoriedade contratual de arcar com os custos de desgaste e manutenção locados à Premolds, tudo ainda vinculado ao mesmo contrato de locação de equipamentos. Devese destacar que a questão relevante aqui é menos a regularidade contábil/fiscal das operações, e mais a verossimilhança de interpretálas como indícios suficientemente robustos para qualificar a Impugnante como pertencente ao grupo econômico Líder. Sob esse prisma, entendo que a possibilidade fática de que todas as operações indicadas pela Autoridade Fiscal estarem vinculadas àquele único contrato a locação de equipamentos enfraquece substancialmente a tese do autuante. Isso porque faz convergir todas as possíveis irregularidades para uma única operação/contratação, a qual teria que assumir características muito específicas para, isoladamente, implicar vinculação umbilical com o grupo econômico. Ora, tomar parte de um grupo econômico de fato demandaria evidências de uma articulação contínua, envolvendo valores substanciais, em transações de natureza duvidosa e com patente confusão patrimonial. Tudo isso a indicar que, duas ou mais pessoas jurídicas, não obstante formalmente distintas – e que, em razão dessa individualidade, deveriam estar atuando sob comando de vontades autônomas –, atuam sob comando daquela vontade única que coordena as ações de todo o grupo. No entender esse relator, não há indício suficientes no processo para caracterizar essa situação em relação à empresa CCR Empreendimentos LTDA. Sob esses argumentos, a DRJ entendeu no sentido de afastar do pólo passivo da obrigação tributária a Contribuinte, não sendo possível atribuirlhe a condição de responsável solidário, com o que concordo, razão pela qual, mantenho a decisão por seus próprios fundamentos. Por estas razões dou provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte CCR. Uti Do Carro Comércio e Transportes Express Eireli – Me No caso da empresa UTI do Carro, a Autoridade Fiscal entendeu que os seguintes indícios seriam suficientes para imputarlhe a condição de responsável solidário. Relembrando: a existência do “Grupo Líder”, formado por 32 empresas, está demonstrada na petição da Procuradoria da Fazenda Nacional, extraída dos autos da execução fiscal contra uma das empresas do grupo, a empresa Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda, de onde constam os elementos, os fatos e o modus operandi do grupo que demonstram o desvio de finalidade e a confusão patrimonial verificada entre as empresas envolvidas; em decorrência do inquérito policial, IPL nº 1.28.100.000128/201331, a Polícia Federal apreendeu novos documentos os quais trouxeram indícios da existência de outras empresas relacionadas ao “Grupo Líder”, dentre as quais, a UTI DO CARRO COMÉRCIO E TRANSPORTES EXPRESS EIRELI. Sobre esta empresa, consta do Relatório Fiscal: 5. UTI DO CARRO COMÉRCIO E TRANSPORTES EXPRESS EIRELI – ME – CNPJ nº 06.143.726/000160 Empresa criada em 08 de março de 2004, com endereço a Avenida Presidente Dutra, nº 2043, Alto de São Manoel, Mossoró – RN. Possui atividade de comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores, e seu único sócio é Fl. 2815DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.806 19 Saulo Negreiros Duarte, CPF nº 673.187.20406. A empresa possui uma filial (0002 40) localizada em Icapuí – CE. Os documentos analisados mostram a existência de ligação entre a empresa UTI do Carro e o Grupo Líder, conforme segue: • Equipe 14 – Item 9 – Contrato de parceria empresarial firmado entre Severino Ramos Andrade de Almeida, CPF nº 551.129.00768, e Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho. Pelo contrato, Edvaldo Filho adquire 50% (cinqüenta por cento) do imóvel matrícula 9316, com área de 40 hectares, para implementação de um loteamento, a ser realizado por ambos os contratantes. Edvaldo Filho paga sua parte no terreno pelo valor de R$ 630.000,00 (seiscentos e trinta mil reais), em bens e em dinheiro. Um desses bens é um veículo Pajero Dakar blindada, placas OJR 1212, chassi 93XJRKH8WCCC04954. O contrato está datado de 27 de setembro de 2013 e, a essa época, o proprietário do veículo era a filial 0002 da UTI DO CARRO, conforme registro no RENAVAM. • Equipe 02 – Item 20 – Tratase das ordens de serviço nº 009718, da E. B. de H. Rebouças – ME, referente a serviço de guincho, e 0080788, de L. E. Pneus Ltda, referente a serviços de alinhamento e balanceamento, ambos do veículo BMW M6 placas GCB4545. As ordens de serviço estão identificadas em nome de “Grupo Líder” e “Tecidos Líder”, respectivamente. No RENAVAM este veículo está registrado em nome da filial 0002 da UTI DO CARRO. • Equipe 14 – Item 31 – Recibo no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) destinado a “Edvaldo Filho”, apenas com assinatura, sem identificação do recebedor. O pagamento é efetuado em cheque da filial 0002 da UTI DO CARRO. • Equipe 14 – Item 35 – Recibo de depósito em dinheiro no valor de R$ 223.000,00 (duzentos e vinte e três mil reais) efetuado em conta corrente da UTI DO CARRO no banco Bradesco. O recibo foi encontrado na residência de Edvaldo Fagundes Filho. Já o interessado apresenta impugnação na qual, preliminarmente, alega: (i) cerceamento de defesa pela inexistência de prévio procedimento administrativo, (ii) cerceamento de defesa pelo não acesso à integra dos documentos citados no termo de sujeição passiva e, no mérito, (iii) afirma que as transações citadas como indício de interesse comum são operações regulares levadas a cabo condizentes com seu objeto social. Em sua defesa, a Contribuinte considera que ainda, não se pudesse olvidar em dizer que "não só a ausência dos requisitos previstos no art. 10 são causas de nulidade do presente auto de infração ou da notificação de lançamento. A norma do art. 9º, que prevê a anexação de todos os documentos, no caput referidos, é impositiva, e a desobediência a esse mandamento [...deverão estar instruídos com todos os...) implica a nulidade do auto de infração, por dois fundamentos: primeiro, porque constitui desobediência a mandamento legal cogente; segundo, porque implica cerceamento de defesa, impedindo o sujeito passivo autuado de conhecer por completo a acusação, com todas as provas que alegadamente o tornariam devedor da quantia exigida". Nesse prisma, cumpre destacar que os AuditoresFiscais fundamentaram suas decisões em processos judiciais e inquéritos que correm em segredo de justiça e, além de não Fl. 2816DF CARF MF 20 ter acesso aos referidos processos e inquéritos, a impugnante não pôde ter acesso a tais documentos, já que esses não foram anexados aos autos. A transação comercial da Pajero Dakar blindada não chegou a ser concluída, os cheques e o depósito são decorrentes de compra e venda de veículos, que digase, tem previsão no contrato social da peticionante, e os recibos da L.E pneus, cuja ordem de serviço estão identificadas em nome do “Grupo Líder”, foram de serviço realizado na BMW adquirida pela U.T.I. do carro, que desde o início apresentou problemas mecânicos, enquanto ainda estava no prazo de garantia do vendedor. Qual a irregularidade das condutas acima praticadas? A Interessada mostrou pleno conhecimento das operações, transações e documentos citados no relatório fiscal. Tanto é assim, que, sem qualquer embaraço, apresentou sua fluida contestação para cada indício apontado pela Autoridade Fiscal. Portanto, improcede também a preliminar pela não anexação de todos os documentos citados no relato fiscal. Já no mérito, há de se reconhecer que as evidências trazidas aos autos pelo agente fiscal podem – se tanto – servir como indício de irregularidades em transações envolvendo a empresa UTI do Carro Ltda e integrantes do Grupo Líder. Porém, mostrase temerário e precipitado inferir, a partir apenas dessas evidências, sem um aprofundamento investigativo mais cuidadoso, que a atuação do Impugnante é compatível com a pertinência àquele grupo econômico. O que se tem objetivamente são evidências materiais de operações com traços de irregularidade – umas menos evidentes, outras mais – que deveriam demarcar o início de uma investigação a qual poderia, eventualmente, culminar com a desconsideração da personalidade jurídica do impugnante. Importante destacar que não se descarta tal hipótese de confusão patrimonial, apenas reconhecese não haver, nos autos, elementos indiciários suficientes para sacramentar esse entendimento. Portanto, em razão da escassez de evidências conclusivas, entendo que deve ser afastada a imputação de responsabilidade solidária para a empresa UTI do Carro Ltda. O fato de a autoridade fiscal não encontrar sentido em tais operações dentro do contexto por ela desenhado, não implica necessariamente que elas sejam escusas ou com objetivo de fraude. Diante do exposto, excluise a responsabilidade solidária destas empresas. Conclusão: Ante o exposto, conhecer dos recursos apresentados tão somente por Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho, Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda, Naturaly Conveniência Ltda ME, Diamante Cristal Indústria e Comércio Eireli EPP, Posto Líder Ltda, UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME, CCR Empreendimentos Ltda. Também por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento tão somente aos recursos de UTI do Carro Comércio e Transportes Express Eireli ME e CCR Empreendimentos Ltda, para excluílos do pólo passivo da obrigação tributária. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 2817DF CARF MF Processo nº 10469.723389/201514 Acórdão n.º 1401003.124 S1C4T1 Fl. 2.807 21 Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 2818DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.916587/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2006
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Numero da decisão: 3302-006.764
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Recorrente VIX LOGÍSTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 65 87 /2 00 9- 19 Fl. 237DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação. DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório n° rastreamento 848532963 emitido eletronicamente em 07/10/2009, referente ao PER/DCOMP n° 05713.58764.130509.1.3.048809. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$52.474,55, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 13/10/2006. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 20/10/2009, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 18/11/2009, alegando que, em que pesem as conclusões arguidas no despacho decisório, a decisão não merece prosperar, tendo em vista que o crédito utilizado no PER/DCOMP em tela, no valor especificado, encontrase devidamente declarado conforme demonstrado nas cópias apresentadas da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada em 22/05/2009. Diante do exposto, tendo sido demonstrado todos os fatos ocorridos, vem o contribuinte, requer o "CANCELAMENTO" do Despacho Decisório. Em 10 de setembro de 2013, através do Acórdão n° 0248.209, a 2a Turma de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. Entendeu a Turma que: Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10783.916587/200919 Acórdão n.º 3302006.764 S3C3T2 Fl. 3 3 Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele o contribuinte , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que seria lícito à RFB decidir indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente diante de divergências entre informações prestadas em Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). No caso, existem inconsistências nas informações prestadas na DCTF e Dacon relativamente aos débitos de Cofins apurados pelo regime não cumulativo (código de receita 5856) e cumulativo (código de receita 2172), que afastam a certeza do crédito e constituem razão suficiente para o indeferimento da compensação. O Contribuinte tomou conhecimento do teor do Acórdão de Manifestação de Inconformidade na data 06/11/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital ( efolhas 145 ). Recurso Voluntário foi apresentado em 02/12/20013, de efolhas 146 a 156. Foi alegado: Na competência de setembro/2006 a contribuinte apurou COFINS não cumulativo (código de arrecadação 5856) devido no importe de R$ 284.454,93, todavia, posteriormente verificou equívoco em sua apuração e procedeu a retificação da DCTF e DACON na data de 22/05/2009, alterando para o valor devido correto de R$ 231.980,39. Nesse contexto, e amparada pela previsão do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, a Contribuinte procedeu à compensação dos referidos saldos pagos a maior com os débitos próprios (via PER/DCOMP), submetendo a homologação de referidas compensações ao crivo da Receita Federal do Brasil (RFB). De verse, portanto, que a origem do crédito declarado no PER/DCOMP transmitido pela Contribuinte é, exclusivamente, de valores pagos a indevidamente ou a maior. Ocorre que a RFB homologou apenas parcialmente as compensações efetuadas pela Contribuinte, alegando que o saldo de crédito decorrente do pagamento indevido não seria suficiente para tanto. Assim, de acordo com o referido despacho decisório, não haveria créditos suficientes para liquidação dos débitos compensados via PER/DCOMP. No entanto, conforme será a seguir demonstrado, a decisão denegatória não merece prevalecer, na medida em que a Contribuinte efetivamente recolheu a maior ou indevidamente o tributo COFINS na competência de 09/2006) em montante suficiente para fazer frente às compensações declaradas. Fl. 239DF CARF MF 4 DA CONCESSÃO DO EFEITO SUSPENSIVO Consoante o artigo 74, §11° da Lei n° 9.430/96 c/c artigo 33 do Decreto 70.235/72, apresentado recurso contra decisão administrativa que denega direito creditório em manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, a mesma terá seus efeitos suspensos. Dessa forma, os valores compensados pela Contribuinte, ainda que as compensações não tenham sido homologadas, não podem ser exigidos enquanto não definitivamente julgado o presente recurso voluntário, vez que suspensa a exigibilidade dos débitos, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN. DOS VALORES INFORMADOS EM DCTF E DACON Segundo a referida decisão, existiam inconsistências nas informações prestadas na DCTF e DACON que afastavam a certeza relativamente aos débitos apurados de COFINS pelo regime cumulativo e não cumulativo. Assim, em revisão das informações prestadas nas referidas declarações, observouse um equívoco na informação prestada na DACON de competência 09/2006, que foi devidamente corrigida com a entrega da declaração n° 0463622499 conforme recibo n° 15.65.11.04.07, sendo certo que os valores apresentados em DCTF e na compensação estavam corretos. Frisese que eventuais divergências não têm o condão de obstaculizar a concessão do crédito, uma vez demonstrado que os valores são devidos e que possíveis erros tenham sido corrigidos. Ressaltase, ainda, que a legislação permite a retificação das obrigações acessórias, não havendo que se falar em impedimento ao crédito em razão de divergências existentes à época da compensação. Ou seja, uma vez corrigida a situação de inconsistência, demonstrase a regularidade dos créditos e a possibilidade de sua concessão. Aliás, os valores de débito e crédito devem estar corretamente declarados nas obrigações acessórias e sujeitandose, inclusive, à fiscalização da Receita Federal do Brasil. Deste modo, uma vez demonstrado que os valores são consistentes e que eventuais divergências foram corrigidas, não há outra medida senão o deferimento do crédito pleiteado. DO ERRO DE FATO CORREÇÃO DE OFÍCIO Consoante determina o artigo 147, §1° do Código Tributário Nacional, somente pode haver retificação de declaração que vise reduzir ou excluir tributo quando comprovado o erro e antes de notificado o lançamento. Todavia, não é o que ocorre no presente caso, uma vez que não se buscou com a retificação da DACON competência 09/2006 a exclusão ou redução do valor de COFINS devida, mas tão somente a correta indicação do valor de imposto devido, já devidamente declarado em DCTF. Ainda assim, conforme o §2° do mesmo diploma legal, tal erro pode ser, inclusive, corrigido de ofício pela autoridade administrativa que realizar a revisão da declaração. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10783.916587/200919 Acórdão n.º 3302006.764 S3C3T2 Fl. 4 5 Desta feita, por prudência, refutase desde já eventual argumento de que não é possível a retificação da DACON competência 09/2006, estando demonstrado que não houve a redução ou exclusão de tributo. Ademais, demonstrase cabalmente que a retificação ora apresentada se preza a correção de erro de fato, não sendo admissível que erro formal implique em total desconsideração dos atos praticados. Ressaltase, mais uma vez, que o referido equívoco não trouxe alteração nos valores de tributos anteriormente apurados e informados ao fisco, em especial quanto às informações prestadas através da obrigação acessória DCTF Declaração de débitos e créditos tributários federais. No presente caso, o débito combatido não teve sua origem em procedimento de fiscalização, tampouco se encontram inscritos em dívida ativa da união ou em cobrança na PGFN. Outrossim, o §3° da mesma norma legal é claro ao permitir a retificação no caso de erro de fato no preenchimento do dispositivo, o que já foi amplamente demonstrado alhures. Desta feita, não cabe outra medida senão a consideração da declaração DACON da competência 09/2006 retificada para corrigir o equívoco da declaração original. DOS PEDIDOS Por todo exposto, requer o recebimento e total provimento do presente recurso voluntário, reformandose a decisão ora recorrida, para os fins de reconhecer a existência de crédito suficiente para a homologação da totalidade das compensações declaradas no presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A Empresa VIX LOGÍSTICA S.A. foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, por via eletrônica, em 06/11/2013, às efolhas 145. A Empresa VIX LOGÍSTICA S.A. ingressou com Recurso Voluntário em 02/12/2013, efolhas 146. O recurso voluntário é tempestivo. Fl. 241DF CARF MF 6 Da controvérsia. ü Da concessão do efeito suspensivo; ü Dos valores informados em DCTF e DACON; ü Do erro de fato correção de ofício. Passase à análise. Da concessão do efeito suspensivo Tratase de aplicação do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Dos valores informados em DCTF e DACON É alegado às folhas 05 e 06 do Recurso Voluntário: Segundo a referida decisão, existiam inconsistências nas informações prestadas na DCTF e DACON que afastavam a certeza relativamente aos débitos apurados de COFINS pelo regime cumulativo e não cumulativo. Assim, em revisão das informações prestadas nas referidas declarações, observouse um equívoco na informação prestada na DACON de competência 09/2006, que foi devidamente corrigida com a entrega da declaração n° 0463622499 conforme recibo n° 15.65.11.04.07, sendo certo que os valores apresentados em DCTF e na compensação estavam corretos. Frisese que eventuais divergências não têm o condão de obstaculizar a concessão do crédito, uma vez demonstrado de forma os valores são devidos e que possíveis erros tenham sido corrigidos. (...) Ressaltase, ainda, que a legislação permite a retificação das obrigações acessórias, não havendo que se falar em impedimento ao crédito em razão de divergências existentes à época da compensação. Ou seja, uma vez corrigida a situação de inconsistência, demonstrase a regularidade dos créditos e a possibilidade de sua concessão. Aliás, os valores de débito e crédito devem estar corretamente declarados nas obrigações acessórias e sujeitandose, inclusive, à fiscalização da Receita Federal do Brasil. Deste modo, uma vez demonstrado que os valores são consistentes e que eventuais divergências foram corrigidas, não há outra medida senão o deferimento do crédito pleiteado. Em síntese, o contribuinte alega a existência de crédito suficiente para a homologação da totalidade das compensações declaradas no presente processo. Para tanto, faz a alegação de que os valores reclamados são consistentes e que eventuais divergências foram corrigidas. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10783.916587/200919 Acórdão n.º 3302006.764 S3C3T2 Fl. 5 7 Nesse sentido, traz aos autos informações que podem ser sintetizadas nos seguintes quadros: Cópia de telas da DACON e DCTF foram anexada às fls. 130/138. Pelo teor do Recurso Voluntário depreendese que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. O fato é que a retificadora é irrelevante. O ônus do contribuinte é comprovar o direito levado à DCTF Retificadora, ou pelo menos sua verossemelhança. Prossegue o VOTO, tendo por esteio voto do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302006.399, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, de redação do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho: Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, Fl. 243DF CARF MF 8 como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sendo assim, nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10783.916587/200919 Acórdão n.º 3302006.764 S3C3T2 Fl. 6 9 Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907892/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.899
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 89 2/ 20 16 -5 1 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13896.907892/201651 Resolução nº 3201001.899 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13896.907892/201651 Resolução nº 3201001.899 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13896.907892/201651 Resolução nº 3201001.899 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 13896.907892/201651 Resolução nº 3201001.899 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13896.907892/201651 Resolução nº 3201001.899 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13896.907892/201651 Resolução nº 3201001.899 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 482DF CARF MF
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Numero do processo: 13007.000214/2003-19
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: ImPosTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Numero da decisão: 2101-000.107
Decisão: ACORDAM os Membros da P CÂMARA / P TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, rejeitar a preliminar
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de débito com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, constitui confissão de dívida. A DCTF constitui confissão de dívida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n 2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de - inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. (, -. o ..y] Processo n° 13007.000214/2003-19 52-CRI Acórdão n°2101-00.107 Fl. 535 A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua • exigibilidade. Art. 61 da Lei n2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 2 3, do 22 CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / P TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os .elheiros Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá F . o. ati I • II MARCOS CÂND 10 Pres te di erm fk e 10 'O ER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata este processo de Declaração de Compensação apresentada pela OPP QUIM1CA S/A em 10/06/2003, para quitação de débito de IPI, relativo ao período de apuração de 21/05/2003 a 31/05/2003, com crédito presumido de 1H calculado sobre insumos desonerados do imposto, adquiridos no período de 01/04/2003 a 30/04/2003, cujo direito estaria amparado em decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS. O MS foi impetrado em 06/07/2000 pelas empresas OPP PETROQUÍMICA S/A e OPP POLIETILENOS S/A e o direito declarado pelo TRF da 4 2 Região alcançou os créditos decorrentes dos insumos utilizados na produção nos últimos dez anos, ou seja, no período de 06/07/1990 a 06/07/2000. J-(1 1 2 • Processo n° 13007.000214/2003-19 S2-CIT I Acórdão n.° 2101-00.107 Fl. 536 A DRF em Porto Alegre - RS não homologou a compensação efetuada pela contribuinte, com fundamento no art. 170-A da Lei n 2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN), porque a decisão judicial que daria amparo à utilização dos referidos créditos ainda não havia transitado em julgado. Consta do despacho decisório que a decisão judicial autoriza apenas o creditamento do IPI na escrita fiscal da empresa, para compensação com débitos do próprio IPI, e ainda assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo autorizado a compensação dos créditos passados com outros tributos administrados pela RFB antes do trânsito em julgado da respectiva sentença e nem a utilização de créditos posteriores à data de impetração do mandado de segurança. Irresignada, a BRASKEM S/A, que incorporou a OPP QUÍMICA S/A, a qual, por sua vez, sucedera as impetrantes do mandado de segurança, apresentou manifestação de inconformidade, na qual, após requerer a suspensão da exigibilidade do débito compensado, apresenta as suas razões de defesa, que podem ser assim sintetizadas: - a Receita Federal, ao interpretar a sentença como tendo garantido o direito de aproveitamento, apenas, dos créditos anteriores à impetração do mandado de segurança, incorreu em erro tanto fático quanto jurídico. Erro fático, por inexistir nos autos qualquer negativa do direito em questão, quer na sentença, quer no acórdão do TRF da 4" Região; e erro jurídico, por tal interpretação contrariar a própria natureza do mandado de segurança, que tem por escopo a urgente proteção de direito legítimo do administrado, afastando do mundo jurídico o ato que lhe impede de exercê-lo momentaneamente e no futuro. Ao fundar-se nesta premissa, a decisão estaria viciada de nulidade. Quanto aos efeitos do mandado de segurança e sua natureza, traz à colação ensinamentos da doutrina e precedentes jurisprudenciais; - a existência de decisão transitada em julgado materialmente a seu favor impossibilita a cobrança do crédito tributário, porque a Fazenda Nacional interpôs agravo regimental, recorrendo apenas parcialmente da decisão monocrática do STF, que não conheceu de seu recurso extraordinário, não atacando o mérito integral das decisões favoráveis à empresa, limitando-se a rediscutir o direito ao crédito na aquisição de insumos não-tributados (NT), a incidência de correção monetária e a definição da alíquota aplicável na apuração dos créditos objeto da lide. Em razão disso, entende que o direito ao creditamento relativo aos insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero já é matéria decidida, não sendo mais passível de reforma. Reforça seu entendimento através da exposição de ensinamentos doutrinários e em disposições legais sobre a coisa julgada; - a aplicação do art. 170-A do CTN, acrescido pela Lei Complementar n2 104/2001, aplica-se exclusivamente às ações judiciais impetradas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, não atingindo o mandado de segurança por ela impetrado, que é anterior. Este entendimento está de acordo com a jurisprudência do STJ, conforme julgados que apresenta; - obsta, igualmente, a incidência do art. 170-A do CTN sobre o caso em foco, o fato de este dispositivo ter surgido quando já existia decisão judicial, cujo teor não pode ser modificado por norma superveniente. Entender de outra forma implicaria em outorgar eficácia retroativa a essa norma, em desacordo com o sistema jurídico pátrio, que consagra o princípio da irretroatividade normativa, admitindo-a em hipóteses pontuais, como a das leis meramente interpretativas, que não é o casiApresenta excerto doutrinário nesse sentido; 3 • Processo e 13007.000214/2003-19 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.107 Fl. 537 - a autoridade administrativa não pode modificar a decisão judicial ou agregar comandos nela não contidos, já que inexiste na sentença previsão de aplicação do art. 170-A do CTN, conforme disposições dos arts. 468 e 469 do CPC e posicionamentos da doutrina que traz à colação; - somente o competente recurso à autoridade de superior grau hierárquico, no caso, o TRF da 4' Região, poderia desconstituir, reformar ou anular a decisão de 1 instância, poder este vedado à via administrativa; - a execução provisória da sentença que conceder o mandado não comporta recurso com efeito suspensivo, conforme jurisprudência do STJ e doutrina que cita, realçando que a pretensão da Fazenda Nacional, de suspender a compensação imediata dos créditos, foi duplamente denegada nos recursos por ela interpostos; - os pareceres lavrados, a seu pedido, pelos professores Arruda Alvim, Eduardo Arruda Alvim, Ovídio Baptista e Roque Antônio Carrazza ratificam seu entendimento sobre a matéria em discussão, reconhecendo a autorização para imediata compensação dos créditos, a não aplicação do art. 170-A do CTN ao caso e a ocorrência do trânsito em julgado material; - o direito de aproveitamento dos créditos sobre os insumos desonerados decorre do principio constitucional da não-cumulatividade, que emerge do § 3° do art. 153 da CF/88. A não permissão do direito ao crédito decorrente da aquisição de insumos isentos, não- tributados ou tributados à aliquota zero desnaturaria a exoneração tributária intentada, pois na saída do produto tributado ao qual se incorporam, a exação incidiria sobre o valor dos ditos insumos, anulando-a. Ampara seus argumentos nas lições de diversos doutrinadores pátrios e cita a posição do STF, dizendo que está pacificada naquela corte jurisprudência que reconhece o direito ao crédito em relação aos insumos isentos e sujeitos à aliquota zero. Tal orientação do pretório excelso deve ser seguida pela SRF, por força do disposto no art. 1° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, cujo teor transcreve. Pugna, ainda, pelo expurgo da multa de mora e dos juros de mora, reafirmando que todas as decisões proferidas no processo judicial, garantindo o seu direito ao aproveitamento dos créditos pleiteados, não foram objeto de reforma, encontrando-se em pleno vigor até a presente data. Assim, por estar amparada em provimento judicial, aduz que não poderia ser considerada em mora, reproduzindo dispositivos do Código Civil e excertos doutrinários a respeito desse instituto. Afirma, ainda, que a sentença suspendeu a exigibilidade dos tributos na mesma medida em que reconheceu o direito aos créditos do IPI, reproduzindo o caput e § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/96 e citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STF. Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, a reforma do despacho decisório e o cancelamento das cartas de cobrança. A DRJ em Porto Alegre — RS manteve a não-homologação da compensação e a cobrança dos débitos indevidamente compensados, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. j • 4 Processo n° 13007.000214/2003-19 S2-CITI Acórdão n.• 2101-00.'07 Fl. 538 MANDADO DE SEGURANÇA. DENEGAÇÃO. Denegada a segurança quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de matérias-primas isentas, não-tributadas ou sujeitas à aliquota zero, posteriormente ao ajuizamento da ação, não há provimento judicial para sua utilização. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. TRÂNSITO EM JULGADO A compensação como forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo gozem de certeza e liquidez. Em se tratando de créditos decorrentes de ação judicial, há necessidade do trânsito em julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. ACRÉSCIMOS MORATORIOS. A exigência da multa de mora e dos juros moratários decorre de expressa disposição legal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornando-se nela definitiva. Solicitação Indeferida". No recurso voluntário, a empresa repisa as mesmas razões de defesa, acrescentando que houve equivoco do órgão julgador de primeiro grau, porque, mesmo estando vinculado ao Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional que reconhecera o direito às compensações, ignorou-o por completo. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido, para o fim de homologar as compensações, cancelando-se, por conseguinte, as cartas de cobrança dos débitos compensados. Com relação ao último pedido, a empresa argüiu perante este Colegiado, após a apresentação do recurso voluntário, como questão de ordem pública, que a cobrança intentada pela DRF é indevida, porque as declarações de compensação apresentadas antes de 31/10/2003 não constituíam confissão de dívida, a teor do disposto na Lei n 2 10.833, de 2003. No presente caso, acrescenta, também não houve confissão da divida nas DCTF, porque nelas os débitos foram quitados por compensação, não sendo declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. Defende que nestas declarações só o saldo a pagar constitui confissão de dívida, de modo que o Fisco, se quisesse cobrar os referidos débitos, deveria ter providenciado o competente lançamento de oficio. Sem este, conclui que a compensação deve ser homologada e os débitos extintos, tendo em vista que já se operou a decadência quanto à possibilidade de lavratura do auto de infração. É o relatório. e 5 Processo n° 13007.000214/2003-19 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.107 Fl. 539 Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. Antes de adentrar na análise de mérito, convém esclarecer que a ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUíMICA S/A, que é a impetrante OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante, a OPP PETROQUíMICA S/A. Além da alegação de que o parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional lhe teria sido favorável, as questões em litígio, necessárias e suficientes para a formação do convencimento deste julgador, são as seguintes: (1) existência de decisão transitada em julgado materialmente, favorável à recorrente; (2) erro da Receita Federal ao afirmar que o pedido teria sido negado para o futuro; (3) inaplicabilidade do art. 170-A do CTN ao presente caso; (4) impossibilidade de exigência de multa de mora e dos juros de mora, uma vez que a conduta da recorrente teria sido pautada em expressa determinação judicial e inconstitucionalidade da cobrança de juros com base na taxa Selic; e (5) necessidade de lançamento dos débitos indevidamente compensados para viabilizar a sua cobrança administrativa ou judicial. 1 — Da inexistência de trânsito em julgado material da sentença As empresas sucedidas pela recorrente requereram ao judiciário, em 06/07/2000, o direito de aproveitamento do IPI apurado com base nas aliquotas de saída, relativamente às entradas dos últimos dez anos e posteriores ao ajuizamento da ação, para compensação com débitos de IPI e outros tributos administrados pela SRF. Pediram também que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos créditos e de negar- lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamente, com a inclusão dos expurgos inflacionários. A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em 23/10/2000 e juntada aos autos, foi o de aproveitamento dos créditos dos últimos cinco anos, para abatimento do IPI devido pelas saídas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela Ufir até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizatórios da SRF. A Fazenda Nacional apelou requerendo o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição, como já defendera na contestação. O Tribunal Regional Federal da 42 Região, em decisão prolatada em • 721/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao creditamento do IPI relativo aos insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores 6 • Processo e 13007.000214/2003-19 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.107 Fl. 540 ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal, aplicando-se, a partir de 1 2/01/1996, unicamente a taxa Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tomada insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE em 07/02/2008, verbis: "Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando insubsistente o ato atacado mediante o agravo; vencidos os Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não participou, justificadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. Turma, 11.12.2007." No recurso extraordinário (RE n2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de IPI sobre os insumos de aliquota zero e os não-tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF, porém o Egrégio Tribunal deve decidi-lo na mesma linha de suas últimas decisões, sintetizada na ementa do RE n2 370.682, julgado em 25/06/2007, assim redigida: "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IN. Crédito Presumido. lnsumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero." (grifos acrescidos) A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao analisar a alegação de que teria ocorrido o trânsito em julgado material, concluiu que teria ocorrido o fenômeno em favor do Fisco e não da empresa, com relação aos insumos adquiridos depois da impetração do mandado de segurança e quanto ao pedido de compensação com tributos de outra natureza. Neste contexto, só se poderia falar em coisa julgada material em favor das impetrantes com relação à aquisição de insumos isentos, adquiridos nos dez anos anteriores à impetração, fato que não tem qualquer implicação no caso tratado nos presente autos, pois há informação de que as impetrantes não se utilizavam de insumos isentos. Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instância, que foi parcialmente reformulada pelo TRF da Região, ao contrário do que defende a recorrente, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material, no que pertine aos créditos decorrentes de insumos de aliquota zero e não-tributados. 2 — Da inexistência de erro de interpretação na decisão recorrida Na primeira parte dispositiva da sentença, o juiz disse, taxativamente: "concedo parciahnente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer àsjaim impetrantes o direito de aproveitar os valores de 7 • Processo n° 13007.00021412003-19 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.107 19. 541 aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou- tributadas com aliquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo." (destaquei) e, na segunda parte, declarou: . "O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UFIR, até 31/12/1995, e daí até o efetivo aproveitamento segundo o sç 4°, do art. 39, da L 9.250/1991" Não há outro aproveitamento mencionado, senão aquele constante da primeira parte do dispositivo, não havendo como "interpretar" a sentença de outra forma. Se houve inconformismo, se a sentença foi parcial, deveria a interessada apelar do resultado que lhe foi desfavorável. Não houve, pois, interpretação errônea da decisão judicial por parte da autoridade fiscal, e nem pelo órgão julgador de primeira instância, quanto ao fato de o direito reconhecido por sentença, após a decisão do TRF, estar limitado ao creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, pelas saídas dos produtos fabricados pelas impetrantes. 3 - Da limitação à compensação imposta pelo art. 170-A do CTN Se a decisão judicial só autorizou o creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, qualquer outra forma de compensação dos referidos créditos submete-se às normas que regem a compensação administrativa, ou seja, às Instruções Normativas SRF n2s 21/77, 33/99 e 210/2002. As normas citadas não autorizam a compensação de créditos decorrentes de decisão judicial, antes do seu trânsito em julgado, sendo patente a incidência, no caso, da limitação imposta pelo art. 170-A do CTN, verbis: "Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do tránsito em julgado da respectiva decisão judicial(Artigo incluído pela Lcp n°104. de 10.I.2001)" Não resta dúvida de que a compensação dos créditos fictos de IPI, sob outra forma que não a do creditamento no livro de apuração, para abatimento dos débitos do próprio imposto, não encontra qualquer respaldo legal ou judicial. Conseqüentemente, não merece qualquer reparo a decisão recorrida, quando decidiu pela não-homologação das compensações dos créditos fictos com débitos do próprio 'IPI, intentadas fora do livro de apuração, via DCTF ou Dcomp. , 4 — Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assi estabelece, verbis: 8 ... - Processo n° 13007.000214/2003-19 52-CIT I Acórdão n.°2101-00.107 Fl. 542 "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de I" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros - de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5', a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." A multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento se deu por culpa ou por força maior. Ocorrendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também o é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a alegação de inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição dos enunciados das Súmulas n2s 2 e 3, que têm o seguinte teor: "Súmula ne 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." "Súmula ne 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulosfederais." Portanto, o débito indevidamente compensado deve ser exigido com os consectários legais, expressamente previstos em lei. 5 - Da alegação de que os débitos não podem ser cobrados sem lançamento de oficio Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de divida, porque apresentada antes da vigência da MP n° 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de divida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de j. 9 Processo n° 13007.000214/2003-19 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.107 Fl. 543 auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de dívida, apta a permitir a cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 6 2 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: "§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de dívida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, nao há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. io • Processo e 13007.000214/2003-19 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.107 Fl. 544 Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. Entende a recorrente que a confissão de dívida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tomaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, del3/06/1984, verbis: "Art. 50 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita FederaL § 1' O documento que .formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2" Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2" do artigo 7" do Decreto-lei n" 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da dívida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo único da Instrução Normativa n 2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: - -"Art. 1° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do 1TR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como )(Dívida Ativa da Unia' 11 n n PrOCCSSO n°13007.000214/2003-19 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.107 Fl. 54S Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF n"s 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n" 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." Veja-„se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (caput do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de dívida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O capta do art. 1 2 da IN SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em divida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. 1 1. É pacifico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. 1. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, j. Processo n° 13007.000214/2003-19 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.107 19. 546 também é pacífico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em dívida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. Me 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. I. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento especifico (DCTF, GIA, GFIP e congéneres), a dívida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; b) declarada a compensação por intermédio de instrumento especifico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em divida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a fdeclaração do contribuinte não foi recusada, nem estecientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN. 3. Recurso especial não provido." Lie 13 • Processo n° 13007.000214/2003-19 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.107 Fl. 547 Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4a Região, ofendera ao art. 5 0, § 1 0, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tornando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da divida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. I. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resohnória de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código Tributário Nacional e 74, § 2", da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3. Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de dívida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." 14 • Processo n° 13007.000214/2003-19 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.107 Fl. 548 - • Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art.18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6 2 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2" do ar. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, conforme o caso. ri" O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n 2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n 2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes 2,:e dispositivos legais, verbis: "§ 92 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7, apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29.12.2003) .. ‘ j9 15 Processo n° 13007.000214/2003-19 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.107 Fl. $49 e .. n sç. 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9Q e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto te 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei tr2 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29.12.2003)" De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de dívida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n2 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a 11 do Decreto n° 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1" Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vício de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja . compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tomar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 Âdo Decreto n° 70.235/72. , 16 Processo n°13007.000214/2003-19 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.107 Fl. 550 6— Das demais alegações do recurso voluntário Alega a recorrente que o direito de aproveitamento dos créditos fictos seria decorrência lógica do princípio constitucional da não-cumulatividade. Mas este é exatamente o fundamento jurídico em que se apóia o mandado de segurança impetrado pelas empresas OPP POLIETILENOS S/A e OPP PETROQUÍMICA S/A. A opção pela discussão na via judicial obsta a apreciação da mesma matéria na via administrativa, consoante a Súmula n2 1 deste Segundo Conselho, redigida nos seguintes termos. "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." De nada adianta, portanto, a alegação da recorrente de que o mérito do direito ao crédito de IPI é decorrência lógica do princípio da não-cumulatividade, conforme já decidiu o STF, porque esta matéria não será objeto de apreciação por parte deste Colegiado. Pugna a recorrente pelo acolhimento dos pareceres emitidos por professores e doutrinadores de escol, como suporte à sua defesa. No entanto, nada do que neles se contém é capaz de ilidir as conclusões a que se chegou no presente voto. Também não assiste razão à recorrente quando aduz que a Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional teria reconhecido o seu direito de realizar as compensações, até porque, após a vigência da Lei Complementar n 2 104/2001, que introduziu o art. 170-A no CTN, o art. 12 da Lei n2 1.533/51, que rege o mandado de segurança, não mais prevalece em matéria tributária. Conclusão Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. 1€) Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. kit ittellP E R 17 Page 1 _0068000.PDF Page 1 _0068100.PDF Page 1 _0068200.PDF Page 1 _0068300.PDF Page 1 _0068400.PDF Page 1 _0068500.PDF Page 1 _0068600.PDF Page 1 _0068700.PDF Page 1 _0068800.PDF Page 1 _0068900.PDF Page 1 _0069000.PDF Page 1 _0069100.PDF Page 1 _0069200.PDF Page 1 _0069300.PDF Page 1 _0069400.PDF Page 1 _0069500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13047.720112/2016-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRRF - DEDUÇÃO - COMPROVAÇÃO
Para deduzir da base de cálculo do IRPF é necessário que o contribuinte faça prova da efetiva retenção do imposto de renda na fonte, bem como os rendimentos correspondentes tenham sido ofertados à tributação.
Numero da decisão: 2002-000.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a DRJ se manifeste sobre o mérito do processo, sob pena de ferimento do devido processo legal, por supressão de instâncias e cerceamento de defesa.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a DRJ se manifeste sobre o mérito do processo, sob pena de ferimento do devido processo legal, por supressão de instâncias e cerceamento de defesa. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 7. 72 01 12 /2 01 6- 61 Fl. 131DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 07 a 16), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos acumuladamente Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.553,34, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 69 dos autos, no qual o contribuinte alega que se trata de imposto retido sobre rendimentos recebidos acumuladamente e apresenta documentos para comprovar este fato. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, em 03/02/2017, no acórdão 1541.315, às efls. 75 a 76, não conheceu da impugnação por concomitância de processo judicial e processo administrativo. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 14/03/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 82 a 88, no qual alega, em resumo, que: § preliminarmente, que desiste do pedido de devolução do imposto de renda retido na fonte, pois declarada na DAA de 2013, exercício 2014. § que seja afastada a exigência fiscal, pois o processo judicial foi extinto Diligência Em sessão realizada em 19/06/2018, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 2002000.019 (efls.90/92), para que a unidade preparadora junte a Dirf do período e intime a contribuinte a apresentar o comprovante da retenção de 5.477,04 (fl. 67). Em atendimento, foram anexadas as informações de fls.104/118. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Como mencionado, o presente processo de notificação de lançamento relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte em relação a rendimentos recebidos acumuladamente. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13047.720112/201661 Acórdão n.º 2002000.799 S2C0T2 Fl. 86 3 No mérito, a contribuinte informa que ingressou com ação judicial (processo nº 001/1.10.02548588, que tramitou na 1ª Vara da Fazenda Pública do foro de central de Porto Alegre/RS, no qual se discute a retenção de imposto de renda em casos de rendimentos recebidos acumuladamente. A DRJ, em sua decisão, não conheceu a impugnação apresentada pela contribuinte, fundamenta na concomitância de instâncias, como se vê: Apesar do motivo da glosa ter sido o fato de a contribuinte haver obtido a restituição do imposto na ação judicial, a impugnante não traz argumentos ou provas que descaracterizem este fato. O documento às fls. 46 atesta que a reclamante solicitara no processo judicial a restituição do imposto retido aqui em questão. De acordo o Parecer Normativo COSIT nº 7 de 22/08/2014, a propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Contudo, tal ação foi ajuizada em face do Estado do Rio Grande do Sul, portanto não produzindo qualquer efeito em face da União, competente para litigar sobre casos de IRPF, posto que não há que se falar com concomitância de instâncias. Como a autuação se refere a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, na sessão de 19/06/2018, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora junte a DIRF do período, que não constava nos autos. Sobre o IRRF, a Lei nº 9.250, de 1995, prevê em seu artigo 12: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: .... V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; O RIR/1999 dispõe: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) Fl. 133DF CARF MF 4 IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2ºO imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, §1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Dessa feita, para compensar o IRRF, é necessário que o contribuinte faça prova da efetiva retenção do imposto de renda na fonte, bem como os rendimentos correspondentes tenham sido ofertados à tributação. Contudo, no presente caso, não há concomitância de instâncias, vez que a União não foi parte no processo judicial ajuizado pela contribuinte, requisito essencial para configuração do instituto (identidade das partes). Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento para que a DRJ se manifeste sobre o mérito do processo, sob pena de ferimento do devido processo legal, por supressão de instâncias e cerceamento de defesa. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.908976/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2004
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório que apresenta todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não homologação
da compensação declarada.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida.
PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Numero da decisão: 3201-004.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório que apresenta todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não homologação da compensação declarada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUCATU & FUCAZU SUPERMERCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório que apresenta todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não homologação da compensação declarada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 89 76 /2 01 0- 06 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10880.908976/201006 Acórdão n.º 3201004.720 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de PER/DCOMP com lastro em crédito de Cofins que teria sido recolhido a maior. A Derat/São Paulo, por meio de despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva. Transcrevese, do acórdão da DRJ, um resumo de suas alegações: (...) III Do direito 111.1 — Da nulidade do despacho decisório. Vício formal. Ausência de motivação por parte da autoridade fazendária. Ofensa ao contido no artigo 2º, caput e inciso VII da Lei n° 9.784/99 Ainda que a autoridade fiscal pugne pela inexistência de qualquer crédito a ser aproveitado na via da compensação, tem o dever de fundamentar jurídica e legalmente o seu posicionamento, de forma a expor os motivos e as razões que a levaram a tal conclusão. Decidir de forma desmotivada e desarrazoada constitui nítida afronta ao artigo 2°, caput e inciso VII da Lei n° 9.784/99. As decisões administrativas devem ser sempre motivadas e devidamente fundamentadas, além do que a Administração Pública deve obedecer ao primado da motivação. Admitir o contrário é afrontar a Lei n° 9.784/99 e se olvidar dos princípios básicos que regem o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. III — Do mérito Da possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Inteligência do inciso III, do parágrafo 2°, do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 (redação original) (...) Seguindo a norma legal, notase que para fins de apuração da base de cálculo das contribuições, o sujeito passivo deve, em um primeiro momento, obter a receita bruta da empresa no período, obedecendo ao somatório das grandezas previstas no parágrafo primeiro, e depois proceder às exclusões previstas no parágrafo segundo, inclusive aquela estatuída no inciso III, ou seja, as receitas transferidas para outras pessoas jurídicas. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.908976/201006 Acórdão n.º 3201004.720 S3C2T1 Fl. 4 3 Ademais, ainda que haja a necessidade da edição de normas regulamentadoras, expedidas pelo Poder Executivo, temse que as mesmas não podem dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que a matéria é reservada à lei. Portanto, a Impugnante faz jus ao crédito de Cofins, eis que se valeu do contido no inciso III, do parágrafo segundo, do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, de modo que descabe alegar que tal dedução seria inviável dada a inexistência de normas regulamentadoras. (...) A DRJ/São Paulo I julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por meio do Acórdão 16033.766, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório que apresenta todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não homologação da compensação declarada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Inconformado com a decisão acima o contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os exatos termos da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.718, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10880.687006/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.908976/201006 Acórdão n.º 3201004.720 S3C2T1 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.718): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. No Recurso Voluntário o Contribuinte apresentou os mesmo termos da Manifestação de Inconformidade, fazendo pequenas reduções ao texto originário, porém empregando o mesmo sentido, assim, por entender ter a mesma compreensão da DRJ, adoto os mesmo fundamentos nos termos do art. 57, §3o. do RICARF , que assim ficou assentado: Configuramse os requisitos de admissibilidade da manifestação apresentada pelo sujeito passivo, visto que protocolizada no prazo previsto pelo art. 15 do Decreto n° 70.235/72, assistindo razão ao contribuinte quanto a alegada tempestividade. Da preliminar Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito dc defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Ademais, conforme indicado no Despacho Decisório, para verificação de valores devedores e emissão de DARF, o contribuinte pode consultar a página da Receita Federal do Brasil na Internet, na opção "Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto Restituição Compensação, item PER/DCOMP, Despacho Decisório". Através desta consulta, o contribuinte obtém informações complementares, tais como a segunda via do Despacho Decisório, detalhamento da análise do crédito, demonstrativo das compensações efetuadas, discriminação dos débitos cobrados, com emissão de DARF c orientações para a apresentação de Manifestação de Inconformidade. Desta forma, não há qualquer afronta ao disposto no artigo 2°, caput, inciso VII da Lei n° 9.784/99, ou aos princípios básicos que regem o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, conforme alegado na manifestação de inconformidade. Do mérito O contribuinte apresentou a DCOMP de fls. 01/02, declarando a compensação de débitos próprios de IRPJ (Código de Receita 599301) e CSLL (Código de Receita 248401) relativos ao período de apuração maio de 2006 com crédito de COFINS (Código de Receita 217201) decorrente de pagamento a indevido ou a maior referente ao período de apuração agosto de 2004, que teria ocorrido em 15/09/2004. O pagamento teria ocorrido através do DAM', cujas informações estão detalhadas no PER/DCOMP transmitido pelo interessado, conforme segue: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.908976/201006 Acórdão n.º 3201004.720 S3C2T1 Fl. 6 5 CAMPO DO DARF VALOR PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/08/2004 CNPJ: 53.582.938/000123 CÓDIGO DE RECEITA: 2172 N° DE REFERÊNCIA: DATA DE VENCIMENTO: 15/09/2004 VALOR DO PRINCIPAL: 13.079,86 VALOR DA MULTA: 0,00 VALOR DOS JUROS: 0,00 VALOR TOTAL DO DARF: 13.079,86 DATA DE ARRECADAÇÃO: 15/09/2004 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, por processamento eletrônico, fezse a comparação entre o pagamento indicado no PER/DCOMP e as informações constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, não sendo localizado o DARF informado na DCOMP. A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento de dados da Receita Federal do Brasil — RFB, que emitiu em 23/10/2009 o Despacho Decisório não homologando a compensação declarada pelo contribuinte. Atualmente, a compensação tributária em âmbito federal é regulada pela Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que em seu art. 74 e parágrafos, na redação dada pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002, estabelece que: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com íránsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § lo A compensação de que trata o caput será efetuado mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão infOrmações• relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Por sua vez, a Lei n° 8.383/1991 dispõe que: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, 171eS1110 quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenotória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995). § 40 As Secretarias da Receita Federal e do Pcdrintônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei n" 9.069, de 29.6.1995). De acordo com tais normas, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constem informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.908976/201006 Acórdão n.º 3201004.720 S3C2T1 Fl. 7 6 Ressaltese que nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. No caso, o que se encontra em análise é a existência ou não do crédito do contribuinte em função do pagamento indevido ou a maior através do DARF no valor de R$13.079.86, indicado no PER/DCOMP, sendo que a tela de consulta do conta corrente da empresa através do sistema SINAL08, fls. 30, confirma a informação do despacho decisório de que o referido pagamento não foi efetuado pelo contribuinte, o que inviabiliza a compensação pretendida. Por outro lado, ainda que se considerasse as alegações da Manifestante quanto a apuração do crédito de COFINS no valor de R$13.079.86 com base no inciso 111 do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei n° 9.711/98, na redação anterior à MP n°215835/2001, as mesmas não se confirmam tanto nos registros constantes dos sistemas da Receita Federal, como através da apresentação de provas nos presentes autos. O art. 2° da Lei n° 9.711/98 define a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS nos seguintes termos: Art. 2' As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturai/lento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei E ainda o art. 30, §20, inciso III da referida lei, citado pelo contribuinte assim estabelecia, na redação anterior à edição da MP n° 2.15835, de 2001: Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. ,sç 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória n°215835, de 2001) Em consulta ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, fls. 23/25, constatase que para o período de apuração agosto de 2004, o contribuinte não declarou em DCTF nenhum valor relativo a COFINS — Código de Receita 217201. Na DCTF original/cancelada, transmitida em 12/11/2004, fls. 26, e na DCTF retificadora/cancelada, transmitida em 30/11/2004, fls. 27, foi declarado o débito de COFINS — Código de Receita 58561 no valor de R$14.770,31, ao qual foi vinculado o crédito no valor de R$395,13 (Pagamento) e a compensação de pagamento indevido a maior no valor de R$14.375,18. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.908976/201006 Acórdão n.º 3201004.720 S3C2T1 Fl. 8 7 Verificase ainda no corrente da empresa, por intermédio do sistema SINAL08, fls. 29, que o único DARF relativo a contribuição de COFINS do período de apuração 31/08/2004 foi pago pelo contribuinte em 15/09/2004, com o código de receita 5856, no valor de R$395,13, que corresponde ao valor declarado na DCTF original e retificadora/cancelada, confirmando a informação do Despacho Decisório de que o DARF indicado no PER/DCOMP no valor de R$13.079,86 e código de receita 2172 recolhido em 15/09/2004 não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Cabe destacar que o contribuinte entregou DCTF retificadora/ativa para o período de apuração agosto de 2004 em 19/06/2009, fls. 28, declarando o débito de COFINS código 585601 no valor de R$3.052,89 e o crédito vinculado no mesmo valor (Pagamento). Ressaltese que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, é o documento através do qual o sujeito passivo comunica à autoridade fazendária a existência de crédito tributário, constituindose em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo §1°, do art. 5° do Decretolei n°2.124, de 8 de março de 1984: Art. 5° O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. 55. I° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Como já exposto, todos os fatos apurados são provenientes de informações do próprio Contribuinte, quais sejam, declarações e documentos de arrecadação. E conforme o Código de Processo Civil, artigo 333, o ônus de provar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos ao direito da outra parte é de quem os alega: Art. 333 — O ônus da prova incumbe: 1— ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ademais, instaurado o contencioso administrativo, as alegações trazidas pelo contribuinte devem estar comprovadas mediante a apresentação de documentação hábil e suficiente, consistente na escrituração contábil/fiscal e demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levadas a registro no órgão competente, à época dos fatos, para fins de comprovar a existência e regularidade do direito creditório com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Assim, considerando que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer prova da existência do crédito e do DARF no valor de R$13.079,86 indicado no PER/DCOMP, não se confirma a declaração do contribuinte de que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior. Diante do exposto, concluise que o Despacho Decisório emitido encontrase corretamente fundamentado, e o pedido de homologação da compensação efetuada pelo contribuinte deve ser indeferido. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.908976/201006 Acórdão n.º 3201004.720 S3C2T1 Fl. 9 8 Da produção de provas indeferimento No que se refere ao pedido para produção de prova documental, temse que na fase em que se encontra o processo, são aplicadas à manifestação de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto n2 70.235, de 1972, conforme está previsto no parágrafo 11 do art. 74 da Lei n2 9.430/96: Art. 74. ... §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que traíam os §§ 9 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III cio art. 151 da Lei 17" 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) Deste modo, deve ser observado o disposto no inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, a seguir transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ,sçs 4°A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, (1 menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente lraziclay aos autos. § 5° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de unta das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Como o contribuinte não comprovou a ocorrência de nenhuma das situações previstas acima, indefiro o pedido para produção de provas. Conclusão Considerando que a analise eletrônica do despacho decisório demonstra que o alegado pagamento indevido ou a maior não foi efetuado pelo contribuinte, inexistindo, em consequência, qualquer crédito para ser compensado. Considerando que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica de que a prova compete àquele que alega o fato. Ante o exposto, VOTO no sentido de considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão pela não homologação da compensação efetivada. Diante do exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE, e no Mérito NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não trouxe aos autos qualquer prova da existência Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.908976/201006 Acórdão n.º 3201004.720 S3C2T1 Fl. 10 9 do crédito e do DARF indicado no PER/DCOMP, não se confirmando, desta forma, sua declaração de que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.901500/2011-74
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1003-000.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, bem como apreciação da informação trazida aos autos de que é inexistente o débitos então confessado no Per/DComp objeto de análise.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1980; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 111 1 110 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.901500/201174 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.506 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de março de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente PROTEC INFORMÁTICA DE OLÍMPIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, bem como apreciação da informação trazida aos autos de que é inexistente o débitos então confessado no Per/DComp objeto de análise. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 15 00 /2 01 1- 74 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10850.901500/201174 Acórdão n.º 1003000.506 S1C0T3 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 39727.10424.310807.1.3.044322, em 31.08.2007, efls. 1216, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 5993, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês do junho do anocalendário de 2006 no valor de R$277,36 contido no DARF de R$749,75 arrecadado em 28.12.2006 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 17, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 277,35. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1438.162, de 29.06.2012, efls. 2530: DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese a sua nãohomologação. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10850.901500/201174 Acórdão n.º 1003000.506 S1C0T3 Fl. 113 3 A glosa do indébito não impugnada expressamente é reputada como incontroversa e insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. A desistência da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP, o qual somente será deferido caso a declaração de compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do requerimento. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e, sem prova em contrário, instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 21.11.2012, efl. 39, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.12.2012, efls. 4142, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: I Estamos sendo cobrados por um débito declarado na PER/DCOMP [...] e estamos cientes de que o crédito apontado na mesma não poderia ser objeto de compensação por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real e também estamos cientes de que o débito declarado em PER/DCOMP é uma confissão de dívida. Por outro lado não podemos pagar o mesmo imposto duas vezes, já que houve um equivoco de nossa parte ao transmitir a referida PER/DCOMP. E não requeremos o cancelamento da mesma, pois só percebemos o equívoco após recebermos e analisarmos o Despacho Decisório em que a PER/DCOMP foi apreciada. II A entrega da PER/DCOMP como já foi dito anteriormente, foi um equívoco, pois conforme pode ser verificado pelo demonstrativo abaixo, os débitos de IRPJ referente ao ano de 2007 foram integralmente pagos, não existindo portanto o débito declarado na PER/DCOMP. Em anexo estão as cópias dos DRE Demonstrativo do Resultado do Exercício referente aos meses de janeiro a dezembro de 2007 extraídos dos Livros Diário n° 28 e 29, cópia das páginas do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), através dos quais pode ser confirmado o valor a pagar referente a cada mês do ano de 2007 que confere com o demonstrativo abaixo e com a DIPJ deste mesmo ano, os razões da conta de IRRF, e finalmente cópias dos comprovantes de arrecadação que comprovam os pagamentos relacionados no demonstrativo abaixo. Período Valor IRPJ Valor Pago Data Pagto [...] Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10850.901500/201174 Acórdão n.º 1003000.506 S1C0T3 Fl. 114 4 Mês/Ano a pagar 31/01/2007 680,66 703,64 28/02/2007 28/02/2007 681,68 681,68 30/03/2007 31/03/2007 678,74 668,51 30/04/2007 30/04/2007 825,26 818,74 31/05/2007 31/05/2007 748,25 739,06 29/06/2007 30/06/2007 435,05 749,75 31/07/2007 31/07/2007 767,32 481,08 31/08/2007 31/08/2007 581,79 581,79 28/09/2007 30/09/2007 587,62 587,62 31/10/2007 31/10/2007 435,97 706,74 30/11/2007 31/10/2007 9,44 28/12/2007 30/11/2007 348,29 521,05 28/12/2007 31/12/2007 721,99 548,34 31/01/2008 [...] Total 7492,62 7.797,44 Concernente ao pedido expõe que: III À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal, porque é inexistente o débito então confessado no Per/DComp objeto de análise. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10850.901500/201174 Acórdão n.º 1003000.506 S1C0T3 Fl. 115 5 procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10850.901500/201174 Acórdão n.º 1003000.506 S1C0T3 Fl. 116 6 digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. No Despacho Decisório e na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que o pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal ( art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10850.901500/201174 Acórdão n.º 1003000.506 S1C0T3 Fl. 117 7 comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, bem como apreciação da informação trazida aos autos de que é inexistente o débitos então confessado no Per/DComp objeto de análise. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.905398/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01.
Numero da decisão: 1302-003.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 53 98 /2 01 0- 33 Fl. 290DF CARF MF 2 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 01570.71106.180507.1.3.020379 na qual pretende utilizar crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006, no valor de R$ 93.781,71. Após análise, a DRF/Campinas não reconheceu o direito creditório, pois, de acordo com decisão, parte das parcelas que compõem o crédito não foram confirmadas, conforme quadro a seguir: De acordo com a DIPJ/2007, foi apurado IRPJ a pagar de R$ 7.142.595,31, valor superior ao montante confirmado a título de estimativas, de R$ 6.032.224,83, motivo pelo qual não foi reconhecido o direito creditório. Consta ainda, no despacho decisório, que o somatório das parcelas de composição do crédito informados na DIPJ/2007 é de R$ 7.236.377,02, valor superior ao informado na DCOMP. Em sessão de 18 de junho de 2014, por meio do Acórdão nº 1146.608, a 3ª Turma da DRJ/REC julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2006 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A decisão recorrida não reconheceu o direito creditório diante da ausência de comprovação dos valores retidos a título de imposto de renda pelas fontes pagadoras, e bem como a inclusão das receitas sobres as quais teria incido o IRRF no cômputo do lucro real apurado. Com relação à ação judicial ajuizada pela recorrente, pleiteando o reconhecimento da imunidade recíproca e desobrigando do pagamento dos impostos federais, o julgador a quo esclareceu que a lide se restringe à apuração do saldo negativo de IRPJ, e que estimativas não pagas não podem ser consideradas na apuração deste crédito. A ciência da decisão ocorreu em 21/08/2014, conforme atesta o Termo de Abertura de Documento, fls. 191. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10830.905398/201033 Acórdão n.º 1302003.404 S1C3T2 Fl. 291 3 O recurso voluntário foi apresentado em 29/08/2014, fls. 194/207, com as seguintes alegações: requer juntada dos documentos trazidos junto com o recurso voluntário, considerando o Princípio da Verdade Material. as provas coadunam com as alegações de direito da recorrente, já que montante extinto com o pagamento de parte do parcelamento supera a contribuição (sic) devida, demonstrando seu direito ao crédito tributário promovido pela DCOMP, objeto dos autos. caso haja dúvidas, requer a conversão do julgamento em diligência para que sejam apurados os valores requeridos. já teve decisão favorável em processo administrativo, sendo as provas aceitas e o julgamento convertido em diligência de forma que, através da Informação Fiscal, o colegiado se certificou e reconheceu o direito creditório, homologando sua compensação. também não cabe a cobrança objeto do processo administrativo nº 10830.905398/201033 em razão do fato de que a recorrente é pessoa jurídica imune de impostos federais, nos termos da imunidade veiculada pelo artigo 150, inciso VI, alínea "a" da CF/88, motivo pelo qual ajuizou ação ordinária nº 2008.61.05.0118663. em sede de Agravo de Instrumento nº 2008.03.00.0488923, foi deferido parcialmente a antecipação da tutela para reconhecer a imunidade quanto à incidência de impostos. a ação ordinária foi julgada parcialmente procedente, declarando a inconstitucionalidade da cobrança dos impostos federais, reconhecendose a imunidade tributária da recorrente. apresentou Embargos, que foram acolhidos para confirmar a antecipação de tutela anteriormente concedida. a União apresentou apelação, que foi recebida apenas no efeito devolutivo, donde se conclui pela completa e irrestrita eficácia do mencionado decisum, proferido nos autos da ação ordinária nº 2008.61.05.0118663. tendo restado amplamente demonstrado e comprovada a condição da recorrente de pessoa jurídica imune a impostos federais, deve ser cancelada a cobrança no processo administrativo nº 10830.905398/201033. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 292DF CARF MF 4 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO E AÇÃO JUDICIAL O recurso voluntário é tempestivo, e apresentado pelas pessoas com os devidos poderes de representação. Mas, para verificar os demais requisitos, é necessário verificar qual o pedido da ação judicial de nº 00186623.2008.4.03.6105, na qual a recorrente informa que teria sido reconhecida a imunidade tributária recíproca, nos termos do artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. A peça inicial desta ação judicial está acostada aos autos às fls. 317/341, onde verificase que foi ajuizada em 14/11/2008 e tratase de AÇÃO DECLARATÓRIA C.C. REPETIÇÃO DE INDÉBITO COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA INITIO LITIS E INAUDITA ALTERA PARS. Abaixo, transcrevo o pedido da citada ação: (a) declarar a inconstitucionalidade da cobrança de impostos federais e contribuições sociais, por violação aos artigos 1º, 18 e 150, VI, "a" da Constituição de 1988, e; (b) condenar a Ré, com fundamento no artigo 165, I do Código Tributário Nacional, a restituirlhe as quantias que pagou indevidamente, no montante a ser apurado em liquidação de sentença, devidamente atualizados, pelos índices cabíveis, desde a data de cada pagamento, até a data da efetiva devolução, com juros e correção monetária, condenandoa, ainda, ao ônus da sucumbência. (grifei) Restou noticiado nos autos do processo administrativo nº 10830.723881/201263, da relatoria desta conselheira, que, relativo à ação judicial em questão, foi negado provimento à apelação da União e ao reexame necessário, com trânsito em julgado em 15/08/2018, sendo definitiva, portanto, decisão parcialmente favorável à autora, reconhecendo a condição de imune com relação aos impostos federais, nos termos do artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. A seguir, transcrevo a ementa e acórdão do TRF da 3ª Região: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. REEXAME NECESSÁRIO. RECURSO DE APELAÇÃO. IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ART. 150, VI, "A", CF/88. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ATIVIDADE DE MONOPÓLIO ESTATAL. SERVIÇO PÚBLICO DE SANEAMENTO BÁSICO. ABASTECIMENTO DE ÁGUA E TRATAMENTO DE ESGOTO. CAPITAL PREDOMINANTEMENTE ESTATAL. FINALIDADE NÃO LUCRATIVA. COBRANÇA DE TARIFAS. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO DA IMUNIDADE. SOMENTE IMPOSTOS E APENAS QUANTO A BENS E SERVIÇOS USADOS NA SATISFAÇÃO DOS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS DA ENTIDADE. ART. 150, § 2°, CF. APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO NÃO PROVIDOS. 1. A CF/88 retirou da competência dos entes tributantes a criação de impostos sobre renda, patrimônio e serviços uns dos outros e estendeu a imunidade às autarquias e fundações Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.905398/201033 Acórdão n.º 1302003.404 S1C3T2 Fl. 292 5 instituídas e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou delas decorrentes. Art. 150, VI, "a" e §2° CF/88. 2. A doutrina e a jurisprudência pátria reconhecem que essa imunidade também é aplicável às sociedades de economia mista, desde que preenchidos os seguintes requisitos: i) ser delegatária de serviço público em regime de monopólio; ii) possuir capital predominantemente estatal; e iii) não ter finalidade preponderantemente lucrativa. 3. A SANASA é uma sociedade de economia mista constituída com a finalidade de prestar serviço público de abastecimento de água e tratamento de esgoto, com capital predominantemente estatal, e com finalidade não preponderantemente lucrativa. Leis Municipais 4.356/73 e 13.007/07 e o Decreto 4.437/74. 4. A autora atende a todos os requisitos necessários para o reconhecimento da imunidade recíproca prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "a", da Constituição Federal. 5. O fato de a prestadora de serviço de fornecimento de água e tratamento de esgoto cobrar tarifas dos usuários, por si só, não descaracteriza a imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. Precedentes do STF. 6. Ressalvase, contudo, que a imunidade tributária recíproca é aplicável somente às propriedades, bens e serviços utilizados na satisfação dos objetivos institucionais da sociedade de economia mista. RE 253.472 e ACO 2243. 7. A imunidade recíproca deve ter sua extensão limitada para abranger apenas os impostos, e não as contribuições sociais, nos exatos termos do artigo 150, VI, "a" da CF/88. 8. A repetição do indébito, todavia, deve ser realizada apenas em relação aos montantes recolhidos indevidamente nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, nos moldes preconizados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621. 9. Considerando a data do ajuizamento da ação, ademais, a compensação dos valores recolhidos indevidamente deverá ser realizada nos termos do artigo 74, da Lei n° 9.430/96 com as modificações perpetradas pela Lei n° 10.637/02. Precedente do STJ (REsp 1137738/SP, julgado pelo rito do art. 543C, CPC). 10. É aplicável a taxa SELIC como índice para a repetição do indébito, nos termos da jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, julgada sob o rito do artigo 543C, do Código de Processo Civil. .(grifei) 11. Apelação e reexame necessário não providos. ACÓRDÃO Fl. 294DF CARF MF 6 Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e ao reexame necessário, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Diante dos fatos acima narrados, verificase que a recorrente também pediu a restituição dos valores pagos indevidamente, com fundamento no artigo 165, inciso I do CTN, na ação judicial nº 00186623.2008.4.03.6105. Destaco que a ação judicial foi protocolada após a apresentação da DCOMP, objeto do presente processo, em 18/05/2007. O direito à restituição dos impostos federais pagos foi reconhecido, mas limitado àqueles recolhidos no prazo de cinco anos anterior ao ajuizamento da ação judicial, que ocorreu em 14/11/2008, conforme acórdão transitado em julgado. O crédito analisado neste processo é de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, período abarcado no acórdão do TRF da 3ª Região, de forma que há concomitância entre os pedidos na instância administrativa e judicial. Nestes termos, devese invocar a Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ainda, chamo a atenção que a decisão judicial determinou que a compensação dos valores recolhidos deverá ser realizada nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 com as modificações perpetradas pela Lei nº 10.637/2002. No entanto, no entendimento desta conselheira, ainda que a recorrente tenha decisão favorável condicionada à apresentação de Declaração de Compensação, este fato não afasta a concomitância, já que a ação judicial foi protocolada quando ainda o presente processo administrativo estava em curso. Por todo acima exposto, concluo que houve renúncia na esfera administrativa, motivo pelo qual voto por não conhecer do recurso voluntário. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 295DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.005642/2010-40
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 28/02/1996
PER/DCOMP CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Requerimento de homologação de crédito feito em 28/07/2006. Compensação de ofício feita pelo fisco das competências 11/1994 e 12/1994. A IN 900/2008 no art. 49 autoriza compensação de ofício de débitos pretéritos.
DECADÊNCIA PARA REFAZER ENCONTRO DE CONTAS. INAPLICABILIDADE.
A revisão dos cálculos do crédito tributário não configura lançamento. Portanto, não há de se aplicar as regras do artigo 150, §4º do CTN. Precedentes do STJ. REsp 1.115.501/SP.
NULIDADE. PROVA DA ALEGAÇÃO DE ERRO DE CÁLCULO INCUMBE À RECORRENTE.
Não cabe prova pericial em Recurso Voluntário fora das exceções do art. 16 do Decreto 70.235/1972. Só será decretada nulidade na existência de efetivo prejuízo.
Numero da decisão: 3003-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinícius Guimarães.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Requerimento de homologação de crédito feito em 28/07/2006. Compensação de ofício feita pelo fisco das competências 11/1994 e 12/1994. A IN 900/2008 no art. 49 autoriza compensação de ofício de débitos pretéritos. DECADÊNCIA PARA REFAZER ENCONTRO DE CONTAS. INAPLICABILIDADE. A revisão dos cálculos do crédito tributário não configura lançamento. Portanto, não há de se aplicar as regras do artigo 150, §4º do CTN. Precedentes do STJ. REsp 1.115.501/SP. NULIDADE. PROVA DA ALEGAÇÃO DE ERRO DE CÁLCULO INCUMBE À RECORRENTE. Não cabe prova pericial em Recurso Voluntário fora das exceções do art. 16 do Decreto 70.235/1972. Só será decretada nulidade na existência de efetivo prejuízo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 56 42 /2 01 0- 40 Fl. 202DF CARF MF 2 Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinícius Guimarães. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), a qual manteve a decisão que homologou parcialmente PER/DCOMP n° 06594.66302.140906.1.3.574750. O referido pleito de homologação originouse da Ação Judicial n°. 2002.72.05.0032700, que reconheceu a inconstitucionalidade dos Decretos Leis n° 2.445/1988 e nº 2.449/1988 e determinou o direito à compensação dos valores pagos indevidamente, além de consignar que a correção do crédito tributário se daria desde cada recolhimento, com aplicação da UFIR (até dezembro/1995) e da SELIC (a partir de 01/01/96), até o seu esgotamento. O Pedido de Habilitação do Crédito foi protocolado no dia 28 de julho de 2006 (fl. 11) e deferido (fls. 2526). A Equipe de Arrecadação e Cobrança 1 EAC 1 da Delegacia Federal do Brasil de BlumenauSC exarou o seguinte entendimento acerca do Pedido de Homologação: Na apuração das bases de cálculo da contribuição PIS devida, segundo Lei Complementar nº. 07/70, aplicandose a sistemática da semestralidade, foram utilizados os valores apresentados pela pessoa jurídica, mediante o demonstrativo incluso em seu pedido de habilitação de crédito, correspondendo ao faturamento relativo aos fatos geradores dos meses de janeiro de 1992 até março de 1995, atribuídos aos períodos de apuração 07/1992 a 09/1995 (fl. 22). Por conseguinte, utilizandose o Sistema de Cálculos para Crédito Tributário Sub Judice CTSJ, versão 2.03.29.44 homologado pela RFB, foram realizados ante o provimento judicial concedido, a apuração dos valores efetivamente devidos da contribuição PIS, segundo Lei Complementar nº. 07/70, na sistemática da semestralidade, abrangendo os períodos de apuração 07/1992 a 09/1995, em conformidade aos pagamentos vinculados, com confirmação via sistemas de arrecadação da RFB (extratos juntados no presente processo administrativo fls. 70/74), imputandose tais recolhimentos da contribuição PIS, resultando por fim, nos saldos de pagamentos remanescentes passíveis de aplicação compensatória, sendo que os relatórios elaborados nesta auditoria encontramse anexos às fls. 75/92, assim denominados : Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13971.005642/201040 Acórdão n.º 3003000.149 S3C0T3 Fl. 3 3 a)Demonstrativo de Apuração de Débitos compreendem os valores efetivamente devidos da contribuição PIS calculados segundo Lei Complementar nº. 07/70 na sistemática da Semestralidade, sem correção monetária, cópia às fls. 75/76; b)Demonstrativo de Pagamentos compreendem os recolhimentos realizados para a contribuição PIS com base nos DecretosLeis nºs. 2.445/88 e 2.449/88, constando relacionadas as respectivas competências mensais ("PA Vinculados") dos débitos da contribuição amortizados, cópia às fls. 77/78; c)Demonstrativo de Vinculações Auditadas de Pagamentos compreendem para cada pagamento realizado, a respectiva quantia vinculada na amortização de determinado débito por período de apuração, cópia às fls. 79/82; d)Demonstrativo de Amortizações compreendem as imputações proporcionais dos pagamentos, atualizados até a data de vencimento dos débitos da contribuição PIS amortizados, cópia às fls. 83/88; e)Demonstrativo Resumo das Vinculações Auditadas compreendem as amortizações dos débitos por período de apuração com as respectivas competências dos pagamentos vinculados, cópia às fls. 89/90; f)Demonstrativo de Saldos de Pagamentos compreendem os valores remanescentes após amortizações dos débitos da contribuição PIS apurados, consolidados até 31/12/1995 com base nos indices monetários de atualização concedidos, cópia às fls. 91/92. E diante da identificação dos saldos de pagamentos remanescentes consolidados em 31/12/1995 (fls. 91/92), para os fins da análise compensatória pretendida, encontrase realizada a atualização do direito creditório até janeiro de 1996, segundo demonstrativo fl.93, anteriormente a aplicação de juros pela taxa SELIC. Do crédito em questão apurado, prosseguimos com a avaliação sobre a abrangência compensatória pretendida pela pessoa jurídica em relação aos débitos vinculados ao direito creditório originado dos autos judiciais n°. 2002.72.05.0032700 e constantes das Declarações de Compensação, instituidas a partir das alterações legais trazidas ao art. 74 da Lei nº. 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei n°. 10.637/2002 (...) Desta forma, por meio dos demonstrativos de cálculos compensatórios em anexo, fls.94/96, realizados através do Sistema de Apoio Operacional SAPO, versão 4.2.2.6, homologado pela RFB, temos que nas amortizações dos débitos a compensar (fl. 95) foram imputados o montante do crédito consolidado em 01/01/1996 (fl. 94), sendo a partir deste momento acrescidos das atualizações da taxa de juros SELIC, nos termos do §4 °. do art. 39 da Lei n° 9.250/95, até o momento das compensações realizadas (fl. 96), constatandose que houve Fl. 204DF CARF MF 4 insuficiência de crédito para o integral aproveitamento compensatório dos débitos pretendidos via DCOMPs indicadas (fls. 02/09). Portanto, evidenciase que o saldo devedor remanescente, demonstrado à fl. 95, face a insuficiência do direito creditório apurado a partir da ação judicial n°. 2002.72.05.0032700, não se encontra sujeito a homologação compensatória, cabendo a cobrança deste montante parcial devido, visto a confissão de divida do crédito tributário por meio da respectiva Declaração de Compensação. O Despacho Decisório (fl. 102) entendeu pela homologação parcial do crédito pleiteado pela Recorrente, vez que com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos 2.445/1988 e 2.449/1988 o quantum a ser apurado deveria obedecer o que preleciona a LC 7/1970. A decisão foi objeto de Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/FNS. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) eventual saldo devedor foi atingido pela decadência/prescrição; (ii) a atualização monetária não ocorreu em conformidade com a decisão judicial transitada em julgado; (iii) a compensação não poderia ter ocorrido de ofício, sem a intimação da Recorrente; (iv) os supostos débitos estariam abarcados pelo instituto da denúncia espontânea; (v) nulidade do processo administrativo; e por fim (vi) pleiteia a produção de prova pericial. Em síntese, são os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. DA OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA Antes da análise de demais questões meritórias impõese apreciar o pleito que alega a ocorrência da decadência. Conforme narrado alhures, o Pedido de Habilitação do Crédito foi protocolado no dia 28 de julho de 2006, por meio do qual a Recorrente pleiteou o reconhecimento de crédito tributário a título de PIS reconhecido por decisão judicial. Ao realizar a recomposição dos cálculos para apurar o montante devido para fins de compensação, identificouse débitos oriundos de recolhimento a menor do tributo em questão, referentes aos períodos de apuração 11/1994 e 12/1994. Ao se manifestar sobre a alegação de decadência e prescrição levantada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, a 4ª Turma da DRJ/FNS entendeu que a decisão judicial não limitou o período a ser apurado para fins de composição do crédito objeto de homologação, in verbis: Não se encontra presente, portanto, a alegada restrição aos períodos de apuração 11/1994 e 12/1994. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13971.005642/201040 Acórdão n.º 3003000.149 S3C0T3 Fl. 4 5 Do exposto, extraise que transitou em julgado comando judicial que reconheceu a existência de direito creditório relativo aos recolhimentos a maior com base nos prolatados decretosleis, ressaltando que o sujeito passivo ficaria sujeito à tributação na forma da LC nº 07/70 incondicionalmente. Do comando da decisão, portanto, não é possível extrair, de plano, elementos que respaldem a tese sustentada pela contribuinte, de que o provimento judicial concedido teria restringido o período da apuração, impedindo o cômputo, na compensação, dos períodos em que se verificassem saldo negativo pela insuficiência de recolhimento calculado nos moldes da LC nº 07/70. Disso decorre que, seja para fins de apuração do crédito a compensar, seja para fins de determinação de eventuais débitos em caso de recolhimento a menor, devem ser aplicados os critérios da LC nº 07/70. Assim, não se afigura legitima a pretensão de aplicação parcial da LC nº 07/70, apenas para fins de apurar o crédito do contribuinte, desconsiderando a para fins de cobrança das diferenças nos períodos em que houve recolhimento a menor. Sobre a matéria já se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça, em Recurso Especial 1.115.501/SP julgado na sistemática de Recursos Repetitivos: In casu, contudo, não se cuida de correção de equívoco, uma vez que o ato de formalização do crédito tributário sujeito a lançamento por homologação (DCTF), encampado por desnecessário ato administrativo de lançamento (Súmula 436/STJ), precedeu a declaração incidental de inconstitucionalidade formal das normas que alteraram o critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária, quais sejam, os DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. Destarte, a norma individual e concreta veiculada no lançamento tributário não incorreu em erro, mas, sim, teve por fundamento legislação cuja presunção de constitucionalidade não se encontrava maculada à época da constituição do crédito tributário. Conseqüentemente, tendo em vista a desnecessidade de revisão do ato administrativo do lançamento, subsiste a constituição do crédito tributário que teve por base a legislação ulteriormente declarada inconstitucional, exegese que, entretanto, não ilide a inexigibilidade do débito fiscal, encartado no título executivo extrajudicial, na parte referente ao quantum a maior cobrado com espeque na lei expurgada do ordenamento jurídico, o que, inclusive, encontrase, atualmente, preceituado nos artigos 18 e 19, da Lei 10.522/2002, verbis: "Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: Fl. 206DF CARF MF 6 (...) VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei n o 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei n o 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar n o 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores; § 2 o Os autos das execuções fiscais dos débitos de que trata este artigo serão arquivados mediante despacho do juiz, ciente o Procurador da Fazenda Nacional, salvo a existência de valor remanescente relativo a débitos legalmente exigíveis. (...)" Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; (...). § 5 o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004)" Todos os destaques no original. Tendo em vista que é assentado o entendimento do STJ que, em declaração incidental de inconstitucionalidade, a revisão dos cálculos do crédito tributário não configura lançamento, não há de se aplicar as regras do artigo 150, §4º do CTN. Tendo em vista o alegado e o império do precedente do STJ, voto pela rejeição da preliminar de decadência. DAS NULIDADES A Recorrente alega, de forma superficial e com escassez de detalhes, sobre a existência de nulidade no processo administrativo pleiteando a anulação de todo o feito. Em suma alega que a ausência de pronunciamento da instância de piso sobre a alegação de decadência seria capaz de nulificar todo o procedimento administrativo. Invoco, para apreciar o pleito, o princípio do Pas nullité sans grief que determina a anulação de atos somente na existência de efetivo prejuízo. No momento em que foi interposto Recurso Voluntário, a matéria foi devolvida a este Tribunal Administrativo, que avalia em última instância toda a validade do procedimento fiscal, podendo inclusive invocála de ofício em ausência de manifestação das partes. Não é possível verificar no processo administrativo qualquer ato de cerceamento de defesa, de limitação ao contraditório ou violação a alguma outra garantia dos contribuintes capaz de ensejar nulidade do procedimento. É seguindo este entendimento que Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13971.005642/201040 Acórdão n.º 3003000.149 S3C0T3 Fl. 5 7 afasto o pleito de nulidade para considerar válido todo o processo administrativo que ora se analisa e assim passo a análise do mérito. DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA Em acordo com o já relatado, foi proferida sentença transitada em julgado na Ação Ordinária n° 2002.72.05.0032700, que reconheceu à Recorrente o direito creditório de PIS, além de consignar que a correção do referido crédito se daria desde a data do pagamento, com aplicação da UFIR (até dezembro/1995) e da SELIC (a partir de 01/01/96), até o seu esgotamento. Em suas razões a Recorrente alega que a determinação judicial não fora contemplada nos cálculos do Fisco, vez que nos períodos de 08/1994 e 09/1995 aplicouse o índice UFIR do período subsequente ao mês/trimestre em que ocorrera o pagamento. A Recorrente juntou planilhas elaboradas pela Equipe de Arrecadação e Cobrança 1 EAC 1 (fl.196), bem como tabelas constando as UFIRS mensais (fls. 197198), sem se preocupar em discriminar em uma planilha os cálculos devidos. De início, é preciso tecer breves comentários sobre a preclusão administrativa. O artigo 16 do Decreto 70.235/1972 deixa claro que não serão admitidos documentos novos em fase de Recurso Voluntário perante este Conselho. No entanto, a 1ª Turma da CSRF, já se manifestou pela relativização na admissão de documentos, desde que não seja matéria estranha àquela em debate nos autos. Cito trecho de acórdão dos autos do PAF 10835.901327/200988, em voto da relatoria do eminente Conselheiro André Mendes de Moura: entendo que a interpretação mais adequada não impede a apresentação das provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que esteja m no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação. Grifos no original. Seguindo a esteira do posicionamento da Egrégia 1ª Turma da CSRF, considero admissíveis as planilhas juntadas pela Recorrente. Apesar da documentação acostada nos autos e que acompanha o Recurso Voluntário, a Recorrente não elucidou com provas seus argumentos, tampouco apresentou demonstrativo apto a contrapor os cálculos dos créditos tributários realizados pela RFB. Sendo pela ausência de elementos probatório, voto por manter os cálculos efetuados pela RFB e não negar provimento ao pedido formulado pela Recorrente para alterar os cálculos de correção monetária. DA POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO Como explanado no tópico referente à preliminar de decadência, volto a análise do direito creditório da Recorrente e a possibilidade do Fisco realizar a compensação de ofício, mesmo sem intimação do contribuinte. Fl. 208DF CARF MF 8 O artigo 49 da IN 900/2008 assim dispõe: Art. 49. A autoridade competente da RFB, antes de proceder à restituição e ao ressarcimento de tributo, deverá verificar a existência de débito em nome do sujeito passivo no âmbito da RFB e da PGFN. § 1º Verificada a existência de débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. A natureza da IN 900 de 2008 é atribuir à Autoridade Fiscal, que administra os créditos tributários, a prerrogativa de apurar existência de débitos prévios e, antes da homologação, proceder a compensação de ofício. Tratase de ato vinculado devido ao interesse público que carrega a correta apuração dos tributos. Sobre a impossibilidade da compensação de ofício por ausência de notificação, o texto da IN não prevê nulidade do procedimento. A declaração de nulidade é medida extrema quando da ocorrência de inobservância de procedimento previsto em Lei que cause efetivo prejuízo ao contribuinte. Há de se invocar, portanto, o Princípio da Instrumentalidade das Formas, já defendido pelo STJ, em representativo de controvérsia geral, para garantir a efetividade das decisões afastando nulidades que não causem prejuízo. Não é possível negar liminarmente seguimento ao agravo de instrumento na hipótese em que, embora presentes as peças obrigatórias, o Tribunal considere faltantes documentos necessários à compreensão da controvérsia, tendo em vista que uma interpretação lógicosistemática do CPC, à luz dos princípios processuais, sobretudo o da instrumentalidade das formas, recomenda que o julgador deve indicar tais peças e intimar o agravante para juntálas aos autos, sendo que o princípio constitucional da inafastabilidade do controle jurisdicional, além de garantir o acesso à Justiça, implica também o direito de obter do Poder Judiciário a tutela jurisdicional adequada.(REsp 1102467/RJ. STJ Corte Especial. Rel. Min. MASSAMI UYEDA. DJe 29.08.2012). A forma é necessária, mas serve de instrumento para a matéria. Sendo assim, se existem nos autos provas, documentos, indícios e demais fundamentos que tornam visíveis a existência do saldo devedor apto a ser compensado de ofício, deve sobreporse a Verdade Material para a garantia do interesse público sobre o privado, recaindo ao contribuinte o ônus da prova de prejuízo no seu direito de defesa. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13971.005642/201040 Acórdão n.º 3003000.149 S3C0T3 Fl. 6 9 Ainda sobre compensação de ofício, alega a Recorrente a ocorrência de decadência que impossibilitaria a Autoridade Fiscal de proceder o prévio encontro de contas antes de decidir sobre a homologação aposta na Dcomp. Como já mencionado na apreciação da preliminar, reitero os argumentos de que o Superior Tribunal de Justiça, em Recurso Especial 1.115.501/SP, entendeu que mero cálculo aritimético para ajuste do quantum de tributo a ser pago não é modalidade de lançamento. Está a Autoridade Fiscal, pela Autotutela, meramente corrigindo os cálculos do crédito tributário, em especial quando se trata de declaração de inconstitucionalidade proferida em sentença judicial que, por óbvio, altera a base legal para o cálculo do tributo. Ainda, há se lembrar que este Conselho deve obediência às decisões prolatadas pelos Tribunais Superiores na sistemática de Repercussão Geral e Recurso Repetitivo, nos termos do art. 62, II, b I do RICARF, a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. II que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Por força regimental a qual este julgador está submetido, aplico o entendimento do STJ estampado no REsp 1.115.501/SP que autoriza a autoridade fazendária a refazer o cálculo do tributo devido quando há declaração de inconstitucionalidade, mesmo que em grau incidental. Portanto, voto por rejeitar o pleito da Recorrente e manter a decisão da instância de piso. DA PROVA PERICIAL Ainda vinculado à matéria que se discute, a Recorrente pugna pela produção de prova pericial. O pleito não deve prosperar. Como já aclarado, todas as provas pretendidas devem ser produzidas no momento do protocolo da Impugnação/Manifestação de inconformidade, não o fazendo ocorre a preclusão administrativa. A exceção prevista no Decreto 70.235/1972 está na baixa dos autos em diligência para que a instância inferior aprecie prova que a Recorrente não foi oportunizada a apresentar anteriormente. Não se trata do caso dos autos, que entendo ter respeitado o devido processo legal e contraditório, razão pela qual voto pelo indeferimento do pedido de produção de prova pericial. Face ao alegado, tendo em vista que o ônus probatório é da Recorrente e dele não se desincumbiu, entendo por bem a rejeição do pleito de reformulação dos cálculos para que seja mantida a decisão da DRJ. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares, e no mérito negarlhe provimento. Fl. 210DF CARF MF 10 Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 211DF CARF MF
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Numero do processo: 13308.000109/2001-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de documentos amparados pelos livros contábeis.
Numero da decisão: 3302-006.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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O direito creditório somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de documentos amparados pelos livros contábeis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 01 09 /2 00 1- 23 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13308.000109/200123 Acórdão n.º 3302006.427 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente é indústria de calçados que requer Ressarcimento de Crédito Presumido de que trata a Lei n. 9.363/96 e ressarcimento de IPI previsto no artigo 11 da Lei 9.779/1999 e que assim dispõe. Lei n. 9.363/96. Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Lei 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Por bem transcrever os fatos, adotase o relatório da DRJ/Belém, efls. 299 e seguintes: "A interessada acima qualificada formulou, em 01/08/2001, pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 147.038,13 (11. 01), referente ao 2° trimestre de 2001, com fundamento no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, e art. 1° da Instrução Normativa SRF n.° 33, de 1999. Não se encontra, no presente processo, vinculado a qualquer pedido de compensação com débitos de outros tributos. 2. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, após procedimento fiscal que visou à comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, opinou pelo indeferimento total do crédito. Transcrevo, a seguir, excertos do Termo de Verificação Fiscal de fls. 79/107: Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13308.000109/200123 Acórdão n.º 3302006.427 S3C3T2 Fl. 4 3 a) "o estabelecimento produz calçados, sendo que todo o processo de industrialização é feito sob encomenda, somando 19 o número de estabelecimentos industrializadores" (fl. 80), de acordo com informação prestada pela interessada. b) Em demonstrativo intitulado "Vendas Referentes Remessas p/ Depósito", apresentado pela requerente, encontramse listadas, por exemplo, saídas de produtos (Remessa para depósito em estabelecimento de terceiros — CFOP 5.99) ocorridas em 5/5/1999, sendo que tais produtos somente teriam sido devolvidos ao estabelecimento (nele reingressado), por meio de notas fiscais de entrada do próprio contribuinte (NF de Remessa no 6744 e NF de Entrada n° 20000), em 19/12/2001, portanto, mais de dois anos e sete meses após a saída declarada (fl. 81). c) "0 Interessado, ainda, dá saída a mercadorias como 'remessa de amostra' ou 'remessa para teste de amostra', classificadas nos CFOP 699 ou 799, que até a data da informação prestada não haviam retornado, chegando a somar, estas saídas, no mês de junho/2000, R$ 309.151,76; até a data da informação prestada também não foram estornados os créditos respectivos, que possivelmente foram lançados na entrada destas mercadorias". "Da mesma forma, o Interessado dá saída a mercadorias nos CFOP 5.12 e 6.12 —Venda de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros, sem o devido estorno de possíveis créditos lançados nas respectivas entradas" (fl. 82). d) "0 interessado declara que todos os seus produtos são industrializados por terceiros e que ocorrem, até o desenvolvimento do produto final, várias etapas no processo de industrialização, realizada por vários estabelecimentos industrializadores, com várias entradas, portanto, deste produtos semiacabados em seu estabelecimento e, por outra, deixou de apresentar justamente as informações relativas a estas industrializações (..), necessárias e imprescindíveis ao devido esclarecimento da questão em pauta: os procedimentos do estabelecimento quanto a emissão e registro de documentos e livros fiscais, os necessários e suficientes ao cálculo dos créditos pleiteados..." (fl. 97). e) A própria contribuinte declara que "a partir de janeiro de 2002 deuse o inicio da implantação de um novo programa (..) ficando pronto agora em dezembro de 2003 a parte do controle da produção que vai alimentar o livro modelo 3 referente ao movimento dos produtos prontos e intermediários", o que indicaria a inexistência de quaisquer controles quanto a MatériasPrimas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Materiais de Embalagem (ME) utilizados diretamente no processo industrial. Aduz a fiscalização que, de fato, "o Interessado nada apresentou sobre quaisquer movimentações de tnatériasprimas, material de embalagem etc", ressaltando que "ainda que não dispusesse mesmo do que seria devido, o livro modelo 3 — Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou fichas substitutivas ou outro controle equivalente) (...) não apresentou quaisquer controles que sejam, algum controle que valha como Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13308.000109/200123 Acórdão n.º 3302006.427 S3C3T2 Fl. 5 4 tal sobre alguma parte do seu processo produtivo" (fl. 98, grifouse). f) Por último, consignouse que os "procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais, pelo estabelecimento industrial (.) impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido (..) e do Ressarcimento — IPI previsto no art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 033/99, o cálculo dos valores de créditos pleiteados" (fls. 106/107). 3. Em 10/03/2006, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 249, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza indeferiu o pedido de ressarcimento em tela, em face de que a interessada, não mantendo qualquer Controle da Produção e Estoque, haveria inviabilizado a verificação dos valores a serem ressarcidos. 4. A interessada tomou ciência do referido Despacho Decisório em 17/04/2006 (AR de fl. 251) e apresentou, em 17/05/2006 (fl. 252), a manifestação de inconformidade de fls.. 253/271, na qual alega, em síntese, que: a) A matéria referente ao aproveitamento do saldo credor de IPI decorrente de aquisições de MP, PI e ME, aplicados na industrialização de produtos imunes, isentos ou tributados a aliquota zero, é de simples aplicação, sendo que foram disponibilizadas fiscalização todas as Notas Fiscais de Compra de MP, PI e ME utilizados no seu processo produtivo, bem como foram apresentados os livros de Entrada de Mercadorias, de Apuração de IPI e de Inventário, nos quais foram escrituradas as aquisições das referidas mercadorias, além dos livros Diário e Razão, bem como as fichas técnicas dos produtos que industrializa. Com base em tais elementos, a fiscalização teve todas as condições para confirmar ou não a veracidade dos fatos. Aduz que, com base na legislação pertinente e nos livros e documentos fiscais apresentados, o que a fiscalização deveria ter verificado era: se as aquisições de MP, PI e ME foram tributadas pelo IPI; se tais aquisições amparavamse em documentos fiscais hábeis, idôneos e se estavam devidamente registradas nos livros fiscais; se os insumos comprados pela empresa foram aplicados na fabricação de seu produto; e se no livro de apuração de IPI (modelo 8) consta a apuração do crédito solicitado. Ressalta que, com um pouco de boa vontade, poderseia facilmente constatar "onde e para que finalidade foram utilizados todos os insumos adquiridos pela contribuinte", que é empresa "quase que exclusivamente exportadora" (fl. 259). b) Tomando em conta sua premissa de que a legislação pertinente é de fácil aplicação, sustenta não haver qualquer razoabilidade nas solicitações emanadas da fiscalização, que envolveriam centenas de milhares de informações, cujo atendimento se fazia quase impossível no prazo concedido, pelo que sustenta que "o agente fiscal tinha certeza que a empresa não teria condições de atender as solicitações, no formato pedido", sendo que "sua intenção era alegar improcedentes os Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13308.000109/200123 Acórdão n.º 3302006.427 S3C3T2 Fl. 6 5 pedidos da contribuinte, mesmo antes de iniciarse a verificação fiscal" (fl. 265). c) Acresce que "disponibilizou todas as notas fiscais de compras e de vendas; os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias; os livros de inventários; os documentos de exportação; os livros razões e diários; bem como as fichas técnicas de produção que serviriam de base para a confecção das fichas de custos dos materiais utilizados, em cada modelo fabricado", documentos os quais seriam "mais que suficientes para confirmar as aquisições dos insumos utilizados na sua produção" (fl. 266). Observa, ainda, que mesmo que tivesse condições de atender as informações requeridas, a fiscalização "levaria décadas para analisálas" (fl. 266), passando a questionar se não haveriam sido verificadas as notas fiscais de compra de matériasprimas e demais insumos de produção que comprovariam as aquisições realizadas, bem como as notas fiscais de exportação que comprovariam o envio ao exterior dos respectivos produtos industrializados. d) Invoca o art. 9°, IV, do Decreto n° 2.637, de 1998 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — RIM/1998) para asseverar que a hipótese normativa diz respeito exatamente as operações que realiza, quais sejam: idealiza os produtos finais, define os processos de industrialização, define a quantidade e qualidade dos materiais a serem utilizados na produção, adquire todos os insumos e os remete a outras empresas para industrialização. Desta forma, afirma que "nas vendas para o mercado interno dos produtos finais, se tributáveis, a responsável pelo pagamento do IPI é a contribuinte, não as empresas que realizaram o beneficiamento do couro ou de qualquer outra industrialização. Assim, os créditos sobre os insumos, também, pertencem el contribuinte" (fl. 268). e) Aponta que a fiscalização, com o mero propósito de prejudicála, relacionou no Termo de Verificação Fiscal processos que não constavam do Termo de Inicio, registrando, por Último, que o não reconhecimento do direito liquido e certo ao saldo credor de IPI causará um total desequilíbrio em seu fluxo de caixa, uma vez que na formação do preço final de venda dos seus produtos foram deduzidos os valores relativos ao ressarcimento pleiteado. 5. Ao final, a requerente peticiona no sentido de que: a) a decisão recorrida seja reformada; b) sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao presente processo; c) o ressarcimento do crédito de IPI seja atualizado, dentre a data do protocolo do pedido e a data do efetivo ressarcimento, pela taxa Selic; Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13308.000109/200123 Acórdão n.º 3302006.427 S3C3T2 Fl. 7 6 d) seja deferida perícia "para constatar a veracidade dos documentos e das aquisições de insumos e tudo o mais necessário, para comprovar o direito ao crédito de IPI solicitado" (fl. 268), apontando quesitos relacionados a comprovação da idoneidade ou não dos documentos de aquisição de MP, PI e ME que adquiriu, bem como quanto a. devida escrituração fiscal e contábil de tais documentos. 6. É o relatório." A DRJ/Belém considerou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementas abaixo transcritas: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art.11 da Lei n° 9.779, de 1999, vinculase ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. Na ausência de provas, nos autos, que permitam presumir a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento da pretensão. Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 310 e seguintes, repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. Os autos subiram a este Egrégio Tribunal Administrativo, onde o feito foi convertido em diligência, despacho nº 220200.004, Relatora Nayra Bastos Manatta, fls. 330 e seguintes, com termo de informação fiscal posteriormente, fls.339. A referida diligência foi determinada em 04.03.2009 com o objetivo de que a fiscalização se pronunciasse sobre o cumprimento de cada um dos requisitos da Lei n. 9.363/1996, necessários para a fruição dos referido benefício, respondendo objetivamente, se, a vista dos documentos fiscais e escrita fiscal e contábil da recorrente é possível, para o período de apuração de que tratam estes autos é possível calcular o valor total das aquisições de MP, PI e ME e apurar as receitas operacional bruta e de exportação e, em caso positivo, proceder os referidos cálculos, apurandose a base de cálculo e o crédito presumido, na forma da citada legislação, apresentando ainda descrição detalhada do processo produtivo da Recorrente. (efls. 330.) Com o objetivo de cumprir a diligência, a DRF de Fortaleza intimou a Recorrente mas, em conformidade com o "Termo de Informação Fiscal" de fls. 424, o interessado não apresentou a documentação solicitada, especialmente aquelas necessárias aos cálculos que constituem o cerne da diligência (efls. 339) O processo foi submetido novamente a julgamento por este colegiado na Sessão do dia 29.01.2018, quando foi constatado vício procedimental, especificamente a ausência de intimação da Recorrente a respeito da "Informação Fiscal", razão pela qual o feito foi convertido em diligência a fim de que fosse sanado o referido vício. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13308.000109/200123 Acórdão n.º 3302006.427 S3C3T2 Fl. 8 7 Não tendo a Recorrente apresentado qualquer manifestação, os autos retornaram a este Colegiado para novo julgamento, tendo sido sorteado a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad, Relator. A controvérsia gravita em torno de alegado direito a crédito relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados com fundamento no artigo 1 da Lei 9.363/96, que trata do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Como se verifica pela leitura da mencionada legislação, para que o contribuinte possua o direito ao crédito é necessário que demonstre a existência dos requisitos legalmente previstos para a sua fruição e, especialmente, documentação que comprove o valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, bem como o percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, elementos indispensáveis para a análise do crédito. Contudo, o Despacho Decisório de efls. 264 e seguintes INDEFERIU o pedido de ressarcimento e não reconheceu o direito creditório, tudo com arrimo no Termo de Verificação Fiscal de efls. 97 /107: "DESPACHO DECISÓRIO No uso da competência de que trata o artigo 250, inciso XXI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovada pela Portaria do Ministro da Fazenda n° 030, de 25/02/05, e pelos fundamentos consubstanciados na informação fiscal, que aprovo, decido INDEFERIR o pedido de ressarcimento da folha 01, bem como não reconhecer o direito creditório no valor de R$ R$ 147.038,13(cento e quarenta e sete mil, trinta e oito reais, treze centavos), referente ao período que medeia entre 01/04/2001 a 30/06/2001.2. NÃO HOMOLOGO AS COMPENSAÇÕES eventualmente vinculadas ao presente processo." Apresentada Manifestação de Inconformidade (efls. 267 e seguintes), a Recorrente suscitou que a fiscalização não apreciou a documentação por ela juntada, afirmando inclusive que "... alguma coisa está errada com este fiscal!", suscitando que a documentação apresentada é suficiente para a análise do crédito, e que os demais documentos exigidos eram desnecessários, requerendo perícia. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13308.000109/200123 Acórdão n.º 3302006.427 S3C3T2 Fl. 9 8 Contudo a DRJ de Belém do Pará firmou seu entendimento de que a documentação apresentada pela Recorrente não era suficiente para demonstrar que os produtos adquiridos foram efetivamente utilizados no processo produtivo. Em seu Recurso Voluntário de fls 307 e seguintes a Recorrente novamente afirma que a documentação apresentada é suficiente para demonstrar que os insumos foram utilizados nos bens exportados. Na mesma ocasião a Recorrente requer a reforma da decisão para que seja deferido o pedido de ressarcimento do Crédito Presumido de IPI, a homologação das compensações e, finalmente, que o crédito seja atualizado pela SELIC entre a data do protocolo e o efetivo ressarcimento. O Recurso Voluntário foi submetido à análise do CARF. A diligência determinada em 2009 admitiu que para o julgamento do litígio seria necessário que a fiscalização se pronunciasse sobre o cumprimento de cada um dos requisitos legais, respondendo se à vista da documentação apresentada é possível apurar o crédito. "... que a fiscalização se pronuncie se, a vista dos documentos fiscais e escrita fiscal e contábil da recorrente, é possível, para o período de apuração de que tratam estes autos:" O Termo de Informação Fiscal lavrado pela DRJ em fortaleza (efls. 339) registra que a Recorrente não apresentou os documentos solicitados e por esta razão não é possível comprovar o cumprimento dos requisitos legalmente exigidos para a fruição do benefício tributário. "Assim, haja vista o Interessado não ter atendido a Fiscalização, pelas insuficiências e inconsistências verificadas nas, mínimas, quase nada, informações apresentadas, não é possível verificar o cumprimento dos requisitos previstos na Lei 9.363/96 e/ou Lei 9.779/97 para fruição dos 1 benefícios previstos, não é possível, de fato, efetivar e/ou verificar os cálculos determinados pela Legislação. Ainda que alegados nos termos da legislação vigente, os créditos previstos nas leis referidas estão sujeitos à prova, através de documentos hábeis, comprobatórios da origem dos valores efetivamente utilizados no cálculo dos benefícios." Efetivamente, pela análise da documentação trazida aos Autos não é possível afirmar que a Recorrente possui o alegado direito ao crédito, sendo que a produção de tal prova é ônus de quem requer o creditamento. No ano de 2018 a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Sessão deste Colegiado decidiu caso análogos da mesma Recorrente, proferindo o Acórdão unânime n. 3402005.978, no qual firmou o entendimento de que a manutenção e utilização de crédito de IPI relativo a aquisição de insumos requer a demonstração de que eles efetivamente foram utilizados na industrialização, merecendo transcrição o presente fragmento: "De outra parte, a interessada, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, não logrou êxito em Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13308.000109/200123 Acórdão n.º 3302006.427 S3C3T2 Fl. 10 9 demonstrar que eventualmente os seus documentos e livros fiscais seriam emitidos ou registrados de forma diversa, que possibilitaria a análise de aplicação dos insumos no processo industrial, ainda que em sentido diverso à declaração prestada anteriormente à autoridade fiscal. Assim, não houve cerceamento do direito de defesa da contribuinte, mas a ausência de apresentação de elementos modificativos ou extintivos dos fatos e fundamentos expedidos no despacho decisório, o que, aliás, tratase de questão de mérito. Quanto ao pedido de perícia, a DRJ fundamentou, de forma legítima, seu indeferimento por considerála prescindível à demonstração que interessava ao julgamento, qual seja, o "efetivo emprego, no processo produtivo da recorrente, das MP, PI e ME respectivas, ou seja, que esses elementos originários não ganharam destinação diversa". Dessa maneira descabe qualquer reforma na decisão recorrida nesta parte. Quanto ao pedido subsidiário de diligência, essa foi deferida por este Colegiado, não obstante a interessada não tenha colaborado para as verificações solicitadas. O Colegiado, não obstante entendesse pela insuficiência da documentação constante nos autos para comprovar o direito creditório pleiteado, oportunizou à recorrente essa demonstração por intermédio da diligência, na qual as verificações a serem efetuadas pela fiscalização dependiam do fornecimento pela recorrente dos esclarecimentos e documentos apontados no Termo de Intimação. Como relatado, a interessada não atendeu à intimação efetuada em face da última diligência, nem tampouco manifestouse acerca do Relatório de Diligência Fiscal que concluiu pela impossibilidade de atender às solicitações contidas na Resolução n° 3402000.458. Sobre a questão de não atendimento à intimação, dispõe o art. 40 da Lei nº 9.784/99 que: "Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo". Dessa forma, tendo em vista que as informações e documentos solicitados à recorrente no Termo de Início de Diligência Fiscal eram essenciais à análise de seu pleito de ressarcimento e esse não foi atendido por ela, descabe a reforma pleiteada na decisão recorrida. Não havendo qualquer elemento consistente nos autos em sentido contrário, deve ser mantida a decisão recorrida na qual se concluiu que não restou demonstrado que os insumos teriam sido efetivamente destinados à industrialização dos produtos exportados. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13308.000109/200123 Acórdão n.º 3302006.427 S3C3T2 Fl. 11 10 Diante da impossibilidade de reconhecer o direito creditório pleiteado, resta prejudicado o pedido da recorrente de correção monetária dos valores correspondentes. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula" Neste sentido também merece destaque o Acórdão unânime n. 9303006.743 proferido pela CSRF no processo 13308000123/200216, no bojo do qual restou decidido, em relação ao mesmo contribuinte, que o direito a crédito vinculase ao preenchimento das condições e requisitos impostos pela lei, na ausência dos quais deve ser negado o pleito por ausência de provas, tendo sido lavrada a seguinte ementa. RESSARCIMENTO SALDO CREDOR LIQUIDEZ E CERTEZA O ressarcimento a que alude o art. 11 da Lei 9.779/99 vinculase ao preenchimento das condições e requisitos impostos pela lei. Na ausência de provas, é de ser negado o pleito do contribuinte. Recurso Especial do Procurador provido. No caso concreto a Recorrente também não se desincumbiu do ônus de demonstrar, com documentação hábil, as mercadorias que utilizou no seu processo produtivo, fato apontado pela DRF e confirmado pela DRJ. Merece destaque o fato de que em sede de Recurso Voluntário foi novamente oportunizado à Recorrente a juntada da documentação, que não foi trazida, nem mesmo foi apresentada qualquer manifestação após o Relatório da Diligência. Diante da impossibilidade de reconhecer o direito creditório pleiteado, resta prejudicado o pedido da recorrente de correção monetária dos valores correspondentes. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 443DF CARF MF
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