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Numero do processo: 11070.001392/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO.
Constatado o lapso manifesto apontado pelos embargos, deve-se promover sua imediata correção.
Numero da decisão: 2201-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos para, sanando o lapso manifesto identificado, retificar a decisão do Colegiado nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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LAPSO MANIFESTO. Constatado o lapso manifesto apontado pelos embargos, devese promover sua imediata correção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos para, sanando o lapso manifesto identificado, retificar a decisão do Colegiado nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 13 92 /2 01 0- 05 Fl. 50DF CARF MF 2 Trata o presente Auto de Infração por descumprimento de Obrigações Acessórias, que deu origem ao DEBCAD 37.290.2383, no valor consolidado de R$ 14.317,78. O mérito do lançamento foi objeto do Acórdão 230200167 da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 17 de maio de 2012, fl. 41/44. Em fl. 46, o então Presidente da 2ª Turma Ordinária e Relator do voto que deu origem ao Acórdão citado no parágrafo precedente manifestouse nos autos, mediante a constatação da existência de um erro na formalização do Acórdão que ensejaria a necessidade de sua reinclusão em pauta de julgamento para compatibilização da pauta com o voto proferido. Em fl. 48/49, consta despacho do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, admitindo os presentes embargos inominados. E o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Inicialmente, expresso minha concordância com os pressupostos de admissibilidade contidos no despacho de fls. 48/49. Vejamos abaixo o excerto do Acórdão em que teria sido cometido o erro apontado pelo Conselheiro Relator: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/07/2010 Ementa: ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j”DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização federal na administração previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Grifouse. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Notase que a decisão do colegiado está compatível com o que foi registrado na Ata da sessão de Julgamento: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 11070.001392/201005 Acórdão n.º 2201003.601 S2C2T1 Fl. 51 3 Relator(a): MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo: 11070.001392/201005 Recorrente: RADIO MAUA LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Resolução 2302000.167 Decisão: Por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Não obstante o curso do voto condutor do Acórdão demonstra que o mérito da lide administrativa foi julgado, conforme se verifica nos excertos abaixo: Não há razão à recorrente ao afirmar que o servidor não podia conceder apenas cinco dias de prazo para apresentar documentos. O Auditor Fiscal pode requisitar a apresentação dos livros no prazo de cinco dias úteis, conforme previsto no art. 19 da Lei nº 3.470 de 1958, nestas palavras: (...) No presente caso, a recorrente não apresentou nenhum dos livros no prazo estabelecido pela fiscalização tributária. Dessa forma, foi correta a aplicação do auto de infração. (...) Ao contrário do que afirma a recorrente, a falta de contraditório antes do lançamento não o invalida. A ação fiscal é um procedimento de natureza inquisitiva, logo não há contraditório na formalização do lançamento. O contraditório é conferido somente após a cientificação do contribuinte acerca do lançamento efetuado. Da mesma forma que o contraditório no direito penal é conferido somente durante a ação penal, e não durante o inquérito policial. No presente caso, foi conferida ciência ao contribuinte de todos os atos lavrados pelo órgão fazendário. Assim não assiste razão à recorrente ao afirmar que deveria ser conferida oportunidade para o infrator corrigisse os erros antes da autuação. (...) Conclusão: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso e pela negativa de provimento. Observados os destaques acima, não são necessárias maiores considerações por parte deste Relator, já que evidente o lapso manifesto na descrição da conclusões do Colegiado. Tendo em vista que outros dois processos do mesmo contribuinte foram tratados na mesma sessão de julgamento, os quais foram, efetivamente, convertidos em diligência, podese inferir que o lapso decorre de repetição na Ata das conclusões relativas aos outros dois processos. Conclusão: Fl. 52DF CARF MF 4 Desta forma, considerando as razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer e acolher os embargos inominados interpostos para, sanando o lapso manifesto identificado, retificar a decisão do colegiado expressa no Acórdão 230200167, de 17 de maio de 2012, que passa à seguinte redação: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901328/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.481
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 13 28 /2 01 2- 19 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10925.901328/201219 Acórdão n.º 3301003.481 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.879. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.901328/201219 Acórdão n.º 3301003.481 S3C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.901328/201219 Acórdão n.º 3301003.481 S3C3T1 Fl. 5 4 Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002782/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Waldir Veiga Rocha, que rejeitavam a diligência. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Waldir Veiga Rocha, que rejeitavam a diligência. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão da DRJ/SP1 que julgou procedentes os autos de infração de IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos de CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e PIS – Contribuição para o Programa de Integração RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 78 2/ 20 06 -4 3 Fl. 6025DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.026 2 Social, em que foi apurada omissão de receitas caracterizada pela manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada, pela pessoa jurídica TESS S/A, incorporada pela recorrente em 30/12/2005. Referidos lançamentos reduziram o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$ 31.453.631,82, e constituíram crédito de COFINS no valor de R$ 943.608,95 e PIS de R$ 204.448,60, acrescidos de multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: “A empresa TESS S/A, de CNPJ 02.093.211/000141, foi incorporada pelo interessado, em 30/12/2005, o qual foi autuado, como responsável, no IRPJ e reflexos, em 06/12/2006, em razão de omissão de receita caracterizada por passivo fictício constatado na incorporada no anocalendário de 2001, quando estava no regime de lucro real anual, no valor total de R$ 31.453.631,82, tendo sido retificado o prejuízo fiscal e a base negativa e apurado um crédito tributário total de R$ 2.963.480,9, a título de PIS e COFINS, incluindo multas de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/11/2006 (fls. 1 a 230). O Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 193 a 196, bem como o Termo de Encerramento e seus anexos, às fls. 189 a 192, dão conta de que: 1 o exame da documentação das despesas escrituradas na conta "21121111 Fornecedores gerais moeda nacional", no total de R$ 45.816.959,36, referentes aos 10 maiores fornecedores (94,90% do saldo dessa conta em 31/12/2001) mostrou a não comprovação da origem e/ou da baixa de R$ 2.267.928,08; os valores que foram aceitos e não aceitos estão detalhados na planilha "VALORES COMPROVADOS ANALÍTICO", às fls. 190 e 191; o TVF explica que os valores zerados nessa planilha correspondem a documentos que não foram apresentados ou que não foram aceitos por não trazerem a comprovação de baixa ou por pertencerem a outro exercício (o que ocorreu com algumas notas da NOKIA); eis o resumo dessa planilha: FORNECEDOR VALOR DEDUZIDO VALOR COMPROVADO VALOR NÃO COMPROVADO NOKIA 17.464.817,94 15.833.917,94 1.630.900,00 CIBERVOX 389.734,24 249.164,50 140.669,74 DEICMAR 218.733,93 0,00 218.733,93 IFS 211.341,00 0,00 211.341,00 PORTAL PUBLICIDADE 168.937,61 129.939,86 38.997,75 HP 156.994,05 132.240,04 24.754,01 PIRES 110.121,63 107.489,98 2.631,65 TOTAL 18.720.680,40 16.452.752,32 2.267.928,08 2 o contribuinte não comprovou a baixa e nem a validade da permanência do saldo da conta contábil 22121122 Ericsson Telecomunicações, em 31/12/2001, de R$ 29.185.703,74, até o encerramento do trabalho. O TVF dá conta dos sucessivos Termos de Intimação (TI) e prorrogações de prazo concedidas, desde o início da fiscalização, em 07/03/2005, passando por 10/07/2006, quando foi requisitada a relação analítica dos valores que compuseram os saldos das contas contábeis 21121111 e 22121122, até 21/11/2006 quando o sujeito passivo atendeu parcialmente a requisição acima e até 05/12/2006, quando o contribuinte apresentou cópias de 966 notas fiscais que compuseram o saldo da conta 22121122 e solicitou mais 30 dias para levantar suas baixas, o que foi indeferido, tendo sido devolvidas e desconsideradas tais notas (fls. 7, 8 e 160 a 196). Fl. 6026DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.027 3 O TVF reportase, também, à planilha "VALORES COMPROVADOS SINTÉTICO", que resume, para a primeira conta em tela, por fornecedor, o total não comprovado, e para a segunda, da Ericsson, o total não comprovado para cada um dos cinco códigos; eis a planilha: DATA CONTA 211.21.111 DÉBITOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS 31/12/01 EJV do Brasil Ltda. 26.512.576,96 0,00 31/12/01 Nokia do Brasil Tecnologia Ltda 17.464.817,94 1.630.900,00 31/12/01 Samsung eletrônica da Amazônia Ltda. 467.312,00 0,00 31/12/01 Cybervox Elelronics Ind. Com. Ltda 389.734,24 140.569,74 31/12/01 Deicmar SA Armazéns Gerais 218.733,93 218.733,93 31/12/01 IFS Industrial and Fiinancial Systems 211.341,00 211.341,00 31/12/01 Portal Publicidade Ltda 168.937,61 38.997,75 31/12/01 Hewlett Packard Brasil S/A 156.994,05 24.754,01 31/12/01 Resmat Parsch Sistemas Contra Incêndio 116.390,00 0,00 31/12/01 Pires Serviços Gerais a Bancos e Em 110.121,63 2.631,65 45.816.959,36 2.267.928,08 DATA CONTA 221.21.122 DÉBITOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS 31/12/01 Saldo do Fornecedor Ericsson 132 23.581,70 23.581,70 31/12/01 Saldo do Fornecedor Ericsson 242 0,00 0,00 31/12/01 Saldo do Fornecedor Ericsson 314 15.112.732,08 15.112.732,08 31/12/01 Saldo do Fornecedor Ericsson 3925 10.244.450,52 10.244.450,52 31/12/01 Saldo do Fornecedor Ericsson 4412 3.804.939,44 3.804.939,44 29.185.703,74 29.185.703,74 TOTAL 31.453.631,82 Por fim, o TVF relata que, em conseqüência do atendimento apenas parcial das intimações, tal valor foi lançado como passivo fictício, "posto que parte não teve sua origem comprovada, e portanto sua necessidade, e parte não teve a confirmação da baixa apresentada até o presente momento". Reforça sua argumentação com os seguintes acórdãos: "COMPROVAÇÃO (COMISSÕES) Para que a despesa possa ser aceita como dedutível é necessário que a documentação que lastreia os lançamentos se constitua em documentos fiscais emitidos por terceiros, a fim de que se possa averiguar se possuem os requisitos de normalidade, e se os beneficiados interferiram na obtenção da receita operacional (Ac. 1º CC 1051.315/85 Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 17/86, pág. 425) . COMPROVAÇÃO DE DESPESAS Mantémse a tributação quando a apropriação das quantias não estiver apoiada em documentação hábil (Ac. 1º CC 103 06.608/84 Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 34185, pág. 934)." Os elementos colhidos pela fiscalização encontramse no ANEXO 01. Fl. 6027DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.028 4 Os autos de infração constam às fls. 197 a 213, tendo sido exigido o crédito tributário total de RS 2.963.480,95 (fl. 6) a título de PIS e COFINS, multas de 75% e juros de mora calculados até 31/11/2006. O auto de infração de IRPJ aponta a seguinte infração e respectiva base legal: "001 OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO Omissão de Receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou incomprovada, conforme Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração. (...) Enquadramento legal Art. 24 da Lei n.° 9.249/95; Art. 40 da Lei n.° 9.430/96; Arts. 247, 248, 251, 264, "caput" e § 3o, 274, 275, inciso I, 276, 277, 278, 279, 280, 281, 288, 836, 841, inciso IV, 845, inciso II, 904, 923, e 926 do RIR/99." Os novos valores de prejuízo fiscal e base negativa foram incluídos no sistema SAPLI (fls. 214 a 230). A empresa apresentou impugnação, em 05/01/2007 (fls. 258 a 273), por meio de seus advogados (fls. 273 e 275 a 292), acompanhada de elementos de prova (fls. 274 e 308 a 4.199), e alegando, além da tempestividade da impugnação, ser improcedente o suposto passivo fictício, pelas seguintes razões, em resumo: 1 há nulidade por violação do contraditório, da ampla defesa, e da regra expressa dos arts. 10, incisos III, IV, V, e 59, ambos do Decreto n.° 70.235/72, pois: a) a autoridade administrativa deixa de motivar, apontar, com precisão, qual o fato e a infração cometida, fazendo alegações dúbias e sem qualquer respaldo fático; b) o auto de infração aponta o artigo 281, III, do RIR/99 como fundamento da autuação, mas o dispositivo estabelece uma presunção da omissão de receita que abrange dois fatos distintos, a saber: "a manutenção no passivo de obrigações já pagas" ou "cuja exigibilidade não seja comprovada."; c) todavia, o auto de infração assim descreve a "OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO”: "Omissão de Receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou incomprovada, conforme Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante deste auto de Infração." d) ou seja: o auto de infração não determina se a suposta omissão de receita decorre da "manutenção no passivo de obrigações já pagas" ou "cuja exigibilidade não seja comprovada"; e) além disso, o TVF motiva o lançamento de forma atabalhoada, dúbia e não condizente com a infração apontada na autuação ("omissão de receita"), ao asseverar que: "Como conseqüência do atendimento parcial das intimações, lançamos os valores abaixo como passivo fictício, posto que parte não teve sua origem comprovada, e Fl. 6028DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.029 5 portanto a sua necessidade (sic), e parte não teve a confirmação da baixa apresentada até o presente momento." f) e o TVF cita dois acórdãos que tratam da necessidade da comprovação de despesas para serem dedutíveis, matéria distinta daquela que supostamente ensejou a autuação, qual seja, passivo fictício, para reforçar sua argumentação; g) em suma: a motivação expendida no TVF é condizente com infração fundamentada nos artigos 299 e 300 do RIRI99, que tratam da glosa de despesas, mas nunca com o presente auto de infração, centrado em suposta "OMISSÃO DE RECEITA PASSIVO FICTÍCIO", tal como previsto no artigo 281 do RIR/99; h) ao proceder dessa forma, a fiscalização eivou de nulidade o auto de infração, por não demonstrar devidamente os fatos considerados suficientes à sua realização e, conseqüentemente, impedir o direito à ampla defesa e ao contraditório; 2 há nulidade por violação de expressa disposição legal, pois: a) a presunção do art. 281 do RIR/99 afasta a necessidade de as autoridades comprovarem a omissão no registro de receita mas nunca os fatos que dão ensejo à presunção, no caso, "a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada"; b) mas o auto de infração aponta apenas, como fundamento, a "Omissão de Receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou incomprovada, conforme Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante deste auto de infração"; c) o TVF, por sua vez, em momento algum demonstra/comprova que a Impugnante manteve no passivo obrigações pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada; d) o auto de infração, portanto, está eivado de nulidade, pelo fato de o autuante deixar de produzir qualquer prova em relação aos fatos que dão ensejo a aplicação da presunção, ou seja, a manutenção no passivo de obrigações pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada; e) por decorrência, houve violação do CTN (art. 142, no que diz respeito ao dever de determinar a matéria tributável, e art. 149, inciso V, quanto à falta de comprovação da omissão ou inexatidão no lançamento por homologação) e do art. 9o do Decreto n.° 70.235/72, que preceitua que a autuação deve estar instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito; f) em resumo: o autuante não comprovou "a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada", fatos que sustentam a presunção; 3 há nulidade por violação do direito de defesa e do contraditório, bem como do princípio da verdade material, pois quanto à conta 22121122, referente à empresa Ericsson responsável pela implantação de todo o sistema de telefonia da impugnante a fiscalização afirma que todas as operações constituem passivo fictício, embora a mesma tenha desconsiderado e devolvido, em 05/12/2006, as cópias das 966 notas fiscais que compuseram o saldo dessa conta e que comprovariam as operações nela registradas, ao mesmo tempo que não produziu qualquer elemento probatório; Fl. 6029DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.030 6 4 inexiste o passivo fictício apontado com respeito à conta contábil 22121122 (Ericsson) pela suposta falta de comprovação da baixa de R$ 29.185.703,74, pois tal empresa e a TESS firmaram um consórcio para a implantação da Banda "B" de telefonia; a Ericsson é a maior fornecedora de sistemas móveis e serviços de telefonia do mundo e suporta todos os principais padrões para comunicação móvel, razão pela qual foi contratada para fornecer todo o equipamento, software e serviços para implantação do sistema da TESS; também foi atribuída à Ericsson a responsabilidade por todas as obras civis relativas aos "sites" locais onde as antenas e equipamentos são instalados para o sistema (células) funcionar conforme provam o contrato e as 966 notas fiscais desconsideradas, ora juntados; 5 para atender a intimação de 27/11/2006, em 04/12/2006, a impugnante solicitou prorrogação de prazo (fl. 188), esclarecendo que: "Tal solicitação provém do fato de que o processo de pagamento de itens de engenharia é feito por adiantamentos calculados com relação às medições proporcionais às suas instalações, sendo necessário identificar todos os adiantamentos para a composição das respectivas baixas." 6 as notas fiscais emitidas, em sua grande maioria, não correspondem ao fluxo de pagamento/adiantamento, mas, sim, ao de execução das obras, razão pela qual não servem para demonstrar as baixas das contas, pois não se trata de operação isolada, mas sim de um complexo de negócios jurídicos firmados por empresas de grande porte para a implantação de sistema de telefonia móvel, que iniciou em 1998 e perdurou até 2002; 7 por isso, era imprescindível rever as contas correspondentes aos adiantamentos visàvis as contas de passivos correspondentes aos serviços prestados pela Ericsson, no período em tela, para recompor todo o histórico referente a este contrato, trabalho que deveria ser realizado pelas autoridades administrativas no âmbito do procedimento de lançamento, sob pena de este ser improcedente; 8 o mesmo vale para as operações referentes à conta contábil 21121111 fornecedores gerais moeda nacional em que inexiste qualquer passivo fictício, mas que requer uma revisão para comprovar a origem e/ou baixa do valor de R$ 2.267.928,08, razão pela qual protesta pela juntada de novos documentos, em homenagem ao princípio da verdade material; 9 a TESS foi incorporada pela impugnante, de forma que, nos termos do art. 132 do CTN, a sucessora somente é responsável pelos tributos devidos pela sucedida, e não pelas multas eventualmente lançadas posteriormente à incorporação. O processo foi baixado em diligência, em 09/06/2009, nos seguintes termos (fls. 4200 a 4203): "(...) A impugnante diz que traz, como provas, as 966 notas fiscais que compuseram o saldo da conta 21121122 (sic) e contrato entre TESS S/A e Ericsson Telecomunicações S.A. (fl. 274). Quanto às cópias apresentadas das Notas FiscaisFaturas da Ericsson Serviços de Telecomunicações Ltda. (fls. 308 a 1.317), verificouse, por amostragem, que: 1 algumas são praticamente ilegíveis; 2 algumas se referem a materiais e outras a prestação de serviços; Fl. 6030DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.031 7 3 algumas foram emitidas em 2001 (boa parte em dezembro), com vencimento a vista e outras em 2000, com n.° da duplicata indicado. Dentre as provas apresentadas (e não mencionadas à fl. 274), há cópia de duas fls. do livro Diário Geral, com lançamentos sob o n.° 1009701, em 31/08/2001, que mostram um pagamento à Ericsson de R$ 5.000.000,00 (fl. 1.319) e duas baixas à conta 21141283, de R$ 3.250.000,00 e de R$ 5.000.000,00 (fl. 1.320), todos com histórico sintético de "Pagamento parte DPA2 Ericsson", o que mostra a existência de outra conta de passivo referente à Ericsson e, talvez, de outros contratos com essa empresa ou de outras compras. Quanto ao contrato, também verificado por amostragem (fls. 1.322 a 4.191), foram apresentadas atas de reunião e outros documentos de caráter administrativo do projeto, envolvendo "TESS CONSORTIUM" e Ericsson Telecomunicações S.A., desde a concorrência, projeto e especificações técnicas, mapas, etc, referindo acordos de compra, anexos do contrato, e ao final, o contrato, tudo em inglês (fls. 4.139 a 191) e, portanto, sem qualquer valor probante, nos termos do art. 157 do CPC. Assim, proponho encaminhar este processo à DEFIC/SPO para a realização de diligência em que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar, dentre outros elementos que ela julgar necessários: 1 explicações claras e detalhadas sobre o significado dos cinco códigos utilizados na conta 22121122 (132, 242, 314, 3925 e 4412) e da expressão "DPA2 Ericsson" utilizada na escrituração da conta 21141283, bem como sobre a utilização dessas duas contas para a Ericsson, assim como a relação com a Ericsson Serviços de Telecomunicações Ltda., emitente das Notas FiscaisFaturas, visto que o contrato apresentados teria sido feito com a Ericsson Telecomunicações S.A.; 2 planilha eletrônica e impressa relacionando os dados (n.°, data de emissão, data de vencimento, conteúdo resumido e valor) das Notas FiscaisFaturas apresentadas na impugnação, por ordem crescente de data de emissão, com respectiva data de vencimento, totalizadas de forma a permitir o confronto com a sua escrituração; 3 plano de contas com explicações claras e detalhadas sobre o funcionamento das contas de Adiantamento envolvidas com o passivo autuado, esclarecendo especialmente o momento das baixas dos adiantamentos concedidos; 4 documentos que comprovem as baixas do passivo autuado realizadas posteriormente a 31/12/2001 e a respectiva escrituração no Razão e/ou provas de que o passivo autuado permaneceu em aberto; 5 os mesmos itens, no que couber, para a conta 21121111. Por fim, solicito que a fiscalização analise a documentação apresentada e se pronuncie de forma conclusiva apontando quais elementos comprovam a veracidade do passivo registrado, tanto no que diz respeito à sua origem, quanto no que se refere à sua baixa." (...)" A diligência foi concluída com ciência ao contribuinte em 09/04/2010 (fls. 5.596 a 5.599), nos seguintes termos: "(...) Fl. 6031DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.032 8 Já havíamos feito uma análise parcial da documentação apresentada no Termo de Constatação e Intimação Fiscal (TCIF), lavrado em 29/10/2009. Faremos agora um comentário a respeito do atendimento ao TCIF e também algumas considerações. Petição de 17/11/2009 Em relação à petição de 10/08/2009 o procurador esclareceu que o anexo 1 é o CD e o anexo 2 constituise na planilha anteriormente apresentados. Foram rubricados os documentos e apresentada a tradução juramentada dos anexos 4 e 5 Apesar do esforço do contribuinte, os textos traduzidos não trouxeram esclarecimentos pertinentes ao caso sob análise. Apesar de observado na folha 2/5 do TCIF não foram trazidos aos autos quaisquer documentos que versassem sobre a prorrogação do contrato anteriormente apresentado. No "doc 3" o contribuinte apresentou cópias dos livros diários com os lançamentos contábeis que teriam baixado o valor de R$ 29.185.703.74 da conta 21121122 em setembro de 2002, em complemento à explicação anteriormente apresentada na petição de 13/10/2009. Em relação à petição de 13/10/2009 foi corroborada nossa observação de que o balancete do mês de setembro então apresentado corresponde ao "doc 3". Foram rubricados os documentos. Foi solicitada e deferida nova prorrogação de prazo de vinte dias. Foram também apresentadas novas petições, abaixo relacionadas: Petição de 08/12/2009 O contribuinte informou que logrou encontrar os livros Diários e Razões e os colocou à nossa disposição. Foi solicitada prorrogação de prazo por mais vinte dias e foram deferidos dez dias. Petição de 18/12/2009 O sujeito passivo informou que logrou êxito em localizar no livro razão (grifamos) lançamentos relativos a parte (grifamos) das notas fiscais colacionadas aos autos. Foi juntada planilha contendo a informação e mais um CD contendo cópia integral do livro razão dos anos de 2000 e 2001. Foram solicitados mais trinta dias de prorrogação de prazo. Em razão do gozo de férias concedemos a prorrogação até 26/01/2010. Petição de 26/01/2010 O contribuinte informou que conseguiu localizar em seu livro razão (grifamos) cerca de 70% dos lançamentos contábeis referentes às notas fiscais atinentes à conta contábil n° 21121122 e anexou nova planilha atualizada. Informou também que continuava a procura pelos livros diários do ano calendário de 2001 e que até este momento só havia localizado o do mês de janeiro. Petição de 17/02/2010 O contribuinte informou que conseguiu localizar todos os livros diários de 2001 e que os mesmos se encontravam à disposição da fiscalização no estabelecimento do contribuinte. Fl. 6032DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.033 9 Apesar do prazo inicialmente concedido e de todas as prorrogações que foram deferidas nada mais foi apresentado até o presente momento. Não foram acostadas as notas fiscais originais requisitadas nos itens 2 e 3 do TCIF, referentes às contas contábeis n. s 21121122 e 21121111. As notas fiscais originais são parte fundamental da explicação que se pretendia obter. São estas a origem do lançamento contábil e sem as mesmas este carece de comprovação. Por este motivo, assim estabeleceu o caput do art. 264 do RIR/99 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto y não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros,' documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n.2. 486, de 1969, art. 4.2.). A escrituração tem origem nos documentos contábeis e estes são o seu fundamento. Como já citamos no Termo de Verificação Fiscal (fl. 195): "Mantémse a tributação quando a apropriação das quantias não estiver apoiada em documentação hábil". Fotocópias não são documentação hábil para sustentar o lançamento contábil, ainda mais quando parte delas está ilegível e o próprio contribuinte não logra apontálas em seu livro diário. Lembramos também que sequer foi tangenciada a exigência em relação à apresentação das notas fiscais que compuseram o saldo não comprovado de R$ 2.267.928,08 da conta contábil n° 21121111. Sem as notas fiscais originais não se comprova a origem dos valores lançados na conta contábil n° 22121122 cuja baixa foi rastreada na petição de 13/10/2009. Devido a falta de apresentação das notas fiscais referentes aos valores de R$ 2.267.928,08 e R$ 29.185.703.74 não verificamos os livros diários que foram colocados à nossa disposição no estabelecimento do contribuinte. Além de não entregar a documentação cuja contabilização resultou no saldo de R$ 29.185.703,82, estranhamos que a baixa de notas fiscais emitidas a partir do final do ano 2000 só ter ocorrido em setembro de 2002, em desacordo com o disposto na cláusula 15 do contrato com a Ericsson, citado no TCIF. Desta forma, constatamos que os documentos fundamentais para que alterássemos nosso entendimento não foram trazidos aos autos e opinamos pela manutenção da tributação. (...)" (grifouse) O contribuinte assim se manifestou, em 22/04/2010, a respeito da conclusão da diligência (fls. 5600 a 5605): "(...) Durante o deslinde da diligência, a ora Peticionária logrou êxito em cumprir todas as exigências da DRJ, o que fulmina de uma vez por todas o auto de infração levado a efeito, como se expõe, sucintamente, a seguir. Em petição apresentada em 10.08.2009, a Peticionária carreou aos autos (i) a planilha eletrônica e impressa relacionando os dados das notas fiscais apresentadas em Fl. 6033DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.034 10 sede de impugnação; (ii) o plano de contas contendo explicações sobre o seu funcionamento e (iii) a cópia autenticada da tradução juramentada do contrato de prestação de serviços firmado entre a TESS S.A e a Ericsson Telecomunicações S.A. Em petição apresentada em 13.10.2009, a Peticionária prestou esclarecimentos sobre a expressão "DPA2 Ericsson" e sobre a inexistência de duplicidade de contas, eis que a conta 22121122 referese ao grupo de fornecedores, ao passo que a conta 21141281 referese ao grupo de empréstimos. Ademais, nesta mesma oportunidade, a Peticionária detalhou o momento da baixa do passivo autuado, demonstrando e comprovou documentalmente a inexistência do alegado passivo fictício referente à conta contábil 21121122, atinente à operação com a empresa Ericsson, no valor de R$ 29.185.703,74. A despeito do cumprimento de todas as exigências da DRJ, o Ilmo. Fiscal lavrou novo Termo de Intimação, agora exigindo uma série de documentos que não estavam elencados na decisão da DRJ, tais como escrituração contábil das notas fiscais relacionadas na planilha e a cópia original das notas fiscais. Mais uma vez a Peticionária, demonstrando a sua boafé, providenciou, em 18.11.2009, a cópia de todos os lançamentos contábeis no Livro Diário que demonstram a efetiva baixa do valor de R$ 29.185.703,74. Ademais, em petição apresentada em 18.12.2009, a Peticionária apresentou arquivo digital contendo a cópia integral dos Livros Razão dos anos de 2000 e 2001, bem como nova planilha indicando a página do Livro Razão em que estão escrituradas as notas fiscais referentes à conta contábil n.° 21121122. Essa planilha foi complementada em 26.01.2010. Como se não bastasse, a Peticionária colocou à disposição do Ilmo. Fiscal todos os seus Livros Diários, hábeis e idôneos a comprovar os lançamentos contábeis das notas fiscais. Deuse por finalizada a diligência, tendo sido exarado o "Termo de Encerramento de Diligência Fiscal", segundo o qual se fazia imprescindível a apresentação das notas fiscais originais, as quais deveriam ter sido conservadas nos termos do artigo 264 do RIR/99. Com o devido respeito ao entendimento do Ilmo. Fiscal, o mesmo afigurase equivocado. Ocorre que as notas fiscais já foram objeto de análise pela ilustre autoridade administrativa, conforme atesta, inclusive, o Termo de Verificação Fiscal ao dispor que em 05.12.2006 a empresa apresentou as 966 notas fiscais que compuseram o saldo da conta n.° 21121122. Com efeito, é fato incontroverso que as notas fiscais já foram objeto de análise pelo Ilmo. Fiscal. É óbvio, assim, que a Peticionária conservou em ordem as notas fiscais durante todo o prazo decadencial, tanto que chegou as apresentar ao Ilmo. Fiscal, que... as desconsiderou e procedeu a lavratura do auto de infração. Nesta esteira, impõese a aceitação das fotocópias das notas fiscais carreadas aos autos, quando da apresentação da Impugnação. Tanto é assim que a própria DRJ não exigiu as notas fiscais originais, mas apenas uma planilha relacionando os seus dados, o que foi devidamente cumprido. Mesmo se assim não fosse ... é certo que as cópias das notas fiscais têm o mesmo valor probante das originais, como se extrai da ementa abaixo: (...) Fl. 6034DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.035 11 Ademais, no "Termo de Encerramento de Diligência" levantouse uma suspeita, em razão da baixa das notas fiscais emitidas a partir do final do ano de 2000 só ter ocorrido em setembro de 2002. Quanto a este ponto, conforme já esclarecido em sede de impugnação, as notas fiscais emitidas, em sua grande maioria, não correspondem ao fluxo de pagamento/adiantamento, mas sim de execução de obras, razão pela qual não servem para demonstrar as baixas das contas. Inclusive, o artigo 15 do Contrato é claro ao dispor que os pagamentos ocorrem em razão da execução de obras/fases. Assim, este artigo é apto a corroborar as alegações da Peticionária, ao contrário do que entendeu o Ilmo. Fiscal. Assim, as baixas das contas foram comprovadas por outros documentos hábeis e idôneos, em especial os acostados às petições de 13.10.2009 e 18.11.2009, rastreado o valor de R$ 29.185.703,74, até a sua efetiva baixa. Isto posto, restando demonstrado que o Processo Administrativo encontrase devidamente instruído com provas idôneas e irrefutáveis da inexistência do passivo fictício apontado pela fiscalização, impõese a procedência da Impugnação, cancelando se integralmente a autuação fiscal. (...)"" E o relatório." Em julgamento realizado em 08 de julho de 2010, a 4ª Turma da DRJ/SP1 prolatou o acórdão nº 1625.985, que considerou a impugnação improcedente e foi assim ementado: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A impugnação demonstra perfeita compreensão das infrações imputadas ao contribuinte. Preliminar indeferida. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVOS LEGAIS. INOCORRÊNCIA. Alegada violação ao princípio da verdade material e/ou de dispositivos legais afetos ao mérito não é causa de nulidade, mas, sim, tema de exame de mérito. Preliminar indeferida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. Cópias de notas fiscais apresentadas pelo contribuinte à fiscalização não são documentos hábeis a efetuar qualquer comprovação se o contribuinte não apresenta os respectivos originais. MULTA. INCORPORAÇÃO Fl. 6035DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.036 12 Correta a multa de ofício aplicada à incorporadora por infrações cometidas pela incorporada quando esta já era controlada pela primeira à época do fato gerador. O controle pressupõe pleno conhecimento, por parte do controlador, da conduta da controlada. AUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. O voto referente ao IRPJ aplicase aos seus reflexos. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Devidamente cientificado em 06/08/2010 (fls. 5.705), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 03/09/2010 (fls. 5.709), o recurso voluntário de fls. 5.710 a 5.736 alegando, em apertada síntese, os itens abaixo relacionados, os quais serão melhores descritos por ocasião do voto: (i) A nulidade da autuação visto que os fatos insuficientemente descritos no auto de infração constituem cerceamento ao direito de defesa e configuram descumprimento de requisito essencial estabelecido no art. 10, do Decreto nº 70.235/72; (ii) A nulidade do auto de infração pelo fato da autoridade autuante não ter produzido qualquer elemento de prova em relação aos fatos que dão ensejo à aplicação da presunção de passivo fictício, ou seja, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada, em manifesta afronta aos arts. 142 e 149, inciso V, do Código Tributário Nacional CTN e art. 9º do Decreto nº 70.235/72; (iii) A nulidade da autuação pois a autoridade fiscal desconsiderou as 966 notas fiscais apresentadas, as quais comprovam a regularidade das operações praticadas com a empresa Ericsson relacionadas com a conta 22121122, sem qualquer justificativa para tanto. Alega que essa conduta viola o direito à ampla defesa e o contraditório bem como o princípio da verdade material e a regra do art. 142 do CTN; (iv) A recorrente afirma ter apresentado documentos comprobatórios aptos a comprovar a inexistência da presunção de omissão de receitas caracteriza pelo passivo fictício, entretanto, a DRJ entendeu por não analisar as notas fiscais apresentadas sob o argumento de que não haveria certeza quanto à sua fidedignidade, pois deveriam ter sido apresentadas as vias originais, e que também por esta razão deixou de analisar as outras provas e questões suscitadas. A recorrente requer a decretação da nulidade do acórdão recorrido, nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, e o cancelamento integral do auto de infração. Alternativamente, requer, seja decretada a nulidade do acórdão da DRJ, determinandose a remessa dos autos à origem para prolação de nova decisão, após análise de todo conjunto probatório; (v) No mérito, alega a inexistência de passivo fictício relativo à conta 21121122, visto que as operações com a empresa Ericsson decorrem de consórcio firmado entre elas para implantação da banda "B" de telefonia celular. Com objetivo de comprovar suas alegações anexou aos autos 966 notas fiscais que foram simplesmente desconsideradas pelo fiscal autuante, entretanto, por se tratar de um complexo de negócios jurídicos firmados por empresas de grande porte, seria imprescindível a análise de todas contas correspondentes aos adiantamentos com as contas de passivos correspondentes aos serviços prestados pela Ericsson. Fl. 6036DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.037 13 Como não foi feita essa recomposição o lançamento é improcedente, assim como a parcela relativa às operações registradas na conta contábil nº 21121111 Fornecedores Gerais Moeda Nacional, que também requer uma revisão contábil de modo a comprovar sua origem e/ou baixa; (vi) Alega que inexiste passivo fictício referente à conta 21121122, na qual foram registradas as operações com a empresa Ericsson, pois a recorrente teria detalhado o momento da baixa do passivo autuado, demonstrando e comprovando documentalmente a insubsistência da autuação. Aduz ter apresentado cópia de todos os lançamentos do Livro Diário que demonstram a efetiva baixa do valor de R$ 29.185.703,74, bem assim, do arquivo digital do Livro Razão dos anos de 2001 e 2001, porém a DRJ teria desprezado toda documentação comprobatória, sem justificativa plausível, em afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. Requer ao CARF a análise de todos esses documentos, para que seja reconhecida ao final a inexistência do apontado passivo fictício; (vii) Afirma que a multa de ofício é ilegítima pois, a recorrente, na condição de sucessora da Tess somente é responsável pelos tributos devidos pela sucedida, e não pelas multas eventualmente devidas e lançadas posteriormente à incorporação, razão pela qual a multa de ofício deve ser rechaçada em qualquer hipótese. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora. Durante as discussões realizadas na sessão de julgamento, suscitouse a necessidade de conversão do processo em diligência, da qual discordei por entender que o processo encontravase em condições de ser julgado. Assim, voto pela não conversão do julgamento em diligência suscitada de ofício, por entendêla desnecessária. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Redator Designado Coubeme a redação do voto vencedor, que é circunscrito à diligência que restou aprovada, na sessão de julgamento.. Causoume estranheza a rejeição ao acervo probatório composto de 966 notas fiscais entregues em fotocópia pelo simples fato de não serem documentos originais. Isso ficou claro no seguinte trecho do Relatório Fiscal, às fls. 5597/5598: "Não foram acostadas as notas fiscais originais requisitadas nos itens 2 e 3 do TCIF, referentes às contas contábeis nºs 21121122 e 21121111. Fl. 6037DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.038 14 As notas fiscais originais são parte fundamental da explicação que se pretende obter. São estas a origem do lançamento contábil e sem as mesmas este carece de comprovação. Por este motivo, assim estabeleceu o caput do artigo 264 do RIR/99: [...] A escrituração tem origem nos documentos contábeis e estes são o seu fundamento. Como já citamos no Termo de Verificação Fiscal (fl. 195): "Mantémse a tributação quando a apropriação das quantias não estiver apoiada em documentação hábil. Fotocópias não são documentação hábil para sustentar o lançamento contábil, ainda mais quando parte delas está ilegível e o próprio contribuinte não logra apontálas em seu livro fiscal [...] Sem as notas fiscais originais não se comprova a origem dos valores lançados na conta contábil 21121122 cuja baixa foi rastreada na petição de 13/122009. Devido a falta de apresentação das notas fiscais referentes aos valores de R$ 2.267.928,08 e R$ 29.185.703,74 não verificamos os livros diários que foram colocados à nossa disposição no estabelecimento do contribuinte." Ocorre que a Turma recorrida aprovou a diligência proposta nos seguintes termos, reproduzidos, na presente instância ad quem, pela ilustre Relatora: "Quanto às cópias apresentadas das Notas FiscaisFaturas da Ericsson Serviços de Telecomunicações Ltda. (fls. 308 a 1.317), verificouse, por amostragem, que: 1 algumas são praticamente ilegíveis; 2 algumas se referem a materiais e outras a prestação de serviços; 3 algumas foram emitidas em 2001 (boa parte em dezembro), com vencimento a vista e outras em 2000, com n.° da duplicata indicado. Dentre as provas apresentadas (e não mencionadas à fl. 274), há cópia de duas fls. do livro Diário Geral, com lançamentos sob o n.° 1009701, em 31/08/2001, que mostram um pagamento à Ericsson de R$ 5.000.000,00 (fl. 1.319) e duas baixas à conta 21141283, de R$ 3.250.000,00 e de R$ 5.000.000,00 (fl. 1.320), todos com histórico sintético de "Pagamento parte DPA2 Ericsson", o que mostra a existência de outra conta de passivo referente à Ericsson e, talvez, de outros contratos com essa empresa ou de outras compras. Quanto ao contrato, também verificado por amostragem (fls. 1.322 a 4.191), foram apresentadas atas de reunião e outros documentos de caráter administrativo do projeto, envolvendo "TESS CONSORTIUM" e Ericsson Telecomunicações S.A., desde a concorrência, projeto e especificações técnicas, mapas, etc, referindo acordos de compra, anexos do contrato, e ao final, o contrato, tudo em inglês (fls. 4.139 a 191) e, portanto, sem qualquer valor probante, nos termos do art. 157 do CPC. Assim, proponho encaminhar este processo à DEFIC/SPO para a realização de diligência em que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar, dentre outros elementos que ela julgar necessários: 1 explicações claras e detalhadas sobre o significado dos cinco códigos utilizados na conta 22121122 (132, 242, 314, 3925 e 4412) e da expressão "DPA2 Ericsson" utilizada na escrituração da conta 21141283, bem como sobre a utilização dessas duas contas para a Ericsson, assim como a relação com a Ericsson Serviços de Fl. 6038DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.039 15 Telecomunicações Ltda., emitente das Notas FiscaisFaturas, visto que o contrato apresentados teria sido feito com a Ericsson Telecomunicações S.A.; 2 planilha eletrônica e impressa relacionando os dados (n.°, data de emissão, data de vencimento, conteúdo resumido e valor) das Notas FiscaisFaturas apresentadas na impugnação, por ordem crescente de data de emissão, com respectiva data de vencimento, totalizadas de forma a permitir o confronto com a sua escrituração; 3 plano de contas com explicações claras e detalhadas sobre o funcionamento das contas de Adiantamento envolvidas com o passivo autuado, esclarecendo especialmente o momento das baixas dos adiantamentos concedidos; 4 documentos que comprovem as baixas do passivo autuado realizadas posteriormente a 31/12/2001 e a respectiva escrituração no Razão e/ou provas de que o passivo autuado permaneceu em aberto; 5 os mesmos itens, no que couber, para a conta 21121111. Por fim, solicito que a fiscalização analise a documentação apresentada e se pronuncie de forma conclusiva apontando quais elementos comprovam a veracidade do passivo registrado, tanto no que diz respeito à sua origem, quanto no que se refere à sua baixa." Reparese que a Turma recorrida não fez qualquer exigência específica para a autoridade fiscal intimar a recorrente a apresentar notasfiscais originais. Até aí percebese que instância julgadora a quo já estava ciente, por amostragem, de que, dentre as fotocópias de notas fiscais, (i) algumas são praticamente ilegíveis; (ii) algumas se referem a materiais e outras a prestação de serviços; (iii) algumas foram emitidas em 2001 (boa parte em dezembro), com vencimento a vista e outras em 2000, com n° da duplicata indicado. Todavia, a despeito de tais falhas, a autoridade julgadora de primeira instância mostrou que lhe bastaria a entrega de "planilha eletrônica e impressa relacionando os dados (n°, data de emissão, data de vencimento, conteúdo resumido e valor) das Notas FiscaisFaturas apresentadas na impugnação, por ordem crescente de data de emissão, com respectiva data de vencimento, totalizadas de forma a permitir o confronto com a sua escrituração", tudo isso acompanhado de relatório conclusivo com a indicação dos elementos comprobatórios da veracidade do passivo registrado, "tanto no que diz respeito à sua origem, quanto no que se refere à sua baixa." Porém, ao cabo do julgamento da impugnação, a DRJ pronunciou, conforme se lê na ementa do acórdão recorrido, que "cópias de notas fiscais apresentadas pelo contribuinte à fiscalização não são documentos hábeis a efetuar qualquer comprovação se o contribuinte não apresenta os respectivos originais." Tenhase em conta o fato de que, se a pessoa jurídica houvesse apresentado notas fiscais originais para fazer prova de parte do passivo registrado no balanço, a Fiscalização provavelmente teria juntado aos autos fotocópias dessas notas. Claro que alguém poderia argumentar que, em tal circunstância, o agente público, que merece fé pública, atestaria a veracidade da cópia por ele acostada. Óbvio que essa atestação depende, na imensa maioria dos casos, de outros exames que a autoridade fiscal executaria, para além da mera certificação da regularidade material do documento. Por outro lado, as notas fiscais frias, em tempos de processos eletrônicos, não ingressam nos autos em original, mas em fotocópias. Essas não são mais do que reproduções das notas frias originais e ainda assim servem para levar à autoridade julgadora, por exemplo, o Fl. 6039DF CARF MF Processo nº 19515.002782/200643 Resolução nº 1301000.398 S1C3T1 Fl. 6.040 16 conhecimento da realização de despesas fictícias, claro que apoiadas em outros meios de prova, como cópias (novamente cópias) de documentos dos livros contábeis e fiscais e de extratos bancários, laudos periciais, termos de diligência etc. Enfim, buscaria a autoridade fiscal, nesses casos, a coleta de outras informações, de fontes variadas, que pudessem conduzir o julgador a concluir no sentido de que o conjunto de elementos reunidos convergem para a elevada probabilidade de que um fato ocorreu, ou ocorreu de forma distinta, ou não ocorreu. Portanto, estranho o preconceito com as fotocópias das notas fiscais. Elas, tanto quanto as originais, são sempre indiciárias de fatos. Ainda que as originais mais frequentemente inspirem maior credibilidade, ainda assim, a depender do caso concreto, demandarão outras verificações que possam confirmar o fato que indicam ter acontecido. Na realidade, as fotocópias de notas fiscais são provas documentais como as notas fiscais originais. Se o IRPJ incide sobre determinados fatos econômicos, deve a Fiscalização provar a ocorrência desses fatos no mundo. Para tanto, são admitidos todos os meios de prova não reprovados pelo Direito; as fotocópias de notas fiscais não são proibidas e o § 1º do artigo 9º do Decretolei nº 1.598/1977, ao estabelecer que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais", não restringe o apoio à escrituração às notas fiscais originais. Dentro de tal perspectiva, é razoável que a recorrente tenha de arcar com as consequências da fragilidade da fotocópia ilegível. A partir dessas reflexões, proponho a descida dos autos à autoridade fiscal para que esta considere as 966 notas fiscais trazidas aos autos pela recorrente, ainda que sejam fotocópias, no cumprimento da diligência determinada pela autoridade julgadora a quo, às fls. 4202/4203. Essas mesmas fotocópias também deverão ser consideradas no relatório conclusivo dessa diligência, a ser elaborado pela autoridade fiscal, bem como na indicação de quais elementos comprovam a veracidade do passivo registrado, tanto no que diz respeito à sua origem, quanto no que se refere à baixa, abrindose, ao final, o prazo de trinta dias para a recorrente se manifestar. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 6040DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901069/2013-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 69 /2 01 3- 54 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901069/201354 Acórdão n.º 1302002.223 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901069/201354 Acórdão n.º 1302002.223 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901069/201354 Acórdão n.º 1302002.223 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901149/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.676
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 49 /2 00 9- 08 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901149/200908 Acórdão n.º 3201002.676 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.436. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901149/200908 Acórdão n.º 3201002.676 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901149/200908 Acórdão n.º 3201002.676 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.723545/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.858
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 35 45 /2 01 1- 13 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10469.723545/201113 Acórdão n.º 3302003.858 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.425. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10469.723545/201113 Acórdão n.º 3302003.858 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10469.723545/201113 Acórdão n.º 3302003.858 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10469.723545/201113 Acórdão n.º 3302003.858 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10469.723545/201113 Acórdão n.º 3302003.858 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901160/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.687
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 60 /2 00 9- 60 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901160/200960 Acórdão n.º 3201002.687 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.423. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901160/200960 Acórdão n.º 3201002.687 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901160/200960 Acórdão n.º 3201002.687 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000943/2007-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/2003
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTO
REALIZADO A MARGEM DA ESCRITURAÇÃO.
No lançamento por omissão de receita apurada com base em presunção legal, o que se presume é o auferimento da receita, e não o fato indiciario, que deve estar devidamente comprovado. A aplicação da regra de presunção contida no art. 40 da Lei 9.430/1996 exige a efetiva comprovação da realização de
pagamento a margem da escrituração.
Diante da ausência, nos presente autos, tanto do Laudo Pericial Federal que tratou da operação em questão, quanto da cópia da ordem de pagamento que deu causa as autuações, e não havendo outras indicações a respeito da indigitada ordenante, como CNPJ, endereço, nome de urn sócio-gerente, de um funcionário etc., e nem qualquer informação sobre o beneficiário do pagamento, para que se pudesse caracteriza-lo como fornecedor da autuada,
ou vincula-10 de algum outro modo aquela, o documento elaborado pela Receita Federal, isoladamente, onde o nome da Recorrente nem mesmo aparece como ordenante ou beneficiária da operação financeira realizada no exterior, constando apenas num campo destinado a conter "instruções/observações do ordenante ao beneficiário", não é suficiente para ensejar a presunção legal de omissão de receitas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS, COFINS e IPI
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Data do fato gerador: 05/06/2003
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NAJD IDENTIFICADO.
Não restando efetivamente comprovada a realização de pagamento à mar gem da escrituração, também não subiste o lançamento do IR fonte por pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa.
Numero da decisão: 1802-000.713
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2003 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTO REALIZADO A MARGEM DA ESCRITURAÇÃO. No lançamento por omissão de receita apurada com base em presunção legal, o que se presume é o auferimento da receita, e não o fato indiciario, que deve estar devidamente comprovado. A aplicação da regra de presunção contida no art. 40 da Lei 9.430/1996 exige a efetiva comprovação da realização de pagamento a margem da escrituração. Diante da ausência, nos presente autos, tanto do Laudo Pericial Federal que tratou da operação em questão, quanto da cópia da ordem de pagamento que deu causa as autuações, e não havendo outras indicações a respeito da indigitada ordenante, como CNPJ, endereço, nome de urn sócio-gerente, de um funcionário etc., e nem qualquer informação sobre o beneficiário do pagamento, para que se pudesse caracteriza-lo como fornecedor da autuada, ou vincula-10 de algum outro modo aquela, o documento elaborado pela Receita Federal, isoladamente, onde o nome da Recorrente nem mesmo aparece como ordenante ou beneficiária da operação financeira realizada no exterior, constando apenas num campo destinado a conter "instruções/observações do ordenante ao beneficiário", não é suficiente para ensejar a presunção legal de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS, COFINS e IPI Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 05/06/2003 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NAJD IDENTIFICADO. Não restando efetivamente comprovada a realização de pagamento à mar gem da escrituração, também não subiste o lançamento do IR fonte por pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa.
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EXPORTAÇÃO LTDA, Recorrida 3' TURMA/DRJ-RIBEIRA." 0 PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2003 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTO REALIZADO A MARGEM DA ESCRITURAÇÃO. No lançamento por omissão de receita apurada com base em presunção legal, o que se presume é o auferimento da receita, e não o fato indiciario, que deve estar devidamente comprovado. A aplicação da regra de presunção contida no art. 40 da Lei 9.430/1996 exige a efetiva comprovação da realização de pagamento a margem da escrituração. Diante da ausência, nos presente autos, tanto do Laudo Pericial Federal que tratou da operação em questão, quanto da cópia da ordem de pagamento que deu causa as autuações, e não havendo outras indicações a respeito da indigitada ordenante, como CNPJ, endereço, nome de urn sócio-gerente, de um funcionário etc., e nem qualquer informação sobre o beneficiário do pagamento, para que se pudesse caracteriza-lo como fornecedor da autuada, ou vincula-10 de algum outro modo aquela, o documento elaborado pela Receita Federal, isoladamente, onde o nome da Recorrente nem mesmo aparece como ordenante ou beneficiária da operação financeira realizada no exterior, constando apenas num campo destinado a conter "instruções/observações do ordenante ao beneficiário", não é suficiente para ensejar a presunção legal de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS, COFINS e IPI Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 05/06/2003 c Esti argues ins de Sousa - j_kesid hveira Ferraz Correa - Relator. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NAJD IDENTIFICADO. Não restando efetivamente comprovada a realização de pagamento à mar gem da escrituração, também não subiste o lançamento do IR fonte por pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. EDITADO EM: r2 8 ,1 A N 2 0 1; Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), Jose de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e André Almeida Blanco (Suplente Convocado). 2 Processo n° 10932.000943/2007-50 S1-TE02 Acincl5o n.° 1802-00.713 Fl. 318 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica — IRPJ, ao Imposto de Renda na Fonte — IRF, à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e ao Imposto sobre Produtos Industrializados — IN, conforme autos de infração de fls. 104 a 131, nos valores de R$ 3,920,42, R$ 177.078,22, R$ 2.123,55, R$ 3.528,38, R$ 9.801,04 e R$ 16.442,95, respectivamente, incluindo-se nesses montantes a multa de oficio qualificada de 150% e os juros moratórios. A base destas autuações é uma ordem de pagamento realizado no exterior em 05/0612003, no valor de USS 35.847,05, que foi imputada a Recorrente. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal, às fls. 99 a 103, estão descritos os seguintes fundamentos: Em 04 de agosto de 2003, o Departamento de Policia Federal solicitou ao Juizo da 2" Vara Criminal de Curitiba- PR, por meio de oficio 120-03-PF/FT/SR/DPF/PR 0.30 a32), a quebra, de sigilo bancário no exterior da empresa "Beacon Hill Service Corporation", sediada em Nova krque, Estados Unidos da América, representada por cidadãos brasileiros, dentre outros, em agenda do JP Morgan Chase Bank. Em 14/08/2003, o Juizo da 2" Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, encarregou a autoridade policial presidente do inquérito de obter a documentação pertinente, de modo que, em 27/08/2003, a autoridade policial oficiou à promotoria do distrito de Nova lorque (District Attorney's of the Country of New York) sobre o afastamento do sigilo bancário e pedido de investigação criminal nos LUA.. Em 09/09/2003, a Promotoria apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros relativos à empresa Beacon Hill, após a decisão judicial (Order to Disclose), de 29/08/2003 (vide/is 33 a 38). No Brasil, foi instaurado inquérito para apurar crime contra o Sistema Financeiro Nacional e contra a Ordem Tributária, Visando evitar eventuais argüições quanta à prova emitida sem a interveniência do juizo natural do feito, foi concedida a quebra do sigilo bancário, via MLAT (Mutual Legal Assistence Treaty- Acordo de Assistência Mútua em Assuntos Penais) de diversas contas correntes mantidas em diversos bancos nos Estados Unidos da . América, ...com a. .conseqüente .extensão .das informações c't Receita Federal e ao Banco Central do Brasil, cujas decisões foram proferidas pela 2" Vara Criminal de Curitiba, em 14/08/2003 e 20/04/2004 (As. 33 a 38 e 49 a 5.5). 3 Ressaltamos que em 29/04/2004, a 2" Vara Criminal de Curitiba, atendendo ao oficio 837/04-PF/FT/SR/DPF/PR do Departamento de Policia Federal/PR, estendeu e decretou a quebra do sigilo bancário sobre as contas do Merchants Bank de Nova Iorque, bem como autorizou o compartilhamento do material relativo ao Merchants Bank com a Receita Federal, Bacen, Cocif, para instaurar as atividades especificas destas instituições.(fls.51 a 5V. Assim, os arquivos relativos às transferencias eletrônicas de recursos das contas do Merchants Bank foram encaminhadas via MLAT (Mutual Legal Assistence Treaty - Acordo de Assistência Mútua enz Assuntos Penais), sendo-os trazidos para o Pais pela autoridade PoliciaLHouve a transferência legal dos dados Receita Federal do Brasil, os quais foram certificados por Laudo de Exame Econômico Financeiro 385/2006-INC, do Instituto de Criminalistica do Departamento de Policia Federal, o qual atesta a autenticidade dos documentos apresentados e confere veracidade das informações relativas as operações realizadas, Caso Lespan: Em 16 de dezembro de 2003, o Juiz da Supreme Corte, Honorable John Cataldo, expediu o documento denominado "Order to disclose" visando liberar a CPMI do Banestado e ao Ministério da Justiça provas e documentos havidos em investigações e procedimentos do Grande Juri conhecido como "International Money Laundering by John Doe" (f1.56 a 57). Em 29 de abril de 2004, em decisão no Processo 2004.7000008267-0, o Juizo da 2" Vara Criminal de Curitiba decretou a quebra de sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e midias eletrônicas recebidas da CPMI do Banestado, que, por sua vez, os receberam da Promotoria Distrital de Nova Iorque, relativamente as contas mantidas no MTB-CBC-Hudson Bank, Safra Bank e Lespan (lIs. 51 a 55), No item 26 da mesma decisão, o Juiz autoriza também o compartilhamento de todos esses dados corn a Receita Federal, Bacen e Coaf, para instruir as atividades especificas. desses órgãos. Ern 24 de novembro de 2004, Laura Billings, Assistant. District Attorney of the Country ofNew York, emitiu o documento em que autoriza representantes do Congresso e da Policia Federal brasileira a obterem cópias de diversos documentos e mídias eletrônicas, dentre os quais constam nominados o MTB-CBC- Hudson Bank, Safra Bank e Lespan «1.58 e 59). A .finz de proceder ao exame dos fatos e documentos mencionados, foi constituída a Equipe Especial de Fiscalização, nos termos da Portaria SRF n" 463, de 30/04/2003, integrando representantes das áreas de Fiscalização, Aduana, Pesquisa e Investigação ((Is, 60 a 64). Com base nestes elementos, evidenciou-se que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior; à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, Processo n° 10932.000943/2007-50 S1-11 E02 Acórdão n.° 1802-00.713 Fl. 319 remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizando-se de contas e .subcontas mantidas em diversas instituições financeiras, dentre os quais o LESPAN S A. Através desses documentos, o contribuinte retro referido foi identificado como ordenante de recursos correspondentes a LISS 35.847,05(trinto e cinco mil, oitocentos e quarenta e sete dólares e cinco cents) em 05/06/2003, os quais ,foram depositados no LESPAN SA, (11s. 65 a 67). Diante do exposto, em 15/12/2006, intimamos o contribuinte a comprovar a origem dos recursos enviados ao exterior, apresentando-lhe os valores acima relacionados e o histórico do Caso Beacon Hill Atendendo ei intimação, o contribuinte informa que "em relação remessa de valores, a empresa não praticou, desconhecendo-a completamente" e apresentou Livro Caixa do ano calendário 2003, além de cópia de contrato de câmbio de Importação. Entretanto, tal contrato de câmbio não se vincula à remessa de valores investigada. «1.22 e 25 a 27). Analisamos o Livro Caixa apresentado, relativo ao período da remessa (05/06/2003) e constatamos não existir quaisquer lançamentos contábeis que identifiquem o registro do valor remetido ao exterior; bem como que mantém em sua escrita contábil o registro da movimentação ,financeira ern instituições bancárias do pais indicada no banco de dados da RFB (fls.71 a 75). Constatado tal fato, tornamos a Intimar o contribuinte em 04/09/2007, solicitando os elementos comprobatórios da remessa ao exterior, bent como sua escrituração contábil e/ou fiscal (if 83). Tendo em vista que o contribuinte limitou-se a negar que movimentou os recursos para o exterior, sem nada apresentar para desconstituir os elementos de prova reunidos no processo :judicial antes referido, e ante a ausência de qualquer menção de tais remessas em sua contabilidade, conchdmos tratar-se de omissão de receitas através de Pagamento efetuado com recursos estranhos à contabilidade, motivo pelo qual lançamos de oficio, levado a efeito por meio de Auto de Infração, lavrado nos termos do Decreto n° 70.235/72; sendo exigido todos os tributos com os acréscimos legais, através do Lucro Presumido, op cão efetuada pelo contribuinte para o ano calendário em análise, constituindo o Processo Administrativo n" 10932. 000943/2007-50. Em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados (1P1), verificamos que o contribuinte efetuou saída de produtos, com classificagão fiscal (NCM) 8424.89.00 e aliquota .5%, conforme planilha anexa. (fl 86 e 87 a 98). Da mesma forma, a negativa do contribuinte em assumir os valores da remessa e pela ausência de registro contábil, não se sabe a que titulo e a quem se destinou tais valores em pauta, portanto, constatamos, que, sinj , os pagamentos foram destinados a beneficiário não identificados. Dessa forma as remessas mencionadas anteriormente serão também objeto de lançamento tributário de oficio exigindo o IRRF e seus acréscimos na ,forma do art.. 674, Pc', do .RIR/99, relatada a seguir. 0 lançamento tributário de oficio foi levado a efeito em razão da convicção da fiscaliza cão de que o contribuinte efetuou messes de valores financeiros ao exterior sem o conhecimento do Banco Central e ainda sem os registros em sua contabilidade de tais operações, como já descrito acima, nos termos do art. 142 c/c inciso Ido art. 143 da Lei Complementar 5.172/66 (CTN), Disto decorre que o contribuinte evitou que a autoridade ,fiscal tomasse conhecimento da ocorrência do ,fato gerador e desta forma deixou de pagar os tributos devidos. Ern razão deste fato, incidirá multa qualificada, conforme estabelecido no inciso do art, 44 da Lei 9.430/96 c/c art. 19 da Lei 9.317/96 Instaurada a fase litigiosa, com as impugnações de fls. 135 a 166 (IRPJ, PIS, Cofins, IRRF e CSLL) e fls. 191 a 217 (IPI), a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos, conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão n° 14-21.258 (fls. 257 a 268): - Jamais realizou a operação financeira internacional que The imputada, não praticando, igualmente, o crime de remessa ilegal, evasão de divisas ou mesmo sonegação fiscal; - Não há qualquer registro hábil e idôneo que comprove a remessa de valores ao exterior ou mesmo o recebimento de importâncias da mesma origem, notadamente a cifra de US$ 35,847,05 ou o seu equivalente em reefs, quer o lançado a titulo de "remessas rendimento pago" de R$ 103,701,93, quer a indicada sob a denominação "rendimento reajustado" de R$ 159.541,43; - O que se tern é seu nome em unia relação de unia empresa que tern sede no Uruguai e com a qual jamais teve qualquer contato, desconhecendo-a por completo. E sabido que sempre foram utilizadas contas em name de terceiros e de empresas, na farina de codinomes, para movimentação de contas bancárias para garantir o anonimato dos efetivos remetentes e usuários desses valores, quer no território nacional, quer no exterior; - A prevalecer a autuação pautada em mera presunção, Ler-se-á invertido o ôniis da prova, cabendo a ela o impossível ônus de ,fazer prova negativa. 0 autuante afirma que não ha registro contábil, não há prova da remessa, não se sabe a que título Os valores teriam sido enviados e quem os recebeu. Não há como aceitar a constatação de que os "pagamentos foram realizados a Processo n° 10932000943/2007-50 S1-1E02 Fl 320 Acórdão n.° 1802-00.713 beneficiários não identificados ".. Onde, então, se pauta a conclusão de que os pagamentos foram realizados? - Note-se que a autuação é desprovida até da comprovação da existência, em favor dela, dos valores questionados. Ao Fisco caberia pautar-se em comprovantes de depósitos, cópias de cheques ou mesmo em documentos de transferencias entre contas, inexistentes na presente autuação; - A simples figuração do seu nome em registros de terceira empresa por ela desconhecida nada prova. A caracterização da omissão de rendimentos e da não tributação na .fonte prescinde da prévia identificação e discriminação da efetiva movimentação de valores, com os titulos utilizados para tal finalidade; prescinde, também, da fixação da renda tributável relacionada com a indicada movimentação e, por fim, da demonstração da natureza tributável do rendimento, requisitos desatendidos no presente auto de infração; - É inaceitável a inexistência de prova material na presente autuação, notadamente porque os órgãos de arrecadação e fiscalização dos entes politicos encontram-se amplamente informatizados, possibilitando-Mes o cruzamento de informações, por eles acessáveis em face da obrigatoriedade das instituições financeiras, dentre outros, utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas efinanceiras, escriturar livros e elaborar documentas de natureza contábil ou fiscal e manter a disposição da SRI' os respectivos arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial previsto na legislação. Essas informações permitem o monitoramento, por parte da Receita Federal, de todas as operações do contribuinte, de sorte que uma averiguação de omissão de rendimento não pode se ater a uma relação de nomes produzida em pais estrangeiro e desprovida de comprovação documental, quanto à efetiva movimentação por parte do agente e quanto ao efetivo proveito dos valores; - O laudo do exame económico-financeiro elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalistica do Departamento de Policia Federal informa a existência de documentos comprobatários das movimentações financeiras. Entretanto, nenhuma ordem de pagamento é apresentada na autuação e não poderia ser diferente, pois não realizou referida transação; - A autuação foi imposta com base em mera presunção, desprovida de qualquer indicio de materialidade. A presunção representa lima prova indireta, partindo-se de fatos secundários, indiciários, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido. No presente caso, o instituto,'da presunção não socorre o auto de infração, uma vez que o fato conhecido (movimentação de valores em conta que figura o set . nome) não tent o condão de atribuir:lhe. a P. rOPriedade dos valores' - A figuração de seu nome na relação fornecida por autoridade estrangeira representa o marco inicial de investigação, pois subjacente a essa indicação pode advir, por exemplo, uma atividade comercial indevidamente exercida em seu nome ou mesmo realizada sob um codinome, artificio usualmente utilizado nesse tipo de atividade clandestina. Assim, se os documentos acostados aos autos representam o marco inicial da investigação, eles não podem se constituir em . fato sólido, passível de Ristentar uma autuação baseada em presunção, pois isso implicaria na transferencia integral do encargo probatório para o contribuinte, o que implica na impossibilidade de produzir prove; - A presunção legal criada pela Lei n° 9.430, de 1996, art 42 (alterado pelo art. 40 da Lei n° 9.481, de 1997, e art. 58 da Lei n° 10,637, de 2002) exige a correlação segura e direta entre o fato indiciário e o fato provável, sendo imprescindível que não haja qualquer thivida na materialização dessa correlação; - A constituição do crédito tributário pelo lançamento deve se dar nos estritos termos dos artigos 3° e 142 do. Código Tributário Nacional (CTN); - Inexiste a evidência do intuito de fiaudar o Fisco, razão pela qual não se cogita no agravamento da multa; - Os autos de infração reflexos do PIS, da Cofias e da CSLL sap insubsistentes, pois estão lastreados na presunção de que houve uma operação em moeda estrangeira, não comprovada,' - 0 PIS e a cofias são despesas operacionais para as quais aplica-se o art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995, c/c art 2° da Lei n° 7.689, de 1988. Assim, tais contribuições decorrentes da constatação de omissão de receitas podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e CSLL que integram as exigências desse processo, entendimento que é reforçado pela revogação do tratamento diferenciado da receita omitida, que havia sido instituído pelo art. 43 da Lei n° 8.541, de 1992. - 0 Tonto de Verificação e de Constatação Fiscal relativa ao IPI é impreciso, o que traz sérios óbices, notadamente no que concerne ao cerceamento de sua defesa, posto que não consta no auto de infração a motivação pare a autuação; Quer parecer que o Sr. Auditor Fiscal arbitrou a multa relativa ao IPI, mediante o cálculo de 5% sobre o valor da remessa ao exterior, atribuida a ela, o que é inaceitável; - Não há indicação da infração que lhe é imputada, o que cerceia o seu direito de defesa. Se a imputação é relativa remessa de valores, a mesma não pode prevalecer; posto que inexiste previsão legal pare imputar o recolhimento de 1Ff em pseudo remessas realizadas ao exterior; - Por conseqüência, não se há de admitir a prevalência da autuação também no que concerne ao IPI, cuja imputação fica EXPRESSAMENTE IMPUGNADA, notadamente porque pautada em mera presunção de haver ocorrido falta de lançamento daquele imposto, "caracterizada pela saída do estabelecimento sem emissão de nota fiscal, apurada através de receita de origem não comprovada"; Processo n° 10932 000943/2007-50 81-TE02 Acórdão n° 1802-00,713 Fl 321 - Em julgado proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade nO 1.521, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que somente é permitida a representação fiscal para .fins penais depois de transitado em julgado o processo administrativo. Referida decisão afigura-se mais do que justa e equilibrada, posto que somente depois de constituído de modo definitivo o tributo devido é que se poderá iniciar (ou prosseguir) o processo criminal. E uma questão de coerência e de segurança jurídicas; - O processo administrativo-fiscal em que se discute a existência ou a exigibilidade ou mesmo a con.stitucionalidade de crédito tributário é questão prejudicial ao processo penal que trate de crime tributário em sentido estrito (Lei n° 8.137, de 1990, art. 1°), implicando a suspensão do mesmo; Em face do exposto, requer que o auto de infração seja julgado insubsistente, com o provimento da presente impugnação. Como mencionado, a DRJ em Ribeirao Preto/SP considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusbes com a seguinte ementa: ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador 30/06/2003 REMESSAS DE RECURSOS EFETUADAS AO EXTERIOR. PROVAS CONSTANTES DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ENVIADOS LEGALMENTE PARA 0 BRASIL Os dados constantes de arquivos magnéticos e documentos, legalmente enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Policia Federal, fazem prova de que o interessado efetuou remessa de recursos não contabilizados ao exterior, por meio de subcontas (objeto de investigações por parte tanto da Policia Federal como do Ministério Público Federal), mantidas ou administradas por instituição bancária ou ,financeira americana. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTO. Caracteriza-se como omissão no registro de receitas, ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a falta de escrituração de pagamento ou remessa efetuada pela pessoa jurídica ao exterior, que regulamente intimada, não informou a natureza da operação que o motivou. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUTIBILIDADE. PIS CORNS... A dedutibihdade dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do lucro real, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores dos tributos e contribuições- lançados de oficio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 CERCEAMENTO DE DEFESA Descabe falar-se em cerceamento do direito de defesa quando não comprovado o prejuízo a contribuinte LANÇAMENTOS REFLEXOSPIS. CONNS. CSLL. IRRE IPI. O decidido quanto ao lançamento do IRP.1 deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relagdO que os vincula. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IN Data do fato gerador; 10/06/2003 LANÇAMENTO DE OFICIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRRI, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os conseckitios legais. ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Data do fato gerador 05/06/2003 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeita-se à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, aliquota de 359/4 todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identilicado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a fraude ao Fisco, torna-se aplicável a multa no percentual de 150% Lançamento Procedente Inconformada corn essa decisão, da qual tomou ciência em 25/03/2009, a Contribuinte apresentou em 07/04/2009 o recurso voluntário de fls. 275 a 290, onde reitera os mesmos argumentos da primeira peça de defesa apresentada na fase de impugnação (fis. 135 a 166), conforme descrito nos parágrafos anteriores. Não houve, contudo, apresentação de um recurso voluntário apartado, especificamente para tratar do IN, como ocorreu na primeira instância, Processo ri° 10932 000943/2007-50 S1-TE02 Acórdão n ° 1802-00.713 Fl 322 Este é o Relatório. Voto Conselheiro Jose de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator 0 recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, trata-se de exigência de IRPJ e reflexos (incluindo IPI) fimdada em omissão de receita apurada por presunção legal, a partir de pagamento realizado A margem da escrituração. A base das autuações é uma ordem de pagamento realizado no exterior em 05/06/2003, no valor de US$ 35.847,05, que foi imputada a Recorrente. Esse mesmo fato deu causa também à exigência de IR fonte, por pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. As autuações que decorreram da CPMI do Banestado, como esta ora examinada, tiveram ao longo do tempo resultados variados, principalmente pela força dos elementos de prova, que variavam em cada caso concreto submetido a julgamento. Para ilustrar estes diversos encaminhamentos, faço menção a dois julgados da Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: Processo n° 16327.000790/2007-65 Recurso n° 166.481 Voluntário Matéria IRPJ E OUTROS - Ex(s); 2003 Acórdão n° 108-09.823 Sessão de 04 de fevereiro de 2009 (-) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário 2002 OMISSÃO DE RECEITAS - PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS - PRESUNÇÃO LEGAL Pagamentos não escriturados correspondentes a remessas ao exterior autorizam a presunção legal de omissão de receitas prevista no art, 40 da Lei n° 9,430/96. E ônus do sujeito passivo a prova da improcedência da presunção - As infraçaes caracterizadas como pagamentos a beneficiários não identificados ou operag5es sem causas devem se adequar de nianeira determinada ao tipo legal que as subsume, previsto no art. 61 da Lei n° 8,981/95. Após a reforma do Processo Administrativo Fiscal da União, empreendido pela Lei n° 8.748/1993, que apartou as competências de autoridade 12 Processo e 10932.000943/2007-50 S 1 -TE02 Fl 323 Acórdão n ° 1802-00.713 julgadora e de autoridade lançadora, antes cumulativas, o lançamento tributário passou a ser de competência exclusiva da autoridade lançadora, sendo defeso à autoridade julgadora modificar, inovar ou aperfeiçoar o lançamento tributário em seus aspectos /áticos e jurídicos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte, Voto Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator, Com base no histórico acima apresentado, verifica-se que as informações acima veiculadas não foram produzidas estritamente no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil— RF.B. Conforme corroborado pela documentação que instrui os autos, as conclusões contidas no relatório acima transcrito originaram-se dos Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalistica - embasados nas mídias' eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, para a investiga cão da regularidade das remessas de recursos para o exterior, assim como dos recebimentos efetuados naquelas contas correntes. De posse da documentação acima, a Coordenação Geral de Fiscalização da Secretaria da Receita Federal - SRF expediu a Representação Fiscal n° 2568/05 «ls.42/47 à 8" Regido Fiscal, tendo em conta a identifica geio de operações, no ano calendário 2002, nas quais a contribuinte (..) aparece como ordenante de remessas de divisas, por meio de contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova Iorque por Beacon Hill Service Corporation — BHSC (conta ROLLING HILLS). cumpre destacar que a prova do Fisco acerca da titularidade das remessas e das transferencias de recursos no exterior, efetuadas mediante a utilização da denominação social da empresa não pode ser classificada como indiciciria. Trata-se de informação obtida em documentação fornecida no âmbito de procedimento mais amplo de investigação acerca das irregularidades verificadas nas contas correntes CC-5, mantidas na agencia do Banestado em Nova Iorque, Contrariamente ao alegado, considera-se devidamente estabelecido pelo Fisco o nexo causal entre as movimentações financeiras e a participa cão da empresa, estando devidamente provada a efetividade dos pagamentos e dos depósitos nas contas mantidas no exterior, Em relação à observação de que o ordenante não constitui necessariamente o remetente original no Laudo n.° 1.226/04, registre-se que o próprio laudo define o ordenante como aquele 13 que determinou a ordem de pagamento. As transferências relacionadas na Representação Fiscal, 11.43/47, identificam como ORDER CUSTOMER a contribuinte precedida do prefixo B/0, que significa por ordem de. Assim, mesmo se a contribuinte não efetuou a transação diretamente o fez por ordem expressa, conforme atestam as transferências relacionadas. A vista destes fundamentos mantenho a exigência do IRPJ e, por decorrência, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. EXIGÊNCIA DE JRRF Ao contrário do que ocorre COnz IRPJ cuja exigência encontrou respaldo em presunção legal de omissão de receita, quando restou configurada perfeita subsunçâo dos fatos à norma, nas hipóteses do art. 61 da Lei n° 8..981/95 não se admite nenhuma forma de presunção, devendo o fisco provar os fatos e determinar em qual das hipóteses de incidência enquadrar-se- iam os aventados pagamentos. Aqui, segundo penso, houve insuficiência na caracterização da infração, pois não restou demonstrada a subsunção dos .fatos a norma, tendo havido imprecisão na descrição dos fatos, tendo o fisco trabalhado com as três hipóteses de incidência, conjuntamente, como se o art. 61 da Lei n° 8.981/95 tratasse de apenas uma hipótese de incidência, como se vê na descrição dos fatos no auto de infração do IRRF, cujo enquadramento legal, as fls. 195, mencionou apenas o art. 674 do RIR199, sem distinguir entre as disposições do caput e as de seu 5s" I", dispositivo regulamentar que tem por matriz legal o art. 61 da Lei n° 8981/95. Outro fundamento está em que se o fisco valeu-se, dentre outros-, dos documentos de fIs. 70 a 85, boletos assinados pela representante da Beacon Hill Service Corporation, no Brasil, como prova dos pagamentos efetuados pela autuada e não escriturados, de modo a aplicar a presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 40 da Lei n° 9.430/96, deve também considerar os beneficiários neles indicados, bem como a operação neles referenciadas "para crédito de", ao passo que a causa dos pagamentos não poderia ser presumida, se existente ou não, visto que o fisco não tem como averiguá-las por se tratar de operações realizadas no exterior. Destarte, não demonstrada na autuação a precisa subsungão dos fatos descritos à norma legal aplicável dou provimento ao recurso voluntário, neste item para exonerar a exigência do Processo n° 10932.000943/2007-50 S 1 -TE02 Acórdão n ° 1802-00.713 Fl 324 Conclusão diversa foi manifestada no julgamento do Recurso n° 150.465, proferido pela mesma Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: Processo n° 10680.015516/2004-32 Recurso n° 150.465 Voluntário Matéria IRPJ E OUTROS Ex.: 2000 Acórdão n° 108-09.669 Sessão de 13 de agosto de 2008 (...) Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício, 2000 LANÇAMENTO - FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - A atividade da fiscalização deve ser exercida sempre que se tratar de possibilidade de lesão ao erário, por forgo de descunrprimento das regras tributhrias, A aplicação de presunções, todavia, somente pode ser realizada na hipótese em que houver prova contundente dos indícios que cumpram os requisitos de gravidade, precisão e concordância, passando, então a caracterizarem-se corno verdadeiros elementos pro bantes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Em razão da estreita relação de causa e efeito existente entre o lançamento principal e os decorrentes, uma vez cancelada imposição no processo matriz, igual medida impõe-se aos demais, Recurso Voluntário Provido , ACORDAM os Membros da OITAVA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO de CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Voto Conselheira KAREMJUREIDINI DIAS, Relatora Neste passo, no tocante à sujeição passiva, também entendo não haver indicias suficientes que a autorizem para o ora Recorrente, por falta de provas de que as remessas ao exterior tenham sido realizadas pelo Recorrente ou sejam em seu 15 beneficio. Isto porque, nos documentos trazidos aos autos em que aparece o nome (...) ora como ordenante, ora como beneficiário, não há dados suficientes afim de comprovar que se trata do Recorrente, tal como CNPJ, endereço, etc. Tampouco existem, como em outros casos decorrentes da mestizo operação .fiscal relativa à empresa Beacon Hill Service Corporation, outras provas contundentes (por exempla, ficha de abertura de conta assinada pelo contribuinte, entre outras). Ainda, conforme conclusão do laudo pericial as fls. 138, ficou evidenciado que o "cliente" que determinou a ordem de pagamento ("order customer') não é necessariamente o remetente original. De mais a mais, poderia a empresa Beacon Hill Service Corp ter apresentado como remetente qualquer pessoa que constasse de seus cadastros ou cujo nome conhecesse. (..) No presente caso, entendo que os indícios não foram comprovados a fim de que se pudesse realizar. um raciocínio presuntivo capaz de se determinar um fato presumido grave, preciso e concordante, ou seja, pelos documentos apresentados, não é possível se fazer a relação entre o indicio e o fato presumido, Conforme mencionado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 32): "Registre-se, também, que nas operações listadas na referida Representação Fiscal, o contribuinte por vezes, em duas ou três situações consideradas, a saber; ordenante, remetente e beneficiário, sendo certo que 6, pelo menos, ordenante em todas elas, fato caracterizado pelo oposição da abreviatura "B/O" (By Order) em algum campo do documento," Ocorre que para comprovar o alegado, os documentos juntados correspondem apenas a..• I-) Laudo de exame econômico-financeiro que tem por objeto radios computacionais relativas a contas e subcontas que a Beacon Hill administrava junto ao JP Morgan Chase Bank em Nova York Neste passo, conforme se verifica do item 23 do Laudo do Instituto Nacional de Criminalistica «Is. 138), nos registros das ordens de pagamento, especificamente no campo "order customer", o "cliente" que determinou a ordem de pagamento não constitui, necessariamente, o remetente 2-) Transcrição pela equipe de fiscalização, das opera cães em que o contribuinte identificado aparece como beneficiário, ordenante ou remetente de divisas, sendo, inclusive, incerta a posição que este eventualmente adotava. 3) Cópias de supostas ordens de pagamento autenticada pelo consulado geral do Brasil, mas que não possui assinatura do contribuinte ou comprovação de que foi o dinheiro remetido de sua conta, tampouco evidencia a procedência do fax enviado, Enfim, não há provas da autoria efetiva na remessa, tampouco prova contundente de que o Recorrente foi o beneficiário dos recursos. 16 Processo n° 10932.000943/2007-50 81-TE02 Acórdão n.' 1802-90.713 Fl. 325 Se não há provas de que o Recorrente procedeu às remessas, também impossível acusá-lo de efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Ademais, nos termos do artigo 112, inciso III do Código Tributário . Nacional, tem-se que, em caso de dúvida quanto autoria, interpreta-se a lei tributária, que define infrações, de maneira mais favorável ao acusado, razão pela qual considero, também, que não restou comprovada a sujeição passiva do Recorrente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, A grande questão destas autuações é que, tratando-se de lançamento pela presunção legal contida no art. 40 da Lei 9.430/1996, não pode haver dúvidas sobre o fato indiciário, ou seja, sobre o fato base em que se ampara a presunção de omissão de receita, no caso, a efetiva ocorrência de pagamento efetuado pela autuada à margem da escrituração. Esta, inclusive, já era uma preocupação da própria Coordenação Geral de Fiscalização da Receita Federal, quando, por meio do Memorando-Circular Cofis/GAB 2004/0652 (fls. 60 a 64), transmitiu as seguintes orientações para as unidades da Receita Federal, relativamente h condução dos procedimentos fiscais relacionados ao caso "Beacon Hill": Dos documentos anexados as representações fiscais 14. As representações fiscais encaminhadas para as Regiões Fiscais serão instruida,s com os seguintes documentos, os quais deverão ser juntados, no caso de instrução processual, àqueles mencionados no item 20 deste memorando: • Laudo Pericial Federal elaborado para cada conta/subconta onde foram localizadas transações; • Relação/transcrição das operações em que o contribuinte identificado aparece como Beneficiário, Ordenante e/ou Remetente de divisas através das contailsubcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova York por BHSC - Beacon Hill Service Corporation, independente de documentação em papel; • Cópias de ordens de pagamentos relacionadas aos contribuintes elencados, quando coletadas/disponibilizadas, referentes às operações acima descritas. Todavia, quanto ao caso concreto, observo que não foram juntadas aos autos cópia do Laudo Pericial Federal que tratou especificamente da operação em questão. Também não consta do processo a cópia da ordem de pagamento que deu causa às autuações. O Calico elemento de prova que trata do fato que ensejou a tributação é um documento elaborado pela própria Receita Federal, As fls. 66 a 68, e onde o nome da Recorrente não aparece nem como ordenante, nem como beneficiária da operação financeira realizada no exterior. Com efeito, o ordenante foi a empresa Antalux Corp. SA., e o beneficiário indicado é a empresa Ningbo Tailian International Trade. O nome da Recorrente aparece apenas num campo destinado a canter "instruções/observações do ordenante ao beneficiário", de modo que, a meu ver, o lançamento careceu de outras verificações complementares por parte da Fiscalização, para que restasse comprovada a efetiva autoria do pagamento feito no exterior. Alem de não constar outros dados que pudessem apontar para a indigitada ordenante Master Pamps, como CNPJ, endereço, nome de um sócio-gerente, de um funcionário etc., também não há qualquer informação sobre o beneficiário do pagamento, de modo que pudesse caracterizá-lo como um fornecedor da autuada, ou que pudesse vinculá-los de algum outro modo, vinculo esse que poderia justificar e ao mesmo tempo comprovar a realização do referido pagamento pela Recorrente. Mas não há nenhum elemento adicional nesse sentido, de modo que não restou cabalmente comprovado o fhto que daria amparo a presunção de omissão de receita, pelo que devem ser canceladas as exigências a titulo de IRPJ e demais tributos reflexos. Não restando comprovado o pagamento, também não pode subsistir o IR- fonte por pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Em relação ao IPI, cuja caracterização exige mais que o IRPJ e contribuições, posto que não basta qualquer receita para a incidência deste imposto, mas uma receita auferida com a saida de produto industrializado, vale ressaltar que embora a Recorrente tenha deixado de tratar destas questões especificas em sede recursal, ela continuou atacando o fato base de todas as autuações envolvendo o IRPJ e seus reflexos (inclusive o IPI), na parte referente a omissão de receita. Assim, também não pode subsistir a exigência do IPI. Ressalte-se que uma vez descaracterizada a omissão de receita, as demais questões especificas relativas ao IPI, ainda que tivessem sido devolvidas para apreciação em segunda instância, estariam prejudicadas, posto que a própria omissão de receitas não subsistiu. Diante destas considerações, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. :ose de Oliveira Feiraz Correa 18 CLAUD Presidente da MIR a Camara d AQU S RODRIGUES Primeira Seção de Julgamento MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 10932.000943/2007-50 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art, 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial if 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 28 de janeiro de 2011 Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ 1 apenas com ciência; [ 1 com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração.
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Numero do processo: 13888.003808/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento e solicitou apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento e solicitou apresentar declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 38 08 /2 00 7- 37 Fl. 1074DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301003.484, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de notificação fiscal, DEBCAD 37.108.0568, referente ao período de 02/1999 a 06/2005, lavrada por falta de recolhimento de contribuições sociais retidas sobre as notas fiscais de pagamento de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra prestados por empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), conforme consta no relatório fiscal, de fls. 538/550. A empresa impugnou o lançamento tempestivamente, às fls. 556/604. Às fls. 945/963, a primeira instância administrativa, 9ª Turma da DRJ/POR, julgou procedente em parte o lançamento. O Contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 975/1005, alegando, em síntese: a) preliminarmente, a decadência do lançamento tributário do período de 02/1999 a 09/2002, conforme a Súmula Vinculante 08 do Supremo, aplicandose o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN); b) no mérito, requereu a declaração de inexistência de débito fiscal, pois a empresa é optante pelo SIMPLES, sendo obrigada a recolher um percentual único mensal sobre a receita bruta auferida, em substituição, entre outras, da própria contribuição sobre folha de salário. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1016/1025, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2005 Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 13888.003808/200737 Acórdão n.º 9202005.274 CSRFT2 Fl. 10 3 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CESSÃO DE MÃODEOBRA. NOTAS FISCAIS. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. RETENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/91, aplicandose, portanto, as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplica se a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, diante do comprovado pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Em cessão de mãodeobra, a retenção da contribuição para a seguridade social pelo tomador de serviço não se aplica às empresas optantes pelo Simples. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Às fls. 1032/1043, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à regra aplicável à multa mais benéfica ao contribuinte. Os acórdãos paradigmas entenderam que, em hipóteses como a dos presentes autos, em que se trata de lançamento por descumprimento de obrigação principal, devese comparar a multa prevista na sistemática antiga (art. 35, II, da norma revogada) com a multa indicada no novo art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). A multa de mora prevista no novo art. 35 da Lei n. 8.212/91 não deve ser levada em considerado porque trata do pagamento em atraso que crédito que ainda não foi objeto de autuação. Mas, para a Turma recorrida, tratandose de cobrança de multa por descumprimento de obrigação principal, a comparação deve ser feita entre as penalidades previstas no revogado art. 35, II, e no novo art. 35, ambos da Lei n. 8.212/91. Às fls. 1045/1047, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre o cálculo da multa. O Contribuinte foi devidamente citado às fls. 1050, apresentando Contrarrazões às fls. 1052/1065, alegando, preliminarmente, que o acórdão paradigma nº 230100.283 não se presta para a demonstração da divergência, uma vez que foi proferido pela mesma Turma Julgadora que prolatou o acórdão recorrido, já tendo sido desconsiderado no Exame de Admissibilidade. Já o segundo paradigma nº 920202.086 igualmente não serve, tendo em vista possuir fundamentação fática distinta à do presente caso, pois: o acórdão paradigma foi proferido em processo administrativo decorrente de notificação fiscal de lançamento de débito lavrado exclusivamente para a cobrança de multa de ofício por descumprimento de obrigação acessória; no caso dos autos, contudo, a notificação fiscal de lançamento de débito foi lavrada em decorrência da falta de recolhimento de débitos de contribuição previdenciária, os quais foram acrescidos de multa moratória. Argumentando ainda sobre a preliminar, inclusive, por se tratar de infrações diversas, possuem capitulação legal da penalidade aplicável distinta. Enquanto a discussão trazida pelo recurso especial diz respeito à aplicação da multa de ofício, originalmente prevista no art. 32, §§ 4º e 5º da Lei 8.212/91, no caso ora analisado, a penalidade originalmente aplicada estava prevista no art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91. No mérito, reforçou os argumentos utilizados pela Turma a quo. Fl. 1076DF CARF MF 4 Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO Em sede de contrarrazões o Contribuinte aduz que o Recurso Especial manejado pela Procuradoria não pode ser conhecido, pois o primeiro acórdão paradigma não foi aceito no juízo de admissibilidade e o segundo, igualmente não serve, tendo em vista possuir fundamentação fática distinta à do presente caso, pois: o acórdão paradigma foi proferido em processo administrativo decorrente de notificação fiscal de lançamento de débito lavrado exclusivamente para a cobrança de multa de ofício por descumprimento de obrigação acessória; no caso dos autos, contudo, a notificação fiscal de lançamento de débito foi lavrada em decorrência da falta de recolhimento de débitos de contribuição previdenciária, os quais foram acrescidos de multa moratória. Argumentando ainda sobre a preliminar, a parte recorrida, podenra ainda pelo não conhecimento, visto tratarse de infrações diversas, possuem capitulação legal da penalidade aplicável distinta. Enquanto a discussão trazida pelo recurso especial diz respeito à aplicação da multa de ofício, originalmente prevista no art. 32, §§ 4º e 5º da Lei 8.212/91, no caso ora analisado, a penalidade originalmente aplicada estava prevista no art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91. Compulsando o Exame de admissibilidade, observo que as diferenças de conteúdo fático são meramente acidentais, sendo que a questão central do debate, e essencial, é a tese jurídica de aplicação da multa de acordo com a Retroatividade Benigna. A divergência nitidamente fica por conta da aplicação e interpretação da legislação ordinária no que compete ser e como aplicar a Retroatividade Benigna prevista no CTN. Observo que no caso em tela o Recurso da Procuradoria logrou êxito em comprovas os requisitos exigidos no Regimento Interno deste Tribunal Administrativo. Sendo assim, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. DO MÉRITO Tratase de notificação fiscal, DEBCAD 37.108.0568, referente ao período de 02/1999 a 06/2005, lavrada por falta de recolhimento de contribuições sociais retidas sobre as notas fiscais de pagamento de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra prestados por empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), conforme consta no relatório fiscal, de fls. 538/550. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial sobre o cálculo da multa. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 13888.003808/200737 Acórdão n.º 9202005.274 CSRFT2 Fl. 11 5 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações Fl. 1078DF CARF MF 6 acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 13888.003808/200737 Acórdão n.º 9202005.274 CSRFT2 Fl. 12 7 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Fl. 1080DF CARF MF 8 Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 13888.003808/200737 Acórdão n.º 9202005.274 CSRFT2 Fl. 13 9 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 1082DF CARF MF 10 § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 13888.003808/200737 Acórdão n.º 9202005.274 CSRFT2 Fl. 14 11 no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1084DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720174/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.803
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 74 /2 01 1- 41 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10120.720174/201141 Acórdão n.º 3302003.803 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.318. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10120.720174/201141 Acórdão n.º 3302003.803 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10120.720174/201141 Acórdão n.º 3302003.803 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10120.720174/201141 Acórdão n.º 3302003.803 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10120.720174/201141 Acórdão n.º 3302003.803 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 239DF CARF MF
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