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Numero do processo: 19515.004682/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
-DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - RUBRICAS NÃO CONSIDERADAS COMO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO - SÚMULA 99 DO CARF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
De acordo com a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
VEICULO FORNECIDO AOS EMPREGADOS - UTILIZAÇÃO PARA O TRABALHO - VEÍCULO É UTILIZADO NOS FINS DE SEMANA - NÃO ALTERAÇÃO DE SUA DESTINAÇÃO BASE - PARA O TRABALHO
Entendo que a possibilidade de utilização de carro destinado a prestação de serviços nos fins de semana, não caracteriza benefício indireto ao empregado, conforme vem-se encaminhando a próprio doutrina trabalhista e a jurisprudência o TST ao teor da súmula º 367.
SEGURO DE AUTOMÓVEL UTILIZADO PARA O TRABALHO - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO
O pagamento parcial de seguro de automóvel, necessário para o empregado desempenhar suas atividades, tem sua natureza voltada para o trabalho, não havendo como dividir ou considerar que parcialmente constituiria salário de contribuição.
PLR - NÃO ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO - DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000
não assiste razão ao recorrente ser desnecessária o arquivamento no sindicato, razão pela qual ao descumprir o § 2 do art. 2 da lei 8212/2000, razão pela qual procedente o lançamento em relação a esse fato gerador.
Numero da decisão: 2401-003.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) rejeitar as preliminares de nulidade, b) excluir do lançamento os fatos geradores até 10/2004, face a aplicação da decadência qüinqüenal. II) no mérito, dar provimento parcial aos recursos para excluir os levantamentos: a) alimentação fornecida in natura - levantamentos ALM e Z2; b) veículos à disposição de funcionários e dirigentes levantamentos VEI e Z8; c) levantamento SEV seguros. III) por maioria de votos, negar provimento ao recurso para o levantamento PLR, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 -DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - RUBRICAS NÃO CONSIDERADAS COMO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO - SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica. Recurso Voluntário Provido em Parte VEICULO FORNECIDO AOS EMPREGADOS - UTILIZAÇÃO PARA O TRABALHO - VEÍCULO É UTILIZADO NOS FINS DE SEMANA - NÃO ALTERAÇÃO DE SUA DESTINAÇÃO BASE - PARA O TRABALHO Entendo que a possibilidade de utilização de carro destinado a prestação de serviços nos fins de semana, não caracteriza benefício indireto ao empregado, conforme vem-se encaminhando a próprio doutrina trabalhista e a jurisprudência o TST ao teor da súmula º 367. SEGURO DE AUTOMÓVEL UTILIZADO PARA O TRABALHO - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO O pagamento parcial de seguro de automóvel, necessário para o empregado desempenhar suas atividades, tem sua natureza voltada para o trabalho, não havendo como dividir ou considerar que parcialmente constituiria salário de contribuição. PLR - NÃO ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO - DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 não assiste razão ao recorrente ser desnecessária o arquivamento no sindicato, razão pela qual ao descumprir o § 2 do art. 2 da lei 8212/2000, razão pela qual procedente o lançamento em relação a esse fato gerador.
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FINANCIAMENTO DE VEÍCULO VALOR DA PARCELA PAGA PELA EMPRESA BENEFÍCIO INDIRETO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Ao não apenas financiar o veículo, mas arcar com parte de financiamento, para que o bem seja agregado ao patrimônio do empregado, apenas demonstra a concessão de um benefício indireto, que o empregado teria que arcar para usufruir. Assim, não entendo, mesmo que o carro seja utilizado em serviço, que o citado benéfico enquadrase em uma das modalidades acima destacadas. VEICULO FORNECIDO AOS EMPREGADOS UTILIZAÇÃO PARA O TRABALHO VEÍCULO É UTILIZADO NOS FINS DE SEMANA NÃO ALTERAÇÃO DE SUA DESTINAÇÃO BASE “PARA O TRABALHO” Entendo que a possibilidade de utilização de carro destinado a prestação de serviços nos fins de semana, não caracteriza benefício indireto ao empregado, conforme vemse encaminhando a próprio doutrina trabalhista e a jurisprudência o TST ao teor da súmula º 367. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 82 /2 00 9- 02 Fl. 882DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 SEGURO DE AUTOMÓVEL UTILIZADO PARA O TRABALHO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO O pagamento parcial de seguro de automóvel, necessário para o empregado desempenhar suas atividades, tem sua natureza voltada para o trabalho, não havendo como dividir ou considerar que parcialmente constituiria salário de contribuição. PLR NÃO ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 não assiste razão ao recorrente ser desnecessária o arquivamento no sindicato, razão pela qual ao descumprir o § 2 do art. 2 da lei 8212/2000, razão pela qual procedente o lançamento em relação a esse fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL RUBRICAS NÃO CONSIDERADAS COMO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. De acordo com a Súmula CARF nº 99: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) rejeitar as preliminares de nulidade, b) excluir do lançamento os fatos geradores até 10/2004, face a aplicação da decadência qüinqüenal. II) no mérito, dar provimento parcial aos recursos para excluir os levantamentos: a) alimentação fornecida in natura levantamentos ALM e Z2; b) veículos à disposição de funcionários e dirigentes levantamentos VEI e Z8; c) levantamento SEV seguros. III) por maioria de votos, negar provimento ao recurso para o levantamento PLR, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela ROCHE DISGNÓSTICA BRASIL LTDA. aos seus empregados, no período de 01/2004 a 12/2004, conforme abaixo especificado: (1) AI DEBCAD n.º 37.192.2534, Processo n. 19515.004682/200902, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme consta do relatório fiscal fls. 220, considerados como base de cálculo das contribuições patronais, os montantes pagos a Prestadores De Serviço Pessoas Físicas e as diferenças de salário entre valores declarados em Folhas de Pagamento, GFIP e DIRF e rubricas elencadas abaixo. (2) AI DEBCAD n.º 37.192.2607, fl. 762, Processo n. 19515.004681/200950, referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria. (3) AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 497, Processo n. 19515.004677/200991 referente a parcela destinada a terceiros. Ainda conforme consta do relatório os seguintes critérios foram adotados para efeito de levantamento: I. Prestação de Serviços de Pessoas Físicas sem Vínculo Empregatício: a. a) Que não foram declaradas em folhas de pagamentos e Gfips. b. b) Os valores de tais pagamentos, identificados, através da análise da Contabilidade, foram levantados sem redução de multa. II. Remunerações a Empregados: a. Consideramos como base de cálculo a diferença entre os valores obtidos através do arquivo digital da GFIP e os valores declarados em DIRF, não justificados pelo contribuinte, bem como rubricas definidas pelo contribuinte como sem incidência de contribuição, reenquadradas por esta auditoria fiscal e elencadas em 2.3 abaixo. Levantamentos utilizados neste documento de débito: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 4 5 1. LEV: 13S DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO Classificação: Dispensado de declarar em GFIP (c/redução de multa) 2. LEV: ALM AJUDA ALIMENTAÇÃO Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 2.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 2.2. FPAS: 5150 2.3. DO FATO GERADOR 1.1. A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entretanto, para que essa parcela "in natura" não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. 3. LEV: AUD AUTÔNOMOS DECLARADOS EM GFIP Classificação: Declarado em GFIP (c/red. de multa) 3.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 Observação: Tratase de levantamento criado para a correta apropriação dos valores recolhidos. 4. LEV: AUT AUTÔNOMOS NAO DECLARADOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem Redução de multa) 4.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 5. LEV: FIN AJUDA FINANCIAMENTO VEÍCULOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 5.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 1. DO FATO GERADOR 1.1. Algumas empresas disponibilizam para seus funcionários empréstimos para serem amortizados ao longo de certo lapso temporal, sendo esse desconto efetuado em folha de pagamento. 5.2. Entretanto, para que esses valores dos veículos não integrem o saláriodecontribuição, os mesmos devem ser integralmente devolvidos à empresa. Todos os funcionários elegíveis por este instrumento terão direito ao financiamento após três meses de vínculo empregatício. 5.3. A Roche Diagnostica do Brasil Ltda se compromete em amortizar 60% do valor de cada parcela durante os 48 meses do contrato e enquanto existir vínculo empregatício, via desconto em Folha de Pagamento.O veículo será registrado no nome do funcionário com reserva de domínio para Roche Diagnostica Brasil Ltda., até que seja quitado. As parcelas do empréstimo e do reembolso de parte das despesas de depreciação (60% ou 40% do valor do veículo) definido em contrato específico, serão corrigidas a cada 12 meses pela variação do IPCA (em vigor desde 28/04/2004, ou índice oficial equivalente que venha a substituílo). 5.4. Os contratos assinados antes da data acima citada continuarão sendo reajustados pelo índice determinado na época de suas assinaturas (IGPMM/FGV), até o final de sua Fl. 886DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 vigência. O valor do contrato terá como teto máximo o valor financiado, definido neste procedimento e o financiamento será realizado desde que sejam cumpridas, integralmente as condições para firmálo. 5.5. Em caso de roubo ou furto, o novo financiamento permanecerá com a ajuda de custo igual à anterior, 60% de ajuda de custo; 5.6. Segundo e demais financiamentos A partir do segundo financiamento, todos os outros seguirão os mesmos critérios definidos para o primeiro financiamento, sendo que a Roche amortizará 40% do valor de cada parcela. O funcionário somente será ilegível a um novo financiamento desde que sejam cumpridos os prazos previstos para o seu benefício, conforme tabela abaixo: 6. LEV: SEV SEGURO VEÍCULOS FUNCIONÁRIOS: 7. Valores fornecidos a título de seguro do veículo, conforme procedimento da cláusula 5.6 da "Política de Veículos", conta contábil 0041610103; 8. LEV: VEI VEÍCULOS A DISPOSIÇÃO DE DIRIGENTES,. 8.1. Classificação: Não declarado em GFIP (sem Redução de multa) 8.2. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 1. CONTEXTO 1.1. O fornecimento de transporte pela empresa é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e, normalmente, é feito através do fornecimento de valetransporte, que é um benefício social, instituído pela Lei n°. 7.418, de 16/12/1985. Para se desonerar dessa obrigação, algumas empresas proporcionam, por meios próprios ou contratados, o deslocamento de seus trabalhadores, da residência para o trabalho e viceversa. 8.3. Veículo à disposição do empregado: se a empresa fornece veículo ao empregado que desenvolve atividade da empresa, certamente não integra a remuneração, porquanto fornecido para o trabalho. Entretanto, se o veículo é usado também em horários fora do trabalho e finais de semana, o valor correspondente a essa parcela do uso configurase como salário pago sob a forma de utilidade, integrando a remuneração. O cálculo desse valor foi efetuado da seguinte forma: 8.3.1. • Valor contábil do bem: R$ 60.000,00 • Depreciação do bem: 1/60, conforme legislação do IR. 8.3.2. • Valor mensal: 1/60 x R$ 60.000,00 = R$ 1.000,00 • Horas mensais: 30 x 24 = 720 horas • Horas para o trabalho: 10 horas/dia x 22 = 220 horas/mês • Horas pelo trabalho: 720 220 = 500 horas/mês 9. LEV: PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 9.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 LEV: PPR ADIANTAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 9.2. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 DO FATO GERADOR 1.1. A CF, nos termos do art. 7o, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação Fl. 887DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 5 7 nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, ou seja, a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000. 9.3. A Lei n°. 10.101, de 19/12/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, como um instrumento de integração entre o capital e o trabalho e de incentivo à produtividade. 9.4. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há, portanto, necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado, que não é o resultado operacional previsto na DRE. O resultado, conforme previsto na Lei n°. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. 9.5. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei n°. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: 9.5.1. A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: 9.5.2. Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; 9.5.3. Convenção ou acordo coletivo. 9.5.4. Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: 9.5.5. • índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; 9.5.6. • Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. 9.6. Notas 1 : 9.7. O instrumento de acordo celebrado deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 9.8. Esta Auditoria Fiscal concluiu que tanto o PLR quanto o PPRR foram concedidos em desconformidade com a legislação, pois a Roche Diagnostica do Brasil Ltda deixou de arquivar na entidade sindical dos trabalhadores o acordo celebrado. 10. LEV: REM FOPAG TRABALHADORES NORMAL Classificação: Declarado em GFIP (c/red. de multa) 10.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 Observação: Tratase de levantamento criado para a correta apropriação dos valores recolhidos. 11. LEV: REN FOPAG TRABALHADORES NAO DECLARADOS EM GFIP Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) Fl. 888DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 11.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 12. LEV: Z2 TRANSF DO LEV ALM ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 06/2004 a 06/2004 FPAS: 5150 LEV: Z3 TRANSF DO LEV AUT ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 13. FPAS: 5150 LEV: Z5 TRANSF DO LEV FIN ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 06/2004 a 06/2004 FPAS: 5150 14. LEV: Z6 TRANSF DO LEV REM ATE 11/08 Classificação: Declarado em GFIP (até 03/12/2008) 14.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 15. FPAS: 5150 LEV: Z7 TRANSF DO LEV REN ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 16. FPAS: 5150 LEV: Z8 TRANSF DO LEV VEI ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 06/2004 a 06/2004 FPAS: 5150 Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/10/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 10/11/2009 Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, conforme segue: a) AI DEBCAD n.º 37.192.2534, Processo n. 19515.004682/200902, fls. 243 a 281 b) AI DEBCAD n.º 37.192.2607, Processo n. 19515.004681/200950, referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria, fls. 790 c) AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 541 a 578, Processo n. 19515.004680/200913 referente a parcela destinada a terceiros. Foi exarada a Decisão de 1 instância, em relação a cada autuação constante do presente processo, conforme segue: · AI DEBCAD n.º 37.192.2534, Processo n. 19515.004682/200902, fls. 362 e seguintes que deu procedencia parcial do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 DECLARAÇÃO EM GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CRÉDITO JÁ CONSTITUÍDO. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 6 9 A declaração em GFIP antes do início da ação fiscal constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, não sendo cabível o lançamento através de Auto de Infração. Após o advento da MP n.° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/09, que deu nova redação aos artigos 32 e 37 da Lei n° 8.212/91, não é possível o lançamento, através de Auto de Infração, de crédito já constituído por meio de declaração em GFIP antes do início da ação fiscal. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, nas Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP's), e Guias da Previdência Social (GPS), de sua própria elaboração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados, a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente na legislação não integram o salário de contribuição. ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT. Os valores relativos à alimentação fornecida sem a devida inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador integram o saláriodecontribuição das contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O pagamento a segurado empregado de verba a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. VEÍCULOS CEDIDOS À DIRIGENTES. Os encargos de depreciação de veículos fornecidos, pelo trabalho, para dirigentes segurados empregados, representam complementação financeira, integrando a remuneração e o saláriodecontribuição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM ATRASO. DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, de caráter irrelevável, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO CONHECIMENTO. Considerar seá não formulado o pedido de perícia quando a empresa não apresentar os motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Procedente em Parte · AI DEBCAD n.º 37.192.2607, Processo n. 19515.004681/200950referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria, fls. 842 · AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 673 e seguintes, Processo n. 19515.004680/200913 referente a parcela destinada a terceiros. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 7 11 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 424 a , contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: AI DEBCAD n.º 37.253.0079 – Processo n. 19515.004679/200981, fls. 279 a 301: 17. Decadência Parcial do Debito Levantado Diferenças de Fatos Geradores Aplicação do artigo 150, parágrafo 4o , do CTN 18. Da Nulidade Absoluta da Notificação de Débito / \ Afirma que a fiscalização não expõe de maneira clara e precisa coftro foram apurados os valores lançados e a base de cálculo, na medida em que ignorou os documentos apresentados e informações prestadas pela Impugnante. 19. Da Alimentação Fornecida In Natura No presente caso não foi observado que a alimentação in natura fornecida não tem natureza salarial e, portanto, não integra a remuneração para fins de incidência de contribuições previdenciárias, independentemente de inscrição da empresa no programa de alimentação do trabalhador PAT. Ressalta que tal entendimento já foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça há muito tempo. 19.1. Inexistência de Benefício Salarial Do Real Alcance da Expressão "Folha de Salários" Alega que desde a Constituição Federal de 1988 a Impugnante tem recolhido a contribuição à Seguridade Social conforme estipulado no artigo 195, inciso I, agora alterado pela Emenda Constitucional 20/98. Transcreve o dispositivo legal, bem como julgados do Supremo Tribunal Federal, e discorre sobre o conceito de folha de salários. 19.1.1. A Ausência de Inscrição no PAT não Altera a Natureza da Alimentação Fornecida aos Empregados Transcreve o artigo 3 o da Lei n° 6321/76 e observa que a lei declara como não integrativa da remuneração a parcela paga "in natura" nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Tal determinação decorre do fato de que em tais programas a alimentação é paga pelo trabalhador, o trabalhador compra a alimentação fornecida pela empresa. 19.1.2. A Alimentação era Fornecida para Facilitar a Execução do Trabalho Transcreve doutrina e afirma que é totalmente diversa a natureza das utilidades fornecidas pelo empregador para que o empregado possa executar os serviços aos quais se obrigou, e as prestações in natura, substitutivas do salário em dinheiro, concedidas como remuneração pelo trabalho prestado. 20. Da "AjudaFinanciamento" de Veículos Da análise dos fatos e documentos fornecidos pela RECORRENTE, a fiscalização concluiu que os veículos seriam utilizados pelo trabalho (inaplicável, portanto, a regra do artigo 458, parágrafo 2o, da CLT), e não para o trabalho, na medida em que os carros poderiam ser utilizados aos finais de semana pelos empregados. 20.1. Entretanto, a razão de não se efetuar o desconto integral da parcela, devida pelo empregado no financiamento, decorre da necessidade de utilização do veículo do empregado para trabalho, pois os veículos são utilizados para a prestação dos respectivos serviços, de forma que as parcelas não descontadas dos empregados se Fl. 892DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 prestam, exclusivamente, para reembolsar despesas, bem como custear a depreciação inerente da utilização do veículo para o trabalho. 21. Veículos à Disposição de Empregados e Dirigentes Argumenta que longe de ser utilidade, a cessão de veículos pela Defendente tem a simples função de permitir ao empregado a execução de suas atividades profissionais e seu transporte diário no percurso casatrabalhocasa. 21.1. Sua razão é a necessidade do trabalho. Tanto os empregados quanto os executivos necessitam constantemente de se deslocarem entre a empresa e os clientes. 21.2. Por pertencerem à frota da empresa, a utilização dos veículos não é exclusiva do empregado a quem é confiado, mas sim em caráter preferencial, de modo que todos esses veículos, quando não utilizados pelos gerentes ou diretores, servem para o trabalho diário dos funcionários dos diversos setores da empresa. Nos termos do artigo 458, parágrafo 2o, da CLT, não configuram salário utilidade. 22. Do Seguro Automóvel Pago pela Empresa em Relação aos Veículos de Propriedade dos Empregados. Quanto a esse benefício assim argumentou o recorrente: 22.1. A fiscalização alega que sobre os valores pagos a título de seguro automóvel deve haver incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que tais verbas não se encontram dentre aquelas que não integram o salário de contribuição (artigo 28, parágrafo 9o, da Lei n° 8212/91). 22.2. No entanto, a contratação do referido seguro não proporciona nenhum benefício aos empregados, pois o valor da indenização que é paga, em caso de sinistro, decorre de evento incerto, não incrementa o patrimônio do empregado. 22.3. Menciona julgamento do antigo CRPS, e afirma que tanto o CRPS quanto o STJ entendem que não incide contribuição previdenciária sobre verbas decorrentes de seguro. 22.4. Mesmo que o sinistro ocorra, também não haverá benefício ao empregado, pois tal indenização terá claro caráter de simples reposição patrimonial, haja vista que ele receberá o valor correspondente (ou, em muitos casos, muito menor) ao bem móvel que possuía. 23. Conclusão Por todo o exposto, espera que seja acolhida a preliminar de decadência parcial, e, no mérito, seja a presente defesa acolhida também, e que seja julgada insubsistente a autuação. 24. Das Supostas Diferenças de Recolhimento, Declaradas ou não em GFIP, Relativamente a Empregados e Trabalhadores Autônomos " Foram lançados diversos débitos decorrentes de supostas diferenças de recolhimento de contribuições previdenciárias, relativamente a valores declarados e supostamente não declarados em GFIP. 24.1. Contudo, apesar das planilhas anexas que fazem parte do lançamento há no Relatório Fiscal qualquer relato que possibilite à impugnante defenderse das alegações. 24.2. Se a fiscalização alega que eventuais trabalhadores ou valores deveriam constar em GFIP, deve especificar a situação fática de cada lançamento. O mesmo deveria ter sido feito em relação a eventuais valores ou trabalhadores que constaram da GFIP, e, supostamente, tiveram seus respectivos valores não recolhidos em GPS. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 8 13 24.3. Contudo, seja em relação à suposta diferença de pagamentos efetuados a empregados / contribuintes individuais (cujos valores tenham ou não sido declarados em GFIP), seja em relação à suposta diferença de valores que deveriam ter sido recolhidos a título de 13°, a Impugnante junta, neste momento, cópias de suas GFIP's e respectivas GPS, de todo o ano de 2004. 25. Dos Valores Pagos a Título de PLR e Respectivo Adiantamento 25.1. Segundo a fiscalização, os pagamentos feitos a título de "PLR/PPR^ne empresa teriam natureza salarial, pois teriam sido feitos com irregularidade, qual seja, o acora<\ celebrado para pagamento dos respectivos valores não foi arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 25.2. Antes de argumentar sobre a suposta irregularidade, apresenta entendimento do STJ e dos Tribunais Regionais Federais, no sentido de que a PLR paga, independentemente do cumprimento de determinadas formalidades legais, não perde sua natureza não salarial. 25.3. Cita e transcreve jurisprudência, e argumenta que o entendimento firme e pacífico nos tribunais é de que somente o pagamento denominado de PLR, em comprovada fraude de lei, é que deve ser descaracterizado, consistindo fraude uma substituição indevida do salário do empregado por parcelas denominadas de PLR. 25.4. As partes são livres e têm total flexibilidade nas negociações coletivas que tratam da participação nos lucros e resultados, não podendo mero requisito formal sugerido pela Lei n° 10101/2000 servir de fundamento para a desnaturação do pagamento feito pela empresa. 25.5. Da Exigência de Protocolo de Arquivamento do Plano na Entidade Sindical 25.5.1. A fiscalização alega uma absurda formalidade, a de que não foi apresentado protocolo de arquivamento dos acordos no Sindicato, como se este fato pudesse alterar a natureza jurídica da PLR, ou invalidar o negociado e acordado com os empregados. 25.5.2. O fato de a PLR, eventualmente, não possuir protocolo/carimbo do sindicato, não faria com que devesse ser incluída no salário de contribuição, por duas razões: 25.5.3. Ressalta que a PLR sempre foi do conhecimento de todos os empregados, e sua distribuição sempre obedeceu aos parâmetros e critérios fixados no acordo firmado^fa^o não refutado pelo auditor fiscal. * Afirma também que a Constituição não prevê forma específica para a celebração do acordo, e desta forma, a participação do Sindicato não pode ser considerada obrigatória. Transcreve doutrina e jurisprudência. 25.5.4. Por fim, argumenta que constatada eventual irregularidade, o máximo que poderia ser imputado à Impugnante seria uma multa pelo descumprimento da forma estabelecida em lei, mas jamais retirar a natureza jurídica do pagamento, fazendo que sobre ele incidam contribuições previdenciárias. 26. Das Supostas Diferenças de Acréscimos Legais A fiscalização aduziu que a RECORRENTE havia deixado de recolher acréscimos legais (multa de mora e juros pela taxa SELIC), em relação a eventuais valores recolhidos em atraso. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 26.1. Contudo, não há menção sobre este tema no Relatório Fiscal, o que impossibilita que a Impugnante apresente argumentação em contrário. 27. Por todo o exposto, espera que seja acolhida a preliminar de decadência parcial, e, no mérito, seja a presente defesa acolhida também, e que seja julgada insubsistente a autuação. Reprisou os mesmos argumentos em relação ao AI DEBCAD n.º 37.192.260 7, Processo n. 19515.004681/200950, referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria. Reprisou também em relação ao AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 716 e seguintes, Processo n. 19515.004680/200913 referente a parcela destinada a terceiros, os mesmos argumentos da parcela paronal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 9 15 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação constantes nos autos. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DECADÊNCIA Quanto a aplicação do prazo decadencial exponho meu entendimento a respeito do tema, concluindo ao final, o dispositivo legal a ser aplicado ao caso concreto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 896DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciária definindo remuneração como algo global, é no mínimo abrir ao Fl. 897DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 10 17 contribuinte possibilidades de beneficiarse pelo seu “desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa” para sempre escusarse ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (ALIMENTAÇÃO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente porque não houve reconhecimento do fato gerador pelo recorrente e caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poderseia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. Afastase, aqui a aplicação do art, 150, § 4º, pois como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar, chegar antes de; anteceder. Ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laboral. Não há como engajarse em tal raciocínio em relação às contribuições previdenciárias, visto que existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. Sumula n. Contudo, embora, meu entendimento quanto a aplicação da decadência siga os parâmetros acima destacados, deixo de aplicar referido entendimento, tendo em vista posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ao apreciar por diversas vezes a questão dos pagamentos indiretos firma entendimento de que em se tratando de salário indireto o recolhimento de qualquer montante, mesmo que a outro título ou sobre rubrica é suficiente para atender o comando legal de existência de pagamento antecipado, levando, por consequência a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 30/10/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no Fl. 898DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 dia 10/11/2009. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2004 a 12/2004, sendo assim a luz do 150 , § 4º , devem ser excluídos os fatos geradores até a competência 10/2004. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Destacase, em sede de preliminar, que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. A nulidade é declarada, quando viciado ou ilegal o ato praticado, o que não é o caso. Destacase ter o auditor cumprido todos os passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Notese, que as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições, e que não é possível identificar eventuais diferenças não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, cujo como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Ao final do relatório fiscal, ainda constam informações acerca dos relatórios encaminhados ao recorrente, sendo que o mesmo não alega o não recebimento dos mesmos em meio digital, mas tão somente a impossibiladade de apuração dos valores, razão pela qual, entendo que o lançamento encontrase devidamente esclarecido. Isto posto, entendo que realizou o auditor devidamente o lançamento, tendoo fundamentado na legislação que rege a matéria, qual seja: lei 8212/91, Decreto 3.048/99. Superadas as preliminares, passemos a analise do mérito. DO MÉRITO DO LEVANTAMENTO DE FOLHA NORMAL – GFIP Destaque para o fato de que a autoridade julgadora já exclui do lançamento os valores declarados em GFIP e não recolhidos em sua totalidade, tendo em vista constituir confissão de dívida passível de cobrança eletrônica e que à época do lançamento não mais se determinava o lançamento, como ocorria anteriormente. Vejamos trecho da decisão: Ora, da análise conjunta dos artigos 32, parágrafo 2o, e artigo 37, ambos da Lei n° 8212/91, na redação dada pela Lei n.° 11.941, de 27/05/2009, verificase que as informações prestadas por intermédio da GFIP constituem crédito tributário, e que será lavrado Auto de Infração no caso do não recolhimento de contribuições não declaradas em GFIP: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (•••) Fl. 899DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 11 19 § 2" A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). Pelo exposto, deve ser excluído, de ofício, o Levantamento REM, uma vez que a declaração em GFIP constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, nos termos da legislação vigente à época do lançamento. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO E SUAS EXCLUSÕES De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Como parte do lançamento envolve contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais, importante apreciar, primeiramente, o conceito de salário de contribuição em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, aos quais se enquadram os diretores não empregados, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; Quanto a contribuição patronal às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Fl. 900DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; Fl. 901DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 12 21 f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 902DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA – LEVANTAMENTOS ALM e Z2 (conforme fls. 414) Quanto ao mérito toda a argumentação do recorrente fundase em um único ponto:a alimentação in natura, mesmo que fornecida sem adesão ao PAT. Assim, descreveu o auditor: A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entretanto, para que essa parcela "in natura" não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. Conforme mencionado anterior, o art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, assim específica as condições para exclusão do valor da alimentação fornecida ao ao empregado do conceito de salário de contribuição. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 903DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 13 23 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita. Embora tenha a autoridade fiscal seguido a estrita observância legal, que define claramente nos limites da lei 6.321/76, quanto a inscrição da empresa no PAT, convém analisar a questão de forma, um pouco mais aprofundada, inclusive quanto aos atos emanados da Procuradoria da Fazenda Nacional, seguindo o entendimento jurisprudencial a respeito do tema. A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes desses outros pontos. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro Fl. 904DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional CONCLUSÃO: Neste ponto, entendo assiste razão ao recorrente quanto a exclusão da rubrica “alimentação” razão pela qual dou provimento ao recurso. AJUDA FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS – Levantamentos FIN e Z5, fls. 391. Quanto a este benefício entendo que razão não assiste ao recorrente. Entendo que o fornecimento de veiculo de propriedade da empresa, ao empregado para o desempenho de suas atividades realmente se coadnuna com a exclusão prevista na legislação previdenciária , contudo não é o caso que vislumbro no levantamento em questão. Analisando os termos do art. 28, § 9º, vislumbro 3 alíneas quanto ao fornecimento de veículos e transporte: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 905DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 14 25 Ao não apenas financiar o veículo, mas arcar com parte de financiamento, para que o bem seja agregado ao patrimônio do empregado, apenas demonstra a concessão de um benefício indireto, que o empregado teria que arcar para usufruir. Assim, não entendo, mesmo que o carro seja utilizado em serviço, que o citado benéfico enquadrase em uma das modalidades acima destacadas. CONCLUSÃO: quanto ao financiamento de veículo constituir salário de contribuição, entendo que procedente o lançamento, não havendo qualquer reparo a ser feito na decisão proferida. VEÍCULOS A DISPOSIÇÃO DE FUNCIONÁRIOS E DIRIGENTES – Levantamentos VEI e Z8. Quanto a este levantamento assim, destacou a autoridade fiscal: O fornecimento de transporte pela empresa é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e, normalmente, é feito através do fornecimento de valetransporte, que é um benefício social, instituído pela Lei n°. 7.418, de 16/12/1985. Para se desonerar dessa obrigação, algumas empresas proporcionam, por meios próprios ou contratados, o deslocamento de seus trabalhadores, da residência para o trabalho e viceversa. Veículo à disposição do empregado: se a empresa fornece veículo ao empregado que desenvolve atividade da empresa, certamente não integra a remuneração, porquanto fornecido para o trabalho. Entretanto, se o veículo é usado também em horários fora do trabalho e finais de semana, o valor correspondente a essa parcela do uso configurase como salário pago sob a forma de utilidade, integrando a remuneração. O cálculo desse valor foi efetuado da seguinte forma: Concordo com a autoridade fiscal que o fornecimento de veículo da empresa pode ou não ser considerado benefício indireto dependendo do fim a que se destina. Contudo, ao analisar os termos do relatório fica evidente que a base para o fornecimento dos veículos é a utilização em serviço, podendo o empregado permanecer com o mesmo nos fins de semana. É nesse ponto, que entendo que a possibilidade de utilização de carro destinado a prestação de serviços nos fins de semana, não caracteriza benefício indireto ao empregado, conforme vemse encaminhando a próprio doutrina trabalhista. Súmula nº 367 do TST UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) Fl. 906DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 Ou seja, o encaminhamento do TST é que a verba não compõe a remuneração, mesmo nos casos de utilização para atividades particulares, o que entendo se coaduna com o presente levantamento. Observemos que o art. 28, § 9, não é claro ao determinar as verbas excludentes em relação aos veículos, mas podemos, identificar uma questão que entendo abarca a questão ora sob análise, se o ressarcimento das despesas pelo uso de veículo do empregado (...), quando devidamente comprovadas as despesas realizadas, encontramse excluídos e nada dispõe o dispositivo, acerca da necessária utilização exclusiva para o trabalho, mesma interpretação pode ser dado ao presente caso, reforçado esse entendimento pela súmula do TST acima descrita. CONCLUSÃO; entendo que razão assiste ao recorrente quanto ao levantamento fornecimento de veículos da empresa, mesmo que a utilização dêse basicamente para o trabalho, mas o empregado permanece com o veículo nos fins de semana. DO SEGURO DO AUTOMÓVEL DOS EMPREGADOS UTILIZADO PARA O TRABALHO Conforme descrito pela autoridade fiscal: durante a ação fiscal, foi constatado que a empresa pagou valores a título de seguro de veículos aos empregados, conforme item 5.6 da "Política de Veículos", documento juntado às fls. 308/317 pela Impugnante, do qual transcrevemos trecho: 5.6 Seguro do Veículo Os veículos adquiridos por meio deste procedimento serão incluídos na apólice coletiva de seguro mantida pela empresa, sendo esse custo integralmente assumido pela Roche Diagnóstico Brasil Ltda.Ç..) " Interessante observar que o pagamento de seguros para os beneficiários da modalidade 5.2.1 JobCar era adstrita aos trabalhadores que precisavam do carro para desempenhar suas atividades, o que não restou claro na política em relação aos beneficiários da modalidade “Company Car e Benefit Car”. Assim, conforme descrito acima,o seguro davase por meio de apólice coletiva, sendo que a maior parte do lançamento diz respeito a parcela do seguro de automóvel “PARA” o desempenho de seu trabalho. Neste sentido, entendo que os argumentos apontados pelo recorrente para excluir os valores de seguro de automóvel da base de cálculo merecem prosperar. Em primeiro lugar, valhome do fato trazido na própria política, de que realmente os carros eram utilizados para o desempenho do trabalho. Dessa forma, entendo que o fornecimento do seguro do automóvel constitui na sua base um pagamento “para” o desempenho do trabalho. Ressalto que, o fato de existir previsão em acordo ou convenção coletiva de forma alguma afasta a natureza salarial de uma utilidade, devendo para avaliação de sua natureza ser identificado as condições de seu pagamento e se existe disposição legal que autorize dita exclusão. No caso, entendo aplicável para exclusão da parcela do seguro o disposto no art. 28, §9º, “s”, ou seja, o mesmo dispositivo utlizado pela autoridade fiscal, contudo, entendo aplicável o disposto na súmula 365 do TST, já descrita anteriormente: Outro ponto que entendo pertinente e que também leva ao raciocínio da exclusão da base de cálculo é que o seguro de um carro não pode ser feito de forma fracionada, ou seja, não existe a possibilidade de fazer seguro de automóvel apenas para os dias ou mesmo horas em que o empregado trabalha, diferente do ressarcimento de combustível. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 15 27 CONCLUSÃO: entendo que razão assiste ao recorrente para exclusão do levantamento pertinente ao seguro coletivo. DO PAGAMENTO DE PLR EM DESACORDO COM A LEI 10.101/2000 – levantamentos PLR E PPR Quanto a essa imputação, basicamente entende o recorrente que o mero descumprimento de regras não alteram a natureza do PLR considerando os termos da CF/88. Nesse sentido, prepriso os argumentos colacionados: Ressalta que a PLR sempre foi do conhecimento de todos os empregados, e sua distribuição sempre obedeceu aos parâmetros e critérios fixados no acordo firmado^fa^o não refutado pelo auditor fiscal. * Afirma também que a Constituição não prevê forma específica para a celebração do acordo, e desta forma, a participação do Sindicato não pode ser considerada obrigatória. Transcreve doutrina e jurisprudência. Por fim, argumenta que constatada eventual irregularidade, o máximo que poderia ser imputado à Impugnante seria uma multa pelo descumprimento da forma estabelecida em lei, mas jamais retirar a natureza jurídica do pagamento, fazendo que sobre ele incidam contribuições previdenciárias. Contudo, não tenho como me filiar a tese trazida pelo recorrente, razão pela qual entendo que o não arquivamento dos instrumentos de acordo, gera o descumprimento da lei 10.101/2000 e altera a natureza do pagamento, não podendo ser considerado mero descumprimento capaz de ensejar multa. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 908DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 28 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, mesmo que desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adequam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. Porém um ponto, deve ser prontamente enfrentado, posto que seu acatamento dispensaria a apreciação das demais alegações. Trouxe o recorrente: “por força do que dispõe o artigo 7 0, XI da Constituição Federal os pagamentos realizados a título de PLR estão automaticamente excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias” De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma que trata a questão, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Parte dos argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e da hipótese de incidência, O QUE NÃO VENHO A CONCORDAR. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, assim, como já bem disse o julgador de primeira instância devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Fl. 909DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 16 29 SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou Fl. 910DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 30 resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 17 31 Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. Assim , voltase novamente a uma questão nuclear, qual o limite para interpretação dos dispositivos da lei 10.101/2000. Nesse ponto argumenta o recorrente, de que a essência da lei foi cumprida, e que as restrições atribuídas pelo auditor não se sustentam. Ora, não quisesse o legislador estabelecer limites, participação de órgãos protetores dos trabalhadores na negociação, qual seria a necessidade de esmiuçar a legislação de PLR. No caso, se acatássemos o entendimento do recorrente o texto constitucional seria o suficiente, ou no mínimo a lei 10.101/2000, precisaria ter apenas 2 artigos. Data vênia, aos que entendem que o auditor tem levado ao extremo as averiguações do cumprimento da lei 10.101, entendo ser da competência dos órgãos colegiados, justamente corrigir os exageros, ou mesmo as interpretações equivocadas, mas de forma alguma ignorar a existência de dispositivos legais, e de exigência legais para a referida desviNculação, que nada mais são do que reflexos da vontade legislativa acerca das limitações do pagamento de participações nos lucros e resultados. CONCLUSÃO: não assiste razão ao recorrente ser desnecessária o arquivamento no sindicato, razão pela qual ao descumprir o § 2 do art. 2 da lei 8212/2000, razão pela qual procedente o lançamento em relação a esse fato gerador. LEVANTAMENTO DAL Quanto ao levantamento DAL entendo que competiria ao recorrente demonstrar o equivoco da autoridade fiscal, uma vez que descrito no relatório fiscal e indicado no relatório DAD , em lançamento separado, os meses em que se constatou atraso no recolhimento de contribuições sem o acréscimo de juros e multa. Assim, entendo que razão não assiste ao recorrente. Nesse sentido, também já restou enfrentada a questãopelo julgador, que excluiu do lançamento as diferenças de determinadas competências a luz da decadência qüinqüenal. Contudo, em relação as competência não decadentes manifestouse o julgador pela existência de guias recolhidas em atraso, conforme segue: Ao contrário do que alega o Contribuinte, nem todos os recolhimentos previdenciários foram efetuados em época própria. Através da análise das GPS do Contribuinte, foram apuradas diferenças de acréscimos legais (multa e juros), incidentes sobre contribuições previdenciárias recolhidas com atraso, conforme perfeitamente demonstrado no Relatório DAL Diferenças de Acréscimos Legais, fls. 31 a 32. Novamente não há que se falar em cerceamento de defesa, posto que as diferenças de acréscimos legais foram apuradas com base nas guias de recolhimento do Contribuinte. Cabe ressaltar que a Autuada juntou na impugnação somente as cópias das GPS que não foram recolhidas com atraso, mas nos relatórios RDA (fl. 25) e DAL verificase, claramente, que o Contribuinte recolheu as seguintes GPS com atraso: • GPS competência 09/2004, data de pagamento 03/11/2004, código 2100, total líquido (sem acréscimos legais) de R$ 284,84; Fl. 912DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 32 • GPS competência 09/2004, data de pagamento 02/12/2004, código 2100, total líquido (sem acréscimos legais) de R$ 53,00; • GPS competência 11/2004, data de pagamento 03/01/2005, código 2100, total líquido (sem acréscimos legais) de R$ 183,33. Ante o exposto, após a exclusão de ofício do Levantamento REM, e a exclusão por decadências das competências 03/2004, 04/2004, e 08/2004, do Levantamento DAL, temse que a fiscalização cumpriu estritamente as disposições legais vigentes, e cabe ressaltar que se trata de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Assim, não confiro razão ao recorrente. DAS DIFERENÇAS EM RELAÇÃO AOS TRABALHADORES AUTÔNOMOS E REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS. Quanto a este ponto, alega o recorrente a impossibilidade de identificar as respectivas diferenças, razão pela qual nulo o levantamento em questão. Contudo, essa questão foi enfrentada pelo julgador de primeira instância e não identifico no recurso aspectos capazes de alterar aquele posicionamento. Senão vejamos: Levantamentos REN e 13S Conforme o Relatório Fiscal, foram apuradas remunerações de segurados empregados, constantes das Folhas de Pagamento da empresa, e não declaradas em GFIP. E, ao contrário do que afirma a Impugnante, os seguintes relatórios anexos, contidos no CDROM de fl. 218, e entregues ao Contribuinte conforme Recibo de fls. 231/233, demonstram, por fonte de informação, competência, e funcionário, as remunerações recebidas: • Diferenças de Folhas de Pagamento Não Declaradas em GFIP; • Folhas de Pagamento 13° salário; • Remunerações por Fontes de Informação. Como já exposto, cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados nas Folhas de Pagamento, GFIP's, e GPS de sua própria elaboração. A Defendente pode argüir diversas matérias pertinentes à sua defesa, a participação processual do Contribuinte deve ser a mais abrangente possível, porém, sua impugnação há de ser específica, deve indicar o que pretende refutar e produzir provas, no prazo de defesa, trazer a este julgado todos os dados comprovadores dos fatos que alega e que entende como suficientes para reformar o lançamento. De forma contrária, o que temos é mera alegação sem prova, fato este que não deve ter campo favorável dentro do processo administrativo. Importante observar que as fls. 209 e seguintes existe não apenas o relatório das guias e dos acréscimos gerados pelos atrasos, como a diferença em relação aos trabalhadores autônomos, razão pela qual não confiro razão ao recorrente. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 18 33 Da mesma forma, em relação a competência 13/2004, não demonstrou o recorrente o cumprimento da obrigação de efetivar o recolhimento, nem mesmo insurgiuse especificamente em relação a esse levantamento, indicando que em relação as diferenças apuradas não foi possível identificar as bases de cálculo. Ora, às fls. 04, o levantamento 13S descreve a apuração de débito na competência 12/2004. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos: AI DEBCAD n.º 37.192.2534, Processo n. 19515.004682/200902, AI DEBCAD n.º 37.192.2607, Processo n. 19515.004681/200950, AI DEBCAD n.º 37.192.2577, Processo n. 19515.004677/200991 para rejeitar as preliminares de nulidade, excluir do lançamento os fatos geradores até 10/2004 face a aplicação da decadência qüinqüenal e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL AOS RECURSOS para excluir do lançamento os levantamentos: I) ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA – LEVANTAMENTOS ALM e Z2; II) VEÍCULOS À DISPOSIÇÃO DE FUNCIONÁRIOS E DIRIGENTES – Levantamentos VEI e Z8; III) LEVANTAMENTO SEV SEGUROS. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 914DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10768.002002/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
MULTA DEMORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA.
Nos termos dos REsp 962.379 e 1.149.022, submetidos ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF, excluindo-se, inclusive, a multa de mora.
Numero da decisão: 3201-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 MULTA DEMORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA. Nos termos dos REsp 962.379 e 1.149.022, submetidos ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF, excluindose, inclusive, a multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 20 02 /2 00 7- 08 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran. Relatório Versa o presente litígio sobre cobrança de multa de mora, referente ao PIS, do período de março a dezembro de 2004. De acordo com o relato da ora Recorrente, a Lei n° 10.833/03 era omissa quanto à sistemática da cumulatividade do PIS relativamente às receitas provenientes de contratos que com cláusula de reajuste, de sorte que seguia a orientação constante da Instrução Normativa SRF n° 21/79. Contudo, quase um ano após a edição de Lei n° 10.833/2003 foi editada a INSRF n° 468/04, que determinou que a partir do 1o reajuste de preços, as receitas dos contratos com preço predeterminado estariam sujeitas ao regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, que resultou em crédito tributário a ser pago pela Recorrente. Assim, em maio de 2005 a exigência atingia o montante de R$7.709.671,64 (sete milhões, setecentos e nove mil, seiscentos e setenta e um reais e sessenta e quatro centavos), que, acrescidos de juros de mora, alcançou a cifra de R$ 8.537.969,39 (oito milhões, quinhentos e trinta e sete mil, novecentos e sessenta e nove reais e trinta e nove centavos), devidamente quitados. O procedimento de apuração da diferença de crédito tributário e sua quitação, ocorreram antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, entendendo, portanto, a Recorrente que se subsumia à hipótese utilizouse da denúncia espontânea, sem a inclusão da multa moratória, previsto no art. 138 do CTN. Portanto, na impugnação apresentada, ademais de alegar a aplicação do art.138 do CTN, requereu a incidência do parágrafo único do art. 100 do mesmo diploma normativo, segundo o qual é vedado exigência de penalidades na hipótese de o contribuinte ter seguido orientação veiculada pela própria autoridade administrativa, como ocorreu no caso em tela, no qual a Recorrente baseouse na Instrução Normativa SRF n° 21/79. A impugnação foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão n° 13 34.248 5a Turma da DRJ/RJ2, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01 /04/2004 a 30/06/2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Cabível multa de mora sobre valores pagos em atraso, visto que a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, aplicase apenas às multas de lançamento de ofício, de caráter punitivo, não afetando aquelas derivadas do adimplemento da obrigação tributária fora do prazo legal. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10768.002002/200708 Acórdão n.º 3201001.897 S3C2T1 Fl. 94 3 SENTENÇA JUDICIAL Não sendo parte nos litígios objetos de ações judiciais, o sujeito passivo não pode usufruir dos efeitos de sentenças prolatadas, que só possuem efeitos inter partes e não erga omnes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Em consonância com a decisão recorrida, a multa de mora não teria natureza de penalidade, mas de indenização pelos danos causados ao patrimônio público pelo atraso no recolhimento do tributo devido, conforme prescrição da Lei n° 9.430/96, art.61, que determina o dever de recolher a multa de mora e os juros de mora como acréscimos ao pagamento efetuado após o vencimento, caráter indenizatório a multa de mora. A indenização, do contribuinte ao Estado justificarseia em razão do prejuízo sofrido pela demora no adimplemento da obrigação. Ademais, o Parecer Normativo CST n ° 61; de 26/10/1979, item 4 estabelece que "4.1 As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias”, interpretação essa que seria suficiente para excluir a multa de mora do campo de incidência do art.138 do CTN. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos de impugnação, acrescendo que o art. 61, Lei 9.430/96, deve ser aplicado para os casos de constituição regular de créditos tributários através do lançamento e não nos casos de denúncia espontânea, pois a “Lei Complementar – hierarquicamente superior à Lei Ordinária — abarca expressamente a hipótese de exclusão da responsabilidade do contribuinte por penalidades quando efetuada a denúncia espontânea, devendo, portanto, prevalecer a disposição contida no Art. 138, CTN sobre àquele mencionado dispositivo da Lei 9.430/96”. Submetido o processo a essa Turma de Julgamento, entendeuse que não havia elementos suficientes nos autos para a apuração da ocorrência de denúncia espontânea, nos moldes do REsp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC. Determinouse, por conseguinte, a conversão do julgamento em diligência, para que fosse juntada a DCTF retificadora, dos períodos em cobro. Às e.fls.222 a 228, foi juntada parte da DCTF retificadora, relativa ao 2o trimestre de 2004, onde sequer consta a data da sua entrega, bem como não constam quaisquer considerações da autoridade julgadora preparadora sobre tal juntada. Instada a se manifestar, a Procuradoria da Fazenda Nacional abstevese, pelo momento, de se pronunciar. A Recorrente junta aos autos cópia do procedimento de denúncia espontânea, onde consta o pedido protocolizado em 17/05/2005, juntado todos os DARFs de pagamento, que datam de 06/05/2005. É o relatório. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente realizou o pagamento de crédito tributário a destempo, em virtude da INSRF n° 468/04, que determinou que a partir do 1o reajuste de preços, as receitas dos contratos com preço predeterminado estariam sujeitas ao regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, que resultou em crédito tributário a ser pago. Realizou o pagamento da obrigação tributária principal, acrescida de juros moratórios, porém, não a acresceu da multa de mora, por lhe reputar indevida, em virtude do quanto determinado no art.138 do CTN, pois o pagamento teria ocorrido antes de qualquer procedimento da fiscalização. Ademais, alega que tãosomente em virtude do atraso do Fisco em editar a INSRF n° 468/04 e, por seguir orientação do Fisco, aplicável seria o art.100, §único do CTN. A DRJ não reconheceu o direito creditório, sob a alegação de que a multa de mora, tendo natureza compensatória, estaria fora do campo de incidência do art.138 CTN, ao passo que o art.61 da Lei n. 9430/96, determinaria expressamente a sua cobrança. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando estabelece que a multa de mora está abrangida pelo instituto da denúncia espontânea, nos moldes do art.138 CTN. Destarte, em consonância com entendimento esposado em recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento É dizer, se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. O REsp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS– GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia Fl. 355DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10768.002002/200708 Acórdão n.º 3201001.897 S3C2T1 Fl. 95 5 espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.149.022 – SP, da mesma forma, entendeu abrangida pela denúncia espontânea, atendidas certas condições, a multa de mora, como se verifica: REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Da documentação acostada aos autos, verificase que foram acostados diversos DARFs relativo a recolhimentos de PIS e COFINS nãocumulativos, referentes aos períodos de apuração em referência. A Recorrente junta aos autos cópia do procedimento de denúncia espontânea, onde consta o pedido protocolizado em 17/05/2005, juntado todos os DARFs de pagamento, que datam de 06/05/2005, observandose que a DCTF considerada no procedimento, conforme consta do próprio auto de infração, foi a entregue em 19/05/2006, por conseguinte, restando atendidas as condições da denúncia espontânea. Considerandose que os entendimentos veiculados nos recursos repetitivos são de reprodução obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62A, do Regimento Interno do CARF c/c art. 543C do CPC, é de ser julgado procedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 357DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10768.002002/200708 Acórdão n.º 3201001.897 S3C2T1 Fl. 96 7 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723431/2009-64
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITOS DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 76.
O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Somente após realizada essa dedução dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante compensação tributária.
Numero da decisão: 1802-002.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITOS DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 76. O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Somente após realizada essa dedução dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante compensação tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITOS DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 76. O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Somente após realizada essa “dedução” dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante “compensação” tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 34 31 /2 00 9- 64 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.723431/200964 Acórdão n.º 1802002.547 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.723431/200964 Acórdão n.º 1802002.547 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1526.933, às efls. 32/33: A interessada transmitiu em 04/09/2006 PER/DCOMP eletrônico visando utilizar crédito no valor original de R$ 2.038,84, código 6106, oriundo de pagamento indevido do Simples do Período de Apuração (PA) de 30/09/2001, com débitos do IRPJ e Cofíns das pessoas jurídicas submetidas à apuração pelo lucro presumido no anocalendário de 2001. A DRF/SDR/BA emitiu o Despacho Decisório de fls. 14/16, homologando em parte a compensação, restando saldos a pagar, conforme demonstrado na tabela à fi. 16. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 18/19) alegando, em suma, que apresentou PER/DCOMP pretendendo a compensação de débitos administrativos do Simples com débitos de PIS (sic). Ocorre que a compensação parcialmente homologada gerou uma diferença indevida de R$ 252,90, uma vez que decorre da equivocada aplicação de multas e acréscimos moratórios aos valores originais devidos pela requerente, que foram pagos dentro do prazo. Quer dizer, haveria crédito suficiente para compensar integralmente os débitos declarados na PER/DCOMP em comento. Diante do exposto, requer a reforma do despacho decisório ora litigado, homologando integralmente as compensações requeridas. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA manteve a homologação apenas parcial da compensação pretendida, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 04/09/2006 COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. CRÉDITO E DÉBITO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos são valorados, com acréscimo de juros compensatórios, e os débitos Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.723431/200964 Acórdão n.º 1802002.547 S1TE02 Fl. 5 4 sofrem a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação vigente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, a Contribuinte apresentou em 30/07/2011 o recurso voluntário de efls. 37/38, alegando: que a compensação foi parcialmente homologada porque a Receita Federal equivocadamente entendeu que não teriam sido computados (pela Contribuinte) os valores referentes a multas e acréscimos moratórios; que não tem cabimento tal interpretação, pois todos os PER/DCOMP foram tempestivamente apresentados, mês a mês, e são eles que representam a quitação tempestiva dos tributos em referência; que não há razão para cobrança das multas e acréscimos moratórios, e que por isso não podem ser cobrados os pequenos saldos apontados pela Receita Federal; que a compensação deve ser integralmente homologada, com a extinção definitiva dos créditos tributários compensados. Este é o Relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.723431/200964 Acórdão n.º 1802002.547 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a homologação apenas parcial de declaração de compensação por ela apresentada em 04/09/2006. O pretendido encontro de contas abrange crédito decorrente de pagamento a título de SIMPLES, realizado em 10/10/2001 no código 6106, referente ao período de apuração PA setembro/2001, no valor de R$ 2.038,46, que foi utilizado para quitar, por compensação, débitos de IRPJ do 3º trimestre de 2001 e e Cofins de agosto e setembro de 2001, informados com códigos relativos ao regime do lucro presumido. O valor original do crédito corresponde exatamente à soma dos débitos (levando em conta apenas a rubrica principal, sem acréscimos legais). Com o PER/DCOMP sob exame, a Contribuinte busca o aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período em que ela foi excluída do Simples, para a quitação de tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime adotado em razão da exclusão do Simples. A Delegacia de origem, por meio do Despacho Decisório de efls. 15 a 18, reconheceu o direito creditório, mas concluiu que ele era insuficiente para quitar integralmente os débitos objeto do PER/DCOMP, remanescendo saldo devedor a ser exigido da Contribuinte. Esse valor residual de débito surgiu em razão do cômputo dos acréscimos legais até a data de apresentação do PER/DCOMP – juros selic sobre o crédito, e juros selic e multa de mora sobre os débitos vencidos. A Delegacia de Julgamento, ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a homologação apenas parcial da compensação, entendendo que de fato caberia a incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos, até a data de apresentação do PER/DCOMP, porque eles já estavam vencidos nesta data. Na presente fase recursal, a Contribuinte novamente se insurge contra o cômputo dos referidos acréscimos legais. A Lei nº 10.637/2002 implementou grandes mudanças no art. 74 da Lei 9.430/1996, redefinindo todo a configuração jurídica da compensação tributária na esfera federal. Desde então, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal passou a extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e em razão disso o momento para o encontro de contas passou a ser a data do envio da declaração de compensação (PER/DCOMP). Fl. 55DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.723431/200964 Acórdão n.º 1802002.547 S1TE02 Fl. 7 6 Desse modo, se na data de apresentação do PER/DCOMP o débito objeto da compensação já estiver vencido, sobre ele, regra geral, devem incidir os acréscimos moratórios. Entretanto, a situação sob exame merece ser analisada com mais detalhe. Já mencionamos que a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do regime de tributação simplificada, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos apurados de acordo com o regime do lucro presumido (adotado em substituição ao Simples). Esse é o contexto da presente compensação. Ocorre que esse encontro de contas, quando abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período de apuração, deve se dar até mesmo de ofício, mediante simples “dedução” matemática, independentemente de apresentação de declaração de “compensação” (PER/DCOMP) por parte dos contribuintes. A matéria já está inclusive sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS, COFINS e CPP, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. É por isso que o aproveitamento de pagamento feito sob o regime simplificado para a quitação de débito de mesma natureza (mesmo tributo e PA), que decorreu da mudança do regime de tributação, nem mesmo exige compensação via PER/DCOMP. O crédito decorre de pagamento a título de SIMPLES, realizado em 10/10/2001 no código 6106, referente ao período de apuração PA setembro/2001, no valor de R$ 2.038,46. O PER/DCOMP esclarece que o pagamento do Simples correspondeu ao coeficiente de 6,20% sobre a receita bruta mensal, e de acordo com o art. 23, II, “c”, da Lei 9.317/1996, esse coeficiente era composto pelas seguintes parcelas: 1 – 0,39%, relativo ao IRPJ; 2 – 0,39%, relativo ao PIS/PASEP; 3 – 1%, relativo à CSLL; 4 – 2%, relativos à COFINS; e 5 – 2,42 %, relativos à Contribuição Patronal Previdenciária – CPP. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.723431/200964 Acórdão n.º 1802002.547 S1TE02 Fl. 8 7 A divisão acima mencionada evidencia a seguinte participação de cada tributo em relação ao pagamento efetuado: PA Tributo Participação Participação relativa no pagamento IRPJ 6,29% 128,22 PIS/PASEP 6,29% 128,22 Setembro CSLL 16,13% 328,80 de 2001 COFINS 32,26% 657,61 CPP 39,03% 795,61 100,00% 2.038,46 Mencionamos que a Delegacia de origem já reconheceu integralmente o crédito, aproveitando o pagamento no valor de R$ 1.832,00 para a quitação dos débitos indicados pela Contribuinte, e que em razão do cômputo dos acréscimos legais até a data da apresentação do PER/DCOMP, remanesceu saldo de débito. Ocorre que uma parte do referido encontro de contas envolve crédito e débito do mesmo tributo e período de apuração, porque o terceiro trimestre de 2001 (PA dos débitos) abrange o mês de setembro/2001 (PA do crédito), o que implica dizer que uma parte dos débitos relacionados no PER/DCOMP já estava quitada antes mesmo da apresentação deste, em função do pagamento realizado no regime de tributação simplificada. Desse modo, antes de qualquer imputação para efeito de cômputo de acréscimos legais sobre créditos e débitos até a data de apresentação do PER/DCOMP, deveriam ter sido “deduzidos” dos débitos de IRPJ e COFINS. Somente após realizada essa “dedução” dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante “compensação” tributária. Desse modo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar o cômputo de acréscimos legais sobre as parcelas dos débitos que já se encontravam quitadas pelo pagamento com o código 6106, nos montantes acima destacados. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 57DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.723431/200964 Acórdão n.º 1802002.547 S1TE02 Fl. 9 8 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 36990.000368/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2002
GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO.
A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes de infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2002 GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes de infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 129 1 128 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36990.000368/200794 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.936 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente MARCELINO ALVES FERREIRA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2002 GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes de infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 99 0. 00 03 68 /2 00 7- 94 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 36990.000368/200794 Acórdão n.º 2401003.936 S2C4T1 Fl. 130 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a pessoa física acima identificada, à qual foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A exclusão da responsabilidade do gestor Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos devese hodiernamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449, de 04/12/2008. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; (...) Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não podemos deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, até o momento não aprovado pelo Ministro da Fazenda, mas que já dá o tom de qual entendimento será adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 36990.000368/200794 Acórdão n.º 2401003.936 S2C4T1 Fl. 131 5 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906089/2012-42
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/02/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/02/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 60 89 /2 01 2- 42 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906089/201242 Acórdão n.º 3801004.756 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906089/201242 Acórdão n.º 3801004.756 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906089/201242 Acórdão n.º 3801004.756 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906089/201242 Acórdão n.º 3801004.756 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906089/201242 Acórdão n.º 3801004.756 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906089/201242 Acórdão n.º 3801004.756 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906089/201242 Acórdão n.º 3801004.756 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906089/201242 Acórdão n.º 3801004.756 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13828.000288/2002-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002
CRÉDITOS DE IPI. SAÍDAS COM SUSPENSÃO PARA COOPERATIVAS. ANULAÇÃO DO CRÉDITO.
Deve ser anulado, na escrita fiscal, o crédito do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem que tenham sido empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, do açúcar saído do estabelecimento produtor para a respectiva cooperativa com o imposto suspenso.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Eduardo Lourenço Gregório Jr, OAB/DF nº. 36.531.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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CRÉDITO BÁSICO Recorrente AÇUCAREIRA ZILLO LORENZETTI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002 CRÉDITOS DE IPI. SAÍDAS COM SUSPENSÃO PARA COOPERATIVAS. ANULAÇÃO DO CRÉDITO. Deve ser anulado, na escrita fiscal, o crédito do imposto relativo a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem que tenham sido empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, do açúcar saído do estabelecimento produtor para a respectiva cooperativa com o imposto suspenso. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Eduardo Lourenço Gregório Jr, OAB/DF nº. 36.531. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 8. 00 02 88 /2 00 2- 19 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “.......................................................................................................................... Tratase de processo de Declaração de Compensação (DCOMP), apresentada por Açucareira Zillo Lorenzetti S/A, CNPJ 51.422.988/000118, para compensar débito de IRRF, código 3426 (aplicações financeiras de renda fixa – pessoa jurídica), com créditos de ressarcimento de IPI, relativos aos saldos credores apurados do 1º trimestre de 1999 ao 3º trimestre de 2002, no montante total de R$ 755.470,52 (setecentos e cinquenta e cinco mil, quatrocentos e setenta reais, cinquenta e dois centavos). Contudo, os créditos pleiteados não foram reconhecidos e, por conseqüência, a compensação não foi homologada. A análise fiscal concluiu que a interessada não poderia apropriarse dos créditos de IPI que lhe permitiram apurar saldo credor ao final de cada trimestre. Em suma, justifica no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 217/218): 14.1 Logo, é de se observar que os produtores enquadrados no art. 36, “V” do RIPI/82, estavam obrigados a fazer a anulação dos créditos do imposto, mediante estorno na escrita fiscal, relativo à aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto (art. 100, I, b), sendo somente permitida a manutenção e utilização para aqueles casos enquadrados no art. 36, XVII, ou seja, produtos remetidos, para industrialização ou comércio, entre estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial da mesma firma (art. 101 do RIPI/82). (grifos do original) 14.2 Os dispositivos supracitados foram mantidos pelo Decreto n° 2.637, de 25/06/98 (RIPI/98), conforme art. 174, I, “c” e art. 175, c/c os art. 41 e 40, XI, do mesmo Regulamento, ainda assim, com restrição, pois o art. 175 suprimiu o vocábulo “utilizado” de sua redação, (...) (grifos do original) (...) 14.3 Por sua vez, o Decreto n° 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/2002), manteve também a obrigatoriedade do estorno exarado no art. 174, I, “c”, c/c o art. 41 do RIPI/98, conforme o art. 193, I, “c”, c/c os arts. 190, § 1° e 43. (grifos do original) A análise fiscal concluiu também que o conteúdo do Parecer PGFN/CAT/N° 1001/92 deu suporte somente às saídas do açúcar, com suspensão do IPI, para a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda – COOPERSUCAR, nada dispondo a respeito da manutenção e utilização dos créditos relativos aos insumos empregados na industrialização. A interessada foi regularmente cientificada do despacho decisório denegatório em 11/06/2007. Em 06/07/2007, apresentou manifestação de inconformidade. Em síntese, aduz as seguintes razões de defesa: 1 O IPI tem por característica principal a nãocumulatividade, de modo que, em cada operação, abatese o montante cobrado na operação anterior (art. 153, § 3º, II, CF). Sobrevindo uma desoneração tributária no ciclo do produto, persiste o Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13828.000288/200219 Acórdão n.º 3202001.490 S3C2T2 Fl. 295 3 direito do contribuinte, na hipótese de saída não sujeita à incidência do imposto, de manter o crédito efetuado por aquisição da entrada. A vedação do direito à manutenção do crédito implicaria a própria anulação do benefício fiscal existente na saída, já que a parcela relativa à desoneração por certo restaria anulada em função do nãoaproveitamento do crédito. 2 Se a intenção do legislador fosse vedar o creditamento do IPI em alguma hipótese, por exemplo na saída não sujeita à incidência do imposto, teria expressamente feito a ressalva na própria Constituição, tal como fez em relação ao ICMS. O princípio da nãocumulatividade só encontra limitações na própria Constituição, não podendo ser restringido por lei complementar, lei ordinária, convênio, nem, muito menos, por ato administrativo. 3 O art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, autorizou a utilização, na forma de ressarcimento ou compensação, de saldo credor de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos. Se a lei pretendesse vedar a possibilidade de créditos na hipótese de insumos aplicados em saídas com suspensão, bastaria ao legislador aplicar a técnica da “exclusão”, ao invés de utilizar o termo “inclusive”, prescrevendo no texto a clara mensagem das hipóteses excluídas da regra geral. Esse fato fica particularmente claro, quando se lê a Exposição da Motivos da Medida Provisória n° 1.788, de 1998, posteriormente convertida na Lei nº 9.779, de 1999. 4 Na suspensão do imposto, o sujeito ativo apenas transfere a exigência do tributo para etapa posterior à ocorrência do fato gerador. Ou seja, haverá o fato gerador na saída a legitimar o crédito tomado na entrada dos insumos, sendo que, apenas o momento do recolhimento do imposto é suspenso. 5 A figura da cooperativa confundese com a de seus cooperados. Ao vender a produção dos cooperados, a cooperativa representaos igualmente, como se fossem os próprios cooperados. A não manutenção do crédito de IPI nas saídas de produtos dos cooperados para a cooperativa implicará, obviamente, o aumento da carga tributária na operação e que não seria verificada caso a saída do açúcar fosse para um outro estabelecimento industrial da mesma empresa. Ocorre, contudo, que o ato cooperativo não pode ser fiscalmente mais onerado do que o ato não cooperativo equivalente, sob pena de desobediência aos preceitos constitucionais e legais. A final, requer que seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, para o fim de ser homologada a compensação na totalidade do valor pleiteado.” A DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado (efls. 262/271), nos termos da menta adiante transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002 CRÉDITOS DE IPI. SAÍDAS COM SUSPENSÃO PARA COOPERATIVAS. ANULAÇÃO DO CRÉDITO. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Deve ser anulado, na escrita fiscal, o crédito do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que tenham sido empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, do açúcar saído do estabelecimento produtor para a respectiva cooperativa com o imposto suspenso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 275/290), repisando os mesmo argumentos da manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: que a vedação ao direito à manutenção do crédito implicaria na própria anulação do benefício fiscal existente na saída, já que a parcela relativa à desoneração restaria anulada, em função do não aproveitamento do crédito, tornando o preço final do produto equivalente ao que haveria não fosse a existência da desoneração; que o princípio da nãocumulatividade só encontra limitações na Constituição Federal, não podendo ser restringido por lei complementar, lei ordinária, convênio ou ato administrativo. Afirma que, se o legislador tivesse a intenção de vedar o creditamento do IPI em alguma hipótese, teria expressamente feito ressalva na própria Constituição; que o direito [ao crédito] passou a ser permitido pela Lei n° 9.779/99 a partir de janeiro/1999. Contraditoriamente a essa afirmação, alega que não foi o artigo 11 da Lei n° 9.779/99 que passou a reconhecer o direito ao crédito de IPI dos insumos usados na fabricação de produtos, pois este deriva diretamente da Constituição, razão pela qual o legislador não se preocupou em revogar expressamente regra contrária até então aplicada, que mandava estornar os créditos relativos a insumos aplicados na produção de produtos não tributados; que a DRJ sugere que o direito à manutenção dos créditos de IPI deveria estar expresso no Parecer que reconheceu o direito da COPERSUCAR de equipararse a estabelecimento industrial por opção e, desta forma, receber o açúcar de seus associados com a suspensão de IPI (Parecer PGFN/CAT/nº. 1001/92), mas acontece que o referido Parecer não tratou do direito de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos na hipótese de saída com suspensão do imposto; que, se nas hipóteses de isenção e alíquota zero, nas quais não há o cumprimento da obrigação tributária, o contribuinte tem direito ao crédito na aquisição de insumos a serem empregados na industrialização (o que foi explicitado pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99), com muito mais razão esse mesmo crédito deve ser apropriado nas saídas com suspensão do imposto; que a cooperativa, embora seja uma pessoa dotada de personalidade jurídica própria, nada mais é do que o somatório dos esforços individuais de cada cooperado para a realização dos atos a que se destina. Assim, para a consecução de seus objetivos, de nada adiantaria desonerar apenas as saídas para as cooperativas, deixando as etapas anteriores da mesma operação com uma carga tributária majorada, o que ocorrerá caso persista o entendimento fiscal. Ao final, requer o provimento do recurso, para que seja reconhecido o seu direito creditório e homologada a compensação pleiteada. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13828.000288/200219 Acórdão n.º 3202001.490 S3C2T2 Fl. 296 5 É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratam os autos de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI escriturados, referentes a aquisições de material de embalagem utilizado no acondicionamento de açúcar refinado, no período de 01/01/1999 a 30/09/2002, cujas saídas de açúcar refinado do estabelecimento produtor, a Açucareira Zillo Lorenzetti Ltda, deramse, basicamente, para a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo – COOPERSUCAR, com suspensão de IPI. Afirma a recorrente que o Parecer PGFN/CAT/nº 1001/92 (efls. 196/209) não tratou do direito de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos na hipótese de saída com suspensão do imposto, e que, por tal razão, não pode ser adotado como referência para o caso em questão. Vejase o que concluiu o predito Parecer: “33. Temse, então, em conclusão, que: 1°) sendo o açúcar empregado na composição de produtos finais , como bebidas e produtos alimentares, está entre os bens de produção definidos no art. 393 do RIP/82 (matériasprimas. produtos intermediários. etc.. etc.). pelo que os estabelecimentos que o recebam para comercialização podem equiparar se a industrial. nos termos do art. 4°. inciso IV da Lei n° 4.502. com a redação dada pelo Decretolei n ° 34/66: 2º) em razão da analogia que se constata entre as saídas de produtos industrializados: com suspensão do IPI, nos casos previstos no art. 36. incisos V e XVII com as remessas de açúcar das usinas produtoras para os estabelecimentos das respectivas cooperativas, aquele regime de suspensão do imposto pode ser extendido a essas remessas. nos termos do art. 108, I, do CTN.[destaquei] 3º) tratandose de matéria de interpretação da legislação tributária, a integração da norma pode darse ou pelo processo extensivo "de lege lata". ou pelo processo "de lege ferenda”, com a edição de nova norma. amplificadora da anterior. Em face do exposto e sem prejuízo da edição da norma destinada a suprimir a lacuna constatada, o pleito pode ser solucionado favoravelmente à requerente, por ato da autoridade superior, no caso o Ministro da Economia. Fazenda e Planejamento, que reconheça como licitas: a) a equiparação a industrial dos estabelecimentos da requerente que recebam, de seus associados , para comercialização, por atacado , produtos que sejam conceituados na legislação como bens de produção; Fl. 298DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 b) as remessas para a cooperativa , por parte dos respectivos associados.de produtos por estes industrializados, com supensão do IPI.” O referido Parecer foi aprovado pelo então Ministro da Economia. Fazenda e Planejamento, que proferiu o seguinte despacho: “Aprovo o Parecer nº 1001/92 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 30/43), que, nos termos do art.4º, inciso IV, da Lei nº. 4.502, de 30.11.64, combinado com o art. 108, I, do Código Tributário Nacional, demonstra serem licitas não só a equiparação a industrial dos estabelecimentos da Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo COOPERSUCAR que recebam de seus associados, para comercialização por atacado, açúcar destinado a utilização como matériaprima ou produto intermediário, como também a saída dos estabelecimentos desses mesmos associados, com suspensão do imposto, do açúcar destinado à Cooperativa, para comercialização por atacado ou industrialização. “ Ora, nem a DRF nem a DRJ utilizaramse do referido Parecer afirmando que este teria tratado do direito de crédito do IPI, antes pelo contrário, reconhecem que, acerca do tema, o parecer mantevese silente – o que, de fato, podese verificar da leitura dos textos acima transcritos. O que se tem no caso é que o dito Parecer pugnou pela suspensão do IPI nas saídas de insumos dos produtores de açúcar para as cooperativas em razão de entender que tais saídas assemelhavamse àquelas previstas no art. 36, incisos V e XVII do RIPI/82, quais sejam: "Art. 36 Poderão sair com suspensão do imposto: ......................................................................................................... V — o vinho natural dos códigos 22.05.01.00, 22.05.02.00 e 22.05.99.00 da Tabela, produzido por lavradores ou cantinas rurais, com emprego de uvas de sua própria lavoura, quando remetido, em recipientes de capacidade superior a um litro, às cantinas centrais de suas cooperativas,situadas na mesma zona rural em que estiverem localizados os remetentes, diretamente ou por intermédio dos postos de vinificação das mencionadas cooperativas (Decretolei n° 34/66, art. 5º); ......................................................................................................... XVII — os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um para outro estabelecimento, industrial ou equiparado a industrial, da mesma firma, excluídos os produtos dos códigos 24.02.02.02 e 24.02.02.99 da Tabela Assim, utilizandose da mesma analogia formulada no predito parecer, que beneficiou cooperado e cooperativa, entenderam as autoridades administrativas que não caberia o creditamento do IPI à contribuinte em razão do que dispõe o mesmo RIPI/82 e o RIPI/98, aplicáveis ao caso, conforme esclarece a DRF: “13. (...) depreendese do exame do PARECER PGFN/CAT/N° 1001/92, aprovado pelo Senhor Ministro, que o mesmo regulamentou somente as saídas de açúcar, com suspensão do IPI, dos estabelecimentos produtores para a COPERSUCAR, permanecendose incógnito com relação à manutenção dos créditos do imposto oriundo das aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, utilizados na industrialização do açúcar pelo Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13828.000288/200219 Acórdão n.º 3202001.490 S3C2T2 Fl. 297 7 estabelecimento produtor. Conseqüentemente, é de se aplicar, no caso, o REGULAMENTO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. 14. Os casos de suspensão do IPI, disciplinados no art. 36, V e XVII, do RIPI/82, que serviram de paradigma para a emissão do PARECER PGFN/CAT/N° 1001/92, no que tange manutenção dos créditos do imposto proveniente das aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, utilizados na industrialização dos respectivos produtos, o aludido Diploma Legal era expresso: "Art. 100 Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I — relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido: b) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto, nos casos de que tratam os incisos II, IV, V, VI, IX, XVIII e XIX do artigo 36;". "Art. 101 Poderá ser mantido e utilizado o crédito do imposto referente a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados ou adquiridos para industrialização dos produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto, ressalvados os casos do inciso I, alínea b, do artigo 100.". (grifamos) 14.1 Logo, é de se observar que os produtores enquadrados no art. 36, "V" do RIPI/82, estavam obrigados a fazer a anulação dos créditos do imposto, mediante estorno na escrita fiscal, relativo à aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto (art. 100, I, b), sendo somente permitida a manutenção e utilização para aqueles casos enquadrados no art. 36, XVII, ou seja, produtos remetidos, para industrialização ou comércio, entre estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial da mesma firma (art. 101 do RIPI/82). 14.2 Os dispositivos supracitados foram mantidos pelo Decreto n° 2.637, de 25/06/98 (RIPI/98), conforme art. 174, I, "c" e art. 175, c/c os art. 41 e 40, XI, do mesmo Regulamento, ainda assim, com restrição, pois o art. 175 suprimiu o vocábulo "utilizado" de sua redação, "in verbis": "Art. 174. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei n° 4.502, de 1964, art. 25, § 3°, Decretolei n° 34, de 1966, art. 2°, alteração 8, e Lei n° 7.798, de 1989, art. 12): I — relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido: c) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento produtor com a suspensão do imposto determinada no art. 41 (Lei n° 9.493, de 1997, art. 5°);". Art. 175. Poderá ser mantido o crédito do imposto referente a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados ou adquiridos para industrialização dos produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto nas hipóteses dos incisos 11,111, VII, IX, X e XI do art. 40." Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Ora, não pode a recorrente pleitear o melhor dos dois mundos, querendo a equiparação a estabelecimento industrial por opção da cooperativa, por aplicação analógica das disposições do RIPI, por assim lhe permitir a saída de insumos com suspensão do tributo, e, no momento em que este mesmo Regulamento trata do creditamento, aí alegar que as disposições do RIPI não lhes são aplicáveis. Assim, correto o entendimento da DRJ ao manifestar que se o reconhecimento do direito à remessa do açúcar à cooperativa, usufruindo da suspensão do IPI, se deu em face da relação cooperado/cooperativa, o direito à manutenção dos créditos por entradas deve seguir o mesmo raciocínio e a mesma lógica. Desta forma, tendo sido concedida a suspensão do IPI em relação às remessas de açúcar dos estabelecimentos produtores para a COOPERSUCAR, por força do Parecer PGFN/CAT/nº. 1001/92, de 12/08/1992, aprovado pelo Ministro de Estado da Economia, Fazenda e Planejamento, há que se aplicar, em relação à manutenção dos créditos do IPI, a mesma analogia ali desenvolvida, em razão da similitude fática assinalada no Parecer. Vejase o que afirma o predito Parecer: 25. Dessa norma ressalta que a regra geral, na cooperativa, é a entrega da produção dos associados, com a outorga de plenos poderes àquela, para dela dispor, o que é assegurado ocorrer, no presente caso, nas entregas de açúcar das usinas à requerente. (...) 26. Não terá sido, certamente, por outra razão que a Lei n° 4.502/64 com a alteração introduzida pelo Decretolei n° 34/66, mesmo bem antes da Lei 5.764/71, já dispunha que as saídas do vinho natural remetido por associados às respectivas cooperativas, darseia com suspensão do imposto (artigo 36, inciso V do RIPI). 27. Essas observações nos levam a estabelecer as seguintes correlações entre estabelecimentos produtores remetentes dos produtos e os estabelecimentos destinatários, nas operações indicadas nos incisos V e XVII do artigo 36 do RIPI: 1) os estabelecimentos são vinculados entre si em cada caso por interesses comuns de natureza associativa (a primeira hipótese referese a operações entre associados e cooperativa e, a última a estabelecimentos da mesma empresa); 2) em ambas as hipóteses as saídas do estabelecimento produtor não se revestem de natureza mercantil, ou seja, as remessas não decorrem da comercialização do produto, cujo processo somente ocorrerá em fase subseqüente; 3) a comercialização deverá ocorrer no estabelecimento destinatário. 28. As mesmas correlações encontramse, também, nas operações com açúcar, entre usinas e Cooperativa, segundo descrito na petição de fls. 1 a 6. Ocorre, assim, uma situação de similitude fática entre as operações da Cooperativa com suas associadas e aquelas já mencionadas, amparadas pela norma suspensiva do IPI, o que induz a possibilidade de aplicação, para a solução do pleito, da regra de integração da legislação tributária, prevista no artigo 108, I, do CTN. (grifos não constantes do original) Os casos de suspensão do IPI, disciplinados no art. 36, V e XVII, do RIPI/82, que serviram de paradigma para a emissão do referido Parecer, no que tange à manutenção dos créditos do imposto proveniente das aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, utilizados na industrialização dos respectivos produtos, recebiam o seguinte tratamento no RIPI/82: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13828.000288/200219 Acórdão n.º 3202001.490 S3C2T2 Fl. 298 9 Art. 100 Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido: b) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto, nos casos de que tratam os incisos II, IV, V, VI, IX, XVIII e XIX do artigo 36; Art. 101 Poderá ser mantido e utilizado o crédito do imposto referente a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados ou adquiridos para industrialização dos produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto, ressalvados os casos do inciso I, alínea b, do artigo 100. Assim, os produtores enquadrados no art. 36, V, do RIPI/82, estavam obrigados a fazer a anulação dos créditos do imposto, mediante estorno na escrita fiscal, relativo à aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto (art. 100, I, b), sendo somente permitida a manutenção e utilização para aqueles casos enquadrados no art. 36, XVII, ou seja, produtos remetidos, para industrialização ou comércio, entre estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial da mesma firma (art. 101 do RIPI/82). Os incisos V e XVII do art. 36 do RIPI/1982, passaram a corresponder, no RIPI/1998 (Decreto nº. 2.637/1998), ao art. 41 e ao inciso XI do art. 40, respectivamente, a saber: Art. 40. Poderão sair com suspensão do imposto: ........................................................................................................ XI os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um para outro estabelecimento, industrial ou equiparado a industrial, da mesma firma; ......................................................................................................... Art. 41. As bebidas alcoólicas e demais produtos de produção nacional, classificados nas posições 2204, 2205, 2206 e 2208 da TIPI, acondicionados em recipientes de capacidade superior ao limite máximo permitido para venda a varejo sairão obrigatoriamente com suspensão do imposto dos respectivos estabelecimentos produtores, dos estabelecimentos atacadistas e das cooperativas de produtores, quando destinados aos seguintes estabelecimentos (Lei n.º 9.493, de 1997, art. 3º e 4º): Em relação ao crédito do imposto, os arts. 174 e 175 do RIPI/98 mantiveram a mesma determinação de anulação mediante estorno na escrita fiscal. Vejase: Art. 174. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei n° 4.502, de 1964, art. 25, § 3°, Decreto Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 lei n° 34, de 1966, art. 2°, alteração 8, e Lei n° 7.798, de 1989, art. 12): I relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido: ......................................................................................................... c) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento produtor com a suspensão do imposto determinada no art. 41 (Lei n° 9.493, de 1997, art. 5°); ........................................................................................................ Art. 175. Poderá ser mantido o crédito do imposto referente a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados ou adquiridos para industrialização dos produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto nas hipóteses dos incisos II,III, VII, IX, X e XI do art. 40. Assim, aos produtores enquadrados no art. 41 do RIPI/98, remanesceu a obrigação de fazer a anulação dos créditos do imposto, mediante estorno na escrita fiscal, relativo à aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que tenham sido empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto (art. 174, I, c, do RIPI/98), sendo somente permitida a manutenção e utilização para aqueles casos enquadrados no art. 40, ou seja, produtos remetidos, para industrialização ou comércio, entre estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial da mesma firma (art. 175 do RIPI/98), não sendo este o caso da recorrente. De outro giro, afirma a querelante que o creditamento passou a ser permitido a partir da janeiro de 1999, com edição da Lei nº. 9.779/99, a qual, por meio de seu art. 11 assim estabeleceu: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Afirma a recorrente que o art. 11 da Lei nº 9.779/99 autorizou a utilização, na forma de ressarcimento ou compensação, de saldo credor de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos. Entende que se nas hipóteses de isenção e alíquota zero, nas quais não há o cumprimento da obrigação tributária, o contribuinte tem direito ao crédito na aquisição de insumos a serem empregados na industrialização (o que foi explicitado pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99), com muito mais razão esse mesmo crédito deve ser apropriado nas saídas com suspensão do imposto; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13828.000288/200219 Acórdão n.º 3202001.490 S3C2T2 Fl. 299 11 No meu entender, o texto da lei é claro e incluiu tãosomente os casos de aquisição de insumos aplicados em produtos isentos e não tributados. Não se pode estender o “benefício” ali concedido em relação aos insumos utilizados nas saídas de produtos com suspensão do IPI, vez que tais casos não foram incluídos expressamente pela lei, assim como foram as aquisições de insumos utilizados nos produtos isentos e não tributados. Notese que a lei nº. 9.779/99 veio autorizar a restituição e a utilização dos créditos apurados em compensação, inclusive nos casos de produto isento ou tributados à alíquota zero, entretanto não veio determinar a exclusão do estorno dos créditos determinado no art. 174 do RIPI/98. Tanto assim que o RIPI/2002, já levando em consideração as disposições da Lei nº. 9.779/99, ratificou o estorno anteriormente determinado, quando assim estabeleceu: Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade. ......................................................................................................... §1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, §3º, Decreto lei nº. 34, de 1966, art. 2º, alteração 8º, Lei nº. 1.798, de 1989, art. 12, e Lei nº. 9.779, de 1999, art. 11): I relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: ......................................................................................................... c) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto nos casos de que tratam os incisos VII, XI, XII e XIII do art. 42. Assim, desconsiderar as determinações do art. 174 do RIPI/98, ao entendimento de que contrariaria o princípio da nãocumulatividade, seria reconhecerlhe a inconstitucionalidade, o que foge da esfera de competência desta autoridade julgadora. O Regulamento do IPI, consubstanciado, à época do creditamento pretendido, no Decreto nº. 2.637/1998, é legislação válida e que tem plena aplicação ao caso, não sendo cabível à autoridade julgadora negarlhe aplicação por entender ser inconstitucional, vez que as instâncias administrativas de julgamento não possuem competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis, atribuição reservada ao Poder Judiciário, conforme disposto pela Constituição Federal, em seu art. 102, incisos I, “a” e III, “b”. Por fim, quanto às questões trazidas pela recorrente referente aos atos cooperativos, ao entendimento de que a desoneração apenas nas saídas para as cooperativas traria prejuízo aos cooperados, deixando as etapas anteriores da mesma operação com uma carga tributária majorada em relação a outras cooperativas, tenho por irretocável o entendimento esposado pela DRJ, o qual tomo por empréstimo seus fundamentos e os adoto, na íntegra, como razões de decidir, transcrevendoos abaixo: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 “A manifestante também faz alusão ao tratamento adequado a ser dado ao ato cooperativo. Aduz (à fl. 237) que: (...) o entendimento manifestado na decisão implica tratamento mais oneroso ao ato cooperativo, o que é vedado. (...) A questão que se põe, portanto, restringese a saber se pode o ato cooperativo sofrer ônus fiscal superior ao do ato não cooperativo equivalente, mais especificamente no caso concreto, quanto à exigência do estorno de crédito de IPI pelas autoridades fiscais. Para maior claridade [sic] da discussão, convém trazer à luz o alcance do termo “ato cooperativo” para o caso concreto. Para tanto, tomamse emprestadas as próprias palavras da manifestante, que assim explana (à fl. 237): No exercício do objeto social da cooperativa, verificase a saída do açúcar dos cooperados para a cooperativa, com o objetivo de comercialização desse produto, o que configura, nos termos da lei, ato cooperativo. Com efeito, prevê o art. 79 da Lei n° 5.764/71 que “Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”, determinando o parágrafo único do mesmo dispositivo, ainda, que “O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria”. Portanto, depreendese que, in casu, ato cooperativo é a operação que o estabelecimento industrial pratica com a cooperativa, a ela enviando os seus produtos para o fim de comercialização dos mesmos. Neste diapasão, a aquisição de insumos, embora utilizados no processo de industrialização do produto enviado à cooperativa, não se configura em ato cooperativo. Isto se torna evidente na medida em que os fornecedores dos insumos são terceiros alheios à relação cooperado/cooperativa. Além do mais, o parágrafo único do art. 79 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, não deixa dúvidas ao dizer que o “ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria”, fatos que se observam quando a empresa adquire matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Os atos cooperativos em si, ou sejam as saídas do açúcar para a COOPERSUCAR, não sofreram ônus fiscal superior ao do ato não cooperativo equivalente, pois foram efetuados com a suspensão do imposto, com base no entendimento do Parecer PGFN/CAT/N° 1001, de 1992. Em adição, a obrigação de anulação do crédito do imposto obedece aos comandos legais e regulamentares que cuidam da matéria, conforme já discorrido anteriormente.” (negrito não constante do original) Disto isso, entendo que as disposições do RIPI/98 são plenamente aplicáveis ao caso, de forma que tenho por acertada a decisão da autoridade julgadora administrativa de primeira instância. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13828.000288/200219 Acórdão n.º 3202001.490 S3C2T2 Fl. 300 13 Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721661/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO VERIFICADA.
Nega-se provimento aos embargos de declaração opostos quando não constatada omissão no julgado.
Numero da decisão: 1202-001.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Nereida de Miranda Finamore Horta, Joselaine Boeira Zatorre, (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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OMISSÃO NÃO VERIFICADA. Negase provimento aos embargos de declaração opostos quando não constatada omissão no julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos para negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Nereida de Miranda Finamore Horta, Joselaine Boeira Zatorre, (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 61 /2 01 1- 91 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.721661/201191 Acórdão n.º 1202001.222 S1C2T2 Fl. 883 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos pela NEON HOLDINGS LTDA. Na origem, entendeu a D. Fiscalização que a Embargante incorreu na falta de contabilização de ganho de capital apurado na alienação de ações da empresa “Selenium ”, razão da lavratura de Autos de Infração consubstanciados em lançamento a título de IRPJ, no valor de R$ 94.921.486,01 (fls. 481/486) e CSLL, no valor de R$ 34.187.915,19 (fls. 487/491), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros à taxa SELIC, com fundamento nos ganhos de capital apurados incorretamente mediante a alienação ou baixa de investimentos avaliados pelo valor do patrimônio líquido. A Embargante apresentou Impugnação que foi julgada totalmente improcedente, mantido o crédito tributário a título de IRPJ e da CSLL. Intimada, interpôs Recurso Voluntário ao qual foi dado parcial provimento, unicamente para afastar a incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício. Notificada da decisão, foram opostos os presentes Embargos de Declaração, sob a alegação de suposta obscuridade e omissão sobre (i) a razão pela qual o fato gerador dos tributos seria 28/07/2006 e não 30/06/2006; (ii) onde teria havido ganho de capital na permuta de ações, já que não houve torna, o que, no seu entendimento, impossibilitaria a tributação; e (iii) a análise da decadência nos termos do artigo 48 do Código Civil, visto que a fiscalização anulou operações societárias ocorridas em 30/06/2006 e 28/07/2006, portanto, há mais de 3 anos da lavratura dos Autos de Infração. Transcrevo, a seguir, a ementa do v. Acórdão nº 1202001.075 objeto dos presentes Embargos, in verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INOCORRÊNCIA É imperiosa a análise das operações societárias realizadas em sequência para que se verifique a ocorrência ou não do fato gerador e a real intenção da contribuinte. A responsabilidade de cada empresa envolvida deve ser apurada quando configurada a hipótese de incidência tributária. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em havendo pagamento, o prazo decadencial iniciase na data da ocorrência do fato gerador, conforme § 4º do art.150 do CTN. Já nos casos em que não constar pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme disposto no art. 173, inciso I do CTN. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. CRITÉRIOS. O que determina a incidência ou não de tributo para caracterização de planejamento tributário legítimo é a função a que se destina a operação dentro do empreendimento econômico (causa objetiva propósito negocial), Fl. 884DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.721661/201191 Acórdão n.º 1202001.222 S1C2T2 Fl. 884 3 não bastando a existência do conteúdo formal do negócio jurídico, consubstanciado na declaração de vontade. As operações estruturadas em sequência, realizadas em curto prazo, constituem simulação relativa, cujo ato verdadeiro dissimulado foi a alienação das ações, que teve como único propósito evitar a incidência de ganho de capital. FATO GERADOR DO IRPJ E DA CSLL. LUCRO NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Restando comprovado o lucro na alienação de ações, é de se efetuar a sua tributação, a título de ganho de capital. INCIDÊNCIA DE JUROS PELA TAXA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Jurisprudência pacificada deste Conselho Administrativo no sentido de afastar a incidência de juros de mora sobre multa de ofício, devendo incidir somente o valor do tributo devido. É o relatório. Voto Geraldo Valentim Neto Relator O recurso é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Os Embargos de Declaração têm lugar nos casos em que o acórdão se mostra obscuro, omisso ou contraditório (art. 65 do Regimento Interno do CARF – Anexo II da Portaria do Ministério da Fazenda nº 256 de 22/06/09). No momento, nenhuma das situações ocorre, tendo os presentes Embargos finalidade exclusiva de alterar o que ficou decidido. Alega a Embargante que não ficou clara a razão pela qual o fato gerador dos tributos seria 28/07/2006 e não 30/06/2006, já que em 30/06/2006 a Embargante teria experimentado ganho por equivalência patrimonial. Deve ser verificado que a D. Autoridade Fiscal sustenta que a troca de ações entre as empresas Embargante e Nova Paiol, com a Selenium, pelas ações da Elba foi vazia de fundamentação econômica, tendo como único propósito inflar o custo de aquisição das ações da Selenium e, assim, “contornar” a tributação que incidiria sobre o aumento de capital da Elba realizado em 28/07/2006. Fez constar a fiscalização (Termo de Verificação à fl. 99): “Com um olhar sobre o conjunto das reorganizações societárias implementadas pelo Grupo Bradesco neste período será possível verificar que as empresas Neon e Nova Paiol trocaram as suas ações da Selenium Fl. 885DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.721661/201191 Acórdão n.º 1202001.222 S1C2T2 Fl. 885 4 pelas ações da Elba e que uma operação de subscrição de capital com ágio, juridicamente perfeita, realizada em 30/06/2006, porém, vazia de fundamentação econômica, teve como único propósito inflar o custo de aquisição das ações da Selenium e assim “contornar” a tributação que incidiria sobre o aumento de capital da Elba realizado em 28/07/2006”. O resultado final das reorganizações societárias foi: (i) a Embargante e a Nova Paiol efetivaram trocas de participações societárias na Selenium pela participação societária na Elba; e (ii) a Elba recebeu o acervo líquido da Selenium acrescido da mais valia das ações da Visanet e da Usiminas. Estas operações tiveram como resultado para a Embargante e para a Nova Paiol uma troca de ações da Selenium pelas ações da Elba, sendo que em 29/06/2006 as ações da Selenium valiam R$ 64.979.008,24, trocadas pelas ações da Elba em 28/07/2006 por R$ 759.255.604,79. Assim, foram desconsideradas as operações intermediárias de 30/06/2006 para reputar como ocorrida a operação global de permuta em 28/07/2006, pela Embargante e pela Nova Paiol, de 100% das ações que detinham da Selenium por 18,9361% das ações da Elba, aplicandose os arts. 117, §4º, e 426 do RIR/99, fatos estes esclarecidos no v. Acórdão recorrido. O v. Acórdão recorrido descreveu corretamente os fatos apurados pela D. Fiscalização, conforme defendido neste E. Conselho, consoante trecho abaixo retirado do v. Acórdão embargado (fl. 792): “A partir do conjunto dessas operações efetivadas no anocalendário de 2006 é que a Fiscalização glosou o ganho de capital da Recorrente que não teria sido, devidamente, por ela contabilizado, decorrente de alienação de ações da empresa Selenium. Esta operação teria sido encobertada pela realização de duas operações em sequência, quais sejam (i) a subscrição pela Elba do capital social da Selenium em 30/06/2006 e (ii) a incorporação da Selenium pela Elba em 28/07/2006, dissimulando uma verdadeira “permuta de ações.”. (grifouse). Portanto, a tentativa da Embargante de submeter a questão a novo julgamento por esta C. Turma não pode ser admitida por meio de Embargos de Declaração, uma vez que não se encontram configuradas as hipóteses que autorizam a sua oposição. A Embargante contesta, ainda, que o v. acórdão deixou de esclarecer onde teria havido ganho de capital na permuta de ações, já que não houve torna, o que impossibilitaria a tributação. Também neste aspecto se encontram equivocadas as alegações da Embargante, não havendo razão para o acolhimento dos Embargos de Declaração. Conforme demonstrado pela D. Fiscalização, constante do Termo de Verificação Fiscal e objeto de análise no v. Acórdão embargado, as reorganizações societárias intermediárias pretenderam, justamente, evitar a tributação como ganho de capital, mediante a Fl. 886DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.721661/201191 Acórdão n.º 1202001.222 S1C2T2 Fl. 886 5 aquisição, com ágio, da participação societária da Selenium. Como já exposto, se a Embargante e a Nova Paiol aumentassem o capital da Elba diretamente em R$ 759.255.604,79, utilizando as ações da Selenium válidas em 29/06/2006, teria ocorrido ganho de capital tributável. Ou seja, na verdade a Embargante pretendeu exatamente evitar o ganho de capital para não arcar com os tributos incidentes, operação esta, intermediária, que foi corretamente desconsiderada pela D. Autoridade Fiscal, como bem exposto no v. Acórdão recorrido. Por fim, a Embargante alega que o v. Acórdão foi omisso na análise da decadência que, no seu entendimento, se encontraria prevista no artigo 48 do Código Civil, visto que a fiscalização anulou operações societárias ocorridas em 30/06/2006 e 28/07/2006, portanto, há mais de 3 anos da lavratura dos Autos de Infração. Tal alegação também não merece prosperar. Conforme amplamente demonstrado no v. Acórdão e como já decidido pelo E. STJ, o termo inicial do prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, na hipótese de existência de pagamento, aplicase o parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Assim, nos casos em que houve o pagamento dos tributos, o prazo decadencial começa a contar a partir da ocorrência do fato gerador. Entretanto, caso não exista o pagamento dos tributos, o prazo decadencial que deve ser considerado é aquele previsto no artigo 173, inciso I do CTN, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Fl. 887DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.721661/201191 Acórdão n.º 1202001.222 S1C2T2 Fl. 887 6 Assim, não se aplica ao presente caso o mencionado artigo 48 do Código Civil, mas, sim, o artigo 150, § 4º do CTN ou, nos casos em que houver declaração desacompanhada de pagamento, o artigo 173, inciso I do CTN, como de fato ocorreu no caso concreto. Com isso, não há que se falar em omissão com relação à análise do artigo indicado pela Embargante, uma vez que, tal como já exposto, não aplicável ao caso concreto, mas, sim, o artigo 173, inciso I do CTN, como corretamente constante do v. Acórdão embargado. As alegações da Embargante claramente configuram tentativa de reforma do julgado, diante da inexistência de qualquer uma das hipóteses que autorizam a oposição de Embargos de Declaração. Com as considerações acima, entendo não estarem presentes quaisquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, razão pela qual voto no sentido de conhecer e negar provimento os Embargos de Declaração opostos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 888DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10380.906706/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
Numero da decisão: 3401-002.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simôes Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simôes Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 67 06 /2 00 9- 50 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simôes Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente de pedido de compensação informado em PER/DCOMP que não foi homologado, e que percorre as instâncias julgadoras pela persistente inconformidade do contribuinte, nos termos da legislação que disciplina a matéria. A Autoridade Administrativa, consoante despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação pleiteada pela Requerente, através da PER/DCOMP referenciada em epígrafe, sob os seguintes fundamentos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: ..... A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” [...] Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada O contribuinte contestou essa decisão. Explicou que seu direito creditório para realizar a compensação provinha da redefinição da base de calculo do Pis e da COFINS conforme constava no texto legal, mas que havia deixado de registrar esse valor nas DCTF e DIPJ, razão porque o sistema informatizado de controle identificou falta de crédito e não homologou a compensação. Mas que providenciou a DCTF e a DIPJ retificadora. Sua argumentação, in verbis: · Consoante exposto nas razões de fato, a Requerente quando da definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, incluiu, no conceito de faturamento, além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, outras receitas nãooperacionais, tais como receitas financeiras, decorrentes de descontos obtidos, juros ativos, variação monetária, rendimentos de aplicações, recuperação de despesas e reversão de provisões, conforme comprovam os balancetes elaborados à época (DOC. 04), a seguir descritos · Sobre o montante acima identificado, apurou os valores a pagar das referidas Contribuições, cujas informações foram devidamente prestadas à Receita Federal, através das declarações entregues à época, quais sejam DIPJ's e DCTF's. Ato contínuo, efetuou o recolhimento dos valores supostamente devidos, através de Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906706/200950 Acórdão n.º 3401002.866 S3C4T1 Fl. 3 3 bem como efetuou a vinculação de outros créditos, decorrentes de compensações outrora realizadas. · Ocorre que, por força da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a Requerente passou a ser detentora de créditos oriundos dos recolhimentos efetuados a maior, a título das referidas Contribuições, relativamente à parcela calculada sobre outras receitas, ... : · A Requerente, todavia, não obstante ter identificado a existência desses créditos em seu favor, não efetuou as retificações necessárias das Declarações originalmente transmitidas à Receita Federal DIPJTs e DCTF's motivo pelo qual o Fisco, ao cruzar os valores declarados e os DARF's pagos, não identificou o recolhimento realizado a maior, entendendo que os pagamentos localizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. · Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Requerente. · Vislumbrando a documentação acostada, fácil constatar que houve pagamento a maior do período, visto que, a partir das Declarações Retificadoras, o valor efetivamente devido a título de COFINS em 31/07/2003 perfazia originalmente 15.871,69 (quinze mil, oitocentos e setenta e um reais e sessenta e nove centavos), ao passo que foi efetuada a vinculação de créditos (pagamentos e compensações) no montante de R$ 16.013,75 (dezesseis mil, treze reais e setenta e cinco centavos), (também valores principais), remanescendo saldo credor original de R$ 142,06 (cento e quarenta e dois reais e seis centavos), valor este integralmente utilizado no Pedido de Compensação em tela. Em sede de apreciação do pedido do contribuinte a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza(CE) exarou o Acórdão 0818.222– 4ª Turma, em 15 de junho de 2010, ponderando que: "(...) cabe vincar que a declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos (contábeis e fiscais) que fundamentam a retificação." Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 A respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE apreciou a contestação da contribuinte, mas concluiu pelo indeferimento do seu pedido. Em suma, entendeu que não havia direito liquido e certo quando do pedido de compensação, e que a declarações retificadoras não poderiam produzir efeito para sanear o fato, representado pela exigência relacionada à não homologação. A ementa do Acórdão 0818.222 ficou assim redigida: ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. E legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante ajuntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, onde, além das razões presentes na impugnação, acrescenta outras adicionais porque pede a reforma da decisão de 1º grau: · Seu direito creditório provem do recolhimento indevido de Pis e Cofins face a inconstitucionalidade reconhecida do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. o “Preliminarmente, antes de adentrar nas razões que levaram à improcedência da Manifestação de Inconformidade em comento, importa destacar que o direito creditório diz respeito à possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sob a égide do inconstitucional § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98.” o “Com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram reconhecidas como indevidas as majorações da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da ampliação de suas bases de cálculo, assim entendidas como faturamento, deixando de ser considerado como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, para Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906706/200950 Acórdão n.º 3401002.866 S3C4T1 Fl. 4 5 voltar a ser entendido como as receitas advindas da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços.” · Em sua opinião, a legislação que rege as DIPJ E DCTF prevê o direito do contribuinte retificar as declarações por ele prestadas, inclusive para louvar os princípios de justiça e da verdade material que devem orientar os procedimentos das relações tributárias: o “Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento da impossibilidade de análise das retificações de declarações apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, o que, a seu ver, impossibilitaria a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado.” o “No caso em comento, a Autoridade Administrativa afirma que o despacho decisório (de não homologação das compensações) levara em conta as informações prestadas em DCTF original, e que o manifestante retificou a DIPJ e a DCTF depois de cientificado do decisório impugnado, o que impossibilitaria a análise das referidas retificações, a não ser que a defesa administrativa fosse acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito.” o “ Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo qual merece ser acatado, senão vejase. (...) A Instrução Normativa RFB n°. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época da retificação das DCTF's que albergam o crédito pleiteado, dispõe, em seu art. 11, sobre os efeitos da referida retificação” (...) E o item ‘c’ desse artigo 11 não pode ser interpretado como restrição para a retificação e seus efeitos pois o contribuinte não havia sido intimado do inicio de procedimento fiscal, mas apenas cientificado do despacho eletrônico de não homologação de seu pedido de compensação. o O princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir de mera presunção. o Desta forma, a autoridade administrativa competente para decidir não está limitada às provas produzidas pelas partes, nem está restrita às suas alegações, devendo obrigatoriamente buscar todos os elementos que julgar necessários e suficientes ao seu livre convencimento. o Assim, dada à importância desse princípio, a busca da verdade material não é uma faculdade da autoridade administrativa, mas sim um dever, de modo que esta deve solicitar e analisar todos os documentos que entender necessários à elucidação do caso, principalmente quando o contribuinte apresenta documentação amplamente comprobatória do deu direito. · Não é verdade, como afirmaram os Julgadores que o contribuinte não comprovou seu direito ao crédito e à compensação: o Neste diapasão, afirmou a Autoridade Administrativa que a Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora." Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 o Ocorre que basta uma análise perfunctória da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, para verificar que a mesma não instruiu referida impugnação "apenas com a DCTF retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa. o Quando da apresentação da manifestação de inconformidade por parte da Recorrente, a mesma apresentou diversas PLANILHAS contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento das receitas auferidas, acompanhados ainda da DIPJ devidamente retificada. o Dessa forma, o entendimento exarado no acórdão recorrido, pela não homologação da compensação declarada deve ser modificado, levandose em conta a documentação já apresentada pela Recorrente e já acostada aos autos, quando da apresentação de manifestação de inconformidade, que devem ser objeto de apreciação da Autoridade Administrativa, em obediência aos princípios da verdade material e da instrumentalidade. Este processo chegou à apreciação da Egrégia 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e foi submetido a apreciação, ocasião em que ela proferiu decisões e determinou diligência, tudo isso através da Resolução n.º 3402 000.162. Os Respeitáveis Conselheiros, ao analisarem as manifestações do contribuinte aduziram que: "De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente. Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada "balanço" e referida no recurso como "balancete", e por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas "demonstrações". Para baixar o processo em diligência para que a fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição o Colegiado decidiu que a autoridade da unidade de jurisdição levasse em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição, ou seja, considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, e que ela indicasse se há indébito no período de apuração em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão). A autoridade fiscal, como resultado no atendimento da diligência solicitada pelo CARF, de posse das informações apresentadas pelo contribuinte (Livro Razão), finaliza seu parecer informando: O crédito objeto do PER/DCOMP e tratado neste processo referese a COFINS do período de apuração JULHO/2003. Após os procedimentos de auditoria, chegase ao seguinte valor de crédito a que faz jus o contribuinte: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906706/200950 Acórdão n.º 3401002.866 S3C4T1 Fl. 5 7 Base de cálculo COFINS apurada COFINS paga/retida Crédito da COFINS R$ 529.056,36 R$ 15.871,69 R$ 16.013,75 R$ 142,06 Apesar de cientificada desse relatório fiscal e da possibilidade de se manifestar, o contribuinte nada apresenta a ser juntado ao processo. Assim, o processo retorna ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Há tempestividade do Recuso Voluntário e atendimento dos requisitos de admissibilidade. Tratase de recurso interposto contra decisão que indeferiu pedido de compensação declarado por meio do PER/DCOMP n° 37877.61616.290906.1.3.043700. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Cofins, referente ao mês de julho de 2003 e efetuado em 15/08/2003, com débito de estimativa de IRPJ, respeitante ao mês de agosto de 2006. Aliome aos que valorizam a busca da verdade material como concorrente à realização dos mais elevados propósitos do julgamento das lides na esfera administrativa. Há acórdãos proferidos em o Conselho de Contribuinte e no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que representam essa orientação de que a busca da verdade material deve ser fortemente considerada nas relações tributárias e nas soluções dos contenciosos entre o Fisco e o Contribuinte: IRPJ FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO Em respeito à legalidade, verdade material e segurança jurídica não pode subsistir lançamento de crédito tributário quando não estiver devidamente demonstrada e provada a efetiva subsunção da realidade factual à hipótese descrita na lei como infração à legislação tributária. ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação. PROCESSOS REFLEXOS PIS COFINS IRF CSLL Respeitandose a materialidade do respectivo fato gerador, a decisão prolatada no processo principal será aplicada aos processos tidos como decorrentes, face a íntima relação de causa e efeito. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3° Câmara, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz, Recurso n°. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 124737, Processo n°. 10283.002174/9774, Acórdão n°. 10320594,sessão de 22/05/2001) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 EXCESSO NA DESTINAÇÃO AO FINOR Como cediço, no processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que, buscase descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação, é de se levar em conta, que a preclusão temporal, em razão dos princípios da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência pode vir a ter sua aplicação mitigada nos julgamentos administrativos. Recurso Voluntário Provido. (1° Conselho de Contribuintes, 8 Turma Especial, Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Recurso n°.156170, processo n°. 10820.002086/200366, Acórdão n°. 19800116, sessão de 30/01/2009). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1994 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELEMENTOS PARA COMPROVAÇÃO DA DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material, tão caro no processo administrativo fiscal, deve prevalecer, de modo que sejam considerados documentos hábeis a comprovar a decadência das contribuições vinculadas à realização de obra de construção civil, ainda que não expressamente previstas nas normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido. (2° Conselho de Contribuintes, 6ª Turma Especial, Relator Kleber Ferreira de Araújo, Recurso n°. 246754, processo n°. 12045.000374/200772, Acórdão n°. 296 00078, sessão de 10/02/2009). IRRF DCTF ERRO DE PREENCHIMENTO Comprovados os recolhimentos de IRRF, mediante apresentação das guias respectivas, acompanhadas da regular retificação e complementação da DCTF e dos respectivos lançamentos contábeis, afastase o lançamento. Recurso provido. (Iº Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, processo n°. 10665.000668/2002 67, Recurso n°. 147364, Relatora Silvana Mancini Karam, Acórdão 102 47820, Sessão de 16/08/2006) A meu sentir, correta foi a decisão e orientação dada pelo E. Relator na Resolução que originou o pedido de diligência, em suas palavras: “Não partilho, como já tive oportunidade de afirmar em outros julgados, a tese da Administração segundo a qual a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo dependa de prévia retificação de sua DCTF quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso que não se pode ainda decidir o recurso.” “De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente.” “Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada “balanço” e referida no recurso Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906706/200950 Acórdão n.º 3401002.866 S3C4T1 Fl. 6 9 como “balancete” e, por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindoselhe prazo de trinta dias para eventual contestação.” Portanto, não procede deixar de apreciar as retificações das declarações prestadas pelo contribuinte, nem de se verificar a sua correspondência com os próprios registros contábeis. E nessa direção, é que a verificação dos valores que seriam devidos do tributo é procedimento essencial para a apreciação e conclusão da lide. Como já exposto anteriormente, entendo que o Colegiado pode apreciar o mérito da lide, parcial ou totalmente, em sessões que não resultem em Acórdão final, mas, sim, em Resoluções. Entendo que, neste caso, o Colegiado apreciou e decidiu o mérito, no que concerne à não inclusão, na base de tributação do PIS e da COFINS, das receitas apontadas pela contribuinte em sua petição original e indeferida pela autoridade de jurisdição e pelos julgadores a quo. O processo retorna ao CARF para apreciar o resultado da diligência, tendo como válidas as decisões que conduziram e condicionaram a sua realização. Respeitando essa decisão, há que se reconhecer o teor das bases do direito creditório pleiteado. Esta posição adotada pelo Colegiado com relação aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998 tem respaldo em entendimento firmado neste Tribunal Administrativo. Há julgamentos do CARF que consolidam, nos casos concretos, a definição de que a ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, foi inconstitucional, afastando a aplicação da referida Lei, o que corresponde à tese do recorrente, conforme julgados a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/05/2002, 31/08/2002 BASE DE CALCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Acórdão 20181.260, de 03.07.08, Relator: José Antonio Francisco). COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 380840 MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § Iº, do artigo 3°, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Processo n". 10120.003831/200381, Recuso n°. 140629, Acórdão 10195764, Relator Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 21/09/2006). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Iº, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § Iº, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. [...] Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Iª Câmara, Processo n°. 10980.011343/200318, Recurso nº 139409, Acórdão 20181235,Relator Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Sessão de 01/07/2008). Além disso, a contribuinte tem como objeto social os serviços de diagnóstico médico, e as receitas financeiras aqui em discussão não resultam de suas atividades empresariais operacionais. A autoridade fiscal, em seu relatório em atendimento à diligência confirma a suficiência do crédito para a compensação requerida pela contribuinte. Por todos esses elementos, concluo que deve se dar provimento ao recurso. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 11080.906518/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. CREDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é condição necessária para a realização da compensação tributária que o sujeito passivo seja simultaneamente titular débito e crédito liquido e certo, recíprocos e de valores equivalentes.
No procedimento compensatório, o ônus de provar a existência do crédito restituível, passível de compensação, é do sujeito passivo, mediante a apresentação do comprovante de pagamento do tributo indevido (Dart) e dos demais documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário.
Sem tais elementos comprobatórios não é possível a Administração tributária verificar a existência da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação, resultando na não-homologação do procedimento compensatório declarado, por inexistência de crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.743
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL AssuNro: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL- COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. CREDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é condição necessária para a realização da compensação tributária que o sujeito passivo seja simultaneamente titular débito e crédito liquido e certo, recíprocos e de valores equivalentes. No procedimento compensatório, o ônus de provar a existência do crédito restituivel, passível de compensação, é do sujeito passivo, mediante a apresentação do comprovante de pagamento do tributo indevido (Dart) e dos demais documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário. Sem tais elementos comprobatórios não é possível a Administração tributária verificar a existência da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação, resultando na não-homologação do procedimento compensatório declarado, por inexistência de crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AricOodo talmento em 10110/201() por JOSE FERNANDE DO NASCIMENTO 02112/2010 por LUIS MARCELO GL1 ERRA OE CASTRO Autenticado Oit;italmento ern 16/1012010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Emilido em 20112/2010 plc, Minis:66o da Fauncla Fl. 7(1 DP CARP MF Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 16/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformat o Acórdão n° 0-18.486, de 27 de fevereiro de 2009 (fls. 35/36), proferido pelos membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (DRJ/POA), cuja ementa ficou a assim redigida, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÁO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Periodo de apuração 01/10/1999 a 31/10/1999 Ementa RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensagão - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprova cão da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas Compensação não Homologada Por meio da Declaração de Compensação (DComp) de n° 16890,17171.121104.13.04-3728 (fls. 02/06), a Interessada informou a compensação do crédito da Cofins do mês de outubro de 1999 (fl. 04), originfirio de pagamento indevido, com par ela do débito da mesma Contribuição do mês de setembro de 2004 (11. 05). Segundo o Despacho Decisório de fl. 01, o pagamento declarado pela hit ressada (fl. 04) não foi localizado nas bases dados da RFB. Em decorrência da inexistência de rédito, a compensação não foi homologada. Inconformada com o teor do referido Despacho Decisório, ern 01/09/2008, a Interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 07/25, aduzindo as razões de defesa que foram resumidas no Relatório integrante do Acórdão recorrido, com os seguintes terms: A interessada por sua vez contesta o Parecer alegando que ao ,fccer levantamento de importáncias pagas a titulo de Pis e Cofins, conforme disposição da Lei g718/98, constatou valores pagos a maim-, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida Afirma que houve Assinado thiie nenta em 16110/2(1 #31109ALt945Wel ff irgYMISIlq.i/PAURTI9Sig2F1 Metifi,§ rliffe EL a GU ERRA DE CASfRO Autenticado digitalmenie ern l6/1O/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Emitido ern 30/1212010 pelo Minister io do Fazenda 2 DI' CA RE ME I I, 71 Processo n° 11080.906518/2008-98 S3-C1T2 Actirdao n ° 310240,743 Fl 63 deveriam ter sido exchddos da base tributável com base no disposto no art 30, §2, Inciso III, da Lei 9.71811998, o que teria gerado indébitos compensáveis . Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentaglio do dispositivo retrocitado, o que geraria moloraglio indevida do tributo. Sobreveio o citado Acórdão, em que os membros da Turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, não reconheceram o direito creditório informado e, por conseguinte, não homologaram a compensação declarada, com base nos seguintes argumentos: a) não caberia Aquele Colegiada se manifestar acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade de normas que tern presunção de validade e devem ser observadas pela Administração; b) o preceito da Lei no 9.718, de 1998 (o inciso III do § 2° do art. 3°), que previa a exclusão dos valores transferidos para outras pessoas jurídicas da base de cálculo da Cofins, como não tinha o atributo da autoexecutoriedade, não produziu efeitos no curso de sua vigencia, pois não foi regulamentado pelo Poder Executivo até a sua revogação pela Medida Provisória n° 1.991-18, de 2000; e c) ademais, não havia nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que, de plano, já bastaria para frustrar o encontro de contas pretendido, por violação do artigo 170 do CTN. Em 26/03/2009, a Recorrente foi cientificada, por via postal (fl. 39), do referido Acórdão. inconformada, em 17/04/2009 (fl. 40), interpôs o Recurso Voluntário de fls. 40/60, reafirmando as razes de defesa aduzidas na peça impugnatória e requerendo o integral provimento do presente Recurso, para que fosse determinada a homologação das compensaçbes apresentadas. Em cumprimento ao despacho de fl. 61, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado peia Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, na Sessão de maio do corrente ano, mediante sorteio, os presente autos foram distribuidos para este Conselheiro. E o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator 0 presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. 0 presente processo trata de litigio referente ao direito da Recorrente de compensar crédito proveniente do pagamento indevido ou maior que o devido da Corms do mês de outubro de 1999 (fl. 04), com parcela do débito da mesma Contribuição do mês de setembro de 2004 (ft. 05). Aesinatio dig i telmente ent 10/1012010 F , or JOSE FERNANDES DC) NASCIMENTO 02/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRC) Aulanticado digitalmente. ern 16110/2010 por JOSE FERNANDES DO HASCIMENTO 3 Ernitilo :30112J2010 peto tvlinust&no on 17nzencia DF CARF Tv1F Fl. 72 De acordo com o Despacho de Decisório de fl. 01, os dados do pagamento indevido, informados pela Recorrente na citada DComp (fl, 04), não foram localizados nos sistemas de dados da RFB, o que motivou a não homologação da compensação em apreço, por in I1xistência de crédito. Assim, fica evidente que a causa da não-homologação do procedimento cornpensatório em apreço foi a ausência da comprovação do valor do crédito informado, o que deinandaria, para fins de reversão da decisão prolatada, a apresentação das provas confirmatórias da existência do suposto indébito tributário. Entretanto, ao invés de apresentar os elementos probatórios do direito creditório alegado, a defesa da Interessada limitou-se a questões de direito, acompanhada de farta citação doutrinária e jurisprudencial. Nem sequer o comprovante (o Darf) do pagamento indevido não localizado nos sistemas da RFB foi apresentado. Além disso, a Recorrente não se dignou trazer aos autos qualquer informação ou elemento de prova acerca dos valores que, computados como receita, alegou ter transfer idos a terceiras pessoas jurídicas, no período de fevereiro de 1999 a agosto de 2000, e supostamente exciluiclos da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com respaldo no inciso HI do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 9.718, de 1998. Diante da ausência de tais provas e informações, não hi como saber o valor da .eceita transferida nem as pessoas jurídicas beneficiárias. Em decorrência, como aquilatar o procedimento compensatório em apreço? Impossivell Dessa forma, ao meu juizo, o presente Recurso não passa de uma pega meramente teórica, sem qualquer resultado pratico para o deslinde da presente controvérsia, qu exigiria a comprovação cabal do valor do crédito utilizado na compensação em comento. 1 Não é demais ressaltar que, em matéria processual, seja administrativa ou judicial, o anus da prova cabe a quem alega possuir o direito pleiteado. Neste sentido, dispõe o inc so I do art, 333 do Código de Processo Civil, No âmbito do processo administrativo de exigência do crédito tributário, face a natureza vinculada do lançamento e do ato de aplicação de penalidade, é dever da autoridade fiscal apresentar os elementos de prova do fato juridico tributário (fato gerador) ou do ilícito tributário desencadeador do liame obrigacional, conforme expressamente determina o caput do art. 90 do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAP). Por sua vez, na esfera do contencioso administrativo atinente ao procedimento compensatório (compensação espontânea ou autocompensaçã'o) quem afirma possuir direito ao encontro de contas entre o crédito e o débito compensados é o próprio sujeito paisivo, : consequentemente, é dele o anus de trazer ao processo os elementos probatórios da exi t t encia desse direito, cabendo a Administração tributária apenas a função de verificar a reg laridade do procedimento em comento, somente homologando-o se devidamente comprovado os requisitos e is condições estabelecidos em lei, dentre os quais, por força do disPosto no art. 170 do CTN, destaca-se a imprescindibilidade da comprovação da liquidez e ce eza do crédito informado, o que não ocorreu no procedimento em anfilise. No que tange ao aspecto probatório, fazendo um paralelo entre o pro edimento de exigência do crédito tributário e o procedimento compensatório, verifica-se que no primeiro quern . deve provar o fato jurídico tributário (ou fato gerador em concreto) é a , Assinado digitalmente em 1 0/ 10/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 01:112/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASIRO Aillenticado digitatinenle em 1V10/2010 poi JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 4 Einilido em 30 /1212010 pet Minis*io Oa Fazenda l)FCARFMF Fl 73 Processo re' 11080.906518/2008-98 S3-CIT2 Aceirciilo n° 3102-00.743 Fl 64 autoridade fiscal, ao passo que no segundo quem tem o anus de provar o fato jurídico do pagamento indevido é o sujeito passivo que o alega. Não é demais lembrar que, no âmbito do contencioso administrativo, a prova objetiva convencer o julgado acerca da verdade ou falsidade de um fato. E ela o instrumento adequado a construir a verdade no processo, fixando os fatos no mundo jurídico. Sem ela o processo se transforma numa pega de natureza meramente teórica ou abstrata, desvirtuando a finalidade precipua que lhe é reservada pelo ordenamento jurídico, a saber, a resolução jurídica dos conflitos. A importância da prova jurídica como instrumento de introdução dos fatos no mundo jurídico é ressaltada no excerto extraido da doutrina de Eurico Marcos Diniz de Santi l , a seguir transcrito: "0 direito não incide sobre fatos, incide sobre a prova dos fatos, ou dizendo de outra forma: o fato jurídico é fato juridicamente provado". Também não se deve olvidar que, em matéria processual, alegar e não provar, o mesmo que não alegar, dai a origem do brocardo jurídico: allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Na esfera do processo administrativo fiscal, que se aplica ao contencioso em apreço, por expressa previsão legal (§ 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996), corrobora o asseverado o disposto nos arts. 15 e 16 do PAF, com as alterações posteriores. Por tais razões, entendo que a completa ausência de 'novas, seja da origem dos valores que, computados como receita, foram transferidos a terceiras pessoas jurídicas, seja do valor do pagamento indevido declarado, é suficiente para a rejeição das alegações aduzidas pela Recorrente. Porém, ad argwnentandum, não me furtarei de analisar A questão jurídica de fundo suscitada pela Recorrente no presente Recurso, consistente no direito de dedução da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos valores das receitas repassados a terceiras pessoas jurídicas, nos termos do inciso III do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 9.718, de 1998, a seguir trasncrito: Art 3 2. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde et receita bruta da pessoa jurídica § 2 Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2-9, excluem-se da receita bruta: Ill- os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas tzarinas regulatnentadoras expedidas pela Poder Executivo; ( . ) (grifos não originais) 0 referido inciso, que entrou em vigor em 1° de fevereiro de 1999, foi derrogado pela alínea "b" do inciso IV do artigo 47 da Medida Provisória n° 1991-18, de 09 de junho de 2000, em 9 de junho de 2000, data da publicação da referida MP. Porém, embora I SANT" Eurico lpr9. Djpiz icp_Dfcappc,i4 p .prescrisqo Vintt4olciyx Limonad: SAo Paulo, Assmodo divairnrite ?Alt) por t..:DL 1/0 tS ,jp,st,i AL jio i,u pot' Ozi my, 't: ERRA DE CASTRO Autenticado digitalmente em 16110/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 5 Ermtvio em 30112/201C pet° klinistario 13.0 Fazeccia V1F VI, 7 ,1 DF CARP vigente no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, cabe consignar que durante esse penado, o citado preceito legal não produziu o efeito jurídico nele previsto, por falta da edição da norma regulamentadora da incumbência do Poder Executivo, condição resolutória paria desencadear eficácia da citado comando normativo. Da leitura do preceito legal em apreço, transparece de forma clara que ele veicula norma de eficácia e aplicabilidade limitada que, para produzir os efeitos jurídicos previstos, prescindia de uma norrnatividade ulterior integt ativa de sua eficácia. Como a referida norma não foi editada, o citado preceito legal surgiu e desapareceu do mundo jurídico sem produzir o efeito jurídico que almejava. Dessa forma, com devida vênia ao entendimento contrário, entendo que o preceito legal em comento, no curso da sua vigência, não produziu o efeito jurídico prOgramado, por falta de edição da norma regulamentar integtativa da alçada do Poder Executivo. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter integralmente o Acórdão recorrido. Sala das Sessões, em 26 de agosto de 2010. (assinado digitalmente) Jose Fernandes do Nascimento Assinado digitalmente 16/10/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02112/2010 por LUIS MARCELO OU ERRA DE CAFRO Autenkado d gitalmente em 15/10/2010 por JOSE FERNANDES 00 NASCIMENTO Emitido em 3d/12/2010 polo Ministério da Fazenda
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Numero do processo: 13896.910072/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 07 2/ 20 12 -1 3 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910072/201213 Resolução nº 3801000.874 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 232DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910072/201213 Resolução nº 3801000.874 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910072/201213 Resolução nº 3801000.874 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 234DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910072/201213 Resolução nº 3801000.874 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 235DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910072/201213 Resolução nº 3801000.874 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 236DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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