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Numero do processo: 11516.007837/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2007
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
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GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 78 37 /2 00 8- 51 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007837/200851 Acórdão n.º 2402004.540 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 11/2003 a 12/2007. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 06/07), nas competências 11/2003, 01/2005, 02/2005, 02/2006, 08/2006, 09/2006, 13/2006, 07/2007, 08/2007 , 10/2007 e 13/2007, a empresa deixou de informar em GFIP os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, conforme planilha fl. 10. Os valores constam da folha de pagamento da empresa e de documentos apresentados e são relativos à remuneração da administração e obras. Informa que nos meses 01/2005 e 02/2005, os valores são relativos a serviços de projetos e acompanhamentos de obras do Residencial Alaíde, registrados na página 107 do Livro Razão de 2005, no valor de R$ 18.000,00, pagos a João Batista S. Flaustino. Não consta também na GFIP os serviços prestados por Elisabeth Akiko Guenka, relativos a confecção de projetos, no valor de R$ 20.000,00. Apresenta quadro, fl. 07 de outros pagamentos efetuados a profissionais de engenharia, conforme apurado de ART's, que não foram inclusos na GFIP, nas competência em que estes ocorreram. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/11/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 32/53), alegando, em síntese, que: 1. informa que as obras Residencial Dona Martha, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde foram objeto de ações judiciais movidas pela empresa autuada, antes da ação fiscal desenvolvida na empresa. As ações foram motivadas pela recusa do órgão fiscalizador à época, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em conceder a Certidão Negativa de Débito (CND) relativa. as obras mencionadas, quando da solicitação desta, ao término das obras. As ações ordinárias foram de n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), 2007.72.00.0115527 (Residencial Bernardo Koerich) e 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde). Alega que os processos judiciais foram favoráveis à empresa e estes apresentam perícia contábil e que estas indicam que a empresa tem contabilidade formal e regular, e que em momento algum feriu os princípios contábeis geralmente aceitos, conforme afirma a fiscalização. Apresenta documentação relativa às citadas ações judiciais ordinárias em anexo; 2. com relação ao Residencial Bernardo Koerich, ação judicial relativa ao processo 2007.72.00.0115527, informa que foi efetuado depósito Fl. 622DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 judicial no valor de R$208.400,59, conforme extrato juntado aos autos; 3. com relação ao Residencial Guimarães, alega que os empregados relacionados no anexo II dos autos não pertencem a esta obra e tão somente ao Residencial Bernardo Koerich, conforme documentos anexados, sendo que este se encontra com ação em juízo e com perícia judicial deferida; 4. com relação aos contribuintes individuais (engenheiros) citados pela fiscalização, informa que juntou cópias de documentos contábeis, bem como de recolhimentos e GFIPs; 5. alega que o Residencial Guimarães foi adquirido em 09/11/2004 da empresa H.SELL Empreendimentos Ltda, por contrato de permuta, sendo que o terreno foi adquirido com os projetos aprovados e obras de estaqueamento já realizadas no imóvel. Que a obra somente teve registro na contabilidade a partir de abril de 2005, conforme Livro Razão e que antes desta data não poderia ter registro de folha de pagamento; 6. cita que as ART's de n° 26274260 e 26277252, referentes a projeto estrutural e responsabilidade técnica de acompanhamento da obra, são relativas à obra Residencial São José, que se encontra em andamento. Aduz que as obras, com exceção do Residencial Guimarães não necessitam de despesas com preparação de terreno, e que as obras se iniciam com o estaqueamento, posto que os terrenos são planos; 7. discorre sobre o critério de aferição indireta e alega que esta deve ser aplicada apenas nos casos de exceção, ou seja, quando foi impossível a apuração das contribuições previdenciárias devidas através da contabilidade da empresa ou deixar esta exibir documentos pertinentes. Argumenta que a perícia judicial deferida para as obras demonstrou que a contabilidade da empresa é regular e formalizada; 8. argumenta que se ocorresse alguma deficiência na contabilidade, esta não afetaria os cálculos da previdência social a recolher, posto que este é feito de forma extra contábil; 9. aduz que, no caso de ser considerado a aferição, deve ser aplicado a atual norma vigente, a Instrução Normativa 24, de 30/04/2007, que alterou o Título V Normas e Procedimentos Aplicáveis à atividade de Construção Civil, da IN MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005; 10. alega que não houve a intenção de sonegar qualquer tributo e que a simples inadimplência não representa crime de sonegação fiscal. Aduz que somente após o julgamento da defesa administrativa do contribuinte é que se pode falar em sonegação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0717.647 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 568/571) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que houve a aplicação da retroatividade benéfica, aplicandose a regra do art. 32A, inciso II, da Lei 8.212/1991. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007837/200851 Acórdão n.º 2402004.540 S2C4T2 Fl. 4 5 A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a empresa possui contabilidade regular. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Florianópolis/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores da remuneração desses segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e nos quadros demonstrativos, bem como nos processos: 11516.007840/200875 e 11516.007838/200804. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Fl. 625DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007837/200851 Acórdão n.º 2402004.540 S2C4T2 Fl. 5 7 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos autos dos processos 11516.007840/200875 e 11516.007838/200804. Após essas considerações, informo que, quando da análise do processo da obrigação principal, as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação à utilização do arbitramento da base de cálculo da obrigação principal – foram devidamente enfrentadas. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) O processo 11516.007840/200875 assentou em sua ementa os seguintes termos: Fl. 627DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007837/200851 Acórdão n.º 2402004.540 S2C4T2 Fl. 6 9 “[...] AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. [...]” Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10120.724092/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE QUESTIONAMENTO EM SEDE RECURSAL.
A matéria que não tenha sido objeto de impugnação não pode por sua vez ser objeto de insurgência em sede de recurso voluntário, por operar-se sobre a mesma a preclusão.
Recurso voluntário de que não se conhece quanto a este aspecto.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N.105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONLUIO. PRESUNÇAO. AJUSTE DOLOSO NÃO COMPROVADO. QUALIFICAÇÃO AFASTADA.
A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação da ocorrência da hipótese tipificada dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A ocorrência do conluio depende da verificação de dolo dos agentes a que se reporta a conduta. Incabível a presunção de utilização de interposta pessoa e imputação de titularidade de contas-correntes a terceiro, em razão de sentença penal, que reconheceu essa prática, mas não especificou para quais contas os agentes assim procediam. Não restando comprovado o ajuste doloso, deve ser afastada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMDTD (Relator), RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente e Redator designado
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 10/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE QUESTIONAMENTO EM SEDE RECURSAL. A matéria que não tenha sido objeto de impugnação não pode por sua vez ser objeto de insurgência em sede de recurso voluntário, por operarse sobre a mesma a preclusão. Recurso voluntário de que não se conhece quanto a este aspecto. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N.105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONLUIO. PRESUNÇAO. AJUSTE DOLOSO NÃO COMPROVADO. QUALIFICAÇÃO AFASTADA. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação da ocorrência da hipótese tipificada dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A ocorrência do conluio depende da verificação de dolo dos agentes a que se reporta a conduta. Incabível a presunção de utilização de interposta pessoa e imputação de titularidade de contascorrentes a terceiro, em razão de sentença penal, que reconheceu essa prática, mas não especificou para quais contas os agentes assim procediam. Não restando comprovado o ajuste doloso, deve ser afastada. Recurso negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 40 92 /2 01 3- 37 Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMDTD (Relator), RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente e Redator designado (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 10/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 21 3 Relatório Tratase de auto de infração (fl. 1234/13), no qual foi averiguado o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anoscalendário de 2008, 2009, 2010 e 2011, constituído em razão de omissão se rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, exigindo o crédito tributário no valor de R$ 10.350.125,42, já incluídos juros de mora e multa qualificada de 150%. A autuação tem como sujeito passivo Carlos Augusto de Almeida Ramos e como responsável solidário Geovani Pereira da Silva, em razão da aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional. Como referido pelo Termo de Sujeição Passiva “Conforme fartamente demonstrado no Processo Penal nº 927209.2012.4.013500 da lavra do Meritíssimo Juiz Federal Alderico Rocha Santos da 11ª Vara da Seção Judiciária do Estado de Goiás, ora anexado ao processo administrativo nº 10120.724.092/201337 (fls. 711 a 1.232), o Sr. Geovani dolosamente permitiu a utilização de suas contascorrentes para que o Sr. Carlos Augusto obtivesse êxito na tentativa de sonegar tributo e branquear recurso financeiros de origem ilícita, tendo, portanto, interesse na empreitada”(fls.1269/1270). Procedimento de Fiscalização O procedimento fiscal foi impulsionado inicialmente por determinação do MPF nº 0120200.201200245 (fl. 27), com o fito de verificar indício de movimentação financeira incompatível para os anoscalendário 2008 a 2011 junto a Geovani Pereira da Silva. 92720920124013500 Com base na sentença penal anexada ao processo (fls. 722/1232), Geovani Pereira da Silva, ora responsável solidário, era o “contador” de Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e movimentava recursos financeiros deste último em suas contas correntes pessoais. Em 26/06/2012, foi lavrado Termo de Início do Procedimento Fiscal e encaminhado para a intimação de Geovani Pereira, no domicílio fiscal indicado (fls. 27/28), para apresentar os seguintes elementos/esclarecimentos: Em relação aos anos calendários de 2008 a 2011 1 – Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo declarante, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período de 2008 a 2011. 2 – relação do(s) nome(s) dos bancos, nº de agência e nº de conta corrente de todas as instituições financeiras que mantém ou manteve conta, no(s) período(s) acima especificado(s), acompanhado da cópia da Ficha de Cadastro da abertura da conta Em relação ao ano calendário de 2011 Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 1 – Recibos da(s) Declaraçõe(s) de Imposto de Renda Pessoa Física, ou justificar sua não entrega. 2 – Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista, que o contribuinte se enquadra nas condições de obrigatoriedade de entrega como sócio da empresa. Apresentar ainda cópia da documentação hábil e idônea que utilizar nos lançamentos a serem feitos na referida declaração de rendimentos, tais como os valores de rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos e exclusivos de fonte, de deduções pleiteadas, de bens móveis e imóveis, bancários, entre outros. Não logrando êxito na intimação do fiscalizado (fls. 29/32), foi lavrado edital nº 003/2012EFFMC/SSRF01, de 27/07/2012, em cumprimento aos ditames do inciso III, do art. 23 do decreto 70.235/72. O Edital foi afixado mural do Sefis em 25/07/2012, e desafixado em 24/08/2012 (fl. 33). Em 10/09/2012, foi expedida Solicitação de Emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF), das contas de Geovani Pereira da Silva, sob a justificativa de que “O contribuinte movimentou nos anoscalendário de 2008 a 2011 o total de R$ 11.017.985,11, enquanto que declarou o total de rendimento o valor de R$ 63.862,00, o que caracteriza a situação de indício de interposta pessoa. A necessidade de transferência do sigilo bancário se deve principalmente pelo fato de o contribuinte não ser encontrado em seu domicílio fiscal, fato este que obrigou esta Fiscalização lavrar o Edital nº 003/2012EFFMC/SSRF01, que não foi atendido no prazo determinado pelo mesmo bem como o fato de uma movimentação financeira correspondente a 172,5 vezes a renda declarada.” (fl. 34/37). Assim, em 11/09/2012, foram lavradas as Requisições de Movimentações Financeiras nºs; 01.2.02.002012000213, destinada ao HSBC Bank Brasil S.A, fl. 38. Resposta do Banco informando os ativos financeiros em nome do fiscalizado na fl. 42/65. 01.2.02.002012000221, destinada ao Banco Real S.A. (fl. 66/69). Resposta dada pelo Banco Santander, fl. 72/122; 01.2.02.002012000230, destinada ao Unibanco – União de Bancos Brasileiros S.A. (fl.122). Resposta dada pelo Banco Itaú Unibanco, fl. 126/160, , apresentada em 17/01/2013. 01.2.02.002012000248, destinada ao Banco Itaú S.A, fl. 161. Resposta dada pelo Banco Itaú S.A. às fls. 168/209; 01.2.02.002012000256, destinada ao Banco Bradesco S.A. fl. 210. Resposta dada pelo Banco Bradesco, fl. 215/284; 01.2.02.002012000264, destinada à Cooperativa de Livre Admissão do Centro Norte GO, fl. 285. Resposta dada pela Unicred, fl. 289/318. Em 25/09/2012, fl. 319, foi lavrado o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 0551 (fl. 319), sendo expedido AR, tendo o mesmo retornado, em 01/10/2012, com a informação da impossibilidade de intimação, pois o fiscalizado era “desconhecido” (fl. 320). Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 22 5 Em 08/10/2012 foi lavrado Edital nº 008EFFMC/SRRF01, em cumprimento aos ditames do inciso III do Art. 23 do Decreto 70.235/72 (fl. 722). Diante do não atendimento da Requisição de Movimentação Financeira por parte do banco Unibanco, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal nº 15, para que a instituição financeira apresentasse os extratos bancários solicitados (fls. 323 a 325). A instituição foi intimada em 12/01/2013 (fl. 324). Em razão da apresentação do Sr. Giovani Pereira à Polícia Federal, foi solicitado à Justiça Federal de Goiás o endereço do fiscalizado, havendo a resposta com a informação do seu domicílio em 11/03/213 (fl. 600). De posse dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, foi lavrado o Termo de Intimação nº 78, para Geovani Pereira da Silva apresentasse, no prazo de 20 dias, em relação aos anoscalendário 2008 a 2011 “documentação hábil e comprobatória da origem dos depósitos bancários listados no anexo apresentado, referente a cona bancária mantida em seu nome, identificando natureza tributária da operação que deu origem ao crédito.” (fls. 326/427). O Termo de Intimação Fiscal nº 78 foi novamente encaminhado, agora para o endereço que o contribuinte forneceu para a Justiça Federal de Goiás, tendo havido a ciência em 20/03/2013 (fls. 428/429) e, em 04/04/2013, o mesmo esteve na Delegacia da Receita Federal para obter cópia dos extratos bancários, de acordo com o Termo de Intimação Fiscal nº103 (fl. 716), o que demonstra a ciência do fiscalizado a respeito do TIF nº 78. Em 08/04/2013, o Sr. Geovani solicita uma prorrogação de prazo, o que foi deferido, sem que o contribuinte tenha trazido à fiscalização os esclarecimentos requeridos (fls. 719/721); Em 05/03/13, são expedidos ofícios aos Bancos aos quais remetidos anteriormente os RMF’s, solicitando cópia de documentos referentes aos valores lançados nos extratos analisados (fls. 430/452). Em atenção aos ofícios, as instituições financeiras apresentaram, total ou parcialmente, os documentos solicitados: Banco Bradesco S.A. (fl. 455/528); Banco Itaú S.A. (fls.579/590); Unibanco – União de Bancos Brasileiros S.A., (529/553); HSBC (fls. 555/569); Santander (fls. 570/578) e Unicred (fls. 591/599) Em 18/03/2013, foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 0084, em face Carlos Augusto de Almeida Ramos, onde constou que o intimado era o titular de fato das contas movimentadas pelo Sr. Geovani Pereira da Silva, conforme verificado na sentença penal prolatada em ação penalº 927209.2012.4.01.3500, que corre na 11ª Vara Federal da Seção Judiciária de Goiás. Diante disso, o contribuinte foi instado a apresentar documentação hábil e comprobatória da origem dos depósitos bancários listados em anexo, referente as contas correntes mantidas em nome do Sr. Geovani que, das quais quais o contribuinte Carlos Augusto de Almeida Ramo foi considerado titular de fato (...), identificando a natureza tributária das operações que deram causa aos créditos”(fls. 601/707). Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Intimado em 25/03/2013 (fls. 708/709), o contribuinte apresentou esclarecimentos, alegando desconhecer a origem dos depósitos listados, porquanto nunca teve acesso às mencionadas contas (fls. 710/715). Foi juntada aos autos a Sentença Penal proferida na ação que Carlos Augusto de Almeida Ramos e Geovani Pereira da Silva eram réus (fls. 722/1232) Em razão da ausência de justificativa para a origem dos depósitos, tanto por parte de Carlos Augusto de Almeida Ramos, quanto de Geovani Pereira da Silva, a totalidade dos depósitos listados no Termo de Intimação Fiscal nº 78 e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 84 foi considerada como não justificada, para fins de apuração do tributo devido. Foi aplicada multa qualificada, sob a justificativa de que o contribuinte e o responsável solidário reiteradamente vêm se utilizando de interposta pessoa para tentar dolosamente impedir o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, com o único intuito de sonegar os tributos devidos. Impugnação Sendo lavrado o auto de infração, Carlos Augusto de Almeida Ramos foi cientificado do lançamento em 22/05/2013 (fl.1274) e em 18/05/2013 (Geovani Pereira da Silva, fl.1272), os contribuintes apresentaram as impugnações em 17/06/2013 (fls.1284/1315 e 1318/1340, respectivamente). A Impugnação de Carlos Augusto de Almeida Ramos deuse com base nos seguintes argumentos Preliminar Nulidade do auto por Quebra Ilegal de Sigilo Bancário: Entende que o auto de infração é nulo, pois viola a reserva constitucional de jurisdição, para afastamento do sigilo bancário do contribuinte, tendo a autoridade fazendária, com base em sentença penal pendente de trânsito em julgado, estabelecido a premissa de que era o Sr. Carlos Augusto, e não o Sr. Geovani, o verdadeiro titular dos valores movimentados nas contas correntes em nome deste último. Foi com base nessa presunção estabelecida pela sentença de que era o Sr. Carlos Augusto o verdadeiro titular dos valores movimentados nas contas de Geovani Pereira da Silva, que a autoridade requereu deste último os extratos bancários e, diante da ausência de apresentação, foram emitidos as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira do contribuinte. Refere que o sigilo bancário não pode ser afastado sem autorização judicial, o que não teria ocorrido no presente caso. Acrescenta que a proteção ao sigilo bancário constitui espécie do direito à intimidade consagra do no artigo 5º, X, da Constituição, já havendo entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que seria inconstitucional a quebra de sigilo bancário por parte da autoridade fazend ária, sem a determinação judicial. Mérito Ilegalidade da Majoração da multa de 150% inexistência de dolo ou fraude. inexistência de dolo ou fraude: Em suas razões, define os conceitos de sonegação e fraude frente os artigos 71 a 73 da Lei n] 4.502/64, como a “ação ou omissão dolosa Explica que, do ponto de vista fiscal, fraude, conforme legalmente definido, consiste na ação ou omissão dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo. Esclarece o que seria, no seu entender, a diferença entre dolo civil e dolo penal, sendo que o primeiro consistiria em artifício enganoso, malicioso, de má fé, utilizado para induzir alguém à pratica de ato em seu prejuízo, já o dolo penal consistiria na vontade consciente do agente, de praticar Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 23 7 ato que irá ocasionar resultado delituoso. Conclui que o dolo presente na definição de fraude é aquele definido pelo direito penal, e estaria caracterizado pela falsificação de documentos, emissão de notas calçadas, adulteração de documentos contábeis, etc. Sustenta que a conduta do contribuinte não almejou o impedimento da ocorrência do fato gerador, a acusação que lhe é feita é a de omitir dados da movimentação financeira, que pode ser aferida mediante programa da Receita Federal. Reitera que não se pode falar em intenção fraudulenta toda vez que a autoridade fazendária tiver a possibilidade de rever as declarações prestadas pelos contribuintes sendo essencial que esteja caracterizada a deliberada intenção de obter o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Desproporcionalidade da multa aplicada, em razão de seu efeito confiscatório. A Impugnação de Geovani Pereira da Silva repisa os mesmos argumentos jurídicos explorados por Carlos Augusto de Almeida Ramos, ressalvada a diferença de referir que foi o seu sigilo bancário quebrado com base em presunção de que terceiro seria o titular de suas contas. Decisão da DRJ A 3ª Turma da DRJBSB, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência fiscal (fls.1344/1353). O referido vem bem elucidado na ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2009, 2010, 2011, 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA: OMISSÃO DE RENDIMENTOS EVIDENCIADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS INJUSTIFICADOS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, conforme o art. 17, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada esta com base e estrita obediência ao disposto na LC nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. MULTA DE OFÍCIO. Por expressa determinação legal, a multa de ofício de 75% é aplicável em casos omissão de rendimentos evidenciada por depósitos injustificados, devendo a multa ser Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 qualificada quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Em seus argumentos, expõe em síntese: No tocante à nulidade por Quebra Ilegal de Sigilo Bancário, traça histórico legislativo acerca da possibilidade de obtenção de informações bancárias dos fiscalizados, indicando que a edição do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 chancelou a possibilidade da autoridade fiscal no bojo do processo administrativo de proceder a quebra do sigilo bancário dos contribuinte. Cita Parecer PGFN/CAT nº 1649/03, para rejeitar a alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade da quebra de sigilo bancário sem anterior permissão judicial. Consigna que procedimento fiscal foi instaurado ao se verificar indícios de movimentação financeira incompatível com a renda declarada por Geovani Pereira da Silva, o que autorizava a obtenção de extratos bancários diretamente das instituições financeiras, no caso da ausência de apresentação dos mesmos pelo contribuinte. Afirma que a constatação durante o processo judicial de que a movimentação financeira das contas correntes pertencia ao Sr. Carlos Augusto propiciaram a lavratura do Auto de Infração em nome deste último, mas não foi a causa da obtenção dos extratos diretamente das instituições financeiras. No mérito, Aponta que o contribuinte deixou de impugnar o mérito da omissão de rendimentos evidenciada por depósitos bancários não justificados, aplicando o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Acrescentando que os impugnantes não se insurgiram contra a constatação, no decorrer do processo judicial, de que a movimentação de recursos nas contas correntes em nome do Sr. Geovani, de fato pertencia ao Sr. Carlos Augusto, tampouco foi dada qualquer explicação que tornasse plausível eventual boa fé que porventura pudesse existir no procedimento adotado. Em relação à multa de 150%, refere que a multa de ofício foi aplicada com base inciso II, do artigo 44, da lei nº 9.430/96, citando o conceito de evidente intuito de fraude definido na lei nº 4.502/64. Aduz que a utilização de interposta pessoa para ocultação de bens ou de movimentação financeira constitui caso claro de tentativa de impedir ou retardar o conhecimento das autoridades fazendárias acerca da ocorrência de fatos geradores ou da condição financeira pessoal do contribuinte. Colaciona Súmula CARF nº 34, que consigna ser cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Em relação ao caráter confiscatório da multa, revela que esta é mera sanção por ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, razão pela qual inaplicável a vedação do confisco prevista no art. 150, IV, da Constituição Federal. Assevera que o princípio do nãoconfisco dirigese ao legislador e não ao aplicador da lei. Colaciona jurisprudência. Recurso Voluntário O sujeito passivo Geovani Pereira da Silva foi notificado do resultado do julgamento de sua impugnação em 12/08/2013 (fl.1363), tendo interposto recurso voluntário em 09/09/2013 (fls. 1418/1436), repisando os argumentos anteriormente esgrimados. Acrescentando, em síntese: Discorre sobre a necessidade de reforma da decisão, no ponto em que afirma que o contribuinte não impugnou o mérito do lançamento. Afirma que caberia ao agente Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 24 9 fazendário determinar se os valores encontrados na conta corrente do recorrente ou do responsável do solidário são renda tributável. No mérito, assevera que os simples depósitos não configuram renda, que são entradas que modificam o patrimônio da pessoa jurídica, incrementandoo. Cita doutrina a respeita da distinção entre ingressos e receitas, afirmando que somente poderia recair a tributação sobre estas. , O sujeito passivo Carlos Augusto de Almeida Ramos foi notificado do resultado do julgamento de sua impugnação em 12/08/2013 (fl.1362), tendo interposto recurso voluntário em 09/09/2013 (fls. 1365/1417), repisando os argumentos anteriormente expostos na sua impugnação. É o relatório. Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto Vencido Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator. Preliminarmente – Conhecimento parcial do Recurso Voluntário de Carlos Augusto de Almeida Ramos Primeiramente, entendo que não deve ser conhecido o Recurso de Carlos Augusto de Almeida Ramos, no ponto em que discute a impossibilidade da presunção da omissão de rendimentos em face do conceito de renda previsto na legislação tributária. Ambas as impugnações apresentadas não se irresignaram quanto ao mérito da omissão de rendimentos, limitandose a discutir: 1) a nulidade do auto de lançamento em razão da prova ilícita (quebra de sigilo bancário); e 2) A impossibilidade de aplicação da multa qualificada. Assim, não houve abertura de litígio quanto à omissão de rendimentos imputada, seja para comprovar sua origem, seja para discutir sua inconformidade ao conceito de renda previsto na legislação tributária. Tratase de aplicação do art. 17 do Decreto 70.235/72, que expressamente determina que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Destacase que a discussão a que pretende o Recorrente no ponto, não é simplesmente trazer argumentos ou provas novas em sede de Recurso Voluntário, o que é aceito. Tratase de trazer, em sede de recurso, irresignação sobre ponto que havia restado incontroverso pelo decurso de prazo para impugnação. Nesse sentido, a impugnação parcial importa na possibilidade de cobrança sobre os valores não litigiosos do lançamento. No presente caso, tal cobrança não foi efetivada em razão da preliminar de nulidade do auto de lançamento por utilização de prova ilícita. Nesse sentido, o despacho de encaminhamento à fl. 1440 refere expressamente que “apesar do julgador de primeira instância ter considerado que no mérito não houve contestação da omissão de rendimentos, todo o crédito tributário foi suspenso no sistema Sief, como se observa no extrato de fls.1438/1439, devido à preliminar de nulidade alegada pelos interessados. para prosseguimento”. Nesse sentido já decidiu este Conselho: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE QUESTIONAMENTO EM SEDE RECURSAL. A matéria que não tenha sido objeto de impugnação não pode por sua vez ser objeto de insurgência em sede de recurso voluntário, por operarse sobre a mesma a preclusão. Recurso voluntário de que não se conhece quanto a este aspecto. (...) (Acórdão nº 2802002.642; Relator: Carlos Andre Ribas de Mello; Sessão de 21 de janeiro de 2014) Assim, não deve ser conhecido do Recurso no ponto. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 25 11 De todo modo, verificase que a irresignação do contribuinte em relação à presunção da omissão de rendimentos referese unicamente ao ônus probatório da administração fiscal em apontar a ocorrência da efetiva existência de renda. Vale lembrar que, mesmo que conhecido o recurso no ponto, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recurso Fiscais é pela existência de uma previsão legal, que permite a tributação dos depósitos bancários que não tiveram sua origem comprovada, independentemente da existência ou não de acréscimo patrimonial dele decorrente. Quanto aos demais pontos, ambos os Recursos serão analisados conjuntamente, em razão da similitude de suas alegações. Obtenção de Provas RMF Os recorrentes insurgemse quanto à quebra de sigilo bancário pela fiscalização, requerendo a nulidade do auto de infração. Diante disso, passase à analise do ponto. O sigilo bancário tem sido tratado pelo STF e pelo STJ como assunto sujeito à proteção da vida privada dos indivíduos1. Corroborando, vejase o julgado do STF (RE 219.780), em que o sigilo bancário foi considerado garantia constitucionalmente estabelecida. Do referido precedente, leiase: “O sigilo bancário protege interesses privados. É ele espécie de direito à privacidade inerente à personalidade das pessoas e que a Constituição consagra (CF, art. 5º, X)”. Mais especificamente, o assento constitucional da garantia de sigilo bancário se encontra nos incisos X e XII da CF, segundo os quais “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação” e “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal”. De fato, sua interpretação conjunta conduz à conclusão de que o sigilo dos dados bancários está sujeito à proteção da vida privada dos indivíduos2. Em sendo assim, temos que o sigilo bancário, a par de possuir assento constitucional, é entendido como um direito e garantia fundamental, o que impõe a adoção de exegética que lhe outorgue a maior eficácia possível, conforme bem ensina Canotilho3 quando, ao tratar sobre a correlação entre o princípio da máxima efetividade e os direitos fundamentais, assevera: “Este princípio, também designado por princípio da eficiência ou princípio da interpretação efectiva, pode ser formulado da seguinte maneira: a uma norma constitucional deve ser atribuído o sentido que maior eficácia lhe dê. É um princípio operativo em relação a todas e quaisquer normas constitucionais, e embora a sua origem esteja ligada à tese da atualidade das normas programáticas (Thoma), é hoje sobretudo invocado no âmbito dos direitos fundamentais (no caso de dúvidas deve preferirse a interpretação que reconheça maior eficácia aos direitos fundamentais)”. 1 Mendes, Gilmar. Curso de Direito constitucional, 2011, ed. 6ª, pg. 323 2 Mendes, Gilmar. Curso de Direito Constitucional, 2011, ed. 6ª, pg. 3234. 3 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional. 5. ed. Coimbra: Almedina, 1991. p. 162 Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 A hermenêutica da LC nº105, art. 6º, portanto, deve se dar à luz destas normas que lhe são hierarquicamente superiores, para o efeito de se verificar sua compatibilidade ou incompatibilidade com a Carta. No ponto, a tradição doutrinária e jurisprudencial da hermenêutica constitucional determina que a declaração de inconstitucionalidade seja reservada às situações extremas, em que seja impossível compatibilizarse o texto legislativo com as garantias postas na Carta. As leis, ordinariamente, presumemse constitucionais e devem ser aplicadas e respeitadas por todos. A inconstitucionalidade é exceção, já que induz à insegurança e à instabilidade do sistema, além da própria perda de credibilidade dos atos do Poder Legislativo. É o entendimento que se percebe ao ler a jurisprudência do Tribunal Constitucional Alemão. Vejase: Uma lei não deve ser declarada nula se for possível interpretála de forma compatível com a constituição, pois devese pressupor não somente que uma lei seja compatível com a constituição mas também que essa presunção expressa o princípio segundo o qual, em caso de dúvida, deve ser feita uma interpretação conforme a constituição.4 Justamente por esta circunstância é que se desenvolveu o princípio da interpretação conforme, que objetiva “salvar” da inconstitucionalidade todo e qualquer texto legal, sempre que se possa vislumbrar no mesmo um sentido possível, compatível com a Constituição. Canotilho bem demonstra que “diante das normas plurissignificativas ou polissêmicas, devese preferir a interpretação que mais se aproxime das diretrizes constitucionais, e, portanto não seja contrária ao texto constitucional, de onde surgem várias dimensões a serem consideradas, seja pela doutrina ou jurisprudência”. Em tais circunstâncias, o autor5 aponta as dimensões a serem consideradas no âmbito da interpretação conforme: prevalência da constituição: devese preferir a interpretação não contrária à Constituição; conservação de normas: percebendo o intérprete que uma lei pode ser interpretada em conformidade com a constituição, ele deve assim aplicala para evitar a sua não continuidade; exclusão da interpretação contra legem: o intérprete não pode contrariar o texto literal e sentido da norma para obter a sua concordância com a Constituição; espaço de interpretação: só se admite a interpretação conforme a Constituição se existir um espaço de decisão e, dentre as várias que se chegar, deverá ser aplicada aquela em conformidade com a Constituição; rejeição ou não aplicação de normas inconstitucionais: uma vez realizada a intepretação da norma, pelos vários métodos, se o juiz chegar a um resultado contrário à constituição, em realidade, deverá declarar a inconstitucionalidade da norma, proibindo a sua correção contra a Constituição; 4 Bverfge 2, 266 (282) – Tradução livre 5 J. J. G. Canotilho. Direito Constitucional e teoria da Constituição., 6., ed. p. 229230, apud Pedro Lenza. Direito Constitucional Esquematizado., 16., ed. p. 158159. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 26 13 o intérprete não pode atuar como legislador positivo: não se aceita a interpretação conforme a Constituição quando, pelo processo hermenêutico, se obtiver uma regra nova e distinta daquela objetivada pelo legislador e com ela contraditória, seja em seu sentido literal ou objetivo. Devese, portanto afastar qualquer interpretação em contradição com os objetivos pretendidos pelo legislador. Adentrando à análise do art. 6º da LC nº105, temos que o mesmo dispõe: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Ao interpretar o texto do art. 6º da LC nº105, assim como a lei nº 9.311/96 e o D. nº 3724/01, o Min. Marco Aurélio entendeu por conferirlhes interpretação conforme, com o intento de outorgar aos dispositivos o ÚNICO sentido que os compatibilizasse com a Constituição. Nesse sentido, deixou claro que nenhum dos textos citados dispensa a obtenção de autorização judicial para a quebra de sigilo bancário: “Assentado que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que potencialize o objetivo, harmônico com a Carta da República, provejo o recurso extraordinário interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para agastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários da recorrente. Com isso confiro à legislação de regência – Lei nº 9.311/96, Lei Complementar nº 105/01 e Decreto nº 3.724/01 – interpretação conforme à Carta Federal, tendo como conflitante com essa a que implique afastamento do sigilo bancário do cidadão, da pessoa natural ou jurídica, sem ordem emanada do Judiciário”. De fato, a suspensão de direitos constitucionais, mormente de direitos e garantias individuais não pode ser suposta ou subentendida. No silêncio, sua observância se impõe. Leiase a lição do Ministro Celso de Mello, citado e endossado pelo Ministro Marco Aurélio: “a quebra de sigilo, para legitimarse em face do sistema jurídicoconstitucional brasileiro, necessita apoiarse em decisão revestida de fundamentação adequada, que encontre apoio concreto em suporte fático idôneo, sob pena de inviabilidade do ato estatal que a decreta. A ruptura da esfera de intimidade de qualquer pessoa – quando ausente a hipótese configuradora de causa provável – revelase incompatível com o modelo consagrado na constituição da república, pois a quebra de sigilo não pode ser Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 manipulada, de modo arbitrário, pelo Poder Público ou por seus agentes”. No mesmo sentido é o entendimento do Ministro Carlos Velloso, ao analisar a quebra de sigilo bancário, no RE 389.808, referindo a necessidade de apreciação do tema pelo Judiciário quando da verificação das restrições às liberdade individuais. Vejase: “A mais recente doutrina norteamericana fez do “due processo of law” uma forma de controle constitucional que examina a necessidade de razoabilidade e justificação das restrições à liberdade individual, não admitindo que a lei ordinária desrespeite a constituição, considerando que as restrições ou exceções estabelecidas pelo legislador ordinário devem ter uma fundamentação razoável e conforme o Poder Judiciário (...)A exigência de preservação do sigilo bancário enquanto meio expressivo de proteção ao valor constitucional da intimidade – impõe ao Estado o dever de respeitar a esfera jurídica de cada pessoa. A ruptura desse círculo de imunidade só se justificará desde que ordenada por órgão estatal investido, nos termos de nossos estatuto constitucional, de competência jurídica para suspender, excepcional e motivadamente, a eficácia do princípio da reserva de informações bancárias” Partilhamos do mesmo entendimento. Não vemos motivo – e nem poderíamos, no contexto do processo administrativo – para declarar a inconstitucionalidade do referido art. 6º. Preferimos lêlo à luz das diretrizes constitucionais que garantem a reserva de foro ao Poder Judiciário de todas as pretensões que possam implicar o comprometimento de direitos e garantias individuais. É o que brilhantemente conclui o Min. Celso de Mello ao julgar MS nº 23.452, ao dizer que “o postulado da reserva constitucional de jurisdição importa em submeter à esfera única de decisão dos magistrados a prática de determinados atos cuja realização, por efeito de explícita determinação constante do próprio texto da Carta Política, somente pode emanar do juiz, e não de terceiros, inclusive daqueles a quem se haja eventualmente atribuído o exercício de ‘poderes de investigação próprios das autoridades judiciais’. A cláusula constitucional da reserva de jurisdição – que incide sobre determinadas matérias, como a busca domiciliar (CF, art. 5º, XI), a interceptação telefônica (CF, art. 5º, XII) e a decretação da prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de flagrância (CF, art. 5º, LXI) traduz a noção de que, nesses temas específicos, assiste ao Poder Judiciário, não apenas o direito de proferir a última palavra, mas, sobretudo, a prerrogativa de dizer, desde logo, a primeira palavra, excluindose, desse modo, por força e autoridade do que dispõe a própria Constituição, a possibilidade do exercício de iguais atribuições, por parte de quaisquer outros órgãos ou autoridades do Estado.”: No que toca ao conceito de reserva de jurisdição, Canotilho diz que: Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 27 15 “A idéia de reserva de jurisdição implica a reserva de juiz relativamente a determinados assuntos. Em sentido rigoroso, reserva de juiz significa que em determinadas matérias cabe ao juiz não apenas a última palavra, mas também a primeira palavra”. O STJ possui julgado exatamente neste sentido, assim ementado: “O sigilo bancário do contribuinte não pode ser quebrado com base em procedimento administrativofiscal por implicar indevida intromissão na privacidade do cidadão, garantia esta expressamente amparada pela Constituição Federal (art. 5º, inciso X)”.Por isso, cumpre às instituições financeiras manter sigilo acerca de qualquer informação ou documentação pertinente a movimentação ativa e passiva do correntista/contribuinte, bem como dos serviços bancários a ele prestados. Observadas tais vedações, cabelhes atender às demais solicitações de informações encaminhadas pelo Fisco, desde que decorrentes de procedimento fiscal regularmente instaurado e subscritas por autoridade administrativa competente. Apenas o Poder Judiciário, por um de seus órgãos, pode eximir as instituições financeiras do dever de segredo em relação às matérias arroladas em lei. Interpretação integrada e sistemática dos artigos 3º, par. 5º, da Lei nº 4.595/64 e 197, inciso II e par. 1º do CTN. Recurso improvido, sem discrepância.” (Resp 37.5665/RS93) Dentro do Sistema Constitucional Tributário, o próprio art. 145, §1º, além de assegurar a observância à capacidade contributiva, ainda evidencia ser “facultado à Administração, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, RESPEITADOS OS DIREITOS INDIVIDUAIS e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”. No caso da quebra de sigilo bancário, a reserva de foro judicial é condição para validar o ato administrativo, assegurando o respeito aos direitos individuais de privacidade e inviolabilidade, albergados na CF. Na hipótese dos autos, só foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial. Isto é, se a fiscalização não tivesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e, consequentemente, não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Tal foi reconhecido pelo Acórdão da DRJ ao afirmar que: Durante o procedimento fiscal, o Sr. Geovani foi condenado em processo judicial, no decorrer do qual ficou constatado que as contas correntes movimentadas em nome do Sr. Geovani, de fato, pertencem ao Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos. Os extratos bancários do Sr. Geovani foram obtidos com base no artigo 6º, da Lei Complementar nº 105, de 2001, ou seja, já havia processo administrativo instaurado e o exame da movimentação financeira considerada indispensável pela autoridade administrativa. A constatação, durante o processo judicial, de que a movimentação financeira das contas correntes em nome do Sr. Geovani, de fato, pertenciam ao Sr. Carlos Augusto, propiciou a lavratura do Auto de infração em nome deste último tendo como responsável solidário o verdadeiro titular, mas não foi a causa da obtenção dos extratos diretamente das instituições financeiras. Destarte, já que a prova carreada no processo administrativo foi obtida por meio de RMF sem prévia autorização judicial (fls. 34/37), entendo pelo cancelamento do auto de infração lavrado, outorgando interpretação conforme ao art. 6º da LC nº105/01 para o fim de Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 entender válida a quebra de sigilo bancário em procedimento fiscal sempre que acompanhado da imprescindível autorização judicial para tanto. No entanto, caso seja considerada lícita a prova decorrente da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial, é que se analisa os argumentos remanescentes postos no recurso voluntário. Multa Qualificada De acordo com o auto de lançamento, a capitulação legal da multa deuse com base no art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 (fl. 1254). Ao citar a legislação aplicável, por sua vez, o termo de verificação fiscal cita os arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, e o art. 1º, §§1º a 5º, da Lei nº 12.683/12 (fls. 1257/1258), que dispõe: Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Lei nº 9.613/98 com a redação dada pela 12.683/12: Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012): (...) § 1º Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens, direitos ou valores provenientes de infração penal: I os converte em ativos lícitos; Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 28 17 II os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em depósito, movimenta ou transfere; III importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros. § 2º Incorre, ainda, na mesma pena quem: I utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores provenientes de infração penal; II participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei. § 3º A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do Código Penal. § 4º A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nesta Lei forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa. § 5º A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou semiaberto, facultandose ao juiz deixar de aplicála ou substituíla, a qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime. O termo de verificação ao apurar a infração ocorrida, justificou a aplicação da multa qualificada da seguinte forma (fl. 1266): “O contribuinte e o responsável solidário vêm reiteradamente se utilizado do método de interposta pessoa para tentar dolosamente impedir o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, ora demonstrado neste Auto, com o único intuito de sonegar os tributos devidos. Portanto sua multa de ofício foi qualificada para 150%, tendo em vista o indício de crime contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro.” Em suma, a qualificação da multa ocorreu em razão da verificação da prática de conluio entre os agentes para a prática de sonegação. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando à prática de fraude ou sonegação. O Conluio, portanto, é a premissa, condição para as Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 inferências relativas à sonegação, já que o autuado não era titular das contascorrentes. Ou seja, sem a existência de conluio não há que se falar na prática de fraude ou sonegação. Sendo assim, para a qualificação da multa é necessário que se verifique a união dos agentes para a prática dolosa de uma das formas de sonegação. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, o procedimento fiscal foi instaurado em face de Geovani Pereira da Silva, havendo a quebra de seu sigilo bancário e apurada a omissão de rendimentos nas contas correntes fiscalizadas. Posteriormente, houve prolação da sentença penal juntada aos autos, onde restou assentada uma relação de subordinação entre o Geovani e Carlos Augusto de Almeida Ramos e a utilização de contas correntes de propriedade daquele em benefício deste. Com base única e exclusiva em tal premissa, a fiscalização entendeu que Carlos Augusto era o proprietário de fato das contas correntes analisadas e o intimou para prestar esclarecimentos a respeito da origem dos depósitos (fl. 601). Com a negativa de Carlos Augusto acerca da titularidade de tais contas, foi lavrado o Auto de Lançamento, e estendida a solidariedade obrigacional ao fiscalizado original, Geovani Pereira da Silva. Ao analisar os fatos, o termo de verificação fiscal reportase diversas vezes à sentença prolatada, concluindo que Carlos Augusto seria o titular de fato das contas movimentadas por Geovani Pereira. Analisando tais excertos, percebese que a sentença efetivamente demonstra uma relação de subordinação de Geovani Pereira frente a Carlos Augusto, dentre os quais destaco o trecho citado à fl. 1263, o qual peço vênia para transcrever: A distribuição final dos pontos, autorização de abertura e fechamento de casas de exploração de jogos em Goiânia e no entorno de Brasília (em especial em Valparaíso de Goiás e Águas Lindas), sob rígido controle territorial, era efetivada e controlada por Carlinhos Cachoeira, auxiliado diretamente por (...), seu braço operacional, e Giovani Pereira, conhecedor profundo de sua contabilidade e responsável pelo controle financeiro do grupo. Tal afirmativa encontra outro eco citado no Termo de Verificação Fiscal: “Constantemente orientado por CARLINHOS CACHOEIRA, especialmente quanto à movimentação financeira de suas atividades, GEOVANI PEREIRA era profundo conhecedor de toda contabilidade do grupo criminoso. Foi a quem CARLINHOS CACHOEIRA se socorria frequentemente a fim de obter informações a respeito do destino da movimentação financeira, saldos, confirmações de pagamentos, cobranças a realizar. Ademais, GEOVANI PEREIRA arrecadava, em conjunto com LENINE ARAÚJO, os recursos financeiros provenientes do jogo ilegal, seja por transferências eletrônicas, seja pessoalmente, controlandoos e contabilizandoos, tudo sob as orientações de CARLINHOS CACHOEIRA. Outrossim, GEOVANI PERREIRA foi responsável por controlar o pagamento de vantagem indevida a servidores públicos e auxiliar na ocultação dos rcursos arrecadados por meio das atividades espúria. Com efeito, foram constatadas, por meio do sistema de contabilidade da organização criminosa, por exemplo, diversos pagamentos extraídos da seção operação, da conta corrente GEO (referente a GEOVANI PEREIRA), tendo como favorecido servidores públicos da área de segurança. Se não bastasse, GEOVANI PEREIRA era o representante legal, procurador das contas bancárias e o responsável pela movimentação da conta corrente em nome da empresa ALBERTO & PANTOJA CNTRUÇÕES E TRANSPORTES LTDA (CNPJ 11.620.733/000145), conforme, inclusive, consta do CCS – Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro, empresa esta em nome de terceiros e utilizada para movimentação de valores provenientes das atividades espúrias do grupo. Outrossim, GEOVANI PEREIRA também utilizava sua firma individual (GEOVANI PEREIRA DA SILVA ME, inscrita no CNPJ 37.397.353/0001871) para a mesma prática, qual seja, movimentação de ativos da organização criminosa. Com efeito, foi possível entrelaçar as Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 29 19 movimentações financeiras das pessoas jurídicas em favor de vários integrantes do grupo criminoso, sempre realizados por GEOVANI PEREIRA, sob a orientação de CARLINHOS CACHOEIRA, efetivando transferências para pagamentos de despesas pessoais, aquisição de bens, vantagens para servidores públicos. Quanto aos saques efetuados por GEOVANI PEREIRA, observouse , ainda, por exemplo, a realização destes, 113 vezes, no período de 13/08/2010 e 18/04/2011 em valores em torno de R$ 90.000,00 e R$ 99.000,00, em típica operação de estruturação (smarfing ou pitufeo), visando a evitar a realização de comunicação obrigatória da operação suspeita, não despertando desconfiança por parte dos agentes de reguladores do sistema financeiro, ao buscar distanciar a fiscalização, mais ostensiva em operações iguais ou superiores a R$ 100.000,00. A sentença ainda relaciona as empresas vinculadas ao nome de Geovani destinadas a auxiliar Carlos Augusto (fls. 844), como da empresa individual GEOVANI PEREIRA DA SILVA ME para auxiliar na movimentação e ocultação de valores pertinentes ao jogo. Ainda, analisa os rendimentos declarados e movimentações realizadas pelo próprio Geovani, concluindo: “Interessante ressaltar que, com base na análise das quebras de sigilo fiscal e bancário, podese observar que os rendimentos declarados por GEOVANI não passam de R$21.384,00 anuais e seu maior patrimônio bruto anual teria acontecido ao final do ano de 2009, quando declarou possuir bens no valor total de R$197.500,00, embora com dívidas declaradas de R$ 110.000,00. Como se vê, a sua movimentação financeira chama atenção se comparada aos rendimentos declarados, bem como aos seus bens patrimoniais informados à RFB. GEOVANI movimentou nos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, respectivamente, as quantias de R$471.761,02, R$626.658,02, R$ 1.560.351,52, R$ 3.141.305,48 e R$ 4.355.567.90. A fim de poder dar vazão às solicitações feitas pelos líderes da quadrilha, GEOVANI utilizase, além de sua conta própria, de contas de diversas empresas em que, embora não seja sócio, atua como representante bancário.” Da leitura da sentença penal, portanto, depreendese a relação de subordinação entre os agentes, e o controle contábil que Geovani Pereira fazia da contabilidade das atividades de Carlos Augusto, a mando deste. Ainda, concluise que Geovani Pereira utilizavase de contas correntes em seu nome e em nome de empresas em que atuava como procurador, em prol das atividade de Carlos Augusto. Todavia, entendo que tal relação não configura, a priori, a utilização de interposta pessoa para as contas correntes em questão, que foi o critério utilizado pelo Termo de verificação para a configuração do conluio e para a aplicação da multa qualificada. Em que pese tenha demonstrado a utilização de terceiros para a movimentação financeira advindas das atividades ilícitas de Carlos Augusto, seja através de empresas de fachada, seja em conta própria de Geovani Pereira, não há imputação de quais contas são essas. Das contas correntes analisadas, pode ser que parte delas de fato seja de propriedade de fato de Carlos Augusto de Almeida Ramos. Todavia, pode ser que parte dessas Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 contas não seja. Tal discriminação não foi feita na esfera judicial. E nem se poderia exigir da sentença penal maior aprofundamento no ponto. Vale lembrar que o julgado em questão não analisou um crime contra a ordem financeira e tributária, mas o crime de corrupção ativa e formação de quadrilha, conforme se depreende da fl. 759. Para esses tipos específicos seria dispensável que a sentença demonstrasse a utilização de interposta pessoa para todas as contas correntes do agente a quem se reporta o crime. O mesmo não ocorre na imputação de multa material qualificada em razão de conluio. Isso porque, a tipificação da fraude ou da sonegação depende da imputação de caráter doloso na conduta específica praticada pelo agente. Por sua vez, quando a imputação se dá por conluio, necessário que a conduta dolosa de todos os agentes imputados reste devidamente delimitada. Não havendo certeza do vínculo entre ambos os agentes em relação a todas as contas analisadas não se pode imputar a infração por conluio. Ainda destacase que a presunção utilizada pela autoridade fiscal foi lastreada em sentença na qual não houve trânsito em julgado, pois pendente de recurso, consoante análise realizada ao site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em 24/09/2014. Assim, entendo que a multa qualificada deve ser reduzida para o patamar de 75%, uma vez que imputou a ocorrência de conluio quando tal não poderia ser feito, porquanto não devidamente demonstrado pela Fiscalização quais as contas específicas em questão eram de propriedade de fato de Carlos Augusto, nem como, pontualmente, as utilizava por meio de Geovani Pereira. Não havendo tal vinculação resta impossível aferir e mensurar a ocorrência de conduta dolosa dos dois agentes para configurar o conluio em razão da utilização de interposta pessoa e, portanto, em última análise aferir a ocorrência de sonegação. Não restando comprovado o ajuste doloso, deve ser afastada a qualificação da multa aplicada em razão de conluio. Nesse sentido, jurisprudência desta Turma, no sentido de afastar a multa qualificada em razão da ausência de comprovação da ocorrência de dolo: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010 DESPESAS LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Comprovadas com documentação hábil e idônea as despesas necessárias a manutenção da fonte produtora dos rendimentos, devese deferir a dedução delas da base de cálculo do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO.QUALIFICAÇÃO AFASTADA. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos Autos do evidente intuito de fraude. Ausente essa comprovação a qualificação da multa deve ser afastada. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 30 21 de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts.71,72e73 da Lei n° 4.502/64.(SÚMULA CARF Nº 25). (...) Recurso voluntário provido parcialmente (Acórdão nº 2202002.697, Relatora: Dayse Fernandes Leite, j. em 16/07/2014) Tal discussão, inclusive, poderia ser transportada para a discussão da obrigação principal, isto é, se caberia imputar a Carlos Augusto de Almeida Ramos à responsabilidade tributária, em razão de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários ocorridos em contas de titularidade de terceiros. Todavia, considerando o não conhecimento do Recurso Voluntário no mérito, tal análise resta obstada. Sendo assim, no mérito deve ser parcialmente provido o Recurso Voluntário, tão somente para reduzir a multa de ofício aplicada ao patamar de 75%. Conclusão. Isso posto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração em decorrência da ilicitude das provas que o embasaram. Subsidiariamente, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, e nesta parte reconhecer sua PARCIAL PROCEDÊNCIA, tão somente, para reduzir ao patamar de 75% a multa de ofício aplicada, desqualificandoa. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Da Preliminar de Prova Ilícita por Quebra do Sigilo Bancário Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 31 23 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto a ilicitude da prova. Acompanho o relator na apreciação das demais questões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 36266.007285/2006-30
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 62 66 .0 07 28 5/ 20 06 -3 0 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36266.007285/200630 Resolução nº 2403000.239 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0528.228 da 7ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, reconhecendo a decadência parcial do lançamento, conforme abaixo: Decadência — Obrigação tributária acessória Assim, considerando que a contagem do prazo decadencial, em matéria de obrigação tributária acessória é regida pelo disposto no inciso I do art. 173 do CTN; considerando as disposições do art. 2° da Lei 11.417/2006; considerando a Súmula Vinculante 8/2008, do Supremo Tribunal Federal; considerando, também, que o contribuinte foi notificado do lançamento fiscal em 17/07/2006 (fl. 1), e que a multa é fixada por competência, devem ser excluídos, por decadentes, os valores referentes às competências compreendidas anos de 1999 a 2000 (até a competência de novembro) mantendose os relativos às competências posteriores. Retificação do Lançamento Fiscal Considerandose as disposições do item "Decadência — Obrigação tributária acessória", deste Acórdão e excluindose os valores relativos às competências de janeiro de 1999 a novembro de 2001, temse que o montante da multa passa a ser R$ 2.005.185,00 (dois milhões, cinco mil, cento e oitenta e cinco reais). Conclusão Assim sendo, em face das circunstâncias, dos fatos e razões de direito, ora aduzidas, e tudo o mais que dos autos consta, voto pela procedência parcial da impugnação, com a manutenção de parte do crédito tributário,_promovendose a retificação da multa aplicada para o montante de R$ 2.005.185,00 (dois milhões, cinco mil, cento e oitenta e cinco reais). A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Fundamentos do lançamento — Relatórios Fiscais originais O lançamento, lavrado em 14/07/2006 (ciência do contribuinte em 17/07/2006 — fl. 01), DEBCAD 37.016.3737, tem corno objeto o lançamento de crédito tributário relativo à imposição de multa, por descumprimento da obrigação acessória prevista na Lei 8.212/1991 Fl. 867DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36266.007285/200630 Resolução nº 2403000.239 S2C4T3 Fl. 4 3 (com a redação anterior à Medida Provisória 449/2008), art. 32, IV e § 50 (acrescentado pela Lei 9.528/1997), combinado com Decreto 3.048/1999, art 225, IV e § 4°: apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Relatório Complementar Fiscal da Infração (fls. 19/20) informa as contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP; informa, também, que os valores considerados estão demonstrados em planilhas anexadas ao Relatório (fls. 21/80) e que, nos casos em que os segurados não foram enumerados, tal se deu em razão da falta de informações do contribuinte, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração 37.015.0651. O Relatório Complementar da Aplicação da Multa (fl. 83) informa que não foram registradas circunstâncias agravantes; os critérios e parâmetros determinantes das multas mensais e do montante final apurados. Constam dos autos, ainda, os seguintes documentos, pertinentes a intimações e comunicados feitos ao contribuinte, no curso da auditoriafiscal: 1. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n°. 09295720F00, emitido em 24/03/2006 e recebido pelo contribuinte em 27/03/2006 (fl. 8), com validade até 31/05/2006. 2. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n°. 09295720001, emitido em 24/05/2006 e recebido pelo contribuinte em 09/06/2006 (fl. 7), com validade até 30/06/2006. 3. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n°. 092957200O2, emitido em 29/06/2006 e recebido pelo contribuinte em 03/07/2006 (fl. 6), com validade até 14/07/2006. 4. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n°. 092957200O3, emitido em 12/07/2006 e recebido pelo contribuinte em 17/07/2006 (fl. 84), com validade até 17/07/2006. 5. Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, recebidos pelo contribuinte em 27/03/2006 (fls. 9/10), 20/06/2006 (fls. 11/12), 21/06/2006 (fls. 13/15), 30/06/2006 (fl. 16) e 07/07/2006 (fl. 17). 6. Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal — TEAF (fls. 96/97), recebido pelo contribuinte em 24/07/2006. Fundamentos da defesa (Impugnação de 01/08/2006) Em 01/08/2006, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 98/135), acompanhada de documentos diversos: instrumento de mandato e documentos estatutários (fls. 137/148); cópias de GFIP (fls. 150/494); cópia de GPS e de depósito judicial trabalhista (fls. 495/496). Com sua impugnação a FAAP apresenta, em resumo, as seguintes razões de fato e de direito: Fl. 868DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36266.007285/200630 Resolução nº 2403000.239 S2C4T3 Fl. 5 4 1. Alega que não teriam sido observadas as disposições do art. 293 do Decreto 3.048/1999, 14 . na medida em que os dispositivos referentes à penalidade aplicada não foram claramente discriminados, também não foram aplicados corretamente, na medida em que se a própria autoridade administrativa reconheceu a inexistência de agravantes, deveria ter sido aplicado, unicamente, o disposto no já citado art. 292, inciso I" (sic). 2. Fazendo referência aos "crimes continuados", conclui pela aplicabilidade da multa considerandose apenas uma única infração. Ou, em se tratando de "... quatro diferentes fatos geradores ..., cometendo, portanto, quatro infrações continuadas e distintas ...", referindose às quatro situações abrangidas pelo lançamento: pagamentos a autônomos; processos trabalhistas; concessão de descontos, a titulo de bolsas de estudo e caracterização de autônomos como empregados. 3. Menciona a Lei 9.784/1999, para inquinar de confiscatória, irrazoável e desproporcional o valor da multa, o que estaria em desacordo com o art. 5 0, LIV da Constituição Federal (CF). Por tais razões, pleiteia a declaração de nulidade do lançamento. 4. Sustenta que não teria havido "discriminação clara e precisa do dispositivo legal infringido e da penalidade aplicada" e que "... em virtude da ausência de citação expressa ao dispositivo legal utilizado em gradação da multa, o Auto de Infração ... teve sua legalidade maculada ...". 5. Reclama que teriam sido impostas duas multas pelo mesmo fato: "A duplicidade de referências quanto à não apresentação de GFIPS relativas às reclamações trabalhistas ..." (no caso, Autos de Infrações DEBCAD 37.015.0651 e 37.016.3737), caracterizando o "... bis in idem, prática coibida por desrespeitar os princípios da legalidade e da tipicidade, especialmente na seara do direito tributário, que lida com a chamada legalidade estrita e a tipicidade cerrada". Promete juntar, em quinze dias, "... aos autos o restante das guias relativas aos processos cujas cópias ainda não foram disponibilizadas pelas empresas que guardam os documentos em questão". 6. Afirma que faria jus à relevação de "parte da multa", "... Por ter a Impugnante incorrido nos pressupostos necessários à sua remissão", pois teria apresentado os documentos referentes às GFIP relativas às reclamatórias trabalhistas. 7. Menciona as circunstâncias de que teria apresentado os documentos requisitados na auditoriafiscal, necessários à identificação dos beneficiários das bolsas de estudo, mas que teriam sido "recusados", pois não teria sido apresentados na "versão digitalizada". Informa, também, que em razão da suposta e alegada recusa, o lançamento teria sido realizado por arbitramento e que, de qualquer forma, aquele beneficio — a concessão de descontos a titulo de bolsas de estudo — não teria "caráter de verba remuneratória". 8. Argumenta que, quanto aos pagamentos a autônomos e autônomos considerados empregados, as respectivas exigências também seriam Fl. 869DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36266.007285/200630 Resolução nº 2403000.239 S2C4T3 Fl. 6 5 indevidas, conforme se poderia constatar nos respectivos lançamentos fiscais. 9. Requer a anulação do Auto de Infração, ou, pelo menos, a ".... remissão de parte da multa aplicada ...". Requer, alternativamente, "... a aplicação dos valores previstos no art. 283, em virtude da inexistência de circunstância agravante, nos termos do art. 292, I do decreto n° 3.048/99". Requerimento de 01/02/2007 Em 01/02/2007, o contribuinte apresentou requerimento de juntada de novas cópias de GFIP (fls. 502 e 504/693). Despacho para Diligências de 02/08/2008 Levado a julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II, então competente, deliberouse pela realização de diligências, conforme despacho de 02/08/2008 (fls. 713/716). Relatório Fiscal Complementar de 27/11/2008 Em 27/11/2008, o Auditorfiscal notificante, tendo realizado diligências complementares, prestou suas informações (fls. 723/724): 1. Esclareceu que os lançamentos fiscais, relativos à obrigação principal (cobrança de créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas), lavrados na mesma auditoriafiscal, são aqueles correspondentes aos DEBCAD 37.015.0678, 37.015.0732, 37.015.0740. 2. Consolida os valores lançados — a planilha de fls. 725/735 — e informa que já se encontram contemplados os valores retificados, nos correspondentes lançamentos fiscais. 3. Entretanto, o montante da multa não se altera, tendo em vista que os valores mensais considerados foram obtidos pelo limitante mensal dos valores, conforme demonstram tanto a planilha de fls. 21/23 (a original), quanto a planilha de fls. 730/732 (com os valores retificados, em razão das retificações nos respectivos lançamentos). Impugnação de 30/12/2008 Notificado da informação fiscal, a FAAP, em 30/12/2008, apresentou nova impugnação ("impugnação complementar" — fls. 745/771), com a qual: 1. Argui a ocorrência de decadência, em relação às competências compreendidas no período de janeiro de 1999 a novembro de 2003. 2. Retoma questionamentos relativos à aplicabilidade do art. 292, I do Decreto 3.048/1999, do que resultaria a aplicação os valores previstos nos incisos I e II do art. 283, "... que são muito inferiores aos valores estabelecidos no ,sç 5°, art. 32 da Lei n°. 8.212 e inciso II, art. 284 do Decreto n°. 3.048/99 ...". Fl. 870DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36266.007285/200630 Resolução nº 2403000.239 S2C4T3 Fl. 7 6 3. Repisa argumentos relativos à suposta ocorrência de "infração continuada", concluindo que "... a suposta irregularidade correu continuamente entre o período de janeiro de 1999 a março de 2006, entendendose, por conseguinte, que .a sequência de infrações deuse em prosseguimento à primeira" (sic). 4. Repete proposição de que a multa deveria ser fixada considerando se apenas uma competência e ocorrência de quatro fatos geradores (sic). Repete, também, argumentos relativos à falta de razoabilidade e proporcionalidade em face do montante da multa. 5. Aduz que faltaria fundamento legal à fixação mensal da multa; que as disposições fundadas na Instrução Normativa SRP 3/2005 seriam incompatíveis com as disposições da Lei 8.212/1991 e do Decreto 3.048/1999. Retoma o argumento de que faltaria discriminação clara e precisa do dispositivo legal infringido, quanto à gradação da multa. 6. Referese novamente ao Auto de Infração 37.015.0651, para concluir que teria havido duplicidade de imposição de multa, considerandose o Auto de Infração, em análise —DEBCAD 37.016.3737. 7. Novamente se referindo ao Auto de Infração 37.015.0651, entende ser devida "remissão", que teria sido declarada naquele lançamento. 8. Reapresenta os argumentos de que os descontos a título de bolsas de estudo não caracterizariam fatos geradores de contribuições previdenciárias, assim como seriam indevidas as cobranças de contribuições previdenciárias relativas aos autônomos. 9. Repete requerimentos originais. Manifestação/requerimento de 17/06/2009 Em 17/06/2009 a FAAP apresentou nova manifestação/requerimento (f1s. 780/786), com a qual: 1. Ressalva que, tendo em vista as disposições do art. 106, II do CTN e com a edição da Medida Provisória 449/2008 e a sua conversão na Lei 11.941/2009, os fundamentos legais, sob os quais era determinada a multa aplicada neste caso, foram alterados, resultando em considerável diminuição do montante da multa. 2. Defende que a multa deveria ser reduzida para R$ 900,00, do resultaria a aplicabilidade do princípio da insignificância, que impediria o prosseguimento do processo administrativo fiscal (sic). 3. Reitera pleito de declaração de nulidade ou de improcedência do lançamento, aos quais ora acrescenta pedido de redução da multa, com o conseqüente cancelamento do auto, "... considerando que os valores envolvidos são ínfimos". Redistribuição do Auto de Infração — Mudança da Competência Finalmente, o processo é redistribuído para esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Campinas, em razão da alteração de competência, nos termos da Portaria SUTRI no. 1.802, de 27/07/2009. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36266.007285/200630 Resolução nº 2403000.239 S2C4T3 Fl. 8 7 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Tempestividade do recurso. · Decadência. · Multa. Legislação mais benéfica. · por restar um valor ínfimo, o lançamento deve ser cancelado. · Inexistência de fundamento legal que ampare a multa aplicada Infração continuada. Revisão da multa. Única sansão. · Nulidade. Ausência de dispositivo legal apontando a gradação da multa. · Processos trabalhistas. Multa em duplicidade. · Relevação da multa. · Não incidência da contribuição previdenciária sobre o auxilio educação (bolsas de estudo) · Tributação dos autônomos. É o relatório Fl. 872DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36266.007285/200630 Resolução nº 2403000.239 S2C4T3 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. Esta autuação referese a omissão de fatos geradores na GFIP (CFL 68). O Relatório Complementar Fiscal da Infração, folhas 19 e 20, apresenta os fatos geradores que a fiscalização considerou como omitidos. Desta forma, e após serem verificados os documentos que pudessem atestar o cumprimento da obrigação acima explicitada, foi contatado que a empresa deixou de declarar em GFIP: 1) Os valores pagos a autônomos, sobretudo os pagamentos que não constam na Folha de Pagamento de Autônomos, conforme lançamentos contábeis (AUT1 e AUT2); 2) Os processos trabalhistas que suportam os recolhimentos das GPS código 2909 (TRAB); 3) Os valores relativos as Bolsas de Estudos concedidas a Empregados e dependentes (BOL); 4) Os valores relativos aos Empregados que foram considerados como autônomos pela FAAP e desconsiderados como tal pela presente fiscalização (CAR). Fatos estes que nos indicam o descumprimento ao art. 32, inciso IV, parágrafo quinto acima reproduzido. O Relatório Fiscal Complementar de 27/11/2008, folhas 723 e 724, cita algumas NFLDs com conexão com o presente lançamento, observando que mencionou “apenas as NFLD que possuem reflexos no presente Relatório.” RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR DO AI Nº 37.016.3737 PROCESSO Nº 36266.007285/200630 AI — AUTO DE INFRACÃO CFL 68 Tratase de Auto de Infração — AI CFL 68, referente aos valores devidos de contribuições previdenciárias não incluídos na GFIP. Assim, o presente AI possui conexão direta com as NFLD relativas a: Fl. 873DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36266.007285/200630 Resolução nº 2403000.239 S2C4T3 Fl. 10 9 Concessões de Bolsas de Estudos: NFLD DEBCAD N. o 37.015.0732 e N. o 37.015.0740; Autônomos não incluídos na GFIP: NFLD DEBCAD N. o 37.015.067 8. Observação: Mencionamos apenas as NFLD que possuem reflexos no presente Relatório. Buscando a coerência dos julgamentos (obrigação principal e obrigação acessória correspondente), entendo necessário identificar os processos relativos às obrigações principais e informar se foram ou não apresentadas impugnações, se houve recurso e os resultados finais dos litígios. Solicito à DRF jurisdicionante da recorrente as informações acima. CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 874DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10530.004673/2008-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REQUISITOS. PREENCHIMENTO. OBRIGATORIEDADE. VIGÊNCIA A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. ATO CANCELATÓRIO DE DECLARAÇÃO DE IMUNIDADE.
Havendo descumprimento dos requisitos dos incisos IV e V, devidamente constatados pela autoridade fiscal, a qual em processo administrativo regularmente procedido determinou o cancelamento do ato declaratório anterior, cabe o lançamento das contribuições que deixaram de ser recolhidas dentro do prazo decadencial.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REQUISITOS. PREENCHIMENTO. OBRIGATORIEDADE. VIGÊNCIA A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. ATO CANCELATÓRIO DE DECLARAÇÃO DE IMUNIDADE. Havendo descumprimento dos requisitos dos incisos IV e V, devidamente constatados pela autoridade fiscal, a qual em processo administrativo regularmente procedido determinou o cancelamento do ato declaratório anterior, cabe o lançamento das contribuições que deixaram de ser recolhidas dentro do prazo decadencial. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 46 73 /2 00 8- 60 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004673/200860 Acórdão n.º 2403002.844 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1529.096 – 5ª Turma da DRJ/SDR, fls. 163/173, que julgou totalmente improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.147.8839 (PARTE EMPRESA – GILRAT – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL), referente ao período de 12/2003 a 12/2007, no valor de R$ 2.119.104,19 (dois milhões, cento e dezenove mil, cento e quatro reais e dezenove centavos). A presente autuação almeja o recolhimento das contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, relativas ao período de 12/2003 a 12/2007, apuradas em GFIP, pelo fato de ter sido cancelada a isenção de contribuições previdenciárias, conforme Relatório Fiscal, fls. 48/52: 3 – CANCELAMENTO DE ISENÇÃO O ato declaratório 04024/001/2000 concede isenção de contribuições sociais junto ao INSS, nos termos do § 1, do art. 55, da lei 8.212/91, com atendimento dos requisitos formais constantes nos incisos I e II do citado art.; Para verificação do atendimento às condições descritas nos incisos III, IV e V foi iniciada auditoria fiscal em 12/08/2003, oportunidade em que foi constatado o descumprimento dos incisos IV e V, do art. 55, da lei 8.212/91,apresentando Informação Fiscal para o cancelamento da isenção; O contribuinte apresentou defesa tempestiva requerendo a Improcedência da Informação Fiscal; A Seção de Análise de Defesa e Recursos decidiu procedente o Cancelamento da Isenção a partir da competência 11/2002, em 18/3/2004; O contribuinte recorre da decisão da decisão, remetendo suas razões à apreciação do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS; O relator do processo vota “pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO” seguido pela unanimidade dos membros da Segunda CRPS. Com o cancelamento da isenção o contribuinte passa à obrigatoriedade de recolhimento das Contribuições Sociais à Previdência Social na sua totalidade. No entanto o contribuinte, ao arrepio da decisão de cancelamento, nada manifestou no sentido de regularizar os débitos decorrentes, seja recolhendo ou parcelando as diferenças, seja retificando a GFIP com a necessária alteração do código FPAS 639 relativo a entidade filantrópica isenta para o 515 relativo a exploração comercial Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 da atividade de saúde dentre outras não abrangidas pela isenção. 5 IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO – Esta auditoria levantou as informações declaradas pelo contribuinte em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, em levantamento próprio sob a denominação GFI – Remuneração declarada em GFIP, relativo às parcelas decorrentes das remunerações pagas, deduções aproveitadas e contribuições à Seguridade Social de segurados a serviço do contribuinte; Dos trechos do relatório fiscal acima colacionados podese extrair que contra o recorrente foi prolatado Ato Declaratório de gozo de Isenção em 2000, que foi cancelado em 18/03/2004, em razão de auditoria realizada com início no ano de 2003, a qual constatou o descumprimento dos incisos IV e V do art. 55 da Lei 8.212/91. O contribuinte apresentou todos os recursos cabíveis, inclusive pedido de reconsideração perante a administração pública e, conforme destacou em Recurso Voluntário, ajuizou ação judicial para ver anulado o ato que cancela o gozo da isenção. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 100/128. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador, prolatou o acórdão 1529.096, de fls. 163/173, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 PRELIMINAR.. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INOCORRÊNCIA Somente serão considerados nulos, aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelos incisos I e II do art. 59 do Decreto 70.235/1972. Ausentes, não há que se falar em nulidade. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LOCAL DE LAVRATURA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DIVERSO DAQUELE ONDE ESTABELECIDO O CONTRIBUINTE. ART. 10 DO DECRETO 70.235/1972. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INOCORRÊNCIA. O local de verificação da falta, estabelecido pelo caput do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, tanto é o próprio estabelecimento do contribuinte – onde aquela, em tese, teria sido praticada – ou outro qualquer, inclusive na própria repartição fiscal, onde apurada (verificada) a ocorrência da irregularidade. Preliminar rejeitada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Só há necessidade de perícia para elucidação de fato que depende de conhecimento especial. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004673/200860 Acórdão n.º 2403002.844 S2C4T3 Fl. 4 5 Não caracteriza cerceamento de defesa o indeferimento de diligência ou perícia, consideradas prescindíveis ou impraticáveis. ALEGAÇÃO ABSTRATA. A mera alegação abstrata e sem qualquer elemento de prova não é suficiente para a desconstituição do lançamento tributário. Não há fundamento fático que autoriza alteração ou cancelamento do lançamento original. CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. A discussão acerca do cancelamento da isenção se deu em processo administrativo próprio, apartado do Auto de Infração. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o reexame dos motivos que ensejaram o ato cancelatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a recorrente, PRO MATRE DE JUAZEIRO, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 177/210, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 – A conexão deste processo com os autos da Informação Fiscal nº 04.024.0/0001/2004; 2 – A suspensão desse Auto de Infração e de seu respectivo feito até o julgamento definitivo da ação ordinária nº 2006.33.05.001452; 3 – A nulidade do Acórdão recorrido, seja em razão de não terem sido devolvidos à recorrente seus Livros Razão e Diário do Período fiscalizado, seja em razão do não apensamento do presente Auto de Infração aos autos da Informação Fiscal 04.024.0/0001/2004; 4 – Que seja, em razão do indeferimento das provas requeridas pela recorrente, determinada a remessa dos autos à instância a quo; 5 – Que seja declarada a nulidade do Auto de Infração impugnado, por ter sido lavrado na DRF em Feira de Santana e não na DRF em Juazeiro; 6 – Que seja declarado improcedente o AI em face da imunidade/isenção da recorrente; 7 – Que o termo inicial para cobrança só se dê a partir de quando for definitivamente julgada a ação ordinária nº 2006.33.00.001452, ou a partir de quando a recorrente foi intimada nos termos da r. decisão exarada pela Informação Fiscal nº Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 04.024.0/0001/2004, ou para retirar os excessos de cobrança, ou para declarar que a ilegalidade das multas, ou para que sejam excluídas as multas aplicadas. É o relatório. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004673/200860 Acórdão n.º 2403002.844 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 347, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO O contribuinte apresentou extenso recurso voluntário com histórico analítico dos fatos processuais ocorridos no decorrer do procedimento de cancelamento do ato declaratório de isenção e afirma que aquela decisão não pode subsistir. Haja vista que não houve descumprimento dos incisos VI e V do art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores. Em razão disso, farseá breve anotação com relação a imunidade condicionada constante na Constituição Federal. A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune ao pagamento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, parágrafo 7o da CF, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (sem destaques no original) Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (sem destaques no original) Para que seja concedida a imunidade regulamentada pela supracitada norma, a entidade precisa atender às exigências contidas nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei n. 8.212/91. Apesar de se tratar de imunidade, constante no art. 195, parágrafo 7º da CF, destacado alhures, percebese que ela é condicionada, e que os requisitos impostos na legislação são válidos e não podem ser excluídos da apreciação deste conselheiro. Nesse sentido, vejase o precedente do Supremo Tribunal Federal, in verbis: I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a Fl. 364DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004673/200860 Acórdão n.º 2403002.844 S2C4T3 Fl. 6 9 reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150 153) **************************************************** CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE CEBAS EMITIDO E PRETENSAMENTE RECEPCIONADO PELO DECRETOLEI 1.752/1977. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 195, § 7º DA CONSTITUIÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE O QUADRO FÁTICO. ATENDIMENTO OU NÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. 1. Nenhuma imunidade tributária é absoluta, e o reconhecimento da observância aos requisitos legais que ensejam a proteção constitucional dependem da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência. 2. Não há direito adquirido a regime jurídico relativo à imunidade tributária. A concessão de Certificado de Entidade Beneficente Cebas não imuniza a instituição contra novas verificações ou exigências, nos termos do regime jurídico aplicável no momento em que o controle é efetuado. Relação jurídica de trato sucessivo. 3. O art. 1º, § 1º do Decretolei 1.752/1977 não afasta a obrigação de a entidade se adequar a novos regimes jurídicos pertinentes ao reconhecimento dos requisitos que levam à proteção pela imunidade tributária. 4. Não cabe mandado de segurança para discutir a regularidade da entidade beneficente se for necessária dilação probatória. Recurso ordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (RMS 26932, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/12/2009, DJe022 DIVULG 04022010 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 PUBLIC 05022010 EMENT VOL0238801 PP00015 LEXSTF v. 32, n. 374, 2010, p. 178183) Dessa forma, percebese que é obrigatório para reconhecimento do gozo da imunidade, o preenchimento de todos os requisitos acima, no entanto, no caso concreto, restaram desobedecidos os incisos IV e V, quais sejam: IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Afirma o recorrente que caberia a este colegiado também analisar a materialidade da questão que decorreu no cancelamento do Ato Declaratório. Ocorre que o tema já fora debatido exaustivamente no âmbito administrativo e, mesmo que houvessem provas no presente processo, suficientes à análise de que ele requer, essa a matéria não poderia ser analisada, uma vez que o próprio contribuinte confessa que ajuizou Ação Ordinária de n. 2006.33.05.0014520, na qual, à época da interposição de Recurso Voluntário, estava pendente de julgamento de Apelação interposta pelo próprio recorrente, em face da sentença judicial que negou o seu pleito. Dessa forma, entendo que há atração da Súmula 01 do CARF, de observância obrigatória por parte deste conselho, já que no processo judicial, que pretende ver anulado o ato declaratório, está sendo analisado em última instância, as mesmas alegações de mérito do descumprimento dos incisos IV e V do art. 55 da Lei 8.212/91 aqui trazidas. Logo, entendo que não merece provimento o recurso voluntário neste ponto. DAS DEMAIS ALEGAÇÕES DO RECORRENTE Ultrapassado o mérito da questão da imunidade, o recorrente afirma que só podem ser cobrados tributos quando forem definitivamente julgados processo administrativo 10530.002786/200669 e Ação Ordinária 2006.33.05.0014520, ou a partir de quando foi intimada da decisão final exarada na Informação Fiscal n. 04.024.0/0001/2004, argumento tal que não procede. Como se sabe, o ato que cancela o Ato Declaratório de gozo da imunidade, é de natureza meramente declaratória e retroage ao tempo da verificação do ato que culminou no descumprimento dos requisitos legais para tanto. A partir disso, tem a administração pública o prazo decadencial para lançar os tributos que o contribuinte deixou de recolher em razão da errônea informação de que determinada pessoa jurídica estava à margem da incidência do tributo. Logo, deve ser observado o art. 150, parágrafo 4º do CTN ou mesmo o art. 173, II do mesmo codex. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004673/200860 Acórdão n.º 2403002.844 S2C4T3 Fl. 7 11 Verifico que o sujeito passivo foi cientificado por via postal, com Aviso de Recebimento, fl. 62, em 27/12/2008 e o período cobrado é de 12/2003 a 12/2007, não havendo que se falar, portanto, em decadência, por quaisquer dos critérios do CTN. Também afirma que a base de cálculo foi utilizada a maior e a recorrente não conseguiu fazer contraprova por cerceamento do direito de defesa. Ocorre que a base de cálculo sob exigência foi apurada pela própria contribuinte, em GFIP, e, no caso de as bases ali declaradas serem diversas da realidade, teve o contribuinte a oportunidade de juntar aos autos as provas necessárias para tanto, no decorrer do presente processo administrativo, não o tendo feito, não necessitando de diligência ou perícia para tanto. Com relação aos juros aplicados, esta matéria é pacífica no âmbito deste conselho administrativo, sumulado no verbete n. 04, de observância obrigatória por parte deste conselheiro, razão pela qual, também não merece provimento o alegado. DA MULTA APLICADA No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004673/200860 Acórdão n.º 2403002.844 S2C4T3 Fl. 8 13 Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11020.914928/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO CONSTATADO EM DILIGÊNCIA.
Deve ser reconhecido o direito creditório quando a autoridade fiscal, durante diligência, constatar a existência do crédito.
Numero da decisão: 3401-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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CRÉDITO CONSTATADO EM DILIGÊNCIA. Deve ser reconhecido o direito creditório quando a autoridade fiscal, durante diligência, constatar a existência do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 49 28 /2 00 9- 06 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS supostamente recolhido a maior em 14/10/2005 (fls.01/05). A delegacia de origem negou o ressarcimento em razão de o crédito localizado ter sido utilizado para quitação de outros débitos (fl.06). A DRJ em Belém/PA manteve o indeferimento (fls.32/35). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 11/03/2011 (fl.37) e interpôs recurso voluntário em 11/04/2011 (fls.38/58). O recurso voluntário foi apreciado pela primeira vez por esta Turma Julgadora sob a relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (fls.129/131). Na ocasião, constatouse que o crédito não foi localizado em razão de diversas DCTFs retificadoras apresentadas pela Recorrente. Por isso, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse analisada qual a DCTF retificadora é válida e se existe crédito em favor da Contribuinte. O resultado da diligência está presente nas fls. 138/141. Apesar de cientificada, a Recorrente não se manifestou quanto ao resultado da diligência. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em diligência, após analisar a documentação fiscal da Contribuinte e as DCTF retificadoras apresentadas, a autoridade fiscal concluiu que a retificação válida foi a última apresenta, cuja transmissão ocorreu em 10/06/2009 e que essa retificação está correta, de modo a restar um crédito em favor da Recorrente no montante de R$ 26.625,82. O crédito localizado na diligência tem exatamente o mesmo valor pleiteado pela Recorrente. Portanto, deve ser reconhecido o direito creditório. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito creditório pleiteado, bem como homologar a compensação apresentada até o limite do crédito. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11020.914928/200906 Acórdão n.º 3401002.851 S3C4T1 Fl. 149 3 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10166.730381/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2009 a 30/11/2011
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - APRECIAÇÃO - INCOMPETÊNCIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente.
Existindo ação judicial que ampare o direito do recorrente deveria o mesmo ater-se aos limites da referida decisão, que determinava inclusive o respeito ao art. 170-A do CTN, que descreve: É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado.
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996
Numero da decisão: 2401-003.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a multa isolada. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que mantinha integralmente a multa e o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que somente excluía com relação às parcelas contempladas na decisão judicial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira Relatora e Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação de valores cujo direito líquido e certo a compensação não lhe está assegurado. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente. Existindo ação judicial que ampare o direito do recorrente deveria o mesmo aterse aos limites da referida decisão, que determinava inclusive o respeito ao art. 170A do CTN, que descreve: “É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 03 81 /2 01 2- 68 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 2 sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2009 a 30/11/2011 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS APRECIAÇÃO INCOMPETÊNCIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a multa isolada. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que mantinha integralmente a multa e o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que somente excluía com relação às parcelas contempladas na decisão judicial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira – Relatora e Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Relatório Os presentes Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, referentes aos períodos de 08/2009 a 11/2011, encontramse assim, distribuídos: a) AI DEBCAD Nº 51.012.1531, no valor de R$ 19.974.288,76 (dezenove milhões, novecentos e setenta e quatro mil, duzentos e oitenta e oito reais e setenta e seis centavos), referente a apuração de valores devidos à Seguridade Social, decorrentes de glosa de compensações indevidamente declaradas em GFIP, o que resultou no não recolhimento, à Seguridade Social, da totalidade dos valores devidos nas competências compreendidas entre 08/2009 e 11/2011 (levantamento GL– Glosa de Compensação Indevida). b) AI DEBCAD Nº 51.012.1551, no valor de R$ 20.785.385,42 (vinte milhões setecentos e oitenta e cinco mil trezentos e oitenta e cinco reais e quarenta e dois centavos) referente a lançamento de Multa isolada aplicada no percentual de 150% sobre o valor indevidamente compensado no período de 08/2009 a 11/2011 (Levantamento MI – MULTA ISOLADA). Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 18 e seguintes, o contribuinte procedeu à compensação de débitos previdenciários com valores anteriormente por ele recolhidos a título de contribuições previdenciárias, as quais eram contestadas em ação judicial por ele proposta (Processo nº 2009.34.00.0240630) sem que houvesse decisão judicial transitada que lhe fosse favorável. Como o sujeito passivo não possui crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a compensação por ele efetuada é indevida, não restando outra alternativa a fiscalização a não ser efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescidos de juros e multa de mora, nos termos do § 9º do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/09. O crédito apurado neste Auto de Infração foi lançado no levantamento GL– Glosa de Compensação Indevida e foi apurado de acordo com os valores declarados em GFIP no campo “Valor Compensado”. Ademais, consta, na própria sentença e na Certidão de Objeto e Pé apresentadas pela empresa (anexo III), que o MM. Juiz Federal Substituto da 9ª Vara/SJDF, ao julgar o Mandado de Segurança impetrado pela empresa, assim decidiu “... Em face do exposto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para afastar a cobrança da contribuição previdenciária... assegurando o direito à compensação tributária nos moldes do art. 170A do CTN e dos artigos 44 a 48 da IN RFB nº 900/2008...” (grifo nosso) Aplicouse ainda a multa isolada, nos termos do art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, em face de a empresa ter apresentado GFIP contendo informação sabidamente falsa, originada de crédito inexistente, no montante de 150% dos valores indevidamente compensados. Esta multa foi aplicável apenas em relação a GFIP entregue a partir de 04/12/2008, independentemente da competência a que se referir, uma vez que o fato gerador da infração ocorre na data da entrega da GFIP. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 4 5 No presente caso, o sujeito passivo apresentou declarações (GFIP relativas às competências 08/2009 a 11/2011) com informação de valores a compensar. Tais valores correspondiam às contribuições previdenciárias por ele recolhidas anteriormente, mas que estão sendo contestadas em ação judicial por ele proposta, sem que ainda houvesse qualquer decisão judicial transitada em julgado que lhe fosse favorável. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 27/11/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/11/2012. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 175 a 218. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 336 a 347 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/11/2011 DEBCAD Nº 51.012.1535 GLOSA DE COMPENSAÇÃO DEBCAD Nº 51.012.1551 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA APLICADA SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Na hipótese de compensação indevida, com falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, sujeita o contribuinte à multa no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. As contribuições previdenciárias em atraso estão sujeitas à incidência de juros moratórios equivalentes à taxa Selic, em virtude de previsão legal expressa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL. Sempre que o AuditorFiscal constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá realizar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatoria a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para Fl. 409DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 6 o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS Os efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil. Não estando enquadradas nesta hipótese, as decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, há que ser indeferido o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa apresentou recurso, fls. 351 a a 398, onde colaciona os mesmos argumentos da impugnação, que transcrevemos abaixo: 1. DA INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA Apesar do relatório fiscal indicar que os créditos apontados pela impugnante nas declarações de compensação serem decorrentes da Medida Judicial nº 2009.34.00.0240630, ainda pendente de análise no Judiciário, os valores apontados no AI são absolutamente estéreis e sua exigência é desprovida de qualquer fundamento legal, sobretudo em razão da imunidade conferida pela Constituição Federal à recorrente. Discorre sobre a isenção que entende ter o SESI direito por ser uma entidade beneficente de assistência social, de caráter educacional, cultural, de lazer, desporto e saúde, sem fins lucrativos. Cita jurisprudência que entende corroborar seu entendimento, inclusive acórdão do CARF – Acórdão 2401002.594. 2. DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO QUE AMPARA A COMPENSAÇÃO A sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.34.00.0240630 não só acolheu em parte a segurança pleiteada pelo recorrente, no sentido de reconhecer a inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados, mas reconheceu, ainda, o direito à compensação de todo o montante que havia sido indevidamente recolhido até então. Notase, destarte, que o Magistrado de primeiro grau (decisão confirmada ampliada pelo TRF) houve por bem aplicar o entendimento sedimentado no STJ, segundo o qual não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos pela empresa a título de afastamento por auxílio/acidente nos 15 primeiros dias. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 5 7 3. Não há razão para que o contribuinte, que recolheu valores com base em uma lei eivada de vício e cuja matéria encontrase pacificada, seja pela Doutrina ou pela Jurisprudência, seja impedido de realizar as compensações devidas, independentemente de trânsito em julgado da sentença. Se a matéria é pacífica no STJ, não seria razoável que a demanda proposta pela impugnante tivesse que se submeter ao trânsito em julgado para que fossem validadas as compensações realizadas. Os valores compensados são apenas dos recolhimentos efetuados com base em norma declarada ilegal, não havendo qualquer provimento jurisdicional capaz de modificar tal circunstância, motivo pelo qual a controvérsia, ora debatida, não poderia juridicamente, submeterse à sistemática prevista no art. 170A do Código Tributário Nacional. Cita ainda decisões judiciais que entende corroborar seu entendimento. 4. INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC A recorrente contesta ainda a utilização da taxa SELIC na consolidação do presente crédito, alegando que é de natureza remuneratória de títulos, que ofende o conceito jurídico e econômico de juros moratórios e fere os preceitos contidos no parágrafo 1º do art.161 do CTN, e no parágrafo 3º do art. 192 da CF. 5. DO DESCABIMENTO DA MULTA ISOLADA Mesmo que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada de 150% deve ser afastada, seja por inexistência de indícios de falsidade, seja por se tratar de multa confiscatória, desproporcional e desarrazoada. A realização de compensação em qualquer uma das hipóteses autorizadas pela Lei, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo. Sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão fiscal, e em todas essas hipóteses deverá estar presente o dolo. 6. Não poderá haver presunção de fraude para fins de aplicação da multa isolada, visto que esta deverá ser provada e caberá prova em contrário. Diante do demonstrado, não há que se falar em máfé ou em indícios de falsidade, devendo ser afastada não só a absurda, desproporcional, desarrazoada e confiscatória multa isolada de 150%, julgando o AI totalmente improcedente. 7. Afirma que as multas foram excessivas e suas exigências encerram em si flagrante inconstitucionalidade, por violar os princípios do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da isonomia, da proporcionalidade, da razoabilidade e da moralidade. Alega que, no presente caso, não houve a concretização de fato jurídico gerador de obrigação tributária principal, sendo os atos de lançamentos de multas desconexos com a situação fática da impugnante. Cita doutrina e jurisprudência que entende corroborar seu entendimento. 8. REPRESENTAÇÃO FISCAL Alega ainda que a Representação Fiscal para Fins Penais não poderá ser encaminhada ao Ministério Público Federal antes de decisão administrativa definitiva. A impugnação, implica nos termos do art. 151, inc. III do CTN, inequívoca suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Portanto devese a Representação Fiscal para Fins Penais ser mantida no âmbito desta Secretaria da RFB até final esgotamento da via administrativa, eventual constituição definitiva do crédito tributário e, ainda, após esgotado prazo para o contribuinte pagar e/ou parcelar o tributo. 9. Por fim, requer o conhecimento do recurso, sendolhe dado provimento para anular o lançamento confrontado. Outrossim, requer :que a Representação Fiscal para Fins Penais seja mantida no âmbito da Secretaria da RFB até final esgotamento da via administrativa, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 8 eventual constituição definitiva do crédito tributário e, ainda, após esgotado prazo para o contribuinte pagar e/ou parcelar o tributo. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 399. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar de nulidade do AI DEBCAD 51.012.1551 tendo em vista que a multa isolada foi consubstanciada apenas em indícios, entendo que a pretendida nulidade confundese com o mérito do próprio AI, razão pela qual deixo de apreciar a questão, para manifestarme a seguir propriamente no mérito . DO MÉRITO _ 51.012.1531– DA CONDIÇÃO DE IMUNE Primeiramente, convém esclarecer, assim como já destacou o julgador de primeira instância, que o lançamento em questão denota de compensações sem que a empresa tivesse direito líquido e certo para realizálas. Dessa forma, a alegação de que não existe relação jurídica tributária que obrigue a recorrente ao recolhimento da parcela patronal, face enquadrarse como imune, por preenchimento dos mesmos requisitos da entidades beneficentes de assistência social, entendo que não assiste razão ao recorrente. O lançamento em questão não é pela ausência de contribuições patronais, pela utilização de codificação de entidade isenta, mas sim, pelas compensações realizadas pela empresa, por entender que efetivou o recolhimento de contribuições sobre as rubricas: 15 primeiros dias de afastamento por motivo de doença, 1/3 de férias e férias gozadas, de forma indevida. Assim, não merecem guarida os argumentos do recorrente, já que a alegada compensação em GFIP, foi pautada não na imunidade (que entende ter), mas em ações judiciais onde discuti a exigência de contribuições sobre as rubricas mencionadas acima. Assim, entendo que não deve ser apreciado nos presentes autos dita imunidade, mas necessário se faz prestar esclarecimentos sobre um acórdão desta Câmara mencionado pelo recorrente tanto em seu recurso como na impugnação. No acórdão 2401002.594, não foi apreciada a imunidade do SESI, nem tampouco a exigência de contribuições previdenciárias patronais, mas tão somente a exigência de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, os chamados “terceiros”. Mas, especificamente no mencionado acórdão, encontravase sob julgamento a contribuição para o salário educação, essa sim, afastada pelo autor. Assim, entendo que esse argumento não merece prosperar para fins de determinar qualquer direito a compensação realizada pelo recorrente. GLOSA DA COMPENSAÇÃO Fl. 413DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 10 Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou compensações mediante aproveitamento de tributo sem estar amparado pelo recolhimento indevido ou mesmo por ação judicial transitada em julgado. Notese que não colacionou o recorrente qualquer ação judicial definitiva que amparasse suas compensações, baseando seu direito em decisões não definitivas e na jurisprudência do STJ em relação a determinadas verbas e pareceres e doutrina esparsa em relação a verbas que compõem o conceito de remuneração. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo julgador, no sentido que como não havia decisão transitada em julgado, considerouse que não havia crédito líquido e certo em favor do contribuinte, portanto, as compensações foram consideradas indevidas, restando à auditoria fiscal o levantamento do crédito tributário pelo total indevidamente compensado (Glosa de Compensações Indevidas) com base nos artigos 170A e 170 do CTN e artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinada com o artigo 70 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 31/12/2008. Com relação ao argumento de realização de compensação nos limites legais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A autoridade fiscal em seu relatório descreveu que o recorrente descumpriu o teor da própria decisão judicial, posto que realizou compensações sem ter direito a mesma, caracterizando seu intuito doloso, verdadeira falsidade das declarações. Senão vejamos trecho do relatório fiscal: 9.5. Ademais, consta, na própria sentença e na Certidão de Objeto e Pé apresentadas pela empresa (anexo III), que o MM. Juiz Federal Substituto da 9ª Vara/SJDF, ao julgar o Mandado de Segurança impetrado pela empresa, assim decidiu “... Em face do exposto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para afastar a cobrança da contribuição previdenciária... assegurando o direito à compensação tributária nos moldes do art. 170A do CTN e dos artigos 44 a 48 da IN RFB nº 900/2008...” (grifo nosso) Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, caberia à recorrente demonstrar o direito líquido e certo a realizar as compensações, o que não restou demonstrado, tendo em vista que os valores compensados, referemse a verbas, que não se encontram dentro do rol de exclusão da base de cálculo do § 9º do art. 28da lei 8212/91. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos.no âmbito previdenciário. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 7 11 § 1º Admitirseá apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca virgula antes da expressão “do parágrafo”) § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação.. Não há que se falar em aplicação do art. 66 da lei 8383, considerando que a norma que rege as compensações e restituições no âmbito previdenciário é é a lei 8212/91 , contudo, conforme observado ao optar por ingressar em juízo, o recorrente passou ao judiciária a solução da contenda, devendo aguardar a decisão final para só então reivindique o seu direito. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 12 Conforme previsto no art. 170A do CTN (descrito pelo próprio magistrado) , corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes (ou seja onde existem recursos pendentes de julgamento), não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Dessa forma, não é cabível a homologação da compensação, posto que não deve se considerar que a interpretação dado pelo recorrente acerca da definição do salário de contribuição, ou mesmo por decisões esparsas lhe atribua direito de promover a redução do tributo devido, por meio de compensações muitas vezes questionáveis, como no presente caso. NÃO EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE AS VERBAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Quanto ao argumento de que as verbas que embasaram a compensação não constituírem salário de contribuição de acordo com a jurisprudência, entendo que não cabe aqui sua discussão, já que não foi a natureza da verba que ensejou a lavratura da NFLD, mas a sua compensação em GFIP, sem o devido cumprimento do rito necessário que enseja o lançamento. Ademais, o mérito da incidência de contribuições não pode ser aqui discutida, considerando que levou o recorrente ao judiciário a decisão a respeito do tema. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante Confundese o recorrente com o objeto da autuação. Observase que em momento algum ingressou o auditor no mérito efetivo sobre a incidência de contribuições sobre as verbas, para as quais entende o recorrente, a exigibilidade encontrase suspensa, sejam elas: quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença, , adicional de 1/3 das férias e férias. Tal fato, é facilmente identificado no item 8 do relatório fiscal, fls. 19. Apenas com a leitura desse ponto já é possível identificar que o mérito da incidência das contribuições encontrase sob júdice, mas, para a legislação previdenciária, não pode simplesmente o recorrente por ter ingressado em juízo, e entender não constituir a verba salário de contribuição, realizar a compensação a seu “bel prazer”. Conforme dito, o presente lançamento tem por base simplesmente os valores declarados em GFIP como compensação, sem o direito do recorrente a realização da mesma, encontrarse liquido e certo. MULTA E JUROS APLICADOS Questiona o recorrente além da multa isolada a aplicação da multa de mora e da taxa SELIC. Entendo que, não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária Fl. 416DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 8 13 em época própria, ou havendo compensação indevida (sem o efetivo direito líquido e certo, que é o trânsito em julgado), como é o caso, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Aos valores originários (de acordo com a legislação descrita) foram acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento, e, juros de mora obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia –SELIC. Os valores resultantes apurados na forma do previsto no Art 89 § 9º da Lei 8.212/91 de 24/07/91 c/c Art. 35 da mesma Lei e Art.61 da Lei Nº 9.430, de 27 de Dezembro de 1996 constam do relatório integrante do Auto de Infração denominado DD – Discriminativo do Débito. Transcrevo a legislação para verificar sua adequação: Lei 8.212, de 24 de Julho de 1991. Art. 89 As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação alterada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Redação alterada pela MP nº 449 de, de 03/12/2008, DOU de 04/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009). Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996 (Redação alterada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009). Lei Nº 9.430, de 27 DE Dezembro de 1996. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 14 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de multa e juros, estando os valores descritos no AIOP, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Da mesma forma, aplicou a autoridade fiscal a multa de acordo com o disposto na legislação aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, face ser a atividade vinculada a estrita observância da lei. Em relação ao questionamento acerca do caráter confiscatório da multa, observamos, que o item 8.6 do relatório fiscal, foi muito esclarecedor em relação a multa aplicada, qual seja, e §9 do art. 89 da lei 8212/91. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. Os juros de mora defluem de comando legal (art. 34 da Lei nº 8.212/91 e, a partir da MP 449/2008, art. 35 da referida lei). A multa de mora é a prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, observado o período de vigência. Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, argumentando que a ausência de incidência deuse em função da interpretação de que o questionamento dar rubricas em juízo por não consistiria salário de contribuição, também não afasta a multa imposta, face que a sua aplicação independe da intenção do agente. Por outro lado também correto o lançamento com a aplicação dos juros SELIC, conforme previsto na legislação acima transcrita.Quanto à cobrança de juros, claro é a aplicação da taxa SELIC pela não recolhimento na época oportuna, inclusive no presente caso, onde constatado a diminuição do recolhimento por meio de compensações indevida. Dessa forma, entendo correto o tratamento dado pelo auditor, tendo promovido o lançamento não apenas como a multa de mora, como com a aplicação de juros SELIC. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 9 15 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais Face o exposto não vislumbro qualquer nulidade na decisão recorrida, tampouco os argumentos do recorrente demonstram estar incorreto o lançamento realizado. DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Ademais, no tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade na multa imposta, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência conforme o fez a autoridade fiscal. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA MULTA ISOLADA – DEBCAD 51.012.1551 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 16 Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando, que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo leva sim, a uma falsa declaração, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10 da lei 8212/91, no patamar de 150%. Ao contrário de outros processos de compensação, onde a empresa promove as compensações, amparada em decisão judicial definitiva, ou medida liminar, no presente caso, mesmo que se argumente a existência de decisão preliminar parcial, o recorrente extrapolou os limites da referida, assim, não há como afastar o fato que a empresa realizou as compensações contrariando até mesmo a decisão que ampararia o seu direito. Vejamos trecho do relatório: Ademais, consta, na própria sentença e na Certidão de Objeto e Pé apresentadas pela empresa (anexo III), que o MM. Juiz Federal Substituto da 9ª Vara/SJDF, ao julgar o Mandado de Segurança impetrado pela empresa, assim decidiu “... Em face do exposto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para afastar a cobrança da contribuição previdenciária... assegurando o direito à compensação tributária nos moldes do art. 170A do CTN e dos artigos 44 a 48 da IN RFB nº 900/2008...” (grifo nosso) Devese, analisando pontualmente, cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Notese que aqui, não exigiu o legislador a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como muito argumentado pelo recorrente, mas a indicação de informação falsa na GFIP, o que no presente caso, entendo comprovado ao inserir em GFIP o direito a compensação quando na verdade não possuía tal direito. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1, conforme transcrito abaixo: Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 10 17 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limiar entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita. Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber, que tratou com muita propriedade a questão, em processo que tratava da mesma matéria: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 18 do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430, Assim, analisando a limitação proposta pelo teor da decisão judicial e os termos utilizados pela legislação aplicável a matéria, entendo que NÃO POSSUÍA O RECORRENTE DIREITO LÍQUIDO E CERTO A COMPENSAÇÃO, POSTO QUE ATÉ A DATA DO LANÇAMENTO, NÃO HAVIA decisão que amparasse seus fundamentos. Observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, Fl. 422DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 11 19 e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. Ao apreciarmos o mérito, muito destacamos a inexistência de direito líquido de certo. Da atitude do recorrente de descrever valores em GFIP, diminuindo o valor do montante da contribuição previdenciaria devida, correto o procedimento da autoridade Fiscal que aplicou a multa de 150% sobre o valor indevidamente compensado, conforme previsão do § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, haja vista que a falta de pagamento das contribuições decorrera de processo compensatório em que a empresa flagrantemente violou os termos da decisão judicial que dera ensejo ao seu direito. Em seu recurso o sujeito passivo alega que a multa isolada é improcedente, posto que não atuou com dolo, nem tentou ludibriar o fisco, haja vista que declarou as compensações na GFIP, contudo verificase que a condição legal para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Vejase que aí também foram excluídas as referências aos crimes tributários tipificados nos artigos 71,72,e 73 da Lei n. 4.502/1964. Da mesma forma, a Lei n. 9.430/1996 é invocada como parâmetro exclusivamente para quantificar o percentual de multa a incidir sobre os valores indevidamente compensados. Diante da situação descrita no presente processo justificase a imposição da multa isolada no patamar de 150% das contribuições indevidamente compensadas. O que buscou o legislador, no meu entender, foi criar norma capaz de impedir que o contribuinte Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 20 lance mão de interpretações totalmente elásticas de decisões dos tribunais, para valer de forma indevida de entendimento no intuito de reduzir o montante da contribuição devida. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Por último, quanto a representação Fiscal para fins penais, a mesma acompanha o presente processo, até sua constituição definitiva, considerando, inclusive que o crédito objeto deste lançamento também encontrarse com a exigibilidade suspensa até a decisão definitiva. Lembramos apenas, que o mérito da representação encontrase fora da alçada deste Conselho, considerando inclusive a existência de súmula a qual abaixo transcrevo: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Novamente, a posição e esclarecimentos trazidos pelo julgador foram correto, não tendo o contribuinte apresentado qualquer novo elemento que altere a decisão ali proferida com relação a este item. Transcrevo trecho da citada decisão, no ponto pertinente. No caso presente, a fiscalização apenas informa que “formalizou Representação Fiscal para Fins Penais que será encaminhada à autoridade competente, por ter verificado que o contribuinte praticou atos que, EM TESE, caracterizam crime contra a ordem tributária previsto no artigo 1º, incisos I e II da Lei 8.137/90” (fls.23). A formalização de RFFP está, pois, de acordo com o artigo 1º da Portaria RFB nº 665, de 24/04/2008, publicada no DOU de 28/04/2008, vigente à época: Art. 1º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil deverão formalizar representação fiscal para fins penais, perante o Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativofiscal, sempre que no exercício de suas atribuições identificarem situações que, em tese, configurem crime relacionado com as atividades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A esse respeito, cabe esclarecer que não compete a este órgão julgador apreciar razões pertinentes a essas representações e nem se manifestar quanto ao seu encaminhamento ou não ao Ministério Público pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do domicílio tributário do contribuinte. Vale transcrever a Súmula nº 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que possui efeito vinculante em relação à administração tributária federal, nos termos da Portaria nº 383, de 12/07/2010, do Ministério da Fazenda, publicada no DOU de 14/07/2010: Súmula CARF nº 28: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 12 21 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Dessa forma, não cabe a este órgão administrativo proceder qualquer análise nesta seara. Nos termos do artigo 151, III do CTN, o crédito tributário objeto deste processo está, neste momento, com sua exigibilidade suspensa, em razão da interposição da impugnação tempestiva pelo sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO em relação aos DEBCADS Nº 51.012.1531 e 51.012.1551. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 22 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares – Redator Designado Em que pesem os sempre bem lançados votos da Em. Relatora, ouso dela divergir no presente caso no que se refere ao lançamento da multa isolada pela compensação indevida, esta no patamar de 150% dos valores glosados. Conforme constou no relatório fiscal da infração, o único motivo considerado pela fiscalização para aplicação da multa de forma agravada, com fundamento no art. 89, §10o da Lei .8.212/91, foi o de que a recorrente pleiteou a compensação de valores que discutia judicialmente em ação não transitada em julgado, sem possuir ordem que lhe permitisse efetuar a compensação na forma em que realizada. E para tanto fora lavrado o Auto de Infração n. 51.012.1551, especificadamente para a cobrança de referida multa. Inicialmente, ressalto que tenho entendimento no sentido de que várias verbas objeto de compensação a título de crédito por parte da recorrente devem ser consideradas como verbas sobre as quais de fato não incidem as contribuições previdenciárias, em razão de sua evidente natureza indenizatória e não remuneratória. São elas o (i) 1/3 constitucional de férias, a (ii) remuneração de segurados em auxíliodoença e complemento do auxílioacidente nos 15 primeiros dias de afastamento e o (iii) saláriomaternidade. No entanto, em virtude da ação judicial impetrada, tal discussão não será o objeto de análise no presente caso, em respeito ao teor da Súmula n. 01 do CARF. Sobre o assunto, o que se faz necessário pontuar é que se tratam de verbas cuja incidência da contribuição previdenciária é amplamente discutida e debatida nas esferas administrativa e judicial, existindo, precedentes favoráveis ao pleito da recorrente junto ao Poder Judiciário, sobretudo neste próprio Conselho de Contribuintes. Apenas a título ilustrativo, cito alguns deles, relativamente a cada uma das verbas em análise. · Afastamento nos 15 primeiros Dias e 1/3 de férias. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não incide contribuição previdenciária sobre os primeiros 15 dias do pagamento de auxíliodoença e sobre o aviso prévio, ainda que indenizado, por configurarem verbas indenizatórias. Precedentes do STJ. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 231.361/CE, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/12/2012, DJe 04/02/2013) Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 13 23 · Da mesma forma, no que se refere ao auxílioacidente, confirase: TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. AUXÍLIODOENÇA. PRIMEIROS 15 DIAS DE AFASTAMENTO. ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 2. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 3. Os valores pagos a título de auxíliodoença e de auxílio acidente, nos primeiros quinze dias de afastamento, não têm natureza remuneratória e sim indenizatória, não sendo considerados contraprestação pelo serviço realizado pelo segurado. Não se enquadram, portanto, na hipótese de incidência prevista para a contribuição previdenciária. Precedentes. 4. Não incide contribuição previdenciária sobre o adicional de 1/3 relativo às férias (terço constitucional). Precedentes. 5. Recurso especial não provido. (REsp 1217686/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/12/2010, DJe 03/02/2011) Quanto a incidência sobre os valores do adicional de 1/3 de férias: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 24 1. A Primeira Seção do STJ considerava legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. Entendimento diverso foi firmado pelo STF, a partir da compreensão da natureza jurídica do terço constitucional de férias, considerado como verba compensatória e não incorporável à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ, adequandose à posição sedimentada no Pretório Excelso, no sentido de que não incide Contribuição Previdênciária sobre o terço constitucional de férias, dada a natureza indenizatória dessa verba. Precedentes: EREsp 956.289/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe 10/11/2009; Pet 7.296/PE, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 10/11/2009. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1123792/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/03/2010, DJe 17/03/2010) · Salário Maternidade RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIOMATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS. AUSÊNCIA DE EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PELO EMPREGADO. NATUREZA JURÍDICA DA VERBA QUE NÃO PODE SER ALTERADA POR PRECEITO NORMATIVO. AUSÊNCIA DE CARÁTER RETRIBUTIVO. AUSÊNCIA DE INCORPORAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARECER DO MPF PELO PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA AFASTAR A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O SALÁRIO MATERNIDADE E AS FÉRIAS USUFRUÍDAS. 1. Conforme iterativa jurisprudência das Cortes Superiores, considerase ilegítima a incidência de Contribuição Previdenciária sobre verbas indenizatórias ou que não se incorporem à remuneração do Trabalhador. 2. O saláriomaternidade é um pagamento realizado no período em que a segurada encontrase afastada do trabalho para a fruição de licença maternidade, possuindo clara natureza de benefício, a cargo e ônus da Previdência Social (arts. 71 e 72 da Lei 8.213/91), não se enquadrando, portanto, no conceito de remuneração de que trata o art. 22 da Lei 8.212/91. 3. Afirmar a legitimidade da cobrança da Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade seria um estímulo à combatida prática discriminatória, uma vez que a opção pela contratação de um Trabalhador masculino será sobremaneira mais barata do que a de uma Trabalhadora mulher. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 14 25 4. A questão deve ser vista dentro da singularidade do trabalho feminino e da proteção da maternidade e do recém nascido; assim, no caso, a relevância do benefício, na verdade, deve reforçar ainda mais a necessidade de sua exclusão da base de cálculo da Contribuição Previdenciária, não havendo razoabilidade para a exceção estabelecida no art. 28, § 9o., a da Lei 8.212/91. 5. O Pretório Excelso, quando do julgamento do AgRg no AI 727.958/MG, de relatoria do eminente Ministro EROS GRAU, DJe 27.02.2009, firmou o entendimento de que o terço constitucional de férias tem natureza indenizatória. O terço constitucional constitui verba acessória à remuneração de férias e também não se questiona que a prestação acessória segue a sorte das respectivas prestações principais. Assim, não se pode entender que seja ilegítima a cobrança de Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional, de caráter acessório, e legítima sobre a remuneração de férias, prestação principal, pervertendo a regra áurea acima apontada. 6. O preceito normativo não pode transmudar a natureza jurídica de uma verba. Tanto no saláriomaternidade quanto nas férias usufruídas, independentemente do título que lhes é conferido legalmente, não há efetiva prestação de serviço pelo Trabalhador, razão pela qual, não há como entender que o pagamento de tais parcelas possuem caráter retributivo. Consequentemente, também não é devida a Contribuição Previdenciária sobre férias usufruídas. 7. Da mesma forma que só se obtém o direito a um benefício previdenciário mediante a prévia contribuição, a contribuição também só se justifica ante a perspectiva da sua retribuição futura em forma de benefício (ADIMC 2.010, Rel. Min. CELSO DE MELLO); dest'arte, não há de incidir a Contribuição Previdenciária sobre tais verbas. 8. Parecer do MPF pelo parcial provimento do Recurso para afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade. 9. Recurso Especial provido para afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade e as férias usufruídas. (REsp 1322945/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/02/2013, DJe 08/03/2013) E em havendo o reconhecimento, sobretudo da justiça, no sentido de que sobre tais verbas não incide a contribuição previdenciária, já se vislumbra a possibilidade de que sobre tais pagamentos virão os contribuintes a se insurgir, questionando a sua natureza jurídica e se realmente são ou não verbas sobre as quais deve incidir a contribuição previdenciária. Pessoalmente, somente por este motivo, diante da ampla discussão jurídica, Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 26 entendo que sobre tais valores não deva incidir a multa pela compensação indevida, pelo simples fato do contribuinte insurgirse quanto ao seu pagamento em decorrência de sua natureza. Em continuidade, ressalto que tais considerações se fazem necessárias em decorrência da imputação ao caso da multa de 150% pela compensação tida por indevida, consoante preceito do § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, adotado como fundamento de sua aplicação. Vejamos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O dispositivo aponta para o termo “falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo”, sobre o qual passo a tecer os seguintes comentários. Sobre o assunto, consoante definição contida no Dicionário Aurélio, vejamos o que há de se entender por falsidade: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Ou seja, para que se considere a falsidade na declaração apresentada, esta deve conter uma informação apresentada pelo contribuinte que de forma consciente procura esconder ou alterar a verdade dos fatos. Ou seja, da leitura de referido conceito, verificase a necessidade de estar presente no caso uma ação dolosa por parte do agente do falso, no sentido de ludibriar o destinatário da informação. Assim, a meu ver, o que caracteriza a fraude no ponto de vista tributário e a falsidade na declaração em casos como o presente é presença da efetiva existência na ação/omissão do contribuinte da figura do dolo ou má fé na prática do ato junto à administração tributária. O dolo não se configura pela simples vontade de obter um resultado ou atingir uma finalidade. A vontade de fraudar é indispensável para associar a consciência de realizar à conduta descrita no tipo. Para Cezar Roberto Bitencourt: "Dolo é a consciência e a vontade de realização da conduta descrita em um tipo penal (Teoria do Delito, 2° edição revista, RT, São Paulo, 2000, p. 127). Álvaro Villaça Azevedo esclarece que o dolo é comportamento voluntário, intencional e específico de induzir alguém ao erro. A fraude “é o dolo em sentido mais estrito, Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.730381/201268 Acórdão n.º 2401003.504 S2C4T1 Fl. 15 27 é comportamento malicioso para causar dano a outrem, ou a particular qualificação do engano, constituindo a mais específica e extrema aplicação do conceito de engano, contrapondose ao estado genérico de má fé”. (Negócio Jurídico. Atos Jurídicos Lícitos. Atos Ilícitos, p. 203.) Ainda quando se fala em fraude, há que se relembrar que tal atitude importa na existência de atos jurídicos distintos, um aparente e outro encoberto. Aquele aparente, apesar de conformarse com a letra da lei traz em si um vício de vontade caracterizado pela divergência entre a vontade interna e a declarada, sendo esta intencionalmente não verdadeira. O ato encoberto consiste no fato gerador propriamente dito, “alinhado” portanto com a vontade interna. Pois bem, diante das breves explanações, aponto, desde já, que não é o simples indeferimento do pedido de compensação formulado que justifica a aplicação da multa por compensação indevida em razão da existência de falsidade na declaração apresentada, ainda mais num caso em que o motivo ao seu indeferimento foi tão somente o de que a recorrente não possuía ação própria transitada em julgado ou mesmo qualquer autorização de compensação das verbas que questiona em sua ação. Não houve, por exemplo, qualquer apontamento do fiscal sobre pedido de compensação de créditos inexistentes, não acompanhados de comprovação de pagamentos, em valores totalmente divergentes aos declarados, etc, ou seja, não houve o apontamento no presente caso de qualquer atitude da parte interessada que pudesse caracterizar que sua declaração de compensação contivesse qualquer informação falsa. Ademais, há de se considerar que o pedido de compensação efetuado é tido seja pela administração tributária, como pelo Poder Judiciário, como instrumento de efetiva confissão de dívida, de modo que, ao fazer uso do instituto, o contribuinte irá declarar valores ao fisco que efetivamente entende por devidos, todavia, defendendo que não existe a obrigação de seu pagamento, em virtude da existência de direito de crédito em face do próprio ente arrecadador. Logo, ao fazer uso do seu direito de compensação, a parte interessada obrigatoriamente deverá informar o seu débito junto ao fisco, juntamente com os valores de crédito que entende possuir. Fato é que o valor de crédito obrigatoriamente só existe se da mesma existir um pagamento efetuado a maior e tido por qualquer das partes como indevido. Pois bem, no caso dos autos, verificase que o contribuinte declarou o débito devido ao fisco, apontando possuir créditos decorrentes do anterior pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores creditados a funcionários a título de: a) adicional (1/3) sobre férias gozadas; b) remuneração de segurados em auxíliodoença e complemento do auxílioacidente; auxíliodoença e licença gestante previstos em Convenção Coletiva de Trabalho; c) horas extraordinárias; e) adicional noturno; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 28 f) adicionais de periculosidade e insalubridade; g) abonos; h) parcela do descanso semanal remunerado decorrente de horas extraordinárias e adicional noturno; i) indenizações 50% na rescisão do contrato de experiência e por morte; j) saláriomaternidade; k) auxíliofuneral; l) verbas decorrentes de acordo coletivo. Logo, justificou o seu pedido de compensação no fato de que tais verbas não poderiam ser consideradas como base de cálculo das contribuições previdenciárias, adotando, para tanto, fundamentos de natureza jurídica sobre o seu caráter indenizatório. O indeferimento do pedido de compensação deuse simplesmente pela divergência do fisco na interpretação jurídica dada aos casos de não incidência e ausência de autorização de compensação de tais verbas, de modo que, tenho que tal situação, por si só, não justifica a existência de falsidade na declaração apresentada pelo contribuinte, apta a justificar a imposição da multa de 150% pela compensação indevida, sobretudo em razão do contribuinte possuir a garantia constitucional de peticionar ao poder público elaborando pedido, informação, reclamação sobre fato, ou direito decorrente de interesse próprio. É por meio deste direito que é dado ao particular a faculdade de reivindicar e exigir soluções. E o Poder Público, em contrapartida, não pode se furtar ao recebimento e ao conhecimento o pedido e muito menos impor sanções por unicamente não aprovar o requerimento realizado. Tanto é assim, que por anos a fio várias são as teses discutidas e por vezes os entendimentos vem sendo modificados em favor do contribuinte, sobretudo no que se refere as verbas sobre as quais a recorrente alegou possuir direito de crédito. Dessa forma, em se tratando de mera discussão jurídica, donde não se depreende que tenha o recorrente agido com fraude ou mesmo de modo a inserir em sua declaração de compensação qualquer informação falsa ou divergente da realidade, não vislumbro que existe uma situação na qual pretendeu a parte encobrir qualquer fato mediante o uso do dolo na declaração do falso. Ante todo o exposto, pedindo vênias a Eminente Relatora, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para excluir, em sua totalidade, a multa objeto do AI 51.012.1551. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000355/2002-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. CABIMENTO.
Havendo erro material nos fundamentos, na ementa e/ou na parte dispositiva do julgado, há que se conhecer dos embargos de declaração que objetivem retificá-lo.
Numero da decisão: 1401-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER os embargos para retificar os fundamentos da decisão sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que não conheciam dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva- Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. CABIMENTO. Havendo erro material nos fundamentos, na ementa e/ou na parte dispositiva do julgado, há que se conhecer dos embargos de declaração que objetivem retificálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER os embargos para retificar os fundamentos da decisão sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que não conheciam dos embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 03 55 /2 00 2- 25 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13808.000355/200225 Acórdão n.º 1401001.303 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração por meio do qual a Fazenda Nacional questiona o fundamento de fato adotado por esta Turma Julgadora quanto à aplicação da decadência reconhecida por meio do acórdão 140100.354, de 11 de novembro de 2010. Os fundamentos adotados pela DRJ, e que foram contrapostos por este Conselho, referese ao prazo decadencial para lançamento de contribuições para a seguridade social, se seria de cinco anos (conforme previsto no CTN) ou de dez anos (conforme previsto na lei nº 8.212). Vejase o teor do voto por mim proferido na ocasião daquele julgamento: Alega a Recorrente a decadência do direito de lançar, uma vez que, quando da constituição do crédito tributário, já havia decorrido o prazo decadencial de cinco anos a contar do fato gerador. Lado outro, argumenta a DRJ que o prazo decadencial para as Contribuições para a Seguridade Social encontrase definido no art. 45 da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece o prazo decadencial de dez anos para a fiscalização efetuar o lançamento. Ocorre que, com a vigência da Súmula Vinculante nº. 8 do STF, não se deve mais aplicar os prazos decadenciais previstos na Lei nº. 8.212/91 às contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, uma vez que “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Considerando a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal e estando a CSLL sujeita ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável à referida contribuição é o estabelecido no art. 150, §4º do CTN, mormente quando, como no caso em apreço, houve pagamento parcial pelo contribuinte. Analisandose o presente caso em que os fatos geradores ocorreram no anocalendário de 1996 e o lançamento de ofício se deu em 19/02/2002, de outra forma não se pode concluir senão pela decadência do crédito tributário. Em sede de Embargos de Declaração, aduziu a Fazenda Nacional que os valores lançados haviam sido, na verdade, depositados em Juízo pelo Contribuinte, pelo que não haveria a decadência do crédito tributário, conforme entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13808.000355/200225 Acórdão n.º 1401001.303 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Os Embargos de Declaração são tempestivos e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. Quando do julgamento do processo por esta Turma Julgadora, olvidouse que o crédito tributário objeto de lançamento havia sido depositado em Juízo pelo Contribuinte, o que altera completamente o contexto de análise da decadência. No entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o depósito judicial do contribuinte substitui e dispensa o lançamento. Isso porque, em caso de êxito da Fazenda Nacional, os valores depositados convertemse em renda, sem que haja necessidade de formalização do crédito tributário pela Fazenda Pública. Segundo o posicionamento daquela Colenda Corte, “com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas” (Resp 898.992). Diante disso, tem razão a Fazenda Nacional quando aponta erro de fato na apreciação do caso. Isso porque, realizado o depósito judicial, formalizouse verdadeiro lançamento tributário, não havendo que se falar em decadência. Todavia, como efeito reflexo desse mesmo fundamento, não há como se manter o presente lançamento por uma questão de coerência sistêmica. Isso porque, se “com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação”, não há como se manter um segundo lançamento sobre o mesmo crédito. De fato, ao se promover o lançamento de crédito tributário já formalizado, promoveuse um duplo lançamento, o que não é possível. Diante do exposto, acolho os presentes Embargos de Declaração para, re ratificando a decisão embargada: a) afastar a decadência como fundamento de cancelar o auto de infração, uma vez que, realizado o depósito judicial, formalizase o crédito tributário; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13808.000355/200225 Acórdão n.º 1401001.303 S1C4T1 Fl. 5 4 b) manter o cancelamento do lançamento objeto deste processo, uma vez que o depósito judicial (cronologicamente anterior) é o lançamento que regerá o crédito em questão. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 401DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720418/2012-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Não são cabíveis embargos de declaração, com fulcro no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, quando não demonstrados a omissão, contradição ou obscuridade no v. acórdão embargado.
Numero da decisão: 1103-001.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, rejeitar os embargos por unanimidade.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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NÃO CABIMENTO. Não são cabíveis embargos de declaração, com fulcro no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, quando não demonstrados a omissão, contradição ou obscuridade no v. acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar os embargos por unanimidade. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 04 18 /2 01 2- 70 Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.720418/201270 Acórdão n.º 1103001.167 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração, oposto em face de supostas deficiências em v. acórdão, em julgamento de recurso voluntário: a) omissões: a embargante teria apresentado, em sua impugnação, prova contábil e fiscal, relativo ao anocalendário de 2009, auditada PricewaterhouseCoopers, demonstrando prejuízo fiscal; a embargante teria apresentado DIPJ do anocalendário de 2009, que prova que havia experimentado prejuízo fiscal no período, o que impossibilitaria a aplicação de arbitramento, nos termos da jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10709.018 e nº 107.09071; direito à dedução de despesa com juros, na incorporação da empresa Demeter, tendo em vista da necessidade da despesa e que, na incorporação, a sucessora possuir direito assumir os direitos e obrigações da sucedida. Requer, por fim, sejam atribuídos efeitos infrigentes ao julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira I. Do juízo de admissibilidade: Nos termos do Regimento Interno deste Conselho, o recurso de Embargos de Declaração tem cabimento nas seguintes hipóteses: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: {2} I por conselheiro do colegiado; {2} II pelo contribuinte, responsável ou preposto; {2} III pelo Procurador da Fazenda Nacional; {2} Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.720418/201270 Acórdão n.º 1103001.167 S1C1T3 Fl. 4 3 IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; {2} V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. {2} § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. {2} § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário.” § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução.” Os embargos são tempestivos, razão pela qual se deve seguir na verificação da presença dos demais requisitos de admissibilidade, isto é, da omissão, contradição ou obscuridade. A embargante não aponta qualquer dos possíveis vícios previstos no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, condição à admissibilidade do recurso. Deixa clara a sua intenção de rediscutir a matéria já decidida pela decisão embargada, o que escapa ao âmbito dos embargos de declaração. Diante do exposto, deixo de receber os embargos opostos, por falta de preenchimento dos requisitos impostos pelo art. 65, do Regimento Interno do CARF. (alterar dispositivo igual Alemanha) Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13502.720418/201270 Acórdão n.º 1103001.167 S1C1T3 Fl. 5 4 Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11610.005873/2001-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcelo Vasconcelos de Almeida
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BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 58 73 /2 00 1- 36 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 144 2 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o “Relatório” da Resolução nº 210200.030 (fls. 126/130 deste processo digital), que converteu o julgamento do presente processo em diligência, reproduzido a seguir: RELATÓRIO Cuidase de recurso voluntário de fls. 108 a 111, interposto contra decisão da DRJ em Santa Maria/RS, de fls. 86 a 100, que julgou procedente em parte o lançamento de fls. 05 a 09, relativo ao anocalendário 1998, lavrado em 04/10/2001. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de RS 24.916,77, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício no percentual de 75% (fl. 05). O lançamento decorreu da acusação de omissão de rendimentos, decorrentes do processo nº 2374/91 da 35ª junta de conciliação e julgamento de São Paulo/SP, contra a empresa Viação Urbana Zona Sul (CNPJ n° 57.009.490/000104), em que foi homologado acordo no valor de RS 75.000,00, menos honorário advocatícios de R$ 15.000,00 e retenção do imposto de renda na fonte no valor de RS 2.220,00 (fl. 08). Desta forma, foram alteradas as seguintes linhas da declaração da RECORRENTE: (i) rendimentos recebidos de pessoas jurídicas de RS 0,00 para R$ 60.000,00; e (ii) deduções com a contribuição à previdência oficial de R$ 0,00 para R$ 3.807,44. Assim, a autoridade fiscal apurou o valor de imposto suplementar de RS 11.496,16 em lugar à quantia de imposto a restituir de RS 2.220,00 inicialmente declarada pela RECORRENTE (fl. 06). DA IMPUGNAÇÃO Em 22/11/2001, a RECORRENTE apresentou a impugnação de fls. 01 a 04, atestada como tempestiva uma vez que não foi possível localizar o AR referente à notificação do auto de infração (fl. 23). Em sede de preliminar, a RECORRENTE requereu a nulidade do auto de infração em razão do desconhecimento de seus termos e disposições. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 145 3 No mérito, a RECORRENTE, em principio, alegou que a multa de ofício não deveria ser aplicada, uma vez que os valores recebidos foram informados em DIRPF. Afirmou que, em decorrência de acordo homologado nos autos da ação trabalhista n° 2.374/91, recebeu a verba de RS 75.000,00, determinando, na ocasião, que 84% do mencionado valor referiase a verbas indenizatórias e, consequentemente, 16% a verbas de natureza salariais. Em razão do exposto, pagou 3 parcelas de R$ 740,00 a título de imposto de renda retido na fonte. Afirmou, que houve erro da autoridade fiscal, uma vez que esta apurou o valor de RS 70.800,00 como rendimento tributável enquanto, na análise da RECORRENTE, o valor correto seria de RS 12,000,00. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 86 a 100 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento. Nas razões do voto, a autoridade julgadora, primeiramente, afasta a preliminar de nulidade do auto de infração, visto que não ocorreu nenhuma das duas hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Ademais, apontou que a RECORRENTE conhecia perfeitamente a matéria em litígio, pois fez referência ao acordo homologado no processo trabalhista nº 2.374/91, não podendo, assim, requerer a nulidade por suposto "desconhecimento de seus termos e disposições". No mérito, a DRJ deu provimento parcial ao pedido da RECORRENTE para afastar da tributação do imposto de renda a parcela correspondente ao Fundo de Garantia por Tempo dc Serviço FGTS. Em suma, a autoridade julgadora afirmou que os artigos de liquidação apontados pelo advogado da RECORRENTE na ação trabalhista seriam todos verbas tributáveis (exceto o valor do FGTS), visto que não há lei que determine a isenção de tais parcelas, sendo certo de que a isenção é sempre decorrente de lei (art. 176 do Código Tributário Nacional CTN). Para determinar o valor dos rendimentos tributáveis recebidos pela RECORRENTE quando da homologação do acordo em ação trabalhista, a autoridade julgadora efetuou um preciso cálculo com base nas planilhas de liquidação de sentença apresentadas pelo advogado da RECORRENTE, constante nos autos do processo judicial (fls. 65 a 75). Em princípio, foi feita uma planilha (fls. 95 a 98) para o cálculo do valor proporcional que cada artigo de liquidação representava no valor do acordo homologado entre as partes em confronto com o valor original devido à RECORRENTE. Desta forma, foi possível encontrar o valor correto do FGTS correspondente a cada parcela de liquidação. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 146 4 Como os valores discriminado na planilha de fls. 95 a 98 serviam para o valor total a receber de RS 53.287,77, e como o valor efetivamente recebido pela RECORRENTE foi de RS 75.000,00, a autoridade julgadora elaborou o cálculo de fl. 99 para calcular o índice de proporcionalidade que cada parcela representava no total recebido, podendo, assim, calcular o valor que cada artigo de liquidação representava da quantia efetivamente recebida. Ainda na planilha de fl. 99, foi determinada a soma total dos rendimentos tributáveis recebido pela RECORRENTE quando do acordo judicial, que resultou na quantia de RS 70.711,75, e o valor dos rendimentos isentos (FGTS), calculados em R$ 4.288,25. Assim, foi possível determinar o percentual que os rendimentos tributáveis representavam do total recebido (94,2823%). Com isso, foi calculada a parcela dos honorários advocatícios passíveis de dedução dos rendimentos tributáveis (94,2823% de R$ 15.000,00 = RS 14.142,35), para, posteriormente, encontrar os rendimentos líquidos tributáveis recebidos pela RECORRENTE no processo n° 2.374/91, ou seja, RS 56.569,40 (RS 70.711,75 R$ 14.142,35 = RS 56.569,40). Sobre a multa de oficio de 75%, a DRJ entendeu que a mesma foi corretamente aplicada, pois prevista pelo art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. Assim, conforme cálculos de fl. 100, a autoridade julgadora apurou o total dos rendimentos tributáveis da RECORRENTE, referente ao anocalendário 1998, em RS 67.369,40 (R$ 56.569,40 referentes ao acordo trabalhista e R$ 10.800,00 originalmente declarados pela RECORRENTE em sua declaração de ajuste referente aos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas). Deste modo, após o julgamento de 1ª instância, foi apurado o valor de imposto suplementar de RS 10.552,75, que deve ser acrescido de multa de 75% e dos juros de mora cabíveis. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão em 09/06/2008, conforme AR de fl. 102v dos autos, apresentou recurso voluntário de fls. 108 a 111, tempestivamente, em 21/11/2006. Em suas razões recursais, a RECORRENTE nada mais alega do que a sua inconformidade com o julgamento da DRJ, não aceitando o fato de a Receita Federal pretender tributar parte do valor por ela recebido quando do acordo trabalhista. Afirmou que a autoridade julgadora não havia analisado a sentença prolatada em audiência referente ao processo trabalhista, que seria uma prova incontestável do valor dos rendimentos tributáveis. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 147 5 Por intermédio da Resolução nº 210200.030, de 24 de setembro de 2010 (fls. 126/130), a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção converteu o julgamento em diligência a fim de que a Autoridade preparadora tomasse as providências necessárias para refazer o cálculo do imposto devido pelo Recorrente de acordo com as disposições do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009 (aplicação do regime de competência na apuração da base de cálculo). A Informação Fiscal de fl. 134 dá conta de que as medidas solicitadas não foram adotadas, uma vez que os efeitos do aludido parecer foram suspensos pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010. Em 10/07/2012 a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção sobrestou o julgamento do presente processo, com base nos §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF. Com a revogação dos mencionados parágrafos e tendo em vista o Relator anteriormente designado não mais pertencer aos quadros do CARF, os autos foram distribuídos, por sorteio, a este Conselheiro, em 05/11/2014. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia à infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica em decorrência de processo judicial trabalhista. Observo, inicialmente, que a base de cálculo do imposto de renda devido foi calculada, tanto pela Autoridade lançadora, quanto pela Autoridade julgadora de 1ª instância, com fundamento na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (apuração pelo denominado “regime de caixa”), embora aquela tenha utilizado no cálculo o valor global do acordo, ao passo que esta utilizou os “Artigos de Liquidação” elaborados pela Reclamante após a prolação da sentença trabalhista de 1ª instância. Pois bem. No julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC (recurso repetitivo), que “O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente”. Por entender que a ratio decidendi da tese repetitiva estava fundada em ato ilícito praticado pela Administração e que o pagamento decorrente de ato ilegal não poderia constituir fato gerador de tributo, posto que inadmissível que o Fisco se aproveitasse da própria torpeza em detrimento do segurado da previdência social, este julgador vinha aplicando o entendimento do STJ no sentido de dar provimento parcial aos recursos dos contribuintes para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de benefícios Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 148 6 previdenciários recebidos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Em outras palavras: a tese fixada como “repetitiva”, no entendimento deste Relator, limitavase ao pagamento acumulado de benefícios previdenciários, não se aplicando a rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de litígios outros que não versasse a concessão/revisão de benefícios previdenciários, a exemplo de reclamatórias trabalhistas envolvendo somente particulares, haja vista que, nestas hipóteses, o pagamento a destempo não decorria de ato ilegal da administração. Assim, em relação aos processos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista o entendimento deste julgador era no sentido da aplicabilidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988. Nos casos de verbas adimplidas em reclamatória trabalhista, portanto, meu entendimento era no sentido de se observar a natureza dos rendimentos recebidos, fazendo incidir o imposto de renda sobre verbas que resultassem em acréscimo patrimonial e não incidir sobre verbas isentas e não tributáveis, assim como realizado pelos julgadores na decisão de 1ª instância administrativa. A linha de entendimento por mim adotada foi mantida até a sessão de novembro de 2014. Sabiase, todavia, que a controvérsia relativa à (in) constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal STF em 20/10/2010, no julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário nº 614406, em razão da declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, proferida em controle difuso pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Em 23 de outubro de 2014 o STF, finalmente, concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. A Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. Naquela assentada veiculouse, no sítio eletrônico do STF, notícia com o seguinte teor, na parte que interessa: Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo à forma de incidência do Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e, portanto, mais alta. (...) O julgamento do caso foi retomado hoje com votovista da ministra Cármen Lúcia, para quem, em observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia, a incidência do IR deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 149 7 auferida mês a mês. “Não é nem razoável nem proporcional a incidência da alíquota máxima sobre o valor global, pago fora do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou. A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto pela regra do regime de caixa, como prevista na redação original do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas por uma alíquota maior. Em seu voto, a ministra mencionou ainda argumento apresentado pelo ministro Dias Toffoli, que já havia votado anteriormente, segundo o qual a própria União reconheceu a ilegalidade da regra do texto original da Lei 7.713/1988, ao editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir dessa data passaria a utilizar o regime de competência (mês a mês). A norma, sustenta, veio para corrigir a distorção do IR para os valores recebidos depois do tempo devido. Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 150 8 exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Sobreveio a publicação do acórdão do STF, cujo “Extrato de Ata” resume o resultado do julgamento da seguinte forma: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe dava provimento. Ausente, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Não votou a Ministra Rosa Weber por suceder à Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 23.10.2014. Colhese, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio, as seguintes passagens: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.005873/200136 Acórdão n.º 2801003.967 S2TE01 Fl. 151 9 Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável), haja vista que, embora os valores recebidos pelo Recorrente não se refiram a benefícios previdenciários, foram apurados com fundamento no famigerado art. 12 da Lei nº 7.713/1998. Nesse cenário, entendo que deve ser cancelada a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10293.720109/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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