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Numero do processo: 10850.003196/2002-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
EMBARGOS. PRESENÇA DE OMISSÃO SOBRE PONTO FUNDAMENTAL. ADMISSIBILIDADE.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão se omite quanto a ponto essencial ao deslinde do litígio.
Nos termos da Portaria MF 38/97, a receita de exportação que constitui o numerador do quociente utilizado para apurar a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363/96 corresponde a "o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais", não havendo previsão para dele excluir a parcela relativa a venda de produtos que não sejam tributados pelo imposto ou que não tenham sofrido operação de industrialização, como previsto em Ato Declaratório da SRF.
Numero da decisão: 9303-005.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re-ratificando o Acórdão nº 9303-002.318, de 20 de junho de 2013, sem efeitos infringentes.
RODRIGO DA COSTA POSSAS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 EMBARGOS. PRESENÇA DE OMISSÃO SOBRE PONTO FUNDAMENTAL. ADMISSIBILIDADE. Cabem embargos de declaração quando o acórdão se omite quanto a ponto essencial ao deslinde do litígio. Nos termos da Portaria MF 38/97, a receita de exportação que constitui o numerador do quociente utilizado para apurar a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363/96 corresponde a "o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais", não havendo previsão para dele excluir a parcela relativa a venda de produtos que não sejam tributados pelo imposto ou que não tenham sofrido operação de industrialização, como previsto em Ato Declaratório da SRF.
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OMISSÃO E OBSCURIDADE Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado USINA MOEMA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 EMBARGOS. PRESENÇA DE OMISSÃO SOBRE PONTO FUNDAMENTAL. ADMISSIBILIDADE. Cabem embargos de declaração quando o acórdão se omite quanto a ponto essencial ao deslinde do litígio. Nos termos da Portaria MF 38/97, a receita de exportação que constitui o numerador do quociente utilizado para apurar a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363/96 corresponde a "o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais", não havendo previsão para dele excluir a parcela relativa a venda de produtos que não sejam tributados pelo imposto ou que não tenham sofrido operação de industrialização, como previsto em Ato Declaratório da SRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, reratificando o Acórdão nº 9303002.318, de 20 de junho de 2013, sem efeitos infringentes. RODRIGO DA COSTA POSSAS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 31 96 /2 00 2- 15 Fl. 516DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas Relatório Cuidase de embargos interpostos pela Fazenda Nacional que apontam omissão no julgado proferido por este Colegiado, em sessão realizada em 2013, sob a relatoria do exconselheiro Rodrigo Miranda. Naquela assentada, examinaramse recursos especiais de ambas as partes. O especial fazendário buscava reverter dois pontos: a) a inclusão do valor das aquisições a cooperativas; b) a exclusão da parcela da receita de exportação relativa à venda de produtos NT do montante da receita operacional bruta para efeito de formação do quociente de que trata a Lei, mantendose, no entanto, sua exclusão do total da receita de exportação. O recurso especial do contribuinte, por sua vez, entre outros pontos não admitidos, questionou a exclusão da mesma parcela de receita de exportação, que na decisão recorrida se entendeu não integrar nem o numerador nem o denominador1. O seu objetivo, pois, quanto a ela, era que fosse incluída em ambos, na forma como por ela mesma calculado o benefício. O despacho de admissibilidade do recurso especial do contribuinte aponta, porém, que uma das matérias propostas à rediscussão seria "exportação de produtos NT", não enfatizando tratarse da discussão sobre o quociente. Ele foi admitido quanto a esse ponto com base no paradigma 204.01.461, no qual também subira à discussão do colegiado a questão da receita de exportação, mas cujo acórdão, que se baseou no voto do dr. Jorge Freire também utiliza fundamento que leva a aceitar a inclusão das aquisições de insumos empregados em produtos NT no cálculo do incentivo. Sobre essa matéria, consta da decisão recorrida: No tocante à. exclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta, entendo que a r. decisão recorrida 1 Conforme o acórdão, prolatado nos seguintes termos: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: I) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto aos insumos adquiridos de pessoa fisica. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda (Relator), que admitiam o crédito referente a tais aquisições; II) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso: a) para admitir a inclusão, na base de cálculo do incentivo, dos insumos adquiridos de cooperativa a partir de 11/99. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, que votou pela não inclusão; e b) para excluir, tanto da receita de exportação quanto da receita operacional bruta, os valores das exportações NT. Vencidos os Conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda (Relator), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques Cleto Duarte, que votaram pela inclusão na receita operacional bruta; e III) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso no restante. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10850.003196/200215 Acórdão n.º 9303005.196 CSRFT3 Fl. 3 3 merece ser reformada, visto que, ao meu ver, se há industrialização, ainda que o produto seja previsto na TIPI como NT, faz jus o contribuinte ao crédito presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96. Nesse sentido, aliás, é o precedente abaixo, cujo voto condutor é do Ilustre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, que, por sua vez, se arrimou em voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Júlio César Alves Ramos, o qual peço vênia para transcrever e adotar como razão de decidir, verbis: (...) Daí para frente há longa transcrição com base na qual caberia a inclusão no "valor das aquisições", que irá formar a base de cálculo da contribuição, da parcela atinente à aquisição dos insumos aplicados na produção de tais produtos NT, desde que essa não tributação pelo IPI se devesse à imunidade constitucional. A fundamentação lá utilizada nada tem a ver com inclusão de receita no quociente utilizado para obter a base de cálculo, matéria que teria de ter sido enfrentada pelo colegiado. Após, finalizou ele o seu voto da seguinte maneira: Diante de todo o exposto, entendo que: a) Deve ser reformado o r. acórdão recorrido e, por conseqüência, acolhido o pedido do Contribuinte de ressarcimento de crédito presumido de IPI de produtos fabricados e importados (sic), para admitir, no cálculo do incentivo: i) os valores atinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos de pessoas fisicas; ii) as receitas decorrentes de exportações de produtos cuja notação na TIPI corresponda a "NT" (Alcool Etílico Anidro Combustível e Alcool Etílico Hidratado Combustível, classificados na posição 22.07.10.00 da TIPI); b) Deve ser mantido o r. acórdão recorrido e, por conseguinte, desprovido o pedido da Fazenda Nacional, quanto a possibilidade de inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores correspondentes as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional e de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. E assim fez o colegiado: negou provimento ao recurso da Fazenda e o deu ao do sujeito passivo. É o Relatório. Fl. 518DF CARF MF 4 Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como espero ter deixado claro, o problema que ocorreu com este processo não é propriamente, ou não exclusivamente, o suscitado pela Fazenda Nacional. De fato, a análise inicial do direito do contribuinte restringiuo quanto a quatro itens: (a) Insumos (canadeaçúcar) adquiridos de pessoas físicas; (b) Insumos não caracterizados como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; (c) Receitas de exportação reconhecidas pela Recorrente quando do embarque do produto exportado e não no momento da emissão da nota fiscal, que seriam, segundo a autoridade, receitas financeiras; e (d) Receitas de exportação de produto classificado como "Não Tributado" (NT) na TIPI. Da leitura do relatório elaborado pela autoridade fiscal, só consigo depreender que NÃO houve glosa de aquisições de insumos empregados na produção e exportação de produtos NT. Deveras, os produtos NT só são por ela mencionados no item relativo às receitas de exportação; e aí apenas para reduzir o quociente formado por ela e pela receita operacional bruta para determinar a base cálculo do benefício. Nada se fala sobre os insumos empregados nessas operações. No que tange à receita de exportação, portanto, foram contestadas, pela fiscalização, duas matérias: a) a inclusão das parcelas que "corresponderiam a variações cambiais" e b) a inclusão de receitas oriundas da exportação de produtos NT na TIPI. Analisandose a manifestação de inconformidade do contribuinte, se vê que ambas as discussões ali estão, mas no tocante à exportação de produtos NT a argumentação desenvolvida diz respeito, não propriamente ao quociente, mas à própria apuração do benefício, isto é, ela visa a admitir que exportadores de produtos NT também possam usufruí lo. Ainda assim, a DRJ enfrentou corretamente o tema, restringindoo ao quociente. O recurso voluntário, cópia da manifestação, reapresenta as questões, que são também enfrentadas pela Câmara recorrida, embora aí já com alguma impropriedade, na medida em que não se diz com muita clareza por que a parcela deve ser excluída também da receita operacional bruta. Por fim, o recurso especial da Fazenda questiona essa última exclusão, determinada pela decisão do Conselho. O que ele pretendia, portanto, era que ela fosse incluída no denominador sem o ser, porém, no numerador. Como a decisão da CSRF nega provimento ao recurso da Fazenda, houve mesmo omissão do julgado no tocante a matéria explicitamente aventada pela Fazenda Nacional. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10850.003196/200215 Acórdão n.º 9303005.196 CSRFT3 Fl. 4 5 Ainda que o relator tenha corretamente apontado isso em seu relatório, no tópico atinente à matéria apenas tratou de outra coisa, especificamente a inclusão ou não das exportações de produtos NT, não no quociente, mas no somatório das aquisições sobre o qual seria ele aplicado. Desse modo, restou negado provimento ao recurso fazendário sem qualquer fundamentação quanto a um dos pontos nele discutidos. Admito, pois, os embargos para sanar a flagrante omissão. E o faço na esteira do consolidado entendimento deste colegiado, qual seja, de que não há base legal para determinar a exclusão da parcela seja no numerador seja no denominador. Com efeito, a Lei 9.363/96 explicitamente vinculou o conceito de receita operacional bruta, para efeitos do incentivo que instituía, àquele utilizado pela legislação do Imposto sobre a Renda.2 E no que tange especificamente à receita de exportação, delegou ao Ministro de Estado da Fazenda poderes para definila3. Fêlo o sr. Ministro por meio da Portaria MF nº 38/97, vigente por ocasião dos fatos discutidos neste processo, da seguinte maneira: § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente Portanto, embora tivesse poderes legais para tanto, o Ministro de Estado da Fazenda não restringiu de nenhum modo o conceito de receita bruta de exportação para efeitos do incentivo, mantendo a mesma definição sempre adotada para sua apuração contábil e do imposto sobre a renda. 2 Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. 3 Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Fl. 520DF CARF MF 6 Por esse motivo, concluímos, de forma reiterada, que o ato declaratório da SRF que determinou a exclusão da parcela ora discutida apenas do numerador da fração não tem respaldo legal, devendo integrar ela tanto o numerador quanto o denominador. E assim deveria ter sido decidido pela Câmara do Conselho de Contribuintes. Mas não o foi. E tendo a decisão determinado a exclusão de ambos os termos, descaberia, por ocasião do julgamento do especial fazendário, determinar sua inclusão em ambos, já que isso implicaria o reformatio in pejus, tão condenado pela doutrina. Com efeito, conforme foi bem demonstrado pelo dr. Henrique Pinheiro Torres, excluir tanto do numerador quanto do denominador implica um valor de benefício menor do que o que se apura mantendose a parcela em ambos. Desnecessário até dizer, excluir apenas do numerador, como quer a Fazenda, é o que menor benefício produz para o sujeito passivo. Como consequência, ainda que por linhas tortas, acertou o colegiado ao negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Com a fundamentação acima, suprimese o vício apontado pela Fazenda Nacional. Há, porém, outro, e pior, mais bem caracterizado como obscuridade, que deve ser aqui também tratado. Refirome ao longo enfrentamento posto no voto condutor acerca das consequências de o produto exportado ser NT. Como espero ter deixado claro, esse aspecto dos produtos produzidos e exportados pela empresa somente foi questionado no trabalho fiscal quanto ao quociente. Da leitura do voto do dr. Rodrigo, porém, ficase com a impressão de que o colegiado a CSRF teria enfrentado a possibilidade de se tomar crédito presumido de IPI na exportação de produto NT por imunidade, coisa que NÃO dizia respeito ao julgamento deste processo. Deveras, embora a matéria "receita de exportação de produtos NT" tenha sido também posta no recurso do sujeito passivo, como não se discutira em momento algum anterior se as aquisições de insumos empregados em produtos NT deveriam compor o "valor total das aquisições de insumos" (até porque a própria fiscalização não as excluíra), somente se pode depreender que o dr. Rodrigo estivesse querendo, com ela, fundamentar a inclusão dessa parcela em ambos os termos da relação, motivo pelo qual deu ele provimento ao recurso do contribuinte. Assento, portanto, e para concluir, que a decisão ora objeto de embargos apontou que a receita de exportação de produtos NT deve integrar tanto o numerador quanto o denominador da fração utilizada para determinar a base de cálculo do incentivo, o que nos levou a negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, que pretendia fosse ela excluída apenas do numerador, e dar provimento ao do contribuinte, visto que já fora incluída no denominador. Com essas considerações, creio e espero, sejam sanados os vícios presentes na decisão embargada. É o voto, pois, para conhecer e prover os embargos da Fazenda Nacional, de modo a suprimir o vício por ela apontado, e o aqui identificado, mantendose, porém, a decisão. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10850.003196/200215 Acórdão n.º 9303005.196 CSRFT3 Fl. 5 7 Fl. 522DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.900297/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/06/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 06/06/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 97 /2 01 4- 22 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900297/201422 Acórdão n.º 3401003.687 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/06/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900297/201422 Acórdão n.º 3401003.687 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900297/201422 Acórdão n.º 3401003.687 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720142/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PIS E COFINS.DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS.
De acordo com a regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, apenas se conta do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, relativamente aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre.
PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. GLOSA DE CRÉDITOS
Deve ser mantido o lançamento, quando o valor lançado pela fiscalização é extraído dos arquivos magnéticos do contribuinte e esse não traz argumentos aptos a ilidi-los.
Numero da decisão: 3201-002.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PIS E COFINS.DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. De acordo com a regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, apenas se conta do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, relativamente aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. GLOSA DE CRÉDITOS Deve ser mantido o lançamento, quando o valor lançado pela fiscalização é extraído dos arquivos magnéticos do contribuinte e esse não traz argumentos aptos a ilidi-los.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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PRIMA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PIS E COFINS.DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. De acordo com a regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, apenas se conta do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, relativamente aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. GLOSA DE CRÉDITOS Deve ser mantido o lançamento, quando o valor lançado pela fiscalização é extraído dos arquivos magnéticos do contribuinte e esse não traz argumentos aptos a ilidilos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 01 42 /2 01 3- 50 Fl. 2474DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e COFINS. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O presente processo foi formalizado em decorrência da lavratura dos autos de infração de Cofins e PIS não cumulativos, fls. 2 a 5 e 6 a 11 respectivamente, em virtude da constatação de que a interessada constituiu créditos indevidos das referidas contribuições nos períodos de apuração 07/2008 a 12/2008, para a Cofins, e 01/2008 a 12/2008, no caso do PIS. Assim, intimase a interessada a retificar os saldos de créditos do regime nãocumulativo em montantes que totalizam R$ 14.902.377,95 para a Cofins e R$ 4.518.996,40 no caso da contribuição para o PIS. A interessada foi submetida a procedimento fiscal, autorizado pelo MPF 06.1.07.002011001937, com o objetivo de constatar a procedência dos créditos da não cumulatividade constituídos nos anos de 2007 e 2008. O resultado da ação fiscal está demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, datado de 22/01/2013, juntado às fls. 13 a 46. A lavratura do auto decorreu da glosa de créditos na aquisição de carvão vegetal e de divergências na apuração dos créditos. Sobre a glosa dos créditos na aquisição de carvão, assim se manifestou a fiscalização: O contribuinte, na aquisição de carvão vegetal, emite nota fiscal de entrada com valores diferentes dos valores constante da Nota fiscal de saída, emitida pelo fornecedor. O documento fiscal hábil e idôneo para comprovar as operações de compra e venda de mercadorias é a nota fiscal. A nota fiscal de entrada emitida na data da aquisição pelo comprador é documento hábil a comprovar a operação de compra de mercadorias, desde que relatem a realidade da operação e, também, fique comprovado o seu efetivo pagamento. Não pode haver discrepância ou diferença entre o valor da mercadoria Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10665.720142/201350 Acórdão n.º 3201002.842 S3C2T1 Fl. 94 3 constante na nota fiscal de venda do produtor e a nota fiscal de entrada emitida pelo próprio contribuinte. A ausência de qualquer uma das condições, não dará ao contribuinte o direito ao crédito. Ocorre que o contribuinte na aquisição de carvão, durante todo o período abrangido pela ação fiscal, emitiu notas fiscais de entrada com valores diferentes das notas fiscais emitidas pelos fornecedores, ora maior, ora menor que estas. (...) Esta operação foi glosada por esta fiscalização, que criou a coluna VALOR DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO, na PLANILHA DE NOTAS FISCAIS DE COMPRAS DE CARVÃO ANOCALENDÁRIO DE 2007, e na PLANILHA DE NOTAS FISCAIS DE COMPRAS DE CARVÃO ANOCALENDÁRIO DE 2008, presentes neste processo, onde adotouse o seguinte procedimento: 1. Quando o valor da nota fiscal de venda do fornecedor é menor, este foi o valor utilizado como base de cálculo da apuração dos créditos das contribuições Cofins e para o Pis, pois foi o valor utilizado na operação anterior, tributável e utilizado na base de cálculo das contribuições Cofins e para o Pis, concluindo que a nota fiscal de entrada, emitida pelo contribuinte, neste caso, não é documento hábil para se comprovar o custo do carvão vegetal adquirido, dada as discrepâncias ocorridas em seus dados, que não relatam a veracidade da operação; 2. Quando o valor da nota fiscal de venda do fornecedor é maior que o valor da nota fiscal de entrada do contribuinte, significa que o valor da nota fiscal de entrada, tendo sido este o valor coincidente com o pagamento, este foi o valor utilizado como base de cálculo da apuração dos créditos das contribuições Cofins e para o Pis, pois foi este o valor recebido pelo fornecedor, sendo este o valor utilizado na operação anterior, tributável e utilizado na base de cálculo das contribuições Cofins e para o Pis, concluindo que, neste caso, a nota fiscal de saída, emitida pelo fornecedor, não é documento hábil para se comprovar o custo do carvão vegetal adquirido, pois não foi este o valor recebido na operação pelo fornecedor, não relatando, pois, a veracidade da operação. Relatará a veracidade da operação, o pagamento da aquisição de carvão vegetal, como admitida pelo próprio contribuinte, em sua escrita fiscal. Quanto à apuração dos créditos o Termo informa que o contribuinte fez a opção pelo método do rateio proporcional, onde se aplica aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita proveniente do mercado externo e a receita bruta total, auferidas em cada mês, conforme o disposto na Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §8º. Assim, utilizando os arquivos magnéticos da contabilidade da interessada, apurou as receitas auferidas pelo contribuinte, no Fl. 2476DF CARF MF 4 mercado interno e no mercado externo, nos anoscalendário de 2007 e 2008, conforme planilhas RECEITA DE VENDAS DE 2007 (fl. 166) e RECEITA DE VENDAS DE 2008 (fl. 227). Partindose dos valores das receitas foram apurados os créditos de PIS e Cofins vinculados às receitas de exportação detalhados nas planilhas de folhas 27 a 46, sobre as quais a fiscalização esclarece ainda que: Nestas mesmas planilhas, efetuamos o controle de estoque e utilização dos créditos disponíveis em cada mês do período ora fiscalizado das contribuições Cofins e para o Pis, tendo sido os saldos iniciais de créditos correspondentes aos anos anteriores das contribuições Cofins e para o Pis zerados em razão de conclusão de procedimento fiscal, relativo ao anocalendário de 2006, no Mandado de Procedimento Fiscal nº 06107002010 00278, de acordo com o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de 19/08/2011. Naquele procedimento fiscal apurouse saldo final igual a zero, também em relação ao PIS e à Cofins da Exportação, uma vez que todo o saldo remanescente foi objeto de deferimento em razão de pedidos de ressarcimento. Sobre os valores lançados nos Autos de Infração aqui tratados, assim se manifestou a fiscalização (fl. 24): Estamos efetuando o lançamento tributário da diferença entre os saldos dos créditos das contribuições Cofins e para o Pis encontradas entre os valores apurados por esta fiscalização e os valores informados pelo contribuinte, nos meses em que ocorrer uma redução dos saldos mensais, para os períodos em que o contribuinte não efetuou pedido de ressarcimento, ou seja, no período de julho a dezembro do anocalendário de 2008, para a contribuição Cofins, e no período de janeiro a dezembro do ano calendário de 2008, para a contribuição para o Pis. Os valores glosados foram calculados e inseridos na planilha do contribuinte SIDERÚRGICA MAT PRIMA – CÁLCULO DE PIS E COFINS – 2008 TOTAL, na linha GLOSA DE CRÉDITOS, anexada a este termo. (...) No procedimento fiscal, constatamos que o contribuinte constituiu indevidamente créditos das contribuições Cofins e para o Pis, como demonstra a planilha APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES COFINS E PARA O PIS – ANO CALENDÁRIO DE 2008, anexada a este termo. (...) No procedimento fiscal, constatamos, também, que o contribuinte vinculou, indevidamente ao mercado externo, créditos vinculados ao mercado interno. Esta fiscalização, obedecendo a opção feita pelo contribuinte pelo rateio proporcional entre a receita de exportação e a receita bruta total, apurou os valores dos créditos das contribuições Cofins e para o Pis vinculados ao mercado interno e os valores dos créditos vinculados ao mercado externo. Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10665.720142/201350 Acórdão n.º 3201002.842 S3C2T1 Fl. 95 5 Cientificada em 25/01/2013 a interessada apresentou, em 24/06/2013 a Impugnação de folhas 2.362 a 2.383 na qual alega, em resumo, que: Da decadência e da prescrição ∙ O direito de a Fazenda proceder à revisão da apuração do cálculo do PIS/PASEP e da Cofins decaiu em relação ao ao período de 01/2007 a 12/2007, em razão do decurso, in albis, de prazo superior a 5 (cinco) anos. ∙ Da mesma forma, a teor do artigo 174, parágrafo único, I, do Código Tributário Nacional, c/c artigo 5º, §§ 1º e 2º, do DecretoLei 2.124/84, encontrase prescrita a cobrança de qualquer crédito tributário após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos computados da data de sua constituição definitiva e/ou do vencimento da obrigação. Das divergências de cálculos ∙ Compulsandose os autos, verificase que os cálculos apresentados pelo Auditor Fiscal no que diz respeito à formação dos créditos de PIS/PASEPCofins do mercado interno se mostram insubsistentes. Vale dizer: existem divergências nos cálculos apresentados pela Impugnante e aqueles apresentados pelo Auditor Fiscal (o que alterou a formação dos créditos do mercado interno e externo), devendo prevalecer os cálculos e a metodologia considerada pela Contribuinte. ∙ A Portaria MF n.° 356/1988 ao dispor que o valor da receita bruta seria computado não com base no efetivo preço da venda, mas com base no valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior extrapola o seu poder regulamentar. ∙ Na verdade, a Portaria MF n.° 356/1988 pretendeu fazer tabula rasa do RIR/1999 (norma de hierarquia superior), em manifesta violação ao princípio do devido processo legislativo e ao princípio da legalidade. ∙ Neste contexto, à vista de que a atividade administrativa só pode ser exercida nos termos de autorização contida no sistema legal, há de se aplicar, no caso concreto, a norma do artigo 279 do RIR/1999, de forma que, para efeito do cômputo da receita bruta e/ou do faturamento, deveria ser considerado o momento da emissão da nota fiscal e não a data de embarque. ∙ Fica evidente, pois, que o Despacho Decisórío ora impugnado incorreu em erro de direito ao determinar a glosa de créditos das contribuições. No caso concreto, a Contribuinte faz jus à dedução das contribuições pagas nas operações anteriores, não havendo que se falar em "restrição ao crédito'. ∙ Em outros termos: a norma do artigo 3º, § 2º, da Lei n.° 10.637/2002 não tem aplicação no caso concreto, mormente em Fl. 2478DF CARF MF 6 se considerando que a Contribuinte comprou carvão vegetal de pessoas jurídicas. Da compra de carvão vegetal ∙ Eventual diferença nas notas fiscais de entrada e de saída decorre da própria forma de comercialização do carvão vegetal, uma vez que a produção é realizada em áreas rurais, locais em que não existem equipamentos precisos de medição e pesagem. ∙ Devido a esta situação, as notas fiscais emitidas pelos fornecedores correspondem a apenas uma expectativa de peso e quantidade, e é confirmada quando da entrada do carvão vegetal na usina siderúrgica, local que dispõe de condições físicas (balança, etc) para a realização de tal procedimento. ∙ Desta forma, a quantidade ou peso são confirmados, e, portanto, emitidas as notas fiscais de entrada correspondentes à efetiva aquisição da matéria prima pela Contribuinte. ∙ O preço então é pago, com base nesta nota fiscal emitida, que corresponde à efetiva compra realizada. ∙ A Contribuinte creditase de PIS/PASEPCofins sobre a aquisição que corresponde à nota fiscal emitida, a qual reflete com exatidão a quantidade do produto adquirido e efetivamente pago. Ao final solicita que a Impugnação seja julgada procedente, reformandose a decisão que determinou a glosa de créditos e anulandose o auto de infração aqui impugnado. Colocado em julgamento na sessão de 19/12/2013 esta turma decidiu pela baixa do processo em diligência para que a unidade preparadora esclarecesse acerca da apuração dos valores a título de “aquisição de carvão de pessoa física” lançados na linha 8.15 das planilhas de folhas 27 a 46. À folha 2419 a DRF/Divinópolis informa que as deduções dos valores adquiridos de pessoa física foram feitas pelo próprio contribuinte em suas planilhas apresentadas denominadas SIDERÚRGICA MATPRIMA CÁLCULO DE PIS E COFINS 2007 e SIDERÚRGICA MATPRIMA CÁLCULODE PIS E COFINS 2008, anexadas a Informação Fiscal (fls. 2421 e 2422). Cientificada do teor da diligência a interessada não se manifestou. A Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10665.720142/201350 Acórdão n.º 3201002.842 S3C2T1 Fl. 96 7 GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA. Não há como confundir a proibição de constituição do crédito tributário, presente no CTN, que trata da decadência, com proibição de apuração dos créditos provenientes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, com o objetivo de verificar a correção do valor solicitado em ressarcimento. Não encontra respaldo nas normas que regem a matéria a impossibilidade de glosa de créditos indevidos com vistas a apuração dos saldos solicitados em ressarcimento ou declaração de compensação. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA. Não há como confundir a proibição de constituição do crédito tributário, presente no CTN, que trata da decadência, com proibição de apuração dos créditos provenientes da não cumulatividade do PIS e da COFINS, com o objetivo de verificar a correção do valor solicitado em ressarcimento. Não encontra respaldo nas normas que regem a matéria a impossibilidade de glosa de créditos indevidos com vistas a apuração dos saldos solicitados em ressarcimento ou declaração de compensação. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reitera os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Fl. 2480DF CARF MF 8 Preliminarmente, sobre a alegação de decadência, na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que "não glosar créditos havidos como ilegítimos por conta do prazo de decadência para fins de lançamento, quando de lançamento não se trata, é abdicar da aferição tanto da liquidez como da certeza de eventual crédito, o que não é possível diante do art. 170 do CTN." Contudo, é certo que o caso em apreço tratase de lançamento de ofício, devendose, portanto, aplicarse os prazos relativos ao direito de constituição do crédito tributário, ou seja, aquelas veiculadas nos arts. 150,§4o e art.173,I do CTN, ou seja, de cinco anos, considerandose o determinado pela Súmula Vinculante n. 8 do STF, ao contrário do afirmado na decisão recorrida. Não obstante, embora apliquese a regras temporais para a constituição do crédito tributário, como pugna a Recorrente, no caso em apreço, ao contrário do que afirma, o período compreendido pelo auto de infração não é o exercício de 2007, mas compreende 07/2008 a 12/2008, no caso da COFINS e 01/2008 a 12/2008 para PIS, de maneira que, considerandose que ciência deuse em 25/01/2013, há decadência de parte do crédito tributário. Destarte, no caso em apreço, verificase nos autos que houve pagamento na hipótese, e de acordo com entendimento do STJ em sede de recurso repetitivo (REsp nº 973.733 SC), o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário apenas se conta do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, relativamente aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Quanto à apuração do quanto devido, afirma a Recorrente que: i. considerou como receita decorrente de exportação as notas fiscais com o CFOP 7101 (Vendas de produção do estabelecimento demais países); ii. que o art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda, para fins de cálculo da receita bruta de venda, deve ser considerado o efetivo preço da venda; iii. que tem o direito ao ressarcimento do PIS e COFINS embutidos no preço dos produtos que exporta; iv. a nãoaplicação do art.3o, §2o da Lei n. 10.833/2003 e art.3o, §2o da Lei n.10637/2002, pois o carvão vegetal que adquiriu é proveniente de pessoas jurídicas. No TVF, não obstante, é afirmado que foram apuradas os valores de PIS e COFINS, dos valores constantes dos arquivos magnéticos da contabilidade da Recorrente, de onde foram extraídas as planilhas que serviram de base para o lançamento. É o que se depreende dos seguintes excertos do TVF, in verbis: Assim, utilizando os seus arquivos magnéticos de sua contabilidade, entregues na forma definida pela Instrução Normativa nº 86, de 2001, dentro das especificações técnicas definidas no Anexo Único do ADE Cofis nº 15, de 13/10/2001, com as alterações pelo Ato Declaratório COFIS nº 55, de 11/12/2009, referentes aos períodos de 01/01/2007 a 31/12/2008, validados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, apuramos as receitas auferidas pelo contribuinte, no mercado interno e no mercado externo, nos anoscalendário de 2007 e 2008, conforme planilhas RECEITA DE VENDAS DE 2007 e RECEITA DE VENDAS DE 2008, presentes neste processo. Assim, aplicamos à base de cálculo a alíquota de 7,6%, para o cálculo da Cofins, nos termos da Lei nº 10.833, de 2003, art. 2º, Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10665.720142/201350 Acórdão n.º 3201002.842 S3C2T1 Fl. 97 9 e a alíquota de 1,65%, para o cálculo do Pis, como definido na Lei nº 10.637/2002, art. 2º. 7. Do Lançamento de Ofício da Redução dos Saldos dos Créditos das Contribuições Cofins e para o Pis no Regime não cumulativo Estamos efetuando o lançamento tributário da diferença entre os saldos dos créditos das contribuições Cofins e para o Pis encontradas entre os valores apurados por esta fiscalização e os valores informados pelo contribuinte, nos meses em que ocorrer uma redução dos saldos mensais, para os períodos em que o contribuinte não efetuou pedido de ressarcimento, ou seja, no período de julho a dezembro do anocalendário de 2008, para a contribuição Cofins, e no período de janeiro a dezembro do ano calendário de 2008, para a contribuição para o Pis. Os valores glosados foram calculados e inseridos na planilha do contribuinte SIDERÚRGICA MAT PRIMA – CÁLCULO DE PIS E COFINS – 2008 TOTAL, na linha GLOSA DE CRÉDITOS, anexada a este termo. 7.1. Glosa dos Créditos Constituídos Indevidamente No procedimento fiscal, constatamos que o contribuinte constituiu indevidamente créditos das contribuições Cofins e para o Pis, como demonstra a planilha APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES COFINS E PARA O PIS – ANOCALENDÁRIO DE 2008, anexada a este termo. 7.2. Glosa dos Créditos Vinculados ao Mercado Externo No procedimento fiscal, constatamos, também, que o contribuinte vinculou, indevidamente ao mercado externo, créditos vinculados ao mercado interno. Esta fiscalização, obedecendo a opção feita pelo contribuinte pelo rateio proporcional entre a receita de exportação e a receita bruta total, apurou os valores dos créditos das contribuições Cofins e para o Pis vinculados ao mercado interno e os valores dos créditos vinculados ao mercado externo, como demonstra a planilha APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES COFINS E PARA O PIS – ANOCALENDÁRIO DE 2008, anexada a este termo. Considerandose que na defesa da Recorrente não há quaisquer argumentos que refutem as planilhas elaboradas pela fiscalização, que foram elaboradas por informações extraídas de sua própria contabilidade, deve ser mantido o lançamento nesse tocante. No que tange ao pedido de correção dos valores relativos à compra de carvão vegetal, em face da divergência entre valores das notas de entrada e nota do produtor, constata se que houve o acolhimento na decisão recorrida, a qual assim se manifesta: O critério adotado pela fiscalização para aceitação dos créditos, descrito nas folhas 13 a 14 dose que o Termo de Verificação e transcrito no Relatório, pode ser assim sintetizado: ante a Fl. 2482DF CARF MF 10 constatação de divergência entre a nota de entrada e a nota do produtor, acobertadora do trânsito da mercadoria, tomase para apuração dos créditos de PIS e Cofins, sempre, o menor valor.Tal critério, não me parece razoável, sobretudo quando a operação, conforme descrita no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade, se deu em conformidade com o disposto no Regulamento do ICMS de Minas Gerais. Assim, proponho, neste ponto, a reversão das glosas efetuadas pela fiscalização. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 2483DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.902733/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário:2007
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.317
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente CIAASA MERCANTIL DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 33 /2 01 1- 39 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10120.902733/201139 Acórdão n.º 3301003.317 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 03050.591. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10120.902733/201139 Acórdão n.º 3301003.317 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10120.902733/201139 Acórdão n.º 3301003.317 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10120.902733/201139 Acórdão n.º 3301003.317 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10120.902733/201139 Acórdão n.º 3301003.317 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.001695/00-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996
EMBARGOS.
Embargos acolhidos para ratificar o quanto decidido em processos relacionados e que fundamentaram a decisão, na medida em que seus efeitos se verificam nesse processo, e para retificar a questão da impossibilidade de restituição do valor pago a título de multa na entrega em atraso da DIPJ, em observância à Súmula n° 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 1401-001.062
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara, 1ª Turma do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em ACOLHER em parte os embargos para RATIFICAR o quanto já decidido e RETIFICAR apenas a questão da impossibilidade de utilização da multa paga por atraso na entrega da DIPJ para compor o crédito destinado às compensações pretendidas pelo contribuinte.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Embargos acolhidos para ratificar o quanto decidido em processos relacionados e que fundamentaram a decisão, na medida em que seus efeitos se verificam nesse processo, e para retificar a questão da impossibilidade de restituição do valor pago a título de multa na entrega em atraso da DIPJ, em observância à Súmula n° 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara, 1ª Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em ACOLHER em parte os embargos para RATIFICAR o quanto já decidido e RETIFICAR apenas a questão da impossibilidade de utilização da multa paga por atraso na entrega da DIPJ para compor o crédito destinado às compensações pretendidas pelo contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 16 95 /0 0- 84 Fl. 689DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16335.ODHA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001695/0084 Acórdão n.º 1401001.062 S1C4T1 Fl. 10 2 Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Ausente justificadamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro. Relatório Cuidase de Despacho SEORT/DRF/BEL emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA para dirimir dúvida acerca da implementação da decisão exarada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Aduz o mencionado Despacho que “na análise do respeitável Acórdão 1401 00.356, depreendo que a sua implementação pressupõe, ainda, enfrentar questão concernente ao tratamento a ser dado aos débitos nos quais os recolhimentos da Tabela n° 1 estão alocados” Trata o processo de Pedido de Compensação de recolhimentos efetuados nos códigos 2372 (CSLL – DEMAIS), 3373 (NÃO OBR LUC REAL – BAL MENSAL), 5338 (MULTA ATRASO ENTREGA DIRPJ), 2484 (CSLL – DEMAIS ESTIMATIVA) e 2362 (IRPJ – LUCRO REAL – DEMAIS ESTIMATIVA MENSAL), relativos aos anoscalendário de 1995 e 1996, demonstrado pelo Recorrente por meio de Declarações Retificadoras dos mesmos anos. Por bem esclarecer a questão, adoto trechos do relatório constante do acórdão de n° 140100.356. Em 29 de junho de 2001, o Serviço de Tributação da DRF/Belém manifestouse nos autos propondo a concessão da compensação pretendida, conforme documento às folhas 86 a 87, consubstanciado no Parecer nº 0305/2001 Em 13 de outubro de 2003, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Belém manifestouse nos autos propondo a anulação da decisão que anuiu o pleito da Recorrente, bem como o indeferimento do pleito e a cobrança administrativa dos débitos não recolhidos (fls. 112 a 117). A proposta transformou se em Despacho Decisório, conforme documento de folha 118. Referido Despacho Decisório reportase ao Parecer SEORT/DRF/3862003 (fls.139/144), o qual propõe a nulidade da decisão anterior, sob o fundamento de que a decisão de fls. 86/87 não apreciou o mérito da questão, indeferindo o pedido de compensação/restituição, já que não estaria demonstrado que os pagamentos são indébitos passíveis de repetição. Em face do referido despacho, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 146/149), a qual foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém. No Recurso Voluntário, apresentado em 06/07/2005, alega o contribuinte que houve erro de fato nas DCTF`s do ano calendário de 1996, razão pela qual apresentou seu Livro Diário e Razão, a fim de comprovar a existência de pagamento a maior. Fl. 690DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16335.ODHA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001695/0084 Acórdão n.º 1401001.062 S1C4T1 Fl. 11 3 Aduz, ainda, que retificou as DIRPJ´s dos anos de 1995, 1996 e 1997, e que as mesmas foram acatadas pela SEORT da DRF de Belém. Argumenta que apresentou seus Livros Diário e Razão ao SEORT, no qual se comprova que nos quatro trimestres de 1997 apurou IRPJ nos valores de R$ 11.931,88; R$ 8.836,67; R$ 7.639,96 e R$ 7.812,72, a fim de liquidar tais valores, utilizouse de DARF nos valores de R$ 13.725,86; R$ 11.763,05; R$ 11.208,85 (fevereiro, março e julho de 1997). Alega que optou pelo lucro real trimestral e não pelo estimado, apenas realizando pagamentos das estimativas nos meses de janeiro e fevereiro de 1997. Invoca o princípio da verdade material e da segurança jurídica, segundo o qual a administração não poderia, após 3 anos, rever o ato que deferiu a compensação. Em 13 de dezembro de 2006, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu por bem converter o julgamento em diligência, para que fossem verificados os seguintes pontos: a) se a DIRPJ retificadora foi aceita e, em caso positivo, sua juntada; b) quais os fundamentos para a decisão 0305/2001 frente à retificadora; c)respondido, frente aos assentamentos contábeis e fiscais da recorrente, qual a verdade material da opção do lucro realizada naquele exercício: b.1) anual (com estimativas e/ou balancete se suspensão); b.2)mensal; c) confirmase o erro no código do DARF conforme afirmou a recorrente? d) demais esclarecimentos que a autoridade diligenciante entenda necessários ao esclarecimento do litígio. Em cumprimento à diligência solicitada, o SEORT da DRF em Belém apresentou as seguintes conclusões: Diante dessa instrução processual, passo ao pronunciamento requerido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes. Quanto ao quesito indicado na letra "a" do item 9, o que se constata, quanto à DIRPJ/1997, AC 1996, consultando os sistemas informatizados da RFB (fl 461/464), é a liberação da declaração original, ficando retidas duas declarações retificadoras, entregues em 09.02.2001. Quanto à DIRPJ/1996, AC 1995, somente houve a entrega de uma declaração, consoante tela à fl 465, observandose o que informam os sistemas informatizados da RFB. É muito relevante registrar que o contribuinte foi fiscalizado quanto às informações prestadas em sua DIRPJ/1997, AC 1996, original, apresentada sob o número 02.1.7991369, inclusive com a Fl. 691DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16335.ODHA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001695/0084 Acórdão n.º 1401001.062 S1C4T1 Fl. 12 4 geração de auto de infração, conforme documentos de fls 123/132. Esse auto de infração foi encerrado por pagamento, sem interposição de recursos, pelo que se colhe das telas juntadas às fls 466/468. Disso resulta claro que as retificadoras relativas à DIRPJ/1997, AC 1996, não podem ser acatadas, vez que já fora objeto de auto de infração, cujo teor poderia ter sido impugnado pelo requerente, quando de sua ciência. Incabível conceber, agora, em nível administrativo, a alteração dos dados dessa declaração, após a constituição definitiva do lançamento. Os elementos para responder o quesito indicado na letra "h" do item 9 estavam e estão à disposição da autoridade que requisitou a diligência tratada na Resolução n.° 108 00.388, do mesmo modo que estão à disposição desta autoridade, que profere o presente ato. Nesse sentido, a leitura do parecer de fls 86/86 levanos a constatar que os débitos considerados em seus cálculos foram os débitos indicados nas declarações retificadoras, pelos valores indicados às fls 18 e 57. Quanto ao questionamento da letra "c" do item 9, vêse que o contribuinte apresentou cópia do Livro Registro de Apuração do Lucro Real, com os respectivos demonstrativos de lucro real, somente para o AC 1996 (fls 268/273), com levantamento de lucro real mensal, redundando em valores de IPRPJ a pagar iguais aos que foram informados na DIRPJ retificadora (fl 57). Houve apresentação de demonstrações mensais de resultado do exercício, relativas aos anoscalendário 1995 e 1996, fl.s 253/264 e 278/289. Registrese, contudo, que as demonstrações do resultado do exercício não apresentam indicação de haverem sido transcritas no Diário ou no LALUR, nos termos do art. 274 do RIR/1999. Por outro lado, o Livro Registro de Prestação de Serviços, fls 294/342, relaciona faturamentos que estão de acordo com o que fora considerado nos demonstrativos de resultado do exercício. Em nosso entender, a "verdade real" (assim considerada, tendo se como parâmetro o nível de auditoria adotado neste trabalho) exsurge disso, conforme livre convicção do julgador. No que tange aos erros de preenchimento de DARF alegados pelo contribuinte, observase, a partir do relatório apresentado à fl. 458, que os recolhimentos utilizados para quitar os débitos de IRPJ, relativos ao período de apuração 1996, não guardam relação com os débitos apresentados em sua retificadora, nem no aspecto quantitativo, nem no aspecto temporal. Muito difícil, em tais circunstâncias, acatar os argumentos do defendente. Ainda, o demonstrativo de fl. 458 não preenche as formalidades de registro contábil, haja vista não haver indicativo de que foi Fl. 692DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16335.ODHA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001695/0084 Acórdão n.º 1401001.062 S1C4T1 Fl. 13 5 extraído de livro contábil/fiscal. Restaria ao contribuinte, pelo menos, comprovar essas compensações mediante a apresentação dos registros correspondentes, levados a efeito nos Livros Razão e Diário. Era o que se tinha a informar. Intimado, o Recorrente se manifestou as fls. 476/479, reiterando as razões já apresentadas na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário”. Sobreveio o acórdão 140100.356, que deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, acolhendo o pedido de restituição/compensação levandose em consideração o quanto decidido no acórdão n° 120200.035, o valor devido a partir da DIRPJ 1997 retificadora e os pagamentos determinados no Parecer 305/2001. A decisão restou assim ementada: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A DIRPJ retificadora substitui integralmente a DIRPJ retificada. De se acolher, para efeito de restituição/compensação, o quanto decidido em processo relacionado a anos calendário que impactam no saldo de IRPJ a restituir em outro processo. O presente Despacho aduz que parte dos recolhimentos objeto das compensações pretendidas pelo contribuinte estavam alocados a débitos e que alguns, inclusive, já teriam sido enviados a PFN, pelos seus saldos devedores. Assim, requer o Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT “esclarecer qual a condição de que se revestem os débitos alocados aos recolhimentos objeto da compensação pretendida pelo contribuinte. Seriam débitos inexistentes, cujos recolhimentos poderiam ser desvinculados um a um e cujos valores poderiam ser cancelados em seus respectivos sistemas de cobrança? As parcelas que foram enviadas à PFN, para cobrança, podem ser, também, canceladas? Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Conheço do Despacho emitido pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT – e os acolho como Embargos. Aduz o referido Despacho, basicamente, que os valores das compensações autorizadas no presente processo já teriam sido compensados de ofício e enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança do saldo devedor. “Com efeito, os PARECERES SEORT/DRF/BEL/N°s 383/2003 (...) e 386/2003 (...) já haviam ressaltado que parte dos recolhimentos objeto das compensações pretendidas pelo contribuinte estavam alocados a débitos que, em alguns casos, já foram inclusive enviados à PFN, pelos seus saldos devedores.” Fl. 693DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16335.ODHA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001695/0084 Acórdão n.º 1401001.062 S1C4T1 Fl. 14 6 Ainda, sustentase no referido Despacho que o contribuinte não teria direito à restituição dos valores pagos a título de multa pelo atraso na entrega da DIRPJ. Tal multa, resultante de um atraso de oito meses, segundo o Despacho, corresponde ao montante de R$ 7.063,53. Em primeiro lugar, para esclarecer a dúvida levantada pela Delegacia da Receita Federal, julgo salutar resumir o quanto decidido nos processos de n° 10280.001697/00 18 e 10280.001695/0084. No processo 10280.001697/0018, que foi apensado ao presente, restou sedimentado o entendimento de que a imputação de pagamento é uma prerrogativa da Fazenda Pública, sendo certo que apenas pode ser exercida caso não haja anterior manifestação do contribuinte , pleiteando o pagamento de determinado débito. No referido processo observase a seguinte ordem de acontecimentos: (i) O contribuinte protocolou em maio de 2000 o pedido de compensação. Foram imputados os pagamentos para os meses de setembro a outubro de 1995 e janeiro a novembro de 1996. (ii) Em dezembro de 2000 foi proferida a decisão n° 0861/00, a qual deferiu o pleito, cancelando o crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de outubro de 1995 e janeiro a novembro de 1996, em razão da compensação efetuada. (iii) Apenas no ano de 2003, o SECAT da DRF de Belém informou que em outubro de 2001, em razão de auditoria realizada, os valores recolhidos a maior pelo contribuinte foram recalculados pelo SIEF e que por tal motivo não seria possível a emissão dos DARFs necessários para reconhecimento do direito creditório e da compensação deferida. Dada a ordem dos acontecimentos, decidiuse pelo provimento do Recurso Voluntário, em observância ao quanto já homologado pela decisão 0816/00 conforme a ementa abaixo transcrita: IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. A imputação de pagamento é prerrogativa da Fazenda Pública que apenas pode ser exercida caso não haja anterior manifestação do contribuinte pleiteando o pagamento de determinado débito. Recurso Voluntário Provido. Nesse processo, de n° 10280.001695/0084, a conclusão foi no sentido de que a DIPJ retificadora substitui integralmente a DIPJ retificada. Nesse passo, devem ser acolhidos para efeito de restituição/compensação o quanto decidido em processos relacionados a anos calendários que impactam no saldo de IRPJ a restituir em outro processo. No referido processo observase a seguinte ordem de acontecimentos: Fl. 694DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16335.ODHA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001695/0084 Acórdão n.º 1401001.062 S1C4T1 Fl. 15 7 (i) Em junho de 2001, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Belém manifestouse nos autos propondo a concessão da compensação pretendida pelo contribuinte, referente aos anoscalendários de 1995 e 1996 e por ele demonstrada por meio de Declarações Retificadoras. Tal decisão consubstanciouse no Parecer n° 0305/2001. (ii) Em outubro de 2003 a mesma DRF manifestouse nos autos propondo a anulação do Parecer n° 0305/2001, sob o fundamento de que não houve apreciação de mérito, não restando comprovado se os pagamentos efetuados eram realmente indébitos passíveis de repetição. Tal decisão consubstanciouse no Parecer n° 386/2003. No acórdão de recurso voluntário, a decisão foi pelo provimento parcial do recurso, tendo sido levado em consideração: (i) o quanto decidido no acórdão n° 120200.035 (Processo n° 10280.01697/0018); (ii) o valor devido a partir da DIRPJ 1997 retificadora e (iii) os pagamentos determinados no Parecer n° 305/2001 (1° Parecer). A decisão restou assim ementada: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A DIRPJ retificadora substitui integralmente a DIRPJ retificada. De se acolher, para efeito de restituição/compensação, o quanto decidido em processo relacionado a anoscalendário que impactam no saldo de IRPJ a restituir em outro processo. No tocante à DIRPJ retificadora, elucidativo transcrever o seguinte trecho da decisão proferida: “Ora, se a DIRPJ retificadora foi entregue antes do lançamento relativo a DIRPJ original (lançamento que foi cientificado apenas em 03/12/2001 – fls. 124); se a DIRPJ retificadora foi processada conforme Parecer 305/2001, com pagamento a ela imputados antes da referida lavratura do Auto de Infração (29/06/2001); e, se a própria diligência confirma que o Livro Registro de Apuração do Lucro Real está de acordo com o informado na Declaração retificadora, não há como não adotá la para efeito do cálculo, posto que a DIRPJ retificadora substitui integralmente a DIRPJ original. Assim, quanto aos valores a serem considerados para o anocalendário de 1996, deve o cálculo partir daqueles valores informados da DIRPJ retificadora (fls. 57).” Ainda, de se ressaltar que os cálculos do contribuinte relativamente ao ano de 1995 foram acolhidos, conforme seguinte trecho: “No que tange ao anocalendário de 1995, assevera a diligência que as demonstrações do resultado do exercício, apesar de não terem sido transcritas no Livro Diário ou no Lalur, estão em conformidade com o Livro Registro de Prestação de Serviços Fl. 695DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16335.ODHA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001695/0084 Acórdão n.º 1401001.062 S1C4T1 Fl. 16 8 (fls. 249/342). Neste ponto, também de se acolher o cálculo do contribuinte.” Portanto, as premissas a serem consideradas a fim de aplicar adequadamente o acórdão n° 140100.356 são: (i) para o ano de 1996 o valor a restituir leva em consideração a Declaração retificadora e não a retificada e (ii) para o ano de 1995, os cálculos do contribuinte foram acolhidos. Assim, em observância ao quanto já decidido pelo processo n° 10280.01697/0018, no qual se determinou indevidas as compensações de ofício efetuadas, não podendo tais compensações de ofício mitigar o direito creditório do contribuinte que antecipou se no pedido de compensação, bem como em observância ao Parecer n° 0305/2001, antes exarado pela própria RFB, impossível a rediscussão do mérito por essa Câmara. Providências para eventual débito porventura remanescente, mormente decorrente da compensação de ofício rechaçada em outro acórdão, não constituem matéria da presente lide, tampouco passível de apreciação por este colegiado. Noutro giro, tem fundamento as considerações da d. Delegacia quanto ao valor relativo à multa por atraso na entrega da DIPJ que, como demonstrado no embargo, constituiu direito creditório pleiteado pelo contribuinte. De fato o acórdão recorrido nada dispôs acerca da possibilidade de restituição dos valores pagos a título de multa por atraso de oito meses na entrega da DIPJ, porquanto se pautou no relato constante do 1° Parecer (Parecer n° 305/2001). Assim, como há omissão a esse respeito, importa tratar do referido direito, cuja conclusão é de que tal direito e respectivo valor ( R$ 7.063,52), conforme tabela às fls. 139, não são restituíveis. Neste ponto, cumpre salientar que a questão acerca da impossibilidade de restituição dos valores pagos a título de multa no atraso na entrega de Declaração já foi inclusive objeto de Súmula do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Pelo exposto, acolho o presente Despacho SEORT para RATIFICAR o quanto já decidido e RETIFICAR apenas a questão da impossibilidade de utilização da multa paga por atraso na DIPJ compor o crédito destinado às compensações pretendidas pelo contribuinte. Sala das Sessões, em 09 de outubro de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 696DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16335.ODHA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.001695/0084 Acórdão n.º 1401001.062 S1C4T1 Fl. 17 9 Fl. 697DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0617.16335.ODHA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por KAREM JUREIDINI DIAS em 11/11/2013 15:23:12. Documento autenticado digitalmente por KAREM JUREIDINI DIAS em 11/11/2013. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 11/12/2013 e KAREM JUREIDINI DIAS em 11/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/06/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0617.16335.ODHA Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 102800016950084. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10830.727026/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso quanto interposto fora do prazo legal de 30 dias após a intimação pessoal do contribuinte.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
A Súmula 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2401-004.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: Relator
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso quanto interposto fora do prazo legal de 30 dias após a intimação pessoal do contribuinte. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Súmula 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 70 26 /2 01 2- 21 Fl. 1034DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10830.727026/201221 Acórdão n.º 2401004.846 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 O procedimento Fiscal foi iniciado com a apresentação do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, datado de 08/03/2012, quando o sujeito passivo foi intimado a apresentar os documentos previstos na legislação. Durante a ação Fiscal foram emitidos termos de intimações e Termos de Continuidade da Ação Fiscal. A Fiscalização foi concluída com a geração de dois processos Administrativos Cadastrados no Sistema de Controle e Consulta de Processo Administrativos do Ministério da Fazenda – COMPROT sob os números 10830.727024/201232 e 10830.727026/201221. O processo nº 10830.727026/201221 é composto pelos Autos de Infração de Obrigações Principais – AIOP do período de 01/2008 a 12/2008 e Auto de Infração de Obrigações Acessórias – AIOA e o processo nº 10830.727024/201232 composto pelos Autos de Infração de Obrigações Principais – AIOP do período de 01/2009 a 07/2011. O recorrente está sendo notificado no processo 10830.727026/201221, nos termos dos artigos 2º e 3º da Lei 11.457, de 16/03/2007, no valor consolidado deste processo administrativo: 1) AI DEBCAD – 37.365.1350 Contribuição Patronal no R$ 2.696.181,27; 2) AI DEBCAD – 37.388.8490 Contribuição dos Segurados no R$ 196.411,06; 3) AI DEBCAD – 37.365.1341 Código de Fundamentação Legal 68, R$ 3.188.989,13; No citado processo o recorrente apresentou impugnação as fls. 300/401 – Apenso I e 402/423 – Apenso I, alegando a não incidência de Contribuição Sociais sobre Férias em Pecúnia, Abono Assiduidade e Verbas de Sucumbência pagas ao Município. Férias Indenizada – férias convertida em pecúnia – Súmula 136 STJ. E que as verbas de sucumbência pagas ao município – não se destinam a remuneração de trabalho, uma vez que são decorrentes de processo judicial transitado em julgado; A fiscalização descreve os fatos geradores abrangidos pelo lançamento no Relatório de Fiscalização., fls. 28/41. Irresignado com o lançamento, comparece o sujeito passivo aos autos, impugnandoo por vários instrumentos de impugnação, acompanhados de pastas onde traz argumentações várias sobre os aspectos relativos ao lançamento. Impugnação de fls. 755/759 – Autos de Infração DEBCAD nºs 37.365.1341 e 37.365.1350, e fls. 1.415/1.435 Impugnação de fls. 802/853 – Autos de Infração DEBCAD nº 37.365.1341 e 37.365.1350, e fls. 1.200/1.253, 1.436/1.489, 1.913/1.966 Fl. 1036DF CARF MF 4 Impugnação de fls. 888/901, 1.307/1.313 e 2.104/2.111 – (inaplicabilidade da representação fiscal para fins penais) Instrumentos de Impugnação de fls. 902/932 – Autos de Infração DEBCAD nº 37.365.1341 e 37.365.1350 e fls. 1.321/1.351, 1.502/ 1.534. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0540.608 6ª Turma da DRJ/CPS, às fls. 987/1.013, julgando procedente o lançamento e mantendo parcialmente o crédito tributário para efeito de se retificar o AI nº DEBECAD nº 37.365.1350 e AI nº 37.388.8490, em ambos, no que se referem aos levantamentos CI e CII, forma proposta na planilha que integra o voto. E, por fim, manter integralmente o crédito tributário lançado por meio do AI nº 37.365.1341 (CFL 68) em sua integralidade. Recordese: Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. É devida a contribuição a cargo da empresa incidente sobre o valor dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho médico. LANÇAMENTO. AÇÃO ANULATÓRIA. FORÇA DA COISA JULGADA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A coisa julgada em ação anulatória de lançamento fiscal, em período distinto de outro lançamento, não prejudica a validade deste, tampouco enseja a suspensão da exigibilidade da contribuição objeto de discussão judicial à falta de pronunciamento específico. LANÇAMENTO. PREVIDENCIÁRIO. FATO GERADOR. LICENÇA PRÊMIO PAGA EM PECÚNIA. INDENIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constitui fato gerador de contribuição previdenciária o pagamento em pecúnia de licença prêmio não gozada, ainda na vigência do contrato de trabalho, não havendo que se falar em indenização, porquanto ausente situação de prejuízo a justificar a reparação financeira LANÇAMENTO. PREVIDENCIÁRIO. EMPRESÁRIOS INDIVIDUAIS. CARACTERIZAÇÃO COMO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REGULARIDADE DO REGISTRO. IMPROCEDÊNCIA. Improcede a caracterização de empresários individuais, devidamente registrados junto ao Registro Público de Empresas Mercantis, como segurados contribuintes individuais, ausente a Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10830.727026/201221 Acórdão n.º 2401004.846 S2C4T1 Fl. 4 5 demonstração de que houve a prestação de serviços fora do exercício da atividade empresária PREVIDENCIÁRIO. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. RATEIO GERAL. INCIDÊNCIA. Incide contribuições previdenciárias sobre os valores distribuídos de forma geral e indiscriminada a segurados, ainda que oriundos do recebimento de verbas sucumbenciais, não havendo vinculação entre o beneficiário e sua atuação no processo judicial ensejador da sucumbência. LANÇAMENTO. DISCUSSÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade em relação a determinadas rubricas não impede o ato administrativo de lançamento, salvante comando judicial específico neste sentido, de forma a obstar os procedimentos de cobrança material do valor lançado. AUTO DE INFRAÇÃO. GUIA DE RECOLHIMENTO AO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. CABIMENTO. Constitui infração passível de penalidade a não inserção de segurados contribuintes individuais na folha de pagamento e a omissão de pagamentos realizados a título de rateio geral de verbas sucumbenciais e licença prêmio indevidamente indenizada. AUTO DE INFRAÇÃO. GUIA DE RECOLHIMENTO AO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. EMPRESÁRIOS. INOCORRÊNCIA. Não configura infração passível de penalidade a não inserção, na Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, de segurados contribuintes individuais constituídos sob a forma de empresários, ausente demonstração de que a prestação de serviços deuse fora do exercício da atividade empresária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância, a primeira vez em 03/06/2013 (fls.1.029), e a segunda vez em 14/06/2013, conforme Aviso de Recebimento às Fls. 1.031. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 521/590, anexando ao documento todas as impugnações anteriormente apresentadas, e usando desses argumentos para impugnar o acórdão, ratificando suas alegações anteriormente expendidas e ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida. Fl. 1038DF CARF MF 6 Em suma, alega que o lançamento não pode subsistir, devendo ser cancelando; após transcrever o artigo 32, inciso I da Lei nº 8.212/91, aduz que a referida obrigação é efetuada mensalmente em conjunto pelo Departamento de Folha de Pagamento e Departamento de Finanças, através de GFIP encaminhada eletronicamente; que, se não fossem efetuados os lançamentos, com o sistema informatizado, nenhum funcionário receberia o que de direito, já que todos os dados são lançados em único documento e sistema; que não se deixou de preparar a folha de pagamento, tanto assim que a fiscalização foi embasada nesta documentação; postula pela concessão de prazo para a correção de “qualquer equívoco que tenha eventualmente ocorrido”; que “qualquer ser humano ou máquina é passível de erros!”. No tocante ao Auto de Infração DEBCAD nº 51.016.0204 (cooperativa de trabalho – UNIMED) aduz que o lançamento não pode subsistir, devendo ser cancelando; transcreve o artigo 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91; que não incide INSS, FGTS e IRRF sobre convênios médicos, relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniada, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, sendo isto o que acontece na Prefeitura do Município de Valinhos em relação ao convênio médico UNIME. Quanto ao Auto de Infração DEBCAD nº 51.016.0204, e fls. 644/665 – AI DEBCAD nº 51.030.3005 (licença prêmio indenizada, sucumbência, contribuinte individual CONTAB) alega que o lançamento não pode subsistir, devendo ser cancelando; que o RPS, artigo 214, § 9º, inciso V, alínea “l”, já deixa claro a inexigibilidade do débito referente à licença prêmio indenizada, bem como no § 9º, inciso X do mesmo Regulamento, referindose às verbas de sucumbência. Autos de Infração DEBCAD nºs 37.365.1341 e 37.365.1350, e fls. 1.415/1.435 – Auto de Infração DEBCAD nº 51.106.0204 (cooperativa de trabalho – UNIMED): Nesse interregno, afirma ainda que contra a NFLD nº 35.383.8632 (03/2000 a 07/2001) e, atualmente, AI DEBCAD nºs 37.365.1341 e 37.365.1350, ajuizou ação anulatória– processo nº 2003.61.05.007119. Em primeira instância, o pedido foi atendido pela Justiça Federal; que a apelação foi recebida no efeito meramente devolutivo, permitindo a produção dos efeitos relativos à anulação e à suspensão da exigibilidade; que o mesmo entendimento apresentado pelo Poder Judiciário quando do julgamento do lançamento relativo à NFLD nº 35.383.8632 (03/2000 a 07/2001) deve ser aplicado ao período subsequente. Contra os Autos de Infração DEBCAD nº 37.365.1341 e 37.365.1350, e fls. 1.200/1.253, 1.436/1.489, 1.913/1.966 – Autos de Infração DEBCAD nº 51.016.0204 (compensação sem anuência prévia da RFB), afirma que o contribuinte efetuou recolhimentos de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, hora extra e demais verbas de natureza compensatória/indenizatória; que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo com a Fazenda Pública, na forma do artigo 170 do CTN; que a Lei nº 8.383/91 trouxe regras para o exercício do direito; que a Constituição Federal de 1988 veda o tributo com efeito de confisco, impondose sua restituição em caso de desrespeito ao referido princípio constitucional; cita doutrina sobre o instituto da compensação; que a Lei nº 8.383/91 permite a compensação com créditos ainda a serem constituídos, no recolhimento de importância correspondente a período subsequentes. Ainda, sobre os Auto de Infração DEBCAD nº 51.016.1090, e fls. 1074/1127 – Auto de Infração DEBCAD nº 51.016.1090 (multa isolada de 150%), afirma que Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10830.727026/201221 Acórdão n.º 2401004.846 S2C4T1 Fl. 5 7 o Município, com fundamentos em decisões pacificadas e jurisprudência emanadas do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor para efeito de aposentadoria sofrem a incidência de contribuições previdenciárias, apurou créditos provenientes de pagamentos indevidos, que não se incorporam ao salário de contribuição, a teor do artigo 28, § 9º, “e” e 7 da Lei nº 8.212/91, combinado com o artigo 201, § 11 da Constituição Federal de 1988; que, de acordo com a legislação vigente, efetuou as compensações referentes aos créditos apurados com débitos vincendos previdenciários, sem a anuência do Judiciário ou da RFB; a fiscalização glosou a totalidade das compensações efetuadas e regularmente informadas na GFIP; que a lavratura fiscal não deve prosperar, pois é imperioso que a falsidade deve ser comprovada; invoca o artigo 229 do Código Penal relativo ao delito de falsidade ideológica; que, para que se configura o ilícito penal, de rigor terse em vista ocorrência do dolo, necessitando que o agente (contribuinte) tenha apresentado uma declaração de compensação inserindo uma declaração falsa ou diversa daquela que deveria ser escrita (relativa ao débito tributário abatido ou ao crédito tributário invocado), com o intuito de prejudicar direito; traz o conceito do vernáculo “falsidade”; que não é falsa a declaração que o contribuinte presta como remuneração não tributável, pacificada pelos Tribunais Superiores, uma remuneração que a autoridade fazendária entende como tributável, desde que se identifique corretamente tais remunerações quando a seus elementos de fato; que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento têm se manifestado pela improcedência da multa isolada quando o contribuinte tenha comprovado que efetuou os recolhimentos das verbas cujos créditos foram utilizados para a compensação, quando efetuou a compensação nos moldes do artigo 44 da IN RFB nº 900/08 e quando informou ao fisco as compensação efetuadas, através do lançamento em GFIP. Continuamente, quanto ao Auto de Infração DEBCAD nº 51.016.0204 (suspensão da exigibilidade – contribuição previdenciária patronal cargo eletivo – Lei nº 10.887/04) o contribuinte está sujeito às contribuições previstas no artigo 22, incisos I e II da Lei nº 8.212/91, em relação aos subsídio pago aos agentes políticos do Município, na forma do artigo 12, § 2º, inciso I, alínea “h” da Lei nº 8.212/91, acrescido pelo artigo 13, § 1º da Lei nº 9.506/97; que o INSS reconheceu pela não incidência da referida contribuição em relação aos agentes políticos, nos termos da Ordem de Serviço nº 151, de 28/11/1996; que voltou a exigir a contribuição com a entrada em vigor da Lei nº 9.506/97, concluindo que a Lei Complementar nº 84/96 não permitia a cobrança; que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei nº 8.212/91; aduz que a referida contribuição é inconstitucional, tecendo argumentos com vistas a este reconhecimento; cita julgados judiciais; em 28/06/2004 foi editada a Lei nº 10.887, alterando a Lei nº 8.212/91; Por fim, quanto ao Auto de Infração DEBCAD nº 51.016.0204 (suspensão da exigibilidade – contribuição previdenciária patronal) afirma que o contribuinte se sujeita às contribuições previstas no artigo 22, incisos I e II da Lei nº 8.212/91; que a referida lei adota o termo genérico “remuneração”, que abrange todos os valores recebidos a qualquer título independente da sua natureza tributária; Transcreve o artigo 113, § 1º e o artigo 114 do CTN;; que, pela regra da tipicidade fechada, o fisco não pode estender a interpretação sobre a materialidade do fato gerador, a fim de abranger fatos além dos já previstos pela norma de incidência; transcreve o artigo 108 do CTN e o artigo 195, I da Constituição Federal de 1988; que, de acordo com o artigo 22, inciso I da Lei nº 8.212/91, a remuneração paga ao empregado nada mais é do que seu próprio salário, tornandose necessário concluir que as contribuições só devem incidir sobre o salário e sobre as remunerações percebidas, desde que venham a integrar Fl. 1040DF CARF MF 8 o salário para fins de benefício na forma do artigo 201, § 11 da Constituição Federal de 1988; cita doutrina; transcreve o artigo 28, inciso I, § 9º, item 7 da Lei nº 8.212/91 e o artigo 214, inciso I, § 9º, inciso IV, alínea “j” do RPS; não bastasse isto, há paradigmas do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça a evidenciar a natureza indenizatória/compensatória das parcelas pagas a título de terço constitucional de férias e horas extras e demais verbas de caráter não habitual. É o relatório. Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10830.727026/201221 Acórdão n.º 2401004.846 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão no dia 14/06/ 2013, conforme AR às fls. 1.031 o prazo para interposição do recuso esgotouse em 16/07/2013, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, INTEMPESTIVAMENTE, no dia 17/07/2013 (), razão pela qual NÃO CONHEÇO DO RECURSO já que AUSENTES os requisitos de admissibilidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, pois manifestamente intempestivo. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1042DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000691/2009-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
AUSENCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso especial quando não é apontada divergência em relação às causas de decidir do acórdão recorrido, pois é indispensável que as situações fáticas dos julgados em comparação sejam idênticas ou similares a ponto de que as teses em discussão na instância especial tenham o condão de interpretar divergentemente a legislação tributária e modificar o status da decisão recorrida.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso especial quando não é apontada divergência em relação às causas de decidir do acórdão recorrido, pois é indispensável que as situações fáticas dos julgados em comparação sejam idênticas ou similares a ponto de que as teses em discussão na instância especial tenham o condão de interpretar divergentemente a legislação tributária e modificar o status da decisão recorrida. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 06 91 /2 00 9- 23 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13982.000691/200923 Acórdão n.º 9303004.618 CSRFT3 Fl. 428 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3202000.896 (fls. 371 a 378), de 24/09/2013, cuja ementa se transcreve a seguir, na íntegra: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 COFINS. COOPERATIVA. ATO COOPERADO. NÃO INCIDÊNCIA. Ato cooperado é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79 da Lei n° 5.764/1971). A nãoincidência de COFINS restringese a atos cooperados praticados entre a cooperativa e seus associados. Recurso voluntário negado. O presente processo referese a lançamento das contribuições ao PIS e Cofins, acrescidas de multa de ofício e juros de mora, em razão de ausência de recolhimento dessas contribuições em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre janeiro de 2005 e novembro de 2008. A empresa em epígrafe é uma cooperativa de transporte rodoviário de carga. Em sua defesa, o sujeito passivo alegou, em síntese, que todas as prestações de serviços realizadas foram feitas por cooperados, pelo que a cobrança do PIS/Cofins oriunda de ato cooperado seria indevida. O lançamento foi mantido, por unanimidade de votos, no julgamento de primeira instância e confirmado, também por unanimidade de votos, no Acórdão ora recorrido. O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência (fls. 390 a 404), suscitando divergência em relação à sujeição das cooperativas de transporte rodoviário de cargas ao PIS e à Cofins, sobre os atos cooperados. Reafirma que todas as prestações de serviços por ela realizadas foram feitas por cooperados. Para comprovar o dissenso foram apontados, como paradigmas, os Acórdãos nºs 9303001.882 e 3403002.334, cujas ementas transcrevo abaixo: Acórdão 9303001.882 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13982.000691/200923 Acórdão n.º 9303004.618 CSRFT3 Fl. 429 3 SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. ATO MEIO. INTERPRETAÇÃO. A interpretação literal não é a única que deve ser empregada quando da análise de uma norma jurídica, tendo em vista que sua adequada aplicação também deve derivar de um estudo sistemático. Ao confrontar os artigos 79, 86, 87 e 111 da Lei nº 5.764/71 com os arts. 146, III, ‘c’ e 174, § 2º da Constituição Federal, bem como com as demais disposições da Lei nº 5.764/71, é possível concluir que os atosmeio, por serem indispensáveis à consecução dos atosfim, também devem ser considerados como cooperativos. FATOS GERAIDORES ATÉ OUTUBRO DE 1999. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO E VENDA DE VINHO. ATO MEIO ESSENCIAL. ISENÇÃO. Numa cooperativa de produção e venda de vinho, também goza da isenção da COFINS, até os fatos geradores outubro de 1999, a receita proveniente da venda deste produto ao mercado, por ser tal operação essencial à realização do objeto social da sociedade e não se dissociar dos bens que cada associado, individualmente, produz. Embora uma interpretação literal do art. 79 da Lei n° 5.764/71 permita restringir os atos cooperativos apenas aos atos internos ou atosfim, realizados entre a sociedade cooperativa e seus associados, a isenção se estende aos atosmeio quando estes são essenciais à realização daqueles e não vão além do que cada associado, individualmente, poderia oferecer a terceiros sem a intermediação da cooperativa. Acórdão 3403002.334 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. COFINS E PIS/PASEP. RECEITAS. EXCLUSÃO. COOPERATIVA. As receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado não integra à base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS/PASEP por ser ato eminentemente cooperativo. Admitido o Recurso Especial (despacho às fls. 416 a 418), a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 420 a 424. É o Relatório. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13982.000691/200923 Acórdão n.º 9303004.618 CSRFT3 Fl. 430 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais à admissibilidade ditados pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante demonstrase a seguir. A Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999, e suas reedições (culminando na MP n° 2.15835, de 2001), revogou expressamente, a partir de 30 de junho de 1999, a isenção da Cofins quanto aos atos cooperativos próprios das finalidades das cooperativas, prevista no artigo 6°, inciso I, da Lei Complementar n° 70/1991. Apenas com o advento da Lei n° 11.196/2005, alterando o artigo 30 da Lei n° 11.051/2004, é que se passou a reconhecer o direito das sociedades cooperativas de crédito e de transporte rodoviário de cargas excluírem, na apuração dos valores devidos a título de PIS e Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo. Consoante relatado supra, a divergência foi suscitada em razão da sujeição das cooperativas de transporte rodoviário de cargas ao PIS e à Cofins sobre os atos cooperados. O fundamento da decisão recorrida foi que a nãoincidência das contribuições se restringiu a atos cooperados praticados entre a cooperativa e seus associados, para fatos posteriores a dezembro de 2005. Para fatos anteriores, não havia isenção. Foi constatada pela autoridade fiscal que o sujeito passivo computou como "ato cooperado" toda a sua prestação de serviços e/ou receitas, embora grande parcela de sua receita era advinda da prestação de serviços por intermédio de terceiros NÃO cooperados. Confirmouse o entendimento de que os atos cooperativos são aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. A autoridade fiscal excluiu, corretamente, da base de cálculo, os ingressos decorrentes do ato comprovadamente cooperativo, para períodos posteriores a dezembro de 2005. Assim é que para haver divergência de aplicação da lei tributária presente na conjuntura ora sub analisis é indispensável que exista decisão contrária aos motivos determinantes da decisão recorrida em instância especial, e situações fáticas similares. Pois bem, os acórdãos paradigmas apontados pelo sujeito passivo tratam de situação fática diversa e são fundamentados em normas distintas daquelas apreciadas no acórdão recorrido. No Acórdão 9303001.882, foram apreciados fatos relativos aos períodos de apuração de janeiro de 1998 a dezembro de 2001, de uma cooperativa de produção e venda de vinho. Nessa decisão, foram afastados os lançamentos efetuados de COFINS para os fatos geradores ocorridos até outubro de 1999, relativo a receita proveniente da venda de vinho ao mercado, por ser tal operação essencial à realização do objeto social da sociedade e não se dissociar dos bens que cada associado, individualmente, produz. Tal decisão fundamentouse na isenção prevista no artigo 6°, inciso I, da Lei Complementar n° 70/1991, que vigorou até a Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13982.000691/200923 Acórdão n.º 9303004.618 CSRFT3 Fl. 431 5 edição da Medida Provisória n° 1.8586/99. Destacase que a decisão considerou, também, que a antiga isenção (para atos cooperados) se estenderia aos atosmeio, quando estes forem essenciais à realização dos atosfins, e não forem além do que cada associado, individualmente, poderia oferecer a terceiros sem a intermediação da cooperativa. Notese a divergência fática daquela apreciada no acórdão recorrido, que tratou de fatos posteriores a 2005, parte sujeita à plena incidência do PIS e da COFINS para todas as receitas das cooperativas, e parte sujeita à exclusão de atos cooperados posteriores a dezembro de 2005, conforme previsto na Lei n° 11.196/2005. A decisão paradigma tratou de atos de cooperativa de produção e venda, enquanto a decisão recorrida tratou de atos de cooperativa de transporte rodoviário de carga, prestados por intermédio de terceiros NÃO cooperados. Já no Acórdão 3403002.334, a exclusão determinada pela turma julgadora da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e à decorre de expressa previsão legal. O inciso IV do artigo 15 da Medida Provisória nº 2.15835 literalmente afasta da base de cálculo as receitas provenientes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção dos associados. Tratase de norma diversa daquela aplicada no acórdão recorrido, além de se referir a situação fática também diversa. A Instrução Normativa SRF nº 635, de 24 de março de 2006, que dispõe sobre a incidência do PIS e da COFINS devidos pelas sociedades cooperativas em geral, assim tratou do ato cooperativo da cooperativa de transporte rodoviário de cargas: Art. 16º A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo; [...] § 2º Para efeito do inciso I do caput, entendese como ingresso decorrente de ato cooperativo a parcela da receita repassada ao associado, quando decorrente de serviços de transporte rodoviário de cargas por este prestado à cooperativa. O sujeito passivo alega que realiza somente atos cooperados prestando serviços a terceiros com veículos de cooperados, e somente com estes. Entretanto, a autoridade fiscal constatou que, embora a recorrente tenha computado como "ato cooperado" toda a sua prestação de serviços e/ou receitas, grande parcela de sua receita advinda da prestação de serviços foi efetuada por intermédio de terceiros NÃO cooperados. Portanto, nenhuma divergência jurisprudencial foi demonstrada. As decisões não divergiram quanto à dedutibilidade das receitas de atos cooperados quando a legislação específica assim permitia, e quanto à plena incidência das contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas, no período em que a legislação não previa a isenção/dedução dos atos cooperados. Em obediência ao art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se deve conhecer do recurso especial quando não é demonstrada Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13982.000691/200923 Acórdão n.º 9303004.618 CSRFT3 Fl. 432 6 divergência jurisprudencial, que ocorre quando as situações fáticas dos julgados são diversas. Também não deve ser conhecido o recurso quando este não demonstrar analiticamente a divergência jurisprudencial apontada, e quando não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Do exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do presente recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000088/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUÇÃO DE CAFÉ. EXERCÍCIO CUMULATIVO DAS ATIVIDADES DO §6º DO ARTIGO 8º DA LEI Nº 10.925/2004.
Para ser considerada produtora dos produtos classificados no código 09.01 da NCM e possuir o direito de se apropriar de crédito presumido de que o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, a contribuinte deve exercer cumulativamente as atividades padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados.
Recurso Voluntário Negado.
Direito CrEditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUÇÃO DE CAFÉ. EXERCÍCIO CUMULATIVO DAS ATIVIDADES DO §6º DO ARTIGO 8º DA LEI Nº 10.925/2004. Para ser considerada produtora dos produtos classificados no código 09.01 da NCM e possuir o direito de se apropriar de crédito presumido de que o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, a contribuinte deve exercer cumulativamente as atividades padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados. Recurso Voluntário Negado. Direito CrEditório Não Reconhecido.
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(SPRESS CAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUÇÃO DE CAFÉ. EXERCÍCIO CUMULATIVO DAS ATIVIDADES DO §6º DO ARTIGO 8º DA LEI Nº 10.925/2004. Para ser considerada produtora dos produtos classificados no código 09.01 da NCM e possuir o direito de se apropriar de crédito presumido de que o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, a contribuinte deve exercer cumulativamente as atividades padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados. Recurso Voluntário Negado. Direito CrEditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 00 88 /2 01 0- 52 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 19991.000088/201052 Acórdão n.º 3302004.270 S3C3T2 Fl. 324 2 Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep não cumulativos do 4º trimestre de 2006, vinculado às receitas não tributadas no mercado interno. As glosas empreendidas pela fiscalização foram relativas a aquisições de bens para revenda de pessoas jurídicas declaradas inaptas pela RFB, de acordo com os artigos 39 e 45 da IN RFB nº 1.005/2010 e de crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, em razão de não ter sido considerada produtora de café, nos termos do §6º do referido artigo. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que efetuou os pagamentos aos fornecedores declarados inaptos, que as mercadorias compuseram seu estoque, mediante notas fiscais de remessa para armazém geral e nota fiscal de retorno, que as mercadorias foram exportadas conforme notas fiscais informadas. Em relação aos fornecedores EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B. BARONI, reitera que efetuou as operações com referidos fornecedores e que eventual descumprimento de obrigações fiscais por parte dos mesmos não pode servir de fundamento à glosa das operações com a recorrente. Complementa, alegando equivocado o entendimento da fiscalização em vincular a possibilidade de crédito à existência efetiva de pagamento das contribuições pelos fornecedores. Concernente à glosa por não ter sido considerada produtora, a recorrente alegou que é produtora de acordo com o artigo 4º do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), ainda que industrialize por encomenda de terceiros, por ser equipada a industrial pela legislação do IPI. A DRJ, por seu turno, proferiu o Acórdão nº 0937.106, considerando a manifestação procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório é ônus do qual deve se desincumbir. CRÉDITO DE BENS PARA REVENDA, ADQUIRIDOS DE INAPTAS E OMISSAS CONTUMAZES. Na qualidade de terceiro interessado, há que se reconhecer tão somente o direito credit6rio dos valores de Pis/Cofins não cumulativos relativos ante os quais a contribuinte comprovou o Fl. 324DF CARF MF Processo nº 19991.000088/201052 Acórdão n.º 3302004.270 S3C3T2 Fl. 325 3 pagamento do prep respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias, de sorte a que se visse livre da inidoneidade das respectivas notas fiscais de aquisição. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, na espécie, mister que a pessoa jurídica produza o café que revende, considerandose como produção o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em recurso voluntário, a recorrente reiterou a efetividade das operações ocorridas com os fornecedores CERRADO EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B.BARONI, únicos fornecedores inaptos cujas glosas de aquisições foram mantidas pela DRJ, afirmando que a declaração de inaptidão da CERRADO ocorreu apenas em 01/03/2010, mais de quatro anos após as operações e que a J.B.BARONI possui cadastro ativo e nunca foi declarada inapta, conforme tela do CNPJ juntada. Concernente ao crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, reprisou as alegações realizadas na manifestação de inconformidade. Na sessão de 29/01/2014, o julgamento foi convertido em diligência, para que a recorrente pudesse comprovar seu processo produtivo, elucidando como é realizado este processo produtivo, definindo as fases (recebimento do café/moagem/torra/etc) e todo o procedimento ao qual se submete o grão de café; quem é que faz este processo produtivo, clareando a informação do que é feito em seus próprios estabelecimentos e o que é terceirizado, apresentado, se o caso, provas deste procedimento de industrialização em seus estabelecimentos; comprovar documentalmente o procedimento de envio para industrialização por encomenda, bem como que realiza a venda de produto industrializado. Em resposta, a autoridade fiscal concluiu que a o processo produtivo previsto no §6º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 foi cumprido, mas por outra pessoa jurídica, a saber um armazém geral local e não pela recorrente, que apenas efetuou a encomenda da industrialização. Em manifestação, a recorrente reiterou que todas as atividades previstas no §6º do artigo 8º ad Lei nº 10.925/2004 ocorreram, ainda que parte por encomenda, o que não retira a condição de produtora da recorrente, de acordo com a legislação do IPI. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 19991.000088/201052 Acórdão n.º 3302004.270 S3C3T2 Fl. 326 4 O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Destacase, inicialmente, que, embora a fiscalização tenha abrangido os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins, do 1º ao 4º trimestres de 2006, este processo trata apenas do pedido de ressarcimento de PIS/Pasep referente ao 4º trimestre de 2006. Assim, a primeira questão do litígio que se referia à glosa de aquisições de empresas declaradas inaptas se tornou inexistente neste processo, já que as glosas que permaneceram após a decisão recorrida restringiramse aos fornecedores de café CERRADO EXPORT e JB BARONI, e se referiram a notas emitidas nos dois primeiros trimestres de 2006, conforme quadro abaixo: Mês Fornecedor Valor Data TED fevereiro/2006 CERRADO 70.000,00 23/02/2006 março/2006 CERRADO 28.500,00 28/03/2006 março/2006 CERRADO 98.000,00 24/03/2006 abril/2006 CERRADO 72.500,00 24/04/2006 maio/2006 CERRADO 45.900,00 15/05/2006 junho/2006 J B BARONI 22.145,00 29/06/2006 Destarte, a única matéria em litígio remanescente referese à possibilidade de se terceirizar parte das atividades previstas no revogado §6º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, mantendose o direito ao crédito presumido. A diligência requerida pela antiga composição desta turma se destinava a comprovar se houve a operação de industrialização por encomenda, fato que restou inequívoco no Parecer Fiscal de efls. 463/467, que concluiu que o café sofreu todo o processo previsto no §6º do artigo 8º em industrialização por encomenda na empresa Internacional Armazéns Gerais Ltda, devendo ser considerado insumos pela recorrente, porém, sem direito ao crédito presumido, por não exercer ela própria as atividades descritas no referido §6º. Tal situação foi confirmada pela recorrente, que, entretanto, pugna pelo reconhecimento ao direito creditório, uma vez que a exigência fiscal não tem amparo legal. A lide, como visto, se restringe à matéria de direito, especificamente a interpretação do §6º e do caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, abaixo transcrito com a redação vigente à época dos fatos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, Fl. 326DF CARF MF Processo nº 19991.000088/201052 Acórdão n.º 3302004.270 S3C3T2 Fl. 327 5 destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). O caput do artigo 8º estipula que as empresas que produzam as referidas mercadorias podem tomar o crédito presumido e seu §6º estabelece que produção é o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, atividades estas que não foram realizadas pela recorrente, mas por terceiro, mediante industrialização por encomenda. Entendo que tais créditos presumidos são benefícios fiscais, configurando exclusão do crédito tributário, que, nos termos do artigo 1111 do CTN, demanda interpretação literal. No caso, o §6º não deixa dúvidas quanto à pessoa jurídica ser produtora, no sentido de exercer cumulativamente aquelas atividades, o que não ocorreu, já que restou incontroversa a realização destas atividades por outra empresa. Neste sentido, o Acórdão nº 3301002.894, de seguinte ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. CONDIÇÕES. CEREALISTA. CAFÉ. Para ser considerada cerealista e fazer jus ao crédito presumido calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a contribuinte deve exercer as atividades de secar (até 21/11/2005), limpar, padronizar, armazenar e comercializar café. O excerto do voto condutor do acórdão acima esclarece: “Para ser considerada cerealista, e fazer jus ao crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (com as ressalvas da lei), a contribuinte (e não terceiros) deveria exercer cumulativamente 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Fl. 327DF CARF MF Processo nº 19991.000088/201052 Acórdão n.º 3302004.270 S3C3T2 Fl. 328 6 as atividades de secar (até 21/11/2005), limpar, padronizar, armazenar e comercializar café. Se a contribuinte terceiriza tais serviços, e existem provas nesse sentido no auto de infração, não se pode mais considerála como cerealista. Como bem dito no acórdão recorrido, não se trata de vedar a possibilidade de terceirização. Esse é um direito que assiste ao empresário. Contudo, tratandose de benefício fiscal, é evidente que a norma pode estabelecer requisitos que devem ser cumpridos e dentre eles está o de que a contribuinte deve exercer, por si própria, e de modo cumulativo, todas as atividades anteriormente listadas. Ao terceirizar, a contribuinte simplesmente está deixando de exercer de modo cumulativo todas as atividades previstas na norma. Como conseqüência, deixa de fazer jus ao crédito presumido calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” O conceito de produção aqui em litígio não pode ser extraído da legislação do IPI, uma vez que o §6º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 expressamente o aborda. Assim, não procedem as alegações da recorrente. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905028/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.582
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.905028/201261 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.582 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 28 /2 01 2- 61 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.905028/201261 Acórdão n.º 3301003.582 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.488. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.905028/201261 Acórdão n.º 3301003.582 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.905028/201261 Acórdão n.º 3301003.582 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10865.905028/201261 Acórdão n.º 3301003.582 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10865.905028/201261 Acórdão n.º 3301003.582 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.905028/201261 Acórdão n.º 3301003.582 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 13161.720880/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. Por maioria, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencido o relator que dava provimento ao recurso. Designado para redigir a resolução o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Rayd Santana Ferreira. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. Por maioria, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencido o relator que dava provimento ao recurso. Designado para redigir a resolução o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Rayd Santana Ferreira. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .7 20 88 0/ 20 12 -8 5 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Resolução nº 2401000.594 S2C4T1 Fl. 523 2 Relatório ASSOCIAÇÃO DAS FAMÍLIAS PARA A UNIFICAÇÃO E PAZ MUNDIAL, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03062.024/2014, às efls. 457/469, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2010, conforme Notificação de Lançamento, às efls. 03/08, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 04/10/2012 (AR. fl. 09), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: "Área de Interesse Ecológico não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de interesse ecológico no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. [...]Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o campo valor da terra nua por ha (VTN/ha) foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra (SIPT), e o valor Total da terra nua foi calculado multiplicandose esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel. O Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB, instituído através da Portaria SRF nº 447, de 28/03/02, é alimentado com os valores recebidos das Secretarias Estaduais ou Municipais de Agricultura ou entidades correlatas, sendo que esses valores são informados para cada município/UF, de localização do imóvel rural, e exercício (AC da DITR); assim foram obtidos os dados para os respectivos campos:município, UF e exercício. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa.[...]" Procedendo à análise da documentação apresentada e dos dados constantes da correspondente DITR/2010, a fiscalização resolveu glosar, integralmente, a área declarada de interesse ecológico, de 10.904,4 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 484.390,00 (R$ 39,33/ha), arbitrando o valor de R$ 19.540.248,28 (R$ 1.586,60), correspondente ao VTN/ha apontado no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Resolução nº 2401000.594 S2C4T1 Fl. 524 3 Receita Federal, dados referentes ao exercício de 2010, para o município de BonitoMS, com o conseqüente aumento das áreas tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, pela redução do grau de utilização do imóvel, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 3.907.799,86, conforme demonstrativo de fls. 07. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 473/494, procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, propugna pela imunidade prevista no art. 150, IV, “b”, da Constituição da República, e alega realizar atividades de assistência social pautadas por princípios religiosos em razão de sua natureza, não a descaracterizando como a igreja. Destaca que não há nenhuma acusação fiscal de que a Recorrente não faz jus a imunidade tributária por descumprimento a condicionantes legais. Este argumento somente veio a ser suscitado pela decisão recorrida, inovando sobremaneira o lançamento, sendo vedado. Assevera ser dever da fiscalização indicar os elementos pelos quais buscou descaracterizar a condição de imune, sob pena de não o fazendo, incorrer na improcedência do feito, colacionando jurisprudência sobre o tema. Esclarece ser claro o seu Estatuto Social no sentido de que todo recurso angariado é aplicado exclusivamente para manutenção de suas atividades. Insurgese quanto a nulidade do lançamento pela falta de Ato Declaratório Executivo (ADE) de suspensão de imunidade da contribuinte, por clara violação ao devido processo legal. Informa que o Parque Nacional da Serra da Bodoquena foi criado pelo Decreto presidencial sem número, de 21/09/2000, com o objetivo de proteger a região de mata que abrange os municípios de Bodoquena, Bonito, Jardim e Porto Murtinho, no Estado do Mato Grosso do Sul, e que em boa parte desta área, aproximadamente 82%, ainda não foi realizada a devida compra e venda pelo Estado junto aos proprietários. Explicita não haver como prosperar a tributação sobre a área de interesse ecológico, área do Parque Nacional inserida na Fazenda Hope New Hope La Harmonia, uma vez que são de utilidade pública, cuja administração inclusive é de competência e responsabilidade do IBAMA, ou seja, sequer pode a recorrente explorar de fato a respectiva área. Argumenta que a falta de entrega ou entrega tardia do ADA não pode prejudicar o direito que socorre a contribuinte pelo simples fato de tratarse de documento de controle ambiental e não tributário, salientando existir Ato de Autoridade Ambiental atestando de forma cabal que a área indevidamente glosada encontrase inserida no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, reconhecidamente de interesse ecológico. Assevera também quanto a falta de motivação do arbitramento do valor da terra nua. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Resolução nº 2401000.594 S2C4T1 Fl. 525 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Resolução nº 2401000.594 S2C4T1 Fl. 526 5 VOTO VENCIDO Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. I. PRELIMINAR DE DILIGÊNCIA Apesar de restar vencido, não vislumbro qualquer dúvida a ensejar uma baixa em diligência, como foi o entendimento da maioria do Colegiado, pois a Contribuinte juntou aos autos todos os documentos possíveis para comprovação dos seus argumentos, cujo os quais são suficientes para convicção deste Relator, além de não concordar com a inversão do ônus da prova no caso em tela. Não sendo possível adentrarse ao mérito, não resta melhor sorte a este Relator vencido, do que esperar o retorno dos autos após o cumprimento da Resolução nos valiosos termos e fundamentos do Voto Vencedor do Conselheiro Cleberson Alex Friess, conforme veremos: (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 526DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Resolução nº 2401000.594 S2C4T1 Fl. 527 6 VOTO VENCEDOR Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para divergir do seu voto, que dava provimento ao recurso voluntário. Observo da cópia da Declaração do Imposto Territorial Rural (ITR), exercício 2010, que o contribuinte declarou, em relação ao imóvel rural denominado de Fazenda New Hope La Harmonia, localizado no município de Bonito, estado do Mato Grosso do Sul (fls. 290): "O Imóvel está imune ou isento do ITR? Não" A toda a evidencia, diante da explícita declaração do contribuinte, não é razoável exigir que a autoridade fazendária comprove a inobservância dos requisitos da imunidade em relação ao imóvel rural em comento. Ao contrário, se a recorrente alega estar albergada pela imunidade prevista no art. 150, inciso VI, da Carta Magna de 1988, incumbelhe, quanto ao fato constitutivo do direito pleiteado, o ônus da prova (art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015). Por isso, com acerto o acórdão recorrido quando entendeu que caberia ao contribuinte demonstrar que as atividades desenvolvidas no imóvel se identificavam com os objetivos institucionais da entidade, conforme estatuto social, atraindo, por consequência, a possibilidade de aplicação da imunidade insculpida no art. 150, inciso VI, alínea "c", c/c § 4º da Constituição da República. Nada obstante, o imóvel rural possui uma área total de 12.315,8 hectares, encontrandose inserido, em sua maior parte, dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, o qual, não tenho dúvida, é uma área de interesse ecológico, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia em regime especial vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (fls. 33). Em cognição não exauriente, pareceme afrontar a verdade material a glosa efetuada pela autoridade lançadora, que considerou integralmente não comprovada a área de interesse ecológico que foi declarada pelo contribuinte na DITR/2010, no total de 10.904,4 hectares. A própria exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA), neste caso específico, como requisito formal para o reconhecimento da isenção, tornarseia, a princípio, dispensável, tendo em vista que a área de conservação ambiental é controlada e acompanhada pelo Poder Público. Ocorre que existe um ponto controvertido, que demanda esclarecimentos adicionais. Com vistas à contestação da Ação de Desapropriação Indireta movida pelo contribuinte contra a União Federal, a Procuradoria Federal Especializada junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirmou que em Fl. 527DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Resolução nº 2401000.594 S2C4T1 Fl. 528 7 nenhum momento houve impedimento à continuidade das atividades econômicas tradicionais nas áreas abrangidas pelo Parque Nacional da Serra da Bodoquena, enquanto não houvesse um ato de imissão de posse em favor do Ibama. As únicas restrições impostas se referiam à autorização para desmatamento ou à exploração de recursos naturais com fins comerciais (fls. 229). É verdade que tratase de uma declaração datada do final do ano de 2007, portanto anterior ao exercício de 2010. Porém, além de constar da motivação da acusação fiscal, deixa dúvidas sobre a existência de algum aproveitamento econômico pelo contribuinte na área localizada no Parque Nacional. Dessa feita, com propósito de trazer aos autos elementos adicionais de convencimento ao julgador, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar à unidade preparadora da Receita Federal do Brasil a expedição de ofício ao ICMBio, destinado ao Chefe do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, com a finalidade de que o órgão de controle da unidade de conservação federal auxilie nos seguintes esclarecimentos: (i) em janeiro/2010, com relação à área da Fazenda New Hope La Harmonia inserida dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, quais restrições de atividades econômicas eram impostas? (ii) a Associação das Famílias para a Unificação e Paz Mundial exercia ou continuava a exercer atividades econômicas nessa área? Quais atividades e limitações? (iii) explicações complementares, se desejar. Após o pronunciamento do ICMBio, deverá ser oportunizado o contraditório à recorrente, concedendolhe prazo para manifestação por escrito sobre o resultado da diligência. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 528DF CARF MF
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