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Numero do processo: 16327.001504/2005-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA
DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA
DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. PROVA
DE REGULARIDADE FISCAL.
A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n°. 9.069/95, art. 60).
A apresentação de certidões de regularidade fiscal supre a exigência legal, nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional.
Sendo as divergências apontadas referentes a débitos havidos pela Recorrente em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva com efeitos de negativa comprova a regularidade fiscal.
Aplicação do Enunciado n°. 37 da Súmula do CARF.
Recurso provido.
Numero da decisão: 1103-000.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, dar provimento por unanimidade.
Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n°. 9.069/95, art. 60). A apresentação de certidões de regularidade fiscal supre a exigência legal, nos termos do que prescreve o art. 206 do Código Tributário Nacional. Sendo as divergências apontadas referentes a débitos havidos pela Recorrente em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional, certidão positiva com efeitos de negativa comprova a regularidade fiscal. Aplicação do Enunciado n°. 37 da Súmula do CARF. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento por unanimidade. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. 1 Aloysi ri o JiiséPercin,i Da St Iva- Presidente. I ‘/: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 16327.001504/2005-17 S1-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.642 Fl. 3 Hug. - -11-e?ator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro, Marcos Shigueo Takata e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório Trata-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Benefícios Fiscais (PERC) formalizado pela Recorrente em face da não recepção do extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais do exercício 2003, ano-calendário 2002. Por meio do Despacho Decisório de fls. 146 a 149, proferido em abril/2006, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consulta ao sistema da Receita Federal, apontando a existência de débitos tributários imputados Recorrente no Cadastro da Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN), na situação "ATIVA - AJUIZADA", estando motivado o indeferimento com base no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995. Em face da decisão apresentou a Recorrente manifestação de inconformidade submetida à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP 1), que, com base nas informações contidas no Processo Administrativo, rechaçou as razões de inconformidade apresentadas e manteve o indeferimento do pedido. A decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento tem a seguinte ementa: "PERC - QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS - PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal flea condicionada ã comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida." Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 229-233, reproduzindo as alegações expendidas na manifestação de inconformidade, que são: (a) sua situação cadastral varia de regular a irregular constantemente, devido à necessidade de comprovação de pagamentos e restrições quanto a compensações realizadas, o por deficiência do sistema da Receita Federal; (b) impropriedade dos critérios utilizados para análise do pedido, visto que "se o julgador tivesse analisado este processo na fase de situação cadastral 1 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 16327.001504/2005-17 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.642 11. 4 regular teria deferido o incentivo, no entanto, poucos dias depois, em face de mudança da situação cadastral para irregular, indeferiu-o". Finaliza afirmando que sua regularidade fiscal em relação ao período analisado é comprovada pela certidão de regularidade (positiva com efeitos de negativa) que acosta - documento de fl. 255. o relatório. Voto Conselheiro Hugo Correia Sotero Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Como se depreende do teor da decisão impugnada, a questão submetida à apreciação deste Conselho se resume à possibilidade de concessão de Revisão de Incentivos Fiscais na hipótese de ter o contribuinte débitos em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional com exigibilidade plena, questão tratada pela decisão nos seguintes termos: "7. No âmbito da PGFN constam 4 inscrições em cobrança — ativas ajuizadas - processos administrativos de números 10680- 270.022/98-09 (inscrição 6069800357728); 16327-10680- 270.023/98-63 (inscrição 6069800357809); 16327.000452/2004- 81 (inscrição 8060605170000); e 10875-504.054/2006-16 (inscrição 802060105176)- fls. 132 e 135. Sendo que nos dois primeiros processos está informada a situação "ATIVA AJUIZADA — GARANTIA ", não estando especificacla a garantia apresentada e nem se tal garantia estaria a suspender a exigibilidade do crédito nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional." Assim dispõe o art. 60 da Lei n°. 9.069/95, verbis: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". A outorga de benefícios e incentivos fiscais pressupõe, nos termos do citado preceito normativo, a regularidade do contribuinte no que tange ao pagamento de tributos e contribuições federais. Ao contrário do que afirma a Delegacia da Receita Federal de São Paulo, não se exige a inexistência de 'pendências' do contribuinte no sistema de controle de débitos da 3 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 16327.001504/2005-17 SI-C I T3 Acórdão n.° 1103-000.642 Fl. 5 Secretaria da Receita Federal - critério assaz fluido, mormente diante da acentuada burocracia e das incorreções normais na administração do sistema. A prova de regularidade de pagamento de tributos e contribuições é feita pela apresentação de certidões de regularidade fiscal emitidas pelos órgãos arrecadadores das exações, na esteira do que dispõe o art. 205 do Código Tributário Nacional, nestes termos: "Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido." Como é cediço, a prova de regularidade deverá ser expedida ainda que existam em nome do contribuinte débitos impagos, desde que configuradas as hipóteses descritas no art. 206 do CTN - penhora em ação de execução e suspensão de exigibilidade. A regularidade fiscal - requisito estabelecido pelo art. 60 da Lei n°. 9.069/95 - foi devidamente comprovada pela Recorrente mediante apresentação de certidão positiva com efeito de negativa expedida pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Prescreve o art. 206 do CTN que esse tipo de certidão tem os mesmos efeitos da certidão negativa, comprovando a regularidade fiscal do contribuinte. Este Conselho, analisando a questão da prova da regularidade fiscal para fins de deferimento de pedidos de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais editou o Enunciado n°. 37 da sua Súmula, nestes termos: "Súmula CARF n° 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72. SUMULAS VINCULANTES Portaria AIF n.° 383 DOU de 14/07/2010". A aplicação do entendimento sumulado impõe o provimento do recurso voluntário, face à apresentação de certidão de regularidade fiscal pela Recorrente quando da interposição do recurso. Com estas considerações, conheço do recurso para dar-lhe provimento. 4 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE ANTONIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000013/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL.
PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 1101-001.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000013/200957 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.247 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria Contribuição ao PIS Exclusão do SIMPLES Federal Recorrente J. S. MÁQUINAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 13 /2 00 9- 57 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório J. S. MÁQUINAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 28/01/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 26.267,30. Consoante relatório fiscal de fls. 21/36, em razão de procedimento do qual resultou a exigência de débitos de contribuições previdenciárias formalizados no processo administrativo nº 10925.000023/200992, constatouse que o contribuinte compõe um grupo de empresas, denominado "GRUPO IDUGEL", integrado também pelas empresas "KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA" e "IDUGEL INDUSTRIAL LTDA.". Embora as empresas possuam aparentemente sócios distintos, todas são administradas diretamente pelo Sr. José Schazmann e Sra. Silvana Marques Schazmann, conforme cópia das procurações e documentos anexos (fls. 91 a 112 do AI DEBCAD 37.129.2280/COMPROT 10925.0000231200992). As demais pessoas, que contratualmente participam da gerência, são familiares próximos (mãe, irmã, filhos). Depois de discorrer sobre a composição societária de cada empresa do grupo, a autoridade lançadora registra que no mesmo imóvel situado na BR 282, km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguelli, Joaçaba/SC, funcionam as empresas IDUGEL INDUSTRIAL LTDA e J.S. MAQUINAS LTDA ME. Embora a empresa KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, indique em seu contrato social e alterações ter como endereço a Rua Almirante Barroso, 592, Bairro Tobias, Joaçaba/SC, tratase na verdade do endereço residencial das Sras Elita Schimidtz Schazmann e Claúdia Schazmann Perottoni, sócias da empresa J.S. As empresas IDUGEL, J.S. e KF, funcionam na verdade, no mesmo endereço e estabelecimento, com empregados formalmente vinculados a cada uma delas, mas com uniforme contendo a descrição "GRUPO IDUGEL", trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. A supremacia dos fatos revelase tratar de uma só empresa. O exame da contabilidade das pessoas jurídicas mencionadas revelou que a empresa IDUGEL INDUSTRIAL LTDA é responsável por praticamente toda a atividade industrial, compreendendo a aquisição de insumos, matériaprima, materiais de embalagem, energia, etc. As empresas J.S. MAQUINAS LTDA ME e KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, são meras fornecedoras de mãodeobra. Da mesma forma, praticamente todo o faturamento com vendas é através da empresa IDUGEL, ficando a prestação de serviço de instalação das máquinas a cargo da empresa KF. Os auditores fiscais também relatam a existência de diversos “pagamentos cruzados” entre as empresas pertencentes ao “GRUPO”, de pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, de pagamentos “extrafolha” aos seus empregados, de pagamentos registrados a vista, embora realizados a prazo. Conclui, assim, que o "GRUPO" é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação comercial em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 4 3 A partir da receita bruta mensal informada no âmbito do Simples, a autoridade fiscal calculou a contribuição devida ao PIS de novembro/2003 a junho/2007 mediante a aplicação da alíquota de 0,65%. Da contribuição apurada foram deduzidos os recolhimentos promovidos. Sobre o valor remanescente foi aplicada multa qualificada de 150%, dado que o relato dos fatos deixa caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, especialmente tendo em conta o que consignado no item 15 do relatório: A fiscalização, conclui que de fato, ocorreu simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte SIMPLES e SIMPLES NACIONAL. A exigência fiscal foi precedida da edição do Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 018/2008, que excluiu a contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2003 em razão da constatação da prática de simulação de existência de empresa autônoma, por meio de interpostas pessoas, para segmentação artificial de atividades, do faturamento e do emprego da mãodeobra, para obtenção de benefícios do Simples. A matéria é objeto do processo administrativo nº 10925.002073/200823. Impugnando a exigência, a contribuinte questionou as intimações que lhe foram dirigidas para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação, apesar da discussão administrativa acerca da exclusão, e deduziu os mesmos argumentos de defesa opostos contra a exclusão do Simples Federal. Juntou à defesa cópia da petição inicial do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261, impetrado com vistas a obstar qualquer lançamento ou aplicação de penalidade por falta de atendimento a intimação até o julgamento final das defesas apresentadas contra as exclusões do Simples Federal e Nacional, bem como restabelecer sua condição de optante nos sistemas de controle da Receita Federal e vedar impedimento a nova opção em períodos subseqüentes, impedindo a exigência de qualquer recolhimento em outro regime que não o simplificado. A Turma Julgadora rejeitou aqueles argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 5 4 Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. IMPUGNAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação posterior de documentos, pois a prova documental será apresentada na impugnação. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/05/2010 (fl. 120), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/06/2010 (fls. 121/162), no qual inicialmente reproduz a defesa apresentada contra a exclusão do Simples Federal. Principia com a seguinte epígrafe: "SIMULAÇÃO – INEXISTÊNCIA – Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária (3o C. 1° Conselho de Contribuintes, ac. 103.23.357/08, proc. 11516.002462/2004 18, Rel Paulo Jacinto do Nascimento, publ. DOU n° 57, de 25/03/2008) No preâmbulo da peça consigna, dentre outros aspectos, que: Concomitante à exclusão do regime simplificado e, a despeito da interposição de recursos administrativos e do efeito suspensivo garantido a estes, o agente fiscal expediu intimações com a finalidade de exigir a prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação, para as quais foram apresentadas manifestações no sentido da incompatibilidade com o efeito suspensivo atribuído aos recursos pendentes. Reintimada, foram reiterados os termos da manifestação anterior. E, por fim, foi surpreendida com a emissão dos autos de infrações constantes no rol anexo. Aduz que o grupo familiar de Elita Schazmann, formado por si e seus filhos e netos exploram o ramo industrial e comercial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais, e que com a evolução do negócio e por interesse dos entes familiares para evitar desentendimentos, optaram pela separação das atividades, com o fracionamento da cadeia produtiva, considerando o envolvimento de cada um nesse processo, o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente. Neste sentido, em virtude dos conhecimentos técnicos e por já atuar no ramo de projetos, fabricação e comércio desse tipo de produção de maquinários, José Schazmann e sua esposa integraram a empresa IDUGEL, a qual é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (knowhow), que conta com a participação de diversas outras empresas delegadas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas). Por sua vez, mediante participação financeira e visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, formaram, a mãe e irmã de José Schazmann, a empresa recorrente, para participarem da cadeia produtiva de máquinas industriais comercializadas pela empresa Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 6 5 IDUGEL. Já KF Montagens, formada por Karine e Felipe, filhos de José Schazmann, dedica se exclusivamente à montagem dos equipamentos fabricados pela empresa IDUGEL (por si ou através de terceiros), diretamente nos locais definitivos. Desta forma, a recorrente é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva. Defende que nenhum ilícito existe na formação de empresas por grupo de familiares, bem como a terceirização no caso em tela não se traduz em cessão de mão de obra como interpretou o agente fiscal, em que pese tenha assim concluído por análise equivocada dos fatos. Reportase ao art. 116 do CTN e diz que, no mundo negocial, há um momento anterior à sua efetivação, no qual é permitido ao participante do negócio optar por um ou outro caminho a alcançar um único objetivo, no caso, fato gerador. E cita doutrina acerca da permissão, presente na legislação tributário, em favor do desenvolvimento de ações (ou omissões) tendentes a evitar a ocorrência da hipótese de incidência (fato gerador), através da chamada Elisão Fiscal, qual seja, “direito à economia de impostos". No caso, não houve qualquer concretização de hipótese normativa de incidência anterior ao fato gerador dos tributos. Desta forma a ação é legítima ao passo que é perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar perfeitamente as atividades em diversos setores. Ademais, as práticas foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações. Conclui, assim, que nenhuma mácula existe na constituição e operacionalização da empresa requerente, suficiente a afastarlhe o direito a opção pelo regime simplificado de tributação. Prossegue afirmando ilegal o ato praticado, porque não especificado o termo final dos efeitos da exclusão. Observa que na fundamentação do ato de exclusão está expresso que o ato disciplina apenas as situações abrangidas pelo Simples Federal, a evidenciar a ilegalidade da extensão daqueles efeitos para além de 30/06/2007. Argumenta, ainda, que a fundamentação exposta para exclusão demonstra a total insegurança da decisão, em razão da adoção de motivos totalmente incompatíveis entre si. Entende que ao promover o enquadramento da recorrente como sendo a atividade desempenhada “locação de mão de obra", está se respaldando a relação jurídica havida entre as empresas Idugel e J.S. Deste modo, se há relação jurídica entre referidas empresas, logo, existem; e devem ser reconhecidas como duas personalidades distintas, autônomas. E, se assim o são, é incompatível com a decisão de anular a existência da empresa JS, considerandoa como parte integrante da própria empresa Idugel, como leva a crer na fundamentação em apreço. Entende que, ao optar por se cercar de todos os fundamentos possíveis e impossíveis a prejudicar a requerente, a autoridade fiscal praticou ato nulo por defeito de fundamentação, com prejuízo à defesa da requerente, na forma do artigo 59, do Decreto 70.235/72, e nos termos de doutrina que cita. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 7 6 Defende a aplicação do prazo previsto no art. 45, parágrafo único, do Código Civil para anulação da constituição da pessoa jurídica, observando que sua constituição pelas sócias Elita e Cláudia Schazmann está informada no CNPJ desde 20/02/98, sem qualquer questionamento por parte da Receita Federal. Acrescenta que mesmo considerando a regra do art. 2028 do Código Civil, estaria fulminada pela decadência a possibilidade de anulação da empresa requerente, como pretende a autoridade fiscal. Aduz, também, que a apuração de fatos no exercício de 2008 somente se presta como prova da alegada simulação neste período, revelandose absurda a exclusão com efeitos desde 01/01/2003. Observa que a cada exercício é feita a opção pelo regime simplificado, com validade única e exclusiva para aquele. Reportase aos arts. 105 e 106 do CTN, e ao art. 15 da Lei nº 9.317/96 para defender que em se tratando que a situação excludente foi atestada (equivocadamente) durante o exercício de 2008, deveria ser aplicada a regra de exclusão a partir da constatação da mesma pois e quando se dá a ocorrência, pois que resultante de situação fática, cuja situação na data da verificação não pode ser estendida ao período pretérito. Cita manifestações dos Tribunais Regionais Federais TRF da 1a e da 3a Região, neste sentido e conclui pela inexistência de qualquer base jurídica para fixar a data de exclusão em 01.01.2003, devendo o ato de exclusão operar efeitos a partir de outubro/2008. Cita doutrina para argumentar que a cobrança com efeito retroativo dos tributos, tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva, malferida pelo Poder Executivo, até porque os contribuintes não deram causa à exclusão da condição de microempresa ou empresa de pequeno porte. Reportase ao art. 97 do CTN e destaca que a exclusão de um regime tributário cujo tratamento favorecido está constitucionalmente positivado e a conseqüente migração para outro mais oneroso, implica em majorar, indiretamente, a base de cálculo dos tributos. Acrescenta que tal circunstância impede um planejamento para a incidência dos tributos majorados, e que a exclusão afasta benefícios previstos na Lei nº 9.841/99, desvirtuando sua finalidade expressa já em seu art. 1o, como corolários dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, penalizando as microempresas e empresas de pequeno própria com indevida restrição ao direito de exercer a atividade econômica, que independe da autorização de órgãos públicos, além de configurar uma exigência sem o devido processo legal, com grave violação ao direito de defesa do contribuinte, posto que a autoridade que impõe a restrição não é competente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se e legítima ou ilegítima. Observa que a cobrança retroativa de tributos será realizada com incidência de juros e correção monetária, e diz que nos termos do art. 15 da Lei nº 9.317/96, a sanção tributária esta a ser aplicada por força da exclusão de ofício, a critério exclusivo da autoridade fiscal, passando esta a impor a tributação aplicável as demais pessoas jurídicas, a partir da data dos efeitos da exclusão. Cita doutrina acerca da necessidade de ato ilícito praticado pelo contribuinte para imposição de sanção, reportase ao art. 112 do CTN, e questiona se existe algum ilícito administrativo, a ensejar a aplicação da penalidade de pagamento retroativo dos tributos. Acrescenta que, quando da edição da Lei Federal n.° 9.317/96, vários contribuintes passaram a desenvolver atividades comerciais sob a égide da tributação simplificada, com o acolhimento do pedido de adesão por parte do Órgão competente do Poder Executivo, e com o advento da Lei Federal n.° 9.841/99, houve uma consolidação em massa da abertura de microempresas e empresas de pequeno porte, sendo que somente em 2004 passaram a ser emitidos atos declaratórios, fundados na vedação da continuidade da tributação simplificada sob o argumento de que a "atividade é vedada", sem Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 8 7 qualquer diretriz legal para os atos, ficando a critério subjetivo da autoridade fiscal de atribuir vedação ou não à atividade, sem apresentar sequer o fundamento legal do fato da exclusão, e não da exclusão em si mesma. Argumenta, ainda, que a legitimação da interpretação aleatória das regras juridicotributárias e fundada em meros indícios das atividades desenvolvidas pelos contribuintes foi inserida no Código Tributário na forma do Parágrafo Único do artigo 116. A atuação fiscal aqui questionada estaria fundada naquele autorização legal, ainda dependente de procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, sem a qual permitese interpretações elásticas e, às vezes até fantasiosa. A ausência de limites seguros para atuação fiscal, portanto, evidencia que a atuação fiscal não tem amparo legal. Reportase à diferença entre locação/cessão de mão de obra e empreitada, citando a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, e enfatizando que na cessão de mão de obra é o tomador quem gerencia a realização do serviço, sendo que no caso presente, tratase de Empreitada, pois há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo ã contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e, ainda, o emprego de meios mecânicos necessários à execução da tarefa. Entende, assim, que não há que se falar na vedação do artigo 9o, XII, “f” da Lei 9317/96. Aduz que a Fiscalização não demonstrou não serem, as sócias Elita e Cláudia, as verdadeiras titulares da sociedade, sendo que o fato de terem outorgado procurações para representálas em situações especificas, visando a facilitação das práticas empresariais e desburocratização, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação, mormente tendo em conta o disposto no art. 1018 do Código Civil. Observa que as sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, reportase à definição de interpostas pessoas, destaca que as sócias que integram a empresa requerente têm legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantêlas, e arremata que não há qualquer motivo ilícito para que os sócios integrantes da empresa Idugel figurem no quadre societário, nada existindo a acobertar. Conclui que falta amparo legal à exclusão do Simples, mas ainda cita provas inservíveis juntadas pela Fiscalização, porque referentes a datas posteriores a outubro/2007, e enfatiza que há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, observando que esta ocorrência deveria ter sido atestada pela Fiscalização, e reportandose a cópia da planta do imóvel para demonstrar sua alegação, à instalação de sistemas de alarmes e à certificação municipal neste sentido. Discorre sobre a atividade da empresa Idugel, citando doutrina acerca dos resultados obtidos por quem detém knowhow em alguma atividade, e enfatizando que aquela empresa detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo. Cita exemplo prático para demonstrar que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados muito superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Reportase a Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 9 8 documentos que evidenciam outro tipo de atuação em parceria das empresas referidas e conclui que a simples análise de desproporção do faturamento entre as empresas lDUGEL e JS não se presta a comprovar ilegalidade nas suas constituições ou no relacionamento entre elas, assim como não é possível, diante das peculiaridades do caso, considerar proporcionalidade de faturamento com número de empregados. Afirma a regularidade de sua escrituração contábil, reconhecendo que houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel, mas que tais transferências não desqualificam a individualidade de ambas, porque sempre na proporção dos créditos existentes da ora requerente perante a empresa IDUGEL. Diz que quando existente crédito e, ao mesmo tempo, devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. E invoca a aplicação do princípio da proporcionalidade, eis que a partir do momento que o agente fiscal firmou entendimento (equivocado) sobre a ilegalidade da ora requerente, passou a buscar elementos, por mais insignificantes fossem, para sustentar referido convencimento. Reportase a jurisprudência do TRF/4a Região e pede o afastamento a ilegalidade apontada, até porque insuficiente a formar convencimento sobre a inidoneidade da empresa requerente. Complementa sua defesa apresentada contra a exclusão do Simples Federal opondose à acusa de registro de pagamentos cruzados em sua contabilidade, reafirmando a existência de empréstimos entre IDUGEL e JS, e a regularidade de sua escrituração, bem como frisando que a Fiscalização somente se reportou a 6 (seis) lançamentos no período fiscalizado, motivo pelo qual invoca a aplicação do princípio da proporcionalidade. Ademais, a idoneidade de sua escrituração permitiu que a Fiscalização identificasse valores esporadicamente pagos a empregados, apesar de não lançados em GFIP, o que, inclusive, afasta a aferição indireta, limitando a aplicação da verba previdenciária às parcelas pagas (maio/2006 e setembro/2007), sem estendêlas a outras competências. Questiona, também, exigências correspondentes a prolabore, sem qualquer fundamentação, para além da irregularidade de sua escrituração. Diz que houve apenas cinco pagamentos no período fiscalizado em favor do sócio José Schazmann, o que impede a aferição indireta. Transcreve a ementa citada na epígrafe e excerto do voto condutor do acórdão para afirmar perfeitamente legal, legítima a constituição e relacionamento da empresa requerente para com a IDUGEL. E finaliza a abordagem de mérito fazendo considerações acerca da inviabilização de suas atividades caso mantida a interpretação dada pela Fiscalização. Na seqüência, aponta vício formal do ato administrativo, citando o art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, o art. 293 do Decreto nº 3.048/99, e questionando a lavratura de auto de infração, e não de notificação fiscal de lançamento, sem a indicação da penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida, para o que não se presta a indicação dos fundamentos legais das rubricas. Acrescenta que há que ser considerado que o montante constante no auto de infração corresponde à pena aplicada, equivalente ao valor do tributo corrigido. Razão pela qual deixa a impugnante de manifestarse quanto ao mérito das rubricas lançadas no auto em epígrafe. E na seqüência discorda da penalidade no percentual de 200% prevista no art. 284, II do Decreto nº 3.048/99, porque não verificada a hipótese do inciso IV do art. 225 do mesmo decreto, e também porque não observada a limitação para a penalidade. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 10 9 Argúi, ainda, cerceamento ao seu direito de defesa, porque pendentes intimações fiscais objeto de impugnações administrativas não decididas, observando que no relatório fiscal há referência a diversas intimações para apresentação de documentos, as quais não esclarece quanto ao atendimento ou não por parte do contribuinte, bem como se foram as mesmas tomadas como base na emissão do auto de infração em epígrafe, com aplicação de penalidade equivalente ao valor do tributo mais encargos. Diz que o descumprimento das intimações não é verdadeiro, porque comprovados os questionamentos administrativos antes mencionados. Afirma, também, a nulidade do processo administrativo, porque o auto de infração não foi submetido a qualquer revisão de ofício pela autoridade tributária superior ao autuante, na forma do art. 149, VII do CTN. Mais à frente, diz que o lançamento também seria nulo porque a penalidade não poderia ter recaído sobre os valores apurados pela Fiscalização, dado que apesar da unificação dos impostos e contribuições houve recolhimento do tributo, que não foi identificado como crédito na apuração fiscal. Por fim, argúi a decadência do direito de o Fisco constituir as contribuições previdenciárias devidas de janeiro a dezembro/2003, na forma do art. 173, I do CTN, conforme jurisprudência que cita, dado que houve pagamento antecipado. E nega a ocorrência de fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, e deve ser provada pelo Fisco. Ademais, na forma do art. 112 do CTN, na dúvida em face do planejamento tributário adotado pela recorrente, a decisão deve lhe ser favorável, consoante jurisprudência que cita. Em acréscimo à defesa apresentada no âmbito do Simples Federal, também consigna que não há como aplicar multa qualificada, eis que ausente qualquer demonstração de má fé ou fraude no caso em tela, como já fundamentado anteriormente. Arremata requerendo a produção de prova oral, cujo rol de testemunhas será apresentado oportunamente, quando da designação de data para sua oitiva. O recurso voluntário foi distribuído, inicialmente, para relatoria do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, integrante da 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 3a Seção deste Conselho, que por meio da Resolução nº 3301000.182 declinou competência em favor desta 1a Seção de Julgamento. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, o lançamento aqui formalizado decorre da exclusão da contribuinte do Simples Federal, objeto do processo administrativo nº 10925.002073/200823. Naqueles autos, há notícia de que a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261/SC, questionando os atos praticados em razão daquela exclusão. Em consulta ao sítio da Justiça Federal da 4a Região na Internet, constatase que o mandado de segurança foi impetrado em 09/12/2008, e a sentença posteriormente proferida traz o seguinte relato do pedido de liminar: Pleiteou, ademais, a concessão de liminar no sentido de: "(a) obstar qualquer exigência à impetrante para optar pelo regime tributário diverso daquele simplificado (SIMPLES) no período impugnado, e, consequentemente, vedação à exigência de documentos relativos a regime tributário divergente do SIMPLES até julgamento final dos processos administrativos n.s. 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (b) ordenar o restabelecimento da impetrante no regime simplificado perante todo o sistema da Receita Federal do Brasil, inclusive no sítio da internet até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (c) ordenar a vedação de qualquer impedimento a nova opção pelo regime simplificado de tributação até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (d) obstar qualquer penalidade decorrente do não atendimento aos termos de intimações n.s. 001, 002 e 003, por se tratarem de documentos relativos ao regime tributário "lucro real"; (e) afastar a possibilidade de aplicação, pela autoridade coatora, de qualquer ato tendente a exigir o recolhimento dos tributos por outro regime com penalidades administrativas, assim como o fornecimento de certidões negativas, até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823". A liminar foi indeferida em decisão publicada em 06/02/2009, nos seguintes termos: A impetrante pretende, inclusive em provimento liminar, seja assegurada sua reinclusão junto ao Simples Nacional, vedada qualquer exigência ou aplicação de penalidade decorrente de regime tributário diverso do simplificado, até julgamento final dos processos administrativos nº 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823. Alega, em síntese, que apresentou tempestivo recurso administrativo contra os atos de exclusão, o qual possui efeito suspensivo. Notificada, a Autoridade apresentou informações alegando, preliminarmente, a perda de objeto da presente lide, tendo em vista a suspensão da exclusão até decisão administrativa definitiva. O impetrante apresentou manifestação. Vieram os autos conclusos. Decido. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 12 11 Considerando a informação e documentos apresentados pela impetrada, noticiando a suspensão da exclusão e dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos nº 18/2008 e 21/208, até decisão administrativa definitiva, com a consequente reinclusão da impetrante no Simples Nacional, ausente o periculum in mora, o que impede o deferimento do provimento liminar requerido. Ante o exposto, INDEFIRO o pedido de liminar. Em 28/01/2009 foi formalizada a presente exigência, consta da sentença proferida no mandado de segurança que a contribuinte peticionou nos autos para informar que em razão do não atendimento das intimações encaminhadas pelo Fisco e, sobretudo, pela desconsideração do efeito suspensivo dos recursos administrativos protocolizados, a autoridade fiscal emitiu diversos autos de infração em seu desfavor, todos no sentido de exigir a tributação pelo lucro real. Acrescentouse que naquela peça a contribuinte pugnou pelo reconhecimento de nulidade daqueles expedientes. Na seqüência, verificase nos autos da ação judicial a designação de diligência nos seguintes termos: Converto o julgamento em diligência. A impetrante pretende seja assegurada a sua permanência junto ao Simples Nacional, vedada qualquer exigência ou aplicação de penalidade decorrente de regime tributário diverso do simplificado, até julgamento final dos processos administrativos nº 10925.002252/200861 e nº 10925.002073/200823. Alega, em síntese, que apresentou tempestivo recurso administrativo contra os atos de exclusão, o qual possui efeito suspensivo. Notificada, a Autoridade apresentou informações alegando, preliminarmente, a perda de objeto da presente lide, tendo em vista a suspensão da exclusão e dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos nº 18/2008 e 21/2008, até decisão administrativa definitiva. Muito embora a Impetrada tenha apresentado informações (fls. 19/22), nas quais noticiou a suspensão dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos n.s 18/2008 e 21/2008, com a consequente reinclusão da Impetrante no Simples Nacional, a documentação acostada pela empresa às fls. 42/43 indica ter havido a lavratura de diversos autos de infração em desfavor daquela pessoa jurídica, cujo Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF foi datado em 23.01.2009, momento posterior às informações apresentadas. Dessarte, reputo necessária nova notificação da Impetrada para que apresente, no prazo de 10 (dez) dias, informações complementares, a fim de esclarecer as razões que justificaram a autuação da Impetrante nos autos do MPF n. 0920300.2008.00200, já que a suspensão noticiada pela Autoridade Impetrada decorreu das disposições contidas no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. CÓPIA DA PRESENTE DECISÃO SERVIRÁ COMO OFÍCIO Nº 3277427, a ser encaminhado com cópias da petição e documentos das fls. 41/43. Apresentadas as informações, retornem conclusos. Também da sentença extraise que a autoridade prestou informações complementares (fls. 68/72) no sentido de que "os créditos tributários lançados em nome da impetrante encontramse com a exigibilidade suspensa em virtude da impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional apresentada (conforme documentos anexos), e que os lançamentos dos débitos tiveram como objetivo prevenir possível decadência do direito de fazêlo". Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 13 12 Frente a tais circunstâncias, o MM. Juiz Federal Substituto Ivan Arantes Junqueira Dantas Filho assim decidiu: II FUNDAMENTAÇÃO Mérito 1. Reconhecimento parcial do pedido A fls. 19/22 a autoridade impetrada apresentou informações dando conta de que "a DRF efetivou a suspensão das exclusões feitas, suspendendo assim os efeitos dos Atos Declaratórios Executivos n.s 18/2008 e 21/2008, até decisão administrativa definitiva". Na mesma ocasião, coligiu aos autos comprovantes da reinclusão da impetrante no Simples Nacional e no Simples Federal (a partir de 01/01/2003) e de que a impetrante encontrase, atualmente, e a partir de 01/07/2007, na situação de optante pelo Simples Nacional (fls. 23/26). Destarte, a autoridade impetrada reconheceu a procedência do pedido formulado pela impetrante nos itens "b" e "c" de fls. 07 de sua exordial, bem como daquele descrito a fls. 08, consistente em "assegurar o direito líquido e certo da impetrante em permanecer no regime tributário instituído pela Lei Complementar n. 123/2006 (SIMPLES), para recolhimento dos tributos na forma do artigo 18, § 5º, VII da referida Lei Complementar (...) até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823". Assim, restam controversos apenas os pedidos arrolados nos itens "a", "d" e "e" de fls. 07 da inicial. 2. Pedidos constantes dos itens "a", "d" e "e" de fls. 07 da inicial Verificase dos autos que ato contínuo à exclusão do SIMPLES, a Receita Federal intimou e reintimou a contribuinte impetrante para que apresentasse escrituração fiscal ordinária, visando a apurar lucro real, IPI etc (fls. 30/32). Porque não apresentada tal documentação, autuou a contribuinte e promoveu lançamentos de ofício (fls. 71). A autoridade fiscal ignorou, assim, a eficácia suspensiva de que dotado o recurso interposto contra o ato de exclusão. Uma vez legalmente reconhecido efeito suspensivo à impugnação administrativa, a vida fiscal da contribuinte permanece regida pelas normas que disciplinam o sistema de tributação simplificada. Reconhecer que a decisão que excluiu a impetrante do SIMPLES teve sua eficácia suspensa é dizer que todas as suas obrigações, principais ou acessórias, permanecem sendo aquelas impostas por tal regime especial. Não há qualquer amparo jurídico em reconhecer a permanência ainda que provisória do contribuinte em certo regime de tributação e ao mesmo tempo exigirlhe escrituração fiscal de outro. Configurase, nesta exigência, burla à regra legal que castra de eficácia o ato administrativo recorrido. Se para a lei, interposta a impugnação, o contribuinte permanece no SIMPLES, não pode o Fisco imporlhe deveres e ônus que não sejam aqueles próprios deste mesmo SIMPLES. Vejase que a alegação da Fazenda de que efetuou os lançamentos para prevenir decadência (fls. 68) não se sustenta. Esta figura jurídica (lançamento para prevenir decadência), prevista no art. 63 da Lei 9.430/96, visa a compatibilizar as funções jurisdicional e administrativa, quando exercidas em sobreposição temporal. Desta forma, ao mesmo tempo em que a decisão judicial impede qualquer investida fiscal contra o patrimônio do contribuinte, possibilitase à Administração cumprir seu dever legal de verificar a ocorrência de fatos geradores e constituir os respectivos créditos tributários. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 14 13 Esta situação não se verifica no caso em tela, em que não há exercício concomitante de função judicial e administrativa sobre um mesmo fato. O que se verifica na hipótese dos autos é a existência de um processo administrativo em fase recursal, sendo que a eficácia suspensiva da exclusão decorre de ato da própria Administração, que recebeu e processou a impugnação apresentada pelo contribuinte. Desta forma, não se verifica o cabimento de lançamento para prevenção de decadência. O contexto concreto é diverso da fattispecie legal. Ademais, percebase que não se está a discutir a ocorrência de um fato gerador ou a incidência de determinado tributo, mas a exclusão de um regime tributário simplificado. Se a exclusão não produz efeito, fica prejudicado todo e qualquer ato constitutivo de crédito que guarde como fundamento remoto esta exclusão, já que não haverá incidência das normas ordinárias de tributação. Assim, se a Fazenda exige prestação, principal ou acessória, com base em norma cuja incidência está obstada pela interposição de recurso, pratica ato destituído de base legal, e portanto nulo. Devo observar, por outro lado, que se o Fisco não se vê munido de poder legal para constituir o crédito, contra ele não fluirá prazo decadencial. Somente a partir do momento em que estivesse juridicamente dotado de condições legais para lançar (o que, no caso, darseia com eventual decisão final confirmadora da exclusão do SIMPLES) é que teria o ônus de fazêlo. Portanto, não existe decadência a ser prevenida, pois sequer há fluência de prazo decadencial. Feita essa observação, o que se conclui da situação concreta é que, enquanto não julgada a impugnação da impetrante contra sua exclusão do SIMPLES, não lhe poderão ser exigidas obrigações de regime diverso, e tampouco efetuadas autuações e lançamentos com base em normas estranhas ao regime simplificado, sendo nulas as que desta maneira já realizadas. III DISPOSITIVO Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, com resolução do mérito, para: i) nos termos do art. 269, II, do CPC, diante do reconhecimento da impetrada, declarar o direito líquido e certo da impetrante de permanecer no regime tributário simplificado (SIMPLES FEDERAL de 01/01/2003 a 30/06/2007 e SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007) até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; ii) nos termos do art. 269, I, do CPC, declarar nulas as intimações e reintimações fiscais feitas à impetrante com base em normas estranhas ao SIMPLES (fls. 30/32), bem como as autuações e lançamentos delas decorrentes (fls. 70/71), reconhecendo seu direito à obtenção de certidão de regularidade fiscal se por outro motivo não estiver impedida sua expedição; iii) nos termos do art. 269, I, do CPC, ordenar à autoridade impetrada que se abstenha de impor à impetrante qualquer obrigação estranha ao SIMPLES, principal ou acessória, até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823. [...] Referida decisão foi submetida a reexame necessário e mantida por seus próprios fundamentos, consoante ementa do acórdão datado de 28/08/2012: TRIBUTÁRIO. SIMPLES. EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. EFICÁCIA SUSPENSIVA. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 15 14 1. Uma vez legalmente reconhecido efeito suspensivo à impugnação administrativa, a vida fiscal da contribuinte permanece regida pelas normas que disciplinam o sistema de tributação simplificada. 2. No caso, não se verifica o cabimento de lançamento para prevenção de decadência, pois não há exercício concomitante de função judicial e administrativa sobre um mesmo fato, mas apenas a existência de um processo administrativo em fase recursal, com eficácia suspensiva decorrente de ato da própria Administração. A União Federal interpôs recurso especial, que foi admitido em 13/02/2014, mas não foi identificado o processo correspondente no Superior Tribunal de Justiça. Há neste relato manifestações judiciais acerca da (in)validade das intimações das quais resultaram a presente exigência, bem como do próprio lançamento, se destinado a prevenir a decadência. Além disso, foi dirigida ao Delegado da Receita Federal em Joaçaba a ordem para que se abstenha de impor à impetrante qualquer obrigação estranha ao SIMPLES, principal ou acessória, até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823, mas isto depois de formalizado o lançamento aqui sob análise. De outro lado, este Conselho já pacificou o entendimento de que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Observase, porém, que o objeto deste processo administrativo é mais amplo que o submetido à apreciação judicial. Isto porque, antes de questionar as exigências feitas no sentido da adequação de sua escrituração em razão de sua exclusão do Simples, a contribuinte repete, aqui, os argumentos veiculados em sua manifestação de inconformidade contra a exclusão, os quais, apreciados nos autos do processo administrativo nº 10925.002073/200823, ensejaram o cancelamento do ato de exclusão por ausência de provas, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101001.243, a seguir reproduzido: Este Colegiado apreciou, recentemente, atos simulados praticados com vistas a assegurar que uma atividade econômica, apesar de sua expansão, continuasse a usufruir dos benefícios do regime simplificado de recolhimentos. Os atos de exclusão e os lançamentos decorrentes foram mantidos por unanimidade de votos, nos termos das ementas a seguir transcritas: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta e a prática reiterada de infração à legislação tributária são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples. Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta, a prática reiterada de infração à legislação tributária e a omissão na folha de pagamento de empregado são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 16 15 Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. É válido o lançamento resultante de procedimento fiscal desenvolvido com observância das normas legais. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. A ocorrência de fraude impõe a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. UNICIDADE EMPRESARIAL. CONFUSÃO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. Demonstrada a simulação em razão da confusão operacional, comercial, financeira e trabalhista entre as pessoas jurídicas fiscalizadas, correto o lançamento que reúne, na pessoa jurídica que primeiro foi constituída, o faturamento partilhado entre as demais pessoas jurídicas com vistas a manter a atividade empresária beneficiada pela sistemática simplificada de recolhimento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Caracterizada a simulação e a fraude, o lançamento tributário depende, apenas, da formalização da exclusão da pessoa jurídica autuada do SIMPLES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. A confusão entre pessoas jurídicas formalmente constituídas para que entre elas fosse partilhado o faturamento decorrente da atividade empresária impõe a responsabilidade solidária de todas pelo crédito tributário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. A contabilidade da pessoa jurídica, quando escriturada fracionada e com vícios, erros e falhas não é hábil para que se proceda a tributação com base no lucro real ou pelo lucro presumido. EMPRÉSTIMOS E ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL NÃO COMPROVADOS. INDÍCIOS EXTRAÍDO DE ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Se os vícios que ensejam a imprestabilidade da escrituração afetam significativamente os registros de disponibilidades não é possível tomar como indícios de presunção de omissão de receitas os empréstimos e adiantamentos que, segundo a acusação fiscal, teriam se prestado a evitar a configuração de saldo credor de caixa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Válida a aplicação de multa qualificada nos casos de fraude e simulação. (Acórdão nº 1101001.093, sessão de julgamento de 09 de abril de 2014) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Confirmadas as irregularidades na escrituração da movimentação financeiras, consistente na manutenção de conta corrente e de depósitos à margem da escrituração, seguindose a constituição de pessoa jurídica sem qualquer autonomia em relação à optante e com interpostas pessoas no quadro social, de modo a evitar que a receita bruta auferida pela atividade ultrapasse o limite fixado para permanência no Simples, é válida a exclusão com efeitos no próprio ano fiscalizado e no subseqüente. Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DE TRIBUTOS FEDERAIS. ESCRITURAÇÃO QUE NÃO IDENTIFICA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. O excesso de receita bruta verificado no anocalendário anterior, ocultado pela simulação de constituição de pessoa jurídica para fracionamento do faturamento, agravada pelo uso de interpostas pessoas no quadro social, além da constatação de débitos do Simples Federal não recolhidos e ocultados mediante retificação das declarações originalmente apresentadas, e da manutenção de contas correntes à margem Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 17 16 da escrituração, autorizam a exclusão com efeitos retroativos à data de opção pelo Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostrase imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. (Acórdão nº 1101001.158, sessão de julgamento de 31 de julho de 2014). Traço comum dos litígios em referência é a prova produzida pela Fiscalização em favor da confusão patrimonial e da ausência de autonomia entre as pessoas jurídicas, evidenciando um único empreendimento formalmente dividido com vistas, apenas, a usufruir das isenções conferidas aos beneficiários do sistema simplificado de recolhimentos. No presente caso, a representação fiscal para exclusão da contribuinte do SIMPLES também se reporta a simulação para segmentação de atividades/faturamento. Inicialmente aponta a existência de documentação anexa, onde se observa a designação de “GRUPO IDUGEL”, possivelmente reportandose ao papel timbrado usado por Idugel Industrial Ltda, que ao lado da designação desta pessoa jurídica traz o logotipo do grupo (fl. 11), o mesmo se verificando no demonstrativo consolidado de salários dos empregados de pessoas jurídicas do grupo à fl. 81. A autoridade fiscal indica as pessoas jurídicas integrantes do grupo (Idugel Industrial Ltda, J.S. Máquinas Ltda ME e KF Montagens Industriais Ltda ME), descrevendo seu endereço, objeto social, data de opção pelo SIMPLES e informações sobre o número de empregados. Na seqüência, discorre sobre as características da composição societária do grupo, enfatizando a administração das três pessoas jurídicas, por procuração, pelo casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann (que também são sócios e administradores de Idugel Industrial Ltda), e relatando a atuação dos demais familiares: Elita Schimidtz Schazmann (mãe de José Schazmann, sócia administradora da fiscalizada e antiga sócia administradora de KF Montagens Industriais Ltda ME); Claudia Schazmann Perottoni (irmã de José Schazmann e sócia administradora da autuada); Felipe Marques Schazmann (filho de José Schazmann e sócio administrador de KF Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 18 17 Montagens Industriais Ltda ME); e Karinne Marques Schazmann (filha de José Schazmann e sócia cotista de KF Montagens Industriais Ltda ME). Os quadros abaixo demonstram as alterações da composição societária das pessoas jurídicas do grupo empresarial: Para afirmar que as três pessoas jurídicas constituem uma única empresa, a autoridade lançadora consigna que: · As três pessoas jurídicas ocupariam o mesmo imóvel, situado na BR 282, km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguelli, Joaçaba/SC, pois este é o endereço declarado por Idugel Industrial Ltda e JS Máquinas Ltda ME, enquanto o endereço declarado por KF Montagens Industriais Ltda ME é o endereço residencial das sócias da fiscalizada. Todavia, a autoridade fiscal nada menciona acerca das instalações físicas deste imóvel, e não infirma a possibilidade de naquele mesmo espaço físico Idugel Industrial Ltda estar encarregada de projetos, comércio, montagem e manutenção das máquinas Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 19 18 e equipamentos, restando à J.S. Máquinas Ltda ME a fabricação propriamente dita dos equipamentos, ou de partes deles, e à KF Montagens Industrias Ltda ME a prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda para instalação dos equipamentos fora do estabelecimento industrial; · A fiscalizada atuaria basicamente como empresa de cessão de mãodeobra para Idugel Industrial Ltda, pois embora o objeto social de JS Máquinas Ltda ME seja fabricação e comercialização de máquinas e equipamentos e acessórios para moinhos, silos e cerealistas, as duas pessoas jurídicas ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e tem seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas. Como dito, a ocupação do mesmo espaço físico é afirmada pela Fiscalização apenas em razão da identidade de endereço. Não há qualquer descrição de diligência no estabelecimento em referência, ou termo lavrado neste sentido, para investigação acerca das atividades exercidas pela mãodeobra contratada ou da logística dos materiais, com vistas a afirmar que José Schazmann e Silvana Marques Schazmann estariam administrando uma atividade empresarial única em razão da confusão operacional entre elas; · A tomadora de mãodeobra – IDUGEL , que não é optante pelo SIMPLES, teve, por exemplo, em 2007, dois empregados registrados em seu nome, e concentrou praticamente todo o faturamento de vendas. Porém, nada impediria que Idugel Industrial Ltda se responsabilizasse apenas pelo projeto e comércio dos equipamentos, desde que seus empregados e suas instalações físicas estivessem efetivamente destinadas a estas atividades, e houvesse contratação formal e material de JS Máquinas Ltda ME para a produção dos equipamentos projetados e vendidos, atividade a ser realizada em instalações específicas do imóvel compartilhado pelas duas pessoas jurídicas, com seus próprios empregados, mormente tendo em conta que a fiscalizada teria como sócias pessoas distintas dos sócios de Idugel Industrial Ltda. Necessário seria que houvesse simulação na composição do quadro social da fiscalizada, distribuição informal de receitas contratadas com clientes por apenas uma das pessoas jurídicas, ou descompasso na distribuição entre as pessoas jurídicas da remuneração contratualmente fixada, tendo em conta a natureza dos serviços que cada ente prestaria; · Os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc...) atendem as duas empresas. Ocorre que para demonstrar esta prática, a Fiscalização se reportou a demonstrativos de pagamento de folha de salário, juntados às fls. 75/81, nos quais apenas se observa a utilização da mesma máscara para o relatório, com substituição da marca de cada pessoa jurídica, além de um relatório consolidando os resultados das três pessoas jurídicas. Não há sequer a individualização dos empregados destes setores administrativos, subsistindo a possibilidade de os relatórios terem sido produzidos de forma padronizada por uma mesma pessoa jurídica em favor da qual foram terceirizadas estas atividades; · Além das pessoas jurídicas funcionarem num mesmo estabelecimento, os empregados usam uniforme contendo a descrição “GRUPO IDUGEL”, trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. A indicação do logotipo do grupo empresarial no uniforme, entretanto, é apenas um indício de eventual confusão operacional entre as pessoas jurídicas. Como dito, nenhum elemento foi trazido aos autos demonstrando a impossibilidade de Idugel Industrial Ltda ter operado com apenas dois ou três empregados para executar o projeto e o comércio dos equipamentos, ou a atuação dos empregados de JS Máquinas Ltda em favor de outra pessoa jurídica ou em suas instalações. A localização das duas pessoas jurídicas no mesmo imóvel Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 20 19 e a administração das três sociedades pelas mesmas pessoas físicas são aspectos formais que podem indicar irregularidades, mas estas devem ser materializadas com provas, ou ao menos indícios consistentes e convergentes, colhidos das instalações físicas, da atividade operacional e da gerência efetiva da atividade empresária; · A escrituração contábil das pessoas jurídicas revela vários pagamentos “cruzados” ferindo o princípio contábil da “Entidade”, ou seja, quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recurso da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias. Ademais, os pagamentos foram autorizados por Silvana Marques Schazmann. Porém, os elementos juntados à acusação fiscal, com datas do ano de 2007, apenas refletem as operações em si, e não ensejaram qualquer questionamento às empresas do grupo acerca da solução adotada para adequação dos saldos bancários das pessoas jurídicas, sendo certo que os registros contábeis, na parte em que evidenciados, apontavam a baixa de disponibilidades pela pessoa jurídica que implementou o pagamento, e nada foi esclarecido acerca da forma contábil adotada para registro da despesa ou do ativo vinculado a tais pagamentos, que deveria se dar na pessoa jurídica que promoveu sua aquisição/contratação ou incorreu no tributo devido. Vejase: o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de JS Máquinas Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 82/87); o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” e “FGTS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 82/92 e 98/99); o Relação de lançamentos a débito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de boletos bancários tendo Idugel Industrial Ltda como sacado, e debitados em conta bancária de KF Montagens Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 82 e 93/97); o Relação de valestransporte e valesrefeição de empregados vinculados a J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME, pagos com cheque emitido por Idugel Industrial Ltda (fls. 101/106); o Aquisição de material por Idugel Industrial Ltda debitada em conta bancária de J.S. Máquinas Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 107/109); o Pagamento de boleto bancário tendo como sacado J.S. Máquinas Ltda ME, debitado em conta bancária de Idugel Industrial Ltda com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 110/111); e o Pagamento de nota fiscal de aquisição de uniformes e correspondente boleto bancário tendo como sacado Idugel Industrial Ltda, debitado em conta bancária de KF Montagens Industriais Ltda (fls. 112/114). · Não há preocupação de justificar contabilmente, de forma correta, tais registros, ou seja, a empresa que faz os pagamentos contabiliza as saídas na Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 21 20 conta “Bancos” e as entradas na conta “Caixa”. A empresa que tem suas contas pagas simplesmente contabiliza esses valores como saídas da conta “Caixa”. Contudo, estas ocorrências apenas revelam o uso do “Caixa Flutuante”, prática por meio da qual todos os valores movimentados em Bancos transitam por conta Caixa. Inexistiria qualquer irregularidade se, depois de contabilizar um pagamento de outra empresa do grupo mediante débito de “Caixa” e crédito de “Bancos”, a pessoa jurídica registrasse outro lançamento creditando “Caixa” e debitando “Créditos com pessoas ligadas”, representativo do direito que passou a deter ao destinar suas disponibilidades ao pagamento de dívida de outra pessoa jurídica. Logo, os registros apontados pela Fiscalização não se prestam a comprometer de forma irremediável a escrituração contábil apresentada; · Idugel Industrial Ltda é a responsável por praticamente toda a atividade gerencial/industrial do “grupo”, compreendendo as aquisições de insumos, matériaprima, material de embalagem, energia, etc. As empresa J.S. e K.F. são meras fornecedoras de mãodeobra, e todo o faturamento com vendas é através da empresa IDUGEL, ficando a prestação de serviço de instalação de máquinas a cargo da empresa KF. O único elemento que aparenta ter correlação com esta acusação é a nota fiscal emitida por KF Montagens Industriais Ltda por prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda, no valor de R$ 48.000,00, em 30/04/2008, juntada à fl. 115. Para além disso, a autoridade fiscal se limita a elaborar quadros com a relação custo x receita e receita por empregado, de 2003 a 2007, para demonstrar a concentração de receitas e custos em Idugel Industrial Ltda, e de empregados em J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME. Como já dito, não houve qualquer investigação acerca da logística destes materiais, das relações contratuais entre as pessoas jurídicas do grupo, e da forma de prestação de serviço pelos empregados, para materializar as suspeitas advindas do objeto social das pessoas jurídicas, do endereço por elas adotados, da designação de seus administradores, e dos quantitativos de receitas, custos e número de empregados. A conclusão fiscal, diante destes fatos, é de que houve simulação para fracionamento da atividade e o faturamento, hábil a ensejar a exclusão da fiscalizada do Simples para que os resultados por ela declarados não fossem beneficiados com o tratamento diferenciado conferido por aquela sistemática de recolhimento. Em paralelo, afirmase também que a atividade de cessão ou locação de mãodeobra também impediria a permanência da contribuinte no Simples Federal. O ato de exclusão faz referência às constatações consolidadas no Parecer SACAT nº 316/2008. Neste documento algumas acusações recebem nova abordagem: o O Grupo Idugel constituiria uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no Simples Federal, sendo que Idugel Industrial Ltda beneficiouse indevidamente por acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Contudo, em momento algum a autoridade fiscal demonstrou que o faturamento do grupo superaria o limite para permanência no Simples Federal. Os quadros comparativos de receitas, custos e empregados apresentam totais anuais, mas não são correlacionados com os limites de Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 22 21 faturamento estipulados para cada anocalendário, dado que sua elaboração não tinha este objetivo. Demais disso há ao menos uma evidência de nota fiscal de prestação de serviços emitida por KF Montagens Ltda ME em favor de Idugel Industrial Ltda, a exigir a exclusão destas operações recíprocas para se aferir o volume real de receita do grupo. o J.S. Máquinas Ltda, a partir de determinado momento teria perdido, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda, assumindo existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, de inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda. Mas, além de a representação fiscal para exclusão não ter sido acompanhada de provas desta alegada existência meramente formal da fiscalizada, não houve investigação para demonstrar que as sócias administradoras de JS Máquinas Ltda ME seriam interpostas pessoas, sem qualquer participação na sociedade, a evidenciar que os administradores da pessoa jurídica por procuração (José Schazmann e Silvana Marques Schazmann) seriam, em verdade, seus sócios de fato ou, nas palavras do mencionado Parecer, seus sócios verdadeiros; o As alterações societárias se prestaram a submeter o controle administrativo da fiscalizada ao casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, bem como a alterar o endereço de J.S. Máquinas Ltda ME, que deixou de ter sede própria em 22/09/97 para adotar o mesmo endereço de Idugel Industrial Ltda, com indicação em blocos diferentes do mesmo imóvel, sendo esta uma pequena diferença, apenas formal. Como já demonstrado, além de a Fiscalização não ter infirmado a divisão em blocos do imóvel ocupado pelas pessoas jurídicas, também não houve qualquer prova de que o mencionado controle administrativo por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann seria absoluto, sem prestação de contas às sócias administradoras da fiscalizada, que lhes outorgaram procuração para gerir a J.S. Máquinas Ltda; o Ainda que exercesse atividade econômica autônoma a fiscalizada apenas forneceria mãodeobra a Idugel Industrial Ltda, dado que os gastos de JS Máquinas Ltda ME com insumos não justificam – por serem irrisórios comparados aos da Idugel – o faturamento consignado em sua contabilidade, mostrandose os gastos contábeis com mãodeobra, por outro lado, exagerados e incompatíveis com este mesmo faturamento, também quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. Ocorre que não há, nos autos, qualquer intimação dirigida à fiscalizada exigindo esclarecimentos acerca das atividades por ela exercidas, ou de suas relações comerciais com Idugel Industrial Ltda, de modo que as incompatibilidades aventadas são apenas inferências a partir dos valores escriturados, motivadas em razão da administração das sociedades pelas mesmas pessoas. Não é possível declarar gastos com mãodeobra incompatíveis com o faturamento, nem afirmar que houve locação ou cessão de mãodeobra sem avaliar, documentalmente ou no plano fático, qual a atividade exercida pelas pessoas jurídicas e a forma como ela se processou; e o A exclusão deveria operar efeitos desde janeiro/2003, dado que as vedações tratadas no art. 14, inciso IV, da Lei nº 9.317/96 (interposição de pessoas no quadro social) e no art. 9o, inciso XII, alínea “f”, da mesma lei (locação ou cessão de mãodeobra) estariam demonstradas nos autos, em especial nos quadros comparativos de receita, custos e gastos com mãodeobra. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 23 22 Contudo, por tudo antes exposto, as evidências reunidas não são suficientes para caracterizar a interposição de pessoas no quadro social, ou mesmo que as atividades da fiscalizada pudessem caracterizar locação ou cessão de mãodeobra, verificandose idêntica situação em todos os períodos investigados, desde 2003. Acrescentese que ao prosseguir na análise do litígio formado a partir desta exclusão, examinando as exigências tributárias daí decorrentes, constatouse a referência ao procedimento fiscal descrito nos autos do processo administrativo nº 10925.000023/200992, no qual foram formalizadas exigências de contribuições previdenciárias já apreciadas pela 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento. No Relatório Fiscal lavrado naqueles autos foram identificadas algumas diligências aqui não relatadas, anteriores à representação fiscal para exclusão. Vejase: No dia 04 de março de 2008, em cumprimento ao Mandato de Procedimento Fiscal — MPF n° 0920300.2008.00160, na presença da Sra. Silvana Marques Schazmann e através da ciência do Sr. José Schazmann no Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF (fls.75, 76) iniciouse a ação fiscal no contribuinte IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. Durante essa visita inicial ao estabelecimento do contribuinte, foi constatada a existência de uma quantidade de segurados empregados muito superior à declarada a Previdência Social através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social — GFIP, informação essa decorrente do procedimento de pré análise feita pela fiscalização com base nas informações dos sistemas internos (GFIPWEB). Pôdese verificar que tais segurados trabalhavam usando uniforme com identificação visual contendo ?' descrição "GRUPO IDUGEL". Foram observados também na recepção do estabelecimento ,, do fiscalizado, "banners", quadros . com foto do estabelecimento e documentos com a mesma identificação visual. Questionado o Sr. José Schazmann sobre a existência de outras empresas de sua propriedade, foi informado à fiscalização que havia, além da IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, as empresas J.S. MÁQUINAS LTDA ME e KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME. Foi solicitado o nome completo das empresas e o número do CNPJ e informado ao Sr. José Schazmann que ambas seriam fiscalizadas. [...] Em atendimento ao TIAF, o fiscalizado apresentou parcialmente os documentos discriminados, com destaque para os arquivos magnéticos conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais (fls. 77 a 81). Os documentos solicitados foram apresentados pelo escritório de contabilidade CONTASSESC CONTABILIDADE E ASSESSORIA, com sede a Rua Getúlio Vargas 835, Centro Joaçaba/SC, contratado pelo contribuinte para a execução de sua escrita fiscal. A fiscalização foi atendida pelo Sr. Tiago, sendo este o contato para esclarecimento de todas as questões relativas à fiscalização. Foi informado à fiscalização que todas a empresas pertencentes ao "GRUPO IDUGEL" haviam sido recém incorporadas a carteira de clientes do escritório, sendo que até a competência de agosto de 2007 elas eram atendidas pelo escritório de contabilidade GABARITO ASSESSORIA CONTÁBIL, com sede a Rua 13 de Maio, 11, sala 19, Centro, Joaçaba/SC. Em razão disso, alguns documentos não puderam ser disponibilizados de imediato, pois ainda encontravamse de posse do antigo escritório de contabilidade. Posteriormente a fiscalização iniciou a análise dos documentos que deram origem à escrita contábil dos contribuintes (IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME e J.S. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA ME), sendo disponibilizados na sede do fiscalizado. 4.2 TERMO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS — TIAD DE 27/06/2008 Por meio do TIAD de 2710612008 (fis. 82) intimamos o contribuinte a fornecer cópia da procuração com cessão de poderes para José Schazmann e Silvana Marques Schazmann. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 24 23 Tal solicitação teve como objetivo comprovar de forma clara e objetiva que a empresa fiscalizada na verdade é administrada de forma direta pelos proprietários da empresa IDUGEL INDUSTRIAL LTDA., constatação já evidenciada pela análise da documentação contábil apresentada pelo contribuinte. Constatase do assim exposto que a autoridade fiscal promoveu diligências ao estabelecimento da fiscalizada, e lá colheu as impressões acerca do uniforme usado pelos empregados (aqui citada), além da identificação comum das empresas, que não foi ressaltada na acusação aqui produzida. Observase, também, que nenhuma contestação foi objetivamente apresentada acerca da divisão do imóvel em blocos, para complementar a afirmação posterior de que ela seria apenas formal. Ou seja, não foram descritas as atividades exercidas no imóvel, os empregados nelas alocados e seus vínculos empregatícios, a forma de supervisão de seu trabalho, etc. Quanto às atividades administrativas, surgem as referências à terceirização antes cogitada. E, no que tange à administração das pessoas jurídicas por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, confirmase que a investigação resumiu se à outorga de poderes pelas sócias da fiscalizada, sem qualquer questionamento acerca da efetiva atuação destas como sócias, para suportar a acusação de que elas seriam interpostas pessoas. A ausência das provas referidas neste voto impede que, neste julgamento, sejam refutadas as justificativas apresentadas na defesa, especialmente que: o O interesse do grupo familiar em termos societários e operacional em fracionar a cadeia produtiva, aproveitando o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente: não houve qualquer questionamento dirigido aos administradores ou aos sócios das pessoas jurídicas envolvidas perquirindo as razões comerciais para o fracionamento das atividades, e a Fiscalização não as infirmou para prevalência da motivação tributária; o A experiência profissional de José Schazmann e sua esposa para administrar em Idugel Industrial Ltda os projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (knowhow), bem como as atividades delegadas à diversas outras empresas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas): não foram investigadas as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo e entre elas, seus fornecedores, clientes e parceiros, para assim reunir evidências de confusão operacional; o A participação financeira, visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, em favor daqueles que são sócios de JS Máquinas Ltda ME e KF Montagens Ltda ME: não foi questionado a formação do capital social das pessoas jurídicas que teriam sido supostamente constituídas por interpostas pessoas, nem eventual desproporção entre sua participação nos lucros e a remuneração dos administradores; o A recorrente seria responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva: não há, nos autos, registros da atividade operacional da fiscalizada, dos insumos por ela adquiridos, das receitas por ela registradas, dos contratos por ela firmados, das funções exercidas por seus empregados; o Seria perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 25 24 perfeitamente as atividades em diversos setores: sem a demonstração de como se processaram as atividades e as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo empresarial, não há como dizer que as atividades não estavam separadas, e que seu resultado era partilhado na proporção da participação financeira e do trabalho dos sócios e administradores; o As sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, tendo legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantê las: a outorga de procuração para que outrem administre a sociedade não permite que se classifique os integrantes do quadro social como interpostas pessoas. A condição de sócio pressupõe capacidade financeira para formação do capital social da pessoa jurídica, da qual resultará a pretensão de auferir lucros, que podem ser acompanhados de pro labore mensal, caso os sócios também exerçam atividades em favor da pessoa jurídica, isto para além de demandar a prestação de contas por parte daqueles a quem conferiu poderes para administrar a pessoa jurídica. Nenhuma destas circunstâncias foi infirmada durante o procedimento fiscal; o ...há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, consoante atesta a cópia da planta do imóvel, a instalação de sistemas de alarmes e a certificação municipal neste sentido: a autoridade fiscal apenas afirma que a divisão do imóvel é meramente formal e nada traz aos autos para fundamentar sua constatação; o A empresa Idugel detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo: como o comparativo entre receitas, custos e mãodeobra teve em conta apenas os totais anuais registrados por cada pessoa jurídica, não há como afastar a possibilidade de as anormalidades aventadas pela Fiscalização decorrerem, apenas, da natureza das atividades exercidas por cada uma das pessoas jurídicas; e o Houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel: como antes demonstrado, sem a investigação acerca da forma de escrituração da despesa ou dos ativos pagos por outra empresa do grupo, não há como afastar a possibilidade de que este registro tenha sido feito em contrapartida a empréstimos. Relevante frisar que não se admite, aqui, a ampla liberdade para a formação de empresas por grupo de familiares, bem como para a alegada terceirização que teria ocorrido no caso em tela. A sistemática simplificada de recolhimentos confere isenções significativas para as empresas de baixo faturamento, e para todas as beneficiárias no âmbito previdenciário. Por esta razão, há limites de faturamento para opção, e esta é vedada à pessoa jurídica que resulte de qualquer desmembramento de outra pessoa jurídica, bem como a pessoas jurídicas em cujo quadro societário conste titular de participação em outra pessoa jurídica também optante, além de restrições a atividades que apresentam alta incidência previdenciária. Assim, a formação de empresas por grupos familiares e a terceirização de operações pode se prestar como meio para auferir as vantagens que a lei não conferiu a determinadas atividades, e a prova da simulação em tais Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 26 25 circunstâncias é suficiente para a prática dos atos administrativos de exclusão e lançamento, independentemente do disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN. A atuação das três pessoas jurídicas no mesmo ramo de atividades, operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócio são indícios sérios de que vantagens tributárias ilícitas poderiam ser auferidas pelo grupo, porém a acusação de simulação não pode estar suportada, apenas, por inferências que sequer constituem presunções simples. Assim, uma vez demonstrado que não há, nos autos, provas que suportem a acusação de ilicitude da estruturação societária, operacional e comercial adotada pelo grupo familiar, não pode subsistir o ato de exclusão do Simples Federal. Irrelevante, assim, se a argumentação subsidiária acerca da prática de locação de mãodeobra pela fiscalizada seria incompatível com a acusação principal que pretendeu anular a existência da empresa JS, ou se outro conceito deve ser atribuído às atividades de locação de mãodeobra, vez que nenhuma das irregularidades aventadas no ato de exclusão podem sustentálo. Desnecessário, também, apreciar a argüição de decadência do direito de o Fisco questionar a constituição da pessoa jurídica fiscalizada, ou a postergação dos efeitos da exclusão em razão da constatação, apenas em 2008, das irregularidades aqui abordadas. Impróprio, ainda, discutir o efeito confiscatório da exigência retroativa dos créditos tributários, na medida em o litígio, aqui, limitase à exclusão da contribuinte do Simples Federal. O mesmo se diga acerca da extensa abordagem em favor da existência de vício formal no ato administrativo de lançamento, e de cerceamento ao direito de defesa em razão das intimações que lhe foram dirigidas quando ainda pendentes de apreciação as impugnações interpostas contra os atos de exclusão, bem como de nulidade por ausência de prévia revisão de ofício do lançamento e de decadência de parte da exigência de contribuições previdenciárias. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o ato de exclusão do Simples Federal. Assim, sem adentrar aos aspectos submetidos ao Poder Judiciário, é possível solucionar o presente litígio já em preliminar, e cancelar a presente exigência, na medida em que a contribuinte subsiste optante pelo Simples Federal no período autuado, o que a dispensa da apuração individualizada do tributo aqui lançado. Ademais, em virtude da presente decisão não será exigido do Delegado da Receita Federal a prática de ato vedado na ordem judicial expedida na sentença do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261/SC. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000013/200957 Acórdão n.º 1101001.247 S1C1T1 Fl. 27 26 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13308.000086/00-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 13/03/2000
Ementa:
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
Não é passível de conhecimento o recurso especial quando a instância a quo não se manifestou a respeito da matéria veiculada no recurso, nem mesmo através de embargos de declaração, não tendo ocorrido o necessário prequestionamento.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial por falta de prequestionamento. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 13/03/2000 Ementa: RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. Não é passível de conhecimento o recurso especial quando a instância a quo não se manifestou a respeito da matéria veiculada no recurso, nem mesmo através de embargos de declaração, não tendo ocorrido o necessário prequestionamento. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial por falta de prequestionamento. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 00 86 /0 0- 96 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 1117 a 1126) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1077 a 1092) que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, sendo que esse v. acórdão foi posteriormente integrado, após a oposição de embargos de declaração (fls. 1096 a 1103), através do v. acórdão de fls. 1110 a 1112. A ementa do v. acórdão original é a seguinte: Assunto. Imposto sobre Produtos Industrializados — Período de apuração: 01/01/2000 a 13/03/2000 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DEMATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOSINTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DEEMBALAGEM REMETIDOS PARA COMPLETAINDUSTRIALIZAÇÃO EMESTABELECIMENTOS DE TERCEIROS.CABIMENTO. CONCEITO DEESTABELECIMENTO PRODUTOR. Oestabelecimento exportador, equiparado a produtornos termos do art. 40 da Lei n° 4.502/64 faz jus aocrédito presumido do IPI instituído pela Lei n°9.363/96, seja por se enquadrar no conceito deexportador, seja porque este conceito não pode alteraro objetivo da norma, de garantir o ressarcimento dasexações ao PIS e Cofins incidentes no ciclo deprodução de produtos exportados na forma deprecedente jurisprudencial deste e. Conselho deContribuintes. Recurso Voluntário Provido em Parte Em seguida, após a oposição dos embargos de declaração, foi acrescida à ementa acima a seguinte parte, referente à SELIC: APLICAÇÃO TAXA SELIC Não se revestindo a atualização monetária de nenhum plus, deveser aplicada aos valores a serem ressarcidos a título de incentivofiscal, sob pena de afrontar a própria lei instituidora do beneficio,se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. De outroturno, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valorde compra da moeda revestese de verdadeiro enriquecimentoilícito da outra parte. Aplicase a taxa Selic desde o protocolo dopedido até seu efetivo pagamento. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, que o v. acórdão recorrido Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13308.000086/0096 Acórdão n.º 9303002.925 CSRFT3 Fl. 1.048 3 Na presente hipótese cuidase, em síntese, de auto de infração (fls. 26 a 34) em que se exigiu a COFINS referente ao período de apuração de 01/04/1994 a 30/06/1994 e de 01/11/1995 a 29/02/1996. Os valores exigidos decorrem de suposta insuficiência de créditos decorrentes de indébitos de PIS e FINSOCIAL, reconhecidos judicialmente, para compensação com débitos de COFINS que, de acordo com a d. autoridade fiscal (informações fiscais constantes às fls. 18 e 24), decorreu da adoção de critérios equivocados para atualização monetária. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do auto de infração, a d. autoridade fiscal apontou com bastante objetividade a fundamentação que ensejou o lançamento, verbis: 1 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL A empresa obteve duas liminares judiciais autorizando a compensação de débitos de PIS e COFINS. Numa, obtida no processo No. 96.000786, o crédito é proveniente da diferença entre os valores de PIS recolhidos conforme os DecretosLei 2445 e2449/88 e o apurado pela Lei Complementar 7/70. Noutra, obtida no processo No. 96.0006853, os créditos são decorrentes da diferença na alíquota do FINSOCIAL. Em ambos os casos, a empresa apurou créditos superiores aos que teria direito. Os valores ora lançados referemse as compensações de COFINS que ultrapassaram o valor do crédito compensável. Os fatos geradores de 04, 05 e 06/94 são decorrentes da compensação indevida da ação do FINSOCIAL. Os demais valores lançados decorrem da ação do PIS. Para o fato gerador 04/94, como pagamento foi considerada a parte do saldo credor compensável cuja liminar dá amparo. O processo administrativo de acompanhamento da ação judicia1 do PIS é o de No. 10880.027070/952 e o do FINSOCIAL, 10880.019101/9414. Fazem parte integrante do presente auto os documentos anexos e relacionados a seguir: 1. demonstrativo de créditos do PIS apresentado pela empresa; 2. demonstrativo de débitos e pagamentos do PIS apurado pelos DL2445 e 2449/88; 3. demonstrativo de débitos e pagamentos do PIS apurado pela LC7/70; 4. relação dos saldos credores DL2445 () LC7/70 = valor do indébito; 5. demonstrativo da utilização dos créditos; 6. Informação Fiscal referente ao processo 10880.027070/9562; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 7. demonstrativo de créditos do FINSOCIAL apresentado pelo contribuinte; 8. relação do indébito de FINSOCIAL atualizado em UFIR; 9. Informação Fiscal referente ao processo 10880.015101/9414. Antes do julgamento de primeira instância, o Delegado da Receita Federal de Julgamento em Campinas – SP, face à informação de fls. 95 a 97, que bem resumiu o conteúdo de todos autos de infração decorrentes das compensações efetuadas e dispôs sobre a legislação a respeito do procedimento de compensação e atualização monetária, destacando a Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR nº 08/97, determinou a devolução dos autos à DRF para que fossem refeitos os cálculos das compensações em questão, destacando as alterações nos lançamentos constantes nos autos. O resultado dessa revisão está resumida no demonstrativo de fls. 159 a 160, sendo que a conclusão da fiscalização encontrase às fls. 174. Nesta asseverouse, em suma, a existência de créditos de FINSOCIAL suficientes para cobrir os valores compensados, mas, por outro lado, a inexistência de créditos de PIS para efetuar as respectivas compensações apresentadas pelo contribuinte. Apontouse, ainda, que os créditos foram atualizados com a utilização da Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08/97 (de acordo com o proposto pela DRJ). Após a manutenção do auto de infração pela DRJ de Campinas – SP (fls. 183 a 195), em que se adotou a conclusão acima exposta quanto à insuficiência de créditos de PIS para compensação com os débitos de COFINS, foram interpostos recurso de ofício e recurso voluntário. A Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao seu turno, ressaltou, inicialmente (fls. 241 a 243), que na informação fiscal que deu lastro à r. decisão de primeira instância constou que os créditos foram atualizados com base na Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08/97, mas, verbis, o comando sentencial determina que a correção monetária dos valores a compensar seja efetivada conforme norma prevista expressamente no art. 66, § 3º, da Lei nº 8.383/91 e será feita pelos índices oficiais fixados pelo Governo e adotado pela Receita Federal na correção monetária de seus créditos – OTN – BTN – BTNF – Ufir, conforme as Lei nºs 7.730/89, 7.801/89, 8.177/91, 8.383/91 e 9.069/95, e o termo inicial será a data do recolhimento indevido, conforme Súmula nº 46 do Extinto Tribunal Federal de Recursos. Com isso, determinouse a conversão do julgamento em diligência para determinar a juntada da sentença, certidão de objeto e pé e demonstrativos de apuração da base de cálculo dos processos judiciais em questão (fls. 241 a 242). Outrossim, a Colenda Câmara a quo apontou, nos termos do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Domingos de Sá Filho, verbis, que caso positivo a apuração deverá observar o que restou decidido no comando sentencial, caso contrário, apurar o PIS devido na vigência da LC n° 7/70 com observância da sistemática da semestralidade, sem correção da base de cálculo, conforme Súmula n° 11 do Segundo Conselho de Contribuinte, corrigindo o indébito porventura apurado conforme a decisão judicial. Determinouse, por último, que os débitos apurados e consignados no auto de infração devem ser compensados através dos créditos nas das (sic) datas de seus vencimentos, sem atualização, juros e multa. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13308.000086/0096 Acórdão n.º 9303002.925 CSRFT3 Fl. 1.049 5 O resultado dessa diligência consta do Termos de Verificação de fls. 310, onde se afirmou que, verbis, foram refeitos os cálculos de apuração dos débitos do PIS de 05/1990 a 02/1996, adotandose a semestralidade sem correção monetária, fls. 253/255. Confrontados os débitos com os créditos de recolhimento, atualizados de acordo com os índices de correção da sentença judicial, verificouse que foram suficientes para amortizar integralmente os débitos do PIS/Faturamento do período de 05/1990 a 02/1996, fls. 256/264. Apurouse também um saldo do crédito excedente do recolhimento de R$ 5.303.486,21, atualizado até 01/09/1996, fls. 265/267. Em face do resultado acima exposto, foi prolatado o v. acórdão ora recorrido, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: Programa de Integração Social PIS e COFINS. Período de apuração: 01/04/1994 a 30/06/1994, 01/11/1995 a 29/02/1996 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Constatado que o montante do indébito é suficiente para compensar os débitos apurados, impões anular o Auto de Infração por ausência de justa causa. Recurso provido. O voto condutor do julgado, proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Domingos de Sá Filho, além de ressaltar que a discussão neste processo se deu tão somente sobre a sistemática de apuração do indébito e atualização, apontou o seguinte, verbis: Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos necessários a sua admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. O resultado da diligência demonstrou que o indébito se revelou suficiente a quitação do débito apurado e apontado no Auto de Infração. Sendo assim, a rigor o crédito tributário constituído se revela inexistente, conseqüentemente, não há que se falar em acréscimos moratórios, vez que, os créditos foram vinculados na data do vencimento dos débitos apurados. Em relação ao Recurso de Oficio, constatado em diligência que o valor do indébito é suficiente para compensar os débitos, impõe em reconhecer que não procede ao débito apurado por meio da ação fiscal. Em sendo assim, o acolhimento parcial da impugnação pela decisão objeto do Recurso de Oficio, vislumbro prejudicado em razão da inexistência do crédito tributário decorrente da exoneração. Assim, diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento para declarar nulo o auto de infração e Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 6 negar provimento ao recurso de oficio em razão da exoneração do o principal, restou prejudicado. É como voto. (grifos nossos) Contra esse v. acórdão foi interposto o já mencionado recurso especial pela Fazenda Nacional, com esteio em divergência jurisprudencial, onde se aduziu, em síntese, o seguinte: (i) que o v. acórdão recorrido configurou decisão extrapetita, porquanto o contribuinte, em seu recurso voluntário, pediu tão somente a exclusão da multa de ofício e juros de mora do lançamento; (ii) que foi anulado auto de infração cujo objeto, compensação, está sob discussão na esfera judicial; (iii) que a r. decisão recorrida, ao aceitar a compensação realizada com débitos de COFINS lançados na presente autuação, deixou de observar decisão judicial que somente autorizou a compensação de crédito de PIS com débitos do próprio PIS. O recurso foi admitido parcialmente através do r. despacho de fls. 354 a 355 apenas quanto aos itens (ii) e (iii) acima, tendo sido confirmado através da r. decisão de fls. 356 da Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Contrarrazões às fls. 369 a 372. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Inicialmente, apesar da longa análise e do extenso relatório, que se fez necessário para se visualizar os exatos limites da presente controvérsia, entendo que o recurso especial interposto não reúne condições de admissibilidade. Com efeito, a matéria referente à apontada concomitância com os processos judiciais, notadamente quanto à compensação, não foi debatida em nenhum momento no presente processo, muito menos pela Colenda Câmara a quo, que tampouco foi instada a fazê lo mediante a oposição dos cabíveis embargos de declaração. Como visto e apontado pelo Ilustre relator no voto condutor do v. acórdão recorrido, a discussão neste processo se deu tão somente sobre a sistemática de apuração do indébito e atualização. Patente a ausência, assim, do requisito do prequestionamento a possibilitar a admissibilidade do recurso especial. Da mesma forma, nada se cuidou a respeito da impossibilidade de compensação de débitos de COFINS com créditos de PIS, e tampouco que alguma decisão Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13308.000086/0096 Acórdão n.º 9303002.925 CSRFT3 Fl. 1.050 7 judicial somente teria autorizado a compensação de créditos de PIS com débitos do próprio PIS. Portanto, também quanto a esse ponto não restou satisfeito o requisito do prequestionamento. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 07/02/2 015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 10166.722952/2011-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Nos termos do acórdão recorrido, apreciaram-se as alegações de defesa relativamente a cada uma das infrações detectadas pela fiscalização, que justificariam a suspensão da isenção. A produção de prova pericial depende de juízo da autoridade julgadora, que norteia sua atuação no livre convencimento motivado, razão pela qual não há se falar em nulidade da decisão de primeira instância que a indeferiu.
TERMO DE ADESÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PELA INSTITUIÇÃO DE ENSINO. APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADES. ATRIBUIÇÃO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO.
Na hipótese de haver indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão firmado entre a instituição de ensino e o Ministério da Educação, a apuração administrativa da responsabilidade cabe àquele órgão, nos termos do Decreto nº 5.493/05, que não pode ser afastado pelos julgadores ainda que o considere ilegal ou inconstitucional (art.26-A do Decreto nº 70.235/72). Na Lei nº 11.096/05 inexiste previsão de imediata suspensão da isenção pelo Fisco, sem a apuração prévia, no âmbito do MEC, da responsabilidade decorrente do descumprimento de obrigação assumida pela instituição de ensino.
Numero da decisão: 1103-001.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento. Os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro André Mendes de Moura apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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REQUISITOS/CONDIÇÕES. RESERVA DE LEI. Nos termos da Constituição Federal (art.150, §6º) e do Código Tributário Nacional (arts. 97, VI, 176 e 179), cabe à lei a definição do regime jurídico da isenção, inclusive quanto à especificação de suas condições e requisitos, sendo vedado ao Fisco estabelecêlos de maneira inovadora em atos infralegais, sob pena de exorbitar a competência afeta ao legislador. TERMO DE ADESÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PELA INSTITUIÇÃO DE ENSINO. APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADES. ATRIBUIÇÃO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Na hipótese de haver indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão firmado entre a instituição de ensino e o Ministério da Educação, a apuração administrativa da responsabilidade cabe àquele órgão, nos termos do Decreto nº 5.493/05, que não pode ser afastado pelos julgadores ainda que o considere ilegal ou inconstitucional (art.26A do Decreto nº 70.235/72). Na Lei nº 11.096/05 inexiste previsão de imediata suspensão da isenção pelo Fisco, sem a apuração prévia, no âmbito do MEC, da responsabilidade decorrente do descumprimento de obrigação assumida pela instituição de ensino. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Nos termos do acórdão recorrido, apreciaramse as alegações de defesa relativamente a cada uma das infrações detectadas pela fiscalização, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 29 52 /2 01 1- 18 Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.251 2 justificariam a suspensão da isenção. A produção de prova pericial depende de juízo da autoridade julgadora, que norteia sua atuação no livre convencimento motivado, razão pela qual não há se falar em nulidade da decisão de primeira instância que a indeferiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento. Os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro André Mendes de Moura apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.252 3 Relatório Tratase de suspensão de isenção tributária, conforme Ato Declaratório Executivo nº 54, de 23/8/11, publicado no Diário Oficial da União (nº 163, de 24/8/11, Seção 1), nos seguintes termos (fl.1.089): “O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BRASÍLIADF, no uso da competência que lhe confere o artigo 295 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, declara: Art. 1º A suspensão da isenção da contribuinte ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO CONTINUADA AIEC, CNPJ 03.476.821/000197, conforme o processo administrativo nº 10166.722952/201118, em face da prática reiterada de infração à legislação tributária no anocalendário de 2008, nos termos do §10 do artigo 32 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 e instrução Normativa SRF n° 456/2004, baixada por força do §2° da Lei n° 11.096/2005 (MP 213/2004), caracterizada pela não observação das condições de gozo de isenção prevista no art. 8° da Lei n° 11.096, mormente porque (a) deixou de aferir a veracidade das informações sócio econômicas prestadas pelos candidatos, de forma que não assegurou o cumprimento das condições para o recebimento do benefício, posto que concedeu bolsas integrais ProUni a candidatos com renda familiar per capta superior a 1 ½ salário mínimo; (b) deixou de adotar, para estudantes ingressos em períodos letivos anteriores, providências relativas à atualização do cadastro sócio econômico, agravando o quadro de concessão de bolsas integrais ProUni para aqueles com renda superior a 1 ½ salário mínimo; (c) o número de bolsas ativas do ProUni, concedidas até o segundo semestre de 2008, está aquém do previsto no art. 5° da Lei n° 11.096, de 2005, e do quanto constante dos Termos de Adesão; (d) deixou de informar na DIPJ/2009 o Lucro da Exploração relativa à atividade beneficiária da isenção e; (e) deixou de escriturar em sua contabilidade do ano de 2008, de forma segregada e com clareza e exatidão, os elementos de custos e despesas relativas à atividade isenta. Art. 2º A suspensão surtirá efeito a partir de 01/01/2008, conforme informação constante da Notificação Fiscal objeto do processo administrativo mencionado no art.1º deste Ato e o disposto no artigo 32, §5º da Lei nº 9.430 de 27/12/1996. Art. 3º A fim de assegurar o contraditório e a ampla defesa, é facultado à pessoa jurídica, por meio de seu representante legal ou procurador, dentro do prazo de trinta dias contados da data da publicação deste Ato no Diário Oficial da União, manifestar por escrito sua inconformidade com relação à suspensão, nos termos do artigo 32, §6º, inciso I e §10 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996.” Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.253 4 Parágrafo único. Não havendo a manifestação de inconformidade no prazo mencionado no caput deste artigo a suspensão tornarseá definitiva. Do Despacho Decisório constam os fundamentos adotados pela autoridade fazendária para suspender o benefício, em síntese (fls.1.061/1.086): a pessoa jurídica é uma instituição de ensino superior, com fins lucrativos, participante do Programa Universidade para Todos (Prouni), nos termos da Lei nº 11.096/05; as obrigações da instituição de ensino constam do Termo Aditivo 1º Semestre de 2008, firmado com o Ministério da Educação; a Instrução Normativa SRF nº 456/01 prevê a obrigatoriedade de apuração do lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, bem como a manutenção de contabilidade com registros segregados das receitas, custos, despesas e resultados; foram concedidas bolsas integrais do Prouni a alunos com renda familiar mensal per capita superior a 11/2 salário mínimo, conforme cotejo dos dados extraídos das fichas dos alunos com as declarações apresentadas à Receita Federal; constatouse a completa ausência de providências relativas à atualização dos cadastros dos bolsistas ingressos em períodos letivos anteriores; a quantidade de bolsas concedidas até o segundo semestre de 2008 está aquém do previsto no art.5º da Lei nº 11.096/05 e nos Termos de Adesão, conforme Ofício nº 558/2011 da Secretaria de Educação Superior do MEC; a DIPJ/09 não contemplou a apuração do lucro da exploração da atividade isenta, tendo o lucro real sido indevidamente reduzido a título de outras exclusões; o contribuinte deixou de escriturar, de forma segregada, com exatidão e clareza, os custos e despesas relativas à atividade incentivada. A Segunda Turma da DRJ – Brasília (DF) considerou procedente a suspensão da isenção, conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.1.135/1.142): ISENÇÃO SUSPENSÃO. Entidade educacional com ou sem fim lucrativo que não cumprir requisito para fruição do benefício da isenção tributária, condicionada e temporária, sujeitase à tributação e à cobrança dos impostos e contribuições dispensados no período de vigência da isenção. Devidamente cientificado em 2/10/13 (fl.1.174), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 17/10/13 (fls.1.178/1.242), em que alega: a decisão recorrida seria nula, pois: (a) não teriam sido analisados todos os argumentos de fato e de direito produzidos pela defesa, sendo que, quanto ao pedido de perícia, limitouse a considerálo irrelevante; (b) não obstante a menção, pela autoridade fiscal e pelo Relator do acórdão a quo, da ausência do §10 do art.32 da Lei nº 9.430/96 como fundamento da suspensão da isenção, tais pronunciamentos foram equivocados e desprovidos de motivação; (c) a transcrição incorreta do dispositivo legal teria mitigado o seu direito de defesa e representado negativa de vigência de parte da Lei nº 9.430/96; a legislação regente de isenções condicionais (art.12, §1º, “f”, §2º, e arts. 13 e 14 da Lei nº 9.532/97, e art.32 da Lei nº 9.430/96) estaria suspensa liminarmente, desde 27/8/98, pelo Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.254 5 Supremo Tribunal Federal (ADI nº 1.8023), o que acarretaria a suspensão do procedimento fiscal e a nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 54/2011; quanto ao preenchimento das vagas disponibilizadas pelo Prouni, a Lei nº 11.096/05 não condicionaria a isenção a determinado percentual de preenchimento efetivo das bolsas, sendo que a Lei nº 12.431/11 apenas passou a vigorar em 2012. Além de não estabelecer qualquer sanção à instituição que não preencha as vagas disponibilizadas, a lei menciona que o cálculo levará em consideração os estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados. O art.5º, §5º, apenas se aplicaria às instituições imunes; o número de bolsas ativas do Prouni estaria aquém do previsto no art.5º da Lei nº 11.096/05 e no Termo de Adesão, pois: (a) o candidato inscreverseia na AIEC sem saber que o ensino seria realizado à distância, razão pela qual posteriormente desistia do curso, sendo fato notório, conforme reportagens a respeito; (b) o candidato perderia o prazo final para encaminhar a documentação; (c) no caso das bolsas parciais, a matrícula não se concretizaria em razão da obrigação de pagar parte da mensalidade; (d) o candidato não possuiria computador com acesso à internet; (e) o candidato residiria distante do polo de encontro presencial, inviabilizando a participação em função dos custos de deslocamento, fato que levava à desistência; e (f) o candidato não estaria suficientemente preparado para acompanhar o curso. A Secretaria de Educação Superior apenas requerera da instituição que justificasse as razões do número inferior de bolsas concedidas, não tendo testemunhado nada, tanto é que as justificativas apresentadas foram aceitas, inexistindo procedimento instaurado; o fato de não constar da DIPJ/09 o cálculo do lucro da exploração de atividade isenta não poderia servir de fundamento à suspensão da isenção, pois a própria Receita Federal calculou o quantum pretensamente devido. A IN SRF nº 458/2004 não obrigaria o contribuinte a apurar o lucro da exploração unicamente na DIPJ, que poderia, inclusive, ser quantificado com base na relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total, como no caso concreto, devidamente registrado no LALUR (art.3º, parágrafo único). A relevância das receitas com a atividade incentivada atingiria apenas 0,29% do total das receitas totais; acerca da ausência de escrituração segregada, fazse necessária a realização de perícia contábil para verificar também a clareza e exatidão. Os números lançados na DRE e nos balancetes não apresentariam erros ou rasuras. A contabilidade teria sido elaborada de maneira separada, por grupos contábeis e por contas, e a ausência de utilização da nomenclatura “atividade isenta” e “demais atividades” não impediu o Fisco de apurar os tributos que entendeu devidos. A IN SRF nº 456/04 não abordaria a execução da contabilidade de forma segregada; a legislação de regência e o Termo Aditivo 1º Semestre 2008 não estabeleceriam a obrigatoriedade de a instituição de ensino “...aferir a veracidade das informações sócio econômicas prestadas pelos candidatos [...] de forma a assegurar [...] o cumprimento das condições para o recebimento do benefício”. Os requisitos para o gozo da isenção apenas poderiam constar de lei tributária específica, que não existiria. Ainda que a Lei nº 11.096/05 pudesse dispor sobre isenção, não estabelecera quaisquer requisitos. As conclusões da fiscalização apenas se viabilizaram através do ilegal acesso às declarações de imposto de renda de 11 (onze) alunos e/ou de seus respectivos pais. A lei apenas exigiria das instituições verificar os aspectos formais do próprio instrumento de contrato do Prouni: se as assinaturas estariam postas nos locais adequados; a documentação relativa ao término do curso médio e/ou equivalente; RG, CPF, comprovante de residência, e documentação exigida na forma da lei. O Ministério da Educação, por meio de sua Coordenação Geral de Projetos Especiais para Graduação, por email datado de 27/5/11, informara que seria dispensada a exigência de apresentação de documentos para comprovar situação socioeconômica dos alunos. Não poderia Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.255 6 aferir a veracidade das informações socioeconômicas prestadas pelos candidatos, pois estariam resguardadas sob o manto do sigilo constitucional dos contribuintes. Além disso, os familiares dos candidatos não estariam obrigados a declarar suas respectivas rendas, inexistindo lei em tal sentido. Seria inconstitucional o Fisco pretender que as instituições de ensino violassem sigilo econômico financeiro dos alunos do Prouni, ou de seus familiares; sobre a necessidade de adotar providências relativas à atualização do cadastro socioeconômico dos estudantes ingressos em períodos letivos anteriores, igualmente a instituição não poderia exigir a comprovação da renda do aluno ou de seu representante legal. O próprio Manual de Bolsista Prouni (item 13.5), disponível na internet, fixaria não ser obrigatório tal requisito. O Recorrente ainda requereu a juntada de cópia autenticada de parte do LALUR e do Razão, bem como a realização de perícia contábil em seus livros, para provar que efetivamente informou na DIPJ/2009 o lucro da exploração relativa à atividade isenta e que procedeu à escrituração de maneira clara, exata e segregada. Por fim, requereu o encaminhamento de ofício ao Ministério da Educação “...para comprovar a inexistência de procedimento visando apurar porque não foram preenchidas todas as vagas ofertadas nos processos seletivos”. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. PRELIMINARES DE NULIDADE Quanto à alegação de ausência de fundamentação do acórdão recorrido, a leitura do respectivo voto condutor é suficiente para afastar tal tese defensiva. Inicialmente, a Segunda Turma da DRJ – Brasília (DF) concluiu que a transcrição, no Despacho Decisório e no Ato Declaratório Executivo nº 54/2011, dos dispositivos legais que fundamentaram o procedimento fiscal, em especial do art.32 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, não acarretaram qualquer prejuízo ao direito de defesa, até mesmo porque foram devidamente citados. Posteriormente, apreciou as alegações postas na manifestação de inconformidade relativamente a cada uma das infrações que justificaram a suspensão da isenção. Prosseguindo, ainda concluiu que questões constitucionais não poderiam ser enfrentadas naquela instância, entendimento que se conforma à jurisprudência do CARF (Súmula nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Por fim, entendeu ser desnecessária a realização de perícia, diante da não indicação do perito, da omissão quanto à formulação dos necessários quesitos e, principalmente, da prescindibilidade de sua realização: “Quanto ao pedido de perícia contábil para demonstrar a escrituração do Lucro de Exploração no LALUR, primeiro, não cumprira os requisitos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº70.235/1972, pois, faltara os quesitos, perito com endereço etc, Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.256 7 segundo, este item por si só não reverteria a situação da suspensão da isenção da impugnante.” De acordo com o Decreto nº 70.235, de 6/3/72, a realização de perícia justificase somente quando necessária, a juízo da autoridade julgadora, que norteia sua atuação no livre convencimento motivado: “Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. ..... Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Assim, não há se falar em cerceamento a direito de defesa ou violação ao contraditório, decorrentes do fato de a DRJ ter entendido que a perícia era considerada desnecessária à luz das provas coligidas. Como visto, o indeferimento do pleito foi sim fundamentado. A respeito da suposta não apreciação da documentação acostada à impugnação, vêse que o colegiado de primeira instância valorou os elementos que entendeu pertinentes, não sendo possível, agora em segunda instância, concluir que tenha se omitido na análise das provas. No julgamento, não é necessário mencionar, um a um, os documentos anexados pela defesa, mas firmar um juízo de convicção fundamentado a partir dos elementos considerados relevantes ao deslinde da controvérsia. De tal mister não se furtou a Segunda Turma da DRJ – Brasília (DF). Quanto à nulidade do ADE nº 54/2011, em razão de suposta suspensão dos dispositivos legais que fundamentaram sua emissão, igualmente não pode ser acolhida. Não é verdade que tal providência tenha sido determinada liminarmente pelo Supremo Tribunal Federal. Na apreciação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 1.8023/DF, o Plenário do STF deferiu, “...em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação direta, a vigência do §1º e a alínea f do §2º, ambos do art.12, do art.13, caput, e do art.14, todos da Lei nº 9.532, de 10.12.1997”, dispositivos abaixo grifados: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. §1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. §2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.257 8 b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. §3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) §4o A exigência a que se refere a alínea “a” do § 2o não impede: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) §5o A remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 4o deverá obedecer às seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o (terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.258 9 estabelecido neste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) §6o O disposto nos §§ 4o e 5o não impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996.” Por sua vez, dispõe o art.32 da Lei nº 9.430/96: “Art.32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. §1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts.9º, §1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. §2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. §3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no §2º sem qualquer manifestação da parte interessada. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.259 10 §5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. §6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. §7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. §10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. §11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) §12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” Ao contrário do que entende o Recorrente, a suspensão cautelar pelo Plenário do STF do art.14 da Lei nº 9.532/97 não impossibilita a incidência do rito estabelecido no art.32 da Lei nº 9.430/96 aos procedimentos para a suspensão da isenção de que trata a Lei nº 11.096, de 13/1/05, relacionada ao Programa Universidade para Todos (Prouni), que dispõe: “Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: ..... II desvinculação do Prouni, determinada em caso de reincidência, na hipótese de falta grave, conforme dispuser o regulamento, sem prejuízo para os estudantes beneficiados e sem ônus para o Poder Público. §1o As penas previstas no caput deste artigo serão aplicadas pelo Ministério da Educação, nos termos do disposto em regulamento, após a instauração de procedimento administrativo, assegurado o contraditório e direito de defesa. §2o Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, a suspensão da isenção dos impostos e contribuições de que trata o art. 8o Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.260 11 desta Lei terá como termo inicial a data de ocorrência da falta que deu causa à desvinculação do Prouni, aplicandose o disposto nos arts. 32 e 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no que couber.” O Relator da ADI nº 1.8023/DF, Min. Sepúlveda Pertence, quanto ao art.14 da Lei nº 9.532/97, esclareceu que a suspensão da imunidade (no caso concreto, a prevista no art.150, VI, “c”, da CF/88), não poderia ser usada como sanção. Vejamos: “[...] Creio mesmo que, tratandose de imunidade constitucional, não há falar propriamente em suspensão. Ou estão reunidos, em determinado momento, os seus pressupostos objetivos e subjetivos, ou não se aplica a regra da imunidade. Mas, até onde a regra de imunidade alcançar, a sua suspensão não pode ser usada como sanção de coisa alguma. Na mesma linha, parece extravasar da esfera de competência da lei questionada os arts.13, caput, e 14, verbis – f.5 e 6: ..... Essa L. 9.430/96 prevê a ‘suspensão’ da imunidade tributária por falta de observância dos requisitos do art.9º, §1º, e 14 do CTN, claramente enquadráveis no campo que vimos considerando facultado até à lei ordinária. A norma agora impugnada, contudo, uma vez mais, instrumentaliza a suspensão da imunidade tributária como sanção dos ilícitos fiscais que não dizem com os pressupostos do benefício constitucional. Já o parág. único do art.13 parece escapar ileso da impugnação – f.6: ..... Cuidase aí sim de coibir desvios fraudulentos da renda da instituição coberta pela imunidade e a sua definição como infração tributária, embora ociosa, não se pode tachar de inconstitucional.” Assim, é descabida a afirmação de que “...Por força da liminar que suspendeu a vigência do artigo 14 da Lei nº 9.532/97, todo o normativo de PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO previsto no artigo 32 da Lei nº 9.430/96, com vistas à suspensão da isenção condicionante está, também, com a sua respectiva vigência suspensa”, não se podendo em falar em violação ao princípio da legalidade. Como visto, o art.32 da Lei nº 9.430/96, mencionado expressamente no art.9º, §2º, da Lei nº 11.096, de 13/1/05, não teve sua vigência suspensa pelo STF, razão pela qual a decisão na ADI nº 1.8023/DF não o alcançou. Ademais, o procedimento fiscal que culminou na publicação do ADE nº 54/2011 também estava previsto no art.5º da Instrução Normativa SRF nº 456, de 5/10/04, vigente à época da fiscalização, por meio do qual se garantiu a ampla defesa e o contraditório ainda no curso da auditoria, antes de proferido o Despacho Decisório. Vejamos: Art.5o Caso a instituição seja desvinculada do Prouni, a suspensão da isenção das contribuições e do imposto de que Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.261 12 trata o art.1º darseá a partir da data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, alcançando todo o período de apuração do imposto ou das contribuições. §1º Quando for constatado que a instituição beneficiária da isenção não está observando os requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. §3º O Delegado da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo da isenção, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à instituição. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo, se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da instituição. §5º Efetivada a suspensão da isenção: I a instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso, com a exigência do crédito tributário desde a data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, da multa de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , e de juros de mora. §6º A impugnação relativa à suspensão da isenção obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §7º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §8º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. §9º O disposto no caput deste artigo aplicase, também, na hipótese de desvinculação da entidade de ensino do Prouni determinada pelo Ministério da Educação, em virtude de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão. Acrescentese que, da análise da Notificação Fiscal, Despacho Decisório e ADE nº 54/2011, não se vislumbra mínimo prejuízo ao direito de defesa. Por tais razões, não se acolhem as preliminares de nulidade. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.262 13 MÉRITO Como relatado, o Fisco federal suspendeu a isenção com base nos seguintes fundamentos arrolados no ADE nº 54/2011 e no Despacho Decisório: “(a) deixou de aferir a veracidade das informações sócio econômicas prestadas pelos candidatos, de forma que não assegurou o cumprimento das condições para o recebimento do benefício, posto que concedeu bolsas integrais ProUni a candidatos com renda familiar per capta superior a 1 ½ salário mínimo; (b) deixou de adotar, para estudantes ingressos em períodos letivos anteriores, providências relativas à atualização do cadastro sócioeconômico, agravando o quadro de concessão de bolsas integrais ProUni para aqueles com renda superior a 1 ½ salário mínimo; (c) o número de bolsas ativas do ProUni, concedidas até o segundo semestre de 2008, está aquém do previsto no art. 5° da Lei n° 11.096, de 2005, e do quanto constante dos Termos de Adesão; (d) deixou de informar na DIPJ/2009 o Lucro da Exploração relativa à atividade beneficiária da isenção e; (e) deixou de escriturar em sua contabilidade do ano de 2008, de forma segregada e com clareza e exatidão, os elementos de custos e despesas relativas à atividade isenta”. Passase à análise individualizada dos fundamentos. 1. Da não informação, na DIPJ/09, do lucro da exploração Nos termos da Notificação Fiscal e do Despacho Decisório, a suspensão da isenção justificarseia pelo fato de na DIPJ/09 o contribuinte não ter apurado o lucro da exploração da atividade isenta. Na DIPJ/09, a Demonstração do Lucro da Exploração era objeto da Ficha 08, que iniciava com a informação sobre a “Receita Líquida da Atividade Isenta, inclusive do Prouni”. Apesar de tal Ficha não constar da cópia da DIPJ anexa aos autos (fls.22/44), presumese, à vista das informações do contribuinte prestadas no curso do procedimento fiscal e na fase litigiosa, que aquela demonstração realmente deixou de ser elaborada. Entretanto, o preenchimento de tal Ficha não foi previsto como requisito legal essencial ao gozo da isenção. De igual forma, o preenchimento da Demonstração do Lucro da Exploração não foi contemplado na IN SRF nº 456/04, que apenas dispõe sobre a forma de apurálo: “Art. 2º Considerase lucro da exploração de que trata o §2º do art.1º o lucro líquido do período de apuração, antes de deduzida a provisão para a CSLL e a provisão para o imposto de renda, ajustado pela exclusão dos seguintes valores: I da parte das receitas financeiras que exceder às despesas financeiras; II dos rendimentos e prejuízos das participações societárias; III dos resultados nãooperacionais; e IV do valor baixado de reserva de reavaliação, nos casos em que o valor realizado dos bens objeto da reavaliação tenha sido registrado como custo ou despesa operacional e a baixa da reserva tenha sido efetuada em contrapartida à conta de: a) receita nãooperacional; ou Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.263 14 b) patrimônio líquido, não computada no resultado do mesmo período de apuração. Parágrafo único. As variações monetárias serão consideradas, para efeito de cálculo do lucro da exploração, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” Por tal razão, à míngua de dispositivo legal, ou mesmo infralegal, no sentido de condicionar o gozo da isenção ao preenchimento, na DIPJ, da Demonstração do Lucro da Exploração, a omissão apontada pela fiscalização não leva à suspensão do benefício. 2. Da não escrituração segregada A isenção também foi suspensa sob o fundamento de que o beneficiário deixou de escriturar em 2008, de forma segregada, com clareza e exatidão, os custos e despesas relativos à atividade isenta, o que contrariaria o disposto no art.3º da IN SRF nº 456/04: “Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. Parágrafo único. Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela instituição de ensino não oferecer condições para apuração do lucro líquido e do lucro da exploração por atividade, este poderá ser estabelecido com base na relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total.” Na Notificação Fiscal constou a seguinte fundamentação: “[...] Como se verifica das anexas cópias do Balancete levantado em 31.12.2008, não consta da escrituração contábil realizada de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2008, a segregação das rubricas de custos e despesas relativos à atividade incentivada. Tais custos e despesas foram escriturados em conjunto, sem separação daqueles inerentes somente à atividade incentivada”. Por sua vez, no Despacho Decisório, após descrever a estrutura do Plano de Contas, em especial das contas de resultado, a autoridade fiscal assim detalhou: “[...] Destarte, não se verifica da estrutura do Elenco do Plano de Contas, e por consequência da escrituração contábil de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2008, a segregação das rubricas de custos, despesas, receitas e resultados relativos à atividade incentivada. As despesas e receitas foram escrituradas em sub contas das contas de quarto grau, sem segregação daquelas inerentes somente à atividade incentivada. O fato do Elenco do Plano de Contas possuir algumas rubricas contábeis (sub contas) relativas a receitas incentivadas, não significa que haja segregação, tampouco que exista clareza e exatidão, haja vista que a segregação se operaria, no caso da impugnante, por meio das contas de quarto grau. Comprovando essa assertiva, podese Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.264 15 observar que o Elenco do Plano, em nível de quarto grau, só possui as rubricas ‘5.1.11.11 – (Conta de apuração do Resultado e 6.1.11.11 – (Apuração Resultado) Trimestral’. Não existe Grupo para as contas Resultado da Atividade Incentivada, nem no Grupo 5, nem no 6. 49. Tanto é procedente a conclusão dando pela não segregação e pela falta de clareza e exatidão da escrituração, que a autoridade fiscal notificante, para chegar ao Lucro da Exploração da atividade incentivada, utilizou a regra permitida pelo parágrafo único do art.3º da IN SRF 456/2004. E disso fez registro a impugnante em sua peça de defesa. Frente a tão contundente prova, concluise que não é verdadeira a alegação da defesa de que efetuou a escrituração de forma segregada.” Sustenta o Recorrente que na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e nos balancetes contábeis, os registros seriam claros e exatos. Ao contrário do que entendeu o Recorrente, a segregação, além de estar prevista na parte final do art.3º, caput, da IN SRF nº 456/04, não se refere à separação da contabilidade por grupos e contas, mas à distinção, isolamento, das receitas, custos e despesas referentes às atividades sobre as quais recai a isenção, daqueles valores concernentes às demais atividades. O Recorrente afirma que os grupos de contas abaixo representariam os custos e despesas da atividade isenta, enquanto o grupo 3.2.11.11 (Cursos Pós/MBA e Seqüencial) representariam os custos e despesas das demais atividades: 3.2.12.11 – Pessoal e Encargos 3.2.12.12 – Material de Consumo 3.2.12.13 – Serviços Prestados por Terceiros 3.2.12.14 – Impostos e Taxas 3.2.12.15 – Despesas financeiras 3.2.12.17 – Depreciação 3.2.12.18 – Amortização 3.2.12.19 – Provisões 3.5.12.11 – Contribuições 3.5.12.12 – Impostos Também afirma que o Grupo de Contas 4.1.11.12 (Mensalidades) representaria as receitas isentas, enquanto os seguintes grupos, as receitas das demais atividades: 4.1.11.11 – Inscrição em Vestibular 4.1.11.16 – Curso de Extensão 4.1.11.17 – PósGraduação e MBA 4.3.11.11 – Receitas Financeiras 4.4.11.11 – Ganhos na Alienação de Bens Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.265 16 Apesar de tais alegações, o Recorrente não produziu mínima prova para lastreálas, postura que está em desacordo com o estabelecido nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Em suma, à luz dos autos, realmente se verifica que o contribuinte não “...demonstrou em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades”, como previsto no art.3º, caput, da IN SRF nº 456/04. Resta saber se tal falta pode levar à suspensão da isenção. Dispõe a Constituição Federal em seu art.150, §6º: “Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (destaquei) Por sua vez, estatui o Código Tributário Nacional (CTN) sobre a concessão de isenção: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: ..... VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. ..... Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Art.176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art.177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I às taxas e às contribuições de melhoria; II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.266 17 Art.178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975) Art.179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. §1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155.” (destaquei) Como afirma Luciano Amaro (in Direito tributário brasileiro. 3ªed. São Paulo: Saraiva, 1999, p.268), “...Desnecessário é frisar que a isenção, por atuar, como norma de exceção, no plano da incidência do tributo, é matéria de lei, a que cabe a definição do seu regime jurídico (CTN, art.176).”. Tratase a isenção de uma exceção feita por lei à regra jurídica de tributação, estando incluída na área da denominada reserva legal e, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e os requisitos exigidos para a sua concessão (in Machado, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 13ª ed. São Paulo: Malheiros, 1998. pp. 154155). Em igual sentido, a doutrina de Rubens Gomes de Sousa (in Compêndio de legislação tributária; coordenação IBET; obra póstuma. São Paulo: Resenha Tributária, 1975, p.97.), para quem a isenção “...depende de lei expressa, justamente por ser um favor, isto é, uma exceção à regra de que, verificado o fato gerador, é devido o tributo”. Assim, nos termos do CTN, não apenas a isenção deve ser instituída por lei, como dispõe a CF/88, mas os requisitos que autorizam o seu gozo também devem ter assento legal, não podendo o Fisco, por atos infralegais, estabelecêlos de maneira inovadora, sob pena de exorbitar a competência afeta ao legislador e frustrar o gozo do benefício, ainda que, como na hipótese, determinada providência facilite a fiscalização do incentivo concedido. Em suma, para o gozo da isenção, basta que o contribuinte preencha os requisitos definidos na lei. O art.8º, §2º, da Lei nº 11.096/05, ao dispor que a Receita Federal disciplinará a isenção em tela, não autorizou tal órgão a estabelecer requisitos não previstos em lei, que, frisese, silenciou quanto à necessidade de a instituição “...demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades”. Podese argumentar que tal procedimento contábil fazse Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.267 18 necessário para a implementação da isenção na prática, mormente para possibilitar a apuração do lucro da exploração. De tal raciocínio não se discorda. Porém, além de não se poder olvidar da lei, como acentuado anteriormente, na isenção em tela, o parágrafo único do mesmo art.3º da IN 456/04 autoriza o cálculo do lucro da exploração alternativamente “...com base na relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total”. Observese que, valendose desta segunda opção, o contribuinte apurou na Parte A do LALUR o lucro da exploração relativo ao 1º trimestre de 2008 (fl.64). O curioso é que a própria RFB confirmou tal informação no Despacho Decisório. Vejamos: “49. Tanto é procedente a conclusão dando pela não segregação e pela falta de clareza e exatidão da escrituração, que a autoridade fiscal notificante, para chegar ao Lucro da Exploração da atividade incentivada, utilizou a regra permitida pelo parágrafo único do art.3º da IN SRF 456/2004. E disso fez registro a impugnante em sua peça de defesa. Frente a tão contundente prova, concluise que não é verdadeira a alegação da defesa de que efetuou a escrituração de forma segregada.” (destaquei) O mencionado excerto da Notificação Fiscal é o seguinte: “Segundo consta da DIPJ/2009 – “Declaração de Informações Econômicos Fiscais”, 1º Trimestre de 2008, e constante da Ficha 09 A, linha 68, anexa, a Instituição promoveu uma redução do Lucro Real (Lucro Tributável), na data de 31/12/2008, no valor de R$1.761.929,68, reduzindo referido Lucro Real de R$1.829.761,34 para o valor de R$67.831,66. Pelo Ofício anexo, informou a entidade a esta fiscalização, bem como apresentou o Livro de Apuração do Lucro Real, contendo a apuração do valor do Lucro da Exploração da Atividade isenta em valor que supera a exclusão do lucro líquido lançado na DIPJ/2009. O procedimento de efetuar a apuração do Lucro da Exploração da Atividade isenta, não constou, portanto, da DIPJ/2009.” Com mais clareza, a fiscalização, ao lavrar o auto de infração de IRPJ (processo nº 14041.720013/201198), decorrente da suspensão da isenção, consignou expressamente no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, que aquele valor declarado na DIPJ/09 a título de exclusão referese realmente ao lucro da exploração. Senão, vejamos: “Glosa da redução indevida do Lucro Real do 1º trimestre de 2008, lançada na Ficha 09A da DIPJ, Linha 68, como ‘outras exclusões’ do Lucro Líquido do Exercício. Tal exclusão no valor de R$ 1.761.929,68 efetuada pela contribuinte, segundo registra o Livro de Apuração do Lucro Real referese a Lucro da Exploração da Atividade do Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.268 19 PROUNI, de que trata a Medida Provisória nº 213/2004, convertida na Lei nº 11.096/2005. Contudo, examinado os livros, documentos e justificativas da contribuinte, do anocalendário de 2008, constatei que não observou as condições de gozo de isenção prevista no artigo 8º da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005. Nesse compasso, dei ciência da NOTIFICAÇÃO FISCAL à contribuinte sobre os fatos que determinavam a suspensão da isenção no anocalendário de 2008, ao tempo que lhe propiciei a apresentação de razões que pudessem elidir a suspensão. A contribuinte apresentou sua impugnação aos termos da Notificação Fiscal, do que resultou o Despacho Decisório e respectivo Ato Declaratório constantes dos autos do procedimento administrativo nº 10166.722952/201118, anexo, e parte integrante do presente, que determinou, ao fim e ao cabo, a suspensão da isenção no anocalendário de 2008.” (destaquei) Quanto ao §10º do art.32 da Lei nº 9.430/96 (“Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência”), limitase a fazer referência ao emprego do procedimento relativo à suspensão da imunidade de que trata o art.150, VI, “c”, da CF/88, com nítido caráter processual, não podendo ser dissociado do caput, que, em consonância com o CTN e a CF/88, tratou da suspensão em virtude de falta de observância de requisitos legais: Art.32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. §1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, §1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. §2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. §3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no §2º sem qualquer manifestação da parte interessada. §5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. §6º Efetivada a suspensão da imunidade: Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.269 20 I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. §7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. §10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. §11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) §12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Cabe ainda observar que a parte inicial do parágrafo primeiro supracitado, relativamente ao não cumprimento dos requisitos previstos nos “arts. 9º, §1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional”, está relacionado especificamente à “imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal”. Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, tal norma não se relaciona ao procedimento, ao rito, ao qual se limitou o art.32, §10, da Lei nº 9.430/96. Para um melhor entendimento, vejamos tais dispositivos legais: “Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ..... IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.270 21 d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. ..... Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. §1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. §2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.” É importante destacar que aqui não se discute sobre a existência de previsão, no art.14, III, do CTN, do requisito relacionado à escrituração de receitas e despesas, mencionado no parágrafo primeiro do art.32 da Lei nº 9.430/96, mas a sua incidência no caso da isenção Prouni. Diferentemente da situação tratada nos autos, cujo requisito para o gozo da isenção assentase em norma infralegal, aquela imunidade subordinase, por exemplo, à manutenção da escrituração das receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, requisito este de estatura legal, de igual forma que o efeito da suspensão do benefício pela autoridade competente (§1º), decorrente do descumprimento das condições. Não obstante o art.32, §10, da Lei nº 9.430/96 empregar a expressão “condições ou requisitos impostos pela legislação de regência”, que permitiria a imposição pela autoridade fiscal de condições/requisitos não previstos em lei stricto sensu, tendo em vista que, conforme art.96 do CTN, a expressão “legislação tributária” compreende as normas complementares, dentre as quais se incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades competentes (art.100, I), a CF/88 e o mesmo codex, diplomas de estatura normativa superior, estabelecem que o regime jurídico relacionado a isenções decorre de lei que especifique as condições e requisitos exigidos. Aqui não se faz um juízo de (in)constitucionalidade do art.32, §10, da Lei nº 9.430/96, para afastálo, o que, como cediço, é vedado aos julgadores administrativos, matéria inclusive já sumulada pelo CARF (Enunciado nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), mas uma interpretação, à luz da CF/88 e do CTN, de que o vocábulo “legislação”, vazado naquele parágrafo, restringese, quanto às condições/requisitos para fins de gozo da isenção, à lei, não compreendendo normas infralegais, a exemplo de Instruções Normativas, até mesmo sob pena de se incorrer em contradição com o disposto no próprio caput do art.32 da Lei nº 9.430/96, que dispõe sobre a Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.271 22 “A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais”. Pelo exposto, tendo o contribuinte, conforme confirmação da própria fiscalização, apurado o lucro da exploração com base na “relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total”, autorizado pela Receita Federal no art.3º, parágrafo único, da IN SRF nº 456/04, o que indica a prescindibilidade, no caso concreto, da não segregação dos elementos que compõem as receitas, custos e despesas (art.3º, caput, da IN SRF nº 456/04); e que o regime jurídico das isenções deve estar definido em lei, inclusive quanto às condições/requisitos para o gozo, não subsiste a justificativa da autoridade fazendária para suspender o benefício. 3. Da checagem das informações socioeconômicas dos candidatos e da atualização do cadastro dos estudantes ingressos em períodos anteriores Segundo a fiscalização, a obrigatoriedade de aferir a veracidade das informações prestadas pelos candidatos e assegurar o cumprimento das condições para a concessão das bolsas caberia à instituição de ensino, conforme Termo de Adesão ao Prouni. Dispõe a Lei nº 11.096/05, que a adesão ao Prouni dáse mediante assinatura de Termo de Adesão, em que constarão as obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino: “Art.5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindo lhe oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa integral para o equivalente a 10,7 (dez inteiros e sete décimos) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do correspondente período letivo anterior, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, excluído o número correspondente a bolsas integrais concedidas pelo Prouni ou pela própria instituição, em cursos efetivamente nela instalados. ..... Art.7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: I proporção de bolsas de estudo oferecidas por curso, turno e unidade, respeitados os parâmetros estabelecidos no art. 5o desta Lei; II percentual de bolsas de estudo destinado à implementação de políticas afirmativas de acesso ao ensino superior de portadores de deficiência ou de autodeclarados indígenas e negros.” (destaquei) A AIEC celebrou em 7/11/07 e 16/5/08, o “Termo Aditivo 1º Semestre de 2008” (fls.1.051/1.055) e o “Termo Aditivo 2º Semestre de 2008” (fls.1.056/1.060), relativos ao curso de Administração, na modalidade à distância (EAD), em que se previu na Cláusula 9 (“Condições Essenciais”): Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.272 23 “I – A instituição de ensino superior, mantida pelo proponente, por meio deste Termo Aditivo ao Termo de Adesão inicialmente firmado com o Programa Universidade para Todos – ProUni, assume os encargos legais previstos na Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, e respectiva regulamentação, comprometendo se, diretamente ou, no que couber, por intermédio do Coordenador do PROUNI, a: a) cumprir fielmente o disposto nas portarias que regulamentam este programa; ..... d) selecionar os candidatos, aferindo a veracidade das informações por eles prestadas, de forma a assegurar o cumprimento das condições para o recebimento do benefício; ..... i) adotar, durante o período de manutenção das bolsas dos estudantes já beneficiados, as providências necessárias à sua atualização; ..... k) manter arquivada toda a documentação relativa aos benefícios concedidos a estudantes matriculados em suas unidades, pelo período de cinco anos após o encerramento da bolsa;” A instituição de ensino, então, comprometeuse perante o MEC a aferir a veracidade das informações prestadas pelos alunos, com vistas a assegurar o cumprimento por parte destes das condições para o recebimento/manutenção das bolsas, e a arquivar a respectiva documentação pelo período de cinco anos após o seu encerramento. No Despacho Decisório que lastreou a publicação do ADE nº 54/2011, a autoridade fiscal, após consignar que verificou a renda familiar a partir de declarações de renda constantes do banco de dados da Receita Federal, afirmou que cabia à instituição de ensino investigar as condições socioeconômicas informadas pelo candidato: “[...] Quanto às análises efetuadas pela autoridade fiscal, e expostas às fls.06 a 16, para comprovar de forma irrefutável que a impugnante concedeu bolsas do ProUni integrais a quem tinha renda familiar per capta superior a 11/2 salário mínimo, verifica se que foram feitas por meio de cotejamento entre os dados constantes dos dossiês dos alunos fornecidos pela instituição (fls.96 a 339) com as declarações de rendas constantes dos arquivos da Receita Federal (fls.340 a 506), de forma jurídica, por profissional do Fisco no exercício regular do direito e no estrito cumprimento do dever legal. Tratase de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que exerceu suas funções e executou seu poderdever legitimado em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização, caracterizando assim o acesso motivado aos dados dos referidos alunos. Tratouse, pois, não de quebra de sigilo fiscal, mas sim de transferência de sigilo de uma base de dados para outra nos autos do processo administrativo, de forma que permitiu a ampla defesa da impugnante, devendo tais dados (dossiês dos alunos e Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.273 24 declarações) permanecer nesta nova base com as mesmas garantias de sigilo, por óbvio. 25. A investigação das condições sócio econômicas informadas pelo candidato é conduta comezinha que deveria ter sido efetuada pela própria impugnante na época própria, por si ou por qualquer empresa especializada em CADASTROS, que por certo não dispõe de arquivos de Declarações de Rendas, tal como procedem as instituições bancárias ou as empresas imobiliárias quando homologam o cadastro de um correntista ou inquilino, respectivamente. Isso a lei permite e, portanto, a impugnante estava e está autorizada, além de obrigada legalmente. Aduzir que lhe compete somente conferir assinaturas, aspecto formal de documentação e exigir cópias de documentos não é jurídico e é o mesmo que alegar que eventual conluio entre as partes estaria fora do alcance de punição.” Vêse que a fiscalização não afirmou que a instituição obrigavase a exigir dos candidatos e estudantes ingressos em períodos anteriores a apresentação de suas declarações de rendimento ou as dos integrantes de sua família, como entendeu o Recorrente, mas que informações extraídas do banco de dados da RFB serviriam para checar a renda familiar mensal. A questão resolvese em outros termos. Em um primeiro momento, interessa saber se a AIEC adotou as providências para, repitase, como dispõem os Aditivos ao Termo de Adesão, aferir a veracidade das informações que lhe foram prestadas pelos estudantes. Fazse necessário, portanto, analisar a documentação constante das pastas dos alunos disponibilizadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal. A isenção, como visto, é voltada à instituição que aderir ao Prouni, programa que, nos termos do art.1º da Lei nº 11.096/05, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais concedidas a brasileiros não portadores de diploma de curso superior, cuja renda familiar mensal per capita não exceda o valor de até 1 (um) salário mínimo e 1/2 (meio), no caso de bolsa integral, ou o valor de 3 (três) saláriosmínimos, na hipótese de bolsas parciais de 50% (cinquenta por cento) ou 25% (vinte e cinco por cento). Conforme sítio eletrônico do Prouni na internet, “...A renda é calculada somandose a renda bruta mensal dos componentes do grupo familiar e dividindose pelo número de pessoas que formam este grupo” e entendese como grupo familiar “...a unidade nuclear composta por uma ou mais pessoas, eventualmente ampliada por outras pessoas que contribuam para o rendimento ou tenham suas despesas atendidas por aquela unidade familiar, todas moradoras em um mesmo domicílio” 1 (item 4.2). Conforme atos normativos editados pelo Ministério da Educação, que dispõem sobre o processo seletivo do Prouni em cada semestre (v.g., Portaria nº 4.264, de 8/12/05; nº 4, de 18/5/06; nº 1.853, de 28/11/06; nº 24, de 22/5/07; nº 1.109, de 22/10/07; e nº 599, de 19/5/08), na formação do grupo familiar admitemse os seguintes graus de parentesco, 1 Disponível em http://siteprouni.mec.gov.br/tire_suas_duvidas.php#inscricoes Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.274 25 que devem usufruir da renda bruta mensal familiar: pai, padrasto, mãe, madrasta, cônjuge, companheiro(a), filho(a), enteado(a), irmão(ã) e avô(ó). Tais Portarias ainda dispõem que, para os membros do grupo familiar que não possuam renda própria, a relação de dependência comprovase por meio de documentos emitidos ou reconhecidos por órgãos oficiais ou pela fonte pagadora dos rendimentos de qualquer um dos componentes do grupo familiar. Também relacionam quais documentos os candidatos devem apresentar para fins de comprovação do grau de parentesco e da renda, podendo o coordenador ou representante do Prouni exigir inclusive contas de energia, água, telefone fixa ou móvel, gás, condomínio, comprovantes de pagamento de aluguel ou prestação de imóvel próprio, faturas de cartão de crédito, extratos bancários, extrato do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Declaração Anual de Isento (DAI), Declaração de Imposto de Renda Pessoas Física (DIRPF) e respectiva notificação de restituição. No caso concreto, a fiscalização selecionou aleatoriamente 11 (onze) alunos, em um universo de 324 (trezentos e vinte e quatro). Quanto àqueles, afirmou, conforme Notificação Fiscal (fls.2/18), ter a AIEC atestado que a comprovação dos requisitos deuse pela apresentação de “cópias de documentos”. Além do mais, os Termos de Atualização do Usufruto da Bolsa Prouni, firmados semestralmente, não estariam acompanhados de qualquer comprovação de renda e/ou de modificação do grupo familiar. Abaixo seguem as análises, à luz da acusação fiscal, dos documentos que compõem as fichas dos alunos acostadas aos autos: 1. Alexandre Nunes Loyola Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, considerando o grupo familiar de 3 pessoas (aluno, esposa e filha), pois sua irmã não constou como dependente na DIRPF e reside em cidade distinta. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.97/99), firmado em 6/2/07, o grupo familiar seria também constituído pela esposa, filho e irmã, sendo que apenas o aluno auferia renda mensal de R$1.600,00. Para comprovála, foram arquivadas as cópias do contracheque, em que se confirma a renda bruta mensal de R$ 2.416,12 em dezembro de 2006, das certidões de casamento, de nascimento da filha do aluno e da carteira de identidade de sua irmã (fls.111/116). Quanto aos anos subsequentes, não consta qualquer documentação referente à renda familiar percebida. A fiscalização constatou que em 2007 e 2008, o aluno obteve rendimentos de R$26.896,58 e R$29.803,11. Relativamente à esposa e à irmã, declaradas no Termo de Concessão de Bolsa como componentes do grupo familiar, não identificou que auferiram rendimentos no período analisado. Quanto à irmã residir em município distinto do bolsista, tal informação foi obtida a partir do cadastro CPF (fls.353/354), que pode não retratar a situação nos anos sob análise. Como exemplo da possibilidade de tal defasagem, os endereços dos cônjuges também são diferentes (fls.352/353). Por sua vez, a relação de dependência da irmã deixou de ser Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.275 26 comprovada documentalmente, de forma que o grupo familiar limitavase a 3 (três) componentes. Sendo assim, quanto a tal aluno, considerando o contracheque apresentado à instituição de ensino, notase que, quando da aferição das informações prestadas em sua ficha de inscrição, a AIEC, considerando a ausência de comprovação da relação de dependência da irmã do aluno, poderia ter constatado que a renda per capita familiar mensal era superior a 11/2 salário mínimo. 2. Daniel Vizelli Wege Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.117/119), firmado em 17/1/07, o grupo familiar seria também constituído pela companheira, sendo que apenas o aluno auferia renda mensal de R$1.000,00. Para comprovála, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação, das Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) do aluno com a confirmação da remuneração de R$800,00 e de sua companheira, e de contrato de prestação de serviços celebrado em 15/1/06 com remuneração mensal de R$ 200,00 (fls.134/139). Quanto aos anos subsequentes, não consta qualquer documentação referente à renda familiar percebida. A fiscalização constatou que em 2009 e 2010 o aluno obteve rendimentos superiores a R$ 22.000,00 e R$ 26.000,00, respectivamente, e sua companheira, R$ 3.000,00 mensais em 2009. Além disso, seria proprietário da Esupercorp.com Serviços de Provedor Via Internet Ltda – ME, desde 10/9/10. Sendo assim, quanto a tal aluno, considerando a documentação apresentada à instituição de ensino e o fato de sua companheira ter auferido rendimentos somente a partir de setembro de 2009 (fl.364), concluise que, para a concessão da bolsa, a instituição de ensino confirmou a renda per capita familiar mensal inferior a 11/2 salário mínimo. No entanto, a instituição de ensino deixou de verificar a renda familiar mensal quando das atualizações semestrais. 3. Ataanderson Gomes Silva Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, considerando a inexistência de dependente na DIRPF/07. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.140/142), firmado em 26/12/06, o grupo familiar seria também constituído pela mãe, um irmão, uma irmã, um filho e um sobrinho, Lucas Vaz da Silva Gomes, identificado indevidamente como filho, sendo que apenas a mãe auferia renda mensal de R$ 1.311,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação e das CTPS do aluno, mãe, irmão e irmã; de contracheques de sua mãe relativos a junho/06 (remuneração de R$1.836,14), julho/06 (remuneração de R$1.311,52), agosto/06 (remuneração de R$1.394,84), setembro/2006 (remuneração de R$1.311,62), outubro/2006 Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.276 27 (remuneração de R$1.311,62) e novembro/2006 (remuneração de R$2.554,32); das certidões de nascimento do filho e do sobrinho; e da certidão de óbito de seu pai (fls.154/171). Quanto aos anos subsequentes, não consta qualquer documentação referente à renda familiar percebida. A fiscalização constatou que em 2006, o aluno recebeu uma renda líquida de R$16.813,12, e nos anos 2008 e 2009 rendimentos superiores a R$26.000,00 e R$72.000,00, respectivamente, e que na DIRPF/07 não havia sido declarado qualquer dependente. Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas. Levandose em conta a remuneração mensal da mãe em 2006, e mesmo considerando, à míngua de outras relações de dependência, que o grupo familiar era formado por três componentes (aluno, mãe e filho), a AIEC, quando da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição, não poderia ter constatado que a renda per capita familiar mensal era superior a 11/2 salário mínimo. Observese que, apesar de a instituição de ensino não ter exigido a documentação no momento das atualizações semestrais, que poderia ter indicado o aumento da renda familiar, encerrou em 15/12/10 o usufruto da bolsa por ter constatado que o bolsista era proprietário de veículos automotores incompatíveis com o perfil socioeconômico do Prouni (fl.153). Tal fato demonstra, em certa medida, que a AIEC não se manteve inerte quanto à checagem dos requisitos legais no decorrer do curso. 4. Thiago de Paula Hass Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, considerando a inexistência de dependente na DIRPF/07, sendo que o candidato adquiriu um imóvel no valor de R$ 150.000,00 em 13/12/10, conforme registro no 6º Ofício de Registro de Imóveis em Ceilândia(DF). Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.172/174), firmado em dezembro de 2006, o grupo familiar seria também constituído pelo pai, mãe e irmão, sendo que apenas o aluno e seu pai auferiam renda mensal total de R$2.004,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; de recibos de pagamentos de salários do aluno, de setembro a novembro/2006 (R$604,00); de declaração comprobatória de percepção de rendimentos do pai em novembro/06 (R$1.100,00), DIRPF/06 e extrato bancário do pai com a informação do recebimento de proventos de R$1.500,00 em agosto, setembro e outubro/06; e do comprovante de entrega de declaração anual de isento da mãe (fls.186/197). Quanto aos anos subsequentes, não consta qualquer documentação referente à renda familiar percebida. A fiscalização constatou que em 2008, 2009 e 2010, o aluno recebeu rendimentos no valor de R$ 15.957,08; R$ 23.196,60 e R$ 30.812,21. Além do mais, não há informação sobre dependentes nas declarações de renda. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.277 28 Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas, em especial do irmão, nos termos do art.6º, II, b, da Portaria MEC nº 1.853, de 28/11/06, regente do processo seletivo do Prouni referente ao primeiro semestre de 2007 Considerando o grupo familiar composto pelo aluno, pai e mãe, a AIEC, quando da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição, poderia ter constatado que a renda familiar per capita mensal era superior a 11/2 salário mínimo. Apesar de a instituição de ensino não ter exigido a documentação no momento das atualizações semestrais, providência que poderia ter indicado o aumento da renda familiar, encerrou em 15/12/10 o usufruto da bolsa por ter constatado que o aluno era proprietário de veículo automotor, situação incompatível com o perfil socioeconômico do Prouni (fl.185). Além disso, verificou que o aluno casouse em 20/6/09 e que o seu grupo familiar era constituído apenas pelo casal, de forma que a renda mensal per capita era incompatível com a bolsa integral. Tais fatos demonstram, em certa medida, que a AIEC não se manteve inerte quanto à checagem dos requisitos legais no decorrer do curso. 5. Angélica Souza Nunes Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, considerando a inexistência de dependente na DIRPF/07. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.198/200), firmado em 31/1/06, o grupo familiar também seria constituído pelo pai, mãe e duas irmãs, sendo que apenas a aluna, sua mãe e uma das irmãs auferiam renda total mensal de R$850,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; de termo de rescisão de contrato de trabalho da aluna em 11/1/06 com a confirmação da remuneração de R$345,00; e de contracheque da irmã com remuneração de R$310,50 em novembro/05(fls.211/215). A fiscalização constatou que em 2008, 2009 e 2010, a aluna recebeu rendimentos no valor de R$18.055,24; R$25.145,59 e R$43.003,34. Verificase, conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do Prouni (fl.210), que a aluna formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os rendimentos percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas. Considerando o grupo familiar formado apenas pelos membros que possuam renda própria (aluna, mãe e irmã), como dispunha o art.6º, II, a, da Portaria MEC nº 4.264, de 8/12/05, regente do processo seletivo do Prouni referente ao primeiro semestre de 2006, a renda familiar per capita mensal seria inferior a 11/2 salário mínimo no momento da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição. No entanto, a instituição de ensino deixou de verificar a renda familiar mensal quando das atualizações semestrais. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.278 29 6. Célio Vieira Lopes Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, considerando a não confirmação da condição de enteado da pessoa informada no Termo de Concessão de Bolsa. O aluno adquiriu 4 (quatro) imóveis em 1/9/09 e recebe salários da Cia de Saneamento de Minas Gerais e da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.216/218), firmado em 8/3/06, o grupo familiar também seria constituído pela companheira, filha e enteado, sendo que apenas o aluno teria auferido renda mensal de R$1.294,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; de contracheques do aluno referentes a novembro/05 (R$2.3109,08) e janeiro/06 (R$1.592,84); da CTPS da companheira; e das certidões de nascimento da filha e do enteado (fls.229/235). A fiscalização constatou que em 2006, 2008, 2009 e 2010, o aluno auferiu renda de R$33.631,27; R$47.604,84; R$92.485,14 e R$61.092,94, respectivamente. Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas, em especial do enteado. Considerando o rendimento do aluno em janeiro de 2006 e tendo em vista que a fiscalização afastou apenas a relação de dependência econômica do enteado, o que limita o grupo familiar a três componentes, a AIEC, quando da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição, poderia ter constatado que a renda familiar per capita mensal era superior a 11/2 salário mínimo. Também deixou de exigir a documentação quando das atualizações semestrais, providência que poderia ter atestado o descumprimento do requisito, mesmo considerando o grupo familiar formado por quatro integrantes. Conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do ProUni (fl.228), o aluno formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os seus rendimentos percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. 7. Paulo Sérgio Alves de Souza Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, sendo que a DIRPF não confirma a existência de grupo familiar. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.255/257), firmado em 10/2/06, o grupo familiar também seria constituído por sua mãe, padrasto, irmã e irmão, sendo que apenas o padrasto e sua mãe auferiam renda mensal total de R$947,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; da CTPS do aluno, do irmão, da irmã e do padrasto; de recibo de benefício previdenciário da mãe; e de recibo de concessão de aposentadoria do padrasto (fls.268/278). A fiscalização constatou que em 2008, 2009 e 2010, o aluno auferiu renda de R$15.507,95; R$18.375,36 e R$31.875,67, respectivamente. Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.279 30 Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas, em especial da irmã e do irmão. Considerando o grupo familiar formado apenas pelos membros que possuam renda própria (aluno, mãe e padrasto), como dispunha o art.6º, II, a, da Portaria MEC nº 4.264, de 8/12/05, regente do processo seletivo do Prouni referente ao primeiro semestre de 2006, a renda familiar per capita mensal seria inferior a 11/2 salário mínimo no momento da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição. Verificase, ainda, conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do ProUni (fl.267), que o aluno formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os seus rendimentos percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. Sequer o fato de ter recebido rendimentos em 2008 e 2009 revela o descumprimento do requisito legal relativo à renda familiar per capita mensal, considerando: (a) o grupo familiar composto por três pessoas; (b) a hipótese de que o padrasto e a mãe continuaram recebendo os mesmos rendimentos de 2006; e (c) que a fiscalização não apontou que tenham auferido renda naqueles anos. Vejamos: Ano Renda Anual Familiar Grupo Familiar Renda Mensal Per Capita 11/2 Salário Mínimo 2008 16.454,95 3 457,08 622,50 2009 19.322,36 3 536,73 697,50 8. Diana Andrade de Jesus Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, sendo que a pessoa informada como sendo do grupo familiar não consta das DIRPF. A aluna possui duas fontes de renda de trabalho, carro próprio, três contas poupança e dois imóveis. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.236/238), firmado em 10/3/06, o grupo familiar também seria constituído por sua irmã, sendo que apenas a aluna auferia renda mensal de R$ 400,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; de recibo de pagamento de salário da aluna confirmando o valor bruto de R$400,00 em fevereiro de 2006; de comprovante de entrega de declaração anual de isento da irmã; de certidão de óbito do pai; e de escritura de doação de imóvel a seu pai no valor de R$5.000,00 (fls.247/254) A fiscalização constatou que em 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, a aluna auferiu renda de R$6.971,29; R$18.627,12; R$21.651,51 e R$32.366,80 e R$55.278,54, respectivamente. Na pasta da aluna inexiste comprovação da relação de dependência informada. Sendo assim, considerando apenas tal aluna, verificase à vista da documentação apresentada à instituição de ensino quando da adesão, que sua renda mensal era inferior a 11/2 salário mínimo. No entanto, a instituição de ensino deixou de verificar a renda familiar mensal quando das atualizações semestrais. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.280 31 Verificase, ainda, conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do ProUni (fl.246), que a aluna formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os seus rendimentos percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. Para os demais anos, mesmo se considerado o grupo familiar constituído por 2(duas) pessoas, a renda familiar mensal per capita seria superior a 11/2 salário mínimo. 9. Kelly de Moraes Bernal Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo, e não declaração pelo pai dos rendimentos e dependentes na DIRPF. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.279/281), firmado em 31/1/06, o grupo familiar também seria constituído por seu pai, mãe, quatro irmãos e uma irmã, sendo que apenas o pai auferia renda mensal de R$1.200,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação e de demonstrativo de recebimento de salário do pai em janeiro de 2006, confirmando a renda (fls.291/298). A fiscalização constatou que em 2007, 2008, 2009 e 2010, a aluna, sua mãe e três irmãos teriam auferido rendas mensais que somadas ultrapassariam 11/2 salário mínimo per capita. A aluna recebera rendimentos brutos de R$13.098,48 em 2009 e R$27.950,00 em 2010 (fls.463/464); o pai, R$36.161,70 em 2007, R$38.717,63 em 2008, R$44.345,36 em 2009, e R$45.052,02 em 2010 (fl.467/470); os irmãos e a mãe, em conjunto, R$ 1.778,83 em 2007, R$3.103,10 em 2008, e R$2.872,26 em 2009 (fls.471/474). Conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do ProUni (fl.290), a aluna formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os rendimentos familiares percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. Na pasta da aluna inexiste comprovação das relações de dependência informadas. Verificase, ainda, que a instituição de ensino deixou de exigir comprovação da renda familiar mensal quando das atualizações semestrais, o que poderia ter revelado o descumprimento do requisito legal. 10. Fabrício Hochmuller Marotti Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.299/301), firmado em 14/7/06, o grupo familiar também seria constituído por sua mãe e duas irmãs, sendo que apenas o aluno e uma de suas irmãs auferiam renda mensal total de R$2.000,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; dos contracheques do aluno com a remuneração de R$ 1.193,43 em abril/06 e R$1.165,72 em maio/06; da certidão de nascimento da irmã; dos contracheques da irmã com a remuneração de R$1.155,00 em abril e maio/2006; e de ata de audiência de separação consensual de seus pais (fls.310/316). Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.281 32 A fiscalização verificou que em 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, o aluno teria auferido rendimentos de R$32.581,84; R$47.428,78; R$52.262,25; R$57.177,59 e R$64.097,50, respectivamente. Também sua mãe recebera R$6.604,90 em 2007 e R$7.856,76 em 2008 (fls.482/483), e sua irmã, R$33.332,72 em 2006 e R$48.482,77 em 2007 (fls.484/485). Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas, porém a fiscalização não as questionou. Considerando o grupo familiar de quatro componentes e os rendimentos recebidos pelo aluno e por uma de suas irmãs, a AIEC, quando da aferição das informações prestadas na ficha de inscrição, poderia ter constatado que a renda familiar per capita mensal era superior a 11/2 salário mínimo. Também deixou de exigir a documentação quando das atualizações semestrais, providência que poderia ter atestado o descumprimento do requisito. Conforme Termo de Encerramento do Usufruto da Bolsa do ProUni (fl.309), o aluno formouse no segundo semestre de 2009, razão pela qual os rendimentos percebidos em 2010 não podem justificar o descumprimento do requisito legal para a concessão da bolsa. 11. Raimundo Alves Portela Filho Irregularidade: Renda per capita familiar mensal superior a 11/2 salário mínimo. Conforme Termo de Concessão de Bolsa (fls.317/319), firmado em 3/7/07, o grupo familiar também seria constituído por sua mãe, dois irmãos e sua companheira, sendo que apenas o aluno auferia renda mensal de R$1.000,00. Para comprovar tal situação, foram arquivadas as cópias dos documentos de identificação; cópia da CTPS com a confirmação de remuneração mensal, a partir de 6/10/06, no valor de R$1.133,00; do contracheque em que consta a remuneração de R$1.230,34 em abril/07, R$1.241,43 em maio/07 e R$1.420,81 em junho/07 (fls.330/339). A fiscalização verificou que em 2007, 2008, 2009 e 2010, o aluno teria auferido rendimentos de R$20.634,50; R$28.363,44; R$50.778,59; R$57.408,25, respectivamente. Também um dos irmãos teria recebido rendimentos em 2008 no valor de R$1.891,20, e de R$6.919,90 em 2010 (fls.492/493). Na pasta do aluno inexiste comprovação das relações de dependência informadas, porém a fiscalização não as questionou. Considerando o grupo familiar de cinco componentes e os rendimentos recebidos pelo aluno em junho de 2007, um mês antes da assinatura do termo, a documentação apresentada à instituição de ensino quando da adesão atesta que a renda familiar per capita mensal era inferior a 11/2 salário mínimo. No entanto, a instituição de ensino deixou de verificar a renda familiar mensal quando das atualizações semestrais. Logo, os documentos que compõem as fichas dos bolsistas confirmam a acusação da fiscalização de que a instituição de ensino não foi diligente quanto à verificação da Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.282 33 renda familiar per capita mensal antes e durante o período de concessão das bolsas de estudos, não obstante em alguns casos ter efetuado o cancelamento exatamente por constatar perfis socioeconômicos inadequados. No Despacho Decisório, a autoridade fiscal afirmou que poderia a instituição ter consultado empresa especializada em cadastros para conferir a renda familiar, porém sequer apontou, ao menos exemplificativamente, quais seriam. Vale lembrar que tal exigência não consta da legislação que rege a matéria. Agora, resta saber se tais faltas levam à suspensão da isenção, à luz da legislação de regência. Dispõe a Lei nº 11.096/05: “Art.3o O estudante a ser beneficiado pelo Prouni será pré selecionado pelos resultados e pelo perfil socioeconômico do Exame Nacional do Ensino Médio ENEM ou outros critérios a serem definidos pelo Ministério da Educação, e, na etapa final, selecionado pela instituição de ensino superior, segundo seus próprios critérios, à qual competirá, também, aferir as informações prestadas pelo candidato. Parágrafo único. O beneficiário do Prouni responde legalmente pela veracidade e autenticidade das informações socioeconômicas por ele prestadas. ..... Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindo lhe oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa integral para o equivalente a 10,7 (dez inteiros e sete décimos) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do correspondente período letivo anterior, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, excluído o número correspondente a bolsas integrais concedidas pelo Prouni ou pela própria instituição, em cursos efetivamente nela instalados.” (destaquei) É inegável, portanto, que há previsão legal de obrigatoriedade de a instituição de ensino verificar o perfil socioeconômico dos candidatos. Como visto, de acordo com art.7º, caput, da Lei nº 11.096/05, as obrigações devem constar do Termo de Adesão ao Prouni. A autoridade fiscal, nos termos do Despacho Decisório, apontou que a verificação da renda familiar consistia em obrigação constante dos Aditivos ao Termo de Adesão da instituição ao Prouni. Vejamos: “[...] Os parágrafos primeiro e segundo do art.1º e os arts.3º, 5º e 7º da referida Lei, por seu turno, disciplinam as condições iniciais que os candidatos devem preencher e os termos da concessão da bolsa por parte da instituição, bem como estabelece que a instituição privada de ensino superior, com fins Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.283 34 lucrativos, aderirá ao ProUni mediante compromisso firmado em documento denominado Termo de Adesão, onde serão fixados os critérios a serem seguidos pela entidade pleiteante do benefício de isenção. ..... 9. As obrigações da instituição, para o anocalendário de 2008, constam do Termo Aditivo 1º Semestre de 2008, firmado em 07/11/2008 (fls.1051 a 1055), dentre as quais destacase o encargo legal previsto na legislação (Lei 11.096/2005, art.3º, acima transcrito), de selecionar os candidatos, aferir a veracidade das informações, e assegurar o cumprimento das condições para o recebimento do benefício, inclusive atualizações: Termo Aditivo 1º Semestre de 2008, firmado em 7 de novembro de 2007 [...] 9 – CONDIÇÕES ESSENCIAIS I – A instituição de ensino superior, mantida pelo proponente, por meio deste Termo Aditivo ao Termo de Adesão inicialmente firmado com o Programa Universidade para Todos – ProUni, assume os encargos legais previstos na Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, e respectiva regulamentação, comprometendose, diretamente ou, no que couber, por intermédio do Coordenador do PROUNI, a: [...] d) selecionar os candidatos, aferindo a veracidade das informações por eles prestadas, de forma a assegurar o cumprimento das condições para o recebimento do benefício; ..... i) adotar, durante o período de manutenção das bolsas dos estudantes já beneficiados, as providências necessárias à sua atualização; [...] (grifos nossos) ..... 24. A obrigação das instituições de selecionar, aferir e assegurar, está amparada nos art.3º, 5º e 7º da Lei nº 11.096/2005. Tais dispositivos exigem que as instituições que pretendam aderir ao Programa Universidade para Todos, antes, assinem termo de adesão, por onde serão fixadas as obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior. Ato consumado pela entidade impugnante com a assinatura do termo inicial (fls.59 e 60) e do ‘Termo Aditivo 1º Semestre 2008’, de 07/11/07 (fls.1.051 a 1.057). ..... Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.284 35 29. Sem procedência, também, a afirmação da instituição, para rebater os argumentos do item ‘b’ da Notificação Fiscal, de que email do Ministério da Educação estaria confirmando que, nos casos de atualização e manutenção da bolsa ProUni, não seria exigida a apresentação de documentos para comprovar situação socioeconômica do aluno. A uma porque tal email não consta junto, não sendo possível sua análise. A duas, porque, mesmo que existente e nele esteja grafado o que a impugnante diz estar, não é de lhe ser dado prevalência, exatamente devido ao que consta positivado e compromissado pela impugnante, via os arts.3º, 5º e 7º da Lei 11.096/2005 c/c o capítulo 9 do Termo Aditivo de Adesão, item i: ‘adotar, durante o período de manutenção das bolsas dos estudantes beneficiados, as providências necessárias à sua atualização’. Nada mais claro. ..... 50. Do exposto, constatase que a instituição em tela praticou ou, por qualquer foram, contribuiu para a prática de atos que constituem infrações à legislação tributária, primeira e principalmente porque aderiu ao Programa Universidade para todos – ProUni e não observou as condições determinadas nos arts. 3º, 5º e 7º da Lei nº 11.096/2005, c/c a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, e no capítulo 9 do Termo Aditivo firmado.” Dentre as penalidades a que se sujeitam as instituições de ensino que descumprem as obrigações assumidas no Termo de Adesão consta a desvinculação do Prouni em caso de reincidência de falta grave, conforme dispõe o art.9º da Lei nº 11.096/05: “Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: I restabelecimento do número de bolsas a serem oferecidas gratuitamente, que será determinado, a cada processo seletivo, sempre que a instituição descumprir o percentual estabelecido no art. 5o desta Lei e que deverá ser suficiente para manter o percentual nele estabelecido, com acréscimo de 1/5 (um quinto); II desvinculação do Prouni, determinada em caso de reincidência, na hipótese de falta grave, conforme dispuser o regulamento, sem prejuízo para os estudantes beneficiados e sem ônus para o Poder Público. §1o As penas previstas no caput deste artigo serão aplicadas pelo Ministério da Educação, nos termos do disposto em regulamento, após a instauração de procedimento administrativo, assegurado o contraditório e direito de defesa. §2o Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, a suspensão da isenção dos impostos e contribuições de que trata o art. 8o desta Lei terá como termo inicial a data de ocorrência da falta que deu causa à desvinculação do Prouni, aplicandose o disposto nos arts. 32 e 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no que couber. §3o As penas previstas no caput deste artigo não poderão ser aplicadas quando o descumprimento das obrigações assumidas se der em face de razões a que a instituição não deu causa.” Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.285 36 Por sua vez, o Decreto nº 5.493, de 18/7/05, que regulamenta o disposto na Lei nº 11.096/05, considera falta grave cometida pela instituição de ensino (art.12, §2º): “I o descumprimento reincidente da infração prevista no inciso I do art. 9o da Lei no 11.096, de 2005, apurado em prévio processo administrativo; II instituir tratamento discriminatório entre alunos pagantes e bolsistas beneficiários do PROUNI; III falsear as informações prestadas no termo de adesão, de modo a reduzir indevidamente o número de bolsas integrais e parciais a serem oferecidas; e IV falsear as informações prestadas no termo de adesão, de modo a ampliar indevidamente o escopo dos benefícios fiscais previstos no PROUNI.” (destaquei) Notese que a ampliação indevida do escopo dos benefícios fiscais previstos no Prouni, decorrente do falseamento das informações prestadas no termo de adesão, é considerada falta grave. O mesmo art.12 do Decreto nº 5.493/05, em compasso com o art.9º, §§1º e 3º, da Lei nº 11.096/05, dispõe que na hipótese de haver indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão (quaisquer delas, sem distinção do seu grau), deve se instaurar procedimento administrativo para que se possa aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior, sendo cabível, inclusive, a interposição de recurso ao Sr. Ministro de Estado da Educação contra a decisão que concluir pela imposição de penalidade: Art.12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. §1º Aplicase ao processo administrativo previsto no caput, no que couber, o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, observandose o contraditório e a ampla defesa. ..... §3º Da decisão que concluir pela imposição de penalidade caberá recurso ao Ministro de Estado da Educação. Assim, quando verificado que existem indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão, fazse necessário que se apure a responsabilidade da instituição de ensino por meio de processo administrativo em que se garanta o contraditório e a ampla defesa, ao fim do qual, se confirmada, resultará na aplicação de penalidade, resultando até na desvinculação do Prouni, nos termos do art.9º, II, da Lei nº 11.096/05. Considerando que a implementação do Prouni perfazse por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e que o Termo de Adesão firmase junto a tal órgão, concluise que a este cabe aferir a responsabilidade da instituição de ensino pelo descumprimento das obrigações assumidas, conforme previsto no art.9º, §1º, da Lei nº 11.096/05. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.286 37 Com a devida vênia a entendimento dissonante, a Lei nº 11.096/05 não impõe a imediata suspensão da isenção, pelo Fisco, como decorrência do descumprimento de obrigação assumida perante o MEC, constante do Termo de Adesão e aditivos. Fazse necessário procederse à apuração inicial, no âmbito do Ministério da Educação, da responsabilidade da instituição superior pela suposta falta, como estabelece o Decreto nº 5.493/05. No caso de desvinculação do Prouni em caso de reincidência pelo cometimento de falta grave, o art.9º, §2º, da Lei nº 11.096/05 apenas define que a suspensão da isenção tributária tem como termo inicial a data de sua ocorrência. Senão, vejamos: Art.9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: ..... II desvinculação do Prouni, determinada em caso de reincidência, na hipótese de falta grave, conforme dispuser o regulamento, sem prejuízo para os estudantes beneficiados e sem ônus para o Poder Público. §1o As penas previstas no caput deste artigo serão aplicadas pelo Ministério da Educação, nos termos do disposto em regulamento, após a instauração de procedimento administrativo, assegurado o contraditório e direito de defesa. §2o Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, a suspensão da isenção dos impostos e contribuições de que trata o art. 8o desta Lei terá como termo inicial a data de ocorrência da falta que deu causa à desvinculação do Prouni, aplicandose o disposto nos arts. 32 e 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no que couber. Mesmo se considerarmos que o art.9, §2º, da Lei nº 11.096/05 (suspensão da isenção em decorrência da desvinculação do Prouni), restringese à hipótese de falta grave, o art.12 do Decreto nº 5.493/05 dispõe, sem limitação quanto à graduação da falta, que na hipótese de haver indícios de descumprimento das obrigações assumidas no Termo de Adesão a apuração de responsabilidade da instituição de ensino superior igualmente deve ser apurada em procedimento administrativo. Como se definiu anteriormente, a cargo do MEC. A propósito, cabe lembrar, conforme art.26A do Decreto nº 70.235/72, que os órgãos de julgamento não podem afastar a aplicação de Decreto, ainda que os considere inconstitucionais: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Da leitura do Despacho Decisório e da Notificação Fiscal, verificase que foi a autoridade fiscal quem concluiu, principalmente à vista de informações constantes dos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, protegidas por sigilo fiscal e, por óbvio, não acessíveis ao público em geral, pela responsabilidade da AIEC pelo suposto descumprimento de obrigações assumidas nos aditivos aos Termos de Adesão ao Prouni. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.287 38 No caso concreto, é importante ainda ressaltar que em resposta ao Ofício nº 008/2011 – RFB/DRF/BSB/Difis, de 25/4/11, por meio do qual o Chefe da Difis/DRF – Brasília (DF) solicitou ao Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação “...Cópias integrais de eventuais Procedimentos Administrativos, abertos no âmbito desse Ministério, visando a verificação das obrigações assumidas no Termo de Adesão, ou de desvinculação do PROUNI por solicitação da entidade de ensino” (fl.507), a Coordenadora Geral de Relações Acadêmicas de Graduação, da Diretoria de Políticas e Programas de Graduação da Secretaria de Educação Superior do MEC, informou que até 27/5/11 não havia “Procedimentos Administrativos abertos no âmbito desta Diretoria, referente ao descumprimento de regras do ProUni por parte da Associação Internacional de Educação Continuada – AEIC ou desvinculação da mesma ao Programa” (fl.509). Acrescentese que de acordo com as Portarias que disciplinaram os processos seletivos do Prouni ao longo dos semestres, a responsabilidade da instituição de ensino pela aferição das informações prestadas pelos candidatos, especificamente sobre a renda familiar per capita mensal, foi relativizada, quando dispuseram que a análise dos coordenadores do Prouni limitarseia à renda informada pelos alunos e comprovada por ocasião da aferição das informações prestadas, mesmo se alterada supervenientemente à inscrição. Vejamos, exemplificativamente: Portaria nº 1.853, de 28/11/06 (1º semestre de 2007) “Art.11. Os candidatos préselecionados nos termos do art.10 deverão comparecer às respectivas instituições de ensino superior, no período de 26 de dezembro de 2006 a 2 de fevereiro de 2007, para aferição das informações prestadas em sua ficha de inscrição e eventual participação em processo próprio de seleção da instituição de ensino superior, quando for o caso. ..... Art.16. Caso tenham ocorrido alterações na renda do candidato ou de seu grupo familiar após a efetuação da inscrição, o coordenador ou representante(s) do ProUni considerará(ão) a renda informada e comprovada por ocasião da aferição das informações prestadas referida no art.11.” (destaquei) Portaria Normativa nº 24, de 22/5/07 (2º semestre de 2007) “Art.11. Os candidatos préselecionados em primeira chamada nos termos do art.10 deverão comparecer às respectivas instituições de ensino superior, no período de 18 de junho de 2007 a 6 de julho de 2007, para aferição das informações prestadas em sua ficha de inscrição e eventual participação em processo próprio de seleção da instituição de ensino superior, quando for o caso. ..... Art.16. Caso tenham ocorrido alterações na renda do candidato ou de seu grupo familiar após a efetuação da inscrição, o coordenador ou representante(s) do ProUni considerará(ão) a renda informada e comprovada por ocasião da aferição das informações prestadas referida no art.11.” (destaquei) Portaria nº 1.109, de 22/10/07 (1º semestre de 2008) Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.288 39 “Art.11. Os candidatos préselecionados em primeira chamada nos termos do art.10 deverão comparecer às respectivas instituições de ensino, no período de 2 de janeiro de 2008 a 1º de fevereiro de 2008, para aferição das informações prestadas em sua ficha de inscrição e eventual participação em processo próprio de seleção da instituição de ensino, quando for o caso. ..... Art.17. Caso tenham ocorrido alterações na renda do candidato ou de seu grupo familiar após a efetuação da inscrição, o coordenador ou representante(s) do ProUni considerará(ão) a renda informada e comprovada por ocasião da aferição das informações prestadas referida no art.11.” (destaquei) Portaria nº 599, de 19/5/08 (2º semestre de 2008) “Art.11. Os candidatos préselecionados em primeira chamada nos termos do art.10 deverão comparecer às respectivas instituições de ensino, no período de 16 a 27 de junho de 2008, para aferição das informações prestadas em sua ficha de inscrição e eventual participação em processo próprio de seleção da instituição de ensino, quando for o caso. ..... Art.17. Caso tenham ocorrido alterações na renda do candidato ou de seu grupo familiar após a efetuação da inscrição, o coordenador do ProUni considerará a renda informada e comprovada por ocasião da aferição das informações prestadas referida no art.11.” (destaquei) A fiscalização mencionou a IN SRF nº 456/04, que dispunha sobre a isenção do imposto de renda e de contribuições quanto às instituições que aderiram ao Prouni, editada por força do art.8º, §2º, da Lei nº 11.096/05, para fundamentar a suspensão do benefício. No seu entender, o art.5º daquela Instrução Normativa estabelecia a obrigatoriedade de a instituição obedecer aos requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, sob pena de suspensão do benefício. Vejamos: “Art.5o Caso a instituição seja desvinculada do Prouni, a suspensão da isenção das contribuições e do imposto de que trata o art.1º darseá a partir da data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, alcançando todo o período de apuração do imposto ou das contribuições. §1º Quando for constatado que a instituição beneficiária da isenção não está observando os requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. §2º A instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. §3º O Delegado da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.289 40 suspensivo da isenção, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à instituição. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo, se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da instituição. §5º Efetivada a suspensão da isenção: I a instituição poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso, com a exigência do crédito tributário desde a data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, da multa de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , e de juros de mora. §6º A impugnação relativa à suspensão da isenção obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §7º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §8º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. §9º O disposto no caput deste artigo aplicase, também, na hipótese de desvinculação da entidade de ensino do Prouni determinada pelo Ministério da Educação, em virtude de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão.” (destaquei) O supracitado §9º, que trata da hipótese de desvinculação do Prouni, decorrente do fato de a entidade de ensino descumprir obrigações assumidas no Termo de Adesão, pressupõe, como visto, providência pelo Ministério da Educação. Quando analisados os textos legais, notase que, em regra, as normas extraídas dos parágrafos de um determinado artigo não se dissociam daquela veiculada pelo seu caput. Como disposto na Lei Complementar nº 95, de 26/2/98, que trata da elaboração, redação, alteração e consolidação das leis, “as disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica”, sendo que para a obtenção de ordem lógica deve “expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida” (art.11, III, “c”). Pois bem. O parágrafo primeiro do art.5º da IN SRF nº 456/04, que trata da expedição de notificação fiscal com o relato dos fatos que determinaram a suspensão da isenção em razão de a instituição não observar os requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, dizia respeito, em princípio, à hipótese de a instituição ter sido desvinculada do Prouni, pois esta é a hipótese contemplada no caput, o que, como se sabe, não ocorreu no caso concreto. Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.290 41 Ainda que se entenda que o art.5º da IN SRF nº 456/04 tenha sido redigido sem o rigor técnico necessário, o que, admitase, não é incomum, de forma que a não observância, pela instituição beneficiária, dos requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, poderia diretamente desencadear o procedimento administrativo de suspensão da isenção, nos moldes exercidos pela fiscalização, não se pode olvidar que a acusação fiscal foi de descumprimento de obrigações assumidas nos aditivos aos Termos de Adesão relativos ao ano 2008 (itens 9, I, “d” e “i”), e, como tal, inevitavelmente, como exposto anteriormente, a apuração da responsabilidade cabia inicialmente ao MEC, nos termos do art.12 do Decreto nº 5.493/05. Com tal conclusão não se afasta a competência do Fisco para apreciar o cumprimento dos requisitos legais ao gozo da isenção, mas apenas se afirma que se a hipótese for de descumprimento das obrigações assumidas em Termo de Adesão, que pode, inclusive, consistir em falta grave e levar à desvinculação do Prouni, deve necessariamente ser instaurado um procedimento administrativo no âmbito do MEC com vistas à apuração da responsabilidade da instituição de ensino superior (art.9º da Lei nº 11.096/05 c/c art.12 do Decreto nº 5.493/05). Da maneira como procedeu, o Fisco federal definiu, à míngua de qualquer procedimento administrativo no MEC e em dissonância com a legislação de regência, a responsabilidade da AIEC pelo descumprimento das obrigações assumidas nos aditivos ao Termo de Adesão. Acrescentese que a acusação de a instituição ter deixado de “...aferir a veracidade das informações sócio econômicas prestadas pelos candidatos, de forma que não assegurou o cumprimento das condições para o recebimento do benefício, posto que concedeu bolsas integrais ProUni a candidatos com renda familiar per capta superior a 1 ½ salário mínimo” e de “...adotar, para estudantes ingressos em períodos letivos anteriores, providências relativas à atualização do cadastro sócioeconômico, agravando o quadro de concessão de bolsas integrais ProUni para aqueles com renda superior a 1 ½ salário mínimo”, derivou da análise da documentação relativa a 11 (onze) bolsistas, escolhidos, segundo a fiscalização, aleatoriamente. Salvo prova em contrário, a eleição da amostra não decorreu de rigor estatístico, não havendo a mínima garantia de que seja representativa do universo composto por 323 pastas, o que fragiliza sobremaneira a acusação fiscal, lembrando que relativamente a alguns alunos a instituição de ensino cancelou as bolsas de estudo exatamente por constatar inadequados perfis socioeconômicos. Por todas as razões acima expostas, também não subsiste tal fundamentação da suspensão da isenção. 4. Da quantidade de bolsas ofertadas Afirmou a autoridade fiscal que a quantidade de bolsas ativas do Prouni, concedidas até o segundo semestre de 2008 estaria aquém do previsto no art.5º da Lei nº 11.096/05: “Art.5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindo lhe oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa integral para o equivalente a 10,7 (dez inteiros e sete décimos) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.291 42 correspondente período letivo anterior, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, excluído o número correspondente a bolsas integrais concedidas pelo Prouni ou pela própria instituição, em cursos efetivamente nela instalados. §1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. ..... §4o A instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente poderá, alternativamente, em substituição ao requisito previsto no caput deste artigo, oferecer 1 (uma) bolsa integral para cada 22 (vinte e dois) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados em cursos efetivamente nela instalados, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, desde que ofereça, adicionalmente, quantidade de bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento) na proporção necessária para que a soma dos benefícios concedidos na forma desta Lei atinja o equivalente a 8,5% (oito inteiros e cinco décimos por cento) da receita anual dos períodos letivos que já têm bolsistas do Prouni, efetivamente recebida nos termos da Lei no 9.870, de 23 de novembro de 1999, em cursos de graduação ou seqüencial de formação específica. §5o Para o ano de 2005, a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá: I aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa integral para cada 9 (nove) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do correspondente período letivo anterior, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, excluído o número correspondente a bolsas integrais concedidas pelo Prouni ou pela própria instituição, em cursos efetivamente nela instalados; II alternativamente, em substituição ao requisito previsto no inciso I deste parágrafo, oferecer 1 (uma) bolsa integral para cada 19 (dezenove) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados em cursos efetivamente nela instalados, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, desde que ofereça, adicionalmente, quantidade de bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento) na proporção necessária para que a soma dos benefícios concedidos na forma desta Lei atinja o equivalente a 10% (dez por cento) da receita anual dos períodos letivos que já têm bolsistas do Prouni, efetivamente recebida nos termos da Lei no 9.870, de 23 de novembro de 1999, em cursos de graduação ou seqüencial de formação específica. §6o Aplicase o disposto no § 5o deste artigo às turmas iniciais de cada curso e turno efetivamente instaladas a partir do 1o (primeiro) processo seletivo posterior à publicação desta Lei, até atingir as proporções estabelecidas para o conjunto dos Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.292 43 estudantes de cursos de graduação e seqüencial de formação específica da instituição, e o disposto no caput e no § 4o deste artigo às turmas iniciais de cada curso e turno efetivamente instaladas a partir do exercício de 2006, até atingir as proporções estabelecidas para o conjunto dos estudantes de cursos de graduação e seqüencial de formação específica da instituição.” O suposto descumprimento de tal requisito foi apontado, conforme Notificação Fiscal confirmada pelo Despacho Decisório, nos seguintes termos: “[...] Segundo a informação prestada pela Instituição, ofícios anexos, o número de alunos regularmente matriculados em 31/12/2007 era de 4.250 alunos, sendo as bolsas concedidas (Prouni) de 326. Nos Termos de Adesão do 1º e do Segundo Semestre de 2008, estipulouse 113 e 478 bolsas, respectivamente, no primeiro e no segundo semestre. Sobre o tema pronunciouse a Secretaria de Educação Superior pelo Ofício nº 558/2011, de 02 de junho de 2011, que atendeu o Ofício nº 0018/2011, de 25 de abril de 2011, todos juntos, que noticia a notificação feita a essa Associação por meio do Ofício nº 348/2011, de 26 de maio de 2011, dando conta de que ‘o número de bolsas ativas do Prouni concedidas até o segundo semestre de 2010 pela instituição está incompatível com a legislação em vigor’.” (destaquei) Conforme Termo Aditivo 1º Semestre de 2008 (fls.1.051/1.055), a instituição de ensino utilizou para cálculo a regra de 1(uma) bolsa para cada 10,7 alunos matriculados pagantes (item 2.1.11); e de acordo com o Termo Aditivo 2º Semestre de 2008 (fls.1.056/1.060), 1 (uma) bolsa para cada 22 alunos matriculados pagantes (item 2.1.11). À vista de tais Termos, sem adicional detalhamento que deixou de ser realizado pela fiscalização, não é possível concluir que a oferta limitouse a 113 e 478 bolsas nos 1º e 2º semestres de 2008, respectivamente, que estaria abaixo do mínimo estipulado legalmente. Quanto à informação prestada pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, de 26/5/11, encaminhada ao DiretorPresidente da AIEC (fls.510/511), referiuse a período de análise (até o segundo semestre de 2010) distinto daqueles considerados pela autoridade fazendária (1º e 2º semestres de 2008). Vêse que a conclusão constante do Ofício nº 348/2011/CGRAG/DIPES/SESu/MEC, de 26/5/11, decorreu do “...cruzamento de informações do Sistema Informatizado do Prouni – SISPROUNI, relativo ao número de bolsas ativas, com o Censo da Educação Superior do ano de 2009, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira – INEP”. Acontece que para a realização do Censo de Educação Superior do ano de 2009 coletaramse informações sobre tal ano, como definido no Resumo Técnico2 divulgado em 2010, que “...esboça um panorama da educação superior brasileira no ano de 2009, por meio da análise descritiva dos dados levantados”, não se podendo necessariamente concluir que a requisição de justificativas pela CoordenaçãoGeral de Relações Acadêmicas de Graduação do MEC tenha se referido a inconsistências relativas aos 1º e 2º semestres de 2008. 2 Disponível em http://www.ufrgs.br/sai/dadosresultados/avaliacaodasiesemgeral/arquivosavaliacaoies geral/CES2009ResumoTecnico.pdf, consulta em 19/9/14. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.293 44 Curiosamente, apesar da deficiente fundamentação da suspensão da isenção quanto ao ponto, o contribuinte admitiu expressamente que descumprira o requisito mencionado pela fiscalização. Entretanto, a verificação da responsabilidade pelo eventual descumprimento de obrigação firmada nos Termos de Adesão cabe de maneira precípua ao Ministério da Educação, conforme exposição no item anterior. Por tais razões, tal requisito não pode ser considerado descumprido, ao menos à vista dos fundamentos postos pela fiscalização. Diante da análise precedente, não se pode encerrar este voto sem o alerta de que o quadro legislativo relacionado ao Prouni necessita de urgentes ajustes, mormente em duas frentes. A primeira, para fazer constar em dispositivo legal todos os requisitos necessários ao gozo da isenção, a exemplo da escrituração segregada de receitas, custos e despesas; a segunda, de se estabelecer, de preferência também em norma legal, a possibilidade de o Fisco diretamente verificar, sem depender de apuração pelo MEC da responsabilidade da instituição de ensino, o cumprimento das obrigações firmadas nos Termos de Adesão. Mormente quando se trata de renúncia fiscal, que demanda um necessário rigor quanto ao cumprimento dos requisitos legais, mostrase despropositada, ou, porque não dizer, equivocada, a limitação imposta por Decreto às atribuições da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Reiterese que nos termos do art.26A do Decreto nº 70.235/72, os órgãos de julgamento não podem afastar a aplicação de Decreto, ainda que os considere inconstitucionais. Por fim, quanto aos requerimentos de perícia e diligência, restam prejudicados em razão da manutenção da isenção reconhecida neste voto. Pelo exposto, VOTO no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.294 45 Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir quanto ao exame das condições estipuladas para o gozo da isenção tributária. A princípio, entendo que as condições para a fruição da isenção devem estar dispostas em lei, no sentido estrito (art. 111, inciso II c/c art. 176 do CTN). Contudo, tais condições ou requisitos podem ser de natureza diversas, a depender da natureza da atividade desenvolvida pelo contribuinte que vier a usufruir da hipótese de exclusão do crédito tributário disposta no art. 175 do CTN. Naturalmente, sendo a isenção um instituto tributário, é de se deduzir que determinadas condições para seu gozo estejam relacionadas ao cumprimento de obrigações tributárias. Em paralelo, outras condições podem ser estipuladas, dentro do contexto das atividades operacionais da pessoa jurídica beneficiária. Portanto, as condições de isenção podem ser de duas espécies: (1) de natureza tributária, e (2) de ordem administrativa/operacional relacionada às atividades desenvolvidas pela contribuinte, ambas, repito, dispostas em lei interpretada no sentido estrito. Nesse contexto, vale apresentar, inicialmente, as condições de natureza tributária, aplicáveis em todas e quaisquer hipóteses de isenção. Vale transcrever o art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. (...) § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. (grifei) Ora, é a lei que dispõe que se aplica a suspensão de isenções condicionadas quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.295 46 legislação de regência, sendo que, dentre as condições ou requisitos da legislação de regência, emergem aqueles dispostos no § 1º do art. 32 da própria Lei nº 9.430, de 1996, qual seja, os previstos nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a seguir transcritos: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. §1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. §2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. (grifei) Tratamse de condições de ordem material aquelas dispostas nos incisos I, II e III do art. 14 do CTN, dentre as quais, a que se mostra relevante para apreciação do caso concreto, qual seja, exigir a manutenção da escrituração das receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Não poderia ser diferente. Se uma pessoa jurídica submetida à tributação regular deve manter sua contabilidade empresarial e fiscal em consonância com a legislação, tal exigência mostrase ainda mais crítica e rigorosa Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10166.722952/201118 Acórdão n.º 1103001.119 S1C1T3 Fl. 1.296 47 para uma entidade que se beneficia de uma hipótese de exclusão de crédito tributário. É condição de natureza tributária disposta em lei, e independente de qualquer outro requisito que possa ser estabelecido em razão do ramo de atividade da entidade beneficiária. Sua apreciação não se encontra condicionada a nenhuma outra restrição. Ressalto tal aspecto porque, no caso em debate, foi editada lei específica direcionada para as entidades de educação, de nº 11.096, de 2005, que instituiu o Prouni, que veio dispor sobre condições para fruição de isenção de natureza administrativa/operacional relacionada às atividades desenvolvidas pela contribuinte, sob gestão do Ministério da Educação (MEC). Assim, a Lei nº 11.096, de 2005, apesar de ter disposto sobre condições atinentes às atividades operacionais da entidade beneficiária (como, por exemplo, percentual de número de bolsas mínimo para número de estudantes matriculados, levantamento e aferição de informações prestados por candidato), em nenhum momento afastou, ou condicionou, a verificação pelo Fisco das condições de natureza tributária dispostas na legislação tributária. Cada ente em sua área de atuação. Ao Fisco, a auditoria das condições de isenção de natureza tributária. Ao Ministério da Educação, a verificação das condições de isenção de natureza administrativa/operacional. Certamente, no caso em tela, não caberia à Receita Federal verificar, por si só, o atendimento das condições dispostas na Lei nº 11.096, de 2005, relacionadas às atividades operacionais das entidades de educação. Isso porque o diploma legal expressamente prevê a abertura de processo específico por parte do MEC, com procedimento administrativo no qual é assegurado o contraditório e direito de defesa, para se consumar a suspensão da isenção, por não atendimento de condições relativas às atividades operacionais da pessoa jurídica. Por outro lado, não cabe ao MEC legislar e auditar o cumprimento de condições de natureza tributária. Nesse caso, é competência plena do Fisco verificar se os requisitos ou condições de natureza tributária estão sendo atendidos para o gozo da isenção. Portanto, entendo que para o caso em debate poderseia consumar a suspensão da isenção por duas vias independentes: (1) descumprimento de condições de natureza tributária, sob gestão da Receita Federal, e (2) descumprimento de condições de natureza administrativa/operacional, sob gestão do MEC. E, demonstrado nos autos do processo que a recorrente não atendeu à condição relativa à manutenção em sua escrituração das receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, restou concretizada a hipótese de suspensão da isenção, por descumprimento de condição de natureza tributária, sob competência do Fisco. Assim, pelas razões expostas, apresento minha divergência em relação ao recurso voluntário, para negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10980.723623/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-002.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 36 23 /2 01 1- 82 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, fls. 49 a 56, referente ao exercício de 2009, exigindo R$ 145,04 de imposto suplementar, com multa de ofício e juros de mora, e R$ 10.111,89 de imposto, com multa e juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos recebidos em reclamatória trabalhista, no valor de R$ 636,25, e compensação indevida de R$ 12.198,35 de IRRF sobre o montante auferido judicialmente. Às fls. 51 a 53, consta demonstrativo dosvalores considerados no lançamento. Cientificada do lançamento em 07/06/2011 por via postal, conforme “AR” de fl. 117, a contribuinte apresentou, em 07/07/2011, por intermédio de procurador fl. 44, a impugnação de fls. 02 a 27, acompanhada dos documentos de fls. 28 a 95, acatada como tempestiva pelo órgão de origem, fl. 121. Suscita nulidade do lançamento em razão de suposta ausência de assinatura da autoridade autuante, prevista no art. 11, IV, do Decreto nº 70.235 de 1972, porque considera que a notificação contestada não foi expedida eletronicamente, pois seria “fruto de revisão entabulada sobre documentos ofertados à fiscalização”. Pleiteia a apuração mensal do IR sobre os rendimentos recebido acumuladamente ou a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Assevera que, após a edição da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, o IR deveria “incidir sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês” e não “no mês do recebimento ou crédito dos valores pagos de forma acumulada”. Aduz que a sistemática alegada teria sido mantida na Lei nº 8.848, de 28 de janeiro de 1994, e na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Cita o art. 101 do Código Tributário Nacional – CTN e o art. 2º, § 1º, da “Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro”, para argüir que as disposições contidas no art. 3º da Lei nº 9.250 de 1995 derrogariam, por incompatíveis, as existentes no art. 12 da Lei nº 7.713 de 1988. Com isso a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente teria passado do regime de caixa para o regime de competência. Suscita a ocorrência de nulidade em razão de erro de direito, por ter sido o lançamento efetuado com base no art. 12 da Lei nº 7.713 de 1988, que considera revogado. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.723623/201182 Acórdão n.º 2201002.538 S2C2T1 Fl. 120 3 Admite a possibilidade alternativa de manutenção do regime de caixa, porém, com a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713 de 1988, afirmando que deveria ser aplicado sobre autuações não definitivamente julgadas, aludindo ao art. 106, II, do CTN. Alega que existe processo judicial com sentença favorável à isenção de IR sobre os juros moratórios recebidos na RT 14632/2003, fls. 91 a 95, requerendo o sobrestamento da ação fiscal até o encerramento do processo judicial. Insurgese contra a aplicação da multa de 75%, considerandoa confiscatória e contrária aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da eficiência, corroborado por doutrina e jurisprudência. Sustenta que, com a emissão de comprovantes de rendimentos e de retenção de IR na fonte, a Receita Federal teve conhecimento “das quantias lançadas no procedimento fisco revisional” e, em consequencia, seria “inconveniente, inoportuna e inadequada a pecha de omisso que se pretendeu atribuir ao impugnante”, suscitando a ocorrência de simples equívoco na elaboração da declaração de ajuste e que a aplicação da multa tenha “como fito único de evitar que se perfectibilize a decadência”. Elabora cálculo separando as verbas recebidas na reclamatória trabalhista segundo a sua natureza tributária, chegando ao valor de R$ 102.638,38 de rendimentos recebidos acumuladamente tributáveis no ajuste anual, com R$ 40.370,48 de IRRF. Menciona o direito à restituição de IR de R$ 2.116,38, sem calculála. A DRFBJ afastou as preliminares argüidas e julgou procedente a ação fiscal com fundamento na correta aplicação do regime de caixa no recebimento de rendimentos acumulados. Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário (102/108) com vistas a obter a reforma do julgado, reafirmando os argumentos já trazidos por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Versa o litígio sobre a incidência do imposto de renda de pessoa física em decorrência do recebimento de rendimentos acumulados, por força de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. É de se ver que a tributação dos valores se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (REsp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo C. Superior Tribunal de Justiça, em sede de repetitivo, deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no REsp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das condenações judiciais decorrentes de verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.723623/201182 Acórdão n.º 2201002.538 S2C2T1 Fl. 121 5 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica dos contribuintes submetidos àquela jurisdição em relação aos demais jurisdicionados do país. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota, sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Face ao reconhecimento da nulidade do lançamento, prejudicadas as demais argumentações apresentadas em sede de Voluntário. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. Diferentemente do que defende o Relator, penso que no caso dos autos não ocorreu qualquer vício material de origem, já que a autoridade fiscal utilizou, para a constituição da exigência, a norma legalmente vigente na data do fato gerador, ou seja, o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (regime de caixa). Contudo, em razão de fato superveniente, qual seja, o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. REsp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial. Portanto, não há que se falar em refazimento do lançamento por inobservância do regime de competência, mas o dever de ofício de aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.723623/201182 Acórdão n.º 2201002.538 S2C2T1 Fl. 122 7 Ante ao exposto, voto por voto dar parcial provimento ao recurso para aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13896.000026/2001-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS
Segundo as amostras apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, os produtos abaixo apresentam a seguinte classificação fiscal:
1)as BOBINAS na EX 02 do Código 4823.51.00: Papéis para imprimir ou escrever, com tributação a 10%. RG-1, RG-6 e RGC TIPI-1, Decreto n° 2.092, de 1996.
2)os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS no Código 4820.90.00 -Outros, com tributação a 15%. RG-1, RG-6 e RGC, Decreto n° 2.092, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345..
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente)..
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, conforme Súmula CARF nº 20. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO O direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de ressarcimento cumulado com compensação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS Segundo as amostras apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, os produtos abaixo apresentam a seguinte classificação fiscal: 1)as BOBINAS na EX 02 do Código 4823.51.00: Papéis para imprimir ou escrever, com tributação a 10%. RG1, RG6 e RGC TIPI1, Decreto n° 2.092, de 1996. 2)os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS no Código 4820.90.00 Outros, com tributação a 15%. RG1, RG6 e RGC, Decreto n° 2.092, de 1996. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 00 26 /2 00 1- 51 Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, à fl. 3, no montante de R$182.261,36, relativamente ao 4º trimestre de 2000, formalizado em 12/01/2001, com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e IN SRF Nº 33, de 1999. Vinculado ao ressarcimento foram apresentadas diversas Declarações de Compensação, conforme quadro a seguir, totalizando as compensações R$182.261,36: DCOMP Papel (P)/Eletrônica (E) Data Apres./Trans. Tributo Valor Período de Apuração Vencimento 8109 7.515,40 dez/2000 15/01/2001 P (fl. 5) 12/01/2001 2172 34.686,47 dez/2000 15/01/2001 8109 6.953,12 fev/2001 15/03/2001 P (fl. 216) 15/03/2001 2172 32.091,34 fev/2001 15/03/2001 8109 7.477,52 mar/2001 12/04/2001 P (fl. 217) 12/04/2001 2172 34.511,62 abr/2001 12/04/2001 P (fl. 223) 14/09/2001 8109 4.953,49 ago/2001 14/09/2001 P (fl. 224) 17/10/2001 8109 5.308,41 set/2001 15/10/2001 8109 6.392,46 abr/2001 15/05/2001 P (fl. 232) 15/05/2001 2172 29.503,65 abr/2001 15/05/2001 P (fl. 233) 16/08/2001 8109 5.246,79 jul/2001 15/08/2001 E (fls. 453/456) 39258.90299.111104.1.3.010676 11/11/2004 5856 6.000,00 out/2004 12/11/2004 E (fls. 457/460) 25754.29067.151204.1.3.010105 15/12/2004 5856 1.621,09 nov/2004 15/12/2004 A análise da petição se deu mediante o Despacho Decisório de fls. 400/407, de que resultou o indeferimento do pedido de ressarcimento e, consequentemente, a não homologação das compensações declaradas. O ato decisório foi emitido nos seguintes termos: Com efeito, conforme formulário de ressarcimento de IPI acostado a fls. 01, o contribuinte traz baila, como fundamentação legal para o pedido em tela, o artigo 11 da lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, combinado com o artigo 4° da IN 33 SRF, de 04 de março de 1999, [...]: Ocorre que, conforme dispõe o 2° da IN 33, de 04 de março de 1999 devem ser estornados os créditos originários da aquisição de MP, PI e ME, quando destinados ã fabricação de produtos não tributados. Destarte, sendo a saída de apara de papel comum classificada como nãotributável, e tendo o contribuinte a elencado na relação de saídas do período, incabível o ressarcimento em Fl. 731DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 5 4 relação à proporção que esta operação representa em relação ao total de saídas do período. Em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos tributados à alíquota zero ou positiva, não restam dúvidas quanto ã permissão legal para o aproveitamento dos créditos. Nada obstante, uma análise mais profunda sobre as saídas efetuadas pelo estabelecimento, no 4° trimestre de 2000, permite identificar algumas impropriedades cometidas na classificação fiscal dos produtos, o que reflete diretamente no direito creditório pleiteado. Conforme se depreende de fls. 362, o contribuinte classificou os papéis para impressão apresentados em bobinas e personalizados ou não como pertencentes ao capitulo 49. Contudo, a impressão constante em vários destes artigos (logomarca da empresa etc.) possui caráter acessório em relação à sua utilização inicial papel para impressão, devendo ser classificada no capitulo 48 da TIPI, conforme já explicitado no acórdão n° 1957, exarado pela 3a turma da DRJ/POA, em16 de janeiro de 2003. Vejase: ''Papel para imprimir, apresentado em bobinas, personalizado ou não, classificase no código 4823.51.0000 da TIPI/88 e no código 4823.51.00 da T1P1/96. "(Grifouse.) O mesmo equivoco foi observado na classificação dos formulários contínuos expedidos. Tais produtos tiveram tratamento similar expresso na solução de consulta da SRRF/ 7a Regido RF/DIANA/ N° 174, de 07 de maio de 2004. Apenas com o fito de corroborar as decisões préfaladas, merece destaque o texto das notas explicativas do sistema harmonizado (base de interpretação das normas concernentes ã classificação de mercadorias), que determina a análise do texto ou da figura inserida no papel para a correta definição do código fiscal: "Estes artigos podem apresentarse revestidos com impressões ou ilustrações, mesmo de importância, desde que a utilização principal continue a ser de papéis para escrever... Outros artigos podem apresentarse revestidos com impressões ou ilustrações com caráter acessório relativamente sua utilização principal." (Nota do Capitulo 48.) "... este Capitulo compreende a totalidade dos artefatos cuja razão de ser é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham." (Nota do Capitulo 49.) Diante do acima exposto, resta claro, a partir da análise das amostras apresentadas, notadamente as acostadas a fls. 362 (bobinas) e 354, 356, 364, 368, 376 e 377 (formulários contínuos), tratarse tão somente de papel para impressão, ainda que personalizado, não ficando alterada sua utilização principal Fl. 732DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 6 5 pela simples inclusão da logomarca da empresa encomendante ou de qualquer outra informação similar. [...] Feitas as referidas modificações, desaparece o saldo credor pleiteado neste processo, tornando descabido o presente pedido, conforme demonstrado no quadro apresentado a seguir: Alíquota Valor das operações (R$) Valor de IPI a ser apurado 12 % 1.883.170,80 225.980,50 15 % 307.824,58 46.173,69 Por todo o acima exposto, entendese que o contribuinte não faz jus ao ressarcimento. Ciente do Despacho Decisório em 24/04/2007, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 409, o contribuinte, representado por procurador (fls. 432/433), apresentou, em 18/05/2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 410/431, para alegar: Em que pese a lisura do procedimento adotado pela Impugnante, vale dizer, diversas vezes reconhecido pela Delegacia da Receita Federal, foi surpreendida, em 20/04/2007, com a denegação do presente pleito e compelida, indevidamente, a pagar os valores compensados a titulo de IPI referentes às saídas do 4° trimestre de 2000 de produtos não tributados e tributados à alíquota zero. A Impugnante adquire, mensalmente, inúmeros itens que compõem seu estoque de matériaprima, materiais intermediários e embalagens, os quais são devidamente registrados nos Livros Fiscais de entradas mantidos em seu estabelecimento. A atividade de transformação destes materiais se desenvolve numa fábrica, composta por máquinas de alta tecnologia que, utilizandose dos insumos principais e secundários, dão origem a produtos novos. Portanto, inconteste, "in casu", o processo de industrialização realizado pela Impugnante. A classificação das atividades registradas em nome da empresa Impugnante perante o CNPJ do Ministério da Fazenda (doc. 01), assim como a definição de suas atividades pela Comissão Nacional de Classificação, comprovam o alegado. Reconhecida a atividade exercida pela Impugnante como, tipicamente, "industrialização", convém aterse ao comando legal regulamentador do IPI e à sua sistemática dada pela Constituição Federal, precipuamente no que tange não cumulatividade, ou seja, o art. 153, inc. IV, §3°, da CR/1988, é normaprincípio que informa todo o sistema jurídico desse imposto, devendo, face à sua relevância jurídica, ser observada pelas demais normas criadas pelo legislador ordinário. Qualquer medida tendente a restringir ou negar vigência a tal aplicação, seja pela criação e aplicação de normas Fl. 733DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 7 6 infraconstitucionais, seja por mero labor exegético, implicaria no malfadado manto da inconstitucionalidade. No que diz respeito ao alcance do termo "produto industrializado", o artigo 46 do C6digo Tributário Nacional CTN o define com precisão, para fins de incidência do IPI, com o qual se coadunam os tribunais pátrios. Demonstrada a natureza jurídica da atividade desempenhada pela empresa, qual seja, de industrialização, bem como restando cristalino que o Pedido de Ressarcimento formulado pela Impugnante encontrase plenamente adequado à legislação vigente, pugnase pelo reconhecimento dos créditos de IPI, sob pena de violação ao Principio Constitucional da Não cumulatividade. Outrossim, não merece prosperar o argumento constante no Parecer SEORT/DRF/OSA n° 397/2007, no sentido de que "o contribuinte classificou papéis para impressão apresentados em bobinas, personalizados ou não, como pertencentes ao capitulo 49 da TIPI, quando deveria têlos classificado no capitulo 48". Não agiu com o esperado acerto o Sr. Agente Fiscal, na medida em que não apenas valeuse de inverídica "presunção" no seu entendimento, como ignorou a classificação apresentada ao Fisco pela Impugnante desde o inicio de suas atividades, a qual sempre lhe conferiu o direito ao crédito pleiteado. Tendo em vista o caso concreto, a presunção do Sr. Agente Fiscal deveria ter sido comprovada, eis que se trata de uma presunção honinis, não apenas porque o instituto da presunção assim o exige, mas porque a motivação e um dos atributos de qualquer ato administrativo. Todo ato administrativo deve ser motivado, cabendo ao Fisco fazer prova contundente do que ocorreu, não podendo, mediante presunção, realizar o enquadramento legal do contribuinte. Os materiais declarados pela Impugnante são e sempre foram sujeitos a. alíquota zero ou a nãotributação, não havendo que se falar em "caráter acessório" das impressões nestes presentes. Ao contrário, os papeis para impressão em destaque fazem parte dos produtos personalizados que a Impugnante industrializa, logo, classificados no capitulo 48 da TIPI. 36. Neste sentido, imperioso destacar o quanto dispõe a Nota n°11 do Capitulo 48 da TIPI, "in verbis": 11. Com exclusão dos artefatos das posições 4814 e 4821, o papel, o cartão, a pasta de celulose e as obras destas matérias, impressos com dizeres ou ilustrações que não tenham caráter acessório relativamente sua utilização original, incluemse no Capitulo 49." (destacou se). Fl. 734DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 8 7 Os materiais declarados pela Impugnante não podem, sob forma alguma, serem apontados como "acessórios", cumprindo classificálos, destarte, no Capitulo 49 da TIPI. As impressões realizadas nos produtos sob comento (contas telefônicas, etc.) não possuem qualquer caráter acessório, mas constituem o próprio objetofim do material industrializado. Inegável que os produtos (bobinas, formulários contínuos e formulários tamanho próprio) industrializados pela Tecnoformas Indústria Gráfica Ltda constituemse plenamente, independentemente da destinação que lhes é dada por seus adquirentes. Ou seja, quando a empresa entrega seus produtos aos adquirentes, todas as informações fins referentes s suas destinações encontramse inseridas. Eventualmente, não obstante finalizados, determinados produtos são utilizados pelos adquirentes para inclusão de informações, tal como ocorre nos casos de formulários contínuos e tamanho padrão . Referida utilização não implica, sob hipótese alguma, na descaracterização do produto oferecido, umavez ter por função se valer das variadas matérias primas sua disposição para dar origem, por meio do competente processo, a um produto completamente novo e acabado. É o que ocorre, por exemplo, com a "Nota Fiscal", ou com o denominado "Papel de Carta", comumente encontrados no comercio, e cujas alíquotas para incidência do IPI são de 0% (zero por cento). Tais produtos, assim como aqueles criados pela Tecnoformas Indústria Gráfica Ltda, bastamse por si, independentemente do uso que terão por seus adquirentes, no havendo que se falar em acessoriedade. Tamanha é a importância da impressão presente neste produtos que, uma • ez retirada, não mais subsistir qualquer característica sua. É PRINCIPAL e ÚNICO. Assim, em respeito as reiteradas decisões proferidas no âmbito administrativo a favor da homologação dos créditos requeridos, merece ser aplicado o comando previsto no artigo 100, inciso III, do Código Tributário Nacional. Finalizou o contribuinte a manifestação de inconformidade com pedidos de reforma da decisão constante do Parecer n° 397/2007 e do reconhecimento da procedência do pedido de ressarcimento/compensação formulado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: Fl. 735DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 9 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI SALDO CREDOR. INSUMOS UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT. ESTORNO. Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Tendo em vista que não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, devem ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Alternativamente, tais créditos poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, se o montante das entradas de MP, PI e ME, for empregada indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. Tendo em vista que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa competente se converterem em declaração de compensação, por força do disposto no art. 74, §4°, da Lei n° 9.430, de 1996, hão de se considerar os pedidos de compensação apresentados no ano calendário de 2001 como declarações de compensação. Nesse sentido, aplicarselhesão o disposto no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, declarandoas tacitamente homologadas, em face de que apresentadas no anocalendário de 2001 só foram devidamente apreciadas pela autoridade administrativa competente em 24/04/2007, considerada a data da ciência do contribuinte do despacho decisório que indeferiu seu pleito. PRÁTICAS REITERADAS. CONCEITUAÇÃO Segundo o art. 100, inc. III, do CTN as práticas reiteradas devem ser entendidas como um posicionamento da Administração Tributária que acata determinado proceder dos contribuintes de forma generalizada. A decisão sobre ressarcimento de IPI a um certo contribuinte não determina o seu direito irrestrito de obter o ressarcimento, independentemente de análise da autoridade administrativa, sob o pretexto de teriamlhe sido sempre deferidas quantias que solicitou anteriormente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CLASSIFICAÇÃO MERCADORIAS Fl. 736DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 10 9 Segundo as amostras apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, classificamse: 1) as BOBINAS na EX 02 do Código 4823.51.00: Papéis para imprimir ou escrever, com tributação a 10%. RG1, RG6 e RGC TIPI1, Decreto n° 2.092, de 1996. 2) os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS no Código 4820.90.00 Outros, com tributação a 15%. RG1, RG6 e RGC, Decreto n° 2.092, de 1996. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese: · A ocorrência de homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados em 2001; · Da omissão do v. acórdão aquo quanto aos créditos relacionados aos produtos que tiveram suas classificações fiscais inalteradas; · Da impossibilidade de alteração da tributação das saídas em pedido de ressarcimento e após o prazo decadencial para lançamento; · Das corretas classificações fiscais adotadas pela recorrente. É o Relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Preliminarmente não há em se falar em erro formal na decisão recorrida pois, independentemente de manifestação do interessado, a autoridade julgadora reconheceu, por considerar como matéria de ordem pública, a homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte no anocalendário de 2001 em face do transcurso do prazo de 5(cinco) anos, previsto no §5º do art. 74, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, permanecendo em litígio apenas as declarações de compensação transmitidas em 11/11/2004 e 15/12/2004, quais sejam, as DCOMP nos 39258.90299.111104.1.3.010676 e 25754.29067.151204.1.3.010105, ficando consignado na ementa e no voto do acórdão recorrido. Quanto a alegação de omissão quanto aos créditos relacionados aos produtos que tiveram suas classificações fiscais inalteradas, esta não é pertinente pois, conforme consignado no Despacho Decisório, aplicandose as alíquotas decorrentes da reclassificação fiscal dos produtos discordantes, restou absorvido totalmente pelos débitos, o saldo credor requerido pelo contribuinte. Quanto a alegação de impossibilidade de alteração da tributação das saídas em pedido de ressarcimento e após o prazo decadencial para lançamento entendo que não assiste razão à recorrente. Nos termos do artigo 170 do CTN, é autorizada a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos e essa liquidez e certeza é verificada pela autoridade administrativa, a quem cabe essa autorização, podendo o contribuinte contestar tal procedimento caso não concorde com os valores apurados, mediante apresentação de manifestação de inconformidade, preservando, dessa forma, o seu direito de defesa.. Ademais, o direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de ressarcimento cumulado com compensação. Entendo, portanto, correto o procedimento da autoridade administrativa quando da análise da petição que se deu mediante o despacho decisório pois este é justamente para se apurar o valor devido e verificar o credito pleiteado, podendo o contribuinte discordar dos cálculos, o que o fez com a apresentação do recurso. Quanto a glosa no aproveitamento dos os créditos originários da aquisição de MP, PI e ME, quando destinados ã fabricação de produtos não tributados, tal questão se encontra sumulada no âmbito do CARF devendo ser observada pelos membros desse conselho, conforme abaixo: Fl. 738DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 12 11 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Em relação as saídas de produtos tributados à aliquota zero ou positiva a fiscalização discordou da classificação fiscal adotada pelo contribuinte para diversos produtos o que refletiu diretamente no direito creditório pleiteado. O contribuinte classificou os papéis para impressão apresentados em bobinas e personalizados ou não como pertencentes ao capitulo 49. Contudo a fiscalização considerou que a impressão constante em vários destes artigos (logomarca da empresa etc.) possui o caráter acessório em relação a. sua utilização inicial — papel para impressão, devendo ser classificada no capitulo 48 da TIPI. O mesmo foi observado na classificação dos formulários contínuos expedidos. A fiscalização chegou a conclusão de que, a partir da análise das amostras apresentadas, notadamente as acostadas a fls. 362 (bobinas) e 354, 356, 364, 368, 376 e 377 (formulários continuos), tratarse tão somente de papel para impressão,ainda que personalizado, não ficando alterada sua utilização principal pela simples inclusão da logomarca da empresa encomendante ou de qualquer outra informação similar. Os produtos que tiveram a sua classificação alterada e as suas respectivas alíquotas de IPI são os seguintes: Código DESCRIÇÃO PRODUTO Classificação Fiscal Tipo VALOR Aliq. IPI (%) Página que contém a amostra 30250001300006 BOBINA DE CONTA TELEFÔNICA 4823.51.00 Bobina 984.370,00 12 373 30250001300007 TELEFONICA BOBINA P/ACARTA WELLCOME 4823.51.00 Bobina 47.575,00 12 373 30250001300008 BOBINA TELESP CELULAR 4823.51.00 Bobina 17.300,00 12 373 30250001300009 BOBINA BRANCA PARA RELATÓRIO 4823.51.00 Bobina 77.850,00 12 373 30250001300010 BOBINA TELEFÔNICA EMPRESA 4823.51.00 Bobina 865,00 12 373 30250004630001 BANESTADO LISTAGEM 4820.90.00 Formulário Contínuo 16.966,68 15 373 30250023260001 UNIPROPI PAPEL CARTA 4820.90.00 Formulário Contínuo 790,00 15 377 30250041660001 DEMONSTRATIVO EMBRATEL RESIDENCIAL 4823.51.00 Bobina 573.918,2 1 12 373 30250041660002 DEMONSTRATIVO EMBRATEL EMPRES'RIAL 4823.51.00 Bobina 181.292,5 9 12 373 30270057460001 INTERGRAF FORMULÁRIO CONTINUO 4820.10.00 Formulário Contínuo 3.660,00 15 382 30280011490002 EXT. LASER 347/240036BCO SUDAMERIS 4820.90.00 Formulário Contínuo 73.228,00 15 393 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 13 12 30280011490003 BCO SUDAMERIS EXT.LS.A4 347/240034 4820.90.00 Formulário Contínuo 72.940,00 15 393 30280011490004 EXT. LASER 347/240041BCO SUDAMERIS 4820.90.00 Formulário Contínuo 2.422,60 15 393 30280018500001 BCO REAL ABN AMROX337C 4820.90.00 Formulário Contínuo 10.936,80 15 394 30280018500002 BCO REAL ABN AMROX326C 4820.90.00 Formulário Contínuo 71.424,00 15 394 30280018500004 BCO REAL ABN AMROX209C 4820.90.00 Formulário Contínuo 3.288,00 15 394 30280041660002 PRE IMPRESSO MEDIAL SAUDE 4820.90.00 Formulário Contínuo 7.722,00 15 363 20 SERV.PERSONAL. CEF 4820.90.00 Formulário Contínuo 36.346,50 15 365 30 SERV. PERSONAL. FARMASA 4820.90.00 Formulário Contínuo 8.100,00 15 365 Foram listados os produtos cuja alteração de classificação fiscal resultaram na alteração do montante pleiteado, sendo incontroversos a classificação dos demais produtos. A recorrente alega que o código NCM 4911.99.00, adotado pela Recorrente, incluído no Capítulo 49 da TIPI, foi o correto para classificar os produtos elencados, uma vez que os códigos adotados pela fiscalização e pela DRJ são mais genéricos do que o utilizado pela Recorrente, sendo, no caso em análise, estes produtos personalizados para um banco específico e que estão prontas para uso pelo banco, com o logo do próprio banco. Conclui que “Os códigos NCM 4823.51.00 e 4820.90.00, utilizados no v. Acórdão recorrido mostramse, portanto, totalmente inadequados para abranger as "bobinas" bem como os "formulários contínuos" elencados às fls. 10/11 da decisão recorrida, cabendo ser considerado o código NCM 4911.99.00 para ambos, na medida em que se tratam de impressos reproduzidos mediante duplicador, obtido por processo comandado por computador, nos exatos termos em que define o Capítulo 49 da TIPI.” A questão cingese então a correta classificação fiscal dos produtos listados acima. Das amostras acostadas aos autos verificase que se tratam de bobinas (fls. 373) e formulários contínuos ( fls. 377, 382, 393, 394, 363 e 365) , que se apresentam basicamente com as logomarcas dos bancos, ou com endereço dos adquirentes, ou com impressões “Para Uso do Correio”ou ilustrações de fundo. De acordo com as Regras Gerais Para Interpretação Do Sistema Harmonizado: 1. Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes. 2. a) qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as Fl. 740DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 14 13 características essenciais do artigo completo ou acabado. abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. a classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na regra 3. 3. quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) nos casos em que as regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. as mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. (...) 6. a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de suposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas regras precedentes, entendendo se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. para os fins da presente regra, as notas de seção e de capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Regra Geral Complementar (RGC) Fl. 741DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 15 14 1. (RGC1) as regras gerais para interpretação do sistema harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) fornecem esclarecimentos e interpretam o Sistema Harmonizado, estabelecendo, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura, auxiliando no correto enquadramento do produto. O Capítulo 49, sustentado pela Contribuinte trata de “livros, jornais, gravuras e outros produtos das indústrias gráficas; textos manuscritos ou datilografados, planos e plantas”. A posição 49.11 é aplicada aos “Outros impressos, incluindo as estampas, gravuras e fotografias” e o código 4911.99.00 é relativo a “Outros”. Nas Notas de Capítulo consta: 2. Na acepção do Capítulo 49, o termo "impresso" significa também reproduzido mediante duplicador, obtido por processo comandado por computador, por estampagem, fotografia, fotocópia, termocópia ou datilografia. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do cap 49 dispõe: Ressalvadas as raras exceções adiante mencionadas, este Capítulo compreende a totalidade dos artefatos cuja razão de ser é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham. Pelo contrário, além dos produtos das posições 48.14 e 48.21, o papel, cartão, pasta (ouate) de celulose e respectivas obras, que apresentem impressões cuja função seja meramente secundária em relação à sua utilização (por exemplo, papéis para embalagem, artigos de papelaria), incluemse no Capítulo 48. Da mesma forma, os artefatos de matérias têxteis, tais como lenços e echarpes que apresentem impressões decorativas ou de fantasia que não lhes afete o caráter essencial, os tecidos próprios para bordar e as talagarças próprias para tapeçarias à agulha, revestidos de desenhos impressos, incluemse na Seção XI. Os artefatos das posições 39.18, 39.19, 48.14 e 48.21 também estão excluídos deste Capítulo, mesmo quando revestidos de impressões ou ilustrações que não tenham um caráter acessório relativamente à sua utilização inicial. Quanto à posição 4911, as NESH dispõem o seguinte: Esta posição compreende todos os artigos impressos (incluídas as fotografias tiradas diretamente), do presente Capítulo (ver as Considerações Gerais), que não se encontrem incluídos nas posições precedentes deste mesmo Capítulo. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 16 15 Certos impressos destinados a ser completados com indicações manuscritas ou datilográficas no momento da sua utilização, estão incluídos aqui, desde que apresentem o caráter essencial de artigos impressos (ver a Nota 11 do Capítulo 48). Por conseguinte, os formulários (formulários de aquisição de uma revista, por exemplo), os bilhetes de passagens virgens contendo vários cupons (bilhetes de avião, de trem e ônibus, por exemplo), as cartas circulares, os documentos e carteiras de identidade e outros impressos contendo um texto, uma notícia, etc. sobre os quais as informações devem ser indicadas (data e nome, por exemplo) incluemse na presente posição. Todavia, os certificados de valores mobiliários, os certificados documentários análogos e os talonários de cheques, que devem igualmente ser completados e validados, incluemse na posição 49.07. Pelo contrário, certos artigos de papelaria revestidos de impressões que apresentam um caráter acessório em vista da sua utilização inicial e que são destinados a escrita ou a datilografia classificamse no Capítulo 48 (ver nota 11 do Capítulo 48 e especialmente as Notas Explicativas das posições 48.17 e 48.20). Os formulários contínuos e bobinas, relacionados pela fiscalização, foram por ela classificados em códigos, segundo a TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 1996: 4823.51.00 (BOBINAS): 48.23 Outros papéis, cartões, pasta (ouate) de celulose e mantas de fibras de celulose, cortados em forma própria; outras obras de pasta de papel, papel, cartão, pasta (ouate) de celulose ou de mantas de fibras de celulose. Alíquota % 48.23.1 Papel gomado ou adesivo, em tiras ou em rolos 48.23.11.00 Auto adesivos 15 48.23.19.00 Outros 12 48.23.20.00 Papelfiltro e cartãofiltro 15 48.23.40.00 Papéisdiagrama para aparelhos registradores, em bobinas, em folhas ou em discos 15 48.23.5 Outros papéis e cartões do tipo utilizado para escrita, impressão ou outras finalidades 48.23.51.00 Impressos, estampados ou perfurados 12 Ex 01 Papel de carta em folha solta, com dizeres impressos 0 Ex 02 Papel para imprimir ou escrever 10 Ex 03 Papel de carta em folha solta, exceto com dizeres impressos 15 4820.10.00, 4820.90.00 (FORMULÁRIOS CONTÍNUOS): 48.20 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encadernação (de folhas soltas ou outras), capas de processos e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluindo os formulários em blocos tipo manifold, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono, de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão. Alíquota % 4820.10.00 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes 15 Ex 01 Blocos de papéis para cartas, com dizeres impressos 0 4820.20.00 Cadernos 15 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 17 16 Ex o E scolares 0 4820.30.00 Classificadores, capas para encadernação (exceto as capas para livros) e capas de processos 15 4820.40.00 Formulários em blocos tipo manifold, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono (papel químico) 15 Ex 01 Formulários contínuos, com dizeres impressos 0 Ex 02 Formulários contínuos, exceto com dizeres impressos 12 4820.50.00 Álbuns para amostras ou para coleções 15 4820.90.00 Outros 15 Nas Notas de Capítulo consta: 11. Com exclusão dos artefatos das posições 4814 e 4821, o papel, o cartão, a pasta (ouate) de celulose e as obras destas matérias, impressos com dizeres ou ilustrações que não tenham caráter acessório relativamente à sua utilização original, incluemse no Capítulo 49. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do cap 48 dispõe: Papéis e cartões coloridos ou impressos Incluemse neste grupo os papéis revestidos de uma ou mais cores, aplicadas por qualquer processo, incluídos os papéis que comportem riscos, motivos decorativos, desenhos, etc. Entre estes, devem distinguirse, especialmente, os papéis indianos e os papéis marmorizados ou jaspeados à superfície. Estes papéis utilizamse em diversos usos, tais como revestimento de caixas, encadernações, etc. Os papéis podem encontrarse impressos com tinta de qualquer cor, formando linhas dispostas paralelamente ou não, ou então cruzadas. Estes papéis utilizamse, especialmente, para a fabricação de livros de contabilidade, cadernos escolares ou de desenhos, papel ou cadernos de música, papel para esquemas de tecidos ou para diagramas, papel de carta, agendas, etc. Incluemse neste Capítulo os papéis impressos tais como papéis de embrulho utilizados no comércio, com a razão social, marca, desenho ou modo de emprego da mercadoria, etc., ou outra característica acessória que não seja capaz de modificarlhes o destino inicial nem os faça serem considerados artefatos abrangidos pelo Capítulo 49 (ver a Nota 11 deste Capítulo). Quanto à posição 4820, as NESH dispõem o seguinte: Esta posição abrange os diversos artigos de papelaria, com exclusão dos artigos para correspondência da posição 48.17 e dos artigos referidos na Nota 9 do presente Capítulo. Compreende especialmente: 1) Os livros de registro e de contabilidade; os blocos de notas de qualquer natureza; os blocos de encomendas, os blocos de recibos, os blocos de papel de cartas, os blocos de apontamentos, agendas, os índices telefônicos, etc. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 18 17 2) Os cadernos. Os cadernos podem simplesmente conter folhas de papel pautado, mas podem, também, comportar modelos de escrita para serem reproduzidos a mão. Todavia, os cadernos destinados a trabalhos educativos, às vezes chamados cadernos de escrita, com ou sem textos narrativos, que contenham questões ou exercícios baseados nos textos que se reveste de um caráter acessório em razão de sua utilização inicial como caderno de exercícios e que contenham espaços a serem completados manualmente, estão excluídos da presente posição (posição 49.01). Os cadernos de exercícios para crianças compreendendo essencialmente ilustrações acompanhadas de textos de caráter complementar e servindo de exercícios de escrita ou outros estão igualmente excluídos (posição 49.03). 3) Os classificadores (exceto as caixas classificadoras), as capas para encadernação concebidas para agrupar folhas soltas, revistas e artigos semelhantes, tais como as capas para encadernação de pressão, de molas, de hastes ou de argolas, bem como as capas e coberturas de processos ou dossiês. 4) Formulários em blocos tipo manifold: são constituídos por vários jogos de formulários de escritório impressos em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono (papel químico*). Estes impressos são utilizados para obter múltiplas cópias e podem apresentarse em forma contínua ou descontínua. Eles possuem campos impressos a serem preenchidos com informações adicionais. 5) Os blocos que contêm folhas de papelcarbono (papel químico*): são semelhantes aos formulários em bloco tipo manifold mas distinguemse destes por não possuirem texto impresso ou só apresentarem impressas marcas de identificação tais como timbres. São muito utilizados para obter várias cópias e, tal como a maior parte dos formulários em blocos tipo manifold, as folhas que os compõem estão reunidas num canhoto (cepo*) colado e perfurado. 6) Os álbuns para amostras ou para coleções (selos, fotografias, por exemplo). 7) Outros artigos de papelaria, tais como pastas para escrivaninha (secretária), dobráveis ou não. 8) As capas de livros (incluídos os protetores e as sobre capas), mesmo com impressões (títulos, etc.) ou ilustrações. Alguns artigos da presente posição podem, freqüentemente, ser revestidos de impressões ou de ilustrações, mesmo bastante importantes, e permanecem classificados na presente posição (e não no Capítulo 49) desde que as impressões e as ilustrações tenham um caráter acessório em relação a sua utilização inicial, como, por exemplo, as impressões que figuram nos formulários (destinados essencialmente a serem completados à Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 19 18 mão ou à máquina) e nas agendas (destinadas essencialmente à escrita). Estas obras podem, além disso, apresentarse encadernadas de couro, tecido ou outras matérias e providas de dispositivos ou reforçadas de metal, plásticos, etc. Conforme as regras precedentes foram reclassificados apenas os produtos, sejam no formato de bobinas ou formulários, que se caracterizavam como papel para impressão, ainda que personalizado, não ficando alterada sua utilização principal pela simples inclusão da logomarca da empresa encomendante ou de qualquer outra informação similar. Para os demais produtos descritos, por exemplo, como “TALÃO DE CHEQUE BANDEPE 20 FLS”, “A C BRASIL NOTA FISCAL FATURA”ou “DATACOMPY TIQUETE ALIMENTAÇÃO foi mantida a classificação adotada pelo contribuinte no capitulo 49, pois, conforme considerou a fiscalização e em vista das amostras acostadas aos autos, estes apresentam impressos com dizeres ou ilustrações que não tem um caráter acessório relativamente à sua utilização original, o que em obediência as regras precedentes os incluem no Capítulo 49. Para os produtos descritos como BOBINAS classificase no código 4823.51.00, na exceção 02, com tributação a 10%: Papel para imprimir ou escrever, aplicando se as precedentes Regrais Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nos 1 e 6 e a REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI): REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1. (RGC/TIPI1)As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Para os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS aplicandose as precedentes Regrais Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nos 1 e 6 e a REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC), a classificação em que melhor se enquadra o produto é o código 4820.90.00, cuja tributação também é de 15% (quinze por cento). Assim, com as observações feitas no acórdão recorrido, mantémse a classificação dos formulários contínuos no código 4820.90.00, cuja tributação vigente à época era de 15%, segundo o Decreto n° 2.092, de 11/12/1996 e dos produtos descritos como BOBINAS no código 4823.51.00, mormente se entender no presente voto que se encaixam na sua exceção 02, com tributação a 10%: Papel para imprimir ou escrever. Conforme o demonstrativo utilizado para denegação do pleito do contribuinte no Despacho Decisório, aplicandose as alíquotas decorrentes da reclassificação fiscal dos produtos acima, restou absorvido totalmente pelos débitos, o saldo credor requerido pelo contribuinte. No entanto, conforme já reconhecido pela decisão recorrida, operouse o instituto da homologação tácita sobre as compensações declaradas pelo contribuinte no ano calendário de 2001 em face do transcurso do prazo de 5(cinco) anos, previsto no §5º do art. 74, Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.000026/200151 Acórdão n.º 3801004.939 S3TE01 Fl. 20 19 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não se homologando apenas as declarações de compensação transmitidas em 11/11/2004 e 15/12/2004, quais sejam, as DCOMP nºs 39258.90299.111104.1.3.010676 e 25754.29067.151204.1.3.010105. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.011212/2005-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/03/2000 a 31/12/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
A interposição do recurso voluntário trinta dias após a ciência da decisão de primeira instância implica o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 1103-001.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado não conhecer do recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Glosa de despesas. Omissão de receitas Recorrente CFL CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/03/2000 a 31/12/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. A interposição do recurso voluntário trinta dias após a ciência da decisão de primeira instância implica o seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado não conhecer do recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 12 12 /2 00 5- 17 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.011212/200517 Acórdão n.º 1103001.189 S1C1T3 Fl. 1.400 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fatos geradores: 31/3/00 a 31/12/02), com incidência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.7/47). Relativamente a determinados períodos, houve compensação a título de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL apurados em anoscalendário anteriores. A ciência do contribuinte ocorreu em 23/12/05 (fls.7, 25, 29 e 44). No “Relatório de Ação Fiscal” (fls.48/53), discorreu a fiscalização, em resumo: considerando a condição de sócio ostensivo de Sociedade em Conta de Participação, o contribuinte, no anocalendário 2000, indevidamente optou pela tributação com base no lucro presumido, em vez do arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida; do cotejo entre as notas fiscais emitidas em 2000 e os registros contábeis, constatouse que alguns valores não foram contabilizados nos livros Diário e Razão, o que justifica a autuação a título de omissão de receitas; quanto às despesas escrituradas na conta “Cartão de Crédito” em 2001 e 2002, cujos históricos referemse aos Srs. Péricles Pretto Corrêa, Fabiano Bocorny Corrêa e Luciano Bocorny Corrêa, sócios da CFL, o contribuinte não apresentou as respectivas notas/cupons fiscais que pudessem atestar a necessidade das operações e a relação com a atividade empresarial. Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Quinta Turma da DRJ – Porto Alegre (RS), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.645/653): DECADÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art.173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do §4° do art.150 do CTN. Para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE. O julgador administrativo está vinculado à legislação em vigor, da qual não pode se afastar, mormente em virtude de ilações relativas a sua ilegalidade ou inconstitucionalidade, discussão que cabe exclusivamente ao Poder Judiciário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Em 2000, o sócio ostensivo de sociedade em conta de participação era obrigado ao lucro real. No caso de utilização obrigatória da sistemática do lucro real e Fl. 701DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.011212/200517 Acórdão n.º 1103001.189 S1C1T3 Fl. 1.401 3 não tendo sido utilizada tal sistemática, resta mandatório o arbitramento. GLOSA DE DESPESAS. Para serem dedutíveis, as despesas contabilizadas devem ser caracterizadas (mediante documentação hábil e idônea) como relativas ao sujeito passivo e necessárias à manutenção de sua atividade. PIS/PASEP E COFINS. Tendo sido comprovado recolhimento de PIS/Pasep e de Cofins, aplicase ao caso o art. 150, §4° do CTN. Na oportunidade, reconheceuse a decadência quanto aos créditos tributários de PIS e Cofins relativos aos fatos geradores ocorridos em 2000. Devidamente cientificado em 14/10/08 (fl.656), o contribuinte protocolizou recurso voluntário em 20/11/08 (fls.657/680), em que alegou, em síntese: decadência quanto aos créditos de IRPJ e CSLL relativos aos três primeiros trimestres de 2000, pois realizara recolhimentos naquele ano, conforme demonstram as respectivas DIPJ e DCTF, não tendo a fiscalização apontado conduta dolosa, fraudulenta ou simulada; seria indevido arbitrar o lucro em 2000, pois a qualificação de sócio ostensivo não se sustentaria. Mesmo se confirmada, “...ainda assim o arbitramento pretendido pelo Fisco não poderia prosperar, pois a legislação que impõe a tributação pelo Lucro Real a um determinado grupo de empresas (art.246, do RIR/99, fundamentado no art.14 da Lei nº 9.718/98) não faz qualquer referência à empresa que atuasse, em 2000, como sócio ostensivo de SCP.”; seriam equivocadas as glosas de despesas, pois as faturas dos cartões de crédito bastariam para comproválas, tendo o contribuinte assumido os referidos gastos. A fiscalização deixara de questionar se seriam “...necessárias às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora”, além de não ter realizado uma análise individual das despesas. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Para que as alegações de defesa possam ser conhecidas, importa inicialmente verificar se o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente. Ao contribuinte a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil encaminhou a Intimação nº 907/2008 (fl5.654/655) acompanhada de cópia do acórdão recorrido. A ciência concretizouse em 14/10/08 (terçafeira), conforme Aviso de Recebimento acostado à fl.656. Dispõe o Decreto nº 70.235, de 6/3/72, que regula o processo administrativo tributário federal: Fl. 702DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.011212/200517 Acórdão n.º 1103001.189 S1C1T3 Fl. 1.402 4 “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ..... Art. 23. Farseá a intimação: ..... II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) ..... § 2° Considerase feita a intimação: ..... II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) ..... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” (destaquei) Assim, conforme art.5º do Decreto nº 70.235/72, a contagem do prazo recursal, com a exclusão do dia da intimação, iniciouse em 15/10/08 (quartafeira). O vencimento, por sua vez, ocorreu em 13/11/08 (quintafeira). Por sua vez, o recurso voluntário, assinado em 18/11/08, foi protocolizado apenas em 20/11/08 (fl.657), sendo, portanto, intempestivo. Acrescentese que o Recorrente não formulou preliminar quanto ao prazo de interposição. Pelo exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 703DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10980.723995/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
ISENÇÃO DO ART. 15 da LEI 9.532/97.
Gozando a recorrente da isenção do art. 15 da Lei 9.532/97, fica sujeita a tributação do PIS sobre folha de salário e isenta da Cofins, por força do disposto nos arts. 13, IV, e 14, X, da MP 2.158/35
Numero da decisão: 1302-001.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Hélio Araújo, Waldir Rocha e Márcio Frizzo.
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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Gozando a recorrente da isenção do art. 15 da Lei 9.532/97, fica sujeita a tributação do PIS sobre folha de salário e isenta da Cofins, por força do disposto nos arts. 13, IV, e 14, X, da MP 2.158/35 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Hélio Araújo, Waldir Rocha e Márcio Frizzo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso de ofício, interposto em face do Acórdão nº 0640.690 da 3ª Turma da DRJ/CTA, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 39 95 /2 01 2- 90 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CLUBES RECREATIVOS. ISENÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. LANÇAMENTO. EFEITOS. É descabido o lançamento de PIS e Cofins com base na não cumulatividade em face das receitas relativas às atividades próprias dos clubes recreativos que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídos e que sejam considerados isentos do IRPJ e da CSLL. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Vale a transcrição do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: “Diante da determinação constitucional (art. 217, III) de tratamento diferenciado entre desporto profissional e nãoprofissional, o art. 18, IV, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, revogou a isenção do imposto de renda para as entidades que se dediquem à prática desportiva de caráter profissional. (…) Entretanto, tendo em vista a exigida literalidade na interpretação da legislação que trata sobre outorga de isenção (art. 111, II, do Código Tributário Nacional – CTN), devese atentar que os clubes de futebol profissional não se enquadram entre as entidades listadas no artigo transcrito. De plano, descartase o enquadramento como instituição de caráter filantrópico ou científico, sendo desnecessário tecer maiores comentários. O caráter cultural também não está presente em associações futebolísticas, pois o conceito de cultura está ligado a artes, crenças, costumes e hábitos de uma sociedade. Prova disso é a ligação dos clubes de futebol com a legislação do Ministério do Esporte, e não com a do Ministério da Cultura. O sujeito passivo não está voltado exclusivamente a projetos culturais, mas sim a atividades esportivas. A condição de instituição de caráter recreativo também não se aplica integralmente, pois, em função da interpretação restrita do CTN, não há como aceitar tal enquadramento através da interpretação extensiva ou de integração analógica. A isenção do IRPJ para instituições recreativas tem por finalidade estimular atividades de lazer, recreação e prática de esporte amador. Entidades desportivas dedicadas ao futebol profissional não são estritamente recreativas. Importante ressaltar que estão sendo tributadas apenas as receitas ligadas ao futebol profissional, permanecendo isentas as receitas ligadas inequivocamente às atividades recreativas e sociais do sujeito passivo. Poderseia argumentar que o sujeito passivo enquadrase nas “associações civis que prestem os serviços para os quais houverem Fl. 379DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.723995/201290 Acórdão n.º 1302001.676 S1C3T2 Fl. 379 3 sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, mas ficaria difícil sustentar tal argumentação, uma vez que o sujeito passivo não presta nenhum tipo de serviço. É importante perceber que a isenção do IRPJ é para as receitas das atividades listadas no art. 15, em interpretação literal. O sujeito passivo obtém receitas da exploração do futebol profissional (publicidade, marketing, bilheteria, transmissão de jogos, prêmios, etc.), com o principal objetivo de vencer campeonatos de futebol. Não há filantropia, cultura, recreação e pesquisa científica com o fruto dessas receitas obtidas. Quase a totalidade das receitas destinase ao pagamento dos atletas, funcionários e manutenção da estrutura necessária para a participação em competições profissionais. Não se vislumbra nenhuma fundamentação legal nem razão para isenção tributária no caso. (…) A citada Medida Provisória acabou rejeitada pelo Plenário da Câmara dos Deputados, vindo em seguida a Medida Provisória nº 79, publicada no DOU de 28/11/2002 e convertida na Lei nº 10.672, de 15 de maio de 2003. Considerando então o texto alterado por esta última, a Lei Pelé passou a separar as entidades desportivas profissionais, segundo sua forma de constituição, em sociedades empresárias (arts. 1039 a 1092 do Código Civil) e sociedades em comum (arts. 986 a 990 do Código Civil): (…) Caso fosse outro entendimento, não haveria a necessidade do art. 13 da Lei nº 11.345, de 14 de setembro de 2006, criada especificamente para as entidades desportivas da modalidade futebol: Art. 13. Fica assegurado, por 5 (cinco) anos contados a partir da publicação desta Lei, o regime de que tratam o art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e os arts. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, às entidades desportivas da modalidade futebol cujas atividades profissionais sejam administradas por pessoa jurídica regularmente constituída, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Como as atividades profissionais do sujeito passivo continuam sendo administradas pelo Presidente de seu Conselho Diretor, conforme arts. 89 e 90 de seu Estatuto, também não possui direito à isenção temporária, com base no art. 15 da Lei nº 9.532, outorgada pelo dispositivo transcrito. Recentemente, a Lei nº 12.395, de 16 de março de 2011, revisou profundamente a Lei Pelé. Contudo, mantémse a redação do art. 2º, parágrafo único, não havendo alteração no entendimento sobre a tributação dos clubes de futebol profissional. Vale a pena citar a nova redação do art. 27, § 13: Art. 27. As entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais e as entidades de administração de desporto ou ligas em que se organizarem, Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 independentemente da forma jurídica adotada, sujeitam os bens particulares de seus dirigentes ao disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, além das sanções e responsabilidades previstas no caput do art. 1.017 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, na hipótese de aplicarem créditos ou bens sociais da entidade desportiva em proveito próprio ou de terceiros. (...) § 13. Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de que trata o caput deste artigo, independentemente da forma jurídica sob a qual estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias. Mesmo ciente de que não é considerado entidade isenta de IRPJ e CSLL, o sujeito passivo insiste nesse enquadramento equivocado, recusando qualquer opção pela tributação.” O voto condutor da decisão recorrida está assim exarado: Do julgamento relativo ao lançamento de IRPJ e seus efeitos Ao analisar o lançamento de IRPJ efetuado em face do presente clube de futebol – objeto do processo administrativo nº 10980.723994/201245 – a 1ª Turma desta DRJ em Curitiba, exarou, em sessão realizada em 23/08/2012, acórdão unânime (nº 0637.819) acolhendo os argumentos e cancelando integralmente a exigência pertinente. Aludido acórdão assim foi ementado: EXPLORAÇÃO DE PRÁTICA DESPORTIVA, DE CARÁTER PROFISSIONAL, POR CLUBES RECREATIVOS E ASSOCIAÇÕES CIVIS SEM FINS LUCRATIVOS QUE PRESTEM OS SERVIÇOS PARA OS QUAIS FORAM CONSTITUÍDAS E OS COLOQUEM À DISPOSIÇÃO DO GRUPO DE PESSOAS A QUE SE DESTINAM. ISENÇÃO. O artigo 18 da Lei nº 9.532, de 1997, revogou a isenção das entidades em geral que exploram a prática desportiva, de caráter profissional. Contudo, seu parágrafo único assegurou a fruição do benefício para as entidades constituídas como clubes recreativos, e também como associações civis sem fins lucrativos que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam. Pois bem, uma vez considerado, pela Turma regimentalmente competente para tanto, que aludido clube, dada sua condição de clube recreativo, nos termos do contido no art. 18 da Lei nº 9.532, de 1997, tem assegurada sua isenção em face do IRPJ e CSLL, vêse que, em relação aos presentes lançamentos, emerge questão prejudicial (esclareçase que apesar de o julgamento de IRPJ referirse aos fatos geradores havidos em 31/03/2007, 30/09/2007 e 30/06/2008, e os Fl. 381DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.723995/201290 Acórdão n.º 1302001.676 S1C3T2 Fl. 380 5 presentes lançamentos referiremse aos períodos de apuração 01/2007 a 12/2010, razão alguma há para se adotar entendimento diverso do contido no referido acórdão para os períodos de 2009 e 2010). Com efeito, analisandose a legislação de regência (Lei nº 10.833, de 2003 e Lei nº 10.637, de 2002, bem como o regulamento do PIS/Pasep instituído pelo Decreto nº 4.524, de 2002), vêse que, configurada a condição de entidade isenta de imposto de renda, o PIS a ser exigido deve ter como base a folha de salários. Já a Cofins (não cumulativa), vêse que somente pode ser exigida em relação às receitas que não derivam das atividades próprias da contribuinte (quanto às demais, restam isentas, desde que atendidos todos os requisitos da legislação). No presente caso, portanto, em que não houve qualquer detalhamento fiscal nesse sentido, constatase que não há espaço para a exigência de PIS ou de Cofins com base unicamente na regra de incidência não cumulativa. Em assim sendo, uma vez que os lançamentos foram efetuados em descompasso com a condição da contribuinte, já considerada no julgamento mencionado, e acatada no presente voto, não se vislumbra outro caminho senão o de propor o cancelamento integral da presente exigência, ressalvandose contudo, o direito do fisco de, respeitados os prazos legais, e se for o caso, efetuar novo lançamento. Quanto às razões de impugnação, tendo em vista o direcionamento dado no presente voto, ou seja, de cancelamento integral da exigência, sentido algum há em analisálas. Conclusão Posto isso, voto para que os lançamentos sejam julgados improcedentes É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. A decisão recorrida exonerou a recorrente de crédito tributário superior ao limite de alçada, razão pela qual conheço do recurso de ofício. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Inicialmente, afasto a prejudicialidade sustentada pela decisão recorrida, pois sustento que embora devessem estes autos terem sido juntandos ao PAF nº 10980.723994/201245, para julgamento em conjunto, nada obsta que, em sendo julgado em separado, um Colegiado entenda que, à recorrente, se aplica o art. 15 da Lei 9.532/97 e outro sustente em sentido oposto, hipótese, para a qual a Lei, já previu o remédio processual – recurso de divergência. Vale registrar que com relação ao recurso de ofício em face da decisão que cancelou os lançamentos do IRPJ e da CSLL, objeto do PAF nº 10980.723994/201245, a 2ªTO/4ªCâmara/1ªSejul negou provimento ao recurso, vencido apenas o Conselheiro Leonardo Couto, estando, hoje, pendente de julgamento os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. Há que se reconhecer que o TVF é bem articulado e fundamentado, porém verifico alguns pontos de fragilidade na tese ali sustentada, se não vejamos o que se segue. O § 13 do art. 27 da Lei 9.615 apenas equipara as atividades profissionais de entidades desportivas de que trata o caput do artigo às atividades das sociedades empresarias e, mesmo assim, unicamente para os fins de fiscalização e controle previstos nessa Lei. Ora, primeiro, tal dispositivo não torna a recorrente uma sociedade empresária, segundo, ainda que assim fosse, seria unicamente para os fins de fiscalização e controle da Lei Pelé. Segundo ponto, a interpretação dada pelo autuante ao art. 13 da Lei nº 11.345/06 não é a melhor exegese. Ora, não se pode deduzir que, por não se aplicar à recorrente o art. 13 em tela, não se aplicaria o art. 15 da Lei 9.532/97. Em verdade, o art. 13 em tela apenas garantiu uma isenção temporária para as entidades que se constituíssem sobre a forma de sociedades empresárias. Terceiro ponto, é indiscutível que a recorrente é uma associação, logo, à luz do Código Civil Brasileiro, uma pessoa jurídica sem fins lucrativos. Todavia, o autuante não a enquadra no art. 15 c/c o parágrafo único do art.18 da Lei 9.532/97, por entender que ela não presta serviço. Ora, parte, então, o autuante de um conceito de serviço que não encontra qualquer respaldo no ordenamento jurídico, aliás, ele não define o conceito de serviço. Ora, a Lei Complementar nº 116/03 inclui, na sua lista de serviços, para fins de incidência do ISS, o item 12.11 – Competições esportivas ou de destreza física ou intelectual, com ou sem a participação do espectador. Além disso, não só as competições, mas até treinamentos que são abertos aos associados (vulgarmente chamados de “sócios” do Clube) são serviços que são colocados a disposição do grupo de pessoas a que se destinam. Por essas breves razões, entendo que a recorrente estava sujeita a tributação do PIS sobre folha de salário e isenta da Cofins, por força do disposto nos arts. 13, IV, e 14, X, da MP 2.158/35. Por sua vez, perfeita a observação da decisão recorrida quando sustenta: “Já a Cofins (não cumulativa), vêse que somente pode ser exigida em relação às receitas que não derivam das atividades próprias da contribuinte (quanto às demais, restam isentas, desde que atendidos todos os requisitos da legislação). No presente caso, portanto, em que não houve qualquer detalhamento fiscal nesse sentido, constatase que não há espaço para a exigência de PIS ou de Cofins com base unicamente na regra de incidência não cumulativa”. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.723995/201290 Acórdão n.º 1302001.676 S1C3T2 Fl. 381 7 Em face do exposto, voto por negar proviemento ao recurso de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 384DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.730521/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Ementa:
IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
Numero da decisão: 1301-001.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor Valmir Sandri.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
(assinado digitalmente)
Valmir Sandri Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 Ementa: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.730521/201045 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.595 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria IRPJ/ESTIMATIVAS/MULTA ISOLADA Recorrente BOA VIAGEM TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 05 21 /2 01 0- 45 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 (assinado digitalmente) Valmir Sandri – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.595 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase do auto de infração de fls. 3/6, datado de 06/10/2010, relativo a Multa Exigida Isoladamente por Falta de Recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) incidente sobre base de cálculo estimada, referente aos meses janeiro a maio de 2007, no valor de R$149.631,60. O Auditor Fiscal informa que os valores devidos foram confrontados com os valores efetivamente declarados em DCTF e recolhidos pelo contribuinte. Cientificado em 19/10/2010, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 51/54) em 17/11/2010, alegando, em síntese, que: o auto de infração é inservível, pois contém erros insanáveis, pois não considerou que o impugnante fez compensação com valores advindos de anos anteriores; a nulidade do presente auto de infração decorre do fato de que um outro auto de infração lavrado pela mesma autoridade fiscal efetuou a cobrança das estimativas não pagas que totalizou R$ 299.263,18 e sobre elas aplicou multa de ofício de 75%, e agora, no presente auto de infração torna a levantar os mesmos valores, só que em parcelas mensais e volta a aplicar multa de ofício; o duplo lançamento é ilegal e macula a ambos, assim, a anulação de um não resolve o outro, pois o Estado não pode ensaiar qual dos autos de infração vai dar certo, sendo ambos os autos de infração nulos; os valores das estimativas consignadas como não recolhidas foram, em verdade, objeto de compensação, conforme atestam os assentamentos e registros na contabilidade, com créditos que decorrem de saldo negativo ou de recolhimento a maior nas DIPJ de anos anteriores ao de 2007. Ao final, pede o impugnante que o presente auto de infração seja cancelado em razão de não haver previsão legal de cobrança de estimativas em auto de infração em duplicidade e a diferença apontada no lançamento de ofício inexiste. A DRJ/SALVADOR (BA) decidiu a matéria por meio do Acórdão 15 030.272, de 30/03/2012, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Comprovado que houve falta de recolhimento do IRPJ devido, incidente sobre base de cálculo estimada, efetuase o lançamento de multa isolada, prevista na legislação que rege a matéria. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.595 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A autoridade julgadora a quo fundamentou, assim, a decisão recorrida: Notese que o art. 59, incisos I e II, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, determina que somente são nulos: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Dessa forma, verificase que dentre as hipóteses de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, o referido dispositivo legal, limitou à hipótese de nulidade aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente, o que não se aplica à presente situação, eis que a legislação em vigor conferiu ao Auditor Fiscal da Receita Federal competência exclusiva para a realização do lançamento, o que foi aqui efetivado com a lavratura do auto de infração. Encontrase claramente descrita a infração cometida pelo contribuinte, a Falta de Recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) incidente sobre base de cálculo estimada, referente aos meses janeiro a maio de 2007. Notese também, que conforme preceitua o art. 15 do PAF (Decreto nº 70.235, de 1972) foi dado ao contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias, da data da ciência das exigências tributárias, para apresentar a sua impugnação, não tendo havido em qualquer momento cerceamento do seu direito de defesa. Portanto, no presente caso não há qualquer vício que eive de nulidade o auto de infração. Verificase também que não ocorreu duplicidade de lançamento. O outro auto de infração ao qual o contribuinte se reporta (cópia às fls. 64/70), o qual é objeto do processo nº 10580.730522/201090, cujo acórdão foi exarado por esta Delegacia de Julgamento (cópia de fls. 82/86), não se refere a cobrança de estimativas, mas sim lançamento do IRPJ devido, apurado na declaração de ajuste (código de receita 2917), e não pago, referente ao ano calendário de 2007. Pesquisa efetuada no sistema SINAL05 da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (fls. 71/79), que registra os pagamentos efetuados pelo contribuinte, não encontrou qualquer recolhimento referente ao IRPJ apurado na declaração de ajuste, DIPJ 2008, nem os pagamentos do IRPJ por estimativa referentes aos meses de janeiro a maio de 2007. Foram encontrados apenas os pagamentos do IRPJ por Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 estimativa dos meses de junho a dezembro de 2007, cujos valores já se encontravam declarados nas DCTF do período. Notese também, que a alegação do contribuinte de que efetuou compensação das estimativas do ano calendário de 2007 não se sustenta. Embora conste da DIPJ 2008 valores devidos de IRPJ por estimativa para os meses de janeiro a maio, estes valores não foram declarados nas DCTF apresentadas. Pesquisa realizada no sistema SIEF da RFB também não encontrou nenhum pedido de compensação, PER/DCOMP, apresentado desde janeiro de 2007 até a data da autuação (fls. 80/81), referente aos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de janeiro a maio. Desta forma, agiu corretamente a autoridade fiscal ao efetuar o lançamento da Multa Isolada, prevista na legislação que rege a matéria (arts. 222 e 843 do RIR, combinado com art. 44,§ 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), para o caso de não recolhimento do IRPJ incidente sobre base de cálculo estimada. No recurso apresentado a contribuinte, em síntese, repete as argumentações trazidas na impugnação: primeiro a nulidade do auto e segundo quanto ao mérito alega: “o fisco aplicou multa sobre a mesma base de cálculo, as estimativas não recolhidas, duas multas. No presente auto a multa incidiu sobre a estimativa em cada mês considerado e no outro (processo administrativo 10580.730522/201090) sobre o somatório e considerado como estimativa de fato gerador em dezembro de 2007”. Aduz, ainda, “que a diferença apontada no auto de infração inexiste, uma vez que a Recorrente usou o instituto da compensação”. Pois bem. Na ausência da compensação alegada as argumentações da recorrente não se sustentam, vejamos: A legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do ano calendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, aplicase o disposto na Lei nº 9.430/96, art. 44, § 1º, com a modificação dada pela Lei 11.488, de 2007 (inciso II, 50%), in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.595 S1C3T1 Fl. 14 7 Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o ano calendário. Ausente tal demonstração, ou apurando a Fiscalização que estes balancetes revelam resultado inferior ao devido, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deve a contribuinte apurar e recolher os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceria devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, mesmo verificando que os tributos devidos ao final do ano calendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do ano calendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, (com a nova redação dada pela Lei 11.488, de 2007) a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Inadmissível, assim, a interpretação de que as multas isoladas (50%) e a multa de ofício (75%) pela falta de recolhimento do devido no ajuste do final do exercício é caso de duplicidade de lançamento. Nesse contexto o conteúdo jurídico, a dicção do dispositivo não deixa margem de dúvida acerca do seu alcance. A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo, ou seja, é aplicável em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever – não observado de recolher antecipações, mediante estimativas, pouco importando se estas possuem apenas um caráter provisório, pois o que se busca é punir a conduta do contribuinte que, espontaneamente, abandonou a regra geral de tributação lucro real trimestral, sem respeitar o requisito para o ingresso na sistemática do lucro real anual, cujas estimativas mensais antecipatórias são de recolhimento imprescindível. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a Lei prevê a multa de ofício (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. Por todo o exposto voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.595 S1C3T1 Fl. 15 9 Voto Vencedor Valmir Sandri, Redator Designado. Com a devida vênia ao bem fundamentado voto proferido pelo Ilustre Relator, ouso dele discordar quanto ao entendimento por ele esposado para manter a Multa de Ofício aplicada Isoladamente, eis que, entendo, após o encerramento do anocalendário, inexiste base de cálculo para a incidência da referida multa, bem como, a impossibilidade da coexistência de duas penalidades sobre um mesmo tributo que deixou de ser recolhido. Explico o porque: Os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1o., art. 44 da Lei 9.430/96, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o ano calendário em curso, pelo fato de que, com a apuração do tributo efetivamente devido ao final do anocalendário (31.12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Portanto, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1o. do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1o do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. Assim, a despeito da contribuinte não ter antecipado ou ter antecipado a menor o suposto tributo que poderia ser devido ao final do anocalendário, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após o término do ano calendário, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto efetivamente devido, porquanto, impossível no meu entendimento, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação. Não fossem os argumentos acima, que no meu entendimento são suficientes para afastar a presente exigência, é de se verificar que se exige também nos presentes autos, em concomitância, a multa de ofício, não devendo também por esse motivo prosperar a exigência ora guerreada. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Isto porque, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico tributo, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de ofício, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. De se registrar que está matéria já se encontra pacificada na Câmara Superior, conforme se constata dos julgados a seguir transcritos por suas ementas: Acórdão 91010.375, de 01/10/2009: IRPJ. MULTA ISOLADA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento do tributo apurado no balanço Acórdão 910100.430, de 03/11/2009, de idêntico teor aos Acórdãos nºs, 910100.500 de 25/01/2010; 910100.501 de 25/01/2010; 910100.502 de 25/01/2010; 9101 01.193, de 17/10/2011; 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 9101 01.455 de 15 de agosto de 2012: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. 9101 000.844, de 22/02/2011 (de idêntico teor: Acórdãos 910101.237, de 21/11/2011; 910101.246, de 22/11/ 2011). FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Portanto, ante a jurisprudência acima citada, e por me filiar ao entendimento por ela firmado, DOU provimento ao recurso do contribuinte para excluir tal penalidade. É como voto. (assinado digitalmente) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.730521/201045 Acórdão n.º 1301001.595 S1C3T1 Fl. 16 11 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11070.721845/2013-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A título exemplificativo, não constituem insumos, no caso em análise, as despesas com comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social, despesas com marcas e patentes, e despesas com denominações genéricas que não permitam a verificação de vínculo com o processo produtivo.
A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC.
Numero da decisão: 3403-003.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A título exemplificativo, não constituem insumos, no caso em análise, as despesas com comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social, despesas com marcas e patentes, e despesas com denominações genéricas que não permitam a verificação de vínculo com o processo produtivo. A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA 4/CARF. A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A título exemplificativo, não constituem insumos, no caso em análise, as despesas com comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 18 45 /2 01 3- 58 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 despesas com marcas e patentes, e despesas com denominações genéricas que não permitam a verificação de vínculo com o processo produtivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A título exemplificativo, não constituem insumos, no caso em análise, as despesas com comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social, despesas com marcas e patentes, e despesas com denominações genéricas que não permitam a verificação de vínculo com o processo produtivo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração lavrados em 19/08/2013 (fls. 415 a 474 e 475 a 5341) contra a recorrente, para exigência da Contribuição para o PIS/PASEP (de 31/08/2008 a 31/12/2011) e da COFINS (no mesmo período), na sistemática da não cumulatividade, acrescidas de juros de mora e multa de ofício (em alguns casos qualificada), 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 853DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 853 3 nos valores consolidados de R$ 618.175,53 (Contribuição para o PIS/PASEP) e de R$ 3.641.648,98 (COFINS). As infrações descritas na autuação são insuficiência de recolhimento (30/11/2008 e 31/12/2008) e descontos indevidos de crédito (31/08/2008 a 31/12/2011), e são detalhadas em Termo de Constatação Fiscal (TCF). No TCF (fls. 403 a 413), narrase que: (a) em procedimentos fiscal, verificou se que a empresa utilizouse indevida e sistematicamente de créditos intitulados “outras deduções”, informados em DACON, nas fichas 15B, linhas 26 e 28, e 25B, linha 28; (b) ao atender intimações para prestar esclarecimentos, a empresa informa que o saldo credor das contribuições se encontrava “zerado” em 30/06/2008, justificando as “outras deduções” como “créditos extemporâneos compensados e sujeitos à (sic) posterior homologação do fisco, referente aos valores do ICMS que estavam embutidos nas bases de cálculo das exações PIS e COFINS pagas em exercícios anteriores, e compensados em todo o período requerido e apropriados e compensados também créditos decorrentes de majoração da alíquota da COFINS, de 2% para 3%, matéria discutida no âmbito judicial pelos contribuintes brasileiros”, com apoio no art. 66 da Lei no 8.383/1991 e legislação superveniente (visto que optou por não demandar judicialmente, nem apresentar declarações de compensação, “por não se constituírem créditos tributários”, nem hipóteses de ressarcimento ou restituição), e que a opção por este modelo de compensação “não teve o condão de extinguir o crédito tributário”, e “deuse pela necessidade de a empresa estruturarse financeiramente para enfrentar dificuldades”; (c) a compensação em decorrência da majoração de alíquota (de 2% para 3%) é descabida por inexistência de crédito, visto não ter sido o art. 8o da Lei no 9.718/1998 declarado inconstitucional; (d) no que se refere à exclusão do ICMS sobre as vendas, também não encontra amparo na legislação vigente, sendo inexistente o crédito; (e) com o advento da Lei no 9.430/1996, art. 74, a compensação passou a demandar a entrega de declaração específica; (f) “diante da falta de critérios na operacionalização das compensações pela fiscalizada, nos (sic) permite afirmar que a contribuinte fez uma aposta na não análise dessas compensações e, por consequência, veria a homologação tácita das irregularidades por decurso de prazo”, evitando a cobrança e o posterior envio dos débitos para inscrição em Dívida Ativa, amoldandose a situação, em tese, à conduta tipificada como fraude no art. 72 da Lei no 4.502/1964; (g) não foi apresentado memorial de cálculo das contribuições para comprovar a origem dos efetivos créditos e sua relação com as alegações da empresa, e, analisandose a escrituração da empresa, percebese que as contas que controlaram/escrituraram os referidos créditos não possuem qualquer relação com a apuração com a apuração de créditos de tributos por pagamento a maior ou indevido, nem com compensação de tributos; (h) verificouse ainda que a empresa busca créditos em itens de despesas que não possuem respaldo legal, detalhados na “planilha de glosas de créditos por falta de previsão legal” (fls. 333/334); e (i) as multas forma aplicadas nos patamares de 75 % (em relação a créditos sem respaldo legal) e 150% (nas hipóteses de créditos fictícios, utilizados indevidamente para diminuir o montante das contribuições devidas, no evidente intuito de fraude), tendo sido ainda efetuada a representação fiscal para fins penais. Cientificada das autuações em 28/08/2013 (fls. 415 e 475), a empresa apresenta impugnação (em relação a ambas as contribuições) em 26/09/2013 (fls. 550 a 595), alegando que: (a) a autuação é nula porque em momento algum indica quais créditos entende por ilegítimos, relacionando sua natureza/identificação, não tendo sido possível localizar as planilhas de fls. 333/334 e outros documentos nos autos, o que resulta em trabalho fiscal às avessas, ferindo o art. 142 do CTN, no qual se apura a procedência de determinados créditos, glosandose os demais; (b) há ainda nulidade no fato de a autoridade administrativa, ferindo princípios constitucionais (contraditório, ampla defesa e publicidade), cientificar o sujeito Fl. 854DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 passivo da autuação, informando que se assim esse desejasse, poderia tomar ciência dos processos na repartição, em face do disposto no art. 9o do Decreto no 70.235/1972 (e arts. 25 e 39 do Decreto no 7.574/2011); (c) é ilegal e inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, havendo razões sólidas para o procedimento adotado pela empresa; (d) é apto a gerar créditos das contribuições, na qualidade de “insumo”, todo e qualquer custo necessário para a formação de receita (faturamento) e que tenha sido objeto de tributação pelas contribuições (ou todos os dispêndios necessários ao seu processo produtivo, como vem decidindo o CARF), sendo ilegais as restrições efetuadas ao conceito de insumos pelas IN SRF no 247/2002 e no 404/2004, inspiradas na legislação do IPI; (e) assim, constituem insumos aptos a gerar créditos as despesas com “água e esgoto, seguros, despesas com viagens, custos com pesquisas, comunicação, gastos com marcas e patentes, despesas exposições, publicações legais, livros, propaganda e publicidade, assistência social, alimentação empregados, custos vários suprimentos etc., impostos e taxas, despesas com causas judiciais, representação social etc.”; (f) a água é necessária para banhos em partes e peças do maquinário, e como forma de reter os resíduos vaporosos da tinta, servindo como filtro para purificação do ar; (g) as despesas para financiar feiras e exposições são inerentes à atividade da impugnante, assim como outras relacionadas na planilha de glosas (seguros, viagens ...); (h) o auto de infração não logrou demonstrar qualquer indício de fraude ou sonegação cometida pela empresa, tendo ocorrido no máximo mero inadimplemento do tributo, sendo indevida a qualificação da multa, invocando ainda a Súmula CARF no 14 e precedente administrativo (Acórdão no 3403002.256), e devendo ser sobrestada a representação fiscal para fins penais; (i) as multas aplicadas são confiscatórias e ferem a capacidade contributiva; e (j) é ilegal e inconstitucional a aplicação da Taxa SELIC. Em 21/03/2014 (fls. 760 a 793), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela procedência parcial da autuação, afastando a qualificação da multa, no caso de créditos intitulados “outras deduções”, reduzindoa ao patamar de 75% (havendo declaração de voto em sentido contrário). Decidese ainda que: (a) não houve impugnação em relação à falta de pagamento e declaração em DCTF relativa aos meses de novembro de dezembro de 2008, restando definitiva nesse ponto a exigência; (b) não houve nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto no 70.235/1972; (c) a defesa em relação aos créditos intitulados “outras deduções” é restrita à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições (que encontra expressa previsão legal), silenciando sobre a majoração de alíquota de COFINS inicialmente alegada pela empresa; (d) ainda que existisse legitimidade aos créditos intitulados “outras deduções”, o caminho adotado pela empresa não observou as disposições legais sobre a matéria (art. 74 da Lei no 9.430/1996); (e) o termo “insumo” se refere a bens e serviços que sejam, em razão de ação direta sobre o produto em elaboração, consumidos, desgastados, ou percam propriedades físicas ou químicas; (f) a forma incorreta de compensação não pode ser a motivação preponderante para a qualificação da multa de ofício, pois a empresa correu o risco de sofrer a glosa de tais deduções; (g) não cabe ao julgador administrativo a análise de constitucionalidade de lei tributária; e (h) a Taxa SELIC é aplicável ao caso. Não menciona o julgador de piso a existência de recurso de ofício em relação à quantia exonerada. Cientificada da decisão em 16/04/2014 (AR à fl. 802), a empresa apresenta recurso voluntário em 15/05/2014 (fls. 804 a 849), reiterando a argumentação no sentido de que o lançamento padece de nulidade (pelo não detalhamento das glosas em espécie), de que o ICMS não faz parte da base de cálculo das contribuições, de que o conceito de insumos é mais amplo que adotado pela fiscalização, abarcando os itens glosados, e de que a aplicação da Taxa SELIC é incabível. Acrescenta ainda que é nula (por afronta ao art. 151, III do CTN) a decisão de piso ao considerar não impugnada e determinar a cobrança imediata da a parcela referente à falta de pagamento e declaração em DCTF relativa aos meses de novembro de dezembro de 2008, e restringe a argumentação sobre confisco à multa de 75% (tendo em vista o afastamento da multa de 150% pelo julgador de piso). Fl. 855DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 854 5 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. De início, cabe destacar dúvida que brotou da análise dos montantes afastados pela DRJ, com a redução da multa (de 150% para 75%). Verificando o demonstrativo consolidado do crédito tributário constante no processo (fl. 414), percebese que o montante exigido a título de multas (seja de 75% ou de 150%) totaliza originariamente R$ 2.203.858,04. Ao restringir a análise à multa de 150%, por período, obtémse: Período COFINS Contribuição para o PIS/PASEP nov/09 R$ 109.660,26 R$ 23.807,81 dez/09 R$ 35.420,75 R$ 7.690,04 jan/10 R$ 67.308,79 R$ 5.944,45 fev/10 R$ 18,76 R$ 162,58 mar/10 R$ 15.809,04 R$ 3.433,47 abr/10 R$ 43.020,08 R$ 9.339,88 mai/10 R$ 14.553,75 R$ 3.159,41 jun/10 R$ 27.814,66 R$ 6.038,70 jul/10 R$ 26.615,28 R$ 5.778,30 ago/10 R$ 16.160,91 R$ 3.508,59 set/10 R$ 106.176,54 R$ 3.523,83 out/10 R$ 111.000,00 R$ 24.096,46 nov/10 R$ 98.761,29 R$ 21.439,71 dez/10 R$ 69.350,50 R$ 15.054,66 jan/11 R$ 1.820,46 R$ 395,23 abr/11 R$ 1.823,75 R$ 395,95 mai/11 R$ 64.938,84 R$ 14.748,30 jun/11 R$ 16.651,64 R$ 3.615,16 Período (continuação) COFINS Contribuição para o PIS/PASEP jul/11 R$ 26.795,24 R$ 5.817,40 ago/11 R$ 2.511,72 R$ 774,35 set/11 R$ 30.284,20 R$ 6.574,51 out/11 R$ 80.412,93 R$ 17.457,65 nov/11 R$ 81.816,32 R$ 17.762,24 dez/11 R$ 37.491,31 R$ 8.138,97 TOTAL R$ 1.086.217,02 R$ 208.657,65 Fl. 856DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 Multa de 75% R$ 814.662,77 R$ 156.493,24 TOTAL GERAL R$ 971.156,00 Assim, chegase a um valor afastado pela DRJ de R$ 971.156,00, em tese inferior ao limite para interposição de recurso de ofício constante do art. 1o da Portaria MF no 3/2008 (isso se considerados os valores originais de multa, sem acréscimo de juros de mora, na linha que vem sendo adotada em alguns julgados deste CARF). Crêse, assim, que andou nesse sentido o presidente de turma da DRJ, ao não recorrer de ofício da decisão da turma. Não consta nenhum demonstrativo de valor exonerado na decisão de piso, nem atualização de valores das multas no processo. A intimação ao contribuinte sobre a decisão da DRJ (fls. 795 a 801) inclui ao final a seguinte nota: “Os valores acima correspondem a valores originais. O pagamento deverá ser efetuado com os acréscimos legais cabíveis”. Assumese, assim, que não houve a interposição de recurso de ofício, na forma do art. 1o da Portaria MF no 3/2008, seguindose aqui tão somente na análise do recurso voluntário interposto pela empresa. Das preliminares de nulidade Insurgese a empresa em relação à ausência de identificação individualizada da natureza das glosas em relação a bens não considerados como insumos. Alega que não lhe foi dada ciência da “planilha de glosas de créditos por falta de previsão legal” (fls. 333/334), sendo apenas informado que o processo estava à sua disposição na unidade da RFB. Pelos documentos de fls. 415 e 475, percebese que responsável pela empresa declara expressamente estar ciente do “Auto de Infração e seus anexos”, dos quais recebeu cópia (em 28/08/2013). E a planilha de fls. 333/334, ao que consta, é um anexo da autuação. Sem embargo, ainda que não tivesse recebido a planilha, há documento nos autos de que atesta que a empresa solicitou cópia digital do processo em 05/09/2013 (fl. 542), não havendo registro de retardo no atendimento do pleito. Não há, assim, desconformidade do procedimento adotado pela fiscalização em relação ao previsto no art. 9o do Decreto no 70.235/1972, ou nos arts. 25 e 39 do Decreto no 7.574/2011. As glosas efetuadas pelo fisco em relação a créditos de bens/despesas pleiteados na qualidade de insumos, por falta de previsão legal, estão detalhados na referida planilha de fls. 333/334, tendo informado o fisco na autuação que reconheceu os créditos em relação a combustíveis, lubrificantes, consertos e reparos, despesas de veículos. Segundo a recorrente, isso caracteriza trabalho fiscal às avessas, ferindo o art. 142 do CTN, no qual se apura a procedência de determinados créditos, glosandose os demais. Não compartilhamos do entendimento da recorrente, tendo em vista que restam, conta a conta, detalhadas as glosas na planilha de fls. 333/334, anexa à autuação. As planilhas serão aqui integralmente reproduzidas no tópico referente à análise dos itens glosados, atestando não só o detalhamento, como a compreensão das glosas pela recorrente. Ademais, as glosas derivam da própria escrita fiscal da recorrente, que deve reunir a documentação de amparo necessária a seus controles. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 855 7 Ausentes, assim, quaisquer das nulidades alegadas em relação à autuação. No recurso voluntário a empresa acrescenta que é também nula a decisão de piso, por afronta ao art. 151, III do CTN, ao considerar não impugnada e determinar a cobrança imediata da a parcela referente à falta de pagamento e declaração em DCTF relativa aos meses de novembro de dezembro de 2008. Transcrevase o excerto questionado do julgamento de piso (fl. 775): “Da delimitação do contencioso administrativo Inicialmente, deve ser destacado que a impugnante não apresentou qualquer questionamento em relação a infração decorrente da falta de pagamento e de declaração em DCTF dos valores a pagar de PIS e Cofins apurados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), relativos aos meses de novembro e dezembro de 2008, doc. de fls. 335/390. Nesse sentido, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235/72 (PAF), a matéria que não for expressamente contestada pelo contribuinte não deve ser considerada como impugnada, a saber: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nesse sentido, não se instaura o contencioso administrativo no tocante à citada infração, caracterizandose, portanto, como matéria preclusa, passível de exigência imediata, nos termos de demonstração a ser realizada na conclusão desse Voto.” (grifo nosso) De fato, a matéria referida pela DRJ não foi objeto de impugnação específica pela empresa, operandose a preclusão, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235/1972, sendo possível efetivamente apartar o procedimento, de modo a prosseguirse na cobrança da parcela correspondente (o que não ofende, de modo algum, o art. 151, III do CTN, porque se opera a definitividade da decisão em relação àquela parcela (do mesmo modo que se opera a definitividade dos valores afastados pela DRJ, se inferiores ao limite de alçada). E a motivação que a recorrente apresenta para afirmar que questionou expressamente o tema na sua impugnação, nos termos do citado art. 17, fala por si só (fl. 811): Por óbvio, questionou a empresa nulidades, juros de mora e a multa de ofício, mas não expressamente a falta de pagamento e declaração em DCTF relativa aos meses de novembro de dezembro de 2008 (item I da autuação). Fl. 858DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 Pelo exposto, novamente ausente qualquer vestígio de nulidade. Dos créditos decorrentes de “outras deduções” Como narra o fisco no TCF a empresa justificou os créditos intitulados de “outras deduções” como “créditos extemporâneos compensados e sujeitos à (sic) posterior homologação do fisco, referente aos valores do ICMS que estavam embutidos nas bases de cálculo das exações PIS e COFINS pagas em exercícios anteriores, e compensados em todo o período requerido e apropriados e compensados também créditos decorrentes de majoração da alíquota da COFINS, de 2% para 3%, matéria discutida no âmbito judicial pelos contribuintes brasileiros”, com apoio no art. 66 da Lei no 8.383/1991 e legislação superveniente (visto que optou por não demandar judicialmente, nem apresentar declarações de compensação, “por não se constituírem créditos tributários”, nem hipóteses de ressarcimento ou restituição), e que a opção por este modelo de compensação “não teve o condão de extinguir o crédito tributário”, e “deuse pela necessidade de a empresa estruturarse financeiramente para enfrentar dificuldades”. Em relação à majoração de alíquota (de 2% para 3%) o fisco informa que é descabida por inexistência de crédito, visto não ter sido o art. 8o da Lei no 9.718/1998 declarado inconstitucional, e a empresa sequer discute o tema em suas peças de defesa. No que se refere à base de cálculo das contribuições, sustenta a recorrente que o valor do ICMS não compõe a receita, tampouco o faturamento, e por isso deve ser excluído. Sobre o tema, é de se destacar que as leis que regulam a matéria (no regime não cumulativo, que é o tratado nos autos) são as de no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que dispunham, à época dos fatos, em seus arts. 1o: “Art. 1o A contribuição (...) tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição (...) é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Fl. 859DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 856 9 Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (grifo nosso) O texto normativo apresenta a base de cálculo no § 2o de seu art. 1o, a partir do conceito de faturamento do caput, detalhado no § 1o. E no § 3o são relacionadas as exclusões, entre as quais não se encontra menção ao ICMS pago (apesar de haver menção expressa de exclusão à transferência onerosa a terceiros de ICMS originado de operações de exportação). Assim, por ausência de previsão legal, descabe a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Entender de forma diversa da expressa na lei, acrescentando a hipótese de exclusão, em face de princípios de ordem constitucional, implicaria análise administrativa de constitucionalidade, o que é vedado a esta corte administrativa, conforme assenta a Súmula CARF no 2. Nesse sentido decidiu de forma unânime esta turma (inclusive com a atual formação): “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep.” (Acórdão n. 3403001.774. Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.set.2012) “EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Até que o Supremo Tribunal Federal venha a decidir definitivamente em Repercussão Geral o Recurso Extraordinário nº 574.706 e a Ação Direta de Constitucionalidade nº 18, em que há medida liminar deferida pelo plenário do STF, quando, a partir de então, a decisão será oponível contra todos e à própria administração, sendo ela positiva ou negativa aos contribuintes, não há como dar guarida ao pedido da Recorrente.” (Acórdão n. 3403003.045. Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, unânime, sessão de 29.mai.2014) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. EXCLUSÃO PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Contudo, não integra a base de cálculo o valor das próprias contribuições. (Acórdão n. 3403003.449. Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 10.dez.2014) O simples motivo de não haver supedâneo normativo algum para os créditos da recorrente intitulados “outras deduções” já é suficiente para manutenção do lançamento neste tópico. Mas é de se registrar ainda que a forma adotada, de se creditar imediatamente das contribuições na escrita, sem apresentação declaração de compensação, mesmo após o advento da Lei no 9.430/1996, sob a justificativa assumida de que a opção “deuse pela necessidade de a Fl. 860DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 empresa estruturarse financeiramente para enfrentar dificuldades” merece veemente rechaço. Isso sem recordar que não restou comprovado a contento qualquer vínculo entre os valores tomados como “outras deduções” e as justificativas apresentadas. Inegável, assim, a procedência do lançamento referente a “outras deduções”. Das glosas de “créditos sem previsão legal” No TCF a fiscalização narra que a empresa busca ainda créditos em itens de despesas que não possuem respaldo legal, detalhados na “planilha de glosas de créditos por falta de previsão legal” (fls. 333/334), informando que acolheu os créditos em relação a combustíveis, lubrificantes, consertos e reparos, despesas de veículos. A empresa, por sua vez, defendese alegando nulidade por não detalhamento das glosas em espécie (matéria já tratada neste voto em sede de preliminares), e sustentando que é apto a gerar créditos das contribuições, na qualidade de “insumo”, todo e qualquer custo necessário para a formação de receita (faturamento) e que tenha sido objeto de tributação pelas contribuições (ou todos os dispêndios necessários ao seu processo produtivo, como vem decidindo o CARF), sendo ilegais as restrições efetuadas ao conceito de insumos pelas IN SRF no 247/2002 e no 404/2004, inspiradas na legislação do IPI. Entende a recorrente, assim, que constituem insumos aptos a gerar créditos as despesas com “água e esgoto, seguros, despesas com viagens, custos com pesquisas, comunicação, gastos com marcas e patentes, despesas exposições, publicações legais, livros, propaganda e publicidade, assistência social, alimentação empregados, custos vários suprimentos etc., impostos e taxas, despesas com causas judiciais, representação social etc.”. Ao explicar a utilidade dos itens no processo produtivo, informa que a água é necessária para banhos em partes e peças do maquinário, e como forma de reter os resíduos vaporosos da tinta, servindo como filtro para purificação do ar, e que as despesas para financiar feiras e exposições são inerentes à atividade da impugnante, assim como outras relacionadas na planilha de glosas (seguros, viagens ...). Sobre a amplitude do conceito de insumos na legislação que rege as contribuições, cabe destacar que esta Terceira Turma já tem posicionamento assentado. O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI Fl. 861DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 857 11 é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. As glosas efetuadas estão detalhadas na planilha de fls. 333/334, reproduzida a seguir (e fundada na escrituração da recorrente): Fl. 862DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 Fl. 863DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 858 13 Verificando as rubricas glosadas, diante do conceito de insumos assentado no bojo desta Terceira Turma, descartase de plano que despesas como comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, Fl. 864DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social e despesas com marcas e patentes possam ser ensejadoras de créditos segundo a legislação de regência das contribuições. Não há conexão de tais despesas com processo produtivo (e a recorrente, em sua peça de defesa, destaca a importância de alguns itens, mas não sua vinculação ao processo produtivo). Analisando detalhadamente as tabelas, somente pairaria dúvidas em relação a dois itens: água e esgoto (para o qual se esboça uma justificativa na peça recursal, mas sem qualquer amparo documental), e “custo pesquisas”. Mas tais itens, ao lado de outros descritos genericamente (v.g., “custos vários”), não permitem a certeza necessária ao reconhecimento do direito creditório, afastando as razões da autuação. Poderia a empresa, que tem exato domínio das rubricas sobre as quais pleiteia créditos, ter apresentado documentação hábil, seja durante o curso da fiscalização, ou do contencioso, de modo a atestar a certeza de seu direito. Mas o que se vê é que a empresa sequer se preocupa em detalhar documentadamente seu processo produtivo, ou permitir a convicção deste julgador sobre a aplicação efetiva dos itens glosados em sua produção. Persistem, assim, sem fundamento os créditos descontados em relação a tais operações, devendo ser, nesse tema, mantido o lançamento. Considerações finais No que se refere às alegações de que a multa de ofício (já em seu patamar de 75%, reduzido pela DRJ) é confiscatória, cabe destacar que a penalidade aplicada é expressamente a prevista na legislação (art. 44 da Lei no 9.430/1996), e sua dosagem não está ao alvitre do julgador. Ademais, eventual alegação de inconstitucionalidade não pode encontrar guarida neste tribunal, que já sumulou a matéria: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Também já se encontra sumulada neste tribunal a questão referente à possibilidade de aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Assim, também essas alegações finais da empresa são improcedentes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 865DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 3403003.549 S3C4T3 Fl. 859 15 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
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