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Numero do processo: 13502.000773/2009-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2006
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS.
Solicitada a inclusão de todos os créditos discutidos em parcelamento federal, deve aplicar o art.78, §§2 e 3 do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso especial do contribuinte.
Numero da decisão: 9303-004.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
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DESISTÊNCIA DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS. Solicitada a inclusão de todos os créditos discutidos em parcelamento federal, deve aplicar o art.78, §§2 e 3 do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso especial do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 07 73 /2 00 9- 23 Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 9303004.385 CSRFT3 Fl. 700 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n.º 3302002.304, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. O valor do crédito presumido do ICMS, concedido pelos Estados da Federação, independente do objetivo e da classificação contábil adotada pelo contribuinte, se constitui receita e integra a base de cálculo da Cofins nãocumulativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. O valor do crédito presumido do ICMS, concedido pelos Estados da Federação, independente do objetivo e da classificação contábil adotada pelo contribuinte, se constitui receita e integra a base de cálculo do PIS nãocumulativo. Recurso Voluntário Negado. Irresignado com a decisão do Colegiado que entendeu que o crédito presumido relativo ao incentivo estadual caracterizase como receita e, portanto, está sujeito à incidência do PIS e da COFINS não cumulativos, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Especial, em que apresentou os paradigmas de nº 1202000.921 e nº 3401001.976. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 9303004.385 CSRFT3 Fl. 701 3 O recurso especial do Contribuinte foi admitido pelo despacho de fls 629. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls 634 postulando a negativa de provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora A controvérsia suscitada se refere à tributação para o PIS e COFINS não cumulativos dos créditos presumidos de ICMS, como incentivos estaduais. No entanto, a Recorrente solicita a desistência do recurso administrativo, em razão da adesão ao parcelamento federal. Esta inclusão no parcelamento federal evoca a aplicação do art.78 e parágrafos do RICARF, senão vejamos: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 9303004.385 CSRFT3 Fl. 702 4 § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Desse modo, havendo todo crédito ter sido incluído no parcelamento, verifica se a desistência total do Recurso interposto, independentemente de solicitação expressa do Recorrente. Neste termos, voto pelo não conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. Érika Costa Camargos Autran Fl. 707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727094/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2010 a 30/10/2012
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESCABIMENTO.
A multa isolada de cento e cinquenta por cento sobre o valor da compensação indevida somente se aplica quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-004.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Totato - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2010 a 30/10/2012 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESCABIMENTO. A multa isolada de cento e cinquenta por cento sobre o valor da compensação indevida somente se aplica quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Totato - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESCABIMENTO. A multa isolada de cento e cinquenta por cento sobre o valor da compensação indevida somente se aplica quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 70 94 /2 01 3- 61 Fl. 1101DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Totato Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10580.727094/201361 Acórdão n.º 2401004.743 S2C4T1 Fl. 1.102 3 Relatório Tratase de recurso de ofício em face do Acórdão nº. 1448.943 (fls. 1056/1082) da DRJ/RPO, cuja ementa restou assim redigida: COMPENSAÇÃO. GLOSA. DIREITO CREDITÓRIO DISCUTIDO JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO POR LEI. A incidência de contribuição previdenciária se dá sobre a remuneração total do segurado empregado, com exclusão, apenas, daquelas parcelas expressamente definidas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGALIDADE. DISCUSSÃO JUDICIAL. PREVALÊNCIA DA DECISÃO JUDICIAL. MÉRITO NÃO ANALISADO NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Não compete à instância administrativa de julgamento manifestarse quanto ao mérito de matéria referente ao direito creditório cuja discussão foi levada ao Poder Judiciário, porque a decisão judicial prevalece sobre a decisão administrativa. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESCABIMENTO. A multa isolada de cento e cinquenta por cento sobre o valor da compensação indevida somente se aplica quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO PELAS DRJ. DESCABIMENTO. Não compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento apreciar reclamação do sujeito passivo quanto a arrolamento de bens e direitos realizado no curso de procedimento fiscal. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. PERÍCIA. Fl. 1103DF CARF MF 4 Desnecessária perícia quando as alegações puderem ser comprovadas com a juntada de documentos. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. NÃO COMPROVAÇÃO. Necessária a descrição individualizada dos fatos imputados a cada um dos administradores para a responsabilização solidária do artigo 135, inciso III, do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como se vê, a impugnação da ACMAV foi julgada parcialmente procedente, razão pela qual ocorreu a interposição do recurso de ofício, conforme se verifica do dispositivo do acórdão recorrido: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 16ª Turma de Julgamento: a) por unanimidade de votos considerar improcedente a impugnação ao auto de infração Debcad nº 51.044.1378, mantendo o crédito tributário exigido; b) por maioria de votos considerar procedente a impugnação ao auto de infração Debcad nº 51.044.1386, cancelando o crédito tributário exigido; c) por maioria de votos afastar a responsabilidade solidária em relação aos sócios, nos termos do voto; d) recorrer de ofício desta decisão ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, com base no inciso II do art. 25 e no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, c/c o inciso I do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Assim, de modo a delimitar a presente lide, haja vista a inexistência de interposição de recurso voluntário (por inclusão dos débitos referentes ao DEBCAD nº. 51.044.1378 ter sido incluído em programa de parcelamento especial), passamos a relatar somente sobre o lançamento referente ao DEBCAD nº. 51.044.1386, ainda em litígio. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 18/29), a empresa foi intimada a prestar esclarecimentos sobre as compensações efetuadas em GFIP, e, em resposta, afirmou que tratavase de recolhimento indevido de contribuições previdenciárias sobre algumas rubricas com suporte em mandado de segurança ajuizado pelo Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Terceirização de Mão de Obra do Estado da Bahia/SEAC, pleiteando a declaração da inexigibilidade das verbas discutidas, bem como que o fisco federal se abstivesse de promover retaliações ao exercício do direto à compensação, previsto no art. 66 da Lei n° 8.383/91 c/c art. 74 da Lei n° 9.430/96, os quais beneficiaram a empresa requerente. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10580.727094/201361 Acórdão n.º 2401004.743 S2C4T1 Fl. 1.103 5 Segundo a fiscalização o contribuinte levou à compensação valores referentes a auxílios, salário maternidade, 13° salário, férias gozadas e 1/3 das férias gozadas, conforme planilha de compensação apresentada, parcelas estas objeto do Processo n° 1694979 2010.4.01.3300/BA, impetrado pelo Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado da Bahia SEAC do qual faz parte o sujeito passivo. Após análise da documentação apresentada, a fiscalização verificou que no mandado de segurança 16949.792010.4.01.3300 submetido ao reexame necessário em sede de apelação, restou decidido que a compensação somente poderia ser efetivada após o trânsito em julgado da decisão, conforme disposição contida no art. 170A do Código Tributário Nacional/CTN, motivo pelo qual os valores compensados em GFIP foram integralmente glosados. A base de cálculo foi apurada de acordo com os valores efetivamente compensados pelo contribuinte por meio de declaração em GFIP, e que constaram também das planilhas demonstrativas de compensação apresentadas pela autuada. Em virtude destes procedimentos acima, foi aplicada a multa de 150% prevista no § 10º do artigo 89 da Lei nº. 8.212/91. No referido Relatório Fiscal, item 3.8, eis os fundamentos que ensejaram a aplicação da referida multa: Fl. 1105DF CARF MF 6 Em decorrência do AI restante, bem como do mantido pela DRJ e não mais em litígio, foram formalizados Representação Fiscal para Fins Penais e Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação aos sócios administradores Antonio Carlos dos Santos e Marcelo dos Santos Oliveira, com fundamento no art. 135, III, do CTN. Após o acórdão da DRJ, que afastou o lançamento do DEBCAD de multa isolada (51.044.1386), bem como a sujeição passiva dos sócios, foi remetido o processo a este Conselho para julgamento do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10580.727094/201361 Acórdão n.º 2401004.743 S2C4T1 Fl. 1.104 7 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Da Multa Isolada A turma julgadora de primeira instância afastou o lançamento da multa isolada, prevista no § 10º do art. 89, da Lei nº. 8.212/91, por entender que a conduta do contribuinte não implica na falsidade da declaração prevista que enseja a imposição do lançamento. Da análise das razões apresentadas, tenho reiteradamente apresentado votos no mesmo sentido, razão pela qual reproduzo aqui os fundamentos utilizados no acórdão da DRJ: "Assevera o impugnante que não houve qualquer demonstração da fraude na compensação, sendo que a mera ilegitimidade da compensação realizada não se subsume à declaração com falsidade, tampouco a mera intempestividade de sua efetivação, ainda quando houve declaração em GFIP sem intenção de omitir informação e dificultar a fiscalização. Vejamos. A multa isolada lançada possui sua matriz legal no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a seguir transcrito: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado Fl. 1107DF CARF MF 8 Extraio do item 3.8 do relatório fiscal os motivos considerados pela fiscalização para a imposição da multa isolada: 3.8. Levantamento MF Multa Compensação com Falsidade; O levantamento MF, destinase à apuração da multa isolada de 150% incidente sobre os valores indevidamente compensado, conforme GFIPs apresentadas pela empresa. 3.8.1. Na hipótese de se comprovar falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como por exemplo, a inserção de créditos inexistentes, além da glosa correspondente, deverá, aplicarse a multa isolada de 150% sobre o total do débito indevidamente compensado, conforme artigo 89, parágrafo 10° da Lei 8.212/91, citado anteriormente no item 2.2. 3.8.2. Esse procedimento deve ser adotado para as declarações entregues a partir de 04/12/2008, independentemente da competência a que se referir, considerando que o fato gerador da infração ocorreu na data da entrega da GFIP, já na vigência da MP n° 449/2008 convertida da Lei n° 11.941/2009, conforme define o art.89. (grifei) Como se vê da leitura acima a fiscalização se refere à uma hipótese com a condicionante “se comprovada falsidade na GFIP apresentada”, e depois exemplifica – “como por exemplo, a inserção de créditos inexistentes”. Após isto não há qualquer descrição no relatório fiscal e nas provas juntadas pela fiscalização a demonstrar os artifícios engendrados pela autuada para se afirmar com certeza da ocorrência da falsidade na declaração, como exige o tipo infracional descrito no § 10º, do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Para tal desiderato a fiscalização deveria ter percorrido o iter de verificação para concluir pela falsidade na declaração: verificação na contabilidade e folhas de pagamento da existência das rubricas levadas à compensação; verificação do efetivo recolhimento das contribuições do período em que apurados os créditos, no caso, 02/2008 a 09/2012, como se observa da planilha do item 3.7 do relatório fiscal; conclusão pela falsidade diante da negativa dos itens acima Com efeito, ocorre falsidade na declaração quando o contribuinte age de máfé, distorcendo a realidade fática, mas não por simples divergência de entendimento, pois, se o Fisco não concorda com a compensação, deve simplesmente não homologála. Assim a falta de demonstração da falsidade na declaração resvala na hipótese da compensação indevida mas não na qualificadora da multa. Outro aspecto a ser salientado é que a falsidade depende, para sua ocorrência, da verificação da inexatidão entre o que é Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10580.727094/201361 Acórdão n.º 2401004.743 S2C4T1 Fl. 1.105 9 declarado pelo sujeito passivo e aquilo que efetivamente corresponde ao fato. Não se admite configuração de falsidade em relação a juízo de valor, isto porque o juízo de valor é subjetivo, não comportando, portanto, apreciação quanto à sua efetiva correspondência ao fato em si. Dessa maneira, pelo conjunto probatório carreado aos autos pela fiscalização e pelo contribuinte, verificase que este último procedeu à compensação indevida a partir de levantamento de apuração de créditos, tendo como pano de fundo doutrina e jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre a não incidência de contribuições previdenciárias sobre determinadas rubricas, contando, até mesmo, com ação judicial específica para a não incidência pretendida, tendo obtido pronunciamento favorável em parte, embora sem o manto da coisa julgada. Dessa forma, muito embora o crédito do sujeito passivo não seja legítimo, pelos motivos já explicitados (ausência de pronunciamento de inaplicabilidade da norma de tributação com força de coisa julgada) é fato que a sua conduta se mostra livre de expediente fraudulento. A discussão jurídica sobre o enquadramento de um fato gerador ou de um procedimento adotado pelo sujeito passivo justifica a lavratura do Auto de Infração para efeito da cobrança das contribuições que, seja pelo entendimento do sujeito passivo, seja pelo procedimento adotado por este, não tenham sido objeto de recolhimento, mas não é motivo ensejador para se aplicar a penalidade em testilha com fundamento na falsidade da declaração, porque isto configura juízo de valor em relação ao fato ocorrido, qual seja, o pagamento de determinadas rubricas. Com efeito, a fiscalização não contesta os valores lançados a título de compensação, tomandoos como certos, portanto. Tampouco questiona se houve a compensação de outros fatos geradores que não aqueles narrados no Relatório Fiscal como objeto do estudo de levantamento de créditos, de maneira que se pode concluir que o contribuinte efetivamente somente procedeu à compensação dos valores já efetivamente pagos em relação aos fatos geradores constantes do levantamento de apuração de crédito, adotando juízo de valor divergente do utilizado pela fiscalização sobre os mesmos fatos. Efetuar a compensação é um direito do sujeito passivo, como forma de extinção do crédito tributário. Se o faz de forma incorreta, assume o risco de ver lavrado contra si Auto de Infração com seus consectários financeiros (juros e multas), mas isto não induz, inexoravelmente, à falsidade da declaração da compensação na GFIP. No caso do presente Auto de Infração, as afirmações constantes do Relatório Fiscal não amparam a lavratura fiscal. A um, porque não resta evidenciado, sequer minimamente o intuito de fraude; a dois, porque embora inexistente materialmente o crédito ainda, o contribuinte informou seu procedimento de Fl. 1109DF CARF MF 10 compensação na GFIP, de forma a afastar a tese de escondimento dos fatos. Nesse sentido, tenho como procedente a impugnação para exonerar o contribuinte relativamente à penalidade isolada aplicada no Auto de Infração Debcad 51.044.1386. Diante do afastamento da multa isolada deixo de apreciar as demais razões apresentadas pela defesa neste tópico e no tópico “Da Improbidade de Aplicação da Multa Caráter Confiscatório Ausência de MáFé Bis In Idem” Sem reparos, ratifico todos os argumentos acima, pois concatenados claramente com os fatos presentes no processo administrativo fiscal, para o fim de afastar o lançamento da multa isolada e, via de consequência, a responsabilidade dos sócios com fulcro no art. 135, III, do CTN. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso de ofício para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 1110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13688.000057/00-61
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL — PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUIÇÃO —
O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração
de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98 vazou
entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da edição da Medida Provisória n° 1.110, de 30/08/95. Desta forma, considerada que até 30/11/99 esse era o entendimento da SRF, todos os pedidos protocolados até tal data, estão, no mínimo, albergados por ele. No caso, o pedido ocorreu em data de 06 de abril de 2000 quando ainda existia o direito de o contribuinte de pleitear a restituição.
Rejeitada a argüição de decadência. Devolva-se o processo à repartição fiscal competente para o julgamento das demais questões.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 303-31.352
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência e devolver o processo à Repartição de Origem para apreciar as demais questões, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros
Anelise Daudt Prieto e Zenaldo Loibman.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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Inexistindo resolução do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98 vazou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da edição da Medida Provisória n° 1.110, de 30/08/95. Desta forma, considerada que até 30/11/99 esse era o entendimento da SRF, todos os pedidos protocolados até tal data, estão, no mínimo, albergados por ele. No caso, o pedido ocorreu em data de 06 de abril de 2000 quando ainda existia o direito de o contribuinte de pleitear a restituição. Rejeitada a argüição de decadência. Devolva-se o processo à repartição fiscal competente para o julgamento das demais questões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência e devolver o processo à Repartição de Origem para apreciar as demais questões, na forma do • relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Zenaldo Loibman. Brasília-D , em 14 de abril de 2004 JOÃO rOL • A COSTA Preá. nte e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: PAULO DE ASSIS, NILTON LUIZ BARTOLI, NANCI GAMA e LISA MARIN' VIEIRA FERREIRA DOS SANTOS (Suplente). Esteve Presente a Procuradora da Fazenda Nacional ANDREA ICARLA FERRAZ. MA/3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 RECORRENTE : MARCUS 'VINICIUS ANTUNES GUIMARÃES RECORRIDA : DRJ/BELO HORIZONTE/MG RELATOR(A) : JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO Com os formulários de fls 01 e 2, a petição de fls. 3/11, e o acréscimo dos documentos de fls. 12/30, com data de 06/04/2000, o contribuinte já identificado requereu restituição para fins de compensação, de recolhimentos feitos a título de Finsocial, julgados inconstitucionais pelo STF e tendo em vista ainda o • Decreto n°2.346, de 10 de outubro de 1997. O pedido foi indeferido com a Decisão UBER-SASIT n° 10675.211/2000 (fls. 34/36). Foi entendido que o contribuinte não possuía direito à restituição e/ou compensação dos valores arrolados. O fimdamento está nos artigos 156, I, 165, inciso inciso I e 168, I, do CTN. Levou em conta ainda o AD - SRF- 096, de 26 de novembro de 1999 e bem assim, o Parecer PGEN/CAT n° 678/99 segundo o qual o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição do tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido considerado inconstitucional pelo STF, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário. Esclarece que, no caso, os pagamentos foram efetuados de 10/10/89 a 06/04/92 e o pedido de restituição só deu entrada em 06/04/2000 O contribuinte apresentou impugnação de fls. 37/42. A autoridade administrativa manteve a decisão anterior, de indeferimento da restituição, com apoio, sobretudo, no disposto no Ato Declaratório SRF 096/1999. Acrescenta o contido nos art. 150, e seus parágrafos 1° e 4 0, e 156, inciso VII, do CTN. Esclarece que é o pagamento o que definitivamente extingue o crédito tributário, pendendo sobre o pagamento feito a condição resolutória da ulterior homologação tácita ou expressa. Apela para o art. 119 do Código Civil, quanto ao efeito da condição resolutória. Analisa que nos tributos lançados por homologação, o pagamento antecipado do contribuinte está apto a produzir todos os seus efeitos; extingue o crédito tributário, mas por se tratar de atividade de iniciativa do contribuinte, sem prévia manifestação do fisco, tal pagamento está submetido a uma condição resolutória de ulterior homologação. A homologação só anulará os efeitos da antecipação, ex tune, se o fisco constatar irregularidades nessa atividade. Do contrário, irá apenas confirmá-la, preservando os efeitos que já vinha produzindo. Não são passíveis de restituição, tampouco de compensação, portanto, os valores recolhidos, que tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de cinco anos, entre a 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 formulação do pedido de restituição, em 06/04/2000 (fls. 01) e os pagamentos efetuados entre 10/10/89 e 06/04/1992. Por fim, conclui que por falta de lei que lhes atribua eficácia normativa, não se constituem em normas gerais de direito tributário as decisões judiciais que produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados (art. 100 da Lei n° 5.172/1966). No recurso que dirigiu ao Segundo Conselho de Contribuintes, o interessado traz as seguintes razões: a) a decisão deu uma interpretação equivocada da legislação tributária; para que ocorra a homologação dos pagamentos feitos é imprescindível que ela ocorra de forma expressa ou tácita, conforme o art. 156, inciso III do CTN; b) findo o prazo instituído pelo art. 150, parágrafo 4° do CTN, para que o • órgão arrecadador pratique a homologação necessária, cinco anos a contar da data do fato gerador, é que começa a fluir o prazo de cinco anos, presente no art. 168 capuz do mesmo CTN, fato este que resta claro após a análise do art. 150. Assim, o direito de pleitear a restituição do crédito tributário se dá em dez anos. (art. 156, inciso VIII do CTN). Menciona decisões dos tribunais superiores, de mesmo entendimento. O processo foi encaminhado ao Terceiro Conselho de Contribuintes na conformidade do Decreto n° 4.395, de 27/09/02. É o relatório. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 VOTO Cuida-se de decidir se o contribuinte, no caso deste processo, tem direito à restituição do valor pago a maior de contribuição ao Finsocial, além do valor calculado à alíquota de 0,5% (meio por cento) prevista no Decreto-lei n° 1.940/89, no período apontado pelo recorrente na sua petição. A majoração de aliquota, que fora determinada pelas Leis 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, fora declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal quando do RE 150.764-PE, cuja decisão ocorreu em 16/12/1992. • O fundamento para a administração tributária indeferir o pedido de restituição foi que decaíra o direito de a empresa pleitear a restituição, dado que o pedido foi feito após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, a partir da extinção do crédito tributário com o pagamento feito. Transcrevo, a propósito, largos trechos do bem elaborado voto da lavra do eminente Conselheiro Dr. Irineu Bianchi, inegavelmente, tratou desta matéria de forma abrangente, trazendo solução estritamente jurídica: "Estando presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. A decisão guerreada afastou a pretensão do contribuinte, sob o entendimento de que o direito para pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extingue-se com decurso do prazo de 5 (cinco) • anos, contado da data da extinção do crédito tributário, considerada esta como sendo a data do efetivo pagamento. Primeiramente há que se estabelecer o marco inicial para a contagem do prazo de que dispõe o contribuinte para pedir a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior. Segundo a letra fria da lei (C1N, art. 168, 1, c/c art. 165, 1), o direito de pleitear a restituição de tributo indevido ou pago a nraior, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário (grifei). A corrente jurisprudencial dominante nos tribunais superiores fixou-se no sentido de que a extinção do crédito tributário, nos 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 casos de lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, podendo ser sintetizada na seguinte ementa: À luz do CTN esta Corte desenvolveu entendimento no sentido de computar a partir do fato gerador, prazo decadencial de cinco anos e, após, mesmo não se sabendo qual a data da homologação do lançamento, se este não ultrapassou o qüinqüídio, computar mais cinco anos (STJ, AgRg-Resp. 251.831/GO, 20 T. Re/"Min. ELIANA CALMON, DJU 18.02.2002). Para corroborar o entendimento, observe-se que na data de 29 de julho do corrente ano, o Poder Executivo encaminhou ao Congresso • Nacional, em caráter de urgência, o Projeto de Lei Complementar n° 73, cujo artigo 3° diz: Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei n°5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ,¢ 1° do art. 150. Ora, a introdução no CTN de dispositivo legal dotado de mero caráter interpretativo, representa o reconhecimento inequívoco por parte do Poder Executivo da linha de entendimento majoritário dos tribunais superiores, pretendendo justamente com a alteração legal emprestar-lhe entendimento contrário. Então, à primeira vista e em condições normais, o direito de • pleitear a restituição inicia-se na data do pagamento do crédito tributário e estende-se por 10 (dez) anos. No entanto, o próprio STJ tem entendido que, nos casos em que houver declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, o dies a quo do prazo prescricional da ação de restituição de indébito não está prevista no CM. Criou-se, então, corrente jurisprudencial segundo a qual o início do prazo prescricional de 5 (cinco) anos é a declaração de inconstitucionalidade, que no meu entender não se aplica aos pedidos de restituição nas vias administrativas. É o caso dos autos. Ocorreu a declaração de inconstitucionalidade do Finsocial pago a maior em relação ao aumento de aliquotas, A-- • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 veiculada pela Lei n° 7.689/88, declarada inconstitucional pelo STF, consoante o Acórdão RE n° 150.7864-1/PE, DJU de 02/04/93. Tal circunstância por si só não modificou o entendimento jurisprudencial supra, segundo o qual o prazo se alarga por 10 (dez) anos, uma vez que não houve a expedição de Resolução pelo Senado Federal. É cediço que toda lei traz como pressuposto elementar a sua conformidade com a Lei Maior. Os tributos assim exigidos não podem ser rotulados de indevidos ou pagos a maior, e enquanto a lei não for retirada do mundo jurídico, não pode o contribuinte • eximir-se da obrigação de que é destinatário. Desta maneira, não se pode considerar inerte o contribuinte que, em razão da presunção de constitucionalidade da lei, obedeceu aos seus ditames, já que a inércia é elemento indispensável para a configuração do instituto da prescrição. Tanto isto é verdade que o direito à restituição da parte que litigou com a União Federal no processo que originou o RE n° 150.7 64- 1/PE, nasceu apenas a partir do julgamento do mencionado recurso, enquanto que os demais contribuintes não foram alcançados pelos efeitos erga omnes daquela decisão. Embora o Pretório Excelso tenha cumprido o ritual estabelecido pela Carta Magna, comunicando o julgamento ao Senado Federal, este demitiu-se do seu dever constitucional, deixando de expedir a • competente Resolução para extirpar do mundo jurídico a norma inquinado de inconstitucional. Os argumentos do relator da matéria, Senador Ahnir Lando atentam contra a independência dos Poderes, porquanto, o que qualifica o julgamento não é o resultado obtido na votação (que in casu deu-se por seis votos contra cinco) mas o que se decidiu. Seria o mesmo que o 57F retirar do mundo jurídico uma lei que fosse aprovada no Congresso Nacional por maioria simples. Assim sendo, o prazo para pleitear a restituição, ao menos na via administrativa, continuou sendo de 5 (cinco) anos a contar da homologação - expressa ou tácita - do tributo pago de forma antecipada, consoante o entendimento jurisprudencial suso referido. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N' : 303-31.352 Com o advento da Medida Provisória n° 1.110, publicada no D.O. U. de 31 de agosto de 1995, a exigência do Finsocial em percentual superior a 0,5% tornou-se indevida, já que o Poder Executivo admitiu a inconstitucionalidade daquela norma, explicitando na respectiva mensagem ao Congresso Nacional, verbis: Cuida, também, o projeto, no art. 17, do cancelamento de débitos de pequeno valor ou cuja cobrança tenha sido considerada inconstitucional por reiteradas manifestações do Poder Judiciário, inclusive decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, em suas respectivas áreas de competência.• Em sendo assim, o tributo indevido ou pago a maior a que alude o art. 165, inciso I, do CTIV, passou a ser assim considerado a partir da publicação da MP 1.110/95. Logo, somente a partir desse momento é que nasceu efetivamente o direito dos contribuintes postularem perante a Administração Tributária a restituição dos valores recolhidos a maior. De outra parte, se é certo que a MP em questão não refere a hipótese de restituição de tributos, também é certo que desde a Medida Provisória n° 1.621-36, de 10 de junho de 1998, bem assim suas sucessivas reedições, até o advento da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, ficou estabelecido que o disposto no caput não implica restituição a officio de quantia paga. Ademais, o art. 27, da citada Lei n° 10.52Z diz que "não cabe • recurso de oficio das decisões prolatadas, pela autoridade fiscal da jurisdição do sujeito passivo, em processos relativos a restituição de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal e a ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados". Ora, se a Lei diz expressamente que o que nela se dispõe não implica restituição ex officio, e se não comporta recurso de oficio acerca das decisões prolatadas em processos relativos à restituição de impostos e contribuições administrados pela SRF, segue-se que a restituição pleiteada na via administrativa é de todo pertinente. Outrossim, o marco inicial para o prazo de restituição fixado a partir da MP 1.110/95, teve respaldo oficial através do Parecer 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 Cosit n°58, de 27 de outubro de 1998. Analisando dito Parecer, fica claro que tal ato abordou o assunto de forma a não deixar dúvidas, razão pela qual transcrevo o seu inteiro teor, adotando-o como fundamentos do presente voto: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: RESOLUÇÃO DO SENADO. EFEITOS. A Resolução do Senado que suspende a eficácia de lei declarada inconstitucional pelo STF tem efeitos ex func. • TRIBUTO PAGO COM BASE EM LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. RESTITUIÇÃO. HIPÓTESES. Os delegados e inspetores da Receita Federal estão autorizados a restituir tributo que foi pago com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, em ações incidentais, para terceiros não- participantes da ação — como regra geral — apenas após a publicação da Resolução do Senado que suspenda a execução da Excepcionalmente, a autorização pode ocorrer em momento anterior, desde que seja editada lei ou ato específico do Secretário da Receita Federal que estenda os efeitos da declaração de inconstitucionalidade a todos. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Somente são passíveis de restituição os valores recolhidos • indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de 5 (cinco anos), contado a partir da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. Dispositivos Legais: Decreto n° 2.346/1997, art. 1°; Medida Provisória n° 1.699-40/1998, art. 18, § 2°; Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), art. 168. RELATÓRIO As projeções do Sistema de Tributação formulam consulta sobre restituição/compensação de tributo pago em virtude de lei declarada inconstitucional, com os seguintes questionamentos: MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 a) Com a edição do Decreto no 2.346/1997, a Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional passam a admitir eficácia ex tunc às decisões do Supremo Tribunal Federal que declaram a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, seja na via direta, seja na via de exceção? b) Nesta hipótese, estariam os delegados e inspetores da Receita Federal autorizados a restituir tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF? c) Se possível restituir as importâncias pagas, qual o termo inicial para a contagem do prazo de decadência a que se refere o art 168 do CTN: a data do pagamento efetuado ou a data da intetpretaç 'do judicial? d) Os valores pagos a título de Finsocial, pelas empresas vendedoras de mercadorias e mistas 170 que excederam à 0,5% (meio por cento), com fundamento na Lei n° 7.689/1988, art. 9° e conforme Leis 71°S 7.787/1989 e 8.147/1990, acrescidos do adicional de 0,1% (zero vírgula um por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do Decreto- lei 2.397/1987, art. 22, podem ser restituídos a pedido dos interessados, de acordo com o disposto na Medida Provisória n° 1.621-36/1988, art. 18, § 2°? Em caso afirmativo, qual o prazo decadencial para o pedido de restituição? e) Na ação judicial o contribuinte não cumula pedido de restituição, sendo a mesma restrita ao pedido de declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-leis n's 2.445/1988 e • 2.449/1988 e do direito ao pagamento do PIS pela Lei Complementar n° 7/1970. Para que seja afastada a decadência, deve o autor cumular com a ação o pedido de restituição do indébito? fi Considerando a IN SRF n° 21/1997, art. 17, § 1°, com as alterações da IN SRF n° 73/1997, que admite a desistência da execução de título judicial, perante o Poder Judiciário, para pleitear a restituição/compensação na esfera administrativa, qual deve ser o prazo decadencial (cinco ou dez anos) e o termo inicial para a contagem desse prazo (o ajuizamento da ação ou da data do pedido na via administrativa)? Há que se falar em prazo prescricional ('prazo para pedir"? O ato de desistência, 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 por parte do contribuinte, não implicaria, expressamente, renúncia de direito já conquistado pelo autor, vez que o CIN não prevê a data do ajuizamento da ação para contagem do prazo decadencial, o que justifkaria o autor a prosseguir na execução, por ser mais vantajoso? FUNDAMENTOS LEGAIS 2. A Constituição de 1988 firmou no Brasil o sistema jurisdicional de constitucionalidade pelos métodos do controle concentrado e do controle &jia°. 111 3. O controle concentrado, que ocorre quando um único órgão judicial, no caso o STF, é competente para decidir sobre a inconstitucionalidade, é exercitado pela ação direta de inconstitucionalidade - ADIn e pela ação declaratória de constitucionalidade, onde o autor propõe demanda judicial tendo como núcleo a própria inconstitucionalidade ou constitucionalidade da lei, e não um caso concreto. 4. O controle difuso - também conhecido por via de exceção, controle indireto, controle em concreto ou controle incidental (incidenter lantim,) - ocorre quando vários ou todos os órgãos judiciais são competentes para declarar a inconstitucionalidade de lei ou norma. 4.1 Esse controle se exerce por via de exceção, quando o autor ou réu em uma ação provoca incidentalmente, ou seja, paralelamente à 4111 discussão principal, o debate sobre a inconstitucionalidade da norma, querendo, com isso, fazer prevalecer a sua tese. 5. Com relação aos efeitos das declarações de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade, no caso de controle concentrado, segundo a doutrina e a jurisprudência do STF, no plano pessoal, gera efeitos contra todos (erga =nes); 710 plano temporal, efeitos ex tunc (efeitos retroativos, ou seja, desde a entrada em vigor da norma); e, administrativamente, têm efeito vinculante. 5.1 Os efeitos da ADIn se estendem além das partes em litígio, pois o que se está analisando é a lei em si mesma, desvinculado de um caso concreto. Tal declaração atinge, portanto, a todos os que estejam implicados na sua objetividade. io • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÁMARA RECURSO inT° : 126.580 ACÓRDÃO N' : 303-31.352 5.2 Nesse sentido, quando o STF conhecer da Ação de hwonstitucionalidade pela via da ação direta, prescinde-se da comunicação ao Senado Federal para que este suspenda a execução da lei ou do ato normativo inquinado de inconstitucionalidade (Regimento Interno do STF, arts. 169 a 178). 6. Passando a analisar os efeitos da declaração de inconstitucionalidade no controle difiiso, devem ser consideradas duas possibilidades, posto que, no tocante ao caso concreto, à lide em si, os efeitos da declaração estendem-se, no plano pessoal, apenas aos interessados no processo, vale dizer, têm efeitos interpartes; em sua dimensão temporal, para essas mesmas partes, • teria efeito ex tune. 6.1 No que diz respeito a terceiros não-participantes da lide, tais efeitos somente seriam os mesmo depois da intervenção do Senado Federal, porquanto a lei ou o ato continuariam a viger, ainda que já pronunciada a sentença de inconformidade com a Constituição. É o que se depreende do art. 52 da Carta Magna, verbis: Art 52. Compete privativamente ao Senado Federal: X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; 7. Vale dizer, os efeitos da declaração de inconstitucionalidade obtida pelo controle difluo somente alcançam terceiros, 700- • participantes da lide, se for suspensa a execução da lei por Resolução baixada pelo Senado Federal 7.1 Nesse sentido, manifesta-se o eminente constitucionalista José Afonso da Silva: "... A declaração de inconstitucionalidade, na via indireta, não ainda a lei nem a revoga: teoricamente, a lei continua em vigor, eficaz e aplicável, até que o Senado Federal suspenda sua executoriedade nos termos do artigo 52, X; ..." 8. Quanto aos efeitos, no plano temporal, ainda com relação ao controle difilso, a doutrina não é pacifica, entendendo alguns que seriam ex tune (conto Celso Bastos, Gilmar Ferreira Mendes) MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO isr : 126.580 ACÓRDÃO IP : 303-31.352 enquanto outros (como José Afonso da Silva) defendem a teoria de que os efeitos seriam ex MIM ('impediriam a continuidade dos atos para o futuro, mas não desconstituiria, por si só, os atos jurídicos perfeitos e acabados e as situações definitivamente constituídas). 9. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, apoiada na mais autorizada doutrina, conforme o Parecer PGFN n° 1.185/1995, tinha, na hipótese de controle difuso, posição definida no sentido de que a Resolução do Senado Federal que declarasse a inconstitucionalidade de lei seria dotada de efeitos ex nunc. 9.1 Contudo, por força do Decreto n° 2.346/1997, aquele órgão• passou a adotar entendimento diverso, manifestado no ParecerPGFN/CAT/n° 437/1998. 10.Dispõe o art. 1° do Decreto n°2.346/1997: Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta ou indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão dotada de eficácia ex tune, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo 41 inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativaou judicial § 2° O dispositivo no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal 11. O citado Parecer PGFN/CAThe 437/1998 tornou sem efeito o Parecer PGFN n° 1.185/1995, concluindo que "o Decreto n° 2.346/1997 impôs, com força vinculante para a Administração Pública Federal, o efeito ex tunc ao ato do Senado Federal que suspenda a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo STF". 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO 1\1° : 126.580 ACÓRDÃO IP : 303-31.352 11.1 Em outras palavras, no controle de constitucionalidade difuso, com a publicação do Decreto n° 2.346'1997, os efeitos da Resolução do Senado foram equiparados aos da ADIn. 12.Conseqüentemente, a resposta à primeira questão é afirmativa: os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, seja por via de controle concentrado, seja por via de controle difuso, são retroativos, ressaltando-se que, pelo controle difuso, somente produzirá esses efeitos, em relação a terceiros, após a suspensão pelo Senado da lei ou do ato normativo declarado inconstitucional. 12.1 Excepcionalmente, o Decreto prevê, em seu art. 4°, que o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional possam adotar, 'to âmbito de suas competências, decisões definitivas do STF que declarem a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo que teriam, assim, os mesmos efeitos da Resolução do Senado. 13.Com relação à segunda questão, a resposta é que nem sempre os delegados/inspetores da Receita Federal podem autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF. Isto porque, no caso de contribuintes que não foram partes nos processos que ensejaram a declaração de inconstitucionalidade — no caso de controle difuso, evidentemente — para se configurar o indébito, é mister que o tributo ou contribuição tenha sido pago com base em lei ou ato normativo declarado inconstitucional com efeitos erga omites, o que, já demonstrado, só ocorre após a publicação da Resolução do Senado ou na hipótese 411 prevista no art 4° do Decreto n° 2.346/1997. 14.Esta é a regra geral a ser observada, havendo, contudo, uma exceção a ela, determinada pela Medida Provisória n° 1.699- 40/1998, art. 18 § 2°, que dispõe: Art. 18 - Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: § 2° O disposto neste artigo não implicará restituição "ex officio" de quantias pagas. 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO Na : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 15.O citado artigo consta da MP que dispõe sobre o CADIN desde a sua primeira edição, em 30/08/95 (MP n° 1.110/1995, art. 17), tendo havido, desde então, três alterações em sua redação. 15.1 Duas das alterações incluíram os incisos VIII (MP n° 1.244, de 14/12/95) e IX (MP ti° 1.490-15, de 31/10/96) entre as hipóteses de que trata o caput 16.A terceira alteração, ocorrida em 10/06/1998 (MP o° 1.621-36), acrescentou ao § 2° a expressão "ex officio". Essa mudança, numa primeira leitura, poderia levar ao entendimento de que, só a partir de então, poderia ser procedida a restituição, quando requerida 1111 pelo contribuinte; antes disso, o interessado que se sentisse prejudicado teria que ingressar com uma ação de repetição de indébito junto ao Poder Judiciário. 16.1 Salienta-se que, nos termos da Lei 110 4.657/1942 (Lei de Introdução ao Código Civil), art. 1°, § 4°, as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 17.Entretanto, conforme consta da Exposição de Motivos que acompanhou a proposta de alteração, o disposto no § 2° "consiste em norma a ser observada pela Administração Tributária, pois esta não pode proceder ex officio, até por impossibilidade material e insuficiência de informações, eventual restituição devida". O acréscimo da expressão ex officio visou, portanto, tão-somente, a dar mais clareza e precisão à norma, pois os contribuintes já faziam jus à restituição antes disso; não criou fato novo, situação nova, • razão pela qual não há que se falar em lei nova. 18.Logo, os delegados/inspetores da Receita Federal também estão autorizados a proceder a restituição/compensação nos casos expressamente previstos na MP n° 1.699/1998. art. 18, antes mesmo que fosse incluída a expressão ex offi cio ao § 2°. 19.Com relação ao questionamento da compensação/restituição do Finsocial recolhido com alíquotas majoradas acima de 0,5% (meio por cento) - e que foram declaradas inconstitucionais pelo STF em diversos recursos - como as decisões do STF são decorrentes de incidentes de inconstitucionalidade via recurso ordinário, cujos dispositivos, por não terem a sua aplicação suspensa pelo Senado Federal, produzem efeitos apenas entre as partes envolvidas no 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N' : 303-31.352 processo (a União e o contribuinte que ajuizou a ação), não haveria, a princípio, que se cogitar de indébito tributário neste caso. 19.1 Contudo, conforme já esposado, esta é urna das hipóteses em que a MP re 1.699-40/1998 permite, expressamente, a restituição (art. 18, inciso III), razão pela qual os delegados/inspetores estão autorizados a procedê-la 19.2 O mesmo raciocínio vale para a compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela SRF, devendo ser salientado que o interessado deve, necessariamente, pleiteá-la • administrativamente, mediante requerimento (IN SRF n° 21/1997, art 12), inclusive quando se tratar de compensação Finsocial x Cotins (o ADN COSIT n° 15/1994 definiu que essas contribuições não são da mesma espécie). 20. Ainda com relação à compensação Finsocial x Cotins, o Secretário da Receita Federal, com a edição da IN SRF n° 32/1997, art. 2°, havia decidido, verbis: Art. 2° - Convalidar a compensação efetiva pelo contribuinte, com a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, devida e não recolhida, dos valores da contribuição ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, recolhidos pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento )70 art. 9° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, na aliquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme as Leis n°' 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e • 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decreto-lei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987. 20.1 O disposto acima encontra amparo legal na Lei n° 9.430/1996, art. 77, e no Decreto n° 2.194/1997, § 1° (o Decreto n° 2.346/1997, que revogou o Decreto n° 2.194/1997, manteve, em seu art 4°, a competência do Secretário da Receita Federal para autorizar a citada compensação). 21. Ocorre que a IN SRF n° 32/1997 convalidou as compensações efetivas pelo contribuinte do Finsocial com a Cotins, que tivessem 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 sido realizadas até aquela data. Tratou-se de ato isolado, com fim especifico. Assim, a partir da edição da IN, como já dito, a compensação só pode ser procedida a requerimento do interessado, com base na MP n° 1.699-40/1998. 22.Passa-se a analisar a terceira questão proposta. O art. 168 do Cl?'! estabelece prazo de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido, contados da data da extinção do crédito tributário. 23.Como bem coloca Paulo de Barros Carvalho, "a decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito • pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo" (Curso de Direito Tributário, r ed., 1995, p. 311). 24.Há de se concordar, portanto, com o mestre Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, 10° ed., Forense, Rio, p. 570), que entende que o prazo de que trata o art. 168 do CT'N é de decadência. 25.Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável; que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível Assim, antes de a lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, era a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos. 26.Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o • início da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos erga onmes, que, conforme já dito 110 item 12, ocorre apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição de ato especifico da Secretaria da Receita Federal (hipótese do Decreto n° 2.346/1997, art. -e). 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade da lei por meio de ADIn, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF. 27. Com relação às hipóteses previstas na MP n° 1.699-40/1998, art. 18, o prazo para que o contribuinte não-participante da ação 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÁMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO 14° : 303-31.352 possa pleitear a restituição/compensação se iniciou com a data da publicação: a) da Resolução do Senado n°11/1995, para o caso do inciso I; b) da MP n°1.110/1995, para os casos dos incisos 11 a VII; c) da Resolução do Senado n°49/1995, para o caso do inciso VIII; d) da MP n° 1.490-15/1996, para o caso do inciso IX 28. Tal conclusão leva, de imediato, a resposta à quinta pergunta. • Havendo pedido administrativo de restituição do PIS, fundamentado em decisão judicial especifica, que reconhece a inconstitucionalidade dos Decretos-leis n's 2.445/1988 e 2.44/1988 e declara o direito do contribuinte de recolher esse contribuição com base na Lei Complementar n° 7/1970, o pedido deve ser deferido, pois desde a publicação da Resolução do Senado n° 49/1995 o contribuinte - mesmo aquele que não tenha cumulado à ação o respectivo pedido de restituição - tem esse direito garantido. 29. Com relação ao prazo para solicitar a restituição do Finsocial, o Decreto 92.698/1986, art. 122, estabeleceu o prazo de 10 (dez) anos, conforme se verifica em seu texto: Art 122. O direito de pleitear a restituição da contribuição extingue-se com o decurso do prazo de dez anos, contados (Decreto-lei n° 2.049/83. art. 9°). • 1 - da data do pagamento ou recolhimento indevido; II - da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que haja reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." 30. Inobstante o fato de os decretos terem força vinculante para a administração, conforme assinalado 170 propalado Parecer PGFN/CAT/n° 437/19* o dispositivo acima não foi recepcionado pelo novo ordenamento constitucional, razão pela qual o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente a titulo de contribuição ao Finsocial é o mesmo que vale para os demais tributos e contribuições 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 administrados pela SRF, ou seja, 5 (cinco) anos (CITY, art. 168), contado da fonna antes determinada. 30.1 Em adiantamento, salientou-se que, no caso da Cotins, o prazo de cinco anos consta expressamente do Decreto n°2.173/1997, art. 78 (este Decreto revogou o Decreto n° 612/1992, que, entretanto, estabelecia idêntico prazo). 31. Finalmente a questão acerca da IN SRF n° 21/1997, art. 17, com as alterações da IN SRF n° 73/1997. Neste caso, não há que se falar em decadência ou prescrição, tendo em vista que a desistência do interessado só ocorreria na fase de execução do titulo judicial. O • direito à restituição já teria sido reconhecido (decisão transitada em julgado), não cabendo à administração a análise do pleito de restituição, mas, tão-somente, efetuar o pagamento. 31.1 Com relação ao fato da não-desistência da execução do titulo judicial ser mais ou menos vantajosa para o autor, trata-se de juizo a ser firmado por ele, tendo em vista que a desistência é de caráter facultativo. Afinal, o pedido na esfera administrativa pode ser medida interessante para alguns, no sentido de que pode acelerar o recebimento de valores que, de outra sorte, necessitariam seguir trâmite, em geral, mais demorado (emissão de precatório). CONCLUSÃO 32. Em face do exposto, conclui-se, em resumo que: • a) As decisões do STF que declaram a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, seja na via direta, seja na via de exceção, têm eficácia ex tune; b) os delegados e inspetores da Receita Federal podem autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, desde que a declaração de inconstitucionalidade tenha sido proferida na via direta; ou, se na via indireta: I. quando ocorrer a suspensão da execução da lei ou do ato 2. quando o Secretário da Receita Federal editar ato especifico, no uso da autorização prevista no Decreto n°2.346/1997, art. 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 4°; ou ainda, nas hipóteses elencadas na MP n°1.699-40/1998, art. 18; c) quando da análise dos pedidos de restituição/compensação de tributos cobrados com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, deve ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, seja no caso de controle concentrado (o termo inicial é a data do trânsito em julgado da decisão do STF), seja no do controle difilso (o termo inicial para o contribuinte que foi parte na relação processual é a data do trânsito em julgado da decisão judicial e, para terceiros não-participantes da lide, é a data da publicação da Resolução • do Senado ou a data da publicação do ato do Secretário da Receita Federal, a que se refere o Decreto PÊ 2.346/1997, art. 42), bem assim nos casos permitidos pela MP n 2 1.699-40/1998, onde o termo inicial é a data da publicação: I. da Resolução do Senado te 11/1995, para o caso do inciso I; 2. da MP te 1.110/1995, para os casos dos incisos lia VII; 3. da Resolução do Senado te 49/1995, para o caso do inciso VIII; 4. da MP le 1.490-15/1996, para o caso do inciso IX d) os valores pagos indevidamente a titulo de Finsocial pelas empresas vendedoras de mercadorias e mistas - MP 1.699- 40/ 1998, art. 18, inciso III - podem ser objeto de pedido de • restituição/compensação desde a edição da MP I. 110/1995, devendo ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco anos); e) os pedidos de restituição/compensação do PIS recolhido a maior com base nos Decretos-leis nos 2.445/1988 e 2.449/1988, fundamentados em decisão judicial específica, devem ser feitos dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data de publicação da Resolução do Senado ti° 49/1995; j) na hipótese da IN SRF n° 21/1997, art. 17, § I°, com as alterações da IN SRF n° 73/1997, não há que se falar em prazo decadencial ou prescricional, tendo em vista tratar-se de decisão já transitada em julgado, constituindo, apenas, zuna prerrogativa do contribuinte, com vistas ao recebimento, em prazo mais ágil, 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 de valor a que já tem direito (a desistência se dá na fase de execução do titulo judicial). Assim, o entendimento da administração tributária vazado no citado Parecer vigeu até a edição do Ato Declaratório SRF n° 096, de 16 de novembro de 1999, publicado em 30/11/99, quando este pretendeu mudar o entendimento acerca da matéria, desta feita arrimado no Parecer PGFN n° 1.538/99. O referido Ato Declaratório dispôs que: I - o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que • o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168. I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Sem embargo, o entendimento da administração tributária era aquele consubstanciado no Parecer COSIT n° 58/98. Se debates podem ocorrer em relação à matéria, quanto aos pedidos formulados a partir da publicação do AD SRF n° 096, é indubitável que os pleitos formalizados até aquela data deverão ser solucionados de acordo com o entendimento do citado Parecer, pois quando do pedido de restituição este era o entendimento da administração. Até porque os processos protocolados antes de • 30/11/99 e julgados, seguiram a orientação do Parecer. Os que embora protocolados mas que não foram julgados haverão de seguir o mesmo entendimento, sob pena de se estabelecer tratamento desigual entre contribuintes em situação absolutamente igual. Entendo, outrossim, que mesmo após o advento do AD SRF 096/99, o inicio da contagem do prazo prescricional é da publicação da MP 1.110, unia vez que naquele diploma legal, expressamente, o Sr. Presidente da República admitiu que a exigência era inconstitucional, como adrede referido. Entendo ainda que não se aplica ao caso presente o disposto no art. 73 da lei 9.430/66, porquanto o § 3°, do art. 18, da lei de conversão 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO Ne : 126.580 ACÓRDÃO N° : 303-31.352 da MP 1.110 — (Lei n° 10.522) que lhe é posterior, dispõe sobre a restituição, vedando que a mesma se dê ex officio e silenciando quanto às demais formas, enquanto que o art. 27 veda o recurso oficial das decisões administrativas que concedam a restituição. Logo, interpretando o diploma legal de forma harmônica, fica afastada a incidência do art. 73 retromencionado, bem como, fica evidenciada a possibilidade da restituição nas vias administrativas. Finalmente, as restrições apontadas no Parecer PGFN/CRJ/N° 3401/2002, aprovado no Despacho cio Ermo. Sr. Ministro da Fazenda, publicado iso D.O. U. de 2 de janeiro de 2003, não podem • obstar o reconhecimento do direito creditório do recorrente. Consta do Despacho do Sr. Ministro da Fazenda que: 1) os pagamentos efetuados relativos a créditos tributários, e os depósitos convertidos em renda da União, em razão de decisões judiciais favoráveis à Fazenda transitadas em julgado, não são suscetíveis de restituição ou de compensação em decorrência de a norma vir a ser declarada inconstitucional em eventual julgamento, no controle difuso, em outras ações distintas de interesse de outros contribuintes; 2) a dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constituído, previstas no art. 18 da Medida Provisória n° 2.176-79/2002, convertida na lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam a situação de créditos tributários que ainda não estivessem extintos pelo epagamento No item "1", estão englobados os casos que são objetivados pelo Parecer, ou seja, onde houve o questionamento judicial e as decisões foram favoráveis à Fazenda Nacional, o que não é o caso dos presentes autos, uma vez que não há qualquer notícia de que a parte interessada pleiteou a restituição perante o Poder Judiciário, sem sucesso. Já o item 412" pretende dizer mais do que a própria Medida Provisória n° 1.110/95, que admitiu a incoisstitucionalidade da exigência de que tratam os presentes autos. Há que se dizer também que as conclusões do Parecer em comento, na parte que restringe o direito à restituição fora dos casos já 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO1\r' : 126.580 ACÓRDÃO N'' : 303-31.352 analisados pelo Poder Judiciário, encontram-se a descoberto de qualquer motivação, o que o torna inválido neste particular, porquanto a motivação é elemento obrigatório na constituição de qualquer Ato Administrativo. Finalmente, nunca é demais repetir que a Lei n° 10.522, veda apenas a restituição ex officio, não podendo o Parecer alargar a dicção legal Fixada a data de 31 de gosto de 1995 como o termo inicial para a contagem do prazo para pleitear a restituição da contribuição paga indevidamente o termo final ocorreu em 30 de agosto de 2000." • casu, o pedido ocorreu na data de 06 de abril de 2000, logo, dentro do prazo prescricional. Entendo, por via de conseqüência, não estar o pleito da Recorrente fulminado pela decadência, de modo que afasto a preliminar levantada pela Turma Julgadora. Deverá ser o processo encaminhado à repartição fiscal competente para que digne julgar as demais questões de mérito. Pelo exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 14 de abril de 2004 • JOÃO n AND • COSTA - Relator 22 „mk,,,, MINISTÉRIO DA FAZENDA bkriT;$7.. TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,.'r•-.5:111-w>. TERCEIRA CÂMARA Processo n. °:13688.000057/00-61 Recurso n.° 126.580 TERMO DE INTIMAÇÃO Yt Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência da Acórdão n°303-31.352. e Brasília - DF 10 de maio de 2004 Je4 • anda Costa Presia nte da Terceira Câmara _- Ciente em: I c, si c..)\-, 41) a NA._1/2-za-ja,C;-1 .fr-ra Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.726471/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2012 a 28/02/2013
NULIDADE. ALEGAÇÃO DE FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO.
Incabível declarar a nulidade do auto de infração quando a fiscalização descreve de forma clara e objetiva os fatos identificados durante o procedimento de auditoria, motivando o ato administrativo e proporcionando ao sujeito passivo a possibilidade de contestar e produzir provas para demonstrar aquilo que invoca como fundamento à sua pretensão.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Como destinatário final da diligência, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade da sua determinação para o esclarecimento de ponto controvertido ao deslinde do julgamento, não constituindo a realização da diligência um direito subjetivo do interessado.
VÍNCULO DE RESPONSABILIDADE. NECESSIDADE DE IMPUGNAÇÃO E RECURSO EM NOME PRÓPRIO.
Ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio. A pessoa jurídica não pode contestar, em seu próprio nome, o vínculo de responsabilidade tributária atribuído pela fiscalização a seus diretores e/ou administradores pela satisfação do crédito tributário lançado.
COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO.
Comprovado nos autos que o sujeito passivo compensou tributo, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de juros e da multa de mora.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. VEDAÇÃO LEGAL À COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO EXPRESSA EM SENTENÇA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE.
Correta a imposição de multa isolada de 150% - prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 - quando comprovada a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, caracterizada pelo oferecimento de crédito sabidamente inexistente para tal fim, posto que contrário não só ao disposto no art. 170-A do Código Tributário Nacional, assim como ao texto explícito da decisão judicial não transitada em julgado.
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1).
LEI TRIBUTÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA ISOLADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que prevê a aplicação de multa isolada no importe de 150% (Súmula Carf nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Damião Cordeiro de Moraes
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GLOSA E MULTA ISOLADA Recorrente EMPRESA EDITORA A TARDE S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2012 a 28/02/2013 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. Incabível declarar a nulidade do auto de infração quando a fiscalização descreve de forma clara e objetiva os fatos identificados durante o procedimento de auditoria, motivando o ato administrativo e proporcionando ao sujeito passivo a possibilidade de contestar e produzir provas para demonstrar aquilo que invoca como fundamento à sua pretensão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Como destinatário final da diligência, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade da sua determinação para o esclarecimento de ponto controvertido ao deslinde do julgamento, não constituindo a realização da diligência um direito subjetivo do interessado. VÍNCULO DE RESPONSABILIDADE. NECESSIDADE DE IMPUGNAÇÃO E RECURSO EM NOME PRÓPRIO. Ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio. A pessoa jurídica não pode contestar, em seu próprio nome, o vínculo de responsabilidade tributária atribuído pela fiscalização a seus diretores e/ou administradores pela satisfação do crédito tributário lançado. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO. Comprovado nos autos que o sujeito passivo compensou tributo, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de juros e da multa de mora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 64 71 /2 01 3- 44 Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 583 2 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. VEDAÇÃO LEGAL À COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO EXPRESSA EM SENTENÇA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. Correta a imposição de multa isolada de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 quando comprovada a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, caracterizada pelo oferecimento de crédito sabidamente inexistente para tal fim, posto que contrário não só ao disposto no art. 170A do Código Tributário Nacional, assim como ao texto explícito da decisão judicial não transitada em julgado. CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1). LEI TRIBUTÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA ISOLADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que prevê a aplicação de multa isolada no importe de 150% (Súmula Carf nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 584 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 585 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), cujo dispositivo considerou improcedente à impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0435.576 (fls. 359/372): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. JUROS E MULTA. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da lide na esfera administrativa, uma vez que as decisões no âmbito do judiciário se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo, quando não há amparo legal ou a decisão judicial vincular ao trânsito em julgado da sentença, consoante o artigo 170A, do Código Tributário Nacional. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício a compensação indevida, nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal ou decisão judicial não transitado em julgado, que ficar caracterizada a prática da infração prevista no parágrafo 10, do artigo 89, da Lei nº 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 15/22, que o processo administrativo é composto por 2 (dois) Autos de Infração (AI), a saber: (i) AI nº 51.044.7473, relativo à glosa de compensação de contribuição previdenciária, indevidamente realizada pelo sujeito passivo nas competências 03 a 12/2012, acrescida de juros e de multa de mora (fls. 3/8); e Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 586 5 (ii) AI nº 51.044.7465, referente à multa isolada pela compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, nas competências 11/2012 a 02/2013 (fls. 9/12). 2.1 Segundo a fiscalização, o sujeito passivo efetuou compensação utilizandose de créditos inexistentes. Devidamente intimado para comprovar o direito creditório, apresentou planilha compensandose de valores pagos a título de saláriomaternidade, férias gozadas e 1/3 de férias gozadas, além de outras parcelas, sem o respectivo suporte legal ou jurídico (fls. 121/125). 2.2 No que tange às verbas compensadas, o sujeito passivo interpôs ação judicial, na forma do Mandado de Segurança nº 1974021.2010.4.01.3300/BA, cuja sentença foi parcialmente favorável ao pleito do contribuinte, ainda não transitada em julgado. 2.3 Contudo, enfatiza a autoridade lançadora, mesmo que lhe fosse integralmente favorável o provimento judicial, o que não aconteceu, os valores somente poderiam ser compensados após o trânsito em julgado da sentença, conforme disposto no art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 2.4 Registra ainda a fiscalização a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), de que trata o § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, pelo fato da compensação de créditos inexistentes. 2.5 Por fim, a autoridade lançadora observa que no acórdão de apelação e de reexame necessário relativo ao Mandado de Segurança, proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, consta que a compensação somente poderia ser efetivada após o trânsito em julgado da decisão. 3. Diante da conduta identificada no procedimento fiscal, a autoridade lançadora entendeu cabível também a formalização de Termos de Sujeição Passiva Solidária, com fulcro na responsabilidade tributária dos diretores da pessoa jurídica, prevista no inciso III do art. 135 do CTN. Relativamente ao crédito tributário, foram arrolados como devedores solidários as pessoas físicas Renato Simões e André Blumberg (fls. 169/181). 4. A empresa fiscalizada foi cientificada pessoalmente da autuação em 19/8/2013, às fls. 3 e 9, por meio de seu procurador, e impugnou a exigência fiscal (fls. 183/222). 4.1 Por sua vez, os sujeitos passivos solidários, Renato Simões e André Blumberg, tomaram ciência do Termo de Sujeição Passiva em 3/9/2013 e 17/9/2013, respectivamente (fls. 175/176 e 181). Não consta, todavia, a apresentação de impugnação em nome próprio contra o vínculo de responsabilidade. 4.2 Conforme documentos acostados aos autos, às fls. 375/381, Renato Simões impetrou Mandado de Segurança, autuado sob o nº 3722359.2013.4.01.3300, com o fim de obter provimento judicial para a exclusão dos gravames incidentes sobre bens arrolados pelo agente fiscal, bem como para a retirada da responsabilidade tributária solidária que lhe foi atribuída pelo Fisco (Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 001). Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 587 6 5. Intimada a recorrente da decisão de piso em 5/3/2015, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, protocolou recurso voluntário em 17/3/2015 (fls. 388/390 e 392/431, respectivamente). 5.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal: (i) há necessidade de conversão do julgamento em diligência, com o propósito de averiguar se a glosa de compensação efetuada pela autoridade fiscal abrange valores pagos a título de verbas que tanto a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), quando a do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), consideram como não alcançadas pelas contribuições previdenciárias; (ii) os Termos de Sujeição Passiva lavrados em face dos administradores da recorrente devem ser anulados, dada a inexistência de qualquer violação a dispositivo de lei pelas pessoas físicas; (iii) há vício na autuação em virtude da ausência de correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo utilizada para apuração do crédito tributário; (iv) a exigência da multa isolada carece de fundamentação, o que impõe a sua anulação; (v) cabe, segundo o Regimento Interno do Carf, a aplicação obrigatória do decidido pelo STJ no Recurso Especial (REsp) nº 1.230.957/RS, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, a respeito da não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos a título de 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos funcionários doentes ou acidentados, 1/3 (terço) de férias gozadas e aviso prévio indenizado; (vi) o procedimento de compensação realizado pela recorrente encontra fundamento no art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, em decisões judiciais e no próprio entendimento do Carf; (vii) é indevida a exigência da contribuições previdenciárias sobre os valores objeto do mandado de segurança interposto pela recorrente; (viii) não está caracterizada a concomitância de discussão nas esferas judicial e administrativa sobre a matéria, porque a recorrente almeja tão somente o cumprimento do decidido em sede de recurso repetitivo e repercussão geral; Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 588 7 (ix) não houve falsidade na declaração das compensações em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP); e (x) o valor da multa isolada é exorbitante, devendo ser aplicada a multa mais benéfica, qual seja a penalidade do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. É o relatório. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 589 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Termos de Sujeição Passiva Solidária 7. A respeito dos responsáveis tributários, prescreve o enunciado da Súmula 71 do Carf: "Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade." 8. Acontece que as pessoas físicas e a pessoa jurídica da qual são diretores e/ou administradores são dotadas de personalidades jurídicas distintas. 8.1 É inviável, desse modo, que a recorrente possa contestar o vínculo de responsabilidade tributária atribuído pela fiscalização a terceiros, especificamente aos diretores Renato Simões e André Blumberg, na medida em que ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio (art. 18 do Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.015, de 16 de março de 2015). 8.2 Compete às pessoas físicas que foram caracterizadas como responsáveis solidários pela satisfação do crédito tributário lançado, após a ciência do auto de infração, apresentar impugnação e recurso voluntário em seu próprio nome com o fim de refutar o vínculo de responsabilidade. Não é a hipótese dos autos. 8.3. De mais a mais, o Sr. Renato Simões ajuizou ação mandamental em face do vínculo de responsabilidade (fls. 375/381). A existência de ação judicial com o mesmo objeto obsta o curso do contencioso administrativo, na linha de entendimento do enunciado da Súmula nº 1 deste Conselho, assim redigida: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 590 9 9. Logo, deixo de apreciar os argumentos da recorrente a respeito da responsabilidade solidária atribuída aos seus diretores e/ou administradores. Preliminares a) Nulidade da autuação 10. Aponta a recorrente vício insanável no lançamento tributário, pois a autoridade fiscal não considerou as razões e os documentos apresentados que comprovam a regularidade das compensações efetuadas. Tal fato implica na falta de correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo utilizada para apuração dos créditos tributários. 11. A toda a evidência, tratase de alegação atinente ao mérito da lavratura do auto de infração, que será examinada mais adiante neste voto. 12. Pondera também a recorrente que a aplicação da multa isolada não foi fundamentada, o que resultou na deficiência na motivação do ato administrativo e, por conseguinte, impossibilitou o exercício do direito de defesa assegurado pelo texto constitucional. 13. Não se pode confundir a ausência de motivação do ato administrativo com eventual motivação insuficiente para a procedência do auto de infração. Com a finalidade de justificar a aplicação da multa prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, a autoridade fiscal fundamentou o auto de infração segundo os seus elementos de convicção acerca da conduta dolosa praticada pelo sujeito passivo. 14. Se o conjunto fáticoprobatório colhido pela acusação fiscal não é hábil e suficiente para justificar a imposição da penalidade pecuniária no patamar de 150% do valor indevidamente compensado, com apoio na comprovação de ocorrência de dolo, máfé ou falsidade da declaração, é questão a ser avaliada pelo julgador no momento oportuno do exame de mérito da autuação fiscal. 15. Longe de haver cerceamento do direito de defesa, o relatório fiscal às fls. 15/22 descreveu os fatos identificados durante o procedimento de auditoria de forma clara e objetiva, proporcionando ao sujeito passivo a possibilidade de contestar e produzir provas para demonstrar aquilo que invoca como fundamento à sua pretensão. Além do mais, o recurso voluntário demonstra a perfeita compreensão por parte do sujeito passivo sobre os fatos que lhe são imputados nos autos de infração. 16. Logo, ausentes vícios quanto aos pressupostos e elementos do ato administrativo, descabe cogitar a nulidade do lançamento fiscal. b) Conversão do julgamento em diligência 17. Pleiteia a recorrente a conversão do julgamento em diligência, com o propósito de verificar se está sendo compelida ao pagamento de contribuições previdenciárias sobre rubricas que escapam à tributação nos termos da jurisprudência do STJ e do Carf. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 591 10 18. Segundo o inciso IV do art. 16 c/c art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o pedido de diligência deve ser motivado pelo interessado, cabendo à autoridade julgadora determinála quando necessária para o esclarecimento de ponto controvertido específico ao deslinde do julgamento, com vistas a permitir uma melhor apuração da verdade material. 18.1 A realização da diligência não configura um direito subjetivo do interessado, tampouco tem a função de suprir o ônus probatório que incumbe às partes. 19. Nesse contexto, é claramente desnecessária a diligência requerida pela recorrente, uma vez que os dados que sugere investigar já lhe são de seu inteiro conhecimento. 19.1 Com efeito, a autoridade lançadora expôs que a base de cálculo do auto de infração foi apurada de acordo com os valores efetivamente compensados pelo contribuinte por meio de declaração em GFIP (item 4.3 do Relatório Fiscal, às fls. 17). 19.2 Os campos próprios da GFIP com os valores de compensação foram preenchidos pela recorrente. Certamente, dispõe de uma memória de cálculo detalhada contendo a discriminação das rubricas que compõem o direito creditório informado nos documentos, à semelhança da planilha que apresentou à fiscalização na fase do procedimento investigatório (fls. 121/125). 20. Logo, indefiro o pedido de diligência. Mérito a) Glosa da compensação 21. Preliminarmente, destaco que o Fisco noticia, apoiado em prova documental, a interposição de ação judicial pelo recorrente com a finalidade de obter a declaração do direito de compensar valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, a título de salário maternidade, férias e adicional de férias de 1/3 (um terço), aviso prévio indenizado e também sobre o 13º (décimo terceiro) salário proporcional ao aviso prévio indenizado (Petição Inicial, às fls. 70/106). 21.1 Ao optar por seguir o caminho da via judicial, o sujeito passivo não aguardou o trânsito em julgado da decisão para iniciar a compensação, bem como desrespeitou o comando da sentença proferida. 22. Com relação ao fato de que houve compensação de tributo pelo sujeito passivo objeto de discussão judicial antes do respectivo trânsito em julgado, tratase de questão incontroversa (fls. 167). 22.1 Uma das linhas argumentativas da recorrente, no entanto, é que o direito de compensar tributos pagos indevidamente dispensa a existência de decisão judicial em mandado de segurança transitada em julgado. 23. Pois bem. Estabelece o art. 170 do CTN que a compensação no direito tributário depende de lei específica que a autorize, podendo esta inclusive prever condições e limites ao seu exercício. Eis a redação desse dispositivo: Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 592 11 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. 23.1 Pautado em critérios de conveniência da política fiscal de cada ente político, o legislador pode estipular, ou delegar à autoridade administrativa que estipule, condições e garantias à compensação de créditos tributários com crédito líquidos e certos, ou mesmo instituir limites ao seu exercício. 23.2 Em que pese a possibilidade de se implantar restrições à compensação, haverá sempre a opção pela repetição do indébito mediante o procedimento administrativo ou judicial de restituição. 24. Com a Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, foi introduzido o art. 170A no CTN, que prescreve a impossibilidade da compensação de tributo objeto de contestação judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Transcrevo sua redação: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 24.1 O art. 170A dispõe nada mais que ressaltar a necessidade, para fins do direito à compensação, de haver certeza quanto à existência do crédito do sujeito passivo, nos termos estabelecidos no art. 170 do mesmo Código, antes reproduzido. 24.2 Via de regra, quando o direito creditório amparase em indébito tributário judicialmente contestado, em que o sujeito passivo busca um pronunciamento definitivo pelo Poder Judiciário, pairam dúvidas sobre a própria existência da dívida, cuja certeza virá apenas com o reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado. 25. É certo que, na compensação vinculada ao regime dos tributos lançados por homologação, cabe ao contribuinte, por sua iniciativa, apurar seu crédito e efetuar a compensação, ficando esse encontro de contas sujeito a revisão fiscal. Por isso, se diz que essa espécie de compensação prescinde de prévia autorização administrativa ou judicial. 26. Porém, ao submeter ao crivo do Poder Judiciário a sua pretensão de compensação, o sujeito passivo vinculase ao desfecho da ação judicial. A rigor, não só o requerente como também a administração submeterseá à decisão final de mérito do Poder Judiciário. 26.1 Resultado dessa opção, o sujeito passivo fica compelido a aguardar a expedição da norma individual e concreta, revestida dos efeitos da coisa julgada material, para poder exercer o seu direito. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 593 12 27. Embora o recorrente afirme que a compensação em questão não exigiria autorização judicial, enxergo contradição nesse ponto do apelo, porque optou exatamente em ingressar em juízo para discutir tal encontro de contas. 27.1 Não é aceitável que interponha, de um lado, ação judicial visando à obtenção de um pronunciamento definitivo pelo Poder Judiciário, e, de outro, aproveite a sistemática no âmbito do lançamento por homologação para compensar, segundo seus critérios, o crédito objeto de contestação judicial. 28. É bom anotar que a ação mandamental ajuizada pela recorrente, em 13/5/2010, não se limita a discutir apenas o direito à restituição, via compensação, de valores relacionados a contribuições pagas sobre determinadas parcelas devidas aos trabalhadores, mas também a não incidência da prescrição em parte desses pagamentos realizados, matéria que repercute diretamente na relação de direito material litigiosa (fls. 70/106). 28.1 De maneira que, ao levar a questão à apreciação do Poder Judiciário, há evidências de não estar configurada a indispensável certeza quanto ao crédito pleiteado pelo sujeito passivo, porque também incerta a própria possibilidade de exigir a totalidade do indébito do devedor. Pendendo controvérsia judicial sobre a existência do crédito, devese implementar a compensação somente após o trânsito em julgado da ação judicial. 29. A bem da verdade, a recorrente pleiteou na ação mandamental, autuada sob o nº 1974021.2010.4.01.3300/BA, a proteção judicial contra a aplicabilidade do art. 170A do CTN (fls. 92/96). 29.1 Na sentença de 1º grau, proferida em 22/10/2010, juntada às fls. 108/118, o magistrado assim se posicionou sobre a questão (fls. 117): (...) Por fim, cumpre salientar que, na hipótese, vale a regra do art. 170A, do Código Tributário Nacional, devendo ser observado o trânsito em julgado da presente sentença como requisito à compensação dos tributos recolhidos indevidamente, nos termos ora reconhecidos. Por tal fundamento, a pretensão de imediata compensação é improcedente. (...) 29.2 Em 2ª instância, o acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em sessão do dia 17/6/20111, manteve o dever de observar o art. 170A do CTN (fls. 60/66 e 126/144). 29.3 Para melhor análise, transcrevo a parte correspondente da ementa do acórdão proferido pela 8ª Turma daquele Tribunal, da relatoria do Desembargador Souza Prudente (fls. 60/61): TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE OS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO PAGOS PELO EMPREGADOR QUE ANTECEDEM A CONCESSÃO DE 1 Consulta pública a respeito das informações processuais, disponível em www.trf1.jus.br. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 594 13 AUXÍLIO DOENÇA E TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. IMPOSSIBILIDADE. VERBA INDENIZATÓRIA. SALÁRIO MATERNIDADE E FÉRIAS. NATUREZA SALARIAL. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DESCABIMENTO. PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO QUINQUENAL AFASTADA. (...) V – Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme prevê o art. 170A do CTN, que não tem aplicação apenas às ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001 (Recurso repetitivo REsp 1164452/MG). (...) 30. A despeito da clareza das decisões judiciais de 1ª e 2ª graus quanto à impossibilidade de compensação imediata dos valores pleiteados, antes do trânsito em julgado da ação mandamental, a recorrente efetuou o encontro de contas por intermédio da apresentação de GFIP nos meses de 11/2012 a 02/2013. 31. É de verse que a conduta do recorrente de iniciar a compensação antes do trânsito em julgado, além de desconsiderar a previsão em abstrato do art. 170A do CTN, é igualmente contrária ao próprio pronunciamento judicial, o qual era de seu inteiro conhecimento no momento da compensação em GFIP. 32. Sustenta a recorrente, no entanto, que a compensação no âmbito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por prescindir do prévio reconhecimento da liquidez e certeza, dispensa o trânsito em julgado da decisão judicial. 32.1 Assim não me parece. Ao exigir que não mais haja discussão judicial acerca dos créditos, o art. 170A do CTN não distingue a compensação de tributos no âmbito do lançamento por homologação das demais hipóteses de compensação, incluído o encontro de contas sob a égide do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991. 32.2 É firme a jurisprudência do STJ nessa linha de pensamento: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. MATÉRIA PACIFICADA. SÚMULA N.º 168/STJ. 1. Nas ações ajuizadas após a publicação da Lei Complementar n.º 104/2001, que acrescentou o art. 170A ao CTN, somente se admite a compensação tributária depois do trânsito em julgado da sentença. Precedentes da Seção. 2. A jurisprudência da Corte não diferencia a compensação no âmbito do lançamento por homologação (art. 66 da Lei n.º Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 595 14 8.383/90) das demais hipóteses de compensação para efeito de incidência do disposto no art. 170A do CTN. (GRIFEI) 3. "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado" (Súmula n.º 168/STJ). 4. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 755.567/PR; Relator Ministro Castro Meira, 1ª Seção, Data de publicação em 13/3/2006) 33. Inclusive, a vedação imposta pelo art. 170A do CTN já foi apreciada pelo STJ em julgamento na sistemática dos recursos repetitivos, na forma do art. 543C do pretérito Código de Processo Civil, reconhecendose a sua compatibilidade perante o ordenamento jurídico pátrio: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2.. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Recurso Especial nº 1.167.039/DF; Relator Ministro Teori Albino Zavascki, 1ª Seção, Data de Publicação: 2/9/2010) 34. Apegase ainda a recorrente a uma decisão aparentemente isolada deste Conselho, no Acórdão nº 930301.093, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 23/8/2010, em que prevaleceu a tese de que a sentença em mandado de segurança pode ser executada imediatamente sem que seja necessário o trânsito em julgado do processo. 35. Data vênia, cuidase de uma decisão equivocada daquele colegiado, visto que o art. 170A do CTN não comporta qualquer exceção em virtude da utilização da via mandamental. 35.1 A jurisprudência de ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ é uníssona a respeito da aplicação da vedação prevista do art. 170A às ações em mandado de segurança, conforme ementas reproduzidas a seguir: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ART. 535, I E II DO CPC: ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTÁRIO. O DISPOSTO NO ART. 170A DO CTN, QUE EXIGE O TRÂNSITO EM JULGADO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 596 15 TRIBUTÁRIO, SE APLICA ÀS DEMANDAS AJUIZADAS APÓS A VIGÊNCIA DA LC 104/01. RESP 1.167.039/DF, REL. MIN. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJE 2.9.10, JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Tratase, na origem, de Mandado de Segurança em que requerida a transferência a terceiros, para fins de compensação, de créditos de IPI decorrentes de operações de entrada de insumos e matériasprimas isentas ou sujeitas à alíquota zero, reconhecidos em sentença judicial ainda não transitada em julgado. (...) 3. Consoante o entendimento firmado na Primeira Seção desta Corte no julgamento do REsp 1.167.039/DF, Rel. Min. TEORI ZAVASCKI, DJe 2.9.10, processado sob o rito do art. 543C do CPC, o disposto no art. 170A do CTN, que exige o trânsito em julgado para fins de compensação de crédito tributário, se aplica às demandas ajuizadas após a vigência da LC 104/01, ou seja, a partir de 11.1.2001, bem como às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. Nesse sentido: AgRg no REsp. 1.297.215/BA, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 20.9.2012. (...) (GRIFOUSE) (Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.268.505/PE, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma, Data do Julgamento: 16/6/2015) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VÍCIO NO ACÓRDÃO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA EFETUADA EM HIPÓTESE VEDADA. MULTA. LEGALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. INVIABILIDADE. DETURPAÇÃO DA FUNÇÃO RECURSAL DOS DECLARATÓRIOS. (...) 2. Consoante facilmente se infere dos autos, a embargante promoveu compensação tributária embasada em provimento alcançado em mandado de segurança antes de seu trânsito em julgado, situação expressamente vedada nos termos do art. 170 A do CTN, restrição compensatória da qual não escapa a via mandamental.) (...)(GRIFOUSE) (Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.494.026/PR, Relator Ministro Humberto Martins, 2ª Turma, Data do Julgamento: 7/5/2015) Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 597 16 36. Não se perca de vista, conforme dito alhures, que a recorrente promoveu compensação tributária supostamente embasada em provimento alcançado em mandado de segurança antes de seu trânsito em julgado, em contrariedade explícita ao comando das decisões judiciais. 37. Acrescentese, por fim, que a compensação efetuada em GFIP abarcou inclusive verbas não reconhecidas pelo provimento judicial. 37.1 De fato, a autoridade fiscal enfatiza que o sujeito passivo obteve decisão parcialmente favorável. Porém, compensou pagamentos a título de saláriomaternidade, férias gozadas, entre outras verbas remuneratórias (fls. 121/125). 37.2 Na sentença de 1º grau, concedeuse em parte a segurança para afastar tão somente a incidência da contribuição previdenciária sobre os 15 primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença, bem como sobre o terço constitucional de férias, devido a que tais verbas se revestiriam de caráter indenizatório (fls. 117), o que não foi modificado pelo acórdão de 2º grau. No tocante às férias e ao salário maternidade, mantevese a sua integração a base de cálculo da contribuição previdenciária (fls. 134). 38. Em vista do exposto, tendo em conta a acusação fiscal, devidamente comprovada, de haver desobediência ao art. 170A do CTN, deve ser mantida, integralmente, a glosa da compensação, acrescida de juros e da multa de mora (art. 89, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991). b) Concomitância entre processos administrativo e judicial 39. Defende a recorrente que não há concomitância de discussão nas esferas judicial e administrativa, porque não busca o reconhecimento do seu direito na fase administrativa, mas apenas que seja observado e cumprido o direito já reconhecido pelo Poder Judiciário em sede de recurso repetitivo e repercussão geral acerca das verbas enumeradas no recurso voluntário: (i) 15 primeiros dias de afastamento dos funcionários doentes e acidentados; (ii) salário maternidade; (iii) férias e terço constitucional; e (iv) aviso prévio indenizado e correspondente parcela no décimo terceiro salário. 40. Não comungo da tese ventilada pela recorrente. Com efeito, ao optar pela discussão judicial, o sujeito passivo abdicou do juízo de valor da esfera administrativa, acarretando o impedimento da apreciação dos argumentos contidos na petição quanto à parte concomitante (conforme enunciado da Súmula nº 1 do Carf, antes transcrito na íntegra neste voto). 41. Ao revés, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento normal em relação às matérias que escapam à discussão judicial, a exemplo das questões preliminares deduzidas pela recorrente e da aplicação da multa isolada sobre o débito indevidamente compensado. 42. Nesse caso concreto, é inviável a aplicação pelo julgador administrativo de precedentes julgados na sistemática dos recursos repetitivos ou da repercussão geral, na forma do § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf, sob pena de concessão de direito expressamente negado pelo Poder Judiciário ao sujeito passivo, com esteio na norma inserta no art. 170A do CTN. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 598 17 42.1 É que as decisões judiciais não autorizaram, até porque houve explícita vedação, qualquer encontro de contas entre débitos e créditos antes do trânsito em julgado da ação mandamental, o que sinaliza, até pela jurisprudência dominante, a total impossibilidade da validação da compensação realizada em GFIP nos meses de 11/2012 a 02/2013, como ora se analisa. c) Multa isolada 43. Foi imposta pela fiscalização à recorrente, em face da compensação indevida, multa isolada no percentual de 150% incidente sobre o valor total do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Para maior clareza, transcrevo este dispositivo de lei: Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...)(GRIFEI) 44. Como se percebe do texto copiado, o § 10 não cuida de uma falsidade material, relacionada à autenticidade do documento, mas sim de uma falsidade intrínseca a esse documento, em que se faz presente a mentira no seu conteúdo. 45. A multa está condicionada a comprovação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por isso, tenho como premissa que essa sanção fiscal pecuniária exige o elemento subjetivo dolo, ainda que dispensável a presença de um especial fim de agir, visto que a leitura do preceptivo revela que o legislador não elegeu qualquer elemento específico como requisito para a imposição da penalidade. 46. De sorte que não se poderá cogitar de falsidade, em razão do próprio significado da sua acepção, sem que haja consciência do agente em esconder, alterar ou suprimir a verdade. 47. Pois bem. A meu ver, a atitude da recorrente se coaduna perfeitamente com a aplicação de multa isolada, escorreitamente lançada pela fiscalização. 48. Mesmo diante da realidade contrária à compensação em GFIP, o sujeito passivo optou em praticar uma conduta consciente e voluntária oferecendo crédito sabidamente inexistente para tal fim. Não se trata de equívocos ou incorreções, mas conduta intencional com o fim de não recolher o valor da contribuição previdenciária confessada em GFIP na competência do fato gerador. 49. Como ressaltado neste voto, as decisões judiciais na ação mandamental sob o nº 1974021.2010.4.01.3300/BA, em 1ª e 2ª instância, expressamente vedaram a realização da compensação de crédito tributário antes da ocorrência do trânsito em julgado da respectiva ação judicial. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 599 18 50. Quando da impetração da ação de segurança, a demandante não só tinha conhecimento de que somente o trânsito em julgado poderia legitimar a compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, como peticionou pela inaplicabilidade do art. 170A do CTN. 51. Entretanto, ao arrepio da lei e de maneira contrária ao estabelecido expressamente no provimento judicial, o sujeito passivo procedeu à compensação de contribuições previdenciárias nos meses de 11/2012 a 02/2013, relativamente aos fatos geradores de 03/2012 a 12/2012. 52. Tão grave quanto a utilização de crédito antes do trânsito em julgado da ação mandamental, foi a inclusão de valores que nem mesmo haviam sido reconhecidos pelo Poder Judiciário. 52.1 Refirome, nesse ponto, aos pagamentos a título de salário maternidade e férias gozadas, verbas para as quais foi pleiteado o reconhecimento do indébito tributário, porém restou não acatado nas decisões judiciais, conforme destacado pela autoridade fiscal (fls. 121/125). 53. Não há como negar que a recorrente utilizou de forma consciente quantias a título de direito creditório sabidamente inexistentes à época da compensação, o que revela a mentira no preenchimento dos campos próprios atrelados às compensações nas GFIPs transmitidas nos meses de 11/2012 a 02/2013 e afasta qualquer alegação da existência de boa fé da sua parte. 54. Quanto à avaliação de eventual excesso do legislador ordinário ao fixar o percentual da multa punitiva, de uma forma exorbitante e desproporcional e com caráter confiscatório, é tarefa exclusiva do Poder Judiciário, porquanto implica verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. 55. Como sabido, argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 56. Ao contrário do que parece sustentar a recorrente, não há decisão do Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, que conclua pela abusividade da multas punitivas que superem o percentual de 100% (cem por cento) do tributo devido quando destinadas a penalizar as hipóteses de dolo ou falsidade na conduta do sujeito passivo voltada à compensação tributária, como ora se verifica. 57. Menciono ainda que a multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, é específica para a hipótese de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo na compensação de contribuições previdenciárias, inaplicável, portanto, a penalidade genérica do art. 32A da mesma Lei, por omissão e/ou incorreção em GFIP. 57.1 Por sinal, ambos as multas foram acrescentadas simultaneamente à Lei nº 8.212, de 1991, por ocasião da edição da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10580.726471/201344 Acórdão n.º 2401004.681 S2C4T1 Fl. 600 19 58. Dessa feita, consoante conjunto probatório, estou convencido da falsidade das declarações da compensação apresentadas pelo sujeito passivo e, por conseguinte, mantenho a multa isolada aplicada pela fiscalização. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 600DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.002952/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
A isenção para portadores de moléstias graves está restrita a rendimentos recebidos a título de pensão ou aposentadoria.
IRRF. 13º SALÁRIO. RESTITUIÇÃO.
A restituição de valores de IR retidos incidente sobre rendimentos sujeito a tributação exclusiva deve ser objeto de pleito autônomo, não podendo ser tratada conjuntamente em lançamento do qual não foi objeto.
Numero da decisão: 2201-003.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ISENÇÃO. A isenção para portadores de moléstias graves está restrita a rendimentos recebidos a título de pensão ou aposentadoria. IRRF. 13º SALÁRIO. RESTITUIÇÃO. A restituição de valores de IR retidos incidente sobre rendimentos sujeito a tributação exclusiva deve ser objeto de pleito autônomo, não podendo ser tratada conjuntamente em lançamento do qual não foi objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 29 52 /2 01 0- 34 Fl. 101DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo ao exercício de 2009, fl. 07/11, pela qual a Autoridade Administrativa, em sede de Malha Fiscal, identificou a infração à legislação abaixo descrita (fl. 9): a) Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 325.683,86... De acordo com o Laudo Pericial emitido pelo IAPEP, o contribuinte é portador de moléstia grave desde novembro/1998, entretanto, são tributáveis os rendimentos pagos pelo IAPEP, a título de subsídio vitalício e gratificação de representação de ex governador. Quanto à natureza dos rendimentos pagos pela Câmara dos Deputados, no documento consta apenas como rendimentos do trabalho assalariado. Ciente do lançamento em 16 de junho de 2010, fl. 23, inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 2/4, onde apresentou suas considerações que objetivavam comprovar a improcedência total do lançamento, pois, embora reconheça como tributáveis os rendimentos recebidos pelo mandato de Deputado Federal, entende que um dos rendimentos considerados omitidos seriam isentos (IAPEP Instituto de Assistêcia e Previdência do Estado do Piauí). Por fim, pleiteou a alocação, em seu benefício, dos valores retidos de IR incidentes sobre os rendimentos do 13º pagos pela IAPEP e REFER (Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social). No julgamento de 1ª Instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo, fl. 50 a 55: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MATÉRIA PARCIALMENTE CONTESTADA. Apenas são isentos de imposto de renda, os proventos de aposentadoria ou reforma, motivados por acidente em serviço, e os percebidos por portadores de moléstia profissional ou das doenças previstas no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88. Não se tratando de rendimentos percebidos a título de aposentadoria ou reforma, incabível a isenção pleiteada. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. E RESTRITIVA. Sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos arts. 111 e 176 do CTN; assim, qualquer rendimento, mesmo remunerado a título de subsidio vitalício, deve compor o rendimento bruto para efeito de tributação. Por expressa disposição legal, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10384.002952/201034 Acórdão n.º 2201003.646 S2C2T1 Fl. 102 3 Em apertada síntese, a decisão de 1ª Instância entendeu que a omissão dos rendimentos relativa aos rendimentos da Câmara dos Deputados não havia sido contestada, o que teria restringido a lide administrativa aos rendimentos recebidos a título de subsídio recebido pelo IAPEP, o qual, em sua avaliação, originouse de mera liberalidade do Governo do Estado do Piauí, não configurando o conceito de pensão/aposentadoria para fins de isenção do IR. Ciente do Acórdão da DRJ em 30 de dezembro de 2013, fl. 57, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, em 31 de janeiro de 2014, o Recurso Voluntário de fl. 60/65, no qual apresenta suas razões para entender improcedente a decisão recorrida. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Embora considere que o expediente de 5 ou 6 horas praticado pela Receita Federal do Brasil no último dia de cada ano, em razão de sua regularidade no tempo, possa ser considerado normal, tendo em vista que o tema não é pacífico e considerando os termos do § único do art. 5º do Decreto 70.235/72, bem assim a Portaria MPOG nº 3/2013, recebo como tempestivo o presente recurso. Desta forma, por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Entende o recorrente que a decisão de 1ª instância não observou a "legislação atualizada", que não restringiria a isenção para portadores de moléstias graves a rendimentos de aposentadoria, alcançando, igualmente, os rendimentos provenientes de pensões. Aduz que o entendimento sobre a natureza tributável dos rendimentos recebidos da fonte IAPEP não pode ser acolhido, já que os fatos, por si só, demonstram o direito pleno do contribuinte. Convicto da procedência de seus argumentos, requer a restituição do que foi retido pelo citado Instituto de Previdência, bem assim do tributo incidente sobre o 13º salário do IAPEP e da REFER. Inicialmente, fica o destaque de que a questão da restituição de valores incidentes sobre o 13º salário, cuja incidência tributária se dá exclusivamente na fonte, não é e nem pode ser tratada no presente julgamento, pois não foi objeto do lançamento em lide administrativa e sobre o qual não se instaurou o contencioso fiscal. Não obstante, em homenagem à informalidade que rege o processo administrativo, a unidade responsável pela administração do tributo poderá se manifestar sobre o tema em momento posterior, segregando o pleito em processo distinto. Desta forma, o presente julgamento se restringe à tributação ou não dos valores recebidos do IAPEP e se, ainda que considerados isentos, este fato teria o condão de Fl. 103DF CARF MF 4 macular todo o lançamento, mesmo aquele relativo ao rendimentos recebidos da Câmara dos Deputados em razão do exercício efetivo de mandato eletivo. Como se viu no relatório supra, a Delegacia de Julgamento julgou a impugnação improcedente por entender que o rendimento recebido pelo contribuinte do Instituto de Assistência e Previdência do Piauí não estaria alcançado pela norma isentiva por não configurar pensão e por ser paga por liberalidade do Governo Estadual. O que se observa é que o benefício foi concedido em 1975, a título de representação, exclusivamente por ter o recorrente exercido, em caráter permanente, no quadriênio de 1971/1975, o cargo de Governador do Estado do Piauí. Embora tenha encontrado dificuldades em acessar o texto da Constituição do Estado do Piauí de 1969, em particular com a redação dada pela Emenda nº 1/1971, é certo que o benefício concedido ao recorrente decorre de extensão aos Governadores de Estado da previsão contida no art. 184 da Constituição Federal de 1969, acrescentado pela Emenda nº 1, de 17.10.69, que estabeleceu: Cessada a investidura no cargo de Presidente da República, quem o tiver exercido, em caráter permanente, fará jus, a título de representação, desde que não tenha sofrido suspensão dos direitos políticos, a um subsídio mensal e vitalício igual ao vencimento do cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal". Além da previsão constitucional acima ter sido encampada pelas constituições Estaduais, muitos municípios seguiram o mesmo caminho para beneficiar os prefeitos após o término de seus mandatos. A Constituição Federal de 1988 não mais prevê tal benefício, mas, ainda assim, dentre outros, no Estado do Piauí, o favor estatal ainda continuou em vigor, conforme se verifica pelo texto do art. 11 do Ato das Disposições Transitórias com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 5/1996: Art. 11 – Cessada a investidura no cargo de Governador do Estado, quem o tiver exercido, em caráter permanente, fará jus, a título de representação, a um subsídio mensal e vitalício igual aos vencimento do cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. § 1º O subsídio previsto neste artigo será concedido, mediante lei específica, somente ao exgovernador que, reconhecidamente, não possua rendimentos suficientes para manter, com dignidade, sua condição de exchefe do Executivo Estadual e que tenha exercido o cargo de Governador em caráter efetivo, salvo o direito dos que tiverem exercido o cargo em caráter permanente até 31 de dezembro de 1998. A discussão sobre a legalidade de tais pagamentos ou mesmo o caráter ético de sua instituição e percepção não são objeto do presente processo. Assim, deixo de apresentar minhas considerações sobre essa liberalidade com o dinheiro público. Considerando os fundamentos legais acima e cotejando com os documentos juntados às fl. 18 e 20, resta cristalino que o "subsídio mensal vitalício" é pago a título de representação. O texto atualmente em vigor do Art. 11 acima citado dá uma pista do objeto do Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10384.002952/201034 Acórdão n.º 2201003.646 S2C2T1 Fl. 103 5 benefício, que seria manter a dignidade do exgovernador na sua condição de exchefe do Executivo Estadual. Assim se manifestou a Ministra Cármen Lúcia ao relatar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3.8532, em que se discutia a instituição, em benefício de ex Governador do Estado do Mato Grosso do Sul, de “um subsídio, mensal e vitalício, igual ao percebido pelo chefe do Poder Executivo”. (...) 5. No direito brasileiro, em termos de institutos de direito administrativo e previdenciário, não se há baralhar subsídio, benefício, vantagem, provento e pensão, cada qual nomeando uma categoria de pagamentos devidos a agentes ou servidores perfeitamente identificados e para os quais se definem, no sistema, os regimes próprios. Anotese de imediato: nenhum deles significa privilégio. Esse, ainda que rotulado com o nome de qualquer daqueles, não se compatibiliza com o direito constitucional republicano em vigor. Subsídio é a contraprestação pecuniária relativa a cargo público, instituída por lei para os agentes públicos constitucionalmente definidos (art. 37, incs. X e XI e art. 39, § 4º), pelo qual se fixa o pagamento único devido, mensalmente, pelo desempenho das funções estatuídas. Benefício é o direito legalmente conferido a alguém e que se expressa em pecúnia, como um acréscimo ao patrimônio jurídico do agente público ou de cidadão que faça jus ao bem (assim é que se refere a um benefício acrescido em valor incluído na remuneração do agente público ou, por exemplo, a benefício previdenciário). Vantagem é o direito conferido legalmente a alguém e que se expressa em proveito que pode ser representado, ou não, em pecúnia, sendo um plus ao que percebe o agente público como vencimento. Assim, férias, licenças, acréscimos remuneratórios decorrentes de condições pessoais, como o tempo de provimento e exercício das funções inerentes a um cargo ou a superior produtividade no seu desempenho, dentre outros critérios, podem ensejar a concessão legal de vantagens às quais faz jus o servidor público, nos casos e condições previstas legalmente. Provento é o estipêndio percebido pelo aposentado – seja do setor público ou não como referência pecuniária do que lhe é devido pelo sistema de seguridade social público ou privado. Pensão é o valor pago aos dependentes após a morte do segurado, nas condições previstas em lei ou em contrato específico. 6. O pagamento definido como devido a exgovernador sul matogrossense não configura qualquer daqueles institutos. O que sob o rótulo normativo se apelidou subsídio, subsídio não é. No direito, como se sabe, o nome não transforma a realidade sob a qual ele se encobre. Também não se tem ali uma pensão de Fl. 105DF CARF MF 6 graça, como insiste em afirmar a Assembléia Legislativa sul matogrossense, porque pensão, no sistema jurídico vigente, não se confunde com graça, somente podendo ocorrer nos casos e condições legalmente previstos. O de que ali se cuida é de um pagamento estadual singular, instituído como uma graça com recursos públicos, conforme anotado pela Assembléia Legislativa, para exgovernador que atenda às exigências afirmadas nos §§ 1º a 3º do art. 29A, introduzido na Constituição do Estado pela Emenda Constitucional n. 35/2006. Tratase de uma regalia, uma dádiva, uma recompensa vitalícia, um proveito pecuniário de natureza permanente, instituído não como um benefício, mas como uma benesse ou um favor conferido a quem tenha se desinvestido do cargo de Governador do Estado, após ter desempenhado o mandato completo. (...) A não tributação dos valores recebidos a título de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portadores de doenças graves, encontrase expressa nos incisos XXXI e XXXIII do artigo 39 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), abaixo transcritos:. “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...). XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...). No mesmo sentido, dispõe a Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A expressão "previdência" tem seu significado vinculado ao ato de prever. É uma precaução ou a cautela em relação a algo futuro que não se deseja. Nesta esteira, a Previdência Social é uma seguro para o qual o trabalhador contribui com o objetivo de, no Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10384.002952/201034 Acórdão n.º 2201003.646 S2C2T1 Fl. 104 7 futuro, ter garantido um benefício financeiro que permita sua subsistência (aposentadoria ou reforma) ou de seus dependentes (pensão), quando o peso da idade já não mais lhe permitir o mesmo desempenho laboral ou no caso de sua morte. Não há que se igualar o benefício em tela com um benefício previdenciário, este sim alcançado pela norma isentiva, que tem o claro propósito de amenizar a carga tributária dos beneficiários de aposentadorias e pensões quando acometidos por moléstias graves, de forma a aumentar sua disponibilidade financeira para custear o tratamento. O favor concedido pelo Estado do Piauí ao seu exgovernador não tem caráter previdenciário e, como bem pontuado pela decisão a quo decorre de mera liberalidade do ente federado. Ademais, o fato do numerário ser pago pelo Instituto de Assistência e Previdência do Estado, que o registra em seus sistemas em rubrica própria de pensionistas, não muda a natureza do rendimento. Nas palavras da Sra. Ministra Carmem Lúcia, estamos diante de "uma regalia, uma dádiva, uma recompensa vitalícia, um proveito pecuniário de natureza permanente, instituído não como um benefício, mas como uma benesse ou um favor conferido a quem tenha se desinvestido do cargo de Governador do Estado" Portanto, o benefício em tela não decorre de um ato de previdência do seu beneficiário, mas apenas de uma espécie de regalia que em nada se relaciona com a natureza previdenciária necessária ao reconhecimento da isenção pleiteada. Quanto aos rendimentos recebidos da Câmara de Deputados, é incontroverso que se tratam de valores pagos pelo exercício de mandato, para o qual o recorrente foi eleito em 2006. Assim, menos dúvidas ainda pairam sobre sua natureza tributável. Desta forma, considerando a limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66 ( CTN), pela qual se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, entendo que não há reparos a serem feitos na Decisão de 1ª Instância, tampouco no lançamento levado a termo pela autoridade lançadora. Conclusão Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento, mantendo integralmente a exigência. Não obstante, sugerese à unidade responsável pela administração do tributo, o tratamento segregado do pedido de restituição dos valores do IR retido na fonte incidente sobre os rendimento de 13º salário recebido da REFER. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 107DF CARF MF 8 Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720941/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. PRECLUSÃO. Constatada a omissão de receitas, a base de cálculo do imposto deve ser o valor da receita omitida adicionada ao resultado devidamente apurado (lucro real) constante da escrituração, haja vista que os custos e despesas correspondentes só poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, por meio de escrituração feita com observância das normas da legislação comercial e fiscal. Não há que se considerar outras despesas além daquelas já incluídas no resultado apurado pela contribuinte, salvo comprovação com base em documentação hábil e idônea, o que não ocorreu. O balancete apresentado reporta a existência de prejuízo contábil, mas não há nos autos informação sobre se a empresa apurou ou não prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Ausência de efeitos infringentes.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 1401-001.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para integrar o acórdão recorrido, sanando a omissão apontada.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Jose Roberto Adelino da Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente, justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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OMISSÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. PRECLUSÃO. Constatada a omissão de receitas, a base de cálculo do imposto deve ser o valor da receita omitida adicionada ao resultado devidamente apurado (lucro real) constante da escrituração, haja vista que os custos e despesas correspondentes só poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, por meio de escrituração feita com observância das normas da legislação comercial e fiscal. Não há que se considerar outras despesas além daquelas já incluídas no resultado apurado pela contribuinte, salvo comprovação com base em documentação hábil e idônea, o que não ocorreu. O balancete apresentado reporta a existência de prejuízo contábil, mas não há nos autos informação sobre se a empresa apurou ou não prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Ausência de efeitos infringentes. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para integrar o acórdão recorrido, sanando a omissão apontada. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 09 41 /2 01 3- 83 Fl. 3158DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Jose Roberto Adelino da Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente, justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do acórdão 1401001.737. Alega a embargante que esta Turma incorreu em omissão de ponto sobre o qual deveria haver se pronunciado, conforme trechos de seus embargos a seguir reproduzidos: E para bem delimitar essa constatação, convém apontar que em sede de recurso voluntário, argumentou o Embargante que a d. autoridade autuante não teria agido com o seu costumeiro acerto ao adotar uma INDEVIDA FORMA DE APURAÇÃO dos tributos que constituiu. E essa indevida forma de apuração, ASSENTOUSE EM 2 FRENTES DISTINTAS DE DEFESA, sendo uma vinculada a tese do arbitramento, em razão da suposta vultosa omissão de receita, e soberanamente rejeitada pelos argumentos explanados por este r. Conselheiro, e os quais não cabe discussão neste momento, pela estreita via dos embargos. A outra frente argumentativa, e que abriu o tópico 3.2 do RV, justamente pela sua maior importância, diz respeito ao próprio LUCRO REAL que, indiscutivelmente, também não foi observado no caso, na medida em que houve apenas tributação integral da receita omitida, conforme expressamente consta do demonstrativo de apuração de IRPJ e CSLL de fls retro, sem, portanto, observância do resultado dos períodos do ano calendário de 2009. Para que não paire dúvidas, vejamos o que se aventou no item 3.2 do RV: "Nesse sentido, e apenas em vista do princípio da eventualidade, importa pontuar que o que se argumentou foi justamente o fato de que ao apurar a omissão de receita em tela, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento não se preocupou em verificar o resultado tributável dos respectivos períodos, exacionando integralmente a receita supostamente omitida. Sem dúvida que a tributação integral das indigitadas receitas, sem ao menos considerar os resultados dos trimestres apurados conduz, de fato, a uma situação pouco condizente com a própria capacidade contributiva do Autuado, assim como em Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 13227.720941/201383 Acórdão n.º 1401001.888 S1C4T1 Fl. 3.159 3 nada se coaduna com o regime de tributação por ele eleito, qual seja: o lucro real. Sem embargos e como restou lembrado em defesa, o art. 288 do RIR, determina que uma vez verificada omissão de receita, os tributos correspondentes deverão ser apurados pela fiscalização com fiel observância do regime de tributação a que o Contribuinte estiver submetido, em razão da sua anterior eleição. Por seu turno, o art. 247 do mesmo RIR, na esteira do que prescreve o art. 6o do DecLei n° 1.598/77, diz que o lucro real é caracterizado pelo lucro liquido do exercício, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária, o que implica dizer que a opção pelo lucro real não justifica nem autoriza a tributação integral da receita bruta alcançada pela empresa, mas apenas do resultado líquido levandose em conta ainda os acréscimos e decréscimos previstos nas normas tributárias atinentes à matéria. De se notar nesse ponto, que mesmo reconhecendo o acerto da afirmação do Contribuinte no sentido de que a omissão de receita não pode ser tributada sem levar em consideração o resultado apurado, a Turma Recorrida, sabese lá porque razão, manteve o frágil lançamento, sem sequer observar que o seu autor não observou o resultado do período, e sim apenas tributou integralmente o valor que encontrou. Ora, não pode haver observância de tributação de resultado, especialmente onde há prejuízo nos períodos (vide balancetes anexos), se a omissão de receita restou exacionada em seu inteiro teor. Observar o regime de tributação, apenas para nos restringir aos próprios termos do Acórdão, seria adicionar o valor da receita omitida ao resultado apurado na escrituração, E ISSO NÃO FOI FEITO. Daí porque se argumentou que o auto de infração ora guerreado peca por adotar forma de apuração distinta do regime tributário eleito pelo Recorrente, fazendo com que a tributação aqui produzida se desse não pelo seu resultado, como legitimamente elegeu, e sim pelo faturamento bruto, em flagrante ofensa ao art. 288 do RIR e do art. 24, § 2, da Lei n. 9.249/95. Sem embargos, estaria correta a autoridade fiscal se, e somente se, cuidase ela de apurar o resultado escriturado e a ele adicionar a suposta omissão de receita. Contudo, não foi esse o procedimento adotado, já que SE OPTOU POR IGNORAR O REGIME DE TRIBUTAÇÃO D DECRETO DE CANCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO AQUI LANÇADO, O QUE FICA DESDE JÁ REQUERIDO." Veja Sr. Julgador, que o Recurso expressamente aponta que a d. autoridade autuante, ao lavrar o seu auto de infração, não teria sequer e também observado o regime de tributação eleito pelo Contribuinte (LUCRO REAL), tributando integralmente a pretensa omissão de receita, ou seja, não foi exercida qualquer Fl. 3160DF CARF MF 4 opção pelo autor do lançamento: seja do lucro real, seja do arbitramento, fazendo incidir IR e CSLL sobre uma base injurídica (integral omissão apontada). Frisese aqui, dessa forma, que os anexos da fiscalização demonstram que a pretensa omissão de receita sofreu a incidência dos respectivos tributos de forma integral, e não adicionandoa (omissão de receita), como seria correto, ao lucro real dos respectivos períodos que, aliás, foi apresentado pelo contribuinte através dos balancetes do anocalendário. A bem da verdade, a alegação foi no sentido de que o Sr. Fiscal não fez sequer a apuração do lucro real, mediante a inclusão, na respectiva base de cálculo, da omissão de receita que acusava, fazendo com que o resultado se trasmudasse em receita bruta ou faturamento, pura e simplesmente. Ocorre, contudo, que ao apreciar o item 3.2 do RV, o r. Acórdão aqui sob embargo centrou seu pronunciamento na exclusiva tese do arbitramento, deixando ao largo de verificar e se manifestar, ainda que fosse para rejeitar, que a peça recursal então em julgamento, trouxe ao colegiado também o argumento de que nem mesmo o LUCRO REAL restou observado pela autoridade fiscal, o que imporia o cancelamento do auto. Nesse sentido, o Acórdão em foco, mais uma vez pedindo vênia pela afirmação, nada disse sobre a arguição de inobservância do próprio lucro real pela fiscalização, sendo que SOB ESSE PONTO DE VISTA O ACÓRDÃO ORA EMBARGADO NÃO SE PRONUNCIOU, omissão essa a ensejar e legitimar a medida recursal em tela. Os embargos foram admitidos por meio do despacho de fls. 31533156. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Conforme despacho de fls. 31533156, os embargos de declaração preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Alega a embargante que o acórdão embargado deixou de se pronunciar sobre a alegação constante do item 3.2 do recurso voluntário, qual seja, a de que a autoridade fiscal realizou o lançamento de omissão de receitas sem observância das regras atinentes ao lucro real, pois limitouse a tributar as receitas tidas por omitidas, deixando de computar os prejuízos reportados nos balancetes anexos à peça recursal. Dando um passo atrás, o lançamento ora questionado visou à cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre o valor das notas fiscais emitidas pela empresa no período Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 13227.720941/201383 Acórdão n.º 1401001.888 S1C4T1 Fl. 3.160 5 de janeiro a dezembro de 2009 que não teriam sido contabilizadas na conta “Receita”, acrescido de multa de 75% e juros Selic. Na apuração dos tributos devidos, a autoridade autuante incluiu o valor das receitas omitidas no lucro real e na base de cálculo da CSLL, considerando tal base de cálculo como tendo o valor zero, e considerando também a inexistência de prejuízos acumulados e do exercício, conforme trechos do auto de infração abaixo: IRPJ fl. 417: CSLL – fl. 424: Fl. 3162DF CARF MF 6 O balancete anexado à peça recursal reporta a existência de prejuízo contábil no anocalendário de 2009, mas não há nos autos informação sobre se a empresa apurou ou não prejuízo fiscal nem base negativa de CSLL. De fato, a análise da impugnação apresentada revela que o argumento acerca da incorreção na base de cálculo dos tributos sequer foi aventado por ocasião da apresentação desta peça, tendo ocorrido apenas em sede de manifestação da contribuinte acerca do resultado da conversão do julgamento em diligência. Não obstante tal circunstância, no acórdão 1459.062 a DRJ se manifestou sobre o que entendeu ter sido tal alegação, nos seguintes termos: “No presente caso em que a contribuinte foi tributada pelo lucro real e foi apurada omissão de receitas, a base de cálculo do imposto deve ser o valor da receita omitida adicionada ao resultado devidamente apurado (lucro real) constante da escrituração, haja vista que os custos e despesas correspondentes só poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, por meio de escrituração feita com observância das normas da legislação comercial e fiscal. Não há que se considerar outras despesas além daquelas já incluídas no resultado apurado pela contribuinte, salvo comprovação com base em documentação hábil e idônea de tais despesas, o que não ocorreu”. Em meu entendimento, não há sequer contraditório instaurado quanto ao ponto ora objeto dos presentes embargos de declaração, visto que o argumento não foi contestado no momento oportuno que é o da apresentação da peça impugnatória. Não obstante a preclusão, a contribuinte também não comprova o que pretende alegar ou seja, não comprova que teve prejuízos fiscais e base negativa de CSLL passíveis de compensação no auto de infração ora combatido – de modo que de qualquer maneira o argumento não prospera. Fl. 3163DF CARF MF Processo nº 13227.720941/201383 Acórdão n.º 1401001.888 S1C4T1 Fl. 3.161 7 Desse modo, acolho os presentes embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para integrar o acórdão recorrido sanando a omissão apontada, por estar correta a base de cálculo do lançamento, diante das provas dos autos. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 3164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.000411/99-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO E OMISSÃO. RECONHECIMENTO. SANEAMENTO. PERÍODO DO INDÉBITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE E CORREÇÃO MONETÁRIA. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. ACOLHIMENTO.
1. O Recorrente obteve decisão deste Colegiado lhe conferindo o direito de restituir a contribuição para o FINSOCIAL, referente ao recolhimentos que fizera sob as alíquotas superiores a 0,5% declaradas inconstitucionais pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.
2. Logrou ainda que sua restituição abrangesse o prazo decadencial de 10 (dez), contado da ocorrência do fato gerador, de acordo coma chamada tese dos "cinco mais cinco", vez que seu pedido de restituição fora feito antes de 9 de junho de 2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, a qual instituiu o prazo de 5 (cinco) anos para repetir o indébito.
3.Embargos declaratórios opostos pelo contribuinte para suprir erro e omissão do Colegiado quanto ao período do indébito e a inclusão dos expurgos inflacionários, vez que objeto de sua causa de pedir e pedido, desde o início do pleito.
4. Aclaratórios que merecem acolhimento.
Numero da decisão: 3401-003.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foram acolhidos os embargos, para reconhecer o período de restituição do indébito como sendo de setembro de 1989 a março de 1992, e que sobre ele incidam os expurgos inflacionários, nos moldes da Resolução no 561, do Conselho da Justiça Federal.
ROSALDO TREVISAN Presidente.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO E OMISSÃO. RECONHECIMENTO. SANEAMENTO. PERÍODO DO INDÉBITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE E CORREÇÃO MONETÁRIA. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. ACOLHIMENTO. 1. O Recorrente obteve decisão deste Colegiado lhe conferindo o direito de restituir a contribuição para o FINSOCIAL, referente ao recolhimentos que fizera sob as alíquotas superiores a 0,5% declaradas inconstitucionais pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. 2. Logrou ainda que sua restituição abrangesse o prazo decadencial de 10 (dez), contado da ocorrência do fato gerador, de acordo coma chamada tese dos "cinco mais cinco", vez que seu pedido de restituição fora feito antes de 9 de junho de 2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, a qual instituiu o prazo de 5 (cinco) anos para repetir o indébito. 3.Embargos declaratórios opostos pelo contribuinte para suprir erro e omissão do Colegiado quanto ao período do indébito e a inclusão dos expurgos inflacionários, vez que objeto de sua causa de pedir e pedido, desde o início do pleito. 4. Aclaratórios que merecem acolhimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foram acolhidos os embargos, para reconhecer o período de restituição do indébito como sendo de setembro de 1989 a março de 1992, e que sobre ele incidam os expurgos inflacionários, nos moldes da Resolução no 561, do Conselho da Justiça Federal. ROSALDO TREVISAN Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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DE OLEOGINOSAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO E OMISSÃO. RECONHECIMENTO. SANEAMENTO. PERÍODO DO INDÉBITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE E CORREÇÃO MONETÁRIA. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. ACOLHIMENTO. 1. O Recorrente obteve decisão deste Colegiado lhe conferindo o direito de restituir a contribuição para o FINSOCIAL, referente ao recolhimentos que fizera sob as alíquotas superiores a 0,5% declaradas inconstitucionais pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. 2. Logrou ainda que sua restituição abrangesse o prazo decadencial de 10 (dez), contado da ocorrência do fato gerador, de acordo coma chamada tese dos "cinco mais cinco", vez que seu pedido de restituição fora feito antes de 9 de junho de 2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, a qual instituiu o prazo de 5 (cinco) anos para repetir o indébito. 3.Embargos declaratórios opostos pelo contribuinte para suprir erro e omissão do Colegiado quanto ao período do indébito e a inclusão dos expurgos inflacionários, vez que objeto de sua causa de pedir e pedido, desde o início do pleito. 4. Aclaratórios que merecem acolhimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foram acolhidos os embargos, para reconhecer o período de restituição do indébito como sendo de setembro de 1989 a março de 1992, e que sobre ele incidam os expurgos inflacionários, nos moldes da Resolução no 561, do Conselho da Justiça Federal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 04 11 /9 9- 54 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10280.000411/9954 Acórdão n.º 3401003.500 S3C4T1 Fl. 303 2 ROSALDO TREVISAN – Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, requerendo que o erro e omissão apontados sejam corrigidos no r. acórdão deste Colegiado, no qual deu o direito à restituição da contribuição para o FINSOCIAL, recolhida sob as alíquotas majoradas a 0,5% sobre o faturamento, julgadas inconstitucionais pelo C. STF, e ainda, lhe concedeu o direito de repetir o indébito com a contagem de prazo decenal, vez que seu pedido de restituição fora feito antes de 09/06/2005, época em que entrou em vigor o prazo de 5 (cinco) anos, instituído pela Lei Complementar 118/2005. O contribuinteembargante, em primeiro, apontou erro, entendendo que havia pedido de restituição é de setembro de 1989 até março de 1992 e não o apontado no r. acórdão, qual seja, outubro de 1991 a março de 1992. Em segundo, aduziu que houve omissão do julgado, pois, para este período deve incidir os expurgos inflacionários pacificados pelo Judiciário, vindo a juntar acórdãos da CSRF (0201.713, 03.04.108) e do CARF 30238553, 30238.196, 30333594, 10195745, 30333174, 30333051, 30332947, 30332948 e 30130691. É o suficiente relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos Merecem ser acolhidos os presentes declaratórios pelos 2 (dois) motivos articulados pelo Embargante. Às fls 3548, o contribuinteembargante instrui seu pedido de restituição, comprovando o recolhimento da contribuição para o FINSOCIAL, de 09/89 a 12/89, (fl. 39), 01 e 02/90 (fl. 40), 03/90 e 04/90(fl. 41), 05/90 a 07/90 (fl. 42), 07/90 a 09/90 (fl. 43), 10/90 a 12/90 (fl. 44), 01/91 e 02/91 (fl. 45), 03/91 a 05/91 (fl. 46), 06/91 e 07/91 (fl. 47), 08/91 e 03/92 (fl. 48). Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10280.000411/9954 Acórdão n.º 3401003.500 S3C4T1 Fl. 304 3 Já às fls. 7583, em sua manifestação de inconformidade, teceu considerações sobre a necessidade da incidência dos expurgos inflacionários sobre seus créditos, oportunidade em que colacionou jurisprudência da CSRF (0201.713, 0304.108) e do CARF 30238553, 30333895, 30238196, 30333594, 10195745, 30333174, 30333051, 303 32947, 30332948 e 30130691, sendo corroborado na alínea "a", do seu pedido contido à fl. 85, o que fora ratificado no seu recurso voluntário (fls. 132141 e fl. 143, respectivamente). À fl. 166, o d. relator consignou: "De acordo com o exposto precedentemente, os presentes autos tratam apenas do Pedido de Restituição de fl. 35. Nele a Interessada requereu a devolução das parcelas da Contribuição ao Finsocial dos meses de outubro de 1991 a março de 1992, recolhidas indevidamente, ou seja, com base em alíquota superior a 0,5%." (grifei). No acórdão, à fl. 170v, ainda ficou registrado: "Com efeito, consoante fazem prova a Planilha de fls. 37/38 e os Darf de fls. 39/48, os quais foram declarados autênticos no Despacho de fls. 50, a Interessada recolheu a Contribuição ao Finsocial dos meses de setembro de 1989 a março de 1992 com alíquota superior 0,5%, portanto, faz jus a restituição das quantias em excesso recolhidas indevidamente em relação aos fatos geradores ocorridos no citado período. (grifei) Os valores dos indébitos calculados segundo a forma retroestabelecida deverão ser atualizados pelos os índices consolidados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27 de junho de 1997, e acrescido da variação da taxa Selic, a partir de 01/01/1996, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. (...) b) na parte conhecida, DAR PROVIMENTO ao presente Recurso, para reconhecer o direito da Recorrente a restituição das parcelas indevidas da Contribuição ao Finsocial dos meses de setembro de 1989 a março de 1992, recolhidas acima do percentual de 0,5%, devendo os indébitos apurados serem atualizados pelos os índices consolidados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27 de junho 1997, e acrescido da variação da taxa Selic, a partir de 01/01/1996." (grifei) Quanto ao primeiro argumento apontado em seus declaratórios, pelo que se vê houve um erro no tocante aos meses objeto do pedido de restituição, especialmente no tocante ao confronto do que consta na fl. 166 outubro de 1991 a março de 1992 com o contido na fl. 170v setembro de 1989 a março de 1992 , porém, deve prevalecer o que consta na alínea "b" da conclusão do voto do e. relator (fl. 170v), o qual conferiu o direito de o contribuinte restituir as competências de setembro de 1989 a março de 1992, vez que se Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10280.000411/9954 Acórdão n.º 3401003.500 S3C4T1 Fl. 305 4 percebe, com clareza, esta fora a intenção do julgador, o qual em 4 (quatro) parágrafos seguidos que trataram do tema, em 2 (dois) disse que os meses da repetição são de setembro de 1989 a março de 1992, o que também atende ao pedido da Embargante e não fora questionado ou derruído na marcha do processo. Quanto ao segundo ponto dos aclaratórios, no que toca à incidência dos expurgos inflacionários, tenho que também assiste razão à Embargante, vez que esta, em sua manifestação de inconformidade fez tal pedido como se viu acima, o mesmo sendo feito em sede de seu recurso voluntário, ou seja, nas duas oportunidades mais solenes manifestação de inconformidade e recurso voluntário , formulou causa de pedir e pedido, expressos sobre o assunto. Por outro lado, embora o contribuinte tenha feito este pedido, o r. acórdão em nada se manifestou sobre a incidência ou não destes expurgos, apenas se restringiu em decidir: "Os valores dos indébitos calculados segundo a forma retroestabelecida deverão ser atualizados pelos os índices consolidados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27 de junho de 1997, e acrescido da variação da taxa Selic, a partir de 01/01/1996, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995." Acrescento que, se a decisão não admitisse os expurgos inflacionários, deveria ter consignado tal posição. Como isto não fora feito, tenho que fora omissa, necessitando por meio dos presentes aclaratórios que tal pedido seja decidido. A jurisprudência deste E. Tribunal, como citado pelo contribuinte embargante, entende que hão de incidir nos indébitos tributários os expurgos inflacionários e acrescento: "RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Nos pedidos de restituição/compensação em procedimento pela via administrativa, deve incidir os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive com base no art. 62, §2º do RICARF, haja vista que tal Resolução está em sintonia com entendimento exarado pelo STJ no REsp 1.112.524/DF, julgado sob o rito de recurso representativo de controvérsia. Recurso voluntário provido. (Ac 3402003.850) No mesmo sentido, dentre tantos, os precedentes nos acórdãos 9303004.351 e 9303004.202. Sem maiores ilações, vez que o assunto está resolvido, consigno que o Poder Judiciário pacificou o entendimento de que na repetição do indébito, a correção monetária será calculada de acordo com os índices para os Cálculos da Justiça Federal, nos termos da Resolução 561, do Conselho da Justiça Federal (AgRg no RESP 935594/SP, DJ 23.04.2008; EDcl no REsp 773.265/SP, DJ 21.05.2008 e EREsp 912.359/MG, DJ 03.12.2007), redundando, Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10280.000411/9954 Acórdão n.º 3401003.500 S3C4T1 Fl. 306 5 inclusive, no Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601/2008, o qual dispensou de interpor recursos nas ações que requeiram a inclusão dos índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários, e ainda, que a PGFN, por meio do Ato Declaratório 10/2008, declarou o cabimento da aplicação dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução 561/2007. Tendo em vista que o caso concreto congrega o período de restituição de setembro de 1989 a março de 1992, voto no sentido de incidir os índices dos expurgo inflacionários, de acordo com a fundamentação, cujos índices são de 42,72% (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (mai/90) e 21,87% (fev/91). Dispositivo Diante do exposto, voto por conhecer e dar provimento aos presentes embargos de declaração, para reconhecer o período de restituição do indébito como sendo de setembro de 1989 a março de 1992, e que sobre ele incidam os expurgos inflacionários, nos moldes da Resolução no 561, do Conselho da Justiça Federal. André Henrique Lemos Relator Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16537.001116/2011-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/04/2000
VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA.
Em se verificando a existência de vício na aplicação da regra matriz de incidência, trata-se de vício de natureza material, não podendo subsistir o lançamento efetuado.
Numero da decisão: 9202-005.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à natureza do vício existente no lançamento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 30/04/2000 VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA. Em se verificando a existência de vício na aplicação da regra matriz de incidência, trata-se de vício de natureza material, não podendo subsistir o lançamento efetuado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à natureza do vício existente no lançamento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 30/04/2000 VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA. Em se verificando a existência de vício na aplicação da regra matriz de incidência, tratase de vício de natureza material, não podendo subsistir o lançamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à natureza do vício existente no lançamento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 11 16 /2 01 1- 17 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 303 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2302002.487, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de maio de 2013 (efls. 199 a 218). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Período de apuração: 01/07/1998 a 30/04/2000 Ementa: DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. ENQUADRAMENTO SEGURADO EMPREGADO SUBORDINAÇÃO E NÃOEVENTUALIDADE. A caracterização de segurados como empregados pela fiscalização está condicionada à plena demonstração pela auditoria fiscal dos pressupostos da relação de emprego.A falta da evidenciação do fato gerador implica na nulidade do lançamento por vício material. SALÁRIOEDUCAÇÃO DECRETOLEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao SalárioEducação veiculado pelo DecretoLei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) SEBRAE A contribuição ao SEBRAE é um adicional sobre as destinadas ao SESI/SENAI, devendo ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. LEGALIDADE PRESUNÇÂO DE CONSTITUCIONALIDADE Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. A lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 304 3 vez que são complementares e não essenciais na fixação da exação. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura e dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, devendo ser excluídos do lançamento os valores relativos à caracterização de segurados contribuintes individuais como empregados, pela falta de evidenciação do fato gerador, o que implica na nulidade do lançamento por vício material, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Enviados em 12/06/2013 os autos à Fazenda Nacional para ciência (efl. 219), a PGFN apresentou, em 22/07/2013 (efl. 250), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 220 a 249). Após pugnar pela tempestividade do pleito, alega a Fazenda Nacional divergência passível de apreciação por esta Turma em duas diferentes matérias, a saber: a) Quanto à inexistência de nulidade no auto de infração: Alega, inicialmente, a recorrente divergência em relação ao decidido, em 10/09/2007, pela 1a. Turma da Câmara de Recursos Fiscais, através do Acórdão CSRF/01 05.716, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão CSRF0105.716 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 305 4 NORMAS PROCESSUAIS – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – ATO MERAMENTE IRREGULAR Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a “motivação” feita pela autoridade administrativa que integra a “formalização” do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO O princípio do contraditório se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalida a decisão administrativa proferida em desobediência ao ditame constitucional do contraditório. Recurso especial provido. Decisão: DAR provimento ao recurso especial, para afastar a nulidade do auto de infração e declarar a nulidade dos atos processuais a partir da decisão de primeira instancia, inclusive, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Quanto a este primeiro paradigma, alega a recorrente que ali resta consignada a tese de que a nulidade somente deve ser declarada se restar comprovado o prejuízo, no caso concreto, para o exercício do direito de defesa do contribuinte, devendo esse exame ser realizado mediante a análise das peças de defesa acostadas aos autos. Também destaca que a deficiência no pressuposto da motivação é sanável e não enseja a nulidade do lançamento, ainda mais sob a pecha de vício material. Isso porque a motivação diz respeito à formalização do lançamento, à exteriorização desse ato administrativo. Entende que fica clara a divergência entre o acórdão recorrido e paradigma. Muito embora o acórdão recorrido tenha entendido pela ocorrência da nulidade, pois entendeu pela caracterização insuficiente do vínculo empregatício, vêse, conforme o conceito dado pelo paradigma, que esse conceito de “motivo do ato” é diverso. O paradigma esclarece que “Para o ato de lançamento, por exemplo, o motivo é a ocorrência do fato gerador do tributo e a norma jurídica que autorizam a exigência”. A decisão recorrida assenta, por outro lado, que o agente fiscal não delineou a motivação fática do fato gerador da obrigação principal. Vejase que esse entendimento fica claro, pois em nenhum momento o Colegiado a quo assentou não ter ocorrido o fato gerador. Entende que, em nenhum momento, o acórdão recorrido refutou a existência do motivo do lançamento, mas apenas sua motivação. Isto é, em nenhum momento afirmou que os segurados não eram empregados, mas apenas que, pela descrição supostamente Fl. 305DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 306 5 defeituosa, inexistente e/ou precária realizada pela fiscalização não era possível “concluir acerca da configuração da relação de emprego por ventura existente”. Assim, defendendo a similitude fática para este primeiro paradigma, conclui que, nos próprios termos da decisão guerreada, fica claro que houve falha na motivação, segundo o conceito dado pelo paradigma, e não no motivo do ato. Assim, ainda segundo a inteligência do paradigma, os vícios de formalização podem ser convalidados com a prática de novo ato e se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o tome inaceitável, ele deve permanecer válido. Ainda segundo o mesmo paradigma, em sentido diametralmente oposto à decisão recorrida, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito à ampla defesa, se o contribuinte compreende os termos do lançamento, passando a defenderse da acusação formulada. Ainda quanto a esta matéria, apresenta a recorrente um segundo paradigma caracterizador, em seu entendimento, de divergência interpretativa, a saber Acórdão no. 104 17.279, de lavra da 4a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: Acórdão 10417.279 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL POR VÍCIO FORMAL O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). DECADÊNCIA A Fazenda Nacional decai do direito de proceder a novo lançamento ou a lançamento suplementar, após cinco anos, contados da notificação do lançamento primitivo ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data. IRPF GASTOS/APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL BASE DE CÁLCULO PERÍODO BASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindose, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurada com base em sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não lograr comprovar a origem dos recursos despendidos. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 307 6 IRPF CUSTO DE CONSTRUÇÃO ARBITRAMENTO COM BASE NA TABELA DO SINDUSCON Aplicase a tabela do SINDUSCON ao arbitramento do custo de construção de edificações quando o contribuinte não declara a totalidade do valor despendido em construção própria, limitandose a comprovar com documentos hábeis apenas uma parcela dos custos efetivamente realizados, em montante incompatível com a área construída. IRPF ARBITRAMENTO DE IMÓVEL COM BASE NO ITBI DOCUMENTO PÚBLICO VALIDADE DA PROVA Só não prevalecerá para os efeitos fiscais a data, forma e valor da alienação constante da Escritura Pública de Compra e Venda, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual deste não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deuse de outra forma. Assim, a Escritura Pública de Compra e Venda faz prova bastante da aquisição de imóvel. O simples arbitramento, com base no ITBI, desacompanhado de prova material, não tem o condão de sobrepujar o que foi contratado diante de tabelião juramentado. VIGÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA Por força do disposto no artigo 101 do CTN e no § 4 do artigo 1 da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária TRD poderá ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991 quando entrou em vigor a Lei n.º 8.218/91. Acórdão reratificado. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Decisão: Por unanimidade de votos, RERATIFICAR o Acórdão n. 10417.078, de 08 de junho de 1989, para REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência fiscal a importância de Cr$ 12.000.000,00 relativa a março de 1991, bem como excluir a incidência da TRD anterior a agosto de 1991. Quanto ao segundo paradigma apresentado, também sustenta ter ficado demonstrado que ambos os acórdãos citados (recorrido e paradigma) dão, em face de uma mesma situação fática, interpretações distintas da legislação tributária. Enquanto o primeiro defende que a ausência de descrição completa do fato gerador no auto de infração implica a sua nulidade por cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mesmo tendo o contribuinte enfrentado todos os pontos apurados pela autoridade fiscal, o segundo entende que não. O acórdão paradigma ressalta que tal ausência é um vício formal passível de ser superado. Alega a Fazenda Nacional que, no caso presente, o contribuinte não demonstrou qualquer falta de conhecimento sobre os fatos que ensejaram o lançamento. Ao revés, defendeu que os segurados enquadrados como empregados pela fiscalização na verdade prestariam serviços de caráter autônomo, ou seja, da locação de serviços regulada pela lei civil, sendo que alguns inclusive exerceriam atividade regulada por entidade de categoria profissional específica, não se fazendo presente o vínculo permanente de subordinação, dentre outros argumentos. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 308 7 Logo, entende a Fazenda Nacional não ter restado configurado o efetivo e concreto prejuízo à defesa, nos termos definidos pelos paradigmas, sendo inquestionável, assim, a caracteriza a caracterização da divergência. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda em sua demanda quanto a esta primeira matéria que: a.1) Cita os artigos 59 e 60 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972 bem como o art. 10 do mesmo Decreto, para defender que, a partir de tais dispositivos, os quais entende obedecidos pelo procedimento fiscal em análise, depreendese como necessária para a validade do lançamento a descrição do fato de uma forma tal que não resulte em prejuízo à ampla defesa do contribuinte. Não há, ao que se vê, a exigência de que seja apresentada descrição minuciosa e pormenorizada das circunstâncias fáticas. Cita jurisprudência desta Câmara Superior, para defender que não se vislumbra, na situação fática sob analise, prejuízo à defesa do contribuinte, tendo o autuado demonstrado ter pleno conhecimento dos termos da autuação e dela se defendeu, não havendo, assim, qualquer vício no lançamento a ensejar sua improcedência ou nulidade; a.2) No caso em tela, a imputação é de que a pessoa jurídica se omitiu no dever de inscrever os segurados empregados no Regime Geral de Previdência Social, sendo que o relatório impugnado apresentou o nome de cada um deles e o período em que prestaram serviço à empresa sem que fossem inscritos. A pessoa jurídica compreendeu claramente o conteúdo do lançamento, tendo sustentado, muito embora sem produzir prova a respeito, que se tratavam de trabalhadores autônomos. Não houve, pois, prejuízo à ampla defesa. Violação haveria, por exemplo, se a fiscalização apontasse a existência de “dez empregados” sem a devida inscrição, impedindo que o contribuinte conhecesse a individualização de cada um deles e, portanto, os elementos indispensáveis para a compreensão do dever descumprido; a.3) Com efeito, o contribuinte não demonstrou qualquer falta de conhecimento sobre os fatos que ensejaram o lançamento. Ao revés, defendeu que os segurados enquadrados como empregados pela fiscalização na verdade prestariam serviços de caráter autônomo, ou seja, da locação de serviços regulada pela lei civil, sendo que alguns inclusive exerceriam atividade regulada por entidade de categoria profissional específica, não se fazendo presente o vínculo permanente de subordinação, dentre outros argumentos. a.4) O próprio voto condutor não chega a afirmar que os fatos geradores não ocorreram, sendo que quanto à forma, a lei só exige a descrição dos fatos, sem o adjetivo “minucioso”, seja porque tal exigência deve ser interpretada à luz do princípio que veda a decretação de nulidade sem prejuízo, não há que ser anulado o presente lançamento, por absoluta ausência de vício. Em conseqüência, por todos os motivos acima expostos, resta evidente a ausência de motivos a subsidiarem a declaração de nulidade por parte do órgão julgador, merecendo reforma no particular o aresto recorrido. b) Quanto à natureza do vício: Alega, inicialmente, a recorrente divergência em relação ao decidido, em 17/09/2002, pela 5a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, no Acórdão no. 105 13.892, de ementa e decisão a seguir transcritas: Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 309 8 Acórdão 10513.892 PROCESSO ADMINSITRATIVO FISCAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO NULIDADE O lançamento, por constituirse em um ato administrativo de formalização do crédito tributário, como previsto no art. 142 do CTN, Lei n° 5.172/66, c/c o art. 10 do PAF, Decreto n° 70.235/72, exigiu o legislador, obrigatoriamente, certos requisitos intrínsecos e extrínsecos, que são concorrentes e cumulativos à sua eficácia. A inobservância de tais exigibilidades concorre para a sua nulidade, mormente quando a descrição dos fatos motivadores da exação não contempla a totalidade das matérias nele consignadas, em atendimento ao princípio da unicidade do ato de lançamento. Decisão: Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar suscitada (de nulidade), para cancelar o lançamento, por constatação de vício formal na sua constituição, dando provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Verinaldo Henrique da Silva, que rejeitava a preliminar argüida. Quanto a este primeiro paradigma, alega a recorrente que o acórdão paradigma, ora trazido, ao analisar situação similar – ou seja, na qual se tratava da preliminar de nulidade por insuficiência na descrição dos fatos geradores –, entendeu que a incompleta descrição do fato gerador não gera a nulidade do lançamento por vício material, principalmente se o contribuinte impugnou o lançamento de forma minuciosa, inclusive acerca das questões de mérito (não só preliminares). Defende, assim, que os acórdãos citados (recorrido e paradigma) dão, em face de uma situação fática semelhante, interpretações distintas da legislação tributária. Enquanto o primeiro defende que a ausência de descrição completa do fato gerador no auto de infração implica a sua nulidade material por cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mesmo tendo o contribuinte enfrentado todos os pontos apurados pela autoridade fiscal, o segundo entende que não. O acórdão paradigma ressalta que tal ausência é um vício formal. Observase inclusive que o paradigma estriba sua conclusão no mesmo dispositivo citado pelo voto vencedor do acórdão recorrido: no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Ainda quanto a esta matéria, apresenta a recorrente um segundo paradigma caracterizador, em seu entendimento, de divergência interpretativa, a saber Acórdão no. 3403 00.269, de lavra da 3a. Turma da 4a. Câmara deste CARF, datado de 18/03/2010, in verbis: Acórdão 340300.269 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO. ERRO NA MOTIVAÇÃO DE SUA LAVRATURA. VICIO DE FORMA. CONFIGURAÇÃO. O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade), de tal maneira que os defeitos existentes na motivação de sua lavratura, quando não refletem a adequada razão de sua realização, configuram vício de forma por prejudicar o contraditório e a ampla defesa, impondo sua nulidade. Processo anulado ab initio. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 310 9 Decisão: por unanimidade de votos, em anular o processo ah initio, nos termos do voto do Relator. Quanto ao segundo paradigma apresentado, alega que ali também se observa uma imprecisão na descrição dos fatos geradores, tendo se entendido que o vício ensejador da nulidade teria índole formal. Logo, entende a Fazenda Nacional, assim, caracterizada a divergência interpretativa, também quanto a esta segunda matéria. Adicionalmente, quanto à natureza do vício, ressalta que: b.1) Em nenhum momento ficou reconhecida a ausência de motivo do lançamento, sendo que na hipótese em apreço, a ausência na descrição do fato gerador, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; b.2) Uma eventual ausência ou mesmo imprecisão na descrição completa do fato gerador não pode ser considerada como vício a macular todo o lançamento, devendo ser aplicado o princípio de conservação dos atos. A questão é que o fato gerador ocorreu, em que pese poderse considerar como não instruído ou mal instruído o respectivo Auto de Infração; b.3) Não houve qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo que, novamente destaquese, demonstrou pleno conhecimento dos motivos que levaram à autuação, exercendo o direito à ampla defesa em sua inteireza. Assim, incabível se falar em decretação de nulidade por cerceamento de defesa; b.4) Ainda, não há que se confundir falta de motivo com falta de fundamentação/motivação. A primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram. Já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato. Como já salientado, tratase de suposto vício decorrente da ausência ou imprecisão na descrição do fato gerador, que, em nada interferiu na configuração do crédito tributário (em todos os seus elementos). Isso porque, em momento algum se afirmou ou concluiu que o fato gerador da obrigação tributária não ocorreu. Logo, se se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tão somente na exteriorização do ato do lançamento. A propósito, cita jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF éque, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma. b.5) A decisão ora recorrida julgou improcedente o lançamento, porque entendeu que a hipótese fática do fato gerador da obrigação principal não foi devidamente delineada de forma clara e precisa nos autos, mas em nenhum momento afirmou a não ocorrência do fato gerador, ou seja, a ausência do motivo do lançamento. Na hipótese em apreço, a ausência de motivação, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 311 10 lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarsea afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; Assim, se se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tão somente na exteriorização do ato do lançamento, cabível a convalidação no mesmo, na forma do art. 55 da Lei no. 9.784, de 1999, que se harmoniza com os arts. 59 e 60 do Decreto no. 70.235, de 1972, já anteriormente citados. Conclui o pleito no sentido de que não houve o vício proclamado pela decisão recorrida e, se vício houve no lançamento, o que se admite apenas por amor ao debate, este seria de natureza formal a ensejar a nulidade do lançamento e não sua improcedência, citando ao final jurisprudência da Turma recorrida que encampa a tese de vício formal em situações similares de análise dos requisitos fáticojurídicos para a caracterização do vínculo de emprego. Assim, requer que seja conhecido o presente recurso e seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido restabelecendose o lançamento em sua integralidade, ou, alternativamente, seja considerado o vício como de natureza formal. O recurso foi regularmente admitido, consoante despachos de efls. 252 a 264. Encaminhados os autos ao contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 21/09/15 (efl. 269), esta apresentou contrarrazões de efl. 274 a 277, onde defende a manutenção da decisão recorrida, a partir de seus próprios fundamentos de efls. 204 a 208. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Todavia, quanto à existência de divergência interpretativa para ambas as matérias admitidas, discordo do exame de admissibilidade de efls. 252 a 264. Assim, analiso inicialmente o conhecimento do recurso em tópico próprio. 1. CONHECIMENTO Inicialmente, a propósito, entendo importante que se note a possibilidade de, na seara de análise da legalidade do lançamento tributário, existirem três diferentes ocorrências, independentes entre si e abordadas no corpo do pleito recursal fazendário, a saber: a) A falta de (completa) descrição do fato gerador no ato de exteriorização do lançamento (Auto de Infração AI); Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 312 11 b) A falta de (completa) descrição do(s) fato(s) que ensejou(aram) o lançamento exteriorizado através do mesmo AI, esta sim mencionada no art 10, III, do Decreto no. 70.235, de 1972, e que, notese, difere da mencionada no item "a", por não envolver necessidade de qualquer consideração adicional acerca de subsunção à hipótese de incidência, podendo, porém, obviamente, haver casos em que ambas as faltas ocorram simultaneamente, e, c) Finalmente, a conclusão acerca da ocorrência do fato gerador a partir dos elementos trazidos aos autos, sendo que conforme muito bem trazido pela Douta Procuradoria no âmbito do Acórdão no. 105137.757, é aqui, nesta seara, que, quando adotando a terminologia motivo/motivação utilizada pela doutrina e abraçada no âmbito daquele Acórdão, uma vez não se podendo concluir pela ocorrência do fato gerador, se está diante de falta de motivo (e não de motivação). No caso deste julgador, que adota doutrina e terminologia um tanto diversa em seus votos, se estaria nesta última hipótese, em vício na norma introduzida, visto que. nesta hipótese de impossibilidade de conclusão da ocorrência do fato gerador a partir dos elementos carreados aos autos, não se pode garantir, também, por consequência, a correta aplicação da regra matriz de incidência. De se notar, ainda, a propósito do acima desenvolvido, entender este julgador que: 1. É perfeitamente factível que se possa concluir pela ocorrência do fato gerador, a partir dos elementos carreados aos autos, ainda que insuficiente a descrição do referido fato gerador ou dos fatos que ensejaram o lançamento (como por exemplo ocorreria quanto ao critério espacial da hipótese de incidência, quando não se descreve o local onde ocorreram os fatos no AI, revelado, todavia, através de outros elementos probantes como sendo o território nacional e em se tratando, no lançamento, de hipótese de incidência de tributo federal); 2. Quando da análise da existência ou não da ocorrência do fato gerador, o necessário é que o julgador possua elementos mínimos nos autos para concluir acerca da correta aplicação da regra matriz de incidência à situação fática sob análise, não sendo necessário, todavia que o julgador se convença, como quer fazer crer a Procuradoria em determinados trechos de seu pleito, para fins de decretação de nulidade, acerca da inocorrência dos fatos geradores, o que levaria, em determinados casos, à necessidade de produção da denominada "prova diabólica". Entendo que, em não havendo elementos para que se conclua acerca da ocorrência do fato gerador, já restaria impossibilitada a conclusão acerca da correta aplicação da regramatriz de incidência, com a consequente conclusão de existência de mácula no lançamento. Feita tal digressão, atenhome agora ao recorrido e paradigmas para verificar a ocorrência de divergência interpretativa: a) Quanto ao recorrido: Com a devida vênia à recorrente, a leitura da decisão guerreada que faço é diversa daquela da recorrente. A partir dos excertos colacionados a seguir, em especial dos trechos aqui grifados, depreendo que o Colegiado recorrido não somente verificou existir a incompleta descrição dos fatos abrangidos no lançamento, mas, também, não se convenceu acerca da ocorrência do fato gerador objeto de autuação, em especial a partir da análise do Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 313 12 Relatório Fiscal e demais elementos carreados aos autos. Ainda, concluiu ter havido cerceamento de defesa do autuado. Diante de tais conclusões, decidiu pela ocorrência de vício material. O que ocorre é que o termo "motivação" utilizado pelo recorrido não ganha os contornos do termo na forma utilizada pela Fazenda Nacional, pelo simples fato do recorrido não abraçar a doutrina que faz a distinção motivo/motivação. No recorrido se utiliza o vocábulo motivação como sinônimo de verificação da ocorrência do fato gerador (o que seria o motivo, na teoria trazida aos autos pela Fazenda Nacional). Vejase: "(...) A verificação das circunstâncias materiais do fato gerador do tributo é parte essencial do procedimento administrativo de lançamento. No caso sob exame, foram considerados fatos geradores os pagamentos às pessoas físicas, que prestaram serviços diversos à recorrente, conforme planilha de fls. 16/17 e que foram entendidos como segurados empregados. Ocorre que a descrição dos fatos mostrase incipiente para o lançamento, pois restam ausentes as circunstâncias materiais que suportariam a certeza e liquidez do crédito constituído. O relatório fiscal de fls. 34/36, assim se pronuncia sobre a relação de emprego que objeto do lançamento em questão: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 3.1. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, discriminadas em recibos de pagamentos, recibos de pagamentos a autônomos, confrontados com a contabilidade e declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, no período de 02/2000; 06/2001 a 12/2001 cujos demonstrativos encontramse em planilha anexa e nos Relatórios Fatos Geradores, com levantamentos intitulados "COG Contabilidade em GFIP"; 3.2. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, Airton da Silva Rosa, Andressa Lopes, Pedro A Souza, Silvio, Sandro Roberto Wittitz, Roberto Shigueru Murata, Rosibel Nunes de Amorin, José Paulo Vieira, Miguel Angel Seixa e Silmar Elísio, em razão dos serviços de assistência técnica química, projetos e desenvolvimento de produtos, motoristas, serviços auxiliares de escritório, considerados indevidamente pela empresa, como sendo proveniente de segurados contribuintes individuais, declarados em GFIP, constante de recibos, recibos de pagamentos a autônomos, confrontados pela contabilidade, no período de 05/2000; 11/2000 a 01/2001; 03/2001 a 04/2001 e 06/2001 a 12/2001, cujos demonstrativos encontramse em planilha anexa, com levantamento intitulado "COG Contabilidade em GFIP"; Como visto, o Fisco se limita a nomear as pessoas físicas e os serviços prestados como “assistência técnica química, projetos e desenvolvimento de produtos, motoristas e serviços auxiliares de escritório”, mas não há qualquer evidenciação da prestação dos serviços com os pressupostos de uma relação empregatícia. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 314 13 No caso da relação de emprego, deve restar comprovada pela fiscalização a subordinação jurídica, a nãoeventualidade, a onerosidade e a pessoalidade, tudo em consonância com as disposições regulamentares da Previdência Social: Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a)aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A simples descrição dos serviços não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção do fato à regra de incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal a fim de possibilitar as garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Violálas contamina o ato administrativo de lançamento com vício insuscetível de convalidação. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. (...) Ademais, em se tratando de lançamento fiscal, o artigo 142 do Código Tributário Nacional não deixa dúvidas de que a motivação se refere à verificação pelo agente fiscal da ocorrência do fato gerador. Pelo exposto, não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir acerca da configuração da relação de emprego por ventura existente, fato este determinante para o lançamento de débito na presente NFLD. Um dos princípios que sustenta o processo administrativo fiscal é o da verdade material e, por este princípio, o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração do crédito. Portanto, a conduta da autoridade fiscal, em prol da verdade material, deve proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material, efetivamente ocorreu. Nesse sentido, tem que trazer no relatório fiscal todos os dados, informações e documentos a respeito da real caracterização da suposta relação de emprego. O relatório fiscal, fls. 24/25 (sic), se limita a dizer que os segurados prestavam serviços considerados indevidamente como de contribuintes individuais, mas não evidencia qualquer requisito Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 315 14 inerente à relação empregatícia, de forma que o lançamento como se apresenta, não permite vislumbrar a relação de emprego. (...) O contencioso administrativo no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelo Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972 e mais especificamente, no caso das contribuições sociais de que tratam os artigos 2° e 3° da Lei n.° 11.457, de 16 de março de 2007, pela Portaria RFB n.° 10.875, de 16 de agosto de 2007. Em ambos diplomas legais, nos artigos 59, inciso II e 27, inciso II, respectivamente, está disposto que são nulos “os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direto de defesa” (grifo no original) Entendo que restou prejudicado o direito de defesa da recorrente, pois foi lhe imputada uma notificação para pagamento de crédito constituído sem a descrição clara e precisa de seu fato gerador. A ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. (...) De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa e o artigo 61, diz que a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar sua legitimidade: Art. 59. Sao nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 316 15 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade e por estar evidenciado que o Relatório Fiscal preteriu o direito de defesa da recorrente, decido pela nulidade do lançamento referente à caracterização de segurados como empregados por vício material, por não terem sido verificadas e trazidas aos autos as circunstâncias materiais dos fato geradores de tributos. (...)" Ou seja, utilizandose a terminologia recursal, na forma sobre a qual já fiz digressão acima, além da conclusão pela falta de motivação largamente mencionada e demonstrada pela Fazenda Nacional, entendo que o Colegiado, a partir dos elementos constantes do feito, também concluiu pela falta de motivo da autuação, uma vez que inexistiam elementos suficientes trazidos aos autos pela autoridade lançadora que permitiram concluir pela ocorrência do fato gerador e, consequentemente, também pela correta aplicação da hipótese de incidência à situação fática em julgamento. Passo, assim, à análise de cada um dos paradigmas, segregados conforme matérias admitidas. b) Quanto à inexistência de vício : b.1) Acórdão CSRF/0105.716 (1o. paradigma) O critério jurídico aqui utilizado em nada difere do recorrido. O que ocorre é que, ali, em se tratando de realidade fáticoprobatória diversa, se concluiu pela ocorrência do fato gerador autuado, ainda quando da insuficiente descrição dos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejaram a autuação, tendose ressalvado especificamente que, caso houvesse preterição do direito de defesa, seria decretada a nulidade, verbis: “Ressaltese, prima facie, que o vício de descrição da autuação, discutido nos autos, é apenas formal, eis que foi desatendida a norma processual prevista no art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Não se trata de erro na aplicação da norma de incidência do tributo, apenas houve falha na exteriorização do ato do lançamento. Nesse contexto, não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a ʺmotivaçãoʺ feita pela autoridade administrativa que integra a ʺformalizaçãoʺ do ato, sendo um requisito formalístico dele. Tanto que a ausência de motivação incluise entre os vícios de formalização. O motivo, por sua vez, é pressuposto de validade do ato. Ou seja, a validade do ato dependerá da existência do motivo que houver sido enunciado. Para o ato de lançamento, por exemplo, o motivo é a ocorrência do fato gerador do tributo e a norma jurídica que autorizam a exigência, enquanto a motivação é a descrição em linguagem, nos autos, pelo agente fiscal, dos fundamentos fáticos e jurídicos de sua ocorrência. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 317 16 com a prática de novo ato, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. No capítulo das nulidades, o art. 59 do Decreto n° 70.235/72 organiza o sancionamento administrativo imposto a esses atos viciados. Nele, é definido que a nulidade deve ser declarada em face de preterição do direito de defesa e vício de competência, critérios que devem orientar os julgadores na apreciação das alegações de nulidade dos atos processuais. Dessa forma, se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o tome inaceitável, ele deve permanecer válido. Assim, transmudandose agora ao Colegiado paradigmático a situação fática e a análise probatória realizada pelo Colegiado recorrido, que concluiu entendeu não estar caracterizada a ocorrência dos fatos geradores objeto de lançamento e, também, no sentido de ter havido cerceamento do direito de defesa (ressaltandose não ser possível alegar divergência com base em mera diferença de análise probatória em cada um dos casos), também ali a nulidade seria decretada (o teste de aderência não revela divergência), não havendo que se falar em divergência de critério jurídico quanto à existência de vício (nulidade). Assim, rejeito a ocorrência de divergência interpretativa quanto a este primeiro paradigma. b.2) Acórdão 10417.279 (2o. paradigma) Aqui, se está diante de caso onde, de maneira oposta á leitura feita por este Conselheiro para o Acórdão recorrido, se rejeita expressamente a possibilidade de, nos autos paradigmáticos, não ter restado materializada a hipótese de incidência ou de ter havido cerceamento do direito de defesa (ambas situações caracterizadas no julgado recorrido) e, mais, se estabelecendo ali que fosse o caso fosse o caso de quaisquer das duas situações, se estaria, sim diante de caso de nulidade, in verbis (fls. 1617 do Acórdão no. 10417.279): "(...) Ora, a autoridade singular cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede a situação conflitante alegada pela recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, já que a discussão se prende a interpretação de normas legais. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 318 17 Além disso, o Art. 60 do Decreto n.° 70.235/72, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (...) Assim, também aqui não há que se falar em divergência de critério jurídico utilizado para fins de caracterização da ausência/presença de vício no lançamento. Para o paradigma, em não devidamente caracterizada a materialização da hipótese de incidência e/ou tendo ocorrido cerceamento do direito de defesa (conclusões emanadas da análise probatória do recorrido. que, notese, concluiu expressamente pela preterição do direito de defesa), também se estaria a reconhecer a nulidade do lançamento. Daí inexistir divergência interpretativa quanto a esta seara também quanto ao segundo paradigma. Diante do exposto, voto por não conhecer da primeira matéria admitida (inexistência de vício no lançamento) c) Quanto à natureza do vício existente (formal/material): b.1) Acórdão 10513.892 (1o. paradigma) Aqui, vislumbro similitude fática entre a situação fáticoprobatória do recorrido e a do paradigma, visto que, no caso deste último, havia completa ausência da descrição de fatos para algumas das matérias objeto de tributação, obstando assim que se pudesse verificar a ocorrência do fato gerador, tendo ali optado o julgador, porém, por declarar, no âmbito daquele paradigma, a nulidade do auto de infração, por vício formal. É o que se nota do seguinte trecho do paradigma (Acórdão no. 105 13.892, fl. 20): "(...) Assim, entendo que o ato de lançamento, consubstanciado no auto de infração, tem por finalidade constituir o crédito tributário. As matérias são elementos que se extrai de fatos tributáveis ocorridos que, pela sua representatividade, devem ser indicadas ao autuado, com clareza e precisão, a fim de que sobre elas possa se manifestar e exercer atentamente o seu direito de defesa. No caso sob exame, encontramos matérias não descritas, que, de pronto, já indicam a impossibilidade de ser exercido o direito de ampla defesa pelo acusado, em função do desconhecimento do que efetivamente possa ter gerado um crédito tributário e o seu valor nominal. Tanto assim, que o próprio Julgador Monocrático não teve alternativa outra senão a de declarar sua nulidade. (...)" Já o Colegiado recorrido, em situação análoga, optou por decretar a nulidade do lançamento por vício material. Caracterizada, assim, a diferença de critérios jurídicos entre Colegiados recorrido e paradigmático e, consequentemente, a divergência interpretativa, Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 319 18 despiciendo que se analise o segundo paradigma colacionado (Acórdão no. 340200.269) para fins de conhecimento do Recurso quanto à matéria. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial parcialmente, exclusivamente quanto à segunda matéria admitida, a saber a natureza do vício existente no lançamento (formal ou material). 2. MÉRITO Passo, destarte, à análise de mérito. Ressalto permanecer em litígio no feito tão somente a exclusão do lançamento perpretada pelo vergastado dos valores relativos à caracterização de segurados contribuintes individuais como empregados, pela falta de evidenciação do fato gerador (decisum recorrido), reconhecida ali como vício de natureza material. Inicialmente, faço notar que, quanto à existência de vício e quanto à distinção entre vício formal e material, alinhome aqui à corrente que os distingue baseado nas noções de norma introdutora e norma introduzida, de lição de Paulo de Barros Carvalho e muito bem resumida pela Conselheira Celia Maria de Souza Murphy, no âmbito do Acórdão 2101 002.191, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento e datado de 15 de maio de 2013, expressis verbis: "(...) O tema dos vícios material e formal está intrinsecamente relacionado com o processo de positivação do direito. Tomamos por premissa que o direito positivo é um sistema de normas, regidas por um princípio unitário, no qual normas jurídicas, seus elementos, relacionados entre si, são inseridas e excluídas a todo instante. As normas jurídicas são inseridas no sistema do direito positivo de acordo com regras que o próprio sistema produz. É uma norma que estipula qual é o órgão autorizado a inserir normas no sistema do direito positivo e qual o procedimento para que isso se faça. Toda norma jurídica introduzida no sistema do direito positivo o é por meio de uma norma introdutora. As normas sempre andam aos pares: norma introdutora e norma introduzida, tal como leciona Paulo de Barros Carvalho. A norma introdutora espelha o seu próprio processo de produção; a introduzida regula a uma conduta (que pode ser, inclusive, a produção de outra norma). Nesse sentido, seguindo os ensinamentos de Kelsen, são de direito formal as normas que cuidam da organização e do processo de produção de outras normas; de direito material são as normas que determinam o conteúdo desses atos, isto é, regulam o comportamento humano propriamente dito. O lançamento, norma jurídica que é, não foge à regra: compõese de norma introdutora e norma introduzida. Na norma introdutora fica demonstrado o procedimento que o Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 320 19 agente público, autorizado a inserir no ordenamento jurídico a norma individual e concreta que aplica a regramatriz de incidência tributária, seguiu para produzila. A norma introduzida é a própria aplicação da regramatriz. A primeira norma trata da forma; a segunda, da matéria. No lançamento, a norma introdutora tem a ver com o procedimento ao qual alude o artigo 142 da Lei n.° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e as normas de Direito Administrativo, que se completa com a norma introduzida, que efetivamente aplica a regramatriz de incidência. Feitas essas considerações, resta analisar em que ponto se identifica o vício do lançamento perpetrado no presente processo, se no processo de produção do ato administrativo do lançamento ou se na aplicação da regramatriz de incidência tributária. Se na norma introdutora, tratase de erro formal; se na norma introduzida, é erro material. (...) A regramatriz de incidência, como ensina Paulo de Barros Carvalho, é norma jurídica em sentido estrito que institui o tributo, e compõese de antecedente e conseqüente. No antecedente, temos os critérios material, espacial e temporal. No conseqüente, os critérios pessoal (sujeitos ativo e passivo) e critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). Analisamos, a seguir, a aplicação de cada um deles no lançamento em debate. (...)" Aplicando tais considerações ao litígio em tela, verifico que, para fins de verificação da correta aplicação das hipóteses de incidência tratadas nos autos, constantes do demonstrativo de fundamentos legais de efls. 25/26, mister que se analise a caracterização dos segurados como empregados, a qual dependeria, por sua vez, como muito bem levantado pelo Colegiado a quo, de caracterização dos requisitos de subordinação jurídica, nãoeventualidade, onerosidade e pessoalidade. Todavia, verifico, a propósito, que o único elemento carreado pela autoridade lançadora capaz de sustentar tal caracterização (relatório de efls. 37 a 39) é bastante sucinto e notoriamente insuficiente para tal fim, o que faz com que não se possa concluir acerca da efetiva ocorrência do fato gerador objeto de lançamento e, consequentemente, também da correta aplicação da regra matriz de incidência. Acedese aqui às seguintes considerações do Colegiado a quo, que se adotam como razões de decidir (grifos não presentes no original): "(...) A verificação das circunstâncias materiais do fato gerador do tributo é parte essencial do procedimento administrativo de lançamento. No caso sob exame, foram considerados fatos geradores os pagamentos às pessoas físicas, que prestaram serviços diversos à recorrente, conforme planilha de fls. 37/38 e que foram entendidos como segurados empregados. Ocorre que a descrição dos fatos mostrase incipiente para o lançamento, pois restam Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 321 20 ausentes as circunstâncias materiais que suportariam a certeza e liquidez do crédito constituído. O relatório fiscal de fls. 34/36, assim se pronuncia sobre a relação de emprego que objeto do lançamento em questão: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 3.1. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, discriminadas em recibos de pagamentos, recibos de pagamentos a autônomos, confrontados com a contabilidade e declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, no período de 02/2000; 06/2001 a 12/2001 cujos demonstrativos encontramse em planilha anexa e nos Relatórios Fatos Geradores, com levantamentos intitulados "COG Contabilidade em GFIP"; 3.2. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, Airton da Silva Rosa, Andressa Lopes, Pedro A Souza, Silvio, Sandro Roberto Wittitz, Roberto Shigueru Murata, Rosibel Nunes de Amorin, José Paulo Vieira, Miguel Angel Seixa e Silmar Elísio, em razão dos serviços de assistência técnica química, projetos e desenvolvimento de produtos, motoristas, serviços auxiliares de escritório, considerados indevidamente pela empresa, como sendo proveniente de segurados contribuintes individuais, declarados em GFIP, constante de recibos, recibos de pagamentos a autônomos, confrontados pela contabilidade, no período de 05/2000; 11/2000 a 01/2001; 03/2001 a 04/2001 e 06/2001 a 12/2001, cujos demonstrativos encontramse em planilha anexa, com levantamento intitulado "COG Contabilidade em GFIP"; Como visto, o Fisco se limita a nomear as pessoas físicas e os serviços prestados como “assistência técnica química, projetos e desenvolvimento de produtos, motoristas e serviços auxiliares de escritório”, mas não há qualquer evidenciação da prestação dos serviços com os pressupostos de uma relação empregatícia. No caso da relação de emprego, deve restar comprovada pela fiscalização a subordinação jurídica, a nãoeventualidade, a onerosidade e a pessoalidade, tudo em consonância com as disposições regulamentares da Previdência Social: Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a)aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A simples descrição dos serviços não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção do fato à regra de Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16537.001116/201117 Acórdão n.º 9202005.361 CSRFT2 Fl. 322 21 incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal (...) Pelo exposto, não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir acerca da configuração da relação de emprego por ventura existente, fato este determinante para o lançamento de débito na presente NFLD. (...) Portanto, a conduta da autoridade fiscal, em prol da verdade material, deve proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material, efetivamente ocorreu. Nesse sentido, tem que trazer no relatório fiscal todos os dados, informações e documentos a respeito da real caracterização da suposta relação de emprego. O relatório fiscal, fls. 24/25, se limita a dizer que os segurados prestavam serviços considerados indevidamente como de contribuintes individuais, mas não evidencia qualquer requisito inerente à relação empregatícia, de forma que o lançamento como se apresenta, não permite vislumbrar a relação de emprego. (...) Assim, entendo caracterizada a ocorrência, aqui, de vício na norma introduzida (não havendo como se garantir a correta aplicação da regra matriz de incidência no lançamento), afirmandose, assim, sua natureza material, sendo, destarte, de se negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão: Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso da Fazenda Nacional, exclusivamente quanto à natureza do vício, para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 322DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904984/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 20/08/2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.540
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 20/08/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.904984/201225 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.540 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 20/08/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 84 /2 01 2- 25 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10865.904984/201225 Acórdão n.º 3301003.540 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.996. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.904984/201225 Acórdão n.º 3301003.540 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.904984/201225 Acórdão n.º 3301003.540 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.904984/201225 Acórdão n.º 3301003.540 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.904984/201225 Acórdão n.º 3301003.540 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.904984/201225 Acórdão n.º 3301003.540 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001267/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2803-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Relatório
Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informa-se que no E-Process há a duplicação do processo.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
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