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Numero do processo: 10235.720040/2007-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSA -IMPRESCINDIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA
Quanto às áreas de preservação permanente, indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA
Fundamentando-se o a respectiva glosa unicamente na falta de apresentação do ADA, é de se cancelar a mesma, tendo em vista a prescindibilidade deste documento para esta finalidade
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa da área de utilização limitada (reserva legal), nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que também excluía a glosa da área de preservação permanente.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 21/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello (Relator), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martin Fernandez e Jaci de Assis Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Juliana Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSA -IMPRESCINDIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA Quanto às áreas de preservação permanente, indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA Fundamentando-se o a respectiva glosa unicamente na falta de apresentação do ADA, é de se cancelar a mesma, tendo em vista a prescindibilidade deste documento para esta finalidade Recurso provido em parte.
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ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA Fundamentandose o a respectiva glosa unicamente na falta de apresentação do ADA, é de se cancelar a mesma, tendo em vista a prescindibilidade deste documento para esta finalidade Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa da área de utilização limitada (reserva legal), nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que também excluía a glosa da área de preservação permanente. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 72 00 40 /2 00 7- 56 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 21/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello (Relator), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martin Fernandez e Jaci de Assis Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Juliana Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi emitida Notificação de Lançamento, fls.01 e ss., do imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2003, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Mangueiras”, localizado no Município de Chaves – PA, em razão das seguintes supostas infrações: glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal e rejeição do VTN declarado, que entendeu se subavaliado, tudo por falta de comprovação, apesar de regularmente intimado o contribuinte para apresentar os comprovantes respectivos. Cientificado do lançamento, o interessado protocolou sua impugnação (fls. 29 e ss.), acompanhada de documentos (fls. 45112), alegando o seguinte: descreve a situação fática da notificação de lançamento, notadamente as glosas das áreas ambientais declaradas como de preservação permanente e reserva legal, por falta do ADA e do arbitramento do VTN, por falta de entrega do Laudo de Avaliação; fundamenta a defesa afirmando não ser exigível o ADA para demonstrar a existência das áreas ambientais de preservação permanente e reserva legal, conforme jurisprudência do STJ;_ transcreve excertos do art. 10 da Lei 9393/96, notadamente o § 7o, introduzido pela MP 2.16667/2001, para afirmar que a própria Lei dispensou a apresentação do ADA para efeito de fruição do beneficio de considerar as áreas ambientais como isentas de tributação do ITR; que o dispositivo legal está em vigor desde 2001, data anterior ao lançamento fiscal ora contestado, afirmando que a comprovação prévia das áreas ambientais não é necessária, e que o contribuinte seria obrigado a recolher o tributo apenas se restar comprovado que sua declaração não é verdadeira; questiona a validade da norma legal, que não poderia dispor sobre matéria tributária, mesmo assim a exigência foi revogada pelo § 7°, anteriormente mencionado; que a declaração do contribuintë "não pode ser desconsiderada apenas de forma presumida, sendo necessário provar que a declaração não .é verdadeira; que somente com demonstração de que a realidade não condiz com a declaração do contribuinte é que o lançamento tributário seria valido; que desconhecia a necessidade do ADA, mas que tão logo tomou conhecimento da exigência tratou de protocolar o documento junto ao IBAMA, em 2007, conforme anexo; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10235.720040/200756 Acórdão n.º 2802002.989 S2TE02 Fl. 155 3 transcreve excertos do RE 2004/00998650, do STJ, para consolidar a tese da desnecessidade de comprovação prévia das áreas ambientais; que mesmo sem o ADA, o contribuinte poderia fluir da isenção, pois é vedada a interpretação extensiva da norma de isenção; que a prova exigida — ADA é meramente declaratória e não constitutiva; que não existe amparo legal a exigência de Laudo de Avaliação nos moldes da NBR 14.6533 para demonstrar o valor da terra nua, nem mesmo instrução normativa da RFB, transcrevendo excertos do art. 10 da Lei 9393/96 para amparar sua tese; Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/BSB, em sessão realizada no dia 16/09/2009, a fls.122, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, revendo de ofício a área total do imóvel, nos termos de documentos dos autos, com base em erro de fato, admitindo o VTN nos termos do laudo apresentado pelo contribuinte e mantendo no mais o lançamento aos fundamentos de que devese manter a glosa de área de reserva legal e utilização limitada/preservação permanente em virtude da não apresentação do ADA tempestivamente protocolado. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.137, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 138 e ss., atacando a decisão exarada pela DRJ, tão somente quanto à glosa de área de reserva legal e utilização limitada/preservação permanente, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso é tempestivo, razão pela qual conheço do mesmo no que tange à impugnação do lançamento com base na desconsideração das áreas de reserva legal e de preservação permanente apontadas pela contribuinte. Quanto as ementas de decisões colacionadas pelo Recorrente com o intuito de embasar seu entendimento, registrese que a autoridade administrativa julgadora não se encontra obrigada a se submeter a decisões, desprovidas de efeito erga omnes, envolvendo terceiros estranhos à controvérsia, podendo firmar seu livre convencimento na apreciação da matéria, em consonância com a legislação de regência a que se encontra vinculada. A apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA se tornou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. Referida lei acrescentou à Lei 6938/81 o artigo 170, que dispõe, verbis: "Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR, com base em Ato Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria § 1ºA A. Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. ( ) “ Assim sendo, para que o sujeito passivo possa se beneficiar da isenção do ITR relativa às áreas de preservação permanente a partir do exercício de 2001, deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA (ou, pelo menos, comprovar a protocolização do requerimento do mesmo no órgão competente na data legalmente estabelecida) Nos termos do art. 10, § 4º' da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997 e, para o exercício em questão, encontra se prevista na IN/SRF nº 256/2002, no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei 6.938/1981, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165/2000, acima transcrito, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao lbama. No caso presente, a não apresentação do ADA relativo ao exercício em tela, devidamente protocolado no prazo legal, fato admitido pelo contribuinte, é por si só razão suficiente para afastar a pretensão de ver restabelecida a dedução da área de utilização limitada de que trata os autos. Todavia, a exigência de apresentação de tal documento não possui o condão de fundamentar a glosa de área declarada pelo contribuinte como de utilização limitada ou de reserva legal, bastando para tanto sua averbação junto à matrícula do imóvel, fato que passou ao largo da fundamentação do lançamento. Isto posto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para excluir a glosa da área de utilização limitada, mantendose o lançamento quanto aos demais itens. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.003272/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 01/09/1995
PIS - COFINS - DECADÊNCIA -- Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-002.138
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 32 72 /2 00 8- 67 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto por Cerâmica Parapuan Ltda contra Acórdão n. 0239.423, de 28 de maio de 2012 (fls. 416/422), proferido pela 1ª Turma da DRJ/BH, que manteve o indeferimento parcial (R$ 208.332,81) do direito creditório pleiteado (R$ 410.659,29), originário da ação judicial n.º 1998.38.00.046.1854, na qual a Contribuinte requereu a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS, por determinação dos Decretoslei 2.445 e 2.449, declarados inconstitucionais pelo STF. A sentença, transitada em julgado em 03 de março de 2005, declarou a inexistência de relação jurídicotributária fora das balizas da LC n° 07/70, reconhecendo às autoras o direitodever de recolhimento da contribuição ao PIS somente sobre o faturamento do sexto mês anterior, até a vigência da Medida Provisória n° 1212/95 e reedições, assim como assegurar o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos, com as contribuições do próprio PIS, corrigidos monetariamente senão vejamos o dispositivo da sentença: “Sob esses fundamentos, JULGASE PROCEDENTE o pedido veiculado na Ação de Cerâmica Parapuan Ltda. e Cerâmica São Judas Tadeu Ltda. ajuizada em face da União (Fazenda Nacional), declarando a inexistência de relação jurídicotributária fora das balizas da LC n.° 07/70, reconhecendo às Autoras o direitodever de recolhimento da contribuição ao PIS somente sobre o faturamento do sexto mês anterior, até a vigência da Medida Provisória n.° 1.212/95 e reedições, assim como assegurar às Autoras o direito de compensar os valores (a que aludem as peças documentais entranhadas nos autos), indevidamente recolhidos, com as contribuições do próprio PIS, monetariamente corrigidos, com estrita observância ao comando da fundamentação retro e estrita observância aos limites materiais da Lei n. ° 8.383/91 com as subsequentes alterações (Leis n.`'s 9.069/95 e 9.250/95), bem como os limites percentuais posteriormente estabelecidos pelas Leis n.°s 9,032/95 e 9.129/95.” Dessa decisão apenas a Fazenda Nacional apresentou recurso de Apelação, requerendo a reforma da sentença e a aplicação dos mesmos índices de correção utilizados para o recolhimento, tendo o E. Tribunal Regional Federal da 1ª Região, à unanimidade, negado provimento ao presente Recurso. A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial ao qual foi negado seguimento pelo STJ e, ainda, Agravo Regimental que foi improvido. Cabe destacar que a Contribuinte, em sede em Embargos de Declaração, buscou afastar a incidência do limite de 30%, imposta pela Lei n° 9.129/95, por não estar o PIS inserido no rol das contribuições devidas ao INSS. Nesse sentido, acolhidos os Embargos, restou assegurado à Contribuinte o seguinte direito creditório: Direito creditório compensável: pagamentos indevido do PIS, a partir de 17/12/1988, com base nos decretosleis n.s 2.445/88 e 2.449/88, que superou os valores devidos de acordo com a sistemática prevista pela Lei Complementar n° 7/70; Correção monetária: IPC, incluídos os expurgos inflacionários de jan/89 (42,72%), mar/90 (84,32%), abr/90 (44,80%), maio/90 (7,87%) e fev/91 (21,87%), até a vigência da Lei 9.250/95 e a partir de 1° de janeiro de 1996 pela taxa Selic. • Débitos Compensáveis: PIS. Após constituição do crédito tributário supramencionado, originário da ação judicial, a Contribuinte formalizou junto à Delegacia da Receita Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.003272/200867 Acórdão n.º 3301002.138 S3C3T1 Fl. 3 3 Federal do Brasil em Divinópolis, Minas Gerais, pedido de Habilitação de Crédito, transmitindo assim as PER/Dcomp’s listadas às fls 373/374. Contudo, para tal compensação a Contribuinte apurou o valor de R$ 410.659,29 (quatrocentos e dez mil seiscentos e cinquenta e nove reais e vinte e nove centavos), confrontado pela DRF Divinópolis que procedeu a valoração do aludido crédito, através do Despacho Decisório de fls. 369/375, reconhecendo à Contribuinte direito creditório original no valor de R$ 74.426,30 (setenta e quatro mil quatrocentos e vinte e seis reais e trinta centavos), atualizado até 31/12/1995 e, posteriormente de R$ 208.332,81 (duzentos e oito mil trezentos e trinta e três reais e oitenta e um centavos), atualizado até 11/11/2004, visto entender que a Contribuinte faz jus apenas a diferença entre os valores recolhidos com base nos DecretosLei n.º 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e os apurados na forma da Lei Complementar 7/70 e alterações posteriores e não à totalidade do crédito. Desta feita, a DRF Divinópolis deferiu parcialmente o pedido de compensação da Contribuinte, homologando integralmente as Dcomp’s n.s 01 a 21, parcialmente a Dcomp de n.º 23 e não homologando as Dcomp’s de n.s 24 a 49, Face ao deferimento parcial de seu pedido de compensação, a Contribuinte apresentou, em 01/12/2008, Manifestação de Inconformidade (fls. 398/406), senão vejamos as argumentações abaixo sintetizadas: Óbvio então que toda a contribuição recolhida pela Recorrente, como expresso dos autos, foram procedidas em desacordo com o disposto na letra "b", do art. 3°, da Lei Complementar n° 7, de 07.09.70, com as alterações introduzidas pela Lei Complementar n° 17, de 12.12.73, salvo determinação de desconsiderar a decisão judicial transitada em julgado, determinação que se revela patente na medida em que da decisão recorrida expresso: Repisese que o crédito a que a interessada faz jus é tão somente a diferença entre os valores recolhidos com base nos Decretos Lei 2.445/88 e 2.449/88 e os apurados na forma da Lei Complementar 7/70 e alterações posteriores e não a totalidade do recolhimento. Não fosse o bastante, verificase dos quadros anexados decisão contra a qual adotada a presente manifestação de inconformidade, que os créditos não foram atualizados monetariamente, nem tampouco remunerados por juros equivalentes à SELIC da data dos pagamentos indevidos até a data do vencimento da obrigação tributária compensada, desconhecendose, para tanto, o comando imperativo decorrente de decisão judicial transitada em julgado, decisão essa que estabelece de forma clara, bem clara, que a atualização monetária deve incidir da data do recolhimento indevido até a compensação, pouco importando, no caso vertente, o contido em sede da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27.06.97. De outra feita, não se sabe porque, desconhecido que à Requerente assegurado o direito de restituição, via compensação, dos indébitos, aos quais devido os acréscimos atinentes a juros na razão de 1,00% (hum por cento), por mês decorridos, contados do trânsito em julgado da decisão correspondente, como expresso da cópias integral dos autos da ação de procedimento ordinário adotada contra a União Federal, direito esse assegurado pelo disposto no parágrafo primeiro, do art. 167, do Código Tributário Nacional. Impõese, assim, a pronta revisão da decisão proferida para determinar a revisão dos cálculos procedidos em razão da citada informação, acrescendo Fl. 444DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 se, por revisão, juros na razão de 1,00% (hum por cento) a contar da data do trânsito em julgado da decisão que determinou a restituição via compensação, juros esses que, além de devidos independentemente do que assegurado por decisão judicial transitada em julgado, devem incidir até a data da efetiva compensação na medida em que expressa a norma decorrente de lei materialmente complementar e, assim, hierarquicamente superior às disposições de lei materialmente ordinárias. Não fosse o bastante, desconhece a decisão de fls., que as restituições devem levar em conta para fins de incidência de atualização monetária, as datas dos respectivos recolhimentos, impondose, assim, a incidência prorata do respectivo índice, sob pena de reconhecer direito creditório por valor inferior ao efetivamente devido. Por sua vez, não pode deixar de ser verificado que as importâncias devidas à União Federal por contribuições devidas ao PIS Programa de Integração Social somente podem ser exigidas nos 5 (cinco) anos anteriores à formalização do Pedido de Restituição via Compensação, uma vez que a Fazenda Nacional, que insistia na cobrança nos critérios afastados pela decisão Judicial transitada em Julgado, deixou de formalizar, via lançamentos, as exigências com base na legislação própria e em vigor. Deixando decorrer o prazo para tanto óbvio que decai do seu direito de assim proceder e, assim, não pode agora, em sede de Pedido de Restituição via Compensação creditarse por valores vencidos a mais de cinco anos, desconhecendo, para tanto, a legislação relativa à decadência, corno de verse do disposto no art. 173, do Código Tributário Nacional. Impõese, assim, a revisão integral da decisão contra a qual adotada a presente Manifestação de Inconformidade na medida em que: a determinação do crédito reclama o integral atendimento do comando imperativo decorrente de decisão judicial transitada em julgado, em especial no que tange à atualização monetária e juros remuneratórios, esses devidos a contar do transito em julgado da informada decisão judicial; indevida a utilização do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado para compensação de contribuição tida como devidas ao PIS Programa de Integração Social, fulminadas pela decadência. evidente assim que a decisão contra a qual adotado a presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, não guarda consonância para com o direito vigente, nem tampouco para com a decisão judicial transitada em julgado, cujo reconhecimento se impõe para, provendo a presente, restar determinado a revisão dos cálculos procedidos, ora pedido e requerido”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve o indeferimento parcial do direito pleiteado em acórdão com a seguinte com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 28/02/1996 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL – COISA JULGADA. A sentença definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada, sendo possíveis de compensação, até o limite do direito creditório, os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.003272/200867 Acórdão n.º 3301002.138 S3C3T1 Fl. 4 5 Cientificado do referido acórdão em 12 de junho de 2012 (fl. 434), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18 de junho de 2012 (fls. 435/440), defendendo, nos mesmos termos que a Manifestação de Inconformidade, que, quando a DRF em Divinópolis considera restituível apenas a diferença entre os valores recolhidos com base nos DecretosLei n.ºs 2.445/88 e 2.449/88 e os valores devidos nos termos da LC 7/70 está, na realidade, formalizando, em 11/11/2004, lançamento de oficio dos valores devidos pela Contribuinte com base na LC 7/70, já fulminados pela decadência uma vez que decorridos mais de 05 (cinco) anos dos fatos geradores, os quais ocorreram entre janeiro de 1989 e setembro de 1995. Assegura a Contribuinte que, nos termos do artigo 173, I, do CTN, a DRF, ao alocar parte dos créditos reconhecidos em benefício da interessada para liquidação de obrigações tributárias desta em face do PIS, devidas entre 01/89 e 09/95, o faz desconsiderando que as aludidas obrigações já se encontravam fulminadas pela decadência, nos termos do citado dispositivo legal, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A Contribuinte reforça sua tese alegando que até 11/11/2004 a Fazenda Nacional não havia formalizado qualquer tipo de exigência referente à contribuição para o PIS com base na LC 7/70, não o podendo fazer, via transversa, lançamento daquela exigência e, ainda, via retenção, os respectivos pagamentos dos valores apontados como devidos. Diante de todo o exposto, pleiteia a Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, que seja reconhecida a decadência das obrigações tributárias devidas ao PIS, por fatos geradores ocorridos entre 01/1989 a 09/1995, não se justificando, então, a retenção de parte dos créditos reconhecidos em favor da Contribuinte para se proceder, via transversa, o resgate ou pagamento de obrigações tributárias fulminadas pela decadência, determinandose a revisão dos cálculos procedidos. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Como observado no relatório, a Contribuinte constituiu crédito tributário, proveniente da ação judicial n.º 1998.38.00.046.1854, na qual requereu a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS, por determinação dos Decretoslei 2.445 e 2.449, declarados inconstitucionais pelo STF. Após deferimento parcial do aludido crédito, a Contribuinte se insurgiu, em sede de Manifestação de Inconformidade contra decisão da Delegacia da RF em Divinópolis, sob o argumento de que referida delegacia considera restituível apenas a diferença entre os valores recolhidos com base nos DecretosLeis n. 2445/88 e 2449/88 e os valores devidos nos termos do disposto da Lei Complementar n. 7/70. Observando o ato da delegacia de origem, podese afirmar que a delegacia estava, na realidade, formalizando em 11/11/04 um lançamento de ofício dos valores devidos pela Recorrente com base na Lei Complementar n. 7/70, já fulminados pela decadência na medida em que decorridos mais de 5 anos dos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1989 a setembro de 1995. Sendo assim, a questão que sobe para apreciação desse colegiado, fica delimitada apenas a questão da decadência do lançamento supracitado. Por sua vez, o contribuinte defendeu em seu recurso, que o CTN estabeleceu três fases distintas sobre decadência e prescrição: “a que vai até a notificação do lançamento ao sujeito passivo, em que ocorre o prazo decadência (art.173, I e II); a que se estende da notificação de lançamento até a data da solução do processo administrativo, em que não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspenda a exigibilidade do crédito (art.151,III); e a que só começa na data da solução final do processo administrativo, quando corre prazo de prescrição da ação judicial da Fazenda (art. 174)”. Não basta, aqui, anunciarmos que ambas extinguem o crédito tributário e que a prescrição sucede a decadência no tempo, sem lacuna, servindo o lançamento como o termo responsável por dividir estes dois institutos: antes do lançamento flui o prazo decadencial e depois do lançamento iniciase a fluência do prazo prescricional. Nesta seara, a discussão que merece análise é o termo inicial do prazo decadencial para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é uma questão complicada, que vinha dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há anos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no atual CARF, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. Inicialmente, a jurisprudência se orientava no sentido de somar os prazos estabelecidos nos artigos 150, §4º e 173, I, ambos do CTN, originando a tese dos 5+5, entendimento já superado. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário Fl. 447DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.003272/200867 Acórdão n.º 3301002.138 S3C3T1 Fl. 5 7 estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a questão não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitivo a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Fl. 448DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observando o acórdão do REsp nº 973.733/SC, verificase que essa decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. No mesmo sentido, temos que o Supremo Tribunal Federal, valendose da sistemática prevista no art. 543B, do CPC, pacificou, no RE 566.621, o entendimento de que inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, devendo sua aplicação plena se restringir às ações ajuizadas a partir de 09.06.05: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 1010 2011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Destarte, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.003272/200867 Acórdão n.º 3301002.138 S3C3T1 Fl. 6 9 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é válido citar o recente julgado deste Conselho: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PISPasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento ou da compensação do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Especial do Procurador Negado.” (Acórdão 9303002.285 – PROCESSO 10380731050201120 – 3ª SESSÃO – 4ª CAMARA). O caso concreto submetido à análise enquadrase perfeitamente ao precedente acima transcrito. Afinal, quando a Delegacia da Receita Federal em Divinópolis, em 11/11/2004, através do procedimento compensatório em questão, alocou parte dos créditos reconhecidos em prol da Recorrente para liquidação de obrigações tributárias desta em face do PIS, devidas entre 01/89 a 09/95, o faz desconsiderando que, em 11/11/2004, as ditas obrigações tributárias já se encontravam fulminadas pela decadência. Neste contexto, embora o pedido tenha sido transmitido antes da data fixada no referido precedente (09/06/2005) o que em tese se aplicaria a tese dos 5+5 para repetição, não se vislumbrando, assim, a prescrição, não resta dúvida que, relativamente aos recolhimentos contidos na DCOMP, referentes à 01/89 a 09/95, estes se encontram atingidos pela decadência, afetando o lançamento feito pela delegacia de origem. Conclusão Por todo o exposto, voto por NÃO DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Fábia Regina Freitas Relator Fl. 450DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 CheckBox1 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720115/2011-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RECEITA
A receita omitida integra a base de cálculo dos tributos devidos no Sistema
Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e
das Empresas de Pequeno Porte Simples.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
É cabível a qualificação da multa de ofício quando presentes os elementos
abrangidos pelos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, relacionados
à operação que deu causa ao lançamento tributário
Numero da decisão: 1802-002.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007 OMISSÃO DE RECEITA A receita omitida integra a base de cálculo dos tributos devidos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É cabível a qualificação da multa de ofício quando presentes os elementos abrangidos pelos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, relacionados à operação que deu causa ao lançamento tributário
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MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É cabível a qualificação da multa de ofício quando presentes os elementos abrangidos pelos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, relacionados à operação que deu causa ao lançamento tributário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 15 /2 01 1- 19 Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15586.720115/201119 Acórdão n.º 1802002.384 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado). Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15586.720115/201119 Acórdão n.º 1802002.384 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de auto de infração por omissão de receitas de IRPJ Simples (fls. 2328/2334); de CSLL – Simples (fls. 2335/2343); PIS/PASEP – Simples (fls. 2344/2351); de COFINS Simples (fls. 2352/2360) e INSS Simples (fls. 2361/2369), exigindo um crédito tributário total de R$ 457.041,18. Conforme relata a autoridade fiscal, a motivação para o procedimento fiscal foi baseada na análise de informações prestadas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentada por terceiros e das receitas informadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES, período de janeiro a junho de 2007, e na Declaração Anual do Simples Nacional (DASN), período de julho a dezembro de 2007, entregues pelo contribuinte. A omissão foi constatada através da documentação entregue pela tomadora de serviços, Transportadora Belmok Ltda., que foi intimada a apresentar todas as notas fiscais, faturas, recibos, contratos de transporte rodoviário de bens ou documento equivalente, juntamente com os respectivos comprovantes de pagamento, referentes às operações comerciais efetuadas no ano de 2007 com o contribuinte. No confronto entre as declarações da contribuinte e da tomadora de serviços, verificouse que a ora recorrente deixou de apresentar 1044 CTRB, das 1234 existentes, ou seja, 84.6%, totalizando a quantia de R$ 3.268.687,51. Verificouse ainda nos livros Diário e Razão que as movimentações bancárias das contas de depósito do Banco do Brasil e do Unibanco não foram lançadas, contas de depósito do Banco do Brasil e do Unibanco, tendo sido registrados somente noventa e oito CTRB, que haviam sido inicialmente apresentados à fiscalização, perfazendo o montante de R$ 369.207,03 de receita escriturada. As duas declarações (PJSI e DASN) apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil também só registram a receita dos noventa e oito contratos que foram inicialmente apresentados à fiscalização e escriturados nos livros contábeis. Com isso, a autoridade fiscal efetuou os lançamentos considerando como receita omitida a diferença entre os valores apurados pela fiscalização (R$ 3.268.687,51) e os valores contabilizados e declarados pelo contribuinte (R$ 369.207,03). Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15586.720115/201119 Acórdão n.º 1802002.384 S1TE02 Fl. 5 4 No período de julho a dezembro de 2007, como a contribuinte foi excluída do SIMPLES NACIONAL e, apesar de ter sido intimada, não a apresentou documentação exigida, foi arbitrado o lucro com base no art. 530, inc. II, do Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99. Este assunto é tratado no processo nº 15586.720085/201141. Sobre os valores decorrentes da insuficiência de recolhimento foi aplicada a multa de ofício de 75%. Sobre os impostos e contribuições apurados com base na receita omitida foi aplicada a multa de ofício de 150%, tendo em vista que o contribuinte auferiu receitas provenientes da prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas muito superiores às receitas escrituradas em seus livros comerciais e fiscais e declaradas à Fazenda Nacional. Inconformada, a recorrente apresentou impugnações individuais para cada auto de infração, e requereu o julgamento em conjunto desse processo e do mencionado processo nº 15586.720085/201141, entretanto, a turma julgadora entendeu que não há liame de dependência com o caso dos autos, razão pela qual o pedido foi indeferido. A contribuinte reconheceu parcialmente a omissão de receitas, no valor de R$ 950.080,16 e requereu a readequação dos valores dos autos para fins de regularização dos pagamentos. A turma julgadora, por sua vez, entendeu que a contribuinte praticou omissão de receita no montante de R$ 2.899.480,48 no anocalendário de 2007, sendo R$ 1.290.000,33 no período de janeiro a junho, que é o período de abrangência do Simples Federal, e na sua impugnação não fez nenhuma prova para afastar a acusação fiscal, devendo ser mantidos os lançamentos. O v. Acórdão decidiu ainda pela manutenção da multa aplicada, em razão da evidente conduta dolosa e prática de sonegação fiscal definida pelo art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário, alegando, em preliminar, a conexão dos processos em andamento (este e o de nº 15586.720085/201141), e requerendo a anulação da decisão ora recorrida para que antes se proceda a reunião dos processos; Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15586.720115/201119 Acórdão n.º 1802002.384 S1TE02 Fl. 6 5 Ressaltou a confissão parcial da omissão praticada, a qual gerou o débito no valor de R$ 950.080,16; No mérito, reforçou tudo o quanto fora alegado na Impugnação e requereu a reversão da decisão ora recorrida. Esse o relatório. Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15586.720115/201119 Acórdão n.º 1802002.384 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade O carimbo do Correio que acusa a data da ciência do Acórdão está ilegível, razão pela qual deixo de conferir a tempestividade do recurso apresentado. Por outro lado, a postagem da resposta ocorreu em 18/11/2013, conforme consta do AR de fls. 2586. Por dedução, entendo que o contribuinte foi cientificado a partir do dia 19/11/2013 (uma vez que a carta de citação foi postada em 18/11/2013). O Recurso Voluntário foi apresentado em 19/12/2013, portanto, subentendese que o recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Da Preliminar Arguida O pedido preliminar de anulação da decisão e reunião dos processos não merece amparo, uma vez que naqueles autos o contribuinte foi excluído do Simples Nacional, cuja legislação passou a viger a partir de julho de 2007, e o caso em tela discute apenas omissão de receitas do SIMPLES. Portanto, nego provimento, mantendo a separação dos processos em discussão. Do Mérito A autoridade fiscal constatou, com base na Declaração do Imposto de Renda na Fonte apresentada pela tomadora de serviços Transportadora Belmok Ltda., divergência entre a receita obtida e a receita declarada pela ora recorrente em suas declarações entregues à Receita Federal. Analisando os documentos juntados pela autoridade fiscal e, de outra banda, as provas anexadas pela recorrente, não restam dúvidas que ocorreu omissão de receitas, ainda que a contribuinte tenha confessado parcialmente a prática de omissão, a qual gerou o débito no valor de R$ 950.080,16. Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15586.720115/201119 Acórdão n.º 1802002.384 S1TE02 Fl. 8 7 O artigo 24 da lei 9249/95, assim dispõe: “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão.” No caso em tela, fica evidente a omissão de receitas, em decorrência do confronto entre os valores repassados pela tomadora e os valores da receita bruta declarada. Os documentos juntados pela recorrente não são suficientes para demonstrar suas razões, e a ela caberia fazer prova de tudo o quanto fora alegado. A recorrente teve oportunidade de apresentar os CTRB faltantes, no entanto, limitouse a alegar que as informações prestadas pela tomadora são inexatas. Assim, uma vez constatada a declaração a menor de receitas com o propósito de recolher menos tributos, fica comprovada a ocorrência de omissão, sendo assim, são procedentes os lançamentos de oficio, bem como a multa qualificadora aplicada, face a evidente conduta dolosa da recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, mantendose os lançamentos com os valores que foram apurados. É o meu VOTO. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720470/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007, 2008
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL - NORMA PROCESSUAL - NÃO CONHECIMENTO
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº. 1).
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Rejeitar a preliminar
Preliminar de Inexistência do Imóvel não conhecida pela Concomitância.
Preliminares de Nulidade Rejeitada
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-002.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da preliminar de inexistência do imóvel tendo em vista a opção pela via judicial, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Paulo Sergio Colhoeira Stahlchmidt, OAB/PR 25.567.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007, 2008 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL - NORMA PROCESSUAL - NÃO CONHECIMENTO Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº. 1). NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar a preliminar Preliminar de Inexistência do Imóvel não conhecida pela Concomitância. Preliminares de Nulidade Rejeitada Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da preliminar de inexistência do imóvel tendo em vista a opção pela via judicial, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Paulo Sergio Colhoeira Stahlchmidt, OAB/PR 25.567. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
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NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar a preliminar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 70 /2 01 1- 11 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Preliminar de Inexistência do Imóvel não conhecida pela Concomitância. Preliminares de Nulidade Rejeitada Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da preliminar de inexistência do imóvel tendo em vista a opção pela via judicial, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Paulo Sergio Colhoeira Stahlchmidt, OAB/PR 25.567. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.720470/201111 Acórdão n.º 2202002.889 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, ITALO BELON NETO, foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 58 a 64, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios 2007 e 2008, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 7.336.618,61, relativo ao imóvel rural denominado “Assento do Salto do Ipiranguinha”, NIRF 6.394.0361, localizado no Município de Guaraqueçaba/PR. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que o contribuinte foi intimado a apresentar cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama, Laudo técnico emitido por profissional habilitado no caso da existência de áreas de preservação permanente de que trata o art. 2° do Código Florestal, certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° do Código Florestal; para comprovar o valor da terra nua originalmente informado, foi solicitada a apresentação de laudo de avaliação de imóvel, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica registrada no CREA; constou, ainda, do relato da autoridade fiscal que em 07 de dezembro de 2010, respondendo ao solicitado através do Termo de Intimação Fiscal nº 09101/00235/2010, o contribuinte declarante informa ter transferido o imóvel rural à empresa Imobiliária Norte Sul LtdaME, para justificar apresenta a terceira e quarta alteração do Contrato Social da empresa e a matrícula atualizada do imóvel rural bem como, documentos de identificação do contribuinte e representante legal; que da análise da documentação apresentada ficou constatado que o imóvel foi integralizado ao capital da referida empresa em 20 de junho de 2010; que pela ausência de elementos hábeis para comprovação da área coberta com florestas nativas e do VTN declarado, esses itens foram alterados e efetuado o lançamento de ofício com base no art. 10 § 1º, inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996. Cientificado do lançamento, por via postal, em 09/02/2011, conforme AR de fl. 67, o interessado apresenta impugnação às fls. 72 a 88, em 22/02/2011, que, após breve relato sobre a autuação, aduz, em síntese, que: ∙ De acordo com os arts. 1º da Lei nº 9.393/96, art. 29 do CTN e art. 1º da IN SRF nº 256/2002, o fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse (inclusive por usufruto) de imóvel por natureza localizado fora da zona urbana do município, que, portanto, a condição para a incidência do imposto é o exercício dos elementos da propriedade, que não existindo o imóvel, obviamente, não há que se falar sequer em domínio útil e posse, e muito menos de fato gerador que justifique o lançamento, no que transcreve o art. 145 da Constituição Federal e cita doutrina; ∙ Adquiriu o imóvel através da escritura pública de cessão de direitos hereditários para investimento na área ambiental, Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 destinada à compensações previstas no protocolo de Kyoto, a única razão para a aquisição era o potencial de créditos previstos nesse acordo internacional; ∙ Após notificado do auto de infração, iniciou diligência para demonstrar que o imóvel se encontra em área de reserva legal, porém o técnico contratado constatou que o imóvel não existe, conforme relatório em que o mesmo afirma que as confrontações descritas no instrumento público não fecham um perímetro; ∙ A escritura não encontra respaldo no registro imobiliário que compete a averbação da matrícula do imóvel; ∙ São inúmeras as incorreções, divergências, incompatibilidades que tornam o título aquisitivo absolutamente inapto para demonstrar qualquer imóvel porventura existente; ∙ O imóvel encontrase inserido na Mata Atlântica, área de preservação ambiental federal de Guaraqueçaba, regulada pela Lei Federal nº 11.428/2006 e Lei Federal nº 4.771/1965 e, nesse sentido a jurisprudência do STJ diz que é desnecessária a averbação da área de preservação permanente bem como é dispensado o ato declaratório como requisito para auferir a isenção dessa área; ∙ O Auto de Infração deve ser anulado por ausência de descrição da matéria tributável e de capitulação legal, conforme arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972 e pela incongruência entre a base de cálculo e as leis federais que excluem de tributação a área de preservação permanente; ∙ A alíquota de 20,0% aplicada no lançamento tem caráter de confisco, vedado pela lei federal; ∙ O art. 130 do CTN enfatiza que o comprador não responde pelo crédito fiscal se restar consignada a prova de quitação dos tributos incidentes sobre o imóvel; ∙ Requer o recebimento da impugnação, juntada de novos documentos, perícia técnica e exclusão dos juros e multa aplicados. A DRJ ao apreciar os argumentos do contribuinte, entendeu que a impugnação é procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007, 2008 Constitucionalidade e/ou Legalidade. Não cabe ao órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou atos normativos da SRF. Auto de Infração. Nulidade. Não tendo sido constatada ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.720470/201111 Acórdão n.º 2202002.889 S2C2T2 Fl. 4 5 prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Imóvel Rural Inexistente. Registro Cartorário. Prova Ineficaz. O registro do imóvel rural no Cartório de Registro Imobiliário enquanto não cancelado produz todos os efeitos legais. Sujeito Passivo do ITR. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural, assim definido em lei. Áreas de Preservação Permanente/Coberta com Florestas Nativas. Tributação. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e Coberta com Florestas Nativas, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas mediante apresentação de Laudo Técnico emitido por profissional competente, com a correta localização e dimensão dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado no prazo previsto em ato normativo do Ibama. Valor da Terra Nua. Laudo de Avaliação. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso tempestivo, reiterando os mesmos argumentos da impugnação, que não foram aceitos. Que inexiste o fato gerador e a nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa. Da ilegalidade do auto de infração pela ausência de autorização normativa para o arbitramento. Da impugnação à alíquota fixada no auto de infração, que entende como confiscatória. Esta câmara por unanimidade de votos votou no sentido de ser convertido em diligência para que o recorrente apresente no prazo de 20 dias, documentos e provas adicionais que permitam elucidar de maneira precisa a suposta inexistência do imóvel tal como apontado na impugnação e recurso voluntário. A autoridade lançadora executou a diligência. O recorrente anexou cópia dos expedientes,decisão em ação ordinária N0. 500976002.2011.404.700. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto O recurso esta dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Concomitância com a via judicial no que toca a discussão da inexistência do imóvel Por força dos documentos acostados aos autos com o retorno do processo, antes de apreciar o mérito recurso voluntário, cabe apontar uma questão prejudicial. A discussão do processo, no que toca a matéria da inexistência do imóvel já foi submetida ao judiciário, tal como se depreende dos documentos acostados aos autos. O contribuinte foi a judiciário quando teve não conhecida a sua impugnação por intempestiva. Desse modo foi ao mesmo solicitando a nulidade do lançamento dos Exercício 2005 e 2006. Com a devida vênia, para este relator, a questão da inexistência do imóvel foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, razão pela qual entendo encontrase este Conselho impedido de proceder ao seu exame. Acrescentese, por pertinente, que a busca da tutela do Poder Judiciário não impede a formalização do crédito tributário, por meio do lançamento, objetivando prevenir a decadência. Sobre esse ponto aplico a súmula Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.( Súmula CARF nº 1). O litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, no que toca a existência ou não do referido imóvel, devese trancar a via administrativa nessa matéria. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, tornando definitiva nesse âmbito a exigência do crédito tributário em litígio. Portanto no Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER a preliminar de inexistência do imóvel, visto que submetidos à manifestação do poder jurisdicional (opção pela via judicial) No que toca as demais questões cabe aqui apreciar. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são Fl. 310DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.720470/201111 Acórdão n.º 2202002.889 S2C2T2 Fl. 5 7 os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado, salvo venha a ser demonstrado a inexistência do imóvel que está agora sendo apreciada no judiciária. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Do Mérito Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e Coberta com Florestas Nativas, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas mediante apresentação de Laudo Técnico emitido por profissional competente, com a correta localização e dimensão dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado no prazo previsto em ato normativo do Ibama. O contribuinte não apresentou laudo técnico nem mesmo comprovou a apresentação de ADA, o que inviabiliza qualquer alteração do lançamento. No que toca ao VTN não houve questionamento especifico mantendose tal como lançado. Uma vez que não houve apresentação de laudo, e o valor do SIPT foi calculado com aptidão, este é valido para fins de calculo do VTN. Procede também o lançamento funtamentado nas alíquotas aplicadas, pois assim determina a legislação. Por último, devese registrar que o CARF não é competente para se manifestar sobre a suposta multa confiscatória. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Ante ao exposto, voto por não conhecer da preliminar de inexistência do imóvel tendo em vista a opção pela via judicial. Nas demais questões, rejeito a preliminar de nulidade e no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 311DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 19515.722496/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - SELIC - MULTA - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - SUPOSTA COMPENSAÇÃO EM GFIP - PIS - CONFINS
As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos.
Compete ao recorrente durante o procedimento fiscal, demonstrar não apenas demonstrar a regularidade fiscal, bem como o direito créditório. Incapaz de refutar o lançamento a argumentação de compensação, sem a demonstração objetiva dos direito creditório e de cada compensação realizada.
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA INCABÍVEL CONSIDERANDO A NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. A retroatividade benigna para limitar a multa a 20% é incabível, quando constatado que a natureza da multa aplicável no presente lançamento é "de oficio".
Numero da decisão: 2401-003.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso em relação a todos os DEBCAD lançados no presente processo, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que davam provimento parcial para limitar a multa a 20%.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - SELIC - MULTA - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - SUPOSTA COMPENSAÇÃO EM GFIP - PIS - CONFINS As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Compete ao recorrente durante o procedimento fiscal, demonstrar não apenas demonstrar a regularidade fiscal, bem como o direito créditório. Incapaz de refutar o lançamento a argumentação de compensação, sem a demonstração objetiva dos direito creditório e de cada compensação realizada. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA INCABÍVEL CONSIDERANDO A NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. A retroatividade benigna para limitar a multa a 20% é incabível, quando constatado que a natureza da multa aplicável no presente lançamento é "de oficio".
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722496/201246 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.924 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, SALÁRIOS INDIRETOS Recorrente EBF VAZ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA PROCEDÊNCIA DOS FATOS GERADORES Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao ser devidamente intimado a apresentar esclarecimentos sobre lançamentos contábeis passíveis de constituir fato gerador de contribuições previdenciárias, deve o recorrente apresentar todos os documentos capazes de afastar o lançamento e comprovar suas alegações. Meros argumentos não afastam o lançamento, quando o mesmo consubstanciase em elementos de prova apurados durante o procedimento fiscal. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da autuação. CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO SUPOSTA COMPENSAÇÃO EM GFIP PIS CONFINS As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Compete ao recorrente durante o procedimento fiscal, demonstrar não apenas demonstrar a regularidade fiscal, bem como o direito créditório. Incapaz de refutar o lançamento a argumentação de compensação, sem a demonstração objetiva dos direito creditório e de cada compensação realizada. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 96 /2 01 2- 46 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA INCABÍVEL CONSIDERANDO A NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. A retroatividade benigna para limitar a multa a 20% é incabível, quando constatado que a natureza da multa aplicável no presente lançamento é "de oficio". ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO SELIC MULTA IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso em relação a todos os DEBCAD lançados no presente processo, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que davam provimento parcial para limitar a multa a 20%. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.722496/201246 Acórdão n.º 2401003.924 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela EBF VAZ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. aos seus empregados e prestadores de serviços, no período de 01/2009 a 12/2009, conforme abaixo especificado. (1) AI DEBCAD n.º 51.033.1556 Referente às contribuições patronais destinadas à seguridade social, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais no período de janeiro a dezembro de 2009 (inclusive 13º salário), na forma dos incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91. (2) AI DEBCAD n. 51.033.1564 Referente a contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre as respectivas remunerações do período de janeiro a dezembro de 2009 (inclusive 13º salário), cuja arrecadação e recolhimento incumbem à empresa, na forma estabelecida no art. 30 da Lei 8.212/91 e no art. 4º da Lei 10.666/2003. (3) AI DEBCAD n. 51.033.1572 Referente a contribuições destinadas a terceiros (Salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais no período de janeiro a dezembro de 2009 (inclusive 13º salário). (4) AI DEBCAD n. 51.033.1548 Referente à aplicação de multa por infração ao disposto no art. 52 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 32, alínea “b”, da Lei nº 4.357/64, ou seja, por haver procedido à distribuição de lucros mesmo estando em débito não garantido com a União. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 200 a 230, constituem fatos geradores: Quanto às remunerações incluídas em folha de pagamento e ao pro labore dos sócios ▪ A relação dos valores pagos aos segurados empregados, informados nos resumos das folhas de pagamentos entregues pela empresa, encontramse demonstrados na Tabela I (fl. 202); ▪ A relação dos valores retidos dos empregados, também informados nos resumos das folhas de pagamentos entregues pela empresa, encontramse demonstrados na Tabela II (fl. 203); ▪ A relação dos valores pagos e retidos dos Sócios a Titulo de PróLabore, informados na contabilidade na conta contábil num. 03.03.02.01.076017 PROLABORE, encontramse demonstrados na Tabela III (fl. 204); ▪ Do confronto dos valores informados nos resumos da Folha de Pagamento e dos valores do Pró Labore informados na contabilidade, com os valores informados em GFIP antes do início da ação fiscal, foram apuradas as diferenças que estão relacionados na coluna “OMISSÃO de informação” da Tabela IV (fls. 204 e 205); Fl. 427DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Quanto aos pagamentos de comissões sobre vendas ▪ Relativamente ao ano calendário de 2009, foram encontrados valores pagos a titulo de “Comissões” na conta contábil “02010602054731 COMISSÕES A PAGAR”, com a descrição predominante “Pagamento de comissões sobre vendas”; ▪ Face à não apresentação, pela autuada, de documentos que justificassem e respaldassem esses pagamentos – a empresa apenas alegou que se tratava de comissões pagas a representantes comerciais por vendas realizadas –, não foi possível identificar os reais beneficiários dessas comissões, de modo que os respectivos valores, discriminados na Tabela VI (fls. 206 a 209) foram considerados remunerações por serviços prestados por segurados contribuintes individuais. Quanto aos pagamentos de Auditoria e Consultoria ▪ A empresa foi intimada a apresentar documentação hábil e idônea para os valores lançados na conta contábil “03030203076519 AUDITORIA E CONSULTORIA”, com a descrição predominante “PG SERV.AUDITORIA E CONSULTORIA CF.COMP”; ▪ Face à não apresentação de documentos que justificassem e respaldassem esses pagamentos, não foi possível identificar os reais beneficiários dessas despesas, de modo que seus valores, discriminados na Tabela VII (fls. 210 e 211), foram considerados remunerações pagas a segurados contribuintes individuais por serviços prestados à empresa. Quanto aos pagamentos de prêmios e gratificações ▪ A empresa foi intimada a apresentar documentação hábil e idônea para os valores lançados na conta contábil “03030201076022 – PREMIO E GRATIFICAÇÕES”, com a descrição predominante “PAGTO PRÊMIOS E GRATIF. CFE EXTRATO”; ▪ Face à não apresentação de documentos que justificassem e respaldassem esses pagamentos, não foi possível identificar os reais beneficiários dessas despesas, de modo que seus valores, discriminados na Tabela VIII (fls. 212 a 215), foram considerados remunerações pagas a segurados empregados a título de prêmios ou gratificações. Quanto à glosa de compensação ▪ Face à não apresentação, pela empresa, de documentos que comprovassem a regularidade das compensações realizadas por meio das GFIP das competências 09 a 13/2009, procedeuse à glosa desse procedimento e ao consequente lançamento das importâncias demonstradas na tabela do item 2.5.2. Quanto à multa por descumprimento de obrigação acessória ▪ Foram encontrados na contabilidade lançamentos a título de distribuição de lucros, ocorrida em períodos em que a empresa estava em débito com a previdência social, eis que procedera ao recolhimento apenas das contribuições descontadas dos segurados; ▪ Desta forma, restou caracterizada a infração prevista no caput do art. 52 da Lei nº 8.212/91, c/c a alínea “b” do art. 32 da Lei nº 4.357/64, ensejando a lavratura do Auto de Infração nº 51.033.1548, para aplicação da multa apurada conforme a tabela de fl. 229. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 17/10/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/10/2012. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 135 a 179. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.722496/201246 Acórdão n.º 2401003.924 S2C4T1 Fl. 4 5 Foi exarada a Decisão de 1 instância, 351 e seguintes, que confirmou a procedência em parte do lançamento. Destacase ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRAZO DE DEFESA. MATÉRIA SOB RESERVA DA LEI. ALTERAÇÃO PELO FISCO. IMPOSSIBILIDADE. O prazo para o sujeito passivo impugnar o ato administrativo de lançamento é matéria sob reserva de lei, descabendo aos agentes do Fisco alterálo para atender a eventuais particularidades de cada caso concreto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. JUNTADA APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE RESTRITA ÀS HIPÓTESES LEGAIS. No processo administrativo fiscal disciplinado pelo Decreto federal nº 70.235/72, a regra é de que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto nas hipóteses do § 4º do art. 16 do referido normativo. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DEMAIS ATOS NORMATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal regularmente posto e em vigor, vez que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 386 e seguintes, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. ▪ PRELIMINARMENTE DO DIREITO DE DEFESA AMPLO, DO AUMENTO DE PRAZO E DA JUNTADA DE DOCUMENTOS NOVOS DO PEDIDO DE DEVOLUÇÃO DO PRAZO. A defesa deve ser ampla e plena, razão pela qual não há obice a dilação para o prazo de defesa e especialmente para apresentação de novos documentos. Vejase que a autoridade fiscal precisou de mais de 24 meses para realizar o trabalho, sendo que o contribuinte, ao contrário do que aduzido nos autos apresentou toneladas e centenas de caixas de documentação, atendendo tudo que lhe foi solicitado, razão pela qual não se mostra razoável que o mesmo tenha apenas 30 dias de prazo para realizar sua defesa. 2. QUANTO AO AI Nº 51.033.1556, 51.033.1564 E 51.033.1572 2.1. Devem ser reformados os autos de infração quanto aos lançamentos relativos às denominadas “COMISSÕES”, uma vez que, nos termos das 16 notas fiscais anexadas, estamos tratando de comissões oriundas de representantes comerciais, da Lei 4.886/65, Fl. 429DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 e não salários transmudados de comissões, que gerariam, aí sim, retenções e contribuições previdenciárias; 2.2. Também devem ser reformados os autos de infração quanto aos lançamentos relativos aos denominados serviços de “AUDITORIA e CONSULTORIA”, pois os valores foram, efetivamente, destinados ao pagamento de auditorias e consultoria administrativas contábeis, fiscais e jurídicas oriundas da empresa DALLA’DEIA CONTÁBIL LTDA., regularmente inscrita no CNPJ sob nº 67.974.386/000103 e que forneceu as devidas notas fiscais, apresentadas durante o processo de fiscalização e que só não foram novamente apresentadas, com a defesa, por falta de tempo hábil; 2.3. Da mesma forma, devem ser reformados os autos de infração quanto aos lançamentos relativos aos denominados “PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES”, pois, conforme alguns anexos, cuidamse de participações nos lucros e resultados, devidamente realizados dentro da legislação pertinente e que deveriam ter sido levados em consideração; 2.4. As denominadas glosas de compensação indevida são descabidas penalidades, pois não ficaram demonstradas nos autos, descabendo, ao menos o afastamento de multas e juros; 2.5. A aplicação de multa isolada, cumulada com multa de mora e juros, elevou o respectivo auto, indevidamente, em algumas milhares de reais, em evidente e condenável confisco, diante das atuais decisões do E STJ e e STF, bem como do conselho de contribuintes; 2.6. Havendo, como houve, por parte da contribuinte, o recolhimento de tributos e existindo, como há, boafé em suas informações fiscais, a aplicação da multa de 75% se mostra excessiva, injusta, confiscatória e atentatória contra o princípio da razoabilidade, devendo ela, destarte, ser reduzida ao limite máximo de 20%. 3. ▪ QUANTO AO AI Nº 51.033.1564 Os valores relativos aos recolhimentos e contribuições afetas aos segurados para o período em discussão já foram encaminhados para parcelamento administrativo ordinário, inexistindo, por esta razão, necessidade de envio de representação penal; 4. ▪ QUANTO AO AI Nº 51.033.1548 1ª) Este auto deve ser anulado porque inexiste comprovação, vg, de distribuição de lucro, bastando a verificação de que a empresa acumulou prejuízo no exercício; 2ª) Os pagamentos constatados pela fiscalização cuidamse, por certo, de despesas realizadas pelos sócios para administração e andamento de atividades da própria empresa, não lucro. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.722496/201246 Acórdão n.º 2401003.924 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 140. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a alegação de cerceamento de defesa, posto que não foi concedido tempo hábil a interposição de defesa, bem como deve ser permitida a juntada de documentos a qualquer tempo, razão não confiro ao recorrente. O procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, constando dos autos, não apenas o MPF que apresenta a autoridade fiscal responsável pelo lançamento, bem como os termos de início, intimações realizadas durante o procedimento fiscal, bem como todos os relatórios e planilhas capazes de demonstrar ao recorrente detidamente todos os fatos geradores apurados. Quanto a elastecer o prazo de defesa, entendo que a questão foi devidamente enfrentada pela autoridade de primeira instância, razão pela qual tomo também como razões de decidir suas palavras: QUANTO AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA A reclamação da empresa quanto a prazo para impugnação dos lançamentos, por ela tido como exíguo a ponto de violar o princípio da isonomia e cercearlhe o direito de defesa, não pode ser acolhida pelas razões que passamos a articular. Primeiramente, porque o prazo de trinta dias in casu deferido à autuada é, exatamente, o definido no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União. Confirase:: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Vêse, então, que o prazo contra o qual se insurge a “EBVAZ” (e que é mencionado no item 4 do relatório intitulado “IPC – INSTRUÇÕES PARA O CONTRIBUINTE”, anexado às fls. 194 e 195) decorre não de suposta discricionariedade do auditor notificante, mas, sim, de mero e estrito cumprimento do normativo que regula o chamado processo administrativo fiscal Fl. 431DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 da União, segundo o qual a defesa, efetivamente, deve ser apresentada no prazo improrrogável de trinta dias, “contados da data em que for feita a intimação da exigência” – no caso, de 21/11/2012, quando a empresa restou pessoalmente notificada da lavratura dos autos de infração sob comento. Tendose em mira que o referido Decreto não estabelece qualquer hipótese de ampliação do trintídio a que alude o seu art. 15, Dessarte, não há a menor dúvida de que o procedimento fiscal está em perfeita harmonia com a legislação de regência – o que, digase de passagem, é o quanto basta para a sua ratificação no âmbito da administração fazendária –,restando à empresa, para tentar fazer valer a sua tese de cerceamento de defesa, apenas arguir a invalidade do próprio Decreto nº 70.235/72 – que é, afinal de contas, o que ela faz, embora não expressamente, neste item de sua impugnação, quando alega ofensa aos princípios da isonomia– seja lá qual for o sentido em que o afirma – e do contraditório e da ampla defesa, ambos consagrados no art. 5º da Constituição Federal de 1988. Ocorre que o enfrentamento desse tipo de alegação já refoge ao âmbito de competência deste órgão julgador, pois, como se sabe, em sede de processo administrativo são estranhas as discussões em torno da suposta inconstitucionalidade de lei – vício de que estaria inquinado o aludido Decreto, eis que, segundo o contribuinte, houve in casu violação aos princípios da isonomia e do direito de defesa, ambos contemplados no art. 5º do Texto Supremo –, posto essa matéria ser afeta aos órgãos competentes do Poder Judiciário, assim por meio do controle difuso como pelo concentrado, ressaltandose que, neste último caso, a competência é exclusiva da Suprema Corte, conforme expresso no artigo 102, I, "a" da Constituição Federal, in verbis: Já quanto a apresentação de documentos a qualquer tempo, entendo que a colocação do recorrente não merece prosperar. O momento oportuno para apresentação de documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária é durante o procedimento fiscal. No presente caso, indicou a autoridade fiscal que diversos lançamentos contábeis à título de comissões sobre vendas, gratificações, auditoria dentre outros não restaram comprovados pela empresa, razão pela qual os valores foram lançados. Todavia, alega o recorrente a possibilidade de apresentar documentos a qualquer tempo para comprovar suas alegações, o que não venho a concordar. Admitisse o direito tributário brasileiro a apresentação de documentos a qualquer momento, não haveria qualquer obrigação de mostrálos durante o procedimento fiscal, abrindose a possibilidade do contribuinte tumultuar o processo, com a apresentação de diversos documentos, que, em muitos casos, necessitariam diligências para sua aprecisação. Assim, tendo sido lançadas contribuições sobre fatos geradores, que entende o o recorrente não constituem fato gerador ou mesmo base de cálculo, deveria indicar pontualmente cada uma delas, o que seria plenamente possível dada a análise das planilhas descritas nos relatórios fiscais. Notese que os documentos apresentados pelo contribuinte não foram descartados em sua totalidade, mas apenas afastou a apreciação dos mesmos para um determinado período não constante da presente autuação. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.722496/201246 Acórdão n.º 2401003.924 S2C4T1 Fl. 6 9 Não há que se falar também em prazo exiguo, frente aos 24 meses de auditoria. O procedimento de auditoria fiscal, não extinguese em apenas um ato, mas dáse de forma continuada, sendo que da mesma forma, que a auditoria teve 24 meses, o recorrente dispôs de igual período para organizar toda a sua documentação. Isto posto rejeito as alegações de nulidade pelo cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, entendo incabível, via de regra que na esfera recursal, apresente o recorrente documentos novos para comprovar suas alegações, caracterizase títpico caso de preclusão, salvo nos casos onde a apresentação dos mesmos não foi possível anteriormente por motivo de força maior, ou quando os documentos forem necessários a contrapor fatos narrados na decisão de primeira instância. DO MÉRITO Durante o procedimento fiscal, o recorrente foi intimado a esclarecer os diversos pagamentos registrados em sua contabildade, que pela natureza dos serviços, poderiam levar ao entendimento de constituírem fato gerador. Mesmo não apresentando os esclarecimentos oportunos, teve ainda a impugnação, contudo não há como acatar argumentos genéricos para desconstituir lançamento fundamentos em registros ontábeis. COMISSÕES Quanto alegação de inexistência de comissões como salários, tendo em vista que decorrentes de representações comerciais regidas pela lei 4886/65, novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar que os fatos geradores não existiriam. Quanto as notas fiscais apresentadas durante a impugnação, deixou claro autoridade fiscal que as mesmas não serviriam para afastar a integralidade do lançamento, tendo em vista que grande parte abarcava períodos foro os ora lançados. Observe que mesmo após as considerações do julgador de primeira instância, acerca dos argumentos e documentos apresentados, resumiuse o recorrente a repetir as mesmas alegações de forma genérica, razão pela qual não lhe atribuo razão. DAS AUDITORIAS E CONSULTORIAS e PRÊMIOS Quanto a alegação de que os valores pagos a auditorias e consultorias, não constituiriam fato gerador, considerando, tratarse de pagamentos a PJ novamente embora alegue o recorrente, não comprovou suas alegações com documentos e registros contábeis capazes de afastar os pagamentos da condição de fatos geradores. PRÊMIOS Em relação aos PRÊMIOS, alega simplesmente em seu recurso, ser incabível a autuação uma vez que representam na verdade participação nos lucros. Ora, a legislação é muito claro, sobre as verbas que compõem o conceito de remuneração, bem como o art. 28, § 9 define as que encontrase excluídas do conceito de salário de contribuição, razão pela qual simplesmente alegar ser PLR de forma, alguma retira a natureza salarial do pagamento. E novamente, não venha alegar a possibilidade de juntada de documentos a qualquer tempo. Observe as inúmeras oportunidades concedidas ao recorrente, considerando que o lançamento foi realizado em 2012, de forma clara, possibilitando o reconhecimento por Fl. 433DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 rubrica dos pagamentos, com a descrição inclusive da conta contábil onde foram apurados os valores. DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO Em relação a glosa de compensações alega ter direito a mais de 3 milhões de reais de créditos, uma vez que a autoridade fiscal deixou de observar os seus demonstrativos de apuração de PIS e CONFINS. Com relação ao argumento de realização de compensação, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A autoridade fiscal em seu relatório descreve a não comprovação dos valores das compensações realizadas em GFIP, por parte do recorrente durante o procedimento, o que foi ratificado pela autoridade de primeira instância. Ora, descreveu o auditor que durante o procedimento fiscal não demonstrou o recorrente ter efetivamente recolhido as contribuições, nem tampouco detalhou as compensações realizadas. Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, compete a empresa apresentar a provas das compensações realizadas, o que entendo não restou demonstrado, por meio dos fato trazidos pelo auditor. Notese que nem mesmo após a decisão de primeira instância apresentou o recorrente as provas quanto ao recolhimento integral das contribuições dos agentes políticos, sua informação em GFIP. Trouxe o auditor o conta corrente do ente púbico, indicando a ausência de recolhimento fato que não foi contestado. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.722496/201246 Acórdão n.º 2401003.924 S2C4T1 Fl. 7 11 Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Assim, entendo que para existir a compensação teria que comprovar o recorrente tratarse de tributo de mesma natureza e qual a origem daqueles informados no documento GFIP. AI Nº 51.033.1564 Não há o que ser apreciado, considerando ter o recorrente descrito o parcelamento do debito. QUANTO AO AI Nº 51.033.1548 Quanto a este argumento, importante destacar a alegação do recorrente: 1ª) Este auto deve ser anulado porque inexiste comprovação, vg, de distribuição de lucro, bastando a verificação de que a empresa acumulou prejuízo no exercício; 2ª) Os pagamentos constatados pela fiscalização cuidamse, por certo, de despesas realizadas pelos sócios para administração e andamento de atividades da própria empresa, não lucro. Por outro lado, entendeu a autoridade fiscal, que os valores declarados em GFIP, porém recolhidos apenas a contribuição dos segurados, descrevem a existência de débito, que torna infração a distribuição de lucros aos sócios. Tal fato, constitui infração prevista no artigo 52 inciso II da Lei n. 8212/91 c/c artigo 285 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n. 3048/99 que prescreve que : " À empresa em débito para com a Seguridade Social é proibido dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sóciocotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento" . As xerocópias das declarações acima apontadas encontramse juntadas aos autos. Nos termos do art. 33, parágrafo 7 da lei 8212/91, constitui débito, Esse fato atrelado a não insurgência do recorrente rebatendo o auto de infração. (3) AI DEBCAD n. 51.033.1572 Quanto ao DEBCAD acima descrito, não houve por parte do recorrente qualquer impugnação expressa, razão pela qual não há o que ser apreciado. Cumpre observar, primeiramente, que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Identificada a conexão entre os processos, e sendo ambos julgados na mesma oportunidade o encaminhamento darseá no mesmo sentido do processo principal em relação aos fatos geradores que constituem base de cálculo da contribuição destinada a terceiros. LIMITAÇÃO DA MULTA A 20% Por fim, quanto a alegações de incabíveis multa isolada de 75%, ou mesmo deva a mesma ser limitada a 20%, razão não assiste ao recorrente, nos termos abaixo descritos. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 No que tange a argüição de ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a exigência da CONTRIBUIÇÃO ora exigida, DA MULTA PROPORCIONALIDADE, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as exigências previstas na Lei n ° 8.212/1991. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis não apenas a contribuição ora exigida, como o juros e multa correspondentes. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto a multa aplicada, entendo correto o posicionamento adotado pelo auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI comparandoo com a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 436DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.722496/201246 Acórdão n.º 2401003.924 S2C4T1 Fl. 8 13 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa acima julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância, como os normativos vigentes, tendo sido, na interpretação dada pelo auditor fiscal. Notese que a aplicação do somatório das multas para efeitos de apuração da multa mais benéfica, impossibilita a aplicação da limitação da multa a 20%, por considerar, que a multa aplicada pela legislação anterior não tem caráter de moratória, mas de multa de ofício, assim, utilizo os mesmos argumentos para aplicação da multa de GFIP para afastar a pretensão do recorrente. JUROS SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 438DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.722496/201246 Acórdão n.º 2401003.924 S2C4T1 Fl. 9 15 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Por todo o exposto, entendo que o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima propostos, haja vista os argumentos apontados pela recorrente serem incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para REJEITAR a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO em relação a todos os DEBCAD lançados no presente processo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900408/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Recurso provido
Numero da decisão: 1803-002.065
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea da Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido
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M.CONSTRUTORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea da Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 04 08 /2 00 9- 56 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900408/200956 Acórdão n.º 1803002.065 S1TE03 Fl. 104 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0819.668 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, constante das fls. 30 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “O interessado, supra qualificado, entregou via Internet a Declaração de Compensação, fls. 01/05, na qual pretende compensar o pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior (código de receita 2089) relativo ao período de apuração encerrado em 30/06/2002. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, com base no seguinte fundamento (fls. 01/05): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificado desse despacho em 04/03/2009, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade em 03/04/2009, fls. 09, alegando que a inconsistência se deu devido ao preenchimento da DCTF, onde o débito relativo a esse período foi informado a maior, e o DARF foi totalmente vinculado a este débito. Para corrigir a situação, apresenta a DCTF retificadora, relativa ao 2° trimestre de 2002, com o débito correto”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, na sessão de 22/12/2010, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0819.688 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade.”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que somente é possível mediante apresentação dos elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. RETIFICAÇÃO DE DCTF. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900408/200956 Acórdão n.º 1803002.065 S1TE03 Fl. 105 3 A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 07/01/2011 (sextafeira) (AR constante das fls. 36), a B. M. CONSTRUTORA LTDA, nova denominação da B. M.CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0819.688, recorre em 08/02/2011 (fls. 37 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “Diante do exposto, vem a ora Recorrente requerer que V. Sas. se dignem de considerar procedente o presente Recurso Voluntário, acatandoo em todos os seus termos, e reformando in totum o Acórdão n°. 0819.688, proferido pela da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, no intuito de que seja admitida a DCTF retificadora apresentada, para posterior reexame e procedência da requerida COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA dorespectivo crédito tributário comprovado nessa”. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900408/200956 Acórdão n.º 1803002.065 S1TE03 Fl. 106 4 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Em relação ao mérito, passo que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, quando afirmou às fls. 31 e segs dos autos: “O exame inicial da declaração apresentada à Administração Tributária revelou que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Não havia, pois, saldo disponível (ou seja, não havia crédito liquido e certo) para suportar a extinção. Dai a não homologação pela autoridade local. Em sua defesa, o contribuinte alega ter se equivocado no preenchimento DCTF, e informa que procedeu à retificação da declaração, após a ciência da não homologação da compensação. Como a DCTF foi retificada após o despacho impugnado, é pertinente perquirir acerca da possibilidade jurídica de o requerente fazêla e da eficácia probatória que a DCTF retificadora carreia na comprovação do alegado indébito. De inicio, é conveniente lembrar que o procedimento adotado pelo contribuinte teve por objetivo a extinção de crédito tributário, mediante a modalidade prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional — CTN (compensação). Por não ter sido homologada, foi proferido despacho decisório no qual constam os motivos que embasaram o indeferimento do pleito. Nesse mesmo ato o postulante foi intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados (campo 4 do despacho decisório). A razão da existência dessa intimação é simples. Como o pedido de compensação do débito extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, §3°, da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637, de 2002), a partir da não homologação da compensação deve ser reativada a cobrança do tributo, que até então era considerado extinto. O art. 7° do Decreto n° 70.235/72 elege como uma das hipóteses que caracteriza o inicio do procedimento fiscal a prática de ato de oficio por servidor competente cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Já o § 1 0 do mesmo artigo dispõe que o inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (...)” Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10380.900408/200956 Acórdão n.º 1803002.065 S1TE03 Fl. 107 5 Diante do que consta dos autos, vejo que a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE não aceitou, como componentes do saldo negativo, os valores de estimativa pagos a maior, o que é, incontestavelmente, um equívoco, tendo em vista que a Recorrente apresentou as DCTF’s que suportam o crédito utilizado. Além do mais, quando o pagamento efetuado é superior ao débito IRPJ declarado, o valor considerado como estimativa IRPJ efetivamente paga é o pagamento limitado ao montante declarado. Isto porque os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB são alimentados pelos débitos declarados em DCTF, bem como pelo fato do próprio contribuinte ter feito expressamente distinção entre o pagamento e o valor pago do débito. Ou seja, ficou devidamente comprovado o direito da Recorrente em relação ao valor de R$ 5.422,91, não podendo prevalecer à decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, tendo em vista que uma breve análise nas informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório seria suficiente para validar a compensação realizada. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. E foi isso que efetivamente aconteceu. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, reformando, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE. (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
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Numero do processo: 15504.016043/2009-50
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.985
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 60 43 /2 00 9- 50 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 3 2 Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa apresentou o documento a que se refere a Lei nº 8.212, de 1991, art. 32, IV e § 3º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto no mesmo diploma legal, art. 32, IV e § 5º, também acrescentado pela Lei nº 9.528, de 1997, c/c o art. 225, IV e § 4º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 22 de junho de 2010 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. Constitui infração à legislação, a empresa apresentar GFIP/GRFP como dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Supremo Tribunal Federal – STF, através da Súmula Vinculante nº 8, de 12 de junho de 2008, declarou inconstitucional o artigo 45 da lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que havia fixado o prazo decadencial de 10 (dez) anos para a constituição de contribuições para a Seguridade Social. A lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente, e deve obrigatoriamente ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado, não sendo o fórum administrativo próprio para albergar discussões dessa ordem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 5 4 Tratase de AI lavrado em razão de suposto descumprimento de obrigação acessória, qual seja, ter deixado de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Após a apresentação de defesa, o lançamento foi julgado procedente. Entretanto, em que pese o conhecimento e saber jurídico da i. auditora fiscal, seu entendimento em nada coaduna com a situação fática e a de direito que se apresentam, como será demonstrado, devendo ser o auto de infração julgado totalmente insubsistente. Há que se salientar que, na forma do art. 173 do CTN o prazo de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, ilegítima qualquer autuação sobre fatos geradores ocorridos antes de julho/2002, sendo nulo qualquer lançamento efetuado sobre o referido período. A aplicação da penalidade antes de se dar a oportunidade ao infrator de sanar as irregularidades constitui verdadeiro confisco, na medida em que o único intuito da administração fazendária é exclusivamente o arrecadatório. A suposta prática da infração por descumprimento da obrigação acessória em nada contribui que o Fisco não pudesse lançar os tributos que julga devidos, como o fez. A suposta inconsistência dos referidos documentos não causou qualquer prejuízo ao INSS, tanto é que a empresa foi autuada em valor bastante considerável, inclusive em relação aos fatos geradores ocorridos nos períodos de aplicação da penalidade. A multa se faz confiscatória e abusiva, pela completa ausência de prejuízo ao Erário, que dela fazse valer apenas como meio de coagir o contribuinte a pagar o crédito tributário cobrado. Há que se notar que não há qualquer razão para que a multa aplicada no presente AI tenha sido fixada em seu máximo, até porque a autuada não é reincidente, aliás, sequer cometeu a infração ou pode ser responsabilizada por ela, na forma de sucessão. Diante do exposto requer seja o presente recurso provido para declarar a total insubsistência / nulidade do auto de infração em epigrafe. Na oportunidade, pugna que todas as intimações referentes ao presente processo também sejam encaminhadas para os procuradores do contribuinte, subscritores da presente, com endereço profissional na Rua Juiz de Fora, nº 115, Conj. 1406 / 1410, Barro Preto, Belo Horizonte/MG, CEP: 30180120 – Tel. / Fax: (31) 32953595. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento foi realizado em razão de o contribuinte ter apresentado o documento a que se refere à Lei nº 8.212, de 1991, art. 32, IV e § 3º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto no inciso IV e parágrafo 5º do art. 32 do mesmo diploma legal, também acrescentado pela Lei nº 9.528, de 1997, combinado com o art. 225, IV e § 4º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, situação que caracterizou o descumprimento de obrigação acessória, conforme estabelece § 3º do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN. Em seu recurso, o contribuinte aduz que a autuação é ilegal e que ocorreu a decadência do direito de lançar, conforme a regra do inciso I do art. 173 do CTN, notadamente sobre os fatos geradores ocorridos antes de julho de 2002. No ponto, sem razão o contribuinte, tendo em vista que o período apurado diz respeito às competências de 01/2005 a 12/2005, decorrente do lançamento efetuado em 29/09/2009. Portanto, dentro do prazo estabelecido na regra invocada pelo próprio sujeito passivo (CTN, 173, I). No que se refere ao pedido para que todas as intimações fossem endereçadas aos procuradores da empresa recorrente, ressalto que tal disposição consta do art. 55 da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, in verbis: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I – dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II – para cada processo: a) O nome do relator; b) Os números do processo e do recurso; e c) Os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III – nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 7 6 Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. Como se pode observar, a legislação que rege o processo administrativo fiscal no âmbito federal já dispõe de mecanismos para que os contribuintes tenham informações da tramitação dos processos, cabendo a eles, obviamente, ficarem atentos às situações previstas no art. 55 do RICARF. Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 8 7 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016043/200950 Acórdão n.º 2803003.985 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10935.000972/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Uma vez que a recorrente, devidamente intimada por meio de TIAD, deixou de apresentar à fiscalização livros e documentos contábeis, deve ser mantida a multa aplicada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Uma vez que a recorrente, devidamente intimada por meio de TIAD, deixou de apresentar à fiscalização livros e documentos contábeis, deve ser mantida a multa aplicada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 09 72 /2 01 0- 97 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 59DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.000972/201097 Acórdão n.º 2402004.476 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por AUTO VIDROS CASCAVEL LTDA, em face do acórdão de fls. 25/28, restando mantida a multa lançada no Auto de Infração nº 37.247.4306. Verificase do Relatório Fiscal da Infração (fl 06), que a Empresa autuada, embora devidamente intimada, deixou de apresentar à fiscalização os Livros Diários e Razão referente aos anos de 2005, 2006 e 2007, bem como deixou de apresentar à fiscalização os acordos e sentenças trabalhistas, contrariando o previsto no Art. 33, §§ 20 e 30 da Lei 8.212/91. O contribuinte foi cientificado acerca do lançamento efetivado em 17/02/2010 (fls.11). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário (fls. 32/54), através do qual sustenta que: 1. deve ser imediatamente aplicada à emenda constitucional nº 62 autoriza a compensação de todas as cessões de crédito efetuadas pelo contribuinte, assim como todas as compensações já efetuadas pelos credores originários ou cessionários até 31 de outubro; 2. os créditos foram adquiridos por meio de instrumento público de cessão já passados em julgado e por sua vez não foram adquiridos por terceiros, sendo os créditos próprios; 3. é ilegal e onerosa o patamar aplicado alusivo a utilização da taxa Selic para a elaboração do cálculo de atualização dos tributos federais; 4. a exclusão a multa aplicada em relação ao débito, ante a ocorrência da compensação dos débitos previdenciários junto à previdência com os créditos adquiridos. É o relatório Fl. 60DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Conforme já relatado, o presente processo resumese na cobrança de multa em razão da recorrente ter deixado de apresentar livros, Diário e Razão, referente aos exercícios 2005, 2006 e 2007, bem como acordos e sentenças trabalhistas solicitados por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal. Inicialmente, cumpre apontar, que em momento algum a recorrente insurgiu se quanto à imposição fiscal objeto do Auto de Infração, de modo que o lançamento, por este motivo, é incontroverso. Ademais, quanto a matéria de recurso, resumese a repetir os argumentos trazidos em sede de Recuso Voluntário constante no Processo de nº 10935.000965/201095, razão pela qual trago a decisão ali apontada, senão vejamos: “(...) Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. DA COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS ADQUIRIDOS POR INSTRUMENTO DE CESSÃO DE CRÉDITOS Como já dito acima, o contribuinte adquiriu da empresa CWM Comércio e Administração de Bens Ltda, CNPJ 06.199.732/000139 direitos creditórios, que por sua vez adquiriu os créditos da empresa lnterocean Agência Maritimas Ltda CNPJ 88.059.571 1000142, por meio de escritura pública de cessão de direitos creditórios, originários de processo que discutia a constitucionalidade de exigibilidade de contribuições previdenciárias, cuja decisão foi favorável e transitou em julgado (Processo 2004.71.01.0027760 que transitou no Tribunal Regional Federal da 4a Região). Alega ser correta a compensação de tributos com a utilização de créditos oriundos das empresas supracitadas, adquiridas pelo Recorrente, uma vez que entende que os créditos utilizados na compensação são próprios. No entanto, razão não lhe assiste. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.000972/201097 Acórdão n.º 2402004.476 S2C4T2 Fl. 248 5 Acerca do instituto da compensação, é clara a Legislação tributária que prevê tal a modalidade nas hipóteses em que ocorrer o pagamento indevido de um tributo ou ainda que este tenha sido efetuado em valor maior ao efetivamente devido pelo contribuinte, Lei 8383/91, artigo 66, cito: Lei nº 8.383, de 1991: “(...)Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente(...)”. Certo é que a Recorrente não se enquadra na legislação supramencionada uma vez que houve o pagamento indevido tampouco a maior. Ademais, compulsando os autos, é notório que os créditos utilizados para compensação de valores pertenciam às empresas que foram adquiridas pela Recorrente, tratandose, portanto, de créditos de terceiros e não pertencentes à mesma, sendo tal modalidade de compensação vedada, como determina o artigo 74, § 12º, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [...] 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) No mesmo pensamento, bem fundamentou o relatório fiscal que trouxe os apontamentos legais acerca da matéria, senão vejamos: Lei 8.212/1991 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a titulo de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, (Redação dada pela Lei n° 11,941, de 27 de maio de 2009. Decreto 3.048/1999 Art. 247. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a seguridade social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. Instrução Normativa SRP 03 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social Na mesma esteira vejamos o posicionamento jurisprudencial deste Eg. Órgão Colegiado, Processo nº 13748.000832/200719, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária: “Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2006 CESSÃO DE CRÉDITO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita a rito e condições especificas definidas na Lei n° 8.212/91. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com créditos do sujeito passivo adquiridos de terceiros, se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito. Cabe à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e dos acréscimos moratórios, assim como a existência e a liquidez dos créditos tributários vincendos empregados na compensação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendolhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado”. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.000972/201097 Acórdão n.º 2402004.476 S2C4T2 Fl. 249 7 Assim, não há respaldo legal que permita outra forma de compensação senão a preconizada na Legislação, razão pela qual desfalece o pleito do Recorrente no que tange a compensação de valores. DA UTILILIZAÇÃO DE TAXA SELIC PARA ATUALIZAÇÃO DO VALOR DO TRIBUTO E EXCLUSÃO DA MULTA Alega a Recorrente que é ilegal e onerosa a utilização da taxa Selic para fins de atualização dos tributos federais devidos. Pleiteia também, pelo mesmo argumento, a redução da multa aplicada em relação ao presente débito. No entanto, temse que autoridade fiscal apenas aplicou a legislação já existente para o cômputo da multa bem como da incidência da taxa SELIC. Ademais, no que tange a alegação de ilegalidade da aplicação da alusiva taxa, verificase tratar de assunto já sanado, com a edição da Súmula 02, deste Órgão Colegiado, no sentido que o pronunciamento acerca da constitucionalidade de norma tributária resta prejudicado, em razão da competência privativa do Poder Judiciário, senão vejamos: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Não há que se falar em exclusão da multa aplicada uma vez que a autoridade fiscal simplesmente aplicou ao caso concreto, a legislação de regência, atentandose, ainda, à observância da retroatividade benigna em decorrências das alterações trazidas pela Lei 11.941/09. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720590/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado para aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca da recepção da contribuição destinada ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, com redação dada pela EC 33/2001, nos termos que determina o art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Participaram à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado para aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca da recepção da contribuição destinada ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, com redação dada pela EC 33/2001, nos termos que determina o art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado para aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca da recepção da contribuição destinada ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, com redação dada pela EC 33/2001, nos termos que determina o art. 62A do Regimento Interno do CARF. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório: Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.320.2946, lavrado em 19/07/2011, em face de Icatu Capitalizações S/A, no valor de R$ 295.103.44 (duzentos e noventa e cinco mil cento e três reais e quarenta e quatro centavos), referente às contribuições previdenciárias da parte patronal destinadas à Seguridade Social e àquelas para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), incidentes sobre valores pagos através de cartões FLEXCARD. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 59 0/ 20 11 -6 0 Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16682.720590/201160 Resolução nº 2301000.235 S2C3T1 Fl. 3 2 Tratase, também, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.348.8343, lavrado em 19/07/2011, em face de Icatu Capitalizações S/A, no valor de R$ 107.182,96 (cento e sete mil cento e oitenta e dois reais e noventa e seis centavos), referente às contribuições previdenciárias da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre valores pagos através de cartões FLEXCARD. Tratase, ainda, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.348.8351, lavrado em 19/07/2011, em face de Icatu Capitalizações S/A, no valor de R$ 1.879,18 (mil oitocentos e setenta e nove reais e dezoito centavos), referente às contribuições previdenciárias destinadas a terceiros (Salárioeducação e INCRA), incidentes sobre valores pagos através de cartões FLEXCARD. Tratase, por fim, dos seguintes Autos de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, lavrados em 19/07/2011, em face de Icatu Capitalizações S/A, todos relativos aos valores pagos através de cartões FLEXCARD: 1) nº 37.348.8319, no valor de R$ 6.094,28 (seis mil noventa e quatro reais e vinte oito centavos), referente à multa prevista nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinados com o art. 283, I, a, e art. 373 do Decreto 3.048/99, quadruplicada em razão da ocorrência de dupla reincidência genérica, nos termos do art. 292, IV, do RPS, por ter o contribuinte deixado de incluir, nas folhas de pagamento, a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (CFL nº 30). 2) nº 37.348.8300, no valor de R$ 60.942,20 (sessenta mil novecentos e quarenta e dois reais e vinte centavos), referente à multa nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinados com o art. 283, II, a, e art. 373 do Decreto 3.048/99, quadruplicada em razão da ocorrência de dupla reincidência genérica (circunstância agravante), nos termos do art. 292, IV, do Deceto 3.048/99, por ter o contribuinte deixado de lançar mensalmente, em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (CFL nº 34). 3) nº 37.348.8327, também no valor de R$ 6.094,28 (seis mil noventa e quatro reais e vinte oito centavos), referente à multa nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinados com o art. 283, II, g, e art. 373 do Decreto 3.048/99, quadruplicada em razão da ocorrência de dupla reincidência genérica, nos termos do art. 292, IV, do RPS, por ter o contribuinte deixado reter as contribuições a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, quando do pagamento das remunerações através de cartões FLEXCARD (CFL nº 59). 4) nº 37.348.8335, no valor de R$ 14.300,00 (catorze mil e trezentos reais), referente à multa prevista no art. 32A, II, da Lei 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissões ou informaões incorretas (CFL nº 78). Apresentadas, pela empresa, impugnações individualizadas no que diz respeito às autuações relativas às obrigações principais, e uma impugnação quanto às autuações por descumprimento das obrigações acessórias, o lançamento foi integralmente mantido pela decisão recorrida, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2008, 01/08/2008 a 31/03/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009, Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16682.720590/201160 Resolução nº 2301000.235 S2C3T1 Fl. 4 3 01/09/2009 a 31/10/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009 REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os prêmios concedidos a título de incentivo ao incremento da produtividade são parcelas de natureza retributiva e têm natureza jurídica salarial. Logo, compõem a remuneração e integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sempre que as condições previamente estabelecidas forem implementadas pelo trabalhador. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS. Devida contribuição social destinada aos Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infrações, deixar de informar em folha de pagamento a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; não arrecadar mediante desconto as contribuições a cargo dos empregados e contribuintes individuais e não lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições bem como apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com omissões e/ou incorreções. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: Não incidem as multas por descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que as condutas que deram origem às autuações dizem respeito a valores que não caracterizam base de cálculo de contribuições previdenciárias, além de que, diante da controvérsia acerca da procedência do lançamento do tributo, não é possível a cominação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. A contribuição destinada ao INCRA, caso entendida como contribuição social, foi extinta pela Lei 7.787/89, não havendo previsão a seu respeito nas Leis 8.212/91 e 8.213/91. Sendo contribuição de intervenção no domínio econômico, padece de inconstitucionalidade por desrespeitar o art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88. Tendo sido reconhecida, pelo Supremo Tribunal Federal, em sede do Recurso Extraordinário 630.898/RS, a repercussão geral acerca da recepção da contribuição ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, deve o julgamento do presente Recurso Voluntário ser sobrestado até decisão do STF cerca da matéria, em obediência ao art. 62A do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16682.720590/201160 Resolução nº 2301000.235 S2C3T1 Fl. 5 4 Nos termos do art. 15 da Lei nº 9.424/96, a base de cálculo da contribuição destinada ao SalárioEducação é vinculada ao conceito de saláriodecontribuição previsto na legislação previdenciária, em que os valores pagos a título de gratificação especial e premiação em campanhas não se enquadram. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto: Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Do sobrestamento do julgamento do presente Recurso Segundo o art. 62A, parágrafo primeiro, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 256 de 2009, ‘ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B”. O referido art. 543B do Código de Processo Civil, por sua vez, reza: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16682.720590/201160 Resolução nº 2301000.235 S2C3T1 Fl. 6 5 Da análise dos autos, verificase que uma das matérias postas em discussão diz respeito à recepção da contribuição destinada ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, com redação dada pela EC 33/2001. Em sede do Recurso Extraordinário 630.898/RS, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria acima especificada. Deste modo, entendo aplicável ao presente caso o disposto no art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, pelo que o julgamento do Recurso em exame deve se sobrestado até pronunciamento do STF no Recurso Extraordinário mencionado. Ante o exposto, conheço do recurso, e determino a conversão do julgamento em diligência, para aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca da recepção da contribuição destinada ao INCRA pelo art. 149, parágrafo segundo, III, a, da CF/88, com redação dada pela EC 33/2001, nos termos que determina o art. 62A do Regimento Interno do CARF. Sala das Sessões, em 16 de julho de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006217/2005-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE - IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA.
Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente.
A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. o que não se vislumbra na decisão embargada.
Obscuridade é a falta de clareza que dificulta o entendimento e aplicação do julgado, o que, em se tratando de inegável vício probatório, ou insuficiência de provas, não remanesceu qualquer obscuridade capaz de infirmar a decisão colegiada.
Numero da decisão: 1202-001.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para rejeitá-los, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo de Santos Mendes, Valmar Fônseca Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE - IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. o que não se vislumbra na decisão embargada. Obscuridade é a falta de clareza que dificulta o entendimento e aplicação do julgado, o que, em se tratando de inegável vício probatório, ou insuficiência de provas, não remanesceu qualquer obscuridade capaz de infirmar a decisão colegiada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para rejeitá-los, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima- Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo de Santos Mendes, Valmar Fônseca Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito, Orlando José Gonçalves Bueno.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. o que não se vislumbra na decisão embargada. Obscuridade é a falta de clareza que dificulta o entendimento e aplicação do julgado, o que, em se tratando de inegável vício probatório, ou insuficiência de provas, não remanesceu qualquer obscuridade capaz de infirmar a decisão colegiada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para rejeitálos, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 62 17 /2 00 5- 27 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo de Santos Mendes, Valmar Fônseca Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, fls. 219 a 222, em que a Fazenda Nacional alega CONTRADIÇÃO e OBSCURIDADE no Acórdão nº 1202000.785, proferido pela 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 1ª Seção de Julgamento, fls. 209 a 217, no qual, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiram negar provimento ao recurso voluntário, tendo a seguinte ementa: Assunto: Omissão de Receita – IRPJ/PIS/COFINS/CSLL Exercício: 2001, 2002 Art 24 da Lei no. 9.249/95. A omissão de receitas exige que o processo seja instruído de elementos probantes suficientes, fortes e inegáveis para atribuir a veracidade fática, real e indiscutível que deram origem ao lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Em suas alegações, a Embargante aduziu que no acórdão embargado houve certa contradição e obscuridade entre a decisão e seus fundamentos. Eis parte dispositiva do julgado: ““ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.””. Ressalta que o contribuinte, em sua peça recursal, requer o cancelamento da autuação. Aduz que ao prover o recurso, o colegiado, portanto, profere decisão de mérito, o que impediria a realização de novo lançamento para apuração dos mesmos fatos, enquanto, em sua fundamentação, aponta a insuficiência probatória da acusação fiscal. Este fundamento, no entanto, constitui vício formal, que conduz a anulação do lançamento e não ao seu cancelamento, pois, em tal hipótese, a exigência fiscal pode ser novamente lançada dentro do prazo decadencial, nos termos do art. 173, II do CTN. Alega então que o acórdão embargado, portanto, foi contraditório e obscuro, pois, provê o recurso do contribuinte para cancelamento do auto, fundamentado em vício, que, no entanto, conduz a sua anulação. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10830.006217/200527 Acórdão n.º 1202001.247 S1C2T2 Fl. 8 3 Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno Conforme relatado a Embargante alega contradição e obscuridade no Acórdão de nº 1202000.785, de fls. fls. 209 a 217, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário. Tratase de autuação em face da Embargada para exigências do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente aos exercícios de 2001 a 2002, por acusação da infração: omissão de receitas – receitas não contabilizadas. Vale relembrar, que se trata de imputação de omissão de receitas com base em levantamento investigativo, decorrente de ação da Polícia Federal, sobre remessas de numerário (dólares) ao exterior, com a utilização da conta CC5, mais conhecida a operação como “Beacon Hill Service Corporation”. Como se constata nos autos, a autoridade fiscal iniciou seu trabalho por força de determinação superior – representação fiscal da Coordenação Geral de Fiscalização, com base em cópias fornecidas pelo Departamento de Polícia Federal, Diretoria de Combate ao Crime Organizado, Divisão de Repressão aos Crimes Financeiros, Força Tarefa CC5, sendo que, nas referidas cópias de contas (autenticadas pelo Consulado Geral do Brasil em Nova York) consta a Embargada como ordenante de remessa de valores, conforme fls. 117 a 119, tendo intimado a Embargada para apresentar a relação das operações de transferências para o exterior por meio de contas titularizadas por residentes ou domiciliados no exterior, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior, motivo das remessas e a folha do livro diário em que a operação foi contabilizada. A matriz legal do enquadramento da infração é o artigo 24 da Lei nº. 9.249/95, conforme consta na fundamentação legal do lançamento de ofício do IRPJ. Pois bem, o enunciado daquele dispositivo é claro quando adota a expressão, textual: “verificada a omissão de receita”, assim analisando adota o verbo “verificar” para fixar como ação prévia e necessária a conclusão de omissão de receita. E esse verbo, utilizado pelo legislador, deve ser entendido, no ato de subsunção da ação fiscal, como conclusivo e inquestionável a fim de caracterizar o ato infracional a qual precede para completarse como figura jurídica reportando se ao mundo dos eventos investigados pela referida autoridade fiscal. Na lexicologia, o verbo “verificar”, significa, “indagar ou examinar a veracidade, averiguar, investigar, corroborar, confirmar, etc” (cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa), denotando uma ação com sentido de algo a ser efetuado, a ser confirmado, a ser corroborado, portanto, construído um procedimento operativo no sentido de descobrir, de analisar, de averiguar e confirmar alguma situação concreta. Lembrese, a regra tributária referida diz claramente que “verificada a omissão de receita...”, determinando que incumbe à autoridade fiscal esse ato de verificar, e, a rigor técnico semântico, a verificação que expressa o conteúdo de significado vocabular do aludido verbo transitivo e, assim o é, pois, racionalmente, manifesta uma ação que caminha para confirmação da veracidade de um evento, no caso, um fato jurídico tributário: a omissão de receita. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 Isto posto, inegavelmente, o trabalho da auditoria fiscal iniciouse com o ato de iniciativa da Coordenação Geral de Fiscalização que baixou a representação fiscal, a fim de que o sujeito passivo, dentre outros, fosse auditado em face ao elemento indiciário, qual seja, seus dados constarem de operações de remessas de dinheiro ao exterior, na condição de “ordenante”, conforme documentação apresentada por investigação da Polícia Federal. Tal documentação,cabe esclarecer, é “relação/transcrição das operações em que o contribuinte identificado aparece como Beneficiário,Ordenante e/ou Remetente de divisas através de contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova York por BHSC – Beacon Hill Service Corporation, independente de documentação em papel”, conforme documento a fls.116 destes autos. Válido relembrar a forma como ocorreu a intimação fiscal à Embargada: A autoridade administrativa intimou a Embargada, em 22 de agosto de 2005, para apresentar relação das operações de transferências de recursos para ou do exterior por meio de contas tituladas por residentes ou domiciliados no exterior, a qualquer titulo, nos anos calendário de 2000 e 2001, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior, motivo das remessas e a folha do livro diário em que está contabilizada a operação. A Embargada formulou sua resposta na data de 30 de agosto de 2005, conforme documento a fls. 38, asseverando que não efetuou operações de transferência de recursos para o exterior por meio de contas tituladas por residentes ou domiciliadas no exterior, a qualquer título, nos anoscalendário de 2000 e2001. Diante dessa resposta, a autoridade fiscal reintimou a embargada, a qual reiterou a resposta anteriormente apresentada e acrescentou a informação de que desconhece as operações referidas no termo de reintimação. Ato contínuo, em 06/12/2005 a autoridade fiscal lavra a respectiva autuação fiscal, com seu termo de verificação. Assim, remanesce a indagação: a autoridade fiscal cumpriu corretamente o preceito legal que fundamenta o lançamento de ofício, qual seja, o art. 24 da Lei no. 9.249/95 ? Quer parecer que há deficiência probatória, insanável nessa altura deste processo administrativo fiscal. Entendo ser necessária prova efetiva de omissão de receita e não apenas um indício isolado. E indicio não é prova. O indício pode conduzir a produção de prova, porém no caso examinado, temse apenas um indício, nada mais. A negativa do contribuinte só poderia ser lógica negativa geral, posto que, como consta do Laudo Pericial no qual se embasou a Autoridade Fiscal, a própria contradição e dubiedade do documento acusatório, a fls. 116, diz expressamente “independente de documentação em papel”. Ora se a própria autoridade tributária toma por suporte para seu lançamento tal imprecisão, não se pode esperar, ingenuamente, após intimado o sujeito passivo, que o mesmo confesse suposta infração tributária. A auditoria fiscal deveria, sim, ter executado com maior profundidade e consistência seu trabalho de busca da verificação, que visa a certeza do crédito tributário, inclusive, se fosse o caso se valer das autoridades superiores e diplomáticas para corroborar a sustentabilidade da suspeita de omissão de receitas, a fim de confirmála como manda o preceito legal que fundamenta a autuação. No presente caso, o raciocínio lógico imposto pelo legislador está a exigir um avançar nessa investigação para verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, Fl. 227DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10830.006217/200527 Acórdão n.º 1202001.247 S1C2T2 Fl. 9 5 como reza o artigo 142 do CTN; em outras palavras, cabe uma tese, um antítese, e não a simples síntese, com base em único indício e sim a análise do caso em si, notadamente perante a fragilidade do elemento indiciário a apontar possível infração fiscal, que se pretende caracterizar para a determinação da matéria tributável, conferindo a certeza jurídica e fática da existência e/ou ocorrência do fato gerador e o crédito tributário. Assim, é um raciocínio lógico analítico e realista, e não sintético, simplesmente sobre um indício, ainda que revestido de presunção de veracidade, mesmo que aperfeiçoado e qualificado pelos estudos dogmáticos e colocações jurídicas formais da autoridade julgadora “a quo”, sem lastro, contudo, em robusta e contudente confirmação fática probatória, relativamente a omissão de receitas como lançada. A expor a precariedade da acusação fiscal se verifica a listagem a fls. 117 a 119, também citada pela autoridade julgadora de primeira instância, que somente se refere ao nome SONABYTE, estabelecida à Av. Faria Lima, 1107, cj. 122, diferente do que consta no contrato social e no cadastro da própria Receita Federal do Brasil, indicando que somente se atribuiu responsabilidade tributária pelo primeiro nome coincidente com a Embargada, sem maiores informações ou investigações para afastar a possível homonímia comum. Desta forma, a alegação da embargante que, a decisão de mérito proferida pelo Acórdão ora guerreado, a qual impediria a realização de novo lançamento para apuração dos mesmos fatos, enquanto em sua fundamentação, aponta a insuficiência probatória da acusação fiscal, seria fundamento eivado de vício formal, não merece prosperar, uma vez que não se discute o procedimento fiscal em sai, mas sim a insuficiência de provas para ensejar o lançamento, prova de fatos e não de situações legais. Portanto, o que se discute é prova, tratandose de claro vício material e não formal como alega a Embargante. Destarte, não há contradição da decisão proferida, nem tampouco obscuridade, sendo claramente caso de vício material. Tais situações redundam na impossibilidade de manutenção do lançamento realizado. Segundo Araken de Assis em seu Manual dos Recursos, 2ª edição, página 612: A contradição decorre da existência de proposições inconciliáveis entre si nos elementos do provimento e de um elemento em relação ao(s) outro(s). As proposições inconciliáveis consistem na afirmação e na negação simultâneas de algo. Elementos do provimento, para esse efeito, são o relatório, a motivação e o dispositivo. A mecânica de formação do julgamento colegiado, nos tribunais, espelhada posteriormente no acórdão, encimado pela ementa, introduz novos elementos passíveis de comparação, e, portanto, de contradição. No direito anterior já se admitia, e com razão, contradição entre o resultado do julgamento, proclamado pelo presidente da sessão, e o ulterior acórdão, e entre os votos proferidos e o resultado proclamado. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 Cássio Scarpinella Bueno em seu Curso Sistematizado de Direito Processual Civil, dissertado sobre os Embargos de Declaração, capítulo 8, páginas 196 e 197, afirma que: Os embargos de declaração são o recurso cabível de qualquer decisão jurisdicional que se mostre obscura, contraditória ou que tiver omitido questão sobre a qual seu prolator deveria ter se pronunciado. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. É indiferente que a contradição se localize na parte decisória (o “dispositivo” da sentença) propriamente dita ou na motivação. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influi na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. (...) A obscuridade relacionase com a falta de clareza ou de precisão da decisão jurisdicional. Tratase de hipótese em que a forma como o prolator da decisão de exprimiu fazse pouco clara comprometendo o seu entendimento e, consequentemente, o seu alcance. Nesse sentido, não se vislumbram no presente recurso os requisitos necessários para que haja a alteração no julgamento, pois não há na decisão guerreada simultaneidade de idéias opostas, ou seja, não existe no acórdão o requisito intrínseco de proposições conflitantes que interfiram na intelecção da decisão. Nem há a dificuldade, ou obscuridade, em entender o que pretende a decisão proferida, tampouco existia dificuldade em sua aplicação. Os motivos apresentados acima já são o bastante para não acolher o presente recurso. À vista disso, conheço os Embargos de Declaração, no entanto, como não houve no voto proferido contradição e obscuridade capaz de viciálo, voto no sentido de rejeitálos. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
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