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Numero do processo: 37218.002394/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à origem para que a autoridade fiscal lançadora aprecie o parecer técnico prévio de engenharia e o laudo técnico de insalubridade, bem como os documentos nos quais se basearam, a fim de verificar se há retificações a serem feitas em seu lançamento, que acabou por considerar a inclusão de todos os trabalhadores da empresa, com exclusão apenas dos trabalhadores do estabelecimento administrativo, (filial CNPJ final 0006-65) na base de cálculo da contribuição referente ao financiamento da aposentadoria especial.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à origem para que a autoridade fiscal lançadora aprecie o parecer técnico prévio de engenharia e o laudo técnico de insalubridade, bem como os documentos nos quais se basearam, a fim de verificar se há retificações a serem feitas em seu lançamento, que acabou por considerar a inclusão de todos os trabalhadores da empresa, com exclusão apenas dos trabalhadores do estabelecimento administrativo, (filial CNPJ final 000665) na base de cálculo da contribuição referente ao financiamento da aposentadoria especial. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (VicePresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 72 18 .0 02 39 4/ 20 07 -8 0 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 37218.002394/200780 Resolução nº 2302000.326 S2C3T2 Fl. 554 2 RELATÓRIO Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, de descumprimento da obrigação acessória que encontrava previsão no art. 32, IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91. Segundo a fiscalização previdenciária, a autuada não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, fls. 06 a 07. Não conformada com a autuação, a recorrente apresentou a impugnação, fls. 109 a 123. A Delegacia da Receita Previdenciária emitiu a Decisão de fls. 144 a 152, mantendo a autuação na integralidade. Não concordando com a decisão emitida pelo órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, fls. 162 a 170. A autuada alega em síntese: Não foi possível aferir qual o multiplicador usado pela fiscalização para a determinação da multa; Devem ser excluídos os coresponsáveis; Deve ser considerada a infração continuada; Requerendo provimento ao recurso interposto. Decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, fls. 451 e 452, reconheceu questão prejudicial para o desfecho do processo administrativo, consistente na conexão do Auto de Infração com as NFLD´s conexas (357398688, 357398670 e 35739870 0). Destarte, para evitar decisões discordantes, foi determinado o apensamento e a conseqüente análise conjunta dos lançamento. Conforme despacho de fls. 457, a NFLD 357398688 foi baixada por liquidação (fls. 456); a NFLD n° 357398670 encontrase em análise pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF; e a NFLD n° e 357398700 (processo administrativo n° 37218.000447/200728) encontravase no órgão de origem para cumprimento de diligência determinada por esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara. Pelo despacho de fls. 468, foi determinado pela Presidência da 3ª Câmara que os presentes autos fosse apensados apenas à NFLD n° e 357398700 (processo administrativo n° 37218.000447/200728), em virtude das razões supra expostas. A petição de fls. 470 e seguintes informa que a recorrente, em virtude da instituição de programa de parcelamento especial (Lei n° 12.865/2013), a recorrente houve por bem aderir e usufruir de seus benefícios, sendo que pretende incluir o débito de que tratam os autos na hipótese de seu recurso voluntário não ser provido ou ser provido em parte, razão pela qual propôs ação ordinária objetivando a garantia de que, no momento da consolidação dos débitos, tenha a chance de optar pela inclusão de débitos remanescentes nos presentes autos e no de n° 37218.000447/200728. Em 27 de janeiro de 2014, o pedido de antecipação dos efeitos da tutela pleiteado nos autos foi deferido em sede do Agravo de Instrumento n° 0000591 76.2014.4.02.0000, nos seguintes termos (fls. 804): Posto isso, defiro parcialmente a liminar pretendida, tão somente para determinar à autoridade fazendária para que ultime, em 30 (trinta) Fl. 554DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 37218.002394/200780 Resolução nº 2302000.326 S2C3T2 Fl. 555 3 dias, o julgamento dos recursos administrativos n° 37218.000447/200728, n° 37218.002394/200780 nos quais o agravante consta como interessado e que tramitam junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Intimese a União Federal para que apresente resposta. Em razão do retorno dos autos sem notícia nos autos a respeito do cumprimento da diligência determinada por duas vezes por este órgão julgador, os autos retornaram à origem para que se apurasse se já havia resposta por parte do INSS a respeito e, em caso de negativa, que se insistisse no cumprimento da diligência, com a advertência de que há decisão judicial determinando o imediato desfecho do processo administrativo e do prazo de trinta dias para o cumprimento da diligência (art. 3° do Decreto n° 70.235/72). Em resposta, foi anexado o Ofício n° 030/2014 INSS/GEXRJNorte/2014, de 12 de junho de 2014, no qual consta a impossibilidade de cumprimento da diligência, tendo em vista que a solicitação demandaria a realização de vistoria contemporânea no local de trabalho e, diante do longo tempo transcorrido, seria possível presumir que as condições atuais no local não mais refletem aquelas presente à época em análise, impossibilitando a emissão de parecer conclusivo quanto à exposição dos trabalhadores a agentes nocivos no período do lançamento. Isto sem falar nas obras desenvolvidas fora da abrangência da Gerência Executiva. Acrescenta que a Gerência Executiva vem sofrendo redução progressiva em seu quadro de peritos médicos previdenciários, com conseqüente acúmulo de requerimentos de benefícios por incapacidade e de outras demandas administrativas de competência destes profissionais. Isto posto, não seria possível, ainda que inexistentes os demais motivos expostos, compelir tais servidores a desempenhar tarefas estranhas aos interesses da Autarquia em detrimento de suas atribuições. É o relatório. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 37218.002394/200780 Resolução nº 2302000.326 S2C3T2 Fl. 556 4 VOTO Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi De início, é preciso ressaltar que os argumentos trazidos pela Gerência Executiva do Rio de Janeiro procedem quanto ao fato de que a perícia in loco não traria grandes esclarecimentos quanto aos pontos controvertidos do presente processo administrativo. Também procedem os argumentos quanto à impossibilidade de aqueles profissionais diligenciarem nas obras desenvolvidas fora da abrangência da Gerência Executiva. Todavia, absolutamente, não é verdade que a determinação contida nas Resoluções se tratavam de requerimento para o desempenho de “tarefas estranhas aos interesses da Autarquia em detrimento de suas atribuições”, pois o art. 2° da Lei n° 10.876/04 estabelece que “compete privativamente aos ocupantes do cargo de Perito Médico da Previdência Social e, supletivamente, aos ocupantes do cargo de Supervisor MédicoPericial da carreira de que trata a Lei no9.620, de 2 de abril de 1998 (...) inspeção de ambientes de trabalho para fins previdenciários”. Não se deve olvidar que tal lei foi promulgada antes do advento da Lei n° 11.457/2004, que concentrou na Receita Federal do Brasil a competência para arrecadar as contribuições previdenciárias (art. 2°). Destarte, a sua leitura deve ser feita tendo em vista que à época, a competência para a arrecadação das contribuições previdenciárias ainda pertencia à autarquia previdenciária Com efeito, a inspeção para fins previdenciários certamente engloba questões atinentes ao custeio da aposentadoria especial, até porque o interesse estatal de questões relativas ao benefício e ao custeio previdenciário não podem ser segregadas, por força de dispositivo constitucional (Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial ...). Prova disto é que a legislação determina o recolhimento da contribuições de que versam os autos exatamente para financiar a aposentadoria especial dos trabalhadores expostos a agentes nocivos, impondo aos contribuintes a prestação de tais informações, individualizadas, em GFIP, as quais serão utilizados para fins de concessão de benefícios previdenciários (art. 29A da Lei n° 8.213/91). De toda sorte, tendo em vista as demais alegações aventadas e os fatos a seguir aduzidos, entendo que a diligência, no caso em comento, possa ser levada a cabo pela própria autoridade fiscal que procedeu ao lançamento. Em detida análise dos autos principais (processo n° 37218.000447/200728, do qual este é apenso), verifico que o Relatório Fiscal estipulou como causa do lançamento o fato da empresa “ter deixado de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e controlar os riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agente nocivo à saúde e à integridade física” (fls. 191 do processo n° 37218.000447/200728). Tal conclusão foi extraída a partir da não elaboração pela empresa de alguns documentos ambientais e da não apresentação de outros (comprovação da aquisição e distribuição de EPI´s; não apresentação dos PPRA´s dos anos de 1996 a 1998, 2000 e 2001; dos PCMSO´s dos anos de 1996 a 2001, do estabelecimento matriz CNPJ n° 33.841.727/0001 50; do PCMAT/PPRA e PCMSO para diversas obras próprias da empresa; LTCAT e ATAS de Fl. 556DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 37218.002394/200780 Resolução nº 2302000.326 S2C3T2 Fl. 557 5 reuniões das CIPA´s), além da verificação de vícios nos documentos apresentados (PPRA´s e PCMSO´s sem atender formalidades legais exigidas pelas NR7 e NR9). Atentese que os laudos apresentados foram devidamente apreciados e os vícios invocados decorreram de minucioso cotejo, pela autoridade fiscal, de seus elementos com os requisitos legalmente estabelecidos. Assim, extraise do Relatório Fiscal que a autoridade fiscal laborou com extrema técnica e detalhamento na desconstituição dos laudos ambientais, justificando, de forma plena, as razões do arbitramento. Ocorre que, após a primeira decisão proferida por esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, fls. 596 a 598 do processo n° 37218.000447/200728 (24 de março de 2010), que converteu o julgamento em diligência para realização de perícia, a recorrente apresentou parecer técnico prévio de engenharia e laudo técnico de insalubridade (31 de janeiro de 2012), constando a informação de que, em anexo ao parecer, foram apresentado PPRA´S e PCMAT´s dos canteiros com mais de 20 (vinte) empregados, e PCMSO´s para o período reclamado (fls. 852 do processo n° 37218.000447/200728). O laudo técnico de insalubridade também aduz que se baseou em Notas fiscais de compra de EPI 's; Recibos de Entrega de EPI´s; PPRA´s de Sedes e Canteiros de Obras; PCMAT´s de canteiros cujo dimensionamento enquadravase; LTCAT; Informações profissiográficas e de descrições de Cargos; PCMSO´s. Como se vê, foram apresentados e analisados exatamente os documentos que deram embasamento ao lançamento por força de sua não apresentação ou de sua apresentação deficiente. Também após a primeira decisão proferida por esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, fls. 596 a 598 do processo n° 37218.000447/200728, a autoridade fiscal prestou as informações às fls. 622 a 626 do processo n° 37218.000447/200728 (21 de outubro de 2010), ocasião em que, ao apreciar os quesitos formulados pela recorrente às fls. 600 a 601 do processo n° 37218.000447/200728, reconhece que um laudo técnico deficiente pode ser corrigido pelo profissional que o elaborou, visando aperfeiçoálo, “desde que a Impugnante tenha todos os elementos da época dos fatos, todavia, decorrido cinco anos é improvável que a Impugnante possa emitir laudo técnico correto e que expresse a verdade, considerando, que esses documentos, não existiam, tendo em vista que não foram apresentados à fiscalização na época apropriada”. Em seguida, a autoridade fiscal ainda invoca a apresentação dos documentos: “que a Embargante informe e apresente por obra, de acordo com cada matrícula, os PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT, bem como as fichas de controle de distribuição de EPI”. É preciso atentar para o fato de que a recorrente, cientificada da Resolução em 23/08/2010 (fls. 599 do processo n° 37218.000447/200728), dentro do prazo de 30 dias para apresentação do laudo técnico (em 22 de setembro de 2010), solicitou sua prorrogação. Como os autos estavam na DRF de origem e o prazo havia sido estabelecido por esta Turma julgadora, não houve apreciação do requerimento. Portanto, em razão do requerimento estar devidamente fundamentado (grande quantidade de documentos e dados a serem analisados), não há porque se negar valor probatório aos documentos carreados aos autos em janeiro de 2012. Em suma, o que se tem nos autos é a persistência da controvérsia, posto que a autoridade fiscal baseou o lançamento em fatos que, embora devidamente fundamentados, foram colocados em dúvida pelas provas técnicas produzidas pela recorrente e que não foram contrariadas nem pelo médico perito do INSS, em virtude da negativa justificada de Fl. 557DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 37218.002394/200780 Resolução nº 2302000.326 S2C3T2 Fl. 558 6 apreciação, e nem pela autoridade fiscal, que se manifestou nos autos antes mesmo da juntada das provas da recorrente, oportunidade em que, inclusive, admitiu a possibilidade de os laudos técnicos deficientes pudessem ser corrigidos, “desde que a Impugnante tenha todos os elementos da época dos fato”. Como visto, pelas informações constantes do parecer técnico prévio de engenharia e do laudo técnico de insalubridade, foram apresentados e analisados exatamente os documentos que deram embasamento ao lançamento por força de sua não apresentação ou de sua apresentação deficiente. De qualquer forma, é bom que se admita que a afirmação supra se baseia nas assertivas contidas no corpo do parecer técnico prévio de engenharia e do laudo técnico de insalubridade, sendo de responsabilidade da empresa que todos os elementos necessários aos esclarecimento dos fatos constem dos autos para apreciação pela autoridade fiscal lançadora. Pelo exposto, devem os autos retornarem à origem para que a autoridade fiscal lançadora aprecie o parecer técnico prévio de engenharia e o laudo técnico de insalubridade, bem como os documentos nos quais se basearam, a fim de verificar se há retificações a serem feitas em seu lançamento, que acabou por considerar a inclusão de todos os trabalhadores da empresa, com exclusão apenas dos trabalhadores do estabelecimento administrativo, (filial CNPJ final 000665) na base de cálculo da contribuição referente ao financiamento da aposentadoria especial, inclusive quanto às repercussões no presente Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Novamente se faz a advertência de que há decisão judicial determinando o imediato desfecho do processo administrativo e do prazo de trinta dias para o cumprimento da diligência (art. 3° do Decreto n° 70.235/72). Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento à recorrente e concedido prazo para manifestação. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 558DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902428/2012-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 28 /2 01 2- 43 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.733, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 03112.11034.161107.1.2.043082, rastreamento nº 029224631, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.156,63, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/04/2003, efetuado em 15/05/2003, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902428/201243 Acórdão n.º 3802002.583 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/05/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902428/201243 Acórdão n.º 3802002.583 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902428/201243 Acórdão n.º 3802002.583 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902428/201243 Acórdão n.º 3802002.583 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000827/2008-77
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/04/2008
MULTA REGULAMENTAR. ATRASO. INFORMAÇÕES. SISCOMEX. INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não-fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/04/2008 MULTA REGULAMENTAR. ATRASO. INFORMAÇÕES. SISCOMEX. INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 27 /2 00 8- 77 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/04/2008 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTENÇÃO DO AGENTE Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/04/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO ACERCA DA CARGA TRANSPORTADA. Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei n. 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei n. 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei nº 10.833, inciso IV, alínea, “e”, do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto eletrônico, conhecimento ou item de carga. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discutemse nos autos os pressupostos de aplicação da multa regulamentar decorrente do descumprimento do dever instrumental previsto no art. 37 da Instrução Normativa SRF n.° 28/1994, cominada nos termos da alínea “e”, IV, art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, na redação do art. 77 da Lei nº 10.833/2003. O Recorrente, nas razões de fls. 47 e ss., pleiteia a reforma do acórdão, assentado nas seguintes alegações: a) aplicabilidade da denúncia espontânea às multas administrativas em matéria aduaneira; b) ausência de elemento essencial de validade estabelecido no art. 113, § 2º do CTN (Código Tributário Nacional), uma vez que não houve qualquer efeito no âmbito arrecadatório ou de fiscalização de tributos. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 3802002.320 S3TE02 Fl. 56 3 É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 04/01/2013 (fls. 45) e o protocolo do recurso, em 29/01/2013 (fls. 47). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. O Recorrente alega que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: “Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias” 1. “A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento” 2. 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10. Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 “Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica” 3. Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013). “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 3802002.320 S3TE02 Fl. 57 5 DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido.” (STJ. 1ª T. AgRg no REsp 884939/MG. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 19/02/2009). “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos.” (STJ. 1ª S. EREsp 246295/RS. Rel. Min. José Delgado. DJ 20/08/2001, p. 344) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”, que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão nº CSRF/0400.574, de 19/06/2007 Acórdão nº 19200.096, de 06/10/2008 Acórdão nº 192 00.010, de 08/09/2008 Acórdão nº 10709.410, de 30/05/2008 Acórdão nº 10249.353, de 10/10/2008 Acórdão nº 10196.625, de 07/03/2008 Acórdão nº 10709.330, de 06/03/2008 Acórdão nº 10709.230, de 08/11/2007 Acórdão nº 10516.674, de 14/09/2007 Acórdão nº 105 16.676, de 14/09/2007 Acórdão nº 10516.489, de 23/05/2007 Acórdão nº 10809.252, de 02/03/2007 Acórdão nº 10195.964, de 25/01/2007 Acórdão nº 10809.029, de 22/09/2006 Acórdão nº 10194.871, de 25/02/2005). Nesse mesma linha, registrese ainda julgado da Terceira Seção de Julgamento, segundo o qual “não se considera espontânea a denúncia apresentada em face de descumprimento de obrigação acessória, consistente na perda de prazo para apresentação de informações” (Acórdão 310200.689. 3a S/1a C/2a TO. S. de 30/07/2010). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Na Terceira Seção de Julgamento do CARF, acórdão da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, relatado pelo eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo, admitiu a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo: “NULIDADE LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Inexistência de disposição legal acerca de nulidade do lançamento quando não proferida decisão no prazo de 360 dias. MULTA ISOLADA. TRANSPORTADOR. INFORMAÇÕES RELATIVAS À EMBARCAÇÃO/CARGAS DENÚNCIA ESPONTNEA. Com a nova redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/66, é aplicável o instituto da denúncia espontânea também aos casos de multas de natureza administrativa aduaneira. Realizado o registro de informações no SISCOMEX após o prazo legal (atracação da embarcação), mas antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, configurase a denúncia espontânea. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (CARF. 3ª S. 1ª C. 1ª T.O. Acórdão nº 3101001.194. Rel. Conselheiro Luiz Roberto Domingo, s. de 13/12/2012). De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi “deixar claro” que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: “40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 3802002.320 S3TE02 Fl. 58 7 empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.” (EMI nº 111 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 3802002.320 S3TE02 Fl. 59 9 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributária. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: “Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada” 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira relativa à carga transportada.Não procede, por fim, a alegação de incompatibilidade com o art. 113, § 2, do CTN, uma vez que a obrigação acessória debatida nos autos foi estabelecida visando à fiscalização dos tributos incidentes sobre o comércio exterior. 5 ICHIHARA,Yoshiaki. Sanções tributárias – questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 10 Votase, assim, pelo conhecimento do recurso e seu desprovimento, mantendose o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000495/99-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
REPRISTINAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Declarada a nulidade do segundo despacho decisório, os efeitos do primeiro não são retomados por inexistir menção expressa no acórdão da instância a quo neste sentido. Inteligência do art. 2º, § 3º, do Decreto-Lei nº 4.657, de 1942.
Numero da decisão: 3201-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para que os autos retornem à unidade de origem e novo despacho decisório seja expedido.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 16/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para que os autos retornem à unidade de origem e novo despacho decisório seja expedido. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño.
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IMPOSSIBILIDADE. Declarada a nulidade do segundo despacho decisório, os efeitos do primeiro não são retomados por inexistir menção expressa no acórdão da instância a quo neste sentido. Inteligência do art. 2º, § 3º, do DecretoLei nº 4.657, de 1942. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para que os autos retornem à unidade de origem e novo despacho decisório seja expedido. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 04 95 /9 9- 91 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa: Tratase de pedido de restituição (fls. 01 e 96), seguidos dos pedidos de compensação de fls. 02, 67, 95, 105, 153/155, do Finsocial da contribuinte e de sua incorporada (Distribuidora Santerém Ltda), referente ao período de 01/1989 a 03/1992, nos montantes de R$ 40.483,88 e R$ 11.211,89 (demonstrativos do requerente às fls. 06/07). Nos requerimentos de fls. ½, 67, 69/77, 95, 96 e 105, o interessado solicita o reconhecimento do direito à restituição e à compensação de créditos resultantes de pagamentos efetuados indevidamente ou a maior que o devido da contribuição para o FINSOCIAL com débitos vincendos da COFINS e do PIS. Os citados requerimentos foram instruídos, entre outros documentos, com as planilhas de cálculo de fls. 06/07 e 93/94, Procurações de fls. 03 e 79, cópias não autenticadas de peças processuais da ação ordinária declaratória nº 94.00072937 de fls. 80/92 e cópias não autenticadas e originais dos DARF’s representativos dos recolhimentos indevidos de fls. 08/38. 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santarém, através do Despacho Decisório de fls. 98/101, declarou improcedente o pedido do requerente, por transcurso do prazo decadencial para o pleito. 3. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, do qual foi cientificado em 10/11/1999 (fl. 104), o contribuinte apresentou, em 10/12/1999, manifestação de inconformidade, às fls. 108/121, alegando, em síntese, que: 3.1 Protocolou, 15/09/1999, petição requerendo a compensação de créditos do FINSOCIAL com débitos da COFINS, instruída com peças da ação ordinária declaratória nº 94.00072937 que tem como objeto o reconhecimento do direito à compensação do crédito do FINSOCIAL pago a maior. 3.2 A referida ação ordinária foi protocolada em 06/06/1994 e distribuída para 15ª Vara Federal do Distrito Federal com sentença de 1ª instância favorável ao pleito formalizado. Afirma que o seu direito foi reconhecido definitivamente no julgamento do Recurso Especial nº 149.821DF pelo Superior Tribunal de Justiça, com trânsito em julgado em 18/05/1998. 3.3 A contagem do prazo prescricional iniciouse a partir do trânsito em julgado e não a partir da extinção do crédito tributário como foi considerada na Decisão nº 324/99 da DRF Santarém. 3.4 As peças juntadas ao presente processo dando ciência de que a interessada obteve decisão judicial favorável à compensação de seu crédito não foram consideradas pela DRF Santarém. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10215.000495/9991 Acórdão n.º 3201001.575 S3C2T1 Fl. 440 3 3.5 O prazo para pleitear a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL é de 5 (cinco) anos contados da edição da Medida Provisória nº 1.110/95, de 30/08/1995, segundo Parecer COSIT nº 58/1998 c/c o Parecer COSIT nº 01/1999. 3.6 Desistiu da execução da sentença judicial, optando pela compensação administrativa dos valores, com a devida anuência da Procuradoria da Fazenda Nacional. 4. A DRJ Belém, através do acórdão 1072, de 24/02/2003, fls. 146/150, anulou o Despacho Decisório de fls. 98/101 por entender que a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa. Teria a repartição de origem deixado de analisar elementos apresentados pelo interessado e imprescindíveis para a apreciação do pleito. O interessado apresentou, em 15/09/1999, petição (fls. 69/77) comunicando à fl. 76 a existência de decisão judicial favorável à compensação pleiteada, com a juntada de peças processuais da ação ordinária declaratória nº 94.00072937 às fls. 80/92. Na sua defesa, as provas trazidas aos autos relativas às peças processuais da referida ação judicial, na qual afirma ter obtido decisão judicial transitada em julgada que reconhece o seu direito à compensação de créditos do FINSOCIAL. 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santarém, em nova decisão (através do Despacho Decisório de fls. 249/255), reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente as compensações requeridas. Entendeu, nesta decisão, que a ação ordinária (fls. 80. 205/212 e 133/140), apesar de declaratória, e apesar de o contribuinte ter desistido da execução, vincula a Receita Federal. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) declarou nulo o despacho decisório de fls. 249/255, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 018.917, de 13/08/2007, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991 VÍCIO DE FORMA. 0 vicio de forma existe sempre que na formação ou na declaração de vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal. COMPETÊNCIA. Entre as atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda, relativamente aos tributos e As contribuições por ela administrados, em caráter privativo, está a de elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem corno em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 Despacho Decisório Nulo Diante dessa decisão, o contribuinte foi intimado a interpor recurso voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. Contudo, como a decisão anulara o despacho decisório, o contribuinte entendeu que deveria apresentar uma nova manifestação de inconformidade, reiterando os argumentos já suscitados contra o despacho decisório originalmente anulado, qual seja, o de fls. 98/101. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O caminho natural do processo diante da situação relatada seria devolver o processo para a DRF em Belém para que um novo despacho decisório fosse proferido, desta vez sem incorrer nos vícios apontados nos despachos decisórios anteriores, ou seja, com a análise de todos os documentos apresentados pelo contribuinte por autoridade competente. E isso porque, via de regra, não existe repristinação de atos administrativos. Vale dizer, um ato administrativo que revoga outro e é posteriormente revogado não faz com que o primeiro ato revogado retome os seus efeitos. A exceção ocorre quando o ato administrativo que revoga o segundo ato estabelece textualmente esse efeito. É o que se depreende do art. 2º, § 3º, do DecretoLei nº 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, antiga Lei de Introdução ao Código Civil), in verbis: Art. 2o [...] § 3o Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. No caso concreto, o acórdão recorrido não fez qualquer menção ao restabelecimento dos efeitos do despacho decisório de fls. 98/101, de modo que o recurso voluntário interposto não pode ser conhecido, sob pena de se suprimir instâncias quanto ao mérito do pedido de restituição/compensação. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO o recurso voluntário e determino que o processo seja expedido para a instância de origem para que um novo despacho decisório seja proferido. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10215.000495/9991 Acórdão n.º 3201001.575 S3C2T1 Fl. 441 5 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.917924/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
PER/DCOMP. PIS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PROVA. INEXISTÊNCIA
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado.
É do recorrente o ônus de comprovar documentalmente nos autos o direito creditório informado em declaração de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-003.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Haisla Rosa da Cunha Araujo, OAB/SP n° 267.452.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 PER/DCOMP. PIS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PROVA. INEXISTÊNCIA O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. É do recorrente o ônus de comprovar documentalmente nos autos o direito creditório informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PIS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PROVA. INEXISTÊNCIA O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. É do recorrente o ônus de comprovar documentalmente nos autos o direito creditório informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 79 24 /2 00 9- 41 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Haisla Rosa da Cunha Araujo, OAB/SP n° 267.452. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 08794.34820.200807.1.3.04 2211 (fls. 36/41), transmitido em 20/08/2007 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação do PIS relativo ao período de apuração 05/2007, no valor original de R$ 175.239,42. Informa como origem do direito creditório o pagamento referente ao PIS, relativo ao período 05/2007, no valor de R$ 809.433,53, pretendendo utilizar para fins desta compensação apenas R$ 171.853,90. A DRJ, conforme Acórdão nº 1261.362 da 16ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro 1/RJ, não deu provimento à manifestação de inconformidade, mantendo o que foi decidido no Despacho Decisório, pelos mesmos fundamentos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) À fl. 18 consta despacho decisório, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte (PIS–PA 05/2007), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão em 06/11/2009 (fl. 44), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva em 08/12/2009 (fls. 02 a 08), alegando, em resumo, que: · O direito do contribuinte ao crédito não pode ser contestado por argumentos de ordem formal, visto que se trata de direito amparado na Constituição e na legislação tributária; · A não homologação parece ter ocorrido pela entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. Tal DCTF, entretanto, foi retificada e já apresenta o crédito controvertido, não existindo motivos para a não homologação da compensação, visto que está devidamente declarada; · A declaração original foi prestada erroneamente pelo manifestante, de modo que, corrigindose tais lapsos, resta evidenciado o direito creditório, não devendo permanecer a glosa, considerando o princípio da verdade material; · Prova disso é que a forma correta da declaração constou no DACON, corroborando a existência direito creditório em questão; · Assim, requer que o órgão de julgamento realize a conjugação entre realidade material e formal, de modo que, na busca da verdade material, constatandose erro de fato, é deverpoder deste órgão reformar o despacho decisório, reconhecendo o direito creditório e homologando a compensação; · Citase jurisprudência do CARF sobre a questão; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.917924/200941 Acórdão n.º 3802003.430 S3TE02 Fl. 108 3 · O direito do contribuinte ao ressarcimento do que recolheu indevidamente encontra amparo na Constituição, no CTN e no devido processo legal, assim como nos princípios da legalidade e da moralidade administrativa; · Citase doutrina sobre a questão. É o relatório. Em 24/01/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 58). Inconformado com a decisão da DRJ, em 10/02/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 60/63), no qual argumenta em suas razões, que: a) a recorrente, informou inicialmente, que o valor devido de PIS relativo ao período de apuração de 05/2007 alcançava o montante de R$ 809.433,53 e, consequentemente, recolheu tal valor em maio de 2007. Contudo, na realidade, apurou PIS a recolher, no mesmo mês, no valor de R$ 637.579,63, gerando o crédito pretendido, no montante de R$ 171.853,90. b) a origem da alteração do valor apurado se deu em razão do reprocessamento da base de cálculo, tendo em vista a exclusão das receitas financeiras, conforme provimento jurisdicional concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, transitado em julgado favoravelmente a Recorrente, que determinou a exclusão de tais receitas na tributação pelo PIS e pela COFINS. e) que quando da analise do PER/Dcomp pela RFB (Despacho Decisório), a Recorrente não havia efetuado a retificação da DCTF, daí porque, não foi verificado a existência de crédito no cruzamento de informações; d) informa que a DCTF de maio de 2007, foi devidamente retificada trazendo o valor correto do PIS devido (R$ 637.579,63) e que os valores estão informados na respectiva DACON, anexandose cópia dos documentos aos autos. c) que junta aos autos, cópia da referida decisão judicial (fls. 76/90), demonstrativo da Composição Sintética da Base de Cálculo do PIS apurada em 31/05/2007 (fl. 91) e dos balancetes contábeis (fls. 92/96), demonstrando a diferença entre o PIS apurado e o pago, que se refere a exclusão das receitas financeiras, o que resultou no pagamento a maior de R$ 171.853,00, valor este contabilizado na conta nº 1909.001.000.0008; Por fim, alega que deve prevalecer o princípio da verdade material, tendo em vista a legitimidade do crédito pretendido, requer a reforma de decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 No caso sob análise, temos que o PER/DCOMP nº 08794.34820.200807.1.3.04 2211 (fls. 36 a 41), no qual a Recorrente solicita a compensação do PIS relativo ao período de apuração 05/2007, no valor original de R$ 175.239,42. Alega que a origem do valor apurado se deu em razão do reprocessamento da Base de Cálculo, tendo em vista a exclusão das Receitas Financeiras, baseado no provimento jurisdicional concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, transitado em julgado favoravelmente a Recorrente, que determinou a exclusão de tais receitas na tributação pelo PIS e COFINS. Quanto a isto, a decisão a quo, analisando os fatos constantes da manifestação de inconformidade, concluiu da seguinte forma: (...) O contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, não esclarece qual seria efetivamente a origem do alegado pagamento indevido do PIS relativo ao PA 05/2007, limitandose a trazer alegações genéricas relativas à apuração da verdade material. Como pretensa documentação comprobatório de seu direito, junta aos autos o DACON relativo a 05/2007 (fls. 19 a 24), DCTF original (fls. 25/26) e retificadoras (fls. 27 a 35). Conforme se constata, o valor de PIS devido para o PA 05/2007, originalmente de R$ 809.433,53, foi retificado em 18/11/2009 para R$ 637.579,63. (...) Apesar de efetuar a retificação do valor devido a título de PIS para o período 05/2007, o contribuinte não traz aos autos qualquer documentação contábil ou fiscal que fundamente tal alteração, limitandose a apresentar DCTF retificadora, entendendo que tal retificação já seria suficiente para corroborar a compensação declarada (...). A controvérsia trata de questão de fato, pois quando da conclusão do Despacho Decisório, foi constatado ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda Nacional, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na DCOMP colacionada aos autos, uma vez que, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado no trecho abaixo destacado: “ (...) o direito alegado pelo contribuinte em declaração por ele apresentada à RFB deve ser comprovado documentalmente, por meio de registros contábeis e/ou documentos fiscais, não sendo suficiente para tal comprovação a mera apresentação de declaração retificadora. Desta forma, entendo que não restou comprovada a base de cálculo do PIS relativo ao período 05/2007, uma vez que não foram apresentados os registros contábeis das contas de receita da empresa para este mês (faturamento), assim como das exclusões pertinentes”. Ciente disso, e visando comprovar os fatos alegados e primando pela verdade material, a Recorrente em seu recursos voluntário, informa que junta aos autos, cópia dos seguintes documentos: provimento jurisdicional concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, transitado em julgado em seu favor; demonstrativo da Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.917924/200941 Acórdão n.º 3802003.430 S3TE02 Fl. 109 5 Composição Sintética da Base de Cálculo do PIS apurada em 31/05/2007 e cópia dos balancetes contábeis, demonstrando a diferença entre o PIS apurado e o pago, que se refere a exclusão das receitas financeiras, o que resultou no pagamento a maior de R$ 171.853,00, valor este que alega estar contabilizado na conta nº 1909.001.000.0008. Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça por isso deve sempre ser perseguida. No entanto, a recorrente em seu item “9” do recurso voluntário (fl. 62), informa o principal motivo de seu pleito, “ (...) Ressaltese que a ação judicial mencionada, transitou em julgado favoravelmente à Recorrente, determinando, assim a exclusão definitiva das receitas financeiras da base de cálculo do PIS, conforme andamento processual anexo (doc. 03)”. Ao analisarmos toda a documentação referenciada em seu recurso (documentação contábil, demonstrativos de cálculos, etc), de fato encontramos cópia do andamento processual da referida ação judicial informado no sitio da Justiça Federal de São Paulo (fls. 76/77), bem como cópia do Agravo de Instrumento nº 0023191 35.2012.4.03.0000/TRFSP (fls. 78/90), no entanto, não houve a comprovação junto aos autos, do referido Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, como informado, que foi transitado em julgado e que determinou a exclusão de tais receitas na tributação pelo PIS e COFINS, favoravelmente a Recorrente. Conforme previstos no artigo 16III e § 4º do Decreto nº 70.235/72, as provas comprobatórias das alegações do sujeito passivo devem ser apresentadas na impugnação, ou na manifestação de inconformidade. No presente caso, tratandose de demanda iniciada pelo contribuinte, por meio da apresentação do PER/DCOMP que ora se analisa, é dele o ônus de demonstrar documentalmente o direito informado em tal documento, o que efetivamente não fez. Como se vê, nos autos não resta comprovado que a recorrente tem o direito propalado da exclusão das receitas financeiras na tributação do PIS, pois não apresentou a documentação necessária à comprovação do reclamado direito, até porque a interessada discute, com maior ênfase, justamente tal questão. Merece que seja feito o registro de que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi observado nos autos. Em conseqüência, não há como atender à pretensão da Recorrente, em razão da não apresentação de documentos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, transitado em julgado favoravelmente a Recorrente, que determinou a exclusão de tais receitas na tributação pelo PIS, comprobatória do alegado direito de crédito. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 E, na medida que o ônus da liquidez e da certeza do direito de crédito cabe ao sujeito passivo, entendese que deve ser mantida a decisão recorrida, inclusive porque, consoante ensina Alberto Xavier, o dever de investigação que decorre do princípio da verdade material “[…] cessa na medida e a partir do limite em que o seu exercício se tornou impossível, em virtude do não exercício ou do exercício deficiente do dever de colaboração do particular” . Portanto, a não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15504.729947/2012-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE.
A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária.
PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõe-se a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado.
É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE.
O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária.
Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE OU SONEGAÇÃO. MAJORAÇÃO.
Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas a, b e c do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, a qual será duplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
FRAUDE.
Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.
SONEGAÇÃO
Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Leo Meirelles do Amaral acompanhou pelas conclusões.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõe-se a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE OU SONEGAÇÃO. MAJORAÇÃO. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas a, b e c do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, a qual será duplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Recurso Voluntário Negado
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DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõese a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 99 47 /2 01 2- 44 Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE OU SONEGAÇÃO. MAJORAÇÃO. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, a qual será duplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. FRAUDE. Configurase fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualificase como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.252 3 pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Leo Meirelles do Amaral acompanhou pelas conclusões. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Data de lavratura dos Autos de Infração: 21/12/2012 Data da ciência dos Autos de Infração: 21/12/2012 Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 51.032.6188 e 51.032.6196, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, porém, indevidamente tidos pela empresa como contratos civis com pessoas jurídicas, conforme descrito no relatório fiscal de fls. 1832/1914. De acordo com a Resenha Fiscal, restou apurado que a Fundação Dom Cabral, doravante FDC, nos anos calendários de 2008 e 2009, mantinha em seus quadros técnicos e administrativos centenas de trabalhadores laborando na instituição com todas as características e pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, embora acobertados sob o manto de contratações celebradas entre pessoas jurídicas. Os segurados caracterizados como empregados foram identificados através da relação dos representantes legais das pessoas jurídicas supostamente contratadas pela FDC e informadas pela própria Autuada, das pessoas físicas prestadoras de serviços designadas nos registros contábeis da FDC (Conta de despesas n° 4102 – Rec. Humanos Externos PJ), dos responsáveis pelas assinaturas dos contratos de prestação de serviço celebrados com a FDC, e informações prestadas pelas próprias pessoas físicas em depoimentos e diligências fiscais realizadas pela fiscalização. Estas identificações foram ainda objeto de confronto e confirmação com dados extraídos dos sistemas do banco de dados da Receita Federal do Brasil. Os saláriosdecontribuição dos segurados empregados, cuja contratação irregular ocorreu como pessoas jurídicas, foram apurados por aferição indireta, e são equivalentes às importâncias mensais constantes nas notas fiscais emitidas para justificar as remunerações auferidas pelo seu trabalho, cujos valores encontramse registrados nos lançamentos contábeis da escrituração da FDC e confirmados nas declarações à RFB através da DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte). O crédito tributário apurado decorre de valores pagos a segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, cujas contribuições previdenciárias não foram devidamente recolhidas em suas épocas próprias. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa a fls. 1916/1965. Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.253 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0244.774 6ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 2105/2121, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/06/2013, conforme Termo de Abertura de Documento a fl. 2130. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário a fls. 2132/2203, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o Acórdão é nulo, pois não foi apreciado requerimento de produção de provas; · Impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica pela Fiscalização; · Ausência de requisitos da relação de emprego; · Ausência de fraude a atrair a incidência de multa de ofício em duplicidade; Ao fim, requer a declaração de nulidade da Decisão de Primeira Instância Administrativa e autuação fiscal. Contrarrazões a fls. 2207/2248. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 07/06/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 09/07/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DAS ALEGAÇÕES DE NULIDADE Alega o Recorrente ser nulo o Acórdão de 1ª Instância, pois não teria apreciado requerimento de produção de provas. Não ! A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.254 7 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Nos termos expressos da lei, a juntada de novos documentos no Processo Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se refiram a fato ou a direito superveniente, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Diante de tal panorama, após o oferecimento da impugnação, a juntada de novos documentos há que ser requerida não ao Órgão Julgador de 1ª Instância, como assim procedeu o Recorrente, mas, sim, ao Órgão que irá apreciar e julgar o recurso eventualmente interposto, in casu, ao CARF, se se tratar de Recurso Voluntário, ou à CSRF, nas hipóteses de Recurso Especial, repousando aos ombros do Peticionante o encargo processual de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo quarto do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §4º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como oficiosa ou não contenciosa, a autoridade administrativa procede à coleta de informações, dados e elementos de prova, à audita de testemunhas, ao exame de documentos, à auditagem dos registros contábeis e fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária principal e/ou acessória. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.255 9 Tal compreensão é corroborada pelos termos consignados no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal que assegura aos litigantes, nos processos judiciais e administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é instaurada a fase contraditória) ou, exercendo o direito de defesa e do exercício do contraditório, poderá impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos) Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, bem como a assinatura da Autoridade Lançadora e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Conforme demonstrado, inexiste qualquer vício na formalização do débito a amparar as alegações de cerceamento de defesa ou de nulidade erguidas pelo Recorrente, motivo pelo qual rejeitamos a preliminar de mérito interposta. 2.2. DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Defende o Recorrente a impossibilidade de se desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços intelectuais pela Fiscalização. Sem razão. Não há no presente lançamento qualquer procedimento de desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. De maneira alguma. A personalidade jurídica de tais empresas permanece hígida, produzindo todos os efeitos que lhe são de estilo, tal como no momento de sua constituição. O que há, de fato, no presente caso, é a caracterização da condição de segurado empregado de pessoas físicas laborando para a empresa autuada sob condições reais de não Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 eventualidade, pessoalidade, subordinação jurídica e onerosidade, disfarçada e encoberta por um falacioso formalismo de Pessoa Jurídica. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma Jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente levadas a efeito numa determinada relação jurídica e as forma dos atos jurídicos hipoteticamente concebidos em seus registros e idealizados para a sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalecerá a realidade dos fatos. A pedra de toque não é a qualificação contratual ou a concepção idealizada dos atos, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual – na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana a empresa, em caráter intuitu personae, de natureza não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração pelos serviços prestados. Nessa esteira, uma vez constatada prestação remunerada de serviços à empresa por pessoa física na condição de segurado empregado, a Fiscalização, por força da natureza plenamente vinculada do seu dever de ofício, e com fulcro no art. 37 da Lei de Custeio da Seguridade Social, verificado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições previdenciárias decorrentes de tal prestação laboral, lavrou o competente auto de infração ora em debate. Assim, com fundamento no permissivo encartado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, e mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, procederam os Auditores Fiscais à desconsideração substancial dos atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos, os quais permanecem produzindo os seus efeitos típicos no mundo jurídico. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas desconsiderou, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.256 11 Em outras palavras: Apesar de os contratos de prestação de serviços haverem sido FORMALMENTE celebrados com pessoas jurídicas, a prestação dos serviços contratados se deu MATERIALMENTE sob os mantos caracterizadores da relação de segurado empregado. Diante desse quadro, a norma tributária que aflui do Parágrafo Único do art. 116 do CTN opera como se, juridicamente, tais contratos formais não produzissem os efeitos que lhes são típicos, exclusivamente, para os fins da tributação previdenciária ora em debate, porém, mantendose hígidos, todavia, para todos os demais fins, inclusive para os fins da Lei nº 11.196/05. Registrese, por relevante, que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços intelectuais. A situação jurídica de tais empresas perante o Ordenamento Jurídico permanece inalterada, malgrado o lançamento ora em debate. O fundamento do lançamento em questão, reiterese, assentase na efetiva existência de vínculo de segurado empregado (Instituto de Direito Previdenciário), revelado pela constatação da presença de todos os elementos caracterizadores de tal qualificação jurídica previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, circunstância que sujeita a Autuada e os segurados em apreço às obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Não se deve olvidar que inexiste impedimento legal para que uma mesma pessoa física seja sócia de uma empresa prestadora de serviços intelectuais e, concomitantemente, mantenha múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas outras empresas. Decerto, a condição de segurado empregado não exige exclusividade do trabalhador com a empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, e ser segurado contribuinte individual em relação a uma outra empresa distinta da primeira, e assim por diante ... No caso, com fulcro no princípio da primazia da realidade sobre a forma, a Fiscalização constatou a existência de vínculo material de segurado empregado entre os trabalhadores em tela e a Autuada, bem como a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias decorrentes desse vínculo previdenciário, tudo em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, sem promover qualquer vínculo trabalhista (Instituto de Direito do Trabalho) entre os trabalhadores em tela e a Autuada, ora Recorrente. Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Por tais razões, rejeitamos a preliminar de suposta desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO O Recorrente alega ausência dos requisitos da relação de emprego, bem como a ausência de fraude a atrair a incidência de multa de ofício em duplicidade. Sem razão, contudo. Em primeiro lugar, há que se deixar claro que o presente caso não trata da caracterização de vínculo empregatício (instituto de Direito do Trabalho), mas, sim, da caracterização da condição de segurado empregado (instituto de Direito Previdenciário) e do lançamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa autuada em decorrência da prestação remunerada de serviços por tais trabalhadores. Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.257 13 Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647/93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887/2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação jurídica e mediante remuneração. Conforme já salientado anteriormente, vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana ao Recorrente, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. O episódio em pauta é um caso típico de relação jurídica conhecida no mercado pelo neologismo “pejotização”, em que profissionais especializados são levados a constituir pessoas jurídicas para prestar serviços a empresas, não numa relação formal de pessoa jurídica x pessoa jurídica, mas substancialmente mediante uma relação fática em que figuram ostensivamente presentes a pessoalidade, a não eventualidade do serviço, a subordinação jurídica e, obviamente, a onerosidade. Na estrutura de tal mecanismo, formalmente a empresa contrata uma outra pessoa jurídica, porém, na realidade dos fatos, quem efetivamente presta o serviço remunerado é o “pejotizado” (sem qualquer viés pejorativo, por favor), isto é, a pessoa física do sócio da pessoa jurídica artificialmente contratada, de maneira não eventual, sob subordinação jurídica e em caráter intuitu personae. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa Autuada. Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.258 15 Podese perceber a não eventualidade do serviço, ainda, no elevado volume de operações contínuas e de rotina, originárias desta relação entre a FDC e seus contratados PJ, comprovadas às centenas no período de apuração, conforme arrolados no Anexo 04 a fls. 1795/1819. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do serviço do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa contratante, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. No caso em litígio, a não eventualidade diz espeito à contratação de serviços relacionados com a atividade fim da Autuada e à natureza do trabalho desenvolvido pelo profissional em relação à natureza do trabalho a que a Contratante se propõe executar em favor de seus clientes, bem como à necessidade permanente dessas categorias de profissionais especializados para a realização de seu objeto social. Tomandose os contratos apresentados pela FDC, após estratificados e classificados em grupos quatro distintos conforme seus objetos, ficaram assim distribuídos: 1. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Gerenciar projetos internos e externos e/ou outras atividades em sua especialidade; 2. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Gerenciamento de projetos, Ministrar aulas, Realizar conferências, palestras e assemelhados; 3. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Ministrar aulas, Realizar conferências, palestras e assemelhados; 4. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Ministrar aulas; É importante destacar que os objetivos sociais consignados nos contratos sociais das diversas pessoas jurídicas que celebraram contratos com a FDC referemse exatamente às atividades previstas no Estatuto Social Consolidado da Autuada, como objetivos desta instituição, dentre as quais se podemos destacar, a título meramente exemplificativo: II Promover a pesquisa e ensino, sob diversas formas, especialmente no campo da administração empresarial, desenvolvendo atividades educativas e programas de aperfeiçoamento técnico e gerencial; III Desenvolver atividades científicas, técnicas e culturais; IV Pesquisar e gerar tecnologia gerencial; V Desenvolver pesquisa e estudos objetivando competência para empreender e gerenciar, prestando serviços a isso relativo; IX Criar, difundir e ministrar cursos ou programas técnicos e de gerenciamento nas áreas de sua atuação; Tal constatação permite afirmar que as pessoas jurídicas eram contratadas para executar serviços e tarefas vinculadas aos objetivos e atividades fins da instituição, tendo por conseguinte caráter nitidamente habitual e nãoeventual. As empresas jurídicas contratadas para a prestação de serviços pelos sócios são classificadas na CNAE em atividade idênticas ou afins com o objeto social da Autuada (CNAE 85.33 Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 3/00 Educação superior – pósgraduação e extensão), circunstância que demonstra que os contratados PJ, caracterizados como segurados empregados pela Fiscalização, inseremse na dinâmica regular da FDC, que necessita do trabalho por eles desempenhado para atender às múltiplas demandas inerentes ao seu objetivo social e aos contratos de serviços celebrados com os seus clientes, de onde se extrai que os profissionais contratados eram imprescindíveis ao funcionamento regular da Autuada, contingência que denota a natureza não eventual dos serviços contratados. A Fiscalização constatou que os contratos de prestação de serviços são padronizados, no estilo Contrato de Adesão, em geral, firmados por período de 12 meses, podendo ser renovados mediante termo aditivo, alguns com mais de uma dezena de renovações anuais. “Além de serem contratados para executar serviços contidos na própria atividade da FDC, a não eventualidade está configurada pela habitualidade da prestação dos serviços, o que se comprova através da emissão de notas fiscais de serviços sequenciais, em praticamente todos os meses. Comprovase também pela remuneração ajustada, não havendo retificação ou acerto, visto encontrarse incorporada a serviços, programas ou projetos predeterminados. Os resultados, produção ou produtividade não eram conferidos, medidos ou avaliados posteriormente, pois já contratados e dimensionados com ajuste do quantum a ser pago. Os contratos, firmados por períodos de 1 ano, eram constante e regularmente prorrogados, com assinatura de aditivos mantendose os mesmos termos, eventualmente alterandose valores. Alguns eram prorrogados/aditivados por diversas vezes, demonstrando a necessidade permanente da contratação dos serviços efetuados por estes profissionais, evidenciando sua inconteste habitualidade”. Esta necessidade permanente da contratação destes profissionais comprova, com contundência, a não eventualidade do serviço contratado. A pessoalidade tem sua caracterização realçada no fato de as pessoas jurídicas contratadas atuarem, unicamente, por intermédio das pessoas físicas dos seus sócios. A Fiscalização apurou que a FDC, por meio de sua Gerente de RH responsável pela seleção dos profissionais em tela, exigia que estes apresentassem uma pessoa jurídica para a emissão de notas fiscais de serviço. Como muitos já eram sócios de pessoas jurídicas existentes, obviamente, não precisavam constituir uma nova. Outros, no entanto, que ainda não possuíam uma pessoa jurídica constituída ou não eram sócios de nenhuma, precisaram constituir pessoas jurídicas adrede, ou entrar como sócios de outra já existente, para atender à exigência da FDC. A confirmar a exigência por parte da FDC de que os profissionais contratados para os cargos de professores, coordenadores, gerentes, etc., deveriam apresentarse como pessoa jurídica interposta de forma a emitir notas fiscais para justificar o recebimento de seus salários e remunerações, a Fiscalização elaborou discriminativo a fls. 1874/1875 (quadro 04), onde constam as datas em que mais de 40 pessoas jurídicas foram constituídas, conforme cadastros da RFB, sendo os referidos profissionais, logo em seguida, contratados pela FDC, sob as vestes de pessoa jurídica prestadora de serviços, sendo demonstrado, em diversos casos, que o contrato firmado com a pessoa jurídica se deu antes mesmo de a sua constituição formal, isto é, a FDC firmou contratos com pessoa jurídica inexistente, de onde deflui a ilação de que o contrato era firmado com a pessoa física (esta existente) do sócio da futura pessoa jurídica (esta então inexistente). Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.259 17 A Fiscalização constatou que, “não por coincidência, os 33 (trinta e três) primeiros profissionais relacionados no quadro 04 (do 1° a 33°) constituíram as pessoas jurídicas das quais são sócios, majoritários na maioria dos casos, com a interposição do contador Sr. William Giovanni Barros, com as sedes na pequena sala da Alameda da Serra, 420, sala 405, Vale do Sereno, Nova Lima, Minas Gerais, cuja única e exclusiva destinação foi servir de endereço para constituição das mesmas, nos termos do subitem 4.5.1. anterior (DAS PESSOAS JURÍDICAS COM MESMO ENDEREÇO E CONTADOR)”. Quadro 03, a fl. 1872. Em sede de Diligência Fiscal, o contador acima referido, Sr. William Giovanni Barros, confirmou, em Termo de Constatação Fiscal, que esses clientes que prestavam serviço para a FDC lhe foram encaminhados pela Sra. Rijane de Mont’Alverne Neto, que o contratara anteriormente para constituição de sua própria pessoa jurídica Perez e Mont'Alverne Consultoria Organizacional Ltda, CNPJ 04.231.853/000195 , através da qual emitia notas fiscais de prestação de serviços à FDC, mas na realidade exercia, como pessoa física, o cargo de Gerente de RH. A Fiscalização apurou e demonstrou que diversos profissionais “Pejotizados” exercem funções na estrutura hierárquica da FDC, conforme ilustrado no quadro 06, a fls. 1895/1897, que elenca quase uma centena de “Pejotizados” exercendo cargos típicos de empregados, tais como Gerente de Recursos Humanos, Gerente de Marketing, Gerente Administrativo, Gerente de projetos, Gerente Financeiro, Gerente de Tecnologia, Professor, Líder, Assessor da Presidência, Assessor de Editoração, Coordenador Executivo, Diretor Executivo, Gerente Coordenador, Supervisor de Edição, Assistente de Ensino, etc. Salta aos olhos que essa quase centena de profissionais “Pejotizados”, ocupantes de cargo de chefia, foram cadastrados nas folhas de pagamento da Autuada como Estagiários, “no entanto, seguramente, não fora nenhum erro, tampouco simples coincidência. Explicase: como a remuneração dessa categoria não sofre incidência de contribuições previdenciárias e os aplicativos utilizados na elaboração de Folhas de Pagamentos obviamente não geram o cálculo das mesmas, incluílos como estagiários no cadastro tornouse conveniente para os objetivos desejados. Não deixaria de ser uma forma eficaz de tratálos, ainda que internamente, como empregados — como de fato o eram —, com direito a registro em Folha de Pagamento em seus respectivos cargos, contracheques, rubricas remuneratórias e direitos típicos, possibilitando inclusive que fossem gerenciados e subordinados como os outros empregados, sem que se efetuasse, contudo, o devido pagamento dos tributos (contribuições previdenciárias) devidos”. Tal procedimento demonstra, insofismavelmente, a intenção consciente de fraude e sonegação, mediante ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou modificando as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. A pessoalidade se revela incontestável na medida em que tais pessoas jurídicas não mantêm empregados na área técnica empresarial, evidenciando que a prestação de serviços era realizada, exclusivamente, pelas pessoas físicas dos sócios. As provas colhidas pela Fiscalização revelam que a prestação dos serviços pelos “Pejotizados” à Autuada ostenta natureza intuitu personae, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação. No caso em tela, observase que as Pessoas Jurídicas Prestadoras de Serviços foram constituídas, sem empregados na área técnica, com capital social irrisório e sem estrutura operacional, muitas delas estando sediadas no mesmo endereço, e contratadas pela Autuada exclusivamente para atender, por intermédio exclusivo dos próprios sócios e de acordo com as suas especialidades técnicas, às necessidades específicas dos serviços contratados pela FDC perante seus clientes, circunstância que caracteriza a pessoalidade na relação entre os “Pejotizados” e a Recorrente. As provas dos autos não deixam dúvida de que os serviços executados pelos “Pejotizados” não são prestados em favor direto da Autuada, mas, sim, aos clientes da Autuada, no cumprimento dos contratos com terceiros por ela pactuados, contingência que revela a alteralidade na prestação de tais serviços prestados pelos “Pejotizados”, quintessência supralegal dos atributos caracterizadores da relação jurídica de segurado empregado. Os Contratados Pessoa Jurídica, ao prestarem seus serviços aos clientes da Recorrente, não o fazem em nome próprio, mas em obséquio do pavilhão da Autuada. Avulta das circunstâncias do caso que o risco da atividade econômica é integral da FDC que, além do encargo de captar no mercado propostas para a prestação dos seus serviços, contrata e remunera trabalhadores “Pejotizados” para a prestação de tais serviços aos seus clientes, e assume toda a responsabilidade perante estes terceiros pelos serviços prestados, respondendo tais trabalhadores, quando muito, de maneira regressiva, e tão somente nas hipóteses em que atuarem com dolo ou culpa, como sói ocorrer nas típicas relações jurídicas patrãoempregado. E diga o Contrato: “Na eventualidade de ocorrerem danos materiais ou morais à FDC, causados pela contratada, em cuja ação se identifique dolo ou culpa, haverá ressarcimento pela mesma dos prejuízos, em sua totalidade, além de imediata rescisão do contratado”. “Na hipótese de eventual condenação da FDC pela inobservância no cumprimento das obrigações fiscais decorrentes do presente contrato, fica garantido a esta o direito de reembolso dos valores pagos, ou o direito de regresso para se ressarcir dos prejuízos que vier a suportar”. Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da FDC se revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.260 19 De acordo as informações contidas no Manual de Benefícios da APASS (Associação dos Empregados e Prestadores de Serviço da FDC), a instituição disponibilizava aos prestadores de serviço pessoas jurídicas benefícios idênticos aos disponibilizados a seus funcionários empregados. Dentre os benefícios disponibilizados, todos típicos de empregados, incluemse SeguroSaúde, Empréstimos Emergenciais, Complementação do AuxílioDoença, Reembolsos de Medicamentos, Tratamento Psicoterápico, Fonoaudiólogo, Ambulatorial, Lentes de Correção Visual, Tratamento Odontológico, Acupuntura, Escleroterapia, Ligadura de Trompas e Vasectomia, bem como Assistência ao Desenvolvimento e Educação desde a Creche e Jardim da Infância até cursos de pósgraduação. Me pergunto ... Vasectomia para pessoa jurídica ???? Tais benefícios são previstos expressamente nos contratos PJ firmados entre a Recorrente e os “Pejotizados”: “Caso seja do interesse da CONTRATADA, poderá, a seu exclusivo critério e nas mesmas condições, aderir aos benefícios que a FDC disponibiliza para seus empregados”. Os benefícios disponibilizados pela FDC aos seus empregados pelo regime da CLT e aos contratados PJ são suportados, em sua maior parte, pela própria FDC, que destina 3% de seu faturamento à APASS, sendo que cada beneficiário, empregado ou “Pejotizado”, contribui com 1%. o Manual de Benefícios da APASS informa que a inscrição do funcionário e prestador de serviço se faz por adesão a partir do registro da contratação; e os dependentes, a partir da comprovação da dependência e, em todos os casos, com autorização para desconto da contribuição em folha. (pessoa jurídica na folha de pagamento ???) A disponibilização de benefícios típicos de empregados, tais como a Assistência ao Desenvolvimento e Educação desde a Creche e Jardim da Infância até cursos de pósgraduação, para “Pejotizados” também descortina a viés de não eventualidade dos serviços contratados. No que pertine à subordinação, esta tem que ser averiguada em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico ou técnico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levandose em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade livre das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado. Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: De um lado, figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 pessoa física como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar, em contrapartida à remuneração que irá auferir. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, se o ProcuradorGeral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Sr. Paulo Schmitt, celebrar contrato de prestação de serviço de pintura artística com o pintor de fama internacional Romero Britto para a confecção de um quadro representativo do time do Fluminense F. C. , mas este renomado pintor, em honra de suposta autonomia funcional e de ausência de subordinação, decidir, ao seu único e exclusivo arbítrio, retratar em pop art o time da Portuguesa de Desportos, com certeza o contrato será imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente de insubordinação consistente no descumprimento, por parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado. No caso ora em apreciação, os profissionais “Pejotizados” são contratados pela Autuada para a prestação de serviços de sua especialidade diretamente aos clientes da FDC e em nome desta, devendo cumprir rigorosamente os termos pactuados no contrato celebrado entre a Autuada e o Cliente da vez, sujeitandose aos comandos e objetivos da instituição empregadora, a quem competia a definição de quais as tarefas e projetos atividades fins da instituição precisavam ser realizadas, quando tais tarefas e projetos deviam executados e como tais atividades deveriam ser executadas e concluídas. Assim se revela o modus operandi do empreendimento. A FDC oferece um produto no mercado e capta clientes na sociedade. Em seguida, sendo o produto bem aceito pelo público consumidor, identifica e seleciona no mercado de trabalho o profissional melhor graduado e qualificado para a execução do serviço oferecido pela Autuada perante seus clientes, mas só o contrata se for por intermédio de pessoa jurídica. Se o profissional selecionado não tiver a cobertura de nenhuma pessoa jurídica, a Gerente de RH o encaminha ao contador Sr. William Giovanni Barros, para que este providencie a constituição da pessoa jurídica requerida. Ultrapassadas as formalidades legais, o profissional, agora sócio da pessoa jurídica contratada, passa a executar perante os clientes da FDC, e em nome desta, os serviços para o qual foi selecionado, obedecendo estritamente as condições de contorno previamente fixadas entre a FDC e seus clientes. Diante de tal quadro, ou o profissional se ajusta ao requerido e cria sua própria pessoa jurídica, atuando sozinho ou em conjunto com algum sócio na mesma condição, ou se sujeita a permanecer no ostracismo no mercado de trabalho. “Guess that’s the name of the game” (Elton John/Bernie Taupin – Sweet painted lady) E diga o Relatório Fiscal: Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.261 21 “De acordo com as circunstâncias amplamente expostas ao longo do Relatório Fiscal, os profissionais (sócios das pessoas jurídicas contratadas) se encontravam inquestionavelmente à disposição da instituição, se não cumprindo ordens, cumprindo suas determinações para a realização de sua atividadefim, de forma contínua e por conta e risco da contratante FDC. Caracterizase, nessa situação, a interferência do poder jurídico do empregador (FDC) no procedimento de seus empregados (sócios das pessoas jurídicas), visando à manutenção e adequação de suas atividades em favor do empreendimento da instituição FDC”. Exsurge da situação exposta nos autos que o profissional contratado deve observância estrita àquilo que a FDC pactuou com os seus clientes, consumidores dos serviços por ela oferecidos no mercado. Nessa vertente, mesmo que eventualmente possa existir alguma flexibilidade na realização do serviço, este já se encontra delimitado pelas condições de contorno pactuadas pela Autuada e seus clientes, circunstância que denota, insofismavelmente, a subordinação do Contratado PJ às determinações e vontade da FDC. Dessarte, ainda que o “Pejotizado” venha a propor modificações no projeto ou no serviço a ser prestado ao cliente da Autuada e que tais modificações sejam efetivamente acatadas, estas dependem da anuência prévia da Recorrente e de seu respectivo cliente, como assim se extrai das cláusulas contratuais: “Parágrafo Único: Todas as informações, elementos, dados necessários ao bom desempenho dos serviços a serem prestados, bem como o seu cronograma de implementação e/ou execução, serão decididos em comum acordo entre as partes, ouvindo, se necessário, as empresas e/ou instituições contratantes da FDC”. O poder de controle sobre os “Pejotizados” se mostra flagrante na medida em que estes tem, por força dos contratos, que apresentar mensalmente, até o último dia de cada mês, relatório técnico com o número de horas trabalhadas, identificando os projetos a que se relacionam, tendo a FDC o prazo até o segundo dia útil do mês subsequente para aprovalo e efetuar o pagamento. O poder de controle é tão pronunciado que os contratos preveem a designação de representante da Autuada para acompanhar o andamento dos trabalhos, competindolhe aprovar os relatórios mencionados no parágrafo anterior, e autorizar as parcelas do pagamento correspondente. Dessai dos contratos firmados com os “Pejotizados” que caso os projetos e/ou trabalhos desenvolvidos pelos contratados venham a significar um ganhop de qualidade para os serviços prestados pela FDC, esta, a seu exclusivo critério, poderá gratificar a contratada mediante a elaboração de Termo Aditivo específico para tal fim. De tal cláusula aflora que quem se beneficia diretamente dos bons resultados produzidos pelos Contratados Pessoas Jurídicas é a FDC, que, a seu exclusivo critério, pode ou não gratificar o “Pejotizado”. Revelase assim, uma vez mais, o atributo da alteralidade, na medida em que, na realidade dos fatos, o Contratado Pessoa Jurídica não atua em nome próprio, mas, sim, como longa manus da Recorrente. Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Na prestação dos serviços, toda a infraestrutura técnica e operacional é disponibilizada pela FDC, que também arca com todas as passagens aéreas ou terrestres, deslocamentos, despesas com hospedagem e alimentação fora do domicilio da contratada, relacionadas ao objeto do contrato, mediante reembolso ou custeio direto, como é de estilo na relação jurídica patrão x empregado. De tais circunstâncias também aflora a noção de que quem suporta o risco da atividade econômica é, de fato, a FDC. Na prestação dos serviços, o “Pejotizado” tem que observar as normas e diretrizes internas da FDC, cumprir o horário estabelecido pela FDC com seus clientes ou de acordo com a conveniência dos serviços a serem prestados, atendendo ao cronograma de implantação e execução fixados, emitir relatórios técnicos mensais, com o número de horas trabalhadas em cada projeto, sujeitandose à Fiscalização por representante da Contratante, circunstâncias que revelam o poder de controle e hierárquico da Contratante sobre os trabalhadores em foco. O “Pejotizado” se obriga a manter sigilo em relação a qualquer informação, criação, especificação técnica e comercial, segredo comercial ou marca recebida em decorrência da consecução do objeto de cada contrato, obrigandose a não revelar, por qualquer meio, os dados a que teve acesso e conhecimento, respondendo, em caso de quebra de sigilo, a arcar com as penalidades que estiver sujeita a FDC por força do descumprimento da cláusula contratual nas relações desta última com terceiros. Tal cláusula contratual deixa bem clara a existência de subordinação técnica, dela se extraindo que quem detém o know how é a contratante. A Fiscalização apurou que, no período fiscalizado, nada menos que 68 (sessenta e oito) profissionais que prestavam serviços como pessoas jurídicas trabalhavam unicamente, de forma exclusiva, para a FDC, conforme arrolamento apresentado no quadro 05, a fls. 1876/1879, circunstância que revela a total subordinação econômica dessas empresas ao Contratante em questão. A existência da relação jurídica de fato típica de patrão vs empregado avulta de maneira insofismável dos termos contidos na cláusula rescisória, que possui os atributos do aviso prévio trabalhista, tais como prazo de trinta dias, verbas rescisórias, etc. Como visto, a subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando, onde e quanto do serviço será executado, além do poder de controle sobre o serviço realizado. A Fiscalização apurou que os ”Profissionais PJ” possuem em comum características que deixam claro que as respectivas pessoas jurídicas foram criadas, ou adaptadas mediante alterações contratuais, para atender ao modelo de contratação de empregados implementado pela FDC. A noção de que tais pessoas jurídicas atuam simplesmente como intermediadoras de mão de obra é reforçada pelo resultado de diversas diligências fiscais empreendidas pela Fiscalização no endereço das pessoas jurídicas contratadas. Nas tentativas empreendidas para localização dos responsáveis pelas pessoas jurídicas que, como tal, prestavam serviços à FDC, em simplesmente todas os resultados foram frustrados. Embora os requisitos legais que obriguem pessoas jurídicas a manter um endereço para sede da empresa não sejam rigorosas a ponto de exigirem a montagem de escritórios ou coisas do tipo, não houve um caso sequer em que se constatasse a existência de um local físico onde se pudesse afirmar que ali funcionasse uma pessoa jurídica. Na maioria dos casos os endereços dessas pessoas jurídicas levou a fiscalização a apartamentos e casas residenciais na cidade e em condomínios residenciais fechados onde, segundo Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.262 23 informações obtidas junto a empregados ou outros moradores do mesmo imóvel, o responsável pelo prestador de serviço não exercia suas atividades. Houve também, em diversos casos, a constatação in loco de mudanças de endereços dessas pessoas jurídicas sem a devida alteração do respectivo cadastro na RFB. Em pelo menos 7 (sete) casos, pessoas jurídicas foram constituídas ou tiveram seus endereços mantidos no mesmo local da sede da Prefeitura Municipal de Rio Acima (Rua Antônio Carlos, 38, Centro), município localizado nas proximidades de Belo Horizonte, em singelos e minúsculos boxes numerados, cujos moldes de funcionamento, num sistema promovido pela própria prefeitura, que foi posteriormente impedido de continuar em consequência de uma ação judicial movida pelo Ministério Público Federal em rumoroso caso de dimensão nacional. Todo o conjunto probatório leva à indicação da existência de dependência jurídica dos sócios das pessoas jurídicas contratadas com a instituição FDC, uma vez que as pessoas físicas dos sócios encontravamse à disposição desta para a realização de serviços contínuos e necessários à sua atividade, mesmo que aqueles tivessem liberdade na execução dos mesmos, situação tipicamente comum em serviços especialíssimos, como era o caso. Os contratados como ”Profissionais PJ” são, na verdade, profissionais pessoas físicas que, em caráter não eventual, executam pessoalmente os trabalhos contratados, visando a atender as atividades normais da Autuada, relacionadas diretamente com os fins do empreendimento econômico desta. A onerosidade, por derradeiro, foi apurada diretamente dos valores pagos através de notas fiscais de prestação de serviços, emitidas pelas pessoas jurídicas nas quais figuravam como sócios os profissionais pessoas físicas contratados pela Autuada, corroborados pelos respectivos lançamentos contábeis. Em regra, a remuneração das pessoas físicas, contratadas sob o factoide de pessoa jurídica, é mensal e encontrase pactuada em cláusula contratual específica, em valor fixo, a ser paga em prazo certo, mediante depósito em conta corrente. Pelo exame dos blocos de notas fiscais a Fiscalização constatouse que, além das notas fiscais emitidas em obediência aos contratos, pelo menos uma vez ao ano eram emitidas duas notas fiscais dentro de um mesmo mês, sendo uma delas com o valor contratado e a uma outra com valor bastante aproximado. Tal fato indica que a instituição efetuava pagamentos com características de remuneração de 13º salário a estes prestadores de serviço, sendo que, em alguns casos, usando abertamente esse título, conforme evidenciado em 4.6 (DA FOLHA DE PAGAMENTO DAS PESSOAS JURÍDICAS). A Fiscalização comparou a Folha de Pagamento normal dos empregados registrados da FDC de 2008 com a Folha de Pagamento dos profissionais contratados como pessoas jurídicas, e constatou que esta última era quase 3 (três) vezes superior à dos empregados registrados. A Fiscalização verificou que na Folha de Pagamento dos “Pejotizados” o registro de suas remunerações era efetuado mediante exatamente as mesmas rubricas utilizadas normalmente nas Folhas de Pagamento dos empregados contratados no regime da CLT. Como exemplo, citamse as seguintes rubricas de proventos: 13° SALARIO (0048), 1/3 DE FERIAS RESCISAO (0063), ALUGUEL DE NOTEBOOK (0541), FERIAS INDENIZADAS (0024), FERIAS PROPORCIONAIS (0025), HORAS NORMAIS – PJ1 (901); assim como as de descontos: INSS (0003), INSS 13° SALARIO (0011). Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Além disso, constatouse que os reembolsos efetuados aos profissionais “Pejotizados” eram efetuados, igualmente, sob as mesmas rubricas dos celetistas: REEMB. CONSULTA MÉDICA P/ DEPEND (0401), REEMB. FACULDADE P/ DEPEND (0402), REEMB. FONOAUDIOLOGIA P/ DEPEND (0410), REEMB. LENTES P/ DEPEND (0406), REEMB. MATERIAL ESCOLAR P/ DEPEND (0403), REEMB. MEDICAMENTOS P/ DEPEND (0404), REEMB. ODONTOLÓGICO P/ DEPEND (0405), REEMB. TERAPIA/ PSICOTERAPIA P/ DEPEND (0407), REEMBOLSO ACUPUNTURA (0276), REEMB. ENSINO MÉDIO (0280), REEMB. FACULDADE (0281), REEMB. MATERIAL ESCOLAR (0282), REEMB. MEDICAMENTOS (0284), REEMB. ÓTICA/LENTES (0285), REEMB. AMBULATORIAL (0286), REEMB. CONSULTA MÉDICA (0277), REEMB. DE PILATES (0411), REEMB. ENSINO FUNDAMENTAL (0279), REEMB. ENSINO INFANTIL (0278), REEMB. ESPANHOL (0296), REEMB. FONOAUDIOLOGIA (0294), REEMB. INGLÊS (0295), REEMB. ODONTOLÓGICO (0293), REEMB. TERAPIA/PSICOTERAPIA (0288). A apuração da base de cálculo das contribuições patronais previstas no art. 22 da Lei de Custeio da Seguridade Social se deu por aferição indireta, com base nos valores das Notas Fiscais de prestação de serviços, arroladas no Anexo 04, a fls. 1795/1819, com esteio no preceito inscrito nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Nas últimas duas décadas, passouse a observar neste País, uma tendência, capitaneada por grandes empresas, máxime as de comunicação e as de consultoria técnica, de se exigir que seus empregados se transformem em empresa individual ou pessoa jurídica para contratálos como prestadores de serviços, com o fito de esquivarse do recolhimento de encargos trabalhistas e previdenciários, sob o rótulo de “planejamento tributário”. Nessa nova arquitetura, o ex empregado, ao constituir sua própria empresa individual ou pessoa jurídica e, nessa condição, assim ser contratado, deixa de ser empregado da contratante e passa a ser um mero prestador de serviços, mas continua cumprindo horário, recebendo ordens e exercendo as mesmas atividades de antes, nas dependências do contratante ou nas de terceiros. O mesmo ocorre com os demais trabalhadores disponíveis no mercado. Como consequência imediata dessa mudança de status (de pessoa física e empregado para pessoa jurídica e prestador de serviços), o trabalhador assim contratado perde os direitos trabalhistas e previdenciários assentados na CLT e na Lei nº 8.213/91, respectivamente, enquanto que a empresa contratante, por seu turno, além de poder contar com a prestação ininterrupta de serviços pelos 12 meses do ano pessoa jurídica não tem direito a férias , se exclui dos encargos trabalhistas e previdenciários inerentes à relação de emprego e à condição de segurado empregado. A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurandose o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o contrato formal celebrado pelo contratante com a pessoa jurídica prestadora de serviços, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente previdenciários, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. O desvirtuamento dos direitos trabalhistas e previdenciários tratado nos parágrafos precedentes ganhou notoriedade na mídia com a celeuma que cercou a, assim denominada, Emenda 3, a Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.263 25 qual, se aprovada, impediria a fiscalização do Trabalho de coibir situações fraudulentas desse jaez, na medida em que tal atribuição passaria a ser da competência exclusiva da Justiça do Trabalho, a qual, por seu turno, exige como condição sine qua non a provocação do prejudicado, digase, o trabalhador. Nesse contexto, o trabalhador, agora prestador de serviço pessoa jurídica, dificilmente irá questionar semelhante transgressão nos Tribunais Trabalhistas, eis que, ao buscar o acessório, incorre no risco de perder o principal o trabalho. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93). A atuação fiscal empreendida no presente caso encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais formais apontem para a celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da citada condição de segurado empregados existente entre o Recorrente e as pessoas físicas dos sócios das pessoas jurídicas contratadas, importando na submissão de contratante e prestador de serviços, estes na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. A desconsideração do ato ou do negócio jurídico praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial. Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato simulado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente. Merece ser destacado que a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃO ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.264 27 filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins DJe: 23/11/2010 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFIS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.265 29 PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls.9734/9739): Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014. No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Reiterese que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados. No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre o Recorrente e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Dessarte, conforme determinado no art. 37 do mesmo Pergaminho Legal aludido no parágrafo precedente, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização tem por dever de ofício, plenamente vinculado, que lavrar o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, como assim sucedeuse no caso presente. As constatações empreendidas in loco pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil não deixam dúvidas: Efetiva ocorrência de contratação fraudulenta de profissionais especializados pela FDC para a execução, em nome desta, das obrigações pactuadas em contrato perante os clientes da Contratante, no desenvolvimento da atividade fim desta. A fraude se deu pela criação de Pessoas Jurídicas (PJ) pelos trabalhadores, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado, mediante a celebração de contratos civis de prestação de serviços técnicos pelos sócios das citadas pessoas jurídicas, restando presentes, todavia, todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação e onerosidade. Encontramse presentes, portanto, todos os elementos essenciais caracterizadores da condição de segurado empregado insculpidos no art. 12, I, da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que o Recorrente se utilizou de formas irregulares de contratação de profissionais, quiçá para esquivarse dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. Com efeito, nada impede que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. A condição de segurado empregado não exige exclusividade com o empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou ser operar como segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa recorrente. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa notificada. Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.266 31 A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e o Recorrente. A contratação de empregados de forma irregular nessa empresa houvese também por constatada e levantada pelo Ministério Público do Trabalho – MPT, que através da Procuradoria Regional do Trabalho da 3ª Região celebrou com a Autuada o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC nº 884/2010, assinado em 29 de julho de 2009, mediante o qual a FDC se compromete a absterse de efetuar contratações irregulares de trabalhadores tanto na atividadefim quanto na atividademeio, salvo nos casos especificamente ali fixados. Coincidentemente, a contar da data da celebração do TAC acima mencionado (29 de julho de 2009), um contingente expressivo de 65 “Pejotizados”, que prestavam serviços por intermédio das respectivas pessoas jurídicas, foram novamente contratados como empregados da FDC, para exercer as mesmas funções que antes exerciam como pessoas jurídicas, conforme ilustrado no quadro 07. Assentado que os serviços prestados à Autuada pelos profissionais “Pejotizados” ora em debate se deu com a presença ostensiva de todos os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, revelase obrigatória, em relação a tais segurados, a observância de todas as obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, tanto pela empresa como pelos segurados em questão. Nessa vertente, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Impôs também ao sujeito passivo o dever instrumental de elaborar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação tributária. Além disso, determinou que o contribuinte informasse, mensamente, mediante GFIP, todos os dados relacionados a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, e outras informações do interesse do INSS. Mas não parou por aqui. A lei impôs à empresa a obrigação de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições devidas pelos segurados obrigatórios do RGPS e a recolher o valor assim arrecado no prazo normativo, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) I a empresa é obrigada a: Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea “a”, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia vinte do mês subseqüente ao da competência; (Redação dada pela Medida Provisória nº 447/2008). Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Lei no 10.666, de 8 de maio de 2003. Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. (...) No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.267 33 parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. No que toca à GFIP, exige a lei que em tal documento sejam declarados mensamente pelo empregador, dentre outras informações, os dados cadastrais do empregador/contribuinte, dos trabalhadores e tomadores/obras; as Bases de incidência do FGTS e das contribuições previdenciárias, compreendendo o total das remunerações dos trabalhadores, a comercialização da produção, a receita de espetáculos desportivos/patrocínio, o pagamento a cooperativa de trabalho, a movimentação de trabalhadores (afastamentos e retornos), saláriofamília e saláriomaternidade, compensação de contribuições previdenciárias, assim como retenção de 11% sobre nota fiscal/fatura, exposição a agentes nocivos/múltiplos vínculos, valor da contribuição do segurado, nas situações em que não for calculado pelo SEFIP (múltiplos vínculos/múltiplas fontes, trabalhador avulso), valor das faturas emitidas para o tomador, dentre tantas outras previstas no Manual da GFIP. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Enganase aquele que acredita serem os livros contábeis exigíveis apenas pela legislação comercial. A legislação Tributária é aquela que mais impõe modulações e padrões aos lançamentos contábeis e à estruturação e formalização dos livros, não sendo por outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária sujeita o contribuinte ao pagamento de penalidades pecuniárias a lhe serem impostas mediante o competente Auto de Infração. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais. Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.268 35 a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência. b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida. d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não é demasia enaltecer que a elaboração de folha de pagamento nos moldes acima descritos, a declaração em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e o registro dessas informações na contabilidade não se configuram faculdades da empresa, mas, sim, obrigações tributárias acessórias a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que as folhas de pagamento, a GFIP e os livros contábeis equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Para tanto, no caso das contribuições previdenciárias, exige o art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social que a empresa, mensalmente, elabore folhas de pagamento, lance em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, informe ao Fisco Federal, mediante GFIP, todos os citados fatos geradores e outras informações de interesse do INSS, etc. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos fatos geradores ocorridos na empresa, pelo exame dos documentos acima referidos, não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego meios indiretos para a apuração da base de cálculo das contribuições sociais devidas. No caso em exame, dentre muitas outras irregularidades apontadas, a Fiscalização constatou que a empresa autuada não incluiu nas suas folhas de pagamento todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço; não lançou, mês a mês, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, tampouco declarou nas GFIP correspondentes todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária ocorridos sob sua responsabilidade tributária, porquanto não se houveram por considerados os segurados empregados da Recorrente, por esta irregularmente contratadas sob o manto formal de pessoa jurídica. De outro canto, pelas mesmas razões, as provas e circunstâncias do caso em tela revelam que a contabilidade da Autuada não registrava o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. A não observância das obrigações tributárias exigidas pela legislação de regência frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do Fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como Recibos de Pagamento a Autônomos, notas fiscais de prestação de serviços, contratos, etc. Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.269 37 Nessas circunstâncias, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registrou o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, configuramse motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Figuram presentes, portanto, os pressupostos legais para a apuração, por aferição indireta, da base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas. Diante desse quadro, o convencimento do auditor fiscal acerca da existência dissimulada da relação previdenciária em litígio decorreu dos elementos de convicção elucidativamente descritos no Relatório Fiscal, corroborados pelos elementos de prova acostados aos autos, de onde dimana a persuasão de que os sócios das pessoas jurídicas em apreço prestavam serviços na empresa autuada na condição de segurado empregados, nos termos do art. 12, I, ‘a’, in fine a Lei nº 8.212/91. Na sequência, ante a inexistência de documentos específicos de onde pudesse ser extraída, diretamente e com confiabilidade, a matéria tributável, houvese a base de cálculo das contribuições em realce apuradas por arbitramento, com fulcro dos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 8.212/91, a partir das informações contidas nas Notas Fiscais de serviço, contratos de prestação de serviços, folhas de medição de serviços. No procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos. Alguns dos critérios de aferição indireta a serem empregados pela Fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos Contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, como se deu ocorrer no presente, a Fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição, os mais diversos e imagináveis possíveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muitas vezes, tão somente, o princípio da razoabilidade. No caso em apreciação, considerando que os serviços são prestados à Recorrente unicamente pela pessoa física dos sócios e não pela pessoa jurídica correspondente; considerando que tais serviços foram prestados sob o manto da condição de segurado empregado, e considerando que os valores consignados nas notas fiscais de prestação de serviços em tela são representativos da contraprestação remuneratória pelos serviços prestados à Recorrente pelas pessoas físicas caracterizadas pela Fiscalização como segurados empregados da Autuada, se nos afigura correta a parametrização adotada pelos Agentes Fiscais no dimensionamento da base de cálculo do lançamento em questão, cabendo ao Sujeito Passivo o ônus da prova em contrário, a teor do §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Reiterese que inexiste qualquer óbice a que sócios de pessoas jurídicas prestem serviços a outras empresas na condição de segurados empregados. Nessa relação jurídica específica, a tributação previdenciária irá incidir sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título pela empresa contratante, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91. Envolta em tal singularidade, observadas as considerações acima expendidas, a Fiscalização dimensionou, por arbitramento, a matéria tributável, lançando de ofício como salário de contribuição dos segurados empregados, os valores extraídos das notas fiscais emitidas em face da FDC pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas, caracterizados pela Fiscalização como segurados empregados da Recorrente. Tais notas fiscais encontramse analiticamente arroladas por competência e individualizadas por emitente no Anexo 04, a fls. 1795/1819, de molde que sua correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo, favorecendo, dessarte, o contraditório e a ampla defesa do Autuado. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tais montantes não são condizentes com a realidade. Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.270 39 Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP ou na escrituração contábil. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. Diante da pletora probatória acostada aos autos, firmase a convicção de que os fatos trazidos pela fiscalização não deixaram dúvida quanto à real situação dos trabalhadores mencionados, os quais se ajustam taylor made na categoria de segurados empregados, visto que presentes todos os pressupostos elencados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Como resultado, nesse específico particular, subsistem inabaladas as obrigações tributárias destacadas no AIOP em apreço, o qual não demanda reparos. 3.2. DA FRAUDE E SONEGAÇÃO A Recorrente alega ausência de fraude a atrair a incidência de multa de ofício em duplicidade. O contrário extraise dos autos. Reiterese que os fatos geradores ora em trato houveramse por apurados mediante procedimento de caracterização de segurados empregados, contratados irregularmente sob o manto falacioso de pessoa jurídica, com fundamento no princípio da primazia da realidade sobre a forma, uma vez que se mostraram presentes, entre os trabalhadores e a Autuada, todos os elementos da condição de segurado empregado previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Exsurge das provas dos autos que a FDC oferecia um produto no mercado e captava clientes na sociedade. Em seguida, sendo o produto bem aceito pelo público consumidor, identificava e selecionava no mercado de trabalho o profissional melhor graduado e qualificado para a execução do serviço oferecido pela Autuada perante seus clientes, mas só o contratava se fosse por intermédio de pessoa jurídica. Se o profissional selecionado não tivesse a cobertura de nenhuma pessoa jurídica, a Gerente de RH o encaminhava ao contador Sr. William Giovanni Barros, para que este providenciasse a constituição da pessoa jurídica requerida. Ultrapassadas as formalidades legais, o profissional, agora sócio da pessoa jurídica contratada, passava a executar perante os clientes da FDC, e em nome desta, os serviços para o qual fora selecionado, obedecendo estritamente às condições de contorno previamente fixadas entre a FDC e seus clientes. Diante de tal quadro, ou o profissional se ajustava ao requerido e criava sua própria pessoa jurídica, atuando sozinho ou em conjunto com algum sócio na mesma condição, ou se sujeitava a permanecer no ostracismo no mercado de trabalho. Mediante tal artificio, a FDC conscientemente se utilizava de profissionais especializados, contratados mediante interposta pessoa jurídica constituída adrede para tal propósito, para Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 a execução de serviços e projetos técnicos especializados típicos do seu objeto social, perante seus clientes e em seu nome. Dessarte, valeuse a Autuada das interpostas pessoas jurídicas para contratar e ardilosamente acobertar, sob falso manto de legalidade, a mão de obra utilizada na execução de sua atividade fim, com redução de encargos previdenciários e trabalhistas, circunstância que demonstra e comprova o elemento volitivo e consciente do Recorrente de suprimir/reduzir tributo, mediante a omissão de informações à administração fazendária, fraudando assim a fiscalização tributária mediante a omissão dessas operações nas GFIP, nas folhas de pagamento e na contabilidade. Deflui das provas dos autos a presença insofismável e ostensiva de todos os elementos caracterizadores da relação jurídica de segurado empregados assentados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, uma vez que os serviços prestados pelos “Pejotizados” eram de natureza não eventual, e eram prestados com pessoalidade, mediante remuneração e sob subordinação jurídica à empresa contratante, e ainda com alteralidade, uma vez que tais serviços eram prestados diretamente aos clientes da FDC, e em nome desta. Integram os presentes autos, potes de provas e evidências que a Autuada utilizouse ardilosamente do mecanismo de contratação de profissionais altamente especializados, mediante interpostas pessoas, com o sinistro intuito de suprimir tributos consubstanciados em contribuições sociais. A fraude se manifesta na volitiva e consciente contratação de trabalhadores especializados, mediante contrato civil com pessoas jurídicas formalmente constituídas para tal propósito, aliás, constituídas sob a orientação e exigência da Autuada, com vistas a impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar o seu pagamento. Estivessem tais trabalhadores formalmente vinculados à Autuada, como assim determina o Ordenamento Jurídico, ela teria que arcar com os encargos previdenciários e trabalhistas incidentes sobre a folha de salários de tais obreiros. De outro canto, sendo o trabalho realizado por tais profissionais, prestados sob o signo da não eventualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação, mas camuflados sob um simulacro de contrato civil celebrado entre duas pessoas jurídicas, conferindo à operação a aparência enganosa de legalidade, ocultase da Administração Tributária não somente a ocorrência do fato gerador do tributo, como também sua natureza e circunstâncias materiais, na medida em que tais Fatos Jurígenos Tributários deixaram de ser registrados como tais nas folhas de pagamento e na contabilidade da empresa, além de terem sido omitidos nas respectivas GFIP, resultando na efetiva redução da carga tributária da Contratante. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.271 41 Reforça a compreensão acerca da existência de fraude e da sonegação o fato de a Gerente de RH da FDC, ao se deparar com um profissional de interesse que não era sócio de nenhuma pessoa jurídica, encaminhálo ao contador William Giovanni Barros, para que este providenciasse a constituição da pessoa jurídica requerida (sem qualquer estrutura administrativa, técnica, patrimonial e operacional), para só então celebrar o contrato civil de prestação de serviços ora em debate. Corrobora o entendimento acima esposado o fato de a Autuada cadastrar em suas folhas de pagamento os profissionais “Pejotizados”, ocupantes de cargo de chefia, como Estagiários, uma vez que a remuneração dessa categoria de trabalhadores não sofre incidência de contribuições previdenciárias e os aplicativos utilizados na elaboração de Folhas de Pagamentos obviamente não geram o cálculo de tais tributos, de modo que a inclusão como estagiários no cadastro tornouse conveniente para os objetivos desejados, evitando, assim, que naufragasse todo o esquema fraudulento. Tal procedimento demonstra, insofismavelmente, a intenção consciente de fraude e sonegação, mediante ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou modificando as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar dos serviços de interpostas pessoas jurídicas para a contratação de profissionais especializados para a execução das tarefas inerentes à sua atividade econômica, a Autuada não efetua a declaração de tais segurados e suas respectivas remunerações em suas GFIP, excluindo dessarte da Administração Fazendária o conhecimento a respeito da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não procede, portanto, a alegação de inexistência de causa para a qualificação da multa de ofício. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude e da sonegação, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, circunstância que implica a majoração da multa de ofício, em atenção à regra disposta no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 Em reforço a tal assertiva, atentese que, em razão das irregularidades constatadas durante os procedimentos de Fiscalização nas empresas ora em trato, houvese por formalizada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, constituída em apartado nos autos do Processo Administrativo Fiscal COMPROT n° 15504729.948/201299, representando ao órgão competente para a persecução criminal, fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária tipificado no art. 337A, inciso III, do Código Penal (DecretoLei 2848, de 07/12/40, redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/00), por omitir, total ou parcialmente, fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias e crime Contra a Ordem Tributaria, previsto no inciso I do artigo 1° da Lei nº 8.137 de 27/12/1990, por suprimir ou reduzir contribuição social, mediante omissão de informação as autoridades fazendárias. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962399/2008-75
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 99 /2 00 8- 75 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 38335.89078.101104.1.3.044235 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962399/200875 Acórdão n.º 3802002.281 S3TE02 Fl. 184 3 indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA COFINS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962399/200875 Acórdão n.º 3802002.281 S3TE02 Fl. 185 5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16327.720768/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
ESTIMATIVAS MENSAIS. EXIGÊNCIAS APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA.
Encerrado o exercício, havendo estimativas não recolhidas, o procedimento adequado é o da aplicação da multa isolada, quando for o caso, não havendo previsão legal para qualquer outra exigência, pelo fato de tratar-se meras antecipações do valor devido no ajuste anual, conforme preceitua o art. 2º, II, b, §§ 3º e 4º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso de Ofício Improvido.
Numero da decisão: 1101-001.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso Relator
(documento assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 ESTIMATIVAS MENSAIS. EXIGÊNCIAS APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. Encerrado o exercício, havendo estimativas não recolhidas, o procedimento adequado é o da aplicação da multa isolada, quando for o caso, não havendo previsão legal para qualquer outra exigência, pelo fato de tratar-se meras antecipações do valor devido no ajuste anual, conforme preceitua o art. 2º, II, b, §§ 3º e 4º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso de Ofício Improvido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
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EXIGÊNCIAS APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. Encerrado o exercício, havendo estimativas não recolhidas, o procedimento adequado é o da aplicação da multa isolada, quando for o caso, não havendo previsão legal para qualquer outra exigência, pelo fato de tratarse meras antecipações do valor devido no ajuste anual, conforme preceitua o art. 2º, II, “b”, §§ 3º e 4º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso de Ofício Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 68 /2 01 2- 01 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.720768/201201 Acórdão n.º 1101001.160 S1‐C1T1 Fl. 141 2 (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Cuidase de recurso de ofício em face de acórdão da DRJ/SP1 que julgou procedente a impugnação apresentada contra o auto de infração por falta de recolhimento de CSLL sobre as estimativas declaradas em DCTF do anocalendário 2009, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL. ESTIMATIVA DECLARADA EM DCTF E NÃO RECOLHIDA. AJUSTE ANUAL. Para os fatos geradores a partir de 01/1997, é descabido o lançamento de ofício para a cobrança da CSLL devida por estimativa e de seu acessório, após o encerramento do período base, cabendo apenas, se for o caso, a imposição de penalidade isolada e a cobrança do saldo de contribuição com base no lucro líquido ajustado anual, com a data de vencimento da quota única, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. A decisão recorrida analisou ainda questão preliminar de concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, preexistindo questão anterior que foi igualmente analisada, que ao final restou superada ao ser analisado o mérito do assunto, posto que mesmo considerando que o valor da declarado da CSLL Mensal Paga por Estimativa (valor declarado menos a parcela da estimativa de 03/2009 declarada com exigibilidade suspensa), apurouse saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2009 (no ajuste anual). É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.720768/201201 Acórdão n.º 1101001.160 S1‐C1T1 Fl. 142 3 O recurso de ofício atende aos requisitos necessários para sua admissibilidade, inclusive pelo fato do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada aprovado pela Portaria Ministerial nº 3, de 3 de janeiro de 2008, publicada no DOU, 7.1.2008, fixado em R$1.000.000,00 (hum milhão de reais), por isso dele tomo conhecimento. Por ser por demais esclarecedor, adoto como razão de decidir os fundamentos do v. voto condutor do acórdão recorrido, nos seguintes termos: 6. O litígio reportase à falta de pagamento de CSLL de 2009, código 2319 – IRPJ – IRPJ PJ Obrigadas ao Lucro Real Entidades Financeiras Estimativa Mensal, relativo ao mês de março de 2009, informado na DCTF, no valor de R$ 14.154.560,14, com exigibilidade suspensa em virtude de ação judicial (fls. 88/89) e que a autoridade fiscal lançou no ajuste anual (fato gerador: 31/12/2009). 7. Ocorre que as pessoas jurídicas que adotam essa forma de pagamento mensal (estimativa) apuram o IRPJ e a CSLL devidos com base no resultado anual, apurado em 31 de dezembro de cada ano, podendo deduzir do imposto devido o valor pago por estimativa, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “ Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano , exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV – do imposto de renda pago na forma deste artigo.” (Grifei). (Nota: o art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, estende a aplicação dos dispositivos acima transcritos à CSLL) 8. Como se vê, quando o contribuinte opta pela apuração anual do resultado, efetuada em 31 de dezembro de cada ano, os recolhimentos estimados, mensais e obrigatórios, constituemse meras antecipações do valor da CSLL devida ao final do ano calendário. 11. Por conseguinte, a partir do anocalendário 1997, a falta de pagamento das antecipações mensais de CSLL, apuradas por estimativa, enseja o lançamento de ofício da multa isolada, nos termos do art. 44, Inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430, Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.720768/201201 Acórdão n.º 1101001.160 S1‐C1T1 Fl. 143 4 de 1996, quando a falta for verificada após o término do ano calendário. Mas in casu a penalidade restou afastada, conforme informado pela própria autoridade lançadora no auto de infração (fls. 4 e 6), em virtude de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996). 12. Cumpre então verificar se era mesmo o caso de lançamento do saldo de CSLL com base no lucro líquido ajustado anual, com a data de vencimento da quota única, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. 12.1. Com base nos documentos de fls. 120/127, foi elaborada a tabela abaixo onde a primeira coluna com dados numéricos referese aos valores declarados pelo contribuinte em sua DIPJ Ex. 2010/AC 2009 e a segunda referese ao recálculo excluindose da Linha 74 da Ficha 17 da DIPJ a Estimativa de CSLL de 03/2009 declarada em DCTF com “exigibilidade suspensa” (134/135). 12.2. Como se vê, mesmo considerando que o valor da Linha 74 da Ficha 17 da DIPJ 2010/AC 2009 (CSLL Mensal Paga por Estimativa) seja de R$ 21.131.840,20 (valor declarado menos a parcela da estimativa de 03/2009 declarada com exigibilidade suspensa), apurase saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2009 (no ajuste anual). 12.3. Portanto o lançamento da CSLL no ajuste anual revelase improcedente. 13. Em assim sendo, restou prejudicada a análise dos argumentos apresentados na peça de defesa, porquanto a autuação não atendeu aos ditames da legislação de regência. Esse entendimento encontrase em sintonia com a reiterada jurisprudência deste colendo CARF, qual seja, a falta de recolhimento das antecipações obrigatórias, por estimativas, implica tão somente em exigência de multa isolada, quando for o caso, carecendo de base legal para exigir os valores correspondentes às estimativas declaradas e não recolhidas, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Considerada a redação vigente à época da ocorrência dos fatos, nos termos do disposto no inciso IV do parágrafo Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.720768/201201 Acórdão n.º 1101001.160 S1‐C1T1 Fl. 144 5 primeiro do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (ESTIMATIVAS) implica, tãosomente, a exigência de MULTA ISOLADA. Carece, pois, de base legal, a exigência correspondente a estimativa declarada e não recolhida. (Ac. 1301001.287, rel. Wilson Fernandes Guimarães, julgado em 08/10/2013) Igualmente se confirmou o entendimento de ser devida a multa isolada se exigida no curso do próprio anocalendário, ou se após o seu encerramento se constarse que houve recolhimento a menor do tributo apurado no final do exercício por conta da insuficiência das estimativas recolhidas, conforme depreendese o seguinte acórdão da colenda CSRF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A exigência da multa isolada sobre valor de IRPJ estimativa não recolhida mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, constatarse a falta de recolhimento ou recolhimento a menor do tributo apurado ao final por conta da insuficiência das estimativas recolhidas. (Ac. nº 9101001.756, rel. Conselheiro João Carlos de Lima Junior, julgado na sessão de 19.09.2013). Ademais disto, no caso em apreço, o valor da declarado da CSLL Mensal Paga por Estimativa (valor declarado menos a parcela da estimativa de 03/2009 declarada com exigibilidade suspensa), apurouse saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2009 (no ajuste anual). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 30 de julho de 2014 (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.720768/201201 Acórdão n.º 1101001.160 S1‐C1T1 Fl. 145 6 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
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Numero do processo: 15586.720592/2012-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. NÃO DEMONSTRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não demonstrando a autoridade fiscal a existência de falsidade da declaração, incabível a aplicação de multa de 150%.
MULTA POR APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS
Não demonstrando a fiscalização qual é o equívoco incorrido pelo contribuinte no preenchimento da GFIP, nulo é o lançamento, por deficiência na sua fundamentação.
Recursos Voluntário e Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 2402-004.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. NÃO DEMONSTRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não demonstrando a autoridade fiscal a existência de falsidade da declaração, incabível a aplicação de multa de 150%. MULTA POR APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS Não demonstrando a fiscalização qual é o equívoco incorrido pelo contribuinte no preenchimento da GFIP, nulo é o lançamento, por deficiência na sua fundamentação. Recursos Voluntário e Recurso de Ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. NÃO DEMONSTRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não demonstrando a autoridade fiscal a existência de falsidade da declaração, incabível a aplicação de multa de 150%. MULTA POR APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS Não demonstrando a fiscalização qual é o equívoco incorrido pelo contribuinte no preenchimento da GFIP, nulo é o lançamento, por deficiência na sua fundamentação. Recursos Voluntário e Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 92 /2 01 2- 65 Fl. 3908DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3909DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratamse dos Autos de Infração 51.011.5373, 51.011.5381 e 51.011.5390, constituídos em 03/07/2012 (fls. 0305), sendo o primeiro decorrente da apresentação de GFIP sem todos os fatos geradores, o segundo decorrente da glosa de compensações realizadas antes do trânsito em julgado de demandas judiciais propostas pelo autuado, e da não apresentação de documentos probatórios do crédito, no período de 01/2008 a 11/2009, das contribuições dos agentes políticos, e do período de 08/2010 a 12/2010, das contribuições sobre a folha de pagamentos incidentes sobre verbas consideradas indenizatórias, e o terceiro decorrente da imposição de multa de 150% em razão de a fiscalização ter considerado a declaração de compensação falsa. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 429/458) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ, ao analisar o presente caso (fls. 38433866), julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo que: (i) ainda que haja decisão favorável ao contribuinte, esta decisão somente se aplicará após o trânsito em julgado da sentença, nos termos do artigo 170A do CTN, que o contribuinte deveria ter comprovado a origem dos créditos utilizados nas compensações, e que, por estas razões, foi correta a glosa da compensação; (ii) o fato de ter havido o pedido de compensação anteriormente ao trânsito em julgado da sentença não significa que o crédito é inexistente, menos ainda, que houve intenção de fraudar, e que a fiscalização precisa comprovar que houve o dolo de fraudar, tendo sido, por esta razão, anulado o crédito tributário referente à multa de 150%; e (iii) o Auto de Infração nº 51.011.5373, decorrente da apresentação de GFIP com informações incorretas, é nulo, por deficiência de fundamentação. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 3871/3904) argumentando em suma que: (i) é legal a compensação realizada; (ii) possui decisão judicial favorável à compensação; (iii) o artigo 170A do CTN não se aplica ao caso em tela; (iv) a fiscalização deveria ter verificado, em seus controles, os elementos que comprovariam a existência do crédito utilizado na compensação; (v) que a decisão é nula por ter indeferido o pedido de prova pericial; e (vi) a aplicação de multa isolada deve ser condicionada ao dolo específico de fraudar, o que não acontece no presente caso. É o relatório. Fl. 3910DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o recurso voluntário é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento, bem como do recurso de ofício. A fim de melhor explicar o contexto da presente autuação, tomo por empréstimo os seguintes trechos da bem lançada decisão da DRJ (fls. 3846/3853), que apesar de um pouco extensos deixam clara a matéria ora em análise: “2.2. Em 21/09/2007, o Município da SerraES, através do representante da empresa URBIS, o advogado Sr. Antônio Luiz Castelo Fonseca, ajuizou ação ordinária na 2ª Vara Federal Civil de Vitória – ES (2007.50.01.0118459) em face do Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, objetivando que fosse declarado o direito de compensar os recolhimentos indevidos a título de contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos detentores de mandatos eletivos municipais no período compreendido entre 1998 e 2004, com parcelas vincendas da mesma exação, sem os limites preconizados pelas Leis nº 9.032/95 e 9.129/95, ainda afastados os ditames da Lei Complementar nº 118/05. 2.3. O sujeito passivo foi intimado através do Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF e do Termo de Intimação Fiscal – TIF03 a apresentar cópia da Petição Inicial e da sentença do processo judicial referente à compensação de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos exercentes de cargos eletivos. Entretanto, atendendo ao solicitado, informa por escrito, através do ofício SEFI nº 056/2012, de 31/05/2012, que não foi possível extrair as informações do processo judicial, tendo em vista que o mesmo se encontra no Superior Tribunal de Justiça, ou seja, no momento da ação fiscal a prefeitura não apresentou nem a petição inicial e nem a sentença. 2.4. A síntese da sentença publicada em 16/04/2008, verificada através da apelação/reexame necessário, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região foi que o juízo julgou procedentes os pedidos contidos na inicial, reconhecendo o direito do autor à compensação das quantias recolhidas indevidamente, a título de contribuição previdenciária incidente sobre subsídios percebidos por detentores de mandato eletivo, tão somente no período de 01/98 a 08/04, devidamente atualizadas, nos moldes demonstrados no corpo da sentença. 2.5. Na referida sentença, o juízo afastou expressamente a exigência do artigo 170 A da Lei 5.172/66, CTN, sendo viável a compensação antes do trânsito em julgado, mas apenas a partir do momento em que não subsistirem recursos dotados de efeito suspensivo. Afastou as limitações percentuais das Leis nº 9.032/95 e 9.129/95. Salientou, por fim, que esta sentença não representa qualquer homologação de cálculos, sendo certo que a autoridade fiscal competente conserva o poder dever de fiscalizar a regularidade da compensação, inclusive o seu quantum. 2.6. Inconformada, a União Federal apelou, alegando que a referida sentença deveria ser reformada in totum reconhecendose a ausência do interesse processual do autor; para acolher a aplicabilidade do prazo prescricional de 5 anos; que seja determinada a limitação da compensação aos moldes preconizados Fl. 3911DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 4 5 pelas Leis nº 9.032/95 e 9.129/95, somente após o trânsito em julgado, conforme o art. 170A do CTN, tendo sido a referida apelação recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo. 2.7. No entanto, através do acórdão emanado da Colenda Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi dado parcial provimento à apelação da União Federal/Fazenda Nacional, reformando a sentença no que tange a aplicação do prazo prescricional, já que o juízo na sentença considerou como sendo decenal o prazo da prescrição, quando o certo seria o prazo qüinqüenal, reconhecendo a prescrição das parcelas anteriores a 21 de setembro de 2002, uma vez que a ação foi ajuizada em 21/09/07, na vigência da Lei Complementar nº 118/05, razão pela qual é aplicável a prescrição qüinqüenal, mantidos os demais termos. 2.8. O Município interpôs Recurso Especial sob o nº 1.201.835 – ES (2010/01192742) contra o Acórdão do TRF2. O relator, Ministro César Asfor Rocha, em 24/05/2011, deu provimento ao REsp para restabelecer a sentença, com relação ao prazo para repetição do indébito, que é de 10 anos a contar do fato gerador. 2.9. O Processo encontrase sem decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal. ESTÁ ERRADO NA DECISÃO MESMO? 2.10. Outra medida judicial foi apresentada pelo sujeito passivo, referente ao Mandado de Segurança Individual/Tributário nº 2010. 50.01.0059790, com pedido de concessão de medida liminar, impetrado em 07/06/2010 na Seção Judiciária do Espírito Santo – 2ª Vara Federal Civil, em que objetiva a declaração de inexigibilidade do crédito tributário referente à Contribuição Social Previdenciária incidente sobre as situações em que não há remunerações por serviços prestados, por seus servidores, como no caso dos 15 primeiros dias de afastamento por doença ou acidente, do salário maternidade, adicional de férias de 1/3, horas extras, auxílio transporte, licença prêmio convertida em pecúnia, diárias, auxílio alimentação, salário família e remuneração pelo exercício de cargos de provimento em comissão ou função de confiança e, via de conseqüência, que também seja reconhecido o direito de efetuar a compensação correspondente, sob os recolhimentos efetuados nos últimos 10 anos, com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil – RFB, sem as limitações do art. 170 A do CTN, tendo sido indeferida a liminar pleiteada. 2.11. O juízo da Sexta Vara Federal cível, em 12/11/2010, concedeu parcialmente a segurança, e resolveu o mérito para determinar que a autoridade impetrada se abstenha de recolher (ou realize a cobrança) da contribuição previdenciária a cargo da parte impetrante sobre os pagamentos feitos aos empregados/servidores a título de adicional de 1/3 de férias, auxílio transporte, exercício de função comissionada, diárias que não excedam a 50% da remuneração, licença prêmio convertida em pecúnia e relativos aos primeiros quinze dias de afastamento antes da concessão de auxílio doença ou auxílio acidente. 2.12. Também foi declarado o direito da impetrante de efetuar a compensação da contribuição previdenciária a cargo do empregador incidente sobre as rubricas mencionadas no item anterior, com outras contribuições da mesma espécie, respeitada a prescrição decenal, bem como o art. 170A do CTN. A compensação deverá ser realizada pela impetrante de acordo com as normas estabelecidas pela RFB. 2.13. A referida sentença expressamente prevê a impossibilidade de efetuar a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, verbis: Fl. 3912DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 O caso sub examine enquadrase perfeitamente no disposto no art. 170A do CTN. A compensação das contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente depende do trânsito em julgado desta sentença. Não há razão para afastar essa disposição legal. A existência de controvérsia judicial a respeito da legalidade ou não da incidência do tributo atrai imediatamente a aplicação do art. 170A do CTN. COMPENSAÇÕES EFETUADAS COM BASE EM SENTENÇA PROLATADA NO PROCESSO JUDICIAL Nº 2007.50.01.0118459 DA 2ª VARA FEDERAL CIVIL DE VITÓRIA NO PERÍODO DE 01/08 A 11/09 – AGENTES POLÍTICOS 2.14. A sentença de 1º grau favorável somente foi publicada no Diário Oficial em 16/04/2008, quando a compensação já havia sido iniciada desde a competência 01/2008. 2.15. Na sentença, o juízo afastou expressamente a exigência do art. 170A do CTN, sendo viável a compensação antes do trânsito em julgado, mas apenas a partir do momento em que não subsistirem recursos dotados de efeito suspensivo. 2.16. Ocorre que a sentença foi objeto de apelação interposta pela União e foi recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo (duplo efeito), conforme decisão publicada no Diário de Justiça em 10/11/08. 2.17. A União Federal apelou no sentido de ser reformada a sentença, no que foi dado provimento parcial. A sentença foi reformada no que tange à aplicação do prazo prescricional, já que o juízo na sentença considerou como sendo decenal o prazo da prescrição, quando o certo seria o prazo qüinqüenal, reconhecendo a prescrição das parcelas anteriores a 21/09/2002. 2.18. O sujeito passivo apresentou, durante a auditoria fiscal, planilhas quantificadoras do suposto indébito, confeccionadas pela empresa URBIS, do período de 01/98 a 08/04, não respeitando dessa forma a decisão judicial publicada em 10/11/08. 2.19. A decisão do Ministro Relator publicada no DJE em 06/06/2011 deu provimento ao Recurso Especial para restabelecer a sentença, com relação ao prazo para repetição de indébito, que é de 10 anos a contar do fato gerador. 2.20. Há que se observar que o juízo apenas declara a possibilidade de compensação dos valores recolhidos supostamente indevidos, porém incumbe à administração averiguar o acerto de contas procedido pelo contribuinte, ou seja, a regularidade da operação (compensação), inclusive no tocante ao “quantum”. 2.21. A sentença expressamente registra que a compensação deve atender ao que foi estabelecido na motivação, sem prejuízo dos atos normativos aplicáveis. Salienta, também, que a sentença não representa qualquer homologação de cálculos, sendo certo que a autoridade fiscal competente conserva o poder dever de fiscalizar a regularidade da compensação, inclusive o seu “quantum”. 2.22. O sujeito passivo foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal – TIF 02 e reiterado através do Termo de Intimação Fiscal – TIF 03 a apresentar os documentos/informações de onde foram extraídos os valores dos créditos constantes das planilhas confeccionadas pela empresa URBIS – Instituto de Gestão Pública, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados aos agentes de mandato eletivo no período de 01/1998 a 09/2004 e que foram compensados nas competências 01/08 a 11/09. Atendendo à solicitação, informa através do Ofício SEFI nº 056/2012, de 31/05/2012, que o material solicitado é parte integrante dos autos do processo judicial 2007.50.01.0118549 e que não foi possível extrair as informações do processo judicial, que se encontra no Superior Tribunal de Justiça. Fl. 3913DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 5 7 2.23. Do exame do material apresentado, restou de pronto prejudicada a verificação da regularidade da compensação efetuada, uma vez que o sujeito passivo apresentou planilhas contendo os valores compensados, porém totalmente desacompanhadas da documentação, da qual foram extraídos tais valores, ou seja, a Prefeitura não comprovou a origem do suposto indébito, objeto da compensação, constante das GFIP no período de 01/08 a 11/09, impossibilitando, dessa forma, se aferir com exatidão o montante compensado. 2.24. Para admitirse a existência de compensação, com efeito de extinguir, total ou parcialmente, a obrigação tributária, não é condição suficiente que o contribuinte transmita dados através da GFIP indicando créditos e débitos. COMPENSAÇÕES COM BASE NA SENTENÇA PROLATADA NO PROCESSO JUDICIAL Nº 2010.50.01.0059790 NO PERÍODO DE 08/10 a 12/10 2.25. A sentença parcialmente favorável ao sujeito passivo somente foi publicada em 19/11/2010, quando a compensação já havia sido iniciada desde a competência 08/10. Como se pode constatar, antes mesmo de qualquer manifestação judicial, a Prefeitura iniciou a compensação. 2.26. A sentença determina expressamente que as compensações de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente, incidentes sobre as rubricas acolhidas no Mandado de Segurança, dependem do trânsito em julgado da mesma, devendo ser respeitado o art. 170A do CTN. 2.27. Ao efetuar as compensações no período de 08/10 a 12/10, a Prefeitura não respeitou a decisão, uma vez que a mesma encontrase aguardando recurso no TRF da 2ª Região desde 06/02/2012, verificandose que a mesma ainda não transitou em julgado. (...) 2.37. Foi verificado também neste procedimento fiscal que a Prefeitura compensou valores, no período de 08/10 a 12/10, relativos ao período de 01/99 a 07/10, que, segundo a mesma, referemse a recolhimentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre as rubricas acolhidas pela sentença prolatada nos autos do processo nº 2010.50.01.0059790, relativos a licença médica, adicional de 1/3 de férias, diferença de 1/3 de férias e 40% de cargo comissionado. 2.38. Através do Termo de Intimação Fiscal – TIF 01, a Prefeitura foi intimada a apresentar planilha contendo o cálculo dos valores compensados (originários e corrigidos) no período de 08/10 a 12/10, detalhando as rubricas sobre as quais incidiram as contribuições previdenciárias por competência e que foram compensadas. 2.39. Atendendo à intimação e para justificar o seu crédito, a municipalidade elaborou e apresentou à fiscalização relatórios (planilhas) dos eventos contemplados na sentença, com a individualização das rubricas e competências. 2.40. Observase que o período da planilha é de 01/99 a 08/10, quando o período informado no campo de compensação das GFIP declara competência inicial 01/99 e final 07/10. Verificouse, através deste relatório apresentado, um valor de R$ 1.626.130,44 e o valor corrigido de R$ 2.538.846,09. 2.41. Ainda que estes valores estivessem corretos e a Prefeitura tivesse o direito de se compensar a partir da competência 08/10, como procedeu, a mesma teria conseguido compensar os supostos recolhimentos indevidos até a competência 10/10. A planilha fornecida pela Prefeitura indica que o crédito Fl. 3914DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 8 atualizado seria de R$ 2.538.846,09, valor inferior aos R$ 4.587.480,67 efetivamente compensados no período de 08/10 a 12/10, verificados através das GFIP, o que resulta numa diferença de R$ 2.048.634,58. 2.42. Portanto, apresenta planilhas de valores supostamente recolhidos indevidamente sem nenhuma documentação comprobatória, não tendo o contribuinte juntado uma prova sequer, que tenha dado origem a tais valores, que como já demonstrado, não coincidem com os compensados pelo sujeito passivo, ou seja, o valor sustentado pelo sujeito passivo é muito inferior à compensação pretendida. Tal situação evidencia que a compensação foi realizada de forma aleatória e a planilha apresentada não é contemporânea às compensações e foi confeccionada posteriormente e somente para ser entregue à fiscalização. 2.43. Portanto, toda a compensação efetuada de supostos recolhimentos indevidos foi objeto de glosa integral, vez que não decorre de expressa disposição legal e tampouco de decisão em processo judicial, uma vez que a sentença prolatada no processo 2010.50.01.0059790 depende de trânsito em julgado e não foi considerada fundamento válido para embasar as compensações efetuadas. 2.44. Através do Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF datado e assinado em 26/01/2012, o sujeito passivo foi intimado a apresentar memória de cálculo de todos os recolhimentos previdenciários eventualmente compensados como objeto de compensação, especificando as bases de cálculo, contribuições de segurados e eventuais deduções que resultaram nos valores recolhidos, inclusive que todas as informações deveriam ser acompanhadas de documentos comprobatórios, não tendo sido nada apresentado sobre a memória de cálculo dos recolhimentos previdenciários objeto de compensação nos períodos de 01/08 a 11/09 a 08/10 a 12/10. 2.45. Também através do TIPF foram solicitadas cópias dos documentos de arrecadação que originaram o suposto indébito, objeto de compensação. Solicitações essas reiteradas pelos Termos de Intimação Fiscal – TIF nºs 02 e 04, datados e assinados, respectivamente, em 10/05/12 e 25/05/12. Em resposta aos Termos de Intimação Fiscal – TIF 03 e 04, por meio do Ofício SEFI nº 056/2012, de 31/05/2012, informa que o material solicitado é parte integrante do processo judicial nº 2007.50.01.0118549 e que não foi possível extrair as informações dentro do processo que se encontra no STJ. 2.46. O contribuinte apresentou Guias de Recolhimento genéricas do período de 13/00 a 12/08, no CNPJ da Prefeitura (27.174.093/000127), não sendo fundamento de fato da compensação, uma vez que tais guias não comprovam que as contribuições nelas arrecadadas são referentes a contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos exercentes de mandato eletivo e nem sobre as rubricas consideradas pela Prefeitura como não incidentes e objeto de compensação. 2.47. As Guias da Previdência Social apresentamse sem especificação das bases de cálculo que geraram os recolhimentos. Assim, considerando que somente o sujeito passivo, enquanto responsável pelos recolhimentos espontâneos, conhece os fatos geradores que geram os recolhimentos previdenciários, cumpre apresentar memória de cálculo dos recolhimentos na forma acima especificada. 2.48. Qualquer indébito passível de compensação resulta abstratamente de recolhimentos espontâneos, confissões espontâneas em parcelamentos administrativos ou lançamentos de ofício que versem sobre contribuições previdenciárias indevidas, assim entendidas aquelas incidentes sobre as rubricas de não incidência legal ou declaradas indevidas por força de decisão judicial definitiva. Fl. 3915DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 6 9 2.49. No caso concreto, quaisquer lançamentos de ofício que versem sobre contribuições previdenciárias lançadas com arrimo na Lei 9.506/97 são objeto de indébito ao sujeito passivo. É o próprio setor de cobrança da Receita Federal do Brasil quem procederá à análise. O procedimento se faz através de expurgo do documento de débito. Assim, no caso concreto desta ação fiscal, resta como matéria compensável propriamente dita a existência de recolhimentos previdenciários, ou seja, Guias da Previdência Social – GPS e sua discriminação, que consistem na única documentação hábil e idônea a comprovar efetivo indébito, que devem, evidentemente, ser objeto de compensação pelo sujeito passivo. Não foi apresentado qualquer documento a este título e, na falta de comprovação do efetivo recolhimento dos valores que originaram as compensações, não se pode aceitar a existência dos créditos alegados. 2.50. Instado a demonstrar seu crédito, o sujeito passivo apresentou, na auditoria fiscal, através do documento intitulado de Relatório Auxiliar da GPS, a relação dos vereadores de Serra, bem como os valores recebidos pelos mesmos no período de 01/98 a 12/07 e do Vice Prefeito, o Sr. Valter Rodrigues de Paulo, no período de 01/09/02 a 01/03/07, porém não são documentos comprobatórios do suposto indébito. 2.51. O conteúdo dos documentos e informações apresentados pelo contribuinte no curso da ação fiscal não permitiu a correta apuração dos valores efetivamente compensados. Seja por força de compensação judicial arrimada em sentença, seja por força de compensação administrativa, sempre haverá o necessário exame do fisco no exercício de seu poder dever de verificar a regularidade das compensações efetuadas. A auditoria se dá sempre da mesma forma, examinando a existência dos fundamentos de fato e de direito e procedendo ao cotejo com as normas jurídicas de regência. 2.52. Portanto, a compensação efetuada pelo contribuinte não observou as normas e os critérios seguidos para a efetivação das mesmas, ou seja, houve total desrespeito às medidas judiciais, bem como às normas legais e infralegais que estabelecem os termos e condições para se proceder às compensações das contribuições previdenciárias por parte da Prefeitura Municipal da Serra – ES, portanto, as compensações foram consideradas indevidas. 2.53. Assim, alternativa não restou à fiscalização senão de glosar integralmente os valores compensados nas GFIP do período de 01/08 a 11/09 relativos aos Agentes Políticos e do período de 08/10 a 12/10 relativos às rubricas consideradas pela Prefeitura como não incidentes de contribuições previdenciárias e proceder ao lançamento. (...) 2.55. Ressaltese que é inquestionável o direito de a Prefeitura Municipal da Serra se compensar das quantias recolhidas indevidamente, a título de contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios percebidos por detentores de mandato eletivo no período de 02/98 a 09/04, uma vez que o STF já decidiu pela inconstitucionalidade da alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 9.506/97, § 1º do art. 13, e que é entendimento administrativo normatizado a admissibilidade de compensação de contribuições previdenciárias recolhidas a este título no período de 02/98 a 18/09/2004.” Bem esclarecida a questão fática, passo a julgar os recursos. Do Recurso Voluntário Fl. 3916DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 10 Do AIDEBCAD 51.011.538.1 Da compensação com utilização de valores relativos à contribuição dos agentes políticos Como visto, discutese nos presentes autos se a compensação realizada pelo contribuinte, antes do trânsito em julgado, em colisão com o art. 170A do CTN, poderia ser considerada válida. No que diz respeito ao Auto de Infração em epígrafe, na parte referente às compensações feitas com utilização dos valores das contribuições devidas sobre pagamentos realizados a agentes políticos, matéria discutida pelo contribuinte nos autos da Ação Ordinária nº 2007.50.01.0118459, entendo que poderia ser relevada a vedação do art. 170A do CTN, e até mesmo a determinação judicial de que o contribuinte poderia compensar quando não houvesse mais recurso com efeito suspensivo. Isso porque, a matéria já está pacificada no STF há quase uma década em razão do julgamento do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR (e já estava quando o contribuinte ingressou com sua ação), sendo que de tal fato adveio a Resolução nº 26/2005 do Senado Federal, que suspendeu, com efeito erga omnes, a aplicabilidade da alínea h do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, diante da declaração de inconstitucionalidade da contribuição pelo STF. Contudo, ainda que o contribuinte pudesse realizar a compensação antes do trânsito em julgado da decisão proferida na sua ação própria, ou antes do momento autorizado pelo juiz da causa, o mesmo deveria observar alguns requisitos para que a compensação fosse aceita. Explicase. Por meio da Portaria MPS nº 133/2006 e da Instrução Normativa MPS/SRP 15/2006, a Administração internalizou o que fora decidido no RE 351.7171/PR: a primeira norma determinou o cancelamento de todos os débitos de tal natureza, independente do estágio em que se encontravam, ao passo que a segunda veio a autorizar a compensação com a utilização desses créditos, observando os requisitos nela dispostos. Quanto aos requisitos exigidos para que se pudesse realizar a compensação, vejase os seguintes dispositivos constantes da Instrução Normativa MPS/SRP 15/2006: Art. 3 º O direito de efetuar compensação ou de solicitar restituição a que se refere esta Instrução Normativa prescreve em cinco anos, contados a partir do pagamento. (Redação dada pela IN SRP nº 18, de 10/11/2006). [...] Art. 6 º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; ( Redação dada pela IN RFB nº 909, de 14 de janeiro de 2009 ) Fl. 3917DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 7 11 III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; ( Redação dada pela IN RFB nº 909, de 14 de janeiro de 2009 ) IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; e § 1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: I seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. § 2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no § 1º, os valores compensados serão glosados.(Grifos Nossos) § 3º Os documentos referidos no § 1º deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. § 4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. § 5º O descumprimento do disposto no § 4º sujeitará o infrator à multa prevista no § 6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Fl. 3918DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 12 Muito embora a fiscalização já tivesse constatado que a compensação foi realizada sem amparo judicial, já que a decisão proferida na Ação Ordinária nº 2007.50.01.0118459 não havia autorizado a compensação antes de haver recurso sem efeito suspensivo (o que, segundo o fisco, por si só já impediria a compensação), foi oportunizado ao contribuinte, por diversas vezes, conforme já mencionado no relatório do presente acórdão, a apresentação dos documentos/esclarecimentos que seriam de fundamental importância para que a Administração aferisse a compensação em apreço. Todavia, conforme também já foi narrado no relatório, o contribuinte não atendeu às intimações da Administração, deixando de apresentar a documentação solicitada, que comprovaria o seu crédito, não demonstrando ter preenchido os requisitos estabelecidos pela legislação, o que acabou por inviabilizar a compensação desejada. É importante frisar que, ainda que a decisão proferida pelo STF no RE 351.7171/PR, em conjunto com a Resolução 26/2005 do Senado Federal, possam ser aplicadas à Recorrente, em que pese a sua ação judicial própria, até por força das normas administrativas editadas pelo fisco reconhecendo a possibilidade de compensação do indébito recolhido, não há que se falar em direito automático à compensação, pois, como já exposto, o contribuinte deve observar determinados requisitos para que a compensação possa ser validada. Adicionalmente a tudo o que foi exposto, mas apenas em sede de ad argumentandum, é importante observar que, ainda que fosse possível passar por cima de todos os requisitos legais exigidos para a validação da compensação, mesmo assim não seria possível homologar as compensações efetuadas pelo contribuinte, pelo menos não em relação a uma parte considerável dos seus créditos. Isso porque, em sua ação individual – Ação Ordinária nº 2007.50.01.011845 9/ES – o contribuinte não apenas demandava o seu direito à compensação do indébito, mas igualmente clamava pela compensação dos tributos recolhidos desde os últimos 10 anos que antecederam ao ajuizamento da ação, ao passo que a Instrução Normativa da Receita Federal, que autoriza a compensação, determinou a compensação dos últimos 5 anos apenas. É importante destacar que a questão relativa ao prazo prescricional para a repetição do indébito continua até hoje em discussão na ação judicial movida pelo contribuinte (conforme consulta realizada em 14/07/2014 no site do STJ), sendo que a decisão vigente atualmente é a proferida em 05/03/2013, pelo E. STJ, nos autos do Recurso Especial nº 1.201.835, considerando que o contribuinte tem direito à repetição apenas no prazo quinquenal (aguardase o julgamento de embargos de declaração opostos pelo Município de Serra contra o acórdão do STJ). Desta maneira, ainda que (i) o tributo tenha sido declarado inconstitucional, com efeito erga omnes, permitindo, desta forma, o contribuinte se valer das normas administrativas de compensação, mesmo possuindo ação específica para a tutela do seu direito (conforme entende este relator); (ii) o Poder Judiciário tenha afastado a aplicação do art. 170A nos autos da Ação Ordinária nº 200750.010118549 (o que ocorreu), e que tivesse permitido a compensação mesmo enquanto pendente de julgamento recurso com efeito suspensivo (o que não ocorreu); e (iii) o contribuinte tivesse apresentado todas as informações requeridas pela fiscalização (o que não ocorreu), não se vislumbra a possibilidade de compensação do tributo, pelo menos daqueles créditos que ultrapassam o prazo de 5 anos do recolhimento indevido, pois o contribuinte não possui permissão legal para compensar o indébito utilizandose do prazo de 10 anos. Fl. 3919DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 8 13 Assim, em resumo, impossível o deferimento da compensação, nos termos requeridos pelo contribuinte, pois: · Deixou de apresentar os documentos/informações solicitados pela Administração; · Não cumpriu com os requisitos da Instrução Normativa MPS/SRP 15/2006 para que pudesse ser viabilizada a compensação; · Até hoje não há decisão definindo, de modo definitivo, o prazo prescricional que deverá ser aplicado para a repetição do indébito pelo contribuinte (se 5 ou 10 anos). Dessa maneira, concluo pela procedência do crédito tributário constituído através do AIDEBCAD 51.011.538.1, na parcela relativa à glosa das compensações efetuadas com créditos relativos à contribuição dos agentes políticos. Do AIDEBCAD 51.011.538.1 Da compensação com utilização de valores relativos à contribuição sobre a folha de pagamentos No tocante às compensações realizadas com a utilização dos valores discutidos pela Recorrente através dos autos da Ação Ordinária nº 2010.50.01.0059790/ES, referente às verbas de natureza indenizatória, a Recorrente argumenta que, igualmente, houve falhas na presente autuação, uma vez que possui decisão judicial favorável à compensação. Todavia, não lhe assiste razão, haja vista a necessidade de respeito ao art. 170A do CTN. Isso porque, ao contrário do que ocorreu na outra ação judicial proposta pelo contribuinte, a sentença que julgou a Ação Ordinária nº 2010.50.01.0059790/ES determinou, de modo expresso, que o art. 170A do CTN fosse observado (fls. 1351). O artigo 170A do Código Tributário Nacional veda qualquer compensação de tributo que seja objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Vejase a literalidade do excerto legal: “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” A Recorrente obteve em sede judicial decisão que lhe favorece, no sentido de reconhecer o caráter indenizatório e consequentemente a não incidência da contribuição previdenciária sobre diversas verbas, tais como 1/3 de férias, aviso prévio indenizado e folgas não gozadas, o que ensejou o pedido de compensação. Contudo, conforme se afere nos autos, e de consulta realizada em 14/07/2014 no site do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, a referida decisão judicial foi objeto de recurso pela Recorrente e pela União Federal, os quais ainda não foram analisados. Portanto, a decisão que permite a compensação de valores não pode ser considerada definitiva. É importante destacar, ademais, que em que pese o contribuinte tenha alegado que a matéria discutida na sua ação judicial já tenha inúmeros precedentes favoráveis, alguns até com trânsito em julgado, não é possível aplicar o conteúdo dessas decisões ao caso concreto do contribuinte, por absoluta falta de previsão legal. Fl. 3920DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 14 Dessa maneira, concluo pela procedência do crédito tributário constituído através do AIDEBCAD 51.011.538.1, na parcela relativa à glosa das compensações efetuadas com créditos relativos à contribuição sobre a folha de pagamentos. Do pedido de prova pericial Com relação ao inconformismo da Recorrente pelo indeferimento do pedido de produção de prova pericial, entendo que também não lhe assiste razão. Não se vislumbra a ocorrência do alegado cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia solicitada, uma vez que a Recorrente não logrou justificar adequadamente os supostos equívocos cometidos pela fiscalização que, em tese, mereceriam maiores esclarecimentos para o deslinde da questão. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/72 estabelece: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Da leitura do dispositivo, verificase que a Recorrente não cumpriu os requisitos necessários para a formulação de perícia. De mais a mais, entendo que no presente caso cabia exclusivamente ao contribuinte apresentar provas para sustentar o seu direito quando do requerimento da compensação, quando da fase de fiscalização, e quando da apresentação de impugnação. Não tendo feito isso de forma satisfatória, o seu dever não pode ser substituído pela prova pericial. Do Recurso de Ofício Do AI DEBCAD 51.011.5390 – Da multa de 150% imposta sobre os valores indevidamente compensados No tocante ao auto de infração exigindo multa de 150% em razão da compensação indevida, objeto do recurso de ofício, decidiu a DRJ pela exclusão da referida penalidade, haja vista não restar comprovado o intuito do contribuinte de fraudar, verbis: “A fiscalização comprovou que se trata de compensação indevida, porque o Impugnante deixou de atender aos termos e condições legais para a compensação, mas não a falsidade da declaração, nem o intuito de fraudar. Sendo assim, urge declarar a improcedência da multa aplicada, exonerando o AI nº 51.011.7390”. A penalidade foi aplicada com base no § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/09, o qual estabelece o seguinte: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a Fl. 3921DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 9 15 terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Entendo que acertadamente decidiu a d. DRJ. Não demonstrado o intuito doloso, a vontade do contribuinte em praticar a sonegação, fraude ou conluio, não há que se falar em incidência de multa isolada. No presente caso concreto, verificase que não estão presentes os fatores que justificam a aplicação da multa de 150%, sobretudo a comprovação pela fiscalização da falsidade da declaração. Salientese que o motivo do indeferimento da compensação não foi a inexistência do crédito ou a falsidade da declaração, mas sim a compensação antes do término das ações judiciais propostas pelo contribuinte ou do momento em que poderia ser feita a compensação, determinado pela decisão judicial, e a ausência de apresentação de documentos pelo contribuinte comprovando a origem dos créditos utilizados. Neste ponto, adoto como razões de decidir os fundamentos do voto recentemente proferido sobre este mesmo assunto no PAF nº 15215.720059/201131, de Relatoria da E. Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, julgado na sessão de 18/06/2013, que resultou no acórdão nº 2302002.521, por unanimidade, para fins de exclusão da multa qualificada de 150% aplicada na glosa de compensação (destaques do original): “Sob este prisma, nas palavras do Relator Arlindo da Costa e Silva, por ocasião do julgamento do PAF 13433.000631/201061 (Acórdão 2302002.285), para a caracterização da conduta típica de falsidade de documento público e de falsidade ideológica a comprovação da coexistência do elemento subjetivo do tipo (consciência e vontade de concretizar o tipo penal) e o elemento objetivos (fatos em si) são essenciais. Nestes casos, para a caracterização da penalidade mais severa, o agente fiscal deve se certificar de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, de molde a se evitar, ao máximo, a imputação de penalidade indevida. Daí a necessidade de comprovação, tal como exposto no art. 89, §10 da Lei 8.212/91. Esta Egrégia Turma não discrepa. Em recente julgado nos autos do PAF nº 10855.720678/201257 (Acórdão 2302002.402), de relatoria da Dra. Liege Lacroix Thomasi foi assim decidido: Fl. 3922DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 16 ‘Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 28/02/2010, 01/07/2010 a 31/08/2010 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. A falsidade da declaração, a conduta dolosa do sujeito passivo tem que estar demonstrada no auto de infração para se subsumir ao tipo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.’ Isto posto, não restando comprovado nos autos que o Recorrente tenha agido de forma dolosa ao informar em GFIP valores compensáveis relativos às contribuições incidentes sobre a remuneração dos agentes políticos, ainda que a compensação tenha sido considerada indevida pelo fisco, não há que se aplicar a multa isolada sem a cabal demonstração do dolo e da fraude cometida de modo a permitir a subsunção ao disposto no artigo 89, §10º da Lei n.º 8.212/91.” O mesmo entendimento foi proferido pela CSRF no julgamento do PAF nº 11020.003681/200992, Acórdão nº 9101.01.402, julgado na sessão de 17/10/2012, que, embora tratando de outro tributo (IRPJ), igualmente concluiu pela necessidade de comprovação da ocorrência de fraude para aplicação da multa de 150%: “(...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.” Entendo, portanto, que a multa aplicada no percentual 150% deve ser excluída do lançamento, tendo decidido de forma correta a d. DRJ. Da multa por descumprimento de obrigação acessória (Auto de Infração nº 51.011.5373) A decisão de primeira instância entendeu ser nulo o auto de infração lavrado para exigir multa pela apresentação de GFIP sem todos os fatos geradores, em razão da incompleta descrição dos fatos pela fiscalização. Entendo que agiu com correção a d. DRJ. Isso porque, analisandose o relatório fiscal, não é possível saber qual foi o equívoco cometido pelo contribuinte ao preencher a GFIP. Fl. 3923DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 10 17 No relatório fiscal a autoridade limitase a alegar que “o sujeito passivo apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP das competências 04, 05, 07, 08, e 09/08 com informações incorretas no campo de compensação”. Conforme decidiu a DRJ, “caso se considere que a incorreção estaria em informar valores no campo compensações que não eram compensáveis, no entender da fiscalização, as GFIP das demais competências glosadas (01 a 03, 06 e 10 a 13/2008) também estariam inexatas. Então, qual foi a inexatidão, ou por que somente a inexatidão das competências 04, 05, 07 a 09/2008 foi objeto do auto de infração? O relatório da infração e aplicação da multa de fls. 36/37 não é claro, de maneira a não permitir ao contribuinte, nem ao julgador, compreender o que exatamente levou a fiscalização a lavrar o auto de infração.” Dessa forma, restou preterido o direito de defesa do contribuinte, motivo pelo qual é nulo o referido auto de infração, por vício material (deficiência na sua fundamentação). Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 3924DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10875.907895/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 100 1 99 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.907895/201211 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.802 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 95 /2 01 2- 11 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 3801003.802 S3TE01 Fl. 101 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 31/10/2009. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2009 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 3801003.802 S3TE01 Fl. 102 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 3801003.802 S3TE01 Fl. 103 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e Fl. 103DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 3801003.802 S3TE01 Fl. 104 5 servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 3801003.802 S3TE01 Fl. 105 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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