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Numero do processo: 15504.724988/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LANÇAMENTO. INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DE ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de lançamento para exigência de crédito tributário, é da fiscalização o ônus de provar o descumprimento dos requisitos para fruição de isenção, não sendo suficiente a tal desiderato a mera afirmação de inobservância das condições, desacompanhada de qualquer elemento de prova ou investigação aprofundada que demonstre a situação, com integral inversão desse encargo ao sujeito passivo e diferimento de seu exercício para o procedimento contencioso.
Numero da decisão: 3401-005.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, por carência probatória e argumentativa a cargo da fiscalização.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, por carência probatória e argumentativa a cargo da fiscalização. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DE ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de lançamento para exigência de crédito tributário, é da fiscalização o ônus de provar o descumprimento dos requisitos para fruição de isenção, não sendo suficiente a tal desiderato a mera afirmação de inobservância das condições, desacompanhada de qualquer elemento de prova ou investigação aprofundada que demonstre a situação, com integral inversão desse encargo ao sujeito passivo e diferimento de seu exercício para o procedimento contencioso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, por carência probatória e argumentativa a cargo da fiscalização. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 88 /2 01 1- 63 Fl. 507DF CARF MF 2 Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração de fls. 2 a 91, datado de 24/10/2011, por meio dos qual é exigida a COFINS relativa ao período de janeiro a dezembro de 2008, em total original (já com a multa de ofício de 75% e juros de mora, à data da lavratura) de R$ 3.879.320,58. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 26, narrase que: (a) a fiscalizada (CAA/MG) é, de acordo com seu Regimento Interno, entidade beneficente, sem fins lucrativos, com finalidade de assistência a advogados, estagiários, provisionados e dependentes, mediante auxílio pecuniário, constituindo receitas da entidade a parcela de anuidades recebidas, as contribuições obrigatórias fixadas, entre outros (fls. 10/11); (b) a CAA/MG tem ainda dez filiais, que possuem atividades econômicas produtivas, auferindo receitas de atividades como prestação e serviços hospitalares, odontológicos e de ensino, entre outras; (c) em 2008, foram declarados débitos, em relação à COFINS, de oito estabelecimentos; (d) tais entidades têm direito ao benefício de isenção da COFINS estabelecido no art. 14, X, da Medida Provisória no 2.15835/2001, a partir de 01/02/1999, em relação a suas atividades próprias, sujeitandose à incidência de COFINS as demais receitas; (e) a Instrução Normativa SRF no 247/2002, em seu art. 47, II e § 2o, estabelece que se consideram receitas de atividades próprias “somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”; e (f) após verificação das atividades da empresa pela fiscalização, elaborouse demonstrativo (fls. 15 a 26) de bases de cálculo da COFINS composto por receitas que não são próprias da instituição, e que permanecem sujeitas ao regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei no 10.833/2003, aplicandose a alíquota de 3%, em conformidade com o art. 8o da Lei no 9.718/1998. Ciente da autuação em 31/10/2011 (fl. 4), a empresa apresentou Impugnação em 30/11/2011 (fls. 96 a 110), alegando, basicamente, que: (a) a CAA/MG é órgão da OAB/MG, autarquia federal, imune (art. 150 VI, “a” / “c”), e se destina a assistência aos inscritos no Conselho Seccional, de várias formas, como prestação de atendimento médico, ou até venda de medicamentos a custos especiais; (b) as receitas são de terceiros, sendo a instituição mera intermediária, não havendo que se falar em incidência da contribuição, como já entendeu o CARF (com menção ao Acórdão 203122881, de 24/01/2006, que trata de receitas de telefonia“roaming”) e o STJ (REsp n. 827.194, 24/03/2008); (c) como a autuação se limitou a tratar de valores globais, agrupados, não permitindo que se identifique com clareza a natureza e origem de cada rubrica, demandase perícia (quesitos às fls. 103/104) para esclarecer a questão; (d) é inconstitucional o arrolamento de bens como condição recursal; (e) há excesso de rigor e desproporcionalidade na multa lançada, para uma entidade assistencial sem fins lucrativos, demandandose seu abrandamento, ou substituição por advertência, ou ainda cancelamento, por se tratar de ente estatal, ou redução, em função de retroatividade benigna da Lei no 11.941/2009; e (f) é indevida a cobrança de juros de mora tendo por base a Taxa SELIC. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15504.724988/201163 Acórdão n.º 3401005.995 S3C4T1 Fl. 508 3 Em 19/12/2013 a DRJ converte o julgamento em diligência, para que a unidade local: (a) informasse se os valores registrados na conta 4.01.1.04.001 (Mensalidades) foram repassados para Unimed ou não, apresentando escrituração contábil que dê suporte a conclusão; (b) anexasse os Razões Mensais dos períodos autuados; (c) informasse se a apuração feita às fls. 15/26 é referente apenas à matriz, ou se estão incluídas as filiais n. 22.644.512/000204 e nº 22.644.512/000557; (d) anexasse o Despacho n. 850/2008/GGEOP/DIPRO/ANS e o Despacho n. 056/2010/GGEOP/DIPRO/ANS, e o contrato entre a Unimed e a Caixa de Assistência, que, segundo o contribuinte, foram anexados à Resposta à Intimação n. 5; e (e) desse ciência ao contribuinte do resultado da diligência, para que este, se assim desejasse, aditasse a manifestação de inconformidade apresentada, relativamente a tal resultado, no prazo de trinta dias da ciência, retornando, posteriormente, o processo a julgamento. Na Informação Fiscal de fls. 432/433, datada de 08/05/2004, a unidade preparadora da RFB sintetiza o atendimento à diligência, oportunizando manifestação da recorrente, que às fls. 435 a 438, informa que o levantamento complementar em nada altera sua defesa, corroborando as alegações de que as receitas apontadas como sujeitas a COFINS representam receitas próprias da autuada, não podendo a Instrução Normativa definir o que se entende por atividade própria, como entendeu o STJ no REsp no 1.049.876. A decisão de primeira instância (fls. 443 a 462), proferida em 26/09/2013, foi, por unanimidade de votos, pela improcedência da impugnação, concluindose que: (a) as imunidades de que trata o art. 150 da CF/1988 se referem a impostos, modalidade tributária distinta da contribuição em debate nos autos ademais, a contribuinte não é ente federativo, nem mantido pelo Poder Público, e não comprova o cumprimento das condições para fruição da imunidade, caso esta se estendesse a contribuições; (b) a fruição da isenção de que trata o art. 14, X, da Medida Provisória no 2.15835/2001, demanda o cumprimento do disposto no art. 55 da Lei no 8.212/1991, não fazendo a empresa prova de que os cumpre em sua peça de defesa; (c) intimado a esclarecer o motivo pelo qual não teria declarado em DCTF valores de COFINS para a matriz e para duas filiais, uma das quais tratase de hospital próprio (22.644.512/000204), o contribuinte informou não saber responder, pelo fato de ter trocado muitas vezes de contabilista; (d) não foi, ainda, apresentada documentação fiscal e contábil que permitisse ao auditor estabelecer se das receitas apuradas haveria parcelas sujeitas à isenção; (e) as atividades não são de mero repasse de recursos de terceiros, visto que os benefícios colocados à disposição de seu grupo de associados, ainda que simplesmente previstos, são de atribuição intrínseca da Caixa de Assistência, e, neste sentido, a Caixa mantém farmácias, óticas e um hospital próprios, como se depreende da leitura de Termo de Verificação e podemos confirmar na página da internet da entidade, sendo a UNIMED mera subcontratada; (f) é conforme a lei a cobrança de juros à Taxa SELIC; (g) a perícia solicitada é prescindível; (h) a multa de ofício aplicada, de 75%, é estabelecida em lei, e não pode ser afastada pelo julgador administrativo; e (i) o arrolamento de bens também encontra guarida legal, não podendo ser administrativamente dispensado. Ciente da decisão de piso em 17/10/2014 (fl. 468), a empresa interpôs Recurso Voluntário em 17/11/2014 (fls. 470 a 486), reiterando as razões de impugnação sobre serem as receitas de terceiros e sobre a Taxa SELIC, o arrolamento e a multa, e acrescentando, em síntese, que: (a) houve cerceamento do direito de defesa na decisão de piso, que deveria ser anulada; e (b) os valores remetidos à UNIMED são meros repasses, como registrado em perícia contábil juntada aos autos. Fl. 509DF CARF MF 4 À fl. 503, a unidade preparadora da RFB envia o processo ao CARF, onde, após ser distribuído a relatora que deixou o colegiado sem incluir o processo em pauta de julgamento, o processo é novamente distribuído, por sorteio, a este relator, em outubro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. São controversos, no presente processo, os seguintes temas: (a) a imunidade ou isenção ou (não) incidência de COFINS em relação à CAA/MG; (b) as rubricas questionadas no caso concreto, no lançamento; (c) a aplicação da Taxa SELIC; (d) o arrolamento de bens; e (e) a quantificação da multa aplicável. E, preliminarmente, suscitase, em recurso voluntário, (f) a nulidade da decisão e piso, por cerceamento do direito de defesa. Três das matérias acima são facilmente resolvidas, neste tribunal administrativo. O arrolamento de bens já não constitui condição recursal, conforme ADIn no 1.9767, e redação dada pelo art. 32 da Lei no 10.522/2002 ao art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A Taxa SELIC tem sua aplicação assentada neste tribunal administrativo, a ponto de estar a matéria sumulada, com observância obrigatória pelas turmas de julgamento: “Súmula CARF n. 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” E a multa de ofício, com patamares fixados em lei, não pode ser flexibilizada em nome de princípios constitucionais, conforme Súmula CARF n. 2 (igualmente vinculante, em função da Portaria MF no 277/2018): “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Resta, assim, a análise da preliminar de nulidade, e o exame de mérito, referente à imunidade, isenção ou (não) incidência de COFINS em relação à CAA/MG, e, especificamente, às rubricas lançadas no caso concreto. Quanto à alegação de nulidade, por preterição do direito de defesa, em função da denegação da perícia requisitada na instância de piso, endossamos que a diligência, nos moldes em que demandada, era absolutamente desnecessária. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 15504.724988/201163 Acórdão n.º 3401005.995 S3C4T1 Fl. 509 5 Por certo que não se necessita de um perito para analisar a escrita da recorrente, e avaliar se está regular (quesito 01 formulado fl. 103). Essa tarefa é exatamente a levada a cabo pela fiscalização, e incumbia à defesa contrapor os argumentos do lançamento, e não terceirizar tal tarefa. Como assevera a Súmula n. 8 deste CARF (também vinculante, em função da Portaria MF no 277/2018): “O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador”. Os quesitos 02 e 03 (identificação da origem de cada receita e ônus dos pagamentos) constituem tentativa de atribuição a perito de matéria de defesa, que poderia ter sido apresentada inclusive no curso da fiscalização, ou na impugnação. A perícia não se presta a produzir prova, seja em favor do fisco ou do contribuinte, mas a esclarecer dúvida que tenha o julgador na apreciação da lide. E o julgador de piso até teve dúvidas, esclarecidas na conversão em diligência presente nos autos, mas tais dúvidas não se confundiam com os três quesitos formulados pela defesa, que não se prestavam a amadurecer o julgamento, mas a tentar contrapor argumentos fiscais, que poderiam ter sido diretamente enfrentados pela defesa, pois se espera que a recorrente saiba identificar tanto a origem de cada receita quanto o ônus dos pagamentos. Improcedente, assim, o argumento de que houve nulidade na decisão de piso, que, nesse aspecto, permanece hígida. No mérito, afirma a recorrente gozar de imunidade em relação à COFINS, invocando dispositivos constitucionais que tratam de “impostos” (art. 150 da CF/1988), o que, por si, revela confusão em relação a espécies tributárias distintas. Aliás, sobre ser imune a impostos o fisco sequer controverte a questão, reconhecendo a imunidade a impostos ao final do termo de Verificação Fiscal (fl. 14). Caso houvesse imunidade de “contribuições” no texto do art. 150 da Carta Constitucional, nas alíneas referidas pela defesa, dispensável seria a criação da isenção específica discutida neste processo, e prevista na Medida Provisória no 2.15835/2001, arts. 13, III e 14, X (mais afeta, a nosso ver, ao art. 195, § 7o, da CF/1988): “Art.13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...)” “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 511DF CARF MF 6 (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13.” (grifo nosso) A fiscalização, após expor tais dispositivos, revela, inclusive, entender que eles se aplicam à recorrente, ao afirmar (fl. 12) que: Percebase, então, que a autuação não questiona o cumprimento de requisitos para fruição da isenção, como apresentação de certificados, ou outros previstos em lei, mas apenas se as receitas se referem a atividades próprias, de acordo com a definição do § 2o do art. 47 da IN SRF no 247/2002: “aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Assim, o ônus probatório a cargo da recorrente é apenas de comprovar o requisito para fruição de benefício diverso deste já reconhecido, em tese, pela fiscalização, e obstado apenas no que se refere a delimitação da expressão “atividades próprias”. A defesa, ao suscitar teses diversas da isenção que já havia sido reconhecida, mas limitada pela expressão, como a de que faria jus a imunidade restrita a impostos, efetivamente deveria ter feito prova dos requisitos para fruição de tais benefícios distintos, e não o faz. Portanto, deve a presente análise restringirse a serem ou não as receitas de atividade própria, e à tese alternativa da recorrente de que sua atividade é apenas de repasse de recursos a terceiros. Sobre ser a receita de atividade própria, a defesa afirma inicialmente, na impugnação (fl. 97) que: No entanto, os argumentos expendidos na sequência são no sentido de que, de fato, as receitas são de terceiros, ao menos na sua quase totalidade, como afirma a própria recorrente (fl. 100): Isso porque o argumento central da defesa não é focado na isenção, tema sequer aprofundado, mas em não incidência, pelo fato de sustentar a recorrente ser o valor Fl. 512DF CARF MF Processo nº 15504.724988/201163 Acórdão n.º 3401005.995 S3C4T1 Fl. 510 7 recebido (ao menos a maior parte dele, silenciando sobre a parte restante) mero repasse a terceiros. Nas palavras da impugnação (f. 102): A DRJ, após demandar esclarecimentos para sanar algumas dúvidas, e descartar as teses de imunidade, reconhece que o Termo de Verificação assinala que a empresa faz jus à isenção do art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001, em relação às receitas de atividades próprias, mas que o lançamento exige a COFINS em relação à totalidade das receitas, inclusive de mensalidades. E levanta ainda o julgador de piso que a empresa não faz prova do cumprimento dos requisitos para a fruição da isenção prevista no art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001. Apesar de concordarmos com a afirmação do julgador de ausência de demonstração do cumprimento dos requisitos, é de se recordar que tal acusação, de descumprimento de requisitos para fruição da isenção, não é feita na autuação, restrita à questão de não serem as receitas “de atividade própria”, mas contraprestacionais. Acrescenta ainda o julgador de piso que a recorrente, ao ser indagada sobre o motivo pelo qual não teria declarado em DCTF valores de COFINS para a matriz e para duas filiais, uma das quais se trata de hospital próprio (22.644.512/000204), informou não saber responder, pelo fato de ter trocado muitas vezes de contabilista. E que não foi apresentada documentação fiscal e contábil que permitisse ao auditor estabelecer se das receitas apuradas haveria parcelas sujeitas à isenção. Assim, a DRJ mantém o lançamento sob o fundamento de que “o pleito do contribuinte de ser beneficiário da isenção da Cofins sobre o total das receitas auferidas, não procede e que não houve instrução no processo por parte do contribuinte que permitisse aferir a ocorrência de receitas isentas no período fiscalizado”. Temse, assim, em síntese, o seguinte cenário paradoxal: (a) a fiscalização entende ser caso de isenção prevista no art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001, mas que as receitas não são de atividade própria, pouco desenvolvendo esse argumento, limitando se a trazer o conceito estabelecido no § 2o do art. 47 da IN SRF no 247/2002; (b) a defesa parte para benefícios diversos do indicado pela fiscalização, em relação aos quais não faz prova de cumprimento dos requisitos para fruição, e sustenta, alternativamente, que as receitas auferidas (ou, ao menos, sua maioria, sem detalhar) tratamse de meros repasses a terceiros, o que endossa que não se está a tratar da isenção prevista no art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001; e (c) o julgador de piso afasta a isenção (que, digase, remonta a tese pouco encampada pela defesa) por carência probatória a cargo da empresa, quando incumbiria ao fisco, no lançamento, a prova do descumprimento da condição (no caso, se ser a receita de atividade própria) para fruição da isenção. Fl. 513DF CARF MF 8 Parece que autuante e defesa estão a dialogar em idiomas distintos. E que a DRJ responde a ambos em um terceiro idioma. Essa “Babel” se deve, a nosso ver, ao pouco aprofundamento do escopo do lançamento, que se limita a afirmar que a instituição não faz jus à isenção de que trata o art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001 porque suas receitas não são de “atividades próprias”, mas de contraprestação de serviços prestados, como se aclara na parte final do Termo de Verificação Fiscal (fl. 14): A fiscalização, assim, não se desincumbe do ônus de provar que as receitas da instituição efetivamente não eram de atividade própria. E sequer sustenta pormenorizadamente a fiscalização a alegação que as receitas seriam contraprestacionais, tese desenvolvida mais detidamente apenas na DRJ, em relação a planos de saúde, após o retorno da diligência. A DRJ, por certo, não pode suprir lacuna probatória a cargo da autuação, assim como não supriu a lacuna probatória a cargo da recorrente, negando sua demanda pericial. Ademais, a discussão sobre a possibilidade de a Instrução Normativa restringir o alcance da lei na concessão da isenção, definindo “atividade própria” em contraposição a “prestação de serviços” também é alvo de intensos debates, neste CARF, chegando a ocasionar, em relação a entidades de educação, a esclarecedora Súmula no 107 (vinculante, conforme Portaria MF no 277/2018): “A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997.” (grifo nosso) Ao que se vê, no presente caso, a fiscalização efetuou imputação fiscal (de que as receitas da instituição não seriam de “atividade própria”) sem demonstrar o porquê, e, por se tratar de lançamento, incumbia ao fisco a prova do alegado descumprimento de requisito. É certo que a instituição, em sua defesa, pouco ajuda no deslinde da questão, seguindo trilhas que apenas levemente resvalam na efetiva imputação fiscal. Mas, como aqui exposto, era dever da defesa apenas contrapor as provas e argumentos apresentados pelo fisco, e trazer aos autos provas de que cumpriria eventuais requisitos atrelados a teses alternativas da exposta pelo fisco. A defesa, registrese, não faz, a contento, nem uma nem outra coisa. Por isso se deve esclarecer que não se está aqui a endossar as teses principais da defesa, seja a de imunidade (frontalmente rechaçada de início) ou de que as receitas seriam meros repasses (bem afastada pela DRJ, com argumentos que endossamos sobre a relação contratual entre a CAA/MG e a UNIMED), mas apenas a reconhecer que a autuação é carente em provas e argumentos, sendo inapta a demonstrar que as receitas não são de “atividades próprias”, carência essa que, enfatizese, não pode ser “remediada” pelo julgador (seja desenvolvendo uma análise acurada do Regimento Interno da CAA/MG, de seu contrato com a Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15504.724988/201163 Acórdão n.º 3401005.995 S3C4T1 Fl. 511 9 UNIMED, ou de cada conta ou grupo de contas referente a receita, explicando o porquê de sua inadequação como “atividade própria”). Tais tarefas, esclareçase, estavam a cargo e sob a competência exclusiva do autuante. As razões de provimento do recurso, assim, restringemse, única e exclusivamente, à carência probatória e argumentativa a cargo da fiscalização, o que conduz à improcedência do lançamento. Assim decidiu este colegiado recentemente, de forma unânime, com composição bastante semelhante à atual: “LANÇAMENTO. INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DE IMUNIDADE. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de lançamento para exigência de crédito tributário, é da fiscalização o ônus de provar o descumprimento dos requisitos para fruição de imunidade, não sendo suficiente a tal desiderato a mera afirmação de inobservância das condições, desacompanhada de qualquer elemento de prova ou investigação aprofundada que demonstre a situação, com integral inversão desse encargo ao sujeito passivo e diferimento de seu exercício para o procedimento contencioso.” (Acórdão n. 3401005.168, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 24. Jul.2018) (presentes ao julgamento os Cons. Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) (grifo nosso) Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso, por carência probatória e argumentativa a cargo da fiscalização. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 515DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.720874/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Ao constatar que a Embargante logrou êxito em demonstrar, objetivamente, a omissão e a contradição no texto do v. acórdão, os Embargos de Declaração devem ser admitidos.
No caso dos autos, foram verificadas omissões e contradições entre o relatório e o voto condutor do v. acórdão embargado, hipótese em que se deve acolher os Embargos de Declaração nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), eis que os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haver-se pronunciado, inclusive alterando a ementa do julgado:
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo e em consonância com a legislação vigente.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PROVA DOCUMENTAL.
Deve ser indeferido o pedido de diligência para a realização de perícia que visa a produção de prova documental, a qual deve ser apresentada no momento da apresentação do recurso voluntário.
VENDAS DE MERCADORIAS. DESCONTOS FINANCEIROS. DESPESAS DEDUTÍVEIS.
No caso específico, enquadram-se nos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, previstos no artigo 299 RIR/99, as despesas com os descontos concedidos nas operações de vendas de mercadorias que são necessários e rotineiros para que a contribuinte se mantenha competitiva no mercado em que exerce sua atividade empresarial.
DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS. PARTICIPAÇÃO DE TERCEIROS. CIRCULAÇÃO FÍSICA. PROVA.
Em se tratando de devoluções de mercadorias que envolvam a participação de terceiros, para que seja demonstrada a efetividade dessas operações, não basta que as notas fiscais de devolução estejam regularmente contabilizadas, se faz necessário a prova de sua circulação física, a qual pode ser feita com documentação hábil e idônea emitida por terceiros participantes da operação em conjunto com as notas fiscais de devolução. A ausência dessa documentação autoriza a glosa de tais despesas pela autoridade administrativa fiscalizadora.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta de recolhimento do imposto sobre a renda devido por estimativa sujeita a pessoa jurídica, sob procedimento de ofício, à penalidade da multa isolada.
DEVOLUÇÕES FICTÍCIAS. CONDUTA FRAUDULENTA. MULTA QUALIFICADA.
Evidenciado nos autos a intenção livre e consciente da contribuinte em criar devoluções fictícias de mercadorias vendidas com o intuito de reduzir, indevidamente, a carga tributária devida, tal conduta deve ser caracterizada como fraudulenta, sendo cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) incidente sobre o imposto que deixou de ser recolhido em razão da referida conduta.
RESTABELECIMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA EMPRESA NEW WORK COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., NOS TERMOS DO ARTIGO 124, INCISO I DO CTN.
Quanto existir clara demonstração de interesse comum de um grupo econômico de fato, que agiu em conluio para ter vantagens tributárias incorrendo em infrações fraudulentas, conforme constatadas na presente autuação, a pessoa jurídica deve ser responsabilizada solidariamente em relação ao crédito exigido da autuada.
DA EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR DA EMPRESA QUE OPERACIONALIZOU COM A AUTUADA, A NEW WORK, NOS TERMOS DO ARTIGO 135, INCISO III DO CTN.
Não se pode imputar responsabilidade solidária nos termo do artigo 135, inciso III do CTN ao sócio administrador da empresa que participou em conjunto com a empresa autuada dos atos que ensejaram na possível redução do imposto a ser recolhido, eis que não é o representante de direito ou de fato do sujeito passivo da exação. Nesta hipótese deve ser imputada responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, inciso I do CTN ao sócio administrador da empresa que transacionou com a autuada.
EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR DA AUTUADA, CARLOS FELIPE ISSAC, NOS TERMOS DO ARTIGO 135, INCISO III DO CTN.
A responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, deve ser afastada quando não restar comprovado nos autos que o sócio administrador foi quem praticou os atos com excesso de poderes em relação ao contrato social ou infração a legislação tributária.
Apenas o fato de o sócio administrador constar no contrato social da empresa na época em que ocorreu o fato gerador não é suficiente para imputar responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, devendo a Fiscalização carrear aos autos documentos que comprovem tais atos praticados pela pessoa física, que caracterizem excesso de poderes e infração a legislação tributária.
Numero da decisão: 1402-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para corrigir as inexatidões materiais e sanar a omissão no resultado do julgamento do recurso de ofício acerca da exoneração da responsabilidade tributária de Carlos Alberto Isaac e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges e Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Ao constatar que a Embargante logrou êxito em demonstrar, objetivamente, a omissão e a contradição no texto do v. acórdão, os Embargos de Declaração devem ser admitidos. No caso dos autos, foram verificadas omissões e contradições entre o relatório e o voto condutor do v. acórdão embargado, hipótese em que se deve acolher os Embargos de Declaração nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), eis que os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haverse pronunciado, inclusive alterando a ementa do julgado: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PROVA DOCUMENTAL. Deve ser indeferido o pedido de diligência para a realização de perícia que visa a produção de prova documental, a qual deve ser apresentada no momento da apresentação do recurso voluntário. VENDAS DE MERCADORIAS. DESCONTOS FINANCEIROS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. No caso específico, enquadramse nos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, previstos no artigo 299 RIR/99, as despesas com os descontos concedidos nas operações de vendas de mercadorias que são necessários e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 08 74 /2 01 3- 11 Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.308 2 rotineiros para que a contribuinte se mantenha competitiva no mercado em que exerce sua atividade empresarial. DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS. PARTICIPAÇÃO DE TERCEIROS. CIRCULAÇÃO FÍSICA. PROVA. Em se tratando de devoluções de mercadorias que envolvam a participação de terceiros, para que seja demonstrada a efetividade dessas operações, não basta que as notas fiscais de devolução estejam regularmente contabilizadas, se faz necessário a prova de sua circulação física, a qual pode ser feita com documentação hábil e idônea emitida por terceiros participantes da operação em conjunto com as notas fiscais de devolução. A ausência dessa documentação autoriza a glosa de tais despesas pela autoridade administrativa fiscalizadora. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento do imposto sobre a renda devido por estimativa sujeita a pessoa jurídica, sob procedimento de ofício, à penalidade da multa isolada. DEVOLUÇÕES FICTÍCIAS. CONDUTA FRAUDULENTA. MULTA QUALIFICADA. Evidenciado nos autos a intenção livre e consciente da contribuinte em criar devoluções fictícias de mercadorias vendidas com o intuito de reduzir, indevidamente, a carga tributária devida, tal conduta deve ser caracterizada como fraudulenta, sendo cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) incidente sobre o imposto que deixou de ser recolhido em razão da referida conduta. RESTABELECIMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA EMPRESA NEW WORK COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., NOS TERMOS DO ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. Quanto existir clara demonstração de interesse comum de um grupo econômico de fato, que agiu em conluio para ter vantagens tributárias incorrendo em infrações fraudulentas, conforme constatadas na presente autuação, a pessoa jurídica deve ser responsabilizada solidariamente em relação ao crédito exigido da autuada. DA EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR DA EMPRESA QUE OPERACIONALIZOU COM A AUTUADA, A NEW WORK, NOS TERMOS DO ARTIGO 135, INCISO III DO CTN. Não se pode imputar responsabilidade solidária nos termo do artigo 135, inciso III do CTN ao sócio administrador da empresa que participou em conjunto com a empresa autuada dos atos que ensejaram na possível redução do imposto a ser recolhido, eis que não é o representante de direito ou de fato do sujeito passivo da exação. Nesta hipótese deve ser imputada responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, inciso I do CTN ao sócio administrador da empresa que transacionou com a autuada. Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.309 3 EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR DA AUTUADA, CARLOS FELIPE ISSAC, NOS TERMOS DO ARTIGO 135, INCISO III DO CTN. A responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, deve ser afastada quando não restar comprovado nos autos que o sócio administrador foi quem praticou os atos com excesso de poderes em relação ao contrato social ou infração a legislação tributária. Apenas o fato de o sócio administrador constar no contrato social da empresa na época em que ocorreu o fato gerador não é suficiente para imputar responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, devendo a Fiscalização carrear aos autos documentos que comprovem tais atos praticados pela pessoa física, que caracterizem excesso de poderes e infração a legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para corrigir as inexatidões materiais e sanar a omissão no resultado do julgamento do recurso de ofício acerca da exoneração da responsabilidade tributária de Carlos Alberto Isaac e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges e Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson. Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.310 4 Relatório A D. Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração visando sanar omissão e contradição no v. acórdão embargado, proferido por esta C. 2 Turma Ordinária ao julgar os Recursos de Ofício e o Recurso Voluntário interpostos face v. acórdão da DRJ. O v. acórdão embargado, registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PROVA DOCUMENTAL. Deve ser indeferido o pedido de diligência para a realização de perícia que visa a produção de prova documental, a qual deve ser apresentada no momento da apresentação do recurso voluntário. VENDAS DE MERCADORIAS. DESCONTOS FINANCEIROS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Os descontos concedidos em operações com mercadorias que são rotina no mercado cuja a contribuinte exerce sua atividade são necessários, usuais e normais, sendo portanto dedutíveis nos termos do artigo 299 do RIR/99. DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS. PARTICIPAÇÃO DE TERCEIROS. CIRCULAÇÃO FÍSICA. PROVA. Em se tratando de devoluções de mercadorias que envolvam a participação de terceiros, para que seja demonstrada a efetividade dessas operações, não basta que as notas fiscais de devolução estejam regularmente contabilizadas, se faz necessário a prova de sua circulação física, a qual pode ser feita com documentação hábil e idônea emitida por terceiros participantes da operação em conjunto com as notas fiscais de devolução. A ausência dessa documentação autoriza a glosa de tais despesas pela autoridade administrativa fiscalizadora. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.311 5 A falta de recolhimento do imposto sobre a renda devido por estimativa sujeita a pessoa jurídica, sob procedimento de ofício, à penalidade da multa isolada. DEVOLUÇÕES FICTÍCIAS. CONDUTA FRAUDULENTA. MULTA QUALIFICADA. Evidenciado nos autos a intenção livre e consciente da contribuinte em criar devoluções fictícias de mercadorias vendidas com o intuito de reduzir, indevidamente, a carga tributária devida, tal conduta deve ser caracterizada como fraudulenta, sendo cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) incidente sobre o imposto que deixou de ser recolhido em razão da referida conduta. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO GERENTE NOS TERMOS DO ARTIGO 135, INCISO III DO CTN. Para imputar responsabilidade solidária nos termos do artigo 135 do CTN a Fiscalização deve comprovar documentalmente nos autos a pratica de atos com excesso de poderes em relação ao contrato social ou infração a legislação tributária, eis que é medida extrema, aplicada apenas em hipóteses específicas, quando terminantemente comprovada, corretamente capitulada e devidamente fundamentada. Entretanto, foi informado no v. acórdão embargado a seguinte decisão do Colegiado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade da coobrigada New Work Comércio e Participações Ltda. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com descontos concedidos. Vencidos os Conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa dias que votaram por manter integralmente a exigência. Por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário do coobrigado Carlos Felipe Issac. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Evandro Correa Dias e Demetrius Nichele Macei que votaram por manter essa responsabilização. Por maioria de votos, manter a responsabilidade tributária da coobrigada Cleide Isaac. Vencido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintela que votou por excluir essa coobrigada da relação jurídicotributária. Designado o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves para redigir o voto vencedor em relação às matérias do recurso voluntário nas quais o relator ficou vencido. Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.312 6 que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Apesar de na decisão deste C. Colegiado acima transcrita constar que a responsabilidade do Sr. Carlos Felipe Issac foi excluída, no voto do D. Relator não consta qualquer fundamentação sobre a manutenção da responsabilidade do Sr. Carlos Felipe Issac. De forma mais confusa ainda, consta no voto do Redator Designado fundamentação no sentido de afastar a responsabilidade do sócioadministrador Sr. Carlos Felipe Issac, conforme determinado na decisão do Colegiado do v. acórdão embargado. O r. despacho que admitiu parcialmente os Embargos de Declaração e concluiu que consta omissão, contradição e erro material no v. acórdão nos seguintes pontos: Em relação à alegada contradição, aduz a Fazenda Nacional que o Relator original votou por restabelecer a responsabilidade tributária da pessoa jurídica e do Sr. Carlos Alberto Isaac, enquanto que na ementa do acórdão consta que somente a responsabilidade da empresa coobrigada New Work Comércio e Participações Ltda. teria sido provida em relação ao recurso de ofício, sem qualquer menção ao sócio administrador Sr. Carlos. O voto condutor, no que se refere à responsabilidade que havia sido excluída pela decisão de piso, assim se manifestou: c) excluir a responsabilidade solidária da pessoa jurídica New Work Comércio e Participações Ltda., CNPJ 58.634.536/000149, e do seu sócio administrador, o Sr. Carlos Alberto Isaac, CPF 118.876.80853, sobre a totalidade do crédito em litígio No que diz respeito à solidariedade passiva atribuída à New Work, imputada na autuação com base no artigo 124, I, do CTN, há clara demonstração de interesse comum de um grupo econômico de fato, que agiu em conluio para ter vantagens tributárias incorrendo em infrações fraudulentas, conforme constatadas na presente autuação. Da mesma sorte, o seu sócio administrador, Sr. Carlos Alberto Isaac, conforme imputação do artigo 135, III do CTN, por ter agido com excesso de poderes e infração à lei, para a prática das fraudes elencadas na presente autuação. Dessa sorte, restauro a responsabilidade de ambos, a pessoa jurídica New Work Comércio e Participações Ltda., CNPJ 58.634.536/000149, e do seu sócio administrador, o Sr. Carlos Alberto Isaac, CPF 118.876.80853, sobre a totalidade do crédito em litígio. A leitura do trecho acima transcrito nos leva a concluir que assiste razão à Embargante, pois o voto do Relator, ao que consta, não foi vencido neste tópico e, portanto, o Colegiado decidiu pelo restabelecimento da responsabilidade da pessoa Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.313 7 jurídica coobrigada e do Sr. Carlos Alberto Isaac, conclusão que não foi integralmente reproduzida na ementa do acórdão, como se pode perceber: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade da coobrigada New Work Comércio e Participações Ltda. Ao que tudo indica, provavelmente por lapso na transposição do resultado da votação, faltou consignar na decisão que a responsabilidade do Sr. Carlos Alberto Isaac também foi restabelecida, por unanimidade, o que confirma a contradição suscitada pela Fazenda Nacional e demanda manifestação do Colegiado. No que tange à omissão, constatase, da mesma forma, que no voto vencedor do Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves faltam, provavelmente por algum equívoco, trechos que carecem de complementação. A Fazenda Nacional indica o último parágrafo do tópico "Recurso Voluntário da empresa autuada" (fls. 2.286), em que a redação consta da seguinte forma: "Sendo assim, tanto a multa, como a responsabilização do" Notase, à evidência, que o período acima precisa sem complementado para que se possa atribuir sentido à conclusão do Relator. De igual modo, o penúltimo parágrafo de fl. 2.284 traz uma frase incompleta, que também parece exigir complementação: "Ou seja, entendo a Fiscalização não conseguiu comprovar de forma contundente o fato de as empresas pertencerem" Assim, em homenagem à necessidade de clareza e de pleno conhecimento dos fundamentos que nortearam a decisão, penso que também assiste razão à Embargante no que respeita aos argumentos de omissão. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haverse pronunciado. É o relatório. Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.314 8 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Luis Pagano Gonçalves Relator Conforme o r. despacho de admissibilidade (fls.2302), os Embargos Declaratório são tempestivos e foram interpostos por signatário devidamente legitimado, motivos pelos quais deve ser conhecido. Inicialmente entendo importante esclarecer que o v. acórdão embargado tratou de julgar Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. A acusação é relativa a dois pontos principais. 0001 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS – GLOSA DE DESPESAS INDEDUTÍVEIS” relativos aos “Descontos Financeiros Concedidos para a New Work, contabilizados de acordo com os recibos comerciais pelo contribuinte”, no montante anual de R$ 9.780.376,63, os quais a Fiscalização classificou como despesas indedutíveis na apuração do lucro real, porquanto tais descontos se configurariam mera liberalidade outorgada em condição privilegiada a um único cliente, e, por isso, se encontraria dissonante com os ditames legais, uma vez que elas seriam desnecessárias à atividade da Contribuinte, tendo por enquadramento legal o artigo 3º, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; os artigos 247 e §§, 248, 249, inciso I, 251, parágrafo único, 277, 278, 279, 280, 299, § 1° e § 2º e 300, todos do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999); “0002 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS – REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO – DEVOLUÇÕES NÃO COMPROVADAS DE VENDAS”, no montante de R$ 35.777.836,51, uma vez que as devoluções, apesar de regularmente contabilizadas pela contribuinte, não estariam Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.315 9 devidamente comprovadas pela documentação fiscal e contábil apresentada no decorrer da fiscalização e presente nos autos, sendo que os referidos documentos demonstrariam o contrário, ou seja, que a circulação física das mercadorias não existiu, o que, em tese, caracterizaria o conluio existente entre a Contribuinte e a New Work, tendo como enquadramento legal o artigo 3º, da Lei n° 9.249, de 1995; os artigos 247 e §§, 248, 249, inciso I, 251, parágrafo único, 277, 278, 279, 280, 299, § 1° e § 2º e 300, do RIR/1999; E foi imputado responsabilidade solidária para pessoas jurídicas e pessoas físicas da seguinte forma: Pelos mesmos motivos, no referido “Termo de Verificação Fiscal”, foi apontada a “Sujeição Passiva Solidária” com relação ao crédito tributário ora objeto de lançamento, sendo ali indicado como responsáveis solidários (fls. de n°s. 87 e 88): 4.1. A New Work Comércio e Participações Ltda., CNPJ 58.634.536/000149, empresa interligada, Unidade Jurisdicionante 0818000 — SÃO PAULO –SP, uma vez que, segundo a Fiscalização, “pelo já exposto, ficou claro devido ao interesse imediato e comum das duas empresas nos resultados decorrentes dos fatos geradores, conforme o art. 124, Inciso I do CTN, tanto na infração Glosa de Despesas ou Custos Indedutíveis como na Devoluções Não Comprovadas de Mercadorias Vendida , além da existência, em tese, da pratica de conluio entre as empresas, evidenciado pelo ajuste contábil entre as partes almejando a sonegação fiscal” (destaquei); e, 4.2. O Sr. Carlos Felipe Isaac, CPF 280.211.43878, sócio e administrador da Intergriffes; a Srª Cleide Isaac, CPF 126.805.93820, sócia e administradora da Intergriffes; e o Sr. Carlos Alberto Isaac, CPF 118.876.80853, sócio e administrador da New Work, todos enquadrados como “Responsáveis Pessoais e Solidários”, com base no art. 135, inciso III, do CTN, tendo em vista que: “a) Os atos dolosos praticados foram com excesso de poderes ou infração à legislação tributária; b) O Sr. Carlos Felipe Isaac e a Srª. Cleide Isaac, sócios administradores da Intergriffes, participaram do quadro societário e da administração da sociedade, conforme consta nas cláusulas terceira e quinta, da 7ª e 8ª alteração do contrato social, respectivamente datadas de 09/06/2006 e 23/07/2010. Também consta nas respectivas DIRPF's, exercício 2010, rendimentos tributáveis recebidos da Intergriffes; c) O Sr. Carlos Alberto Isaac, sócioadministrador da New Work, participou do quadro societário e da administração da sociedade, conforme consta nas cláusulas terceira e oitava, da Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.316 10 alteração e consolidação do contrato social apresentada, datada de 15/08/2011, também podese observar que a alteração contratual anterior foi de 01/10/2009. Também consta na respectiva DIRPF, exercício 2010, rendimentos tributáveis recebidos da New Work..” De forma resumida, temos a empresa New Work sendo responsabilizada nos termos do artigo 124, inciso I e o seu sócio administrador Sr. Carlos Alberto Issac nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, sendo ambos responsabilizados pelas duas infrações. Temos também as pessoas físicas Sr. Carlos Felipe Issac e a Sra. Cleide Issac responsáveis solidários na qualidade de sócios administradores da empresa autuada Intergriffe`s nas duas infrações, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. Em seguida foi proferido o acórdão recorrido pela DRJ e interpostos pelas respectivas partes competentes Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. Para melhor demonstrar a respectiva matéria de cada recurso, colaciono a parte dispositiva do acórdão da DRJ que julgou a impugnação e decidiu o seguinte: 152. Dessa forma, voto no sentido de JULGAR A IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE para, em preliminar, rejeitar os pedidos de nulidade, de sobrestamento do julgamento ao término da recuperação judicial, de perícia, e, no mérito, para: manter o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, em sua totalidade, no valor de R$ 11.364.553,28 (onze milhões, trezentos e sessenta e quatro mil, quinhentos e cinquenta e três reais e vinte oito centavos); manter a Multa Isolada relativa ao IRPJ em sua totalidade, no valor de R$ 12.663.075,17 (doze milhões, seiscentos e sessenta e três mil, setenta e cinco reais e dezessete centavos); manter a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, em sua totalidade, no valor de R$ 4.091.239,18 (quatro milhões, noventa e um mil, duzentos e trinta e nove reais e dezoito centavos; manter a Multa Isolada relativa à CSLL, em sua totalidade, no valor de R$ 4.625.847,04 (quatro milhões, seiscentos e vinte e cinco mil, oitocentos e quarenta e sete reais e quatro centavos); manter a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS, em sua totalidade, no valor de R$ 2.719.115,60 (dois milhões, setecentos e dezenove mil, cento e quinze reais e sessenta centavos), manter a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, em sua totalidade, no valor de R$ 590.334,31 (quinhentos e noventa mil, trezentos e trinta e quatro reais e trinta e um centavos); manter os correspondentes encargos legais incidentes sobre os créditos tributários ora em lide (juros de mora e multa de ofício), observandose a exclusão do agravamento da Multa de Ofício, a qual ficará reduzida de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) para 150% (cento e Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.317 11 cinquenta por cento), como também, o afastamento da qualificação da multa de ofício sobre a matéria relativa à glosa das despesas financeiras, a qual ficará reduzida para 75% (setenta e cinco por cento); conforme demonstrado a seguir; manter a solidariedade passiva dos sócios administradores da autuada, a Srª. Cleide Isaac, CPF n° 126.805.93820, e o Sr. Carlos Felipe Isaac, CPF 280.211.43878, tão só sobre o crédito tributário oriundo das devoluções não comprovadas; excluir a responsabilidade solidária da pessoa jurídica New Work Comércio e Participações Ltda., CNPJ 58.634.536/000149, e do seu sócio administrador, o Sr. Carlos Alberto Isaac, CPF 118.876.80853, sobre a totalidade do crédito em litígio; observandose, ainda, quanto ao crédito tributário exonerado a seguir demonstrado, que este acórdão só será definitivo após o julgamento em segunda instância pelo CARF. Da leitura do trecho do acórdão da DRJ, se pode concluir que são matérias a serem analisadas no Recurso de Ofício: 1 a exclusão do agravamento da Multa de Ofício, a qual ficará reduzida de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) para 150%; 2 o afastamento da qualificação da multa de ofício sobre a matéria relativa à glosa das despesas financeiras (descontos financeiros infração 1), a qual ficará reduzida para 75% (setenta e cinco por cento); 3 excluir a responsabilidade solidária da pessoa jurídica New Work Comércio e Participações Ltda., CNPJ 58.634.536/000149, e do seu sócio administrador, o Sr. Carlos Alberto Isaac, CPF 118.876.80853, sobre a totalidade do crédito em litígio; (glosa de devoluções não comprovadas e a glosa de despesas relativas as operações com descontos financeiros) 4 excluir a responsabilidade solidária dos sócios gerentes da Autuada Sr. Carlos Felipe Isaac e Cleide Issac em relação a infração de glosa de despesas financeiras relativas as operações com descontos concedidos a New Work. (Importante ressaltar que o Relator não tratou da responsabilidade solidária do Sr. Carlos Felipe Issac e da Sra. Cleide Issac nem no voto relativo ao Recurso de Ofício e nem no voto relativo ao Recurso Voluntário entretanto, como esta infração foi cancelada pela C. Turma ao analisar o Recurso Voluntário, tal omissão no voto do Relator não surtirá efeito algum no julgamento). Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.318 12 Dentre as outras matérias que foram mantidas pelo v. acórdão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário pela empresa Autuada e pelo coobrigado Sr. Carlos Felipe Issac, sendo que a Sra. Cleide Issac não recorreu do v. acórdão da DRJ. Em seguida, foi proferido por esta C. Turma Ordinária, o v. acórdão embargado registrando a seguinte decisão. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade da coobrigada New Work Comércio e Participações Ltda. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com descontos concedidos. Vencidos os Conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa dias que votaram por manter integralmente a exigência. Por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário do coobrigado Carlos Felipe Issac. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Evandro Correa Dias e Demetrius Nichele Macei que votaram por manter essa responsabilização. Por maioria de votos, manter a responsabilidade tributária da coobrigada Cleide Isaac. Vencido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintela que votou por excluir essa coobrigada da relação jurídicotributária. Designado o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves para redigir o voto vencedor em relação às matérias do recurso voluntário nas quais o relator ficou vencido. Manifestou interesse de fazer declaração de voto o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Em relação ao Recurso de Ofício, segundo a decisão constante no v. acórdão embargado, esta C. Turma acompanhou a decisão do Relator no sentido de dar parcial provimento para restabelecer a responsabilidade solidária da empresa New Work Participações, mantendo o restante da decisão "a quo" em relação a redução da multa agravada e o afastamento da multa qualificada aplicada sobre a glosa das despesas financeiras. Entretanto, em relação a responsabilidade solidária do Sr. Carlos Alberto Issac (sócio administrador da empresa New Work) não se pode afirmar qual foi a decisão que foi tomada por este D. Colegiado, eis que não existe na decisão do v. acórdão informação sobre a manutenção ou exclusão da responsabilidade solidária de tal pessoa física, bem como não existe qualquer fundamentação em relação a este tema no voto vencedor do Redator designado. Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.319 13 Da mesma forma, como o voto do D. Relator restou omisso em relação a exclusão da responsabilidade solidária dos sócios gerentes Carlos Felipe Issac e Cleide Issac sobre a infração de glosa de despesas relativas aos descontos concedidos a New Work, poderseia cogitar que os D. Conselheiros que compõe este Colegiado não proferiram seus respectivos votos em relação a este ponto da acusação. Em seguida, esta C. 2 Turma Ordinária, ao julgar todos os recursos decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário do sócioadministrador da empresa autuada Itergriffe`s, Sr. Carlos Felipe Issac, para afastar sua responsabilidade solidária relativa ao crédito tributário oriundo das devoluções não comprovadas e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da empresa autuada (Itergriffe`s) apenas para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com descontos financeiros no importe de 20% concedidos na venda de mercadorias para a empresa New Work e, por obvio, manter a exclusão da responsabilidade solidária do Sr. Carlos Felipe Issac e da Sr. Cleide Issac promovidas no julgamento de 1ª instância, bem como excluir a responsabilidade da empresa New Work e do sócio administrador da New Work, Sr. Carlos Alberto Issac, em relação a esta exigência, mantendo o restante da exigência tributária. Resumidamente, esta C. Turma Ordinária decidiu afastar a responsabilidade solidária do Sr. Carlos Felipe Issac na infração de devoluções não comprovadas e cancelar a infração de glosa relativa aos descontos financeiros, o que importou no cancelamento de suas decorrências (multa qualificada e responsabilidade tributária). Importante ressaltar que a infração de devoluções não comprovadas e a sua respectiva multa qualificada, assim como a responsabilidade tributária de New Work, restaram indubitavelmente mantidas nos autos . Como a Sra. Cleide Issac não recorreu do acórdão da DRJ, sua responsabilidade solidária foi mantida em relação a infração de devoluções não comprovadas, prevalecendo o que foi decidido na decisão "a quo". O Conselheiro Redator proferiu voto vencedor apenas sobre a matéria posta no Recurso Voluntário do coobrigado/sócioadministrador da autuada (Itergriffe`s), Sr. Carlos Felipe Issac, em relação a devolução de mercadorias não comprovadas e sobre a matéria do Recurso Voluntário da empresa autuada relativa à glosa de despesas com descontos financeiros Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.320 14 no importe de 20% concedidos na venda de mercadorias para a empresa New Work que foi cancelada por esta C. Turma, restando o voto omisso em relação a responsabilidade solidária do Sr. Carlos Alberto Issac, sócio administrador da empresa New Work. Ou seja, em relação ao Recurso de Ofício, o D. Relator votou por restabelecer a responsabilidade solidária da pessoa jurídica New Work e do seu sócio administrador Sr. Carlos Alberto Issac sobre a totalidade do crédito e manter a parte relativa a redução das multas conforme o v. acórdão da DRJ decidiu. Já em relação a parte do voto em que o D. Relator foi vencido e foi feita pelo Conselheiro Redator, tratou apenas da responsabilidade solidária do Sr. Carlos Felipe Issac como sócioadministrador da empresa autuada (Intergriffe`s) em relação ao crédito tributário oriundo das operações com devoluções não comprovadas (o voto do Redator não tratou da responsabilidade solidária da Sra. Cleide Isaac pois ela não apresentou recurso do acórdão da DRJ) e sobre a matéria do Recurso Voluntário da empresa autuada que foi cancelada relativa à glosa de despesas com descontos financeiros no importe de 20% concedidos na venda de mercadorias para a empresa New Work. Apenas isso. Como na decisão do v. acórdão embargado não foi expressamente mencionado se a responsabilidade solidária do Sr. Carlos Alberto Issac foi afastada ou mantida e o voto vencedor do Redator foi omisso em relação ao julgamento da responsabilidade do sócio administrador da empresa New Work, atualmente, em sede de julgamento dos Embargos de Declaração, não é possível confirmar nos autos o que foi decidido por esta C. Turma Ordinária sobre esta matéria, no momento do julgamento de ambos recursos. De acordo com o r. despacho de admissibilidade dos Embargos de Declaração opostos pela PGFN, a divergência ou contradição do v. acórdão embargado se encontra no voto proferido pelo D. Conselheiro Relator que ao analisar o Recurso de Ofício decidiu restabelecer a responsabilidade solidária da empresa New Work e do seu sócio administrador Carlo Alberto Issac, com o descrito na decisão do v. acórdão embargado proferido por esta C. Turma Ordinária. Ou seja, o voto do Relator relativo ao Recurso de Ofício vai no sentido de restabelecer a responsabilidade solidária da empresa New Work e do seu sócio administrador Carlos Alberto Issac e o texto da decisão que consta no v. acórdão registra que esta C. Turma Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.321 15 decidiu manter apenas a responsabilidade solidária da empresa New Work, impossibilitando se afirmar com absoluta certeza qual foi a decisão do Colegiado sobre a responsabilidade solidária do Sr. Carlos Alberto Issac, eis que este tema não foi tratado conforme o decidido pelo Colegiado nem no voto do Relator que manteve a responsabilidade e nem no voto vencedor do Redator que restou omisso sobre tal matéria. Pois bem. Narrado os acontecimentos fáticos ocorridos no julgamento dos Recurso de Ofício e do Recurso Voluntário, passo a analisar a parte que foi admitida dos Embargos de Declaração. Em relação a primeira parte do r. despacho de admissibilidade dos Embargos Declaratórios, onde o D. Presidente constatou contrariedade entre o voto proferido pelo Relator em relação ao Recurso de Ofício e a decisão do v. acórdão, entendo que assiste razão a Embargante. Ao julgar o Recurso de Ofício, se pode constatar que o D. Relator também restabeleceu a responsabilidade solidária do Sr. Carlos Alberto Issac em relação a infração de glosa de despesas relativa a operações de devolução de mercadorias não comprovadas, sendo que na ementa do v. acórdão, no resultado do julgamento e no voto vencedor do Redator designado, não consta qualquer informação sobre a manutenção (ou não) da responsabilidade do sócioadministrador da empresa New Work. No meu entender, a omissão constante na decisão e na ementa do v. acórdão embargado, impossibilita de se afirmar com absoluta certeza o que foi decidido anteriormente por este D. Colegiado, sendo necessário proceder nova votação por esta C. Turma em relação a responsabilidade solidária do Sr. Carlos Alberto Issac para sanar tanto a omissões na decisão, como a da ementa do julgado anterior. Assim, após novo votação feita por este D. Colegiado, entendo que deve ser retificado o texto da decisão e da ementa do v. acórdão embargado, para alterálos e incluir o tópico sobre o restabelecimento (ou não) da responsabilidade solidária do sócio administrador da empresa New Work, Sr. Carlos Alberto Issac nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. Da mesma forma, também entendo que o texto da ementa do v. acórdão deve ser retificado para consignar o restabelecimento da responsabilidade solidária da empresa New Work nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, eis que restou omisso quanto a este ponto. Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.322 16 Vejamos os demais pontos. Em relação as partes que apareceram cortadas no voto do Redator designado (erros materiais), entendo que também assiste razão o Embargante, merecendo reparo no texto do voto vencedor em relação ao Recuso Voluntário da empresa autuada Intergriffe`s e o Recurso Voluntário do seu sócio administrador Sr. Carlos Felipe Issac. Para facilitar o entendimento, colaciono abaixo a parte do r. despacho de admissibilidade que tratou do lapso ocorrido no voto do D. Redator. No que tange à omissão, constatase, da mesma forma, que no voto vencedor do Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves faltam, provavelmente por algum equívoco, trechos que carecem de complementação. A Fazenda Nacional indica o último parágrafo do tópico "Recurso Voluntário da empresa autuada" (fls. 2.286), em que a redação consta da seguinte forma: "Sendo assim, tanto a multa, como a responsabilização do" Notase, à evidência, que o período acima precisa sem complementado para que se possa atribuir sentido à conclusão do Relator. De igual modo, o penúltimo parágrafo de fl. 2.284 traz uma frase incompleta, que também parece exigir complementação: "Ou seja, entendo que a Fiscalização não conseguiu comprovar de forma contundente o fato de as empresas pertencerem" Assim, em homenagem à necessidade de clareza e de pleno conhecimento dos fundamentos que nortearam a decisão, penso que também assiste razão à Embargante no que respeita aos argumentos de omissão. Sendo assim, passo a correção do texto da decisão do v. acórdão embargado e dos votos relativos a ambos recursos, visando sanar a omissão na decisão e na ementa, bem como as contradições e os erros materiais constantes nos votos vencido e vencedor do Recurso de Ofício e do Recurso Voluntário. Em relação ao que foi decidido no Recurso de Ofício sobre a responsabilidade solidária do Sr. Carlos Alberto Issac, sócio administrador da empresa New Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.323 17 Work, entendo ser necessário que seja proferida nova votação, eis que não é possível afirmar até o momento qual foi a decisão tomada pela Colegiado no v. acórdão embargado. Quanto ao Recurso Voluntário da empresa autuada Intergriffe´s e o do responsável solidário Carlos Felipe Issac, os quais ambos foram providos, tratarei do erro material/omissão constante no voto vencedor. Recurso de Ofício voto vencedor relativo a responsabilidade solidária do Sr. Carlos Alberto Issac (sócio administrador da empresa New Work): Esta parte do voto relativo ao Recurso de Ofício trata especificamente da exclusão da responsabilidade solidária do Recorrido, Sr. Carlos Alberto Issac, sócio administrador da empresa New Work, da exigência do crédito tributário em análise neste processo administrativo. A fundamentação da Fiscalização para incluir o Recorrido como responsável solidário, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, se deu devido ao fato de constar no contrato social como sócio administrador da empresa New York no momento em que ocorreu a infração a legislação tributária (fato gerador 2009). Em primeiro lugar, esta C. Turma já firmou o entendimento de que apenas o fato de a pessoa física constar no contrato social como sócio gerente (ou administrador) não é suficiente para imputar responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. O entendimento firmado pelo Colegiado vai no sentido de que a Fiscalização deve comprovar documentalmente nos autos os atos praticados com excesso de poderes ou a infração a legislação tributária. Assim, apenas o fato de a pessoa física constar no contrato social no momento do fato gerador não é suficiente para imputar sua responsabilidade nos termos do artigo 135 do CTN. A título exemplificativo, segue a ementa de um julgado proferido por esta C. Turma que excluiu a responsabilidade solidária do sócio administrador da empresa autuada pautada apenas no contrato social. Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.324 18 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO. INVESTIMENTO. VINCULAÇÃO. SINCRONIA. Os recursos fornecidos pela Administração Pública às pessoas jurídicas somente são classificados como subvenção para investimento se houver vinculação e sincronia entre o fornecimento dos recursos e a aquisição de bens e direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. SUBVENÇÃO. INVESTIMENTO. REALIZAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de isenção ou redução de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro real. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO ORGANIZAÇÃO. A desqualificação de planejamento em que há auto organização societária procede se o motivo não for predominantemente fiscal, ainda que determinado negócio jurídico vise a redução da carga tributária, conquanto que se apóie em razões de ordem empresarial, destituídas de abuso de direito. LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. MULTA QUALIFICADA. Uma única fundamentação genérica para todos os itens do Termo de Verificação Fiscal e para um Auto de Infração com varias infrações, não serve para ensejar a qualificação da multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, para 150%, eis que as infração constantes nos autos são relativas a matérias distintas, sendo que cada uma trata de diversos atos praticados pela Recorrente sem cronologia ou ligação. Para imputar multa qualificada, a fiscalização deve provar individualmente, por infração, a pratica dos conceitos previstos nos artigos 71, 72 73 da Lei 4.502/64, eis que é medida extrema, aplicada apenas em hipóteses específicas, quando terminantemente comprovada e fundamentada. A constatação de planejamento tributário por si só, não enseja a qualificação da multa de ofício para 150%, uma vez não caracterizada especificamente a intenção dolosa, o conluio e a ocorrência de simulação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DEMONSTRAÇÃO. Uma única fundamentação genérica para todos os itens do Termo de Verificação Fiscal e para um Auto de Infração com varias infrações, não serve para ensejar a responsabilização do sócio da empresa nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN, eis que as infração constantes nos autos são relativas a matérias distintas, sendo que cada uma trata de diversos atos praticados pela Recorrente sem Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.325 19 cronologia ou ligação. Para imputar responsabilidade solidária, a fiscalização deve provar individualmente, por infração, a pratica de atos com excesso, eis que é medida extrema, aplicada apenas em hipóteses específicas, quando terminantemente comprovada e fundamentada. (Acórdão 1402002.520) No presente caso, a Fiscalização constatou que a empresa autuada Itergriffe`s que operacionalizou com a empresa New Work, pertenciam ao mesmo grupo familiar e por tal motivo decidiu incluir os sócios administradores de cada uma delas como responsáveis solidários. Ou seja, a Fiscalização imputou responsabilidade solidária da seguinte forma: 1 nos termos do inciso III, do artigo 135 do CTN para os sócios administradores da autuada (Itergriffe`s), Sr. Carlos Felipe Issac e Sra. Cleide Issac. 2 nos termos do inciso III, do artigo 135 do CTN para o sócio administrador da empresa que operacionalizou com a empresa autuada, a New Work. 3 nos termos do artigo 124, inciso I do CTN para a empresa New Work, por entender que ocorreu conluio com a empresa autuada Intergriffe`s. Entretanto, entendo que a Fiscalização cometeu um equivoco ao incluir o Sr. Carlos Alberto Isaac, sócio administrador da empresa New Work, como responsável solidário do crédito tributário exigido neste Auto de Infração lavrado contra a empresa autuada (Intergriffe`s), nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN. Vejam D. Julgadores, a empresa New Work foi responsabilizada solidariamente pela Fiscalização nos termos do artigo 124 do CTN por ter transacionado com a empresa autuada Intergriffe`s, não sendo possível nesta hipótese responsabilizar o Sr. Carlos Alberto Issac por ter praticado atos de excesso de poderes ou infração a legislação tributária se não é sócio administrador da autuada (sujeito passivo da exação). Fl. 2325DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.326 20 A tipificação da responsabilidade do Recorrido, Sr. Carlos Alberto deveria ter sido nos termos do artigo 124 do CTN e não com base no artigo 135 do CTN como foi feito pela Fiscalização. O crédito dos autos está sendo exigido da empresa autuada Intergriffe`s e para aplicar responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN o Sr. Carlos Alberto Isaac deveria ser sócio administrador da autuada e não da empresa com quem ela operacionalizou, responsável solidária nos termos do artigo 124 do CTN, como ocorreu nos autos com a New York. No processo em epígrafe, na hipótese de ter sido comprovada a pratica de atos com excesso de poderes e infração a legislação tributária, a pessoa física a ser incluída como responsável solidário seria o sócio diretor da empresa autuada Intergriffe´s e não o sócio administrador da empresa que operacionalizou com a autuada, a New Work. Sendo assim, entendo que a responsabilidade do Sr. Carlos Alberto Isaac deve ser afastada devido a falta de provas contundentes para demonstrar a pratica de atos com excesso de poderes ao contrato social e a legislação tributária, bem como pelo fato de a responsabilidade solidária ter sido equivocadamente tipificada nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, pois não era o sócio administrador da empresa autuada na época dos fatos geradores (2009). Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso de Ofício e dou parcial provimento para excluir a responsabilidade solidária do Sr. Carlos Alberto Issac e manter a responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, da empresa que operacionalizou com a autuada, a empresa New Work. Do Recurso Voluntário da empresa autuada. Inicialmente, é importante destacar que a parte em que o D. Relator restou vencido foi relativa aos descontos financeiros no importe de 20%, concedidos na venda de mercadorias para a empresa New Work, que pertencente ao mesmo grupo familiar. Fl. 2326DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.327 21 A autuação foi fundamentada na interpretação da Fiscalização de que tais descontos concedidos seriam mera liberalidade da Recorrente e por isso não se enquadrariam nas condições descritas no artigo 299 e 300 do RIR/99 para se considerar uma despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Somase a tal entendimento fiscal, a constatação de que a Recorrente e a empresa New Work pertencem ao mesmo grupo familiar, fato que levou a Fiscalização concluir que as operações de vendas ocorridas entre as duas empresas com descontos concedidos seriam irregulares/simuladas e, por tal motivo, desconsiderou as despesas deduzidas que reduziram indevidamente o IRPJ e a CSLL pagos pela contribuinte. Pois bem, passo a votar. Inicialmente entendo ser importante ressaltar que o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo familiar em nada desqualifica uma operação comercial a ponto de se desconsiderar os seus efeitos tributários na base de cálculo do imposto, no caso, gerados pelos descontos concedidos nas vendas de mercadorias. Para se desconsiderar uma operação comercial lastreada em documentação fiscal regular, devese comprovar a simulação, fraude ou inexistência dos atos praticados pelos contribuintes e descritos nos documentos fiscais que basearam a apuração do quanto se deve ou não pagar de imposto. No caso dos autos, apesar de a Fiscalização constatar que a Recorrente e a empresa New Work pertencem a um grupo familiar, restou comprovado a existência física e a independência operacional entre as duas empresas, com escrita fiscal e contábil distintas e objetos sociais diferentes. Ou seja, entendo que a Fiscalização não conseguiu comprovar de forma contundente que as operações praticadas entre as empresas pertencentes do mesmo grupo empresarial foram simuladas ou fraudulentas. De acordo com as provas dos autos, as operações que ocorreram entre a Recorrente e a New Work que geraram os descontos de fato ocorreram, eis que a venda foi regularmente registrada na escrituração fiscal e contábil, bem como as mercadorias foram pagas e entregues para a compradora. Fl. 2327DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.328 22 Ou seja, de acordo com as provas constantes nos autos, apesar de as empresas pertencerem ao mesmo grupo familiar, restou comprovado a existência física e a independência operacional entre as duas, também foi constatado o dispêndio financeiro (pagamento das mercadorias), com emissão de toda a documentação fiscal e contábil necessária, bem como a efetiva entrega dos produtos ao comprador, devendo assim ser afastada a acusação de que as operações que geraram os descontos relativos as despesas glosadas são irregulares ou foram simuladas, inexistentes ou fraudulentas. Assim, de acordo com meu entendimento e com as provas constantes nos autos, a Fiscalização não conseguiu comprovar de forma contundente que o fato de as empresas pertencerem ao um grupo familiar provocou alguma irregularidade nas operações de venda das mercadorias onde foram concedidos descontos que geraram as despesas deduzidas do IRPJ e CSLL. O fato de a maior parte das vendas da Recorrente ocorrerem com a New Work e não restar comprovado nos autos a alegação da autuada de que vendeu mercadorias com descontos maiores para outros compradores que não pertencem ao grupo familiar, não desqualifica o forte conteúdo probatório que demonstram a regularidade das operações que geraram as despesas com os citados desconto. Desta forma, entendo que esta parte do TVF relativa a constatação de que a Recorrente e a New Work pertenciam ao mesmo grupo familiar, que levou a Fiscalização concluir que as operações de venda seriam irregulares ou simuladas e serviu para fundamentar a acusação relativa a glosa das despesas consideradas indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSSL, não pode ser levada em conta para manter esta infração do lançamento de ofício. Superada a questão relativa as empresas pertencerem ao mesmo grupo familiar, resta necessários verificar se a despesas relativa aos descontos concedidos se enquadram nos requisitos previstos no artigo 299 e 300 do RIR/99. Os dispositivos acima indicados apontam em seu texto os seguintes requisitos para a dedutibilidade da despesa. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.329 23 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º (...) Art. 300. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei n° 4.506, de 1964, art. 45, § 2º). Da leitura dos dispositivos acima, podese extrair que para uma despesa ser considerada dedutível, tem que ser necessária, usual e normal na operação da contribuinte. Ao aplicarmos os requisitos descritos nos artigos acima indicados ao caso em analise e descrito no TVF, podemos notar que ao contrário do entendimento da Fiscalização, os descontos gerados na operação entre a Recorrente e a New Work são necessários, normais e usuais no ramo de mercado a que a autuada pertence. Os descontos concedidos são necessários para que a Recorrente realize as transações e operações no tipo de atividade que a empresa exerce. Também são necessários para que a autuada se mantenha na ativa e tenha condições de competir no mercado. Ou seja, os descontos concedidos são usuais e normais para o tipo de atividade a qual a Recorrente exerce, sob pena de a compradora escolher um novo fornecedor, independentemente de serem empresas do mesmo grupo familiar. Desta forma, entendo que a infração de glosa de despesas relativas aos descontos financeiros concedidos à empresa New Work deve ser cancelada. Sendo assim, tanto a responsabilidade solidária das pessoas físicas, como da pessoa jurídica e as penalidades impostas sobre esta infração devem ser afastadas. Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.330 24 Recurso Voluntário do responsável solidário Carlos Felipe Isaac relativo a infração de glosa de despesas oriundas de devoluções de mercadorias não comprovadas. Inicialmente insta esclarecer que a Sra. Cleide Issac não interpôs Recurso Voluntário, devendo assim ser mantida sua responsabilidade solidária em relação as infrações mantidas neste julgamento. Pois bem. Passo ao julgamento da responsabilidade solidária do Sr. Carlos Felipe Issac em relação a glosa de despesas oriundas de devoluções de mercadorias não comprovadas. Assim como foi fundamentado na aplicação de responsabilidade solidária do Sr. Carlos Alberto Issac, sócio administrador da empresa New Work, a Fiscalização incluiu o Recorrente como responsável solidário nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, apenas devido ao fato de constar como sócio administrador da empresa Autuada no contrato social no momento em que ocorreu a infração a legislação tributária (fato gerador 2009). Desta forma, conforme acima fundamentado no voto relativo ao Recurso de Ofício, esta C. Turma já firmou o entendimento de que apenas o fato de a pessoa física constar no contrato social como sócio gerente (ou administrador) não é suficiente para imputar responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. O entendimento firmado pelo Colegiado vai no sentido de que a Fiscalização deve comprovar documentalmente nos autos os atos praticados com excesso de poderes ou a infração a legislação tributária. Assim, apenas o fato de a pessoa física constar no contrato social no momento do fato gerador não é suficiente para imputar sua responsabilidade nos termos do artigo 135 do CTN. A título exemplificativo, segue a ementa de um julgado proferido por esta C. Turma que excluiu a responsabilidade solidária do sócio administrador da empresa autuada pautada apenas no contrato social. Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.331 25 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO. INVESTIMENTO. VINCULAÇÃO. SINCRONIA. Os recursos fornecidos pela Administração Pública às pessoas jurídicas somente são classificados como subvenção para investimento se houver vinculação e sincronia entre o fornecimento dos recursos e a aquisição de bens e direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. SUBVENÇÃO. INVESTIMENTO. REALIZAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de isenção ou redução de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro real. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO ORGANIZAÇÃO. A desqualificação de planejamento em que há auto organização societária procede se o motivo não for predominantemente fiscal, ainda que determinado negócio jurídico vise a redução da carga tributária, conquanto que se apóie em razões de ordem empresarial, destituídas de abuso de direito. LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. MULTA QUALIFICADA. Uma única fundamentação genérica para todos os itens do Termo de Verificação Fiscal e para um Auto de Infração com varias infrações, não serve para ensejar a qualificação da multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, para 150%, eis que as infração constantes nos autos são relativas a matérias distintas, sendo que cada uma trata de diversos atos praticados pela Recorrente sem cronologia ou ligação. Para imputar multa qualificada, a fiscalização deve provar individualmente, por infração, a pratica dos conceitos previstos nos artigos 71, 72 73 da Lei 4.502/64, eis que é medida extrema, aplicada apenas em hipóteses específicas, quando terminantemente comprovada e fundamentada. A constatação de planejamento tributário por si só, não enseja a qualificação da multa de ofício para 150%, uma vez não caracterizada especificamente a intenção dolosa, o conluio e a ocorrência de simulação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DEMONSTRAÇÃO. Uma única fundamentação genérica para todos os itens do Termo de Verificação Fiscal e para um Auto de Infração com varias infrações, não serve para ensejar a responsabilização do sócio da empresa nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN, eis que as infração constantes nos autos são relativas a matérias distintas, sendo que cada uma trata de diversos atos praticados pela Recorrente sem Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.332 26 cronologia ou ligação. Para imputar responsabilidade solidária, a fiscalização deve provar individualmente, por infração, a pratica de atos com excesso, eis que é medida extrema, aplicada apenas em hipóteses específicas, quando terminantemente comprovada e fundamentada. (Acórdão 1402002.520) Assim, como o conteúdo probatório constante nos autos não é suficiente para comprovar de forma individualizada os atos praticados com excesso de poder do Sr. Carlos Felipe Issac, entendo que deve ser afastada a responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, imputada pela Fiscalização. Conclusão Desta forma, após ter solucionado as contradições, omissões e os erros materiais constantes no acórdão embargado, segue o texto da ementa após a nova votação feita por este Colegiado. O texto da ementa deve ser RETIFICADO para consignar o restabelecimento da responsabilidade solidária da empresa New Work nos termos do artigo 124, inciso I do CTN e afastar a responsabilidade solidária dos sócios administradores Carlos Alberto Issac e Carlos Felpie Issac nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, conforme sugestão abaixo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PROVA DOCUMENTAL. Deve ser indeferido o pedido de diligência para a realização de perícia que visa a produção de prova documental, a qual deve ser apresentada no momento da apresentação do recurso voluntário. . VENDAS DE MERCADORIAS. DESCONTOS FINANCEIROS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Fl. 2332DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.333 27 No caso específico, enquadramse nos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, previstos no artigo 299 RIR/99, as despesas com os descontos concedidos nas operações de vendas de mercadorias que são necessários e rotineiros para que a contribuinte se mantenha competitiva no mercado em que exerce sua atividade empresarial. DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS. PARTICIPAÇÃO DE TERCEIROS. CIRCULAÇÃO FÍSICA. PROVA. Em se tratando de devoluções de mercadorias que envolvam a participação de terceiros, para que seja demonstrada a efetividade dessas operações, não basta que as notas fiscais de devolução estejam regularmente contabilizadas, se faz necessário a prova de sua circulação física, a qual pode ser feita com documentação hábil e idônea emitida por terceiros participantes da operação em conjunto com as notas fiscais de devolução. A ausência dessa documentação autoriza a glosa de tais despesas pela autoridade administrativa fiscalizadora. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento do imposto sobre a renda devido por estimativa sujeita a pessoa jurídica, sob procedimento de ofício, à penalidade da multa isolada. DEVOLUÇÕES FICTÍCIAS. CONDUTA FRAUDULENTA. MULTA QUALIFICADA. Evidenciado nos autos a intenção livre e consciente da contribuinte em criar devoluções fictícias de mercadorias vendidas com o intuito de reduzir, indevidamente, a carga tributária devida, tal conduta deve ser caracterizada como fraudulenta, sendo cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) incidente sobre o imposto que deixou de ser recolhido em razão da referida conduta. RESTABELECIMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA EMPRESA NEW WORK COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., NOS TERMOS DO ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. Quanto existir clara demonstração de interesse comum de um grupo econômico de fato, que agiu em conluio para ter vantagens tributárias incorrendo em infrações fraudulentas, conforme constatadas na presente autuação, a pessoa jurídica deve ser responsabilizada solidariamente em relação ao crédito exigido da autuada. DA EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR DA EMPRESA QUE OPERACIONALIZOU COM A AUTUADA, A NEW WORK, NOS TERMOS DO ARTIGO 135, INCISO III DO CTN. Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.334 28 Não se pode imputar responsabilidade solidária nos termo do artigo 135, inciso III do CTN ao sócio administrador da empresa que participou em conjunto com a empresa autuada dos atos que ensejaram na possível redução do imposto a ser recolhido, eis que não é o representante de direito ou de fato do sujeito passivo da exação. Nesta hipótese deve ser imputada responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, inciso I do CTN ao sócio administrador da empresa que transacionou com a autuada. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR DA AUTUADA, CARLOS FELIPE ISSAC, NOS TERMOS DO ARTIGO 135, INCISO III DO CTN. A responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, deve ser afastada quando não restar comprovado nos autos que o sócio administrador foi quem praticou os atos com excesso de poderes em relação ao contrato social ou infração a legislação tributária. Apenas o fato de o sócio administrador constar no contrato social da empresa na época em que ocorreu o fato gerador não é suficiente para imputar responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, devendo a Fiscalização carrear aos autos documentos que comprovem tais atos praticados pela pessoa física, que caracterizem excesso de poderes e infração a legislação tributária. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço e acolho os Embargos de Declaração, para sanar a omissão constante no voto do Redator Designado em relação ao julgamento do Recurso de Ofício e erros materiais constantes no v. acórdão embargado, restando o resultado do julgamento de ambos recursos da seguinte forma: 1 dar parcial provimento ao Recuso de Ofício apenas para restabelecer a responsabilidade solidária da empresa New Work nos termos do artigo 124, inciso I do CTN e; 2 dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da empresa Autuada para cancelar a infração de glosa de despesas relativa aos descontos concedidos nas vendas para a empresa New Work e; 3 dar provimento ao Recurso Voluntário do coobrigado, Sr. Carlos Felipe Issac, sócio administrador da empresa Autuada Intergriffe`s, para afastar a imputação de responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. Fl. 2334DF CARF MF Processo nº 10510.720874/201311 Acórdão n.º 1402003.690 S1C4T2 Fl. 2.335 29 É como voto. (assina digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 2335DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.928468/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
DILIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO NA FASE MANIFESTAÇÃO. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, a determinação de realização diligência fiscal, de ofício ou a pedido do contribuinte, é uma prerrogativa legal assegurada à autoridade julgadora, quando convencida da necessidade de complementação probatória iniciada pelas partes, não se constituindo, portanto, em obrigação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA DE LONGO PRAZO. REAJUSTE PELO IGP-M. DESCARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA PELO REGIME DE CUMULATIVO. POSSIBILIDADE.
A adoção do IGP-M não descaracteriza o preço pré-determinado, a priori, desde que sua variação não seja superior à evolução dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995.
Numero da decisão: 3302-006.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a aplicação do regime cumulativo às receitas auferidas nos contratos CER- PA/2002 209-1, CER-PI/2002 210-1, CER-CO/2002 211-1, CER-CO/2002 212/1, de 17/10/2002, e CERCEEE-D de 11/11/2002, devendo a autoridade fiscal efetivar a homologação das declarações de compensação até o limite do direito creditório apurado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INEXISTÊNCIA DE PEDIDO NA FASE MANIFESTAÇÃO. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, a determinação de realização diligência fiscal, de ofício ou a pedido do contribuinte, é uma prerrogativa legal assegurada à autoridade julgadora, quando convencida da necessidade de complementação probatória iniciada pelas partes, não se constituindo, portanto, em obrigação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA DE LONGO PRAZO. REAJUSTE PELO IGPM. DESCARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA PELO REGIME DE CUMULATIVO. POSSIBILIDADE. A adoção do IGPM não descaracteriza o preço prédeterminado, a priori, desde que sua variação não seja superior à evolução dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a aplicação do regime cumulativo às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 68 /2 00 9- 81 Fl. 729DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 730 2 receitas auferidas nos contratos CER PA/2002 2091, CERPI/2002 2101, CERCO/2002 2111, CERCO/2002 212/1, de 17/10/2002, e CERCEEED de 11/11/2002, devendo a autoridade fiscal efetivar a homologação das declarações de compensação até o limite do direito creditório apurado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de processo de declaração de compensação não homologada, em razão de o DARF objeto do crédito ter sido integralmente utilizado para quitar débito declarado. A recorrente apresentou DCTF retificadora, após a ciência do despacho decisório, tornando o crédito disponível e pleiteando a homologação da compensação, embora tivesse transmitido Daconn retificador, antes do referido despacho. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por falta de provas, considerando que a simples entrega de DCTF retificadora, sem qualquer explicação e comprovação da base de cálculo, não consiste em elemento suficiente a comprovar o indébito pleiteado. Em recurso voluntário, a recorrente pugnou pela nulidade da decisão de primeira instância, expôs que parte de suas receitas decorriam de contratos de longo prazo (prazo superior a um ano) a preços prédeterminados, sujeitas ao regime cumulativo das contribuições, tendo elaborado em equívoco quando da apuração original das contribuições devidas, sendo o indébito decorrente da reclassificação das receitas do regime nãocumulativo para o regime cumulativo, com o estorno correspondente dos créditos da nãoumulatividade, além de antecipar em um mês o reconhecimento das receitas. Apresentou contratos de fornecimento de energia elétrica, balancetes contábeis e parte do Dacon retificador. Ao final, pleiteou a realização de diligência para verificação dos fatos alegados e das provas apresentadas, em homenagem ao princípio da verdade material. O julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal verificasse a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos. Em cumprimento da diligência, a autoridade fiscal verificou que os contratos sofreram reajuste preços em função do IGPM, fato que descaracterizava o preço prédeterminado, segundo o Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007. Em manifestação acerca da conclusão da autoridade fiscal, a recorrente pugnou pela não descaracterização do preço prédeterminado, em razão de que a própria IN SRF nº 658/2006 determinava que o reajuste de preços somente descaracterizaria o preço pré Fl. 730DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 731 3 determinado se fosse superior aos custos de produção ou à variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e que tal fato não provado pela autoridade fiscal. Além disso, defendeu que a cláusula de reajuste de preços não desnatura o preço prédeterminado, pois tratase de mera recomposição monetária, que o IGPM se enquadra na previsão do artigo 109 da Lei nº 11.196/2005. Na sessão de 28/02/2018, o julgamento foi convertido novamente em diligência para que a autoridade fiscal intimasse a recorrente a: 1. Discriminar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 3. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 4. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos de produção e o reajuste adotado, relativo aos períodos correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP, disponibilizando os lançamentos contábeis e fiscais que suportaram o comparativo, em meio digital ou papel, a critério da autoridade fiscal. Em cumprimento da diligência, a recorrente discriminou as receitas auferidas mensalmente, por contrato, identificando as contas contábeis respectivas, esclareceu que não houve revisão contratual destinada à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro e elaborou planilhas com os comparativos de custos incorridos x IGPM. A autoridade fiscal, com base nas premissas adotadas no voto vencedor da Resolução nº 3302000.694, nos demonstrativos apresentados pela recorrente e no §3º do artigo 3º da IN SRF nº 658/2006, atestou que a evolução dos custos préoperacionais decorrentes da formação do ativo imobilizado e dos custos operacionais no fornecimento de energia elétrica foram superiores à variação do IGPM, concluindo que as receitas auferidas decorrentes do contratos analisados se sujeitam ao regime cumulativo das contribuições, conforme o artigo 10, inciso XI, da Lei nº 10.833/2003. Cientificada, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos processuais e dele tomo conhecimento. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 732 4 Da preliminar de nulidade Em preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, ao deixar de determinar de ofício a realização de diligência. A respeito, transcrevo parte do voto vencido, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, na Resolução nº 3302000.694, cujos fundamentos adoto como razão de decidir, nos termos do §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/99: "Em sede de preliminar, a recorrente alegou a nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que, ao determinar a realização de diligência de ofício, para fim de apurar a certeza e liquidez do indébito compensado, o órgão de julgamento de primeiro grau havia afrontado o princípio e causado evidente prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Previamente, cabe esclarecer que, na telegráfica impugnação de fls. 11/12, a recorrente limitouse a apresentar a DCTF retificadora, sem contudo apresentar qualquer documento comprobatório do valor do novo débito da Cofins declarado. E sequer a recorrente solicitou a realização de diligência. Nesse contexto, diferente do alegado pela recorrente, o órgão de julgamento de primeiro grau não estava obrigado a determinar a realização, de ofício, de diligência fiscal, para fim de produzir prova em favor da recorrente. Aliás, no âmbito do processo administrativo fiscal, a autoridade julgadora é destinatária da prova, que deve ser produzida por quem alega possuir o direito alegado. E na ausência dessa prerrogativa, seja por parte do sujeito passivo, seja por parte autoridade fiscal, a autoridade julgadora não tem a obrigação suprir, de ofício, a omissão de produção de prova a cargo das partes intervenientes no processo. Somente quando entender necessária a realização de diligência, a autoridade julgador determinará, de ofício, a realização da diligência. Portanto, em vez de obrigação, como alegou a recorrente, a realização de diligência é uma prerrogativa atribuída a autoridade julgadora que a determinará, de ofício ou a requerimento das partes, somente se se convencer de que tal providência revelase imprescindível para o deslinde da contenda. Esse é o entendimento que se extrai da interpretação combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, que seguem transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Fl. 732DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 733 5 Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, por se tratar de uma prerrogativa e não de uma obrigação, a autoridade fiscal de primeiro grua não estava obrigada a determinar de oficio a realização da alegada diligência. Cabe ressaltar que, somente no recurso em apreço, além do expresso pedido de realização de diligência, a recorrente apresentou elementos probatórios, que convenceram a antiga composição deste Colegiada da realização da alegada diligência fiscal; e por meio da Resolução nº 330200.147, proferida na Sessão de 11 de agosto de 2011, os autos foram convertidos em diligência perante a unidade de origem da Receita Federal do Brasil, para fosse verificada “a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos lançados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras”. Com base nessas considerações, rejeitase a presente preliminar de nulidade suscitada pela recorrente." Do mérito A lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; Fl. 733DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 734 6 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não seria considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o Fl. 734DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 735 7 reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarse ão à incidência nãocumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. 1 A data é 31/10/2003. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 736 8 A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 736DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 737 9 A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente Fl. 737DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 738 10 por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 739 11 De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou o arcabouço legislativo sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 740 12 Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do Decreto Lei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Fl. 740DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 741 13 inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 não se limitou, exatamente, à redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 742 14 A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". A redação da instrução normativa não exclui, a priori, a utilização do IGPM, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Concluindo, entendo que não se pode descaracterizar o preço pré determinado em função da aplicação do IGPM, a priori, devendo ser comparado o percentual Fl. 742DF CARF MF Processo nº 11080.928468/200981 Acórdão n.º 3302006.732 S3C3T2 Fl. 743 15 do reajuste do IGPM com o percentual do acréscimo dos custos de produção, uma vez que não existe, para este setor econômico, índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, para cada contrato, deve ser avaliado se o percentual utilizado é inferior à evolução dos custos de produção, apurado no mesmo período de variação do IGPM, sendo que a primeira apuração se refere ao período compreendido entre o último reajuste anterior a 31/10/2003 e o primeiro reajuste posterior a esta data. A comparação deverá se estender, período a período, até a data do reajuste imediatamente anterior ao período objeto da lide, sendo que uma vez detectado que o percentual de variação do IGPM seja superior à variação dos custos de produção, todas as receitas auferidas após tal reajuste ficam sujeitas ao regime nãocumulativo das contribuições, definitivamente. Esta comparação foi realizada mediante a Resolução nº 3302000.694, tendo a autoridade fiscal atestado que os reajustes pelo IGPM foram inferiores à evolução do custos incorridos, concluindo pela sujeição ao regime cumulativo das contribuições. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a aplicação do regime cumulativo às receitas auferidas nos contratos CER PA/2002 2091, CERPI/2002 2101, CERCO/2002 2111, CERCO/2002 212/1, de 17/10/2002, e CERCEEED de 11/11/2002, devendo a autoridade fiscal efetivar a homologação das declarações de compensação até o limite do direito creditório apurado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 743DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.900141/2017-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.900141/201795 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.958 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 01 41 /2 01 7- 95 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13896.900141/201795 Acórdão n.º 3201004.958 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.861, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13896.900141/201795 Acórdão n.º 3201004.958 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13896.900141/201795 Acórdão n.º 3201004.958 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000314/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.348
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
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LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 14 /2 01 0- 91 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16349.000314/201091 Acórdão n.º 3402006.348 S3C4T2 Fl. 0 2 Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16349.000314/201091 Acórdão n.º 3402006.348 S3C4T2 Fl. 0 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03062.628, proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a Decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (PER) por inexistência do crédito solicitado. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde pede a reforma da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito à plena restituição de PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) A despeito das sólidas alegações de direito que embasaram a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não obstante tais alegações terem sido suportadas por documentos hábeis à comprovação do crédito pleiteado, o v. acórdão manteve o entendimento do despacho decisório eletrônico; iii) Na base de cálculo da contribuição somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, ou sejam os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9718, já declarada pelo STF em decisão plenária definitiva, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16349.000314/201091 Acórdão n.º 3402006.348 S3C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.345, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000329/201050, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.345): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito O Pedido de Restituição nº 30231.53932.100506.1.2.04 5076 tem por origem crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo no valor de R$ 9.207,56, referente ao Darf do período de apuração de abril de 2001, arrecadado em 15/05/2001, no valor de R$ 610.330,36, mantendo a glosa de créditos referentes à Contribuição do Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A decisão recorrida não considerou a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, por concluir que o artigo 26A Decreto 70.235/1972 veda ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo que até aquele momento não havia autorização do Secretário da Receita por meio de ato específico determinando os procedimentos, nos termos do artigo 77 da Lei 9.430/1996 e o Decreto 2.346/1977. A matéria suscitada é questão decidida em repercussão geral (Tema 110) pelo Supremo Tribunal Federal através do RE nº 585235, transitado em julgado em 12/12/2008, conforme Ementa abaixo: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16349.000314/201091 Acórdão n.º 3402006.348 S3C4T2 Fl. 0 5 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) Neste caso, considerando que a decisão recorrida foi proferida em 31/07/2014, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado neste caso o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/20151. Neste sentido, colaciono precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16349.000314/201091 Acórdão n.º 3402006.348 S3C4T2 Fl. 0 6 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Com relação ao ônus da prova da Contribuinte, restou reconhecido em despacho decisório que o pedido foi instruído com a relação de PERDCOMP de fls. 42/45, DARF de fl. 60, planilha demonstrativa do crédito de fls. 62/66 e lançamentos destacados no Livro Razão, às fls. 67/199. Portanto, deve a Unidade de Origem apurar o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900244/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.559, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 24 4/ 20 06 -1 9 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 3º trimestre de 2001. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13851.900244/200619 Resolução nº 1201000.559 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 30/06/2001, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001245/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007.
ARROLAMENTO DE BENS.
0 arrolamento previsto na Lei n° 9.532/97 consiste na averbação nos
registros competentes dos bens do contribuinte, e visa o acompanhamento da
evolução patrimonial pelo Fisco, evitando-se, desta forma, a dilapidação dos
mesmos. Não se trata, portanto, de constrição patrimonial.
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSANECIA DAS HIPÓTESES DE NULIDADE.
Não estando presentes nenhuma das hipóteses de nulidade previstas nos arts.
59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do Auto de
Infração.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ
Ano-calendário: 2007
LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E
DOCUMENTOS FISCAIS E CONTABEIS.
A não apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de escrituração
comercial e fiscal, apesar de devidamente intimado, autoriza o arbitramento
do lucro.
LUCRO ARBITRADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS E
DESPESAS.
A apuração do lucro por meio do arbitramento afasta a dedução de custos ou
despesas da base de cálculo.
C-LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS.
0 decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ é aplicavel aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
Numero da decisão: 1101-000.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007. ARROLAMENTO DE BENS. 0 arrolamento previsto na Lei n° 9.532/97 consiste na averbação nos registros competentes dos bens do contribuinte, e visa o acompanhamento da evolução patrimonial pelo Fisco, evitando-se, desta forma, a dilapidação dos mesmos. Não se trata, portanto, de constrição patrimonial. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSANECIA DAS HIPÓTESES DE NULIDADE. Não estando presentes nenhuma das hipóteses de nulidade previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E CONTABEIS. A não apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de devidamente intimado, autoriza o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS E DESPESAS. A apuração do lucro por meio do arbitramento afasta a dedução de custos ou despesas da base de cálculo. C-LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. 0 decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ é aplicavel aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-12-06T17:00:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-12-06T17:00:02Z; Last-Modified: 2012-12-06T17:00:02Z; dcterms:modified: 2012-12-06T17:00:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4ef0c67d-324e-48f0-9175-d9ea3f5ac883; Last-Save-Date: 2012-12-06T17:00:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-12-06T17:00:02Z; meta:save-date: 2012-12-06T17:00:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2012-12-06T17:00:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-12-06T17:00:02Z; created: 2012-12-06T17:00:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2012-12-06T17:00:02Z; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-12-06T17:00:02Z | Conteúdo => SI-C1T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10945.001245/2010-28 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1101-00.685 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2012. Matéria Auto de Infração IRPJ, CSLL, PIS e Cofins Recorrente TRANSMATIC Transporte e Comercio Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007. ARROLAMENTO DE BENS. 0 arrolamento previsto na Lei n° 9.532/97 consiste na averbação nos registros competentes dos bens do contribuinte, e visa o acompanhamento da evolução patrimonial pelo Fisco, evitando-se, desta forma, a dilapidação dos mesmos. Não se trata, portanto, de constrição patrimonial. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSANECIA DAS HIPÓTESES DE NULIDADE. Não estando presentes nenhuma das hipóteses de nulidade previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E CONTABEIS. A não apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de devidamente intimado, autoriza o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS E DESPESAS. A apuração do lucro por meio do arbitramento afasta a dedução de custos ou despesas da base de cálculo. C-LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. k 0 decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ é have aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito eitre eles existente. 4 1 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros d col giado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e NEGAR PROVIMENT: .o Reel* Voluntário. VALMAR FONSECA OE MENEZES - Presidente. ill I NARA CRISTINA l• KEDA TAGA - Relatora. EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 2 ' Turma da DRJ em Curitiba que manteve a integralidade dos créditos lançados por meio dos Autos de Infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Tendo em vista que a contribuinte mesmo após diversas intimações deixou de apresentar seus livros contábeis e fiscais, DCTF, DACON, bem como Balancetes de Verificação, sendo apenas entregue A Receita Federal um pen-drive com Planos de Contas e Registros Contábeis (saldos mensais e lançamentos contábeis), entendeu a Autoridade Fazenddria cabível a realização do arbitramento do lucro com fundamento no art. 530, III do RIR/99. Consta do Termo de Verificação (proc. fls. 49 a 52 — verso) que "conquanto a contribuinte tenha sido regularmente intimada e tenha sido seu direito de defesa devidamente respeitado, deixou de apresentar seus livros contábeis (Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real — Lalur, Livro de Registro de Inventário, e eventuais livros auxiliares), bem como seus livros fiscais (Livro Registro de Entradas, Registro de Saídas, Apuração de ICMS, Registro de Serviços etc), relativos ao ano-calendário de 2007. Também deixou de encaminhar suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários, bem como seus Balancetes de Verificação (inclusive de Suspensão ou Redução) relativos ao período fiscalizado. A Contribuinte não atendeu a qualquer dos itens elencados na intimação inicial. Somente forneceu a fiscalização seus extratos de movimentação financeira, entretanto, nem sempre completos. A fiscalização, por mais que intimasse e reintimasse a contribuinte não conseguiu reunir elementos que possibilitassem a verificao10 da sustentabilidade do lucro real apurado pela empresa". 94f- 2 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 2 Em uma das respostas apresentadas pela contribuinte no curso da ação fiscal (proc. fls. 20 a 23), foi relatado o desaparecimento do responsável por sua contabilidade, Sr. Alves Antonio Farias Damian, sendo juntado aos autos da ação fiscal em curso o Boletim de Ocorrência por meio do qual a companheira do referido funcionário noticiou o ocorrido as autoridades policiais. Além disso, nesta mesma manifestação a contribuinte confirmou os valores atinentes as suas receitas mensais extraídos dos arquivos magnéticos disponibilizados pela interessada, e apresentados pela Autoridade Fazenddria no Termo de Constatação (proc. fls. 18 a 19, verso). Após proceder ao arbitramento do lucro, a Autoridade Fiscalizadora lavrou, em 29/09/2010, os Autos de Infração (proc. fls. 57 a 64 - IRPJ, fls. 69 a 74 - PIS, fls. 79 a 83 — COFINS, e fls. 87 a 94 - CSLL), cuja ciência ocorreu em 04/10/2010. Relativo ao IRPJ, foram tributados os valores correspondentes a Receitas de Transportes de Cargas (fretes nacionais), Receitas de Transportes de Cargas (frete internacionais), Ganhos de Capital, Receitas de Aluguéis e Receitas Financeiras. No tocante ao PIS e A. COFINS, o lançamento se deu frente A. falta ou insuficiência de recolhimento; já quanto à CSLL, em face do lucro arbitrado. A contribuinte apresentou Impugnação em 03/11/2010 (proc. fls. 101 a 132). De inicio afirmou a inconstitucionalidade do arrolamento de bens, visto que impossibilita a comercialização dos mesmos, o que afronta os Princípios da Propriedade, do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório. Manifestou-se ainda pela inconstitucionalidade do art. 64 da Lei n° 9.532/97 e da Instrução Normativa SRF no 264/02. Argumentou a nulidade dos Autos de Infração posto que o caso em tela não seria hipótese que justificasse o arbitramento do lucro. A Impugnante mencionou que não se verificou qualquer situação grave que justificasse o arbitramento e que a Autoridade Lançadora não analisou a DIPJ apresentada dentro dos prazos estabelecidos. Referente aos valores constantes do Demonstrativo Consolidado de Crédito Tributário de IRPJ, a interessada alegou que o montante de imposto está incorreto tanto pela sistemática adotada de lucro real como por não ter levado em conta as despesas e deduções constantes de sua DIPJ, transmitida à Receita Federal em 30/06/2008. Declarou que segundo a DIPJ apresentada houve prejuízo operacional de R$ 41.462,40. Desta forma, não são devidos os valores exigidos de a titulo de IRPJ e CSLL, bem como a multa aplicada. Quanto ao PIS e A. COFINS, asseverou que o Auditor Fiscal apenas excluiu da base de cálculo os valores relativos a fretes internacionais, não se valeu das despesas geradas nas seguintes rubricas: Prestação de Serviços Prestado por Pessoa Jurídica, Arrendamento Mercantil e despesas de veículos. Portanto, entendeu ser credora de R$ 31.610,00 a titulo de PIS e R$ 2.108.355,42, de COFINS. Portanto, ao efetuar um encontro de contas, a Impugnante se declarou credora de R$ 145.599,41 e não devedor de R$ 1.598.554,40. Sustentou que não é de seu conhecimento as razões que levaram o contador a não apresentar os documentos solicitados pelo Fisco, já que os mesmos estavam disponíveis na sede da empresa e agora acompanham esta Impugnação. Alegou ainda que: 3 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS 1) sempre adotou a sistemática de apuração de imposto pelo Lucro Real; 2) no decorrer das intimações, apresentou em primeiro lugar seu pen-drive com as informações solicitadas; 3) seu ex-contador esteve na sede da Receita Federal e levou para ser entregue e protocolado todos os documentos solicitados pelo Auditor em suas intimações mas estes não foram recebidos. 4) existiam informações repassadas pela Impugnante a Receita Federal dentro dos prazos, que dariam elementos para que o Auditor pudesse analisar e jamais lavrar um Auto de Infração; 5) o Auto de Infração deixou de indicar a determinação legal infringida e a penalidade aplicável, limitando-se a declarar que a Impugnante não apresentou documentos solicitados; Argumentou em suas razões que os Autos de Infração estão eivados de vícios posto que a contribuinte efetivamente apresentou tanto a DIPJ como a DCTF, relativas ao ano fiscalizado, de forma que a afirmação de que deixou de apresentar os documentos atinentes aos fatos ocorridos em 2007, por si só, acarretaria a nulidade dos Autos de Infração. Além disso, entendeu que o Fisco não pode impingir a presente exigência com base unicamente na falta de apresentação de arquivos magnéticos da pessoa jurídica. Relatou que seu ex-contador, em 23/04/2010, "se apresentou na Delegacia da Receita Federal, de posse de todos os documentos solicitados, que foram transportados em uma camionete da empresa e que praticamente encheu a caçamba desta, de tudo isso com um protocolo endereçado ao Sr. Aparecido Sidnei Romário, relacionando todos os documentos que estavam sendo entregues em caixas e pastas AZ, conforme faz prova o Protocolo abaixo descrito". A Impugnante descreveu o seguinte rol em que constam os documentos que foram apresentados e segundo ela não recebidos: cópia do contrato social e alterações, pastas contendo movimento de caixa, pastas contendo Cartas de Fretes, pastas contendo Notas Fiscais, pastas de extratos Bancários, pastas contendo faturas telefone e luz, caixas contendo cópia de cheques e depósitos, pastas contendo Faturas de MIC, CRT, CTRC's Nacionais e Internacionais, pastas contendo CTRC's diversos e documentação de janeiro a dezembro de 2007. Continuando seu relato, a Postulante disse que "a informação que a empresa tem, que naquela data o auditor fiscal, quando tomou conhecimento da quantidade de documentos que estavam sendo entregue ao mesmo, não quis ficar com a posse dos documentos, solicitando que o contador retornasse a sede da empresa, pois não iria analisar aquela quantidade de documentos". Com base no art. 61 da Lei n° 9.430/96, no Ato Declaratório (Normativo) n° 01/97 e no art. 5°, XL da Constituição Federal, asseverou ser incabível o percentual aplicado no cálculo da multa de oficio posto que superior ao limite estabelecido em lei. Desta forma, haveria afronta aos Princípios do Não-Confisco, Razoabilidade e Proporcionalidade, frente à aplicação de multa de oficio no percentual de 75%. Entendeu que deve ser aplicada a multa no percentual de 20% de acordo com o previsto no ADN Cosit n° 01/97. Declarou que como não houve qualquer tentativa de omitir informações do Fisco, haja vista que foram apresentadas as declarações dentro dos prazos legais, não sendo 4 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 3 razoável a Administração Pública exigir da contribuinte o pagamento de multa de forma unilateral. Assegurou ainda, que o não cumprimento das obrigações acessórias, apresentação de arquivos magnéticos, se deu por falta de responsabilidade de seu contador à época dos fatos. Segundo despacho de 01/03/2011, a contribuinte apresentou juntamente com a Impugnação documentos que resultaram na formalização de 278 anexos. A 2 Turma da DRJ em Curitiba exarou Acórdão em 07/04/2011 (proc. fls. 178 a 188). De inicio o colegiado esclareceu que não é de sua competência o exame de questões relacionadas a arrolamento de bens ou a depósito recursal, motivo pelo qual o julgamento estaria limitado à lide. Quanto à alegação de nulidade do lançamento, alegou que todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados. Além disso, o mesmo diploma legal prevê no art. 59 as hipóteses de nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, e estas também não ocorreram no presente caso. Concluindo, afirmou que não cabe declarar nulidade sem que a parte demonstre o efetivo prejuízo sofrido e que a forma como foi produzida a Impugnação afasta a tese de nulidade. Relativo ao argumento de que não restou caracterizado situação que ensejasse o arbitramento do lucro, a Turma afirmou que durante todo o transcurso da ação fiscal foi solicitado, pelo menos uma vez ao mês, a apresentação dos livros contáveis e fiscais, bem como diversos outros documentos, os quais, como optante pelo Lucro Real, a contribuinte estaria obrigada a manter. No entanto, parca documentação foi disponibilizada e segundo o disposto no § 2° do art. 259 do Decreto n° 3.000/99, a não manutenção do Livro Razão, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. Desta forma, a negativa em disponibilizar acesso aos registros contábeis, por si só, constitui justificativa ao arbitramento. 0 órgão julgador relatou que desde o inicio da ação fiscal a contribuinte foi intimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais, bem como os demonstrativos e arquivos. Asseverou que ao alegar que o ex-contador compareceu A. DRF munido de diversos documentos e que os mesmos não foram recebidos, o que a contribuinte tentou fazer foi transferir para a autoridade fiscal a obrigação de refazer os lançamentos que deveriam constar dos livros solicitados, posto que tais documentos, que agora constam nestes autos como Anexos 1 a 278, não são livros, nem demonstrativos, mas apenas documentos que deveriam dar suporte aos lançamentos na contabilidade, ou seja, aquilo que foi solicitado não consta da entrega. Relativo à alegação de que existem informações passadas à Receita Federal, DIPJ, DCTF e DACON, e que estas seriam suficientes para análise da autoridade lançadora de maneira a afastar a lavratura do Auto de Infração, a DRJ afirmou que a DCTF foi apresentada em branco (proc. fls. 164 a 175) e o DACON não consta nenhum registro (proc. fls. 176), e que isso só comprova a pouca informação disponibilizada. 5 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS . Segundo entendeu a Turma, a contribuinte foi intimada em dezembro de 2009 a apresentar registros referentes a fatos ocorridos em 2007, os quais já deveriam ter sido contabilizados, uma vez que, em 30/06/2008, a contribuinte enviou a DIPJ correspondente. Portanto, não há que se falar que o prazo de 20 dias oferecido pela autoridade fiscal para que a Postulante apresentasse os elementos solicitados pelo Fisco é exíguo. A Turma frisou que a receita bruta tributada objeto do presente Auto de Infração é exatamente a que a contribuinte informou na DIPJ e posteriormente confirmou por meio da correspondência acostada a estes autos a fls. 20. Assim, a Postulante não se mostra coerente quando em sua Impugnação alegou haverem "incorreções" no montante relativo a tal receita. 0 lucro foi arbitrado ante a falta de entrega dos documentos solicitados e evidências de total omissão de receitas na apuração do lucro presumido. 0 órgão julgador afirmou que a ocasião própria para apresentação da escrita contábil e fiscal é durante a fiscalização, haja vista inexistir arbitramento condicional. "Inadmissível, desta forma, a desconsideração do lançamento pela apresentação posterior da documentação antes exigida". Por fim, asseverou que o arbitramento foi feito ao amparo da lei e nada existe no procedimento que vicie o critério adotado, devendo o lançamento, quanto às exigências formuladas a partir da base assim apurada, ser mantido em sua inteireza. Relativo à alegação de que em relação aos lançamentos de PIS e COFINS, não foram considerados os créditos da contribuinte, o órgão julgador a quo esclareceu que na sistemática de lançamento pelo lucro arbitrado não há que se falar em consideração de custos e despesas. A tributação ocorre a partir da aplicação da aliquota correspondente sobre a receita bruta do contribuinte. Por fim, a Turma afirmou que a multa de oficio aplicada está em consonância com a legislação que rege a matéria, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto, e, além disso, a graduação da penalidade não se encontra sob a discricionariedade da autoridade administrativa. A contribuinte foi cientificada do Acórdão em 20/04/2011, e apresentou Recurso Voluntário em 23/05/2011. De inicio alegou que não houve qualquer manifestação por parte da Receita Federal no tocante ao direito da Recorrente ter seus documentos juntados quando da Impugnação, efetivamente julgados. Entendeu que deveria ter sido colhida, por meio de oficio, a manifestação do Auditor quanto à alegação de que o ex-contador apresentou vasta documentação em 23/04/2010 a qual não foi recebida. Alertou que também deveria ter sido questionado ao Auditor que lavrou os Autos de Infração, quais foram as poucas informações que subsidiaram a lavratura, posto que a despeito dos documentos apresentados não constou em nenhum momento as despesas da empresa. Afirmou que a duração da ação fiscal não foi causada pela Recorrente, mas sim pela demora do Auditor em analisar o pen-drive e as respostas dadas a cada intimação. Quanto ao arrolamento de bens, argumentou que a autoridade julgadora teceu diversas posições sobre o arrolamento, no entanto não justificou a não necessidade do mesmo, haja vista, ser o patrimônio da Recorrente muito superior ao valor apontado no Auto de Infração. Disse ainda que a Turma não levou em conta o texto do art. 32, § 10 da Lei n° Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 4 11.941/09 que alterou o art. 64 da Lei n° 9.532/97 e que o Auditor que efetuou o arrolamento não respeitou o previsto no art. 64-A do mesmo dispositivo normativo que determina o prioritário arrolamento de bens imóveis. Ainda quanto ao tema arrolamento de bens, a Recorrente afirmou que a constrição dos bens tem atrapalhado sobremaneira o desenvolvimento de suas atividades, e que o órgão julgador foi omisso quanto a este tópico. Além disso, entendeu que a DRJ deveria ter no mínimo, limitado a constrição ao valor do Auto de Infração. No tocante à nulidade do Auto de Infração, alegou que ao contrário do que consta no Acórdão objeto de questionamento, em nenhum momento a Recorrente tentou se esquivar de explicações. Afirmou que os documentos apresentados junto com a Impugnação equivalem aos solicitados e os quais não foram recebidos pelo Auditor. Entendeu que Turma deveria determinar a manifestação do mesmo sobre este incidente, bem como encaminhar a documentação anexada, pois a contribuinte tem o direito de ter seus documentos analisados. Declarou que os Autos de Infração não merecem prosperar posto que eivados de erros e vícios principalmente em relação à descrição das diligências. Entendeu que o próprio agente autuante não observou os prazos para a lavratura visto que demorou 5 meses para analisar o conteúdo do pen-drive e, no entanto, concedeu o exíguo prazo de 20 dias para apresentação de documentos quando do inicio da ação fiscal, bem como concedeu prazos igualmente curtos e sem qualquer urgência real no curso do procedimento de fiscalização. Além disso, afirmou que o Auto de Infração deixou de indicar a determinação legal infringida e a penalidade aplicável, limitando-se a declarar que a Recorrente não apresentou os documentos solicitados por meio de intimações recebidas via correio. Asseverou que apresentou DIPJ e DCTF e, portanto, não procede a alegação de que deixou de apresentar documentos. Entendeu que essa falsa afirmação, por si só, acarretaria a nulidade do referido auto. Voto Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, Relatora. 0 recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Versa o presente processo sobre Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lavrados frente A constatação de omissão de receitas por meio da sistemática do lucro arbitrado, referente ao ano calendário 2007. Preliminarmente, a Postulante alegou a desnecessidade de arrolamento sob o argumento de que seu patrimônio é muito superior ao valor apontado no Auto de Infração e que a exigibilidade do crédito já se encontra suspensa. Afirmou ser patente a restrição do seu direito de propriedade, que está impossibilitada de comercializar o bem objeto de controle e que se encontra sob "verdadeira constrição patrimonial administrativa". 7 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS - Segundo o art. 64 e 64-A da Lei n° 9.532/97, a Autoridade Fiscal esta autorizada a arrolar os bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários for superior a 30% do patrimônio conhecido. Art. 64. A Autoridade fiscal competente procederá ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a trinta por cento do seu patrimônio conhecido. § 7° 0 disposto neste artigo só se aplica a soma de créditos de valor superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) § 10. Fica o Poder Executivo autorizado a aumentar ou restabelecer o limite de que trata o § 7° deste artigo. Art. 64- A. 0 arrolamento de que trata o art. 64 recairá sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito tributário de responsabilidade do sujeito passivo. Parágrafo único. 0 arrolamento somente poderá alcançar outros bens e direitos para fins de complementar o valor referido no caput. Ao versar sobre o arrolamento de bens imóveis o legislador afirma que se dará de forma prioritária, o que não significa que é obrigatória, como entendeu a Postulante. Entende o Superior Tribunal de Justiça (REsp 686.394/RJ) que o arrolamento fiscal consiste em simples inventário dos bens do devedor, não constituindo qualquer constrição patrimonial. Para o STJ, o objetivo do arrolamento é tão somente permitir ao Fisco monitorar a evolução e a movimentação do patrimônio do contribuinte. Verifica-se que o arrolamento de bens e direitos não acarreta a indisponibilidade dos bens do devedor ou se quer influi na expedição de certidões de regularidade fiscal. Este é o entendimento não só deste Conselho Administrativo como também do STJ, vide: ARROLAMENTO DE BENS — LEI 9.532/97. 0 arrolamento previsto na Lei 9.532/97 é apenas uma averbação nos registros competentes sobre a existência do arrolamento promovido pelo fisco, ocorre sempre que o valor dos créditos tributários lançados superar 30% do patrimônio conhecido da empresa e não se confunde com o arrolamento como condição de seguimento de recurso. (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 4' Camara, la Turma Ordinária, acórdão n° 2401-01.182, julgado em 28/04/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARROLAMENTO DE BENS. REQUISITO SUFICIENTE PARA A EXPEDIÇÃO DA CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL (POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA). IMPOSSIBILIDADE. 1. 0 arrolamento de bens, instituído pelo art. 64 da Lei 9.532/97, gera cadastro em favor do Fisco, destinado 8 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-CITI Acórcldo n.° 1101-00.685 Fl. 5 apenas a viabilizar o acompanhamento da evolução patrimonial do sujeito passivo da obrigação tributária. Este último permanece no pleno gozo dos atributos da propriedade, tanto que os bens arrolados, por não se vincularem à satisfação do crédito tributário, podem ser transferidos, alienados ou onerados, independentemente da concordância da autoridade fazenddria. 2. Trata-se de procedimento que: a) não versa sobre créditos tributários ainda a vencer; b) não implica qualquer tipo de oneração dos bens do sujeito passivo, em favor do Fisco (penhora), ou medida de antecipação da constrição judicial a ser efetivada na Execução da Divida Ativa da fazenda Pública (caução); e c) não constitui hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 3. Nesse contexto, o arrolamento, isoladamente, não se presta a autorizar a emissão da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (art. 206 do CTN). 4. Recurso Especial provido. (REsp 1.099.026/SC, Rel. Herman Benjamin. Segunda Turma, julgado em 12.5.2009, DJe 20.8.2009) Por fim, vale mais uma vez frisar que o arrolamento não se presta a garantir a execução, não se confundido, portanto, com o instituto da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Caracteriza-se apenas como uma medida acautelatória que visa impedir a dissipação dos bens do contribuinte-devedor. Ainda em preliminar, quanto A. manifestação de nulidade do Auto de Infração, não assiste razão a Postulante. A Recorrente alegou que apresentou documentação idônea e suficiente a afastar o arbitramento do lucro. No entanto, segundo consta dos autos, os únicos documentos apresentados, e que embasaram o arbitramento do lucro, foram a DIPJ, Plano de Contas e Registros Contábeis (saldos mensais e lançamentos contábeis). A DCTF apresentada estava em branco e a DACON não constou registro. Não foram apresentados: Livro Razão, Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, Livro de Registro de Inventário, Livro Registro de Entradas, Registro de Saídas, Apuração do ICMS e Apuração do IPI, Registro de Prestação de Serviços, demonstrativos das bases de cálculo e comprovantes de recolhimento (DRF) para todos os tributos e contribuições administrados pela SRF, Balancetes de Verificação e livros auxiliares. Patente, portanto, que de fato parca documentação foi apresentada pela interessada, o que justifica o arbitramento do lucro. Quanto aos documentos apresentados quando da Impugnação que resultaram nos Anexos 1 a 278 destes autos, conforme afirmação da DRJ em Curitiba, tratam-se na verdade de "documentos que deveriam dar suporte aos lançamentos na contabilidade", não são livros, nem demonstrativos. Segundo o rol apresentado pela própria Recorrente os documentos anexados são: cópia do contrato social e alterações, pastas contendo movimento de caixa, pastas contendo Cartas de Fretes, pastas contendo Notas Fiscais, pastas de extratos Bancários, pastas contendo faturas telefone e luz, caixas contendo cópia de cheques e depósitos, pastas contendo Faturas de MIC, CRT, CTRC's Nacionais e Internacionais, pastas contendo CTRC's diversos e documentação de janeiro a dezembro de 2007. Como já explanado, estes documentos distinguem-se dos solicitados, diferentemente do que afirma a Postulante. 'Pj1( 9 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Verifica-se desta forma que instada a apresentar livros contábeis e fiscais, demonstrativos e balancetes, a que está obrigada a conservar em boa ordem, exibiu apenas documentos que dão suporte e embasamento aos efetivamente solicitados pelo Auditor Fiscal. Neste diapasão, não cabe à Autoridade Fazenddria realizar a escrituração fiscal e contábil da contribuinte, mas sim a análise e verificação destas. Portanto, a exigência da Postulante de ter esses anexos analisados para efeito de afastar o arbitramento do lucro é descabida. Injustificável a postura de empresa de que os documentos solicitados não foram apresentados tendo em vista o desaparecimento do contador. Vale mencionar que a responsabilidade é da contribuinte e as relações desta com seus funcionários não pode ser usada como meio de se eximir de um dever legal. A Recorrente ainda alegou que a duração da ação fiscal seria motivo de nulidade da mesma. Asseverou que a Autoridade Fazenddria demorou 5 meses para analisar o pen-drive apresentado e, no entanto, estabeleceu prazos de 20 ou 5 dias para resposta de intimações. Compulsando os autos, verifica-se que com a ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal foram concedidos 20 dias para que a Recorrente apresentasse documentos (proc. fls. 2 e 3); Intimação n° 382/09, 20 dias (proc. fls. 4 a 6); Reintimação SEFIS n° 58/10, 20 dias (proc. fls. 8 e 9); Intimação SEFIS n° 98/10, 30 dias (proc. fls. 11 e 12); Reintimação SEFIS n° 164/10, 20 dias (proc. fls. 13); Reintimação SEFIS n° 225/10, 20 dias (proc. fls. 14 e 15), e Intimação SEFIS n° 244/10, 5 dias (proc. fls. 16). Dentre as diversas Intimações e Reintimações acostadas a estes autos, constata-se que não procede o argumento da Recorrente. Por diversas vezes foi-lhe aberto prazo para que apresentasse sua escrituração contábil e fiscal bem como declarações prestadas junto à administração tributária. Ou seja, passados mais de nove meses da ciência do inicio da ação fiscal, a Postulante não apresentou os documentos que por lei deveriam estar contabilizados, escriturados e guardados lid no mínimo 2 anos. Não há que se falar no caso em tela de "exiguidade de tempo" ofertado para apresentação dos documentos solicitados. Quanto à alegação de nulidade da ação fiscal em decorrência da sua duração, também não assiste razão a Recorrente. Como é sabido, os prazos de validade e extinção do procedimento de fiscalização estão previstos nos art. 12 e 13 da Portaria SRF n° 6.087/05 a seguir transcritos: "Dos Prazos Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: 1- cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de M191 7-E; 11 - sessenta dias, no caso de MPF-D. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, ern cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. "(grifei) Desta feita, desde que devidamente prorrogado, não há um prazo preestabelecido para o fim da ação fiscal. r*Ilf( 1 0 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 6 Em seu último argumento esposado com o objetivo de anular o Auto de Infração lavrado, a interessada afirmou que não se indicou a determinação legal infringida e a penalidade aplicável. A ação fiscal teve inicio objetivando a verificação da regularidade tributária da contribuinte, e o Auto de Infração foi lavrado ante a evidência de omissão de receitas na apuração do lucro presumido, visto que a Postulante não apresentou os documentos fiscais e contábeis que dariam sustentabilidade ao lucro real apurado. Segue a fundamentação legal que embasou a lavratura do Auto de Infração: RIR/99 Art. 926. Sempre que apurarem infração às disposições deste Decreto, inclusive pela verificaolo de omissão de valores na declaração de bens, os Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional lavrarão o competente auto de infração, com observância do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, que dispõem sobre o Processo Administrativo Fiscal. Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°9.430, de 1996, art. 1°): III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo tinico do art. 527; Art. 532. 0 lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, 5S. 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n°9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Art. 536. Serão acrescidos a base de cálculo os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 531, auferidos no período de apuração, observado o disposto nos arts. 239, 240, 533 e 534 (Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inciso II). 5S. 6° Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas jurídicas de que trata este Subtítulo observarão os seguintes procedimentos (Lei n°9.249, de 1995, art. 17): 11 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS I - tratando-se de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser atualizado monetariamente até 31 de dezembro desse ano, não se lhe aplicando qualquer atualização monetária a partir dessa data; II - tratando-se de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuida qualquer atualização monetária. Quanto à penalidade, consta do Auto de Infração a aplicação da multa de oficio prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430/96. t o dispositivo legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I — de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Frente a tudo exposto, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. Além disso, os arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72 versam sobre nulidade no processo administrativo fiscal, e o caso em análise não se enquadra nas situações de nulidade previstas pelo ordenamento jurídico pátrio, posto que lavrado o Auto de Infração por pessoa competente e conforme se compulsa os autos foi amplamente franquiada A contribuinte tanto a possibilidade de acesso aos mesmos, como de manifestação. "Art. 59. São nulos: I— os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influirem na solução do litígio." No mérito, o procedimento de fiscalização foi iniciado em 18/12/2009 referente ao ano-calendário 2007, e como é sabido o contribuinte sujeito à tributação pelo lucro real está obrigado a manter em ordem e boa guarda a totalidade dos documentos que consubstanciam os seus registros contábeis. No entanto, após diversas intimações e reintimações, apenas foi entregue A. autoridade fiscalizadora a DIPJ e um pen-drive contendo arquivos relativos A Plano de Contas e Registros Contábeis (saldos mensais e lançamentos contábeis). Desta forma, com base nos arts. 259 e 530, III do RIR/99 a tributação se deu por meio do lucro arbitrado. 12 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 7 "Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei n° 8.218, de 1991, art. 14, e Lei n°8.383, de 1991, art. 62) sS' 2°. A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei n° 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei n°8.383, de 1991, art. 62)". (grifei) "Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°9.430, de 1996, art. 1°): I — o contribuinte obrigado a tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal" Mesmo frente A evidente não exibição da escrituração fiscal e contábil exigida por lei, a Recorrente aduziu que não estão presentes, no caso em tela, os requisitos para o arbitramento. Não é esse o entendimento já consolidado neste Conselho: OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO ARBITRADO. Inexistente a escrituração regular e não atendidos os requisitos para tributação pelo lucro presumido ou real, impõe-se o regime do lucro arbitrado, que sell aplicado sobre as receitas declaradas e omitidas, compensando-se o imposto recolhido. (CARF, Primeira Seção de Julgamento, 3' Turma Especial, acórdão 1803-00.764, julgado em 26/01/2011) LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. 0 fato de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de devidamente intimado, autoriza o arbitramento do lucro. Tendo entregue o livro de Registro de Apuração do ICMS, levam-se em consideração na apuração da base de cálculo as receitas ali escrituradas. (CARF, 4' Camara, P Turma Ordinária, acórdão n° 1401- 00.404, julgado em 16/12/2010) ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS NA FORMA DAS LEIS COMERCIAIS E FISCAIS. /A 13 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS O lucro da pessoa jurídica sell arbitrado quando a interessada, obrigada A. tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. (CARF, 4a Camara, la Turma Ordinária, acórdão n° 1401-00.306, julgado em 05/10/2010) 0 arbitramento foi lastreado em hipótese prevista em lei e em consonância com o entendimento deste Conselho Administrativo, não merecendo, em razão disso, nenhum reparo. Vale mencionar que, no caso em análise, o arbitramento do lucro é a única alternativa e caminho obrigatório a ser seguido pela autoridade lançadora, cuja atividade é vinculada à lei. É importante mais uma vez frisar que os valores auferidos foram obtidos com base na DIPJ, entregue pela contribuinte, e nos poucos documentos apresentados num pen- drive. Além disso, a Recorrente foi instada a se manifestar sobre os cálculos realizados pela autoridade fiscalizadora tendo assentido com os mesmos na correspondência acostada a estes autos A. fls. 20 do dia 30/08/2010. Como é sabido, o arbitramento do lucro não é condicionado, constituído o crédito, é irrelevante a posterior apresentação da escrituração, motivo pelo qual foi requerida a manifestação da interessada antes do lançamento. Em seu pleito, a Postulante ainda questionou a ausência das despesas e deduções quando do arbitramento do lucro. A sistemática que rege o lucro arbitrado prevê apenas a aplicação de uma aliquota sobre a receita bruta. No caso em tela, a Autoridade Fazenddria aplicou o percentual de 8% de conformidade com o disposto no art. 530 e 532 do RIR199. Corroborando COM 0 previsto em lei, segue manifestação deste Colegiado: LUCRO ARBITRADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS E DESPESAS. 0 arbitramento do lucro se dá por meio de aplicação de um percentual sobre a receita bruta conhecida, não cabendo considerar qualquer tipo de custo ou despesa para determinação da base cálculo. (CARF, 4a Câmara, la Turma Ordinária, acórdão n° 1401-00142, julgado em 11/12/2009) APURAÇÃO COM BASE NO LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação de livros e documentos autoriza o arbitramento do lucro. A apuração afasta a possibilidade de dedução de quaisquer a pretexto de caracterizarem despesa ou custo. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Primeira Camara, acórdão n° 101-96.144, julgado em 23/05/2007) Por derradeiro, não procede a alegação da Postulante de que não restou caracterizada sua má-fé, razão pela qual estaria afastada a cominação da multa de oficio no percentual de 75%, 14 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10945.001245/2010-28 SI-C IT! Acórdão n.° 1101-00.685 Fl. 8 No entanto, a aplicação da multa de oficio no percentual de 75% conforme dispõe o art. 44, I da Lei n° 9.430/96, se deu frente à falta de recolhimento do tributo, não se apurando para a sua cominação a ma-fé ou não do contribuinte. "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I — 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Segundo entendeu a Recorrente, "no período da ocorrência do fato gerador do imposto, o percentual de multa estava limitado a 20% conforme o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 01/97 combinado com o art. 61 da Lei n° 9.430196". 0 art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao contrario do que supõe a Postulante, versa sobre o pagamento espontâneo extemporâneo efetuado pelo próprio contribuinte, o que não é o caso em análise. Quanto ao disposto no ADN COSIT n° 01/97, o mesmo versa sobre a retroatividade da aplicação das multas de oficio e de mora aos atos ou fatos pretéritos não definitivamente julgados e aos pagamentos de débitos para com a Unido efetuados a partir de janeiro de 1997. Tais multas estão previstas nos arts. 44 e 61 da Lei n° 9.430/96. Nítido, portanto, que se trata de multas distintas, a multa de oficio e a multa por pagamento espontâneo fora do vencimento. Desta forma, inviável a aplicação dos dispositivos mencionados. Entendo cabível a multa de oficio no percentual de 75%. Por fim, quanto à alegação de que a multa de oficio possui caráter confiscatório, tendo em vista que a aplicação se deu nos exatos termos da lei, não cabe a este juizo a análise da constitucionalidade de lei tributária. Nestes termos segue a súmula n° 2 deste Conselho: Súmula CARE n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por não acolher as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso. Sessão de julgamento, 15 de março de 2012. Nara Cristina Taked aga - Relatora 15 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS
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Numero do processo: 15956.720195/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
IRPJ. LANÇAMENTOS CONEXOS. PIS, COFINS.
Uma vez demonstrado que a receita de juros sobre capital próprio consta adicionado à base tributável do Pis/Cofins conforme documentação anexa aos autos, fica comprovado que sobre ela incidiu tributação.
Numero da decisão: 1301-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 IRPJ. LANÇAMENTOS CONEXOS. PIS, COFINS. Uma vez demonstrado que a receita de juros sobre capital próprio consta adicionado à base tributável do Pis/Cofins conforme documentação anexa aos autos, fica comprovado que sobre ela incidiu tributação.
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LANÇAMENTOS CONEXOS. PIS, COFINS. Uma vez demonstrado que a receita de juros sobre capital próprio consta adicionado à base tributável do Pis/Cofins conforme documentação anexa aos autos, fica comprovado que sobre ela incidiu tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 95 /2 01 6- 61 Fl. 3997DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Acórdão n.º 1301003.766 S1C3T1 Fl. 3.998 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: 1.Da autuação As infrações imputadas ao sujeito foram : a. Omissão de receita de Juros sobre capital próprio : R$ 26.838.659,98 e b. Omissão de outras receitas financeiras : R$ 8.561.250,86 As receitas omitidas integram também as bases de cálculo da CSLL, Pis e Cofins, razão pela qual os mesmos fatos que fundamentaram a autuação de IRPJ fundamentaram também autos de infração destes outros tributos. 2. Dos fundamentos da autuação Os fatos e informações que fundamentaram a autuação foram expostos no termo de fls 1.255/1272 e, abaixo, resumidamente reproduzidos. 2.1 Omissão de receitas de Juros sobre capital próprio (JSCP) Consultas às Dirfs de terceiros revelam que a Cyrela recebeu R$ 16.076.084,45 a título de JSPC no ano calendário 2012; Apesar dos valores de JSCP informados em DIRF como pagos à Cyrela, na DIPJ referente ao ano calendário 2012 (ND 1385835), Ficha 07 A –“Demonstração do Resultado, PJ em geral” linha 22 – “Receitas de juros sobre capital prórpio” a mencionada empresa não registrou qualquer quantia auferida a este título; Diante de tal inconsistência, o contribuinte foi intimado através do Termo de Início de Procedimento fiscal de 05/08/2015 a apresentar os documentos e esclarecimentos que justificassem a não inclusão dos valores auferidos a título de JSCP na apuração do exercício; Em 13/10/16 o contribuinte protocolou uma resposta à intimação em que apresenta “ planilha com lançamentos dos juros sobre capital próprio, com indicação das contas contábeis onde ocorreram estes lançamentos; planilha com demonstrativos dos valores recebidos a título de JSCP e também quadro demonstativo das contabilizações indicando as contas contábeis envolvidas e demonstrativo de percentual de participação” . Informa ainda, nesta mesma ocasião, que “ os valores informados em DIRF (AC 2012) retratam os rendimentos por ocasião do resgate ou liquidação (regime de caixa) , já os valores contabilizados nas rubricas indicadas são proporcionais porque a empresa é optante pelo lucro real e portanto adota o regime de competência” (sic); Posteriormente, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 01, de 21/03/16, na qual foram solicitados esclarecimentos adicionais sobre a conta “4300101002 – juros ativos diversos”, a pessoa jurídica afirmou, acerca dos registros de JSCP, que “ a contabilização seguiu o texto da Deliberação CVM 207, de 13/12/1996, no entanto , as contas utilizadas para a contabilização e reversão dos juros sobre capital próprio Fl. 3999DF CARF MF 4 pertencem ao mesmo grupo contábil, levando a equívoco no preenchimento da DIPJ referente ao exercício 2013, ano calendário 2012”; A Deliberação CVM 207 de 13/12/96, foi revogada pela Deliberação CVM 683, de 30/08/12, destinada às companhias de capital aberto. . Contudo, para fins tributários prevalecem as disposições do art 347 do RIR/1999 e Lei 9.249/95, conforme determina o § 2º do art 177 da Lei 6.404/76, alterado pela Lei 11.941/2009; Os valores apurados a título de JSCP na contabilidade do contribuinte foram lançados à crédito da conta de resultado “Receitas Financeiras – Juros ativos – 4300101002” “Juros sobre capital próprio 4300401001” . Estes valores totalizam R$ 26.838.659,98, foram tributados a título de omissão de receitas e estão discriminados no Termo de Verificação Fiscal , fls 1265. Conforme a própria interessada reconhece, os valores de JSCP eram registrados como receitas, mas por engano não foram levados a resultado do exercício . 2.2 Omissão de outras receitas financeiras Conforme informações prestadas por terceiros, em suas dirfs, a Cyrela recebeu, em 2012, R$ 71.925.216,31 a título de receitas financeiras referentes a aplicações financeiras de renda fixa, aplicações em fundos de investimento de renda fixa e ganhos líquidos em bolsa; em consulta à DIPJ (referente ao ano calendário 2012 ND 1385835), ficha 07 A – “Demonstração do Resultado PJ em geral” , linha 23 “Outras receitas financeiras”, verificouse que os valores declarados ( R$ 43.139.661,88) são inferiores àqueles informados em DIRF ( R$ 71.925.216,31); Diante de tal inconsistência, o contribuinte foi intimado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal de 05/08/2015, a apresentar esclarecimentos ; Em resposta datada de 13/10/2016, a interessada declara que “ os valores informados em DIRF (AC 2012) retratam os rendimentos por ocasião de resgate ou liquidação (regime de caixa) , já os valores contabilizados nas rubricas indicadas são proporcionais porque a empresa é tributada pelo lucro real, adotando o regime de competência”(sic); Reconhecendo razão às alegações da impugnante, a fiscalização procedeu a apuração das receitas financeiras auferidas em 2012, pelo regime de competência, apurando um novo total de R$ 51.701.112,74, conforme discriminação de fls 1.269; diante deste novo valor, apurado segundo o regime de competência, foi considerado como comprovada a omissão de receitas financeiras no montante de R$ 8.561.250,86 (R$ 51.701.112,74 – 43.139.661,88); 3. Da Impugnação Cientificada da autuação em 26/09/16, a interessada apresentou a impugnação de fls 1284 a 1334 em 08/11/2016, na qual argui, preliminarmente, a nulidade da autuação por cerceamento de direito de defesa com base nas seguintes alegações: a fiscalização foi superficial , sem a adequada apreciação dos documentos que comprovam a tributação das receitas tidas como omitidas. O auto de infração foi lavrado sem que a interessada tenha sido previamente informada da apuração de irregularidades; as omissões de receitas foram presumidas, mas não comprovadas; está sendo exigido da interessada a quantia de R$ 7.100.650,02 a título de Pis e Cofins , mas não foram solicitados quaisquer documentos ou esclarecimentos relativos a apuração destes tributos; Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Acórdão n.º 1301003.766 S1C3T1 Fl. 3.999 5 Quanto ao mérito, a interessada alega , em síntese, que : 3.1 Omissão de receitas de JSCP o exame do Lalur e dos balancetes juntados aos autos (fls 146/163 e 164/718) demonstra que as receitas tidas como omitidas já foram tributadas; houve um equívoco no preenchimento da DIPJ. As receitas de Juros sobre capital próprio, que deveriam ter sido informadas na linha 22 da Ficha 07 A foram registradas na linha 23 da mesma ficha. Logo, o valor de R$ 43.139.861,88 registrado na referida linha 23 inclui o montante de R$ 26.838.659,98, tido como omitido. Tal fato está demonstrado na memória de cálculo e lançamentos contábeis apresentados ao longo da auditoria; no Lalur apresentado (fls 146/163) está evidenciado que os valores de JCP tidos como omitidos foram oferecidos à tributação já que constam como adições ao lucro líquido para fins de apuração ao lucro real. Os R$ 26.838.659,98, tidos como omitidos estão incluídos no total de R$ 90.569.914,08 informado na linha 48 – “Outras adições” da Ficha 9A da DIPJ /2013. Ademais, nos balancetes da impugnante (fls 706 dos autos) , na ficha relativa a dez/2012, constatase que o valor de R$ 26.838.659,98 foi vinculado à conta 4300401001; A comprovação de que os rendimentos de JSCO foram tributados e incluídos na DIPJ é suficiente para legitimar o aproveitamento das respectivas retenções ao fim da apuração anual; No processo administrativo fiscal deve prevalecer o princípio da verdade material; 3.2 Omissão de Outras receitas Financeiras no cálculo da diferença a tributar, no valor de R$ 8.561.250,86, foram considerados como receitas valores que, na verdade, são despesas; ao analisar a conta 4300301002 a autoridade fiscal desconsiderou o sinal do valor de R$ 3.939.000,00, relativo a variações cambiais. Esta quantia, na verdade, corresponde a despesa decorrente de contrato celebrado entre a impugnante e o banco Votorantim. Tais contratos foram juntados aos autos; às fls 47 da impugnação (fls 1330 dos autos) foram elaboradas tabelas que comparam as apurações das receitas finaceiras feitas pela fiscalização e pela interessada. A interpretação equivocada de sinais resultou numa diferença de R$ 7.878.000,00 entre ambas as apurações ( R$ 3.939.000 duplicado pela troca de sinais). A defasagem entre a omissão apontada pela fiscalização (8.561.250,86) e o erro decorrente da troca de sinais ( R$ 7.878.000,00) resulta no montante de R$ 683.250,86, que representa a real e correta diferença a tributar no que se refere ao IRPJ e CSLL; consoante regras estabelecidas no art 5º da Lei 9.779/99, os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa estão sujeitos à incidência de IRRF na modalidade de antecipação. O registro dos rendimentos da pessoa jurídica deve ser feito mês a mês, independentemente de sua efetiva realização, conforme regime de competência; Fl. 4001DF CARF MF 6 Por este motivo, é natural que haja divergências entre a DIRF, que segue o regime de caixa, e a DIPJ; A tributação de rendimentos oriundos de operações de renda fixa conferem à interessada o direito de deduzir de sua apuração anual o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre aqueles rendimentos; 3.3Pis e Cofins a fiscalização agiu como se o Pis e a Cofins fossem meros reflexos do IRPJ. Porém, tal procedimento não pode prosperar uma vez que o fato gerador das contribuições é mensal e o fato gerador do IRPJ é anual; Devem ser consideradas as especificidades das apurações mensais das contribuições ( Pis e Cofins); O Decreto 5.442/2005, que revogou o Decreto 5.164/04, reduziu a zero, para as empresas que adotam a sistemática de não cumulatividade, alíquota do Pis e da Cofins sobre receitas financeiras. As únicas excepcionadas foram as receitas oriundas de Juros sobre capital próprio e operações de hedge; A interessada Incluiu na base de cálculo por ela apurada para o Pis e Cofins os juros sobre capital próprio no valor de R$ 26.838.59,98. A fiscalização não apurou tal fato porque limitouse a tratar o Pis e Cofins como meros reflexos do IRPJ; 3.4 Ilegalidade É ilegal a incidência de juros selic sobre a multa de ofício. A decisão da autoridade de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 2779 e segs. e ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTOS BASE. ALTERAÇÃO Incabível que a auditoria altere informações pontuais constantes do documento que serviu de base para a omissão de receitas sem justificar o fato. OMISSÃO DE RECEITAS. JSCP. Uma vez demonstrado que a receita de juros sobre capital próprio consta como adição ao lucro líquido para fins de apuração ao lucro real, fica comprovado que sobre ela incidiu tributação. SELIC. INDEXAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Por expressa determinação legal, a Selic incide sobre a totalidade do crédito tributário constituído. LANÇAMENTOS CONEXOS. PIS, COFINS e CSLL Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista a decisão de primeira instância, o lançamento foi revisto em parte de forma a: Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Acórdão n.º 1301003.766 S1C3T1 Fl. 4.000 7 I) Retificar as bases de cálculo do IRPJ e CSLL do ano calendário 2012 para o valor de (R$264.202.338,69) ; II) Considerar devidos o Pis no valor de R$ 442.837,40 e a Cofins no valor de R$ 2.039.735,88, ambos acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Para melhor ilustração, vale citar trecho da conclusão do voto condutor da decisão ora recorrida: 9. Conclusão Por todo o exposto, concluo pelo prosseguimento parcial da exigência tributária. As novas bases tributáveis de IRPJ e CSLL, bem como os novos valores devidos de Pis e Cofins passam a ser os abaixo discriminados : 9.1 IRPJ ()Base de cálculo declarada em DIPJ AC 2012 : ( R$ 264.885.589,55) (+)Base de Cálculo não impugnada : R$ 683.250,86 (+)Base de cálculo reajustada: (R$ 264.202.338,69) 9.2 CSLL ()Base de cálculo declarada em DIPJ AC 2012 : ( R$ 264.885.589,55) (+)Base de Cálculo não impugnada: R$ 683.250,86 (+)Base de cálculo reajustada: (R$ 264.202.338,69) 9.3 COFINS Cofins devida : R$ 26.838.659,25 * (7,60/100) = R$ 2.039.735,88, conforme abaixo discriminado, por período de apuração: Fev/2012 – R$ 440.700,37 Junho/2012 – R$ 512.074,96 Dezembro /2012 R$ 1.086.960,55 9.4 PIS Pis devido : R$ 26.838.659,25 * (1,65/100) = R$ 442.837,40, conforme abaixo discriminado, por período de apuração : Fev/2012 – R$ 95.678,37 Junho/2012 – R$ 111.174,17 Dezembro /2012 R$ 235.984,86 Cientificado da decisão de primeira instancia em 10/04/2017, o contribuinte apresentou, fl. 2822 e segs, em 09/05/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. Em sessão de julgamento de 20 de fevereiro de 2018, este colegiado decidiu por converter o processo diligência pela seguinte motivação: A motivação atribuída pela decisão de primeira instância para manutenção do lançamento em relação a incidência de Pis/Cofins sobre receitas relativa a Juros Sobre Capital Próprio se deu com base na análise de documentação relativa a IRPJ e CSLL. O voto condutor do acórdão recorrido limitouse a afirmar não ter identificado a tributação dessas receitas de JCP na linha 23 da Ficha 7A da DIPJ/2013 e, por isso, manteve a autuação. Neste sentido, transcrevo respectivo trecho do voto condutor da decisão recorrida (fl. 2800): Alega a interessada, em sua impugnação que a receita de R$ 26.838.659,98, relativa a Juros sobre capital Próprio, teria sido incluída, indevidamente, no valor Fl. 4003DF CARF MF 8 de R$ 43.139.661,88, informado na Ficha 7A, linha 23, “ Outras Receitas Financeiras”. Por tal motivo, conforme afirma, a referida receita já teria sofrido a incidência do Pis e da Cofins. Porém, conforme já demonstrado no item 05 deste voto, os Juros sobre Capital Próprios apurados para o ano de 2012 não foram incluídos na Ficha 7A, linha 23, “Outras Receitas Financeiras”, restando, portanto, sem respaldo a alegação de que as receitas em questão já teriam sido tributadas pelo Pis e Cofins. Em analise ao Termo de Verificação Fiscal se verifica que a fiscalização tampouco se debruçou sobre documentação específica do Pis/Cofins (DACON, DCTF, contas contábeis), provavelmente por ter considerado simplesmente que tais tributos são reflexos do IRPJ/CSLL. Em verdade, o que se verifica é que tal documentação sequer foi requerida pela fiscalização a contribuinte. Concluise pela necessária identificação da falta de tributação do Pis/Cofins sobre as receitas de Juros sobre Capital Próprio na documentação específica relativa a tais tributos para que se possa afirmar com precisão que tais tributos são deveras devidos. Vale ressaltar que em sede recursal, alega a contribuinte que os valores foram devidamente pagos mediante compensação com saldo negativo de IRPJ, juntando documentação relativa. Necessária seria a analise de tal documentação acostada aos autos. Neste sentido, encaminho os presentes autos para diligencia de modo que retornem a autoridade fiscalizadora para que esta analise toda a documentação já acostada aos autos e, se necessário, intime a contribuinte a juntar documentação complementar relativa ao Pis/Cofins ora debatido emitindo laudo conclusivo que permita conduzir o julgamento ao convencimento necessário das autoridades em relação ao recolhimento de tais tributos sobre as receitas auferidas a titulo de Juros sobre Capital Próprio. Após a juntada de uma série de documentos comprobatórios e intimações por parte do auditor fiscal responsável pela diligencia, foi apresentado relatório de diligencia fiscal em 09/08/2018, fls. 3929 e segs. Após manifestação da contribuinte acerca do relatório, o processo retornou a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 15956.720195/201661 Acórdão n.º 1301003.766 S1C3T1 Fl. 4.001 9 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Conforme acima mencionado, a decisão de primeira instancia reformou o lançamento no que se refere ao IRPJ, CSLL em relação às duas infrações imputadas a contribuinte, quais sejam: a. Omissão de receita de Juros sobre capital próprio : R$ 26.838.659,98 e b. Omissão de outras receitas financeiras : R$ 8.561.250,86 As receitas omitidas integraram também as bases de cálculo da Pis e Cofins, razão pela qual os mesmos fatos que fundamentaram a autuação de IRPJ fundamentaram também autos de infração destes outros tributos. Em relação ao Pis/Cofins incidente sobre as outras receitas financeiras foi reconhecido que não havia indicação do mês de ocorrência dos fatos geradores, cancelando o auto de infração neste ponto. Sendo assim, o único item pendente de divergência, e que se passa a analisar, relacionase à infração de Pis e Cofins sobre receitas relativa a Juros Sobre Capital Próprio, receitas estas que teriam sido omitidas. Conforme acima relatado, o julgamento foi convertido em diligencia para que fossem apreciados os documentos relativos ao recolhimento do Pis/Cofins sobre receitas relativa a Juros Sobre Capital Próprio, juntados aos autos pelo contribuinte oportunamente, tendo em vista omissão na analise de tais documentos por parte da autoridade julgadora de primeira instancia. Relatório fiscal de diligência (fl. 3933 e segs) A conclusão do Relatório fiscal de diligencia após expor através de tabelas ilustrativas sua analise foi no seguinte sentido: "Analisando os esclarecimentos e a documentação acostada neste procedimento podemos concluir pelo provimento do recurso do contribuinte, e asseverar que, das receitas auferidas de Juros Sobre o Capital Próprio do contribuinte nos valores de R$ 5.798.689,07 (02/2012), R$ 6.737.858,39 (06/2012) e R$ 14.302.112,51 (12/2012), totalizando R$ 26.838.659,98, no anocalendário de 2012, foram completamente declaradas e recolhidas em relação às contribuições Fl. 4005DF CARF MF 10 para o PIS e a COFINS. Estes documentos e esclarecimentos são corroborados pelas informações colhidas nos sistemas da Receita Federal do Brasil (...) Desta forma, concluímos que os valores das receitas auferidas de Juros Sobre o Capital Próprio (JCP) do contribuinte nos valores de R$ 5.798.689,07 (02/2012), R$ 6.737.858,39 (06/2012) e R$ 14.302.112,51 (12/2012), totalizando R$ 26.838.659,98, no anocalendário de 2012, foram completamente declaradas e recolhidas em relação às contribuições para o PIS e a COFINS." Considerando o reconhecimento pela autoridade de origem da correta declaração e recolhimento do Pis/Cofins das receitas de JCP, seja através dos documentos apresentados, seja através dos dados dos sistemas informatizados disponíveis, forçoso se faz reconhecer dos argumentos de defesa do contribuinte. As preliminares não serão analisadas no presente voto em conformidade com o disposto no art. 59 Regimento Interno do CARF. Desta forma, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, REJEITAR as preliminares de nulidade para no mérito darlhe PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 4006DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000751/2002-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-008.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
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EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 07 51 /2 00 2- 30 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10940.000751/200230 Acórdão n.º 9303008.218 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3802004294, de 19/03/2015, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSUBSISTÊNCIA. EQUÍVOCO. COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO. Diante da insubsistência do motivo do ato administrativo fiscal (“proc. jud. de outro CNPJ”), cumpre à DRJ o acolhimento da impugnação, com o consequente cancelamento do auto de infração. Descabe ingressar no exame da suposta convalidacã̧o da compensação das parcelas dos débitos tributários, uma vez que se trata de matéria estranha à fundamentação originária do auto de infração. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. A insurgência da Fazenda Nacional centrase no fato de que o CNPJ que consta do processo judicial seria o da matriz e não da filial, subsistindo assim a motivação do lançamento. O recurso especial foi admitido por meio de despacho aprovado pelo então presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em contrarrazões, o contribuinte pede o não conhecimento do recurso especial e, caso conhecido, o seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser conhecido, por não ter comprovado a necessária divergência jurisprudencial. Nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é necessário que o contribuinte demonstre que outras turmas do Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10940.000751/200230 Acórdão n.º 9303008.218 CSRFT3 Fl. 4 3 CARF, analisaram a mesma matéria e deram à legislação tributária interpretações diferentes em relação ao acórdão recorrido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. (...) Portanto, passemos a analisar as situações fáticas do acórdão recorrido em comparação com os dois primeiros acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional. Situação fática do acórdão recorrido Nele foi efetuado lançamento, por meio de auto de infração eletrônico, para exigência de PIS referente aos fatos geradores ocorridos no terceiro trimestre de 1997. A motivação do lançamento foi "PROC JUD DE OUTRO CNPJ". Em sua impugnação, o contribuinte comprovou que possuía a ação judicial, a qual estava registrada com o CNPJ da matriz. Ao julgar a impugnação, a 1ª turma da DRJ/Ribeirão Preto, confirmou a existência da ação judicial, a qual beneciava tanto a matriz quanto a filial. Entrou no mérito da compensação e afastou a exigência da multa de ofício. Para demonstrar esta conclusão, transcrevo o seguinte excerto do voto da DRJ: (..) Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10940.000751/200230 Acórdão n.º 9303008.218 CSRFT3 Fl. 5 4 Em face do exposto, julgo procedente, em parte, a impugnação para (i) excluir do lançamento a multa de ofício, (ii) reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS, (iii) o direito de o interessado compensar os créditos financeiros, decorrentes dos pagamentos a maior do PIS, efetuados nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, em relação aos valores devidos nos termos das LC nº 7. de 1970, e nº 17, de 1973, cabendo à autoridade administrativa apurar os indébitos (créditos financeiros) e seu montante, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, na medida cautelar inominada nº 95.00594188, ação principal nº 96.00021570, e convalidar a compensação dos débitos, objeto do crédito tributário em discussão, até o limite do montante apurado, exigindose possível saldo e/ ou débitos não extintos pela convalidação ora determinada. (...) O acórdão recorrido, como vimos, cancelou o lançamento com o entendimento que, ao comprovar a existência da ação judicial, estaria afastada a motivação do lançamento, sendo incabível entrar no mérito da compensação pois tratariase de matéria estranha ao lançamento. Situação fática do acórdão paradigma nº 20214657 Aqui não se trata de lançamento eletrônico em decorrência de revisão da DCTF do contribuinte. Tratase de lançamento normal de PIS por falta de recolhimentos da contribuição. A discussão nele travada diz respeito à possibilidade de centralização do recolhimento do PIS. A acusação fiscal era de que os pagamentos efetuados pela matriz não aproveitavam a filial. Portanto, esse paradigma não serve para comprovar a divergência, pois fundado em situações fáticas bem diferentes do acórdão recorrido. Situação fática do acórdão paradigma nº 20217205 O processo trata de lançamento eletrônico para exigência da Cofins em razão de "PROC JUD DE OUTRO CNPJ". Ou seja, a situação do lançamento é idêntica ao do acórdão recorrido. Porém, neste o contribuinte não conseguiu comprovar que possuía a ação judicial. Ao contrário, ficou comprovado que nele o provimento judicial não alcançava as filiais. A própria ementa comprova a não inclusão das filiais no pólo ativo da ação judicial: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10940.000751/200230 Acórdão n.º 9303008.218 CSRFT3 Fl. 6 5 Ementa: DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. Rejeitada a inclusão de filial no pólo ativo da ação proposta pela matriz; não prospera a alegação de que a compensação foi efetuada sob amparo judicial, subsistindo exigíveis os débitos que teriam sido compensados, especialmente ante a ausência de pedido administrativo de compensação e de prova da existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado. (...) Importante ressaltar que no acórdão recorrido reconheceuse a existência da ação judicial e que esta amparava tanto o estabelecimento matriz como suas filiais. Diferentemente, como visto, neste paradigma concluiuse que a filial não possuía provimento judicial a amparar as suas compensações. Conforme consta do relatório do acórdão paradigma, a petição inicial do contribuinte foi aditada para inclusão das filiais no pólo ativo da ação judicial. Sendo que o provimento judicial obtido teria sido no seguinte sentido: "(...) JULGANDO PARCIALMENTE PROCEDENTE A AÇÃO DECLARATÓRIA, para declarar o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos, excluídos os montantes recolhidos por filiais situadas em outras cidades (...)" Portanto, diante do exposto, voto por não conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.963927/2009-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.968
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 39 27 /2 00 9- 28 Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 15374.963927/200928 Acórdão n.º 9303007.968 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.627, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de COFINS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.627 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 15374.963927/200928 Acórdão n.º 9303007.968 CSRFT3 Fl. 4 3 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 15374.963927/200928 Acórdão n.º 9303007.968 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 15374.963927/200928 Acórdão n.º 9303007.968 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 15374.963927/200928 Acórdão n.º 9303007.968 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1838DF CARF MF
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