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Numero do processo: 10830.007284/00-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Recurso que repete os argumentos utilizados em sede de manifestação de inconformidade, sendo que o despacho decisório reconheceu integralmente o pleito.
Numero da decisão: 2201-004.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Recurso que repete os argumentos utilizados em sede de manifestação de inconformidade, sendo que o despacho decisório reconheceu integralmente o pleito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Recurso que repete os argumentos utilizados em sede de manifestação de inconformidade, sendo que o despacho decisório reconheceu integralmente o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 72 84 /0 0- 47 Fl. 271DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 266/269 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), de fls. 177/180, que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada, mediante a qual a DRF de origem deferiu totalmente o direito creditório pleiteado, restando a quantia de R$ 6.061,07, por erro no cálculo dos juros. Da Manifestação de Inconformidade Recebida a cientificação da mencionada decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando a necessidade de cancelamento do débito em questão, tendo em vista a imunidade recíproca reconhecida em sentença proferida nos autos do processo nº 001186623.2008.403.6105. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) entendeu pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, por ausência de litígio quanto ao crédito, tendo em vista que a ora Recorrente limitouse a alegar direito ao cancelamento com base em decisão judicial que teria reconhecido o seu direito à imunidade recíproca, conforme ementa abaixo (fl. 177): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Deferido integralmente o direito credit6rio original solicitado, que se revelou, por equivoco da peticionária na atualização do crédito, insuficiente para quitar o débito, indicado na declaração de compensação, o litígio decorrente se limita a possíveis divergências entre os cálculos efetivados pela autoridade fiscal e aqueles promovidos pela requerente, não se conhecendo de petição em que se alega imunidade de impostos, para tentar desconstituir o crédito tributário confessado na declaração de compensação apresentada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 266/269, praticamente repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, requerendo o cancelamento do débito em discussão, por conta da imunidade recíproca. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10830.007284/0047 Acórdão n.º 2201004.976 S2C2T1 Fl. 273 3 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em questão, houve o reconhecimento do pedido de restituição apresentado e integralmente reconhecido. Entretanto, em razão de erros de cálculo cometidos pela recorrente, gerou uma diferença que continua em cobrança nos presentes autos. Neste sentido é a decisão recorrida, com a qual concordo: A manifestação de inconformidade é tempestiva, dotada dos pressupostos legais de admissibilidade, pelo que dela se conhece. Conforme relatado, a contribuinte teve o seu pedido de restituição integralmente reconhecido, sendo o valor do crédito, no entanto, insuficiente para compensar o débito, como pretendido, em razão de erros de cálculo que teriam sido cometidos, pela requerente, na atualização do valor repetido. Vejase trecho do despacho decisório, que aborda a questão: "E assim, estando crédito (R$41.027,96, em 17/03/2000) e débito (R882.783,35. vencimento em 29/04/2005) plenamente identificados, com apoio do sistema Sief Processo, implementouse a compensação pretendida (com data de valoração 29/04/2005, data da entrega do competente documento compensatório), obtendose como resultado o exaurimento do crédito reclamado/utilizado e a extinção apenas parcial do débito indicado para tanto, segundo nos informam os relatórios de fls.. 66/68 (verificase nitidamente que o sujeito passivo interessado se equivocou na atualização do crédito postulado, já que lançou os corretos acréscimos moratórios incidentes, no percentual de 87% taxa Selic acumulada de abril/2000 a março/2005, mais I% em abril do mesmo ano sobre R$44.269,17 — este já calculado erroneamente em outubro de 2000 , quando, em verdade, deveria têlo feito sobre o valor originário, de R841.027,96." Na manifestação de inconformidade interposta, a contribuinte não se manifesta sobre essa diferença de cálculos, preferindo centrar seus argumentos no fato de ter conseguido o reconhecimento da imunidade tributária recíproca, em relação ao imposto de renda pessoa jurídica, em duas ações judiciais intentadas. Em razão desse reconhecimento, solicita que a cobrança do débito remanescente seja julgada insubsistente. Devese esclarecer à contribuinte, de imediato, que as Declarações de Compensação, desde outubro/2003, constituem confissão de divida, do que deriva que os débitos eventualmente Fl. 273DF CARF MF 4 não compensados, por insuficiência de direito creditório, são passíveis de cobrança imediata e de inscrição na Divida Ativa da Unido, em caso de não cumprimento do pagamento. Essa questão de cobrança de débitos não compensados foge à competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), cujas atribuições estão previstas no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, "in verbis": "Art. 212. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: (...) III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e de redução de alíquotas de tributos e contribuições.(ênfase acrescida) (...) Considerandose que o direito creditório, pleiteado pela interessada, foi integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, que examinou o pleito, não se instaura litígio quanto a esse aspecto do pedido de restituição. A divergência poderia surgir quando da implementação da compensação pretendida, em caso de remanescer débito declarado, quando os cálculos de atualização do crédito, ou mesmo possíveis acréscimos legais ao débito compensado, poderiam ser contestados pela interessada. Não foi o que ocorreu no presente caso, em que a insuficiência do direito creditório decorreu de equivoco cometido pela requerente, na atualização dos valores, fato esse implicitamente reconhecido, tanto que não contestado especificamente na petição apresentada. O pleito da contribuinte em ver reconhecida a imunidade quanto ao lançamento de impostos, obtida pela via judicial, deve ser endereçado à autoridade fiscal que jurisdiciona o seu domicilio, não sendo possível o seu exame nesta instância de julgamento. Em face do exposto, VOTO no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade interposta, por inexistência 4e litígio, determinando o retorno dos autos DRE de origem, para as providências de sua alçada. Ademais, a fim de complementar o presente decisum, merece destaque o fato de que a ora Recorrente ingressou com a ação judicial (declaratória) que reconheceu o seu direito à imunidade e esta decisão, só atinge fatos futuros, ou seja, a partir da declaração de que faz jus à imunidade recíproca, seja por medida liminar ou qualquer outra medida. Tendo em vista que débito é anterior à propositura da ação, o presente recurso não deveria ser conhecido, mas se for conhecido, a ele deve ser negado provimento. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10830.007284/0047 Acórdão n.º 2201004.976 S2C2T1 Fl. 274 5 Conclusão Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário. Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720028/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2007 a 28/02/2007
OMISSÃO.
Constatada a omissão quanto ao teor do voto dos conselheiros vencidos no julgamento devem ser acolhidos os embargos para aclarar a posição dos conselheiros durante a votação.
Numero da decisão: 3401-005.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para aclarar que os Conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco foram vencidos no que se refere à inclusão do valor do frete nas notas fiscais de venda.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/01/2007 a 28/02/2007 OMISSÃO. Constatada a omissão quanto ao teor do voto dos conselheiros vencidos no julgamento devem ser acolhidos os embargos para aclarar a posição dos conselheiros durante a votação.
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Constatada a omissão quanto ao teor do voto dos conselheiros vencidos no julgamento devem ser acolhidos os embargos para aclarar a posição dos conselheiros durante a votação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para aclarar que os Conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco foram vencidos no que se refere à inclusão do valor do frete nas notas fiscais de venda. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 00 28 /2 01 2- 32 Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 314 2 Relatório Tratase de exigência do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI formalizada em auto de infração, para os períodos de 10/01/2007 a 28/02/2007 no valor de R$2.990.226,21. Segundo a descrição dos fatos de fl. 04 e o relatório fiscal de fls. 11/14, houve recolhimento a menor de IPI, em janeiro e fevereiro de 2007, por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da MP nº 2.15835/2001. Conforme descrito, a autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. A contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 35/63, que foi julgada pela DRJ de Ribeirão Preto, acórdão nº 1438.747, de 26/09/2012, e por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário devido. Inconformada a empresa apresentou recurso voluntário aduzindo em sua defesa as seguintes razões: por contratar o frete nas vendas dos seus produtos, bem como computálo no preço de venda, faz jus ao crédito presumido de IPI instituído pelo art. 56 da MP nº 2.158 35/2001; é incontroverso o fato de que a impugnante contratou a empresa prestadora do serviço de transporte dos produtos por ela vendidos; faz jus ao crédito presumido porque na formação do preço de venda dos produtos industrializados inclui as demais despesas incorridas pela empresa, entre as quais as despesas com frete; conforme demonstrativo fica comprovado que o frete foi considerado no cálculo da margem de contribuição e, conseqüentemente, na fixação do preço de venda; a doutrina também sustenta que as despesas são consideradas pelas empresas na formação do preço de venda; em sua contabilidade gerencial, como contrapartida à receita de venda, escritura separadamente a parcela do frete que integrou o preço de venda; não podem ser exigidas importâncias correspondentes às saídas ocorridas entre os dias 1º e 8 de janeiro de 2007, em razão do decurso do prazo de cinco anos até a ciência do auto de infração; conseqüentemente, as glosas dos créditos presumidos decorrentes das notas fiscais emitidas nesse período, também não podem ser mais efetuadas, razão pela qual esperase a declaração de decadência para essas saídas; o auto de infração deve ser cancelado por falta de amparo legal, inclusive porque baseado em instrução normativa; contesta a futura aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada; requer a realização de diligência, com base no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, com o objetivo de apurar a verdade dos fatos; apresenta os quesitos. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 315 3 O processo foi submetido a julgamento e resultou no Acórdão nº 3401 005.030, de 22 de maio de 2018, em que por maioria de votos negou provimento ao recurso voluntário, restando assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2007 a 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.15835, de 2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. Irresignada a recorrente apresentou Embargos de Declaração que foi admitido parcialmente pelo Presidente da Turma. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Os embargos apresentados foram admitidos parcialmente pelo Presidente da Turma para que fosse apreciada a alegação de omissão quanto ao teor do voto de cada conselheiro em cada uma das matérias em debate: Com essas considerações, firme no § 7o do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 2016, DOU SEGUIMENTO PARCIAL aos embargos interpostos pela contribuinte, para que seja apreciada a alegação de omissão apontada no item 1.3 do presente despacho. Primeiramente acompanho a análise efetuada no despacho de admissibilidade dos embargos que tratou dos outros aspectos apontados como omissão e contradição pela embargante, por isso reproduzo seu teor: 1 Omissões e contradição 1.1 Omissão da análise de documentação juntada no processo Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 316 4 Inicialmente a embargante aponta a ocorrência de vício de omissão pela ausência de exame, pela i. Conselheira Relatora, de documentos juntados ao presente processo, os quais, segundo a empresa, poderiam contrariar a apontada ausência de comprovação da inclusão do valor do frete no preço de venda do produto, argumento que conduziu a decisão. Sustenta que mantém o entendimento de que seja prescindível o destaque do frete na nota fiscal, bem como a comprovação do seu valor no preço de venda. Sustenta ainda que a decisão embargada não teria analisado documentação juntada às fls. 157 do presente processo, nas quais constariam "notas fiscais de venda, resumo de contabilização e documentação contábil que demonstra a contabilização da receita com o frete em conta contábil segregada da receita correspondente à venda do veículo". Para o exame da alegada omissão, fazse necessário confrontar a alegação da embargante no apelo, o que foi suscitado em seu recurso voluntário e o que consta do presente processo às mencionadas fls.157 com a análise promovida no voto condutor do Acórdão. No recurso voluntário, a empresa argumentou, em síntese, que (i) a legislação regente nada dispõe sobre a obrigatoriedade de destaque do valor do frete na nota fiscal, estando apta ao aproveitamento do crédito do IPI fazendo ou não esse destaque; (ii) considera na formação de preço de venda dos produtos por ela fabricados e comercializados, além dos custos e despesas incorridas, o valor do frete; e (iii) registra contabilmente, de forma segregada, o valor da receita com a venda do serviço da parcela do frete computada no preço, segregação contábil esta que corrobora a afirmação de que o valor do frete estaria incluído no preço de venda dos veículos. Para comprovar o alegado, em especial sobre o que argumenta quanto ao registro contábil segregado do valor do frete, a empresa sustenta, às fls. 230 a 232, que teria sido apresentado na impugnação um conjunto probatório que comprovaria que o frete "foi considerado no cálculo da margem de contribuição e, consequentemente, na fixação do preço de venda dos veículos automotores, sendo legítima a utilização do benefício fiscal relacionado ao IPI". Dentre os elementos do conjunto probatório apontado estaria o "Anexo 10 da Impugnação" (fls. 157 a 171), justamente o que consta da " documentação juntada às fls. 157", mencionada pela embargante, supostamente não analisada pela i. Relatora. A questão da não obrigatoriedade de destaque do valor do frete na nota fiscal, para aproveitamento do benefício do IPI, foi enfrentada pela i. Conselheira às fls. 265 a 268, ao longo das quais foi construído o entendimento de que: Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 317 5 não há nenhum destaque do valor do frete nas notas ficais de venda emitidas nem comprovação do pagamento do frete, salvo as telas (prints) anexadas do sistema contábil (corporativo) da empresa; e a legislação do IPI (art. 339, inciso V, alínea “f” do RIPI/2002 (repetido no art. 413, inciso V, alínea “f” do RIPI/2010), estabelece expressamente que o valor do frete é requisito da nota fiscal. Este entendimento advém de acórdão da mesma empresa proferido por outra Turma desta mesma Câmara, o qual, segundo a i. Relatora, se subsume inteiram ente ao aso, conforme afirmado às fls. 268 , grifei: "Acompanho o pronunciamento do acórdão referenciado, por entender que se subsumi inteiramente ao caso em análise, diferindo apenas quantos aos meses da atuação, permanecendo os fatos e provas apresentados no presente auto equivalentes aos debatidos no acórdão citado." Diante do exposto, entendo não caracterizada a omissão apontada. Os vícios de omissão que rendem ensejo aos embargos de declaração se referem à falta de análise de argumentos de defesa ou à falta de análise de algum fato ou circunstância existente no processo e que tenha passado ao largo do debate quando da deliberação por parte do colegiado, o que não ocorreu no presente caso. Em relação a essas supostas omissões, saiba a Embargante que, encontrando o julgador fundamentos suficientes para justificar seu convencimento, despicienda tornase a abordagem de outras alegações, ainda que destas tenha a parte se utilizado, porque já então inócuas frente ao julgado, não estando, assim, o julgador jungido às minúcias de todos os argumentos lançados pela parte. 1.2 Contradição e omissão quanto à incidência de juros de mora sobre multa de ofício A embargante aponta novos vícios na decisão embargada no que respeita à sua argumentação sobre a incidência de juros de mora sobre multa de ofício, nos seguintes termos(fls. 281): "Consta na decisão recorrida que a Recorrente teria apresentado pedido em tese: “caso sejam cobrados juros de mora sobre multa de ofício”. Em verdade, a Recorrente não apresentou pedido em tese. O pedido constante em seu recurso foi no sentido de que “seja afastada a incidência de juros sobre a multa”. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 318 6 Consequentemente, novamente com todas as vênias, equivocada a conclusão do voto condutor no sentido de que “Extrapola à competência desse órgão julgador decidir sobre matéria em tese (...)”. Não vejo a ocorrência dos vícios de omissão e contradição no julgado em relação a essa questão. Ao tratar do tema, a i. Conselheira abordou a questão (fls. 268) com o argumento de que "no presente auto a exigência de juros de mora sobre multa de ofício não foi aplicada, sendo cobrados apenas os juros de mora sobre o imposto não pago", informando ainda que "os juros de mora serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento quando da fase de cobrança do crédito tributário, após decisão definitiva na esfera administrativa". A omissão que enseja seu saneamento pela via dos aclaratórios só se verifica na ausência completa de julgamento de matéria expressamente posta em debate, situação que não se confunde com a irresignação que desafia matéria recursal e se divorcia dos limites traçados na estreita via dos Embargos de Declaração. Utilizase o Embargante do remédio inadequado para demonstrar sua insatisfação com o que restou decidido no acórdão embargado. Quanto à suposta contradição, não vejo no seio da fundamentação do voto, na sua conclusão ou no resultado do julgamento proposições que seja irreconciliáveis entre si, nem qualquer inconsistência entre seus fundamentos e o resultado do julgamento que indiquem a presença da contradição. Não se constata qualquer contradição. Passemos então a análise quanto ao item relativo à omissão, que foi admitido. Segundo o despacho de admissibilidade o embargante aduz a omissão quanto o teor de cada voto dos conselheiros, em cada uma das matérias em debate, e por isso pleiteia que seja retificado o acórdão para constar qual foi a posição dos conselheiros vencidos e também qual foi a votação quanto a incidência dos juros sobre a multa de ofício. 1.3 Omissão quanto o voto de cada conselheiro em cada uma das matérias em debate Ao final, a embargante aduz que nova omissão teria ocorrido no julgado, quanto ao voto de cada conselheiro em cada uma das matérias em debate (fls.281): "Por fim, o acórdão não traz qual foi o voto de cada conselheiro em cada uma das matérias em debate. Vejase trecho do acórdão: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 319 7 conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.” Assim, a Embargante pleiteia que conste do acórdão qual foi a votação com relação ao valor do principal em discussão (glosa do crédito presumido), bem como qual foi a votação da incidência dos juros sobre a multa. O art. 63 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ao estabelecer o conteúdo do Acórdão, dispõe que nas decisões dos colegiados devem constar o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram (grifei): Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 1º Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado.(...) Nesse sentido, considerando que o colegiado decidiu por maioria de votos e que o Acórdão silenciou sobre a matéria na qual cada Conselheiro teria sido vencido, entendo que assiste razão à embargante nesse ponto. De fato o art. 63 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, dispõe que nas decisões dos colegiados devem constar o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 1º Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado.(...) No acórdão embargado consta que foram vencidos três dos conselheiros presentes mas não consta especificamente qual a matéria em que foram vencidos: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 320 8 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Por isso pelo princípio do contraditório e da ampla defesa que explicitam que as decisões devem ser motivadas e pela aplicação do art. 63 do RICARF devemos verificar os pontos que restaram vencidos os conselheiros. Constaram do voto do acórdão recorrido os seguintes temas postos em debate. Antes é preciso esclarecer que não houve divergência no Colegiado quanto às preliminares apresentadas, mas apenas quanto a questões de mérito, como poderá ser verificado a seguir: 1) Necessidade de cancelamento do auto de infração por ter sido o mesmo baseado em Instrução Normativa. A relatora rejeitou o pedido por entender que o auto de infração possuía fundamentação legal e que a Secretaria da Receita Federal possuía competência para editar norma para usufruto do regime. Esse item não merece reparos já que é posição corrente da turma aceitar a competência da RFB para editar normas quando existe dispositivo legal autorizando que “nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal”, como esta disposto no art. 56 da MP 2.1582001: Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal.(grifos meus) E a questão da fundamentação do auto de infração salta a olhos vistos: 2) Decadência para as saídas ocorridas entre os dias 1º e 8 de janeiro de 2007, pelo decurso de prazo de cinco anos A relatora acompanhou o pronunciamento da DRJ sobre a contagem de prazo para a decadência no caso de utilização de crédito presumido do IPI e rejeitou a preliminar. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 321 9 É certo que o IPI é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre após cinco anos do fato gerador, expressa ou tacitamente pela administração. Somente que no caso em análise estamos diante de glosa de crédito presumido de IPI, que deveria ser escriturado ao final de cada decêndio. Para o período de 1º a 8 de janeiro de 2007 a escrituração foi efetuada em 10/01/2007, conforme consta do Livro de Registro do IPI acostado aos autos, e a ciência do auto de infração ocorreu em 09/01/2012, portanto, apesar de no último dia, mas dentro do prazo legal. Também nesse ponto não existe divergência do Colegiado, que acompanha o mesmo entendimento: Além disso, no que diz respeito às infrações relativas às glosas de crédito, podemos abstrair que quando o artigo 150 do CTN prescreveu em seu parágrafo 1º que o pagamento antecipado extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, fica evidenciado que não é a partir do creditamento (escrituração) no RAIPI do contribuinte, do crédito que ele entende correto, que o fisco teria o prazo para homologar o lançamento, e sim a partir da data da sua efetiva utilização que o prazo de decadência começa a fluir. Mesmo porque os artigos 150, § 4º, e 173 do CTN tratam de decadência tributária, ou seja, decadência do crédito tributário. Também está claro no art. 150 do CTN, em seu § 2º, que o pagamento antecipado é um ato apenas do sujeito passivo, e não do fisco, e que este ato do sujeito passivo só tem motivação de ser por estar vinculado ao fato gerador do tributo, que é o principal na relação fiscocontribuinte. Dizse que o acessório segue o principal, por isso a homologação se dá a partir do principal, ou seja, a partir do fato gerador do tributo, e que este pagamento antecipado por parte do contribuinte é que extingue o crédito tributário principal sob condição resolutória, e é a combinação do fato gerador com o pagamento antecipado que está sujeito a homologação pelo fisco, e não da atividade de se creditar em um RAIPI de um valor (suposto crédito) que o sujeito passivo entende correto. Da mesma forma é o parágrafo 3º, do mesmo artigo 150, quando prevê que quaisquer atos exercidos pelo sujeito passivo antes da homologação, pelo fisco, no intuito de extinguir o crédito tributário, total ou parcialmente, não influenciam na obrigação tributária. Perguntase, quais são esses atos? Um exemplo desses atos é exatamente o creditamento por parte do sujeito passivo em seu RAIPI de um crédito que entende possuir perante o fisco que depois é usado para compensar com o débito do IPI. Este também é um dos motivos de que o creditamento puro e simples por parte do contribuinte, sem a sua utilização não gera consequência tributária alguma. Não há um crédito tributário a ser lançado, não ocorre o fato gerador do tributo no momento do creditamento, não há que se falar em lançamento tributário, pois esse fato não se amolda aos conceitos de tributo, de sua natureza jurídica, dos conceitos de Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 322 10 imposto, de obrigação tributária, de crédito tributário, de lançamento (conceitos esses definidos nos artigos 3º, 4º, 16º, 113, 114, 139, 140, 142, 149, 150 do CTN, respectivamente). O uso indevido do crédito que o contribuinte diz ter é que gera consequências tributárias, pois ao usálo (deduzindo do imposto devido – aqui sim ocorre o fato gerador do tributo) deixase de pagar o tributo devido. Consequentemente, não há que se falar em decadência na glosa dos créditos indevidamente escriturados pelo sujeito passivo. 3) Diligência A relatora entendeu que a diligência era prescindível já que constavam nos autos todos os documentos necessários para o deslinde da problemática instaurada. Além disso, tem sido o entendimento da turma que a diligência não serve para buscar novas provas, mas tão somente para esclarecimentos de fatos que já constam nos autos. Por isso esse item também não merece destaque. 4) Informação do frete na nota fiscal A Relatora acompanhou o exposto no Acórdão nº 3402003.119, de 22/06/2016, no voto do conselheiro Waldir Navarro Bezerra para a mesma empresa, apenas em períodos diferentes, com mesmas provas e fatos apresentados. Para a embargante, no Recurso Voluntário, na composição do preço de venda dos produtos já estaria incluído o frete e por isso atendia as exigências para legitimar a escrituração do crédito presumido do IPI. Para a Relatora, acompanhando o Acórdão citado, a alínea "b" do inciso II, do artigo 56 da MP n° 2.15835/2001, que exige a cobrança conjunta do frete, não é letra vazia, sendo que o comando legal deve ser obedecido e as notas fiscais foram apresentadas sem destaque no valor do frete. Também não foi apresentado qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete. Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 323 11 II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial; (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. No mesmo sentido o RIPI/2002: Art. 339. A nota fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: V no quadro “Cálculo do Imposto”: ... f) o valor do frete; Para melhor entendimento reproduzo o Acórdão nº 3402003.119, que consta no Acórdão embargado: Verificase nos autos que a controvérsia limitase à comprovação do cômputo do frete no preço de venda dos veículos automotores fabricados e comercializados pela Volkswagen do Brasil e neste cenário, a manutenção da autuação pela DRJ, foi sustentada exatamente pela ausência dessa comprovação. Por outro lado, a Recorrente em seu recurso, baseiase na tese de que na composição do preço de venda dos produtos está incluído o frete, e por isso, atendia as exigências para legitimar a escrituração do crédito presumido. No seu entendimento, todas as despesas são incluídas na formação do preço de venda, e, como consequência, no preço cobrado está sendo embutido também o valor do frete contratado. Discordo da Recorrente, explico. Entendo que acatar o entendimento da recorrente seria admitir que a alínea "b" do inciso II, do artigo 56 da MP n° 2.15835/2001, que exige a cobrança conjunta do frete, é absolutamente inútil, pois segundo a tese defendida, o valor do frete está sempre inserido na composição do preço, e também, é sempre cobrado com o valor do produto. Vejase (grifei): [...] Podese verificar nas cópias de notas fiscais de fls. 70, 76, 80 e 84, que não há nenhum destaque do valor do frete nas referidas notas ficais (NF) de venda emitidas. A autuada não juntou Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 324 12 nenhuma cópia de NF que apresentasse o destaque do valor do frete (vide, por exemplo, cópias de fls. 1.241, 1.244 e 1.247), nem apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete, salvo as telas (prints) anexadas do sistema contábil (corporativo) da empresa. Ou seja, o Fisco concluiu que na ausência do destaque do frete nas notas fiscais de venda emitidas pela Recorrente, denota que o frete não teria sido considerado para o cálculo do preço de venda dos veículos. A Recorrente alega também em seu recurso que a legislação não condiciona a fruição do benefício ora tratado ao destaque do frete na nota fiscal, vale dizer que, inexiste, na legislação que trata do tema, dispositivo que vincule o aproveitamento do benefício à emissão da nota fiscal com o destaque do frete. Neste aspecto, veja o que dispõe o art. 3º da IN (SRF) nº 91, de 2001, que normatizou essa matéria: [...] Já o parágrafo 1º, inciso II, do art. 56 da MP nº 2.15835/2001 estabelece que o regime especial seria concedido mediante opção e quando atendidas as condições elencadas nas alíneas “a”, “b” e “c”, a saber: (i) que os serviços de transporte fossem executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; (ii) que fossem cobrados juntamente com o preço dos produtos, nas operações de saída do estabelecimento industrial; e (iii) que compreendessem a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. Quanto aos itens (i) e (iii) acima, a própria fiscalização reconhece que foram cumpridos, restando a exigência que faz o artigo 56, § 1°, II, "b", da Medida Provisória n° 2.15835/2001. Então, por ser o único ponto controverso no presente caso, focase a análise no § 1°, II, "b", do referido dispositivo legal, que trata da comprovação da cobrança do frete em conjunto com o preço dos veículos automotores comercializados, uma vez que o Fisco se manifesta no sentido de que os contribuintes somente fazem jus ao crédito se o valor do transporte da mercadoria estiver explicitamente indicado na nota fiscal. Pois bem. Preliminarmente, há que se ressaltar que não procede a alegação da Recorrente de que a legislação do IPI não determina o destaque do valor do serviço de transporte no campo “valor do frete” da nota fiscal de venda. Muito pelo contrário. Além do citado art. 3º da IN SRF nº 21/01, o art. 339, inciso V, alínea “f” do RIPI/2002 (repetido no art. 413, inciso V, alínea “f” do RIPI/2010), estabelece expressamente que o valor do frete é requisito da nota fiscal: [...] E, como já comentado, consta dos autos e pode ser verificado nas cópias de notas fiscais citadas, que não há nenhum destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda emitidas. Constatou a fiscalização, nos espelhos das notas fiscais de vendas dos veículos, a indicação do frete como sendo "zero" o valor, constando que o mesmo seria por conta do emitente. Assim, Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 325 13 concluiu o Fisco que o frete não foi cobrado juntamente com o preço dos produtos, restando caracterizado o descumprimento de condição do regime especial e a consequente falta de recolhimento do IPI. Argumenta a Recorrente que registra contabilmente, de forma segregada, o valor da receita com a venda do serviço da parcela do frete computada no preço e que essa segregação contábil, corrobora a afirmação de que o valor do frete foi incluído no preço de venda dos veículos, apresentando como provas alguns "prints" do sistema contábil da empresa que confirma a alegada segregação contábil. No entanto a vertente de que o valor do frete deve ser destacado no corpo da nota fiscal pode ser verificada pela inteligência do disposto no artigo 56, §1°, II, "a" da MP n° 2.15835/2001, ao lastrear o crédito presumido de IPI à condição de que os serviços de transporte "sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial". Veja que a alternativa "ou" denota duas situações admitidas pela Lei. Os serviços de transporte contratados, naturalmente são aqueles contraídos de terceiros pelo estabelecimento industrial, como é o caso dos serviços tomados pela Recorrente. Assim, de posse do valor correspondente ao transporte, poderseia reclamar o destaque do valor do frete no campo próprio da nota fiscal de venda. No entanto, é fato que a Lei também admite o cálculo do crédito presumido de IPI sobre os serviços de transporte executados pelo próprio contribuinte. E sendo executados por frota própria, não haverá preço do frete, mas nem por isso a Lei deixou de garantir o crédito. Nessa hipótese, as despesas de manutenção da frota própria serão embutidas no preço de venda dos produtos. Ressaltase que os "prints" do sistema contábil informatizado da Recorrente, e toda a demais documentação juntada e acima citada, sem estarem as mesmas revestidas das formalidades legais, nada comprovam. Como se sabe, as telas de sistema interno de contabilidade não substituem a apresentação dos livros obrigatórios pela legislação contábil e fiscal na parte em que se faz necessária a comprovação de lançamentos contábeis específicos. Ademais, a ocorrência dos fatos contábeis alegados devem ser comprovadas com documentos hábeis e idôneos, como notas fiscais de serviços, comprovantes da efetividade do pagamento e outros documentos. Concluindo, o fato de, eventualmente, as despesas comerciais (ou de vendas) das empresas em geral serem consideradas na determinação do preço de venda dos produtos ou serviços, nada diz sobre as operações de venda sob análise, para as quais a recorrente não logrou êxito em demonstrar de fato que o valor do frete foi cobrado juntamente com o preço do produto, conforme prevê o art. 56 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. De forma que, por essas razões, entendo que a exigência fiscal deve ser mantida na parte do crédito presumido sobre o frete. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 326 14 Podese afirmar sem sombra de dúvidas que esse foi o ponto que restou controvertido no Colegiado durante a votação e que por isso três dos conselheiros presentes não acompanharam o voto da Relatora. A embargante apresentou apenas “prints” do seu sistema contábil para provar que o valor do frete estava incluído no valor da mercadoria nas notas fiscais, e outros não revestidos de formalidades legais, o que foi considerado insuficiente para provar o alegado. Ressaltase que os "prints" do sistema contábil informatizado da Recorrente, e toda a demais documentação juntada e acima citada, sem estarem as mesmas revestidas das formalidades legais, nada comprovam. Como se sabe, as telas de sistema interno de contabilidade não substituem a apresentação dos livros obrigatórios pela legislação contábil e fiscal na parte em que se faz necessária a comprovação de lançamentos contábeis específicos. Ademais, a ocorrência dos fatos contábeis alegados devem ser comprovadas com documentos hábeis e idôneos, como notas fiscais de serviços, comprovantes da efetividade do pagamento e outros documentos. Para os Conselheiros vencidos existiam nos autos elementos suficientes para provar o alegado pela empresa, e que os documentos, mesmo não revestidos das formalidades legais, deveriam ser considerados. 5) Juros de mora sobre multa de ofício A embargante alega que o pedido constante em seu recurso foi no sentido de que “seja afastada a incidência de juros sobre a multa” e que não foi efetuado em tese. A Relatora informa que o pedido foi efetuado em tese já que os juros de mora sobre multa de ofício não foram cobrados. E aproveitou para agregar a informação que os juros de mora serão calculados e atualizados até a data do pagamento pela Delegacia de jurisdição caso seja aplicável. Reproduzo o conteúdo do Recurso Voluntário para melhor esclarecimento dos fatos: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 327 15 Verificando o Auto de Infração temos que não foi cobrado juros de mora sobre a multa de ofício: Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 328 16 Portanto está confirmado que o Recurso Voluntário tratou de pedido em tese, ou seja, se for cobrado os juros de mora sobre a multa de ofício o contribuinte apresenta suas alegações sobre sua impossibilidade. Entretanto reafirmo o posicionamento anterior, não há como em julgamento administrativo decidir sobre questão que não sabemos se irá se concretizar ou não. O julgamento deve envolver casos concretos, não cabendo ao tribunal administrativo a manifestação sobre direito abstrato, pois não é órgão de consulta. As consultas estão disciplinadas no Decreto nº 70.235/72, art. 46 e seguintes e são solucionadas pelo órgão administrativo correspondente, no caso de tributos federais são solucionadas pela RFB, a quem cabe a cobrança dos tributos. Isso para garantir a segurança ao contribuinte que o entendimento da RFB sobre a matéria será o aplicado ao caso concreto. Se decidíssemos sobre fato em tese estaríamos diante de algo como uma “liminar preventiva”, que não tem previsão regimental. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.951 S3‐C4T1 Fl. 329 17 Claro que se houver cobrança, pela atualização do valor devido, o contribuinte poderá contestála. Pelo exposto, voto por acolher os embargos ao Acórdão nº 3401005.030 para aclarar que os conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco foram vencidos quanto a inclusão do valor do frete nas notas fiscais de venda. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724792/2012-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE.
Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração.
O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos.
Numero da decisão: 2002-000.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE. Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração. O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. Recorrente LAURA MARIA LOPES DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE. Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração. O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 47 92 /2 01 2- 50 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 15504.724792/201250 Acórdão n.º 2002000.854 S2C0T2 Fl. 59 2 Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 33/36), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$3.727,10 para saldo de imposto a pagar de R$5.640,37. A NL noticia dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública (fl.34). Impugnação Cientificada à contribuinte em 11/4/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 11/5/2012, às fls. 2/23 dos autos, na qual a contribuinte defende seu direito a dedutibilidade da pensão declarada, ressaltando que apresentara a documentação comprobatória correspondente no curso da ação fiscal. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 42/44): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 16/1/2015 (fl. 49), a contribuinte apresentou, em 12/2/2015 (fl.51), recurso voluntário, no qual alega, em apertado resumo, que: o valor de R$53.730,06 seria relativo à pensão judicial paga pelo ex cônjuge a seus filhos, já que ela teria renunciado ao recebimento da pensão, conforme atestariam documentos juntados. os filhos teriam declarado esses recebimentos em suas declarações de ajuste. teria havido equívoco no preenchimento de sua declaração, ao lançar os valores recebidos como rendimento e como dedução de pensão paga. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 15504.724792/201250 Acórdão n.º 2002000.854 S2C0T2 Fl. 60 3 os impostos devidos teriam sido recolhidos pelos filhos, sendo incabível a cobrança nestes autos. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A recorrente requer o cancelamento da cobrança visto que os rendimentos foram ofertados à tributação pelos filhos. Do exame dos autos, constatase que a recorrente informou como rendimentos próprios a pensão judicial auferida pelos filhos, deduzindoos à título de pensão alimentícia judicial. Na autuação, a autoridade fiscal procedeu a glosa da pensão no montante de R$53.730,06 (fl.34), bem como ajustou os rendimentos declarados, subtraindo da base de cálculo o valor de R$46.772,72 (fl.35). O inconformismo da recorrente recai sobre o valor decorrente da diferença entre esses valores, de R$6.957,34 (53.730,0646.772,72), informado por ela como recebido do excônjuge (fl.27), mas que, segundo alega, seria a parcela da pensão paga aos filhos pelo ex cônjuge incidente sobre os rendimentos do INSS, sendo cabível, no seu entendimento, a exclusão também dessa parcela. Anexa cópia de parte das declarações de ajuste dos rendimentos dos filhos, para corroborar seu argumento de que os rendimentos teriam sido integralmente tributados (fls.53/54). Verificase que não foi instaurado litígio, uma vez que a recorrente reconhece que a pensão judicial foi deduzida por ela indevidamente. Tratase, em verdade, de pedido de retificação, para exclusão de rendimentos, em montante superior àquele efetuado na autuação. Entendo que, em observância de princípios da Administração Pública, os princípios da finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público e eficiência, e quando os elementos trazidos sejam evidentes, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, atender a pedidos de retificação efetuados em sede de impugnação e recurso. Cumpre frisar que se trata de medida excepcional, que entendo possível em casos em que a prova seja robusta e não paire qualquer dúvida acerca do direito do contribuinte ao que está sendo pleiteado. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 15504.724792/201250 Acórdão n.º 2002000.854 S2C0T2 Fl. 61 4 Isto posto, passo a análise desses autos. Ainda que se confirmasse a autenticidade e entrega das declarações pelos filhos, não é possível atender ao pleito da recorrente somente à vista desses documentos. Os rendimentos informados por ela como auferidos da Fundação Vale Rio do Doce Seguridade Social (fl.27) foram excluídos pela autoridade autuante com base na apresentação do acordo homologado judicialmente e do comprovante de rendimento emitido pela fonte pagadora (fl.8), os quais evidenciam os reais beneficiários do rendimento declarado por ela. Entretanto, em relação aos rendimentos informados por ela como recebidos de Delio Bragança Silva (fl.27), no valor de R$6.957,14, nada foi juntado, de forma a vinculá los aos filhos ou à pensão do INSS para os filhos. Repisese que o fato dos filhos declararem esses rendimentos não se revelaria hábil a excluílos da base de cálculo, uma vez que poderiam ser rendimentos próprios da recorrente. Assim, não estão ao alcance desta instância de julgamento elementos suficientes de forma a confirmar se seria cabível ou não a exclusão desses rendimentos como pede a recorrente. Não obstante, entendo que a recorrente poderá direcionar esse pedido de retificação dos rendimentos à Delegacia da Receita Federal do Brasil do seu domicílio tributário. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19395.900203/2017-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Comprovada nos autos a inexistência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, relativamente a pagamento a maior ou indevido, pois o mesmo foi integralmente utilizado em outros PER/DCOMP. Cabível o indeferimento do Pedido de Restituição, por inexistir o crédito nele vinculado.
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.?
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/06/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Comprovada nos autos a inexistência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, relativamente a pagamento a maior ou indevido, pois o mesmo foi integralmente utilizado em outros PER/DCOMP. Cabível o indeferimento do Pedido de Restituição, por inexistir o crédito nele vinculado. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.? Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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COFINS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Comprovada nos autos a inexistência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, relativamente a pagamento a maior ou indevido, pois o mesmo foi integralmente utilizado em outros PER/DCOMP. Cabível o indeferimento do Pedido de Restituição, por inexistir o crédito nele vinculado. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 90 02 03 /2 01 7- 96 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 19395.900203/201796 Acórdão n.º 3301005.655 S3C3T1 Fl. 161 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 92 a 104) interposto pelo Contribuinte, em 27 de abril de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1482.788 (fls. 77 a 81), de 22 de março de 2018, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 5 a 17) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente, de Pedido de Restituição transmitido pelo Sistema PER/DCOMP sob no 02290.19182.230108.1.2.046218, data da transmissão 23/01/2008, com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo COFINS, código da receita 5856, referente ao período de apuração 31/05/2004, no valor de R$ 869.374,36, contido em pagamento efetuado em 15/06/2004, no valor de R$ 5.145.847,32. O interessado acima qualificado é sucessora por incorporação da Companhia Petrolífera Marlim S/A, inscrita no CNPJ sob no 02.854.397/000104. Despacho Decisório eletrônico da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes DEMAC, no Rio de Janeiro – RJ, datado de 05/04/2017, doc. de fls. 71, indeferiu o pedido de restituição sob o argumento de que o crédito associado ao DARF foi objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou atendimento de pedidos de restituição. Também foi indeferido o PER/DCOMP no 13801.59939.200409.1.2.04 1813, pelos mesmos motivos. O Interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese: 1. O presente processo tem por objeto o mesmo crédito discutido no PAF no 19395.900742/201300, o qual se encontra, atualmente, em trâmite perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Assim que requer ambos os processos sejam apensados para julgamento simultâneo, evitando se assim, a possibilidade de se proferirem decisões administrativas conflitantes sobre o mesmo fato; 2. Discorreu sobre as mesmas razões constantes na manifestação de inconformidade juntada ao PAF no 19395.900742/201300, alegando que Fl. 161DF CARF MF Processo nº 19395.900203/201796 Acórdão n.º 3301005.655 S3C3T1 Fl. 162 3 seu crédito decorre da situação originada pela forma como foi modelado o consórcio celebrado em 1998 entre a Petrobras e a Companhia Marlim; 3. Que seu crédito não foi reconhecido conforme fundamentação contida no processo de guarda de no 16682.720804/201106, vez que a fiscalização entendeu que a razão do ajuste que causara a redução da receita não restou esclarecida no processo. Além disso, ressaltou que, há uma divergência entre os valores da receita de prestação de serviços oferecida à tributação, constantes da DIPJ e da DIRF apresentada pela fonte pagadora declarante desse tipo de receita (no caso, a própria Petrobras); 4. Segundo o contrato firmado a Petrobras tinha a obrigação de repassar à Marlim o valor correspondente às despesas suportadas pela mesma com o pagamento de empréstimos. Logo a receita da Marlim tinha em sua composição a recuperação de suas despesas, sendo elas constituídas, inclusive, por despesas financeiras com empréstimos; 5. Segundo o contrato firmado em dezembro de 1998, entre a Petrobrás e a Companhia Petrolífera Marlim, por meio do qual a Petrobrás tinha a obrigação de repassar à Marlim o valor correspondente às despesas suportadas pela Marlim com o pagamento de empréstimos. Assim a Marlim contabilizava como despesas os valores que pagava às instituições financeiras a título de empréstimo contraído em prol do Contrato Anexo 1 e quando do repasse dos respectivos valores pela Petrobrás, a Marlim contabilizava como receita (reproduz cláusulas do contrato); 6. Entretanto, no período de fevereiro de 2004, houve um erro na contabilização das despesas de juros pagos a título de empréstimo, e tais juros foram provisionados sobre o valor principal do empréstimo, sem considerar as amortizações havidas no montante do principal, para o período de janeiro a agosto de 2004. Assim com a redução das despesas de juros contabilizada, houve a necessidade de se ajustar a receita da Companhia Marlim, conforme demonstrado no livro razão, de forma que para o período de janeiro a agosto de 2004, houve recolhimento a maior da contribuição, em função da receita supervalorizada; 7. Por meio de planilhas em anexo, demonstramse os valores de receita da Companhia Marlim antes e depois do ajuste nas despesas de juros, bem como das receitas mensais apuradas antes e depois dos ajustes; 8. Que relativamente à incongruência de valor constante na DCTF Retificadora com o valor declarado no DACON, ficou explicitado por meio da resposta à intimação fiscal que na DCTF não foi considerado o crédito de R$ 1.576.063,02, que está declarado no DACON, ocorrendo erro material no preenchimento da DCTF, não podendo comprometer o direito do contribuinte. Reproduzindo nesse sentido acórdão proferido pelo CARF; 9. No que tange a divergência de valores informados em DIPJ e DIRF, ressalta que tais declarações não podem ser comparadas para efeito validação de uma pela outra, eis que tais documentos são elaborados com base em critérios diferentes e para finalidades diversas, pois somente serão compatíveis no caso de uma empresa que receba toda a sua receita à vista, e na qual a emissão das notas fiscais das receitas apuradas pelo regime de competência sejam emitidas dentro do mês correspondente. Nesse sentido o Fl. 162DF CARF MF Processo nº 19395.900203/201796 Acórdão n.º 3301005.655 S3C3T1 Fl. 163 4 CARF já se manifestou conforme citação de ementas proferidas pelo aludido Órgão. Diante do exposto, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade para reformar o despacho decisório, requer ainda a apensação do presente processo e a análise da documentação já juntada ao PAF no 19395.900742/201300, por corresponderem à prova do mesmo fato, requer por fim a juntada posterior de documentos. Foram juntados os seguintes documentos: a) Cópia da tela do Comprot Comunicação e Protocolo Consulta de Processo no 19395.900742/201300 e localização atual; Diante da decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1482.788 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Comprovada nos autos a inexistência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, relativamente a pagamento a maior ou indevido, pois o mesmo foi integralmente utilizado em outros PER/DCOMP. Cabível o indeferimento do Pedido de Restituição, por inexistir o crédito nele vinculado. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 163DF CARF MF Processo nº 19395.900203/201796 Acórdão n.º 3301005.655 S3C3T1 Fl. 164 5 Direito Creditório Não Reconhecido O entendimento da autoridade administrativa fiscal e da DRJ no que tange a matéria principal foi de que não há saldo disponível, uma vez que o crédito pleiteado já foi utilizado integralmente em outra Declaração de Compensação. O Contribuinte requer preliminarmente a reunião de processos: O indébito da COFINS (cód. 5856) no período de apuração maio de 2004 foi objeto de pedidos de restituição que se processaram sob os números PER 21230.73361.230108.1.2.04.0323 e PER 33359.18764.020309.1.2.044850, este último processado sob nº 19395.900202/201741, o qual fora posteriormente convertido na DCOMP 11352.48205.131010.1.3.044453 processada sob nº 19395.900742/201300. Desse modo, a reunião desses processos se mostra oportuna, de modo a evitar decisões contraditórias, haja vista que ambos estão em grau de recurso voluntário. Pelo exposto, requer, desde já, que a tramitação dos processos nº 19395.900202/201741 e nº 19395.900742/201300 se dê em conjunto, por se relacionarem a indébito do mesmo período, de modo a se evitar decisões contraditórias. Em seguida o Contribuinte apresenta em seu recurso quadro demonstrativo da composição do indébito e os pontos controversos acerca da (i) retificação da DCTF e DACON e (ii) Divergência entre a DIRF e a DIPJ. A questão primeira envolve, no entender do Contribuinte, ajustes de contas de despesas de juros e que promoveram efeitos nas contas de receitas, em que o Contribuinte (fls. 97): Conforme já demonstrado, a Recorrente ficara responsável por gerir as despesas de consórcio, com o qual assumiu, por exemplo, a responsabilidade por pagar os empréstimos contratados por ele para a execução da sua atividade. Por óbvio que, em razão do rateio das despesas entre as parceiras, cumpria a Recorrente exigir o ressarcimento daquilo que foi obrigada a dispender para o pagamento dos referidos empréstimos. Aludidos valores, quando retornavam, eram oferecidos à tributação pela Recorrente. Entretanto, em dezembro de 2004 as empresas parceiras identificaram equívocos, de janeiro a agosto de 2004, que determinaram a majoração indevida no cálculo, ocasião em que exigiram a devolução do respectivo valor. Aludida situação determinou, por óbvio, a redução das depesas com juros contabilizada pela Recorrente e, paralelamente, na também da sua contabilidade, a redução da parcela relativa à receita de devolução dos aludidos juros que lhe eram reembolsados mês a mês. (...) Esta circunstância, conforme exposto, levou ao ajuste de receita, com base nos instrumentos contratuais, anexados com a manifestação de inconformidade, justificaram a redução da despesa de juros contabilizada, necessitando ajustar a receita da Companhia Petrolífera Marlim nos períodos e valores respectivos. (...) Por outro lado, vale também destacar o erro material sob o qual a Recorrente incorreu quando do preenchimento de sua DACON retificadora ativa, o qual Fl. 164DF CARF MF Processo nº 19395.900203/201796 Acórdão n.º 3301005.655 S3C3T1 Fl. 165 6 também veio a ser utilizado para minar a integridade do indébito perseguido pela Contribuinte. (...) Já em relação a divergência entre a DIRF e DIPJ assim se pronuncia o Contribuinte: Em relação a divergência apontada no relatório fiscal e no acórdão da DRJ, verifica se que a Fiscalização parte de equivocada premissa de que os valores constantes na DIRF (sujeita ao regime de caixa) tem que corresponder ao valor constante na DIPJ (...) Dito isto fica demonstrada essa pseuda diferença, em que nada interfere no pedido ora em análise, posto que aludida diferença não configura receita a ser levada à tributação, imprestável, portanto, como fundamento para a glosa ora questionada. Em relação a estes dois pontos o Contribuinte reforça o já exposto quando da Manifestação de inconformidade. De forma suplementar, se não provido o recurso, requer provimento parcial nestes termos (fls. 103): Na eventualidade de se superar os itens anteriores, resta suscitar pelo simples amor ao debate, que o indébito de COFINS (cód. 5856) no período de apuração maio de 2004 guarda estreita relação com o indébito de PIS (cód. 6912) no mesmo período. Nesse sentido, o indébito de PIS (cód. 6912) no período de apuração maio de 2004 – tratado no PAF n º 19395.900908/201461 – teve despacho decisório parcialmente favorável, onde se reconheceu a importância de R$ 50.106,40 (DOCUMENTO_COMPROBATORIO 03). Dessa forma e aplicando a mesma metodologia adotada no referido PAF paradigma, não resta dúvidas que no presente caso, no mínimo, devese reconhecer o indébito de R$ 230.793,12, apenas por medida de coerência. Na análise do pedido principal do Contribuinte entendo que este, mesmo em sede de Recurso Voluntário, não comprova a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Como visto acima tece argumentos acerca do ocorrido, mas não traz aos autos a comprovação necessária do crédito, com a juntada genérica de documentos contábeis. Neste sentido, por bem expressar o entendimento, cito trechos da decisão ora recorrida como razões para decidir: Mérito. A contestação do contribuinte se resume em alegar que o indébito é decorrente de erro de contabilização das despesas de juros que após os ajustes elaborados refletiu na receita de prestação de serviços entre a sucedida (Marlim) e sucessora (Petrobras), abrangendo o período de janeiro a agosto de 2004, nos termos do consórcio modelado entre a Petrobras e a Marlim. Também alega que as divergências dos valores da receita informada na DIPJ em confronto com a receita da DIRF não deve ser comparada, pois tais documentos são elaborados com base em diversas finalidades e diferentes critérios e com apuração pelo regime de competência. Por fim alega erro de preenchimento da DCTF. Destaquese que a declaração de compensação nº 11352.48205.131010.1.3.044453 vinculada ao processo nº 19395.900742/201300, está sendo julgada na mesma Sessão de Julgamento do presente processo. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19395.900203/201796 Acórdão n.º 3301005.655 S3C3T1 Fl. 166 7 Nesse prisma, ficou apurado que as provas juntadas ao 19395.900742/201300, foram consideradas insuficientes para comprovar o suposto crédito pleiteado de forma cabal, que a apuração dos fatos correspondem ao suposto crédito pleiteado, afrontando a liquidez e certeza exigida para concessão de direitos creditórios descrita no art. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: “ Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Relativamente a solicitação de reunião de processos com o mesmo crédito (pedido de restituição e declaração de compensação), não deve ser acolhida, pois os despachos decisórios da declaração de compensação e do pedido de restituição foram proferidos em momentos processuais diferentes, ou seja, a declaração de compensação em 2014 e o pedido de restituição em 2017. Há que se consignar, nos termos do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN, que a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). Ficou patente que o suposto crédito pleiteado foi integralmente utilizado por meio de outra Declaração de Compensação, não restando saldo disponível a favor do interessado. Portanto, assiste razão à Autoridade Fiscal ao indeferir o pedido de restituição, pois todo o crédito que ora alega possuir o inconformado, de fato, já fora integralmente utilizado conforme despacho decisório anterior. Diante do exposto, VOTO para julgar a manifestação de inconformidade como improcedente. Já no que tange ao pedido suplementar, de reconhecimento de indébito com referência a outro processo, padece também do mesmo problema, ou seja, não se apura, não se comprova a liquidez e a certeza do crédito alegado. Portanto, de acordo com os autos do processo e da legislação aplicável, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 166DF CARF MF Processo nº 19395.900203/201796 Acórdão n.º 3301005.655 S3C3T1 Fl. 167 8 Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000087/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2000
OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO.
Inexistindo omissão, obscuridade ou contradição na decisão, descabe o acolhimento de embargos declaratórios.
ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. EMBARGOS. SANEAMENTO.
Existindo erro material na decisão, apontado em embargos, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR.
Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando como razão de decidir os mesmos fundamentos legais adotados pela autoridade lançadora.
Numero da decisão: 2402-007.038
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material apontado na ementa da decisão embargada, bem como o erro material identificado em seu dispositivo.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2000 OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO. Inexistindo omissão, obscuridade ou contradição na decisão, descabe o acolhimento de embargos declaratórios. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. EMBARGOS. SANEAMENTO. Existindo erro material na decisão, apontado em embargos, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR. Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando como razão de decidir os mesmos fundamentos legais adotados pela autoridade lançadora.
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OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO. Inexistindo omissão, obscuridade ou contradição na decisão, descabe o acolhimento de embargos declaratórios. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. EMBARGOS. SANEAMENTO. Existindo erro material na decisão, apontado em embargos, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR. Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando como razão de decidir os mesmos fundamentos legais adotados pela autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material apontado na ementa da decisão embargada, bem como o erro material identificado em seu dispositivo. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 87 /2 00 7- 84 Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11330.000087/200784 Acórdão n.º 2402007.038 S2C4T2 Fl. 692 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 2402006.239, fls. 577 a 604, cuja ementa e dispositivo restaram assim consignados na decisão: CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de Fl. 692DF CARF MF Processo nº 11330.000087/200784 Acórdão n.º 2402007.038 S2C4T2 Fl. 693 3 mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Cientificada da decisão, em 31/10/18, segundo o Termo de Ciência de fl. 614, a contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 653 a 664), apresentou os embargos de declaração de fls. 617 a 624, em 1/11/18, alegando, em síntese: Contradição no voto vencedor uma vez que, no entendimento da Embargante, o Redator desse voto teria acompanhado o Relator do voto vencido quanto à decadência e, no momento seguinte, teria negado provimento ao recurso; Contradição no voto vencedor ao “reconhecer a decisão que proferiu a nulidade de todo o processo administrativo” e, ao mesmo tempo, “defender que o contencioso administrativo não teria sido propriamente reiniciado”; Obscuridade em relação ao Enunciado 30 do CRPS, de 31/7/07, pois haveria prova nos autos quanto ao encerramento do processo e, mesmo assim, a decisão embargada teria defendido a sua incidência ao caso; Erro material, pois o voto vencedor teria defendido que a aplicação do Enunciado 30 do CRPS à hipótese não configuraria mudança de critério jurídico, porém, a ementa do acórdão atestaria posicionamento contrário. Em exame prévio de admissibilidade, conforme despacho de fls. 682 a 690, restaram rejeitadas as contradições e a obscuridade alegadas, nos termos do art. 65, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9/6/15, sendo admitido os embargos apenas em relação ao alegado erro material. No exame de admissibilidade também se constatou um erro material no dispositivo da decisão, que deixou de informar o processo paradigma em relação ao qual a presente decisão restou vinculada, sendo embargado de ofício o acórdão em relação esse erro. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator Conhecimento Os embargos de declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 11330.000087/200784 Acórdão n.º 2402007.038 S2C4T2 Fl. 694 4 Do escopo do presente julgamento Como visto no relatório acima, no exame de admissibilidade foram rejeitadas as alegações de contradição e obscuridade. Sendo assim, o presente julgamento limitarseá ao erro material pontado na ementa e ao erro material identificado no dispositivo da decisão. Do erro material apontado na ementa Segundo a Embargante, o voto vencedor teria defendido que a aplicação do Enunciado 30 do CRPS não configuraria mudança de critério jurídico, porém, a ementa do acórdão atestaria posicionamento contrário. De fato, nos termos do voto vencedor, a decisão de primeira instância não incorreu em mudança de critério jurídico, nos seguintes termos: Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Todavia, consta no acórdão embargado a seguinte ementa: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11330.000087/200784 Acórdão n.º 2402007.038 S2C4T2 Fl. 695 5 Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. Portanto, resta demonstrado o erro material quanto a essa ementa, a qual, originalmente, buscou espelhar o voto vencido e, por lapso manifesto, não foi substituída quando da inclusão do voto vencedor, no acórdão. Portanto, para saneamento do erro material demonstrado, a ementa em questão deverá ser substituída pela seguinte ementa: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR. Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando os mesmos fundamentos legais empregados pela Autoridade Lançadora. Do erro material identificado no dispositivo Conforme identificado no exame prévio de admissibilidade, a decisão embargada também deixou de informar, em seu dispositivo, a vinculação do presente processo ao processo paradigma (18471.001856/200887), nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Dessa forma, no lugar do dispositivo acima, deverá constar o seguinte dispositivo, que foi, inclusive, o que constou da ata da sessão de julgamento: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a Fl. 695DF CARF MF Processo nº 11330.000087/200784 Acórdão n.º 2402007.038 S2C4T2 Fl. 696 6 sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Conclusão Isso posto, na parte admitida, voto por acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material apontado na ementa da decisão embargada, bem como o erro material identificado em seu dispositivo. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 696DF CARF MF
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Numero do processo: 13310.000023/2002-32
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N2 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A
INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA
INDEFERIMENTO.
O ressarcimento autorizado pela Lei n 2 9.363/96 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõe-se o seu indeferimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.041
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pelas conclusões. Fez sustentação Oral o Dr. Sergio Silveira Melo
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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Recorrida DRJ em Belém - PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N2 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. O ressarcimento autorizado pela Lei n 2 9.363/96 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõe-se o seu indeferimento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / 1' TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pelas conclusões. Fez sustentação OralakD irgio Silveira Melo. *IP 41.0 • ' MARCOS CÂNDI Pres • ente o Processo n°13310.000023/2002-32 S2-CITI Acórdão n.• 2101-00.041 Fl. 1.106 te 41 AOMER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao 40 trimestre de 2001, apresentado em 22/03/2002, com fundamento na Lei n9 9.363/96. O processo de industrialização da requerente desenvolve-se em estabelecimentos de terceiros, desde o beneficiamento do couro, feito por curtumes especializados, até a fabricação dos calçados, feita pela Cocalqui — Cooperativa de Calçados Qui xeramobim Ltda. Analisando a documentação contábil da empresa, o Auditor-Fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 81/110 e Informação Fiscal de fls. 297/298, constatou que não havia controle individualizado das operações de industrialização por encomenda e intimou a requerente a elaborá-los. Depois de reiteradas intimações sem que a empresa lograsse apresentar e comprovar a existência de controles apropriados, propôs o indeferimento total do pleito. A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza - CE, acatando o parecer da fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, registrando em seu despacho de fl. 299 que a motivação da decisão foi a falta de comprovação do direito aos créditos pleiteados, de acordo com a legislação pertinente. Irresignada, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1 - o Agente Fiscal, com um pouco mais de bom senso, com base nos dados que sempre estiveram à sua disposição, poderia constatar onde e para que finalidade teriam sido utilizados todos os insumos adquiridos; 2 - para comprovar o crédito presumido alegado, o Agente Fiscal deveria ter verificado se. a) as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem com direito a crédito foram adquiridas no mercado nacional; b) as aquisições mencionadas estão suportadas por documentos fiscais hábeis e idôneos, devidamente registrados nos livros contábeis e fiscais; 2 o Processo n°13310.000023/2002-32 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.041 Fl. 1.107 c) as exportações informadas foram efetivamente realizadas (Registro de Exportação — RE e SD); d) as receitas totais correspondem aos valores informados pela contribuinte em outras obrigações acessórias, como, por exemplo, na DIPJ; e) o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais foi realizado corretamente; e f) o cálculo do Crédito Presumido informado pela Contribuinte estava correto; 3 - o Auditor-Fiscal não teria levado em conta as centenas de notas fiscais de compra de matérias-primas e de demais insumos de produção colocadas à sua disposição e nem verificado as dezenas de notas fiscais de exportação, B/Ls, REs, SDs, contratos de câmbio de exportação, etc; 4 - o crédito presumido deveria ser calculado com base nas aquisições de insumos e no percentual de participação das receitas de exportação na receita total da empresa exportadora, não havendo necessidade de se saber quais teriam sido os insumos aplicados nas exportações realizadas; 5 - o valor dos insumos poderia ser calculado somando-se o estoque no início de um determinado período às aquisições, e diminuindo-se as saídas não aplicadas na produção e o estoque final do mesmo período; 6 - a solicitação de documentos feita pelo Auditor-Fiscal somente poderia ter sido realizada por alguém com algum distúrbio psíquico ou de má-fé. Mesmo assim, teria disponibilizado ao Auditor-Fiscal os seguintes documentos, os quais seriam mais do que suficientes para confirmar as exportações realizadas e a aquisição dos insumos utilizados na produção: livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias, livros de inventário, documentos comprobatórios da efetivação da exportação (RE, SD, BL, Contrato de Câmbio), livros diário e razão e fichas técnicas de produção; 7 - se a fiscalização tinha alguma dúvida em relação a quais insumos e suas respectivas quantidades foram utilizados na fabricação dos calçados exportados, bastaria ter multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo; e 8- os pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI requeridos antes de 2001 foram deferidos sem que a fiscalização levantasse qualquer problema. Por fim, requereu a contribuinte: (1) a realização de perícia para esclarecer os quesitos que constam das fls. 327/328; (2) a reforma da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza - CE para se deferir o pedido de ressarcimento; e - Processo n° 13310.000023/2002-32 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.041 Fl. 1.108 (3) a atualizado do valor pleiteado pela taxa Selic desde a data do protocolo do processo até a data do efetivo ressarcimento. A DRJ em Belém — PA manteve inalterado o despacho decisório, indeferindo o pedido de perícia e negando o direito ao ressarcimento e às compensações, por falta de comprovação da liquidez e certeza dos créditos. No recurso voluntário, ao qual foram juntados diversos documentos, a empresa repisa e reforça os seus argumentos de defesa, reiterando a alegação de que produziu e exportou milhares de pares de calçados, fazendo jus ao crédito presumido solicitado. Reitera, também, o pedido de realização de perícia, para o fim de confirmar o seu direito ao ressarcimento, elaborando uma série de quesitos que, a seu ver, precisariam ser respondidos. Por fim, requer o deferimento integral do pedido de ressarcimento, devidamente atualizado pela taxa Selic, bem como a homologação das compensações inerentes a este processo. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. O ressarcimento do IPI é beneficio fiscal que pode ser deferido apenas para a empresa que seja contribuinte deste imposto. E contribuinte do IPI é o estabelecimento responsável pela operação industrial, mesmo que realizada em estabelecimento de terceiro, alugado, arrendado ou por qualquer outro meio cedido para a fabricação de seus produtos (PN n2 124/74). Quando a industrialização é feita em estabelecimentos de terceiros, a empresa não é contribuinte direta mas por equiparação. A operação que equipara a recorrente a estabelecimento industrial e, portanto, que a torna contribuinte do IPI, está prevista inciso IV do art. 9 2 do RIPI/98 e do RIPI/2002, nos seguintes termos. "A ri. 9" Equiparam-se a estabelecimento industrial: IV - os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matérias-primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei n" 4.502, de 1964, art. 4", inciso III, e Decreto-Lei n" 34, de 1966, art. 2°, alteração 339;" Todo contribuinte deve atentar para as normas constantes do Regulamento do IPI (Decreto n2 2.637/98 — RIPI/98 e Decreto n2 4.544/2002 — RIPI/2002), pois que, sem a sua observância, não se pode receber os incentivos fiscais relativos a este imposto, como o ressarcimento de créditos, sejam eles básicos ou presumidos. - 4 -, Processo n°13310.000023/2002-32 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.041 Fl. 1.109 As normas de controle dos insumos, quando a industrialização é feita fora estabelecimento adquirente e exportador dos produtos fabricados por terceiros, são ainda mais rígidas do que aquelas que devem sem cumpridas pelos estabelecimentos industriais. Na industrialização por encomenda, o direito de escrituração dos créditos exige do equiparado a industrial um rigoroso controle documental das operações industriais, sem o qual não haverá direito a ressarcimento/compensação. O Auditor-Fiscal não inventa os controles contábeis que exige da empresa. Ao contrário, só exige aqueles que estão previstos nas normas pertinentes à escrituração das empresas que pretendem requerer o ressarcimento de créditos do IPI. Não tem sentido, pois, a reclamação de que houve excessivo rigor formal por parte da fiscalização, quando esta registrou a falta de coerência da escrituração contábil da empresa, no que tange à emissão de notas fiscais, ao controle de estoques e à movimentação de insumos e produtos acabados entre o seu estabelecimento e o da prestadora dos serviços de industrialização. Em se tratando de industrialização por encomenda, o controle da produção é, sem dúvida, muito mais trabalhoso para a empresa, uma vez que, aos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agrega-se a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Neste passo, as remessas de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem, recipientes, moldes, matrizes ou modelos devem ser cuidadosamente registradas e controladas na contabilidade das duas empresas, por meio da emissão dos documentos fiscais próprios, principalmente as notas fiscais de remessa. Este controle deve estender-se ao processo de fabricação, com acompanhamento efetivo da utilização dos insumos, e alcançar o retorno dos produtos industrializados, com registro em separado da devolução dos insumos/produtos. No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade fisica dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceu- se uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 81/110. Entre elas, destaca-se a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e vice-versa. Se a requerente do crédito de IPI não mantém os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na fabricação dos produtos exportados, não há que se falar em direito ao ressarcimento do crédito presumido. Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meio dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. O que se tem é uma empresa que adquiriu insumos e exportou calçados, - registrando estas operações nos livros contábeis próprios. Não se tem, todavia, a prova de que o j- Processo n°13310.000023/2002-32 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.041 Fl. 1.110 processo industrial foi, de fato, desenvolvido pela Cocalqui sob encomenda da Calçados Aniger, porque não se tem nem mesmo a comprovação de que os insumos adquiridos por esta foram utilizados no processo de industrialização realizado por aquela. O bom senso das autoridades fiscais não pode ir além do que dispõe o regulamento do IPI e as demais normas que tratam da matéria. Em se tratando de incentivo fiscal, a prova não se faz por presunção mas de forma direta. E os documentos examinados pela fiscalização e aqueles juntados aos autos pela empresa não foram suficientes para demonstrar onde e para que finalidade foram utilizados os insumos adquiridos por meio das notas fiscais apresentadas. A falta dessa comprovação, outrossim, não pode ser suprida pela visita do Auditor-Fiscal ao estabelecimento fabril da recorrente, que se presta para a averiguação da existência efetiva do processo industrial, constatação esta que, por si só, não garante o direito ao ressarcimento. O indeferimento do ressarcimento, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido exportações de calçados pela Aniger. O que se concluiu foi que os controles existentes, efetuados de maneira precária e desvinculado das remessas de insumos e do retomo dos produtos acabados, não permitiu a aferição do direito ao crédito e, conseqüentemente, ao ressarcimento, porque não se comprovou a incorporação dos insumos aos produtos exportados. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, tanto de crédito presumido quanto de créditos básicos, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, mormente quando a empresa possui mais de um estabelecimento industrial, como é o caso da recorrente, que se situa em Quixeramobim — CE e possui pelo menos uma filial industrial, situada no sul do país, no município de Campo Bom - RS. Para a continuidade do deferimento dos pedidos nos anos subseqüentes não é suficiente que a empresa seja a mesma ou que não tenha havido alteração do processo produtivo. A verificação fiscal, por decisão da autoridade administrativa, pode ser realizada apenas nos livros e documentos, como no caso anterior, ou in loco, como no caso presente. Decisões em sentido contrário podem surgir, não porque os Auditores-Fiscais são distintos, mas porque os períodos são diferentes e os exames podem ser mais ou menos aprofundados. Por conseqüência, também não se pode afirmar que uma decisão está correta e outra errada, ou • vice-versa, pois ambas são proferidas à vista das provas produzidas nos respectivos processos. Quanto à reiteração do pedido de perícia, feita no recurso voluntário, há que se registrar que não cabe ao julgador determinar a produção de novas provas, mas apenas investigar sobre a exatidão e veracidade daquelas existentes nos autos, produzidas pelas partes. Se o Fisco examinou o processo industrial das empresas envolvidas na operação industrial (Calçados Aniger e Cocalqui) e concluiu pela inexistência ou total imprestabilidade dos controles mantidos por ambas, para o fim de demonstrar a incorporação dos insumos aos produtos vendidos ou exportados, cabia à recorrente ilidir esta acusação, por meio da apresentação de documentação comprobatória de suas alegações. No entanto, enxertaram-se nos autos uma enormidade de documentos, como laudos do processo produtivo, notas fiscais de aquisição de insumos, contratos de câmbio de exportação, etc., que nada têm a ver com o motivo do não reconhecimento do direito ao ressarcimento, que foi a inexistência de controles rígidos, que permitam a identificação da e 6 Processo n°13310.000023/2002-32 52-CITI • Acórdão n.° 2101-00.041 Fl. 1.111 realização de industrialização por encomenda, nos moldes preconizados pelo Regulamento do IP I. Por outro lado, a documentação que acompanhou o recurso voluntário também não trouxe qualquer elemento que demonstre a existência de controles confiáveis da movimentação dos insumos e dos produtos fabricados, entre a recorrente e o estabelecimento industrializador. A realização de mais um exame na mesma documentação não seria capaz de modificar a realidade dos fatos, registrada nos autos e caracterizada, inclusive, pela falta ou atraso injustificado no atendimento das intimações expedidas pela fiscalização. A questão da necessidade de realização de perícia é prerrogativa do julgador, conforme dispõem os arts. 18 e 29 do Decreto n2 70.235/72, a seguir transcritos: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine". (Redação dada pelo art. 1° da Lei n"8.748/93). "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A regra do processo administrativo fiscal é que são conhecidos todos os documentos que instruírem a impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e tempestivamente. É da essência da relação processual (arts. 14, 15 e 16, inciso III, do Dec. n2 70.235/72, com as alterações posteriores) que as alegações estejam devidamente comprovadas. Desta forma, compete ao contribuinte municiar-se das provas necessárias para refinar a acusação fiscal, não se admitindo a juntada posterior de novos documentos, salvo nas hipóteses taxativamente excepcionadas pelo § 4 2 do art. 16 do Dec. n2 70.235/72. Portanto, existindo nos autos elementos suficientes para a solução do litígio, e não podendo a autoridade julgadora suprir eventual falta do contribuinte, no que concerne à formação das provas de suas alegações, mantém-se o indeferimento do pedido de perícia. Por fim, registra-se que o pedido de atualização do ressarcimento pela taxa Selic restou prejudicado, em face do indeferimento do direito, na análise de mérito. Ante todo o exposto, em preliminar, indefere-se o pedido de perícia e, no mérito, nega-se provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2009. Ati A -'191n111 WsilER 7 Page 1 _0074000.PDF Page 1 _0074100.PDF Page 1 _0074200.PDF Page 1 _0074300.PDF Page 1 _0074400.PDF Page 1 _0074500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10925.900657/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 06 57 /2 01 1- 61 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10925.900657/201161 Acórdão n.º 3301005.628 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência de crédito disponível. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que apurou crédito tributário da contribuição ao PIS e da Cofins em razão da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Esclarece, a interessada, que a razão de o crédito não ter sido reconhecido está no fato de que o mesmo não constava nos dados de controle da RFB, uma vez que o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras. Em sua defesa, a contribuinte traz julgado administrativo do CARF e do judiciário – TRF da 4ª Região a fim de ver reconhecido o direito à compensação. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07031.024. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os termos de sua manifestação de inconformidade, em especial: a) Defende a existência dos créditos empregados na compensação não homologada; b) Sustenta que não há previsão legal para a exigência da retificação da DCTF como condição para a homologação da compensação: ofensa ao princípio da legalidade tributária; c) E acrescenta que a exigência de retificação da DCTF afronta aos princípios da verdade material e do formalismo moderado dos atos administrativos. Ao final, requer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10925.900657/201161 Acórdão n.º 3301005.628 S3C3T1 Fl. 4 3 3301005.620, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.900617/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.620): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP, mas não retificou a DCTF. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN. Sendo assim, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10925.900657/201161 Acórdão n.º 3301005.628 S3C3T1 Fl. 5 4 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da DCOMP. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10925.900657/201161 Acórdão n.º 3301005.628 S3C3T1 Fl. 6 5 Por conseguinte, se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Contudo, como se verá a seguir, não há suporte probatório da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ônus da prova – recolhimento indevido A Recorrente aduz que tem crédito de COFINS oponível à Fazenda Nacional, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade pelo STF da ampliação da base de cálculo pelo parágrafo 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98. Por isso, efetuou a compensação, explicando: Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa: as receitas financeiras. Em pedido de iniciativa do contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas financeiras; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as receitas financeiras, que não compunham o seu faturamento. Dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10925.900657/201161 Acórdão n.º 3301005.628 S3C3T1 Fl. 7 6 créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida. Isso porque, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373, do CPC/2015. Logo, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Enfim, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.734775/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à base de cálculo do IRPF, incumbe à autoridade fazendária o lançamento do imposto suplementar.
A fim de elidir a pretensão fiscal de cobrança, deve o contribuinte comprovar que a omissão apurada não ocorreu, socorrendo-se de documentação hábil e idônea.
DESPESAS ESCRITURADAS EM LIVRO-CAIXA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, as despesas escrituradas em livro-caixa que pretende deduzir.
Incumbe-lhe, ainda, a prova quanto à natureza de custeio de tais despesas, sendo insuficiente a mera demonstração de sua necessidade à atividade produtora.
MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE.
Desde o advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, as hipóteses de incidência das multas isolada e de ofício passaram a ser distintas, razão pela qual sua cumulação não implica bis in idem.
Numero da decisão: 2202-004.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Virgílio Cansino Gil e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento no que diz respeito à concomitância das multas isolada e de ofício.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009, 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à base de cálculo do IRPF, incumbe à autoridade fazendária o lançamento do imposto suplementar. A fim de elidir a pretensão fiscal de cobrança, deve o contribuinte comprovar que a omissão apurada não ocorreu, socorrendo-se de documentação hábil e idônea. DESPESAS ESCRITURADAS EM LIVRO-CAIXA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, as despesas escrituradas em livro-caixa que pretende deduzir. Incumbe-lhe, ainda, a prova quanto à natureza de custeio de tais despesas, sendo insuficiente a mera demonstração de sua necessidade à atividade produtora. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Desde o advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, as hipóteses de incidência das multas isolada e de ofício passaram a ser distintas, razão pela qual sua cumulação não implica bis in idem.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Virgílio Cansino Gil e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento no que diz respeito à concomitância das multas isolada e de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 12.107 1 12.106 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.734775/201254 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.965 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA Recorrente LUIS VITORIANO VIEIRA TEIXEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à base de cálculo do IRPF, incumbe à autoridade fazendária o lançamento do imposto suplementar. A fim de elidir a pretensão fiscal de cobrança, deve o contribuinte comprovar que a omissão apurada não ocorreu, socorrendose de documentação hábil e idônea. DESPESAS ESCRITURADAS EM LIVROCAIXA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, as despesas escrituradas em livrocaixa que pretende deduzir. Incumbelhe, ainda, a prova quanto à natureza “de custeio” de tais despesas, sendo insuficiente a mera demonstração de sua necessidade à atividade produtora. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Desde o advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, as hipóteses de incidência das multas isolada e de ofício passaram a ser distintas, razão pela qual sua cumulação não implica bis in idem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Virgílio Cansino Gil e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento no que diz respeito à concomitância das multas isolada e de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 47 75 /2 01 2- 54 Fl. 12108DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.108 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por LUIS VITORIANO VIEIRA TEIXEIRA contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, que rejeitou a impugnação apresentada, para manter a cobrança tributária por omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório; dedução indevida de despesas de livro caixa; e, por fim, falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, motivando a aplicação de multa isolada. As conclusões da DRJ/CTA – “vide” acórdão às f. 11430/11459 –, para melhor reproduzir o objeto ora sob escrutínio, podem ser assim sintetizadas: Quanto à omissão de rendimentos: A autoridade fiscal valeuse de presunção relativa ao apontar a ocorrência dos fatos geradores. Afirmou que o ora recorrente teve a oportunidade de, na impugnação, insurgir se contra a autuação, utilizandose de dados concretos para sustentar sua tese. De acordo com os julgadores da instância “a quo”, não logrou o outrora impugnante êxito em comprovar que as taxas são calculadas "por dentro", que os descontos aos clientes efetivamente ocorreram (o que deveria ser feito por meio de notas fiscais e/ou registros bancários, não por simples declarações) ou que eram concedidos prazos diferenciados para pagamento. Quanto à glosa das despesas do Livro Caixa: No sentir da DRJ, não houve cerceamento de defesa, uma vez que o relatório fiscal teria deixado clara a motivação das glosas perpetradas. Afirmou que não teria o outrora impugnante demonstrado quais despesas glosadas pela autoridade fiscal não tinham sido por ele deduzidas. A instância “a quo” consignou que as despesas financeiras, empréstimos e despesas com processos judiciais não constituem despesas de custeio, uma vez que não são necessárias à atuação profissional do contribuinte. Quanto às despesas com transporte, disse serem indedutíveis, salvo no caso de representante comercial autônomo – inteligência do art. 75, II do Decreto nº 3.000/99. Seriam também indedutíveis, de acordo com a objurgada decisão, as despesas com locação de equipamentos, em função da previsão da IN nº 15 de 6 de fevereiro de 2001, art. 51 – os contratos de f. 58595863 seriam referentes à locação de equipamentos. Quanto à possibilidade de dedução das despesas relacionadas com a implantação de sistemas de digitalização de documentos (Lei nº 12.024/2009), consignou a Fl. 12109DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.109 3 DRJ que caberia ao outrora impugnante especificamente demonstrar quais gastos estariam abrigados pela benesse fiscal – o que não teria sido feito, obstando a análise do pleito. Sustentou ainda que, quanto à comprovação dos rendimentos pagos a terceiro, caberia ao ora recorrente a produção de prova capaz de ilidir as razões fiscais, não o contrário. Por fim, o acórdão firmou que as despesas "Mutua/Acortej/Anoreg" não seriam dedutíveis, uma vez que os rendimentos recebidos não teriam sido oferecidos à tributação. Quanto à aplicação concomitante das multas: Para a DRJ, desde a nova redação concedida pela Lei nº 11.488/07 aos artigos 43 e 44, II, "a", da Lei nº 9430/96, é possível a concomitância das multas de ofício e de mora, uma vez que estas passaram a ter bases de cálculo distintas. Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 10/03/2015, recurso voluntário (f. 11470/11521), sustentando o seguinte: I – Quanto à omissão de rendimentos e a glosa dos descontos concedidos: i) Afirma que o cálculo da autoridade fiscal está materialmente incorreto, uma vez que as taxas devidas ao FETJ, FUNPERJ e FUNDPERJ, que totalizam 30% (trinta por cento) do valor total, já estão embutidas nos valores tabelados dos atos notariais. ii) Diz que Livro Adicional não representa os valores efetivamente recebidos pelo contribuinte, tratandose de mero instrumento de controle. A autoridade fiscalizadora desconsiderou o fato de que o cartório confere prazos diferenciados para realização de pagamentos e oferece descontos aos seus clientes (o que é autorizado, desde que não se comprometa a arrecadação ao FETJ, FUNDPERJ e FUNPERJ). iii) Sustenta que as autoridades fiscais não comprovaram a ocorrência do fato gerador, procedendo ao lançamento sem qualquer indício de que o contribuinte de fato percebeu os supostos rendimentos "omissos" ou de que as informações constantes do Livro Caixa são falsas. iv) Esclarece que os descontos concedidos representam receita tributável para as pessoas jurídicas que deles se beneficiaram, motivo pelo qual sua glosa implica bis in idem. II – Quanto à dedução das despesas de livrocaixa II.1 – Plano de saúde e vale refeição concedido aos empregados i) Defende que a despesa com vale refeição concedido a todos os funcionários é garantia trabalhista líquida e certa. Afirma se tratar de despesa necessária, cuja dedução já foi admitida na decisão de consulta proferida pela Superintendência da 7ª Região Fiscal. ii) Aponta que as despesas com plano de saúde de empregados são dedutíveis e o próprio CARF já vem se pronunciando nesse sentido. II.2 – Serviços jurídicos Sustenta que as despesas com honorários foram devidamente comprovadas e são essenciais à manutenção da fonte produtora, uma vez que inúmeras demandas de cunho Fl. 12110DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.110 4 indenizatório, disciplinar, criminal, trabalhista e tributário são movidas em face do concessionário de serviço público. II.3 – Despesas com investimento i) Rotula “necessárias e usuais” as despesas com serviços de manutenção preventiva e corretiva, reparos de equipamentos de ar condicionado, bebedouros, iluminação, computadores, rede interna, internet, etc. Arremata dizendo que os bens são consumidos quando da sua prestação dos serviços. ii) Assevera que a MP nº 540 autoriza a dedução de despesas relacionadas com a implantação dos sistemas de digitalização até o anocalendário de 2013. Por esse motivo, as obras de construção civil, a aquisição de cabos de rede, dutos, tubos, curvas, distribuidores, etc., devem ser abatidos. Ademais, pleiteia que as despesas com equipamentos de refrigeração e ar condicionado também são dedutíveis, uma vez que as redes de computadores atuais dependem de ambientes refrigerados. III – Quanto à aplicação concomitante das multas isolada e de ofício Pleiteia seja reconhecida a ilegalidade da concomitância das multas isolada e de ofício, ao argumento de incidirem sobre uma mesma base de cálculo. Registro que o recorrente não renovou sua irresignação quanto: i) ao cerceamento de defesa; ii) à glosa de despesas financeiras; iii) à glosa de despesas com motoboy; iv) à glosa de despesas com transporte de empregados; v) à glosa de despesas com empréstimos; vi) à glosa de despesas com locação de bens; vii) à glosa de despesas com comissões; e, viii) à glosa de valores pagos a Acoterj/Anoreg/Mutua. Irretocável o acórdão da DRJ nestes pontos. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Ausentes questões preliminares, passo à análise do mérito recursal. I – Da omissão de rendimentos e da glosa dos descontos concedidos: Como visto, a argumentação do recorrente está escorada em três premissas principais: i) o valor das taxas é cobrado “por dentro” do valor dos emolumentos; ii) houve concessão de descontos aos clientes; iii) houve concessão de prazos diferenciados para pagamento. Inicialmente, tal como apontado pela DRJ, o recorrente não logrou comprovar que as taxas ao FETJ, FUNDERJ e FUNDPERJ já se encontram embutidas nos valores cobrados pelos serviços notariais. Em verdade, faz apenas uma demonstração matemática de como os cálculos deveriam ser feitos, sem, contudo, embasar sua tese. Compulsando as Portarias CGJRJ nos 203/2007 e 55/2008, responsáveis por fixar as tabelas de custas extrajudiciais referentes aos anos de 2008 e 2009, concluise que o cálculo das taxas é feito "por fora". Senão, vejase: Portaria nº 203/2007 Fl. 12111DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.111 5 (...) Resolve: (...) III – Esclarecer que o cálculo dos 20% (vinte por cento) referente ao acréscimo de que trata a Lei n.º 3.217 de 27/05/99 terá como base de cálculo o somatório dos emolumentos que integram o ato, excluídas as verbas devidas a FUNDPERJ, FUNPERJ, ACOTERJ e MÚTUA/OUTROS; Parágrafo Único – Quando o ato notarial encerrar mais de uma declaração volitiva, ainda que lavradas em uma só Escritura, os valores estabelecidos pela Lei n.º 3761, de 07/01/2002, corresponderão ao número das mesmas. IV – Esclarecer que o cálculo dos 5% (cinco por cento) referente ao acréscimo de que trata a Lei nº 4664/2005, e o Ato Normativo Conjunto TJ/CGJ/DPGE nº 05/2007, publicado no Diário Oficial do Poder Judiciário do dia 06 de fevereiro de 2007, terá como base de cálculo o somatório dos emolumentos que integram o ato, excluídas as verbas devidas a FETJ, FUNPERJ, ACOTERJ e MÚTUA/OUTROS; V – Esclarecer que o cálculo dos 5% (cinco por cento) referente ao acréscimo de que trata a Lei Complementar nº 111/2006, e o Ato Normativo Conjunto TJ/CGJ/PGE nº 09/2006, publicado no Diário Oficial do Poder Judiciário do dia 21 de dezembro de 2006, terá como base de cálculo o somatório dos emolumentos que integram o ato, excluídas as verbas devidas a FETJ, FUNDPERJ, ACOTERJ e MÚTUA/OUTROS; (...) – sublinhas deste voto. Constatase, pois, que as taxas são calculadas com base no somatório dos emolumentos e, posteriormente, acrescidas a este montante. Não procede, pois, a alegação do de que o cálculo é feito “por dentro”. O recorrente também aduz que concedeu descontos aos seus clientes, além de prazos diferenciados para pagamento. Juntou à sua impugnação, inclusive, manifestação da Anoreg quanto à possibilidade de concessão de descontos (f. 1070010701). Todavia, ainda que se admita a legalidade da concessão de descontos e de prazo diferenciado para pagamento, o recorrente não comprovou sua ocorrência. Foram juntadas à impugnação apenas declarações dos próprios beneficiários dos descontos, que, como devidamente apontado no acórdão da DRJ, são insuficientes para comprovar os rendimentos efetivamente percebidos pelo recorrente. Em sede recursal, na tentativa de demonstrar a verossimilhança de sua tese, acostou planilha especificando cada um dos descontos realizados (f.1153212106). O documento, contudo, também não constitui meio de prova apto a afastar as conclusões da autoridade fiscalizadora. Despiciendo repisar que, no que tange ao ônus da prova no processo administrativo fiscal, cabe às autoridades fazendárias a demonstração da ocorrência do fato gerador/infração. Indicados os motivos que ensejaram o lançamento/autuação, passa ao contribuinte o ônus de elidir a pretensão fiscal. Isto porque, (...) [n]o tocante à questão da comprovação de fatos no âmbito do processo administrativo fiscal, cumpre salientar que, a teor do art. 142 do CTN, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na Fl. 12112DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.112 6 ocorrência do fato gerador e/ou das infrações, cujos elementos constituintes se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, frustrase a pretensão da Fazenda. Da mesma forma, o sujeito passivo não tem a obrigação de produzir as provas, recaindolhe tão só o ônus, na medida em que, omitindose na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Na lição de Chiovenda: “o ônus de afirmar e provar se reparte entre as partes, no sentido de que é deixado à iniciativa de cada uma delas provar os fatos que deseja sejam considerados pelo juiz, isto é, os fatos que tenha interesse sejam por este tidos como verdadeiros” [In “Instituições de Direito Processual Civil”, apud Moacyr Amaral Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 11ª ed., 2º vol. pág. 349]. Fundada a pretensão da Fazenda Pública nos elementos que dispuser, cabe ao sujeito passivo apresentar os fatos que possam impedir, modificar ou extinguir o direito reclamado pelo sujeito ativo. Essa relação processual foi resumida pela ementa do Acórdão 10807508, proferido pelo E. Primeiro Conselho de Contribuintes, transcrita a seguir: PAF ÔNUS DA PROVA – cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. No caso sob exame, a Fazenda Pública escorou seu procedimento entre outros elementos, nos arquivos eletrônicos fornecidos pela própria fiscalizada. A contribuinte, por outro lado, cingiuse à alegação de que a base de cálculo de créditos tomada pela fiscalização estaria incorreta, dada a divergência entre o NCM e a descrição do item em alguns dos registros eletrônicos. No entanto, a alegação se dá apenas no âmbito de listagem desprovida de comprovação da efetiva incoerência nos registros e não tem, portanto, o condão de reduzir os valores utilizados pelo Fisco no lançamento (Acórdão nº 3201004.353 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 24 de outubro de 2018 – sublinhas desto voto). No caso em questão, a apuração da omissão de rendimentos não se deu de forma arbitrária. Do contrário, a autoridade fiscalizadora demonstrou exatamente o cálculo procedido e o motivo pelo qual o empregou. Sendo assim, caberia ao recorrente infirmar tais conclusões, apresentando, para tal, documentação que comprovasse os valores efetivamente recebidos dos clientes. Todavia, apresentou meras declarações e planilhas unilateralmente produzidas, as quais não têm força probatória suficiente para afastar a autuação. Desta feita, uma vez que os descontos concedidos não foram efetivamente comprovados, mantida a glosa. Fl. 12113DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.113 7 II – Da dedução das despesas de livrocaixa II.1 – Do plano de saúde e do vale refeição concedido aos empregados No que tange à alimentação dos funcionários, inexiste, nos autos, quaisquer comprovantes destas despesas. Em verdade, compulsando as tabelas de glosas produzidas pela autoridade fiscalizadora (f. 1031610323), temse que as despesas inscritas sob a rubrica “Refeições e Lanches (LANCH)” variam substancialmente a cada mês, o que indica não se tratar do pagamento sistemático de valesalimentação. A título de exemplo, em jan. 2008 os dispêndios com alimentação totalizaram R$ 968,50 (novecentos e sessenta e oito reais e cinquenta centavos). Em fevereiro, março e abril daquele mesmo ano, não houve qualquer despesa com alimentação. Em maio, ao seu turno, foi despendido o valor de R$ 10,93 (dez reais e noventa e três centavos). Por essa razão, a glosa deve ser mantida. Quanto às despesas com plano de saúde dos empregados, estas possuem comprovação nos autos – “vide”, por exemplo, f. 58645877; 59065926; 61106124. Entretanto, analisando o Termo de Constatação Fiscal, verificase que nele não há menção ao plano de saúde dos empregados e que tal despesa também não está discriminada nas tabelas de f. 1031610323. Portanto, entendo que os valores pagos a título de plano de saúde sequer foram glosados, motivo pelo qual não de há de prosperar o pleito do recorrente, por ausência de interesse recursal. II.2 – Dos serviços jurídicos Em suas razões, afirma que a glosa das despesas com serviços jurídicos se deu sob a justificativa de não serem necessárias à manutenção da atividade produtiva. Acrescenta, ainda, que “(...) a autoridade fiscalizadora sustenta que o Recorrente, por possuir o curso de Bacharelado em Direito poderia advogar em causa própria na defesa de seus interesses, o que denota o total desconhecimento da autoridade lançadora acerca da matéria” (f. 11496). Entretanto, segundo consta do Termo de Constatação Fiscal, a glosa não se deu por tais motivos, e, sim, pela ausência de identificação da natureza dos serviços prestados: "cópia de cheque com intenção de comprovar despesas não é um documento hábil e idôneo para efetiva comprovação" – “vide” f. 10303. Compulsando os autos, verificase que, no curso da fiscalização, a fim de comprovar as despesas com serviços jurídicos, o recorrente juntou inúmeros cheques, recibos, emails, etc. – “vide”, a guisa de exemplo, f. 5878, 5927, 5928, 5950, 5952, 59645965, 5967, 5969, 5971, 59725973, 59745979 59826001. Contudo, falhou em demonstrar qual o tipo de serviço prestado, o que poderia ser feito, por exemplo, através da apresentação de contratos de prestação de serviço. Após a impugnação do lançamento, em 05/03/2013, foram anexadas cópias de peças impugnatórias produzidas pelos advogados contratados pelo cartório (f. 11388 11410), bem como o resultado de consulta processual em seu nome no TJ/RJ (f. 1141111417). Por força do princípio da verdade material e da instrumentalidade das formas, os documentos retromencionados, ainda que apresentados somente após a impugnação, devem, ao meu aviso, ser levados em conta para o deslinde da controvérsia. Isso porque, uma vez que Fl. 12114DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.114 8 anexados aos autos antes da prolação do acórdão da DRJ, não houve supressão de instância. Nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E DA VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido (...). (Processo nº 10880.928419/201001, Acórdão nº 1401002.163 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018; sublinhas deste voto.) Consabido ser pacífica a jurisprudência deste Conselho quanto à dedutibilidade de despesas com advogados, desde que haja comprovação do tipo de serviço prestado e de sua necessidade à atividade produtiva. Senão, vejase: Dentro deste contexto, entendo que os titulares dos serviços notariais e de registro, ante a complexidade e vasta gama das normas que regem os Cartórios de Notas e Registros precisam contratar advogados para a manutenção/percepção das suas receitas. Contudo, também entendo que nem todas as contratações de advogados possuem vínculo direto com a atividade desempenhada pelo cartório. Deste modo, os titulares dos serviços notariais e de registro devem comprovar, caso a caso, com os respectivos Contratos de Prestação de Serviços, ou outros meios, que os serviços dos advogados possuem vínculo direto com a atividade desempenhada pelo cartório, e que, assim, se trata de despesa de custeio necessária à percepção da receita. Na análise do caso em tela, percebo que o recorrente não apresentou os contratos, ou outros documentos, que comprovassem especificamente quais seriam os serviços advocatícios prestados pelos escritórios Bosco Advogados Associados S/C e Escritório de Advocacia Hélio Pereira e Associados. Razão pela qual, ante a ausência de provas de que tais contratações de advogados possuem vínculo direto com a atividade desempenhada pelo cartório, mantenho a glosa de tais despesas (Processo Acórdão nº 2201002.873 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016; sublinhas deste voto). LIVRO CAIXA DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS ADVOGADO Os pagamentos efetuados por advogado a outros Fl. 12115DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.115 9 advogados sem vínculo empregatício podem ser deduzidos quando comprovadamente necessários à percepção da receita e manutenção da fonte produtora e apresentados documentos probantes da efetividade dos serviços prestados.Recurso provido (Processo nº 10980.001647/200113, Acórdão nº 102 47.227, Sessão de 11 de novembro de 2005; sublinhas deste voto). Sendo assim, importante analisar se houve devida comprovação dos serviços prestados e o seu vínculo direto com a atividade desenvolvida. O recorrente juntou peças impugnatórias produzidas pelos advogados, bem como uma relação de processos em que é parte, os quais tramitam no TJ/RJ. Logrou, portanto, comprovar a efetiva prestação de serviços jurídicos. Ademais, analisando a temática dos processos indicados nestes anexos, verificase a maior parte deles está relacionada à atividade cartorária. Faço ressalva apenas quanto aos processos de dano moral (f. 11412, 11414, 11416) e dano material (fl. 11415), por não ser possível aferir o objeto da controvérsia, uma vez que tais informações não constam da consulta processual apresentada pelo contribuinte. Malgrado haja prova da prestação de serviços jurídicos, não logrou êxito em especificar o quanto foi pago aos advogados pela atuação em cada um dos processos. Tampouco ficou comprovado que todas as despesas glosadas dizem respeito, unicamente, à atuação nos processos indicados. Ou seja, o recorrente apenas juntou vários documentos, sem qualquer ordem ou informação complementar, pleiteando a anulação da glosa de todas as despesas com serviço jurídico. Por não ter se desincumbido do ônus que lhe cabia, mantenho a glosa. II.3 – Das despesas com investimento O contribuinte se insurge contra as glosas das “despesas de capital”, alegando, em primeiro lugar, que: (...) despesas de custeio, tais como, reparos e manutenção de arquivos, janelas, aparelhos de ar condicionado, computadores, pintura de instalações, troca de lâmpadas e demais materiais com vida útil inferior a um ano não podem ser rotulados com investimentos, a medida em que se tratam de bens consumidos na prestação dos serviços nas atividades do Recorrente. Analisando as cópias das notas fiscais constantes das fls. 584/590, 592, 595 claramente evidenciamos que serviços de montagem e manutenção de equipamentos, ou aquisição de lâmpadas, que não representam quaisquer investimentos ou despesas de capital. As despesas com manutenção de instalações, de pintura, troca de lâmpadas, manutenção de arquivo, janelas, drenos de ar condicionado, bebedouros, sem qualquer dúvida são perfeitamente dedutíveis enquanto despesas necessárias, usuais, normais e habituais na atividade do Recorrente (f. 11500; sublinhas deste voto). A argumentação do recorrente, porquanto genérica, falha em especificar as despesas às quais se refere. Anoto ainda que as páginas dos autos a que faz referência em suas Fl. 12116DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.116 10 razões recursais não trazem quaisquer das indigitadas notas fiscais. Ademais, sua defesa se pauta na alegação de que todas as despesas em discussão são necessárias, usuais e habituais. Todavia, despesas de capital, ainda que sejam vinculadas à manutenção da fonte produtiva, são indedutíveis. Para melhor elucidar a dicotomia despesas de custeio / despesas de capital, transcrevo a pergunta de nº 409 do documento "Perguntas e Respostas IRPF" (2018) e excerto do Parecer Normativo CST nº 60/1978: 409 — O contribuinte autônomo pode utilizar como despesa dedutível no livrocaixa o valor pago na aquisição de bens ou direitos indispensáveis ao exercício da atividade profissional? Apenas o valor relativo às despesas de consumo é dedutível no livrocaixa. Devese, portanto, identificar quando se trata de despesa ou de aplicação de capital. São despesas dedutíveis as quantias despendidas na aquisição de bens próprios para o consumo, tais como material de escritório, de conservação, de limpeza e de produtos de qualquer natureza usados e consumidos nos tratamentos, reparos, conservação. Considerase aplicação de capital o dispêndio com aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização. Por exemplo, os valores despendidos na instalação de escritório ou consultório, na aquisição e instalação de máquinas, equipamentos, instrumentos, mobiliários etc. Tais bens devem ser informados na ficha “Bens e Direitos” da declaração de rendimentos pelo preço de aquisição e, quando alienados, deve se apurar o ganho de capital. Parecer Normativo CST nº 60/1978 3. No que concerne à aquisição de bens indispensáveis ao exercício da atividade profissional, devese identificar quando se trata de despesas, para distinguila da aplicação de capital, tendo em vista que a primeira é dedutível integralmente quando realizada no anobase considerado, e que a segunda é passível de depreciação anual (§ 2º artigo 48 do RIR/80); 3.1 Na sistemática adotada pela legislação do Imposto sobre a Renda, considerase aplicação de capital o dispêndio com a aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização. Para exemplificar, constituem aplicação de capital os valores despendidos na "instalação" de escritórios ou consultórios, na "aquisição e instalação" de máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, utensílios, mobiliários, etc., indispensáveis ao exercício de cada atividade profissional em particular. No Termo de Constatação Fiscal, a autoridade fiscalizadora aduziu que foram glosadas despesas com "bens considerados como ativo permanente e aplicações de capital; aquisições de arcondicionado, máquinas e equipamentos, móveis e utensílios e outros". Segundo planilhas de folhas 1031610323, as despesas glosadas constavam do livrocaixa do contribuinte sob as seguintes rubricas: Bens de Natureza Permanente (5523); obras e reformas Fl. 12117DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.117 11 (OBRA); máquinas e equipamentos (MAQ); móveis e utensílios (MOV); instalações (INSTAL); ar condicionado (AR). Caberia ao recorrente, pois, comprovar que as referidas despesas são de custeio (bens de vida útil inferior a um ano ou obras de simples manutenção ou reparo), apresentando documentos aptos a corroborar sua tese. Todavia, não o fez, declinando argumentação genérica e não identificando especificamente as despesas às quais se refere. O recorrente ainda acrescenta que (...) analisando as notas fiscais constantes das fls. 584/588 e 590/591 verificamos que vários reparos com a troca de piso, instalações elétricas e hidráulicas foram efetuados em imóveis que não pertencem ao Recorrente. (...) é evidente que os dispêndios efetuados em imóveis de terceiros não constituem despesas de capital, o que autoriza sua dedutibilidade como despesa usual, normal e necessária para a manutenção da atividade produtiva (f. 11502). A fim de corroborar seu entendimento, cita o documento “Perguntas e Respostas”, editado pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, que assim dispõe: 402 Qual é o tratamento tributário das despesas com benfeitorias, efetuadas pelo profissional autônomo ou imóvel locado? As despesas com benfeitorias e melhoramentos efetuados pelo locatário profissional autônomo, que contratualmente fizerem parte como compensação pelo uso do imóvel locado, são dedutíveis no mês de seu dispêndio, como valor locativo, desde que tais gastos estejam comprovados com documentação hábil e idônea e escriturados em livrocaixa. (f. 11502) Fica evidente, portanto, que só é possível proceder à dedução de despesas com benfeitorias em imóveis alugados no caso em que estas tenham sido abatidas do valor pago a título de aluguel. Ou seja, são deduzidas como valor locatício, não como despesas com benfeitorias. O recorrente, contudo, não comprovou que os valores pagos a título de reforma foram abatidos do aluguel ou que as deduções foram feitas sob a rubrica de despesas locatícias, motivo pelo qual seu argumento não pode ser acatado. Por fim, aduz que, por força da Medida Provisória nº 540, convertida na Lei nº 12.024/2009, as despesas relacionadas com a implantação dos sistemas de digitalização de documentos são dedutíveis na determinação do resultado tributável. Sendo assim, (...) as notas fiscais constantes das fls. 593, 596/615 referentes às aquisições de cabos, material elétrico, eletrodutos, conexões, distribuidores, caixas de passagem, etc., não poderiam estar sendo glosados enquanto despesas de capital, sem que a autoridade lançadora tivesse ao menos indagado ou aprofundado as suas investigações acerca da aplicação desses bens na expansão de suas redes de tecnologia, ou na modernização daquelas já existentes, na medida em que existe previsão legal expressa para autorizar essa dedução no livro caixa. (f. 11501) Mais uma vez, as folhas dos autos apontadas pelo recorrente não apresentam quaisquer notas fiscais. Não houve, portanto, discriminação das despesas dedutíveis com base nessa Fl. 12118DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.118 12 justificativa, motivo pelo qual se mantém incólume o argumento apontado pelo acórdão da DRJ ao analisar a questão: 78. A sobredita Lei foi fruto da conversão da Medida Provisória nº 460 de 30 de março de 2009 e, segundo o art. 7º desse próprio ato normativo, seus efeitos (para o art. 3º) se dariam a partir da data da publicação. 79. Assim, cabia ao Impugnante demonstrar quais os investimentos e gastos, efetuados a partir de 30 de março de 2009, estariam abrigados por essa benesse fiscal, mas não o fez, alegando apenas de forma genérica seu direito, impossibilitando, assim, a esse julgador enfrentar o mérito requerido. (f. 11453) Com base nessas razões, mantenho a glosa. III – Das multas isolada e de ofício Por motivo da edição da Súmula nº 105 do CARF que trata do IRPJ, mas pode ser aplicada "mutatis mutandis" ao caso em espeque , não se discute que, para fatos ocorridos até 2006, é vedada a cumulação das multas. Todavia, quanto aos fatos posteriores a 2007, a controvérsia parece estar longe de restar pacificada. Não se desconhece que o col. Superior Tribunal de Justiça vem sinalizando para a impossibilidade de concomitância das multas – é o que se extrai, por exemplo, do julgamento do REsp 1.496.354/PR, no qual, por aplicação do princípio da consunção, afirmou se que “(...) a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade.” Com a devida vênia, não me convenço dos argumentos declinados por aqueles que entendem pela impossibilidade de aplicação concomitante das sanções. Isso porque me parece que o legislador, ao alterar o art. 44 da Lei no 9.430/1996, deixou claro serem as multas independentes e cobradas em hipóteses distintas. Nesse sentido, acertada a conclusão de que a norma não precisaria prever expressamente a possibilidade de aplicação cumulativa das multas, uma vez que essa decorreria da própria redação do dispositivo. Para que a aplicação cumulativa fosse afastada, haveria de existir uma previsão expressa excetuandoa, uma vez que o inc. VI do art. 97 do CTN determina que apenas a lei pode estabelecer “as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades”. Por fim, não coaduno com o entendimento de que a aplicação cumulativa configuraria verdadeiro bis in idem. Como frisado alhures, as multas incidem sobre situações distintas (enquanto a multa isolada pune o descumprimento da obrigação de recolher as antecipações mensais a título de carnêleão, a multa de ofício é aplicada quando apurada diferença no recolhimento de tributo ao final do anocalendário). Desta feita, tendo em vista que os fatos que originam as sanções são diferentes, tanto do ponto de vista temporal, quanto do ponto de vista quantitativo, não vislumbro estar sendo o contribuinte duplamente penalizado por uma mesma conduta. Na esteira daqueles que defendem a cobrança cumulativa, a dispensa da cobrança da multa isolada faz com que os contribuintes que não cumpriram com suas obrigações sejam equiparados àqueles que o fizeram, em claro descumprimento do princípio da Fl. 12119DF CARF MF Processo nº 12448.734775/201254 Acórdão n.º 2202004.965 S2C2T2 Fl. 12.119 13 isonomia. Como bem lançado em acórdão de nº 9101002.947, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, [c]onsumarseá situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Fundada nessas razões, mantenho a aplicação concomitante das multas isolada e de ofício. IV – Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Fl. 12120DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.006791/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
Numero da decisão: 2201-005.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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DEDUÇÃO LIVRO CAIXA Recorrente VICTOR FERNANDO LOPEZ ARCE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 67 91 /2 00 7- 23 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10980.006791/200723 Acórdão n.º 2201005.062 S2C2T1 Fl. 216 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 170/204 interposto contra decisão da DRJ em Curitiba/PR, de fls. 150/163 a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 20/24, lavrado em 20/3/2007, relativo ao anocalendário de 2001, com ciência do contribuinte em 15/5/2007, conforme AR de fls. 142. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado: por deduções indevidas de despesas de livro caixa, e alterou o valor da restituição do IR de R$ 52.958,69 para R$ 8.207,25 (fl. 24). De acordo com o demonstrativo das infrações de fl. 22, a fiscalização apenas considerou como comprovados R$ 64.885,87 dos R$ 227.618,40 declarados como despesas de livro caixa. Foram consideradas deduções indevidas com prestação de serviços de terceiros, que somavam R$ 162.732,53, quais sejam: “Reginaldo A. Granja; Liria Mariko; Oliveira e Nic, Serviços de Saúde; Imagem Diagnósticos Médicos; Unidade Neurológica Clínica; Urocentro Clínica Urológica; e Clinica Radiologia Cortez”. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de efls. 2/18 em 13/6/2007. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Curitiba/PR, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Cientificado do lançamento por via postal, em 15/05/2007 — fl. 136, o contribuinte apresentou, em 13/06/2007, a impugnação de fls. 01 a 16, acompanhada dos documentos de fls. 17 a 124, acatada como tempestiva pelo órgão de origem — fl. 136. Suscita ocorrência de decadência, em razão de entender que o fato gerador ocorreu em 31/12/2001, com homologação tácita em 31/12/2006, conforme art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, e só haver sido intimado a prestar esclarecimentos em 07/01/2007. Sustenta que, em 31 de dezembro do anocalendário em que os rendimentos foram auferidos, todos os elementos necessários à determinação do tributo já estariam disponíveis. Transcreve doutrina e jurisprudência para corroborar a alegação de decadência. Afirma que, como só foi cientificado do auto de infração em 14/05/2007, teria ocorrido a decadência, mesmo se considerado o prazo para entrega da declaração de ajuste, correspondente ao último dia útil de abril de 2002. Defende que o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4°, do CTN coincidiria com o do art. 173, I, do mesmo dispositivo legal, adotado por algumas correntes nos casos de ausência de Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10980.006791/200723 Acórdão n.º 2201005.062 S2C2T1 Fl. 217 3 pagamento antecipado do imposto. Porém, salienta que no caso concreto houve pagamento antecipado, facilmente verificado em razão da existência de imposto a restituir. Alega que as despesas glosadas, com exceção das referentes à Unidade de Neurologia Clínica S/C Ltda. e ao Urocentro — Centro de Urologia S/C Ltda, seriam de custeio e necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora, portanto, dedutíveis de acordo com o previsto na legislação citada no auto de infração. Ressalva que o fato de os gastos terem sido efetuados com terceiros sem vínculo empregatício não invalidaria a dedução, corroborando essa alegação com a transcrição do Parecer Normativo CST n° 392, de 09 de outubro de 1970, do Ato Declaratório CST n° 16, de 1979, que afirma estarem em vigor. Enfatiza que a situação dos autos é similar aos pagamentos a contador autônomo ou a sociedade de contadores, que são dedutíveis como despesa de Livro Caixa. Transcreve também o esclarecimento n° 387 do Perguntas e Respostas 2002, equivalente ao 398 do Perguntas e Respostas 2007, acerca da dedutibilidade de pagamentos a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizado como despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Sustenta, com base em jurisprudência administrativa, que caberia ao Fisco apresentar prova de que as despesas não seriam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Afirma que os médicos Reginaldo Alves Granja e Líria Manco Omori Araki prestaram serviços de exames médicos de ecografia, comprovados por recibos e declaração firmada pela segunda. Salienta que não conseguiu a declaração do primeiro profissional porque ele não residiria mais em Curitiba e nem continuava a lhe prestar serviços. Argúi que as sociedades Oliveira e Nicolosi Serviços de Saúde S/C Ltda., Imagem Diagnósticos Médicos S/C Ltda. e Clínica Radiológica Cortez S/C Ltda. forneciam profissionais que operavam equipamentos de ecografia e mamografia, conforme notas fiscais e declarações fornecidas. Assim, todos os profissionais autônomos ou os pertencentes às pessoas jurídicas teriam empreendido esforços no sentido de viabilizar sua atividade de médico ecografista, de onde teriam originado as receitas declaradas. Salienta que sem o auxílio daqueles profissionais teria auferido menos rendimentos e que tais despesas foram feitas dentro de um padrão de normalidade e usualidade. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10980.006791/200723 Acórdão n.º 2201005.062 S2C2T1 Fl. 218 4 Esclarece que os pagamentos efetuados à Unidade de Neurologia Clínica S/C Ltda. são despesas médicas equivocadamente declaradas como de Livro Caixa, mas igualmente dedutíveis. Concorda com a glosa do pagamento efetuado ao Urocentro — Centro de Urologia, porque seria referente a despesa médica de usa sobrinha, que não é sua dependente. Finaliza solicitando que seja acatada a alegação de decadência e, alternativamente, que sejam consideradas dedutíveis as despesas efetuadas e lançadas no Livro Caixa como referentes aos médicos Reginaldo Alves Granja e Líria Manco Omori Araki, e às sociedades Oliveira e Nicolosi Serviços de Saúde S/C Ltda., Imagem Diagnósticos Médicos S/C Ltda. e Clínica Radiológica Cortez S/C Ltda. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Curitiba/PR julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 150/163): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2002 JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de constituir o crédito tributário decorrente de dedução indevida de despesas decai após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o Fisco tomou conhecimento do procedimento adotado pelo contribuinte, que no caso do IRPF é a entrega da Declaração de Ajuste Anual. LIVRO CAIXA. REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DESPESA DE CUSTEIO. CARACTERIZAÇÃO. A prestação de serviços por terceiros, que possuem a mesma especialização do contribuinte, de forma contínua, não caracteriza despesa de custeio dedutível no Livro Caixa, principalmente quando não foi apresentada prova de que aqueles se referem a rendimentos de pacientes da pessoa física e não da pessoa jurídica, da qual o autuado possui 98% das cotas e que executa serviços de mesma natureza e no mesmo local. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10980.006791/200723 Acórdão n.º 2201005.062 S2C2T1 Fl. 219 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. CONDIÇÕES. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovadas. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados No mérito, a DRJ reestabeleceu a dedução de R$ 340,00 pagos a Unidade Neurologia Clínica como despesa médica própria, ante a apresentação de cópia das notas fiscais de fls. 128/129. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 27/1/2010, conforme AR de fl. 165, apresentou o recurso voluntário de fls. 170/204 em 26/2/2010. Em suas razões, reiterou os argumentos da impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Decadência Afirma que o RECORRENTE que, pela regra do art. 150, §4º do CTN, houve decadência dos créditos, ante a homologação tácita da declaração relativa ao anocalendário de Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10980.006791/200723 Acórdão n.º 2201005.062 S2C2T1 Fl. 220 6 2001, uma vez que somente foi intimado do auto de infração em 15/5/2007, conforme AR de fls. 142. Quanto à suposta decadência, é preciso esclarecer que o fato gerador do IRPF é complexivo. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005,2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...)” Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). (acórdão nº 2402005.594; 19/01/2017) Por outro lado, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10980.006791/200723 Acórdão n.º 2201005.062 S2C2T1 Fl. 221 7 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (grifou se) Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10980.006791/200723 Acórdão n.º 2201005.062 S2C2T1 Fl. 222 8 Por ter sido prolatada sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão supramencionada deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do art. 150, § 4º, CTN, pois houve pagamento antecipado de imposto de renda, a título de imposto retido na fonte, conforme comprova a declaração de ajuste anual do ano calendário de 2002 de fls. 131/136. Em verdade, no presente processo, a existência de pagamento antecipado é flagrante, por se tratar de redução no montante do imposto a restituir. Caso não houvesse pagamento antecipado, não seria devida qualquer restituição do imposto, mas sim haveria a cobrança de imposto complementar. Note que o próprio Relator do caso na DRJ, ao apreciar a questão envolvendo a contagem do prazo decadencial e aplicação da regra do art. 150, §4º do CTN, afirmou que “embora pessoalmente concorde com a alegação do contribuinte, por se tratar de lançamento por homologação com antecipação de pagamento, no caso retenção de IR na fonte”, era voto vencido na sua Turma e, por essa razão, transcreveu e acompanhou o voto majoritário do colegiado sobre a aplicação do art. 173 do CTN. Nestes termos, em relação ao anocalendário 2001, o fato gerador do imposto de renda aconteceu no dia 31/12/2001, portanto, o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2006. Considerando que a data de intimação do RECORRENTE foi 15/5/2007, houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos. Portanto, procedente a alegação de decadência do direito da autoridade fiscalizadora de revisar a declaração apresentada. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721767/2015-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.747
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 76 7/ 20 15 -7 9 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721767/201579 Resolução nº 3201001.747 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16682.721767/201579 Resolução nº 3201001.747 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 301DF CARF MF
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