Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,163)
- Segunda Câmara (27,788)
- Primeira Câmara (25,081)
- Segunda Turma Ordinária d (16,974)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,917)
- Primeira Turma Ordinária (15,574)
- Segunda Turma Ordinária d (15,488)
- Primeira Turma Ordinária (15,372)
- Primeira Turma Ordinária (15,338)
- Segunda Turma Ordinária d (14,081)
- Primeira Turma Ordinária (12,847)
- Primeira Turma Ordinária (12,091)
- Segunda Turma Ordinária d (12,086)
- Quarta Câmara (11,512)
- 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (11,175)
- Quarta Câmara (82,948)
- Terceira Câmara (64,562)
- Segunda Câmara (53,095)
- Primeira Câmara (17,704)
- 3ª SEÇÃO (15,917)
- 2ª SEÇÃO (11,175)
- 1ª SEÇÃO (6,730)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (118,724)
- Segunda Seção de Julgamen (111,224)
- Primeira Seção de Julgame (73,663)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,858)
- Câmara Superior de Recurs (37,418)
- Terceiro Conselho de Cont (25,941)
- IPI- processos NT - ressa (4,994)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,054)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,236)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,744)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,068)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,335)
- HELCIO LAFETA REIS (3,250)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,194)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,817)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,595)
- WILDERSON BOTTO (2,539)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,385)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,803)
- 2019 (30,948)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,876)
- 2012 (23,621)
- 2023 (22,462)
- 2014 (22,374)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,837)
- 2025 (16,303)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,017)
Numero do processo: 10768.906902/2006-37
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de Apuração: 31/01/1999 Ementa: IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Observada a legislação tributária e em deferência ao conteúdo substantivo, é possível a caracterização de pagamento indevido relativo a débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do pagamento, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO COMPUTADO NA APURAÇÃO ANUAL. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. O IRPJ pago por estimativa pago indevidamente não constitui crédito tributário do contribuinte passível de compensação, autonomamente, quando computado no saldo negativo da apuração anual e que fora utilizado para compensar estimativas dos meses do ano calendário seguinte. PERDCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e finda com a ciência da decisão proferida pela autoridade administrativa. Antes desse prazo não há falar em homologação tácita.
Numero da decisão: 1802-001.188
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de Apuração: 31/01/1999 Ementa: IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Observada a legislação tributária e em deferência ao conteúdo substantivo, é possível a caracterização de pagamento indevido relativo a débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do pagamento, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO COMPUTADO NA APURAÇÃO ANUAL. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. O IRPJ pago por estimativa pago indevidamente não constitui crédito tributário do contribuinte passível de compensação, autonomamente, quando computado no saldo negativo da apuração anual e que fora utilizado para compensar estimativas dos meses do ano calendário seguinte. PERDCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e finda com a ciência da decisão proferida pela autoridade administrativa. Antes desse prazo não há falar em homologação tácita.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10768.906902/2006-37
conteudo_id_s : 5761668
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.188
nome_arquivo_s : Decisao_10768906902200637.pdf
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10768906902200637_5761668.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
id : 6903381
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470220894208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2257; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 190 1 189 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.906902/200637 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 1802001.188 – 2ª Turma Especial Sessão de 12/04/2012 Matéria PER/DCOMP Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S/A (incorporadora da Telecomunicações do Rio Grande do Norte S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de Apuração: 31/01/1999 Ementa: IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Observada a legislação tributária e em deferência ao conteúdo substantivo, é possível a caracterização de pagamento indevido relativo a débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do pagamento, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO COMPUTADO NA APURAÇÃO ANUAL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. O IRPJ pago por estimativa pago indevidamente não constitui crédito tributário do contribuinte passível de compensação, autonomamente, quando computado no saldo negativo da apuração anual e que fora utilizado para compensar estimativas dos meses do ano calendário seguinte. PERDCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e finda com a ciência da decisão proferida pela autoridade administrativa. Antes desse prazo não há falar em homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.906902/200637 Acórdão n.º 1802001.188 S1TE02 Fl. 191 3 Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.180/181) que a seguir transcrevo: O presente processo tem como objeto a declaração de compensação 41081.46517.151003.1.3.048558 (fls 04 a 08), transmitida eletronicamente em 15/10/03. O encontro de contas formalizado na declaração em questão pretende extinguir débito de Cofins, período de apuração setembro de 2003, mediante a utilização de crédito no valor original de R$ 387.610,65, correspondente a parte do Darf no total de R$ 500.000,00, relativo a estimativa de IRPJ, período de apuração janeiro de 1999. O referido crédito é originário da Telecomunicações do Rio Grande do Norte SA , posteriormente incorporada pela interessada. • Em 12/05/2008 a Derat solicitou, através do despacho de fls 16, diligência com o objetivo de ratificar a base de cálculo do IRPJ referente ao mês de janeiro de 1999. Apesar de não realizada a diligência solicitada, os autos retornaram ao órgão de origem por força do despacho de fls 18. Em despacho decisório do qual a interessada foi cientificada em 10/10/2008 (fls 59), a Derat/RJ concluiu pela não homologação da compensação declarada. As suas razões de decidir foram: • Considerandose o darf de R$ 500.000,00, que teria gerado o crédito ora pleiteado, e as compensações totais de R$ 1.567.717,08 , foi gerado, para o ano de 1999, saldo negativo de R$ 1.566.561,73; • O referido saldo negativo foi integralmente utilizado para compensar estimativas dos meses de março, maio, junho, julho e setembro de 2000; Incabível a utilização de crédito relativo a estimativa quando o mesmo integre saldo negativo do qual a interessada já se beneficiou em momento posterior. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 63/71 na qual alega que : • Sujeitase o IRPJ e a CSLL ao lançamento por homologação, regido pelo art 150 § 4° do CTN. Nos termos estabelecidos por tal dispositivo, é defeso à SRFB, em 2008, questionar itens e valores da apuração concernente ao ano de 1999; • Consolidaramse como verdadeiros os valores informados na DIPJ e DCTF referentes a 1999, não mais cabendo o questionamento ou a alteração de oficio dos mesmos; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Compensação de saldo negativo, ainda que sua composição seja de estimativas pagas, e pagamento a maior de estimativa são fatos que não se confundem; • O crédito ora pleiteado corresponde a pagamento a maior de estimativa não vinculado a qualquer débito. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJOI/Rio de Janeiro /RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1223.403, de 19 de março de 2009 (fls.151/152), cientificado ao interessado em 14/04/2009. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.150): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 ESTIMATIVA. DIREITO CREDITORIO. Incabível o reconhecimento à parte de crédito representativo de estimativa alegadamente paga a maior quando o valor da mesma já tenha sido incorporado no cálculo do saldo negativo informado na DIPJ correspondente Compensação não Homologada A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/05/2009, fls.157/165, no qual reitera os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade acima relatados, portanto, desnecessário repeti los. Ao final requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário para, reformandose o acórdão recorrido, seja reconhecido o direito creditório, homologandose a respectiva compensação declarada nos autos. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.906902/200637 Acórdão n.º 1802001.188 S1TE02 Fl. 192 5 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 41081.46517.151003.1.3.048558 (fls.02/08), transmitido em 15/10/2003, em que a contribuinte pretende compensar débito de R$ 721.731,03, relativo à COFINS de setembro de 2003, com a utilização de crédito no valor original de R$ 387.610,65 decorrente de pagamento a maior da estimativa do IRPJ de janeiro de 1999 (DARF: código – 2362; Período do Apuração: janeiro/1999; Vencimento: 26/02/1999, Valor: R$ 500.000,00). Conforme relatado, o Per/Dcomp foi analisado com a emissão do Despacho Decisório de fl.58, que não homologou a compensação pleiteada porque, baseado no Parecer Conclusivo n° 205/2008 (fls. 50/57), chegouse conclusão que o mencionado DARF de R$ 500.000,00, somado às compensações totais de R$ 1.567.717,08, gerou para o ano de 1999, saldo negativo de R$ 1.566.561,73. Sendo que, o referido saldo negativo foi integralmente utilizado para compensar estimativas dos meses de março, maio, junho, julho e setembro de 2000. Assim, incabível tornouse a utilização de crédito relativo a estimativa por haver o mesmo integrado o saldo negativo de 1999 do qual a interessada já se beneficiou em momento posterior, ou seja, para quitar estimativas dos meses de março, maio, junho, julho e setembro de 2000 . Na manifestação de inconformidade bem como no recurso voluntário, a contribuinte não se insurge expressamente sobre o aspecto quantificativo e fatos que motivaram o indeferimento do pleito. A defesa da Recorrente é no sentido de que decaiu o direito do fisco de refazer as bases de cálculo do anocalendário de 1999, alegando que o crédito pleiteado referese a período em que o Fisco já homologou tacitamente os recolhimentos geradores do crédito, reconhecendose a extinção da obrigação, o que pressupõe, por óbvio, o reconhecimento também do quantum debeatur, sem o que não se poderia atestar o cumprimento da obrigação principal. Argúi que, se afigura inócua, qualquer tentativa fiscal de fazer nova apuração do saldo negativo apurado, cuja existência gerou o crédito do presente processo, em face da homologação daquele lançamento pelo próprio Fisco, pois, sujeitase o IRPJ ao lançamento por homologação, regime em que a decadência do direito de lançar eventuais diferenças operase em cinco anos contados do fato gerador, segundo o art. 150, § 4º do CTN. No presente processo em que se discute o PERDCOMP, o Fisco não procedeu qualquer revisão da base de cálculo mensal das estimativas mensais, nem tampouco, revisão do Lucro Real apurado em 31/12/1999. Sequer alterado o saldo negativo do IRPJ declarado. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Desse modo, não houve crédito constituído por procedimento fiscal na modalidade de lançamento tributário sujeito ao prazo decadencial nos moldes do artigo do artigo 150 do CTN, portanto, improcedente a alegação da interessada de haver o Fisco realizado “nova apuração das bases tributáveis do ano calendário de 1999”. É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil (conta do ativo a recuperar em que se demonstre sua evolução até a data da compensação e a contrapartida do tributo a recolher registrado em conta do passivo, bem como balanços ou balancetes mensais de suspensão até 31/12/1999, transcritos no Diário ou LALUR), tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte, adotando a via do PERDCOMP pretende utilizar crédito de estimativa (janeiro/1999) já integrado na composição do saldo negativo do ano calendário de 1999 e que fora utilizado para compensar estimativas dos meses de março, maio, junho, julho e setembro de 2000. Fato este não contestado pelo Recorrente. Ora, utilizarse duas vezes do mesmo crédito seria locupletarse de recursos do Estado sob o manto da alegada decadência inexistente. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe, verbis: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação sem que isto signifique desobediência ao prazo decadencial do lançamento tributário por homologação. Pois, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Conforme relatado, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 15/10/2003, e, a mesma tomou ciência do despacho decisório em 10/10/2008 (fl. 59) , antes do prazo de 05 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.906902/200637 Acórdão n.º 1802001.188 S1TE02 Fl. 193 7 anos. Assim, não há que se falar em homologação tácita como restrição ao direito creditório pleiteado. Desse modo, cai por terra a “decadência” cogitada pela Reclamante Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000157/2010-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/10/2006 a 30/10/2006, 01/01/2007 a 31/03/2007, 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/07/2007 a 31/07/2007, 01/10/2007 a 30/10/2007, 01/01/2008 a 31/03/2008, 01/07/2008 a 31/08/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não pode servir de paradigma à decisão que considerou aplicável norma processual diversa daquele que não foi tomada como absoluta no outro processo.
Numero da decisão: 9303-005.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/10/2006 a 30/10/2006, 01/01/2007 a 31/03/2007, 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/07/2007 a 31/07/2007, 01/10/2007 a 30/10/2007, 01/01/2008 a 31/03/2008, 01/07/2008 a 31/08/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não pode servir de paradigma à decisão que considerou aplicável norma processual diversa daquele que não foi tomada como absoluta no outro processo.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11052.000157/2010-26
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771044
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.496
nome_arquivo_s : Decisao_11052000157201026.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 11052000157201026_5771044.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6934201
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470255497216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1692; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11052.000157/201026 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.496 – 3ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2017 Matéria Auto de Infração PIS/Cofins Recorrente HALLIBURTON SERVIÇOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/10/2006 a 30/10/2006, 01/01/2007 a 31/03/2007, 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/07/2007 a 31/07/2007, 01/10/2007 a 30/10/2007, 01/01/2008 a 31/03/2008, 01/07/2008 a 31/08/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não pode servir de paradigma à decisão que considerou aplicável norma processual diversa daquele que não foi tomada como absoluta no outro processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 01 57 /2 01 0- 26 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11052.000157/201026 Acórdão n.º 9303005.496 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3101001.356, de 19/03/2013, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/10/2006 a 30/10/2006, 01/01/2007 a 31/03/2007, 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/07/2007 a 31/07/2007, 01/10/2007 a 30/10/2007, 01/01/2008 a 31/03/2008, 01/07/2008 a 31/08/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS. Aplicase ao caso a Súmula Vinculante STF nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, e pacificou o entendimento de ser qüinqüenal o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. IMPLEMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. Desde a inclusão do § 6º ao texto do art. 74 da Lei nº 9.430/96 não é mais cabível auto de infração para exigência de débito indevidamente compensado, sob pena de haver duplo lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11052.000157/201026 Acórdão n.º 9303005.496 CSRFT3 Fl. 4 3 Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 362 e segs) reclama o reconhecimento dos pagamentos/compensações realizados antes da lavratura do auto de infração, não considerados por força da preclusão temporal da matéria, que deixou de ser contestada na impugnação ao lançamento do crédito tributário neste litigado. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de folhas 429 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 434 e segs. Pugna para que não se dê seguimento ao recurso e, no mérito, para que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Segue síntese das razões de decidir expressas pela autoridade fiscal signatária do despacho de admissibilidade do recurso especial. Percebese que, na decisão recorrida, o Colegiado decidiu pela legalidade do lançamento, deixando a cargo da unidade executora do acórdão a análise dos pagamentos alegados pela contribuinte, para, se confirmados, serem deduzidos na fase de Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11052.000157/201026 Acórdão n.º 9303005.496 CSRFT3 Fl. 5 4 cobrança administrativa. Muito importante ressaltar que os pagamentos/compensações alegados pela autuada foram juntados aos autos com a impugnação, e referemse a pagamentos efetuados antes da lavratura do auto de infração. Já no acórdão paradigma o Colegiado decidiu considerar as provas carreadas aos autos pelo contribuinte, apresentadas apenas com o recurso voluntário, por considerar que atestavam a ilegalidade do lançamento na parcela comprovada, sob o entendimento de que não cabe lançamento fiscal diante do cumprimento da obrigação tributária, pelo contribuinte, antes da autuação. Releva dizer que não se discute neste processo o prazo para apresentação de provas, mas a preclusão temporal de matéria não contestada desde a impugnação ao lançamento fiscal. O fato é até reconhecido pela recorrente em sede de recurso especial. Observese. Inobstante ter sido apresentada a documentação fiscal pertinente, que evidenciou o direito creditório, a 5ª Turma da DRJ/RJ2 lavrou o acórdão nº 1331.284 para julgar procedente em parte a defesa apresentada, mantendo, com isso o despacho que não reconheceu o crédito, em razão de a matéria ter sido considerada como não impugnada, ante a ausência da expressão "pagamento" na defesa, apesar dos respectivos comprovantes terem sido devidamente anexados aos autos. (grifos meus) No acórdão de impugnação, a DRJ foi diligente na apreciação do pleito da então impugnante, levando em consideração todos os valores que a autuada informou terem sido compensados antes da lavratura do auto de infração, se não vejamos. A interessada contesta o presente lançamento alegando que nunca deixou de recolher o PIS e a COFINS relativos aos períodos consignados na peça básica, pois os valores que estão sendo cobrados foram quitados mediante compensação, Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11052.000157/201026 Acórdão n.º 9303005.496 CSRFT3 Fl. 6 5 juntando aos autos Declarações de Compensação com vistas a robustecer suas ponderações. (...) Desta forma, apesar da efetiva ausência de declaração em DCTF para os valores de COFINS e PIS compensados, entendo incabível o lançamento relativo aos valores informados nas Declarações de Compensação, conforme quadro demonstrativo abaixo: (...) O problema é que nada foi dito em relação a ocorrência de pagamentos antes da lavratura do auto. Essa foi a razão pela qual eles não foram levados em consideração. Os contornos da decisão de primeira instância foram bem definidos no voto, como a seguir se lê: Em outra palavras, podemos concluir que o contribuinte não questiona os valores das contribuições ao PIS e COFINS pertinentes aos demais períodos lançados e que não constam nas Declarações de Compensação acima relacionadas, a vista do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 e alterações, a saber: (...) Ou seja, não existe nestes autos discussão acerca da apresentação extemporânea de provas, tal como aconteceu no processo paradigma. A uma, por que a discussão simplesmente não é essa, mas sim a apreciação de matéria preclusa. A duas, porque as supostas provas foram apresentadas dentro do prazo. Creio que exista uma obstáculo insuperável à admissão do presente recurso. A mitigação de regras processuais concretamente definidas na legislação tributária pela aplicação de princípios jurídicos, tal como o princípio da verdade material ou da finalidade do processo, deve ser entendida como uma decisão de caráter excepcionalíssimo e não pode, em hipótese alguma, servir de modelo para que se abra o debate acerca da exclusão de outras regras processuais. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 11052.000157/201026 Acórdão n.º 9303005.496 CSRFT3 Fl. 7 6 Se assim não fosse, teríamos que admitir que a decisão que aceita provas fora do prazo legal poderia ser comparada com qualquer outra decisão que deixou de mitigar outras regras processuais, tais como prazos, competências etc. Na prática, seria como dizer que a decisão que aceita documentos apresentados fora do prazo comprova o dissenso em relação a uma decisão que não acolheu recurso perempto. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, mantendo em todos os seus termos a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720259/2007-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBRE A RECEITA DECLARADA As diferenças originárias de omissão de receitas e insuficiência de recolhimento são passíveis de lançamento de ofício. Se consta das próprias notas fiscais autuadas que elas correspondem a operações de “venda”, tal informação não pode simplesmente ser desconsiderada pela mera alegação de que houve erro em sua emissão, que elas correspondem a “transferências” ou “outras saídas”, sem que a Contribuinte apresente qualquer documento para comprovar esse fato. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO E REALIZAÇÃO DE PAGAMENTO APÓS INICIADA A AÇÃO FISCAL De acordo com o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN, “não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Em razão disso, os alegados pagamentos, caso confirmados pela Delegacia de origem, serão aproveitados, mas eles também deverão servir para a quitação da multa de ofício, e não apenas da rubrica principal e dos juros.
Numero da decisão: 1802-000.985
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBRE A RECEITA DECLARADA As diferenças originárias de omissão de receitas e insuficiência de recolhimento são passíveis de lançamento de ofício. Se consta das próprias notas fiscais autuadas que elas correspondem a operações de “venda”, tal informação não pode simplesmente ser desconsiderada pela mera alegação de que houve erro em sua emissão, que elas correspondem a “transferências” ou “outras saídas”, sem que a Contribuinte apresente qualquer documento para comprovar esse fato. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO E REALIZAÇÃO DE PAGAMENTO APÓS INICIADA A AÇÃO FISCAL De acordo com o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN, “não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Em razão disso, os alegados pagamentos, caso confirmados pela Delegacia de origem, serão aproveitados, mas eles também deverão servir para a quitação da multa de ofício, e não apenas da rubrica principal e dos juros.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10630.720259/2007-92
conteudo_id_s : 5756824
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.985
nome_arquivo_s : Decisao_10630720259200792.pdf
nome_relator_s : José de Oliveira Ferraz Corrêa
nome_arquivo_pdf_s : 10630720259200792_5756824.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
id : 6884790
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470262837248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2007; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 371 1 370 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10630.720259/200792 Recurso nº 507.276 Voluntário Acórdão nº 180200.985 – 2ª Turma Especial Sessão de 04 de outubro de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente MATADOURO BRASÍLIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBRE A RECEITA DECLARADA As diferenças originárias de omissão de receitas e insuficiência de recolhimento são passíveis de lançamento de ofício. Se consta das próprias notas fiscais autuadas que elas correspondem a operações de “venda”, tal informação não pode simplesmente ser desconsiderada pela mera alegação de que houve erro em sua emissão, que elas correspondem a “transferências” ou “outras saídas”, sem que a Contribuinte apresente qualquer documento para comprovar esse fato. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO E REALIZAÇÃO DE PAGAMENTO APÓS INICIADA A AÇÃO FISCAL De acordo com o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, “não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Em razão disso, os alegados pagamentos, caso confirmados pela Delegacia de origem, serão aproveitados, mas eles também deverão servir para a quitação da multa de ofício, e não apenas da rubrica principal e dos juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Fl. 381DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10630.720259/200792 Acórdão n.º 180200.985 S1TE02 Fl. 372 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho . Fl. 382DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10630.720259/200792 Acórdão n.º 180200.985 S1TE02 Fl. 373 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 2 a 65, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 6.930,98, R$ 7.096,13, R$ 6.930,98, R$ 14.192,35, R$ 28.384,90 e R$ 40.086,76, respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e a multa de 75%. O lançamento abrangeu os meses do anocalendário de 2004. Foram imputadas à Contribuinte as seguintes infrações: 1 Omissão de Receitas: Receitas não escrituradas e/ou escrituradas e não declaradas em PJSI (janeiro a dezembro/2004); e 2 Insuficiência de Recolhimento (maio a dezembro/2004). O Relatório de Auditoria de fls. 67 a 72, acompanhado dos Demonstrativos de fls. 73 a 92, indica detalhadamente a composição dos valores autuados, mês a mês, os quais foram apurados a partir de notas fiscais de vendas não escrituradas, notas fiscais de vendas escrituradas como transferência e notas fiscais de vendas escrituradas como outras saídas. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 321 a 326, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0924.393 (fls. 348 a 351), a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos: “... Que após tomar ciência do lapso que havia ocorrido, e mesmo sob processo de ação fiscal, retificou sua Declaração PJSI Simples, anocalendário 2004, a qual deveria ser considerada, já que houve uma retificação para valores superiores à anterior, uma vez que foram englobados na retificadora os valores das Vendas da Matriz, Filial e da Prestação de Serviços. Sobre a prestação de serviços em questão, vale esclarecer o seguinte: A empresa tem como atividade econômica principal – Matadouro – abate de reses sob contrato – Código 10.11.2.05, ou seja, presta serviços de abatedouro. Para que este serviço seja executado, a empresa emite Nota Fiscal de Entradas (Outras Entradas) acobertando o transporte do produto conforme lançamento no Livro Registro de Entradas, cópia em anexo, para ser abatido em seu estabelecimento. Para devolver o produto abatido ao seu cliente emite Nota Fiscal de Saída utilizando o CFOP 5.949 (Outras Saídas) para acobertar o Fl. 383DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10630.720259/200792 Acórdão n.º 180200.985 S1TE02 Fl. 374 4 produto até o estabelecimento comercial (açougue), acompanhando a Nota Fiscal de Serviços Prestados, conforme o número de cabeças abatidas. A requerente informa que por um lapso, não escriturou as notas fiscais citadas no Auto de Infração referente aos meses de janeiro a maio de 2004, cuja natureza de operação é Outras Saídas CFOP 5.949, já explanado acima, o que não trouxe nenhum prejuízo aos cofres públicos, já que esta operação não se trata de rendimentos auferidos pela empresa e que a partir do mês de junho do mesmo ano, esses lançamentos foram realizados corretamente. Com relação a omissão de rendimentos cujos valores foram informados mensalmente no Auto de Infração, isso não procede, pois as diferenças encontradas pelo fisco são originadas das Outras Saídas já explanada acima e a escrituração informada no Auto de infração como incorreta, devido ao uso do CFOP 5.949, isso também não procede pois a operação está de acordo com RICMSMG, Decreto nº 43.080, de 13 de dezembro de 2002 e que o fisco não observou o Livro Registro de Entradas onde consta registrada as Notas Fiscais referentes às Outras Entradas. A solicitante reconhece o lapso na transmissão da PJSimples – AnoBase 2004, no que tange às informações da Filial e da Prestação de Serviços que não foram incluídas na Declaração Inicial, mas devidamente regularizada na Declaração retificadora, o que pede a consideração de sua retificação já que não houve má fé da empresa. A autuada informa que não tem outra finalidade as Notas Fiscais de Outras Entradas a não ser o acobertamento do trânsito dos produtos de terceiros a serem abatidos em seu estabelecimento...” Como mencionado, a DRJ Juiz de Fora/MG considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a ementa abaixo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. As diferenças originárias de omissão de receitas e insuficiência de recolhimento são passíveis de lançamento de ofício. ESCRITURAÇÃO FISCAL A escrituração fiscal deve retratar com fidedignidade os dados dos documentos fiscais que a deram origem. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 384DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10630.720259/200792 Acórdão n.º 180200.985 S1TE02 Fl. 375 5 Exercício: 2004 DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos litígios decorrentes, no caso PIS, CSLL, Cofins, IPI, e Contribuição para Seguridade Social INSS, quanto à mesma matéria fática. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 03/07/2009, a Contribuinte apresentou em 31/07/2009 o recurso voluntário de fls. 358 a 360, com os seguintes argumentos: mesmo sabendo do teor do Art. 833 do RIR/99, a autuada procedeu a devida correção da sua DIPJSimples, sendo a anterior cancelada, fls. 282 a 299, e a retificadora aceita pela Receita Federal, fls 300 a 317 havendo inclusive recebido notificação através do Termo de Intimação nº 02240784, de 09/05/2008, documento em anexo, para recolher as diferenças apuradas entre as declarações ora mencionadas, o que foi feito através do pagamento das guias em documento próprio na rede bancária, documentos em anexo; a atividade principal da autuada é “Matadouro abate de reses sob contrato exceto abate de suínos”, classificada no código 10.11205 e “Matadouro abate de suínos sob contrato”, classificada no código 10.12104, ou seja, o açougueiro adquire o gado do produtor e a autuada realiza o processo do abatimento devolvendo o produto final ao adquirente, originando sua receita sobre os serviços prestados, conforme fls. 332 a 339; relativamente às Notas Fiscais de saídas caracterizadas como vendas, e não como “outras saídas” ou “transferências” devido ao CFOP informado incorretamente, as quais serviram de base para o lançamento, o relator em primeira instância afirma que elas poderiam ter sido canceladas, procedimento previsto em lei, e substituídas por outras notas, porém, o equívoco só foi descoberto na ação fiscal onde já havia decorrido um período de tempo que impossibilitou o cancelamento e substituição dos documentos em questão; a substituição da DIPJSimples resultou em diferenças apuradas a pagar, e estas já foram quitadas. Não cabe a manutenção das exigências sem o merecimento de reparos dos valores dos créditos apurados nos Autos de Infração, descaracterizandose “in totum” o lançamento das contribuições; demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso, para o cancelamento do débito fiscal reclamado no valor de R$ 103.622,11, bem como a redução dos juros de mora e também da multa de ofício, de 75% para 15%, ou a sua reformulação, que é de inteira justiça. Este é o Relatório. Fl. 385DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10630.720259/200792 Acórdão n.º 180200.985 S1TE02 Fl. 376 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de janeiro a dezembro de 2004. A autuação está fundamentada em receitas não escrituradas e/ou escrituradas mas não declaradas em PJSI. O Relatório de Auditoria de fls. 67 a 72, acompanhado dos Demonstrativos de fls. 73 a 92, indica detalhadamente a composição dos valores autuados, mês a mês, os quais foram apurados a partir de notas fiscais de vendas não escrituradas, notas fiscais de vendas escrituradas como transferência e notas fiscais de vendas escrituradas como outras saídas. Pela alteração nas faixas de receita bruta acumulada e, conseqüentemente, nos percentuais para a apuração do Simples, a omissão de receita repercutiu ainda em uma outra infração a insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, que também foi objeto de lançamento. Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento já esclareceu que mesmo tendo a Contribuinte retificado a sua DIPJSimples, por ter esse fato ocorrido após o início da ação fiscal, não poderia ela se eximir das penalidades aplicadas nos Autos de Infração, conforme previsto no art. 833 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art. 833. A pessoa jurídica que, depois de iniciada a ação fiscal, requere a retificação de rendimentos de sua declaração não se eximirá, por isso, das penalidades previstas neste Decreto, aplicandose o mesmo procedimento a todas as pessoas físicas ou jurídicas, quanto aos rendimentos oriundos da pessoa jurídica a que se referir aquela ação fiscal, inclusive aos sujeitos ao regime de arrecadação nas fontes(Decretolei nº 5.844/1943, art. 63, §5º) Realmente, de acordo com o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN, “não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Em razão disso, os alegados pagamentos, caso confirmados pela Delegacia de origem, serão aproveitados, mas eles também deverão servir para a quitação da multa de ofício, e não apenas da rubrica principal e dos juros. Fl. 386DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10630.720259/200792 Acórdão n.º 180200.985 S1TE02 Fl. 377 7 Quanto às notas fiscais que deram base às autuações, é interessante transcrever as considerações contidas na decisão recorrida: Correta a interessada acerca do CFOP 5.949 (Outras Saídas), para acobertar o transporte de gado abatido, quando o abate foi a título de prestação de serviços. Entretanto, as Notas Fiscais que serviram de base para os lançamentos sob análise foram preenchidas com o código 5101 (Venda de Produção do Estabelecimento). Algumas delas não foram escrituradas, outras o foram como “transferência” e outras como “outras saídas”. Ora, a escrituração tem que retratar fielmente o documento fiscal a qual se refere. A contribuinte assim não procedeu. As Notas Fiscais, que serviram de base para o lançamento, repisese, todas referemse a saídas a título de vendas e surtiram os devidos efeitos fiscais. Sequer foram canceladas, procedimento previsto em lei, desde que presentes todas as suas vias. E caso se referissem de fato a “outras saídas” ou “transferência”, outras notas teriam que ter sido emitidas em substituição, evidentemente. Nada disso foi feito. Assim, por falta de provas acostadas aos autos pela interessada, que afastem os valores dos créditos apurados nos presentes Autos de Infração (apurados a partir de documentos fiscais em comparação com a escrituração), estes deverão ser mantidos em sua íntegra, não merecendo reparos. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte também não trouxe qualquer prova de que as notas fiscais autuadas correspondiam na verdade a “transferências” ou “outras saídas”, e não a “vendas”, como elas mesmas indicam. A Recorrente simplesmente alega que houve erro na emissão das notas fiscais, mas isso não é suficiente para infirmar o lançamento. Finalmente, a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora está expressamente prevista nos artigos 44, I, e 61, § 3º, ambos da Lei 9.430/1996, não havendo nenhuma justificativa para reduzilos aos percentuais reivindicados pela Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 387DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10630.720259/200792 Acórdão n.º 180200.985 S1TE02 Fl. 378 8 Fl. 388DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001371/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009,2010,2011,2012
PRELIMINAR. DECADÊNCIA.
"O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário"(Súmula CARF nº 38)
VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4)
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA.
"São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa a sua exigibilidade" (Súmula CARF nº 5)
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CO-TITULAR.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29).
Numero da decisão: 2202-004.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os depósitos relativos às contas-conjuntas.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009,2010,2011,2012 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário"(Súmula CARF nº 38) VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4) SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa a sua exigibilidade" (Súmula CARF nº 5) IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CO-TITULAR. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.001371/2006-31
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761149
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-004.051
nome_arquivo_s : Decisao_19515001371200631.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 19515001371200631_5761149.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os depósitos relativos às contas-conjuntas. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6902424
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470289051648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.073 1 1.072 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001371/200631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.051 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente MARIA MATILDE DE MELLO SPOSITO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009,2010,2011,2012 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário"(Súmula CARF nº 38) VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4) SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa a sua exigibilidade" (Súmula CARF nº 5) IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 71 /2 00 6- 31 Fl. 1073DF CARF MF 2 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO COTITULAR. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os depósitos relativos às contas conjuntas. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pelo então Conselheiro Relator Antônio Lopo Martinez na Resolução nº 2202000.605 (fls. 1042/1055): (...) Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo SP, em 24/07/2006, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 495/499), com ciência por AR, em 26/07/2006 (fls. 501), exigindo se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 419.940,33 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2002 e 2003, correspondente aos anos calendários de 2001 e 2002, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 19515.001371/200631 Acórdão n.º 2202004.051 S2C2T2 Fl. 1.074 3 aos exercícios de 2002 e 2003, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1) Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente do trabalho sem vinculo empregatício, conforme Termo de Verificação em anexo. Infração capitulada nos arts. 1°, 2° e 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990; art. 45 do RIR/99; art. 1° da Lei n° 9.887, de 1999; art. 1 ° da Medida Provisória n ° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451, de 2002; Parte destes rendimentos foram tributados na DIRPF 2002/2001 e portanto serão excluídos da autuação conforme abaixo, entretanto no ano de 2002 não houve valor declarado tal como se nota das tabelas a seguir excluídas do Termo de Verificação Fiscal. 2) Rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no Lucro Presumido/Arbitrado, excedentes ao Lucro Presumido/Arbitrado menos IRPJ, COFINS, CSLL e PIS/PASEP, quando a pessoa jurídica não demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é superior ao Lucro Presumido/Arbitrado, de acordo com Ato Declaratório Normativo Cosit n° 4/96, inciso II, conforme Termo de verificação em anexo. Infração capitulada no art. 663 do RIR/99; art. 1° da Medida Provisória n ° 22/2002 convertida na Lei n ° 10.451, de 2002; Ocorre que a empresa Allergan conforme declaração datada de 27/03/2006 declarou que vendeu BOTOX para a empresa MS Medicina Estética S/C Ltda em 03/04/2002 pelo valor de R$ 6.228,65. Analisando o Livro Diário da MS Medicina Estética S/C Ltda registrado no 4° Oficial de Registro de Títulos e Fl. 1075DF CARF MF 4 Documentos e Civil de Pessoa Jurídica constatamos que esta despesa não foi contabilizada. Assim o lucro apurado que foi distribuído integralmente, fica reduzido do referido valor. Como o lucro foi totalmente distribuido para a contribuinte, o valor de R$ 6.226,65 constitui rendimento omitido pela contribuinte na DIRPF. 3) Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação em anexo. Infração capitulada no art. 849 do RIR/99; art. 42 da Lei n ° 9.430 de 1996; art. 4° da Lei n ° 9.481 de 1997; art. 1° da Lei n° 9.887, de 1999; art. 1° da Medida Provisória n ° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451, de 2002 A seguir apresentase os montantes que foram mantidos como depósitos de origem não comprovada: A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal, datado de 24/07/2006 (fls. 478/484), entre outros, os seguintes aspectos: que recebemos em 01/12/2005 o Mandado de Procedimento Fiscal, solicitando a instauração de fiscalização destinada a verificar as obrigações do contribuinte em epígrafe em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Física relativo aos anos calendário 2001 e 2002, tendo sido programada a operação Movimentação Financeira incompatível com rendimentos Declarados PF para os anos calendário 2001 e 2002; que, em 12/12/2005, foi expedida intimação inicial solicitando os extratos bancários das contas mantidas pelo declarante junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, incluindo as instituições Banco do Brasil S/A, Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 19515.001371/200631 Acórdão n.º 2202004.051 S2C2T2 Fl. 1.075 5 Bradesco, Citibank e Banco do Estado de São Paulo. A intimação foi enviada a contribuinte via postal com AR e recebida pela mesma em 20/12/2005; que, em 01/2006 e 12/006, a contribuinte forneceu os extratos bancários solicitados, bem como informes de rendimentos e outros documentos relativos à origem dos depósitos expressos em suas contas bancárias. Solicitamos então verbalmente que a contribuinte nos informasse por escrito as informações prestadas, bem como discriminasse os documentos que nos estava entregando; que, analisando as Declarações da empresa Allergan em confronto com recibos apresentados pela mesma e os extratos bancários constatamos que a contribuinte recebeu depósitos da Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda. a titulo de honorários para a pessoa jurídica MS e outros valores a titulo de Workshop, despesas de Workshop, despesas de viagens no pais e no exterior e pesquisas; que, em 26/04/2006 intimamos a contribuinte a comprovar as fontes que deram origem aos depósitos expressos nos extratos bancários do Banco Bradesco S/A ag. 22829 conta poupança n° 52.9206 tendo sido excluídos as transferências de mesma titularidade do Citibank conta 36037761, os proventos "Credito por conta firma e os depósitos relativos a pagamentos da empresa Allergan para a pessoa jurídica MS da qual a contribuinte é sócia e relativos aos anos calendário 2001 e 2002; que, na falta de comprovação da origem dos depósitos, os mesmos são considerados rendimentos omitidos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96 e art. 4° da Lei n° 9.481/97; que cumpre ressaltar a contribuinte não apresentou Livro Caixa e que os valores referentes a compras de Botox efetuadas pela contribuinte junto a Allergan, conforme documentação declaração da empresa e faturas apresentada por amostragem somam valores muito superiores aos rendimentos declarados pela contribuinte como recebidos de Pessoas Físicas o que não permitiu vincular os dois eventos. Irresignada com o lançamento o autuada apresenta, tempestivamente, em 24/08/2006, a sua peça impugnatória de fls. 510/587, instruído pelos documentos de fls. 588/659, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que a redação do parágrafo 3°, que aparece riscada, é a redação original da Lei n° 9.311/96. Esse dispositivo vedava à Secretaria da Receita Federal a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições (que não a CPMF) ou impostos. Na época, a administração da Receita Federal queria obter informações sobre a movimentação financeira dos clientes dos bancos comerciais, alegando que sem elas Fl. 1077DF CARF MF 6 não conseguiria fiscalizar a arrecadação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), já que carecia de elementos para aferir se os bancos estariam recolhendo os valores corretamente, que os bancos, por sua vez, não queriam fornecer os referidos dados, por entender que estariam violando o sigilo bancário de seus clientes, direito individual garantido pelo art. 5°, inciso XII, da Constituição Federal; que, inobstante a proibição contida na referida lei, a Receita Federal, ilicitamente, passou a valer se dos dados fornecidos pelos bancos, destinados unicamente para a fiscalização da CPMF, para cruzálos com informações prestadas pelas pessoas físicas e jurídicas em suas declarações de rendimento. Com isso, passou a sugerir que havia incompatibilidades entre a movimentação financeira de algumas dessas pessoas, denunciadas pelo seu pagamento da CPMF, com a renda informada nas citadas declarações; que o que causa espécie, entretanto, é que a Secretaria a Receita Federal passou a utilizarse dessa permissão para constituir créditos tributários relativos a períodos anteriores à data da publicação da referida lei, quando era expressamente vedado esse procedimento, nos termos da redação original do art. 11, 3°, da lei no. 9.311, de 24.10.1996; que a Lei 10.174/2001, diretamente, não criou tributo. Porém, da forma como está posta, ao alterar o artigo 11, § 3°, da lei 9.311/96, ela permite que se altere a forma de apuração da base de calculo do imposto de renda, mediante a utilização das informações fornecidas pelas instituições financeiras sobre a CPMF, ampliando a,de forma a provocar majoração da carga tributária, o que estava vedado, em favor da proteção do sigilo bancário; que destarte, o procedimento adotado pela Secretaria da Receita Federal não encontra suporte jurídico. Inequivocamente quanto ao ano calendário de 2001, a fiscalização, ao promover o lançamento de oficio, utilizou se de nova forma de tributação, com base em dispositivo legal ainda inaplicável, acabando por impor ao contribuinte exigência tributária mais gravosa que a efetivamente devida, no mesmo ano em que a referida Lei no. 10.174/2001 fora editada, o que não se pode admitir, face ao principio da anterioridade tributaria; que o saldo do imposto a pagar apurado na Declaração de Ajuste Anual, compreende o complemento do imposto devido e exigido durante o ano calendário sobre os rendimentos percebidos pelo beneficiário dos mesmos. O pagamento do saldo do imposto independe de qualquer notificação de lançamento, pois, como já exposto, o imposto é devido mensalmente e está submetido ao regime de lançamento por homologação; que o período de Janeiro a 25 de julho de 2001 essas atividades eram exercidas pela Impugnante na qualidade de pessoa física. A partir de 26 de julho os serviços começaram Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 19515.001371/200631 Acórdão n.º 2202004.051 S2C2T2 Fl. 1.076 7 a ser prestados pela empresa M.S. Medicina Estética S/C Ltda., da qual a Impugnante é sócia quotista majoritária. Assim, os rendimentos passaram a ser contabilizados como receitas por prestação de serviços na sociedade M.S. Medicina Estética S/C Ltda. Por falta de orientação mais precisa e consistente e ante a inexperiência da Impugnante como empresária, grande parte das receitas auferidas pela Pessoa Jurídica foram depositadas EM sua conta pessoa física, fato esse plenamente constatado pela fiscalização no curso dos trabalhos de auditoria. Por outro lado, a Impugnante continuou arcando com as despesas dos serviços prestados a ALLERGAN e, por esta, era reembolsada e ressarcida; que no que se refere aos depósitos efetuados nesta conta no curso do Ano Calendário de 2002, a Impugnante esclarece que expressivas parcelas têm origem plenamente comprovada, pois decorrem de rendimentos auferidos no referido período e submetidos à tributação na Declaração de Ajustes Anual do Exercício de 2003, valores recebidos da empresa ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS LTDA., transferências interbancárias, depósitos por serviços prestados cujos cheques foram estornados por insuficiência de fundos, resgates de investimentos em ações, créditos decorrentes de ajuste de cambio, tudo conforme demonstrativo apenso; que independentemente do acolhimento da improcedência da imputação dos juros moratórios calculados com base na Taxa SELIC que, conforme demonstrado, étotalmente improcedente, ilegal e inconstitucional, o impugnante protesta, adicionalmente,pela suspensão de sua incidência e exigibilidade período compreendido entre a data da protocolização desta Impugnação e a proferir decisão final do feito na esfera administrativa —lª e 2ª Instâncias. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: Que no tocante ao pedido para produção de todos os meios de prova admitidos no processo administrativo, notadamente a juntada de novos documentos e outros ue se fizerem necessários, cumpre lembrar que os §§ 4° e 5° do art.16 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações, estabelecem a preclusão da juntada de prova documental após trazida a impugnação, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos; que a contribuinte alegou que deve ser declarada a decadência quanto ao lançamento do IRPF do período de Fl. 1079DF CARF MF 8 janeiro a junho de 2001, por força do disposto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN) e porque a legislação prevê fatos geradores mensais para o imposto em questão, citando doutrina e jurisprudência a seu favor. Entretanto, o prazo não é aquele como calculou e deu a entender a contribuinte na impugnação; que para a infração apontada temse que, embora as quantias sejam embolsadas e desembolsadas mensalmente, os valores apurados serão acrescidos aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendo se a aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Vejase que o Fisco somente terá condições de apurar esses valores no momento da apresentação da referida declaração pelo contribuinte. Isso porque apenas após a efetiva entrega da declaração ou, na hipótese de não haver tal entrega, findo o prazo limite para sua apresentação é que o Fisco tem condições de verificar o descumprimento da obrigação tributária e efetuar o lançamento do tributo; que ademais, diante dessas limitações colocadas a atuação da autoridade administrativa, torna se evidente a idéia de que os princípios constitucionais relacionados com juízos valorativos associados às imposições tributárias são dirigidos à atuação do legislador. Apenas este, que tem a competência de legislar soberanamente, é que cabe ter em conta, na produção da norma tributária, critérios e princípios como os reclamados pela contribuinte. Depois de formulada a norma, entretanto, sua aplicação se impõe de forma objetiva, sem espaço para juízos discricionários por parte de quem a ela deve obediência; que, a CPMF é contribuição que incide sobre movimentação e transmissão de valores, créditos e direitos de natureza financeira. O sujeito passivo do tributo são as instituições financeiras que, na qualidade de responsáveis tributários (CTN, art. 121, parágrafo único, II), devem reter e posteriormente recolher o tributo aos cofres da União, que é a entidade a quem compete administrar o tributo; que os juros moratórios foram calculados na forma da Lei n° 9.430/1996, art. 61, § 30 (fl. 494), com base na taxa Selic, sendo que o § 1° do art. 161 do CTN é claro ao estabelecer que os juros serão de 1% ao mês se a lei não dispuser de modo diverso e, como visto, a lei supramencionada assim dispôs. que vale dizer, o contribuinte que não realiza devidamente o seu dever de contribuir para a sociedade através de tributos e que ao ser cobrado ainda utilizase do serviço da jurisdição administrava, ao final da demanda, se não lhe couber a razão, dever arcar com os custos da mesma, ainda que indiretamente através dos juros morat6rios, pelo "principio da sucumbência" existente no CPC de 1939, artigo 64, que Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 19515.001371/200631 Acórdão n.º 2202004.051 S2C2T2 Fl. 1.077 9 passou a vigorar em razão da alteração que lhe foi dada pela Lei n°4.632/1965; que logo, cabe ao contribuinte demonstrar a origem dos valores depositados em sua conta bancária; não o fazendo, a presunção legal é de que tais depósitos originam se de rendimentos subtraídos a tributação e, portanto, cabe ao fisco proceder simplesmente ao lançamento dos rendimentos assim obtidos por meio de prova presuntiva, nos termos legais. Sendo uma presunção legal, não elidida pelo contribuinte com apresentação de provas, não é necessário a comprovação, por parte da Fiscalização, do aumento patrimonial do contribuinte; que conforme já dito anteriormente no presente voto, a presunção legal relativa admite prova em contrario, ficando esta inteiramente a cargo da contribuinte, não podendo porém as provas apresentadas se embasarem apenas em indícios e meras alegações, mas em dados concretos e consistentes que demonstrem a origem real dos recursos depositados na conta bancária examinada, coincidentes em datas e valores com esses; que, a impugnante alegou que na determinação da base de cálculo do imposto devido no ano calendário 2001, não se observou que ela e seu cônjuge Leonardo Biancalana apresentaram declaração de ajuste em separado, sendo aplicável o disposto no artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430 de 1996, acrescentado pela Lei n° 10.637 de 2002; que, a impugnante alegou que não pode prosperar a pretensão fiscal de considerar como rendimentos tributáveis valores recebidos pela impugnante a titulo de ressarcimento de despesas realizadas por conta e ordem da Allergan, por não tipificar rendimentos auferido por profissional liberal, conforme artigo 45 do Decreto n° 3.000/1999 e jurisprudência; que, alegou ainda que a pretensa omissão de compras pela pessoa jurídica decorreu de equivoco quando da emissão da respectiva fatura, pois, efetivamente, a compra do material ali descrito foi efetuado pela impugnante, tanto é que o valor de R$ 6.228,65 foi debitado da sua conta corrente mantida junto ao Citybank; que a distribuição de lucro excedente ao lucro presumido seja isenta do imposto, necessário se faz que a escrita contábil da empresa esteja de conformidade com a legislação comercial; caso contrário, sujeita se A incidência do Imposto de Renda, devendo submeter se ao ajuste anual do imposto devido pela pessoa física beneficiária; que o balanço da empresa M. S. Medicina Estética S/C Ltda., não foi realizada com a observância das leis comerciais e fiscais, posto que a autoridade lançadora detectou omissão de Fl. 1081DF CARF MF 10 compras, mantida à margem da contabilidade. Nessas circunstâncias, revelase procedente a tributação dos rendimentos atribuídos à sócia da empresa. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano calendário: 2001, 2002 Decadência. IRPF. Ajuste Anual. 0 dies a quo da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento relativamente ao imposto de renda das pessoas físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no ano calendário, e tendo havido o pagamento do imposto devido, seja por meio da declaração de ajuste anual, seja por antecipação do pagamento do imposto pelo recolhimento a titulo de "carnê leão" ou "mensalão", ou mediante retenção do imposto pela fonte pagadora, tem inicio na data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo ano calendário. Preliminar de Nulidade. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, afastam se as preliminares de nulidade argüidas. Preliminar de Ilegalidade e Inconstitucionalidade. A instancia administrativa e incompetente para manifestar se sobre a constitucionalidade de leis. Preliminar. Irretroatividade da Lei Tributaria. Utilização de Informações Relativas a CPMF. E legitima a utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas a CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido antes da vigência da Lei n° 10.174, de 2001. Juros de Mora. Selic. E legitima a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic, por expressa determinação legal, não cabendo a autoridade administrativa pronunciar se sobre inconformidade acerca de atos legais validamente editados. Juros de Mora. Suspensão. Os juros de mora serão devidos, inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 19515.001371/200631 Acórdão n.º 2202004.051 S2C2T2 Fl. 1.078 11 decisão administrativa ou judicial, salvo quando existir deposito no montante integral. Omissão de Rendimentos. Depósitos Bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos recursos. Conta Conjunta. Comprovado que a conta bancária é de titularidade conjunta, fato não considerado quando do lançamento, os valores cuja origem não foi justificada devem ser divididos pelo número de titulares. Distribuição de Lucros de Empresa Tributada com Base no Lucro Presumido. Condições e Limites da Não Incidência. A distribuição de rendimentos a titulo de lucros ou dividendos, em valor excedente ao lucro presumido, diminuído dos impostos e contribuições, somente não se sujeitará a tributação, se a pessoa jurídica mantiver escrituração contábil que atenda à legislação comercial. Lançamento Procedente em Parte. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem aceitar algumas justificativas trazidas com a impugnação no que toca aos depósitos bancários. Além disso, resolveu afastar 50% da conta conjunta mantida no Banco Bradesco, tendo em vista que da análise dos extratos das contas n° 529206, na agencia 22829 do Bradesco, bem como pelos documentos de fls. 208 e 210, podese concluir que elas eram em conjunto com seu esposo Leonardo Biancalana, que apresentou DIRPF em separado no exercício 2002 (fIs. 643/644). Adicionalmente no que toca a omissão de rendimentos recebidos a pessoa jurídica, as alegações foram parcialmente acatadas nos termos dos valores a seguir: Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 14/09/2009,conforme Termo constante à fl. 764 e, com ela não se Fl. 1083DF CARF MF 12 conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (13/10/2009), o recurso voluntário de fls. 693/763, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, senhores conselheiros, é irreprochável e inatacável que a 2° Turma de Julgamento da DRJ/Campo Grande, responsável pelo Acórdão ora recorrido, teria o dever e a obrigação de apreciar e julgar qualquer Aditamento Impugnação que pudesse ser interposta pela Recorrente, sob pena de violação de disposições constitucionais que amparam o direito ao contraditório e a ampla, total e irrestrita defesa; que, quanto ao item decadência lançamento por homologação o digno Julgador Relator às fls. 665/666 dos autos, expôs suas razões contestando o todo sustentado pela Recorrente na fase impugnatória que, como dito, deve ser considerado como parte integrante do presente Recurso; que, a recorrente sustentou e sustenta que o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, aplicava se somente aos tributos cujo lançamento era do tipo misto ou complexivo, quando o imposto de renda retido na fonte era tido e havido como antecipação do imposto a ser apurado na Declaração de Rendimentos apresentada anualmente. Somente após a apresentação da Declaração de Rendimentos tinha a Administração Fazendária condições de promover o lançamento do credito tributário, exigindo do sujeito passivo eventuais diferenças de imposto a recolher. Nesta hipótese havia a constituído do crédito tributário pelo lançamento e tanto ri verdade que no momento da entrega da Declarado de Rendimentos ao contribuinte era fornecido o recibo de entrega e notificação de lançamento; que, a partir do exercício de 1989 Ano calendário de 1988 não há que se falar na modalidade de lançamento com base na declaração prevista Art. 147 do CTN e, por decorrência, torna se inaplicável o disposto no Art. 173, I, do Código Tributário Nacional. A partir de 1° de janeiro de 1989 o contribuinte pessoa física, passou a ter seus rendimentos tributados em bases mensais. A declaração de ajuste anual tem por objetivo apurar eventuais saldo de imposto a pagar ou valor a restituir, com base na declaração de ajuste anual, não há a constituição do credito tributário através do lançamento conforme prescrito no Art. 142 do CTN e, se não há lançamento, não há que credito tributário constituído; que, o ilustre Julgador Relator, as fig. 666/668 dos autos, no seu voto faz a análise técnico/jurídica de preliminar de nulidade da autuação fiscal, sem que para tal tivesse a Recorrente colocado esta matéria em sede preliminar da impugnação interposta. Em sede preliminar a Recorrente sustentou a violação ao principio da irretroatividade e anterioridade da Lei Tributária e a "Decadência" em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de Janeiro a Junho de 2001, protestando pela Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 19515.001371/200631 Acórdão n.º 2202004.051 S2C2T2 Fl. 1.079 13 Improcedência e insubsistência da autuação guerreada. Tece diversos, comentários jurídico/tributário/constitucional sobre a matéria; que, senhores conselheiros, é inconteste que no campo tributário, não cabe presunção de omissão de rendimentos, sem legislação que expressamente o estabeleça. E, compulsando se a legislação tributária que rege a matéria, não se vislumbra qualquer ato legal que autorize o Fisco a presumir que os valores depositados ou retirados junto à instituição financeira constituem, por si só, rendimentos passíveis de tributação; que, posteriormente, a Lei 9.430/96 permitiu o lançamento por meio de depósitos bancários sem a respectiva origem comprovada. Mas esta lei não retira o preceito do arbitramento com base em depósitos bancário, isto é, da necessidade de comprovação de sinais exteriores de riquezas; que, no caso da presente autuação, como se verá adiante, o recorrente demonstrou a origem dos recursos depositados/creditados em suas contas bancárias. Portanto, suas declarações, assim como os informes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras, não evidenciam efetivamente sinais exteriores de riqueza que justifique o arbitramento levado a cabo pela fiscalização. Em 22 de novembro de 2012 a turma decidiu, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do §3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012 (fls. 1040). Em 15/04/2014 o processo foi sorteado ao Conselheiro Antônio Lopo Martinez. Em 20 de janeiro de 2015 a turma decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do então conselheiro relator para: Diante dos fatos, tendo em vista a documentação acostada, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem anexe ao processo a prova de que o cotitular, Leonardo Biancalana, foi regularmente intimado a comprovar a origem dos recursos objeto da autuação, dandose vista a recorrente, com prazo de 10 (dez) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em 11/03/2016 a autoridade fiscal esclareceu as questões objeto da diligência nos seguintes termos (fls. 1065): Conforme solicitado tenho a informar que embora a conta do Banco Bradesco S/A ag. 22829 c/c 52.9206 fosse conjunta e tendo como cotitular Leonardo Biancalana, a fiscalização por ocasião da Ação Fiscal intimou a contribuinte MARIA MATILDE DE MELLO SPOSITO e deixou de intimar o co titular a comprovar a origem dos recursos objeto de autuação. Fl. 1085DF CARF MF 14 A fiscalização adotou este procedimento tendo em vista que foi solicitado a contribuinte a comprovação de todos os depósitos expressos nesta conta e a mesma comprovou os rendimentos recebidos pelo cotitular e que estavam depositados nesta c/c (Doc. Fls. 454 à 457). Estes valores foram declarados pelo co titular na DIRPF em época própria e, portanto excluídos deste lançamento fiscal. Em 29 de abril de 2016 foi dada ciência à contribuinte do resultado da diligência. (AR fls. 1070). A contribuinte não apresentou manifestação sobre o resultado da diligência. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) DECADÊNCIA DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS MESES DE JANEIRO A JUNHO DE 2001 De acordo com o Recorrente, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no art. 150 §4ºdo CTN. Assim, o crédito tributário relativo aos meses de janeiro a junho de 2001, referente a omissão de rendimentos de depósitos bancários de origem não comprovada estariam decaídos. Isso porque como o auto de infração foi lavrado em 24 de julho de 2006, tendo o contribuinte tomado ciência em 26 de julho de 2006, o direito de lançar o crédito tributário já estaria extinto para os meses de janeiro, março, abril, maio e junho do anocalendário de 2001. Incorretas as alegações do Recorrente. É entendimento pacífico no âmbito do CARF que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário"(Súmula CARF nº 38) . Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 2001. Em face do exposto, rejeito a preliminar 1.2) VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE Alega o Recorrente que o Auto de Infração seria nulo, uma vez que o fiscal se valeu do disposto no §3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24/10/1996, conferindo ao referido dispositivo eficácia retroativa. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 19515.001371/200631 Acórdão n.º 2202004.051 S2C2T2 Fl. 1.080 15 Em primeiro lugar, é importante destacar que ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF não é dada a possibilidade de se manifestar sobre matéria de índole constitucional. Tal impossibilidade encontrase, inclusive, sumulada, conforme se verifica pela Súmula CARF nº 2 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De todo modo, ainda que fosse possível a este conselho se manifestar sobre alegações de ofensa ao princípio da irretroatividade e anterioridade, tais alegações não procedem. Em relação a alegação de ofensa ao princípio da irretroatividade, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras Fl. 1087DF CARF MF 16 do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) A alegação de ofensa ao princípio da anterioridade é igualmente improcedente. Isso porque, conforme exposto na decisão acima transcrita a Lei nº 10.174/01 não instituiu tributo novo ou aumento a alíquota ou base de cálculo de tributos já existentes. Ela apenas conferiu a autoridade administrativa maiores poderes de fiscalização. Nesse caso, o próprio Código Tributário Nacional, é claro ao dispor em seu artigo 144, §1º que "aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." Em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. 2) MÉRITO 2.1) INAPLICABILIDADE DOS JUROS COM BASE NA TAXA SELIC O Recorrente reitera a alegação de impossibilidade de se calcular os juros com base na taxa SELIC em razão da sua ilegalidade. Improcedente a alegação da Recorrente. A aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários é matéria pacificada no âmbito deste conselho conforme se verifica pela Súmula 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 19515.001371/200631 Acórdão n.º 2202004.051 S2C2T2 Fl. 1.081 17 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 2.2) DA SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA E EXIGIBILIDADE DOS JUROS DE MORA NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Alega o recorrente que a incidência de juros de mora deveria estar suspensa durante o curso do contencioso administrativo fiscal, uma vez que este só se efetivou por provocação da Administração Tributária que lançou créditos indevidos. A referida alegação toma como pressuposto uma inversão lógica, qual seja, a de que a "responsabilidade" pela existência e tramitação do contencioso administrativo é da fazenda. Ora, o contencioso administrativo é um direito concedido ao contribuinte que quer discutir a legalidade e correção do lançamento contra ele efetuado. Em outras palavras, o contencioso só existe porque foi identificado tributos que não foram pagos ou que foram pagos a menor.O Código Tributário Nacional é claro ao dispor sobre a incidência de juros ao afirmar, em seu artigo 161, que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." Por fim, a Súmula 5 do CARF não deixa dúvidas ao dispor que "são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa a sua exigibilidade" 2.3) DA ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO APENAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrentei que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 1089DF CARF MF 18 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 19515.001371/200631 Acórdão n.º 2202004.051 S2C2T2 Fl. 1.082 19 Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 2.4) INCORREÇÕES NO LEVANTAMENTO FISCAL Nesse tópico a Recorrente reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação relativas aos diversos depósitos nas contas bancárias objeto do presente lançamento. É importante observar que a decisão recorrida analisou uma a uma todas as contas e os depósitos mencionados pelo então Impugnante, mencionando os valores que deveriam ser acatados como comprovados e os que deveriam ser mantidos. A referida análise encontrase às fls. 699/705 da decisão recorrida. O Recorrente não trouxe qualquer nova alegação que pudesse infirmar as conclusões ali expostas, motivo pelo qual devem ser mantidas. 2.5) DO LUCRO DISTRIBUÍDO AO SÓCIO ACIMA DO LUCRO AUFERIDO Nesse ponto, o trabalho fiscal entendeu que houve omissão de registro de compras da pessoa jurídica M. S. Medicina Estética S/C Ltda, alterando, através da fiscalização da pessoa física, a composição do lucro contábil apurado pela empresa. O Recorrente, por sua vez, alega que o lançamento, tal como efetuado, seria inconcebível, pois, se ocorreu a citada omissão, deveria a fiscalização ter promovido a devida representação fiscal para a competente ação fiscal junto à citada pessoa jurídica. Incorretas as alegações do Recorrente. Como bem observou a decisão recorrida: No caso em exame, em decorrência de ação fiscal realizada na pessoa física, foi constatada a existência de compra de mercadoria pela pessoa jurídica de propriedade da autuada, que ficou à margem da escrita contábil, conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal às fls. 483/484. Tal fato evidencia que a escrituração não foi realizada com observância das leis comerciais e fiscais, ensejando, assim, a desconsideração do pretenso lucro efetivo apurado e passível de distribuição sem incidência do imposto de renda (fls. 477) Ressaltese que, em se tratando de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela do lucro distribuído excedente ao valor da base de cálculo do imposto, diminuída dos impostos e contribuições, somente não se sujeitará à tributação, se a pessoa jurídica demonstrar, por meio de escrituração contábil, efetuada de conformidade com a legislação comercial, que o lucro contábil é superior ao determinado pelas normas de Fl. 1091DF CARF MF 20 apuração da base de cálculo do imposto calculado com base no lucro presumido 2.6) DA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO COTITULAR NA CONTA CONJUNTA DO BANCO BRADESCO A decisão recorrida acatou a alegação do então impugnante no sentido de que quanto aos depósitos da conta 529206, na agência 22829 do Bradesco foram considerados em sua totalidade, quando, em obediência ao disposto no artigo 42, §6º, da Lei nº 9.430/1996, acrescentado pela Lei nº 10.637/2002, os valores correspondentes a esta última conta deveriam ser considerados e sua metade. Todavia, conforme demonstrado no resultado da diligência o cotitular da mencionada conta, Sr. Leonardo Biancalana, não foi intimado a comprovar a origem dos depósitos. A necessidade de intimação dos cotitulares das contas bancárias é matéria sumulada neste Conselho, conforme se verifica pela Súmula nº 29 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos a conta corrente de nº conta 529206, na agência 22829 do Bradesco, em razão da ausência da intimação da cotitular Leonardo Biancalana. |3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos a conta corrente de nº conta 529206, na agência 22829 do Bradesco, em razão da ausência da intimação da co titular Leonardo Biancalana. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1092DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.900422/2013-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2008
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.897
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2008 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13116.900422/2013-54
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5757636
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.897
nome_arquivo_s : Decisao_13116900422201354.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13116900422201354_5757636.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6890712
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470310023168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.900422/201354 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.897 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2008 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 04 22 /2 01 3- 54 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.900422/201354 Acórdão n.º 3201002.897 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.538, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.900422/201354 Acórdão n.º 3201002.897 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.900422/201354 Acórdão n.º 3201002.897 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.900422/201354 Acórdão n.º 3201002.897 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13116.900422/201354 Acórdão n.º 3201002.897 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13116.900422/201354 Acórdão n.º 3201002.897 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13116.900422/201354 Acórdão n.º 3201002.897 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13116.900422/201354 Acórdão n.º 3201002.897 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13116.900422/201354 Acórdão n.º 3201002.897 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.936612/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO - IRPJ
Uma vez que o fundamento para a denegação do pedido original foi a não comprovação de retenções de imposto sobre a renda, deve ser reconhecido o valor suplementar de direito creditório relativo ao saldo negativo no período no montante comprovado pela defesa.
Numero da decisão: 1401-001.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório ao valor original suplementar de R$185.940,00.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declararam-se impedidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO - IRPJ Uma vez que o fundamento para a denegação do pedido original foi a não comprovação de retenções de imposto sobre a renda, deve ser reconhecido o valor suplementar de direito creditório relativo ao saldo negativo no período no montante comprovado pela defesa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.936612/2010-16
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5753891
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.932
nome_arquivo_s : Decisao_10880936612201016.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 10880936612201016_5753891.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório ao valor original suplementar de R$185.940,00. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declararam-se impedidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6879972
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470315266048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1445; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 161 1 160 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.936612/201016 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.932 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria Restituição Recorrente MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO IRPJ Uma vez que o fundamento para a denegação do pedido original foi a não comprovação de retenções de imposto sobre a renda, deve ser reconhecido o valor suplementar de direito creditório relativo ao saldo negativo no período no montante comprovado pela defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório ao valor original suplementar de R$185.940,00. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 66 12 /2 01 0- 16 Fl. 161DF CARF MF 2 Barbosa. Declararamse impedidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A interessada transmitiu, em 17 de abril de 2006, a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) numerada 12083.91429.170406.1.2.025520, alegando dispor de direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ – Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – apurado no exercício de 2006. DESPACHO DECISÓRIO Tal declaração foi examinada pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de nº 868507849, de 6 de julho de 2010, nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: (...) Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 2.456.667,45 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 2.456.667,45 IRPJ devido: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 2.132.359,99 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 02999.64011.040506.1.3.023000 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.936612/201016 Acórdão n.º 1401001.932 S1C4T1 Fl. 162 3 00284.66313.040506.1.3.020934 37327.37470.050506.1.3.022604 33261.69725.120506.1.3.025590 07630.13173.120506.1.3.028389 01889.09875.250506.1.3.028693 06125.77874.020606.1.3.028201 19709.96887.070606.1.3.025370 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 12083.91429.170406.1.2.025520 À fl. 13, encontramse as “Informações Complementares da Análise de Crédito” relativas à DCOMP acima mencionada, dentre as quais se copia a seguinte tabela, correspondente às retenções na fonte não aceitas na composição do saldo negativo de IRPJ: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente em 30 de agosto de 2010, a interessada apresentou, em 17 de agosto de 2010, manifestação de inconformidade de fls. 32 e ss, em que alegava: [...] a) Divergência no valor de R$ 31.440,66: Valor não reconhecido pela RFB por suposta não comprovação de retenção [...] Para comprovação da referida retenção a Recorrente junta o Informe de Rendimentos (comprovante de retenção de IRRF) enviado pela IFC Indústria de Fertilizantes S/A (doc. 04). b) Divergência no valor de R$ 185.940,08: Valor não reconhecido pela RFB por suposta não comprovação de retenção [...] Para comprovação da referida retenção a Recorrente junta os comprovantes de retenção de IRRF enviados pela Gradual C.M.F. Ltda. Para que não paire dúvidas quanto retenção, também junta a contabilização do IRRF retido (R$ 107.820,00, R$ 39.720,77 e R$ 38.400,04) e o recebimento liquido da receita correspondente (R$ 431.280,00, R$ 158.880,18 e R$ 153.600,18, respectivamente), por meio de lançamento a crédito na conta contábil "Derivativos a receber" contra lançamentos a débito Fl. 163DF CARF MF 4 nas contas contábeis "Impostos a Recuperar" e "Oficial Recebimento — Banco Bradesco S/A". Ademais, junta extrato bancário do Banco Bradesco, que comprova o recebimento do valor liquido da receita (R$ 431.280,00, R$ 265.439,18 e R$ 158.880,18) (doc. 05). Não é demais, acrescentar, que durante o prazo para apresentação da presente Manifestação de Inconformidade, a Requerente tentou obter perante a Gradual C.M.F. Ltda. informações, DIRF ou qualquer outro documento relacionado ao caso, não tendo logrado sucesso até a presente data. c) Divergência no valor de R$ 32.443,80: Valor não reconhecido pela RFB por suposta não comprovação de retenção [...] Para comprovação da referida retenção a Recorrente junta o Informe de Rendimentos (comprovante de retenção de IRRF) enviado pela Fertilizantes Fosfatados S/A Fosfertil d) Divergência no valor de R$ 74.083,25: Valor, não reconhecido pela RFB por suposta não comprovação de retenção [...] Para comprovação da referida retenção a Recorrente junta o DARF de recolhimento do IRRF enviado pela Gradual C.C.T.V.M. Ltda. Para que não paire dúvidas quanto retenção, também junta a contabilização do IRRF retido (R$ 74.083,25) e o recebimento líquido da receita correspondente (R$ 296.333,02), por meio de lançamento a crédito na conta contábil "Derivativos a receber" contra lançamentos a débito nas contas contábeis "Impostos a Recuperar" e "Oficial Recebimento Banco Bradesco S/A". Ademais, junta extrato bancário do Banco Bradesco, que comprova o recebimento do valor líquido da receita. (R$ 296.333,02) (doc. 07). Não é demais acrescentar, que durante o prazo para apresentação da presente Manifestação de Inconformidade, a Requerente tentou obter perante a Gradual C.C.T.V.M. Ltda. informações, DIRF ou qualquer outro documento relacionado ao caso, não tendo logrado sucesso até a presente data. Conforme o disposto no art. 40, da Instrução Normativa SRF n° 119/2000, a comprovação da retenção na fonte pode ser efetuada mediante o Comprovante Anual de Rendimentos pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica, conhecido como o "Informe de Rendimentos": [...] Ademais, a comprovação da retenção na fonte também pode ser efetuada mediante outras provas inequívocas, hábeis e idôneas, tais como registros contábeis da retenção do tributo e da receita liquida correspondente, extratos bancários Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.936612/201016 Acórdão n.º 1401001.932 S1C4T1 Fl. 163 5 demonstrando o recebimento liquido, declarações da fonte pagadora quanto à retenção e DARF de recolhimento do IRRF. [...] Além disso, necessário ressaltar que a Receita Federal não pode penalizar o beneficiário do rendimento que sofreu a retenção por erros ou omissões da fonte pagadora no recolhimento do IRRF ou no cumprimento de obrigações acessórias. Isso porque cabe à fonte pagadora recolher o IRRF, consoante o disposto no art. 101, do DecretoLei n° 5.844/1943: [...] Ademais, o cumprimento de obrigações acessórias, em especial ao fornecimento de comprovante de retenção ao beneficiário do rendimento, também é de responsabilidade da fonte pagadora, conforme determina o art. 942, do RIR: [...] Nesse sentido, também confirase a Solução de Consulta n° 357/2007, que esclarece que a responsabilidade pela retenção, recolhimento e demais obrigações acessórias recai sobre a fonte pagadora: [...] Nesse contexto, a Instrução Normativa SRF n° 119/2000, que regulamenta a emissão do comprovante de retenção, dispõe que erro ou omissão da fonte pagadora na emissão do Informe de Rendimentos é passível de imputação de penalidade específica à fonte pagadora: [...] Assim, eventual não recolhimento do IRRF pela fonte pagadora ou, ainda, ocasional equivoco no preenchimento de DIRF ou comunicação similar. A Receita Federal não poderá prejudicar a Recorrente, pois comprovadamente sofreu a retenção do imposto. Nesse ponto, cumpre observar que o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante por simples equivoco de ordem formal e acessória por parte da fonte pagadora implica em ofensa à veracidade dos registros contábeis, ofensa ao principio da verdade material, e ofensa ao principio da razoabilidade e proporcionalidade. De fato, em conformidade com o disposto no DecretoLei n° 1.598/1977, em seu artigo 9°, §§ 1° e 2°, a escrituração contábil mantida pelo contribuinte faz prova em seu favor, cabendo à Administração Tributária provar eventual inveracidade dos fatos registrados: [...] Fl. 165DF CARF MF 6 E, realmente, no âmbito do processo administrativo prevalece a verdade material em detrimento da verdade formal, ou seja, o julgador deve buscar a realidade dos fatos mediante exame de todas as provas trazidas pelas partes e, inclusive, mandar fazer outras investigações para verificação dos fatos. Nesse rumo, é de todo oportuno trazer as explanações de Antônio da Silva Cabral: [...] Assim, quaisquer dúvidas acerca do recolhimento do IRRF, deverá ensejar averiguação pela Receita Federal do procedimento realizado pela fonte pagadora após retenção, sem qualquer prejuízo à Recorrente, que, nos termos da legislação, sofreu a retenção do imposto e tem direito ao reconhecimento do Saldo Negativo de IRPJ ora pleiteado. E por fim, imperioso esclarecer que a Administração Pública deve observar o Princípio da razoabilidade e da proporcionalidade em seus atos administrativos, para que haja um proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. A luz dessa premissa, o mero erro da fonte pagadora em sua DIRF não deve acarretar o não reconhecimento do direito creditório liquido, certo e comprovado da Manifestante, sob pena de ofensa aos parâmetros da razoabilidacle e proporcionalidade. Repitase, na medida em que há comprovação da retenção do IR e de que não há qualquer prejuízo ao erário federal, não pode a contribuinte sofrer sanção de tamanha gravidade, qual seja, a glosa de seu crédito. Portanto, há de se reconhecer o direito creditório integral da Manifestante. DIFERENÇA NO VALOR DE R$ 399,67 POR SUPOSTA TRIBUTAÇÃO PARCIAL DA RECEITA CORRESPONDENTE: Conforme acima exposto, a diferença de R$ 399,67 decorre de suposta tributação parcial da receita correspondente, conforme disposto abaixo. […] De inicio, frisese que o IRRF no montante de R$ 554,92 decorre de rendimentos de operações de daytrade, no valor bruto de R$ 55.493,60 (doc. 08), sendo que R$ 15.525,00 foram tributados na linha 22 (Ganhos em operações daytrade) da Ficha 6A da DIPJ 2006 (doc. 09) o restante na linha 33 da Ficha 6A da DIPJ 2006 (doc. 09). Note que na conta contábil de Resultado de Operação Day Trade (conta do razão n°124405) o saldo credor é de R$ 15.525,00, pois houve um lançamento contábil a débito de regularização no valor de R$ 36.500,00 (doc. 10). Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.936612/201016 Acórdão n.º 1401001.932 S1C4T1 Fl. 164 7 Ocorre que a contrapartida do lançamento a débito na conta de Resultado de Operação DayTrade no valor de R$ 36.500,00 foi um lançamento a crédito na conta de Resultado de Hedge (conta do razão nº 124401) (doc. 11), para fins reclassificação de receita, de forma que houve efeito nulo no resultado da empresa (lançamento a débito no resultado contra lançamento a crédito no resultado). Inclusive, para a comprovação da tributação do Resultado de Hedge, vide a abertura da linha 33 da Ficha 6A da DIPJ 2006, na qual consta a conta do razão n 124401 (doc. 12). Assim, demonstra a Manifestante o seu direito creditório, visto que as retenções do IRPJ devidamente informadas na ficha 50 (doc. 08) da DIPJ 2006 foram comprovadas, e as respectivas receitas foram devidamente submetidas à tributação, consoante atesta a ficha 6A da DIPJ (doc. 09), demonstrandose, assim, o seu direito creditório dentro dos parâmetros estabelecidos na lei. Desse modo, esperase que o direito creditório da Recorrente seja integralmente reconhecido, visto a exaustiva comprovação de que a Recorrente sofreu as referidas retenções de IRPJ, que constituem o saldo negativo de IRPJ em questão, e que e que as respectivas receitas foram submetidas à tributação, impondose a reforma da r. decisão e a homologação integral das compensações pleiteadas. 4. DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requer: a) a imediata suspensão da exigibilidade dos débitos vinculados ao presente processo, com fundamento no art. 74, § 90, da Lei n° 9.430/96 e art. 151, III, do CTN; b) o reconhecimento do Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 2005 no montante de R$ 2.456.667,45, decorrente da comprovada retenção do IRRF em sua composição; c) diligência fiscal e perícia contábil, pairando qualquer dúvida com relação à retenção do IR. d) homologação total dos PER/DCOMPs: [...] A interessada junta excertos doutrinários e jurisprudenciais. Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento deu provimento parcial à manifestação de inconformidade (fls. 8493), nos termos que se seguem. Fl. 167DF CARF MF 8 Reconheceu as diferenças de IRRF relativas aos valores de de R$ 31.440,66 e R$ 118.076,46, as quais, portanto, não fazem parte do objeto do recurso. Não reconheceu as retenções supostamente realizadas pelas pessoas jurídicas de CNPJ 04.833.264/000187 e 33.918.160/000173, nos valores de R$ 185.940,08 e R$ 156.858,30, por considerar que o contribuinte não juntou documentos hábeis e idôneos para a comprovação nos termos da IN SRF nº 698/06. No tocante ao IRRF glosado em decorrência de oferecimento parcial à tributação do rendimento tributado, asseverou que o argumento apresentado pela interessada não procede, um vez que aponta ter oferecido tal rendimento em linha da DIPJ relativa a perda e não a ganho (linha 33 da Ficha 6A da DIPJ 2006, "PERDAS INCOR. NO MERC. DE RENDA VAR., EXC. DAYTRADE”). DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 95 a 105, mediante o qual tece as considerações abaixo. Inicialmente, trata da aceitação dos documentos e afirma que o comprovante de rendimentos não pode ser considerado o único documento capaz de comprovar as retenções. Especificamente quanto aos valores a se comprovar, aduz que o montante de R$ 185.940,08 relativo ao CNPJ 04.833.264/000187 é composto pelas parcelas de R$ 39.720,04 (Doc 02), R$ 38.400,04 (Doc 03) e R$ 107.820,00 (Doc 04). Para comprovar tais parcelas, juntou "avisos de contas correntes" emitido pela própria fonte pagadora e os registros contábeis da recorrente. Com relação ao R$ 156.858,30 relativo ao CNPJ 33.918.160/000173, aduz que é composto pelas parcelas de R$ 42.896,02, R$ 74.327,72 e R$ 39.879,03, mas a Receita Federal só reconheceu a quantia de R$ 82.775,05. Assim, junta os DARF dos recolhimentos e os registros contábeis na escrituração da recorrente. Afirma ainda que suas tentativas de obter os comprovantes da fonte pagadora foram infrutíferas. No tocante ao IRRF glosado em decorrência de oferecimento parcial à tributação do rendimento tributado, no valor de R$ 399,67, a defesa não teceu qualquer oposição específica. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator A controvérsia no presente feito é de índole fática e estritamente probatória. Passamos, assim, a analisar os supostos fatos diante da documentação apresentada. No tocante ao montante de R$ 185.940,08 relativo ao CNPJ 04.833.264/000187, os documentos citados pela defesa constam das folhas 133 a 135. Apesar Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.936612/201016 Acórdão n.º 1401001.932 S1C4T1 Fl. 165 9 de um deles não estar assinado, pareceme bastante verossímil, em face do seu conteúdo, que se refere a um fato realmente ocorrido. Considero, pois, comprovada a retenção dos R$ 185.940,08. Relativamente ao valor de R$ 156.858,30 relativo ao CNPJ 33.918.160/0001 73, a recorrente afirma que é composto pelas parcelas de R$ 42.896,02, R$ 74.327,72 e R$ 39.879,03, e que a Receita Federal já havia reconhecido o montante de R$ 82.775,05. De fato, já foram reconhecidos R$ 82.775,05, valor que coincide perfeitamente com a soma de duas das parcelas indicadas pela recorrente. Logo, cabenos apreciar a parcela de R$ 74.327,72. Para tal, a defesa junta DARF dos recolhimentos e os registros contábeis na escrituração da recorrente. Apesar de o DARF atinente ao valor de R$ 74.327,72 possuir as mesmas características dos DARF relativos aos valores de R$ 42.896,02 e R$ 39.879,03, não é possível atestar que se refere a operações com a recorrente, pois não há no documento qualquer registro nesse sentido. É bem verdade que se trata de um valor registrado na sua própria contabilidade, mas esta não faz prova isoladamente a seu favor. Também é verdade que obteve cópia do documento junto a outra pessoa jurídicas, com a qual possuía negócio que ensejou retenções similares. Todavia, uma vez que a fonte não apresentou a DIRF e nem o informe de rendimento, cumpre indagar a razão de ter oferecido uma cópia do documento de arrecadação, mas sem nenhum documento (uma simples comunicação, por exemplo) que atestasse que a retenção de fato correspondeu a negócio entre as partes. A recorrente afirma que tentou obter da fonte pagadora os comprovantes, mas não comprova essa tentativa, algo bem simples de fazer por meio de uma simples notificação extrajudicial. É verossímil que tenha havido a retenção de IRRF da recorrente, mas também é verossímil que a retenção foi atinente a outra empresa e que as partes se equivocaram no registro desses valores. Por essa razão, a fonte forneceu o documento de arrecadação, mas não quis atestar uma informação que poderia ser falsa. Dessa sorte, em face dos dois cenários fáticos igualmente prováveis, cumpre me manter o não reconhecimento do valor, uma vez que o ônus de comprovação é da recorrente e não da Fazenda Pública. No tocante ao valor de R$ 399,67, não reconhecido em razão da ausência do oferecimento à tributação dos rendimentos, a defesa não tece qualquer consideração específica contra a decisão recorrida, a qual, portanto, deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Fl. 169DF CARF MF 10 Conclusão Isso posto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário com o fito de reconhecer o valor original suplementar de R$ 185.940,00. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000732/2002-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 04/01/2002
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO
DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 04/01/2002 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12466.000732/2002-81
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761184
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.067
nome_arquivo_s : Decisao_12466000732200281.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12466000732200281_5761184.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6902579
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470319460352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.000732/200281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.067 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria II Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/01/2002 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 07 32 /2 00 2- 81 Fl. 583DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 02/20) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças/faltas de recolhimento do Imposto de Importação II (R$ 18.558,11); Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (R$ 9.535,46); acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora; multa de 30% por falta de Licenciamento (R$ 63.912,69), nos termos do art. 169, inciso I, alínea "b" do DecretoLei n°37/66 alterado pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78 regulamentado pelo art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030/85; multa regulamentar (R$ 5.224,58), por erro na classificação fiscal, com fundamento legal no art. 80, inciso I, § 1° da Medida Provisória n.° 2.158/35, de 27 de agosto de 2001; e por falta de fatura comercial (R$ 13.352,19), nos termos do Art. 106, inciso IV, alínea "a" do DecretoLei n°37/66 regulamentado pelo art. 521, inciso III, alínea "a" do RA/95. Declaração Inexata de Mercadorias: Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04/09), o importador, por meio da adição 001 da DI nº 02/00089450, registrada em 04/01/2002, submeteu a despacho mercadorias da marca Alcatel descrevendoas ora como "Sistema de roteadores OMNI OS50248C incluindo fonte de alimentação redundante, cabos e unidade base backup", ora como "Roteador digital OMNI Router OS50248C", classificandoas no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 8517.30.62, destinado à classificação dos roteadores digitais para telecomunicações com interface serial de pelo menos 4 Mbps, próprios interconexão de redes locais com protocolos distintos. Entretanto, relata a auditoria que: ...em ato de conferência física, constatouse que estas mercadorias são COMUTADORES DIGITAIS da marca ALCATEL, modelo OMNI STACK OS50248C, COM CAPACIDADE DE ROTEAMENTO PARA REDES DE DADOS, ou seja ROTEADORES DE DADOS, configurados apenas com interfaces do padrão "Ethernet", NÃO APRESENTANDO QUALQUER INTERFACE, SERIAL OU OUTRA, para TELECOMUNICAÇÃO. A única interface serial instalada, denominada pelo fabricante de "console", como se depreende do próprio nome, não se presta a conectar o tráfego a ser roteado mas tão somente a possibilitar a conexão de um aparelho auxiliar de configuração e/ou gerenciamento externo do aparelho quando necessário, é de padrão RS232, possui velocidade máxima de 38,4 Kbps (38.400 bits por segundo), infinitamente inferior à velocidade das portas "Ethernet" destinadas ao tráfego roteado de 10 ou 100 Mbps (10.000.000 ou 100.000.000 de bits por segundo). Adicionalmente, constatouse que os roteadores possuem dispositivos próprios de conversão de energia elétrica, e, por isto, funcionam independentemente de conexão com as fontes de Fl. 584DF CARF MF Processo nº 12466.000732/200281 Acórdão n.º 3201003.067 S3C2T1 Fl. 3 3 alimentação cabos e outras unidades importadas, pelo que estas partes acessórias devem seguir seu próprio regime de tributação. Na mesma Dl, adições 003 e 004, o importador submeteu a despacho mercadorias da marca Sun descrevendoas como "Workstation Enterprise 220R, incluindo ...” e "Workstation Sun Ultra 10 Model 440, incluindo ...”, classificandoas, respectivamente, nos códigos NCM 8471.50.20 e 8471.50.10, destinado à classificação das unidades de processamento digitais que não integrem sistemas de processamento de dados. Também mediante conferência física, a auditoria fiscal constatou que “SÃO DE FATO MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS da marca SUN, modelos 220 R e Ultra 10, APRESENTADAS SOB A FORMA DE SISTEMAS compostos de unidade central de processamento, cabos, adaptadores, dispositivos de armazenagem de dados em cartuchos de fita magnética, monitores policromáticos de vídeo de tubos de raios catódicos, dispositivos de armazenagem de dados em discos magnéticos duros, gabinetes para acondicionamento de máquinas de processamento de dados e outros dispositivos de armazenamento de dados, conversores estáticos/retificadores redundantes de energia elétrica, etc..., pelo que se revelaram inexatas e incompletas as informações constantes das descrições detalhadas das mercadorias declaradas pelo contribuinte, pois não contemplam o mínimo de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário”. Observa que os códigos NCM declarados pelo contribuinte foram eleitos ao arrepio das disposições constantes da Regra Geral Interpretativa n.° 1 do Sistema Harmonizado de Codificação e Designação de Mercadorias RGI/SH, do Texto da Posição 8517, e da Nota Complementar, da Nota de Subposição 1 e da Nota 5, todas do Capítulo 84. Informa que, em relação aos roteadores OS5024, também contribuíram para a sua reclassificação os aspectos ligados às suas funcionalidades reveladas no Relatório de Identificação de Mercadorias RI n.° 023/02, emitido pelo Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo – ITUFES, em atendimento à solicitação de assistência técnica. Ressalva que, como decorrência das correções das descrições detalhadas, das NCM e das alíquotas de impostos aplicáveis, tornouse necessário o rearranjo das mercadorias importadas em adições individualizadas por tratamento fiscal. E ressalta que o detalhamento das retificações efetuadas consta do Quadro Demonstrativo das Correções e do Extrato de Retificação de DI anexado. Acrescenta que, embora sejam relacionados apenas os valores tributáveis das adições “corrigidas” 006 e 008, a declaração inexata e os erros de classificação na NCM abrangem todas as mercadorias acima mencionadas. No campo relativo ao Enquadramento Legal, além dos dispositivos próprios, consta: Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH, aprovadas pelo Decreto n.° 97.409/88. Regra Geral Interpretativa n.° l, combinada com as Notas 2 "b" e 5 da Seção Fl. 585DF CARF MF 4 XVI, e texto da posição 8517 da NCM, aprovada pelo Decreto n.° 2.376/97. Falta de Declaração de mercadorias: Durante a conferência física das mercadorias submetidas a despacho através da mesma DI, foi constatado que não foram declaradas as seguintes mercadorias da marca Sun: 02 unidades de armazenamento de dados em fita magnética modelo SGXTAP4MM; 02 unidades de armazenamento de dados em discos magnéticos modelo SGXDSK060C; 02 cabos elétricos modelo X3859A; 02 cabos elétricos modelo X311L; 01 armário metálico modelo SGXARY030A para acondicionamento de máquinas de processamento de dados. Segundo a fiscalização, estas mercadorias são classificadas na NCM em códigos para os quais são devidos os impostos lançados, conforme Quadro Demonstrativo das Correções, para as adições retificadas 012 a 015. Importação desamparada de Licença: Esta penalidade foi aplicada pela importação do exterior das mercadorias constantes das adições retificadas 001 a 004, 006, 008, 009, 011 a 015, nestas incluídas as mercadorias encontradas em excesso sem as devidas Licenças de Importação, automáticas ou não. Inexistência de Fatura Comercial: Infração incorrida pela inexistência de fatura comercial das mercadorias encontradas em excesso quando da conferência física das mercadorias e constantes das adições retificadas 012 a 015, conforme Termo de Conferência física de 24 de Janeiro de 2002. Infração à Legislação Aduaneira – MP 2.158/35: Penalidade aplicada por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM das mercadorias constantes das adições 001, 003 e 004. Regularmente cientificada (fls.02 e 16) a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 176/188, na qual, em síntese: Preliminares: Alega, preliminarmente, nulidade do lançamento, por falta de indicação dos novos códigos da NCM, no corpo do auto de infração, relativos à reclassificação fiscal das adições 001, 003 e 004, bem como não houve explicitação dos motivos pelos quais as mercadorias não podem ser enquadradas na classificação pretendida pela Impugnante. Com em relação aos roteadores OS5024, afirma que o Relatório de Identificação de Mercadorias (RI) n° 023/02 serviu como fundamento de desclassificação das mercadorias constantes de outras Declarações de Importação, que também foram objeto de autuações por parte do Fisco. Assim, é um laudo genérico, que está sendo utilizado aleatoriamente pelo Fisco para justificar suas arbitrariedades, não podendo servir como fundamento para a desclassificação das mercadorias objeto desta autuação, para a qual deveria ter sido colhida uma amostra específica. Argui que é irregular o rearranjo no número das adições procedido pelo fisco, pois este deve levar em consideração a correção da classificação fiscal, a qual não foi indicada pela auditoria fiscal. O fato narrado no relatório do auto de infração de que “são somente mencionados os valores tributáveis das adições retificadas 006 e 008, devido à impossibilidade técnica do Fl. 586DF CARF MF Processo nº 12466.000732/200281 Acórdão n.º 3201003.067 S3C2T1 Fl. 4 5 programa da Secretaria da Receita Federal de gerar autos de infração, apesar da declaração inexata e os erros de classificação na NCM supostamente abrangerem todas as mercadorias mencionadas no auto de infração” constituise em mais um vício de nulidade do auto de infração, já que a Impugnante não pode verificar se o crédito tributário constituído foi corretamente lançado, pois os valores e as respectivas adições não foram devidamente discriminados, o que a impossibilita de se defender acerca da certeza do crédito tributário constituído. Assim foram ofendidos os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, pois ao contribuinte só é possível defenderse quando a infração na qual supostamente incorreu estiver claramente apontada, bem como seu dispositivo legal e a pena a lhe ser imputada, o que não ocorreu no caso em tela. Insurgese contra a multa de 30% do valor das mercadorias constantes das adições retificadas 001 a 004, 006, 008, 009, 011 a 015, por importação desamparada de licença de importação (LI), pois não consegue ter ciência se a multa é realmente devida, uma vez que a necessidade de obtenção de LI deve ser verificada por NCM, e, no caso em tela, o Fisco não apontou qual a NCM correta a serem classificadas as mercadorias importadas. Afirma que a exigência de LI surgiu somente após a desclassificação, motivo pelo qual não pode ser penalizada por essa causa superveniente, para a qual não concorreu. Ademais, não agiu com o fito de burlar o Fisco. O Fisco imputou à Impugnante a penalidade prevista no "Artigo 80, inciso I, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/35, de 27 de Agosto de 2001". Ocorre que a Impugnante, ao pesquisar o Diário Oficial da União (DOU) de 27/08/2001, verificou não existir medida provisória de n° 2.158/35 publicada nessa data. Com um enorme esforço, conseguiu descobrir que se tratava da Medida Provisória n° 2.158/35, publicada no DOU em 24/08/2001. Além disso, não encontrou o parágrafo 1º do inciso I do artigo 80, motivo pelo qual desconhece a infração que lhe é imputada, não havendo como se defender, ferindo, além dos princípios já citados, também o da legalidade, dentre outros. Ainda, imputa o Fisco à impugnante a multa regulamentar prevista no artigo 30 da Lei n° 9.249/95. Todavia este artigo não estabelece nenhuma espécie de multa, apenas estabelece a forma de conversão de valores expressos em UFIR para Reais. Assim, esta penalidade também não deve ser mantida, por absoluta falta de amparo legal. Alega que o agente fiscal, absurdamente, imputou à Impugnante multa decorrente de não retorno ao exterior de mercadoria admitida no regime de admissão temporária, não fundamentando referida imputação e sem a Impugnante ter submetido nenhuma das mercadorias constantes na DI em tela ao regime de admissão temporária, quanto menos deixou de reexportála no prazo. Dessa forma, não há que se falar em aplicação da multa mencionada, por absoluta ausência de materialidade da infração. Fl. 587DF CARF MF 6 Aduz pela impossibilidade da reconstituição da base de cálculo do IPI, pois , como já afirmado, não foi apontada qual a classificação que o fisco entendia correta. Do Mérito: Alega que, de conformidade com o seu pedido de regularização, endereçado ao Sr. Inspetor da Alfandega do Porto de Vitória e protocolizado em 08/02/2002 anexado, verificase que, quando do desembaraço aduaneiro, as mercadorias foram submetidas à conferência física, na qual foram constatadas irregularidades nas quantidades das mercadorias constantes do AWB Master 042 1027 1100, do AWB House 01115573, do AWB 042 1027 5451 e do AWB House 01115773 e, consequentemente, nas respectivas Declarações de Importação, de forma que a quantidade de mercadorias faltantes na Declaração de Importação n° 02/00089450 correspondia à quantidade de mercadorias em excesso na Declaração de Importação n° 02/00089492 e viceversa. Sendo assim, o agente fiscal autuou a Impugnante, a qual passou a proceder à retificação das Declarações de Importação, de forma que as mesmas se adequassem ao resultado da conferência física. A ora Impugnante, com o intuito de regularizar sua situação e garantir a liberação das mercadorias importadas, efetuou o recolhimento da multa supostamente devida por infração ao artigo 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, bem como da multa supostamente devida por importação efetuada ao desamparado de licença de importação, de conformidade com as exigências realizadas pela própria autoridade alfandegária. Como o rearranjo das mercadorias em diferentes adições da DI em tela não gerou diferença de tributo, não foi efetuado recolhimento nesse tocante. Após a emissão do Comprovante de Importação (CI), ao faturar e entregar as mercadorias objeto da Declaração de Importação retificada n° 02/00089450, e da Commercial Invoice n° 21194, o destinatário, ao recebêlas, constatou que as mercadorias estavam em desacordo com o discriminado na nota fiscal fatura, a qual foi emitida com base na DI retificada. Constatouse, em seqüência, que as mercadorias estavam em conformidade com os documentos de embarque e, conseqüentemente, com a DI original. Ao tomar conhecimento do ocorrido, a Impugnante verificou que as mercadorias que ainda se encontravam em seu poder no armazém, ou seja, aquelas objeto da Commercial Invoice 21379 e do AWB Master 042 1027 5451 e House 01115773 e da DI 02/00089492, estavam exatamente conforme declarado na respectiva DI original, ou seja, em desconformidade com a DI retificada. Logo, solicitou ao representante daquela repartição alfandegária que fosse procedida averiguação dos fatos narrados, bem como a ocorrência de eventual equívoco, a fim de que fossem sanadas as discrepâncias documentais e financeiras decorrentes dessa constatação. Entretanto, ainda assim os pagamentos das multas supramencionadas não foram considerados pelo Fisco, o que deve ser promovido, não havendo que se falar em crédito tributário devido pela ora Impugnante. Aduz que não procede a autuação por falta de apresentação de fatura comercial, porque, conforme narrado no item anterior, houve um pequeno equívoco quando do rearranjo das mercadorias em adições diferentes, o que foi noticiado pela Impugnante, que não teve a intenção de burlar o Fisco. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 12466.000732/200281 Acórdão n.º 3201003.067 S3C2T1 Fl. 5 7 Pelos mesmos motivos, alega impossibilidade da aplicação da multa pela falta das mercadorias constantes das adições retificadas 005 e 010 e que o lançamento de eventual débito jamais poderia ter sido efetuado sem a apreciação do respectivo pedido de regularização protocolizado no órgão alfandegário. Informa que, com o intuito de regularizar sua situação e garantir a liberação das mercadorias importadas, efetuou o recolhimento das exigências objeto do auto de infração ora impugnado, conforme DARF anexados, das diferenças de imposto de importação, de impostos sobre produto industrializados, das multas regulamentares de respectivos impostos, bem como das multas supostamente devidas por infração ao artigo 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 e por importação efetuada desamparada de licença de importação, em conformidade com as exigências realizadas pela própria autoridade alfandegária. Além disso, com o rearranjo das adições, efetuado pelo fiscal ao lavrar o auto de infração ora impugnado, houve a compensação de débitos e créditos de impostos da mesma espécie como autorizado pela legislação que rege a matéria, ou seja, houve a compensação de IPI pago a maior com IPI pago a menor e II pago a maior com II pago a menor, conforme comprova o demonstrativo juntado. Com referidos pagamentos complementares e compensações, houve a quitação dos débitos provenientes da desclassificação fiscal das mercadorias. Todavia, isto foi ignorado pela autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração, que está cobrando débitos já quitados. Portanto, inexiste relação jurídica tributária ou débito oriundo de aplicação de penalidades quanto a essa matéria. Aduz que foram lavrados contra si, na mesma data, outros 11 autos de infração, dos quais tomou ciência na data de 26/02/2002, tendo o prazo de 30 dias para apresentação de impugnação em todos os processos, o que acabou por dificultar a sua defesa, ofendendo os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, se considerada a complexidade das autuações. Requer o acolhimento das preliminares arguidas, decretando a nulidade do auto de infração; ou, alternativamente, que seja julgado insubsistente, pelas razões de mérito aduzidas. Protesta por provar o alegado por todas as provas em direito admitidas, especialmente a prova documental. Protesta por sustentação oral em todas as fases do processo. Em 07/11/2005, esta 2ª. Turma de Julgamento, através da Resolução DRJ/FNS nº 23 /2005, decidiu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência (fls. 193/223), sendo vencida a relatora original Rosicler Bárbara Nascimento Nodari. Nesta diligência foi solicitado: a anexação de cópia da Declaração de Importação DI, juntamente com as adições a que se referem as exigências; esclarecimentos acerca da afirmação da auditoria fiscal de que “muito embora sigam abaixo relacionados apenas os valores tributáveis das adições corrigidas 006 e 008, devido à impossibilidade técnica deste programa de geração de Autos de Infração, a declaração inexata e os erros de classificação na NCM abrangem todas as Fl. 589DF CARF MF 8 mercadorias acima mencionadas”; demonstração como a auditoria chegou aos códigos TEC que adotou; proceder a um lançamento complementar considerando em demonstrativo os valores pagos pelo contribuinte, conforme documento de fl. 149, corrigindo outros aspectos que, porventura, entenda necessários. Como resultado da diligência, em 11/01/2012, a auditoria fiscal junta o Relatório de Diligência (fls. 341/346) e esclarece que: ... a declaração atinente aos valores tributáveis das adições 006 e 008 decorre do fato de o aplicativo utilizado para a lavratura do AI em apreço (SAFIRA) não permitir a inclusão, no rol ANO/DI/ADIÇÃO Valor Tributável" (final da descrição dos fatos da infração), adições sem resultado tributável, ou seja, sem saldo de tributo a ser recolhido, independentemente de a infração apurada tratarse de "Declaração Inexata de Mercadoria". Acrescento que tal declaração foi aposta unicamente no intuito de justificar o que poderia ser tomado como uma aparente inconsistência entre o texto da descrição dos fatos da infração 001, que também alcança mercadorias agrupadas em outras adições, com o rol "ANO/DI/ADIÇÃO Valor Tributável", que indica apenas as adições 006 e 008. Notese que, consoante já indicado na coluna "Saldo" de II e IPI, do Quadro Demonstrativo das Correções, fls. 21/22, as adições 006 e 008 são as únicas com saldo de imposto a recolher, dentre aquelas que se referem a mercadorias constantes da DI original. Nesse ponto, calha observar que as adições 012 a 015 versam sobre as mercadorias não declaradas na DI original e encontradas durante a conferência física, as quais constituem o objeto da infração 002. Já com relação aos códigos NCM adotados na ação fiscal, registro que a sua determinação foi motivada pelo conteúdo do laudo técnico de fis. 28 a 38, cujas conclusões e respectivas regras de classificação adotadas se acham pormenorizadas no Relatório de Diligência de fis. 294 a 298, na forma de notas numeradas com relação a cada grupo de mercadorias. Todas as Regras e Notas utilizadas na reclassificação referemse àquelas constantes do Anexo I do Decreto n° 2.376/97 e alterações posteriores. E prossegue, à fl. 347: Atendendo a determinação retro, esclareço que o lançamento complementar a que alude o item 4 da Resolução DRJ/FNS n° 23/2005 não se faz necessário, eis que todos os créditos tributários passíveis de constituição de ofício em razão do registro da DI n° 02/0008.9450 já o foram mediante o presente lançamento. Observo também que todos os recolhimentos realizados pelo contribuinte por ocasião do registro da DI, ou seja, no gozo da sua espontaneidade, já foram devidamente considerados na apuração dos saldos devedores lançados, nos exatos termos do § 3 o do artigo 150 da Lei n° 5.172/66, vide planilha de apuração de fls. 21/22. Todavia, o mesmo não se deu com relação aos recolhimentos efetuados no curso da ação fiscal, eis que com relação a eles o benefício da espontaneidade não assiste o sujeito passivo. Razão disso é que estes recolhimentos foram então imputados/alocados aos créditos tributários constituídos, exatamente como demonstrado no extrato de fl. 150, constando do extrato de fl. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 12466.000732/200281 Acórdão n.º 3201003.067 S3C2T1 Fl. 6 9 149 apenas demonstrativo dos saldos devedores então a eles remanescentes. Como exposto, verificase que todos os recolhimentos realizados pelo contribuinte foram devidamente considerados, seja mediante dedução do valor devido, seja mediante imputação/alocação. Os realizados espontaneamente para deduzir o saldo de tributos devidos passíveis de lançamento, e os efetuados no curso da ação fiscal para fins de sua liquidação. Reaberto o prazo para aditamento da impugnação (fl. 350), a empresa manifestase, às fls. 357/371, com as seguintes alegações: Inicialmente requer seja o presente processo julgado com processo n° 12466.000733/200226. Argui que, com a demora na tramitação do processo administrativo, houve ofensa a diversos princípios constitucionais; que a diligência realizada só agora não pode subsistir; e que não se pode emendar o auto de infração com a inclusão dos códigos NCM nesta atual fase, em que não existem mais as mercadorias, não foi dado à Impugnante o direito de formular quesitos e nomear assistente técnico. Ressalta que o auto de infração é nulo, porque não apresenta, adequadamente, a descrição fática da infração, faltandolhe os códigos NCM no corpo do auto de infração, o que não pode ser sanado por auto de infração complementar ou por diligência. Repete os argumentos de que as mercadorias faltantes na DI 02/00089450 correspondem à quantidade de mercadorias em excesso na DI n.° 02/00089492 e viceversa. Insurgese contra as multas impostas pela ausência de fatura comercial e falta de mercadoria, bem como sobre os pagamentos e compensações. Ao final, requer seja declarado insubsistente o auto de infração, restituindose o valor indevidamente pago. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu parcial provimento a impugnação. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/01/2002 IMPRECISÃO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O erro no enquadramento legal da infração não acarreta a nulidade do auto de infração, por cerceamento ao direito de defesa, quando comprovado pela descrição dos fatos nele contido e pelo teor da impugnação apresentada que o contribuinte tinha pleno conhecimento das infrações a ele imputadas. DEVIDO PROCESSO LEGAL. OBSERVÂNCIA. Descritos os fatos que fundamentam os lançamentos, juridicamente qualificados no ordenamento legal, e respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em ofensa ao princípio do devido processo legal. Fl. 591DF CARF MF 10 FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de licença para importação quando resta demonstrado que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licenciamento no órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro. Impugnação Procedente em Parte Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo a revisão do julgamento relativamente a condenação da Recorrente na multa de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias aplicada por falta de licença de importação. Na apreciação do recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora verificase se as mercadorias objeto de reclassificação por parte da Fiscalização estariam sujeitas a licenciamento não automático na data do registro da Declaração de Importação. Em atendimento a diligência a Unidade da Receita Federal, consignada em informação fiscal, constatou que as mercadorias em análise estariam sujeitas a licenciamento automático. A Recorrente se manifestou sobre o resultado da diligência, reafirmando que a Portaria Secex nº 21/96, que tratava da exigência de Licenciamento para as mercadorias importadas foi superado pela Portaria Secex nº 17/2003, onde foi determinado que as importações das mercadorias importadas ficaram dispensadas do licenciamento automático ou não automático. Assim, aplicandose a retroatividade benigna a penalidade aplicada à Recorrente deveria ser cancelada. Para subsidiar as suas alegações pede que seja determinada nova diligência para que seja verificado se sob a égide da Portaria Secex nº 17/2003 as mercadorias importadas estariam dispensadas da emissão de licença. A Procuradoria da Fazenda Nacional também se manifestou nos autos afirmando a legalidade da exigência da multa de 30% independente de tratarse de exigência de licença automática ou não automática. Com estas manifestações os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado a lide esta na discussão sobre a exigência da multa de 30% por falta de licenciamento. A Recorrente tece argumentos quanto a aplicação da retroatividade benigna em razão da edição da Portaria Secex nº 17/2003. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 12466.000732/200281 Acórdão n.º 3201003.067 S3C2T1 Fl. 7 11 Entendo não assistir razão a Recorrente. A exigência do Licenciamento de Importação aplicase a legislação vigente na data do registro da Declaração de Importação. A licença de importação trata de controles administrativos na importação de mercadorias. A exigência da licença prévia à importação é decisão dos órgãos governamentais responsáveis pelo controle dos diversos produtos importados. A alteração posterior à importação incluindo ou retirando a exigência de Licenciamento de importação somente alcança as operações posteriores a mudança normativa. As operações de importação realizadas em momento anterior a inovação legislativa não sofre nenhuma interferência, mantendose integralmente a exigência ou a falta de exigência de Licenciamento na data do Registro da Declaração de Importação. O que pretende a Recorrente é aplicar a retroatividade benigna para uma situação de exigência administrativa, o que não se coaduna com o instituto da retroatividade que é aplicada a sanções punitivas quando legislação superveniente traz tratamento mais benéfico. No caso da multa de 30% por falta de Licenciamento, não existiu uma mudança no diploma legal da exigência da penalidade, as modificações trazidas com a Portaria Secex nº 17/2003, trazem alteração em controles administrativos que nada interferem na legislação que disciplina a penalidade que se manteve imutável após a alteração dos controles administrativos. Quanto ao mérito da exigência fiscal, a diligência determinada pelo Carf comprovou que as mercadorias em análise estavam sujeitas a Licenciamento automático. A Licença de Importação instituída a partir da introdução do Sistema Integrado de Comércio Exterior substituiu a Guia de Importação, utilizada antes da informatização das importações. A multa em discussão nos autos referese a importação das mercadorias desamparadas de Guia de Importação. A Guia de Importação era instrumento de controle administrativo aplicado a todas as importações e exigia um procedimento do importador que deveria obter a Guia nos órgãos responsáveis pela sua emissão, sendo necessário a realização de procedimentos a serem definidos para cada situação de importação. Com o advento do SiscomexImportação e a substituição da Guia de Importação pela Licença de Importação, criouse duas situações distintas, determinadas operações e mercadorias estão sujeitas a Licença automática e outras a Licença não automática. A primeira é realizada de forma automática pelo Sistema Informatizado não existindo nenhum procedimento a ser adotado pelo importador, para a Licença não automática é necessário a realização de procedimento próprio no Siscomex de responsabilidade do Importador. Entendo que a multa referente a falta de Guia de Importação, ao ser aplicada na atual sistemática de comércio exterior com a utilização do Siscomex, somente é aplicada nas situações de exigência de Licença de Importação não automática, em que existe um procedimento a ser adotado pelo importador. Exigir a multa por falta de Guia de Importação também para as situações em que existe a Licença automática, seria aplicar a penalidade a situações em que não é exigido nenhum procedimento do importador. A matéria já foi enfrentada em diversos julgados deste Conselho e na Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que no Acórdão 9303004.198 decidiu pela exigência da multa de 30% somente para as situações de exigência de Licenciamento não automático. Fl. 593DF CARF MF 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/04/1999 MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES A multa prevista no art. 526, inciso II, do RA /85 somente poderia ser aplicada às hipóteses em que a legislação preveja a necessidade do licenciamento não automático, já que eventual sanção pelo descumprimento de uma obrigação somente ocorre quando houver obrigação a cumprir. No caso vertente, é de se trazer que o sujeito passivo providenciou à época a licença de importação que entendia cabível quando da classificação da mercadoria na posição TEC 8426.49.00 EX 002 como guindastes rodoferroviários. O que, por conseguinte, se à época da importação a mercadoria classificada pela autoridade fazendária estava sujeita ao licenciamento automático, não há que se falar em sanção sobre não cumprimento de uma obrigação, eis que não existe tal obrigação.(Acórdão 9303004.198, Sessão de 07/07/2016. Relatora Tatiana Midori Migiyama) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 594DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000086/99-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA.
Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma.
Numero da decisão: 3302-004.622
Decisão: (assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, foram acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes para excluir as receitas de revendas da receita operacional bruta (denominador).
Fez sustentação oral o dr. Paulo Coviello Filho, OAB/SP nº 336.992.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA. Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13854.000086/99-01
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5753930
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.622
nome_arquivo_s : Decisao_138540000869901.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 138540000869901_5753930.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foram acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes para excluir as receitas de revendas da receita operacional bruta (denominador). Fez sustentação oral o dr. Paulo Coviello Filho, OAB/SP nº 336.992. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6880083
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470348820480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1455; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13854.000086/9901 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302004.622 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria PER/DCOMP IPI Embargante SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA Interessado MONTECITRUS TRADING S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA. Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foram acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes para excluir as receitas de revendas da receita operacional bruta (denominador). Fez sustentação oral o dr. Paulo Coviello Filho, OAB/SP nº 336.992. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 86 /9 9- 01 Fl. 662DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos, opostos pela relatora, em face do Acórdão 3302 004.437, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. POSSIBILIDADE. AQUISIÇÃO MATÉRIAPRIMA. PRODUTOR RURAL. De acordo com o Resp 993.164/MG, reconhecese o direito ao crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de matéria prima de produtores rurais. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ESTOQUE. 31.12.2007. CONFIRMAÇÃO. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Com a confirmação dos valores, por meio da análise dos autos do processo 13854.000047/9861, deve ser considerado o valor correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/1998 de R$ 18.732.841,69. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA. Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL. As variações cambiais complementares, objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira, integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÓBICE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. De acordo com o entendimento do Resp 993.164/MG, julgado sob o regime de repetitivo, a oposição de ato estatal, autoriza a incidência da aplicação da Taxa SELIC na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco. No caso em análise, houve omissão por parte da Relatora em analisar um aspecto dos argumentos suscitados pela contribuinte, no caso, o tópico relativo às mercadorias para revenda. É o relatório. Voto Fl. 663DF CARF MF Processo nº 13854.000086/9901 Acórdão n.º 3302004.622 S3C3T2 Fl. 3 3 Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Da omissão No acórdão nº 3302004.437, a Relatora manteve a glosa das mercadorias adquiridas para a revenda sob a seguinte conclusão: Portanto, mantémse o que foi considerado pela fiscalização e decidido pela DRJ/Ribeirão Preto no que concerne à exclusão dos bens adquiridos para revenda, que não passaram pelo processo produtivo da empresa e que, portanto, fugiram da teleologia da norma criada para incentivar os produtores e não os meros revendedores. Ocorre que a Relatora não analisou o seguinte argumento levantado pela contribuinte em seu Recurso Voluntário, fls. 421 eprocesso, no que concerne à glosa das mercadorias adquiridas para a revenda em relação à receita bruta operacional, in verbis: Sendo assim, a Portaria MF n. 64/03, ao tratar dos conceitos de receita de exportação e de receita operacional bruta, apenas regulamentou aquela lei, modificando claramente o entendimento anterior a respeito do tema em questão. Dessa forma, podese concluir que os conceitos de receita operacional bruta e de receita de exportação, previstos no art. 3º, parágrafo 12, inciso I e II, da Portaria MF n. 64/2003, podem ser aplicados ao presente caso, devendo, também por tais razões, ser reformado o v. acórdão "a quo". Diante da omissão, fazse necessário revisar o acórdão, pois ele apenas analisou o fato de que a glosa dos bens para revenda foram considerados no dividendo (receita bruta de exportação), mas não no divisor (receita operacional bruta). A Portaria MF nº 64, de 24 de março de 2003, prevê o seguinte: Portaria MF nº 64, de 2003 Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; Fl. 664DF CARF MF 4 III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. (grifos não constam no original) Segundo as definições da Portaria MF nº 64, de 2003, a receita operacional bruta é o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo. Assim, diferente do que realizou a fiscalização que apenas glosou as vendas para o exterior somente na receita bruta de exportação, tais valores devem ser retirados da receita operacional bruta, a fim de que haja uma equivalência entre receita bruta de exportação e receita operacional bruta. Portanto, retificase o acórdão quanto à omissão de não analisar o quantitativo da receita operacional bruta, devendo ser retirada neste aspecto as receitas de exportação que foram glosadas quanto às mercadorias adquiridas para a revenda. 3. Conclusão Por todo o exposto, foram acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes para excluir as receitas de revendas da receita operacional bruta (denominador). Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 665DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001612/2005-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2000
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. PARADIGMAS.
Não se prestam como paradigma da divergência suscitada as decisões que, na data da interposição do apelo, já tiverem sido objeto de reforma específica, ou cujo entendimento tiver sido superado pela CSRF.
Numero da decisão: 9303-005.424
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. PARADIGMAS. Não se prestam como paradigma da divergência suscitada as decisões que, na data da interposição do apelo, já tiverem sido objeto de reforma específica, ou cujo entendimento tiver sido superado pela CSRF.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13830.001612/2005-10
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771069
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.424
nome_arquivo_s : Decisao_13830001612200510.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 13830001612200510_5771069.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6934226
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470350917632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13830.001612/200510 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.424 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria IPI. SALDO CREDOR BÁSICO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente POMPÉIA S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. PARADIGMAS. Não se prestam como paradigma da divergência suscitada as decisões que, na data da interposição do apelo, já tiverem sido objeto de reforma específica, ou cujo entendimento tiver sido superado pela CSRF. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 16 12 /2 00 5- 10 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13830.001612/200510 Acórdão n.º 9303005.424 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial (fls. e220 a 247) interposto pelo sujeito passivo com fulcro no art. 37 e seguintes do Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em face do acórdão nº 330100.867, de 6 de abril de 2011, fls. e371 a 378, cuja ementa abaixo transcrevo: Assinto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO, NÃO TRIBUTADOS (N/T) OU ISENTOS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero ou não tributados (NT) não geram crédito de IPI. Recurso Improvido. Em rápida síntese, cuidase de pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI acumulado no 4° trimestre de 2000, fulcrado no princípio constitucional da não cumulatividade. O Acórdão recorrido assentou que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem não onerados pelo imposto não geram crédito de IPI na entrada do estabelecimento industrial. O contribuinte suscita divergência jurisprudencial quanto ao direito de crédito do IPI na entrada de insumos isentos, aplicados na industrialização de produtos tributados pelo imposto. O recurso foi admitido pelo Despacho nº 330000.533, de 10 de dezembro de 2013, fls. e316 a 318. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. e320 a 331), insistindo na tese de que, em se tratando de insumo que não foi submetido à tributação na entrada, seja por isenção, alíquota zero ou não incidência do imposto, não há falar em aproveitamento de crédito de IPI na saída do produto final, pois nada foi recolhido na origem para ser deduzido no fim da cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13830.001612/200510 Acórdão n.º 9303005.424 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Admissibilidade do Recurso Especial O apelo foi interposto no prazo regimental (cfe. fls. e219 e 220). O instrumento recursal foi bem formado, com juntada da inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigma (fls. e255 a 314). Além disso, tratase de matéria debatida e julgada pela decisão recorrida. Portanto, sob o ponto de vista formal, o recurso atendeu os pressupostos de admissibilidade erigidos pelo RICARF/2009. Muito embora o primeiro acórdão indicado (nº 20175.412) já tivesse sido reformado pela CSRF (Acórdão CSRF 0203.622) antes da interposição do apelo, o Acórdão nº 20175.655, também examinado para fim de comprovação material do dissídio, defendeu entendimento diametralmente oposto ao abraçado pelo Acórdão recorrido, assentando que o princípio constitucional da não cumulatividade dava guarida ao creditamento ficto na entrada de insumos tributados com alíquota zero. Muito embora a divergência se estabeleceu entre os acórdãos paragonados (recorrido 330100.867 e paradigma 20175.655), o apelo encontra óbice intransponível para o seu conhecimento, consubstanciado na restrição erigida pelo § 10 do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, vigente à época da propositura do recurso (17/08/2011). É que, nesta data, a tese sufragada pelo Acórdão nº 20175.655 já havia sido superada pela CSRF, com entendimento atualmente plasmado na Súmula CARF nº 181: RICARF/2009: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, 1 Precedentes: Acórdão nº 20215515, de 13/04/2004 Acórdão nº 20178131, de 02/12/2004 Acórdão nº 204 00304, de 16/06/2005 Acórdão nº 20400405, de 08/07/2005 Acórdão nº 20400484, de 10/08/2005. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13830.001612/200510 Acórdão n.º 9303005.424 CSRFT3 Fl. 5 4 independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Súmula CC n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Assim, seja pela reforma específica do Acórdão nº 20175.412, seja pela superação da tese albergada pelo Acórdão nº 20175.655, as decisões não servem de paradigma da divergência, que findou sem ter comprovação. Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14486.000447/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 02/02/2003, 20/05/2003
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa a renúncia as instâncias administrativas.
DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO CABIMENTO DE LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA.
A existência de depósito judicial afasta a incidência de juros de mora.
Numero da decisão: 3201-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Data do fato gerador: 02/02/2003, 20/05/2003 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa a renúncia as instâncias administrativas. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO CABIMENTO DE LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. A existência de depósito judicial afasta a incidência de juros de mora.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 14486.000447/2008-43
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5766703
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.078
nome_arquivo_s : Decisao_14486000447200843.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 14486000447200843_5766703.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6924399
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470365597696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 393 1 392 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14486.000447/200843 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.078 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria CPMF Recorrente HSBC SEGUROS BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 02/02/2003, 20/05/2003 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa a renúncia as instâncias administrativas. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO CABIMENTO DE LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. A existência de depósito judicial afasta a incidência de juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 6. 00 04 47 /2 00 8- 43 Fl. 393DF CARF MF 2 Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0356.865, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que assim relatou o feito: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 183/186, que exige o recolhimento de R$ 3.233.838,59 a título de Contribuição Provisória s/Movimentação ou Transmissão de Valores de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), além dos encargos legais. A autuação, cientificada em 24/04/2008 (fl 185), ocorreu devido à falta/insuficiência de recolhimento da CPMF (conforme detalha o no Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 180/182) e foi efetuada com base nos dispositivos legais listados ã fl. 186. Segundo o TVF, a contribuinte, intimada, teria fornecido informações relativas ao valor total dos recursos relativos aos Planos de Previdência Privada, cedidos e transferidos para a empresa HSBC Vida c Previdência Brasil S/A, conforme “instrumento particular de cessão e transferência de carteira e direitos, assunção de obrigações e outras avenças", firmado em 29/04/2003, citado na ação em mandado de segurança n° 2003.70'.00.0195318/PR. Consta do TVF, ainda, que em decorrência da discussão judicial, a contribuinte teria efetuado depósito judicial em 28/07/2005 no montante de R$ 4.414.513,06 (contribuição devida acrescida de juros de mora). Em 21/05/2008, a interessada, por meio de procurador, interpôs a impugnação de fls. 189/2111, instruída com os documentos de fls. 212/239 (extrato do sistema de comunicação e protocolo do Ministério da Fazenda, procurações, cópia de documentos pessoais dos mandatários, cópia de documentos societários, cópia do auto de infração, cóp a do depósito judicial), cujo teor será sintetizado a seguir. Primeiramente, após relato sucinto dos fatos, discorre sobre a ação judicial interposta. A seguir, discorre sobre a impossibilidade da lavratura do auto de infração em face da existência de depósito judicial integral. Afirma que 0 instrumento correto seria a notificação de lançamento, e não o auto de infração, e que, de qualquer forma, a exigência encontrase suhjudice. No subitem seguinte fala sobre a “inexistência de renúncia na esfera administrativa”. Discorre sobre o ADN Cosit n O 03/96 e afirma que a Turma Julgadora deve se pronunciar acerca do mérito. Cita e transcreve jurisprudência a respeito. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 14486.000447/200843 Acórdão n.º 3201003.078 S3C2T1 Fl. 394 3 Prossegue, discorrendo sobre as operações realizadas e sobre a não caracterização de operação tributável por meio da CPMF. Diz, também, que não se caracterizou a operação financeira, não tendo ocorrido a circulação (movimentação) tributável pela CPMF. Afirma que estaria sendo ofendido o princípio da capacidade contributiva e disserta sobre a titularidade dos recursos aplicados. Noutro subitem, argumenta a inaplicabilidade da exigência de juros de mora (em face do depósito judicial) e, também, a ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic. Por derradeiro, pede o cancelamento do lançamento e o consequente arquivamento do processo. Y Às fls. 24I/245, juntaramse extratos de consulta de andamento de processos obtidos junto ao Superior Tribunal de Justiça (em seu sítio na rede mundial de computadores). Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Data do fato gerador: 02/05/2003, 20/05/2003 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa a renúncia as instâncias administrativas. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. CABIMENTO DE LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. A existência de depósito judicial, mesmo que integral, não é motivo suficiente a obstar a lavratura de auto de infração, inclusive com juros de mora, uma vez que o lançamento, que é mero ato de formalização do crédito tributário, justificase como instrumento de prevenção da decadência do direito da Fazenda Pública. TRANSFERÊNCIA DE NUMERÁRIOS. TITULARIDADE. Nos termos da legislação de regência, o titular da conta de depósitos utilizada para a transferência de numcrários para terceiros é contribuinte da CPMF. CONTESTAÇÁO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETENCIA. VINCULAÇAO. . Sendo a atividade administrativa vinculada e obrigatória, compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas Fl. 395DF CARF MF 4 vigentes, as quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes a taxa Selic por expressa previsão legal.Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. lmpugnação lmprocedente Crédito Tributário Mantido ` Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso é proprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Relatório supra, tratase de Auto de Infração lavrado para prevenção da decadência, uma vez que a matéria sob discussão econtravase sub judice e os valores questionados eram objeto de depósitos judiciais. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou argumentos que, em sua totalidade, se resolvem pela simples aplicação de súmulas deste CARF: (i) impossibilidade de lavratura do Auto de Infração para lançamento de valores objeto de discussão judicial e depósitos judiciais; (ii) inexistência de renúncia à esfera administrativa; (iii) não caracterização de fato gerador da CPMF; Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (iv) ofensa ao princípio da capacidade contributiva; Fl. 396DF CARF MF Processo nº 14486.000447/200843 Acórdão n.º 3201003.078 S3C2T1 Fl. 395 5 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (v) inaplicabilidade da exigência dos juros de mora; Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (vi) ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa SELIC Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesses termos, voto por dar DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO apenas para excluir o lançamento relativo aos juros de mora, uma vez que incontroverso que houve depósito judicial integral dos valores lançados. Tatiana Josefovicz Belisário Relator Fl. 397DF CARF MF
score : 1.0
