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Numero do processo: 10825.720564/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. PREVISÃO LEGAL
A utilização de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às disposições legais .
Numero da decisão: 3301-006.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. PREVISÃO LEGAL A utilização de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às disposições legais . Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 05 64 /2 00 9- 69 Fl. 169DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.273 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720564/2009-69 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de CONFINS, regime não-cumulativo, respaldo pelo disposto no artigo 17 da Lei n° 11.033/2004, que assegura a manutenção dos créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência da referida contribuição, cumulado com compensações. Após análise, a DRF de origem elaborou Despacho Decisório, no qual decidiu pela total improcedência do valor pleiteado, conforme Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do referido Despacho, não homologando as compensações. Informa o Auditor-fiscal que a empresa é atacadista de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e higiene pessoal entre outros, e apura o imposto de renda pelo lucro real e, portanto, o PIS e a COFINS pelo regime não cumulativo. Muitos dos produtos citados, de acordo com a lei 10.147/2000, modificada pela Lei 10.548/2002, estão sujeitos a incidência monofásica das contribuições ao PIS e a COFINS. São assim, tributados na indústria, não sofrendo incidência de ambas contribuições na revenda. Após transcrever as normas relativas à não cumulatividade da contribuição em apreço, registra que a revenda de produtos farmacêutico, de perfumaria, de toucador e higiene pessoal, classificados nos códigos descritos acima da TIPI, não geram direito ao crédito sobre os valores de suas aquisições, desde a instituição do regime não-cumulativo. Não se aplica, para esses produtos, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004, utilizado pelo contribuinte para embasar o pedido de ressarcimento via PER/DCOMP. Por outro lado, reconhece que sobre os demais produtos revendidos pelo contribuinte, não enquadrados na incidência monofásica, são tributados normalmente na saída, portanto, gerando créditos sobre tais aquisições. Conclui que o contribuinte somente poderia pedir ressarcimento de contribuições não cumulativas referente às receitas decorrentes de exportação de seus produtos sujeitos ao regime não cumulativo que não sejam monofásicos. Passa a discorrer sobre a análise da DACON, que resultou na intimação e reintimação da empresa para comprovar com documentação idônea as transações com as comerciais exportadoras, o que não ocorreu. Concluiu a fiscalização que não haveria valores a serem ressarcidos, uma vez que no período não houve exportação comprovada pela empresa, seja diretamente, seja via comercial exportadora de produtos não monofásicos sujeitos ao regime não cumulativo de apuração da contribuição. E não haveria que se falar no art. 17 da Lei 11.033/2004, pois este não se aplica a nenhum dos produtos vendidos pela fiscalizada. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega manifesta nulidade do auto/despacho decisório, alegando ausência da precisa indicação do dispositivo legal supostamente violado, o que resultaria no cerceamento de seu direito de defesa. Afirma que o Despacho Decisório não contemplou a descrição do fato e nem tampouco a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Fl. 170DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.273 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720564/2009-69 Rejeita a menção, pela fiscalização, a procedimentos fiscais cuja contestação encontra-se em trâmite no CARF. Questiona ainda conclusões relativas à análise do DACON e as glosas realizadas, alegando, em síntese que: a) paradoxalmente, a fiscalização afirma que a contribuinte é atacadista de produtos sujeitos ao regime monofásico, e assim não teria direito a crédito algum, mas na reconstituição do Dacon, ela não só reconhece créditos a descontar como apura saldo credor da contribuição; b) o inciso IV do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 prevê a possibilidade da pessoa jurídica apurar créditos referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica e utilizados nas atividades da empresa; portanto a glosa não foi amparada em nenhum dispositivo legal; c) a glosa descrita relativa à máquinas e equipamentos, quando confrontada com o inciso IX do referido art. 3º, carece de legalidade; d) a vedação suscitada pelo fisco, relativamente ao inciso VI, não condiz com a nova redação do dispositivo conferida pela Lei nº 11.196, de 2005; e) o fato da empresa “Pedra Azul”, que alugou imóvel para a contribuinte, pertencer aos seus sócios não é impeditivo do creditamento, bem como a permanência do locatário no imóvel, após o prazo contratual, presume a prorrogação do mesmo por prazo indeterminado, nos termos da Lei nº 8.245, de 1991; f) os comprovantes dos aluguéis foram apresentados à fiscalização, sendo a respectiva glosa baseada em conjecturas. Reitera não ter havido creditamento referente a produtos sujeitos à tributação monofásica, tendo sido feita a devida exclusão de tais receitas nos Dacon de 2006. O creditamento teria ocorrido nos estritos termos das Leis 10.637 e 10.833. Discorreu sobre o art. 17 da Lei nº 11.033, argumentando que a suposta ausência de exportação, ocorrendo a venda de quaisquer produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições não impediriam a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Citou instrução de preenchimento do Dacon, da própria Receita Federal. Volta a falar da “autuação anterior”, para reafirmar inexistir “decisão definitiva sobre as exportações realizadas, bem assim provas de sua hipotética inocorrência”. Acrescentou não possuir qualquer ingerência nas empresas comerciais exportadoras relacionadas pelo fisco, não podendo ser responsabilizada por qualquer irregularidade a elas atribuídas. Discorre sobre o princípio da vedação ao confisco e o conceito de justiça tributária. Finaliza requerendo, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório, calcado no auto de infração em tela, por afrotna aos incisos III e IV, do art. 10, do Decreto 70.235/72. E, em respeito ao principio da eventualidade, caso superada a preliminar, sejam reconhecidos os créditos de COFINS e a integridade dos referidos DACONS, julgando-se improcedente o auto de infração. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, assentando que a utilização de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às Fl. 171DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.273 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720564/2009-69 disposições legais. Concluiu-se, ainda, que a manutenção de créditos da não-cumulatividade relativos a vendas sem incidência das contribuições, pressupõe a previsão legal de apuração dos créditos nas operações de aquisição. Na decisão, foi ainda registrado que a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que essencialmente repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. Inicialmente, afirmou que o PAF 13827.000616/2010-99 não se relaciona com os autos. Discorreu sobre o direito creditório vinculado aos produtos monofásicos e sobre a possibilidade de creditamento de despesas de aluguel. Esses pontos serão devidamente abordados no Voto. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.270, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10825.720562/2009-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.270): O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Os argumentos expendidos pela Recorrente para solicitar a reforma do acórdão recorrido são os seguintes: 11.1 — DO DIREITO CREDITÓRIO SOBRE OS CUSTOS E DESPESAS VINCULADOS AOS PRODUTOS MONOFÁSICOS 11.2 — DA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE AS DESPESAS DE ALUGUEL DE PRÉDIO DE PESSOA JURÍDICA Analisaremos cada um deles. 11.1 — DO DIREITO CREDITÓRIO SOBRE OS CUSTOS E DESPESAS VINCULADOS AOS PRODUTOS MONOFÁSICOS Afirma a Recorrente que sua atividade principal é a distribuição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, toucador e higiene pessoal, sendo que cerca de 90% desses produtos se encontra submetida à incidência monofásica das Contribuição para o PIS e da COFINS. Segundo a Recorrente, a incidência monofásica consiste no recolhimento de forma concentrada e integral das Contribuições ao PIS e à COFINS pelo fabricante ou importador, mediante a aplicação de alíquota mais elevada; assim, a receita auferida pelos distribuidores, atacadistas e varejistas, com a posterior revenda destes produtos, não constitui base de cálculo das contribuições em pauta. Ou seja, nessa sistemática, todos os contribuintes, à exceção do fabricante ou importador (responsáveis pelo recolhimento), ficam desobrigados do recolhimento das contribuições sobre a receita por eles auferida com os produtos sujeitos à incidência monofásica. Por outro lado, Fl. 172DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.273 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720564/2009-69 afirma, é em virtude da exclusão de tais receitas da base de cálculo das referidas contribuições, é vedada a apropriação de créditos sobre o valor de aquisição de tais produtos. No entanto, entende a Recorrente que a circunstância dos produtos sujeitos à tributação monofásica impedir o creditamento sobre as respectivas aquisições, não exclui a possibilidade de apropriação dos créditos sobre os custos e despesas vinculados às operações com estes realizadas, porque, assevera, no momento em que entrou em vigor a sistemática não cumulativa, todos essas outras despesas e custos foram submetidos à uma tributação mais gravosa. Afirma a Recorrente: O Regime Monofásico ou Concentrado de tributação das Contribuições para as indústrias farmacêuticas, de higiene pessoal e cosméticos foi implementado em 2000 pela Lei 10.147/2000. Quando da entrada em vigor da sistemática não cumulativa das Contribuições ao PIS e COFINS (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), apesar da tributação das mercadorias sujeitas ao método monofásico não ser alterada, todas as outras despesas e custos passaram a ser submetidas a uma alíquota mais gravosa. A contrapartida disso é justamente a possibilidade de apropriação de créditos sobre tais dispêndios. A Recorrente cita soluções de consulta expedidas pelas Superintendências da Receita Federal que corroborariam seu entendimento. No que concerne à apropriação de crédito sobre operações sujeitas ao regime de incidência monofásica, transcreve-se trecho do Recurso Voluntário que é bastante elucidativo: Note-se que, em momento algum se discute nos presentes autos o direito creditório sobre o valor de aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica das Contribuições ao PIS e à COFINS (vedado expressamente pela legislação), mas sim, o direito creditório sobre os custos e despesas vinculados às operações com tais produtos (expressamente autorizado pela própria SRFB, conforme Soluções de Consulta acima expostas). Portanto, estão em pauta os custos atrelados às operações sujeitas à incidência monofásica e não as aquisições, propriamente ditas, de tais produtos, que o próprio contribuinte reconhece como vedadas pela lei. Todavia, em que pese a especificidade, a Recorrente não esclareceu quais seriam os custos que, nestas condições, não foram admitidos pelas autoridades administrativas, valendo-se de um argumento genérico. Nas peças recursais, conforme já anotado na decisão de piso, não foi feita qualquer menção quanto às razões que ensejaram a redução do valor da Cofins devida, de R$ 635.081,26 (Dacon original) para R$ 596.796,08. Nenhum argumento e nenhuma prova foram juntadas para comprovar a redução da base de cálculo. O art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) exige a liquidez e certeza dos indébitos para a realização da compensação. Portanto, não basta a contribuinte alterar o Dacon, mas, conforme concluiu a DRJ, deveria ter comprovado, mediante apresentação dos livros contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais, a natureza da receita, bem assim o seu valor. Assim, seguimos a decisão de piso no entendimento de que somente com esse procedimento se poderia constatar o equívoco alegado e se apurar o valor efetivamente devido para se confrontar com o valor recolhido e calcular o quantum do indébito havido. Desssarte, propõe-se manter integralmente o entendimento da decisão recorrida neste ponto. 11.2 — DA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE AS DESPESAS DE ALUGUEL DE PRÉDIO DE PESSOA JURÍDICA Fl. 173DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.273 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720564/2009-69 Apresenta a Recorrente ainda as seguintes alegações: Compulsando os autos, verifica-se que, no tocante à questão da apropriação de créditos sobre as despesas de aluguel de prédio de pessoa jurídica, a Colenda Turma Julgadora entendeu por bem em não se manifestar sobre a matéria veiculada sob a alegação de que a mesma já teria sido apreciada nos autos do Processo Administrativo n° 13827.000616/2010-99. Contudo, impende ressaltar que o Processo Administrativo n° 13827.000616/2010-99 ainda se encontra em tramitação (extrato anexo), não havendo nenhum pronunciamento de mérito definitivo que impeça a análise da questão por este E. Tribunal, razão pela qual a Contribuinte expõe as suas razões que implicam na reforma do v. acórdão recorrido com relação a também este ponto. No presente momento, porém, o Processo Administrativo n° 13827.000616/2010-99 encontra-se julgado de forma definitiva no âmbito administrativo, pelo Acórdão no. 3401002.421 - 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de outubro de 2013, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que cuida do processo administrativo fiscal, considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada no recurso manobrado, precluindo o direito de fazê-lo em outra oportunidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/11/2006 ALUGUÉIS. PAGAMENTOS A PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. As despesas com aluguéis pagos a pessoa jurídica conferem créditos na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, entretanto, demandam prova por meio de documentação idônea. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A prática de fraude, conforme conceituada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, consistente na reiterada utilização de despesas não comprovadas para geração de créditos da não cumulatividade, impõe a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, segundo determinação do art. 44, II da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2006 ALUGUÉIS. PAGAMENTOS A PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. As despesas com aluguéis pagos a pessoa jurídica conferem créditos na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, entretanto, demandam prova por meio de documentação idônea. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A prática de fraude, conforme conceituada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, consistente na reiterada utilização de despesas não comprovadas para geração Fl. 174DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.273 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720564/2009-69 de créditos da não cumulatividade, impõe a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, conforme determinação do art. 44, II da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário negado. Portanto, neste ponto também não assiste razão à Recorrente. CONCLUSÃO Destarte, tendo em conta o exposto, proponho que seja negado provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13746.000450/2007-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, Art. 57
Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada .
Numero da decisão: 2001-001.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal. Relatório Contra o contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativo ao ano calendário de 2004, exercício de 2005, para formalização de exigência e cobrança do imposto suplementar em decorrência da infração apurada pela Fiscalização. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, houve omissão de rendimentos no valor de R$17.281,34. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 04 50 /2 00 7- 13 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.327 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13746.000450/2007-13 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que excluiu o rendimento da declaração de ajuste anual por entender que não estaria no campo de tributação do imposto de renda. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => a Lei 7213/88, em seu art 3 0, § 1°, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9° a 14 desta mesma Lei. => o § 4° do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). => o contribuinte apresentou declaração retificadora na qual a fiscalização constatou omissão de rendimentos. Dessa forma, havendo previsão legal para que seja efetuado o lançamento nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 - RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN), deve ser mantido o lançamento. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que não teria havida omissão de rendimentos por entender que tais rendimentos não estariam no campo de tributação do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Fernanda Melo Leal, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.327 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13746.000450/2007-13 REGIMENTO INTERNO DO CARF – APLICAÇÃO § 3º, Art. 57 Após detida análise dos autos e dos argumentos do Recorrente, entendo que é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado representa repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo na decisão de piso. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3ºdo Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I ¬ verificação do quórum regimental; II ¬ deliberação sobre matéria de expediente; e III ¬ relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já sustento integralmente a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. Fl. 80DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.327 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13746.000450/2007-13 De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, busca-se a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisá-lo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Soma-se ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolver-se em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando-se na fundamentação clara, objetiva e inequívoca tanto da autoridade fiscal como da DRJ, e por outro lado a postura do Recorrente de mera contestação verbal, sem apresentar provas documentais adicionais que comprovassem as suas afirmativas, entendo que deve ser mantida a infração nos seus exatos termos. Fl. 81DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.327 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13746.000450/2007-13 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário e no mérito negar-lhe provimento, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.909355/2011-59
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005, 2006
DCTF. ERRO. PROVAS. FALTA DE ANÁLISE PELA DECISÃO RECORRIDA.
Afasta-se a decisão recorrida quando o colegiado a quo não aprecia as provas reunidas pelo sujeito passivo para demonstrar seu direito creditório. Neste caso, deve o colegiado de primeira instância proceder a novo julgamento, considerando, dessa vez, os documentos então apresentados pela manifestante, exaurindo, assim, sua competência originária e evitando supressão de instância.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
Numero da decisão: 3003-000.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que seja exarado novo acórdão, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006 DCTF. ERRO. PROVAS. FALTA DE ANÁLISE PELA DECISÃO RECORRIDA. Afasta-se a decisão recorrida quando o colegiado a quo não aprecia as provas reunidas pelo sujeito passivo para demonstrar seu direito creditório. Neste caso, deve o colegiado de primeira instância proceder a novo julgamento, considerando, dessa vez, os documentos então apresentados pela manifestante, exaurindo, assim, sua competência originária e evitando supressão de instância. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006 DCTF. ERRO. PROVAS. FALTA DE ANÁLISE PELA DECISÃO RECORRIDA. Afasta-se a decisão recorrida quando o colegiado a quo não aprecia as provas reunidas pelo sujeito passivo para demonstrar seu direito creditório. Neste caso, deve o colegiado de primeira instância proceder a novo julgamento, considerando, dessa vez, os documentos então apresentados pela manifestante, exaurindo, assim, sua competência originária e evitando supressão de instância. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que seja exarado novo acórdão, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 93 55 /2 01 1- 59 Fl. 138DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.465 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.909355/2011-59 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: FISCHER FRAIBURGO AGRICOLA LTDA contribuinte - requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 109259093552011-59, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratar-se do mesmo contribuinte e mesma matéria em litígio. Tratam-se pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 2 e seguintes do “processo principal” transmitida em 10/6/2005 que se refere ao recolhimento relativo ao período de apuração de maio/2000. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 5 do “processo principal”, proferido em 2/12/2011, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. Fl. 139DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.465 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.909355/2011-59 A autoridade tributária destaca que a luz do CTN, o contribuinte pode pleitear a restituição de quantias pagas de forma indevida ou a maior, no prazo de 5 anos do recolhimento, desde que faça prova do crédito pretendido. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, fls. 8 e seguintes do processo principal alegando que: - apresentou diversos pedidos administrativos de restituição de recolhimentos a maior do PIS/Cofins; - porém, a despeito da evidente inconstitucionalidade do art. 3° do parágrafo único da Lei n° 9.718, que sequer chegou a ser abordada no despacho decisório, os pedidos foram indeferidos sob o fundamento de inexistência do credito; - ao proceder dessa forma a autoridade tributária deixou de cumprir o art. 65 da Instrução Normativa 900/2008 que determina a realização de diligências para verificar a exatidão das informações prestadas, logo, deixou de aprofundar na investigação dos fatos; - no caso, a autoridade sequer tomou conhecimento das razões que justificam a restituição; - é definitiva a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou a aplicação do art. 3° do parágrafo único da Lei n° 9.718/1998, portanto cumpre escoimar o alargamento da base de calculo do PIS/Cofins para alcançar outras receitas que as oriundas das vendas de mercadorias e prestação de serviços; Ao final requer seja reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus. A 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005,2006 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, DIPJ, DACON e a própria escrita contábil, não fez com que se materializasse o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretende seja reconhecido. DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo constitui instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá- la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto ao contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é permitido ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de restituição ou compensação. Fl. 140DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.465 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.909355/2011-59 Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e aduzindo, em síntese: (i) que a autoridade administrativa tem o dever de investigar o direito creditório alegado e deveria, no caso dos autos, ter ido além da verificação de meras formalidades não previstas em lei, dando concreção à verdade material; (ii) que a figura da preclusão para a produção de provas, assinalada no aresto recorrido, não pode prevalecer no caso presente e coloca "todos os seus registros contábeis e documentos que lhe suportam à disposição das autoridades para verificarem a higidez do crédito ora pleiteado", servindo para "corroborar os fatos já demonstrados" pela documentação carreada à manifestação de inconformidade"; e (iii) que "o seu recurso seja conhecido e provido, reformando-se o v. acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição ao PIS e da COFINS calculado sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 30, parágrafo 10, da Lei n. 9718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já reconhecida pela jurisprudência administrativa". Fl. 141DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.465 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.909355/2011-59 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. Importa assinalar, antes de tudo, que os processos descritos no relatório são autônomos entre si, com despachos decisórios diversos em cada. Assim, muito embora o colegiado de primeira instância tenha, por questões práticas, elaborado uma decisão que se aplica a todos – pois, no entendimento daquele colegiado, em todos os processos se manifestou inviável a apreciação do direito creditório por falta de retificação da DCTF, tendo tal fundamento servido para o indeferimento do pleito em todos os processos -, isso não significa que todos os processos foram convertidos em um único processo. Ao invés de ter feito uma única decisão referindo-se a todos os processos, o colegiado a quo poderia ter optado por juntar, em cada processo, decisão com o mesmo conteúdo daquela que foi proferida. Optou pela primeira forma, simplesmente por questões de economia de tempo – “visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles”, como assinalou a decisão recorrida -, em nada alterando a autonomia de cada processo. Diante dessas considerações, tem-se que o limite de alçada para julgamento por esta Turma Extraordinária deve ser aferido de forma individualizada, considerando o direito creditório a ser reconhecido em cada processo tomado de forma individual. Sendo assim, analisando, de forma individualizada, todos os processos descritos no relatório, constata-se que todos eles estão dentro do limite alçada para julgamento por esta Turma. Pois bem. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu, no presente processo e naqueles processos descritos acima, todos objetos da decisão recorrida e do presente voto, PER/DCOMPs, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/COFINS para compensação com débitos próprios. Em verificação fiscal dos PER/DCOMPs, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar as compensações pretendidas, uma vez que os pagamentos indicados nos PER/DCOMPs já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de contribuição declarada. Foi, então, emitido, nos diferentes processos, Despachos Decisórios cujas decisões não homologaram as compensações declaradas. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou, em síntese, que o crédito pleiteado decorreria de pagamento a maior originado pela retificação da apuração do PIS/COFINS, dos períodos vinculados aos pagamentos, excluindo-se da base de cálculo daquelas contribuições as receitas financeiras, conforme decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Em sua impugnação, a recorrente apresentou planilha demonstrativa de apuração dos créditos e balancetes. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório, apresentando os seguintes fundamentos (grifei partes): Ao examinar os processos constatei de imediato que o contribuinte sequer havia retificado as DCTFs. Tenho por norte a premissa de que a DCTF regularmente entregue é o documento hábil para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram quitados. Se retificada a DCTF antes da extinção do direito da contribuinte, ao meu sentir, em análise preliminar, não haveria como negar a compensação ora analisada.(...) Fl. 142DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.465 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.909355/2011-59 O que o contribuinte precisa entender é que ao entregar a DCTF constitui crédito em favor do Fisco, podendo retificá-la no prazo de 5 (cinco) anos. Decorrido tal prazo extingue-se o direito da parte em retificar a DCTF. Por fim, para que não se diga que o colegiado tangenciou sobre ponto relevante em relação ao qual deveria manifestar-se, deixo consignado que o fato de o sujeito passivo ter entregue pedido de compensação dentro do período de cinco anos não altera o resultado do julgamento. A compensação pressupõe um crédito do devedor para com o credor. Assim, repito uma vez que o sujeito passivo deixou de retificar sua DCTF, dentro do período de 5 (cinco) anos, não fez aflorar o crédito pretendido que, mediante compensação, poderia utilizar para pagamento de outro tributo. De igual forma, ao não retificar as DIPJ e DACON deixou de informar a administração tributária os valores relativos a nova apuração do PIS e Cofins que entendia devido. No presente caso entendo que não se trata de simples erro no preenchimento do Perdcomp passível de retificação, trata-se de vicio insuperável até por conta do decurso de prazo de 5 anos para pleitear a restituição.(...) Caso estivéssemos apreciando um auto de infração que simplesmente aponta o montante exigido, sem a descrição da matéria tributável, estaríamos diante de um vício material insanável. O principio a ser aplicado ao caso é o mesmo, pelo que confirmo o indeferimento. Diante do exposto, considerando que o contribuinte: i) não retificou as DCTF para reduzir os valores devidos (confessados) e aflorar o pretenso direito creditório; ii) não apresentou DIPJ e DACON retificadas com as novas apurações dos valores devidos a título de PIS/Cofins; iii) não utilizou da faculdade de apresentar pedidos de compensação manual ou qualquer outro meio para esclarecer a administração tributária a origem dos pretensos créditos, resta patente que não pode agora, em sede de manifestação de inconformidade, retificar os pedidos para que seu pleito tenha o mérito apreciado. Da leitura dos excertos transcritos, depreende-se que o colegiado a quo indeferiu o pleito do sujeito passivo, valendo-se, para tanto, do fundamento de que não houve a retificação da DCTF dentro do período de cinco anos, alterando, assim, o valor da contribuição declarada supostamente a maior na DCTF original. A retificação da DCTF, segundo consignado na decisão recorrida, faria "aflorar o crédito pretendido" e, em análise preliminar, se retificada antes da "extinção do direito da contribuinte", não "haveria como negar a compensação" então analisada. A decisão recorrida sustenta, ainda, que a falta de retificação da DCTF, DACON e DIPJ, assim como a ausência de pedido de compensação manual ou de comprovação do crédito, antes da instauração do contencioso, impedem a análise do mérito do pleito da manifestação de inconformidade. Primeiramente, no tocante à questão da preclusão probatória, entendo que não há que se falar em obrigatoriedade de diligência, visto que todas as provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação. O órgão julgador pode, eventualmente, determinar, a seu critério, diligências para esclarecimentos de questões e fatos que julgar relevantes. Descabe, entretanto, a realização de diligência para suprir prova que deveria ter sido apresentada já em manifestação de inconformidade: procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Nesse prisma, há que se observar que existem regras processuais claras, no âmbito do contencioso administrativo, que regulam a preclusão probatória, não cabendo ao julgador afastar regras postas em face de aplicação indevida, no caso concreto, de eventuais princípios. Nesse contexto, a aplicação de princípios como aquele do formalismo moderado ou da verdade material não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem, em última instância, para a concretização de outros princípios jurídicos valiosos – como, por exemplo, razoável duração do processo, segurança jurídica, economicidade, entre outros. Fl. 143DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.465 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.909355/2011-59 Assim, no caso dos autos, toda a análise acerca da procedência (ou não) do crédito tributário pleiteado deve ser realizada com base na prova documental juntada na manifestação de inconformidade. Com relação ao argumento central da decisão recorrida, entendo que a retificação da DCTF não é condição sine qua non para a apreciação do direito creditório da recorrente. Com efeito, a falta de retificação ou a retificação indevida de DCTF (assim como de DIPJ e DACON) não representam fundamento suficiente para afastar a apreciação do mérito de eventual erro no valor da contribuição informado na DCTF original. É verdade que apresentação de DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório e após o transcurso do prazo de cinco anos do fato gerador do tributo declarado não apresenta, de fato, qualquer efeito sobre a DCTF original. Tal entendimento está em harmonia com a jurisprudência dominante do CARF, ilustrada nos seguintes acórdãos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DCOMP NÃO HOMOLOGADA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. PRAZO DECADENCIAL PARA RETIFICAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Compensação de crédito por suposto recolhimento a maior em razão de erro de preenchimento de DCTF. Retificação da DCTF feita após procedimento de Dcomp. Prazo de 5 anos para retificar DCTF sob pena de homologação. Ônus probatório da Recorrente que não demonstrou existência do crédito. Recurso a que se nega provimento. (Acórdão 3003-000.148, julgado em 20/02/2019) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. (Acórdão nº. 1001.000.611, julgado em 07/07/2018) Como se vê, a decisão de primeira instância é precisa ao asseverar que o prazo para o contribuinte retificar sua DCTF - declaração que, como se sabe, possui caráter de confissão de dívida e constitui o crédito tributário - coincide com o prazo de homologação atribuído à Fazenda Nacional: tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, como é o caso dos autos, tal prazo é de cinco anos do fato gerador - ex vi do art. 150, §4º do CTN. Não obstante, mesmo que a DCTF não possa ser retificada após o período de cinco anos - e isso é ponto pacífico, sublinhe-se, na jurisprudência do CARF -, isso não significa que o sujeito passivo não possa apresentar outros elementos de prova para demonstrar seu direito creditório, devendo, neste caso, o tribunal administrativo analisar se as provas eventualmente trazidas ao processo são suficientes e necessárias para demonstrar o crédito pleiteado, uma vez observado o prazo de cinco anos entre o pagamento indevido e a transmissão do pedido de restituição/ressarcimento ou declaração de compensação. Na esteira de tal entendimento, vide, por exemplo, o Parecer Normativo COSIT nº. 2, de 28 de agosto de 2015, cujos excertos, pertinentes à matéria ora analisada, são transcritos a seguir: Fl. 144DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.465 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.909355/2011-59 EMENTA (...)A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. (...) CONCLUSÃO DO PARECER (...)e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios;(...) Da leitura dos excertos, observa-se que a própria Receita Federal do Brasil reconhece que a não retificação da DCTF, em decorrência de restrições várias, entre as quais está, sem dúvida, o escoamento do prazo de cinco anos para a retificação, conforme art. 9º, § 5º da instrução normativa citada no parecer, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não fulminado pela decadência, seja comprovado por outros meios – a propósito, há inúmeras decisões, no âmbito das Delegacias de Julgamento da RFB que reconhecem a eficácia de outros meios de prova para suplantar a falta de retificação de DCTF. No caso dos autos, a manifestante alegou, em sede de impugnação, que seu direito creditório seria decorrente de pagamento indevido de contribuição social declarada a maior na DCTF original: teriam sido consideradas, de forma indevida, as receitas financeiras na base de cálculo da contribuição declarada originalmente. Para comprovar suas alegações, a manifestante trouxe, então, junto à impugnação, demonstrativo de apuração da contribuição devida e páginas de registros contábeis. Analisando a decisão recorrida, verifica-se que o colegiado de primeira instância eximiu-se de apreciar os argumentos de defesa à luz das provas apresentadas. De fato, passando à margem da análise do mérito da impugnação, o aresto recorrido restringe-se ao fundamento de que não houve retificação de determinadas declarações, fato que impediria o "afloramento" do direito creditório. Nesse cenário, importa lembrar, antes de tudo, que é inerente à análise das declarações de compensação a demonstração, pelo sujeito passivo, do direito creditório pleiteado por meio da apresentação de documentação hábil e idônea. Nesse contexto, em casos em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor de tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre qual a apuração correta. Se, por um lado, recai sobre o sujeito passivo o ônus de provar o direito alegado, ao órgão julgador cabe, por outro lado, a análise do direito creditório a partir da apreciação dos argumentos e documentos acostados aos autos. No caso concreto, observa-se que a questão de fundo acerca da consistência do crédito pleiteado foi sequer tangenciada pelo aresto vergastado. Não há, naquela decisão, análise do ponto central do litígio: qual o valor correto do débito da contribuição social supostamente declarada a maior? Os elementos de prova juntados aos autos servem para demonstrar as alegações do sujeito passivo quanto à incorreção do débito originalmente declarado – abstraindo- se o fato de não ter havido retificação das declarações pertinentes? Ao entender que a falta de retificação da DCTF, DACON e DIPJ, representaria vício insuperável, obstáculo para a própria análise de mérito da lide, o colegiado a quo furtou-se ao exame dos argumentos de defesa e ao efetivo exame dos documentos juntados pelo sujeito passivo. Neste ponto, sublinhe-se, a decisão atacada limita-se à inconclusiva observação, despida de qualquer justificativa ou fundamentação, de que, ao que lhe “parecia”, não havia sido promovido ajustes na contabilidade da recorrente. Fl. 145DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-000.465 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.909355/2011-59 Em face das considerações acima expostas, voto em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que sejam exarados novos acórdãos, com a análise do mérito da impugnação, a partir dos elementos juntados aos autos de cada processo, exaurindo-se, dessa maneira, a competência originária da primeira instância, prevista no artigo 25, inciso I do Decreto nº 70.235/19724, e ao disposto no art. 31 do mesmo decreto, e evitando-se a supressão de instância. Lembre-se que a presente decisão se aplica a todos os processos enunciados no relatório acima, de maneira que o colegiado a quo deverá apreciar, em cada processo individualmente, se há provas suficientes para a comprovação do direito alegado, exarando, se for o caso, decisões individuais para cada processo. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.004251/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
O direito à dedução das despesas médicas condiciona-se à comprovação da efetividade dos correspondentes pagamentos.
Numero da decisão: 2402-007.513
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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O direito à dedução das despesas médicas condicionase à comprovação da efetividade dos correspondentes pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 42 51 /2 00 8- 33 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13896.004251/200833 Acórdão n.º 2402007.513 S2C4T2 Fl. 74 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de fls. 37/39 lavrada em face do contribuinte, ora recorrente, relativa Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, exercício 2006, por meio do qual se exige o crédito tributário apurado no valor de R$ 17.833,07, sendo R$ 8.338,48 referentes ao imposto de renda pessoa fisica suplementar, R$ 6.253,86, à multa de ofício, R$ 2.393,14, aos juros de mora (calculados até 30/09/2008), R$ 570,00, ao imposto de renda pessoa física, R$ 114,00, à multa de mora e R$ 163,59, aos juros de mora (calculados até 30/09/2008). Segundo consta da Notificação de Lançamento (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a fls. 38), o lançamento decorre de glosa do valor de R$ 30.321,75, indevidamente deduzidos pelo contribuinte a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Informa, ainda, o auditor, que das despesas declaradas, o contribuinterecorrente apresentou comprovação de pagamento no valor de R$ 8.943,37, referente a plano de saúde Porto Seguro. Notificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela 9ª Turma da DRJ/SP2, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A matéria não contestada expressamente na impugnação é considerada incontroversa e o crédito tributário a ela correspondente definitivamente consolidado na esfera administrativa. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. O direito à dedução das despesas médicas condicionase à comprovação da efetividade dos correspondentes pagamentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dessa decisão, o recorrente foi notificado aos 25/05/10 (fls. 58) e interpôs recurso voluntário aos 21/06/10 (fls. 59 ss.), alegando, em síntese, que: se, por um lado, a legislação não atribui valor probante absoluto recibos médicos, por outro lado, impõe ao agente fiscalizador, para afastar a regra de comprovação das despesas médicas apenas por recibos, o ônus de demonstrar a sua inconsistência; que a Fiscalização não demonstrou, mesmo por meio de indícios, as razões que o fizeram glosar as deduções, afirmando, apenas quanto aos recibos apresentados pelo ora Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13896.004251/200833 Acórdão n.º 2402007.513 S2C4T2 Fl. 75 3 recorrente, que "após análise dos mesmos por esta autoridade julgadora, concluise que estes não são hábeis e idóneos a omprovar o efetivo pagamento"; a presunção de idoneidade dos recibos milita em favor do contribuinte, ora recorrente, de modo que para afastála, deverá o fisco produzir prova robusta em sentido contrário; e a simples ausência de endereço em alguns dos recibos não pode leválos à inidoneidade, haja vista a existência de outros elementos (inclusive CPF) aptos a comprovar o endereço do emitente. Por fim, requer seja dado provimento ao seu recurso voluntário para declarar nulo o lançamento. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora O recurso voluntário é tempestivo e estão satisfeitos os demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Para comprovar as despesas médicas objeto de questionamento, o recorrente apresentou cópias autenticadas de recibos médicos fornecidos pelos profissionais Luiz Martins Turano e José Pereira da Cruz, no valor total de R$ 28.000,00, que seriam relativos a tratamentos odontológio e psicológico realizados durante o ano de 2005 (fls. 14/26). Apresentou, também, declarações desses mesmos profissionais, que informam terem recebido do recorrente os valores de R$ 6.700,00 e R$ 21.300,00, respectivamente, como pagamento pelos serviços prestados (fls. 27/29). Esses documentos não foram considerados suficientes pela Fiscalização, que informa na Notificação de Lançamento que o motivo da glosa dessas despesas seria a falta de sua comprovação ou de previsão legal para sua dedução. A DRJ, por sua vez, entendeu correto o lançamento, sob o fundamento de que em análise dos recibos apresentados, constatase que os recibos emitidos pelo psicólogo José Pereira da Cruz não contemplam todas as especificações e indicações exigidas pelo inciso II do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, pois não trazem o endereço profissional do emissor. Com relação ao recibo fornecido por Luiz Martins Turano, no valor de R$ 21.300,00 (fls. 14), esclarece o julgador que não o aceitou uma vez que, conforme informação constante das declarações daquele profissional, a fls. 15 e 28, essa importância teria sido paga em dinheiro, sendo certo que "nos dias de hoje é pouco usual o pagamento efetuado em espécie. Ainda mais quando a quantia envolvida é tão alta". Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13896.004251/200833 Acórdão n.º 2402007.513 S2C4T2 Fl. 76 4 Acrescenta, ainda, o julgador "a quo" que 7.5.1 Ademais, em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi possível constatar que o contribuinte habitualmente declarava vultosos pagamentos ao mesmo profissional nos anos anteriores. No ano de 2003 foi informado o pagamento de R$ l8.600,00 e no ano de 2004 o valor de R$ 9.200,00 em favor do mesmo profissional. 7.5.2 Outro fato a ser levado em consideração é que o valor total das despesas médicas declaradas pelo contribuinte R$ 39.265,12 equivale a quase 42% do total dos rendimentos aferidos durante o anocalendário de 2005, situação essa pouquíssimo plausível. Pois bem. Dispõe o art. 8º da Lei nº 9.250/95 que: Art.8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: 1 de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributaçao definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicos e dentárias; " (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...). Conforme se verifica dos autos, os recibos fornecidos ao recorrente por José Pereira da Cruz (fls. 17/26), que totalizam o valor de R$ 6.700,00, realmente não informam o endereço do prestador dos serviços, como exige o inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, acima transcrito, razão pela qual não podem ser aceitos. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13896.004251/200833 Acórdão n.º 2402007.513 S2C4T2 Fl. 77 5 Com relação ao recibo emitido por Luiz Martins Turano, no valor de R$ 21.300,00, embora satisfaçam os requisitos exigidos pelo mencionado dispositivo legal, entendemos que também não podem ser aceitos como comprovação das despesas ali apontadas, mesmo considerando a declaração deste prestador de serviços que dá conta de que teria recebido esse valor do recorrente pelo tratamento odontológico realizado no período autuado. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos manifestar anteriormente no sentido de que recibos médicos que preencham os requisitos exigidos no dispositivo legal supramencionado devem, em princípio, ser aceitos como prova de deduções de despesas médicas na declaração de ajuste anual, sendo que sua eventual não aceitação deve ser devidamente fundamentada. Não é outro o entendimento que se extrai do art. 73, § 1º do Decreto nº 3000/99 (RIR/99), que dispõe que: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (...). No presente caso, entendemos que o conjunto probatório constante dos autos justifica que fosse exigido do contribuinterecorrente a comprovação por outros meios do efetivo pagamento das despesas apontadas nos recibos apresentados, tais como transferências bancárias, laudos médicos, cópia de exames que alega terem sidos realizados e outros semelhantes. Com efeito, conforme informação constante a fls. 43, o total dos rendimentos tributáveis declarados pelo recorrente é de R$ 93.708,70. Desse modo, temse que o valor total das despesas médicas objeto de discussão neste recurso, no importe de R$ 28.000,00, perfaz aproximadamente 30% desses rendimentos, o que não nos parece razoável. Somese a isso o fato de que o pagamento de R$ 21.300,00 em espécie, realmente, não é nem um pouco comum. Para nós, essas circunstâncias, por si sós, já seriam suficientes para colocar em suspeição as informações constantes dos recibos apresentados, justificando que se solicitasse ao recorrente a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas neles apontadas. Anotese, ainda, que conforme informado pelo julgador de primeira instância na decisão recorrida, em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificouse que o contribuinte habitualmente declarou vultosos pagamentos ao mesmo profissional, Luiz Martins Turano, nos anos de 2003 (R$ l8.600,00) e 2004, (R$ 9.200,00). Nesse contexto, entendemos que a fiscalização não apenas poderia, como deveria solicitar ao contribuinte que provasse o efetivo pagamento das despesas médicas apontadas nos recibos apresentados, prova esta que poderia ter sido feita, inclusive, por ocasião da interposição do recurso voluntário. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13896.004251/200833 Acórdão n.º 2402007.513 S2C4T2 Fl. 78 6 Desse modo, considerando que o recorrente não demonstrou nos autos que, de fato, efetivou os pagamentos em questão, não há como afastar a glosa das despesas médicas ora em debate. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Renata Toratti Cassini Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.903907/2012-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.120
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencida a conselheira Larissa Nunes Girard que rejeitou a proposta de diligência.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-se de Declaração de Compensação – DCOMP enviada pela contribuinte, que restou não homologada pela DRF de origem pelo fato de que o pagamento indicado no Pedido de Restituição, indicado como origem dos créditos, fora localizado, mas que havia sido integralmente utilizado para quitação de débito anteriormente declarado pela contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que a decisão expressa no despacho combatido seria simplória. Que o fundamento de ausência de crédito disponível para restituição não se sustentaria, “uma vez que a impugnante sequer é contribuinte da Cofins.” Alega a manifestante ser uma sociedade cooperativa e não praticar atos “não cooperados”. Alega, quanto à declaração de débito da Cofins em DCTF, ao qual o pagamento indicado como origem do crédito encontra-se alocado, que, como esperava resposta do Pedido de Restituição, não retificou a DCTF e que, ultrapassados os cinco anos da data de entrega da mesma, ficou impossibilitada de retificá-la." A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade e apresenta a seguinte ementa, na parte de interesse: (...) RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 03 90 7/ 20 12 -5 5 Fl. 223DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.120 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.903907/2012-55 COOPERATIVAS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da LC n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999. A partir de novembro de 1999, tal isenção foi revogada expressamente pela MP nº 1.858-6 de 1999. A base de cálculo da Cofins devida pelas cooperativas passou a ser apurada como a das demais pessoas jurídicas, com as exclusões específicas contidas na MP n° 1.858-6, de 1999. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) a recorrente é uma cooperativa e que no acórdão proferido pela DRJ não foi consignada nenhuma objeção em relação a tal fato; (ii) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas; (iii) menciona o art. 3° da Lei n° 5764/71 que traz a definição de sociedade cooperativa; (iv) o art. 5° da Lei n° 5764/71 permite que as sociedades cooperativas tenham por objeto qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; (v) o art. 4° da Lei n° 5764/71 elenca as características das sociedades cooperativas; (vi) não há incidência da COFINS sobre os atos cooperativos; (vii) a discussão travada nos autos não diz respeito a isenção da COFINS, mas a não incidência da aludida contribuição sobre os atos cooperativos; (viii) o 79 da Lei n° 5764/71 preceitua o que são atos cooperativos; (ix) no caso em apreço a recorrente exerce a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados; (x) todos os valores ingressados na cooperativa decorrem das contribuições dos cooperados; (xi) os valores ingressados na recorrente para a contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, estão diretamente ligados à sua atividade; (xii) os referidos ingressos servem para custear os atos praticados entre os cooperados e a cooperativa; (xiii) que o direito ao crédito decorre de recolhimento indevido efetuado a título de COFINS; (xiv) os atos praticados pela recorrente, o são no propósito de assegurar a contratação de serviços médicos, odontológicos, laboratoriais e hospitalares, em preço inferior e com melhores condições, possuindo nítido caráter cooperativo; (xv) anexa com a peça recursal os Balancetes e parecer da empresa de auditoria SGC Auditores Independentes que comprovam que os valores dos ingressos se referem às contribuições dos cooperados (ato cooperativo); (xvi) pleiteia que tal documentação seja analisada pelo órgão de julgamento recursal; e Fl. 224DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.120 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.903907/2012-55 (xvii) que os documentos trazidos com o recurso constituem prova cabal para demonstrar o erro no preenchimento da DCTF, uma vez que a COFINS lá lançada não deveria ter sido recolhida pela recorrente na medida em que seus atos cooperativos não são tributados pela COFINS. Pede, ao final, o provimento do Recurso Voluntário ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência em respeito ao princípio da verdade material. O julgamento do processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 3201-001.240, a seguir transcrita: "Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Em cumprimento a diligência, a Recorrente foi instada a apresentar a documentação pertinente para o cumprimento da diligência não tendo apresentado manifestação tempestiva. Face a inércia do contribuinte, a unidade de origem elaborou despacho de retorno dos autos ao CARF. Devidamente intimada do referido despacho, a Recorrente apresentou manifestação e documentos em que requer a apreciação da documentação acostada para o fim de que a decisão proferida pela DRJ seja integralmente reformada, com o consequente reconhecimento do direito creditório proveniente do recolhimento indevido de COFINS e homologada a compensação declarada. Em complemento de despacho de diligência, a autoridade fiscal consignou que "Após receber o Comunicado de fl. (...) que abria prazo de 30 dias para complemento de Informações sobre o Despacho de Diligência de fl.(...) o Contribuinte juntou as Informações de fls. (...).", sem contudo proceder a análise dos documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3201- Fl. 225DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.120 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.903907/2012-55 002.116, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10830.903904/2012-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201-002.116): “Depreende-se do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Entendo que os atos cooperativos são aqueles identificados no art. 79 da Lei n.º 5.764/1971, recepcionada pelo art. 146, III, 'c' da Constituição Federal com o status de lei complementar, nos seguintes termos: "Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." O Estatuto Social da recorrente estabelece que: "Art. 2° A COOPERATIVA tem por objetivo, exercer, nos termos da Lei n° 9.656/98 e suas Resoluções, ou legislação que venha a substituir, a função exclusiva de Operadora de Planos de Assistência à Saúde através da modalidade de Medicina de Grupo. Art. 3° A COOPERATIVA condicionará a prestação de serviços aos Cooperados, à capacidade física e financeira de sua infra-estrutura." Denota-se, então, por seu Estatuto Social que a recorrente presta serviços única e exclusivamente aos seus cooperados, não prevendo a prestação de serviços a terceiros não-cooperados. Importante frisar que em nenhum momento a fiscalização trata que os valores tratados nos autos se referem à prestação de serviços para terceiros, aduzindo que a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da LC n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, quando foi revogada pela MP nº 1.858-6 de 1999 e que a base de cálculo da Cofins devida pelas cooperativas passou a ser apurada como a das demais pessoas jurídicas. A matéria em apreço foi objeto de julgamento em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão que deve ser obrigatoriamente aplicado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, conforme estabelecido no art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF. No Recurso Especial nº 1.164.716, que tratou dos denominados atos cooperativos típicos como aqueles envolvidos nos presentes autos, entre a cooperativa e seus associados (cooperados), cujo acórdão transitou em julgado em 22/06/2016, a Corte Superior firmou o seguinte entendimento: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria Fl. 226DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.120 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.903907/2012-55 discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas." (REsp 1164716/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2016, DJe 04/05/2016) Mesmo a recorrente não tendo tempestivamente cumprido com a diligência determinada por este Colegiado, em razão de ter apresentado documentos, entendo como razoável as alegações produzidas em sua peça recursal, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em comprovar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa-fé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica novamente a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente com o exame da documentação apresentada e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação colacionada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por Fl. 227DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.120 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.903907/2012-55 converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente com o exame da documentação apresentada e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação colacionada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 228DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.905666/2016-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
Numero da decisão: 3201-005.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam- se os embargos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3201-004.985, prolatado por esta Turma, cuja ementa foi assim redigida: MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 56 66 /2 01 6- 36 Fl. 125DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.905666/2016-36 Ciente da decisão, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria, interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida contém omissão, assim explicitada: (...) Esse Eg. Colegiado, ao se manifestar sobre o aproveitamento de um pagamento indevido de Cofins não-cumulativo para liquidar débito apurado no regime cumulativo entendeu que entendeu que “O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes.”. O I. Relator do voto vencedor fundamenta seu entendimento na súmula CARF 76 que trata do aproveitamento de recolhimentos realizados na sistemática do SIMPLES. Analisando a súmula CARF 76 e os precedentes que fundamentaram sua edição, verifica-se que aquelas decisões estão calcadas no disposto no art. 3º da Lei nº 9.317/1996, que cuida do pagamento unificado na sistemática do SIMPLES, inaplicável ao presente caso. Entendemos existir omissão no voto vencedor, uma vez que tal voto não esclarece os fundamentos legais para o aproveitamento dos pagamentos indevidos. A não indicação dos dispositivos legais que fundamentaram aquele aproveitamento afronta os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. O art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece a motivação como princípio do processo administrativo, verbis (...) (...) Já o artigo 50 daquele mesmo diploma explicita que as decisões administrativas que decidam recursos administrativos devem indicar seus fundamentos jurídicos (...) Não há dúvida de que quando a lei fala que as decisões administrativas devem indicar “os fundamentos jurídicos” que as motivam está se cuidando aqui da indicação dos dispositivos legais que lhe dão substrato. Neste sentido, citamos os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo que ao discorrer sobre a motivação dos atos administrativos no bojo do processo administrativo1 leciona: “Princípio da Motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciando-se, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poder-se avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto.” (...) Diante da relevância da omissão faz-se mister que a Turma se pronuncie sobre os fundamentos normativos utilizados para o aproveitamento de pagamentos indevidos sem a observância da legislação que versa sobre a compensação. (...) No despacho de admissibilidade, atestou-se a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu-se os embargos, uma vez que se entendeu a omissão dos fundamentos legais utilizados na explicitação da decisão. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.905666/2016-36 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.610, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.610): “Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. A jurisprudência preconiza que a "omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazê-lo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicando-lhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201-BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32-346]. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracteriza-se no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. Passemos à análise. Em que pese ter sido vencido na decisão, pois entendi que o aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito, não parece inquinado de omissão o voto vencedor. O acórdão embargado entendeu que, embora formalmente o caso tenha sido tratado como compensação, materialmente não se trata de tal modalidade de extinção do crédito tributário (art. 74 da Lei 9.430/96), mas sim, de mero erro de código, passível de retificação do DARF por meio do procedimento de Redarf (normatizado pela IN RFB 672/2006). Portanto, ao entender o caso como Redarf, o Colegiado afastou tanto o artigo 74 da Lei 9.430/96, que trata de compensação, quanto o artigo 61 da mesma Lei, que trata Fl. 127DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.905666/2016-36 de pagamento em atraso, porque o suposto atraso somente ocorreria na hipótese de se considerar o caso como compensação. Em outras palavras, o pagamento foi tempestivo, sem qualquer atraso pois não se trata de compensação; e, portanto, não há aplicação do artigo 74 nem do artigo 61 da Lei 9.430/96. A súmula CARF 76 foi aplicada pela decisão embargada, porque faz o mesmo: em caso de mudança de regime de tributação, devem ser aproveitados os pagamentos feitos com o código do regime anterior, sem necessidade de compensação. No caso da súmula, o regime anterior é o Simples, passando para lucro real ou presumido; no caso da decisão embargada, o regime anterior é não-cumulativo e o regime correto é regime cumulativo. Não há falta de motivação, porque os fundamentos da decisão foram explicitados: (i) a IN RFB 672/2006, que trata de Redarf; (ii) a ratio decidendi da Súmula 76 (e não a letra da súmula) e (iii) a interpretação da verdade material do caso, o que é um princípio jurídico no direito tributário. Todas essas motivações estão claras no voto vencedor. Desse modo, entendo que não há omissão no julgado. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.900117/2006-88
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam adotadas as providências estabelecidas, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam adotadas as providências estabelecidas, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto no bojo de processo administrativo fiscal cuja origem remonta à não homologação de declaração de compensação (DCOMP) de alegados créditos de contribuição ao PIS no PA 08/2003. Por meio de despacho decisório eletrônico a Unidade Preparadora não homologou o crédito pleiteado, pois não foram identificadas as montas creditórias indicadas pela Recorrente. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, que foi apreciada pela 3ª Turma da DRJ de Campinas. Por bem retratar a os fatos, adoto o relatório elaborado pela instância a quo: Trata-se de Despacho Decisório, à fl. 47, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 00 11 7/ 20 06 -8 8 Fl. 384DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3003-000.029 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.900117/2006-88 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 28/05/2008, a interessada apresentou em 24/06/2008 Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Que sua DCTF do 3.o trimestre de 2003 foi preenchida de modo errado no que se refere ao débito referente ao mês de agosto de 2003. Que o valor correto do débito do PIS do período de apuração de agosto de 2003 é de R$ 1.207,89 (um mil, duzentos e sete reais e oitenta e nove centavos), tendo sido informado erroneamente na DCTF como sendo de R$ 11.896,18 (onze mil, oitocentos e noventa e seis reais e dezoito centavos) Que retificou a DCTF do 3.o trimestre de 2003 em 23/06/2008, ficando com o valor de R$ 10.688,29 (dez mil, seiscentos e oitenta e oito reais e vinte e nove centavos) como crédito referente a pagamento indevido ou a maior. Finalizando, requer a homologação da DCOMP 29928.30935.301003.1.3.048806, entregue em 30/10/2003. Instrui seu pedido com cópias do Despacho Decisório n. de rastreamento 763957287, da DCTF do 3º Trimestre de 2003. Retificadora entregue em 23/06/2008, da DCOMP n.o 29928.30935.301003.1.3.048806, do Contrato Social da interessada, da Procuração, CPF e RG de seu representante legal. E nada mais. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente conforme ementa, que transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Inexistindo elementos probatórios nos autos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 385DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3003-000.029 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.900117/2006-88 Contra o acórdão da DRJ a recorrente interpôs Recurso Voluntário inovando em sede recursal com alegações referentes às alíquotas aplicadas no PA 08/2003, indicação de receita de vendas pelo mero demonstrativo de IPI que justificariam o equívoco no preenchimento da DCTF que teria levado ao recolhimento a maior da contribuição ao PIS. Acompanha o Recurso os documentos de fls. 70/380 dentre os quais encontram-se cópia do DARF, DCTF e retificadora, íntegra do PER/DCOMP, DIPJ do período, Livro Diário, registro de saídas e outros. Ao fim pugna pela provimento total do apelo para que seja reformada a decisão de primeira instância. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 1 Da Prova em Recurso Voluntário É certo que este Colegiado assentou o entendimento, à esteira da jurisprudência deste Conselho, que em na excepcionalidade de processo de originário de PER/DCOMP cujo despacho decisório tenha sido proferido eletronicamente, far-se-á um cotejo analítico da matéria alegada em manifestação de inconformidade e, em grau de exceção, aceitar a produção de provas na fase recursal desde que mantenham correlação lógica com o mérito recursal. A Recorrente apresentou em fase recursal documentos de fls. 70/380, dentre as quais disponibiliza folhas do Livro Diário. Pelo império da Verdade Material, urge o recebimento das provas no sentido da jurisprudência desta Corte, em decisão proferida pela 1ª Turma da CSRF, esboçado nos autos do PAF 10835.901327/200988, em voto da relatoria do eminente Conselheiro André Mendes de Moura: entendo que a interpretação mais adequada não impede a apresentação das provasemsedederecursovoluntário,desdequesejamdocumentosprobatóriosque estejam no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação. - Grifos no original. Em razão da dúvida suscitada pelas provas apresentadas em sede recursal, impõe- se a aplicação do art. 16, §4º, Decreto 70.235/1972 com a determinação de que sejam os autos convertidos em diligência para que a unidade de origem possa apreciar os documentos que não teve acesso a DRJ ao proferir o acórdão recorrido. Nestes termos, voto pela conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem à unidade de origem no sentido de que sejam tomadas as seguintes providências: Fl. 386DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3003-000.029 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.900117/2006-88 1. Que sejam apreciados os documentos de fls. 70/380 para 2. Verificação nos lançamentos do Livro Diário provisionamento de contribuição ao PIS no período de apuração 08/2003; 3. Que seja contrastado o valor recolhido em relação ao crédito pleiteado para verificação do valor devido ao PIS no PA 08/2003; 4. Elaboração de relatório da análise dos documentos juntados em Recurso Voluntário que descreva se há direito creditório; 5. Que seja dada ciência ao contribuinte pelo prazo de 30 dias sobre o resultado da diligência; 6. O retorno dos autos a este Conselho para julgamento do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 387DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001207/2005-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Paulo Mateus Ciccone. Ausente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Paulo Mateus Ciccone. Ausente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata o presente de Recurso de Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I - SP, através do acórdão 9.620, de 04 de maio de 2006, que julgou PROCEDENTE, EM PARTE, a impugnação do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Cabe destacar que na decisão a quo houve a exoneração da multa qualificada, passando esta de 150% para 75%, reduzindo o montante originalmente autuado em R$ 174.167,63, valor aquém do atualmente estabelecido para eventual recurso de ofício, no termos da Portaria MF nº 13/2017. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 20 7/ 20 05 -4 2 Fl. 322DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1402-000.882 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001207/2005-42 Da autuação fiscal: Sobre a presente autuação, cabem duas reflexões prévias, antes de qualquer análise mais detida a respeito da questão inerente ao presente processo. Primeiramente, a autuação fiscal em questão é reflexo de uma fiscalização de IRPJ (processo nº 19515.001929/2004-16), envolvendo questão de omissão de receita. Na elaboração dos autos de infração, no momento de apurar o Cofins reflexo, a autoridade fiscal autuante o fez por base de cálculo trimestral. A Delegacia Regional de Julgamento, constatando, baixo para sanear os autos, em que a autuação fiscal original foi cancelada, e efetuada outra, cuja ciência se deu em 13/04/2005. De resto, por bem descrever os termos da autuação fiscal, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 1. Em decorrência de ação fiscal empreendida no contribuinte ora impugnante, foi lavrado, em 13/04/2005, o Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 25 a 27), com crédito tributário total no valor de R$ 803.578,61 (oitocentos e três mil, quinhentos e setenta e oito reais e sessenta e um centavos), referente ao ano-calendário 1999, conforme demonstrativo abaixo: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL 232.237,89 JUROS DE MORA (Até 31/03/2005) 222.994,67 MULTA PROPORCIONAL 348,346,05 CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL - COFINS 803.578,61 2. De acordo com o disposto no "Termo de Verificação Fiscal (COFINS)" (fls. 18 a 20), o crédito tributário apurado no ano-calendário 1999 decorreu dos fatos a seguir resumidamente descritos. 3. Inicialmente, a Autoridade Fiscal destacou que a ação fiscal foi originada de solicitação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, decorrente de erro material nas apurações reflexas da COFINS e do PIS no processo administrativo fiscal n° 19515.001929/2004-16, face as apurações trimestrais, quando deveriam ser mensais. 4. Utilizando bases de cálculo mensais, lavrou-se novo lançamento de ofício. 5. A Fiscalização esclareceu que o Auto de Infração foi lavrado sem suspensão da exigibilidade do crédito tributário, pois a liminar que havia sido obtida no processo judicial n° 2004.61.00.007938-3 foi suspensa no Agravo interposto pela Fazenda Nacional, processo n° 2004.03.00.034922-0. 6. Observou a Autoridade Fiscal que o anterior Auto de Infração da COFINS, reflexo, constante do processo n° 19515.001929/2004-16 foi cancelado. 7. Enquadramento legal: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Arts. 1º e 2° da Lei Complementar 07/70; Arts. 2°, 3º e 8º, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. Fl. 323DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1402-000.882 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001207/2005-42 Em verificação dos autos, agrego que, inicialmente, a Autoridade Fiscal destacou que a contribuinte não entregou os elementos solicitados e não prestou as informações constantes do “Termo de Início de Ação Fiscal”. Em seguida, a empresa foi intimada a esclarecer a diferença de R$ 7.709.343,29 entre os valores declarados por terceiros em DIRFs (R$ 14.897.841,27) e o declarado por ela na DIPJ/2000, ano-calendário 1999 (R$ 7.188.497,98). A contribuinte informou que as divergências encontradas são devidas ao fato de que a parte referente à taxa cobrada pelos serviços foi lançada na DIPJ/2000 como receita de prestação de serviços e o reembolso foi lançado como abatimento dos custos de prestação de serviços. A Autoridade Fiscal entende que a base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte é o valor total da nota fiscal fatura de serviço. E a contribuinte considerou como receita de prestação de serviços a taxa cobrada. Assim, para a Fiscalização, conforme legislação do imposto de renda, como receita deveria ter sido considerada o valor total da nota fiscal de serviços. Face ao apurado, informou a Autoridade Fiscal que a multa de ofício foi qualificada por entender ter ocorrido, em tese, crime contra a ordem tributária. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 8. Cientificada do auto de infração em 13/04/2005, a Contribuinte, por intermédio de seu Procurador protocolizou impugnação de fls. 39 a 56 em 12/05/2005, argumentando, em sua defesa, as razões a seguir sintetizadas. 9. Inicialmente, a Impugnante afirmou que todos os valores em questão, relativos ao ano de 1999, não poderiam ser cobrados em face da decadência do direito de lançar da Fazenda Pública, de acordo com o art. 150 do Código Tributário Nacional. Assim, os valores referentes aos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 1999 tiveram seus lançamentos homologados tacitamente nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2004. 10. Também, por já ter sido fiscalizada no ano de 1999, entende que todos os seus lançamentos referentes ao ano de 1999 já estariam homologados ou cobrados pela Receita Federal. Assim, realizado o lançamento, esse se torna imutável, conforme art, 146 do CTN. Diz que no processo administrativo n° 13808.002552/2001-06 foram lançados valores da COFINS relativos ao ano de 1999, o que também representaria "bis in idem", ou seja, tributar duas vezes pelo mesmo fato gerador. 11. Diz que o Auditor confundiu o conceito de "entrada" com o de "receita", pois entendeu que deveriam ser incluídos na base de cálculo os valores pagos pelos tomadores de serviços em face da mão-de-obra fornecida. 12. Esses valores pagos pelos tomadores de serviços, salários e respectivos encargos sociais, são apenas ressarcimentos feitos ao prestador de serviços, de despesas havidas ao exclusivo interesse dos tomadores, não constituindo receita e, portanto, não podendo integrar a base de cálculo da COFINS. 13. Sobre a multa de ofício aplicada - de 150%, diz que o art. 44 da Lei 9.430/96 disciplina que ela apenas é aplicada quando há evidente intuito de fraude. Como a Contribuinte já foi fiscalizada e autuada em 2001, abrindo seus livros à Fiscalização, entende não Fl. 324DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1402-000.882 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001207/2005-42 ter havido qualquer intenção de fraude. Cita decisão administrativa, em caso análogo, que reduziu a multa aplicada de 150% para 75%. 14. Ainda sobre a multa aplicada, questiona a impugnante que, em caso de pagamento do débito até o vencimento da intimação, lhe seria concedida uma redução de 50% sobre o valor da multa. E se a impugnante resolvesse discutir o débito em questão na via administrativa, ela seria obrigada a pagar o triplo da multa. Isso constituiria afronta aos princípios constitucionais do devido processo legal e do direito ao contraditório e da ampla defesa. Assim, deve ser revisto o valor da multa e ser aplicada a redução de 50%, devida caso a impugnante tivesse efetuado o pagamento até o vencimento da intimação. 15. Conclui a peça impugnatória requerendo, pelos argumentos expendidos, seja julgado improcedente o auto de infração ou, na hipótese de manutenção do débito, que seja afastada a multa de 150% ou que, ao menos, seja reduzida a multa a 50% ao final do processo administrativo. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL à impugnação da agora recorrente, por unanimidade. A ementa do acórdão recorrido foi o seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofíns Ano-calendário: 1999 Ementa: COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário através do lançamento de contribuições sociais é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Pública, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas. MULTA AGRAVADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Não estando plenamente configurada a hipótese exigida para o agravamento da multa de oficio, deve ser aplicada no valor de 75%. Lançamento Procedente em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extrai-se os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes que fundamentaram a sua decisão final: - quanto à decadência, entendeu que o prazo para as contribuições tributárias federais é de 10 anos, nos termos da lei nº 8.212/91, art. 45. Destarte, como os fatos geradores são de 1999, e a ciência do lançamento se deu 2005, não haveria que se falar em decadência; - quanto à alegação de bis in idem, conforme análise processual efetuada, não se verifica nenhum duplo lançamento; - constata que o mérito já estão sendo discutidos em mandado de segurança, o que não seria apreciado administrativamente. Contudo, era necessário o lançamento, nos termos no Fl. 325DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1402-000.882 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001207/2005-42 art. 142 do CTN. Igualmente, quando da autuação fiscal, a liminar obtida pelo contribuinte fora suspensa, o que estaria sujeito à imposição de multa de ofício; - quanto a multa qualificada aplicada, entendeu não ter ocorrido o evidente intuito de fraude, até porque a questão de mérito está sendo discutida na esfera judicial. Por conseguinte, reduziu a multa de ofício aplicada de 150% para 75%. Do Recurso Voluntário: Irresignada com a decisão da DRJ, a qual tomou ciência em 26/01/2007, a agora recorrente apresentou recurso voluntário em 27/02/2007, ou seja, tempestivamente. Em essência, na sua peça recursal, aborda as seguintes questões, já abordadas na sua peça impugnatória: - questão da decadência; - bis in idem; - a discussão da base de cálculo envolve amparo de decisão judicial; É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo qual o conheço. Cabe ressaltar que não houve interposição de recurso de ofício, em virtude da exoneração promovida pela instância a quo estar bem aquém do limite de alçada da Portaria MF nº 63/2017. Do recurso voluntário: A autuação fiscal envolve os fatos geradores de janeiro a dezembro de 1999, e a ciência do mesmo se deu em 13/04/2005. No caso específico deste processo, envolve autuação de Cofins. A decisão a quo decidiu que não havia ocorrido o prazo decadencial, pois entendeu que o prazo aqui aplicável seria de 10 anos. Contudo, tal matéria há longa data já está superada na esfera administrativa, havendo o entendimento da vigência de 5 (cinco) anos, ocorrendo apenas discrepâncias do momento inicial de contagem deste prazo. Fl. 326DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1402-000.882 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001207/2005-42 Assim, antes de adentrar em qualquer especificidade, cabe verificar se já não houve decadência pela contagem temporal mais dilatada, qual seja o art. 173, I do CTN. Já observado acima, a presente autuação fiscal envolve fatos geradores de 1999, apuração mensal (Cofins), em todos os meses de janeiro a dezembro. A ciência da autuação fiscal se deu em 13/04/2005 Como houve a exoneração da multa qualificada pela instância julgadora anterior, sem possibilidade de reapreciação do valor exonerado, caberia, eventualmente, verificar se houve pagamento ou não, pois numa eventual contagem mais dilatada pelo regramento do art. 173, I do CTN, o mês de dezembro/1999 só teria seu termo inicial em janeiro/2001, o que não estaria alcançado pela decadência. Em análise dos elementos contidos nos autos, não há esta informação. Destarte, PROPONHO DILIGÊNCIA para se verificar os eventuais pagamentos de Cofins referente ao ano-calendário de 1999 efetuados pela recorrente, informando tal situação através de um relatório conclusivo a ser acostado aos autos. (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954391/2008-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 15/12/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório.
Numero da decisão: 9303-008.860
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não tem similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, trata-se de erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido ao longo de todo processo, enquanto o paradigma trata de erro no preenchimento de PER/DCOMP, mesmo após a análise de documentação pela fiscalização previamente ao despacho decisório. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 91 /2 00 8- 35 Fl. 277DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.860 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954391/2008-35 Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de PIS - Faturamento, que ultrapassaria o crédito devido. A DERAT em São Paulo emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago pela DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegadno que o valor por ela informado originariamente em DCTF, seria equivocado. Não comprova nem demonstra como foram apurados os novos valores e argumenta que a não homologação da compensação levaria ao enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. A DRJ competente exarou o acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade do sujeito passivo para manter o lançamento. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, repisando as razões da impugnação. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3401-004.155, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte A contribuinte interpôs recurso especial de divergência, sustentando a divergência com relação à duas matérias: 1) possibilidade de conversão do julgamento em diligência e 2) preclusão da produção de provas em momento processual posterior à fase de impugnação. Para primeira matéria, a contribuinte toma por paradigma o acórdão nº 3301- 003.968, no qual se admitiu realização de diligência, diversamente do que ocorreu no acórdão recorrido Já no tocante à segunda matéria, o sujeito passivo esgrime os arestos paradigmas de nº 1401-001.856 e nº 101-96.829, que permitiriam a produção de provas em momento processual posterior ao da impugnação.. O recurso teve seguimento negado pelo Presidente da Câmara. Agravo da contribuinte Cientificada do resultado do despacho que negou seguimento ao seu recurso especial, a contribuinte apresentou agravo à Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF que o acolheu parcialmente para determinar o retorno dos autos à 4ª câmara da 3ª seção de julgamento, com o intuito de exame dos demais Fl. 278DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.860 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954391/2008-35 pressupostos de admissibilidade do recurso especial, para além do prequestionamento, relativamente à matéria "possibilidade de conversão do julgamento em diligência". Em face do despacho que acolheu parcialmente o agravo, foi realizada nova análise do recurso especial de divergência da contribuinte, sendo-lhe dado seguimento para que seja apreciada apenas quanto a matéria "possibilidade de conversão do julgamento em diligência". Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.852, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.954381/2008-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.852): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Uma análise mais acurada do acórdão utilizado para paragonar a matéria leva-me á reconsideração da admissibilidade do recurso especial de divergência. Ocorre que o acórdão paradigma nº 3301-003.968, se estabeleceu sobre a seguinte matéria fática, extraída de seu relatório (e-fl. 173): Tratam-se de pedidos de ressarcimento de folhas 103 a 150, transmitidos em julho de 2008 através do sistema PER/DCOMP. Nestes o contribuinte busca o ressarcimento de créditos apurados sob o regime da não cumulatividade da COFINS, vinculados às vendas no mercado interno (artigo 17 da Lei n° 11.033/2004). (...) A DRF Vitória, por meio do despacho decisório de fl. 470, amparado no Parecer/Seort nº 2127 (fls. 462 a 469) não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, uma vez que não identificou qualquer saída no mercado interno, enquadrada dentre aquelas com direito a crédito passível de ressarcimento (saídas não sujeitas à contribuição). Conseqüentemente indeferiu os pedidos de ressarcimento. Fl. 279DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.860 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954391/2008-35 Cientificada do despacho, a interessada, inconformada, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 472 a 480, em parte transcrita a seguir: Em cumprimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 01/2010, a empresa, ora RECORRENTE, esclareceu que os créditos apurados são vinculados a operações com mercado interno e exportação, com base na receita bruta auferida mensalmente, bem como apresentou diversos documentos solicitados pela Fiscalização, tanto em relação aos créditos de PIS quanto aos de COFINS, no período compreendido entre o 1° trimestre de 2005 e 4° trimestre de 2007. (Negritei e sublinhei.) Nesses excertos, transparece claramente que a situação fática é distinta daquela havida no acórdão recorrido, pois neste se trata de despacho decisório eletrônico, que confronta pagamentos realizados em DARF com créditos constituídos em DCTF da própria contribuinte e naquele paradigma há despacho com análise prévia da fiscalização com relação aos créditos, fundada em documentação apresentada pela contribuinte, conforme acima destacado. A discussão se estabeleceu sobre serem ou não os créditos pleiteados vinculados à receitas da exportação ou do mercado interno. Como a DRJ que apreciou a manifestação de inconformidade da contribuinte concordou com o disposto no despacho decisório, a contribuinte interpôs recurso voluntário alegando (e-fl. 175): Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário em face da referida decisão alegando em síntese que o que houve foi um erro no preenchimento da PER/DCOMP, porquanto os valores pleiteados foram equivocadamente preenchidos nos PER/DCOMP's no campo dos créditos vinculados ao mercado interno quando, de fato, tratavam-se de créditos vinculados a receitas de exportação, que foi apresentada toda a documentação comprobatória do referido fato e que tratando-se de mero erro material esse não deve ser tomado como elemento para indeferir o Ressarcimento pleiteado. Que a documentação carreada aos autos demonstra com clareza a existência do crédito (Negritei) Ou seja, a discussão levada ao CARF no acórdão paradigma foi com relação a erro de preenchimento de PER/DCOMP, em face da discussão sobre documentação apresentada pela contribuinte à fiscalização, diferentemente do caso presente, em que se alega erro do valor declarado em DCTF sem a apresentação de qualquer documento suportando o pedido, mesmo em sede de recurso voluntário. No meu entendimento, o acórdão a quo se estabeleceu sobre situação fática distinta daquela do acórdão paradigma, pois nele não havia qualquer suporte probatório que trouxesse dúvidas ao julgador para ensejar a realização de diligência, enquanto no paradigma apresentado, no procedimento anterior ao despacho decisório já se estabelecera litígio quanto às provas, o que gerou a necessidade de os julgadores terem maiores esclarecimentos. O que pretendeu o relator do voto vencido no acórdão nº 3401-004.146, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que foi fulcro para o julgamento do acórdão aqui recorrido, na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, utilizando-se de voto havido em Resolução nº 3401-000.964, a qual propôs a conversão em diligência para situação análoga à presente (esta sim, pagamento indevido ou a maior em dissonância com declaração em DCTF), foi igualmente converter aquele processo em diligência, sendo vencido pela maioria. Contudo, ainda que se pretendesse utilizar como paradigma a Resolução nº 3401- 000.964, referida pelo relator vencido no acórdão nº 3401-004.146, isso não seria possível, pois careceria de sua indicação diretamente no recurso especial de divergência da contribuinte, bem como da demonstração analítica com base nele. Concluindo, os julgadores não viram elementos probatórios que dessem razão para a conversão do julgamento do processo em diligência, sendo esta situação fática distinta, portanto, daquela do aresto paradigma nº 3301-003.968, apresentado pela contribuinte em seu recurso especial de divergência. Fl. 280DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.860 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.954391/2008-35 Por essas razões, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720109/2017-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. OBRIGATORIEDADE DE ACATAR ARGUMENTOS. NÃO HÁ.
O Princípio da Verdade Material permite ao julgador conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, como prova complementar que pode permitir e contribuir para o convencimento do julgador, mas o fato de apreciar tais documentos não implica obrigatoriedade para acatar os seus argumentos.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO.
As decisões administrativas trazidas aos autos que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante.
JURISPRUDÊNCIAS. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM O JULGAMENTO.
A jurisprudência decorrente de decisões judiciais, referente a processos ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas proferidas pelo STF ou STJ, não vincula o julgamento na esfera administrativa.
VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não cabe à esfera administrativa analisar inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DAS AÇÕES RECEBIDAS SUPERIOR AO VALOR DAS AÇÕES ENTREGUES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTÁVEL.
A alienação de participações societárias decorrente de incorporação de ações dá ensejo à apuração de ganho de capital tributável se o valor das ações recebidas for superior ao valor das ações entregues.
ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTÍVEIS.
A prestação de serviços de assessoria, consultoria e assemelhadas não se configura corretagem, portanto, as despesas decorrentes de tal prestação de serviço não podem ser deduzidas do valor da alienação para efeito de apurar o ganho de capital.
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. RESTRIÇÃO DE NEGOCIAÇÃO. CLÁUSULA DE "LOCK UP". CONTRATO DE PENHOR. NÃO IMPEDE A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
A existência de cláusula contratual com o fim de limitar a faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, obrigando-o a não alienar sua participação societária (ações) por um determinado período (lock up) ou restrição de negociação mediante contrato de penhor não modifica a definição e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, reputando-se perfeito e acabado por ocasião da incorporação das ações.
Numero da decisão: 2202-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial para afastar a incidência do imposto de renda sobre a incorporação de ações, e os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), que deram provimento parcial para acatar as deduções de corretagem associadas à AGL Empreendimentos Imobiliários e Administração Ltda. Votaram pelas conclusões quanto à incorporação de ações os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. OBRIGATORIEDADE DE ACATAR ARGUMENTOS. NÃO HÁ. O Princípio da Verdade Material permite ao julgador conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, como prova complementar que pode permitir e contribuir para o convencimento do julgador, mas o fato de apreciar tais documentos não implica obrigatoriedade para acatar os seus argumentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO. As decisões administrativas trazidas aos autos que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante. JURISPRUDÊNCIAS. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM O JULGAMENTO. A jurisprudência decorrente de decisões judiciais, referente a processos ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas proferidas pelo STF ou STJ, não vincula o julgamento na esfera administrativa. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa analisar inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DAS AÇÕES RECEBIDAS SUPERIOR AO VALOR DAS AÇÕES ENTREGUES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTÁVEL. A alienação de participações societárias decorrente de incorporação de ações dá ensejo à apuração de ganho de capital tributável se o valor das ações recebidas for superior ao valor das ações entregues. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTÍVEIS. A prestação de serviços de assessoria, consultoria e assemelhadas não se configura corretagem, portanto, as despesas decorrentes de tal prestação de serviço não podem ser deduzidas do valor da alienação para efeito de apurar o ganho de capital. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. RESTRIÇÃO DE NEGOCIAÇÃO. CLÁUSULA DE "LOCK UP". CONTRATO DE PENHOR. NÃO IMPEDE A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A existência de cláusula contratual com o fim de limitar a faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, obrigando-o a não alienar sua participação societária (ações) por um determinado período (lock up) ou restrição de negociação mediante contrato de penhor não modifica a definição e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, reputando-se perfeito e acabado por ocasião da incorporação das ações.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial para afastar a incidência do imposto de renda sobre a incorporação de ações, e os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), que deram provimento parcial para acatar as deduções de corretagem associadas à AGL Empreendimentos Imobiliários e Administração Ltda. Votaram pelas conclusões quanto à incorporação de ações os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.842 1 1.841 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720109/201778 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.384 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2019 Matéria IRPF Recorrente ROGER ALBERTO MENDES AGUILERA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. OBRIGATORIEDADE DE ACATAR ARGUMENTOS. NÃO HÁ. O Princípio da Verdade Material permite ao julgador conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, como prova complementar que pode permitir e contribuir para o convencimento do julgador, mas o fato de apreciar tais documentos não implica obrigatoriedade para acatar os seus argumentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO. As decisões administrativas trazidas aos autos que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante. JURISPRUDÊNCIAS. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM O JULGAMENTO. A jurisprudência decorrente de decisões judiciais, referente a processos ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas proferidas pelo STF ou STJ, não vincula o julgamento na esfera administrativa. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa analisar inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 09 /2 01 7- 78 Fl. 1842DF CARF MF 2 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DAS AÇÕES RECEBIDAS SUPERIOR AO VALOR DAS AÇÕES ENTREGUES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTÁVEL. A alienação de participações societárias decorrente de incorporação de ações dá ensejo à apuração de ganho de capital tributável se o valor das ações recebidas for superior ao valor das ações entregues. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTÍVEIS. A prestação de serviços de assessoria, consultoria e assemelhadas não se configura corretagem, portanto, as despesas decorrentes de tal prestação de serviço não podem ser deduzidas do valor da alienação para efeito de apurar o ganho de capital. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. RESTRIÇÃO DE NEGOCIAÇÃO. CLÁUSULA DE "LOCK UP". CONTRATO DE PENHOR. NÃO IMPEDE A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A existência de cláusula contratual com o fim de limitar a faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, obrigandoo a não alienar sua participação societária (ações) por um determinado período (lock up) ou restrição de negociação mediante contrato de penhor não modifica a definição e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, reputandose perfeito e acabado por ocasião da incorporação das ações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial para afastar a incidência do imposto de renda sobre a incorporação de ações, e os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), que deram provimento parcial para acatar as deduções de corretagem associadas à AGL Empreendimentos Imobiliários e Administração Ltda. Votaram pelas conclusões quanto à incorporação de ações os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Relatório Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.843 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0660.297 proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA, a qual julgou improcedente a impugnação que contestou o lançamento decorrente de omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores e exigido do contribuinte por meio do Auto de Infração no montante de R$ 13.726.599.36, correspondente ao crédito tributário composto pelo Imposto de Renda no valor de R$ 6.069.687,98, pelos juros de mora no valor de R$ 3.104.645,40 e pela multa proporcional no valor de R$ 4.552.265,98 (fls. 1.502/1.531 e 1.539/1.626). Ação Fiscal De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/30), foi realizada auditoria fiscal no contribuinte, o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera, com o objetivo da "verificação do cumprimento das obrigações tributárias referentes ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa FísicaIRPF." Na ação fiscal (fls. 10/12), ficou demonstrado que a empresa Distribuidora Big Benn S.A., a qual o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera era acionista com o percentual de 22,5% (vinte e dois vírgula cinco por cento) do capital social, transferiu a totalidade das suas ações ordinárias para a Drogaria Guararapes Brasil S.A., da seguinte forma: a) 62,13% das ações por meio de alienação no valor total de R$ 293.023.605,25 (duzentos e noventa e três milhões, vinte e três mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) e b) 37,87% das ações, por meio de incorporação, recebendo em troca 1.205.292 de ações da Drogaria Guararapes Brasil S.A, nos seguintes termos: a) Por meio do Acordo de Investimento, conforme aditado, foi definido que a Guararapes adquiriria o equivalente a 62,13% (sessenta e dois inteiros e treze centésimos por cento) do capital votante da Big Benn por meio da alienação das ações ordinárias detidas pelo fiscalizado e pelos demais acionistas, pelo valor total de R$293.023.605,25 (duzentos e noventa e três milhões, vinte e três mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos), a serem pagos da seguinte forma: (a) RS100.909.000,00 (cem milhões e novecentos e nove mil reais) à vista na data do fechamento da operação ("Parcela à Vista"); (b) três parcelas anuais de R$58.045.000,00 (cinquenta e oito milhões e quarenta e cinco mil reais) ; e (c) R$17.979.605,25 (dezessete milhões, novecentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) a serem pagos diretamente aos assessores financeiros dos vendedores na operação. b) Imediatamente após a aquisição dos 62,13% das ações da Big Benn, a Guararapes realizou a incorporação dos 37,87% das ações remanescentes, de titularidade dos Vendedores. Em razão desta incorporação de ações, os Vendedores passaram a ser sócios da Guararapes. Ficou demonstrado também que a BR Pharma incorporou as ações da Drogaria Guararapes Brasil S.A recebidas pelos acionistas vendedores da Distribuidora Big Benn S.A., que passaram a fazer parte do quadro societário da BR Pharma, nos seguintes termos (fls. 11/12): Fl. 1844DF CARF MF 4 Ato contínuo, a BR Pharma realizou a incorporação da totalidade das ações da Guararapes recebidas pelos Vendedores. Com isto, os Vendedores passaram a ser sócios da BR Pharma. Detalhados os fatos, em ordem cronológica, temos, portanto, que a BR Pharma, no final do processo, adquiriu a totalidade de ações do Grupo Big Benn por intermédio de sua subsidiária integral, Guararapes. Esta aquisição se deu em duas partes: (1) A Guararapes adquiriu a totalidade das ações da Big Benn, sendo 62,13% mediante compra direta de ações, pelo valor de R$ 293.023.605,25 e 37,87% mediante incorporação do restante das ações. Nesta incorporação, os Vendedores receberam 1.205.292 ações da Guararapes, no valor de R$ 178.600.005,00. (2) Em seguida, a BR Pharma incorporou as ações da Guararapes de titularidade dos Vendedores, mediante um aumento em seu capital, com emissão de 23.813.334 novas ações, que foram entregues aos Vendedores, no mesmo valor de R$ 178.600.005,00. Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 23/29), percebese que o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera, pela transferência de sua participação, no percentual de 22,5% (vinte e dois vírgula cinco por cento) no capital social da Distribuidora Big Benn S.A. para a Drogaria Guararapes Brasil S.A recebeu em pagamento, pela parte correspondente a alienação (62,13% das ações), o montante de R$ 61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil e novecentos reais) e pela parte referente à incorporação (37,87% da ações), recebeu em troca 271.191 ações da empresa incorporadora Drogaria Guararapes Brasil S.A. (22,5% de 1.205.292 = 271.191). Tributação / Alienação de Ações / Ganho de Capital / Diferença de Valor do Imposto De acordo com a Auditoria Fiscal, o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera ofereceu à tributação o ganho de capital decorrente da alienação de 61,13% das suas ações no valor de R$ 61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil e novecentos reais), apurado da seguinte forma (fls. 28/29): O valor de alienação declarado foi de R$ 61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil e novecentos reais), correspondente a 22,5% (vinte e dois e meio por cento) percentual de participação de Roger Aguilera da diferença entre o valor total da venda subtraído das despesas com assessoria (R$ 293.023.605,25 R$ 17.979.605,26 = RS 275.043.999,99 * 22,5% = R$ 61.884.900,00). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 25/28), a Fiscalização considerou indevida a dedução do valor total da alienação, o montante de RS 17.979.605,25 (dezessete milhões, novecentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) por se tratar de despesa com assessoria financeira: Na apuração do ganho de capital relativo a operação de venda de ações da Big Benn para a Guararapes, o contribuinte deduziu, proporcionalmente à sua participação, como valor de alienação, as seguintes quantias: R$ 10.379.605,26 (dez milhões, trezentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e seis centavos), acordados no mandato celebrado com o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. ("Credit Suisse"), em 02/09/2010. Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.844 5 R$ 7.600.000,00 (sete milhões e seiscentos mil reais), objeto do Contrato de Prestação de Serviços celebrado com a AGL Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda ("AGL"), em 16/06/2011. Vêse que a legislação permitiu unicamente o abatimento da despesa com corretagem e, sendo assim, impossibilitou qualquer interpretação extensiva do conceito, independentemente de existir previsão contratual ou qualquer acerto distinto entre os interessados. As despesas com assessoria financeira suportadas pela contribuinte também não poderiam ser deduzidas na apuração do ganho de capital como custo de aquisição. Observese, preliminarmente, o que dispõe o art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11/10/2001. O contrato de comissão, de acordo como o art. 693 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10/01/2002), tem; por objeto a aquisição ou a venda de bens peio comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente. O comissário obrigase, portanto, perante terceiros em seu próprio nome, figurando no contrato como parte. Neste, em geral, não consta o nome do comitente, porque o comissário age em nome próprio. Não é o presente caso. Da análise dos dispositivos, concluise ser indevida a dedução dos valores pagos aos assessores financeiros, por não se tratarem de contrato de corretagem ou mesmo de comissão. Por todo o exposto, concluise que houve redução indevida do valor de alienação e que não há, assim, previsão legal para a dedução do valor total de RS 17.979.605,25 (dezessete milhões, novecentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) como custo de aquisição. Após considerar indevida a dedução do valor total de RS 17.979.605,25 com despesas de assessoria financeira, a Fiscalização refez os cálculos e apurou o valor de RS 65.930.311.18 correspondente à alienação da parte das ações do Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera (fls. 28/29): Diante da conclusão de que a dedução de R$ 17.979.605,25 do valor de alienação das ações da Distribuidora Big Benn S/A foi indevida, restanos recalcular o imposto devido na operação, relativo à parcela recebida em março de 2012. O valor de alienação declarado era de R$ 61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil e novecentos reais), correspondente a 22,5% (vinte e dois e meio por cento) percentual de participação de Roger Aguilera da diferença entre o valor total da venda subtraído das despesas com assessoria (R$ 293.023.605,25 RS 17.979.605,26 = RS 275.043.999,99 * 22,5% = R$ 61.884.900,00). Excluindose os RS 17.979.605,25, o valor de alienação passa a ser, então, de RS 65.930.311.18 (R$ 293.023.605,25 4 22,5%). Fl. 1846DF CARF MF 6 Depois de verificar o valor considerado correto pela alienação das ações, a Fiscalização passou a calcular o valor do ganho de capital decorrente do recebimento pelo Contribuinte da parcela proporcional paga em março de 2012, tendo por base o valor ajustado pela exclusão da dedução de despesas com assessoria financeira, apurando a diferença do imposto devido (fls. 28/29). A Fiscalização apurou (fls. 28/29), com base no valor ajustado, que o ganho de capital decorrente da parcela recebida pelo Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera em março de 2012, foi no montante de RS 23.796.077,93 e o imposto devido foi no valor de RS 3.569.411,69 (23.796.077,93 x 15%). Após apurar o valor considerado correto, a Fiscalização encontrou diferença de imposto a pagar no valor de RS 347.889,13, pois houve recolhimento de Imposto de Renda no valor de RS 3.221.522,56 (3.569.411,69 3.221.522,56= 347.889,13): Tabela 1 Cálculo da diferença de Imposto Ganho de Capital R$ Imposto Devido R$ Imposto Pago R$ Diferença de Imposto R$ 23.796.077,93 3.569.411,69 3.221.522,56 347.889,13 Fonte: Termo de Verificação Fiscal (fl. 29) Tributação / Incorporação de Ações / Alienação / Ganho de Capital A Fiscalização verificou que a transferência de 37,87% (trinta e sete inteiros e oitenta e sete centésimos por cento) do capital social da Distribuidora Big Benn S.A. para a Drogaria Guararapes Brasil S.A., a título de incorporação das ações, tratase de uma forma de alienação (fls. 16/23): A operação mencionada não foge ao conceito de alienação, uma vez que se trata de uma subtração do patrimônio do sujeito passivo e de um correspondente incremento no patrimônio de outra pessoa, conforme é o entendimento Carvalho Santos, citado em Código Civil Comentado nas anotações feitas ao analisar o art. 1.275 do Código Civil, que trata das causas da perda da propriedade, cujo inteiro teor reproduzo abaixo: "O Inciso I diz que se perde a propriedade pela alienação, que no dizer clássico de Carvalho Santos, "é o ato pelo qual desfalcamos nosso patrimônio, transferindo a um outro determinado bem" (Código Civil brasileiro interpretado. Rio de Janeiro. Freitas Bastos, 1952, v.III, p. 201). Normalmente, a alienação se faz por negócio jurídico, como a venda e compra, a troca, a doação e a dação em pagamento. Pode ocorrer, todavia, por ato independente de vontade, como o implemento de condição resolutiva no resgate de retrovenda, a arrematação e adjudicação em hasta pública, a alienação forçada do proprietário ao possuidor; prevista no § 4º do art. 1.228, já comentado; ou, ainda, a alienação judicial da coisa comum, para extinção do condomínio sobre coisa comum. (Código Civil Comentado: doutrina e jurisprudência: Lei n° 10.406, de 10.01/2002 / Coordenador Cezar Peluso. 9ª ed. rev. e atual. Barueri, SP: Manote, 2015, p. 1203)" (fls. 17/18). A Fiscalização apresentou justificativas para sustentar o entendimento de que a incorporação de ações se trata de uma forma de alienação, destacando as seguintes (fls.16/20): Para as pessoas jurídicas incorporadora e incorporada, o aumento e a integralização de capital de uma e a alteração da Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.845 7 composição societária de outra não são operações em que ocorre fato gerador do imposto de renda mas, para os sócios pessoas físicas e jurídicas, a transferência de suas ações na integralização de capital é forma de alienação de bens, podendo haver perda ou ganho de capital tributável pelo imposto de renda, a depender da avaliação pericial. De fato, as operações em que pessoa física está sujeita a pagar imposto de renda sobre o ganho de capital são aquelas que importem em alienação a qualquer título, conforme dispõe o art. 3º, § 3º, da Lei n° 7.713. de 22 de dezembro de 1988 (art. 117, § 4º, do Decreto n° 3.000. de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/99): Os dispositivos colacionados prevêem a tributação sobre o ganho de Capital auferido, considerado aquele decorrente de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, tendo em vista a diferença positiva entre o valor de alienação e o seu respectivo custo de aquisição. Vale dizer: no caso de incorporação de ações, estas serão transferidas para o patrimônio da pessoa jurídica pelo valor de mercado, em razão da exigência da lei societária. E haverá ganho de capital sujeito a tributação sempre que o valor de mercado (valor de alienação) ultrapassar o valor constante da declaração de bens da pessoa física (custo de aquisição), por força do previsto nos artigos 3°, §3°. e 19. parágrafo único, da Lei n" 7.713/88. Foi o que ocorreu no presente caso. A Fiscalização apresentou ainda: "uma brevíssima menção a alguns argumentos, eventualmente expostos, contrários à tributação do ganho de capital oriundo da operação "incorporação de ações", os quais são plenamente relutáveis": Subroqacão real, Ausência de manifestação de vontade e Ausência de fluxo financeiro (fls. 20/23). A Fiscalização, além da citação das normas legais, apresentou doutrina, decisão administrativa do CARF e jurisprudências do STJ para embasar a exigência do tributo incidente sobre ganho de capital decorrente da incorporação de ações (fls. 16/23). A corrente doutrinária adotada pela fiscalização tem como base o entendimento de Carvalho Santos (fls. 17/18): "O Inciso I diz que se perde a propriedade pela alienação, que no dizer clássico de Carvalho Santos, "é o ato pelo qual desfalcamos nosso patrimônio, transferindo a um outro determinado bem" (Código Civil brasileiro interpretado, Rio de Janeiro, Freitas Bastos, 1952, v.III, p. 201). Normalmente, a alienação se faz por negócio jurídico, como a venda e compra, a troca, a doação e a dação em pagamento. Pode ocorrer, todavia, por ato independente de vontade, como o implemento de condição resolutiva no resgate de retrovenda, a arrematação e adjudicação em hasta pública, a alienação forçada do proprietário ao possuidor; prevista no § 4o do art. 1.228, já comentado; ou, ainda, a alienação judicial da coisa comum, para extinção do condomínio sobre coisa comum. Fl. 1848DF CARF MF 8 (Código Civil Comentado: doutrina e jurisprudência: Lei n° 10.406, de 10.01/2002 / Coordenador Cezar Peluso. 9a ed. rev. e atual. Barueri, SP: Manole, 2015, p. 1203)" Ao final, a Fiscalização concluiu que a incorporação de ações, por se tratar de uma forma de alienação, está sujeita a regras de tributação sobre o ganho de capital (fl. 19): Portanto, com base no conceito acima exposto, é induvidoso que houve a alienação das ações pertencentes ao contribuinte, haja vista a transferência de propriedade para a Guararapes, fato este que já se caracteriza como alienação. Assim, sujeitase às regras atinentes á tributação sobre o ganho de capital. Tributação / Incorporação de Ações / Ganho de Capital / Cálculo do Imposto de Renda A Fiscalização, para apurar o ganho de capital que deveria ter sido oferecido à tributação decorrente da incorporação das ações da Distribuidora Big Benn S.A., pela Drogaria Guararapes Brasil S.A, calculou o valor atribuído às ações incorporadas e a partir desse cálculo, verificou o valor correspondente a participação do Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera (fls. 23/25): Conforme já mencionado, com a incorporação das 37,87% das ações da Big Benn, o capital social da Guararapes foi aumentado em R$ 178.600.005,00 (cento e setenta e oito milhões, seiscentos mil e cinco reais), com a consequente emissão de 1.205.292 (um milhão, duzentos e cinco mil, duzentos e noventa e duas) ações ordinárias que foram atribuídas aos Vendedores na proporção de suas respectivas participações no capital social da Big Benn (valor por ação: R$ 178.600.005,00 /1.205.292 = R$ 148,18). Roger Aguilera, que possuía 22,5% do capital da Big Benn, recebeu, portanto, 271.191 ações da Guararapes no valor de R$ 40.185.001,13 (quarenta milhões, cento e oitenta e cinco mil e treze centavos) (22,5% de 1.205.292 e de R$ 178.600.005,00). Após verificar o valor correspondente a parcela das ações do Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera incorporadas pela no anexo Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações (Doe. 26 da Impugnação). A Fiscalização apurou o Imposto de Renda incidente sobre o respectivo ganho de capital correspondente incorporação de ações (fls. 23/25): O ganho de capital de Raul Aguilera na alienação dos 37,87% de suas ações da Big Benn para a Guararapes, mediante a operação de incorporação de ações foi, portanto, de R$ 38.145.325,67 (trinta e oito milhões, cento e quarenta e cinco mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e sete centavos) (R$ 40.185.001,13 R$ 2.039.675,46). Aplicandose a alíquota de 15% sobre o ganho de capital temos que o imposto devido é de R$ 5.721.798,85 (cinco milhões, setecentos e vinte e um mil, setecentos e noventa e oito reais e oitenta e cinco centavos). Multa de Ofício Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.846 9 A Fiscalização aplicou a multa de ofício: "sobre o imposto devido, foi aplicada multa de oficio de 75%, na forma do art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96 (art. 957, inciso I, do RIR/99) (...)" Impugnação Regularmente intimado do Auto de Infração, o Contribuinte apresentou impugnação, em 15/03/2017, contestando o lançamento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital referente à parte das ações incorporadas e também contestando a exclusão das deduções supostamente indevidas da base de cálculo do Imposto de Renda (fls. 434/508): (i) a operação de incorporação de ações não resulta na apuração de ganho de capital tributável pelo imposto de renda;e (ii) a dedução de despesas com corretagem foi realizada nos termos permitidos por lei e, por isso, os referidos valores não devem compor o valor tributável apurado pelo IMPUGNANTE quando da alienação de parte do investimento detido na Big Benn. Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/CTA apreciou o lançamento e proferiu o Acórdão nos seguintes termos (fls. 1.503): "Acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, com a declaração de voto do julgador pro tempore Wagner Lopes da Silva, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do voto do Relator." A DRJ/CTA no Acórdão do julgamento apresentou as ementas a seguir transcritas (fls. 1.502/1503): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. OFENSA. Arguições de ofensa a princípios constitucionais refogem à competência da instância administrativa, não podendo a autoridade administrativa negar a aplicação de lei ou ato normativo sob este fundamento. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA. INTEGRALIZÁÇÀO DE CAPITAL. PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. Fl. 1850DF CARF MF 10 Na operação de incorporação de ações, a transferência dessas para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação, sendo tributável, como ganho de capital, a diferença a maior obtida pelo detentor de ações transferidas para o capital social da companhia incorporadora. GANHO DE CAPITAL. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTIBILIDADE. Despesas com serviços como assessoria, consultoria e semelhantes, que não configuram corretagem/comissão, são indedutíveis na apuração do ganho de capital. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário O Contribuinte Roger Alberto Mendes Aguilera, devidamente intimado da decisão da DRJ/CTA, por meio do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fl. 1.535), apresentou, em 20/10/2017 (fl. 1.537), recurso voluntário (fls. 1.539/1.626). Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CTA, alegando que: Inicialmente, o Contribuinte fez considerações sobre a tempestividade do Recurso e apresentou uma breve descrição das operações societárias que antecederam a incorporação de ações, destacando (fls. 1.545/1.548): 23. Por meio do Acordo de Investimento, conforme aditado (Docs. 04 e 05 da Impugnação), foi definido que a Investidora adquiriria o equivalente a 62.13% (sessenta e dois inteiros e treze centésimos por cento) do capital votante da Big Benn por meio da alienação das ações ordinárias detidas pelo RECORRENTE e pelos demais acionistas, pelo valor total de R$293.023.605,25 (duzentos e noventa e três milhões, vinte e três mil. seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos), a serem pagos da seguinte forma: (a) R$100.909.000.00 (cem milhões e novecentos e nove mil reais) à vista na data do fechamento da operação2 ("Parcela à Vista"): (b) três parcelas anuais de R$58.045.000.00 (cinquenta e oito milhões e quarenta e cinco mil reais): (c) R$17.979.605,25 (dezessete milhões, novecentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) a serem pagos diretamente aos assessores financeiros dos Acionistas. 28. Como resultado do aumento do capital social, o custo de aquisição da participação societária detida pelo RECORRENTE correspondente a 22,5% (vinte e dois inteiros e cinquenta centésimos por cento) da Big Benn passou a ser de RS5.385.992.76 (cinco milhões, trezentos e oitenta e cinco mil, novecentos e noventa e dois reais e setenta e seis centavos). Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.847 11 Alienação de Parcela das Ações O Recorrente informou que recebeu o valor de R$ 22.704.525,00 (vinte e dois milhões, setecentos e quatro reais, quinhentos e vinte e cinco reais) correspondente ao pagamento da parcela à vista pela venda de 62,13% da sua participação societária no capital da Distribuidora Big Benn S.A, informou ainda que depois de fazer as deduções de despesas com a contratação de assessoria financeira, apurou ganho de capital e o ofereceu à tributação (fls. 1.548/1549): 30. Em função da diferença entre o custo de aquisição de R$3.346.317,30 (três milhões, trezentos e quarenta e seis reais, trezentos e dezessete reais e trinta centavos), equivalentes a 62,13% (sessenta e dois inteiros e treze centésimos por cento) de participação na Big Benn alienada à Drogaria Guararapes, e o valor total a ser recebido pelo Recorrente de R$61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro reais e novecentos reais), após deduzidas as despesas com a contratação de assessores financeiros para a operação na forma autorizada pela legislação tributária, foi apurado ganho de capital, tendo sido oferecido à tributação, no anocalendário de 2012, o montante correspondente à Parcela à Vista recebida no mesmo ano (Doc. 19 da Impugnação), equivalente a 36,70% (trinta e seis inteiros e setenta centésimos por cento) do valor total a ser recebido pelo Recorrente. Indiscutível Legalidade da Operação de Incorporação de Ações Preliminarmente, o Contribuinte argumenta que pretende afastar a premissa adotada na declaração de voto do Auditor Fiscal Wagner Lopes da Silva no Acórdão, o qual defendeu a ocorrência de uma operação de compra e venda travestida de incorporação de ações (fls. 1.555/1.558): 54. Antes de abordar o mérito deste recurso o Recorrente pretende afastar a equivocada premissa adotada pelo I Auditor Fiscal Wagner Lopes da Silva. Auditor Fiscal responsável pela declaração de voto de fls. 1527 a 1531 deste processo, na qual o referido julgador defendeu que a operação em questão não foi, na realidade, uma operação de incorporação de ações, mas sim uma operação de compra e venda travestida de incorporação de ações. 60. Na incorporação de ações há uma troca de ações, onde aquele que inicialmente detém participação na sociedade cujas ações serão incorporadas, passa, ao final, a deter participação direta na sociedade incorporadora. 61. Na alienação, diferentemente, o investidor vende as ações, se desfazendo do negócio. Ao final de uma alienação, o investidor deixa de ter qualquer participação societária. 62. São institutos absolutamente distintos, inconfundíveis e incomparáveis. 63. Com efeito, a operação que gerou a autuação fiscal foi efetivamente uma incorporação de ações, como se verifica por Fl. 1852DF CARF MF 12 meio da documentação juntada aos autos, não havendo espaço para a argumentação defendida pelo julgador no sentido de que teria ocorrido uma "efetiva alienação". Incorporação de Ações O Recorrente afirmou que na sua Impugnação ficou demonstrado que a incorporação de ações não desencadeou o fato gerador do Imposto de Renda, mas a 6ª Turma da DRJ de Curitiba/PR julgou improcedente a Impugnação e manteve integralmente o lançamento fiscal. Por isso, em sede de recurso, o Contribuinte apresentou novamente seus argumentos contestando a tributação incidente sobre o ganho de capital apurado pela incorporação de ações e afirmou que o entendimento da DRJ não merece prosperar. O Recorrente, no tocante a contestação da exigência do Imposto de Renda sobre ganho de capital apurado pela incorporação de ações, alegou que: a) há um entendimento sedimentado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF de que as operações de incorporação de ações não são fato gerador do IRPF (fls. 1.560/1.561). 76. Preliminarmente, é importante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF") já pacificou o entendimento no sentido de que as operações de incorporação de ações não são fato gerador do IRPF. b) a natureza da incorporação de ações se trata de uma operação societária sui generis e que não se confunde com outros institutos do Direito Societário, tais como a incorporação de sociedade e o aumento de capital via aporte de bens (fls. 1.563/1.571). 105. Ressaltamos, desde já. que é extremamente relevante, para fins da presente defesa, a concentração na distinção entre a figura da incorporação de ações e a do aumento de capital via aporte de bens. Isso porque, como se verificará mais adiante, tal distinção afasta um dos principais argumentos aduzidos pela D. Fiscalização para justificar a lavratura do auto de infração, qual seja. a alegada possibilidade de aplicação do artigo 23 da Lei n.° 9.249/9512 para fins de apuração de suposto ganho de capital decorrente do recebimento de ações da BR Pharma. c) o tratamento tributário na incorporação de ações, por se tratar de operação que resulta na troca de participações societárias de mesmo valor, não se configura fato gerador do IRPF, uma vez que não ocorre acréscimo patrimonial representativo de renda no patrimônio do Contribuinte e também não estão presentes a disponibilidade econômica ou jurídica, requisitos necessários para cobrança do Imposto de Renda (fls. 1.577/1.588): 137. Ora. no caso em tela não há que se falar em disponibilidade econômica na medida em que não ocorreu o aumento do patrimônio do Recorrente. O que houve foi a troca de participações do mesmo valor. d) na permuta sem torna há ausência de ganho de capital, diferente do que pensa a Autoridade Fiscal que equiparou a permuta de ações uma alienação passível de tributação (fls. 1.588/1.594): Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.848 13 196. Mas não é só. Ao afirmar que a permuta de ações se equipara a uma alienação passível de tributação pelo IRPF, a Autoridade Fiscal ignora que a legislação pátria não prevê a tributação em operações de permuta sem torna. 203. Neste sentido é importante ressaltar que a própria PGFN, por meio do já mencionado Parecer PGFN/PGA454/92 (Doc. 32 da Impugnação), concluiu pela não incidência de imposto de renda na permuta verificada na aquisição de ações no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. Não obstante os ativos permutados na incorporação de ações não sejam os mesmos, o raciocínio exposto no referido parecer se aplica perfeitamente ao caso presente. 205. A inexistência de ganho de capital em operações de permuta sem torna também já foi reconhecida pelas próprias autoridades fiscais por meio de Parecer Normativo CST n.° 504/71.(...). e) a tributação da pessoa física ocorre pelo regime de caixa, porque, como se sabe, ao contrário do que ocorre com as pessoas jurídicas, que podem estar sujeitas ao regime de competência, as pessoas físicas, em observância ao regime de caixa, só devem oferecer ganhos e proventos à tributação quando do efetivo recebimento/ingresso de recursos. Nos termos do artigo 2° da Lei n.° 8.134/90, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa (fls. 1.594/1.599). f) não há possibilidade de comparação entre a incorporação de ações e o aumento de capital com aporte de bens, conforme ficou demonstrado na Impugnação que a incorporação de ações e o aumento de capital com aporte de bens são operações absolutamente distintas e que não é possível tributar o alegado ganho de capital com base no artigo 23 da Lei n.° 9.249/95. g) o Recorrente, em relação à incorporação de ações, continuou afirmando que inexiste ganho de capital tributável, sintetizando assim seus argumentos: 246. Por todo o exposto neste Recurso Voluntário, concluímos, em companhia de farta doutrina e jurisprudência, que na Incorporação de Ações inexiste ganho de capital tributável, uma vez que. conforme restou demonstrado à exaustão: a) no escopo da operação não ocorreu a alienação de ações, mas tãosomente a substituição por outras ações de valor equivalente, o que não gera ganho de capital tributável pelo IRPF: b) não se observou, sob qualquer prisma, a disponibilidade econômica ou jurídica das ações da BR Pharma recebidas pelo Recorrente; c) as ações da BR Pharma não são passíveis de alienação por conta do penhor, fato que reforça a ausência de disponibilidade econômica ou jurídica: d) a tributação pelo IRPF. na hipótese, representaria tributação sobre renda virtual, transformandose em tributação sobre o Fl. 1854DF CARF MF 14 patrimônio e não sobre renda efetivamente auferida, ofendendo, ainda, o Princípio da Capacidade Contributiva, Princípio da Estrita Legalidade e o regime de caixa, princípios informadores deste tributo: e) no que tange ao investimento detido pelo RECORRENTE, como de rigor, esta manteve em sua declaração de ajuste o valor que dela já constava, correspondente ao custo de aquisição, não considerando o valor decorrente da avaliação realizada no âmbito da incorporação de ações: f) a avaliação das ações da empresa incorporada (Big Benn) é decorrência da imposição legal expressamente prevista no artigo 252, § 1°, da Lei 6.404/76 e em nada se confunde com a legislação tributária; e g) a Incorporação de Ações levada a cabo não se sujeita à regra contida no artigo 3°. § 3°, da Lei n.° 7.713/98, nem tampouco àquela do artigo 23 da Lei n.° 9.249/95. esta última um dos fundamentos básicos desta autuação fiscal, uma vez que não houve alienação alguma e que a incorporação de ações e a integralização de capital com a conferência bens não se confundem. Penhor das Ações O Contribuinte informou também que as ações incorporadas foram dadas em penhor para garantir as obrigações assumidas (fl. 1.552/1.674): 42. Como se verifica na cláusula 8.11 do Acordo de Investimento (Doc. 04 da Impugnação) e do anexo Contrato de Penhor celebrado entre o RECORRENTE e a BR Pharma (Doc. 28 da Impugnação), as 5.358.000 (cinco milhões, trezentas e cinquenta e oito mil) ações da BR Pharma. recebidas pelo RECORRENTE no âmbito da Incorporação de Ações, foram dadas em penhor para fins de garantia das obrigações assumidas pelo RECORRENTE em decorrência da operação de Alienação. 46. E essa foi a exata consequência da celebração do Contrato de Penhor: a indisponibilidade das ações. 47. Com efeito, o penhor das ações recebidas pelo RECORRENTE gerou a vedação de negociar ou transferir as ações pelo prazo de 3 (três) anos ("Lock Up"). como se verifica da leitura da clausula 9.3 do Contrato de Penhor (...). O Recorrente, além de citar as normas legais, apresentou decisões administrativa do CARF, jurisprudência do TRF4 e doutrina de diversos autores como: Sacha Calmon, Misabel Derzi, Maria Helena Santana, Alberro Xavier, Ricardo Mariz, Elidie Palma Bifano, Antônio Caldeira Miretti, Nelson Eizirik. Deduções Supostamente Indevidas da Base de Cálculo do IR O Recorrente asseverou que: "conforme demonstrado na Impugnação, o artigo 123, §5° do RIR/99 permite que o contribuinte deduza, do valor da alienação de um ativo, as despesas incorridas a título de corretagem em determinada operação desde que não haja transferência dos ônus de tais despesas ao comprador." (fl. 1.615). Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.849 15 255. Da leitura do artigo 123. §5° do RIR/99, verificase que são necessários dois requisitos para dedução dos valores pagos aos Assessores Financeiros: (i) natureza de corretagem e (ii) ausência de transferência do ônus do pagamento ao adquirente (no caso concreto, a BR Pharma). No caso do primeiro requisito, natureza de corretagem dos contratos, o Recorrente entendeu que: "contrato de corretagem tem por finalidade aproximar comprador e vendedor, de forma que, somente quando da concretização de determinado negócio jurídico (compra e venda, por exemplo) é que o corretor fará jus à sua remuneração, comumente denominada "comissão." (fls. 1.616/1.622): 258. O objeto deste contrato não é propriamente o serviço prestado pelo corretor, mas o resultado desse serviço. 266. Um segundo ponto importante é que os dois contratos mencionam, em seus objetos, o interesse dos acionistas da Big Benn em encontrar um novo investidor para o Grupo, ficando acordado que. tanto o Credit Suisse. quanto a AGL, foram contratados para auxiliar na busca de tal investidor. 271. O terceiro ponto fundamental para a análise da natureza dos contratos, diz respeito à remuneração dos Assessores Financeiros (corretores). 284. Assim, podemos concluir que. ao contrário do que entendeu o julgador de primeira instância, os contratos celebrados com os Assessores Financeiros possuem natureza de corretagem, estando cumprido o primeiro dos 2 (dois) requisitos estipulados pelo artigo 123. §5° do RIR/99 para dedução dos valores pagos ao Credit Suisse e à AGL da base de cálculo do IRPF. No caso do segundo requisito, ausência de transferência do ônus do pagamento para o adquirente, o Recorrente entendeu que é incontroverso, pois "a existência de previsão expressa nos contratos celebrados com os Assessores Jurídicos demonstra de forma clara e inequívoca a assunção do ônus pelos alienantes." e também que (fls. 1.623/1.624): 287. Com efeito, a redação da Cláusula 3.2, item XII, do Acordo de Investimento celebrado entre os Acionistas e a Brazil Pharma (Doc. 04 da Impugnação) afasta qualquer alegação de que houve o repasse do ônus do pagamento dos Assessores Financeiros para a BR Pharma, (...): 288. O ônus do pagamento dos valores devidos ao Credit Suisse e à AGL foram suportados pelos próprios Acionistas. 294. A prova documental está prevista no artigo 434 do Código de Processo Civil, verbis: "Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações." 295. Com efeito, os referidos contratos são prova documental hábil e idônea para comprovar o que se alega e não podem ser Fl. 1856DF CARF MF 16 simplesmente desconsiderados pelo julgador, como o fez o I. Julgador de 1ª Instância. O Recorrente, asseverou ainda que: "como restou demonstrado acima, os contratos celebrados com os Assessores Financeiros possuem natureza de corretagem. Além disso, é incontroverso que o ônus do pagamento dos valores acordados nos referidos contratos foi incorrido pelos Acionistas." e também que (fls. 1.625/1.626 ): 298. Assim o Recorrente agiu bem ao deduzir, proporcionalmente, os valores despendidos na contratação dos Assessores Financeiros da base de cálculo do imposto de renda. 299. A própria Receita Federal do Brasil, em resposta a Solução de Consulta formulada em 2007, já se manifestou no sentido de que, observados os 2 (dois) requisitos elencados no artigo 123, §5° do RIR/99, o valor pago a título de corretagem na alienação poderá ser excluído do ganho de capital tributável, como se verifica dos julgados abaixo: Por fim, o contribuinte requer (fl. 1.626): 301. Diante do exposto, o Recorrente requer V.Sas, se dignem a dar integral provimento ao presente Recurso Voluntário para cancelar o lançamento efetuado e, por conseguinte, a totalidade das exigências fiscais, uma vez que, conforme exaustivamente demonstrado: (i) a operação de incorporação de ações não resulta na apuração de ganho de capital tributável pelo imposto de renda; e (ii) a dedução de despesas com corretagem foi realizada nos termos permitidos por lei e, por isso, os referidos valores não devem compor o valor tributável apurado pelo Recorrente quando da alienação de parte do investimento detido na Big Benn. Neste tópico, o Recorrente, além de citar as normas legais, apresentou doutrina dos autores Silvio de Salvo Venosa e Maria Helena Diniz, para embasar sua contestação. Juntada de Documentos Em 30 de novembro de 2018 (fls. 1.671/1.731), o Recorrente apresentou petição argumentando que um dos pontos de sua defesa consiste na indisponibilidade das ações da BR Pharma, recebidas no escopo da operação, conforme contrato de penhor e "nesse sentido, a fim de reforçar esse argumento, o Recorrente vem, por meio da presente, requerer a juntada dos anexos documentos, a saber:" (i) Doc. 01 comprovante de registro, junto ao Cartório de Títulos e Documentos de São Paulo ("RTDPJ"), do contrato de penhor de ações ("Contrato de Penhor Original") de emissão da BR Pharma, celebrado entre o RECORRENTE e Raul Aguilera ("Empenhantes") e Drogaria Guararapes Brasil S.A., em que figura como interveniente anuente BR Pharma, datado de 29 de março de 2012; e (ii) Doc. 02 comprovante de registro, junto ao RTDPJ, do primeiro aditamento ao Contrato de Penhor Original, celebrado Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.850 17 entre os Empenhantes e Big Benn, em que figura como interveniente anuente BR Pharma, datado de 11 de novembro de 2015. Acrescentou ainda que "o registro dos referidos contratos junto ao RTDPJ reforça e comprova que o Recorrente jamais teve a disponibilidade de tais ações, uma vez que estas foram empenhadas de forma a garantir o integral pagamento de obrigações assumidas no escopo da operação." e por fim requer ainda: Desta forma, o Recorrente requer a juntada dos anexos documentos e reitera todas suas alegações, requerendo seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário interposto, para cancelar a totalidade das exigências fiscais. PGFN Contrarrazões ao Recurso Voluntário Em 09/01/2018, o processo foi encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, para ciência (fls. 1.630), em 01/02/2018, a União, representada pela PGFN e por intermédio da sua Procuradora, apresentou as Contrarrazões ao Recurso Voluntário (fls. 1.631/1.668), requerendo: "o desprovimento do recurso, sendo mantido o teor do v. acórdão atacado." e se posicionou afirmando que: "a conclusão da Fiscalização e da DRJ sobre a natureza da incorporação de ações enquanto alienação, portanto, é correta e não merece reforma". O Recorrente, com o objetivo de reforçar os seus argumentos, apresentou ainda Memoriais de Julgamento. No dia 05 de agosto de 2019, o Recorrente apresentou petição com informações sobre julgamentos administrativos que versaram sobre temas semelhantes, apresentou ainda ementas destes julgamentos e expôs e requereu o seguinte (fls. 1.735/1.739): Nesse sentido, o RECORRENTE vem informar que em casos semelhantes ao presente, decorrentes de autos de infração lavrados pela D. Autoridade fiscal em razão da mesma operação que originou o presente litígio, em face de outros contribuintes, foram prolatadas decisões que reconheceram a possibilidade de dedução dos valores pagos à AGL no escopo da operação. Diante do exposto, o RECORRENTE reforça o pedido para que sejam cancelados os valores lançados em razão da glosa das despesas incorridas com a AGL e aproveita a oportunidade para reiterar suas razões de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator Fl. 1858DF CARF MF 18 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Pedido de Juntada de Documentos na Fase Recursal Inicialmente cabe registrar que o Recorrente solicitou a juntada de documentos com o objetivo de complementar as suas alegações (fls. 1.672/1.731 e 1.735/1.739). Á vista disso, fazse necessário analisar se tais documentos podem ou não ser juntados aos autos e conhecidos por este Colegiado. No caso de apresentação de provas, em sede de recurso, cabe mencionar que a jurisprudência apresenta certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, afastandoa em alguns casos referentes a fatos notórios que podem permitir e contribuir para o convencimento do julgador. Assim, após a verificação, entendo que os documentos apresentados podem ser juntados, pois se trata de prova complementar aos documentos já apresentados, em consonância com a matéria questionada nos autos desde o primeiro pronunciamento do contribuinte e já apreciada pela primeira instância, observando o principio da verdade material. Para corroborar o fundamento para tal decisão, cabe citar o acórdão nº 9202 01.634 proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, nos seguintes termos: "Por força do princípio da legalidade não vejo como a autoridade julgadora deixaria de analisar as provas apresentadas, ainda que apenas na fase recursal, deixando de buscar a verdade material e limitandose a apreciar somente o alegado ou apresentado como prova." Conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Todavia, cabe esclarecer que o fato de apreciar os documentos juntados na fase recursal não implica acatar os argumentos defendidos pelo Recorrente, uma vez que o julgador é livre para formar seu convencimento e valorar as provas apresentadas. Princípios Constitucionais No que diz respeito as alegações de que houve ofensa aos Princípios "da Capacidade Contributiva e da Estrita Legalidade", cabe esclarecer que tais princípios foram impostos pela Constituição Federal e dirigidas ao legislador ordinário, que deve considerálos quando da elaboração das disposições normativas e não ao aplicador da lei, o qual deve obediência. Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.851 19 Do mesmo modo, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, considerações sobre se houve ofensa a princípios constitucionais não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa ou julgadora, uma vez que a determinação de lançar o tributo está definida objetivamente pela lei, não dando margem a qualquer entendimento em sentido contrário, pois se trata de atividade administrativa, obrigatória e vinculada nos termos do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (CTN). Além disso, cabe registrar que a instância administrativa está adstrita a verificar se o lançamento se aplica ao caso concreto, analisar os argumentos e as provas apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador da obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao fato apurado na ação fiscal, visto que, em sede administrativa, não se pode declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor, conforme o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal Federal – PAF. Enquanto que, por outro lado, fica reservado ao Poder Judiciário declarar qualquer irregularidade, ilegalidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. Pelas razões expostas, deixo de examinar as alegações que questionam violação a princípios constitucionais por extrapolar os limites da competência do julgador administrativo, observando a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Jurisprudências e Decisões Administrativas De acordo com o art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas para se tornar normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, necessita de lei que lhe atribua eficácia. No presente caso, as decisões administrativas trazidos aos autos não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, portanto, mesmo que reiteradas, as referidas decisões não têm efeito vinculante. Todavia, no âmbito administrativo cabe ao Conselheiro do CARF observar, no julgamento dos recursos, as súmulas aprovadas pelas Turmas e pelo Pleno da CSRF. Já em relação a jurisprudência apresentada pelo Recorrente, cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Entretanto, cabe esclarecer que o conselheiro do CARF tem o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Isto posto, entendo que a doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência trazidos aos autos pelo Recorrente colaboram com o entendimento sobre o tema e enriquecem o debate, mas não vinculam este julgamento na esfera administrativa. Mérito Fl. 1860DF CARF MF 20 De acordo com os autos, percebese que o mérito da controvérsia reside em: a) incidência de Imposto de Renda sobre ganho de capital decorrente da incorporação de ações e b) dedução de despesas do valor de alienação dos ativos, consideradas indevidas. Incorporação de Ações / Alienação Em relação ao lançamento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital na incorporação de ações, o Recorrente em seu recurso (fls. 1.571/1.614) contestou a exigência, argumentando que não houve alienação de ações, mas tãosomente a substituição por outras ações de valor equivalente, não gerando ganho de capital tributável pelo IRPF, além do que não ocorreu acréscimo patrimonial representativo de renda no patrimônio e também não está presente a disponibilidade econômica ou jurídica. Ressaltou o Contribuinte, que na permuta sem torna há ausência de ganho de capital, diferente do que pensa a Autoridade Fiscal que equiparou a permuta de ações a uma alienação passível de tributação e também que a tributação da pessoa física deve ocorrer pelo regime de caixa, porém não houve efetivo recebimento/ingresso de recursos. Para corroborar seus argumentos, o Recorrente se apoiou, entre outros, no pensamento defendido por Nelson Eizirik (fls. 1.605/1.606). Por outro lado, a Fazenda Nacional, por intermédio da PGFN, entendeu que a incorporação de ações de fato importa em alienação, pois preenche todos os requisitos para considerar a renda realizada independente de sua conversão em pecúnia e que para exigir o IRPF deve se observar a disponibilidade econômica ou jurídica da renda e não a disponibilidade financeira. A Fazenda Nacional entendeu também que houve a manifestação de vontade dos acionistas, o acréscimo patrimonial e a realização da renda na incorporação de ações (fls. 1.631/1.667). Para tanto, a PGFN afirmou que há correntes doutrinárias que defendem esse mesmo posicionamento, como Luís Eduardo Schoueri e Luiz Carlos de Andrade Júnior, que acompanham o entendimento de Modesto Carvalhosa no sentido de que incorporação de ações configura uma forma de alienação. Diante desse cenário, percebese que o cerne da questão se resume no questionamento se a incorporação de ações aqui tratada foi uma permuta simples sem acréscimo patrimonial, por se tratar de uma operação na troca de participações societárias de mesmo valor, portanto sem ganho de capital, como defende o Recorrente ou uma forma de alienação, sujeita à apuração do ganho de capital, conforme entendimento esposado tanto pela Auditoria Fiscal e DRJ/CTA quanto pela PGFN. À vista disso, passouse a analisar o contexto em que ocorreu a incorporação de ações, com o objetivo de verificar o que de fato aconteceu e qual foi a intenção das pessoas envolvidas nesta operação, se foi apenas uma troca de participação societária de mesmo valor ou se realmente houve alienação no sentido amplo do conceito. Neste sentido, foi consultado o documento intitulado acordo de investimento, em particular a "cláusula V incorporações; atos preparatórios para as incorporações" (fls. 70/72), celebrado entre as partes interessadas, para efeito da operação societária de incorporação da Distribuidora Big Benn S.A pela Drogaria Guararapes Brasil S.A e logo depois pela BR Pharma (fls. 47/49). Após a consulta, verificouse que ficou acordado entre as partes, que os administradores da Drogaria Guararapes contratariam uma empresa especializada para Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.852 21 elaboração de um laudo com o objetivo de apurar a situação patrimonial e contábil da Drogaria Guararapes Brasil S/A., para emissão de ações, levando em consideração a estrutura do Grupo Big Benn, depois da Reestruturação Societária, como pode ser observado na proposição: "para fins de avaliação, com base no valor econômico das ações de emissão da Companhia e das ações de emissão da Guararapes." nos seguinte termos: Os administradores da Guararapes deverão contratar uma empresa especializada para elaboração de um laudo patrimonial contábil da Guararapes, dentro do menor prazo possível, que refletirá a situação patrimonial e contábil da Guararapes com data base de 30 de setembro de 2011 ("Laudo Patrimonial Guararapes"') para fins meramente informativos; Os administradores da Guararapes farão com que a Guararapes contrate uma empresa especializada para elaboração de laudo de avaliação (a) das ações de emissão da Companhia (levando se em consideração a estrutura do Grupo Big Benn após a Reestruturação Societária) ("Laudo de Avaliação Bis Benn"); e (b) das ações de emissão da Guararapes (levandose em consideração a Incorporação Big Benn) ("Laudo de Avaliação Guararapes" e, em conjunto com Laudo de Avaliação Big Benn, "Laudos de Avaliação"), dentro do menor prazo possível, para fins de avaliação, com base no valor econômico das ações de emissão da Companhia e das ações de emissão da Guararapes, os quais serão submetidos à aprovação nas assembleias gerais competentes que deliberarão sobre os aumentos de capital decorrentes das Incorporações; Neste caso, percebese que o laudo de avaliação, como bem definido na cláusula V, do acordo de investimento, tem o propósito de aferir qual o valor de mercado das empresas, para a partir dessa avaliação, verificar qual deve ser a quantidade de ações a serem emitidas pela incorporadora (Drogaria Guararapes Brasil S.A) para quitar a entrega das ações da empresa incorporada (Distribuidora Big Benn S.A), com base na referida avaliação. Além do que, na incorporação de ações, por imposição dos §§ 1º e 3º do artigo 252 da Lei n° 6.404/76, é obrigatória a avaliação do valor das ações a serem incorporadas. Percebese ainda que o procedimento de avaliação utilizado pela empresa responsável por realizar tal evento, conforme item 3.1 do Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação de Incorporações de Ações de Emissão da Distribuidora Big Benn S/A pela Drogaria Guararapes Brasil S/A (fls. 772/773), foi fundamentado no conceito de valor justo de mercado "fair market value", como estabelecido no Anexo II, Laudo de Avaliação Distribuidora Big Benn S/A, no tópico definição de valor e metodologia (fls. 781/782): Fl. 1862DF CARF MF 22 No que diz respeito ao conceito de valor justo de mercado, convém observar a Resolução emitida pelo Conselho Federal de Contabilidade CFC n°. 1.428 de 25 de janeiro de 2013, que aprovou a NBC TG 46 Mensuração do Valor Justo, que foi anexada à referida Resolução, que tem a seguinte definição: 2. O valor justo é uma mensuração baseada em mercado e não uma mensuração específica da entidade. Para alguns ativos e passivos, pode haver informações de mercado ou transações de mercado observáveis disponíveis e para outros pode não haver. Contudo, o objetivo da mensuração do valor justo em ambos os casos é o mesmo estimar o preço pelo qual uma transação não forçada para vender o ativo ou para transferir o passivo ocorreria entre participantes do mercado na data de mensuração sob condições correntes de mercado (ou seja, um preço de saída na data de mensuração do ponto de vista de participante do mercado que detenha o ativo ou o passivo). Neste caso, cabe ressaltar que a metodologia de mensuração por valor justo foi aprovada pelo CFC em 25 de janeiro de 2013, mas já estava sendo utilizado tanto pelas empresas quanto no meio acadêmico, por demonstrar a forma considerada correta na avaliação de ativos. Inclusive há recomendação para esta forma de avaliação pelo Comitê de Pronunciamentos de Contábeis – CPC, por meio do Pronunciamento Técnico CPC 46, tendo como referência as normas internacionais de contabilidade IRFS. Por fim, notase que a avaliação das empresas envolvidas na Incorporação foi realizada a preço de mercado, para que a empresa incorporadora tivesse conhecimento da quantidade de ações a ser emitidas que correspondesse ao valor da outra empresa incorporada, uma vez que a moeda de troca seria na forma de emissão de ações. No mesmo sentido, ao consultar o subitem 5.1, (x) do acordo de investimento (fl. 71), verificouse que o capital da Drogaria Guararapes Brasil S.A foi aumentado em R$ 178.600.005,00 (cento e setenta e oito milhões, seiscentos mil e cinco reais), com a emissão de 1.205.292 (um milhão, duzentos e cinco mil, duzentos e noventa e duas) ações ordinárias, para fazer frente à incorporação de 37,87% das ações da Distribuidora Big Benn. Por outro lado, o valor contábil da empresa Distribuidora Big Benn, após a capitalização das reservas de lucros da Companhia no valor total de R$ 18.767.745,60 (dezoito milhões, setecentos e sessenta e sete mil, setecentos e quarenta e cinco reais e sessenta centavos), passou a ser de R$ 23.937.745,60 (vinte e três milhões, novecentos e trinta e sete mil, setecentos e quarenta e cinco reais e sessenta centavos), divididos nas 5.170.000 (cinco milhões e cento e setenta mil) ações ordinárias, conforme informações prestadas pelo próprio contribuinte (fl. 40). Em 5 de março de 2012 a BIG BENN promoveu a capitalização de reserva de lucros no valor de R$18.767.745,60 (dezoito milhões, setecentos e sessenta e sete mil, setecentos c quarenta e cinco reais e sessenta centavos), sem a emissão de novas ações. Em razão disso, o capital social da BIG BENN passou a ser de R$23.937.745,60 (vinte e três milhões, novecentos e trinta c sete mil, setecentos c quarenta c cinco reais c sessenta centavos) Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.853 23 divididos em 5.170.000 (cinco milhões e cento e setenta mil) ações ordinárias. Como resultado, o custo de aquisição da participação de 22,5% (vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento) dc Fiscalizado na BIG BENN passou a ser de R$5.385.992,76 (cinco milhões, trezentos e oitenta e cinco mil, novecentos e noventa e dois reais e setenta e seis centavos). No caso do Recorrente, em relação à operação de incorporação de ações, percebese que ele recebeu 271.191 ações da Drogaria Guararapes Brasil S.A no valor de RS 40.185.001,13, como pagamento correspondente a sua participação de 22,5% na parte incorporada, equivalente a 37,87% das ações do capital da Distribuidora Big Benn, conforme cálculo efetuado pela Fiscalização (fl. 24). Dessa forma, notase que o acréscimo patrimonial do Recorrente foi na ordem de R$ 38.145.325,67 (trinta e oito milhões, cento e quarenta e cinco mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e sete centavos), decorrente da diferença entre o valor de RS 40.185.001,13, recebido em ações pela incorporação, e o valor de RS 2.039.675,46, correspondente ao valor contábil, já com a capitalização das reservas de lucros, da sua participação no capital da Distribuidora Big Benn, considerado no lançamento como o custo de aquisição (fls. 24/25). Com efeito, observase que houve acréscimo no valor do patrimônio do Recorrente, de forma substancial e incontestável, decorrente da operação societária de incorporação de ações, em que o seu patrimônio, em relação a este ponto, passou do valor de R$ RS 2.039.675,46 (valor contábil da sua participação) para o valor de R$ 40.185.001,13 (valor de mercado das ações recebidas). Diante dessas evidências, notase que não houve uma permuta simples, como argumenta o Recorrente, mas houve uma alienação no sentido amplo, pois o Contribuinte recebeu como pagamento uma quantidade de ações da empresa incorporadora equivalente ao valor de mercado da Distribuidora Big Benn. Esta operação aumentou consideravelmente o valor do patrimônio do Recorrente, mesmo que não seja em pecúnia, mas foi em forma de bens, demonstrando a ocorrência quanto à aquisição de disponibilidade econômica. Embora denominado de "incorporação de ações", o evento societário em questão representa de fato uma transferência de domínio de um bem para outra pessoa, pois o Recorrente entregou as ações anteriormente possuídas e integrantes de seu patrimônio para poder integrar, na qualidade de acionista, a sociedade incorporadora. Esta situação guarda identidade com a integralização de capital mediante a entrega de bens, nos termos do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 1864DF CARF MF 24 § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Neste ponto, entendo aplicável ao caso o entendimento firmado na Solução de Consulta COSIT n° 224/2014, adiante reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EMENTA: INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. Na operação de incorporação de ações, a transferência destas para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação cujo valor, se superior ao indicado na declaração de bens da pessoa física que as transfere, é tributável pela diferença a maior, como ganho de capital, na forma da legislação. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n°6.404, de 1976, art. 252; Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°; Lei n° 9.249, de 1995, art. 23; e Instrução Normativa SRFn° 84, de 2001, arts. 2o, 3o, 16, 27e 30. Como se vê, os acionistas da sociedade incorporada adquiriu ações da sociedade incorporadora, mediante entrega de suas ações, denotando verdadeiro aumento de capital da sociedade incorporadora. Sendo assim, não se pode falar que houve simples substituição ou permuta, pois, de fato ocorreu uma verdadeira aquisição de ações em que o pagamento se deu em bens. Sobre o tema, cabe citar Modesto Carvalhosa1 que explica a natureza jurídica da incorporação de ações que pode ser qualificada como aumento de capital da incorporadora mediante conferência de bens. "Trata se o negócio de incorporação de ações, ao mesmo tempo de uma incorporação e de uma alienação fictas. No primeiro caso, porque não se incorpora uma sociedade em outra, na medida em que a incorporada subsiste como pessoa jurídica, ou seja, como sociedade mercantil de direito privado, revestindo o tipo companhia. No segundo caso, porque o controlador da sociedade incorporada aliena não apenas suas ações à incorporadora, mas também as dos minoritários, num negócio sui generis, que lembra a expropriação do direito administrativo. [...] No mais, tratase de aumento de capital da incorporadora, mediante a conferência de todas as ações de emissão da incorporada." SubRogação Real A incorporação de ações não tem a natureza jurídica de uma subrogação real, pois a subrogação tem como principal função fazer com que o bem recebido em troca recomponha o novo patrimônio de referência, em que a situação de novo bem de mesmo valor assume o regime jurídico específico do bem precedente, onde a identidade de valores é pressuposto para ficção de que se trata do mesmo bem para impor o mesmo regime. Identidade 1 (CARVALHOSA. Modesto. Comentários à lei das sociedades anônimas. T. II. V. 4. São Paulo: Saraiva. 2009. p.140143): Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.854 25 de valores e de regime são, pois, elementos essenciais para que se caracterize a subrogação real. Enquanto que a incorporação de ações, aqui tratada, não se trata de uma mera substituição de ações, com equivalência de valores entre os bens substituídos e a manutenção de uma mesma natureza jurídica ou idêntico regime jurídico entre os ativos, pelo contrário, como já evidenciado, na incorporação ocorreu a necessidade de avaliar os ativos a preço de mercado, mediante laudo, para valorar as ações inerentes ao aumento de capital. Além disso, também não há identidade de valores, pois com a substituição das ações entre a incorporada e a incorporadora, ocorreu alteração na relação jurídica, pois são sociedades diferentes, com estatutos diferentes e valores patrimoniais diferentes, portanto não há uma simples substituição de objeto, pois ocorreu modificação na relação jurídica. Assim, no presente caso, verificase que houve alienação com acréscimo patrimonial, ensejando apuração de ganho, por força do § 3° do art. 3° da Lei n° 7.713 de 1988. Cláusula Lock up e Penhor A convenção particular entre as partes com o fim de limitar a faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, obrigandoo a não alienálas por um determinado período (lock up) ou o contrato de penhor não tem o propósito de modificar a definição e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, reputandose perfeito e acabado por ocasião da incorporação das ações. Notase que a restrição ao direito de propriedade não se confunde com condição à transferência de domínio. A transferência de domínio ocorreu no momento da incorporação das ações, com o ingresso das ações no patrimônio dos sócios gerando acréscimo patrimonial, enquanto que a constituição de um ônus não descaracteriza o direito de propriedade. No caso da cláusula lock up estabelecida contratualmente entre os interessados pela incorporação de ações, percebese que se trata de uma questão para mais segurança entre as partes, em que os sócios se obrigam a condições restritivas, portanto, condições inerentes à realização dos negócios, em que, de comum acordo, os acionistas aceitaram restringir a sua disponibilidade sobre as ações por um determinado período tempo nos seus próprios interesses, sem contudo deixar de ser proprietário de sua participação societária e participar do resultado econômico da sociedade. Do mesmo modo, a celebração do contrato de penhor pelo contribuinte revela que ele adquiriu a titularidade e a disponibilidade jurídica das ações, pois apenas o proprietário pode dar bens em garantia e para tanto, além do domínio, deve ter a livre disposição da coisa, conforme art. 1.420, da Lei n° 10.406, de 2002 (Código Civil). Portanto, entendo que a cláusula de lock up e o contrato de penhor não afetam o entendimento de que a incorporação de ações foi alienação. Manifestação de Vontade do Acionista No caso de manifestação de vontade do acionista, percebese a existência plena desta vontade, no "Acordo de Investimento" (fls. 45/120) celebrado por todos os interessados na incorporação da sociedade. Fl. 1866DF CARF MF 26 Além disso, não consta dos autos, que algum acionista tenha recusado a oferta pela incorporação da sociedade ou que houve algum acionista dissidente, pelo contrário, ao analisar o "Acordo de Investimento", item 2.1 (fl. 61), notase que havia plena concordância dos interessados quanto ao negócio a ser realizado, demonstrando que houve representação da vontade das pessoas de seus sócios nos termos do art. 116 do Código Civil. 2.1 Compra e Venda. Sujeito aos termos e condições aqui previstos, de forma irretratável e irrevogável: (a) os Vendedores obrigamse a vender e a transferir à Guararapes, e a Guararapes obrigase a comprar dos Vendedores, as Ações, de acordo com as participações no capital votante e total da Companhia estabelecidas no Anexo 2.1, livres e desembaraçadas de todo e qualquer Gravame, e (b) em contrapartida à aquisição e transferência das Ações, a Guararapes pagará aos Vendedores o Preço de Compra ("Compra e Venda"). (fl 61). Da mesma forma, ao verificar os itens 8.1 e 8.2 do Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação de Incorporações de Ações de Emissão da Distribuidora Big Benn S/A pela Drogaria Guararapes Brasil S/A (fls. 775), percebese que todos os interessados concordaram previamente com a incorporação, bem como renunciaram expressamente ao direito de retirada dos acionistas. Portanto, entendo que não merece acolhimento o argumento do Contribuinte de que não houve manifestação de vontade dos acionistas, pois os documentos apresentados nos autos, como a petição com os esclarecimentos apresentados pelos advogados (fls. 37/42), o Acordo de Investimento (fls. 45/120) e o Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação de Incorporações de Ações de Emissão da Distribuidora Big Benn S/A pela Drogaria Guararapes Brasil S/A (fls. 769/778), demonstram exatamente que os interessados agiram de forma ativa no interesse do negócio estabelecido entres as partes interessadas. Regime de Caixa: O regime de caixa consiste na apropriação da receita a partir da sua efetiva disponibilidade econômica ou jurídica, assim, no presente caso, percebese que a renda foi realizada quando houve o efetivo recebimento das ações da empresa incorporadora em contrapartida pela incorporação das ações da Distribuidora Big Benn S.A, sendo considerado Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.855 27 como quitação, pois o pagamento pela aquisição pode se dar de várias formas, inclusive em forma de bens. Assim, entendo que ficou demonstrado que houve a realização da renda, pois, não se está reportando a disponibilidade financeira ou circulação de numerário (dinheiro em caixa), mas à disponibilidade econômica ou jurídica (acréscimo patrimonial). Inclusive o artigo 55 do RIR/99, em seus incisos IV e XIII (vigente a época, atual art. 47 do Decreto n°. 9.580 de 22/11/2018), estabelece as hipóteses de incidência do Imposto de Renda nas situações em que não há o recebimento de valores em dinheiro: Art 55. São também Tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3o, § 4o, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 24, § 2o, inciso IV, e 70, § 3o, inciso I): (...) IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; No mesmo sentido, cabe frisar que o art. 43 do Código Tributário Nacional, no qual se estabelece que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, razão pela qual a disponibilidade econômica é inconteste, pois as ações ingressaram no patrimônio do Recorrente. Decisões do CARF Quanto aos argumentos do Recorrente de que o entendimento já está sedimentado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF no sentido de que as operações de incorporação de ações não são fatos geradores do IRPF (fls. 1.560/1.561), entendo que não merece acolhimento, pois este tema incorporação de ações já foi apreciado em diversas oportunidades pelo CARF, que decidiu em várias oportunidades de que incorporação de ações se trata de alienação e, portanto, sujeitase à incidência do Imposto de Renda sobre ganho de capital decorrente destas operações. Neste sentido cabe citar os Acórdãos números: 2401006.662, 2401005.876, 2401005.877, 2202003.012, 2202004.339, 2301005.847, 1301003.286, 9202007.838 e também a transcrição das ementas referentes ao tema dos seguintes Acórdãos: Acórdão nº 1301003.286, proferido pela 1ª Turma Ordinária/ 3ª Câmara / 1ª sessão de julgamento, em data da sessão 14/08/2018. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Fl. 1868DF CARF MF 28 A incorporação de ações consiste em uma operação de alienação, no qual ações da incorporadora são adquiridas pelos sócios mediante cessão das ações da incorporada (aumento de capital mediante conferência de bens), que tem o condão de gerar ganho de capital, a depender do valor das ações adquiridas da incorporadora. Verificada diferença positiva, há que se tributar o ganho de capital decorrente da alienação. Acórdão nº 2301005.847, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª sessão de julgamento, em 14 de fevereiro de 2019 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, é espécie. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. Acórdão nº 2401006.662, proferido pela 1ª Turma Ordinária/ 4ª Câmara/2ª Seção de Julgamento em 4 de junho de 2019 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Anocalendário: 2012 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. FATO GERADOR. MOMENTO. Na operação de incorporação de ações, a transferência das participações societárias para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação em sentido amplo. A diferença positiva entre o preço efetivo da operação e o respectivo custo de aquisição das ações constitui ganho de capital passível de tributação pelo imposto sobre a renda. Há realização de renda no momento em que a pessoa física recebe as novas participações emitidas pela companhia incorporadora, tornandose proprietária das ações. Acórdão nº 2202003.012 proferido pela 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/ 2ª Seção de Julgamento em 10 de março de 2015. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.856 29 Parecer PGFN/PGA 454/92 O Recorrente argumentou, em relação ao Parecer PGFN/PGA454/9, que: “concluiuse pela não incidência de imposto de renda sobre mais valia de permuta na aquisição de ações no âmbito do Programa Nacional de Desestatização destacandose a necessidade de observância do princípio da capacidade contributiva”. O argumento defendido pelo Recorrente, com base no Parecer PGFN/PGA 454/92, para afastar a exigência da tributação do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital, além não merecer acolhimento, tornase incompatível com o objeto do lançamento, pois se trata de uma interpretação equivocada, o referido parecer trata da desoneração de aquisição envolvendo “Alienação de ações do Programa Nacional de Desestatização – PND.” Como pode ser verificado nas conclusões do referido Parecer, a título exemplificativo transcrevo o item "a" das conclusões: a) as dúvidas existentes sobre o tratamento tributa rio aplicável à operação de aquisição de ativos permanentes representados por ações de empresas estatais em regime de privatização foram dirimidas pelo Parecer PGFN/PGA/N 970/91; Diante de interpretações equivocadas em relação aos pareceres PGFN/PGA/N 970/91 e PGFN/PGA 454/92, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o PGFN/CAT/Nº 1.722/2013, o qual analisou a possibilidade de incidência de imposto sobre a renda no ganho de capital obtido em permuta de ativos mobiliários, que apresentou as seguintes conclusões: 39. Em conclusão, e respondendo objetivamente aos quesitos formulados na presente consulta, temos que: 39.1. o entendimento consubstanciado no Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91 restringese ao âmbito do PND, não podendo ser estendido a situações outras que não aquelas especificamente tratadas no referido opinativo: 39.1.1 é possível tributar pelo imposto sobre a renda a diferença positiva, via ganho de capital, existente entre o custo de aquisição e o valor dos bens mobiliários permutados no momento em que é feita tal operação, independentemente da existência de torna; 39.1.2. é correto o entendimento de que a permuta, por encontrarse no conceito de alienação, previsto no art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, via de regra é tributada, não tendo as desonerações previstas na legislação, como a tratada no art. 121, II do RIR/99 (permuta de imóveis), o condão de serem aplicadas para situações diversas daquelas especificamente ali disciplinadas; 39.1.3 a determinação de que a apuração do ganho de capital recairá apenas sobre a torna, nos termos do § 2º do art. 121, do § 3º do art. 123 e do inciso III do parágrafo único do art. 138, todos os RIR/99, aplicase exclusivamente às permutas de ativos imobiliários. Fl. 1870DF CARF MF 30 Assim, de acordo com entendimento da PGFN exarado no Parecer PGFN/CAT/Nº 1.722/2013, observase a possibilidade de incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, existente entre o custo de aquisição e o valor dos bens mobiliários permutados. Sendo que a desoneração tributária da permuta foi definida apenas a poucos casos específicos, como as permutas no âmbito do PND e as permutas de imóveis sem torna, de modo que a regra geral é a tributação do ganho de capital eventualmente existentes nas trocas de ativos. Dessa forma, rejeitase a alegação do contribuinte de que a PGFN teria entendimento que as permutas de ativos não podem ser objeto de tributação. Isto posto, entendo que houve incorporação de ações, nos termos do art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, pois ocorreu uma alienação onerosa, em que os valores dos ativos negociados foram mensurados a preço de mercado, por meio de prévia avaliação realizada por profissionais especializados, contemplando aumento de capital da empresa incorporadora, mediante a emissão de ações com a finalidade de quitar os sócios da sociedade incorporada. Além do disso, a incorporação aqui tratada configurou uma verdadeira aquisição, em que o pagamento da operação do negócio foi realizado em ações, apresentando aderência com a integralização de capital mediante entrega de bens, nos termos do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Ganho de Capital Entendese por ganho de capital a diferença positiva entre o valor recebido pela transferência de titularidade de um determinado bem ou direito por meio de alienação a qualquer título e o custo deste mesmo bem, nos termos do § 3°, do art. 3° e do art. 16 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988 . Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/25), o Recorrente recebeu ações avaliadas em R$ 40.185.001,13 (quarenta milhões, cento e oitenta e cinco mil, um real e treze centavos) correspondente a alienação da sua participação de 22,5%, decorrente da incorporação de 37,87% das ações da Distribuidora Big Benn S.A pela a Drogaria Guararapes Brasil S.A. No presente caso, como já relatado neste voto, considerouse que a incorporação de ações se configurou em uma alienação onerosa, portanto sujeita ao Imposto de Renda incidente sobre ganho de capital apurado, haja vista que houve a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, nos termos do art. 43 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (CTN). Assim, para efeito do cálculo do ganho de capital, a Fiscalização adotou como custo de aquisição o valor de R$ 2.039.675,46 (dois milhões, trinta e nove mil, seiscentos e setenta e cinco reais e quarenta e seis centavos) referente a parte do Contribuinte no capital social registrado na contabilidade da Distribuidora Big Benn S.A. Deste modo, considerando que o Recorrente recebeu ações avaliadas em R$ 40.185.001,13 como pagamento pela alienação dos ativos e o custo de aquisição destes ativos foi considerado o valor contábil de R$ 2.039.675,46, correspondente a sua participação na Distribuidora Big Benn S.A, verificase a ocorrência de um ganho de capital na ordem de R$ 38.145.325,67 (trinta e oito milhões, cento e quarenta e cinco mil, trezentos e vinte e cinco reais e sessenta e sete centavos). Apurandose o Imposto de Renda no valor originário no montante de R$ 5.721.798,85 (cinco milhões, setecentos e vinte e um mil, setecentos e noventa Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.857 31 e oito reais e oitenta e cinco centavos), mediante a aplicação da alíquota de 15% sobre o valor do ganho de capital. Diante do exposto, entendo como correta a exigência do Imposto de Renda incidente sobre apuração do ganho de capital decorrente da Incorporação de ações, na forma como foi lançado pela Fiscalização e mantido pelo Acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA. Deduções com Assessoria Financeira / Ganho de Capital Neste caso, a controvérsia reside no fato que a Fiscalização entendeu (fls 25/28) e os Julgadores de Primeira Instância (fls. 1.523/1.527) mantiveram o entendimento de que os valores despendidos com assessoria financeira pagos às empresas AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e ao Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A, no montante de R$ 17.979.605,25, não são passíveis de dedução da base de cálculo para apurar o ganho de capital, porque tais despesas se referem à assessoria financeira, enquanto que a norma legal dispõe que somente podem ser dedutíveis as despesas pagas a título de corretagem, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente, nos termos do § 5°, do art. 123 do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 de (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 vigente à época / § 5° do art. 134 do Decreto n° 9.580 de 22/11//2018 RIR vigência atual): Art. 123. Considerase valor de alienação (Lei n° 7.713. de 1988. art. 19 e parágrafo único): (...) § 5° O valor pago a título de corretagem na alienação será diminuído do valor da alienação, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente. (grifei). Por outro lado, o Recorrente entendeu que as despesas pagas com assessoria financeira AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e ao Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A se enquadram no conceito de corretagem, por isso as despesas podem ser deduzidas da base de cálculo de apuração do ganho de capital, pois preencheram os requisitos necessários que permitem tal dedução (fls. 1.615/1.626) 255. Da leitura do § 5° do artigo 123 do RIR/99 se extrai que é necessária a observância de 2 (dois) requisitos para que se permita a dedução, do valor da alienação, dos valores pagos aos Assessores Financeiros: (i) que possuam natureza de corretagem e (ii) que não tenha havido transferência do ônus do pagamento ao adquirente (no caso concreto, a BR Plianna). No mesmo sentido o Recorrente explicou a finalidade dos contratos firmados com as empresas de assessoria: "o contrato de corretagem tem por finalidade aproximar comprador e vendedor, de forma que somente quando da concretização de determinado negócio jurídico (compra e venda, por exemplo) é que o corretor fará jus à sua remuneração, comumente denominada "comissão." De modo que o "objeto deste contrato não é propriamente o serviço prestado pelo corretor, mas o resultado desse serviço." (fl. 1.616). Diante do exposto, percebese que para o deslinde da questão, fazse necessário apurar, para efeito de dedução ou não da base de cálculo do ganho do capital, se os Fl. 1872DF CARF MF 32 valores pagos à empresa AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e ao Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A pelos serviços de assessoria financeira se enquadram no conceito de corretagem. Para isso, fezse necessário definir corretagem e assessoria financeira, para depois confrontar com o tipo de serviço contratado e prestado pelas referidas empresas. De acordo com art. 722 do Código Civil (Lei n° 10.406/2002) corretagem trata de: "Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas". Por assessoria financeira entende que se trata de um serviço prestado por empresas ou profissionais capacitados com o objetivo de assessorar os clientes, avaliando suas necessidades, a tomar decisões de cunho financeiro. Podendo também ser considerado consultor financeiro aquele que orienta seus clientes na solução de problemas financeiros tendo como remuneração uma taxa sobre os serviços, conforme entendimento sobre o tema extraído de sítios especializadas na rede mundial de computadores internet: Assessoria tem origem da palavra latina assessore, cuja a definição é dar alguém uma recomendação sobre o que deve ser feito em uma situação especifica. 2 A consultoria empresarial é definida como fornecer aconselhamento profissional ou especializado a uma pessoa ou a uma empresa. No negócio de consultoria, a orientação do consultor é dada em troca de taxas para ajudar o cliente a resolver um problema específico. 3 Cabe ao consultor financeiro (chamado de financial advisor ou financial adviser, em inglês) apresentar todas as informações com segurança para o cliente. Além disso ele deve tirar todas as dúvidas para que ele tome suas decisões de forma consciente4. Assessoria é a ação realizada por um indivíduo ou um grupo, que consiste em dar ou receber aconselhamento e auxílio sobre um determinado ramo ou assunto. 5 Após o entendimento sobre as definições de corretagem e de assessoria financeira, passouse a analisar os contratos estabelecidos entre a Distribuidora Big Benn e a empresa AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A com a finalidade de verificar qual foi a natureza dos serviços contratados. Analisando o contrato realizado entre os interessados e o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A (fls. 263/274), percebese que dos serviços estabelecidos na cláusula um não consta prestação de serviço de corretagem, todavia, de acordo com a informação que se extrai da referida cláusula, tratase de prestação de serviço para auxiliar e assessorar a contratante nas condições ali estabelecidas (fl. 264): Cláusula 1 Serviços 2 https://webinsider.com.br/diferencasentreassessoriaeconsultoria/ 3 https://webinsider.com.br/diferencasentreassessoriaeconsultoria/ 4 https://www.dicionariofinanceiro.com/consultoriafinanceira/ 5 https://www.significados.com.br/assessoria/ Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.858 33 Os serviços a serem prestados pelo Credit Suisse no âmbito da Operação, na medida em que solicitados e apropriados, consistirão em auxiliar a Contratante na: (a) análise e avaliação dos negócios, operações e posição financeira da Sociedade; (b) preparação e implementação de um plano de marketing relacionado à Operação, respeitado a regulamentação aplicável; (c) coordenação do data room e das análises (due diligence) pelos potenciais investidores nas Sociedades ["Potenciais Investidores"); (d) avaliação das propostas recebidas dos Potenciais investidores; e (e) estruturação e negociação da Operação. Analisando o contrato realizado entre os interessados e a AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda (fls. 275/285) percebese que o contrato tem por objeto a prestação de serviços de consultoria e dentre os serviços não consta prestação de serviço de corretagem (fl. 278): I. Objeto 1.1 O presente Contrato tem por objeto a prestação, peia Contratada, de serviços de consultoria em relação à Transação, incluindo (i) auxiliar os Contratantes na Reestruturação, incluindo eventual planejamento familiar; (ii)a apresentação da Transação a potenciais investidores, incluindo a coordenação de visitas ao Grupo Big Benn; (iii) coordenação dos trabalhos envolvendo outros assessores, incluindo assessores financeiros, jurídicos e contábeis; (iv) intermediação das negociações junto aos Contratantes, os potenciais interessados na Transação, bem como seus respectivos assessores; e (v) auxiliar no planejamento imobiliário do Grupo Big Benn (em conjunto "Serviços"). Após analisar os contratos celebrados com as duas empresas, AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A, para prestação de serviço de assessoria e consultoria, verificouse que a contratação tinha por objetivo auxiliar os contratantes na avaliação e preparação dos negócios, e possível planejamento familiar (auxiliar os Contratantes na Reestruturação, incluindo eventual planejamento familiar), porém não se encontrou nos contratos informações sobre prestação de serviço de corretagem, nos termos estabelecidos pelo art. 722 do Código Civil. Assim, os valores referentes às despesas com a execução dos contratos pela prestação de serviço de assessoria e consultoria, não podem ser deduzidos do valor da alienação, base de apuração do ganho de capital, uma vez que o disposto no § 5°, do art. 123 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99 vigente à época /§ 5° do art. 134 do Decreto n° 9.580 de 22/11/2018 RIR vigência atual), é taxativo, permitindo somente a dedução de valor pago a título de corretagem, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente. Diante do exposto, entendo que não merecem ser acolhidas as alegações do Recorrente, pois os contratos celebrados com as empresas contratadas revelam prestação de serviço de assessoria e consultoria, sendo que tais serviços não se enquadram como corretagem, portanto fica impedido o Contribuinte de deduzir do valor da alienação, para efeito Fl. 1874DF CARF MF 34 de apuração do ganho de capital, os valores despendidos com tais serviços, por falta de previsão legal. Recálculo do Imposto de Renda Como visto neste voto que as despesas com execução dos contratos pela prestação de serviço de assessoria e consultoria não podem ser deduzidas do valor da alienação para apurar o ganho de capital, com fundamento no § 5°, do art. 123 do Decreto n° 3.000/99 de (RIR/99 vigente a época/ /§ 5° do art. 134 do Decreto n° 9.580 de 22/11/2018 RIR vigência atual), entendo que Fiscalização agiu corretamente quando recalculou o Imposto de Renda acrescentando à base de cálculo de apuração do ganho de capital o valor correspondente às despesas decorrentes de prestação de serviço de assessoria e consultoria que foi excluído indevidamente (fls. 28/29): Diante da conclusão de que a dedução de R$ 17.979.605,25 do valor de alienação das ações da Distribuidora Big Benn S/A foi indevida, restanos recalcular o imposto devido na operação, relativo à parcela recebida em março de 2012. Excluindose os R$ 17.979,605,25, o valor de alienação passa a ser, então, de RS 65.930.311,18 (R$ 293.023.605,25 * 22,5%). Isto posto, entendo como correta a exigência da diferença do Imposto de Renda no valor originário de R$ 347.889,13 apurada pela Fiscalização com a inclusão na base de apuração do ganho de capital, do valor correspondente à parte relativa a despesas decorrentes de prestação de serviço de assessoria e consultoria e que foi mantida pela decisão por meio do Acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA (fl. 29): Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10280.720109/201778 Acórdão n.º 2202005.384 S2C2T2 Fl. 1.859 35 . Fl. 1876DF CARF MF 36 Fl. 1877DF CARF MF
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