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Numero do processo: 10935.906296/2012-29
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/03/2009
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 96 /2 01 2- 29 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/03/2009 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906296/201229 Acórdão n.º 1802003.263 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001184/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 25 de maio de 2013
Nome do relator: Não se aplica
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Os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 25 de maio de 2013 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 148/155, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, que apurou um imposto de renda suplementar no valor de R$ 4.536,21, acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora, em virtude de alteração dos rendimentos tributáveis de R$ 28.242,94,07 para R$ 56.696,58, decorrente de reclamatória trabalhista e a titulo de resgate de contribuições de previdência privada. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01/30), acatada como tempestiva., alegando consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 01 18 4/ 20 05 -3 1 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11070.001184/200531 Resolução nº 2802000.073 S2TE02 Fl. 3 2 · Ofereceu à tributação rendimentos além dos que deveriam ser tributados, em virtude de incorreções praticadas em sua declaração. · A fiscalização tributou parcelas insuscetíveis de incidência do Imposto de Renda, visto que somente excluiu do valor bruto percebido pelo impugnante, para fins de estabelecer a base de cálculo, as parcelas correspondentes ao FGTS e a respectiva multa, assim corno os juros sobre essa incidentes, o que está errado. · Do valor total recebido da reclamatória trabalhista (R$ 49.127,93), devem ser excluídas, por serem rendimentos isentos ou nãotributáveis, as correspondentes a diferenças de verbas rescisórias (R$ 2.360,10); indenização do uso do veiculo (R$ 11.961,66); devolução de Seguro Meridional SVG (R$ 20,63); juros de mora de 120,18% (R$ 25.850,13); FGTS + 40% base — 6.864,51% (R$ 802,25); e Juros s/ o FGTS de 120,18% (R$ 964,38), totalizando R$ 41.959,15. · Além desses valores, também devem ser excluídos da base de cálculo, por não constituírem rendimentos tributáveis os honorários advocatícios pagos para obter o resultado colhido na reclamatória trabalhista, no valor de R$ 2.225,09 e o valor de R$ 900,00, correspondente ao resgate parcial do Plano de Previdência Privada. · Em virtude desses ajustes, aos rendimentos tributáveis decorrentes de reclamatória trabalhista percebidos pelo impugnante no ano de 2001, no valor de R$ 4.043,69, devem ser somados os demais rendimentos já declarados, no valor de R$ 11.492,16, chegandose a urna base imponível de R$ 15.535,85, da qual deve ser deduzido o desconto simplificado (R$ 8.000,00), restando uma base de cálculo no valor de R$ 7.535,85, que se situa dentro da faixa de isenção do imposto de renda, devendo ser restituído ao impugnante o imposto no valor de R$ 4.532,95, devidamente atualizado. · Ao contrário do entendimento da Administração Tributária, a declaração de rendimentos somente estava errada por não ter excluído da base de cálculo valor que não deveriam ser tributados, devendo ser mantidos incólumes seus efeitos naquilo que são favoráveis ao contribuinte, em vista do principio da vinculação do ato administrativo e por não existir disposição legal que obrigue a tributação das parcelas como pretendido pela fiscalização. · As verbas antes indicadas pelo impugnante como nãotributáveis têm natureza indenizatória e, como tal, lido constituem renda, estando excluídas do fato gerador do imposto, conforme disposições doa rt. 43, do Código Tributário Nacional (CTN). · Não incide o IRPF sobre as diferenças de verbas indenizatórias recebidas cm virtude de rescisão de contrato de trabalho. Tal entendimento foi acatado nas diversas decisões judiciais que foram prolatadas na reclamatória trabalhista, o que caracteriza a coisa julgada, nos termos dos artigos 467 e seguintes do Código de Processo Civil e artigo 5 0, inciso XXXVI, da atual Constituição Federal, que não podem ser desconsiderados pela fiscalização para querer tributar tais parcelas, ignorando tais comandos judiciais, legais e constitucionais. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11070.001184/200531 Resolução nº 2802000.073 S2TE02 Fl. 4 3 · As verbas indenizatórias percebidas pelo impugnante pela utilização de veiculo próprio em proveito do empregador não constituem renda, sendo isentas de tributação pelo IRPF. · A devolução do valor pago pelo empregado durante a vigência do contrato de trabalho, a titulo de seguros, é mera reposição de seu patrimônio, não podendo ser tributado pelo IRPF, por não constituir fato gerador desse tributo. · Os juros de mora têm caráter indenizatório, não constituindo renda e, em conseqüência, também não podem sofrer a incidência do IRPF. · Mencionou o impugnante vasta jurisprudência e doutrina a corroborar seu entendimento. · 0 resgate das contribuições recolhidas ao Plano de Previdência Complementar da Brasil Prey, por ocasião do desligamento do impugnante do respectivo plano é isento do 1RPF, na forma das disposições do art. 7°, da Lei n° 7.713, de 1988 e medidas provisórias que versaram sobre o tema. · 0 valor dos honorários advocatícios pagos para receber os rendimentos deve ser excluído da base de cálculo do IRPF. · A imposição da multa de oficio carece de suporte fático autorizativo, e é ilegal, já que o impugnante promoveu a denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN, por já ter se antecipado e incluído todo rendimento tributável em sua declaração. · A multa no percentual de 75% tem caráter confiscatório, além de ferir diversos outros princípios constitucionais, como o da razoabilidade, da moralidade e da proporcionalidade, devendo ser aplicada a multa no percentual máximo de 20%, como estabelece a legislação aplicável, especialmente o art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, se alguma parcela for considerada devida. · Requereu o impugnante que seja julgado insubsistente o lançamento afastada toda ilegalidade, inconstitucionalidade, excesso e erro, ajustando e delimitando os valores da exigência fiscal de forma mais favorável ao contribuinte; excluída a multa de oficio ou reduzida para 20%; e revisada a sua declaração, restituindolhe o valor que lhe seja devido. · Requereu, ainda, o impugnante, que lhe seja permitido provar suas alegações por todos os meios de prova em direito admitidos, seja por documentos, perícias e outros. · Juntamente com a impugnação foram apresentados os documentos que se encontram As lis. 31 a 102. · O dossiê do contribuinte foi anexado As fls. 105 a 164. A 2ª Turma DRJ/Santa Maria/RS, conforme Acórdão 186.887 de fls. 167 a 174, julgou procedente o lançamento. A ciência de tal julgado se deu em 30/04/2007, consoante o Termo de Ciência de fls. 177. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11070.001184/200531 Resolução nº 2802000.073 S2TE02 Fl. 5 4 Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 29/05/2007 (fls. 179/217), representada por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória. É o relatório. Voto: Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Antes de adentrar nos argumentos do recurso, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento. Isso porque o processo sob análise versa a respeito de incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial, nos termos do a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do art. 12 da Lei nº. 7.713/1988(fls. 42/75): Ocorre que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº. 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento, entendo que é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº. 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº. 586/2010. Nesse sentido, o art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, determina o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que for reconhecida a repercussão geral do tema pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11070.001184/200531 Resolução nº 2802000.073 S2TE02 Fl. 6 5 nos autos do RE n.º 614.406/RS, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15504.729113/2012-39
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. APLICAÇÃO DA REGRA CONTIDA NO ART. 17. DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. § 2º DO ART. 229 DO DECRETO Nº 3.048/99.
A falta de contestação específica da matéria objeto do lançamento, como é o caso dos autos, atrai, necessariamente, a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70235, de 1972.
O inconformismo do contribuinte de que a autoridade fiscal é incompetente para descaracterizar o pagamento de remunerações de contribuintes individuais, sócios de empresas prestadoras de serviços, bem como os valores pagos a sócios da empresa autuada, relativo a contratos de mútuo, caracterizando-os como pagamentos a segurados empregos, não merece prosperar.
O que a fiscalização fez, efetivamente, foi desconsiderar os vínculos pactuados, enquadrando as pessoas envolvidas nas contratações promovidas pelo contribuinte como segurado empregado, tudo em conformidade com a regra estabelecida no § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.515
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. APLICAÇÃO DA REGRA CONTIDA NO ART. 17. DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. § 2º DO ART. 229 DO DECRETO Nº 3.048/99. 1. A falta de contestação específica da matéria objeto do lançamento, como é o caso dos autos, atrai, necessariamente, a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70235, de 1972. 2. O inconformismo do contribuinte de que a autoridade fiscal é incompetente para descaracterizar o pagamento de remunerações de contribuintes individuais, sócios de empresas prestadoras de serviços, bem como os valores pagos a sócios da empresa autuada, relativo a contratos de mútuo, caracterizandoos como pagamentos a segurados empregos, não merece prosperar. 3. O que a fiscalização fez, efetivamente, foi desconsiderar os vínculos pactuados, enquadrando as pessoas envolvidas nas contratações promovidas pelo contribuinte como segurado empregado, tudo em conformidade com a regra estabelecida no § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 91 13 /2 01 2- 39 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729113/201239 Acórdão n.º 2803003.515 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729113/201239 Acórdão n.º 2803003.515 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente aos seguintes levantamentos: CI – contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais, apurada através do confronto folha de pagamento e GFIP. De acordo com o acórdão recorrido, para o levantamento anteriormente descrito, o contribuinte não apresentou contestação específica, o que o tornou incontroverso. Não consta nos autos guias de recolhimento extinguindo o citado débito. Além do levantamento descrito no parágrafo anterior, constam os seguintes: FO e FO2 – remuneração paga a trabalhadores que prestaram serviços à autuada com todos os requisitos de segurado empregado, embora tivessem sido formalizados de contratos com pessoa jurídica interposta. De acordo com o Relatório Fiscal, o AI em discussão (DEBCAD 37.334.686 7) diz respeito a crédito tributário referente ao período de novembro de 2007 a dezembro de 2008, relativo a contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive o SAT/RAT. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 12 de setembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. RECONHECIMENTO DO SEGURADO EMPREGADO. O reconhecimento da figura de “segurado empregado”, para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento de contribuições previdenciárias, se insere nas atribuições legais do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e independente do exame pela Justiça Trabalhista. CONFIGURAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS Comprovada a existência dos requisitos do conceito legal, o trabalhador é considerado segurado empregado, incidindo as contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga ou creditada, sendo incapaz de mascarar esta relação jurídica, a existência de contratos formalizados com pessoa jurídica interposta. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729113/201239 Acórdão n.º 2803003.515 S2TE03 Fl. 5 4 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AOS PROCURADORES. INDEFERIMENTO. Não pode ser acolhido o pedido de que o endereçamento dos avisos, intimações e notificações ao contribuinte seja feita aos seus procuradores em razão de a legislação determinar que tais comunicações sejam efetuadas no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço postal, eletrônico, ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A fiscalização lavrou contra a ora Recorrente o presente Auto de Infração para o lançamento e consequentemente a cobrança de suposto crédito tributário de contribuições destinadas à seguridade social não declarada em GFIP, relativas à parte patronal e a diferença de contribuição. Conforme consta no relatório fiscal que integra o auto de infração, a presente exigência referese a supostos débitos de contribuições previdenciárias destinadas relativas à parte patronal devida pela empresa e a contribuição destinada ao RAT, que a fiscalização entendeu serem incidentes sobre as remunerações pagas aos prestadores de serviços da empresa nas seguintes situações (i) contribuintes individuais, caracterizados como empregados; (ii) sócios de empresas prestadoras de serviços que foram caracterizados como empregados e (iii) os valores recebidos pelos sócios da empresa autuada em contratos de mútuos foram considerados como remuneração. Na impugnação ao AI, a ora Recorrente preliminarmente suscitou a nulidade do lançamento, tendo em vista (i) a incompetência da DRF para descaracterizar contratos de prestação de serviços autônomos e de pessoas jurídicas com a consequente caracterização de relação de emprego e (ii) o vício insanável da autuação face a ausência de correlação lógica entre os valores lançados por aferição indireta e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários. No mérito, a recorrente impugnou (i) o fato de a autuação fiscal ter se baseado em meras presunções; (ii) o lançamento e a cobrança das contribuições destinadas á seguridade social em duplicidade e (iii) a ilegalidade e a inconstitucionalidade das multas e juros aplicados no caso. A presente autuação não merece subsistir, uma vez que os fundamentos de fato e de direito que a embasaram são completamente dissonantes da realidade e baseados em meras presunções, bem como pela ofensa à ordem jurídica vigente aos Princípios da Administração relativo às multas e juros aplicados. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729113/201239 Acórdão n.º 2803003.515 S2TE03 Fl. 6 5 Como já referido, a autuação fiscal foi baseada em presunções. Tendo em vista que a Fiscalização da DRF/BH não comprovou a existência dos vínculos empregatícios presumidos ou que os valores que foram transferidos para os sócios da Recorrente eram remunerações, baseando o auto de infração somente em suposições e presunções, não resta dúvida de que a presente autuação deverá ser cancelada. Houve ofensa à ordem jurídica vigente, bem como aos princípios da administração, relativo às multas e aos juros aplicados. Diante dos fundamentos postos acima, requer seja recebido e devidamente processado o presente Recurso Voluntário, posto que preenchidos os seus requisitos legais, atribuindose efeito suspensivo, devendo ao final serlhe dado provimento para reformar o acórdão recorrido, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do AI discutido, com a consequente exoneração do crédito tributário exigido. Requer, também, seja a Recorrente devidamente intimada da data de julgamento do presente Recurso, protestandose, desde já, pela produção da oportuna sustentação oral, sob pena de nulidade. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729113/201239 Acórdão n.º 2803003.515 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Inicialmente, indefiro o pedido de intimação requerido pelo contribuinte, com fulcro no parágrafo único do art. 55 do RICARF. No que diz respeito à preliminar de nulidade do lançamento em razão da incompetência da DRF para descaracterizar contratos de prestação de serviços autônomos e de pessoas jurídicas com a consequente caracterização de relação de emprego, sem razão o contribuinte. De outra parte, a autuação (lançamento) objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado contém todos os elementos essenciais à sua validade, conforme descrito no at. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade. Ademais, restou amplamente evidenciado que o contribuinte não contestou plenamente a matéria objeto do lançamento. Em seu recurso, ele se ateve apenas a questões genéricas, como: A presente autuação não merece subsistir, uma vez que os fundamentos de fato e de direito que a embasaram são completamente dissonantes da realidade e baseados em meras presunções, bem como pela ofensa à ordem jurídica vigente aos Princípios da Administração relativo às multas e juros aplicados. Como já referido, a autuação fiscal foi baseada em presunções. Tendo em vista que a Fiscalização da DRF/BH não comprovou a existência dos vínculos empregatícios presumidos ou que os valores que foram transferidos para os sócios da Recorrente eram remunerações, baseando o auto de infração somente em suposições e presunções, não resta dúvida de que a presente autuação deverá ser cancelada. Houve ofensa à ordem jurídica vigente, bem como aos princípios da administração, relativo às multas e aos juros aplicados. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729113/201239 Acórdão n.º 2803003.515 S2TE03 Fl. 8 7 A falta de contestação específica da matéria objeto do lançamento, como é o caso dos autos, atrai, necessariamente, a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70235, de 1972, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O inconformismo do contribuinte de que a autoridade fiscal é incompetente para descaracterizar o pagamento de remunerações de contribuintes individuais, sócios de empresas prestadoras de serviços, bem como os valores pagos a sócios da empresa autuada, relativo a contratos de mútuo, caracterizandoos como pagamentos a segurados empregos, não merece prosperar. O que a fiscalização fez, efetivamente, foi desconsiderar os vínculos pactuados, enquadrando as pessoas envolvidas nas contratações promovidas pelo contribuinte como segurado empregado, tudo em conformidade com a regra estabelecida no § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99, in verbis: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) § 2º. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Realizada a fundamentação legal de forma correta, o enquadramento dos prestadores de serviços se amoldou perfeitamente às disposições do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, como acertadamente demonstra o acórdão recorrido. Os fundamentos necessários para a desconsideração do vínculo pactuado constam do acórdão recorrido, não se caracterizando como meras suposições / presunções como pretende o sujeito passivo. Portanto, a manutenção do lançamento é medida que se impõe. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729113/201239 Acórdão n.º 2803003.515 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907404/2011-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 74 04 /2 01 1- 78 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 59 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 68), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 59). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907404/201178 Acórdão n.º 3802002.924 S3TE02 Fl. 71 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003932/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2003
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-003.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, na competência 12/2003, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Alexandre Bassi Bozzani. OAB: 36458/DF.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2003 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, na competência 12/2003, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Alexandre Bassi Bozzani. OAB: 36458/DF. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 265 1 264 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.003932/200899 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.982 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria Auto de Infração GFIP Recorrente LOJAS AMERICANAS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2003 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, na competência 12/2003, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Alexandre Bassi Bozzani. OAB: 36458/DF. Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 39 32 /2 00 8- 99 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 22/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.207.4618, cientificado ao contribuinte em 04/12/2008, o qual exige multa pelo fato de o sujeito passivo não ter informado em GFIP todos os dados relacionados aos fatos geradores. De acordo com o relatório fiscal pela análise das GFIP apresentadas, em confronto com os seus registros contábeis e folhas de pagamento, verificou que a empresa deixou de registrar no campo "Remuneração sem parcela do 13° salário" das GFIPs da matriz as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (autônomos) relacionados na tabela de fls. 26; não registrou também os valores pagos a título de despesas com seguro de vida em grupo para os segurados empregados relacionados na tabela I (fls. 38/66); e os valores gastos com pagamento de despesas de aluguel dos segurados relacionados na tabela de fls. 29/30; e por fim, também deixou de registrar o valor de R$ 1.500.000,00 creditado aos contribuintes individuais (administradores) a título de honorários. Aponta ainda que as contribuições previdenciárias devidas referentes aos pagamentos aos contribuintes individuais autônomos, assim como ao pagamento de seguro de vida em grupo e os pagamentos de despesas de aluguel foram devidamente providenciados os recolhimentos através de GPS. No entanto, as contribuições previdenciárias devidas em relação ao pagamento de honorários aos administradores de R$ 1.500.000,00 efetuado na competência 12/2003 não foi recolhida, tendo sido emitido o Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.207.4596. A ora recorrente, devidamente intimada, apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, que o lançamento não merece prosperar, uma vez que, quando da sua ciência já não mais possuía validade e eficácia a norma inserida no citado artigo 32, §§ 4° e 5°, da referida Lei n° 8.212/91, visto que este comando legal foi revogado pela Medida Provisória n° 449/08. Alegou, ademais, que caso não fosse esse o entendimento, deveria ser aplicado o artigo 32A da Lei 8.212/91, inserido pela MP. A DRJ do Rio de Janeiro deu parcial provimento à impugnação para aplicar o artigo 32A apenas em parte das competências compreendidas na autuação, o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário postulando a aplicação do artigo 32A também para a competência de dezembro de 2003. É o relatório. Voto Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 22/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18471.003932/200899 Acórdão n.º 2301003.982 S2C3T1 Fl. 266 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso voluntário reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inicialmente é importante registrar que foi devolvido a esse CARF apenas a questão relativa à multa fixada para a competência 12/2003. Registrese que a competência 12/2003 decorre do crédito apurado no AI n° 37.207.4596 contribuições previdenciárias devidas em relação ao pagamento de honorários aos administradores de R$ 1.500.000,00. Segundo a r. decisão recorrida a autuada quitou o débito apurado dentro do prazo que dispunha para apresentar sua impugnação. Vejase: Na competência 12/2003, lançada no Auto de Infração DEBCAD n° 37.207.4596, quitado pelo contribuinte dentro do prazo de impugnação com a multa de 24% há de se executar os seguintes cálculos: Contudo, para a citada competência a r. decisão entendeu que o cálculo da multa deve ser efetuado da seguinte maneira: “Somar o valor devido à Previdência Social apurado no presente Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória com o valor da multa de mora aplicada sobre a obrigação principal devida à previdência social (AI 37.207.459 6), nos termos da tabela do artigo 35 da Lei 8.212/1991 na redação da Lei 9.876/1999, ou seja 24%, como já citado anteriormente. Calcular o valor da nova multa, aplicandose 75% sobre o valor devido à previdência na obrigação principal, consoante o artigo 44 da Lei 9.430/1996 com a redação da Lei 11.488/2007.” Ao partir dessa premissa chegou à conclusão de que a multa aplicada para essa competência pelo presente AI, no valor de R$ 43.921,15 é mais benéfico e, por isso, restou mantida. No tocante à GFIP segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, tal como aplicado pela decisão recorrida, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 22/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na competência 12/2003 ser calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Diante dessas considerações, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para aplicar no cálculo da multa relativa a competência de 12/2003 o artigo 32A da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 22/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 13807.001033/2002-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO VENCIDO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. CABIMENTO.
Aos débitos declarados mas não quitados nos prazos previstos na legislação, ainda que pela via da compensação, serão acrescidos multa e juros de mora.
Numero da decisão: 3803-006.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO VENCIDO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. CABIMENTO. Aos débitos declarados mas não quitados nos prazos previstos na legislação, ainda que pela via da compensação, serão acrescidos multa e juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, esta manejada em oposição ao despacho decisório da repartição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 10 33 /2 00 2- 11 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13807.001033/200211 Acórdão n.º 3803006.462 S3TE03 Fl. 528 2 de origem que, embora tenha reconhecido a totalidade do crédito pleiteado, homologou apenas parcialmente os pedidos de compensação. O contribuinte havia apresentado Pedido de Ressarcimento de IPI, com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, no valor total de R$ 817.936,27, cumulado com pedidos de compensação, tendo remanescido débito em aberto em decorrência de sua compensação após o prazo de vencimento, em razão do quê se computaram os acréscimos moratórios, remanescendo em discussão o montante de R$ 4.850,22. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a concessão de efeito suspensivo à exigibilidade do crédito tributário e a declaração de nulidade da Carta Cobrança, considerando que o direito creditório havia sido reconhecido em sua totalidade. Alegou o então Manifestante a ocorrência de prescrição, em razão da homologação tácita da compensação, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN e do art. 74, § 5°, da Lei nº 9.430, de 1996, bem como a ilegalidade da exigência de multa, juros e demais encargos moratórios sobre o saldo devedor remanescente. O acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP restou ementado nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Ementa: DCOMP. VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. No procedimento de valoração e consolidação dos débitos compensados, um a um, em face do direito creditório reconhecido integralmente, a parcela restante, sem cobertura do direito creditório, é reputada como compensação indevida, sujeita a cobrança. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Cientificado da decisão em 18/08/2010, o contribuinte interpôs, em 15/08/2010, Recurso Voluntário, e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. Ressaltou o Recorrente que o Pedido de Ressarcimento de IPI havia sido formulado em 21/02/2002, tendo sido intimado do despacho decisório somente em 29/10/2007, momento em que já havia ocorrido a extinção do crédito tributário pela homologação tácita do pedido de compensação. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13807.001033/200211 Acórdão n.º 3803006.462 S3TE03 Fl. 529 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme destacara o relator do voto condutor do acórdão recorrido, tendo o contribuinte protocolizado em 21/01/2002 o pedido de compensação em que constou o débito que restou não compensado, débito esse vencido em 15/01/2002, a legislação tributária determina a incidência dos acréscimos legais não computados pelo contribuinte, verbis: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3 ° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados a taxa a que se refere o § 3 ° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei) Portanto, procedeuse corretamente a repartição de origem ao computar multa e juros moratórios sobre o débito compensado após a data do vencimento. No que tange à alegação do Recorrente de que, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 19961, a compensação que resta controvertida já se encontrava homologada tacitamente, considerando que o Pedido de Compensação fora formulado em 21/02/2002 e a intimação do despacho decisório somente ocorrera em 29/10/2007, há que se destacarem as seguintes questões: Na data da protocolização do Pedido de Compensação, ainda não se encontrava vigente o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se passou a prever o prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada, o que veio a ocorrer 1 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 529DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13807.001033/200211 Acórdão n.º 3803006.462 S3TE03 Fl. 530 4 somente em 31 de outubro de 2003, data da publicação da Medida Provisória nº 135, convertida na Lei nº 10.833, de 2003. Constatase, portanto, que, na data da apresentação do referido pedido, inexistia a definição de um prazo para a homologação tácita da compensação, não se aplicando tal regra, por conseguinte, ao presente caso, pois que instituída em lei posterior, não podendo alcançar, a meu ver, fatos ocorridos anteriormente a sua produção de efeitos. Ressaltese que essa questão relativa à aplicação de prazos decadenciais a fatos anteriores a sua criação já foi objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 626.489, ocorrido em 16 de outubro de 2013, submetido à sistemática da repercussão geral. Segundo o Informativo do STF de 16 de outubro de 2013, o Tribunal acolheu a tese de que a instituição de um limite temporal máximo destinase a resguardar a segurança jurídica, aplicandose a fatos anteriores a sua previsão legal, mas devendo o prazo ser contado, nessas hipóteses, a partir da vigência da lei nova, e não da data da formulação do pleito. Referido RE, contudo, ainda não transitou em julgado, restando pendente o julgamento de Embargos de Declaração interpostos em 20 de outubro de 2013, não podendo, portanto, ser invocado para fins de aplicação da regra do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. No entanto, tal constatação não impede que este Colegiado se valha da decisão do STF como parâmetro para a prolação da presente decisão, sendo isso o que se faz neste momento. Logo, considerando que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, passou a viger em 31 de outubro de 2003, temse que o prazo de cinco anos para a homologação tácita da compensação extinguiu em 31 de outubro de 2008, data essa posterior à da ciência do despacho decisório, ocorrida em 24 de outubro de 2007, do que se conclui pela inocorrência da homologação tácita. No que tange à invocação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN) 2, há que se destacar que se está diante de um prazo para a constituição do crédito tributário, tratandose, portanto, de prazo decadencial e não de prazo prescricional. Dessa forma, ao exigir o débito que restou não compensado, a autoridade administrativa não procede à constituição do crédito tributário, mas à cobrança de um débito já declarado, em relação ao qual, não há que se argüir a ocorrência de prescrição, pois, nos termos do art. 151, III, do CTN3, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário. 2 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 3 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 530DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13807.001033/200211 Acórdão n.º 3803006.462 S3TE03 Fl. 531 5 Não se pode perder de vista que, nos termos do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 19964, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa passaram a ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no mesmo artigo, dentre eles o caráter de constituição de dívida da declaração de compensação. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 531DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 12893.000077/2007-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (ICMS na base de cálculo da Cofins).
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Não se aplica
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score : 1.0
Numero do processo: 10925.901456/2012-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 14 56 /2 01 2- 62 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901456/201262 Acórdão n.º 3801004.251 S3TE01 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901456/201262 Acórdão n.º 3801004.251 S3TE01 Fl. 51 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – PER/Dcomp nº 17613.96183.181209.1.3.04420, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito próprio com crédito relativo a pagamento indevido ou efetuado a maior a título de Cofins não cumulativa, com apuração em 30/11/2008. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendo o com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do “DARF discriminado no PER/DCOMP” havia sido “integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte manifestouse alegando: que retificou o Dacon do período para efetuar a inclusão de todos os créditos a que tinha direito, anteriormente não declarados; que no ajuste entre débitos e créditos verificou que efetuara pagamentos a maior da contribuição; e que para, recuperar tal valor, protocolou pedido de restituição e, posteriormente, utilizou o crédito em compensação de débitos próprios. Assim, defende que o crédito utilizado na Dcomp em debate pode ser confirmado no Dacon retificador do período e que não se justifica sua não homologação sob a alegação de falta de crédito, considerando que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior e, tampouco, o Dacon retificador que demonstra os valores de débitos e créditos. Requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado e que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter o pretendido crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei: Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901456/201262 Acórdão n.º 3801004.251 S3TE01 Fl. 52 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins não cumulativos que teriam sido pagos a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na correta constituição de créditos de PIS e Cofins autorizados pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, os quais a Recorrente havia constituído apenas parcialmente na Dacon original, que retificou a Dacon do período para a inclusão dos créditos e que não retificou as DCTFs por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro no preenchimento da DACON original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901456/201262 Acórdão n.º 3801004.251 S3TE01 Fl. 53 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF ou na DACON situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906354/2012-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2002
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 63 54 /2 01 2- 83 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trará de manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente ao PER/DCOMP. O pedido de restituição gerado pelo programa PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de ter reconhecido direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, tendo sido pleiteado crédito, correspondente ao Darf recolhido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do Darf descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de créditos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido. Como o enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei Nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) Cientificado do Despacho Decisório em 16/08/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito referência à legislação que trata da Cofins e do PIS, além de disposições da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional (CTN). Concluiu o manifestante que tais contribuições só podem incidir sobre o fat7uramento que representa, unicamente, o somatório dos valores das opções negociadas. Prosseguindo, argumentou que descabe assentar que os contribuintes do PIS e da Cofins “ faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Asseverou também que não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto. Ao final, requer seja acatado o Pedido de Restituição. 3 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: ASSUNTO: Contribuição Para Financiamento da Segurança SocialCofins PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDTTO NÃO COMPROVADO Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. É o sucinto relatório. 4 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que o ICMS não deve incluir na base de cálculo do PIS com base no art. 155, inciso II, da CF/88, colacionando precedente de repercussão geral. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) 6 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator 7 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720292/2012-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
ARBITRAMENTO DOS LUCROS. PROCEDIMENTO PRÉVIO PARA DEFINIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESNECESSIDADE. A legislação ordinária reguladora do arbitramento dos lucros suprimiu a discricionariedade conferida à autoridade lançadora pela legislação complementar, fixando as hipóteses de arbitramento, os referenciais e os coeficientes para determinação do lucro tributável, e assim suprimindo, no âmbito administrativo, a possibilidade de avaliação contraditória.
IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL PARA A IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. A prática recorrente de antecipar o registro do recebimento de vendas e do pagamento de fornecedores/despesas, associada ao registro de todos os cheques e saques bancários creditados na conta Bancos a débito da conta Caixa e à contabilização de todos os depósitos bancários a crédito da conta Caixa, mormente quando ausentes registros auxiliares, vicia a escrituração comercial, revelando-a imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira e determinando o arbitramento dos lucros, assim como a exigência das contribuições sobre o faturamento no regime cumulativo.
Numero da decisão: 1101-001.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. PROCEDIMENTO PRÉVIO PARA DEFINIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESNECESSIDADE. A legislação ordinária reguladora do arbitramento dos lucros suprimiu a discricionariedade conferida à autoridade lançadora pela legislação complementar, fixando as hipóteses de arbitramento, os referenciais e os coeficientes para determinação do lucro tributável, e assim suprimindo, no âmbito administrativo, a possibilidade de avaliação contraditória. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL PARA A IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. A prática recorrente de antecipar o registro do recebimento de vendas e do pagamento de fornecedores/despesas, associada ao registro de todos os cheques e saques bancários creditados na conta Bancos a débito da conta Caixa e à contabilização de todos os depósitos bancários a crédito da conta Caixa, mormente quando ausentes registros auxiliares, vicia a escrituração comercial, revelando-a imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira e determinando o arbitramento dos lucros, assim como a exigência das contribuições sobre o faturamento no regime cumulativo.
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PROCEDIMENTO PRÉVIO PARA DEFINIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESNECESSIDADE. A legislação ordinária reguladora do arbitramento dos lucros suprimiu a discricionariedade conferida à autoridade lançadora pela legislação complementar, fixando as hipóteses de arbitramento, os referenciais e os coeficientes para determinação do lucro tributável, e assim suprimindo, no âmbito administrativo, a possibilidade de avaliação contraditória. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL PARA A IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. A prática recorrente de antecipar o registro do recebimento de vendas e do pagamento de fornecedores/despesas, associada ao registro de todos os cheques e saques bancários creditados na conta Bancos a débito da conta Caixa e à contabilização de todos os depósitos bancários a crédito da conta Caixa, mormente quando ausentes registros auxiliares, vicia a escrituração comercial, revelandoa imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira e determinando o arbitramento dos lucros, assim como a exigência das contribuições sobre o faturamento no regime cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 02 92 /2 01 2- 59 Fl. 4364DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 4365DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório WILL ALIMENTOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 19/03/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.201.345,10. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 4244/4270 a autoridade lançadora relata que a contribuinte apresentara declaração, no anocalendário 2009, na sistemática do lucro presumido, mas totalmente zerada, muito embora tenha apresentado sua contabilidade pelo SPED e recolhido Contribuição ao PIS e COFINS na sistemática nãocumulativa. Já sob fiscalização retificou a DIPJ, alterando a forma de apuração para lucro real, bem como promoveu outra retificação em razão de erros identificados no curso do procedimento fiscal. Concluiu a Fiscalização que houve erro na primeira declaração, e que a contribuinte era optante pelo lucro real. A autoridade fiscal constatou saldos credores de caixa de 30/11/2009 a 30/12/2009, além de dois suprimentos de caixa por sócio em 02/09/2009, e exigiu esclarecimentos. Os suprimentos foram comprovados, mas a Fiscalização identificou um pagamento de fornecedores diversos em 05/01/2009, exigindo identificação dos beneficiários e a causa das operações. A contribuinte esclareceu que o saldo credor de caixa de 30/11/2009 decorreu do registro antecipado de obrigações e despesas pagas ao longo de dezembro/2009 e requereu prazo para apresentação dos documentos, bem como para comprovação dos pagamentos a fornecedores em 05/01/2009. Posteriormente acrescentou que estes pagamentos também foram registrados de forma antecipada e apresentou demonstrativo e documentos. A contribuinte pediu justificativas para apresentação dos extratos bancários que lhe foram exigidos e não os entregou à Fiscalização. Foi intimada, então, a comprovar documentalmente os valores aportados na conta Caixa da empresa, bem como as saídas com históricos vinculados a operações bancárias, ao longo do anocalendário 2009. Esclareceu que em seus registros contábeis todos lançamentos transitam pela conta Caixa, apresentou justificativas para débitos em conta Caixa em razão de cheques emitidos, mas pediu prazo para apresentação de suas fotocópias requeridas aos Bancos, bem como informou que o faturamento líquido era contabilizado mensalmente a débito da conta Caixa. Posteriormente acrescentou que também os pagamentos promovidos por meio de instituições financeiras geravam entrada na conta Caixa em razão da saída da conta Bancos, e saída da conta Caixa para baixa de dívidas com fornecedores. A autoridade lançadora exigiu registros auxiliares detalhando os lançamentos por partidas mensais, bem como a identificação da conta Fornecedores. Disse a contribuinte que o controle dos lançamentos globais de vendas era promovido com base nos registros individualizados dos Livros de Saída, e que os pagamentos de fornecedores eram feitos diretamente em contrapartida à conta “Mercadorias e Materiais para Revenda”, tendo em conta as operações individualizadas no Registro de Entrada. Posteriormente a contribuinte apresentou outros documentos, sendo apenas parte dos comprovantes de pagamentos bancários. Fl. 4366DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 5 4 Outras exigências são feitas acerca da apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS e dos correspondentes DACON, bem como da forma de recebimento das notas fiscais de vendas. Esta última exigência foi respondida com esclarecimentos lastreados apenas em demonstrativos, sem correspondência com as datas e valores das notas fiscais. A Fiscalização destaca que a demonstração de recebimento parcelado das vendas é inconsistente com o lançamento a vista na conta Caixa. Informa, também, que o trânsito em conta Caixa de valores provenientes de crédito rotativo com instituição financeira não aparentam ter provocado mutação naquela conta. Mas acrescenta: Releva anotar, que decorrido todo esse tempo de fiscalização, início em maio de 2011, a empresa, na maioria de suas respostas, informa que outros documentos serão entregues assim que possível, ou resposta equivalente. O que denota que a contabilidade não espelha os verdadeiros fatos ocorridos e não está embasada em documentos hábeis e idôneos. A autoridade fiscal, frente a tais circunstâncias, constata: 1) movimentações bancárias efetivamente não destinadas a suprir o Caixa, a exemplo de saídas/saques processados por intermédio de cheques liquidados via sistema de compensação, foram lançados a débito do Caixa e, via de regra, sem registro correspondente de saída, a crédito da aludida conta contábil; 2) escrituração que não permite identificar, via de regra, os lançamentos que representem a derradeira origem ou destinação dos recursos; 3) prática que consiste em dissimular, na escrita comercial, fatos inerentes à movimentação financeira, sem refletir fidedignamente movimentações, na essência, de natureza extracaixa, o que permite não só dissimular o evento da saída, como também encobrir recursos de origem não comprovada, que aportam em contas mantidas em instituições financeiras, e que, por sua vez, são dissimulados por lançamentos a crédito da conta Caixa e a débito de conta bancária; 4) escrituração das vendas por registro global, sem Livros Auxiliares e sem expressar a verdadeira movimentação financeira, nem mesmo a mensal, tendo em vista que também vende a prazo, conforme comprovam os próprios documentos apresentados pela empresa; 5) falta de esclarecimentos sobre a entrada de recursos na conta “Caixa”, a título de “Ajustes”, objeto da Intimação nº 005/2011; e 6) lançamentos em partidas mensais para as saídas de caixa para pagamento dos fornecedores de mercadorias, não especificando quais os fornecedores que estão sendo pagos, e pior, sem considerar que os lançamentos no Livro Registro de Entrada de Mercadoria se dá pela entrada do produto na empresa e não pelo efetivo pagamento que é como deve ser lançado na conta “Caixa”, mormente tendo em conta operações a prazo, como demonstrado em notas fiscais apresentadas. Conclui, assim, que a conta “Caixa” não reflete a verdadeira movimentação financeira da empresa, tanto nas entradas de recursos, como na saída de valores, prática que tem por verdadeiro propósito dificultar a caracterização e comprovação da verdadeira operação. Destaca que a escrituração contábil deve espelhar os verdadeiros fatos ocorridos, na data em que ocorreram as operações, nome da conta de débito e crédito, histórico com os dados importantes sobre o fato registrado, como nº da nota fiscal, cheque, terceiros envolvidos, etc., que permita sua perfeita identificação, tudo isso, corroborado por documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores que comprovem os fatos, donde se depreende que as operações, na forma em que foram sistematizadas, tiveram o único condão de iludir a administração tributária. Tanto isso é verdade que os verdadeiros fatos permaneceram completamente à margem dos controles do fisco. Complementa que a prática adotada visou ocultar a verdadeira operação e que a escrituração na conta Caixa de toda movimentação bancária, independente, se os valores Fl. 4367DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 6 5 saíram do banco diretamente para terceiros, e suprir o Caixa com todo o valor de vendas escriturado no Livro de Saída de Mercadorias, sem se importar com a data do efetivo recebimento dos valores, a despeito de todas as formalidades adotadas, ofende a inteligência dos agentes da administração tributária, sendo capaz de ludibriar apenas os mais incautos. Por tais razões, promove o arbitramento dos lucros pelos motivos já descritos e reiterados na seqüência sob os títulos: 1) saldo credor de caixa; 2) pagamentos a fornecedores diversos sem comprovação com documentos hábeis e idôneos coincidentes em datas e valores; 3) suprimentos de caixa de origem não comprovada; 4) falta de apresentação de extratos bancários; 5) vendas de mercadorias da empresa lançadas na conta caixa em partidas mensais sem livro auxiliar; 6) pagamentos de obrigações sem que os beneficiários estejam identificados na contabilidade da empresa; e 7) apresentação de DIPJ totalmente zerada. Assim, tendo em vista os vícios, erros, deficiências, além da falta de apresentação de livros e documentos, a contabilidade da pessoa jurídica é considerada imprestável para apuração do lucro real, e o arbitramento dos lucros fundamentado nos incisos I; II, letras “a” e “b”; III e VI, do artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99. A autoridade lançadora consigna que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL está detalhada no “DEMONSTRATIVO DAS RECEITAS A TRIBUTAR em 2009” (fls. 4180), com base nas receitas declaradas a RFB. Na seqüência, justifica a aplicação de multa qualificada de 150% nos seguintes termos: [...] No que concerne à prática adotada pela empresa, releva registrar que, diante do evidente intuito de fraude caracterizado, é de se aplicar à qualificação da multa. Não restam dúvidas quanto à intenção da fiscalizada em deixar de tributar receitas da sua atividade econômica, causando prejuízo aos cofres públicos. A multa de ofício qualificada aplicável ao caso em tela está prevista no artigo 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e tem como pressuposto para sua aplicação a existência de “evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964”. Os fatos levantados no procedimento fiscal conduzem para a conclusão indubitável de que o dolo esteve presente na conduta adotada pelo contribuinte, onde mediante prática reiterada e sistematizada, deixou de oferecer à tributação receitas da sua atividade econômica, ao longo de todo o período de apuração do ano calendário de 2009, circunstâncias que não deixam dúvida quanto à voluntariedade da conduta. Não apenas deixou de oferecer à tributação fatos imponíveis inerentes à atividade, como utilizou artifício com o propósito a evitar o conhecimento pelo fisco, seja através da apresentação de DIPJ original zerada, ou mantendo a margem da escrituração fatos inerentes à movimentação financeira ou dissimulandoos mediante sistemática de registro concebida para tal intento. Assim, resta sobejamente configurada a vontade deliberada do Administrado de furtarse ao cumprimento das respectivas obrigações de natureza tributária, ainda mais, que nada recolheu aos cofres públicos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. As exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS foram acrescidas de multa de 75% e estão assim motivadas nos autos de infração: Valor apurado em razão da mudança realizada pela fiscalização da forma de tributação do Lucro Real para o Lucro Arbitrado. Fl. 4368DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 7 6 A empresa apurava seu lucro pelo Lucro Real, sendo assim, a tributação das Contribuições para o PIS e para a Cofins era pela NãoCumulatividade, como a contabilidade da empresa foi considerada pela fiscalização como imprestável para apuração pelo lucro real, foi arbitrado seu lucro onde a forma de tributação das contribuíções é pela Cumulatividade. Dessa forma, estamos tributando as contribuições pela forma de apuração da Cumulatividade. Para chegarmos as bases de cálculo das contribuições utilizamos as DACON apresentadas a Receita Federal do Brasil pela própria contribuinte, descontadas dos valores já recolhidos pela empresa. Os motivos do arbitramento do lucro estão descritos detalhadamento no Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal, que é parte integrante e inseparável deste auto de infração. Impugnando a exigência, a contribuinte discordou do arbitramento dos lucros, apontando vício formal no procedimento, desqualificando as planilhas de cálculo, discordando do coeficiente adotado e alegando cerceamento ao seu direito de defesa. Questionou a qualificação da penalidade por ausência de prova do dolo específico, e também porque confiscatória. E defendeu a regularidade de sua conduta ao deixar de apresentar os extratos bancários. A Turma julgadora acolheu parcialmente estes argumentos, excluindo a qualificação da penalidade em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 Lucro Arbitrado. Forma de Apuração do Lucro para o Imposto de Renda. Inaplicabilidade do art. 148 do CTN. O lucro arbitrado é uma das formas previstas na legislação em vigor para apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, não se confundindo com o arbitramento previsto no art. 148 do Código Tributário Nacional, que se aplica ao valor ou preço de bens, serviços ou negócios jurídicos. Incorreções na Escrita Contábil. Impossibilidade de identificar a movimentação Financeira. Lucro Arbitrado. Cabimento. É cabível, na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, o lucro arbitrado quando a escrita contábil do contribuinte contiver imprecisões e irregularidades que impossibilitem a identificação da real movimentação financeira. Multa Qualificada. Falta de Comprovação de Dolo. Não cabimento. É incabível a aplicação de multa qualificada, com percentual de 150%, quando não restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, observandose que a divergência entre as informações contidas nas declarações e as constantes dos livros fiscais e contábeis, por si só, não caracteriza dolo. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2009 CSLL e IRPJ. Lançamento. Identidade de Matéria Fática. Decisão Mesmos Fundamentos. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2009 Fl. 4369DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 8 7 Cofins e IRPJ. Lançamento. Identidade de Matéria Fática. Decisão Mesmos Fundamentos. Aplicamse ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2009 PIS e IRPJ. Lançamento. Identidade de Matéria Fática. Decisão Mesmos Fundamentos. Aplicamse ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. O crédito tributário exonerado representou montante inferior ao fixado na Portaria MF nº 3/2008, não se submetendo a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 20/11/2013 (fl. 4326), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 19/12/2013 (fls. 4332/4361). Assevera que após longo procedimento de fiscalização, no qual foram apresentados inúmeros documentos analisados pela autoridade fiscal, esta decidiu arbitrar a base de cálculo e efetuar o lançamento com amparo nestes valores, que entendeu refletirem a movimentação econômica da empresa. O arbitramento foi fundamento em dispositivos do art. 530 do RIR/99 e a autoridade julgadora de 1a instância entendeu que o artigo 148 do CTN não se aplica ao caso em tela, uma vez que não se confunde com o lucro arbitrado previsto no artigo 47 da Lei 8.981/1995, que trata de modalidade de apuração. Contudo, referido dispositivo apenas regulamenta com maior propriedade o disposto no CTN, norma geral em matéria tributária, e deve a ela se reportar. Ou seja, não afasta as disposições da lei complementar, mas sim as complementa. Entende, assim, que o arbitramento da base de cálculo dos tributos é medida adotada pelo Fisco, sob as condições estabelecidas na Lei 8.981/1995, de acordo com o disposto no artigo 148 do CTN. Aponta que o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou favoravelmente à aplicação do art. 148 do CTN quando do arbitramento da base de cálculo, e vários precedentes deste Conselho também aplicam esta norma geral em casos de arbitramento. Defende a aplicação de ambos dispositivos, argumenta que o arbitramento depende de alguns requisitos, tais como a recusa ou sonegação de documentos e informações por parte do contribuinte, de sua apresentação insuficiente, ou ainda, de não merecerem fé aqueles apresentados. A Fiscalização entendeu que sua documentação contábil seria inidônea, mas em tais condições deveria ter instaurado procedimento administrativo, com garantia do contraditório e ampla defesa. Acrescenta que: 21. Contudo, é necessária a ocorrência do fato gerador da exação, pois o arbitramento referese exclusivamente ao critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária: a base de cálculo. Na situação dos autos, o arbitramento da base de cálculo se deu ao total arrepio dos dispositivos legais supracitados, pois não foi realizado procedimento administrativo prévio para a apuração do tributo. Portanto, à Recorrente não foi oportunizada a ampla defesa e o contraditório, implicando a nulidade do lançamento, por ausência de requisito formal. Transcreve doutrina, diz que não consta da notificação que a Recorrente tenha sido previamente cientificada de que seria efetuado um arbitramento dos valores e Fl. 4370DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 9 8 tampouco que foi intimada, após a conclusão do processo, para apresentar contestação ao valor do lucro que foi arbitrado pela Autoridade Administrativa. Reportase às planilhas de fls. 4178/4180 dizendo que elas nada demonstram de concreto e não contêm explicação detalhada dos documentos que fundamentaram a adoção de referidos montantes. E frisa ser este o ponto exato de sua insurgência: deveria ter sido oportunizada a impugnação no valor da base de cálculo que foi arbitrada, anteriormente ao lançamento definitivo do montante. Desrespeitado o princípio do devido processo legal, por ausência de processo autônomo à contestação do lançamento tributário, que deve precedêlo. Complementa que esta é a melhor interpretação do art. 148 do CTN, na forma de doutrina que cita e de manifestação do Superior Tribunal de Justiça nos autos da RMS nº 26.964/GO. Observa que a utilização do arbitramento significa que a autoridade fiscal desclassifica os elementos e informações efetuados pelo contribuinte, e nenhum dos entes federados pode dispor, em sua legislação de maneira contrária à regulada pelo CTN. Diz que a autoridade fiscal, em verdade, usou de um método presuntivo, não previsto em lei, pois o arbitramento se presta a quantificar o fato gerador cuja ocorrência é provada, apenas desconsiderando o valor atribuído pelo sujeito passivo, motivo pelo qual deve permitir que o sujeito passivo impugne as bases adotadas, de modo a determinar o valor que será tributado. Entende ser seu direito discutir previamente não só a aplicação do arbitramento como também seu resultado, com direito à uma avaliação contraditória, no caso de impasse. Transcreve outros excertos doutrinários e jurisprudenciais, enfatizando que não se arbitra o tributo, mas sim a base de cálculo. Ressalta que o procedimento de fiscalização não se presta ao contraditório requerido, e pede o reconhecimento de vício formal na constituição do lançamento, tendo em vista a necessidade de formação do contraditório após o arbitramento da base de cálculo e antes do lançamento. Prossegue destacando que o arbitramento dos lucros resulta de erros e falhas em sua escrituração, mas boa parte das 4.322 folhas dos autos é constituída por documentos apresentados pela recorrente, que atendeu a praticamente todas as solicitações. Destaca os livros, demonstrações e declarações apresentadas; enuncia documentos e petições juntadas aos autos; e observa que o relatório fiscal denota que o arbitramento não decorre da ausência de documentos ou elementos para sua apuração e sim em razão da forma de contabilização das contas da empresa, sobre a qual divergiu a Fiscalização. Diz que as irregularidades no registro de vendas e compras decorrem da data de escrituração, pois não deixou de lançar as respectivas receitas ou despesas, como ressalta o próprio Fiscal, e assim não poderia ter por objetivo ocultar receitas ou ludibriar a fiscalização, ainda que não individualizadas. Opõese à acusação de “descontrole” da conta Caixa e conseqüente apuração de saldo credor em 30/11/2009, reportandose à petição e aos demonstrativos e documentos apresentados para justificar o equívoco. Acrescenta que apresentou listagem de todos os cheques emitidos, com cópia dos respectivos títulos; que esclareceu o trânsito destes valores pela conta Caixa; e que apresentou à Fiscalização mais de 1.000 (mil) folhas em recibos, boletos de pagamento e notas fiscais, comprovando as receitas e as despesas com fornecedores, permitindo a individualização dos lançamentos unificados. Transcreve seus esclarecimentos acerca dos registros globais de vendas e compras aduzindo não se obrigatório Livro Auxiliar da Conta Caixa, cuja ausência não pode Fl. 4371DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 10 9 servir para desqualificar sua contabilidade, mormente tendo em conta a individualização dos registros nos Livros de Saída. A divergência existente se limitaria às datas dos respectivos lançamentos, de modo que a Fiscalização, ao discordar de seus registros, deveria ter submetido a tributação específica as irregularidades verificadas, e não considerar imprestável sua escrituração. Esclarece que a DIPJ originalmente apresentada zerada decorreu de erro de fato, reafirma sua opção pelo lucro real, na medida em que os prejuízos apurados impediram recolhimentos, mas houve recolhimentos de Contribuição ao PIS e de COFINS na sistemática nãocumulativa. E complementa que as retificações promovidas posteriormente destinaramse a atender às exigências da autoridade fiscal. Argumenta que a não apresentação de extratos bancários também não justifica o arbitramento, porque sua exigência é inconstitucional, ofendendo o art. 5o, inciso X da Constituição Federal, na forma de doutrina e jurisprudência que cita. Acrescenta que a quebra do sigilo bancário por parte do ente administrativo não observou igualmente preceitos infraconstitucionais, a ensejar sua nulidade, reportandose às disposições do art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001 e ao Decreto nº 3.724/2001, e destacando a ausência da indispensabilidade do exame das informações bancárias, vez que ausente quaisquer das hipóteses taxativamente expostas no art. 3o do Decreto nº 3.724/2001, especialmente ante a apresentação de farta documentação contábil, financeira e contratual à autoridade fiscal. Entende que a situação presente não se enquadra nas hipóteses de arbitramento previstas no art. 530 do RIR/99. Ressalta que o arbitramento do lucro é uma forma de apuração do imposto devido e não constitui uma sanção, devendo ser aplicado quando impossível a apuração pelo lucro real ou presumido, ou seja, como método excepcional. Cita julgados administrativos nestes sentido, destacando a necessidade de demonstração cabal da impossibilidade de se confiar na escrituração do contribuinte ou quando a mesma se revelar imprestável para a apuração do Lucro Real, e pede o afastamento do lucro arbitrado pela autoridade fiscal. Questiona, ainda, os critérios do arbitramento, dizendo que não há explicação dos autos, não há legislação que fixe referido percentual unilateral e sem previsão legal, tampouco foi concedido à Impugnante prazo para impugnar referido percentual, o que poderia ser efetuado através de simulações com outros períodos. Novamente reportase às planilhas de fls. 4178/4180 e defende que no auto de infração também deveria ter sido mencionado a situação fática ensejadora do auto e os critérios ou dados utilizados sempre que houver arbitramento na base de cálculo do imposto, sob pena de impossibilitar a defesa do contribuinte autuado. Assevera inexistir explicação ou indício de como a autoridade administrativa apurou as bases de cálculo do imposto, para o que não se presta o Demonstrativo do Imposto Devido e não Recolhido, baseado em valores aleatórios. Entende prejudicado seu direito de defesa, opõese à utilização de “regra de três” e conclui que os aspectos formais referentes à base de cálculo são insuficientes para possibilitar defesa segura e pertinente. Aduz que a falta de explicitação da base de cálculo ou da alíquota na peça veicular do lançamento atenta contra o critério quantitativo da norma jurídica, e que sendo o lançamento atividade vinculada, não podem prosperar motivações de conveniência ou de comodidade para serem desconsideradas as declarações apresentadas pelo contribuinte. Invoca o princípio da legalidade e o dever da Administração Pública de zelar pelos direitos do Fl. 4372DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 11 10 administrado e afirma nulo o lançamento frente à ausência de indicação de critérios para apuração da base de cálculo arbitrada pela Autoridade Administrativa. Fl. 4373DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 12 11 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente a recorrente aponta vício formal no lançamento, porque não observado o rito que entende previsto no art. 148 do CTN para arbitramento dos lucros. Referido dispositivo legal está assim redigido: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. A lei complementar autoriza, nestes termos, que a autoridade lançadora adote qualquer critério para arbitramento da base de cálculo do tributo, desde que demonstre ser inadmissível o valor atribuído pelo sujeito passivo ou terceiro legalmente obrigado. A razoabilidade do critério adotado, em tais circunstâncias, é garantida mediante a possibilidade de contestação pelo interessado, e de conseqüente avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Ocorre que no âmbito do arbitramento de lucros, base imponível do IRPJ e da CSLL, a discricionariedade atribuída à autoridade administrativa pelo mencionado dispositivo legal foi substituída por critérios objetivamente postos, atualmente, na Lei nº 8.981/95: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) Fl. 4374DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 13 12 VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. Nestes termos, no âmbito da apuração do lucro tributável, a autoridade fiscal somente pode afirmar que são omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, se demonstrar presente uma das circunstâncias previstas nos incisos do art. 47 da Lei nº 8.981/95, das quais destacamse aquelas aplicáveis aos optantes pelo lucro real no período aqui fiscalizado: 1) escrituração que não observa as leis comerciais ou fiscais, ou falta de elaboração de demonstrações financeiras (inciso I); 2) escrituração comercial imprestável para identificação da movimentação financeira ou determinação do lucro real (inciso II); 3) falta de apresentação dos livros e documentos à Fiscalização (inciso III); e 4) falta de escrituração do Livro Razão (inciso VII). E, presente hipótese de arbitramento, o legislador também estabeleceu os critérios para determinação do lucro tributável, consoante exposto na Lei nº 9.249/95: Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. Parágrafo único. No caso das instituições a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o percentual para determinação do lucro arbitrado será de quarenta e cinco por cento. O art. 15 da Lei nº 9.249/95, por sua vez, dispõe que: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; Fl. 4375DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 14 13 II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Somente subsiste alguma discricionariedade quando não é conhecida a receita bruta para arbitramento dos lucros. Neste caso, a Lei nº 8.981/95 põe à disposição do Fisco vários critérios alternativos, nos seguintes termos: Art. 51. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo: I 1,5 (um inteiro e cinco décimos) do lucro real referente ao último período em que pessoa jurídica manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais, atualizado monetariamente; II 0,04 (quatro centésimos) da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido, atualizado monetariamente; III 0,07 (sete centésimos) do valor do capital, inclusive a sua correção monetária contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial Fl. 4376DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 15 14 conhecido ou registrado nos atos de constituição ou alteração da sociedade, atualizado monetariamente; IV 0,05 (cinco centésimos) do valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido, atualizado monetariamente; V 0,4 (quatro décimos) do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; VI 0,4 (quatro décimos) da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem; VII 0,8 (oito décimos) da soma dos valores devidos no mês a empregados; VIII 0,9 (nove décimos) do valor mensal do aluguel devido. § 1º As alternativas previstas nos incisos V, VI e VII, a critério da autoridade lançadora, poderão ter sua aplicação limitada, respectivamente, às atividades comerciais, industriais e de prestação de serviços e, no caso de empresas com atividade mista, ser adotados isoladamente em cada atividade. § 2º Para os efeitos da aplicação do disposto no inciso I, quando o lucro real for decorrente de períodobase anual, o valor que servirá de base ao arbitramento será proporcional ao número de meses do períodobase considerado. § 3º Para cálculo da atualização monetária a que se referem os incisos deste artigo, serão adotados os índices utilizados para fins de correção monetária das demonstrações financeiras, tomandose como termo inicial a data do encerramento do períodobase utilizado, e, como termo final, o mês a que se referir o arbitramento. Concluise, do exposto, que a discricionariedade presente no art. 148 do CTN foi quase que totalmente suprimida pela legislação ordinária, e no pequeno espectro que ainda subsiste deve ser justificada pelo desconhecimento da receita bruta e orientada pelos critérios alternativos postos pelo legislador. Conseqüência disto é a supressão, também, da contestação originalmente facultada ao sujeito passivo, ao menos no âmbito administrativo, na medida em que as autoridades fiscais e julgadoras estão vinculadas à lei, e discordar dos critérios ali postos implicaria negar sua validade. No presente caso, o arbitramento dos lucros teve em conta a receita bruta trimestralmente informada pela contribuinte em sua DIPJ, sobre a qual foi aplicado o coeficiente de 9,6%, resultante da majoração em 20% do coeficiente básico de presunção de lucro (8%) no âmbito do IRPJ. Já a base de cálculo da CSLL correspondeu a 12% da receita bruta, nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249/95. Assim, admitese apenas a discordância manifestada pela defesa acerca da argumentação desenvolvida na decisão de 1a instância em desfavor da aplicabilidade do art. 148 do CTN no âmbito da apuração de lucro. De fato, a autoridade julgadora de 1a instância entendeu, diversamente do que até aqui exposto, que o dispositivo legal invocado pela contribuinte somente se refere a arbitramento de valor ou de preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, hipóteses que não contemplam o lucro arbitrado, forma de apuração cogitada no art. 44 do mesmo diploma legal. Já na interpretação que orienta o presente voto vislumbrase no art. 44 do CTN a permissão de que a renda ou proventos tributáveis sejam aferidos, também, de forma arbitrada ou presumida. Por sua vez, aferir a renda por arbitramento nada mais seria do que atribuir um valor ao resultado dos atos jurídicos praticados pelo contribuinte no período de Fl. 4377DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 16 15 apuração. Deste modo, se não houvesse legislação específica retirando a discricionariedade da autoridade lançadora, esta poderia se valer de qualquer critério cuja razoabilidade seria aferida mediante contestação e avaliação contraditória, nos termos do art. 148 do CTN. A recorrente defende que a legislação ordinária apenas regulamenta com maior propriedade o disposto no CTN, norma geral em matéria tributária, e deve a ela se reportar, de modo a complementála, sem afastar suas disposições. Não se pode ignorar, porém, que o IRPJ e a CSLL são tributos nos quais a lei atribui, ao sujeito passivo, o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 150 do CTN) e em tais condições as formas de apuração passaram a ser estabelecidas em lei não só para lançamento de ofício em caso de omissão do sujeito passivo naquele dever que lhe é atribuído, mas especialmente para cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Deste modo, a definição legal dos critérios de arbitramento dos lucros, antes de afastar as disposições do art. 148 do CTN, prestase a uniformizar este procedimento, e permitir também ao sujeito passivo, quando se encontre nas hipóteses definidas em lei, anteciparse ao procedimento fiscal e espontaneamente recolher os tributos devidos sem a aplicação de penalidades. Frente a tais circunstâncias, os critérios legais para arbitramento do lucro devem ser interpretados como válida complementação da norma geral, que não contraria suas disposições, mas sim retira da autoridade fiscal a discricionariedade para dimensionamento do lucro tributável, priorizando a isonomia e a segurança jurídica. Ademais, a Constituição Federal assim define o escopo da lei complementar no âmbito tributário: Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) E a fixação de critérios para determinação da base de cálculo é matéria destinada à lei ordinária, nos termos do Código Tributário Nacional: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; Fl. 4378DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 17 16 II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. A recorrente demonstra que o art. 148 do CTN é referido pela jurisprudência administrativa e judicial como suporte para o arbitramento de lucros, porém não logra indicar qualquer julgado que ampare sua tese acerca da indispensabilidade de prévia instauração de procedimento administrativo, com garantia do contraditório e ampla defesa para determinação da base de cálculo a ser utilizada no lançamento tributário. Reportase especificamente ao Recurso em Mandado de Segurança nº 26.964GO, assim ementado: TRIBUTÁRIO. ICMS. ART. 148 DO CTN. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INDÍCIOS DE SUBFATURAMENTO. 1. A pauta fiscal é valor fixado prévia e aleatoriamente para a apuração da base de cálculo do tributo. Não se pode confundila com o arbitramento de valores previsto no artigo 148 do Código Tributário Nacional, que é modalidade de lançamento, regularmente prevista na legislação tributária. 2. O art. 148 do CTN deve ser invocado para a determinação da base de cálculo do tributo quando certa a ocorrência do fato imponível, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos registrados pelo contribuinte não mereçam fé, ficando a Fazenda Pública, nesse caso, autorizada a proceder ao arbitramento mediante processo administrativofiscal regular, assegurados o contraditório e a ampla defesa. 3. Ao final do procedimento previsto no art. 148 do CTN, nada impede que a administração fazendária conclua pela veracidade dos documentos fiscais do contribuinte e adote os valores ali consignados como base de cálculo para a incidência do tributo. 4. Caso se entenda pela inidoneidade dos documentos, a autoridade fiscal irá arbitrar, com base em parâmetros fixados na legislação tributária, o valor a ser considerado para efeito de tributação. 5. No caso, havendo indícios de subfaturamento, os fiscais identificaram o sujeito passivo, colheram os documentos necessários à comprovação da suposta infração e abriram processo administrativo para apurar os fatos e determinar a base de cálculo do imposto a ser pago, liberando na seqüência as mercadorias. Não se trata, portanto, de pauta fiscal, mas de arbitramento da base de cálculo do imposto, nos termos do que autoriza o art. 148 do CTN. 6. Recurso ordinário em mandado de segurança não provido. Fl. 4379DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 18 17 Contudo, a argumentação contida na parte final do voto condutor do julgado permite afirmar que o direito ao contraditório é assegurado no curso do processo administrativo fiscal, ao final do qual será determinado se procede a acusação fiscal: Como se vê, o valor previsto na IN 01/04SGAF não foi adotado como base de cálculo definitiva da operação tributada, mas apenas serviu de referencial para que os fiscais da Fazenda Estadual iniciassem o processo administrativo, por presumirem fraudulento e subfaturado o valor indicado na nota fiscal, já que muito inferior aos preços usualmente praticados no mercado. Assim, não se trata de pauta fiscal, mas de arbitramento da base de cálculo do imposto, nos termos autorizados pelo art. 148 do CTN. Ao final do processo administrativo instaurado, em que será resguardado o direito ao contraditório e à ampla defesa, nada impede que a impetrante consiga ilidir a presunção de subfaturamento que pesa sobre as operações fiscalizadas, provando a veracidade material dos documentos fiscais e a idoneidade dos valores ali declarados. Caso saia vitoriosa do embate administrativo, a base de cálculo do tributo será o valor indicado nas notas fiscais que espelham a operação investigada. Caso contrário, será adotado o valor indicado na IN 01/04SGAF como base de cálculo da operação. No mesmo sentido, observase que o Superior Tribunal de Justiça, mesmo em face do arbitramento promovido nos termos do art. 33, §6o da Lei nº 8.212/91, admite que a contestação dos critérios fiscais se faça depois do lançamento tributário, e diz que não há ofensa ao princípio da legalidade se os critérios para aferição indireta são definidos em ordem de serviço: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. AFERIÇÃO INDIRETA. ART. 33, § 6º, DA LEI N. 8.212/91. MEDIDA EXCEPCIONAL. CONTESTAÇÃO AO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE REAL. PRECEDENTES. 1. A apuração indireta do tributo prevista no art. 33, § 6º, da Lei n. 8.212/91 guarda simetria com a previsão do lançamento por arbitramento do art. 148 do CTN, bem como de outros normativos existentes no campo tributário, e representa forma de constituição do crédito tributário, revestindose de excepcionalidade a ser aplicada quando verificada a absoluta ausência ou imprestabilidade da documentação contábil e fiscal da empresa, constituindo irregularidade insanável. 2. A aferição indireta perpetrada pela autoridade tributária não obsta o direito do contribuinte de, em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, ilidir a presunção de legitimidade dos atos fiscais na constituição por arbitramento, pois somente a irregularidade insanável, entendida como aquela que inviabiliza no todo a apuração do tributo, justifica a constituição do crédito nesta modalidade. 3. O art. 33, § 6º, da Lei n. 8.212/91 bem como o art. 148 do CTN representam a concretização normativa do princípio da verdade real em matéria tributária, dando azo para que a empresa contribuinte, rendendo homenagem ao citado princípio, possa contestar o lançamento tributário na via administrativa ou judicial. 4. Precedentes: REsp 1.201.723/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 14.9.2010, DJe 6.10.2010; REsp 830.837/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 1º.6.2010, DJe 23.6.2010; REsp 901.311/RJ, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, Fl. 4380DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 19 18 julgado em 18.12.2007, DJe 6.3.2008; REsp 549.921/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 21.6.2007, DJ 1.10.2007, p. 212. 5. Com efeito, a premissa jurídica firmada no acórdão dos embargos infringentes no sentido de que "a correção das irregularidades contábeis após a fiscalização não tem o condão de invalidar a aferição indireta dos tributos devidos" se contrapõe ao entendimento colacionado nos precedentes desta Corte, negando ao contribuinte a faculdade de fazer prova apta a infirmar as presunções que servira de base de cálculo do imposto. Recurso especial provido. (Recurso Especial nº 1.377.943 – AL, Dje: 30/09/2013) RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (RESP 973.733/SC). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR/CEDENTE DE MÃODEOBRA X TOMADOR/CESSIONÁRIO DE MÃODEOBRA. ARTIGO 31, DA LEI 8.212/91. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA). PERÍODO POSTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO). RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.131.047/MA). AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 148, DO CTN, C/C ARTIGO 33, § 6º, DA LEI 8.212/91. PROCEDIMENTO REGULADO POR ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. TAXA SELIC. APLICAÇÃO AOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PAGOS A DESTEMPO. LEI 9.065/95. (...) 29. Outrossim, a Administração Tributária pode proceder à aferição indireta ou arbitramento da base imponível do tributo, nas hipóteses enumeradas no artigo 148, do CTN, verbis: 'Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.' 30. O artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, determina que, 'se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contbilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário'. 31. Destarte, a ausência de documentação que reflita, de maneira idônea, a realidade dos fatos, autoriza a autoridade fiscal a proceder à aferição indireta das contribuições sociais devidas, desde que observados os princípios da finalidade da lei, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contribuinte, sendo certo, ainda, que a expedição de Ordens de Serviço a fim de regular o procedimento de arbitramento da base de cálculo, autorizada pela lei ordinária, não caracteriza ofensa ao princípio da legalidade tributária estrita. Fl. 4381DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 20 19 32. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95. 33. Recurso especial desprovido." (Recurso Especial nº 719.350/SC, Dje: 21/02/2011). No âmbito da apuração do lucro, até mesmo porque este fato jurídico tributário apresenta uma complexidade diferenciada daquela verificada na incidência das contribuições previdenciárias e do ICMS, a lei antecipouse definindo o referencial e o coeficiente para arbitramento da base de cálculo. Por certo o legislador valeuse de um método presuntivo, mas constituiu uma presunção legal, o que impede a discussão de sua validade no âmbito administrativo e limita o litígio à comprovação da hipótese de arbitramento do lucro e à observância dos critérios legais para sua determinação. Ainda defendendo a necessidade de procedimento prévio para aferição da base de cálculo, a recorrente questiona o conteúdo das planilhas de fls. 4178/4180 dizendo que elas nada demonstram de concreto e não contêm explicação detalhada dos documentos que fundamentaram a adoção de referidos montantes. Ocorre que os valores ali indicados, para fins de arbitramento dos lucros trimestrais (fl. 4180), são precisamente aqueles informados a título de receita bruta pela própria contribuinte na DIPJ retificada durante o procedimento fiscal (fls. 4132/4177). A autoridade lançadora, inclusive, consigna expressamente no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 4268, que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL está detalhada no “DEMONSTRATIVO DAS RECEITAS A TRIBUTAR em 2009” (fls. 4180), com base nas receitas declaradas a RFB. Assim, acolhendo as informações da contribuinte, a autoridade lançadora não estava obrigada a demonstrar a forma de sua apuração. Por todo o exposto, resta evidenciado que a autoridade lançadora arbitrou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL a partir dos critérios legalmente estabelecidos, o que dispensa a formação de contraditório prévio e afasta o vício formal apontado pela recorrente, não restando caracterizada ofensa ao devido processo legal, de modo que, sob esta ótica, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento. No mérito, a recorrente destaca que o arbitramento se verificou após longo procedimento de fiscalização, no qual foram apresentados inúmeros documentos analisados pela autoridade fiscal. Diz que o procedimento resulta de erros e falhas em sua escrituração, mas boa parte das 4.322 folhas dos autos é constituída por documentos apresentados pela recorrente, que atendeu a praticamente todas as solicitações. Destaca os livros, demonstrações e declarações apresentadas; enuncia documentos e petições juntadas aos autos; e observa que o relatório fiscal denota que o arbitramento não decorre da ausência de documentos ou elementos para sua apuração e sim em razão da forma de contabilização das contas da empresa, sobre a qual divergiu a Fiscalização. Tem razão em parte a recorrente porque o arbitramento dos lucros decorre, principalmente, da forma de contabilização das contas da empresa, mas isto também porque a contribuinte deixou de apresentar registros auxiliares e documentação comprobatória de vários fatos escriturados. O relato fiscal deixa patente que a contribuinte não adotou critério uniforme para escrituração de suas operações, antecipando o reconhecimento de ingressos financeiros decorrentes de vendas, bem como a quitação de fornecedores, além de consignar esta movimentação financeira integralmente em Caixa, impedindo a visualização dos efeitos da tramitação em Caixa de todos os valores depositados e sacados de suas contas bancárias. Fl. 4382DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 21 20 De fato, nada impede que o sujeito passivo faça uso do que se denomina, na prática, “caixa flutuante”, lançando como ingresso de Caixa todos os valores sacados nas instituições financeiras, e como saída de Caixa todos os valores depositados em instituições financeiras. Apenas que as contrapartidas reais daqueles saques (pagamentos de despesas, fornecedores, distribuição de lucros, etc.) devem ser contabilizadas contemporaneamente como saídas de Caixa, assim como as contrapartidas reais daqueles depósitos (recebimento de vendas, empréstimos, suprimentos de sócios, etc.) devem ser registrados de forma semelhante como entradas de Caixa. No caso, o sujeito passivo fazia transitar pela conta Caixa toda sua movimentação financeira, mas antecipava os registros das contrapartidas reais daquelas operações bancárias, baixando dívidas e registrando o ingresso de receitas antes de sua efetiva ocorrência. Em conseqüência, tornase impossível aferir a regularidade da escrituração da movimentação financeira, e criase um cenário no qual saques bancários destinados a terceiros podem indevidamente suprir a conta Caixa, majorando seu saldo de modo a permitir que depósitos bancários promovidos por clientes sejam escriturados como provenientes de recursos da conta Caixa, e não com contrapartida em receita de vendas. Como bem observa a autoridade lançadora, o Código Civil assim disciplina a escrituração comercial: Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens. Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1o Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2o Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. Pertinentes, também, as referências às Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade acerca do Princípio da Oportunidade: RESOLUÇÃO CFC N.º 750/93 Dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade. Seção III O PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE Art. 6º O Princípio da OPORTUNIDADE referese, simultaneamente, à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram. Fl. 4383DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 22 21 Parágrafo único. Como resultado da observância do Princípio da OPORTUNIDADE: I – desde que tecnicamente estimável, o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência; II – o registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando os aspectos físicos e monetários; III – o registro deve ensejar o reconhecimento universal das variações ocorridas no patrimônio da ENTIDADE, em um período de tempo determinado, base necessária para gerar informações úteis ao processo decisório da gestão. RESOLUÇÃO CFC N.º 774/94 2. COMENTÁRIOS AOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE 2.3.1 – Aspectos conceituais O Princípio da OPORTUNIDADE exige a apreensão, o registro e o relato de todas as variações sofridas pelo patrimônio de uma Entidade, no momento em que elas ocorrerem. Cumprido tal preceito, chegase ao acervo máximo de dados primários sobre o patrimônio, fonte de todos os relatos, demonstrações e análises posteriores, ou seja, o Princípio da Oportunidade é a base indispensável à fidedignidade das informações sobre o patrimônio da Entidade, relativas a um determinado período e com o emprego de quaisquer procedimentos técnicos. É o fundamento daquilo que muitos sistemas de normas denominam de “representação fiel” pela informação, ou seja, que esta espelhe com precisão e objetividade as transações e eventos a que concerne. Tal tributo é, outrossim, exigível em qualquer circunstância, a começar sempre nos registros contábeis, embora as normas tendem a enfatizálo nas demonstrações contábeis. O Princípio da Oportunidade deve ser observado, como já foi dito, sempre que haja variação patrimonial, cujas origens principais são, de forma geral, as seguintes: a) transações realizadas com outras Entidades, formalizadas mediante acordo de vontades, independentemente da forma ou da documentação de suporte, como compra ou venda de bens e serviços; b) (...); (...). 2.3.3 – A tempestividade do registro A tempestividade obriga a que as variações sejam registradas no momento em que ocorrerem, mesmo na hipótese de alguma incerteza, na forma relatada no item anterior. Sem o registro no momento da ocorrência, ficarão incompletos os registros sobre o patrimônio até aquele momento, e, em decorrência, insuficientes quaisquer demonstrações ou relatos, e falseadas as conclusões, diagnósticos e prognósticos. Nestes termos, a contabilidade somente reflete o patrimônio da pessoa jurídica se os registros são promovidos no momento da ocorrência dos fatos escriturados. O registro antecipado do recebimento de vendas e do pagamento de fornecedores inviabiliza, precisamente, a demonstração das disponibilidades da pessoa jurídica, e permite, como exposto acima, que conclusões falsas sejam extraídas da contabilidade. É neste contexto que o art. 47, inciso II da Lei nº 8.981/95 (incorporado ao art. 530, inciso II do RIR/99), autoriza o arbitramento dos lucros não só quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real, como também Fl. 4384DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 23 22 para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. A escrituração precária da movimentação financeira, em descompasso com o momento da ocorrência das variações patrimoniais, não permite aferir se os recursos financeiros movimentados pela pessoa jurídica foram integralmente contabilizados, e por conseqüência se as receitas e despesas estão regularmente registradas. Acrescentese que ao assim proceder a contribuinte apurou prejuízo fiscal em todos os trimestres fiscalizados, e ao final inviabilizou as investigações fiscais acerca da existência de eventuais receitas recebidas e não escrituradas, bem como ocultou a efetiva quitação de despesas que afetaram seu resultado. A recorrente se defende afirmando que as irregularidades no registro de vendas e compras decorrem da data de escrituração, pois não deixou de lançar as respectivas receitas ou despesas, como ressalta o próprio Fiscal, e assim não poderia ter por objetivo ocultar receitas ou ludibriar a fiscalização, ainda que não individualizadas. Mas, como visto, esta afirmação somente pode ser feita porque a escrituração da contribuinte impediu a Fiscalização de aferir sua veracidade. Reportandose à apuração de saldo credor em 30/11/2009, a recorrente diz que justificou o equívoco mediante apresentação de listagem de todos os cheques emitidos, com cópia dos respectivos títulos; que esclareceu o trânsito destes valores pela conta Caixa; e que apresentou à Fiscalização mais de 1.000 (mil) folhas em recibos, boletos de pagamento e notas fiscais, comprovando as receitas e as despesas com fornecedores, permitindo a individualização dos lançamentos unificados. Inicialmente observese que a contribuinte não apresentou os extratos bancários exigidos pela Fiscalização, nem cópia dos cheques emitidos, agora afirmando que a intimação foi atendida mediante mera listagem destes documentos. Ademais, cumpre ter em conta que, como bem observa a autoridade lançadora, o que é apresentado para comprovar grande parte dos lançamentos na conta caixa e bancos é uma listagem com o nome de seus clientes extraída do Livro Registro de Saídas de Mercadorias (fls. 1.350/2.088). Para além disso, a autoridade fiscal desmereceu os elementos apresentados em razão das irregularidades antes mencionadas, quanto ao momento de sua contabilização, como bem exposto no Termo de Verificação Fiscal: Requer esclarecer que o valor de R$ 2.218.831,47 saiu do caixa da empresa no dia 05/01/2009, portanto, os documentos hábeis e idôneos para comprovar a identificação dos beneficiários teriam que ter datas e valores coincidentes, e não é o que se constata, ainda mais que a própria planilha e documentos trazem valores diversos do valor que saiu do caixa da empresa. Além disso, pagamentos realizados através de bancos não podem comprovar pagamentos realizados através da conta “Caixa”. Vale a pena frisar que os documentos apresentados para comprovar a saída do caixa em 05/01/2009, são pagamentos realizados inclusive em datas posteriores ao fato e através dos bancos onde a empresa mantém conta bancária. Ressaltese que, em nenhum momento foram apresentados documentos que pelo menos comprovassem a saída do numerário da conta caixa e a entrada do valor na conta bancária o que poderia dar suporte aos pagamentos realizados através do banco. Em tais condições, não se poderia exigir que a Fiscalização reconstituísse a escrituração do sujeito passivo, alocando tempestivamente os recebimentos e pagamentos Fl. 4385DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 24 23 demonstrados, de modo a identificar saques e depósitos que tramitaram pela conta Caixa sem a correspondente contrapartida efetiva, e assim aferir eventuais suprimentos indevidos de caixa ou pagamentos a beneficiários não identificados. E isto porque não se tratam de ocorrências esparsas, mas sim de um procedimento irregular uniformemente adotado durante todos os trimestres fiscalizados, a exigir a recomposição de toda a escrituração comercial do sujeito passivo, impedindo a tributação de eventuais infrações específicas como aventado na defesa. A recorrente também afirma a desnecessidade de Livro Auxiliar da Conta Caixa para detalhamento dos lançamentos globais, na medida em que estes estariam individualizados nos Registros de Entradas e Saídas. A escrituração do Livro Auxiliar, porém, mostrase indispensável para evitar que a comprovação se faça por meio de planilhas e demonstrativos imprecisos, como constatado no curso do procedimento fiscal e descrito pela Fiscalização ao abordar os documentos apresentados para esclarecer o saldo credor de Caixa evidenciado na escrituração a partir de 30/11/2009: Cabe ressaltar que o saldo credor iniciou em 30/11/2009 com o pagamento, conforme explicitado na contabilidade apresentada (fls. 2.669/3.300), de R$ 2.593.965,95 (dois milhões, quinhentos e noventa e três mil, novecentos e sessenta e cinco reais e noventa e cinco centavos) referente as mercadorias adquiridas no mês de novembro e estendeuse, o saldo credor, até o dia 30/12/2009, sendo que os maiores saldos credores ocorreram nos dias: 30/11/2009, no valor de R$ 1.168.546,42 (hum milhão e cento e sessenta e oito mil e quinhentos e quarenta e seis reais e quarenta e dois centavos) e no dia 20/12/2009, no valor de R$ 1.517.204,38 (hum milhão e quinhentos e dezessete mil e duzentos e quatro reais e trinta e oito centavos). Também no dia 30/11/2009 foram lançadas contra a conta “caixa” as vendas da empresa. Em relação à planilha “Excel” apresentada pela empresa para comprovar suas alegações, constatase que os pagamentos ali descritos ocorreram a partir de 08/10/2009 a 18/01/2010, como descrevemos a seguir: a) Em outubro de 2009 consta o valor pago de R$ 31.366,07; b) Em novembro de 2009 consta o valor pago de R$ 796.601,84; c) Em dezembro de 2009 consta o valor pago de R$ 1.595.093,53, e; d) Em janeiro de 2010 consta o valor pago de R$ 175.181,82; Portanto, com exceção do valor pago em janeiro de 2010, os demais estão no período abrangido pelo saldo credor. Por outro lado a planilha apresentada juntamente com os documentos anexados para comprovar suas alegações apresenta o valor total de R$ 2.598.243,26 (dois milhões, quinhentos e noventa e oito mil, duzentos e quarenta e três reais e vinte e seis centavos), enquanto que o valor lançado na contabilidade no dia 30/11/2009 foi de R$ 2.593.965,95 (dois milhões, quinhentos e noventa e três mil, novecentos e sessenta e cinco reais e noventa e cinco centavos). Portanto, até os valores são divergentes. No mais, a recorrente apresenta justificativas para a retificação da DIPJ e para a não apresentação de extratos bancários no curso do procedimento fiscal. Estes aspectos, porém, embora destacados na acusação fiscal, são marginais e não determinam, isoladamente, o arbitramento dos lucros, cujo principal fundamento encontrase validamente posto na imprestabilidade da escrituração comercial para identificação da movimentação financeira do sujeito passivo, como antes demonstrado. Fl. 4386DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 25 24 Destacando o caráter excepcional do arbitramento, a recorrente ainda reporta se a julgados administrativos que exigem a demonstração cabal da impossibilidade de se confiar na escrituração do contribuinte ou quando a mesma se revelar imprestável para a apuração do Lucro Real. Cita, inclusive, o Acórdão nº 110100.828, de relatoria desta Conselheira, assim ementado, na parte que aqui interessa: ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A constatação, apenas, da prática contábil de registrar todos os cheques e saques bancários creditados na conta Bancos a débito da conta Caixa, para em contrapartida a ela contabilizar os pagamentos eventualmente feitos com os valores sacados/descontados, bem como contabilizar todos os depósitos bancários a crédito da conta Caixa, para nela debitar o registro correspondente à origem daqueles depósitos bancários, não é suficiente para determinar o arbitramento dos lucros. Naquele caso, porém, a autoridade lançadora reputou imprestável a escrituração contábil da contribuinte em razão do registro de créditos na conta Caixa que não correspondiam a saídas efetivas, e de débitos na mesma conta classificados como entradas fictícias, ensejando saldos diários irreais, e, questionada, a contribuinte informou a adoção de prática com os contornos de “caixa flutuante” aqui já mencionada, deixando a autoridade fiscal de investigar outras irregularidades que poderiam desmerecer a escrituração comercial, como exposto no voto condutor daquele julgado: O procedimento alegado pela contribuinte, e questionado pela Fiscalização, é comumente denominado, na prática contábil, “Caixa Flutuante”, expressão criada em oposição ao “Caixa Fixo” que efetivamente revela as disponibilidades existentes na entidade. Por meio daquela prática, todos os cheques e saques bancários ingressam, inicialmente, a débito da conta Caixa, para em contrapartida a ela, num segundo lançamento, serem contabilizados os pagamentos eventualmente feitos com os valores sacados/descontados. Ainda, todos os depósitos bancários são contabilizados a débito de conta representativa de Bancos, mas sempre em contrapartida à conta Caixa, que num segundo lançamento receberá a débito o registro correspondente à origem daqueles depósitos bancários. Em tais circunstâncias, é possível ocorrer o alegado pela contribuinte: o recebimento de duplicadas por liquidação bancária ser contabilizado a débito de Caixa e a crédito de Duplicatas a Receber, na medida em que o depósito correspondente, na conta Bancos, foi contabilizado a crédito da conta Caixa. Esta prática viabiliza o registro do fluxo financeiro de receitas omitidas e de pagamentos de valores que não podem ser contabilizados como despesas. Todos os cheques e saques bancários suprem a conta Caixa, restando em seu saldo aqueles valores cuja contrapartida não pode ser contabilizada. Todos os depósitos bancários são retirados da conta Caixa, que somente recebe os débitos correspondentes às receitas que se pretende reconhecer. Contudo, embora tecnicamente inadequada, esta prática contábil, por si só, não justifica o arbitramento dos lucros. Os ditos registros de créditos na conta Caixa que não correspondiam a saídas efetivas somente representariam registros fictícios se a conta não tivesse recebido o débito correspondente, que também não deveria ter transitado pela conta Caixa. Da mesma forma, as entradas fictícias somente se caracterizariam se os cheques/saques bancários se destinassem a pagamentos que não foram contabilizados a crédito da conta Caixa. Por sua vez, os saldos diários irreais permitem cogitar não houve o regular registro de todos os dois lançamentos nos quais se desmembram cada operação, Fl. 4387DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 26 25 como antes explicitado. É possível que cheques/saques bancários tenham sido contabilizados a débito da conta Caixa, mas prestandose ao pagamento de despesas que não poderiam ser contabilizadas. Se, como aponta a Fiscalização, houve também omissão de receitas, bastaria que estes pagamentos irregulares superassem as receitas omitidas para que o saldo da conta Caixa fosse aumentado de forma irreal. Em tais condições, a Fiscalização deve exigir que o sujeito passivo demonstre a contabilização, a crédito da conta Caixa, de todos os pagamentos cujos cheques foram contabilizados a débito desta mesma conta, e na ausência daquela comprovação pode expurgar os débitos correspondentes da conta Caixa e, eventualmente, apurar saldo credor de Caixa, indício de omissão de receitas. Pode, também, exigir a correlação entre os créditos da conta Caixa que representem transferências para a conta Bancos e os débitos referentes ao ingresso original destes recursos em Caixa, pois se a contribuinte não lograr demonstrar esta vinculação, restará sem origem comprovada os depósitos bancários contabilizados. Aqui, ao contrário, a autoridade lançadora empenhouse em tentar identificar a correspondência dos ingressos e saídas de Caixa com as contrapartidas reais, como antes exposto, mas o registro antecipado de recebimento de vendas e de pagamentos a fornecedores impediu estas análises. Concluise, do exposto, que está demonstrada a impossibilidade de se confiar na escrituração do contribuinte, e a sua imprestabilidade para identificação da movimentação financeira do período, vício erigido pelo legislador como causa suficiente para o arbitramento, para além da imprestabilidade da escrituração para apuração do lucro real. No mais, reiterese que a lei, como demonstrado, fixa unilateralmente o coeficiente de presunção do lucro a ser aplicado sobre a receita bruta conhecida para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, restando imprópria a pretensão de que tal coeficiente fosse apurado através de simulações com outros períodos. Ainda, ao contrário do que entende a recorrente, o lançamento veicula claramente a situação fática ensejadora do auto e os critérios ou dados utilizados para o arbitramento, não só por meio das descrições contidas no Termo de Verificação Fiscal antes referidas, como também nos demonstrativos de apuração que integram os Autos de Infração (fl. 4182/4184 e 4207/4208). Logo, nenhum prejuízo se verificou à defesa do contribuinte autuado, que preferiu se pretender à interpretação que extraiu do art. 148 do CTN, e ignorou todos os elementos e fundamentos legais validamente expostos pela autoridade fiscal nos lançamentos guerreados, impropriamente classificados como veículos de valores aleatórios (fl. 4190 e 4214). A recorrente ainda se opõe à utilização de “regra de três”, técnica adotada pela autoridade fiscal na planilha de fl. 4178 com vistas a determinar qual parcela da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS não seriam passíveis de lançamento de ofício na sistemática cumulativa porque alcançadas pelos recolhimentos promovidos pela contribuinte na sistemática nãocumulativa. A justificativa para esta forma de cálculo está claramente exposta no Termo de Verificação Fiscal: Com referência ao PIS e a COFINS, como a empresa apurou suas bases de cálculo pelo regime da Não Cumulatividade que é inerente à apuração pelo Lucro Real, e como estamos Arbitrando seu lucro, também estamos refazendo suas bases de cálculo para a apuração pelo regime da Cumulatividade que é pertinente à tributação pelo regime do arbitramento. Fl. 4388DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.720292/201259 Acórdão n.º 1101001.157 S1C1T1 Fl. 27 26 Para esse fim, elaboramos nos meses em que ocorreu o fato gerador das contribuições pelo regime da NãoCumulatividade, planilha com a “Base de Cálculo Tributável” (fls. 4.178), para os meses em que ocorreram recolhimentos, onde recalculamos a base de cálculo das contribuições descontando os valores já recolhidos aos cofres públicos. Elaboramos também, uma planilha onde constam todos os valores, denominada, “Demonstrativo da Base de Cálculo PIS/COFINS” (fls. 4.179), na qual, constam as bases apuradas na planilha Base de Cálculo Tributável, e para os meses em que não ocorreram recolhimentos, utilizamos a base de cálculo informada a RFB pela empresa através das DACON (fls. 2.341/2.652). Como os recolhimentos no regime nãocumulativo se verificam sobre a receita bruta já reduzida pelos insumos autorizados por lei, a alteração do regime exige que um cálculo proporcional seja feito para determinar qual parcela da nova base de cálculo, considerando apenas a receita bruta do período e a nova alíquota aplicável, foi alcançada pelo recolhimento. O resultado desta providência é o mesmo que seria alcançado pela submissão de toda a receita bruta do período à alíquota aplicável, seguida da redução da contribuição apurada pelo recolhimento antes promovido. Logo, não há qualquer irregularidade nos cálculos da Fiscalização. Por todo o exposto, resta demonstrado que a autoridade lançadora não se omitiu no seu dever de explicitação da base de cálculo ou da alíquota na peça veicular do lançamento, desconsiderando os prejuízos fiscais originalmente declarados em razão do arbitramento dos lucros, devidamente fundamentado, mas tomando como referenciais a receita bruta trimestralmente informada pelo sujeito passivo na DIPJ e mensalmente informada nos DACON, e sobre elas aplicando os coeficientes e alíquotas fixados na legislação indicada nos autos de infração. O lançamento, assim, submetese integralmente ao que determina a legislação tributária, não se verificação quaisquer motivações de conveniência ou de comodidade, como aventado pela recorrente. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 4389DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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